O documento descreve a anatomia e fisiologia da córnea, com detalhes sobre suas camadas, curvatura, espessura e propriedades ópticas. Também discute a película lacrimal e a história e materiais das lentes de contato.
ÍNDICE
CAPITULO I------------------------------------------4
1- ANATOMIAE FISIOLOGIA DA CÓRNEA 4
1.1- ANATOMIA DA CÓRNEA -------------------4
FIG.1: CAMADAS DA CÓRNEA----------------4
1.2- FISIOLOGIA CORNEANA----------------- 12
1.3- A CÓRNEA NAS ENFERMIDADES ---- 16
2- PELÍCULA LACRIMAL-----------------------17
2.1- MECANISMO SECRETOR DA
PELÍCULA LACRIMAL --------------------------- 18
3 - HISTÓRIA DAS LENTES DE CONTATO
--------------------------------------------------------18
3.1- LENTES HIDROFÍLICAS ------------------ 19
3.2 - LENTES RÍGIDAS GÁS PERMEÁVEIS
---------------------------------------------------------- 19
3.3- OUTRAS DESCOBERTAS --------------- 19
4- LEGISLAÇÃO DA CONTATOLOGIA ----20
5- ÉTICA DO CONTÁTOLOGO---------------23
6 - CARACTERÍSTICAS IDEAIS DE UM
MATERIAL PARA LENTES DE CONTATO24
6.1- REQUISITOS DE
BIOCOMPATIBILIDADE PARA OS
MATERIAIS DE LENTES DE CONTATO --- 24
7 - PROPRIEDADES DOS MATERIAIS DAS
LENTES DE CONTATO ------------------------24
7.1- TRANSPARÊNCIA -------------------------- 24
7.2- DUREZA---------------------------------------- 25
7.3- FORÇA DE TENSÃO ----------------------- 25
7.4- MÓDULO DE ELASTICIDADE----------- 25
7.5- DENSIDADE ---------------------------------- 25
7.6- ÍNDICE DE REFRAÇÃO ------------------- 25
7.7- UMECTABILIDADE ------------------------- 25
8 - PROPRIEDADES DAS LENTES DE
CONTATO------------------------------------------25
8.1- CONTEÚDO AQUOSO -------------------- 25
8.2- CARGA IÔNICA------------------------------ 25
8.3- TRANSMISSÃO DE OXIGÊNIO--------- 25
9 - MATERIAIS PARA LENTES DE
CONTATO------------------------------------------27
9.1- POLIMERIZAÇÃO--------------------------- 27
9.2- CARACTERÍSTICAS DAS LENTES
RÍGIDAS SEGUNDO O SEU MATERIAL --- 27
9.3- CARACTERÍSTICAS DAS LENTES
HIDROFÍLICAS SEGUNDO O SEU
MATERIAL -------------------------------------------29
10 - FABRICAÇÃO DE LENTES DE
CONTATO------------------------------------------29
10.1- MOLDAGEM---------------------------------29
10.2- TORNEAMENTO---------------------------30
10.3- CENTRIFUGAÇÃO (SPIN CASTING) 31
11 - FATORES A SEREM CONSIDERADOS
NA SELEÇÃO DE UM PACIENTE PARA A
ADAPTAÇÃO DE LENTES DE CONTATO 31
12 - PROVAS E MEDIDAS QUE DEVEM
SER INCLUÍDAS NO EXAME PRELIMINAR
PARA LENTES DE CONTATO ---------------31
12.1- EXAME DO SEGMENTO ANTERIOR
DO OLHO --------------------------------------------31
12.2 - MEDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA
ADAPTAR LENTES DE CONTATO-----------32
13 - CANDIDATOS PARA LENTES DE
CONTATO RÍGIDAS GÁS PERMEÁVEIS -35
14- TERMINOLOGIA E CARACTERÍSTICAS
DAS LENTES DE CONTATO ----------------- 35
14-1- PARÂMETROS DAS LENTES DE
CONTATO -------------------------------------------35
15- ASTIGMATISMO RESIDUAL ------------ 39
16- SELEÇÃO DOS PARÂMETROS DA
LENTE DE PROVA - RGP --------------------40
16.1- DIÂMETRO TOTAL DA LENTE :-------40
16.2- PODER DIÓPTRICO DA LENTE
POSITIVO-NEGATIVA ---------------------------40
16.3- PODER DIÓPTRICO ----------------------40
16.3- RZOP: CURVA BASE ---------------------40
16.4- ESPESSURA --------------------------------40
16.5- PERMEABILIDADE - MATERIAL DA
LENTE-------------------------------------------------41
17- PRINCÍPIOS BÁSICOS DA
ADAPTAÇÃO--------------------------------------41
18- ADAPTAÇÃO DE LENTES ASFÉRICAS
--------------------------------------------------------42
19- ADAPTAÇÃO DE LENTES TÓRICAS - 42
20- LENTES DE CONTATO DE CURVAS
INVERTIDAS --------------------------------------42
21- VERIFICAÇÃO DOS PARÂMETROS DE
LENTES DE CONTATO RÍGIDAS ----------- 42
21.1 ADAPTAÇÃO DA LENTE DE PROVA-43
21.2- REMOÇÃO DA LENTE -------------------46
21.3- HORÁRIO DE USO ------------------------47
2.
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2
21.4- VISITAS DE CONTROLE---------------- 47
22- LENTES HIDROFÍLICAS------------------48
22.1- COLORAÇÕES----------------------------- 49
22.2- ADAPTAÇÃO DE LENTES DE
CONTATO HIDROFÍLICAS--------------------- 49
- CURVA BASE -----------------------------------49
- DIÂMETRO DA LENTE -----------------------49
22.3- AVALIAÇÃO DA LENTE EM
BIOMICROSCOPIA------------------------------- 51
22.4- HORÁRIO DE USO------------------------ 51
22.5- SINTOMAS DE ADAPTAÇÃO COM
LENTES DE CONTATO HIDROFÍLICAS --- 52
23- LENTES HIDROFÍLICAS TÓRICAS----52
23.1- DESENHOS --------------------------------- 52
23.2- PRISMA--------------------------------------- 52
23.2- ADAPTAÇÃO DA LENTE DE PROVA 54
24- ADAPTAÇÃO EM PÓS CIRURGICOS
REFRATIVOS -------------------------------------54
24.1- OBJETIVO ----------------------------------- 54
24.2- INTERPRETAÇÂO ------------------------ 54
24.3- FORMA --------------------------------------- 54
24.4- LEITURA – ----------------------------------- 54
25- MICROBIOLOGIA DOS FUNGOS ------55
25.1- ESTRUTURA DA CÉLULA FÚNGICA 55
25.2- MORFOLOGIA E REPRODUÇÃO ---- 56
25.3- NUTRIÇÃO CRESCIMENTO E
METABOLISMO------------------------------------ 56
26- MICROBIOLOGIA DOS VÍRUS----------56
26.1- MORFOLOGIA E ESTRUTURA DA CÉLULA
BACTERIANA: ----------------------------------------- 57
27- SISTEMAS DE MANUTENÇÃO ---------59
27.1- PH SISTEMAS DE MANUTENÇÃO--- 59
27.2- ESCOLHA DO SISTEMA DE ANTI-
SEPSIA ADEQUADO----------------------------- 60
BIBLIOGRAFIA -----------------------------------60
3.
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3
APRESENTAÇÃO
O estudo da Contatologia apresenta-se hoje
como um dos campos de maior
desenvolvimento na área da óptica oftálmica.
A tentativa de compensar as dificuldades
visuais com lentes de contato é um desafio
das industrias que tentam substituir os óculos
pelas lentes de contato.
As técnicas de adaptação e a geometria das
lentes de contato estão mudando em uma
velocidade inacreditável.
Lentes para longe, para perto, esféricas,
tóricas, geometria inversa, bifocais,
progressivas. Enfim, tal evolução nos obriga
a um estudo constante para podermos
acompanhar a evolução da óptica dessas
lentes.
Esta apostila está centralizada em conteúdos
considerados mínimos obrigatórios para a
adaptação de todos os tipos de lentes
existentes atualmente no mercado.
Colocado de uma forma clara, o aluno terá a
possibilidade de realizar um estudo simples e
completo no campo da contatologia.
Serão abordados temas básicos assim como
temas que provocam discussões na prática
da adaptação de lentes de contato.
Com a participação de profissionais com
muita experiência prática, este material
proporcionará ao aluno conhecimentos de
grande valia para o seu exercício
profissional.
Lembre-se: o sucesso profissional é
alcançado mediante esforços individuais
visando acima de tudo a coletividade.
ELABORAÇÃO:
Nora Leon – Especialista em Optometria da
Universidade de San Martin – Colômbia.
COLABORADORES:
Rosélia Vilarins – Contactóloga
Ana Rita Freitas – Técnica em Óptica e
Optometria.
Danny Carvalho Magalhães – Bacharel em
Optometria.
João Cunha – Técnico em Óptica e
Optometria.
Margareth Vilarins – Contactóloga
Juan Bretas – Técnico em Óptica e
Optometria.
Aurez Muniz – Técnica em Óptica e
Optometria.
Sedna Maria Ferreira – Técnica em Óptica e
Optometria.
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CAPITULO I
1- ANATOMIA E FISIOLOGIA DA CÓRNEA
A córnea é um tecido transparente,
que constitui o principal componente óptico
do olho. A produção de uma imagem nítida
nos receptores da retina requer que a córnea
seja transparente e que tenha o poder
refrativo apropriado.
O poder de refração da córnea
depende de sua curvatura e de seu índice de
refração.
O raio da superfície anterior da
córnea é, em média, 7.8mm na região
central. Esta medida pode variar, oscilando
entre 7.0 e 8.5 mm sem alterar a boa função
visual. Em condições patológicas, estes
limites se ampliam ainda mais.
O índice de refração da córnea é
de 1.376 ignorando o filme lacrimal, o que dá
a região central anterior um poder de
refração de 48.8 di .
A superfície posterior côncava da
córnea está em contato com o humor
aquoso, que tem um índice de refração
menor (1.336) de modo que o poder de
refração desta superfície é de 5.8 di ,
produzindo um poder total de refração de
43.00 di , ou seja, aproximadamente 70 % do
poder de refração do olho.
A superfície anterior da córnea é
mais curva na parte central e um pouco
aplanada na parte periférica, dando a córnea
uma forma de hipérbole.
A área central da córnea, de 3 a 4
mm, é quase esférica.
A curvatura da córnea muda com o
passar dos anos. É mais esférica na infância
e adquire um astigmatismo a favor da regra
durante a infância e adolescência.
A córnea tem um raio de curvatura
menor, é mais altamente refrativa no
meridiano vertical que no horizontal. Esta
regra é exata em 90 % dos casos. Ela volta a
ser mais esférica na idade média e passa a
apresentar um astigmatismo contra a regra
na velhice.
A espessura corneana também
aumenta um pouco com a idade. A
espessura é de 0.55 mm nas pessoas
menores de 25 anos, logo aumenta
lentamente com a idade até alcançar 0.57
mm em pessoas maiores de 65 anos.
A espessura periférica média é de
0.67 mm. Nas pessoas míopes com um
defeito superior a 5.00 di a espessura central
da córnea é de 0.52 a 0.53 mm. A
hipermetropia não afeta a espessura
corneana .
A espessura da córnea é maior após
o sono e diminui um pouco quando os olhos
estão abertos e expostos ao efeito
ressecante do ar.
A temperatura da córnea é
relativamente baixa. No coelho, por exemplo,
a temperatura da córnea e a da íris alcança
5
o
. centígrados.
A profundidade sagital da córnea é
de 2.6 mm com variações dependendo do
raio da curvatura corneana.
OUTRAS MEDIDAS:
Diâmetro horizontal visível da íris
(DHVI) .................11.7 mm
Diâmetro vertical visível da íris
(DVVI) ......................10.6 mm
1.1- ANATOMIA DA CÓRNEA
Até pouco tempo, acreditava-se que
a córnea era composta por cinco camadas :
Epitélio, Membrana de Bowman , Estroma,
Membrana de Descemet e Endotélio .
Atualmente se reconhece a existência de
uma Membrana Basal delgada que se
estende sob o Epitélio.
FIG.1: CAMADAS DA CÓRNEA
A: Epitélio
b:Camada de Bowman
c:Estroma
d:Camada de Descemet
5.
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5
E:Endotélio
1.1.1- EPITÉLIO
A existência do Epitélio Corneano foi
reportada pela primeira vez por Van
Leeeuwenhock (1693-1718).As células do
epitélio corneano formam uma linha de
defesa para todo usuário de lentes de
contato.
A córnea começa a sua formação
durante a quinta semana de gestação. O
estroma corneano, que é de origem
mesodérmica, em sua fase inicial é coberto
anteriormente por duas camadas de células
do ectoderma.Estas camadas se diferenciam
para formar o epitélio corneano. Aos três
meses, as fibras nervosas começam a
aparecer entre as células epiteliais.
O epitélio corneano é continuação do
epitélio conjuntival, o qual por sua vez é
continuação da epiderme da pele. O limite
interno do epitélio está formado por uma
membrana basal, que também é sintetizada.
Externamente, a atmosfera está
separada do epitélio pelo filme pré-
corneal.Fora da espessura periférica e até a
região limbar , o epitélio tem uma estrutura
multicelular marcadamente uniforme de 50 a
60 micras de espessura. Considera-se então
que o epitélio ocupa aproximadamente 10 %
da espessura corneana.
Fig.2:EPITÉLIO E CAMADA DE BOWMAN
Fig.3:MEMBRANA DE DESCEMET E
.
ENDOTÉLIO
O epitélio é formado por cinco a seis
camadas de células do tipo estratificado.
O epitélio corneano pode ser observado em
biomicroscopia em secção óptica ou
paralelepípedo.Ele é visto como uma linha
delgada sendo a diferenciação entre as
lágrimas e o epitélio corneano mais
evidenciada com a aplicação de
fluoresceína e o filtro azul cobalto.Quando
há alguma interrupção do epitélio se observa
uma variação da espessura da película
lacrimal, observando-se o tingimento das
células lesadas.
É importante que o contatólogo
examine o epitélio dos pacientes usuários de
lentes de contato, já que as primeiras
reações corneanas adversas em usuários de
lentes se manifestam no epitélio.
A- FUNÇÕES DO EPITÉLIO
- PROTEÇÃO FÍSICA
O epitélio é a estrutura corneana
mais externa e tem que proteger as delicadas
estruturas internas, as quais, quando
lesadas, não podem se reproduzir. O epitélio
não somente oferece resistência aos corpos
estranhos como objetos voadores ou lentes
de contato como também resiste à fricção
continua do piscar ou os rigores do ato de
esfregar os olhos.O epitélio tem uma
natureza altamente elástica a danos físicos
significantes. Adicionalmente o epitélio
possui uma excelente reprodutibilidade.
Então quando sofre um trauma, se recupera
rapidamente. Esta recuperação acontece
primeiro por uma migração das células
existentes que cobrem a área lesada e em
seguida por uma reprodução acelerada para
substituir as células perdidas.
- ÓPTICA
O Índice de refração varia, segundo
as pesquisas, entre 1.375 e 1.543. A córnea,
como foi mencionada previamente, é
responsável pela maior quantidade de
poder refrativo do olho e o epitélio tem que
manter sua uniformidade para proporcionar
uma superfície óptica perfeita. Além disto, o
epitélio deve manter-se transparente.
Quando há problemas com a
transparência desta camada corneana, a
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função óptica pode ser afetada. Esta
condição é conhecida como Véu de Sattler.
- ESTABILIZAÇÃO LACRIMAL
Há uma interação entre as lágrimas e
a córnea. Esta relação é parcialmente a
causa do rompimento da lágrima. É certo que
a córnea não traumatizada parece manter
intacto o filme corneano por um período de
tempo mais longo que a córnea com defeito
epitelial.
Pode ser que o micro vilosidades ao
longo da superfície corneana tenha um efeito
reconstrutivo sobre as lágrimas, promovendo
sua estabilidade.Esta possível função do
micro vilosidades ainda deve ser
estabelecida.
- BARREIRA CONTRA OS FLUÍDOS
Muitas úlceras corneanas que
aparecem na superfície perda de células
epiteliais superficiais permitindo a entrada de
microorganismos na córnea. Sabe-se que
uma córnea intacta é impenetrável a quase
todos os microorganismos. O rompimento da
barreira a fluidos também abre a porta para a
entrada ou saída de água do tecido.
B- MICRO E ULTRA-ESTRUTURA
O epitélio corneano é formado por
cinco a seis camadas de células. Nele há
três tipos de células diferenciadas. Estas
células são denominadas basais, aladas e
escamosas. As células basais são as mais
internas e formam uma simples camada de
células colunares. Esta camada forma
aproximadamente de 25 a 35 por cento do
total da espessura corneana.A face interna
plana das células basais está unida à
membrana basal. A relação anatômica entre
a membrana basal e o epitélio ajuda a que
em toda a largura da córnea o epitélio possa
realizar sua função protetora.
Externamente a membrana basal tem
de duas a três camadas de células aladas
.As células escamosas , também chamadas
superficiais , formam de duas a três
camadas de células , aplanando-se à medida
que são mais superficiais .
As células epiteliais normalmente
começam sua vida ao longo da membrana
basal, em meio às células basais . Daí tem
de migrar até a superfície onde completarão
seu ciclo de vida para terminar nas lágrimas
.Os três tipos de células epiteliais corneanas
são realmente a mesma célula em
diferentes estágios de seu ciclo de vida .
As células epiteliais mudam à medida que
envelhecem e a mudança é mais óbvia no
seu progressivo aplanamento à medida
que alcançam à superfície corneana .
Temos que levar em conta a
natureza dinâmica do epitélio quando se
tratam de entender certas características
desta camada. Por exemplo, a constante
remoção de células epiteliais provavelmente
explique melhor porque é rara a subida dos
axônios encontrados no epitélio.Aqui eles
preferem mover-se entre as células,
enquanto nas células basais os axônios se
movem estreitamente dentro da parede
celular.
1.1.2- CÉLULAS BASAIS E MEMBRANA
BASAL
A camada de células basais é
metabolicamente mais ativa. É somente
nela que se produz à síntese de novas
células, o que não ocorre em nenhuma outra
camada do epitélio. É lógico então pensar
que estas células possuíram um aparato de
Golgi, mitocôndrias, vesículas e reservas
de glicogênio maior que as demais.
As células basais são células
colunares altas, medindo aproximadamente
18 micras de altura e 10 micras de largura.
Exceto pela sua parte interna plana, o
contorno das células basais mostra
numerosas interdigitações superficiais, que
unem células vizinhas. Seu núcleo é
esférico e um pouco deslocado
anteriormente.
As células basais formam numerosos
contactos desmosomais com suas vizinhas
ao longo das paredes anterior e lateral. As
células epiteliais estão unidas umas às
outras por suas interdigitações, pelos
desmossomas e pelas zonulas ocludens .
Os desmossomas são pontos de
união entre as células, aonde as
membranas celulares se tornam mais
grossas e muitas fibrilas se unem. O grande
número de desmossomos, junto com o
entrelaçamento apertado de conjuntos
celulares, faz com que o epitélio seja
resistente à desintegração.
As zônulas foram identificadas por
Liegel. São compostas da fusão de
proteínas externas da membrana das
células adjacentes. Esta fusão ocludens do
espaço intercelular, que tem normalmente
de 10 a 20 mm e pode ser contínuo, ao redor
de toda a célula.
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7
A zônula ocludens determina o
grau de permeabilidade do epitélio
corneano à água, substâncias solúveis e
drogas.
A fixação do epitélio ao longo da
membrana basal é devido a um grande
número de hemidesmosomas, os quais
não estão sempre distribuídos de forma
uniforme, mas aparecem algumas vezes em
pequenos grupos. A fixação normalmente é
muito forte.
O hemidesmosoma é a metade de
um desmossoma, e é uma metade simples
porque não há uma célula oposta ao longo
de sua face. Isto não parece ter nenhum
efeito negativo na união entre a célula e a
membrana basal. Já foi demonstrado que um
ponto débil no epitélio para romper forças
após uma lesão está exatamente nas
células epiteliais basais.
Quando as forças alcançam um nível
destrutivo, as células basais se rompem
entre o seu núcleo e o seu plasma interno,
então a massa das células basais, junto com
células aderidas é removida inteiramente da
córnea em um trecho.
A membrana basal, que está muito
unida, só estará aderida levemente em uma
córnea anormal e neste caso se
desprenderá junto com o epitélio. A córnea
de uma pessoa com diabetes é um exemplo
no qual a membrana basal se separa com o
epitélio da córnea restante em uma eventual
lesão. Normalmente, porém, um trauma
severo não vai remover a membrana basal.
Isto é um fato importante, já que se o
estroma anterior estiver envolvido permite a
sua cicatrização . Devido à presença da
membrana basal, a reepitelização é
facilitada.
A membrana basal é simples em
sua estrutura, como qualquer outra lâmina
basal no corpo.É uma membrana uniforme e
delgada (0.05 micras).Está separada do
epitélio por um espaço de 0.01 a 0.02 micras.
A membrana é plana e mostra apenas umas
ondulações mínimas. Na região periférica o
epitélio e sua membrana basal se tornam
progressivamente menos planos e mais
ondulados.
É importante ressaltarmos, que esta
descrição da morfologia da membrana basal
se aplica unicamente à córnea jovem. À
medida que o epitélio sintetiza continuamente
material da membrana basal, não é
surpreendente que ela se torne mais grossa
com a idade.
1.1.3- MEMBRANA DE BOWMAN
A membrana de Bowman é uma
lâmina de tecido transparente de
aproximadamente 12 micras de espessura.
Observada ao microscópio eletrônico,
aparece constituída de fibrilas uniformes,
provavelmente de material colágeno, que
correm paralelas à superfície.
A membrana de Bowman é
acelular. É uma camada de estroma
superficial modificado, encontrada somente
entre os primatas. É altamente resistente a
lesões, pressão e infecção. Diferentemente
do epitélio (e da membrana de Descemet), a
membrana de Bowman não se regenera
quando lesada, mas é substituída por uma
cicatriz permanente ou opacidade , donde
a importância de prevenir qualquer
complicação causada por lentes de contato
que trespasse o epitélio.
1.1.4- ESTROMA
O estroma compreende 90 % da
espessura corneana. É composta por
camadas de lamelas, cada uma das quais se
estende por toda a extensão da córnea.
Embora os haces se entrelacem, são mais
ou menos paralelas à superfície de limbo a
limbo.
Em condições normais, o estroma corneano
possui cerca de 715 de colágeno tipo I ,
embora também encontremos outros tipos
como o III , V , VI .
Existe de 100 a 200 lamelas, que
variam numa espessura entre 1.3 a 2.5
micras.
A estrutura laminar do estroma
facilita tecnicamente as incisões na córnea.
Os corpos celulares, denominados
corpúsculos corneais, queratócitos ou
fibroblastos corneanos são células
delgadas e planas de 10µm de diâmetro,
com largos processos, que permitem
conectar um queratócito a outro.Seus
complexos de união são: mácula ocludens e
os hemidesmosomas. As células se
caracterizam por possuir retículo
endoplasmático granular. Este
ordenamento das fibras proporciona
uniformidade óptica à córnea.
Também se encontram
glucosaminoglicanos (Gags ou MPS) muito
hidrofílicos , responsáveis pela exatitude do
espaço entre as fibrilas .
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1.1.5- MEMBRANA DE DESCEMET
A membrana de Descemet (lâmina
posterior elástica) é forte, com 10 a 15 micras
de espessura.
A membrana de Descemet é
produzida pelas células do endotélio
corneano. Sua espessura vai aumentando
ao longo da vida. Compõe-se de colágeno
tipo IV. Sua função fundamental é a de dar
suporte e adesão às células do endotélio.
Outra característica da membrana de
Descemet é sua extraordinária resistência.
Na realidade trata-se da parte mais resistente
da córnea, já que em caso de destruição do
epitélio e estroma, se encarrega da formação
da desmatocele.
1.1.6- ENDOTÉLIO CORNEANO
A camada mais interna da córnea, o
endotélio, consiste de uma camada simples
de células hexagonais. As células estão
unidas debilmente à membrana de Descemet
por hemidesmosomas e umas às outras por
interterdigitação, desmossomas e zônulas
ocludens próximo à câmara anterior. Ao
contrário do Epitélio, as células endoteliais
não se regeneram.Quando há alguma lesão
às células podem alcançar o dobro do seu
tamanho normal.
A densidade das células endoteliais
diminui com a idade, como resultado de
trauma na cirurgia de catarata, transplante de
córnea e implante de lente intraocular.
O aspecto morfológico das células do
endotélio corneano normal se caracteriza por
um mosaico de células com um tamanho
médio de 332 mm (equivalente a uma
densidade celular de 3.012 células /mm2) ,
um coeficiente de variação (desvio
típico/médio) de 0,26 e uma percentagem
de células hexagonais de 71 % . Com a
idade, a densidade celular aumenta em 0,6
% ao ano , o coeficiente de variação aumenta
e a percentagem de células hexagonais
diminui.
Fig.4: MOSAICO ENDOTELIAL
As células do endotélio corneano funcionam
para manter a hidratação corneana
formando uma barreira para a passagem
de água e solutos para o estroma. Sua
ação também é bombear para fora do
estroma soluto, junto com a água que segue
passivamente segundo os gradientes
osmóticos locais.Este mecanismo de
bombeia-barreira pode ser medido segundo
critérios clínicos.
Uma medida mais sensível, porém
mais difícil, da função endotelial é a taxa de
“desedematização” da córnea do estado de
edema induzido por duas horas de uso de
uma lente hidrofílica espessa com o olho
fechado.A taxa da saída da condição de
edema , expressada como a percentagem
de recuperação por hora (PRPH) é em
média de 63% em adultos normais e diminui
com a idade .
A função de barreira ou de bombeio
é avaliada a partir da permeabilidade
endotelial a fluoresceína , que é de 4’0 x 104
cm/min e aumenta um pouco com a idade .
Podemos estimar a taxa relativa de
bombeio endotelial (com respeito à normal)
a partir das medidas obtidas para a taxa de
saída do edema e a permeabilidade. Estes
dados mudam muito pouco com a idade.
A - ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DO
ENDOTÉLIO COM O USO DE LENTES DE
CONTATO
As primeiras alterações que se
observam no endotélio corneano quando o
olho usa uma LC são ampolas ou bolhas
endoteliais, descritas originalmente por
Zantos e Holden. Esta reação do endotélio se
produz aproximadamente em 80% dos novos
usuários de lentes de contato e não é
encontrada em usuários adaptados.
As pequenas áreas escuras que se
observam por reflexão especular são
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edemas localizados das células
endoteliais, com avultamento das
membranas celulares posteriores.
As ampolas aparecem após 10 minutos da
colocação da lente, alcançam seu tamanho
máximo ao fim de uns 30 minutos e vão
desaparecendo se mantivermos a lente
adaptada. Também desaparecem
rapidamente após a retirada da lente.
Alterações morfológicas do endotélio
corneano:
Ampolas: de forma transitória no início
do uso ;
Polimegatismo:diversidade de
morfologia celular (superfície celular /
média);
Pleomorfismo: diversidade de
morfologia celular (% de células
hexagonais).
Embora a reação esteja bem
documentada, não se tem observado que as
ampolas causem transtornos permanentes às
células endoteliais ou a sua capacidade
funcional. Acredita-se que as ampolas sejam
os resultados da acidose corneana ligada
a hipóxia . São produzidas tanto com lentes
rígidas como com hidrofílicas, mas raras
vezes com lentes de silicone, que são muito
permeáveis ao oxigênio. São mais
acentuadas com lentes de baixa
transmissibilidade ao oxigênio. A reação
endotelial é menor em olhos afásicos e
também pode ser observado pela manhã,
após os olhos estarem fechados por toda à
noite, depois da córnea ter sido exposta à
falta de oxigênio ou exposta a excesso de
anidrido de carbono.
Uma segunda alteração que se produz
no endotélio corneano dos portadores de LC
é o desenvolvimento das anomalias
morfométricas, o polimegatismo e o
pleomorfismo. Foram observadas pela
primeira vez em 1981, são visíveis em
fotografias endoteliais ou em imagens de
vídeo feito com o microscópio especular e se
quantificam medindo as células
individualmente nas referidas imagens.
O polimegatismo é o aumento na
diversidade de tamanhos das células,
medido pela elevação do coeficiente de
variação (desvio típico/média) da superfície
celular. A palavra deriva dos radicais gregos
“poli” = muitos e “megatismo” = tamanho.
O pleomorfismo é o aumento da
diversidade das formas das células ,
medida pela diminuição da percentagem
de células hexagonais (e o conseqüente
aumento das hexagonais) . Estas anomalias
se observam nos três primeiros meses de
uso diário de lentes de contato e parecem
aumentar à medida que aumenta o tempo de
uso. Foram descritas com lentes de polimetil
metacrilato – PMMA, com hidrofílicas , com
rígidas permeáveis aos gases – RGP de uso
diário, bem como com lentes de hidrogel de
uso prolongado. Estão ausentes em
usuários de lentes de silicone permeáveis
ao oxigênio. Foi observado que a gravidade
das alterações diminui levemente 15 meses
após a substituição das lentes de PMMA por
lentes RGP. Dados comprovam que o
polimegatismo e o pleomorfismo induzidos
pelo uso de LC se mantêm ao menos
durante 5 anos após se haver deixado de
utilizar as lentes.
Acredita-se que ambas as alterações se
devam a hipóxia corneana crônica induzida
pelo uso de LC. Este mecanismo causal é
compatível com a ausência de anomalias que
são observadas no caso das lentes de
silicone e com a correlação inversa com a
transmissibilidade para o oxigênio citada
mais acima. Provavelmente as alterações se
devem a hipóxia das células endoteliais , que
provoca uma maior produção de lactato e da
conseqüente acidose do estroma corneano .
Os hexágonos regulares representam à
configuração mais estável para uma
monocamada de células. O polimegatismo
e pleomorfismo se dão em diversos
processos nos quais as células endoteliais
estão lesadas ou desestabilizadas de
alguma forma, como ocorre depois da
extração da catarata , após ceratoplastia
penetrante , nos soldadores que utilizam o
arco voltaico ou em pacientes com
diabetes.
Em um exame histopatológico do
endotélio de 3 córneas humanas de
portadores de LC, Bergmanson observou que
os espaços intercelulares e as faces
laterais das células eram mais inclinados e
oblíquos que o normal. Considerando que os
contornos das células endoteliais que se
observam por reflexão especular
representam as uniões intercelulares na
superfície posterior do endotélio, onde se
constitui a interfase com o humor aquoso e a
diferença entre índices de refração é
máxima, a reorientação oblíqua das faces
laterais das células significa que é possível
10.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
10
que o volume das células não varie muito
de umas para outras.
Existe uma terceira alteração
morfológica no endotélio corneano que
pode se produzir nos usuários de lentes de
contato, mas este fato não foi seguramente
comprovado. Consiste na disparidade entre
a densidade de células do centro da
córnea e a da periferia. Dois estudos
mostraram que, em usuários de lentes de
contato, esta densidade é menores na zona
central que na periferia.
Em outras duas pesquisas, estas
diferenças entre portadores de lentes de
contato e controles não foram observadas.
Nenhum dos dois grupos mostrava
disparidade entre a densidade celular da
zona central e a da periferia.Talvez as
alterações observadas nos dois primeiros
estudos afetassem pacientes que usavam
lentes menos permeáveis ao oxigênio
durante mais horas que nos dois últimos.
Quando se suspende o uso de lentes de
contato trás a ceratetctomia fotorrefrativa,
desaparece a disparidade centro-periferia,
com aumento aparente da densidade de
células centrais e diminuição da densidade
de células periféricas. Por conseguinte, é
possível que este aumento relativo da
densidade das células centrais, de
aproximadamente 7% , mascare uma
verdadeira perda celular pela lesão do laser
nos casos em que se aplica a energia do
laser perto do endotélio, como ocorre na
queratomileusi in situ assistida pelo laser
(LASIK).
Partindo das alterações morfométricas
evidentes observadas nas células do
endotélio corneano dos portadores de lentes
de contato e que acabamos de descrever,
cabe esperar uma menor densidade celular
na zona central. Estudos de excelente
qualidade não conseguiram determinar
claramente que os usuários veteranos de LC
tenham uma densidade de células
endoteliais menores que os controles de
idades comparáveis e um estudo mostrou
aumento da mesma. Assim, é possível que
córneas que de algum modo são anormais,
sendo assim mais sensíveis ao stress
endotelial causado pelo uso de LC, mostre
perda de células endoteliais centrais, o que
explicaria os informes isolados de casos de
portadores de lentes com baixas densidades
de células endoteliais.
Em uma investigação específica sobre o
uso de LC em córneas com endotélio
anormal (pacientes submetidos a
ceratoplastia por ceratocone), não se
observaram diferenças de densidade celular
entre 15 enxertos que usaram LC durante 10
anos e 19 enxertos com a mesma
antiguidade que não usaram lentes. Portanto
parece não haver provas de que o uso de
LC durante período prolongado cause
perda de células endoteliais.
Por fim, embora o uso de LC cause
polimegatismo e pleomorfismo no endotélio
corneano, não parece provocar diminuição
da densidade de células endoteliais.
B - ALTERAÇÕES FUNCIONAIS DO
ENDOTÉLIO CORNEANO COM O USO DE
LC
A função mais importante do
endotélio corneano é o controle da
hidratação para manter normal a
espessura da córnea. A maioria dos
estudos sobre os portadores de LC mostra
que a espessura corneana ou não se
modifica ou o faz ligeiramente, em cerca de
23 %.
Desta forma, após suspender o uso
da lente, a espessura diminui perto de uns
2% ao longo de vários dias. Assim é provável
que o edema induzido durante o uso da
lente, mascare a diminuição, em longo prazo,
da espessura do estroma. Sem dúvida, tal
diminuição representa provavelmente uma
alteração do estroma corneano e de sua
pressão de edematização induzidas pela
acidose crônica e não um transtorno da
função do endotélio.
Conforme foi descrito anteriormente,
o endotélio corneano controla a espessura
corneana mediante um mecanismo de
bombeio-barreira que mantêm tanto uma
barreira frente à entrada de solutos e
líquidos na córnea como uma bomba para
extraírem solutos e líquidos para fora
dela. Se aceita que a permeabilidade do
endotélio a fluoresceína é proporcional à
passagem desta ao interior da córnea e se
emprega como uma medida da função de
barreira. É normal nos portadores veteranos
de LC. A função de bombeio lacrimal não é
afetada pelo uso de LC.
Também já foi observado que nestes
usuários veteranos a velocidade relativa da
bomba endotelial não difere da dos controles
de idade comparáveis.Este mesmo estuda
11.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
11
tão pouco revelou diferenças na taxa de
desedematização depois de edema estroma
induzido por hipóxia.Mediu-se também, em
outro estudo, a taxa de desedematização em
portadores veteranos de LC e se observou
que estava diminuída. Nesta última
investigação não se mediu a permeabilidade
endotelial, e assim não foi possível estimar a
função de bombeio.
Em resumo, não há provas firmes
para demonstrar que o uso de LC afete a
função do endotélio corneano.
C - CONSEQUÊNCIAS CLÍNICAS DOS
EFEITOS DO USO DE LC SOBRE O
ENDOTÉLIO
Embora lentes de contato sejam
usadas há muitos anos não tem havido
informações a respeito de alterações
permanentes da densidade ou do
funcionamento das células endoteliais
atribuídas com certeza a sua utilização.
Holden e Sweeney observaram em três
antigos usuários de lentes de PMMA e em
um antigo usuário de lentes gelatinosas uma
afecção caracterizada por moléstias
oculares, diminuição da visão e fotofobia
ao utilizar as lentes. Chamaram este quadro
clínico de “Síndrome do esgotamento
corneano” (corneal exhaustion syndrome).
Os sintomas desapareceram ao interromper
o uso das lentes ou quando se adaptam
outras lentes com maior índice de
permeabilidade ao oxigênio.Por esta razão
os autores atribuíram a síndrome à
disfunção endotelial por hipóxia
prolongada e acidose devida ao uso de
LC.
Como este transtorno é pouco
freqüente e não pode ser estudado de forma
controlada, existe uma possibilidade definida
de que esses sintomas não sejam
decorrentes da disfunção endotelial ou, se
forem, que os pacientes tenham alterações
endoteliais não relacionadas com o uso de
LC, o que os torna mais propensos aos
efeitos de um uso que é tolerado pelas
córneas normais.
Não foi demonstrado de forma
concludente que o uso de LC durante
longos períodos tenha efeitos nocivos
sobre o endotélio corneano de pacientes
com córneas normais, pelo que se pode
assegurar que as lentes não lesionaram as
células endoteliais, em especial com as
lentes atuais que não tem PMMA na sua
composição e têm certa permeabilidade ao
oxigênio. É possível que tão pouco os
pacientes com córneas que apresentem uma
anomalia prévia estejam em situação de
risco, porém temos que observá-los mais
estreitamente para verificar se ocorre perda
de células endoteliais ou se a função
endotelial fica afetada.
1.1.7- LIMBO
O limbo é a zona de transição, de
aproximadamente um milímetro de largura,
na qual a córnea se une com a conjuntiva e
com a esclera. Difere estruturalmente da
córnea e contem vasos e linfáticos, os quais
normalmente não são encontrados na
córnea.
O funcionamento fisiológico da
córnea depende do limbo, do qual a córnea
recebe parte de seus nutrientes. A região
limbar é especialmente significante na
adaptação de lentes de contato, por sua
vizinhança com a córnea e porque algumas
lentes de contato descansam diretamente
sobre o limbo.
O limbo difere em sua estrutura
histológica da córnea porque possui
unicamente duas camadas, o estroma e o
epitélio. O epitélio do limbo é mais grosso
que o da córnea e contem cerca de 10
camadas de células que se projetam até
abaixo radialmente.
A-INERVAÇÃO
A córnea é inervada pelo quinto par
craniano, o nervo trigêmeo. Os nervos se
dividem dicotomicamente; emergindo das
zonas mais profundas da córnea, as fibrilas
nervosas perfuram a membrana de Bowman
e formam um plexo exatamente abaixo do
epitélio.
Em seu curso posterior, as
terminações livres dos nervos correm entre
células epiteliais. A córnea é um dos
tecidos mais sensíveis do corpo e esta
sensibilidade serve para sua proteção. É
extremamente doloroso quando os terminais
nervosos estão expostos em úlceras ou
abrasões corneanas.
Existe também na córnea uma
inervação simpática. A função que
desempenha este tipo de inervação está
muito confusa e; é tema de polêmica;
ultimamente tem sido sugerido que está
implicada na regulação do transporte
12.
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12
iônico ou na regulação da divisão celular
(mitose), já que uma ativação simpática
impede a cicatrização de erosões corneanas.
1.2- FISIOLOGIA CORNEANA
1.2.1- BIOQUÍMICA DA CÓRNEA
A composição química da córnea
equivale à soma de suas partes, ou seja, o
estroma, epitélio, endotélio e a membrana de
descemet. O número de células e sua
morfologia variam entre estas áreas e isto se
reflete nas diferenças químicas.
Quimicamente, a córnea é um tecido
heterogêneo.
A - ESTROMA DA CÓRNEA
O estroma é um tecido conectivo
diferenciado que contem entre 75 a 80% de
conteúdo aquoso, considerando seu peso
úmido. Dos sólidos restantes, 20 a 25% , a
maior parte é constituída por colágenos,
outras proteínas e mucopolissacarídeos
ou glucosaminoglicanos. As fibrilas de
colágeno formam o esqueleto do estroma
corneano.As propriedades fisicoquímicas
do colágeno corneano não difere das do
colágeno dos tendões e da pele.
O colágeno é dissolvido pelas
enzimas proteolíticas tais como a
colagenose, a pepsina e a papaína.
Os mucopolissacarídeos (MPS;
glucosaminoglicanos) representam entre 4 a
4,5 % do peso seco da córnea. Os MPS
estão localizados no espaço interfibrilar e
intersticial provavelmente unido às fibrilas
do colágeno ou às proteínas solúveis da
córnea. Os MPS localizados no espaço
intersticial desempenham uma função na
hidratação da córnea através de interações
dos eletrólitos e a água.Os MPS atuam
como anions e une os cátions como a
água. No estroma corneano se encontram
três frações principais de MPS:
- Queratam –sulfato (50%)
- Condroitin-Sulfato A (25%)
- Condroitina (25%)
Os MPS são degradados por
enzimas específicas. A codroitina se
encontra exclusivamente na córnea. Em
pacientes que padecem de erros inatos do
metabolismo dos MPS, conhecido como
mucopolissacaridose, os MPS se acumulam
na córnea provocando opacidades. A
comparação química entre a córnea e a
esclerótica demonstra que os MPS estão
praticamente ausentes na córnea. É natural
então que os MPS tenham sido relacionados
com a manutenção da hidratação e da
transparência corneanas, já que a esclerótica
é opaca e reflete e dispersa a luz em
condições normais.
B - MEMBRANA DE DESCEMET
A membrana de Descemet está
constituída por um material semelhante ao
colágeno, com um elevado conteúdo de
glicínia e hidroxiprolina. Em contraste com o
estroma corneano, não possui quantidades
significativas de MPS. A membrana de
Descemet é muito elástica e representa
uma barreira à perfuração nas úlceras
profundas da córnea.
C - EPITÉLIO CORNEANO
Na composição química das células
epiteliais:
- A água representa cerca de 70 % do peso
úmido.
- Os sólidos são: ácidos nucléicos ADN
(ácido), ARN (ácido).
- Lipídios (fosfolipídios e colesterol) nas
membranas celulares.
- Proteínas.
No epitélio acontecem grandes
atividades de enzimas de glucólises, ciclo de
Krebs e Atpase ativada por Na+K+.
Os epitélios contem ATP, glutacion e ácido
ascórbico.
D - METABOLISMO CORNEANO
O termo metabolismo compreende
uma série de processos químicos, por meio
dos quais se obtém energia que logo se
utiliza para manter as funções normais de um
tecido.
A córnea necessita a energia para
manter a transparência e desidratação.
A energia em forma de ATP é gerada
por meio da degradação da glicose em:
- Ácido Láctico ( glucólisis)
- CO2 e H2O (Ciclo de Krebs)
A córnea obtém glicose
principalmente do humor aquoso. As
lágrimas e os capilares do limbo
aparentemente contribuem com quantidades
mínimas de 02 e glicose para o metabolismo
da córnea. Quando os olhos estão fechados,
13.
Curso de Contatologia
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13
o O2 provem dos vasos da conjuntiva
palpebral.
O corpo obtém a energia a partir do
metabolismo de carboidratos básicos pela
conversão de ADP (Adenosina Fosfato) em
ATP (Adenosina Trifosfato).
O metabolismo da córnea tem três
vias. A mais importante é a do Ciclo de
Krebs. Este produz uma grande quantidade
de energia (36 moléculas de ATP por cada
molécula de glicose) e os produtos
secundários obtidos nesta reação são água e
dióxido de carbono, os quais se dispersam
com facilidade.
A segunda é a via anaeróbica de
Embden Meyerhof com uma produção baixa
de energia (2 moléculas de ATP por molécula
de glicose). Os produtos secundários desta
reação, como o lactato, não se reciclam. A
retenção de lactato quando se reduzem os
níveis de oxigênio está fortemente implicada
como causa de edema corneano, ao produzir
uma alteração no equilíbrio osmótico.
A terceira via é a da Pentose, aonde
se converte hexose em pentose. Só se
produz uma molécula de ATP por cada
molécula de Glicose, porém é uma via vital,
já que os produtos intermediários são
utilizados na síntese dos ácidos nucléicos
e lipídios. Esta via pode não estar ativa nos
queratócitos estromas.
Quando a tensão anterior do oxigênio
cai, as duas vias aeróbicas trabalham
reduzidas, enquanto a via anaeróbica
compensa parcialmente e a produção total de
ATP diminui. Assim há uma clara relação
entre a concentração de oxigênio e a
energia disponível para as funções
celulares.
A maior parte do oxigênio
consumido pela córnea é absorvida pelo
epitélio e pelo endotélio. O endotélio da
córnea obtém a maior parte do oxigênio pelo
humor aquoso, enquanto o epitélio obtém o
oxigênio tanto pelos capilares do limbo
como o oxigênio dissolvido na película
lacrimal. Isto é confirmado por experiências
clínicas: quando se utiliza lente de contato
ajustada e de diâmetros muito grande
durante períodos prolongados, a córnea se
edemacia.
A glicose pode ser armazenada no
epitélio em forma de glicogênio para ser
degradado em certas situações de
emergência nas qual o tecido necessita de
energia adicional, como por exemplo,
durante os processos de reparação que
sucedem as feridas traumáticas ou
cirúrgicas.
E - COMPOSIÇÃO ELETROLÍTICA DO
ESTROMA E DO EPITÉLIO CORNEANO
O estroma da córnea tem uma
elevada concentração de íons Na+ ,
enquanto o epitélio é rico em íons K+ .Os
três fluídos que rodeiam a córnea (plasma,
humor aquoso e lágrimas) são também ricos
em íons Na+. No estroma corneano é
evidente que a soma dos cátions Na+ e K+ é
superior à do anion Cl -.
Uma parte das forças osmóticas
pode ser originada pelos íons bicarbonato.As
restantes forças aniônicas podem ser
originadas pelo MPS. Sabe-se que cada
molécula de queratina sulfato e condroitina –
sulfato possui entre 27 e 160 pontos de união
para cátions univalentes. Além dos MPS as
fibrilas de colágeno e a proteína livre podem
atuar como anions para obter a neutralidade
eletroquímica da córnea.
F - DESIDRATAÇÃO DA CÓRNEA
A córnea normal mantém durante a
vida uma espessura bem
constante.Conserva seu conteúdo aquoso
em um nível estável, que oscila entre 75 a 80
% de seu peso. Pedaços de tecido corneano
isolados mostram uma marcada afinidade
com a água quando são submergidos, em
soluções isotônicas. Nestas condições a
córnea se edematiza e perde transparência.
O equilíbrio da água existente na
córnea viva originou interrogações com
respeito aos fatores que mantém a relativa
desidratação do tecido:
- Integridade anatômica do epitélio.
- Equilíbrio eletrolítico e Osmótico.
- Metabolismo.
- Evaporação de água através da
superfície anterior.
- Pressão intra-ocular.
- Integridade anatômica do endotélio e o
epitélio.
Quando se produz uma lesão do
epitélio do endotélio corneano por meios
químicos ou físicos, aparece um edema do
estroma. Qualquer condição que provoque a
perda do epitélio poderá produzir áreas de
edema e opacidade corneana.
Afortunadamente, o epitélio da córnea se
regenera rapidamente e geralmente o
14.
Curso de Contatologia
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14
excesso de hidratação da córnea é leve e
transitório. Danos ao endotélio são muito
mais sérios. A destruição massiva das
células endoteliais provocará um acentuado
e às vezes permanente edema, bem como
a perda da transparência. Isto pode ocorrer
como conseqüência de danos mecânicos ao
endotélio durante a cirurgia ocular.
Em coelhos a remoção do epitélio
produz em 24 horas um aumento médio de
200 % na espessura corneana, enquanto que
a remoção do endotélio produz um aumento
de 500%.
O fato de que danos ao endotélio
resultam em um edema corneano maior e
mais rápido sugere que o endotélio é de
grande importância para a manutenção da
desidratação corneana.Foi assinalado que
isto poderia ser o resultado do efeito
adicional da pressão intra-ocular sobre a face
endotelial da córnea.
Harris sugeriu que a causa principal da
hidratação da córnea posterior a danos no
endotélio é a afluência de água proveniente
do humor aquoso e não uma diminuição do
transporte de água para fora da córnea.
G - EQUILÍBRIO ELETROLÍTICO E
OSMÓTICO
A maioria das células tende a
conservar sua hidratação e o equilíbrio
osmótico mantendo uma baixa concentração
intracelular de Cl Na comparado com o fluido
extracelular. A córnea, sendo uma estrutura
de tecido conectivo limitada anterior e
posteriormente por camadas celulares, é
aparentemente muito mais complexa.
As células endoteliais e epiteliais
podem bombear íons de Na+ e Cl - para
fora (humor aquoso e lágrimas). Estas
bombas celulares têm um papel definitivo na
preservação da desidratação corneana.
Como a concentração de Na+ no humor
aquoso e nas lágrimas é mais elevada que
no estroma, os íons Na+ retrocedem ao
estroma. Deste modo se produz na córnea
um mecanismo de “bombeio –fuga” para
íons Na+. Por outro lado, a pressão osmótica
do fluído e os eletrólitos do estroma podem
ser a força reguladora mais importante para
este movimento de água.
O fluído estromal pode ser
hipertônico para o plasma.Se o humor
aquoso e as lágrimas são ligeiramente
hipertônicos para o estroma, podem
desempenhar um papel ativo na
desidratação corneana por meio da
constante translação de água através de
suas superfícies anterior e posterior.
Todos os estudos tendem a
fundamentar o conceito de que as forças
osmóticas podem atuar sobre a córnea para
manter o tecido em estado de relativa
desidratação.
H - METABOLISMO
As atividades metabólicas da córnea
contribuem para manter a desidratação do
tecido. Provavelmente a inibição do
metabolismo do endotélio e do epitélio devido
à falta de ATP necessária para o
funcionamento da “bomba” eletrolítica, é a
causa principal da citada sobre-hidratação
corneana.
De modo geral se aceita que a
expulsão ativa de íons de Na+ produzida
desde a maior parte dos tecidos é mediada
pela enzima Na+K+ATPase. Esta enzima
subministra, por meio da degradação do
ATP, a energia suficiente para a expulsão
dos cátions.
A Na+K+ATPase existe em
concentrações relativamente elevadas no
epitélio e endotélio, mas está praticamente
ausente no estroma.
A córnea se hidrata quando a
temperatura ambiente desce e a atividade
metabólica diminui.Se existe glicose
suficiente, quando a córnea atinge outra vez
a temperatura ambiente, se desidrata
novamente. Portanto as córneas de olhos
extraídos em autópsia conservados em
bancos a 4 graus centígrados, estão
ligeiramente hidratadas e as córneas
enxertadas ligeiramente edemaciadas. A
espessura dos enxertos de córnea diminui
durante os dias seguintes ao transplante, o
que indica que a córnea pode se adaptar
rapidamente e recuperar sua capacidade
para a desidratação.
I - EVAPORAÇÃO DE ÁGUA ATRAVÉS DA
SUPERFÍCIE ANTERIOR
A evaporação de água da película
lacrimal pré-corneana concentraria este fluido
e aumentaria sua osmolaridade em relação à
córnea. A hipertonicidade da película lacrimal
poderia expulsar água da córnea e manter o
estado relativo de desidratação corneana.
15.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
15
J - PRESSÃO INTRA-OCULAR
O fato de que a pressão intra-
ocular elevada resulte em edema corneano
constitui um sinal útil para o diagnóstico do
glaucoma. Admite-se que as pressões intra-
oculares no olho humano de 50 mmHg ou
mais produzem um edema corneano
detectável na lâmpada de fenda. Quando a
pressão desce a níveis normais por meio de
procedimentos médicos ou cirúrgicos, a
embebição corneana causada pela pressão
intra-ocular elevada é reversível. Nas
crianças com glaucoma congênito, a pressão
intra-ocular elevada pode resultar no
aumento da córnea e em rupturas da
membrana de Descemet, além do edema.
K - PERMEABILIDADE
A permeabilidade da córnea é
importante sob diversos pontos de vista.
Primeiro a nutrição da córnea depende da
difusão de oxigênio e glicose e outras
substâncias provenientes dos fluidos que a
rodeiam. Segundo, o transporte de drogas
através da córnea é determinado pela
permeabilidade das camadas da córnea. Isto
é clinicamente importante já que por meio
das preparações topicamente aplicadas
tenta-se alcançar a câmara anterior do olho
ou alterar processos patológicos que têm
lugar nas diversas áreas da
córnea.Finalmente a enervação especial da
córnea determina o grau de tolerância aos
medicamentos aplicados topicamente nas
enfermidades do olho ou como agentes
umidificantes para as lentes de contato.
L - TRANSPARÊNCIA DA CÓRNEA
A córnea normal é transparente e
qualquer alteração desta transparência
interfere seriamente na claridade da imagem
retiniana.
As peculiaridades anatômicas da
estrutura da córnea, como por exemplo, a
uniformidade e a regularidade no
ordenamento das células epiteliais, as
lamelas corneanas estreitamente unidas
entre si e de tamanho uniforme, que correm
paralelas e a ausência de vasos sanguíneos
contribui para a eficiência do olho como
instrumento óptico. A transparência da
córnea depende de sua constituição física e
dos mecanismos que previnem a ocorrência
do edema.
Maurice apresentou uma explicação
para a transparência da córnea baseada no
ordenamento físico das fibras corneanas.
Ele constatou que as fibrilas do colágeno
formam uma estrutura reticular ordenada, de
tal modo que a dispersão da luz é eliminada
por meio da interferência mútua de cada
fibrila isolada.
A substância básica do estroma
corneano é o colágeno saturado com uma
solução MPS (Mucopolissacarídeos). A
córnea se mantém clara enquanto é
submersa em fluidos de diferentes índices de
refração até 1.564. A córnea ainda pode
conservar a transparência mesmo quando o
índice de refração de seu colágeno difere
consideravelmente do meio que a rodeia. O
índice de refração do colágeno dos bovinos é
de 1.380 e o dos cervos é 1.373.
Acredita-se que esta propriedade de
se manter transparente se deve a que as
fibrilas estão regularmente ordenadas em
forma de retículo e separadas entre si por
uma distância menor que a longitude da onda
de luz.
A transparência da córnea diminui
temporalmente quando sobre ela se exercem
forças anormais. Durante o aumento da
pressão intra-ocular, no glaucoma agudo, a
córnea se torna opaca, sendo evidente que
esta perda da transparência não se deve
inteiramente à absorção de fluído que se
produz, nem mesmo às alterações físicas do
estroma, já que a opacidade desaparece
imediatamente quando a pressão diminui.
Isso é facilmente demonstrado em uns olhos
extirpados.
FIG.5- CORTE TRANSVERSAL DE FIBRILAS
ORDENADAS PARALELAMENTE.O TAMANHO
DE LONGITUDE DE ONDA ESTÁ
REPRESENTADO NA PARTE SUPERIOR PARA
ESTABELECER UMA COMPARAÇÃO. AS
FORÇAS DE REPULSÃO E AS CONEXÕES
RÍGIDAS ENTRE AS FIBRILAS ESTÃO
REPRESENTADAS ESQUEMATICAMENTE.
16.
Curso de Contatologia
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16
M - EFEITO DO ACÚMULO DE LÍQUIDO
SOBRE A TRANSPARÊNCIA DA CÓRNEA
Vários fatores físico-químicos afetam
a transparência corneana, atuando através
de alterações do índice de refração de seu
líquido intercelular, das fibras corneais ou de
ambos.
O poder de absorção do tecido
conectivo se deve provavelmente a seus
componentes temporais, o colágeno e os
mucopolissacarídeos (MPS).O colágeno
dividido em feixes soltos de fibras delgadas
se encontra imerso nos MPS. Os MPS não
somente preenchem como um gel todos os
espaços existentes entre os feixes de fibras,
como também penetram neles e tomam parte
na formação das próprias lamelas da mesma
substância intermédia. Estes dois
componentes devem ser considerados de
forma separada com respeito a sua
contribuição para o poder total de absorção
do tecido conectivo.
Quando córneas secas são expostas
a vapor de água de concentrações
crescentes de até cerca de 30 % , esta é
absorvida pelas fibrilas do colágeno. Destas
observações se deve deduzir que o MPS da
córnea também é importante para a sua
transparência
Para manter sua transparência, a
córnea deve ser banhada com um líquido
que possua uma pressão osmótica tão
elevada quanto à do líquido intersticial. Se a
córnea é banhada com uma solução
hipotônica, torna-se opaca, devido à perda
de forças que atuam no epitélio corneano.
Em certas condições patológicas, como por
exemplo, no glaucoma ou na distrofia
endotelial, se acumula líquido nas células
epiteliais em tal quantidade que provoca a
formação de bolhas. Cogan acha que isto
se deve a uma pressão osmótica mais alta
no epitélio que nas lágrimas e, como
resultado, a água penetra no epitélio através
da superfície anterior desde as lágrimas.
1.3- A CÓRNEA NAS ENFERMIDADES
Nos processos patológicos é muito
importante a reação da córnea. Seu tecido é
avascular e, portanto difere dos tecidos que
normalmente têm irrigação sanguínea. A
membrana de Bowman oferece pouca
resistência qualquer processo patológico e
por isto é facilmente destruída e não se
regenera jamais.
A membrana de Descemet, por
outro lado, é muito resistente, e quando
todas as demais camadas da córnea foram
destruídas, pode conservar-se em forma de
uma estrutura curvada, semelhante a um
globo, conhecida como desmatocele.
Mesmo depois de ter sido destruída pode se
regenerar.As rupturas da membrana de
Bowman são raras, mas são comuns as de
Descemet.
Muitas enfermidades da córnea
levam as vascularizações superficiais.
Quando a córnea se vasculariza, os vasos
permanecem durante toda a vida. Podem
não conter sangue, os chamados “vasos
fantasmas”, mas sua presença pode ser
sempre localizada na lâmpada de fenda,
testemunhando que a córnea foi vítima de
um processo inflamatório.
1.3.1- CICATRIZAÇÃO DAS FERIDAS DA
CÓRNEA
O trauma acidental ou cirúrgico de
uma ou de todas as camadas da córnea
ocasiona um aumento da hidratação e
perda de transparência.Devido a isto é
necessária uma rápida e correta cicatrização
das feridas para evitar a formação de
escaras ou opacidades da córnea
(leucomas).
Em um olho normal, a perda de
áreas superficiais da córnea por traumatismo
geralmente cicatriza em 24 a 48 horas.
Entretanto as úlceras produzidas por uma
infecção viral, bacteriana ou micótica ou que
afetem as camadas profundas do estroma
podem tardar semanas em cicatrizar. De
forma similar enquanto uma laceração
superficial cicatriza entre 3 a 5 dias, uma
laceração profunda ou uma incisão cirúrgica
demora várias semanas para cicatrizar
completamente.
Para manter a justaposição das
bordas da ferida nas lacerações grandes e
profundas é necessário suturas. A velocidade
e o tipo de cicatrização das feridas são
determinados pelos seguintes fatores:
- Localização anatômica das feridas
Córnea, límbica ou central;
- Tamanho da ferida;
- Camada da córnea afetada:
Epitélio, estroma ou endotélio;
17.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
17
- Presença ou ausência e tipo de suturas:
Seda, categute ou nylon;
- Infecção bacteriana, viral ou micótica
associada;
- Drogas administradas de forma tópica
com propósitos terapêuticos.
A resposta citológica e histológica a
uma ferida central da córnea implica: edema
de estroma, mitose e deslocamento das
células epiteliais, migração
polimorfonuclear e monocítica;
surgimento de novos fibroblastos e
mitoses; formação de pre-colágeno e
formação de colágeno.
Ocasionalmente e devido a razões
desconhecidas, podem formar-se vasos
sanguíneos em um tecido corneal
cicatrizado. As mudanças químicas
associadas com uma resposta citológica são:
hidratação inicial, aumento da atividade
de hidrolasas lisomicas, diminuição nos
níveis de MPS (sulfato queratina e sulfato
condroitina).
1.3.2- VASCULARIZAÇÃO DA CÓRNEA
Os capilares penetram na córnea até
um ou dois milímetros além do limbo. A
córnea normal está completamente
desprovida de vasos sanguíneos.Quando
existem vasos fora da zona limbar a córnea é
ou foi submetida a um processo patológico.
Certas enfermidades produzem uma
vascularização intensa e precoce e a
situação e o caráter dos vasos sanguíneos
recém - formados são às vezes guias para o
seu diagnóstico: os vasos sinuosos
superficiais que podem aparecer sobre a
córnea desde a superfície conjuntival através
do limbo são característicos de várias formas
de ceratoconjuntivite.
Existem diferentes teorias para
explicar a ausência de vasos sanguíneos na
córnea normal e sua formação interna em
estados patológicos. Eis algumas delas:
- Na córnea, como resultado do processo
patológico corneano, é elaborada uma
substância que estimula o crescimento dos
vasos sanguíneos até o lugar onde esta
substância é produzida. Acredita-se que esta
substância possua o poder de iniciar a
neovasculogênese a partir dos vasos
sanguíneos já existentes e de ter
quimiotaxia positiva.
- Entre os fatores que foram assinalados
como possíveis indutores da nova
vascularização se encontram o acúmulo de
ácidos metabólicos, histamina, uma
deficiência de ácido ascórbico e anóxia
local. Assim a anóxia pode ser efetiva neste
aspecto liberando alguma substância que
provoque o crescimento a partir do tecido
anóxico e que o anidro carbônico não é
somente um agente vasodilatador, mas
também um forte estímulo para a
vasculogênese.
Ausência de vasos sanguíneos
dentro da córnea tem sido atribuída às
propriedades da córnea mesma, seja por
possuir alguma substância que impeça o
crescimento dos vasos, ou porque é tão
compacta que os vasos não podem penetrar
nela. Nos processos patológicos nos quais se
produz neovascularização se supõe que a
córnea perde a substância inibidora ou que a
edematização do tecido permita que os
vasos sanguíneos a penetrem.
A edematização da córnea inicia a
formação de novos vasos, mas isto por sua
vez corrige a edematização, quer dizer, a
edematização estabelece um ciclo através da
neovasculogênese que é corretivo: as
córneas que não se vascularizam
permanecem edemaciadas, formando-se
ampolas sobre o seu epitélio.
O crescimento para dentro dos vasos a partir
do limbo é sempre precedido pela
edematização da córnea no limbo.
2- PELÍCULA LACRIMAL
As funções da lágrima podem ser
resumidas em:
•
•
•
• Óptica: Manter um ambiente úmido para
epitélio, conjuntiva e pálpebras.
•
•
•
• Bactericida /Bacteriostática: Graças à
presença de lisozima, lactoferrina, B-
lisina, assim como as imunoglobulinas.
•
•
•
• Metabólica: dissolver O2 para ser
utilizado no metabolismo corneano e
prover outros nutrientes (Vitamina A,
íons, etc).
•
•
•
• Protetora: Expulsar corpos estranhos.
A principal função da lágrima foi
inicialmente a de formar uma película
delgada, de superfície muito lisa pela tensão
superficial da lágrima, que facilitasse a
refração do olho dos vertebrados no meio
aéreo. Se não existisse a película lacrimal, as
irregularidades da superfície anterior da
córnea, cujo epitélio está em permanente
18.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
18
processo de descamação determinariam uma
imagem retiniana imperfeita.
A película lacrimal prebulbar é formada
por uma camada anterior de lipídios, uma
média, aquosa, e uma posterior de
mucina. Este extrato mucínico se adere ao
glicocálice ou mucina epitelial que forma
parte da membrana externa das células
epiteliais superficiais.
2.1- MECANISMO SECRETOR DA
PELÍCULA LACRIMAL
•
•
•
• Glândulas de Krausse: Secreção basal
da camada aquosa da película lacrimal.
•
•
•
• Glândulas de Wolfring: secreção basal
da camada aquosa da película lacrimal.
•
•
•
• Glândulas de Zeis: Glândula sebácea
que ajuda à formação da camada lipídica
da película lacrimal.
•
•
•
• Glândulas de Meibomius: Glândula
sebácea da principal secreção para a
formação da camada lipídica da película
lacrimal.
•
•
•
• Criptas de Henle (Células caliciformes):
Formação da camada de mucina da
película lacrimal.
Quando um raio luminoso que
atravessa um meio chega à superfície de
separação com outro meio, o raio é
parcialmente transmitido a este segundo
meio e parcialmente refletido até o primeiro
meio. A proporção em que cada uma dessas
possibilidades intervem depende do ângulo
de incidência da luz, do índice de refração
dos meios, da longitude de onda da luz e do
grau e orientação da polarização da luz.
Cada um destes raios é atenuado nos
distintos meios ao longo de seu percurso.
Quando a luz natural encontra o olho
de um vertebrado terrestre, a primeira
superfície com que se depara é a película
lacrimal. A grande diferença entre o índice
de refração do ar (1.000) e o da lágrima
(1.334) faz com que a maior parte da
refração do olho se produza aqui. A pequena
diferença de índice de refração entre a
lágrima e a córnea (1.3375) faz atribuir a esta
segunda interfase um papel refrativo menor.
O estrato lipídico da lágrima, que
só cobre a superfície ocular exposta, constitui
0,02% do volume lacrimal e se forma na
borda palpebral pela ação das glândulas de
Meibomius e, em menor proporção, pelas
glândulas de Zeiss e de Moll e pelas
glândulas lipídicas carunculares.
O estrato aquoseroso representa
99.78% do volume da película lacrimal. Ele
se forma nas glândulas lacrimais principais e
acessórias.
O estrato mucínico – que é mais fino,
porém o mais extenso dos 3 estratos –
representa 0,20 % do volume lacrimal. Ele
se forma nas células caliciformes da
superfície conjuntival. Por trás desta mucina
conjuntival está o glicocálice.
3 - HISTÓRIA DAS LENTES DE CONTATO
19.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
19
LEONARDO da VINCI
Leonardo da Vinci é considerado a
primeira pessoa que descreveu uma lente de
contato, em 1508. Ele desenhou uma cuba
cheia de água. O observador imergiria o
rosto e, olhando através da água, alteraria o
poder dióptrico do olho.Leonardo Da Vinci
realizou descrições teóricas das lentes de
contato. Embora não tenham se tornados
populares no seu tempo, nasceu o conceito
de que um objeto poderia estar em contato
com o olho e permitir a correção da visão.
Mas a primeira lente de contato
realizada para propósitos médicos só foi
adaptada por F. A Muller. Ele usou uma
lente escleral de vidro para proteger o olho
de um paciente que tivera as pálpebras
extirpadas.
Adolf Fick, oftalmologista alemão,
utilizou coelhos em seus primeiros trabalhos,
datados de 1888, adaptando conchas de
vidro soprado, que eram aparentemente bem
toleradas. Fick notou perda da transparência
corneana, injeção limbar e conjuntival e
propôs a necessidade de desinfetar as
lentes, estabelecendo também o conceito de
adaptação de lentes de contato.
Fick solicitou ao professor Ernest
Abbe conchas polidas de boa qualidade
óptica com íris e pupilas pintadas,
estabelecendo as bases das lentes de
contato cosméticas e protéticas.
Após suas experiências testando as
conchas com animais e cadáveres realizou
testes com pacientes com córneas
irregulares devido a cicatrizes e para evitar a
enucleação em olhos não estéticos.
Em 1937 o plástico
polimetilmetacrilato (PMMA) foi introduzido
como material de lentes de contato e
rapidamente substituiu o vidro.
Em 1948, Kevin Tuohy introduziu a
“microlente” de PMMA.A lente cobria
unicamente a córnea e era muito menor que
a lente escleral usada até então. A lente
escleral cobria a parte frontal do olho
inclusive a esclera.
As lentes de contato rígidas se
tornaram muito popular a partir dos anos 50.
3.1- LENTES HIDROFÍLICAS
O primeiro material para lentes de
contato hidrofílicas foi desenvolvido por Otto
Wichterle, um cientista tcheco, e foi
patenteado em 1963.O
hidroxoetilmetacrilato (HEMA) foi um
material criado para ser usado em vasos
artificiais e órgãos.
Início do Hema. Wichterle usa um
equipamento Prof. Wichterle
Improvisado para as pesquisas iniciais .
Foto do Inst. Química –
Tchecoslováquia.
Wichterle reconheceu
sua aplicação para
lentes de contato e
desenvolveu um
método de
manufaturamento para
este novo material.
A tecnologia de
Wichterle foi adquirida
pela Bausch Lomb e em 1971 a versão
comercial de uma lente macia foi aprovada
para uso nos EEUU.
3.2 - LENTES RÍGIDAS GÁS PERMEÁVEIS
As pesquisas prosseguiram na busca
de um material que permitisse a passagem
de oxigênio para atender as necessidades
metabólicas da córnea.Isto permitiu o
surgimento do Acetil Butirato de Celulose
(CAB), um dos primeiros materiais rígidos
gás permeáveis O CAB começou a ser
utilizado nos Estados Unidos em 1978.
Desde então foram desenvolvidos vários
materiais de lentes rígidas gás permeáveis.
3.3- OUTRAS DESCOBERTAS
- LENTES DE CONTATO DE USO
CONVENCIONAL
Desde o início até meados dos anos
80 as lentes eram usadas pelo paciente
20.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
20
enquanto estivessem relativamente limpas
não estivessem danificadas e enquanto
permanecessem corrigindo o erro refrativo.
Esta forma de utilizar as lentes de contato é
conhecida como Uso Convencional. O
tempo de vida de uma lente varia de acordo
com o tipo da lente. As lentes rígidas de
PMMA duram vários anos. As lentes de
materiais RGP duram 1 a 2 anos. As lentes
hidrofílicas de uso convencional duram
cerca de 1 ano.
- LENTES DE CONTATO DESCARTÁVEIS
Em 1985 DANALENS introduziu na
Dinamarca a primeira lente de contato de
Uso Descartável. Ela foi adquirida pela
Jonhson Johnson e em 1986 recebeu a
aprovação do FDA (Federal Drug
Administration) para o uso nos EEUU.
As lentes de contato descartáveis
são semelhantes às lentes hidrofílicas
convencionais, porém devem ser
descartadas em período pré-determinado de
tempo (um dia, uma semana, um mês, etc).
Alguns dos benefícios das lentes
descartáveis incluem a pouca aderência de
depósitos, bem como a facilidade de
manutenção.
4- LEGISLAÇÃO DA CONTATOLOGIA
- SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
PÚBLICA E DA ASSISTÊNCIA SOCIAL -
- DEPARTAMENTO DE SAÚDE DO
ESTADO -
- SERVIÇO DE FISCALIZAÇÃO DO
EXERCÍCIO PROFISSIONAL -
DEPARTAMENTO NACIONAL DE SAÚDE
Portaria nº 86, de 28 de Junho de 1958
O Diretor Geral do Departamento
Nacional de Saúde resolve estabelecer em
conformidade com a legislação em vigor, as
seguintes normas, para o exercício em todo o
território nacional das profissões de :
1. Ótico-Prático e ótico-prático em lentes de
contacto.
Art. 1º - O exercício da profissão
acima enumerada em todo território nacional,
só é permitido a quem estiver devidamente
inscrito no Serviço Nacional de Fiscalização
da Medicina e Farmácia ou Serviço Nacional
de Fiscalização da Odontologia para o
Distrito Federal e, nos respectivos Serviços
Sanitários competentes, para os Estados e
Territórios.
Art. 2º - Para ser inscrito e habilitar-
se ao exercício das profissões nos termos do
Artigo anterior é necessário que o candidato
apresente o seguinte documento:
a) Diploma ou certificado de curso de
prático ou equivalente, a critério do Serviço
Nacional de Fiscalização da Odontologia ou
Serviço Nacional de Fiscalização da
Medicina e Farmácia expedidas por escola-
oficial ou reconhecida de medicina ou
farmácia, pelos Cursos do D.N.S. ou, ainda,
por escolas particulares de idoneidade
reconhecida pelo Departamento Nacional de
Saúde.
b) Prova de ter sido aprovado em
exame de capacidade realizado perante o
Serviço Nacional de Fiscalização da
Medicina e Farmácia ou Serviço Nacional da
Odontologia, na falta dos documentos
referidos no item “a”.
DO ÓTICO-PRÁTICO E DO
PRÁTICO EM LENTES DE CONTACTO
Art. 12º - Entende-se por ótico -
prático e ótico - prático em lentes de
contacto, quem for habilitado nos exames
procedidos na forma da presente portaria
para assumir a responsabilidade pelo
funcionamento dos estabelecimentos de
ótica.
Art. 13º - São obrigações do ótico-
prático e do ótico-prático em lentes de
contacto:
a) Assumir a responsabilidade de todas as
atividades de ótica do estabelecimento
comercial de ótico – prático ou de prático
em lentes de contacto;
b) Assinar e datar as receitas registradas
no livro apropriado;
c) Tratar de todos os assuntos referentes
ao estabelecimento do qual é
responsável, com a autoridade sanitária
fiscalizadora.
Art. 14º - Para a habilitação do ótico –
prático, a matéria de exame versará sobre:
1 – leis fundamentais de ótica geométrica
e formação de imagens pelas lentes;
2 – características das lentes oftálmicas,
suas variedades e identificação;
3 – sistemas centrados e sua utilização
em ótica oftálmica;
4 – teórica de interpretação e
transposição de lentes;
21.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
21
5 – trabalho de superfície, sua técnica e
realização, blocos;
6 – seleção, preparo e aplicação de lentes
bifocais e tri focais;
7 – desvios prismáticos, adaptação e
preparo de prismas;
8 – adaptação e verificação de óculos
corretores;
9 – legislações referentes ao ótico –
prático.
§ Único - Além de prescrito no § 3º
do art. 3º, a prova prática – oral para ótico –
prático e ótico - prático em lentes de
contacto, constará da resolução de
problemas de ótica e execução dos trabalhos
específicos.
Art. 15º – Para a habilitação de ótico
- prático em lentes de contacto, o assunto de
exame versará, ainda sobre:
1- variedade e indicações das lentes de
contacto;
2- ótica física e ótica fisiológica adaptadas
a lentes de contacto;
3- condições necessárias, medidas e
individuais para execução do receituário de
lentes de contacto;
4- métodos e cuidados para aplicação das
lentes de contacto, sua execução;
5- dispositivos legais que regem a
profissão de ótico – prático em lentes de
contacto.
Art. 16º – A comissão examinadora, no
Distrito Federal, será composta de 3
membros, sob a presidência do médico
oculista do Serviço Nacional de Fiscalização
da Medicina e Farmácia e completada por
um médico especialista em oftalmologia e um
ótico – prático habilitado e, nos Estados,
pelos Diretores dos respectivos serviços
sanitários e mais um médico oculista e um
ótico – prático habilitado legalmente.
Atualmente não existe nenhum tipo
de habilitação para ópticos práticos. Existem
muitos atuando em diversos estados
baseados principalmente no direito adquirido.
A formação profissional do óptico
sofreu um grande avanço com a Lei 5692/71
que instituiu a formação profissional em nível
técnico. Como regulamentação da lei 5692,
foi promulgada o parecer 45/72 do Conselho
Nacional de Educação. Este parecer instituiu
a grade curricular mínima para cada curso.
Surgiu então o Técnico em Óptica que
contava com um currículo mínimo composto
pelas disciplinas de Optometria, Surfaçagem,
Montagem, Materiais e Equipamentos,
Psicologia e Técnica de Vendas.
Pelas leis de diretrizes e bases, as
formações profissionais desvincularam-se
dos Ministérios aos quais se achavam
adstritas, para submeter-se todas, ao
Ministério da Educação.
Em 1983, o Conselho Federal de
Educação através do parecer 404/83, incluiu
no currículo do curso Técnico em Óptica a
disciplina de Contatologia A pedido do
Sindicato do Comércio Varegista de Material
Óptico de São Paulo.
A adaptação de Lentes de contato
inicialmente era exercida por ópticos práticos
em Lentes de Contato com respaldo dado
pela portaria 86/58. A partir do parecer
404/83, esta adaptação passa a ser exercida
por profissionais formados em nível técnico,
aumentando-se assim toda a
responsabilidade por um trabalho mais
qualificado.
É importante mencionar que a pós a
inclusão da contatologia no curso técnico em
óptica, houve duas ações por parte dos
médicos para anular tal decisão. A primeira
foi proposta pelo Conselho Brasileiro de
Oftalmologia através de um relatório de uma
Assembléia Geral Extraordinária, realizada
no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre
– RS, no dia 16 de novembro de 1983, onde,
entre outros assuntos, se lê, que os
representantes resolveram: “Repudiar o
Parecer 404/83 do CFE”.
A resposta para este relatório foi
dada ao Conselho de Oftalmologia pelo
Parecer 481/84 aprovado dia 05/07/84 pelo
CFE mantendo a disciplina no currículo. Na
ocasião foi claramente exposto pelo CFE que
o enriquecimento curricular por meio de uma
nova disciplina, é assunto da competência
estrita do CFE, tendo em vista o interesse de
ensino.
A segunda ação foi feita através de
uma solicitação do Deputado Ézio Ferreira e
CBO, com o mesmo objetivo de anular a
Contatologia para o Técnico em Óptica. E,
mais uma vez, o CFE manteve sua posição
respondendo à solicitação por meio do
parecer 269/89 aprovado dia 16/03/1989 pelo
Conselho Federal de Educação.
Em 2000, a ANVISA através do
parecer 1110/2000 afirmava ser a adaptação
22.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
22
de lentes de contato um ato médico. Tal
parecer foi anulado pela própria ANVISA
através do ofício 553/2001 em resposta ao
ofício 294/2001 da Confederação Nacional
do Comércio.
Em 1988 com a constituição Federal,
a Optometria e Adaptação de Lentes de
Contato passam a ter mais respaldo baseado
nos seguintes artigos:
Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
e à propriedade, nos termos seguintes:
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho,
ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei
estabelecer;
Art. 7.º São direitos dos trabalhadores
urbanos e rurais, além de outros que visem à
Melhoria de sua condição social:
XXVI - reconhecimento das convenções e
acordos coletivos de trabalho;
Art. 22. Compete privativamente à União
legislar sobre:
XVI - organização do sistema nacional de
emprego e condições para o exercício de
profissões;
Art. 170. A ordem econômica, fundada na
valorização do trabalho humano e na livre
Iniciativa, tem por fim assegurar a todos os
existência digna, conforme os ditames da
justiça social observado os seguintes
princípios:
Parágrafo único. É assegurado a todo o livre
exercício de qualquer atividade econômica,
Independentemente de autorização de
órgãos públicos, salvo nos casos previstos
em lei.
Art. 197. São de relevância pública as ações
e serviços de saúde, cabendo ao poder
público dispor, nos termos da lei, sobre sua
regulamentação, fiscalização e controle,
devendo sua execução ser feita diretamente
ou através de terceiros e, também, por
pessoa física ou jurídica de direito privado.
Art. 199. A assistência à saúde é livre à
iniciativa privada.
PAULO JOBIM FILHO
Ministro de Estado do Trabalho e Emprego
3223 : Ópticos optometristas
3223-05 - Técnico em óptica -
Contatólogo, Óptico contatólogo,
Óptico esteticista, Óptico
montador de óculos, Óptico
oftálmico, Óptico refracionista,
Óptico surfaçagista, Técnico
contatólogo
3223-10 - Técnico em optometria - Óptico,
Óptico optometrista, Óptico
protesista, Técnico optometrista
Descrição sumária
Realizam exames optométricos;
confeccionam lentes; adaptam lentes de
contato; montam óculos e aplicam
próteses oculares. Promovem educação
em saúde visual; vendem produtos e
serviços ópticos e optométricos;
gerenciam estabelecimentos.
Responsabilizam-se tecnicamente por
laboratórios ópticos, estabelecimentos
ópticos básicos ou plenos e centros de
adaptação de lentes de contato. Podem
emitir laudos e pareceres ópticos-
optométricos.
3223 : Ópticos optometristas
Condições gerais de exercício
Exercem suas funções em laboratórios
ópticos, em estabelecimentos ópticos
básicos e plenos, em centros de
adaptação de lentes de contato, podendo,
ainda, atuar no ramo de vendas e em
atividades educativas na esfera da saúde
pública. São contratados na condição de
trabalhadores assalariados, com carteira
assinada e, também, na condição de
23.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
23
Formação e experiência
O exercício dessas ocupações requer
curso técnico de nível médio, oferecido
por instituições de formação profissional.
O pleno desempenho das atividades
profissionais se dá após o período de três
a quatro anos de experiência.
3223 : Ópticos optometristas
Áreas de Atividades
A REALIZAR EXAMES OPTOMÉTRICOS
B ADAPTAR LENTES DE CONTATO
C CONFECCIONAR LENTES
D MONTAR ÓCULOS
E APLICAR PRÓTESES OCULARES
F
PROMOVER EDUCAÇÃO EM SAÚDE
VISUAL
G
VENDER PRODUTOS E SERVIÇOS
ÓPTICOS E OPTOMÉTRICOS
H GERENCIAR ESTABELECIMENTO
I COMUNICAR-SE
3223 : Ópticos optometristas
Competências pessoais
1 Zelar pela limpeza do local de trabalho
2 Demonstrar compreensão psicológica
3 Atualizar-se profissionalmente
4 Evidenciar coordenação motora fina
5
Calibrar equipamentos ópticos e
optométricos
6
Empregar equipamentos ópticos e
optométricos
7 Revelar senso estético
8 Prestar primeiros socorros oculares
9
Usar equipamento de proteção individual
(EPI)
10Trabalhar com ética
3223 : Ópticos optometristas
Recursos de trabalho
* Queratômetro
Máquinas surfaçadoras
Lâmpada de Burton
Filtros e feltro
* Lâmpada de fenda (biomicroscópio)
Produtos para assepsia
Abrasivos
* Retinoscópio
* Lensômetro
* Refrator
* Oftalmoscópio (direto-indireto)
Pupilômetro
* Topógrafo
* Caixas de prova e armação para
auxílios ópticos
Calibradores
Alicates, chaves de fenda
Máquinas para montagem
Tabela de projetor de optótipos
Torno
Tonômetro
Corantes e fluoresceína
Solventes
Polidores e lixas
Foróptero
Espessímetro
Moldes e modelos
Títmus
Resinas
5- ÉTICA DO CONTÁTOLOGO
O contatólogo é um profissional da
área de saúde que requer a titulação de
técnico ou universitário. Sua atividade
profissional inclui utilizar toda a sua
capacidade profissional, com amor,
consideração, responsabilidade e boa fé,
tendo como meta à prevenção, promoção,
assistência, reabilitação e readaptação das
alterações oculares e visuais que competem
ao seu exercício profissional.
O cliente deverá ser informado de
suas responsabilidades, dos riscos,
incertezas e outras circunstâncias que
podem comprometer o bom resultado do
trabalho.
A atitude do contatólogo ante ao
cliente deverá ser sempre de apoio, evitará
24.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
24
todo o comentário que desperte injustificada
preocupação e não fará prognóstico de
alterações visuais e doenças oculares sem
as suficientes bases científicas.
O profissional manterá decoro e
responsabilidade no exercício profissional,
adotando equipamento necessário segundo
as leis vigentes. Manterá segredo profissional
em tudo o que, pela razão do exercício de
sua profissão, tenha visto, escutado e
entendido, salvo nos casos eximidos e por
disposições legais.
O contatólogo deve abster-se de
proceder em seus clientes, técnicas clinicas,
formulações e tratamentos de caráter
experimental, sem uma rigorosa justificativa
científica, sem informar e sem a devida
autorização do mesmo.
Aos colegas de profissão, o
contatólogo deve respeito, consideração,
lealdade, solidariedade e apreço. Deve evitar
qualquer alusão pessoal ofensiva, ou aquelas
que possam ser interpretadas como tal.
Abster-se-á sempre de julgar ou criticar
desfavoravelmente a atuação profissional ou
privada de seus colegas, salvo quando atue
como perito ou julgador da conduta
profissional de um deles.
O atendimento a clientes enviados
por colegas deverá ser realizado, e o mesmo
encaminhado de volta com as devidas
informações (exames praticados,
diagnósticos obtidos).
O contatólogo deve abster-se de
realizar praticas de competição desleal.
6 - CARACTERÍSTICAS IDEAIS DE UM
MATERIAL PARA LENTES DE CONTATO
1- Proporcionar oxigênio suficiente para o
metabolismo corneano.
2- Ser fisiologicamente inerte.
3- Ter um bom grau de umectação.
4- Ser resistente tanto a deteriorização
como a formação de depósitos.
5- Deve manter suas dimensões estáveis.
6- Ser resistente a manipulação do
paciente.
7- Ser transparente.
8- Ser opticamente regular: de
características ópticas previsíveis.
9- Ter propriedades físicas que permitam
superfícies de alta qualidade
10- Requerer uma manutenção mínima por
parte do usuário.
11- Ser de fácil fabricação.
6.1- REQUISITOS DE
BIOCOMPATIBILIDADE PARA OS
MATERIAIS DE LENTES DE CONTATO
1- Ser inertes: não deve haver reação com
lentes de contato. Eles não devem fazer
com que outros materiais reajam com
eles, seja os tecidos oculares, as
lágrimas ou os produtos de manutenção
da lente com os quais estão em contato.
2- Não devem fazer parte de nenhuma
reação enzimática, atividade ou reações
de catálise entre eles e /ou outros
substratos químicos.
3- Não conter nenhum... Especialmente
hidrogéis, já que o movimento da água
através do polímero é potencialmente um
veículo para transferir material
indesejável de dentro da lente para o
olho.
4- Não ser absorvente seletivo de
metabólitos, toxinas, micro-organismos e
outras substâncias presentes no meio
ambiente.
5- Não mostrar excessiva eletroforese, o
que pode resultar em uma absorção
seletiva, de separação de entidades
químicas ou bioquímicas ou biológicas
do meio ambiente.
6- Exibir baixa fricção in si tu. O material
deve ter um bom acabamento de
superfície, que, umectada, exibirá baixa
fricção. Isto permitirá um movimento
suave da lente no olho e que tornará
seguro o movimento de esfregar
digitalmente à lente quando se faz a
limpeza.
7- Ser eletricamente compatível O material
da lente não deve atrapalhar as
propriedades elétricas da superfície
corneana.
8- Não induzir respostas inflamatórias ou
imunológicas no olho, independente do
horário de uso.
7 - PROPRIEDADES DOS MATERIAIS DAS
LENTES DE CONTATO
7.1- TRANSPARÊNCIA
Embora quimicamente e na hidratação
nenhuma lente seja totalmente transparente,
se obtém nas lentes de contato uma
transparência de 92 a 98 %. Define-se
25.
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25
transparência como a percentagem de luz
incidente de uma onda luminosa que passa
através de um material.
7.2- DUREZA
Afeta a durabilidade da lente, da
rigidez e faz com que não se flexione.
7.3- FORÇA DE TENSÃO
Força de deformação antes que o
material se rompa.Ou seja: é a percentagem
de distensão do material. Quanto maior a
força de tensão mais durável é a lente. É o
que evita que a lente se rompa durante a
limpeza.
7.4- MÓDULO DE ELASTICIDADE
É um valor constante. É a habilidade
do material de manter sua forma quando é
submetido a estresse.U m material com baixo
módulo de elasticidade terá menor
resistência ao estresse. Um material com alto
módulo de elasticidade mantém sua forma,
assim não adquire a topografia corneana,
sobretudo nos altos astigmatismos.
7.5- DENSIDADE
Peso de 1 centímetro cúbico do
material (gramas).
7.6- ÍNDICE DE REFRAÇÃO
A velocidade da luz no ar (1) e a da
luz no material (n) em lentes de contato
hidrofílicas está relacionada com o conteúdo
aquoso.
7.7- UMECTABILIDADE
FIGURA 7. A
Quanto menor o ângulo de
umectação, maior a umectabilidade: a
película (neste caso a lágrima) será mais
estável, a acuidade visual será melhor,
haverá mais conforto e maior resistência aos
depósitos. A umectabilidade está relacionada
com o Ângulo de umectação (ângulo de
contato) formado por uma gota de água,
solução salina ou lágrima na superfície da
matéria.
8 - PROPRIEDADES DAS LENTES DE
CONTATO
8.1- CONTEÚDO AQUOSO
As lentes de contato hidrofílicas ou
rígidas absorvem água. Quando um material
absorve água intumesce e isso deve ser
levado em conta no processo de fabricação.
Menor que 4 % de água por peso:
material Hidrofóbico
Maior que 4 % de água por peso:
material Hidrofílico, que permite aumento do
aporte de oxigênio, mas o torna frágil e com
maior aderência a depósitos.
8.2- CARGA IÔNICA
A carga iônica é inerente às lentes de
contato hidrofílicas. Os que têm carga
elétrica
(geralmente negativa) se denominam
IÔNICOS.A lente é mais reativa,
especialmente com soluções ácidas.
Também reagem às cargas positivas das
moléculas das proteínas das lágrimas.
As lentes de materiais NÃO IÔNICAS
têm maior resistência aos depósitos, são
mais inertes e menos reativas.
8.3- TRANSMISSÃO DE OXIGÊNIO
Quando os olhos estão abertos,
recebem oxigênio da atmosfera. Quando os
olhos estão fechados (durante o sono) o
oxigênio se difunde através dos vasos
sanguíneos do limbo e da conjuntiva
palpebral.
Quando se coloca uma lente de
contato a quantidade de lágrima diminui em
um terço.
Logo o oxigênio que chega provem
de duas vias:
1: Dissolvido nas lágrimas, quando a lente
de contato se move.
2: Através da lente, por difusão.
A bomba lacrimal renova de 14 a 20 %
do volume lacrimal a cada piscar, as lentes
de contato hidrofílicas apenas de 1 a 5 % . A
lágrima não somente traz oxigênio e remove
dióxido de carbono, Ácido lático e células
epiteliais.Por esta razão a seleção do
material é de vital importância para a
manutenção da integridade corneana.
26.
Curso de Contatologia
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26
ATMOSFERA
A atmosfera é uma camada que rodeia a
terra. Sua composição é de 21 % de oxigênio
e 78 % de nitrogênio. O restante é vapor de
água e dióxido de carbono.
PRESSÃO
A atmosfera exerce pressão sobre a
terra. Esta pressão é medida com o
barômetro. É a chamada Pressão
Barométrica que é expressa em milímetros
de mercúrio (mmHg). A atmosfera exerce
760 mmHg ao nível do mar.
PRESSÃO PARCIAL
Como a composição da atmosfera é
de 21 % de oxigênio, chama-se Pressão
Parcial de Oxigênio, que é de 160 mmHg.
TENSÃO DE OXIGÊNIO
Quando a Pressão Parcial de
Oxigênio é dissolvida em um líquido (por
exemplo, à lágrima) chama-se Tensão de
Oxigênio .Com olhos abertos, a tensão é de
155 mmHg.
UMIDADE
Quando o ar está completamente
saturado de vapor de água dizemos que há
100 % de umidade. Se a umidade é menor e
não há vapor de água no ar, pode haver
irritação ocular.
8.3.1- MEDIDA DA TRANSMISSIBILIDADE
DE OXIGÊNIO
- PERMEABILIDADE
Grau em que uma substância é
capaz de atravessar a membrana de um
material. É uma função intrínseca à
composição molecular do material.
- DIFUSÃO
Processo pelo qual uma molécula
passa através de um material. A direção do
movimento vai da área de maior
concentração para a área de menor
concentração.
A permeabilidade é afetada por
fatores extrínsecos como a temperatura e a
pressão. A permeabilidade é expressa pelo
Coeficiente de Permeabilidade: DK.
A molécula deve dissolver-se dentro do
material e logo se difunde.
FIGURA 8: COEFICIENTE DE DIFUSÃO
DK D = COEFICIENTE DE DIFUSÃO DO
MATERIAL (VELOCIDADE NA QUAL A
MOLÉCULA SE DIFUNDE).
K = COEFICIENTE DE SOLUBILIDADE
(QUANTO GÁS PODE SER DISSOLVIDO
EM UMA UNIDADE DE VOLUME).
Exemplo:
DK = 8.9∗10-11 (cm
2
/seg) (ml0
2
/mL∗mmHg)
@ 25 C
Geralmente as fábricas simplificam
esta informação para o profissional e
apresentam o DK como um número inteiro.
Devemos considerar também a
temperatura, pois quanto maior a
temperatura, maior o DK. Se aumentarmos a
temperatura haverá mais energia e as
moléculas se difundirão mais rapidamente.
O professor Irving Fatt mediu o
Coeficiente de permeabilidade por meio de
um Eletrodo Polarográfico: o oxigênio passa
través de um material e se mede a corrente
elétrica que é proporcional à quantidade de
oxigênio que passa.
O DK é inerente ao material e não à
espessura. Assim o DK é uma constante
para a matéria. Podem existir ligeiras
variações por impurezas no material.
8.3.2- TRANSMISSIBILIDADE DE
OXIGÊNIO
É a difusão do oxigênio através do
material de uma lente com espessura
conhecida, ou seja, representa a quantidade
de oxigênio que atravessa a lente por
unidade de tempo em determinada pressão
atmosférica. É expresso como Dk/L.
À medida que aumenta a espessura
da lente, diminui a transmissibilidade de
27.
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27
oxigênio. Dessa forma, quanto maior a
espessura menor a transmissibilidade,
conforme o gráfico.
MENOR ESPESSURA: MAIS O2
MAIOR ESPESSURA: MENOS 02
FIGURA 9. TRANSMISSIBILIDADE.
8.3.3- PERCENTUAL EQUIVALENTE DE
OXIGÊNIO (PEO)
Tanto a permeabilidade como a
transmissibilidade, são condições de
laboratório. O PEO é in vivo.A taxa de
oxigênio pode ser medida colocando um
sensor e uma membrana com oxigênio sobre
a córnea.
O sensor cria uma corrente elétrica
quando o oxigênio é consumido. A
quantidade máxima de oxigênio é de 21%
(155 mmHg) em nível do mar , que deveria
manter-se . Se uma lente tem um POE de 21
% , adquire 100 % de oxigênio da atmosfera
(155 mmHg). O POE não é uma constante
física, é uma condição fisiológica
relacionada com o DK e com o desenho
da lente.
CAPITULO II
8.3.4- NÍVEIS CRÍTICOS PARA USÁRIOS
DE LENTES DE CONTATO
O POE em olhos fechados é cerca
de 6 a 7 % (155mmHg) em média, sem
lentes de contato.
Durante o sono, a córnea entra em
edema leve e aumenta a sua espessura, mas
com o despertar logo sai deste estado,
voltando a sua espessura normal. Quando o
edema, com olhos abertos, passa de 5 %,
começam às alterações nas camadas
posteriores da córnea. Se esse percentual
chega a 20 %, ocorrem danos patológicos
às células endoteliais.
9 - MATERIAIS PARA LENTES DE
CONTATO
As lentes de contato são feitas de polímeros.
A palavra polímero basicamente significa
“muitas partes“. As partes individuais são os
monômeros. Estas pequenas unidades
químicas estão unidas em uma cadeia
contínua de alto peso molecular.
Todos os polímeros podem ser
rígidos ou flexíveis dependendo da
temperatura ambiente. A transição de duro a
flexível ocorre quando as cadeias de
polímero absorvem energia suficiente para
desenvolver uma rotação.
Os polímeros que são rígidos a
temperatura ambiente podem tornar-se
flexíveis graças à incorporação de
“plastificadores“ químicos, que permitem às
cadeias de polímeros deslizar livremente
umas sobre as outras.
As lentes de contato hidrofílicas são
feitas de hidrogel . Os polímeros de hidrogel
absorvem água que atua como plastificador.
Para absorver água, o monômero deve ter
grupos hidroxilicos livres (OH), que atraem
água, ou seja, são hidrofílicos.
9.1- POLIMERIZAÇÃO
É o processo para enlaçar
monômeros por meio de um catalisador. O
catalisador tem uniões químicas muito
débeis, que ao se romper formam radicais.
Um radical livre adere a um átomo de
carbono e começa uma cadeia que se repete
muitas vezes.
Se um só tipo de monômero é usado,
o resultado é um polímero chamado
homopolímero. Um exemplo de
homopolímero é o PMMA, onde o único
monômero é o MMA (metilmetacrilato).
Se mais de um monômero é usado, o
resultado é um copolímero, o que quer dizer
que há duas ou mais unidades que se
repetem. Das qualidades, vantagens e
desvantagens dos monômeros depende o
material final, ou seja, o polímero.
9.2- CARACTERÍSTICAS DAS LENTES
RÍGIDAS SEGUNDO O SEU MATERIAL
28.
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28
A tabela anexa indica as vantagens e
desvantagens de cada polímero.
Basicamente existem seis materiais
para a elaboração de lentes de contato
rígidos:
LENTES RÍGIDAS VANTAGENS DESVANTAGENS
PMMA Fácil de trabalhar e polir. Quase zero de permeabilidade ao oxigênio.
Bastante umectável quando está limpo. Produz turvamento visual com os óculos.
Fácil manutenção Em longo prazo causa Polimegatismo e
“Síndrome de Exaustão Corneana”.
Rígido
0.2 a 0.5 % de água quando está totalmente
hidratado.
Fácil de modificar.
LENTES GÁS
PERMEÁVEIS
ACETIL BUTIRATO DE
CELULOSE : CAB.
Foi o primeiro material permeável , aparecido
em 1977.Sua permeabilidade ao O2 era um
avanço. Hoje é quase nulo se comparado a
outros materiais
Flexiona facilmente .
Falta de estabilidade dimensional .
Baixa umectabilidade e pouca resistência a
depósitos .
Pouco durável .
LENTES GÁS
PERMEÁVEIS VANTAGENS DESVANTAGENS
T-BUTIL_ESTIRENO Maior permeabilidade que o CAB, o que
contribui para diminuir a aderência de depósitos
a sua superfície
Baixa umectação .
Baixa permeabilidade .
Baixa durabilidade .
É utilizado em lentes híbridas como a Softperm
ACRILATO DE
SILOXANO ou ACRILATO
DE SILICONE (AS)
VANTAGENS DESVANTAGENS
Foram os materiais mais usados devido a seus
valores de DK e graças à combinação de seus
componentes (silicone, óxido metacrílico e
acrilato).
A carga e a química de sua superfície fazem
com que seja mais propenso a atrair
depósitos
Racham com maior facilidade.
Quebradiços. Rompem com mais facilidade.
Com alguns produtos de assepsia se
produzem rachaduras pela liberação de
tensões internas induzidas que provocam
falhas na superfície e matriz (cracking)
Baixa rigidez, o que permite problemas de
flexão.
Parâmetros físicos afetados pela idade da
lente, o ambiente, os produtos de assepsia e
a tensão dos estojos.
FLUOROACRILATO DE
SILICONE (FAS) VANTAGENS DESVANTAGENS
Como solução aos problemas de depósitos e
deteriorização por rompimento ou rachadura nas
lentes de Acrilato de Silicone o Flúor foi
incorporado a estes polímeros.O Flúor evita em
boa parte os depósitos de proteína e gordura
que com tanta facilidade se acumulavam nas
lentes de Acrilato de Silicone.
O resultado foi favorável embora com este
material não tenha sido possível reduzir o
problema da resistência à flexão e
estabilidade dimensional. Contudo, ao
diminuir a aderência de depósitos este
material trouxe mais conforto para os
usuários.
FLUOCARBONADOS (F)
VANTAGENS DESVANTAGENS
Tem grande permeabilidade, maior que 100. Pouca ou nenhuma resistência à flexão.
Má estabilidade dimensional.
Impossibilidade de modificações (retoques)
Custo elevado da matéria prima.
29.
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29
9.3- CARACTERÍSTICAS DAS LENTES
HIDROFÍLICAS SEGUNDO O SEU
MATERIAL
As lentes de contato hidrofílicas
foram classificadas segundo o seu conteúdo
aquoso e sua ionicidade em:
GRUPO
I
Baixo conteúdo
aquoso 50 %
de conteúdo
aquoso
NÃO IÔNICOS
GRUPO
II
Alto conteúdo
aquoso 50 %
de conteúdo
aquoso
NÃO IÔNICOS
GRUPO
III
Baixo conteúdo
aquoso 50 %
de conteúdo
aquoso
IÔNICOS
GRUPO
IV
Alto conteúdo
aquoso 50 %
de conteúdo
aquoso
IÔNICOS
*As características de Ionicidade e Conteúdo
aquoso darão as vantagens e desvantagens
da lente.
9.3.1- LENTES DE CONTATO
HIDROFÍLICAS DE ALTO CONTEÚDO
AQUOSO
- VANTAGENS:
•
•
•
• Alto DK: maior permeabilidade, logo
maior aporte de oxigênio para a córnea.
•
•
•
• Maior flexibilidade.
•
•
•
• Fácil restauração da forma da lente após
sua deformação.
- DESVANTAGENS:
•
•
•
• Fragilidade: ao aumentar o conteúdo
aquoso, eles ficam fisicamente menos
resistentes.Por esta razão quebras e
rasgo são freqüentes. O adaptador deve
ter certa cautela em casos de miopia
baixa ou paciente com pouca destreza
manual.
•
•
•
• As lentes de alto conteúdo aquoso
tendem a se desidratar mais
rapidamente em ambientes com vento ou
baixa umidade.
•
•
•
• Para lentes com poderes dióptricos
acima de + /- 4,00 (mais grossas) um
conteúdo aquoso baixo ( 40 %) não
deve ser utilizado devido à reduzida
transmissão de oxigênio. Nestes casos,
um conteúdo médio de água (40 – 60 %)
ou alto ( 60 %) é sempre necessário
para melhorar a transmissão de oxigênio
através da lente mais espessa.
•
•
•
• As lentes de alto conteúdo aquoso têm
maior predisposição para a formação de
depósitos, devido ao maior tamanho de
seus poros.Freqüentemente este dado
combinado com sua química iônica
aumenta a entrada de material estranho,
inclusive às proteínas da lágrima.
•
•
•
• Maior suscetibilidade ao meio ambiente
especialmente a mudanças de pH.
•
•
•
• Baixo índice de refração.
•
•
•
• Menor estabilidade nos parâmetros, logo
sua reprodutibilidade é baixa.
•
•
•
• Não se recomenda desinfecção térmica.
•
•
•
• Não podem ser fabricadas com uma
espessura muito baixa.
10 - FABRICAÇÃO DE LENTES DE
CONTATO
As lentes de contato podem ser fabricadas
por meio de três técnicas:
- Moldagem
- Torneamento
- Centrifugação
10.1- MOLDAGEM
O primeiro passo na moldagem é
fazer o molde com que à lente será feita.
Cada desenho de lente (curva base, poder
dióptrico, diâmetro, etc) requer um molde
diferente.
O polímero líquido é colocado dentro
da metade côncava do molde plástico.A parte
convexa do molde é então anexada e o
material é polimerizado com luz ultravioleta.
Após a remoção do molde a lente se hidrata.
1) Polimetil metacrilato (PMMA)
2) Acetil Butirato de Celulose
(CAB)
3) Acrilato de Silicone (AS)
4) Fluoroacrilato de Silicone
(FAZ)
5) Fluorocarbonados (F)
6) T-Butil Estireno
30.
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30
1.MONÔMERO LÍQUIDO
2: MOLDE CONVEXO JUSTAPOSTO
3: LENTE FINAL REMOVIDA EM MOLDE
CÔNCAVO POLIMERIZAÇÃO COM UV
DO MOLDE.
FIGURA : MOLDAGEM
10.1.1- Vantagens da moldagem como uma
técnica de fabricação de lentes:
Baixo custo por lente: facilidade para
manter um estoque que possa satisfazer
uma rápida demanda, ou seja, pode
haver um volume alto de reprodução.
Rapidez na fabricação, pela simplicidade
de produção.
Boa reprodutibilidade.
Produção de desenhos complexos sem
variação de custos.
10.2- TORNEAMENTO
O Torneamento é usado para
manufaturar PMMA (Rígidos) RGP (Rígidos
Gás Permeáveis) e muitas lentes de contato
hidrofílicas.
Parte-se de um polímero sólido em
forma de botão. Tornos computadorizados
fazem com diamante a curva base e as
curvas periféricas segundo os parâmetros
desejados.
A lente é descolada do torno, polida,
recebe acabamento de bordas. Até este
momento está finalizada a fabricação das
lentes PMMA e RGP, excetuando
obviamente o controle de qualidade.
Na fabricação de lentes hidrofílicas
ainda ocorrem os seguintes passos:
- Hidratação: Nesta etapa a lente se
transforma de material rígido em material
hidrofílico. Durante a hidratação, a lente
aumenta a sua espessura ao absorver água.
Por esta razão deve-se ter cuidado no teor
de hidratação necessário, para preservar as
características desejadas da lente.
- Extração: Nesta fase faz-se a extração de
todos os materiais ou químicas não
polimerizadas que possam estar presentes
na lente.
- Tingimento: Se a lente possui uma
tonalidade para facilitar a manipulação, o
tingimento acontece nesta fase.
- Controle de qualidade: Requer um controle
estrito do ambiente, especialmente da
umidade para evitar a expansão parcial do
material durante o processo de fabricação. É
preciso fazer uma limpeza imediatamente
após o polimento final para eliminar os
componentes do polimento e outros
contaminantes da superfície, inclusive
materiais utilizados para colar o botão.
Como em todas as lentes RGP, o
uso de solventes incorretos ou sua má
aplicação pode afetar as propriedades da
superfície da lente, reduzindo a qualidade
óptica e alterando a sua umectabilidade.
Numerosos passos se sucedem para
verificar que a lente tenha as propriedades e
características necessárias antes de sua
distribuição.
- Esterilização: Depois do controle de
qualidade as lentes são esterilizadas. Séries
de lentes são colocadas em uma autoclave,
que alcança uma temperatura de 121 a 124
graus Celsius por no mínimo 20 minutos.
Este passo inativa quaisquer
microorganismos e esporos que possam
estar presentes e assegura a estabilidade da
lente ao ser guardada em seu respectivo
blister .O produto pode ser armazenado por
períodos de 3 a 5 anos, com a segurança
necessária.
Estes mesmos passos são realizados
para a moldagem e a centrifugação em
lentes de contato hidrofílicas.
Vantagens do torneamento como técnica
de fabricação de lentes:
- Tecnologia simples porque a maioria das
técnicas especializadas exigidas já foram
desenvolvidas em outras indústrias.
- Poucas limitações sobre os parâmetros que
podem ser torneados, especialmente com
máquinas modernas controladas por
computador.
- Adequado para a maioria dos materiais
- Relativamente econômico ao iniciar sua
produção.
- Equipamento mínimo.
UV
31.
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31
10.3- CENTRIFUGAÇÃO (SPIN CASTING)
CENTRIFUGADO (SPIN CASTING)
FIGURA : Centrifugação
Foi o primeiro método empregado na
manufatura de lentes de contato hidrofílicas.
Criado por Otto Wichterle em 1951 e mais
tarde foi aperfeiçoado pela Bausch Lomb, o
processo hoje é amplamente usado na
fabricação de lentes hidrofílicas.
O polímero sob forma líquida é
injetado num molde giratório A (forma), o
poder dióptrico e as características da lente
são devidas às combinações de temperatura,
gravidade, força centrífuga, tensão
superficial, quantidade de líquido no molde e
velocidade de giro do molde.
A superfície frontal da lente é
determinada pela curvatura do molde. A
parte interna (curva base), pelos fatores
mencionados acima e devido à ação destas
forças, é asférica.
O material é então tratado com calor e/
ou luz ultravioleta para ser o polímero ser
solidificado. Depois o material segue os
mesmos passos já citados anteriormente em
lentes torneadas.
O método de centrifugação é barato,
as lentes têm alta reprodutibilidade e são
muito finas, com bordas confortáveis.
11 - FATORES A SEREM CONSIDERADOS
NA SELEÇÃO DE UM PACIENTE PARA A
ADAPTAÇÃO DE LENTES DE CONTATO
•
•
•
• Anatômicos e Fisiológicos: O exame
da estrutura, forma e transparência do
segmento anterior podem revelar que o
olho “é normal“. As diferentes medições
do olho indicarão o tipo e desenho das
lentes de contato de teste.
•
•
•
• Psicológicos: A motivação, inteligência
e personalidade influirão no êxito do uso
de LC. Deve-se explicar as vantagens do
uso das LC para dissipar qualquer
dúvida.
•
•
•
• Patológicos: Através do exame do olho
pode-se obter indicações ou contra-
indicações para o uso de LC.Devemos
levar em conta: saúde geral, saúde
ocular, medicamentos, história ocular
incluindo correções, saúde ocupacional,
recreação e fatores ambientais.
•
•
•
• Necessidades pessoais e
Ocupacionais: Considerações sobre a
idade, cosméticas, ocupacionais, lazer,
ambientais e outros fatores ajudarão a
escolher o tipo de desenho das LC que
serão prescritas.
•
•
•
• Refrativas: Dados refrativos prévios e
atuais devem ser levados em conta,
especialmente quando consideramos
funções binoculares. Este histórico é um
bom recurso de informação.
12 - PROVAS E MEDIDAS QUE DEVEM
SER INCLUÍDAS NO EXAME
PRELIMINAR PARA LENTES DE
CONTATO
Exame do segmento anterior do olho
com lâmpada de fenda (exame externo,
pálpebras, película lacrimal, córnea,
conjuntiva, etc)
Ceratometria
Medida do diâmetro pupilar e corneano.
Avaliação das características das
pálpebras (Posições com respeito à
córnea se são tensos ou flácidos).
Avaliação da lágrima (BUT, Schirmer).
Refração e cálculos de refração ocular
(Refração ao plano da córnea: Distância
ao Vértice).
12.1- EXAME DO SEGMENTO ANTERIOR
DO OLHO
Devemos realizar um exame cuidadoso
com a lâmpada de fenda no segmento
anterior do olho para:
Determinar se o paciente é apto para LC
(determinar a melhor lente para o
32.
Curso de Contatologia
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32
paciente, reconhecer os problemas
potenciais do paciente).
Prover bases para os achados (devemos
ter dados documentados para
referências. Estes dados vão indicar
futuras mudanças no olho devido ao uso
de LC, etc.).
Prevenir problemas (precocemente, para
evitar complicações, mudanças no
horário de uso, alterações na rotina de
manutenção, etc).
Diagnóstico de problemas (detectar
problemas desconhecidos, confirmar os
que o paciente relata, etc).
12.2 - MEDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA
ADAPTAR LENTES DE CONTATO
12.2.1- RAIO DE CURVATURA CORNEANA
O conhecimento da topografia
corneana é essencial para selecionar a
curva-base da lente de prova.
Geralmente se mede a curvatura da
córnea com o ceratômetro. Uma análise mais
sofisticada pode ser realizada usando o foto-
vídeo, baseados na ceratoscopia (Topografia
corneana).
12.2.2- DIÂMETRO CORNEANO
É útil como guia para a seleção do
diâmetro total da lente.
Figura- Medida de DHVI
Como a periferia corneana é difícil de
ser visualizada, o diâmetro horizontal visível
da íris é usado como guia para o diâmetro
corneano.
O DHVI pode ser medido usando
uma régua milimetrada manual ou utilizando
o retículo graduado da lâmpada de fenda.
12.2.3- CARACTERÍSTICAS DA PÁLPEBRA
A posição da pálpebra superior e
inferior é importante para determinar o
diâmetro total da lente. Sua posição deverá
ser avaliada enquanto o paciente olha em
posição primária. Na posição típica das
pálpebras, a inferior está em oposição ao
limbo na posição das 6 horas da íris visível e
a margem da pálpebra superior cruza a íris
visível as 10 e 2 horas.
As posições onde as margens das
pálpebras cruzam o limbo superior e inferior
devem ser registradas em um diagrama da
História clínica.
A abertura interpalpebral pode ser
medida com a régua milimetrada. Este valor
é usado para determinar o diâmetro total
ideal para o paciente. Quando a abertura
palpebral é significativamente menor que a
média, o diâmetro total da lente deverá
também ser reduzido. Esta indicação é
somente um guia já que devemos levar em
conta outros parâmetros.
O tônus da pálpebra superior pode
ser avaliado quando a evertemos para
exame. Este dado pode receber as
graduações de: flácido, médio ou tenso. Se
as pálpebras são soltas ou flácidas, devemos
selecionar um diâmetro maior, para
proporcionar um posicionamento ideal.
Quando as pálpebras são tensas, o
diâmetro total da lente muitas vezes deve ser
reduzido. Uma redução de diâmetro também
pode ser necessária se as características da
adaptação dinâmica forem insatisfatórias.
12.2.4- DIÂMETRO PUPILAR
O diâmetro pupilar deve ser medido
em condições de iluminação brilhante,
normal e tênue. O diâmetro da pupila dilatada
é importante para a seleção de um DZOP
33.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
33
apropriado (Diâmetro da Zona Óptica
Posterior). Quando a zona óptica é muito
pequena pode acarretar um significativo
desconforto visual.
12.2.5- REFRAÇÃO
É importante obter uma refração
precisa quando se adapta LC RGP. A relação
entre refração, topografia corneana e AV
indicará o tipo de lente que melhor se
adaptará no paciente. Tipicamente as lentes
de poder positivo deverão ser até 0,5 mm
maiores que a média para ajudar a manter
uma boa centralização.
12.2.6- AVALIAÇÃO DA PELÍCULA
LACRIMAL
TESTE DE SCHIRMER
BUT (TEMPO DE QUEBRA DO FILME
LACRIMAL)
FIO VERMELHO DE FENOL
ROSA BENGALA
AVALIAÇÃO DA CAMADA LIPÍDICA
A- TESTE DE SCHIRMER
O teste é realizado com tiras estéreis
padronizadas para o uso diagnóstico,
constituídas de papel de filtro Whatman no.
41 cortadas em tiras de 5 mm x 35 mm.
Sua ponta distal é arredondada e
apresenta a cerca de 0,5 cm de distância da
mesma um entalhe lateral. É a partir deste
entalhe que inicia uma escala milimétrica que
vai de 0 a 35 mm.
As tiras para o teste de Schirmer são de uso
único.
O conteúdo é estéril se a embalagem
permanecer fechada e não for danificada.
- SCHIRMER I (AVALIAÇÃO DO
LACRIMEJAMENTO REFLEXO E BASAL)
O paciente deverá ser informado de
que o Teste de Schirmer é um teste indolor,
embora levemente irritante ao olho e que
será realizado para medir a quantidade de
lágrima produzida para lubrificar os olhos. O
paciente deve estar sentado numa cadeira de
exame, em sala com iluminação indireta e
com a cabeça apoiada no encosto da
cadeira.
O teste padrão de Schirmer I deverá
ser realizado antes da instilação tópica de
medicamentos ou manipulação da pálpebra.
Um excesso de umidade na margem
pálpebra deverá ser seco com um cotonete
estéril. Anestésico tópico não deve ser usado
para realizar o Teste de Schirmer I.
Cuidar para que a tira seja dobrada,
inserida no fórnix conjuntival inferior,
posicionada a um terço de distância do
cantus lateral e para que não toque a córnea.
Casa haja toque poderá ocorrer um aumento
do lacrimejamento reflexo e dor.
Dobrar a ponta distal da tira teste no
corte (aproximadamente 120 º) antes de abrir
o envelope estéril. Cortar o envelope pelo
final para evitar contaminação das tiras.
Técnicas do teste:
- Pedir para o paciente olhar para um ponto
distante acima da linha do horizonte e puxar
a pálpebra inferior para baixo.
- Com a tira já dobrada, inserir no fórnice
conjuntival inferior, posicionando-a a um
terço de distância do cantus lateral.
- Não tocar a córnea, pois poderá ocorrer um
aumento do lacrimejamento reflexo e dor.
- Certificar-se novamente de que a margem
da pálpebra foi seca com um cotonete.
Anotar o tempo e manter a iluminação
indireta da sala para um conforto maior.
- Não estimular o paciente a contrair a
pálpebra. Após 5 minutos retirar as tiras.
Meça usando a escala milimetrada.
- Várias medidas deverão ser feitas durante
as próximas consultas e deverá ser feita uma
média para avaliar a precisão do teste.
TESTE DE SCHIRMER II
A versão deste teste foi desenvolvida
por Lester Jones, MD, numa tentativa de
avaliar o lacrimejamento reflexo. A tira é
inserida da mesma maneira. A mucosa nasal
é então irritada cuidadosamente com a ponta
de um cotonete para provocar o reflexo do
lacrimejamento. Se após 5 minutos a tira
mostrar menos que 10 mm de umidade, o
34.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
34
paciente é considerado incapaz de produzir
reflexo lacrimal.
Se mostrar mais de 10 mm de
umidade, o paciente demonstra reflexo
adequado de lacrimejamento com um
estímulo adequado de irritação. A secreção
básica descrita pode ser determinada
anestesiando o olho e secando o fórnice
conjuntival inferior antes da inserção da tira
de Schirmer.
Ao fazer um diagnóstico de Olho
Seco ou de aprovar o uso de LC é prudente
considerar os resultados da tira de Schirmer
e outros parâmetros como, por exemplo
:Exame Clínico e Histórico, Coloração Rosa
Bengala , medidas da Concentração de
Lactoferrina .
Avaliação dos resultados do teste
Schirmer I
Uma medida maior de 10 mm
(comprimento da área úmida) em cada olho é
considerada um padrão normal para
produção de lágrima. Acima de 40 anos
valores normais podem variar entre 10 e 15
mm. Se realizado cuidadosamente, o teste é
muito útil para revelar um decréscimo da
produção de lágrima que pode ser a causa
de muitas reclamações oculares, como, por
exemplo: secura, sensação de corpo
estranho, ardor ou mesmo de grãos de
areia nos olhos.
O teste deve ser realizado quando
existem as reclamações acima citadas e
antes das cirurgias de transplante de córnea
ou de catarata. O paciente que apresenta
lacrimejamento pode ter uma disfunção
lacrimal.
Se a porção úmida da tira não puder
ser facilmente visualizada, segurar a tira
contra a luz.
Usar a tira com a angulação da ponta distal
correta para cada olho diminui
significativamente a margem de erro.
Valores não considerados normais
Pacientes com olho seco podem ter
tanto valores baixos, isto é, menores que 5
mm / 5 minutos ou valores altos, o que
mostra uma condição ”Pseudo-epífora”.
Epífora pode ser um sintoma de olho seco.
Ao umedecer a tira inteira, e,
sobretudo se esse valor for excessivamente
diferente da do olho conta-lateral, deverá se
fazer outra investigação, outros testes para
Olho Seco, para verificar o fluxo de lágrima.
Ex: Teste de Corante Jones.
B- BREAK UP TIME (TEMPO DE
ROMPIMENTO DA PELÍCULA LACRIMAL)
BUT
Para realizar esta prova utilizamos
Fluoresceína . A Fluoresceína, conhecida
como Uranin, foi usada pela primeira vez por
Pfluger em 1882 e Starub em 1888 para
detectar defeitos epiteliais (Person 1984).
Quando se instila fluoresceína, ela penetra
nas camadas profundas do Epitélio que
tenham alguma abrasão ou defeito e também
no espaço sub-epitelial ou o Estroma
anterior.
Geralmente qualquer rompimento da
membrana celular resulta em difusão de
fluoresceína dentro da célula.
Contrariamente a estudos anteriores,
trabalhos recentes indicam que a
Fluoresceína pode penetrar células intactas
(Wilson e al. 19950).
Alguns materiais de lentes de contato
possuem filtro UV, o que pode afetar os
padrões de fluorescência observados.
O BUT é um exame para medir a
estabilidade da película lacrimal, isto é, o
tempo, em segundos até aparecer o primeiro
rompimento (uma mancha escura) após um
piscar completo. A Fluoresceína é instilada e
se observa a película lacrimal com a lâmpada
de fenda.
Utiliza-se o filtro Wratten No.47 ou
equivalente como filtro “excitador” sobre a
fonte luminosa e um filtro Wratten no ““.12 ou
equivalente como barreira (amarelo) sobre o
sistema de observação .
Pede-se que o paciente dê uma
piscada completa e pare. Neste momento
começa a ser medido o tempo até que
apareça a primeira mancha escura indicando
o rompimento da película lacrimal.
Os valores médios são de 10 a 40
segundos. É possível encontrar valores mais
altos.Tempos abaixo de 10 segundos são
considerados anormais.
BUT NÃO INVASIVO
Podemos utilizar a iluminação difusa
da Lâmpada de Fenda ou o Tearscope, que
utiliza uma luz fria permitindo uma avaliação
mais real do BUTNI .O Tempo de
Afinamento da Lágrima (TAL) é medido
usando-se o Ceratômetro em lugar da
Lâmpada de fenda ou do Tearscope . Depois
35.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
35
do piscar observam-se as miras do
ceratômetro e o tempo em que aparecem as
primeiras alterações nas miras. Qualquer
alteração na imagem é atribuída a alterações
na película lacrimal.
Tempos menores de BUTNI foram
reportados e sugerem uma grande
sensibilidade a alterações na película
lacrimal.
C- ROSA BENGALA
A RB é um derivado da fluoresceína
(Hopkins 1988). Sua cor é vermelho púrpura
e ela tinge células mortas e muco.Trabalhos
recentes (Feenstra e Tseud 1992) mostraram
que também tinge células epiteliais
pobremente protegidas ou não protegidas
pela película lacrimal .A Rosa Bengala
também tinge a pele das pálpebras e da face.
Ela tem sido utilizada como ferramenta de
diagnóstico na Ceratoconjuntivite Seca.
D- FIO VERMELHO DE FENOL
Método desenvolvido por Hamano
em 1982. Trata-se de um fio especial de
algodão impregnado de fenol vermelho. O
fenol vermelho é sensível às alterações no
pH e muda da cor amarela para vermelha
num pH médio de 6.6 a 8.2.
Quando entra em contato com as
lágrimas, o amarelo, cor ácida, muda para a
cor base vermelha. O fio mede 70 mm e é
colocado da mesma maneira que no teste de
Schirmer.O paciente é instruído para que
olhe para frente e pisque normalmente.
O teste dura 15 segundos. O fio é
removido e se mede o comprimento do fio
que mudou de cor incluindo a parte que
esteve em contato com a conjuntiva
palpebral. Os resultados são interpretados da
seguinte forma: Menor que 9 mm – maior
risco de Ceratite Pontilhada Superficial,
Erosões corneanas, etc, com o uso de lentes
de contato. Maior que 15 mm: menor risco do
que citado anteriormente.
13 - CANDIDATOS PARA LENTES DE
CONTATO RÍGIDAS GÁS PERMEÁVEIS
Primeira adaptação.
Problemas com lentes tóricas
hidrofílicas.
Pacientes que danificam lentes
hidrofílicas com freqüência.
Pacientes com problemas de
alergias.
Usuários de lentes de contato
hidrofílicas com problema de CPG
(Conjuntivite Papilar Gigante).
Usuários de lentes de contato
hidrofílicas com excesso de
depósitos.
Pacientes com demanda elevada de
agudeza visual.
Pacientes pós –cirúrgicos.
Pacientes com ectasia corneana
(Ceratocone)
Pacientes pós-traumas.
Crianças.
Pacientes que necessitam de
inserção e remoção fácil.
Pacientes que desejam manutenção
e cuidados fáceis.
14- TERMINOLOGIA E CARACTERÍSTICAS
DAS LENTES DE CONTATO
14-1- PARÂMETROS DAS LENTES DE
CONTATO
ABREVIAÇÃO
PARÂMETRO
RZOP RAIO DA ZONA
ÓPTICA POSTERIOR
DZOP DIÂMETRO DA ZONA
ÓPTICA POSTERIOR
RPP RAIO PERIFÉRICO
RPP
RPP
RZOP
DZOP
DZPP
DT
36.
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36
POSTERIOR
DZPP DIÂMETRO DA ZONA
PERIFÉRICA
POSTERIOR
DT DIÂMETRO TOTAL
DZOA DIÂMETRO DA ZONA
ÓPTICA ANTERIOR
PARTES DA LC
SINÔNIMOS
RZOP = RZO : RAIO
DA ZONA
POSTERIOR
= CB: RAIO DA
CURVA BASE
DZOP=DZO :
DIÂMETRO DA ZONA
ÓPTICA
RPP=RCP : RAIO DA Obs: alguns autores
CURVA PERIFÉRICA
.
indicam se há duas
curvas periféricas :
curva Periférica
Intermediária ou
Secundária e chama
de Curva Periférica
posterior a curva mais
periférica . Também
denominam a ambas
CPP: Curva Periférica
Posterior
DT = DL:DIÂMETRO
DA LENTE
As lentes de contato rígidas e as gás
permeáveis podem ser classificadas de duas
formas:
A - SEGUNDO O TIPO FÍSICO DE
CONSTRUÇÃO DA LENTE.
B- SEGUNDO A FILOSOFIA DE
ADAPTAÇÃO (RELAÇÃO ENTRE O OLHO
E A LENTE).
Se utilizarmos à primeira
classificação, consideramos unicamente o
DESENHO da lente de contato e fazemos à
Cara Anterior Cara Posterior
Borde
DZOA
Blending
(Unión de
Curvas
37.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
37
divisão de acordo com o número de curvas
na parte côncava da lente:
Lente Tri curva
- MONOCURVA: Uma só curva
- BICURVAS: Duas curvas, a da RZOP e
uma da RPP. Também são chamadas
ESFÉRICAS.
- TRICURVAS: Se adicionarmos uma RPP a
uma lente Bi curva teremos uma lente Tri
curva.
- MULTICURVAS
- ASFÉRICAS
- TÓRICAS
- CURVAS INVERTIDAS.
As quatro últimas são as mais usadas.
Existe também, uma classificação pelo
desenho da face anterior da lente:
- MONOFOCAL: SIMPLES, LENTICULAR,
CN (Corte Negativo), CORTE DUPLO
LENTICULAR (CNN).
- BIFOCAL: VISÃO ALTERNANTE,
PERCEPÇÃO SIMULTÂNEA.
A Face anterior corresponde à superfície
externa da lente. Chamada também esta face
de Superfície de poder dióptrico. Ela está em
contato direto com a conjuntiva palpebral e
sujeita às forças mecânicas das pálpebras.
O desenho SIMPLES tem basicamente
uma só curva na face anterior, que determina
o poder dióptrico da lente.
A combinação da Curva Base com um
Diâmetro específico gera uma espessura na
borda que deve ser a mínima que, porém
permita rigidez necessária e um bom
desenho.
POSITIVO SIMPLES é uma lente
Menisco de poder positivo que tem maior
espessura no centro que nas
bordas.Conforme o diâmetro e o poder
dióptrico, sofre um afinamento progressivo
até a periferia, formando com a superfície
anterior e posterior uma borda aguda ou
convergente.
O padrão de espessura de bordas
depende do diâmetro, mas em todos os
casos a borda será sempre aguda.Este
design é aplicado em adaptações que não
permitam a retenção da pálpebra superior
(que seria o tipo de adaptação ideal) ou
quando a pálpebra, por flacidez, não
consegue a retenção da lente.
Devemos determinar cuidadosamente a
espessura periférica, pois, se ela for muito
fina, a lente pode se quebrar facilmente e fica
mais difícil a sua colocação e retirada.
As lentes de poderes dióptricos
baixos, até +3,00, são desenhadas com
espessura de borda próxima de 0,12 mm e
diâmetros menores que 9.4 para que se
consiga espessuras centrais mínimas.
Comportam-se como MICROLENTES e
devem ser adaptadas com AJUSTE
moderado para se obter uma Centralização
interpalpebral (Ver mais adiante Filosofia
de Adaptação).
Este tipo de adaptação se denomina
INTERPALPEBRAL porque a lente não fica
retida pela pálpebra superior.
As lentes de poderes dióptricos
médios até +8,00 e com a mesma espessura
de borda de 0,12 mm apresentam uma
grande espessura central, o que aumenta o
seu peso de forma significativa.
A centralização sobre a córnea fica mais
difícil e o movimento excessivo faz com que
sejam pouco toleradas. Os melhores casos
são aqueles em que contamos com uma
abertura palpebral pequena, o que controla
Cara Anterior Cara Posterior
Bordas
RCP
RPP
RPP
RZO
38.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
38
melhor o deslocamento da lente. Essas
lentes precisam ser fabricadas de material
com permeabilidade alta ao oxigênio, para
não interferirem com o metabolismo
corneano.
As lentes NEGATIVAS SIMPLES são
mais versáteis e mais utilizadas. São
chamadas de Menisco divergente e têm
uma superfície única na face anterior. Sua
espessura de borda é maior que a espessura
central.
As LENTICULARES possuem duas
curvas diferentes na face anterior: uma
curvatura central, lentícula, zona óptica ou
zona do poder dióptrico e uma zona
concêntrica à zona óptica chamada também
zona ou secção diametral ou zona
perilenticular. Isto permite o controle e
programação da espessura na secção
diametral, independente do diâmetro e do
valor refrativo, permitindo também a
determinação do valor da pendente e da
forma da borda (a borda ideal é a
arredondada). Esses detalhes resultam em
lentes mais finas e de peso muito menor que
uma lente Simples de igual poder dióptrico.
Sua maior vantagem, maior que a
redução do peso, é a possibilidade de ser
aplicada em qualquer poder dióptrico, entre –
2,50 a qualquer lente positiva, um pendente
na secção diametral que gere borda
divergente, com espessura tal que permita a
adaptação ideal com RETENÇÃO DA
PÁLPEBRA SUPERIOR.
Existem Lenticulares Positivo-
Negativo (utilizado em poderes dióptricos
positivos), Negativo-Negativo (utilizado em
poderes dióptricos negativos baixos), Corte
Negativo (em poderes dióptricos negativos
médios) e Duplo Negativo (em poderes
dióptricos negativos altos).
FIGURA - Uma lente RGP que se desloca
inferiormente pode ter o seu posicionamento
melhorado se usarmos um Menisco negativo.
Se a combinação de interação da
pálpebra e força de gravidade produzir
movimento excessivo e descentração inferior,
pode-se incorporar no desenho da periferia
da superfície anterior um Menisco negativo
para utilizar a pálpebra superior como um
elevador da lente. Neste caso o piscar vai
levantar a lente em vez de deslocá-la para
baixo.
O desenho BIFOCAL será tratado
mais à frente em Adaptações para
Presbiopia.
A SEGUNDA classificação de acordo
com a FILOSOFIA DE ADAPTAÇÃO se
divide em Adaptação por Paralelismo,
Aplanamento e Ajuste (Ver Figura).
As lentes de contato rígidas e as RGP
criam uma lente ou menisco lacrimal entre
sua superfície posterior e a superfície
anterior da córnea, o que não sucede com as
lentes hidrofílicas. O poder dióptrico do
menisco lacrimal sob a LC é determinado
pela relação entre a Curva base da lente e
a Curva Corneana (leituras ceratométricas).
Se a Curva Base da lente for mais curva
que a ceratometria (tendo em conta o
meridiano mais plano da ceratometria ou
Curva K) então o menisco lacrimal terá
um poder positivo . Esta Filosofia de
Adaptação se denomina por Ajuste
(Curva base mais apertada que K).
Se a curva base da lente for mais plana
que a ceratometria (levando em conta o
meridiano mais plano da ceratometria ou
Curva K) então o menisco lacrimal terá
um poder negativo. Esta Filosofia de
Adaptação se denomina por
APLANAMENTO (Curva base mais
plana que K).
Se a Curva Base da lente for igual a
ceratometria (levando em conta o
meridiano mais plano da ceratometria ou
Curva K), então o menisco lacrimal não
terá nenhum valor dióptrico . Esta
filosofia de Adaptação se denomina por
PARALELISMO (Curva base igual a K).
O menisco lacrimal será parte do poder
total do sistema lente de contato – menisco
no olho.
39.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
39
Se a Refração Subjetiva do paciente for
maior ou igual a 4,00 di esféricas, devemos
compensar a Distância ao Vértice (DV).
EXEMPLO 1
Ceratometria 42.50 / 42.75 a 0
o
.
K=42.50 DV =12 mm
refração = -3,00 di esf
Lente de CB 43.00, portanto adaptada
AJUSTADA acima de K (42.50), forma um
Menisco Lacrimal positivo (+ 0,50. Esse valor
deve ser considerado no poder final da
lente).
Se a refração for –3,00 di e devemos
compensar o Menisco lacrimal de + 0,50, o
poder final da lente será –3,50 di.
EXEMPLO 2
Ceratometria 43.00 / 43.50 a 0
o
. K =
43.00 DV = 12 mm Refração = - 3,00
di esf
Lente de CB 42.00 adaptada, portanto mais
PLANA que K (43.00), forma um Menisco
Lacrimal negativo (-1,00) .Assim o poder final
da lente será – 2.00 di.
EXEMPLO 3
Ceratometria 40.50 /41.50 a 0
o
. K =
40.50 DV = 12 mm Refração = + 3,75
di esf.
Lente de CB 41.25 adaptada AJUSTADA,
mais apertada que K (40.50), forma um
Menisco Lacrimal positivo (+ 0,75) .
Não é preciso calcular a DV porque a
Refração é menor que 4,00 di. O poder
dióptrico da lente será então + 3,00 di.
CAPITULO III
15- ASTIGMATISMO RESIDUAL
O Astigmatismo residual é o poder
cilíndrico que permanece sem correção
quando uma lente de contato é adaptada.
Quando o astigmatismo corneano
(ceratométrico) é igual ao astigmatismo
encontrado na refração subjetiva (em poder
e eixo) o Menisco Lacrimal criado sob a lente
rígida de DESENHO ESFÉRICO (CB
esférica) pode neutralizar a maior parte deste
astigmatismo.Isso significa que quase
sempre podemos utilizar lentes de desenho
esférico e evitar as lentes tóricas RGP.
Isto não acontece com as lentes de contato
Hidrofílicas já que elas se amoldam à
córnea e adquirem o seu perfil. Portanto, o
Menisco Lacrimal que se forma sob a lente
hidrofílica tem poder dióptrico zero.
SAGITA (PROFUNDIDADE SAGITAL) :
Figura
RZOP igual, Diâmetro diferente. Azul:
diâmetro menor, logo Sagita menor. Negro :
diâmetro maior, logo Profundidade sagital
maior.
Para mudar a adaptação de uma lente :
Podemos manter o diâmetro e mudar a
Profundidade sagital alterando a
RZOP (Raio da Zona óptica periférica).
Podemos mudar o diâmetro e a RZOP
de modo a que Profundidade sagital
não mude .
Podemos alterar o Diâmetro e assim , a
Profundidade sagital.
Fisiologia da
adaptação
40.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
40
Aumentando a Profundidade sagital ,
independentemente do diâmetro , a
adaptação fica mais justa .
Ao reduzir a Profundidade sagital ,
independente do Diâmetro, a adaptação
fica mais PLANA.
Aumentar a profundidade sagital AJUSTA a
adaptação , reduzir a Profundidade sagital
APLANA A ADAPTAÇÃO (redução da
Sagita).
Aumentar o diâmetro da lente AJUSTA a
adaptação (aumento da Sagita). Se
compararmos uma lente com Curva base
Asférica com uma de Curva base Esférica ,
de igual RZOP e igual diâmetro , a lente
Asférica ficará mais plana por ter menor
Profundidade sagital (em virtude do seu
desenho).
CAPITULO II
16- SELEÇÃO DOS PARÂMETROS
DA LENTE DE PROVA - RGP
16.1- DIÂMETRO TOTAL DA LENTE :
O diâmetro total da lente pode ser
selecionado com base no diâmetro corneano.
Este é avaliado clinicamente medindo-se o
diâmetro horizontal visível da íris , DHVI.
Como regra geral , o diâmetro total
da lente será 2.5mm menor que o DHVI.
Quando o diâmetro corneano é
pequeno ( 11 mm), tanto o DZOP como o
diâmetro total da lente podem ser
diminuídos para proporcionar as melhores
características possíveis de adaptação
estática e dinâmica .
EXEMPLO
DHVI:12 mm
DL:12 – 2.5 mm = 9.5 mm
Usualmente escolhemos uma lente
RGP para a prova inicial .O diâmetro deste
tipo de lente é aproximadamente 2 mm
menor que o DHVI.É importante lembrar
também que quando se escolhe o diâmetro
da lente, a posição das pálpebras também
deve influir na seleção e não somente o
DHVI.
16.2- PODER DIÓPTRICO DA LENTE
POSITIVO-NEGATIVA
Quando existe a possibilidade de que
a lente descentre (poder dióptrico positivo
alto: gravidade e interação da pálpebra ;
poder negativo alto: interação da pálpebra e
um pouco de gravidade), pode ser
necessário aumentar o diâmetro total para
conseguir um DZOP maior. Isto é para
assegurar que uma área útil da zona óptica
cubra a pupila .
16.3- PODER DIÓPTRICO
Para assegurar o melhor rendimento
visual possível, o DZOP deverá ser
suficientemente grande para cobrir a pupila
em condições de iluminação normal e tênue .
Embora seja difícil determinar de forma
precisa o diâmetro pupilar em condições
variadas de iluminação , ele deverá ser
medido . O DZOP deverá ser maior que o
diâmetro pupilar cerca de 1 mm.
A centralização da lente também
será um fator na determinação do DZOP .
Uma lente que descentre na córnea e que
tenha um DZOP muito pequeno pode causar
problemas visuais .
A topografia corneana também tem
influência na escolha do DZOP.
Córneas mais curvas : escolha um DZOP
menor .
Córneas mais planas : escolha um DZOP
maior .
16.3- RZOP: CURVA BASE
A topografia corneana facilitará a seleção
da RZOP. Esta medida está relacionada com
o raio da curvatura corneana mais plana
(Curva K) sendo geralmente + / - 0.10 mm
deste valor. Um número de fatores ditarão a
conveniência do RZOP escolhido :
Toricidade corneana .
RZOP
Características dinâmicas da
adaptação .
A avaliação das características da
adaptação determina a RZOP a ser
indicada para o paciente. .
16.4- ESPESSURA
A espessura da lente é determinada
basicamente por :
- Rigidez do material da lente : As lentes
fabricadas de materiais menos rígidos
41.
Curso de Contatologia
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41
precisam ser mais espessas ao ser
adaptadas sobre uma córnea astigmática
para evitar a flexão .
- Permeabilidade : como alguns materiais
altamente permeáveis são mais flexíveis ,
pode ser preciso aumentar a espessura da
lente (se compararmos com materiais menos
permeáveis).
16.5- PERMEABILIDADE - MATERIAL DA
LENTE
As lentes de contato RGP de uso
diário precisam ter um DK moderado com
uma espessura central média .Para
pacientes com erros refrativos altos (mais de
+ / - 5.00 di) se escolhe um material de DK
mais alto, para poder aumentar a passagem
de oxigênio através da lente . Isso ajuda a
compensar o aumento da espessura da
lente.
Os materiais RGP de alto e médio
DK podem sofrer deformações pelo uso e
manipulação pelo paciente .Isto pode ser
evitado se a lente tiver uma espessura
central maior , porém sempre considerando a
passagem de oxigênio para a córnea .
Sobre córneas tóricas a lente irá
fletir mais durante o piscar , o que provocará
uma ligeira deformação . Deveremos então
aumentar a espessura central da lente para
compensar esta tendência.
A qualidade da lágrima é muito
importante para a escolha do material: o
ângulo da umectação do material determina
como a lente se deixará umedecer pela
lágrima.
Para pacientes com problemas de
lágrima como, por exemplo, excessos de
lipídios, devem escolher um material com
ângulo de umectação baixo.
Todas estas características : material
ângulo de umectação , DK , dureza , índice
de refração , etc, são específicos de cada
fabricante.
17- PRINCÍPIOS BÁSICOS DA
ADAPTAÇÃO
17.1- LENTE EM POSIÇÃO ALTA,
SUSPENSA PELA PÁLPEBRA
(RETENÇÃO PELA PÁLPEBRA
SUPERIOR).
No teste, uma lente em posição alta
suspensa pela pálpebra propicia a
adaptação ideal .
17.2- MOVIMENTO BASCULHANTE DA
LENTE
Permite a troca lacrimal com o
piscar, renova a fonte de oxigênio para a
manutenção do metabolismo normal e a
integridade fisiológica da córnea.
17.3- CONTROLE DE DESLOCAMENTO
COM O PISCAR
É fundamental manter a integridade
anatômica da córnea. O deslocamento
excessivo produz desepitelização corneana
permanente, com o risco que isso acarreta.
É possível obter os três pontos
anteriores quando observamos cuidadosa e
analiticamente os parâmetros de: Curva
Base, Diâmetro, Espessura de borda, CPP,
DZOP, etc. O DESENHO de uma lente de
contato deve ser específico.
ADAPTAÇÃO DE LENTES ESFÉRICAS
O adaptador pode seguir as orientações
fornecidas pelo fabricante, embora elas não
levem em conta todos os parâmetros.A lente
de teste será um guia. A determinação final
será tomada com base no que for observado
no Fluorograma.
Para auxiliar a consideração destas
variáveis:
ADAPTAÇÃO EM CÓRNEAS PLANAS (
42.25)
Astigmatismo Corneano 0 a 1.00 di :
Curva base : Ajustar 0,25 sobre K (K + 0.25
di)
Astigmatismo Corneano de 1.25 a 1.75 di :
Curva Base: Ajustar 0.50 sobre K (K + 0.50)
Astigmatismo Corneano de 2.00 a 2.50 di :
Curva Base : Ajustar 0.50 ou 0.75 sobre K (K
+0.50 ou K + 0.75)
Astigmatismo Corneano que 2.50 di:
Considerar cálculo para CB Tórica .
ADAPTAÇÃO EM CÓRNEAS MÉDIAS
(42.25 A 44.75 di)
Astigmatismo Corneano 0 a 1.00 di Curva
Base : Paralela a K
Astigmatismo Corneano de 1.25 a 1.75 di
Curva Base : Ajustar 0.25 sobre K
Astigmatismo Corneano de 2.00 a 2.50 di
Curva Base : Ajustar 0.25 a 0.50 sobre K
Astigmatismo Corneano que 2.50 di
Curva Base : Considerar cálculos para CB
42.
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42
Asférica ou Tórica .
ADAPTAÇÃO EM CÓRNEAS DE
CERATOMETRIA MAIS ALTA (44.75 DI)
Astigmatismo Corneano, 0 a 1.00 di Curva
Base: 0.25 mais plana que K
Astigmatismo Corneano de 1.25 a 1.75 di
Curva Base: Paralela a K
Astigmatismo Corneano de 2.00 a 2.50 di
Curva Base : Ajustar 0.25 sobre K
Astigmatismo Corneano de 2.50 di
:Considerar cálculos para CB Asférica .
Em ASTIGMATISMOS CONTRA A REGRA,
devemos ajustar a CB 0.50 di sobre os
cálculos anteriores nas córneas de
ceratometria baixa e 0.25 di nas córneas de
medidas médias.
Para lentes de ADAPTAÇÃO
INTERPALPEBRAL devemos considerar as
características palpebrais presentes. O
cálculo da CB será 0.50 a 1.00 di mais
curva que as indicações anteriores , pois os
diâmetros serão 0.2 a 0.4 mm menores que
em Centralização superior .
DEVEMO SEMPRE CONSIDERAR O
MENISCO LACRIMAL AO CALCULAR O
PODER DIÓPTRICO DA LENTE .
18- ADAPTAÇÃO DE LENTES
ASFÉRICAS
As lentes de CB asférica podem ser
utilizadas em pacientes sem astigmatismo
corneano e com leituras K altas , porque
sua excentricidade corneana é alta e as
lentes de CB esférica ,mesmo sendo
adaptadas mais planas ou paralelas a K, dão
Fluorograma de Ajuste (pela maior
profundidade sagital se comparadas as
asféricas).
Com leituras K muito planas (
40.00 di) é desnecessário utilizar as asféricas
, pois a profundidade sagital pode ser
praticamente a mesma que em uma esférica.
A maioria dos casos com pálpebras
normais se adapta com diâmetros de 9.8mm
ou +/- 0.3mm , conforme a posição da
pálpebra superior, abertura palpebral , DHVI
e seguindo os cálculos apresentados para
lentes esféricas .
As curvas periféricas (CPP), quando
usamos diâmetros maiores , são mais
amplas , sendo, em geral de 1.0 a mais ou
menos 0.2 mm. Pela mesma razão os DZOP
mais comuns para lenticulares estão
compreendidos entre 7.8 com variação de
0.3mm.
DEVEMOS SEMPRE LEVAR EM
CONTA O MENISCO LACRIMAL
FORMADO AO CALCULAR O PODE
RDIÓPTRICO DA LENTE DE
CONTATO.
19- ADAPTAÇÃO DE LENTES
TÓRICAS
As lentes Tóricas podem ser :
Tóricas Internas , Tóricas Externas ou
Bitóricas .
20- LENTES DE CONTATO DE
CURVAS INVERTIDAS
Geralmente são adaptadas em
pacientes pós cirurgias refrativas ou pós
ceratoplastia , nos quais devemos levar em
conta a topografia corneana para , por
tentativa e erro , decidir a lente final .
ALTA RX ........................................ALTO DK
ALTO Cil. CORNEANO... DK ALTO /MÉDIO
RX MÉDIA E BAIXA.......... DK MÉDIO/ALTO
CPG .................................. DK MÉDIO/ALTO
OLHO SECO ....................................... DK
RESSECAMENTO MÉDIO
CILÍNDRO CORNEANO ............... DK ALTO
BAIXO / DK MÉDIO
Uma vez escolhida a lente de prova ,
faremos a verificação dos parâmetros da
lente.
21- VERIFICAÇÃO DOS
PARÂMETROS DE LENTES DE
CONTATO RÍGIDAS
Conferimos a Curva base da lente com
:
1. Radioscópio
2. Ceratômetro
3. Deflectômetro de franjas de Moiré
Conferindo o poder dióptrico no
lensômetro : Poder do Vértice Posterior .
Conferimos o Diâmetro da lente com:
1. Régua V
2. Lupa com aumento de 10 X
3. Ampliador de projeção com calibradores
eletrônicos
43.
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43
Verificamos a espessura da lente de
contato com:
1. Calibrador de espessura (Espessímetro)
21.1 ADAPTAÇÃO DA LENTE DE PROVA
As mãos e a lente deverão estar bem
lavados . Se for destro, colocar a lente
no dedo indicador da mão direita.Com o
dedo médio da mão direita baixa a
pálpebra inferior e com a mão esquerda
fixar a pálpebra superior, desde a borda
interna .Deve-se usar firmeza, pois o
paciente tentará fechar o olho ao ver a
aproximação da lente .
O paciente deve estar mirando em
posição primária , com o olho contra
lateral aberto.
Usar uma solução umidificante
moderadamente viscosa e pedir ao
paciente para olhar para baixo com os
olhos fechados .
Manter os olhos fechados cerca de 5 a
10 segundos para permitir que a solução
umidificante e a película lacrimal se
misturem. Isto minimiza o risco de
deslocamento da lente devido ao piscar
excessivo após a colocação.
Após abrir os olhos, a adaptação da
lente é estimulada se o paciente mantém
a mirada para baixo em condições de
iluminação fraca e pisca tão
suavemente quanto possível.
Se a lente descentrar por algum motivo ,
centralize-a fazendo o paciente olhar
para o lado oposto ao local onde a lente
se encontra e , suavemente , com ajuda
das pálpebras , que serão movimentadas
com os dedos do examinador, tratar de
centralizar a lente . Quando a lente
estiver próxima à córnea , mandar o
paciente olhar para frente .
O paciente deve evitar olhar em posição
primária ou superior durante os poucos
minutos iniciais do uso das lentes . Após
a colocação da lente de teste e do
paciente ter chegado a um nível de
adaptação aceitável poderemos avaliar a
adaptação . Este tempo costuma ser 30
minutos .
Avaliaremos a Acuidade Visual do
paciente com a lente de teste em visão para
longe e para perto. Faremos a Sobre-
refração e Sobre-subjetivo. Medimos a
Acuidade Visual novamente na visão de
Longe e Perto se necessário.
Exercícios 3
1. Como pode se classificar as Lentes
Tóricas?
a) Tóricas internas, tóricas externas e
tóricas e tóricas extras
b) Tóricas internas, tóricas extras e
bitóricas
c) Tóricas internas, tóricas externas e
bitóricas
d) Tóricas internas, tóricas invertidas,
tórica extra
e) Todas as afirmações são corretas.
2. Relacione a 1ª coluna de acordo com
2ª.
a) Ceratômetro ( ) DK médio
b) Lensômetro ( ) DK alto ⁄ médio
c) Alto cil. Corneano ( ) Cil. Corneano
d) Olho seco ( ) Curvas
(ressecamento) corneana
e) DK alto ⁄ DK médio ( ) Medir poder
. dioptrico
3. Para fazer a avaliação da acuidade
visual e sobre refração, o paciente
tem que:
a) Estar com a lente de teste no mínimo
30min. e só olhando para frente.
b) Estar com a lente de teste no mínimo
30min. e só olhando para baixo.
c) Estar com a lente de teste no mínimo
10min. e só olhando para frente.
d) Estar com a lente de teste no mínimo
10min. e só olhando para baixo.
e) Estar com a lente de teste no mínimo
30min. e podendo olhar para frente
ou cima.
4. As afirmações abaixo são sintomas
de lentes frouxas.
I – Visão que piora ao piscar
II – Centralização inadequada
III – Muito movimento ao piscar
IV – Entrada e saída de bolhas de ar
entre L.C e a córnea.
a) somente I e II estão corretas
b) I, II, III estão corretas
c) Somente a IV estão erradas
d) Somente II e a III estão erradas
e) Todas estão corretas
44.
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44
5. Cite vantagens de L.C rígidas na
adaptação?
R...............................................................
..................................................................
..................................................................
..................................................................
6. Quais são as vantagens e
desvantagens das L.C.R.G.P?
R...............................................................
..................................................................
..................................................................
..................................................................
7. Para fazermos a seleção da
L.C.R.G.P temos que saber:
a) Diâmetro da córnea, DHVI e D
b) Menisco lacrimal, DHVI e posição
alta
c) Diâmetro da córnea, menisco
lacrimal e rotação
d) DHVI, DHVP, rotação.
e) N.R.C
8. Relacione as colunas:
a) Curva base ( ) 49.00 ⁄ 51.00 x 90ª
b) K ( ) 44.00 ⁄ 49.00 x 90ª
c) Curvas médias ( ) Menor curva
d) Ceratometria alta ( ) R.Z.O.P
e) Ast. Contra regra ( ) 42.00 ⁄ 43.00
9. Em astigmatismo contra regra, como
devemos ajustar?
a) C.B 0.50 Dpt a 0.25 Dpt mais plana
que K
b) C.B 0.50 a 1.00 Dpt mais plana que
K
c) C.B 2.00 a 2.50 Dpt mais plana que
K
d) A e C corretas
e) A e B corretas
10. Como devemos adaptar uma L.C
R.G.P esférica?
R...............................................................
..................................................................
..................................................................
CAPITULO IV
21.1.1- FLUOROGRAMA
AVALIAÇÃO DA ADAPTAÇÃO
DINÂMICA E ESTÁTICA EM LENTES DE
CONTATO RÍGIDAS
A - DINÂMICA
Os aspectos dinâmicos da adaptação
são observados com o olho em posição
primária de mirada e piscar normal .Podemos
fazer a observação com lâmpada de Burton
ou lâmpada de fenda (iluminação difusa,
filtrada). Podemos pedir para o paciente
mudar a direção da mirada para termos uma
melhor compreensão da natureza da
adaptação dinâmica.
Devemos considerar a QUANTIDADE ,
TIPO, VELOCIDADE e DIREÇÃO do
movimento de uma lente RGP:
Após o piscar
Meridiano vertical
Observação da borda inferior da lente
Registro em mm
A qualidade da movimentação é uma das
considerações mais importantes para julgar a
adaptação das lentes RGP. A ação das
pálpebras começa quando acontece o piscar.
Os componentes listados devem ser
avaliados:
Quantidade
Tipo
Velocidade
Direção
- QUANTIDADE
A ação da pálpebra superior fará com
que a lente se movimente. As 3 fases do
movimento da lente são:
Com o movimento da pálpebra para
baixo
Com o movimento da pálpebra par
cima
Movimento de recentragem após o
piscar
Os dois primeiros são difíceis, senão
impossíveis, de serem medidos devido à
velocidade e cobertura da lente.
O movimento que pode ser mais
facilmente medido é a recentragem da lente
após o piscar.
Esta medida deve avaliar o ponto mais
alto na córnea que a borda inferior da lente
45.
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45
alcançou na abertura do olho bem como
determinar a movimentação da lente para
retornar a sua posição de repouso.
- TIPO
O tipo de movimento observado é
usualmente um indicador da relação da
adaptação entre a superfície posterior da
lente e a córnea.
A lente deverá apresentar um
movimento suave na superfície corneana
com e após cada piscada.Este movimento
optimiza a comodidade e a estabilidade da
visão. Um movimento suave é usualmente
associado a um padrão de adaptação
próximo do alinhamento (paralelismo).
Se a lente estiver adaptada com um
toque corneano central, ela estará propensa
a girar em torno do ápice corneano de uma
posição superior a uma inferior.
Como o raio de curvatura central é mais
plano que o ápice corneano, o caminho de
resistência mínima para que a lente se mova
está em torno do ápice . Isto pode ser tanto
no lado nasal como no temporal.
Se houver maior toricidade
corneana, a estabilidade da lente e sua
movimentação podem ser mais erráticas. A
lente então deverá ser adaptada ligeiramente
ajustada para melhorar a estabilidade. O
movimento pode ser limitado a um pequeno
balanceio em torno do meridiano mais plano.
Um tipo de adaptação chamado
“Retenção da pálpebra superior” ocorre
quando a pálpebra superior retém a lente em
posição superior sobre a córnea entre as
piscadas. Com cada piscada a lente se
movimenta como se estivesse firmemente
retida pela pálpebra.Quando o olho está
totalmente aberto depois de cada piscada, a
lente mostra um pequeno movimento após o
piscar.
A interação piscar-lente pode ser, em
algumas adaptações, o suficiente para fazer
com que a lente se movimente em duas
fases distintas. Isto pode se aplicar aos tipos
de movimentos suaves e rotação
apical.Em tais casos, o movimento da lente
pode ser registrado como, por exemplo,
suave / duas partes.
- VELOCIDADE
A velocidade com que uma lente se
movimenta pode ser avaliada pelo
profissional como lente, média ou rápida. Se
for preciso podem ser estabelecidos graus
intermediários.
- DIREÇÃO
A anotação final no Histórico, com
relação ao movimento das lentes, é indicar a
direção na qual as lentes se movimentam
sobre a córnea.
O desejável é uma direção próxima à
vertical a cada piscada.Indique se a lente gira
em torno do ápice, se é mais comum no lado
nasal que no temporal, se o movimento é
maior em uma direção oblíqua ou diagonal .
Indique os quadrantes de início e final:
superior, nasal inferior, temporal.
A forma mais simples de registrar o
quadro observado é desenhar um diagrama
no Histórico.
Uma lente que se movimenta
suavemente numa distância de 1-2 mm na
direção vertical a uma velocidade média,
geralmente proporciona bom conforto e visão
estável. A boa movimentação também
permite a remoção dos dejetos da lágrima.
FIGURA: LENTE DE ADAPTAÇÃO IDEAL,
COM RETENÇÃO PELA PÁLPEBRA
SUPERIOR
B - AVALIAÇÃO ESTÁTICA
A avaliação da Adaptação Estática
de uma alente RGP facilita ao profissional
determinar a relação entre a superfície
posterior da lente e a superfície corneana
anterior.
Esta avaliação é vital e deverá ser
feita de uma forma altamente repetitiva para
permitir a comparação.
A adaptação estática deverá ser avaliada
com o paciente em Posição Primária de
Mirada.
A lente deverá estar centralizada na
córnea ou em sua posição natural de
repouso.
46.
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46
A pálpebra superior pode ser elevada
acima da borda superior da lente por
manipulação digital.
As pálpebras superiores e inferior
podem ser usadas pelo profissional para
manipular a lente de forma a permitir a sua
centralização sobre a córnea.
Com a centralização, o padrão de
fluoresceína deve ser avaliado e anotado.O
acúmulo de fluoresceína indica uma zona de
afastamento entre a lente e a córnea e a
espessura da camada lacrimal abaixo da
lente pode ser avaliada.
- CARACTERÍSTICAS IDEAIS DA
ADAPTAÇÃO ESTÁTICA
Em muitos casos, uma lente que
mostra um pequeno afastamento apical, com
zona média -periférica de contato leve,
amplitude e suficiente afastamento de borda
,proporcionará uma ótima adaptação de
RGP.
-CARACTERÍSTICAS ESTÁTICAS DE UMA
LENTE AJUSTADA
FIGURA: FLUOROGRAMA DE LENTE
AJUSTADA
O padrão de fluoresceína associado
a uma adaptação de lente RGP ajustada
geralmente mostra um acúmulo apical
indicando uma claridade central excessiva.
Como o RZOP está menor (mais curvo), o
grau de afastamento aumenta. Isto resulta
também numa zona de contato mais
profunda na zona médio-periférica da córnea.
O excesso de pressão nesta região pode
resultar em deformação ou distorção da
topografia corneana.
A aparência periférica mostra
ajustamento assim como uma borda
estreita.Este quadro pode ser descrito como
uma periferia “ajustada”.
Cada componente da adaptação
estática pode ser avaliado
independentemente.
O acúmulo central de fluoresceína
não está necessariamente associado com
uma periferia ajustada.
- CARACTERÍSTICAS ESTÁTICAS DE UMA
LENTE FROUXA
FIGURA: FLUOROGRAMA DE LENTE
APLANADA
Uma tendência para uma adaptação
frouxa será evidente em uma lente que tem
uma limitada zona central de toque.
Quando a RZOP está aumentada
(mais plana), o centro da superfície posterior
da lente descansa contra a córnea central,
relativamente mais curva.
Uma adaptação frouxa mostra um
acúmulo excessivo de fluoresceína nas
zonas médio-periférica e periférica.Tais
lentes, em muitos casos, mostraram
características pobres de adaptação
dinâmica devido à redução nas forças de
centralização que atuam na lente.
A tabela AVALIAÇÃO DA LENTE
DE CONTATO RÍGIDA poderá ajudar a
avaliar melhor o Fluorograma e decidir os
parâmetros finais da lente de contato.
21.2- REMOÇÃO DA LENTE
No momento da retirada, a LC
deverá estar centralizada. Existem muitas
técnicas para remover as lentes. A menos
traumatizante é mandar o paciente abrir bem
os olhos, esticar o ângulo externo da
pálpebra e tentar piscar. A lente pode sair
com uma piscada forte ou sendo empurrada
a partir da borda da pálpebra superior com o
dedo médio.
47.
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47
21.3- HORÁRIO DE USO
Ao entregar a LC devemos dar, por
escrito, um Horário de uso, indicando o
número de horas que as lentes devem ser
usadas diariamente.
Existem diferentes modalidades.
Sugerimos particularmente:
1
o
. dia: uma hora ; 2
o
. dia, duas horas e
assim , sucessivamente , aumentar 1 hora
por dia . O controle será feito no 7
o
. dia. Se
tudo estiver bem na adaptação, o paciente
pode continuar aumentando o horário de uso.
Faremos nova revisão com 15 dias e com 1
mês de uso.
Uma vez decididas às características
da lente, é importante ensinar ao paciente a
COLOCAÇÃO, REMOÇÃO,
RECENTRAGEM, ASSEPSIA E HORÁRIO
DE USO.
Alertamos também para os Sinais e
Sintomas que podem surgir bem como
decidir se temos que fazer modificações ou
alterações na lente.
Ao entregar as lentes é importante verificar
os parâmetros da LC.
21.3.1- Uso Diário (UD)
As lentes são usadas durante o
período de vigília. São colocadas ao acordar
e retiradas antes de dormir. Este Horário se
aplica tanto para RGP como para lentes
hidrofílicas.
21.3.2- Uso Flexível (UF)
As lentes são usadas
ocasionalmente durante o sono, numa base
de 2 a 3 noites por semana Geralmente se
indica este Horário para lentes hidrofílicas.
21.3.3- Uso Prolongado (UP)
Geralmente indicado para lentes
hidrofílicas: as lentes são usadas por um
período contínuo de uma semana, dia e
noite. Geralmente são descartáveis, e por
isto no fim da semana são substituídas por
novas após uma noite de descanso.
21.3.4- Uso Contínuo (UC)
Geralmente se aplica às hidrofílicas.
As lentes são usadas de forma contínua por
um período de tempo entre uma semana a
um mês. No fim do período, são retiradas,
limpas, asseptizadas. Se forem descartáveis
deverão ser substituídas por novas no dia
seguinte.
21.4- VISITAS DE CONTROLE
Alguns sintomas de Adaptação que os
pacientes podem experimentar durante os
primeiros dias / semanas de uso das LC
RGP:
Embaçamento ocasional, nublamento
e halos
Isto se deve parcialmente a mobilidade
da lente – especialmente RGP- provocada
pelo lacrimejamento excessivo, já que o
lacrimejamento induz alterações na película
pré-lente. Outros problemas relacionados
com o lacrimejamento incluem reflexos que
usualmente são piores à noite devido ao
aumento do diâmetro pupilar e às lágrimas
cruzando a zona de transição na borda da
zona óptica.
Hiperemia ocular
A hiperemia bulbar e a palpebral
resultam da estimulação mecânica sob o
rendimento fisiológico das lentes de contato e
possivelmente a uma sensibilidade química
aos produtos de assepsia .A hiperemia
causada pelos produtos é provavelmente o
que mais influencie, pois a hiperemia
causada pelo efeito mecânico e fisiológico
tende a diminuir com a adaptação.
Usualmente não retorna a seus valores
iniciais se persiste o uso de LC.
A seqüência dos procedimentos
durante as Visitas de Revisão para os
usuários de LC RGP (segundo Fonn,
1992) é :
Com as lentes colocadas :
História
Postura e piscar
Acuidade Visual
Retinoscopia
Sobre Refração
CSA: Ceratometria da superfície
anterior da LC in si tu.
Avaliação do comportamento da
lente (Padrão de Fluoresceína,
Centralização e Movimentação).
Avaliação da superfície da lente
(Umectabilidade e depósitos).
Sem as lentes :
Biomicroscopia
Ceratometria
Retinoscopia
Refração
Acuidade Visual
Exame das lentes (Depósitos,
Inspeção de bordas e Superfície e
Medida de parâmetros).
48.
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48
Os procedimentos de Revisão da
adaptação são muito similares para lentes
Rígidas e Hidrofílicas. É sempre importante
observar a possível aparição de
complicações como:
- Conjuntivite papilar Gigante (CPG).
- Reações de Olho vermelho,
- Ceratoconjuntivite límbica superior,
- Iniltrado ou infecção.
As RGP podem ter sofrido
deformações. Isto ocorre principalmente
com materiais de alto DK, por uma
manipulação inadequada, ou com lentes
muito finas.
É importante também, sem que o
paciente note, valorizar a freqüência do
piscar, que normalmente é 15 vezes por
minuto.O piscar permite a distribuição da
lágrima sobre as estruturas externas do olho
e sobre a LC; adicionalmente permite a
movimentação da lente para favorecer a
expulsão de depósitos e ajuda a manter sua
centralização. Um piscar com a freqüência
adequada evita o ressecamento da superfície
ocular.
Devemos fazer a Ceratometria da
superfície anterior ou Sobre-Ceratometria
das lentes de contato (Hidrofílicas ou RGP)
IN SITU, para determinar o total de
astigmatismo corneano que é transferido à
superfície da lente RGP in situ.
Como a flexão também ocorre em
lentes hidrofílicas , o astigmatismo corneano
é transferido em sua totalidade à superfície
anterior .Deformações maiores que 0.25 a
0.50 podem ocorrer, mas não necessitam
atenção a menos que o paciente reporte uma
baixa de acuidade visual ou que a adaptação
esteja muito alterada .
Contaminação da superfície da
lente pode nos dar como resultado uma
ceratometria irregular e visão borrada .
Também o enrugamento de uma lente
hidrofílica nos dará como resultado uma
distorção das miras ceratométricas e
fotoceratoscópicas .
Devemos fazer a ceratometria,
durante o exame na visita de Revisão, APÓS
RETIRAR AS LC. Se houver mudanças
evidentes na adaptação da lente, no padrão
de fluoresceína, é muito provável que
existam mudanças na curvatura corneana,
na forma da lente ou em ambos. A causa
deve ser determinada.
Mudança na curvatura corneana
atualmente é pouco comum.O profissional
precisa determinar qualquer mudança e
determinar se isso está sendo induzido pela
LC.
Os sistemas de mapeamento
corneano analisam uma área maior da
córnea que o ceratômetro (aproximadamente
3 mm centrais) e nos proporcionam uma
informação mais completa.
A claridade das imagens deve ser
observada.Se a distorção corneana for
aparente, deve-se suspeitar de algum grau
de visão borrosa e diminuição da visão, e isto
deve ser investigado durante a refração.
Para verificar a integridade da
borda da lente, tocá-la toda com a ponta do
dedo para, desta maneira, sentir mais
facilmente qualquer irregularidade.
Os arranhões na superfície da lente
geralmente podem ser corrigidos com um
polimento.
É possível aumentar ou reduzir
(modificar) o poder dióptrico de uma lente já
terminada em até 0.50 di, ou também
modificar a relação da lente com a córnea
fazendo modificações na curva periférica
(neste caso somente podemos ampliar a
CPP, obviamente não podemos diminuí-la) e
no perfil da borda.
Se uma LC RGP recém chegada do
laboratório apresenta problemas de
umectação quando colocada no olho, é
muito provável que na superfície da lente
ainda se encontrem restos de material usado
para polimento e que é altamente
hidrofóbico.Neste caso devemos fazer uma
limpeza profunda com uma solução
limpadora de boa qualidade até que a lente já
não tenha depósitos ou, em caso extremo,
devolvê-la ao laboratório.Em muitas ocasiões
os problemas de má Acuidade Visual em um
usuário de RGP são devidos à má
umectação da superfície da lente.
22- LENTES HIDROFÍLICAS
49.
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49
A lente de contato hidrofílica é uma
lente fácil de ser adaptada, é confortável e
exige pouco tempo de adaptação. As lentes
ESFÉRICAS são as mais indicadas. Elas
corrigem erros refrativos esféricos ou com
cilindros baixos ( ou = 0.75) embora
devamos considerar o eixo do
astigmatismo.Geralmente os astigmatismos
de eixo horizontal ou vertical ou eixos
próximos dão mais bem resultado visual.
Erros refrativos altos, inclusive a
Afacia, são mais difíceis de adaptar e manter
a lente centralizada.
Em casos de astigmatismos
corneanos significativos, mas que na
Refração manifesta são esféricos, o uso de
uma lente RGP esférica induzirá
astigmatismo residual.Nestes casos devemos
usar lentes hidrofílicas esféricas.
Regra 4 : 1
Esta é uma boa orientação geral. Se
o grau esférico de uma RX astigmática for
ou = a 4 X o componente cilíndrico, existe
uma razoável possibilidade de que o
resultado da visão com uma lente esférica
seja satisfatório.Esta regra não pode ser
aplicada quando nos casos em que o valor
do cilindro seja ou = a 1.50 di.
22.1- COLORAÇÕES
Existem diferentes colorações para
lentes hidrofílicas:
- Coloração para manipulação
o De Diâmetro total: é a forma mais
comum e menos custosa de fabricação.
o Diâmetro de Íris: embora seja de
fabricação mais onerosa, permite uma
grande variedade de densidades e cores.
- Coloração Realçadora:
o São tonalidades transparentes que
alteram, mas não mudam
substancialmente a cor natural da íris.
São usadas para olhos claros. Elas
podem ser fabricadas com o diâmetro
da íris e com diâmetro da íris e pupila
transparente.
- Cosméticas Opacas
o Alteram a cor aparente de íris claras ou
escuras. Se fizermos uma observação
oblíqua através da pupila podemos
verificar a cor natural da íris. Existe
também lentes terapêuticas opacas.
22.2- ADAPTAÇÃO DE LENTES DE
CONTATO HIDROFÍLICAS
- CURVA BASE
A curva base adequada da LC hidrofílica
depende de seu desenho. Cada fabricante
tem seus Guias de adaptação.Nesse
processo devemos levar em conta o
conteúdo aquoso e o diâmetro da lente, mas
em geral as lentes de contato são adaptadas
assim:
A ceratometria é convertida em mm e
soma-se 0.6 a 0.7 mm à Curva mais
plana (Curva K)
OU:
Soma-se 1 mm à média ceratométrica .
- DIÂMETRO DA LENTE
Medimos o di6ametro horizontal visível d
íris (DHIV) e seguimos um desses passos :
Adicionar 2 mm ao DHVI e selecionamos
a lente de prova o mais próxima dessa
medida .
OU:
Seguimos as recomendações do
fabricante e selecionamos o diâmetro
sugerido.
Devemos também lembrar que
ametropias altas geralmente exigem
diâmetros grandes, para uma melhor
adaptação e centralização da lente.
- PODER DIÓPTRICO
Devemos calcular a DV em poderes
ou == a 4.00 di positivas ou negativas.
Quando for preciso, calcular o Equivalente
Esférico (somar algebricamente a metade do
cilindro ao esférico).
- ESPESSURA
Como já foi exposto em Materiais
das LC, utilizar uma lente fina produzirá:
o Maior transmissibilidade aumenta a
comodidade do usuário, dificulta a
manipulação (dobra-se e adere a si
mesma), menos tendência a “corrigir” o
astigmatismo corneano.
- CONTEÚDO AQUOSO
Dependerá da atividade do paciente,
das condições da lágrima. Devemos lembrar
que as lentes de alto conteúdo aquoso
50.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
50
tendem a se desidratar mais rapidamente em
ambientes com vento ou baixa umidade, tem
maior permeabilidade ao oxigênio, maior
dificuldade na manipulação, e é mais
freqüente o deslocamento ou o rasgo.
Ocorrem também mais problemas devido a
depósitos na superfície.
- MATERIAL
A tabela a seguir é um guia de
adaptação na escolha do material.
RX ALTA NÃO IÔNICO
OLHO SECO /
RESSECAMENTO
NÃO IÔNICO
ALERGIA NÃO IÔNICO
PISCAR INCOMPLETO NÃO IÔNICO
TÓRICA +ALTA RX IÔNICO OU
NÃO IÔNICO
BAIXA RX IÔNICO OU
NÃO IÔNICO
22.2.1- COLOCAÇÃO DA LENTE
Devemos orientar ao paciente para
colocar e retirar primeiro a lente direita.
Existem vários métodos para a colocação.
Colocar a lente no dedo indicador, baixar
a pálpebra inferior com o dedo médio da
mesma mão. O paciente pode olhar em
frente, para o espelho. Com a outra mão,
prender a pálpebra superior, elevando-a.
Manter as pálpebras presas e colocar a
lente sobre a córnea. Suavemente soltar
ambas as pálpebras.Uma leve
massagem sobre a pálpebra centralizará
a lente.
Colocar a lente sobre o dedo indicador,
baixar a pálpebra inferior com o dedo
médio da mesma mão.O paciente olha
em levoversão se for OD. Com a outra
mão, elevar a pálpebra superior, manter
as pálpebras firmemente afastadas e
colocar a lente sobre a conjuntiva bulbar
temporal. O paciente olha agora em
posição primária. A lente centralizará
sobre a córnea. Soltar suavemente
ambas as pálpebras. Uma leve
massagem sobre a pálpebra centralizará
a lente.
22.2.2- REMOÇÃO DA LENTE
Paciente mirando em supraversão,
baixar a pálpebra inferior com o dedo
médio e colocar a ponta do dedo
indicador sobre a borda inferior da lente,
deslizá-la para baixo. Dobrá-la
suavemente com os dedos indicador e
polegar.
22.2.3- LENTE INVERTIDA
Há tempo atrás tínhamos o problema
de não saber se a lente estava do lado
correto ou invertida. Atualmente as lentes
vêm com gravações de diferente forma
(números, letras) para sabermos se estão
corretas ou invertidas. Outra forma de
identificação é colocar a lente entre o dedo
polegar e o indicador e fecha-los lentamente.
Observar o perfil da lente.Se a lente
estiver invertida, as bordas se inclinam para
fora.Se estiver correta, as bordas se inclinam
para o centro da lente.
Uma vez a lente colocada, espera-se
aproximadamente 15 a 20 minutos para
medir a Acuidade visual para longe e para
perto e fazer a sobre –refração, o sobre-
subjetivo (o resultado deverá ser uma visão
clara e estável).Avaliar em seguida a
biomicroscopia .
51.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
51
22.3- AVALIAÇÃO DA LENTE EM
BIOMICROSCOPIA
Lembre-se de NÃO UTILIZAR
FLUORESCEINA. A avaliação é feita com
iluminação difusa ou direta, se necessário.
Ao avaliar uma lente hidrofílica devemos
observar:
CENTRALIZAÇÃO DA LENTE : Uma
boa centralização é caracterizada por
uma porção uniforme da lente que
ultrapassa o limbo até a conjuntiva .O
movimento da lente induzido pela
pálpebra deverá ser seguido por uma
recentralização rápida .Em posição
primária são aceitas descentrações de
0.2 a 0.75 mm.
COBERTURA CORNEANA COMPLETA
: em todas as posições (ultrapassando o
limbo em 1 mm) .Embora algumas
descentrações da lente possam ser
inevitáveis , o profissional tem de
assegurar que a lente cubra a córnea ,
sob todas as circunstâncias razoáveis ,
para evitar trauma mec6anico e melhorar
o conforto e também para que não
ocorram alterações fisiológicas .
MOVIMENTO ADEQUADO : A
movimentação depende do tipo de lente
que está sendo adaptada .Geralmente o
movimento se situa entre 0.2 a 1 mm.A
importância da movimentação é que com
ela são eliminados os dejetos
metabólicos que estão no espaço pós-
lente .Já foi provado que a troca lacrimal
é mínima com as lentes de contato
hidrofílicas devido a pouca espessura da
lente lacrimal pós LC.
TESTE PUSH UP DA PÁLPEBRA
INFERIOR EM POSIÇÃO PRIMÁRIA
(facilidade de movimento da lente desde sua
posição estática, velocidade de recentragem
após o deslocamento).
Com o dedo, encoste a borda da
pálpebra inferior na extremidade inferior da
lente. Desloque a lente para cima. Lentes
bem adaptadas se deslocam, lentes justas
exigem maior pressão para se movimentar.
LAG : Avaliação da lente em miradas
laterais e sua centralização quando o
olhar voltar à posição primária. A lente
deve acompanhar o movimento do olho
com um leve atraso. A lente pode não
tornar a centralizar e se atrasar muito
(lente frouxa) ou então se comportar
como uma ventosa (lente justa).
22.3.1- CARACTERÍSTICAS DE LENTES
JUSTAS OU FROUXAS
A borda da lente fica ondeada /
enrugada. É obvio que a adaptação está
muito frouxa.
Indentação conjuntival, sinal de
adaptação justa.
Descentração excessiva. Leva a
exposição corneana (descobrimento da
córnea), uma característica de
adaptação frouxa.
Não há movimentação no teste Push Up
que pode resultar na estagnação da
película lacrimal pós-lente. Lente justa.
Exposição corneana em algumas
posições de olhar. Diâmetro muito
pequeno.
Adaptação provocando piscar associado
a distúrbios visuais. Lente frouxa.
Para modificar as características e
determinar os parâmetros finais devemos
considerar as variações da Sagita
(profundidade sagital) Obviamente não se
compensa o menisco lacrimal na adaptação
de lentes hidrofílicas.
22.4- HORÁRIO DE USO
Devemos orientar o cliente sobre a
colocação e retirada das lentes.
CONSERVAÇÃO E HORÁRIO DE USO:
52.
Curso de Contatologia
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52
Dar estas informações por escrito.
O horário de uso para pacientes de
primeira vez pode ser:
- Uma hora pela manhã, uma à
tarde.Aumentar diariamente 1 hora em cada
um desses períodos. Visita de Revisão no
sétimo dia.
- As Revisões são realizadas da mesma
maneira que explicamos para lentes RGP,
apenas não fazemos o fluorograma, mas
devemos avaliar as características da lente
com a lâmpada de fenda (centralização,
movimento , etc).
22.5- SINTOMAS DE ADAPTAÇÃO COM
LENTES DE CONTATO HIDROFÍLICAS
Poucos ou nenhum sintoma de
adaptação;
Visão reduzida, flutuante ou borrada ;
Sensação de ressecamento das lentes e
dos olhos , especialmente no final do
período de uso;
Olhos vermelhos ;
Ardência ao colocar as lentes ;
Desconforto significativo;
Ressecamento;
Hiperemia, especialmente persistente ;
Visão reduzida .
ALGUNS FATORES QUE PODEM LEVAR
OS PACIENTES A SUSPENDER O USO
DAS LC:
Necessidade de troca das lentes;
O trabalho da manutenção da lente;
O trabalho de colocação e retirada da
lente;
A lente e/ou o sistema de manutenção é
considerado muito caro;
Não estar disposto a tolerar os sintomas
de adaptação;
Não ter disposição para seguir as
instruções.
REVISÕES : Nas revisões posteriores
podemos encontrar :
- Neovascularização corneana : o
crescimento de novos vasos não deve
exceder 0.5 mm além da zona de transição
limbo corneal em qualquer parte da
circunferência corneana .
23- LENTES HIDROFÍLICAS
TÓRICAS
As lentes tóricas hidrofílicas podem
ser utilizadas em lugar das lentes hidrofílicas
esféricas quando:
O cilindro da receita for maior que 0.75
di. Isto depende também da tolerância do
paciente.
Pacientes com alta demanda de
acuidade visual, com cilindros baixos
corrigidos.
Pacientes que não se adaptaram às
lentes de contato gás permeáveis.
A ação das pálpebras durante o piscar é
importante para a estabilidade da lente tórica.
A pálpebra inferior não se movimenta para
cima durante o piscar, mas tem um pequeno
movimento para o lado nasal. O lado
temporal se fecha primeiro, cerrando assim
os olhos em forma de “cremalheira”.
23.1- DESENHOS
Várias técnicas tem sido utilizadas
com o propósito de conseguir estabilidade de
uma lente tórica e minimizar sua rotação, par
evitar variações na qualidade da Acuidade
Visual. Os seguintes desenhos foram usados
na fabricação de lentes tóricas hidrofílicas:
23.2- PRISMA
Um prisma de base inferior é
torneado na lente e está presente incluso na
zona óptica.Atualmente já não são utilizados
porque aumentam muito a espessura e
induzem efeito prismático vertical .
23.1.1- TRUNCADO
Este desenho já não é utilizado. Era
fabricado junto com o prisma para reduzir a
rotação.
23.1.2- ZONAS MAIS FINAS
Zonas de menor espessura na parte
superior e na inferior da lente (fora da zona
óptica) proporcionam um método de
estabilização razoavelmente bom embora
nem sempre dê bom resultado.
53.
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53
MONÔMEROS
23.1.3- DESENHO DE LENTE TÓRICA
MOSTRANDO AS ZONAS DE
ESTABILIZAÇÃO
- ZONAS DE ESTABILIZAÇÃO
Estas zonas são colocadas sobre o
limbo inferior e são métodos efetivos para
minimizar a rotação da lente.
A pálpebra superior pressiona contra
essas zonas quando alcança sua posição
mais baixa durante o piscar.
- SUPERFÍCIE POSTERIOR TÓRICA
Ao fazer às superfícies posteriores
tóricas, a lente se alinhará por si mesma na
córnea tórica. Se isto for combinado com
Zonas de Estabilização, obtém-se um
desenho mais estável.
- ROTAÇÃO
Ao adaptar uma lente de prova deve-
se esperar mais tempo que com lentes
esféricas para realizar a avaliação, para
aguardar que a lente se estabilize.
A descrição convencional da rotação de uma
lente tórica é chamada nasal se a lente gira
54.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
54
nasalmente e temporal se a lente se inclina
para fora.
As lentes tóricas trazem marcações
especiais que permitem avaliar a rotação na
lâmpada de fenda Normalmente se espere
uma rotação de 5o
.nasais devido ao efeito de
cremalheira descrito anteriormente.
Cada hora do mostrador de um
relógio representa 30 º e desta forma
podemos calcular a rotação.
O poder esférico da lente também
influirá nas características da rotação de uma
alente tórica (poderes mais altos provocam
maior rotação).
Os cilindros a 90o
. são mais estáveis que os
a 180 º .Quanto maior é o cilindro, maior é o
efeito de orientação.
23.2- ADAPTAÇÃO DA LENTE DE PROVA
A lente é adaptada da maneira
convencional das lentes hidrofílicas.Como é
uma lente tórica, não teremos que calcular
o equivalente esférico. Deveremos, no
entanto, calcular a Distância ao vértice para
cada meridiano.
A revisão será a mesma feita para
lentes esféricas. Para observar as marcas e
ver a rotação podemos usar retro-iluminação,
secção óptica ou paralelepípedo.
Se as marcações da lente de prova
giram com os ponteiros do relógio
(sentido horário) , devemos somar o
valor do giro ao subjetivo (lembre que
cada hora representa 30 graus, se gira
uma hora serão 10 graus).
Se as marcações da lente de prova
girarem contra os ponteiros do relógio
(sentido anti-horário) , devemos subtrair
este valor do subjetivo.
A lente definitiva girará da mesma
forma que a lente de prova.
EXEMPLO: 1: Subjetivo: OD –1,00 –2,00 a
20
o
.
A lente de prova gira 10 graus a favor do
relógio.
Lente definitiva: OD –1,00 –2,00 a 30o
.
(20 º + 10º. = 30 º)
EXEMPLO 2: Subjetivo: OD + 1.50 –2.50 a
160 º
A lente de prova gira 10 º contra o relógio.
Lente definitiva:OD +1.50 –2.50 a 150
o
.
(160 º - 10
o
. = 150
o
.)
24- ADAPTAÇÃO EM PÓS
CIRURGICOS REFRATIVOS
- TOPOGRAFIAS CORNEANAS OU
VIDEOCERATOGRAFIA
-
24.1- OBJETIVO -
- Analisar a córnea completa;
- Descrever com precisão a superfície
anterior e posterior da córnea;
- Pode-se realizar diagnósticos mais
precisos;
- Analise pré-cirúrgica e pós;
- Calcular lentes de contato;
- Desenho da face posterior das lentes de
contato.
24.2- INTERPRETAÇÂO
É realizado por reflexão, onde anéis
(cerca de 32) de luz são direcionados para a
córnea e através da reflexão dos mesmos
ontem uma leitura de até 8.000 pontos da
córnea. Os dados são codificados em cores e
representados em uma imagem de vídeo.
As cores quentes (vermelho, rosa,
laranja) representam os poderes mais altos,
enquanto que as frias (verde, azul, violeta) os
poderes mais baixos.
A escala dividida em 11 cores é
chamada de ESCALA NORMALIZADA, a
escala FIXA possui um programa que varia
entre 9 a 101 dioptrias, esta última é utilizada
para comparação pré e pós-cirúrgico.
A orientação vertical do meridiano
mais curvo nos mostra astigmatismo
corneano a favor da regra (WR), já o
horizontal mais curvo astigmatismo corneano
contra a regra (AR).
24.3- FORMA
- Em forma de 8,
- Relógio de areia,
- Borboleta,
- Oval,
- Redonda,
- Abacaxi.
24.4- LEITURA –
- SRI (Índice de Regularidade da
Superfície) – analise matemático
comparativo de cada um dos pontos que
se encontram na área pupilar e suas
diferenças (normal0,5).
55.
Curso de Contatologia
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55
- SAI (Índice de Assimetria da Superfície) -
analise matemático comparativo na área
fora da pupila.
- SIM K (Queratometria Simulada) –
analise dos dados eqüidistantes da área
pupilar.
- PVA (Acuidade Visual Potencial) – poder
da AV estimado baseando-se no SRI e
sua relação com PVA.
CAPITULO V
25- MICROBIOLOGIA DOS FUNGOS
Durante muito tempo, os fungos
foram considerados como vegetais e,
somente a partir de 1969, passaram a ser
classificados em um reino à parte
denominado Fungi.
Os fungos apresentam um conjunto
de características que permitem sua
diferenciação das plantas: não sintetizam
clorofila nem qualquer pigmento
fotossintético; não têm celulose na parede
celular, exceto alguns fungos aquáticos, e
não armazenam amido como substância de
reserva. A presença de substâncias
quitinosas na parede da maior parte das
espécies fúngicas e a capacidade de
armazenar glicogênio os assemelham às
células animais.
Os fungos são ubíquos, encontrando-
se em vegetais, em animais, no homem, em
detritos e em abundância no solo,
participando ativamente do ciclo dos
elementos na natureza.
A dispersão dos fungos na natureza
é feita por várias vias: animais, homem,
insetos, água e, principalmente, pelo ar
atmosférico, através dos ventos.
Os fungos são seres vivos
eucarióticos com um só núcleo, como as
leveduras, ou multinucleados, como os
fungos filamentosos ou bolores e os
cogumelos (fungos macroscópicos).
25.1- ESTRUTURA DA CÉLULA FÚNGICA
Todas as células fúngicas são
eucarióticas, isto é, possuem núcleo com
membrana nuclear.
Os fungos originam-se de única
célula ou de um fragmento da hifa e estas
unidades apresentam estruturas variadas,
sendo que algumas delas, mais
especificamente a parede celular, são de
grande auxílio na Taxonomia destes
microorganismos.
25.1.1- PAREDE
É uma estrutura rígida que protege a
célula de choques osmóticos (possui até oito
camadas e mede de 200 a 350nm), sendo
56.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
56
composta, de modo geral, por glucanas,
mananas e, em menor quantidade, por
quitina, proteína e lipídios.
25.1.2- MEMBRANA CITOPLASMÁTICA
Atua como uma barreira
semipermeável, no transporte ativo e passivo
dos materiais, para dentro e para fora da
célula, sendo constituída de uma porção
hidrofóbica e de uma porção hidrofílica. As
membranas das células dos fungos têm em
sua composição química esteróis, que não
são encontrados nas células bacterianas.
25.1.3- NÚCLEO
Contém o genoma fúngico e está
agrupad o em cromossomos lineares,
compostos de dupla fita de DNA arrumados
em hélice.
25.2- MORFOLOGIA E REPRODUÇÃO
Os fungos podem desenvolver-se em
meios de cultivo especiais formando colônias
de dois tipos: leveduriformes e filamentosas.
As colônias leveduriformes são, de
maneira geral, pastosas ou cremosas e
caracterizam o grupo das leveduras.
As colônias filamentosas, que
caracterizam os bolores, podem ser
algodonosas, aveludadas ou pulverulentas,
com os mais variados tipos de pigmentação.
As leveduras são microorganismos
unicelulares, a própria célula cumprindo as
funções vegetativas e reprodutivas. Os
bolores são constituídos, fundamentalmente,
por elementos multicelulares em forma de
tubo – as hifas que podem ser contínuas,
não-septadas o cenocíticas e septadas.
Ao conjunto de hifas dá-se o nome
de micélio.
25.3- NUTRIÇÃO CRESCIMENTO E
METABOLISMO
Os fungos são microorganismos
eucarióticos que se encontram amplamente
distribuídos no solo, na água, em alimentos,
nos vegetais, em detritos em geral, em
animais e no homem, sendo em sua maioria
aeróbio obrigatórios.
26- MICROBIOLOGIA DOS VÍRUS
A virologia teve seu início no final do
século XIX, com o reconhecimento da
existência de agentes infecciosos capazes de
passar através de filtros que retinham
bactérias, sendo, portanto, menores do que
estas. Com a evolução de conhecimentos
teóricos e científicos verificou-se que nem
todos os agentes filtráveis podiam ser
classificados como vírus, uma vez que estes,
além de seu reduzido tamanho, são parasitas
intracelulares obrigatórios, apresentam uma
organização e composição estruturais
características, além de um processo único
de replicação.
A virologia expandiu-se
consideravelmente nos primeiros 30 anos
deste século, com a caracterização de
número sempre crescente de doenças
humanas, animais e vegetais causadas por
vírus capazes de infectar bactérias, os
chamados bacteriófagos.
O marco fundamental na história da
virologia corresponde, entretanto, ao
momento em que o vírus do mosaico do
tabaco foi cristalizado, quando derrubou a
barreira que separava os seres animados
dos seres inanimados. Esta descoberta teve
um grande impacto no campo das ciências
biológicas em geral, da ciência médica, e
dentro do próprio campo da bioquímica, onde
os conhecimentos que se acumularam, sobre
a estrutura viral, deram origem a uma nova
área de conhecimento, a biologia molecular.
Existem diferenças fundamentais
entre os vírus e as células vivas. Enquanto o
genoma celular é constituído por DNA e
RNA, no genoma viral só se encontra um dos
dois ácidos nucléicos; a célula forma-se por
divisão binária de elemento preexistente, ao
passo que o vírus finaliza seu processo de
multiplicação por organização de
constituintes sintetizados; o vírus não possui,
ao contrário da célula, sistema enzimático
próprio. Estas diferenças, e o fato de os vírus
poderem ser cristalizados, sem perder o
poder infeccioso, permitem-nos, numa
análise simplista, considerar os vírus como
microorganismos de grande simplicidade ou
moléculas de grande complexidade.
Mais recentemente foram
descobertos outros três elementos
responsáveis por doenças em plantas,
57.
Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
57
animais e seres humanos, de constituição
ainda mais simples: os viróides, compostos
apenas por RNA; os virusóides, constituídos
por uma molécula de RNA envolta por uma
estrutura protéica; e os prions, que são de
natureza protéica.
Estes elementos têm sido estudados
dentro da virologia devido não só a
semelhanças de composição e estrutura
(viróides e virusóides), mas também por
serem agentes de doenças que, até então,
haviam sido consideradas como decorrentes
de ação viral (viróide, virusóides e prions).
26- MICROBIOLOGIA DAS
BACTÉRIAS
26.1- Morfologia e Estrutura da célula
Bacteriana:
As bactérias de interesse neste
estudo podem apresentar formas esféricas
ou comumente chamadas cocos, cilíndricas
ou bacilos e de espiral.
Os cocos são redondos, mas podem
ser ovais, alongados ou achatados em uma
das extremidades. Quando as bactérias em
forma de cocos se dividem, as células podem
permanecer unidas umas às outras, surgindo
em decorrência cocos aos pares
(diplococos), cadeias (estreptococos), cachos
(estafilococos).
Os bacilos, ao contrário dos cocos,
só se dividem no plano sobre seu eixo menor
de tal forma, que são poucos os arranjos ou
agrupamentos: os diplobacilos aparecem aos
pares e estreptobacilos ocorrem em cadeias.
Alguns bacilos assemelham-se a lanças,
outros têm extremidades arredondadas ou
então retas.
Alguns bacilos assemelham-se tanto
aos cocos que são chamados cocobacilos.
Lembramos, porém, que a maior parte dos
bacilos apresenta-se como bacilos isolados.
Bactérias espiraladas podem ter uma ou
mais espirais. Quando têm o corpo rígido e
são como vírgulas, são chamados vibriões, e
espirilos, quando têm a forma de saca-rolhas.
Há ainda um grupo de organismos
espiralados, mas de corpo flexível – os
espiroquetas.
Os métodos de coloração mais
empregados em bacteriologia neste estudo
microbiológico são os de Gram e de Ziehl -
Neelsen.
O termo Gram vem do nome de
Christian Gram, pesquisador dinamarquês
que, em 1884, desenvolveu, desenvolveu de
maneira empírica, o método de coloração
que passou a ter o seu nome e que permite
dividir as bactérias em dois grandes grupos:
Gram-positivos e Gram-negativos.
O método, ou técnica de Gram
consiste, essencialmente, no tratamento
sucessivo de um esfregaço bacteriano, fixado
pelo calor, com os seguintes reagentes:
cristal violeta, lugol, álcool e fucsina.
Assim, quando se examina ao
microscópio um esfregaço bacteriano corado
pelo método de Gram, as bactérias Gram-
positivas se apresentam de cor roxa e as
Gram-negativas, de cor avermelhada.
26.1.1- Estrutura Química:
Como a maioria das membranas
biológicas, a membrana das bactérias é
composta de proteínas (60%) imersas em
uma bicamada fosfolipídicas (40%). As
proporções dos componentes são variáveis,
dependendo da espécie bacteriana e das
condições de cultivo.
Os ácidos graxos dos lipídios são
responsáveis pela condição hidrofóbica da
porção interna da membrana enquanto a
parte hidrofílica dos mesmos fica exposta ao
meio externo aquoso. Além das interações
hidrofóbicas e pontes de hidrogênio, cátions
como Mg e Ca são responsáveis pela
manutenção da integridade da membrana.
26.1.2- Parede Celular:
Geralmente a pressão osmótica do
interior das bactérias (15 a 20 atmosferas) é
muitas vezes superior à do meio externo, de
maneira que a tendência da célula a
intumescer é grande e, se não fosse a
presença da parede celular, as bactérias
estourariam. A manutenção da forma
bacteriana (bacilo, coco etc.) é devida a esta
estrutura. Além disso, a parede desempenha
um papel importante na divisão celular como
primer para a sua própria biossíntese, dando
origem ao septo que separa as duas novas
células oriundas da divisão celular.
As paredes de bactérias Gram-
negativas e Gram-positivas apresentam
diferenças marcantes. Bactérias Gram-
58.
Curso de Contatologia
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58
negativas e Gram-positivas apresentam
diferenças marcantes. Bactérias Gram-
negativas possuem uma parede composta de
várias camadas que diferem na sua
composição química e, conseqüentemente, é
mais complexa que a parede das Gram-
positivas que apesar de mais espessa,
apresenta predominante um único tipo de
macromolécula. O conhecimento das
diferenças entre as paredes de bactérias
Gram-positivas e Gram-negativas é da mais
alta relevância para o estudo dos
mecanismos de ação dos quimioterápicos, de
patogenicidade e de outros tantos assuntos
que estarão relacionados diretamente à
composição química e estrutura da parede
bacteriana.
26.1.3- Características da parede das
Bactérias Gram-positivas:
Suas propriedades são:
1º Facilitar a ligação e a regulação da
entrada e saída de cátions na célula, graças
ao grupo fosfato que confere uma carga
negativa à molécula que se encontra voltada
para o lado externo da célula.
2º Regular a atividade durante o processo de
divisão celular.
3º Constituir sítios receptores de
bacteriófagos.
4º Servir de sítio de ligação com o epitélio do
hospedeiro em algumas bactérias
patogênicas.
26.1.4- Características da parede das
Bactérias Gram-negativas.
A parede das bactérias Gram-
negativas é mais complexa. E é formada por
uma membrana externa.
A parede das bactérias Gram-
negativas são mais suscetíveis a quebras
quando comparadas à de Bactérias Gram-
positivas.
Como a maioria das membranas
biológicas, a membrana externa das
bactérias Gram-negativas é formada por uma
dupla camada lípidica.
Como a membrana citoplasmática, a
membrana externa das bactérias Gram-
negativas é um mosaico fluido com um
conjunto de proteínas imersas na matriz
lípidicas.
A presença da membrana externa
em bactérias Gram-negativas confere
características bastante peculiares quando
comparadas com as bactérias Gram-
positivas. Assim, a forte carga positiva
localizada na membrana externa constitui
fator importante na evasão destas bactérias à
ação de células fagocitárias e ao
complemento durante a invasão de um
hospedeiro.
Além disso, a membrana externa
constitui uma barreira adicional à entrada de
algumas substâncias como antibióticos (por
exemplo: a penicilina), lisozima, detergentes,
metais pesados, sais de bile, enzimas e
alguns corantes.
A existência da membrana externa
confere às bactérias uma barreira hidrofóbica
adicional, dificultando a penetração de
algumas substâncias, não penetrando na
parede das Gram-negativas tão facilmente
quanto o fazem em Gram-positivas.
26.1.5- Nutrição e metabolismo Bacterianos.
- Nutrição:
Pode-se constatar em seu interior a
predominância das macromoléculas, em
particular de proteínas e ácidos nucléicos.
Pelo princípio geral de economia
celular, retirar precursores prontos do meio é
sempre mais vantajoso do que sintetiza-los;
esta é, portanto, a escolha preferencial.
Todos os tipos de células, incluindo a
bacteriana, são constituídos de cerca de 70%
de água, indicando que suas reações estão
preparadas para ocorrer em meio aquoso.
As substâncias ou elementos
retirados do ambiente e usados para
constituir novos componentes celulares ou
para obter energia são chamados nutrientes.
- Temperatura.
Cada tipo de bactéria apresenta uma
temperatura ótima de crescimento; em torno
desta temperatura observa-se um intervalo
dentro do qual o desenvolvimento também
ocorre, sem, no entanto, atingir o seu
máximo. Ultrapassado o limite superior,
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Curso de Contatologia
Colégionacional de Óptica e Optometria
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rapidamente ocorre à desnaturação do
material celular e, conseqüentemente, a
morte da célula. As temperaturas inferiores à
ótima levam a uma desaceleração das
reações metabólicas, com diminuição da
velocidade de multiplicação celular, que, em
caso extremo, fica impedida. A morte, nestas
condições, pode acontecer depois de muito
tempo.
Também quanto ao requerimento
térmico, as bactérias apresentam variações,
podendo ser divididas, segundo a
temperatura ótima para seu crescimento em:
Psicrófilas--------------------entre 12 e 17ºC
Mesófilas---------------------entre 28 e 37ºC
Termófilas--------------------entre 57 e 87ºC
Embora existam grupos excêntricos,
que necessitam de altas temperaturas para
seu crescimento, a maioria concentra-se no
grupo de mesófilas, principalmente as de
interesse médico, veterinário e agronômico.
- pH.
Os valores de pH em torno da
neutralidade são os mais adequados para a
absorção de alimentos para a grande maioria
das bactérias.
Existem, no entanto, grupos
adaptados a viver em ambientes ácidos e
alcalinos.
- Oxigênio.
O oxigênio pode ser indispensável,
letal ou inócuo para as bactérias, o que
permite classifica-las em:
•
•
•
• Aeróbias.
Aeróbias estritas – exigem a presença de
oxigênio.
Microaerófilas – necessitam de baixos teores
de oxigênio.
Facultativas – apresentam mecanismos que
as capacitam a utilizar o oxigênio quando
disponível, mas desenvolver-se também em
sua ausência.
Aerotolerantes – suportam a presença de
oxigênio, apesar de não o utilizarem.
•
•
•
• Anaeróbias.
Anaeróbias estritas – não toleram oxigênio.
Exemplos importantes deste grupo são
Clostridium tetani e Clostridium botulinum.
- Metabolismo Bacteriano:
Uma vez garantidos pelo ambiente
os nutrientes e as condições adequadas para
assimila-los, as bactérias vão absorve-los e
transforma-los para que cumpram suas
funções básicas, quais sejam, o suprimento
de energia e de matéria prima. Como matéria
prima, os nutrientes vão ser transformados
em estruturas celulares ou em moléculas
acessórias à sua síntese e funcionamento. A
contínua tomada de nutrientes permite que a
bactéria atinja seu objetivo máximo, que é o
da multiplicação.
27- SISTEMAS DE MANUTENÇÃO
27.1- pH SISTEMAS DE MANUTENÇÃO
27.1.1- SOLUÇÕES DE MULTIPLA – AÇÃO
SURFACTANTES E PERÓXIDO DE
HIDROGÊNIO
Índice de Potenciais de Hidrogeinização (pH)
das Soluções dos Sistemas de Manutenção.
Soluções de Múltipla Ação / Lentes de
Contato Hidrofílicas (LCH) e Rígidas Gás
Permeáveis (RGP):
1- Solo Care (LCH) – Ciba Vision ⇒ 7,5
2- Opti-Free Express (LCH) – Alcon ⇒ 8,5
3- Renu Plus (LCH) – Bausch Lomb ⇒ 7,5
4- Complete (LCH) – Allergan ⇒ 7,0
5- Renu (LCH) – Bausch Lomb ⇒ 7,0
60.
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60
6- Boston Simplicity (RGP) – Bausch Lomb
⇒ 7,5
7- Unique pH (RGP) – Alcon ⇒ 5,5
Soluções Surfactantes:
1- Limpisol – Solótica ⇒ 3,5
Soluções à Base de Peróxido de Hidrogênio:
1- Ao Sept (Solução) – Ciba Vision ⇒ 6,5
2- Ao Sept (Após 10 Minutos) – Ciba Vision
⇒ 6,5
3- Oxy Sept Comfort Plus (Solução) –
Allergan ⇒ 4,5
4- Oxy Sept Comfort Plus (Após 10 Minutos)
– Allergan ⇒ 5,5
27.2- ESCOLHA DO SISTEMA DE ANTI-
SEPSIA ADEQUADO
Para escolhermos o sistema de
manutenção adequado devemos ter como
base o fator de regeneração do Epitélio
Anterior Corneano:
1- Quanto maior o poder de
regeneração = Mais sensível é a
córnea = Utilizar soluções mais
próximas do neutro segundo tabela
2- Quanto menor o poder de
regeneração = Menos sensível é a
córnea = Utilizar soluções mais
Alcalinas
OBS = Soluções mais próximas da faixa de
Alcalinidade são também soluções mais
ativas em manutenção anti-sépticas.
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