INTRODUÇÃO AO CUIDADO DO
RECÉM-NASCIDO
Mortalidade e morbilidade de recém-
nascidos em Moçambique
Principais causas de morte no período neonatal:
• Prematuridade (35%), nos neonatais;
• Nos pré-termo, insuficiência respiratória por imaturidade pulmonar, a
enterocolite necrosante, as infecções, a hemorragia intraventricular;
• Nos recém-nascidos a termo destaca-se a asfixia perinatal (24%), as infecções
e as sépsis (17%).
Factores de risco
As mortes neonatais estão ligados essencialmente a problemas que podem iniciar
durante a gravidez, e podem afectar a mãe e/ou o feto, podem aparecer no parto ou
no primeiro mês de vida.
Ligados a mãe
• Doenças que afectam a mãe antes e durante a gravidez ( malária, o HIV, a Toxoplasmose, o
Tétano, a Rubéola, as ITS,diabetes, HTA, etc);
• História de complicações obstétricas durante as gravidezes anteriores e durante a gravidez
actual (aborto, nados mortos, baixo peso ao nascimento);
• Problemas que acontecem durante o parto (ruptura prolongada das membranas,
complicações da cesariana, parto pré-termo);
• Idade da mãe:mulheres de 15-18 anos e acima de 35 anos têm risco alto;
• Condição social e Educação da mãe/pais.
Factores de risco ligados ao feto
• Oligo-polihidramnios;
• Gravidezes múltiplas;
• Distress fetal devido a doenças do feto;
• Atraso do crescimento fetal;
• Malformações;
• Pós ou prematuridade.
Factores de risco ligados ao contexto familiar
• Nível socioeconómico da família: a pobreza pode determinar falta de
educação, falta de comida, falta de dinheiro para o transporte;
• Factores tradicionais;
• As práticas da medicina tradicional podem interferir negativamente
no surgimento e na evolução de uma situação patológica
Factores de risco no contexto comunitário
• Condições de saneamento do meio e de habitação, de abastecimento
de água;
• A prática de uso de parteiras tradicionais/matronas pode influenciar
e diminuir o acesso á unidade sanitária quando a mulher necessita de
cuidados mais especializados;
• A nível nacional somente 50% dos partos acontecem na unidade
sanitária;
• Factores de desenvolvimento socioeconómicos da comunidade e
aspectos tradicionais e culturais;
Factores de risco ligados ao contexto do
país
• Subdesenvolvimento, pobreza, índices de desenvolvimento
económico muito baixo; 
• Calamidades naturais e a guerra;
• Prevalência de algumas doenças infecciosas: o HIV, por exemplo; 
Serviços de saúde inadequados em número e qualidade;
Intervenções comunitárias para a melhoria
da saúde materno-neonatal
• O treinamento das parteiras tradicionais nas práticas seguras para o
cuidado do parto e período puerperal incluindo o fornecimento do kit
para o parto;
• Autorização para as parteiras para assistirem o parto da sua paciente e
se for possível realizar o parto da sua parturiente na maternidade do
sistema nacional de saúde;
• Reforçar o aconselhamento a mãe, por parte das parteiras, sobre a
importância de ir logo a unidade sanitária após o parto.
ATENÇÃO IMEDIATA DO RECÉM-
NASCIDO NA SALA DE PARTOS
• Todo RN precisa de uma atenção cuidadosa no momento do nascimento.
• Antes de acontecer o parto é necessário certificar-se de que todo o
equipamento e o material para o parto e os primeiros cuidados ao RN
estejam disponíveis e que o local esteja limpo e aquecido;
• A avaliação do RN pode ser diferenciada em avaliação na primeira hora
após o parto e após a primeira hora;
• A reanimação do RN deve ser feita logo que o clínico verificar que o
bebé não está a respirar, ou a chorar, tem pele azulada e está hipotónico.
Os cuidados de rotina na primeira hora
após o parto
1) Aspiração de secreções- não aspirar por rotina todos os RN. Aspirar somente se:
• O líquido amniótico for espesso;
• RN não iniciar a respiração.
2) Enxugar o corpo
 Com o RN em decúbito dorsal, e a cabeça do RN mais baixa que o corpo,
devemos
enxugá-lo rápida e cuidadosamente com panos secos, limpos e se possível
aquecidos.
 Manter o RN aquecido. A hipotermia causa hipoglicémia, acidose metabólica e
indirectamente diminuição da perfusão pulmonar.
Cont.
3) Determinar o Índice de Apgar - é a forma quantitativa de avaliação do
estado geral do bebé imediatamente após o nascimento, é útil para:
•  A avaliação da vitalidade dum RN nos primeiros minutos de vida;
•  Avaliação da necessidade de reanimação;
•  Fazer um prognóstico de sobrevivência, e em parte do desenvolvimento
psicomotor no futuro.
O índice ao 1º minuto tem relação com as possibilidades de sobrevivência da
criança. O índice do 5º e 10º minuto tem correlação com o prognóstico neurológico.
Consideramos:
 Normal: entre 7-10
 Asfixia moderada: entre 4 e 6
Cont.
Identificar o RN com pulseira ou etiqueta
•  Nome da mãe.
•  Sexo.
•  Data e hora de nascimento.
•  Peso de Nascimento.
Laquear o cordão umbilical
• Laquear de forma asséptica, de modo que o coto fique 3cm (2 dedos), entre 2 a 3
minutos depois de nascimento.
• Em caso de asfixia laqueia-se o cordão com uma pinça para se proceder com manobras
de reanimação. Só posteriormente à ressuscitação, procede-se a laqueação definitiva.
Cont.
Profilaxia Ocular - aplicar um colírio Penicilina Cristalina (10.000 UI /
ml) ou Argirol – 2 gotas/olho ou tetraciclina pomada oftálmica.
Profilaxia da Doença Hemorrágica do RN
 Vitamina K – 1 mg IM no RN> 2500 gr
0,5 mg IM no RN < 2500 gr
Pesar o RN
Cont.
Determinação da Idade Gestacional (IG)
O método Billard, o mais utilizado a nível internacional para determinação
da IG pós-parto, considera a maturidade do RN na base de 6 sinais físicos e
6 sinais neurológicos;
Cont.
Avaliar a maturidade do recém-nascido, através da avaliação dos sinais de maturidade do
recém-nascido. Esta avaliação é mais indicada no RN com >36 Semanas de gestação:
• Textura da pele: avaliar todo o corpo, mãos e pés, se é fina, lisa, gelatinosa, macia, descamada,
espessa com sulcos;
• Cor da pele: avaliar todo o corpo, palmas das mãos, plantas dos pés, lábios, pesquisar cianose,
palidez, icterícia, hematomas;
• Mamilos: avaliar o tamanho e a presença do tecido mamário com a palpação; Orelhas: avaliar a

consistência do pavilhão auricular
Cont
Vacinação BCG e Poliomielite
Profilaxia HIV quando mãe HIV+
leitamento materno
18
História Clínica do Recém-nascido
I. ANAMNESE
19
História Clínica do Recém-nascido
Identificação
Nome (In de…), dias de vida, sexo, raça, natural de…, residência,
filiação, … )
Data de internamento no Serviço de Neonatologia
Fonte de informação: mãe ou cuidador(a)/processo clínico.
Queixa principal/motivo de internamento ou de transferência.
História da Doença actual.
Nota: nem sempre o motivo de internamento e/ou da HDA são conhecidos
pela mãe (baixo nível de consciência e/ou falta de informação).
20
História Clínica do Recém-nascido
Gravidez actual (1)
Idade materna
N° de gestações (incluindo a actual), partos (incluindo o actual),
abortos, filhos vivos.
Única/gemelar
Apresentação
21
História Clínica do Recém-nascido
Intercorrências
Pré-eclâmpsia/eclâmpsia
Sangramento /trauma/procedimentos invasivos/cirurgicos
Febre-infecção (sistema afectado, duração, meses-semanas de
gestação;relação com o parto)
Poli/oligohidramnio; exposição ao RX (ou outros teratógenos)
Tratamento (tipo de medicamento, duração… )
22
História Clínica do Recém-nascido
Trabalho de parto e parto (1)
Início das contrações
• Quanto tempo antes do nascimento?
Hora e data da ruptura das membranas
• Quanto tempo antes do nascimento?
Monitorização fetal (CTG….)
23
História Clínica do Recém-nascido
Trabalho de parto e parto (2)
Local e tipo de parto
Líquido amniótico (fétido, turvo, meconial, etc )
Medicamentos (antibióticos, anestesia, anti
convulsivante, corticosteroides, ARV, etc)
Informações iniciais do RN na sala de partos
• Asfixia, malformações, trauma…
• Reanimação; Profilaxia: vit K, Tetraciclina, ARV..
Exame da placenta
24
História Clínica do Recém-nascido
História Familiar
Constituição do agregado familiar
Idade materna e paterna
Consanguinidade
Nível académico dos progenitores
Rendimento familiar
Condições de habitação
Hábitos
• Álcool
• Tabaco
Doenças hereditárias
25
História Clínica do Recém-nascido
História Alimentar
 Aleitamento
 Materno exclusivo
 Misto
 Artificial
 Número de mamadas por dia
História vacinal
 BCG e Pólio
 Solicitar o Cartão de Saúde da Criança junto a mãe.
Também pode solicitar ou verificar o processo clinico.
26
História Clínica do Recém-nascido
II. EXAME FÍSICO
27
Preparação do Exame Físico

Lavar as mãos antes (e depois) de tocar
no RN.

Luvas

Equipamento limpo, adequado e
funcional.

Manter o RN aquecido

Remover toda a roupa.

Movimentos delicados
28
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
1.Condições do espaço físico (compartimento)
• Ambiente calmo/silêncio
• Sem correntes de ar
• Bem iluminado
• Temperatura amena
2. Revisão da História
 Pré-natal
 Parto
 Pós parto
Princípios Básicos:
• Cuidadoso
• Completo
• Rápido
• Pormenorizado
• Movimentos delicados.
• Consistênte:
 Cefalo →caudal
 Anterior → posterior
 Simples→complexo
29
Princípios do Exame Físico
Observação:antes de tocar
Auscultação: antes da palpação.
Palpação
Movimentos delicados
Evitar em RNs com abdomen agudo
Cuidados redobrados em RNs
prematuros extremos e RNs com
suspeita de traumatismo abdominal.
30
Exame Físico do Recém-Nascido
O exame físico deve incluir:
Estado geral
Sinais vitais
Antropometria
Avaliação por sistemas
Avaliação da idade gestacional
31
Estado Geral
Reflete a primeira impressão com que o examinador fica ao avaliar RN.
• Parâmetros subjectivos
• Aparência/ aspecto
• Reactividade
• Choro
• Movimentos
Os resultados dependem:
Conhecimento e expêriencia do avaliador.
32
Sinais Vitais
Temperatura normal do RN :
Axilar TA :36.0º a 37.5ºC
Hipotermia
• Hipotermia : TA <36ºC
• Hipotermia moderada: TA: 32º e 36ºC
• Hipotermia severa: TA < 32ºC.
Hipertermia
- TA ≥ 38º C
33
Sinais Vitais
Frequência respiratória (FR) normal:40 - 60 cpm.
• Bradipneia : FR < 40 cpm
• Taquipnéia ou polipneia: FR> 60 cpm
34
Sinais Vitais
Pausa Respiratória
Fenómeno não patológico
Muito frequente
Não acompanhada de bradicárdia
ou cianose.
Apnéia
Paragem respiratόria por um período
> 20 segundos.
Acompanhada de cianose e
bradicárdia.
• Prematuros e RNs com patologia
severa.
35
Sinais Vitais
Frequência Cardíaca (FC)
RN saudável FC: 100 - 160 batimentos/minuto.
A FC pode aumentar em resposta à:
• Hipertermia
• Dor
• Patologia respiratória, cardíaca, sistémica, etc.
36
Sinais Vitais
Pressão Arterial (PA)
Não é avaliada de forma rotineira em RNs saudáveis.
Avaliada quando há suspeita de:
• Instabilidade hemodinâmica choque (séptico).
• Coartação da aorta (PA das extremidades superiores e inferiores).
Durante a medição da TA salvaguar:
• Material adequado
• RN quieto e tranquilo
• Consultar a tabela da TA.
37
Medidas Antropométricas
Medidas antropométricas ao nascimento num RN de termo:
Estes parâmetros variam de acordo com a idade gestacional e idade pós-natal.
Consultar as respectivas tabelas de percentil.
Parâmetro Intervalo Normal
Peso 2500 -3999g
Comprimento 48 - 55cm
Perímetro craniano 33-38cm
38
CLASSIFICAÇÃO DO RECÉM-NASCIDO
RN Pequeno para a IG (PIG)
• Abaixo do percentil 10.
RN Grande para a IG (GIG)
Acima do percentil 90.
RN Adequado para a IG (AIG)
Entre percentil 10 e 90.
39
Relação entre a idade gestacional e o peso
Esquerda : RNT (38 semanas) com peso ao nascimento (2800g) , AIG.
Central : RN de termo (38 semanas),com peso de 1950g ao nascimento , PIG.
Direita : RN de termo (38 semanas) macrossómico, com peso de 4800g , GIG.
40
Medidas Antropométricas
Medição do Comprimento
Ideal : craveira (tábua) de medição.
Ajustar a cabeça do RN ao extremo cefálico da craveira
Estende os joelhos e ajustar as plantas dos pés ao
extremo caudal da craveira.
Fazer a leitura.
Registar o valor
Consultar a tabela da relação entre o comprimento e a
idade gestacional.
41
Medidas Antropométricas
Medição do Perímetro Craniano (PC)
Linha imaginária que passa pela região
frontal média→ bordo superior dos
pavilhões auriculares, → região occipital →
circunscreve na totalidade o perímetro da
cabeça.
Consultar a tabela da relação entre o PC e a
idade gestacional.
42
Medidas Antropométricas
Esquerda - RNT com hidrocefalia Direita - RNT com microcefalia
43
44
45
46
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Vérnix Caseoso
Substância branca e gordurosa que forma uma
camada espessa que recobre o corpo ao
nascimento.
É um achado normal.
A medida que o termo da gestação se
aproxima, a quantidade de vérnix caseoso ↓.
• Os RNs pós-termo não possuem vérnix caseoso.
47
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Coloração da Pele
Varia de acordo a IG.
• Prematuros extremos ou com muito baixo peso ao nascimento: pele
profundamente rosada.
• RNs pós-termo: menos rosados.
Coloração excessivamente rósea
• Hipertermia ambiental (incubadoras, aquecedores radiantes desregulados).
Coloração violácea: ex.: hipoxémia, policitémia.
48
Coloração da Pele
49
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Palidez
É a descoloração da pele e
das mucosas. ( Pode usar a
mão do examinador para
comparar a cor).
• Hemorragia
• Transfusão entre gémeos
• Incompatibilidade ABO Rh
• Anemia do prematuro, etc.
50
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Cianose
Coloração azulada ou violácea da pele e/ou mucosas.
Cianose Periférica – frequente
• Hipotermia
• Desaparece com o reaquecimento corporal (contacto pele-a-pele, lâmpadas,
aquecedor radiante, etc).
51
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Cianose Central
• Baixa saturação do sangue arterial.
• Atinge todo o corpo incluindo
lábios e a língua.
• Patologia respiratória e cardíaca.
• Pulmonar: responde ao fornecimento
do O2 a 100%
• Causa cardíaca: não responde ao
fornecimento do O2 a 100% .
52
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Policitémia
Coloração violácea da pele.
↑ viscosidade do sangue.
Transfusão entre fetos (receptor),
filho de mãe diabética, trissomia 13,
18 e 21; sindroma de Beckwith-
Wiedemann, etc.
53
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Icterícia
Coloração amarelada da pele e/ou
mucosas.
Evidente quando a BT sérica ≥ 5-7mg/dl.
Estimativa clínica do nível de Bil é feita
através da observação das áreas
anatómicas afetadas.
54
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Petéquias
Pontos hemorrágicos finos, cor vermelha ou violáceos, dispersos ou
agrupados presentes na pele e/ou nas mucosas.
Parto pélvico, fórcepces, distúrbios de coagulação ou anomalias
vasculares.
55
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Equimose
Lesão do tipo mácula de forma
irregular.
Escura azulada ou violácea.
Resulta do extravasamento do
sangue para a pele.
56
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Outros parâmetros avaliados durante a inspecção da pele:
• Pigmentação, angiomas, lesões cutáneas transitórias, etc.
57
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Inspecção da pele:
• Achados compativeis de infecção
(pústulas, etc).
58
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Pigmentação da pele
• Hipopigmentação ou hiperpigmentação
59
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Cabeça:
Distribuição do cabelo
Edema, equimose, ferimentos, hematoma, etc.
Consistência dos ossos
Crepitação (fracturas)
Defeitos congénitos (encefalocelo, anencefalia,etc)
60
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Cabeça:
Fontanelas e Suturas
Tamanho
Forma
Espaço entre as suturas
Abaulada? tensa?
61
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Fontanela abaulada e/ou tensa
Meningite/encefalite
Hemorragia intracraniana
Hidrocefalia
Mielomeningocelo
Malformacao de Arnald Chiari
tipo II.
62
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Olho e anexos
Manchas vermelhas (hemorragia subconjuntival),
conjuntivas ictéricas, opacidade (catarata), secreções
oculares.
63
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Olho e anexos
Distância interorbital (hipertelorismo e hipotelorismo)
Estrabismo, nistagmos.
64
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Olho e anexos
Pálpebra
• Assimetria, ptose, eversão da margem da pálpebra, hemangiomas, prega
epicantal, etc.
65
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Olho e anexos
Anoftalmia, exoftalmia e microftalmia. Assimetrias
Pupilas (tamanho, simetria, reacção á luz)
66
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Nariz
Tamanho, forma, orifícios nasais e sua permeabilidade.
Secreções ou descarga nasal (purulenta ou hemorrágica).
Sinais de trauma obstétrico.
67
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Pavilhões auriculares
Tamanho
Forma
Consistência
Posição e implantação.
68
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Pavilhões auriculares
Pêlos (hipertricose)
Permeabilidade do canal auditivo, secreções no canal auditivo.
69
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Boca
Lábios (cor, fenda labial, hemangiomas)
Mucosa oral (cor e lesões)
70
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Boca
Língua (cor, macroglossia, glossoptose, freio lingual, lesões, etc).
71
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Boca
Palato (Pérolas de Epstein, fenda palatina, palato em olgiva)
Gengiva (quistos e dentes)
72
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Boca
Cantos da boca.
Sulcos nasolabiais.
Forma, disposição boca.
Ângulo de abertura da boca.
Assimetria ou alterações dos cantos da boca durante o choro.
Sinais de traumatismo obstétrico.
Mandíbula
• Mobilidade
• Retrognátia/micrognátia
73
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Pescoço
Comprimento, assimetria (torcicolo congénito), mobilidade, massas
(higroma quístico).
74
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Clavícula
Assimetria:
• Crepitação óssea
• Choro persistente
• Dor á manipulação
• Diminuição dos movimentos
espontâneos.
75
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Tórax (cárdio- respiratório)
Perímetro torácico, assimetria, tumefação, massas, glândulas mamárias,
mamilos e lesões cutâneas.
Movimentos respiratórios (normal: 40-60 cpm).
Retrações, pausa respiratória.
76
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Auscultação Pulmonar
Roncos (líquido nas vias aérias)
Crepitações (pneumonia/BPN)
Sibilos (obstrução severa)
Ruídos hidroaérios no tórax (hérnia diafragmática).
77
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Cárdiovascular
Simétria torácica
• Abaulamento da região pré-cordial
Ponto de impulso máximo: entre o 4º e 5º espaço intercostal, na linha média
clavicular esquerda.
A deslocação lateral para a direita:
• Causa
• Cardiaca: dextrocárdia cardiomegália
78
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Cardiovascular
Frequência
Ritmo dos tons cardíacos
Intensidade dos tons cardíacos
Sopro cardíaco
• Sistólico, diastólico, contínuo.
• Intensidade
• Propagação
79
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Cárdiovascular
Palpação dos pulsos:
• Radiais, femorais e pediosos
• Simetria, intensidade, ritmo.
Preenchimento capilar:
• Pressionar a planta do pé durante alguns
segundos Soltar
• Contar o tempo de preenchimento capilar
80
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Abdómen
 Pele:
• Prematuros: pele fina com vasos da parede abdominal visíveis.
 Região umbilical
Sinais patológicos
• Circulação colateral
• Assimetria
• Distensão abdominal
• Depressão (abdómen escavado)
• Tumefação
81
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Cordão umbilical
oNormal: cor de marfim
Cor vermelha
• Hemorragia umbilical, cordão umbilical mal
laqueado, trauma.
Secreções mucopurulentas, odor fétido na região
umbilical, hiperémia periumbilical (onfalite).
Defeitos congénitos (onfalocelo, gastrosquise)
82
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Fígado
O fígado do RN normal estende-se 2.0-2.5 cm abaixo do rebordo costal
direito e ao longo da linha média.
Consistência mole
Superfície lisa
Aumento do fígado:
• Hematoma subcapsular
• TORCH
83
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Baço
Num RN normal o baço não é palpável.
O aumento do baço pode estar associado ao trauma obstétrico, anemia
grave, sífilis congénita, etc.
84
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Rins
RN de termo: Plano profundo: rim direito do pode ser palpável.
Prematuros: Ambos os rins podem ser palpáveis .
Forma aredondada, consistência firme e superficie lisa.
Aumento do rim:
Hidronefrose, tumor renal, hemorragia suprarenal, etc.
85
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Ruídos hidroaérios
Relativamente escassos nos prematuros e RNs de termo que ainda não
começaram a alimentação por via oral.
Ausência dos ruídos hidroaérios associada:
• íleo paralítico
• ECN
• Peritonite
• Sepsis grave, etc.
86
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Genitais Masculinos
Tamanho do pénis
Localização da abertura do meato urinário
Testículos (hidrocelo, hematoma, sinais de traumatismo obstétrico e
genitália ambígua).
87
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Genitais Femeninos.
O hímen é visível.
Secreções:
• Cremosas
• Esbranquiçadas
• Pequena quantidade de sangue (pseudomenstruação).
Tecido himenal redundante:
• Pequena língua que se prolonga externamente da
região vaginal
• Frequente em prematuros.
• Resolução espontanea
88
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Região Ano- rectal e região períneo
Inspecção externa (fissuras, hemorragia)
Lesões cutaneas (trauma obstétrico, dermatite das fraldas).
89
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Região Anal e Rectal
Permeabilidade do anus
Toque rectal mandatόrio:
• Se apesar de apresentar orifício anal, o
RN apresentar vómito precoce e não
passou mecόnio.
90
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Musculo-esquelético
Tonus, rigidez, tremores (asfixia, encefalopatia, meningite,
kernicterus, tétano neonatal, lesão dos nervos, etc).
A patologia muscular: diminuição do tonus muscular, atrofia
muscular e fasciculações.
91
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Aparelho Ósteoarticular
Posição
Proporcionalidade entre os segmentos
Comprimento, simetria, integridade,
crepitações, deformidade óssea dor.
Movimentos espontaneos
Amplitude dos movimentos
Rigidez articular, activos, edema,
aumento da temperatura.
92
EXAME FÍSICO DO RECÉM-NASCIDO
Coluna Vertebral
Integridade da pele que cobre a coluna vertebral: lesões causadas pelo
defeitos do tubo neural, trauma.
Curvatura (escoliose congénita)
Tumefação, pêlos, hemangiomas, nevus, teratoma,etc.

INTRODUÇÃO AO CUIDADO DO nbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbRECÉM.pptx

  • 1.
    INTRODUÇÃO AO CUIDADODO RECÉM-NASCIDO
  • 2.
    Mortalidade e morbilidadede recém- nascidos em Moçambique Principais causas de morte no período neonatal: • Prematuridade (35%), nos neonatais; • Nos pré-termo, insuficiência respiratória por imaturidade pulmonar, a enterocolite necrosante, as infecções, a hemorragia intraventricular; • Nos recém-nascidos a termo destaca-se a asfixia perinatal (24%), as infecções e as sépsis (17%).
  • 3.
    Factores de risco Asmortes neonatais estão ligados essencialmente a problemas que podem iniciar durante a gravidez, e podem afectar a mãe e/ou o feto, podem aparecer no parto ou no primeiro mês de vida. Ligados a mãe • Doenças que afectam a mãe antes e durante a gravidez ( malária, o HIV, a Toxoplasmose, o Tétano, a Rubéola, as ITS,diabetes, HTA, etc); • História de complicações obstétricas durante as gravidezes anteriores e durante a gravidez actual (aborto, nados mortos, baixo peso ao nascimento); • Problemas que acontecem durante o parto (ruptura prolongada das membranas, complicações da cesariana, parto pré-termo); • Idade da mãe:mulheres de 15-18 anos e acima de 35 anos têm risco alto; • Condição social e Educação da mãe/pais.
  • 4.
    Factores de riscoligados ao feto • Oligo-polihidramnios; • Gravidezes múltiplas; • Distress fetal devido a doenças do feto; • Atraso do crescimento fetal; • Malformações; • Pós ou prematuridade.
  • 5.
    Factores de riscoligados ao contexto familiar • Nível socioeconómico da família: a pobreza pode determinar falta de educação, falta de comida, falta de dinheiro para o transporte; • Factores tradicionais; • As práticas da medicina tradicional podem interferir negativamente no surgimento e na evolução de uma situação patológica
  • 6.
    Factores de riscono contexto comunitário • Condições de saneamento do meio e de habitação, de abastecimento de água; • A prática de uso de parteiras tradicionais/matronas pode influenciar e diminuir o acesso á unidade sanitária quando a mulher necessita de cuidados mais especializados; • A nível nacional somente 50% dos partos acontecem na unidade sanitária; • Factores de desenvolvimento socioeconómicos da comunidade e aspectos tradicionais e culturais;
  • 7.
    Factores de riscoligados ao contexto do país • Subdesenvolvimento, pobreza, índices de desenvolvimento económico muito baixo;  • Calamidades naturais e a guerra; • Prevalência de algumas doenças infecciosas: o HIV, por exemplo;  Serviços de saúde inadequados em número e qualidade;
  • 8.
    Intervenções comunitárias paraa melhoria da saúde materno-neonatal • O treinamento das parteiras tradicionais nas práticas seguras para o cuidado do parto e período puerperal incluindo o fornecimento do kit para o parto; • Autorização para as parteiras para assistirem o parto da sua paciente e se for possível realizar o parto da sua parturiente na maternidade do sistema nacional de saúde; • Reforçar o aconselhamento a mãe, por parte das parteiras, sobre a importância de ir logo a unidade sanitária após o parto.
  • 9.
    ATENÇÃO IMEDIATA DORECÉM- NASCIDO NA SALA DE PARTOS • Todo RN precisa de uma atenção cuidadosa no momento do nascimento. • Antes de acontecer o parto é necessário certificar-se de que todo o equipamento e o material para o parto e os primeiros cuidados ao RN estejam disponíveis e que o local esteja limpo e aquecido; • A avaliação do RN pode ser diferenciada em avaliação na primeira hora após o parto e após a primeira hora; • A reanimação do RN deve ser feita logo que o clínico verificar que o bebé não está a respirar, ou a chorar, tem pele azulada e está hipotónico.
  • 10.
    Os cuidados derotina na primeira hora após o parto 1) Aspiração de secreções- não aspirar por rotina todos os RN. Aspirar somente se: • O líquido amniótico for espesso; • RN não iniciar a respiração. 2) Enxugar o corpo  Com o RN em decúbito dorsal, e a cabeça do RN mais baixa que o corpo, devemos enxugá-lo rápida e cuidadosamente com panos secos, limpos e se possível aquecidos.  Manter o RN aquecido. A hipotermia causa hipoglicémia, acidose metabólica e indirectamente diminuição da perfusão pulmonar.
  • 11.
    Cont. 3) Determinar oÍndice de Apgar - é a forma quantitativa de avaliação do estado geral do bebé imediatamente após o nascimento, é útil para: •  A avaliação da vitalidade dum RN nos primeiros minutos de vida; •  Avaliação da necessidade de reanimação; •  Fazer um prognóstico de sobrevivência, e em parte do desenvolvimento psicomotor no futuro. O índice ao 1º minuto tem relação com as possibilidades de sobrevivência da criança. O índice do 5º e 10º minuto tem correlação com o prognóstico neurológico.
  • 12.
    Consideramos:  Normal: entre7-10  Asfixia moderada: entre 4 e 6
  • 13.
    Cont. Identificar o RNcom pulseira ou etiqueta •  Nome da mãe. •  Sexo. •  Data e hora de nascimento. •  Peso de Nascimento. Laquear o cordão umbilical • Laquear de forma asséptica, de modo que o coto fique 3cm (2 dedos), entre 2 a 3 minutos depois de nascimento. • Em caso de asfixia laqueia-se o cordão com uma pinça para se proceder com manobras de reanimação. Só posteriormente à ressuscitação, procede-se a laqueação definitiva.
  • 14.
    Cont. Profilaxia Ocular -aplicar um colírio Penicilina Cristalina (10.000 UI / ml) ou Argirol – 2 gotas/olho ou tetraciclina pomada oftálmica. Profilaxia da Doença Hemorrágica do RN  Vitamina K – 1 mg IM no RN> 2500 gr 0,5 mg IM no RN < 2500 gr Pesar o RN
  • 15.
    Cont. Determinação da IdadeGestacional (IG) O método Billard, o mais utilizado a nível internacional para determinação da IG pós-parto, considera a maturidade do RN na base de 6 sinais físicos e 6 sinais neurológicos;
  • 16.
    Cont. Avaliar a maturidadedo recém-nascido, através da avaliação dos sinais de maturidade do recém-nascido. Esta avaliação é mais indicada no RN com >36 Semanas de gestação: • Textura da pele: avaliar todo o corpo, mãos e pés, se é fina, lisa, gelatinosa, macia, descamada, espessa com sulcos; • Cor da pele: avaliar todo o corpo, palmas das mãos, plantas dos pés, lábios, pesquisar cianose, palidez, icterícia, hematomas; • Mamilos: avaliar o tamanho e a presença do tecido mamário com a palpação; Orelhas: avaliar a  consistência do pavilhão auricular
  • 17.
    Cont Vacinação BCG ePoliomielite Profilaxia HIV quando mãe HIV+ leitamento materno
  • 18.
    18 História Clínica doRecém-nascido I. ANAMNESE
  • 19.
    19 História Clínica doRecém-nascido Identificação Nome (In de…), dias de vida, sexo, raça, natural de…, residência, filiação, … ) Data de internamento no Serviço de Neonatologia Fonte de informação: mãe ou cuidador(a)/processo clínico. Queixa principal/motivo de internamento ou de transferência. História da Doença actual. Nota: nem sempre o motivo de internamento e/ou da HDA são conhecidos pela mãe (baixo nível de consciência e/ou falta de informação).
  • 20.
    20 História Clínica doRecém-nascido Gravidez actual (1) Idade materna N° de gestações (incluindo a actual), partos (incluindo o actual), abortos, filhos vivos. Única/gemelar Apresentação
  • 21.
    21 História Clínica doRecém-nascido Intercorrências Pré-eclâmpsia/eclâmpsia Sangramento /trauma/procedimentos invasivos/cirurgicos Febre-infecção (sistema afectado, duração, meses-semanas de gestação;relação com o parto) Poli/oligohidramnio; exposição ao RX (ou outros teratógenos) Tratamento (tipo de medicamento, duração… )
  • 22.
    22 História Clínica doRecém-nascido Trabalho de parto e parto (1) Início das contrações • Quanto tempo antes do nascimento? Hora e data da ruptura das membranas • Quanto tempo antes do nascimento? Monitorização fetal (CTG….)
  • 23.
    23 História Clínica doRecém-nascido Trabalho de parto e parto (2) Local e tipo de parto Líquido amniótico (fétido, turvo, meconial, etc ) Medicamentos (antibióticos, anestesia, anti convulsivante, corticosteroides, ARV, etc) Informações iniciais do RN na sala de partos • Asfixia, malformações, trauma… • Reanimação; Profilaxia: vit K, Tetraciclina, ARV.. Exame da placenta
  • 24.
    24 História Clínica doRecém-nascido História Familiar Constituição do agregado familiar Idade materna e paterna Consanguinidade Nível académico dos progenitores Rendimento familiar Condições de habitação Hábitos • Álcool • Tabaco Doenças hereditárias
  • 25.
    25 História Clínica doRecém-nascido História Alimentar  Aleitamento  Materno exclusivo  Misto  Artificial  Número de mamadas por dia História vacinal  BCG e Pólio  Solicitar o Cartão de Saúde da Criança junto a mãe. Também pode solicitar ou verificar o processo clinico.
  • 26.
    26 História Clínica doRecém-nascido II. EXAME FÍSICO
  • 27.
    27 Preparação do ExameFísico  Lavar as mãos antes (e depois) de tocar no RN.  Luvas  Equipamento limpo, adequado e funcional.  Manter o RN aquecido  Remover toda a roupa.  Movimentos delicados
  • 28.
    28 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO 1.Condições do espaço físico (compartimento) • Ambiente calmo/silêncio • Sem correntes de ar • Bem iluminado • Temperatura amena 2. Revisão da História  Pré-natal  Parto  Pós parto Princípios Básicos: • Cuidadoso • Completo • Rápido • Pormenorizado • Movimentos delicados. • Consistênte:  Cefalo →caudal  Anterior → posterior  Simples→complexo
  • 29.
    29 Princípios do ExameFísico Observação:antes de tocar Auscultação: antes da palpação. Palpação Movimentos delicados Evitar em RNs com abdomen agudo Cuidados redobrados em RNs prematuros extremos e RNs com suspeita de traumatismo abdominal.
  • 30.
    30 Exame Físico doRecém-Nascido O exame físico deve incluir: Estado geral Sinais vitais Antropometria Avaliação por sistemas Avaliação da idade gestacional
  • 31.
    31 Estado Geral Reflete aprimeira impressão com que o examinador fica ao avaliar RN. • Parâmetros subjectivos • Aparência/ aspecto • Reactividade • Choro • Movimentos Os resultados dependem: Conhecimento e expêriencia do avaliador.
  • 32.
    32 Sinais Vitais Temperatura normaldo RN : Axilar TA :36.0º a 37.5ºC Hipotermia • Hipotermia : TA <36ºC • Hipotermia moderada: TA: 32º e 36ºC • Hipotermia severa: TA < 32ºC. Hipertermia - TA ≥ 38º C
  • 33.
    33 Sinais Vitais Frequência respiratória(FR) normal:40 - 60 cpm. • Bradipneia : FR < 40 cpm • Taquipnéia ou polipneia: FR> 60 cpm
  • 34.
    34 Sinais Vitais Pausa Respiratória Fenómenonão patológico Muito frequente Não acompanhada de bradicárdia ou cianose. Apnéia Paragem respiratόria por um período > 20 segundos. Acompanhada de cianose e bradicárdia. • Prematuros e RNs com patologia severa.
  • 35.
    35 Sinais Vitais Frequência Cardíaca(FC) RN saudável FC: 100 - 160 batimentos/minuto. A FC pode aumentar em resposta à: • Hipertermia • Dor • Patologia respiratória, cardíaca, sistémica, etc.
  • 36.
    36 Sinais Vitais Pressão Arterial(PA) Não é avaliada de forma rotineira em RNs saudáveis. Avaliada quando há suspeita de: • Instabilidade hemodinâmica choque (séptico). • Coartação da aorta (PA das extremidades superiores e inferiores). Durante a medição da TA salvaguar: • Material adequado • RN quieto e tranquilo • Consultar a tabela da TA.
  • 37.
    37 Medidas Antropométricas Medidas antropométricasao nascimento num RN de termo: Estes parâmetros variam de acordo com a idade gestacional e idade pós-natal. Consultar as respectivas tabelas de percentil. Parâmetro Intervalo Normal Peso 2500 -3999g Comprimento 48 - 55cm Perímetro craniano 33-38cm
  • 38.
    38 CLASSIFICAÇÃO DO RECÉM-NASCIDO RNPequeno para a IG (PIG) • Abaixo do percentil 10. RN Grande para a IG (GIG) Acima do percentil 90. RN Adequado para a IG (AIG) Entre percentil 10 e 90.
  • 39.
    39 Relação entre aidade gestacional e o peso Esquerda : RNT (38 semanas) com peso ao nascimento (2800g) , AIG. Central : RN de termo (38 semanas),com peso de 1950g ao nascimento , PIG. Direita : RN de termo (38 semanas) macrossómico, com peso de 4800g , GIG.
  • 40.
    40 Medidas Antropométricas Medição doComprimento Ideal : craveira (tábua) de medição. Ajustar a cabeça do RN ao extremo cefálico da craveira Estende os joelhos e ajustar as plantas dos pés ao extremo caudal da craveira. Fazer a leitura. Registar o valor Consultar a tabela da relação entre o comprimento e a idade gestacional.
  • 41.
    41 Medidas Antropométricas Medição doPerímetro Craniano (PC) Linha imaginária que passa pela região frontal média→ bordo superior dos pavilhões auriculares, → região occipital → circunscreve na totalidade o perímetro da cabeça. Consultar a tabela da relação entre o PC e a idade gestacional.
  • 42.
    42 Medidas Antropométricas Esquerda -RNT com hidrocefalia Direita - RNT com microcefalia
  • 43.
  • 44.
  • 45.
  • 46.
    46 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Vérnix Caseoso Substância branca e gordurosa que forma uma camada espessa que recobre o corpo ao nascimento. É um achado normal. A medida que o termo da gestação se aproxima, a quantidade de vérnix caseoso ↓. • Os RNs pós-termo não possuem vérnix caseoso.
  • 47.
    47 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Coloração da Pele Varia de acordo a IG. • Prematuros extremos ou com muito baixo peso ao nascimento: pele profundamente rosada. • RNs pós-termo: menos rosados. Coloração excessivamente rósea • Hipertermia ambiental (incubadoras, aquecedores radiantes desregulados). Coloração violácea: ex.: hipoxémia, policitémia.
  • 48.
  • 49.
    49 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Palidez É a descoloração da pele e das mucosas. ( Pode usar a mão do examinador para comparar a cor). • Hemorragia • Transfusão entre gémeos • Incompatibilidade ABO Rh • Anemia do prematuro, etc.
  • 50.
    50 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Cianose Coloração azulada ou violácea da pele e/ou mucosas. Cianose Periférica – frequente • Hipotermia • Desaparece com o reaquecimento corporal (contacto pele-a-pele, lâmpadas, aquecedor radiante, etc).
  • 51.
    51 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Cianose Central • Baixa saturação do sangue arterial. • Atinge todo o corpo incluindo lábios e a língua. • Patologia respiratória e cardíaca. • Pulmonar: responde ao fornecimento do O2 a 100% • Causa cardíaca: não responde ao fornecimento do O2 a 100% .
  • 52.
    52 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Policitémia Coloração violácea da pele. ↑ viscosidade do sangue. Transfusão entre fetos (receptor), filho de mãe diabética, trissomia 13, 18 e 21; sindroma de Beckwith- Wiedemann, etc.
  • 53.
    53 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Icterícia Coloração amarelada da pele e/ou mucosas. Evidente quando a BT sérica ≥ 5-7mg/dl. Estimativa clínica do nível de Bil é feita através da observação das áreas anatómicas afetadas.
  • 54.
    54 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Petéquias Pontos hemorrágicos finos, cor vermelha ou violáceos, dispersos ou agrupados presentes na pele e/ou nas mucosas. Parto pélvico, fórcepces, distúrbios de coagulação ou anomalias vasculares.
  • 55.
    55 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Equimose Lesão do tipo mácula de forma irregular. Escura azulada ou violácea. Resulta do extravasamento do sangue para a pele.
  • 56.
    56 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Outros parâmetros avaliados durante a inspecção da pele: • Pigmentação, angiomas, lesões cutáneas transitórias, etc.
  • 57.
    57 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Inspecção da pele: • Achados compativeis de infecção (pústulas, etc).
  • 58.
    58 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Pigmentação da pele • Hipopigmentação ou hiperpigmentação
  • 59.
    59 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Cabeça: Distribuição do cabelo Edema, equimose, ferimentos, hematoma, etc. Consistência dos ossos Crepitação (fracturas) Defeitos congénitos (encefalocelo, anencefalia,etc)
  • 60.
    60 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Cabeça: Fontanelas e Suturas Tamanho Forma Espaço entre as suturas Abaulada? tensa?
  • 61.
    61 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Fontanela abaulada e/ou tensa Meningite/encefalite Hemorragia intracraniana Hidrocefalia Mielomeningocelo Malformacao de Arnald Chiari tipo II.
  • 62.
    62 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Olho e anexos Manchas vermelhas (hemorragia subconjuntival), conjuntivas ictéricas, opacidade (catarata), secreções oculares.
  • 63.
    63 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Olho e anexos Distância interorbital (hipertelorismo e hipotelorismo) Estrabismo, nistagmos.
  • 64.
    64 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Olho e anexos Pálpebra • Assimetria, ptose, eversão da margem da pálpebra, hemangiomas, prega epicantal, etc.
  • 65.
    65 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Olho e anexos Anoftalmia, exoftalmia e microftalmia. Assimetrias Pupilas (tamanho, simetria, reacção á luz)
  • 66.
    66 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Nariz Tamanho, forma, orifícios nasais e sua permeabilidade. Secreções ou descarga nasal (purulenta ou hemorrágica). Sinais de trauma obstétrico.
  • 67.
    67 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Pavilhões auriculares Tamanho Forma Consistência Posição e implantação.
  • 68.
    68 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Pavilhões auriculares Pêlos (hipertricose) Permeabilidade do canal auditivo, secreções no canal auditivo.
  • 69.
    69 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Boca Lábios (cor, fenda labial, hemangiomas) Mucosa oral (cor e lesões)
  • 70.
    70 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Boca Língua (cor, macroglossia, glossoptose, freio lingual, lesões, etc).
  • 71.
    71 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Boca Palato (Pérolas de Epstein, fenda palatina, palato em olgiva) Gengiva (quistos e dentes)
  • 72.
    72 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Boca Cantos da boca. Sulcos nasolabiais. Forma, disposição boca. Ângulo de abertura da boca. Assimetria ou alterações dos cantos da boca durante o choro. Sinais de traumatismo obstétrico. Mandíbula • Mobilidade • Retrognátia/micrognátia
  • 73.
    73 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Pescoço Comprimento, assimetria (torcicolo congénito), mobilidade, massas (higroma quístico).
  • 74.
    74 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Clavícula Assimetria: • Crepitação óssea • Choro persistente • Dor á manipulação • Diminuição dos movimentos espontâneos.
  • 75.
    75 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Tórax (cárdio- respiratório) Perímetro torácico, assimetria, tumefação, massas, glândulas mamárias, mamilos e lesões cutâneas. Movimentos respiratórios (normal: 40-60 cpm). Retrações, pausa respiratória.
  • 76.
    76 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Auscultação Pulmonar Roncos (líquido nas vias aérias) Crepitações (pneumonia/BPN) Sibilos (obstrução severa) Ruídos hidroaérios no tórax (hérnia diafragmática).
  • 77.
    77 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Cárdiovascular Simétria torácica • Abaulamento da região pré-cordial Ponto de impulso máximo: entre o 4º e 5º espaço intercostal, na linha média clavicular esquerda. A deslocação lateral para a direita: • Causa • Cardiaca: dextrocárdia cardiomegália
  • 78.
    78 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Cardiovascular Frequência Ritmo dos tons cardíacos Intensidade dos tons cardíacos Sopro cardíaco • Sistólico, diastólico, contínuo. • Intensidade • Propagação
  • 79.
    79 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Cárdiovascular Palpação dos pulsos: • Radiais, femorais e pediosos • Simetria, intensidade, ritmo. Preenchimento capilar: • Pressionar a planta do pé durante alguns segundos Soltar • Contar o tempo de preenchimento capilar
  • 80.
    80 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Abdómen  Pele: • Prematuros: pele fina com vasos da parede abdominal visíveis.  Região umbilical Sinais patológicos • Circulação colateral • Assimetria • Distensão abdominal • Depressão (abdómen escavado) • Tumefação
  • 81.
    81 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Cordão umbilical oNormal: cor de marfim Cor vermelha • Hemorragia umbilical, cordão umbilical mal laqueado, trauma. Secreções mucopurulentas, odor fétido na região umbilical, hiperémia periumbilical (onfalite). Defeitos congénitos (onfalocelo, gastrosquise)
  • 82.
    82 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Fígado O fígado do RN normal estende-se 2.0-2.5 cm abaixo do rebordo costal direito e ao longo da linha média. Consistência mole Superfície lisa Aumento do fígado: • Hematoma subcapsular • TORCH
  • 83.
    83 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Baço Num RN normal o baço não é palpável. O aumento do baço pode estar associado ao trauma obstétrico, anemia grave, sífilis congénita, etc.
  • 84.
    84 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Rins RN de termo: Plano profundo: rim direito do pode ser palpável. Prematuros: Ambos os rins podem ser palpáveis . Forma aredondada, consistência firme e superficie lisa. Aumento do rim: Hidronefrose, tumor renal, hemorragia suprarenal, etc.
  • 85.
    85 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Ruídos hidroaérios Relativamente escassos nos prematuros e RNs de termo que ainda não começaram a alimentação por via oral. Ausência dos ruídos hidroaérios associada: • íleo paralítico • ECN • Peritonite • Sepsis grave, etc.
  • 86.
    86 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Genitais Masculinos Tamanho do pénis Localização da abertura do meato urinário Testículos (hidrocelo, hematoma, sinais de traumatismo obstétrico e genitália ambígua).
  • 87.
    87 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Genitais Femeninos. O hímen é visível. Secreções: • Cremosas • Esbranquiçadas • Pequena quantidade de sangue (pseudomenstruação). Tecido himenal redundante: • Pequena língua que se prolonga externamente da região vaginal • Frequente em prematuros. • Resolução espontanea
  • 88.
    88 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Região Ano- rectal e região períneo Inspecção externa (fissuras, hemorragia) Lesões cutaneas (trauma obstétrico, dermatite das fraldas).
  • 89.
    89 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Região Anal e Rectal Permeabilidade do anus Toque rectal mandatόrio: • Se apesar de apresentar orifício anal, o RN apresentar vómito precoce e não passou mecόnio.
  • 90.
    90 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Musculo-esquelético Tonus, rigidez, tremores (asfixia, encefalopatia, meningite, kernicterus, tétano neonatal, lesão dos nervos, etc). A patologia muscular: diminuição do tonus muscular, atrofia muscular e fasciculações.
  • 91.
    91 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Aparelho Ósteoarticular Posição Proporcionalidade entre os segmentos Comprimento, simetria, integridade, crepitações, deformidade óssea dor. Movimentos espontaneos Amplitude dos movimentos Rigidez articular, activos, edema, aumento da temperatura.
  • 92.
    92 EXAME FÍSICO DORECÉM-NASCIDO Coluna Vertebral Integridade da pele que cobre a coluna vertebral: lesões causadas pelo defeitos do tubo neural, trauma. Curvatura (escoliose congénita) Tumefação, pêlos, hemangiomas, nevus, teratoma,etc.