Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Centro das Ciências Exatas e Tecnologia
Faculdade de Matemática, Física e Tecnologia
TECNOLOGIA E MIDIAS DIGITAIS
Narrativa documental e Hipermídia
A construção de um webdocumentário
Rodrigo de Brito Silva
São Paulo – SP
2013
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Centro das Ciências Exatas e Tecnologia
Faculdade de Matemática, Física e Tecnologia
TECNOLOGIA E MIDIAS DIGITAIS
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
Narrativa documental e Hipermídia
A construção de um webdocumentário
Trabalho apresentado para à banca examinadora
do curso de Tecnologia e Mídias Digitais da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
como parte dos requisitos para a obtenção do
titulo de Bacharel em Tecnologia e Mídias Digitais.
Orientador: Profa
. Dra. Ana Maria Di Grado Hessel
São Paulo – SP
2013
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Centro das Ciências Exatas e Tecnologia
Faculdade de Matemática, Física e Tecnologia
TECNOLOGIA E MIDIAS DIGITAIS
Narrativa documental e Hipermídia
A construção de um webdocumentário
Banca Examinadora
Profa
. Dra. Ana Maria Di Grado Hessel
Orientadora
_______________________________
Profº. Mário Madureira Fontes
Componente da Banca Examinadora
_______________________________
Profa
. Dra. Maria da Graça Moreira
Componente da Banca Examinadora
_______________________________
4!
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todos que de alguma forma contribuíram em minha formação,
desde meus amigo que me influenciaram e inspiraram, até minha família que
sempre esteve ao meu lado incentivando e dando forças. Aos professores da
PUC-SP pela paciência, atenção e encorajamento na busca por resultados mais
criativos e inovadores.
Um agradecimento especial a minha namorada Patrícia, que sempre esteve ao
meu lado, mesmo nos momentos de impaciência e sempre me incentivou e
contribuiu para o meu crescimento.
5!
“Posso não ter ido aonde queria ir, mas
creio que estou exatamente onde
deveria estar”
Douglas Adams
RESUMO
A fim de analisar e compreender os impactos da hipermídia sobre uma
narrativa documental, produzimos um webdocumentário sobre o tema Abuso
sexual infantil e pedofilia. Todo o trajeto, desde a decisão do tema,
construção do roteiro, montagem e desenvolvimento da plataforma estão
registrado neste projeto.
A narrativa documental diferencia-se das narrativas ficcionais
justamente por tratar acontecimentos reais, por representar o mundo em que
vivemos e não um mundo imaginativo. Ela é um tratamento criativo da
realidade. O documentário, leva ao espectador a visão do documentarista
sobre algo. Porém existem variações nesta relação, por vezes o
documentarista faz parte do que está sendo tratado, ou o expectador integra
o tema abordado, ou até mesmo esta relação pode ser tema da discussão.
Uma das formas de se estruturar uma narrativa documental, é
compreende-la como um discurso, a fim de persuadir o público da mensagem
pretendida. Logo, para desenvolver este discurso, podemos utilizar as
técnicas retóricas. A maneira como essas técnicas são utilizadas, influenciam
diretamente na montagem do filme, originando assim, diversos tipos de
documentários.
Com o avanço tecnológico, os recursos disponíveis para se contar uma
história foram multiplicados. A hipermídia trouxe novos modos de se
apresentar, acessar e, até mesmo, interagir com a história. Os jogos digitais
são um ótimo exemplo de como a interação e não-linearidade podem
transformar a maneira de se criar uma narrativa ficcional.
PALAVRAS-CHAVE:
Narrativa Documental; Discurso; Hipermídia.
7!
ABSTRACT
In order to analyze and understand the impacts of the hypermedia in a
documental narrative, we developed a web-documentary regarding the topic
Infantile Sexual Assault and Pedophilia. All the performed steps including the
topic’s choice, screenplay, building and the platform development are
registered in this project.
The documental narrative is different from fiction narratives exactly
because it deals with real facts, representing the real world where we live in
rather than an imaginary one. It is a creative approach of reality. The
documentary brings to the spectator the documentarian’s view about a
subject. However, there are many variants regarding this approach: the
documentarian might be part of the subject being treated or the spectator
joins the subject, and also, this relationship might be the subject under
discussion.
One of the ways to build the documental narrative, is to understand it
as a discourse, in order to convince the audience about the desired message.
To develop this speech we can use rhetoric techniques. The way these
techniques are used directly affects the film building, generating, thus, many
kinds of documentaries.
Due to the technological advance, the available resources to tell and story
have increased. The hypermedia brought us new ways to present, access and
even interact with the story. The digital games are an excellent example
about how the interaction and nonlinearity may change the way of creating
and fiction narrative.
KEY-WORDS:
Documental Narrative, Speech, Hypermedia
8!
SUMÁRIO
Lista&de&Figuras................................................................................................................... 10!
Introdução............................................................................................................................ 12!
Apresentação .................................................................................................................................12!
Objetivos..........................................................................................................................................13!
Justificativa.....................................................................................................................................13!
Metodologia.................................................................................. Error!!Bookmark!not!defined.!
Estrutura&do&Trabalho ................................................................................................................14!
1.&O&documentário.............................................................................................................. 16!
1.1&Um&exercício&de&definição ..................................................................................................16!
1.2&Eu&falo&deles&pra&você,&a&relação&entre&cineasta,&tema&e&público...........................20!
1.3&Documentário,&a&voz&do&orador........................................................................................24!
1.4&Tipos&de&documentário .......................................................................................................29!
2.&A&hipermídia&como&forma&de&conduzir&uma&narrativa ..................................... 36!
2.1.&O&livroRjogo,&A&cidade&dos&ladrões ..................................................................................37!
2.2.&Vídeo&interativo,&Choose&a&different&ending.................................................................39!
2.3.&Os&vídeoRgames,&The&last&of&us .........................................................................................40!
3.&Memorial&descritivo:&A&construção&do&webdocumentário .............................. 43!
3.1.&Escolha&do&formato&e&análise&de&webdocumentários&existentes..........................43!
3.1.1.!Brèves!de!trottoirs!–!As!celebridades!do!dia;a;dia .........................................................44!
3.1.2.!Filhos!do!Tremor:!Crianças!e!seus!direitos!em!um!Haiti!desvatado........................48!
3.2.&Desenvolvimento&do&préRroteiro ....................................................................................52!
3.3.&Perfil&dos&entrevistados .....................................................................................................56!
3.3.1.!Antonia!Bielecky,!vitima .............................................................................................................57!
3.3.2.!Antonio!Serafim..............................................................................................................................58!
3.3.3.!Breno!Rosostolato..........................................................................................................................59!
3.3.4.!Dalka de Almeida Ferrari..........................................................................................................60!
3.3.5.!Deivid!Couto.....................................................................................................................................61!
3.3.6.!Edileuza Teixeira Jesus,!vitima.............................................................................................62!
3.3.7.!Fátima Panangeiro.......................................................................................................................63!
3.3.8.!Helena Hirata..................................................................................................................................64!
3.3.10.!Irani,!vitima ....................................................................................................................................66!
3.3.11.!Jonatas!Lucena..............................................................................................................................67!
3.3.12.!Juliana,!vitima (nome fictício) ..............................................................................................68!
3.3.13.!Karen Luana,!vitima..................................................................................................................69!
3.3.15.!Márcia!Longo,!vitima..................................................................................................................71!
3.3.16.!Marjori!de!Lima!Macedo...........................................................................................................72!
3.3.17.!Rafaella Rizzo..............................................................................................................................73!
3.3.19.!Sílvia!Chakian................................................................................................................................75!
3.3.20.!Fala!Povo.........................................................................................................................................76!
3.4.&Gravações&e&equipamentos&utilizados...........................................................................83!
3.5.&Custos .......................................................................................................................................87!
3.6.&Design&das&telas&e&programação ......................................................................................88!
3.7.&Roteiro,&montagem&e&edição.............................................................................................95!
9!
6.&Considerações&Finais..................................................................................................101!
8.&Referencias&Bibliográficas........................................................................................102!
9.&Filmografia.....................................................................................................................104!
10.&Anexos...........................................................................................................................105!
10!
Lista de Figuras
Figura 1: Fotograma do filme Forrest Gump (1994)............................... 17
Figura 2: Imagem de divulgação do documentário Pixo. ......................... 22
Figura 3: Fotograma do documentário Quebrando o Tabu (2011). ............. 23
Figura 4: Fotograma do filme 30 anos da união das mulheres de SP (2011)... 27
Figura 5: Fotograma do documentário Pacific (2009)............................. 28
Figura 6: Fotograma do documentário Ilha das Flores (2009). .................. 29
Figura 7: Fotograma do Documentário Poético de Porto Alegre (2012)........ 30
Figura 8: Fotograma de Criança - A alma do negócio (2011). ................... 31
Figura 9: Fotograma de Cabra marcado para morrer (1985). ................... 33
Figura 10: Fotograma de Jogo de Cena (2007)..................................... 34
Figura 11: Fotograma de Um Filme sobre o Amor (2012). ....................... 35
Figura 12: Ilustração de capa do livro A cidade dos ladrões (2012). ........... 38
Figura 13: Choose a different ending (2009). ...................................... 40
Figura 14: Imagem promocional de The last of us (2013). ....................... 41
Figura 15: Página inicial do webdocumentário Brèves de trottoirs............. 45
Figura 16: Opçnao de página inicial, Brèves de trottoirs......................... 45
Figura 17: Página do personagem Stephen Couronner............................ 46
Figura 18: Diagrama de fluxo do documentário Brèves de trottoirs (2011). .. 47
Figura 19: Página inicial do webdocumentário Filhos do Tremor. .............. 48
Figura 20: Capítulo “O direito à Vida” com mapa interativo. ................... 49
Figura 21: Capítulo “O direito à Vida” com opção “Leia a integra”............ 50
Figura 22: Capítulo “O direito à Vida” após termino do vídeo. ................. 50
Figura 23: Gravação com Rafaella Rizzo e Márcia Longo......................... 84
Figura 24: Mapa de posicionamentos das câmeras. ............................... 85
Figura 25: Fotogramas utilizados como planos de fundo do site. ............... 86
Figura 26: Fotografias feitas durante a gravação no Parque do Ibirapuera ... 86
Figura 27: Fotografias feitas durante a gravação e fotograma.................. 87
Figura 28: Proposta de design da home do webdocumentário.................. 89
Figura 29: Proposta de design de tela do webdocumentário. .................. 89
Figura 30: Proposta de design da tela dois do webdocumentário.............. 90
Figura 31: Design da tela de seleção de capítulos do webdocumentário. .... 91
11!
Figura 32: Tela de visualização do capítulo com interações laterais.......... 92
Figura 33: Proposta de tela de material extra. ................................... 92
Figura 34: GC para identificação o entrevistado. ................................ 97
Figura 35: Inserção de vídeo com créditos. ....................................... 97
Figura 36: Inserção de reportagem policial com créditos. ...................... 98
Figura 37: Ilustração sobre vídeo do bloco C1. ................................... 99
Figura 38: Titulo do bloco A1. ....................................................... 99
12!
Introdução
Apresentação
A hipermídia fez com que novas possibilidades de contar uma história
surgissem, tornando a maneira de contá-las mais complexa (Gosciola, 2003,
p.17). Agora as histórias podem ser apresentadas por diversos pontos de vista,
existem possibilidades de interferência na narrativa, com opções de
continuidade e descontinuidade, não-linearidade e muito mais.
Com os jogos digitais é o jogador/interator que está tomando as
atitudes e sofrendo as consequências. Ele não está somente lendo sobre um
acontecimento passado; o fato está acontecendo agora e, diferentemente de
uma ação teatral, está acontecendo com o próprio jogador (Murray, 2003,
p.86). O jogador não está apenas torcendo para que uma narrativa termine
bem, ou mal, ele está pensando e agindo, para cumprir um objetivo próprio.
Isso muda significativamente sua relação com a história ali apresentada, e
agora vivenciada.
Diferente das narrativas ficcionais, uma narrativa documental mostra o
mundo em que vivemos e não um mundo imaginativo. Neste aspecto, os
documentários diferem, de maneira significativa, dos vários tipos de ficção,
como o terror, aventura, melodrama, ente outros (Nichols, 2008, p.17). Este
cenário aponta para um questionamento: Quais os impactos da hipermídia
em uma narrativa documental?
Baseando-se em livros que estudam os elementos que compõem uma
narrativa documental, buscamos utilizar características da hipermídia, como
interatividade e não-linearidade, para compor um webdocumentário sobre o
tema abuso sexual infantil e pedofilia.
13!
Objetivos
O objetivo primordial desta pesquisa é produzir uma narrativa
documental em hipermídia, utilizando recursos como interatividade e não-
linearidade, para melhor apresentar o conteúdo proposto. Utilizando de
recursos como áudio, fotos e vídeos, pretendemos construir uma plataforma
que o usuário possa navegar por informações relacionadas ao universo do
tema proposto. Para alcançar o objetivo principal, temos objetivos
secundários que irão nos guiar nesta jornada, são eles:
- Compreender os principais conceitos que envolvem a narrativa
documental, os elementos que a compõem e as possibilidades de produção;
- Planejar e desenvolver um pré-roteiro, que leve em consideração
todas as possibilidades de navegação do usuário pelos aspectos relevantes do
tema.
- Desenvolver uma plataforma que permita a acomodação da narrativa
desenvolvida e todos os materiais agregados a ela.
Justificativa
Ao buscar por webdocumentários existentes, percebemos que muitos
apenas dividem seu conteúdo em capítulos que podem ser acessados
alternadamente, ou limitam-se a disponibilizar mais de um tipo de conteúdo
sobre o tema, como fotos, vídeos, textos etc. Este projeto propõe criar um
ambiente onde todos conteúdos estejam relacionados e acessíveis de forma
agradável e atraente ao usuário. Pretendemos encontrar a melhor forma de
apresentação do conteúdo para o público, sem que a narrativa perca sua
construção dramática (Comparato, 2009, p. 111).
Percurso metodológico
Em função do campo de pesquisa se constituir da análise das narrativas
documentais e como a hipermídia pode influenciar em sua constituição,
14!
pretendemos estudar a estrutura das narrativas documentais. As principais
obras utilizadas nesta etapa são “Da criação ao roteiro” de Doc Comparato e
“Introdução ao documentário” de Bill Nichols. Faremos um breve
apontamento sobre a definição de hipermídia, exemplificando com algumas
obras. Os principais autores utilizados serão Lucia Santaella, com o livro
“Matrizes da linguagem e pensamento” e Janet Murray, com o livro “Hamlet
no Holodeck”. Posteriormente analisaremos alguns webdocumentários
existentes e disponíveis na internet. Temos a intenção de identificar quais
recursos foram melhor utilizados e quais mais ajudaram na assimilação do
conteúdo e construção da narrativa.
Com base nas informações adquiridas produzimos um pré-roteiro, que
servirá como material orientativo, um ponto de referencia para o trabalho e
filmagem (Comparato, 2009, p. 328) e desenvolvimento da plataforma que irá
acomodar o webdocumentário. Após a análise de todo material coletado,
partimos para a criação do um roteiro definitivo. Podendo assim iniciar o
processo de montagem e edição dos vídeos e posterior categorização e
publicação do material, para enfim compormos o webdocumentário
propriamente dito. O resultado deste projeto, o webdocumentário Um novo
olhar, foi disponibilizado de forma gratuita na internet e terá seu
desenvolvimento focado para utilização em desktops.
Estrutura do Trabalho
A divisão do trabalho apresenta-se da seguinte forma:
1. O capítulo 1 identifica as característica de uma narrativa documental,
analisa a relação entre cineasta, tema e público. Investiga a estrutura
do discurso da narrativa documental através de técnicas retóricas e
apresenta os principais tipos de documentários existentes.
2. O capítulo 2 define o que é hipermídia, segundo os autores
selecionados e demonstra os conceitos discutidos através de obras em
hipermídia.
15!
3. O capitulo 3 é um registro do trajeto percorrido na produção do
webdocumentário Um novo Olhar, abuso sexual infantil e pedofilia, da
análise de webdocumentários existentes, até a publicação de todo
material desenvolvido, gratuitamente na internet.
4. Considerações finais. Descrevemos quais as maiores dificuldades e
superações encontradas na produção do webdocumentário e como os
conhecimentos adquiridos durante a pesquisa auxiliaram em sua
criação.
1. O documentário
1.1 Um exercício de definição
O documentário é uma forma de se fazer cinema que desperta
interesse de muitos estudiosos e espectadores por, entre outros motivos,
abordar o mundo em que vivemos e não um mundo imaginado pelo cineasta
(NICHOLS, 2012, p. 17). Esta característica diferencia de forma significativa o
documentário de outros gêneros cinematográficos, como a ficção cientifica,
terror, aventura, melodrama etc. Alguns pesquisadores preferem intitular
este gênero como “filmes de não-ficção”, já que apenas retratam eventos ou
situações que ocorreram ou existiram no mundo real (OLIVEIRA; CARMO-
ROLDÃO; BAZI, 2006, p. 7).
O termo documentário foi utilizado pela primeira vez na década de
1920 pelo sociólogo John Grierson no jornal The New York Sun ao comentar os
filmes de Robert Flaherty, definindo o documentário como o “tratamento
criativo da realidade” (OLIVEIRA; CARMO-ROLDÃO; BAZI, 2006, p. 7). Porém a
discussão sobre o que realmente pode ser considerado um documentário ainda
é feita e algumas obras inflamam o debate dos limites entre ficção e não-
ficção (NICHOLS, 2012, p. 17). Reality shows como Big Brother Brasil1
e Os
vídeos mais incríveis do mundo2
, permitem a televisão explorar, de forma
mais elevada, a sensação de autenticidade documental e espetáculo
melodramático simultaneamente.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
1
A seguir parte da definição do programa, segundo site oficial da empresa criadora: “Doze pessoas, que
nunca conheceram-se, de repente são enviadas ao Big Brother, casa onde eles devem compartilhar cada
minuto nos próximos 100 dias. Em seu cativeiro eles negam qualquer contato com seus entes queridos, e
com o mundo exterior. Não há telefones, jornais, rádios ou televisões. Estão todos em paz... exceto para
os milhões assistindo e julgando todos os seus movimentos” (tradução nossa). Texto integral disponível
em: <http://www.endemol.com/programme/big-brother>. Acesso 27 set. 2013.
2
Segundo o site oficial do programa “Os Vídeos Mais Incríveis do Mundo é o melhor reality show feito
com um apanhado de vídeos não encenados, com cenas de acelerar o coração, mais cheias de ação que
você já viu! Explosões reais, acidentes, perseguições policiais selvagens, carros de corrida fora de
controle e acrobacias mal sucedidas, tudo isso vai elevar sua adrenalina. Não só você vai se surpreender
com as imagens, mas ouvirá as pessoas que vivenciaram essas provações incríveis. A cada semana, mais
de uma dúzia de histórias da vida real são contadas pelas pessoas que enfrentaram a sua hora mais
desesperada...e viveram para contar isso” (tradução nossa). Texto integral disponível em:
<http://www.nashentertainment.com/television/worldsmostamazingvideos/about.html>. Acesso 27 set.
2013.
17!
Muitos filmes de ficção utilizam recursos comumente utilizados pelos
documentários para dar credibilidade a suas histórias. Em A bruxa de Blair
(1999), Eduardo Sanchez e Daniel Myrick utilizam câmeras portáteis para
transmitir a sensação de um registro de uma situação real, além de um site
com informações preliminares sobre a bruxa de Blair, com testemunhos de
especialistas e referencias a pessoas e acontecimentos reais, tudo para vender
o filme como não-ficção. Forrest Gump: o contador de histórias (1994), causa
um fascínio diferente nos expectadores, pois testemunhamos a vida do
personagem, quando ele parece pertencer ao mesmo mundo histórico que o
nosso (NICHOLS, 2012, p. 17).
Figura 1: Fotograma do filme Forrest Gump (1994).
A característica básica do documentário é que ele busca suas imagens
em situações reais, porém sempre trará o ponto de vista do documentarista
sobre uma determinada situação ou assunto. As imagens captadas são
escolhidas e ordenadas com o objetivo de, sem garantia de êxito ou controle,
transmitir um determinado significado (CASTRO, 2005, p. 1). No texto A
poesia do filme, o filósofo e crítico de arte Herbert Read afirma que:
O cinema produz seus efeitos mediante imagens projetadas.
Essas imagens, lançadas na tela, estão, de imediato,
associadas com as imagens armazenadas na memória do
18!
espectador e, através de suas disposições e associações, fluem
as emoções de surpresa, encanto, prazer, orgulho ou tristeza
que sentimos nas salas de espetáculo. (Grünnewald, 1969,
apud CASTRO, 2005, p.1).
Esta afirmação refere-se ao cinema, mas todas as considerações feitas
podem ser aplicadas aos documentários. Mesmo quando as imagens são
buscadas no mundo real, o modo que elas são enquadradas e dispostas, as
associações que são feitas, as trilhas sonoras que são utilizadas, sempre
mostrarão a visão do documentarista sobre aquela situação real e não a
situação propriamente dita. Neste momento é relevante a opinião de João
Moreira Salles, cineasta que produziu o documentário Notícias de uma guerra
particular(1999), quanto ao caráter autoral dos documentários:
Um documentário ou é autoral ou não é nada. Ninguém pode
confundir um filme de Flaherty 3
com um filme de Joris Ivens4
.
Isso acontece porque Flaherty vê a realidade de forma
inteiramente diferente de Ivens. A autoria é uma construção
singular da realidade. Logo, é uma visão que me interessa
porque nunca será a minha. É exatamente isso que espero de
qualquer bom documentário: não apenas fatos, mas o acesso a
outra maneira de ver.
Todos estas afirmações fazem com que a definição de documentário
seja tão complexa quanto a definição de o que é o amor, ou o que é cultura.
Seu significado não pode ser reduzido a um verbete do dicionário, como a
definição de temperatura, “grau ou quantidade de calor existente num corpo
ou lugar” (HOUAISS, 2004). Sua definição é relativa e comparativa e os
critérios que limitam o que é, ou deixa de ser, um documentário não são
exatamente claros. Para auxiliar a definição, Bill Nichols propõem analisarmos
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
3
Robert Joseph Flaherty (1884-1951) cineasta norte-americano responsável por grandes obras do cinema
documentário, como Maona (1926) e Nanook of the North (1922).
(http://www.imdb.com/name/nm0280904/)
4
Joris Ivens (1898-1989) cineasta caracterizado por representar em suas obras a luta dos homens no
trabalho, foi responsável por obras como Une histoire de ballon (1976) e How Yukong Moved the
Mountains (1976). (http://www.imdb.com/name/nm0412235/).
19!
esta situação por quatro ângulos: o das instituições, o dos profissionais, o dos
textos (filmes e vídeos) e o do público.
A estrutura Institucional: Uma das formas que ajudam a definir os
documentários é que as instituições que os produzem os intitulam assim,
desta forma mesmo antes da iniciativa de um crítico ou do espectador, esses
filmes já são rotulados. A partir do momento que as empresas anunciam o
filme como documentário, ela já se compromete em oferecer um
determinado nível de objetividade, confiabilidade e credibilidade. Saber de
onde vem um filme ou vídeo ou saber onde ele será exibido é um indicio
importante de como devemos classificá-lo.
Os profissionais: Os cineastas que se comprometem em fazer
documentários, já tem certas suposições e expectativas do que Irão produzir.
Os documentaristas partilham um certo encargo de representar o mundo real
em vez de inventá-lo criativamente. Eles reúnem-se em festivais
especializados, escrevem artigos, debatem questões sociais, exploram
questões técnicas como a autenticidade das imagens de arquivo,
consequências de novas tecnologias etc. São os próprios profissionais que
criam um comprometimento com instituições, críticos, temas e público, de
que este tipo de filme atenderá determinadas expectativas quanto ao
tratamento da realidade.
O texto: Imaginando filmes de ficção, sabemos que para pertencer a
uma determinado categoria, o filme deverá apresentar certas características
já comuns ao gênero, como os filmes de faroeste ou ficção cientifica. Na
classificação de documentários também há normas e convenções que auxiliam
nesta distinção: uso de comentário de um narrador, as entrevistas, a gravação
do som, introdução de imagens que ilustram, ou compliquem, a situação
mostrada, o uso de pessoas em suas atividades e papéis cotidianos como
personagens principais. Além de uma forma de montagem mais informativa,
menos presa a uma narrativa e mais preocupada com argumento ou ponto de
vista proposto.
20!
O público: A sensação de que um filme é um documentário está tanto
na mente do expectador quanto no contexto ou na estrutura do filme. Quando
assistimos a um documentário trazemos a suposição de que os sons e imagens
do texto pertencem ao mesmo contexto histórico que o nosso, que não foram
produzidos exclusivamente para o filme. Nos filmes de ficção ignoramos que a
câmera esta registrando atores reais para a fabricação de personagens
imaginários, afastamos a incredulidade do mundo fictício. No documentário
conservamos nossa crença no mundo real ali representado, estamos cientes do
vínculo entre o som e imagem projetada, com o mundo em que vivemos.
Todas estas características nos ajudam a compreender quais são os
elementos que compõem um documentário, porém não será raro
encontrarmos filmes classificados como documentários que não partilhem de
determinadas características, assim como certos filmes obedecerão a estes
requisitos e não serão classificados como documentários. Como já foi dito,
esta definição será sempre relativa e comparativa.
1.2 Eu falo deles pra você, a relação entre cineasta, tema e público
Quando produzimos um documentário, devemos sempre ter em mente
que estamos filmando pessoas reais, ou tratando de assuntos reais. As
escolhas do cineasta sobre o que filmar, ou em que ordem mostrar, sempre
levará ao espectador a visão do documentarista sobre algo real. Ele deve ter
um espírito investigativo e por meio de uma atuação interpretativa dos fatos,
revelar as coisas que aparentemente não são evidenciadas (DUARTE, 2003,
apud ZANDONADE; FAGUNDES, 2003, p. 16). Bill Nichols propõe algumas
formulações verbais, para analisarmos melhor está interação. A mais comum
é:
Eu falo deles para você
Eu. Em muitos documentários o cineasta está presente diretamente, ou
usando um substituto, sendo o mais comum o narrador com “voz de Deus”.
Normalmente não vemos a pessoa que fala, ouvimos apenas sua voz, esta é
21!
uma forma conveniente de apresentar uma situação, argumento, propor uma
solução, ou mesmo evocar um tom ou estado de ânimo poético (NICHOLS,
2012, p. 40). A voz representa autoridade, alguém que nos fala em nome do
filme e nos conduz pelo documentário. Se existe um discurso, o filme, quer
seja ele narrativo ou não, existirá sempre alguém que o profere, um sujeito
da enunciação (SOARES, 2007, p. 21). Um exemplo é 101 Invenções que
mudaram o Mundo (2011), escrito por Walter J. Gottlieb e French Horwitz,
onde o narrador nos apresenta uma lista de invenções, justifica a importância
de cada uma e ainda nos mostra como esta lista foi criada.
Falar de. Para criar uma narrativa ficcional pensamos em “que história
vou contar?”, no documentário, podemos comparar esta pergunta à “sobre o
que vou falar?”. Normalmente escolhe-se tratar de um tópico de interesse
comum, ou algum assunto que precisa ser discutido, isso confere ao
documentário uma responsabilidade e importância cívica. Um Filme Sobre o
Amor (2012), produzido por Cesar Mesquita, Matheus Maia e Ricardo
Rodrigues, utiliza de depoimentos de quatro pessoas, para nos fazer refletir
sobre a liberdade de amar, felicidade e homosexualismo. Apesar de não trazer
uma voz que explicite sua opinião, os documentaristas utilizam da montagem
dos depoimentos para expor um ponto de vista.
Eles. A utilização da terceira pessoa implica separações claras na
abordagem do documentário, pois o eu que fala é diferente àquele de quem
se fala, assim como há uma separação entre de quem se fala e para quem se
fala. É comum que os personagens de documentários sejam apresentados
como exemplos ou ilustrações, testemunhas de situações ou acontecimentos
do mundo real. Isso parece reduzir as pessoas apresentadas no filme, mas
pode ser extremamente convincente e eficaz. No documentário Pixo (2009),
dirigido por Roberto Oliveira e João Wainer, diversos jovens pixadores são
apresentados, de forma sucinta e pouco complexas, se comparado a
personagens de filmes de ficção, onde diversos aspectos de suas
personalidades são apresentados, pessoal, profissional, social etc. Essa
abordagem pode parecer superficial, porém foi eficaz para mostrar o ponto de
vista escolhido.
22!
Figura 2: Imagem de divulgação do documentário Pixo.
Você. O público é a pessoa que ouve o que o cineasta tem a dizer,
comumente está separado do tema representado. Lembrando que “Eles”
podem ser advogados, donas de casa, ou qualquer outra classe que o
expectador também pertença, o que cria uma relação mais direta. O
documentário pode ser direcionado à um público especifico, ou até mesmo à
uma nação inteira. O documentário Quebrando o Tabu (2011), dirigido por
Fernando Andrade, discute a guerra contra as drogas e sua descriminalização,
porém ao mostrar os impactos das drogas na sociedade, demonstra como o
assunto impacta em nossa vida, mesmo que não sejamos usuários. Ao decorrer
do filme o expectador, você, é aproximado ao tema, falar de.
23!
Figura 3: Fotograma do documentário Quebrando o Tabu (2011).
O cineasta tem objetivo de ativar você como público. Deve transmitir a
sensação de que está, de fato, falando conosco, de que o tema tratado no
filme nos atinge de alguma forma. O documentário deve nos fazer sentir
aqueles para quem o documentário fala, além de nos sentirmos como grupo
ou coletivo, para qual o assunto tem grande importância (NICHOLS, 2012, p.
43). Ao sentirmos que o tema nos afeta, temos uma maior sensação de que o
filme e os fatos ali retratados fazem parte do nosso mundo.
Eu falo deles pra você é uma das formulações possíveis para expressar a
relação entre cineasta, tema e público, porém essa relação pode se constituir
de diversas formas. Nichols propõe outras relações possíveis:
Ele fala deles – ou de alguma coisa – para nós. Comumente um narrador
com voz masculina, nos apresenta algum aspecto do mundo de forma
impessoal, ela traz assuntos que, supostamente, precisamos conhecer. Este
“Ele” pode representar a comunidade científica, o serviço médico, o governo
etc. Notamos também um menor grau de individualidade quanto ao público,
pois o documentário é direcionado à nós, não à um sujeito em especifico.
24!
Nós falamos de nós pra você. Esta relação mostra que o sujeito que fala
é o mesmo sujeito de quem se fala. Um exemplo desta relação pode ser vista
na série de documentários Cineastas indígenas, Um novo olhar, onde cinco
tribos foram capacitadas para registrarem com, imagens e sons, suas tribos.
Os documentários trazem a visão das próprias tribos sobre elas e seus
costumes. Podemos dizer que estes filmes desenvolveram uma representação
mais pura, pois não carrega os preconceitos e aspectos culturais que um
cineasta externo à tribo traria.
1.3 Documentário, a voz do orador
Quando falamos de narrativas ficcionais, o modo mais comum que os
autores utilizam para contar uma história é baseado em uma sucessão de fatos
cronologicamente alinhados, como, o herói recebe o objetivo, sai em missão,
encontra desafios, os vence e cumpre objetivo. Na narrativa documental nem
sempre temos uma história que podemos acompanhar, pode ser apenas um
assunto a ser discutido, ou uma reflexão a ser feita. Nem sempre temos um
personagem específico que estará presente por todo documentário.
Como o documentário sempre trás um ponto de vista do cineasta sobre
algum assunto, podemos pensar e estruturar este tipo de produção como um
discurso, afim de persuadir o público da mensagem pretendida. Assim
organizamos todas as informações coletadas para a construção de um
objetivo, não dependendo de uma linha temporal para criar nosso filme. O
discurso documental trata efetivamente daquilo que aconteceu, antes ou
durante as filmagens, e não daquilo que poderia ter acontecido, como no caso
do discurso narrativo ficcional (SOARES, 2007, p. 39).
A estrutura discursiva do documentário influencia diretamente sua
montagem, afinal as situações apresentadas não precisam, obrigatoriamente,
ter uma relação temporal e espacial, mas sim ligações reais e históricas. Jorge
Furtado, em seu documentário Ilha das Flores (1990), traz diversas imagens
que ilustram seu discurso, como figuras de animais, cenas do holocausto,
imagens do Egito antigo mescladas com produtos atuais, entre outras. Todas
25!
essas imagens podem estar desconexas no tempo e espaço, mas todas
contribuem para a construção de um discurso. Nichols chama está montagem
de montagem de evidência, pois ela ordena todas as informações de modo
que se dê a impressão de um argumento único, convincente, sustentado por
uma lógica. Uma das formas mais usuais para a construção de um discurso é
utilizar as técnicas da retórica.
A retórica se diferencia do discurso poético e narrativo, pois estes
pretendem mais nos oferecer uma experiência estética ou nos envolver num
mundo imaginário, enquanto a retórica visa, normalmente, nos convencer de
uma questão social. Esta é uma forma de discurso usada para nos persuadir de
assuntos para os quais não existe uma solução ou resposta definida (NICHOLS,
2012, p. 43). Porém segundo Comparato, em seu livro Da criação ao roteiro
(2009), um documentário nunca encerra um tema, mostra pontos de vista e
deixa as interpretações para o espectador, nunca pretende convencer o
espectador, mas sim fazê-lo refletir. Para entendermos como conduzir a
narrativa documental com base na retórica, veremos resumidamente as cinco
“partes” do pensamento retórico clássico, começando por uma citação ao
filosofo Cícero, do século 100 a.C.:
Uma vez que toda atividade e habilidade de um orador se
classificam em cinco divisões [...] ele deve, primeiro,
descobrir o que dizer; em seguida, deve manobrar e conduzir
suas descobertas, não só de maneira ordenada, mas com um
olhar arguto para o peso exato, por assim dizer, de cada
argumento; depois deve enfeitá-las com os ornamentos do
estilo; a seguir, deve guardá-las na memória; e, por fim,
pronunciá-las com efeito e encanto. (De oratore, I, apud Bill
Nichols )
Para compreendermos cada uma dessas partes e entendermos como
elas podem ser aplicadas aos documentários, iremos analisá-las
individualmente a seguir:
26!
A invenção. Refere-se a apresentação de indícios ou provas para
aprovar e fortalecer o argumento apresentado. Essas provas podem ser
divididas em artificiais e não artificiais. Artificiais podem ser geradas pelo
cineasta, como poemas, reflexões, encenações, etc., elas recorrem ao
sentimento do público. As não artificiais recorrem a fatos ou indícios, como
exemplo de testemunhas, documentos, fotos etc., elas não podem ser geradas
pelo cineasta.
As provas artificiais também podem ser chamadas de artísticas, são
criadas pelo orador, ou documentarista, dependem completamente de sua
criatividade, não é algo que pode ser encontrado a disposição para utilização.
Elas são técnicas utilizadas para gerar a impressão de conclusão ou
comprovação. Na retórica, as provas artísticas são divididas em três tipos,
ambos utilizados para dar validade ao argumento:
Provas éticas: preocupam-se em expor o caráter moral e a
credibilidade do argumento.
Provas emocionais: preocupam-se com a emoção do público,
pretendem evocar um certo estado de espírito, favorável ao ponto de vista
apresentado.
Provas demonstrativas: preocupam-se com o raciocínio, pretende
demonstrar e comprovar determinada questão.
Uma forma de resumir estes três tipos de argumentos, é afirmar que
eles precisam ser verossímeis, convincentes e comoventes. Um maneira de
alcançarmos estes objetivos é unirmos relatos pessoais com ramificações
sociais e históricas. No documentário 30 Anos de União de Mulheres de São
Paulo (2011), dirigido por Eisa Gargiulo, podemos ouvir mulheres contando
suas histórias, de como enfrentaram o preconceito e tudo o que passaram
durante a ditadura. Assim temos a emoção das histórias, em meio aspectos
sociais observáveis relacionados a fatos históricos conhecidos, argumentos
verossímeis, convincentes e comoventes.
27!
Figura 4: Fotograma do filme 30 anos da união das mulheres de SP (2011).
A disposição. Refere-se a ordem que os fatos serão apresentados no
discurso, ou no nosso caso, no documentário. Uma das formas de dispor os
argumentos é a estrutura de problema/solução. Outra arranjo comum é criar
uma abertura que capte a atenção do público, esclarecer o assunto discutido,
argumentar a favor do seu ponto de vista e refutar objeções esperadas.
Diversas distribuições são possíveis, mas elas sempre devem contribuir para o
fortalecimento do ponto de vista apresentado no filme. O documentário
Prazer Meu Nome é Automutilação (2011), desenvolvido por André Luiz
Cassanelli, Mariana Campos Barroso, Renata Toledo Cardoso e Yuri
Stapelbroek, traz o depoimentos de pessoais reais, que se automutilavam,
intercalados pela opinião de psicólogos especializados no assunto. Essa
distribuição manteve o equilíbrio entre argumentos emocionais,
demonstrativos e éticos.
A elocução. No discurso, é representada pelas figuras de linguagem,
códigos gramáticas, linguagem culta ou informal, todos recursos utilizados
para criar um determinado tom ao discurso. No documentário este mesmo
tom pode ser alcançado pela utilização de câmeras, ângulos, iluminação,
montagem, som e assim por diante. O documentário Pacific (2009), de
Marcelo Pedroso, foi composto apenas por vídeos produzidos por passageiros
28!
de um cruzeiro. As câmeras caseiras e a conversa informal compõe o tom
amigável deste filme.
Figura 5: Fotograma do documentário Pacific (2009).
A memória. Em um discurso a memorização dos argumentos e sua
disposição é fundamental para seu sucesso. No filme a memória está ligada ao
ato de olhar para trás, relembrar fatos e argumentos anteriores fazendo
ligação com o que está sendo exibido no presente. Está retrospecção não
precisa ser evidente, mas os argumentos devem demonstrar que estão
relacionados. No documentário Ilha das Flores (1990), de Jorge Furtado,
somos apresentados a elementos no inicio do filme, que são retomados ao
decorrer de quase todo o filme, para construir um argumento único.
29!
Figura 6: Fotograma do documentário Ilha das Flores (2009).
A pronunciação. Quando uma pessoa está discursando, podemos
considerar que pronunciação é o modo de ele articula sua voz e gestos. No
documentário podemos interpretar como eloqüência, que é o nível de clareza
e apelo emocional do argumento, e decoro, que é a eficácia da estratégia
argumentativa sobre o público alvo do filme.
A retórica proporciona ferramentas e estratégias úteis para todos
documentaristas. Com os documentários fatos do cotidiano podem ser
discutidos de forma mais eficaz e novos olhares podem ser lançados sobre
assuntos delicados ou controversos. Mesmo utilizando as mesmas técnicas
retóricas, existem diversas formas distintas de abordar um tema, assim
surgem os tipos de documentários, que veremos no tópico seguinte.
1.4 Tipos de documentário
Como vimos anteriormente, o documentário sempre traz algum ponto
de vista sobre algo, porém o modo que isso é feito pode ser diversificado a
cada obra. Um mesmo argumento pode ser exposto de mais de uma maneira,
podendo ela ser mais ou menos eficiente. O objetivo da obra influencia sua
forma, ela pode pretender apenas informar, conscientizar, fazer refletir ou
30!
mesmo inquietar. Para os documentários, iremos discriminar seis modos de
representação.
O modo poético muitas vezes abre mão da maneira convencional da
montagem, da seqüência cronológica ou da continuidade dos fatos, em favor
de padrões que envolvem associações, ritmo de montagem e sobreposições de
imagens. Os entrevistados dificilmente aparecem como personagens com
histórias complexas e detalhadas, muitas vezes assumem papel de igualdade a
objetos, sendo exposto através de escolhas feitas pelo cineasta. Na obra
Documentário Poético de Porto Alegre (2012), dirigido por Bibiana Xausa
Bosak e produção da Secretaria Municipal de Coordenação Política e
Governamental de Porto Alegre, somos apresentados à Porto Alegre, onde são
apresentados locais, objetos, obras de arte e pessoas, todas compondo
igualmente um retrato da cidade.
Figura 7: Fotograma do Documentário Poético de Porto Alegre (2012).
Este modo de representação é particularmente eficaz em transmitir um
estado de ânimo, tom de afeto ou emoção. Aqui o elemento retórico está
menos presente do que em outros modos. Muitas obras utilizam imagens
abstratas ou apenas formas e cores, para representar alguma sensação ou
mesmo um mundo imaginativo do autor.
31!
O modo expositivo fala diretamente com o expectador, expõe
argumentos e propõe perspectivas. Ele agrupa fatos do mundo histórico em
uma estrutura retórica. Muitas obras deste tipo adotam comentário com
narrador para expor informações e conduzir a narrativa. O modo expositivo
deve gozar de uma lógica informativa muito clara, normalmente exposta de
forma verbal, assim as imagens passam a ter um papel secundário, elas
ilustram, esclarecem, ou contrapõem o que é dito.
No documentário Criança - A alma do negócio (2011), dirigido por
Estela Renner, somos conduzidos por argumentos de especialistas,
professores, mães e crianças, que demonstram a abordagem que a publicidade
faz do mercado infantil. O discurso guia o espectador e as imagens de
produtos e propagandas demonstram e apóiam o que é dito.
Figura 8: Fotograma de Criança - A alma do negócio (2011).
A montagem concorre para manter a continuidade do argumento e
menos para estabelecer um ritmo. Esse procedimento é conhecido como
montagem de evidência. A continuidade espacial e temporal também podem
ser sacrificadas, imagens de locais e épocas remotos podem ser incorporados
para demonstrar algum argumento.
No modo observativo todo o controle que o autor poderia exercer para
criar ou compor uma cena é sacrificado em favor da observação de uma
32!
experiência vivida. O autor reúne toda a matéria prima para depois compor
um ponto de vista ou argumento válido. Os personagens filmados interagem
uns com os outros, ignorando o documentarista, que é isolado como mero
observador. O espectador é convidado a uma postura mais ativa, já que ele
quem deve decidir o que dar importância no que está vendo e ouvindo.
O modo participativo inclui o documentarista no contexto a ser
representado. O cineasta passa a conviver com um povo enquanto registram
suas experiências e representam aquilo que experimentaram. Diferente do
modo observativo agora o documentarista participa e é incluído na vivencia
dos outros personagens. A maneira que uma pessoa participativa representa
um contexto social é totalmente diferente do modo que um observador relata
os acontecimentos.
Em Cabra marcado para morrer (1985), de Eduardo Coutinho,
conhecemos a história de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba
assassinado em 1962. As filmagens feitas na época do assassinato são
mescladas com gravações feitas na década de 80. Eduardo Coutinho visita
funcionários presentes nas primeiras filmagens e a família do assassinado a
fim de reconstituir a história João Pedro. Nesta obra não há um locutor
separado da história, ele convive com os familiares e envolvidos, conhece os
locais, ele participa da reconstituição.
33!
Figura 9: Fotograma de Cabra marcado para morrer (1985).
O modo reflexivo questiona e nos faz pensar justamente no poder de
representação do cineasta, o modo como se pode criar, ou modificar, a
informação que chega ao espectador. Ao invés de observarmos o
relacionamento de um lugar com o personagem, ou mesmo do cineasta com os
personagens, o modo reflexivo questiona a relação do expectador com o
documentarista. Ele nos convida a pensarmos no documentário como uma
ferramenta de representação.
No documentário Jogo de Cena (2007), também de Eduardo Coutinho,
somos apresentados à diversas histórias de mulheres comuns, narradas por
elas e por atrizes convidadas. Os relatos são mesclados, repetidos,
diferenciados, a noção do que é verdade e representação é questionada. A
história real representado por uma atriz pode ou não causar a mesma emoção?
O expectador é indagado em diversos momentos sobre o que o relato real e a
interpretação tem de comum, ou diferente. Aqui o cineasta não quis
simplesmente mostrar histórias de mulheres, quer além disso nos fazer pensar
e refletir.
34!
Figura 10: Fotograma de Jogo de Cena (2007).
Para compreendermos o modo performático, temos que ter em mente
que todos temos vivências diferentes, nos relacionamos com o mundo de
forma distinta e temos afetos particulares. Todas essas características nos
tornam únicos e fazem com que nossa interpretação do mundo seja única
também. Um carro, um caderno, um hospital, uma pessoa, todos tem
significados diferentes para pessoas diferentes. O modo performático enfatiza
a complexidade do conhecimento, questiona as dimensões subjetivas de nossa
compreensão.
Neste modo o cineasta quer usar sua sensibilidade para estimular a
nossa. Ele pretende que nós tenhamos a mesma visão de mundo dele, mas de
forma indireta. Quer tornar uma determinada carga afetiva nossa. Ele nos
convida a ver o mundo com novos olhos e repensar a nossa relação com ele.
No documentário Um Filme Sobre o Amor (2012), produzido por Cesar
Mesquita, Matheus Maia e Ricardo Rodrigues, nos é apresentado, em um tom
autobiográfico, o relato de quatro jovens sobre como é estar apaixonados e o
que representa o amor. A obra evoca sentimentos e sensações a fim de cativar
o espectador, para, no final, revelar que o amor dos jovens é por uma pessoa
35!
do mesmo sexo. A carga afetiva evocada durante todo o filme nos envolve e
aproxima do amor descrito.
Figura 11: Fotograma de Um Filme sobre o Amor (2012).
Já discutimos sobre a definição de documentário, compreendemos
como ele pode ser estruturado e quais os tipos de documentário existente. A
partir deste ponto, identificaremos uma definição para hipermídia e
analisaremos brevemente algumas obras que a utilizam, para em seguida,
demonstrar como conectamos estas informações para compor nosso
webdocumentário.
!
2. A hipermídia como forma de conduzir uma narrativa
Ao vislumbrarmos o nascimento de um novo meio de comunicação,
nossos sentimentos podem ser ao mesmo tempo motivadores e perturbadores.
Motivadores quando imaginamos as novas possibilidades e perturbadores
quando percebemos que estamos pisando em um terreno desconhecido. A
linguagem escrita trouxe novos recursos na forma de se construir uma
narrativa, se comparada as antigas tradições orais. Agora as histórias
poderiam ser fixadas, transportadas e resgatadas, processo relativamente
simples, mas que teve grandes evoluções. Com a hipermídia não foi diferente,
todos os novos recursos trazidos por ela, são ferramentas que podemos
utilizar para criar narrativas fascinantes. Neste capítulo não queremos fazer
um resgate detalhado do surgimento da hipermídia, faremos apenas
apontamentos dos principais fundamentos e algumas obras hipermídia.
A linguagem escrita possibilitou que informações fossem armazenadas
e, posteriormente, recuperada exatamente na seqüência registrada. Essa
característica, auxiliou no desenvolvimento de uma nova linguagem. Com os
avanços tecnológicos, pesquisadores como Ted Nelson5
, Vannevar Bush6
, entre
outros, iniciaram o desenvolvimento de formas diferentes de acesso a
informação. Através de vínculos associativos, as informações eram conectadas
sem a existência de hierarquia entre tópicos, era o chamado hipertexto
(Braga, 2004). O que obviamente nos forçou a repensarmos antigos
paradigmas da linguagem textual escrita.
O que impulsionou o surgimento e expansão da hipermídia foi, sem
dúvida, o processo digital. Com estes recursos, diversos tipos de materiais,
como áudio, vídeo, fotos e textos, puderam ser transformados em seqüências
binárias e armazenados em um mesmo suporte. Outra característica do
processo digital, é a capacidade de compressão da informação, a quantidade
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
5
Professor de Ciência da Computação da Chapman University Founding. Desenvolveu o projeto Xanadu,
o primeiro projeto de hipertexto em computador,no ano de 1960. Fonte: Página pessoal do Ted Nelson.
Disponível em <http://ted.hyperland.com/>.
6
Vannevar Bush descreveu em seus estudos uma máquina chamada de Memex, que ajudaria a memória
humana, permitindo ao usuário armazenar e recuperar documentos ligados por associações. Fonte:
Disponível em <http://www.ibiblio.org/pioneers/bush.html>.
37!
de livros que antes abarrotaria uma biblioteca, hoje pode ser carregada em
um simples pendrive7
. O transporte da informação também se tornou mais
fácil e sem perda de qualidade, seja ela feita através de cabos, satélites,
ondas de rádio etc. Assim, o processo digital fez com que diversas mídias,
antes separadas, convergissem todas para o mesmo aparelho, o computador
(Santaella, 2001).
O pesquisadores David Evans e Ivan Sutherland, da Universidade de
Utah, buscavam criar uma interface de computador mais amigável ao usuário,
que permitisse que ele executasse as mais diversas tarefas com maior
facilidade. Após muitas pesquisas surgiu a idéia do uso de gráficos e desenhos
em sua interface. Eles foram os responsáveis por desenvolver conceitos de
desenho vetorial e representações tridimensionais em ambientes
bidimensionais. A partir destas novas possibilidades, os recursos de hipertexto
foram ampliados e geraram a criação da hipermídia (Filho, 2007).
Até este ponto podemos observar os dois elementos primordiais da
hipermídia, o acesso a informação de forma associativa e não-linear e a
convergência das mídias. Considerando o fato de que as tradições da narração
de histórias alimentam-se umas das outras, tanto no conteúdo como na forma
(Murray, 2003), tentaremos compreender a influencia da hipermídia sobre as
narrativas através de algumas obras que a utilizam.
2.1. O livro-jogo, A cidade dos ladrões
O hipertexto não depende integralmente do meio digital para existir.
Mesmo em textos escritos no papel, o conceito de hipertexto pode ser
utilizado e aplicado para compor narrativas interessantes e que dependam da
atuação do leitor para funcionar. Este conceito originou o que conhecemos
hoje como livro-jogo. Nessas histórias o leitor pode ser o herói, escolhendo o
caminho que irá seguir, as ações que irá tomar, o que irá dizer e muito mais.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
7
Unidade de armazenamento portátil de pequenas dimensões, que geralmente se conecta a computador
via USB (Universal Serial Bus). Fonte: Idicionário Aulete. Disponível em <http://aulete.uol.com.br/pen-
drive#ixzz2lRRFDrKm>.
38!
Figura 12: Ilustração de capa do livro A cidade dos ladrões (2012).
A Cidade dos ladrões (2012), de Ian Livinstone, é um bom exemplo
deste tipo de narrativa. Nesta história você é um aventureiro e espadachim
de aluguel e precisa guiar o personagem Zanbar Bone e seus comparsas pelas
ruas escuras da cidade de Porto Areia Negra. Durante sua aventura você
poderá ser interceptado por ladrões, vagabundos e criaturas da noite, tendo
como única escolha, matar ou morrer. O leitor, deverá escolher qual caminho
seguir, através da escolhas de páginas. Além de ter que enfrentar os inimigos,
através de um elaborado sistema de combate. Abaixo veja parte da descrição
feita sobre o livro, no site Submarino8
.
Sua missão: leva-o às ruas escuras e serpenteantes de Porto
Areia Negra, em busca de informações vitais, sem as quais a
vitória é impossível (...). Tudo de que você precisa é um lápis
e uma borracha para embarcar nesta aventura de espada e
magia, com um elaborado sistema de combate e uma ficha
onde anotar suas vitórias e derrotas.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
8
O site Submarino pertence à B2W Digital, empresa líder em comércio eletrônico no Brasil. Resultado
da fusão entre a Americanas.com e o Submarino em 2006, a Companhia opera por meio de uma
plataforma digital, com negócios que apresentam forte sinergia e um modelo único de negócios,
multicanal, multimarca e multinegócios. Disponível em: <http://www.b2wdigital.com>.
39!
Este tipo de narrativa multiforme usa conceitos de hipertexto, afinal
cria o acesso a porções de informação de forma não-linear, através de
associações. Neste caso, as associações são feitas a partir da intenção e
objetivos do leitor. Permitindo assim que o mesmo livro, forneça experiências
diferentes dependendo do perfil de cada leitor, seja ele mais cauteloso,
explorador ou corajoso. As relações feitas aqui proporcionam uma experiência
hipertextual.
Roteiros como este, bem elaborado e complexo consegue utilizar da
não-linearidade como ferramenta. Porém mesmo em texto mais simples
podemos aplicamos os mesmos conceitos. Durante o curso de Tecnologia e
Mídias Digitais, para o qual este TCC está sendo produzido, tivemos que
desenvolver um roteiro não-linear simples, que oferecesse diversas
possibilidades narrativas e ação do leitor. Neste texto personagens diferentes
puderam ser acompanhados e ações tomadas. Este foi um modo de, durante o
curso, compreendermos em um exercício prático os conceitos de hipertexto.
O roteiro integral está nos apêndices deste trabalho.
2.2. Vídeo interativo, Choose a different ending
Esta obra dirigida por Paul Brazier no ano de 2009, aplica os mesmos
conceitos de escolha de caminhos de decisões, para compor um filme
interativo e não-linear. Produzido com uma perspectiva de primeira pessoa,
ele coloca o expectador na posição do personagem. Tendo como opções sair
de casa com uma faca ou não, entrar na turma errada, entrar numa briga, a
obra coloca o expectador em situações que podem levá-lo até mesmo a
morte.
40!
Figura 13: Choose a different ending9
(2009).
Apesar de possuir um enredo relativamente simples, com diálogos
curtos, está obra já é um ótimo exemplo de como a hipermídia pode
influenciar em uma narrativa. A história é apresentada através de vídeos,
sendo que ao fim de cada trecho, opções são disponibilizadas através de
textos, que demonstram os vínculos que possíveis. Desta forma, os dois
principais requisito da hipermídia já são atendidos. A relação associativa das
informações e a convergência de diferentes mídias em um único produto.
2.3. Os jogos de vídeo-games, The last of us
Sem duvidas, os maiores representantes das narrativas hipermidiáticas
são os vídeo-games. Eles unem vídeos, som, texto, modelos tridimensionais,
técnicas cinematográficas, entre outros recursos. Tudo isso aliado a
possibilidade de criar personagens que, muitas vezes, podem andar livres em
ambientes tridimensionais totalmente imaginados pelos seus desenvolvedores.
Este cenário propicia incontáveis recursos na hora de se compor uma
narrativa.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
9
O filme foi produzido por AMVBBDO em parceira com a Policia Metropolitana de Londres. Disponível
em <http://amvbbdo.com/work/campaign/met-police/knifecrime/chooseadifferentending>.
41!
The last of us é um jogo em terceira pessoa, que mistura elementos de
ação, aventura e survival horror10
. Desenvolvido pela Naughty Dog11
, lançado
em junho de 2013, exclusivamente para o Playstation 312
. O personagem
principal é Joel, carpinteiro, morador do Texas, pai solteiro de Sara, 12 anos,
morta no inicio do jogo. Um surto de fungos parasitóides transformaram o
mundo em um ambiente apocalíptico e Joel precisa sobreviver.
Figura 14: Imagem promocional de The last of us (2013).
Este jogo é aclamado por diversos jogadores pela forma que consegue
envolvê-los na narrativa. Uma das cenas mas emocionante do jogo, passa-se
nos primeiros minutos de jogo, onde Sara, sua filha, agoniza em seus braços,
após ser atingida por um soldado. Além disso o envolvimento criado entre Joel
e Elle, personagem coadjuvante, é colocado a prova em diversos momentos do
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
10
Conhecido também como Horror de sobrevivência é um subgênero de jogos de ação, baseado em
histórias de ficção e horror. O jogador não se sente tão poderoso quanto em outros jogos, aqui ele está
sempre em perigo. Normalmente há grande preocupação com munição, saúde, velocidade e outras
informações. Disponível em <http://survivalhorrorbr.com>.
11
Produtora norte-americana de jogos, também desenvolve a franquia Bater Bandicoot. Disponível em
<http://www.naughtydog.com>.
12
Terceiro aparelho de vídeo-game produzido pela empresa Sony Computer. Disponível em
<http://www.sony.com>
42!
jogo. A seguir podemos ver um trecho de uma critica do site Omelete13
sobre
o jogo.
Ellie, como outras personagens femininas da Naughty Dog14
, é
forte, destemida e carrega uma vontade de mudar o cenário
em que vive. Já Joel é um homem com marcas de uma vida
sofrida e, em momentos, mostra que já perdeu as esperanças
de viver em um mundo melhor.
Essas características citadas no texto, não são escritas durante o jogo,
nós a percebemos enquanto controlamos os personagens. Enquanto estamos
jogando e tomando atitudes, as situações que nós somos apresentados nos
aproxima e cativa.
Todas essas obras citadas, são criadas a partir de histórias ficcionais,
afinal as ações do expectador as alteram e a experiência é particular às suas
escolhas. Porém, é difícil imaginarmos como aplicar estes recursos sobre as
narrativas documentais, que não tem uma história imaginada, ela não é
construída durante a leitura, ou jogo, ela já aconteceu. No próximo capitulo
analisaremos alguns webdocumentários, que utilizaram de recursos da
hipermídia em sua composição e relataremos como foi o processo de produção
do nosso webdocumentário.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
13
Site brasileiro de entretenimento. Disponível em <http://omelete.uol.com.br>.
14
Produtora norte-americana de jogos, também desenvolve a franquia Bater Bandicoot. Disponível em
<http://www.naughtydog.com>.
43!
3. Memorial descritivo: A construção do webdocumentário
Durante a produção do pré-projeto que antecedeu este trabalho de
conclusão de curso, houve dois pontos cruciais, tais como a escolha do
formato, que culminou na produção de um webdocumentário, e a escolha do
tema que ele abordaria. Após a escolha do formato, muitos temas possíveis
surgiram, porém a maioria, ou parecia superficial, ou exigiria um trabalho
investigativo e jornalístico muito grande. Por conta disso firmamos parceria
com um grupo de graduandos em jornalismo da Universidade Metodista de São
Paulo. O grupo parceiro exerceu as atividades jornalísticas, como criação de
pautas, entrevistas, coleta de dados, enquanto nós ficamos responsáveis por
captação e edição dos vídeos, design e programação do webdocumentário.
Apenas os roteiros foram criados em conjunto.
O grupo parceiro é composto por cinco integrantes, Isabella Tebet,
Renata Souza, Patrícia Teixeira, Tamyres Scroller e Verônica Magalhães. Ao
decorrer deste memorial não daremos foco às atividades jornalísticas, mas
sempre que necessário os responsáveis pelas atividades serão discriminados.
O grupo parceiro inicialmente pretendia produzir um livro sobre o tema
“A realidade sobre a pedofilia”. Durante o processo de pesquisa, perceberam
que o formato não seria o ideal e que o tema poderia ser levemente
modificado. Juntos decidimos o novo formato e alteramos a abordagem sobre
o tema, agora faríamos um webdocumentário com o tema “Um novo olhar:
Abuso sexual e pedofilia”. O objetivo deste webdocumentário passou a ser a
conscientização sobre o tema de forma geral e tentamos abordar os mais
diversos pontos de vista, mostrando o lado da lei, da psicologia, da saúde, das
vítimas etc. Todo o projeto do grupo parceiro, assim como os dados
pesquisados estarão anexos a esta pesquisa.
3.1. Escolha do formato e análise de webdocumentários existentes
A escolha do formato do produto que desenvolvemos neste TCC foi um
passo difícil, devido à multidisciplinaridade oferecida no curso de Tecnologia
e Mídias Digitais, as opções eram diversas e igualmente interessantes. O que
44!
nos levou a escolha de um formato documental foi o cunho social que
poderíamos dar ao trabalho. Durante uma das orientações com o professor
David Oliveira Lemes, fomos indagados do seguinte: “o que seu trabalho
mudará no mundo?”, este questionamento nos fez refletir e reforçou a idéia
de um projeto que, além de servir como objeto de estudo, poderá contribuir
para a sociedade.
Após a decisão por uma formato documental, a opção de produzir um
webdocumentário surgiu como algo natural, pois ele agrega diversos aspectos
estudados durante o curso de Mídias Digitais, como, edição, roteiro, design,
programação, hipermídia etc. Partimos então para a análise de projetos já
existentes, os quais acessamos e registramos aspectos interessantes, ou não,
ao nosso desejo. A seguir veremos alguns dos webdocumentários encontrados
e brevemente analisados, assim como algumas de nossas considerações sobre
os mesmos.
3.1.1.$Brèves$de$trottoirs$–$As$celebridades$do$dia5a5dia$
Webdocumentário francês dirigido pelo jornalista Olivier Lambert e
pelo fotógrafo Thomas Salva, em conjunto com a produtora multimídia
independente Darjeeling. Brèves de trottoirs se propõe a nos trazer histórias
de artistas do cotidiano, são eles pessoas que cantam ou pintam nas ruas, são
professores de dança e até motoristas de ônibus, todos cidadãos de Paris. Esta
produção nos traz a história dessas personagens através de vídeos, textos,
fotos e áudios, todas acessadas por uma interface diferente das encontradas
em sites comuns da web.
Ao acessar o webdocumentário assistimos uma breve introdução com
informações sobre esta produção, como título, produtora, parceiros etc. Na
página principal do webdocumentário temos uma interface em forma de mapa
da cidade de Paris, com pontos coloridos que representam a localização de
cada personagem, uma curta descrição do artista é exibida quando passamos
o mouse sobre um dos pontos. Também temos a opção de visualizar estas
informações em forma de um mural, com fotos de todos os participantes. Nas
45!
duas telas vemos um menu superior e inferior oferecendo informações sobre o
projeto. Além das alternativas de escolha de idioma, redes sociais, volume e
botão para visualizarmos em tela cheia.
Figura 15: Página inicial do webdocumentário Brèves de trottoirs.
!
Figura 16: Opção de página inicial, Brèves de trottoirs.
Após clicarmos em um dos pontos, somos direcionados a uma página
com um vídeo sobre o personagem escolhido, com duração de em média cinco
minutos, ouvimos o próprio personagem contando suas histórias. Além do
46!
vídeo temos a opção de acessar outras informações sobre a personalidade
escolhida, através de textos, fotografias ou áudios, de forma não simultânea.
Figura 17: Página do personagem Stephen Couronner.
O webdocumentário é disponibilizado no formato SWF15
, exigindo assim
que o usuário tenha o Adobe Flash Player 16
instalado e inviabilizando o acesso
por dispositivos não compatíveis com está tecnologia, como Ipads e Iphones,
apesar de ter uma versão para Iphone disponível na Appstore17
francesa.
Antes de cada tela temos uma animação de carregamento dos dados, que
obviamente poderá ser mais longa para usuários com velocidade de conexão
inferior. Uma das vantagens da utilização do Adobe Flash Player é uma maior
liberdade para trabalhar com animações de transição e um visual adequado
para cada personagem, o que torna nossa visita muito agradável.
Após alguns minutos visitando o webdocumentário, conhecendo os
personagens e o material disponível sobre cada um, julgamos que a narrativa
proposta não é a mais adequada ao nosso documentário, pois ela funciona
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
15
Formato de arquivo digital gerado pelo programa Adobe Flash. Este formato exige um programa
especifico que faz a leitura dos arquivos, de forma integrada ao navegador do usuário. Disponível em
<http://www.adobe.com>.
16
Programa produzido pela empresa Adobe Systems Incorporated. Desenvolvido inicialmente para
produção de animações, hoje permite a confecção de aplicações para internet, dispositivos móveis, entre
outros formatos. Disponível em <http://www.adobe.com>.
17
Plataforma de comercialização de aplicativos da empresa Apple Inc. Disponível em
<http://www.apple.com>.
47!
como micronarrativas conectadas pelo tema, celebridades do cotidiano, e
pela localização, a cidade de Paris. Depois de escolher uma história e visitar
informações em quatro mídias diferentes, vídeos, texto, fotos e áudio, o ciclo
precisa ser reiniciado com um novo personagem. Construímos um breve
diagrama que demonstra a estrutura deste documentário.
Figura 18: Diagrama de fluxo do documentário Brèves de trottoirs (2011).
Para melhor ilustrar nosso entendimento sobre este webdocumentário,
utilizamos a metáfora de um corredor com vários quartos, cada um com
quatro caixas com informações distintas. O usuário terá que entrar no quarto,
abrir as quatro caixas e depois sair novamente, para escolher um novo quarto.
Esta experiência não nos agradou, pois ela rapidamente se tornou cansativa, o
que possivelmente fará o usuário desistir antes de acessar todas as histórias.
Talvez este não seja o objetivo do documentário, mas este aspecto deixou a
experiência audiovisual sem um final claro, o que não julgamos interessante
ao nosso tema.
48!
3.1.2.$Filhos$do$Tremor:$Crianças$e$seus$direitos$em$um$Haiti$devastado$
Webdocumentário brasileiro dirigido por Marcelo Bauer, mostra de
diversas forma como as crianças do Haiti foram afetadas após o terremoto que
aconteceu em janeiro de 2010. Esta produção utiliza de áudios, vídeos, fotos,
textos e gráficos interativos, para construir sua narrativa, que é composta por
capítulos como “O direito à Vida”, “O direito à família”, “O direito à
assistência e proteção”, “O direito à saúde”, e “O direito à educação”. Todos
os capítulos são dispostos de forma que o usuário escolha a ordem de
execução.
O webdocumentário conta com uma introdução que nos apresenta
imagens e dados sobre os fatos abordados, com a opção de pular está
introdução. Em seguida somos direcionados a uma página inicial onde
podemos escolher entre os cinco capítulos existentes. Os título dos capítulos
ficam sempre visíveis e um trecho em vídeo é executado quando passamos o
mouse sobre cada título. Botões que permitem que você compartilhe o
documentário em redes sociais também estão presente na página inicial,
assim como um botão “debata”, que nos encaminha para um link que não está
mais disponível, um botão “doe” que nos direciona à uma página com
orientações sobre doações e outro botão “Créditos”, com as informações
sobre a produção do webdocumentário.
!
Figura 19: Página inicial do webdocumentário Filhos do Tremor.
49!
Ao selecionarmos o capítulo, somos direcionados à uma página com um
vídeo sobre o tema selecionado, com duração de três à oito minutos. Abaixo
do vídeo há uma barra com os botões de controle do vídeo, play, pause,
volume e informações sobre o tempo total e tempo percorrido do vídeo.
Também existem palavras que marcam temas abordados neste capítulo, essas
palavras podem ser clicadas e fazem com que o vídeo seja executado no
tempo específico onde encontramos o assunto. No capítulo “Direito à vida”
temos as palavras “cenários”, no inicio do vídeo, e “mortes”, próximo a
metade do vídeo. Não há opção de executar o vídeo em tela cheia.
Além dos elementos citados acima, temos à direita do vídeo um espaço
vazio, onde durante a execução são mostradas informações relacionadas ao
vídeo. Podemos visualizar mapas que identificam a região exibida,
informações sobre as pessoas que estão dando seus depoimentos etc. Alguns
gráficos exibem informações adicionais quando o usuário passa o mouse por
pontos específicos. Algumas informações exibidas oferecem a opção “Leia a
integra”, que ao ser clicada, exibe uma nova janela com o texto integral, que
sobrepõe o vídeo.
!
Figura 20: Capítulo “O direito à Vida” com mapa interativo.
50!
!
Figura 21: Capítulo “O direito à Vida” com opção “Leia a integra”.
Após o término do vídeo, somos convidados a ver os demais capítulos.
No mesmo quadro onde surgiram as informações, são exibidas cinco
miniaturas com os títulos dos cinco capítulos, nos convidando a assisti-los
novamente, mesmo após já termos acessados todos os itens.
!
Figura 22: Capítulo “O direito à Vida” após termino do vídeo.
51!
O webdocumentário foi produzido com o Adobe Flash. Todo material é
disponibilizado em dois idiomas, inglês e português. Não há versão para
dispositivos móveis, como IPhone e IPad.
Após termos assistido todo o webdocumentário, julgamos que este
modo de organizar os capítulo não é o ideal ao nosso tema, pois ele trás cinco
pontos de vista sobre um mesmo assunto, porém conectados apenas pelo
tema, não narrativamente, são capítulos independentes, armazenados em um
mesmo local. Novamente, não identificamos um final bem definido, pois
mesmo após o usuário ter acessado todos os capítulos, ele continua sendo
convidado e vê-los novamente.
52!
3.2. Desenvolvimento do pré-roteiro
Após a análise dos webdocumentários anteriores, ponderamos os pontos
positivos e negativos de cada produção. Analisamos os dados que foram
obtidos em nossa pesquisa jornalística sobre o tema e iniciamos a produção de
um pré-roteiro orientativo, que nos auxiliaria na criação de pautas e condução
das entrevistas. Identificamos alguns assuntos que poderiam ser abordados e
chegamos aos seguintes tópicos:
1. Diferença entre pedofilia e abuso sexual;
2. Onde o crime ocorre;
3. Perfil das vítimas;
4. Perfil dos abusadores;
5. Aspectos históricos que contribuem para o crime;
6. Legislação;
7. Traumas;
8. Tratamentos;
9. Depoimentos de vítimas.
Após a criação destes tópicos, buscamos uma forma de organizar este
conteúdo em uma narrativa documental linear, para assim, criarmos uma
produção com começo, meio e fim. Chegamos a seguinte estrutura linear dos
blocos:
53!
A seguir, unimos os tópicos levantados com esta estrutura, com o objetivo de
criar um pré-roteiro não-linear. Este roteiro deveria respeitar a estrutura
linear e acomodar todos os tópicos levantados. Chegamos ao seguinte roteiro:
54!
55!
Este pré-roteiro possibilitou que inseríssemos todas as informações
desejadas. Oferece aos usuários diferentes caminhos que podem ser
percorridos de acordo com suas escolhas. Assim após assistir a introdução ele
escolhe um dos blocos A, depois um entre os blocos B, um entre os blocos C e
ao final assiste a conclusão do webdocumentário. Assim cada usuário poderá
ter uma experiência diferenciada ao acessar nossa produção. Mesmo com esta
possibilidade de escolhas, oferecemos uma experiência com começo, meio e
fim, pois o usuário sempre passará por um bloco de cada tipo, abertura,
introdução, sensibilização, problematização e conclusão.
Decidimos que o usuário também poderá acessar informações além do
vídeo, simultaneamente, como vimos no documentários Filhos do Tremor.
Assim enriquecemos a experiência do usuário e damos mais materiais
relevantes ao tema. Estes acréscimos serão dados estatísticos, textos de
apoio, informações complementares etc. Elas poderão ser interativas ou não,
dependendo do tipo de material.
Com o pré-roteiro pronto, podemos iniciar outras etapas importantes
do projeto. O grupo responsável pelas informações jornalísticas do
webdocumentário, pôde iniciar a busca por especialistas e vítimas, além do
desenvolvimento das pautas que conduziram as entrevistas. Enquanto nós,
podemos iniciar o planejamento e desenvolvimento da plataforma que irá
compor este webdocumentário.
56!
3.3. Perfil dos entrevistados
A busca pelos personagens que compuseram nosso documentário
iniciou-se com base nos assuntos abordados em nosso pré-roteiro.
primeiramente buscamos instituições que acolhem crianças que sofreram
abuso sexual, assim tivemos contato com psicólogos e especialistas com
experiência no assunto. Eles foram fundamentais na indicação de outras
fontes. Além disso contamos com pesquisas na internet e redes sociais para
entrar em contato com todos os entrevistados. Ao final das gravações
entrevistamos doze especialistas.
Nos blocos compostos por relatos, optamos por buscar apenas adultos
que sofreram abuso quando criança, pois são pessoas que já superaram, ou
estão em processo de superação do trauma. Surpreendentemente não tivemos
dificuldade em encontrar vítimas, porém nem todas estavam dispostas a
serem entrevistadas. Os contatos iniciais foram através de especialistas
entrevistados anteriormente, amigos de integrantes do grupo e blogs na
internet. Todos entrevistados receberam visitas antecipadas de um integrante
do grupo que apresentou o projeto e identificou a melhor forma de
contribuição do entrevistado. Ao final das gravações entrevistamos sete
vitimas.
A seguir teremos breve perfil de todos os especialistas e vitimas
entrevistados.
$
57!
3.3.1.$Antonia$Bielecky,$vitima$
Antônia Bielecky, conhecida como Ika, tem 50 anos e é natural de
Ubiratan no interior do Paraná. Casada e mãe de duas filhas. Veio para São
Paulo aos 12 anos de idade. Devido a situação de pobreza e desemprego da
família, foi morar na casa dos tios. No mesmo ano, sofreu abuso sexual pelo
tio que a acariciava durante a noite. Apesar de não ter havido o ato sexual, o
abuso foi um trauma.
Na adolescência foi usuária de drogas. Hoje é casada com um ex-
dependente químico, obteve em sua gravidez forças para seguir uma religião
e se apegar a fé. Desde então, Ika e seu marido participam ativamente de
uma comunidade da Renovação Carismática 18
da Igreja Católica onde dão
palestras sobre seus testemunhos de vida. Acredita que sua vida servirá de
exemplo para que outras pessoas não passem pelos mesmos problemas ou que
tenham forças para superá-los assim como ela o fez.
Em entrevista diz que sua mãe nunca conversara com ela sobre sexo e
que ela descobriu grande parte sozinha ou com os colegas na escola. Hoje, ela
procura manter um diálogo aberto com as filhas, uma delas casada e com
filho, para garantir que elas não tomem decisões erradas ou que enfrentem
sozinhas as dificuldades.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
18
É um movimento da igreja católica que visa oferecer uma abordagem inovadora às formas tradicionais
de doutrinação e renovar práticas tradicionais dos ritos e da mística da Igreja. Disponível em
<http://www.cancaonova.com>.
58!
3.3.2.$Antonio$Serafim$
Formação acadêmica: Graduado em Psicologia - UFPB (1992); Mestrado
em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia (IPUSP, 1999);
Doutorado em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP (2005);
Especialização em Psicologia Hospitalar pelo Hospital das Clínicas HCFMUSP
(1994). Psicólogo Supervisor no Serviço de Psicologia e Neuropsicologia e
Coordenador do Programa de Psiquiatria e Psicologia Forense (NUFOR) do
Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
USP (IPq/HCFMUSP). Docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
Saúde da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Área de pesquisa:
Saúde Mental e Violência, Psicologia Forense e Neuropsicologia.
Entrevista: Com uma duração de aproximadamente vinte minutos,
obtivemos esclarecimentos sobre a diferença entre violência sexual infantil e
pedofilia. Um dos principais objetivos de entrar em contato com um
especialista na área da saúde mental é levar para o nosso espectador, a
informação de que a pedofilia é tratada como se fosse o mesmo que violência
sexual infantil e na verdade é uma parafilia, ou seja, uma doença que deve
ser tratada. Abordamos a diferença entre abusador e pedófilo, o tratamento e
o perfil de cada um, falamos também sobre a visão da sociedade sobre o tema
e a participação da mídia como formadora de opinião.
59!
3.3.3.$Breno$Rosostolato$
Formação acadêmica: Psicólogo Clínico, Terapeuta Sexual e Professor
da Faculdade Santa Marcelina – FASM formado pela Universidade São Judas
Tadeu desde 2004, Psicoterapeuta Clínico especialista em Sexualidade
Humana, pós-graduado em Arteterapia e Hipnose Clínica pela PUC-SP.
Professor universitário do curso de enfermagem e nutrição da Faculdade Santa
Marcelina, campus Itaquera. Professor de psicanálise e psicopedagogia do
Instituto Nacional de Ensino e Qualidade Profissional (INEQ). Colunista do site
Rota do Agito. Autor do livro Escancarado de poesias e está finalizando outro
sobre Sexualidade. Mantém um blog com artigos de sua própria autoria sobre
diversos temas ligados à sexualidade.
Entrevista: A entrevista com o psicólogo clínico e professor Breno
Rosostolato foi pautada em questões que pudessem esclarecer dúvidas
relacionadas ao modo com que a sociedade enxerga o sexo, as diferenças de
gêneros, o conceito de pedofilia como parafilia, tratamento da doença, como
falar sobre sexualidade com as crianças e a influência da mídia para a
formação da sexualidade. De início a pauta para a entrevista não abordava
tantas questões, nem tínhamos tantas expectativas. Porém nos surpreendeu
positivamente o que ele pode acrescentar para a construção do nosso projeto,
se mostrando não apenas disposto a ajudar com o que dispunha do seu
conhecimento, mas também nos incentivando e dando luz a outras vertentes
do tema, que pudemos aprofundar posteriormente.
60!
3.3.4.$Dalka de Almeida Ferrari$
Formação acadêmica: Psicóloga especialista em psicologia clínica e
violência doméstica contra crianças e adolescentes formada pela Clínica
Psicológica da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientae, da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pelo Laboratório de Estudos da
Criança/ USP – Universidade de São Paulo. Hoje, Drª Dalka é Coordenadora
Geral e da Área de Parcerias do Centro de Referência às Vítimas de Violência
(CNRVV), responsável pelo desenvolvimento de projetos na instituição e já
contribuiu para o desenvolvimento dos livros: O fim do silêncio na violência
familiar; Práticas psicoterápicas na infância e na adolescência; e Seminário de
medo e sombra – abuso sexual contra crianças e adolescentes.
Entrevista: A escolha dessa entrevistada se deu por conta da vasta
experiência que ela possui no tratamento de crianças que foram vítimas do
abuso sexual infantil e por estar a frente de uma instituição que é referência
no estado de São Paulo para esse tipo de tema, o CNRVV – Centro de
Referência às Vítimas de Violência. Esclarecemos questões relacionadas ao
impacto que o abuso sexual traz para a vida das crianças e como é feito o
tratamento tanto das vítimas quanto dos familiares e outros envolvidos. Nossa
intenção é passar para o espectador quais as medidas a serem tomadas após
uma situação de abuso e a importância de dar a devida atenção e amenizar os
possíveis traumas da crianças.
$
61!
3.3.5.$Deivid$Couto$
Formação acadêmica: Eleito conselheiro tutelar desde agosto de 2012,
Deivid Couto, é formado em Economia e é graduando do curso de Ciências
Sociais na Faculdade Metodista de São Paulo. Além do trabalho como
Conselheiro, desenvolve outras atividades em comunidades religiosas que
evolvem adolescentes e jovens carentes.
Entrevista: A escolha de um conselheiro para entrevista se deu pela
necessidade de trazer a visão de um representante de um órgão do estado
que, em geral, é o primeiro órgão acionado em casos de violência infantil.
Conversamos sobre casos reais que se mantém no anonimato para preservar as
vítimas e qual foi o procedimento realizado. Compreendemos como devem ser
feitas as denuncias e qual o caminho e procedimentos a serem tomados após a
queixa.
A entrevista teve duração de 55 minutos, foi realizado na sede do
Conselho Tutelar de Diadema. Conversamos sobre as dificuldades de se
prestar um serviço adequado e atender a todos os casos de abuso. Tivemos a
oportunidade de conhecer de perto o dia a dia do atendimento e perceber as
carências desse serviço.
62!
3.3.6.$Edileuza Teixeira Jesus,$vitima$
Edileuza Teixeira Jesus, tem 50 anos e mora na cidade de São Paulo.
Nasceu no município de Imperatriz, no estado do Maranhão. Tinha seis irmãs,
todas eram abusadas pelo pai. Desde os sete anos Edileuza sofria violência
sexual. De acordo com a vítima o pai tinha muita sede de poder e também
vendia a menina para os coronéis da região.
Na infância e na adolescência para esquecer os abusos, Edileuza usava
o álcool como porta de saída. Adquiriu câncer na garganta aos 20 anos de
idade. Veio para São Paulo com dois filhos e passou por muitas dificuldades
financeiras e discussões com o marido. Através de uma amiga ela começou a
freqüentar uma Igreja evangélica. Para Edileuza foi nesse momento que tudo
mudou. Hoje ela conta a sua história em testemunhos, casou novamente,
perdoou o pai que faleceu no final de 2012, e agora é uma mulher feliz.
Realizamos a entrevista com a intenção de abordar a vida da Edileuza,
e mostrar que em muitas regiões o abuso sexual de menores é constante.
Edileuza ficou emocionada em alguns momentos, mas nada impediu de contar
a sua história do começo ao final. “Tem que romper o silencio. Se na minha
época eu tivesse informação eu não tinha passado por isso” afirma Edileuza.
$
63!
3.3.7.$Fátima Panangeiro$
Formação acadêmica: Psicóloga há 18 anos e desde então trabalha na
área de GTAE – Grupo Transdiciplinar de Apoio em Emergências. No ano de
2001 passou a focar nos casos de abuso sexual após realizar especialização em
psicotraumatogia, quando começou a usar as técnicas aprendidas como forma
de tratamento. Além do abuso sexual, também atende dependentes químicos
em seu consultório, localizado em São Paulo-SP.
Entrevista: O critério de escolha da entrevistada foi a ampla
experiência em atendimento de casos de abuso sexual infantil. Com duração
de aproximadamente trinta minutos, a entrevista foi realizada no consultório.
Podemos conhecer brevemente as técnicas utilizadas no atendimento das
vitimas. A entrevista teve foco no conceito do que é abuso sexual infantil, os
traumas e transtornos causados, quais os tratamentos oferecidos, a eficácia
dos mesmos e qual a melhor maneira para prevenir os casos de abusos. Além
de citar anonimamente casos de abuso e como foi o processo de recuperação
e alguns tratamentos com vitimas.
64!
3.3.8.$Helena Hirata$
Helena Sumiko Hirata possui graduação em Filosofia pela Universidade
de São Paulo (USP - 1969) e doutorado em Sociologia política pela Universite
de Paris VIII (1979). Fez a Habilitation à diriger des recherches (HDR) (1997),
equivalente à livre-docência pela Universidade de Versailles-Saint-Quentin-en-
Yvelines. Atualmente é diretora de pesquisa emérita do CNRS (Centre National
de la Recherche Scientifique) no laboratório CRESPPA - equipe GTM (Genre,
Travail, Mobilités) associado às Universidades de Paris 8-Saint-Denis e Paris
10-Nanterre. Sua pesquisa é voltada para a área de Sociologia do Trabalho e
do Gênero.
Entrevista: Como seus estudos não são voltados exclusivamente ao
tema, realizamos a entrevista com o objetivo de abordar a relação histórica
de submissão da mulher, que favoreceu durante muito tempo as situações de
abuso, seja ele físico ou emocional. As perguntas foram abrangentes e pouco
relacionadas à sua área de atuação. Por conta disso, optamos por não utilizar
seu depoimento no webdocumentário para que não fugíssemos do foco
principal do trabalho. Apesar disso, a entrevista nos auxiliou no conhecimento
mais amplo sobre a história da mulher e o contexto das mudanças que
ocorreram e influenciaram também numa alterações de mentalidade da
sociedade. Helena evidenciou que analisando o contexto histórico e cultural
da sociedade, a mulher sempre foi mais “abusada” ou “violada” que o
homem, seja pelo sistema patriarcal que faz do homem superior, ou pelo
próprio pensamento machista que as colocava como submissas aos parceiros.
65!
3.3.9.$Herbert$Rodrigues
Formação acadêmica: Sociólogo, formado em Ciências Sociais pela
Universidade de São Paulo (USP), mestre em antropologia e no momento faz
doutorado em Sociologia, sobre o processo de criminalização da pedofilia no
Brasil. Hoje não trabalha para se dedicar as pesquisas e estudos de doutorado.
Entrevista: A entrevista focou-se na história do sexo, como as pessoas
vêem esse tema, como era visto no passado e a diferença de sexo entre o
homem e a mulher, a inferiorização tanto da mulher, quando da criança, a
imagem de um mundo e como isso permaneceu até hoje na sociedade.
66!
3.3.10.$Irani,$vitima$
Irani tem 53 anos e é a caçula de cinco filhos. De família humilde, é
casada e mora na cidade de Santo André, na região do ABC paulista. O pai de
Irani sofria com problemas de alcoolismo e tinha ela como a filha preferida.
Sofria abuso sexual do pai, apenas por toques, sempre que sua mãe ia a igreja
e os deixava sozinhos. “Ele não chegou a ter o ato sexual comigo, mas muitas
vezes era ousado”, afirma. Ainda criança passou a fugir do próprio pai e
chorava muito, até que resolveu revelar a situação. A mãe de Irani não
acreditou, foi quando a situação piorou, porque ela sabia que não teria mais
ajuda de ninguém. A relação com seu pai sempre foi conturbada, aos 16 anos
se casou para que pudesse sair de casa
Hoje é casada com Nivaldo, que a ajudou na recuperação dos traumas e
a tornou uma mulher feliz. Seu pai faleceu há mais de 30 anos, mas o
sentimento de ódio não morreu junto com ele. “Eu tenho mãe, mas não tenho
pai”, diz ela mesmo depois de tantos anos.
Com a intenção de abordar a vida da Irani, mantivemos o foco nos
problemas da sua infância e relação com o abusador, no caso seu pai, a
superação e os traumas. De forma breve procuramos apresentar o sentimento
que ficou sobre a época de infância.
$
67!
3.3.11.$Jonatas$Lucena$
Formação acadêmica: OAB/SP 285.933, Dr. Jonatas Lucena já atendeu
casos relacionados à pornografia infantil na internet, representando tanto
crianças vítimas de abuso, quanto adultos acusados. Durante a entrevista,
conversamos também sobre a situação atual do combate aos crimes virtuais,
os riscos e os cuidados que devem ser tomados.
Entrevista: A intenção da entrevista foi explicar como a expansão
global da Internet influenciou no aumento da pornografia infantil, como
funciona a legislação criada para impedir o uso inadequado dessa ferramenta
e todos os impactos disso para a quantidade de casos de abuso sexual infantil.
68!
3.3.12.$Juliana,$vitima (nome fictício)$
A entrevistada prefere não ser identificada, tem 35 anos e mora na
cidade de Diadema – SP há 15. Professora de tae-kwon-do. Dar aulas é uma
das atividades que mais gosta de fazer, devido a satisfação que tem em
ensinar algo de bom e de novo as pessoas, principalmente sendo seus alunos
crianças com deficiência. Nascida em Senador Pompeu – Ceará, morou com os
pais e mais 9 irmãos até completar 16 anos de idade, quando veio para São
Paulo.
Juliana, como a chamaremos, tinha 7 anos quando começou a sofrer
violência sexual por parte do irmão, que na época tinha por volta de 16 anos
de idade. Durante muito tempo, isso aconteceu diariamente. Desde os
primeiros abusos, Juliana passou a se comportar de uma maneira diferente
com o irmão, chorava todas as vezes em que ele queria levá-la junto para
fazer as tarefas. Os pais de Girlane não descobriram os abusos.
Devida a situação financeira precária de sua família, sua mãe permitia
que famílias estranhas levassem seus filhos para morar em outros lugares,
iludida por promessas de uma vida melhor e estudos, acreditava estar fazendo
o melhor para seus filhos. Porém, segundo Juliana, nessa casa além de ter que
trabalhar, ainda era molestada por membros da família.
$
69!
3.3.13.$Karen Luana,$vitima$
Karen Luana, 36 anos, mora na região central da cidade de São Paulo-
SP, onde vive com sua mãe e irmã desde que nasceu. O abuso começou
quando Karen tinha 12 anos e estendeu-se até os 29 anos. Em meio a
agressões físicas e psicológicas esta situação se manteve até o dia em que
Karen decidiu contar para uma amiga, que não hesitou em denunciar para a
mãe de Karen as agressões que ela sofria.
Hoje, a história é bem diferente. Com a morte de seu pai dias antes da
entrevista, Karen já demonstra um ar diferente como se “a vida estivesse
começando agora”, frase dita por ela no fim da última conversa que tivemos.
Karen está em tratamento psicológico há cinco anos, e desde então, construiu
uma rede amigos e amigas que passaram pela mesma situação. O apoio que
ela dá e, ao mesmo tempo, recebe dessas pessoas foram essenciais para a
reconstrução de sua vida.
Entrevista: Karen estava ansiosa para a entrevista e mostrou que
estudou todas as perguntas que enviamos como pauta da nossa conversa.
Talvez isso tenha impedido que a conversa fluísse naturalmente e fez com que
a entrevistada respondesse de maneira muito sucinta cada pergunta. Em
apenas 21 minutos, Karen contou de sua infância, sua relação com a família, o
abuso e como vive hoje. Sua psicóloga acompanhou toda entrevista, com olhos
atentos sobre nossas perguntas e a reação de Karen.
70!
3.3.14.$Luiz$Fernando$Rocha
Formação acadêmica: Promotor de justiça criminal do município de
Assis-SP, Luiz Fernando Rocha, também atua como secretário executivo do
GAEMA 19
estadual. É assessor do procurador de justiça do Centro de Apoio
Cível e de Tutela Coletiva. Em 2006, desenvolveu uma tese sobre a
responsabilização do agressor em casos de abuso sexual infantil, analisando a
manifestação dos promotores de justiça frente a esse tipo de caso e fez um
levantamento de dados importantes de processos criminais.
Entrevista: Com cerca de 40 minutos, a entrevista aconteceu no 21 de
setembro às 17hs. Entre as perguntas definidas em pauta, conversamos sobre
o tratamento judicial dado para casos de abuso sexual infantil, as maiores
dificuldades em encontrar provas e determinar punições adequadas a cada
tipo de caso e a importância de conhecer os direitos e deveres de cada
cidadão para o combate do crime.
$
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19
Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente. Disponível em
<http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/cao_urbanismo_e_meio_ambiente/rede_gaema>.
71!
3.3.15.$Márcia$Longo,$vitima$
Márcia Longo, 53 anos, professora de educação infantil. A partir dos
três anos sofreu abusos sexuais do próprio pai, aos nove anos, seu irmão mais
velho também iniciou os abusos. Eles mantiveram-se até os 11 anos de idade,
tanto pelo pai, quanto pelo irmão.
Márcia se casou aos 16 anos e desde então mora longe da família. Hoje
freqüenta um grupo de ajuda as pessoas que sofreram abuso sexual infantil e
ela também contribui com uma organização contra violência. Reside em
Araras para se manter longe da família que, apesar de saberem dos abusos por
uma carta enviada por Márcia, preferem esconder o caso.
A entrevista foi realizada em Araras, São Paulo. Durante seu
depoimento ficou claro que apesar de sofrer os abusos sexuais pelo pai e pelo
irmão, a principal dor foi não ter em quem confiar, uma vez que sua mãe a
julgava culpada. Com duração de aproximadamente uma hora, Márcia pode
contar, além de sua infância, sua relação com seus filhos, sua vida atual e
superação. Hoje Márcia gosta de expor sua história para ajudar quem também
passou por isso e conscientizar as pessoas de que o abuso sexual infantil pode
estar em qualquer lugar, principalmente dentro de casa.
72!
3.3.16.$Marjori$de$Lima$Macedo$
Formação Acadêmica: Psicóloga de formação, pós graduada em Teoria
Psicanalítica pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), Marjori de Lima
Macedo, é coordenadora do núcleo de Santo André do CRAMI (Centro Regional
de Atenção aos Maus Tratos na Infância), organização não-governamental, na
qual entrou como voluntário em 2005 e foi contratada em 2007. Trabalhou
com violência infantil, auxiliando no tratamento tanto das crianças, quanto
das famílias.
Entrevista: A entrevista teve foco na instituição CRAMI, como uma das
soluções encontradas para quem sofreu abuso sexual infantil, como é o
processo de denúncia, quais as famílias que podem ser atendidas e como são
esses atendimentos. Além da explicação e conceito de violência doméstica,
exploração sexual, pedofilia, abuso sexual infantil e as leis de proteção das
crianças.
73!
3.3.17.$Rafaella Rizzo$
Rafaella Rizzo, tem 23 anos. Desde que nasceu Rafaella mora com os
pais e a irmã mais nova, em um prédio no centro da cidade de São Paulo. É
estudante do curso de Jornalismo na FAPCOM - Faculdade Paulus de
Tecnologia e Comunicação. Cursando o 4º ano de faculdade, Rafaella trabalha
como repórter na Folha Universal de SP.
Na infância teve problemas com o pai que era alcoólatra. Com 12 anos
sofreu abuso sexual do porteiro de seu prédio. Não houve penetração, porém
houve sexo oral. O episódio não se repetiu. Segundo relatos da vítima, após o
abuso passou a ser menos tímida, e sexualmente ativa. Começou a beber usar
cigarro, e se relacionar com homens e mulheres.
Depois de várias experiências ruins, como relata Rafaella, ela livrou-se
de todos os traumas com a ajuda de Deus. Foi através da Igreja que se
restabeleceu emocionalmente. Rafaella entendeu o significado de moral e
ética. Atualmente ela ajuda através da Igreja outras vítimas de abuso a
superarem o trauma e encontrar uma luz no fim do túnel.
Mantivemos o foco em mostrar que o abuso pode acontecer em
qualquer lugar. Outro objetivo foi mostrar que mesmo o abuso não
acontecendo freqüentemente ou de uma maneira agressiva, quando se trata
de violência sexual, ela deve ser denunciada. “A minha raiva nem é tanto
contra o agressor é a sociedade que permite isso continuar acontecendo, as
pessoas que ainda fecham os olhos para a situação” relata Rafaella Rizzo.
74!
3.3.18.$Sandra$Duarte$
Formação Acadêmica: Teóloga. Mestre (1995) e Doutora (1999) em
Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Graduada em
Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista (1992) e em Serviço
Social pela Faculdade Paulista de Serviço Social (1989). É professora do
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião/Universidade Metodista
de São Paulo. Concentra suas pesquisas e atuação docente em Sociologia da
Religião. Coordena o Núcleo de Estudos Teológicos sobre a Mulher na América
Latina do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião/Universidade
Metodista de São Paulo. É editora da Revista Mandrágora do mesmo Programa.
Entrevista: Esclarecermos questões relacionadas à submissão da mulher
na sociedade e o quanto isso pode ter influenciado para que a mulher ainda se
mantenha omissa diante das situações de abuso que os filhos são submetidos.
Tratamos como a submissão da mulher contribui para a incidência
desses crimes dentro da própria casa. Abordamos as questões relacionadas à
visão da sociedade sobre o sexo e as diferentes visões do homem e da mulher
sobre o assunto. A professora Sandra se deteve também na construção da
hierarquia, na qual se insere a questão da inferioridade da mulher e da
superioridade do homem, definidas unicamente a partir do seu gênero. Além
de questões relacionadas a cultura da sociedade, a dominação social e a
educação feminina e masculina a respeito do sexo.
75!
3.3.19.$Sílvia$Chakian$
Promotora de justiça há 14 anos, atua como Coordenadora e Secretária
Executiva do Grupo de Enfrentamento a Violência Doméstica do Ministério
Público – GEVID – Núcleo Central. Integra a Comissão Permanente de Violência
Doméstica do Grupo de Direitos Humanos.
Entrevista: Optamos por abordar questões legais, como por exemplo, a
pena para agressores ou abusadores, bem como o processo que ocorre desde a
denúncia até o julgamento de um crime doméstico. Para a promotora, o
Ministério Público atua de maneira mais moderna e eficaz nos casos que
recebem, proporcionando além do acompanhamento às vítimas uma
reeducação aos agressores. Dra. Silvia também explicou sobre a cartilha
“Mulher, vire a página”, que oferece instruções simples de como prevenir as
situações de violência doméstica e quais delegacias procurar em caso de
registro de alguma ocorrência. Revelou também que o abuso sexual infantil
está presente em muitos dos casos onde além de agredir o cônjuge, o agressor
abusa dos filhos, devido o estado de submissão e medo com que todos são
colocados.
$
76!
$
3.3.20.$Fala$Povo$
Além dos especialistas e vitimas realizamos entrevistas nas ruas, o que
chamamos de fala povo. Com ele, tínhamos o objetivo de trazer a opinião da
população sobre os assuntos abordados. A escolha dos locais foi feita para
obtermos uma amostragem diferenciada de opiniões. As gravações foram
feitas na Avenida Paulista, em São Paulo, no Parque Central da cidade de
Santo André e na Rua Coronel Oliveira Lima, também na cidade de Santo
André. No total foram trinta e três pessoas entrevistadas para o fala povo.
Durante as entrevistas duas pessoas se identificaram como vitimas de
abuso sexual infantil, porém, mesmo com a permissão para utilizarmos essas
informações, optamos por manter a estrutura proposta no roteiro. Abaixo uma
lista de todas as pessoas entrevistadas.
Maria Soledade, dona de casa
Fabiana Gomes, dona de casa
77!
Tiago Vieira, montador
Calixto Palhares, metalúrgico
Bruna Cojoroski, dona de casa e Jeferson
Ribeiro, consultor técnico
Sidney de Souza, mecânico
78!
Ana Ortiz, agente escolar e Iliene Ortiz,
funcionária de creche
Solange, inspetora de qualidade e Ana
Caroline, funcionária pública
Roberto, metrologista e Andrea Cristina,
dona de casa
Devido problemas com a gravação não
registramos os nome deste personagem,
portanto não o utilizamos.
79!
Fabiana Almeida, auxiliar financeira e José
Carlos Ferreira, empresário
Isaias Alexandre, soldador e Raquel
Lacerda, dona de casa
Selma Lima, funcionária pública
Rodolfo Alves, pantologista e Maria
Lourenço, operadora de telemarketing
80!
Devido problemas com a gravação não
registramos os nome deste personagem,
portanto não o utilizamos.
Tércia Ferraro,bibliotecária e Ticiane
Ferraro, artesã
Arthur Andrade, funcionário da área de
hotelaria
Camila Gonçalves, Gerente Comercial
81!
Eliseo Ayabe, aposentado
Maria Souza, dona de casa
Maria José, empregada doméstica
Edimilson, porteiro
82!
Everton Carlos dos Santos, auxiliar
administrativo
Vital Cordeiro, aposentado
Ernesto Fiori, empresário
83!
3.4. Gravações e equipamentos utilizados
Após o contato com todos os entrevistados iniciamos o agendamento
das entrevistas e gravações. Inicialmente planejamos realizar todas as
gravações no mês de setembro, porém, devido a indisponibilidade dos
especialistas, estendemos o prazo. Todas entrevistas contaram com a
presença de pelo menos um integrante do grupo de jornalistas e sempre com
a presença de nosso grupo, pois nós fomos os responsáveis pela gravação dos
depoimentos. Abaixo a agenda de gravações realizada e o tempo de gravação.
Agenda de Gravações
Data Nome Tempo
22/08/2013 Dalka Ferrari 0:23:02
01/09/2013 Rafaella Rizzo, vítima 0:38:09
02/09/2013 Antonio Serafim 0:22:23
06/09/2013 Breno Resostolato 0:37:50
06/09/2013 Antônia Bielecky, vítima 0:46:22
07/09/2013 Márcia Longo, vitima 0:56:05
13/09/2013 Helena Hirata 0:20:03
15/09/2013 Irani Pereira, vitima 0:38:29
15/09/2013 Edileuza Teixeira, vítima 1:28:44
16/09/2013 Sandra Duarte (Cancelada no dia) 0:00:00
17/09/2013 Fátima Panangeiro 0:24:22
17/09/2013 Karen Luana, vítima 0:19:12
18/09/2013 Luiz Eduardo 0:41:22
19/09/2013 Herbert Rodrigues 0:52:22
20/09/2013 Deivid Couto 0:54:13
20/09/2013 Juliana, vitima 0:40:42
23/09/2013 Silvia Chakian (Cancelada no dia) 0:00:00
24/09/2013 Sandra Duarte 0:49:06
25/09/2013 Marjori Macedo 0:31:29
26/09/2013 Jonatas Lucena 0:21:23
28/09/2013 Fala Povo - Parque Central de Santo André 0:34:26
28/09/2013 Fala Povo - Rua Coronel Oliveira Lima 0:27:21
30/09/2013 Silvia Chakian 0:25:44
11/10/2013 Fala Povo - Paulista 0:35:17
Total 13:48:06
84!
A captação de todos os depoimentos foi realizada com duas câmeras e a
gravação do áudio feita em redundância. Todo equipamento utilizado é de
propriedade do nosso grupo, exceto por um microfone utilizado durante o fala
povo, que é de propriedade da Universidade Metodista de São Paulo. Nenhum
equipamento de iluminação foi utilizado, para não influencia na aparência do
local. Todos os depoimentos foram gravados em ambientes comuns aos
entrevistados, suas casas ou local de trabalho. Na maioria das vezes os
entrevistados tinham pouco tempo para nos receber, o que nos impediu de
gravarmos imagens complementares, pouca coisa foi gravada além dos
depoimentos.
Figura 23: Gravação com Rafaella Rizzo e Márcia Longo.
A captação das entrevistas foi feita na resolução de 1920x1080 a 30 fps,
quadros por segundo. As câmeras foram fixadas e permaneceram estáticas
durante todo o depoimento. Utilizamos lentes com abertura de 2.8, o que
proporcionou uma menor profundidade de campo, permitindo assim que
pudéssemos destacar o entrevistado desfocando o cenário atrás dele. O
posicionamento das câmeras foi escolhido para obtermos duas imagens, a
primeira mais aberta, que pudesse mostrar o personagem gesticulando
enquanto fala e o ambiente, a segunda mais próxima, prioriza o rosto e a
expressão do personagem. O posicionamento das câmeras pode ser observado
no diagrama a seguir.
85!
Figura 24: Mapa de posicionamentos das câmeras.
O equipamento utilizado é compacto e pode ser guardado e
transportado em apenas uma mesma mochila, com exceção de dois tripés.
Isso nos ajudou muito, pois muitas vezes o local da entrevista só era definido
quando chegávamos ao local que o entrevistado estava, essa locomoção e
acomodação seria inviável com equipamentos maiores, ou mais pesados. A
seguir poderemos ver uma lista com todo equipamento utilizado na gravação
deste webdocumentário.
Equipamentos utilizados
Quantidade Item
2 Canon EOS Rebel T3i
1 Lente Sigma 17-50mm F2.8
1 Lente Canon 50mm F1.8
1 Lente Canon 70-300mm F3.5-4.5
1 Gravador Digital Zoom H1
1 Gravador Digital Zoom H4n
1 Microfone de Lapela Leson Ml70s
1 Tripé Weifeng WT-3770
1 Tripé Benro KH25
1 Mochila Fancier King Kong 30
1 Microfone Sennheiser MZW 70-1
2 Cartão SD SanDisk 45MB/s
86!
Além das entrevistas, sentimos a necessidade de produzimos imagens
que foram usadas para ilustrar o documentário. Além de compor aberturas e
fechamentos de blocos. Destas imagens foram retirados fotogramas usados
como plano de fundo nas páginas do webdocumentário. Abaixo alguns dos
fotogramas utilizados para compor o webdocumentário.
Figura 25: Fotogramas utilizados como planos de fundo do site.
Foram mais dois dias de gravação realizados. O primeiro foi realizado
no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Com as filmagens pretendíamos fazer
imagens de playgrounds, crianças brincando, famílias, casais etc. Todas as
imagens de pessoas foram desfocadas propositalmente, para preservar as
identidades. As imagens de pessoas em foco foram alteradas na pós produção.
Figura 26: Fotografias feitas durante a gravação no Parque do Ibirapuera
87!
O segundo dia de gravação foi realizado com o objetivo de captar
imagens que poderiam ilustrar o depoimento das vitimas. As imagens não
poderiam abordar o tema de forma agressiva, portanto escolhemos criar cenas
com bonecos de pano. Assim teríamos imagens da família reunida, o pai com a
família, a criança triste, tudo de forma lúdica e mantendo a identidade
infantilizada do vídeo. A gravação foi feita em uma das residências dos
integrantes, pois precisamos de um ambiente com luz controlada onde
pudéssemos montar os brinquedos. Durante a edição optamos por não utilizar
as imagens dos brinquedos.
Figura 27: Fotografias feitas durante a gravação e fotograma.
Todo o material bruto gravado resultou em 578 Gigabytes. Portanto
precisamos adquirir um HD externo, que acomodasse todo conteúdo. Um HD
externo com porta USB 2.0, ou até mesmo 3.0, não oferece a velocidade de
transferência de arquivos suficiente, para utilizarmos os vídeos em alta
resolução, com eles armazenados no HD externo. A solução que encontramos
foi comprarmos um HD externo LaCie com capacidade de 1 Terabyte e porta
serial Thunderbolt, que oferece uma taxa de transferência de arquivos
superior.
3.5. Custos
Durante está produção tivemos poucos gastos, pois já possuíamos todos
os equipamentos necessários e as tarefas exercitas foram todas feitas
exclusivamente por membros do grupo, não precisamos contratar nenhum
88!
profissional que nos ajudasse em algum aspecto do trabalho. Abaixo uma lista
com os gastos.
Despesas Valor Unitário Valor Total
HD Lacie de 1TB Thunderbolt e USB 3.0 R$ 420,00 R$ 420,00
Pilha Alcalina Pequena AA- Duracell R$ 16,99 R$ 44,50
Registro de domínio – 1 ano R$ 30,00 R$ 30,00
Servidor Hostgator - Plano P – 3 meses R$ 44,97 R$ 44,97
Gasolina - 2 Viagens para Araras – SP R$ 100,00 R$ 200,00
Pedágio - 2 Viagens para Araras – SP R$ 51, 60 R$ 103, 20
Família de bonecos de Pano R$ 40,00 R$ 40,00
Móveis de madeira para bonecas R$ 70,00 R$ 70,00
Carrossel musical em madeira R$ 52,00 R$ 52,00
Caixinha de musica Piano R$ 42,00 R$ 42,00
Total R$ 867,56 R$ 1.046,27
3.6. Design das telas e programação
Após a escolha do tema e até o desenvolvimento do pré-roteiro,
percebemos que uma das maiores dificuldades de falar sobre o tema abuso
sexual infantil e pedofilia, é que as pessoas não se sentem confortáveis, pois o
tema incomoda e, obviamente, não é agradável. Isso apenas contribui para
que o problema continue existindo, ou que ainda existam mitos relacionados
ao assunto. A falta de informação contribui para um cenário cada vez pior.
Portanto, um objetivo claro desde o inicio do projeto, foi que trataríamos o
tema da forma mais leve possível, para que as pessoas não se incomodem ao
acessar nosso webdocumentário. O design contribuiu muito para este aspecto.
No semestre anterior ao desenvolvimento deste webdocumentário,
iniciamos a produção de um projeto, que visava nos capacitar e guiar para a
89!
produção deste TCC. Neste projeto propomos uma primeira possibilidade de
design para o webdocumentário, mesmo antes do desenvolvimento do pré-
roteiro e gravação das entrevistas, apenas para fins de estudo. Abaixo as
propostas desenvolvidas.
Figura 28: Proposta de design da home do webdocumentário.
Figura 29: Proposta de design de tela do webdocumentário.
90!
Figura 30: Proposta de design da tela dois do webdocumentário.
Nesta proposta, teríamos o conteúdo organizado em quatro temas
principais, especialistas, o lado da lei, testemunhas e na internet. Dentro de
cada tópico teríamos acesso a diversos depoimentos sobre o tema escolhido.
Após a seleção do depoimento teríamos uma tela que disponibilizaria
materiais relacionados, em diversos formatos, vídeo, fotografias, áudio, dados
estatísticos e um espaço para comentários.
Quando iniciamos a produção do pré-roteiro, optamos por abandonar
estas propostas, pois foram desenvolvidas a partir de um conhecimento
superficial sobre o tema. Portando desenvolvemos novas propostas a partir do
pré-roteiro produzido. Levamos em consideração a não linearidade do roteiro
e ainda adicionamos algumas páginas não presentes no roteiro. Como as
páginas “Sobre o projeto”, com breve descrição do projeto, “Extras”, com
material disponibilizados na internet e apenas reunidos aqui, além da página
“Equipe”, com um breve perfil de todos os integrantes do grupo. A seguir
teremos o design escolhido para o webdocumentário.
91!
Figura 31: Design da tela de seleção de capítulos do webdocumentário.
A cada etapa que o usuário avançar ele será apresentado à essa tela
com as opções disponíveis para ele prosseguir, como previsto no pré-roteiro.
Após a seleção do capítulo o usuário verá um vídeo e simultaneamente serão
disponibilizadas a direita do vídeo informações relevantes ao tema. Os dados
surgiram de acordo com o assunto discutido no vídeo, as informações serão
alteradas dinamicamente, de acordo com o tempo do vídeo. Porém dependerá
do usuário ver as informações completas se desejar, interagindo com os
gráficos.
Abaixo do vídeo também teremos uma breve descrição de todas as
pessoas que aparecem no capítulo selecionado. Essas informações ficarão
disponíveis durante todos o capítulo. Após o término do vídeo o usuário será
encaminhando automaticamente para a próxima tela de seleção de capítulos.
92!
Figura 32: Tela de visualização do capítulo com interações laterais.
Durante o processo de pesquisa encontramos diversos materiais
disponibilizados gratuitamente por instituições e órgãos do governo. Uma
série de teses e dissertações sobre o assunto também foi encontrada, sendo
diversas delas utilizadas como fonte de estudos. Na página de extras
disponibilizamos alguns materiais encontrados, tanto direcionados ao público
infantil como para quem deseja estudar e conhecer mais sobre o assunto.
Figura 33: Proposta de tela de material extra.
93!
Todos o vídeos foram publicados no site Youtube20
e inseridos em nosso
documentário. Essa escolha nos poupou espaço de armazenamento no servidor
utilizado para publicar o documentário e possibilitou o uso de um serviço de
publicação de vídeo popular e acessível. Uma das vantagens de utilizar os
serviços do Youtube, é contar com o sistema de controle de qualidade do
vídeo, que identifica a melhor resolução para o usuário, de acordo com sua
velocidade de conexão com a internet.
Para o desenvolvimento das páginas do webdocumentário utilizamos
HTML, CSS e Javascript. Não houveram muitos pontos complexos no
desenvolvimento das páginas, pois não necessitamos de recursos avançados de
navegação, são páginas simples. O único recurso diferenciado que utilizamos
foi o de relacionar as informações laterais com o tempo do vídeo. Para isso,
precisamos estudar o guia de referencia do próprio Youtube, para a criação de
JavaScript Players.
Para utilizarmos os recursos oferecidos pelo Youtube para o
desenvolvimento de players customizado, não podemos utilizar os recursos de
integração de vídeos mais comuns, conhecidos como embeds. Necessitamos
utilizar uma função em JavaScript que inseriu o vídeo em um elemento
determinado do HTML. Assim podemos obter o tempo de execução do vídeo,
em segundos, inseri-lo em uma variável e, a partir deste ponto, utilizá-lo. A
seguir vejamos o código necessário para a incorporação do vídeo na página.
<script type="text/javascript">
var params = { allowScriptAccess: "always" };
var atts = { id: "myytplayer" };//id do div que receberá o vídeo
swfobject.embedSWF("http://www.youtube.com/v/Z5f_FV0m_Jc?enablejsapi=1
&playerapiid=myytplayer&autoplay=1&fs=0&version=3&rel=0",
"ytapiplayer", "550", "340", "8", null, null, params, atts);
function onYouTubePlayerReady(playerId) {
ytplayer = document.getElementById("myytplayer");
}
</script>
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
20
Fundado em fevereiro de 2005 o Youtube é uma plataforma de distribuição para criadores de conteúdo
original e para grandes e pequenos anunciantes. Disponível em <http://www.youtube.com/yt/about/pt-
BR>.
94!
A partir deste ponto, utilizamos uma função que verifica o tempo de
execução a partir do ID do elemento que recebeu o vídeo. Com estes dados
em mãos, conseguimos fazer testes e disparar eventos, assim pudemos ocultar
e revelar as informações de acordo com as instruções pré-programadas.
Utilizamos duas funções principais, uma que testava a cada 100 milésimos de
segundos, qual gráfico seria exibido e outra que ocultava e revela os gráficos.
A seguir podemos visualizar as duas funções respectivamente.
<script type="text/javascript">
function updateTime(){
var timeVideo = myytplayer.getCurrentTime();
if (timeVideo > 0 && timeVideo < 98) {
MudarGrafico('#grafico_01');
}
else if (timeVideo >= 98 && timeVideo < 153) {
MudarGrafico('#grafico_02');
}
else {
MudarGrafico('#grafico_03');
}
setInterval(updateTime, 100);
function MudarGrafico(id_grafico) {
document.getElementById("grafico_01").style.display="none";
document.getElementById("grafico_02").style.display="none";
document.getElementById("grafico_03").style.display="none";
document.getElementById("id_grafico").style.display="block";
</script>
O webdocumentário é compatível com os principais navegadores
disponíveis no mercado. O acesso via dispositivos móveis não permite uma
experiência completa, pois identificam de forma diferente vídeos
incorporados do Youtube. Os vídeos poderão ser visualizados, porém as
informações laterais não estarão relacionadas com o tempo de execução do
vídeo.
95!
3.7. Roteiro, montagem e edição
Após realizarmos todas as gravações, partimos para o processo de
decupagem, onde transcrevemos características de cada trecho da entrevista,
assim como o tempo onde ele se encontra no vídeo. Esse processo foi
fundamental para podermos localizar facilmente as informações pertinentes a
cada capítulo e conectá-las, para finalmente desenvolvermos um roteiro final
de edição. Todas decupagens foram feitas pelo grupo parceiro.
O processo de construção dos roteiros foi dividido entre os dois grupos.
A primeira versão de todos os roteiros foi desenvolvida pelo grupo de
graduandos em jornalismos, porém como as integrantes do grupo não tinham
muita experiência com produção audiovisual, os roteiros eram revisados e
finalizados pelo nosso grupo. Assim eles puderam incluir as informações
necessárias e nós as reordenávamos, cortávamos ou adicionávamos, a fim de
compor o ritmo de edição dos capítulos.
Como este webdocumentário possui uma estrutura diferente de
documentários mais convencionais, necessitamos elaborar um novo modelo de
roteiro. Convencionalmente um roteiro de edição de um documentário comum
é composto por duas colunas, uma de áudio e outra com o conteúdo que será
exibido em vídeo. Nós precisamos desenvolver um roteiro diferenciado, nós
adicionamos uma nova coluna a este modelo de roteiro, uma coluna com as
informações laterais. Assim mantivemos a relação do que está sendo
transmitido em vídeo, áudio e disponibilizado em informações
complementares. O roteiro de todos os blocos estarão disponíveis nos anexos
deste trabalho.
Quando iniciamos a construção dos roteiros, definimos que não haveria
uma figura única que representasse uma autoridade que fala sobre o assunto,
como um narrador ou apresentador. Decidimos manter uma postura, onde a
relação do documentário com o público poderia ser resumida como eles falam
disso pra vocês. Eles são as pessoas envolvidas no tema, especialistas e
vítimas, disso é o tema do documentário, abuso sexual infantil e pedofilia, e
96!
você é qualquer pessoa que tenha relação com crianças e queira
conscientizar-se sobre o assunto.
Nosso webdocumentário pode ser classificado, conforme discutido no
primeiro capítulo deste projeto, como um documentário expositivo. A
principal preocupação no desenvolvimento do roteiro foi manter um discurso
coerente, que mantivesse a atenção do usuário e o conscientizasse sobre o
tema. Para isso planejamos o roteiro dentro de uma estrutura retórica, como
discutido no primeiro capítulo.
A escolha dos entrevistados, especialistas, vítimas e povo, foi feita com
foco nos três tipos de provas que podem existir em um discurso. Cada tipo de
entrevista visava criar essas provas e fortalecer os argumentos apresentados.
A seguir veremos a relação de cada tipo de prova com os entrevistados.
Provas éticas preocupam-se em expor o caráter moral e a credibilidade
do argumento. Por este motivo contatamos psicólogos, historiadores,
advogados, conselheiros tutelares, advogados etc. Todos os blocos foram
conduzidos por pessoas que representam, para o público, uma autoridade
sobre o assunto, alguém que tem propriedade para falar.
Provas emocionais preocupam-se com a emoção do público, pretendem
evocar um certo estado de espírito, favorável ao ponto de vista apresentado.
As vitimas foram as responsáveis por expor suas histórias e cativar o público.
Provas demonstrativas preocupam-se com o raciocínio, pretende
demonstrar e comprovar determinada questão. As entrevistas com a
população em muitos momentos foi utilizada para expor opiniões equivocadas,
demonstrando assim a necessidade da conscientização sobre o assunto.
97!
Figura 34: GC para identificação o entrevistado.
Outro elemento que contribuiu para a construção de provas, foram as
inserções de vídeos externos em nosso documentário. Utilizamos reportagens
de telejornais, trechos de filmes, anúncios publicitário, ilustrações e
campanhas do governo, para ilustrar e fortalecer os argumentos apresentados.
Além da utilização de trilhas sonoras, para construção de um estado de
espírito favorável aos pontos de vista apresentados.
Figura 35: Inserção de vídeo com créditos.
98!
As inserções de materiais externos foram, em sua maioria, feitas com
uma imagem que envolvia o vídeo e trazia informações de origem do material.
Essa foi uma opção estética, que também auxiliou na divulgação da origem do
material utilizado. Além disso, permitiu que utilizássemos vídeos com
resolução inferior a dos depoimentos, pois o vídeo inserido não era distorcido
para preencher a tela inteira.
Figura 36: Inserção de reportagem policial com créditos.
A edição dos vídeos foi feita no programa Adobe Premiere Pro CS5. As
imagens e ilustrações foram produzidas com o Adobe Fireworks CS5. Os
elementos animados foram produzidos com o Adobe After Effects CS5. A
edição e tratamento do áudio foi feita com o Audacity 2.0.3.
O enquadramento de câmera escolhido, com o personagem posicionado
à direita ou esquerda do vídeo, nos possibilitou utilizar o espaço vazio para a
inserção imagens que enfatizam e ilustram o discurso. Para isso destacamos
palavras ditas, ou inserimos ilustrações relacionadas. O design dessas
inserções manteve-se de acordo com as inserções de matérias, trechos filmes
etc. Uma textura de papel e traços simples mantiveram a aparência infantil
das ilustrações.
99!
Figura 37: Ilustração sobre vídeo do bloco C1.
A imagem padrão utilizada para os títulos de cada bloco manteve a
mesma estética, assim como as fontes utilizadas. Optamos por utilizar
imagens positivas, como brinquedos e uma família feliz nos títulos, ao invés
de imagens de alguém tentando se aproximar da criança ou seduzi-la. Apesar
de utilizarmos imagens como essa nas inserções que ilustram os depoimentos.
Figura 38: Titulo do bloco A1.
100!
A duração de cada capítulo varia, porém todos tem em media cinco
minutos. O tempo mínimo encontrado é de 0:46 do vídeo de abertura, o
tempo máximo é de 8:06 do bloco A3, História, sexo e sociedade. O caminho
mais longo que o usuário pode percorrer tem 21:23 de duração, enquanto o
mais curto tem 16:12. Abaixo uma lista com o titulo de todos os capítulos e
sua respectiva duração.
• Abertura – Um novo olhar – 0:46
• A1 - Abuso Sexual ou Pedofilia? - 4:45
• A2 - Onde acontece - 6:03
• A3 - História, sexo e sociedade - 8:06
• B1 – Rafaella e Juliana - 5:10
• B2 – Márcia e Antônia - 4:31
• B3 – Irani e Edileuza - 3:56
• C1 – Proteção, denúncia e legislação - 4:46
• C2 – Trauma e tratamento - 4:10
• D – Prevenção e Combate - 2:35
Essas foram todas as etapas percorridas na produção deste
webdocumentário. Um breve relato das etapas também estarão disponíveis na
página que descreve o projeto, dentro do próprio webdocumentário. O
registro destas atividades, serviu não apenas para compor este TCC, mas
também para refletirmos sobre decisões corretas, ou não, tomadas no
percurso.
101!
6. Considerações Finais
Após a pesquisa realizada neste trabalho, podemos vislumbrar muitas
possibilidades na forma de se criar uma narrativa documental em hipermídia.
Desde o primeiro momento, e durante todo o percurso, percebemos que
poderíamos contribuir humildemente com o modo como vemos este novo
formato e também colaborar com seu amadurecimento.
Apesar de ser um gênero relativamente recente, o webdocumentário
tem o poder de tratar os mais diversos temas, assim como o documentário,
porem com novas ferramentas para envolver, cativar, e até mesmo dar voz ao
expectador. A narrativa documental continua representando um ponto de
vista do cineasta, porém agora o usuário pode escolher, levando em
consideração suas próprias experiências, quais destes pontos irá acessar. O
expectador deixa timidamente sua postura passiva e passa a contribuir na
construção do discurso.
Se pensarmos no nível de sofisticação que as narrativas ficcionais
interativas possuem hoje, como é o caso dos games, é fascinante imaginar as
possibilidades de aplicação disso no campo da narrativa documental em
hipermídia. Com o avanço tecnológico, quem sabe como serão os
documentários na próxima década?
Em nosso projeto produzimos uma narrativa não-linear, oferecendo
opções ao usuário. Disponibilizamos informações que complementavam o
material apresentado em vídeo. Construímos uma plataforma que visava ser
agradável aos usuários. Porém notamos que nada disso seria útil, se o discurso
exposto não acata-se os princípios da narrativa documental clássica e os
princípios do discurso retórico. A preocupação com os argumentos
apresentados e o discurso construído deve ser constante. Todos argumentos
sempre devem obedecer os três principais requisitos, devem ser verossímeis,
convincentes e comoventes.
8. Referencias Bibliográficas
APPLE, Wendy; HARRIS, Mark Jonathan. The cutting Edge: the magic of movie
editing. [Filme-vídeo]. Direção de Wendy Apple. Estados Unidos, A.C.E.;
British Broadcasting Corporation (BBC); NHK Enterprises; TCEP Inc., 2004.
DVD/NTSC, 98 min. color. dolby digital.
BAUER, Marcelo. Os webdocumentários e as possibilidades na narrativa
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BAUER, Marcelo. Rio de Janeiro: Autorretrato. Disponível em
<http://www.riodejaneiroautorretrato.com.br>. Acesso em: 01 jun. 2013.
BAUER, Marcelo. São Paulo, 7 de janeiro de 2010. Mas, afinal, o que é um
Webdocumentário. Disponível em:
<http://webdocumentario.com.br/webdocumentario/index.php/para-saber-
mais/mas-afinal-o-que-e-webdocumentario>. Acesso em: 01 jun. 2013.
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influencia na produção da hipermídia. Dissertação apresentada como
exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Comunicação e
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CASTRO, Guilherme. Documentário, realidade e ficção. Rev., v.3 n 5, 2005.
Disponível em: <http://www.revistaav.unisinos.br/index.php?e=8&s=9&a=45>.
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COMPARATO, Doc. Da criação ao roteiro: teoria e prática. 2.ed. São Paulo:
Summus, 2009. 494 p.
EISENSTEIN, Sergei. O Sentido do Filme. 2.ed. São Paulo. Zahar, 2002. 160 p.
FILHO, Eliseu de Souza Lopes. Animação e Hipermídia: trajetória da luz e
sombra aos recursos midiáticos. Dissertação apresentada como exigência
parcial para a obtenção do título de Mestre em Comunicação e Semiótica –
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP. 2007.
GONZALES, Felipe; MACIEL, Marina; ANJOS, Mirtes. A força da palavra.
Disponível em <http://www.aforcadapalavra.com.br>. Acesso em: 01 jun.
2013.
GOSCIOLA, Vicente. Roteiro para as novas mídias: do cinema às mídias
interativas. 3.ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2003. 279p.
103!
LAMBERT, Olivier; SALVA, Thomas. Brèves de trottirs. Disponível em
<http://paris-ile-de-france.france3.fr/brevesdetrottoirs>. Acesso em: 01 jun.
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vídeos mais incríveis do mundo. Acesso em: 27 set. 2013.
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2008. 275 p.
OLIVEIRA, A. P. S.; CARMO-ROLDÃO, I. C. do.; BAZI, R. E. R. Documentário e
video-reportagem: uma contribuição ao ensino de telejornalismo. 9º Fórum
Nacional de Professores de Jornalismo. Rio de Janeiro. Abril de 2006.
Disponível em: <http://www.fnpj.org.br/dados/grupos/documentario-e-
video-reportagem-uma-contribuicao-ao-ensino-de-telejornalismo[75].pdf>.
Acesso em: 24 set. 2013.
PEREIRA, F. Da responsabilidade social ao jornalismo de mercado: o
jornalismo como profissão. Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/pereira-
fabio-responsabilidade-jornalista.pdf>. Acesso em 24 set. 2013.
SANTAELLA, Lúcia. Matrizes da linguagem e pensamento: Sonora, visual e
verbal. 3.ed. São Paulo, SP: Iluminuras: FAPESP, 2005. 431 p.
SILVA, D. A.; SCHOMMER, P. C. Responsabilidade social na mídia: o papel dos
meios de comunicação e dos jornalistas como atores sociais no Brasil e na
Argentina. Disponível em:
<http://lasociedadcivil.org/docs/ciberteca/Ponencia_Daniela_de_Assis_Silva.pdf>.
Acesso em: 24 set. 2013.
SOARES, Sérgio J. Puccini. Documentário e roteiro de cinema: da pré-
produção à pós-produção. Tese apresentada para a obtenção do título de
Doutor em Multimeios – Universidade Estadual de Campinas. 2007.
104!
9. Filmografia
A Bruxa de Blair. Direção: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez. Haxan films,
1999. 81 min. DVD-Video, dublado, color.
FORREST Gump: o contador de histórias. Direção: Robert Zeimeckis.
Paramount Pictures, 1994. 142 min. Streaming, dublado, colorido.
Ilha das Flores. Direção: Jorge Furtado. Casa de Cinema de Porto Alegre,
1990. 13 min. Disponível em: <http://youtu.be/KAzhAXjUG28>. Acesso em: 15
de out. 2013. Colorido.
Prazer, meu nome é automutilação. Desenvolvido por André Luiz Cassanelli,
Mariana Campos Barroso, Renata Toledo Cardoso, Yuri Stapelbroek. Projeto
Experimental de Conclusão de Curso de Rádio, Televisão e Multimídia do
Grupo Universitário IPEP. Campinas, SP. 2011. 23 min. Disponível em:
<http://youtu.be/FIsIg3ZfAhE>. Acesso em: 15 de out. 2013. Colorido.
Pacific. Direção: Marcelo Pedroso. Vitrine Filmes, 2009. 72 min. Disponível em
<www.pacificfilme.com>. Acesso em: 20 nov. 2013.
Um filme sobre o amor. Produção independente de Cesar Mesquita, Matheus
Maia e Ricardo Rodrigues. 2012. 11 min. Disponível em:
<http://youtu.be/_U7UUoNWJvA>. Acesso em: 01 jun. 2013.
105!
10. Anexos
Anexo 1 – Roteiro não-linear: O cão, o gato e o rato
1 – Em um pet shop, distante do centro da cidade o novo funcionário
saiu antes de seu horário para uma comemoração e esqueceu três gaiolas
abertas, ocasionando a fuga de três animais, um cão, um gato e um rato.
• Se você deseja acompanhar a história do cão, vá para o item 2.
• Se você deseja acompanhar a história do gato, vá para o item 3.
• Se você deseja acompanhar a história do rato, vá para o item 4.
2 – O cão era muito grande, mas pouco forte, tinha grandes orelhas
caídas e neste momentos olhos arregalados, que brilhavam ao ver o banquete
servido em latas de lixo, ao lado de um restaurante.
• Se você acha que o cão deve comer a comida, vá ao item 5.
• Se você acha que o cão não deve comer a comida, vá ao item 6.
3 – O gato era preto de patas brancas e seu andar demonstrava
agilidade. Um dia ao caminhar pela rua teve a chance de provar sua
velocidade ao encontrar um ratinho branco.
• Se você acha que ele deve perseguir o ratinho branco, vá ao item 17.
• Se você acha que ele não deve perseguir o ratinho branco, vá ao item
19.
4 – Nosso companheiro roedor é muito pequeno e todo branco, neste
momento suas narinas se mexiam compulsivamente, ao sentir um delicioso
cheiro de queijo.
• Se você acha que ele deve procurar o queijo, vá ao item 13.
• Se você acha que ele não deve procurar o queijo, vá ao item 14.
5 – A Comida era realmente maravilhosa, apesar de fria, mas isso não
incomodava nosso amigo, apenas os passos que podiam ser ouvidos atrás dele
o incomodava.
• Se você acha que ele deve fugir dos passos, vá ao item, 6.
• Se você acha que ele deve continuar comendo, vá ao item 7.
106!
6 – Ao seguir seu caminho percebe que fez a coisa certa, pois vê um
homem da carrocinha, parado de tocaia, próximo as latas de lixo. Como ainda
tinha fome via comida em tudo, inclusive no gato que cruzava seu caminho.
• Se você gosta de gatos e acha que o cão não deve perseguir o gato, vá
ao item 8.
• Se você acha que ele deve seguir em frente e perseguir o gato, vá ao
item 9.
• Se você é curioso e deseja saber o destino do dono da carrocinha, vá ao
item 11.
7 – Nosso amigo continua o que estava fazendo, sem se preocupar,
quando menos espera surge um homem uniformizado, era a carrocinha, que
prende nosso amigo e como a vida de um animal preso não é tão interessante,
esta história acaba aqui.
8 – Ele continuou a andar pela cidade até não poder mais e cair de
cansaço. Por sorte do destino nosso amigo foi encontrado e acolhido por uma
bela menina, que cuidou dele até ele morrer de velhice, fim.
9 – A perseguição é intensa e o gato quase é alcançado, mas como o
perseguidor é menos atento, acaba sendo atingido por um carro, guiado por
um rapaz que se embriagou na comemoração pelo novo emprego.
• Se você deseja saber o destino da vitima do acidente, vá ao item 10.
• Se você deseja saber o destino do gato, vá ao item 21.
• Se você é curioso e deseja saber onde o motorista trabalhava, vá ao
item 1.
10 – É com uma despedida sem muitos amigos, que seu corpo sem vida
é enterrado em um lugar deserto e desconhecido, fim da história.
11 – Estava frio e parecia que naquela noite não haveria capturas, ele
estava tão distraído que quase não notou um gato que passava atrás dele.
• Se você acha que ele deve perseguir o gato, vá ao item 9.
• Se acha que ele deve continuar de tocaia, vá ao item 12.
12 – A noite realmente não foi promissora e esta história é tão chata
que ela termina aqui.
107!
13 – O cheiro estava realmente maravilhosa, mas nada superava a visão
daquele queijo delicioso, servido sobre uma estranha estrutura de metal.
• Se você acha que ele deve tentar pegar o queijo, vá ao item 15.
• Se você acha que ele não deve tentar pegar o queijo, vá ao item 14.
14 – Nosso amigo roedor segue seu caminho, quando é surpreendido por
um gato.
• Se você acha que ele deve fugir, vá ao item 17.
• Se você acha que ele não deve fugir, vá ao item 18.
15 – Nosso amigo se aproxima e consegue identificar uma antiga
ratoeira, mas como ele se achava muito esperto, decidi saltar e pegar o
queijo antes da ratoeira o capture.
• Se você acha que o ratinho era realmente esperto, vá ao item 16.
• Se você acha que ele não é tão esperto assim, vá ao item 10;
16 – A tarefa foi muito fácil, e após comer todo o queijo se sente mais
do que satisfeito, mas depois pensou na possibilidade do queijo estar
envenenado.
• Se você acredita que o queijo estava envenenado, vá ao item 10.
• Se você acredita que o queijo não estava envenenado, vá ao item 14.
17 – Os ratos são espertos e este faz com que o gato cruze o caminho
de um cão, que passa a perseguir o gato.
• Se você deseja saber o destino do gato, vá ao item 9.
• Se você deseja saber o destino do rato, vá ao item 22.
18 – Nosso amigo foi ingênuo ao imaginar que sairia ileso deste
encontro, o gato devora nosso amigo rato e pra você a história acaba aqui.
19 – Nosso amigo continua caminhando, quando é surpreendido por um
cão.
• Se você acha que ele deve fugir, vá ao item 9.
• Se você acha que ele não deve fugir, vá ao item 20.
20 – Como o cão era muito forte, ele conseguiu com uma única mordida
acabar com as 9 vidas do nosso amigo felino, fim.
108!
21 – Os gatos sempre são mais ágeis e espertos, este não foi diferente,
tratou logo de achar o caminho para casa, fim.
22 – Finalmente o ratinho encontra o caminho e volta para casa, para
seus 29 filhos, fim.

Narrativa documental e Hipermídia - A construção de um webdocumentário

  • 1.
    Pontifícia Universidade Católicade São Paulo Centro das Ciências Exatas e Tecnologia Faculdade de Matemática, Física e Tecnologia TECNOLOGIA E MIDIAS DIGITAIS Narrativa documental e Hipermídia A construção de um webdocumentário Rodrigo de Brito Silva São Paulo – SP 2013
  • 2.
    Pontifícia Universidade Católicade São Paulo Centro das Ciências Exatas e Tecnologia Faculdade de Matemática, Física e Tecnologia TECNOLOGIA E MIDIAS DIGITAIS TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Narrativa documental e Hipermídia A construção de um webdocumentário Trabalho apresentado para à banca examinadora do curso de Tecnologia e Mídias Digitais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo como parte dos requisitos para a obtenção do titulo de Bacharel em Tecnologia e Mídias Digitais. Orientador: Profa . Dra. Ana Maria Di Grado Hessel São Paulo – SP 2013
  • 3.
    Pontifícia Universidade Católicade São Paulo Centro das Ciências Exatas e Tecnologia Faculdade de Matemática, Física e Tecnologia TECNOLOGIA E MIDIAS DIGITAIS Narrativa documental e Hipermídia A construção de um webdocumentário Banca Examinadora Profa . Dra. Ana Maria Di Grado Hessel Orientadora _______________________________ Profº. Mário Madureira Fontes Componente da Banca Examinadora _______________________________ Profa . Dra. Maria da Graça Moreira Componente da Banca Examinadora _______________________________
  • 4.
    4! AGRADECIMENTOS Agradeço a todosque de alguma forma contribuíram em minha formação, desde meus amigo que me influenciaram e inspiraram, até minha família que sempre esteve ao meu lado incentivando e dando forças. Aos professores da PUC-SP pela paciência, atenção e encorajamento na busca por resultados mais criativos e inovadores. Um agradecimento especial a minha namorada Patrícia, que sempre esteve ao meu lado, mesmo nos momentos de impaciência e sempre me incentivou e contribuiu para o meu crescimento.
  • 5.
    5! “Posso não terido aonde queria ir, mas creio que estou exatamente onde deveria estar” Douglas Adams
  • 6.
    RESUMO A fim deanalisar e compreender os impactos da hipermídia sobre uma narrativa documental, produzimos um webdocumentário sobre o tema Abuso sexual infantil e pedofilia. Todo o trajeto, desde a decisão do tema, construção do roteiro, montagem e desenvolvimento da plataforma estão registrado neste projeto. A narrativa documental diferencia-se das narrativas ficcionais justamente por tratar acontecimentos reais, por representar o mundo em que vivemos e não um mundo imaginativo. Ela é um tratamento criativo da realidade. O documentário, leva ao espectador a visão do documentarista sobre algo. Porém existem variações nesta relação, por vezes o documentarista faz parte do que está sendo tratado, ou o expectador integra o tema abordado, ou até mesmo esta relação pode ser tema da discussão. Uma das formas de se estruturar uma narrativa documental, é compreende-la como um discurso, a fim de persuadir o público da mensagem pretendida. Logo, para desenvolver este discurso, podemos utilizar as técnicas retóricas. A maneira como essas técnicas são utilizadas, influenciam diretamente na montagem do filme, originando assim, diversos tipos de documentários. Com o avanço tecnológico, os recursos disponíveis para se contar uma história foram multiplicados. A hipermídia trouxe novos modos de se apresentar, acessar e, até mesmo, interagir com a história. Os jogos digitais são um ótimo exemplo de como a interação e não-linearidade podem transformar a maneira de se criar uma narrativa ficcional. PALAVRAS-CHAVE: Narrativa Documental; Discurso; Hipermídia.
  • 7.
    7! ABSTRACT In order toanalyze and understand the impacts of the hypermedia in a documental narrative, we developed a web-documentary regarding the topic Infantile Sexual Assault and Pedophilia. All the performed steps including the topic’s choice, screenplay, building and the platform development are registered in this project. The documental narrative is different from fiction narratives exactly because it deals with real facts, representing the real world where we live in rather than an imaginary one. It is a creative approach of reality. The documentary brings to the spectator the documentarian’s view about a subject. However, there are many variants regarding this approach: the documentarian might be part of the subject being treated or the spectator joins the subject, and also, this relationship might be the subject under discussion. One of the ways to build the documental narrative, is to understand it as a discourse, in order to convince the audience about the desired message. To develop this speech we can use rhetoric techniques. The way these techniques are used directly affects the film building, generating, thus, many kinds of documentaries. Due to the technological advance, the available resources to tell and story have increased. The hypermedia brought us new ways to present, access and even interact with the story. The digital games are an excellent example about how the interaction and nonlinearity may change the way of creating and fiction narrative. KEY-WORDS: Documental Narrative, Speech, Hypermedia
  • 8.
    8! SUMÁRIO Lista&de&Figuras................................................................................................................... 10! Introdução............................................................................................................................ 12! Apresentação.................................................................................................................................12! Objetivos..........................................................................................................................................13! Justificativa.....................................................................................................................................13! Metodologia.................................................................................. Error!!Bookmark!not!defined.! Estrutura&do&Trabalho ................................................................................................................14! 1.&O&documentário.............................................................................................................. 16! 1.1&Um&exercício&de&definição ..................................................................................................16! 1.2&Eu&falo&deles&pra&você,&a&relação&entre&cineasta,&tema&e&público...........................20! 1.3&Documentário,&a&voz&do&orador........................................................................................24! 1.4&Tipos&de&documentário .......................................................................................................29! 2.&A&hipermídia&como&forma&de&conduzir&uma&narrativa ..................................... 36! 2.1.&O&livroRjogo,&A&cidade&dos&ladrões ..................................................................................37! 2.2.&Vídeo&interativo,&Choose&a&different&ending.................................................................39! 2.3.&Os&vídeoRgames,&The&last&of&us .........................................................................................40! 3.&Memorial&descritivo:&A&construção&do&webdocumentário .............................. 43! 3.1.&Escolha&do&formato&e&análise&de&webdocumentários&existentes..........................43! 3.1.1.!Brèves!de!trottoirs!–!As!celebridades!do!dia;a;dia .........................................................44! 3.1.2.!Filhos!do!Tremor:!Crianças!e!seus!direitos!em!um!Haiti!desvatado........................48! 3.2.&Desenvolvimento&do&préRroteiro ....................................................................................52! 3.3.&Perfil&dos&entrevistados .....................................................................................................56! 3.3.1.!Antonia!Bielecky,!vitima .............................................................................................................57! 3.3.2.!Antonio!Serafim..............................................................................................................................58! 3.3.3.!Breno!Rosostolato..........................................................................................................................59! 3.3.4.!Dalka de Almeida Ferrari..........................................................................................................60! 3.3.5.!Deivid!Couto.....................................................................................................................................61! 3.3.6.!Edileuza Teixeira Jesus,!vitima.............................................................................................62! 3.3.7.!Fátima Panangeiro.......................................................................................................................63! 3.3.8.!Helena Hirata..................................................................................................................................64! 3.3.10.!Irani,!vitima ....................................................................................................................................66! 3.3.11.!Jonatas!Lucena..............................................................................................................................67! 3.3.12.!Juliana,!vitima (nome fictício) ..............................................................................................68! 3.3.13.!Karen Luana,!vitima..................................................................................................................69! 3.3.15.!Márcia!Longo,!vitima..................................................................................................................71! 3.3.16.!Marjori!de!Lima!Macedo...........................................................................................................72! 3.3.17.!Rafaella Rizzo..............................................................................................................................73! 3.3.19.!Sílvia!Chakian................................................................................................................................75! 3.3.20.!Fala!Povo.........................................................................................................................................76! 3.4.&Gravações&e&equipamentos&utilizados...........................................................................83! 3.5.&Custos .......................................................................................................................................87! 3.6.&Design&das&telas&e&programação ......................................................................................88! 3.7.&Roteiro,&montagem&e&edição.............................................................................................95!
  • 9.
  • 10.
    10! Lista de Figuras Figura1: Fotograma do filme Forrest Gump (1994)............................... 17 Figura 2: Imagem de divulgação do documentário Pixo. ......................... 22 Figura 3: Fotograma do documentário Quebrando o Tabu (2011). ............. 23 Figura 4: Fotograma do filme 30 anos da união das mulheres de SP (2011)... 27 Figura 5: Fotograma do documentário Pacific (2009)............................. 28 Figura 6: Fotograma do documentário Ilha das Flores (2009). .................. 29 Figura 7: Fotograma do Documentário Poético de Porto Alegre (2012)........ 30 Figura 8: Fotograma de Criança - A alma do negócio (2011). ................... 31 Figura 9: Fotograma de Cabra marcado para morrer (1985). ................... 33 Figura 10: Fotograma de Jogo de Cena (2007)..................................... 34 Figura 11: Fotograma de Um Filme sobre o Amor (2012). ....................... 35 Figura 12: Ilustração de capa do livro A cidade dos ladrões (2012). ........... 38 Figura 13: Choose a different ending (2009). ...................................... 40 Figura 14: Imagem promocional de The last of us (2013). ....................... 41 Figura 15: Página inicial do webdocumentário Brèves de trottoirs............. 45 Figura 16: Opçnao de página inicial, Brèves de trottoirs......................... 45 Figura 17: Página do personagem Stephen Couronner............................ 46 Figura 18: Diagrama de fluxo do documentário Brèves de trottoirs (2011). .. 47 Figura 19: Página inicial do webdocumentário Filhos do Tremor. .............. 48 Figura 20: Capítulo “O direito à Vida” com mapa interativo. ................... 49 Figura 21: Capítulo “O direito à Vida” com opção “Leia a integra”............ 50 Figura 22: Capítulo “O direito à Vida” após termino do vídeo. ................. 50 Figura 23: Gravação com Rafaella Rizzo e Márcia Longo......................... 84 Figura 24: Mapa de posicionamentos das câmeras. ............................... 85 Figura 25: Fotogramas utilizados como planos de fundo do site. ............... 86 Figura 26: Fotografias feitas durante a gravação no Parque do Ibirapuera ... 86 Figura 27: Fotografias feitas durante a gravação e fotograma.................. 87 Figura 28: Proposta de design da home do webdocumentário.................. 89 Figura 29: Proposta de design de tela do webdocumentário. .................. 89 Figura 30: Proposta de design da tela dois do webdocumentário.............. 90 Figura 31: Design da tela de seleção de capítulos do webdocumentário. .... 91
  • 11.
    11! Figura 32: Telade visualização do capítulo com interações laterais.......... 92 Figura 33: Proposta de tela de material extra. ................................... 92 Figura 34: GC para identificação o entrevistado. ................................ 97 Figura 35: Inserção de vídeo com créditos. ....................................... 97 Figura 36: Inserção de reportagem policial com créditos. ...................... 98 Figura 37: Ilustração sobre vídeo do bloco C1. ................................... 99 Figura 38: Titulo do bloco A1. ....................................................... 99
  • 12.
    12! Introdução Apresentação A hipermídia fezcom que novas possibilidades de contar uma história surgissem, tornando a maneira de contá-las mais complexa (Gosciola, 2003, p.17). Agora as histórias podem ser apresentadas por diversos pontos de vista, existem possibilidades de interferência na narrativa, com opções de continuidade e descontinuidade, não-linearidade e muito mais. Com os jogos digitais é o jogador/interator que está tomando as atitudes e sofrendo as consequências. Ele não está somente lendo sobre um acontecimento passado; o fato está acontecendo agora e, diferentemente de uma ação teatral, está acontecendo com o próprio jogador (Murray, 2003, p.86). O jogador não está apenas torcendo para que uma narrativa termine bem, ou mal, ele está pensando e agindo, para cumprir um objetivo próprio. Isso muda significativamente sua relação com a história ali apresentada, e agora vivenciada. Diferente das narrativas ficcionais, uma narrativa documental mostra o mundo em que vivemos e não um mundo imaginativo. Neste aspecto, os documentários diferem, de maneira significativa, dos vários tipos de ficção, como o terror, aventura, melodrama, ente outros (Nichols, 2008, p.17). Este cenário aponta para um questionamento: Quais os impactos da hipermídia em uma narrativa documental? Baseando-se em livros que estudam os elementos que compõem uma narrativa documental, buscamos utilizar características da hipermídia, como interatividade e não-linearidade, para compor um webdocumentário sobre o tema abuso sexual infantil e pedofilia.
  • 13.
    13! Objetivos O objetivo primordialdesta pesquisa é produzir uma narrativa documental em hipermídia, utilizando recursos como interatividade e não- linearidade, para melhor apresentar o conteúdo proposto. Utilizando de recursos como áudio, fotos e vídeos, pretendemos construir uma plataforma que o usuário possa navegar por informações relacionadas ao universo do tema proposto. Para alcançar o objetivo principal, temos objetivos secundários que irão nos guiar nesta jornada, são eles: - Compreender os principais conceitos que envolvem a narrativa documental, os elementos que a compõem e as possibilidades de produção; - Planejar e desenvolver um pré-roteiro, que leve em consideração todas as possibilidades de navegação do usuário pelos aspectos relevantes do tema. - Desenvolver uma plataforma que permita a acomodação da narrativa desenvolvida e todos os materiais agregados a ela. Justificativa Ao buscar por webdocumentários existentes, percebemos que muitos apenas dividem seu conteúdo em capítulos que podem ser acessados alternadamente, ou limitam-se a disponibilizar mais de um tipo de conteúdo sobre o tema, como fotos, vídeos, textos etc. Este projeto propõe criar um ambiente onde todos conteúdos estejam relacionados e acessíveis de forma agradável e atraente ao usuário. Pretendemos encontrar a melhor forma de apresentação do conteúdo para o público, sem que a narrativa perca sua construção dramática (Comparato, 2009, p. 111). Percurso metodológico Em função do campo de pesquisa se constituir da análise das narrativas documentais e como a hipermídia pode influenciar em sua constituição,
  • 14.
    14! pretendemos estudar aestrutura das narrativas documentais. As principais obras utilizadas nesta etapa são “Da criação ao roteiro” de Doc Comparato e “Introdução ao documentário” de Bill Nichols. Faremos um breve apontamento sobre a definição de hipermídia, exemplificando com algumas obras. Os principais autores utilizados serão Lucia Santaella, com o livro “Matrizes da linguagem e pensamento” e Janet Murray, com o livro “Hamlet no Holodeck”. Posteriormente analisaremos alguns webdocumentários existentes e disponíveis na internet. Temos a intenção de identificar quais recursos foram melhor utilizados e quais mais ajudaram na assimilação do conteúdo e construção da narrativa. Com base nas informações adquiridas produzimos um pré-roteiro, que servirá como material orientativo, um ponto de referencia para o trabalho e filmagem (Comparato, 2009, p. 328) e desenvolvimento da plataforma que irá acomodar o webdocumentário. Após a análise de todo material coletado, partimos para a criação do um roteiro definitivo. Podendo assim iniciar o processo de montagem e edição dos vídeos e posterior categorização e publicação do material, para enfim compormos o webdocumentário propriamente dito. O resultado deste projeto, o webdocumentário Um novo olhar, foi disponibilizado de forma gratuita na internet e terá seu desenvolvimento focado para utilização em desktops. Estrutura do Trabalho A divisão do trabalho apresenta-se da seguinte forma: 1. O capítulo 1 identifica as característica de uma narrativa documental, analisa a relação entre cineasta, tema e público. Investiga a estrutura do discurso da narrativa documental através de técnicas retóricas e apresenta os principais tipos de documentários existentes. 2. O capítulo 2 define o que é hipermídia, segundo os autores selecionados e demonstra os conceitos discutidos através de obras em hipermídia.
  • 15.
    15! 3. O capitulo3 é um registro do trajeto percorrido na produção do webdocumentário Um novo Olhar, abuso sexual infantil e pedofilia, da análise de webdocumentários existentes, até a publicação de todo material desenvolvido, gratuitamente na internet. 4. Considerações finais. Descrevemos quais as maiores dificuldades e superações encontradas na produção do webdocumentário e como os conhecimentos adquiridos durante a pesquisa auxiliaram em sua criação.
  • 16.
    1. O documentário 1.1Um exercício de definição O documentário é uma forma de se fazer cinema que desperta interesse de muitos estudiosos e espectadores por, entre outros motivos, abordar o mundo em que vivemos e não um mundo imaginado pelo cineasta (NICHOLS, 2012, p. 17). Esta característica diferencia de forma significativa o documentário de outros gêneros cinematográficos, como a ficção cientifica, terror, aventura, melodrama etc. Alguns pesquisadores preferem intitular este gênero como “filmes de não-ficção”, já que apenas retratam eventos ou situações que ocorreram ou existiram no mundo real (OLIVEIRA; CARMO- ROLDÃO; BAZI, 2006, p. 7). O termo documentário foi utilizado pela primeira vez na década de 1920 pelo sociólogo John Grierson no jornal The New York Sun ao comentar os filmes de Robert Flaherty, definindo o documentário como o “tratamento criativo da realidade” (OLIVEIRA; CARMO-ROLDÃO; BAZI, 2006, p. 7). Porém a discussão sobre o que realmente pode ser considerado um documentário ainda é feita e algumas obras inflamam o debate dos limites entre ficção e não- ficção (NICHOLS, 2012, p. 17). Reality shows como Big Brother Brasil1 e Os vídeos mais incríveis do mundo2 , permitem a televisão explorar, de forma mais elevada, a sensação de autenticidade documental e espetáculo melodramático simultaneamente. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 1 A seguir parte da definição do programa, segundo site oficial da empresa criadora: “Doze pessoas, que nunca conheceram-se, de repente são enviadas ao Big Brother, casa onde eles devem compartilhar cada minuto nos próximos 100 dias. Em seu cativeiro eles negam qualquer contato com seus entes queridos, e com o mundo exterior. Não há telefones, jornais, rádios ou televisões. Estão todos em paz... exceto para os milhões assistindo e julgando todos os seus movimentos” (tradução nossa). Texto integral disponível em: <http://www.endemol.com/programme/big-brother>. Acesso 27 set. 2013. 2 Segundo o site oficial do programa “Os Vídeos Mais Incríveis do Mundo é o melhor reality show feito com um apanhado de vídeos não encenados, com cenas de acelerar o coração, mais cheias de ação que você já viu! Explosões reais, acidentes, perseguições policiais selvagens, carros de corrida fora de controle e acrobacias mal sucedidas, tudo isso vai elevar sua adrenalina. Não só você vai se surpreender com as imagens, mas ouvirá as pessoas que vivenciaram essas provações incríveis. A cada semana, mais de uma dúzia de histórias da vida real são contadas pelas pessoas que enfrentaram a sua hora mais desesperada...e viveram para contar isso” (tradução nossa). Texto integral disponível em: <http://www.nashentertainment.com/television/worldsmostamazingvideos/about.html>. Acesso 27 set. 2013.
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    17! Muitos filmes deficção utilizam recursos comumente utilizados pelos documentários para dar credibilidade a suas histórias. Em A bruxa de Blair (1999), Eduardo Sanchez e Daniel Myrick utilizam câmeras portáteis para transmitir a sensação de um registro de uma situação real, além de um site com informações preliminares sobre a bruxa de Blair, com testemunhos de especialistas e referencias a pessoas e acontecimentos reais, tudo para vender o filme como não-ficção. Forrest Gump: o contador de histórias (1994), causa um fascínio diferente nos expectadores, pois testemunhamos a vida do personagem, quando ele parece pertencer ao mesmo mundo histórico que o nosso (NICHOLS, 2012, p. 17). Figura 1: Fotograma do filme Forrest Gump (1994). A característica básica do documentário é que ele busca suas imagens em situações reais, porém sempre trará o ponto de vista do documentarista sobre uma determinada situação ou assunto. As imagens captadas são escolhidas e ordenadas com o objetivo de, sem garantia de êxito ou controle, transmitir um determinado significado (CASTRO, 2005, p. 1). No texto A poesia do filme, o filósofo e crítico de arte Herbert Read afirma que: O cinema produz seus efeitos mediante imagens projetadas. Essas imagens, lançadas na tela, estão, de imediato, associadas com as imagens armazenadas na memória do
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    18! espectador e, atravésde suas disposições e associações, fluem as emoções de surpresa, encanto, prazer, orgulho ou tristeza que sentimos nas salas de espetáculo. (Grünnewald, 1969, apud CASTRO, 2005, p.1). Esta afirmação refere-se ao cinema, mas todas as considerações feitas podem ser aplicadas aos documentários. Mesmo quando as imagens são buscadas no mundo real, o modo que elas são enquadradas e dispostas, as associações que são feitas, as trilhas sonoras que são utilizadas, sempre mostrarão a visão do documentarista sobre aquela situação real e não a situação propriamente dita. Neste momento é relevante a opinião de João Moreira Salles, cineasta que produziu o documentário Notícias de uma guerra particular(1999), quanto ao caráter autoral dos documentários: Um documentário ou é autoral ou não é nada. Ninguém pode confundir um filme de Flaherty 3 com um filme de Joris Ivens4 . Isso acontece porque Flaherty vê a realidade de forma inteiramente diferente de Ivens. A autoria é uma construção singular da realidade. Logo, é uma visão que me interessa porque nunca será a minha. É exatamente isso que espero de qualquer bom documentário: não apenas fatos, mas o acesso a outra maneira de ver. Todos estas afirmações fazem com que a definição de documentário seja tão complexa quanto a definição de o que é o amor, ou o que é cultura. Seu significado não pode ser reduzido a um verbete do dicionário, como a definição de temperatura, “grau ou quantidade de calor existente num corpo ou lugar” (HOUAISS, 2004). Sua definição é relativa e comparativa e os critérios que limitam o que é, ou deixa de ser, um documentário não são exatamente claros. Para auxiliar a definição, Bill Nichols propõem analisarmos !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 3 Robert Joseph Flaherty (1884-1951) cineasta norte-americano responsável por grandes obras do cinema documentário, como Maona (1926) e Nanook of the North (1922). (http://www.imdb.com/name/nm0280904/) 4 Joris Ivens (1898-1989) cineasta caracterizado por representar em suas obras a luta dos homens no trabalho, foi responsável por obras como Une histoire de ballon (1976) e How Yukong Moved the Mountains (1976). (http://www.imdb.com/name/nm0412235/).
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    19! esta situação porquatro ângulos: o das instituições, o dos profissionais, o dos textos (filmes e vídeos) e o do público. A estrutura Institucional: Uma das formas que ajudam a definir os documentários é que as instituições que os produzem os intitulam assim, desta forma mesmo antes da iniciativa de um crítico ou do espectador, esses filmes já são rotulados. A partir do momento que as empresas anunciam o filme como documentário, ela já se compromete em oferecer um determinado nível de objetividade, confiabilidade e credibilidade. Saber de onde vem um filme ou vídeo ou saber onde ele será exibido é um indicio importante de como devemos classificá-lo. Os profissionais: Os cineastas que se comprometem em fazer documentários, já tem certas suposições e expectativas do que Irão produzir. Os documentaristas partilham um certo encargo de representar o mundo real em vez de inventá-lo criativamente. Eles reúnem-se em festivais especializados, escrevem artigos, debatem questões sociais, exploram questões técnicas como a autenticidade das imagens de arquivo, consequências de novas tecnologias etc. São os próprios profissionais que criam um comprometimento com instituições, críticos, temas e público, de que este tipo de filme atenderá determinadas expectativas quanto ao tratamento da realidade. O texto: Imaginando filmes de ficção, sabemos que para pertencer a uma determinado categoria, o filme deverá apresentar certas características já comuns ao gênero, como os filmes de faroeste ou ficção cientifica. Na classificação de documentários também há normas e convenções que auxiliam nesta distinção: uso de comentário de um narrador, as entrevistas, a gravação do som, introdução de imagens que ilustram, ou compliquem, a situação mostrada, o uso de pessoas em suas atividades e papéis cotidianos como personagens principais. Além de uma forma de montagem mais informativa, menos presa a uma narrativa e mais preocupada com argumento ou ponto de vista proposto.
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    20! O público: Asensação de que um filme é um documentário está tanto na mente do expectador quanto no contexto ou na estrutura do filme. Quando assistimos a um documentário trazemos a suposição de que os sons e imagens do texto pertencem ao mesmo contexto histórico que o nosso, que não foram produzidos exclusivamente para o filme. Nos filmes de ficção ignoramos que a câmera esta registrando atores reais para a fabricação de personagens imaginários, afastamos a incredulidade do mundo fictício. No documentário conservamos nossa crença no mundo real ali representado, estamos cientes do vínculo entre o som e imagem projetada, com o mundo em que vivemos. Todas estas características nos ajudam a compreender quais são os elementos que compõem um documentário, porém não será raro encontrarmos filmes classificados como documentários que não partilhem de determinadas características, assim como certos filmes obedecerão a estes requisitos e não serão classificados como documentários. Como já foi dito, esta definição será sempre relativa e comparativa. 1.2 Eu falo deles pra você, a relação entre cineasta, tema e público Quando produzimos um documentário, devemos sempre ter em mente que estamos filmando pessoas reais, ou tratando de assuntos reais. As escolhas do cineasta sobre o que filmar, ou em que ordem mostrar, sempre levará ao espectador a visão do documentarista sobre algo real. Ele deve ter um espírito investigativo e por meio de uma atuação interpretativa dos fatos, revelar as coisas que aparentemente não são evidenciadas (DUARTE, 2003, apud ZANDONADE; FAGUNDES, 2003, p. 16). Bill Nichols propõe algumas formulações verbais, para analisarmos melhor está interação. A mais comum é: Eu falo deles para você Eu. Em muitos documentários o cineasta está presente diretamente, ou usando um substituto, sendo o mais comum o narrador com “voz de Deus”. Normalmente não vemos a pessoa que fala, ouvimos apenas sua voz, esta é
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    21! uma forma convenientede apresentar uma situação, argumento, propor uma solução, ou mesmo evocar um tom ou estado de ânimo poético (NICHOLS, 2012, p. 40). A voz representa autoridade, alguém que nos fala em nome do filme e nos conduz pelo documentário. Se existe um discurso, o filme, quer seja ele narrativo ou não, existirá sempre alguém que o profere, um sujeito da enunciação (SOARES, 2007, p. 21). Um exemplo é 101 Invenções que mudaram o Mundo (2011), escrito por Walter J. Gottlieb e French Horwitz, onde o narrador nos apresenta uma lista de invenções, justifica a importância de cada uma e ainda nos mostra como esta lista foi criada. Falar de. Para criar uma narrativa ficcional pensamos em “que história vou contar?”, no documentário, podemos comparar esta pergunta à “sobre o que vou falar?”. Normalmente escolhe-se tratar de um tópico de interesse comum, ou algum assunto que precisa ser discutido, isso confere ao documentário uma responsabilidade e importância cívica. Um Filme Sobre o Amor (2012), produzido por Cesar Mesquita, Matheus Maia e Ricardo Rodrigues, utiliza de depoimentos de quatro pessoas, para nos fazer refletir sobre a liberdade de amar, felicidade e homosexualismo. Apesar de não trazer uma voz que explicite sua opinião, os documentaristas utilizam da montagem dos depoimentos para expor um ponto de vista. Eles. A utilização da terceira pessoa implica separações claras na abordagem do documentário, pois o eu que fala é diferente àquele de quem se fala, assim como há uma separação entre de quem se fala e para quem se fala. É comum que os personagens de documentários sejam apresentados como exemplos ou ilustrações, testemunhas de situações ou acontecimentos do mundo real. Isso parece reduzir as pessoas apresentadas no filme, mas pode ser extremamente convincente e eficaz. No documentário Pixo (2009), dirigido por Roberto Oliveira e João Wainer, diversos jovens pixadores são apresentados, de forma sucinta e pouco complexas, se comparado a personagens de filmes de ficção, onde diversos aspectos de suas personalidades são apresentados, pessoal, profissional, social etc. Essa abordagem pode parecer superficial, porém foi eficaz para mostrar o ponto de vista escolhido.
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    22! Figura 2: Imagemde divulgação do documentário Pixo. Você. O público é a pessoa que ouve o que o cineasta tem a dizer, comumente está separado do tema representado. Lembrando que “Eles” podem ser advogados, donas de casa, ou qualquer outra classe que o expectador também pertença, o que cria uma relação mais direta. O documentário pode ser direcionado à um público especifico, ou até mesmo à uma nação inteira. O documentário Quebrando o Tabu (2011), dirigido por Fernando Andrade, discute a guerra contra as drogas e sua descriminalização, porém ao mostrar os impactos das drogas na sociedade, demonstra como o assunto impacta em nossa vida, mesmo que não sejamos usuários. Ao decorrer do filme o expectador, você, é aproximado ao tema, falar de.
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    23! Figura 3: Fotogramado documentário Quebrando o Tabu (2011). O cineasta tem objetivo de ativar você como público. Deve transmitir a sensação de que está, de fato, falando conosco, de que o tema tratado no filme nos atinge de alguma forma. O documentário deve nos fazer sentir aqueles para quem o documentário fala, além de nos sentirmos como grupo ou coletivo, para qual o assunto tem grande importância (NICHOLS, 2012, p. 43). Ao sentirmos que o tema nos afeta, temos uma maior sensação de que o filme e os fatos ali retratados fazem parte do nosso mundo. Eu falo deles pra você é uma das formulações possíveis para expressar a relação entre cineasta, tema e público, porém essa relação pode se constituir de diversas formas. Nichols propõe outras relações possíveis: Ele fala deles – ou de alguma coisa – para nós. Comumente um narrador com voz masculina, nos apresenta algum aspecto do mundo de forma impessoal, ela traz assuntos que, supostamente, precisamos conhecer. Este “Ele” pode representar a comunidade científica, o serviço médico, o governo etc. Notamos também um menor grau de individualidade quanto ao público, pois o documentário é direcionado à nós, não à um sujeito em especifico.
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    24! Nós falamos denós pra você. Esta relação mostra que o sujeito que fala é o mesmo sujeito de quem se fala. Um exemplo desta relação pode ser vista na série de documentários Cineastas indígenas, Um novo olhar, onde cinco tribos foram capacitadas para registrarem com, imagens e sons, suas tribos. Os documentários trazem a visão das próprias tribos sobre elas e seus costumes. Podemos dizer que estes filmes desenvolveram uma representação mais pura, pois não carrega os preconceitos e aspectos culturais que um cineasta externo à tribo traria. 1.3 Documentário, a voz do orador Quando falamos de narrativas ficcionais, o modo mais comum que os autores utilizam para contar uma história é baseado em uma sucessão de fatos cronologicamente alinhados, como, o herói recebe o objetivo, sai em missão, encontra desafios, os vence e cumpre objetivo. Na narrativa documental nem sempre temos uma história que podemos acompanhar, pode ser apenas um assunto a ser discutido, ou uma reflexão a ser feita. Nem sempre temos um personagem específico que estará presente por todo documentário. Como o documentário sempre trás um ponto de vista do cineasta sobre algum assunto, podemos pensar e estruturar este tipo de produção como um discurso, afim de persuadir o público da mensagem pretendida. Assim organizamos todas as informações coletadas para a construção de um objetivo, não dependendo de uma linha temporal para criar nosso filme. O discurso documental trata efetivamente daquilo que aconteceu, antes ou durante as filmagens, e não daquilo que poderia ter acontecido, como no caso do discurso narrativo ficcional (SOARES, 2007, p. 39). A estrutura discursiva do documentário influencia diretamente sua montagem, afinal as situações apresentadas não precisam, obrigatoriamente, ter uma relação temporal e espacial, mas sim ligações reais e históricas. Jorge Furtado, em seu documentário Ilha das Flores (1990), traz diversas imagens que ilustram seu discurso, como figuras de animais, cenas do holocausto, imagens do Egito antigo mescladas com produtos atuais, entre outras. Todas
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    25! essas imagens podemestar desconexas no tempo e espaço, mas todas contribuem para a construção de um discurso. Nichols chama está montagem de montagem de evidência, pois ela ordena todas as informações de modo que se dê a impressão de um argumento único, convincente, sustentado por uma lógica. Uma das formas mais usuais para a construção de um discurso é utilizar as técnicas da retórica. A retórica se diferencia do discurso poético e narrativo, pois estes pretendem mais nos oferecer uma experiência estética ou nos envolver num mundo imaginário, enquanto a retórica visa, normalmente, nos convencer de uma questão social. Esta é uma forma de discurso usada para nos persuadir de assuntos para os quais não existe uma solução ou resposta definida (NICHOLS, 2012, p. 43). Porém segundo Comparato, em seu livro Da criação ao roteiro (2009), um documentário nunca encerra um tema, mostra pontos de vista e deixa as interpretações para o espectador, nunca pretende convencer o espectador, mas sim fazê-lo refletir. Para entendermos como conduzir a narrativa documental com base na retórica, veremos resumidamente as cinco “partes” do pensamento retórico clássico, começando por uma citação ao filosofo Cícero, do século 100 a.C.: Uma vez que toda atividade e habilidade de um orador se classificam em cinco divisões [...] ele deve, primeiro, descobrir o que dizer; em seguida, deve manobrar e conduzir suas descobertas, não só de maneira ordenada, mas com um olhar arguto para o peso exato, por assim dizer, de cada argumento; depois deve enfeitá-las com os ornamentos do estilo; a seguir, deve guardá-las na memória; e, por fim, pronunciá-las com efeito e encanto. (De oratore, I, apud Bill Nichols ) Para compreendermos cada uma dessas partes e entendermos como elas podem ser aplicadas aos documentários, iremos analisá-las individualmente a seguir:
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    26! A invenção. Refere-sea apresentação de indícios ou provas para aprovar e fortalecer o argumento apresentado. Essas provas podem ser divididas em artificiais e não artificiais. Artificiais podem ser geradas pelo cineasta, como poemas, reflexões, encenações, etc., elas recorrem ao sentimento do público. As não artificiais recorrem a fatos ou indícios, como exemplo de testemunhas, documentos, fotos etc., elas não podem ser geradas pelo cineasta. As provas artificiais também podem ser chamadas de artísticas, são criadas pelo orador, ou documentarista, dependem completamente de sua criatividade, não é algo que pode ser encontrado a disposição para utilização. Elas são técnicas utilizadas para gerar a impressão de conclusão ou comprovação. Na retórica, as provas artísticas são divididas em três tipos, ambos utilizados para dar validade ao argumento: Provas éticas: preocupam-se em expor o caráter moral e a credibilidade do argumento. Provas emocionais: preocupam-se com a emoção do público, pretendem evocar um certo estado de espírito, favorável ao ponto de vista apresentado. Provas demonstrativas: preocupam-se com o raciocínio, pretende demonstrar e comprovar determinada questão. Uma forma de resumir estes três tipos de argumentos, é afirmar que eles precisam ser verossímeis, convincentes e comoventes. Um maneira de alcançarmos estes objetivos é unirmos relatos pessoais com ramificações sociais e históricas. No documentário 30 Anos de União de Mulheres de São Paulo (2011), dirigido por Eisa Gargiulo, podemos ouvir mulheres contando suas histórias, de como enfrentaram o preconceito e tudo o que passaram durante a ditadura. Assim temos a emoção das histórias, em meio aspectos sociais observáveis relacionados a fatos históricos conhecidos, argumentos verossímeis, convincentes e comoventes.
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    27! Figura 4: Fotogramado filme 30 anos da união das mulheres de SP (2011). A disposição. Refere-se a ordem que os fatos serão apresentados no discurso, ou no nosso caso, no documentário. Uma das formas de dispor os argumentos é a estrutura de problema/solução. Outra arranjo comum é criar uma abertura que capte a atenção do público, esclarecer o assunto discutido, argumentar a favor do seu ponto de vista e refutar objeções esperadas. Diversas distribuições são possíveis, mas elas sempre devem contribuir para o fortalecimento do ponto de vista apresentado no filme. O documentário Prazer Meu Nome é Automutilação (2011), desenvolvido por André Luiz Cassanelli, Mariana Campos Barroso, Renata Toledo Cardoso e Yuri Stapelbroek, traz o depoimentos de pessoais reais, que se automutilavam, intercalados pela opinião de psicólogos especializados no assunto. Essa distribuição manteve o equilíbrio entre argumentos emocionais, demonstrativos e éticos. A elocução. No discurso, é representada pelas figuras de linguagem, códigos gramáticas, linguagem culta ou informal, todos recursos utilizados para criar um determinado tom ao discurso. No documentário este mesmo tom pode ser alcançado pela utilização de câmeras, ângulos, iluminação, montagem, som e assim por diante. O documentário Pacific (2009), de Marcelo Pedroso, foi composto apenas por vídeos produzidos por passageiros
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    28! de um cruzeiro.As câmeras caseiras e a conversa informal compõe o tom amigável deste filme. Figura 5: Fotograma do documentário Pacific (2009). A memória. Em um discurso a memorização dos argumentos e sua disposição é fundamental para seu sucesso. No filme a memória está ligada ao ato de olhar para trás, relembrar fatos e argumentos anteriores fazendo ligação com o que está sendo exibido no presente. Está retrospecção não precisa ser evidente, mas os argumentos devem demonstrar que estão relacionados. No documentário Ilha das Flores (1990), de Jorge Furtado, somos apresentados a elementos no inicio do filme, que são retomados ao decorrer de quase todo o filme, para construir um argumento único.
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    29! Figura 6: Fotogramado documentário Ilha das Flores (2009). A pronunciação. Quando uma pessoa está discursando, podemos considerar que pronunciação é o modo de ele articula sua voz e gestos. No documentário podemos interpretar como eloqüência, que é o nível de clareza e apelo emocional do argumento, e decoro, que é a eficácia da estratégia argumentativa sobre o público alvo do filme. A retórica proporciona ferramentas e estratégias úteis para todos documentaristas. Com os documentários fatos do cotidiano podem ser discutidos de forma mais eficaz e novos olhares podem ser lançados sobre assuntos delicados ou controversos. Mesmo utilizando as mesmas técnicas retóricas, existem diversas formas distintas de abordar um tema, assim surgem os tipos de documentários, que veremos no tópico seguinte. 1.4 Tipos de documentário Como vimos anteriormente, o documentário sempre traz algum ponto de vista sobre algo, porém o modo que isso é feito pode ser diversificado a cada obra. Um mesmo argumento pode ser exposto de mais de uma maneira, podendo ela ser mais ou menos eficiente. O objetivo da obra influencia sua forma, ela pode pretender apenas informar, conscientizar, fazer refletir ou
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    30! mesmo inquietar. Paraos documentários, iremos discriminar seis modos de representação. O modo poético muitas vezes abre mão da maneira convencional da montagem, da seqüência cronológica ou da continuidade dos fatos, em favor de padrões que envolvem associações, ritmo de montagem e sobreposições de imagens. Os entrevistados dificilmente aparecem como personagens com histórias complexas e detalhadas, muitas vezes assumem papel de igualdade a objetos, sendo exposto através de escolhas feitas pelo cineasta. Na obra Documentário Poético de Porto Alegre (2012), dirigido por Bibiana Xausa Bosak e produção da Secretaria Municipal de Coordenação Política e Governamental de Porto Alegre, somos apresentados à Porto Alegre, onde são apresentados locais, objetos, obras de arte e pessoas, todas compondo igualmente um retrato da cidade. Figura 7: Fotograma do Documentário Poético de Porto Alegre (2012). Este modo de representação é particularmente eficaz em transmitir um estado de ânimo, tom de afeto ou emoção. Aqui o elemento retórico está menos presente do que em outros modos. Muitas obras utilizam imagens abstratas ou apenas formas e cores, para representar alguma sensação ou mesmo um mundo imaginativo do autor.
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    31! O modo expositivofala diretamente com o expectador, expõe argumentos e propõe perspectivas. Ele agrupa fatos do mundo histórico em uma estrutura retórica. Muitas obras deste tipo adotam comentário com narrador para expor informações e conduzir a narrativa. O modo expositivo deve gozar de uma lógica informativa muito clara, normalmente exposta de forma verbal, assim as imagens passam a ter um papel secundário, elas ilustram, esclarecem, ou contrapõem o que é dito. No documentário Criança - A alma do negócio (2011), dirigido por Estela Renner, somos conduzidos por argumentos de especialistas, professores, mães e crianças, que demonstram a abordagem que a publicidade faz do mercado infantil. O discurso guia o espectador e as imagens de produtos e propagandas demonstram e apóiam o que é dito. Figura 8: Fotograma de Criança - A alma do negócio (2011). A montagem concorre para manter a continuidade do argumento e menos para estabelecer um ritmo. Esse procedimento é conhecido como montagem de evidência. A continuidade espacial e temporal também podem ser sacrificadas, imagens de locais e épocas remotos podem ser incorporados para demonstrar algum argumento. No modo observativo todo o controle que o autor poderia exercer para criar ou compor uma cena é sacrificado em favor da observação de uma
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    32! experiência vivida. Oautor reúne toda a matéria prima para depois compor um ponto de vista ou argumento válido. Os personagens filmados interagem uns com os outros, ignorando o documentarista, que é isolado como mero observador. O espectador é convidado a uma postura mais ativa, já que ele quem deve decidir o que dar importância no que está vendo e ouvindo. O modo participativo inclui o documentarista no contexto a ser representado. O cineasta passa a conviver com um povo enquanto registram suas experiências e representam aquilo que experimentaram. Diferente do modo observativo agora o documentarista participa e é incluído na vivencia dos outros personagens. A maneira que uma pessoa participativa representa um contexto social é totalmente diferente do modo que um observador relata os acontecimentos. Em Cabra marcado para morrer (1985), de Eduardo Coutinho, conhecemos a história de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba assassinado em 1962. As filmagens feitas na época do assassinato são mescladas com gravações feitas na década de 80. Eduardo Coutinho visita funcionários presentes nas primeiras filmagens e a família do assassinado a fim de reconstituir a história João Pedro. Nesta obra não há um locutor separado da história, ele convive com os familiares e envolvidos, conhece os locais, ele participa da reconstituição.
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    33! Figura 9: Fotogramade Cabra marcado para morrer (1985). O modo reflexivo questiona e nos faz pensar justamente no poder de representação do cineasta, o modo como se pode criar, ou modificar, a informação que chega ao espectador. Ao invés de observarmos o relacionamento de um lugar com o personagem, ou mesmo do cineasta com os personagens, o modo reflexivo questiona a relação do expectador com o documentarista. Ele nos convida a pensarmos no documentário como uma ferramenta de representação. No documentário Jogo de Cena (2007), também de Eduardo Coutinho, somos apresentados à diversas histórias de mulheres comuns, narradas por elas e por atrizes convidadas. Os relatos são mesclados, repetidos, diferenciados, a noção do que é verdade e representação é questionada. A história real representado por uma atriz pode ou não causar a mesma emoção? O expectador é indagado em diversos momentos sobre o que o relato real e a interpretação tem de comum, ou diferente. Aqui o cineasta não quis simplesmente mostrar histórias de mulheres, quer além disso nos fazer pensar e refletir.
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    34! Figura 10: Fotogramade Jogo de Cena (2007). Para compreendermos o modo performático, temos que ter em mente que todos temos vivências diferentes, nos relacionamos com o mundo de forma distinta e temos afetos particulares. Todas essas características nos tornam únicos e fazem com que nossa interpretação do mundo seja única também. Um carro, um caderno, um hospital, uma pessoa, todos tem significados diferentes para pessoas diferentes. O modo performático enfatiza a complexidade do conhecimento, questiona as dimensões subjetivas de nossa compreensão. Neste modo o cineasta quer usar sua sensibilidade para estimular a nossa. Ele pretende que nós tenhamos a mesma visão de mundo dele, mas de forma indireta. Quer tornar uma determinada carga afetiva nossa. Ele nos convida a ver o mundo com novos olhos e repensar a nossa relação com ele. No documentário Um Filme Sobre o Amor (2012), produzido por Cesar Mesquita, Matheus Maia e Ricardo Rodrigues, nos é apresentado, em um tom autobiográfico, o relato de quatro jovens sobre como é estar apaixonados e o que representa o amor. A obra evoca sentimentos e sensações a fim de cativar o espectador, para, no final, revelar que o amor dos jovens é por uma pessoa
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    35! do mesmo sexo.A carga afetiva evocada durante todo o filme nos envolve e aproxima do amor descrito. Figura 11: Fotograma de Um Filme sobre o Amor (2012). Já discutimos sobre a definição de documentário, compreendemos como ele pode ser estruturado e quais os tipos de documentário existente. A partir deste ponto, identificaremos uma definição para hipermídia e analisaremos brevemente algumas obras que a utilizam, para em seguida, demonstrar como conectamos estas informações para compor nosso webdocumentário. !
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    2. A hipermídiacomo forma de conduzir uma narrativa Ao vislumbrarmos o nascimento de um novo meio de comunicação, nossos sentimentos podem ser ao mesmo tempo motivadores e perturbadores. Motivadores quando imaginamos as novas possibilidades e perturbadores quando percebemos que estamos pisando em um terreno desconhecido. A linguagem escrita trouxe novos recursos na forma de se construir uma narrativa, se comparada as antigas tradições orais. Agora as histórias poderiam ser fixadas, transportadas e resgatadas, processo relativamente simples, mas que teve grandes evoluções. Com a hipermídia não foi diferente, todos os novos recursos trazidos por ela, são ferramentas que podemos utilizar para criar narrativas fascinantes. Neste capítulo não queremos fazer um resgate detalhado do surgimento da hipermídia, faremos apenas apontamentos dos principais fundamentos e algumas obras hipermídia. A linguagem escrita possibilitou que informações fossem armazenadas e, posteriormente, recuperada exatamente na seqüência registrada. Essa característica, auxiliou no desenvolvimento de uma nova linguagem. Com os avanços tecnológicos, pesquisadores como Ted Nelson5 , Vannevar Bush6 , entre outros, iniciaram o desenvolvimento de formas diferentes de acesso a informação. Através de vínculos associativos, as informações eram conectadas sem a existência de hierarquia entre tópicos, era o chamado hipertexto (Braga, 2004). O que obviamente nos forçou a repensarmos antigos paradigmas da linguagem textual escrita. O que impulsionou o surgimento e expansão da hipermídia foi, sem dúvida, o processo digital. Com estes recursos, diversos tipos de materiais, como áudio, vídeo, fotos e textos, puderam ser transformados em seqüências binárias e armazenados em um mesmo suporte. Outra característica do processo digital, é a capacidade de compressão da informação, a quantidade !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 5 Professor de Ciência da Computação da Chapman University Founding. Desenvolveu o projeto Xanadu, o primeiro projeto de hipertexto em computador,no ano de 1960. Fonte: Página pessoal do Ted Nelson. Disponível em <http://ted.hyperland.com/>. 6 Vannevar Bush descreveu em seus estudos uma máquina chamada de Memex, que ajudaria a memória humana, permitindo ao usuário armazenar e recuperar documentos ligados por associações. Fonte: Disponível em <http://www.ibiblio.org/pioneers/bush.html>.
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    37! de livros queantes abarrotaria uma biblioteca, hoje pode ser carregada em um simples pendrive7 . O transporte da informação também se tornou mais fácil e sem perda de qualidade, seja ela feita através de cabos, satélites, ondas de rádio etc. Assim, o processo digital fez com que diversas mídias, antes separadas, convergissem todas para o mesmo aparelho, o computador (Santaella, 2001). O pesquisadores David Evans e Ivan Sutherland, da Universidade de Utah, buscavam criar uma interface de computador mais amigável ao usuário, que permitisse que ele executasse as mais diversas tarefas com maior facilidade. Após muitas pesquisas surgiu a idéia do uso de gráficos e desenhos em sua interface. Eles foram os responsáveis por desenvolver conceitos de desenho vetorial e representações tridimensionais em ambientes bidimensionais. A partir destas novas possibilidades, os recursos de hipertexto foram ampliados e geraram a criação da hipermídia (Filho, 2007). Até este ponto podemos observar os dois elementos primordiais da hipermídia, o acesso a informação de forma associativa e não-linear e a convergência das mídias. Considerando o fato de que as tradições da narração de histórias alimentam-se umas das outras, tanto no conteúdo como na forma (Murray, 2003), tentaremos compreender a influencia da hipermídia sobre as narrativas através de algumas obras que a utilizam. 2.1. O livro-jogo, A cidade dos ladrões O hipertexto não depende integralmente do meio digital para existir. Mesmo em textos escritos no papel, o conceito de hipertexto pode ser utilizado e aplicado para compor narrativas interessantes e que dependam da atuação do leitor para funcionar. Este conceito originou o que conhecemos hoje como livro-jogo. Nessas histórias o leitor pode ser o herói, escolhendo o caminho que irá seguir, as ações que irá tomar, o que irá dizer e muito mais. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 7 Unidade de armazenamento portátil de pequenas dimensões, que geralmente se conecta a computador via USB (Universal Serial Bus). Fonte: Idicionário Aulete. Disponível em <http://aulete.uol.com.br/pen- drive#ixzz2lRRFDrKm>.
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    38! Figura 12: Ilustraçãode capa do livro A cidade dos ladrões (2012). A Cidade dos ladrões (2012), de Ian Livinstone, é um bom exemplo deste tipo de narrativa. Nesta história você é um aventureiro e espadachim de aluguel e precisa guiar o personagem Zanbar Bone e seus comparsas pelas ruas escuras da cidade de Porto Areia Negra. Durante sua aventura você poderá ser interceptado por ladrões, vagabundos e criaturas da noite, tendo como única escolha, matar ou morrer. O leitor, deverá escolher qual caminho seguir, através da escolhas de páginas. Além de ter que enfrentar os inimigos, através de um elaborado sistema de combate. Abaixo veja parte da descrição feita sobre o livro, no site Submarino8 . Sua missão: leva-o às ruas escuras e serpenteantes de Porto Areia Negra, em busca de informações vitais, sem as quais a vitória é impossível (...). Tudo de que você precisa é um lápis e uma borracha para embarcar nesta aventura de espada e magia, com um elaborado sistema de combate e uma ficha onde anotar suas vitórias e derrotas. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 8 O site Submarino pertence à B2W Digital, empresa líder em comércio eletrônico no Brasil. Resultado da fusão entre a Americanas.com e o Submarino em 2006, a Companhia opera por meio de uma plataforma digital, com negócios que apresentam forte sinergia e um modelo único de negócios, multicanal, multimarca e multinegócios. Disponível em: <http://www.b2wdigital.com>.
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    39! Este tipo denarrativa multiforme usa conceitos de hipertexto, afinal cria o acesso a porções de informação de forma não-linear, através de associações. Neste caso, as associações são feitas a partir da intenção e objetivos do leitor. Permitindo assim que o mesmo livro, forneça experiências diferentes dependendo do perfil de cada leitor, seja ele mais cauteloso, explorador ou corajoso. As relações feitas aqui proporcionam uma experiência hipertextual. Roteiros como este, bem elaborado e complexo consegue utilizar da não-linearidade como ferramenta. Porém mesmo em texto mais simples podemos aplicamos os mesmos conceitos. Durante o curso de Tecnologia e Mídias Digitais, para o qual este TCC está sendo produzido, tivemos que desenvolver um roteiro não-linear simples, que oferecesse diversas possibilidades narrativas e ação do leitor. Neste texto personagens diferentes puderam ser acompanhados e ações tomadas. Este foi um modo de, durante o curso, compreendermos em um exercício prático os conceitos de hipertexto. O roteiro integral está nos apêndices deste trabalho. 2.2. Vídeo interativo, Choose a different ending Esta obra dirigida por Paul Brazier no ano de 2009, aplica os mesmos conceitos de escolha de caminhos de decisões, para compor um filme interativo e não-linear. Produzido com uma perspectiva de primeira pessoa, ele coloca o expectador na posição do personagem. Tendo como opções sair de casa com uma faca ou não, entrar na turma errada, entrar numa briga, a obra coloca o expectador em situações que podem levá-lo até mesmo a morte.
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    40! Figura 13: Choosea different ending9 (2009). Apesar de possuir um enredo relativamente simples, com diálogos curtos, está obra já é um ótimo exemplo de como a hipermídia pode influenciar em uma narrativa. A história é apresentada através de vídeos, sendo que ao fim de cada trecho, opções são disponibilizadas através de textos, que demonstram os vínculos que possíveis. Desta forma, os dois principais requisito da hipermídia já são atendidos. A relação associativa das informações e a convergência de diferentes mídias em um único produto. 2.3. Os jogos de vídeo-games, The last of us Sem duvidas, os maiores representantes das narrativas hipermidiáticas são os vídeo-games. Eles unem vídeos, som, texto, modelos tridimensionais, técnicas cinematográficas, entre outros recursos. Tudo isso aliado a possibilidade de criar personagens que, muitas vezes, podem andar livres em ambientes tridimensionais totalmente imaginados pelos seus desenvolvedores. Este cenário propicia incontáveis recursos na hora de se compor uma narrativa. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 9 O filme foi produzido por AMVBBDO em parceira com a Policia Metropolitana de Londres. Disponível em <http://amvbbdo.com/work/campaign/met-police/knifecrime/chooseadifferentending>.
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    41! The last ofus é um jogo em terceira pessoa, que mistura elementos de ação, aventura e survival horror10 . Desenvolvido pela Naughty Dog11 , lançado em junho de 2013, exclusivamente para o Playstation 312 . O personagem principal é Joel, carpinteiro, morador do Texas, pai solteiro de Sara, 12 anos, morta no inicio do jogo. Um surto de fungos parasitóides transformaram o mundo em um ambiente apocalíptico e Joel precisa sobreviver. Figura 14: Imagem promocional de The last of us (2013). Este jogo é aclamado por diversos jogadores pela forma que consegue envolvê-los na narrativa. Uma das cenas mas emocionante do jogo, passa-se nos primeiros minutos de jogo, onde Sara, sua filha, agoniza em seus braços, após ser atingida por um soldado. Além disso o envolvimento criado entre Joel e Elle, personagem coadjuvante, é colocado a prova em diversos momentos do !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 10 Conhecido também como Horror de sobrevivência é um subgênero de jogos de ação, baseado em histórias de ficção e horror. O jogador não se sente tão poderoso quanto em outros jogos, aqui ele está sempre em perigo. Normalmente há grande preocupação com munição, saúde, velocidade e outras informações. Disponível em <http://survivalhorrorbr.com>. 11 Produtora norte-americana de jogos, também desenvolve a franquia Bater Bandicoot. Disponível em <http://www.naughtydog.com>. 12 Terceiro aparelho de vídeo-game produzido pela empresa Sony Computer. Disponível em <http://www.sony.com>
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    42! jogo. A seguirpodemos ver um trecho de uma critica do site Omelete13 sobre o jogo. Ellie, como outras personagens femininas da Naughty Dog14 , é forte, destemida e carrega uma vontade de mudar o cenário em que vive. Já Joel é um homem com marcas de uma vida sofrida e, em momentos, mostra que já perdeu as esperanças de viver em um mundo melhor. Essas características citadas no texto, não são escritas durante o jogo, nós a percebemos enquanto controlamos os personagens. Enquanto estamos jogando e tomando atitudes, as situações que nós somos apresentados nos aproxima e cativa. Todas essas obras citadas, são criadas a partir de histórias ficcionais, afinal as ações do expectador as alteram e a experiência é particular às suas escolhas. Porém, é difícil imaginarmos como aplicar estes recursos sobre as narrativas documentais, que não tem uma história imaginada, ela não é construída durante a leitura, ou jogo, ela já aconteceu. No próximo capitulo analisaremos alguns webdocumentários, que utilizaram de recursos da hipermídia em sua composição e relataremos como foi o processo de produção do nosso webdocumentário. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 13 Site brasileiro de entretenimento. Disponível em <http://omelete.uol.com.br>. 14 Produtora norte-americana de jogos, também desenvolve a franquia Bater Bandicoot. Disponível em <http://www.naughtydog.com>.
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    43! 3. Memorial descritivo:A construção do webdocumentário Durante a produção do pré-projeto que antecedeu este trabalho de conclusão de curso, houve dois pontos cruciais, tais como a escolha do formato, que culminou na produção de um webdocumentário, e a escolha do tema que ele abordaria. Após a escolha do formato, muitos temas possíveis surgiram, porém a maioria, ou parecia superficial, ou exigiria um trabalho investigativo e jornalístico muito grande. Por conta disso firmamos parceria com um grupo de graduandos em jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo. O grupo parceiro exerceu as atividades jornalísticas, como criação de pautas, entrevistas, coleta de dados, enquanto nós ficamos responsáveis por captação e edição dos vídeos, design e programação do webdocumentário. Apenas os roteiros foram criados em conjunto. O grupo parceiro é composto por cinco integrantes, Isabella Tebet, Renata Souza, Patrícia Teixeira, Tamyres Scroller e Verônica Magalhães. Ao decorrer deste memorial não daremos foco às atividades jornalísticas, mas sempre que necessário os responsáveis pelas atividades serão discriminados. O grupo parceiro inicialmente pretendia produzir um livro sobre o tema “A realidade sobre a pedofilia”. Durante o processo de pesquisa, perceberam que o formato não seria o ideal e que o tema poderia ser levemente modificado. Juntos decidimos o novo formato e alteramos a abordagem sobre o tema, agora faríamos um webdocumentário com o tema “Um novo olhar: Abuso sexual e pedofilia”. O objetivo deste webdocumentário passou a ser a conscientização sobre o tema de forma geral e tentamos abordar os mais diversos pontos de vista, mostrando o lado da lei, da psicologia, da saúde, das vítimas etc. Todo o projeto do grupo parceiro, assim como os dados pesquisados estarão anexos a esta pesquisa. 3.1. Escolha do formato e análise de webdocumentários existentes A escolha do formato do produto que desenvolvemos neste TCC foi um passo difícil, devido à multidisciplinaridade oferecida no curso de Tecnologia e Mídias Digitais, as opções eram diversas e igualmente interessantes. O que
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    44! nos levou aescolha de um formato documental foi o cunho social que poderíamos dar ao trabalho. Durante uma das orientações com o professor David Oliveira Lemes, fomos indagados do seguinte: “o que seu trabalho mudará no mundo?”, este questionamento nos fez refletir e reforçou a idéia de um projeto que, além de servir como objeto de estudo, poderá contribuir para a sociedade. Após a decisão por uma formato documental, a opção de produzir um webdocumentário surgiu como algo natural, pois ele agrega diversos aspectos estudados durante o curso de Mídias Digitais, como, edição, roteiro, design, programação, hipermídia etc. Partimos então para a análise de projetos já existentes, os quais acessamos e registramos aspectos interessantes, ou não, ao nosso desejo. A seguir veremos alguns dos webdocumentários encontrados e brevemente analisados, assim como algumas de nossas considerações sobre os mesmos. 3.1.1.$Brèves$de$trottoirs$–$As$celebridades$do$dia5a5dia$ Webdocumentário francês dirigido pelo jornalista Olivier Lambert e pelo fotógrafo Thomas Salva, em conjunto com a produtora multimídia independente Darjeeling. Brèves de trottoirs se propõe a nos trazer histórias de artistas do cotidiano, são eles pessoas que cantam ou pintam nas ruas, são professores de dança e até motoristas de ônibus, todos cidadãos de Paris. Esta produção nos traz a história dessas personagens através de vídeos, textos, fotos e áudios, todas acessadas por uma interface diferente das encontradas em sites comuns da web. Ao acessar o webdocumentário assistimos uma breve introdução com informações sobre esta produção, como título, produtora, parceiros etc. Na página principal do webdocumentário temos uma interface em forma de mapa da cidade de Paris, com pontos coloridos que representam a localização de cada personagem, uma curta descrição do artista é exibida quando passamos o mouse sobre um dos pontos. Também temos a opção de visualizar estas informações em forma de um mural, com fotos de todos os participantes. Nas
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    45! duas telas vemosum menu superior e inferior oferecendo informações sobre o projeto. Além das alternativas de escolha de idioma, redes sociais, volume e botão para visualizarmos em tela cheia. Figura 15: Página inicial do webdocumentário Brèves de trottoirs. ! Figura 16: Opção de página inicial, Brèves de trottoirs. Após clicarmos em um dos pontos, somos direcionados a uma página com um vídeo sobre o personagem escolhido, com duração de em média cinco minutos, ouvimos o próprio personagem contando suas histórias. Além do
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    46! vídeo temos aopção de acessar outras informações sobre a personalidade escolhida, através de textos, fotografias ou áudios, de forma não simultânea. Figura 17: Página do personagem Stephen Couronner. O webdocumentário é disponibilizado no formato SWF15 , exigindo assim que o usuário tenha o Adobe Flash Player 16 instalado e inviabilizando o acesso por dispositivos não compatíveis com está tecnologia, como Ipads e Iphones, apesar de ter uma versão para Iphone disponível na Appstore17 francesa. Antes de cada tela temos uma animação de carregamento dos dados, que obviamente poderá ser mais longa para usuários com velocidade de conexão inferior. Uma das vantagens da utilização do Adobe Flash Player é uma maior liberdade para trabalhar com animações de transição e um visual adequado para cada personagem, o que torna nossa visita muito agradável. Após alguns minutos visitando o webdocumentário, conhecendo os personagens e o material disponível sobre cada um, julgamos que a narrativa proposta não é a mais adequada ao nosso documentário, pois ela funciona !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 15 Formato de arquivo digital gerado pelo programa Adobe Flash. Este formato exige um programa especifico que faz a leitura dos arquivos, de forma integrada ao navegador do usuário. Disponível em <http://www.adobe.com>. 16 Programa produzido pela empresa Adobe Systems Incorporated. Desenvolvido inicialmente para produção de animações, hoje permite a confecção de aplicações para internet, dispositivos móveis, entre outros formatos. Disponível em <http://www.adobe.com>. 17 Plataforma de comercialização de aplicativos da empresa Apple Inc. Disponível em <http://www.apple.com>.
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    47! como micronarrativas conectadaspelo tema, celebridades do cotidiano, e pela localização, a cidade de Paris. Depois de escolher uma história e visitar informações em quatro mídias diferentes, vídeos, texto, fotos e áudio, o ciclo precisa ser reiniciado com um novo personagem. Construímos um breve diagrama que demonstra a estrutura deste documentário. Figura 18: Diagrama de fluxo do documentário Brèves de trottoirs (2011). Para melhor ilustrar nosso entendimento sobre este webdocumentário, utilizamos a metáfora de um corredor com vários quartos, cada um com quatro caixas com informações distintas. O usuário terá que entrar no quarto, abrir as quatro caixas e depois sair novamente, para escolher um novo quarto. Esta experiência não nos agradou, pois ela rapidamente se tornou cansativa, o que possivelmente fará o usuário desistir antes de acessar todas as histórias. Talvez este não seja o objetivo do documentário, mas este aspecto deixou a experiência audiovisual sem um final claro, o que não julgamos interessante ao nosso tema.
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    48! 3.1.2.$Filhos$do$Tremor:$Crianças$e$seus$direitos$em$um$Haiti$devastado$ Webdocumentário brasileiro dirigidopor Marcelo Bauer, mostra de diversas forma como as crianças do Haiti foram afetadas após o terremoto que aconteceu em janeiro de 2010. Esta produção utiliza de áudios, vídeos, fotos, textos e gráficos interativos, para construir sua narrativa, que é composta por capítulos como “O direito à Vida”, “O direito à família”, “O direito à assistência e proteção”, “O direito à saúde”, e “O direito à educação”. Todos os capítulos são dispostos de forma que o usuário escolha a ordem de execução. O webdocumentário conta com uma introdução que nos apresenta imagens e dados sobre os fatos abordados, com a opção de pular está introdução. Em seguida somos direcionados a uma página inicial onde podemos escolher entre os cinco capítulos existentes. Os título dos capítulos ficam sempre visíveis e um trecho em vídeo é executado quando passamos o mouse sobre cada título. Botões que permitem que você compartilhe o documentário em redes sociais também estão presente na página inicial, assim como um botão “debata”, que nos encaminha para um link que não está mais disponível, um botão “doe” que nos direciona à uma página com orientações sobre doações e outro botão “Créditos”, com as informações sobre a produção do webdocumentário. ! Figura 19: Página inicial do webdocumentário Filhos do Tremor.
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    49! Ao selecionarmos ocapítulo, somos direcionados à uma página com um vídeo sobre o tema selecionado, com duração de três à oito minutos. Abaixo do vídeo há uma barra com os botões de controle do vídeo, play, pause, volume e informações sobre o tempo total e tempo percorrido do vídeo. Também existem palavras que marcam temas abordados neste capítulo, essas palavras podem ser clicadas e fazem com que o vídeo seja executado no tempo específico onde encontramos o assunto. No capítulo “Direito à vida” temos as palavras “cenários”, no inicio do vídeo, e “mortes”, próximo a metade do vídeo. Não há opção de executar o vídeo em tela cheia. Além dos elementos citados acima, temos à direita do vídeo um espaço vazio, onde durante a execução são mostradas informações relacionadas ao vídeo. Podemos visualizar mapas que identificam a região exibida, informações sobre as pessoas que estão dando seus depoimentos etc. Alguns gráficos exibem informações adicionais quando o usuário passa o mouse por pontos específicos. Algumas informações exibidas oferecem a opção “Leia a integra”, que ao ser clicada, exibe uma nova janela com o texto integral, que sobrepõe o vídeo. ! Figura 20: Capítulo “O direito à Vida” com mapa interativo.
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    50! ! Figura 21: Capítulo“O direito à Vida” com opção “Leia a integra”. Após o término do vídeo, somos convidados a ver os demais capítulos. No mesmo quadro onde surgiram as informações, são exibidas cinco miniaturas com os títulos dos cinco capítulos, nos convidando a assisti-los novamente, mesmo após já termos acessados todos os itens. ! Figura 22: Capítulo “O direito à Vida” após termino do vídeo.
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    51! O webdocumentário foiproduzido com o Adobe Flash. Todo material é disponibilizado em dois idiomas, inglês e português. Não há versão para dispositivos móveis, como IPhone e IPad. Após termos assistido todo o webdocumentário, julgamos que este modo de organizar os capítulo não é o ideal ao nosso tema, pois ele trás cinco pontos de vista sobre um mesmo assunto, porém conectados apenas pelo tema, não narrativamente, são capítulos independentes, armazenados em um mesmo local. Novamente, não identificamos um final bem definido, pois mesmo após o usuário ter acessado todos os capítulos, ele continua sendo convidado e vê-los novamente.
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    52! 3.2. Desenvolvimento dopré-roteiro Após a análise dos webdocumentários anteriores, ponderamos os pontos positivos e negativos de cada produção. Analisamos os dados que foram obtidos em nossa pesquisa jornalística sobre o tema e iniciamos a produção de um pré-roteiro orientativo, que nos auxiliaria na criação de pautas e condução das entrevistas. Identificamos alguns assuntos que poderiam ser abordados e chegamos aos seguintes tópicos: 1. Diferença entre pedofilia e abuso sexual; 2. Onde o crime ocorre; 3. Perfil das vítimas; 4. Perfil dos abusadores; 5. Aspectos históricos que contribuem para o crime; 6. Legislação; 7. Traumas; 8. Tratamentos; 9. Depoimentos de vítimas. Após a criação destes tópicos, buscamos uma forma de organizar este conteúdo em uma narrativa documental linear, para assim, criarmos uma produção com começo, meio e fim. Chegamos a seguinte estrutura linear dos blocos:
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    53! A seguir, unimosos tópicos levantados com esta estrutura, com o objetivo de criar um pré-roteiro não-linear. Este roteiro deveria respeitar a estrutura linear e acomodar todos os tópicos levantados. Chegamos ao seguinte roteiro:
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    55! Este pré-roteiro possibilitouque inseríssemos todas as informações desejadas. Oferece aos usuários diferentes caminhos que podem ser percorridos de acordo com suas escolhas. Assim após assistir a introdução ele escolhe um dos blocos A, depois um entre os blocos B, um entre os blocos C e ao final assiste a conclusão do webdocumentário. Assim cada usuário poderá ter uma experiência diferenciada ao acessar nossa produção. Mesmo com esta possibilidade de escolhas, oferecemos uma experiência com começo, meio e fim, pois o usuário sempre passará por um bloco de cada tipo, abertura, introdução, sensibilização, problematização e conclusão. Decidimos que o usuário também poderá acessar informações além do vídeo, simultaneamente, como vimos no documentários Filhos do Tremor. Assim enriquecemos a experiência do usuário e damos mais materiais relevantes ao tema. Estes acréscimos serão dados estatísticos, textos de apoio, informações complementares etc. Elas poderão ser interativas ou não, dependendo do tipo de material. Com o pré-roteiro pronto, podemos iniciar outras etapas importantes do projeto. O grupo responsável pelas informações jornalísticas do webdocumentário, pôde iniciar a busca por especialistas e vítimas, além do desenvolvimento das pautas que conduziram as entrevistas. Enquanto nós, podemos iniciar o planejamento e desenvolvimento da plataforma que irá compor este webdocumentário.
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    56! 3.3. Perfil dosentrevistados A busca pelos personagens que compuseram nosso documentário iniciou-se com base nos assuntos abordados em nosso pré-roteiro. primeiramente buscamos instituições que acolhem crianças que sofreram abuso sexual, assim tivemos contato com psicólogos e especialistas com experiência no assunto. Eles foram fundamentais na indicação de outras fontes. Além disso contamos com pesquisas na internet e redes sociais para entrar em contato com todos os entrevistados. Ao final das gravações entrevistamos doze especialistas. Nos blocos compostos por relatos, optamos por buscar apenas adultos que sofreram abuso quando criança, pois são pessoas que já superaram, ou estão em processo de superação do trauma. Surpreendentemente não tivemos dificuldade em encontrar vítimas, porém nem todas estavam dispostas a serem entrevistadas. Os contatos iniciais foram através de especialistas entrevistados anteriormente, amigos de integrantes do grupo e blogs na internet. Todos entrevistados receberam visitas antecipadas de um integrante do grupo que apresentou o projeto e identificou a melhor forma de contribuição do entrevistado. Ao final das gravações entrevistamos sete vitimas. A seguir teremos breve perfil de todos os especialistas e vitimas entrevistados. $
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    57! 3.3.1.$Antonia$Bielecky,$vitima$ Antônia Bielecky, conhecidacomo Ika, tem 50 anos e é natural de Ubiratan no interior do Paraná. Casada e mãe de duas filhas. Veio para São Paulo aos 12 anos de idade. Devido a situação de pobreza e desemprego da família, foi morar na casa dos tios. No mesmo ano, sofreu abuso sexual pelo tio que a acariciava durante a noite. Apesar de não ter havido o ato sexual, o abuso foi um trauma. Na adolescência foi usuária de drogas. Hoje é casada com um ex- dependente químico, obteve em sua gravidez forças para seguir uma religião e se apegar a fé. Desde então, Ika e seu marido participam ativamente de uma comunidade da Renovação Carismática 18 da Igreja Católica onde dão palestras sobre seus testemunhos de vida. Acredita que sua vida servirá de exemplo para que outras pessoas não passem pelos mesmos problemas ou que tenham forças para superá-los assim como ela o fez. Em entrevista diz que sua mãe nunca conversara com ela sobre sexo e que ela descobriu grande parte sozinha ou com os colegas na escola. Hoje, ela procura manter um diálogo aberto com as filhas, uma delas casada e com filho, para garantir que elas não tomem decisões erradas ou que enfrentem sozinhas as dificuldades. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 18 É um movimento da igreja católica que visa oferecer uma abordagem inovadora às formas tradicionais de doutrinação e renovar práticas tradicionais dos ritos e da mística da Igreja. Disponível em <http://www.cancaonova.com>.
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    58! 3.3.2.$Antonio$Serafim$ Formação acadêmica: Graduadoem Psicologia - UFPB (1992); Mestrado em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia (IPUSP, 1999); Doutorado em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP (2005); Especialização em Psicologia Hospitalar pelo Hospital das Clínicas HCFMUSP (1994). Psicólogo Supervisor no Serviço de Psicologia e Neuropsicologia e Coordenador do Programa de Psiquiatria e Psicologia Forense (NUFOR) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IPq/HCFMUSP). Docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Área de pesquisa: Saúde Mental e Violência, Psicologia Forense e Neuropsicologia. Entrevista: Com uma duração de aproximadamente vinte minutos, obtivemos esclarecimentos sobre a diferença entre violência sexual infantil e pedofilia. Um dos principais objetivos de entrar em contato com um especialista na área da saúde mental é levar para o nosso espectador, a informação de que a pedofilia é tratada como se fosse o mesmo que violência sexual infantil e na verdade é uma parafilia, ou seja, uma doença que deve ser tratada. Abordamos a diferença entre abusador e pedófilo, o tratamento e o perfil de cada um, falamos também sobre a visão da sociedade sobre o tema e a participação da mídia como formadora de opinião.
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    59! 3.3.3.$Breno$Rosostolato$ Formação acadêmica: PsicólogoClínico, Terapeuta Sexual e Professor da Faculdade Santa Marcelina – FASM formado pela Universidade São Judas Tadeu desde 2004, Psicoterapeuta Clínico especialista em Sexualidade Humana, pós-graduado em Arteterapia e Hipnose Clínica pela PUC-SP. Professor universitário do curso de enfermagem e nutrição da Faculdade Santa Marcelina, campus Itaquera. Professor de psicanálise e psicopedagogia do Instituto Nacional de Ensino e Qualidade Profissional (INEQ). Colunista do site Rota do Agito. Autor do livro Escancarado de poesias e está finalizando outro sobre Sexualidade. Mantém um blog com artigos de sua própria autoria sobre diversos temas ligados à sexualidade. Entrevista: A entrevista com o psicólogo clínico e professor Breno Rosostolato foi pautada em questões que pudessem esclarecer dúvidas relacionadas ao modo com que a sociedade enxerga o sexo, as diferenças de gêneros, o conceito de pedofilia como parafilia, tratamento da doença, como falar sobre sexualidade com as crianças e a influência da mídia para a formação da sexualidade. De início a pauta para a entrevista não abordava tantas questões, nem tínhamos tantas expectativas. Porém nos surpreendeu positivamente o que ele pode acrescentar para a construção do nosso projeto, se mostrando não apenas disposto a ajudar com o que dispunha do seu conhecimento, mas também nos incentivando e dando luz a outras vertentes do tema, que pudemos aprofundar posteriormente.
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    60! 3.3.4.$Dalka de AlmeidaFerrari$ Formação acadêmica: Psicóloga especialista em psicologia clínica e violência doméstica contra crianças e adolescentes formada pela Clínica Psicológica da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientae, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pelo Laboratório de Estudos da Criança/ USP – Universidade de São Paulo. Hoje, Drª Dalka é Coordenadora Geral e da Área de Parcerias do Centro de Referência às Vítimas de Violência (CNRVV), responsável pelo desenvolvimento de projetos na instituição e já contribuiu para o desenvolvimento dos livros: O fim do silêncio na violência familiar; Práticas psicoterápicas na infância e na adolescência; e Seminário de medo e sombra – abuso sexual contra crianças e adolescentes. Entrevista: A escolha dessa entrevistada se deu por conta da vasta experiência que ela possui no tratamento de crianças que foram vítimas do abuso sexual infantil e por estar a frente de uma instituição que é referência no estado de São Paulo para esse tipo de tema, o CNRVV – Centro de Referência às Vítimas de Violência. Esclarecemos questões relacionadas ao impacto que o abuso sexual traz para a vida das crianças e como é feito o tratamento tanto das vítimas quanto dos familiares e outros envolvidos. Nossa intenção é passar para o espectador quais as medidas a serem tomadas após uma situação de abuso e a importância de dar a devida atenção e amenizar os possíveis traumas da crianças. $
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    61! 3.3.5.$Deivid$Couto$ Formação acadêmica: Eleitoconselheiro tutelar desde agosto de 2012, Deivid Couto, é formado em Economia e é graduando do curso de Ciências Sociais na Faculdade Metodista de São Paulo. Além do trabalho como Conselheiro, desenvolve outras atividades em comunidades religiosas que evolvem adolescentes e jovens carentes. Entrevista: A escolha de um conselheiro para entrevista se deu pela necessidade de trazer a visão de um representante de um órgão do estado que, em geral, é o primeiro órgão acionado em casos de violência infantil. Conversamos sobre casos reais que se mantém no anonimato para preservar as vítimas e qual foi o procedimento realizado. Compreendemos como devem ser feitas as denuncias e qual o caminho e procedimentos a serem tomados após a queixa. A entrevista teve duração de 55 minutos, foi realizado na sede do Conselho Tutelar de Diadema. Conversamos sobre as dificuldades de se prestar um serviço adequado e atender a todos os casos de abuso. Tivemos a oportunidade de conhecer de perto o dia a dia do atendimento e perceber as carências desse serviço.
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    62! 3.3.6.$Edileuza Teixeira Jesus,$vitima$ EdileuzaTeixeira Jesus, tem 50 anos e mora na cidade de São Paulo. Nasceu no município de Imperatriz, no estado do Maranhão. Tinha seis irmãs, todas eram abusadas pelo pai. Desde os sete anos Edileuza sofria violência sexual. De acordo com a vítima o pai tinha muita sede de poder e também vendia a menina para os coronéis da região. Na infância e na adolescência para esquecer os abusos, Edileuza usava o álcool como porta de saída. Adquiriu câncer na garganta aos 20 anos de idade. Veio para São Paulo com dois filhos e passou por muitas dificuldades financeiras e discussões com o marido. Através de uma amiga ela começou a freqüentar uma Igreja evangélica. Para Edileuza foi nesse momento que tudo mudou. Hoje ela conta a sua história em testemunhos, casou novamente, perdoou o pai que faleceu no final de 2012, e agora é uma mulher feliz. Realizamos a entrevista com a intenção de abordar a vida da Edileuza, e mostrar que em muitas regiões o abuso sexual de menores é constante. Edileuza ficou emocionada em alguns momentos, mas nada impediu de contar a sua história do começo ao final. “Tem que romper o silencio. Se na minha época eu tivesse informação eu não tinha passado por isso” afirma Edileuza. $
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    63! 3.3.7.$Fátima Panangeiro$ Formação acadêmica:Psicóloga há 18 anos e desde então trabalha na área de GTAE – Grupo Transdiciplinar de Apoio em Emergências. No ano de 2001 passou a focar nos casos de abuso sexual após realizar especialização em psicotraumatogia, quando começou a usar as técnicas aprendidas como forma de tratamento. Além do abuso sexual, também atende dependentes químicos em seu consultório, localizado em São Paulo-SP. Entrevista: O critério de escolha da entrevistada foi a ampla experiência em atendimento de casos de abuso sexual infantil. Com duração de aproximadamente trinta minutos, a entrevista foi realizada no consultório. Podemos conhecer brevemente as técnicas utilizadas no atendimento das vitimas. A entrevista teve foco no conceito do que é abuso sexual infantil, os traumas e transtornos causados, quais os tratamentos oferecidos, a eficácia dos mesmos e qual a melhor maneira para prevenir os casos de abusos. Além de citar anonimamente casos de abuso e como foi o processo de recuperação e alguns tratamentos com vitimas.
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    64! 3.3.8.$Helena Hirata$ Helena SumikoHirata possui graduação em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP - 1969) e doutorado em Sociologia política pela Universite de Paris VIII (1979). Fez a Habilitation à diriger des recherches (HDR) (1997), equivalente à livre-docência pela Universidade de Versailles-Saint-Quentin-en- Yvelines. Atualmente é diretora de pesquisa emérita do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) no laboratório CRESPPA - equipe GTM (Genre, Travail, Mobilités) associado às Universidades de Paris 8-Saint-Denis e Paris 10-Nanterre. Sua pesquisa é voltada para a área de Sociologia do Trabalho e do Gênero. Entrevista: Como seus estudos não são voltados exclusivamente ao tema, realizamos a entrevista com o objetivo de abordar a relação histórica de submissão da mulher, que favoreceu durante muito tempo as situações de abuso, seja ele físico ou emocional. As perguntas foram abrangentes e pouco relacionadas à sua área de atuação. Por conta disso, optamos por não utilizar seu depoimento no webdocumentário para que não fugíssemos do foco principal do trabalho. Apesar disso, a entrevista nos auxiliou no conhecimento mais amplo sobre a história da mulher e o contexto das mudanças que ocorreram e influenciaram também numa alterações de mentalidade da sociedade. Helena evidenciou que analisando o contexto histórico e cultural da sociedade, a mulher sempre foi mais “abusada” ou “violada” que o homem, seja pelo sistema patriarcal que faz do homem superior, ou pelo próprio pensamento machista que as colocava como submissas aos parceiros.
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    65! 3.3.9.$Herbert$Rodrigues Formação acadêmica: Sociólogo,formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em antropologia e no momento faz doutorado em Sociologia, sobre o processo de criminalização da pedofilia no Brasil. Hoje não trabalha para se dedicar as pesquisas e estudos de doutorado. Entrevista: A entrevista focou-se na história do sexo, como as pessoas vêem esse tema, como era visto no passado e a diferença de sexo entre o homem e a mulher, a inferiorização tanto da mulher, quando da criança, a imagem de um mundo e como isso permaneceu até hoje na sociedade.
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    66! 3.3.10.$Irani,$vitima$ Irani tem 53anos e é a caçula de cinco filhos. De família humilde, é casada e mora na cidade de Santo André, na região do ABC paulista. O pai de Irani sofria com problemas de alcoolismo e tinha ela como a filha preferida. Sofria abuso sexual do pai, apenas por toques, sempre que sua mãe ia a igreja e os deixava sozinhos. “Ele não chegou a ter o ato sexual comigo, mas muitas vezes era ousado”, afirma. Ainda criança passou a fugir do próprio pai e chorava muito, até que resolveu revelar a situação. A mãe de Irani não acreditou, foi quando a situação piorou, porque ela sabia que não teria mais ajuda de ninguém. A relação com seu pai sempre foi conturbada, aos 16 anos se casou para que pudesse sair de casa Hoje é casada com Nivaldo, que a ajudou na recuperação dos traumas e a tornou uma mulher feliz. Seu pai faleceu há mais de 30 anos, mas o sentimento de ódio não morreu junto com ele. “Eu tenho mãe, mas não tenho pai”, diz ela mesmo depois de tantos anos. Com a intenção de abordar a vida da Irani, mantivemos o foco nos problemas da sua infância e relação com o abusador, no caso seu pai, a superação e os traumas. De forma breve procuramos apresentar o sentimento que ficou sobre a época de infância. $
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    67! 3.3.11.$Jonatas$Lucena$ Formação acadêmica: OAB/SP285.933, Dr. Jonatas Lucena já atendeu casos relacionados à pornografia infantil na internet, representando tanto crianças vítimas de abuso, quanto adultos acusados. Durante a entrevista, conversamos também sobre a situação atual do combate aos crimes virtuais, os riscos e os cuidados que devem ser tomados. Entrevista: A intenção da entrevista foi explicar como a expansão global da Internet influenciou no aumento da pornografia infantil, como funciona a legislação criada para impedir o uso inadequado dessa ferramenta e todos os impactos disso para a quantidade de casos de abuso sexual infantil.
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    68! 3.3.12.$Juliana,$vitima (nome fictício)$ Aentrevistada prefere não ser identificada, tem 35 anos e mora na cidade de Diadema – SP há 15. Professora de tae-kwon-do. Dar aulas é uma das atividades que mais gosta de fazer, devido a satisfação que tem em ensinar algo de bom e de novo as pessoas, principalmente sendo seus alunos crianças com deficiência. Nascida em Senador Pompeu – Ceará, morou com os pais e mais 9 irmãos até completar 16 anos de idade, quando veio para São Paulo. Juliana, como a chamaremos, tinha 7 anos quando começou a sofrer violência sexual por parte do irmão, que na época tinha por volta de 16 anos de idade. Durante muito tempo, isso aconteceu diariamente. Desde os primeiros abusos, Juliana passou a se comportar de uma maneira diferente com o irmão, chorava todas as vezes em que ele queria levá-la junto para fazer as tarefas. Os pais de Girlane não descobriram os abusos. Devida a situação financeira precária de sua família, sua mãe permitia que famílias estranhas levassem seus filhos para morar em outros lugares, iludida por promessas de uma vida melhor e estudos, acreditava estar fazendo o melhor para seus filhos. Porém, segundo Juliana, nessa casa além de ter que trabalhar, ainda era molestada por membros da família. $
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    69! 3.3.13.$Karen Luana,$vitima$ Karen Luana,36 anos, mora na região central da cidade de São Paulo- SP, onde vive com sua mãe e irmã desde que nasceu. O abuso começou quando Karen tinha 12 anos e estendeu-se até os 29 anos. Em meio a agressões físicas e psicológicas esta situação se manteve até o dia em que Karen decidiu contar para uma amiga, que não hesitou em denunciar para a mãe de Karen as agressões que ela sofria. Hoje, a história é bem diferente. Com a morte de seu pai dias antes da entrevista, Karen já demonstra um ar diferente como se “a vida estivesse começando agora”, frase dita por ela no fim da última conversa que tivemos. Karen está em tratamento psicológico há cinco anos, e desde então, construiu uma rede amigos e amigas que passaram pela mesma situação. O apoio que ela dá e, ao mesmo tempo, recebe dessas pessoas foram essenciais para a reconstrução de sua vida. Entrevista: Karen estava ansiosa para a entrevista e mostrou que estudou todas as perguntas que enviamos como pauta da nossa conversa. Talvez isso tenha impedido que a conversa fluísse naturalmente e fez com que a entrevistada respondesse de maneira muito sucinta cada pergunta. Em apenas 21 minutos, Karen contou de sua infância, sua relação com a família, o abuso e como vive hoje. Sua psicóloga acompanhou toda entrevista, com olhos atentos sobre nossas perguntas e a reação de Karen.
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    70! 3.3.14.$Luiz$Fernando$Rocha Formação acadêmica: Promotorde justiça criminal do município de Assis-SP, Luiz Fernando Rocha, também atua como secretário executivo do GAEMA 19 estadual. É assessor do procurador de justiça do Centro de Apoio Cível e de Tutela Coletiva. Em 2006, desenvolveu uma tese sobre a responsabilização do agressor em casos de abuso sexual infantil, analisando a manifestação dos promotores de justiça frente a esse tipo de caso e fez um levantamento de dados importantes de processos criminais. Entrevista: Com cerca de 40 minutos, a entrevista aconteceu no 21 de setembro às 17hs. Entre as perguntas definidas em pauta, conversamos sobre o tratamento judicial dado para casos de abuso sexual infantil, as maiores dificuldades em encontrar provas e determinar punições adequadas a cada tipo de caso e a importância de conhecer os direitos e deveres de cada cidadão para o combate do crime. $ !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 19 Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente. Disponível em <http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/cao_urbanismo_e_meio_ambiente/rede_gaema>.
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    71! 3.3.15.$Márcia$Longo,$vitima$ Márcia Longo, 53anos, professora de educação infantil. A partir dos três anos sofreu abusos sexuais do próprio pai, aos nove anos, seu irmão mais velho também iniciou os abusos. Eles mantiveram-se até os 11 anos de idade, tanto pelo pai, quanto pelo irmão. Márcia se casou aos 16 anos e desde então mora longe da família. Hoje freqüenta um grupo de ajuda as pessoas que sofreram abuso sexual infantil e ela também contribui com uma organização contra violência. Reside em Araras para se manter longe da família que, apesar de saberem dos abusos por uma carta enviada por Márcia, preferem esconder o caso. A entrevista foi realizada em Araras, São Paulo. Durante seu depoimento ficou claro que apesar de sofrer os abusos sexuais pelo pai e pelo irmão, a principal dor foi não ter em quem confiar, uma vez que sua mãe a julgava culpada. Com duração de aproximadamente uma hora, Márcia pode contar, além de sua infância, sua relação com seus filhos, sua vida atual e superação. Hoje Márcia gosta de expor sua história para ajudar quem também passou por isso e conscientizar as pessoas de que o abuso sexual infantil pode estar em qualquer lugar, principalmente dentro de casa.
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    72! 3.3.16.$Marjori$de$Lima$Macedo$ Formação Acadêmica: Psicólogade formação, pós graduada em Teoria Psicanalítica pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), Marjori de Lima Macedo, é coordenadora do núcleo de Santo André do CRAMI (Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância), organização não-governamental, na qual entrou como voluntário em 2005 e foi contratada em 2007. Trabalhou com violência infantil, auxiliando no tratamento tanto das crianças, quanto das famílias. Entrevista: A entrevista teve foco na instituição CRAMI, como uma das soluções encontradas para quem sofreu abuso sexual infantil, como é o processo de denúncia, quais as famílias que podem ser atendidas e como são esses atendimentos. Além da explicação e conceito de violência doméstica, exploração sexual, pedofilia, abuso sexual infantil e as leis de proteção das crianças.
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    73! 3.3.17.$Rafaella Rizzo$ Rafaella Rizzo,tem 23 anos. Desde que nasceu Rafaella mora com os pais e a irmã mais nova, em um prédio no centro da cidade de São Paulo. É estudante do curso de Jornalismo na FAPCOM - Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. Cursando o 4º ano de faculdade, Rafaella trabalha como repórter na Folha Universal de SP. Na infância teve problemas com o pai que era alcoólatra. Com 12 anos sofreu abuso sexual do porteiro de seu prédio. Não houve penetração, porém houve sexo oral. O episódio não se repetiu. Segundo relatos da vítima, após o abuso passou a ser menos tímida, e sexualmente ativa. Começou a beber usar cigarro, e se relacionar com homens e mulheres. Depois de várias experiências ruins, como relata Rafaella, ela livrou-se de todos os traumas com a ajuda de Deus. Foi através da Igreja que se restabeleceu emocionalmente. Rafaella entendeu o significado de moral e ética. Atualmente ela ajuda através da Igreja outras vítimas de abuso a superarem o trauma e encontrar uma luz no fim do túnel. Mantivemos o foco em mostrar que o abuso pode acontecer em qualquer lugar. Outro objetivo foi mostrar que mesmo o abuso não acontecendo freqüentemente ou de uma maneira agressiva, quando se trata de violência sexual, ela deve ser denunciada. “A minha raiva nem é tanto contra o agressor é a sociedade que permite isso continuar acontecendo, as pessoas que ainda fecham os olhos para a situação” relata Rafaella Rizzo.
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    74! 3.3.18.$Sandra$Duarte$ Formação Acadêmica: Teóloga.Mestre (1995) e Doutora (1999) em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Graduada em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista (1992) e em Serviço Social pela Faculdade Paulista de Serviço Social (1989). É professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião/Universidade Metodista de São Paulo. Concentra suas pesquisas e atuação docente em Sociologia da Religião. Coordena o Núcleo de Estudos Teológicos sobre a Mulher na América Latina do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião/Universidade Metodista de São Paulo. É editora da Revista Mandrágora do mesmo Programa. Entrevista: Esclarecermos questões relacionadas à submissão da mulher na sociedade e o quanto isso pode ter influenciado para que a mulher ainda se mantenha omissa diante das situações de abuso que os filhos são submetidos. Tratamos como a submissão da mulher contribui para a incidência desses crimes dentro da própria casa. Abordamos as questões relacionadas à visão da sociedade sobre o sexo e as diferentes visões do homem e da mulher sobre o assunto. A professora Sandra se deteve também na construção da hierarquia, na qual se insere a questão da inferioridade da mulher e da superioridade do homem, definidas unicamente a partir do seu gênero. Além de questões relacionadas a cultura da sociedade, a dominação social e a educação feminina e masculina a respeito do sexo.
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    75! 3.3.19.$Sílvia$Chakian$ Promotora de justiçahá 14 anos, atua como Coordenadora e Secretária Executiva do Grupo de Enfrentamento a Violência Doméstica do Ministério Público – GEVID – Núcleo Central. Integra a Comissão Permanente de Violência Doméstica do Grupo de Direitos Humanos. Entrevista: Optamos por abordar questões legais, como por exemplo, a pena para agressores ou abusadores, bem como o processo que ocorre desde a denúncia até o julgamento de um crime doméstico. Para a promotora, o Ministério Público atua de maneira mais moderna e eficaz nos casos que recebem, proporcionando além do acompanhamento às vítimas uma reeducação aos agressores. Dra. Silvia também explicou sobre a cartilha “Mulher, vire a página”, que oferece instruções simples de como prevenir as situações de violência doméstica e quais delegacias procurar em caso de registro de alguma ocorrência. Revelou também que o abuso sexual infantil está presente em muitos dos casos onde além de agredir o cônjuge, o agressor abusa dos filhos, devido o estado de submissão e medo com que todos são colocados. $
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    76! $ 3.3.20.$Fala$Povo$ Além dos especialistase vitimas realizamos entrevistas nas ruas, o que chamamos de fala povo. Com ele, tínhamos o objetivo de trazer a opinião da população sobre os assuntos abordados. A escolha dos locais foi feita para obtermos uma amostragem diferenciada de opiniões. As gravações foram feitas na Avenida Paulista, em São Paulo, no Parque Central da cidade de Santo André e na Rua Coronel Oliveira Lima, também na cidade de Santo André. No total foram trinta e três pessoas entrevistadas para o fala povo. Durante as entrevistas duas pessoas se identificaram como vitimas de abuso sexual infantil, porém, mesmo com a permissão para utilizarmos essas informações, optamos por manter a estrutura proposta no roteiro. Abaixo uma lista de todas as pessoas entrevistadas. Maria Soledade, dona de casa Fabiana Gomes, dona de casa
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    77! Tiago Vieira, montador CalixtoPalhares, metalúrgico Bruna Cojoroski, dona de casa e Jeferson Ribeiro, consultor técnico Sidney de Souza, mecânico
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    78! Ana Ortiz, agenteescolar e Iliene Ortiz, funcionária de creche Solange, inspetora de qualidade e Ana Caroline, funcionária pública Roberto, metrologista e Andrea Cristina, dona de casa Devido problemas com a gravação não registramos os nome deste personagem, portanto não o utilizamos.
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    79! Fabiana Almeida, auxiliarfinanceira e José Carlos Ferreira, empresário Isaias Alexandre, soldador e Raquel Lacerda, dona de casa Selma Lima, funcionária pública Rodolfo Alves, pantologista e Maria Lourenço, operadora de telemarketing
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    80! Devido problemas coma gravação não registramos os nome deste personagem, portanto não o utilizamos. Tércia Ferraro,bibliotecária e Ticiane Ferraro, artesã Arthur Andrade, funcionário da área de hotelaria Camila Gonçalves, Gerente Comercial
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    81! Eliseo Ayabe, aposentado MariaSouza, dona de casa Maria José, empregada doméstica Edimilson, porteiro
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    82! Everton Carlos dosSantos, auxiliar administrativo Vital Cordeiro, aposentado Ernesto Fiori, empresário
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    83! 3.4. Gravações eequipamentos utilizados Após o contato com todos os entrevistados iniciamos o agendamento das entrevistas e gravações. Inicialmente planejamos realizar todas as gravações no mês de setembro, porém, devido a indisponibilidade dos especialistas, estendemos o prazo. Todas entrevistas contaram com a presença de pelo menos um integrante do grupo de jornalistas e sempre com a presença de nosso grupo, pois nós fomos os responsáveis pela gravação dos depoimentos. Abaixo a agenda de gravações realizada e o tempo de gravação. Agenda de Gravações Data Nome Tempo 22/08/2013 Dalka Ferrari 0:23:02 01/09/2013 Rafaella Rizzo, vítima 0:38:09 02/09/2013 Antonio Serafim 0:22:23 06/09/2013 Breno Resostolato 0:37:50 06/09/2013 Antônia Bielecky, vítima 0:46:22 07/09/2013 Márcia Longo, vitima 0:56:05 13/09/2013 Helena Hirata 0:20:03 15/09/2013 Irani Pereira, vitima 0:38:29 15/09/2013 Edileuza Teixeira, vítima 1:28:44 16/09/2013 Sandra Duarte (Cancelada no dia) 0:00:00 17/09/2013 Fátima Panangeiro 0:24:22 17/09/2013 Karen Luana, vítima 0:19:12 18/09/2013 Luiz Eduardo 0:41:22 19/09/2013 Herbert Rodrigues 0:52:22 20/09/2013 Deivid Couto 0:54:13 20/09/2013 Juliana, vitima 0:40:42 23/09/2013 Silvia Chakian (Cancelada no dia) 0:00:00 24/09/2013 Sandra Duarte 0:49:06 25/09/2013 Marjori Macedo 0:31:29 26/09/2013 Jonatas Lucena 0:21:23 28/09/2013 Fala Povo - Parque Central de Santo André 0:34:26 28/09/2013 Fala Povo - Rua Coronel Oliveira Lima 0:27:21 30/09/2013 Silvia Chakian 0:25:44 11/10/2013 Fala Povo - Paulista 0:35:17 Total 13:48:06
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    84! A captação detodos os depoimentos foi realizada com duas câmeras e a gravação do áudio feita em redundância. Todo equipamento utilizado é de propriedade do nosso grupo, exceto por um microfone utilizado durante o fala povo, que é de propriedade da Universidade Metodista de São Paulo. Nenhum equipamento de iluminação foi utilizado, para não influencia na aparência do local. Todos os depoimentos foram gravados em ambientes comuns aos entrevistados, suas casas ou local de trabalho. Na maioria das vezes os entrevistados tinham pouco tempo para nos receber, o que nos impediu de gravarmos imagens complementares, pouca coisa foi gravada além dos depoimentos. Figura 23: Gravação com Rafaella Rizzo e Márcia Longo. A captação das entrevistas foi feita na resolução de 1920x1080 a 30 fps, quadros por segundo. As câmeras foram fixadas e permaneceram estáticas durante todo o depoimento. Utilizamos lentes com abertura de 2.8, o que proporcionou uma menor profundidade de campo, permitindo assim que pudéssemos destacar o entrevistado desfocando o cenário atrás dele. O posicionamento das câmeras foi escolhido para obtermos duas imagens, a primeira mais aberta, que pudesse mostrar o personagem gesticulando enquanto fala e o ambiente, a segunda mais próxima, prioriza o rosto e a expressão do personagem. O posicionamento das câmeras pode ser observado no diagrama a seguir.
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    85! Figura 24: Mapade posicionamentos das câmeras. O equipamento utilizado é compacto e pode ser guardado e transportado em apenas uma mesma mochila, com exceção de dois tripés. Isso nos ajudou muito, pois muitas vezes o local da entrevista só era definido quando chegávamos ao local que o entrevistado estava, essa locomoção e acomodação seria inviável com equipamentos maiores, ou mais pesados. A seguir poderemos ver uma lista com todo equipamento utilizado na gravação deste webdocumentário. Equipamentos utilizados Quantidade Item 2 Canon EOS Rebel T3i 1 Lente Sigma 17-50mm F2.8 1 Lente Canon 50mm F1.8 1 Lente Canon 70-300mm F3.5-4.5 1 Gravador Digital Zoom H1 1 Gravador Digital Zoom H4n 1 Microfone de Lapela Leson Ml70s 1 Tripé Weifeng WT-3770 1 Tripé Benro KH25 1 Mochila Fancier King Kong 30 1 Microfone Sennheiser MZW 70-1 2 Cartão SD SanDisk 45MB/s
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    86! Além das entrevistas,sentimos a necessidade de produzimos imagens que foram usadas para ilustrar o documentário. Além de compor aberturas e fechamentos de blocos. Destas imagens foram retirados fotogramas usados como plano de fundo nas páginas do webdocumentário. Abaixo alguns dos fotogramas utilizados para compor o webdocumentário. Figura 25: Fotogramas utilizados como planos de fundo do site. Foram mais dois dias de gravação realizados. O primeiro foi realizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Com as filmagens pretendíamos fazer imagens de playgrounds, crianças brincando, famílias, casais etc. Todas as imagens de pessoas foram desfocadas propositalmente, para preservar as identidades. As imagens de pessoas em foco foram alteradas na pós produção. Figura 26: Fotografias feitas durante a gravação no Parque do Ibirapuera
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    87! O segundo diade gravação foi realizado com o objetivo de captar imagens que poderiam ilustrar o depoimento das vitimas. As imagens não poderiam abordar o tema de forma agressiva, portanto escolhemos criar cenas com bonecos de pano. Assim teríamos imagens da família reunida, o pai com a família, a criança triste, tudo de forma lúdica e mantendo a identidade infantilizada do vídeo. A gravação foi feita em uma das residências dos integrantes, pois precisamos de um ambiente com luz controlada onde pudéssemos montar os brinquedos. Durante a edição optamos por não utilizar as imagens dos brinquedos. Figura 27: Fotografias feitas durante a gravação e fotograma. Todo o material bruto gravado resultou em 578 Gigabytes. Portanto precisamos adquirir um HD externo, que acomodasse todo conteúdo. Um HD externo com porta USB 2.0, ou até mesmo 3.0, não oferece a velocidade de transferência de arquivos suficiente, para utilizarmos os vídeos em alta resolução, com eles armazenados no HD externo. A solução que encontramos foi comprarmos um HD externo LaCie com capacidade de 1 Terabyte e porta serial Thunderbolt, que oferece uma taxa de transferência de arquivos superior. 3.5. Custos Durante está produção tivemos poucos gastos, pois já possuíamos todos os equipamentos necessários e as tarefas exercitas foram todas feitas exclusivamente por membros do grupo, não precisamos contratar nenhum
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    88! profissional que nosajudasse em algum aspecto do trabalho. Abaixo uma lista com os gastos. Despesas Valor Unitário Valor Total HD Lacie de 1TB Thunderbolt e USB 3.0 R$ 420,00 R$ 420,00 Pilha Alcalina Pequena AA- Duracell R$ 16,99 R$ 44,50 Registro de domínio – 1 ano R$ 30,00 R$ 30,00 Servidor Hostgator - Plano P – 3 meses R$ 44,97 R$ 44,97 Gasolina - 2 Viagens para Araras – SP R$ 100,00 R$ 200,00 Pedágio - 2 Viagens para Araras – SP R$ 51, 60 R$ 103, 20 Família de bonecos de Pano R$ 40,00 R$ 40,00 Móveis de madeira para bonecas R$ 70,00 R$ 70,00 Carrossel musical em madeira R$ 52,00 R$ 52,00 Caixinha de musica Piano R$ 42,00 R$ 42,00 Total R$ 867,56 R$ 1.046,27 3.6. Design das telas e programação Após a escolha do tema e até o desenvolvimento do pré-roteiro, percebemos que uma das maiores dificuldades de falar sobre o tema abuso sexual infantil e pedofilia, é que as pessoas não se sentem confortáveis, pois o tema incomoda e, obviamente, não é agradável. Isso apenas contribui para que o problema continue existindo, ou que ainda existam mitos relacionados ao assunto. A falta de informação contribui para um cenário cada vez pior. Portanto, um objetivo claro desde o inicio do projeto, foi que trataríamos o tema da forma mais leve possível, para que as pessoas não se incomodem ao acessar nosso webdocumentário. O design contribuiu muito para este aspecto. No semestre anterior ao desenvolvimento deste webdocumentário, iniciamos a produção de um projeto, que visava nos capacitar e guiar para a
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    89! produção deste TCC.Neste projeto propomos uma primeira possibilidade de design para o webdocumentário, mesmo antes do desenvolvimento do pré- roteiro e gravação das entrevistas, apenas para fins de estudo. Abaixo as propostas desenvolvidas. Figura 28: Proposta de design da home do webdocumentário. Figura 29: Proposta de design de tela do webdocumentário.
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    90! Figura 30: Propostade design da tela dois do webdocumentário. Nesta proposta, teríamos o conteúdo organizado em quatro temas principais, especialistas, o lado da lei, testemunhas e na internet. Dentro de cada tópico teríamos acesso a diversos depoimentos sobre o tema escolhido. Após a seleção do depoimento teríamos uma tela que disponibilizaria materiais relacionados, em diversos formatos, vídeo, fotografias, áudio, dados estatísticos e um espaço para comentários. Quando iniciamos a produção do pré-roteiro, optamos por abandonar estas propostas, pois foram desenvolvidas a partir de um conhecimento superficial sobre o tema. Portando desenvolvemos novas propostas a partir do pré-roteiro produzido. Levamos em consideração a não linearidade do roteiro e ainda adicionamos algumas páginas não presentes no roteiro. Como as páginas “Sobre o projeto”, com breve descrição do projeto, “Extras”, com material disponibilizados na internet e apenas reunidos aqui, além da página “Equipe”, com um breve perfil de todos os integrantes do grupo. A seguir teremos o design escolhido para o webdocumentário.
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    91! Figura 31: Designda tela de seleção de capítulos do webdocumentário. A cada etapa que o usuário avançar ele será apresentado à essa tela com as opções disponíveis para ele prosseguir, como previsto no pré-roteiro. Após a seleção do capítulo o usuário verá um vídeo e simultaneamente serão disponibilizadas a direita do vídeo informações relevantes ao tema. Os dados surgiram de acordo com o assunto discutido no vídeo, as informações serão alteradas dinamicamente, de acordo com o tempo do vídeo. Porém dependerá do usuário ver as informações completas se desejar, interagindo com os gráficos. Abaixo do vídeo também teremos uma breve descrição de todas as pessoas que aparecem no capítulo selecionado. Essas informações ficarão disponíveis durante todos o capítulo. Após o término do vídeo o usuário será encaminhando automaticamente para a próxima tela de seleção de capítulos.
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    92! Figura 32: Telade visualização do capítulo com interações laterais. Durante o processo de pesquisa encontramos diversos materiais disponibilizados gratuitamente por instituições e órgãos do governo. Uma série de teses e dissertações sobre o assunto também foi encontrada, sendo diversas delas utilizadas como fonte de estudos. Na página de extras disponibilizamos alguns materiais encontrados, tanto direcionados ao público infantil como para quem deseja estudar e conhecer mais sobre o assunto. Figura 33: Proposta de tela de material extra.
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    93! Todos o vídeosforam publicados no site Youtube20 e inseridos em nosso documentário. Essa escolha nos poupou espaço de armazenamento no servidor utilizado para publicar o documentário e possibilitou o uso de um serviço de publicação de vídeo popular e acessível. Uma das vantagens de utilizar os serviços do Youtube, é contar com o sistema de controle de qualidade do vídeo, que identifica a melhor resolução para o usuário, de acordo com sua velocidade de conexão com a internet. Para o desenvolvimento das páginas do webdocumentário utilizamos HTML, CSS e Javascript. Não houveram muitos pontos complexos no desenvolvimento das páginas, pois não necessitamos de recursos avançados de navegação, são páginas simples. O único recurso diferenciado que utilizamos foi o de relacionar as informações laterais com o tempo do vídeo. Para isso, precisamos estudar o guia de referencia do próprio Youtube, para a criação de JavaScript Players. Para utilizarmos os recursos oferecidos pelo Youtube para o desenvolvimento de players customizado, não podemos utilizar os recursos de integração de vídeos mais comuns, conhecidos como embeds. Necessitamos utilizar uma função em JavaScript que inseriu o vídeo em um elemento determinado do HTML. Assim podemos obter o tempo de execução do vídeo, em segundos, inseri-lo em uma variável e, a partir deste ponto, utilizá-lo. A seguir vejamos o código necessário para a incorporação do vídeo na página. <script type="text/javascript"> var params = { allowScriptAccess: "always" }; var atts = { id: "myytplayer" };//id do div que receberá o vídeo swfobject.embedSWF("http://www.youtube.com/v/Z5f_FV0m_Jc?enablejsapi=1 &playerapiid=myytplayer&autoplay=1&fs=0&version=3&rel=0", "ytapiplayer", "550", "340", "8", null, null, params, atts); function onYouTubePlayerReady(playerId) { ytplayer = document.getElementById("myytplayer"); } </script> !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 20 Fundado em fevereiro de 2005 o Youtube é uma plataforma de distribuição para criadores de conteúdo original e para grandes e pequenos anunciantes. Disponível em <http://www.youtube.com/yt/about/pt- BR>.
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    94! A partir desteponto, utilizamos uma função que verifica o tempo de execução a partir do ID do elemento que recebeu o vídeo. Com estes dados em mãos, conseguimos fazer testes e disparar eventos, assim pudemos ocultar e revelar as informações de acordo com as instruções pré-programadas. Utilizamos duas funções principais, uma que testava a cada 100 milésimos de segundos, qual gráfico seria exibido e outra que ocultava e revela os gráficos. A seguir podemos visualizar as duas funções respectivamente. <script type="text/javascript"> function updateTime(){ var timeVideo = myytplayer.getCurrentTime(); if (timeVideo > 0 && timeVideo < 98) { MudarGrafico('#grafico_01'); } else if (timeVideo >= 98 && timeVideo < 153) { MudarGrafico('#grafico_02'); } else { MudarGrafico('#grafico_03'); } setInterval(updateTime, 100); function MudarGrafico(id_grafico) { document.getElementById("grafico_01").style.display="none"; document.getElementById("grafico_02").style.display="none"; document.getElementById("grafico_03").style.display="none"; document.getElementById("id_grafico").style.display="block"; </script> O webdocumentário é compatível com os principais navegadores disponíveis no mercado. O acesso via dispositivos móveis não permite uma experiência completa, pois identificam de forma diferente vídeos incorporados do Youtube. Os vídeos poderão ser visualizados, porém as informações laterais não estarão relacionadas com o tempo de execução do vídeo.
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    95! 3.7. Roteiro, montageme edição Após realizarmos todas as gravações, partimos para o processo de decupagem, onde transcrevemos características de cada trecho da entrevista, assim como o tempo onde ele se encontra no vídeo. Esse processo foi fundamental para podermos localizar facilmente as informações pertinentes a cada capítulo e conectá-las, para finalmente desenvolvermos um roteiro final de edição. Todas decupagens foram feitas pelo grupo parceiro. O processo de construção dos roteiros foi dividido entre os dois grupos. A primeira versão de todos os roteiros foi desenvolvida pelo grupo de graduandos em jornalismos, porém como as integrantes do grupo não tinham muita experiência com produção audiovisual, os roteiros eram revisados e finalizados pelo nosso grupo. Assim eles puderam incluir as informações necessárias e nós as reordenávamos, cortávamos ou adicionávamos, a fim de compor o ritmo de edição dos capítulos. Como este webdocumentário possui uma estrutura diferente de documentários mais convencionais, necessitamos elaborar um novo modelo de roteiro. Convencionalmente um roteiro de edição de um documentário comum é composto por duas colunas, uma de áudio e outra com o conteúdo que será exibido em vídeo. Nós precisamos desenvolver um roteiro diferenciado, nós adicionamos uma nova coluna a este modelo de roteiro, uma coluna com as informações laterais. Assim mantivemos a relação do que está sendo transmitido em vídeo, áudio e disponibilizado em informações complementares. O roteiro de todos os blocos estarão disponíveis nos anexos deste trabalho. Quando iniciamos a construção dos roteiros, definimos que não haveria uma figura única que representasse uma autoridade que fala sobre o assunto, como um narrador ou apresentador. Decidimos manter uma postura, onde a relação do documentário com o público poderia ser resumida como eles falam disso pra vocês. Eles são as pessoas envolvidas no tema, especialistas e vítimas, disso é o tema do documentário, abuso sexual infantil e pedofilia, e
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    96! você é qualquerpessoa que tenha relação com crianças e queira conscientizar-se sobre o assunto. Nosso webdocumentário pode ser classificado, conforme discutido no primeiro capítulo deste projeto, como um documentário expositivo. A principal preocupação no desenvolvimento do roteiro foi manter um discurso coerente, que mantivesse a atenção do usuário e o conscientizasse sobre o tema. Para isso planejamos o roteiro dentro de uma estrutura retórica, como discutido no primeiro capítulo. A escolha dos entrevistados, especialistas, vítimas e povo, foi feita com foco nos três tipos de provas que podem existir em um discurso. Cada tipo de entrevista visava criar essas provas e fortalecer os argumentos apresentados. A seguir veremos a relação de cada tipo de prova com os entrevistados. Provas éticas preocupam-se em expor o caráter moral e a credibilidade do argumento. Por este motivo contatamos psicólogos, historiadores, advogados, conselheiros tutelares, advogados etc. Todos os blocos foram conduzidos por pessoas que representam, para o público, uma autoridade sobre o assunto, alguém que tem propriedade para falar. Provas emocionais preocupam-se com a emoção do público, pretendem evocar um certo estado de espírito, favorável ao ponto de vista apresentado. As vitimas foram as responsáveis por expor suas histórias e cativar o público. Provas demonstrativas preocupam-se com o raciocínio, pretende demonstrar e comprovar determinada questão. As entrevistas com a população em muitos momentos foi utilizada para expor opiniões equivocadas, demonstrando assim a necessidade da conscientização sobre o assunto.
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    97! Figura 34: GCpara identificação o entrevistado. Outro elemento que contribuiu para a construção de provas, foram as inserções de vídeos externos em nosso documentário. Utilizamos reportagens de telejornais, trechos de filmes, anúncios publicitário, ilustrações e campanhas do governo, para ilustrar e fortalecer os argumentos apresentados. Além da utilização de trilhas sonoras, para construção de um estado de espírito favorável aos pontos de vista apresentados. Figura 35: Inserção de vídeo com créditos.
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    98! As inserções demateriais externos foram, em sua maioria, feitas com uma imagem que envolvia o vídeo e trazia informações de origem do material. Essa foi uma opção estética, que também auxiliou na divulgação da origem do material utilizado. Além disso, permitiu que utilizássemos vídeos com resolução inferior a dos depoimentos, pois o vídeo inserido não era distorcido para preencher a tela inteira. Figura 36: Inserção de reportagem policial com créditos. A edição dos vídeos foi feita no programa Adobe Premiere Pro CS5. As imagens e ilustrações foram produzidas com o Adobe Fireworks CS5. Os elementos animados foram produzidos com o Adobe After Effects CS5. A edição e tratamento do áudio foi feita com o Audacity 2.0.3. O enquadramento de câmera escolhido, com o personagem posicionado à direita ou esquerda do vídeo, nos possibilitou utilizar o espaço vazio para a inserção imagens que enfatizam e ilustram o discurso. Para isso destacamos palavras ditas, ou inserimos ilustrações relacionadas. O design dessas inserções manteve-se de acordo com as inserções de matérias, trechos filmes etc. Uma textura de papel e traços simples mantiveram a aparência infantil das ilustrações.
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    99! Figura 37: Ilustraçãosobre vídeo do bloco C1. A imagem padrão utilizada para os títulos de cada bloco manteve a mesma estética, assim como as fontes utilizadas. Optamos por utilizar imagens positivas, como brinquedos e uma família feliz nos títulos, ao invés de imagens de alguém tentando se aproximar da criança ou seduzi-la. Apesar de utilizarmos imagens como essa nas inserções que ilustram os depoimentos. Figura 38: Titulo do bloco A1.
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    100! A duração decada capítulo varia, porém todos tem em media cinco minutos. O tempo mínimo encontrado é de 0:46 do vídeo de abertura, o tempo máximo é de 8:06 do bloco A3, História, sexo e sociedade. O caminho mais longo que o usuário pode percorrer tem 21:23 de duração, enquanto o mais curto tem 16:12. Abaixo uma lista com o titulo de todos os capítulos e sua respectiva duração. • Abertura – Um novo olhar – 0:46 • A1 - Abuso Sexual ou Pedofilia? - 4:45 • A2 - Onde acontece - 6:03 • A3 - História, sexo e sociedade - 8:06 • B1 – Rafaella e Juliana - 5:10 • B2 – Márcia e Antônia - 4:31 • B3 – Irani e Edileuza - 3:56 • C1 – Proteção, denúncia e legislação - 4:46 • C2 – Trauma e tratamento - 4:10 • D – Prevenção e Combate - 2:35 Essas foram todas as etapas percorridas na produção deste webdocumentário. Um breve relato das etapas também estarão disponíveis na página que descreve o projeto, dentro do próprio webdocumentário. O registro destas atividades, serviu não apenas para compor este TCC, mas também para refletirmos sobre decisões corretas, ou não, tomadas no percurso.
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    101! 6. Considerações Finais Apósa pesquisa realizada neste trabalho, podemos vislumbrar muitas possibilidades na forma de se criar uma narrativa documental em hipermídia. Desde o primeiro momento, e durante todo o percurso, percebemos que poderíamos contribuir humildemente com o modo como vemos este novo formato e também colaborar com seu amadurecimento. Apesar de ser um gênero relativamente recente, o webdocumentário tem o poder de tratar os mais diversos temas, assim como o documentário, porem com novas ferramentas para envolver, cativar, e até mesmo dar voz ao expectador. A narrativa documental continua representando um ponto de vista do cineasta, porém agora o usuário pode escolher, levando em consideração suas próprias experiências, quais destes pontos irá acessar. O expectador deixa timidamente sua postura passiva e passa a contribuir na construção do discurso. Se pensarmos no nível de sofisticação que as narrativas ficcionais interativas possuem hoje, como é o caso dos games, é fascinante imaginar as possibilidades de aplicação disso no campo da narrativa documental em hipermídia. Com o avanço tecnológico, quem sabe como serão os documentários na próxima década? Em nosso projeto produzimos uma narrativa não-linear, oferecendo opções ao usuário. Disponibilizamos informações que complementavam o material apresentado em vídeo. Construímos uma plataforma que visava ser agradável aos usuários. Porém notamos que nada disso seria útil, se o discurso exposto não acata-se os princípios da narrativa documental clássica e os princípios do discurso retórico. A preocupação com os argumentos apresentados e o discurso construído deve ser constante. Todos argumentos sempre devem obedecer os três principais requisitos, devem ser verossímeis, convincentes e comoventes.
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    8. Referencias Bibliográficas APPLE,Wendy; HARRIS, Mark Jonathan. The cutting Edge: the magic of movie editing. [Filme-vídeo]. Direção de Wendy Apple. Estados Unidos, A.C.E.; British Broadcasting Corporation (BBC); NHK Enterprises; TCEP Inc., 2004. DVD/NTSC, 98 min. color. dolby digital. BAUER, Marcelo. Os webdocumentários e as possibilidades na narrativa documental. In: FESTIVAL DE CINEMA DE AVANÇA, Avança (Portugal), 2011. BAUER, Marcelo. Rio de Janeiro: Autorretrato. Disponível em <http://www.riodejaneiroautorretrato.com.br>. Acesso em: 01 jun. 2013. BAUER, Marcelo. São Paulo, 7 de janeiro de 2010. Mas, afinal, o que é um Webdocumentário. Disponível em: <http://webdocumentario.com.br/webdocumentario/index.php/para-saber- mais/mas-afinal-o-que-e-webdocumentario>. Acesso em: 01 jun. 2013. BRAGA, Alexandre Santaella. Design de interface: as origens do design e sua influencia na produção da hipermídia. Dissertação apresentada como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Comunicação e Semiótica – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP. 2004. CASTRO, Guilherme. Documentário, realidade e ficção. Rev., v.3 n 5, 2005. Disponível em: <http://www.revistaav.unisinos.br/index.php?e=8&s=9&a=45>. Acesso em: 24 set. 2013. COMPARATO, Doc. Da criação ao roteiro: teoria e prática. 2.ed. São Paulo: Summus, 2009. 494 p. EISENSTEIN, Sergei. O Sentido do Filme. 2.ed. São Paulo. Zahar, 2002. 160 p. FILHO, Eliseu de Souza Lopes. Animação e Hipermídia: trajetória da luz e sombra aos recursos midiáticos. Dissertação apresentada como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Comunicação e Semiótica – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP. 2007. GONZALES, Felipe; MACIEL, Marina; ANJOS, Mirtes. A força da palavra. Disponível em <http://www.aforcadapalavra.com.br>. Acesso em: 01 jun. 2013. GOSCIOLA, Vicente. Roteiro para as novas mídias: do cinema às mídias interativas. 3.ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2003. 279p.
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    103! LAMBERT, Olivier; SALVA,Thomas. Brèves de trottirs. Disponível em <http://paris-ile-de-france.france3.fr/brevesdetrottoirs>. Acesso em: 01 jun. 2013. MELO, C. T. V. de.; GOMES, I. M.; MORAIS, W. O documentário jornalístico, gênero essencialmente autoral. XXIV Congresso Brasileiro da Comunicação, 2001. Disponível em: <http://www.portcom.intercom.org.br/pdfs/1157212129709494898120336389 8082664337.pdf>. Acesso em 24 set. 2013. MURRAY, Janet H. Hamlet no holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço. 1.ed. São Paulo: Itaú Cultural: UNESP, 2003. 282 p. NASH, Bruce; WEEKS, Debra; JEBB, Andrew; NASH, Robyn. Sobre o show: Os vídeos mais incríveis do mundo. Acesso em: 27 set. 2013. NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. 3.ed. Campinas, SP: Papirus, 2008. 275 p. OLIVEIRA, A. P. S.; CARMO-ROLDÃO, I. C. do.; BAZI, R. E. R. Documentário e video-reportagem: uma contribuição ao ensino de telejornalismo. 9º Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. Rio de Janeiro. Abril de 2006. Disponível em: <http://www.fnpj.org.br/dados/grupos/documentario-e- video-reportagem-uma-contribuicao-ao-ensino-de-telejornalismo[75].pdf>. Acesso em: 24 set. 2013. PEREIRA, F. Da responsabilidade social ao jornalismo de mercado: o jornalismo como profissão. Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/pereira- fabio-responsabilidade-jornalista.pdf>. Acesso em 24 set. 2013. SANTAELLA, Lúcia. Matrizes da linguagem e pensamento: Sonora, visual e verbal. 3.ed. São Paulo, SP: Iluminuras: FAPESP, 2005. 431 p. SILVA, D. A.; SCHOMMER, P. C. Responsabilidade social na mídia: o papel dos meios de comunicação e dos jornalistas como atores sociais no Brasil e na Argentina. Disponível em: <http://lasociedadcivil.org/docs/ciberteca/Ponencia_Daniela_de_Assis_Silva.pdf>. Acesso em: 24 set. 2013. SOARES, Sérgio J. Puccini. Documentário e roteiro de cinema: da pré- produção à pós-produção. Tese apresentada para a obtenção do título de Doutor em Multimeios – Universidade Estadual de Campinas. 2007.
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    104! 9. Filmografia A Bruxade Blair. Direção: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez. Haxan films, 1999. 81 min. DVD-Video, dublado, color. FORREST Gump: o contador de histórias. Direção: Robert Zeimeckis. Paramount Pictures, 1994. 142 min. Streaming, dublado, colorido. Ilha das Flores. Direção: Jorge Furtado. Casa de Cinema de Porto Alegre, 1990. 13 min. Disponível em: <http://youtu.be/KAzhAXjUG28>. Acesso em: 15 de out. 2013. Colorido. Prazer, meu nome é automutilação. Desenvolvido por André Luiz Cassanelli, Mariana Campos Barroso, Renata Toledo Cardoso, Yuri Stapelbroek. Projeto Experimental de Conclusão de Curso de Rádio, Televisão e Multimídia do Grupo Universitário IPEP. Campinas, SP. 2011. 23 min. Disponível em: <http://youtu.be/FIsIg3ZfAhE>. Acesso em: 15 de out. 2013. Colorido. Pacific. Direção: Marcelo Pedroso. Vitrine Filmes, 2009. 72 min. Disponível em <www.pacificfilme.com>. Acesso em: 20 nov. 2013. Um filme sobre o amor. Produção independente de Cesar Mesquita, Matheus Maia e Ricardo Rodrigues. 2012. 11 min. Disponível em: <http://youtu.be/_U7UUoNWJvA>. Acesso em: 01 jun. 2013.
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    105! 10. Anexos Anexo 1– Roteiro não-linear: O cão, o gato e o rato 1 – Em um pet shop, distante do centro da cidade o novo funcionário saiu antes de seu horário para uma comemoração e esqueceu três gaiolas abertas, ocasionando a fuga de três animais, um cão, um gato e um rato. • Se você deseja acompanhar a história do cão, vá para o item 2. • Se você deseja acompanhar a história do gato, vá para o item 3. • Se você deseja acompanhar a história do rato, vá para o item 4. 2 – O cão era muito grande, mas pouco forte, tinha grandes orelhas caídas e neste momentos olhos arregalados, que brilhavam ao ver o banquete servido em latas de lixo, ao lado de um restaurante. • Se você acha que o cão deve comer a comida, vá ao item 5. • Se você acha que o cão não deve comer a comida, vá ao item 6. 3 – O gato era preto de patas brancas e seu andar demonstrava agilidade. Um dia ao caminhar pela rua teve a chance de provar sua velocidade ao encontrar um ratinho branco. • Se você acha que ele deve perseguir o ratinho branco, vá ao item 17. • Se você acha que ele não deve perseguir o ratinho branco, vá ao item 19. 4 – Nosso companheiro roedor é muito pequeno e todo branco, neste momento suas narinas se mexiam compulsivamente, ao sentir um delicioso cheiro de queijo. • Se você acha que ele deve procurar o queijo, vá ao item 13. • Se você acha que ele não deve procurar o queijo, vá ao item 14. 5 – A Comida era realmente maravilhosa, apesar de fria, mas isso não incomodava nosso amigo, apenas os passos que podiam ser ouvidos atrás dele o incomodava. • Se você acha que ele deve fugir dos passos, vá ao item, 6. • Se você acha que ele deve continuar comendo, vá ao item 7.
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    106! 6 – Aoseguir seu caminho percebe que fez a coisa certa, pois vê um homem da carrocinha, parado de tocaia, próximo as latas de lixo. Como ainda tinha fome via comida em tudo, inclusive no gato que cruzava seu caminho. • Se você gosta de gatos e acha que o cão não deve perseguir o gato, vá ao item 8. • Se você acha que ele deve seguir em frente e perseguir o gato, vá ao item 9. • Se você é curioso e deseja saber o destino do dono da carrocinha, vá ao item 11. 7 – Nosso amigo continua o que estava fazendo, sem se preocupar, quando menos espera surge um homem uniformizado, era a carrocinha, que prende nosso amigo e como a vida de um animal preso não é tão interessante, esta história acaba aqui. 8 – Ele continuou a andar pela cidade até não poder mais e cair de cansaço. Por sorte do destino nosso amigo foi encontrado e acolhido por uma bela menina, que cuidou dele até ele morrer de velhice, fim. 9 – A perseguição é intensa e o gato quase é alcançado, mas como o perseguidor é menos atento, acaba sendo atingido por um carro, guiado por um rapaz que se embriagou na comemoração pelo novo emprego. • Se você deseja saber o destino da vitima do acidente, vá ao item 10. • Se você deseja saber o destino do gato, vá ao item 21. • Se você é curioso e deseja saber onde o motorista trabalhava, vá ao item 1. 10 – É com uma despedida sem muitos amigos, que seu corpo sem vida é enterrado em um lugar deserto e desconhecido, fim da história. 11 – Estava frio e parecia que naquela noite não haveria capturas, ele estava tão distraído que quase não notou um gato que passava atrás dele. • Se você acha que ele deve perseguir o gato, vá ao item 9. • Se acha que ele deve continuar de tocaia, vá ao item 12. 12 – A noite realmente não foi promissora e esta história é tão chata que ela termina aqui.
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    107! 13 – Ocheiro estava realmente maravilhosa, mas nada superava a visão daquele queijo delicioso, servido sobre uma estranha estrutura de metal. • Se você acha que ele deve tentar pegar o queijo, vá ao item 15. • Se você acha que ele não deve tentar pegar o queijo, vá ao item 14. 14 – Nosso amigo roedor segue seu caminho, quando é surpreendido por um gato. • Se você acha que ele deve fugir, vá ao item 17. • Se você acha que ele não deve fugir, vá ao item 18. 15 – Nosso amigo se aproxima e consegue identificar uma antiga ratoeira, mas como ele se achava muito esperto, decidi saltar e pegar o queijo antes da ratoeira o capture. • Se você acha que o ratinho era realmente esperto, vá ao item 16. • Se você acha que ele não é tão esperto assim, vá ao item 10; 16 – A tarefa foi muito fácil, e após comer todo o queijo se sente mais do que satisfeito, mas depois pensou na possibilidade do queijo estar envenenado. • Se você acredita que o queijo estava envenenado, vá ao item 10. • Se você acredita que o queijo não estava envenenado, vá ao item 14. 17 – Os ratos são espertos e este faz com que o gato cruze o caminho de um cão, que passa a perseguir o gato. • Se você deseja saber o destino do gato, vá ao item 9. • Se você deseja saber o destino do rato, vá ao item 22. 18 – Nosso amigo foi ingênuo ao imaginar que sairia ileso deste encontro, o gato devora nosso amigo rato e pra você a história acaba aqui. 19 – Nosso amigo continua caminhando, quando é surpreendido por um cão. • Se você acha que ele deve fugir, vá ao item 9. • Se você acha que ele não deve fugir, vá ao item 20. 20 – Como o cão era muito forte, ele conseguiu com uma única mordida acabar com as 9 vidas do nosso amigo felino, fim.
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    108! 21 – Osgatos sempre são mais ágeis e espertos, este não foi diferente, tratou logo de achar o caminho para casa, fim. 22 – Finalmente o ratinho encontra o caminho e volta para casa, para seus 29 filhos, fim.