Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa
                                            Sêmia Mauad *


Índice                                                 de redação e por alguns veículos de comuni-
                                                       cação, é de grande importância. É por meio
1. Introdução                                     1    desse profissional que empresas (públicas e
2. O surgimento da assessoria de impren-               privadas), e artistas são projetados junto à
   sa                                             2    imprensa. O bom assessor, além de promover
3. O começo da assessoria de imprensa                  a imagem de seu assessorado, o auxilia nos
   no Brasil                                      3    momentos de crise. Há particularidades que
4. Assessor de imprensa ou relações                    distinguem seu trabalho e suas funções vão
   públicas?                                      3    além da preparação de press releases e press
5. As ações desenvolvidas pela assesso-                kits.
   ria de imprensa                                4
6. Press releases                                 5
7. Mailing List                                   7    1.   Introdução
8. Clipping                                       7         The public be damed (O público
9. Press Kits                                     8            que se dane)
10. ollow up
   F                                              8
                                                            Willian Henry Vanderbilt, 1882.
11. ntrevistas coletivas e individuais
   E                                              9
12. erenciamento de crise
   G                                              9
13. om relacionamento com a mídia
   B                                             10       Foi assim que Willian Henry Vanderbilt
14. edia Trainning
   M                                             10    respondeu quando indagado sobre a qual-
15. onsiderações finais
   C                                             11    idade dos serviços prestados por suas fer-
16. eferências Bibliográficas
   R                                             12    rovias nos Estados Unidos. Naquela época, a
                                                       divulgação de informações ainda causou re-
                                                       sistência.
Resumo
                                                          Segundo Maristela Mafei “a frase entrou
  O trabalho de assessoria de imprensa, ape-           para a história como péssimo exemplo de
sar de não ser bem quisto pelos jornalistas            como as empresas lidavam com os interesses
   *
                                                       públicos e com seus usuários e consumi-
    * Bacharel em Comunicação Social - Habilitação
Jornalismo - pela Faculdade Governador Ozanam
                                                       dores”. (MAFEI, 2008: 32).
Coelho (Fagoc) e pós-graduada em Criação e Pro-           Esse foi o início das buscas por seus
dução em Mídia Eletrônica, pelo Centro Universitário   serviços profissionais que projetassem uma
de Belo Horizonte (UNI-BH).                            melhor exposição na mídia, não ferindo a in-
                                                       tegridade dos proprietários das empresas.
2                                                 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa


2. O surgimento da assessoria de                       A imprensa sindical avançava e a
   imprensa                                         transparência era cada vez mais exigida.
                                                    “A comunicação empresarial surge como
   Foi no século XX (1906) que o jornalista         uma tentativa de dar uma resposta, uma
americano Ivy Lee deu início a atividade de         satisfação a essas cobranças”, afirmou a
assessoria de imprensa.                             jornalista Maristela Mafei. (MAFEI, 2008:
   John Rockfeller, proprietário da Colorado        33).
Fuel and Iron C.O, foi seu primeiro cliente.           Lee conseguiu que as informações envi-
A tarefa não foi nada fácil. John foi acusado       adas a imprensa fossem divulgadas segundo
de mandar atirar contra seus empregados, en-        o seguinte critério: levar o jornalista a se in-
quanto estavam em greve.                            teressar pelo assunto e o apurar. Ele passava
   O jornalista conseguiu reverter à crise per-     credibilidade à notícia. Sendo assim, os jor-
ante a opinião pública por meio de ações, ori-      nalistas publicavam. Seus argumentos eram
entando seu cliente a dispensar os guarda-          de informação de qualidade, gratuita, exata e
costas e colaborar nos trabalhos de inves-          de interesse público.
tigação. Além disso, foram encaminhadas                Durante a 1o Guerra Mundial (1914-
aos editores de jornais, algumas notícias rel-      1918), o trabalho de assessoria de imprensa
evantes para a população.                           foi muito utilizado com o objetivo de ar-
   Para as autoras Cláudia Carvalho e Léa           recadar recursos financeiros e ressaltar o pa-
Maria Aarão Reis, Ivy Lee foi o “primeiro           triotismo.
assessor de imprensa dedicado à solução de             Já na 2o Guerra Mundial (1939-1945),
crises através de ações de transparência e          “as atividades de assessoria de imprensa
pragmatismo”:                                       voltaram a ser muito utilizadas, acomodadas
                                                    aos interesses autoritários das propagandas
    Com essa postura, Lee criou na im-              fascista e nazista”. (MAFEI, 2008: 34).
    prensa americana uma espécie de tol-               A publicidade intensa nesse período se
    erância aos acidentes e problemas de            aproximou das técnicas de propaganda
    grande repercussão. Ele abriu as por-           política: “uma mentira repetida sistematica-
    tas das empresas e indústrias para as           mente poderia ser absorvida como verdade
    quais trabalhava, e mostrou os proces-          pelo grande público”. (CHINEN, 2003: 21).
    sos produtivos, maquinários e profission-
    ais técnicos que, por sua vez, não se fur-         O livro Assessoria de Imprensa: Como se
    taram a dar explicações sobre o funciona-       relacionar com a mídia, ainda traz alguns da-
    mento dessas empresas. Tais iniciativas         dos relevantes sobre as atividades do profis-
    complementaram-se com o estímulo do             sional:
    contato entre dirigentes e jornalistas. Es-
    tavam criadas as condições para um am-            A     pesquisadora    norte-americana
    biente de comunicação aberto entre as             Monique Augras conta que, nos Es-
    empresas e os jornais. (CARVALHO;                 tados Unidos, em 1936, seis em cada
    REIS, 2009: 85-86).                               grupo de 300 empresas tinham serviços
                                                      de relações públicas e assessoria de

                                                                                   www.bocc.ubi.pt
Sêmia Mauad                                                                                   3


 imprensa. Em 1961, essa relação passou         assessoria de imprensa foram intensificadas.
 para 250 em cada 300 e, a partir dos
 anos 70, alcançou patamar próximo dos             O Departamento de Imprensa e Propa-
 100%. (MAFEI, 2008: 34).                       ganda (DIP) foi criado. A divulgação e a
                                                censura se fundiram. O Estado Novo findou
                                                em 1945 e o DIP foi extinto.
3. O começo da assessoria de
                                                   Durante a ditadura militar, a assessoria
   imprensa no Brasil                           de imprensa ganhava cada vez mais espaço.
   O início do século XX marcou a prática       No governo de Emílio Garrastazu Médice
de assessoria de imprensa no Brasil. A ini-     (1969-1975) foi criada a AERP (Assessoria
ciativa foi do Ministério da Agricultura, In-   Especial de Relações Públicas). Seu obje-
dústria e Comércio. O então presidente Nilo     tivo era de fazer propaganda do regime au-
Peçanha (1909-1910) lançou o informativo        toritário. Eram enviados press releases ofici-
“Secção de Publicações e Bibliotheca”.          ais a imprensa:
   A empresa Light (The São Paulo Tran-
                                                 A avalanche de textos que chegavam as
sway Light and Power) fundou o Boletim
                                                 redações, a grande maioria mal redigi-
Ligh, o 1o house organ no Brasil, no ano de
                                                 dos, cheios de adjetivos elogiosos aos
1923.
                                                 governantes e sem conter notícias de
   A GM do Brasil também desenvolveu a re-
                                                 interesse público, contribuiu para que
vista General Motors, em 1926.
                                                 muitos jornalistas tratassem os assessores
   Mas o trabalho de assessoria de imprensa
                                                 de imprensa com preconceito ou indifer-
no Brasil não se limitou apenas às empresas
                                                 ença. (MAFEI, 2008: 35).
privadas e públicas. As atividades chegaram
na política:
                                                4.   Assessor de imprensa ou
 Com a revolução de 1930 e a chegada de              relações públicas?
 Getúlio Vargas ao poder, logo o Brasil as-
 sistiria ao maior esforço até então real-         As funções do assessor de imprensa e
 izado para unir práticas de relações públi-    do relações públicas só vieram a existir no
 cas e de assessoria de imprensa com o ob-      fim do século XIX e início do século XX,
 jetivo de erguer a imagem pública ou um        período de consolidação do capitalismo.
 governante. A Voz do Brasil, que con-             Segundo o autor Rivaldo Chinem, “a as-
 hecemos até hoje, por exemplo, foi cri-        sessoria de imprensa, longe de executar uma
 ada nessa ocasião, mais especificamente         tarefa rotineira, enfadonha e repetitiva, exige
 em 1934, para reforçar a estratégia per-       conhecimentos técnicos e uma consciência
 sonalista de poder. (MAFEI, 2008: 35).         ética de suas influências na opinião pública”.
                                                (CHINEM, 2003: 11).
                                                   O profissional deve estar antenado e man-
  Em 1937, Getúlio Vargas através de um         ter o contato com jornalistas e conhecer toda
golpe, instituiu o Estado Novo. As ações da     a rotina de uma redação. Além disso, ele é o
                                                intermediário entre a organização e o público

www.bocc.ubi.pt
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em geral, levando informações esclarecedo-           instituição e seus públicos, conciliar in-
ras e de interesse público.                          teresses, estabelecer integração e o diál-
   A discussão entre assessor de imprensa e          ogo. Dentro desse escopo, estão embu-
relações públicas levanta muitas hipóteses.          tidas as atividades de assessoria de im-
Uma delas é que os profissionais de RP não            prensa, que se dirigem especificamente a
estão preparados para lidar com a imprensa,          interlocução com a mídia noticiosa, me-
como disse Maristela Mafei:                          diadora, por sua vez, do relacionamento
                                                     entre a organização e seus públicos mais
    Até a década de 90, grande parte dos as-         amplos. (MAFEI, 2008: 41).
    sessores de imprensa era formada por re-
    lações públicas, com uma cultura voltada
    mais para a administração de relaciona-
                                                   5.   As ações desenvolvidas pela
    mentos do que de informações. Com esse              assessoria de imprensa
    perfil, acabavam por não se ater ao con-          As atividades de uma assessoria de im-
    ceito de notícia na hora de intermediar          prensa não devem ser baseadas no impro-
    o “diálogo” com seus assessorados, con-          viso e sim, ter como norma a organização
    tribuindo assim para aquilo que os jornal-       e a constante avaliação dos resultados. O
    istas chamavam de “despreparo” para li-          planejamento assume, dessa forma, uma
    dar com a imprensa. (MAFEI, 2008: 39).           importância fundamental, evitando que
                                                     até mesmo as situações mais inesperadas
                                                     peguem o profissional totalmente despre-
   Apesar das diferenças, a autora defende
                                                     venido.
ainda que as práticas (assessor e relações
                                                     (CHINEM, 2003: 33)
públicas) se complementam:
                                                     A primeira coisa a fazer é planejar. É
    Se você deixar de lado as questões cor-
                                                   avaliar as idéias, informações e atividades de
    porativas, de interesse de grupos específi-
                                                   forma ordenada, e ainda determinar prazos
    cos, verá que ambas as práticas são com-
                                                   para a execução das ações:
    plementares e indispensáveis. Hoje não
    se concebe a existência de um bom as-            É um processo abrangente, que define
    sessor de imprensa que possa prescindir          metas, objetivos, público-alvo da institu-
    de uma gama de instrumentos da área de           ição e, acima de tudo, as políticas de co-
    comunicação, todos abrigados sob o con-          municação a serem adotadas. (CHINEM,
    ceito do que se poderia chamar relações          2003: 33).
    públicas. (MAFEI, 2008: 40).
                                                      O planejamento também deve trazer
    A autora ainda complementa:                    planos e providências a serem tomadas, in-
                                                   clusive, em períodos de crise da empresa:
    (...) O ofício das relações públicas
    abrange buscar a compreensão entre a             As estratégicas seriam aquelas táticas que
                                                     precisam ser aplicadas inesperadamente

                                                                                 www.bocc.ubi.pt
Sêmia Mauad                                                                                    5


 quando determinada situação envolve o          matéria, como um aviso de algum evento”.
 assessorado e exige ações especiais por        (CHINEM, 2003: 67).
 parte do profissional, seja ele jornal-            O release é um texto jornalístico enviado
 ista, relações-públicas, ou publicitários.     a redação sobre assuntos de interesse da em-
 (CHINEM, 2003: 34).                            presa:

   Após a elaboração do planejamento, o          O fato de apresentar os assuntos sob a
próximo passo é recorrer a ações específicas      ótica da instituição não impede que se
do trabalho de assessoria de imprensa. Entre     caracterize como texto jornalístico, aliás,
as principais atividades estão:                  é preciso que ele tenha a linguagem jor-
                                                 nalística para ser mais bem compreen-
 1. Envio de press releases;                     dido pela outra ponta, o pessoal das
                                                 redações de jornais. (CHINEM, 2003:
 2. Manter o mailing atualizado;                 67).
 3. Preparar o clipping;                           Não há segredos para a redação de um
                                                bom release. Ele precisa apenas ser exato e
 4. Montar o press kits;                        rico de informações. O jornalista ainda deve
                                                se basear no próprio texto jornalístico. Uti-
 5. Follou up;
                                                lizar lead, manchete e subtítulo:
 6. Realizar entrevistas coletivas e individ-    Das definições da notícia, a que mais se
    uais;                                        aplica a nossa atividade é a de coisa nova,
 7. Gerenciar crises;                            novidade. O release pode se transformar
                                                 em uma matéria jornalística se tratar de
 8. Manter um bom relacionamento com a           algo novo, inédito, um assunto que con-
    mídia;                                       siga se destacar no conteúdo da mídia que
                                                 diariamente é apresentado aos leitores,
 9. Preparar Media Trainning para os seus        telespectadores, ouvintes e usuários da
    assessorados.                                Internet. (CARVALHO; REIS, 2009: 1).

6. Press releases                                  É inevitável que releases de caráter de in-
 O release é o primeiro passo a ser dado        teresse coletivo não seja aproveitado. A in-
 pelo assessor de imprensa para transfor-       formação deverá ser inédita.
 mar uma informação, com potencial para            Um padrão também deve ser seguido em
 virar notícia, em um texto. E esse passo       relação a forma do release. Estabeleça uma
 tem que ser dado com pé direito.               fonte e tamanho para o seu material. O lead
 (CARVALHO; REIS, 2009: 1).                     deve chamar a atenção e trazer informações
                                                relevantes.
   Os jornalistas se referem aos press re-         Normalmente, o release deve ter entre 25
leases como material. O fato é que o            e 30 linhas. É raro releases contendo mais de
release é o “ponto de partida para uma          uma página:

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6                                                 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa


    O press release deve cumprir a função de           É importante ressaltar ainda que o release
    subsidiar ou complementar o trabalho de         é apenas um direcionamento para o trabalho
    levantamento de informações do repórter.        efetivo do repórter. É uma sugestão de pauta,
    Tem ainda a função de provocar, suscitar        como afirmou Chinem:
    entre os profissionais da redação do jor-
    nal, interesse pelo assunto que quer di-          De modo geral, o press release funciona
    vulgar. (CHINEM, 2003: 68).                       como uma sugestão de pauta, o ponto de
                                                      partida do trabalho do repórter, a quem
  A autora Maristela Mafei apresentou al-             cabe dar seqüência as demais etapas da
guns itens para a redação de um bom release           reportagem, que são entrevista, consulta,
e que poderá ser utilizado como direciona-            checagem de informação e redação do
mento para o próprio assessor de imprensa:            texto final da matéria. Entre a redação de
                                                      uma reportagem e a forma com que ela
                                                      chega ao público há um trabalho intenso.
    1. Ser redigido como se fosse uma matéria         (CHINEM, 2003: 68).
       jornalística, com parágrafo inicial con-
       tendo as perguntas básicas (formando o         O press release é importante ressaltar que
       famoso lead), título, subtítulo ou linha     é utilizado para se tornar uma pauta. E uma
       fina;                                         pauta que vire notícia e dê informações ver-
                                                    dadeiras:
    2. Primar pela clareza, concisão e correção
       gramatical (erros de língua portuguesa         Não se pode associar o press release à au-
       são inconcebíveis!);                           topromoção da empresa, informação des-
                                                      tinada a “vender” uma imagem irreal da
    3. Ser redigido com palavras simples, fras-       instituição em detrimento da divulgação
       es e parágrafos curtos,                        do fato de interesse jornalístico. Para
                                                      isso, existe a publicidade, a matéria paga.
    4. Conter no máximo duas páginas;
                                                      (CHINEM, 2003: 68).
    5. Trazer com destaque datas e locais de
       eventos divulgados;                            O release está pronto. Agora é hora de
                                                    enviá-lo a jornalistas, editores, produtores,
    6. Ter os nomes de empresas, porta-vozes        colunistas, enfim, aos veículos de comuni-
       e locais escritos corretamente;              cação:

    7. Destacar contatos da assessoria de im-         O release deve ainda adequar-se à ed-
       prensa;                                        itoria do veículo-alvo da divulgação.
                                                      Fica proibido “atirar para qualquer lado”,
    8. Trazer o logotipo da assessoria e da or-       mandando o texto para diferentes edito-
       ganização;                                     rias dentro de um mesmo veículo, a não
    9. Ser datado.                                    ser quando o assunto, de maneira com-
                                                      provada, interessar a mais de um seg-
       (MAFEI, 2008: 70).                             mento. (MAFEI, 2008: 70).

                                                                                  www.bocc.ubi.pt
Sêmia Mauad                                                                                    7


  E a autora ainda ressalta:                     É praticamente generalizada a impressão
                                                 de que o clipping é a mera atividade
 Nessa hipótese, o press release deve            de coleta de textos.       Esse trabalho,
 ser “personalizado”. Isso significa que          no passado, era confundido com a au-
 o texto deve ser modificado de acordo            tomática operação de recorte e colagem
 com o interesse principal da editoria para      de matérias. Hoje, ele é muito mais es-
 quem você envia. (MAFEI, 2008: 70).             tratégico, se tiver certo grau de sofisti-
                                                 cação. (MAFEI, 2008: 72).
   Isso não significa que o material não possa
ser enviado a outros jornalistas, com o ob-        Para Maristela Mafei, o clipping tem po-
jetivo de apenas ficarem atentos ao assunto.     tencial estratégico, e os profissionais que en-
Nesses casos é interessante perguntar ao        tenderem a sua importância, farão melhor o
profissional se ele deseja receber o release     seu uso:
antes de enviar.
                                                 Sua função para as organizações pode
7. Mailing List                                  ser muito mais estratégica do que apenas
                                                 registrar as inserções obtidas pelas asses-
   O bom mailing deve ser atualizado diari-      sorias de comunicação. Contudo, a maio-
amente. Deve conter o nome e os contatos         ria das equipes de assessores continua
dos jornalistas de redação, ficando mais fácil    fazendo do clipping apenas um mecan-
a identificação e o envio do material:            ismo para mostrar o resultado do próprio
                                                 trabalho. (MAFEI, 2008: 73).
 Trata-se de uma lista que contém a re-
 lação dos veículos e dos jornalistas con-
                                                   A organização do clipping é uma tarefa
 tatados para divulgação, com dados bási-
                                                muito importante. É ali que estará a indi-
 cos, como o nome completo, cargo, edi-
                                                cação das notícias em suas respectivas ed-
 toria, número de telefone e fax, email e
                                                itorias, o nome dos repórteres e a data da
 endereço. (MAFEI, 2008: 68).
                                                publicação da matéria. Para fazer essa ativi-
   Para manter um bom mailling, o asses-        dade os assessores tinham que chegar cedo
sor de imprensa deverá “realizar o trabalho     e verificar junto a portais de notícias e jor-
repetitivo de telefonar para as redações e      nais todas as reportagens que citavam a in-
buscar todos os dados daquele jornalista para   stituição. Com o avanço das novas tecnolo-
futuros contatos”. (MAFEI, 2008: 69).           gias, esse trabalho ficou mais fácil, pois, já
                                                existem empresas especializadas nesse tipo
                                                de trabalho:
8. Clipping
                                                 (...) O mercado hoje possui empresas
   Todo o material divulgado nas diferentes
                                                 especializadas na produção de clipping
mídias (TV, jornais, revistas, sites e rádio)
                                                 e com um grau de sofisticação muito
é reunido e encaminhado ao cliente. Mas
engana-se o profissional que ainda acha que       grande quando esse “recorte” vem acom-
o clipping é apenas a coleta de textos:          panhado de análises técnicas e até de

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8                                                 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa


    números que convertem o espaço ocu-               (O Press Kit) É um material que tem a fi-
    pado pelo cliente, no veículo, para val-          nalidade de ajudar o jornalista na hora de
    ores. (...) Mede-se o tamanho da matéria          ele escrever a reportagem. Ao redigir a
    do jornal em centímetros e colunas e              entrevista ele pode esquecer de algum de-
    converte-se esse espaço para números              talhe, e um material bem preparado pode
    utilizando a tabela comercial do veículo,         ajudar e muito. Para isso é feito o press
    ou seja, aquela que fornece preços para           kit. Não confundir material publicitário,
    anúncios ou comerciais publicitários (no          os folders, em que se procura dar ênfase
    caso de TV). (CARVALHO; REIS,                     aos aspectos grandiloqüentes da compan-
    2009: 24-25).                                     hia, sua imagem unilateral e tendenciosa.
                                                      (CHINEM, 2003: 73).
   Mas as autoras ressaltaram que ainda exis-
tem empresas (pequeno e médio portes) que
não tem acesso a esse tipo de serviço e que,
                                                    10.    Follow up
cabe ao assessor, ter controle sobre o que             O Follow up é uma das ações que o asses-
está sendo publicado:                               sor de imprensa utiliza para o bom desem-
                                                    penho de seu trabalho. A atividade busca re-
    (...) No caso de um cliente de porte            torno, por telefone, do envio do material aos
    menor, cuja atividade ou negócio este-          jornalistas. O recurso também costuma ser
    jam restritos a uma única cidade ou es-         utilizado para a confirmação de presença dos
    tado, existem maneiras de monitorar a           repórteres em entrevistas coletivas:
    produção jornalística. (...) Nesse caso o
    assessor de imprensa mantém certo con-            (...) Utilize-se do follow up como forma
    trole sobre o que sai publicado e pode            de se certificar se a mensagem envi-
    organizar o material. Como a leitura              ada (por email, correio ou em mãos)
    diária de um jornal é obrigatória, esse           realmente chegou ao destinatário cor-
    veículo já está “clipado”. De resto, é lis-       reto. Mas jamais para tentar uma in-
    tar os jornais com edições on-line e fazer        serção garantida das informações que
    uma procura via Internet bem cedo pela            você transmitiu a vários profissionais ao
    manhã. O conteúdo dessas publicações              mesmo tempo. Alguns jornalistas costu-
    sofre mudanças durante o dia numa ve-             mam receber dezenas de textos das asses-
    locidade muito grande. (CARVALHO;                 sorias de imprensa todos os dias. Geral-
    REIS, 2009: 25).                                  mente, não tem tempo pra ler todos. As-
                                                      sim, não percebem a importância que o
9. Press Kits                                         seu release possa ter. Portanto, é bom
                                                      lembrá-lo. E para isso serve o follow up.
   O Press Kit é idealizado pela assesso-             (MAFEI, 2008: 68).
ria de imprensa e contém informações que
auxiliarão o jornalista na confecção da re-
portagem. São dados, artigos, números, tex-
tos e fotografias:

                                                                                  www.bocc.ubi.pt
Sêmia Mauad                                                                                  9


11. Entrevistas coletivas e                       o mesmo tratamento, direcionado para
    individuais                                   veículos ou editorias que cubram especi-
                                                  ficamente os setores das organizações di-
   As entrevistas individuais poderão ser re-     vulgadas. (MAFEI, 2008: 86).
alizadas com o intuito de “potencializar o
efeito das divulgações” (MAFEI, Maristela,         Antes da organização do evento tudo deve
2008: 83).                                       ser debatido com o cliente. Se necessário,
   O que frequentemente acontece é que um        o porta-voz deverá receber treinamento es-
assunto pode ser importante para determi-        pecífico. Além disso, como Maristela Mafei
nados segmentos e enquanto para outros           defendeu, o assessor deve:
não. Muitas das vezes algumas editorias
aproveitam a informação e dão apenas notas        1. Deve-se checar se não haverá outra co-
curtas. A entrevista possibilita o aprofunda-        letiva no mesmo dia e horário;
mento do assunto e garante espaço maior na
                                                  2. Providenciar press kit;
publicação, ou seja, mais visibilidade.
   Geralmente, as entrevistas individuais são     3. Agendar o local e o dia do evento;
solicitadas pelo jornalista, ou mesmo pelo
próprio assessor de imprensa:                     4. Os convites só poderão ser emitidos
                                                     após a confirmação dos preparativos da
 (...) Pesa consideravelmente o fato de              coletiva;
 se tratar de uma entrevista exclusiva para
                                                  5. Na seqüência, a equipe de assessores
 um veículo e de se ter, durante a con-
                                                     deve fazer o follow up para confirmar
 versa, dados únicos e inéditos a serem
                                                     a presença dos jornalistas. (MAFEI,
 explorados. É a oportunidade para o jor-
                                                     2008: 87).
 nalista assinar uma matéria única, que ele
 vai lançar sozinho e à frente de todos os
 demais colegas de profissão. (MAFEI,             12.   Gerenciamento de crise
 2008: 84).
                                                  A reputação de uma pessoa é como a
   Outra possibilidade de divulgação é a en-      credibilidade de uma organização, o seu
trevista coletiva, que são mais indicadas para    maior patrimônio.
comunicar assuntos relevantes:                    (CHINEM, 2003: 85).

                                                    Segundo o autor Chinem, “a qualquer situ-
 A regra é mais ou menos simples: merece
                                                 ação que escape ao controle da empresa e
 entrevista coletiva o assunto que mobi-
                                                 que ganhe visibilidade pública pode ser con-
 liza as atenções e têm impacto sobre
                                                 siderada uma crise”. (CHINEM, 2003: 86).
 a vida da população. Muitas vezes o
 lançamento de campanhas publicitárias,
                                                   A crise dentro de uma empresa pode ter
 de produtos ou a divulgação de bal-
                                                 efeitos desastrosos: coloca em dúvida a rep-
 anços financeiros, feiras e eventos de al-
                                                 utação da organização e a empresa perde lu-
 guns segmentos também podem receber
                                                 cros. Por isso, é importante que a situação

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seja controlada. O assessor de imprensa, por-        (...) Se a organização não tomar a frente
tanto, deverá estar preparado para agir em           da situação e se tornar a fonte princi-
momentos assim e assumir as rédeas do as-            pal, alguém tentará cumprir esse papel.
sunto:                                               E esse alguém alimentará a imprensa
                                                     com a própria versão dos acontecimen-
 (...) Porque crise é como notícia, nunca            tos. (MAFEI, 2008: 111).
 tem hora para acontecer e pega a to-
 dos desprevenidos. Como uma chama,
 começa pequena, mas logo cresce numa
                                                   13.    Bom relacionamento com a
 proporção nunca imaginada e toma conta                   mídia
 de tudo rapidamente. Depois que acon-                O relacionamento com a mídia deverá ser
 tece a tragédia vêm às explicações, mas           permanente. A mídia é de extrema importân-
 se não houver preparo para lidar com              cia para que o trabalho de assessoria seja
 a crise o resultado pode ser ainda pior.          feito de forma competente. O assessor de-
 (CHINEM, 2003: 86).                               verá manter o contato o profissional. Além
                                                   disso, visitas as redações também são impor-
  É comum nos períodos de crise que
                                                   tantes para o total conhecimento do trabalho
matérias negativas sejam publicadas por di-
                                                   exercido pelo veículo. Como o autor Rivaldo
versos veículos de comunicação. O asses-
                                                   Chinem ressaltou que o “contato pessoal é
sor de imprensa é que irá gerenciar a situ-
                                                   sempre gratificante por estreitar ainda mais
ação. A autora Maristela Mafei afirma que
                                                   os laços de amizade e fazer com que o in-
é necessário um plano de contingência para
                                                   terlocutor não seja apenas mais uma voz do
ser acionado em situação de crise:
                                                   outro lado da linha”. (CHINEM, 2003: 90).
                                                      O assessor deve aconselhar o seu cliente
 (...) Esse roteiro de ações emergenciais
                                                   a manter um bom relacionamento com os
 deve ser implementado quase que auto-
                                                   jornalistas. Estar solícito aos chamados
 maticamente – já que, nessas horas, é
                                                   dos repórteres é sempre uma boa chance de
 preciso tomar medidas que não paralisem
                                                   garantir a simpatia, manter proximidade e
 a instituição e que ajudem as decisões
                                                   construir credibilidade entre eles.
 a fluírem melhor, tirando o assessorado
 da crise o quanto antes. Mas algumas
 crises não cabem sequer dentro do mais            14.    Media Trainning
 azeitado plano construído. Nesses casos,
                                                      O Media Training é basicamente um
 as medidas preventivas servirão apenas
                                                   treinamento oferecido pela assessoria de im-
 como referência. (MAFEI, 2008: 109-
                                                   prensa a seus clientes:
 110).
                                                     Media Trainning é um treinamento elab-
   É importante dizer ainda que a empresa
                                                     orado por uma assessoria de imprensa
deverá enfrentar as acusações e prestar as in-
                                                     ou empresa por ela contratada, dirigido
formações necessárias a imprensa, visando o
                                                     a executivos, políticos e lideranças. Visa
interesse público:

                                                                                 www.bocc.ubi.pt
Sêmia Mauad                                                                                 11


 desenvolver competências comunicati-             setor. Os estudos teóricos acerca dessa
 vas para lidar com a mídia impressa e            atividade vêm gerando grandes transfor-
 eletrônica (jornais, revistas, tevês e rá-       mações, aproximando a comunicação à
 dio), garantindo a representação das em-         gestão, inserindo ao trabalho integração
 presas para o grande público por inter-          entre todas as áreas e técnicas de outros
 médio dos meios de comunicação como              setores, como o planejamento e market-
 instituição de cultura empresarial trans-        ing da Administração. Esse desenvolvi-
 parente e democrática. (CHINEM, 2003:            mento da comunicação organizacional
 37).                                             ocorre não só em termos de melhora-
                                                  mento das ações propostas, mas também
   O Media Trainning possibilita aos asses-       em ampliação geográfica de espaços de
sorados a lidar com microfones e câmeras e,       abrangência. Ou seja, o trabalho que teve
acima de tudo, ensina os porta-voz a falar        início no setor privado, hoje, já está con-
com o jornalista da maneira correta: com          solidado na área pública e se insere efi-
clareza e objetividade. Assim, “o treina-         cazmente no terceiro setor. Além disso,
mento bem dirigido de um porta-voz ajuda a        segue dos grandes centros para o inte-
organização a se posicionar com mais cred-        rior, ganhando espaço nas cidades de pe-
ibilidade perante a mídia”. (MAFEI, 2008:         quenos e médios portes. (ALMEIDA;
71).                                              ARAÚJO, 2008: 74).
   O treinamento é realizado de forma indi-
vidual ou em grupos. Normalmente, a carga           O relacionamento com a mídia fortalece a
horária varia de três a oito horas.              credibilidade e as informações concisas. A
                                                 empresa se fortalece, o profissional se satis-
                                                 faz, o veículo de comunicação entende, e o
15. Considerações finais
                                                 público em geral ganha com a qualidade da
   A assessoria de imprensa é que absorve        informação.
grande parte dos profissionais formados em           O assessor de imprensa tem que entender
jornalismo. Não é a toa que as demandas no       que seu trabalho é crucial não apenas para a
setor aumentam a cada dia. Os empresários        melhoria da imagem da organização, mas ele
e proprietários das organizações (públicas       é quem pauta, muitas das vezes, os jornais
ou privadas) já reconhecem a importância         de circulação. Por isso, as atividades exer-
do profissional no fortalecimento da imagem       cidas dentro de uma empresa são extrema-
empresarial, e isso só tende a valorizar ainda   mente relevantes. Um simples release desig-
mais a profissão:                                 nado ao veículo certo e bem redigido garante
                                                 boas matérias e bons espaços editoriais.
 A comunicação organizacional chega ao              As ações realizadas de forma planejada e
 século XXI com a potencialidade de um           competente é que distinguem os bons asses-
 grande instrumento gerador de eficiên-           sores de imprensa de outros simples profis-
 cia, desenvolvimento e fortalecimento de        sionais que apenas cumprem carga horária.
 imagem para qualquer tipo de organiza-          Por isso, em momentos de crise, esse asses-
 ção, seja privada, pública ou do terceiro       sor de imprensa responsável saberá rapida-

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mente quais as medidas tomar e como prote-
ger a organização de problemas maiores e de
acusações ainda mais fervorosas.

16. Referências Bibliográficas
ALMEIDA, Walace Nolasco, ARAÚJO,
   José Geraldo Fernandes de (2008), As-
   sessorias de Comunicação para pe-
   quenos órgãos públicos: um estudo de
   caso em cidades da Zona da Mata de
   Minas Gerais. In: Revista Científica da
   Fagoc. Minas Gerais.

CARVALHO, Cláudia e REIS, Léa Maria
   Aarão (2009), Manual Prático de As-
   sessoria de Imprensa. Rio de Janeiro:
   Elsevier.

CHINEM, Rivaldo (2003), Assessoria de
   Imprensa: como fazer. São Paulo:
   Summus.

DUARTE, Jorge (2003), Assessoria de im-
   prensa e relacionamento com a mídia.
   São Paulo: Atlas.

MAFEI, Maristela (2008), Assessoria de Im-
   prensa: como se relacionar com a mí-
   dia. São Paulo: Contexto.




                                                                          www.bocc.ubi.pt

Os segredos de_um_bom_assessor_de_imprensa

  • 1.
    Os Segredos deum Bom Assessor de Imprensa Sêmia Mauad * Índice de redação e por alguns veículos de comuni- cação, é de grande importância. É por meio 1. Introdução 1 desse profissional que empresas (públicas e 2. O surgimento da assessoria de impren- privadas), e artistas são projetados junto à sa 2 imprensa. O bom assessor, além de promover 3. O começo da assessoria de imprensa a imagem de seu assessorado, o auxilia nos no Brasil 3 momentos de crise. Há particularidades que 4. Assessor de imprensa ou relações distinguem seu trabalho e suas funções vão públicas? 3 além da preparação de press releases e press 5. As ações desenvolvidas pela assesso- kits. ria de imprensa 4 6. Press releases 5 7. Mailing List 7 1. Introdução 8. Clipping 7 The public be damed (O público 9. Press Kits 8 que se dane) 10. ollow up F 8 Willian Henry Vanderbilt, 1882. 11. ntrevistas coletivas e individuais E 9 12. erenciamento de crise G 9 13. om relacionamento com a mídia B 10 Foi assim que Willian Henry Vanderbilt 14. edia Trainning M 10 respondeu quando indagado sobre a qual- 15. onsiderações finais C 11 idade dos serviços prestados por suas fer- 16. eferências Bibliográficas R 12 rovias nos Estados Unidos. Naquela época, a divulgação de informações ainda causou re- sistência. Resumo Segundo Maristela Mafei “a frase entrou O trabalho de assessoria de imprensa, ape- para a história como péssimo exemplo de sar de não ser bem quisto pelos jornalistas como as empresas lidavam com os interesses * públicos e com seus usuários e consumi- * Bacharel em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo - pela Faculdade Governador Ozanam dores”. (MAFEI, 2008: 32). Coelho (Fagoc) e pós-graduada em Criação e Pro- Esse foi o início das buscas por seus dução em Mídia Eletrônica, pelo Centro Universitário serviços profissionais que projetassem uma de Belo Horizonte (UNI-BH). melhor exposição na mídia, não ferindo a in- tegridade dos proprietários das empresas.
  • 2.
    2 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa 2. O surgimento da assessoria de A imprensa sindical avançava e a imprensa transparência era cada vez mais exigida. “A comunicação empresarial surge como Foi no século XX (1906) que o jornalista uma tentativa de dar uma resposta, uma americano Ivy Lee deu início a atividade de satisfação a essas cobranças”, afirmou a assessoria de imprensa. jornalista Maristela Mafei. (MAFEI, 2008: John Rockfeller, proprietário da Colorado 33). Fuel and Iron C.O, foi seu primeiro cliente. Lee conseguiu que as informações envi- A tarefa não foi nada fácil. John foi acusado adas a imprensa fossem divulgadas segundo de mandar atirar contra seus empregados, en- o seguinte critério: levar o jornalista a se in- quanto estavam em greve. teressar pelo assunto e o apurar. Ele passava O jornalista conseguiu reverter à crise per- credibilidade à notícia. Sendo assim, os jor- ante a opinião pública por meio de ações, ori- nalistas publicavam. Seus argumentos eram entando seu cliente a dispensar os guarda- de informação de qualidade, gratuita, exata e costas e colaborar nos trabalhos de inves- de interesse público. tigação. Além disso, foram encaminhadas Durante a 1o Guerra Mundial (1914- aos editores de jornais, algumas notícias rel- 1918), o trabalho de assessoria de imprensa evantes para a população. foi muito utilizado com o objetivo de ar- Para as autoras Cláudia Carvalho e Léa recadar recursos financeiros e ressaltar o pa- Maria Aarão Reis, Ivy Lee foi o “primeiro triotismo. assessor de imprensa dedicado à solução de Já na 2o Guerra Mundial (1939-1945), crises através de ações de transparência e “as atividades de assessoria de imprensa pragmatismo”: voltaram a ser muito utilizadas, acomodadas aos interesses autoritários das propagandas Com essa postura, Lee criou na im- fascista e nazista”. (MAFEI, 2008: 34). prensa americana uma espécie de tol- A publicidade intensa nesse período se erância aos acidentes e problemas de aproximou das técnicas de propaganda grande repercussão. Ele abriu as por- política: “uma mentira repetida sistematica- tas das empresas e indústrias para as mente poderia ser absorvida como verdade quais trabalhava, e mostrou os proces- pelo grande público”. (CHINEN, 2003: 21). sos produtivos, maquinários e profission- ais técnicos que, por sua vez, não se fur- O livro Assessoria de Imprensa: Como se taram a dar explicações sobre o funciona- relacionar com a mídia, ainda traz alguns da- mento dessas empresas. Tais iniciativas dos relevantes sobre as atividades do profis- complementaram-se com o estímulo do sional: contato entre dirigentes e jornalistas. Es- tavam criadas as condições para um am- A pesquisadora norte-americana biente de comunicação aberto entre as Monique Augras conta que, nos Es- empresas e os jornais. (CARVALHO; tados Unidos, em 1936, seis em cada REIS, 2009: 85-86). grupo de 300 empresas tinham serviços de relações públicas e assessoria de www.bocc.ubi.pt
  • 3.
    Sêmia Mauad 3 imprensa. Em 1961, essa relação passou assessoria de imprensa foram intensificadas. para 250 em cada 300 e, a partir dos anos 70, alcançou patamar próximo dos O Departamento de Imprensa e Propa- 100%. (MAFEI, 2008: 34). ganda (DIP) foi criado. A divulgação e a censura se fundiram. O Estado Novo findou em 1945 e o DIP foi extinto. 3. O começo da assessoria de Durante a ditadura militar, a assessoria imprensa no Brasil de imprensa ganhava cada vez mais espaço. O início do século XX marcou a prática No governo de Emílio Garrastazu Médice de assessoria de imprensa no Brasil. A ini- (1969-1975) foi criada a AERP (Assessoria ciativa foi do Ministério da Agricultura, In- Especial de Relações Públicas). Seu obje- dústria e Comércio. O então presidente Nilo tivo era de fazer propaganda do regime au- Peçanha (1909-1910) lançou o informativo toritário. Eram enviados press releases ofici- “Secção de Publicações e Bibliotheca”. ais a imprensa: A empresa Light (The São Paulo Tran- A avalanche de textos que chegavam as sway Light and Power) fundou o Boletim redações, a grande maioria mal redigi- Ligh, o 1o house organ no Brasil, no ano de dos, cheios de adjetivos elogiosos aos 1923. governantes e sem conter notícias de A GM do Brasil também desenvolveu a re- interesse público, contribuiu para que vista General Motors, em 1926. muitos jornalistas tratassem os assessores Mas o trabalho de assessoria de imprensa de imprensa com preconceito ou indifer- no Brasil não se limitou apenas às empresas ença. (MAFEI, 2008: 35). privadas e públicas. As atividades chegaram na política: 4. Assessor de imprensa ou Com a revolução de 1930 e a chegada de relações públicas? Getúlio Vargas ao poder, logo o Brasil as- sistiria ao maior esforço até então real- As funções do assessor de imprensa e izado para unir práticas de relações públi- do relações públicas só vieram a existir no cas e de assessoria de imprensa com o ob- fim do século XIX e início do século XX, jetivo de erguer a imagem pública ou um período de consolidação do capitalismo. governante. A Voz do Brasil, que con- Segundo o autor Rivaldo Chinem, “a as- hecemos até hoje, por exemplo, foi cri- sessoria de imprensa, longe de executar uma ada nessa ocasião, mais especificamente tarefa rotineira, enfadonha e repetitiva, exige em 1934, para reforçar a estratégia per- conhecimentos técnicos e uma consciência sonalista de poder. (MAFEI, 2008: 35). ética de suas influências na opinião pública”. (CHINEM, 2003: 11). O profissional deve estar antenado e man- Em 1937, Getúlio Vargas através de um ter o contato com jornalistas e conhecer toda golpe, instituiu o Estado Novo. As ações da a rotina de uma redação. Além disso, ele é o intermediário entre a organização e o público www.bocc.ubi.pt
  • 4.
    4 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa em geral, levando informações esclarecedo- instituição e seus públicos, conciliar in- ras e de interesse público. teresses, estabelecer integração e o diál- A discussão entre assessor de imprensa e ogo. Dentro desse escopo, estão embu- relações públicas levanta muitas hipóteses. tidas as atividades de assessoria de im- Uma delas é que os profissionais de RP não prensa, que se dirigem especificamente a estão preparados para lidar com a imprensa, interlocução com a mídia noticiosa, me- como disse Maristela Mafei: diadora, por sua vez, do relacionamento entre a organização e seus públicos mais Até a década de 90, grande parte dos as- amplos. (MAFEI, 2008: 41). sessores de imprensa era formada por re- lações públicas, com uma cultura voltada mais para a administração de relaciona- 5. As ações desenvolvidas pela mentos do que de informações. Com esse assessoria de imprensa perfil, acabavam por não se ater ao con- As atividades de uma assessoria de im- ceito de notícia na hora de intermediar prensa não devem ser baseadas no impro- o “diálogo” com seus assessorados, con- viso e sim, ter como norma a organização tribuindo assim para aquilo que os jornal- e a constante avaliação dos resultados. O istas chamavam de “despreparo” para li- planejamento assume, dessa forma, uma dar com a imprensa. (MAFEI, 2008: 39). importância fundamental, evitando que até mesmo as situações mais inesperadas peguem o profissional totalmente despre- Apesar das diferenças, a autora defende venido. ainda que as práticas (assessor e relações (CHINEM, 2003: 33) públicas) se complementam: A primeira coisa a fazer é planejar. É Se você deixar de lado as questões cor- avaliar as idéias, informações e atividades de porativas, de interesse de grupos específi- forma ordenada, e ainda determinar prazos cos, verá que ambas as práticas são com- para a execução das ações: plementares e indispensáveis. Hoje não se concebe a existência de um bom as- É um processo abrangente, que define sessor de imprensa que possa prescindir metas, objetivos, público-alvo da institu- de uma gama de instrumentos da área de ição e, acima de tudo, as políticas de co- comunicação, todos abrigados sob o con- municação a serem adotadas. (CHINEM, ceito do que se poderia chamar relações 2003: 33). públicas. (MAFEI, 2008: 40). O planejamento também deve trazer A autora ainda complementa: planos e providências a serem tomadas, in- clusive, em períodos de crise da empresa: (...) O ofício das relações públicas abrange buscar a compreensão entre a As estratégicas seriam aquelas táticas que precisam ser aplicadas inesperadamente www.bocc.ubi.pt
  • 5.
    Sêmia Mauad 5 quando determinada situação envolve o matéria, como um aviso de algum evento”. assessorado e exige ações especiais por (CHINEM, 2003: 67). parte do profissional, seja ele jornal- O release é um texto jornalístico enviado ista, relações-públicas, ou publicitários. a redação sobre assuntos de interesse da em- (CHINEM, 2003: 34). presa: Após a elaboração do planejamento, o O fato de apresentar os assuntos sob a próximo passo é recorrer a ações específicas ótica da instituição não impede que se do trabalho de assessoria de imprensa. Entre caracterize como texto jornalístico, aliás, as principais atividades estão: é preciso que ele tenha a linguagem jor- nalística para ser mais bem compreen- 1. Envio de press releases; dido pela outra ponta, o pessoal das redações de jornais. (CHINEM, 2003: 2. Manter o mailing atualizado; 67). 3. Preparar o clipping; Não há segredos para a redação de um bom release. Ele precisa apenas ser exato e 4. Montar o press kits; rico de informações. O jornalista ainda deve se basear no próprio texto jornalístico. Uti- 5. Follou up; lizar lead, manchete e subtítulo: 6. Realizar entrevistas coletivas e individ- Das definições da notícia, a que mais se uais; aplica a nossa atividade é a de coisa nova, 7. Gerenciar crises; novidade. O release pode se transformar em uma matéria jornalística se tratar de 8. Manter um bom relacionamento com a algo novo, inédito, um assunto que con- mídia; siga se destacar no conteúdo da mídia que diariamente é apresentado aos leitores, 9. Preparar Media Trainning para os seus telespectadores, ouvintes e usuários da assessorados. Internet. (CARVALHO; REIS, 2009: 1). 6. Press releases É inevitável que releases de caráter de in- O release é o primeiro passo a ser dado teresse coletivo não seja aproveitado. A in- pelo assessor de imprensa para transfor- formação deverá ser inédita. mar uma informação, com potencial para Um padrão também deve ser seguido em virar notícia, em um texto. E esse passo relação a forma do release. Estabeleça uma tem que ser dado com pé direito. fonte e tamanho para o seu material. O lead (CARVALHO; REIS, 2009: 1). deve chamar a atenção e trazer informações relevantes. Os jornalistas se referem aos press re- Normalmente, o release deve ter entre 25 leases como material. O fato é que o e 30 linhas. É raro releases contendo mais de release é o “ponto de partida para uma uma página: www.bocc.ubi.pt
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    6 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa O press release deve cumprir a função de É importante ressaltar ainda que o release subsidiar ou complementar o trabalho de é apenas um direcionamento para o trabalho levantamento de informações do repórter. efetivo do repórter. É uma sugestão de pauta, Tem ainda a função de provocar, suscitar como afirmou Chinem: entre os profissionais da redação do jor- nal, interesse pelo assunto que quer di- De modo geral, o press release funciona vulgar. (CHINEM, 2003: 68). como uma sugestão de pauta, o ponto de partida do trabalho do repórter, a quem A autora Maristela Mafei apresentou al- cabe dar seqüência as demais etapas da guns itens para a redação de um bom release reportagem, que são entrevista, consulta, e que poderá ser utilizado como direciona- checagem de informação e redação do mento para o próprio assessor de imprensa: texto final da matéria. Entre a redação de uma reportagem e a forma com que ela chega ao público há um trabalho intenso. 1. Ser redigido como se fosse uma matéria (CHINEM, 2003: 68). jornalística, com parágrafo inicial con- tendo as perguntas básicas (formando o O press release é importante ressaltar que famoso lead), título, subtítulo ou linha é utilizado para se tornar uma pauta. E uma fina; pauta que vire notícia e dê informações ver- dadeiras: 2. Primar pela clareza, concisão e correção gramatical (erros de língua portuguesa Não se pode associar o press release à au- são inconcebíveis!); topromoção da empresa, informação des- tinada a “vender” uma imagem irreal da 3. Ser redigido com palavras simples, fras- instituição em detrimento da divulgação es e parágrafos curtos, do fato de interesse jornalístico. Para isso, existe a publicidade, a matéria paga. 4. Conter no máximo duas páginas; (CHINEM, 2003: 68). 5. Trazer com destaque datas e locais de eventos divulgados; O release está pronto. Agora é hora de enviá-lo a jornalistas, editores, produtores, 6. Ter os nomes de empresas, porta-vozes colunistas, enfim, aos veículos de comuni- e locais escritos corretamente; cação: 7. Destacar contatos da assessoria de im- O release deve ainda adequar-se à ed- prensa; itoria do veículo-alvo da divulgação. Fica proibido “atirar para qualquer lado”, 8. Trazer o logotipo da assessoria e da or- mandando o texto para diferentes edito- ganização; rias dentro de um mesmo veículo, a não 9. Ser datado. ser quando o assunto, de maneira com- provada, interessar a mais de um seg- (MAFEI, 2008: 70). mento. (MAFEI, 2008: 70). www.bocc.ubi.pt
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    Sêmia Mauad 7 E a autora ainda ressalta: É praticamente generalizada a impressão de que o clipping é a mera atividade Nessa hipótese, o press release deve de coleta de textos. Esse trabalho, ser “personalizado”. Isso significa que no passado, era confundido com a au- o texto deve ser modificado de acordo tomática operação de recorte e colagem com o interesse principal da editoria para de matérias. Hoje, ele é muito mais es- quem você envia. (MAFEI, 2008: 70). tratégico, se tiver certo grau de sofisti- cação. (MAFEI, 2008: 72). Isso não significa que o material não possa ser enviado a outros jornalistas, com o ob- Para Maristela Mafei, o clipping tem po- jetivo de apenas ficarem atentos ao assunto. tencial estratégico, e os profissionais que en- Nesses casos é interessante perguntar ao tenderem a sua importância, farão melhor o profissional se ele deseja receber o release seu uso: antes de enviar. Sua função para as organizações pode 7. Mailing List ser muito mais estratégica do que apenas registrar as inserções obtidas pelas asses- O bom mailing deve ser atualizado diari- sorias de comunicação. Contudo, a maio- amente. Deve conter o nome e os contatos ria das equipes de assessores continua dos jornalistas de redação, ficando mais fácil fazendo do clipping apenas um mecan- a identificação e o envio do material: ismo para mostrar o resultado do próprio trabalho. (MAFEI, 2008: 73). Trata-se de uma lista que contém a re- lação dos veículos e dos jornalistas con- A organização do clipping é uma tarefa tatados para divulgação, com dados bási- muito importante. É ali que estará a indi- cos, como o nome completo, cargo, edi- cação das notícias em suas respectivas ed- toria, número de telefone e fax, email e itorias, o nome dos repórteres e a data da endereço. (MAFEI, 2008: 68). publicação da matéria. Para fazer essa ativi- Para manter um bom mailling, o asses- dade os assessores tinham que chegar cedo sor de imprensa deverá “realizar o trabalho e verificar junto a portais de notícias e jor- repetitivo de telefonar para as redações e nais todas as reportagens que citavam a in- buscar todos os dados daquele jornalista para stituição. Com o avanço das novas tecnolo- futuros contatos”. (MAFEI, 2008: 69). gias, esse trabalho ficou mais fácil, pois, já existem empresas especializadas nesse tipo de trabalho: 8. Clipping (...) O mercado hoje possui empresas Todo o material divulgado nas diferentes especializadas na produção de clipping mídias (TV, jornais, revistas, sites e rádio) e com um grau de sofisticação muito é reunido e encaminhado ao cliente. Mas engana-se o profissional que ainda acha que grande quando esse “recorte” vem acom- o clipping é apenas a coleta de textos: panhado de análises técnicas e até de www.bocc.ubi.pt
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    8 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa números que convertem o espaço ocu- (O Press Kit) É um material que tem a fi- pado pelo cliente, no veículo, para val- nalidade de ajudar o jornalista na hora de ores. (...) Mede-se o tamanho da matéria ele escrever a reportagem. Ao redigir a do jornal em centímetros e colunas e entrevista ele pode esquecer de algum de- converte-se esse espaço para números talhe, e um material bem preparado pode utilizando a tabela comercial do veículo, ajudar e muito. Para isso é feito o press ou seja, aquela que fornece preços para kit. Não confundir material publicitário, anúncios ou comerciais publicitários (no os folders, em que se procura dar ênfase caso de TV). (CARVALHO; REIS, aos aspectos grandiloqüentes da compan- 2009: 24-25). hia, sua imagem unilateral e tendenciosa. (CHINEM, 2003: 73). Mas as autoras ressaltaram que ainda exis- tem empresas (pequeno e médio portes) que não tem acesso a esse tipo de serviço e que, 10. Follow up cabe ao assessor, ter controle sobre o que O Follow up é uma das ações que o asses- está sendo publicado: sor de imprensa utiliza para o bom desem- penho de seu trabalho. A atividade busca re- (...) No caso de um cliente de porte torno, por telefone, do envio do material aos menor, cuja atividade ou negócio este- jornalistas. O recurso também costuma ser jam restritos a uma única cidade ou es- utilizado para a confirmação de presença dos tado, existem maneiras de monitorar a repórteres em entrevistas coletivas: produção jornalística. (...) Nesse caso o assessor de imprensa mantém certo con- (...) Utilize-se do follow up como forma trole sobre o que sai publicado e pode de se certificar se a mensagem envi- organizar o material. Como a leitura ada (por email, correio ou em mãos) diária de um jornal é obrigatória, esse realmente chegou ao destinatário cor- veículo já está “clipado”. De resto, é lis- reto. Mas jamais para tentar uma in- tar os jornais com edições on-line e fazer serção garantida das informações que uma procura via Internet bem cedo pela você transmitiu a vários profissionais ao manhã. O conteúdo dessas publicações mesmo tempo. Alguns jornalistas costu- sofre mudanças durante o dia numa ve- mam receber dezenas de textos das asses- locidade muito grande. (CARVALHO; sorias de imprensa todos os dias. Geral- REIS, 2009: 25). mente, não tem tempo pra ler todos. As- sim, não percebem a importância que o 9. Press Kits seu release possa ter. Portanto, é bom lembrá-lo. E para isso serve o follow up. O Press Kit é idealizado pela assesso- (MAFEI, 2008: 68). ria de imprensa e contém informações que auxiliarão o jornalista na confecção da re- portagem. São dados, artigos, números, tex- tos e fotografias: www.bocc.ubi.pt
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    Sêmia Mauad 9 11. Entrevistas coletivas e o mesmo tratamento, direcionado para individuais veículos ou editorias que cubram especi- ficamente os setores das organizações di- As entrevistas individuais poderão ser re- vulgadas. (MAFEI, 2008: 86). alizadas com o intuito de “potencializar o efeito das divulgações” (MAFEI, Maristela, Antes da organização do evento tudo deve 2008: 83). ser debatido com o cliente. Se necessário, O que frequentemente acontece é que um o porta-voz deverá receber treinamento es- assunto pode ser importante para determi- pecífico. Além disso, como Maristela Mafei nados segmentos e enquanto para outros defendeu, o assessor deve: não. Muitas das vezes algumas editorias aproveitam a informação e dão apenas notas 1. Deve-se checar se não haverá outra co- curtas. A entrevista possibilita o aprofunda- letiva no mesmo dia e horário; mento do assunto e garante espaço maior na 2. Providenciar press kit; publicação, ou seja, mais visibilidade. Geralmente, as entrevistas individuais são 3. Agendar o local e o dia do evento; solicitadas pelo jornalista, ou mesmo pelo próprio assessor de imprensa: 4. Os convites só poderão ser emitidos após a confirmação dos preparativos da (...) Pesa consideravelmente o fato de coletiva; se tratar de uma entrevista exclusiva para 5. Na seqüência, a equipe de assessores um veículo e de se ter, durante a con- deve fazer o follow up para confirmar versa, dados únicos e inéditos a serem a presença dos jornalistas. (MAFEI, explorados. É a oportunidade para o jor- 2008: 87). nalista assinar uma matéria única, que ele vai lançar sozinho e à frente de todos os demais colegas de profissão. (MAFEI, 12. Gerenciamento de crise 2008: 84). A reputação de uma pessoa é como a Outra possibilidade de divulgação é a en- credibilidade de uma organização, o seu trevista coletiva, que são mais indicadas para maior patrimônio. comunicar assuntos relevantes: (CHINEM, 2003: 85). Segundo o autor Chinem, “a qualquer situ- A regra é mais ou menos simples: merece ação que escape ao controle da empresa e entrevista coletiva o assunto que mobi- que ganhe visibilidade pública pode ser con- liza as atenções e têm impacto sobre siderada uma crise”. (CHINEM, 2003: 86). a vida da população. Muitas vezes o lançamento de campanhas publicitárias, A crise dentro de uma empresa pode ter de produtos ou a divulgação de bal- efeitos desastrosos: coloca em dúvida a rep- anços financeiros, feiras e eventos de al- utação da organização e a empresa perde lu- guns segmentos também podem receber cros. Por isso, é importante que a situação www.bocc.ubi.pt
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    10 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa seja controlada. O assessor de imprensa, por- (...) Se a organização não tomar a frente tanto, deverá estar preparado para agir em da situação e se tornar a fonte princi- momentos assim e assumir as rédeas do as- pal, alguém tentará cumprir esse papel. sunto: E esse alguém alimentará a imprensa com a própria versão dos acontecimen- (...) Porque crise é como notícia, nunca tos. (MAFEI, 2008: 111). tem hora para acontecer e pega a to- dos desprevenidos. Como uma chama, começa pequena, mas logo cresce numa 13. Bom relacionamento com a proporção nunca imaginada e toma conta mídia de tudo rapidamente. Depois que acon- O relacionamento com a mídia deverá ser tece a tragédia vêm às explicações, mas permanente. A mídia é de extrema importân- se não houver preparo para lidar com cia para que o trabalho de assessoria seja a crise o resultado pode ser ainda pior. feito de forma competente. O assessor de- (CHINEM, 2003: 86). verá manter o contato o profissional. Além disso, visitas as redações também são impor- É comum nos períodos de crise que tantes para o total conhecimento do trabalho matérias negativas sejam publicadas por di- exercido pelo veículo. Como o autor Rivaldo versos veículos de comunicação. O asses- Chinem ressaltou que o “contato pessoal é sor de imprensa é que irá gerenciar a situ- sempre gratificante por estreitar ainda mais ação. A autora Maristela Mafei afirma que os laços de amizade e fazer com que o in- é necessário um plano de contingência para terlocutor não seja apenas mais uma voz do ser acionado em situação de crise: outro lado da linha”. (CHINEM, 2003: 90). O assessor deve aconselhar o seu cliente (...) Esse roteiro de ações emergenciais a manter um bom relacionamento com os deve ser implementado quase que auto- jornalistas. Estar solícito aos chamados maticamente – já que, nessas horas, é dos repórteres é sempre uma boa chance de preciso tomar medidas que não paralisem garantir a simpatia, manter proximidade e a instituição e que ajudem as decisões construir credibilidade entre eles. a fluírem melhor, tirando o assessorado da crise o quanto antes. Mas algumas crises não cabem sequer dentro do mais 14. Media Trainning azeitado plano construído. Nesses casos, O Media Training é basicamente um as medidas preventivas servirão apenas treinamento oferecido pela assessoria de im- como referência. (MAFEI, 2008: 109- prensa a seus clientes: 110). Media Trainning é um treinamento elab- É importante dizer ainda que a empresa orado por uma assessoria de imprensa deverá enfrentar as acusações e prestar as in- ou empresa por ela contratada, dirigido formações necessárias a imprensa, visando o a executivos, políticos e lideranças. Visa interesse público: www.bocc.ubi.pt
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    Sêmia Mauad 11 desenvolver competências comunicati- setor. Os estudos teóricos acerca dessa vas para lidar com a mídia impressa e atividade vêm gerando grandes transfor- eletrônica (jornais, revistas, tevês e rá- mações, aproximando a comunicação à dio), garantindo a representação das em- gestão, inserindo ao trabalho integração presas para o grande público por inter- entre todas as áreas e técnicas de outros médio dos meios de comunicação como setores, como o planejamento e market- instituição de cultura empresarial trans- ing da Administração. Esse desenvolvi- parente e democrática. (CHINEM, 2003: mento da comunicação organizacional 37). ocorre não só em termos de melhora- mento das ações propostas, mas também O Media Trainning possibilita aos asses- em ampliação geográfica de espaços de sorados a lidar com microfones e câmeras e, abrangência. Ou seja, o trabalho que teve acima de tudo, ensina os porta-voz a falar início no setor privado, hoje, já está con- com o jornalista da maneira correta: com solidado na área pública e se insere efi- clareza e objetividade. Assim, “o treina- cazmente no terceiro setor. Além disso, mento bem dirigido de um porta-voz ajuda a segue dos grandes centros para o inte- organização a se posicionar com mais cred- rior, ganhando espaço nas cidades de pe- ibilidade perante a mídia”. (MAFEI, 2008: quenos e médios portes. (ALMEIDA; 71). ARAÚJO, 2008: 74). O treinamento é realizado de forma indi- vidual ou em grupos. Normalmente, a carga O relacionamento com a mídia fortalece a horária varia de três a oito horas. credibilidade e as informações concisas. A empresa se fortalece, o profissional se satis- faz, o veículo de comunicação entende, e o 15. Considerações finais público em geral ganha com a qualidade da A assessoria de imprensa é que absorve informação. grande parte dos profissionais formados em O assessor de imprensa tem que entender jornalismo. Não é a toa que as demandas no que seu trabalho é crucial não apenas para a setor aumentam a cada dia. Os empresários melhoria da imagem da organização, mas ele e proprietários das organizações (públicas é quem pauta, muitas das vezes, os jornais ou privadas) já reconhecem a importância de circulação. Por isso, as atividades exer- do profissional no fortalecimento da imagem cidas dentro de uma empresa são extrema- empresarial, e isso só tende a valorizar ainda mente relevantes. Um simples release desig- mais a profissão: nado ao veículo certo e bem redigido garante boas matérias e bons espaços editoriais. A comunicação organizacional chega ao As ações realizadas de forma planejada e século XXI com a potencialidade de um competente é que distinguem os bons asses- grande instrumento gerador de eficiên- sores de imprensa de outros simples profis- cia, desenvolvimento e fortalecimento de sionais que apenas cumprem carga horária. imagem para qualquer tipo de organiza- Por isso, em momentos de crise, esse asses- ção, seja privada, pública ou do terceiro sor de imprensa responsável saberá rapida- www.bocc.ubi.pt
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    12 Os Segredos de um Bom Assessor de Imprensa mente quais as medidas tomar e como prote- ger a organização de problemas maiores e de acusações ainda mais fervorosas. 16. Referências Bibliográficas ALMEIDA, Walace Nolasco, ARAÚJO, José Geraldo Fernandes de (2008), As- sessorias de Comunicação para pe- quenos órgãos públicos: um estudo de caso em cidades da Zona da Mata de Minas Gerais. In: Revista Científica da Fagoc. Minas Gerais. CARVALHO, Cláudia e REIS, Léa Maria Aarão (2009), Manual Prático de As- sessoria de Imprensa. Rio de Janeiro: Elsevier. CHINEM, Rivaldo (2003), Assessoria de Imprensa: como fazer. São Paulo: Summus. DUARTE, Jorge (2003), Assessoria de im- prensa e relacionamento com a mídia. São Paulo: Atlas. MAFEI, Maristela (2008), Assessoria de Im- prensa: como se relacionar com a mí- dia. São Paulo: Contexto. www.bocc.ubi.pt