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geraldopost
maGazine
Opinião
Parada Gay
Seu armário em 10x sem juros
a ‘Parada’, ‘Paim’ e ‘PLC 122’
eu sou!
salve Jorge
LGBTs não souberam
amar a novela de
Glória Perez
maTeUS
SOLanOa BiCHa mÁ!
COnHeÇa OS “FÉLiX”
Da ViDa ReaL!
“O fato de eu gostar
de homens e mulheres
me faz um cara mais
completo e feliz, curto
prazeres que a vida me
oferece, sem limitações, e
com segurança.”
adoro! O maravilhoso mundo da barba
JUNHO|JULHO 2013
R$ 6,90
E
xiste uma tremenda diferença entre Para-
da Gay e Parada do Orgulho LGBT. Apesar
da primeira ser a mais popular, ela é menos
importante, apenas parte popularesca do movi-
mento pelas causas LGBTs na sociedade. Mesmo
homossexuais acabam vulgarizando o assunto,
com a desculpa de que a Parada foi transformada
em “micareta”. Cabe então a pergunta: de quem é a
culpa? E nos vem a resposta: Do próprio gay.
Não há problema algum ir à Parada para beijar
na boca, ver os corpos nus e beber, mas é preci-
so ser gay antes, durante e depois da Parada, não
apenas no domingo seguinte ao feriado de Corpus
Christ. É preciso ser mais atuante. A população,
de modo geral, reclama demais do evento e usa de
termos cada vez mais pejorativos, denegrindo o
movimento, exatamente
por conta de compor-
tamentos que em nada
lembram a luta pela
dignidade e pelo respei-
to aos homossexuais,
independentemente de
gênero.
Quem precisa mudar
não é a Parada, mas
sim os gays brasileiros.
Ficar em casa diante do computador, reclamando
e criticando a postura da organização, é a mes-
ma coisa que tapar os olhos e os ouvidos, agindo
pelo simples prazer de criticar. Tal atitude asse-
melhasse ao voto nulo, que cabe como “protesto”,
mas no fim das contas não serve para nada.
Questionar, discutir e buscar informações a
respeito é mais prudente do que a crítica, mesmo
para aqueles que ainda se perguntam: será que
eles estão abertos a receber o cidadão na sede
da APOGLBT? Sim estão. Qualquer pessoa pode
procurá-los. Basta querer, ser menos “cri-cri” e
partir para uma postura apaziguadora.
O gay brasileiro precisa primeiro mudar sua
mente, antes de querer mudar a Parada Gay.
Tudo depende da visão do receptor, do pré-con-
ceito e da definição antes da compreensão. É pre-
ciso agir. Não adianta ficar “Parad@”!
O que tem pra hoje?
Marco Feliciano no
“Festival Mix Brasil” pág. 14
“Parada Gay” ou
“Parada LGBT”?
Quem precisa
mudar não é a
Parada, mas
sim os gays
brasileiros
editorial
Expediente
Jornalista Responsável
Geraldo Ramos Junior
email@geraldopost.com | geraldopost.com | +55 11 9 8312.5008
Projeto Gráfico e Revisão
Tiguaré mediapartner®
Publicação Bimestral
Copyright © 2013. Todos os direitos reservados.
O MARAVILHOSO
MUNDO
DA BARBA PÁG. 11
Capa
Mateus Solano é a ‘Bicha Má’
da Novela das nove PÁGs. 8 e 9
Geraldopost
magazine
A Notícia é Agora!
G
eraldopost|Magazine chega para dar ao leitor uma nova alternativa quando se trata de pu-
blicaçõesdogêneroVariedades.Nestaediçãodeestreia,umespecialsobreocircuitoLGBT,
reunindo opinião e reportagens sobre o assunto, com destaque para a “Parada do Orgulho
LGBT.”
O evento, conhecido popularmente como “Parada Gay”, é analisado por Dan Barreto, em um
textoexplícitode“umnãoconhecedor”.Quandofoiconvidadoparafalarsobreoassunto,disseque
não se interessava pelo “evento” (assim mesmo entre aspas) e escreveu um texto que levanta uma
discussão: “o gay não se interessa pelo assunto, ou o assunto virou tão popularesco a ponto de não
despertar interesse?”.
O técnico em eventos, Rodrigo Nascimento, reflete sobre o tema de forma bem humorada com
“Seu armário em até em 10x sem juros”. A “PLC 122” ganha destaque com o texto franco de Marco
Morcef, sobre o projeto de lei que visa criminalizar a homofobia no Brasil. Ele critica a postura de
lideranças políticas e questiona a idoneidade da ação.
Fábio Justino, em “O maravilhoso mundo da barba”, defende, com descontração, o charme e a
virilidade que os barbudos possuem. “Com barba, meu caro, a pegada é outra”.
Surge na televisão brasileira o personagem Félix Khoury, interpretado por Mateus Solano, em
Amor à Vida, novela de Walcyr Carrasco, que estreou no dia 20 de maio, conquistando o público
que, anteriormente, pareceu “não entender” Salve Jorge, trama de Glória Perez.
Nada mais do que justo colocar o lindo Mateus na capa com o título “Bicha Má!”, agora que o
ator virou o mais novo queridinho da dramaturgia nacional. É a legítima representação gay do
momento, em uma sociedade repleta de línguas afiadas. Geraldopost|Magazine entrevistou dois
“Félix” da vida real e eles contam como é levar uma vida dupla por conta da sua orientação sexual.
“O fato de eu gostar de homens e mulheres me faz um cara mais completo e feliz”, diz um deles.
Nada mais do que justo colocar o lindo Mateus na capa
com o título “Bicha Má!”, já que ele virou o mais novo
queridinho da dramaturgia nacional...
estreia
Geraldopost
magazine
Galãs vivem ‘par romântico’
sem estereótipos
S
aíram os travestis, transexuais e gays trafi-
cados de Glória Perez e entraram três gran-
des e complexos personagens em Amor à
Vida, de Walcyr Carrasco, que estreou no dia 20
de maio, na TV Globo.
Até o momento apenas Félix Khoury, interpre-
tado por Mateus Solano, deu o ar da graça. E bota
graça nisso. Em minutos da estreia ele virou o
assunto mais comentado das redes sociais e está
dando um show de interpretação.
Fio condutor de toda a trama principal, Félix é
o filho de César (Antônio Fagundes) e Pilar (Susa-
na Vieira) e morre de inveja da irmã adotiva Paola
(Paola Oliveira), além de desejar a presidência do
hospital da família. Casado com Edith (Bárbara
Paz) logo foi descoberto pela esposa, após marcar
um encontro com seu “Anjinho”. Na sequência
em que é desmascarado pela esposa, o vilão re-
citou as falas que a comunidade LGBT esperava
ouvir: “Opção é a palavra errada”, em uma cena
já considerada antológica.
Na contramão do vilão da novela, logo entra-
rão os personagens Niko e Eron, interpretados
por Thiago Fragoso e Marcello Antony, respec-
tivamente, (um casal que vai usar a empregada
como barriga de aluguel para ter um filho). Além
tv | novela
“Ele não dá a mínima bandeira de que é homossexual. Isso me deixou tranquilo, porque percebi que vou poder fazer um ser
humano e não uma caricatura” [Thiago Fragoso]
disso, eles interpretarão personagens completa-
mente fora do estereótipo afeminado.
“É a primeira vez que o assunto está sendo
abordado dessa maneira, bem direta, sem nenhum
subterfúgio, até porque o meu personagem não dá
a menor pinta de que é bissexual. Ele, inclusive,
já namorou mulheres antes”, disse o ator Marcello
Antony, que viverá um personagem cheio de ques-
tionamentos, enquanto o companheiro é gay assu-
mido e também sem estereótipo.
“Ele não dá a mínima bandeira de que é homos-
sexual. Isso também é normal e me deixou mais
tranquilo, porque percebi que vou poder fazer, aci-
ma de tudo, um ser humano, uma pessoa, e não
uma caricatura que possa ser julgada ou classifica-
da de qualquer forma diferente”, disse o ator Thia-
go Fragoso, em entrevista ao site da novela.
BEIJO GAY Questionado se terá beijo gay, Antony
brinca que já havia sido perguntando pelos amigos:
“Não sei se vai rolar, mas acho que esse assunto já é
passado”, e diz que existe “uma grande possibilida-
de das pessoas torcerem pelo casal”. Para Fragoso, o
casal é um divisor de águas porque “quero que a gen-
te consiga mostrar uma família feliz e que o público
torça pelo casal e que isso vire um marco na TV”.
divulgação
4
aquenda!
Casamento Igualitário
“E
ssa lei será a dissolução da família brasi-
leira; as pessoas não terão mais interesse
em ficar casadas; filhos de “lares desfeitos”
crescerão como marginais; a sociedade irá sucumbir
por este motivo.”
O ano, 1977. A gritaria, promovida pela Igreja Católica
(pois as pentecostais na época praticamente não tinham
voz), era dirigida contra a lei do divórcio. E o tão propa-
lado apocalipse familiar brasileiro teve de esperar quase
40 anos para acontecer, mas provocado pelo neolibera-
lismo, que transformou grande parte da humanidade
em um bando de idiotas consumistas e eternamente en-
dividados, seja pelas drogas (especialmente pelo crack),
pela erotização precoce e exagerada de crianças e ado-
lescentes e, principalmente, pela proibição, por parte do
Estado, de que os pais possam educar seus filhos. Um
ambiente familiar no qual os animais de estimação e as
crianças é que mandam não pode redundar em coisa
boa, sob hipótese alguma.
Mas nada a ver com o divórcio, que foi uma resposta
(tardia) do governo militar a algo que, na prática, a so-
ciedade já vivenciava. Passados 40 anos, eis que a gri-
taria volta, mas por motivo diferente: o que vai causar
um apocalipe familiar no Brasil e no mundo, agora, é o
casamento gay. Qual o problema com essa gente, afinal
de contas?
Se você é agnóstico, ateu, budista, judeu ou muçul-
mano, talvez não se importe com o que Cristo tenha ou
não dito. Para um cristão, porém, deveria ser parâmetro
para a vida toda. Sobre os mandamentos, por exemplo,
Cristo resumiu os dez de Moisés a apenas dois, sendo:
1. Amar a Deus sobre todas as coisas (autoexplicativo, pois não?)
2. Amar as pessoas como a nós mesmo.
Aqui, o bicho pega, e por dois bons motivos.
Primeiro bom motivo: se você não se ama, não amará
ninguém; Segundo bom motivo: Jesus disse para “amar
as pessoas”. Ele especificou, por acaso, que tipo de pes-
soa deveria ser amada? NÃO! Disse apenas para amar-
mos as pessoas, em geral. Ponto final.
Como não é de bom tom uma pessoa supostamente
inteligente admitir que é preconceituosa e homofóbica,
usa-se a “palavra de Deus”. Não sei se já perceberam,
mas as igrejas, em especial as evangélicas, adoram fazer
uma baguncinha com essa história de moral religiosa.
Usam o Velho Testamento para domar o rebanho, mas
o Velho Testamento, para um cristão, não deveria ter
valor algum. Uma igreja evangélica, como diz o próprio
nome, prega o Evangelho, ou seja, a boa-nova, a pala-
vra de Jesus, o Deus Vivo entre os homens. Vamos falar
sério? Jesus, um tremendo de um revolucionário, fatal-
mente acabaria expulso de qualquer uma dessas igre-
jas pretensamente cristãs. De cristãos, esses pastores
homofóbicos não tem nada. Lembram-se da passagem
na qual o povo quer (cumprindo as leis da época, as leis
de Moisés) apedrejar uma mulher adúltera? Qual foi a
reação de Jesus? Morra, sua pecadora?
Ora, me poupem! Ele salvou a vida daquela mulher,
completamente despojado de preconceitos e de julga-
mentos. Por que vocês, religiosos, não conseguem fazer o
mesmo? Porque vocês não acreditam em Deus! Apenas
usam o nome Dele para ganhar dinheiro, muito dinhei-
ro! Esse é o estelionato mais bem engendrado de que já
tive notícia em toda a minha existência!
Vamos ao que importa: A comunidade gay deve dei-
xar de ser alienada e deve se unir. Deve votar em candi-
datos que os representem nos poderes legislativos (Câ-
maras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara
dos Deputados e Senado Federal). Os evangélicos fazem
exatamente isso e estão com grande vantagem sobre vo-
cêsnesseaspecto.Asituaçãoésériaenãocomportamais
espaço para brincadeiras. Esta não é apenas uma ques-
tão de “poder ou não se casar”, de “poder ou não adotar
crianças”. Isso tem a ver com Direitos Humanos. Tem
a ver com cidadãos serem discriminados, mortos em
crimes de ódio derivados unicamente de sua condição
sexual, não poderem viver plenamente sua cidadania e
suas vidas por um detalhe, um único detalhe: nasceram
atraídos sexualmente por pessoas do mesmo sexo.
Isso para ficarmos no campo das simplificações, sem
tratarmos da bissexualidade, por exemplo. Fiquemos
apenas com os gays.O que importa se João ama Maria ou
Antônio, sinceramente? Em que isso muda a minha vida,
ou a sua, que me lê até aqui? Me responda: muda o quê?
Se as religiões não quiserem celebrar cerimônias
entre homens ou entre mulheres, tudo bem, problema
delas. Mas o Estado não pode se omitir em hipótese
alguma. Devem ser celebrados casamentos e divórcios
civis sim, observadas estritamente as mesmas regras
dos casamentos entre os heterossexuais. Todos os de-
mais direitos civis, constitucionais e humanos de todos
os cidadãos devem ser observados e respeitados, inde-
pendente de qualquer irrelevância. O que fica de mais
importante para mim, nesses meus 40 anos de vida, é
que somos, no fundo, todos absolutamente iguais em
nossas profundas diferenças. No final das contas, a
raça é humana.
5
por Giovanni Moscato Junior
Q
uando se fala em “sair do armário”, geralmente imaginamos uma drag queen senta-
da em uma poltrona em forma de salto alto, em cima de um ônibus em movimento
e com uma echarpe balançando ao vento. É difícil imaginar seu médico ou seu den-
tista, pessoas aparentemente comuns, sendo gays e ainda mais difícil imaginá-los “assumi-
dos”, não é mesmo? Temos aquela impressão de que “assumir-se” significa erguer a mão em
um churrasco de família para pedir a palavra e dizer a todos: “Querida família, eu sou gay!”,
ou travestir-se assumindo a identidade de uma “diva” (travestis merecem respeito como
qualquer outra pessoa, apenas uma coisa não tem nada a ver com a outra).
Falar em assumir-se traz também a sensação de que jamais seremos aceitos ou entendi-
dos, de que as pessoas que gostamos e convivemos irão nos rejeitar. Algumas de fato poderão
fazer isso, mas falar de aceitação é algo complexo e um grande abismo na cabeça e na vida de
algumas pessoas. Do meu ponto de vista, vejo que a raça humana possui dois sentimentos
conflitantes: aceitação e egoísmo. Ambas perfazem as necessidades que movem o mundo e
determinam tudo o que as pessoas fazem, como agem e como pensam. Parece que a socie-
dade é norteada por esses dois pontos: “Faço qualquer coisa para ser aceito e, ao ser aceito,
quero ser o melhor desse grupo que me aceitou”. São os caminhos e atalhos que as pessoas
pegam para satisfazer essas duas necessidades que determinam o que me diferencia de você,
você do seu amigo e seu amigo do vizinho dele. Para um homossexual, a sina da aceitação é
algo como um fardo, uma carga pesadíssima formada de preconceitos, perseguição e igno-
rância, essas que são fabricadas graças a um daquele “norte” já citado: o egoísmo.
Por conta do monstro da aceitação, o tema “assumir-se” torna-se um tabu no mundo gay.
Alguns se casam como héteros e morrem reprimindo o que sentem, outros traem parceiros
(alguns inclusive com travestis, iludindo-se de que não estão saindo com um “homem”) e
alguns chegam ao extremo de tirarem a própria vida, pois o medo de não serem aceitos faz
com que eles mesmos não se aceitem, acreditando que o suicídio seja uma tarefa mais fácil
do que a de tentar convencer um mundo que não quer ser convencido. O mundo realmente
não quer, mas no contexto de nossa própria vida, e de nossa felicidade, o que o mundo quer
tem que ser o que menos importa. Para isso, precisamos entender o que é “assumir-se” e
entender o que é “aceitação”. Tudo fica mais claro e fácil assim, pois o dilema não está em
“ser”, mas em decidir o que “fazer”. Parece complicado? Parece, mas não é.
A primeira coisa a entender é que você é especial, que você, seja hétero ou homo, é uma
pessoa única. Se você é cristã, saiba que você é filho de Deus, independente do que digam
igrejas ou pastores, e Ele te ama acima de qualquer coisa. Se você for ateu, ou sua crença seja
em alguma força especial ou similar, vale a mesma regra, você é especial e nada vai mudar
isso. Nada, nem ninguém. Portanto comece riscando da sua vida termos como: “sou doen-
eu sou!
SeU aRmÁRiO
em aTÉ 10X
Sem JUROS Por roDriGo nasciMento
Rodrigo é paulista, tem 31 anos
e é Tecnólogo em Eventos
6
te” – porque doença a gente cura com remédio; “sou
impuro, sujo” – porque sentimentos são incontrolá-
veis, ações a gente pode controlar, sentimento não,
então o que você sente não o torna impuro e sujo. Su-
jos são aqueles que não tomam banho. Respire fundo
e sinta-se leve em saber que você é um ser pensante e
especial e que as terminologias inventadas pelas pes-
soas são apenas isso: invenções, invenções de pessoas
imperfeitas como você. E falando em invencionices,
é bom saber que a sociedade inventou uma alcunha
para os gays que é uma visão totalmente deturpada
e ignorante que diz: gay é quem faz sexo com outra
pessoa do mesmo sexo que ela.
Parece simples e verdadeiro, mas tal definição não
poderia ser mais imprópria para definir um homosse-
xual e aqui entra o que citei no começo do nosso papo
quando disse que “ser” e “fazer” são coisas completa-
mente distintas. Todo mundo sabe o que é o “ato” de
fazer sexo e com imaginação você pode fazer sexo até
com uma cadeira. Não no sentido literal, claro, mas
ter prazer por meio de estímulos sexuais qualquer
pessoa pode ter com qualquer coisa ou pessoa, basta,
como eu disse, ser criativo e ter imaginação. Portanto,
mesmo quem é virgem, e nunca fez sexo com quem
quer que seja, pode ser homossexual, porque ser gay
não é fazer sexo com alguém do mesmo sexo, mas sim
ter sentimentos, atração emocional e atração sexual
– não o ato especificamente, mas a vontade de fazê-lo
– por alguém do mesmo sexo. Lembra quando disse
que sentimento é algo que você não controla? Você
pode escolher sentir ou não saudade de alguém? Você
pode escolher amar ou não alguém? Pois é exatamen-
te isso. Quando os grupos GLBTTs tentam convencer
as pessoas de que não é “opção sexual” ser gay, mas
sim “atração sexual” ou até “orientação sexual” é isso
que eles querem dizer, que a gente não escolhe gostar
de alguém do mesmo sexo, que isso é involuntário,
faz parte da nossa essência, independente de ficar ou
não com homens (ou mulheres, para as mulheres),
transar com um ou não, é o que sentimos, esse dese-
jo, essa atração emocional e física que define se uma
pessoa é hétero, homo ou bissexual. Por isso você não
é doente, não é impuro, não é sujo. Por isso não se
“escolhe” ser gay, ou não, e por este motivo não existe
“ex-gay”. Entender isso é o ponto chave, é a premis-
sa de tudo, porque existe uma pessoa específica que
precisa ser convencida a aceitar isso e te aceitar. Ela é
bem complicada, teimosa e, por vezes, marrenta. Essa
pessoa não aceita nada facilmente. Se você conseguir
convencer essa pessoa, talvez você não conseguirá
fazer todo mundo te aceitar, mas, no mínimo, pode-
rá defender a sua verdade com respeito e orgulho.
Sabe quem é essa pessoa? Veio alguém específico
na sua mente? Será que você acertou? É..., é ela
mesma: essa pessoa é exatamente você! Você é a
única pessoa no mundo que precisa se aceitar, por-
que se nem você mesmo se aceita, como as pessoas
te aceitarão? Como terão respeito por você se nem
você se respeita? Portanto “aceitação” é isso, é en-
tender seus sentimentos, entender que o que te faz
ser homossexual e se aceitar assim, e sentir-se bem
por saber que isso é só mais uma das muitas coisas
que te fazem diferente da maioria, como a cor do
seu cabelo, por exemplo, e falando novamente de
“ser” e “fazer”, independente de qualquer atitude
que você venha a tomar daqui para frente, essa é
a diferença. Então, finalizemos essa parte. Se você
tem sentimentos e atração emocional e sexual por
pessoas do mesmo sexo que você, você é homos-
sexual. Ponto. Você não é doente, louco, sujo ou
inferior a qualquer pessoa. Você não precisa usar
batom ou vestir saia, nem precisa sair com homens
se não quiser simplesmente por causa disso. Isso é
“aceitação”, se aceite como você é e fique bem com
você mesmo! Simples assim.
Muito bem, agora, ao se aceitar, você precisa
avaliar consigo mesmo quais atitudes vai tomar
daqui pra frente. É como definir uma profissão.
Você pode gostar da matemática, é um sentimen-
to, involuntário, você gosta e ponto. O que vai fa-
zer daqui pra frente, vai estudar matemática? Ser
professor? Buscar alternativas na mesma área? Ou
não, vai buscar outras coisas e guardar isso só pra
você? Com a homossexualidade é a mesma coisa,
e é muito pessoal dizer como alguém tem que vi-
ver a sua vida. “Sair do seu próprio armário”, ao
meu ver, é isso, é aceitar-se e ser feliz sendo quem
você é! E o melhor é que não precisa nem parcelar,
dá pra fazer à vista! Há há há! É tirar um espinho
que a sociedade fincou no seu peito e que está ma-
chucando. Agora contar isso aos seus pais, aos seus
amigos, é outra história, e isso é você mesmo que
vai avaliar, que vai decidir. Vai ficar com pessoas do
mesmo sexo? Transar com elas? Fazer amor? Vai
seguir sua cabeça ou os preceitos e ensinamentos
de determinada religião ou pessoa? Você decide,
pois é muito pessoal, envolve crenças, sentimentos,
decisões grandes e pequenas, mas, independente
do que escolha para sua vida, ao sair do seu próprio
armário, você será mais feliz! O que você vai fazer
daqui para frente, é um problema seu e só seu, e eu
lhe desejo sorte e muitas, muitas alegrias!
7
SOBRe a SeXUaLiDaDe:
“OS ‘FÉLiX’ Da ViDa ReaL”
“O fato de eu gostar de homens e mulheres me faz um cara mais completo e
feliz, curto prazeres que a vida me oferece, sem limitações, mas com segurança.”
A
presença de Félix, de Amor à Vida, na casa de milhões de teles-
pectadores Brasil a fora está deixando muitas pulgas atrás da
orelha de muita gente por aí. A bissexualidade do vilão da no-
vela de Walcyr Carrasco é muito mais comum do que se imaginava.
Na novela, Félix foi flagrado pela esposa logo no segundo capítulo,
no terceiro confessou o deslize e ela acabou aceitando-o de volta, de-
vido às circunstâncias financeiras. Além dos homens que saem com
outros homens, existem também aqueles que procuram exclusiva-
mente travestis.
Quando tive a ideia de abordar esse assunto, logo fui barrado pe-
las “barreiras” do anonimato. Convencer homens casados que saem
com homens a falar sobre o assunto foi um problemão. Eles morrem
de medo de aparecer, mas consegui convencer dois a falarem sobre
o assunto e até levei uma cantada. “Lindo assim pode me entrevis-
tar até na cama”. Dei risada e respondi educadamente: “Obrigado,
mas já tenho compromisso.” Ele logo retrucou: “Este é o problema, o
compromisso! Eu também tenho, mas não me prendo a isso”. Hugo
tem quarenta e poucos anos, disse que “adora amigos virtuais”, que
procura amizade na internet para falar sobre mulher, e que seu tesão
por homens se limita a vê-los ao abrir a webcam, se masturbar e gozar
junto.
“Antes eu entrava nas salas de bate-papo ‘normais’, mas sempre
era taxado de gay por querer teclar com homem”, disse. Ele é casado
há 10 anos com uma mulher, sem filhos e atua como metalúrgico.
“Como não era muito aceito nas salas ‘normais’, entrei nas de ‘sexo
gay’. Lá foi mais chocante, porque 99% são mesmo gays, sendo que
existe muita gente boa”. Neste instante, Hugo resolveu desabafar: “(o
corpo) deixa uma ilusão de ótica. Peso 60kg, tenho e 1,70m de altura,
fiz academia em 2005 e, como sou magro, fiquei um pouco definido.
Pesava 57kg e cheguei a 63kg, mas hoje estou com 60kg” isso atrai
mais os homossexuais. “Comi (fez sexo com homem) quando era sol-
teiro, mas foi ‘aquilo...’ seco, sem carícias, sem beijos”.
Hugo disse ainda que a “novela (Amor à Vida) vai dar Ibope” e que
“era uma coisa que a gente sabia que existia, mas é ‘foda’ o olhar dele
com o novo médico. Entrega! É um tema bem atual”.
Paulo, de 44 anos, é empresário, casado e sem filhos, “por não po-
der” e nunca querer adotar. Disse que quem “sai com homem, não é
capa
8
por GeraLDo raMos Junior
heterossexual” e que a aceitação foi difícil: “Todos
têm (crise existencial), já tive a minha, mas superei
e toco a minha vida de boa hoje. O fato de eu gostar
dos dois me faz um cara mais completo e feliz, curto
prazeres que a vida me oferece, sem limitações, mas
com segurança” e que está assistindo esporadica-
mente a novela Amor à Vida.
“Acho o cara meio frustrado, se optou por ter fi-
lho, que não o maltrate. Ele não tem culpa de sua
opção (sic), ele realmente é um gay enrustido”, diz.
A “opção” acima dita é em “não se assumir” e que
“Não tem essa de se assumir, se gosto dos dois, para
que entregar e estragar uma relação legal e perder
toda uma sociedade em que vivemos e é hipócrita
em não aceitar?” e completa: “todas as formas
deprazerdentrodequatroparedessãoválidas”.
Paulo diz também que nunca passou por um
analista: “acho que analista é mais pra questão
de aceitação. Como me aceito, continuo bem.
Mesmo que isso (sair com homens) seja espo-
rádico, eu tenho uma vida sexual ativa sim, hi-
pócrita é quem diz que não. E ‘não pago’ (para
sair com homens), quero prazer pelo prazer e
não pagando”. Paulo conclui dizendo que nun-
ca encontrou ninguém (homem) que “sentisse
vontade de repetir mais do que duas vezes. Sou
flex. Se não tem gasolina vai com álcool. E não
curto ‘afeminados’, curto ‘macho’”.
O personagem Félix, interpretado pelo ator Mateus Solano, encontra o seu “anjinho” em um shopping.
reProdução
9
impossível ninguém
detectar a feminilidade
de Félix Khoury
F
oi Félix entrar em cena em Amor à Vida para
se tornar o mais novo queridinho dos críticos e
do público. Não precisou de dez minutos para
Mateus Solano entrar nos assuntos mais comenta-
dos do Twitter e assim ficar por quase todos os dez
capítulos já exibidos.
Nas cenas iniciais, e repletas de licenças poéticas,
o público se encantou com a vilania do personagem:
a frase “Meu amor, genética não tem nada haver com
cabelo tingido”, após contar à irmã que ela era ado-
tada, foi apenas uma das que se seguiram-se causan-
do impacto, reforçadas por trejeitos afeminados. E
como diria aquele antigo personagem de Jô Soares:
é aí que mora o perigo.
Impossível ninguém não detectar a feminilida-
de do marido de Edite que, ao flagrá-lo com outro
homem, desabafou: ”Me avisaram... mas ele não é
gay?”, em uma discussão ao descobrir a traição do
marido. A interpretação de Mateus Solano é magis-
tral. Se alguém tinha alguma dúvida do seu talento,
ali findou-se. Além, é claro, da direção de Wolf Maya
e do texto de Walcyr Carrasco, que caprichou após
um primeiro capítulo canastrão.
Quando Félix se justificou: “Não é opção, mas
condição”, ele acabou ganhando a simpatia do públi-
co, principalmente dos militantes e, definitivamente,
consagrou-se como o melhor personagem da nove-
la.
Félix é lindo, rico e o grande vilão da trama. Jogou
a sobrinha na caçamba após chamá-la de “Ratinha”,
além de usar inúmeros comentários e gírias gays
como: “fizeram a elza” e “é um tipão de deixar qual-
quer mulher molhadinha”. O personagem é maravi-
lhoso, e permite a Solano mostrar todo o seu talento.
O personagem acaba discutindo um tema comum na
sociedade,masforadofoco:abissexualidade.Porém,
como toda novela, existe o lado negativo. A pinta que
Félix dá é demais para quem está no armário. Soa
tão piada quantos os erros de continuidade de Salve
Jorge, o que faz o personagem acalentar o tipo mais
comum nas novelas brasileiras: o gay afeminado.
Walcyr Carrasco promete outros dois grandes
personagens gays: Niko e Eron, ao tocar no assunto
sobre nova família. É esperar para ver. Até aqui, a
cotação: é Ótimo.
Gays não souberam
amar a novela
“Salve Jorge”
Quando Rosângela (Paloma Bernardi)
abordou o primeiro gay a ser traficado
em Salve Jorge, os militantes LGBTs pode-
riam ter entrado em ação. A novela de Glória
Perez colocou o dedo na ferida da sociedade
ao abordar o tráfico de pessoas, mas muitos
não entenderam o contexto da história e re-
solveram questionar os inúmeros erros de
edição e continuidade da novela, deixando o
tema principal como coadjuvante.
Um erro tremendo. Afinal, os travestis
são um dos mais visados dos traficantes que,
com as promessas de fazerem shows no exte-
rior – alguns querem mesmo é se prostituir,
também é verdade –, acabam caindo em ver-
dadeiras armadilhas, como mostrou a no-
velista com a transexual Anita (Maria Clara
Spinelli) e pela travesti Patrícia Araújo.
Aproveitar o gancho para abordar outro
assunto pertinente à sociedade, que é a cri-
minalização da homofobia, deveria ter acon-
tecido mas não o fizeram. Não se soube apro-
veitar a repercussão de uma novela das nove,
certamente por pura falta de discernimento
quanto a interpretação de texto, ou pelo sim-
ples medo de dar a cara para bater. Será que
aqui elas também não são vítimas de escravi-
dão? Será que a escravidão só existe lá fora?
É só mais uma demonstração do quanto
o gay, no Brasil, mais está preocupado com a
festa e o glamour, e deixa o social e a militân-
cia de lado. Lamentável.
opinião
da reDação da reDação
reProdução
10
adoro!
N
ão é moda, é virilidade. É resgatar o
que existe de essencialmente mascu-
lino em si e no outro. É afirmar que
a beleza não está na lisura asséptica de uma
pele de bunda de bebê. Porque, quando se as-
sume que é homem, se assume também que é
um ser erótico, adulto, e o erotismo num ho-
mem está nos detalhes que o destacam como
tal, como os pelos. Na cara, e onde for.
Não se deve cortar os cabelos de Sansão, sob nenhuma hipótese. Eles traduzem
o que procuramos em seu dono: a maturidade, a proteção, os culhões. Não se gosta
verdadeiramente de homem se rejeitamos os seus pelos. Quanto mais a barba, que
roça, arrepia, afaga e castiga. Nossa pele arranhada e eriçada, da nuca às coxas, na
ordem e no tempo que se quiser.
Até tentam oprimí-la, pagam celebridades da TV para lucrar com a tragédia
de raspá-la e passar a imagem de que ela é suja ou pode se tornar exagerada. Só
os tolos compram essa ideia. Os mais inteligentes, sejam eles ou sejam elas, sa-
bem: não há nada melhor que uma barba, seja ela extravagante e farta. Se duas
barbas se encontram, então, é mais que atração, é poesia. Uma explosão de ma-
cheza, a confrontar as estrelas, os livros sagrados e tudo que, de tão velho, nem
mais tem vida. Duas barbas que se roçam é a própria revolução e o progresso.
E a inteligência, e o charme. Com a barba se chega à vida adulta e à plenitude
sexual. Pela barba se identificam os que fogem às regras, os que não se subme-
tem, os que leem a boa literatura, os que ouvem a boa música e até os que votam
correto. Pela barba, você sabe quem mete bem e mete certo.
Homem que gosta de homem, gosta de barba. Mulher que gosta de homem,
gosta de barba. Quem não gosta, prefere os brinquedos, de plástico e sem chei-
ro. Quem não gosta, prefere os príncipes da Disney, todos castrados. Quem
odeia, boa coisa não é. Não se pode separar as pessoas, por gênero ou por gosto,
mas os homens que gostam de homem tem lá suas vantagens. Só eles tornam o
mundo mais belo quando têm barba e beijam outro de barba. As mulheres mais
sensíveis até apreciam. Tem coisa mais bonita? Não, não tem. Só se os pelos
continuarem corpo abaixo. A perfeição existe e pode estar do seu lado.
Não se é homem suficiente sem barba e não se gosta de homem suficien-
temente se nunca se experimentou uma barba grossa abrindo suas pernas ou
agredindo a sua boca. Experimente uma barba. Cultive uma barba. Com uma
barba o samba é mais samba, o rock é mais rock. E uma cama nunca é só uma
cama. Com barba, meu caro, a pegada é outra.
O maravilhoso mundo da barba
por fÁBio Justino
30 anos, Fábio é barbudo há sete e é autor do site d’O Caralho do Rock: www.cdorock.com
tHiagO araUJO
edder dias
HenriQUe castanHeirO
leOnardO pradO
MarcelO silva
rOdrigO saMpaiOtiagO castrOrenat0 gUrgelraOni liMapaUlO rUiZ
A ‘Parada’, ‘Paim’ e ‘PLC 122’
M
esmo durante a proximidade da Parada
Gay de São Paulo, uma das maiores do
mundo em tamanho e de grande impor-
tância financeira e turística para a cidade, ainda
impera a covardia das direções LGTBs quanto ao
destino político do evento, amordaçando a sua vo-
cação natural, num momento em que se deveria
avançar na luta contra a homofobia.
O Brasil não tem uma lei nacional específica
que criminalize a homofobia, o discurso de ódio,
o preconceito no trabalho, em locais públicos,
e nem que garanta a livre manifestação do afe-
to LGTB. O PLC 122 original, que tramita desde
2006 no Congresso, garante a manifestação li-
vre do afeto LGBT. Por esse motivo, nosso grupo
defende o projeto firmemente, além da crimina-
lização da homofobia, perante o Código Penal
Brasileiro, imputando penas severas e inibindo a
prática machista, sexista e homofóbica.
O desperdício de capital mobilizador da cau-
especial parada gay
por Marco Morcef
idealizador do Grupo “Ação Pró-PLC 122” no Facebook
sa infelizmente tem sido a característica dos últi-
mos movimentos – , como o Fora Feliciano!, por
exemplo -, uma ação que apenas demonstra a falta
de eixo e de programa político, impedindo que a
causa em si avance.
Neste contexto, Paulo Paim, senador pelo PT,
cuja posição não é nada confiável quanto a manu-
tenção do texto da PLC 122, retomou a questão no
Senado, enquanto a própria ‘Parada’, o deputa-
do Jean Wyllys, e os demais partidos de esquer-
da fizeram apenas “ouvidos de mercador”. O que
esperam? Que o assunto morra na praia ou uma
negociação porca e a aprovação de um PLC 122
medonho, colocando os LGTBs como uma segun-
da categoria de “cidadãos”? Ou tomamos um “Chá
de Vergonha e Coragem” e damos uma Virada na
Parada!, que esta totalmente no armário (como
bem “insinuou” nosso bloguista Vitor Ângelo) as-
sumindo-a como um grande palco pelo PLC 122,
abrangendo a criminalização da homofobia e de-
fendo o Estado Laico de direito, ou assistamos
apenas a passagem dos trios, como se todas as ba-
talhas já estivessem vencidas.
“O Brasil não tem uma lei nacional específica que
criminalize a homofobia, o discurso de ódio, o preconceito
no trabalho, em locais públicos, e nem que garanta a
livre manifestação do afeto LGTB.”
divulgação
12
A “Parada Gay”?
por Dan Barreto
E
hoje tem a Parada Gay, ou seria uma Micareta
emplenaAvenidaPaulista?Fuiduasvezesapenas
(2007e2009)enessaépocajáeraisso.Várioshe-
teros, brutamontes, querendo pegar as amiguinhas dos
gays, travestis, praticamente nuas, andando pelas ruas.
Milhares de pessoas fantasiadas e, o pior, várias famílias
Beijo Gay
E
ntra novela, sai novela e o tema é o mes-
mo: “o beijo gay”. Em 2005, na novela
Ámerica, de Glória Perez, o beijo foi veta-
do pela alta direção da Globo e acabou não indo
aoar,causandograndeprotestonainternet,am-
pliado para sua sucessora, a novela Passione, do
autor Silvio de Abreu.
Obeijogayéimportantesimparaasociedade,
masficasemsentindoseaPLC122nãoforapro-
vada antes. Adianta eu beijar meu companheiro
na boca se eu não for respaldado pela lei, caso
alguém queira nos agredir? A novela deve mos-
trar o beijo ‘igualitário’; porém, se a lei não vier
em defesa do afeto, de nada vai adiantar. Beijar
em público tem sido cada vez mais comum en-
tre os homossexuais, muitos até trocam carícias
nos transportes públicos, porém, dentro de casa
ainda existe um grande e impertinente tabu, até
porque na rua é muito mais fácil encontrar entu-
siastas que defendam o ato (do beijo).
comcriançasnomeiodesse“evento”.Aliás,qualo
propósito da Parada Gay mesmo? Sinceramente
não sei. Há muito tempo já perdeu o foco de lutar
pelos nossos direitos (união homoafetiva, menos
preconceito, entre outros), e, infelizmente, as pes-
soas “vão no embalo”. Mas o que passa na cabeça
dessas pessoas?
Algumas delas, assim como suas atitudes, ain-
da denigrem a imagem de todos os gays, que ape-
nas lutam pelos seus direitos.
Outra questão é sobre o tema desse ano: “Para
o armário nunca mais!”. Em meio a tantos acon-
tecimentos, como a eleição do deputado Marcos
Feliciano para presidência da Comissão dos Di-
reitos Humanos e Minorias (CDHM), me parece
surreal a escolha. Enfim...
Os organizadores da Parada poderiam ter fo-
cado em temas como a “Homofobia Mata!”. Seria
muito mais relevante do que a proposta aborda-
da. Sei que cada um tem o seu modo de pensar e
osorganizadoresfizeramassuasescolhas.Porém,
esteéomeumododepensareessaéaminhaopi-
niãosobreaParadaGay,seéqueaindapodemos
chamá-la dessa maneira.
Nas casas o problema é maior. Estudos mostram que
a homofobia é maior dentro dos lares e por isso a questão
deve ser levada para todas as esferas, inclusive a TV, re-
conhecidamente o maior meio de comunicação de massa
do país, como forma de conscientizar o público. O mote é
simples: “Beijogay.sim,énormal”.Contudo,semaapro-
vação da PLC 122, será um tiro n’água ver a concretização
do beijo gay na TV. É preciso uma lei civil que não deixe
homossexuais sujeitos às agressões e até a morte.
“Vários heteros, brutamontes, querendo pegar as amiguinhas dos gays”
“Que sentido terá o beijo gay, se a PLC 122 não for aprovada?”
da Redação
reprodução
reprodução
13
“Festival Mix Brasil” convida
o dep. Marco Feliciano e ele aceita
O
s organizadores do 21º Festival Mix Bra-
sil 2013 fizeram um convite em forma de
anúncio (em uma página do jornal Folha de
S.Paulo) ao deputado Marco Feliciano para partici-
par da 21ª Edição do evento, que discute a diversi-
dade sexual nos cinemas.
O deputado, que é presidente da Comissão de
Direitos Humanos e Minorias (CDHM) aceitou o
convite e em nota disse que “um festival, que de
forma ordeira e pacífica, levanta a bandeira da di-
versidade, merece nosso respeito e compreensão”
e completou com uma frase bíblica “Ide e pregai o
evangelho a todos”, completando que “não significa
que sejamos inimigos, antes de tudo, somos filhos
do mesmo Deus.”
Segundo reportagem da Folha, os organizadores
do Festival prometem ainda convidar personalida-
o que tem pra hoje?
des como Joelma, da Banda Calypso, Silas Mala-
faia e Jair Bolsonaro.
Para João Federici, “esses episódios de homo-
fobia chateiam muito. Mas é só uma questão de
tempo, porque as reações só existem quando se
avança”. O Festival Mix Brasil vai acontecer en-
tre os dias 7 e 17 de novembro, na cidade de São
Paulo, e entre os dias 21 de novembro e 1º de de-
zembro no Rio de Janeiro.
Para inscrever sua obra é preciso preencher o
formulário no site (www.mixbrasil.org.br) e levar
o DVD para os organizadores. O evento conta com
quatro categorias: Longa-Metragem de Ficção ou
Experimental;DocumentáriodeLonga-Metragem;
Curta e Comédia-Metragem Ficção ou Experimen-
tal(menosde60minutos),eDocumentáriodeCur-
ta ou Média-Metragem (menos de 60 minutos).
Fotos:BeijaçoemBrasília,em24/abril/2013deUesleiMarcelino/Reuters,peçapublicitáriodofestival,divulgação.
14
Uma “droga” que pode
acabar com os grisalhos
Uma notícia divulgada na semana passada sobre
uma droga descoberta para acabar com os ca-
belos grisalhos já está deixando muitas pessoas em
polvorosa. Para o bem e para o mal, um tratamento
pode acabar com os cabelos brancos. As mulheres
ficariam felizes, pois a vaidade sempre fala mais
alto. Por outro lado, “a descoberta”, afinal, está
prometendo acabar com os charmosos grisalhos.
A causa do embranquecimento dos cabelos é co-
nhecida como “estresse oxidativo”. Durante o enve-
lhecimento, os cabelos acabam acumulando o pe-
róxido de hidrogênio, que é um descolorante da cor
natural dos cabelos – uma versão natural da água
oxigenada usada em tinturas de cabelos.
O tratamento foi descoberto por pesquisadores
da Universidade de Bradfor, na Grã-Bretanha, e
da Universidade de Freifswald, na Alemanha, se-
gundo reportagem do portal G1.
PARTE BOA O mesmo tratamento poderá ajudar
ainda às pessoas com vitiligo, pois o remédio ajuda
a repigmentar a pele e os cílios. “O desenvolvimen-
to do tratamento efetivo para essa condição tem
o potencial de melhorar radicalmente as vidas de
muitas pessoas”, disse o editor-chefe da Federação
das Sociedades Americanas para Biologia Experi-
mental (Faseb), publicação especializada que di-
vulgou a descoberta.
Hormônios nos frangos
tornam crianças gays?
Pelo menos foi o que disse a modelo colombiana Na-
talie Paris, em entrevista à TV Caracol, em março.
Para ela, os hormônios injetados nos frangos são os
responsáveis “por fazer” crianças se tornarem gays.
“Os meninos que comem esses frangos estão come-
çando a virar homossexuais”, disse a modelo, que tem
39 anos e mora em Bogotá.
Ela disse ainda que os hormônios são responsáveis
por deixar as meninas com “corpo adulto” muito rá-
pido. Esse pensamento é o mesmo de Evo Morales,
presidente da Bolívia. Em 2010, Evo afirmou que
frangos com hormônios poderiam levar à homosse-
xualidade e à perda de cabelo. É mole?
De onde surgiram os
termos “Veado” e “Sapatão”?
Segundo reportagem de Artur Louback Lopes,
da revista Superinteressante, a origem destes
termos tão comuns e pejorativos, que atormen-
tam a sociedade, são advindos literalmente do
sapato e do animal, segundo o etimologista Rei-
naldo Pimenta. Ele explica no livro Casa da Mãe
Joana 2 que “sapatão” surgiu na década de 1970,
quando as mulheres homossexuais, e mais mas-
culinizadas, tinham predileção por usar sapatos
grandes. Complementando a ideia, Deonísio da
Silva, autor do livro De Onde Vêm as Palavras,
diz que “em casais de lésbicas, as mulheres que
faziam as vezes de marido assimilaram o precon-
ceito, fazendo questão de usar sapatos grandes.
Já as que faziam às vezes da esposinha eram em
geral menores, mais esbeltas e usavam sapatos
menores. Logo, foram caricaturadas como sapa-
tão e sapatinha”.
Sobre o termo “veado”, mas que na expressão
popular é dito como “viado” (destaque à altera-
ção do e pelo i) um policial na década de 1920
foi incumbido de prender homossexuais que cir-
culavam pela Praça Tiradentes, no Rio de Janei-
ro. Ao fracassar, teria dito ele que estes cidadãos
teriam corrido como “veados”. A declaração do
policial ganhou a imprensa e o termo acabou ga-
nhando repercussão popularesca.
15
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  • 1. geraldopost maGazine Opinião Parada Gay Seu armário em 10x sem juros a ‘Parada’, ‘Paim’ e ‘PLC 122’ eu sou! salve Jorge LGBTs não souberam amar a novela de Glória Perez maTeUS SOLanOa BiCHa mÁ! COnHeÇa OS “FÉLiX” Da ViDa ReaL! “O fato de eu gostar de homens e mulheres me faz um cara mais completo e feliz, curto prazeres que a vida me oferece, sem limitações, e com segurança.” adoro! O maravilhoso mundo da barba JUNHO|JULHO 2013 R$ 6,90
  • 2. E xiste uma tremenda diferença entre Para- da Gay e Parada do Orgulho LGBT. Apesar da primeira ser a mais popular, ela é menos importante, apenas parte popularesca do movi- mento pelas causas LGBTs na sociedade. Mesmo homossexuais acabam vulgarizando o assunto, com a desculpa de que a Parada foi transformada em “micareta”. Cabe então a pergunta: de quem é a culpa? E nos vem a resposta: Do próprio gay. Não há problema algum ir à Parada para beijar na boca, ver os corpos nus e beber, mas é preci- so ser gay antes, durante e depois da Parada, não apenas no domingo seguinte ao feriado de Corpus Christ. É preciso ser mais atuante. A população, de modo geral, reclama demais do evento e usa de termos cada vez mais pejorativos, denegrindo o movimento, exatamente por conta de compor- tamentos que em nada lembram a luta pela dignidade e pelo respei- to aos homossexuais, independentemente de gênero. Quem precisa mudar não é a Parada, mas sim os gays brasileiros. Ficar em casa diante do computador, reclamando e criticando a postura da organização, é a mes- ma coisa que tapar os olhos e os ouvidos, agindo pelo simples prazer de criticar. Tal atitude asse- melhasse ao voto nulo, que cabe como “protesto”, mas no fim das contas não serve para nada. Questionar, discutir e buscar informações a respeito é mais prudente do que a crítica, mesmo para aqueles que ainda se perguntam: será que eles estão abertos a receber o cidadão na sede da APOGLBT? Sim estão. Qualquer pessoa pode procurá-los. Basta querer, ser menos “cri-cri” e partir para uma postura apaziguadora. O gay brasileiro precisa primeiro mudar sua mente, antes de querer mudar a Parada Gay. Tudo depende da visão do receptor, do pré-con- ceito e da definição antes da compreensão. É pre- ciso agir. Não adianta ficar “Parad@”! O que tem pra hoje? Marco Feliciano no “Festival Mix Brasil” pág. 14 “Parada Gay” ou “Parada LGBT”? Quem precisa mudar não é a Parada, mas sim os gays brasileiros editorial Expediente Jornalista Responsável Geraldo Ramos Junior email@geraldopost.com | geraldopost.com | +55 11 9 8312.5008 Projeto Gráfico e Revisão Tiguaré mediapartner® Publicação Bimestral Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. O MARAVILHOSO MUNDO DA BARBA PÁG. 11 Capa Mateus Solano é a ‘Bicha Má’ da Novela das nove PÁGs. 8 e 9 Geraldopost magazine
  • 3. A Notícia é Agora! G eraldopost|Magazine chega para dar ao leitor uma nova alternativa quando se trata de pu- blicaçõesdogêneroVariedades.Nestaediçãodeestreia,umespecialsobreocircuitoLGBT, reunindo opinião e reportagens sobre o assunto, com destaque para a “Parada do Orgulho LGBT.” O evento, conhecido popularmente como “Parada Gay”, é analisado por Dan Barreto, em um textoexplícitode“umnãoconhecedor”.Quandofoiconvidadoparafalarsobreoassunto,disseque não se interessava pelo “evento” (assim mesmo entre aspas) e escreveu um texto que levanta uma discussão: “o gay não se interessa pelo assunto, ou o assunto virou tão popularesco a ponto de não despertar interesse?”. O técnico em eventos, Rodrigo Nascimento, reflete sobre o tema de forma bem humorada com “Seu armário em até em 10x sem juros”. A “PLC 122” ganha destaque com o texto franco de Marco Morcef, sobre o projeto de lei que visa criminalizar a homofobia no Brasil. Ele critica a postura de lideranças políticas e questiona a idoneidade da ação. Fábio Justino, em “O maravilhoso mundo da barba”, defende, com descontração, o charme e a virilidade que os barbudos possuem. “Com barba, meu caro, a pegada é outra”. Surge na televisão brasileira o personagem Félix Khoury, interpretado por Mateus Solano, em Amor à Vida, novela de Walcyr Carrasco, que estreou no dia 20 de maio, conquistando o público que, anteriormente, pareceu “não entender” Salve Jorge, trama de Glória Perez. Nada mais do que justo colocar o lindo Mateus na capa com o título “Bicha Má!”, agora que o ator virou o mais novo queridinho da dramaturgia nacional. É a legítima representação gay do momento, em uma sociedade repleta de línguas afiadas. Geraldopost|Magazine entrevistou dois “Félix” da vida real e eles contam como é levar uma vida dupla por conta da sua orientação sexual. “O fato de eu gostar de homens e mulheres me faz um cara mais completo e feliz”, diz um deles. Nada mais do que justo colocar o lindo Mateus na capa com o título “Bicha Má!”, já que ele virou o mais novo queridinho da dramaturgia nacional... estreia Geraldopost magazine
  • 4. Galãs vivem ‘par romântico’ sem estereótipos S aíram os travestis, transexuais e gays trafi- cados de Glória Perez e entraram três gran- des e complexos personagens em Amor à Vida, de Walcyr Carrasco, que estreou no dia 20 de maio, na TV Globo. Até o momento apenas Félix Khoury, interpre- tado por Mateus Solano, deu o ar da graça. E bota graça nisso. Em minutos da estreia ele virou o assunto mais comentado das redes sociais e está dando um show de interpretação. Fio condutor de toda a trama principal, Félix é o filho de César (Antônio Fagundes) e Pilar (Susa- na Vieira) e morre de inveja da irmã adotiva Paola (Paola Oliveira), além de desejar a presidência do hospital da família. Casado com Edith (Bárbara Paz) logo foi descoberto pela esposa, após marcar um encontro com seu “Anjinho”. Na sequência em que é desmascarado pela esposa, o vilão re- citou as falas que a comunidade LGBT esperava ouvir: “Opção é a palavra errada”, em uma cena já considerada antológica. Na contramão do vilão da novela, logo entra- rão os personagens Niko e Eron, interpretados por Thiago Fragoso e Marcello Antony, respec- tivamente, (um casal que vai usar a empregada como barriga de aluguel para ter um filho). Além tv | novela “Ele não dá a mínima bandeira de que é homossexual. Isso me deixou tranquilo, porque percebi que vou poder fazer um ser humano e não uma caricatura” [Thiago Fragoso] disso, eles interpretarão personagens completa- mente fora do estereótipo afeminado. “É a primeira vez que o assunto está sendo abordado dessa maneira, bem direta, sem nenhum subterfúgio, até porque o meu personagem não dá a menor pinta de que é bissexual. Ele, inclusive, já namorou mulheres antes”, disse o ator Marcello Antony, que viverá um personagem cheio de ques- tionamentos, enquanto o companheiro é gay assu- mido e também sem estereótipo. “Ele não dá a mínima bandeira de que é homos- sexual. Isso também é normal e me deixou mais tranquilo, porque percebi que vou poder fazer, aci- ma de tudo, um ser humano, uma pessoa, e não uma caricatura que possa ser julgada ou classifica- da de qualquer forma diferente”, disse o ator Thia- go Fragoso, em entrevista ao site da novela. BEIJO GAY Questionado se terá beijo gay, Antony brinca que já havia sido perguntando pelos amigos: “Não sei se vai rolar, mas acho que esse assunto já é passado”, e diz que existe “uma grande possibilida- de das pessoas torcerem pelo casal”. Para Fragoso, o casal é um divisor de águas porque “quero que a gen- te consiga mostrar uma família feliz e que o público torça pelo casal e que isso vire um marco na TV”. divulgação 4
  • 5. aquenda! Casamento Igualitário “E ssa lei será a dissolução da família brasi- leira; as pessoas não terão mais interesse em ficar casadas; filhos de “lares desfeitos” crescerão como marginais; a sociedade irá sucumbir por este motivo.” O ano, 1977. A gritaria, promovida pela Igreja Católica (pois as pentecostais na época praticamente não tinham voz), era dirigida contra a lei do divórcio. E o tão propa- lado apocalipse familiar brasileiro teve de esperar quase 40 anos para acontecer, mas provocado pelo neolibera- lismo, que transformou grande parte da humanidade em um bando de idiotas consumistas e eternamente en- dividados, seja pelas drogas (especialmente pelo crack), pela erotização precoce e exagerada de crianças e ado- lescentes e, principalmente, pela proibição, por parte do Estado, de que os pais possam educar seus filhos. Um ambiente familiar no qual os animais de estimação e as crianças é que mandam não pode redundar em coisa boa, sob hipótese alguma. Mas nada a ver com o divórcio, que foi uma resposta (tardia) do governo militar a algo que, na prática, a so- ciedade já vivenciava. Passados 40 anos, eis que a gri- taria volta, mas por motivo diferente: o que vai causar um apocalipe familiar no Brasil e no mundo, agora, é o casamento gay. Qual o problema com essa gente, afinal de contas? Se você é agnóstico, ateu, budista, judeu ou muçul- mano, talvez não se importe com o que Cristo tenha ou não dito. Para um cristão, porém, deveria ser parâmetro para a vida toda. Sobre os mandamentos, por exemplo, Cristo resumiu os dez de Moisés a apenas dois, sendo: 1. Amar a Deus sobre todas as coisas (autoexplicativo, pois não?) 2. Amar as pessoas como a nós mesmo. Aqui, o bicho pega, e por dois bons motivos. Primeiro bom motivo: se você não se ama, não amará ninguém; Segundo bom motivo: Jesus disse para “amar as pessoas”. Ele especificou, por acaso, que tipo de pes- soa deveria ser amada? NÃO! Disse apenas para amar- mos as pessoas, em geral. Ponto final. Como não é de bom tom uma pessoa supostamente inteligente admitir que é preconceituosa e homofóbica, usa-se a “palavra de Deus”. Não sei se já perceberam, mas as igrejas, em especial as evangélicas, adoram fazer uma baguncinha com essa história de moral religiosa. Usam o Velho Testamento para domar o rebanho, mas o Velho Testamento, para um cristão, não deveria ter valor algum. Uma igreja evangélica, como diz o próprio nome, prega o Evangelho, ou seja, a boa-nova, a pala- vra de Jesus, o Deus Vivo entre os homens. Vamos falar sério? Jesus, um tremendo de um revolucionário, fatal- mente acabaria expulso de qualquer uma dessas igre- jas pretensamente cristãs. De cristãos, esses pastores homofóbicos não tem nada. Lembram-se da passagem na qual o povo quer (cumprindo as leis da época, as leis de Moisés) apedrejar uma mulher adúltera? Qual foi a reação de Jesus? Morra, sua pecadora? Ora, me poupem! Ele salvou a vida daquela mulher, completamente despojado de preconceitos e de julga- mentos. Por que vocês, religiosos, não conseguem fazer o mesmo? Porque vocês não acreditam em Deus! Apenas usam o nome Dele para ganhar dinheiro, muito dinhei- ro! Esse é o estelionato mais bem engendrado de que já tive notícia em toda a minha existência! Vamos ao que importa: A comunidade gay deve dei- xar de ser alienada e deve se unir. Deve votar em candi- datos que os representem nos poderes legislativos (Câ- maras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal). Os evangélicos fazem exatamente isso e estão com grande vantagem sobre vo- cêsnesseaspecto.Asituaçãoésériaenãocomportamais espaço para brincadeiras. Esta não é apenas uma ques- tão de “poder ou não se casar”, de “poder ou não adotar crianças”. Isso tem a ver com Direitos Humanos. Tem a ver com cidadãos serem discriminados, mortos em crimes de ódio derivados unicamente de sua condição sexual, não poderem viver plenamente sua cidadania e suas vidas por um detalhe, um único detalhe: nasceram atraídos sexualmente por pessoas do mesmo sexo. Isso para ficarmos no campo das simplificações, sem tratarmos da bissexualidade, por exemplo. Fiquemos apenas com os gays.O que importa se João ama Maria ou Antônio, sinceramente? Em que isso muda a minha vida, ou a sua, que me lê até aqui? Me responda: muda o quê? Se as religiões não quiserem celebrar cerimônias entre homens ou entre mulheres, tudo bem, problema delas. Mas o Estado não pode se omitir em hipótese alguma. Devem ser celebrados casamentos e divórcios civis sim, observadas estritamente as mesmas regras dos casamentos entre os heterossexuais. Todos os de- mais direitos civis, constitucionais e humanos de todos os cidadãos devem ser observados e respeitados, inde- pendente de qualquer irrelevância. O que fica de mais importante para mim, nesses meus 40 anos de vida, é que somos, no fundo, todos absolutamente iguais em nossas profundas diferenças. No final das contas, a raça é humana. 5 por Giovanni Moscato Junior
  • 6. Q uando se fala em “sair do armário”, geralmente imaginamos uma drag queen senta- da em uma poltrona em forma de salto alto, em cima de um ônibus em movimento e com uma echarpe balançando ao vento. É difícil imaginar seu médico ou seu den- tista, pessoas aparentemente comuns, sendo gays e ainda mais difícil imaginá-los “assumi- dos”, não é mesmo? Temos aquela impressão de que “assumir-se” significa erguer a mão em um churrasco de família para pedir a palavra e dizer a todos: “Querida família, eu sou gay!”, ou travestir-se assumindo a identidade de uma “diva” (travestis merecem respeito como qualquer outra pessoa, apenas uma coisa não tem nada a ver com a outra). Falar em assumir-se traz também a sensação de que jamais seremos aceitos ou entendi- dos, de que as pessoas que gostamos e convivemos irão nos rejeitar. Algumas de fato poderão fazer isso, mas falar de aceitação é algo complexo e um grande abismo na cabeça e na vida de algumas pessoas. Do meu ponto de vista, vejo que a raça humana possui dois sentimentos conflitantes: aceitação e egoísmo. Ambas perfazem as necessidades que movem o mundo e determinam tudo o que as pessoas fazem, como agem e como pensam. Parece que a socie- dade é norteada por esses dois pontos: “Faço qualquer coisa para ser aceito e, ao ser aceito, quero ser o melhor desse grupo que me aceitou”. São os caminhos e atalhos que as pessoas pegam para satisfazer essas duas necessidades que determinam o que me diferencia de você, você do seu amigo e seu amigo do vizinho dele. Para um homossexual, a sina da aceitação é algo como um fardo, uma carga pesadíssima formada de preconceitos, perseguição e igno- rância, essas que são fabricadas graças a um daquele “norte” já citado: o egoísmo. Por conta do monstro da aceitação, o tema “assumir-se” torna-se um tabu no mundo gay. Alguns se casam como héteros e morrem reprimindo o que sentem, outros traem parceiros (alguns inclusive com travestis, iludindo-se de que não estão saindo com um “homem”) e alguns chegam ao extremo de tirarem a própria vida, pois o medo de não serem aceitos faz com que eles mesmos não se aceitem, acreditando que o suicídio seja uma tarefa mais fácil do que a de tentar convencer um mundo que não quer ser convencido. O mundo realmente não quer, mas no contexto de nossa própria vida, e de nossa felicidade, o que o mundo quer tem que ser o que menos importa. Para isso, precisamos entender o que é “assumir-se” e entender o que é “aceitação”. Tudo fica mais claro e fácil assim, pois o dilema não está em “ser”, mas em decidir o que “fazer”. Parece complicado? Parece, mas não é. A primeira coisa a entender é que você é especial, que você, seja hétero ou homo, é uma pessoa única. Se você é cristã, saiba que você é filho de Deus, independente do que digam igrejas ou pastores, e Ele te ama acima de qualquer coisa. Se você for ateu, ou sua crença seja em alguma força especial ou similar, vale a mesma regra, você é especial e nada vai mudar isso. Nada, nem ninguém. Portanto comece riscando da sua vida termos como: “sou doen- eu sou! SeU aRmÁRiO em aTÉ 10X Sem JUROS Por roDriGo nasciMento Rodrigo é paulista, tem 31 anos e é Tecnólogo em Eventos 6
  • 7. te” – porque doença a gente cura com remédio; “sou impuro, sujo” – porque sentimentos são incontrolá- veis, ações a gente pode controlar, sentimento não, então o que você sente não o torna impuro e sujo. Su- jos são aqueles que não tomam banho. Respire fundo e sinta-se leve em saber que você é um ser pensante e especial e que as terminologias inventadas pelas pes- soas são apenas isso: invenções, invenções de pessoas imperfeitas como você. E falando em invencionices, é bom saber que a sociedade inventou uma alcunha para os gays que é uma visão totalmente deturpada e ignorante que diz: gay é quem faz sexo com outra pessoa do mesmo sexo que ela. Parece simples e verdadeiro, mas tal definição não poderia ser mais imprópria para definir um homosse- xual e aqui entra o que citei no começo do nosso papo quando disse que “ser” e “fazer” são coisas completa- mente distintas. Todo mundo sabe o que é o “ato” de fazer sexo e com imaginação você pode fazer sexo até com uma cadeira. Não no sentido literal, claro, mas ter prazer por meio de estímulos sexuais qualquer pessoa pode ter com qualquer coisa ou pessoa, basta, como eu disse, ser criativo e ter imaginação. Portanto, mesmo quem é virgem, e nunca fez sexo com quem quer que seja, pode ser homossexual, porque ser gay não é fazer sexo com alguém do mesmo sexo, mas sim ter sentimentos, atração emocional e atração sexual – não o ato especificamente, mas a vontade de fazê-lo – por alguém do mesmo sexo. Lembra quando disse que sentimento é algo que você não controla? Você pode escolher sentir ou não saudade de alguém? Você pode escolher amar ou não alguém? Pois é exatamen- te isso. Quando os grupos GLBTTs tentam convencer as pessoas de que não é “opção sexual” ser gay, mas sim “atração sexual” ou até “orientação sexual” é isso que eles querem dizer, que a gente não escolhe gostar de alguém do mesmo sexo, que isso é involuntário, faz parte da nossa essência, independente de ficar ou não com homens (ou mulheres, para as mulheres), transar com um ou não, é o que sentimos, esse dese- jo, essa atração emocional e física que define se uma pessoa é hétero, homo ou bissexual. Por isso você não é doente, não é impuro, não é sujo. Por isso não se “escolhe” ser gay, ou não, e por este motivo não existe “ex-gay”. Entender isso é o ponto chave, é a premis- sa de tudo, porque existe uma pessoa específica que precisa ser convencida a aceitar isso e te aceitar. Ela é bem complicada, teimosa e, por vezes, marrenta. Essa pessoa não aceita nada facilmente. Se você conseguir convencer essa pessoa, talvez você não conseguirá fazer todo mundo te aceitar, mas, no mínimo, pode- rá defender a sua verdade com respeito e orgulho. Sabe quem é essa pessoa? Veio alguém específico na sua mente? Será que você acertou? É..., é ela mesma: essa pessoa é exatamente você! Você é a única pessoa no mundo que precisa se aceitar, por- que se nem você mesmo se aceita, como as pessoas te aceitarão? Como terão respeito por você se nem você se respeita? Portanto “aceitação” é isso, é en- tender seus sentimentos, entender que o que te faz ser homossexual e se aceitar assim, e sentir-se bem por saber que isso é só mais uma das muitas coisas que te fazem diferente da maioria, como a cor do seu cabelo, por exemplo, e falando novamente de “ser” e “fazer”, independente de qualquer atitude que você venha a tomar daqui para frente, essa é a diferença. Então, finalizemos essa parte. Se você tem sentimentos e atração emocional e sexual por pessoas do mesmo sexo que você, você é homos- sexual. Ponto. Você não é doente, louco, sujo ou inferior a qualquer pessoa. Você não precisa usar batom ou vestir saia, nem precisa sair com homens se não quiser simplesmente por causa disso. Isso é “aceitação”, se aceite como você é e fique bem com você mesmo! Simples assim. Muito bem, agora, ao se aceitar, você precisa avaliar consigo mesmo quais atitudes vai tomar daqui pra frente. É como definir uma profissão. Você pode gostar da matemática, é um sentimen- to, involuntário, você gosta e ponto. O que vai fa- zer daqui pra frente, vai estudar matemática? Ser professor? Buscar alternativas na mesma área? Ou não, vai buscar outras coisas e guardar isso só pra você? Com a homossexualidade é a mesma coisa, e é muito pessoal dizer como alguém tem que vi- ver a sua vida. “Sair do seu próprio armário”, ao meu ver, é isso, é aceitar-se e ser feliz sendo quem você é! E o melhor é que não precisa nem parcelar, dá pra fazer à vista! Há há há! É tirar um espinho que a sociedade fincou no seu peito e que está ma- chucando. Agora contar isso aos seus pais, aos seus amigos, é outra história, e isso é você mesmo que vai avaliar, que vai decidir. Vai ficar com pessoas do mesmo sexo? Transar com elas? Fazer amor? Vai seguir sua cabeça ou os preceitos e ensinamentos de determinada religião ou pessoa? Você decide, pois é muito pessoal, envolve crenças, sentimentos, decisões grandes e pequenas, mas, independente do que escolha para sua vida, ao sair do seu próprio armário, você será mais feliz! O que você vai fazer daqui para frente, é um problema seu e só seu, e eu lhe desejo sorte e muitas, muitas alegrias! 7
  • 8. SOBRe a SeXUaLiDaDe: “OS ‘FÉLiX’ Da ViDa ReaL” “O fato de eu gostar de homens e mulheres me faz um cara mais completo e feliz, curto prazeres que a vida me oferece, sem limitações, mas com segurança.” A presença de Félix, de Amor à Vida, na casa de milhões de teles- pectadores Brasil a fora está deixando muitas pulgas atrás da orelha de muita gente por aí. A bissexualidade do vilão da no- vela de Walcyr Carrasco é muito mais comum do que se imaginava. Na novela, Félix foi flagrado pela esposa logo no segundo capítulo, no terceiro confessou o deslize e ela acabou aceitando-o de volta, de- vido às circunstâncias financeiras. Além dos homens que saem com outros homens, existem também aqueles que procuram exclusiva- mente travestis. Quando tive a ideia de abordar esse assunto, logo fui barrado pe- las “barreiras” do anonimato. Convencer homens casados que saem com homens a falar sobre o assunto foi um problemão. Eles morrem de medo de aparecer, mas consegui convencer dois a falarem sobre o assunto e até levei uma cantada. “Lindo assim pode me entrevis- tar até na cama”. Dei risada e respondi educadamente: “Obrigado, mas já tenho compromisso.” Ele logo retrucou: “Este é o problema, o compromisso! Eu também tenho, mas não me prendo a isso”. Hugo tem quarenta e poucos anos, disse que “adora amigos virtuais”, que procura amizade na internet para falar sobre mulher, e que seu tesão por homens se limita a vê-los ao abrir a webcam, se masturbar e gozar junto. “Antes eu entrava nas salas de bate-papo ‘normais’, mas sempre era taxado de gay por querer teclar com homem”, disse. Ele é casado há 10 anos com uma mulher, sem filhos e atua como metalúrgico. “Como não era muito aceito nas salas ‘normais’, entrei nas de ‘sexo gay’. Lá foi mais chocante, porque 99% são mesmo gays, sendo que existe muita gente boa”. Neste instante, Hugo resolveu desabafar: “(o corpo) deixa uma ilusão de ótica. Peso 60kg, tenho e 1,70m de altura, fiz academia em 2005 e, como sou magro, fiquei um pouco definido. Pesava 57kg e cheguei a 63kg, mas hoje estou com 60kg” isso atrai mais os homossexuais. “Comi (fez sexo com homem) quando era sol- teiro, mas foi ‘aquilo...’ seco, sem carícias, sem beijos”. Hugo disse ainda que a “novela (Amor à Vida) vai dar Ibope” e que “era uma coisa que a gente sabia que existia, mas é ‘foda’ o olhar dele com o novo médico. Entrega! É um tema bem atual”. Paulo, de 44 anos, é empresário, casado e sem filhos, “por não po- der” e nunca querer adotar. Disse que quem “sai com homem, não é capa 8 por GeraLDo raMos Junior
  • 9. heterossexual” e que a aceitação foi difícil: “Todos têm (crise existencial), já tive a minha, mas superei e toco a minha vida de boa hoje. O fato de eu gostar dos dois me faz um cara mais completo e feliz, curto prazeres que a vida me oferece, sem limitações, mas com segurança” e que está assistindo esporadica- mente a novela Amor à Vida. “Acho o cara meio frustrado, se optou por ter fi- lho, que não o maltrate. Ele não tem culpa de sua opção (sic), ele realmente é um gay enrustido”, diz. A “opção” acima dita é em “não se assumir” e que “Não tem essa de se assumir, se gosto dos dois, para que entregar e estragar uma relação legal e perder toda uma sociedade em que vivemos e é hipócrita em não aceitar?” e completa: “todas as formas deprazerdentrodequatroparedessãoválidas”. Paulo diz também que nunca passou por um analista: “acho que analista é mais pra questão de aceitação. Como me aceito, continuo bem. Mesmo que isso (sair com homens) seja espo- rádico, eu tenho uma vida sexual ativa sim, hi- pócrita é quem diz que não. E ‘não pago’ (para sair com homens), quero prazer pelo prazer e não pagando”. Paulo conclui dizendo que nun- ca encontrou ninguém (homem) que “sentisse vontade de repetir mais do que duas vezes. Sou flex. Se não tem gasolina vai com álcool. E não curto ‘afeminados’, curto ‘macho’”. O personagem Félix, interpretado pelo ator Mateus Solano, encontra o seu “anjinho” em um shopping. reProdução 9
  • 10. impossível ninguém detectar a feminilidade de Félix Khoury F oi Félix entrar em cena em Amor à Vida para se tornar o mais novo queridinho dos críticos e do público. Não precisou de dez minutos para Mateus Solano entrar nos assuntos mais comenta- dos do Twitter e assim ficar por quase todos os dez capítulos já exibidos. Nas cenas iniciais, e repletas de licenças poéticas, o público se encantou com a vilania do personagem: a frase “Meu amor, genética não tem nada haver com cabelo tingido”, após contar à irmã que ela era ado- tada, foi apenas uma das que se seguiram-se causan- do impacto, reforçadas por trejeitos afeminados. E como diria aquele antigo personagem de Jô Soares: é aí que mora o perigo. Impossível ninguém não detectar a feminilida- de do marido de Edite que, ao flagrá-lo com outro homem, desabafou: ”Me avisaram... mas ele não é gay?”, em uma discussão ao descobrir a traição do marido. A interpretação de Mateus Solano é magis- tral. Se alguém tinha alguma dúvida do seu talento, ali findou-se. Além, é claro, da direção de Wolf Maya e do texto de Walcyr Carrasco, que caprichou após um primeiro capítulo canastrão. Quando Félix se justificou: “Não é opção, mas condição”, ele acabou ganhando a simpatia do públi- co, principalmente dos militantes e, definitivamente, consagrou-se como o melhor personagem da nove- la. Félix é lindo, rico e o grande vilão da trama. Jogou a sobrinha na caçamba após chamá-la de “Ratinha”, além de usar inúmeros comentários e gírias gays como: “fizeram a elza” e “é um tipão de deixar qual- quer mulher molhadinha”. O personagem é maravi- lhoso, e permite a Solano mostrar todo o seu talento. O personagem acaba discutindo um tema comum na sociedade,masforadofoco:abissexualidade.Porém, como toda novela, existe o lado negativo. A pinta que Félix dá é demais para quem está no armário. Soa tão piada quantos os erros de continuidade de Salve Jorge, o que faz o personagem acalentar o tipo mais comum nas novelas brasileiras: o gay afeminado. Walcyr Carrasco promete outros dois grandes personagens gays: Niko e Eron, ao tocar no assunto sobre nova família. É esperar para ver. Até aqui, a cotação: é Ótimo. Gays não souberam amar a novela “Salve Jorge” Quando Rosângela (Paloma Bernardi) abordou o primeiro gay a ser traficado em Salve Jorge, os militantes LGBTs pode- riam ter entrado em ação. A novela de Glória Perez colocou o dedo na ferida da sociedade ao abordar o tráfico de pessoas, mas muitos não entenderam o contexto da história e re- solveram questionar os inúmeros erros de edição e continuidade da novela, deixando o tema principal como coadjuvante. Um erro tremendo. Afinal, os travestis são um dos mais visados dos traficantes que, com as promessas de fazerem shows no exte- rior – alguns querem mesmo é se prostituir, também é verdade –, acabam caindo em ver- dadeiras armadilhas, como mostrou a no- velista com a transexual Anita (Maria Clara Spinelli) e pela travesti Patrícia Araújo. Aproveitar o gancho para abordar outro assunto pertinente à sociedade, que é a cri- minalização da homofobia, deveria ter acon- tecido mas não o fizeram. Não se soube apro- veitar a repercussão de uma novela das nove, certamente por pura falta de discernimento quanto a interpretação de texto, ou pelo sim- ples medo de dar a cara para bater. Será que aqui elas também não são vítimas de escravi- dão? Será que a escravidão só existe lá fora? É só mais uma demonstração do quanto o gay, no Brasil, mais está preocupado com a festa e o glamour, e deixa o social e a militân- cia de lado. Lamentável. opinião da reDação da reDação reProdução 10
  • 11. adoro! N ão é moda, é virilidade. É resgatar o que existe de essencialmente mascu- lino em si e no outro. É afirmar que a beleza não está na lisura asséptica de uma pele de bunda de bebê. Porque, quando se as- sume que é homem, se assume também que é um ser erótico, adulto, e o erotismo num ho- mem está nos detalhes que o destacam como tal, como os pelos. Na cara, e onde for. Não se deve cortar os cabelos de Sansão, sob nenhuma hipótese. Eles traduzem o que procuramos em seu dono: a maturidade, a proteção, os culhões. Não se gosta verdadeiramente de homem se rejeitamos os seus pelos. Quanto mais a barba, que roça, arrepia, afaga e castiga. Nossa pele arranhada e eriçada, da nuca às coxas, na ordem e no tempo que se quiser. Até tentam oprimí-la, pagam celebridades da TV para lucrar com a tragédia de raspá-la e passar a imagem de que ela é suja ou pode se tornar exagerada. Só os tolos compram essa ideia. Os mais inteligentes, sejam eles ou sejam elas, sa- bem: não há nada melhor que uma barba, seja ela extravagante e farta. Se duas barbas se encontram, então, é mais que atração, é poesia. Uma explosão de ma- cheza, a confrontar as estrelas, os livros sagrados e tudo que, de tão velho, nem mais tem vida. Duas barbas que se roçam é a própria revolução e o progresso. E a inteligência, e o charme. Com a barba se chega à vida adulta e à plenitude sexual. Pela barba se identificam os que fogem às regras, os que não se subme- tem, os que leem a boa literatura, os que ouvem a boa música e até os que votam correto. Pela barba, você sabe quem mete bem e mete certo. Homem que gosta de homem, gosta de barba. Mulher que gosta de homem, gosta de barba. Quem não gosta, prefere os brinquedos, de plástico e sem chei- ro. Quem não gosta, prefere os príncipes da Disney, todos castrados. Quem odeia, boa coisa não é. Não se pode separar as pessoas, por gênero ou por gosto, mas os homens que gostam de homem tem lá suas vantagens. Só eles tornam o mundo mais belo quando têm barba e beijam outro de barba. As mulheres mais sensíveis até apreciam. Tem coisa mais bonita? Não, não tem. Só se os pelos continuarem corpo abaixo. A perfeição existe e pode estar do seu lado. Não se é homem suficiente sem barba e não se gosta de homem suficien- temente se nunca se experimentou uma barba grossa abrindo suas pernas ou agredindo a sua boca. Experimente uma barba. Cultive uma barba. Com uma barba o samba é mais samba, o rock é mais rock. E uma cama nunca é só uma cama. Com barba, meu caro, a pegada é outra. O maravilhoso mundo da barba por fÁBio Justino 30 anos, Fábio é barbudo há sete e é autor do site d’O Caralho do Rock: www.cdorock.com tHiagO araUJO edder dias HenriQUe castanHeirO leOnardO pradO MarcelO silva rOdrigO saMpaiOtiagO castrOrenat0 gUrgelraOni liMapaUlO rUiZ
  • 12. A ‘Parada’, ‘Paim’ e ‘PLC 122’ M esmo durante a proximidade da Parada Gay de São Paulo, uma das maiores do mundo em tamanho e de grande impor- tância financeira e turística para a cidade, ainda impera a covardia das direções LGTBs quanto ao destino político do evento, amordaçando a sua vo- cação natural, num momento em que se deveria avançar na luta contra a homofobia. O Brasil não tem uma lei nacional específica que criminalize a homofobia, o discurso de ódio, o preconceito no trabalho, em locais públicos, e nem que garanta a livre manifestação do afe- to LGTB. O PLC 122 original, que tramita desde 2006 no Congresso, garante a manifestação li- vre do afeto LGBT. Por esse motivo, nosso grupo defende o projeto firmemente, além da crimina- lização da homofobia, perante o Código Penal Brasileiro, imputando penas severas e inibindo a prática machista, sexista e homofóbica. O desperdício de capital mobilizador da cau- especial parada gay por Marco Morcef idealizador do Grupo “Ação Pró-PLC 122” no Facebook sa infelizmente tem sido a característica dos últi- mos movimentos – , como o Fora Feliciano!, por exemplo -, uma ação que apenas demonstra a falta de eixo e de programa político, impedindo que a causa em si avance. Neste contexto, Paulo Paim, senador pelo PT, cuja posição não é nada confiável quanto a manu- tenção do texto da PLC 122, retomou a questão no Senado, enquanto a própria ‘Parada’, o deputa- do Jean Wyllys, e os demais partidos de esquer- da fizeram apenas “ouvidos de mercador”. O que esperam? Que o assunto morra na praia ou uma negociação porca e a aprovação de um PLC 122 medonho, colocando os LGTBs como uma segun- da categoria de “cidadãos”? Ou tomamos um “Chá de Vergonha e Coragem” e damos uma Virada na Parada!, que esta totalmente no armário (como bem “insinuou” nosso bloguista Vitor Ângelo) as- sumindo-a como um grande palco pelo PLC 122, abrangendo a criminalização da homofobia e de- fendo o Estado Laico de direito, ou assistamos apenas a passagem dos trios, como se todas as ba- talhas já estivessem vencidas. “O Brasil não tem uma lei nacional específica que criminalize a homofobia, o discurso de ódio, o preconceito no trabalho, em locais públicos, e nem que garanta a livre manifestação do afeto LGTB.” divulgação 12
  • 13. A “Parada Gay”? por Dan Barreto E hoje tem a Parada Gay, ou seria uma Micareta emplenaAvenidaPaulista?Fuiduasvezesapenas (2007e2009)enessaépocajáeraisso.Várioshe- teros, brutamontes, querendo pegar as amiguinhas dos gays, travestis, praticamente nuas, andando pelas ruas. Milhares de pessoas fantasiadas e, o pior, várias famílias Beijo Gay E ntra novela, sai novela e o tema é o mes- mo: “o beijo gay”. Em 2005, na novela Ámerica, de Glória Perez, o beijo foi veta- do pela alta direção da Globo e acabou não indo aoar,causandograndeprotestonainternet,am- pliado para sua sucessora, a novela Passione, do autor Silvio de Abreu. Obeijogayéimportantesimparaasociedade, masficasemsentindoseaPLC122nãoforapro- vada antes. Adianta eu beijar meu companheiro na boca se eu não for respaldado pela lei, caso alguém queira nos agredir? A novela deve mos- trar o beijo ‘igualitário’; porém, se a lei não vier em defesa do afeto, de nada vai adiantar. Beijar em público tem sido cada vez mais comum en- tre os homossexuais, muitos até trocam carícias nos transportes públicos, porém, dentro de casa ainda existe um grande e impertinente tabu, até porque na rua é muito mais fácil encontrar entu- siastas que defendam o ato (do beijo). comcriançasnomeiodesse“evento”.Aliás,qualo propósito da Parada Gay mesmo? Sinceramente não sei. Há muito tempo já perdeu o foco de lutar pelos nossos direitos (união homoafetiva, menos preconceito, entre outros), e, infelizmente, as pes- soas “vão no embalo”. Mas o que passa na cabeça dessas pessoas? Algumas delas, assim como suas atitudes, ain- da denigrem a imagem de todos os gays, que ape- nas lutam pelos seus direitos. Outra questão é sobre o tema desse ano: “Para o armário nunca mais!”. Em meio a tantos acon- tecimentos, como a eleição do deputado Marcos Feliciano para presidência da Comissão dos Di- reitos Humanos e Minorias (CDHM), me parece surreal a escolha. Enfim... Os organizadores da Parada poderiam ter fo- cado em temas como a “Homofobia Mata!”. Seria muito mais relevante do que a proposta aborda- da. Sei que cada um tem o seu modo de pensar e osorganizadoresfizeramassuasescolhas.Porém, esteéomeumododepensareessaéaminhaopi- niãosobreaParadaGay,seéqueaindapodemos chamá-la dessa maneira. Nas casas o problema é maior. Estudos mostram que a homofobia é maior dentro dos lares e por isso a questão deve ser levada para todas as esferas, inclusive a TV, re- conhecidamente o maior meio de comunicação de massa do país, como forma de conscientizar o público. O mote é simples: “Beijogay.sim,énormal”.Contudo,semaapro- vação da PLC 122, será um tiro n’água ver a concretização do beijo gay na TV. É preciso uma lei civil que não deixe homossexuais sujeitos às agressões e até a morte. “Vários heteros, brutamontes, querendo pegar as amiguinhas dos gays” “Que sentido terá o beijo gay, se a PLC 122 não for aprovada?” da Redação reprodução reprodução 13
  • 14. “Festival Mix Brasil” convida o dep. Marco Feliciano e ele aceita O s organizadores do 21º Festival Mix Bra- sil 2013 fizeram um convite em forma de anúncio (em uma página do jornal Folha de S.Paulo) ao deputado Marco Feliciano para partici- par da 21ª Edição do evento, que discute a diversi- dade sexual nos cinemas. O deputado, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) aceitou o convite e em nota disse que “um festival, que de forma ordeira e pacífica, levanta a bandeira da di- versidade, merece nosso respeito e compreensão” e completou com uma frase bíblica “Ide e pregai o evangelho a todos”, completando que “não significa que sejamos inimigos, antes de tudo, somos filhos do mesmo Deus.” Segundo reportagem da Folha, os organizadores do Festival prometem ainda convidar personalida- o que tem pra hoje? des como Joelma, da Banda Calypso, Silas Mala- faia e Jair Bolsonaro. Para João Federici, “esses episódios de homo- fobia chateiam muito. Mas é só uma questão de tempo, porque as reações só existem quando se avança”. O Festival Mix Brasil vai acontecer en- tre os dias 7 e 17 de novembro, na cidade de São Paulo, e entre os dias 21 de novembro e 1º de de- zembro no Rio de Janeiro. Para inscrever sua obra é preciso preencher o formulário no site (www.mixbrasil.org.br) e levar o DVD para os organizadores. O evento conta com quatro categorias: Longa-Metragem de Ficção ou Experimental;DocumentáriodeLonga-Metragem; Curta e Comédia-Metragem Ficção ou Experimen- tal(menosde60minutos),eDocumentáriodeCur- ta ou Média-Metragem (menos de 60 minutos). Fotos:BeijaçoemBrasília,em24/abril/2013deUesleiMarcelino/Reuters,peçapublicitáriodofestival,divulgação. 14
  • 15. Uma “droga” que pode acabar com os grisalhos Uma notícia divulgada na semana passada sobre uma droga descoberta para acabar com os ca- belos grisalhos já está deixando muitas pessoas em polvorosa. Para o bem e para o mal, um tratamento pode acabar com os cabelos brancos. As mulheres ficariam felizes, pois a vaidade sempre fala mais alto. Por outro lado, “a descoberta”, afinal, está prometendo acabar com os charmosos grisalhos. A causa do embranquecimento dos cabelos é co- nhecida como “estresse oxidativo”. Durante o enve- lhecimento, os cabelos acabam acumulando o pe- róxido de hidrogênio, que é um descolorante da cor natural dos cabelos – uma versão natural da água oxigenada usada em tinturas de cabelos. O tratamento foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Bradfor, na Grã-Bretanha, e da Universidade de Freifswald, na Alemanha, se- gundo reportagem do portal G1. PARTE BOA O mesmo tratamento poderá ajudar ainda às pessoas com vitiligo, pois o remédio ajuda a repigmentar a pele e os cílios. “O desenvolvimen- to do tratamento efetivo para essa condição tem o potencial de melhorar radicalmente as vidas de muitas pessoas”, disse o editor-chefe da Federação das Sociedades Americanas para Biologia Experi- mental (Faseb), publicação especializada que di- vulgou a descoberta. Hormônios nos frangos tornam crianças gays? Pelo menos foi o que disse a modelo colombiana Na- talie Paris, em entrevista à TV Caracol, em março. Para ela, os hormônios injetados nos frangos são os responsáveis “por fazer” crianças se tornarem gays. “Os meninos que comem esses frangos estão come- çando a virar homossexuais”, disse a modelo, que tem 39 anos e mora em Bogotá. Ela disse ainda que os hormônios são responsáveis por deixar as meninas com “corpo adulto” muito rá- pido. Esse pensamento é o mesmo de Evo Morales, presidente da Bolívia. Em 2010, Evo afirmou que frangos com hormônios poderiam levar à homosse- xualidade e à perda de cabelo. É mole? De onde surgiram os termos “Veado” e “Sapatão”? Segundo reportagem de Artur Louback Lopes, da revista Superinteressante, a origem destes termos tão comuns e pejorativos, que atormen- tam a sociedade, são advindos literalmente do sapato e do animal, segundo o etimologista Rei- naldo Pimenta. Ele explica no livro Casa da Mãe Joana 2 que “sapatão” surgiu na década de 1970, quando as mulheres homossexuais, e mais mas- culinizadas, tinham predileção por usar sapatos grandes. Complementando a ideia, Deonísio da Silva, autor do livro De Onde Vêm as Palavras, diz que “em casais de lésbicas, as mulheres que faziam as vezes de marido assimilaram o precon- ceito, fazendo questão de usar sapatos grandes. Já as que faziam às vezes da esposinha eram em geral menores, mais esbeltas e usavam sapatos menores. Logo, foram caricaturadas como sapa- tão e sapatinha”. Sobre o termo “veado”, mas que na expressão popular é dito como “viado” (destaque à altera- ção do e pelo i) um policial na década de 1920 foi incumbido de prender homossexuais que cir- culavam pela Praça Tiradentes, no Rio de Janei- ro. Ao fracassar, teria dito ele que estes cidadãos teriam corrido como “veados”. A declaração do policial ganhou a imprensa e o termo acabou ga- nhando repercussão popularesca. 15