O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
O
Senhor dos
Fios e
das Navalhas
Diegho Courtenbitter
2018
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Prefacio
O senhor das navalhas é uma expressão maleável e psicótica de um instinto predador
incorporadaem umjovemque matadesde de quandoeraumacriança. Uma infânciadifícil que
lhe permitiudesenvolver uma antipatia irregular e fria com as vítimas que atravessaram o seu
caminho, ou escolhidas por ele.
Um criminosode mentedestrutivae doentiaqueaperfeiçoouassuasmatançasapósterpassado
por uma forte desilusão amorosa com uma jovem de apenas 25 anos chamada de Ana pelo
misterioso “Serial killer” que não tem o seu nome divulgado na trama.
As váriasAna´s mortaspeloassassinomisterioso,sugeremque todas elasforamescolhidaspor
um motivo obvio e determinante. As jovens possuíam o nome de sua ex-paixão e muitas
detinhamcaracterísticasfísicas similarese até parecidas com a garota que o assassino amava.
Todas elas eram mulheres inteligentes, jovens, bonitas, morenas e com estatura de até um
metro e sessenta. Todos os crimes acontecem em 2019 e acumulam inúmeras manchetes de
jornais,oterrorinvade ailhadoamor,omedofazcomque asruasfiquemvaziase apolícialocal
não consegue coloca atrás das grades o estranho homem das flores, que mais parece um
fantasma.
Ana Carla
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
“Uma Flor Simplesmente Exógena
Um filete de água esquia
Uma Arajana em meio as Oliveiras”
Roosevelt F. Abrantes
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
“O desejoestáocultosobre asHortênsias....UmaArajanase esconde dentrode mim... Uma
milagrosatulipase fazrefémemmeuensejo....Amarnãoficouparao amor....Foi o amor que
nos dispensou....”
João Justina Liberto
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Livro: O Senhor dos Fios e das Navalhas
Gênero: Conto
Ano: 2018
Autor: Diegho Courtenbitter Mello Neto de Abrantes
Titularidade: Este é um Heterônimo de Roosevelt F. Abrantes
Editora: Editora Lascivinista / Produção e Publicação Independente
Coletânea: Uma Arte Lascivinista
Ano de Finalização Escritural da Obra: 2018
Data da Primeira Publicação deste Livro: 26 de Dezembro de 2018
Contatos:
End.: Rua das Palmeiras, n° 09
Residencial Parque das Palmeiras
Vila Embratel – São Luís - Maranhão
Cep.: 65080140 – São Luís – Ma
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O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Autobiografia
Nome: Diegho Courtenbitter Mello Neto de Abrantes
Data de Nascimento: 04/06/1979
Cidade Natal: Rio de Janeiro
Estado: Rio de Janeiro
País: Brasil
Nome do Pai: Joelson Courtenbitter Mello Filho de Abrantes
Nome da Mãe: Leticia Courtenbitter Mello Araújo de Abrantes
Cônjuge: Claudia Courtenbitter Mello Silva de Abrantes
Ocupação: Poeta, Escritor, Cronista, Contista, Grafista, Fotografo e
Iluminarista
Profissão: Comerciante e Chefe do Gabinete de Oficio do Rio de Janeiro
Bairro onde Morou na Infância: Rio de janeiro
Locais onde Trabalhou: Centro de Niterói e na Prefeitura do Rio de Janeiro
Formação Acadêmica: Pós-Graduado em Ciências Politicas
Lugares onde Morou: Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais
Ideologia Política: Extrema Direita
Gosto Musical: Modas Portuguesas e Bolero Argentino
Gosto Gastronômico: Bacalhau, Arroz Branco, Feijão e Azeite
Religião: Católica Apostólica Romana
Altura: 1,85 Mts
Etnia / Raça: Branco
Cor da Pele: Branca
Cor dos Olhos: Verdes Claros e Pequenos
Cor dos Cabelos: Castanhos Claros, Lisos e Curtos
Postura Física: Esguio e Levemente Curvado para Esquerda
Tipo Físico: Magro, Dedos longos, Pés Grandes e Pernas Compridas
Tipo Físico Facial: Nariz Grande e Afilado, Cabeça Retangular e Queixo
Quadrado
Trajes Habituais: Chapéu de Linho Preto, Ternos Azul Escuro e Sapatos de
Couro
Idade Atual: 40 anos
Orientação Sexual: Homossexual
Heterônimo: Diegho Courtenbitter Mello
Escritor: Roosevelt Ferreira Abrantes
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo I
AprisionadO
O QUARTO
Quando acordei naquela suposta manhã de quinta-feira, achei realmente que estava em meu
quarto, deitadosobre aminhacama.Haviamuitaconfusãoe muitasdúvidas.Etudosobre odia
anterior, parecia ter sido arrancando, extraído, removido e apagado das minhas lembranças.
O último acontecimento metódico que me recordo com clareza, foi de ter saído de casa na
quarta-feira à noite para comer um cachorro-quente do Sousa na praia grande no reviver.
Depois disso, não lembro mais de nada, e somente a escuridão desse lugar, está intacta em
minha consciência vazia.
Muitas perguntas preenchiam a minha abandonada incompreensão,vários questionamentos
jaziam sem resposta, e outras procuravam por soluçõesobvias. Mas apesar de saber quem eu
era,e de todas as atrocidadesque eracapazde fazer,nãoconseguiaimagina,quemfariaaquilo
comigo, ninguém seria mais louco do que eu mesmo.
Muitacoisafaziasentido,comoolugarsilencioso, nenhummóvelalémdessacadeira, poucaluz,
e o cheiroforte de detergente,estaseramartifíciosusadospormim emvários dosmeus crimes.
Nenhuma das minhas vítimas, jamais saberiam o que lhes atacou ou porque as suprimiu. Eu
sempre fui sucinto, ágio e muito cuidadoso, sem rastos, sem pistas e sem cheiros. Mas ainda
assim, nada fazia sentido, quem me queria naquele lugar, e porque me queria tanto.
Aquela escuridão penumbrosa, o lugar minuciosamente limpo, e o silencio absurdamente
delicado,começavaaincomodaos meussentidos.Minutosdepois,algodiferentetomouconta
do silenciomórbido,e um movimento atípico e natural, manifestava-se pela fresta de luz que
era irradiada pela janela de madeira, um cheiro forte de terra molhada, começou a se
desprenderdosolo,esmagandotacitamente omeuolfatofelino,aescuridãoaindaferiaosmeus
olhos, e o meu paladar queria sentir o gosto ébrio do meu corajoso carcereiro.
Eu estava a várias horas sentado na mesma posição, e os meus membros inferiores estavam
todosdormentes, umasede insuportável tomavacontadocéude minhaboca e a fome tentava
me causar dor. Ninguém se apresentava para me machucar, prisões tendem a representar
torturas e medo. Mas ninguém até aquele momento se prontificou.
Tentei por duasvezes sentiro gostode minhaprópria saliva,masa boca seca não me permitia
sentir nada. Também tentei abrir os meus olhos, mais apenas um deles enxergava com certa
dificuldade o pouco de luz que habitava aquele lugar.
Minhas mãos e pés estavam amaradas contra a cadeira e uma forte dor em minha coluna
denunciavasemdúvidaalgumaque euhaviadormido naquelaposiçãoporhorasou diasinteiros
sobre aquela cadeira de madeira a qual fui aprisionado.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Eu estava geograficamente desorientado, aescuridão eraanda algo terrível, e o desejode esta
livre consumia-meprofundamente aalma, euhavia perdido ossentidos,e olhando novamente
para aquele imenso espaço vazio, não tinha ideia de onde estava, não sabia a quanto tempo
estava desacordado, e nem sabia como fui para naquele lugar.
Minutosmais tarde sentirum estranhoe intermitentegosto de sangue sobre a minhalíngua,a
sede era enorme, mas esta sensação imprudente não me traduzia coisas boas, eu podia esta
envenenado, e se esta era a intenção de meu algoz, eu morreria sozinho naquele lugar em
questão de minutos.
Levantei a cabeça com um pouco de dificuldade e percebi que uma dor ínfima e latente,
emanavadomeiode meucrânio,estendendo-se peloouvidoe peregrinandoaté aminhanuca,
com dificuldade, tentei abrirosolhose virandoopescoçodoloridoemdireçãoaquele pequeno
facho de luz que entrava por uma encurtada janela, não consegui identifica com clareza se
aquela luz era mesmo natural ou artificial.
Os meus olhos estavam machucados, minha percepção estava turva, e a minha dialética não
impetrava uma verdade absoluta sobre os fatos. Eu me perguntava o que sobre o que era dia
ou sobre o que era noite, tudo se manifestava igual, nada era diferente de nada, e apenas o
facho de luz projetada pela janela mudava de direção ou lugar. Era verdade, eu não sonhava
sobre osmeus lenções,eu estavaemcárcere,e supostamenteaquele eraumquarto comumou
incomum para os meus sentidos apurados. Mas eu ainda me perguntava, em que lugar do
mundo situava-se aquele maldito quarto.
Aquele lugarjáme parecia familiar, eunãoestavaali por acaso, sejaquemfor o meualgoz,ele
me conhecere me queremsofrimento, maseunãoconseguiaidentifica-lo.Horasdepois,ouvir
um motor de um carro estacionar na parte de cima da casa, o meu carcereiro havia chegado.
Minutos mais tarde um cheiro de comida caseira invadia o pequeno quatro, o chão de terra
batidafazia se sentirnovamente doladode fora da casa, o aroma de terra recémmolhada era
salpicadopelafinachuvaque se pronunciavatímidaatravésdosportõesde madeira, ostrovões
avisavam a proximidade de um temporal violento.
A fina camada de musgo que envolvia a lateral da janela era outra sutileza que o meu olfato
haviaapreendido,elaproduziaumcheiroúnicoe perspicaz,eujamaishaviasentidocheirotão
bom como este, ocair de pingosd´águas sobre as plantas,agitavamcom velocidade achegada
da chuva, o dia ficaria mais frio, e a noite prometia revelações promissoras, tudo aquilo me
remetia a algo que já havia vivenciado. Mas a minha mente me traia, e eu não conseguia me
lembrar.
Afinal de contas, que lugar era esse, que casa ainda conservava portõesde madeira e chão de
terrabatida,e que lugaremSão Luís podiachove temporaiscomtamanhacargade relâmpagos.
As chuvas aqui eram tão intensascomo os seusventose os raios rasgavamos céuscomo jatos
sônicos barulhentose perigosos. Os trovoescausavam medo pela força de seus sons e brilhos
intensos.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
A chuva apertou com mais força, e os trovões, relâmpagos e os pingos d´águas faziam um
barulho ainda maior do antes. Eu podia sentir a terra enfaroada, os caminhos de agua
delineando pequenos córregos, e o cheiro dos jasmineiros sendo exalada para chamar os
passarinhos. Aquele era o melhor perfume do mundo, a terra molhada, o cheiro que ela
produzia. Aquilo era ao mesmo tempo aterrorizante e incrivelmente doce.
Lamentavelmenteeunãopodiadesfrutade nada doque eraoferecidoporaquelelugar,poiseu
estava amarado sobre uma cadeira de madeira, meus pés e mãos jaziam deliberadamente
fixados contra o móvel e os meus ombro e troncos firmemente cerrados com fitas adesivas,
imobilizado contrao encostodo assento.Eu permaneciainerte e aindasema menornoção de
onde euestava,e odiae anoite eramiguaistodososdias. Euestavaperturbadoe desorientado,
mais a minha mente procurava um caminho para uma possível solidez.
Depoisde suachegadaaquelacasa,o meualgozficouemsilencio,nãodirigiunenhumapalavra
em minha direção, pouco ligando se eu tinha fome ou sede, mas eu ouvir chegar próximo da
porta do quarto por algumas vezes. Eu gritava por ele, mais não adiantava, ele voltava para a
sala e ligava a televisão. Eu percebia que ele assistia ao jornal, cozinhava, tomava banho, e
cultivavaasplantasemseujardim. Istoerafeitometodicamentee semprenosmesmoshorários.
Acho que passei dois dias inteiros chamando por alguém que eu não conhecia e que não me
respondia.
Noterceirodiaalguémme ofereceuágua,ele acendeu aluzartificial,masaapagounovamente
emseguida,nosdeixandonovamentenoescuro,colocouumcopode aguasobre aminhaboca,
ele me fezbeberdescontroladamente,engasgando-meentre umgolee outro.Aofinal doúltimo
gole de água,pedirpor comida, maiso silenciodomeuopressor, apenasbateuaportaatrás de
mim.
Mais umdiase passou e o cheirode comidacaseirame perturbavaoestomago,assimcomodas
outrasvezes,soliciteiporcomida,poráguae porumacomunicaçãodireta.Maisomeuagressor
se comportava como um fantasma. Ele era intransigente e frio, pouco solicito.
Minutos depois, ele ou ela, não ei ao certo, entrou pela porta dos fundos e acendendo e
apagandoas luzesnovamente, colocouopratosobre a minhapernae me alimentouporquase
dezminutos.E apósterminada a minharefeição,elefechouaportaatrás de mime foi embora.
E novamente griteiporajuda,chamei porele, ouelae lhepedirmaiscomida,maisaquelapessoa
sem rosto, sem sentimento, continuou em silencio. E mantendo-me em cativeiro, prosseguiu
com a sua tortura mental. Eu tentava me lembra daquele lugar. Geralmente as minhas
percepções são extraordinariamente incríveis, sou do tipo de pessoa que se lembra de quase
tudo, sou um ótimo analista. Mas aquele lugar ainda era uma incógnita, um segredo a ser
descoberto.
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DieghoCourtenbitter
Capitulo II
Segredos LibertoS
Uma Velha ConhecidA
A luz foi novamente acessa sobre o pequeno cômodo e repentinamente dentro do quarto,
observei a movimentação fugaz e pouco discreta do meu critico carcereiro, a escuridão ainda
me incomodava bastante, e os meus olhos necessitavam ver alguma coisa, algo que não fosse
apenas um terrível vazio projetado sobre a parede.
Asvezesumlaminadoe pequenofacho de luzvindodajanela,quebravaaescuridãoque estava
a minha frente, mas os meus olhos ainda enxergavam somente vultos. A luz apesar de bem-
vinda, feria os meus olhos amiúdes, mais nada que lhes tirasse a beleza, aquilo era um alento
para minha alma perturbada.
A escuridão que antesenvolvidaoambiente,desfez-se terminantemente sobre os meusolhos
e o quarto antes desconhecidopara mim, apresentava cores e texturas bem demarcadas. O
estranho posicionou-se em pé atrás de mim e virando a minha cadeira a noventa graus, e
reposicionando-aemdireçãoafrente porta, levantouomeurosto com um dos dedospara me
defrontar, eu ainda não conseguia enxergar, a luz artificial da lâmpada, brilhava como um sol
ardente em fogo e brasas.
Infelizmente eu não o reconhecia, meus olhos viam apenas vultos, pedaços de um rosto
anônimo e febril para a minha tímida memória, o brilho incandescente da lâmpada acima de
mim, conseguia ferir ainda mais a minha retina empobrecida, um fator que apenas
impossibilitavaaidentificaçãodoseurosto tenazque me encaravacomfriezae muitamaldade.
Geralmente aquelesdoissentimentoseramapenasmeus,e sempre me soavamretoricamente
agradáveis e amáveis. O seu ódio e a sua maldade podiam ser percebidos pela sua respiração
profunda e amarga. Os seus batimentos cardíacos eram firmes e mordazes, algo tão indelével
que pode servisto emsuaveiamitral esquerdaprojetadaem suagarganta,querendooseuódio
salta para fora de seu pescoço, desejando devora-me de tanta raiva.
O estranho foi em direção a pequenina janela, e abrindo-a decididamente sobre um sol
provisionado, entre oito ou dez horas da manhã, puxou-a pelo ferrolho, escancarando-a pela
sua folha solitária e prendendo a sua aba para não volta a fecha, em seguida apanhou uma
cadeira velha que estava abandonada solitariamente no canto do quarto, e arrastando-a pelo
seu encosto, posiciono o móvel corretamente a minha frente e sentando-se obliquamente de
maneira inversa a minha direita. E interrogando-me vomitou alguns pares de palavras secas e
indecorosas.
- Lembra-se de mim.....
- Você sabe quem sou eu....
- Seu lixo imundo...
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DieghoCourtenbitter
Sua voz me causou um certo desconforto emocional,e ao mesmotempo, uma óbviaponta de
nostalgia, minhas curtas lembranças efêmeras, fazia-me compreender a algo que ainda não
estava claro para minha consciência fria. Sua agressividade foi instintiva, um tapa seguido de
uma cusparada em meu rosto, deixou claro que o meu algoz não queria esticar muito as
conversas.
Sua pergunta nutria neste momento vil, uma espécie de atmosfera social que nos envolvia
intimamente. E que em certo episódio comum nos correlacionava, um a vida do outro. Suas
interjeições pareciam interligar as nossas vidas de forma mutua.
Aquela pessoa agia como se me conhecesse a muito tempo, mas as suas silhuetas eram
completamente desconhecidaspara o meu olfato e para minha visão, eu literalmente não a
conhecia. Depois das breves palavras iniciais, ela não voltou a dizer mais nada, um silencio
mórbido voltou a torna parte do ambiente que nos envolvia.
Tudo estava claro, meu algoz era uma mulher, e sendo uma mulher, presumir que ela fosse
alguém que tentei eterniza em minhas obras de artes. Mais nenhuma de minhas obras vivem,
elastodasforam cuidadosamente mortaspormim.Entãoquem é ela. O que ela quer de mim.
Aquela pessoa era alguém intrigante, só não era alguém que pronunciava muitas palavras.
Curiosamente forçava as minhas retinas para identificá-la, mais os vários dias sobre uma
escuridão intermitente,provocagravesferidasa uma retinacomprometida,comoera a minha
visão. Arduamente os meus olhos amendoados, viam pouco coisa sobre o que o rosto dela
deduzia, sua identificação ainda era dúbia.
Mas apesar da minha forte descrençapor quem elaera, elatinha gravescrenças sobre que eu
era. Tentei por várias vezes abri os meus olhos, para poder enxerga o meu carcereiro, maisas
sombras sobre os meus globos oculares continuavam muito espessas e tênues.
Os machucados e as vendas sobre os meus olhos colaboraram bastante para isso, e a dor na
minha nuca parece ter afetado a minha visão. Tenho certeza que apanhei muito,antes de vim
para este lugar. Mas como ela conseguiu me captura. Como ela me conhece.
Minutos depois a porta a minha frente foi fechada de forma cordial, e novamente um silencio
abruto e esguio tomou conta do lugar, eu estava sozinho e sobre o escuro. Horas mais tarde a
porta foi aberta de forma rude e feroz, passos tímidos e silenciosos voltavam-se em minha
direção, desta vez ela não acendeu a luz, foi quando um soco violentome tomou de assalto e
alguns dentes e muito sangue foram expulsos de minha boca.
Minha visão finalmente parecia estabiliza-se, as agressões colocavam o meu cérebro em
funcionamento, agoratudo estavavoltandoaos poucos,e verifiquei que omeu algoz,além de
ser do sexofeminino,eratambémestupidamente linda.Istoerainteressante,elaentãovoltou
a se sentar sobre a cadeira de madeira, e olhando em minha direção, gesticulou palavras de
baixo escalão e ameaçadoras.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
O diaseriatensopara mime meu carcereiro, seulongorabode cavaloamarradas pelastranças
de seu próprio cabelo, agora me causava excitações sexuais mutuas e vigorosas. Seu jeito
delicado de iniciar uma conversa, me agradou de maneira fantástica, mais o que me
impressionou de verdade, não foi o seu jeito delicado de trata um convidado, foi um lindo
mosaico formado na parede daquele quarto...
O faixode luzprojetadopelajanelaaberta doquarto, iluminavaumaparte maiordo ambiente,
e eu conseguia ver com mais detalhes quase tudo, tanto o rosto de meu agressor, quanto o
grande mosaico que se estendia de um lado a outro da parede.
Havia vários recortes de jornais, inclusive as várias fotos das minhas muitas vítimas e até os
lugares aonde as levei para o triste fim de suas vidas. Aquilo era adorável, e fiquei feliz por
alguémguardatempoe paciênciaparame cortejae adorar-me.E respondendooque elahavia
me perguntado lhe disse.
- Não a conheço....
- Mas vendo a linda pintura que você fez sobre este mosaico.....
- Estou aberto para lhe conhecer melhor.....
- Você deseja ficar linda como as minhas damas....
- Seja sincera.....
- Observe que nenhum pintor renascentista.....
- As pintaria tão bem...
- Como eu as pintei....
- Sobre o chão dos casarões coloniais de nossa bela São Luís
- Eu as eternizei querida......
- Nunca as matei........
- Eu apenas as dei uma outra vida......
Um sorriso demoníaco floresceu de maneira encantadora no canto esquerdo do rosto do
prisioneiro.... Ea desejando,sugeriuumdeclive lascivode desejo sobreocorpoda carcereira....
A jovemmulherficouindignadacomomonstroque estavaemsua frente...Nãocompreendiaa
mente insanade seuprisioneiro.... Comoalguémpoderiateralegria,observandotodasaqueles
recortesde jornaistristes,somenteum monstroenxergariaarte ebelezasobre corposmutilados
de jovens e inocentes moças.....
Ele era um ser desprezível,umhomemamargo,umlixoemformade pessoa,quandolembroo
que ele me fez, tenho desejos desprezíveis e cruéis, mais nada era comparado ao que ele já
havia feito com todas estas jovens moças.
A tarde estavaquase no fim,e o sol caminhavapara adormecersobre o RioBacanga, apesar de
querermata-lomuito,aminhahumanidade me traia,e asvezesaté sentiapenadomaldito. No
entanto, apesarde ouvirtodasaquelasinsanidades,fui obrigadapelaminhaconsciênciaairaté
a cozinha para pegar o almoço e alimentar aquele animal.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
O toque do meu celular tocava legião urbana, e isto me fez desperta que as 14:30 teria que ir
até a cidade paracompraalimentose materiaisdehigiene paraacasa.Antesteriaquealimentar
aquele lixo de homem. Mais o que eu faria com ele a noite, traria conforto a minha alma. E
retrucando ao toque que sonorizava em meu celular, ele repeliu....
- Você gosta de Renato Russo.....
- Gosta de Legião Urbana.....
- Você é mesmo adorável
- Eu amo as música de Renato.....
- Tenho todos os álbuns....
- E muito do que fiz as moças foi inspirado na musica deles....
- Flores do mal.....
- Você conhece baby.....
Ela achou tudoaquiloterrível,e não acreditavaque suas loucurasteriamrelação com a banda
que elamaisgostava.Ela não admitiriaisso.Evoltandoaspalavrasque antesa reclinava,ele as
proferiu novamente....
- As flores entre os ventres das meninas.....
- São as flores do mal que Renato descreveu na musica.....
- Não é lindo.....
- Elas são as minhas flores querida.....
- Todas elas......
- Minhas flores do mal....................
Elanãosuportariamaisaquelesdevaneios,não escutariamaisnenhumadesuasloucurasaquela
manhã,chega...... elasabiaqueaquele animal precisavacomere até faze-losofre,causa-lhe dor
e tormentosimprecisos,eranecessáriomantê-lovivoe sadio, ele teriaque estábemnutridoe
cônscio. As dores seriam sentidas a carne viva.
E voltando para a cozinha, preparei a comida e retornei para o quarto, prostrei-me sobre a
cadeira,posicionei oprato sobre suacoxaesquerda e alimentei-o.Garfoagarfoele comiaa sua
refeição e com um sorriso grotesco na cara, seus risos fortuitos e insuportáveis eram
abomináveis, mais eu, tentava não me importava com as suas contemplações alienadas.
As garfadas desciam até a sua garganta, as vezes eu o engasgava, outras a embolia com
severidade, algumas outras o sufocava propositalmente, mais a maiorias das vezes eu as
imprimiacomas mãos,comprimidoosseuslábios contraasua respiração,forçando-oaengolir
a comida sofregamente.
“O mundo não querqueeu seja um tolo, quer que eu seja uminsano”
Rusgat Niccus
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Mas mesmo lhe aplicado enfadonhos movimentos de compressão alimentar sobre a sua
garganta, ele continuava com aquele sorriso maldito sobre o rosto. Minhas atitudes pareciam
um tanto selvagens, mais aquele sorriso mórbido e cínico, incomodava-me bastante, e o meu
estadode espirito,apósimprimir-lhesaquelasúltimasgarfadasque existiamnoprato,foramde
um assentimentogutural nefastoe abrupto,o desejode rasga-lhesagarganta subiaem minha
essência, mas minhas provocações assentias deveriam ser contidas e pacientes.
Minutosdepois um sorrisopodre e nojento foi vislumbradointencionalmente paradentrodos
meusolhos,e aproximandode mimele sussurroualgoinaudível,coisadesprezível,e próximoa
meu rosto, ele cuspiu parte de sua comida sobre a minha face.
Minha reação foi algo súbito, nervoso, efêmero e animalesco, o grafo em minha mão obteve
autonomia,e emumsurtorápidode raiva,enfie-lheotalhe de trêspontasna mãoesquerdado
meu prisioneiro intrépido, e enterrando o garfo ainda mais sobre a sua mão, retorcia-o
apressadamente contraosnervose tendões,e fechando oobjetotacitamente,pressionando-o
contra o braço da cadeira, rolei a 15 graus para leste, dobrando sobre os dedos do maldito.
Um grito fino fugiu de sua garganta, e um palavrão pouco sutil foi repelidode sua garganta
imunda. Seu hálito decrépito segredou palavras famigeradas e insidiosas, e as maldades
inclinadamentefaceirasde suamentedoentia, desejaram-meumamorte talentosae sôfrega.A
dor estampava-sememoravelmenteemseurosto,e oódioemsuafaladesejava-meaindamais
maldades insanas,como a um bicho preso, solto pela primeira vez na vida,o animal tentouse
contorcer sobre o móvel, sem sucesso mordia a própria para conter a dor.
Eu nãosabiabemo que haviafeito,masafatode lhe geraalgumador,tranquilizava-meaalma,
sentirporum breve momento,umalivioaopesode minhastristesaflições, omeucorpoestava
mais sereno e os meus inquietos ombros plainavam mais soltos e leves, os meus pequenos
quadris, também se aliviaram de minhas fortes dores, e solicitando um ardil, a minha atitude
acabou livrando-me de meus muitos demônios.
Um gatilho inesperadamente mental, foi despertado dentro de mim, um lobo voraz, antes
adormecido,lutoufortementecontraagazelafrágil queme dominava, nestemomento,eusabia
que seria capaz de causa dor a aquele animal, e era isso que eu faria a aquele monstro nesta
noite.
As minhas livres inclinaçõesfebris, agora o detinha sobre o meu comando, ele não era mais
aquela fera sobre o descampado, nem aquele tigre feroz que perneava agilmente sobre suas
pressas,ele eraagora,apenasumratoacuadosobre aminhaarmadilha,umvermesobre omeu
grafo, um menino chorão apanhando de sua madrasta.
Eu o tinhasobre o meudomínio,e o incluíaao propósitoda minhaautoridade,ele certamente
sofreria nas minhas mãos, não haveria espaçopara piedades, e o meu ódio seria a única coisa
que importaria. Depoisde suareaçãoimprovável,observeique podiaferi-lode verdade,aquele
homem cruel podia sentir dor e ser ferido, e isso era fantástico.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Minutos depois, após apreciar a sua dor, retirei o garfo que estava cravado em sua mão, e
imediatamente o enfiei novamente na sua outra mão, o seu grito de dor parecia terrível, mais
indissoluvelmente eram música para os meus ouvidos.
O deletei daquele absurdo estado de euforia, causava-me apreensão e desconhecimentos, eu
não me reconhecia, aqueles atos me fizeram ter ideias ainda mais absurdas, e o prazer de
machuca-lo, garantiam-me êxtases, nunca conhecidos pela minha natureza pacata.
Minutos depois, subir agitadamente para a cozinha e de lá trouxe um balde abarrotado de
bugigangas, muitas das minhas inúmeras ferramentas de cozinhar, estavam espalhadas ali,
algumas perdidas a anos. Trouxe também o girau que ficava no fundo do quintal, e aparado
sobre uma tolhade enxugarlouças, coloqueicadainstrumentodaminhacozinha sobre ataboa
de madeira, perfeitamente enfeitada com os meus talheres e outras ferramentas.
Os meuspensamentosnãome deixavamempaz,e todoselesimaginavamcrueldadesterríveis
contra o meu algoz. Hoje teremosum animal na mesa de jantar, só não sabemos se ele será o
jantar, ou se ele estará sentado à mesa.
Uma pergunta tola ficou sem uma resposta plausível e mesmosobre as inúmeras reações que
poderiam vir dele, os gritos de dor, seria a única coisa que me contentaria. No entanto, algo
aindapermaneciacomas pontassoltas, seráque umanimal como ele poderia realmentesentir
dor, uma dor de verdade, ouele estariafingindo, até porque,animaiscomoele,poderiamestá
simulando uma consternação, e ainda está gostando ao mesmo tempo daquele cenário.
Infelizmente nãotenhocomosaber, animaiscomo aquele cão, ensejamemoçõesdissimuladas
e perigosas, mas uma dor visceral, algo tão forte, como o que fiz até agora, será que ele não
sentiunenhumador, achoque sim,até animais comoele,devemsentirdor,e com ele issonão
seria diferente, ele sentiria dor, mas acho que ele nunca admitiria. Vamos ver até onde ele
suporta. Afinal ele é de carne e osso,e se cortá-lo,ele sangra que nem porco. Minutosdepois,
semao menos recitar,agindotambémcomo a um animal,eufui arrancando as unhasdaquele
infeliz, e uma a uma até completar as dez.
Seusdedos estavamemcarne viva,e o seurosto,contemplava-mearduamente,aquiloerauma
doação exígua de sofrimento, sua expressão de dor terrivelmente esplendida causo-me uma
felicidade inesperada, eu simplesmente, nunca imaginaria que algo como aquilo, seria tão
bonito, tão singelo e tão sincero. A sua dor ressoava como a um presente de natal.
O calor tomou conta do quarto pequeno, e a minha adrenalina era igualmente parecido a
temperatura absurda do ambiente, alguns copos de água aliviaram-me provisoriamente dos
espasmos, mais não me saciaram terminantemente a euforia.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Resolvi então retirar a minha camiseta, ficando apenasde sutiã na parte de cima, ele esboçou
sofregamenteumarisadafelizde cantode boca.Odesgraçado ironicamenteaindame desejava,
maisissoera apenasoque ele iriaolhar,emseguidaenvolvi oseurostocoma minhacamiseta,
e tentando sufoca-lo, imprimir toda as minhas forças contra a sua respiração, depois puxei o
rosto dele para traz e usando a garrafa de água que havia usado para matar a minha sede,
despejei lentamente sobre a sua boca e narina, afogando-o ligeiramente contra o tecido
encharcado.
A sua expressão de surpresa, esbouçada contra a face, causou-lhe ainda mais apreensão,isso
podiaservistoemseusolhos,ohorroremmeuexercíciotorturante produziumedoaté emmim
mesmo.Maiseucontinuava,minutosdepoisouviralgobastantepeculiarsairde suaboca.Eram
exímios pedidos de perdão e de socorro. Parece que água causava pavor em meu refém. O
desejo de respirar era maior, e o meu algoz pela primeira vez sentia medo.
As minhas conjecturas morais estavam sumariamente suprimidas, ordinariamente
aprofundadas contra o meu verdugo, não havia piedade ou altruísmo, o que me fez sufoca-lo
ainda mais conta o seu medo, continuei despejando água sobre o seu rosto, foram quase seis
litros inteiros de água sobre a camisa que envolvia a sua narina e vir que o resultado teve
bastante êxito, o canalha estava apavorado.
Osufocamentome garantiumuitoprazer,mais nãoeraobastante,euaindaodesprezava, talvez
o quisesse morto. O tempo estava a meu favor e infelizmente todos os dedos dele também
aguardando pela minha odiosa oitiva.
Resolvi então dar um tempo para que ele recobrasse o folego, eu o queria acordado e lucido
para o que promoveriacontraoseubelíssimocorpo.Horasmaistarde, depoisque ele recobrou
oânimo, fizquestãoqueeleolhasse paraoque eutinhaemminhasmãos.Pegueiumesmagador
de alho e usando-ovoluntariamentecontraa pessoadele,foi quebrandocadadedoque existia
em suasmãos e pés.Um a um fui quebrando osseusdedose sem remoço, eume divertiacom
as minhas novas habilidades.
Agoraaquele homemde 1,75,ombrosfortes,físicoatlético,olhoscastanhos,e gozandode uma
aparente saúde,chorava como uma menininha.Apóstrêslongashoras de tortura. Resolvi que
iria inova contra o meu arrogante carrasco, e olhando para o meu arsenal de talhares e
instrumentos de cozinha. Deleitei-me em escolher algo mais simples, porém, consolidado o
bastante para causa-lhe mais dor.
Asminhasmãosestavamaparentementehabilidosase comumapequenaajudadeumisqueiro,
esquentei a base de uma colher, e virando as mãos do homem que um dia me estuprou,
espalmei-a esticando bastante para cima, com palma da mão voltada para o céu do teto do
quarto, e então finalmente as queimei, fizisso em suas duas mãos. Em seguida o fiz o mesmo
emsua boca, e incinerandoalíngua dodesgraçado,usei o mesmoprocedimento utilizadopelo
isqueiro.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Muito maisda metade de sualíngua estavaqueimada,e osseusdedose suas as mãos estavam
em terríveis flagelos, o seu rosto também demonstrava graves agressões, as vezeseu não me
continhae deferiasváriossocose muros contra o seurosto, aquele homem estavafamigerado
e decrepito.Euosurravadiariamente,e nuncame cansava.Comida,eraalgoque aquele verme,
apenas tinha uma vez ao dia, e depois que fui cuspida por ele, as vezes nem isso ele tinha.
A segundasemanade cárcere denuncia bemo trapo de homemque ele ficou,não aparentava
ser aquele animal que me atacoua anos atrás. Assuas risadasnão erammais as mesmas,e um
declive significante de sua arrogância, foi facilmente denotada em sua frágil expressão facial.
Seu olhar de superioridade baixou incrivelmente,e mesmo coagido e inerte, percebia-se uma
certa desistência.
Mais apesarde ter provocadotanta dor,eu aindaqueriamais,sua desistêncianãome causaria
piedade, ele pagaria pelo o que ele me fez, e o que fez as outras mulheres. Nenhum canalha
merece redenção, todos devem sofre antes de morrerem.
A visãodo homemque via sobre a cadeiraera fantástica,o seusofrimentoeraesplendido,ele
estava amordaçado, com um garfo enfiado em uma das mãos, a boca e a língua queimada, o
rostotodomachucadoe osdedosdos pése dasmãosestavamemflagelos. Aquiloeraumavisão
romântica de castigo, mais o meu corpo e a minha mente ainda queriam muito mais...
Não era o meu propósito, mas acho que havia matado aquele infeliz, a cena ao abrir a porta,
não erauma das maisbonitase nemera o que eudesejava,comcertezaexagerei nadose, fui à
alémdomeulimite,e oque eraparaserapenasumatortura,acabouemumassassinato.Aquele
quarto nemde longe lembravaos anos que vivi nele emminha infância. Quandoo vir daquele
jeitopelamanhã,nãoacreditei que euhaviafeitotudoaquilo,observei que ele sangrouanoite
toda e que deve ter sofrido até morrer.
A cabeça caída de maneirairregular para o ombro direitodenunciavaalgoque apenas temia,e
que nãoconseguiaacredita.Observei que nãohaviamaispulsoe oseucorpoestavagélido,frio
como uma pedra de gelo. O quarto estava alagado de sangue e moscas, mosquitos e outros
insetoscomeçavamaser atraídos pelasangria ainda fresca que eu promovi na noite anterior.
Algo precisava ser feito, e antes que o corpo começasse a se decompor e a causar mau cheiro
pela casa, eu precisaria me livrar dele. Mas primeiro eu arrumaria aquela bagunça, depois
pensaria em como descartaria o corpo daquele monstro. Horas depois, tudo estava limpo, e a
idaaté osupermercadolheoportunizoucompraumsacoplásticoenorme,alémdefitasadesivas
e fios de amarrações.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
A volta do supermercado também lhes trouxe outras ideias, observei que existe um rio e um
mangue próximo de casa, este seria um ótimo lugar para me livra do corpo deste ordinário,o
cretino afundaria no rio, um lugar obvio para uma desova, mais improvável de ser localizado,
aquele seriaumlocal aonde ninguémmaiso acharia, e para garantir que ele permanecesseno
fundo do rio, pedras seriam amarradas em seus pés. Seu corpo foi devidamente preparado,
envolvidocomsacosplásticos,seladoscomfitasadesivase amarradoscomfiosde nylon, nunca
mais ele sairia do fundo do rio.
Horasmaistarde,foi exatamenteassimqueprocedi,coloqueiocorponaparte traseiradocarro,
sobre os bancos,e dispersandoocadáversobre orio Bacanga, observei ele imergiraté afundar
lentamente em sua margem. O relógio marcava 03:16 da madrugada, o silencio terrível,
amarguravaa minhaintimahumanidade,apenasosfaróisdocarro,asestrelas,orioe asarvores
próxima de mim eram testemunhas do meu grave crime. E infelizmente eu teria que conviver
comigo e com aquele segredo para sempre.
Anajaraentãodeumeiavoltacomocarroe semolhaparatraz arrancouacelerandofortemente
para a avenida dos portugueses, seu ódio por aquele homem não havia passado, nem o mau
que ele lhe fezhaviadescansadoemseucoração,maispelomenos,elejamaisfariaalgode mau
a outro ser humano novamente.
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DieghoCourtenbitter
Capitulo III
Um Fato ImprováveL
A Ressureição do MaL
A noite aindaestavaenvelhecendo,e antesde morrer,vencidapelaclaridade,omal ressurgiria
das águas do rio Bacanga, o sol apesar de inevitável, ainda teria mais algumas horas para
percorrer o espaço, antes de nascer no horizonte. Algo inacreditável ou planejadopor algo do
mal, colocou sobre as aguas do Bacanga, dois jovens pescadores, que ao recolherem as suas
redes, fisgaram algo extremamente pesado e incomum, ambos puxavam com força e
curiosidade aquele objeto, e com sucesso resgataram para dentro do barco o estranho
embrulho.
Extremamente habilidoso,umdosjovensrapazes,usandode umafacaartesanal,cortaramcom
cuidadoolacre e abriramoembrulho,começaramirrompendoprimeiramente aparte dafrente,
as pedras que amarravam as suas pernas foram cortadas e jogadas de volta as águas, e o que
não era umasurpresa,foi revelada,oembrulhotinhaumcorpohumano, incrivelmente haviam
sinaisde lutaque rasgarammetade dosacoplásticopelaparte de dentro,aquilosinalizava uma
tentativa de rasgar o saco. Um fato que surpreendeu os pescadores, provavelmente ele ainda
estava vivo, quando foi embrulhado.
Infelizmente paraos pescadoresaquiloeraverdade,o homemestavavivo,e abrindoos olhos,
aquele terrível homem, tomou a faca de um dos jovens, e os esfaqueou brutamente, ambos
atingidossobre o pescoço.O homementãoos devorou,e como a um leão,hora consumiaum,
hora consumia o outro, regozijando-se de sua fome.
O dia havia raiado, e o sol ardia fortemente sobre o barco aonde estavam os dois jovens
pescadores.Asvítimas estavammutiladas,desfiguradase quase irreconhecíveis,foi assimque
um outropescadorlocal,descreveuoque viunaquelamanhã,este pescadornavegavaem uma
jangadado seucunhado,quando avistouaquelapequenaembarcoàderiva, que batendoforte
contra a barragemdo Bacanga, ora afugentava,ora organizavaa duplade urubusque pousava
sobre o barco,a embarcaçãose encontrava do ladoaonde rioencontrao mar,em seuestuário,
e talvez por isso ele encalhou sobre a barragem e foi em direção ao mar.
Quando se aproximou viu uma imagem terrível, algo extremamente animalesco, nunca visto
antespelosolhosdaqueleexperientepescador.Umaimagemdantesca,algoparecidocomofim
de mundo. Um terror palpável que só se via nas telas de cinema.
Haviaalgo parecidocomhomens,oupelomenos oque restavade homenssobre aquele barco,
ambosestavamabertosdagargantaaté oabdome,eosdoisnãopossuíamseusórgãosinternos,
obarco estavaservindotravessade banquete paradoisurubusquese alimentavamdoshomens
mortos, enquanto que as partes de seus pés e braços pendurados para o lado de fora, eram
devorados por peixes que constantemente beliscavam e tiravam pedaços de seus restos
mortais. A cena era horrivelmente temerária e assombrosamente demoníaca, o que fazia o
velho pescador se perguntar....
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
– Quem em nome de Deus…
– Seria capaz de fazer aquilo...
– Com um outro ser humano...
– E porque fazer aquilo...
– Qual o propósito...
Minutos depois de ter avisado outros pescadores, a polícia também foi acionada, o corpo de
bombeiros também foi chamado, e horas depois uma multidão de curiosos, a TV Mirante e a
Difusora, cobriam e narravam os novos fatos terríveis que abonavam de assombro a pequena
ilha, antes chamada de amor, televisionada agora pelo jornal nacional, de a ilha do terror.
Durante váriosdias,os noticiários de televisão, apenasfalavamdestecaso,maisospoliciaise a
justiça, apesar das investigações e dos vários meses de interrogações contra os possíveis
suspeitos, nadafoi descobertoe apurado, oautordaquelecrime bárbaro nuncafoi identificado.
Muitosanos depois, algosemelhanteaque aconteceuaosjovensnaembarcação, ocorreu com
uma jovem, ela havia sido encontrada morta na praça dos poetas, próximo ao palácio do
governo do estado do maranhão, ela estava estripada e sem muitos dos seus órgãos internos,
as unhas haviam sido arrancadas, a boca e língua estavam queimadas, e os seus olhos foram
extraídos cirurgicamente, havia também uma flor artesanal costurada em seu ventre, a vítima
foi amarradae penduradanoapoiode mão, peloladode foradasacada,como corpoprojetado
para a beiramar,elausava um vestidode crochê e nassuas costa sobre a pele estavaescrito....
- Eu nunca gostei de você.......
- Eu sempre te amei................
- Minha doce e querida Ana....
Até hoje ninguémsaberealmente quemé ajovemdesconhecida que foiterrivelmente estripada
naquelapraça,umnome curtoe simplesque apenasocriminoso ousouchamarde Ana. A polícia
temuma pistade quemseja oassassino,maisodonodoblogger,dosperfis,dosheterônimos e
dos livros que foram postados e encontrados em uma rede social, nunca foi localizado.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo IV
34 Anos AnteS
Os Dez Sinais da MaldadE
Aquelamanhãde quinta-feiracertamente nãoseriaumdiacomum nacidadede SãoLuís,muitas
pessoas possuem dificuldade para se encontrar na vida, não sabem que profissão seguir, que
pessoa devem namora ou casar, que pessoas devem eleger para se tornarem amigos, ou que
roupadevemvestirparairàmissanodomingo.Estascoisasdeveriam seralgofácile corriqueiro,
mas neste mundo vazio e pré-formatado, ainda existem milhares de pessoas que possuem
dificuldadeaté paraescolheroque vãocomeremdeterminadodiadasemana,algoque deveria
ser relativamente prosaico e fácil.
A vida é algo admirável e abundantemente incrível, mas também é efêmera e rápida,
excepcionalmente, muitosnãoviveramde verdade,apenaspassarampelavida,algunsmilhões
destes, somente descobriramque estão vivos, quando estiverem próximas ou diante do seu
próprio leito de morte, infelizmente a grande maioria das pessoas na terra já se encontram
mortas, mas muitas delas, nem sabem que issojá aconteceu. São como zumbis,mortos vivos,
gente que apenas levanta pela manhã, comer a tarde e dorme a noite.
A vida é um luxo que poucos sabem aproveitar, o sol nasce para todos, porémé precisosaber
curtir a vidasobre a sobra de um coqueiroque margeiamuma mangueira.A praia é igual para
todomundo,masmuitosde nósjamaisentraramnomarpara saborearo gostode águasalgada
que respinga no rosto.
É triste,maismuitosapenas passarampelavida,masnãoaviveráde verdade, é quase certoque
muitosde nós, talvezaté saibaque estána terra, que isto não é um sonho,mascomo a vida, é
algo que nos predispõem a riscos, como andar de montanha russa e se jogar de paraquedas,
muitos possuem a certeza que já perderam a viagem. Eu, no entanto, vim para este mundo a
passeio, e como viajante, jogo-me de cabeça em tudo que me satisfaz e o que me faz bem, a
minha mochila está cheia de adrenalina, e fervendo como o inferno, vim para viver uma boa
aventura.
Quando eu tinha apenas quatro anos de idade, eu já sabia o que eu era, e o que eu queria da
vida, meus pais sempre confiavam muito em mim e em meus irmãos, contudo, eles
sucessivamente amavammaisaosmeusirmãos,todostínhamosna medidadopossível,tudoo
que queríamos, apesar de saber que todos tinhamum horrível medode mim.Infelizmente,eu
sabia de todos os pecados tórridos e doentios que eles possuíam, e como pecados são
delicadezas que os demônios nos presenteiam, eu nunca me neguei a aceita-los.
O meu corpo era de uma criança de quatro anos, maisa minhamente e a minhaalma era algo
muitovelho e maisantigoque aprópriaterra. Felizmenteeujáolhavaosoutrossereshumanos
como uma caçar a ser predada por mim. Eu tinha algo dentro de mim que não era normal e
desde de novinhojá sabia que o ódio e o assassinato seriam para mim, como um presente de
natal.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Nuncafui umapessoaindecisa,sempre tivecertezadaminhanaturezacruel.Nestaquinta-feira
acinzentada e chuvosa tive uma fidúcia do que o meu ser era realmente feito, nada era tão
terrível quanto eu mesmo. O mal não era nada perto do que eu sou, pois tenho a escuridão
dentro do meu coração.
Hoje observei sem querer pela janela de meu quarto o meu vizinho, ele atirava pedras em
direção a uma arvore com a ajuda de um estilingue, a sua intenção era atingir o ninho de um
passarinho, a baladeira em sua mão foi assertiva, os seus quinze anos de idade, haviam
derrubado o ninho e os seus filhotes, junto caiu também o pequeno sabiá.
O animalzinho estava tremulo e atônito com a pedrada, ele havia tido êxito, mais o bobão
sentimental, parecia arrependido do grande feito, o seu rosto rapidamente enchia-se de
lagrimas, e um som fino de tristeza revolvia da arvore até o meu quarto, resolvi descer para
ajuda-lo, aquilo não era algo tão ruim, o animal penoso estava mais do que atordoado, o
ferimentopromoveu-lhe ummachucadomortal,a pedrada que ele deferiucomo estilinguefoi
algo majestoso, crianças sabem ser malévolas quando querem pratica iniquidades.
Eu sugerir que ele desse fim ao sofrimento do animal, mais ele não estava disposto a fazê-lo.
Olhei friamenteparaosseusolhos,sorrire acaricie oseulindorosto, então,eutomeiainiciativa,
peguei umapedraenormee golpeandoumasseisvezescontraacabeçadaave,a esmaguei sem
piedade.
O garoto perto de mim ficou absurdamente horrorizado e ainda em estado de choque, o seu
choro seguia descontrolado, tentei tranquiliza-lo, mas não havia muita coisa a se fazer, eu
porem, estava completamente entusiasmado, sorridente e muito feliz, ambos estávamos
enlambuzados com o sague da ave, mas somente eu sentia felicidade, o meu sorriso
assemelhava-seaumlouco emumparquede diversão feitoparamaníacose colapsados.Aquele
talveztenhasido o meuprimeiroassassinatoasangue frio,e desde de entãoeu já sabia quem
eu era. Eu era um assassino de natureza e convicção.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo V
Ana VeronicA
Minha 1° VitimA
Eu era como um lobo entre as ovelhas,um cão entre os gatos, uma coruja entre os asnos, um
insanoentre aspessoasinocentes. Verdadeiramente aindasouumapessoacomum, umanimal
com hábitos,um homemsocial,um ser talvezdócil e altruísta,mas aindaassimum homemde
convivênciacomume muitonormal.Souagradável,sorridente,gentil,amávele feliz.Tenhoum
bom emprego, tenho muitos amigos, tenho uma namorada, curso mestrado em sociologia e
pretendo ter família, uma bela família.
Indubitavelmente,é claroque tenhodefeitos, estourepleto deles,cobertoporerros e cheiode
todos os pecados que mazelam a humanidade humana de um ser comum. Possuo defeitos
inerentes ao meu caráter, a meu emocional, a meu comportamento e a minha ética. Estas
minhas qualidades e estes meus defeitos de um modo todo inconsciente, são todas vis,
detestáveis e biltres.Talveztodaselas,sejam umapiordoque a outra,mas todassão insanase
permitidas.Soudotadode falhas,tenhominhasfraquezas,meusfracassos,minhascontradições
e até os meus vários paradoxos filosóficos e existenciais.
Tenhocomposiçõeshumanassimplese muitasintemperesbanaiscomotodomundo queresiste
e existe emnossaespécie,emumacondiçãohumana.Soufrágil,soudócile doce, maistambém
sou fugaz, feroz e muito agressivo. Todos os meus defeitos são perfeitamente ordinários, e é
claro que alguns deles são um pouco mais ácidos e mais truculentos do que outros
comportamentos que ser ver na sociedade.
Um detalhe, um fato ínfimo, ou um desarranjo, por mais pequeno que ele seja, este detalhe,
aindaserásomente omeueu,e é istoque podedeterminarosermortal que euera,justificando
o ser fatal que eu me tornei, uma característica intrínseca que pode se torna algo destrutivo
para uma ou mais pessoas que se arrisque ou pretendem atravessa o meu caminho. Estas
proeminências são apenas minhas, e sendo minhas, eu me considero humano.
Asvezestenho algunsapagõesmomentâneos, lapsosmentaistemporais, apontamentoscurtos
de algoque vivi de forma inconsciente, umerro de registro mecânico,formulado e organizado
pela minha frágil memória. Estes lapsos as vezes podem dura minutos, horas, dias, ou até
semanas, é bem verdade que quando isso acontece, os reflexos físicos em meu corpo são
extremamente drásticos, mais eu os absorvo.
Quandotenhoestaslacunasvaziasemminhamente,omeucorposempre manifestaasmesmas
reações terríveis, algumas são dores cabeças, dores nas costas, dores na barriga, dores de
ouvido, vômitos intensos e ansiedade extrema, as vezes sempre lembro-me de alguns fatos
efêmeros, pedaços de cenas reais, ou de ocorridos parciais, que em tese deveriam ser
controlados ou nem manifestos.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Todosnósdeveríamossercapazesde controlarosnossosimpulsose emoções,masnavidareal,
as vezes isso não pode ser feito, eu pelo menos, não a controlo totalmente, e por não ter
controle destessentimentose nemde mimmesmo, torna-se obviaaminhainerciasobre afera
que sou dentro do meu cérebro.
No entanto, é claro que a maiorias destes fatos acabam por ser esquecidos, e muitos destes
lugarese fatospor onde andei e vivi estaoutravida,ficamapenasregistradoscomoreflexosde
um sonho, ou representações de sombras de algo que jamais viveria se estivesse acordado
dentro de mim mesmo.
Quandoconheci Veronica, eudeveriaterentre 21e 24 anos,nãosei aocerto,mas àquelaépoca,
eu aindanão haviamatado ninguémparavaler,pelomenos,nãodo jeitoque euqueriamatar,
ou pelo menos, um ser maior que um pássaro, ou um cachorro, ou seja, um ser humano, pelo
menos, não do jeito que eu planejava matar, ou como ansiava matar.
Havia alguns anos, desde a última vez que matei algo, alguma coisa,ou mesmo alguém, desse
último relato não tenho certeza, no entanto, lembro-me que a Ana Leticia e o seu lindo
namoradinho foram apenas uma forma de treinamento promíscua, então não conta como
assassinato,contamcomoacidentesprovocados e é claro, osanimais domésticos davizinhança
e alguns poucos animais de minha casa, também sofreram com a minha ansiedade macabra e
os típicos acidentes.
Durante a fase adulta, não me recordo de ter matado ninguém,disse eu tenhoquase certeza,
porém, é algo que deve ser revisto. Pelo menos o meu cérebro, não me fazia relatos de algo
recente,ficaclaro, que eue o meucérebrosomosbons amigos,anda corriqueiramente, muito
com ele,e sei que ele é péssimacompanhia e uma ruim influencia para mim. Mas eu o adoro.
Lembro-me também vagamente do pequeno Bruno que empurrei da escada de degraus mal
feitos e ligeiramente altos que existia na casa de um de nossos parentes, foi na festa de
aniversário daminhatia,masestefatonãoconta,aliais,nãofoiumamorteimediata,elemorreu
depoisde cincodiasinternadonohospital, e eusei,nãofui tãoeficiente,e me envergonhodeste
pequeno erro, afinal matei aqueles animais por diversão, e o Bruno, a Ana e o namoradinho
porco dela, matei por oportunidade e ciúmes, e estas três últimas formas de matar não
contabilizam para mim.
O que euqueriaeraalgomaissofisticado,maisplanejado,e maisenvolvente,eudesejavamatar
com as minhas próprias mãos, mas também sou obcecado por uso de navalhas e fios, e isto é
algo que desejo praticar e aprimorar um dia desses.
Aquilo era algo que eu queria muito, meu desejo de mata estava apenas começando, e este
desejomacabroacabou florando de formaviolentaquandovira doce Veraem uma sorveteria
nesta sexta-feira pela manhã.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Asnoitesdeste fimde novembro repetiam-se comoumafotografiadigital,sempreescurecendo
mais cedo do que o habitual, o sol estava com presa, e ele nos deixava sempre as 17: 36 da
tarde,e comoerade se esperar,osúltimosdiasdestemêsaqui nomaranhão,ininterruptamente
choviarepentinamente,aruade Santaninhaemparticularficavavaziae muitoalagada,emdias
de muitasprecipitaçõespluviométricas,aruamaispareciaumrio, comcorrentezas fortíssimas,
mas as comprasde natal e de fimde ano,iriam mudareste cenárioa partirda próximasemana,
quando todas as ruas do centro ficariam lotadas de clientes e ambulantes.
Aquelaeraumaoportunidadeperfeita,e comojáhaviamapiadoarotinade Veronica,sabiaque
ela ficaria exposta e sozinha na rua da paz. Ela sempre comprava o mesmo sabor de sorvete,
ficavade deza vinte minutosconversandocoma donadoestabelecimento, asenhoraElizabete
Moreira, metodicamente, Veronica retornava para a sua casa, trinta minutos depois.
Seutrajetoeraumpouco ordenado, semmudanças,ouerrosde percurso, elatransitavasempre
pelasmesmasruas, conversavacomasmesmaspessoas, e usavaquase sempre amesmafitade
prenderoscabelos, geralmenteelacaminhavaentrearuadosol, desciapelaruade Santaninha,
e finalizavaoseupercursona rua da paz. Um belíssimo percursoparaum ser estratégicocomo
eu. O bomsinal é que elanuncase viravapara trás, osseusolhossempre estavamvertidospara
frente, focado os ouvidos a música alta, emperlada pelos fones de ouvido.
A presa era algo fácil, então resolvo ir atrás do meu presente, em minhas mãos já estavam a
minha navalha e os meus fios e fiapos, e como costumava brinca com eles entre meusdedos,
fazia desenhos diversos e divertidos. Neste intervalo de tempo, além daquela brincadeira de
criança que distraiaaminhamente,eu iaplanejandocadapassode meuataque.A suagarganta
logo seria rasgada pelos meus fios, e o seu sangue logo iria colorir alegremente as pedras de
cantaria da rua da paz.
A rua do sol é um lugar muito bonito, mais ela sempre faz sombra na maior parte do dia, e os
prédios que ali existem no quarteirão, quase nunca são irradiados pela luz artificial durante a
noite, as edificações coloniais jazem abandonadas e o merecimento de sua beleza deixam de
encantar as pessoas, sem o sol da rua do sol, o seu brilho fica apagado pela luz natural, sendo
apenas bajulada inertemente pela iluminação artificial.
Nuncaentendi omotivoreal de seu batismo,maisopovo é sempre paradoxal e irregularmente
desprovidode coesão. AnaVeronicanemsentiuquandocheguei a seulado,e minutosdepois,
ela estava presa em meus braços, e fatiando o seu pescoço com os meus fios, fui drenando a
vida de seu corpo, aquilo foi algo feliz, ver o seu sangue, sufocando-a até morte.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
A rua de Santaninhanão era mais tão santa, elame viu passar e persegui aquelapobre almae
não fez nada. A rua da paz, não terá mais paz, pois eu coloquei o caos sobre a ordem que ela
conquistou durante estes anos. Suas pedras de cantaria não são mais oblíquas e sem cor, pois
eu as margeiem com o meu vermelho insano e biltre.
Infelizmente,nãotive tantoprazer,ela não foi um desafio para mim,quase não houve reação,
suas pernas brincaram sobre as minhas, e os seus braços espernearam tanto que quase sentir
vontade de rir.
Minha ação foi rápidae viril,primeirotampeiasuaboca com as mãose a sufoquei lentamente,
o que lhe causouum desmaio,depois useiosfiosque estavamemminhasmãose osentrancei,
enroscando-oemseguidaemseupescoçoe adiante afatiei comos fios,usandoa sua garganta
como referência tênue de meu projeto, ao final o seu pescoço ficou sobre flagelos. Fui
terrivelmenteíngreme,incrívele mordaz,elaestavaemcarne viva, assuturaspromoveram algo
tão profundoque nenhumafacadomundofariacortestão perfeitose tão iguaiscomoosmeus
fios. Nem precisei recorrer a sutura lateral.
Minutos depois, já com a navalha nas mãos, retirei parte de seu útero e em seguida também
retirei os seus dois rins, coloquei sobre as minhas mãos e os deslumbrei fascinado. Hoje terei
uma refeiçãodignade umrei,pois a minhaamada AnaVeronicase entregoua mimcomo uma
rainha, seus pelos quatorze anos de vida nunca mais se repetiram, ela ficaria eternizada com
esta idade em minha mente até o fim de minha vida.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo VI
Ana CarolinA
Minha 2° VitimA
Ana Carolinaerauma mulherradiante,umseradmiravelmente esplendidoe possuidorade um
exuberante senso de humor e carisma. As suas qualidades infinitas, destacavam-se sobre as
minhasquase inexistentesatribuiçõesaltruístas.Omundoafirmativamente nãofabricavamais
mulherescomoela,e mesmo emmeioatantasmaldades,egoísmos,individualidadese apoucas
compaixões, ela conseguia amar, ter paixões, ter zelo por um outro ser humano, e isso era
incrível.
Geralmente aspessoasque me cercavameram mais vaziasdo que as ruas do centro da cidade
de São Luís, e os meusmuitoscompanheirosde faculdade e de trabalho, eramterraseca, areia
infértil,pertodoqueelatinhacomo essência,muitosdosamigosque aindapersistiamemminha
vida, eram ainda maisvaziosdo que a minhatriste rua dos afogados,as madrugadas chuvosas
e frias de uma segunda-feira, mais assemelhavam-se a um deserto de sal.
Eu estava diante de ser humano único, ela era alguém de sentido diverso, ela era alguém
especial, talvez um anjo, talvez um demônio, mas sem nenhuma dúvida, eu sabia de suas
especificidades,nuncaemtodaa minhavida, euimaginariaque alguém comeste formato,com
esta sensibilidade, pudesse existir, jamais poderia crer em alguém como ela.
Nuncacogitei apossibilidades queemalgumdiade minhavida,pudesseconheceralguémcomo
ela, indubitavelmente ela era tudo o que eu queria para mim, ela era algo distinto, um ser
sublime, um ser magico, feito somente para a minha existência.
Ela era alguém que jamais poderia sonhar, mesmo em um sonho bom, mesmo em um sono
profundo,onde tudoé possível,eujamaisteria umsonhotãobem sonhado comoo que elaera
para mim, e eu sei que jamais a produziria em minha mente, mesmo que eu desejasse isto.
Nunca em meus muitos sonos, jamais poderia ter conhecido alguém como ela, mesmo em
minhasfantasias,eujamaisteriaalgo como ela,sei que esse tipode amor não existiria, elaera
um ser inimaginável, um ser proparoxítono, algo enviado pelos deuses para mim.
Ela era algo que podemos considera um ser único sobre a terra, um produto de linha
estupidamente caro, uma produção rara, algo muito escasso de se ver na nossa existência,
alguém que nasce inusitado em meio as muitas copias repetidas, algo extraordinário em meio
aos milhões de seres humanos que nascem todos os dias sobre a terra.
Ela possuíauma perspicazemocional exótica,suasingelezaerafluida,e asua estéticafísicaera
expendidae lindíssima,asuabelezatemperavaalgoúniconosemblante torpe de minhaínfima
humanidade triste. A sua vagarosa calmaria, causava-me paz interior e os seu olhos meigos e
pequenos, faziam-me ter fé na vida.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Os seus olhos tímidos e vis sempre me faziam viajar por terras ariadas e a sua boca languida,
tênue e doce,causava-memórbidosdesejoslascivos,umaconjugação estranhade sentimentos,
conflitostorpestalvezonerados domeupróprioserfrioe nefasto.Assuasfeiçõesde menina,o
seudorso de uma quase mulherprovinciana, denotava-mecobiçastórridas,todas relacionadas
a sua extrema beleza e individualidade,não havia um só dia em que as suas curvas femininas,
promovesse veleidade em minhas insanidades.
AnaCarolinaeratudooque eunãoera, sintetizandotudooque eudesejariaterde umamulher,
ela possuía todas as qualidades que eu não tinha, e carregava todos os sentimentos que eu
jamais poderia ter, ela era uma linda mulher, muito educada e extremamente verdadeira. O
tempo foi uma razão ordinária no equilíbrio de nosso relacionamento e apesar de termos
namorado por apenasonze meses,nossarelação nos proporcionou uma experiênciauniforme
única, sendo exótica, maravilhosa e singular em nossas vidas.
Em nossoromance torpe, as equivalências emocionais,transacionavamcom velocidade, nossa
ingenuidadeeraalgo estupidamentealgoz,tudoeramuitointenso e muitoperigoso,e amaioria
dos fatos que envolviam o nosso romance, acabava acontecendo de forma ininterrupta,
integralizada e equacional.
A gente nunca se entregavaa rotina,o medoera algo praticamente obsoleto, fazíamostudoo
que era permitidoe o que também não era permitido, geralmente vivíamosde formaabertao
nosso amor, não tínhamos regras, mas infelizmente tínhamos muitos segredos.
Eu principalmente tinha milhões de segredos escondidos, a mentira era algo que usava como
arma, e para caçar, a mentira era fundamental, essas mentiras existiamem todos os aspectos
da minhavida,tudopraticamenteeraumamentira,somenteomeuamorerareal e verdadeiro.
Todo o resto, era irreal, uma farsa, uma mentira.
AnaCarolinanãome conhecia de verdade,jamaissoube quemeuera,elaestavaaoladode um
desconhecido, convivia com um homem estranho, alguém alheio e sujeito a insanidades, um
invasor,um inimigoperigoso,umalgoz mordaz. O tempo era algo voraz,e sem saber de nada,
a jovemdormiae compartilhavaavida com um monstro,eu era um ser incógnito, umvil ardil,
um nômade recluso, um animal sedento, um anônimo mortal.
Eu até fui feliz ao lado dela, mas como toda felicidade, como toda paixão e como todos os
desejos existentes nesse mundo, tudo fica muitoefêmeroe colapsado. Não importa o quanto
desejamos manter a vida sobre controle, ela sempre nos descontrola e nos torna um idiota.
Neste entendimento quase emocional do meu espirito vazio, havia pouca inexistência de
equilíbrio social, uma parte de mim sorria, outra parte chorava, uma outra apenas entristecia,
mais a maior parte de mim, gargalhava de forma demoníaca. A minha parte sóbria, estava
sufocada,aprisionadae encarceradapelodomíniodomal que habitavaemmim, haviaumaluta
terrível emminhamente,maso meu espiritosupostamentebondoso,eralogoaniquiladopelo
o meu lado malvado.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Algome causoumuitaestranhezamental,euhaviapassadomuitotempocomelae nãodesejei
matá-la.Mais issotambémpassou e não demorou muitopara que a minhapossível paixão,ou
amor, tomasse rumos desconhecidos, tudo estava obscuro, nebulosos e ádvena. Todos eram
sentimentos que as vezes moravam escondidos dentro de mim, emoções que as vezes eram
desconhecidos até para mim mesmo, comiserações confundidas com humanização.
Estranhamente, algumas semanas após a estes lapsos confusos de sentimentos, um equilíbrio
breve, tomou posição em minha mente, eu estava sóbrio, completamente liberto de minhas
insanidades sequestradoras, alforriado do meu dominante carrasco, ou seja, livre de mim
mesmo. Tudoagora pareciatenderpara uma estabilizaçãoemocional, permanecendoosmeus
pensamentos e os meus sentimentos sobre o meu total controle.
E isso, deveria continuar dessa forma, muito pelo amor que eu tinha a ela, e menos pelo
desprezo que eu tinha de mim mesmo, tudo por ela, tudo por minha doce Ana Carolina, tudo
pelosentimentoinédito que se moviadentrode mim.Eera exatamente porcontadesse amor,
que eu deveria continuar sendo dono de mim mesmo.
Mais certosanimaisnuncasão domesticados, algunshábitosnãomudame pessoascomo meu
tipode caráter, jamaisse modificam.A maispuraverdade deste mundoé oque algunsanimais
nunca evoluem, permanecendo estáticos na cadeia biológica. O que existe de concreto, é um
certo controle, uma calmaria momentânea, mais nunca há um adestramento, uma mudança
real, um acerto em desacertos.
Naquele mesmo dia, horas mais tarde, outros sentimentos estranhos e desejos imundos,
caminhavamde formabiltre na superfície das minhasemoções, sacrilégiosinsanos,distraiama
minha mente imatura, e junto a isso, um forte desejo de matar, renascia novamente dentro
mim.Uma lástimaconhecida, acompanhava-me freneticamente,volvidasobre ovazio,revolta
a respeitode meuabismopessoal.Algoinumano,tumultuavaomeuímpio, contornavaaminha
concupiscência, profanando o meu desejo carnal.
Eu conhecia bem aquele castigo, um cálice antigo, um fel ébrio, um tumultuador implacável.
Aquele sentimento sempre me manipulava e aquilo me acompanhava desde as primeiras
infâncias da minha existência.
Aquelalástimaancestral,demoníacae promiscua,sempreaumentava,elajamaisdiminuía.Edia
após dia, eu a sentia revolvida dentro de mim, domando-me tacitamente, controlandoo meu
espirito, assumindo de forma literal todo o meu ser.
Em poucosdias,osmeusanseios,asminhas vicissitudese veleidadessemprevenciamasminhas
benevolências comportamentais ditadas pelas regras sociais voltadas para a coletividade. A
minhaindividualidadeanimalescaeratriunfante,e elassempre acabavindoem primeirolugar,
antesmesmoque oamor, antesmesmoque apaixãoe antesmesmodela, AnaCarolina, omeu
únicoamor,a minhaúnicapaixão, umamorque talvez,emtodaaminhavida, nuncatenhatido,
ou nunca tenha sentido de verdade em minha desprezível existência.
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DieghoCourtenbitter
O bar da Firminaera o nossolugar preferido, músicaboa,pessoasinteressantes,muitacerveja
geladae algunsamigosparaconfraternizare festejar.Aqueleambientenospropiciava aarte de
transar sem nos preocupar com apontamentos desnecessários e rotineiros. Transar era um
esporte muito bem-vindonosfins de tarde,principalmente,logoapósumdiainteirode trabalho
estressante no escritório de empréstimos em que eu trabalhava.
O fantásticodessasboaslembranças,é que elasempre me faziagozae viajar,aquiloeramelhor
do êxtase,maconha,lançaperfume oucraque.Agentegozavade formagostosa,nossaquímica
era algoúnico,eu com a minhaviolênciaexageradae elacoma sua submissãoexclusiva.A sua
boca e a sua língua eram algo inumano, ela me sugava de maneira divina, o que no final,
resultavaemum espermagrosso,transparentee quentinho,umleitinhosempredegustadoem
silencio por ela.
Nossolugarpreferidoparatransarera umgrande banheiroemestiloneoclássicoe colonialque
ficava na parte de baixo do casarão, fazíamos de tudo, não tínhamos frescuras com as nossas
trepadas, maiso sexooral que elapromoviaem meupêniseraalgo sublime,maiseusempre a
recompensava, colocava-a de quatro sobre a banheira e a penetrava com muita força e
selvageria, empurrava com força e violência, repetindo destramente as muitas palmada
sequenciadas, deferidas propositalmente em sua bunda branca.
Durante estes devaneios loucos que vida sexual a dois proporciona, o exagero era uma
constante,mordidas,tapas,socos e algunsgolpesespalmadosasuas costas,eram deflagrados
semnenhumpudorou benevolência,aquilome excitava,machuca-lasóme davamaisprazer e
terror.
Aquiloeratão intensoque o meupênis ora estavadentrode sua vaginae ora estavadentrode
seu ânus, eu sempre intercalava as penetrações, um fator que lhe provocava dores, choros e
muitospedidosdesesperadosparaqueeuparasse,maseunãoparava,depoisqueestavadentro
dela, eu somente pensava em enfiar-lhe com mais bravura e maldade, não importando se a
machucava ou a feria. Eu era um animal indomável emcimadela,cão dosinfernosqueimando
sobre a sua genitália inocente.
Neste processo louco, hora enfiava-lhe na vagina, hora lhe enfiava no ânus e assim gozamos
todasas noites,sempre e durante assextas-feiras.Àsvezes,astransasrolavamtambémnalaje
ou no terraço deste bar, mas o banheiro era o nosso cantinho preferido. Outras vezes porem,
fazíamos no escritório da empresa em que eu trabalhava, usávamos o banheiro, a sala de
negociação, o refeitório ou a mesa do computador.
Quando estávamos inspirados, fazíamos sexo na praça benedito leite, no parque do bom
menino, na praia, no espigão da ponta da areia, dentro do ônibus, no banheiro químico do
reviver,napraçado reggae ou em umarua qualquerdocentrohistórico, bastávamosestaafim,
então fazíamos sexo sem pudor ou culpa.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Em nossos sexos atrevidos, fazíamos de tudo e praticávamos em qualquer lugar, desde que
sentíssemos vontade de fazer amor, ou fazer sexo. É claro que ela fazia amor, eu apenas fazia
sexo, mais as vezes sentia amor por ela.
Ela realmente foi uma de minhas loucuras, um sonho dentro de minha realidade vazia, uma
florestaemchamasemmeugrande riogelado.Mashaviaalgoque sempre tínhamos emmente
e que as vezes era inevitável não fazemos em nossas loucuras inanimadas.
Apesardocomportamentoadolescente, tínhamosidadede sobrasparafazeroque quiséssemos
e na hora que desejávamos. Quando visitávamos o bar da Firmina, havia uma garçonete que
facilitavaasnossas orgias,fizemosamizadecomelaapósumadiscursão tolasobre umareserva
de umamesa,algopluvialparamim, porém, umaofensaterrível paraaminhaamadabriguenta.
Ana Carolina era linda, mais ela era uma baixinha birrenta e brigona.
Nossa nova amiga, contribuía para a continuada obscenidade que acontecia dentro do bar,
meninices que promiscuamente emsegredo,eramdevolvidos emformade favores pessoais a
jovem garçonete, repetições ninfomaníacas, entregues aos mesmos zelos sexuais que ela
acostumava espiar.
Nossa anfitriã nos agradava com privacidade, gentileza, educação e cervejas, Ana Carolina
provavelmente nãosabiado meucontrato com a garçonete,maisacho que ela desconfiavade
algo existente entre nós. Agente mudava constantemente de ambiente e humor,
ininterruptamentedesejávamos aindasobreoefeitodoálcool, transarnotelhadodaquelacasa,
algoque aindanãotínhamosrealizado,uma formadiferente dedesejoquenosacalentavasobre
aquele teto de atmosfera colonial.
Aquele ambiente, aquela casa, aquele casario, aquele bar nostálgico, todas essas definições,
apenas nos lembravam do nosso amor e do nosso sexo. Aquele espaço representava o nosso
santuário do prazer, trepamos literalmente em todos os lugares daquele lugar, mas o que
fazíamosnobanheiro,eraalgoimpraticável emqualqueroutrolugar domundo,somenteaquele
espaço especifico, aquele lugar ignóbil, teria todos os nossos segredos, teria todas as nossas
aberrações sexuais sobre a sua guarda.
Alguns dias depois, a garota do bar havia sumido, todos sentiram falta da singela e delicada
Monica, mas eu não pude me conter, nossas transas ficaram muitos quentes e intimas, e as
exigênciase cobranças,todasenvoltasamanifestaçõesde amor,fizeramcomque euamatasse.
Ela estava morta há poucos metros do bar da Firmina, ligeiramente embalsamada em um
terreno ao lado do bar.
Eu a cortei como as outras,usei os meusfiose navalhas,e coloquei sobre o seuventre aberto,
as mesmasfloresartesanaisque entalheiemnome dasoutras. É claro que eutinhaalgo direto
com o seu desparecimento, é claro que eu a desejava, mas ela havia se metido entre eu e a
minha Ana.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Eu havia dado fim a garçonete, mais as insanidades que ocorriam no banheiro, salvavam Ana
Carolina de minha própria doença demoníaca, o desejoinsano de continuar matando.A laje e
as outras dependências daquele lugar, sempre se fazia convidativo para a nossas transas, e o
seu semblante a livrava de ser morta.
Mas nemtudoé para sempre,todafelicidade temumtermino,nemosempre é parasempre,e
istoé fato, e não uma teoria.Um dia exageramos anossa conta de loucura,bebemosbastante
cerveja, comemos muitos cachorros quentes, trepamos gostosamente na laje, nos beijamos
sobre aégide de umguarda-chuva,e olhávamosintensamenteenquantoserenavae chuviscava.
Aquilofoi algoque nuncahaviavivido,algoúnico,umdiasublime. Haviamcaixasde chocolates,
biscoitos de morango, castanhas, amendoim, vinhos, e muita cerveja. Tudo estava perfeito.
O seu sorriso foi um dos maiores prêmios que já havia recebido na vida, aquele pelo rosto de
menina havia me fisgado. Eu estava sobre o seu domínio, completamente entregue aos seus
poderes de menina mulher.
Eu em particular urinei em uma garrafa vazia de cerveja, ficando nu em seguida sobre a laje,
estavatemporariamente enlouquecidonotelhadodobar,gritei pelaprimeiravezalgoque afez
chora, eu haviagritado que a amava, e eua amava muito,e issoera de verdade,pelaprimeira
vezemminhavida,haviaditoalgoque eraverdadeiroe real,euaamavade todoomeucoração,
eu me importava com alguém e isso era algo irracional.
Em seguida fizemos amor, horas depois continuamos,e um pouco tempo depois, em um final
de tarde, trepamos como nunca havíamos transado na vida, estávamos sem folego e sem
energia,estávamosexaustose commuitafome,algoque elarepetiaconstantementedepoisdo
que fizemos na laje, e como sempre, ela finalizou o ato maluco que havíamos feito.
Ajoelhou-see começouame chupa,tudoerabastante intenso,horaelaengasgava-see engolia,
engolia e engasgava-se, e temerariamente foi engolindo o meu pênis até o talo. Ela estava
felicíssima. Sorria enquanto me agradava. Eu por outro lado, não queria terminar aquele
momento,maisacabei gozandoemtodooseurosto, e aindaexcitado,fiz elaengolirorestodo
meu esperma que saia projetado em forma de pequenos jatos em direção ao corpo dela.
Tudo corria bem,minhavidaestavacalma, as minhasemoçõesestavam tranquilase omeuser
estavamuitofeliz,nósestávamoscaminhandoparaalgoúnico e somente nosso.E tudo estava
calmo por causa desta menina, ela era um anjo que dominou os meus demônios interiores.
Ana Carolina era uma bela mulher e uma ótima companheira, mais algo ainda não me
completava. E eu sei que todo o meu desconforto tinha haver com a minha navalha, os meus
fios e com os meus fiapos. Eles desejavam sangue, e eu deduzia que isto apontava para um
desejode sangue,e infelizmente de um sangue especifico,ouseja,osangue dela.O sangue da
minha amada Ana.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Horas depois, ela estava retalhada, rasgada do queixo até a virilha e como as outras, eu a
abandonava em um casarão da rua sol. Usando-a em um ritual que se manifestava em minha
cabeça, volvida pelo avesso, assim como as outras meninas que eu dilacerei.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo VII
Ana MariA
Minha 3° VitimA
Hoje estou amanhecendosobre um lindo sol de Fevereiro de 2020, sem dúvida alguma este é
um expendido dia29de um sábadode calmaria, umbeloanobissexto,umalegre diaincomum,
um fabuloso e único raia sol. Hoje apesar de ser o último dia deste mês pequeno, devo toda a
minha felicidade matinal a este carnaval gordo que se espalhou nesta linda cidade.
Oscasarões coloniais de SãoLuísemsuapequenae majestosaminoriaestãosobremaneirabem
conservados e belíssimos, os demais, lamentavelmente estão todosem uma ruina completa e
alguns encontram-se até decadentes, o que para mim, é ótimo este abandono cultural, pois
estes lugares facilitam os meus ataques fortuitos, repentinos, fugazese efêmeros. Um prato
cheio para uma dilaceração matinal.
Sou uma pessoa cuidadosa em meus ataques, nunca sou visto em multidões e jamais deixo
pistas do que faço, geralmente planejo as minhas saídas noturnas e insanas. Afinal sou um
caçador nato,e comoum cão de caçar, nuncaerro umataque, até por que todoselessãoletais,
mortais e vorazes. Mas o desejo é algo incontrolável, e as vezes, somente as vezes, faço
pequenas loucuras para saborear as minhas vontades abruptas.
Há períodos que reconheço os meus fracos exageros, os meus impulsos são incontroláveis,e
existem ocasiões que me sintoindiferente, e quando isto acontece, sempre acordo dentro de
mim, ouaté forade mimmesmo,sucessivamentedistraído e inundadoemumaconfusãomental
incrível. Há aspectos desconhecidos da minha alma, algo ligado a este meu desejo de matar,
umacompulsãoinumanaque me dominaháalgumasdécadas, umignóbil sobrenaturalque não
se separa de minha vida.
Quando estes períodos estão mais atenuados, sinto a minha alma alucinada pulsar dentro de
mim,e quandoistoacontece por desejaralguém, tudoficamais profundamente estranho,este
sentimento maligno, faz da minha alma um picadeiro elétrico dentro do meu cérebro, e as
minhasveias harmoniosamente santas, saltam literalmente pela pele em estado de chamas.
Quando vejo estes casarões abandonados, remonto uma nostalgia célere, rápida e
especialmentefugaz.Enadaé tãocruel e maléfico comoopassado históricodestacidade, tanta
escravidão, imposições, transgressões, tráfico de crianças, estupros de mulheres, guerras
desnecessárias,desigualdadessociais,obrigaçõespolítica,sacrilégiosreligiosose tantas outras
atrocidades que mal consigo conta, fatos que frutificam inúmeras anormalidade em mim,
quando ao meu desejo impulsivo de matar.
Estes casarões possuem um passado exógeno, a maioria eram típicos sobrados de famílias
abastadas, este em que estou hospedado hoje em particular é a minha maior paixão, sempre
quandoposso,ouquandoestousaudoso,andopelaruado sol,somente paravereste sobrado,
ele é a minha menina dos olhos de ouro, tenho um fetiche maligno por este prédio antigo, e
mesmoestandoabandonadoe decrepito, tenhoumamorinumanoporeste cassarão colonial.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
É estranhoeste sentimento,masme sintocomo um menino apaixonado,oucomoum homem
de meia idade que deseja muito a paixão de uma mulher, inexplicavelmente, tenho desejos
íntimos por este prédio. E pela primeira vez, enxergo-me inteiramente novo neste estranho
homem que deseja muito ter o amor de uma mulher. O meu desejo é esquisito, mais não há
dúvidas que eu tenho uma violenta veleidade doméstica por este casarão.
Às vezesme sintonopassado, revisitoosmeusancestrais, e me recolocoemsuas angustias ou
pelomenos,pensoneste contexto,oque de fato seriaaquelaépoca intransigente, retrato-me
a uma confusão, uma revolta, em minha mente, sou um escravo fujão, armado com um rifle,
todo sujode sangue,o barrão do açúcar está morto, o senhordos cafezais está caído ao chão,
ele deve estarmorto,elepodeestáferido,nadavejo emminhafrente,nadasintopelososmeus
irmãos, somente tenho o desejo da vingança, desejo apenasa sua morte, ferido a balas pelas
minhas mãos.
A minhamente é muitoconfusa,e os meusdesejossãoaindamaisestranhos,este prédiodeve
ter várias estórias e a minha mente apenas as retrata, ou pelo menos, remontamos cacos de
sua longa jornada.
Este casarão em particular, tem oito janelões coloniais enormes,possuir um mirante solitário,
pedrasde cantaria na calçada, pedrassabão envolvendooscantos adjacentesda casa, grossas
paredes, algumas untadas e cimentadas a óleo de baleia, telhas coloniais vermelhas, azulejos
português azuis e entrada pintadas de branco.
Certamente aqui deveria morar um homem bemrico, um mercador de escravos,um barão do
algodão, um senhor cafeicultor ou um homem da distribuição de grãos. Ele sem dúvida, devia
ter filhas lindíssimas, pois as suas janelas são bem altas e um poucos eclusas, isto mostra o
quando ele devia ser austero e reservado em sua vida intima.
O sol a este momento se encontra no horizonte, os primeiros raios de sol já se levantam
abastados e fortes em meu rosto, este é um típico aviso comum a pessoas como eu, ou seja,
tenho que limpa as minhas mãos e boca deste intercepto vermelho que me envolve.
Sangue e tripas me deixam excitados,mais bela manhã, elas me deixamenjoado e sem fome,
um fato que me elege a fuga. Os meus velhos fios de náilon e a minha navalha de aço estão
neste momento limpos, intactos e elegantes em minha mesa improvisada, aquele era o meu
altar ritualístico, a mesa que elegi sobre uma pedra que achei no salão desta casa. E a linda
mulherque descansamórbidanagramae sobre ochão, estairresolutae plena. Elaestáamável,
linda, absolutamente incrível sobre as gramíneas deste antigo salão de dança.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Acho que o seu nome é Ana Maria, pelo menos este foi o nome que ela me sugeriu, ou gruiu,
antesque eua rasgasse peloseupescoçocomosmeusfios de náilon.Adoroeste nome,“Ana”,
ele soabemem meuslábios,“Ana”......Hum, é umbelíssimonome......Pessoascomeste nome
são pessoasboas,caridosas,gentis,amáveise adoráveis,adoromatarpessoascomeste nome.
Pode serum destinoincomum,maselassempre atravessamomeucaminho,sempre temuma
Ana que me ama, sempre existir uma Ana que me odeia, sempre fluir na minha vida uma Ana
que me deseja e inevitavelmente acabo matando todas elas.
Quando vejo a obra de arte que fiz em seu corpo entro em um delírio somente meu, a minha
navalhaa abriudo queixoaté a vulva,depoisque comi parte de suastripas,depositei umarosa
artesanal que fizcomasfolhasde umaplantaendêmicaque acheifrondosae soltasobre ochão
desta casa, esta rosa, eu a coloquei no meio de seu ventre e eu a pintei com o seu próprio
sangue. Ela está linda, ainda que inerte, mesmo sem vida, ela continua linda.
Não soubom com despedidas,e osol jáestá me expulsando,anoite teve umfimefêmero,vou
me despedirde meuarranjodelicado, entãoaproximo-mede formaacanhada,queroficaperto
de seu rosto, e dando-lhes doces, ardentes, vorazes e demorados beijos em sua boca gélida,
reconforto-me comoseunovogosto, sinto-mesaboreandoumsorvetede limão,asvezesmeio
amargo, as vezes meio doce, o gosto de sua boca não é mais o mesmo, ontem os seus lábios
estavam mais mole e afetuosos, e a sua pele cheirava a morangos frescos, agora ela está mais
dura, gelada e sem emoção. Sei que isso é insensível.... Mais o meu amor é rápido e não dura
mais que uma noite. Por isso.... Beijos minha amada, te vejo do outro lado do paraíso.
Olhado para o imenso azul deste céu lindíssimo, contemplo a vida maravilhosa que possuo, e
comoa umpintorque cultuaasuaobraque acabara de pintar,oucomoaumescritorque acaba
de terminarumapáginade seulivro,eutambémcomoaumartistaclássico,vislumbroasminhas
Ana´s, elas são as minhas obras de arte, suas efemeridades são únicas e eternas, e todas são
extremamente vivazes.Deussabe oque faz quandoresolveucriareste universoe aterra,estas
são criações incríveis, e eu agradeço pelas Ana´s que ele me oportuna ter e cuidar.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo VIII
AnajarA
Minha 4° VitimA
Esta manhãestálinda,osol é umaestrelaincrível,e nadame faztãofeliz,quandoovejoraiando
pelaa minhajanela. Destavezas coisasseriamdiferentes,nadade improvisacaçadas no meio
da semana, ou de ter fome no meio de um de um passeio no parque, definitivamente não
haveriavítimasnestetrimestre,nadade matanças, nadadefome,nadade desejos.Eoprincipal,
nadade cederameusdesejosfortuitos,odemôniodentrodemim, deveriasercontroladoe não
superestimado. Ele só sair para dar umas voltas comigo, quando eu quiser.
Mas nada do que planejamos sair exatamente como queremos, a vida é algo misterioso, e os
desejos humanosbrincam com a minha desumanidade. Eu estava sossegadamente em bar no
centro histórico de São Luís do Maranhão quando vir duas lindas mulheres entrarem
solidariamente pela porta esquerda do estabelecimento. O bar de dona Faustina era um lugar
solicito e agradável, frequentado em sua maioria por jovens e alguns adolescentes.
Primariamente as moças aparentavam ser amigas, suas proximidades físicas e emocionais,
traduziam uma amizade antiga, um convívio talvez estabelecido desde a infância. As mãos
fortemente unidas denunciavam uma certa intimidade, um namoro, quem sabe, estabelecido
secretamente pelas duas, mas não dava para ter certeza. As duas jovens eram lindíssimas e
muito atraentes.
Em São Luís, principalmente noreviver,é comumver homensabraçadosa um outro homeme
mulheres agarradas pelas mãos de uma outra mulher, beijos, carinhos, caricias e outras
demonstração de afeto, é algo comum, manifestados em público, é algo muito normal, neste
ladodailha,odifícil é umheterossexual comoeu saberquemé meninanocorpode umamulher
e quem é menino também no corpo de uma mulher, o mesmo vale para os homens.
As duaslindasmoças solicitaremdoiscoposgrandesde shop,duascadeirase uma mesa, o bar
estavarelativamentecheio,elasse sentaram relativamentepróximoamim, e estrategicamente
a minhafrente, estávamos todosconexos aobalcãodo bar, elassobre uma mesa e eu sentado
em um banco de madeira bem alto, com os cotovelos junto ao balcão do bar.
Assuasintençõesalcoólicas,assimcomoasminhas,eramafacilidadede atuarsobre ospedidos
juntoaobarman,destaformaficavamaisfácilaminhaembriagues, e pelovistoasdelastambém
caminhavam para o mesmo destino. As duas sorriam bastante, e ambas já demostravam um
certo grau de ebriedades,pelo visto, a noite já havia começado a algumas horas para aquelas
duasjovens meninas, e obarmanpelovisto, jáestavacompenetradonascoxase naspernasnas
das moças,não demorou muitoparaque ele entendesseasituação ensejadae fosse atende-las
de maneira exclusiva e mal-intencionada.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Minutos depois um pequeno balde com seis cervejas longnec também foram direcionadas a
mesadas garotas, os doiscoposgrandesde cervejas, aindaestavampelametade, umaperitivo
tambémfoi encaminhadopara a mesasdas duas, ambosenviadospor clientesdesconhecidos,
e provavelmente interessado pelas moças.
Os flertes sobre elas apenas aumentavam, todos pareciam deseja-las, os olharem voltaram-se
paraa mesasdasjovens,e desejadaspormaisdeumadúziade homens, possivelmentesolteiros,
as gargalhadas ressoavam sem compromissos com elas mesma. Até as mulheres que estavam
no bar, não se importavamde vê-las,algumassentiaminveja,outrassentiamdesprezo,maisa
maioria, possivelmente as desejava.
Asduas sabiam comoserdesejadas,e provocando aridamente oshomenspresentes, sentavam
e levantavam de proposito os seus vestidos, mostrando maldosamente parte de suas bundas,
algumas mulheres ali acompanhadas, trataram de levar embora os seus pretendidos a
pretendentes.
Os que ficavamtentavamnãodartanta a atençãopara as moças,mas era impossível,poisaté a
ida ao banheiro,viravaumespetáculosexual. Uma delasem particular,muitobonita,chamou
a minha atenção, os seus olhos eram como duas ametistas verdes,seu cabelo encaracolado e
longo possuía cuidadosas aplicações de óleo capilar e a sua boca pequena, exalava uma
sexualidade inebriante.
Eu a desejei infernalmente na hora em que a vir entrando pela porta do bar, meus hormônios
pularamde formaexcitada, masfuidiscretoemmeuprimeiroimpulso,nãoquisencara-la,e não
deixando espaçoparaque fosse notadopor elas,debrucei-me sobre omeucopo.Eu por outro
ladoas consumiavigorosamenteemmeudesejofebril, e olhando-assobre meiocantode olho,
as observava friamente, um copo de cerveja, ainda gelado me distraia tenuemente,enquanto
eu as filmava secretamente pela câmera do meu celular.
O bar àquela hora da noite, não estava mais tão cheio, mas somente aquelas poucas pessoas
que habitavam o ambiente, faziam de suas conversas intimas, uma barulhenta e desconexa
divulgação partidária coletiva. Ninguém conseguia ouvir a música ao vivo que o bar contratou
para abrilhantaa noite e os clientes,e mesmocomumacota de 10 reaispor pessoas,ninguém
ali dava-lhesouvidoacantoria,orapaz que interpretavaasmúsicasRenatoRusso,Raul seixase
Cazuza se esforçava para cantar, mais a noite era apenas delas duas.
A noite foi ficando interessante, e as duas lindas garotas a minha frente, ficaram mais solta e
mais danadinhas do que o habitual, uma flertava com o barman, enquanto a outra trocava
olharescomo musico que cantavapraticamente sozinhoparaela,osbaldesde cervejasapenas
aumentavamemsua mesa,e o delíriodoálcool tambémfaziao seu trabalhovil sobre a mente
das duas.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Eu as desejei matá-las sordidamente naquela noite, desejei possui-las sexualmente, e o seu
sangue e tripasjá se desmanchavamcoma minhasalivaemmeuardente sonhodestruidor.Era
obvio que atacar duas mulheres em uma só noite era algo que demandaria muito esforço e
praticidade, erros não eram bem-vindos, algo que eu não admitiria, seria difícil a execução de
minha hábil exatidão. Uma de minhas promessas estava quebrada, o demônio dentrode mim
pulou para o parquinho para poder brincar com aquelas duas bonequinhas.
Tudo dependeriade como elassairiamdaquele bar,pois ambas pareciamesta arranjadas com
obarmane ocantor, seriadifícil matardoishomenssomenteparatê-las,maisbrincarde casinha
e com aquelas bonecas é algo que eu não dispensaria, aquilo podia ser trabalhado. As duas
finalmentelevantaram-se damesa,e pedindoaconta, foramsaindodo bar e não chamaram os
rapazes para acompanha-las. Isto se demonstrou promissor, minha teia estava se formando, e
as facilidades de uma noite escura e vazia era algo muito propicio e vantajoso.
Em seguidapague aminhacontae a distânciaresolvi seguiasmoças,meudesejome consumia,
e o racional tentavame alertaque esteseriaumatoarriscae burropara perpetra,dominaruma
jovem é fácil, mais duas em uma só noite, tornava-se muito ariscado.
Mas o caminho que elas tracejavam facilitavama minha vida e o meu desejo, as duas subiam
pela rua do Egito em direção a praça bendito leite, as ruas estavam desertas,e somente a lua
seria a testemunha daquele crime. O meu relógio apontava 02:45 da manhã, geralmente as
pessoas estacionavam os seus carros em frente ao Odílio Costa Filho.
O trajeto das duas era no mínimo inusitado, algumas explicações seriam plausíveis, ou elas
combinaram com os dois jovens do bar para se encontrarem na praça benedito leite, ou
estacionara o carro em frente à praça, ou moram no centro e estão indo para casa a pé. No
entanto, isto não importa tenho que ter cuidado, não posso ser flagrado, tenho que agir com
assertividade e firmeza.
Elas subiram pela escadaria que dava acesso a praça, uma ficou pelo caminho, abaixou de
cócoras nabeiradaescadae ali mesmoensejouemesvaziaabexiga,suaamiga, estavadistraída
na parte de cima da praça, e não viu quando eu me aproximei de sua colega, voltei para a rua
de baixopara me certificaque não fui seguidoouque estávamossozinhosnaquele quarteirão,
depoisque tudoestavasolicitoparamim, coloqueio meuplanoparatrabalhar, esperei que ela
terminasse asuanecessidadefisiológica,apeguei emseguidapelaspernasjogando-ade quarto
ao chãoda escada, tampando-apelabocaogritoque elaquase soltou,osoníferoemmeulenço
a entorpeceuvagarosamente e encravado omeupênis emsuabundatratei de estupra-laainda
de cócoras com os joelhos enterrados na escada, possuindo-a antes que ela apagasse
totalmente.
Vinte minutos depois de ter consumado o ato lascivo, voltei as minhas intenções para o que
mais importava, em questão de minutos eu a rasguei com os meus fios e navalhas, abrindo o
seu ventre totalmente. Minutos depois tornei a estupra-la por quinze ou vinte minutos, eu a
sentia sem vida em minhas mãos sobre a escadaria e este prazer era mais excitante do que
quando a possuir ainda estava viva.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Depois de ter me saciado sexualmente com aquela piranha, tratei de terminar o serviço que
havia iniciado, retomei os cortes que havia projetado, rasgando-a mais ainda com a minha
navalha,cirurgicamente adecepei doqueixoaté a genitália, emseguidaversei de comer parte
de suas tripas, um rim e um filete de seu fígado, após isso, trancei os cabelos e coloquei uma
lindarosafeitade palha que carregava emmeubolso,e colocando sobre oseuabdome,pintei-
o com o seu sangue e o plantei no meio de seu ventre.
Depoisde beija-labastante e de posicionarseucorposobre ochão, imitandoasbelasmadonas
pintadas pelos renascentista, emoldurei-a artisticamente como merecia ser enquadrada.
Quando terminei a minha pintura, subir imediatamente pelas escadarias em busca da outra
mulher.Paraminhasurpresaelaseriamaisfácil,umadeliciosapresafrágil,elaestava desmaiada
sobre o banco na praça, adormecidasobre o sono profundoprovocadopeloefeitodoálcool,e
sua posição íngreme, permitia-me possuir o seu corpo vil, sua exposição tênue estava
convidativa e despojada a uma incursão sexual.
Eu imediatamente aataque como a um animal selvagem, como aum bicho que avança sobre a
sua presa desprotegida e possuindo-a ferozmente com a brutalidade que um ato lascivo
demanda sobre a necessidade sexual, a penetrei de forma fortemente vil, e antes que ela
sentisse qualquer dor e gritasse por conta de minha manobra evasiva, resolvi tampar com as
mãos a face de seus lábios, durante a relação presumida, sentir que o seu corpo manifestava
certos espasmos aleatórios e involuntários.
Suaspernaspequenastentavamreagirásminhasincursõese movimentosperistálticos,maseu
as controlavaimperativamente,impedindo-asde se moveremsobreasminhaspernas e quadril.
Algumascontrações vaginaisapertavam-sede formadeliciosasobre omeupênis,e continuado
asminhaspenetraçõesacidas dentrodela,refizosmeusmovimentose a afundeicommaisforça
e energia.
Minha vitima infelizmente acordou sobressaltada de seu estado alcoólico e ainda sonolenta,
olhou-me fixamente nos olhos, e osmeusolhos, adoravamvê-laemsofrimento. Osseusolhos,
porém,ficaram molhadose uma lagrima solitária principiou uminíciode choro, vir que ambos
pediam por socorro, mas eles não me comoveriam, pelo contrário, aquelas duas pedras
amendoadas, cheias de vida, causava-me mais prazer e desejo.
Observei que ambos pulavam de dentrode seu rosto, brincavam de um lado para o outro em
sua face,e o medoe o desespero,faziammoradaemsua alma, infelizmente oálcool nãofezo
efeito necessário para que eu consumasse o meu trabalho, e ainda excitado com o seu corpo
delicioso, me controlei para não a matar sobre aquele banco de praça.
As minhas mãos e os meus fios de nylonpediam desesperadamente para rasga-lhe a garganta
inteira,e enquantosufocava-avagorosamente,sussurrei napontade seuouvido,para que ela
ficasse quieta,e que me deixasse terminaroserviçoque haviainiciado,se elafizesse isso,eua
deixaria em paz, eu a deixaria ir, eu a deixaria viva.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Aindaassustadaagarotaconsentiuqueme deixariaterminaroque haviacomeçado,e retirando
a mão sobre asua boca,me pusa penetra-lafortemente.Eemêxtase novamentevoltei aomeu
estadode felicidade, masa desgraçadame surpreendeu,e aproveitandoque osmeusolhosse
fechavam enquanto me deliciava com o seu corpo, ela gritou acintosamente,e fez isso o mais
alto que os seus pulmões permitiram provar.
Os seus pedidos de socorro ecoaram pelo centro histórico vazio, e sorrindo advertir que
ninguém a ouviria naquela hora da madrugada, disse-lhe que ela estava sozinha e que a sua
amiga safada estava morta sobre a escadaria, mas como ela não parava de grita, respondi-lhe
os pedidosde socorro com váriossocos e murossobre a sua face, foram tantossocos,e muitos
de forma tão repetidas que eles os fizeram desmaia novamente.
Quandoparei de agredi-lamal pude acreditano que tinhafeito,a lindameninade rosto suave
e de traços finos e lindíssimos, estava completamente irreconhecível, completamente
desfigurada e muito machucada, seu nariz e boca estavam lavadosde sangue, e os seus olhos
estavam tão machucados e inchados que mal podiam ser vistos.
A minhalibidohaviapassadoe o meudesejode matá-lavoltouparaminhamente insana como
maisforça e perversidade,rapidamentepuxei dosbolsosde minhacalça, osmeus váriosfiosde
nylon e entrançando-os sobre os dedos, direcione as minhas mãos para o pescoço da jovem.
Mas o improvável aconteceu, um pedido de ajuda, ecoou sobre a praça vazia, era uma voz
masculina, em seguida vozes femininas, e todas promoviam passos apressados em direção
opostaà qual eu estava,segundosdepois, umchamadopor forças policiais me interromperam
novamente e vir que meu ataque estava obstruído.
Olhe perifericamente para o homem que me denunciava, ele estava a dez metros de mim,ele
não se aproximaria, vir medo em seu movimento corporal, as mulheres sumiram em sua
trajetóriade denúncia,provavelmente elastrariammaisproblemas,percebi que asduasmoças
que acompanhavam o meu denunciante, correram para o lado da praça que ia em direção ao
Palácios dos Leões, eu tinha certeza que naquele órgão público havia policiais, e mesmo que
estivessedormindoemserviços,elesacatariampelopedidodeajudadasmoças,nãodemoraria
para que uma ou mais viaturas aparecessem no local.
Eu nãotinhaoutraopção,anãoserdesistirdomeuataque,istonuncahaviaacontecido,sempre
fui muitocuidadosoe responsável comoque planejava,nenhumataque meu,ficouantessobre
os olhos de outro ser humano. Sempre fui eu e as vítimas, eu ininterruptamente sempre as
colocavapara dormir,e elasjamaisacordaramde seussonos,elas jamaisabririamosolhospara
me entregarem a polícia.
Resolvi entãoaborta a minha missão,mas antesde ir embora, não deixariarastrosou pistade
que eusou, aquelamulherseriadeletada destaexistência,osseusolhos jamaisfalariamdo que
viu hoje aqui nesta praça, o meu rosto seria preservado e nada seria denunciado.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Naquele instante, decidi fazer algo que nunca havia feito antes em minha vida, guardei
rapidamente os meus fios de nylon no bolso e puxando pela minha navalha, a golpeei
fortementepróximoaocoração, fizissoportrêsvezes, certifiquei-meque transfixeioseupeito,
e empurrando com mais força, tentei causa-lhe uma morte instantânea, segundos depois, ao
retiraa navalhade seu corpo, vir que um jato de sangue esguichavasobre o meu rosto e sobre
o banco e o chão da praça benedito leite.
Aosentira perfuração, virque elaabriaosolhos de maneiraabruptae repetida,seusespasmos
lhe provocaramconturbadasagitaçõesfísicas,e osseusolhosperdiamlentamenteatonalidade
de seu brilho amendoado, e desfalecendo sobre os meus braços, vir literalmente a vida lhe
deixar pelos os seus olhos.
- Pronto.....
- Estava feito........
- Ela está morta....
Havia matado a minha possível delatora, agora ninguém saberia quem sou eu. E fugindo
sequencialmente após o meu delito, corri pela rua das flores, passei pela praça João Lisboa e
sumir pela rua do sol em direção ao teatro Artur Azevedo. O homemque me denunciava, não
conseguiu me seguir, observei que ele tentava socorrer a jovem, e para minha felicidade,
consegui escapa em leso e sem ser preso.
Eu queria espera até que o carro do IML viesse pegar o corpo, queria arduamente confirma
aquele ensejo, euhaviaprometidoa mim mesmoque controlariao meu desejode matar para
ter uma transa perigosa, e acabei fazendo isto para satisfazer a minha libido, um erro
imperdoável, irresponsável e inocente. Uma tolice da minha parte, deixei as minhas emoções
emprimeirolugar,arazãoteriaque serumrei,isso nãopodeacontecernovamente,essaminha
estupidez, pode ter me colocado em perigo, fiquei exposto de maneira desnecessária,fiquei
literalmente nas mãos daquelas pessoas que tentaram ajuda a minha vítima, aquele fragrante
na praça, quase me jogou na viatura da polícia.
Geralmente faço os meus ataques com planejamento e estratégia, mais esse meu impulso e
veleidade quase estragou o meu trufo, a invisibilidade social e desconhecimento de quem eu
souaqui nailhade SãoLuís, omeuanonimatotemque permaneceremsigilo.Nuncapensei que
atacaria alguém em público, muito menosem uma praça, e aos olhos de tantas testemunhas,
pessoas que podem reconhecer o meu rosto ou as minhas características físicas, isto foi algo
desnecessário e estupido.
O que está havendo comigo, por que fiz isso, será que estou semcontrole, ver o resultado do
que fizhoje nãopareceboaideia,tenhoqueme conter,tenhoque sermaiscuidadosoe insipido.
O meu impulso, meu desejo e a minha vontade de matar não vai arruinar comigo, tenho que
trabalhar emcima do meu controle,tenhoque dominaro demônioque habitaemmim, tenho
que vencê-lo.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Andei algumasquadrasaté chegar emmeu carro, as ruas estavam desérticas,ninguém me viu
ou ouviuos meus resmungos.Minutosdepoiseuestavaindecisoe muitoirrequieto dentrode
meu carro, uma sudorese insuportável congestionava a minha garganta e a minha narina, e
sinceramente, eu não sabia se iria logo embora ou se esperava pelas ambulâncias, viaturase
pelo IML, a minha mente pedia para ir embora, mais o meu emocional pedia para ver chegar
todo o aparato de segurança pública e ver o final daquele desfrecho.
A minha obsessão para ver a moça bonita, sendo levada pelorabecão, eram uma fissura forte
que remoía a minha cabeça e o meu espirito. Aquiloera loucura, em condições normais, eu já
estariaemcasae sentadosobre osofá. Tomariaumbombanho comsabãode coco,beberiaum
ótimochocolate quente,abririaumagarrafade vinho e assistiriaaumaboamini serienaNetflix.
Minutos depois o meu impasse foi decidido pelo meu pobre destino, duas viaturas passaram
pela frente do meu carro, uma foi em direção a praça, a outra diminuiu a velocidade e ficou
estacionada em frente ao banco da caixa, segundos depois, mais três viaturas, duas
ambulâncias,umcarroda políciacivil, e quartomotolink dapolíciamilitarseguiramemdireção
a praça Benedito Leite. As luzes vermelhas e azuis, tomaram conta do coreto da praça e as
sirenes encheram de música o vazio silencioso do Largo do Carmo, local aonde estava
estacionado o meu carro.
O movimento era no Largo da Santa Sé próximo à praça benedito leite, maiso barulho estava
todo ecoado na praça do Largo do Carmo. Quando liguei o moto do meu carro e resolvi ir
embora, umaviaturame interceptou, eraamesmaviaturaque estavaestacionada emfrente ao
banco da caixa, a sirene foi acionada, e de dentro da viatura uma voz rouca e pálida me pediu
para que eu ficasse parado sobre a pista de rolamento, e saindo com a arma em punho, ele
exigiu novamente que eu parasse o meu veículo e desligasse o moto.
Ao fechara porta da viaturaele me pediunovamente paraque desligasse omotodoveículo, e
solicitou que eu saísse do veículo com as mãos para cima, mas eu estava em choque, inerte e
paralisado, o policial observando o meu impasse, desligou o barulho da sirene apenas
permitindo as luzes acessas e se dirigiu para a porta do passageiro do meu carro.
- Pensei....
- Pronto....
- Estou preso....
- A casa caiu.....
- A minha casa está no chão.....
- Eles me pegaram.....
- Estou ferrado......
Mais o rádioda viaturatocou, chamandoatençãodo policial, e retrocedendo aabordagemque
faria, voltou para a viatura para responder o chamado. Mas o policial ainda com a arma
apontada em direção a minha cabeça, ameaçou-me de forma intimidante e feroz.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
- Fique aonde está...
- Permaneça dentro do veículo....
- Desligue os faróis....
- Mantenha o motor desligado...
- E ponha as duas mãos para fora do veículo...
E pedido agora, mais uma vez, para que eu saísse de dentro do veículo,voltoupara dentro da
viatura, para atendero chamado discadopelorádio, a mensagempassadapelorádio era clara
e direta,o assassinoaindapoderia estar sobre os limitesdosperímetrosque envolve oreviver
e o centro histórico.
Ao final, o seu companheiro passou as caraterísticas do suspeito, incluindo os detalhamentos
físicos sobre omeliante,tudoagorapareciabemesclarecedorparaopolicialque estavaaminha
frente, a firmeza do sua voz mudou de tom, e a postura da arma mudou de calibre, ele havia
trocadoo revolve de calibre38porumapistolapontoquarenta,as particularidadesenfatizavam
que o homens suspeitotinhaentre 35a 45 anos, etnianegra, barba volumosae comprida,1,75
de altura,cabeloscurtos, muitoafeiçoadoe bemvestido, usavacalçajeansazul escuro,sapatos
pretos camisa social cinza com listras executiva e suspensórios brancos.
O guarda reconhecendo o homem do carro como suspeito, baixou o rádio da viatura, e
engatilhandoasuanovaarmaposiciono-aparaforadajaneladaVTR, e incidindo ataurosponto
40 em minha direção, confirmou que as descrições sobre o suspeito abordado batiam
perfeitamente com os atributos visto em seu reconhecimento Florence.
Ohomemabordado e dadocomosuspeitoestava finalmente nafrentedaquelepolicialirritante,
eu seriapresafácil,um paradoxopara um caçado como eu,e interrompendo ointerlocutordo
rádio,interfonoude volta,pedindoparaque ele aguardasse ummomento, poiseleachavaque
o suspeito delatado pelo colega de farda estava no carro que ele havia parado.
O homemdooutro dalinhapediuparaque nãofizessenada,e solicitou paraque eleaguardasse
por reforços, poiso suspeitoeraum assassinomuitoperigoso,mais orádio ficouemsilencioe
virando a pistola para o para-brisas do meu Corola prata, sugeriu para que eu ficasse agora
quietoe comasmãossobre acabeça,percebique oseutomde voz haviase alteradomaisainda,
e um nervosismo típico, assumiu as conversas e os diálogos característicos de uma rotina
policial.
Mas quandoopolicial seabaixou parame ver,observouqueeunãoestavamais dentrodocarro,
ele procuroupor mim, deumeiavolta emtorno do meu corola e jogoua luzda lanternasobre
os bancos traseiros,foi até o porta malas,maisnão me localizou,quandovoltouparaa viatura,
decidiurepassaro que haviaacontecido, masele não teve sorte,ele deude cara comigo,e até
aquele instante, a sua reação já estava comprometida, o uso da pistola já não surtiria tanto
efeito, e infelizmente, era muito tarde para qualquer defesa.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Fui mais rápidodo que ele, e dominando-oportraz, euo esganicei comos meusfiosde nylon,
rasgandoo seupescoçocompletamente de umladoaoutro,minutosdepois, deitei oseucorpo
pesado sobre o capo da viatura e o destrinchando-o como porco em um abate no curral, fui
rasgando ainda mais a cavidade da sua garganta, transfixando as suas artérias até sangra-lo
totalmente. Os meus fios de nylon são como deuses absolutos, nunca falham, eu o retalhei a
gargantainteiraaté que nãosobrassenenhumapele sobreopescoço,somentecarne viva,assim
vir ele morrer até engasgasse com o seu próprio sangue.
Alguns minutos depois, finalmente estava em casa, estava em paz e satisfeito. Tomei um bom
banho,comi um hambúrguerde soja, bebi umguaraná jesus, assistirumbomfilme naNetflix e
tomei algumaslatinhasde umaótimacervejageladaque somentetemnailhadoamor.A noite
estava magnifica, assim como a minha cerveja de nome magnifica que eu bebia.
Não planejei nada daquilo, mais acho que a noite foi produtiva e agradável. É claro que fui
irresponsável e atrevido,aminhanoite poderiateracabado nas mãosdaquele policial,maisos
deuses sempre estão do meu lado, o lado da minha maldade. Meus fios e navalhas apenas
rasgavam o corpo de mulheres, mais aquele policial, me proporcionou que homens são uma
ótima opção para matar, mais vou continuar matando apenas mulheres, somente elas e nada
mais.
Um dia posterior aos ataques triplos que ocorreramna ilha do amor, o único comentário mais
importante que replicava em todos os jornais, contestava e julgava a autoria destas três
misteriosas mortes, todas elas ocorridas em uma única noite. Os atos descritos pelos editores
eram tão macabros que fizeram as vendas dos jornais subirem tão alto como as estrelas que
habitavam os céus da ilha de São Luís do Maranhão, as mídias e as redes sociais, bem como o
WhatsApp ficaram com as conexões entupidas de acessos.
A cidade inteira estava aterrorizada e medrosa, as ruas estavam vazias, o comercio estava
fechado,e as pessoasse trancavamcom medodentrode suas casas. A políciatomavaconta de
todas as ruas, os hospitais se preparavam para receber possíveis vítimas e os repórteres
almejavam saber mais sobre o criminoso misterioso.
Todos faziamcomentáriosdiversose muitos jornalistas achavamque o tal homemda navalha,
era um amante solitário, um psicopata incompreendido, um louco desvairado, um confuso
desmedido, um tépido agressivo, ou um ser sobrenatural, talvez evocado por um ato de
feitiçaria, mesmo assim, ainda macabro.
Como ninguém sabia descreve-lo, e todos tinham poucas informações sobre sua identidade,
muitosboatossurgiame se multiplicavamnacidade,a única característica que tinhamsobre o
homemmisterioso,ouse ele era mesmoumhomeme não uma mulher,oque se cogitava,era
que o seu comportamento possuía uma espécie brutalidade letal, alinhada a uma mecânica
sistemática de seus atos, o uso de fios e navalha. Mas para a polícia, ele era apenas mais um
maníaco, um psicopata, um doente, um matador de mulheres inocentes. Um velho conhecido
das autoridades de segurança e que agora também matava policiais.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Todos os homens do Batalhão Tiradentes, agora estavam diretamente envolvidoscom o caso,
um dos seus havia sangrado nas mãos do maníaco, provavelmente atacado durante a fuga do
suspeito.Umódiotodo particulare mortal habitavaemocionalmente obatalhãoe certamente
todos promoveriam forças para capturá-lo.
Alguns praças e sargentos queriam prendê-lo a qualquer custo, mas ninguém sabia quem ele
era, muito menos de onde ele veio, em que bairro residia, ou mesmo, por quais motivos, o
assassino, matava especificamente estas mulheres. Todas elas eram de famílias bem
estruturadas, bem-nascidas e muito bem-sucedidas em suas profissões e carreiras.
As investigações até aquele momento não faziam ligação coesa entre as vítimas, não havia
nenhumsentido obvioque explicasseasmortes,tudooque tínhamos erapoucapara desvenda
a face do criminoso.
O homemdas navalhasera um ser incoerente,imprevisível,cauteloe detalhista.Osdelegados
envolvidos nada tinham como definição para os casos, não havia qualquer menção social de
qualquer relação mínima existente entre as vítimas, todas elas tinham características muito
comuns, e aparentemente, nenhuma delas se conheciam ou tinham qualquer outra conexão
que as ligasse a um ambiente, a uma empresa, a um grupo, a uma pessoa ou a outro tipo de
convívio social.
Todas aquelas mortes eram aparentemente infundadase incompreensivas para a polícia, os
investigadores tentavamligaospontosparacolocaro criminosonavidadasvítimas. Osagentes
de segurança pública sabiam que apenas um fato muito peculiar e singular, ligava as vítimas
entre si mesmas,fatosque as tornavamúnicasneste imenso tabuleiro de xadrez,eramosseus
nomes de batismo, todas elas se chamavam Ana´s.
Foraisto,nãose tinhanenhumapistadoassassino,ele eracomo aumfantasma,umserinvisível,
um monstrosobrenatural que agia sobre as sombrasda noite,e a Ilhade São Luís produziaum
cenário perfeito e propicio para aqueles horrores, pois a maioria dos crimes aconteceram em
grandes casarões coloniais abandonados. Um agravo a mais para quem prometia proteger os
cidadãos de São Luís.
E quandose trata de prédios,praçase casas abandonadas,São Luís do Maranhão esta repletas
delas, um prato cheio para um assassino que adora aparentemente a história destes lugares.
Alguns investigadores associaram a sua personalidade do assassino ao roteiro histórico da
cidade, em particular ao ano de construção de cada casarão.
Os primeiros corpos encontrados pela polícia, observou-se que a data de construção dos
casarõesestavaemordemcronológica,domaisrecente,aomaisantigo,alguns foramusadose
escolhidos pelo assassino de maneira a homenageara fundação dos prédios. Numeração
correspondente aquelas encontradas pintadasnos corpos das vítimas. Pintadas com o próprio
sangue de cada uma delas.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Mais umfatopassoudespercebidoaoassassino,poisnemtudo foi faladoaosjornais,e parte da
verdade foi ocultadapara facilitaas investigaçõese protegera vítimaque supreendentemente
sobreviveu aos ferozes ataques do Serial killer.
A polícia desejava usa aquele trunfo contra o assassino, a mulher que sobreviveu, era a única
que conhecia o rosto do psicopata, e para todos os efeitos processuais, ela estava legalmente
morta até que ele fosse preso.Osinvestigadoresestavamansiososparaconversarcoma vítima
e ouvir dela as primeiras descrições sobre o suspeito.
A jovem identificada apenas pelo nome de Anajara, demonstrava de forma resiliente que era
umamulherde fibra, resistente,forte e muitoguerreira,maseraevidentequeelatambémtinha
a sorte ao seu lado, as enfermeiras entravam e saiam do apartamento 44 e todos falavam
tristemente do seu estado clinico, fisicamente ela encontrar-se em um estado deplorável.
Os médicos afirmavam que clinicamente ela estava quase morta, mais resistia sofrivelmente
com a ajuda dos medicamentos. O hospital estava cheio naquela noite e está superlotação
poderia prejudica o atendimento necessária dirigido a jovem. Ao lado do seu leito havia mais
três mulheres e todas elas foram brutalmente agredidas pelosseus companheiros. Talvezpor
isso,havianaquelaocasião,umaconcentração incomumde viaturase de policiaisdadelegacia
da mulher. Era obvio que nada se comparava ao que havia acontecido a jovem Anajara.
O homem que a atacou era sem dúvidas um desconhecido, e infelizmente ela deve ter sido
escolhida pelo seu perfil físico e pelas similaridades de seu nome de bastimos. É desta forma
que ele age,usandoa noite e os casarões comoproteção para os seuscrimes,aproveitando-se
do descuido de suas vítimas para ataca-las. E sem dúvidas, ela deve ter demonstrado vários
motivospara que o assassinoa escolhesse,nãoeracomumter vítimasas noitesde sábado,ele
atacava as mulheresemnoitesde sexta-feira,onde osdescuidos,amovimentaçãoascendente,
e a bebedeira frenética no projeto reviver, favorecia os seus ataques. Certamente ela foi
escolhida aleatoriamente, ou vítima de um desejo novo que não sabemos.
A informaçãoque foi passadaaospoliciaiseraque ajovemestavaemumtratamentoprofundo
a base de medicamentosfortíssimose que atarde elapassariaporuma reconstruçãode veiase
tecidos coronários que foram atingidos pela perfuração.
Os médicos relatavam que a jovem estava muito debilitada, mais ainda com vida, apesar da
monstruosidade que foi feito em seu corpo os seus sinais vitais permaneciam inalterados e
singulares.OspoliciaisdeSãoLuísdoMaranhãotrabalhavamnormalmentecomcriminosos que
ofereciam pouco potencial ofensivo. E raramente se deparavam com tanta crueldade e
monstruosidade em suas diligências.
Infelizmente osúltimosanos mostraramaface deumassassinocadavezmaisviolentoe terrível.
Opúblicoaindanãotinhaconhecimentodomonstroqueandavapelacidade. Eapresençadesse
criminosoque nãodeixavarastro,tornavaoambientedacidade muitomaisinflamávele tóxicos
para os boatos, uma assombração para as mentesdoscriminalistas,umfato que tirava o sono
de muitas autoridades.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
A delegada responsável pelo caso não conseguia construir um perfil justo para encontra o
criminoso, ele se comportava como um fantasma, como uma sombra, como um animal
selvagem que caçar e alimenta-se a noite e desaparece pela manhã.
O SenhordasFloresdoMal comoeraconhecidoo homemdasnavalhase dosfios,agoraeraum
homempúblico,ouum criminosopúblico,e todasas manhãs, a única notícia que permeavaas
manchetesde todososjornais, eraaocorrênciade umcriminosoque existe apenaspelofatode
dispersarcorpospelacidade e de não terum rosto. Isto contribuía certamente para o climade
terror e medoque se espalhava pelacidade,disseminando maispavorentre as pessoasda ilha
do amor.
Ospoliciaissabiamde todososrequintesde crueldadesdohomemdasfloresdomal,asúltimas
vítimassofrerambastante antes de serembrutalmente assassinadas.Uma outra incógnitaque
rondava a personalidade desconhecida do assassino,permeava as vítimas deste maníaco, elas
nunca sobreviviamaosataques,ninguém escapavapara conta a própria história. Uma falhade
execução do criminoso que se tornava cada vez mais importante para os policiais e
investigadores, por isso sobrevivência da jovem Anajara era extraordinária para o caso.
É bem verdade que ela estava entre a vida e a morte em um dos piores hospitais públicos de
São Luís, a presençade gravesferimentose de muitosmachucadosnaregiãoda face e das três
perfurações profundas queatingiramaregiãode seupeito,algumasmuitopróximasaocoração,
dificultavam a sua recuperação. Anajara ainda que fragilizada, desfigurada e debilitada, ainda
lutava pela própria vida e os policiais desejam que esta luta fosse vencida.
Uma amiga da jovem Anajara, lembra que ao chegar no Hospital Djamal Marques naquela
madrugada friade sábado, observouque os paramédicosque atenderamaocorrênciamedica,
verificaram que a socorrida, estava quase morta, os socorristas que a recepcionaram haviam
feito de tudo para manter os seus sinais vitais, mas a sua respiração, denunciava uma baixa
resistência pulmonar, fato que complicou o seu translado de forma rápida para o hospital.
Um outromédico, tambémlembrava,umepisódio tristeque ocorreu aindanolocal do ataque,
a vítimahaviasofridotrêsparadascardíacas e uma parada cardiorrespiratória,oseuestadoera
lamentavelmentegrave e preocupante, suapulsaçãoestavafraca,suapele estavaalvae assuas
mãos, literalmente gangrenaram por alguns minutos.
O hospital Djamal Marques é sem dúvidas um dos piores hospitais de atendimento clinico da
cidade, e como tudo o que é público no Maranhão, esta casa de saúde possuir um péssimo
acolhimento ambulatorial, trata-se de um sistema hospitalar falido e grande parte destes
problemas, estão ligados aos ínfimos e quase inexistentes investimentos na saúde pública do
estado.Apenasocorpoclinico,ocapital humano que trabalhanoscorredores doSocorrãoatua
com exemplar profissionalismo, empatia, coragem e ética para salva as vidas que chegam ao
hospital, mesmo trabalhando com o mínimo necessário para funcionar.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Infelizmente na ilha do amor, falta amor para cuidar da cidade e falta humanidade para cuida
doscidadãos.A sorte de Anajaraé que umótimocirurgiãocardíaco estavade plantãoe acabou
salvandoasua vida,apesarde seuestadograve, a equipe plantonistadaquelanoite,reverteuo
seu quadro clinico, mantendo-a viva.
A sua amigaChirley recordaindubitavelmentede tudooque aconteceunaquelanoite comprida
e horrorosa. Lembra da ligação dos policiais e do desespero da mãe de Ana ao saber do que
havia acontecido com a filha. Lembra da correia até o hospital, e da angustia dos seus amigos
ao saberemdanotícia. Anaeraaúnicachance que ospoliciaistinhamde prenderemo assassino
das flores do mal. Ela provavelmente viu o seu rosto, e somente ela poderia reconhece-lo e
identifica-lo.
Osdelegados tambémchamavamomatadorde mulheres,osenhordasnavalhas de“oassassino
das flores do mal” por causa dos bilhetes encontrados com as vítimas. Alguns destes escritos
foram descobertos posteriormente pelos policiais na ocorrência dos últimos crimes. Autopsias
recentes também identificaram estes mesmos bilhetes com outras vítimas do assassino.
Alguns destes bilhetes também foram encontrados junto a primeira vítima, tratava-se de
diversasmensagensescritasamãoque maispareciamdeclaraçõesdeamorcomtrechosde uma
canção do cantor Renato Russo, todos as cartas ou bilhetes estavam especificamente alojadas
dentro das bocas das vítimas e abaixo de suas línguas.
O assassinoera um homemmeticuloso,frio,calculistae muitocuidadoso, talvezporisso,tudo
o que se sabiadele, é hoje descobertoaospedaços,comoconchade retalhosde panos, ou fios
de linhopuxadosde umcarretel,tudoerasempremuitofragmentado,apresentando poucasou
quase que mínimas informações para investigar.
O senhordas navalhaseraalguémconhecido apenaspelacomunidade policial, odelegadoque
cuidavadas investigaçõesqueriamanterocaso em sigilo,elenãoqueriacausarafliçãoe temor
na população. A polícia queria saber maissobre o criminoso, mas como investigar um homem
que maisparece umfantasma. Masoúltimoataque,haviaexpostotudo. Pelomenostudoo que
se sabia até aquele momento do assassino. Ou seja, quase nada. Os policiais observaram que
nenhuma vítima, havia sido atacada em local público ou em um espaço público.
Um fato que levantoumuitosquestionamentose imprecisões,então, umaperguntaficousem
resposta, o que motivou tanta exposição do criminoso, por que o assassino havia abandonado
o seu ritual, que motivos o faria desistir de seus fetiches, o que o determinou a desabonar os
seus queridos casarões abandonados como tela de moldura.
Determinadamente ele teria tomado um rumo diferente para os seus ataques, será que ele
queria ser visto, será que ele quer neste momento publicidade. O que mudou para que o seu
ataque tomasse uma trajetória diferente.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Todas as outras vítimas foram encontradas em casarões abandonados, residentes no centro
histórico de São Luís. As novidades eram muito estranhas, mas como se tratava de algo novo,
desconhecidoe cruel,apolíciapreferiatrataoscasossobre investigaçãosigilosae interna.Tudo
estavaacargo dosetorde homicídios. IstotambémeraumaconvicçãoapoiadapeloGovernador
do Estado do Maranhão, as autoridades não queriam causa pânico a população, mas como
houve testemunhas e uma sobrevivente, agora seria impossível esconder o caso dos jornais.
A polícia sabia pouca coisa sobre o assassino, isto era a única coisa que de fato tinha uma
concisão,mas as escassasevidenciaspoderiamsercaracterizadas,mapeadase descritassobre
uma planificação florence conhecida pela literatura que descrevia a personalidade fria dos
matadores. Isto já era um ótimo ponto de partida para tentar compreender e entender o
assassino.
As únicas Informações que a delegada Josiane de Freitas Carvalho tinha sobre o mostro das
flores domal, era que ele gostavade mulheresmorenas,jovens, e com 1,60m de altura. Todas
as vítimas se chamava Ana, mesmo que entre os nomes houvesse a descrição parecida ou
Anacrônicacom o nome próprio.Em algumaspartes dessesnomes,ouemseuprimeironome,
tinhaque tera alusãoa umaAna. Istoera umfatoincontestado. Ele tambémgostavade poesia,
artesanato e das músicas do cantor Renato Russo. A antropofagia também era uma categoria
exógena e peculiar. Todas as vítimas possuíam cortes na região da garganta e do tronco, mas
em particular haviam também grandes fissuras sobre a região abdominal e da genitália.
Aquela madrugada foi algo atípico para o matador, resumiram os investigadores em
concordância as analises, nunca houve duas vítimas em uma mesma noite, todas os outros
crimes, possuíam uma única vítima. Aparentemente o assassino das flores do mal, resolveu
diversificar e se arrisca. Mas qual foi o motivo para justificar tantos riscos.
Infelizmente a outra mulher que estava na companhia de Anajara, não teve a mesma sorte, a
jovem estudante de tecnologia da informação de nome Ana Joanice, foi morta brutalmente,
minutos antes do ataque deferido a jovem Anajara.
Os cortes profundos e incisivosnão deram chances a jovem que não sobreviveu a brutalidade
do ataque, Ana era a agora a única testemunha ocular e ainda viva daquele ataque terrível, a
polícia precisava do testemunho dela e a jovem Anajara precisava sobreviver para conta o seu
lado da história e descrever para os policiais o rosto de seu quase assassino.
A sua sobrevivência e resistência ao homem das navalhas e dos fios, garantia-lhe todas as
atenções dos órgãos de Segurança Pública do Estado. O seu agressor, por muito pouco, ao lhe
deferi aquelestrêsgolpes,quase lhe atingiu umaartéria, que pormuitopouconão a transfixou
em seucoração. O mais importante,é que ela estavaviva, muito debilitada,obviamente,mais
ainda viva. Ana havia sobrevivido ao ataque do maníaco, talvez por obra de uma justificativa
divina,sorte acumulada,ouumacasodo destino.Istonãoimporta,omaisfascinante,é que ela
estavaviva. Anaficouhospitalizadoportrêslongosmeses,maissaiu comvidadocomainduzido
que quase a segregou.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo IX
Festa de AniversariO
Ana Clara
Minha 5° VitimA
O meudia não era muitoconturbadoe cansativo,o meutrabalhoapesarde exaustivo,deixava
espaçosimportantesparaumlazeragradável nofinal dastardese aosfinaisde semana.Nofim
de cada expediente que geralmente acabava as 17:45, uma rotina afável, tracejava o meu
caminho até o projeto reviver, um dos lugares mais prazerosos encontrados na ilha do amor.
Habitualmente descia pela rua grande para ver o movimentodas pessoas, olhar as lojas, ver o
que vendiamosambulantes, compraalgumafutilidade, comeralgumaporcaria que me fizesse
ter arrependimentos horas depois, observar a mulherada, paquera um pouco, contemplar
olhares e feições desconhecidas.
Aquele trajetopela rua grande possibilitava-me uma caminhada sossegada e revigorante,algo
que somente tinhaconexão outalvezcomparaçãocom o caminhoque era realizavaasterças e
as quintas pela rua do sol. Ambos os trajetos me traziam paz, isso era fato. No reviver haviam
lugaresque não podiamdeixarde serrevisitados,umdeleseraa Praça João Lisboa,o Largo do
Carmo, a Praça Benedito Leite, a Praça dos Poetas, o Alto do Forte dos Leões, a Praça Nauro
Machado e a Praça do Bar do Porto.
As noites eram mais lindas sobre a fonte que abrigava a mãe d´água no Largo da Santa Sé, a
visãoda rainhadaságuas enobreciao PaláciodosLeõese oPaláciodoTribunal de Justiça.Tudo
tornava a noite maislúgubre e bonita. Maisas estrelasdocéuroubavamtoda a minhaatenção
e desejo. Repentinamente um jovem casal de namorados sentou-se a meu lado e como todas
as outras tardes,euestavanovamente sozinhoe rodeadode umoumais casais apaixonados, a
invejanãome corrompia,maisasvezes,sóasvezes,desejaterumamorcomoosdeles, parecia
que o universo ambicionava me jogar na cara algum desconforto, execrando-me do que eu
desejavaintimamente,mesmoque escondidode mimmesmo,fosse odesejode amaralguém.
A vida é uma grande ou mesmouma pequenacaixade surpresas,o universonão era somente
umacriança que brincavacombolasde gude,eraumvelhoranzinzaqueadoravatripudiarsobre
os sentimentosde pobrescriaturas.A nossainsignificânciadiante doimensoespaçoescuronos
deixa perplexos com as travessuras que ele promove.
O casal sorriu de maneira felicitada para mim e reconhecendo-me chamou pelos meus dois
primeirosnomes,fiquesemgraçae aomesmotempocurioso,poisnãotinhaideiade quemeles
eram. E perguntando-me eles repetiram o que ainda não era obvio para mim, e eu disse
envergonhadoquenãosabiaquem erameles.Eagarotade maneirasimpáticaprossegui,somos
o Eduardo e a Mônica, paisda Ana Clara.Você nos atendeudentrodaagencia,nostiroude um
sufoco danado, exclamou a jovem, rindo agora de maneira frenética e muito louca.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
A minha mente geralmente é uma esponja, mas não me lembro deles, mais recordo-me
vagamente dafilhadocasal, a garota deviaterunstrezesanos,no máximoquinze.Lindacomo
a mãe, agora sim, lembrei dos jovens, eles precisavam de um empréstimo para compra uma
casa.
A jovemsorria bastante e tudo tinhauma conotação diminutiva,algoinfantil paraa idade que
constava na identidade. No geral, ela era agradável, mas o rapaz parecia estar sempre de mal
humor e infeliz. Um contraste com o sorriso largo da garota.
Perguntei sobre como estava a vida, se haviam conseguidocompra a casa e de como estava a
filha. Ela sorriu e afirmando entre os dentes a dedução de sua contestação, conferiu que eu
havialembradodeles.Omeusorriso amareladoafirmavaconsentidoa deduçãodelae a prosa
agora tomava rumos que somente nós dois entendíamos.
Um convite inesperado surgiu durante a nossa prosa, e um silêncio torpe esvaziou a
tranquilidade que nos contagiava. Aniversários não eram uma praia que gostava de visitar, e
adolescentes me causavam ânsia de vomito. Mas a jovem me olhava como um cão pedindo
cafune, mais mal sabia ela que um cão mais perigoso a olhava de volta.
As pessoas são animais interessantes, elas se rodeiam de perigo e depois querem se cerca de
proteção. Incontestavelmente perguntei aseucompanheirooque eleachava dessaideiade um
homem ainda desconhecido como eu na festa de aniversário de uma menina de 13 anos. E
brincando com as palavras disfuncionais ao seu vocabulário, disse a jovem que me olhava
incansavelmente como se eu fosse um ser ou um objeto alienígena. Talvez fosse perigoso ter
um homem como eu no convívio de sua família, mas viver já era um ato de risco.
Fiquei surpreso com as falas da jovem infante, não espera tanta inteligência de um ser tão
pequenino como ela. Eu a elogie, a cumprimentei e sorrir disfarçadamente como uma hiena
desejando devora uma ovelha. Aquilo me soava como um presente dos deuses, não havia
explicaçãoparatal entrosamento.A famíliadajovemsimplesmente me amava.Econfessoque
não entendia a pronuncia de tanto amor.
Inesperadamente houve umsorriso,e algoainda maisincomum, ocorreriaminutosdepois,ela
aproximou-se,acariciouomeu rosto e sorrindoratificou.Um homemcomo você,perigoso, eu
não acredito nisso, e rebatendo o que eu disse, replicou, eu sou perigosa querido. Todos nós
rimosmuitoda jovem.Eusimplesmente fiquei encantadocomela.E como qualquerlobo,eua
desejei profundamente. Mas a primeira regra de um lobo como eu estava sobre risco, e,
portanto, seria inviável que ela fosse uma de minhas doces bonecas.Os pais sabiam quem eu
era, e caso a sua filha sumisse, talvez eu fosse o primeiro da lista a ser procurado.
É claro que o número de crianças e de pessoas que simplesmente somem no planeta é algo
absurdo e espantoso. Quase um cento e trinta pessoas somem por ano apenas no brasil e as
autoridades simplesmente não conseguem encontrar nem um terço deste total.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Talvezhomenscomoeupodemestarportrazdeste númeroabsurdodedesaparecidos,umfato
que assusta, pois sei que existem muito mais como eu e muitos são pessoascomuns e gentis,
assim como eu sou.
Eu estavacompletamente dividido,inconformadocomaideiade perde-laparao meuprimeiro
princípiode caçar, não faça contatosiniciaiscom as vítimas.Neste caso, com os paisda minha
refeição. Isto era trágico, perder para a minha própria regra.
Depois de ouvir da boca da pequena infante que ela era perigosa e não eu, percebi que como
um lobo velho em pele de ovelha, nem tudo pode ser o que parece. Talvez ela faça o que fiz,
quando tinha a sua idade, talvez monstros como nós se reconheçam e até se identifique pelo
cheiroe pelamaldade.Virque haviamaldade em seus olhos, mas quanto de mal existia nela.
Eu me sentircom os meusnove anos de idade novamente,até o cheiro da terra molhadae os
pingos de chuvas pareciam reais em minha pele, eu simplesmente estava nos anos 80 e me
sentir em paz como nunca havia sentindo antes.
Aquiloeraum acontecimentoúnico,apósvê-lasorrindoparamim, vircerta identificaçãoentre
nós e a maldade em nossos olhos. Ela não parava de sorrir, então eu sorrir de volta e não
acreditei noque ouvirdabocadaquelajovem.Elainsistiaque eunãoeratãomalvado,elatinha
maldades.
Mas as travessurasdameninaforamrapidamentereprimidaspelopai,algoquefoi subitamente
confirmadopelamãe dainfante.Osdoisnãogostaramdaintimidadegeradaentrenósdois,por
isso ela conduzida até o seu quarto. Os pais da garota me pediram desculpas pelos tons de
maldades e agressividadesreplicados pela filha.Eu não me importei,e disse a ambos que não
fiquei ofendido.Fiquei surpreso,mas não ofendido. Na verdade, eu a desejei ainda mais.Eu a
queria para mim. Eu desejava matá-la.
Mesesdepoisrecebi umtelefone nomínimocurioso.Eramospaisda jovemAnaClarano outro
lado da linha. Achei que depois das palavras impulsivasda filha,pensei que nunca mais falaria
com elesnovamente.Mashaviame enganado,deixeiumaboaimpressão, e osdoisestavamme
convidando para a festa de sua filha. Agente teria um espaço somente de adultos para beber
cerveja e jogar conversas fora. A criançada teria playground, balões, pipocas, bombons,
sorvetes,cachorrosquentes,refrigerantese vídeogames.Uma festae tanto para alguémcom
apenas 13 anos.
Eu concordei em ir à festa e fiquei feliz em ser um dos primeiros a ser convidado.Novamente
não sei oque fizpara que elestivessemtantaconsideraçãoe confiançaemmim.Maslobossão
lobose ovelhassãoovelhas.Eissonão se discuti,temospapeisdiferentesnacadeiaalimentar.
E um lobo nunca esquece o cheiro de sua presa.
E eu estava faminto, havia pelo menos um ano e meio que não me alimentava com carne
humana,e há quase doisanos e meioque não sentiatanta vontade de ser quemeusou, como
agorame sinto.Asminhasfunçõesanimalescaspulavamdentrode mimcomoumloboque ruiva
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
para lua.Como um cão danado,eugruía para o infernode fome que sentiaemmeuestomago.
Decididamente eu a teria, isso era uma promessa, isto seria um fato sem volta.
Os pais da garota seriam um problema, então eu tinha que planeja algo que fosse factível e
viável. Algo tão preciso que não teria brechas para me comprometer com o sumiço da jovem
Ana Clara.
A noite da festa havia chegado, eu estava belíssimo, braba bem-feita, cabelo cortado e unhas
perfeitamente polidas, eu usava um terno azul marinho bem cortado e linearmente ajustado
alinhado ao meu corpo. Meu estado de espirito era um de um esplendor hermético e plural.
Quandocheguei a casa da Mônica e do Eduardo vir que muitoscarros caros estavampróximos
a porta. O meu carro comum e de classe média era uma carrocinha perto dos SWV´s daquela
gente branca,rica e bemalinhada.Noentanto,omeucarronão eramuitocarro ou bonito,mas
por outrolado,euestavaumespetáculode homem.Estavabemvestidoe bemalinhadoaquela
gente.
Rodeie como carro até o quarteirãoseguinte,e semcerimônia,estacionei emumarua vazia e
silenciosa. As ruas do residencial renascença tinham belezas únicas, mas também tinham um
abandono de uma selva que nem eu queria como rua. Eu preferia o barulho de um bairro de
periferia, adorava o som de crianças gritando e correndo pelas ruas. O som das motocicletas
guiadaspelosjovenstambémme traziaconfortoe sentidode pertencimento.Eusimplesmente
adorava o movimento de uma boa rua e de um bom bar.
Alguns minutos de caminhada me colocaram em frente a porta dos Figueiredos, fui recebido
pelo meu anjo de falas maldosas. Ela correu em minha direção e me apertou com um abraço
longo e gostoso. Nunca em toda a minha vida me sentir tão amado e tão querido por alguém
como hoje.Aquele pequenoanjocom rosto e sorrisode demônio,haviame conquistado.Eua
amava, e nada podia ser mais puro do meu amor por aquela criatura.
Depois do longo abraço fui recebido por Mônica, ela estava linda, simplesmente radiante e
muito bonita. Ela usava um fino vestido de linho branco e sapatilhas cor de creme, o laço no
rabo de cavalo a deixa mais jovem e muito sex. Uma estrela, um sol de uma manhã perfeita e
simples. Sinceramente, não sei quem eu amava mais, se era ela ou a filha.
Mas lobos são cães de caça, e animais apenas pensam em se alimentar. Eu estava faminto. E
disse a Mônica olhando para a sua linda filha... – O que temos para comer, eu estou faminto
Mônica..... E respondendo com inteligência e paciência, ela terminou frase,temos churrasco e
cerveja..... Temos também aquela linguiça no alho e na cebola que sei que você adora.....
Vamos.... Estamos reunidos no quintal..... Entre..... E concordando aceitei o convite e fui até o
quintal.
A festaestavalinda,tudoestavabem decoradoe muitobonito,novamente aqueleadendome
fez sentir uma criança. Aquilo me reportava as fazes felizes e bonitas. Eu não tinha ideia que
festas infantis ainda poderiam ter uma mágica tão peculiar em minha vida. As emoções e
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
lembrançassoltavamaos meusolhos.Eu simplesmente erauma criança novamente.Epor um
instante fiquei feliz e contente. Eu até sorrir. Foi o sorriso mais gostoso que havia sentido até
aquele momento.
Quase entrei no pula a pula com as outras crianças, mas me segurei e me contive.A felicidade
eraenorme e nuncaumalembrançame fezficartãofelizcomoagora.A Mônicame puxavapelo
braço até o quintal, e cumprimentados os demais convidados, fui me cercando de algo que
nunca quis ser... Um adulto.
Adultos eram pessoas chatas, arrogantes e infelizes. Eu queria ser novamente uma criança,
desejavaestáentreaquelesmeninosque comiamcachorro-quente sobreochãodasala.A festa
mal tinhacomeçado, mas a grande maioriadeles,já estavamsuados,sujose até sem camisas.
Aquiloeraumparaísoinfantil.Eudesejavasercomoaquelascrianças,almejavafalaralto,comer
de boca cheiae correrpelacasa.Aquiloeraumsonho,umaimpossibilidadeagradávelaosmeus
olhos. Mesmo sem poder ter o que queria, o fato de me sentir uma criança, havia salvado a
minha noite.
Minutos depois acordei em uma mesa cheia de gente velha. Mas o que eu estava dizendo,eu
também era um velho. Os meus quase 40 anos tinham uma denúncia própria de minha idade.
Asdoresnascostase nopeito,denunciavamaminhaquantidade absurdade horassobre aterra.
O tempoera algo cruel e impaciente, masnemtudoera implacável coma vida.Eu quandovim
a esta casa, trouxe o meu presente a jovemAna Clara, mas sei que ainda hoje,ela será o meu
presente de aniversário.
A conversa, o churrasco, a cerveja e os inúmeros litros de vinho denunciavamcerta opulência
namesadosadultos,todoossentimentose emoçõesestavam atodovapor. Percebi quehaviam
casais formados a mesa. E alguns até se oportunizavam ter abraços e beijos. Tudo de forma
controlada e sem excessos.
Percebi que não estava sobrando, havia uma linda jovens que também estava nas mesmas
condições que eu estava. Ambos estávamos sozinhos e bêbados. Observei que ela me olhava
com certo desejo.Masvir que ela era uma mulherdiscreta.Resolvi paquera-lade formadireta
e indecente. Vir que os meus olhares devolveram-me alguns sorrisos.
Certamente fui correspondido,tenhocertezaque elatambémme queria.Elaentãose levantou
e foi em direção a cozinha. Sentir que aquilo foi uma deixa para que eu a seguisse. E foi
exatamente isto que fiz. Levantei-me e fui atrás de suas belas pernas.
O seu cheiro era algo sublime e encantado. As suas nadegas me enlouqueceram com um
demônionoinferno.Euestavaem chamas. Quandoa alcancei,vir que elaestavaparada sobre
a escada. Suas curvas eram extremamente lindas e muito femininas.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
E os seusolhoseram quentescomosol do meiodia.Um sinal feitocoma boca, pedia-me para
segui-la. E foi isto que fiz. Ela entrou em um quarto e foi direto para o banheiro. Percebi que
gotas de água caiam de umchuveiro.Elaestava banhando,istoerainusitado,fiquei esperando
ela sair e ainda encostado sobre a porta, vir ela sair molhada e nua. Ela era linda, uma mulher
extremamente sex e atraente.
Ela me beijou bem devagar, colocou as minhas mãos sobre a sua genitália e pediu que eu a
tocasse.E foi o que fiz.A toque como um selvagem.Depoisamordi em seuslábios.Quase que
lhe tirei o pedaço de boca. Depois a joguei sobre a cama e lhe fiz um sexo oral que ela jamais
sonhoem fazer.Osseusgritos baixinhoseramde umincontrolável desespero.Elarecitavaque
estava tão gostoso que nem percebi o seu gozo em minha boca. O prazer estava consumado.
Ela havia gozado. Agora seria a minha vez.
Eu a penetrei como um lobo no cio, empurrando o meu pênis cada vez mais fundo em sua
genitália rósea. O ato sexual tomou a minha sanidade de assalto e sem lhes dar chances de
reação, fui asfixiando-a lentamente com as minhas mãos até sentir a sua pulsação fraca. Eu
desejei matá-la. A vontade era maior do que a minha sobriedade,e as minhas mãos, quase
tinham vontade própria.
Felizmente em meio àquela loucura desprovida, desistir de tentar matá-la. E acabei por soltar
algoque nãodeveriateremminhasmãos.O seupescoço estavatodoesganiçadoe amarcasda
minhaunhafazia-lheumdesenhoexcepcional.Elame olhoude maneiraassustadae aindaroxa,
faltando-lhe ar para os pulmões, tentou sofregamente me perguntar algo, obviamente, algo
sobre o que acabava de acontecernoquarto. A sua pele ficoutãovermelha e arroxeadaque as
veias de suas mãos e rosto sumiram por uma fração de segundo.
Quando voltei aminha possível anormalidade, tentei desfaçaomeu transe animalesco. Minha
expressãovoraz,talveza tenha assombrado. E sem deixaque ela esboçasse umanova reação,
dei novamente continuidade ao sexo, eu a penetrei de forma ainda mais violenta, vil e biltre,
transfixando-a arduamente com o meu pênis em sua cavidade anal.
Os seusgritosde desesperoforaminevitáveis,nãotive outraopção,anãosertampa a sua boca
com as minhas mãos. Era nítido que o medo em seu olhar gerava preocupações sobre a
continuidadede vida,oude aproximaçãode morte.A últimanãoseriaocaso.Maiselateriaque
me suportaaté que euterminasse. A noite estavaapenascomeçado.Eo sexoestavaótimo.Ela
era quente e vulgar. E eu adora mulheres vulgares.
Quando terminamos, sentir que não teria uma única palavra de agradecimento. A experiência
talvez tenha sido algo muito traumatizante para a bela mulher. Mais isso não me preocupava.
Elalevantou-se,vestiu-see correuparaaportado quarto.Oseusorrisonãoestavaexpressoem
seu rosto. Havia apenas medo e muita confusão mental.
Noentanto,outrapessoame provocavatensãoe volúpia.A minhadoce AnaClara,aminhadoce
meninade olhosclaros.A aniversariante dacasa.Era elaque me causava desejo.Eestávamosa
poucos metros um do outro. Eu estava deitado provavelmente na cama de seus pais, todos
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estavambêbadosnoquintal.Masacriançadafaziafurdunçonaparte de baixodacasa.A gritaria
infantil era ouvida na parte de cima do imóvel.
Formalmente euquistê-laemminhasmãos,masaquiloeraum ato arriscado.Então me vestir,
desci até a festa e me contive. Eu faria isto em um outro momento. Um rapto em uma festa
infantil levantariamuitasdesconfianças,alémde chamar muitaatenção e me evidenciarcomo
suspeito.
A festaestavachegandoaofime muitosconvidadosestavamindoembora,acasaestavaficando
vaziae até a minhacompanheirade minutosatrás,tratou de me deixarsozinho.Achoque não
a agradei o bastante, talvez eu tenha sido um pouco canalha, ou um pouco violento.
Poucascriançasusavamoplayground,agritariainfantilhaviabaixadootomdabagunça.A mesa
dos adultos permanecia com uma austeridade vitoriana, o congelador estava abarrotado de
cerveja e vinho. Os donos da casa não estavam dispostosem terminar a bebedeira. A festa de
criança, daria lugar a uma bagunça de gente grande.
Alguns minutos depois, ouviu-se buzinas de carro e faróis altos vindos da porta da frente da
casa. Tratava-se de convidados retardatários. Ainda no corredor casa, observei que um dos
convidados trazia um grande presente para a anfitriã da festa. A menina pulou em cima do
homem e o derrubou. Ouvir a palavra tio e em seguida muitos abraços e beijos.
Depois um grupo formado por mais ou menos doze pessoas cantavam uma música muito
familiar aos meus ouvidos. Eles cantavam “Eduardo e Mônica” da banda Legião Urbana. Ao
fundopercebi que Mônicahaviasubstituídoamúsicade criançapelo áudiodoálbum“Que País
é Este” onde Renato Russo faz uma interpretação linda de todas as suas canções. O clima da
festa ficou entre as décadas de 80 e 90. Eu não pude me controlar e confesso que chorei.
Algunsdosconvidadosme perguntavamse algoruimestavaacontecendo.Maisos tranquilizei,
e lhe disse que a canção havia me fragilizado. Uma das convidadas achou bonito o que eu
acabava de falar. E como uma cola magica de atração feminina, a música dos legionários me
trouxe maisuma lindamulher.Eunemtive tempode conhece-la,maisacriatura jáestava com
um palmo de língua dentro da minha boca. Ela tinha um gosto de cidra de maça, e apesar de
muito bonita, vir que ela estava muito bêbada e com os ânimos nas alturas.
Um dos convidadosrepeliuumafazer que não soou muitobem aos ouvidosda garota que me
beijava. O homem retrucou que na festa anterior, havia tentando beija-la, mas sem êxito,
desistiu da moça. Porém, ela mal me conhecia e já estava no meu colo.
O tapa que homem recebeu, foi algo inusitado e tênue. Uma confusão acabou com o clima
legionário que havia se instalado. O homem em questão não se conformou com a rejeição da
garota. E tentou me culpa por algo que não tinha envolvimento.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Minutos depois, a festa voltava ao clima inicial, os ânimos pareciam estar calmos, e o meu
agressor,flertavacomoutraconvidada.Eunão tinhao que reclama.Estavaaosbeijoscomuma
mulherlinda.Eunão sabiao seunome,provavelmente,nemelasabiadomeu.Mas estávamos
nos entendendo. A linguagemera puramente gestual, envolvendo língua, boca e muitas mãos
bobas.
O Eduardo e a Mônica pareciamcriaturas felizes,osseusbeijospareciammovimentosjuvenis.
Tenhocertezaque ali haviaamor. E umamor verdadeiro.Minhainvejaeranítidae consensual.
Mas a minha volúpia era mais direcionada a Ana Clara.
Em falaremAna Clara,percebi que eraobservadoporelaemsegrego.Elaestavasentadasobre
a escada e me olhava com certo desejo. Entre um beijo e outro, vir que ela me seguia com os
olhos. Certamente a garotinha não me queria perto desta estranha mulher.
Minutos depois a música “Faroeste Caboclo” tomava o tom da festa, a música tinha mais ou
menos11 minutosde duração. Mas nunca ouvir alguémreclamarde tentar canta-la.A música
falava de um tema social muito sério e polêmico. João de São Cristo passou a metade da vida
sofrendopreconceitossociaise raciais,umaparte delasnainfânciaemsuacidade natal.Depois
personagem da música foi embora para Brasília na esperança de melhora de vida. Mas sofreu
ainda mais preconceito e afastamento do núcleo social que habitava a capital do Brasil.
Noinícioconsegui umempregocomocarpinteiro, oseusaláriomal pagavaascontas,mastinha
esperançade umavidamelhornacapital.Haviaconheciaumalindamulhere comelafaziaplana
de ter uma família e filhos. No entanto, envolvendo-se com pessoas perigosas na cidade,
praticou alguns crimes e acabou sendo preso e estuprado na cadeia.
Quandosaiu do cárcere,percebeuque haviasidotraído pelasua amada, elahaviacasado com
jeremias. Um dos traficantes mais perigosos de Brasília. João de Santo Cristo resolve também
vender drogas. Estando bem-sucedido na atividade criminosa, resolve confortar o seu inimigo
jeremias. Eles se enfrentam em um duelo, onde ambos morrem. Sua amada Maria Lucia se
suicida despois da tragédia.
As músicas da banda legião urbana sempre foram obras primas, composições únicas, algumas
romantizadas,outrasdemonizadase outrasmal compreendidas.A música“Paise Filhos”falade
suicídio, mas muitos entendem como uma canção de amor. As letras de “Flores do Mal”,
Eduardo e Mônica,“Giz”, “Faroeste Caboclo”,Que País é Este” e “A Fonte”possuemtemáticas
tãofortesque somenteentendiasuanaturezade seuconteúdo,depoisde vinte anosapósouvi-
las pela primeira vez.
A festa estava em um clima nostálgico e agradável. Mas o sol principiava mudanças de
comportamento. Alguns casais desejam transar sobre as cadeiras onde estavam sentados. Os
donos da casa não se opunham a nada. Afinal, ontemmesmo,fiz a cama do casal de motel. E
não foi questionado. Na verdade, não sei se eles ficaram sabendo desta pequena aventura.
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DieghoCourtenbitter
A verdade é que o paraíso emocional estava no fim, e as asas angelicais da volúpia produzidas
pela música metal contra as nuvens, traduzia o termino dos romances recém-formados pela
festa infantil.
A cerveja e o vinho estavam no fim e muitos casais queriam terminar o dia em um motel. A
mulher ao meu lado me fez um convite inusitado. Sugeriu que eu fosse até a sua casa. Ela
enfatizavaque moravasozinha.Eque emseuquarto havia inúmeros brinquedos para brincar.
Uma mulher de atitude, uma mulher de coragem. Ela sabia o que sabe queria. E naquele
momento,elasussurravaemmeuouvidoque queriamuitome fuder.Geralmentesoueuquem
faloestasloucurasnosouvidosdasmulheres.Masdestavezfuipegode surpresar.Nãocoloquei
obstáculos contra a sua vontade. Nós nos despedimos da Mônica e do Eduardo, desejamos
muitosanosde vidapara a anfitriãdafesta.Agradecemospelanoitada.Enosdeslocamosaté a
casa da louca que me beijava.
Quando chegamos a casa da minha linda desconhecida, evoluímos rapidamente para o sexo,
aquela foi a transa mais selvagem que já tinha praticado em minha vida. Eu fui literalmente
chicoteado, esbofeteado, mordido, beliscado, queimadocom ceras e cigarros, penetrado com
um vibrador, insultado verbalmente de todas as formas e humilhado sexualmente por ela. A
mulhereraumcachorrode rua.Eu nuncahaviapassadoporalgodestaforma.Aofinal me sentir
violado e fragilizado.
Aquiloeraumaexperiêncianovae vulgar,masmuitointeressantee saudável. Eusempre gostei
de mulheres vulgares e indomáveis, mas esta mulher de nome desconhecido causou uma
surpresa agradável e delicioso. Seria indelicado que eu mostrasse o que sabia fazer,meu nível
de loucura ficava bem próximo ao dela. É claro que os seus eram muito mais quentes que os
meus, mas mesmo assim seria uma briga qualificar o mais agressivo e violento.
Aproveiteique estávamos nacozinhae fizumacaipirinhapararelaxamos,afinal,nãoé tododia
que nosdeparamoscomuma lobatão quente nacama comoestamulher.Omaisincrível é que
nemeuperguntei oseunome e nemelaperguntouomeu,mas issonãoimportava.Quase não
falávamos, nossa linguagemera puramente sexual.A cama era um reduto de dois animais em
um cio frenético e voraz.
Mas uma outra questão me incomodava, eu estava feliz com a desconhecida, mas também
estavaincompletosemaminhaAnaClara.Masistoeuresolverianaqueledia.Euestavadecidido
em tê-la.E a jovemdesconhecidaseriaomeu álibi.Pedira minha lindadesconhecidaparame
acompanharemalgumasrodadasde caipirinhas.Algoque foiprontamente aceito,após algumas
quatorze dosesde álcool,estávamosliteralmentebêbadose insanos.Estaeraa hora exatapara
colocar um sonífero em sua bebida e ir à caça de minha bela Ana Clara.
A minha bela dama de fogo quente, queria mais sexo em sua cama, eu não negaria isto, mas
desta vez eu tomaria as rédeas, faria sexo com ela até ela sentir dor e se negasse a continuar.
Depoisque elaapagasse e dormisse.Eu colocariao meuplanoem ação. Eu iriaatrás de minha
Ana Clara.
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DieghoCourtenbitter
Depois do sexo e de ver o seu sono profundo, fui até a casa de Ana Clara. Peguei o caro da
desconhecida e fui até a porta da jovem. A rua estava fazia. Era quase meio dia. O domingo
estavaemuma garoa intermitente.Istoeraperfeito.Umarua vaziae poucascasas com janelas
abertas. Provavelmente os pais da jovem Ana Clara estariamdormindo, eu somente precisava
encontra-la na porta de sua casa. E se isso ocorresse, seria o fim para a jovem menina.
Vinte minutosdepois,estavacomocarro parado emfrente àcasa da jovemAnaClara,agarota
estava sentada na varanda, bailando sozinha em seu balanço de madeira. Tudo estava fácil
demaisparaserverdade.Aproximeiocarro,abaixeiovidrodopassageiroe fizumpequenosinal
com as mãos para que elaentrasse no carro. Ela me reconheceu,levantou-se e veioemminha
direção. Abriu a porta do carro e me abraçou. Pronto.... Ela era minha.... E desde este dia....
NinguémmaisviuajovemAnaClara....Aquelefoi oalmoçode domingomaisprazerosode toda
a minha vida.
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DieghoCourtenbitter
Capitulo X
Festa de NataL
Ana Cristina
Minha 6° VitimA
As noitesde natal sãosempre felizesparaa maioriadaspessoas, osdiasficammais amenos,as
tardes são mais calmas, o tempo esfria repentinamente, as chuvas precipitam com mais
tenuidade, e até as pessoas aqui nesta cidade ficam mais agradáveis.
O céu é sempre é muito estrelado e quase não há nuvens, as noites de dezembro são únicas
neste lado do hemisfériodo planeta e inclusive o sol pela manhã, brilha de maneira diferente
nestaterra sossegadae tranquila.Sinceramente,eu queriaque estadata significasse algo para
mim, mas infelizmente não há o que constituir para me deixa feliz.
Esta não é para mimumanoite muitoagradável,e comtoda certeza, elanuncaserá,não tenho
recordações boas no dia natal, e o ano novo então é uma lastima. Esta nunca será uma das
melhores épocas do ano para sorrir. E mais uma vez ficarei solitário sobre imensa casa.
Todasas estrelasdocéu,olhampara mimcomdeboche,e sorridentes,elassabemque ninguém
ira me visitar. Eu estou mais uma vez sozinho em casa, é mais um natal vazio e inabitado, um
triste momento de mansidão. Eu estou sôfrego em meu tênue estado de espirito, frágil em
minhaconcepção moral e entediado emminhatolasanidade temporária.Estou quase bêbado
sobre a minhaexatidãopromiscua, a vidanão me deumuitasescolhas,e o que tenho,não me
basta, nunca me basta, e por isso, vou tomando a vida que pertence aos outros.
Ouvirhoje todososálbunsdaLegiãoUrbana,muitode RaulSeixas,umpoucodeBarãovermelho
e quase nada de Nirvana. As taças de vinhos estão vazias, a comida acabou, mais a geladeira
esta entupida de cervejas e calabresas.
O silencio agora era a única meretriz que me fazia companhia naquela noite natalina,
ininterruptamente,eraelatambémque se acomodasobre omeu sofá, ligeiramente aborrecida
com a minhapenae inercia.Minutosdepoisela sentou-seaomeulado, deitoucarinhosamente
no meu colo, enrolou-se sobre os meus braços, encarou-me de forma apaixonada e espalhou-
se pela sala.
Horas depois compenetrando-me de formasorrateira,foi convicentemente invadindoa minha
carência, induziu-me tacitamente com a sua sutileza demoníaca, uma imposição agressiva,
facilmente absolvida de seu olhar visceral e vitrificado.
As suas ordens sobrenaturais relatavam-me discursos impuros ao pé do ouvido, fatos que
deviam ser planejados e vividos, algo que fosse divertido e incomum para aquela noite, por
outro lado, eu desejava aconchega-me com o que sobrou na minha taça de vinho, entre os
dedos, apenas as fatias de um bom queijo, estalados seguidamente em minha boca.
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DieghoCourtenbitter
Eu a vislumbrava tacitamente de certa maneira em meus pensamentos sádicos, desejando o
pior para ela, mas por ser uma presença feminina, submetia-me a uma distância segura para
não a matar naquele instante,afinal,mesmoumcara comoeu,precisoas vezesde companhia,
e não me cabe acaba com os meuspoucosamigos, mesmoque elessejamrudes,imagináriose
até terríveis.Osilencioeraumespetáculode mulher,maistambémeraterrivelmente maldosa
e estratégica.
No entanto, a minha imensa sala mostrava-se um pouco agressiva e hostil, suas nuances me
atraiamcomdestrezas facilmente maliciosas,contradiçõesimpostasaoumdianecessariamente
feliz,suasparedespintadasde umamareloocre, desejavam-meporinteiro,suplicandoparame
engolir,umafarsaque me satanizava, deixandoosmeuspensamentos ainda mais vis e cruéis.
Neste instantejáestousobre ajanela, nãovirotempocorrernorelógio,eramtantosdevaneios
que nemsei como fui para sobre o dorso de seusarcos, minhamente vacilante me avisaque já
estouali háquase trêshoras na mesmaposição,aindaestousem umacompanhiahumana,não
há nenhum amigo ou mesmo um bom vizinho para dividir um vinho ou uma boa comida.
Apenas o silencio continua sentada sobre meu sofá, ela está quase seminua, com as pernas
levemente suspensase semiabertas,elasempreé bemprovocante e vulga,masosseusolhares
emminhadireçãosãoextremamentequentese desejose issome nãosomente meexcita,como
me deixa bastante assustado, a vontade esta trepando com ela e depois matá-la é algo que
nuncasai daminhacabeça,maisissoseriaensurdecedorquandonãoimpossível.Olhofixamente
para a rua deserta, e é ela agora que me parece ser uma boa opção, as ruas vazias, uma boa
caça, um bom jantar.
Neste exato momento,estou saído de casa, jazo bem arrumado, perfumado e com os cabelos
bem penteados, o relógio marca exatamente 11 horas e 47 minutos e falta pouco para meia
noite. A calmaria que me atormentou até aquele momento, logo seria preenchido com muita
música, conversas felizes e muita bebedeira.
Também sei que o silencio da rua, logo vai ser interrompido pela intranquilidade dos
movimentos peristálticosefrenéticosdaspessoas,daquia10ou15 minutos, tudovai estámuito
animado, e o que antes estava vazio, vai dar lugar aos muitos foguetes nos céus, aos latidos
insuportáveisdoscães naportade suascasas,acorreriade váriascrianças,aaberturade portas,
janelas e varandas e aos muitos risos de contentamento dos moradores.
Indubitavelmente,nãoqueroque a invejaacabe com a minhavaidade de forma trágica, e para
não flagelar os meus pulsos,como é de costume após a noites como estasque sucedem estas
festividades,voupernoitarsozinhopelailhamagnéticade SãoLuís, onde vou tentarme afogar
de cervejae algumasprostitutas,provavelmente emalgumbarpé sujo, perdidoe escondidode
Deus.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
As ruas por enquanto estão desertas, mas todas as casas próximas da minha estão em festa,
todos estão contidos em seus lares, há música a meio tom, algumas com o som alto e outras
com som delicadamente ambientado. Caminho alguns passospara fora de casa, ouço sons de
conversas e tampas de garrafas sendo abertas. O natal está para ser festejado, logo as
insuportáveis risadasseráasúnicascoisasque terãoespaçonestarua,tenhoquecairforadeste
tormento que gera felicidade.
Um Uber chegara minharua,e como estousozinhonaportade minhacasa, ele provavelmente
deve sera corrida que solicitei,ele nãodemoroumuito,meucelularconfirmaaplaca e o valor
referido dotrajetodaruaminharua até oreviver,entãoresolvoaceitaoserviçoe cincominutos
depois, estou em frente ao palácio dos Leões.
Sempre morei no centro da cidade, o supermercado é perto de minha casa, o ônibus passa
próximoà esquinaque antecede arua aonde moro e a maioriados meusafazeres domésticos,
sociaise de trabalho são feitosa pé, tudoisto semgrandesproblemasde locomoçãoougastos
habituais,maishoje euquisumUber,asvezesumpequenoluxonãofazmal e 15 reaisa menos
na minha carteira, não vão me deixa pobre.
SãoLuís é umailhabonitae oMaranhãotem osseusencantos,opovoé alegre e gostade festas,
o bumba meu boi é a anuncia a época que mais me deixa feliz e as festividades juninas são
ótimaspara uma boa caçada. Mas o que não virafestanesta cidade,quase tudoé motivopara
beber, comer e ir para um bom motel.
Durante as festividades juninas tem o Tambor de Criola, as Quadrilhas Juninas, as Danças
Portuguesas, os Bois de Matraca, Zabumbas e de Orquestra. Os bois de sotaque costa de mão
são lindíssimos, mais as índias do guarnece do Pirilampo são deusas caídas na terra.
Mais hoje não quero pensar em caçadas, não estou com fome, quero apenas distrair a minha
mente comestasluzesde natal,com esta gente alegre,comeste povo feliz,que sempre me faz
sentirumpouco humano. Hoje nãovou deixaasenhorasilenciome influenciar,elanãoteráde
mim o que deseja.
OsMaranhenses sãoumaótimacompanhiae às vezesquase nãoosdesprezos, emparticularas
mulheres, muitas delas não me olham nos olhos e algumas nem falam muito comigo, mas eu
nãoas ignoro.Nãosei muitobemoque meafastamdelas,deveseraminhafeiçãointimidadora,
ou o meu alto e infinito gosto e estima por mim mesmo, o curioso e que as crianças sempre
queremestápertode mim,oque é um paradoxoestranho,masnestaantítese,comcerteza,os
ventos rezam a meu favor.
O meu passeio improvisado não era para ser uma caçada, e nem tudo que planejamos, sair
conforme oacordado,mas ao afinal dascontas, nãodevonegao meugênioindomável,souum
animal natural e com muitos hábitos.
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DieghoCourtenbitter
Infelizmente para a minha próxima vítima, algo naquela noite soprava um perfume doce e
estranho sobre as minhas biltres narinas inquietas e mordazes, algo me chamou a atenção e
assim que desci do Uber, os meus olhos me direcionaram para algo que ainda era
incompreendido, nãotinhammuitacerteza,maisomeuolfato,jáhaviafarejadoumbelopedaço
de carne humana, umaótimafatiade refeição,umdoce bolo aniversario,umjardiminteiropara
passear.
Aindanãotinhacertezado euque olhava,maisacho que o boloconfeitado,tinhaoformatode
criança para omeu próprioaniversário. A minhafrente estavaumpequenoraiode sol,umaflor
em formade criança, um jardimsuspensobem meioda rua, um copo de leite esquecidosobre
a mesa, um querubim com asas de chocolate.
Ela era extremamente doce, seu sorriso era pleno e lindo, e os seus cabelos exalavam um
perfume terrivelmente doce, àquelaapariçãode menina,ofuscouaminhavista,e eminstantes
o meu focomudou de direção,a pequenacriaturase fezde presente,aliásumótimopresente
de natal, um belíssimo mimo para mim, e eu não sou de recusar presentes, jamais nego ser
felicitado.
Eu a desejei nomomento que asentir,minutosdepoisque afarejei e segundosapós emque a
vir, a minha libido de felino, era algo incrível e terrível, meus lábios se apeteceram de forma
demoníaca em fração de segundos, anestesiando o meu consciente. Tudo estava registrado e
consumido pelos os meus olhos, alguns manifestado estrategicamente sobre o meu ímpeto,
outros construídos linearmente sobre o meu ser imperfeito.
Aquiloeraalgo que se expeliade dentromim, sendoregurgitadocomoum vomito, um animal
com vontade própria, formatado sobre um biltre louco, um vil monstro que saliva antes de
devora a sua vítima, consumindo-se antes mesmo de destroça-la.
O meu serinteriordemostravaumprazer incomumsobre aquelapequenina,e o ensejode me
alimenta,devorando-aaindaestandoviva, consumiaomeuinconscientelúgubre,e comoa um
lobo que devora despedaçando o almoço para somente comer no jantar, eu planejava caça-la
ainda naquela noite.
Aquele docede meninadesfezacalmariaqueexistiaemmeucoração,e aemoçõesde abdicação
e rejeições que antes viajavam comigo, abandonaram-me, há coisas que não devem ser
acordadas, há cães que merecem dormir pela eternidade, existem animais que não devem ser
soltos. Mas eu já estava liberto nas ruas e sem as minhas coleiras.
A minha calmaria devia ter caminhando comigo, mais ela me desamparou, o silencio voltou a
sussurra obscenidades em meus ouvidos, influenciando-me maldosamente contra o que eu
desejava. Minutos depois desta intervenção maligna, o sossego que peregrinou comigo da
minha casa até o centro histórico, virou definitivamente as suas costas para as minhas
preocupações,omau agora estavainsolente e livre, podendoprotagonizaagoniasterríveis em
minha mente.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Momentos mais tarde e durante o percurso que eu tracejava silenciosamente pelas ruas do
centrohistórico, percebique algohaviamudadobastanteasminhasintenções,segundodepois,
e quase em uma fração de segundos, o meu lado animalesco, promiscuo e feroz, tomou-me
aindamais de acerto, um fato que há algumtempo,não habitavao meuser daquelaformatão
vil, algo ainda maior nascia dentro de mim, e eu não o controlava, definitivamente algo havia
mudado,e istoeraum tanto poucomaior, algomuitodiferente,masnadase parecia comoeste
ultraje, não com esta força, não como aquilo que se colocou em minha mente.
As dúvidaseram muitase o desconfortomaiorainda em minhamente vazia. Neste instante, o
vazio escuro, dominou a minha mente em questão de segundo, um gatilho assassino, se
manifestou novamente em mim, e eu a quis naquele momento, naquele instante, na mesma
hora, mais a minha maquinaria metal e maquiavélica se conteve para planeja o obvio, eu a
queria morta, deliciosamente morta em meus braços.
Em pouco minutos, sentir de imediato a pulsação de seu coração e a imagem de seus rins
deliciososmolharamaminhaboca e a minhacamisa a azul marinho,aquilofoi algoinusitadoe
frenético, meus impulsos a desejavam como ao inferno que queima.
Eu com certeza jamais saberia o nome dela, e mesmo que soubesse,não iria me importa, não
me dariao trabalhode saberquemsãoosseuspais,ouquemsãoos seusamigosde escola,seus
sonhos agora seriam meus, e os seus desejos acabariam soltos em minhas mãos.
A noite era de natal, mais o meu desejo era de ano novo, e quando sair de casa hoje, durante
estanoite fria,nãoplanejeioque estavapresteafazer,ela provavelmente me enfeitiçou,talvez
fosse umabruxaemum corpo infantil,e definitivamente,nãoqueria fazeroque estavaprestes
a fazer,mas a sua belezame levouaodesejo de tê-la, ela era a culpada pelo meu desejo frio.
Quando a vir sentada sobre aquele banco de madeira no largo da igreja do Santa Sé, pensei
entusiasmado,elanasceu paraserminha,adesejei decara,e comoumjogode xadrezaimaginei
morta e com uma flor de lis entre o útero e os pulmões.
Aquilo seria algo improvisado, um desejo mórbido do meu íntimo, um vulcão de lascívia e
vontade inanimada, ela era uma criança doce, adorável e linda. A minha mente trabalhava
rápido, e tudo já estava devidamente arquitetado, os seus cabelos pretose compridos seriam
devidamente amarradoscom os cadarços do meu tênis adidas,e as suas mãos ancoradas com
o meu cinto de couro preto, os seus pés ficariam presos a um nó dado com a minha camiseta
preferida, uma bela camiseta ilustrada com o rosto do meu pintor favorito, o mestre salvador
dali. Ele seria a única testemunha do que eu faria minutos depois naquela noite.
Em meu celular escutava uma bela música da banda legião urbana, os meus fones de ouvido,
transmitiam a canção dos deuses, enquanto eu ouvia Eduarda e Monica escrita por Renato
Russo,durante o trajetode perseguiçãoajovemfamília,eu ia planejandocadapasso de como
raptaria a jovem boneca de seus pais, tudo deveria ser realizado sem que ninguém visse o
sequestro,omomentoerapropicio,e caça erabelíssima,e comportariaorisco esperado,asua
pele amarronzadae pálidame convidavaaquelesuplicio,e quandoavirsorrirpelaprimeiravez,
fiquei loucopratê-la.Desejei-aimediatamenteemmeucoraçãofrio,euarasgariarapidamente
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DieghoCourtenbitter
com a minhanavalha,e adorariaver um últimosuspirodaquele sorrisosecoe alegre.Euestava
extasiado e em penumbra.
Aquela menina era o que eu queria, sim nitidamente eu a queria, ela devia ter uns nove para
dezanos,e as suas vesteseramconvidativas,elaeraa perfeição,magrinha,languidae comum
cheirode chocolate napele.Asminhas pálpebras e mãosestavaem êxtase,e asruasdo reviver
planejavam um caldo de morte iminente em minha mente, ela sem dúvidas seria minha.
Euseguiaocasal feliz,aqueladeviaserumafamíliapequena, recém-formada,mais infelizmente,
euadesejava, e provavelmentenaquelanoite,eudestruiriaasuabelaascendência.Observando
a felicidades daqueles estranhos, percebi que a desejava muita mais que antes, e suplicando
para o meuintimonãose envolveracintosamente comaminharefeição,euaensejava muitoe
com uma força destrutivamente furiosa.
Quandoolhei para a mãe da pequena,aimaginei indubitavelmente emsuafase adulta, a linda
garotinhaeraoespelhode suaprole, todaelaeraosdetalhesdamãe, coisaqueelajamaisseria,
caso o meu plano desse certo. A sua meninaesguiame deixavalouco,e quanto maisas horas
passavam mais a desejava.
Eles pararam em um quiosque para comer um cachorro quente, tomaram refringentes e
saborearam uma maça do amor, eu, no entanto, pedir para uma simpática vendedora em um
quiosque adjacente que me servisse um copão da cerveja mais formosa da ilha de São Luís, e
soletrando vagarosamente, expliquei que queria, a amarelinha do maranhão, a cerveja
Magnifica, a vendedora infelizmente tinha apenas a Bhama como bebida alcoólica, mas esse
tipo de cerveja, não me chamava mais a atenção.
Fui até o quiosque aonde o meu doce de chocolate estava com a sua família, sentei de costa
para elesnointuitode não ter contato visual e não chama atençãopara meucomportamento,
verifiquei que avendedoratinhaa cervejaque euqueria, mas elaestava envasadaemlatinha,
pedir quatro unidades e afirmei que consumiria tudo ali.
O vendosobra do mar para a terra e neste instante pude sentiro cheirodoce de minha deusa
infante. Ela era deliciosa e única e meu instinto assassino quis agressivamente consumi-la.
Respirei fundo e tentei ficar calma, a atendente me olhou de forma preocupada e temerosa.
Ela perguntou se eu estava bem e respondi imediatamente com a cabeça que sim, toquei em
um assunto qualquer e mudei o rumo da conversa, tentando aparenta sobriedade e
normalidade. Resolvi então tomar as quatro latinhas que estavam a minha disposição e pedi
mais quatro, talvez um pouco de álcool me deixasse livre e confortável para consumar a ato
mais rápido.
Eu esperavaum vacilodos seuspaispara me deixarde cara com ela,quandoissoacontecesse,
ela seria minha, e eu sumiria com ela pelas ruas do centro histórico. Os três se levantaram e
foram emdireçãoao paláciodos leões,euterminei aminhabebida,paguei donodo quiosque,
e fui atrás deles, mantendo sempre uma distância segura para não ser percebido.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Enquanto os seus pais fotografavam o forte dos leões, Palácio do Governo Estadual, nós nos
olhamosnosolhos,nãopanejamosaquele encontrovisual, e mesmode longe, elatambémme
desejou, ficamos uns dois ou três minutos, um de frente para outro, nos consumindo com os
olhos, estamosaumadistânciaconsiderada,massabíamosque osnossosolhosdesejamumao
outo, não sei porque, nem imagino o que foi aquele momento, mas ela se encantoupor mim,
virque oseusorrisocumprimentou omeu,e omeuladomaldosose sobressaio sobreabondade
da minha eleita.
A caça estavaprontae o caçador também, eusomente precisavade umaúnicaoportunidade e
de uma tola distração. O resultado seria unanime, afinal daquela noite ela seria toda minha, e
minha para sempre. Algo propício e feliz acabava de acontecer, aquele seria o sinal, o bom
velhinho trazia um presente, a tenção e tumulto que tanto desejava.
Um enorme boneco de Papai Noel agora chamava a atenção de todos no largo do Palácio dos
Leões,ele eraenorme e váriaspessoasdavamvidae movimentoparaoilustre anfitriãodadata
festiva. Inúmeras crianças, alguns poucos adolescentese vários pais, voltavam os olhos e os
celulares digitais para o gigantesco velhinho de roupas vermelhas e barba branca. Aquela era
sem dúvida a minha deixa para um rapto seguro.
O alvoroço entusiasmado das pessoas fez com que elas perdessem o sentido de vigilância, e
muitos pais ficaram desatentos e focados em seus fleches e fotografias, foi quando me
aproximei da bela menina e lhe ofereci um singelo doce, era uma maça do amor, uma muito
vermelha e bem caramelada, ela sorriu, e andando em minha direção me chamou de tio, e eu
sorrir de volta, e pegando o doce, ela me agradeceu, foi quando lhe estendi as mãos e sumir
com ela no meio da multidão.
A gritariae a corridatransloucadadaspessoasparateremomelhorângulodogigante de papel,
plásticos, cola e cordas favoreceu o meu sucesso. Ninguém viu ou percebeu o que acontecia
coma jovemcriançaque eraarrastadapormimemdireçãoaooutroladodarua. Muitascrianças
se perderam dos pais neste momento oportuno,mais eu naquele instante, queria apenas ela.
Minutosdepoisjáumpoucolongedolocal deondeapequei,ouvirolocutorrepetir váriasvezes,
que a mãe da pequenaAna Cristinaestavaa sua procura e que a mesmaa havia se perdidona
multidão.
Outros pais faziam a mesma coisa, e muitos conseguiram encontra os seus filhos, mais a
pequena Ana Cristina continuava perdida na multidão. Não sei se o nome da infante era este,
até porque muitosnomesforammencionadosdurante aoitivadomensageiro, masolocutora
anunciavabastante este mesmonome,nãoouvirdepoisde algumtempo, outronome durante
o percurso, talvez este fosse mesmo o nome dela, eu não sabia de muita coisa sobre a linda
menina, mais sei que sua querida mãe nunca mais a veria novamente.
Quando eu avistei mais a frente aquele casarão colonial abandonado, sentir que aquele lugar
eraum local perfeito,nossacaminhadahaviaterminado,euasufoquei rapidamente e de forma
leve e atenuante acoloqueisobre ochão,masnão a matei.Primeiramente euquiscontemplaa
sua face límpida, aquela inocência era algo único e corteja-la seria uma oportunidade ímpar e
surreal.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Depoisomeuinstintoanimalse deliciouintimamentecomapressae osabordelaeraalgoúnico
e sublime,depoisé claroque improviseie comohaviaplanejadoanteriormente,aamarrei pelos
pulsos com o cadarço de meu tênis, depois lhe fiz dozestranças em suas madeixas e em cada
uma delaslhe fizum broche com folhasde uma planta que havia no local, todaselasimitavam
oformatode rosas,depois nãovacilei lhe abriroabdomee usandoumcortadorde unhapessoal,
retire-lhe parte das tripas, arranque-lhe um dos rins e em seguida depositei no meio de seu
estomago, uma outra imitação de rosa que fiz com as folhas daquele mamoeiro.
Depoisde comer um de seus rins,deite-me aoladodelae aindaeufóricoe feliz,atrevi-meem
beija-la ardentemente, foram os dez segundos mais excitante e gostoso que já sentir, os seus
olhos pequenos pareciam deseja-me, mais como estava bastante irresoluto, levantei-me e
caminhei emdireçãoameucarro. O atoestavaconsumadoe umfimfelizalegrouaminhanoite
de natal.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo XI
Ana PaulA
Minha 7° VitimA
Eu era uma vítima dos meus próprios desejos, um carcereiro de minha mente doentia, um
flagelo do meu insano comportamento, um paciente de minha própria insanidade biltre e vil.
Mutiladopor minhas praticas desumanas,tentei pormesestirara minha própriavida,mas me
matar, não parecia um grande desafio, não tinha emoção e todas as minhas tentativas
afundavam em um fracasso desmotivador.
Tudo parecia obvio demais para o meu existencialismo mórbido, nada era mais fácil do que
arranca a vida de uma outra pessoa, seria o mesmo que arranca de mim o que eu queria dos
outros.Apósquatroanos de inatividade, longedoscasarõescoloniais,longe docentrohistórico,
e longe de meusdesejos,tudojaziadoente e frio.A minhavidaresumia-se aestátrabalhando,
estudando e bebendo, as vezes visitava um bar bacana, em outras recorria a um mesmo
prostibulo, a vida foi ficando sem cor, viver foi ficando sem graça.
Os quatros anos sem matar ninguém me ajudou a manter a polícia afastada, as motivações
desconexase inconclusivasme tiravadalinhahorizontalde suspeitos,nadame ligavaaoslocais
dos crimesou as mulheresque eumatei,a mídia me chamava de assassinodasflores,ou de o
assassino das flores do mal, os meus crimes tomavam proporção nacional e até internacional,
mas felizmente não havia nenhuma pista sobre a minha identidade, isso era bom, então foi
preciso me afasta das mulheres e me manter livre e no anonimato.
A minha mente ficou longos anos trancafiada em sua própria prisão federal de segurança
máxima, os meus pensamentos demoníacos me faziam de escravo dentro do meu silencio
existencial. Um terror fúnebre assombrava a minha alma conturbada e os milhares de
pensamentos torpes explodiam pelos os meus poros indeléveis e sádicos.
A morbidez me encantava, maiseu gostaria de estar livre, fazendo o que mais gosto de fazer,
mata pessoas. A minhamentedesejavaumasóAnaparasaciaros meus fiose navalhas.A muito
tempo que não sinto o gosto de sangue, e isto me atormentava.
Faltava apenas dois meses para o termino de um curso de pós-graduação que eu inicie a dois
anos atrás, o meu trabalho de conclusão de curso estava no fim e todos os alunosplanejavam
uma festa para comemora mais uma formação, era uma espécie de baile de formatura.
Haviamuitagente bonita,comidaavontadee bebidaaté otetodobar,durante estesdoisanos,
não me envolvi com ninguém, e mesmo que eu quisesse, essa pessoa estaria morta. O dia
finalmentechegou,acasa de showsque foi alugada para o eventoestavamuitobemdecorada
e elegante.Todososhomensestavamde fraque e sapatospretos,as mulheresvestiamlongos
vestidos,umamaislindadoque aoutra.Pareciaumacompetição,maistodaselasse entendiam
no seu rol de invejas e desejos.
A vontade de mata o meu carcereiro interior era enorme, mais fugir da prisão com um bale a
algumas horas de seu início seria uma loucura e um descuido amador. A polícia teria muitos
motivos para investigar cada aluno, e isso seria péssimo para quem deseja sempre está livre e
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
caçando. Asminhasintempestividadesinsanasdeveriamsercontroladas,maisosilenciosempre
se desfaçava de uma bela mulher para me atormentar o juízo e as minhas carências.
Um demônio mirim saltitava alegremente dentro do meu crânio, as dores de cabeça
aumentavam enquanto eu bebia um Martini 1981, o infante demoníaco delirava com a
possibilidade de liberta-lo, um fato que soava como permissão para mais atos insanos.
Um crime dentro da faculdade chamaria muito a atenção, e as câmeras e o amontoado de
pessoas seria uma ingerência e descuido. Enfimo DJ colocou música para esquenta a festa, os
homens eram a maioria, bebidas eram um chamariz para a embriagues e libertinagem. Todos
nós queríamos encher a cara e se tivéssemos oportunidadesfaríamos sexo com as meninas
naquela noite.
O baile estavanoauge de sualoucura,todosestavapresentee muitobem vestidose animados,
havia cervejas apenas nas mesas dos homens, isto é, na mesa de alguns homens, pois alguns
eram evangélicose muitoresguardados,algosemelhante observadonamaioriadas mulheres,
maioria era evangélica.
Mais o pecadoé algoque todoscometeme estamostodossujeitosafazermospelomenosuma
vezna vida,háumdemônioe umanjopara cada servivente naterra,somostodosumaespécie
de anjose demôniosdenósmesmos,estandodecertaformafadadosapecare aerraemalguma
fase de nossa existência.
Foi então que um demônio interior tomou as rédeas de meus pensamentos e das minhas
emoções,euhavia planejadoalgopara dar uma esquentadanosânimos,o ponche era a única
bebidamaispróximode algoalcoólicoque asmeninasestavambebendo.Etodaselasestavam
com osseuscoposcheiosdisso.Entãosuborneiogarçom, comprei doislitrosde Vodkae resolvi
batiza o ponche do baile de formatura.
O serviço estava pronto, agora eu esperaria pacientemente o efeito da bebida, o resto da
história, eu saberia contar ao fim desse jogo de cartas, o fato do que fazer depois com os
resultados seria algo fácil e confortável.
Uma delasseriaminhaaquelanoite,umdessessorrisos teriaaminhapinturaeternizadasobre
o seucorpo. Mais quemeuescolheria,quemestaria àaltura de ser maisuma de minhasflores,
quemserviriade telaparaaminhamoldura.Felizmente paraomeuprazerdemoníaco,istonão
seria um grande problema.
Quandovoltei dobar fui surpreendidoporAnaAlicia, elaeralindíssima,comtraçosfinos,rosto
afinado, boca carnuda e muito simples e delicada, tratava-se de uma menina-mulher muito
educada, risonha e simpática, um amor de menina. O som ao fundo, uma música muito
românticafoi omotivopara que elame puxasseparadançar.Confessoquefiqueisurpreso,mais
fiquei feliz,poiseunão teriao trabalhode escolherninguémparasera minharefeiçãonaquela
noite,poisaminharefeição veiode bandejaparao meu deleite.Eunão pude escolheraminha
candidata, pois a minha eleita me escolheu.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Elaestavadecididadoque queriacomigo,poisnãodemoroumuitoaté elame beijare me deixar
semfolego. Aquiloerainusitadoe um tanto estranho,passamosdoisanos dentrode uma sala
de aula,convivendojunto,realizandotarefas,fazendotrabalhose nuncahaviame faladonada
sobre o que acabava de ser feito. Os seus beijos eram ardentes e muito firmes, seus olhos
fechados ao me beijar, denunciava que aquele sentimento era antigo e verdadeiro. E quando
me agarrou forte pelacintura,tive a certeza que as suas emoções eram reais e muito correta.
Quando voltamos a mesa, todos nos olhavam de forma intrigante e também perplexos com o
que acabou de ocorrem diante de seus olhos. Afinal eu e a Alicia trocávamos pouquíssimas
palavrase raramente estávamosjuntosou conversávamos.Aquiloeraumadoideiracompleta,
não haviaumaexplicaçãoracional paraoque aconteceucomagente nomeiodosalãodo baile.
AnaAliciaeraoque chamamosaqui emSãoLuís doMaranhão de umavara paude mulher,uma
fileira de Anajatuba, uma potranca graúda, uma poldra, uma mulher gigante e bonita. Eu por
um outro lado, era modesto, mirado e muito magro. Não era uma perfeição de homem, mais
também não era de se jogar fora.
Eu a deixeiemsuamesa,junte-ascomassuas outrascolegase fui para a minhamesa,os meus
amigos ficaram entusiasmado e felizes comigo. A missão agora era junta esta coisa boa que
aconteceucomigocomaexpectativade tornaalgoirreal emreal tambémparaosmeusamigos.
A operação juntar mesas estava sendo arquitetada, um plano infalível, igual ao do cebolinha,
estava sendo amarrado no clube do bolinha.
Mas nada dissofoi preciso,a própria Ana Aliciaveioaté a nossa mesae nos convidoupara nos
juntamosa elas.Eramseismulherese seishomens,umtime estavasendoerguidoe eujátinha
a minhaparceira.Faltavaa molecadase arranjar,maisissoseriasomente comeles,e porconta
deles.
A noite foi se alongandoe oscasaisaospoucosforase formando,faltousomenteAlex e aPaula
se ajeitarem como casais e uma música deu um lance para que eles fossem jogar. A pista de
dança era mesmo magica, os dois voltaram com as mãos grudadas e juntinhas.
Em nossamesa ouvia-se muitosestalaresde beijos,copossendocheiose barulhosde garrafas
vazias.Asconversasaumentavamde volume e asrevelaçõeschocavamosformandospeloteor
e pela gravidade do assunto.
Uma das meninas resolveu quebra o gelo das conversas picantes e decidiu ser alvo e foco de
suas próprias histórias, subiu em cima da mesa, puxou o vestido logoaté os joelhos e dançou
funkpara todosnósem ritmoagitado.Obalança de bundaera algoexcitante e lascivo,alémde
empolgante é claro. O álcool era um demônio necessário, finalmente as margaritas faziam
efeito, o ponche turbinado a Vodka fazia o seu trabalho. Todas elas estavam aparentemente
bêbadas e muito loucas.
Um casal a minhafrente estavaapontode transaali mesmonosalão,elesestavamaltodemais,
a Vodkahaviaextrapoladoa cota de sangue por litrode álcool,elasimplesmente masturbouo
nosso amigo na frente de todos. Depois ela sentou em cima dele, e rebolou sem calcinha em
cima de seu pênis. A festa havia chegado a seu ápice.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Um de nossos amigosresolveuparacom a brincadeirada funkeira,algoque a deixoubastante
irritada,não impedidoque elasubisse novamenteamesae fizesse algoduasvezespiordoque
antes.Os beijoseramcoisaparaamadores,a nossamesa haviaevoluídoparao sexoexplícitoe
a minha companheira não ficou para trás, foi para debaixo da mesa e escondida pela toalha,
puxouparajuntoda mesaa minhacadeirae abrindoaminhacalça,iniciouumsexooral animal,
ela me chupava como uma louca desvairada, e os seus engasgos me preocupavam em suas
inúmerasfaltas de ar. Ela nuncaimaginariaque ummagrelocomo euteriaum pênis tãogrosso
e comprido, uma combinação perfeita para quem adora chupar e engasgar.
Dezessete minutos depois,algoaindamaisloucoestavapreste aacontecer,a maluca embaixo
da mesa,virou-se de costa,colocouabundapara cima,enroscouas pernasemminhacadeirae
encaixou a bunda em meu pênis. Ela cravou o seu ânus em mim como um parafuso e
enroscando-se emmimde formainsana, sacava-se contra o meupênisde maneirafrenéticae
repetida. Uma imagem senão louca, mais talvez muito desvairada e prazerosa.
Horas mais tarde estávamos no banheiro, e tudo o que podia ser feito de ilícito e sexual, foi
realizadocomexatidãoe perfeição.EununcaimaginariaqueAna Alice fosseumanimaldosexo.
Nunca imaginaria tais sandices com aquele rosto lindo. Ela era um demônio em um corpo
angelical.
Infelizmente para o meu deleite, não poderia matá-la, ficaria obvio demais, eu retardaria o
oficio, e deixaria a sua morte para um outro dia. A funkeira serviria para aquele momento
oportuno, mais se não fosse viável, também abortaria a missão impossível. Uma outra vítima
seria viabilizada e isso não passaria de hoje.
O banheiroserviude motel e a laje da casa de showsserviupara comtemplarmosasestrelase
fumarmos uns cigarros. Um ciclo foi fechado, a aulas estavam encerradas e a noite estava
acabando.
Aproveitamos para dormir um pouco, afinal transa naquelas condições e de várias formas
possíveis, cansa e nos leva ao sono. Horas mais tarde eu estava em casa e sinceramente não
sabiacomo e quandocheguei.Algumasligaçõesde AnaAliciaestavamentupindoaminhacaixa
postal.As mensagensfaziamalusãoa meuparadeiro,AnaAliciaafirmavaque acordou sozinha
na laje e que ficou preocupada comigo pois não me achava na casa de shows.
Eu respondi que estavaemcasa, maisnão me lembravade como vimembora,perguntei se ela
estavabem,ela respondeuprontamente que estavaótimae me agradeceupelaótima noite.E
mandandobeijose milhõesde cheiros,perguntouquandoagente iriase encontranovamente,
eurespondi que aindaessasemanaeuaveria.Disse quesentiasaudadese adoreiestacomoela
nesta noite.
Ela mandou umasimagenscom carinha de felize terminoua mensagemcomum “eu te amo”.
Mais uma vez fui surpreendido e cauterizado por esta incrível mulher. Realmente eu nunca
esperei issodela,masafinal estamosaqui para viver,então,vamosvivertudoque se tempara
viver, já dizia o meu amado Lulu Santos.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Maisalgoestavamuitoerrado,observeiquequandofui escovarosmeus dentesvirpeloespelho
que as minhas roupas, rosto e mãos estavam sujas de sangue, ao retorna para cama, notei
nitidamente que ela estava alagada com um sangue que não era meu. Tomei um banho
apressado, fizumarápidavarreduraemmeucorpoe notei quenãoestavamachucadoouferido.
Literalmente algo muito errado aconteceu ontem no baile, o sangue não era meu, e se estou
com sangue emminha cama, issosignificaque o corpo de alguémestáaqui. Procurei por toda
a casa e não achava nada, o chão estava limpo, os meus moveisestavam intactos, somente a
cama estavada forma que a encontrei.Maisisso não faziasentido,elatinhaque está aqui em
algum lugar, fui para o lado de fora da casa, procurei na lixeira, vasculhei entre os cantos da
casa, vasculhei por cada buraco desta casa e nada, fui até a caixa d´água, ao tanque de
armazenamento e até cisterna.
Algo de muito errado havia saído do meu controle, como existe sangue emminha cama e não
possui nenhumcorpo.Eu precisavaficarcalmoe pensar,o que eufaria depoisde comer,afinal
se aminhabocae omeurostoestavamsujos,existe agrande possibilidadedeterme alimentado
dessa pobre mulher. Agora por que eu não me lembro, isso não faz sentido, se alguém aqui
deveriaestá morta e sei que não está, é Ana Alicia. Ela está bem viva e muito viva pelo jeito.
Definitivamentetenhoque beberalgo,somente umaVodkaouumacervejageladavai metrazer
calma, isso não poderia ter acontecido, foi um erro, isto foi uma falha terrível. E o inusitado
aconteceu, algo chamou a minha atenção, pingos de sangue molhavam o chão de minha
cozinha,as gotas vinhamde minhageladeira,ao abrir a porta, um ar frio e mórbidosobroude
dentro dela em direção a meu rosto, e de uma forma clássica, observei o que podia ser obvio,
havia uma mulher inteira dentro de seu compartimento, ela estava exprimida, socada e
possivelmente desmembradae quebradano fundoda minhageladeira,oseu crânioestava no
congelador e os seus pés e mãos estavam na gaveta de verduras.
Era a Ana Paula,a reconheci pelolaçode fita amareladoemseu cabelo.Puta merda,o que eu
fiz. Infelizmente aquilo havia se extrapolado e tudo havia saído do meu controle, eu não
lembravade nada. Istosignificava que alguém estava no controle de tudo, e não era mais eu.
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DieghoCourtenbitter
Capitulo XII
Ana LeticiA
Uma Vítima de Meu AmoR
Minha 8° Vitima
Quando eu era criança, adorava o cheiro que o jardim da mãe exalava, os girassóis amarelos
eram as floresmaisbonitas,as maiscoloridase as mais lindasentre todas as outras floresque
elahavia plantadoem nossoquintal.Foi com ela que aprendi a plantare a gostar de jardins,e
era isso também que me fazia esquecer das surras cotidianas e dos castigos noturnos que ela
me empunhava severamente após as missas dominicais.
As surras e torturas eram para expurgar as minhas travessuras de menino levado, mais na
verdade era elaquempraticava sandicesforade seumatrimonio.Elaestava empecada com o
padre Gregório,mas era a mimque elapunia,meupai viajabastante a trabalho,não sabia das
aventurase desventurasdeminhamãe,noentanto, eudeveriacontarameupai oqueacontecia
noquintal de nossacasatodasasquartas, afinal eleconfiavaemmim,eleacreditariaemminhas
palavras, mas eu não queria que uma separação abrupta acabasse com a nossa família, então
eunão podiadesaponta-lo,nãodeveriacontaraele oque acontecianaquelacasaenquantoele
viajava,seriademaisparaele,e nadame fariamachuca-lo,mesmosabendoque aquilotambém
me machucava.
Eu tinhapoucas alegrias,e uma destaalegriasera uma vizinhalindaque moravado outro lado
da rua. Sua casa não tinha tantas flores, tantos moveis,tanta fartura, e nem tantos quadros e
objetoscaros, quantotinhaemminhacasa,maisemseularexistiaoessencial,elatinhaoamor
dos seus pais, ela tinha a vida que eu queria ter.
AnaLeticiaeraumalindavizinhade dozeanosquandoeume apaixoneiporela,eutinhaapenas
nove anos de idade,maiseu já sabia a dor que o amor nos suplantaquandosomos rejeitados.
Lembromuitobemde umaquinta-feirachuvosade fevereirode 1981,foi o diaemque eudisse
a ela que eu estava apaixonado, mais ela me renegou. E assim como aquela chuva terrível de
fevereiro, eu chorei de forma temerária.
Fiquei imóvel em meu quarto por três dias inteiros com a sua negativa, permanecendoinerte
durante semanas sobre o intervalo de sol e lua que se sucediam em nosso vilarejo. Foram 14
diassemter comandode minhavida.Eu sofri pormesesemfrente àcasa delaaté que a minha
mãe percebesse o meu sofrimento.
Os dias naquele quarto e os mesesde vigia emminha janela nunca foram tão dolorosos como
aquela quinta chuvosa de fevereiro, depois da negativa, fui incapaz de sair do meio da rua, e
mesmo com a chuva caindo sobre mim, não quis abandonar a minha esperança. Foi a minha
mãe quemme tiroudebaixodaqueleaguaceiroterrível, e foitambémnestediaque quasemorri
devido à forte tisica que atacou os meus pulmões. O dia foi horrível, a chuva era bonita, o seu
cheiro de terra molhada estava em minhas narinas, mais eu sobrevivi.
Aquele foi umdiatriste paramim,e até então,eunãosabia o que era este sentimento,seique
foi triste, porque o meu olha diante do espelho, foi o mesmo olhar que a minha mãe fez para
mim, quando eu aos quartos anos de idade,matei por estrangulamentos dois pobresgatinhos
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
que achei abandonados no mercado das tulhas. Até hoje não sei por que ela ficou triste pelos
gatinhos, sei que amei fazer aquilo que dois acinzentados.
Eu lembromuitobemdaquele dia,minhamãe me disse que correuatrás de mimpor cinco ou
dez minutos, enquanto ela gritava chorando para que eu largasse os gatinhos, mas eu não os
larguei, e quandoenfimelame alcançou,foi difícil solta-los,minhaforça,disse minhamãe,era
algo sobrenatural, algo absurdamente forte,mas eu a olhei feliz, e com os gatos na mão, e já
mortos e com os corpos balançado como pêndulos, apenas sorrir.... E repetindo algo que ela
não queriaouvir,continuei fazendoogestoinsano,sementenderaofinal,que oque elaqueria
mesmo era que eu os soltasse.... E sorrindo continuei falando.....
- Olha mãe....
- Veja como eles estão dormindo......
- Viu.....
- Eles estão dormindo.....
- Não fique preocupada....
- Eles estão dormindo......
- Eu os pus para dormir....
Enfimossoltei...Masagoranadaimportava... Omal jáestavafeito,osgatosjáestavammortos,
estaporemnão foi aminhaúnicaatrocidade,lembroquedepoisde termatado,algunspombos,
uma dezena de lagartixas, e até alguns de meus coelhos de estimação, fui convidado a me
resignar. Após estes vários episódios foi encaminhado a vários psicólogos e psiquiatras, tomei
váriosremédiose até tomeichoqueselétricos.Masnadame curou,pelocontrário,voltavacada
vez pior e ainda mais malvado. A minha alma parecia presa em outro lugar, eu tinha quase
certeza que ela não habitava mais o meu corpo, e apenas o frio me fazia companhia.
A minha última insanidade infantil, foi ter cortado a sangue frio da garganta até o escroto, o
cachorro da minhaoutra vizinha,elaerauma lindagarotinhaque moravaa meulado,e aquele
cachorro eraa suaúnicaamiganaquelavida.Todosé claroficarammuitoassustados,e foi assim
que o padre Gregório entrou nas nossas vidas, bem como na vida de minha mãe.
Neste dia vir que a minha mãe estava triste, e a sua tristeza não era por causa dos gatos, das
lagartixas,docoelho,oudocachorro morto,mas suatristezaera porcausa do sorrisosoltoque
brilhava em minha face e da felicidade que habitava o meu corpo.
Muitas rezas,muitasvigílias,e muitosexorcismoforamfeitossobre mime sobre nossa casa, o
padre Gregórioestavacertoque anossacasa,bemcomoomeucorpo,achoque ambos estavam
possuídos por um demônio muito antigo,mas eu não acredito em Deus ou em Demônios, até
por que eu sou ambos, sou muito pior que os dois.
Sei que fui cruel, e estes pequenos inocentes animais, não mereciam aquilo, muito menosos
doisgatinhosque esfoleinafeiradastulhas,apesardelesdoisseremasminhasprimeirasvítimas
fatais, eu tinha certeza do que fazia, apesar de ter quatro anos nesta época, a felicidade se
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
parecia com o que eu fazia, ou seja, matar, apenas tira vidas, ou dominar vidas. Mas
sinceramente, no fundo do meu ser, bem no fundo do meu ser, aquilo me deu prazer, mais
muitoprazermesmo.Sentiravidadeixaroscorposdaquelesdoisgatinhos,foi algoúnico,e ver
a alma deles escaparem pelos seus olhos, me deu um imenso deleite lascivo.
Infelizmente a minha mãe não ficaria tão triste comigo, ou com este assunto mórbido, se ela
soubesse de um outro terrível segredo que eu escondia, algo que só eu sabia, uma dor que
somente eu sentia, um mistério turvo que envolvia um homem inescrupuloso e a sua amada,
esquia e comprometida irmã.
Uma tortura afiançadaemfamília,umaconvulsãomental realizadaempares,omeualgoz,vivia
dentro de minha casa, almoçava comigo, e até colocava-me para dormir. Ela era a minha tia,
sangue do meu sangue, carne da minha carne e amor do meu desamor.
Ela simplesmente abusava de mim desde que eu tinha três anos de idade, os abusos somente
terminaramquandocompletei treze anos,masmesmopara uma criança de três anos,ou para
um adolescente de treze, ver a sua tia abusa-lhe sistematicamente várias e várias vezes,e de
todas as formas e maneiraspossíveisé algo inimaginável,sexoé umacoisa boa diziaelacom a
línguaemmeuouvido,mas omeuoutroalgozgesticula, temque teridade parapraticar,e idade
ele ainda não tem, minha querida.
Essa outravozque sussurravaemminhaoutraorelha,erade umhomemque deveriaserumtio
postiço,e que simbolicamente,deveriacuidar de mime não me flagelar. Elame compartilhava
com este homemterrível,umapessoaaindamaiscruel e maissádicodoque ela,umdepravado,
um monstro horroroso, um causador de ojerizas usurpadoras, fator que até para mim, apesar
de ser hoje o que sou, tornou-se uma dor carregada demais para suporta, algo um tanto
grotesco, senão exagerado em seu contexto doentio.
Sei que nadadissojustificaoque fizaminhabelavizinhaAnaLeticia,tambémsei queaquilonão
foi nada altruísta,aquele atonão era nada infantil e eunãoera tão inocente,nemtinhadentro
de mim, nenhuma inocência.
Quandoa atrair para a praça do Panteon, entre as proximidadesdaPraça Deodoro,eujá sabia
o que fazercom ela.Fizo que deveriafazer,disse que oEzequiel aesperavapróximoaobanco
de madeira, aquele era o único banco que estava longe da avenida principal e perto da rua do
mangueiral.
O mangueiral eraumaruaisoladae escura doantigocentrohistórico,umpedaçodacidade que
ficavapróximo aumaantigacasa abandonadapertencentesaosMontelose Azevedos,onde os
adolescentes e jovens que moravam no centro, ou em bairros próximos, usavam as suas
dependências para namora e fazer intercursos sexuais.
O fato dela ter me rejeitado, apesar de sua bruta negativa, eu ainda falava com ela, ainda a
amava, sempre estavacontato,e sabiade todosos seussegredose namoros.Onamoro que os
doismantinhamasescondidasnãoeramistérioparaameninada daruadosremédios,maispara
os mais velhos, como os nossos pais, haviam segredos que nunca chegariam a seus ouvidos,
nada seria descoberto, até que um buxo embrenhado apareça para acabar com a brincadeira
noturna. Isto sim era algo certo.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
E como a irmã pequena do Ezequiel era um pretexto para eles se encontrarem as escondidas,
não foi difícil convence-la de ir ao encontro que ele possivelmente programou.Afinal eu tinha
nove anos de idade, e todo mundo acredita e tem fé em uma criança de nove anos de idade.
Quinze minutos depois a surpreendi no banco de madeira, ela se assustou bastante, mas
conteve-se ao perceber que era eu e não a sua mãe, ou mesmo o seu pai, mais ainda assim
assustou-se comaminhafeição,todostinhammedode mim,aliais,quemnãoteria,que criança
abre barriga de um cachorro, rasga um coelho ao meio, mata gatos inocentes, brica com
pássaros mortos, ou esquarteja um bezerro com aquela extrema perfeição. Após curtos
segundos de resignação, ela respirou fundo, e voltando-se para mim perguntou....
- Mas.... O que você faz aqui......
- Sua mãe deve estar preocupada.......
- Você devia estar na missa com ela......
- A missa da igreja dos Remédios está para terminar......
- Volte para a praça Goncalves Dias.....
- Volte para brincar com as outras crianças.....
- Cuide.... volte logo...............
E ainda sem dizer nada, apenas contemplei os seus belos olhos amendoados e soltos, aquele
seu vestidinho branco, aquelas rendas afrouxadas e os seus belos cabelos lisos, apenas me
lembravam do lindo jardim de minha mãe. O cheiro que ela exalava era igual, era como os
girassóis amarelados, como o jardim, como todas as flores do jardim. Seu perfume era algo
angelical. No entanto, somente uma coisa me causava um asco terrível, eram aquelas fitas
amaradas em suas madeixas, ela denotava-me as feições claras e cruéis de minha tia
assediadora. Mas não quis chateá-la com os meu traumas e disse-lhe exatamente o que ela
queria ouvir.....
- Sim, a minha mãe estar na missa.....
- E depois ela vai para reunião da quermesse com o padre Gregório.....
- Não se preocupe comigo......
- Eu estou bem......
- Venha comigo.......
- O Ezequiel a espera atrás da casa abandonada......
- Ele me pediu para lhe leva até lá......
- Venha comigo.....
- Cuide.....
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
- Venha logo.....
- Ande Ana.....
- Não se demore.....
Eu quase não acreditei,maselame seguiu,minhainterpretaçãofoi perfeita,e amissana igreja
contribuirparaque apraçaDeodoroestivesse vaziahoje.A igrejadosRemédiosficavaaalgumas
quadras de distância da praça Deodoro, mas o povo adorava perambular por ela quando não
havia missa no Largo dos Remédios.
Eu não perderia tempo, faria o que deveria fazer, executaria o meu plano sádico, e ainda hoje
elamorreriaemmeusbraços.Quandochegarmosno meiodacasa abandonada,tratarei de me
perder,e irei me esconderemmeioaescuridãoda construçãoantiga a mata alta e fechadame
ajudará,minutosdepois,elasentiu aminhafalta,euachamei váriasvezespelonome,masnão
me apresentei,euqueriaassusta-lanovamente,aquiloeracruel,elaaté procuroupor Ezequiel,
chamou pelo nome dele várias vezes, mas eu sei que ele não iria aparecer.
Mas para a minhadoce vontade de ama-la,e para a sua péssimanegativade me renegar,eua
matarei hoje, e golpeando fortemente bem na nuca, fiz com que ela tombasse, aquela pedra
grande fezumestragogiganteemseucrânio.Eoseusanguelogojorrounagramaverde,e como
a uma mangueirad´águaque esguichaváriasvezes e emmuitasdireções,tenteifechaaválvula
que estancaria o amontoado exagerado de sangue, mais não conseguir, entãodeixei fluir, um
rio inteiro saia de sua cabeça, um riacho pleno de puro sangue.
O sangue apenasfluíacomoumrio,suas aguaseram intermitentese perenes,tinhamumcurso
único,umatrajetórialinearde umquaseamor.Virquetudoaquiloeraigualaojardimque existia
no quintal de minhamãe, tudofluía vivo,como a um córregode água, como a um enorme rio,
somente o perfume das flores não existia naquele local, mas isso não me tiraria o prazer.
Aquiloeraestranho,inusitadoe lascivoparamim,maseume sentirfeliz,agoraelaestavainerte,
agoraelaestavasemvida,masmesmoimóvel esobre ochãosujoe rasteiro,euaindaadesejava.
Mas enfim,nãofoi como eu queria,mas aindaassim pude beija-la,pude toca-la,pude ama-la,
mesmo que por alguns minutos.
A minha parafilia era algo inusitado e muito exógeno, as vezes esse sentimento me causava
felicidade,asvezesme traziador,asvezesdesejoslascivos,emoutros sofrimentos,maismuitos
eram apenas condução de horror. Havia dias que eu molhava a cama, em outros que brincava
com fogo, e estando frustrado recorria a suicídio. Este último era inútil, eu tinha coragem o
bastante para tirar uma vida, mas não para tirar a minha própria vida.
Lembroque neste diafiquei cincoa dezminutosa seu lado,contemplei oseuestadomórbido,
suacondiçãoefêmera,masosseusolhoseramlindos,mesmosemvida,eramtênues.Mascomo
a vida não é completa, e como tudo nela, torna-se algo efêmero, logo perdi o interesse pela
lindamenina.Emesmosemterapegoamorte me despedire fuiembora.Elafoi omeuprimeiro
amor, a minha primeira primavera, a minha primeira vítima e desde então não parei mais de
matar, sempre querendomais,sempre querendoter AnaLeticiabempróximode mim, sempre
querendo mais dela, as vezes um pouco ou até mais do que hoje.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo XIII
As Bonecas Incrustadas dos Casarões Colônias
Uma Coleção Indiferente
Um Eternidade em Paredes
Ana Maria poderia ser a minha oitava vítima, mas não era, em minha contabilidade
esquizofrênica,elaentravaemumaoutranumerologia,naverdade emumacoleção,contadae
documentadaforade minhascaçadas. A doce virgemem minhasmãos,era a minhamaisnova
bonecade coleção.A belaMariaerauma lindameninade cabelos encaracolados,olhosmeigos,
pele macia, mãos pequenas, dedos singelos, lábios grassos, queixo arredondado, bochechas
rósease umacor de pele linda. Umatonalidade de pelemaislindaque jáviremminhavida. Ana
Maria era uma negrabelíssima.Masera uma penaque a morte descolori tudooque é bonitoe
efêmero.
Em todos as noites que sair para caçar ou que simplesmente sair para colecionar, esta foi a
jornadaou passeioque semdúvidamaisme possibilitouumsentimentode satisfaçãoe alegria,
algotão diversoe harmoniosoemmeioatantoexercíciogloriosode trabalho.Issoinclinavaem
mim uma ansiedade egocêntrica volvida a um lirismo dionisíaco, um fato que massageava a
minha insanidade bélica junto a pueril habilidade de mata sem culpa.
Essa garotinha de pele parda me fez ter hoje uma nostalgia e sentimentos a muito tempo
esquecidos em minha peculiaridade de menino e infante, lembrei de minha primeira paixão,
aquelaque me fezsentirummeninode verdade.A mesmasensaçãoque tambémtivedaminha
primeira vítima rasgada pelas minhas doces navalhas.
Embora estálindacriatura que hoje estáabsorta sobre o meuchão me gere bonssentimentos,
sei que ela nem de longe poderá substituir o amor que tenho pela doce Ana que morava em
minha pequena rua. A imagem da praça velha, cheia de palmeiras, vem como vendaval em
minha mente. A rua em que morei na minha infância não somente se materializou em minha
frente,comotambémproduziuocheirode terramolhadaque achuva salpicavaemmeurosto.
Apesar da situação efêmera e atípica o momento era gostoso e nobre.
Ana Maria tinha apenas oito anos de idade e mesmo sendo tão novinha, ela tinha todas as
qualidades de uma menina bem-nascida e vivida, sua beleza era algo único, e a textura de sua
pela era muito peculiar para uma cidade como São Luís. É o Maranhão tem promessas que
somente oscéus podemprovercom as suas chuvas e este chão sempre me surpreendemcom
os seus docese petiscos nascidosde seuprópriochão. Aquelagarota era tão singelae tão rara
que tinha pena em devora-la com tanta rapidez, mas as noites não duram para sempre e não
posso ter o luxo de demora neste lugar, não posso ser presa fácil para as autoridades. Devo
continuar com o ritual, não há espaço para mudanças ou falhas nos procedimentos de caçar.
Minutosapóster jantadoe depoisde terme saciadodevidamente comaminhabonequinhade
luxo,percebi que aquele espaçoeraalgofamiliare comum para a minhasanidade temporária.
Este casarão colonial jápossuir uma boneca minhaem suas paredes,está que está aqui, neste
sobrado é a de número três, e o meu jantar de hoje, que está comigo, será a de número sete,
mas elanão pode sereternizadaaqui neste espaço.Então aonde asepultarei.Infelizmentenão
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
pensei antesde vimparaeste prédio,apenasquisme deliciarcoma minhaAna Maria, a minha
querida e suculenta menina.
As ruas devem estar abarrotadas de viaturas de polícia e não posso me arriscar em sair deste
prédiocomocorpode minhajovem boneca. A fachadade umalargasacadame levaaopassado
e reconhecendo aparedeemminhafrenterecordo-me dequemelepertence.Aqui estáaminha
terceiraboneca,a minhaqueridaAnaLucia. Uma jovemruivade sete anos.Eu a sequestrei em
uma praça do bairro da liberdade em 2003.
Lembro-me perfeitamentecomoasurpreendiemsuadoce caminhadaaté ocomercio dobairro.
Estacionei o carro vagarosamente próximo a venda do seu João Guilherme e observando que
estavasozinhonarua,viraoportunidade perfeitaparaataca-la,osol estavaatodopino,ocalor
era algo quase insuportável, aquele era um meio dia escaldante e terrível, eu tinha que
intercepta-la antes que ela entrasse no comercio, essa seria a chance perfeita e sem muitos
erros, ofereci a meninaumpirulito cabeçãode sabor cereja. SeuJoãosempre assistiatelevisão
neste horário, um fato que me ajudaria e não levantaria testemunho e suspeita.
A isca tinha sido lançada, agora tinha que fisga-la rapidamente, a criança sorriu alegremente
com a minha oferta e vindo tacitamente em minha direção, colocou o rosto junto a porta do
carro, disse-lhe entãoduasoutrêspalavrascurtas e agradáveis,certifiquei-me novamenteque
estava realmente sozinho com ela e vir que a rua estava vazia, sem vacilar ofereci o doce
novamente, instigando a menina que colocasse as mãos e o braços para dentro do carro.
Quandoenfimconseguioque queriae vendoosseusdoisbracinhosfrágeisparadentrode meu
carro, a pequei pelo braço fortemente, puxei-a bruscamente para dentro do meu veículo,
tampei a sua respiração com um lenço molhado, embebido com amoníaco, e estando
desfalecida a jóquei para o banco de trás do automotor.
Minutosdepois,estavacomomeu prêmio, perdidamente apaixonadopelasupressãode minha
boneca, o ato foi inegavelmente infalível em seu processo. A ruptura ocorreu com um êxito
implacável. Neste momento estava em um casarão colonial antigo, devorando-a alegremente
nas duas horas que se seguiram depois sequestro.
Eua sepultei comcimentoe pedras decantarianeste espaçodestaparedeaexatamentedezoito
anos atrás. Ninguém até hoje sabe o que realmente aconteceua jovem menina, muito menos
se sabe aonde elapossaestardepoisdetodosestesanos,somente euseideste segredo.Eassim,
desta mesma forma, estão as outras seis lindas bonecas que sequestrei ao longo destes vinte
anos.
Todas as crianças que eu literalmente devorei, agir exatamente da mesma maneira, primeiro
passeavade carro pelos bairrosaonde tinhammaismeninas,depoisobservavaamovimentação
de suas atividades em parques, praças e ruas. Escolhia a mais linda e formosa criatura entre
tantas que habitava aquele lugar e depois de ter planejado uma estratégia, eu as sequestrava
com a ajuda de um simples pirulito de fruta. Era tudo muito simples,fácil, rápido e sem deixa
vestígio de minhas atividades.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Algumasdelasjá eramde meuconhecimentoe convívio,maisa maioriaeume apaixonavaem
meustípicos passeiospelaspraças,parquese ruas da cidade.Aqui é fácil ver crianças andando
sozinhaspelasruas e praças. As meninassãomais despreocupadase confiamemqualquerum
que lhe ofereçabalasou pirulitos.Umacoisa terrível que aprendi na vidae principalmentenos
livrosinfantisé que nãose pode confiaremalguémque te ofereçadoces.Istoé verdade,eusou
a prova mais maléfica disto tudo que fiz até hoje. Isto pareceria hilário e controverso se não
fosse verdade.Euli isto emuma passagemépicados escritosinfantis que contama históriade
João e Maria.
Em São Luís do Maranhão possuir sete casarões coloniais em volta da cidade em que
prioritariamente aqueles que se encontram no reviver, estão sepultadas as minhas doces
bonecas,sete nototal.Eu não as contocomo vítimasde minhanavalha.Afinal aminhanavalha
corta apenas mulheres adultas e consciente. E neste caso, em particular, hoje também estão
contabilizasetemulheresqueabrirliteralmente osseusventrescomaminhanavalha.Mulheres
que em cada uma pusuma flor de lis volvidasemsangue emseusabdomens,todasadornadas
sobre uma poesia fincadas entre a língua e o céu de suas bocas.
As minhasbonecasnãocontam como obras de minhaarte romântica representadasnoscortes
de minhas navalhas. As minhas meninas, as minhas infantes, ou como as chamo, as minhas
doces bonecas são uma coleção individual. Eu não as compartilho com ninguém, apenaseu e
meu cérebro, meu eterno companheiro, sabe da existência delas.
Existemsete casarões,existemseteparedes,existemsete bonecas, todasemtamanhonatural,
eternizadas em cimento e muito concreto. Não esquecendo, tenho que acha um ótimo e
agradável casarão colonial para a minha bela ninfa da África. A minha última boneca. A minha
bela Ana Maria ficara guarnecida em um lindo e grandioso casarão do século XVII. Isto eu
prometo a ela.
Amanhãseráum diae tanto,a noite parece me guarda umabelaescolha.Voutentardormirao
ladode minhabelaguerreiraafricana.A arte é obradacoleção,mascolecionaré algoquerequer
disciplina e objeção. E cuidado torna-se algo que não deve ser negligenciado.
A políciaaté poderialhe prenderpeloassassinatodasmulheres adultasque foramencontradas
noscasarõesda cidade,masassuasbonecasficariameternizadas,escondidase protegidaspara
todo o sempre naqueles casarões abandonados de São Luís do Maranhão. Casarões que são
verdadeirostemplosde umahistóriaultrarromânticaocorridanailhadoamor,atos detalhados
que somente ele sabiaapreciar,umpatrimôniocultural que somenteasuamente prestigiavae
valorizava.
O abandono desses casarões antigos eram um vil sacrilégio. Mas as suas bonecas dariam o
devidovaloraofazeremmoradasnestasgrandiosas casas.Seusespíritosimortaiscuidariamdas
estruturas antigas, os seus pensamentos vigiariam os telhados seculares, os seus olfatos
aspirariamocheirodas relvasque nasciamnoscantosde suasjanelascoloniaise assuassalivas
regariam os azulejos e as pedras sabão que ornamentavam as fachadas de suas construções.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
As suasbonecasseriamguardiãesde suasbelassacadascoloniais,e océuestrelado, espelharia
os seustelhados eternose viris. Apesarde cruel,assuas insanidadestinhamamor,nãoo amor
altruísta,não o amor de apaixonados, mais o amor dos que foram renegados e abandonados.
Neste aspecto, quantas jovens moças fizeram morada neste longos e grandiosos casarões,
quantas virgens rolaram em suas camas aspirando por pretendentes já pretendidos, quantas
virgindades foram perdidas ou afloradas por homens impuros ou desejáveis.
Quantas damas foram oferecidas a casamentos infelizes, quantas meninas tiveram que ser
mulheresantesdotempoparaserviremde pactosemeconomiasfamiliaresruídas.Quaisforam
as fugas que sofreramas escaladasde janelastão íngremesem que pernas curtíssimas feriam-
se nosazulejaisde suasfachadas.Quaisinfantismeninas,morreremde amorque nunca foram
correspondidos, que atos sugeria a loucura do suicídio por conta de um amor mau amado.
É neste sentimentoamorosoe talveznostálgicoquecarregoocorpode minhabelameninapara
o casarãoda luzque existepróximoaoConventodasMercedes.Trata-se de umcasarãocolonial
muito antigo e bonito. Este velho ancião, possuir sete janelas compridas e dois andares
gigantescos com salas amplas, sustentadas pelo seu plano térreo. O que nos indica que aqui
morou uma família muito rica. E pela localidade e proximidade com o antigo cais da sagração,
estesfamiliares deviammexercomexportação oucontratação de mercadoriaperecíveis,como
é o caso de grãos de café, grãos de milho, grão de arroz ou outros grãos de mesmo nível.
Estou estacionadoapoucomais de meiahora.E neste momentoperceboque é a hora perfeita
para trata de meusnegóciosnecrófilos,omeurelógiomarcaexatamente03:15 da madrugada,
trata-se de uma boa chance para uma invasão. A rua esta deserta e silenciosa. O cimento e a
área estão no meu porta-malas. Mas a minha joia está comigo dentro do carro, ocupando o
banco trazeiro do automóvel.
Depoisde algunsminutostentandoforça a entradano edifício,enfimconseguirrompercomo
cadeado.O objeto estavaenferrujadoe muito saturado,fato que comprometeuoscálculosde
minhaentradano sobrado.Quinze minutosdepoisestousobre umaparede perfeita.Seráaqui
o seu selamento, minhaqueridaamada,minhadoce AnaMaria. Você viveráeternamenteaqui
neste casarão, vivendo para sempre sobre esta parede. Não me disperso de seu rosto ébrio e
pálido,poisvocê fará moradaeternaem meucoração desprovidode sentimentos,ocupandoo
espaço oco de meu peito, morando no lugar de meu coração.
Antesde sepulta-la,dei-lheumbeijodemoradoe árduosobre osseus lábios frios.Umpequeno
odor de podridãocomeçoua ser exaladopelasuacavidade oral. Mas eunão me perdi sobre o
cheiro asqueroso da morte, aquele beijo era importante. Então continuei a beija-la.
Algumashorasdepoishaviaterminadooseusepultamento.Ela estavaseladasobre a parede e
a sua imagem estava guardada em minha mente. Sua beleza nunca mais morreria, o cimento
guardaria de forma intacta toda a sua beleza de menina.
Eu beijei por horas sobre aquela parede fria e ainda humedecida pelo cimento, pude sentir o
seudoce lábiocarnudoe único.Aquilo nãopareciaserocertoafazer,e aminhaincoerênciaaté
tinhaumaimprudênciaexageradaemminhadespedida.Afinalosol saiapelosantigosvitraisdo
casarão e isto era uma nota musical para que eu abandonasse o prédio.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
E aindasolicito deamorpuramenteterna,fuiaospoucosabandonandoaminhadoceAnaMaria,
um ponta de desespero caia sobre o meu medo, mais antes que as primeiras pernas, pudesse
andar naquela manhã de domingo, eu tinha que sair da rua e abandonar aquele casarão. E
sinalizandoparaesquerdacomseta ligadado carro, fui me despedidodaminhaamada. Aquilo
era um adeus. Beijos minha ninfa africana, até nunca mais. Cheiros minha deusa. Milhões de
cheiros para você e até nunca mais.
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DieghoCourtenbitter
Capitulo XIV
A Prisão do AssassinO
Uma Ana EscondidA
Minha 9° VítimA
A noite de dezembro de 2020, uma sexta-feira do dia 25, surpreendeu não somente os
investigadorese ospoliciais pelaformade como ocorreu a prisãodo verdadeiro assassinomais
perigoso e mortal da cidade de São Luís. Muitos suspeitosforam apresentadose investigados,
mais sobre nenhum deles, foi possível concluir a autoria dos crimes.
Havia sobre o caso sete delegados, quatorzes batalhões, vinte e três investigadores e três
jurisdições diferentes investigando as mortes, mas nenhuma conclusão. O assassino era um
homemdifícil de rastreare asvezesimpossíveldefini-lo.Todasasconclusões e laudosapurados
até aquele momento não se alinhava a um único suspeito. A lista era grande e sem muitas
confirmações plausíveis. Muitas dúvidas e diversas falhas nas apurações das provas coletadas
nos locais dos crimes, denunciava um suspeito com características atípicas e indiferentes
relacionadas a este tipo de assassino.
O perfil era de um Serial Killer, mas as motivações não pareciamconexas a um ser perturbado
mentalmente, havia logica e até certa coerência em seus crimes. Os policiais não estavam
lidando com um homem doente e perigoso, mais com um homem inteligente e ameaçador.
Estas afirmativas eram levadas em consideração não apenas pelos detalhes e pelas novas
informaçõesque tentavamdescreveomatadorde mulheres.Maspeloteorpsicológicotraçado
sobre a análise das informações deixadas nos corpos das vítimas e no local do crime.
Apesar de algumas informações serem bastante solidas, havia pouco para se concluir sobre
quem era o assassino das navalhas. As investigações concluíam que a sua identificação era
imprecisa. E a sua face era desconhecida, qualquer um na ilha de São Luís poderia ser o
assassino.
Provavelmente um homem tão inteligente e perigoso como o assassino das flores do mal,
passaria pela vida de qualquer ludovisense sem chamar muita a atenção, ele poderia ter um
trabalhocomume bemremunerado,serumbomvizinho, serumamigosolicito,terumafamília,
ser socialmente integrado a vida social da cidade, frequenta solicitamente a vida noturna do
projeto reviver e ainda matar mulheres sem muita preocupação emocional.
Noentanto,aprisãodo assassinodasflores domal,aconteceude maneiraacidentale inusitada,
um pequenobatalhãodabrigadaTiradentes,faziaumaabordagemde rotinaem algunsjovens
que fumava maconha emfrente a um casarão antigo.Quandoum dos soldadosouviuum som
atípico e incomum, vindo da parte de cima do sobrado colonial. Aquele prédio pertencia ao
GovernodoEstadodo Maranhão,tratava-se domuseude artesvisuaisdomaranhão,localizado
na rua do sol.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
O relógiodaviaturamarcava 3:30 minutosdamadrugada,o friogelavaocabo da pistolataurus
do soldado Anderson que observando mais de perto aquela íngreme movimentação de som
vindade dentrodo casarão. Orientoua guarniçãopara que fizessemsilencioparaouvirmelhor
os barulhos que se propagavam no ar. O som parecia de uma mastigação intermitente, e o
tilintar de dentes era horrível.
A abordagem aos jovens teve que ser interrompida, o sargento rodrigo liberou os suspeitos e
reorientando o patrulhamento, sugeriu que os soldados entrassem no prédio. O saldado
Anderson verificouque a porta de entrada do museu estava entreaberta, e todos observaram
que havia muito sangue descendo da escada principal que dava acesso ao primeiro piso do
casarão.
O sargento autorizou a entrada da guarnição, e o rádio patrulha foi acionado para chamar
reforços, tudo levava a crê que quem estava no primeiro piso era o homem suspeitode mata
mulheres em São Luís.
Noprimeirorol estavaumcorpo, ouparte de um corpo,tratava-se dosegurançado museu,ele
estavaseminue semos órgãos internos.Ocenáriodo local era o maisterrível possível.E tudo
aquiloera igual aos outros cenáriosvistosantespelapolícia.Tudo levavaa crê que o assassino
estavanocasarão.O somcontinuavavindodopisosuperiordoprédioe quantomaisospoliciais
subiam para o acesso de cima do casarão, mais nítido ficava aquele som terrível.
Os policiais estavam de arma em punho, e como não sabiam da verdadeira face do criminoso,
todacautelatinhaque terprudênciae coesão.Afinaltodossabiamdacapacidadee daletalidade
de matar do criminoso. A abordagem foi sutil, rápida e controlada, mais sem nenhuma
resistênciadoassassino.Ele foi encontradoemumacondiçãoanimalesca e horrível. Umcírculo
foi feito ao redor do suspeito e com as armas apontadas para a sua cabeça, ele não se moveu
para nos olhar, sua mente parecia concertada no que estava fazendo, o sujeito estava
literalmente se alimentava de sua vítima. A hora do jantar não parecia uma tratativa para
interrupções exteriores.
O sargentodeuvozde prisãoparaoassassino,maiselenãose moviaparanosolhar.A presença
dospoliciais nãoointimidava,e nadadoque falávamoso impediade terminarasuarefeição. A
ocasião de sua prisão oferecia uma realidade chocante e inimaginável. A brutalidade com que
se alimentava da vítima era de uma maldade descomunal.
A cena denunciava algo muito novo para os agentes de segurança que estava no local. O
sargentonãosabiacomoagir,emborasoubessequeaprisãoteriaque feito,masnãosabiacomo
proceder em casos com tamanha brutalidade envolvida.
O sujeito estava nu em cima da vítima, devorando-o como um leão que acaba de abater um
cervo emuma savana. O som de mastigaçãoera terrível e insuportável.Mas issonão foi o que
maissurpreendeuospoliciais.OsargentoAndersonchamoua atençãodos companheirospara
um fato novoe extraordinário.Umsuspeitotinhaseiose umafeiçãofeminina.Oassassinoera
umamulhere nãoumhomem.Concluíramossoldadosapósumassassinoterouvidoaconversa
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e ter virado o rosto para a guarnição. O cabelo curto não conseguia esconder as feições
delicadas,típicasde uma mulher.A suspeitaficoudezminutosinteirosolhandoparao soldado
Anderson antes de ataca-los ferozmente. Seu ataque arrancou parte da orelha esquerda do
soldado, e somente após uma bruta luta corporal, conseguiram mobiliza-la e algema-la.
A prisãofoi umasurpresaparaosinvestigadores,maisasrevelaçõesdoque elarevelariaemseu
interrogatório, talvez fossem mais dramáticas e tensas. Minutos depois, cerca de vinte e seis
viaturas e quatro ambulâncias chegavam em frente ao museu de artes visuais.
A políciamilitar,guardamunicipal,políciafederale apolíciacivil chegavamaolocal docrime,os
policiaiscivistratavamde isolare delimitaroespaço.Osrepórterestambémchegavamde todas
as emissorasdoestado.Eavizinhançalocal começouaaglomerasse e adivulganas redessociais
que o assassino das flores do mal, acabava de ser preso.
As rádios de São Luís do Maranhão noticiavam em primeira mão que o suspeito de matar
inúmerasmulheresnailhadoamorestavadetidoe acauteladoemumcasarãoantigodarua do
sol, onde foi preso em fragrante praticando outro crime.
Horas depoisumamultidãoficouaglomeradaemfrenteaomuseude artesvisuaisdoEstadodo
Maranhão. A polícia não conseguia sair do prédio com o acusado. E a multidão furiosa, deseja
entra e matar o homem que matava mulheres.
O delegado responsável entendeu que seria perigoso sair aquele momento do prédio, e para
garantir a integridade do suspeito e preservar a seguridade das pessoas que estavamna porta
do museu, decidiu-se montar uma sala improvisada para mantê-la sobre custodia e interroga-
la.
O povo não sabia que ele, era na verdade ela. O assassino era uma mulher. Minutos depois
providenciaram banho e roupas para a assassina, e uma psicóloga, um psiquiatra e uma outra
delegada federal foi acionada para compor o quadro de investigação e instauração dos
procedimentos de apuração dos crimes cometidos pela assassina.
Uma novidade no caso era que a última vítima foi identifica e encaminha para um laudo
minucioso de investigação necropsia. A vítima era um ex-namorado. E ele foi o único que foi
devorado quase que completamente. Os olhos removidos e ingeridos pela assassina era uma
novidade.Maisosórgãosinternosrevolvidose canibalizados,asflorescolocadasnosventresde
todoscorpose osbilhetescolocadosnasbocasdasvítimas,todasreferenciadasaalgumacanção
do cantor Renato Russo, tinham características e replicações verificadas em outras vítimas.
Apenasopolicial e osegurançadomuseutinhamassuasmortescom qualificadorasdiferentes,
maisissoera uma diferençamínima.Ambasforamvítimasdoacaso, não foramescolhidaspela
assassina,apenasatravessaramocaminhode seustrajetosmórbidose pagaram um preçoalto
pela inconsistência do acaso.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
A mulher tinha 1,60 de altura, etnia branca, olhos castanhos, 60 quilos, cabelos pretose lisos,
uma pinta vermelha de nascença na clavícula esquerda e unhas ruídas e por fazer. Durante
conversas preliminares, a acusada manteve calma, equilibrada e muito educada, percebeu-se
um alto grau de inteligência intelectual e emocional. Fatores que nem de longe lembravam o
animal que devorava o seu ex-namorado na noite passada.
A polícia ainda procurava identifica no sistema o nome da criminosa, onde residia, se tinha
famílianacidade,onde trabalhavae seestudavanaregiãometropolitana.A criminosafalasobre
tudo, sobre matemática, física, química, literatura, cinema, teatro, ufologia, religião e outros
temas. Tratava-se de alguém muito bem-educada e inteligente. Percebia-se que cuidava da
forma física e que se alimentava de três em três horas. Esta última exigência era habilmente
contestada e determinada pela criminosa.
Mas a sua identificaçãoeraalgoque elanãorelatavae constantemente exigiaapresençade um
advogado. A criminosa dizia que somente se pronunciaria na presença de um representante
legal que a resguardasse.
Algumasde nossasperguntasforam simplesmente ignoradase rechaçadas. Um sorrisomaroto
e sínico era a única mensagemvisual que saiade seurosto. E nada mais alémdissosaiude sua
boca depois de ter exigido um advogado. O delegado pediu para que fosse providenciado.E
disse a bela moça que ela estava encrencada. Perguntouse ela sabia do grau das acusações e
observouosfatosocorridosnanoite anterior.Odelegadoperguntouse elese lembravadoque
ocorreu naquela madrugada. Mais a assassina apenas sorria de canto de boca, parecendo não
se importa com as acusações.
A advogada da assassina de mulheres finalmente havia chegadoao museu de artes visuais do
maranhão,a entradano casarão colonial de maisde 400 anosde idade foi turbulentae caótica.
Todosqueriamsaberquemeraocriminosoe tudosobreoque estavaligadoaele viravanotícias.
A imprensa havia vasculhado a vida da advogada em poucos minutos, mas pouco se sabia da
identidade da criminosa.
A mulher que foi presa aquela manha não tinha digitais, nem documentos e apenas fios,
pequenas facas e uma navalha afiada foram encontradas junto as roupas encontradas dentro
do casarão. Teoricamente,aquelamulhernãoexistia,andavacomoumfantasmanailhade São
Luís. Um outro delegadotraziainformaçõesmaispromissoras.Umarede social fazia mençãoa
uma mulher que tinha várias fotos ao lado do homem que ela propositalmente afirmava ser o
seu ex-namorado.
Ospoliciaisadmitiamque ohomemdevoradopor elapodiasermesmooseu companheiro, mas
única e exclusivamente pelos relatos dela, pois as investigações não confirmavam de maneira
oficial estes dados e informações.
O perfil na rede social era do homem assassinado pela mulher e algumas fotos confirmava a
intimidadeafetivaexistente entreosdoisjovens.Orapaztinha39 anose segundoocomentário
dele emumadasfotos,amulheraseuladotinha26 anos.Tratava-se de fotosregistradaemum
O SenhordosFiose dasNavalhas
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bar no centro da cidade de São Luís. Era uma comemoração do aniversário no bar da Firmina,
localizadoaoladodacaixaeconômicafederal.Eraoaniversáriodajoveme elespareciamfelizes
e contentes.Aspublicaçõesemtextosrevelamque onome delaé AnaClaraRibeirode Oliveira,
e o rapaz, Rogerio Trindade da Silva.
O policial reforça que a identidade de Ana pertence a uma pessoa que morreu em 2011,
portanto o documento era falso. A residência cadastrada nesta identidade fica localizada no
centro histórico de São Luís na rua do alecrim.
O delegadopediuparaque avisasse o juizque está na causa do assassinodas florese solicitou
uma autorizaçãopara que houvesse ummandadode busca e apreensãonacasa da suspeita.A
criminosa sorria de maneira tranquila. E felicitando a habilidade do investigar que descobriu o
seu endereço, autorizou de maneira informal que podiam entra em sua casa.
A advogadaa repeliue desfezaautorizaçãode sua cliente.E sorrindode volta,desdenhoudos
policiais. E encarrando o chefe de polícia repetiu o que falou ao sargento Anderson que a
prendeu....
- Aquele lixo mereceu o que fiz a ele.....
- Todos mereceram.... Inclusive as suas namoradinhas.....
- Eu mantei todas elas.....
- Eu adorei fazer aquilo com elas...
O delegado não acreditava no que estava ouvido... a motivação dos crimes era passional... As
mulheresencontradasmortas....Eramtodasex-namoradasdoRodrigo...Oseuex-namorado....
Algumacoisaagora faziasentido...Porissotodasas mulheresmortasnãotinhamconexãocom
os homens investigados... Por que foram mortas por outros motivos alheios ao qual foram
associadas, e não a vingança e aos desejos de uma mulher traída.
O interrogatórioiriacomeçaemalgunsinstantes,masaquelasprevêsindagaçõesrespondiama
algumas respostas que não tinham respostas claras durante as investigações. Ana Clara sorria
alegrementecomosfeitos.Eos seusolhosamedrontavamosouvintesque aolhavamde canto
de olho. A sua alegria era radiante e empolgante, um ato completamente contraditório para
quem está subordinada a uma interrogação criminal.
A advogadafaziaanotaçõessucintase orientadorasparaasuacliente,informaçõesque traziam
ansiedade e risosdesmedidos.Algunspoliciaisnãoacreditavamnalevezae nadespreocupação
que era emitida pela jovem.
Ana Clara estava calma, sorridente e muito feliz. E tudo era um motivo para graças e muitas
risadas. O delegadoordenouque a suspeitase dirigisse auma outra sala acompanhadade sua
advogada. O interrogatório iria começa.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Um silencio atípico instalou-se na sala de interrogatório, e Ana Clara havia parado de sorrir de
forma instantânea, mudando integralmente de humor. Agora a jovem estava centrada,
compenetrada, seria e aparentemente nervosa. O tom da conversa seria outro. O delegado
enfim poderia retira da criminosa tudo o que ele gostaria de saber. Entender a mente de uma
psicopata como ela seria extraordinário e único em toda a sua profissão.
Algumas perguntas foram feitas... Mas Ana clara ficou em silencio, outras foram feitas de
maneirainsistente,maisnadaa faziafalar. A irritaçãodo delegadoeraintensae sutil.Mas Ana
Clara parecia se divertir com a situação. Minutos depois um sorriso estrondoso e medonho
tomou de assalto todos que estava na sala. E a jovem voltou a sorrir de maneira louca e
despreocupada.
A paciênciaestavachegandoaumpontodifícil e o delegadoadvertiuque mesmocomtodosos
direitos sociais, civis e penais a seu lado como cidadão, o fato de ter matado dois homens a
sague frio, não a livraria de uma prisão perpetua. Canibalismo era algo inaceitável.
Novamente amulherintrospectivavoltouparaasalade interrogaçãoe umoutrosilencio tomou
de conta da pequena salinha. Cruzando as pernas, pois as mãos algemadas sobre a mesa,
inclinou a cabeça em direção ao delegado de polícia e proferiu as seguintes frases....
- Você quer saber quantas pessoas eu matei...
- Quando comecei a matar...
- E porque as matei...
Eu mato pessoas desde os meus nove anos de idade, comecei matandopequenosanimaisem
casa e na vizinhança,e depoisque fiquei maiorde idade,mateiosmeuspais,fiqueicomtodaa
fortuna deles e decidir viver temporadas regulares e programas em cada cidade que morei.
Mas nestas cidades não matei ninguém, iniciei a maioria dos meus crimes aqui em São Luís, e
aprimorei os atos que praticava depoisque descobrir que o meu namorado mentia e me traia
com outras mulheres.Entãoporvingança,pesquiseitodasasnamoradasque ele teve navidae
matei todas elas.
Os investigadores ficaram impressionados com todas as confissões relatadas pela moça, uma
escrivãfoi chamada para dar inícioaos relatosde todoscrimespraticados pelajoveme muitos
estavam detalhadamente parecidos com o que foi coletado nas cenas dos crimes. Os
planejamentos de cada morte, a procura pelas vítimas, o passo a passo, mapiado o trajeto de
rotinas e atividades das vítimas, tudo era pensando para não ter falhas ou erros.
A mente de AnaClaraeraalgoincrivelmente terrível,asuainteligênciaeraalgonotabilíssimo,e
tudoerapensadoparanãodeixarpistasourastrosde suasconclusõescriminais.Inclusive ofato
de deixarpistasfalsaspara a polícia, deixandoentenderque tudoera uma pratica descomunal
de um homem pervertido. Foi amplamente trabalhado para não ligar uma mulher a cena de
crimes praticados contra mulheres.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Tudo os fatos batiam com as descrições, os crimes detalhados em seus mínimos fragmentos
denunciavamque elaerarealmente aautora doscrimes...Mas uma coisanão fazia sentido,as
vítimasforam todas estupradas e em todas haviaum únicotipo de DNA referidoaosespermas
encontrados dentro das vítimas, com exceção dos dois homens que foram mortos,
provavelmente por estarem no local errado e na hora errada. Então como isso foi possível.
Ana Clara mais uma vez sorria com a falta de imaginação do delegado. Ana inferiu a inquerido
que procurou ter um empregoinformal emummotel no centro da cidade.Localizadopróximo
à praça João Lisboa. Era dos cestos de lixo que ela extraia as camisinhas com os espermas
encontrados na perícia. Havia um homem que a cada três meses visitava a cidade de São Luís
trabalho e ele se encontrava com a mesma mulher durante anos.
Isto facilitou as minhas coletas. Quando ele não aparecia, dificultava o meu trabalho. Então
resolvi comprar uma geladeira apropriada para manter congelado os espermas que coletava.
Algoque facilitouasminhastratativas.Easlesõesencontradasnasvaginasdasmulheres,todas
elas estavam lesionadas e mutiladas. Ana mais uma vez sorriu e gritou com o delegado.
- Eu sou uma sádica...
- Adoro sexo....
- Não importa com quem seja....
- Às vezes usei o dedo para molesta-las....
- Outras vezes...
- Usei um vibrador...
- Um pênis de plástico....
- É... Às vezes eu trepava com elas...
- As mordia....
- As chupava....
- Tirava um pedaço dos seios....
- Um pedaço da vagina...
- Dependia do clima....
- Ou da minha tara...
- Ou do meu humor...
- Nestes casos...
- Eu não planejava nada....
- Apenas fazia o que queria fazer....
Ana a cada frase que falava, a cada movimento gesticulado, denotava um novo traço de sua
personalidadeambíguae paradoxal. A cadanovadeclaração, haviaumasurpresa,umfatonovo,
um ato inédito, um fato perturbador. A cada interrogatório surgia bem na nossa frente, uma
nova mulher, uma nova identidade, um novo ser humano, uma nova Ana. Sua mente era
terrivelmente sádica e malévola. E os seus crimes transmitiam uma penumbra admirável e ao
mesmo tempo horrível.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Sua personalidade frágil, bonita, delicada, meiga e envolve, confundia os psicólogos e
psiquiatras. Até os analistas forenses e peritos criminais com mais de 30 anos de serviços, não
conseguiam montar o quebra-cabeças que se formava dentro da jovem Ana.
Ana era uma misturada de delicadeza, ojeriza, altruísmo e solidez asco, uma penumbra cinza
que envolvianãosomentesala,mas todoomuseudeartesvisuais,local ondeestavamestalados
a equipe de criminalista.
Um dos médicosque examinouajovemAna, subiaas escadariasdo museucom presa e muito
altivo em sua voz. O seu rosto transmitia medo e a sua voz rouca fluía mais medo ainda. Uma
pilhade papel cominúmerosexamesfoi jogadaemcimadamesa do delegadoque conduziaas
interrogações.
E sem pedir licença ou favor para os demais colegas que estavam na sala, o médico legista
responsável pelasinvestigaçõesclinicasdocaso, surgiucomumanovidade que abalariaatodos
os policiais que estavam no interrogatório.
Ana haviapassadopor váriosexames médicos, antesmesmodosinúmerosinterrogatóriosque
sofreuaté aquele momento.Eentre um deles,estavaumlado simples,omaisperturbadorde
todos, um exame de raio X. O senhor Ricardo Aleixoera um homem dedicado, profissional,
educado e sucinto, mais aquele exame em particular, lhe tirou a tranquilidade e paz naquela
manhã de terça-feira.
O senhor Ricardo era o principal responsável pelos exames psicológicos e físicos realizadosna
jovem Ana. Aparentemente, fisicamente ou esteticamente, não havia nada de errado com a
jovem. Ela não possuir ferimentos em seu corpo, marcas de nascença ou qualquer outra
abertura mecânica ou cirúrgica em sua pele.
Mas um exame de raioX identificoualgo extremamente perturbador,haviapartesfaltantesdo
cérebrodamoçaemsuacaixacraniana.Haviapartesliteralmentevaziasemsuacabeça,eoutras
preenchidas com algo ainda não identificado, eram partes pequenas, mas partes importantes
do cérebro, a jovem era algo estranho na natureza humana, ou pelo mesmo, alguém quis que
ela ficasse estranha.
O mais intrigante,pensou o médico, é que no lugar dos espaços vazios, haviam colocado, algo
muito estranho no local. Alguns dos médicos que viram as imagens, os laudos dos exames,
simplesmente não acreditavam no que viram nos raios X. Havia um objeto assemelhado a um
pequenorolo de metalou mesmode plástico,emsuasuperfície possuía algunstextosdescritos,
mas nadaque pudesse serlido.Aqueleobjetoocupavaumaparte docérebrobastante sensível,
uma região que jamais poderia ser removida.
O fato desta jovem está viva e ainda está realizando todas as suas tarefas motoras e
psicossociais,era algo miraculoso e irreal. Um fato único que a medicina ainda não conseguia
explicar e talvez nunca conseguiria concluir. Pessoas como Ana, por si só já eram pessoas
inexplicáveis,e estanovainexorávelquestãoseriaalgoamaisparacomplicaravidadosmédicos
e da ciência.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Aquilo era realmente algo incomum,inumano e até não natural. Mas de qualquer forma, isto
era surpreendente. Alguém literalmente havia removido parte do cérebro dela para ampliar
algum propósito relacionado ao controle de sua mente.
O fato de ter algono lugar de seucerebelo,denotaumaintuiçãodoentiade controle mental,o
objetoé algo muitoincomume tambémilógico. Oobjetopareciamesmocom um pergaminho
antigoem forma de rolosde papel. Mas por que alguémfariaistoe para que proposito.Talvez
isso explique as conversas contraditórias e transloucadas da moça, as convulsões mentais, as
ideiasde perseguiçãoe assombro e asoutras nãoconfluênciasencontradasnosinterrogatórios.
O ato cirúrgico feito nesta garota, foi algo muito arriscado, talvezalgo perigoso,tenho certeza
que elanão fezistoem si mesma,mas sejaláquemfezistocom estagarota, aindaestálá fora.
E tudolevaa crê,que tudoo que elafez,ouse foi elaquemfezestasmatanças,ouaestaúltima
matança em particular, ao qual foi pegar e presa, talveztenha sidoplanejado, ou programado
por alguém.Talvezsejapossívelque alguémestejasobre oseucontrole.Umabusomental,um
controle emocional, praticado por alguém próximo a ela.
Os médicos também identificaram que partes dos ossos do crânio da jovem, foram removidos
de forma deliberadae comprecisãocirúrgica.Fatoque descarta umaincisãoemsi mesma.Isto
foi feito enquanto ela estava inconsciente.
No entanto, o cérebro parece estar funcionando corretamente, mantendo todas as suas
propriedadesdecoordenaçãovitaisdosoutros órgãosde seucorpoque estãosobre suagestão.
Apesar dos muitos danos causados aos tecidos nervosos, a jovem parece está muito bem
fisicamente. Mais isto ainda é surreal, diabolicamente fora dos padrões naturais.
Os policiais ficaram assustados com as novas descobertas feitas pelos legistas e médicos
criminalistas. Tudo ficou ainda mais sombrio e macabro, mas como tudo nesta investigação
parece ser mais mórbido e amedrontador. Ninguémquis perguntar se havia mais fatos para
investigar. Somente as mortes das mulheres em sim mesmo com fato criminal, parecia algo
muito nebuloso e frio. O que viesse depois, apenas somaria com a escuridão que este caso já
possuía.
Uma pergunta,por outrolado,não ficousemter um questionamento,oque rodrigoquisdizer
com a presençade umsegundoelementonacenadocrime,ofatode alguémterrealizadouma
cirurgia no cérebro da jovem.
Um outro delegado respondeu à pergunta de seu colega investigar.... É possível que ela seja
parte de algo ainda maior do que estamos observando. É possível que o verdadeiro assassino
aindaestejaláfora,elapode tersidoumaisca,ouumbrinquedosexual queelemantinhasobre
sua posse, e como qualquer brinquedo velho, ele resolveu descarta.
O que eu quero dizer é que ela pode não ser a culpada de todos estes crimes, talvez culpada
deste últimocrime,masnão de todoseles.Talvezo que ouvimosaqui até agora, somente seja
parte de uma encenação gravada por alguém na cabeça dela. Talvez ela esteja protegendo
O SenhordosFiose dasNavalhas
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alguém. Ou seja, o nosso verdadeiro criminoso. Talvez o nosso suspeito ainda esteja solto e
sorridente nasruas de São Luís. Acreditonoque o doutorfalou,acho que esta garota não teve
tantotrabalho,para apenasmatar as ex-companheirasde seunamorado,achoque ocriminoso
que ela está protegendo é o seu namorado maníaco e desprezível.
Acho que eles estão juntos nisto e não um contra o outro nesta situação. Acho que fomos
enganados e iludidos com esta fantasia que ela produziu e nos fez acreditar. Não sei quem é
mais insano ela ou ele.
Um sorriso ardente, misterioso e sínico ressoou do outro lado da sala. Era Ana gargalhando e
concordando com o delegado.Finalmente todoshaviamentendido oque haviaacontecidoaté
aquele momento.... Bravejou Ana em um tom macabro e vil.
Oseusorrisoestridente,erarealmente assustadore horrível,todosdasalaficaramcomospelos
dos braços arrepiados e com um certo frio na barriga. Os seus olhos biltres tinham agora, um
brilhodiferente sobre ailuminaçãodaface,sua feiçãomudoucom o relatoe as conclusõesdo
médico, mas as suas convicções davam sentido a outras maldades que não ficaram bem
descritas e evidente aos investigadores.
Ana pediu para que os policiais ligassem a televisão e ofereceu a eles, novas reportagens e
investigaçõesparaatenderememsuasdelegacias.Osinvestigadorespreguntaramporque ligar
a televisão.Elespoderiamligarorádioda própriapolícia, a informaçãoseriana mesmae ainda
mais precisa e confiável.
Anaentãoperguntouque diaeraode hoje,elesresponderam, dia06de março de 2021, depois
ela perguntou a hora, e eles replicaram, eram 17: 03, e Ana perguntou sem cerimônia em que
dia estamos da semana estavam, eles responderam sem questionar, era uma terça-feira. Ana
insistiu, e replicoupeladenúncia, liguei atelevisãonocanal 04, seusamigosrepórteresjádevem
estar com a confirmação do seu colega doutor.
Era uma reportagem ao vivo, sugerida por telefone por um homem ainda desconhecido. A
polícia acabava de entra em um dos aposentos do Palácio dos Leões. Haviam duas jovens
meninasassassinadasde formabrutal.Elasestavampenduradaspelospescoçosporlençõesdo
lado de fora de uma das janelasdopalácio.Ambas estavamde frente para a beiramar, diante
da baia de São Marcos.
E como osassassinatosenvolvendomulheresjovens,asduasestavamcomcortesnagarganta e
abertas como porcos, sem as órgãos e vísceras internas. Aquilo parecia um show de horrores,
uma afronta ao Estado. Um cinegrafista em um helicópteroda televisão local transmitia em
primeira mão, ao vivo e sem cortes, um crime que acabava de acontecer. Populares que
passeavam e tiravam fotos próximo ao local gritavam e choram com certo desespero, alguns
corriam pedindoporajuda, outroscorriam para chama a polícia,e outros alguns aproveitavam
para tirar fotos dos corpos pendurados, mas a maioria está em estado de choque.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
A prova está apresentada aos policiais, e os investigadores descobriram da pior maneira que
estavamerrados.O matador de mulheresestavaàsolta.O homemdasfloresdomal estavade
volta aos exercícios. Ana sorria como uma desvairada e a cadeira aonde ela estava amarrada,
saltavade maneiraabsurda.Ela conseguiaimpulsionaracadeiraa até 60 centímetrosdo chão.
Ana parecia estar possuída. E exigia para os policiais que a soltasse de sua prisão.
Mas isso não era a única coisa que surpreendia os investigadores, um segundo exame, agora
muitomaisdetalhadodoque asprimeirasanalises,revelavamque oobjetocolocadonacabeça
da jovemAna,era na realidade umminúsculotranscrito.Algoque imitavaum pequenopapiro,
contendo escritos quase microscópicos.
Os médicos não sabiam o que estava escrito, mas um recado deixado nos corpos das vítimas
encontradas no quarto do palácio dos leões, suplantavam o que poderiam ter nestas
mensagens.Oscorposde todas as vítimas,tinhamemparticular,umaletrada canção floresdo
mal da banda Legião Urbana. A mesma encontrada em outras vítimas do assassino.
Aquele fragmento minúsculo na cabeça da jovem Ana, poderia ter mesmo os escritos dos
trechosda músicafloresdo mal do cantor brasiliense RenatoRusso emsua superfície. Istoera
uma teoria que poderia fazer sentido, observando que o matador adorava o cantor e as suas
composições. Mas o que ele nos quer dizer com estas frases.
Um dos policias falou algo que poderia fazer sentido,as vítimas seriam o seu papiro, onde ele
transcrevia as suas mensagens ao mundo. Aquilo fazia sentido, finalmente alguma coisa fazia
sentindo. AlgumasmensagensrecitadaspelajovemAna,pareciamestarencaixadasamente do
assassino. Agoraconseguíamosentenderumpoucomais sobre comopensavaomatador, e uma
luz no fim do túnel podia nos revelar algo que seria incompreensivo até meses atrás a muitos
investigadores. Acho que podemos desvendar os segredos da mente deste homem.
Os médicos sabiam o que exatamente estava afixado na cabeça da jovem, literalmente não
sabiamo que realmente haviaemseucrânio. Mas o que acabavam de ouvirdos investigadores
fazia todo sentido. O objeto não podia ser removido, pois o procedimento poderia causar a
morte da jovem. Então, todos concordaram em fazer mais exames até descobrir de fato havia
no crânio da jovem, inclusive tentar decifra o que estava escrito.
Ana sussurrava baixinho um outro crime que talvez nunca fosse descoberto. Além do homem
que foi devoradoporelanaquele museu,haviatambémumajovemAna,vítimade necrófilaque
foi abandonadanoporão do casarão colonial.Elaestavasepultadaemumaparede.Assiscomo
as outras bonecas que ele havia devorado anos atrás em um outro casarão. Esta Ana tinha de
nome desconhecido, jamais foi pronunciado pelo criminoso. Mas ela existia em segredo no
porão deste museu.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo XV
Um Matador IncontroláveL
Uma Coleção de Ana´s
A Minha 10° Vitima
A polícia do Estado do Maranhão estava quase que completa em seu contingente, muitos
soldadosestavamapostosasportasdoPaláciodosLeões,apolíciafederal tambémfoiacionada,
a políciacivil tambémchegavapara fazera perícia,enquantoforçatática da políciamilitarfazia
um cerco sobre o palácio na esperança de ainda encontra o criminoso e prendê-lo. A ROTAM
também fazia um cerco sobre os arredores da sede do Governo do Estado do Maranhão.
Mas tudo foi feito sem sucesso, não havia vestígio do criminoso, o homem era um ser
sobrenatural,umacriaturadastrevas,umserdo mal.A políciaverificouque ascâmerashaviam
sido desligadasa meia hora atrás. E os funcionários relataram que as vítimas eram cozinheiras
do Palácio dos Leões.
Mas como alguém entra e sair de um lugar tão grande e vigiado como este, sem ser visto por
ninguéme aindaconsegue convencerduasmulheresasaíremde seuspostosde trabalho,leva-
as até o quarto onde dormem o governador e faz o que fez. Como tudo isso foi possível.
A políciatinhapresaemremoveroscorposdolocal.A mídiatonouoscrimesemalgopirotécnico
e fantasmagórico.Umacortinade suspense se levantavasobre ohomemque ninguémsabiaas
características de seurosto.A especulaçãode que ummaníaco andava entre pessoasnormais,
causava pânico e temor na população.
A delegacia registrava mais três sumiços de jovens mulheres com as mesmas características
encontradas nas cenas do crime de hoje. A manhã estava tensa, confusa e cheia de horror. Os
delegadosjásabiamqueasduasmulheresencontradasnopaláciodosleões,nãotinham relação
com estes novos casos.
As famílias pediam para que a polícia agisse rápido. Mas como prender alguém que não deixa
pistas e rastros. O criminoso estava fazendo um mosaico maior que a sua tela. E o caos ficou
instalado na cidade. A polícia fazia cerco em toda a cidade, entrando em cada bairros, vilas,
cortiços e barracos. Houver também diligencias a condomínios e a casas de alto padrão.
Qualquer pessoa com históricos de crimes sexuais, estavam sendo checados. As páginas e
endereços digitais também estavam sendo vasculhados. Mas nada era encontrado. A polícia
estava caçando um fantasma.
Muitas mulheres de nome Ana, trancavam-se em suas casas e o medo tomava proporções
gigantescas. Estávamos fazendo o possível relatou um dos investigares ao jornal local. Mas o
criminoso ainda não foi identificado.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Em uma outra sala, podia se ouvir os risos frenéticos da jovem Ana, a possível amante ou
namorada do terrível suspeito. A polícia não conseguia arranca nada da suspeita. Vez e outra
conseguia-secapturaalgumafalasobreoenvolvimentodelacomoassassino.Masamaioriados
diálogos eram inaudíveis.
Oficialmente para a polícia, o número exato de vítimas que foram mortas pelo assassino das
flores do mal, girava em torno de um contingente entre 9 a 15 pessoas, incluindo crianças,
adolescentes e mulheres. Também existia extraoficialmente, um policial e um homem de 39
anos, este último, foi literalmente devorado pelaprimeirasuspeitadoscrimes. Uma jovemde
26 anos que é considerada a principal cumplice do maníaco. A jovem está sobre custodia da
polícia civil. Estando presa provisoriamente no Teatro de Artes Visuais da rua do sol.
Outras investigações apontam que devem existir pelo menos mais dez pessoas que foram
assassinadas pelo monstro das navalhas. Levando-se em consideração o desaparecimento de
dozes meninas que simplesmente sumiram da porta de suas casas, parques, praças e escolas.
Asfamíliasdasvítimasdesaparecidasaindanãotiveramrespostadopoderpúblico,e acreditam
que o homem das navalhas, tenha envolvimento com os casos.
Pessoasdesaparecidasnãopodemserconsideradasou contadascomomortas,masexiste uma
grande chance e fortes indícios que estas meninascom idades entre seis e doze anos, possam
tambémfazerparte dasestatísticasque incluirosoutrosmortosencontradospela polícia.Estas
meninas podem ter sido atraídas e mortas pelo homem de rosto desconhecido, o senhor das
navalhas.
No entanto, o número de vítimas ainda é incerto, mas a tendência em casos como este, a
convergênciaé que subaa quantidade de mortos,e asnovasreportagensdevemtransformaro
cenárioatual,numahisteriademedoe muitocaos.Principalmentequandoasúltimascontagens
sobre os números de mortes forem reajustadas.
O teordos fatose dos acontecimentossão extremamentegraves,e preocupaasautoridades.A
cidade dosazulejosé pacatae muitosimples.Oscidadãossãopessoashonestase trabalhadoras.
E a maioria dessas pessoas,jamais teve qualquer contato com algo de natureza tão violenta e
hostil.
Mas um telefonemaanônimodariapistasnovaspara aos investigadores.Estanovainformação
tinha relação direta com a jovem que estava sobre custodia no museu de artes visuais. O
denunciante alegaque há maisoumenos,doisanos,estamesmajovem, frequentavaacasa de
um homem que morava próximo a sua residência. Todos achavam muito esquisito o
relacionamentodo casal. Não somente pela diferença de idade. Mas pelas brigas conflituosas,
conturbadas e violentas que gravitava a vida pessoal dos dois.
Algumas crises de ciúmes podiam ser ouvidas no quarteirão inteiro da rua de São Pantaleão,
geralmente as confusões e gritarias eram promovidas pela garota, pouco ouvíamos a voz do
homem.Mas emuma dessasbrigas,algocaminhouparauma agressãofísica,e a jovemchegou
a causar ferimentos graves em seu companheiro.
O SenhordosFiose dasNavalhas
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Tratava-se de alguns golpesde facas deferidasnaregiãodo tórax,outras o vitimarampróximo
a virilha e as pernas. Os gritos de dor do homem mobilizaram os moradoresmais próximosde
sua casa. Os vizinhosforamsocorre-lo,e oque virãofoi algo terrível.A garota estavasorrindo,
enquantoseguravaumafaca de cabo branco. O homempediacalmaaos vizinhose maiscalma
ainda para jovem mulher que ainda lhe ameaçava.
Alguns vizinhos imobilizaram a jovem, tomara-lhe a faca das mãos e tentaram imprimir os
primeiros socorros ao homem. A visão daquele cenário mórbido não era uma das mais
agradáveis, e o sangue espelhado pela sala, incrementava a insanidade que compreendia a
vivencia do casal.
O sorrisoda jovemeraoque maiscausava espantoe medo.Elaestavafelizpelofeito.Eparecia
estar um pouco descontente por não ter finalizado o ato de tentar mata o seu companheiro.
Mas oabsurdomaiorestava naatitude dohomem,ele tentavaatodomomento,manteracalma
e a tranquilidade. Inclusive tentando tranquiliza a sua agressora.
Ele pediuinsistentementeparanãochamara políciaoua ambulância,tudoseriaresolvidoentre
o casal. Houve apenas um mal-entendido e tudo seria resolvido. Alguns dos moradores
conseguiramumcarro para leva-loparaohospital,masoestranhohomemrecusou-seairpara
um centro cirúrgico.
Algumas horas depois para nossa surpresa a jovem relatou que ele havia cuidando dos
ferimentose que tudoseriacuidadoemcasa.Nãohaveriamotivosparair a hospital.Nasse ele
piorasse, pediriam ajuda. Tudo estava bem, ou ficaria muito bem entre o casal.
Orelatodamoça, faziaumadissertaçãoincoerenteaoocorrido,elainsistia queelemesmohavia
feito os primeiros socorros, e ele mesmo costuraria a abertura dos cortes. A rua toda ficou
impressionada com o propósito de alto cura dos próprios ferimentos.
Naquelanoite,nãoouvimos,gritos,chorosousom de dor, a casa do jovem casal,pareciaestar
empaz, a tranquilidade voltavaasua normalidade.Masa vizinhançaestavapreocupadacomo
homeme a suavil agressora.E se elaresolvesseacabarcom o que haviacomeçado.Talvezeles
dormissem bem depois daquela loucura, mas nós não dormiríamos bem naquela noite.
Uma semanadepoisdoacontecimento,todosficaramchocadosaovê-loperfeitamentebemde
saúde, ele saiu de sua casa caminhando, sorridente, feliz e de mãos dadas com a jovem que a
esfaqueou. Apesar dos moradores, ficarem felizes com a recuperação do estranho vizinho.
Todos se faziam uma pergunta ainda sem resposta. Todos viram que as perfurações foram
profundas, alguns dos cortes, possuíam rasgos na pele com comprimentos superiores a trinta
centímetros. Também havia muito sangue e muita dor. Mas o homem havia
supreendentemente sobrevivido ao ataque de ciúmes de sua companheira.
Eles pareciam esta felizes, e a moça, estava ainda mais feliz. Notávamos que o que ocorreu a
três semanas,não faziamuitosentidopara o casal. E quandofazíamos perguntassobre o fato,
eles desconversavam e sorriam.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
O local apontado pelo denunciante,fazia alusão a um conjunto antigo de casarões coloniais
localizadosnarua de São Pantaleão,próximo aoscorreios,naregiãodaMadre Deus.O registro
deste endereço evidenciavaagoraumaforte ligaçãoas mortesque foram denotadaspróximoà
região da rua sol no centro da cidade. O assentamento do imóvel está confirmado.
Uma viaturadesfaçadafoi deslocadaparaolocal,próximoaestaregiãotambémhaviaumaárea
desabitada com construções abandonadas, uma localidade que poderia servir de fuga, e
também foram devidamente guarnecidas por outras duas viaturas descaracterizadas.
Outras seisviaturascom as mesmascaracterísticas,tambémfechavamas principaisentradase
saídas da região.Ratificadaalocalizaçãodocasarão, pelosetorde inteligênciadapolíciacivil,o
sobrado, foi identificado como próximo à praça do gavião, centro da cidade de São Luís.
O delegado rapidamente mobilizou outras equipes da polícia militar e civil, com a missão de
oficializao cercaraoquarteirão.Dezminutosdepois,vintee trêsviaturas,quatorzemotoslinks,
dois helicópteros e mais de oitenta policias,faziam o cerco ao quarteirão localizado na rua de
são pantaleão.Aquele momento,nenhummoradorpoderiaentraousair doperímetro semser
identificado e revistado pela polícia.
A notícia do cerco rapidamente se espalhou pelo WhatsApp, Telegram e pelas Mídias Sociais,
todos estavam familiarizados com o conteúdo. Um assassino poderia estar morando nesta
região do centro. E não era qualquer assassino, era matador de mulheres, conhecido como o
Assassino das Flores do Mal, o Senhor das Navalhas.
Minutos depois, um alto falante, reproduzindo comandos, eram ouvidos na rua de São
Pantaleão, tudo estava sendo direcionado ao assassino, que deveria responder pela sua
rendição. Ele deveriasaircomasmãos para cimae se entregaa polícia. A sua integridadefísica,
seria resguardada.
Entre dois e três minutos depois, sem que houvesse uma resposta, um esquadrão de elite,
estandoapostosna entradada casa do suspeito,sãoautorizadosainvadirumdosalojamentos
residências.A explosãode umgásde efeitomoral e detonado.Oarrombamentoe ainvasãosão
feitos de maneira minimalista, rápida e coesa.
E a surpresaaoentraremnacasa,gera umturbilhãode novidadesincríveis.Ospoliciaisestavam
certos desta vez, e pela primeira vez em toda a investigação, poderiam chegar bem perto do
autor do crime. O alvo haviasido atingido,maso autor dos crimes,não foi encontrado.A casa
estava vazia. Mas nem tudo foi um desperdício de tempo.
Pois o que viriam a descobrir, conotaria muito mais informações e registros sobre a
personalidadedomatador,as imagensdolocal,tambémdenotariam algomuitomaisbizarroe
insano. A casa estava com um cheiro horrível de carne podre, e o quarto dormitório, possuía
uma prateleira com uma infinidade de material com partes de corpos humanos que soltavam
aos olhos e aterrorizava a mente.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Os restoshumanosestavamemgrandes vidrosde conserva,algumasestavamexpostassobre a
escrivaninha, outras sobre a cômoda e outras sobre o criado mudo. Algumas outras partes
estavam penduradas no teto e outras expostas nas paredes envolvidas sobre uma moldura.
Haviam órgãoshumanosde diferentespartesdocorpo, algumasestavamemdecomposição,e
outrasestavamsendopintadascomumverniz.Algumasestavamemummostruáriode madeira,
dividas em seção.
Havianaverdade umacoleçãoparticular,umaexposiçãomórbidadesereshumanos.Umaseção
esdrúxula vinculada a morte. O homem era um colecionador de pessoas. Um especialista em
matar e colecionar.A políciaestavacaçando um homemmuitoperigosoe pelovistomuitofrio
e peculiar.
Mas a políciaestavacadavezmais pertodoverdadeiroassassino.Infelizmente,elehaviafugido,
mas a casa era uma provada existênciado homemdasfloresdomal. Ohomemeraum arquivo
vivo.Umacharada indecifrável.Ecomoumquebra-cabeças,osinvestigadoresagoratinhamum
monte de peças para montar.
Um dos policiais chamam a atenção do delegado para um detalhe importante e provincial. O
assassino aindapoderiaestarsobre asredondasdobairro. Ele estavaemsuaresidênciae asua
fuganão faziammuitotempo.Umbule com café estavasobre o fogão,e a xicara deixadasobre
a mesa,aindaestavaquente.O café que estava no bule e na xicara,aindatinhamtemperatura
gradual. Ainda havia chances de pega-lo. A luz do quarto dormitório, também estava acessa e
alguns livros abertos e jogados sobre a cama denunciavam uma fuga repentina.
Os policiais novamente se mobilizaram para um novo cerco, agora estavam vasculhando todo
quarteirão da rua de São Pantaleão. Cada casa, empresa, bares e outras propriedades locais
passavam por uma minuciosa revista.
Mas apesarda mobilizaçãoparaprendê-lo, nãohouve sucesso,ele haviaescapamaisuma vez,
como era possível alguémsumirdestaforma.A políciao chamavam de assassinofantasma.Ele
era uma assombração para os investigadores. Não havia digitais, pele, ou cabelo deixados em
seualojamento.Omesmoeravisualizadonascenasde seuscrimes.Nadaera deixadoparasua
identificação.
Mais a descoberta de seu alojamento, poderia trazer outras evidencias e muitas outras
revelaçõessobreasuaidentidade. Afinalninguémpodeserumfantasmaparasempre. A perícia
técnicachecava tudoo que podiaser periciado.Oslivros,osvinhos,oseucomputador,osseus
desenhos,algunsescritose principalmenteosvidrosde conservas,osseusobjetosde emoldura
e as outrasinfinidadesde coisasque faziampartesde suacoleção,incluindoaspartesde corpos
humanosque estavamespelhadospeloseuquarto.Tudoaquiloeraumaprovaconfessionaldo
que aconteceu as pessoas que ele mutilou e matou.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
A polícia sabia que estava no lugar certo e muito do que poderia ser revelado, talvez saísse
daquele local insano. A casa do assassino ficou insolada para apreciação da perícia por longos
meses e a cada nova investigação, novos detalhes eram revelados. A última pericia revelou
algumasinscriçõesmacabrasescondidase sobrepostasnaparede doquartodo assassino.Uma
luzespecial exposasinscriçõese umoutroexameespecificoverificouacomposição domaterial
usado para transcrever as mensagens. Tratava de sangue humano, os escritos foram feitos a
partir de glóbulos brancos do sangue das pessoas que ele havia matado.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Capitulo XVI
A Volta ao LaR
A Minha Última Ana
Minha 11° VítimA
A solidão era algo absurdamente implacável para um home de meia idade, aliais 72 anos de
idade é algo que pesa bastante para qualquerpessoa. Assuas únicascompanhiasera um note
book velho, um celular antigo, algumas garrafas de vinhos, três tabuleiros de xadrez, uma
coleção de copos de cachaça, selos e moedas.
A casa de doispavimentostornava-segrande e sombria,asnoiteseramperturbadoras,asolidão
tinha o rosto de sua amada. E o café pela manhã tinha o cheio de sua pele. As suas risadas
frouxas tinham o canto dos pássaros como combinação harmônica e o gosto do mel era
semelhante a saliva de sua boca.
Estava claro que a faltade Ana em sua vida,faziaum vazioenorme emseucoração, tudotinha
maiscor e maisluz.Agora tudoestavaescuro e descolorido.A vidahaviaperdidoosentido.Ea
solução para a perda de sentido é a morte.
Um banco antigoe sujochama a sua atenção no canto da sala, ele deve teruns vinte anos, foi
um presente, um mimo de sua amada. A garrafa enfeitada com o símbolo do time de futebol
palmeiras também lhe lembrava a jovem Ana. Aquilo foi um presente, um belo presente
recebido longo nos primeiros meses de namoro.
Ela realmente eraasuamaiorpaixão,oseuamor verdadeiro,asuavida,asua paixão.A solidão
lhe causoudore sofrimento.A vidaperdiaagraçae a sua luz.Aoseulado,deitadasobre osofá,
e aberta como um animal abatido para caçar, estava a sua 10° vitima, tratava-se de uma linda
menina de 11 anos, um anjo que acabei matando sem querer, ela estava brincando em uma
praça de um bairro próximo a meu residencial.
Observei que ela estava sozinha e desprotegida, não conseguir aguentar o desejo e fiz o que
faziaaanos. A mutilei comasminhasnavalhas.Elaeraumameninaadorável.Seuspais sentiram
muitaa sua falta.Eu porem,perdi a meiahora atrás o desejoporela,não tenhomais o desejo
de matar que tinha antes.
Aquiloerao fim,o desejohaviamorridoe asminhas“Anas”não tinhammaiso valorque tanto
desejava.Umacriança semos seusbrinquedosé comoumbrinquedode outracriança.Sou um
brinquedo inerte e sujo de alguém.
Nestaocasiãosubir no banco de madeira,coloquei ascordas sobre a vigae amarrando bemas
duas pontas, certifiquei-me se estava firme e presa. A minha morte tinha que ser um suicídio,
até por que nenhumpolicialde merdairiaconsegui me prender.A minhamenteé algoque eles
jamais poderiam pôr em uma prisão.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
E o meu corpo físico jamais suportaria tal construção ignóbil. Como os passarinhos que são
injustamente colocados em prisões de madeira pelos seus donos, eu não seria o brinquedo
divertidode nenhumporcofardado. Eunasci para ser livre e tambémmatar pessoas.Era istoe
nada mais. Apenas isto.
Uma longa reflexão me deteve por duas horas em uma cadeira de madeira. Havia na sala, um
bom vinho tinto, uma taça grande de vidro, alguns dos meus melhores livros, o meu gato de
estimação e os meus dois cachorros.
A minha gata rajada, toda pintada de pelos pretos e brancos, chamada de tempestade, me
olhavade maneiratriste,nãosei explicarmuitobemaquelacena,masaquele estranhoanimal,
possivelmente irracional, parecia compreender o que estava prestes a acontecer. Nós nos
olhávamoscompenetradas,admirandoaface quase angelical umdooutro.É claroque a minha
gata, tinha mais semelhanças com um anjo do que eu.
Minutos depois se juntou a ela os meus dois cachorros, incrivelmente algo muito estranho
aconteceu, elesnão brigaram, nem tentaram se agredir. Os dois apenas se jogaram no chão e
deitaram junto a minha gata. Era comum ver Lúcifer e Gabriel correrem atrás da tempestade.
Ela aprontava muito para cima dos dois Rottweiler´s.
A noite ela arranhava as costas e os trazeiros dos meus dois meninos. Algo que os deixava
bastante irritados. Ela fazia isso, repetidas vezes e geralmente levava a noite toda, uma
brincadeiranadaagradável pararealizaemcãestãobravose familiarizadosaviolência.Umfato
que perturbava bastante o sono dos meus grandalhões. Era como também ver arranhões nos
focinhos dos dois, mas a tempestade, as vezes levava a pior, uma vez e outra, aparecia
mancandoe sangrando, geralmente devidoaváriasmordidas nadaagradáveisemsuasorelhas
e patas.
O Gabriel eramaismalvado,cruel e temperamental,tambémeraomaiságil,eraele quemmais
judiava de minha companheira. O Lucifer era um cachorro adorável e dócil, não ligava muito
para a tempestade.Mas querendo oudesejandoumadefesa,masconcisa,poderia matar sem
muitadificuldade,qualqueranimal davizinhança,masacho que elessabiamdo meuamor por
aquelabolade peloimprestável,e sabiamtambémdomeuamorindissociável,vigoradoaeles.
E como euos amava de forma incondicional, elesse aturavamsobre o mesmocômododa casa
e talvezporisso,asbrincadeirasdostrês,nãoacabavaemcarnificinaouemmortes. Agoratudo
ficavamaiscomplicado.Alémdobancode madeira,ascordas sobre a viga,o vinhotinto,ataça
grande e dos meus queridos e amados livros. Tinha a presença dos meus três filhos postiços.
Tudo ficaria mais difícil. Como poderia tirar a minha própria vida, vendo-os me olhar daquela
forma.A tempestade pareciaquererchorare o Luciferlambiao própriorosto querendotalvez
enxuga a própria tristeza. O Gabriel era o único que não parecia se importar muitocom o que
viaemsua frente.Paraele,aquilopareciaumespetáculo.Ecenascomoaquela,nãopoderiaser
ver com tanta frequência.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Depoisque eume fosse,elesficariamsozinhosporváriosdias,provavelmente passariamfome,
sede e até frio. Eu era o único que os alimentava,banhava, brincava, passeava e até os cobria
com lençõesquentinhosa noite. Elesficariamnesta situaçãoaté que a vizinhançaou a polícia
fosse chamada para verificar o odor de carne podre que exalava da casa.
Eu sei que ninguém sentiria a minha falta. Nenhum dos meus vínculos pessoais tentaria
investigar o meu sumiço repentino. Nem na faculdade, nem no trabalho e nem no futebol na
quadra ao lado. Ninguém viria na minha casa para saber o porquê de minha ausência.
Estava tudo pronto para o meu ato final, as cortinas da vida estavam se fechando para minha
existência, tudoestavafinalmente nofim.Euiriame juntaas minhasbelasmeninas,asminhas
várias matrioscas.
A maioriadelasestavamescondidasemparedesdosmuitoscasarõescoloniaisque tantoamei.
E a elas eu me juntaria nesta noite. Espero ser bem recepcionado. Espero não ser agredido e
hostilizadospelasAtenasMaranhenses.Minhasdocese virgensmeninasde cabelospretos.Elas
devem estar espalhadas as dezenas nas ruas das casas coloniais do reviver.
Elas andam pela cidade dos azulejos como se ainda estivessem vivas. A noite sempre as vejo
sentadas sobre o casarão azul da rua do giz. Pregando peças nos visitantesque passeiam pela
cidade.Algumasconseguemme reconhecer,tentamme atacar,masinfrutiferamente,desistem
do seu êxito ao perceber que não conseguem me ferir.
Muitas me olham com maldade e ódio, me condenam pelo o que fiz a ela. Outras nem sabem
que estão mortas. E correm atrás de mim como se eu fosse um amigo ou um colega de
brincadeira infantis.
Mas a meianoite,quandoasruasficammaisvazias, é que perceboodesesperode algumas das
meninas.Algumaschamamrepetidasvezespelamãe,outrasclamampelaproteçãodeseuspais.
Uma outra garota, apegada a seu avô, chora sentado sobre o meio fio,ela parece está isolada
das outras meninas, e pedindo para não ficar naquele lugar, implora pelo ancião que antes
cuidava de seu conforto, ela pede para que ele não a deixe na rua sozinha e com frio.
Horas depois, uma mulher adulta, linda e muito jovem, aparece sobre a janela de um dos
casarões coloniais,elachamaportodas asmeninas,asuavozparece doce e afável.Elaquerque
as meninas entre no casarão. Uma frase bastante imponente, inferir uma ordem familiar e
materna, “é hora de dormir”, repetia a mulher em um tom agradável e gentil.
Algoque foi prontamente atendido.A únicaque permaneciado lado de fora do casarão, era a
garota sentadaao meiofio.Ela se negavaementra no casarão. A voz do altoda janela,repetia
docemente o pedido de convocação. Mas a garota soluçando fortemente em desacordo,
continuava sentada e imóvel.
A jovemmulherentãoaparece sobre o largo portão colonial de azulejosazuis.Aproximasseda
garota, a abraça, beija-a na testa e recitando algumas palavras sobre o ouvido esquerdo,
consegue convencer a menina a levantasse.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Noentanto,fui surpreendidoporumamãoafável e meigaque envolviaomeuombroesquerdo,
a pessoaestavaatrás de mime a sua respiraçãopareciaofegante.Quandovirei,fui acometido
de um susto terrível. Era a mesma mulher que conversava com a menina sentada ao meio fio.
Ela estava diferente e muito desfigurada. O seu rosto estava rasgado de uma extremidade a
outra. Ela segurava as suas vísceras, ela tinha um rasgo a faca, feito de sua garganta até a sua
genitália.
Finalmenteconseguiarecolhesse-la.Aquelajovemeraumade minhasvítimas.Achoque elafoi
uma das primeiras mulheres adultas que matei. Mas o que ela fazia no centro histórico. Não
lembro de tê-la matado aqui. Ela me olhou nos olhos, soltou uma lagrima fina e pequena,
aproximou-see mebeijouaforça.Percebinitidamenteasualínguaemminhagarganta,também
notei que ela me tirava a respiração, ela tentava me sufocar. Abrir os olhos e vir que tinha um
cadáver apodrecido me beijando, sentir o gosto da carne podre, sentir o cheiro de sua carne
decomposta,virosvermescircularempeloseurostofamigeradoe virque seuespectrotentava
me matar.
Eu a empurrei,elase desfezemmilhõesde grãosde areia.Acordei minutosdepoiscompingos
de chuva em meu rosto. Eu estava deitado de costa sobre o chão do reviver. As gotas
engrossavam e o frio aumentou a sua proporção e intensidade.O meu corpo estava gélido,
pálido e com uma marcar estanha de queimadura em minhas mãos.
A mulherestranhatentoume matar,comoissoerapossível. Apesarde saberque elaeraagora.
Uma dúvidaficousem resposta.O que ela faziano revivercom estasmeninas.Ela não deveria
estar aqui. As garotas estavam no lugar certo, todas foram mortas no reviver e em casarões
distintos e únicos. Mas foram todas mortas aqui no reviver. Mas esta mulher, eu a matei a
muitos anos em um outro lugar. Isto não fazia sentido.
Aquelavisãomórbidae aterrorizanteque vivencienoreviveranosatrás,programavade alguma
formanada casual, o que de fatome esperavadooutrolado da vida.Asminhasmeninase esta
mulher estranha, talvez me preparava torturas espirituais horríveis.Eu pagaria por todo o mal
que fiz a elas. E todas me dilacerariam de maneira terrivelmente cruel. Minha alma seria um
brinquedo no inferno.
Enfim, não fui um homem muito certinho, caridoso ou um cara do bem e entendo o que me
espera do outro da vida, aceito o meu destino. Aguardo as minhas matriocas com um amor
perdido e ainda juvenil.
A minhaúltimavítima,estavamortaem minhasala,e elatambémestavaemforma de espirito
na sala. Ela me olhava com desprezo e ojeriza. E com certeza desejava a minha morte. Enfim,
subir ao banquinho de madeira. Guardei as peças de meu tabuleiro de xadrez favorito, e os
coloquei sobre a cômoda.
O meu celular me olhava de maneira ridícula, achando por lisonjeiro, ou epifania que uma
ligação ou mensagem deveria selar a minha partida. Mas definitivamente, eu não ligaria para
ninguém, nem tinha para quem ligar se pudesse fazer isto. Infelizmente, sou somente um
homem solitário e cruel.
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Mas a vida que tanto amei e tomei de outras pessoas, era algo muito mais estranho e
importunamenteinadequadaaminhapersonalidade.Eudei prosseguimentoaoritode suicídio.
Estava convicto.A decisãofoi tomada. A corda foi colocada de maneiracarinhosasobre o meu
pescoço. Ensaie um pulo, mas fiquei com medo.
Aquiloeranatural,eutinhapraticaemtirar a vidade outraspessoas,masa minhaprópriavida,
era algo difícil e ruim até para um homem frio como eu. Eu não tinha outra saída. Não tinha o
que era o maisnecessárioparaesta vivo.A mola impulsionadorade minhaexistência.Euperdi
o prazer de matar, perdi tambéma mulherque amo. Ela estavapresa a quase uma década.Eu
matei e ela pagou pelo o que fiz. Eu ensaiava um próximo pulo, este era decisivo. Adeus vida,
adeus minhas bonecas.
Mas o pulo foi interrompido, uma surpresa calou a minha voz e o meu impulso para a morte,
alguém ao meu lado segurou a minha mão de maneira peculiar e familiarizada. Não era algo
estanho aquele perfume, não me era estranho a pele sensível e doce daquelas mãos.
É claro que pensei que fosseumoutrosonho,talvezumdevaneiofebril e demoníacodasolidão
que tanto me acompanhava. Eu fechei os olhos e esqueci do que me fazia ter felicidade.Quis
me jogarnovamente daquelebanco. Masasmãos friasque me agarraram e me imperamde me
jogar, novamente me pareceram verdadeiras e objetas de realidade concreta.
E novamente aquele perfume, aquela pele, eram familiares e conhecidas para o meu cérebro.
Sentiralegriae felicidade. Ouvirumavozme falandobaixinho.... –Eu voltei meuamor....Tenho
certeza que não era a solidão tentando me enganar. Aquilo era real, tinha algo concreto e vil.
Talvez fosse o sono da morte, ou a vida tentando me devolver para os crimes. Mais aquela
pessoa era real. Ela era de verdade.
E novamente, sussurrando em meu ouvido, ela pegou pela minha mão e a colocou em sua
genitália.Esussurrandome disse claramente emumtom sex e agressivo. – Você não precisair
embora,ficacomigo....Efoi porissoque naqueledia, eunãome matei.Elaacaboume salvando.
E eu então voltei a sorrir.
Fim
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Notas do Autor
Este livro revela todas as ansiedades de liberação do pensamento romântico, mesmo
aqueles exacerbados de outra natureza (terror que envolve Amor e Mortes), estes textos
expressãoadramaticidade que é expor as raízes pessoais de quem ainda não o conhecemos.
O ato de transferir sentimentos tão íntimos como o amor, o ódio, a inveja, a solidãoe o
prazer carnal, a seres totalmente desprovidos de vida, é como reviver de novo em outras
pessoas, neste caso, os poetas desta geração, que sempre precisãodo ser amado como fonte
de prazer para poder existir e amar, e novamente a questão lascivinista os envolve em seus
dramas pessoais.
Este sentimentoao mesmo tempo que os expõem, também os escondem do seu dever
social, fator que os entrega aos julgamentos de uma sociedade ainda indiferente,
preconceituosa e desigual, que munidas de críticas ferozes, insultos famigerados, moldamno
berçodoséculoXXI,umasociedadeniilistacapazde destruirasliberdadesindividuaisexistentes,
e que como escritor metódicoe defensorde qualquerliberdade,vouterque combatere sofre
os ônus.
Isto coloca-nos estritamente vulneráveis como poetas, como escritores ou como
cronistasa partir de nossasnotas de publicações,tornando-nosde certaformaícones vivosou
mortos de um patrimôniocultural e imaterial da humanidade,umaespécie de pai de todos os
loucos desta contemporaneidade seleta e perturbada pelos conflitos sociais não resolvidos.
Cada poeta desta geração lascivinista é pertencente agora, como de um acordo, e em
total comunhãonãoliteral,atodososleitores,poisexpor-se é mesmoumtantoquecomplicado,
atenderentãoatodasasexpectativasde quemnosleré comoestar-sepreparandoparatrincha
uma verdadeiraguerra,onde asarmase as mortes,é o que menosimporta,masmesmoassim,
isto não nos incomodamos de travá-las diariamente.
Ovinho,porém,temsidoumbelocompanheiro,sugiroaosleitoresqueotome comoum
companheiro nato, e o regozije em tamanha amplitude e gozo, na intenção de tomá-lo,lendo
este livro é claro, em companhia de uma bela e doce mulher.
DieghoCourtenbitter
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Agradecimentos
A todososmeusamigose familiaresque leramestelivroantesmesmode suaimpressão
e publicação, e que o elogiaram e o criticaram, debruçados arduamente em suas entrelinhas,
aosque deramsugestões,e que compactuaramnostalgicamentecomigo,lendo-omuitaspartes
importantes para conclusão do mesmo, as vezes fazendo isto ao ar livre e em alguma praça
pública na cidade de São Luís do Maranhão, e sempre na companhia e na embriaguez de um
bom e velho vinho.
DieghoCourtenbitter
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Memorial
Em memória de um amor
Que ficou no passado
Ao amor de minha vida...
Ainda que este amor não seja
Por mim público como devia o ser
Tanto a mim quanto a ela...
Esteja aqui está declaração
Em seu dignifico nome
Oh! Minha amada bendita...
E mesmo que ainda esteja
No anonimato completo
Meu amor por você Anajara
Ainda continuará no espaço...
Percorrendo o infinito
Como o brilho de bilhões
De estrelas mortas nos céus
Que insistem em te focalizar...
Isto sim meu amor
É apenas amar-te....
DieghoCourtenbitter
O SenhordosFiose dasNavalhas
DieghoCourtenbitter
Sobre o Autor
Sua almanouniversoimaginativoperambula,seugostopelovinhorevitalizarasua
emoção e a paixãoextremamente exageradafaz-lhesruídos sórdidosemseucoração, nascido
na Cidade do Rio de Janeiro no Estado do Rio de Janeirono dia 04 de Junho de 1979, sua vida
literária foi sempre marcada pela paixão que nutria pelo teatro, música, cinematografia, artes
plásticas, história geral da humanidade e pela filosofia, talvez isso explique até hoje a sua
fascinação pelos livros literários e pela história humana.
Desde muito novo teve amor pela escrita, completamente apaixonadopor este
oficio, propor-se inicialmente a escrever poemas, peças teatrais, pensamentos, crônicas e por
últimose permitiuser,umfamigeradoescritorde fatoe de oficio,atoque é asuapaixãomaior,
“O Senhor dos Fios e das Navalhas” resumisse como um livro que foi escrito para instigar seus
leitores, participando a eles como era a vida em poesia cifrada no único amor.
Sua escrita e a mais completa intimidade dada por um ser apaixonado, visão que
ele descreve comose fosse um verãocomprometedor,numainvariável repetiçãode emoções,
e que boas repetiçõesde emoçõesnuncasão demais,estáe a sua sétimaobra prima expressa
emlivro,umlivromuitoromântico,inteligente,conflituoso,lascivo,tenebroso,encantadore ao
mesmo tempo tempestuoso.
Os papeis em branco tingidos em cinza ficaram ao cargo do leitor colori-los, não
admiremvocês,amigosleitores,se acaso vosencontrar algunspedaçosde vossas vidasnestas
entrelinhas,escondidasmutuamente nasorelhasdestelivro,consumamosmeuspensamentos
como a quem bebe vinho, embriagado, tenaz e envolvido em sono, sejam meus caros leitores
degustadores incansáveis, e por favor, embriaguem-se primeiro antes de lê-lo.
DieghoCourtenbitter

O senhor dos fios e das narvalhas (conto)

  • 1.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter O Senhordos Fios e das Navalhas Diegho Courtenbitter 2018
  • 2.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Prefacio Osenhor das navalhas é uma expressão maleável e psicótica de um instinto predador incorporadaem umjovemque matadesde de quandoeraumacriança. Uma infânciadifícil que lhe permitiudesenvolver uma antipatia irregular e fria com as vítimas que atravessaram o seu caminho, ou escolhidas por ele. Um criminosode mentedestrutivae doentiaqueaperfeiçoouassuasmatançasapósterpassado por uma forte desilusão amorosa com uma jovem de apenas 25 anos chamada de Ana pelo misterioso “Serial killer” que não tem o seu nome divulgado na trama. As váriasAna´s mortaspeloassassinomisterioso,sugeremque todas elasforamescolhidaspor um motivo obvio e determinante. As jovens possuíam o nome de sua ex-paixão e muitas detinhamcaracterísticasfísicas similarese até parecidas com a garota que o assassino amava. Todas elas eram mulheres inteligentes, jovens, bonitas, morenas e com estatura de até um metro e sessenta. Todos os crimes acontecem em 2019 e acumulam inúmeras manchetes de jornais,oterrorinvade ailhadoamor,omedofazcomque asruasfiquemvaziase apolícialocal não consegue coloca atrás das grades o estranho homem das flores, que mais parece um fantasma. Ana Carla
  • 3.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter “UmaFlor Simplesmente Exógena Um filete de água esquia Uma Arajana em meio as Oliveiras” Roosevelt F. Abrantes
  • 4.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter “Odesejoestáocultosobre asHortênsias....UmaArajanase esconde dentrode mim... Uma milagrosatulipase fazrefémemmeuensejo....Amarnãoficouparao amor....Foi o amor que nos dispensou....” João Justina Liberto
  • 5.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Livro:O Senhor dos Fios e das Navalhas Gênero: Conto Ano: 2018 Autor: Diegho Courtenbitter Mello Neto de Abrantes Titularidade: Este é um Heterônimo de Roosevelt F. Abrantes Editora: Editora Lascivinista / Produção e Publicação Independente Coletânea: Uma Arte Lascivinista Ano de Finalização Escritural da Obra: 2018 Data da Primeira Publicação deste Livro: 26 de Dezembro de 2018 Contatos: End.: Rua das Palmeiras, n° 09 Residencial Parque das Palmeiras Vila Embratel – São Luís - Maranhão Cep.: 65080140 – São Luís – Ma País.: Brasil / Região.: Nordeste Tel.: (98) 9 9907-9243 / (98) 9 8545-4918 WhatsApp.: (98) 9 8545-4918 E-mail.: rooseveltabrantes@gmail.com Redes Sociais: Facebook.: https://www.facebook.com/rooseveltfabrantes Twitter.: https://twitter.com/rooseveltabrant Linkendin.: https://www.linkedin.com/in/roosevelt-f-abrantes-0b1b2426/ Instagran.: https://www.instagram.com/abrantesroosevelt/ Hotmail.: rooseveltabrantes@outlook.com Blogger: http://movimentolascivinista.blogspot.com/ Site.: http://movimentolascivinista.com
  • 6.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Autobiografia Nome:Diegho Courtenbitter Mello Neto de Abrantes Data de Nascimento: 04/06/1979 Cidade Natal: Rio de Janeiro Estado: Rio de Janeiro País: Brasil Nome do Pai: Joelson Courtenbitter Mello Filho de Abrantes Nome da Mãe: Leticia Courtenbitter Mello Araújo de Abrantes Cônjuge: Claudia Courtenbitter Mello Silva de Abrantes Ocupação: Poeta, Escritor, Cronista, Contista, Grafista, Fotografo e Iluminarista Profissão: Comerciante e Chefe do Gabinete de Oficio do Rio de Janeiro Bairro onde Morou na Infância: Rio de janeiro Locais onde Trabalhou: Centro de Niterói e na Prefeitura do Rio de Janeiro Formação Acadêmica: Pós-Graduado em Ciências Politicas Lugares onde Morou: Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais Ideologia Política: Extrema Direita Gosto Musical: Modas Portuguesas e Bolero Argentino Gosto Gastronômico: Bacalhau, Arroz Branco, Feijão e Azeite Religião: Católica Apostólica Romana Altura: 1,85 Mts Etnia / Raça: Branco Cor da Pele: Branca Cor dos Olhos: Verdes Claros e Pequenos Cor dos Cabelos: Castanhos Claros, Lisos e Curtos Postura Física: Esguio e Levemente Curvado para Esquerda Tipo Físico: Magro, Dedos longos, Pés Grandes e Pernas Compridas Tipo Físico Facial: Nariz Grande e Afilado, Cabeça Retangular e Queixo Quadrado Trajes Habituais: Chapéu de Linho Preto, Ternos Azul Escuro e Sapatos de Couro Idade Atual: 40 anos Orientação Sexual: Homossexual Heterônimo: Diegho Courtenbitter Mello Escritor: Roosevelt Ferreira Abrantes
  • 7.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloI AprisionadO O QUARTO Quando acordei naquela suposta manhã de quinta-feira, achei realmente que estava em meu quarto, deitadosobre aminhacama.Haviamuitaconfusãoe muitasdúvidas.Etudosobre odia anterior, parecia ter sido arrancando, extraído, removido e apagado das minhas lembranças. O último acontecimento metódico que me recordo com clareza, foi de ter saído de casa na quarta-feira à noite para comer um cachorro-quente do Sousa na praia grande no reviver. Depois disso, não lembro mais de nada, e somente a escuridão desse lugar, está intacta em minha consciência vazia. Muitas perguntas preenchiam a minha abandonada incompreensão,vários questionamentos jaziam sem resposta, e outras procuravam por soluçõesobvias. Mas apesar de saber quem eu era,e de todas as atrocidadesque eracapazde fazer,nãoconseguiaimagina,quemfariaaquilo comigo, ninguém seria mais louco do que eu mesmo. Muitacoisafaziasentido,comoolugarsilencioso, nenhummóvelalémdessacadeira, poucaluz, e o cheiroforte de detergente,estaseramartifíciosusadospormim emvários dosmeus crimes. Nenhuma das minhas vítimas, jamais saberiam o que lhes atacou ou porque as suprimiu. Eu sempre fui sucinto, ágio e muito cuidadoso, sem rastos, sem pistas e sem cheiros. Mas ainda assim, nada fazia sentido, quem me queria naquele lugar, e porque me queria tanto. Aquela escuridão penumbrosa, o lugar minuciosamente limpo, e o silencio absurdamente delicado,começavaaincomodaos meussentidos.Minutosdepois,algodiferentetomouconta do silenciomórbido,e um movimento atípico e natural, manifestava-se pela fresta de luz que era irradiada pela janela de madeira, um cheiro forte de terra molhada, começou a se desprenderdosolo,esmagandotacitamente omeuolfatofelino,aescuridãoaindaferiaosmeus olhos, e o meu paladar queria sentir o gosto ébrio do meu corajoso carcereiro. Eu estava a várias horas sentado na mesma posição, e os meus membros inferiores estavam todosdormentes, umasede insuportável tomavacontadocéude minhaboca e a fome tentava me causar dor. Ninguém se apresentava para me machucar, prisões tendem a representar torturas e medo. Mas ninguém até aquele momento se prontificou. Tentei por duasvezes sentiro gostode minhaprópria saliva,masa boca seca não me permitia sentir nada. Também tentei abrir os meus olhos, mais apenas um deles enxergava com certa dificuldade o pouco de luz que habitava aquele lugar. Minhas mãos e pés estavam amaradas contra a cadeira e uma forte dor em minha coluna denunciavasemdúvidaalgumaque euhaviadormido naquelaposiçãoporhorasou diasinteiros sobre aquela cadeira de madeira a qual fui aprisionado.
  • 8.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Euestava geograficamente desorientado, aescuridão eraanda algo terrível, e o desejode esta livre consumia-meprofundamente aalma, euhavia perdido ossentidos,e olhando novamente para aquele imenso espaço vazio, não tinha ideia de onde estava, não sabia a quanto tempo estava desacordado, e nem sabia como fui para naquele lugar. Minutosmais tarde sentirum estranhoe intermitentegosto de sangue sobre a minhalíngua,a sede era enorme, mas esta sensação imprudente não me traduzia coisas boas, eu podia esta envenenado, e se esta era a intenção de meu algoz, eu morreria sozinho naquele lugar em questão de minutos. Levantei a cabeça com um pouco de dificuldade e percebi que uma dor ínfima e latente, emanavadomeiode meucrânio,estendendo-se peloouvidoe peregrinandoaté aminhanuca, com dificuldade, tentei abrirosolhose virandoopescoçodoloridoemdireçãoaquele pequeno facho de luz que entrava por uma encurtada janela, não consegui identifica com clareza se aquela luz era mesmo natural ou artificial. Os meus olhos estavam machucados, minha percepção estava turva, e a minha dialética não impetrava uma verdade absoluta sobre os fatos. Eu me perguntava o que sobre o que era dia ou sobre o que era noite, tudo se manifestava igual, nada era diferente de nada, e apenas o facho de luz projetada pela janela mudava de direção ou lugar. Era verdade, eu não sonhava sobre osmeus lenções,eu estavaemcárcere,e supostamenteaquele eraumquarto comumou incomum para os meus sentidos apurados. Mas eu ainda me perguntava, em que lugar do mundo situava-se aquele maldito quarto. Aquele lugarjáme parecia familiar, eunãoestavaali por acaso, sejaquemfor o meualgoz,ele me conhecere me queremsofrimento, maseunãoconseguiaidentifica-lo.Horasdepois,ouvir um motor de um carro estacionar na parte de cima da casa, o meu carcereiro havia chegado. Minutos mais tarde um cheiro de comida caseira invadia o pequeno quatro, o chão de terra batidafazia se sentirnovamente doladode fora da casa, o aroma de terra recémmolhada era salpicadopelafinachuvaque se pronunciavatímidaatravésdosportõesde madeira, ostrovões avisavam a proximidade de um temporal violento. A fina camada de musgo que envolvia a lateral da janela era outra sutileza que o meu olfato haviaapreendido,elaproduziaumcheiroúnicoe perspicaz,eujamaishaviasentidocheirotão bom como este, ocair de pingosd´águas sobre as plantas,agitavamcom velocidade achegada da chuva, o dia ficaria mais frio, e a noite prometia revelações promissoras, tudo aquilo me remetia a algo que já havia vivenciado. Mas a minha mente me traia, e eu não conseguia me lembrar. Afinal de contas, que lugar era esse, que casa ainda conservava portõesde madeira e chão de terrabatida,e que lugaremSão Luís podiachove temporaiscomtamanhacargade relâmpagos. As chuvas aqui eram tão intensascomo os seusventose os raios rasgavamos céuscomo jatos sônicos barulhentose perigosos. Os trovoescausavam medo pela força de seus sons e brilhos intensos.
  • 9.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Achuva apertou com mais força, e os trovões, relâmpagos e os pingos d´águas faziam um barulho ainda maior do antes. Eu podia sentir a terra enfaroada, os caminhos de agua delineando pequenos córregos, e o cheiro dos jasmineiros sendo exalada para chamar os passarinhos. Aquele era o melhor perfume do mundo, a terra molhada, o cheiro que ela produzia. Aquilo era ao mesmo tempo aterrorizante e incrivelmente doce. Lamentavelmenteeunãopodiadesfrutade nada doque eraoferecidoporaquelelugar,poiseu estava amarado sobre uma cadeira de madeira, meus pés e mãos jaziam deliberadamente fixados contra o móvel e os meus ombro e troncos firmemente cerrados com fitas adesivas, imobilizado contrao encostodo assento.Eu permaneciainerte e aindasema menornoção de onde euestava,e odiae anoite eramiguaistodososdias. Euestavaperturbadoe desorientado, mais a minha mente procurava um caminho para uma possível solidez. Depoisde suachegadaaquelacasa,o meualgozficouemsilencio,nãodirigiunenhumapalavra em minha direção, pouco ligando se eu tinha fome ou sede, mas eu ouvir chegar próximo da porta do quarto por algumas vezes. Eu gritava por ele, mais não adiantava, ele voltava para a sala e ligava a televisão. Eu percebia que ele assistia ao jornal, cozinhava, tomava banho, e cultivavaasplantasemseujardim. Istoerafeitometodicamentee semprenosmesmoshorários. Acho que passei dois dias inteiros chamando por alguém que eu não conhecia e que não me respondia. Noterceirodiaalguémme ofereceuágua,ele acendeu aluzartificial,masaapagounovamente emseguida,nosdeixandonovamentenoescuro,colocouumcopode aguasobre aminhaboca, ele me fezbeberdescontroladamente,engasgando-meentre umgolee outro.Aofinal doúltimo gole de água,pedirpor comida, maiso silenciodomeuopressor, apenasbateuaportaatrás de mim. Mais umdiase passou e o cheirode comidacaseirame perturbavaoestomago,assimcomodas outrasvezes,soliciteiporcomida,poráguae porumacomunicaçãodireta.Maisomeuagressor se comportava como um fantasma. Ele era intransigente e frio, pouco solicito. Minutos depois, ele ou ela, não ei ao certo, entrou pela porta dos fundos e acendendo e apagandoas luzesnovamente, colocouopratosobre a minhapernae me alimentouporquase dezminutos.E apósterminada a minharefeição,elefechouaportaatrás de mime foi embora. E novamente griteiporajuda,chamei porele, ouelae lhepedirmaiscomida,maisaquelapessoa sem rosto, sem sentimento, continuou em silencio. E mantendo-me em cativeiro, prosseguiu com a sua tortura mental. Eu tentava me lembra daquele lugar. Geralmente as minhas percepções são extraordinariamente incríveis, sou do tipo de pessoa que se lembra de quase tudo, sou um ótimo analista. Mas aquele lugar ainda era uma incógnita, um segredo a ser descoberto.
  • 10.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloII Segredos LibertoS Uma Velha ConhecidA A luz foi novamente acessa sobre o pequeno cômodo e repentinamente dentro do quarto, observei a movimentação fugaz e pouco discreta do meu critico carcereiro, a escuridão ainda me incomodava bastante, e os meus olhos necessitavam ver alguma coisa, algo que não fosse apenas um terrível vazio projetado sobre a parede. Asvezesumlaminadoe pequenofacho de luzvindodajanela,quebravaaescuridãoque estava a minha frente, mas os meus olhos ainda enxergavam somente vultos. A luz apesar de bem- vinda, feria os meus olhos amiúdes, mais nada que lhes tirasse a beleza, aquilo era um alento para minha alma perturbada. A escuridão que antesenvolvidaoambiente,desfez-se terminantemente sobre os meusolhos e o quarto antes desconhecidopara mim, apresentava cores e texturas bem demarcadas. O estranho posicionou-se em pé atrás de mim e virando a minha cadeira a noventa graus, e reposicionando-aemdireçãoafrente porta, levantouomeurosto com um dos dedospara me defrontar, eu ainda não conseguia enxergar, a luz artificial da lâmpada, brilhava como um sol ardente em fogo e brasas. Infelizmente eu não o reconhecia, meus olhos viam apenas vultos, pedaços de um rosto anônimo e febril para a minha tímida memória, o brilho incandescente da lâmpada acima de mim, conseguia ferir ainda mais a minha retina empobrecida, um fator que apenas impossibilitavaaidentificaçãodoseurosto tenazque me encaravacomfriezae muitamaldade. Geralmente aquelesdoissentimentoseramapenasmeus,e sempre me soavamretoricamente agradáveis e amáveis. O seu ódio e a sua maldade podiam ser percebidos pela sua respiração profunda e amarga. Os seus batimentos cardíacos eram firmes e mordazes, algo tão indelével que pode servisto emsuaveiamitral esquerdaprojetadaem suagarganta,querendooseuódio salta para fora de seu pescoço, desejando devora-me de tanta raiva. O estranho foi em direção a pequenina janela, e abrindo-a decididamente sobre um sol provisionado, entre oito ou dez horas da manhã, puxou-a pelo ferrolho, escancarando-a pela sua folha solitária e prendendo a sua aba para não volta a fecha, em seguida apanhou uma cadeira velha que estava abandonada solitariamente no canto do quarto, e arrastando-a pelo seu encosto, posiciono o móvel corretamente a minha frente e sentando-se obliquamente de maneira inversa a minha direita. E interrogando-me vomitou alguns pares de palavras secas e indecorosas. - Lembra-se de mim..... - Você sabe quem sou eu.... - Seu lixo imundo...
  • 11.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Suavoz me causou um certo desconforto emocional,e ao mesmotempo, uma óbviaponta de nostalgia, minhas curtas lembranças efêmeras, fazia-me compreender a algo que ainda não estava claro para minha consciência fria. Sua agressividade foi instintiva, um tapa seguido de uma cusparada em meu rosto, deixou claro que o meu algoz não queria esticar muito as conversas. Sua pergunta nutria neste momento vil, uma espécie de atmosfera social que nos envolvia intimamente. E que em certo episódio comum nos correlacionava, um a vida do outro. Suas interjeições pareciam interligar as nossas vidas de forma mutua. Aquela pessoa agia como se me conhecesse a muito tempo, mas as suas silhuetas eram completamente desconhecidaspara o meu olfato e para minha visão, eu literalmente não a conhecia. Depois das breves palavras iniciais, ela não voltou a dizer mais nada, um silencio mórbido voltou a torna parte do ambiente que nos envolvia. Tudo estava claro, meu algoz era uma mulher, e sendo uma mulher, presumir que ela fosse alguém que tentei eterniza em minhas obras de artes. Mais nenhuma de minhas obras vivem, elastodasforam cuidadosamente mortaspormim.Entãoquem é ela. O que ela quer de mim. Aquela pessoa era alguém intrigante, só não era alguém que pronunciava muitas palavras. Curiosamente forçava as minhas retinas para identificá-la, mais os vários dias sobre uma escuridão intermitente,provocagravesferidasa uma retinacomprometida,comoera a minha visão. Arduamente os meus olhos amendoados, viam pouco coisa sobre o que o rosto dela deduzia, sua identificação ainda era dúbia. Mas apesar da minha forte descrençapor quem elaera, elatinha gravescrenças sobre que eu era. Tentei por várias vezes abri os meus olhos, para poder enxerga o meu carcereiro, maisas sombras sobre os meus globos oculares continuavam muito espessas e tênues. Os machucados e as vendas sobre os meus olhos colaboraram bastante para isso, e a dor na minha nuca parece ter afetado a minha visão. Tenho certeza que apanhei muito,antes de vim para este lugar. Mas como ela conseguiu me captura. Como ela me conhece. Minutos depois a porta a minha frente foi fechada de forma cordial, e novamente um silencio abruto e esguio tomou conta do lugar, eu estava sozinho e sobre o escuro. Horas mais tarde a porta foi aberta de forma rude e feroz, passos tímidos e silenciosos voltavam-se em minha direção, desta vez ela não acendeu a luz, foi quando um soco violentome tomou de assalto e alguns dentes e muito sangue foram expulsos de minha boca. Minha visão finalmente parecia estabiliza-se, as agressões colocavam o meu cérebro em funcionamento, agoratudo estavavoltandoaos poucos,e verifiquei que omeu algoz,além de ser do sexofeminino,eratambémestupidamente linda.Istoerainteressante,elaentãovoltou a se sentar sobre a cadeira de madeira, e olhando em minha direção, gesticulou palavras de baixo escalão e ameaçadoras.
  • 12.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Odiaseriatensopara mime meu carcereiro, seulongorabode cavaloamarradas pelastranças de seu próprio cabelo, agora me causava excitações sexuais mutuas e vigorosas. Seu jeito delicado de iniciar uma conversa, me agradou de maneira fantástica, mais o que me impressionou de verdade, não foi o seu jeito delicado de trata um convidado, foi um lindo mosaico formado na parede daquele quarto... O faixode luzprojetadopelajanelaaberta doquarto, iluminavaumaparte maiordo ambiente, e eu conseguia ver com mais detalhes quase tudo, tanto o rosto de meu agressor, quanto o grande mosaico que se estendia de um lado a outro da parede. Havia vários recortes de jornais, inclusive as várias fotos das minhas muitas vítimas e até os lugares aonde as levei para o triste fim de suas vidas. Aquilo era adorável, e fiquei feliz por alguémguardatempoe paciênciaparame cortejae adorar-me.E respondendooque elahavia me perguntado lhe disse. - Não a conheço.... - Mas vendo a linda pintura que você fez sobre este mosaico..... - Estou aberto para lhe conhecer melhor..... - Você deseja ficar linda como as minhas damas.... - Seja sincera..... - Observe que nenhum pintor renascentista..... - As pintaria tão bem... - Como eu as pintei.... - Sobre o chão dos casarões coloniais de nossa bela São Luís - Eu as eternizei querida...... - Nunca as matei........ - Eu apenas as dei uma outra vida...... Um sorriso demoníaco floresceu de maneira encantadora no canto esquerdo do rosto do prisioneiro.... Ea desejando,sugeriuumdeclive lascivode desejo sobreocorpoda carcereira.... A jovemmulherficouindignadacomomonstroque estavaemsua frente...Nãocompreendiaa mente insanade seuprisioneiro.... Comoalguémpoderiateralegria,observandotodasaqueles recortesde jornaistristes,somenteum monstroenxergariaarte ebelezasobre corposmutilados de jovens e inocentes moças..... Ele era um ser desprezível,umhomemamargo,umlixoemformade pessoa,quandolembroo que ele me fez, tenho desejos desprezíveis e cruéis, mais nada era comparado ao que ele já havia feito com todas estas jovens moças. A tarde estavaquase no fim,e o sol caminhavapara adormecersobre o RioBacanga, apesar de querermata-lomuito,aminhahumanidade me traia,e asvezesaté sentiapenadomaldito. No entanto, apesarde ouvirtodasaquelasinsanidades,fui obrigadapelaminhaconsciênciaairaté a cozinha para pegar o almoço e alimentar aquele animal.
  • 13.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Otoque do meu celular tocava legião urbana, e isto me fez desperta que as 14:30 teria que ir até a cidade paracompraalimentose materiaisdehigiene paraacasa.Antesteriaquealimentar aquele lixo de homem. Mais o que eu faria com ele a noite, traria conforto a minha alma. E retrucando ao toque que sonorizava em meu celular, ele repeliu.... - Você gosta de Renato Russo..... - Gosta de Legião Urbana..... - Você é mesmo adorável - Eu amo as música de Renato..... - Tenho todos os álbuns.... - E muito do que fiz as moças foi inspirado na musica deles.... - Flores do mal..... - Você conhece baby..... Ela achou tudoaquiloterrível,e não acreditavaque suas loucurasteriamrelação com a banda que elamaisgostava.Ela não admitiriaisso.Evoltandoaspalavrasque antesa reclinava,ele as proferiu novamente.... - As flores entre os ventres das meninas..... - São as flores do mal que Renato descreveu na musica..... - Não é lindo..... - Elas são as minhas flores querida..... - Todas elas...... - Minhas flores do mal.................... Elanãosuportariamaisaquelesdevaneios,não escutariamaisnenhumadesuasloucurasaquela manhã,chega...... elasabiaqueaquele animal precisavacomere até faze-losofre,causa-lhe dor e tormentosimprecisos,eranecessáriomantê-lovivoe sadio, ele teriaque estábemnutridoe cônscio. As dores seriam sentidas a carne viva. E voltando para a cozinha, preparei a comida e retornei para o quarto, prostrei-me sobre a cadeira,posicionei oprato sobre suacoxaesquerda e alimentei-o.Garfoagarfoele comiaa sua refeição e com um sorriso grotesco na cara, seus risos fortuitos e insuportáveis eram abomináveis, mais eu, tentava não me importava com as suas contemplações alienadas. As garfadas desciam até a sua garganta, as vezes eu o engasgava, outras a embolia com severidade, algumas outras o sufocava propositalmente, mais a maiorias das vezes eu as imprimiacomas mãos,comprimidoosseuslábios contraasua respiração,forçando-oaengolir a comida sofregamente. “O mundo não querqueeu seja um tolo, quer que eu seja uminsano” Rusgat Niccus
  • 14.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Masmesmo lhe aplicado enfadonhos movimentos de compressão alimentar sobre a sua garganta, ele continuava com aquele sorriso maldito sobre o rosto. Minhas atitudes pareciam um tanto selvagens, mais aquele sorriso mórbido e cínico, incomodava-me bastante, e o meu estadode espirito,apósimprimir-lhesaquelasúltimasgarfadasque existiamnoprato,foramde um assentimentogutural nefastoe abrupto,o desejode rasga-lhesagarganta subiaem minha essência, mas minhas provocações assentias deveriam ser contidas e pacientes. Minutosdepois um sorrisopodre e nojento foi vislumbradointencionalmente paradentrodos meusolhos,e aproximandode mimele sussurroualgoinaudível,coisadesprezível,e próximoa meu rosto, ele cuspiu parte de sua comida sobre a minha face. Minha reação foi algo súbito, nervoso, efêmero e animalesco, o grafo em minha mão obteve autonomia,e emumsurtorápidode raiva,enfie-lheotalhe de trêspontasna mãoesquerdado meu prisioneiro intrépido, e enterrando o garfo ainda mais sobre a sua mão, retorcia-o apressadamente contraosnervose tendões,e fechando oobjetotacitamente,pressionando-o contra o braço da cadeira, rolei a 15 graus para leste, dobrando sobre os dedos do maldito. Um grito fino fugiu de sua garganta, e um palavrão pouco sutil foi repelidode sua garganta imunda. Seu hálito decrépito segredou palavras famigeradas e insidiosas, e as maldades inclinadamentefaceirasde suamentedoentia, desejaram-meumamorte talentosae sôfrega.A dor estampava-sememoravelmenteemseurosto,e oódioemsuafaladesejava-meaindamais maldades insanas,como a um bicho preso, solto pela primeira vez na vida,o animal tentouse contorcer sobre o móvel, sem sucesso mordia a própria para conter a dor. Eu nãosabiabemo que haviafeito,masafatode lhe geraalgumador,tranquilizava-meaalma, sentirporum breve momento,umalivioaopesode minhastristesaflições, omeucorpoestava mais sereno e os meus inquietos ombros plainavam mais soltos e leves, os meus pequenos quadris, também se aliviaram de minhas fortes dores, e solicitando um ardil, a minha atitude acabou livrando-me de meus muitos demônios. Um gatilho inesperadamente mental, foi despertado dentro de mim, um lobo voraz, antes adormecido,lutoufortementecontraagazelafrágil queme dominava, nestemomento,eusabia que seria capaz de causa dor a aquele animal, e era isso que eu faria a aquele monstro nesta noite. As minhas livres inclinaçõesfebris, agora o detinha sobre o meu comando, ele não era mais aquela fera sobre o descampado, nem aquele tigre feroz que perneava agilmente sobre suas pressas,ele eraagora,apenasumratoacuadosobre aminhaarmadilha,umvermesobre omeu grafo, um menino chorão apanhando de sua madrasta. Eu o tinhasobre o meudomínio,e o incluíaao propósitoda minhaautoridade,ele certamente sofreria nas minhas mãos, não haveria espaçopara piedades, e o meu ódio seria a única coisa que importaria. Depoisde suareaçãoimprovável,observeique podiaferi-lode verdade,aquele homem cruel podia sentir dor e ser ferido, e isso era fantástico.
  • 15.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Minutosdepois, após apreciar a sua dor, retirei o garfo que estava cravado em sua mão, e imediatamente o enfiei novamente na sua outra mão, o seu grito de dor parecia terrível, mais indissoluvelmente eram música para os meus ouvidos. O deletei daquele absurdo estado de euforia, causava-me apreensão e desconhecimentos, eu não me reconhecia, aqueles atos me fizeram ter ideias ainda mais absurdas, e o prazer de machuca-lo, garantiam-me êxtases, nunca conhecidos pela minha natureza pacata. Minutos depois, subir agitadamente para a cozinha e de lá trouxe um balde abarrotado de bugigangas, muitas das minhas inúmeras ferramentas de cozinhar, estavam espalhadas ali, algumas perdidas a anos. Trouxe também o girau que ficava no fundo do quintal, e aparado sobre uma tolhade enxugarlouças, coloqueicadainstrumentodaminhacozinha sobre ataboa de madeira, perfeitamente enfeitada com os meus talheres e outras ferramentas. Os meuspensamentosnãome deixavamempaz,e todoselesimaginavamcrueldadesterríveis contra o meu algoz. Hoje teremosum animal na mesa de jantar, só não sabemos se ele será o jantar, ou se ele estará sentado à mesa. Uma pergunta tola ficou sem uma resposta plausível e mesmosobre as inúmeras reações que poderiam vir dele, os gritos de dor, seria a única coisa que me contentaria. No entanto, algo aindapermaneciacomas pontassoltas, seráque umanimal como ele poderia realmentesentir dor, uma dor de verdade, ouele estariafingindo, até porque,animaiscomoele,poderiamestá simulando uma consternação, e ainda está gostando ao mesmo tempo daquele cenário. Infelizmente nãotenhocomosaber, animaiscomo aquele cão, ensejamemoçõesdissimuladas e perigosas, mas uma dor visceral, algo tão forte, como o que fiz até agora, será que ele não sentiunenhumador, achoque sim,até animais comoele,devemsentirdor,e com ele issonão seria diferente, ele sentiria dor, mas acho que ele nunca admitiria. Vamos ver até onde ele suporta. Afinal ele é de carne e osso,e se cortá-lo,ele sangra que nem porco. Minutosdepois, semao menos recitar,agindotambémcomo a um animal,eufui arrancando as unhasdaquele infeliz, e uma a uma até completar as dez. Seusdedos estavamemcarne viva,e o seurosto,contemplava-mearduamente,aquiloerauma doação exígua de sofrimento, sua expressão de dor terrivelmente esplendida causo-me uma felicidade inesperada, eu simplesmente, nunca imaginaria que algo como aquilo, seria tão bonito, tão singelo e tão sincero. A sua dor ressoava como a um presente de natal. O calor tomou conta do quarto pequeno, e a minha adrenalina era igualmente parecido a temperatura absurda do ambiente, alguns copos de água aliviaram-me provisoriamente dos espasmos, mais não me saciaram terminantemente a euforia.
  • 16.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Resolvientão retirar a minha camiseta, ficando apenasde sutiã na parte de cima, ele esboçou sofregamenteumarisadafelizde cantode boca.Odesgraçado ironicamenteaindame desejava, maisissoera apenasoque ele iriaolhar,emseguidaenvolvi oseurostocoma minhacamiseta, e tentando sufoca-lo, imprimir toda as minhas forças contra a sua respiração, depois puxei o rosto dele para traz e usando a garrafa de água que havia usado para matar a minha sede, despejei lentamente sobre a sua boca e narina, afogando-o ligeiramente contra o tecido encharcado. A sua expressão de surpresa, esbouçada contra a face, causou-lhe ainda mais apreensão,isso podiaservistoemseusolhos,ohorroremmeuexercíciotorturante produziumedoaté emmim mesmo.Maiseucontinuava,minutosdepoisouviralgobastantepeculiarsairde suaboca.Eram exímios pedidos de perdão e de socorro. Parece que água causava pavor em meu refém. O desejo de respirar era maior, e o meu algoz pela primeira vez sentia medo. As minhas conjecturas morais estavam sumariamente suprimidas, ordinariamente aprofundadas contra o meu verdugo, não havia piedade ou altruísmo, o que me fez sufoca-lo ainda mais conta o seu medo, continuei despejando água sobre o seu rosto, foram quase seis litros inteiros de água sobre a camisa que envolvia a sua narina e vir que o resultado teve bastante êxito, o canalha estava apavorado. Osufocamentome garantiumuitoprazer,mais nãoeraobastante,euaindaodesprezava, talvez o quisesse morto. O tempo estava a meu favor e infelizmente todos os dedos dele também aguardando pela minha odiosa oitiva. Resolvi então dar um tempo para que ele recobrasse o folego, eu o queria acordado e lucido para o que promoveriacontraoseubelíssimocorpo.Horasmaistarde, depoisque ele recobrou oânimo, fizquestãoqueeleolhasse paraoque eutinhaemminhasmãos.Pegueiumesmagador de alho e usando-ovoluntariamentecontraa pessoadele,foi quebrandocadadedoque existia em suasmãos e pés.Um a um fui quebrando osseusdedose sem remoço, eume divertiacom as minhas novas habilidades. Agoraaquele homemde 1,75,ombrosfortes,físicoatlético,olhoscastanhos,e gozandode uma aparente saúde,chorava como uma menininha.Apóstrêslongashoras de tortura. Resolvi que iria inova contra o meu arrogante carrasco, e olhando para o meu arsenal de talhares e instrumentos de cozinha. Deleitei-me em escolher algo mais simples, porém, consolidado o bastante para causa-lhe mais dor. Asminhasmãosestavamaparentementehabilidosase comumapequenaajudadeumisqueiro, esquentei a base de uma colher, e virando as mãos do homem que um dia me estuprou, espalmei-a esticando bastante para cima, com palma da mão voltada para o céu do teto do quarto, e então finalmente as queimei, fizisso em suas duas mãos. Em seguida o fiz o mesmo emsua boca, e incinerandoalíngua dodesgraçado,usei o mesmoprocedimento utilizadopelo isqueiro.
  • 17.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Muitomaisda metade de sualíngua estavaqueimada,e osseusdedose suas as mãos estavam em terríveis flagelos, o seu rosto também demonstrava graves agressões, as vezeseu não me continhae deferiasváriossocose muros contra o seurosto, aquele homem estavafamigerado e decrepito.Euosurravadiariamente,e nuncame cansava.Comida,eraalgoque aquele verme, apenas tinha uma vez ao dia, e depois que fui cuspida por ele, as vezes nem isso ele tinha. A segundasemanade cárcere denuncia bemo trapo de homemque ele ficou,não aparentava ser aquele animal que me atacoua anos atrás. Assuas risadasnão erammais as mesmas,e um declive significante de sua arrogância, foi facilmente denotada em sua frágil expressão facial. Seu olhar de superioridade baixou incrivelmente,e mesmo coagido e inerte, percebia-se uma certa desistência. Mais apesarde ter provocadotanta dor,eu aindaqueriamais,sua desistêncianãome causaria piedade, ele pagaria pelo o que ele me fez, e o que fez as outras mulheres. Nenhum canalha merece redenção, todos devem sofre antes de morrerem. A visãodo homemque via sobre a cadeiraera fantástica,o seusofrimentoeraesplendido,ele estava amordaçado, com um garfo enfiado em uma das mãos, a boca e a língua queimada, o rostotodomachucadoe osdedosdos pése dasmãosestavamemflagelos. Aquiloeraumavisão romântica de castigo, mais o meu corpo e a minha mente ainda queriam muito mais... Não era o meu propósito, mas acho que havia matado aquele infeliz, a cena ao abrir a porta, não erauma das maisbonitase nemera o que eudesejava,comcertezaexagerei nadose, fui à alémdomeulimite,e oque eraparaserapenasumatortura,acabouemumassassinato.Aquele quarto nemde longe lembravaos anos que vivi nele emminha infância. Quandoo vir daquele jeitopelamanhã,nãoacreditei que euhaviafeitotudoaquilo,observei que ele sangrouanoite toda e que deve ter sofrido até morrer. A cabeça caída de maneirairregular para o ombro direitodenunciavaalgoque apenas temia,e que nãoconseguiaacredita.Observei que nãohaviamaispulsoe oseucorpoestavagélido,frio como uma pedra de gelo. O quarto estava alagado de sangue e moscas, mosquitos e outros insetoscomeçavamaser atraídos pelasangria ainda fresca que eu promovi na noite anterior. Algo precisava ser feito, e antes que o corpo começasse a se decompor e a causar mau cheiro pela casa, eu precisaria me livrar dele. Mas primeiro eu arrumaria aquela bagunça, depois pensaria em como descartaria o corpo daquele monstro. Horas depois, tudo estava limpo, e a idaaté osupermercadolheoportunizoucompraumsacoplásticoenorme,alémdefitasadesivas e fios de amarrações.
  • 18.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Avolta do supermercado também lhes trouxe outras ideias, observei que existe um rio e um mangue próximo de casa, este seria um ótimo lugar para me livra do corpo deste ordinário,o cretino afundaria no rio, um lugar obvio para uma desova, mais improvável de ser localizado, aquele seriaumlocal aonde ninguémmaiso acharia, e para garantir que ele permanecesseno fundo do rio, pedras seriam amarradas em seus pés. Seu corpo foi devidamente preparado, envolvidocomsacosplásticos,seladoscomfitasadesivase amarradoscomfiosde nylon, nunca mais ele sairia do fundo do rio. Horasmaistarde,foi exatamenteassimqueprocedi,coloqueiocorponaparte traseiradocarro, sobre os bancos,e dispersandoocadáversobre orio Bacanga, observei ele imergiraté afundar lentamente em sua margem. O relógio marcava 03:16 da madrugada, o silencio terrível, amarguravaa minhaintimahumanidade,apenasosfaróisdocarro,asestrelas,orioe asarvores próxima de mim eram testemunhas do meu grave crime. E infelizmente eu teria que conviver comigo e com aquele segredo para sempre. Anajaraentãodeumeiavoltacomocarroe semolhaparatraz arrancouacelerandofortemente para a avenida dos portugueses, seu ódio por aquele homem não havia passado, nem o mau que ele lhe fezhaviadescansadoemseucoração,maispelomenos,elejamaisfariaalgode mau a outro ser humano novamente.
  • 19.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloIII Um Fato ImprováveL A Ressureição do MaL A noite aindaestavaenvelhecendo,e antesde morrer,vencidapelaclaridade,omal ressurgiria das águas do rio Bacanga, o sol apesar de inevitável, ainda teria mais algumas horas para percorrer o espaço, antes de nascer no horizonte. Algo inacreditável ou planejadopor algo do mal, colocou sobre as aguas do Bacanga, dois jovens pescadores, que ao recolherem as suas redes, fisgaram algo extremamente pesado e incomum, ambos puxavam com força e curiosidade aquele objeto, e com sucesso resgataram para dentro do barco o estranho embrulho. Extremamente habilidoso,umdosjovensrapazes,usandode umafacaartesanal,cortaramcom cuidadoolacre e abriramoembrulho,começaramirrompendoprimeiramente aparte dafrente, as pedras que amarravam as suas pernas foram cortadas e jogadas de volta as águas, e o que não era umasurpresa,foi revelada,oembrulhotinhaumcorpohumano, incrivelmente haviam sinaisde lutaque rasgarammetade dosacoplásticopelaparte de dentro,aquilosinalizava uma tentativa de rasgar o saco. Um fato que surpreendeu os pescadores, provavelmente ele ainda estava vivo, quando foi embrulhado. Infelizmente paraos pescadoresaquiloeraverdade,o homemestavavivo,e abrindoos olhos, aquele terrível homem, tomou a faca de um dos jovens, e os esfaqueou brutamente, ambos atingidossobre o pescoço.O homementãoos devorou,e como a um leão,hora consumiaum, hora consumia o outro, regozijando-se de sua fome. O dia havia raiado, e o sol ardia fortemente sobre o barco aonde estavam os dois jovens pescadores.Asvítimas estavammutiladas,desfiguradase quase irreconhecíveis,foi assimque um outropescadorlocal,descreveuoque viunaquelamanhã,este pescadornavegavaem uma jangadado seucunhado,quando avistouaquelapequenaembarcoàderiva, que batendoforte contra a barragemdo Bacanga, ora afugentava,ora organizavaa duplade urubusque pousava sobre o barco,a embarcaçãose encontrava do ladoaonde rioencontrao mar,em seuestuário, e talvez por isso ele encalhou sobre a barragem e foi em direção ao mar. Quando se aproximou viu uma imagem terrível, algo extremamente animalesco, nunca visto antespelosolhosdaqueleexperientepescador.Umaimagemdantesca,algoparecidocomofim de mundo. Um terror palpável que só se via nas telas de cinema. Haviaalgo parecidocomhomens,oupelomenos oque restavade homenssobre aquele barco, ambosestavamabertosdagargantaaté oabdome,eosdoisnãopossuíamseusórgãosinternos, obarco estavaservindotravessade banquete paradoisurubusquese alimentavamdoshomens mortos, enquanto que as partes de seus pés e braços pendurados para o lado de fora, eram devorados por peixes que constantemente beliscavam e tiravam pedaços de seus restos mortais. A cena era horrivelmente temerária e assombrosamente demoníaca, o que fazia o velho pescador se perguntar....
  • 20.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter –Quem em nome de Deus… – Seria capaz de fazer aquilo... – Com um outro ser humano... – E porque fazer aquilo... – Qual o propósito... Minutos depois de ter avisado outros pescadores, a polícia também foi acionada, o corpo de bombeiros também foi chamado, e horas depois uma multidão de curiosos, a TV Mirante e a Difusora, cobriam e narravam os novos fatos terríveis que abonavam de assombro a pequena ilha, antes chamada de amor, televisionada agora pelo jornal nacional, de a ilha do terror. Durante váriosdias,os noticiários de televisão, apenasfalavamdestecaso,maisospoliciaise a justiça, apesar das investigações e dos vários meses de interrogações contra os possíveis suspeitos, nadafoi descobertoe apurado, oautordaquelecrime bárbaro nuncafoi identificado. Muitosanos depois, algosemelhanteaque aconteceuaosjovensnaembarcação, ocorreu com uma jovem, ela havia sido encontrada morta na praça dos poetas, próximo ao palácio do governo do estado do maranhão, ela estava estripada e sem muitos dos seus órgãos internos, as unhas haviam sido arrancadas, a boca e língua estavam queimadas, e os seus olhos foram extraídos cirurgicamente, havia também uma flor artesanal costurada em seu ventre, a vítima foi amarradae penduradanoapoiode mão, peloladode foradasacada,como corpoprojetado para a beiramar,elausava um vestidode crochê e nassuas costa sobre a pele estavaescrito.... - Eu nunca gostei de você....... - Eu sempre te amei................ - Minha doce e querida Ana.... Até hoje ninguémsaberealmente quemé ajovemdesconhecida que foiterrivelmente estripada naquelapraça,umnome curtoe simplesque apenasocriminoso ousouchamarde Ana. A polícia temuma pistade quemseja oassassino,maisodonodoblogger,dosperfis,dosheterônimos e dos livros que foram postados e encontrados em uma rede social, nunca foi localizado.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloIV 34 Anos AnteS Os Dez Sinais da MaldadE Aquelamanhãde quinta-feiracertamente nãoseriaumdiacomum nacidadede SãoLuís,muitas pessoas possuem dificuldade para se encontrar na vida, não sabem que profissão seguir, que pessoa devem namora ou casar, que pessoas devem eleger para se tornarem amigos, ou que roupadevemvestirparairàmissanodomingo.Estascoisasdeveriam seralgofácile corriqueiro, mas neste mundo vazio e pré-formatado, ainda existem milhares de pessoas que possuem dificuldadeaté paraescolheroque vãocomeremdeterminadodiadasemana,algoque deveria ser relativamente prosaico e fácil. A vida é algo admirável e abundantemente incrível, mas também é efêmera e rápida, excepcionalmente, muitosnãoviveramde verdade,apenaspassarampelavida,algunsmilhões destes, somente descobriramque estão vivos, quando estiverem próximas ou diante do seu próprio leito de morte, infelizmente a grande maioria das pessoas na terra já se encontram mortas, mas muitas delas, nem sabem que issojá aconteceu. São como zumbis,mortos vivos, gente que apenas levanta pela manhã, comer a tarde e dorme a noite. A vida é um luxo que poucos sabem aproveitar, o sol nasce para todos, porémé precisosaber curtir a vidasobre a sobra de um coqueiroque margeiamuma mangueira.A praia é igual para todomundo,masmuitosde nósjamaisentraramnomarpara saborearo gostode águasalgada que respinga no rosto. É triste,maismuitosapenas passarampelavida,masnãoaviveráde verdade, é quase certoque muitosde nós, talvezaté saibaque estána terra, que isto não é um sonho,mascomo a vida, é algo que nos predispõem a riscos, como andar de montanha russa e se jogar de paraquedas, muitos possuem a certeza que já perderam a viagem. Eu, no entanto, vim para este mundo a passeio, e como viajante, jogo-me de cabeça em tudo que me satisfaz e o que me faz bem, a minha mochila está cheia de adrenalina, e fervendo como o inferno, vim para viver uma boa aventura. Quando eu tinha apenas quatro anos de idade, eu já sabia o que eu era, e o que eu queria da vida, meus pais sempre confiavam muito em mim e em meus irmãos, contudo, eles sucessivamente amavammaisaosmeusirmãos,todostínhamosna medidadopossível,tudoo que queríamos, apesar de saber que todos tinhamum horrível medode mim.Infelizmente,eu sabia de todos os pecados tórridos e doentios que eles possuíam, e como pecados são delicadezas que os demônios nos presenteiam, eu nunca me neguei a aceita-los. O meu corpo era de uma criança de quatro anos, maisa minhamente e a minhaalma era algo muitovelho e maisantigoque aprópriaterra. Felizmenteeujáolhavaosoutrossereshumanos como uma caçar a ser predada por mim. Eu tinha algo dentro de mim que não era normal e desde de novinhojá sabia que o ódio e o assassinato seriam para mim, como um presente de natal.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Nuncafuiumapessoaindecisa,sempre tivecertezadaminhanaturezacruel.Nestaquinta-feira acinzentada e chuvosa tive uma fidúcia do que o meu ser era realmente feito, nada era tão terrível quanto eu mesmo. O mal não era nada perto do que eu sou, pois tenho a escuridão dentro do meu coração. Hoje observei sem querer pela janela de meu quarto o meu vizinho, ele atirava pedras em direção a uma arvore com a ajuda de um estilingue, a sua intenção era atingir o ninho de um passarinho, a baladeira em sua mão foi assertiva, os seus quinze anos de idade, haviam derrubado o ninho e os seus filhotes, junto caiu também o pequeno sabiá. O animalzinho estava tremulo e atônito com a pedrada, ele havia tido êxito, mais o bobão sentimental, parecia arrependido do grande feito, o seu rosto rapidamente enchia-se de lagrimas, e um som fino de tristeza revolvia da arvore até o meu quarto, resolvi descer para ajuda-lo, aquilo não era algo tão ruim, o animal penoso estava mais do que atordoado, o ferimentopromoveu-lhe ummachucadomortal,a pedrada que ele deferiucomo estilinguefoi algo majestoso, crianças sabem ser malévolas quando querem pratica iniquidades. Eu sugerir que ele desse fim ao sofrimento do animal, mais ele não estava disposto a fazê-lo. Olhei friamenteparaosseusolhos,sorrire acaricie oseulindorosto, então,eutomeiainiciativa, peguei umapedraenormee golpeandoumasseisvezescontraacabeçadaave,a esmaguei sem piedade. O garoto perto de mim ficou absurdamente horrorizado e ainda em estado de choque, o seu choro seguia descontrolado, tentei tranquiliza-lo, mas não havia muita coisa a se fazer, eu porem, estava completamente entusiasmado, sorridente e muito feliz, ambos estávamos enlambuzados com o sague da ave, mas somente eu sentia felicidade, o meu sorriso assemelhava-seaumlouco emumparquede diversão feitoparamaníacose colapsados.Aquele talveztenhasido o meuprimeiroassassinatoasangue frio,e desde de entãoeu já sabia quem eu era. Eu era um assassino de natureza e convicção.
  • 23.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloV Ana VeronicA Minha 1° VitimA Eu era como um lobo entre as ovelhas,um cão entre os gatos, uma coruja entre os asnos, um insanoentre aspessoasinocentes. Verdadeiramente aindasouumapessoacomum, umanimal com hábitos,um homemsocial,um ser talvezdócil e altruísta,mas aindaassimum homemde convivênciacomume muitonormal.Souagradável,sorridente,gentil,amávele feliz.Tenhoum bom emprego, tenho muitos amigos, tenho uma namorada, curso mestrado em sociologia e pretendo ter família, uma bela família. Indubitavelmente,é claroque tenhodefeitos, estourepleto deles,cobertoporerros e cheiode todos os pecados que mazelam a humanidade humana de um ser comum. Possuo defeitos inerentes ao meu caráter, a meu emocional, a meu comportamento e a minha ética. Estas minhas qualidades e estes meus defeitos de um modo todo inconsciente, são todas vis, detestáveis e biltres.Talveztodaselas,sejam umapiordoque a outra,mas todassão insanase permitidas.Soudotadode falhas,tenhominhasfraquezas,meusfracassos,minhascontradições e até os meus vários paradoxos filosóficos e existenciais. Tenhocomposiçõeshumanassimplese muitasintemperesbanaiscomotodomundo queresiste e existe emnossaespécie,emumacondiçãohumana.Soufrágil,soudócile doce, maistambém sou fugaz, feroz e muito agressivo. Todos os meus defeitos são perfeitamente ordinários, e é claro que alguns deles são um pouco mais ácidos e mais truculentos do que outros comportamentos que ser ver na sociedade. Um detalhe, um fato ínfimo, ou um desarranjo, por mais pequeno que ele seja, este detalhe, aindaserásomente omeueu,e é istoque podedeterminarosermortal que euera,justificando o ser fatal que eu me tornei, uma característica intrínseca que pode se torna algo destrutivo para uma ou mais pessoas que se arrisque ou pretendem atravessa o meu caminho. Estas proeminências são apenas minhas, e sendo minhas, eu me considero humano. Asvezestenho algunsapagõesmomentâneos, lapsosmentaistemporais, apontamentoscurtos de algoque vivi de forma inconsciente, umerro de registro mecânico,formulado e organizado pela minha frágil memória. Estes lapsos as vezes podem dura minutos, horas, dias, ou até semanas, é bem verdade que quando isso acontece, os reflexos físicos em meu corpo são extremamente drásticos, mais eu os absorvo. Quandotenhoestaslacunasvaziasemminhamente,omeucorposempre manifestaasmesmas reações terríveis, algumas são dores cabeças, dores nas costas, dores na barriga, dores de ouvido, vômitos intensos e ansiedade extrema, as vezes sempre lembro-me de alguns fatos efêmeros, pedaços de cenas reais, ou de ocorridos parciais, que em tese deveriam ser controlados ou nem manifestos.
  • 24.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Todosnósdeveríamossercapazesdecontrolarosnossosimpulsose emoções,masnavidareal, as vezes isso não pode ser feito, eu pelo menos, não a controlo totalmente, e por não ter controle destessentimentose nemde mimmesmo, torna-se obviaaminhainerciasobre afera que sou dentro do meu cérebro. No entanto, é claro que a maiorias destes fatos acabam por ser esquecidos, e muitos destes lugarese fatospor onde andei e vivi estaoutravida,ficamapenasregistradoscomoreflexosde um sonho, ou representações de sombras de algo que jamais viveria se estivesse acordado dentro de mim mesmo. Quandoconheci Veronica, eudeveriaterentre 21e 24 anos,nãosei aocerto,mas àquelaépoca, eu aindanão haviamatado ninguémparavaler,pelomenos,nãodo jeitoque euqueriamatar, ou pelo menos, um ser maior que um pássaro, ou um cachorro, ou seja, um ser humano, pelo menos, não do jeito que eu planejava matar, ou como ansiava matar. Havia alguns anos, desde a última vez que matei algo, alguma coisa,ou mesmo alguém, desse último relato não tenho certeza, no entanto, lembro-me que a Ana Leticia e o seu lindo namoradinho foram apenas uma forma de treinamento promíscua, então não conta como assassinato,contamcomoacidentesprovocados e é claro, osanimais domésticos davizinhança e alguns poucos animais de minha casa, também sofreram com a minha ansiedade macabra e os típicos acidentes. Durante a fase adulta, não me recordo de ter matado ninguém,disse eu tenhoquase certeza, porém, é algo que deve ser revisto. Pelo menos o meu cérebro, não me fazia relatos de algo recente,ficaclaro, que eue o meucérebrosomosbons amigos,anda corriqueiramente, muito com ele,e sei que ele é péssimacompanhia e uma ruim influencia para mim. Mas eu o adoro. Lembro-me também vagamente do pequeno Bruno que empurrei da escada de degraus mal feitos e ligeiramente altos que existia na casa de um de nossos parentes, foi na festa de aniversário daminhatia,masestefatonãoconta,aliais,nãofoiumamorteimediata,elemorreu depoisde cincodiasinternadonohospital, e eusei,nãofui tãoeficiente,e me envergonhodeste pequeno erro, afinal matei aqueles animais por diversão, e o Bruno, a Ana e o namoradinho porco dela, matei por oportunidade e ciúmes, e estas três últimas formas de matar não contabilizam para mim. O que euqueriaeraalgomaissofisticado,maisplanejado,e maisenvolvente,eudesejavamatar com as minhas próprias mãos, mas também sou obcecado por uso de navalhas e fios, e isto é algo que desejo praticar e aprimorar um dia desses. Aquilo era algo que eu queria muito, meu desejo de mata estava apenas começando, e este desejomacabroacabou florando de formaviolentaquandovira doce Veraem uma sorveteria nesta sexta-feira pela manhã.
  • 25.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Asnoitesdestefimde novembro repetiam-se comoumafotografiadigital,sempreescurecendo mais cedo do que o habitual, o sol estava com presa, e ele nos deixava sempre as 17: 36 da tarde,e comoerade se esperar,osúltimosdiasdestemêsaqui nomaranhão,ininterruptamente choviarepentinamente,aruade Santaninhaemparticularficavavaziae muitoalagada,emdias de muitasprecipitaçõespluviométricas,aruamaispareciaumrio, comcorrentezas fortíssimas, mas as comprasde natal e de fimde ano,iriam mudareste cenárioa partirda próximasemana, quando todas as ruas do centro ficariam lotadas de clientes e ambulantes. Aquelaeraumaoportunidadeperfeita,e comojáhaviamapiadoarotinade Veronica,sabiaque ela ficaria exposta e sozinha na rua da paz. Ela sempre comprava o mesmo sabor de sorvete, ficavade deza vinte minutosconversandocoma donadoestabelecimento, asenhoraElizabete Moreira, metodicamente, Veronica retornava para a sua casa, trinta minutos depois. Seutrajetoeraumpouco ordenado, semmudanças,ouerrosde percurso, elatransitavasempre pelasmesmasruas, conversavacomasmesmaspessoas, e usavaquase sempre amesmafitade prenderoscabelos, geralmenteelacaminhavaentrearuadosol, desciapelaruade Santaninha, e finalizavaoseupercursona rua da paz. Um belíssimo percursoparaum ser estratégicocomo eu. O bomsinal é que elanuncase viravapara trás, osseusolhossempre estavamvertidospara frente, focado os ouvidos a música alta, emperlada pelos fones de ouvido. A presa era algo fácil, então resolvo ir atrás do meu presente, em minhas mãos já estavam a minha navalha e os meus fios e fiapos, e como costumava brinca com eles entre meusdedos, fazia desenhos diversos e divertidos. Neste intervalo de tempo, além daquela brincadeira de criança que distraiaaminhamente,eu iaplanejandocadapassode meuataque.A suagarganta logo seria rasgada pelos meus fios, e o seu sangue logo iria colorir alegremente as pedras de cantaria da rua da paz. A rua do sol é um lugar muito bonito, mais ela sempre faz sombra na maior parte do dia, e os prédios que ali existem no quarteirão, quase nunca são irradiados pela luz artificial durante a noite, as edificações coloniais jazem abandonadas e o merecimento de sua beleza deixam de encantar as pessoas, sem o sol da rua do sol, o seu brilho fica apagado pela luz natural, sendo apenas bajulada inertemente pela iluminação artificial. Nuncaentendi omotivoreal de seu batismo,maisopovo é sempre paradoxal e irregularmente desprovidode coesão. AnaVeronicanemsentiuquandocheguei a seulado,e minutosdepois, ela estava presa em meus braços, e fatiando o seu pescoço com os meus fios, fui drenando a vida de seu corpo, aquilo foi algo feliz, ver o seu sangue, sufocando-a até morte.
  • 26.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Arua de Santaninhanão era mais tão santa, elame viu passar e persegui aquelapobre almae não fez nada. A rua da paz, não terá mais paz, pois eu coloquei o caos sobre a ordem que ela conquistou durante estes anos. Suas pedras de cantaria não são mais oblíquas e sem cor, pois eu as margeiem com o meu vermelho insano e biltre. Infelizmente,nãotive tantoprazer,ela não foi um desafio para mim,quase não houve reação, suas pernas brincaram sobre as minhas, e os seus braços espernearam tanto que quase sentir vontade de rir. Minha ação foi rápidae viril,primeirotampeiasuaboca com as mãose a sufoquei lentamente, o que lhe causouum desmaio,depois useiosfiosque estavamemminhasmãose osentrancei, enroscando-oemseguidaemseupescoçoe adiante afatiei comos fios,usandoa sua garganta como referência tênue de meu projeto, ao final o seu pescoço ficou sobre flagelos. Fui terrivelmenteíngreme,incrívele mordaz,elaestavaemcarne viva, assuturaspromoveram algo tão profundoque nenhumafacadomundofariacortestão perfeitose tão iguaiscomoosmeus fios. Nem precisei recorrer a sutura lateral. Minutos depois, já com a navalha nas mãos, retirei parte de seu útero e em seguida também retirei os seus dois rins, coloquei sobre as minhas mãos e os deslumbrei fascinado. Hoje terei uma refeiçãodignade umrei,pois a minhaamada AnaVeronicase entregoua mimcomo uma rainha, seus pelos quatorze anos de vida nunca mais se repetiram, ela ficaria eternizada com esta idade em minha mente até o fim de minha vida.
  • 27.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloVI Ana CarolinA Minha 2° VitimA Ana Carolinaerauma mulherradiante,umseradmiravelmente esplendidoe possuidorade um exuberante senso de humor e carisma. As suas qualidades infinitas, destacavam-se sobre as minhasquase inexistentesatribuiçõesaltruístas.Omundoafirmativamente nãofabricavamais mulherescomoela,e mesmo emmeioatantasmaldades,egoísmos,individualidadese apoucas compaixões, ela conseguia amar, ter paixões, ter zelo por um outro ser humano, e isso era incrível. Geralmente aspessoasque me cercavameram mais vaziasdo que as ruas do centro da cidade de São Luís, e os meusmuitoscompanheirosde faculdade e de trabalho, eramterraseca, areia infértil,pertodoqueelatinhacomo essência,muitosdosamigosque aindapersistiamemminha vida, eram ainda maisvaziosdo que a minhatriste rua dos afogados,as madrugadas chuvosas e frias de uma segunda-feira, mais assemelhavam-se a um deserto de sal. Eu estava diante de ser humano único, ela era alguém de sentido diverso, ela era alguém especial, talvez um anjo, talvez um demônio, mas sem nenhuma dúvida, eu sabia de suas especificidades,nuncaemtodaa minhavida, euimaginariaque alguém comeste formato,com esta sensibilidade, pudesse existir, jamais poderia crer em alguém como ela. Nuncacogitei apossibilidades queemalgumdiade minhavida,pudesseconheceralguémcomo ela, indubitavelmente ela era tudo o que eu queria para mim, ela era algo distinto, um ser sublime, um ser magico, feito somente para a minha existência. Ela era alguém que jamais poderia sonhar, mesmo em um sonho bom, mesmo em um sono profundo,onde tudoé possível,eujamaisteria umsonhotãobem sonhado comoo que elaera para mim, e eu sei que jamais a produziria em minha mente, mesmo que eu desejasse isto. Nunca em meus muitos sonos, jamais poderia ter conhecido alguém como ela, mesmo em minhasfantasias,eujamaisteriaalgo como ela,sei que esse tipode amor não existiria, elaera um ser inimaginável, um ser proparoxítono, algo enviado pelos deuses para mim. Ela era algo que podemos considera um ser único sobre a terra, um produto de linha estupidamente caro, uma produção rara, algo muito escasso de se ver na nossa existência, alguém que nasce inusitado em meio as muitas copias repetidas, algo extraordinário em meio aos milhões de seres humanos que nascem todos os dias sobre a terra. Ela possuíauma perspicazemocional exótica,suasingelezaerafluida,e asua estéticafísicaera expendidae lindíssima,asuabelezatemperavaalgoúniconosemblante torpe de minhaínfima humanidade triste. A sua vagarosa calmaria, causava-me paz interior e os seu olhos meigos e pequenos, faziam-me ter fé na vida.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Osseus olhos tímidos e vis sempre me faziam viajar por terras ariadas e a sua boca languida, tênue e doce,causava-memórbidosdesejoslascivos,umaconjugação estranhade sentimentos, conflitostorpestalvezonerados domeupróprioserfrioe nefasto.Assuasfeiçõesde menina,o seudorso de uma quase mulherprovinciana, denotava-mecobiçastórridas,todas relacionadas a sua extrema beleza e individualidade,não havia um só dia em que as suas curvas femininas, promovesse veleidade em minhas insanidades. AnaCarolinaeratudooque eunãoera, sintetizandotudooque eudesejariaterde umamulher, ela possuía todas as qualidades que eu não tinha, e carregava todos os sentimentos que eu jamais poderia ter, ela era uma linda mulher, muito educada e extremamente verdadeira. O tempo foi uma razão ordinária no equilíbrio de nosso relacionamento e apesar de termos namorado por apenasonze meses,nossarelação nos proporcionou uma experiênciauniforme única, sendo exótica, maravilhosa e singular em nossas vidas. Em nossoromance torpe, as equivalências emocionais,transacionavamcom velocidade, nossa ingenuidadeeraalgo estupidamentealgoz,tudoeramuitointenso e muitoperigoso,e amaioria dos fatos que envolviam o nosso romance, acabava acontecendo de forma ininterrupta, integralizada e equacional. A gente nunca se entregavaa rotina,o medoera algo praticamente obsoleto, fazíamostudoo que era permitidoe o que também não era permitido, geralmente vivíamosde formaabertao nosso amor, não tínhamos regras, mas infelizmente tínhamos muitos segredos. Eu principalmente tinha milhões de segredos escondidos, a mentira era algo que usava como arma, e para caçar, a mentira era fundamental, essas mentiras existiamem todos os aspectos da minhavida,tudopraticamenteeraumamentira,somenteomeuamorerareal e verdadeiro. Todo o resto, era irreal, uma farsa, uma mentira. AnaCarolinanãome conhecia de verdade,jamaissoube quemeuera,elaestavaaoladode um desconhecido, convivia com um homem estranho, alguém alheio e sujeito a insanidades, um invasor,um inimigoperigoso,umalgoz mordaz. O tempo era algo voraz,e sem saber de nada, a jovemdormiae compartilhavaavida com um monstro,eu era um ser incógnito, umvil ardil, um nômade recluso, um animal sedento, um anônimo mortal. Eu até fui feliz ao lado dela, mas como toda felicidade, como toda paixão e como todos os desejos existentes nesse mundo, tudo fica muitoefêmeroe colapsado. Não importa o quanto desejamos manter a vida sobre controle, ela sempre nos descontrola e nos torna um idiota. Neste entendimento quase emocional do meu espirito vazio, havia pouca inexistência de equilíbrio social, uma parte de mim sorria, outra parte chorava, uma outra apenas entristecia, mais a maior parte de mim, gargalhava de forma demoníaca. A minha parte sóbria, estava sufocada,aprisionadae encarceradapelodomíniodomal que habitavaemmim, haviaumaluta terrível emminhamente,maso meu espiritosupostamentebondoso,eralogoaniquiladopelo o meu lado malvado.
  • 29.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Algomecausoumuitaestranhezamental,euhaviapassadomuitotempocomelae nãodesejei matá-la.Mais issotambémpassou e não demorou muitopara que a minhapossível paixão,ou amor, tomasse rumos desconhecidos, tudo estava obscuro, nebulosos e ádvena. Todos eram sentimentos que as vezes moravam escondidos dentro de mim, emoções que as vezes eram desconhecidos até para mim mesmo, comiserações confundidas com humanização. Estranhamente, algumas semanas após a estes lapsos confusos de sentimentos, um equilíbrio breve, tomou posição em minha mente, eu estava sóbrio, completamente liberto de minhas insanidades sequestradoras, alforriado do meu dominante carrasco, ou seja, livre de mim mesmo. Tudoagora pareciatenderpara uma estabilizaçãoemocional, permanecendoosmeus pensamentos e os meus sentimentos sobre o meu total controle. E isso, deveria continuar dessa forma, muito pelo amor que eu tinha a ela, e menos pelo desprezo que eu tinha de mim mesmo, tudo por ela, tudo por minha doce Ana Carolina, tudo pelosentimentoinédito que se moviadentrode mim.Eera exatamente porcontadesse amor, que eu deveria continuar sendo dono de mim mesmo. Mais certosanimaisnuncasão domesticados, algunshábitosnãomudame pessoascomo meu tipode caráter, jamaisse modificam.A maispuraverdade deste mundoé oque algunsanimais nunca evoluem, permanecendo estáticos na cadeia biológica. O que existe de concreto, é um certo controle, uma calmaria momentânea, mais nunca há um adestramento, uma mudança real, um acerto em desacertos. Naquele mesmo dia, horas mais tarde, outros sentimentos estranhos e desejos imundos, caminhavamde formabiltre na superfície das minhasemoções, sacrilégiosinsanos,distraiama minha mente imatura, e junto a isso, um forte desejo de matar, renascia novamente dentro mim.Uma lástimaconhecida, acompanhava-me freneticamente,volvidasobre ovazio,revolta a respeitode meuabismopessoal.Algoinumano,tumultuavaomeuímpio, contornavaaminha concupiscência, profanando o meu desejo carnal. Eu conhecia bem aquele castigo, um cálice antigo, um fel ébrio, um tumultuador implacável. Aquele sentimento sempre me manipulava e aquilo me acompanhava desde as primeiras infâncias da minha existência. Aquelalástimaancestral,demoníacae promiscua,sempreaumentava,elajamaisdiminuía.Edia após dia, eu a sentia revolvida dentro de mim, domando-me tacitamente, controlandoo meu espirito, assumindo de forma literal todo o meu ser. Em poucosdias,osmeusanseios,asminhas vicissitudese veleidadessemprevenciamasminhas benevolências comportamentais ditadas pelas regras sociais voltadas para a coletividade. A minhaindividualidadeanimalescaeratriunfante,e elassempre acabavindoem primeirolugar, antesmesmoque oamor, antesmesmoque apaixãoe antesmesmodela, AnaCarolina, omeu únicoamor,a minhaúnicapaixão, umamorque talvez,emtodaaminhavida, nuncatenhatido, ou nunca tenha sentido de verdade em minha desprezível existência.
  • 30.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Obar da Firminaera o nossolugar preferido, músicaboa,pessoasinteressantes,muitacerveja geladae algunsamigosparaconfraternizare festejar.Aqueleambientenospropiciava aarte de transar sem nos preocupar com apontamentos desnecessários e rotineiros. Transar era um esporte muito bem-vindonosfins de tarde,principalmente,logoapósumdiainteirode trabalho estressante no escritório de empréstimos em que eu trabalhava. O fantásticodessasboaslembranças,é que elasempre me faziagozae viajar,aquiloeramelhor do êxtase,maconha,lançaperfume oucraque.Agentegozavade formagostosa,nossaquímica era algoúnico,eu com a minhaviolênciaexageradae elacoma sua submissãoexclusiva.A sua boca e a sua língua eram algo inumano, ela me sugava de maneira divina, o que no final, resultavaemum espermagrosso,transparentee quentinho,umleitinhosempredegustadoem silencio por ela. Nossolugarpreferidoparatransarera umgrande banheiroemestiloneoclássicoe colonialque ficava na parte de baixo do casarão, fazíamos de tudo, não tínhamos frescuras com as nossas trepadas, maiso sexooral que elapromoviaem meupêniseraalgo sublime,maiseusempre a recompensava, colocava-a de quatro sobre a banheira e a penetrava com muita força e selvageria, empurrava com força e violência, repetindo destramente as muitas palmada sequenciadas, deferidas propositalmente em sua bunda branca. Durante estes devaneios loucos que vida sexual a dois proporciona, o exagero era uma constante,mordidas,tapas,socos e algunsgolpesespalmadosasuas costas,eram deflagrados semnenhumpudorou benevolência,aquilome excitava,machuca-lasóme davamaisprazer e terror. Aquiloeratão intensoque o meupênis ora estavadentrode sua vaginae ora estavadentrode seu ânus, eu sempre intercalava as penetrações, um fator que lhe provocava dores, choros e muitospedidosdesesperadosparaqueeuparasse,maseunãoparava,depoisqueestavadentro dela, eu somente pensava em enfiar-lhe com mais bravura e maldade, não importando se a machucava ou a feria. Eu era um animal indomável emcimadela,cão dosinfernosqueimando sobre a sua genitália inocente. Neste processo louco, hora enfiava-lhe na vagina, hora lhe enfiava no ânus e assim gozamos todasas noites,sempre e durante assextas-feiras.Àsvezes,astransasrolavamtambémnalaje ou no terraço deste bar, mas o banheiro era o nosso cantinho preferido. Outras vezes porem, fazíamos no escritório da empresa em que eu trabalhava, usávamos o banheiro, a sala de negociação, o refeitório ou a mesa do computador. Quando estávamos inspirados, fazíamos sexo na praça benedito leite, no parque do bom menino, na praia, no espigão da ponta da areia, dentro do ônibus, no banheiro químico do reviver,napraçado reggae ou em umarua qualquerdocentrohistórico, bastávamosestaafim, então fazíamos sexo sem pudor ou culpa.
  • 31.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Emnossos sexos atrevidos, fazíamos de tudo e praticávamos em qualquer lugar, desde que sentíssemos vontade de fazer amor, ou fazer sexo. É claro que ela fazia amor, eu apenas fazia sexo, mais as vezes sentia amor por ela. Ela realmente foi uma de minhas loucuras, um sonho dentro de minha realidade vazia, uma florestaemchamasemmeugrande riogelado.Mashaviaalgoque sempre tínhamos emmente e que as vezes era inevitável não fazemos em nossas loucuras inanimadas. Apesardocomportamentoadolescente, tínhamosidadede sobrasparafazeroque quiséssemos e na hora que desejávamos. Quando visitávamos o bar da Firmina, havia uma garçonete que facilitavaasnossas orgias,fizemosamizadecomelaapósumadiscursão tolasobre umareserva de umamesa,algopluvialparamim, porém, umaofensaterrível paraaminhaamadabriguenta. Ana Carolina era linda, mais ela era uma baixinha birrenta e brigona. Nossa nova amiga, contribuía para a continuada obscenidade que acontecia dentro do bar, meninices que promiscuamente emsegredo,eramdevolvidos emformade favores pessoais a jovem garçonete, repetições ninfomaníacas, entregues aos mesmos zelos sexuais que ela acostumava espiar. Nossa anfitriã nos agradava com privacidade, gentileza, educação e cervejas, Ana Carolina provavelmente nãosabiado meucontrato com a garçonete,maisacho que ela desconfiavade algo existente entre nós. Agente mudava constantemente de ambiente e humor, ininterruptamentedesejávamos aindasobreoefeitodoálcool, transarnotelhadodaquelacasa, algoque aindanãotínhamosrealizado,uma formadiferente dedesejoquenosacalentavasobre aquele teto de atmosfera colonial. Aquele ambiente, aquela casa, aquele casario, aquele bar nostálgico, todas essas definições, apenas nos lembravam do nosso amor e do nosso sexo. Aquele espaço representava o nosso santuário do prazer, trepamos literalmente em todos os lugares daquele lugar, mas o que fazíamosnobanheiro,eraalgoimpraticável emqualqueroutrolugar domundo,somenteaquele espaço especifico, aquele lugar ignóbil, teria todos os nossos segredos, teria todas as nossas aberrações sexuais sobre a sua guarda. Alguns dias depois, a garota do bar havia sumido, todos sentiram falta da singela e delicada Monica, mas eu não pude me conter, nossas transas ficaram muitos quentes e intimas, e as exigênciase cobranças,todasenvoltasamanifestaçõesde amor,fizeramcomque euamatasse. Ela estava morta há poucos metros do bar da Firmina, ligeiramente embalsamada em um terreno ao lado do bar. Eu a cortei como as outras,usei os meusfiose navalhas,e coloquei sobre o seuventre aberto, as mesmasfloresartesanaisque entalheiemnome dasoutras. É claro que eutinhaalgo direto com o seu desparecimento, é claro que eu a desejava, mas ela havia se metido entre eu e a minha Ana.
  • 32.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Euhavia dado fim a garçonete, mais as insanidades que ocorriam no banheiro, salvavam Ana Carolina de minha própria doença demoníaca, o desejoinsano de continuar matando.A laje e as outras dependências daquele lugar, sempre se fazia convidativo para a nossas transas, e o seu semblante a livrava de ser morta. Mas nemtudoé para sempre,todafelicidade temumtermino,nemosempre é parasempre,e istoé fato, e não uma teoria.Um dia exageramos anossa conta de loucura,bebemosbastante cerveja, comemos muitos cachorros quentes, trepamos gostosamente na laje, nos beijamos sobre aégide de umguarda-chuva,e olhávamosintensamenteenquantoserenavae chuviscava. Aquilofoi algoque nuncahaviavivido,algoúnico,umdiasublime. Haviamcaixasde chocolates, biscoitos de morango, castanhas, amendoim, vinhos, e muita cerveja. Tudo estava perfeito. O seu sorriso foi um dos maiores prêmios que já havia recebido na vida, aquele pelo rosto de menina havia me fisgado. Eu estava sobre o seu domínio, completamente entregue aos seus poderes de menina mulher. Eu em particular urinei em uma garrafa vazia de cerveja, ficando nu em seguida sobre a laje, estavatemporariamente enlouquecidonotelhadodobar,gritei pelaprimeiravezalgoque afez chora, eu haviagritado que a amava, e eua amava muito,e issoera de verdade,pelaprimeira vezemminhavida,haviaditoalgoque eraverdadeiroe real,euaamavade todoomeucoração, eu me importava com alguém e isso era algo irracional. Em seguida fizemos amor, horas depois continuamos,e um pouco tempo depois, em um final de tarde, trepamos como nunca havíamos transado na vida, estávamos sem folego e sem energia,estávamosexaustose commuitafome,algoque elarepetiaconstantementedepoisdo que fizemos na laje, e como sempre, ela finalizou o ato maluco que havíamos feito. Ajoelhou-see começouame chupa,tudoerabastante intenso,horaelaengasgava-see engolia, engolia e engasgava-se, e temerariamente foi engolindo o meu pênis até o talo. Ela estava felicíssima. Sorria enquanto me agradava. Eu por outro lado, não queria terminar aquele momento,maisacabei gozandoemtodooseurosto, e aindaexcitado,fiz elaengolirorestodo meu esperma que saia projetado em forma de pequenos jatos em direção ao corpo dela. Tudo corria bem,minhavidaestavacalma, as minhasemoçõesestavam tranquilase omeuser estavamuitofeliz,nósestávamoscaminhandoparaalgoúnico e somente nosso.E tudo estava calmo por causa desta menina, ela era um anjo que dominou os meus demônios interiores. Ana Carolina era uma bela mulher e uma ótima companheira, mais algo ainda não me completava. E eu sei que todo o meu desconforto tinha haver com a minha navalha, os meus fios e com os meus fiapos. Eles desejavam sangue, e eu deduzia que isto apontava para um desejode sangue,e infelizmente de um sangue especifico,ouseja,osangue dela.O sangue da minha amada Ana.
  • 33.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Horasdepois, ela estava retalhada, rasgada do queixo até a virilha e como as outras, eu a abandonava em um casarão da rua sol. Usando-a em um ritual que se manifestava em minha cabeça, volvida pelo avesso, assim como as outras meninas que eu dilacerei.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloVII Ana MariA Minha 3° VitimA Hoje estou amanhecendosobre um lindo sol de Fevereiro de 2020, sem dúvida alguma este é um expendido dia29de um sábadode calmaria, umbeloanobissexto,umalegre diaincomum, um fabuloso e único raia sol. Hoje apesar de ser o último dia deste mês pequeno, devo toda a minha felicidade matinal a este carnaval gordo que se espalhou nesta linda cidade. Oscasarões coloniais de SãoLuísemsuapequenae majestosaminoriaestãosobremaneirabem conservados e belíssimos, os demais, lamentavelmente estão todosem uma ruina completa e alguns encontram-se até decadentes, o que para mim, é ótimo este abandono cultural, pois estes lugares facilitam os meus ataques fortuitos, repentinos, fugazese efêmeros. Um prato cheio para uma dilaceração matinal. Sou uma pessoa cuidadosa em meus ataques, nunca sou visto em multidões e jamais deixo pistas do que faço, geralmente planejo as minhas saídas noturnas e insanas. Afinal sou um caçador nato,e comoum cão de caçar, nuncaerro umataque, até por que todoselessãoletais, mortais e vorazes. Mas o desejo é algo incontrolável, e as vezes, somente as vezes, faço pequenas loucuras para saborear as minhas vontades abruptas. Há períodos que reconheço os meus fracos exageros, os meus impulsos são incontroláveis,e existem ocasiões que me sintoindiferente, e quando isto acontece, sempre acordo dentro de mim, ouaté forade mimmesmo,sucessivamentedistraído e inundadoemumaconfusãomental incrível. Há aspectos desconhecidos da minha alma, algo ligado a este meu desejo de matar, umacompulsãoinumanaque me dominaháalgumasdécadas, umignóbil sobrenaturalque não se separa de minha vida. Quando estes períodos estão mais atenuados, sinto a minha alma alucinada pulsar dentro de mim,e quandoistoacontece por desejaralguém, tudoficamais profundamente estranho,este sentimento maligno, faz da minha alma um picadeiro elétrico dentro do meu cérebro, e as minhasveias harmoniosamente santas, saltam literalmente pela pele em estado de chamas. Quando vejo estes casarões abandonados, remonto uma nostalgia célere, rápida e especialmentefugaz.Enadaé tãocruel e maléfico comoopassado históricodestacidade, tanta escravidão, imposições, transgressões, tráfico de crianças, estupros de mulheres, guerras desnecessárias,desigualdadessociais,obrigaçõespolítica,sacrilégiosreligiosose tantas outras atrocidades que mal consigo conta, fatos que frutificam inúmeras anormalidade em mim, quando ao meu desejo impulsivo de matar. Estes casarões possuem um passado exógeno, a maioria eram típicos sobrados de famílias abastadas, este em que estou hospedado hoje em particular é a minha maior paixão, sempre quandoposso,ouquandoestousaudoso,andopelaruado sol,somente paravereste sobrado, ele é a minha menina dos olhos de ouro, tenho um fetiche maligno por este prédio antigo, e mesmoestandoabandonadoe decrepito, tenhoumamorinumanoporeste cassarão colonial.
  • 35.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Éestranhoeste sentimento,masme sintocomo um menino apaixonado,oucomoum homem de meia idade que deseja muito a paixão de uma mulher, inexplicavelmente, tenho desejos íntimos por este prédio. E pela primeira vez, enxergo-me inteiramente novo neste estranho homem que deseja muito ter o amor de uma mulher. O meu desejo é esquisito, mais não há dúvidas que eu tenho uma violenta veleidade doméstica por este casarão. Às vezesme sintonopassado, revisitoosmeusancestrais, e me recolocoemsuas angustias ou pelomenos,pensoneste contexto,oque de fato seriaaquelaépoca intransigente, retrato-me a uma confusão, uma revolta, em minha mente, sou um escravo fujão, armado com um rifle, todo sujode sangue,o barrão do açúcar está morto, o senhordos cafezais está caído ao chão, ele deve estarmorto,elepodeestáferido,nadavejo emminhafrente,nadasintopelososmeus irmãos, somente tenho o desejo da vingança, desejo apenasa sua morte, ferido a balas pelas minhas mãos. A minhamente é muitoconfusa,e os meusdesejossãoaindamaisestranhos,este prédiodeve ter várias estórias e a minha mente apenas as retrata, ou pelo menos, remontamos cacos de sua longa jornada. Este casarão em particular, tem oito janelões coloniais enormes,possuir um mirante solitário, pedrasde cantaria na calçada, pedrassabão envolvendooscantos adjacentesda casa, grossas paredes, algumas untadas e cimentadas a óleo de baleia, telhas coloniais vermelhas, azulejos português azuis e entrada pintadas de branco. Certamente aqui deveria morar um homem bemrico, um mercador de escravos,um barão do algodão, um senhor cafeicultor ou um homem da distribuição de grãos. Ele sem dúvida, devia ter filhas lindíssimas, pois as suas janelas são bem altas e um poucos eclusas, isto mostra o quando ele devia ser austero e reservado em sua vida intima. O sol a este momento se encontra no horizonte, os primeiros raios de sol já se levantam abastados e fortes em meu rosto, este é um típico aviso comum a pessoas como eu, ou seja, tenho que limpa as minhas mãos e boca deste intercepto vermelho que me envolve. Sangue e tripas me deixam excitados,mais bela manhã, elas me deixamenjoado e sem fome, um fato que me elege a fuga. Os meus velhos fios de náilon e a minha navalha de aço estão neste momento limpos, intactos e elegantes em minha mesa improvisada, aquele era o meu altar ritualístico, a mesa que elegi sobre uma pedra que achei no salão desta casa. E a linda mulherque descansamórbidanagramae sobre ochão, estairresolutae plena. Elaestáamável, linda, absolutamente incrível sobre as gramíneas deste antigo salão de dança.
  • 36.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Achoque o seu nome é Ana Maria, pelo menos este foi o nome que ela me sugeriu, ou gruiu, antesque eua rasgasse peloseupescoçocomosmeusfios de náilon.Adoroeste nome,“Ana”, ele soabemem meuslábios,“Ana”......Hum, é umbelíssimonome......Pessoascomeste nome são pessoasboas,caridosas,gentis,amáveise adoráveis,adoromatarpessoascomeste nome. Pode serum destinoincomum,maselassempre atravessamomeucaminho,sempre temuma Ana que me ama, sempre existir uma Ana que me odeia, sempre fluir na minha vida uma Ana que me deseja e inevitavelmente acabo matando todas elas. Quando vejo a obra de arte que fiz em seu corpo entro em um delírio somente meu, a minha navalhaa abriudo queixoaté a vulva,depoisque comi parte de suastripas,depositei umarosa artesanal que fizcomasfolhasde umaplantaendêmicaque acheifrondosae soltasobre ochão desta casa, esta rosa, eu a coloquei no meio de seu ventre e eu a pintei com o seu próprio sangue. Ela está linda, ainda que inerte, mesmo sem vida, ela continua linda. Não soubom com despedidas,e osol jáestá me expulsando,anoite teve umfimefêmero,vou me despedirde meuarranjodelicado, entãoaproximo-mede formaacanhada,queroficaperto de seu rosto, e dando-lhes doces, ardentes, vorazes e demorados beijos em sua boca gélida, reconforto-me comoseunovogosto, sinto-mesaboreandoumsorvetede limão,asvezesmeio amargo, as vezes meio doce, o gosto de sua boca não é mais o mesmo, ontem os seus lábios estavam mais mole e afetuosos, e a sua pele cheirava a morangos frescos, agora ela está mais dura, gelada e sem emoção. Sei que isso é insensível.... Mais o meu amor é rápido e não dura mais que uma noite. Por isso.... Beijos minha amada, te vejo do outro lado do paraíso. Olhado para o imenso azul deste céu lindíssimo, contemplo a vida maravilhosa que possuo, e comoa umpintorque cultuaasuaobraque acabara de pintar,oucomoaumescritorque acaba de terminarumapáginade seulivro,eutambémcomoaumartistaclássico,vislumbroasminhas Ana´s, elas são as minhas obras de arte, suas efemeridades são únicas e eternas, e todas são extremamente vivazes.Deussabe oque faz quandoresolveucriareste universoe aterra,estas são criações incríveis, e eu agradeço pelas Ana´s que ele me oportuna ter e cuidar.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloVIII AnajarA Minha 4° VitimA Esta manhãestálinda,osol é umaestrelaincrível,e nadame faztãofeliz,quandoovejoraiando pelaa minhajanela. Destavezas coisasseriamdiferentes,nadade improvisacaçadas no meio da semana, ou de ter fome no meio de um de um passeio no parque, definitivamente não haveriavítimasnestetrimestre,nadade matanças, nadadefome,nadade desejos.Eoprincipal, nadade cederameusdesejosfortuitos,odemôniodentrodemim, deveriasercontroladoe não superestimado. Ele só sair para dar umas voltas comigo, quando eu quiser. Mas nada do que planejamos sair exatamente como queremos, a vida é algo misterioso, e os desejos humanosbrincam com a minha desumanidade. Eu estava sossegadamente em bar no centro histórico de São Luís do Maranhão quando vir duas lindas mulheres entrarem solidariamente pela porta esquerda do estabelecimento. O bar de dona Faustina era um lugar solicito e agradável, frequentado em sua maioria por jovens e alguns adolescentes. Primariamente as moças aparentavam ser amigas, suas proximidades físicas e emocionais, traduziam uma amizade antiga, um convívio talvez estabelecido desde a infância. As mãos fortemente unidas denunciavam uma certa intimidade, um namoro, quem sabe, estabelecido secretamente pelas duas, mas não dava para ter certeza. As duas jovens eram lindíssimas e muito atraentes. Em São Luís, principalmente noreviver,é comumver homensabraçadosa um outro homeme mulheres agarradas pelas mãos de uma outra mulher, beijos, carinhos, caricias e outras demonstração de afeto, é algo comum, manifestados em público, é algo muito normal, neste ladodailha,odifícil é umheterossexual comoeu saberquemé meninanocorpode umamulher e quem é menino também no corpo de uma mulher, o mesmo vale para os homens. As duaslindasmoças solicitaremdoiscoposgrandesde shop,duascadeirase uma mesa, o bar estavarelativamentecheio,elasse sentaram relativamentepróximoamim, e estrategicamente a minhafrente, estávamos todosconexos aobalcãodo bar, elassobre uma mesa e eu sentado em um banco de madeira bem alto, com os cotovelos junto ao balcão do bar. Assuasintençõesalcoólicas,assimcomoasminhas,eramafacilidadede atuarsobre ospedidos juntoaobarman,destaformaficavamaisfácilaminhaembriagues, e pelovistoasdelastambém caminhavam para o mesmo destino. As duas sorriam bastante, e ambas já demostravam um certo grau de ebriedades,pelo visto, a noite já havia começado a algumas horas para aquelas duasjovens meninas, e obarmanpelovisto, jáestavacompenetradonascoxase naspernasnas das moças,não demorou muitoparaque ele entendesseasituação ensejadae fosse atende-las de maneira exclusiva e mal-intencionada.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Minutosdepois um pequeno balde com seis cervejas longnec também foram direcionadas a mesadas garotas, os doiscoposgrandesde cervejas, aindaestavampelametade, umaperitivo tambémfoi encaminhadopara a mesasdas duas, ambosenviadospor clientesdesconhecidos, e provavelmente interessado pelas moças. Os flertes sobre elas apenas aumentavam, todos pareciam deseja-las, os olharem voltaram-se paraa mesasdasjovens,e desejadaspormaisdeumadúziade homens, possivelmentesolteiros, as gargalhadas ressoavam sem compromissos com elas mesma. Até as mulheres que estavam no bar, não se importavamde vê-las,algumassentiaminveja,outrassentiamdesprezo,maisa maioria, possivelmente as desejava. Asduas sabiam comoserdesejadas,e provocando aridamente oshomenspresentes, sentavam e levantavam de proposito os seus vestidos, mostrando maldosamente parte de suas bundas, algumas mulheres ali acompanhadas, trataram de levar embora os seus pretendidos a pretendentes. Os que ficavamtentavamnãodartanta a atençãopara as moças,mas era impossível,poisaté a ida ao banheiro,viravaumespetáculosexual. Uma delasem particular,muitobonita,chamou a minha atenção, os seus olhos eram como duas ametistas verdes,seu cabelo encaracolado e longo possuía cuidadosas aplicações de óleo capilar e a sua boca pequena, exalava uma sexualidade inebriante. Eu a desejei infernalmente na hora em que a vir entrando pela porta do bar, meus hormônios pularamde formaexcitada, masfuidiscretoemmeuprimeiroimpulso,nãoquisencara-la,e não deixando espaçoparaque fosse notadopor elas,debrucei-me sobre omeucopo.Eu por outro ladoas consumiavigorosamenteemmeudesejofebril, e olhando-assobre meiocantode olho, as observava friamente, um copo de cerveja, ainda gelado me distraia tenuemente,enquanto eu as filmava secretamente pela câmera do meu celular. O bar àquela hora da noite, não estava mais tão cheio, mas somente aquelas poucas pessoas que habitavam o ambiente, faziam de suas conversas intimas, uma barulhenta e desconexa divulgação partidária coletiva. Ninguém conseguia ouvir a música ao vivo que o bar contratou para abrilhantaa noite e os clientes,e mesmocomumacota de 10 reaispor pessoas,ninguém ali dava-lhesouvidoacantoria,orapaz que interpretavaasmúsicasRenatoRusso,Raul seixase Cazuza se esforçava para cantar, mais a noite era apenas delas duas. A noite foi ficando interessante, e as duas lindas garotas a minha frente, ficaram mais solta e mais danadinhas do que o habitual, uma flertava com o barman, enquanto a outra trocava olharescomo musico que cantavapraticamente sozinhoparaela,osbaldesde cervejasapenas aumentavamemsua mesa,e o delíriodoálcool tambémfaziao seu trabalhovil sobre a mente das duas.
  • 39.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Euas desejei matá-las sordidamente naquela noite, desejei possui-las sexualmente, e o seu sangue e tripasjá se desmanchavamcoma minhasalivaemmeuardente sonhodestruidor.Era obvio que atacar duas mulheres em uma só noite era algo que demandaria muito esforço e praticidade, erros não eram bem-vindos, algo que eu não admitiria, seria difícil a execução de minha hábil exatidão. Uma de minhas promessas estava quebrada, o demônio dentrode mim pulou para o parquinho para poder brincar com aquelas duas bonequinhas. Tudo dependeriade como elassairiamdaquele bar,pois ambas pareciamesta arranjadas com obarmane ocantor, seriadifícil matardoishomenssomenteparatê-las,maisbrincarde casinha e com aquelas bonecas é algo que eu não dispensaria, aquilo podia ser trabalhado. As duas finalmentelevantaram-se damesa,e pedindoaconta, foramsaindodo bar e não chamaram os rapazes para acompanha-las. Isto se demonstrou promissor, minha teia estava se formando, e as facilidades de uma noite escura e vazia era algo muito propicio e vantajoso. Em seguidapague aminhacontae a distânciaresolvi seguiasmoças,meudesejome consumia, e o racional tentavame alertaque esteseriaumatoarriscae burropara perpetra,dominaruma jovem é fácil, mais duas em uma só noite, tornava-se muito ariscado. Mas o caminho que elas tracejavam facilitavama minha vida e o meu desejo, as duas subiam pela rua do Egito em direção a praça bendito leite, as ruas estavam desertas,e somente a lua seria a testemunha daquele crime. O meu relógio apontava 02:45 da manhã, geralmente as pessoas estacionavam os seus carros em frente ao Odílio Costa Filho. O trajeto das duas era no mínimo inusitado, algumas explicações seriam plausíveis, ou elas combinaram com os dois jovens do bar para se encontrarem na praça benedito leite, ou estacionara o carro em frente à praça, ou moram no centro e estão indo para casa a pé. No entanto, isto não importa tenho que ter cuidado, não posso ser flagrado, tenho que agir com assertividade e firmeza. Elas subiram pela escadaria que dava acesso a praça, uma ficou pelo caminho, abaixou de cócoras nabeiradaescadae ali mesmoensejouemesvaziaabexiga,suaamiga, estavadistraída na parte de cima da praça, e não viu quando eu me aproximei de sua colega, voltei para a rua de baixopara me certificaque não fui seguidoouque estávamossozinhosnaquele quarteirão, depoisque tudoestavasolicitoparamim, coloqueio meuplanoparatrabalhar, esperei que ela terminasse asuanecessidadefisiológica,apeguei emseguidapelaspernasjogando-ade quarto ao chãoda escada, tampando-apelabocaogritoque elaquase soltou,osoníferoemmeulenço a entorpeceuvagarosamente e encravado omeupênis emsuabundatratei de estupra-laainda de cócoras com os joelhos enterrados na escada, possuindo-a antes que ela apagasse totalmente. Vinte minutos depois de ter consumado o ato lascivo, voltei as minhas intenções para o que mais importava, em questão de minutos eu a rasguei com os meus fios e navalhas, abrindo o seu ventre totalmente. Minutos depois tornei a estupra-la por quinze ou vinte minutos, eu a sentia sem vida em minhas mãos sobre a escadaria e este prazer era mais excitante do que quando a possuir ainda estava viva.
  • 40.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Depoisde ter me saciado sexualmente com aquela piranha, tratei de terminar o serviço que havia iniciado, retomei os cortes que havia projetado, rasgando-a mais ainda com a minha navalha,cirurgicamente adecepei doqueixoaté a genitália, emseguidaversei de comer parte de suas tripas, um rim e um filete de seu fígado, após isso, trancei os cabelos e coloquei uma lindarosafeitade palha que carregava emmeubolso,e colocando sobre oseuabdome,pintei- o com o seu sangue e o plantei no meio de seu ventre. Depoisde beija-labastante e de posicionarseucorposobre ochão, imitandoasbelasmadonas pintadas pelos renascentista, emoldurei-a artisticamente como merecia ser enquadrada. Quando terminei a minha pintura, subir imediatamente pelas escadarias em busca da outra mulher.Paraminhasurpresaelaseriamaisfácil,umadeliciosapresafrágil,elaestava desmaiada sobre o banco na praça, adormecidasobre o sono profundoprovocadopeloefeitodoálcool,e sua posição íngreme, permitia-me possuir o seu corpo vil, sua exposição tênue estava convidativa e despojada a uma incursão sexual. Eu imediatamente aataque como a um animal selvagem, como aum bicho que avança sobre a sua presa desprotegida e possuindo-a ferozmente com a brutalidade que um ato lascivo demanda sobre a necessidade sexual, a penetrei de forma fortemente vil, e antes que ela sentisse qualquer dor e gritasse por conta de minha manobra evasiva, resolvi tampar com as mãos a face de seus lábios, durante a relação presumida, sentir que o seu corpo manifestava certos espasmos aleatórios e involuntários. Suaspernaspequenastentavamreagirásminhasincursõese movimentosperistálticos,maseu as controlavaimperativamente,impedindo-asde se moveremsobreasminhaspernas e quadril. Algumascontrações vaginaisapertavam-sede formadeliciosasobre omeupênis,e continuado asminhaspenetraçõesacidas dentrodela,refizosmeusmovimentose a afundeicommaisforça e energia. Minha vitima infelizmente acordou sobressaltada de seu estado alcoólico e ainda sonolenta, olhou-me fixamente nos olhos, e osmeusolhos, adoravamvê-laemsofrimento. Osseusolhos, porém,ficaram molhadose uma lagrima solitária principiou uminíciode choro, vir que ambos pediam por socorro, mas eles não me comoveriam, pelo contrário, aquelas duas pedras amendoadas, cheias de vida, causava-me mais prazer e desejo. Observei que ambos pulavam de dentrode seu rosto, brincavam de um lado para o outro em sua face,e o medoe o desespero,faziammoradaemsua alma, infelizmente oálcool nãofezo efeito necessário para que eu consumasse o meu trabalho, e ainda excitado com o seu corpo delicioso, me controlei para não a matar sobre aquele banco de praça. As minhas mãos e os meus fios de nylonpediam desesperadamente para rasga-lhe a garganta inteira,e enquantosufocava-avagorosamente,sussurrei napontade seuouvido,para que ela ficasse quieta,e que me deixasse terminaroserviçoque haviainiciado,se elafizesse isso,eua deixaria em paz, eu a deixaria ir, eu a deixaria viva.
  • 41.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Aindaassustadaagarotaconsentiuquemedeixariaterminaroque haviacomeçado,e retirando a mão sobre asua boca,me pusa penetra-lafortemente.Eemêxtase novamentevoltei aomeu estadode felicidade, masa desgraçadame surpreendeu,e aproveitandoque osmeusolhosse fechavam enquanto me deliciava com o seu corpo, ela gritou acintosamente,e fez isso o mais alto que os seus pulmões permitiram provar. Os seus pedidos de socorro ecoaram pelo centro histórico vazio, e sorrindo advertir que ninguém a ouviria naquela hora da madrugada, disse-lhe que ela estava sozinha e que a sua amiga safada estava morta sobre a escadaria, mas como ela não parava de grita, respondi-lhe os pedidosde socorro com váriossocos e murossobre a sua face, foram tantossocos,e muitos de forma tão repetidas que eles os fizeram desmaia novamente. Quandoparei de agredi-lamal pude acreditano que tinhafeito,a lindameninade rosto suave e de traços finos e lindíssimos, estava completamente irreconhecível, completamente desfigurada e muito machucada, seu nariz e boca estavam lavadosde sangue, e os seus olhos estavam tão machucados e inchados que mal podiam ser vistos. A minhalibidohaviapassadoe o meudesejode matá-lavoltouparaminhamente insana como maisforça e perversidade,rapidamentepuxei dosbolsosde minhacalça, osmeus váriosfiosde nylon e entrançando-os sobre os dedos, direcione as minhas mãos para o pescoço da jovem. Mas o improvável aconteceu, um pedido de ajuda, ecoou sobre a praça vazia, era uma voz masculina, em seguida vozes femininas, e todas promoviam passos apressados em direção opostaà qual eu estava,segundosdepois, umchamadopor forças policiais me interromperam novamente e vir que meu ataque estava obstruído. Olhe perifericamente para o homem que me denunciava, ele estava a dez metros de mim,ele não se aproximaria, vir medo em seu movimento corporal, as mulheres sumiram em sua trajetóriade denúncia,provavelmente elastrariammaisproblemas,percebi que asduasmoças que acompanhavam o meu denunciante, correram para o lado da praça que ia em direção ao Palácios dos Leões, eu tinha certeza que naquele órgão público havia policiais, e mesmo que estivessedormindoemserviços,elesacatariampelopedidodeajudadasmoças,nãodemoraria para que uma ou mais viaturas aparecessem no local. Eu nãotinhaoutraopção,anãoserdesistirdomeuataque,istonuncahaviaacontecido,sempre fui muitocuidadosoe responsável comoque planejava,nenhumataque meu,ficouantessobre os olhos de outro ser humano. Sempre fui eu e as vítimas, eu ininterruptamente sempre as colocavapara dormir,e elasjamaisacordaramde seussonos,elas jamaisabririamosolhospara me entregarem a polícia. Resolvi entãoaborta a minha missão,mas antesde ir embora, não deixariarastrosou pistade que eusou, aquelamulherseriadeletada destaexistência,osseusolhos jamaisfalariamdo que viu hoje aqui nesta praça, o meu rosto seria preservado e nada seria denunciado.
  • 42.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Naqueleinstante, decidi fazer algo que nunca havia feito antes em minha vida, guardei rapidamente os meus fios de nylon no bolso e puxando pela minha navalha, a golpeei fortementepróximoaocoração, fizissoportrêsvezes, certifiquei-meque transfixeioseupeito, e empurrando com mais força, tentei causa-lhe uma morte instantânea, segundos depois, ao retiraa navalhade seu corpo, vir que um jato de sangue esguichavasobre o meu rosto e sobre o banco e o chão da praça benedito leite. Aosentira perfuração, virque elaabriaosolhos de maneiraabruptae repetida,seusespasmos lhe provocaramconturbadasagitaçõesfísicas,e osseusolhosperdiamlentamenteatonalidade de seu brilho amendoado, e desfalecendo sobre os meus braços, vir literalmente a vida lhe deixar pelos os seus olhos. - Pronto..... - Estava feito........ - Ela está morta.... Havia matado a minha possível delatora, agora ninguém saberia quem sou eu. E fugindo sequencialmente após o meu delito, corri pela rua das flores, passei pela praça João Lisboa e sumir pela rua do sol em direção ao teatro Artur Azevedo. O homemque me denunciava, não conseguiu me seguir, observei que ele tentava socorrer a jovem, e para minha felicidade, consegui escapa em leso e sem ser preso. Eu queria espera até que o carro do IML viesse pegar o corpo, queria arduamente confirma aquele ensejo, euhaviaprometidoa mim mesmoque controlariao meu desejode matar para ter uma transa perigosa, e acabei fazendo isto para satisfazer a minha libido, um erro imperdoável, irresponsável e inocente. Uma tolice da minha parte, deixei as minhas emoções emprimeirolugar,arazãoteriaque serumrei,isso nãopodeacontecernovamente,essaminha estupidez, pode ter me colocado em perigo, fiquei exposto de maneira desnecessária,fiquei literalmente nas mãos daquelas pessoas que tentaram ajuda a minha vítima, aquele fragrante na praça, quase me jogou na viatura da polícia. Geralmente faço os meus ataques com planejamento e estratégia, mais esse meu impulso e veleidade quase estragou o meu trufo, a invisibilidade social e desconhecimento de quem eu souaqui nailhade SãoLuís, omeuanonimatotemque permaneceremsigilo.Nuncapensei que atacaria alguém em público, muito menosem uma praça, e aos olhos de tantas testemunhas, pessoas que podem reconhecer o meu rosto ou as minhas características físicas, isto foi algo desnecessário e estupido. O que está havendo comigo, por que fiz isso, será que estou semcontrole, ver o resultado do que fizhoje nãopareceboaideia,tenhoqueme conter,tenhoque sermaiscuidadosoe insipido. O meu impulso, meu desejo e a minha vontade de matar não vai arruinar comigo, tenho que trabalhar emcima do meu controle,tenhoque dominaro demônioque habitaemmim, tenho que vencê-lo.
  • 43.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Andeialgumasquadrasaté chegar emmeu carro, as ruas estavam desérticas,ninguém me viu ou ouviuos meus resmungos.Minutosdepoiseuestavaindecisoe muitoirrequieto dentrode meu carro, uma sudorese insuportável congestionava a minha garganta e a minha narina, e sinceramente, eu não sabia se iria logo embora ou se esperava pelas ambulâncias, viaturase pelo IML, a minha mente pedia para ir embora, mais o meu emocional pedia para ver chegar todo o aparato de segurança pública e ver o final daquele desfrecho. A minha obsessão para ver a moça bonita, sendo levada pelorabecão, eram uma fissura forte que remoía a minha cabeça e o meu espirito. Aquiloera loucura, em condições normais, eu já estariaemcasae sentadosobre osofá. Tomariaumbombanho comsabãode coco,beberiaum ótimochocolate quente,abririaumagarrafade vinho e assistiriaaumaboamini serienaNetflix. Minutos depois o meu impasse foi decidido pelo meu pobre destino, duas viaturas passaram pela frente do meu carro, uma foi em direção a praça, a outra diminuiu a velocidade e ficou estacionada em frente ao banco da caixa, segundos depois, mais três viaturas, duas ambulâncias,umcarroda políciacivil, e quartomotolink dapolíciamilitarseguiramemdireção a praça Benedito Leite. As luzes vermelhas e azuis, tomaram conta do coreto da praça e as sirenes encheram de música o vazio silencioso do Largo do Carmo, local aonde estava estacionado o meu carro. O movimento era no Largo da Santa Sé próximo à praça benedito leite, maiso barulho estava todo ecoado na praça do Largo do Carmo. Quando liguei o moto do meu carro e resolvi ir embora, umaviaturame interceptou, eraamesmaviaturaque estavaestacionada emfrente ao banco da caixa, a sirene foi acionada, e de dentro da viatura uma voz rouca e pálida me pediu para que eu ficasse parado sobre a pista de rolamento, e saindo com a arma em punho, ele exigiu novamente que eu parasse o meu veículo e desligasse o moto. Ao fechara porta da viaturaele me pediunovamente paraque desligasse omotodoveículo, e solicitou que eu saísse do veículo com as mãos para cima, mas eu estava em choque, inerte e paralisado, o policial observando o meu impasse, desligou o barulho da sirene apenas permitindo as luzes acessas e se dirigiu para a porta do passageiro do meu carro. - Pensei.... - Pronto.... - Estou preso.... - A casa caiu..... - A minha casa está no chão..... - Eles me pegaram..... - Estou ferrado...... Mais o rádioda viaturatocou, chamandoatençãodo policial, e retrocedendo aabordagemque faria, voltou para a viatura para responder o chamado. Mas o policial ainda com a arma apontada em direção a minha cabeça, ameaçou-me de forma intimidante e feroz.
  • 44.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter -Fique aonde está... - Permaneça dentro do veículo.... - Desligue os faróis.... - Mantenha o motor desligado... - E ponha as duas mãos para fora do veículo... E pedido agora, mais uma vez, para que eu saísse de dentro do veículo,voltoupara dentro da viatura, para atendero chamado discadopelorádio, a mensagempassadapelorádio era clara e direta,o assassinoaindapoderia estar sobre os limitesdosperímetrosque envolve oreviver e o centro histórico. Ao final, o seu companheiro passou as caraterísticas do suspeito, incluindo os detalhamentos físicos sobre omeliante,tudoagorapareciabemesclarecedorparaopolicialque estavaaminha frente, a firmeza do sua voz mudou de tom, e a postura da arma mudou de calibre, ele havia trocadoo revolve de calibre38porumapistolapontoquarenta,as particularidadesenfatizavam que o homens suspeitotinhaentre 35a 45 anos, etnianegra, barba volumosae comprida,1,75 de altura,cabeloscurtos, muitoafeiçoadoe bemvestido, usavacalçajeansazul escuro,sapatos pretos camisa social cinza com listras executiva e suspensórios brancos. O guarda reconhecendo o homem do carro como suspeito, baixou o rádio da viatura, e engatilhandoasuanovaarmaposiciono-aparaforadajaneladaVTR, e incidindo ataurosponto 40 em minha direção, confirmou que as descrições sobre o suspeito abordado batiam perfeitamente com os atributos visto em seu reconhecimento Florence. Ohomemabordado e dadocomosuspeitoestava finalmente nafrentedaquelepolicialirritante, eu seriapresafácil,um paradoxopara um caçado como eu,e interrompendo ointerlocutordo rádio,interfonoude volta,pedindoparaque ele aguardasse ummomento, poiseleachavaque o suspeito delatado pelo colega de farda estava no carro que ele havia parado. O homemdooutro dalinhapediuparaque nãofizessenada,e solicitou paraque eleaguardasse por reforços, poiso suspeitoeraum assassinomuitoperigoso,mais orádio ficouemsilencioe virando a pistola para o para-brisas do meu Corola prata, sugeriu para que eu ficasse agora quietoe comasmãossobre acabeça,percebique oseutomde voz haviase alteradomaisainda, e um nervosismo típico, assumiu as conversas e os diálogos característicos de uma rotina policial. Mas quandoopolicial seabaixou parame ver,observouqueeunãoestavamais dentrodocarro, ele procuroupor mim, deumeiavolta emtorno do meu corola e jogoua luzda lanternasobre os bancos traseiros,foi até o porta malas,maisnão me localizou,quandovoltouparaa viatura, decidiurepassaro que haviaacontecido, masele não teve sorte,ele deude cara comigo,e até aquele instante, a sua reação já estava comprometida, o uso da pistola já não surtiria tanto efeito, e infelizmente, era muito tarde para qualquer defesa.
  • 45.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Fuimais rápidodo que ele, e dominando-oportraz, euo esganicei comos meusfiosde nylon, rasgandoo seupescoçocompletamente de umladoaoutro,minutosdepois, deitei oseucorpo pesado sobre o capo da viatura e o destrinchando-o como porco em um abate no curral, fui rasgando ainda mais a cavidade da sua garganta, transfixando as suas artérias até sangra-lo totalmente. Os meus fios de nylon são como deuses absolutos, nunca falham, eu o retalhei a gargantainteiraaté que nãosobrassenenhumapele sobreopescoço,somentecarne viva,assim vir ele morrer até engasgasse com o seu próprio sangue. Alguns minutos depois, finalmente estava em casa, estava em paz e satisfeito. Tomei um bom banho,comi um hambúrguerde soja, bebi umguaraná jesus, assistirumbomfilme naNetflix e tomei algumaslatinhasde umaótimacervejageladaque somentetemnailhadoamor.A noite estava magnifica, assim como a minha cerveja de nome magnifica que eu bebia. Não planejei nada daquilo, mais acho que a noite foi produtiva e agradável. É claro que fui irresponsável e atrevido,aminhanoite poderiateracabado nas mãosdaquele policial,maisos deuses sempre estão do meu lado, o lado da minha maldade. Meus fios e navalhas apenas rasgavam o corpo de mulheres, mais aquele policial, me proporcionou que homens são uma ótima opção para matar, mais vou continuar matando apenas mulheres, somente elas e nada mais. Um dia posterior aos ataques triplos que ocorreramna ilha do amor, o único comentário mais importante que replicava em todos os jornais, contestava e julgava a autoria destas três misteriosas mortes, todas elas ocorridas em uma única noite. Os atos descritos pelos editores eram tão macabros que fizeram as vendas dos jornais subirem tão alto como as estrelas que habitavam os céus da ilha de São Luís do Maranhão, as mídias e as redes sociais, bem como o WhatsApp ficaram com as conexões entupidas de acessos. A cidade inteira estava aterrorizada e medrosa, as ruas estavam vazias, o comercio estava fechado,e as pessoasse trancavamcom medodentrode suas casas. A políciatomavaconta de todas as ruas, os hospitais se preparavam para receber possíveis vítimas e os repórteres almejavam saber mais sobre o criminoso misterioso. Todos faziamcomentáriosdiversose muitos jornalistas achavamque o tal homemda navalha, era um amante solitário, um psicopata incompreendido, um louco desvairado, um confuso desmedido, um tépido agressivo, ou um ser sobrenatural, talvez evocado por um ato de feitiçaria, mesmo assim, ainda macabro. Como ninguém sabia descreve-lo, e todos tinham poucas informações sobre sua identidade, muitosboatossurgiame se multiplicavamnacidade,a única característica que tinhamsobre o homemmisterioso,ouse ele era mesmoumhomeme não uma mulher,oque se cogitava,era que o seu comportamento possuía uma espécie brutalidade letal, alinhada a uma mecânica sistemática de seus atos, o uso de fios e navalha. Mas para a polícia, ele era apenas mais um maníaco, um psicopata, um doente, um matador de mulheres inocentes. Um velho conhecido das autoridades de segurança e que agora também matava policiais.
  • 46.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Todosos homens do Batalhão Tiradentes, agora estavam diretamente envolvidoscom o caso, um dos seus havia sangrado nas mãos do maníaco, provavelmente atacado durante a fuga do suspeito.Umódiotodo particulare mortal habitavaemocionalmente obatalhãoe certamente todos promoveriam forças para capturá-lo. Alguns praças e sargentos queriam prendê-lo a qualquer custo, mas ninguém sabia quem ele era, muito menos de onde ele veio, em que bairro residia, ou mesmo, por quais motivos, o assassino, matava especificamente estas mulheres. Todas elas eram de famílias bem estruturadas, bem-nascidas e muito bem-sucedidas em suas profissões e carreiras. As investigações até aquele momento não faziam ligação coesa entre as vítimas, não havia nenhumsentido obvioque explicasseasmortes,tudooque tínhamos erapoucapara desvenda a face do criminoso. O homemdas navalhasera um ser incoerente,imprevisível,cauteloe detalhista.Osdelegados envolvidos nada tinham como definição para os casos, não havia qualquer menção social de qualquer relação mínima existente entre as vítimas, todas elas tinham características muito comuns, e aparentemente, nenhuma delas se conheciam ou tinham qualquer outra conexão que as ligasse a um ambiente, a uma empresa, a um grupo, a uma pessoa ou a outro tipo de convívio social. Todas aquelas mortes eram aparentemente infundadase incompreensivas para a polícia, os investigadores tentavamligaospontosparacolocaro criminosonavidadasvítimas. Osagentes de segurança pública sabiam que apenas um fato muito peculiar e singular, ligava as vítimas entre si mesmas,fatosque as tornavamúnicasneste imenso tabuleiro de xadrez,eramosseus nomes de batismo, todas elas se chamavam Ana´s. Foraisto,nãose tinhanenhumapistadoassassino,ele eracomo aumfantasma,umserinvisível, um monstrosobrenatural que agia sobre as sombrasda noite,e a Ilhade São Luís produziaum cenário perfeito e propicio para aqueles horrores, pois a maioria dos crimes aconteceram em grandes casarões coloniais abandonados. Um agravo a mais para quem prometia proteger os cidadãos de São Luís. E quandose trata de prédios,praçase casas abandonadas,São Luís do Maranhão esta repletas delas, um prato cheio para um assassino que adora aparentemente a história destes lugares. Alguns investigadores associaram a sua personalidade do assassino ao roteiro histórico da cidade, em particular ao ano de construção de cada casarão. Os primeiros corpos encontrados pela polícia, observou-se que a data de construção dos casarõesestavaemordemcronológica,domaisrecente,aomaisantigo,alguns foramusadose escolhidos pelo assassino de maneira a homenageara fundação dos prédios. Numeração correspondente aquelas encontradas pintadasnos corpos das vítimas. Pintadas com o próprio sangue de cada uma delas.
  • 47.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Maisumfatopassoudespercebidoaoassassino,poisnemtudo foi faladoaosjornais,e parte da verdade foi ocultadapara facilitaas investigaçõese protegera vítimaque supreendentemente sobreviveu aos ferozes ataques do Serial killer. A polícia desejava usa aquele trunfo contra o assassino, a mulher que sobreviveu, era a única que conhecia o rosto do psicopata, e para todos os efeitos processuais, ela estava legalmente morta até que ele fosse preso.Osinvestigadoresestavamansiososparaconversarcoma vítima e ouvir dela as primeiras descrições sobre o suspeito. A jovem identificada apenas pelo nome de Anajara, demonstrava de forma resiliente que era umamulherde fibra, resistente,forte e muitoguerreira,maseraevidentequeelatambémtinha a sorte ao seu lado, as enfermeiras entravam e saiam do apartamento 44 e todos falavam tristemente do seu estado clinico, fisicamente ela encontrar-se em um estado deplorável. Os médicos afirmavam que clinicamente ela estava quase morta, mais resistia sofrivelmente com a ajuda dos medicamentos. O hospital estava cheio naquela noite e está superlotação poderia prejudica o atendimento necessária dirigido a jovem. Ao lado do seu leito havia mais três mulheres e todas elas foram brutalmente agredidas pelosseus companheiros. Talvezpor isso,havianaquelaocasião,umaconcentração incomumde viaturase de policiaisdadelegacia da mulher. Era obvio que nada se comparava ao que havia acontecido a jovem Anajara. O homem que a atacou era sem dúvidas um desconhecido, e infelizmente ela deve ter sido escolhida pelo seu perfil físico e pelas similaridades de seu nome de bastimos. É desta forma que ele age,usandoa noite e os casarões comoproteção para os seuscrimes,aproveitando-se do descuido de suas vítimas para ataca-las. E sem dúvidas, ela deve ter demonstrado vários motivospara que o assassinoa escolhesse,nãoeracomumter vítimasas noitesde sábado,ele atacava as mulheresemnoitesde sexta-feira,onde osdescuidos,amovimentaçãoascendente, e a bebedeira frenética no projeto reviver, favorecia os seus ataques. Certamente ela foi escolhida aleatoriamente, ou vítima de um desejo novo que não sabemos. A informaçãoque foi passadaaospoliciaiseraque ajovemestavaemumtratamentoprofundo a base de medicamentosfortíssimose que atarde elapassariaporuma reconstruçãode veiase tecidos coronários que foram atingidos pela perfuração. Os médicos relatavam que a jovem estava muito debilitada, mais ainda com vida, apesar da monstruosidade que foi feito em seu corpo os seus sinais vitais permaneciam inalterados e singulares.OspoliciaisdeSãoLuísdoMaranhãotrabalhavamnormalmentecomcriminosos que ofereciam pouco potencial ofensivo. E raramente se deparavam com tanta crueldade e monstruosidade em suas diligências. Infelizmente osúltimosanos mostraramaface deumassassinocadavezmaisviolentoe terrível. Opúblicoaindanãotinhaconhecimentodomonstroqueandavapelacidade. Eapresençadesse criminosoque nãodeixavarastro,tornavaoambientedacidade muitomaisinflamávele tóxicos para os boatos, uma assombração para as mentesdoscriminalistas,umfato que tirava o sono de muitas autoridades.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Adelegada responsável pelo caso não conseguia construir um perfil justo para encontra o criminoso, ele se comportava como um fantasma, como uma sombra, como um animal selvagem que caçar e alimenta-se a noite e desaparece pela manhã. O SenhordasFloresdoMal comoeraconhecidoo homemdasnavalhase dosfios,agoraeraum homempúblico,ouum criminosopúblico,e todasas manhãs, a única notícia que permeavaas manchetesde todososjornais, eraaocorrênciade umcriminosoque existe apenaspelofatode dispersarcorpospelacidade e de não terum rosto. Isto contribuía certamente para o climade terror e medoque se espalhava pelacidade,disseminando maispavorentre as pessoasda ilha do amor. Ospoliciaissabiamde todososrequintesde crueldadesdohomemdasfloresdomal,asúltimas vítimassofrerambastante antes de serembrutalmente assassinadas.Uma outra incógnitaque rondava a personalidade desconhecida do assassino,permeava as vítimas deste maníaco, elas nunca sobreviviamaosataques,ninguém escapavapara conta a própria história. Uma falhade execução do criminoso que se tornava cada vez mais importante para os policiais e investigadores, por isso sobrevivência da jovem Anajara era extraordinária para o caso. É bem verdade que ela estava entre a vida e a morte em um dos piores hospitais públicos de São Luís, a presençade gravesferimentose de muitosmachucadosnaregiãoda face e das três perfurações profundas queatingiramaregiãode seupeito,algumasmuitopróximasaocoração, dificultavam a sua recuperação. Anajara ainda que fragilizada, desfigurada e debilitada, ainda lutava pela própria vida e os policiais desejam que esta luta fosse vencida. Uma amiga da jovem Anajara, lembra que ao chegar no Hospital Djamal Marques naquela madrugada friade sábado, observouque os paramédicosque atenderamaocorrênciamedica, verificaram que a socorrida, estava quase morta, os socorristas que a recepcionaram haviam feito de tudo para manter os seus sinais vitais, mas a sua respiração, denunciava uma baixa resistência pulmonar, fato que complicou o seu translado de forma rápida para o hospital. Um outromédico, tambémlembrava,umepisódio tristeque ocorreu aindanolocal do ataque, a vítimahaviasofridotrêsparadascardíacas e uma parada cardiorrespiratória,oseuestadoera lamentavelmentegrave e preocupante, suapulsaçãoestavafraca,suapele estavaalvae assuas mãos, literalmente gangrenaram por alguns minutos. O hospital Djamal Marques é sem dúvidas um dos piores hospitais de atendimento clinico da cidade, e como tudo o que é público no Maranhão, esta casa de saúde possuir um péssimo acolhimento ambulatorial, trata-se de um sistema hospitalar falido e grande parte destes problemas, estão ligados aos ínfimos e quase inexistentes investimentos na saúde pública do estado.Apenasocorpoclinico,ocapital humano que trabalhanoscorredores doSocorrãoatua com exemplar profissionalismo, empatia, coragem e ética para salva as vidas que chegam ao hospital, mesmo trabalhando com o mínimo necessário para funcionar.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Infelizmentena ilha do amor, falta amor para cuidar da cidade e falta humanidade para cuida doscidadãos.A sorte de Anajaraé que umótimocirurgiãocardíaco estavade plantãoe acabou salvandoasua vida,apesarde seuestadograve, a equipe plantonistadaquelanoite,reverteuo seu quadro clinico, mantendo-a viva. A sua amigaChirley recordaindubitavelmentede tudooque aconteceunaquelanoite comprida e horrorosa. Lembra da ligação dos policiais e do desespero da mãe de Ana ao saber do que havia acontecido com a filha. Lembra da correia até o hospital, e da angustia dos seus amigos ao saberemdanotícia. Anaeraaúnicachance que ospoliciaistinhamde prenderemo assassino das flores do mal. Ela provavelmente viu o seu rosto, e somente ela poderia reconhece-lo e identifica-lo. Osdelegados tambémchamavamomatadorde mulheres,osenhordasnavalhas de“oassassino das flores do mal” por causa dos bilhetes encontrados com as vítimas. Alguns destes escritos foram descobertos posteriormente pelos policiais na ocorrência dos últimos crimes. Autopsias recentes também identificaram estes mesmos bilhetes com outras vítimas do assassino. Alguns destes bilhetes também foram encontrados junto a primeira vítima, tratava-se de diversasmensagensescritasamãoque maispareciamdeclaraçõesdeamorcomtrechosde uma canção do cantor Renato Russo, todos as cartas ou bilhetes estavam especificamente alojadas dentro das bocas das vítimas e abaixo de suas línguas. O assassinoera um homemmeticuloso,frio,calculistae muitocuidadoso, talvezporisso,tudo o que se sabiadele, é hoje descobertoaospedaços,comoconchade retalhosde panos, ou fios de linhopuxadosde umcarretel,tudoerasempremuitofragmentado,apresentando poucasou quase que mínimas informações para investigar. O senhordas navalhaseraalguémconhecido apenaspelacomunidade policial, odelegadoque cuidavadas investigaçõesqueriamanterocaso em sigilo,elenãoqueriacausarafliçãoe temor na população. A polícia queria saber maissobre o criminoso, mas como investigar um homem que maisparece umfantasma. Masoúltimoataque,haviaexpostotudo. Pelomenostudoo que se sabia até aquele momento do assassino. Ou seja, quase nada. Os policiais observaram que nenhuma vítima, havia sido atacada em local público ou em um espaço público. Um fato que levantoumuitosquestionamentose imprecisões,então, umaperguntaficousem resposta, o que motivou tanta exposição do criminoso, por que o assassino havia abandonado o seu ritual, que motivos o faria desistir de seus fetiches, o que o determinou a desabonar os seus queridos casarões abandonados como tela de moldura. Determinadamente ele teria tomado um rumo diferente para os seus ataques, será que ele queria ser visto, será que ele quer neste momento publicidade. O que mudou para que o seu ataque tomasse uma trajetória diferente.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Todasas outras vítimas foram encontradas em casarões abandonados, residentes no centro histórico de São Luís. As novidades eram muito estranhas, mas como se tratava de algo novo, desconhecidoe cruel,apolíciapreferiatrataoscasossobre investigaçãosigilosae interna.Tudo estavaacargo dosetorde homicídios. IstotambémeraumaconvicçãoapoiadapeloGovernador do Estado do Maranhão, as autoridades não queriam causa pânico a população, mas como houve testemunhas e uma sobrevivente, agora seria impossível esconder o caso dos jornais. A polícia sabia pouca coisa sobre o assassino, isto era a única coisa que de fato tinha uma concisão,mas as escassasevidenciaspoderiamsercaracterizadas,mapeadase descritassobre uma planificação florence conhecida pela literatura que descrevia a personalidade fria dos matadores. Isto já era um ótimo ponto de partida para tentar compreender e entender o assassino. As únicas Informações que a delegada Josiane de Freitas Carvalho tinha sobre o mostro das flores domal, era que ele gostavade mulheresmorenas,jovens, e com 1,60m de altura. Todas as vítimas se chamava Ana, mesmo que entre os nomes houvesse a descrição parecida ou Anacrônicacom o nome próprio.Em algumaspartes dessesnomes,ouemseuprimeironome, tinhaque tera alusãoa umaAna. Istoera umfatoincontestado. Ele tambémgostavade poesia, artesanato e das músicas do cantor Renato Russo. A antropofagia também era uma categoria exógena e peculiar. Todas as vítimas possuíam cortes na região da garganta e do tronco, mas em particular haviam também grandes fissuras sobre a região abdominal e da genitália. Aquela madrugada foi algo atípico para o matador, resumiram os investigadores em concordância as analises, nunca houve duas vítimas em uma mesma noite, todas os outros crimes, possuíam uma única vítima. Aparentemente o assassino das flores do mal, resolveu diversificar e se arrisca. Mas qual foi o motivo para justificar tantos riscos. Infelizmente a outra mulher que estava na companhia de Anajara, não teve a mesma sorte, a jovem estudante de tecnologia da informação de nome Ana Joanice, foi morta brutalmente, minutos antes do ataque deferido a jovem Anajara. Os cortes profundos e incisivosnão deram chances a jovem que não sobreviveu a brutalidade do ataque, Ana era a agora a única testemunha ocular e ainda viva daquele ataque terrível, a polícia precisava do testemunho dela e a jovem Anajara precisava sobreviver para conta o seu lado da história e descrever para os policiais o rosto de seu quase assassino. A sua sobrevivência e resistência ao homem das navalhas e dos fios, garantia-lhe todas as atenções dos órgãos de Segurança Pública do Estado. O seu agressor, por muito pouco, ao lhe deferi aquelestrêsgolpes,quase lhe atingiu umaartéria, que pormuitopouconão a transfixou em seucoração. O mais importante,é que ela estavaviva, muito debilitada,obviamente,mais ainda viva. Ana havia sobrevivido ao ataque do maníaco, talvez por obra de uma justificativa divina,sorte acumulada,ouumacasodo destino.Istonãoimporta,omaisfascinante,é que ela estavaviva. Anaficouhospitalizadoportrêslongosmeses,maissaiu comvidadocomainduzido que quase a segregou.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloIX Festa de AniversariO Ana Clara Minha 5° VitimA O meudia não era muitoconturbadoe cansativo,o meutrabalhoapesarde exaustivo,deixava espaçosimportantesparaumlazeragradável nofinal dastardese aosfinaisde semana.Nofim de cada expediente que geralmente acabava as 17:45, uma rotina afável, tracejava o meu caminho até o projeto reviver, um dos lugares mais prazerosos encontrados na ilha do amor. Habitualmente descia pela rua grande para ver o movimentodas pessoas, olhar as lojas, ver o que vendiamosambulantes, compraalgumafutilidade, comeralgumaporcaria que me fizesse ter arrependimentos horas depois, observar a mulherada, paquera um pouco, contemplar olhares e feições desconhecidas. Aquele trajetopela rua grande possibilitava-me uma caminhada sossegada e revigorante,algo que somente tinhaconexão outalvezcomparaçãocom o caminhoque era realizavaasterças e as quintas pela rua do sol. Ambos os trajetos me traziam paz, isso era fato. No reviver haviam lugaresque não podiamdeixarde serrevisitados,umdeleseraa Praça João Lisboa,o Largo do Carmo, a Praça Benedito Leite, a Praça dos Poetas, o Alto do Forte dos Leões, a Praça Nauro Machado e a Praça do Bar do Porto. As noites eram mais lindas sobre a fonte que abrigava a mãe d´água no Largo da Santa Sé, a visãoda rainhadaságuas enobreciao PaláciodosLeõese oPaláciodoTribunal de Justiça.Tudo tornava a noite maislúgubre e bonita. Maisas estrelasdocéuroubavamtoda a minhaatenção e desejo. Repentinamente um jovem casal de namorados sentou-se a meu lado e como todas as outras tardes,euestavanovamente sozinhoe rodeadode umoumais casais apaixonados, a invejanãome corrompia,maisasvezes,sóasvezes,desejaterumamorcomoosdeles, parecia que o universo ambicionava me jogar na cara algum desconforto, execrando-me do que eu desejavaintimamente,mesmoque escondidode mimmesmo,fosse odesejode amaralguém. A vida é uma grande ou mesmouma pequenacaixade surpresas,o universonão era somente umacriança que brincavacombolasde gude,eraumvelhoranzinzaqueadoravatripudiarsobre os sentimentosde pobrescriaturas.A nossainsignificânciadiante doimensoespaçoescuronos deixa perplexos com as travessuras que ele promove. O casal sorriu de maneira felicitada para mim e reconhecendo-me chamou pelos meus dois primeirosnomes,fiquesemgraçae aomesmotempocurioso,poisnãotinhaideiade quemeles eram. E perguntando-me eles repetiram o que ainda não era obvio para mim, e eu disse envergonhadoquenãosabiaquem erameles.Eagarotade maneirasimpáticaprossegui,somos o Eduardo e a Mônica, paisda Ana Clara.Você nos atendeudentrodaagencia,nostiroude um sufoco danado, exclamou a jovem, rindo agora de maneira frenética e muito louca.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Aminha mente geralmente é uma esponja, mas não me lembro deles, mais recordo-me vagamente dafilhadocasal, a garota deviaterunstrezesanos,no máximoquinze.Lindacomo a mãe, agora sim, lembrei dos jovens, eles precisavam de um empréstimo para compra uma casa. A jovemsorria bastante e tudo tinhauma conotação diminutiva,algoinfantil paraa idade que constava na identidade. No geral, ela era agradável, mas o rapaz parecia estar sempre de mal humor e infeliz. Um contraste com o sorriso largo da garota. Perguntei sobre como estava a vida, se haviam conseguidocompra a casa e de como estava a filha. Ela sorriu e afirmando entre os dentes a dedução de sua contestação, conferiu que eu havialembradodeles.Omeusorriso amareladoafirmavaconsentidoa deduçãodelae a prosa agora tomava rumos que somente nós dois entendíamos. Um convite inesperado surgiu durante a nossa prosa, e um silêncio torpe esvaziou a tranquilidade que nos contagiava. Aniversários não eram uma praia que gostava de visitar, e adolescentes me causavam ânsia de vomito. Mas a jovem me olhava como um cão pedindo cafune, mais mal sabia ela que um cão mais perigoso a olhava de volta. As pessoas são animais interessantes, elas se rodeiam de perigo e depois querem se cerca de proteção. Incontestavelmente perguntei aseucompanheirooque eleachava dessaideiade um homem ainda desconhecido como eu na festa de aniversário de uma menina de 13 anos. E brincando com as palavras disfuncionais ao seu vocabulário, disse a jovem que me olhava incansavelmente como se eu fosse um ser ou um objeto alienígena. Talvez fosse perigoso ter um homem como eu no convívio de sua família, mas viver já era um ato de risco. Fiquei surpreso com as falas da jovem infante, não espera tanta inteligência de um ser tão pequenino como ela. Eu a elogie, a cumprimentei e sorrir disfarçadamente como uma hiena desejando devora uma ovelha. Aquilo me soava como um presente dos deuses, não havia explicaçãoparatal entrosamento.A famíliadajovemsimplesmente me amava.Econfessoque não entendia a pronuncia de tanto amor. Inesperadamente houve umsorriso,e algoainda maisincomum, ocorreriaminutosdepois,ela aproximou-se,acariciouomeu rosto e sorrindoratificou.Um homemcomo você,perigoso, eu não acredito nisso, e rebatendo o que eu disse, replicou, eu sou perigosa querido. Todos nós rimosmuitoda jovem.Eusimplesmente fiquei encantadocomela.E como qualquerlobo,eua desejei profundamente. Mas a primeira regra de um lobo como eu estava sobre risco, e, portanto, seria inviável que ela fosse uma de minhas doces bonecas.Os pais sabiam quem eu era, e caso a sua filha sumisse, talvez eu fosse o primeiro da lista a ser procurado. É claro que o número de crianças e de pessoas que simplesmente somem no planeta é algo absurdo e espantoso. Quase um cento e trinta pessoas somem por ano apenas no brasil e as autoridades simplesmente não conseguem encontrar nem um terço deste total.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Talvezhomenscomoeupodemestarportrazdestenúmeroabsurdodedesaparecidos,umfato que assusta, pois sei que existem muito mais como eu e muitos são pessoascomuns e gentis, assim como eu sou. Eu estavacompletamente dividido,inconformadocomaideiade perde-laparao meuprimeiro princípiode caçar, não faça contatosiniciaiscom as vítimas.Neste caso, com os paisda minha refeição. Isto era trágico, perder para a minha própria regra. Depois de ouvir da boca da pequena infante que ela era perigosa e não eu, percebi que como um lobo velho em pele de ovelha, nem tudo pode ser o que parece. Talvez ela faça o que fiz, quando tinha a sua idade, talvez monstros como nós se reconheçam e até se identifique pelo cheiroe pelamaldade.Virque haviamaldade em seus olhos, mas quanto de mal existia nela. Eu me sentircom os meusnove anos de idade novamente,até o cheiro da terra molhadae os pingos de chuvas pareciam reais em minha pele, eu simplesmente estava nos anos 80 e me sentir em paz como nunca havia sentindo antes. Aquiloeraum acontecimentoúnico,apósvê-lasorrindoparamim, vircerta identificaçãoentre nós e a maldade em nossos olhos. Ela não parava de sorrir, então eu sorrir de volta e não acreditei noque ouvirdabocadaquelajovem.Elainsistiaque eunãoeratãomalvado,elatinha maldades. Mas as travessurasdameninaforamrapidamentereprimidaspelopai,algoquefoi subitamente confirmadopelamãe dainfante.Osdoisnãogostaramdaintimidadegeradaentrenósdois,por isso ela conduzida até o seu quarto. Os pais da garota me pediram desculpas pelos tons de maldades e agressividadesreplicados pela filha.Eu não me importei,e disse a ambos que não fiquei ofendido.Fiquei surpreso,mas não ofendido. Na verdade, eu a desejei ainda mais.Eu a queria para mim. Eu desejava matá-la. Mesesdepoisrecebi umtelefone nomínimocurioso.Eramospaisda jovemAnaClarano outro lado da linha. Achei que depois das palavras impulsivasda filha,pensei que nunca mais falaria com elesnovamente.Mashaviame enganado,deixeiumaboaimpressão, e osdoisestavamme convidando para a festa de sua filha. Agente teria um espaço somente de adultos para beber cerveja e jogar conversas fora. A criançada teria playground, balões, pipocas, bombons, sorvetes,cachorrosquentes,refrigerantese vídeogames.Uma festae tanto para alguémcom apenas 13 anos. Eu concordei em ir à festa e fiquei feliz em ser um dos primeiros a ser convidado.Novamente não sei oque fizpara que elestivessemtantaconsideraçãoe confiançaemmim.Maslobossão lobose ovelhassãoovelhas.Eissonão se discuti,temospapeisdiferentesnacadeiaalimentar. E um lobo nunca esquece o cheiro de sua presa. E eu estava faminto, havia pelo menos um ano e meio que não me alimentava com carne humana,e há quase doisanos e meioque não sentiatanta vontade de ser quemeusou, como agorame sinto.Asminhasfunçõesanimalescaspulavamdentrode mimcomoumloboque ruiva
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter paralua.Como um cão danado,eugruía para o infernode fome que sentiaemmeuestomago. Decididamente eu a teria, isso era uma promessa, isto seria um fato sem volta. Os pais da garota seriam um problema, então eu tinha que planeja algo que fosse factível e viável. Algo tão preciso que não teria brechas para me comprometer com o sumiço da jovem Ana Clara. A noite da festa havia chegado, eu estava belíssimo, braba bem-feita, cabelo cortado e unhas perfeitamente polidas, eu usava um terno azul marinho bem cortado e linearmente ajustado alinhado ao meu corpo. Meu estado de espirito era um de um esplendor hermético e plural. Quandocheguei a casa da Mônica e do Eduardo vir que muitoscarros caros estavampróximos a porta. O meu carro comum e de classe média era uma carrocinha perto dos SWV´s daquela gente branca,rica e bemalinhada.Noentanto,omeucarronão eramuitocarro ou bonito,mas por outrolado,euestavaumespetáculode homem.Estavabemvestidoe bemalinhadoaquela gente. Rodeie como carro até o quarteirãoseguinte,e semcerimônia,estacionei emumarua vazia e silenciosa. As ruas do residencial renascença tinham belezas únicas, mas também tinham um abandono de uma selva que nem eu queria como rua. Eu preferia o barulho de um bairro de periferia, adorava o som de crianças gritando e correndo pelas ruas. O som das motocicletas guiadaspelosjovenstambémme traziaconfortoe sentidode pertencimento.Eusimplesmente adorava o movimento de uma boa rua e de um bom bar. Alguns minutos de caminhada me colocaram em frente a porta dos Figueiredos, fui recebido pelo meu anjo de falas maldosas. Ela correu em minha direção e me apertou com um abraço longo e gostoso. Nunca em toda a minha vida me sentir tão amado e tão querido por alguém como hoje.Aquele pequenoanjocom rosto e sorrisode demônio,haviame conquistado.Eua amava, e nada podia ser mais puro do meu amor por aquela criatura. Depois do longo abraço fui recebido por Mônica, ela estava linda, simplesmente radiante e muito bonita. Ela usava um fino vestido de linho branco e sapatilhas cor de creme, o laço no rabo de cavalo a deixa mais jovem e muito sex. Uma estrela, um sol de uma manhã perfeita e simples. Sinceramente, não sei quem eu amava mais, se era ela ou a filha. Mas lobos são cães de caça, e animais apenas pensam em se alimentar. Eu estava faminto. E disse a Mônica olhando para a sua linda filha... – O que temos para comer, eu estou faminto Mônica..... E respondendo com inteligência e paciência, ela terminou frase,temos churrasco e cerveja..... Temos também aquela linguiça no alho e na cebola que sei que você adora..... Vamos.... Estamos reunidos no quintal..... Entre..... E concordando aceitei o convite e fui até o quintal. A festaestavalinda,tudoestavabem decoradoe muitobonito,novamente aqueleadendome fez sentir uma criança. Aquilo me reportava as fazes felizes e bonitas. Eu não tinha ideia que festas infantis ainda poderiam ter uma mágica tão peculiar em minha vida. As emoções e
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter lembrançassoltavamaosmeusolhos.Eu simplesmente erauma criança novamente.Epor um instante fiquei feliz e contente. Eu até sorrir. Foi o sorriso mais gostoso que havia sentido até aquele momento. Quase entrei no pula a pula com as outras crianças, mas me segurei e me contive.A felicidade eraenorme e nuncaumalembrançame fezficartãofelizcomoagora.A Mônicame puxavapelo braço até o quintal, e cumprimentados os demais convidados, fui me cercando de algo que nunca quis ser... Um adulto. Adultos eram pessoas chatas, arrogantes e infelizes. Eu queria ser novamente uma criança, desejavaestáentreaquelesmeninosque comiamcachorro-quente sobreochãodasala.A festa mal tinhacomeçado, mas a grande maioriadeles,já estavamsuados,sujose até sem camisas. Aquiloeraumparaísoinfantil.Eudesejavasercomoaquelascrianças,almejavafalaralto,comer de boca cheiae correrpelacasa.Aquiloeraumsonho,umaimpossibilidadeagradávelaosmeus olhos. Mesmo sem poder ter o que queria, o fato de me sentir uma criança, havia salvado a minha noite. Minutos depois acordei em uma mesa cheia de gente velha. Mas o que eu estava dizendo,eu também era um velho. Os meus quase 40 anos tinham uma denúncia própria de minha idade. Asdoresnascostase nopeito,denunciavamaminhaquantidade absurdade horassobre aterra. O tempoera algo cruel e impaciente, masnemtudoera implacável coma vida.Eu quandovim a esta casa, trouxe o meu presente a jovemAna Clara, mas sei que ainda hoje,ela será o meu presente de aniversário. A conversa, o churrasco, a cerveja e os inúmeros litros de vinho denunciavamcerta opulência namesadosadultos,todoossentimentose emoçõesestavam atodovapor. Percebi quehaviam casais formados a mesa. E alguns até se oportunizavam ter abraços e beijos. Tudo de forma controlada e sem excessos. Percebi que não estava sobrando, havia uma linda jovens que também estava nas mesmas condições que eu estava. Ambos estávamos sozinhos e bêbados. Observei que ela me olhava com certo desejo.Masvir que ela era uma mulherdiscreta.Resolvi paquera-lade formadireta e indecente. Vir que os meus olhares devolveram-me alguns sorrisos. Certamente fui correspondido,tenhocertezaque elatambémme queria.Elaentãose levantou e foi em direção a cozinha. Sentir que aquilo foi uma deixa para que eu a seguisse. E foi exatamente isto que fiz. Levantei-me e fui atrás de suas belas pernas. O seu cheiro era algo sublime e encantado. As suas nadegas me enlouqueceram com um demônionoinferno.Euestavaem chamas. Quandoa alcancei,vir que elaestavaparada sobre a escada. Suas curvas eram extremamente lindas e muito femininas.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Eos seusolhoseram quentescomosol do meiodia.Um sinal feitocoma boca, pedia-me para segui-la. E foi isto que fiz. Ela entrou em um quarto e foi direto para o banheiro. Percebi que gotas de água caiam de umchuveiro.Elaestava banhando,istoerainusitado,fiquei esperando ela sair e ainda encostado sobre a porta, vir ela sair molhada e nua. Ela era linda, uma mulher extremamente sex e atraente. Ela me beijou bem devagar, colocou as minhas mãos sobre a sua genitália e pediu que eu a tocasse.E foi o que fiz.A toque como um selvagem.Depoisamordi em seuslábios.Quase que lhe tirei o pedaço de boca. Depois a joguei sobre a cama e lhe fiz um sexo oral que ela jamais sonhoem fazer.Osseusgritos baixinhoseramde umincontrolável desespero.Elarecitavaque estava tão gostoso que nem percebi o seu gozo em minha boca. O prazer estava consumado. Ela havia gozado. Agora seria a minha vez. Eu a penetrei como um lobo no cio, empurrando o meu pênis cada vez mais fundo em sua genitália rósea. O ato sexual tomou a minha sanidade de assalto e sem lhes dar chances de reação, fui asfixiando-a lentamente com as minhas mãos até sentir a sua pulsação fraca. Eu desejei matá-la. A vontade era maior do que a minha sobriedade,e as minhas mãos, quase tinham vontade própria. Felizmente em meio àquela loucura desprovida, desistir de tentar matá-la. E acabei por soltar algoque nãodeveriateremminhasmãos.O seupescoço estavatodoesganiçadoe amarcasda minhaunhafazia-lheumdesenhoexcepcional.Elame olhoude maneiraassustadae aindaroxa, faltando-lhe ar para os pulmões, tentou sofregamente me perguntar algo, obviamente, algo sobre o que acabava de acontecernoquarto. A sua pele ficoutãovermelha e arroxeadaque as veias de suas mãos e rosto sumiram por uma fração de segundo. Quando voltei aminha possível anormalidade, tentei desfaçaomeu transe animalesco. Minha expressãovoraz,talveza tenha assombrado. E sem deixaque ela esboçasse umanova reação, dei novamente continuidade ao sexo, eu a penetrei de forma ainda mais violenta, vil e biltre, transfixando-a arduamente com o meu pênis em sua cavidade anal. Os seusgritosde desesperoforaminevitáveis,nãotive outraopção,anãosertampa a sua boca com as minhas mãos. Era nítido que o medo em seu olhar gerava preocupações sobre a continuidadede vida,oude aproximaçãode morte.A últimanãoseriaocaso.Maiselateriaque me suportaaté que euterminasse. A noite estavaapenascomeçado.Eo sexoestavaótimo.Ela era quente e vulgar. E eu adora mulheres vulgares. Quando terminamos, sentir que não teria uma única palavra de agradecimento. A experiência talvez tenha sido algo muito traumatizante para a bela mulher. Mais isso não me preocupava. Elalevantou-se,vestiu-see correuparaaportado quarto.Oseusorrisonãoestavaexpressoem seu rosto. Havia apenas medo e muita confusão mental. Noentanto,outrapessoame provocavatensãoe volúpia.A minhadoce AnaClara,aminhadoce meninade olhosclaros.A aniversariante dacasa.Era elaque me causava desejo.Eestávamosa poucos metros um do outro. Eu estava deitado provavelmente na cama de seus pais, todos
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter estavambêbadosnoquintal.Masacriançadafaziafurdunçonapartede baixodacasa.A gritaria infantil era ouvida na parte de cima do imóvel. Formalmente euquistê-laemminhasmãos,masaquiloeraum ato arriscado.Então me vestir, desci até a festa e me contive. Eu faria isto em um outro momento. Um rapto em uma festa infantil levantariamuitasdesconfianças,alémde chamar muitaatenção e me evidenciarcomo suspeito. A festaestavachegandoaofime muitosconvidadosestavamindoembora,acasaestavaficando vaziae até a minhacompanheirade minutosatrás,tratou de me deixarsozinho.Achoque não a agradei o bastante, talvez eu tenha sido um pouco canalha, ou um pouco violento. Poucascriançasusavamoplayground,agritariainfantilhaviabaixadootomdabagunça.A mesa dos adultos permanecia com uma austeridade vitoriana, o congelador estava abarrotado de cerveja e vinho. Os donos da casa não estavam dispostosem terminar a bebedeira. A festa de criança, daria lugar a uma bagunça de gente grande. Alguns minutos depois, ouviu-se buzinas de carro e faróis altos vindos da porta da frente da casa. Tratava-se de convidados retardatários. Ainda no corredor casa, observei que um dos convidados trazia um grande presente para a anfitriã da festa. A menina pulou em cima do homem e o derrubou. Ouvir a palavra tio e em seguida muitos abraços e beijos. Depois um grupo formado por mais ou menos doze pessoas cantavam uma música muito familiar aos meus ouvidos. Eles cantavam “Eduardo e Mônica” da banda Legião Urbana. Ao fundopercebi que Mônicahaviasubstituídoamúsicade criançapelo áudiodoálbum“Que País é Este” onde Renato Russo faz uma interpretação linda de todas as suas canções. O clima da festa ficou entre as décadas de 80 e 90. Eu não pude me controlar e confesso que chorei. Algunsdosconvidadosme perguntavamse algoruimestavaacontecendo.Maisos tranquilizei, e lhe disse que a canção havia me fragilizado. Uma das convidadas achou bonito o que eu acabava de falar. E como uma cola magica de atração feminina, a música dos legionários me trouxe maisuma lindamulher.Eunemtive tempode conhece-la,maisacriatura jáestava com um palmo de língua dentro da minha boca. Ela tinha um gosto de cidra de maça, e apesar de muito bonita, vir que ela estava muito bêbada e com os ânimos nas alturas. Um dos convidadosrepeliuumafazer que não soou muitobem aos ouvidosda garota que me beijava. O homem retrucou que na festa anterior, havia tentando beija-la, mas sem êxito, desistiu da moça. Porém, ela mal me conhecia e já estava no meu colo. O tapa que homem recebeu, foi algo inusitado e tênue. Uma confusão acabou com o clima legionário que havia se instalado. O homem em questão não se conformou com a rejeição da garota. E tentou me culpa por algo que não tinha envolvimento.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Minutosdepois, a festa voltava ao clima inicial, os ânimos pareciam estar calmos, e o meu agressor,flertavacomoutraconvidada.Eunão tinhao que reclama.Estavaaosbeijoscomuma mulherlinda.Eunão sabiao seunome,provavelmente,nemelasabiadomeu.Mas estávamos nos entendendo. A linguagemera puramente gestual, envolvendo língua, boca e muitas mãos bobas. O Eduardo e a Mônica pareciamcriaturas felizes,osseusbeijospareciammovimentosjuvenis. Tenhocertezaque ali haviaamor. E umamor verdadeiro.Minhainvejaeranítidae consensual. Mas a minha volúpia era mais direcionada a Ana Clara. Em falaremAna Clara,percebi que eraobservadoporelaemsegrego.Elaestavasentadasobre a escada e me olhava com certo desejo. Entre um beijo e outro, vir que ela me seguia com os olhos. Certamente a garotinha não me queria perto desta estranha mulher. Minutos depois a música “Faroeste Caboclo” tomava o tom da festa, a música tinha mais ou menos11 minutosde duração. Mas nunca ouvir alguémreclamarde tentar canta-la.A música falava de um tema social muito sério e polêmico. João de São Cristo passou a metade da vida sofrendopreconceitossociaise raciais,umaparte delasnainfânciaemsuacidade natal.Depois personagem da música foi embora para Brasília na esperança de melhora de vida. Mas sofreu ainda mais preconceito e afastamento do núcleo social que habitava a capital do Brasil. Noinícioconsegui umempregocomocarpinteiro, oseusaláriomal pagavaascontas,mastinha esperançade umavidamelhornacapital.Haviaconheciaumalindamulhere comelafaziaplana de ter uma família e filhos. No entanto, envolvendo-se com pessoas perigosas na cidade, praticou alguns crimes e acabou sendo preso e estuprado na cadeia. Quandosaiu do cárcere,percebeuque haviasidotraído pelasua amada, elahaviacasado com jeremias. Um dos traficantes mais perigosos de Brasília. João de Santo Cristo resolve também vender drogas. Estando bem-sucedido na atividade criminosa, resolve confortar o seu inimigo jeremias. Eles se enfrentam em um duelo, onde ambos morrem. Sua amada Maria Lucia se suicida despois da tragédia. As músicas da banda legião urbana sempre foram obras primas, composições únicas, algumas romantizadas,outrasdemonizadase outrasmal compreendidas.A música“Paise Filhos”falade suicídio, mas muitos entendem como uma canção de amor. As letras de “Flores do Mal”, Eduardo e Mônica,“Giz”, “Faroeste Caboclo”,Que País é Este” e “A Fonte”possuemtemáticas tãofortesque somenteentendiasuanaturezade seuconteúdo,depoisde vinte anosapósouvi- las pela primeira vez. A festa estava em um clima nostálgico e agradável. Mas o sol principiava mudanças de comportamento. Alguns casais desejam transar sobre as cadeiras onde estavam sentados. Os donos da casa não se opunham a nada. Afinal, ontemmesmo,fiz a cama do casal de motel. E não foi questionado. Na verdade, não sei se eles ficaram sabendo desta pequena aventura.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Averdade é que o paraíso emocional estava no fim, e as asas angelicais da volúpia produzidas pela música metal contra as nuvens, traduzia o termino dos romances recém-formados pela festa infantil. A cerveja e o vinho estavam no fim e muitos casais queriam terminar o dia em um motel. A mulher ao meu lado me fez um convite inusitado. Sugeriu que eu fosse até a sua casa. Ela enfatizavaque moravasozinha.Eque emseuquarto havia inúmeros brinquedos para brincar. Uma mulher de atitude, uma mulher de coragem. Ela sabia o que sabe queria. E naquele momento,elasussurravaemmeuouvidoque queriamuitome fuder.Geralmentesoueuquem faloestasloucurasnosouvidosdasmulheres.Masdestavezfuipegode surpresar.Nãocoloquei obstáculos contra a sua vontade. Nós nos despedimos da Mônica e do Eduardo, desejamos muitosanosde vidapara a anfitriãdafesta.Agradecemospelanoitada.Enosdeslocamosaté a casa da louca que me beijava. Quando chegamos a casa da minha linda desconhecida, evoluímos rapidamente para o sexo, aquela foi a transa mais selvagem que já tinha praticado em minha vida. Eu fui literalmente chicoteado, esbofeteado, mordido, beliscado, queimadocom ceras e cigarros, penetrado com um vibrador, insultado verbalmente de todas as formas e humilhado sexualmente por ela. A mulhereraumcachorrode rua.Eu nuncahaviapassadoporalgodestaforma.Aofinal me sentir violado e fragilizado. Aquiloeraumaexperiêncianovae vulgar,masmuitointeressantee saudável. Eusempre gostei de mulheres vulgares e indomáveis, mas esta mulher de nome desconhecido causou uma surpresa agradável e delicioso. Seria indelicado que eu mostrasse o que sabia fazer,meu nível de loucura ficava bem próximo ao dela. É claro que os seus eram muito mais quentes que os meus, mas mesmo assim seria uma briga qualificar o mais agressivo e violento. Aproveiteique estávamos nacozinhae fizumacaipirinhapararelaxamos,afinal,nãoé tododia que nosdeparamoscomuma lobatão quente nacama comoestamulher.Omaisincrível é que nemeuperguntei oseunome e nemelaperguntouomeu,mas issonãoimportava.Quase não falávamos, nossa linguagemera puramente sexual.A cama era um reduto de dois animais em um cio frenético e voraz. Mas uma outra questão me incomodava, eu estava feliz com a desconhecida, mas também estavaincompletosemaminhaAnaClara.Masistoeuresolverianaqueledia.Euestavadecidido em tê-la.E a jovemdesconhecidaseriaomeu álibi.Pedira minha lindadesconhecidaparame acompanharemalgumasrodadasde caipirinhas.Algoque foiprontamente aceito,após algumas quatorze dosesde álcool,estávamosliteralmentebêbadose insanos.Estaeraa hora exatapara colocar um sonífero em sua bebida e ir à caça de minha bela Ana Clara. A minha bela dama de fogo quente, queria mais sexo em sua cama, eu não negaria isto, mas desta vez eu tomaria as rédeas, faria sexo com ela até ela sentir dor e se negasse a continuar. Depoisque elaapagasse e dormisse.Eu colocariao meuplanoem ação. Eu iriaatrás de minha Ana Clara.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Depoisdo sexo e de ver o seu sono profundo, fui até a casa de Ana Clara. Peguei o caro da desconhecida e fui até a porta da jovem. A rua estava fazia. Era quase meio dia. O domingo estavaemuma garoa intermitente.Istoeraperfeito.Umarua vaziae poucascasas com janelas abertas. Provavelmente os pais da jovem Ana Clara estariamdormindo, eu somente precisava encontra-la na porta de sua casa. E se isso ocorresse, seria o fim para a jovem menina. Vinte minutosdepois,estavacomocarro parado emfrente àcasa da jovemAnaClara,agarota estava sentada na varanda, bailando sozinha em seu balanço de madeira. Tudo estava fácil demaisparaserverdade.Aproximeiocarro,abaixeiovidrodopassageiroe fizumpequenosinal com as mãos para que elaentrasse no carro. Ela me reconheceu,levantou-se e veioemminha direção. Abriu a porta do carro e me abraçou. Pronto.... Ela era minha.... E desde este dia.... NinguémmaisviuajovemAnaClara....Aquelefoi oalmoçode domingomaisprazerosode toda a minha vida.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloX Festa de NataL Ana Cristina Minha 6° VitimA As noitesde natal sãosempre felizesparaa maioriadaspessoas, osdiasficammais amenos,as tardes são mais calmas, o tempo esfria repentinamente, as chuvas precipitam com mais tenuidade, e até as pessoas aqui nesta cidade ficam mais agradáveis. O céu é sempre é muito estrelado e quase não há nuvens, as noites de dezembro são únicas neste lado do hemisfériodo planeta e inclusive o sol pela manhã, brilha de maneira diferente nestaterra sossegadae tranquila.Sinceramente,eu queriaque estadata significasse algo para mim, mas infelizmente não há o que constituir para me deixa feliz. Esta não é para mimumanoite muitoagradável,e comtoda certeza, elanuncaserá,não tenho recordações boas no dia natal, e o ano novo então é uma lastima. Esta nunca será uma das melhores épocas do ano para sorrir. E mais uma vez ficarei solitário sobre imensa casa. Todasas estrelasdocéu,olhampara mimcomdeboche,e sorridentes,elassabemque ninguém ira me visitar. Eu estou mais uma vez sozinho em casa, é mais um natal vazio e inabitado, um triste momento de mansidão. Eu estou sôfrego em meu tênue estado de espirito, frágil em minhaconcepção moral e entediado emminhatolasanidade temporária.Estou quase bêbado sobre a minhaexatidãopromiscua, a vidanão me deumuitasescolhas,e o que tenho,não me basta, nunca me basta, e por isso, vou tomando a vida que pertence aos outros. Ouvirhoje todososálbunsdaLegiãoUrbana,muitode RaulSeixas,umpoucodeBarãovermelho e quase nada de Nirvana. As taças de vinhos estão vazias, a comida acabou, mais a geladeira esta entupida de cervejas e calabresas. O silencio agora era a única meretriz que me fazia companhia naquela noite natalina, ininterruptamente,eraelatambémque se acomodasobre omeu sofá, ligeiramente aborrecida com a minhapenae inercia.Minutosdepoisela sentou-seaomeulado, deitoucarinhosamente no meu colo, enrolou-se sobre os meus braços, encarou-me de forma apaixonada e espalhou- se pela sala. Horas depois compenetrando-me de formasorrateira,foi convicentemente invadindoa minha carência, induziu-me tacitamente com a sua sutileza demoníaca, uma imposição agressiva, facilmente absolvida de seu olhar visceral e vitrificado. As suas ordens sobrenaturais relatavam-me discursos impuros ao pé do ouvido, fatos que deviam ser planejados e vividos, algo que fosse divertido e incomum para aquela noite, por outro lado, eu desejava aconchega-me com o que sobrou na minha taça de vinho, entre os dedos, apenas as fatias de um bom queijo, estalados seguidamente em minha boca.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Eua vislumbrava tacitamente de certa maneira em meus pensamentos sádicos, desejando o pior para ela, mas por ser uma presença feminina, submetia-me a uma distância segura para não a matar naquele instante,afinal,mesmoumcara comoeu,precisoas vezesde companhia, e não me cabe acaba com os meuspoucosamigos, mesmoque elessejamrudes,imagináriose até terríveis.Osilencioeraumespetáculode mulher,maistambémeraterrivelmente maldosa e estratégica. No entanto, a minha imensa sala mostrava-se um pouco agressiva e hostil, suas nuances me atraiamcomdestrezas facilmente maliciosas,contradiçõesimpostasaoumdianecessariamente feliz,suasparedespintadasde umamareloocre, desejavam-meporinteiro,suplicandoparame engolir,umafarsaque me satanizava, deixandoosmeuspensamentos ainda mais vis e cruéis. Neste instantejáestousobre ajanela, nãovirotempocorrernorelógio,eramtantosdevaneios que nemsei como fui para sobre o dorso de seusarcos, minhamente vacilante me avisaque já estouali háquase trêshoras na mesmaposição,aindaestousem umacompanhiahumana,não há nenhum amigo ou mesmo um bom vizinho para dividir um vinho ou uma boa comida. Apenas o silencio continua sentada sobre meu sofá, ela está quase seminua, com as pernas levemente suspensase semiabertas,elasempreé bemprovocante e vulga,masosseusolhares emminhadireçãosãoextremamentequentese desejose issome nãosomente meexcita,como me deixa bastante assustado, a vontade esta trepando com ela e depois matá-la é algo que nuncasai daminhacabeça,maisissoseriaensurdecedorquandonãoimpossível.Olhofixamente para a rua deserta, e é ela agora que me parece ser uma boa opção, as ruas vazias, uma boa caça, um bom jantar. Neste exato momento,estou saído de casa, jazo bem arrumado, perfumado e com os cabelos bem penteados, o relógio marca exatamente 11 horas e 47 minutos e falta pouco para meia noite. A calmaria que me atormentou até aquele momento, logo seria preenchido com muita música, conversas felizes e muita bebedeira. Também sei que o silencio da rua, logo vai ser interrompido pela intranquilidade dos movimentos peristálticosefrenéticosdaspessoas,daquia10ou15 minutos, tudovai estámuito animado, e o que antes estava vazio, vai dar lugar aos muitos foguetes nos céus, aos latidos insuportáveisdoscães naportade suascasas,acorreriade váriascrianças,aaberturade portas, janelas e varandas e aos muitos risos de contentamento dos moradores. Indubitavelmente,nãoqueroque a invejaacabe com a minhavaidade de forma trágica, e para não flagelar os meus pulsos,como é de costume após a noites como estasque sucedem estas festividades,voupernoitarsozinhopelailhamagnéticade SãoLuís, onde vou tentarme afogar de cervejae algumasprostitutas,provavelmente emalgumbarpé sujo, perdidoe escondidode Deus.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Asruas por enquanto estão desertas, mas todas as casas próximas da minha estão em festa, todos estão contidos em seus lares, há música a meio tom, algumas com o som alto e outras com som delicadamente ambientado. Caminho alguns passospara fora de casa, ouço sons de conversas e tampas de garrafas sendo abertas. O natal está para ser festejado, logo as insuportáveis risadasseráasúnicascoisasque terãoespaçonestarua,tenhoquecairforadeste tormento que gera felicidade. Um Uber chegara minharua,e como estousozinhonaportade minhacasa, ele provavelmente deve sera corrida que solicitei,ele nãodemoroumuito,meucelularconfirmaaplaca e o valor referido dotrajetodaruaminharua até oreviver,entãoresolvoaceitaoserviçoe cincominutos depois, estou em frente ao palácio dos Leões. Sempre morei no centro da cidade, o supermercado é perto de minha casa, o ônibus passa próximoà esquinaque antecede arua aonde moro e a maioriados meusafazeres domésticos, sociaise de trabalho são feitosa pé, tudoisto semgrandesproblemasde locomoçãoougastos habituais,maishoje euquisumUber,asvezesumpequenoluxonãofazmal e 15 reaisa menos na minha carteira, não vão me deixa pobre. SãoLuís é umailhabonitae oMaranhãotem osseusencantos,opovoé alegre e gostade festas, o bumba meu boi é a anuncia a época que mais me deixa feliz e as festividades juninas são ótimaspara uma boa caçada. Mas o que não virafestanesta cidade,quase tudoé motivopara beber, comer e ir para um bom motel. Durante as festividades juninas tem o Tambor de Criola, as Quadrilhas Juninas, as Danças Portuguesas, os Bois de Matraca, Zabumbas e de Orquestra. Os bois de sotaque costa de mão são lindíssimos, mais as índias do guarnece do Pirilampo são deusas caídas na terra. Mais hoje não quero pensar em caçadas, não estou com fome, quero apenas distrair a minha mente comestasluzesde natal,com esta gente alegre,comeste povo feliz,que sempre me faz sentirumpouco humano. Hoje nãovou deixaasenhorasilenciome influenciar,elanãoteráde mim o que deseja. OsMaranhenses sãoumaótimacompanhiae às vezesquase nãoosdesprezos, emparticularas mulheres, muitas delas não me olham nos olhos e algumas nem falam muito comigo, mas eu nãoas ignoro.Nãosei muitobemoque meafastamdelas,deveseraminhafeiçãointimidadora, ou o meu alto e infinito gosto e estima por mim mesmo, o curioso e que as crianças sempre queremestápertode mim,oque é um paradoxoestranho,masnestaantítese,comcerteza,os ventos rezam a meu favor. O meu passeio improvisado não era para ser uma caçada, e nem tudo que planejamos, sair conforme oacordado,mas ao afinal dascontas, nãodevonegao meugênioindomável,souum animal natural e com muitos hábitos.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Infelizmentepara a minha próxima vítima, algo naquela noite soprava um perfume doce e estranho sobre as minhas biltres narinas inquietas e mordazes, algo me chamou a atenção e assim que desci do Uber, os meus olhos me direcionaram para algo que ainda era incompreendido, nãotinhammuitacerteza,maisomeuolfato,jáhaviafarejadoumbelopedaço de carne humana, umaótimafatiade refeição,umdoce bolo aniversario,umjardiminteiropara passear. Aindanãotinhacertezado euque olhava,maisacho que o boloconfeitado,tinhaoformatode criança para omeu próprioaniversário. A minhafrente estavaumpequenoraiode sol,umaflor em formade criança, um jardimsuspensobem meioda rua, um copo de leite esquecidosobre a mesa, um querubim com asas de chocolate. Ela era extremamente doce, seu sorriso era pleno e lindo, e os seus cabelos exalavam um perfume terrivelmente doce, àquelaapariçãode menina,ofuscouaminhavista,e eminstantes o meu focomudou de direção,a pequenacriaturase fezde presente,aliásumótimopresente de natal, um belíssimo mimo para mim, e eu não sou de recusar presentes, jamais nego ser felicitado. Eu a desejei nomomento que asentir,minutosdepoisque afarejei e segundosapós emque a vir, a minha libido de felino, era algo incrível e terrível, meus lábios se apeteceram de forma demoníaca em fração de segundos, anestesiando o meu consciente. Tudo estava registrado e consumido pelos os meus olhos, alguns manifestado estrategicamente sobre o meu ímpeto, outros construídos linearmente sobre o meu ser imperfeito. Aquiloeraalgo que se expeliade dentromim, sendoregurgitadocomoum vomito, um animal com vontade própria, formatado sobre um biltre louco, um vil monstro que saliva antes de devora a sua vítima, consumindo-se antes mesmo de destroça-la. O meu serinteriordemostravaumprazer incomumsobre aquelapequenina,e o ensejode me alimenta,devorando-aaindaestandoviva, consumiaomeuinconscientelúgubre,e comoa um lobo que devora despedaçando o almoço para somente comer no jantar, eu planejava caça-la ainda naquela noite. Aquele docede meninadesfezacalmariaqueexistiaemmeucoração,e aemoçõesde abdicação e rejeições que antes viajavam comigo, abandonaram-me, há coisas que não devem ser acordadas, há cães que merecem dormir pela eternidade, existem animais que não devem ser soltos. Mas eu já estava liberto nas ruas e sem as minhas coleiras. A minha calmaria devia ter caminhando comigo, mais ela me desamparou, o silencio voltou a sussurra obscenidades em meus ouvidos, influenciando-me maldosamente contra o que eu desejava. Minutos depois desta intervenção maligna, o sossego que peregrinou comigo da minha casa até o centro histórico, virou definitivamente as suas costas para as minhas preocupações,omau agora estavainsolente e livre, podendoprotagonizaagoniasterríveis em minha mente.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Momentosmais tarde e durante o percurso que eu tracejava silenciosamente pelas ruas do centrohistórico, percebique algohaviamudadobastanteasminhasintenções,segundodepois, e quase em uma fração de segundos, o meu lado animalesco, promiscuo e feroz, tomou-me aindamais de acerto, um fato que há algumtempo,não habitavao meuser daquelaformatão vil, algo ainda maior nascia dentro de mim, e eu não o controlava, definitivamente algo havia mudado,e istoeraum tanto poucomaior, algomuitodiferente,masnadase parecia comoeste ultraje, não com esta força, não como aquilo que se colocou em minha mente. As dúvidaseram muitase o desconfortomaiorainda em minhamente vazia. Neste instante, o vazio escuro, dominou a minha mente em questão de segundo, um gatilho assassino, se manifestou novamente em mim, e eu a quis naquele momento, naquele instante, na mesma hora, mais a minha maquinaria metal e maquiavélica se conteve para planeja o obvio, eu a queria morta, deliciosamente morta em meus braços. Em pouco minutos, sentir de imediato a pulsação de seu coração e a imagem de seus rins deliciososmolharamaminhaboca e a minhacamisa a azul marinho,aquilofoi algoinusitadoe frenético, meus impulsos a desejavam como ao inferno que queima. Eu com certeza jamais saberia o nome dela, e mesmo que soubesse,não iria me importa, não me dariao trabalhode saberquemsãoosseuspais,ouquemsãoos seusamigosde escola,seus sonhos agora seriam meus, e os seus desejos acabariam soltos em minhas mãos. A noite era de natal, mais o meu desejo era de ano novo, e quando sair de casa hoje, durante estanoite fria,nãoplanejeioque estavapresteafazer,ela provavelmente me enfeitiçou,talvez fosse umabruxaemum corpo infantil,e definitivamente,nãoqueria fazeroque estavaprestes a fazer,mas a sua belezame levouaodesejo de tê-la, ela era a culpada pelo meu desejo frio. Quando a vir sentada sobre aquele banco de madeira no largo da igreja do Santa Sé, pensei entusiasmado,elanasceu paraserminha,adesejei decara,e comoumjogode xadrezaimaginei morta e com uma flor de lis entre o útero e os pulmões. Aquilo seria algo improvisado, um desejo mórbido do meu íntimo, um vulcão de lascívia e vontade inanimada, ela era uma criança doce, adorável e linda. A minha mente trabalhava rápido, e tudo já estava devidamente arquitetado, os seus cabelos pretose compridos seriam devidamente amarradoscom os cadarços do meu tênis adidas,e as suas mãos ancoradas com o meu cinto de couro preto, os seus pés ficariam presos a um nó dado com a minha camiseta preferida, uma bela camiseta ilustrada com o rosto do meu pintor favorito, o mestre salvador dali. Ele seria a única testemunha do que eu faria minutos depois naquela noite. Em meu celular escutava uma bela música da banda legião urbana, os meus fones de ouvido, transmitiam a canção dos deuses, enquanto eu ouvia Eduarda e Monica escrita por Renato Russo,durante o trajetode perseguiçãoajovemfamília,eu ia planejandocadapasso de como raptaria a jovem boneca de seus pais, tudo deveria ser realizado sem que ninguém visse o sequestro,omomentoerapropicio,e caça erabelíssima,e comportariaorisco esperado,asua pele amarronzadae pálidame convidavaaquelesuplicio,e quandoavirsorrirpelaprimeiravez, fiquei loucopratê-la.Desejei-aimediatamenteemmeucoraçãofrio,euarasgariarapidamente
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter coma minhanavalha,e adorariaver um últimosuspirodaquele sorrisosecoe alegre.Euestava extasiado e em penumbra. Aquela menina era o que eu queria, sim nitidamente eu a queria, ela devia ter uns nove para dezanos,e as suas vesteseramconvidativas,elaeraa perfeição,magrinha,languidae comum cheirode chocolate napele.Asminhas pálpebras e mãosestavaem êxtase,e asruasdo reviver planejavam um caldo de morte iminente em minha mente, ela sem dúvidas seria minha. Euseguiaocasal feliz,aqueladeviaserumafamíliapequena, recém-formada,mais infelizmente, euadesejava, e provavelmentenaquelanoite,eudestruiriaasuabelaascendência.Observando a felicidades daqueles estranhos, percebi que a desejava muita mais que antes, e suplicando para o meuintimonãose envolveracintosamente comaminharefeição,euaensejava muitoe com uma força destrutivamente furiosa. Quandoolhei para a mãe da pequena,aimaginei indubitavelmente emsuafase adulta, a linda garotinhaeraoespelhode suaprole, todaelaeraosdetalhesdamãe, coisaqueelajamaisseria, caso o meu plano desse certo. A sua meninaesguiame deixavalouco,e quanto maisas horas passavam mais a desejava. Eles pararam em um quiosque para comer um cachorro quente, tomaram refringentes e saborearam uma maça do amor, eu, no entanto, pedir para uma simpática vendedora em um quiosque adjacente que me servisse um copão da cerveja mais formosa da ilha de São Luís, e soletrando vagarosamente, expliquei que queria, a amarelinha do maranhão, a cerveja Magnifica, a vendedora infelizmente tinha apenas a Bhama como bebida alcoólica, mas esse tipo de cerveja, não me chamava mais a atenção. Fui até o quiosque aonde o meu doce de chocolate estava com a sua família, sentei de costa para elesnointuitode não ter contato visual e não chama atençãopara meucomportamento, verifiquei que avendedoratinhaa cervejaque euqueria, mas elaestava envasadaemlatinha, pedir quatro unidades e afirmei que consumiria tudo ali. O vendosobra do mar para a terra e neste instante pude sentiro cheirodoce de minha deusa infante. Ela era deliciosa e única e meu instinto assassino quis agressivamente consumi-la. Respirei fundo e tentei ficar calma, a atendente me olhou de forma preocupada e temerosa. Ela perguntou se eu estava bem e respondi imediatamente com a cabeça que sim, toquei em um assunto qualquer e mudei o rumo da conversa, tentando aparenta sobriedade e normalidade. Resolvi então tomar as quatro latinhas que estavam a minha disposição e pedi mais quatro, talvez um pouco de álcool me deixasse livre e confortável para consumar a ato mais rápido. Eu esperavaum vacilodos seuspaispara me deixarde cara com ela,quandoissoacontecesse, ela seria minha, e eu sumiria com ela pelas ruas do centro histórico. Os três se levantaram e foram emdireçãoao paláciodos leões,euterminei aminhabebida,paguei donodo quiosque, e fui atrás deles, mantendo sempre uma distância segura para não ser percebido.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Enquantoos seus pais fotografavam o forte dos leões, Palácio do Governo Estadual, nós nos olhamosnosolhos,nãopanejamosaquele encontrovisual, e mesmode longe, elatambémme desejou, ficamos uns dois ou três minutos, um de frente para outro, nos consumindo com os olhos, estamosaumadistânciaconsiderada,massabíamosque osnossosolhosdesejamumao outo, não sei porque, nem imagino o que foi aquele momento, mas ela se encantoupor mim, virque oseusorrisocumprimentou omeu,e omeuladomaldosose sobressaio sobreabondade da minha eleita. A caça estavaprontae o caçador também, eusomente precisavade umaúnicaoportunidade e de uma tola distração. O resultado seria unanime, afinal daquela noite ela seria toda minha, e minha para sempre. Algo propício e feliz acabava de acontecer, aquele seria o sinal, o bom velhinho trazia um presente, a tenção e tumulto que tanto desejava. Um enorme boneco de Papai Noel agora chamava a atenção de todos no largo do Palácio dos Leões,ele eraenorme e váriaspessoasdavamvidae movimentoparaoilustre anfitriãodadata festiva. Inúmeras crianças, alguns poucos adolescentese vários pais, voltavam os olhos e os celulares digitais para o gigantesco velhinho de roupas vermelhas e barba branca. Aquela era sem dúvida a minha deixa para um rapto seguro. O alvoroço entusiasmado das pessoas fez com que elas perdessem o sentido de vigilância, e muitos pais ficaram desatentos e focados em seus fleches e fotografias, foi quando me aproximei da bela menina e lhe ofereci um singelo doce, era uma maça do amor, uma muito vermelha e bem caramelada, ela sorriu, e andando em minha direção me chamou de tio, e eu sorrir de volta, e pegando o doce, ela me agradeceu, foi quando lhe estendi as mãos e sumir com ela no meio da multidão. A gritariae a corridatransloucadadaspessoasparateremomelhorângulodogigante de papel, plásticos, cola e cordas favoreceu o meu sucesso. Ninguém viu ou percebeu o que acontecia coma jovemcriançaque eraarrastadapormimemdireçãoaooutroladodarua. Muitascrianças se perderam dos pais neste momento oportuno,mais eu naquele instante, queria apenas ela. Minutosdepoisjáumpoucolongedolocal deondeapequei,ouvirolocutorrepetir váriasvezes, que a mãe da pequenaAna Cristinaestavaa sua procura e que a mesmaa havia se perdidona multidão. Outros pais faziam a mesma coisa, e muitos conseguiram encontra os seus filhos, mais a pequena Ana Cristina continuava perdida na multidão. Não sei se o nome da infante era este, até porque muitosnomesforammencionadosdurante aoitivadomensageiro, masolocutora anunciavabastante este mesmonome,nãoouvirdepoisde algumtempo, outronome durante o percurso, talvez este fosse mesmo o nome dela, eu não sabia de muita coisa sobre a linda menina, mais sei que sua querida mãe nunca mais a veria novamente. Quando eu avistei mais a frente aquele casarão colonial abandonado, sentir que aquele lugar eraum local perfeito,nossacaminhadahaviaterminado,euasufoquei rapidamente e de forma leve e atenuante acoloqueisobre ochão,masnão a matei.Primeiramente euquiscontemplaa sua face límpida, aquela inocência era algo único e corteja-la seria uma oportunidade ímpar e surreal.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Depoisomeuinstintoanimalsedeliciouintimamentecomapressae osabordelaeraalgoúnico e sublime,depoisé claroque improviseie comohaviaplanejadoanteriormente,aamarrei pelos pulsos com o cadarço de meu tênis, depois lhe fiz dozestranças em suas madeixas e em cada uma delaslhe fizum broche com folhasde uma planta que havia no local, todaselasimitavam oformatode rosas,depois nãovacilei lhe abriroabdomee usandoumcortadorde unhapessoal, retire-lhe parte das tripas, arranque-lhe um dos rins e em seguida depositei no meio de seu estomago, uma outra imitação de rosa que fiz com as folhas daquele mamoeiro. Depoisde comer um de seus rins,deite-me aoladodelae aindaeufóricoe feliz,atrevi-meem beija-la ardentemente, foram os dez segundos mais excitante e gostoso que já sentir, os seus olhos pequenos pareciam deseja-me, mais como estava bastante irresoluto, levantei-me e caminhei emdireçãoameucarro. O atoestavaconsumadoe umfimfelizalegrouaminhanoite de natal.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloXI Ana PaulA Minha 7° VitimA Eu era uma vítima dos meus próprios desejos, um carcereiro de minha mente doentia, um flagelo do meu insano comportamento, um paciente de minha própria insanidade biltre e vil. Mutiladopor minhas praticas desumanas,tentei pormesestirara minha própriavida,mas me matar, não parecia um grande desafio, não tinha emoção e todas as minhas tentativas afundavam em um fracasso desmotivador. Tudo parecia obvio demais para o meu existencialismo mórbido, nada era mais fácil do que arranca a vida de uma outra pessoa, seria o mesmo que arranca de mim o que eu queria dos outros.Apósquatroanos de inatividade, longedoscasarõescoloniais,longe docentrohistórico, e longe de meusdesejos,tudojaziadoente e frio.A minhavidaresumia-se aestátrabalhando, estudando e bebendo, as vezes visitava um bar bacana, em outras recorria a um mesmo prostibulo, a vida foi ficando sem cor, viver foi ficando sem graça. Os quatros anos sem matar ninguém me ajudou a manter a polícia afastada, as motivações desconexase inconclusivasme tiravadalinhahorizontalde suspeitos,nadame ligavaaoslocais dos crimesou as mulheresque eumatei,a mídia me chamava de assassinodasflores,ou de o assassino das flores do mal, os meus crimes tomavam proporção nacional e até internacional, mas felizmente não havia nenhuma pista sobre a minha identidade, isso era bom, então foi preciso me afasta das mulheres e me manter livre e no anonimato. A minha mente ficou longos anos trancafiada em sua própria prisão federal de segurança máxima, os meus pensamentos demoníacos me faziam de escravo dentro do meu silencio existencial. Um terror fúnebre assombrava a minha alma conturbada e os milhares de pensamentos torpes explodiam pelos os meus poros indeléveis e sádicos. A morbidez me encantava, maiseu gostaria de estar livre, fazendo o que mais gosto de fazer, mata pessoas. A minhamentedesejavaumasóAnaparasaciaros meus fiose navalhas.A muito tempo que não sinto o gosto de sangue, e isto me atormentava. Faltava apenas dois meses para o termino de um curso de pós-graduação que eu inicie a dois anos atrás, o meu trabalho de conclusão de curso estava no fim e todos os alunosplanejavam uma festa para comemora mais uma formação, era uma espécie de baile de formatura. Haviamuitagente bonita,comidaavontadee bebidaaté otetodobar,durante estesdoisanos, não me envolvi com ninguém, e mesmo que eu quisesse, essa pessoa estaria morta. O dia finalmentechegou,acasa de showsque foi alugada para o eventoestavamuitobemdecorada e elegante.Todososhomensestavamde fraque e sapatospretos,as mulheresvestiamlongos vestidos,umamaislindadoque aoutra.Pareciaumacompetição,maistodaselasse entendiam no seu rol de invejas e desejos. A vontade de mata o meu carcereiro interior era enorme, mais fugir da prisão com um bale a algumas horas de seu início seria uma loucura e um descuido amador. A polícia teria muitos motivos para investigar cada aluno, e isso seria péssimo para quem deseja sempre está livre e
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter caçando.Asminhasintempestividadesinsanasdeveriamsercontroladas,maisosilenciosempre se desfaçava de uma bela mulher para me atormentar o juízo e as minhas carências. Um demônio mirim saltitava alegremente dentro do meu crânio, as dores de cabeça aumentavam enquanto eu bebia um Martini 1981, o infante demoníaco delirava com a possibilidade de liberta-lo, um fato que soava como permissão para mais atos insanos. Um crime dentro da faculdade chamaria muito a atenção, e as câmeras e o amontoado de pessoas seria uma ingerência e descuido. Enfimo DJ colocou música para esquenta a festa, os homens eram a maioria, bebidas eram um chamariz para a embriagues e libertinagem. Todos nós queríamos encher a cara e se tivéssemos oportunidadesfaríamos sexo com as meninas naquela noite. O baile estavanoauge de sualoucura,todosestavapresentee muitobem vestidose animados, havia cervejas apenas nas mesas dos homens, isto é, na mesa de alguns homens, pois alguns eram evangélicose muitoresguardados,algosemelhante observadonamaioriadas mulheres, maioria era evangélica. Mais o pecadoé algoque todoscometeme estamostodossujeitosafazermospelomenosuma vezna vida,háumdemônioe umanjopara cada servivente naterra,somostodosumaespécie de anjose demôniosdenósmesmos,estandodecertaformafadadosapecare aerraemalguma fase de nossa existência. Foi então que um demônio interior tomou as rédeas de meus pensamentos e das minhas emoções,euhavia planejadoalgopara dar uma esquentadanosânimos,o ponche era a única bebidamaispróximode algoalcoólicoque asmeninasestavambebendo.Etodaselasestavam com osseuscoposcheiosdisso.Entãosuborneiogarçom, comprei doislitrosde Vodkae resolvi batiza o ponche do baile de formatura. O serviço estava pronto, agora eu esperaria pacientemente o efeito da bebida, o resto da história, eu saberia contar ao fim desse jogo de cartas, o fato do que fazer depois com os resultados seria algo fácil e confortável. Uma delasseriaminhaaquelanoite,umdessessorrisos teriaaminhapinturaeternizadasobre o seucorpo. Mais quemeuescolheria,quemestaria àaltura de ser maisuma de minhasflores, quemserviriade telaparaaminhamoldura.Felizmente paraomeuprazerdemoníaco,istonão seria um grande problema. Quandovoltei dobar fui surpreendidoporAnaAlicia, elaeralindíssima,comtraçosfinos,rosto afinado, boca carnuda e muito simples e delicada, tratava-se de uma menina-mulher muito educada, risonha e simpática, um amor de menina. O som ao fundo, uma música muito românticafoi omotivopara que elame puxasseparadançar.Confessoquefiqueisurpreso,mais fiquei feliz,poiseunão teriao trabalhode escolherninguémparasera minharefeiçãonaquela noite,poisaminharefeição veiode bandejaparao meu deleite.Eunão pude escolheraminha candidata, pois a minha eleita me escolheu.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Elaestavadecididadoquequeriacomigo,poisnãodemoroumuitoaté elame beijare me deixar semfolego. Aquiloerainusitadoe um tanto estranho,passamosdoisanos dentrode uma sala de aula,convivendojunto,realizandotarefas,fazendotrabalhose nuncahaviame faladonada sobre o que acabava de ser feito. Os seus beijos eram ardentes e muito firmes, seus olhos fechados ao me beijar, denunciava que aquele sentimento era antigo e verdadeiro. E quando me agarrou forte pelacintura,tive a certeza que as suas emoções eram reais e muito correta. Quando voltamos a mesa, todos nos olhavam de forma intrigante e também perplexos com o que acabou de ocorrem diante de seus olhos. Afinal eu e a Alicia trocávamos pouquíssimas palavrase raramente estávamosjuntosou conversávamos.Aquiloeraumadoideiracompleta, não haviaumaexplicaçãoracional paraoque aconteceucomagente nomeiodosalãodo baile. AnaAliciaeraoque chamamosaqui emSãoLuís doMaranhão de umavara paude mulher,uma fileira de Anajatuba, uma potranca graúda, uma poldra, uma mulher gigante e bonita. Eu por um outro lado, era modesto, mirado e muito magro. Não era uma perfeição de homem, mais também não era de se jogar fora. Eu a deixeiemsuamesa,junte-ascomassuas outrascolegase fui para a minhamesa,os meus amigos ficaram entusiasmado e felizes comigo. A missão agora era junta esta coisa boa que aconteceucomigocomaexpectativade tornaalgoirreal emreal tambémparaosmeusamigos. A operação juntar mesas estava sendo arquitetada, um plano infalível, igual ao do cebolinha, estava sendo amarrado no clube do bolinha. Mas nada dissofoi preciso,a própria Ana Aliciaveioaté a nossa mesae nos convidoupara nos juntamosa elas.Eramseismulherese seishomens,umtime estavasendoerguidoe eujátinha a minhaparceira.Faltavaa molecadase arranjar,maisissoseriasomente comeles,e porconta deles. A noite foi se alongandoe oscasaisaospoucosforase formando,faltousomenteAlex e aPaula se ajeitarem como casais e uma música deu um lance para que eles fossem jogar. A pista de dança era mesmo magica, os dois voltaram com as mãos grudadas e juntinhas. Em nossamesa ouvia-se muitosestalaresde beijos,copossendocheiose barulhosde garrafas vazias.Asconversasaumentavamde volume e asrevelaçõeschocavamosformandospeloteor e pela gravidade do assunto. Uma das meninas resolveu quebra o gelo das conversas picantes e decidiu ser alvo e foco de suas próprias histórias, subiu em cima da mesa, puxou o vestido logoaté os joelhos e dançou funkpara todosnósem ritmoagitado.Obalança de bundaera algoexcitante e lascivo,alémde empolgante é claro. O álcool era um demônio necessário, finalmente as margaritas faziam efeito, o ponche turbinado a Vodka fazia o seu trabalho. Todas elas estavam aparentemente bêbadas e muito loucas. Um casal a minhafrente estavaapontode transaali mesmonosalão,elesestavamaltodemais, a Vodkahaviaextrapoladoa cota de sangue por litrode álcool,elasimplesmente masturbouo nosso amigo na frente de todos. Depois ela sentou em cima dele, e rebolou sem calcinha em cima de seu pênis. A festa havia chegado a seu ápice.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Umde nossos amigosresolveuparacom a brincadeirada funkeira,algoque a deixoubastante irritada,não impedidoque elasubisse novamenteamesae fizesse algoduasvezespiordoque antes.Os beijoseramcoisaparaamadores,a nossamesa haviaevoluídoparao sexoexplícitoe a minha companheira não ficou para trás, foi para debaixo da mesa e escondida pela toalha, puxouparajuntoda mesaa minhacadeirae abrindoaminhacalça,iniciouumsexooral animal, ela me chupava como uma louca desvairada, e os seus engasgos me preocupavam em suas inúmerasfaltas de ar. Ela nuncaimaginariaque ummagrelocomo euteriaum pênis tãogrosso e comprido, uma combinação perfeita para quem adora chupar e engasgar. Dezessete minutos depois,algoaindamaisloucoestavapreste aacontecer,a maluca embaixo da mesa,virou-se de costa,colocouabundapara cima,enroscouas pernasemminhacadeirae encaixou a bunda em meu pênis. Ela cravou o seu ânus em mim como um parafuso e enroscando-se emmimde formainsana, sacava-se contra o meupênisde maneirafrenéticae repetida. Uma imagem senão louca, mais talvez muito desvairada e prazerosa. Horas mais tarde estávamos no banheiro, e tudo o que podia ser feito de ilícito e sexual, foi realizadocomexatidãoe perfeição.EununcaimaginariaqueAna Alice fosseumanimaldosexo. Nunca imaginaria tais sandices com aquele rosto lindo. Ela era um demônio em um corpo angelical. Infelizmente para o meu deleite, não poderia matá-la, ficaria obvio demais, eu retardaria o oficio, e deixaria a sua morte para um outro dia. A funkeira serviria para aquele momento oportuno, mais se não fosse viável, também abortaria a missão impossível. Uma outra vítima seria viabilizada e isso não passaria de hoje. O banheiroserviude motel e a laje da casa de showsserviupara comtemplarmosasestrelase fumarmos uns cigarros. Um ciclo foi fechado, a aulas estavam encerradas e a noite estava acabando. Aproveitamos para dormir um pouco, afinal transa naquelas condições e de várias formas possíveis, cansa e nos leva ao sono. Horas mais tarde eu estava em casa e sinceramente não sabiacomo e quandocheguei.Algumasligaçõesde AnaAliciaestavamentupindoaminhacaixa postal.As mensagensfaziamalusãoa meuparadeiro,AnaAliciaafirmavaque acordou sozinha na laje e que ficou preocupada comigo pois não me achava na casa de shows. Eu respondi que estavaemcasa, maisnão me lembravade como vimembora,perguntei se ela estavabem,ela respondeuprontamente que estavaótimae me agradeceupelaótima noite.E mandandobeijose milhõesde cheiros,perguntouquandoagente iriase encontranovamente, eurespondi que aindaessasemanaeuaveria.Disse quesentiasaudadese adoreiestacomoela nesta noite. Ela mandou umasimagenscom carinha de felize terminoua mensagemcomum “eu te amo”. Mais uma vez fui surpreendido e cauterizado por esta incrível mulher. Realmente eu nunca esperei issodela,masafinal estamosaqui para viver,então,vamosvivertudoque se tempara viver, já dizia o meu amado Lulu Santos.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Maisalgoestavamuitoerrado,observeiquequandofuiescovarosmeus dentesvirpeloespelho que as minhas roupas, rosto e mãos estavam sujas de sangue, ao retorna para cama, notei nitidamente que ela estava alagada com um sangue que não era meu. Tomei um banho apressado, fizumarápidavarreduraemmeucorpoe notei quenãoestavamachucadoouferido. Literalmente algo muito errado aconteceu ontem no baile, o sangue não era meu, e se estou com sangue emminha cama, issosignificaque o corpo de alguémestáaqui. Procurei por toda a casa e não achava nada, o chão estava limpo, os meus moveisestavam intactos, somente a cama estavada forma que a encontrei.Maisisso não faziasentido,elatinhaque está aqui em algum lugar, fui para o lado de fora da casa, procurei na lixeira, vasculhei entre os cantos da casa, vasculhei por cada buraco desta casa e nada, fui até a caixa d´água, ao tanque de armazenamento e até cisterna. Algo de muito errado havia saído do meu controle, como existe sangue emminha cama e não possui nenhumcorpo.Eu precisavaficarcalmoe pensar,o que eufaria depoisde comer,afinal se aminhabocae omeurostoestavamsujos,existe agrande possibilidadedeterme alimentado dessa pobre mulher. Agora por que eu não me lembro, isso não faz sentido, se alguém aqui deveriaestá morta e sei que não está, é Ana Alicia. Ela está bem viva e muito viva pelo jeito. Definitivamentetenhoque beberalgo,somente umaVodkaouumacervejageladavai metrazer calma, isso não poderia ter acontecido, foi um erro, isto foi uma falha terrível. E o inusitado aconteceu, algo chamou a minha atenção, pingos de sangue molhavam o chão de minha cozinha,as gotas vinhamde minhageladeira,ao abrir a porta, um ar frio e mórbidosobroude dentro dela em direção a meu rosto, e de uma forma clássica, observei o que podia ser obvio, havia uma mulher inteira dentro de seu compartimento, ela estava exprimida, socada e possivelmente desmembradae quebradano fundoda minhageladeira,oseu crânioestava no congelador e os seus pés e mãos estavam na gaveta de verduras. Era a Ana Paula,a reconheci pelolaçode fita amareladoemseu cabelo.Puta merda,o que eu fiz. Infelizmente aquilo havia se extrapolado e tudo havia saído do meu controle, eu não lembravade nada. Istosignificava que alguém estava no controle de tudo, e não era mais eu.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloXII Ana LeticiA Uma Vítima de Meu AmoR Minha 8° Vitima Quando eu era criança, adorava o cheiro que o jardim da mãe exalava, os girassóis amarelos eram as floresmaisbonitas,as maiscoloridase as mais lindasentre todas as outras floresque elahavia plantadoem nossoquintal.Foi com ela que aprendi a plantare a gostar de jardins,e era isso também que me fazia esquecer das surras cotidianas e dos castigos noturnos que ela me empunhava severamente após as missas dominicais. As surras e torturas eram para expurgar as minhas travessuras de menino levado, mais na verdade era elaquempraticava sandicesforade seumatrimonio.Elaestava empecada com o padre Gregório,mas era a mimque elapunia,meupai viajabastante a trabalho,não sabia das aventurase desventurasdeminhamãe,noentanto, eudeveriacontarameupai oqueacontecia noquintal de nossacasatodasasquartas, afinal eleconfiavaemmim,eleacreditariaemminhas palavras, mas eu não queria que uma separação abrupta acabasse com a nossa família, então eunão podiadesaponta-lo,nãodeveriacontaraele oque acontecianaquelacasaenquantoele viajava,seriademaisparaele,e nadame fariamachuca-lo,mesmosabendoque aquilotambém me machucava. Eu tinhapoucas alegrias,e uma destaalegriasera uma vizinhalindaque moravado outro lado da rua. Sua casa não tinha tantas flores, tantos moveis,tanta fartura, e nem tantos quadros e objetoscaros, quantotinhaemminhacasa,maisemseularexistiaoessencial,elatinhaoamor dos seus pais, ela tinha a vida que eu queria ter. AnaLeticiaeraumalindavizinhade dozeanosquandoeume apaixoneiporela,eutinhaapenas nove anos de idade,maiseu já sabia a dor que o amor nos suplantaquandosomos rejeitados. Lembromuitobemde umaquinta-feirachuvosade fevereirode 1981,foi o diaemque eudisse a ela que eu estava apaixonado, mais ela me renegou. E assim como aquela chuva terrível de fevereiro, eu chorei de forma temerária. Fiquei imóvel em meu quarto por três dias inteiros com a sua negativa, permanecendoinerte durante semanas sobre o intervalo de sol e lua que se sucediam em nosso vilarejo. Foram 14 diassemter comandode minhavida.Eu sofri pormesesemfrente àcasa delaaté que a minha mãe percebesse o meu sofrimento. Os dias naquele quarto e os mesesde vigia emminha janela nunca foram tão dolorosos como aquela quinta chuvosa de fevereiro, depois da negativa, fui incapaz de sair do meio da rua, e mesmo com a chuva caindo sobre mim, não quis abandonar a minha esperança. Foi a minha mãe quemme tiroudebaixodaqueleaguaceiroterrível, e foitambémnestediaque quasemorri devido à forte tisica que atacou os meus pulmões. O dia foi horrível, a chuva era bonita, o seu cheiro de terra molhada estava em minhas narinas, mais eu sobrevivi. Aquele foi umdiatriste paramim,e até então,eunãosabia o que era este sentimento,seique foi triste, porque o meu olha diante do espelho, foi o mesmo olhar que a minha mãe fez para mim, quando eu aos quartos anos de idade,matei por estrangulamentos dois pobresgatinhos
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter queachei abandonados no mercado das tulhas. Até hoje não sei por que ela ficou triste pelos gatinhos, sei que amei fazer aquilo que dois acinzentados. Eu lembromuitobemdaquele dia,minhamãe me disse que correuatrás de mimpor cinco ou dez minutos, enquanto ela gritava chorando para que eu largasse os gatinhos, mas eu não os larguei, e quandoenfimelame alcançou,foi difícil solta-los,minhaforça,disse minhamãe,era algo sobrenatural, algo absurdamente forte,mas eu a olhei feliz, e com os gatos na mão, e já mortos e com os corpos balançado como pêndulos, apenas sorrir.... E repetindo algo que ela não queriaouvir,continuei fazendoogestoinsano,sementenderaofinal,que oque elaqueria mesmo era que eu os soltasse.... E sorrindo continuei falando..... - Olha mãe.... - Veja como eles estão dormindo...... - Viu..... - Eles estão dormindo..... - Não fique preocupada.... - Eles estão dormindo...... - Eu os pus para dormir.... Enfimossoltei...Masagoranadaimportava... Omal jáestavafeito,osgatosjáestavammortos, estaporemnão foi aminhaúnicaatrocidade,lembroquedepoisde termatado,algunspombos, uma dezena de lagartixas, e até alguns de meus coelhos de estimação, fui convidado a me resignar. Após estes vários episódios foi encaminhado a vários psicólogos e psiquiatras, tomei váriosremédiose até tomeichoqueselétricos.Masnadame curou,pelocontrário,voltavacada vez pior e ainda mais malvado. A minha alma parecia presa em outro lugar, eu tinha quase certeza que ela não habitava mais o meu corpo, e apenas o frio me fazia companhia. A minha última insanidade infantil, foi ter cortado a sangue frio da garganta até o escroto, o cachorro da minhaoutra vizinha,elaerauma lindagarotinhaque moravaa meulado,e aquele cachorro eraa suaúnicaamiganaquelavida.Todosé claroficarammuitoassustados,e foi assim que o padre Gregório entrou nas nossas vidas, bem como na vida de minha mãe. Neste dia vir que a minha mãe estava triste, e a sua tristeza não era por causa dos gatos, das lagartixas,docoelho,oudocachorro morto,mas suatristezaera porcausa do sorrisosoltoque brilhava em minha face e da felicidade que habitava o meu corpo. Muitas rezas,muitasvigílias,e muitosexorcismoforamfeitossobre mime sobre nossa casa, o padre Gregórioestavacertoque anossacasa,bemcomoomeucorpo,achoque ambos estavam possuídos por um demônio muito antigo,mas eu não acredito em Deus ou em Demônios, até por que eu sou ambos, sou muito pior que os dois. Sei que fui cruel, e estes pequenos inocentes animais, não mereciam aquilo, muito menosos doisgatinhosque esfoleinafeiradastulhas,apesardelesdoisseremasminhasprimeirasvítimas fatais, eu tinha certeza do que fazia, apesar de ter quatro anos nesta época, a felicidade se
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter pareciacom o que eu fazia, ou seja, matar, apenas tira vidas, ou dominar vidas. Mas sinceramente, no fundo do meu ser, bem no fundo do meu ser, aquilo me deu prazer, mais muitoprazermesmo.Sentiravidadeixaroscorposdaquelesdoisgatinhos,foi algoúnico,e ver a alma deles escaparem pelos seus olhos, me deu um imenso deleite lascivo. Infelizmente a minha mãe não ficaria tão triste comigo, ou com este assunto mórbido, se ela soubesse de um outro terrível segredo que eu escondia, algo que só eu sabia, uma dor que somente eu sentia, um mistério turvo que envolvia um homem inescrupuloso e a sua amada, esquia e comprometida irmã. Uma tortura afiançadaemfamília,umaconvulsãomental realizadaempares,omeualgoz,vivia dentro de minha casa, almoçava comigo, e até colocava-me para dormir. Ela era a minha tia, sangue do meu sangue, carne da minha carne e amor do meu desamor. Ela simplesmente abusava de mim desde que eu tinha três anos de idade, os abusos somente terminaramquandocompletei treze anos,masmesmopara uma criança de três anos,ou para um adolescente de treze, ver a sua tia abusa-lhe sistematicamente várias e várias vezes,e de todas as formas e maneiraspossíveisé algo inimaginável,sexoé umacoisa boa diziaelacom a línguaemmeuouvido,mas omeuoutroalgozgesticula, temque teridade parapraticar,e idade ele ainda não tem, minha querida. Essa outravozque sussurravaemminhaoutraorelha,erade umhomemque deveriaserumtio postiço,e que simbolicamente,deveriacuidar de mime não me flagelar. Elame compartilhava com este homemterrível,umapessoaaindamaiscruel e maissádicodoque ela,umdepravado, um monstro horroroso, um causador de ojerizas usurpadoras, fator que até para mim, apesar de ser hoje o que sou, tornou-se uma dor carregada demais para suporta, algo um tanto grotesco, senão exagerado em seu contexto doentio. Sei que nadadissojustificaoque fizaminhabelavizinhaAnaLeticia,tambémsei queaquilonão foi nada altruísta,aquele atonão era nada infantil e eunãoera tão inocente,nemtinhadentro de mim, nenhuma inocência. Quandoa atrair para a praça do Panteon, entre as proximidadesdaPraça Deodoro,eujá sabia o que fazercom ela.Fizo que deveriafazer,disse que oEzequiel aesperavapróximoaobanco de madeira, aquele era o único banco que estava longe da avenida principal e perto da rua do mangueiral. O mangueiral eraumaruaisoladae escura doantigocentrohistórico,umpedaçodacidade que ficavapróximo aumaantigacasa abandonadapertencentesaosMontelose Azevedos,onde os adolescentes e jovens que moravam no centro, ou em bairros próximos, usavam as suas dependências para namora e fazer intercursos sexuais. O fato dela ter me rejeitado, apesar de sua bruta negativa, eu ainda falava com ela, ainda a amava, sempre estavacontato,e sabiade todosos seussegredose namoros.Onamoro que os doismantinhamasescondidasnãoeramistérioparaameninada daruadosremédios,maispara os mais velhos, como os nossos pais, haviam segredos que nunca chegariam a seus ouvidos, nada seria descoberto, até que um buxo embrenhado apareça para acabar com a brincadeira noturna. Isto sim era algo certo.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Ecomo a irmã pequena do Ezequiel era um pretexto para eles se encontrarem as escondidas, não foi difícil convence-la de ir ao encontro que ele possivelmente programou.Afinal eu tinha nove anos de idade, e todo mundo acredita e tem fé em uma criança de nove anos de idade. Quinze minutos depois a surpreendi no banco de madeira, ela se assustou bastante, mas conteve-se ao perceber que era eu e não a sua mãe, ou mesmo o seu pai, mais ainda assim assustou-se comaminhafeição,todostinhammedode mim,aliais,quemnãoteria,que criança abre barriga de um cachorro, rasga um coelho ao meio, mata gatos inocentes, brica com pássaros mortos, ou esquarteja um bezerro com aquela extrema perfeição. Após curtos segundos de resignação, ela respirou fundo, e voltando-se para mim perguntou.... - Mas.... O que você faz aqui...... - Sua mãe deve estar preocupada....... - Você devia estar na missa com ela...... - A missa da igreja dos Remédios está para terminar...... - Volte para a praça Goncalves Dias..... - Volte para brincar com as outras crianças..... - Cuide.... volte logo............... E ainda sem dizer nada, apenas contemplei os seus belos olhos amendoados e soltos, aquele seu vestidinho branco, aquelas rendas afrouxadas e os seus belos cabelos lisos, apenas me lembravam do lindo jardim de minha mãe. O cheiro que ela exalava era igual, era como os girassóis amarelados, como o jardim, como todas as flores do jardim. Seu perfume era algo angelical. No entanto, somente uma coisa me causava um asco terrível, eram aquelas fitas amaradas em suas madeixas, ela denotava-me as feições claras e cruéis de minha tia assediadora. Mas não quis chateá-la com os meu traumas e disse-lhe exatamente o que ela queria ouvir..... - Sim, a minha mãe estar na missa..... - E depois ela vai para reunião da quermesse com o padre Gregório..... - Não se preocupe comigo...... - Eu estou bem...... - Venha comigo....... - O Ezequiel a espera atrás da casa abandonada...... - Ele me pediu para lhe leva até lá...... - Venha comigo..... - Cuide.....
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter -Venha logo..... - Ande Ana..... - Não se demore..... Eu quase não acreditei,maselame seguiu,minhainterpretaçãofoi perfeita,e amissana igreja contribuirparaque apraçaDeodoroestivesse vaziahoje.A igrejadosRemédiosficavaaalgumas quadras de distância da praça Deodoro, mas o povo adorava perambular por ela quando não havia missa no Largo dos Remédios. Eu não perderia tempo, faria o que deveria fazer, executaria o meu plano sádico, e ainda hoje elamorreriaemmeusbraços.Quandochegarmosno meiodacasa abandonada,tratarei de me perder,e irei me esconderemmeioaescuridãoda construçãoantiga a mata alta e fechadame ajudará,minutosdepois,elasentiu aminhafalta,euachamei váriasvezespelonome,masnão me apresentei,euqueriaassusta-lanovamente,aquiloeracruel,elaaté procuroupor Ezequiel, chamou pelo nome dele várias vezes, mas eu sei que ele não iria aparecer. Mas para a minhadoce vontade de ama-la,e para a sua péssimanegativade me renegar,eua matarei hoje, e golpeando fortemente bem na nuca, fiz com que ela tombasse, aquela pedra grande fezumestragogiganteemseucrânio.Eoseusanguelogojorrounagramaverde,e como a uma mangueirad´águaque esguichaváriasvezes e emmuitasdireções,tenteifechaaválvula que estancaria o amontoado exagerado de sangue, mais não conseguir, entãodeixei fluir, um rio inteiro saia de sua cabeça, um riacho pleno de puro sangue. O sangue apenasfluíacomoumrio,suas aguaseram intermitentese perenes,tinhamumcurso único,umatrajetórialinearde umquaseamor.Virquetudoaquiloeraigualaojardimque existia no quintal de minhamãe, tudofluía vivo,como a um córregode água, como a um enorme rio, somente o perfume das flores não existia naquele local, mas isso não me tiraria o prazer. Aquiloeraestranho,inusitadoe lascivoparamim,maseume sentirfeliz,agoraelaestavainerte, agoraelaestavasemvida,masmesmoimóvel esobre ochãosujoe rasteiro,euaindaadesejava. Mas enfim,nãofoi como eu queria,mas aindaassim pude beija-la,pude toca-la,pude ama-la, mesmo que por alguns minutos. A minha parafilia era algo inusitado e muito exógeno, as vezes esse sentimento me causava felicidade,asvezesme traziador,asvezesdesejoslascivos,emoutros sofrimentos,maismuitos eram apenas condução de horror. Havia dias que eu molhava a cama, em outros que brincava com fogo, e estando frustrado recorria a suicídio. Este último era inútil, eu tinha coragem o bastante para tirar uma vida, mas não para tirar a minha própria vida. Lembroque neste diafiquei cincoa dezminutosa seu lado,contemplei oseuestadomórbido, suacondiçãoefêmera,masosseusolhoseramlindos,mesmosemvida,eramtênues.Mascomo a vida não é completa, e como tudo nela, torna-se algo efêmero, logo perdi o interesse pela lindamenina.Emesmosemterapegoamorte me despedire fuiembora.Elafoi omeuprimeiro amor, a minha primeira primavera, a minha primeira vítima e desde então não parei mais de matar, sempre querendomais,sempre querendoter AnaLeticiabempróximode mim, sempre querendo mais dela, as vezes um pouco ou até mais do que hoje.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloXIII As Bonecas Incrustadas dos Casarões Colônias Uma Coleção Indiferente Um Eternidade em Paredes Ana Maria poderia ser a minha oitava vítima, mas não era, em minha contabilidade esquizofrênica,elaentravaemumaoutranumerologia,naverdade emumacoleção,contadae documentadaforade minhascaçadas. A doce virgemem minhasmãos,era a minhamaisnova bonecade coleção.A belaMariaerauma lindameninade cabelos encaracolados,olhosmeigos, pele macia, mãos pequenas, dedos singelos, lábios grassos, queixo arredondado, bochechas rósease umacor de pele linda. Umatonalidade de pelemaislindaque jáviremminhavida. Ana Maria era uma negrabelíssima.Masera uma penaque a morte descolori tudooque é bonitoe efêmero. Em todos as noites que sair para caçar ou que simplesmente sair para colecionar, esta foi a jornadaou passeioque semdúvidamaisme possibilitouumsentimentode satisfaçãoe alegria, algotão diversoe harmoniosoemmeioatantoexercíciogloriosode trabalho.Issoinclinavaem mim uma ansiedade egocêntrica volvida a um lirismo dionisíaco, um fato que massageava a minha insanidade bélica junto a pueril habilidade de mata sem culpa. Essa garotinha de pele parda me fez ter hoje uma nostalgia e sentimentos a muito tempo esquecidos em minha peculiaridade de menino e infante, lembrei de minha primeira paixão, aquelaque me fezsentirummeninode verdade.A mesmasensaçãoque tambémtivedaminha primeira vítima rasgada pelas minhas doces navalhas. Embora estálindacriatura que hoje estáabsorta sobre o meuchão me gere bonssentimentos, sei que ela nem de longe poderá substituir o amor que tenho pela doce Ana que morava em minha pequena rua. A imagem da praça velha, cheia de palmeiras, vem como vendaval em minha mente. A rua em que morei na minha infância não somente se materializou em minha frente,comotambémproduziuocheirode terramolhadaque achuva salpicavaemmeurosto. Apesar da situação efêmera e atípica o momento era gostoso e nobre. Ana Maria tinha apenas oito anos de idade e mesmo sendo tão novinha, ela tinha todas as qualidades de uma menina bem-nascida e vivida, sua beleza era algo único, e a textura de sua pela era muito peculiar para uma cidade como São Luís. É o Maranhão tem promessas que somente oscéus podemprovercom as suas chuvas e este chão sempre me surpreendemcom os seus docese petiscos nascidosde seuprópriochão. Aquelagarota era tão singelae tão rara que tinha pena em devora-la com tanta rapidez, mas as noites não duram para sempre e não posso ter o luxo de demora neste lugar, não posso ser presa fácil para as autoridades. Devo continuar com o ritual, não há espaço para mudanças ou falhas nos procedimentos de caçar. Minutosapóster jantadoe depoisde terme saciadodevidamente comaminhabonequinhade luxo,percebi que aquele espaçoeraalgofamiliare comum para a minhasanidade temporária. Este casarão colonial jápossuir uma boneca minhaem suas paredes,está que está aqui, neste sobrado é a de número três, e o meu jantar de hoje, que está comigo, será a de número sete, mas elanão pode sereternizadaaqui neste espaço.Então aonde asepultarei.Infelizmentenão
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter penseiantesde vimparaeste prédio,apenasquisme deliciarcoma minhaAna Maria, a minha querida e suculenta menina. As ruas devem estar abarrotadas de viaturas de polícia e não posso me arriscar em sair deste prédiocomocorpode minhajovem boneca. A fachadade umalargasacadame levaaopassado e reconhecendo aparedeemminhafrenterecordo-me dequemelepertence.Aqui estáaminha terceiraboneca,a minhaqueridaAnaLucia. Uma jovemruivade sete anos.Eu a sequestrei em uma praça do bairro da liberdade em 2003. Lembro-me perfeitamentecomoasurpreendiemsuadoce caminhadaaté ocomercio dobairro. Estacionei o carro vagarosamente próximo a venda do seu João Guilherme e observando que estavasozinhonarua,viraoportunidade perfeitaparaataca-la,osol estavaatodopino,ocalor era algo quase insuportável, aquele era um meio dia escaldante e terrível, eu tinha que intercepta-la antes que ela entrasse no comercio, essa seria a chance perfeita e sem muitos erros, ofereci a meninaumpirulito cabeçãode sabor cereja. SeuJoãosempre assistiatelevisão neste horário, um fato que me ajudaria e não levantaria testemunho e suspeita. A isca tinha sido lançada, agora tinha que fisga-la rapidamente, a criança sorriu alegremente com a minha oferta e vindo tacitamente em minha direção, colocou o rosto junto a porta do carro, disse-lhe entãoduasoutrêspalavrascurtas e agradáveis,certifiquei-me novamenteque estava realmente sozinho com ela e vir que a rua estava vazia, sem vacilar ofereci o doce novamente, instigando a menina que colocasse as mãos e o braços para dentro do carro. Quandoenfimconseguioque queriae vendoosseusdoisbracinhosfrágeisparadentrode meu carro, a pequei pelo braço fortemente, puxei-a bruscamente para dentro do meu veículo, tampei a sua respiração com um lenço molhado, embebido com amoníaco, e estando desfalecida a jóquei para o banco de trás do automotor. Minutosdepois,estavacomomeu prêmio, perdidamente apaixonadopelasupressãode minha boneca, o ato foi inegavelmente infalível em seu processo. A ruptura ocorreu com um êxito implacável. Neste momento estava em um casarão colonial antigo, devorando-a alegremente nas duas horas que se seguiram depois sequestro. Eua sepultei comcimentoe pedras decantarianeste espaçodestaparedeaexatamentedezoito anos atrás. Ninguém até hoje sabe o que realmente aconteceua jovem menina, muito menos se sabe aonde elapossaestardepoisdetodosestesanos,somente euseideste segredo.Eassim, desta mesma forma, estão as outras seis lindas bonecas que sequestrei ao longo destes vinte anos. Todas as crianças que eu literalmente devorei, agir exatamente da mesma maneira, primeiro passeavade carro pelos bairrosaonde tinhammaismeninas,depoisobservavaamovimentação de suas atividades em parques, praças e ruas. Escolhia a mais linda e formosa criatura entre tantas que habitava aquele lugar e depois de ter planejado uma estratégia, eu as sequestrava com a ajuda de um simples pirulito de fruta. Era tudo muito simples,fácil, rápido e sem deixa vestígio de minhas atividades.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Algumasdelasjáeramde meuconhecimentoe convívio,maisa maioriaeume apaixonavaem meustípicos passeiospelaspraças,parquese ruas da cidade.Aqui é fácil ver crianças andando sozinhaspelasruas e praças. As meninassãomais despreocupadase confiamemqualquerum que lhe ofereçabalasou pirulitos.Umacoisa terrível que aprendi na vidae principalmentenos livrosinfantisé que nãose pode confiaremalguémque te ofereçadoces.Istoé verdade,eusou a prova mais maléfica disto tudo que fiz até hoje. Isto pareceria hilário e controverso se não fosse verdade.Euli isto emuma passagemépicados escritosinfantis que contama históriade João e Maria. Em São Luís do Maranhão possuir sete casarões coloniais em volta da cidade em que prioritariamente aqueles que se encontram no reviver, estão sepultadas as minhas doces bonecas,sete nototal.Eu não as contocomo vítimasde minhanavalha.Afinal aminhanavalha corta apenas mulheres adultas e consciente. E neste caso, em particular, hoje também estão contabilizasetemulheresqueabrirliteralmente osseusventrescomaminhanavalha.Mulheres que em cada uma pusuma flor de lis volvidasemsangue emseusabdomens,todasadornadas sobre uma poesia fincadas entre a língua e o céu de suas bocas. As minhasbonecasnãocontam como obras de minhaarte romântica representadasnoscortes de minhas navalhas. As minhas meninas, as minhas infantes, ou como as chamo, as minhas doces bonecas são uma coleção individual. Eu não as compartilho com ninguém, apenaseu e meu cérebro, meu eterno companheiro, sabe da existência delas. Existemsete casarões,existemseteparedes,existemsete bonecas, todasemtamanhonatural, eternizadas em cimento e muito concreto. Não esquecendo, tenho que acha um ótimo e agradável casarão colonial para a minha bela ninfa da África. A minha última boneca. A minha bela Ana Maria ficara guarnecida em um lindo e grandioso casarão do século XVII. Isto eu prometo a ela. Amanhãseráum diae tanto,a noite parece me guarda umabelaescolha.Voutentardormirao ladode minhabelaguerreiraafricana.A arte é obradacoleção,mascolecionaré algoquerequer disciplina e objeção. E cuidado torna-se algo que não deve ser negligenciado. A políciaaté poderialhe prenderpeloassassinatodasmulheres adultasque foramencontradas noscasarõesda cidade,masassuasbonecasficariameternizadas,escondidase protegidaspara todo o sempre naqueles casarões abandonados de São Luís do Maranhão. Casarões que são verdadeirostemplosde umahistóriaultrarromânticaocorridanailhadoamor,atos detalhados que somente ele sabiaapreciar,umpatrimôniocultural que somenteasuamente prestigiavae valorizava. O abandono desses casarões antigos eram um vil sacrilégio. Mas as suas bonecas dariam o devidovaloraofazeremmoradasnestasgrandiosas casas.Seusespíritosimortaiscuidariamdas estruturas antigas, os seus pensamentos vigiariam os telhados seculares, os seus olfatos aspirariamocheirodas relvasque nasciamnoscantosde suasjanelascoloniaise assuassalivas regariam os azulejos e as pedras sabão que ornamentavam as fachadas de suas construções.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Assuasbonecasseriamguardiãesde suasbelassacadascoloniais,e océuestrelado, espelharia os seustelhados eternose viris. Apesarde cruel,assuas insanidadestinhamamor,nãoo amor altruísta,não o amor de apaixonados, mais o amor dos que foram renegados e abandonados. Neste aspecto, quantas jovens moças fizeram morada neste longos e grandiosos casarões, quantas virgens rolaram em suas camas aspirando por pretendentes já pretendidos, quantas virgindades foram perdidas ou afloradas por homens impuros ou desejáveis. Quantas damas foram oferecidas a casamentos infelizes, quantas meninas tiveram que ser mulheresantesdotempoparaserviremde pactosemeconomiasfamiliaresruídas.Quaisforam as fugas que sofreramas escaladasde janelastão íngremesem que pernas curtíssimas feriam- se nosazulejaisde suasfachadas.Quaisinfantismeninas,morreremde amorque nunca foram correspondidos, que atos sugeria a loucura do suicídio por conta de um amor mau amado. É neste sentimentoamorosoe talveznostálgicoquecarregoocorpode minhabelameninapara o casarãoda luzque existepróximoaoConventodasMercedes.Trata-se de umcasarãocolonial muito antigo e bonito. Este velho ancião, possuir sete janelas compridas e dois andares gigantescos com salas amplas, sustentadas pelo seu plano térreo. O que nos indica que aqui morou uma família muito rica. E pela localidade e proximidade com o antigo cais da sagração, estesfamiliares deviammexercomexportação oucontratação de mercadoriaperecíveis,como é o caso de grãos de café, grãos de milho, grão de arroz ou outros grãos de mesmo nível. Estou estacionadoapoucomais de meiahora.E neste momentoperceboque é a hora perfeita para trata de meusnegóciosnecrófilos,omeurelógiomarcaexatamente03:15 da madrugada, trata-se de uma boa chance para uma invasão. A rua esta deserta e silenciosa. O cimento e a área estão no meu porta-malas. Mas a minha joia está comigo dentro do carro, ocupando o banco trazeiro do automóvel. Depoisde algunsminutostentandoforça a entradano edifício,enfimconseguirrompercomo cadeado.O objeto estavaenferrujadoe muito saturado,fato que comprometeuoscálculosde minhaentradano sobrado.Quinze minutosdepoisestousobre umaparede perfeita.Seráaqui o seu selamento, minhaqueridaamada,minhadoce AnaMaria. Você viveráeternamenteaqui neste casarão, vivendo para sempre sobre esta parede. Não me disperso de seu rosto ébrio e pálido,poisvocê fará moradaeternaem meucoração desprovidode sentimentos,ocupandoo espaço oco de meu peito, morando no lugar de meu coração. Antesde sepulta-la,dei-lheumbeijodemoradoe árduosobre osseus lábios frios.Umpequeno odor de podridãocomeçoua ser exaladopelasuacavidade oral. Mas eunão me perdi sobre o cheiro asqueroso da morte, aquele beijo era importante. Então continuei a beija-la. Algumashorasdepoishaviaterminadooseusepultamento.Ela estavaseladasobre a parede e a sua imagem estava guardada em minha mente. Sua beleza nunca mais morreria, o cimento guardaria de forma intacta toda a sua beleza de menina. Eu beijei por horas sobre aquela parede fria e ainda humedecida pelo cimento, pude sentir o seudoce lábiocarnudoe único.Aquilo nãopareciaserocertoafazer,e aminhaincoerênciaaté tinhaumaimprudênciaexageradaemminhadespedida.Afinalosol saiapelosantigosvitraisdo casarão e isto era uma nota musical para que eu abandonasse o prédio.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Eaindasolicito deamorpuramenteterna,fuiaospoucosabandonandoaminhadoceAnaMaria, um ponta de desespero caia sobre o meu medo, mais antes que as primeiras pernas, pudesse andar naquela manhã de domingo, eu tinha que sair da rua e abandonar aquele casarão. E sinalizandoparaesquerdacomseta ligadado carro, fui me despedidodaminhaamada. Aquilo era um adeus. Beijos minha ninfa africana, até nunca mais. Cheiros minha deusa. Milhões de cheiros para você e até nunca mais.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloXIV A Prisão do AssassinO Uma Ana EscondidA Minha 9° VítimA A noite de dezembro de 2020, uma sexta-feira do dia 25, surpreendeu não somente os investigadorese ospoliciais pelaformade como ocorreu a prisãodo verdadeiro assassinomais perigoso e mortal da cidade de São Luís. Muitos suspeitosforam apresentadose investigados, mais sobre nenhum deles, foi possível concluir a autoria dos crimes. Havia sobre o caso sete delegados, quatorzes batalhões, vinte e três investigadores e três jurisdições diferentes investigando as mortes, mas nenhuma conclusão. O assassino era um homemdifícil de rastreare asvezesimpossíveldefini-lo.Todasasconclusões e laudosapurados até aquele momento não se alinhava a um único suspeito. A lista era grande e sem muitas confirmações plausíveis. Muitas dúvidas e diversas falhas nas apurações das provas coletadas nos locais dos crimes, denunciava um suspeito com características atípicas e indiferentes relacionadas a este tipo de assassino. O perfil era de um Serial Killer, mas as motivações não pareciamconexas a um ser perturbado mentalmente, havia logica e até certa coerência em seus crimes. Os policiais não estavam lidando com um homem doente e perigoso, mais com um homem inteligente e ameaçador. Estas afirmativas eram levadas em consideração não apenas pelos detalhes e pelas novas informaçõesque tentavamdescreveomatadorde mulheres.Maspeloteorpsicológicotraçado sobre a análise das informações deixadas nos corpos das vítimas e no local do crime. Apesar de algumas informações serem bastante solidas, havia pouco para se concluir sobre quem era o assassino das navalhas. As investigações concluíam que a sua identificação era imprecisa. E a sua face era desconhecida, qualquer um na ilha de São Luís poderia ser o assassino. Provavelmente um homem tão inteligente e perigoso como o assassino das flores do mal, passaria pela vida de qualquer ludovisense sem chamar muita a atenção, ele poderia ter um trabalhocomume bemremunerado,serumbomvizinho, serumamigosolicito,terumafamília, ser socialmente integrado a vida social da cidade, frequenta solicitamente a vida noturna do projeto reviver e ainda matar mulheres sem muita preocupação emocional. Noentanto,aprisãodo assassinodasflores domal,aconteceude maneiraacidentale inusitada, um pequenobatalhãodabrigadaTiradentes,faziaumaabordagemde rotinaem algunsjovens que fumava maconha emfrente a um casarão antigo.Quandoum dos soldadosouviuum som atípico e incomum, vindo da parte de cima do sobrado colonial. Aquele prédio pertencia ao GovernodoEstadodo Maranhão,tratava-se domuseude artesvisuaisdomaranhão,localizado na rua do sol.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Orelógiodaviaturamarcava 3:30 minutosdamadrugada,o friogelavaocabo da pistolataurus do soldado Anderson que observando mais de perto aquela íngreme movimentação de som vindade dentrodo casarão. Orientoua guarniçãopara que fizessemsilencioparaouvirmelhor os barulhos que se propagavam no ar. O som parecia de uma mastigação intermitente, e o tilintar de dentes era horrível. A abordagem aos jovens teve que ser interrompida, o sargento rodrigo liberou os suspeitos e reorientando o patrulhamento, sugeriu que os soldados entrassem no prédio. O saldado Anderson verificouque a porta de entrada do museu estava entreaberta, e todos observaram que havia muito sangue descendo da escada principal que dava acesso ao primeiro piso do casarão. O sargento autorizou a entrada da guarnição, e o rádio patrulha foi acionado para chamar reforços, tudo levava a crê que quem estava no primeiro piso era o homem suspeitode mata mulheres em São Luís. Noprimeirorol estavaumcorpo, ouparte de um corpo,tratava-se dosegurançado museu,ele estavaseminue semos órgãos internos.Ocenáriodo local era o maisterrível possível.E tudo aquiloera igual aos outros cenáriosvistosantespelapolícia.Tudo levavaa crê que o assassino estavanocasarão.O somcontinuavavindodopisosuperiordoprédioe quantomaisospoliciais subiam para o acesso de cima do casarão, mais nítido ficava aquele som terrível. Os policiais estavam de arma em punho, e como não sabiam da verdadeira face do criminoso, todacautelatinhaque terprudênciae coesão.Afinaltodossabiamdacapacidadee daletalidade de matar do criminoso. A abordagem foi sutil, rápida e controlada, mais sem nenhuma resistênciadoassassino.Ele foi encontradoemumacondiçãoanimalesca e horrível. Umcírculo foi feito ao redor do suspeito e com as armas apontadas para a sua cabeça, ele não se moveu para nos olhar, sua mente parecia concertada no que estava fazendo, o sujeito estava literalmente se alimentava de sua vítima. A hora do jantar não parecia uma tratativa para interrupções exteriores. O sargentodeuvozde prisãoparaoassassino,maiselenãose moviaparanosolhar.A presença dospoliciais nãoointimidava,e nadadoque falávamoso impediade terminarasuarefeição. A ocasião de sua prisão oferecia uma realidade chocante e inimaginável. A brutalidade com que se alimentava da vítima era de uma maldade descomunal. A cena denunciava algo muito novo para os agentes de segurança que estava no local. O sargentonãosabiacomoagir,emborasoubessequeaprisãoteriaque feito,masnãosabiacomo proceder em casos com tamanha brutalidade envolvida. O sujeito estava nu em cima da vítima, devorando-o como um leão que acaba de abater um cervo emuma savana. O som de mastigaçãoera terrível e insuportável.Mas issonão foi o que maissurpreendeuospoliciais.OsargentoAndersonchamoua atençãodos companheirospara um fato novoe extraordinário.Umsuspeitotinhaseiose umafeiçãofeminina.Oassassinoera umamulhere nãoumhomem.Concluíramossoldadosapósumassassinoterouvidoaconversa
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter eter virado o rosto para a guarnição. O cabelo curto não conseguia esconder as feições delicadas,típicasde uma mulher.A suspeitaficoudezminutosinteirosolhandoparao soldado Anderson antes de ataca-los ferozmente. Seu ataque arrancou parte da orelha esquerda do soldado, e somente após uma bruta luta corporal, conseguiram mobiliza-la e algema-la. A prisãofoi umasurpresaparaosinvestigadores,maisasrevelaçõesdoque elarevelariaemseu interrogatório, talvez fossem mais dramáticas e tensas. Minutos depois, cerca de vinte e seis viaturas e quatro ambulâncias chegavam em frente ao museu de artes visuais. A políciamilitar,guardamunicipal,políciafederale apolíciacivil chegavamaolocal docrime,os policiaiscivistratavamde isolare delimitaroespaço.Osrepórterestambémchegavamde todas as emissorasdoestado.Eavizinhançalocal começouaaglomerasse e adivulganas redessociais que o assassino das flores do mal, acabava de ser preso. As rádios de São Luís do Maranhão noticiavam em primeira mão que o suspeito de matar inúmerasmulheresnailhadoamorestavadetidoe acauteladoemumcasarãoantigodarua do sol, onde foi preso em fragrante praticando outro crime. Horas depoisumamultidãoficouaglomeradaemfrenteaomuseude artesvisuaisdoEstadodo Maranhão. A polícia não conseguia sair do prédio com o acusado. E a multidão furiosa, deseja entra e matar o homem que matava mulheres. O delegado responsável entendeu que seria perigoso sair aquele momento do prédio, e para garantir a integridade do suspeito e preservar a seguridade das pessoas que estavamna porta do museu, decidiu-se montar uma sala improvisada para mantê-la sobre custodia e interroga- la. O povo não sabia que ele, era na verdade ela. O assassino era uma mulher. Minutos depois providenciaram banho e roupas para a assassina, e uma psicóloga, um psiquiatra e uma outra delegada federal foi acionada para compor o quadro de investigação e instauração dos procedimentos de apuração dos crimes cometidos pela assassina. Uma novidade no caso era que a última vítima foi identifica e encaminha para um laudo minucioso de investigação necropsia. A vítima era um ex-namorado. E ele foi o único que foi devorado quase que completamente. Os olhos removidos e ingeridos pela assassina era uma novidade.Maisosórgãosinternosrevolvidose canibalizados,asflorescolocadasnosventresde todoscorpose osbilhetescolocadosnasbocasdasvítimas,todasreferenciadasaalgumacanção do cantor Renato Russo, tinham características e replicações verificadas em outras vítimas. Apenasopolicial e osegurançadomuseutinhamassuasmortescom qualificadorasdiferentes, maisissoera uma diferençamínima.Ambasforamvítimasdoacaso, não foramescolhidaspela assassina,apenasatravessaramocaminhode seustrajetosmórbidose pagaram um preçoalto pela inconsistência do acaso.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Amulher tinha 1,60 de altura, etnia branca, olhos castanhos, 60 quilos, cabelos pretose lisos, uma pinta vermelha de nascença na clavícula esquerda e unhas ruídas e por fazer. Durante conversas preliminares, a acusada manteve calma, equilibrada e muito educada, percebeu-se um alto grau de inteligência intelectual e emocional. Fatores que nem de longe lembravam o animal que devorava o seu ex-namorado na noite passada. A polícia ainda procurava identifica no sistema o nome da criminosa, onde residia, se tinha famílianacidade,onde trabalhavae seestudavanaregiãometropolitana.A criminosafalasobre tudo, sobre matemática, física, química, literatura, cinema, teatro, ufologia, religião e outros temas. Tratava-se de alguém muito bem-educada e inteligente. Percebia-se que cuidava da forma física e que se alimentava de três em três horas. Esta última exigência era habilmente contestada e determinada pela criminosa. Mas a sua identificaçãoeraalgoque elanãorelatavae constantemente exigiaapresençade um advogado. A criminosa dizia que somente se pronunciaria na presença de um representante legal que a resguardasse. Algumasde nossasperguntasforam simplesmente ignoradase rechaçadas. Um sorrisomaroto e sínico era a única mensagemvisual que saiade seurosto. E nada mais alémdissosaiude sua boca depois de ter exigido um advogado. O delegado pediu para que fosse providenciado.E disse a bela moça que ela estava encrencada. Perguntouse ela sabia do grau das acusações e observouosfatosocorridosnanoite anterior.Odelegadoperguntouse elese lembravadoque ocorreu naquela madrugada. Mais a assassina apenas sorria de canto de boca, parecendo não se importa com as acusações. A advogada da assassina de mulheres finalmente havia chegadoao museu de artes visuais do maranhão,a entradano casarão colonial de maisde 400 anosde idade foi turbulentae caótica. Todosqueriamsaberquemeraocriminosoe tudosobreoque estavaligadoaele viravanotícias. A imprensa havia vasculhado a vida da advogada em poucos minutos, mas pouco se sabia da identidade da criminosa. A mulher que foi presa aquela manha não tinha digitais, nem documentos e apenas fios, pequenas facas e uma navalha afiada foram encontradas junto as roupas encontradas dentro do casarão. Teoricamente,aquelamulhernãoexistia,andavacomoumfantasmanailhade São Luís. Um outro delegadotraziainformaçõesmaispromissoras.Umarede social fazia mençãoa uma mulher que tinha várias fotos ao lado do homem que ela propositalmente afirmava ser o seu ex-namorado. Ospoliciaisadmitiamque ohomemdevoradopor elapodiasermesmooseu companheiro, mas única e exclusivamente pelos relatos dela, pois as investigações não confirmavam de maneira oficial estes dados e informações. O perfil na rede social era do homem assassinado pela mulher e algumas fotos confirmava a intimidadeafetivaexistente entreosdoisjovens.Orapaztinha39 anose segundoocomentário dele emumadasfotos,amulheraseuladotinha26 anos.Tratava-se de fotosregistradaemum
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter barno centro da cidade de São Luís. Era uma comemoração do aniversário no bar da Firmina, localizadoaoladodacaixaeconômicafederal.Eraoaniversáriodajoveme elespareciamfelizes e contentes.Aspublicaçõesemtextosrevelamque onome delaé AnaClaraRibeirode Oliveira, e o rapaz, Rogerio Trindade da Silva. O policial reforça que a identidade de Ana pertence a uma pessoa que morreu em 2011, portanto o documento era falso. A residência cadastrada nesta identidade fica localizada no centro histórico de São Luís na rua do alecrim. O delegadopediuparaque avisasse o juizque está na causa do assassinodas florese solicitou uma autorizaçãopara que houvesse ummandadode busca e apreensãonacasa da suspeita.A criminosa sorria de maneira tranquila. E felicitando a habilidade do investigar que descobriu o seu endereço, autorizou de maneira informal que podiam entra em sua casa. A advogadaa repeliue desfezaautorizaçãode sua cliente.E sorrindode volta,desdenhoudos policiais. E encarrando o chefe de polícia repetiu o que falou ao sargento Anderson que a prendeu.... - Aquele lixo mereceu o que fiz a ele..... - Todos mereceram.... Inclusive as suas namoradinhas..... - Eu mantei todas elas..... - Eu adorei fazer aquilo com elas... O delegado não acreditava no que estava ouvido... a motivação dos crimes era passional... As mulheresencontradasmortas....Eramtodasex-namoradasdoRodrigo...Oseuex-namorado.... Algumacoisaagora faziasentido...Porissotodasas mulheresmortasnãotinhamconexãocom os homens investigados... Por que foram mortas por outros motivos alheios ao qual foram associadas, e não a vingança e aos desejos de uma mulher traída. O interrogatórioiriacomeçaemalgunsinstantes,masaquelasprevêsindagaçõesrespondiama algumas respostas que não tinham respostas claras durante as investigações. Ana Clara sorria alegrementecomosfeitos.Eos seusolhosamedrontavamosouvintesque aolhavamde canto de olho. A sua alegria era radiante e empolgante, um ato completamente contraditório para quem está subordinada a uma interrogação criminal. A advogadafaziaanotaçõessucintase orientadorasparaasuacliente,informaçõesque traziam ansiedade e risosdesmedidos.Algunspoliciaisnãoacreditavamnalevezae nadespreocupação que era emitida pela jovem. Ana Clara estava calma, sorridente e muito feliz. E tudo era um motivo para graças e muitas risadas. O delegadoordenouque a suspeitase dirigisse auma outra sala acompanhadade sua advogada. O interrogatório iria começa.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Umsilencio atípico instalou-se na sala de interrogatório, e Ana Clara havia parado de sorrir de forma instantânea, mudando integralmente de humor. Agora a jovem estava centrada, compenetrada, seria e aparentemente nervosa. O tom da conversa seria outro. O delegado enfim poderia retira da criminosa tudo o que ele gostaria de saber. Entender a mente de uma psicopata como ela seria extraordinário e único em toda a sua profissão. Algumas perguntas foram feitas... Mas Ana clara ficou em silencio, outras foram feitas de maneirainsistente,maisnadaa faziafalar. A irritaçãodo delegadoeraintensae sutil.Mas Ana Clara parecia se divertir com a situação. Minutos depois um sorriso estrondoso e medonho tomou de assalto todos que estava na sala. E a jovem voltou a sorrir de maneira louca e despreocupada. A paciênciaestavachegandoaumpontodifícil e o delegadoadvertiuque mesmocomtodosos direitos sociais, civis e penais a seu lado como cidadão, o fato de ter matado dois homens a sague frio, não a livraria de uma prisão perpetua. Canibalismo era algo inaceitável. Novamente amulherintrospectivavoltouparaasalade interrogaçãoe umoutrosilencio tomou de conta da pequena salinha. Cruzando as pernas, pois as mãos algemadas sobre a mesa, inclinou a cabeça em direção ao delegado de polícia e proferiu as seguintes frases.... - Você quer saber quantas pessoas eu matei... - Quando comecei a matar... - E porque as matei... Eu mato pessoas desde os meus nove anos de idade, comecei matandopequenosanimaisem casa e na vizinhança,e depoisque fiquei maiorde idade,mateiosmeuspais,fiqueicomtodaa fortuna deles e decidir viver temporadas regulares e programas em cada cidade que morei. Mas nestas cidades não matei ninguém, iniciei a maioria dos meus crimes aqui em São Luís, e aprimorei os atos que praticava depoisque descobrir que o meu namorado mentia e me traia com outras mulheres.Entãoporvingança,pesquiseitodasasnamoradasque ele teve navidae matei todas elas. Os investigadores ficaram impressionados com todas as confissões relatadas pela moça, uma escrivãfoi chamada para dar inícioaos relatosde todoscrimespraticados pelajoveme muitos estavam detalhadamente parecidos com o que foi coletado nas cenas dos crimes. Os planejamentos de cada morte, a procura pelas vítimas, o passo a passo, mapiado o trajeto de rotinas e atividades das vítimas, tudo era pensando para não ter falhas ou erros. A mente de AnaClaraeraalgoincrivelmente terrível,asuainteligênciaeraalgonotabilíssimo,e tudoerapensadoparanãodeixarpistasourastrosde suasconclusõescriminais.Inclusive ofato de deixarpistasfalsaspara a polícia, deixandoentenderque tudoera uma pratica descomunal de um homem pervertido. Foi amplamente trabalhado para não ligar uma mulher a cena de crimes praticados contra mulheres.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Tudoos fatos batiam com as descrições, os crimes detalhados em seus mínimos fragmentos denunciavamque elaerarealmente aautora doscrimes...Mas uma coisanão fazia sentido,as vítimasforam todas estupradas e em todas haviaum únicotipo de DNA referidoaosespermas encontrados dentro das vítimas, com exceção dos dois homens que foram mortos, provavelmente por estarem no local errado e na hora errada. Então como isso foi possível. Ana Clara mais uma vez sorria com a falta de imaginação do delegado. Ana inferiu a inquerido que procurou ter um empregoinformal emummotel no centro da cidade.Localizadopróximo à praça João Lisboa. Era dos cestos de lixo que ela extraia as camisinhas com os espermas encontrados na perícia. Havia um homem que a cada três meses visitava a cidade de São Luís trabalho e ele se encontrava com a mesma mulher durante anos. Isto facilitou as minhas coletas. Quando ele não aparecia, dificultava o meu trabalho. Então resolvi comprar uma geladeira apropriada para manter congelado os espermas que coletava. Algoque facilitouasminhastratativas.Easlesõesencontradasnasvaginasdasmulheres,todas elas estavam lesionadas e mutiladas. Ana mais uma vez sorriu e gritou com o delegado. - Eu sou uma sádica... - Adoro sexo.... - Não importa com quem seja.... - Às vezes usei o dedo para molesta-las.... - Outras vezes... - Usei um vibrador... - Um pênis de plástico.... - É... Às vezes eu trepava com elas... - As mordia.... - As chupava.... - Tirava um pedaço dos seios.... - Um pedaço da vagina... - Dependia do clima.... - Ou da minha tara... - Ou do meu humor... - Nestes casos... - Eu não planejava nada.... - Apenas fazia o que queria fazer.... Ana a cada frase que falava, a cada movimento gesticulado, denotava um novo traço de sua personalidadeambíguae paradoxal. A cadanovadeclaração, haviaumasurpresa,umfatonovo, um ato inédito, um fato perturbador. A cada interrogatório surgia bem na nossa frente, uma nova mulher, uma nova identidade, um novo ser humano, uma nova Ana. Sua mente era terrivelmente sádica e malévola. E os seus crimes transmitiam uma penumbra admirável e ao mesmo tempo horrível.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Suapersonalidade frágil, bonita, delicada, meiga e envolve, confundia os psicólogos e psiquiatras. Até os analistas forenses e peritos criminais com mais de 30 anos de serviços, não conseguiam montar o quebra-cabeças que se formava dentro da jovem Ana. Ana era uma misturada de delicadeza, ojeriza, altruísmo e solidez asco, uma penumbra cinza que envolvianãosomentesala,mas todoomuseudeartesvisuais,local ondeestavamestalados a equipe de criminalista. Um dos médicosque examinouajovemAna, subiaas escadariasdo museucom presa e muito altivo em sua voz. O seu rosto transmitia medo e a sua voz rouca fluía mais medo ainda. Uma pilhade papel cominúmerosexamesfoi jogadaemcimadamesa do delegadoque conduziaas interrogações. E sem pedir licença ou favor para os demais colegas que estavam na sala, o médico legista responsável pelasinvestigaçõesclinicasdocaso, surgiucomumanovidade que abalariaatodos os policiais que estavam no interrogatório. Ana haviapassadopor váriosexames médicos, antesmesmodosinúmerosinterrogatóriosque sofreuaté aquele momento.Eentre um deles,estavaumlado simples,omaisperturbadorde todos, um exame de raio X. O senhor Ricardo Aleixoera um homem dedicado, profissional, educado e sucinto, mais aquele exame em particular, lhe tirou a tranquilidade e paz naquela manhã de terça-feira. O senhor Ricardo era o principal responsável pelos exames psicológicos e físicos realizadosna jovem Ana. Aparentemente, fisicamente ou esteticamente, não havia nada de errado com a jovem. Ela não possuir ferimentos em seu corpo, marcas de nascença ou qualquer outra abertura mecânica ou cirúrgica em sua pele. Mas um exame de raioX identificoualgo extremamente perturbador,haviapartesfaltantesdo cérebrodamoçaemsuacaixacraniana.Haviapartesliteralmentevaziasemsuacabeça,eoutras preenchidas com algo ainda não identificado, eram partes pequenas, mas partes importantes do cérebro, a jovem era algo estranho na natureza humana, ou pelo mesmo, alguém quis que ela ficasse estranha. O mais intrigante,pensou o médico, é que no lugar dos espaços vazios, haviam colocado, algo muito estranho no local. Alguns dos médicos que viram as imagens, os laudos dos exames, simplesmente não acreditavam no que viram nos raios X. Havia um objeto assemelhado a um pequenorolo de metalou mesmode plástico,emsuasuperfície possuía algunstextosdescritos, mas nadaque pudesse serlido.Aqueleobjetoocupavaumaparte docérebrobastante sensível, uma região que jamais poderia ser removida. O fato desta jovem está viva e ainda está realizando todas as suas tarefas motoras e psicossociais,era algo miraculoso e irreal. Um fato único que a medicina ainda não conseguia explicar e talvez nunca conseguiria concluir. Pessoas como Ana, por si só já eram pessoas inexplicáveis,e estanovainexorávelquestãoseriaalgoamaisparacomplicaravidadosmédicos e da ciência.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Aquiloera realmente algo incomum,inumano e até não natural. Mas de qualquer forma, isto era surpreendente. Alguém literalmente havia removido parte do cérebro dela para ampliar algum propósito relacionado ao controle de sua mente. O fato de ter algono lugar de seucerebelo,denotaumaintuiçãodoentiade controle mental,o objetoé algo muitoincomume tambémilógico. Oobjetopareciamesmocom um pergaminho antigoem forma de rolosde papel. Mas por que alguémfariaistoe para que proposito.Talvez isso explique as conversas contraditórias e transloucadas da moça, as convulsões mentais, as ideiasde perseguiçãoe assombro e asoutras nãoconfluênciasencontradasnosinterrogatórios. O ato cirúrgico feito nesta garota, foi algo muito arriscado, talvezalgo perigoso,tenho certeza que elanão fezistoem si mesma,mas sejaláquemfezistocom estagarota, aindaestálá fora. E tudolevaa crê,que tudoo que elafez,ouse foi elaquemfezestasmatanças,ouaestaúltima matança em particular, ao qual foi pegar e presa, talveztenha sidoplanejado, ou programado por alguém.Talvezsejapossívelque alguémestejasobre oseucontrole.Umabusomental,um controle emocional, praticado por alguém próximo a ela. Os médicos também identificaram que partes dos ossos do crânio da jovem, foram removidos de forma deliberadae comprecisãocirúrgica.Fatoque descarta umaincisãoemsi mesma.Isto foi feito enquanto ela estava inconsciente. No entanto, o cérebro parece estar funcionando corretamente, mantendo todas as suas propriedadesdecoordenaçãovitaisdosoutros órgãosde seucorpoque estãosobre suagestão. Apesar dos muitos danos causados aos tecidos nervosos, a jovem parece está muito bem fisicamente. Mais isto ainda é surreal, diabolicamente fora dos padrões naturais. Os policiais ficaram assustados com as novas descobertas feitas pelos legistas e médicos criminalistas. Tudo ficou ainda mais sombrio e macabro, mas como tudo nesta investigação parece ser mais mórbido e amedrontador. Ninguémquis perguntar se havia mais fatos para investigar. Somente as mortes das mulheres em sim mesmo com fato criminal, parecia algo muito nebuloso e frio. O que viesse depois, apenas somaria com a escuridão que este caso já possuía. Uma pergunta,por outrolado,não ficousemter um questionamento,oque rodrigoquisdizer com a presençade umsegundoelementonacenadocrime,ofatode alguémterrealizadouma cirurgia no cérebro da jovem. Um outro delegado respondeu à pergunta de seu colega investigar.... É possível que ela seja parte de algo ainda maior do que estamos observando. É possível que o verdadeiro assassino aindaestejaláfora,elapode tersidoumaisca,ouumbrinquedosexual queelemantinhasobre sua posse, e como qualquer brinquedo velho, ele resolveu descarta. O que eu quero dizer é que ela pode não ser a culpada de todos estes crimes, talvez culpada deste últimocrime,masnão de todoseles.Talvezo que ouvimosaqui até agora, somente seja parte de uma encenação gravada por alguém na cabeça dela. Talvez ela esteja protegendo
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter alguém.Ou seja, o nosso verdadeiro criminoso. Talvez o nosso suspeito ainda esteja solto e sorridente nasruas de São Luís. Acreditonoque o doutorfalou,acho que esta garota não teve tantotrabalho,para apenasmatar as ex-companheirasde seunamorado,achoque ocriminoso que ela está protegendo é o seu namorado maníaco e desprezível. Acho que eles estão juntos nisto e não um contra o outro nesta situação. Acho que fomos enganados e iludidos com esta fantasia que ela produziu e nos fez acreditar. Não sei quem é mais insano ela ou ele. Um sorriso ardente, misterioso e sínico ressoou do outro lado da sala. Era Ana gargalhando e concordando com o delegado.Finalmente todoshaviamentendido oque haviaacontecidoaté aquele momento.... Bravejou Ana em um tom macabro e vil. Oseusorrisoestridente,erarealmente assustadore horrível,todosdasalaficaramcomospelos dos braços arrepiados e com um certo frio na barriga. Os seus olhos biltres tinham agora, um brilhodiferente sobre ailuminaçãodaface,sua feiçãomudoucom o relatoe as conclusõesdo médico, mas as suas convicções davam sentido a outras maldades que não ficaram bem descritas e evidente aos investigadores. Ana pediu para que os policiais ligassem a televisão e ofereceu a eles, novas reportagens e investigaçõesparaatenderememsuasdelegacias.Osinvestigadorespreguntaramporque ligar a televisão.Elespoderiamligarorádioda própriapolícia, a informaçãoseriana mesmae ainda mais precisa e confiável. Anaentãoperguntouque diaeraode hoje,elesresponderam, dia06de março de 2021, depois ela perguntou a hora, e eles replicaram, eram 17: 03, e Ana perguntou sem cerimônia em que dia estamos da semana estavam, eles responderam sem questionar, era uma terça-feira. Ana insistiu, e replicoupeladenúncia, liguei atelevisãonocanal 04, seusamigosrepórteresjádevem estar com a confirmação do seu colega doutor. Era uma reportagem ao vivo, sugerida por telefone por um homem ainda desconhecido. A polícia acabava de entra em um dos aposentos do Palácio dos Leões. Haviam duas jovens meninasassassinadasde formabrutal.Elasestavampenduradaspelospescoçosporlençõesdo lado de fora de uma das janelasdopalácio.Ambas estavamde frente para a beiramar, diante da baia de São Marcos. E como osassassinatosenvolvendomulheresjovens,asduasestavamcomcortesnagarganta e abertas como porcos, sem as órgãos e vísceras internas. Aquilo parecia um show de horrores, uma afronta ao Estado. Um cinegrafista em um helicópteroda televisão local transmitia em primeira mão, ao vivo e sem cortes, um crime que acabava de acontecer. Populares que passeavam e tiravam fotos próximo ao local gritavam e choram com certo desespero, alguns corriam pedindoporajuda, outroscorriam para chama a polícia,e outros alguns aproveitavam para tirar fotos dos corpos pendurados, mas a maioria está em estado de choque.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Aprova está apresentada aos policiais, e os investigadores descobriram da pior maneira que estavamerrados.O matador de mulheresestavaàsolta.O homemdasfloresdomal estavade volta aos exercícios. Ana sorria como uma desvairada e a cadeira aonde ela estava amarrada, saltavade maneiraabsurda.Ela conseguiaimpulsionaracadeiraa até 60 centímetrosdo chão. Ana parecia estar possuída. E exigia para os policiais que a soltasse de sua prisão. Mas isso não era a única coisa que surpreendia os investigadores, um segundo exame, agora muitomaisdetalhadodoque asprimeirasanalises,revelavamque oobjetocolocadonacabeça da jovemAna,era na realidade umminúsculotranscrito.Algoque imitavaum pequenopapiro, contendo escritos quase microscópicos. Os médicos não sabiam o que estava escrito, mas um recado deixado nos corpos das vítimas encontradas no quarto do palácio dos leões, suplantavam o que poderiam ter nestas mensagens.Oscorposde todas as vítimas,tinhamemparticular,umaletrada canção floresdo mal da banda Legião Urbana. A mesma encontrada em outras vítimas do assassino. Aquele fragmento minúsculo na cabeça da jovem Ana, poderia ter mesmo os escritos dos trechosda músicafloresdo mal do cantor brasiliense RenatoRusso emsua superfície. Istoera uma teoria que poderia fazer sentido, observando que o matador adorava o cantor e as suas composições. Mas o que ele nos quer dizer com estas frases. Um dos policias falou algo que poderia fazer sentido,as vítimas seriam o seu papiro, onde ele transcrevia as suas mensagens ao mundo. Aquilo fazia sentido, finalmente alguma coisa fazia sentindo. AlgumasmensagensrecitadaspelajovemAna,pareciamestarencaixadasamente do assassino. Agoraconseguíamosentenderumpoucomais sobre comopensavaomatador, e uma luz no fim do túnel podia nos revelar algo que seria incompreensivo até meses atrás a muitos investigadores. Acho que podemos desvendar os segredos da mente deste homem. Os médicos sabiam o que exatamente estava afixado na cabeça da jovem, literalmente não sabiamo que realmente haviaemseucrânio. Mas o que acabavam de ouvirdos investigadores fazia todo sentido. O objeto não podia ser removido, pois o procedimento poderia causar a morte da jovem. Então, todos concordaram em fazer mais exames até descobrir de fato havia no crânio da jovem, inclusive tentar decifra o que estava escrito. Ana sussurrava baixinho um outro crime que talvez nunca fosse descoberto. Além do homem que foi devoradoporelanaquele museu,haviatambémumajovemAna,vítimade necrófilaque foi abandonadanoporão do casarão colonial.Elaestavasepultadaemumaparede.Assiscomo as outras bonecas que ele havia devorado anos atrás em um outro casarão. Esta Ana tinha de nome desconhecido, jamais foi pronunciado pelo criminoso. Mas ela existia em segredo no porão deste museu.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloXV Um Matador IncontroláveL Uma Coleção de Ana´s A Minha 10° Vitima A polícia do Estado do Maranhão estava quase que completa em seu contingente, muitos soldadosestavamapostosasportasdoPaláciodosLeões,apolíciafederal tambémfoiacionada, a políciacivil tambémchegavapara fazera perícia,enquantoforçatática da políciamilitarfazia um cerco sobre o palácio na esperança de ainda encontra o criminoso e prendê-lo. A ROTAM também fazia um cerco sobre os arredores da sede do Governo do Estado do Maranhão. Mas tudo foi feito sem sucesso, não havia vestígio do criminoso, o homem era um ser sobrenatural,umacriaturadastrevas,umserdo mal.A políciaverificouque ascâmerashaviam sido desligadasa meia hora atrás. E os funcionários relataram que as vítimas eram cozinheiras do Palácio dos Leões. Mas como alguém entra e sair de um lugar tão grande e vigiado como este, sem ser visto por ninguéme aindaconsegue convencerduasmulheresasaíremde seuspostosde trabalho,leva- as até o quarto onde dormem o governador e faz o que fez. Como tudo isso foi possível. A políciatinhapresaemremoveroscorposdolocal.A mídiatonouoscrimesemalgopirotécnico e fantasmagórico.Umacortinade suspense se levantavasobre ohomemque ninguémsabiaas características de seurosto.A especulaçãode que ummaníaco andava entre pessoasnormais, causava pânico e temor na população. A delegacia registrava mais três sumiços de jovens mulheres com as mesmas características encontradas nas cenas do crime de hoje. A manhã estava tensa, confusa e cheia de horror. Os delegadosjásabiamqueasduasmulheresencontradasnopaláciodosleões,nãotinham relação com estes novos casos. As famílias pediam para que a polícia agisse rápido. Mas como prender alguém que não deixa pistas e rastros. O criminoso estava fazendo um mosaico maior que a sua tela. E o caos ficou instalado na cidade. A polícia fazia cerco em toda a cidade, entrando em cada bairros, vilas, cortiços e barracos. Houver também diligencias a condomínios e a casas de alto padrão. Qualquer pessoa com históricos de crimes sexuais, estavam sendo checados. As páginas e endereços digitais também estavam sendo vasculhados. Mas nada era encontrado. A polícia estava caçando um fantasma. Muitas mulheres de nome Ana, trancavam-se em suas casas e o medo tomava proporções gigantescas. Estávamos fazendo o possível relatou um dos investigares ao jornal local. Mas o criminoso ainda não foi identificado.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Emuma outra sala, podia se ouvir os risos frenéticos da jovem Ana, a possível amante ou namorada do terrível suspeito. A polícia não conseguia arranca nada da suspeita. Vez e outra conseguia-secapturaalgumafalasobreoenvolvimentodelacomoassassino.Masamaioriados diálogos eram inaudíveis. Oficialmente para a polícia, o número exato de vítimas que foram mortas pelo assassino das flores do mal, girava em torno de um contingente entre 9 a 15 pessoas, incluindo crianças, adolescentes e mulheres. Também existia extraoficialmente, um policial e um homem de 39 anos, este último, foi literalmente devorado pelaprimeirasuspeitadoscrimes. Uma jovemde 26 anos que é considerada a principal cumplice do maníaco. A jovem está sobre custodia da polícia civil. Estando presa provisoriamente no Teatro de Artes Visuais da rua do sol. Outras investigações apontam que devem existir pelo menos mais dez pessoas que foram assassinadas pelo monstro das navalhas. Levando-se em consideração o desaparecimento de dozes meninas que simplesmente sumiram da porta de suas casas, parques, praças e escolas. Asfamíliasdasvítimasdesaparecidasaindanãotiveramrespostadopoderpúblico,e acreditam que o homem das navalhas, tenha envolvimento com os casos. Pessoasdesaparecidasnãopodemserconsideradasou contadascomomortas,masexiste uma grande chance e fortes indícios que estas meninascom idades entre seis e doze anos, possam tambémfazerparte dasestatísticasque incluirosoutrosmortosencontradospela polícia.Estas meninas podem ter sido atraídas e mortas pelo homem de rosto desconhecido, o senhor das navalhas. No entanto, o número de vítimas ainda é incerto, mas a tendência em casos como este, a convergênciaé que subaa quantidade de mortos,e asnovasreportagensdevemtransformaro cenárioatual,numahisteriademedoe muitocaos.Principalmentequandoasúltimascontagens sobre os números de mortes forem reajustadas. O teordos fatose dos acontecimentossão extremamentegraves,e preocupaasautoridades.A cidade dosazulejosé pacatae muitosimples.Oscidadãossãopessoashonestase trabalhadoras. E a maioria dessas pessoas,jamais teve qualquer contato com algo de natureza tão violenta e hostil. Mas um telefonemaanônimodariapistasnovaspara aos investigadores.Estanovainformação tinha relação direta com a jovem que estava sobre custodia no museu de artes visuais. O denunciante alegaque há maisoumenos,doisanos,estamesmajovem, frequentavaacasa de um homem que morava próximo a sua residência. Todos achavam muito esquisito o relacionamentodo casal. Não somente pela diferença de idade. Mas pelas brigas conflituosas, conturbadas e violentas que gravitava a vida pessoal dos dois. Algumas crises de ciúmes podiam ser ouvidas no quarteirão inteiro da rua de São Pantaleão, geralmente as confusões e gritarias eram promovidas pela garota, pouco ouvíamos a voz do homem.Mas emuma dessasbrigas,algocaminhouparauma agressãofísica,e a jovemchegou a causar ferimentos graves em seu companheiro.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Tratava-sede alguns golpesde facas deferidasnaregiãodo tórax,outras o vitimarampróximo a virilha e as pernas. Os gritos de dor do homem mobilizaram os moradoresmais próximosde sua casa. Os vizinhosforamsocorre-lo,e oque virãofoi algo terrível.A garota estavasorrindo, enquantoseguravaumafaca de cabo branco. O homempediacalmaaos vizinhose maiscalma ainda para jovem mulher que ainda lhe ameaçava. Alguns vizinhos imobilizaram a jovem, tomara-lhe a faca das mãos e tentaram imprimir os primeiros socorros ao homem. A visão daquele cenário mórbido não era uma das mais agradáveis, e o sangue espelhado pela sala, incrementava a insanidade que compreendia a vivencia do casal. O sorrisoda jovemeraoque maiscausava espantoe medo.Elaestavafelizpelofeito.Eparecia estar um pouco descontente por não ter finalizado o ato de tentar mata o seu companheiro. Mas oabsurdomaiorestava naatitude dohomem,ele tentavaatodomomento,manteracalma e a tranquilidade. Inclusive tentando tranquiliza a sua agressora. Ele pediuinsistentementeparanãochamara políciaoua ambulância,tudoseriaresolvidoentre o casal. Houve apenas um mal-entendido e tudo seria resolvido. Alguns dos moradores conseguiramumcarro para leva-loparaohospital,masoestranhohomemrecusou-seairpara um centro cirúrgico. Algumas horas depois para nossa surpresa a jovem relatou que ele havia cuidando dos ferimentose que tudoseriacuidadoemcasa.Nãohaveriamotivosparair a hospital.Nasse ele piorasse, pediriam ajuda. Tudo estava bem, ou ficaria muito bem entre o casal. Orelatodamoça, faziaumadissertaçãoincoerenteaoocorrido,elainsistia queelemesmohavia feito os primeiros socorros, e ele mesmo costuraria a abertura dos cortes. A rua toda ficou impressionada com o propósito de alto cura dos próprios ferimentos. Naquelanoite,nãoouvimos,gritos,chorosousom de dor, a casa do jovem casal,pareciaestar empaz, a tranquilidade voltavaasua normalidade.Masa vizinhançaestavapreocupadacomo homeme a suavil agressora.E se elaresolvesseacabarcom o que haviacomeçado.Talvezeles dormissem bem depois daquela loucura, mas nós não dormiríamos bem naquela noite. Uma semanadepoisdoacontecimento,todosficaramchocadosaovê-loperfeitamentebemde saúde, ele saiu de sua casa caminhando, sorridente, feliz e de mãos dadas com a jovem que a esfaqueou. Apesar dos moradores, ficarem felizes com a recuperação do estranho vizinho. Todos se faziam uma pergunta ainda sem resposta. Todos viram que as perfurações foram profundas, alguns dos cortes, possuíam rasgos na pele com comprimentos superiores a trinta centímetros. Também havia muito sangue e muita dor. Mas o homem havia supreendentemente sobrevivido ao ataque de ciúmes de sua companheira. Eles pareciam esta felizes, e a moça, estava ainda mais feliz. Notávamos que o que ocorreu a três semanas,não faziamuitosentidopara o casal. E quandofazíamos perguntassobre o fato, eles desconversavam e sorriam.
  • 98.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Olocal apontado pelo denunciante,fazia alusão a um conjunto antigo de casarões coloniais localizadosnarua de São Pantaleão,próximo aoscorreios,naregiãodaMadre Deus.O registro deste endereço evidenciavaagoraumaforte ligaçãoas mortesque foram denotadaspróximoà região da rua sol no centro da cidade. O assentamento do imóvel está confirmado. Uma viaturadesfaçadafoi deslocadaparaolocal,próximoaestaregiãotambémhaviaumaárea desabitada com construções abandonadas, uma localidade que poderia servir de fuga, e também foram devidamente guarnecidas por outras duas viaturas descaracterizadas. Outras seisviaturascom as mesmascaracterísticas,tambémfechavamas principaisentradase saídas da região.Ratificadaalocalizaçãodocasarão, pelosetorde inteligênciadapolíciacivil,o sobrado, foi identificado como próximo à praça do gavião, centro da cidade de São Luís. O delegado rapidamente mobilizou outras equipes da polícia militar e civil, com a missão de oficializao cercaraoquarteirão.Dezminutosdepois,vintee trêsviaturas,quatorzemotoslinks, dois helicópteros e mais de oitenta policias,faziam o cerco ao quarteirão localizado na rua de são pantaleão.Aquele momento,nenhummoradorpoderiaentraousair doperímetro semser identificado e revistado pela polícia. A notícia do cerco rapidamente se espalhou pelo WhatsApp, Telegram e pelas Mídias Sociais, todos estavam familiarizados com o conteúdo. Um assassino poderia estar morando nesta região do centro. E não era qualquer assassino, era matador de mulheres, conhecido como o Assassino das Flores do Mal, o Senhor das Navalhas. Minutos depois, um alto falante, reproduzindo comandos, eram ouvidos na rua de São Pantaleão, tudo estava sendo direcionado ao assassino, que deveria responder pela sua rendição. Ele deveriasaircomasmãos para cimae se entregaa polícia. A sua integridadefísica, seria resguardada. Entre dois e três minutos depois, sem que houvesse uma resposta, um esquadrão de elite, estandoapostosna entradada casa do suspeito,sãoautorizadosainvadirumdosalojamentos residências.A explosãode umgásde efeitomoral e detonado.Oarrombamentoe ainvasãosão feitos de maneira minimalista, rápida e coesa. E a surpresaaoentraremnacasa,gera umturbilhãode novidadesincríveis.Ospoliciaisestavam certos desta vez, e pela primeira vez em toda a investigação, poderiam chegar bem perto do autor do crime. O alvo haviasido atingido,maso autor dos crimes,não foi encontrado.A casa estava vazia. Mas nem tudo foi um desperdício de tempo. Pois o que viriam a descobrir, conotaria muito mais informações e registros sobre a personalidadedomatador,as imagensdolocal,tambémdenotariam algomuitomaisbizarroe insano. A casa estava com um cheiro horrível de carne podre, e o quarto dormitório, possuía uma prateleira com uma infinidade de material com partes de corpos humanos que soltavam aos olhos e aterrorizava a mente.
  • 99.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Osrestoshumanosestavamemgrandes vidrosde conserva,algumasestavamexpostassobre a escrivaninha, outras sobre a cômoda e outras sobre o criado mudo. Algumas outras partes estavam penduradas no teto e outras expostas nas paredes envolvidas sobre uma moldura. Haviam órgãoshumanosde diferentespartesdocorpo, algumasestavamemdecomposição,e outrasestavamsendopintadascomumverniz.Algumasestavamemummostruáriode madeira, dividas em seção. Havianaverdade umacoleçãoparticular,umaexposiçãomórbidadesereshumanos.Umaseção esdrúxula vinculada a morte. O homem era um colecionador de pessoas. Um especialista em matar e colecionar.A políciaestavacaçando um homemmuitoperigosoe pelovistomuitofrio e peculiar. Mas a políciaestavacadavezmais pertodoverdadeiroassassino.Infelizmente,elehaviafugido, mas a casa era uma provada existênciado homemdasfloresdomal. Ohomemeraum arquivo vivo.Umacharada indecifrável.Ecomoumquebra-cabeças,osinvestigadoresagoratinhamum monte de peças para montar. Um dos policiais chamam a atenção do delegado para um detalhe importante e provincial. O assassino aindapoderiaestarsobre asredondasdobairro. Ele estavaemsuaresidênciae asua fuganão faziammuitotempo.Umbule com café estavasobre o fogão,e a xicara deixadasobre a mesa,aindaestavaquente.O café que estava no bule e na xicara,aindatinhamtemperatura gradual. Ainda havia chances de pega-lo. A luz do quarto dormitório, também estava acessa e alguns livros abertos e jogados sobre a cama denunciavam uma fuga repentina. Os policiais novamente se mobilizaram para um novo cerco, agora estavam vasculhando todo quarteirão da rua de São Pantaleão. Cada casa, empresa, bares e outras propriedades locais passavam por uma minuciosa revista. Mas apesarda mobilizaçãoparaprendê-lo, nãohouve sucesso,ele haviaescapamaisuma vez, como era possível alguémsumirdestaforma.A políciao chamavam de assassinofantasma.Ele era uma assombração para os investigadores. Não havia digitais, pele, ou cabelo deixados em seualojamento.Omesmoeravisualizadonascenasde seuscrimes.Nadaera deixadoparasua identificação. Mais a descoberta de seu alojamento, poderia trazer outras evidencias e muitas outras revelaçõessobreasuaidentidade. Afinalninguémpodeserumfantasmaparasempre. A perícia técnicachecava tudoo que podiaser periciado.Oslivros,osvinhos,oseucomputador,osseus desenhos,algunsescritose principalmenteosvidrosde conservas,osseusobjetosde emoldura e as outrasinfinidadesde coisasque faziampartesde suacoleção,incluindoaspartesde corpos humanosque estavamespelhadospeloseuquarto.Tudoaquiloeraumaprovaconfessionaldo que aconteceu as pessoas que ele mutilou e matou.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Apolícia sabia que estava no lugar certo e muito do que poderia ser revelado, talvez saísse daquele local insano. A casa do assassino ficou insolada para apreciação da perícia por longos meses e a cada nova investigação, novos detalhes eram revelados. A última pericia revelou algumasinscriçõesmacabrasescondidase sobrepostasnaparede doquartodo assassino.Uma luzespecial exposasinscriçõese umoutroexameespecificoverificouacomposição domaterial usado para transcrever as mensagens. Tratava de sangue humano, os escritos foram feitos a partir de glóbulos brancos do sangue das pessoas que ele havia matado.
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter CapituloXVI A Volta ao LaR A Minha Última Ana Minha 11° VítimA A solidão era algo absurdamente implacável para um home de meia idade, aliais 72 anos de idade é algo que pesa bastante para qualquerpessoa. Assuas únicascompanhiasera um note book velho, um celular antigo, algumas garrafas de vinhos, três tabuleiros de xadrez, uma coleção de copos de cachaça, selos e moedas. A casa de doispavimentostornava-segrande e sombria,asnoiteseramperturbadoras,asolidão tinha o rosto de sua amada. E o café pela manhã tinha o cheio de sua pele. As suas risadas frouxas tinham o canto dos pássaros como combinação harmônica e o gosto do mel era semelhante a saliva de sua boca. Estava claro que a faltade Ana em sua vida,faziaum vazioenorme emseucoração, tudotinha maiscor e maisluz.Agora tudoestavaescuro e descolorido.A vidahaviaperdidoosentido.Ea solução para a perda de sentido é a morte. Um banco antigoe sujochama a sua atenção no canto da sala, ele deve teruns vinte anos, foi um presente, um mimo de sua amada. A garrafa enfeitada com o símbolo do time de futebol palmeiras também lhe lembrava a jovem Ana. Aquilo foi um presente, um belo presente recebido longo nos primeiros meses de namoro. Ela realmente eraasuamaiorpaixão,oseuamor verdadeiro,asuavida,asua paixão.A solidão lhe causoudore sofrimento.A vidaperdiaagraçae a sua luz.Aoseulado,deitadasobre osofá, e aberta como um animal abatido para caçar, estava a sua 10° vitima, tratava-se de uma linda menina de 11 anos, um anjo que acabei matando sem querer, ela estava brincando em uma praça de um bairro próximo a meu residencial. Observei que ela estava sozinha e desprotegida, não conseguir aguentar o desejo e fiz o que faziaaanos. A mutilei comasminhasnavalhas.Elaeraumameninaadorável.Seuspais sentiram muitaa sua falta.Eu porem,perdi a meiahora atrás o desejoporela,não tenhomais o desejo de matar que tinha antes. Aquiloerao fim,o desejohaviamorridoe asminhas“Anas”não tinhammaiso valorque tanto desejava.Umacriança semos seusbrinquedosé comoumbrinquedode outracriança.Sou um brinquedo inerte e sujo de alguém. Nestaocasiãosubir no banco de madeira,coloquei ascordas sobre a vigae amarrando bemas duas pontas, certifiquei-me se estava firme e presa. A minha morte tinha que ser um suicídio, até por que nenhumpolicialde merdairiaconsegui me prender.A minhamenteé algoque eles jamais poderiam pôr em uma prisão.
  • 102.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Eo meu corpo físico jamais suportaria tal construção ignóbil. Como os passarinhos que são injustamente colocados em prisões de madeira pelos seus donos, eu não seria o brinquedo divertidode nenhumporcofardado. Eunasci para ser livre e tambémmatar pessoas.Era istoe nada mais. Apenas isto. Uma longa reflexão me deteve por duas horas em uma cadeira de madeira. Havia na sala, um bom vinho tinto, uma taça grande de vidro, alguns dos meus melhores livros, o meu gato de estimação e os meus dois cachorros. A minha gata rajada, toda pintada de pelos pretos e brancos, chamada de tempestade, me olhavade maneiratriste,nãosei explicarmuitobemaquelacena,masaquele estranhoanimal, possivelmente irracional, parecia compreender o que estava prestes a acontecer. Nós nos olhávamoscompenetradas,admirandoaface quase angelical umdooutro.É claroque a minha gata, tinha mais semelhanças com um anjo do que eu. Minutos depois se juntou a ela os meus dois cachorros, incrivelmente algo muito estranho aconteceu, elesnão brigaram, nem tentaram se agredir. Os dois apenas se jogaram no chão e deitaram junto a minha gata. Era comum ver Lúcifer e Gabriel correrem atrás da tempestade. Ela aprontava muito para cima dos dois Rottweiler´s. A noite ela arranhava as costas e os trazeiros dos meus dois meninos. Algo que os deixava bastante irritados. Ela fazia isso, repetidas vezes e geralmente levava a noite toda, uma brincadeiranadaagradável pararealizaemcãestãobravose familiarizadosaviolência.Umfato que perturbava bastante o sono dos meus grandalhões. Era como também ver arranhões nos focinhos dos dois, mas a tempestade, as vezes levava a pior, uma vez e outra, aparecia mancandoe sangrando, geralmente devidoaváriasmordidas nadaagradáveisemsuasorelhas e patas. O Gabriel eramaismalvado,cruel e temperamental,tambémeraomaiságil,eraele quemmais judiava de minha companheira. O Lucifer era um cachorro adorável e dócil, não ligava muito para a tempestade.Mas querendo oudesejandoumadefesa,masconcisa,poderia matar sem muitadificuldade,qualqueranimal davizinhança,masacho que elessabiamdo meuamor por aquelabolade peloimprestável,e sabiamtambémdomeuamorindissociável,vigoradoaeles. E como euos amava de forma incondicional, elesse aturavamsobre o mesmocômododa casa e talvezporisso,asbrincadeirasdostrês,nãoacabavaemcarnificinaouemmortes. Agoratudo ficavamaiscomplicado.Alémdobancode madeira,ascordas sobre a viga,o vinhotinto,ataça grande e dos meus queridos e amados livros. Tinha a presença dos meus três filhos postiços. Tudo ficaria mais difícil. Como poderia tirar a minha própria vida, vendo-os me olhar daquela forma.A tempestade pareciaquererchorare o Luciferlambiao própriorosto querendotalvez enxuga a própria tristeza. O Gabriel era o único que não parecia se importar muitocom o que viaemsua frente.Paraele,aquilopareciaumespetáculo.Ecenascomoaquela,nãopoderiaser ver com tanta frequência.
  • 103.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Depoisqueeume fosse,elesficariamsozinhosporváriosdias,provavelmente passariamfome, sede e até frio. Eu era o único que os alimentava,banhava, brincava, passeava e até os cobria com lençõesquentinhosa noite. Elesficariamnesta situaçãoaté que a vizinhançaou a polícia fosse chamada para verificar o odor de carne podre que exalava da casa. Eu sei que ninguém sentiria a minha falta. Nenhum dos meus vínculos pessoais tentaria investigar o meu sumiço repentino. Nem na faculdade, nem no trabalho e nem no futebol na quadra ao lado. Ninguém viria na minha casa para saber o porquê de minha ausência. Estava tudo pronto para o meu ato final, as cortinas da vida estavam se fechando para minha existência, tudoestavafinalmente nofim.Euiriame juntaas minhasbelasmeninas,asminhas várias matrioscas. A maioriadelasestavamescondidasemparedesdosmuitoscasarõescoloniaisque tantoamei. E a elas eu me juntaria nesta noite. Espero ser bem recepcionado. Espero não ser agredido e hostilizadospelasAtenasMaranhenses.Minhasdocese virgensmeninasde cabelospretos.Elas devem estar espalhadas as dezenas nas ruas das casas coloniais do reviver. Elas andam pela cidade dos azulejos como se ainda estivessem vivas. A noite sempre as vejo sentadas sobre o casarão azul da rua do giz. Pregando peças nos visitantesque passeiam pela cidade.Algumasconseguemme reconhecer,tentamme atacar,masinfrutiferamente,desistem do seu êxito ao perceber que não conseguem me ferir. Muitas me olham com maldade e ódio, me condenam pelo o que fiz a ela. Outras nem sabem que estão mortas. E correm atrás de mim como se eu fosse um amigo ou um colega de brincadeira infantis. Mas a meianoite,quandoasruasficammaisvazias, é que perceboodesesperode algumas das meninas.Algumaschamamrepetidasvezespelamãe,outrasclamampelaproteçãodeseuspais. Uma outra garota, apegada a seu avô, chora sentado sobre o meio fio,ela parece está isolada das outras meninas, e pedindo para não ficar naquele lugar, implora pelo ancião que antes cuidava de seu conforto, ela pede para que ele não a deixe na rua sozinha e com frio. Horas depois, uma mulher adulta, linda e muito jovem, aparece sobre a janela de um dos casarões coloniais,elachamaportodas asmeninas,asuavozparece doce e afável.Elaquerque as meninas entre no casarão. Uma frase bastante imponente, inferir uma ordem familiar e materna, “é hora de dormir”, repetia a mulher em um tom agradável e gentil. Algoque foi prontamente atendido.A únicaque permaneciado lado de fora do casarão, era a garota sentadaao meiofio.Ela se negavaementra no casarão. A voz do altoda janela,repetia docemente o pedido de convocação. Mas a garota soluçando fortemente em desacordo, continuava sentada e imóvel. A jovemmulherentãoaparece sobre o largo portão colonial de azulejosazuis.Aproximasseda garota, a abraça, beija-a na testa e recitando algumas palavras sobre o ouvido esquerdo, consegue convencer a menina a levantasse.
  • 104.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Noentanto,fuisurpreendidoporumamãoafável e meigaque envolviaomeuombroesquerdo, a pessoaestavaatrás de mime a sua respiraçãopareciaofegante.Quandovirei,fui acometido de um susto terrível. Era a mesma mulher que conversava com a menina sentada ao meio fio. Ela estava diferente e muito desfigurada. O seu rosto estava rasgado de uma extremidade a outra. Ela segurava as suas vísceras, ela tinha um rasgo a faca, feito de sua garganta até a sua genitália. Finalmenteconseguiarecolhesse-la.Aquelajovemeraumade minhasvítimas.Achoque elafoi uma das primeiras mulheres adultas que matei. Mas o que ela fazia no centro histórico. Não lembro de tê-la matado aqui. Ela me olhou nos olhos, soltou uma lagrima fina e pequena, aproximou-see mebeijouaforça.Percebinitidamenteasualínguaemminhagarganta,também notei que ela me tirava a respiração, ela tentava me sufocar. Abrir os olhos e vir que tinha um cadáver apodrecido me beijando, sentir o gosto da carne podre, sentir o cheiro de sua carne decomposta,virosvermescircularempeloseurostofamigeradoe virque seuespectrotentava me matar. Eu a empurrei,elase desfezemmilhõesde grãosde areia.Acordei minutosdepoiscompingos de chuva em meu rosto. Eu estava deitado de costa sobre o chão do reviver. As gotas engrossavam e o frio aumentou a sua proporção e intensidade.O meu corpo estava gélido, pálido e com uma marcar estanha de queimadura em minhas mãos. A mulherestranhatentoume matar,comoissoerapossível. Apesarde saberque elaeraagora. Uma dúvidaficousem resposta.O que ela faziano revivercom estasmeninas.Ela não deveria estar aqui. As garotas estavam no lugar certo, todas foram mortas no reviver e em casarões distintos e únicos. Mas foram todas mortas aqui no reviver. Mas esta mulher, eu a matei a muitos anos em um outro lugar. Isto não fazia sentido. Aquelavisãomórbidae aterrorizanteque vivencienoreviveranosatrás,programavade alguma formanada casual, o que de fatome esperavadooutrolado da vida.Asminhasmeninase esta mulher estranha, talvez me preparava torturas espirituais horríveis.Eu pagaria por todo o mal que fiz a elas. E todas me dilacerariam de maneira terrivelmente cruel. Minha alma seria um brinquedo no inferno. Enfim, não fui um homem muito certinho, caridoso ou um cara do bem e entendo o que me espera do outro da vida, aceito o meu destino. Aguardo as minhas matriocas com um amor perdido e ainda juvenil. A minhaúltimavítima,estavamortaem minhasala,e elatambémestavaemforma de espirito na sala. Ela me olhava com desprezo e ojeriza. E com certeza desejava a minha morte. Enfim, subir ao banquinho de madeira. Guardei as peças de meu tabuleiro de xadrez favorito, e os coloquei sobre a cômoda. O meu celular me olhava de maneira ridícula, achando por lisonjeiro, ou epifania que uma ligação ou mensagem deveria selar a minha partida. Mas definitivamente, eu não ligaria para ninguém, nem tinha para quem ligar se pudesse fazer isto. Infelizmente, sou somente um homem solitário e cruel.
  • 105.
    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Masa vida que tanto amei e tomei de outras pessoas, era algo muito mais estranho e importunamenteinadequadaaminhapersonalidade.Eudei prosseguimentoaoritode suicídio. Estava convicto.A decisãofoi tomada. A corda foi colocada de maneiracarinhosasobre o meu pescoço. Ensaie um pulo, mas fiquei com medo. Aquiloeranatural,eutinhapraticaemtirar a vidade outraspessoas,masa minhaprópriavida, era algo difícil e ruim até para um homem frio como eu. Eu não tinha outra saída. Não tinha o que era o maisnecessárioparaesta vivo.A mola impulsionadorade minhaexistência.Euperdi o prazer de matar, perdi tambéma mulherque amo. Ela estavapresa a quase uma década.Eu matei e ela pagou pelo o que fiz. Eu ensaiava um próximo pulo, este era decisivo. Adeus vida, adeus minhas bonecas. Mas o pulo foi interrompido, uma surpresa calou a minha voz e o meu impulso para a morte, alguém ao meu lado segurou a minha mão de maneira peculiar e familiarizada. Não era algo estanho aquele perfume, não me era estranho a pele sensível e doce daquelas mãos. É claro que pensei que fosseumoutrosonho,talvezumdevaneiofebril e demoníacodasolidão que tanto me acompanhava. Eu fechei os olhos e esqueci do que me fazia ter felicidade.Quis me jogarnovamente daquelebanco. Masasmãos friasque me agarraram e me imperamde me jogar, novamente me pareceram verdadeiras e objetas de realidade concreta. E novamente aquele perfume, aquela pele, eram familiares e conhecidas para o meu cérebro. Sentiralegriae felicidade. Ouvirumavozme falandobaixinho.... –Eu voltei meuamor....Tenho certeza que não era a solidão tentando me enganar. Aquilo era real, tinha algo concreto e vil. Talvez fosse o sono da morte, ou a vida tentando me devolver para os crimes. Mais aquela pessoa era real. Ela era de verdade. E novamente, sussurrando em meu ouvido, ela pegou pela minha mão e a colocou em sua genitália.Esussurrandome disse claramente emumtom sex e agressivo. – Você não precisair embora,ficacomigo....Efoi porissoque naqueledia, eunãome matei.Elaacaboume salvando. E eu então voltei a sorrir. Fim
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Notasdo Autor Este livro revela todas as ansiedades de liberação do pensamento romântico, mesmo aqueles exacerbados de outra natureza (terror que envolve Amor e Mortes), estes textos expressãoadramaticidade que é expor as raízes pessoais de quem ainda não o conhecemos. O ato de transferir sentimentos tão íntimos como o amor, o ódio, a inveja, a solidãoe o prazer carnal, a seres totalmente desprovidos de vida, é como reviver de novo em outras pessoas, neste caso, os poetas desta geração, que sempre precisãodo ser amado como fonte de prazer para poder existir e amar, e novamente a questão lascivinista os envolve em seus dramas pessoais. Este sentimentoao mesmo tempo que os expõem, também os escondem do seu dever social, fator que os entrega aos julgamentos de uma sociedade ainda indiferente, preconceituosa e desigual, que munidas de críticas ferozes, insultos famigerados, moldamno berçodoséculoXXI,umasociedadeniilistacapazde destruirasliberdadesindividuaisexistentes, e que como escritor metódicoe defensorde qualquerliberdade,vouterque combatere sofre os ônus. Isto coloca-nos estritamente vulneráveis como poetas, como escritores ou como cronistasa partir de nossasnotas de publicações,tornando-nosde certaformaícones vivosou mortos de um patrimôniocultural e imaterial da humanidade,umaespécie de pai de todos os loucos desta contemporaneidade seleta e perturbada pelos conflitos sociais não resolvidos. Cada poeta desta geração lascivinista é pertencente agora, como de um acordo, e em total comunhãonãoliteral,atodososleitores,poisexpor-se é mesmoumtantoquecomplicado, atenderentãoatodasasexpectativasde quemnosleré comoestar-sepreparandoparatrincha uma verdadeiraguerra,onde asarmase as mortes,é o que menosimporta,masmesmoassim, isto não nos incomodamos de travá-las diariamente. Ovinho,porém,temsidoumbelocompanheiro,sugiroaosleitoresqueotome comoum companheiro nato, e o regozije em tamanha amplitude e gozo, na intenção de tomá-lo,lendo este livro é claro, em companhia de uma bela e doce mulher. DieghoCourtenbitter
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Agradecimentos Atodososmeusamigose familiaresque leramestelivroantesmesmode suaimpressão e publicação, e que o elogiaram e o criticaram, debruçados arduamente em suas entrelinhas, aosque deramsugestões,e que compactuaramnostalgicamentecomigo,lendo-omuitaspartes importantes para conclusão do mesmo, as vezes fazendo isto ao ar livre e em alguma praça pública na cidade de São Luís do Maranhão, e sempre na companhia e na embriaguez de um bom e velho vinho. DieghoCourtenbitter
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Memorial Emmemória de um amor Que ficou no passado Ao amor de minha vida... Ainda que este amor não seja Por mim público como devia o ser Tanto a mim quanto a ela... Esteja aqui está declaração Em seu dignifico nome Oh! Minha amada bendita... E mesmo que ainda esteja No anonimato completo Meu amor por você Anajara Ainda continuará no espaço... Percorrendo o infinito Como o brilho de bilhões De estrelas mortas nos céus Que insistem em te focalizar... Isto sim meu amor É apenas amar-te.... DieghoCourtenbitter
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    O SenhordosFiose dasNavalhas DieghoCourtenbitter Sobreo Autor Sua almanouniversoimaginativoperambula,seugostopelovinhorevitalizarasua emoção e a paixãoextremamente exageradafaz-lhesruídos sórdidosemseucoração, nascido na Cidade do Rio de Janeiro no Estado do Rio de Janeirono dia 04 de Junho de 1979, sua vida literária foi sempre marcada pela paixão que nutria pelo teatro, música, cinematografia, artes plásticas, história geral da humanidade e pela filosofia, talvez isso explique até hoje a sua fascinação pelos livros literários e pela história humana. Desde muito novo teve amor pela escrita, completamente apaixonadopor este oficio, propor-se inicialmente a escrever poemas, peças teatrais, pensamentos, crônicas e por últimose permitiuser,umfamigeradoescritorde fatoe de oficio,atoque é asuapaixãomaior, “O Senhor dos Fios e das Navalhas” resumisse como um livro que foi escrito para instigar seus leitores, participando a eles como era a vida em poesia cifrada no único amor. Sua escrita e a mais completa intimidade dada por um ser apaixonado, visão que ele descreve comose fosse um verãocomprometedor,numainvariável repetiçãode emoções, e que boas repetiçõesde emoçõesnuncasão demais,estáe a sua sétimaobra prima expressa emlivro,umlivromuitoromântico,inteligente,conflituoso,lascivo,tenebroso,encantadore ao mesmo tempo tempestuoso. Os papeis em branco tingidos em cinza ficaram ao cargo do leitor colori-los, não admiremvocês,amigosleitores,se acaso vosencontrar algunspedaçosde vossas vidasnestas entrelinhas,escondidasmutuamente nasorelhasdestelivro,consumamosmeuspensamentos como a quem bebe vinho, embriagado, tenaz e envolvido em sono, sejam meus caros leitores degustadores incansáveis, e por favor, embriaguem-se primeiro antes de lê-lo. DieghoCourtenbitter