JJBB NNEEWWSS
Visite nosso portal www. portaljb.com.br
Informativo Nr. 133
Editoria: Ir Jerônimo Borges
(Loja Templários da Nova Era - GLSC)
Florianópolis (SC) 07 de janeiro de 2011
Recepção
Restaurante dormitório com 3 camas
Marina’s Palace Hotel.
Rua Manoel Mancellos Moura
esquina com Rua Madre Maria Vilac
Reservas: (48) 3266-0010 – 3266-0271
O hotel que proporciona
30% de desconto na temporada
para a família maçônica.
Estacionamento próprio.
Praia de Canasvieiras
Florianópolis
A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA
A Grande Guerra e o Nascimento da Era Moderna
Autor: Modris Eksteins - Tradução: Rosaura Eichenberg
Editora: Rocco Edição: 2ª Ano: 1991 Páginas: 480
Assunto: História geral
Mais detalhes: http://anatoli-oliynik.blogspot.com
Índice desta sexta-feira:
1. Almanaque
2. Palácio do Lavradio – Esclarecimento sobre o seu Tombamento (Ir.
Robson Gouveia/Ir. Fábio Cyrino)
3. Esquecendo o “eu” (autor não informado)
4. Balzac – o escritor fábrica (pesquisa JB News)
5. Destaques JB
 1325 - Afonso IV torna-se rei de Portugal
 1549 - Criação de um governo central no Brasil, o chamado Governo-Geral, sendo Tomé
de Sousa o primeiro Governador-Geral.
 1558 - A França ocupa Calais, a última possessão inglesa em seu território
 1566 - Michele Ghisleri torna-se Papa, futuro São Pio V
 1598 - Boris Godunov chega ao trono da Rússia
 1601 - Robert Devereus lidera revolta em Londres contra a Rainha Elizabeth I de
Inglaterra
o Galileo Galilei observa as quatro maiores luas de Júpiter pela primeira vez (as
quais são conhecidas como luas galileanas: Calixto, Europa, Ganímedes e Io)
 1782 - Abertura do primeiro Banco Comercial Americano.
 1785 - O francês Jean-Pierre Blanchard e o americano John Jeffries viajam de Dover, na
Inglaterra, até Calais, na França em um balão de gás, tornando-se os primeiros a
cruzarem o Canal da Mancha pelo ar.
 1789 - Primeiro Voto Popular no Brasil
o Primeiras eleições nacionais nos Estados Unidos
 1835 - O HMS Beagle ancora no arquipélago Chonos
 1885 - Casamento dos pais de Adolf Hitler: Alois e Klara Hitler.
 1835 - Começou no Pará a Guerra de Cabanagem, revolta popular com um governo
revolucionário formado por moradores pobres de regiões ribeirinhas. Eles anunciaram a
autonomia de sua província diante da Regência até que d. Pedro II atingisse a maioridade.
 1890 - Decretada a separação entre Igreja e Estado no Brasil.
 1911 - Os primeiros testes com aviões bombardeiros foram realizados. Eles seriam
utilizados na Primeira Guerra Mundial.
 1927 - Primeira ligação de telefone transatlântica, entre Nova Iorque e Londres.Começou
o primeiro serviço de telefonia transatlântica, com uma ligação entre Nova York e
Londres. Três minutos de conversa custavam 75 dólares.
 1929 - Foi lançada nos Estados Unidos a primeira tira em quadrinhos de ficção científica:
Buck Rogers 2429 A.D..
 1934 - O personagem de ficção científica Flash Gordon, de Alex Raymond, apareceu pela
primeira vez nos quadrinhos, em tiras de jornal.
 1936 - Criação da área do Polígono das Secas.
 1942 - Segunda Guerra Mundial: Fim da batalha de Moscovo, com a contra-ofensiva
Soviética.
 1942 - Brasil rompe relações diplomáticas com os países do Eixo.
 1953 - O presidente Harry Truman declara que os Estados Unidos desenvolveram uma
bomba de hidrogênio
 1959 - Os Estados Unidos reconheceram o governo de Fidel Castro em Cuba, cinco dias
após a tomada de Havana por um grupo de revolucionários.
 1965 - Criação do Exército de Libertação Nacional da Colômbia.
 1975 - A OPEP concorda em elevar as taxas do petróleo em 10%.
 1978 - História da Antártica: nasce um bebê, chamado Emilio Marcos de Palma, próximo
à baía Hope, tornando-se o primeiro nascido no continente.
 1979 - O Vietnã e os insurgentes Cambojanos apoiados pelo Vietnã anunciam a queda de
Phnom Penh, a capital do Cambodja, e o colapso do regime de Pol Pot. Pol Pot e o
Khmer Vermelho batem em retirada para a Tailândia.
 1982 - Fundação do Museu Afro-Brasileiro, em Salvador, Brasil
 1989 - Akihito torna-se Imperador do Japão e termina o Período Showa.
 1990 - A Torre inclinada de Pisa é fechada para o público devido a preocupações com
segurança.
 1997 - Tibia é lançado
 1998 - Programa Discovery: lançamento do Lunar Prospector.
 1998 - Acabou a guerra civil na Argélia, que deixou 80 mil mortos. A luta entre o
governo e terroristas islâmicos havia começado em janeiro de 1992.
 1998 - Início do processo de impeachment do presidente americano Bill Clinton
 2006 - Evo Morales, presidente da Bolívia reúne-se em Bruxelas com o Comissário para
a Política Externa e de Segurança Comum da União Europeia, Javier Solana, que pediu a
Morales "segurança jurídica" para os investimentos europeus na Bolívia.
Nascimentos
 1355 - Tomás de Woodstock, filho mais novo do rei Eduardo III de Inglaterra (m. 1397).
 1502 - Papa Gregório XIII (m. 1585).
 1796 - Princesa Carlota de Gales (m. 1817).
 1800 - Millard Fillmore, décimo terceiro presidente dos Estados Unidos da América (m.
1874).
 1833 - Henry Enfield Roscoe, químico inglês (m. 1915).
 1838 - Henrique Burnay, 1.º conde de Burnay (m. 1909).
 1844 - Santa Bernadette Soubirous, religiosa francesa. (m. 1879)
 1856 - Alexandre Brodowski, engenheiro polonês (m. 1899).
 1899 - Francis Poulenc, compositor francês (m. 1963).
 1921 - Josué Guimarães, escritor brasileiro (m. 1986)
 1933 - Nicete Bruno, atriz brasileira.
 1935 - Valeri Kubasov, cosmonauta soviético.
 1940 - Lady Francisco, atriz brasileira.
 1941 - John Ernest Walker, químico do Reino Unido.
 1945 - Raila Odinga, primeiro-ministro do Quênia.
 1951 - Luiz Melodia, cantor e compositor brasileiro de MPB.
 1964 - Nicolas Cage, ator norte-americano.
 1978 - Jean Charles de Menezes, imigrante brasileiro morto no metrô de Londres (m.
2005).
 1979 - Ricardo Maurício, piloto brasileiro de Stock Car.
 1985 - Lewis Hamilton, piloto inglês de F-1
Oriente Eterno
 1325 - Rei Dinis de Portugal (n. 1261)
 1355 - Inês de Castro (assassinada), amante do futuro rei Pedro I de Portugal (n. 1320)
 1536 - Catarina de Aragão, primeira mulher de Henrique VIII de Inglaterra (n. 1485)
 1655 - O Papa Inocêncio X (n. 1574)
 1830 - Carlota Joaquina de Bourbon, infanta de Espanha e rainha de Portugal e princesa
honorária do Brasil (n. 1775)
 1847 - Maria Schicklgruber, avó paterna de Adolf Hitler (n. 1795)
 Thomas Lawrence, pintor inglês (n. 1769)
 1932 - André Maginot, político Francês (n. 1877)
 1943 - Nikola Tesla, físico croata (n. 1856)
 1951 - René Guénon, escritor francês.
 1976 - Luís Person, ator e diretor brasileiro (n. 1936)
 1984 - Alfred Kastler, físico francês (n. 1902)
 1986 - Marco Antônio Araújo, guitarrista e compositor brasileiro
 1989 - Hirohito, Imperador do Japão,aos 87 anos , que conduziu o Japão durante a
Segunda Guerra Mundial e foi o último monarca de seu país a ser reconhecido como uma
divindade. (n. 1901)
 1991 - José Guilherme Merquior, diplomata, professor e pensador brasileiro (n. 1941)
 1995 - Murray Newton Rothbard, teórico político e economista estado-unidense (n. 1926)
 1998 - Vladimir Prelog, químico croata (n. 1906)
 2000 - João Silvestre, apresentador de TV brasileiro, pioneiro dos programas de auditório
(n. 1922)
 2006 - General Urano Teixeira da Matta Bacellar, brasileiro, Comandante das Forças de
Paz da ONU no Haiti (n. 1948)
Feriados e eventos cíclicos
Culturais e de Média/Mídia
 1893 - Fundação do jornal O Estandarte, órgão oficial da Igreja Presbiteriana
Independente do Brasil.
 1929 - Publicação da primiera tira de Banda Desenhada de Tarzan, por Hal Foster, pelo
Metropolitan Newspaper Syndicate, baseada na personagem de Edgar Rice Burroughs.
 1997 - Lançado um novo MMORPG: Tibia.
 1988 - Teve início no Rio de Janeiro o primeiro festival de música Hollywood Rock.
Participaram da edição Lulu Santos e Marina Lima, além de seis bandas estrangeiras e
quatro brasileiras.
 1998 - Iniciam-se as emissões regulares da RTP África.
Brasil
 Dia do leitor
Desportivos
 1957 - Fundação da Sociedade Esportiva Flamengo- Rio de Janeiro - Brasil.
 1978 - Fundação do Conquista Futebol Clube - Bahia.
Religiosos
 Dia da liberdade de cultos
 Dia de São Raimundo de Peñafort - Santo Católico
 Natal Ortodoxo - Igreja Ortodoxa.
 Fiestas de San Julián em Ferrol, Espanha
Fatos Históricos de Santa Catarina
1714 Oficia-se, nesta data, o primeiro casamento religioso registrado na
freguesia de Nossa Senhora do Desterro. Foi oficiante frei Agostinho
da Trindade e, contratantes, Domingos Martins e Domingas da Costa,
esta filha de José Tinoco, um dos integrantes da expedição de Francisco
Dias Velho.
1791 Assume o governo da capitania de Santa Catarina o tenente coronel
Manoel Soares Coimbra, substituindo ao major José Pereira Pinto.
1820 Carta Régia, desta data, dirigida ao governador de Santa Catarina,
determinava a construção de 6 barcas canhoneiras para atuarem na
defesa da Ilha.
1857 Inauguração, na capital catarinense, de um colégio feminino da
Irmandade de Nosso Senhor dos Passos e dirigido pelas Irmãs de
Caridade.
1867 Inauguração da linha telegráfica entre Itajaí e Laguna.
1869 Instalado, nesta data, o primeiro Conselho Municipal de Joinville.
Calendário Maçônico do Dia:
1890 Governo provisório da República promulga lei que separa Igreja do
Estado no Brasil.
1978 Fundada a Grande Loja do Estado de Mato Grosso.
1977 Fundada a Loja “Professor Mâncio da Costa” nr. 1977 (GOB/SC)
em Florianópolis.
Ilustração: Palácio dos Marqueses de Lavradio, em Lisboa
PALÁCIO DO LAVRADIO - ESCLARECIMENTO SOBRE O SEU TOMBAMENTO
Ir. Fábio Cyrino, M.I. 33°
Harmonia e Concórdia 3522
Oriente de São Paulo (SP) - Grande Oriente do Brasil/ GOSP
fabiocyrino@uol.com.br
Repasse: Ir Robson Gouveia
Caríssimos IIr.
Gostaria de trazer alguns dados para o conhecimento dos IIr, frente às
questões levantadas sobre o Palácio do Lavradio e a necessidade ou não
de observância das leis existentes para a realização das reformas
necessárias na edificação. Trago esses dados, dada minha experiência
profissional junto ao órgão de Patrimônio do Estado de São Paulo, onde
trabalhei e junto às equipes de projetos de obras de restauro de patrimônio
histórico e cultural que participei.
A questão da preservação do Patrimônio Histórico e Cultural é uma
questão que vem sendo discutida desde que, no século 19, verificou-se a
necessidade de se resguardar elementos significativos da história e da
cultura dos povos. A legislação que regulamenta a preservação e
recuperação é baseada em leis internacionais devidamente discutidas ao
longo do século 20, que levaram no Brasil a criação dos Institutos de
Preservação do Patrimônio, tanto federal quanto estaduais e municipais.
O principal instituto do Brasil é o IPHAN criado na década de 1930 pelo
então ministro Gustavo Capanema, durante o governo Getúlio Vargas.
Durante a década de 1960, foram criados os institutos estaduais, como o
INEPAC, no RJ, e o CONDEPHAAT, em SP, bem os institutos municipais.
Cabe salientar que os Institutos de Preservação estaduais e municipais
possuem como órgão regular um Conselho constituído por membros das
entidades de preservação e de classe, sendo que todos esses possuem
obrigatoriamente um membro do IPHAN. Todos os processos de
tombamentos (que é o termo usado para o bem a ser preservado)
realizado nas esferas estaduais e municipais possuem um reconhecimento
ex-ofício por parte do órgão maior, o IPHAN, o que não impede que este
último também realize um processo de tombamento federal.
Cada bem tombado é protegido pelas leis específicas que regulamentam
os processos de tombamento, leis que existem em todas as esferas
administrativas profanas. Além disso, um bem tombado é protegido
através da Constituição Federal do Brasil e pelo Código Penal - decreto lei
n°2848, de 7 de dezembro de 1940:
Código Penal, decreto lei n°2848, de 7 de dezembro de 1940:
TÍTULO II - DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
CAPÍTULO IV - DO DANO
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade
competente em virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico. Pena -
detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de
local especialmente protegido por lei: Pena - detenção, de um mês a um
ano, ou multa.
Sem aplicação de habeas corpus conforme decisão proferida pelo STF em
07/02/1997.
Além dessa questão, há ainda a aplicação de multas altas por partes dos
órgãos estaduais e municipais, multas estas que variam do valor máximo
de 2300 (dois mil e trezentas) UFIRs, ou, no caso de reincidência, ao
dobro do valor da primeira multa, até o máximo de 4600 (quatro mil e
seiscentas) UFIRs, sem prejuízo das demais cominações legais. Em
outras palavras, qualquer bem tombado deve ser protegido por seus
proprietários e deve seguir regras específicas na legislação para as
intervenções que façam necessárias. Uma dessas regras é a aprovação
de projeto em todos os órgãos competentes, sob o risco de processo a ser
aberto pelo Ministério Público (em alguns casos o atentado contra o
patrimônio chega a ser encarado como crime inafiançável), além de multa
ou mesmo a desapropriação do imóvel sob a alegação de "interesse
cultural público".
Uma obra em edifício protegido, caso do Palácio do Lavradio, tombado
definitivamente em 1972 - 03.01.1972 Antiga GB - através do processo
INEPAC nº. E-03/300.410/71, Port. E nº.1 - precisava obedecer às regras
exigidas, dada a complexidade das ações e os procedimentos a serem
seguidos. Não é uma "reforminha", uma troca de um vaso sanitário ou a
instalação de uma torneira. As obras do Lavradio implicam obras de
grande monta, que interferem com elementos estruturais (telhados, vigas
de sustentação...) e substituição de elementos e materiais que foram
incluídos no processo de tombamento, como o descarte de materiais raros
como pinho-de-riga, sendo substituídos por outros menos "nobres". Não
podemos esquecer que o Lavradio foi tombado por sua importância dentro
da história arquitetônica, cultural e social do RJ e do Brasil.
Para que aqueles que não conhecem a história do edifício, o Palácio do
Lavradio é uma edificação, construída em estilo neoclássico, cuja planta
original é atribuída a Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny,
arquiteto francês, responsável pela remodelação do RJ e integrante da
Missão Artística Francesa de 1816; foi a sede do Grande Oriente do Brasil
fundado em 1822. O terreno foi comprado em 1836 pelo ator português
Vítor Porfírio de Bordas, para nele construir o teatro de sua companhia;
não conseguindo terminar a obra por falta de recursos, cedeu o prédio às
Lojas Maçônicas. Do plano original foram feitos o frontispício, o saguão de
entrada, a ante-sala, as escadas e o saguão das torrinhas, faltando
portanto, a plateia e o palco. No lugar destes, construíram-se os Templos
Maçônicos. No Palácio funcionaram o Grão-mestrado da Ordem, seus
Corpos Auxiliares (Conselho Federal da Ordem, Superior Tribunal de
Justiça e Assembléia Federal Legislativa), antes de sua mudança para o
Distrito Federal na década de 1980. Hoje abriga as Lojas Maçônicas, que,
de segundas às sextas-feiras, realizam suas reuniões. Também nele está
instalado o Museu Maçônico, de rico acervo constituído por móveis de
madeira de lei, peças históricas, medalheiro, documentos firmados por
personagens ilustres, desde o tempo do Reino, esculturas nacionais e
estrangeiras, retratos a óleo dos Grão-mestres e, em destaque, duas
grandes telas de De Martini, representando a Batalha do Riachuelo, além
de ser repositório da pena de ouro gravejada de diamantes com a qual a
princesa Isabel assinou a Lei Áurea em 1888.
Fraternalmente,
Ir. Fábio Cyrino, M.I. 33°
Harmonia e Concórdia 3522
Oriente de São Paulo (SP) - Grande Oriente do Brasil/ GOSP
fabiocyrino@uol.com.br
ESQUECENDO O "EU"
Na Cabala e em outras tradições espirituais, a meta do místico de
encarnar as virtudes de Deus, é, por vezes, denominada “esquecer o eu”.
Esquecer o eu, significa esquecer o eu inferior, o eu humano. Significa
esvaziarmo-nos para abrir espaço para Deus.
Esquecer o eu, é a suprema expressão de humildade. O membro da
escola hassídica do século XVIII, Hasid Issachar Ber de Zlotshov, diz que
a humildade é a meta de todas as práticas espirituais:
“A essência da adoração a Deus e a todos os mitzvot (mandamentos) é
alcançar o estado de humildade, nomeadamente... compreender que todos
os nossos poderes físicos e mentais, e o nosso ser essencial, são
dependentes dos elementos divinos do interior. A pessoa é apenas um
canal para os atributos divinos. Consegue-se alcançar essa humildade
pela admiração da imensidão de Deus, e pelo entendimento de que “não
existe lugar onde Ele não esteja”.
O líder hassídico Bov Baer, ensinou o seguinte: “Pensai em vós como ayin
(nada) e esquecei-vos de vós totalmente... Se pensardes em vós como
alguma coisa, então Deus não vos pode revestir, pois Deus é infinito.
Nenhum receptáculo pode conter Deus, a menos que penseis em vós
como ayin.
Outro escritor hassídico usa uma linguagem semelhante para descrever o
professor inspirado: “Aquele que prega em prol do céu deve considerar
que o intelecto e o sermão não são seus; em outras palavras, ele está tão
morto como um cadáver pisoteado, e tudo vem de Deus, abençoado seja o
Seu nome... Deus está colocando na sua mente as palavras e a
mensagem moral que ele está transmitindo à congregação; de modo que
cada palavra deveria ser como um fogo ardente, e ele deveria sentir-se
compelido a proferi-las todas. De outro modo, ele é como um profeta que
suprime a sua profecia.”
O mesmo princípio de ser um canal para o divino aplica-se aos que oram.
Daniel Matt diz que os hassídicos ensinam que: “o único papel ativo do
místico é a decisão de orar e o esforço de manter a clareza essencial para
transmitir energia divina”.
O místico permite-se ser o instrumento, e Deus faz o resto. Numa obra
hassídica, podemos ler o seguinte: “Aquele que merece este nível (de ser
um instrumento para a transmissão da energia divina) nada mais é, que
um instrumento por intermédio de quem estão sendo conduzidas palavras
do alto. Esta pessoa apenas abre a boca... A condição essencial para a
oração, é estar limpo de toda impureza, para que a voz do alto não seja
corporificada na sua voz. Todos podem merecer este nível... Sua voz é,
por assim dizer, a voz da Shekhinah; eles são apenas instrumentos.
“Num tal estado” explica Matt: “o assunto e o objeto da oração são o
mesmo. Adora-se Deus com Deus. Deus torna-se como um sumo
sacerdote, servindo a Si mesmo por meio da oração humana.”
Dov Baer explica tudo, quando diz: “Seja o que for que façamos, é Deus
que o está fazendo”.
Outros místicos das religiões mundiais falam sobre esquecer o eu. Os
taoístas, por exemplo, usam a frase “esquecer o eu” ou “perder o eu” para
descrever o processo de perder o sentido do eu que está separado do
“Tao”, (a Realidade Suprema). Eles dizem que “perder o eu” não significa
eliminar a nossa identidade; mas impedir que o eu inferior se interponha ao
Tao.
O poeta sufi, Rumi, descreve o processo de esquecer o eu como o
abandono do eu inferior. O autodespojamento, diz ele, é um requisito para
a ascensão mística a Deus:
“Até ser aniquilada, nenhuma alma
É admitida na sala divina da audiência.
O que é a “ascensão” ao céu?
A aniquilação do eu;
O abandono do eu é o credo e a religião dos amantes.”
Jesus também passou pelo mesmo processo de esquecer o eu e tornou-se
um cálice para Deus, ao dizer: “Meu pai trabalha até agora, e eu trabalho
também... ...o Filho, por si mesmo, não pode fazer coisa alguma, se não
vier o Pai fazê-lo... Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma...
porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.
Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras
que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai que está em mim
é quem faz as obras.”
Jesus ensinou à santa do século XIV, Catarina de Sena, que o segredo de
desenvolver um relacionamento íntimo e místico com Deus era, mais uma
vez, esquecer o eu __ tornar-se, como Dov Baer diz, “nada”. Um dia Jesus
apareceu a Catarina enquanto ela rezava, e disse: “Sabes filha, quem tu
és e quem eu sou? Se soubesses estas duas coisas, serias abençoada.
Tu és aquilo que não é; Eu sou Aquele que é. Se tiveres este
conhecimento na tua alma, o inimigo nunca poderá enganar-te; escaparás
de todas as suas armadilhas; nunca consentirás em nada que seja
contrário aos meus mandamentos e, sem dificuldade, adquirirás todas as
graças, todas as verdades, toda a luz.”
“Com essa lição Catarina tornou-se fundamentalmente erudita”, escreveu o
seu biógrafo, Igino Giordani. “Tinha a sua fundação sobre uma rocha; já
não havia mais sombras. Eu, nada; Deus, Tudo. Eu, o não ser; Deus, o
Ser.”
Esquecer o nosso eu através da humildade suprema, é a essência da
senda do místico. É o que permitiu inspirar os antigos profetas com
tremendo poder, ao transmitirem as mensagens de Deus no “Espírito do
SENHOR”. É o que conferiu poder a Catarina de Sena para mudar o curso
da Igreja, e a líderes como Gandhi para mudar o curso da história. E é
aquilo que nos pode dar poder para mudar o mundo.
Ralph Waldo Emerson, a quem o autor Thomas Moore devidamente
classifica como “uma das grandes almas mestras da história americana”,
descreve esta concessão de poder em termos do ilimitado poder de Deus
que literalmente passa por nós. O espírito do misticismo e da Cabala
permeia esta passagem do seu ensaio Natureza:”(O espírito) não atua
sobre nós a partir do exterior... mas, espiritualmente ou através de nós
mesmos; portanto, esse espírito, ou seja, o Ser Supremo, não acumula
natureza à nossa volta, mas fá-la surgir através de nós, tal como a vida da
árvore, gera novos ramos e folhas através dos antigos. Tal como uma
planta na terra, também o homem repousa no seio de Deus; ele é
alimentado por fontes infalíveis e recebe poder inesgotável de acordo com
a sua necessidade. Quem pode estabelecer limites às possibilidades do
homem?... O homem tem acesso a toda a mente do Criador, e é ele
mesmo, o criador do finito.”
Em termos cabalísticos, Emerson está dizendo que somos nutridos pela
luz de “Ein Sof” que flui através das infalíveis fontes das “Sefirot”. E
podemos realmente retirar delas um poder inesgotável, quando
“esquecemos” a nós mesmos, quando nos esvaziamos e deixamos entrar
Deus.
O processo de esquecer o eu, de esvaziamento para ser preenchido com
os atributos e energia de Deus, processa-se passo a passo, dia a dia. Num
certo ponto, descobrimos que Deus é tanto uma parte de nós, que é ele
quem está pensando, sentindo, falando, trabalhando, amando, cuidando e
confortando, através de nós. É nesse momento que a senda do místico
atinge a sua expressão mais elevada e mais prática, pois quando somos
um só com Deus, trazemos verdadeiramente o céu à Terra.
DO LIVRO “CABALA – O CAMINHO DA SABEDORIA”
DE ELIZABETH CLARE PROPHET
"Sujar papel: é o único meio de que disponho - conquanto
ignominioso - para me tornar independente."
H. Balzac à sua irmã Laure, 1821
Balzac: o Escritor-Fábrica
Honoré Balzac, morto há cento e cinqüenta
anos, foi um dos mais extraordinários e
completos escritores de todos os tempos.
Até os nossos dias qualquer um se
impressiona com a vastidão e diversidade
da sua obra, que, na tradução para o português,
feita no Brasil dos anos 50 e 60, chegou a 17
volumes. Quem abrir qualquer um dos livros da
Comédia Humana terá um mundo inteiro diante de
si.
A Iniciação de um Romancista
Em Paris, nos primeiros anos da década de 1820, a
sombra de homem esgueirava-se na noite alta entre
o Boulevard du Pontaux-Choux e a rua
Beaumarchais. Seguia desta vez os passos de um
trabalhador e sua mulher. Escutava-lhes o patoá,
observava-lhes os sapatos rotos, o caminhar
desengonçado, sentia-lhes as privações e intuía
quais seriam seus desejos. Acompanhava-os a
distância, discreto como um bom fantasma, até que
o casal sumia numa ruela qualquer.
H.
Balzac
(1799-
1850)
Mais tarde ainda, se o clarão da
Lua permitisse, tratava de
alcançar o cemitério Père
Lachaise, onde perambulava
horas entre as tumbas
daqueles mortos ilustres.
Olhava para as lápides
buscando inspiração. Talvez
aquelas eminências do
passado, abrigadas nas
tumbas, indicassem-lhe
mediunicamente qual o melhor
caminho para atingir o coração
frio daquela bela cidade, que se
esparramava lá embaixo como
que a seus pés. Da parte mais elevada do famoso
mortuário, contemplava, ao longe, iluminadas, a
Coluna de Vendôme (aquele pilar de bronze erguido
por Napoleão com os canhões de Austerltiz) e a
Abóbada dos Inválidos. Naquele eixo formado por
aqueles dois grandes monumentos concentrava-se o
tout Paris, era dali que os deuses da glória
determinavam quem eles deveriam abençoar.
Balzac se profissionaliza
Dando vida e
corpo a essa
sombra que
vagava pelas
ruas e cemitério
de Paris do
princípio do
século XIX,
veríamos que ele
não alcançava
mais de um
metro e meio,
era feio, com dentes horrivelmente estragados,
pouco asseado e muito mal vestido. Recentemente
tomara a difícil e audaciosa decisão de tornar-se um
escritor profissional. O seu nome era Honoré Balzac,
que, com pouco mais de vinte anos, assumira a
firme determinação de "fazer com a pena o que
Napoleão fizera com a espada". As estranhas
caminhadas, o contato com a gente comum e o
cenário bizarro, faziam parte das emanações que
esperava receber para compor os personagens dos
livros que pretendia escrever. Balzac inovou no seu
tempo ao empresariar a si mesmo, envolvendo-se
em várias iniciativas como impressor e até com
notável previsão, promovendo o livro de bolso como
um solução para a popularização da literatura. Nunca
teve, porém, sucesso em seus saltos para além do
mundo das letras. Ao contrário, só acumulou
decepções e dívidas, obrigando-o a se tornar num
exímio contorcionista para esgueirar-se dos credores
(inclusive deixou um verdadeiro manual ensinando
como escapar deles).
A Vendôme, um dos
Olimpos de Paris
Caminhadas no cemitério (Père Lachaise)
Em Busca de Gente
Da mesma forma que bem mais tarde os pintores
impressionistas saíram de seus ateliers para captar as cores
vivas em seu estado bruto, batidas pelo sol, Balzac desertava
do seu quarto soturno, na rua Lesdiguières (uma das tantas
onde ele morou em Paris) para encontrar em meio à multidão
os tipos e os nomes (muitos deles extraídos das lápides dos
cemitérios) que formariam depois a vasta colmeia humana da
sua Comédia.
Lentamente aquele jovem bisonho, gorducho, nascido em Tours
em 20 de maio de 1799, e considerado quase como um
palerma pelos seus companheiros de escola, transformou-se
num dos maiores escritores da França. Hoje é uma glória
nacional.
O Método
Como método Balzac sempre procurou preceder a apresentação dos
seus personagem com um pequeno ensaio descritivo, algo
equivalente a mostrar um cenário onde os atores irão em breve
surgir. Em seguida surgem os retratos - vistos de fora, do exterior,
com o máximo de detalhes possíveis - dos tipos humanos. Técnica
hiper-realista que depois foi abandonada na literatura pelo
aparecimento do daguerreótipo e, em seguida, pela difusão da
fotografia. As roupas usadas, a aparência (importantíssima), os
gestos e as ações revelam o caráter, até o nome do personagem
define a pessoa, ou pelo menos a condiciona a um tipo de vida, a
uma profissão ou gosto. O resultado foi simplesmente
extraordinário, visto a amplitude e multiplicidade de figuras a quem
ele conseguiu dar vida.
A sociedade parecia uma imensa teia, uma colossal rede interligada por
gente lutando dia a dia pela vida. Marx, em carta a Engels, confessou
sua dívida para com o escritor francês porque, segundo o pensador
alemão, ninguém, até então, expusera com tanto realismo e veracidade
o universo capitalista e burguês. Oto Maria Carpeaux, por sua vez,
disse que Balzac escrevera " o romance do dinheiro".
O Aprendiz do Bacharel
Tempos antes de decidir-se pelas letras, Balzac
fizera um instrutivo estágio num escritório de
advocacia. Os seus pais arrumaram-lhe uma
colocação com um bacharel amigo, o senhor
Guillonnet-Merville. Enquanto seus colegas de
escrivaninha divertiam-se com chistes e
brincadeiras sem fim, o jovem Honoré folhava maravilhado aqueles processos.
Ali naquelas pastas, muitas com as folhas já amareladas pelo tempo, era todo
um mundo que se lhe abria: maridos livrando-se de esposas, filhos tentando
adulterar testamentos, amantes velhuscos fazendo empenhos e hipotecas em
favor das jovens amantes, herdeiros em litígio de vida e morte, verdadeiras
pequenas guerras em torno do dinheiro, e até um pobre coronel, de nome
Chabert, uma ruína viva dos tempos do Grand Armée de Napoleão, ferido em
Eylau, e que fora tratado como um fantasma inconveniente pela ex-mulher,
tentando desesperadamente provar que ainda estava vivo! Aquela papelada toda foi a fonte primeira
em que o escritor iniciante bebeu.
Os comuns, fonte inesgotável de histórias
A maison Balzac no Passy, em Paris
Residência de Balzac na rue Fortune,
Paris
Balzac, um Napoleão das
letras
O Primeiro Sucesso
No início, como escritor profissional, Honoré dedicou-se a porcarias,
a romances góticos que ele despachava em série para as editoras,
oculto num pseudônimo. Somente aos 29 anos sentiu-se em
condições de vir à cena da república das letras com o seu
verdadeiro nome. O livro escolhido, nos moldes de Walter Scott,
era uma história que se passava nos tempos da revolução: A
Bretanha em 1799 (Les Chouans ou La Bretagne en 1799). que
publicou em 1829. Foi a largada de uma série memorável de
romances, novelas e contos, que só se encerrou em 1847,
consagrando-o universalmente como um dos mais prodigiosos,
imaginativos e produtivos literatos de todos os tempos.
A Revolução Balzaquista
Balzac operou uma revolução na novela. Percebeu que (apesar de
ideologicamente manter-se no partido legitimista, saudoso do domínio da
nobreza, monarquista e católico), havia grande dramaticidade no que
denominava de "borra social", a gente simples que o cercava, seus vizinhos, e
que perfazia a grande maioria dos moradores das cidades. Daí ter-se empolgado
com Stendhal, seu contemporâneo, que abrira um filão igual com o Vermelho e
o Negro, 1830. Por detrás da vida de um tabelião, de uma modista, de um
perfumista, de uma dona de casa, de um pároco de aldeia ou de um jornalista
existiam epopéias a serem narradas. As ruas e as habitações comuns
guardavam pepitas de ouro que um esforçado homem de letras poderia extrair.
Para reproduzir, por exemplo, a tragédia da ingratidão, não era preciso, como
no tempo de Shakespeare, expor os infortúnios do rei Lear com suas filhas,
princesas. Ali mesmo - mostrou Balzac a todos - no fauburg de Saint-Marceau,
um bairro de Paris, na Maison Vauquer, igual drama de ingratidão se repetia. Lá,
naquela modesta pensão, um pobre velho aposentado chamado Pai Goriot (que deu o título a um dos
seus livros mais famosos) vivia a pão e água para sustentar o capricho de suas filhas, ambiciosas e
mal-agradecidas.
O Historiógrafo da Vida Privada
O escritor, enfim, como quis Henry Fielding, tornava-se o historiógrafo da
vida privada. Mostrou-se assim indisposto a abrigar em seus romances uma
grande figura da história real. Napoleão, por exemplo, a quem devotava
respeito, aparece palidamente nos começos de Uma mulher de trinta anos,
comandando uma parada militar. Ele acreditava que a presença dessas
personalidades magníficas como Cromwell (a quem ele dedicou uma peça),
tendiam a ofuscar os demais personagens que participavam nas tramas.
Nada custa especular que essa preferência dele pelo comum oposto ao
excepcional ou heróico
La Chabottene, na Vendéia, local histórico
dos chouans
Catarina de Medicis,
estuda por Balzac
A mesa de Balzac, a pequena
fábrica
As paixões, uma matéria-
prima
(ou ainda revelar o heróico no que parecia ser comum), possa ser uma
inconsciente aclimatação dele com a era de mediocridade que lhe coube viver.
Balzac foi contemporâneo quase que por inteiro da sociedade pós-napoleônica, dominada pela rotina
conservadora da Restauração (1815-1848), que banira o feito extraordinário do seu horizonte,
obrigando-o a descobrir extravagâncias por de trás do balcão do burguês. Isso não o impediu,
entretanto, de fazer eventuais incursões na vida da nobreza, como no seu ensaio histórico sobre
Catarina de Médicis e outros livros de aventura.
Um Shakespeare e um Dante Burguês
Ao dramatizar a vida dos burgueses, mostrou que a inveja de um Iago não
destruía apenas o atormentado Otelo. O mesmo estrago ela fazia ao modesto
perfumista César Birotteau, em razão das manobras perversas de um
balconista da sua loja. Balzac plebeizou o que Ésquilo e outros grandes áticos
reservaram às dinastias gregas. O que Shakespeare e Racine atribuíam à
nobreza, ele estendeu aos comuns. A grande queda, revelou ele, não era um
infeliz apanágio que só ocorria a um monarca mitológico como Agamenon, ou
com Édipo Rei e seus filhos, todos príncipes de sangue azul. Ela também se
dava em meio à gente miúda. Eles também tinham direito ao seu quinhão na
tragédia humana. Os burgueses e os pobres não deviam só aparecer na
literatura como pícaros ou seres cômicos e desprezíveis (como Molière, por
exemplo, os tratou no Burguês fidalgo) Cogitou-se que o título geral da sua
obra - a Comédia Humana - foi-lhe inspirado diretamente pelo monumento de
Dante. Da mesma forma com que o ilustre florentino desenhara um imenso
afresco retratando o universo medieval, ainda que no imaginário mundo do
além do cristianismo, Balzac faria o mesmo com a sociedade francesa, ainda
que recorresse a pincéis de cerda torta e às tintas exageradas.
A Comédia da Sociedade Burguesa
Se Dante dividiu o seu mundo em Inferno, Paraíso e Purgatório
(em total sintonia com a teologia cristã), o paisagista Balzac, no
fluxo das ciências naturais, físicas e sociais do seu século, fez o
mesmo com o dele. Como tudo em seu tempo encaminhavam-
se para a especialização, subdividiu a sua Comédia em cenas: a
da vida privada, a da vida na província, a da vida parisiense, a
da vida política, militar e rural, arrematando-as ainda com dois
estudos que denominou de filosóficos e analíticos.
Nela o mundo moderno inteiro se faz presente. Lá esta o
banqueiro, o negociante, o libertino, o inventor, o gráfico, o
poeta, o jornalista, o médico, a cortesã, o funcionário, o
advogado, gente nobre e o povo comum. Mulheres soberbas,
consagradas, contrapõem-se a verdadeiras feiticeiras, quase
bruxas. Homens honrados em choque com gente vil. E, vagando
nas sombras deste mundo, a figura sinistra e fascinante de
Vautrin (inspirado no policial Vidoc, um ex-criminoso), um dos
seus maiores achados literários e seu alter ego, um antigo chefe
de quadrilhas regenerado, um filósofo cínico, arguto observador
da verdadeira teia de aranha que se tornara a sociedade
parisiense da primeira metade do século XIX (personagem que
teria inspirado uma boa parte dos detetives dos romances
policiais que surgiram em seguida).
Filosofia de um Cínico
Balzac e seu burel, o
escritor-monge
"Sabes como fizeram seu caminho até
aqui? Pelo brilho do gênio ou pelo recurso
da corrupção. É preciso penetrar nessa
massa de gente como uma bala de canhão,
ou devastar como uma peste. A
honestidade não serve a ninguém. A
corrupção predomina, o talento é raro.
Sendo a corrupção a arma da mediocridade
que abunda, você a sentirá por toda a
parte."
Vautrin iniciando o jovem Rastignac nas tramas da vida
(Pai Goriot, 1834)
Morte
Quando Balzac morreu, em 18 de agosto
de 1850, com o coração esgotado pelo
excesso de trabalho e por doses cavalares
de café fortíssimo (o mooca que ele
mesmo preparava), deixara mais de 50
títulos conhecidos e um universo ficcional
povoado por mais de dois mil
personagens! O homem-fábrica exauriu-se
aos 51 anos de idade quando recém-
alcançara um dos grandes feitos da sua
vida amorosa, ter casado com madame
Hanska, a bela viúva, uma dama polonesa
que era sua fã e com quem correspondeu-
se diariamente por muitos anos. Há um
Museu Balzac no bairro de Passy, em Paris
16e., na rua Raynouard 47, última
residência em que ele viveu. É um curioso
prédio de três andares, nada suntuoso, onde o visitante entra
pelo terceiro andar podendo então intimar-se com a oficina de
onde saía aquela incrível e aparentemente inesgotável
produção. Certa vez uns amigos presentearam-no com um
conjunto de penas para escrever e acompanhadas por um belo
tinteiro, mas Balzac nunca fez uso deles, mantendo-se fiel a sua
gasta pena que parece ter-se extraviado durante os embaraços
do enterro. Ela foi a alavanca com que ele construiu e moveu
um mundo próprio, colocando-o no panteão dos grandes
homens de letras de todos os tempos.
Obras Principais de Balzac
1831
La Peau de chagrin (A pele do onagro)
1833
Eugénie Grandet (Eugênia Grandet)
1835
Le Père Goriot (O pai Goriot)
1837-1843
César Birotteau (César Birotteau)
Illusions perdues (Ilusões perdidas)
Vidoc, o ex-criminoso
que inspirou Balzac
Balzac, sacerdote da
literatura
1838-1847
Splendeurs et misères des courtisanes
(Esplendores e misérias das cortesãs)
1844
Les Paysans (Os camponeses)
1846
La Cousine Bette (A prima Bette)
1847
Le Cousin Pons (O primo Pons)
(*) Praticamente toda a obra literária de
Balzac foi traduzida e editada sob os auspícios da Editora Globo
de Porto Alegre, num monumental trabalho editorial organizado
por Paulo Rónai.
Balzac e M.me. Hanska
(caricatura)
 Sobre o Código Manu, publicado na edição de ontem do JB News, é bom
lembrar que o Ir. Everton Staub doou para a Biblioteca da Loja
Templários da Nova Era, a obra “Origem dos Direitos dos Povos”, de
Jaime de Altavila.
 Como já noticiado pelo JB News, começam nesta segunda-feira dia 10, as
atividades da Loja Especial União e Fraternidade do Mercosul, que
funcionará no Templo da Loja Fraternidade Catarinense, na SC-401.
 O Ir Eleutério Nicolau da Conceição profere a palestra inaugural: “A
Maçonaria no Brasil: a questão religiosa”
Ir. Eleutério (primeiro da esquerda) no recente encontro
da Loja “Alferes Tiradentes” e Lojas do Paraguai e Argentina.
 Clique tire suas dúvidas e pronto: http://www.cliqueepronto.com.br/index.php
Na cidade de Gramado (RS)
existem ruas e travessas com os nomes
de uma administração de Loja Maçônica:
Travessa do Orador
Travessa do Hospitaleiro
Travessa do Secretário
Travessa do Arquiteto
Travessa do Chanceler
Travessa do Escocês
Todas são transversais da Rua Acácia Negra, que termina na Praça
Cônego das Mercês.
No mesmo bairro, existem ainda, do lado direito da Avenida Coronel Diniz,
a Rua do Vigilante, que se cruza com a Rua do Venerável.
E ainda no Bairro Floresta, a Rua Coluna do Norte e a Travessa Hiram
Jb news   informativo nr. 0133
Jb news   informativo nr. 0133

Jb news informativo nr. 0133

  • 1.
    JJBB NNEEWWSS Visite nossoportal www. portaljb.com.br Informativo Nr. 133 Editoria: Ir Jerônimo Borges (Loja Templários da Nova Era - GLSC) Florianópolis (SC) 07 de janeiro de 2011
  • 2.
    Recepção Restaurante dormitório com3 camas Marina’s Palace Hotel. Rua Manoel Mancellos Moura esquina com Rua Madre Maria Vilac Reservas: (48) 3266-0010 – 3266-0271
  • 3.
    O hotel queproporciona 30% de desconto na temporada para a família maçônica. Estacionamento próprio. Praia de Canasvieiras Florianópolis A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA A Grande Guerra e o Nascimento da Era Moderna Autor: Modris Eksteins - Tradução: Rosaura Eichenberg Editora: Rocco Edição: 2ª Ano: 1991 Páginas: 480 Assunto: História geral
  • 4.
    Mais detalhes: http://anatoli-oliynik.blogspot.com Índicedesta sexta-feira: 1. Almanaque 2. Palácio do Lavradio – Esclarecimento sobre o seu Tombamento (Ir. Robson Gouveia/Ir. Fábio Cyrino) 3. Esquecendo o “eu” (autor não informado) 4. Balzac – o escritor fábrica (pesquisa JB News) 5. Destaques JB  1325 - Afonso IV torna-se rei de Portugal  1549 - Criação de um governo central no Brasil, o chamado Governo-Geral, sendo Tomé de Sousa o primeiro Governador-Geral.  1558 - A França ocupa Calais, a última possessão inglesa em seu território  1566 - Michele Ghisleri torna-se Papa, futuro São Pio V  1598 - Boris Godunov chega ao trono da Rússia  1601 - Robert Devereus lidera revolta em Londres contra a Rainha Elizabeth I de Inglaterra o Galileo Galilei observa as quatro maiores luas de Júpiter pela primeira vez (as quais são conhecidas como luas galileanas: Calixto, Europa, Ganímedes e Io)  1782 - Abertura do primeiro Banco Comercial Americano.  1785 - O francês Jean-Pierre Blanchard e o americano John Jeffries viajam de Dover, na Inglaterra, até Calais, na França em um balão de gás, tornando-se os primeiros a cruzarem o Canal da Mancha pelo ar.  1789 - Primeiro Voto Popular no Brasil o Primeiras eleições nacionais nos Estados Unidos
  • 5.
     1835 -O HMS Beagle ancora no arquipélago Chonos  1885 - Casamento dos pais de Adolf Hitler: Alois e Klara Hitler.  1835 - Começou no Pará a Guerra de Cabanagem, revolta popular com um governo revolucionário formado por moradores pobres de regiões ribeirinhas. Eles anunciaram a autonomia de sua província diante da Regência até que d. Pedro II atingisse a maioridade.  1890 - Decretada a separação entre Igreja e Estado no Brasil.  1911 - Os primeiros testes com aviões bombardeiros foram realizados. Eles seriam utilizados na Primeira Guerra Mundial.  1927 - Primeira ligação de telefone transatlântica, entre Nova Iorque e Londres.Começou o primeiro serviço de telefonia transatlântica, com uma ligação entre Nova York e Londres. Três minutos de conversa custavam 75 dólares.  1929 - Foi lançada nos Estados Unidos a primeira tira em quadrinhos de ficção científica: Buck Rogers 2429 A.D..  1934 - O personagem de ficção científica Flash Gordon, de Alex Raymond, apareceu pela primeira vez nos quadrinhos, em tiras de jornal.  1936 - Criação da área do Polígono das Secas.  1942 - Segunda Guerra Mundial: Fim da batalha de Moscovo, com a contra-ofensiva Soviética.  1942 - Brasil rompe relações diplomáticas com os países do Eixo.  1953 - O presidente Harry Truman declara que os Estados Unidos desenvolveram uma bomba de hidrogênio  1959 - Os Estados Unidos reconheceram o governo de Fidel Castro em Cuba, cinco dias após a tomada de Havana por um grupo de revolucionários.  1965 - Criação do Exército de Libertação Nacional da Colômbia.  1975 - A OPEP concorda em elevar as taxas do petróleo em 10%.  1978 - História da Antártica: nasce um bebê, chamado Emilio Marcos de Palma, próximo à baía Hope, tornando-se o primeiro nascido no continente.  1979 - O Vietnã e os insurgentes Cambojanos apoiados pelo Vietnã anunciam a queda de Phnom Penh, a capital do Cambodja, e o colapso do regime de Pol Pot. Pol Pot e o Khmer Vermelho batem em retirada para a Tailândia.  1982 - Fundação do Museu Afro-Brasileiro, em Salvador, Brasil  1989 - Akihito torna-se Imperador do Japão e termina o Período Showa.  1990 - A Torre inclinada de Pisa é fechada para o público devido a preocupações com segurança.  1997 - Tibia é lançado  1998 - Programa Discovery: lançamento do Lunar Prospector.  1998 - Acabou a guerra civil na Argélia, que deixou 80 mil mortos. A luta entre o governo e terroristas islâmicos havia começado em janeiro de 1992.  1998 - Início do processo de impeachment do presidente americano Bill Clinton  2006 - Evo Morales, presidente da Bolívia reúne-se em Bruxelas com o Comissário para a Política Externa e de Segurança Comum da União Europeia, Javier Solana, que pediu a Morales "segurança jurídica" para os investimentos europeus na Bolívia. Nascimentos  1355 - Tomás de Woodstock, filho mais novo do rei Eduardo III de Inglaterra (m. 1397).
  • 6.
     1502 -Papa Gregório XIII (m. 1585).  1796 - Princesa Carlota de Gales (m. 1817).  1800 - Millard Fillmore, décimo terceiro presidente dos Estados Unidos da América (m. 1874).  1833 - Henry Enfield Roscoe, químico inglês (m. 1915).  1838 - Henrique Burnay, 1.º conde de Burnay (m. 1909).  1844 - Santa Bernadette Soubirous, religiosa francesa. (m. 1879)  1856 - Alexandre Brodowski, engenheiro polonês (m. 1899).  1899 - Francis Poulenc, compositor francês (m. 1963).  1921 - Josué Guimarães, escritor brasileiro (m. 1986)  1933 - Nicete Bruno, atriz brasileira.  1935 - Valeri Kubasov, cosmonauta soviético.  1940 - Lady Francisco, atriz brasileira.  1941 - John Ernest Walker, químico do Reino Unido.  1945 - Raila Odinga, primeiro-ministro do Quênia.  1951 - Luiz Melodia, cantor e compositor brasileiro de MPB.  1964 - Nicolas Cage, ator norte-americano.  1978 - Jean Charles de Menezes, imigrante brasileiro morto no metrô de Londres (m. 2005).  1979 - Ricardo Maurício, piloto brasileiro de Stock Car.  1985 - Lewis Hamilton, piloto inglês de F-1 Oriente Eterno  1325 - Rei Dinis de Portugal (n. 1261)  1355 - Inês de Castro (assassinada), amante do futuro rei Pedro I de Portugal (n. 1320)  1536 - Catarina de Aragão, primeira mulher de Henrique VIII de Inglaterra (n. 1485)  1655 - O Papa Inocêncio X (n. 1574)  1830 - Carlota Joaquina de Bourbon, infanta de Espanha e rainha de Portugal e princesa honorária do Brasil (n. 1775)  1847 - Maria Schicklgruber, avó paterna de Adolf Hitler (n. 1795)  Thomas Lawrence, pintor inglês (n. 1769)  1932 - André Maginot, político Francês (n. 1877)  1943 - Nikola Tesla, físico croata (n. 1856)  1951 - René Guénon, escritor francês.  1976 - Luís Person, ator e diretor brasileiro (n. 1936)  1984 - Alfred Kastler, físico francês (n. 1902)  1986 - Marco Antônio Araújo, guitarrista e compositor brasileiro  1989 - Hirohito, Imperador do Japão,aos 87 anos , que conduziu o Japão durante a Segunda Guerra Mundial e foi o último monarca de seu país a ser reconhecido como uma divindade. (n. 1901)  1991 - José Guilherme Merquior, diplomata, professor e pensador brasileiro (n. 1941)  1995 - Murray Newton Rothbard, teórico político e economista estado-unidense (n. 1926)  1998 - Vladimir Prelog, químico croata (n. 1906)  2000 - João Silvestre, apresentador de TV brasileiro, pioneiro dos programas de auditório (n. 1922)
  • 7.
     2006 -General Urano Teixeira da Matta Bacellar, brasileiro, Comandante das Forças de Paz da ONU no Haiti (n. 1948) Feriados e eventos cíclicos Culturais e de Média/Mídia  1893 - Fundação do jornal O Estandarte, órgão oficial da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil.  1929 - Publicação da primiera tira de Banda Desenhada de Tarzan, por Hal Foster, pelo Metropolitan Newspaper Syndicate, baseada na personagem de Edgar Rice Burroughs.  1997 - Lançado um novo MMORPG: Tibia.  1988 - Teve início no Rio de Janeiro o primeiro festival de música Hollywood Rock. Participaram da edição Lulu Santos e Marina Lima, além de seis bandas estrangeiras e quatro brasileiras.  1998 - Iniciam-se as emissões regulares da RTP África. Brasil  Dia do leitor Desportivos  1957 - Fundação da Sociedade Esportiva Flamengo- Rio de Janeiro - Brasil.  1978 - Fundação do Conquista Futebol Clube - Bahia. Religiosos  Dia da liberdade de cultos  Dia de São Raimundo de Peñafort - Santo Católico  Natal Ortodoxo - Igreja Ortodoxa.  Fiestas de San Julián em Ferrol, Espanha Fatos Históricos de Santa Catarina 1714 Oficia-se, nesta data, o primeiro casamento religioso registrado na freguesia de Nossa Senhora do Desterro. Foi oficiante frei Agostinho da Trindade e, contratantes, Domingos Martins e Domingas da Costa, esta filha de José Tinoco, um dos integrantes da expedição de Francisco Dias Velho. 1791 Assume o governo da capitania de Santa Catarina o tenente coronel Manoel Soares Coimbra, substituindo ao major José Pereira Pinto. 1820 Carta Régia, desta data, dirigida ao governador de Santa Catarina, determinava a construção de 6 barcas canhoneiras para atuarem na
  • 8.
    defesa da Ilha. 1857Inauguração, na capital catarinense, de um colégio feminino da Irmandade de Nosso Senhor dos Passos e dirigido pelas Irmãs de Caridade. 1867 Inauguração da linha telegráfica entre Itajaí e Laguna. 1869 Instalado, nesta data, o primeiro Conselho Municipal de Joinville. Calendário Maçônico do Dia: 1890 Governo provisório da República promulga lei que separa Igreja do Estado no Brasil. 1978 Fundada a Grande Loja do Estado de Mato Grosso. 1977 Fundada a Loja “Professor Mâncio da Costa” nr. 1977 (GOB/SC) em Florianópolis. Ilustração: Palácio dos Marqueses de Lavradio, em Lisboa
  • 9.
    PALÁCIO DO LAVRADIO- ESCLARECIMENTO SOBRE O SEU TOMBAMENTO Ir. Fábio Cyrino, M.I. 33° Harmonia e Concórdia 3522 Oriente de São Paulo (SP) - Grande Oriente do Brasil/ GOSP fabiocyrino@uol.com.br Repasse: Ir Robson Gouveia Caríssimos IIr. Gostaria de trazer alguns dados para o conhecimento dos IIr, frente às questões levantadas sobre o Palácio do Lavradio e a necessidade ou não de observância das leis existentes para a realização das reformas necessárias na edificação. Trago esses dados, dada minha experiência profissional junto ao órgão de Patrimônio do Estado de São Paulo, onde trabalhei e junto às equipes de projetos de obras de restauro de patrimônio histórico e cultural que participei. A questão da preservação do Patrimônio Histórico e Cultural é uma questão que vem sendo discutida desde que, no século 19, verificou-se a necessidade de se resguardar elementos significativos da história e da cultura dos povos. A legislação que regulamenta a preservação e recuperação é baseada em leis internacionais devidamente discutidas ao longo do século 20, que levaram no Brasil a criação dos Institutos de Preservação do Patrimônio, tanto federal quanto estaduais e municipais. O principal instituto do Brasil é o IPHAN criado na década de 1930 pelo então ministro Gustavo Capanema, durante o governo Getúlio Vargas. Durante a década de 1960, foram criados os institutos estaduais, como o INEPAC, no RJ, e o CONDEPHAAT, em SP, bem os institutos municipais. Cabe salientar que os Institutos de Preservação estaduais e municipais possuem como órgão regular um Conselho constituído por membros das entidades de preservação e de classe, sendo que todos esses possuem obrigatoriamente um membro do IPHAN. Todos os processos de tombamentos (que é o termo usado para o bem a ser preservado) realizado nas esferas estaduais e municipais possuem um reconhecimento ex-ofício por parte do órgão maior, o IPHAN, o que não impede que este último também realize um processo de tombamento federal.
  • 10.
    Cada bem tombadoé protegido pelas leis específicas que regulamentam os processos de tombamento, leis que existem em todas as esferas administrativas profanas. Além disso, um bem tombado é protegido através da Constituição Federal do Brasil e pelo Código Penal - decreto lei n°2848, de 7 de dezembro de 1940: Código Penal, decreto lei n°2848, de 7 de dezembro de 1940: TÍTULO II - DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO CAPÍTULO IV - DO DANO Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico. Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente protegido por lei: Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. Sem aplicação de habeas corpus conforme decisão proferida pelo STF em 07/02/1997. Além dessa questão, há ainda a aplicação de multas altas por partes dos órgãos estaduais e municipais, multas estas que variam do valor máximo de 2300 (dois mil e trezentas) UFIRs, ou, no caso de reincidência, ao dobro do valor da primeira multa, até o máximo de 4600 (quatro mil e seiscentas) UFIRs, sem prejuízo das demais cominações legais. Em outras palavras, qualquer bem tombado deve ser protegido por seus proprietários e deve seguir regras específicas na legislação para as intervenções que façam necessárias. Uma dessas regras é a aprovação de projeto em todos os órgãos competentes, sob o risco de processo a ser aberto pelo Ministério Público (em alguns casos o atentado contra o patrimônio chega a ser encarado como crime inafiançável), além de multa ou mesmo a desapropriação do imóvel sob a alegação de "interesse cultural público". Uma obra em edifício protegido, caso do Palácio do Lavradio, tombado definitivamente em 1972 - 03.01.1972 Antiga GB - através do processo INEPAC nº. E-03/300.410/71, Port. E nº.1 - precisava obedecer às regras exigidas, dada a complexidade das ações e os procedimentos a serem seguidos. Não é uma "reforminha", uma troca de um vaso sanitário ou a instalação de uma torneira. As obras do Lavradio implicam obras de grande monta, que interferem com elementos estruturais (telhados, vigas de sustentação...) e substituição de elementos e materiais que foram
  • 11.
    incluídos no processode tombamento, como o descarte de materiais raros como pinho-de-riga, sendo substituídos por outros menos "nobres". Não podemos esquecer que o Lavradio foi tombado por sua importância dentro da história arquitetônica, cultural e social do RJ e do Brasil. Para que aqueles que não conhecem a história do edifício, o Palácio do Lavradio é uma edificação, construída em estilo neoclássico, cuja planta original é atribuída a Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny, arquiteto francês, responsável pela remodelação do RJ e integrante da Missão Artística Francesa de 1816; foi a sede do Grande Oriente do Brasil fundado em 1822. O terreno foi comprado em 1836 pelo ator português Vítor Porfírio de Bordas, para nele construir o teatro de sua companhia; não conseguindo terminar a obra por falta de recursos, cedeu o prédio às Lojas Maçônicas. Do plano original foram feitos o frontispício, o saguão de entrada, a ante-sala, as escadas e o saguão das torrinhas, faltando portanto, a plateia e o palco. No lugar destes, construíram-se os Templos Maçônicos. No Palácio funcionaram o Grão-mestrado da Ordem, seus Corpos Auxiliares (Conselho Federal da Ordem, Superior Tribunal de Justiça e Assembléia Federal Legislativa), antes de sua mudança para o Distrito Federal na década de 1980. Hoje abriga as Lojas Maçônicas, que, de segundas às sextas-feiras, realizam suas reuniões. Também nele está instalado o Museu Maçônico, de rico acervo constituído por móveis de madeira de lei, peças históricas, medalheiro, documentos firmados por personagens ilustres, desde o tempo do Reino, esculturas nacionais e estrangeiras, retratos a óleo dos Grão-mestres e, em destaque, duas grandes telas de De Martini, representando a Batalha do Riachuelo, além de ser repositório da pena de ouro gravejada de diamantes com a qual a princesa Isabel assinou a Lei Áurea em 1888. Fraternalmente, Ir. Fábio Cyrino, M.I. 33° Harmonia e Concórdia 3522 Oriente de São Paulo (SP) - Grande Oriente do Brasil/ GOSP fabiocyrino@uol.com.br
  • 12.
    ESQUECENDO O "EU" NaCabala e em outras tradições espirituais, a meta do místico de encarnar as virtudes de Deus, é, por vezes, denominada “esquecer o eu”. Esquecer o eu, significa esquecer o eu inferior, o eu humano. Significa esvaziarmo-nos para abrir espaço para Deus. Esquecer o eu, é a suprema expressão de humildade. O membro da escola hassídica do século XVIII, Hasid Issachar Ber de Zlotshov, diz que a humildade é a meta de todas as práticas espirituais: “A essência da adoração a Deus e a todos os mitzvot (mandamentos) é alcançar o estado de humildade, nomeadamente... compreender que todos os nossos poderes físicos e mentais, e o nosso ser essencial, são dependentes dos elementos divinos do interior. A pessoa é apenas um canal para os atributos divinos. Consegue-se alcançar essa humildade
  • 13.
    pela admiração daimensidão de Deus, e pelo entendimento de que “não existe lugar onde Ele não esteja”. O líder hassídico Bov Baer, ensinou o seguinte: “Pensai em vós como ayin (nada) e esquecei-vos de vós totalmente... Se pensardes em vós como alguma coisa, então Deus não vos pode revestir, pois Deus é infinito. Nenhum receptáculo pode conter Deus, a menos que penseis em vós como ayin. Outro escritor hassídico usa uma linguagem semelhante para descrever o professor inspirado: “Aquele que prega em prol do céu deve considerar que o intelecto e o sermão não são seus; em outras palavras, ele está tão morto como um cadáver pisoteado, e tudo vem de Deus, abençoado seja o Seu nome... Deus está colocando na sua mente as palavras e a mensagem moral que ele está transmitindo à congregação; de modo que cada palavra deveria ser como um fogo ardente, e ele deveria sentir-se compelido a proferi-las todas. De outro modo, ele é como um profeta que suprime a sua profecia.” O mesmo princípio de ser um canal para o divino aplica-se aos que oram. Daniel Matt diz que os hassídicos ensinam que: “o único papel ativo do místico é a decisão de orar e o esforço de manter a clareza essencial para transmitir energia divina”. O místico permite-se ser o instrumento, e Deus faz o resto. Numa obra hassídica, podemos ler o seguinte: “Aquele que merece este nível (de ser um instrumento para a transmissão da energia divina) nada mais é, que um instrumento por intermédio de quem estão sendo conduzidas palavras do alto. Esta pessoa apenas abre a boca... A condição essencial para a oração, é estar limpo de toda impureza, para que a voz do alto não seja corporificada na sua voz. Todos podem merecer este nível... Sua voz é, por assim dizer, a voz da Shekhinah; eles são apenas instrumentos. “Num tal estado” explica Matt: “o assunto e o objeto da oração são o mesmo. Adora-se Deus com Deus. Deus torna-se como um sumo sacerdote, servindo a Si mesmo por meio da oração humana.” Dov Baer explica tudo, quando diz: “Seja o que for que façamos, é Deus que o está fazendo”.
  • 14.
    Outros místicos dasreligiões mundiais falam sobre esquecer o eu. Os taoístas, por exemplo, usam a frase “esquecer o eu” ou “perder o eu” para descrever o processo de perder o sentido do eu que está separado do “Tao”, (a Realidade Suprema). Eles dizem que “perder o eu” não significa eliminar a nossa identidade; mas impedir que o eu inferior se interponha ao Tao. O poeta sufi, Rumi, descreve o processo de esquecer o eu como o abandono do eu inferior. O autodespojamento, diz ele, é um requisito para a ascensão mística a Deus: “Até ser aniquilada, nenhuma alma É admitida na sala divina da audiência. O que é a “ascensão” ao céu? A aniquilação do eu; O abandono do eu é o credo e a religião dos amantes.” Jesus também passou pelo mesmo processo de esquecer o eu e tornou-se um cálice para Deus, ao dizer: “Meu pai trabalha até agora, e eu trabalho também... ...o Filho, por si mesmo, não pode fazer coisa alguma, se não vier o Pai fazê-lo... Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma... porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou. Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai que está em mim é quem faz as obras.”
  • 15.
    Jesus ensinou àsanta do século XIV, Catarina de Sena, que o segredo de desenvolver um relacionamento íntimo e místico com Deus era, mais uma vez, esquecer o eu __ tornar-se, como Dov Baer diz, “nada”. Um dia Jesus apareceu a Catarina enquanto ela rezava, e disse: “Sabes filha, quem tu és e quem eu sou? Se soubesses estas duas coisas, serias abençoada. Tu és aquilo que não é; Eu sou Aquele que é. Se tiveres este conhecimento na tua alma, o inimigo nunca poderá enganar-te; escaparás de todas as suas armadilhas; nunca consentirás em nada que seja contrário aos meus mandamentos e, sem dificuldade, adquirirás todas as graças, todas as verdades, toda a luz.” “Com essa lição Catarina tornou-se fundamentalmente erudita”, escreveu o seu biógrafo, Igino Giordani. “Tinha a sua fundação sobre uma rocha; já não havia mais sombras. Eu, nada; Deus, Tudo. Eu, o não ser; Deus, o Ser.” Esquecer o nosso eu através da humildade suprema, é a essência da senda do místico. É o que permitiu inspirar os antigos profetas com tremendo poder, ao transmitirem as mensagens de Deus no “Espírito do SENHOR”. É o que conferiu poder a Catarina de Sena para mudar o curso da Igreja, e a líderes como Gandhi para mudar o curso da história. E é aquilo que nos pode dar poder para mudar o mundo. Ralph Waldo Emerson, a quem o autor Thomas Moore devidamente classifica como “uma das grandes almas mestras da história americana”, descreve esta concessão de poder em termos do ilimitado poder de Deus que literalmente passa por nós. O espírito do misticismo e da Cabala permeia esta passagem do seu ensaio Natureza:”(O espírito) não atua sobre nós a partir do exterior... mas, espiritualmente ou através de nós mesmos; portanto, esse espírito, ou seja, o Ser Supremo, não acumula natureza à nossa volta, mas fá-la surgir através de nós, tal como a vida da árvore, gera novos ramos e folhas através dos antigos. Tal como uma planta na terra, também o homem repousa no seio de Deus; ele é alimentado por fontes infalíveis e recebe poder inesgotável de acordo com a sua necessidade. Quem pode estabelecer limites às possibilidades do homem?... O homem tem acesso a toda a mente do Criador, e é ele mesmo, o criador do finito.”
  • 16.
    Em termos cabalísticos,Emerson está dizendo que somos nutridos pela luz de “Ein Sof” que flui através das infalíveis fontes das “Sefirot”. E podemos realmente retirar delas um poder inesgotável, quando “esquecemos” a nós mesmos, quando nos esvaziamos e deixamos entrar Deus. O processo de esquecer o eu, de esvaziamento para ser preenchido com os atributos e energia de Deus, processa-se passo a passo, dia a dia. Num certo ponto, descobrimos que Deus é tanto uma parte de nós, que é ele quem está pensando, sentindo, falando, trabalhando, amando, cuidando e confortando, através de nós. É nesse momento que a senda do místico atinge a sua expressão mais elevada e mais prática, pois quando somos um só com Deus, trazemos verdadeiramente o céu à Terra. DO LIVRO “CABALA – O CAMINHO DA SABEDORIA” DE ELIZABETH CLARE PROPHET
  • 17.
    "Sujar papel: éo único meio de que disponho - conquanto ignominioso - para me tornar independente." H. Balzac à sua irmã Laure, 1821 Balzac: o Escritor-Fábrica Honoré Balzac, morto há cento e cinqüenta anos, foi um dos mais extraordinários e completos escritores de todos os tempos. Até os nossos dias qualquer um se impressiona com a vastidão e diversidade da sua obra, que, na tradução para o português, feita no Brasil dos anos 50 e 60, chegou a 17 volumes. Quem abrir qualquer um dos livros da Comédia Humana terá um mundo inteiro diante de si. A Iniciação de um Romancista Em Paris, nos primeiros anos da década de 1820, a sombra de homem esgueirava-se na noite alta entre o Boulevard du Pontaux-Choux e a rua Beaumarchais. Seguia desta vez os passos de um trabalhador e sua mulher. Escutava-lhes o patoá, observava-lhes os sapatos rotos, o caminhar desengonçado, sentia-lhes as privações e intuía quais seriam seus desejos. Acompanhava-os a distância, discreto como um bom fantasma, até que o casal sumia numa ruela qualquer. H. Balzac (1799- 1850)
  • 18.
    Mais tarde ainda,se o clarão da Lua permitisse, tratava de alcançar o cemitério Père Lachaise, onde perambulava horas entre as tumbas daqueles mortos ilustres. Olhava para as lápides buscando inspiração. Talvez aquelas eminências do passado, abrigadas nas tumbas, indicassem-lhe mediunicamente qual o melhor caminho para atingir o coração frio daquela bela cidade, que se esparramava lá embaixo como que a seus pés. Da parte mais elevada do famoso mortuário, contemplava, ao longe, iluminadas, a Coluna de Vendôme (aquele pilar de bronze erguido por Napoleão com os canhões de Austerltiz) e a Abóbada dos Inválidos. Naquele eixo formado por aqueles dois grandes monumentos concentrava-se o tout Paris, era dali que os deuses da glória determinavam quem eles deveriam abençoar. Balzac se profissionaliza Dando vida e corpo a essa sombra que vagava pelas ruas e cemitério de Paris do princípio do século XIX, veríamos que ele não alcançava mais de um metro e meio, era feio, com dentes horrivelmente estragados, pouco asseado e muito mal vestido. Recentemente tomara a difícil e audaciosa decisão de tornar-se um escritor profissional. O seu nome era Honoré Balzac, que, com pouco mais de vinte anos, assumira a firme determinação de "fazer com a pena o que Napoleão fizera com a espada". As estranhas caminhadas, o contato com a gente comum e o cenário bizarro, faziam parte das emanações que esperava receber para compor os personagens dos livros que pretendia escrever. Balzac inovou no seu tempo ao empresariar a si mesmo, envolvendo-se em várias iniciativas como impressor e até com notável previsão, promovendo o livro de bolso como um solução para a popularização da literatura. Nunca teve, porém, sucesso em seus saltos para além do mundo das letras. Ao contrário, só acumulou decepções e dívidas, obrigando-o a se tornar num exímio contorcionista para esgueirar-se dos credores (inclusive deixou um verdadeiro manual ensinando como escapar deles). A Vendôme, um dos Olimpos de Paris Caminhadas no cemitério (Père Lachaise)
  • 19.
    Em Busca deGente Da mesma forma que bem mais tarde os pintores impressionistas saíram de seus ateliers para captar as cores vivas em seu estado bruto, batidas pelo sol, Balzac desertava do seu quarto soturno, na rua Lesdiguières (uma das tantas onde ele morou em Paris) para encontrar em meio à multidão os tipos e os nomes (muitos deles extraídos das lápides dos cemitérios) que formariam depois a vasta colmeia humana da sua Comédia. Lentamente aquele jovem bisonho, gorducho, nascido em Tours em 20 de maio de 1799, e considerado quase como um palerma pelos seus companheiros de escola, transformou-se num dos maiores escritores da França. Hoje é uma glória nacional. O Método Como método Balzac sempre procurou preceder a apresentação dos seus personagem com um pequeno ensaio descritivo, algo equivalente a mostrar um cenário onde os atores irão em breve surgir. Em seguida surgem os retratos - vistos de fora, do exterior, com o máximo de detalhes possíveis - dos tipos humanos. Técnica hiper-realista que depois foi abandonada na literatura pelo aparecimento do daguerreótipo e, em seguida, pela difusão da fotografia. As roupas usadas, a aparência (importantíssima), os gestos e as ações revelam o caráter, até o nome do personagem define a pessoa, ou pelo menos a condiciona a um tipo de vida, a uma profissão ou gosto. O resultado foi simplesmente extraordinário, visto a amplitude e multiplicidade de figuras a quem ele conseguiu dar vida. A sociedade parecia uma imensa teia, uma colossal rede interligada por gente lutando dia a dia pela vida. Marx, em carta a Engels, confessou sua dívida para com o escritor francês porque, segundo o pensador alemão, ninguém, até então, expusera com tanto realismo e veracidade o universo capitalista e burguês. Oto Maria Carpeaux, por sua vez, disse que Balzac escrevera " o romance do dinheiro". O Aprendiz do Bacharel Tempos antes de decidir-se pelas letras, Balzac fizera um instrutivo estágio num escritório de advocacia. Os seus pais arrumaram-lhe uma colocação com um bacharel amigo, o senhor Guillonnet-Merville. Enquanto seus colegas de escrivaninha divertiam-se com chistes e brincadeiras sem fim, o jovem Honoré folhava maravilhado aqueles processos. Ali naquelas pastas, muitas com as folhas já amareladas pelo tempo, era todo um mundo que se lhe abria: maridos livrando-se de esposas, filhos tentando adulterar testamentos, amantes velhuscos fazendo empenhos e hipotecas em favor das jovens amantes, herdeiros em litígio de vida e morte, verdadeiras pequenas guerras em torno do dinheiro, e até um pobre coronel, de nome Chabert, uma ruína viva dos tempos do Grand Armée de Napoleão, ferido em Eylau, e que fora tratado como um fantasma inconveniente pela ex-mulher, tentando desesperadamente provar que ainda estava vivo! Aquela papelada toda foi a fonte primeira em que o escritor iniciante bebeu. Os comuns, fonte inesgotável de histórias A maison Balzac no Passy, em Paris Residência de Balzac na rue Fortune, Paris Balzac, um Napoleão das letras
  • 20.
    O Primeiro Sucesso Noinício, como escritor profissional, Honoré dedicou-se a porcarias, a romances góticos que ele despachava em série para as editoras, oculto num pseudônimo. Somente aos 29 anos sentiu-se em condições de vir à cena da república das letras com o seu verdadeiro nome. O livro escolhido, nos moldes de Walter Scott, era uma história que se passava nos tempos da revolução: A Bretanha em 1799 (Les Chouans ou La Bretagne en 1799). que publicou em 1829. Foi a largada de uma série memorável de romances, novelas e contos, que só se encerrou em 1847, consagrando-o universalmente como um dos mais prodigiosos, imaginativos e produtivos literatos de todos os tempos. A Revolução Balzaquista Balzac operou uma revolução na novela. Percebeu que (apesar de ideologicamente manter-se no partido legitimista, saudoso do domínio da nobreza, monarquista e católico), havia grande dramaticidade no que denominava de "borra social", a gente simples que o cercava, seus vizinhos, e que perfazia a grande maioria dos moradores das cidades. Daí ter-se empolgado com Stendhal, seu contemporâneo, que abrira um filão igual com o Vermelho e o Negro, 1830. Por detrás da vida de um tabelião, de uma modista, de um perfumista, de uma dona de casa, de um pároco de aldeia ou de um jornalista existiam epopéias a serem narradas. As ruas e as habitações comuns guardavam pepitas de ouro que um esforçado homem de letras poderia extrair. Para reproduzir, por exemplo, a tragédia da ingratidão, não era preciso, como no tempo de Shakespeare, expor os infortúnios do rei Lear com suas filhas, princesas. Ali mesmo - mostrou Balzac a todos - no fauburg de Saint-Marceau, um bairro de Paris, na Maison Vauquer, igual drama de ingratidão se repetia. Lá, naquela modesta pensão, um pobre velho aposentado chamado Pai Goriot (que deu o título a um dos seus livros mais famosos) vivia a pão e água para sustentar o capricho de suas filhas, ambiciosas e mal-agradecidas. O Historiógrafo da Vida Privada O escritor, enfim, como quis Henry Fielding, tornava-se o historiógrafo da vida privada. Mostrou-se assim indisposto a abrigar em seus romances uma grande figura da história real. Napoleão, por exemplo, a quem devotava respeito, aparece palidamente nos começos de Uma mulher de trinta anos, comandando uma parada militar. Ele acreditava que a presença dessas personalidades magníficas como Cromwell (a quem ele dedicou uma peça), tendiam a ofuscar os demais personagens que participavam nas tramas. Nada custa especular que essa preferência dele pelo comum oposto ao excepcional ou heróico La Chabottene, na Vendéia, local histórico dos chouans Catarina de Medicis, estuda por Balzac A mesa de Balzac, a pequena fábrica As paixões, uma matéria- prima
  • 21.
    (ou ainda revelaro heróico no que parecia ser comum), possa ser uma inconsciente aclimatação dele com a era de mediocridade que lhe coube viver. Balzac foi contemporâneo quase que por inteiro da sociedade pós-napoleônica, dominada pela rotina conservadora da Restauração (1815-1848), que banira o feito extraordinário do seu horizonte, obrigando-o a descobrir extravagâncias por de trás do balcão do burguês. Isso não o impediu, entretanto, de fazer eventuais incursões na vida da nobreza, como no seu ensaio histórico sobre Catarina de Médicis e outros livros de aventura. Um Shakespeare e um Dante Burguês Ao dramatizar a vida dos burgueses, mostrou que a inveja de um Iago não destruía apenas o atormentado Otelo. O mesmo estrago ela fazia ao modesto perfumista César Birotteau, em razão das manobras perversas de um balconista da sua loja. Balzac plebeizou o que Ésquilo e outros grandes áticos reservaram às dinastias gregas. O que Shakespeare e Racine atribuíam à nobreza, ele estendeu aos comuns. A grande queda, revelou ele, não era um infeliz apanágio que só ocorria a um monarca mitológico como Agamenon, ou com Édipo Rei e seus filhos, todos príncipes de sangue azul. Ela também se dava em meio à gente miúda. Eles também tinham direito ao seu quinhão na tragédia humana. Os burgueses e os pobres não deviam só aparecer na literatura como pícaros ou seres cômicos e desprezíveis (como Molière, por exemplo, os tratou no Burguês fidalgo) Cogitou-se que o título geral da sua obra - a Comédia Humana - foi-lhe inspirado diretamente pelo monumento de Dante. Da mesma forma com que o ilustre florentino desenhara um imenso afresco retratando o universo medieval, ainda que no imaginário mundo do além do cristianismo, Balzac faria o mesmo com a sociedade francesa, ainda que recorresse a pincéis de cerda torta e às tintas exageradas. A Comédia da Sociedade Burguesa Se Dante dividiu o seu mundo em Inferno, Paraíso e Purgatório (em total sintonia com a teologia cristã), o paisagista Balzac, no fluxo das ciências naturais, físicas e sociais do seu século, fez o mesmo com o dele. Como tudo em seu tempo encaminhavam- se para a especialização, subdividiu a sua Comédia em cenas: a da vida privada, a da vida na província, a da vida parisiense, a da vida política, militar e rural, arrematando-as ainda com dois estudos que denominou de filosóficos e analíticos. Nela o mundo moderno inteiro se faz presente. Lá esta o banqueiro, o negociante, o libertino, o inventor, o gráfico, o poeta, o jornalista, o médico, a cortesã, o funcionário, o advogado, gente nobre e o povo comum. Mulheres soberbas, consagradas, contrapõem-se a verdadeiras feiticeiras, quase bruxas. Homens honrados em choque com gente vil. E, vagando nas sombras deste mundo, a figura sinistra e fascinante de Vautrin (inspirado no policial Vidoc, um ex-criminoso), um dos seus maiores achados literários e seu alter ego, um antigo chefe de quadrilhas regenerado, um filósofo cínico, arguto observador da verdadeira teia de aranha que se tornara a sociedade parisiense da primeira metade do século XIX (personagem que teria inspirado uma boa parte dos detetives dos romances policiais que surgiram em seguida). Filosofia de um Cínico Balzac e seu burel, o escritor-monge
  • 22.
    "Sabes como fizeramseu caminho até aqui? Pelo brilho do gênio ou pelo recurso da corrupção. É preciso penetrar nessa massa de gente como uma bala de canhão, ou devastar como uma peste. A honestidade não serve a ninguém. A corrupção predomina, o talento é raro. Sendo a corrupção a arma da mediocridade que abunda, você a sentirá por toda a parte." Vautrin iniciando o jovem Rastignac nas tramas da vida (Pai Goriot, 1834) Morte Quando Balzac morreu, em 18 de agosto de 1850, com o coração esgotado pelo excesso de trabalho e por doses cavalares de café fortíssimo (o mooca que ele mesmo preparava), deixara mais de 50 títulos conhecidos e um universo ficcional povoado por mais de dois mil personagens! O homem-fábrica exauriu-se aos 51 anos de idade quando recém- alcançara um dos grandes feitos da sua vida amorosa, ter casado com madame Hanska, a bela viúva, uma dama polonesa que era sua fã e com quem correspondeu- se diariamente por muitos anos. Há um Museu Balzac no bairro de Passy, em Paris 16e., na rua Raynouard 47, última residência em que ele viveu. É um curioso prédio de três andares, nada suntuoso, onde o visitante entra pelo terceiro andar podendo então intimar-se com a oficina de onde saía aquela incrível e aparentemente inesgotável produção. Certa vez uns amigos presentearam-no com um conjunto de penas para escrever e acompanhadas por um belo tinteiro, mas Balzac nunca fez uso deles, mantendo-se fiel a sua gasta pena que parece ter-se extraviado durante os embaraços do enterro. Ela foi a alavanca com que ele construiu e moveu um mundo próprio, colocando-o no panteão dos grandes homens de letras de todos os tempos. Obras Principais de Balzac 1831 La Peau de chagrin (A pele do onagro) 1833 Eugénie Grandet (Eugênia Grandet) 1835 Le Père Goriot (O pai Goriot) 1837-1843 César Birotteau (César Birotteau) Illusions perdues (Ilusões perdidas) Vidoc, o ex-criminoso que inspirou Balzac Balzac, sacerdote da literatura
  • 23.
    1838-1847 Splendeurs et misèresdes courtisanes (Esplendores e misérias das cortesãs) 1844 Les Paysans (Os camponeses) 1846 La Cousine Bette (A prima Bette) 1847 Le Cousin Pons (O primo Pons) (*) Praticamente toda a obra literária de Balzac foi traduzida e editada sob os auspícios da Editora Globo de Porto Alegre, num monumental trabalho editorial organizado por Paulo Rónai. Balzac e M.me. Hanska (caricatura)  Sobre o Código Manu, publicado na edição de ontem do JB News, é bom lembrar que o Ir. Everton Staub doou para a Biblioteca da Loja Templários da Nova Era, a obra “Origem dos Direitos dos Povos”, de Jaime de Altavila.  Como já noticiado pelo JB News, começam nesta segunda-feira dia 10, as atividades da Loja Especial União e Fraternidade do Mercosul, que funcionará no Templo da Loja Fraternidade Catarinense, na SC-401.  O Ir Eleutério Nicolau da Conceição profere a palestra inaugural: “A Maçonaria no Brasil: a questão religiosa”
  • 24.
    Ir. Eleutério (primeiroda esquerda) no recente encontro da Loja “Alferes Tiradentes” e Lojas do Paraguai e Argentina.  Clique tire suas dúvidas e pronto: http://www.cliqueepronto.com.br/index.php
  • 25.
    Na cidade deGramado (RS) existem ruas e travessas com os nomes de uma administração de Loja Maçônica: Travessa do Orador Travessa do Hospitaleiro Travessa do Secretário Travessa do Arquiteto Travessa do Chanceler Travessa do Escocês Todas são transversais da Rua Acácia Negra, que termina na Praça Cônego das Mercês. No mesmo bairro, existem ainda, do lado direito da Avenida Coronel Diniz, a Rua do Vigilante, que se cruza com a Rua do Venerável. E ainda no Bairro Floresta, a Rua Coluna do Norte e a Travessa Hiram