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A Pró-Saúde é uma das maiores
entidades de gestão de serviços de
saúde e administração hospitalar do
País. Tem sob sua responsabilidade
mais de 3.500 leitos e o trabalho
de cerca de 20 mil profissionais.
Está presente em todas as regiões
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a humanização do atendimento
hospitalar, em especial do SUS.
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nacional, oferece uma gama
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CUIDANDO DA SAUDE
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A Federação Brasileira de Administradores Hospitalares (FBAH), por meio de seus
congressos, cursos e publicações, traz o que há de mais atualizado em serviços,
produtos e informações, com o objetivo de aprimorar conhecimento e habilidades dos
profissionais da área da Saúde.
Todo esse trabalho depende muito de sua participação e apoio.
Por isso, venha fazer parte da FBAH ou, se você já for associado, atualizar seus da-
dos cadastrais.
Vantagens de ser afiliado à FBAH
l Atuação da FBAH desde as faculdades de Administração Hospitalar e na pós-formação,
buscando o fortalecimento do aprendizado e aprimoramento profissional, além de ser
uma vitrine para os recém-formados ante as empresas do setor.
l Valorização do papel do Administrador Hospitalar.
l Descontos e vantagens exclusivas em eventos no Brasil e exterior.
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Tel.: 11 3704-7301
www.fbah.org.br
Expediente A força das mulheres
Revista Notícias Hospitalares
76º edição
2º Semestre / 2014
Capa
Pacientes do HMMSJR
Foto — Jefferson Douglas
Pró-Saúde – Associação Beneficente de Assistência
Social e Hospitalar
DIRETORIA ESTATUTÁRIA
PRESIDENTE
Dom Eurico dos Santos Veloso
VICE-PRESIDENTE
Dom Hugo da Silva Cavalcante, OSB
SECRETÁRIO
Marcio Gonçalves Moreira
TESOUREIRO
Monsenhor Marco Eduardo Jacob Silva
DIRETORIA EXECUTIVA
DIRETOR ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO
Carlos Alberto Filippelli Giraldes
DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO
Daniel Augusto Gonsales Camara
DIRETOR DE FILANTROPIA
Carlos José Massarenti
DIRETORA JURÍDICA
Wanessa Portugal
DIRETOR DE OPERAÇÕES
Danilo Oliveira da Silva
NOTÍCIAS HOSPITALARES
Diretor Responsável
Carlos Alberto Filippelli Giraldes
Gerente de Comunicação
Helton Zuccon
Produção editorial
VFR Comunicação
Projeto editorial
Doxa Conteúdo & Design
Jornalista responsável
Vanderlei França
Projeto Gráfico
Adriano Frachetta
Design
Edson Fonseca
Editoras
Georgia Rodrigues e Mariana Alves
Colaboraram nesta edição
Emily Gonçalves e Suelen Rodrigues
Fotografia
Jefferson Douglas, Willian Pereira, Valdecir Galor/
SMCS, Edson Donizete, Istockphoto, Fotolia e Divul-
gação/Grupamento de Bombeiros Marítimo
Impressão
Corset Artes Gráficas e Editora
Tiragem
12.000 exemplares
Contato
imprensa@prosaude.org.br
Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora
Presidente da Pró-Saúde
EDITORIAL
Os avanços nos serviços de integração da saúde da mulher, desde
antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e, principalmen-
te, após a sua implementação, vêm contribuindo com melhorias
no acesso ao atendimento médico e na agilidade do tratamento e
diagnóstico de doenças de todas as mulheres. Mais do que isso:
vêm cumprindo o direito à saúde à população, previsto na Cons-
tituição Federal, ampliando a conscientização sobre a busca por
atendimento preventivo, que evite a evolução de doenças crônicas
consideradas as vilãs da mortalidade feminina.
Esta edição é dedicada à saúde das mulheres, que são a maioria
no País, representam 63% da população em idade ativa, segundo
o IBGE, e assumem cada vez mais o papel de profissionais, mães,
esposas e filhas dedicadas.
Na matéria de capa, o leitor encontrará o trabalho realizado nos
hospitais administrados pela Pró-Saúde no SUS, que trazem espe-
rança e acolhimento às gestantes e puérperas em diferentes regiões
do Brasil. São programas especiais voltados ao acompanhamento
da gestação e ao diagnóstico e controle de doenças graves. Com-
partilhe com sua família a leitura desta edição! Cuide e proteja quem
você ama, oferecendo informações preciosas para cuidar da saúde.
A revista também traz as novas unidades hospitalares administradas
pela Pró-Saúde, assim como os projetos educacionais e de assis-
tência social que beneficiam crianças, adolescentes e idosos com
exemplo de dedicação e atendimento. Que todo esse conteúdo
seja apreciado e traga novas reflexões durante a leitura.
ÍNDICE
Sala de Espera
ENTREVISTA
Expansão Mulheres no SUS
Hospital de Santarém,
administrado pela
Pró-Saúde, é o primeiro
do interior do Estado do
Pará certificado como
Hospital de Ensino
Rosemeire Sartori de
Albuquerque, enfermeira
obstetra e doutora
em Saúde da Mulher,
defende que a gestante
deve ser orientada para
que possa fazer suas
próprias escolhas em
relação ao seu parto
Pró-Saúde passa a
administrar unidades
em Salvador (BA) e no
interior de São Paulo
Confira os projetos
voltados para a
saúde feminina nos
hospitais públicos
administrados pela
Pró-Saúde em todo o
País
08
10
14 16
SOCIAL
Prevenção Especial
Para ampliar sua
responsabilidade
social, a Pró-Saúde
administra também
creches e centros
de acolhimento
institucional e de
convivência para
idosos
Saiba como evitar
o câncer de pele e
conheça os seus
principais sintomas
Descubra como
aproveitar o verão
evitando problemas
como insolação,
intoxicação alimentar
e micoses
23
28 34
21 IECPN é destaque na revista Veja
O Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer,
administrado pela Pró-Saúde, foi matéria de capa
da revista Veja Rio (Editora Abril). Em julho, o
IECPN comemorou sua milésima cirurgia, em um
ano de funcionamento. O procedimento removeu
um tumor da cabeça de uma paciente. A qualida-
de do atendimento realizado na unidade também
foi destaque na publicação. Segundo a revista, o
hospital é um oásis de excelência, onde a decora-
ção caprichada divide espaço com equipamentos
de alta tecnologia. O objetivo da unidade, que se
propõe a ser mais que uma casa de saúde, segun-
do a matéria da Veja Rio, é agregar a pesquisa
científica ao atendimento à população e também
funcionar como um núcleo de formação de jovens
médicos.
Site novo facilita acesso ao internauta
Está no ar a nova página da Pró-Saúde na
internet, com as informações atualizadas e
layout mais moderno e organizado. Além do
novo projeto gráfico, a mudança visa organi-
zar o conteúdo e facilitar o acesso às infor-
mações. O site www.prosaude.org.br traz
dados sobre todas as unidades administradas
pela entidade, através de um mapa interativo,
além dos projetos de Educação Infantil e
Assistência Social que a Pró-Saúde desen-
volve. Uma área específica para imprensa foi
criada para aproximar o contato da organi-
zação social com a mídia, disponibilizando
também notícias, boletins, newsletters e a
Revista Notícias Hospitalares. Na nova pági-
na, o internauta pode conhecer e entender
com mais clareza o trabalho da Pró-Saúde,
por meio de folders e vídeos institucionais.
HRBA torna-se
Hospital de
Ensino
Unidade de Santarém é a primeira do
interior do Pará a receber o certificado
SALADEESPERA
8
RevistaNotíciasHospitalares
3Pró-Saúde participa do
Congresso das Santas Casas
Em agosto deste ano aconteceu em Brasília
(DF), o 24º Congresso Nacional das Santas
Casas e Hospitais Filantrópicos. A Pró-Saúde
participou do evento, com um stand de expo-
sição para apresentar o seu trabalho na área
de Saúde. O encontro anual reuniu administra-
dores hospitalares, profissionais de Saúde de
todo o Brasil e representantes governamentais.
Além de promover e fortalecer o desenvolvi-
mento das instituições sem fins lucrativos, o
Congresso colocou em debate a importância
das filantrópicas para a sobrevivência do Sis-
tema Único de Saúde (SUS). Foram discutidos
assuntos relacionados à gestão em Saúde,
como Contratualização, Gestão da Filantropia
e dos Recursos Humanos, Administração Hos-
pitalar, Governança Corporativa e o programa
SUStentáveis.
4Hospital de Santarém é certificado
como Hospital de Ensino
Os Ministérios da Saúde e da Educação
concederam o título de Hospital de Ensino
ao Hospital Regional do Baixo Amazonas,
em Santarém (PA). O título habilita o hospital
a desenvolver a prática de atividades curri-
culares na área da saúde vinculado a uma
Instituição de Ensino Superior. O HRBA,
administrado pela Pró-Saúde, abrange 21
municípios e é o primeiro Hospital de Ensino
no interior do estado. “Os nossos indicado-
res demonstram a importância deste título
para a região. Temos uma média de 300
estudantes por mês em alguma ativida-
de curricular. Isso contribui para melhores
práticas e articula o comprometimento de
todos para uma assistência de qualidade,
seja no próprio HRBA ou em qualquer outra
Unidade de Saúde”, declarou o diretor de
Ensino e Pesquisa do HRBA, Luiz Fernando
Gouvêa e Silva.
9
2ºSemestre/2014
Mamãe
bem-informadaO período de gestação pode gerar muitas dúvidas e
medos em algumas mulheres. Por isso, buscar orientação
adequada é tão importante quanto realizar os exames do
pré-natal. Dessa forma, a gestante poderá aproveitar ao
máximo o momento do nascimento de seu filho
10
RevistaNotíciasHospitalaresENTREVISTA
R
osemeire Sartori de Albuquerque, doutora em
Saúde da Mulher pela Universidade Federal de
São Paulo (Unifesp) e docente do curso de obs-
tetrícia da Universidade de São Paulo (USP), defende que
a mulher deve ser orientada para que possa fazer suas
próprias escolhas em relação ao seu parto. A enfermeira
obstetra e membro da diretoria do Hospital e Maternidade
Leonor Mendes de Barros, de São Paulo (SP), reconhe-
ce que estamos vivendo um período de mudanças com
relação ao tema e afirma que, apesar de ainda ter que
melhorar em alguns pontos, o SUS (Sistema Único de
Saúde) é uma fonte de bons exemplos nessa área.
Quais são as vantagens do parto normal?
Devemos começar do princípio que o parto deve ser
normal. O corpo da mulher está preparado para isso. Só
não deveria acontecer o parto normal em caso de compli-
cações. No parto normal, a mulher não é submetida a um
procedimento cirúrgico, ela vivencia o momento, participa.
Ela tem a possibilidade de receber e acolher o bebê dela
assim que nasce, se ele tiver nascido em boas condições.
E ela não é submetida, na maioria das vezes, a nenhum
procedimento que requeira repouso. Isso quer dizer que
assim que ela terminar de dar à luz, já pode sair, andar,
tomar banho, se alimentar e cuidar do seu bebê.
Quais são os medos da gestante em relação ao
procedimento?
A mulher brasileira teme a dor, ela tem medo de não tole-
rar o processo de parturição. Por isso é preciso trabalhar
bastante durante o pré-natal, para fazê-la entender o que
é a gestação e o trabalho de parto. E saber que o corpo
dela está preparado para o processo de nascimento, só
que tem limiar de dor. É aí que vem a competência da
equipe, que deve estar preparada para entender até onde
a parturiente está tolerando aquele incômodo, porque
ela pode ser submetida a uma analgesia. Mas, a maioria,
quando preparada, não quer os analgésicos, porque sabe
que isso vai limitar a sua verticalização e para favorecer
o nascimento pela via transvaginal, é importante fazer a
verticalização, que é colocar a mulher em pé, sentada.
Então tudo isso, todo esse manejo, favorece o trabalho de
parto normal. Há alguns anos, deixávamos a parturiente
em jejum, no leito, em repouso. Hoje, não. Estimulamos
a alimentação, andar, ficar muito no chuveiro para ativar
a circulação e melhorar a oxigenação materno-fetal. Além 11
2ºSemestre/2014
A cesárea é indicada
por sofrimento
fetal, por risco
materno ou do
bebê e se ela já
teve duas ou três
cesáreas anteriores
de ficar verticalizada, porque o
peso do bebê favorece a sua
descida.
Quais são os maiores mitos
envolvendo o parto normal?
Com relação a mulher ser
jovem e não poder fazer
o parto normal, isso é um
grande mito. Ser jovem não
é indicação de cesárea. Pelo
contrário. Quando você sub-
mete uma mulher jovem a um
procedimento cirúrgico, a uma
cesárea, você está colocando
-a em risco. Porque ela ainda
tem uma vida reprodutiva
longa e a chance do próxi-
mo parto ser uma cesárea
é grande e o terceiro ainda
maior. Então, é preciso pensar
bem no primeiro parto. O que
temos que levar em conside-
ração não é idade, mas, sim,
o tipo constitucional — se ela
tem a bacia formada, se o seu
corpo está bem delimitado. É
diferente do que se pensava
há alguns anos, que ser jovem
era indicação de cesárea.
Assim como uma mulher de
30 anos pode ter uma bacia
não obstétrica e ter a indica-
ção de cesárea, porque se
ela tiver um bebê maior, não
terá condições para um parto
normal.
E quando dizem que uma
mulher que já fez a cesárea
não pode ter um próximo
parto normal?
Primeiro, precisamos desco-
brir o real motivo da cesárea.
Se ela tem um problema
pélvico, então, sempre terá,
porque o osso não vai mudar.
Portanto, provavelmente, os
partos subsequentes serão
cesáreas. Se foi uma distócia
funcional, ou seja, a contra-
ção que não foi efetiva, não
evoluiu para o parto normal,
não quer dizer que no próxi-
mo ela terá o mesmo pro-
blema. Também temos que
considerar o intervalo entre os
partos. Acima de dois anos,
é menos perigoso submetê-la
a um parto normal depois
de uma cesariana. Porém,
duas cesáreas anteriores, já
é bastante prudente que não
se submeta esse útero a um
trabalho de contração, porque
há um risco de rotura uterina
(rompimento de uma camada
do útero). A cesárea é indica-
da por sofrimento fetal, por
risco materno ou do bebê e
se ela já teve duas ou três ce-
sáreas anteriores. Então, não
é porque ela veio com só uma
cesárea anterior que vamos
indicar o que chamamos de
cesárea iterativa. Não existe
mais isso.
Você acha que a mulher ser
esclarecida sobre tudo isso
antes, facilita?
Sou docente do curso de
obstetrícia da USP e percebo
que estamos vivendo um pe-
ríodo de mudanças. No pas-
sado, fomos muito interven-
cionistas e agora nós temos
que tomar cuidado com o que
fazemos. Eu sempre defendo
que nós nunca tivemos que
ser tão verdadeiros com a
mulher. Não podemos ser ex-
tremistas, ou seja, não pode-
mos deixar de ajudar a mulher
durante o parto, mas também
não podemos partir sempre
para a cesárea. Temos que
achar um meio termo. Mas
é importante ressaltar que a
mulher tem que ser informa-
da. Já existe uma parcela de
gestantes que, mesmo tendo
convênio médico, procura o
SUS, ou o Leonor, por exem-
plo, porque sabe que temos
o centro de parto normal. São
gestantes que sabem o que
querem para o processo de
parto. Ela sabe que aqui vai
ser respeitada na sua vontade
e que só vamos fazer uma ce-
sárea se houver uma compli-
cação. É isso que o SUS tem
de grande diferencial.
12
RevistaNotíciasHospitalaresENTREVISTA
No Sistema Único de Saúde
(SUS), o que pode ser feito
para melhorar os índices de
parto normal?
O recomendado pela Orga-
nização Mundial da Saúde é
que apenas 15% dos partos
sejam cesáreas. No SUS,
estamos em torno de 30%.
Mesmo assim, o número
é bem melhor do que na
rede privada, que em alguns
hospitais a taxa de cesáre-
as chega a quase 90% dos
partos. Para melhorar ainda
mais esse índice, temos que
qualificar o pré-natal. Nós
conseguimos aumentar o nú-
mero de consultas pré-natal,
mas ainda não o qualificamos.
Muitas vezes, a mulher chega
à maternidade com exames
não realizados, ou realizados
parcialmente, ou realizados,
mas sem o resultado. Ela
também chega desinformada.
Precisamos preparar melhor a
mulher para o parto para que
ela participe desse processo.
Outro ponto que poderia
melhorar é informar com
antecedência onde vai nascer
o bebê dela. Então, quando
chegar a hora do parto, ela
não precisaria ficar peregri-
nando pelos hospitais, por
que isso atrapalha. Esse mo-
delo já existe em alguns locais
do Brasil e o SUS paulista
está trabalhando para que
isso aconteça também em
São Paulo.
13
2ºSemestre/2014
Expansão
Pró-Saúde passa a
administrar unidades
de saúde na Bahia e no
interior de São Paulo
Hospital Alayde Costa e UPA EscadaSalvador (BA), agora conta
com mais um hospital e duas
UPAs administrados pela
instituição, que também passa
a ser a responsável pelos dois
principais serviços de urgência
e emergência da Rede Municipal
de Saúde de Sumaré (SP).
A Pró-Saúde iniciou, em setembro deste
ano, a gestão do Hospital Alayde Costa e
da Unidade de Pronto Atendimento 24h
(UPA III), no bairro de Escada, em Salvador
(BA). Através de Contrato de Locação
entre a Pró-Saúde e o IEST (Instituto de
Educação Saúde e Tecnologia), a entidade
firmou parceria com o Governo do Estado
da Bahia (SESAB), para oferecer serviços
de saúde à população.
Com 60 leitos de internação para aten-
dimento a pacientes crônicos e uma UTI
(Unidade de Tratamen­to Intensivo Adulta)
com 20 leitos, o Hospital Alayde Costa
possui um perfil assistencial predominan-
temente de pacientes oriundos do SUS
(Sistema Único de Saúde). A UPA tipo III,
também gerida pela Pró-Saúde, compõe
uma rede organizada de atenção às ur-
gências clínicas, pediátricas e ortopédicas.
14
RevistaNotíciasHospitalares
UPA Valéria
Pró-Saúde assume unidades em Sumaré
Ainda em Salvador (BA), em março
deste ano foi inaugurada a Uni-
dade de Pronto Atendimento (UPA)
no bairro de Valéria. A Pró-Saúde
venceu a licitação para administrar
a unidade, que possui uma área
de 1.500 m² e conta com 207
colaboradores e 24 leitos de obser-
vação, sendo oito masculinos, oito
femininos e oito infantis, e quatro de
estabilização (sala vermelha). Entre
os serviços oferecidos pela unidade,
estão atendimento clínico, pediátrico
e de traumato-ortopedia, apoio diag-
nóstico e terapêutico em radiologia,
eletrocardiograma, laboratório de
análises clínicas e ultrassonografia,
além de procedimentos de odontolo-
gia 24 horas.
A Pró-Saúde assumiu a
gestão integral de duas
unidades de saúde na cidade
de Sumaré, SP — a Unidade
de Pronto Atendimento 24h
(UPA) do Jardim Macarenko
e o Pronto Atendimento (PA)
do Matão. Esses são os dois
principais serviços de urgên-
cia e emergência da Rede
Municipal de Saúde e aten-
dem 100% pelo SUS, com
convênio com os governos
Federal, Estadual e Municipal.
A UPA conta com nove leitos
de observação masculina,
nove leitos de observação
feminina, seis leitos de cui-
dados semi-intensivos, seis
leitos pediátricos e dois leitos
de Ginecologia e Obstetrícia.
Com quatro leitos de observa-
ção, o PA possui Clínico Geral
e Pediatria. “Temos certeza
que o novo modelo vai trazer
um atendimento melhor aos
pacientes, permitindo que a
Prefeitura foque sua atenção
em outras áreas, como a
Saúde Básica e Preventiva.
E, pela experiência da
Pró-Saúde, acreditamos
que haverá tranquilidade
neste momento de transição”,
afirmou a prefeita de Sumaré,
Cristina Carrara.
15
2ºSemestre/2014
CAPA
Conheça os projetos direcionados ao público feminino
em hospitais públicos administrados pela Pró-Saúde que
priorizam a orientação, humanização do tratamento e o
diagnóstico precoce especialmente em gestantes e bebês
D
esde a criação do Sis-
tema Único de Saúde
(SUS), em 1988, os
avanços nos serviços voltados
à saúde da mulher vêm con-
tribuindo para a melhoria do
acesso ao atendimento médi-
co e aos programas de orien-
tação e prevenção de inúme-
ras enfermidades. São elas as
maiores usuárias do SUS, já
que exercem também o papel
de acompanhantes de fami-
liares e nas comunidades em
que residem.
O agendamento de consul-
tas e exames relacionados à
genitoscopia (colposcopia e
As mulheres no SUS
16
RevistaNotíciasHospitalares
vulvoscopia), papanicolau e
diagnóstico por imagem (como
o ultrassom) tem sido facilita-
do, graças à otimização do
atendimento multiprofissional,
com coleta de exames de ro-
tina independente da consulta
médica. Os mutirões para re-
alização de exames e campa-
nhas sazonais com intuito de
alertar sobre doenças como o
câncer de mama e de colo de
útero têm contribuído na pre-
venção e diagnóstico dessas
enfermidades. São diversas
as ações e projetos em anda-
mento nos hospitais adminis-
trados pela Pró-Saúde, com
Gestantes
atendidas no
Hospital e
Maternidade
Municipal de São
José do Ribamar,
em Ribamar (MA)
17
2ºSemestre/2014
IECPNCAPA
destaque para os focados na
saúde materna. Inclusive, por
ser este um dos temas que in-
tegram os “Objetivos do Milê-
nio”, da Organização das Na-
ções Unidas (ONU), e que tem
sido incorporado aos projetos
direcionados à saúde feminina
na rede pública: a redução da
razão da mortalidade materna.
Embora as doenças cardio-
vasculares e o câncer de
mama estejam entre as prin-
cipais causas de óbitos femi-
ninos no Brasil, a mortalidade
materna — ocorrida durante a
gravidez, aborto, parto ou no
período de até 42 dias após
o parto — chama muita aten-
ção. Isso porque em 92% dos
casos essas mortes poderiam
ser evitadas, segundo dados
do Ministério da Saúde. Por
ano, a Organização Mundial da
Saúde (OMS) contabiliza apro-
ximadamente 600 mil mortes
maternas em todo o mundo,
sendo 99% dos casos em pa-
íses em desenvolvimento. As
principais causas são hemor-
ragias, infecções, eclâmpsia,
parto obstruído, aborto ilegal,
entre outras causas diretas ou
indiretas. A meta da ONU é re-
duzir em 75% a razão da mor-
talidade materna no período
entre 1990 e 2015 (35 óbitos
por 100 mil nascidos vivos).
A boa notícia é que o Brasil
está mais próximo de atingir
a meta de redução da morta-
lidade materna, segundo o Mi-
nistério da Saúde, já que esse
índice caiu 57%, de 143 para
61 óbitos por 100 mil nascidos
vivos no período de 1990 e
2012.
“O acompanhamento pré-na-
tal continua sendo uma das
melhores maneiras de evitar
a morte materna, sendo reco-
mendado o comparecimento
em, no mínimo, seis consultas
durante a gestação. As ações
de sensibilização para gestan-
tes e campanhas de conscien-
tização são essenciais, mas
infelizmente ainda vemos mui-
tas mulheres que não buscam
acompanhamento médico e
desenvolvem problemas que
poderiam ser evitados ou con-
trolados”, explica Marise de
Aquino Catelli, ginecologista e
obstetra do Hospital Municipal
de Mogi das Cruzes (SP), há
21 anos atuando no SUS.
A ginecologista
e obstetra
Marise de
Aquino Capelli,
do Hospital
Municipal de
Mogi das Cruzes
18
RevistaNotíciasHospitalares
O Hospital e Maternidade
Municipal de São José do
Ribamar (HMMSJR), em Ri-
bamar (MA), criou programas
de orientação a gestantes e
puérperas (mães que deram
à luz recentemente e ainda
estão no hospital). A iniciativa,
coordenada pela Gerência
de Enfermagem, em parceria
com o Núcleo de Humaniza-
ção, Serviço Social e Gerência
Administrativa, tem como ob-
jetivo beneficiar as futuras ma-
mães com informações sobre
o que acontece no pré-parto,
parto e pós-parto, além de
apresentar a maternidade. O
Programa de Saúde da Famí-
lia (PSF) disponibiliza agenda
para visitação quinzenal à
maternidade. Um enfermeiro e
um agente comunitário apre-
sentam o espaço, esclarecem
dúvidas, dizem o que devem
trazer à maternidade e qual o
momento certo para irem até
o hospital. “Um dos desafios
é desmistificar o parto normal,
que ainda gera bastante an-
siedade”, explica Allan Serra,
gerente de enfermagem do
HMMSJR. As mulheres que
estão inseridas em áreas co-
bertas pelo PSF e com mais
de cinco meses de gestação
podem se inscrever — mais
de 200 mulheres fizeram a
visitação. Além disso, mensal-
mente é oferecido curso de
um dia para gestantes, com
palestras diversas. Mais de 80
gestantes já participaram e o
curso é aberto ao público em
geral, mediante inscrição pré-
via. Mãe de primeira viagem,
Ludmila Santana, de 32 anos,
estava bastante apreensiva.
“As orientações do curso me
tranquilizaram com relação ao
parto normal, além de ter es-
clarecido dúvidas sobre como
cuidar do meu bebê”. Tam-
bém são organizadas para as
puérperas apresentações que
abordam o aleitamento mater-
no, cuidados com os bebês,
calendário de vacinação e
planejamento familiar. Elas são
convidadas a trocar experi-
ências com outras mães e
também com os profissionais
do hospital. “Nossa satisfa-
ção é ver os benefícios para
essas mulheres, que chegam
à maternidade bem orientadas
e cientes da missão que terão
com elas mesmas e com seus
filhos”, completa Allan Serra.
Orientação como caminho
Grupo de
Gestantes
do Maranhão
durante encontros
quinzenais
19
2ºSemestre/2014
IECPNCAPA
O Hospital Universitário de
Jundiaí (SP) possui cinco pro-
jetos focados em gestação de
risco. O programa “Morbidade
Materna Grave” foi criado para
evitar a mortalidade materna
em decorrência de doenças
hipertensivas e hemorrágicas.
Por mês, de 60 a 80 mulheres
são atendidas pelo programa
e dos 320 partos realizados,
aproximadamente 60 são de
alto risco.
O programa “Prematuridade”
visa diminuir os nascimentos
prematuros, uma das princi-
pais causas de mortalidade
infantil. Para isso, o tempo
de gestação é prolongado ao
máximo, mesmo com com-
plicações. “Cada dia ganho
de gestação representa três
dias a menos na UTI neona-
tal”, alerta o coordenador da
unidade e professor titular de
Obstetrícia da Faculdade de
Medicina de Jundiaí, Nelson
Maia. Camila dos Santos, de
18 anos, ficou internada por
seis dias para evitar o nasci-
mento da filha e conseguiu
completar sete meses de
gestação. “Ela nasceu com
860 gramas e depois de três
meses está com 1,545 kg.
Estamos recebendo todo o
acompanhamento e assim
que ela atingir o peso adequa-
do teremos alta”, diz ela.
Já o “teste do coraçãozinho”,
ou oximetria de pulso, detecta
a má formação do sistema
cardíaco, mesmo se o bebê
não apresentar sintoma visível.
“O teste não invasivo é reali-
zado na mão direita e em um
dos pés do bebê, entre 24h
e 48h após o nascimento”,
explica a coordenadora do
serviço de Neonatologia do
HU, Ana Maria Banho Vieira.
Com isso, a unidade espera
acelerar o diagnóstico de
cardiopatia congênita crítica
em recém-nascidos e dimi-
nuir ainda mais a sua taxa de
mortalidade infantil.
A “Síndrome Hellp”, doença
hipertensiva grave e pouco
conhecida, também integra os
programas do HU. O projeto
avalia gestações de alto risco
em mulheres com quadro hi-
pertensivo grave e com baixa
quantidade de plaquetas no
sangue, o que aumenta o
risco de hemorragia. “Neste
caso, a gestação deve ser
interrompida por meio de ce-
sárea, pois há risco de morte
da mãe e da criança”, afirma
Maia. Por último, há o “Cen-
tro de Referência da Doença
Trofoblástica Gestacional”,
quando, ao invés de evoluir
para um bebê, forma-se um
pequeno tumor. “A gestação
é interrompida e, durante um
ano, há o acompanhamento
e a mulher não pode engravi-
dar”, alerta.
Precauções contra doenças gestacionais
“Teste do
coraçãozinho”
reduz
mortalidade
infantil no
Hospital
Universitário de
Jundiaí (SP)
20
RevistaNotíciasHospitalares
No projeto “Jovem Mãe”, do
Hospital Estadual Rocha Faria
(HERF), no Rio de Janeiro
(RJ), o parto em adolescentes
é tratado de forma humani-
zada. As meninas de 12 a 18
anos que chegam em trabalho
de parto são conduzidas a
uma enfermaria especial, com
decoração lúdica e equi-
pada com bolas de pilates,
barras e cadeiras especiais
para auxiliar a aliviar as dores
durante todo o processo.
Neste espaço foi recebida a
adolescente Tabata Gomes,
aos 18 anos, que deu à luz a
uma menina por parto normal.
“Passei quatro dias com dor
e sem dilatação. Quando fui
ao hospital e me direciona-
ram ao espaço ‘Jovem Mãe’,
Quando o amor chega mais cedo
recebi ajuda dos enfermeiros,
massagem e todos os cuida-
dos que contribuíram para a
realização do parto normal”,
comenta a paciente, que tinha
o hospital como referência.
O projeto foi inaugurado em
fevereiro de 2014 e já realizou
390 partos, entre normais e
cesarianas, sendo 20% deles
em menores de 15 anos. “O
espaço ‘Jovem Mãe’ é focado
em estimular o parto normal e
humanizado, mas em caso de
cesariana, toda a estrutura do
centro cirúrgico está dispo-
nível para receber as pacien-
tes”, explica Juciney Pacheco,
coordenador médico da ma-
ternidade do HERF. Podem
ser atendidas duas gestantes
ao mesmo tempo na Enfer-
maria Teen, acompanhadas
por até três familiares. A aco-
lhida é feita por uma equipe
multidisciplinar constituída por
médico obstetra exclusivo,
enfermeira obstetra, técnico
de enfermagem, fisioterapeuta
para auxiliar com exercícios
pré-parto, psicólogo, nutri-
cionista e assistente social.
“Geralmente essas meninas
chegam cheias de dúvidas
e receios, uma vez que não
estão maduras o suficiente
para absorver as grandes mu-
danças psicológicas, sociais e
biológicas que uma gestação
precoce traz. Por isso o proje-
to visa ampará-las e oferecer
o cuidado necessário num
momento delicado e transfor-
mador”, ressalta.
A jovem Tabata
Gomes, que deu à
luz a uma meninda
por parto normal,
no Rio de Janeiro
21
2ºSemestre/2014
Há bons exemplos,
porém, de
que o gargalo
administrativo
pode ser superado
mediante convênios
com instituições
privadas de
excelência.
N
o momento em que a
Receita Federal anuncia
que os impostos federais
de R$ 293,42 bilhões recolhidos
no primeiro trimestre de 2014
estabeleceram novo recorde
para os três primeiros meses do
ano, com crescimento de 2,08%
em relação ao mesmo período
de 2013, é oportuno refletirmos
sobre o retorno desses recursos
para a sociedade. Nesse que-
sito, segundo distintos estudos
internacionais, o Brasil é uma das
nações com pior desempenho
dentre as que mais arrecadam.
Um viés interessante para per-
cebermos a discrepância entre o
que a sociedade paga ao Estado
e o que recebe de volta em ser-
viços e benefícios encontra-se na
área da saúde, que, ao lado da
educação, é a grande prioridade
nacional. Pois bem, em 2014 o
orçamento para o setor é de
R$ 106 bilhões, segundo consta
no Portal da Transparência do
governo federal. Em 11 anos, os
recursos destinados à assistência
médico-hospitalar dos brasileiros
mais que triplicaram. Em 2003, o
valor era de R$ 31,2 bilhões.
O crescimento das verbas do Mi-
nistério da Saúde, ainda segundo
informações oficiais, permitiu aos
estados e municípios, respon-
sáveis pela execução das ações
e redes como UPAs (Unidades
de Pronto Atendimento), Samu
(Serviço de Atendimento Móvel
de Urgência), hospitais e ambu-
latórios, expandirem a chamada
PRÓSAÚDEOPINIÃO
Atenção Básica. Somam-se
ao dinheiro federal os recur-
sos de todas as unidades
federativas, que constituem
o Sistema Único de Saú-
de (SUS), cujo princípio foi
instituído pela Constituição de
1988. A análise sugere que o
maior problema da saúde no
Brasil não é dinheiro, mas a
má gestão, não apenas finan-
ceira, mas principalmente na
operação dos equipamentos
de atendimento municipais
e estaduais. Há bons exem-
plos, porém, de que o gar-
galo administrativo pode ser
superado mediante convênios
com instituições privadas de
excelência. Em São Paulo, os
hospitais Albert Einsten, Sírio
Libanês e Santa Marcelina,
os três instituições privadas,
apresentam resultados posi-
tivos na gestão de unidades
Gestão eficaz melhoraria a saúde dos brasileiros
Juan Quirós
públicas de saúde. O mesmo
se aplica à organização social
Pró-Saúde, com ação seme-
lhante em distintas regiões.
Obviamente, os acordos de
administração privada de
equipamentos públicos de
assistência médico-hospitalar
devem ser objeto de análi-
se criteriosa, garantindo-se
a excelência, experiência
e probidade dos gestores.
No entanto, observadas tais
ressalvas, a ampliação do
modelo poderá conferir uma
nova dimensão à saúde no
país, onde é dever consti-
tucional do Estado prover
gratuitamente esses serviços
fundamentais à sociedade.
Não é mais admissível vermos
diariamente na TV, ouvirmos
no rádio e lermos nos jornais
e revistas as matérias sobre
numerosos e repetidos casos
de negligência no atendimen-
to, demora para exames, pa-
cientes esperando em macas
nos corredores de hospitais,
prontos-socorros incapazes
de responder às emergências
e à população desassistida.
Os brasileiros pagam muito
por esse grande convênio/se-
guro-saúde chamado SUS. É
necessária uma contrapartida
adequada!
Juan Quirós é vice-presidente
da Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo
(Fiesp)22
RevistaNotíciasHospitalares
s atribuições da Pró-
Saúde como Organi-
zação Social vão além
dos serviços de administração
hospitalar. Há 15 anos, a ins-
tituição vem contribuindo de
forma ampla com projetos nas
áreas de educação e assistên-
cia social, com objetivo não só
de oferecer ensino de qualida-
de, como também de estimular
a inserção e reintegração social
por meio do tratamento huma-
nizado em todas as atividades
desenvolvidas.
Na capital de São Paulo, são
administrados pela Pró-Saú-
de três Centros de Educação
Infantil (CEI), situados na zona
Leste. Em Santo André (SP), o
Serviço de Acolhimento Insti-
FILANTROPIA
Educação
e Proteção
Social
Projetos dedicados à educação e
assistência social para crianças,
adolescentes e idosos consolidam a
missão da Pró-Saúde como promotora
de melhorias nos serviços públicos.
tucional gerencia espaços que
acolhem crianças e adolescen-
tes vítimas de violência ou em
situação de risco, e que aguar-
dam adoção. Em Agulha, dis-
trito de Fernando Prestes (SP),
são realizados três projetos
focados em educação e recre-
ação que englobam crianças,
adolescentes e idosos: o Cen-
tro de Convivência do Idoso
(CCI), o Centro de Convivência
da Criança e do Adolescente
(CECCA) e o Pró-Saúde Proje-
tos Sociais. Os projetos bene-
ficiam atualmente mais de mil
pessoas e são considerados
referência em qualidade, aten-
dimento, suporte pedagógico
e no desenvolvimento da auto-
nomia dos participantes. 23
2ºSemestre/2014
PRÓSAÚDEFILANTROPIA
O Centro de Educação
Infantil Jardim Lageado,
no distrito de Lageado
(SP), é um espaço dife-
renciado por ser tam-
bém uma EMEI, onde
são assistidas crianças
de 0 a 5 anos. Adminis-
trado pela Pró-Saúde
há seis anos, o CEI tem
244 alunos, que per-
manecem em período
integral. “As crianças
geralmente são matricu-
ladas bebês e auxiliamos
em todo o processo
de crescimento até o
início da alfabetização”,
explica Vanessa Zanetti,
diretora da unidade. Um
dos projetos é a “Roda
de História”, realizado
diariamente. Cada sala
tem um cantinho de
leitura, com livros que
as crianças podem
escolher. Já no projeto
“Biblioteca Circulante”,
mais de 400 títulos
transitam entre as salas
de aula. Às sextas-feiras,
eles levam um livro para
ler no final de semana.
“O acesso à escrita e
leitura é feito desde o
berçário, com incentivo
às identificações de
letras e números até o
início do letramento”,
completa Zanetti.
Localizado na região de
Guaianases, em São
Paulo (SP), o Centro de
Educação Infantil Jardim
São Jorge é dedicado e
estruturado para atender
160 crianças de 0 a 3 anos
dos bairros Jardim Miriam,
Camargo Novo e Itaim
Paulista. Administrada pela
Pró-Saúde desde 1998,
a creche é equipada com
salas amplas, parques
com playground, casi-
nhas de brinquedos para
desenvolver atividades
lúdicas e de aprendizado
com os pequenos. Neste
ano, por conta da Copa do
Era uma vez...
Aprendendo
com a Copa
Mundo da FIFA, os professores se
engajaram na elaboração do “Projeto
Nações”, que proporcionou às crian-
ças conhecer, valorizar e respeitar
as culturas dos diferentes povos e
nacionalidades. “Foi muito gratifi-
cante ver as crianças animadas e os
pais participativos e empenhados
em visitar não só o trabalho de seus
filhos como de todos os alunos”,
comenta Marizete Barbosa, diretora
do CEI Jardim São Jorge.
24
RevistaNotíciasHospitalares
Inaugurado em 2010, o
Centro de Convivência
do Idoso (CCI), em Agu-
lha, distrito de Fernando
Prestes (SP), atende de
segunda à sexta-feira em
período integral. “A ideia
surgiu da necessidade de
reintegrá-los à sociedade,
já que muitos idosos ficam
sozinhos e sem ativida-
des recreativas”, explica
Suzana Cavallini, coorde-
nadora da unidade. Aos
91 anos, Pedro Pizzani é o
aluno mais velho do CCI.
“Aqui a gente se sente
em uma grande família.
Somos muito bem trata-
dos e a comida é muito
No Centro de Educação
Infantil Jardim Eliane, em
São Paulo (SP), os projetos
educacionais são elabora-
dos com base nas neces-
sidades dos 144 alunos,
que têm até 3 anos de
idade. Além das atividades
rotineiras, como contação
de histórias e aulas de
artes, há projetos para
desenvolver a autonomia.
Entre eles, o “Projeto Ali-
mentação”, que incentiva a
alimentação saudável. “As
crianças não estavam con-
sumindo legumes e frutas
nas refeições. Por isso, co-
meçamos a apresentar os
Recomeço
Brincando
com a comida
boa”, comenta. Maria Aparecida
Pizzani, de 73 anos e viúva há 14,
voltou a bordar e fazer pinturas em
tecido graças ao CCI. Os idosos
desenvolvem atividades, como
aulas de alfabetização, educação
física, pintura em tecido, coral,
jardinagem, informática, além de
passeios especiais. A Prefeitu-
ra disponibiliza um ônibus para
buscar e levá-los em segurança às
suas casas ao fim do dia.
alimentos em sala de aula por meio
de histórias, desenhos e com os
produtos em mãos para que eles
pudessem manuseá-los”, explica
Lúcia de Paiva, diretora da unidade.
A partir de então, eles experimen-
tam antes de recusar os alimentos
e a aceitação das refeições aumen-
tou muito. Outra ação foi a inserção
dos pratos de vidros, ao invés de
plástico, e garfos e facas, na refei-
ção dos pequenos.
25
2ºSemestre/2014
C
om o objetivo de oferecer atenção à ges-
tante e ao bebê desde o pré-natal até
os cuidados com o recém-nascido, o
programa “Mãe Curitibana” foi iniciado em 1999
na capital paranaense. Desde então, cresceu
e colhe os frutos de seu sucesso. Curitiba (PR)
conseguiu reduzir a mortalidade infantil para 8,8
óbitos a cada mil nascimentos, quando o aceito
pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é a
taxa de até 10 óbitos a cada mil bebês nascidos
vivos. Além disso, a cidade zerou o número de
crianças menores de 13 anos que contraíram o
vírus HIV em 2013, devido, principalmente, ao
acompanhamento das gestantes soropositivas
e, com isso a erradicação da transmissão vertical
(da mãe para o filho).
Segundo o coordenador do programa, o gineco-
logista e obstetra Wagner Dias, o grande diferen-
cial do “Mãe Curitibana” foi a elaboração de um
protocolo de atendimento, recebido por todos os
profissionais de saúde assim que entram para a
rede. “Organizamos todas as patologias e hie-
rarquizamos os atendimentos de acordo com as
diretrizes da OMS. Assim, o ginecologista sabe
quais exames e medicamentos deve prescrever,
quando encaminhar a futura mãe para outro es-
pecialista e se deve pedir uma segunda opinião,
por exemplo.” Além disso, o programa prima pelo
bem-estar da gestante, que é atendida no posto
de saúde mais próximo de sua residência para
realizar os exames do pré-natal. Outro ponto de
destaque é que, logo na primeira consulta, ela re-
PERFIL
Carinho de mãe
para filhoEntre as inovações do programa Mãe Curitibana estão a elaboração de um protocolo
de atendimento, a determinação da maternidade em que a mãe fará o parto logo no
começo da gestação e o acompanhamento da criança após seu nascimento.
Wagner Dias,
ginecologista e
coordenador do
programa Mãe
Curitibana
26
RevistaNotíciasHospitalares
Alessandra e a
pequena Alanys
recebem a visita da
agente municipal
de saúde
cebe a carteira do pré-natal e já fica sabendo
em qual maternidade será seu parto.
Se durante a gestação é detectado algum pro-
blema de saúde, como HIV, infecção de repeti-
ção ou pressão alta, a mãe é encaminhada para
outro especialista, que pode ser um nutricionis-
ta, infectologista ou clínico geral, por exemplo,
e tem consultas específicas na unidade de refe-
rência onde será o seu parto. “Temos seis ma-
ternidades disponíveis, sen­do que duas são es-
pecializadas em partos de alto risco e recebem
gestantes que precisam de um cuidado espe-
cial”, explica o coordenador. “A atenção básica
consegue atender 80% das mulheres e apenas
20% são encaminhadas para esses serviços de
alto risco”, completa.
Após o nascimento,
o cuidado continua
A auxiliar de salão de beleza
Alessandra Costa, de 24 anos,
segundo suas próprias pala-
vras, não tem do que reclamar.
Mãe da pequena Alanys, de
quatro meses, ela comprova a
eficiência do programa. “Sem-
pre fui muito bem atendida. Os
médicos me explicavam sobre
todos os exames que eu pre-
cisava fazer, tiravam minhas
dúvidas. Agora, as meninas
ficam loucas atrás de mim
para avisar sobre as consultas
da minha filha”, diz ela rindo,
que explica logo em seguida:
“eu me mudo muito, mas elas
sempre me acham”. As “meni-
nas” são as agentes comuni-
tárias de saúde, que são res-
ponsáveis por visitar as mães
e verificar se as consultas dos
pequenos com o pediatra e
com o dentista estão em dia.
Elas tam­bém checam a cartei-
rinha de vacinação dos bebês
e dão dicas sobre aleitamento
materno e alimentação saudá-
vel para toda a família.
Para Dias, o sucesso do pro-
grama está na cooperação
entre os profissionais envolvi-
dos. “O ‘Mãe Curitibana’ ser-
viu como exemplo para muitos
outros ‘Mães’, tanto no Brasil
quanto no exterior. Claro que
cada região vai ter a sua espe-
cificidade, suas dificuldades a
serem vencidas. Mas, o mais
importante, é ter o compro-
metimento de todos. Aqui, em
Curitiba, a gente consegue ter
uma equipe de saúde bem em-
penhada, independente do go-
verno. Esse é o grande motivo
da nossa vitória”, finaliza.
número de mulheres
atendidas anualmente pelo
programa Mãe Curitibana.
unidades básicas de saúde dis-
poníveis para as gestantes realiza-
rem o pré-natal e coletarem material
para exames laboratoriais.
nenhuma criança menor de 13 anos
foi infectada pelo vírus HIV em 2013.
No ano anterior, apenas três casos
foram registrados.
por cada mil nascidos vivos é a
taxa de mortalidade infantil de
Curitiba. Em 1999, ano de início do
programa, a taxa era de 60 óbitos a
cada mil nascimentos.
20 mil
109
0
8,8
27
2ºSemestre/2014
S
egundo estimativas do
Instituto Nacional do
Câncer (INCA), o tipo
de câncer mais comum entre
as brasileiras é o de mama.
Eles representam 21% dos
novos casos da doença em
2014. Em terceiro lugar, fica
outro tumor ginecológico, o
de colo de útero, com 6%.
Ainda na lista dos 10 tipos de
cânceres que mais acometem
mulheres, o de ovário fica em
sétimo lugar na lista, com 2%.
Enquanto que a incidência
de câncer de mama no Brasil
segue a mesma tendência
mundial, no caso do tumor
de colo de útero há uma
peculiaridade: “No interior dos
estados do Norte e Nordes-
te de nosso país, o índice é
muito maior do que em outras
regiões e do que do resto do
mundo”, afirma Marcos Fraga
Forte, coordenador da onco-
logia do Hospital Regional do
Baixo Amazonas (HRBA), em
Santarém (PA), administrado
pela Pró-Saúde, referência
em oncologia para o Norte do
país. Ainda de acordo com
Forte, isso ocorre por que
nessas regiões é mais difícil
para a população ter acesso
à saúde. “Esse é um tipo de
câncer que pode ser pre-
venido facilmente, por meio
de exames ginecológicos.
Porém, para essas mulheres,
o acesso à rede básica é
complicado, ainda precisamos
melhorar nesse ponto”, expli-
ca ele. Moradora da cidade
de Óbidos (PA), que fica às
margens do Rio Amazonas,
Neila Passos da Silva, de 33
anos, afirma que não frequen-
tava o ginecologista e apenas
depois de alguns sintomas
incômodos resolveu procurar
um médico. Após o diagnósti-
co positivo de câncer de
colo de útero, a dona de
casa e mãe de cinco filhos
passou por tratamento
no HRBA. “Estou ficando
em uma casa de apoio do
hospital aqui em Santarém,
enquanto não tenho alta,
pois minha cidade fica muito
longe”, explica Neila. Ela já
recebeu a notícia que não há
mais vestígios da doença em
seu organismo, mas ainda
precisa fazer acompanha-
mento, para garantir que as
células cancerígenas não
atingiram outros órgãos. De
acordo com Forte, a vacina
contra o vírus do papiloma
humano (HPV), que passou a
fazer parte do calendário na-
cional em 2014, irá contribuir
para diminuir esses números,
já que o câncer de colo de
útero está diretamente
ligado ao HPV.
28
RevistaNotíciasHospitalares
Dos dez tipos de cânceres que mais acometem as mulheres, três deles são ligados ao
aparelho reprodutor feminino e mamas. Prestar atenção ao próprio corpo e realizar
exames periódicos são as maneiras mais eficazes de prevenir e combater a doença
Conheça seu
próprio corpo e
evite o câncer
ginecológico
ESPECIALIDADES
Conheça o HPV
A principal forma de transmissão do vírus do pa-
piloma humano (HPV) é via relação sexual, mas há
outras formas de contagio, como entre mãe e bebê
durante a gravidez ou no parto. Inicialmente sem
sintomas, quando não tratada a infecção por HPV
pode evoluir para um quadro de câncer de colo de
útero. Exames preventivos de rotina aliados à va-
cina contra o vírus são formas de evitar a doença.
“A inclusão da vacina contra o HPV no calendário
do SUS é muito importante para reduzir a sua
transmissão. Ao alcançar uma elevada cobertura
vacinal observaremos uma maior proteção contra
a incidência do câncer de útero”, afirma a médica
Helena Sato, diretora de imunização da Secretaria
de Estado da Saúde de São Paulo.
Mama: Aparição de nódulos na mama e
nas axilas, descarga papilar (saída de leite),
retração da mama ou da pele, alteração no
formato da mama ou do mamilo e perda de
peso. Vale ressaltar que tumores no estágio
inicial são difíceis de serem detectados,
por isso, exames como ultrassonografia
e mamografia são fundamentais para
mulheres com mais de 50 anos.
Colo do útero: Secreção vaginal de ca-
racterística sanguinolenta e corrimento. Se
o tumor for evoluído, pode haver infecção
associada e obstrução das vias urinárias.
Quando detectado cedo, a chance de cura
é quase de 100%. Por isso, é essencial
fazer o exame papanicolau regularmente,
além de vacinar as meninas que ainda não
iniciaram a vida sexual contra o HPV.
Confira os principais
sintomas dos tumores
ginecológicos. Se
apresentar algum deles,
procure um médico.
Ele irá pedir os exames
necessários e, caso
haja a confirmação do
diagnóstico, vai indicar
o melhor tratamento.
Ovário: Inchaço, obstrução urinária, consti-
pação, aumento de gases, dor pélvica ou
abdominal e perda de peso. Por ser o tipo
de câncer ginecológico mais difícil de ser
detectado, mulheres com fatores de risco
devem ficar atentas. São eles: maior quan-
tidade de menstruações (menarca cedo e
menopausa mais tarde), histórico familiar
e obesidade.
Vulva: Lesões ou ulcerações que não
curam ou demoram a cicatrizar e coceira.
É um tipo raro de câncer que também é
associado ao HPV, na maioria dos casos.
É mais comum em mulheres com mais de
70 anos e pode ser facilmente detectado
em exames ginecológicos regulares.
Corpo do útero ou de endométrio:
Sangramento ou corrimento vaginal após
a menopausa. O tumor de endométrio
ocorre, na maioria das vezes, em mulheres
com idade entre 60 e 70 anos de idade.
Obesidade, diabetes, dieta rica em gordu-
ras e falta de exercícios físicos são fatores
de risco para esse tipo de câncer.
Fonte: Marcos Fraga Forte - HRBA
Prevenção é a palavra-chave
Para a prevenção de todos os tipos de tu-
mores femininos, a visita regular ao gineco-
logista é fundamental. “O que chamamos
de prevenção secundária, que é a detec-
ção do carcinoma em seu estágio inicial, é
muito importante para aumentar as chan-
ces de cura. Por isso, a mulher deve procu-
rar seu médico pelo menos uma vez ao ano
ou sempre que perceber alguma mudança
em seu corpo”, alerta o oncologista, que
finaliza: “Além disso, a prevenção primária,
que é evitar que o tumor apareça, pode ser
feita com hábitos de vida saudáveis, como
alimentação balanceada, prática de exercí-
cios físicos e não fumar”.
29
2ºSemestre/2014
Como na maioria dos tipos de cân-
ceres, quanto mais cedo for des-
coberta, maiores são as chances
de eliminar totalmente a doença.
“A cura do melanoma acontece em
90% dos casos. Principalmente se
o tumor ainda estiver em sua fase
inicial”, diz a dermatologista.
Os sinais do câncer de pele são
sutis, por isso, é necessário pres-
tar atenção ao próprio corpo. “O
melanoma pode aparecer de vários
jeitos, como manchas e pintas que
aumentam de tamanho de uma
hora para outra ou que têm bordas
irregulares e machucados que não
cicatrizam. Caso a pessoa apre-
sente qualquer um dos sintomas
ou outro tipo de alteração na pele,
deve procurar um dermatologista”.
Evitar a exposição solar entre 10h e
16h, proteger-se dos raios UV com
filtros solares, chapéus e bonés e
não utilizar máquinas de bronzea-
mento artificial são as melhores for-
mas de evitar a doença.
O tratamento indicado para o me-
De olho nas pintas
O
melanoma não é o tipo de câncer
de pele mais comum e representa
apenas 10% dos casos. Porém, é
o mais agressivo, pois tem altas chances de
metástase – quando células cancerígenas se
desprendem do tumor primário e se espa-
lham pelo corpo.
“O carcinoma do tipo melanoma pode apa-
recer de vários jeitos. Por isso, quem tem
predisposição, precisa ficar atento”, alerta a
dermatologista do Hospital de Urgência da
Região Sudoeste, em Santa Helena de Goiás
(GO), Renata Asmar. “Pessoas com mais de
50 anos de idade, com pele e olhos claros,
que se expõe ao sol ou que tenham contato
com agentes químicos estão mais sujeitas a
desenvolver esse tipo de doença”, completa.
O melanoma é o tipo de câncer cutâneo
mais agressivo. Mas, quando
diagnosticado precocemente,
tem grandes chances de cura
Questão
de pele
30
RevistaNotíciasHospitalaresPREVENÇÃO
Não melanomas
O câncer de pele do tipo não melanoma
será o de maior incidência na população
brasileira em 2014, com a possibilidade de
182 mil novos casos, segundo previsão do
Instituto Nacional do Câncer (INCA). Entre
eles, se destacam os carcinomas basoce-
lular e o espinocelular.
De acordo com Renata Asmar, o carcino-
ma basocelular é o subtipo de câncer de
pele mais comum, com 70% dos casos. A
boa notícia é que esse também é o menos
perigoso (dificilmente há metástase). Mas,
nem por isso, deve ser tratado com me-
nos cuidado.
“Ele manifesta como uma pápula, uma bo-
linha, superficial, lisa, brilhante, com bor-
das perolada, finas e com telangectasias,
que são vasos sanguíneos bem finos”, es-
clarece a médica. Ela ainda explica que,
em sua evolução, o tumor pode se trans-
formar em uma úlcera ou ferida.
O segundo subtipo de maior incidência é
o carcinoma espinocelular, que represen-
ta cerca de 20% dos casos. Ele aparece
como um nódulo de cor avermelhada,
com descamação ou crostas e pode ha-
ver vazamento de líquido. Muitas vezes,
parece um machucado que não cicatriza.
Os tratamentos dos dois subtipos de
carcinoma são basicamente os mesmo:
cirurgia para a retirada da lesão e do te-
cido ao redor, com a margem de segu-
rança. O médico irá analisar o caso e, se
houver necessidade, pode indicar outros
tipos de terapias.
Vale ressaltar que para evitar esses tipos
de cânceres de pele, os cuidados são
iguais aos do melanoma: evitar a exposi-
ção ao sol, fazer o autoexame e visitar o
dermatologista uma vez ao ano ou quando
apresentar algum sintoma suspeito.
lanoma é a cirurgia para a retirada da lesão.
“É muito importante que o médico retire en-
tre 0,5 e 1 centímetro a mais de tecido em
volta do tumor, o que chamamos de margem
de segurança. Dessa forma, temos certeza
que todas as células cancerígenas foram eli-
minadas”, explica a especialista. Outros tra-
tamentos também podem ser prescritos, de
acordo com cada caso.
31
2ºSemestre/2013
É
durante essa época
do ano que muitas
famílias brasileiras
aproveitam as férias escolares
e se programam para viajar.
Qualquer que seja o destino
escolhido, alguns cuidados
são indispensáveis, como
usar o filtro solar adequado e
ficar de olho nas crianças. Já
em locais com praias, rios ou
piscinas é preciso redobrar os
Associada pela maioria das pessoas à alegria e diversão, é durante essa estação
que grande parte dos brasileiros resolve curtir as férias e aproveitar os dias de
sol em parques, na praia ou clubes. Porém, é preciso ter alguns cuidados para
evitar problemas, como queimaduras, desidratação e afogamentos
Ah, o verão!
cuidados: casos de afoga-
mento e de crianças perdidas
aumentam consideravelmente
no verão. Segundo o Corpo
de Bombeiros do Estado de
São Paulo, foi durante a última
Operação Praia Segura, de
dezembro de 2013 a fevereiro
de 2014, que aconteceram
mais de 40% das mortes por
afogamento no litoral paulista.
Além disso, por trás de um
simples petisco à beira mar,
pode haver uma intoxicação
alimentar em potencial! Mas
calma, com alguns cuidados é
possível curtir os dias enso-
larados sem maiores trans-
tornos. Confira as dicas do
Corpo de Bombeiros e de Luiz
Santoro Neto, clínico geral e
diretor assistencial do Hospital
Estadual Adão Pereira Nunes,
do Rio de Janeiro.
No litoral paulista,
Operação Praia
Segura, do Corpo
de Bombeiros,
orienta banhistas
32
RevistaNotíciasHospitalaresUTILIDADEPÚBLICA
Cuidado com o sol
O herói do verão, o sol, tam-
bém pode ser o seu maior vi-
lão. Os raios ultravioletas (UVA
e UVB) causam queimaduras,
envelhecimento precoce e
até mesmo câncer de pele.
“Controlar a exposição ao sol
é muito importante. A utiliza-
ção de filtro solar com FPS
30 ou mais e não se expor
entre 10h e 16h são cuidados
fundamentais”, ressalta Luiz
Santoro Neto, clínico geral e
diretor assistencial do Hospi-
tal Estadual Adão Pereira Nu-
nes, do Rio de Janeiro (RJ). O
médico também explica que
o filtro deve ser reaplicado a
cada duas horas e após en-
trar na água ou suar demais.
E atenção: mesmo debaixo
do guarda-sol é preciso usar
o filtro solar, pois, os raios
raios UV são refletidos pela
areia da praia ou pelo piso e
causam os mesmos danos da
exposição direta.
Cuidado com o prato
Na hora de comer fora de
casa, é preciso ficar de olho
em alguns detalhes. “Todo
alimento que estiver exposto à
irradiação solar não deve ser
consumido. Aquele camarão,
servido em bandejas na beira
da praia, nem pensar!”, alerta
o médico. Ele explica que a
comida deve estar armazena-
da corretamente e refrigerada
para poder ser consumida, já
que, por causa do calor, pode
estragar mais facilmente. Além
disso, é importante prestar
atenção na higiene do local
antes de comer. E, no caso
de sintomas como diarreia
ou vômito, principalmente se
estiverem acompanhados
de febre, procure um serviço
médico imediatamente.
Muita água!
É recomendada a ingestão de
dois litros de água, em média,
diariamente para adultos, para
repor as perdas do organis-
mo. Durante a exposição ao
sol ou na prática de espor-
tes, principalmente em dias
quentes, a perda de líquidos
é ainda maior. “É fundamental
a hidratação contínua com a
ingestão de líquidos, que po-
dem ser água, água de coco
ou bebidas isotônicas, que
também repõem a perda de
sais minerais”, alerta Santoro
Neto. Além disso, se você
sofreu com o excesso de sol,
tomar água ajuda a melhorar
os sintomas da insolação. “A
hidratação por via oral também
é muito importante nesses
casos. Usar cremes, loções ou
spray hidratantes podem dimi-
nuir o desconforto e a verme-
lhidão”, resume. Vale lembrar
que o efeito do sol é cumula-
tivo, ou seja, sintomas como
manchas, envelhecimento e
pintas, só pioram com o
tempo. Por isso, todo
cuidado é pouco!
33
2ºSemestre/2014
UTILIDADEPÚBLICA
“Água no umbigo,
sinal de perigo”
Esse é um ditado bastante
popular entre os guarda-vi-
das. Karoline explica que, na
praia, a água nunca deve ul-
trapassar a linha do umbigo.
“Até essa altura o banhista
consegue voltar para a areia
e não corre o risco de se afo-
gar”, explica ela, que ressalta:
“Respeite a sinalização e as
orientações do guarda-vidas,
pois ele pode ver o perigo
onde os leigos não perce-
bem, como uma corrente
de retorno”. Essas correntes
levam a água de volta para
o mar e são nelas em que
ocorrem 80% dos afogamen-
tos. “Evitar o excesso de ál-
cool é importante, porque
a maioria das pessoas
que se afogam ingeriu
bebidas alcoólicas”,
finaliza.
De olho nos pequenos
Segundo o Corpo de Bom-
beiros do Estado de São
Paulo, cerca de 800 crianças
se perdem anualmente nas
praias, 700 delas apenas
entre os meses de dezembro
e fevereiro. “A criança pode
ir até a água e, por causa da
multidão, não encontrar seu
caminho de volta. Por isso, ela
deve estar sempre acompa-
nhada de um adulto”, alerta a
Tenente Karoline Burunsizian,
chefe do Setor de Comunica-
ção Social do Grupamento de
Bombeiros Marítimo. “No lito-
ral paulista, nós distribuímos
pulseirinhas para que os pais
escrevam um telefone de con-
tato. É muito importante que
elas usem”. Os pais podem
colocar nos pequenos outras
pulseiras de plástico com as
informações ou qualquer outro
tipo de identificação. Outra
dica de Burunsizian é que,
assim que a criança tenha
idade suficiente, ela decore o
nome dos pais e um número
de telefone para contato.
Xô, perebas
As temperaturas altas fazem
com que a quantidade de
suor aumente e locais úmidos
e quentes são o habitat ideal
para fungos e bactérias. Com
isso, pode haver o apareci-
mento de micoses. Santoro
Neto explica: “Nessa época
é preciso prestar ainda mais
atenção à pele. Manchas que
não são habituais com coceira
e que estejam principalmente
em regiões com mais contato
com areia ou solo e articula-
ções e dobras, entre os dedos
e virilha, por exemplo, são um
sinal de alerta”. Por isso, use
sempre uma toalha ou canga
ao se sentar em cadeiras de
clube ou na areia e procure
não passar muito tempo com
roupas de banho molhadas.
Se apresentar qualquer um
dos sintomas, procure um
médico dermatologista.
34
RevistaNotíciasHospitalares
MAIS DE 45 ANOS
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Notícias Hospitalares Pró-Saúde Tocantins - Edição 76

  • 2. A Pró-Saúde é uma das maiores entidades de gestão de serviços de saúde e administração hospitalar do País. Tem sob sua responsabilidade mais de 3.500 leitos e o trabalho de cerca de 20 mil profissionais. Está presente em todas as regiões do Brasil, contribuindo para a humanização do atendimento hospitalar, em especial do SUS. Com excelência técnica e credibilidade nacional, oferece uma gama de serviços em benefício da vida. WWW.PROSAUDE.ORG.BR
  • 3. MAIS DE 45 ANOS CUIDANDO DA SAUDE DOS BRASILEIROS Alagoas Rio de Janeiro Paraná São Paulo Goiás Bahia Tocantins Pará Maranhão Rondônia Acre
  • 4. anúncio A Federação Brasileira de Administradores Hospitalares (FBAH), por meio de seus congressos, cursos e publicações, traz o que há de mais atualizado em serviços, produtos e informações, com o objetivo de aprimorar conhecimento e habilidades dos profissionais da área da Saúde. Todo esse trabalho depende muito de sua participação e apoio. Por isso, venha fazer parte da FBAH ou, se você já for associado, atualizar seus da- dos cadastrais. Vantagens de ser afiliado à FBAH l Atuação da FBAH desde as faculdades de Administração Hospitalar e na pós-formação, buscando o fortalecimento do aprendizado e aprimoramento profissional, além de ser uma vitrine para os recém-formados ante as empresas do setor. l Valorização do papel do Administrador Hospitalar. l Descontos e vantagens exclusivas em eventos no Brasil e exterior. l Descontos na compra de livros e publicações. l Participar com trabalhos e concorrer anualmente ao Prêmio FBAH de Administração Hospitalar. l Recebimento de publicações periódicas da FBAH. l Acesso a banco de informações e artigos. l Realização de cursos, palestras, seminários e treinamentos. l Apoio e intermediação de parcerias, possibilitando geração de novos negócios. Fortaleça a área da Saúde Valorize sua missão Seja um associado Av. São Gabriel, 201 - Salas 1009/1010 Itaim Bibi - São Paulo - SP - CEP: 01435-001 Tel.: 11 3704-7301 www.fbah.org.br
  • 5. Expediente A força das mulheres Revista Notícias Hospitalares 76º edição 2º Semestre / 2014 Capa Pacientes do HMMSJR Foto — Jefferson Douglas Pró-Saúde – Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar DIRETORIA ESTATUTÁRIA PRESIDENTE Dom Eurico dos Santos Veloso VICE-PRESIDENTE Dom Hugo da Silva Cavalcante, OSB SECRETÁRIO Marcio Gonçalves Moreira TESOUREIRO Monsenhor Marco Eduardo Jacob Silva DIRETORIA EXECUTIVA DIRETOR ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO Carlos Alberto Filippelli Giraldes DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO Daniel Augusto Gonsales Camara DIRETOR DE FILANTROPIA Carlos José Massarenti DIRETORA JURÍDICA Wanessa Portugal DIRETOR DE OPERAÇÕES Danilo Oliveira da Silva NOTÍCIAS HOSPITALARES Diretor Responsável Carlos Alberto Filippelli Giraldes Gerente de Comunicação Helton Zuccon Produção editorial VFR Comunicação Projeto editorial Doxa Conteúdo & Design Jornalista responsável Vanderlei França Projeto Gráfico Adriano Frachetta Design Edson Fonseca Editoras Georgia Rodrigues e Mariana Alves Colaboraram nesta edição Emily Gonçalves e Suelen Rodrigues Fotografia Jefferson Douglas, Willian Pereira, Valdecir Galor/ SMCS, Edson Donizete, Istockphoto, Fotolia e Divul- gação/Grupamento de Bombeiros Marítimo Impressão Corset Artes Gráficas e Editora Tiragem 12.000 exemplares Contato imprensa@prosaude.org.br Dom Eurico dos Santos Veloso Arcebispo Emérito de Juiz de Fora Presidente da Pró-Saúde EDITORIAL Os avanços nos serviços de integração da saúde da mulher, desde antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e, principalmen- te, após a sua implementação, vêm contribuindo com melhorias no acesso ao atendimento médico e na agilidade do tratamento e diagnóstico de doenças de todas as mulheres. Mais do que isso: vêm cumprindo o direito à saúde à população, previsto na Cons- tituição Federal, ampliando a conscientização sobre a busca por atendimento preventivo, que evite a evolução de doenças crônicas consideradas as vilãs da mortalidade feminina. Esta edição é dedicada à saúde das mulheres, que são a maioria no País, representam 63% da população em idade ativa, segundo o IBGE, e assumem cada vez mais o papel de profissionais, mães, esposas e filhas dedicadas. Na matéria de capa, o leitor encontrará o trabalho realizado nos hospitais administrados pela Pró-Saúde no SUS, que trazem espe- rança e acolhimento às gestantes e puérperas em diferentes regiões do Brasil. São programas especiais voltados ao acompanhamento da gestação e ao diagnóstico e controle de doenças graves. Com- partilhe com sua família a leitura desta edição! Cuide e proteja quem você ama, oferecendo informações preciosas para cuidar da saúde. A revista também traz as novas unidades hospitalares administradas pela Pró-Saúde, assim como os projetos educacionais e de assis- tência social que beneficiam crianças, adolescentes e idosos com exemplo de dedicação e atendimento. Que todo esse conteúdo seja apreciado e traga novas reflexões durante a leitura.
  • 6. ÍNDICE Sala de Espera ENTREVISTA Expansão Mulheres no SUS Hospital de Santarém, administrado pela Pró-Saúde, é o primeiro do interior do Estado do Pará certificado como Hospital de Ensino Rosemeire Sartori de Albuquerque, enfermeira obstetra e doutora em Saúde da Mulher, defende que a gestante deve ser orientada para que possa fazer suas próprias escolhas em relação ao seu parto Pró-Saúde passa a administrar unidades em Salvador (BA) e no interior de São Paulo Confira os projetos voltados para a saúde feminina nos hospitais públicos administrados pela Pró-Saúde em todo o País 08 10 14 16
  • 7. SOCIAL Prevenção Especial Para ampliar sua responsabilidade social, a Pró-Saúde administra também creches e centros de acolhimento institucional e de convivência para idosos Saiba como evitar o câncer de pele e conheça os seus principais sintomas Descubra como aproveitar o verão evitando problemas como insolação, intoxicação alimentar e micoses 23 28 34
  • 8. 21 IECPN é destaque na revista Veja O Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, administrado pela Pró-Saúde, foi matéria de capa da revista Veja Rio (Editora Abril). Em julho, o IECPN comemorou sua milésima cirurgia, em um ano de funcionamento. O procedimento removeu um tumor da cabeça de uma paciente. A qualida- de do atendimento realizado na unidade também foi destaque na publicação. Segundo a revista, o hospital é um oásis de excelência, onde a decora- ção caprichada divide espaço com equipamentos de alta tecnologia. O objetivo da unidade, que se propõe a ser mais que uma casa de saúde, segun- do a matéria da Veja Rio, é agregar a pesquisa científica ao atendimento à população e também funcionar como um núcleo de formação de jovens médicos. Site novo facilita acesso ao internauta Está no ar a nova página da Pró-Saúde na internet, com as informações atualizadas e layout mais moderno e organizado. Além do novo projeto gráfico, a mudança visa organi- zar o conteúdo e facilitar o acesso às infor- mações. O site www.prosaude.org.br traz dados sobre todas as unidades administradas pela entidade, através de um mapa interativo, além dos projetos de Educação Infantil e Assistência Social que a Pró-Saúde desen- volve. Uma área específica para imprensa foi criada para aproximar o contato da organi- zação social com a mídia, disponibilizando também notícias, boletins, newsletters e a Revista Notícias Hospitalares. Na nova pági- na, o internauta pode conhecer e entender com mais clareza o trabalho da Pró-Saúde, por meio de folders e vídeos institucionais. HRBA torna-se Hospital de Ensino Unidade de Santarém é a primeira do interior do Pará a receber o certificado SALADEESPERA 8 RevistaNotíciasHospitalares
  • 9. 3Pró-Saúde participa do Congresso das Santas Casas Em agosto deste ano aconteceu em Brasília (DF), o 24º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos. A Pró-Saúde participou do evento, com um stand de expo- sição para apresentar o seu trabalho na área de Saúde. O encontro anual reuniu administra- dores hospitalares, profissionais de Saúde de todo o Brasil e representantes governamentais. Além de promover e fortalecer o desenvolvi- mento das instituições sem fins lucrativos, o Congresso colocou em debate a importância das filantrópicas para a sobrevivência do Sis- tema Único de Saúde (SUS). Foram discutidos assuntos relacionados à gestão em Saúde, como Contratualização, Gestão da Filantropia e dos Recursos Humanos, Administração Hos- pitalar, Governança Corporativa e o programa SUStentáveis. 4Hospital de Santarém é certificado como Hospital de Ensino Os Ministérios da Saúde e da Educação concederam o título de Hospital de Ensino ao Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém (PA). O título habilita o hospital a desenvolver a prática de atividades curri- culares na área da saúde vinculado a uma Instituição de Ensino Superior. O HRBA, administrado pela Pró-Saúde, abrange 21 municípios e é o primeiro Hospital de Ensino no interior do estado. “Os nossos indicado- res demonstram a importância deste título para a região. Temos uma média de 300 estudantes por mês em alguma ativida- de curricular. Isso contribui para melhores práticas e articula o comprometimento de todos para uma assistência de qualidade, seja no próprio HRBA ou em qualquer outra Unidade de Saúde”, declarou o diretor de Ensino e Pesquisa do HRBA, Luiz Fernando Gouvêa e Silva. 9 2ºSemestre/2014
  • 10. Mamãe bem-informadaO período de gestação pode gerar muitas dúvidas e medos em algumas mulheres. Por isso, buscar orientação adequada é tão importante quanto realizar os exames do pré-natal. Dessa forma, a gestante poderá aproveitar ao máximo o momento do nascimento de seu filho 10 RevistaNotíciasHospitalaresENTREVISTA
  • 11. R osemeire Sartori de Albuquerque, doutora em Saúde da Mulher pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e docente do curso de obs- tetrícia da Universidade de São Paulo (USP), defende que a mulher deve ser orientada para que possa fazer suas próprias escolhas em relação ao seu parto. A enfermeira obstetra e membro da diretoria do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, de São Paulo (SP), reconhe- ce que estamos vivendo um período de mudanças com relação ao tema e afirma que, apesar de ainda ter que melhorar em alguns pontos, o SUS (Sistema Único de Saúde) é uma fonte de bons exemplos nessa área. Quais são as vantagens do parto normal? Devemos começar do princípio que o parto deve ser normal. O corpo da mulher está preparado para isso. Só não deveria acontecer o parto normal em caso de compli- cações. No parto normal, a mulher não é submetida a um procedimento cirúrgico, ela vivencia o momento, participa. Ela tem a possibilidade de receber e acolher o bebê dela assim que nasce, se ele tiver nascido em boas condições. E ela não é submetida, na maioria das vezes, a nenhum procedimento que requeira repouso. Isso quer dizer que assim que ela terminar de dar à luz, já pode sair, andar, tomar banho, se alimentar e cuidar do seu bebê. Quais são os medos da gestante em relação ao procedimento? A mulher brasileira teme a dor, ela tem medo de não tole- rar o processo de parturição. Por isso é preciso trabalhar bastante durante o pré-natal, para fazê-la entender o que é a gestação e o trabalho de parto. E saber que o corpo dela está preparado para o processo de nascimento, só que tem limiar de dor. É aí que vem a competência da equipe, que deve estar preparada para entender até onde a parturiente está tolerando aquele incômodo, porque ela pode ser submetida a uma analgesia. Mas, a maioria, quando preparada, não quer os analgésicos, porque sabe que isso vai limitar a sua verticalização e para favorecer o nascimento pela via transvaginal, é importante fazer a verticalização, que é colocar a mulher em pé, sentada. Então tudo isso, todo esse manejo, favorece o trabalho de parto normal. Há alguns anos, deixávamos a parturiente em jejum, no leito, em repouso. Hoje, não. Estimulamos a alimentação, andar, ficar muito no chuveiro para ativar a circulação e melhorar a oxigenação materno-fetal. Além 11 2ºSemestre/2014
  • 12. A cesárea é indicada por sofrimento fetal, por risco materno ou do bebê e se ela já teve duas ou três cesáreas anteriores de ficar verticalizada, porque o peso do bebê favorece a sua descida. Quais são os maiores mitos envolvendo o parto normal? Com relação a mulher ser jovem e não poder fazer o parto normal, isso é um grande mito. Ser jovem não é indicação de cesárea. Pelo contrário. Quando você sub- mete uma mulher jovem a um procedimento cirúrgico, a uma cesárea, você está colocando -a em risco. Porque ela ainda tem uma vida reprodutiva longa e a chance do próxi- mo parto ser uma cesárea é grande e o terceiro ainda maior. Então, é preciso pensar bem no primeiro parto. O que temos que levar em conside- ração não é idade, mas, sim, o tipo constitucional — se ela tem a bacia formada, se o seu corpo está bem delimitado. É diferente do que se pensava há alguns anos, que ser jovem era indicação de cesárea. Assim como uma mulher de 30 anos pode ter uma bacia não obstétrica e ter a indica- ção de cesárea, porque se ela tiver um bebê maior, não terá condições para um parto normal. E quando dizem que uma mulher que já fez a cesárea não pode ter um próximo parto normal? Primeiro, precisamos desco- brir o real motivo da cesárea. Se ela tem um problema pélvico, então, sempre terá, porque o osso não vai mudar. Portanto, provavelmente, os partos subsequentes serão cesáreas. Se foi uma distócia funcional, ou seja, a contra- ção que não foi efetiva, não evoluiu para o parto normal, não quer dizer que no próxi- mo ela terá o mesmo pro- blema. Também temos que considerar o intervalo entre os partos. Acima de dois anos, é menos perigoso submetê-la a um parto normal depois de uma cesariana. Porém, duas cesáreas anteriores, já é bastante prudente que não se submeta esse útero a um trabalho de contração, porque há um risco de rotura uterina (rompimento de uma camada do útero). A cesárea é indica- da por sofrimento fetal, por risco materno ou do bebê e se ela já teve duas ou três ce- sáreas anteriores. Então, não é porque ela veio com só uma cesárea anterior que vamos indicar o que chamamos de cesárea iterativa. Não existe mais isso. Você acha que a mulher ser esclarecida sobre tudo isso antes, facilita? Sou docente do curso de obstetrícia da USP e percebo que estamos vivendo um pe- ríodo de mudanças. No pas- sado, fomos muito interven- cionistas e agora nós temos que tomar cuidado com o que fazemos. Eu sempre defendo que nós nunca tivemos que ser tão verdadeiros com a mulher. Não podemos ser ex- tremistas, ou seja, não pode- mos deixar de ajudar a mulher durante o parto, mas também não podemos partir sempre para a cesárea. Temos que achar um meio termo. Mas é importante ressaltar que a mulher tem que ser informa- da. Já existe uma parcela de gestantes que, mesmo tendo convênio médico, procura o SUS, ou o Leonor, por exem- plo, porque sabe que temos o centro de parto normal. São gestantes que sabem o que querem para o processo de parto. Ela sabe que aqui vai ser respeitada na sua vontade e que só vamos fazer uma ce- sárea se houver uma compli- cação. É isso que o SUS tem de grande diferencial. 12 RevistaNotíciasHospitalaresENTREVISTA
  • 13. No Sistema Único de Saúde (SUS), o que pode ser feito para melhorar os índices de parto normal? O recomendado pela Orga- nização Mundial da Saúde é que apenas 15% dos partos sejam cesáreas. No SUS, estamos em torno de 30%. Mesmo assim, o número é bem melhor do que na rede privada, que em alguns hospitais a taxa de cesáre- as chega a quase 90% dos partos. Para melhorar ainda mais esse índice, temos que qualificar o pré-natal. Nós conseguimos aumentar o nú- mero de consultas pré-natal, mas ainda não o qualificamos. Muitas vezes, a mulher chega à maternidade com exames não realizados, ou realizados parcialmente, ou realizados, mas sem o resultado. Ela também chega desinformada. Precisamos preparar melhor a mulher para o parto para que ela participe desse processo. Outro ponto que poderia melhorar é informar com antecedência onde vai nascer o bebê dela. Então, quando chegar a hora do parto, ela não precisaria ficar peregri- nando pelos hospitais, por que isso atrapalha. Esse mo- delo já existe em alguns locais do Brasil e o SUS paulista está trabalhando para que isso aconteça também em São Paulo. 13 2ºSemestre/2014
  • 14. Expansão Pró-Saúde passa a administrar unidades de saúde na Bahia e no interior de São Paulo Hospital Alayde Costa e UPA EscadaSalvador (BA), agora conta com mais um hospital e duas UPAs administrados pela instituição, que também passa a ser a responsável pelos dois principais serviços de urgência e emergência da Rede Municipal de Saúde de Sumaré (SP). A Pró-Saúde iniciou, em setembro deste ano, a gestão do Hospital Alayde Costa e da Unidade de Pronto Atendimento 24h (UPA III), no bairro de Escada, em Salvador (BA). Através de Contrato de Locação entre a Pró-Saúde e o IEST (Instituto de Educação Saúde e Tecnologia), a entidade firmou parceria com o Governo do Estado da Bahia (SESAB), para oferecer serviços de saúde à população. Com 60 leitos de internação para aten- dimento a pacientes crônicos e uma UTI (Unidade de Tratamen­to Intensivo Adulta) com 20 leitos, o Hospital Alayde Costa possui um perfil assistencial predominan- temente de pacientes oriundos do SUS (Sistema Único de Saúde). A UPA tipo III, também gerida pela Pró-Saúde, compõe uma rede organizada de atenção às ur- gências clínicas, pediátricas e ortopédicas. 14 RevistaNotíciasHospitalares
  • 15. UPA Valéria Pró-Saúde assume unidades em Sumaré Ainda em Salvador (BA), em março deste ano foi inaugurada a Uni- dade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro de Valéria. A Pró-Saúde venceu a licitação para administrar a unidade, que possui uma área de 1.500 m² e conta com 207 colaboradores e 24 leitos de obser- vação, sendo oito masculinos, oito femininos e oito infantis, e quatro de estabilização (sala vermelha). Entre os serviços oferecidos pela unidade, estão atendimento clínico, pediátrico e de traumato-ortopedia, apoio diag- nóstico e terapêutico em radiologia, eletrocardiograma, laboratório de análises clínicas e ultrassonografia, além de procedimentos de odontolo- gia 24 horas. A Pró-Saúde assumiu a gestão integral de duas unidades de saúde na cidade de Sumaré, SP — a Unidade de Pronto Atendimento 24h (UPA) do Jardim Macarenko e o Pronto Atendimento (PA) do Matão. Esses são os dois principais serviços de urgên- cia e emergência da Rede Municipal de Saúde e aten- dem 100% pelo SUS, com convênio com os governos Federal, Estadual e Municipal. A UPA conta com nove leitos de observação masculina, nove leitos de observação feminina, seis leitos de cui- dados semi-intensivos, seis leitos pediátricos e dois leitos de Ginecologia e Obstetrícia. Com quatro leitos de observa- ção, o PA possui Clínico Geral e Pediatria. “Temos certeza que o novo modelo vai trazer um atendimento melhor aos pacientes, permitindo que a Prefeitura foque sua atenção em outras áreas, como a Saúde Básica e Preventiva. E, pela experiência da Pró-Saúde, acreditamos que haverá tranquilidade neste momento de transição”, afirmou a prefeita de Sumaré, Cristina Carrara. 15 2ºSemestre/2014
  • 16. CAPA Conheça os projetos direcionados ao público feminino em hospitais públicos administrados pela Pró-Saúde que priorizam a orientação, humanização do tratamento e o diagnóstico precoce especialmente em gestantes e bebês D esde a criação do Sis- tema Único de Saúde (SUS), em 1988, os avanços nos serviços voltados à saúde da mulher vêm con- tribuindo para a melhoria do acesso ao atendimento médi- co e aos programas de orien- tação e prevenção de inúme- ras enfermidades. São elas as maiores usuárias do SUS, já que exercem também o papel de acompanhantes de fami- liares e nas comunidades em que residem. O agendamento de consul- tas e exames relacionados à genitoscopia (colposcopia e As mulheres no SUS 16 RevistaNotíciasHospitalares
  • 17. vulvoscopia), papanicolau e diagnóstico por imagem (como o ultrassom) tem sido facilita- do, graças à otimização do atendimento multiprofissional, com coleta de exames de ro- tina independente da consulta médica. Os mutirões para re- alização de exames e campa- nhas sazonais com intuito de alertar sobre doenças como o câncer de mama e de colo de útero têm contribuído na pre- venção e diagnóstico dessas enfermidades. São diversas as ações e projetos em anda- mento nos hospitais adminis- trados pela Pró-Saúde, com Gestantes atendidas no Hospital e Maternidade Municipal de São José do Ribamar, em Ribamar (MA) 17 2ºSemestre/2014
  • 18. IECPNCAPA destaque para os focados na saúde materna. Inclusive, por ser este um dos temas que in- tegram os “Objetivos do Milê- nio”, da Organização das Na- ções Unidas (ONU), e que tem sido incorporado aos projetos direcionados à saúde feminina na rede pública: a redução da razão da mortalidade materna. Embora as doenças cardio- vasculares e o câncer de mama estejam entre as prin- cipais causas de óbitos femi- ninos no Brasil, a mortalidade materna — ocorrida durante a gravidez, aborto, parto ou no período de até 42 dias após o parto — chama muita aten- ção. Isso porque em 92% dos casos essas mortes poderiam ser evitadas, segundo dados do Ministério da Saúde. Por ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) contabiliza apro- ximadamente 600 mil mortes maternas em todo o mundo, sendo 99% dos casos em pa- íses em desenvolvimento. As principais causas são hemor- ragias, infecções, eclâmpsia, parto obstruído, aborto ilegal, entre outras causas diretas ou indiretas. A meta da ONU é re- duzir em 75% a razão da mor- talidade materna no período entre 1990 e 2015 (35 óbitos por 100 mil nascidos vivos). A boa notícia é que o Brasil está mais próximo de atingir a meta de redução da morta- lidade materna, segundo o Mi- nistério da Saúde, já que esse índice caiu 57%, de 143 para 61 óbitos por 100 mil nascidos vivos no período de 1990 e 2012. “O acompanhamento pré-na- tal continua sendo uma das melhores maneiras de evitar a morte materna, sendo reco- mendado o comparecimento em, no mínimo, seis consultas durante a gestação. As ações de sensibilização para gestan- tes e campanhas de conscien- tização são essenciais, mas infelizmente ainda vemos mui- tas mulheres que não buscam acompanhamento médico e desenvolvem problemas que poderiam ser evitados ou con- trolados”, explica Marise de Aquino Catelli, ginecologista e obstetra do Hospital Municipal de Mogi das Cruzes (SP), há 21 anos atuando no SUS. A ginecologista e obstetra Marise de Aquino Capelli, do Hospital Municipal de Mogi das Cruzes 18 RevistaNotíciasHospitalares
  • 19. O Hospital e Maternidade Municipal de São José do Ribamar (HMMSJR), em Ri- bamar (MA), criou programas de orientação a gestantes e puérperas (mães que deram à luz recentemente e ainda estão no hospital). A iniciativa, coordenada pela Gerência de Enfermagem, em parceria com o Núcleo de Humaniza- ção, Serviço Social e Gerência Administrativa, tem como ob- jetivo beneficiar as futuras ma- mães com informações sobre o que acontece no pré-parto, parto e pós-parto, além de apresentar a maternidade. O Programa de Saúde da Famí- lia (PSF) disponibiliza agenda para visitação quinzenal à maternidade. Um enfermeiro e um agente comunitário apre- sentam o espaço, esclarecem dúvidas, dizem o que devem trazer à maternidade e qual o momento certo para irem até o hospital. “Um dos desafios é desmistificar o parto normal, que ainda gera bastante an- siedade”, explica Allan Serra, gerente de enfermagem do HMMSJR. As mulheres que estão inseridas em áreas co- bertas pelo PSF e com mais de cinco meses de gestação podem se inscrever — mais de 200 mulheres fizeram a visitação. Além disso, mensal- mente é oferecido curso de um dia para gestantes, com palestras diversas. Mais de 80 gestantes já participaram e o curso é aberto ao público em geral, mediante inscrição pré- via. Mãe de primeira viagem, Ludmila Santana, de 32 anos, estava bastante apreensiva. “As orientações do curso me tranquilizaram com relação ao parto normal, além de ter es- clarecido dúvidas sobre como cuidar do meu bebê”. Tam- bém são organizadas para as puérperas apresentações que abordam o aleitamento mater- no, cuidados com os bebês, calendário de vacinação e planejamento familiar. Elas são convidadas a trocar experi- ências com outras mães e também com os profissionais do hospital. “Nossa satisfa- ção é ver os benefícios para essas mulheres, que chegam à maternidade bem orientadas e cientes da missão que terão com elas mesmas e com seus filhos”, completa Allan Serra. Orientação como caminho Grupo de Gestantes do Maranhão durante encontros quinzenais 19 2ºSemestre/2014
  • 20. IECPNCAPA O Hospital Universitário de Jundiaí (SP) possui cinco pro- jetos focados em gestação de risco. O programa “Morbidade Materna Grave” foi criado para evitar a mortalidade materna em decorrência de doenças hipertensivas e hemorrágicas. Por mês, de 60 a 80 mulheres são atendidas pelo programa e dos 320 partos realizados, aproximadamente 60 são de alto risco. O programa “Prematuridade” visa diminuir os nascimentos prematuros, uma das princi- pais causas de mortalidade infantil. Para isso, o tempo de gestação é prolongado ao máximo, mesmo com com- plicações. “Cada dia ganho de gestação representa três dias a menos na UTI neona- tal”, alerta o coordenador da unidade e professor titular de Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Nelson Maia. Camila dos Santos, de 18 anos, ficou internada por seis dias para evitar o nasci- mento da filha e conseguiu completar sete meses de gestação. “Ela nasceu com 860 gramas e depois de três meses está com 1,545 kg. Estamos recebendo todo o acompanhamento e assim que ela atingir o peso adequa- do teremos alta”, diz ela. Já o “teste do coraçãozinho”, ou oximetria de pulso, detecta a má formação do sistema cardíaco, mesmo se o bebê não apresentar sintoma visível. “O teste não invasivo é reali- zado na mão direita e em um dos pés do bebê, entre 24h e 48h após o nascimento”, explica a coordenadora do serviço de Neonatologia do HU, Ana Maria Banho Vieira. Com isso, a unidade espera acelerar o diagnóstico de cardiopatia congênita crítica em recém-nascidos e dimi- nuir ainda mais a sua taxa de mortalidade infantil. A “Síndrome Hellp”, doença hipertensiva grave e pouco conhecida, também integra os programas do HU. O projeto avalia gestações de alto risco em mulheres com quadro hi- pertensivo grave e com baixa quantidade de plaquetas no sangue, o que aumenta o risco de hemorragia. “Neste caso, a gestação deve ser interrompida por meio de ce- sárea, pois há risco de morte da mãe e da criança”, afirma Maia. Por último, há o “Cen- tro de Referência da Doença Trofoblástica Gestacional”, quando, ao invés de evoluir para um bebê, forma-se um pequeno tumor. “A gestação é interrompida e, durante um ano, há o acompanhamento e a mulher não pode engravi- dar”, alerta. Precauções contra doenças gestacionais “Teste do coraçãozinho” reduz mortalidade infantil no Hospital Universitário de Jundiaí (SP) 20 RevistaNotíciasHospitalares
  • 21. No projeto “Jovem Mãe”, do Hospital Estadual Rocha Faria (HERF), no Rio de Janeiro (RJ), o parto em adolescentes é tratado de forma humani- zada. As meninas de 12 a 18 anos que chegam em trabalho de parto são conduzidas a uma enfermaria especial, com decoração lúdica e equi- pada com bolas de pilates, barras e cadeiras especiais para auxiliar a aliviar as dores durante todo o processo. Neste espaço foi recebida a adolescente Tabata Gomes, aos 18 anos, que deu à luz a uma menina por parto normal. “Passei quatro dias com dor e sem dilatação. Quando fui ao hospital e me direciona- ram ao espaço ‘Jovem Mãe’, Quando o amor chega mais cedo recebi ajuda dos enfermeiros, massagem e todos os cuida- dos que contribuíram para a realização do parto normal”, comenta a paciente, que tinha o hospital como referência. O projeto foi inaugurado em fevereiro de 2014 e já realizou 390 partos, entre normais e cesarianas, sendo 20% deles em menores de 15 anos. “O espaço ‘Jovem Mãe’ é focado em estimular o parto normal e humanizado, mas em caso de cesariana, toda a estrutura do centro cirúrgico está dispo- nível para receber as pacien- tes”, explica Juciney Pacheco, coordenador médico da ma- ternidade do HERF. Podem ser atendidas duas gestantes ao mesmo tempo na Enfer- maria Teen, acompanhadas por até três familiares. A aco- lhida é feita por uma equipe multidisciplinar constituída por médico obstetra exclusivo, enfermeira obstetra, técnico de enfermagem, fisioterapeuta para auxiliar com exercícios pré-parto, psicólogo, nutri- cionista e assistente social. “Geralmente essas meninas chegam cheias de dúvidas e receios, uma vez que não estão maduras o suficiente para absorver as grandes mu- danças psicológicas, sociais e biológicas que uma gestação precoce traz. Por isso o proje- to visa ampará-las e oferecer o cuidado necessário num momento delicado e transfor- mador”, ressalta. A jovem Tabata Gomes, que deu à luz a uma meninda por parto normal, no Rio de Janeiro 21 2ºSemestre/2014
  • 22. Há bons exemplos, porém, de que o gargalo administrativo pode ser superado mediante convênios com instituições privadas de excelência. N o momento em que a Receita Federal anuncia que os impostos federais de R$ 293,42 bilhões recolhidos no primeiro trimestre de 2014 estabeleceram novo recorde para os três primeiros meses do ano, com crescimento de 2,08% em relação ao mesmo período de 2013, é oportuno refletirmos sobre o retorno desses recursos para a sociedade. Nesse que- sito, segundo distintos estudos internacionais, o Brasil é uma das nações com pior desempenho dentre as que mais arrecadam. Um viés interessante para per- cebermos a discrepância entre o que a sociedade paga ao Estado e o que recebe de volta em ser- viços e benefícios encontra-se na área da saúde, que, ao lado da educação, é a grande prioridade nacional. Pois bem, em 2014 o orçamento para o setor é de R$ 106 bilhões, segundo consta no Portal da Transparência do governo federal. Em 11 anos, os recursos destinados à assistência médico-hospitalar dos brasileiros mais que triplicaram. Em 2003, o valor era de R$ 31,2 bilhões. O crescimento das verbas do Mi- nistério da Saúde, ainda segundo informações oficiais, permitiu aos estados e municípios, respon- sáveis pela execução das ações e redes como UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), hospitais e ambu- latórios, expandirem a chamada PRÓSAÚDEOPINIÃO Atenção Básica. Somam-se ao dinheiro federal os recur- sos de todas as unidades federativas, que constituem o Sistema Único de Saú- de (SUS), cujo princípio foi instituído pela Constituição de 1988. A análise sugere que o maior problema da saúde no Brasil não é dinheiro, mas a má gestão, não apenas finan- ceira, mas principalmente na operação dos equipamentos de atendimento municipais e estaduais. Há bons exem- plos, porém, de que o gar- galo administrativo pode ser superado mediante convênios com instituições privadas de excelência. Em São Paulo, os hospitais Albert Einsten, Sírio Libanês e Santa Marcelina, os três instituições privadas, apresentam resultados posi- tivos na gestão de unidades Gestão eficaz melhoraria a saúde dos brasileiros Juan Quirós públicas de saúde. O mesmo se aplica à organização social Pró-Saúde, com ação seme- lhante em distintas regiões. Obviamente, os acordos de administração privada de equipamentos públicos de assistência médico-hospitalar devem ser objeto de análi- se criteriosa, garantindo-se a excelência, experiência e probidade dos gestores. No entanto, observadas tais ressalvas, a ampliação do modelo poderá conferir uma nova dimensão à saúde no país, onde é dever consti- tucional do Estado prover gratuitamente esses serviços fundamentais à sociedade. Não é mais admissível vermos diariamente na TV, ouvirmos no rádio e lermos nos jornais e revistas as matérias sobre numerosos e repetidos casos de negligência no atendimen- to, demora para exames, pa- cientes esperando em macas nos corredores de hospitais, prontos-socorros incapazes de responder às emergências e à população desassistida. Os brasileiros pagam muito por esse grande convênio/se- guro-saúde chamado SUS. É necessária uma contrapartida adequada! Juan Quirós é vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)22 RevistaNotíciasHospitalares
  • 23. s atribuições da Pró- Saúde como Organi- zação Social vão além dos serviços de administração hospitalar. Há 15 anos, a ins- tituição vem contribuindo de forma ampla com projetos nas áreas de educação e assistên- cia social, com objetivo não só de oferecer ensino de qualida- de, como também de estimular a inserção e reintegração social por meio do tratamento huma- nizado em todas as atividades desenvolvidas. Na capital de São Paulo, são administrados pela Pró-Saú- de três Centros de Educação Infantil (CEI), situados na zona Leste. Em Santo André (SP), o Serviço de Acolhimento Insti- FILANTROPIA Educação e Proteção Social Projetos dedicados à educação e assistência social para crianças, adolescentes e idosos consolidam a missão da Pró-Saúde como promotora de melhorias nos serviços públicos. tucional gerencia espaços que acolhem crianças e adolescen- tes vítimas de violência ou em situação de risco, e que aguar- dam adoção. Em Agulha, dis- trito de Fernando Prestes (SP), são realizados três projetos focados em educação e recre- ação que englobam crianças, adolescentes e idosos: o Cen- tro de Convivência do Idoso (CCI), o Centro de Convivência da Criança e do Adolescente (CECCA) e o Pró-Saúde Proje- tos Sociais. Os projetos bene- ficiam atualmente mais de mil pessoas e são considerados referência em qualidade, aten- dimento, suporte pedagógico e no desenvolvimento da auto- nomia dos participantes. 23 2ºSemestre/2014
  • 24. PRÓSAÚDEFILANTROPIA O Centro de Educação Infantil Jardim Lageado, no distrito de Lageado (SP), é um espaço dife- renciado por ser tam- bém uma EMEI, onde são assistidas crianças de 0 a 5 anos. Adminis- trado pela Pró-Saúde há seis anos, o CEI tem 244 alunos, que per- manecem em período integral. “As crianças geralmente são matricu- ladas bebês e auxiliamos em todo o processo de crescimento até o início da alfabetização”, explica Vanessa Zanetti, diretora da unidade. Um dos projetos é a “Roda de História”, realizado diariamente. Cada sala tem um cantinho de leitura, com livros que as crianças podem escolher. Já no projeto “Biblioteca Circulante”, mais de 400 títulos transitam entre as salas de aula. Às sextas-feiras, eles levam um livro para ler no final de semana. “O acesso à escrita e leitura é feito desde o berçário, com incentivo às identificações de letras e números até o início do letramento”, completa Zanetti. Localizado na região de Guaianases, em São Paulo (SP), o Centro de Educação Infantil Jardim São Jorge é dedicado e estruturado para atender 160 crianças de 0 a 3 anos dos bairros Jardim Miriam, Camargo Novo e Itaim Paulista. Administrada pela Pró-Saúde desde 1998, a creche é equipada com salas amplas, parques com playground, casi- nhas de brinquedos para desenvolver atividades lúdicas e de aprendizado com os pequenos. Neste ano, por conta da Copa do Era uma vez... Aprendendo com a Copa Mundo da FIFA, os professores se engajaram na elaboração do “Projeto Nações”, que proporcionou às crian- ças conhecer, valorizar e respeitar as culturas dos diferentes povos e nacionalidades. “Foi muito gratifi- cante ver as crianças animadas e os pais participativos e empenhados em visitar não só o trabalho de seus filhos como de todos os alunos”, comenta Marizete Barbosa, diretora do CEI Jardim São Jorge. 24 RevistaNotíciasHospitalares
  • 25. Inaugurado em 2010, o Centro de Convivência do Idoso (CCI), em Agu- lha, distrito de Fernando Prestes (SP), atende de segunda à sexta-feira em período integral. “A ideia surgiu da necessidade de reintegrá-los à sociedade, já que muitos idosos ficam sozinhos e sem ativida- des recreativas”, explica Suzana Cavallini, coorde- nadora da unidade. Aos 91 anos, Pedro Pizzani é o aluno mais velho do CCI. “Aqui a gente se sente em uma grande família. Somos muito bem trata- dos e a comida é muito No Centro de Educação Infantil Jardim Eliane, em São Paulo (SP), os projetos educacionais são elabora- dos com base nas neces- sidades dos 144 alunos, que têm até 3 anos de idade. Além das atividades rotineiras, como contação de histórias e aulas de artes, há projetos para desenvolver a autonomia. Entre eles, o “Projeto Ali- mentação”, que incentiva a alimentação saudável. “As crianças não estavam con- sumindo legumes e frutas nas refeições. Por isso, co- meçamos a apresentar os Recomeço Brincando com a comida boa”, comenta. Maria Aparecida Pizzani, de 73 anos e viúva há 14, voltou a bordar e fazer pinturas em tecido graças ao CCI. Os idosos desenvolvem atividades, como aulas de alfabetização, educação física, pintura em tecido, coral, jardinagem, informática, além de passeios especiais. A Prefeitu- ra disponibiliza um ônibus para buscar e levá-los em segurança às suas casas ao fim do dia. alimentos em sala de aula por meio de histórias, desenhos e com os produtos em mãos para que eles pudessem manuseá-los”, explica Lúcia de Paiva, diretora da unidade. A partir de então, eles experimen- tam antes de recusar os alimentos e a aceitação das refeições aumen- tou muito. Outra ação foi a inserção dos pratos de vidros, ao invés de plástico, e garfos e facas, na refei- ção dos pequenos. 25 2ºSemestre/2014
  • 26. C om o objetivo de oferecer atenção à ges- tante e ao bebê desde o pré-natal até os cuidados com o recém-nascido, o programa “Mãe Curitibana” foi iniciado em 1999 na capital paranaense. Desde então, cresceu e colhe os frutos de seu sucesso. Curitiba (PR) conseguiu reduzir a mortalidade infantil para 8,8 óbitos a cada mil nascimentos, quando o aceito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é a taxa de até 10 óbitos a cada mil bebês nascidos vivos. Além disso, a cidade zerou o número de crianças menores de 13 anos que contraíram o vírus HIV em 2013, devido, principalmente, ao acompanhamento das gestantes soropositivas e, com isso a erradicação da transmissão vertical (da mãe para o filho). Segundo o coordenador do programa, o gineco- logista e obstetra Wagner Dias, o grande diferen- cial do “Mãe Curitibana” foi a elaboração de um protocolo de atendimento, recebido por todos os profissionais de saúde assim que entram para a rede. “Organizamos todas as patologias e hie- rarquizamos os atendimentos de acordo com as diretrizes da OMS. Assim, o ginecologista sabe quais exames e medicamentos deve prescrever, quando encaminhar a futura mãe para outro es- pecialista e se deve pedir uma segunda opinião, por exemplo.” Além disso, o programa prima pelo bem-estar da gestante, que é atendida no posto de saúde mais próximo de sua residência para realizar os exames do pré-natal. Outro ponto de destaque é que, logo na primeira consulta, ela re- PERFIL Carinho de mãe para filhoEntre as inovações do programa Mãe Curitibana estão a elaboração de um protocolo de atendimento, a determinação da maternidade em que a mãe fará o parto logo no começo da gestação e o acompanhamento da criança após seu nascimento. Wagner Dias, ginecologista e coordenador do programa Mãe Curitibana 26 RevistaNotíciasHospitalares
  • 27. Alessandra e a pequena Alanys recebem a visita da agente municipal de saúde cebe a carteira do pré-natal e já fica sabendo em qual maternidade será seu parto. Se durante a gestação é detectado algum pro- blema de saúde, como HIV, infecção de repeti- ção ou pressão alta, a mãe é encaminhada para outro especialista, que pode ser um nutricionis- ta, infectologista ou clínico geral, por exemplo, e tem consultas específicas na unidade de refe- rência onde será o seu parto. “Temos seis ma- ternidades disponíveis, sen­do que duas são es- pecializadas em partos de alto risco e recebem gestantes que precisam de um cuidado espe- cial”, explica o coordenador. “A atenção básica consegue atender 80% das mulheres e apenas 20% são encaminhadas para esses serviços de alto risco”, completa. Após o nascimento, o cuidado continua A auxiliar de salão de beleza Alessandra Costa, de 24 anos, segundo suas próprias pala- vras, não tem do que reclamar. Mãe da pequena Alanys, de quatro meses, ela comprova a eficiência do programa. “Sem- pre fui muito bem atendida. Os médicos me explicavam sobre todos os exames que eu pre- cisava fazer, tiravam minhas dúvidas. Agora, as meninas ficam loucas atrás de mim para avisar sobre as consultas da minha filha”, diz ela rindo, que explica logo em seguida: “eu me mudo muito, mas elas sempre me acham”. As “meni- nas” são as agentes comuni- tárias de saúde, que são res- ponsáveis por visitar as mães e verificar se as consultas dos pequenos com o pediatra e com o dentista estão em dia. Elas tam­bém checam a cartei- rinha de vacinação dos bebês e dão dicas sobre aleitamento materno e alimentação saudá- vel para toda a família. Para Dias, o sucesso do pro- grama está na cooperação entre os profissionais envolvi- dos. “O ‘Mãe Curitibana’ ser- viu como exemplo para muitos outros ‘Mães’, tanto no Brasil quanto no exterior. Claro que cada região vai ter a sua espe- cificidade, suas dificuldades a serem vencidas. Mas, o mais importante, é ter o compro- metimento de todos. Aqui, em Curitiba, a gente consegue ter uma equipe de saúde bem em- penhada, independente do go- verno. Esse é o grande motivo da nossa vitória”, finaliza. número de mulheres atendidas anualmente pelo programa Mãe Curitibana. unidades básicas de saúde dis- poníveis para as gestantes realiza- rem o pré-natal e coletarem material para exames laboratoriais. nenhuma criança menor de 13 anos foi infectada pelo vírus HIV em 2013. No ano anterior, apenas três casos foram registrados. por cada mil nascidos vivos é a taxa de mortalidade infantil de Curitiba. Em 1999, ano de início do programa, a taxa era de 60 óbitos a cada mil nascimentos. 20 mil 109 0 8,8 27 2ºSemestre/2014
  • 28. S egundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tipo de câncer mais comum entre as brasileiras é o de mama. Eles representam 21% dos novos casos da doença em 2014. Em terceiro lugar, fica outro tumor ginecológico, o de colo de útero, com 6%. Ainda na lista dos 10 tipos de cânceres que mais acometem mulheres, o de ovário fica em sétimo lugar na lista, com 2%. Enquanto que a incidência de câncer de mama no Brasil segue a mesma tendência mundial, no caso do tumor de colo de útero há uma peculiaridade: “No interior dos estados do Norte e Nordes- te de nosso país, o índice é muito maior do que em outras regiões e do que do resto do mundo”, afirma Marcos Fraga Forte, coordenador da onco- logia do Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém (PA), administrado pela Pró-Saúde, referência em oncologia para o Norte do país. Ainda de acordo com Forte, isso ocorre por que nessas regiões é mais difícil para a população ter acesso à saúde. “Esse é um tipo de câncer que pode ser pre- venido facilmente, por meio de exames ginecológicos. Porém, para essas mulheres, o acesso à rede básica é complicado, ainda precisamos melhorar nesse ponto”, expli- ca ele. Moradora da cidade de Óbidos (PA), que fica às margens do Rio Amazonas, Neila Passos da Silva, de 33 anos, afirma que não frequen- tava o ginecologista e apenas depois de alguns sintomas incômodos resolveu procurar um médico. Após o diagnósti- co positivo de câncer de colo de útero, a dona de casa e mãe de cinco filhos passou por tratamento no HRBA. “Estou ficando em uma casa de apoio do hospital aqui em Santarém, enquanto não tenho alta, pois minha cidade fica muito longe”, explica Neila. Ela já recebeu a notícia que não há mais vestígios da doença em seu organismo, mas ainda precisa fazer acompanha- mento, para garantir que as células cancerígenas não atingiram outros órgãos. De acordo com Forte, a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), que passou a fazer parte do calendário na- cional em 2014, irá contribuir para diminuir esses números, já que o câncer de colo de útero está diretamente ligado ao HPV. 28 RevistaNotíciasHospitalares Dos dez tipos de cânceres que mais acometem as mulheres, três deles são ligados ao aparelho reprodutor feminino e mamas. Prestar atenção ao próprio corpo e realizar exames periódicos são as maneiras mais eficazes de prevenir e combater a doença Conheça seu próprio corpo e evite o câncer ginecológico ESPECIALIDADES
  • 29. Conheça o HPV A principal forma de transmissão do vírus do pa- piloma humano (HPV) é via relação sexual, mas há outras formas de contagio, como entre mãe e bebê durante a gravidez ou no parto. Inicialmente sem sintomas, quando não tratada a infecção por HPV pode evoluir para um quadro de câncer de colo de útero. Exames preventivos de rotina aliados à va- cina contra o vírus são formas de evitar a doença. “A inclusão da vacina contra o HPV no calendário do SUS é muito importante para reduzir a sua transmissão. Ao alcançar uma elevada cobertura vacinal observaremos uma maior proteção contra a incidência do câncer de útero”, afirma a médica Helena Sato, diretora de imunização da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Mama: Aparição de nódulos na mama e nas axilas, descarga papilar (saída de leite), retração da mama ou da pele, alteração no formato da mama ou do mamilo e perda de peso. Vale ressaltar que tumores no estágio inicial são difíceis de serem detectados, por isso, exames como ultrassonografia e mamografia são fundamentais para mulheres com mais de 50 anos. Colo do útero: Secreção vaginal de ca- racterística sanguinolenta e corrimento. Se o tumor for evoluído, pode haver infecção associada e obstrução das vias urinárias. Quando detectado cedo, a chance de cura é quase de 100%. Por isso, é essencial fazer o exame papanicolau regularmente, além de vacinar as meninas que ainda não iniciaram a vida sexual contra o HPV. Confira os principais sintomas dos tumores ginecológicos. Se apresentar algum deles, procure um médico. Ele irá pedir os exames necessários e, caso haja a confirmação do diagnóstico, vai indicar o melhor tratamento. Ovário: Inchaço, obstrução urinária, consti- pação, aumento de gases, dor pélvica ou abdominal e perda de peso. Por ser o tipo de câncer ginecológico mais difícil de ser detectado, mulheres com fatores de risco devem ficar atentas. São eles: maior quan- tidade de menstruações (menarca cedo e menopausa mais tarde), histórico familiar e obesidade. Vulva: Lesões ou ulcerações que não curam ou demoram a cicatrizar e coceira. É um tipo raro de câncer que também é associado ao HPV, na maioria dos casos. É mais comum em mulheres com mais de 70 anos e pode ser facilmente detectado em exames ginecológicos regulares. Corpo do útero ou de endométrio: Sangramento ou corrimento vaginal após a menopausa. O tumor de endométrio ocorre, na maioria das vezes, em mulheres com idade entre 60 e 70 anos de idade. Obesidade, diabetes, dieta rica em gordu- ras e falta de exercícios físicos são fatores de risco para esse tipo de câncer. Fonte: Marcos Fraga Forte - HRBA Prevenção é a palavra-chave Para a prevenção de todos os tipos de tu- mores femininos, a visita regular ao gineco- logista é fundamental. “O que chamamos de prevenção secundária, que é a detec- ção do carcinoma em seu estágio inicial, é muito importante para aumentar as chan- ces de cura. Por isso, a mulher deve procu- rar seu médico pelo menos uma vez ao ano ou sempre que perceber alguma mudança em seu corpo”, alerta o oncologista, que finaliza: “Além disso, a prevenção primária, que é evitar que o tumor apareça, pode ser feita com hábitos de vida saudáveis, como alimentação balanceada, prática de exercí- cios físicos e não fumar”. 29 2ºSemestre/2014
  • 30. Como na maioria dos tipos de cân- ceres, quanto mais cedo for des- coberta, maiores são as chances de eliminar totalmente a doença. “A cura do melanoma acontece em 90% dos casos. Principalmente se o tumor ainda estiver em sua fase inicial”, diz a dermatologista. Os sinais do câncer de pele são sutis, por isso, é necessário pres- tar atenção ao próprio corpo. “O melanoma pode aparecer de vários jeitos, como manchas e pintas que aumentam de tamanho de uma hora para outra ou que têm bordas irregulares e machucados que não cicatrizam. Caso a pessoa apre- sente qualquer um dos sintomas ou outro tipo de alteração na pele, deve procurar um dermatologista”. Evitar a exposição solar entre 10h e 16h, proteger-se dos raios UV com filtros solares, chapéus e bonés e não utilizar máquinas de bronzea- mento artificial são as melhores for- mas de evitar a doença. O tratamento indicado para o me- De olho nas pintas O melanoma não é o tipo de câncer de pele mais comum e representa apenas 10% dos casos. Porém, é o mais agressivo, pois tem altas chances de metástase – quando células cancerígenas se desprendem do tumor primário e se espa- lham pelo corpo. “O carcinoma do tipo melanoma pode apa- recer de vários jeitos. Por isso, quem tem predisposição, precisa ficar atento”, alerta a dermatologista do Hospital de Urgência da Região Sudoeste, em Santa Helena de Goiás (GO), Renata Asmar. “Pessoas com mais de 50 anos de idade, com pele e olhos claros, que se expõe ao sol ou que tenham contato com agentes químicos estão mais sujeitas a desenvolver esse tipo de doença”, completa. O melanoma é o tipo de câncer cutâneo mais agressivo. Mas, quando diagnosticado precocemente, tem grandes chances de cura Questão de pele 30 RevistaNotíciasHospitalaresPREVENÇÃO
  • 31. Não melanomas O câncer de pele do tipo não melanoma será o de maior incidência na população brasileira em 2014, com a possibilidade de 182 mil novos casos, segundo previsão do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Entre eles, se destacam os carcinomas basoce- lular e o espinocelular. De acordo com Renata Asmar, o carcino- ma basocelular é o subtipo de câncer de pele mais comum, com 70% dos casos. A boa notícia é que esse também é o menos perigoso (dificilmente há metástase). Mas, nem por isso, deve ser tratado com me- nos cuidado. “Ele manifesta como uma pápula, uma bo- linha, superficial, lisa, brilhante, com bor- das perolada, finas e com telangectasias, que são vasos sanguíneos bem finos”, es- clarece a médica. Ela ainda explica que, em sua evolução, o tumor pode se trans- formar em uma úlcera ou ferida. O segundo subtipo de maior incidência é o carcinoma espinocelular, que represen- ta cerca de 20% dos casos. Ele aparece como um nódulo de cor avermelhada, com descamação ou crostas e pode ha- ver vazamento de líquido. Muitas vezes, parece um machucado que não cicatriza. Os tratamentos dos dois subtipos de carcinoma são basicamente os mesmo: cirurgia para a retirada da lesão e do te- cido ao redor, com a margem de segu- rança. O médico irá analisar o caso e, se houver necessidade, pode indicar outros tipos de terapias. Vale ressaltar que para evitar esses tipos de cânceres de pele, os cuidados são iguais aos do melanoma: evitar a exposi- ção ao sol, fazer o autoexame e visitar o dermatologista uma vez ao ano ou quando apresentar algum sintoma suspeito. lanoma é a cirurgia para a retirada da lesão. “É muito importante que o médico retire en- tre 0,5 e 1 centímetro a mais de tecido em volta do tumor, o que chamamos de margem de segurança. Dessa forma, temos certeza que todas as células cancerígenas foram eli- minadas”, explica a especialista. Outros tra- tamentos também podem ser prescritos, de acordo com cada caso. 31 2ºSemestre/2013
  • 32. É durante essa época do ano que muitas famílias brasileiras aproveitam as férias escolares e se programam para viajar. Qualquer que seja o destino escolhido, alguns cuidados são indispensáveis, como usar o filtro solar adequado e ficar de olho nas crianças. Já em locais com praias, rios ou piscinas é preciso redobrar os Associada pela maioria das pessoas à alegria e diversão, é durante essa estação que grande parte dos brasileiros resolve curtir as férias e aproveitar os dias de sol em parques, na praia ou clubes. Porém, é preciso ter alguns cuidados para evitar problemas, como queimaduras, desidratação e afogamentos Ah, o verão! cuidados: casos de afoga- mento e de crianças perdidas aumentam consideravelmente no verão. Segundo o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, foi durante a última Operação Praia Segura, de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014, que aconteceram mais de 40% das mortes por afogamento no litoral paulista. Além disso, por trás de um simples petisco à beira mar, pode haver uma intoxicação alimentar em potencial! Mas calma, com alguns cuidados é possível curtir os dias enso- larados sem maiores trans- tornos. Confira as dicas do Corpo de Bombeiros e de Luiz Santoro Neto, clínico geral e diretor assistencial do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, do Rio de Janeiro. No litoral paulista, Operação Praia Segura, do Corpo de Bombeiros, orienta banhistas 32 RevistaNotíciasHospitalaresUTILIDADEPÚBLICA
  • 33. Cuidado com o sol O herói do verão, o sol, tam- bém pode ser o seu maior vi- lão. Os raios ultravioletas (UVA e UVB) causam queimaduras, envelhecimento precoce e até mesmo câncer de pele. “Controlar a exposição ao sol é muito importante. A utiliza- ção de filtro solar com FPS 30 ou mais e não se expor entre 10h e 16h são cuidados fundamentais”, ressalta Luiz Santoro Neto, clínico geral e diretor assistencial do Hospi- tal Estadual Adão Pereira Nu- nes, do Rio de Janeiro (RJ). O médico também explica que o filtro deve ser reaplicado a cada duas horas e após en- trar na água ou suar demais. E atenção: mesmo debaixo do guarda-sol é preciso usar o filtro solar, pois, os raios raios UV são refletidos pela areia da praia ou pelo piso e causam os mesmos danos da exposição direta. Cuidado com o prato Na hora de comer fora de casa, é preciso ficar de olho em alguns detalhes. “Todo alimento que estiver exposto à irradiação solar não deve ser consumido. Aquele camarão, servido em bandejas na beira da praia, nem pensar!”, alerta o médico. Ele explica que a comida deve estar armazena- da corretamente e refrigerada para poder ser consumida, já que, por causa do calor, pode estragar mais facilmente. Além disso, é importante prestar atenção na higiene do local antes de comer. E, no caso de sintomas como diarreia ou vômito, principalmente se estiverem acompanhados de febre, procure um serviço médico imediatamente. Muita água! É recomendada a ingestão de dois litros de água, em média, diariamente para adultos, para repor as perdas do organis- mo. Durante a exposição ao sol ou na prática de espor- tes, principalmente em dias quentes, a perda de líquidos é ainda maior. “É fundamental a hidratação contínua com a ingestão de líquidos, que po- dem ser água, água de coco ou bebidas isotônicas, que também repõem a perda de sais minerais”, alerta Santoro Neto. Além disso, se você sofreu com o excesso de sol, tomar água ajuda a melhorar os sintomas da insolação. “A hidratação por via oral também é muito importante nesses casos. Usar cremes, loções ou spray hidratantes podem dimi- nuir o desconforto e a verme- lhidão”, resume. Vale lembrar que o efeito do sol é cumula- tivo, ou seja, sintomas como manchas, envelhecimento e pintas, só pioram com o tempo. Por isso, todo cuidado é pouco! 33 2ºSemestre/2014
  • 34. UTILIDADEPÚBLICA “Água no umbigo, sinal de perigo” Esse é um ditado bastante popular entre os guarda-vi- das. Karoline explica que, na praia, a água nunca deve ul- trapassar a linha do umbigo. “Até essa altura o banhista consegue voltar para a areia e não corre o risco de se afo- gar”, explica ela, que ressalta: “Respeite a sinalização e as orientações do guarda-vidas, pois ele pode ver o perigo onde os leigos não perce- bem, como uma corrente de retorno”. Essas correntes levam a água de volta para o mar e são nelas em que ocorrem 80% dos afogamen- tos. “Evitar o excesso de ál- cool é importante, porque a maioria das pessoas que se afogam ingeriu bebidas alcoólicas”, finaliza. De olho nos pequenos Segundo o Corpo de Bom- beiros do Estado de São Paulo, cerca de 800 crianças se perdem anualmente nas praias, 700 delas apenas entre os meses de dezembro e fevereiro. “A criança pode ir até a água e, por causa da multidão, não encontrar seu caminho de volta. Por isso, ela deve estar sempre acompa- nhada de um adulto”, alerta a Tenente Karoline Burunsizian, chefe do Setor de Comunica- ção Social do Grupamento de Bombeiros Marítimo. “No lito- ral paulista, nós distribuímos pulseirinhas para que os pais escrevam um telefone de con- tato. É muito importante que elas usem”. Os pais podem colocar nos pequenos outras pulseiras de plástico com as informações ou qualquer outro tipo de identificação. Outra dica de Burunsizian é que, assim que a criança tenha idade suficiente, ela decore o nome dos pais e um número de telefone para contato. Xô, perebas As temperaturas altas fazem com que a quantidade de suor aumente e locais úmidos e quentes são o habitat ideal para fungos e bactérias. Com isso, pode haver o apareci- mento de micoses. Santoro Neto explica: “Nessa época é preciso prestar ainda mais atenção à pele. Manchas que não são habituais com coceira e que estejam principalmente em regiões com mais contato com areia ou solo e articula- ções e dobras, entre os dedos e virilha, por exemplo, são um sinal de alerta”. Por isso, use sempre uma toalha ou canga ao se sentar em cadeiras de clube ou na areia e procure não passar muito tempo com roupas de banho molhadas. Se apresentar qualquer um dos sintomas, procure um médico dermatologista. 34 RevistaNotíciasHospitalares
  • 35.
  • 36. MAIS DE 45 ANOS CUIDANDO DA SAÚDE DOS BRASILEIROS WWW.PROSAUDE.ORG.BR