LITERATURA – MATERIAL SEMANAL 2
Prof. Márcio Souza
LISTA DE TESTES COMENTADOS
Conteúdo: Trovadorismo
Pressuposto teórico norteador (Base Nacional Comum Curricular (BNCC)):
- (EM13LP46) Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas
pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica.
- (EM13LP49) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a
manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e
social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.
- (EM13LP50) Analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e
de momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam.
- (EM13LP52) Analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a
latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a
diferentes matrizes culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções em movimentos estéticos
e culturais etc.) e o modo como dialogam com o presente.
TESTES PROPOSTOS:
01. (TESTE AUTORAL, EM13LP49) As cantigas trovadorescas apresentavam qual métrica? Por que era importante que tais poemas fossem metrificados?
As cantigas trovadorescas eram escritas na métrica típica do período histórico de composição, ou seja, a Idade Média. Assim sendo, os trovadores as
moldavam em versos redondilhos – heptassílabos (redondilha maior) e pentassílabos (redondilha menor) –, o que lhes garantia intensa musicalidade,
facilitando a sua memorização, já que, em geral, tais poemas não tinham registro escrito.
INSTRUÇÃO: Para responder às questões 02 e 03, leia a cantiga abaixo, de Afonso Fernandes.
Cantiga de Amor
Afonso Fernandes
Senhora minha, desde que vos vi,
Lutei para ocultar esta paixão
Que me tomou inteiro o coração;
Mas não o posso mais e decidi
Que saibam todos o meu grande amor,
A tristeza que tenho, a imensa dor
Que sofro desde o dia em que vos vi.
Já que assim é, eu venho-vos rogar
Que queirais pelo menos consentir
Que passe a minha vida a vos servir (...)
(www.caestamosnos.org/efemerideS/118. Adaptado.)
02. (IFSP, EM13LP46) Observando-se a última estrofe, é possível afirmar que o apaixonado
A) se sente inseguro quanto aos próprios sentimentos.
B) se sente confiante em conquistar a mulher amada.
C) se declara surpreso com o amor que lhe dedica a mulher amada.
D) possui o claro objetivo de servir sua amada.
E) conclui que a mulher amada não é tão poderosa quanto parecia a princípio.
Resolução:
A: incorreta. Tendo em vista que o texto se trata de uma cantiga de amor, o eu poético não demonstra qualquer insegurança acerca de seus sentimentos,
os quais ilustram o dito amor cortês e a vassalagem (servidão) amorosa, o que explica o pedido (rogo) para que sua amada lhe permita (consinta) devotar
a ela sua vida na mais legítima servidão.
B: incorreta. O sujeito poético de uma cantiga de amor não tem qualquer esperança e menos ainda confiança em conquistar a mulher amada, sendo para
com ela totalmente servil.
C: incorreta. A mulher por quem se apaixona o eu poético de uma cantiga de amor jamais lhe demonstra reciprocidade afetiva, sendo o sentimento
afetivo invariavelmente unilateral, isto é, sentido sempre apenas por ele, o que configura a chamada coita amorosa.
D: correta. Como já foi apontado nas alternativas anteriores, a servidão afetiva (vassalagem) típica das cantigas de amor está presente no poema (vide
comentários da alternativa A).
E: incorreta. O eu-lírico de uma cantiga de amigo sempre vê sua mulher amada como um ser angelical e imensamente superior (poderoso) a ele, postura
que é imutável.
03. (TESTE AUTORAL, EM13LP46 e EM13LP49) Qual(is) verso(s) da primeira estrofe resume(m) a típica coita amorosa das cantigas de amor?
O extremo sofrimento amoroso do eu-lírico por ver-se desprezado (cantiga de amor) é sintetizado nos versos: “Que saibam todos o meu grande
amor,/ A tristeza que tenho, a imensa dor/ Que sofro desde o dia em que vos vi.”, nos quais é expressada a “tristeza” e a “imensa dor” do trovador desde
que ele viu e se apaixonou instantaneamente por sua dama.
INSTRUÇÃO: Para responder às questões 04, 05 e 06, leia a cantiga abaixo, de Pero de Ver.
“A Santa Maria fiz ir meu amigo
e nom lh’atendi o que pôs comigo:
com el me perdi
porque lhi menti.
Fiz ir meu amigo a Santa Maria
e nom foi eu i com el aquel dia:
com el me perdi
porque lhi menti.”
Pero de Ver. In.: <https://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1146&pv=sim>.
Acesso em: 08 nov. 2023.
04. (TESTE AUTORAL, EM13LP46) Explique brevemente a cantiga de Pero de Ver acima transcrita.
Na cantiga de amigo acima, o eu poético feminino mostra-se duplamente arrependido: primeiro, por ter obrigado o seu amado (o “amigo”) a
comparecer à igreja de Santa Maria; segundo, por não ter ido ao encontro marcado, acabando por confidenciar que mentiu a ele e, por isso, acabou por
perder seu amor.
05. (TESTE AUTORAL, EM13LP46 e EM13LP49) Quais as características observadas na cantiga de Pero de Ver que permitem sua adequada classificação
como uma cantiga de amigo?
No plano temático, a presença de um eu-lírico feminino, a ausência do ser amado (o “amigo”) e o lamento da voz poética por saudades e por julgar
perdido seu amor; quanto a quesitos formais, destaca-se a estrutura paralelística pela repetição dos dois versos finais de cada estrofe (“com el me perdi/
porque lhi menti.”).
06. (TESTE AUTORAL, EM13LP46) Ainda em relação à cantiga lida de Pero de Ver, pode-se afirmar adequadamente que se trata de uma
A) alba.
B) marcial.
C) barcarola.
D) montanhesa.
E) romaria.
Resolução:
As cantigas de amigo classificam-se conforme a ambientação (cenário) onde se desenrolam ou por detalhes de fatos relatados pelo sujeito poético.
Desta maneira, as “albas” se passam no meio rural ao amanhecer, as “marciais” são aquelas em que o amigo afirma ter ido à guerra e simplesmente
some da presença da camponesa, as “barcarolas” têm como cenário um ambiente litorâneo, as “montanhesas” se passam nas montanhas e as “romarias”
tratam do sumiço do amigo em função de ele supostamente haver partido para uma romaria. Logo, pelo fato de o sujeito lírico ter aludido a um encontro
marcado por ele com seu amado na capela de Santa Maria, a cantiga trata-se de uma romaria. Alternatica E: correta.
07. (TESTE AUTORAL, EM13LP46 e EM13LP52)
“O tema central das cantigas de ______ é o amor ______ entre amantes esquivos e mulheres ______.”
A) escárnio – idealizado – religiosas.
B) maldizer – sublime – interesseiras.
C) amigo – sensual – aldeãs.
D) amigo – respeitoso – camponesas.
E) amor – erótico – mundanas.
Resolução:
A e B: incorretas. As cantigas de escárnio ou as cantigas de maldizer que abordam o tema amoroso não o fazem de modo “idealizado”, mas sim rebaixado
e burlesco, uma vez que elas denunciam amores clandestinos e proibidos (adultério ou quebra de votos religiosos).
C: correta. As cantigas de amigo tem como tema principal “o amor sensual entre amantes esquivos e mulheres aldeãs”, já que elas são seduzidas por
tipos que, após a posse erótica, fogem e as deixam chorando de saudades.
D: incorreta. As cantigas de amigo possuem como tema central o amor não “respeitoso”, todavia erótico entre “amantes esquivos e mulheres
camponesas” (aldeãs).
E: incorreta. As cantigas de amor abordam sobretudo o amor cortês (idealizado e sublime, não “erótico”) entre tipos palacianos (cortesãos, homens
nobres) e mulheres, normalmente casadas, do mesmo ambiente e estrato social (não “mundanas”).
08. (ESPM-RJ, EM13LP46, EM13LP49 e EM13LP50) O amor cortês foi um gênero praticado desde os trovadores medievais europeus. Nele a devoção
masculina por uma figura feminina inacessível foi uma atitude constante. A opção cujos versos confirmam o exposto é:
A) Eras na vida a pomba predileta
(...) Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, – a inspiração, – a pátria,
Porvir de teu pai! (Fagundes Varela)
B) Carnais, sejam carnais tantos desejos,
Carnais sejam carnais tantos anseios,
Palpitações e frêmitos e enleios
Das harpas da emoção tantos arpejos... (Cruz e Sousa)
C) Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente. (Álvares de Azevedo)
D) Em teu louvor, Senhora, estes meus versos
E a minha Alma aos teus pés para cantar-te,
E os meus olhos mortais, em dor imersos,
Para seguir-lhe o vulto em toda a parte. (Alphonsus de Guimaraens)
E) Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer
amar e malamar,
amar, desamar, amar? (Carlos Drummond de Andrade)
Resolução:
O dito amor cortês surgiu no Trovadorismo e se refere tanto à forma de amar, quanto de demonstrar sentimentos pelo ser amado, o que deveria
respeitar estritamente às leis da civilidade, do decoro e da polidez típicos dos ambientes palacianos. Esta maneira de encarar o amor e de cantá-lo na
poesia é usual das cantigas de amor, nas quais o trovador expressa seu mais profundo e respeitoso afeto à mulher amada, de quem mantém a identidade
sob sigilo e por quem devota todo seu amor e servidão (a vassalagem amorosa). Tal amor acarreta em intenso sofrimento (a chamada coita amorosa),
uma vez que a mulher amada nunca corresponde ao sentimento do trovador. Ainda assim, as misteriosas damas deste tipo de cantiga são apresentadas
como detentoras de uma beleza divina e uma personalidade tão apaixonante que enfeitiça completamente os trovadores. Dito isso, observe que o
excerto de Alphonsus de Guimaraens veicula algo semelhante às cantigas de amor e ao amor cortês, seja porque o eu-lírico trata sua amada por
“Senhora”, algo costumeiro neste tipo de cantiga, seja por ele sofrer terrivelmente por estar apaixonado (coita) e não possuir quaisquer esperanças de
conquistar sua dama, a quem apenas deseja dedicar seus versos e seguir, como um servo dedicado (vassalagem). Portanto, alternativa D: correta.
09. (TESTE AUTORAL, EM13LP49 e EM13LP52) Relacione corretamente as colunas abaixo.
01. Cantigas de amor
02. Cantigas de amigo
03. Cantigas de escárnio
04. Cantigas de maldizer
(M) Sua leitura atual apresenta interesse sobretudo histórico, pois dão voz lírica à figuras femininas
(M) Revelam detalhes da vida íntima da aristocracia palaciana por meio da abordagem das convenções do amor cortês
(M) Apresentam uma linguagem velada, sem deixar de lado o sarcasmo em relação à vida social da época
(M) Utilizam-se de sátiras indiretas, revelando a vida campesina e urbana
(M) Traçam críticas rudes e diretas, muitas vezes enveredando para obscenidades
A sequência adequada de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
A) 02 – 01 – 03 – 03 – 04.
B) 02 – 03 – 01 – 03 – 04.
C) 02 – 01 – 03 – 04 – 03.
D) 01 – 01 – 02 – 03 – 02.
E) 01 – 04 – 01 – 02 – 03.
Resolução:
- Cantigas de amigo: segundo boa parte da crítica contemporânea (“leitura atual”), o valor destes poemas reside em seu caráter “histórico”, isto é, no fato
de apresentarem sujeitos poéticos femininos (“dão voz lírica à figuras femininas”) que choram o abandono afetivo de seus “amigos” (eufemismo de
amantes), pois foram raras as vezes em que o mundo intelectual da Idade Média se preocupou com os sentimentos e o próprio cotidiano das mulheres de
então.
- Cantigas de amor: tematizam as “convenções do amor cortês” (ou seja: a idealização feminina, a coita e a vassalagem amorosas), o que serve como
ponto de partida para a amostragem de detalhes do cotidiano (“vida íntima”) da elite (“aristocracia”) palaciana.
- Cantigas de escárnio: por meio de uma linguagem indireta (“velada”), mas com humor satírico (“sarcasmo”), ridicularizam o dia a dia (“a vida social ”) de
sua época (séc. XIII e XIV) em relação à “vida campesina e urbana”.
- Cantigas de maldizer: ao contrário das cantigas de escárnio, cuja crítica é indireta (velada), as de maldizer apresentam críticas em linguagem “rude e
direta”, não raro lançando mão de termos vulgares e chulos (“obscenidades”).
Dito isso, alternativa A: correta.
10. (TESTE AUTORAL, EM13LP46, EM13LP49 e EM13LP52) Leia o poema que se segue.
“Quem a as filha quiser dar
Mester*, com que sábia guarir*,
A Maria Doming’há-de ir,
Que a saberá bem mostrar;
E direi-vos que lhi fará:
Ante d’um mês lh’amostrará
Como sábia mui bem ambrar*.
Ca me lhi vej’eu ensinar
Ũa sa filha e nodrir*;
E quem sas manhas bem cousir*
Aquesto pode bem jurar:
Que des Paris atẽes acá
Molher de seus dias nom há
Que tam bem s’acorde d’ambrar. [...]”
Pero da Ponte. In: <https://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1677&pv=sim>. Acesso em: 09 nov 2023.
Vocabulário:
* mester: profissão;
* guarir: prosperar;
* ambrar: dançar com movimentos eróticos;
* nodrir: sustentar;
* cousir: considerar.
Consideradas as características do poema de Pero da Ponte, qual sua adequada classificação?
A) Cantiga de escárnio.
B) Cantiga de maldizer.
C) Cantiga de amor.
D) Cantiga de amigo.
E) Cantiga de matrimônio.
Resolução:
O site de onde foi extraído o trecho de Pero da Ponte aponta como leitura do texto ser este uma “sátira contra uma mulher que, em vez de ensinar
à filha um ofício honesto, lhe ensina as artes de sedução, com vista a um futuro menos trabalhoso e mais lucrativo.”
A: incorreta; B: correta. Como se vê, a cantiga em questão é satírica, entretanto não se trata de uma cantiga de escárnio devido a nomear de maneira
direta o alvo da crítica – ou seja, “Maria Dominga” –, o que é uma característica das cantigas de maldizer.
C e D: incorretas. Cantigas de amor e cantigas de amigo são classificadas como líricas (de tema amoroso), não apresentando, portanto, conteúdo satírico,
como é o caso do poema de Pero da Ponte.
E: incorrreta. Inexiste a classificação “cantiga de matrimônio”.

Morna Hooker, em seu artigo "Christology and Methodology", argumenta que qualquer tentativa de reconstruir o que está por trás dos Evangelhos é altamente especulativa e reflete em grande medida nossas próprias pressuposições (2).docx

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    LITERATURA – MATERIALSEMANAL 2 Prof. Márcio Souza LISTA DE TESTES COMENTADOS Conteúdo: Trovadorismo Pressuposto teórico norteador (Base Nacional Comum Curricular (BNCC)): - (EM13LP46) Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica. - (EM13LP49) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura. - (EM13LP50) Analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam. - (EM13LP52) Analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como dialogam com o presente. TESTES PROPOSTOS: 01. (TESTE AUTORAL, EM13LP49) As cantigas trovadorescas apresentavam qual métrica? Por que era importante que tais poemas fossem metrificados? As cantigas trovadorescas eram escritas na métrica típica do período histórico de composição, ou seja, a Idade Média. Assim sendo, os trovadores as moldavam em versos redondilhos – heptassílabos (redondilha maior) e pentassílabos (redondilha menor) –, o que lhes garantia intensa musicalidade, facilitando a sua memorização, já que, em geral, tais poemas não tinham registro escrito.
  • 2.
    INSTRUÇÃO: Para responderàs questões 02 e 03, leia a cantiga abaixo, de Afonso Fernandes. Cantiga de Amor Afonso Fernandes Senhora minha, desde que vos vi, Lutei para ocultar esta paixão Que me tomou inteiro o coração; Mas não o posso mais e decidi Que saibam todos o meu grande amor, A tristeza que tenho, a imensa dor Que sofro desde o dia em que vos vi. Já que assim é, eu venho-vos rogar Que queirais pelo menos consentir Que passe a minha vida a vos servir (...) (www.caestamosnos.org/efemerideS/118. Adaptado.) 02. (IFSP, EM13LP46) Observando-se a última estrofe, é possível afirmar que o apaixonado A) se sente inseguro quanto aos próprios sentimentos. B) se sente confiante em conquistar a mulher amada. C) se declara surpreso com o amor que lhe dedica a mulher amada. D) possui o claro objetivo de servir sua amada. E) conclui que a mulher amada não é tão poderosa quanto parecia a princípio. Resolução: A: incorreta. Tendo em vista que o texto se trata de uma cantiga de amor, o eu poético não demonstra qualquer insegurança acerca de seus sentimentos, os quais ilustram o dito amor cortês e a vassalagem (servidão) amorosa, o que explica o pedido (rogo) para que sua amada lhe permita (consinta) devotar a ela sua vida na mais legítima servidão. B: incorreta. O sujeito poético de uma cantiga de amor não tem qualquer esperança e menos ainda confiança em conquistar a mulher amada, sendo para com ela totalmente servil. C: incorreta. A mulher por quem se apaixona o eu poético de uma cantiga de amor jamais lhe demonstra reciprocidade afetiva, sendo o sentimento afetivo invariavelmente unilateral, isto é, sentido sempre apenas por ele, o que configura a chamada coita amorosa. D: correta. Como já foi apontado nas alternativas anteriores, a servidão afetiva (vassalagem) típica das cantigas de amor está presente no poema (vide comentários da alternativa A).
  • 3.
    E: incorreta. Oeu-lírico de uma cantiga de amigo sempre vê sua mulher amada como um ser angelical e imensamente superior (poderoso) a ele, postura que é imutável. 03. (TESTE AUTORAL, EM13LP46 e EM13LP49) Qual(is) verso(s) da primeira estrofe resume(m) a típica coita amorosa das cantigas de amor? O extremo sofrimento amoroso do eu-lírico por ver-se desprezado (cantiga de amor) é sintetizado nos versos: “Que saibam todos o meu grande amor,/ A tristeza que tenho, a imensa dor/ Que sofro desde o dia em que vos vi.”, nos quais é expressada a “tristeza” e a “imensa dor” do trovador desde que ele viu e se apaixonou instantaneamente por sua dama. INSTRUÇÃO: Para responder às questões 04, 05 e 06, leia a cantiga abaixo, de Pero de Ver. “A Santa Maria fiz ir meu amigo e nom lh’atendi o que pôs comigo: com el me perdi porque lhi menti. Fiz ir meu amigo a Santa Maria e nom foi eu i com el aquel dia: com el me perdi porque lhi menti.” Pero de Ver. In.: <https://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1146&pv=sim>. Acesso em: 08 nov. 2023. 04. (TESTE AUTORAL, EM13LP46) Explique brevemente a cantiga de Pero de Ver acima transcrita. Na cantiga de amigo acima, o eu poético feminino mostra-se duplamente arrependido: primeiro, por ter obrigado o seu amado (o “amigo”) a comparecer à igreja de Santa Maria; segundo, por não ter ido ao encontro marcado, acabando por confidenciar que mentiu a ele e, por isso, acabou por perder seu amor. 05. (TESTE AUTORAL, EM13LP46 e EM13LP49) Quais as características observadas na cantiga de Pero de Ver que permitem sua adequada classificação como uma cantiga de amigo? No plano temático, a presença de um eu-lírico feminino, a ausência do ser amado (o “amigo”) e o lamento da voz poética por saudades e por julgar perdido seu amor; quanto a quesitos formais, destaca-se a estrutura paralelística pela repetição dos dois versos finais de cada estrofe (“com el me perdi/ porque lhi menti.”).
  • 4.
    06. (TESTE AUTORAL,EM13LP46) Ainda em relação à cantiga lida de Pero de Ver, pode-se afirmar adequadamente que se trata de uma A) alba. B) marcial. C) barcarola. D) montanhesa. E) romaria. Resolução: As cantigas de amigo classificam-se conforme a ambientação (cenário) onde se desenrolam ou por detalhes de fatos relatados pelo sujeito poético. Desta maneira, as “albas” se passam no meio rural ao amanhecer, as “marciais” são aquelas em que o amigo afirma ter ido à guerra e simplesmente some da presença da camponesa, as “barcarolas” têm como cenário um ambiente litorâneo, as “montanhesas” se passam nas montanhas e as “romarias” tratam do sumiço do amigo em função de ele supostamente haver partido para uma romaria. Logo, pelo fato de o sujeito lírico ter aludido a um encontro marcado por ele com seu amado na capela de Santa Maria, a cantiga trata-se de uma romaria. Alternatica E: correta. 07. (TESTE AUTORAL, EM13LP46 e EM13LP52) “O tema central das cantigas de ______ é o amor ______ entre amantes esquivos e mulheres ______.” A) escárnio – idealizado – religiosas. B) maldizer – sublime – interesseiras. C) amigo – sensual – aldeãs. D) amigo – respeitoso – camponesas. E) amor – erótico – mundanas. Resolução: A e B: incorretas. As cantigas de escárnio ou as cantigas de maldizer que abordam o tema amoroso não o fazem de modo “idealizado”, mas sim rebaixado e burlesco, uma vez que elas denunciam amores clandestinos e proibidos (adultério ou quebra de votos religiosos). C: correta. As cantigas de amigo tem como tema principal “o amor sensual entre amantes esquivos e mulheres aldeãs”, já que elas são seduzidas por tipos que, após a posse erótica, fogem e as deixam chorando de saudades. D: incorreta. As cantigas de amigo possuem como tema central o amor não “respeitoso”, todavia erótico entre “amantes esquivos e mulheres camponesas” (aldeãs). E: incorreta. As cantigas de amor abordam sobretudo o amor cortês (idealizado e sublime, não “erótico”) entre tipos palacianos (cortesãos, homens nobres) e mulheres, normalmente casadas, do mesmo ambiente e estrato social (não “mundanas”).
  • 5.
    08. (ESPM-RJ, EM13LP46,EM13LP49 e EM13LP50) O amor cortês foi um gênero praticado desde os trovadores medievais europeus. Nele a devoção masculina por uma figura feminina inacessível foi uma atitude constante. A opção cujos versos confirmam o exposto é: A) Eras na vida a pomba predileta (...) Eras o idílio de um amor sublime. Eras a glória, – a inspiração, – a pátria, Porvir de teu pai! (Fagundes Varela) B) Carnais, sejam carnais tantos desejos, Carnais sejam carnais tantos anseios, Palpitações e frêmitos e enleios Das harpas da emoção tantos arpejos... (Cruz e Sousa) C) Quando em meu peito rebentar-se a fibra, Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem por mim nenhuma lágrima Em pálpebra demente. (Álvares de Azevedo) D) Em teu louvor, Senhora, estes meus versos E a minha Alma aos teus pés para cantar-te, E os meus olhos mortais, em dor imersos, Para seguir-lhe o vulto em toda a parte. (Alphonsus de Guimaraens) E) Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer amar e malamar, amar, desamar, amar? (Carlos Drummond de Andrade) Resolução: O dito amor cortês surgiu no Trovadorismo e se refere tanto à forma de amar, quanto de demonstrar sentimentos pelo ser amado, o que deveria respeitar estritamente às leis da civilidade, do decoro e da polidez típicos dos ambientes palacianos. Esta maneira de encarar o amor e de cantá-lo na poesia é usual das cantigas de amor, nas quais o trovador expressa seu mais profundo e respeitoso afeto à mulher amada, de quem mantém a identidade sob sigilo e por quem devota todo seu amor e servidão (a vassalagem amorosa). Tal amor acarreta em intenso sofrimento (a chamada coita amorosa), uma vez que a mulher amada nunca corresponde ao sentimento do trovador. Ainda assim, as misteriosas damas deste tipo de cantiga são apresentadas como detentoras de uma beleza divina e uma personalidade tão apaixonante que enfeitiça completamente os trovadores. Dito isso, observe que o excerto de Alphonsus de Guimaraens veicula algo semelhante às cantigas de amor e ao amor cortês, seja porque o eu-lírico trata sua amada por “Senhora”, algo costumeiro neste tipo de cantiga, seja por ele sofrer terrivelmente por estar apaixonado (coita) e não possuir quaisquer esperanças de conquistar sua dama, a quem apenas deseja dedicar seus versos e seguir, como um servo dedicado (vassalagem). Portanto, alternativa D: correta.
  • 6.
    09. (TESTE AUTORAL,EM13LP49 e EM13LP52) Relacione corretamente as colunas abaixo. 01. Cantigas de amor 02. Cantigas de amigo 03. Cantigas de escárnio 04. Cantigas de maldizer (M) Sua leitura atual apresenta interesse sobretudo histórico, pois dão voz lírica à figuras femininas (M) Revelam detalhes da vida íntima da aristocracia palaciana por meio da abordagem das convenções do amor cortês (M) Apresentam uma linguagem velada, sem deixar de lado o sarcasmo em relação à vida social da época (M) Utilizam-se de sátiras indiretas, revelando a vida campesina e urbana (M) Traçam críticas rudes e diretas, muitas vezes enveredando para obscenidades A sequência adequada de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: A) 02 – 01 – 03 – 03 – 04. B) 02 – 03 – 01 – 03 – 04. C) 02 – 01 – 03 – 04 – 03. D) 01 – 01 – 02 – 03 – 02. E) 01 – 04 – 01 – 02 – 03. Resolução: - Cantigas de amigo: segundo boa parte da crítica contemporânea (“leitura atual”), o valor destes poemas reside em seu caráter “histórico”, isto é, no fato de apresentarem sujeitos poéticos femininos (“dão voz lírica à figuras femininas”) que choram o abandono afetivo de seus “amigos” (eufemismo de amantes), pois foram raras as vezes em que o mundo intelectual da Idade Média se preocupou com os sentimentos e o próprio cotidiano das mulheres de então. - Cantigas de amor: tematizam as “convenções do amor cortês” (ou seja: a idealização feminina, a coita e a vassalagem amorosas), o que serve como ponto de partida para a amostragem de detalhes do cotidiano (“vida íntima”) da elite (“aristocracia”) palaciana. - Cantigas de escárnio: por meio de uma linguagem indireta (“velada”), mas com humor satírico (“sarcasmo”), ridicularizam o dia a dia (“a vida social ”) de sua época (séc. XIII e XIV) em relação à “vida campesina e urbana”. - Cantigas de maldizer: ao contrário das cantigas de escárnio, cuja crítica é indireta (velada), as de maldizer apresentam críticas em linguagem “rude e direta”, não raro lançando mão de termos vulgares e chulos (“obscenidades”). Dito isso, alternativa A: correta.
  • 7.
    10. (TESTE AUTORAL,EM13LP46, EM13LP49 e EM13LP52) Leia o poema que se segue. “Quem a as filha quiser dar Mester*, com que sábia guarir*, A Maria Doming’há-de ir, Que a saberá bem mostrar; E direi-vos que lhi fará: Ante d’um mês lh’amostrará Como sábia mui bem ambrar*. Ca me lhi vej’eu ensinar Ũa sa filha e nodrir*; E quem sas manhas bem cousir* Aquesto pode bem jurar: Que des Paris atẽes acá Molher de seus dias nom há Que tam bem s’acorde d’ambrar. [...]” Pero da Ponte. In: <https://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=1677&pv=sim>. Acesso em: 09 nov 2023. Vocabulário: * mester: profissão; * guarir: prosperar; * ambrar: dançar com movimentos eróticos; * nodrir: sustentar; * cousir: considerar. Consideradas as características do poema de Pero da Ponte, qual sua adequada classificação? A) Cantiga de escárnio. B) Cantiga de maldizer. C) Cantiga de amor. D) Cantiga de amigo. E) Cantiga de matrimônio.
  • 8.
    Resolução: O site deonde foi extraído o trecho de Pero da Ponte aponta como leitura do texto ser este uma “sátira contra uma mulher que, em vez de ensinar à filha um ofício honesto, lhe ensina as artes de sedução, com vista a um futuro menos trabalhoso e mais lucrativo.” A: incorreta; B: correta. Como se vê, a cantiga em questão é satírica, entretanto não se trata de uma cantiga de escárnio devido a nomear de maneira direta o alvo da crítica – ou seja, “Maria Dominga” –, o que é uma característica das cantigas de maldizer. C e D: incorretas. Cantigas de amor e cantigas de amigo são classificadas como líricas (de tema amoroso), não apresentando, portanto, conteúdo satírico, como é o caso do poema de Pero da Ponte. E: incorrreta. Inexiste a classificação “cantiga de matrimônio”.