IMPULSIONADOS PELO AMOR
Relatos de restauração Sexual
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Agradecimentos


À Deus, em primeiro lugar, o Autor e Consumador da nossa Fé.
Para Ele seja toda glória e honra. Deus, o personagem principal,
não só de cada relato, mas deste trabalho.

Para cada autor que, além de acreditar nesse projeto, dedicou o
seu tempo e coragem para tornar possível este trabalho, o nosso
muito obrigado por aceitar não só o convite, mas o desafio.

Um agradecimento especial para Dionísio, Paulo e Marcus por
cederem seus talentos para este projeto.

Ao Juliano Son e Livres para Adorar por permitirem a utilização
da letra da canção “Vai Valer a Pena”.



                                       EQUIPE CLOSET FULL




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Sumário


Introdução..................................................05
Cláudio.......................................................06
Marcus.......................................................10
Thiago........................................................16
Eduardo......................................................21
Vanessa......................................................25
Félix...........................................................34
Anderson....................................................41
Leonardo....................................................46
Saulo..........................................................49
Gabriela.....................................................59
Conclusão .................................................61
Vai Valer a Pena........................................64


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Introdução


O objetivo deste material não é apresentar a homossexualidade
como boa ou ruim, muito menos entrar no mérito de causa e
efeito homossexual.

Este material foi realizado respeitando tanto quem vive na prática
homossexual como quem optou por abandonar, escrevendo assim
uma nova história.

Cada autor é responsável pelo conteúdo de seus relatos e
mensagens, que foram entregues entre o período de
novembro/2010 e janeiro/2011.

Ficou a critério de cada autor a divulgação ou não de seu e-mail
para contato.



Uma boa Leitura.




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Cláudio
      A história da minha vida é uma mistura de sofrimento e dor, aliada a
grandes mudanças e alegria intensa. Desde a minha infância até o dia de
hoje eu tenho experimentado grandes transformações, as quais me
permitem dizer que a vida é maravilhosa e deve ser vivida com prazer e
gozo.

      Eu experimentei o sofrimento bem cedo na minha vida. Ainda aos 7
ou 8 anos de idade fui introduzido às experiências sexuais com garotos da
minha vizinhança. Um desses meninos tinha uns 17 anos e outros dois eram
aproximadamente dois anos mais velhos que eu.

       O rapaz de 17 anos me atraía para os fundos da sua casa e mostrava-
me um pênis de borracha. Com o passar do tempo, ele passou a mostrar o
próprio pênis e pedia que eu o masturbasse. Isso desenvolveu em mim uma
forte e irresistível atração pelo mesmo sexo.

      Com os outros dois meninos as "brincadeiras sexuais" eram mais
intensas e chegavam a níveis mais práticos. Essas brincadeiras se
estenderam até que eu completasse 10 anos de idade, ocasião em que mudei
para outro bairro e fiquei livre do assédio e abusos daqueles dois garotos.

       O novo bairro em que fui morar era povoado com muitos meninos
menores de idade e que passavam o dia (e parte da noite) na rua, longe dos
olhos dos seus pais ou irmãos mais velhos. Nessa vizinhança, conheci e
experimentei níveis de envolvimento sexual ainda mais intensos e
frequentes. Todas as tardes e noites havia "brincadeiras" entre os garotos. A
faixa etária da meninada era de 8 a 18 anos.

      Até os 16 anos eu sentia muito prazer com as brincadeiras sexuais
que fazia com os colegas da minha idade. Tudo parecia tão natural e
previsível. Eu não sentia nenhum remorso ou vergonha, afinal, todos os
meninos faziam ou já haviam feito o mesmo. Não havia motivo para
traumas, complexos e dilemas... Só diversão.

       Apesar disso, entre os 16 e 19 anos, dei-me conta de que tudo aquilo
já estava fazendo parte do meu próprio jeito de ser, sentir, pensar e agir.


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Comecei a entender que o desejo sexual por garotos estava completamente
impregnado em mim e não estava associado apenas a brincadeiras com os
outros meninos. Tudo isso trouxe a mim uma constatação inequívoca: eu
era "diferente"!

       Entre 16 e 19 anos permaneci celibatário, porém, entregue às
fantasias homossexuais e à masturbação compulsiva. Ainda aos 19 anos,
conheci um rapaz de 25 com o qual dormi uma única noite, o que foi
suficiente para que a partir disso eu me entregasse completamente ao
comportamento homossexual e assumisse o estilo de vida gay.

       Seguiram-se anos de casos, encontros e aventuras que acabaram por
criar em mim uma forte convicção: eu era gay e devia me acostumar com a
idéia e o modo de viver da comunidade homossexual!

      Apesar de tudo isso, aos 22 anos eu questionei o que eu havia vivido
desde a infância e comecei a indagar por respostas quanto às origens dos
meus sentimentos e desejos. Eu não duvidava da intensidade dos meus
desejos e sentia-me confortável com o prazer que os atos e afetos
homossexuais me proporcionavam. A única dúvida que persistia em minha
mente estava relacionada ao fato de não saber o porquê disso acontecer
comigo. Eu não lamentava o fato, mas queria saber a finalidade, o
propósito de haver nascido homem, porém com uma mente e um desejo
sexual voltado para os outros homens. Na verdade, eu queria mesmo era
saber se Deus existia e se realmente estava por trás de tudo isso!

      Mesmo tendo aquele tipo de dúvida, eu não buscava por nenhuma
resposta em Deus ou na religião. Ao mesmo tempo, eu lia quase tudo que
aparecesse em minha frente e que estivesse relacionado ao tema da
homossexualidade.

      Apesar de não estar à procura de uma resposta em Deus, na noite do
dia 30 de março de 1997, sem que eu estivesse planejando nenhuma
mudança em minha vida, acabei por ouvir "por acaso" uma mensagem de
um pastor evangélico, na qual ele fazia um desafio para que os presentes
buscassem conhecer uma tal "vontade de Deus". Segundo aquele pastor,
essa seria a única forma para que um homem soubesse o quanto o seu
comportamento agrada ou desagrada o seu Criador.

      Achei o argumento do pastor ligeiramente lógico e aceitei o desafio
de conhecer aquela tal "vontade de Deus". Ainda assim, deixei claro ao
próprio Deus (caso ele existisse) que eu NÃO acreditava em nada que os


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crentes diziam e que eu achava a igreja um poço de hipocrisia e enganação.
Apesar disso eu me propus a seguir os ensinos contidos na Bíblia, caso
Jesus realmente mudasse minha forma de pensar, andar e falar. Eu tinha
uma mente inquieta, a qual estava constantemente fixada em homens e
sexo. Meu andar já estava ligeiramente afetado e os que passavam por mim
percebiam claramente que eu tinha trejeitos femininos. Minha voz deixava
claro o tipo de desejo sexual existia em mim.

     Aquela noite de verão foi o início de uma jornada emocionante.
Comecei imediatamente a estudar a Bíblia e a procurar conhecer cada vez
mais a vontade de Deus expressa nas Escrituras e me apaixonei ao
compreender o grande amor que o Criador tem por suas criaturas.

      O meu relacionamento com o Deus apresentado pela Bíblia supriu
todas as minhas necessidades intelectuais, emocionais e afetivas. Passei a
me sentir um homem completo e, conforme eu conhecia mais do amor de
Deus por cada um de nós, sentia-me mais forte, confiante e decidido a
seguir a Verdade por toda a minha vida.

      Já se passaram mais de dez anos e durante todo esse tempo não
houve recaídas ou indecisões. Eu compreendi que a atração pelo mesmo
sexo decorre de um erro na nossa percepção psicossexual e que resulta em
um comportamento inadequado à nossa estrutura física e emocional.
Também entendi que não é possível realizar-se completamente em uma
relação com alguém do mesmo sexo. Há sérias restrições e conseqüências
biológicas, psicológicas e sociais inerentes à homossexualidade.
Compreendi que é antinatural e contraproducente entregar-se a uma
disposição mental homoerótica e aos relacionamentos homoafetivos.

      Casei-me há seis anos e tenho uma esposa maravilhosa, a qual enche
a minha vida de significado, alegria e prazer, muito prazer. Sinto-me
completamente realizado ao lado da minha companheira que, além de ser
maravilhosamente bela, demonstra uma fé inabalável no nosso Deus, o
Criador dos Céus e da Terra. A fé que vejo em minha esposa reforça aquela
que há em mim mesmo, na qual eu vejo que tudo que Deus faz durará
eternamente!

      Nosso casamento tem as mesmas dificuldades de todos os casais que
se mantêm unidos nessa Terra. Temos diferenças, às vezes não as
compreendemos. Ainda assim, o amor que há em nós tem vencido todas as
nossas divergências e nos faz entender que Deus é amor e está ao lado dos
que se esforçam para manter os votos nupciais. Nosso lar é cheio de amor e


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paz e temos a certeza de que não seremos abalados por nada nessa vida,
pois estamos alicerçados numa rocha que não se deixa abalar.

       O fato de experimentarmos e vencermos as dificuldades em nosso
casamento nos dá ainda mais certeza de que o meu passado não
desempenha nenhum papel no meu presente, exceto na condição de
ferramenta para testemunho e aconselhamento para aqueles que desejam se
livrar da homossexualidade.

      Há dois anos comecei a pesquisar o que de fato aconteceu em minha
mente e que me levou a uma mudança tão radical. Fiz descobertas
fantásticas sobre o funcionamento da mente e o comportamento humano.
Atualmente, compartilho com outros homens a minha experiência e as
pesquisas que realizo sobre esse tema. Compreendi que Deus fez o homem
de um modo magnífico e deu a cada um de nós uma mente para ser usada
adequadamente. Hoje sei que não importa o quanto tenhamos sofrido por
desconhecermos o plano de Deus para nossa, podemos recomeçar a jornada
e estabelecer uma sólida caminhada rumo a uma vida plena, com prazer e
propósitos.

       Muitos homens já se beneficiaram do meu testemunho e do
aconselhamento que lhes ofereço. Há maridos que estão reestruturando
seus casamentos e rapazes que estão vivendo felizes com suas namoradas,
livres do tormento que a atração pelo mesmo sexo lhes causava e aptos a
sonharem com um matrimônio tradicional, em homem e mulher se unem
para gerar filhos e ser uma família.

      Caso você ou alguém que você conhece tenha interesse em saber
mais sobre o assunto, basta mandar uma mensagem por e-mail e poderemos
conversar melhor sobre todo o processo de mudança que eu tenho
experimentado nesses maravilhosos dez anos. Meu e-mail é
luzesal@gmail.com

      Aceite o desafio e conheça o que pode mudar sua vida radicalmente:
a Verdade!

Um cordial abraço.




                                                                       9
Marcus
       Já ouvi muitos relatos de pessoas que se envolveram na
homossexualidade e que resolveram contar sobre sua libertação. Já ouvi
casos de pessoas que afirmaram não terem passado por um processo de
transformação, mas vivenciaram uma mudança instantânea. O fato é que,
desde que comecei a procurar informações sobre este assunto, foram muitas
histórias que apareceram – histórias interessantes, com grandes vitórias e
algumas nem um pouco bem sucedidas. Identifiquei-me com alguns relatos,
mas alguns pontos importantes presentes em minha vida nunca foram
relatados. Dessa forma considerei oportuno escrever um pouco sobre minha
caminhada com Deus.

       Nasci num lar cristão. Meu pai era evangelista e sempre trabalhou
ativamente na igreja. Minha mãe também sempre esteve à frente de alguns
trabalhos. Cresci, então, aprendendo a viver em Cristo, ouvindo a Palavra
de Deus e me envolvendo nas atividades da igreja. Estava entrando na
adolescência quando meu pai foi consagrado a pastor. Achei muito
interessante isso no início, até porque ele sempre fez o trabalho de um
pastor, mesmo quando era evangelista. Depois de um tempo, comecei a não
gostar tanto da idéia – quem é filho de pastor sabe que as coisas não são tão
fáceis para nós. Hoje, no entanto, glorifico a Deus por ter sido criado em
uma família como a minha e por ter sido filho de pastor, pois tudo isso faz
parte da minha constituição como parte integrante do Corpo de Cristo.

      Eu e meu pai tínhamos uma grande diferença de idade. Como ele
tinha um trabalho secular e a igreja para pastorear, seu tempo em casa era
bastante escasso. Assim, tivemos um relacionamento bem distante. Tive
uma infância tranqüila, mas já me sentia diferente dos demais garotos. Não
sabia o que seria essa diferença, mas eu não me via como sendo igual a
eles. Fui crescendo e na escola, por vezes, ouvia alguns insultos dos
colegas, pelo fato de não jogar futebol como eles e por andar muito com as
meninas da classe. De certa forma, tudo isso me incomodava, embora eu
não soubesse o que havia de errado comigo.




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Chegou então à puberdade e, com ela, várias descobertas, incluindo a
masturbação. Lembro-me de que já ouvira meus colegas falarem sobre essa
prática e um dia, por curiosidade, comecei a me masturbar. Sempre
pensando nas minhas colegas, fui descobrindo o prazer que vinha desse ato,
imaginando como seria uma relação sexual com as mulheres. Até esse
momento, não pensava nos garotos.

      Certo dia, minha mãe e minha cunhada estavam conversando e de
repente começaram a falar sobre sexo. No meio da conversa, surgiu alguma
referência à masturbação e minha mãe falou que era pecado, pois o homem
ficava pensando em alguma mulher para sentir prazer. Aquelas palavras
ficaram ecoando em minha mente, num misto de temor, confusão e
decepção pelo fato de algo tão bom e aparentemente tão inocente ser
pecado.

       Pouco tempo depois, vem à minha mente um pensamento: “Um
homem se masturbar pensando em uma mulher é pecado; e se ele pensar
em outro homem será isso pecado também?”. Após esse pensamento, veio
a ideia de experimentar essa nova “modalidade” e ver se o prazer seria o
mesmo. Percebi que isso também trazia uma satisfação e então comecei a
me estimular freqüentemente dessa forma, ou seja, pensando em homens.

       Na época eu não tinha noção do que estava fazendo comigo mesmo e
das conseqüências desse padrão de pensamento. Deixei então de pensar nas
minhas amigas e imaginava algumas intimidades com meus colegas. Em
minhas fantasias, nunca imaginava uma relação sexual; eu não tinha noção
de como seria isso. Melhor dizendo, não passava pela minha cabeça que
um homem poderia fazer sexo com outro homem. Parece estranho dizer,
mas durante toda minha adolescência essa prática era acompanhada de
certa ingenuidade no que se refere ao sexo. Somente muito tempo depois
fui perceber que, em todos aqueles anos alimentando tais fantasias, foi-se
construindo um padrão de pensamento e meu corpo foi-se condicionando a
responder a esses estímulos até que não conseguia mais me excitar
pensando em uma mulher.

      E assim foram os anos se passando e já nem tinha curiosidade em
relação ao corpo de uma mulher. Tive alguns poucos contatos com
pornografia, quando trabalhava em uma loja e vi algumas revistas Playboy.
Mas eu sempre tinha um medo muito grande de pecar; então via as revistas
rapidamente, mas nada daquilo entrava em meu coração.




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Durante muitos anos, meus colegas na igreja me procuravam para
falar sobre as dificuldades que enfrentavam em relação à pornografia e eu
sempre os aconselhava. Não entendia, no entanto, por que aquilo os prendia
tanto, visto que das poucas vezes que eu vi não me senti preso a esse
pecado. Apenas olhei como se olha um catálogo de produtos. Por todos
esses aconselhamentos e pelo meu comportamento e envolvimento na
igreja eu era visto como um rapaz exemplar e de muita confiança. Todos
olhavam para mim como um modelo a ser seguido, mas somente eu e Deus
sabíamos o tanto que eu sofria por sentir atração por outros homens.

      Nesse meio tempo, tentei por diversas vezes deixar o vício da
masturbação – sim, eu era viciado nisso. Depois de muitas tentativas, aos
21 anos Deus me libertou dessa prática. Fiquei vários anos sem me
masturbar, mas ainda havia muitos sinais de impureza sexual em minha
vida. Para mim, no entanto, tudo isso já era um grande avanço, uma vez
que estava livre da masturbação. O que eu não compreendia era que a
pureza sexual envolve outras renúncias e que “pequenos” sinais de
impureza podem levar ao vício sexual.

       Somente fui ter um envolvimento com pornografia bem mais tarde,
por volta dos 25 ou 26 anos, quando vi um link na internet e surgiu uma
curiosidade que me levou a acessar um site pornográfico. Na verdade eu
sabia que aquele link levaria a uma página de conteúdo adulto, mas eu
fiquei curioso para ver quem seria aquela mulher. Para minha surpresa, pela
primeira vez a pornografia iria me prender. Fiquei extremamente excitado
ao ver aquela mulher e ao mesmo tempo confuso e feliz por saber que
sentia prazer diante da nudez feminina. Em meio àquela
confusão/excitação, procurei outros sites com outras mulheres.

       Inicialmente, eu via apenas fotos. Com o tempo comecei a ver vídeos
de sexo e de repente me vi viciado em masturbação – que era algo que já
havia vencido – e pornografia. Foram muitas lutas, muito choro para me
libertar de tudo isso. Nessa época eu era muito amigo de um pastor com
quem pude me abrir sobre esse problema (pornografia e masturbação
apenas; não falei sobre a atração por homens). Aprendi muito nesse período
e pude ver e entender o que meus colegas passavam. Vi que não era tão
simples assim. Que somente saber os versículos certos e saber que era
pecado não me afastava de tais atos.

      Depois desse envolvimento, de tempos em tempos eu me via preso
novamente a esse pecado. Certo dia, resolvi ver fotos de homens. Comecei
vendo apenas fotos sensuais e até que me vi assistindo a vídeos de sexo
gay. Estava espiritualmente frio e não conseguia abandonar aquele pecado.

                                                                        12
Foi necessário muito quebrantamento para que eu abandonasse esse vício.
Depois disso, esse passou a ser um pecado que sempre me assediava e por
vezes eu me rendia a curtos momentos de prazer para, então, me arrepender
e me quebrantar novamente.

       A jornada para a restauração sexual é árdua e quando caminhamos
sozinhos, o fardo parece mais pesado. Durante muitos anos eu lutei
sozinho, até que um dia, assistindo a um programa na TV, vi uma
entrevista de um pessoal que desenvolvia um trabalho interessante em que
abordavam todas as questões que envolvem a pureza sexual. Resolvi
procurar nas redes sociais algum grupo ou comunidade que discutisse sobre
restauração sexual e encontrei algumas pessoas que passavam pela mesma
luta que eu. Conheci diversos irmãos que estão em processo de
transformação e que me ajudaram a entender muitos aspectos envolvidos
nessa caminhada.

      Pude me abrir com várias pessoas e, principalmente, trazer à luz algo
que estava escondido dentro de mim. Nesses relacionamentos, temos
encontrado cura e identificado questões emocionais a serem trabalhadas.

       Hoje, ao olhar para trás, vejo o quanto Deus me guardou em toda a
minha vida de uma maneira especial. Até chegar à vida adulta, eu
praticamente não tive nenhum contato com homossexuais (não que eu
soubesse). Costumo dizer que Deus me deixou “ilhado”, totalmente
afastado desse meio.

      Aprendi que estamos em uma jornada e que, em Cristo, há
restauração para a sexualidade.

      Aprendi que Cristo e o Espírito Santo estão trabalhando em minha
vida e que o objetivo final é que eu me torne mais parecido com Jesus.
Nesse processo em que Deus me molda à imagem de seu filho, a
sexualidade representa apenas um aspecto que está sendo transformado. Há
outras áreas em que Deus está trabalhando e não posso me esquecer disso.

      Aprendi que relacionamento com Deus é a chave para a restauração
da identidade e que, em segundo lugar, vêm os demais relacionamentos. As
curas emocionais não se dão na reclusão e sim nas relações saudáveis com
homens e com mulheres.




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Aprendi quem em Cristo está o verdadeiro modelo de masculinidade
que deve ser perseguido por todos os homens que estão no caminho da
santidade.

      Com todas as pessoas com quem conversei, todos os relatos que ouvi
e a cada dia que passa, tenho plena convicção do que eu quero e do que eu
não quero para mim. Tenho uma convicção que é maior do que qualquer
tentação ou desejo que eu possa sentir.

      Aprendi que o padrão de pureza sexual de Deus é muito elevado,
mas que isso não é motivo para não buscá-lo. Pelo contrário, deve-se
confiar apenas na graça e na misericórdia de Cristo. Mesmo com toda
minha impureza, sei que a obra redentora de Cristo é suficiente.

      Aprendi que não é por que eu nunca me envolvi sexualmente que eu
sou puro ou especial, mas que é por causa do sacrifício completo de Cristo
que eu sou aceito por Deus.

    Aprendi que ser homem é muito bom, mas melhor ainda é ser um
homem segundo o coração de Deus.

     Aprendi que em Cristo somos livres para escolher o que fazemos
com nossos desejos impróprios.

       Aprendi a me importar com o dia de HOJE. HOJE eu quero ser
santo. HOJE eu quero ser puro.

       Aprendi que quando Cristo é a resposta para meus anseios, então
tudo termina bem.

     Aprendi que não importam as dificuldades ou tempestades; CRISTO
é quem “nos leva ao porto desejado” (Salmos 107: 30b)

       Com este breve relato, quero encorajar a todos que lutam contra
sentimentos por pessoas do mesmo sexo. Se você nunca se envolveu,
agradeça a Cristo por te guardar e saiba que você não precisa experimentar
o estilo de vida gay para ter certeza de que não nasceu para isso. Saiba que
Deus te ama, te entende e Ele sabe quem você é; portanto, não importa o
que os outros dizem, nem o que os seus sentimentos querem dizer a você.
Suas tentações não determinam quem você é. Somente Deus pode te dizer
sobre sua verdadeira identidade. E essa identidade você somente conhecerá



                                                                         14
quando você conhecer a Deus. À medida que você conhecer a Deus e a sua
Palavra, então você conhecerá a si mesmo.

       Você é amado por Deus. Ele caminha com você nessa jornada. Por
isso: NUNCA PARE DE LUTAR!



novacriatura2008@yahoo.com.br




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Thiago
      Sábado à noite e eu aqui escrevendo a minha história. Se fosse num
passado não muito distante seria uma oportunidade para me aventurar num
bate-papo da internet ou então acessar pornografia.

      Estranho começar assim, não é? Mas quis fugir do comum ao
detalhar a minha experiência pra você. Na verdade, espero que
compartilhá-la possa ajudar em algo.

       Vamos lá: Chamo-me Thiago, atualmente com 23 anos (estou
escrevendo em 11/12/2010), solteiro, virgem, cristão, um cara normal.
Assim como muitos, enfrento problemas na área da sexualidade, entre os
tais: vício sexual, impureza e desejos homossexuais. Espera... Mas eu disse
que sou virgem, como posso ser um viciado sexual? Calma, irei explicar
mais à frente.

       Nasci num lar composto por pai, mãe e cinco filhos, sendo eu o mais
novo e o único homem. Minha mãe, quando nasci, já era cristã e o meu pai,
apesar de conhecer o Evangelho, não tinha nenhum vínculo com a igreja.
Por certo, sempre meu pai foi ausente na minha criação e entendo que, por
não haver um referencial masculino para me espelhar, acabei
desenvolvendo atração por pessoas do mesmo sexo. Minha mãe, pela
ausência do meu pai, por um lado tentou suprir essa falta, pois eu não posso
reclamar de amor, carinho e aceitação da parte dela e de minhas irmãs. Por
ser o único homem e o filho mais novo, minha mãe sempre foi muito zelosa
comigo, me protegendo e me prendendo também. Lembro que eu não
ficava muito na rua e sempre, sempre, informava aonde ia, com quem e etc.

       Minha infância foi normal: comecei a estudar com cinco anos, pois já
sabia ler e escrever (de acordo com a idade, né?). Na escola eu não me
sentia diferente dos demais e à medida que ia me destacando, com o passar
dos anos, alguns meninos acabavam por colocar apelidos pejorativos e de
conotação sexual em mim, do tipo: “fresco, viadinho” e etc. Não brincava
muito na rua e ficava boa parte do tempo com as minhas irmãs, cujos
comportamentos eu observava, e desenhava principalmente vestidos de


                                                                         16
noiva e sereia. Mas logo depois, passei a ir para a rua, onde brincava com
os demais meninos normalmente. Nunca fui exatamente igual a eles,
sempre tinha algo diferente, mas eu buscava interagir e sempre fui bem
aceito.

       Na escola comecei a observar as meninas; achava algumas bonitas,
fazia aqueles corações com iniciais... Coisas comuns. Não me passava pela
cabeça que eu gostava de homens. Na infância tive o meu primeiro contato
com material pornográfico, pois quando ia com meus colegas a uma quadra
de esportes na escola do bairro, os adultos mostravam para nós tal material.
Outra vez fui surpreendido pela mãe de um amigo enquanto eu e ele
víamos uma revista na casa de um outro, sendo que era um quadrinho
erótico. Morri de vergonha, mas continuava pensando nisso.

      Na 4ª série, com 10 anos, eu gostava muito de uma menina, que não
me deu bola. Mudei de escola e na 5ª série é quando começa a puberdade
para a maioria, época de conhecer as meninas, de ficar, enfim... Acontece
que as meninas não queriam me conhecer, tão pouco ficar comigo.
Continuava sendo o mais inteligente da sala, mas inacessível pras meninas,
exceto as feinhas que me queriam, mas eu, orgulhoso, não queria. No
caminho da escola havia uma banca de revistas e eu ficava olhando as
capas das revistas – todas pornográficas. Morria de vontade de comprar
uma, mas temia, pois o que minha mãe pensaria caso encontrasse? Ao
caminhar pelo bairro, às vezes eu encontrava materiais pornográficos e
levava pra casa, onde, após ver, jogava fora, me sentindo culpado e o mais
indigno entre os homens.

       Entre 11 e 12 anos, minha mãe me proibiu de pular o muro da escola
para jogar bola e, com isso, fui ficando em casa. Não mantinha mais aquele
contato com os outros rapazes, exceto na hora da aula. Na escola ainda
continuava ainda sendo o nerd, o primeiro em notas, mas o último em
relacionamentos. Tinha alguns colegas, mas não eram amigos e começava a
sofrer com a solidão e por me sentir diferente, quiçá rejeitado. Em casa
começava-se a perguntar se eu já tinha beijado na boca, falava-se sobre os
outros meninos que já estavam ficando e eu sempre falava que já tinha.
Para o pessoal da escola falava que já tinha beijado na igreja e na igreja e
em casa, falava que tinha beijado na escola.

       Hormônios a mil, tive uma puberdade meio que precoce comparada
com a dos vizinhos de mesma idade. Mas com quem falar sobre isso? O
único adulto com quem eu tinha mais contato era meu pai! Os desejos
sexuais começaram a aparecer, e o meu único acesso a pornografia se
restringia àquela famosa sessão de filmes numa rede de TV aberta, mas eu

                                                                         17
comecei a notar que as mulheres não me chamavam a atenção. Quando elas
apareciam sozinhas, não era legal.

      Com o isolamento, me dedicava aos estudos e sempre me destaquei;
com isso começava novamente a onda de falarem algo acerca de mim, que
eu não pegava ninguém, que não gostava de mulher e assim por diante. Isso
me entristecia, mas ficava quieto. Aprendi que era só fingir que não era
comigo... Passavam-se os anos e o desejo por mulheres foi sumindo,
inversamente proporcional ao desejo por homens. Não pensava em namorar
e casar com um cara, mas ao ver as revistas, o sexo entre homens e
mulheres me era muito interessante, vindo depois o sexo bissexual e, por
último, o sexo gay.

       Não há como não mencionar o problema que enfrento com a
pornografia, aliás, vício. Foi me acompanhando desde a puberdade e me
aprisionando também. Pois bem, sem aceitação, sem amigos e sem relações
saudáveis, meu escape era a pornografia. Primeiro as revistas, depois filmes
e, por fim, a internet.

       Eu não tinha nem ficado com uma menina, muito menos com um
homem, afinal, eu ainda era cristão. Por conta da pornografia eu cheguei a
roubar uma revista numa banca no centro da minha cidade, roubei algumas
dos meus colegas no meu primeiro emprego e aluguei filmes na conta da
minha irmã. Mas, uma hora isso perdeu a graça, foi quando conheci os
chats.

       Inicialmente entrava, fazia hora com os gays e ia tocando a minha
vida. O lance era entrar, seduzir e depois dizer que eu não era o da foto, que
não ia rolar porque eu não podia fazer isso, que não era gay e etc. Por esse
motivo, eu só teclava com pessoas de fora do Espírito Santo. Mas, um belo
dia adicionei um cara da minha cidade e ele sugeriu um encontro.
Marcamos no shopping; fui lá, mas como eu não era o da foto, vi a cara do
sujeito e liguei dizendo que não dava pra eu ir; ele sacou a mentira e disse
que poderíamos nos ver outro dia. Expliquei a situação, pedi desculpas e
marquei novamente. Fui ao encontro dele e levei um cd para “reparar” meu
erro. Fui a uma loja pagar uma fatura, depois fomos a outra loja e me
despedi, sem nenhum contato. Ele entrou no MSN e me disse que era grato
pelo cd, pois o fez lembrar do tempo que era líder de jovens, mas que, não
suportou as tentações e saiu da igreja. Disse mais, que eu era homossexual
e que não tinha pra onde fugir, estava estampado na minha cara isso e que
não conseguiria lutar, pois ele mesmo não conseguiu. Caso eu quisesse, ele
poderia arrumar uma pessoa para me iniciar na vida gay e daí eu poderia
seguir minha vida.

                                                                           18
Fiquei muito mal com a descoberta sobre o cara e também pelo que
me propôs. Senti o peso e as conseqüências dos meus atos. Mas apesar
disso, eu continuei entrando nos chats, fazendo vítimas, me arrependendo e
vendo pornografia. Era um círculo vicioso.

       Praticamente sendo um Dom Juan virtual, o tempo foi passado e
graças a Deus conheci um amigo, também pela internet, com o qual
desabafei e abri o jogo. Ele me ajudou a ver meu problema, me indicou
ajuda e me direcionou para um relacionamento com Deus. A partir daí me
batizei e me dediquei mais a Obra de Deus. Ótimo? Não! Eu acabei
fugindo dos meus desejos executando tarefas na igreja. Eu fazia de tudo, de
decoração a programação de cultos e até mesmo pregações. Mesmo assim,
a visita a chats e sites pornô não cessavam, pelo contrário, o que me trazia
culpa, vergonha e raramente arrependimento, apesar do remorso.

       Mais um tempo se passou e comecei a fazer aconselhamento cristão
com uma conselheira. Contei-lhe toda a minha história, fizemos algumas
tarefas que me ajudaram muito. Hoje reconheço a importância dela e da
intervenção de Deus através dessa pessoa na minha vida. Passei a entender
o que acontece, o que aconteceu e o que pode acontecer, que vai variar de
acordo com meu posicionamento.

      Tive acesso a materiais muito bons que me fizeram saber que muitos
passam pelo mesmo, sendo que alguns conseguiram renunciar à
homossexualidade, tendo vivido-a por um tempo ou não. Descobri que
Deus me ama independente do que eu faça, e que, à medida que sou
obediente à Sua Palavra, me torno o mais parecido com Jesus e isso não
tem preço. Aliás, vale a pena pagar o preço.

      Hoje, continuo não tendo beijado nenhuma garota e também nenhum
garoto. Não tive oportunidades? Lógico que tive. Não tive vontade? Digo
que muito mais de fazer sexo do que beijar, dormir junto e etc., mas eu sou
responsável pelas minhas escolhas e elas me trazem conseqüências. A
homossexualidade não gera vida. Só uma pessoa é o Caminho, Verdade e
Vida. E a Bíblia é bem clara quando diz que é pra escolhermos a Vida
(Deuteronômio 30:19)

       Sei que Deus tem o melhor pra mim e entendo que pornografia,
relacionamento gay e impureza sexual, além do vício, não se comparam
com o que Ele tem e quer pra mim.




                                                                         19
As lutas são constantes, diárias e há momentos que penso que não
vou conseguir, mas lembro de uma das falas da minha conselheira: “Ventos
fortes vêm, mas também vão. Não se esqueça.”

     Mas se eu confio no Homem a quem o vento e o mar obedeceram,
quando o vento forte vier, o que eu preciso fazer?

      Se eu pude escrever este relato para que você o lesse, não é mérito
meu, mas sim da Graça de Deus, através de Jesus. Se você teve a
oportunidade de ler e escolher o que fará daqui por diante com sua vida e
escolhas, é também pela Graça de Deus.

      Renda-se a ela!

      Deus te abençoe!

      ancorados@gmail.com




                                                                       20
Eduardo
      Quando me convidaram para escrever um relato sobre o que tinha
acontecido em minha vida para este projeto, não sabia por onde começar.
Li alguns dos relatos dos garotos que enviaram o texto para a publicação e
entrei em desespero. Minha história é diferente das deles. Algo mais
simples e ao mesmo tempo mais complexo. Tentei escrever de uma forma
que consiga ajudar aqueles que lerem, espero que consiga. Antes de
começar, já peço desculpas pelas expressões que sei que terei de usar,
porém retratam a realidade.

       Sempre fui tímido e extrovertido ao mesmo tempo. Tímido com
mulheres, mas extrovertido com todos. Para conseguir um relacionamento é
algo extremamente difícil, mas para conquistar um amigo (a), consigo com
facilidade. E, acredito eu, foi este o meu problema.

      Minha timidez com o sexo foi crescendo. Com 18 anos não tinha
nem sequer beijado ninguém. Não via revistas pornográficas, não assistia a
filmes deste tipo e nem acessava a internet com esse intuito. Tentava
investir em mulheres, mas elas não caíam em meus desajeitados galanteios.

      Na internet conseguia me soltar mais. Conhecia muitas pessoas e,
dentre elas, algumas que conquistavam pela internet. Certo dia meu amigo
falou que na sala de sexo de um portal de internet ele conseguia se
“divertir” com mulheres. Resolvi arriscar e lá fui eu.

      Sempre recatado e tímido, não sabia por onde começar. Tentei
algumas vezes, cheguei a adicionar as meninas, mas não conseguia dar
andamento à conversa, pois ficava tímido de ficar mais a vontade na web
para me masturbar enquanto eu as via.

       Resolvi conversar com os homens daquela mesma sala, para ver
como eles tinham coragem disso. Precisava de um amigo para falar que
isso era normal ou algo assim. Porém não podia contar a ninguém o que
estava acontecendo e os homens da sala não me respondiam. E aí, de forma
idiota, me surgiu uma idéia: entrar na sala gay, pois lá os caras me
responderiam, porque eles têm interesse em conversar com homens.



                                                                        21
Encontrei um cara simpático que me falou sobre as experiências
dele. Falou-me que era para ficar tranqüilo que daria tudo certo. Ele pediu
meu MSN para continuarmos a conversa e por lá ele passou a dar em cima
de mim. Sob o pretexto de me ensinar a me soltar, ele ligou a webcam dele.
E eu aceitei.

      Não sabia que ele ia chegar a fazer o ato. Porém ele se masturbou
para mim, com a “desculpa” de me ensinar o que fazer. Eu, do outro lado,
fiquei totalmente abismado com o que ele estava fazendo, sem acreditar
que ele faria algo assim. Fiquei em choque. Desliguei o MSN e por um
bom tempo não procurei mais, afinal fiquei com receio do que tinha
acontecido, já que eu havia ficado excitado ao assisti-lo.

      A partir deste momento me surgiu uma dúvida: todos os homens
faziam esse tipo de coisa? Comentei com um amigo e juntos ficamos
abobados pensando no fato. Decidimos adicionar alguns amigos em
comum em um MSN falso, com nome de mulher, para ver se conseguíamos
fazer as pessoas ligaram a cam. Não queríamos ver nossos amigos se
masturbando, mas sim ver até onde eles chegavam.

      Em casa, sozinho, coloquei o plano em prática e três amigos
adicionados, os três caíram na brincadeira. No mesmo dia, passei a ficar
com receio do que tinha ocorrido, sentindo-me mal.

      Neste tempo o mesmo rapaz do chat apareceu no MSN e perguntou
como eu estava. Contei o que havia ocorrido, com o envolvimento virtual
de meus amigos, e ele disse que isso era mais normal que eu imaginava.
Sobre eu ter ficado excitado, ele me afirmou que isso era normal e não
queria dizer que eu era gay por sentir algo por outro homem, apenas estava
curtindo o momento.

      Naquele dia, liguei a cam com ele. No momento me senti
desconfortável, depois gostei e por fim me entreguei. Assim que terminei,
me senti o pior ser da face da terra. Desliguei o MSN e demorei semanas
para voltar a acessar.

      Daí em diante sempre acessava o bate papo e conversava com o
pessoal na sala gay. Quando dava por mim, já estava na cam com alguém e
me sentindo mal ao terminar.

     Com o tempo eu percebi que o que me fazia mal era me envolver
demais com rapazes. Então passei a simular algumas coisas, me exibindo


                                                                        22
na webcam e desligando em seguida. Eu via, gostava, ficava animado e não
me sentia mal. Depois da exibição, ia para o banheiro e terminava sozinho
o “serviço”. Por muitas vezes me olhava no espelho, me perguntava quem
era eu e sentia nojo de mim mesmo.

      Tentei me convencer de que era algo normal, que todo mundo fazia e
não tinha nada de errado eu querer me sentir amado pelas pessoas. Eu não
tinha namorada, não conseguia nem sequer beijar uma menina e sentia os
hormônios à flor da pele.

      Com a ajuda do “amigo do chat” passei a acreditar cada vez mais
que isso era algo normal e que não tinha nada errado comigo, já que eu não
era gay. Afinal de constas, pensava em beijar um cara e sentia nojo.
Convidaram-me por diversas vezes para encontros reais, mas nunca aceitei.

      Além do meu MSN como homem, ainda tinha o MSN falso como
mulher. Então eu conseguia ver tanto os gays quanto os heterossexuais na
webcam. O desafio era o mais empolgante. Conseguir convencer um
homem a ligar a câmera e se mostrar, mesmo sem ver o outro lado, era
demais. Mas mesmo assim me sentia estranho e ruim. Sabia que aquele não
era eu e que não queria isso para o meu futuro.

       Prometi à Deus que pararia com isso e pedi Sua ajuda. Consegui me
desfazer do MSN de mulher e prometi que jamais voltaria a fazer. E Graças
a Ele nunca mais voltei. Quanto ao meu outro MSN, até pouco tempo ainda
persistia.

       Ao buscar ajuda – na verdade a ajuda veio até mim como um anjo
enviado por Deus no bate papo – recebi diversos materiais sobre religião
falando sobre estes assuntos. Interessei-me e me aprofundei na maioria
deles. Não concordei com aqueles que falaram que isso iria me jogar aos
fogos do inferno e me fazer pagar pelo resto da vida, ou que era a
manifestação do demônio em meu corpo, porque pedia ajuda a Deus e Ele
sabia que eu estava tentando. Não tinha medo dEle me julgar, pois sabia
que Ele me entenderia.

      Com força e muita dificuldade, confesso, consegui aos poucos ir
saindo desse meio. Minha vida melhorou muito quando parei de entrar para
esses devidos fins no MSN. Se não fosse a força dos céus que me ajudaram
e a paciência também – já que eu mesmo impunha dias para eu parar, me
prometia que não iria mais ligar e me traía, fazendo exatamente aquilo que
eu disse que jamais faria – eu não conseguiria.


                                                                       23
Certa noite, após mais uma quebra de promessa a mim mesmo sobre
parar, fiquei pensando e refletindo e pedi que me ajudasse a parar no dia
seguinte, pois estava me tornando algo que eu não queria. Apenas entrava
na internet para isso, pensava o dia inteiro nisso e esperava a hora para
conseguir fazer. No dia seguinte, ao pedir ajuda, eu entrei no MSN, recebi
diversos convites para ligar a cam, mas, inexplicavelmente, não os aceitei e
não me senti tentado a fazê-lo. Após tudo isso minha vida melhorou. Sinto-
me livre como jamais fui desde que comecei com essa história, através de
uma brincadeira inocente que tomou conta de minha vida. Graças a Deus.

      Espero que você que esteja lendo tenha força de vontade e conte com
a ajuda dEle, pois sei que irá conseguir. Por pior que pareça a sua situação
agora, não desanime e sempre confie, pois um dia tudo isso irá terminar;
seu sofrimento irá passar e você poderá se livrar de tudo que o aflige.




                                                                         24
Vanessa
          Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele, e o mais Ele fará.
                                                             Salmos 37:5



      Entre novembro e dezembro de 2007 aproximadamente, eu estava
em casa, era madrugada e eu estava sem sono, estava desempregada. Minha
mãe e meu padrasto, a quem considero como pai, estavam para se separar e
o ambiente dentro de casa estava péssimo. Desde os meus 17 anos eu
morava sozinha, mas justamente naquela época (já com 22 anos) eu estava
na casa dos meus pais, acompanhando diariamente um cenário infernal de
brigas e ofensas que os dois estavam travando.

       Com meus 19 anos, no trabalho eu fiz amizade com um rapaz gay;
justamente nesse período eu comecei a identificar algo que eu de certa
forma já tinha percebido antes em mim, mas negava: os impulsos
homossexuais. Dessa vez, por mais que eu não quisesse enxergar, a cada
dia que passava ficava mais claro que eu estava apaixonada por uma garota.
Eu não queria assumir esse sentimento, não porque eu me preocupasse com
a pecaminosidade disso, até porque eu não sabia que a prática da
homossexualidade é pecaminosa. Não conhecia a palavra do Senhor, não
freqüentava igreja; a única coisa que eu fazia era orar a Deus todas as
noites, desde criança, e na época em que esses conflitos afloraram, eu orei
muito ao Senhor para que ele tirasse de mim tais sentimentos.

       Na minha força, comecei a sair com as minhas amigas e sempre que
aparecia uma oportunidade de ficar com um garoto eu ficava e depois
voltava para casa me sentindo prostituída. Tentei me envolver mais
intimamente com homens nessa época, o que piorou minha situação; a
tentativa de relações sexuais com homem para afirmar a minha
feminilidade foi um fracasso. Eu estava cansada, triste, perdida e muito
deprimida, comecei a me afastar das pessoas, a me isolar, até que um dia
resolvi desabafar com o meu colega de trabalho, gay, o que eu estava
passando. Ele me acolheu, falou dos conflitos que ele enfrentou e disse que


                                                                        25
eu precisava experimentar ficar com uma mulher para saber o que eu
sentia. Ele começou a insistir para que fôssemos a uma balada GLS. Então
eu fui; a princípio odiei o lugar e não me senti à vontade, mas a disposição
do meu amigo em me “ajudar” era tremenda e ele não desistiu; levou-me a
outro lugar e eu gostei da música, o ambiente era mais leve, havia vários
casais heterossexuais e naquela noite eu conheci um homem e não deu
outra: para afirmar para o meu amigo que ele estava enganado, eu investi
em mais um engano e fiquei com um homem. O meu amigo me sondou e
com o tempo viu que foi uma atitude de desespero; novamente me
convidou para ir a essa balada e eu neguei o convite porque decidi ficar
sozinha com o meu conflito.

       Pouco tempo depois, Carlos, um amigo gay da pessoa por quem eu
me apaixonara, veio morar na mesma cidade; até ele se instalar, foi preciso
que ficasse uns dias morando na mesma casa em que eu e a minha amiga
morávamos (ela dividia apartamento comigo). Com o tempo e a presença
do Carlos, a minha resistência aos convites para as baladas GLS
diminuíram e aos poucos eu passei a frequentar esses ambientes e a me
acostumar com eles. No inicio eu só saia, dançava, conversava, ria e
voltava para casa. Pablo e Carlos começaram a me cobrar, querendo saber
quando eu iria ficar com uma mulher. Eu os enrolava, arrumava desculpas
e saía sem dar resposta; na verdade eu já não estava tão resistente a beijar
uma mulher, pois frequentando esses lugares, quando menos se espera
passa-se a ver isso como algo normal, e o desejo reprimido vai tomando
uma proporção cada vez maior na medida em que se vê diante dos olhos
aquilo que se tem vontade de fazer.

       Certa noite eu cedi à pressão dos meus amigos e fiquei com uma
garota; depois de ter ficado, acreditei ser esse o caminho que eu passaria a
trilhar. Pouco tempo depois namorei e me apaixonei profundamente por
uma garota. Todas as noites eu agradecia a Deus, porque acreditava que
tudo que eu estava vivendo na época era fruto das minhas orações, das
petições que eu fazia, já que eu tinha esquecido a minha amiga e agora
estava vivendo um sentimento em que havia “reciprocidade”. Três meses
depois, quando esse namoro terminou por eu ter sido traída, pensei em
voltar atrás e me envolver com homens, mas meus amigos me
convenceram a não fazer isso. Então arrumei outra namorada.

      No final do ano de 2007 eu enfrentava o desemprego e a baixa auto-
estima por não conseguir encontrar algo que atendesse às minhas
expectativas. Certo dia, desempregada, triste, com a família desestruturada,
comecei a refletir e então me perguntei: “onde foi que essa bagunça
começou? Quando essa falta de paz tomou conta mim?” E então lembrei

                                                                         26
que quando criança eu orava ao Senhor, imaginava que Ele me levava para
escola (porque eu tinha que ir sozinha) e Ele ia comigo; eu fazia todo
percurso falando com Ele. Recapitulei cada momento e cada sensação que
essa intimidade com Deus trazia e o que isso gerava em mim; lembrei-me
das orações intensas que fiz para esquecer o sentimento que eu tinha pela
minha amiga e notei que depois disso a intimidade foi se perdendo, acabou
se tornando algo mecânico, e em alguns momentos nem se quer era
realizado.

       Ao fazer essa análise, eu senti que precisava voltar para perto de
Deus. Creio que era o Espírito Santo; eu estava na sala, saí de lá, fui para o
meu quarto e quando me ajoelhei para orar senti muito medo, senti uma
opressão espiritual terrível e comecei a orar de olhos abertos. Aos poucos,
na medida em que eu abria o meu coração para Deus, os meus olhos se
fechavam, eu chorava e sentia um alívio enorme. Pedi perdão por ter me
afastado e disse que dali em diante eu voltaria a orar todos os dias e que se
fosse preciso eu freqüentaria uma igreja. Disse para Deus que eu não sabia
o que fazer quanto a isso, porque existem tantas religiões; então pedi que
Ele me levasse àquela que me levasse a Ele; que Ele não desistisse de mim
e, se por acaso alguns dias depois vacilasse, que se Ele insistisse em mim e
na minha família e eu entregaria a minha vida para Ele. Naquele momento
eu estava entregando a minha a Ele e pedi que Ele me orientasse e assim
Ele fez.

       Poucos dias depois visitei uma amiga e ela me disse que tinha se
convertido. Ela tinha um brilho no olhar, estava muito feliz, falou comigo
sobre Jesus e me convidou para ir à igreja e lá ela me apresentou a uma
garota que sabia de uma oportunidade de emprego temporário. Graças a
Deus consegui essa vaga; os meus pais se separaram e a minha mãe não
tinha renda o suficiente para sustentar a si mesma e a minha irmã. A nossa
casa foi vendida e como estava em construção, o dinheiro foi dividido entre
a minha mãe e o meu padrasto; a quantia não foi suficiente para cada um
adquirir a sua casa. Então eu a minha mãe e a minha irmã fomos morar em
dois cômodos.



      Depois disso, veio um tempo de muitas providências e milagres do
Senhor. Experiências maravilhosas com Deus começaram a fazer parte da
minha vida e a gerar em mim um amor maior pelo Senhor. Comecei a me
desenvolver no trabalho, recebi aumento de salário e fui promovida; minha
mãe e meu padrasto não voltaram, mas os dois passaram a buscar a Deus.
Deus tocou no meu coração para buscar encontrar o meu pai biológico e eu

                                                                           27
sentia que o Senhor me pedia para procurá-lo para liberar o perdão para ele,
mas eu não tinha a menor idéia de onde procurá-lo, pois não tinha contato
com nenhum parente dele. Um dia o irmão de minha mãe disse que havia
encontrado uma pessoa da família do meu pai. Entrei em contato com ela e
pedi o telefone dele. Tanto ele quanto os outros familiares ficaram
surpresos e muito felizes por termos conversado e por estarmos nos
encontrando. Naquele ano passamos juntos o Natal e assim as coisas
estavam acontecendo, não pelo meu esforço, mas pela mão poderosa do
Senhor, não pelo meu merecimento, mas por sua abundância em
misericórdia.

       Os problemas financeiros cessaram, minha família estava buscando a
Deus e cada dia que passava eu me sentia mais feliz com o meu namoro,
até escutar que isso é pecado. Eu não podia acreditar; no meu
entendimento, pecado seria imoralidade sexual e eu não via o que eu fazia
como imoral. Nessa época, eu já tinha até cortado as relações sexuais com a
garota que eu namorava. Então pedi que Deus me revelasse, que Ele me
convencesse, e eu largaria a homossexualidade. Lembro-me de que
comecei a ler o livro de Romanos e, ao chegar ao versículo 24 do primeiro
capítulo, que diz: “Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas
concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre
si”, me lembrei da palavra que diz em Jeremias 17:9 – “Enganoso é o
coração, mais do que todas as coisas, e perverso, quem o conhecerá?”. No
versículo 25 de Romanos 1 diz: “Pois eles mudaram a verdade de Deus em
mentira”, então ficou claro: a homossexualidade é um engano do meu
coração, existem desejos imundos no meu coração criados através das
circunstancias e da leitura que eu faço de tais circunstâncias. Certas
experiências de vida e as interpretações que fazemos delas dão origem aos
traumas e a uma diversidade de problemas na nossa área emocional. Como
diz a palavra, o coração é enganoso, portanto os nossos traumas, as nossas
necessidades, serão preenchidas através da mentira, do engano, quando na
verdade só Deus pode nos curar e nos suprir dentro desses traumas.

      Pude ver, também, que eu não amava, que o sentimento que eu tinha
se chamava paixão e não amor; por mais intenso que fosse, não era amor e
sim uma paixão, então procurei o significado de paixão:

      Significado 1: Sentimento excessivo; afeto violento; entusiasmo;
cólera; grande mágoa; vício dominador; alucinação.

      Significado 2: Movimento violento, impetuoso, do ser para o que ele
deseja. Atração muito viva que se sente por alguma coisa. Objeto dessa


                                                                         28
afeição. Predisposição para ou contra. Arrebatamento, cólera. Afeição
muito forte, aflição da alma.

      Esses conceitos são encontrados em qualquer dicionário secular e
estão de acordo com a palavra do Senhor. Analisando, lendo e entendendo
cada palavra citada nesses significados eu vi que era exatamente isso que
eu sentia; fui em 1 Coríntios 13 e li que o amor é o dom supremo. Analisei
cada palavra que Paulo cita em relação ao amor e vi que eu precisava
aprender a amar

       Como eu tinha me comprometido com Deus a abandonar a
homossexualidade quando descobrisse a verdade, assim eu fiz, ou melhor,
tentei fazer: no dia seguinte fui visitar a garota que eu namorava. Aos olhos
carnais o nosso relacionamento estava indo muito bem, os meus
sentimentos por ela estavam mais intensos do que antes, estávamos há
quase três anos juntas, fazíamos planos, tínhamos sonhos e naquele dia eu
vi que precisava abrir mão de tudo isso, eu não sabia o que dizer pra ela,
não queria que ela ficasse com raiva da igreja, da Palavra ou de Deus.

      Deus estava me dando a oportunidade de amar realmente aquela vida
e por amor à minha vida e à vida dela, precisávamos nos separar para
vivermos dentro dos propósitos que Deus estabeleceu. Então conversei com
ela e disse que não me sentia mais à vontade me relacionando com ela
daquela forma.

       Após questionar se tudo era por causa da igreja, ela propôs que
apenas continuássemos juntas, sem sexo, sem namoro, ao que eu respondi
que, se não agüentássemos, eu iria terminar. Assim ficamos juntas sem ter
nada e ela me ajudava, não me tentava e dizia que não queria que
acontecesse algo porque sabia que do contrário iríamos terminar, e assim
eu fui “levando”.

       Dentro de poucos meses eu me batizei e estava em paz com Deus,
afinal, no meu entendimento eu não estava praticando a homossexualidade.
Pouco tempo depois essa situação começou a gerar em mim alguns
sentimentos; vi que eu estava vivendo uma dependência emocional e que
esse estilo de vida não era sadio. Deus começou a falar comigo e me disse
que aquilo era pouco, que Ele tinha mais para a minha vida, só que eu
precisava dar liberdade para o Espírito Santo trabalhar em mim.

      Mais uma vez através do primeiro capítulo de Romanos, entendi que
a minha mente estava cativa a uma disposição mental reprovável por Deus,


                                                                          29
mas Deus queria me dar uma mente nova, um novo coração, para que eu
pudesse experimentar dos seus bons e vivos pensamentos e sentimentos e,
quem sabe um dia, provar da alegria de ser mãe, de gerar uma vida,
construir uma família, amar e ser amada com liberdade em Deus. Então
decidi dar espaço para Deus trabalhar e resolvi terminar com a garota que
eu namorava. Foi um período difícil, pois ela não entendia o que teríamos
que terminar, uma vez que já não tínhamos envolvimento físico.

       Esse tempo foi terrível porque eu tinha fortes sentimentos por ela.
Fiquei mal, tinha dores de cabeça muito fortes, enjôo, chorava o dia todo,
escondida pelos cantos para ninguém ver, enquanto trabalhava; algumas
vezes passei tanto mal que fui para o hospital. Nunca me vi tão vulnerável,
nas minhas orações eu agradecia a Deus por todas as vitórias, por todas as
conquistas, mas dizia: “Pai, olha pra mim, olho pro meu estado, do jeito
que eu estou, eu não vou ter condições de sustentar as tuas bênçãos na
minha vida, eu estou sem ânimo, sem disposição para trabalhar”. Eu tinha
pesadelos terríveis à noite, não estava conseguindo me alimentar, estava
fraca, deprimida e, aos poucos, comecei a ficar chateada com Deus. Eu não
entendia, eu já tinha terminado o namoro, feito cura e libertação, orava,
jejuava e os sentimentos homossexuais estavam cada vez mais vivos dentro
de mim e apesar de todo esforço que eu fazia, eu me sentia mais distante de
Deus. Cria que Deus podia reverter aquela situação, mas não entendia
porque Ele não agia. Eu já tinha feito tudo para poder experimentar a cura e
a libertação e não via nada novo na área emocional; pelo contrário, eu me
sentia cada vez pior.

       Comecei a perder o prazer de estar na igreja, mas mesmo assim
continuei indo, não perdia um culto e não conseguia me imaginar voltando
aos velhos hábitos. Eu já conhecia a Deus e não poderia retroceder e fingir
que nada tinha acontecido na minha vida. Depois de muito questionar a
Deus sobre os motivos pelos quais Ele permitiu que eu passasse por tudo
isso, pude começar a entender o que a Palavra nos diz em Isaías 55: 8 e 9:

              “Porque os meus pensamentos não são os vossos
              pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos,
              diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do
              que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os
              vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que
              os vossos pensamentos.”

      Os meus pensamentos e o meu entendimento em relação à
manifestação das obras de Deus em minha vida eram extremamente
limitados. Hoje, depois de provar da manifestação das obras maravilhosas

                                                                         30
de Deus e de diversas experiências íntimas com o Senhor, eu sinceramente
agradeço a Ele pela minha tendência homossexual. Por muito tempo me
prostrei diante dessa tendência, mas através dela aprendi a me prostrar aos
pés do Senhor e vivo na prática o que o apóstolo Paulo diz: “A minha graça
te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois,
mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de
Cristo.”.

       Depois de muito ter aprendido com o Senhor e sua Palavra, veio a
primeira queda. Um dia em que eu ia viajar, comecei a sentir mal e não
consegui falar com minha mãe. Então entrei em contato com minha ex-
namorada, que me comprou remédios e me levou para sua casa. Naquela
noite, recebendo toda aquela atenção e carinho, não resisti e me envolvi
com ela. Logo que me recuperei, fui viajar e estava sob acusação, me
perguntando como eu tivera coragem para fazer tais coisas, uma vez que eu
conhecia a Palavra de Deus.

       Quando cheguei à minha cidade natal, fui ver meus parentes e quis
logo ir dormir. Disse que estava cansada da viagem e naquela noite tive um
sonho. Sonhei que eu via Jesus de costas orando e eu estava do lado dele
orando também; de repente, ele parou de orar, me abraçou e falou no meu
ouvido: “você está perdoada!”. Eu acordei no meio da noite com a sensação
de ter recebido um abraço, aquela sensação e o sonho me levaram às
nuvens, maravilhada.

       Quando voltei de viagem, minha ex-namorada passou a me cobrar
uma posição quanto a voltarmos a namorar. Eu tentei resistir, mas
infelizmente acabei cedendo e combinamos que voltaríamos a namorar
como antes, sem contato físico. A sensação que eu tinha é que esse dilema
não teria fim. Aquele relacionamento não me fazia bem e também não fazia
bem para ela, mas eu não conseguia terminar. Então eu passei a trabalhar a
minha fé em Deus e a visar à mudança daquela situação; passei a orar mais
e a não lutar na minha força, não criar situações no meio físico para a nossa
separação através de desentendimentos, mas sim, a criar situações no
mundo espiritual.

      Certo dia eu disse ao Senhor: “Pai, eu reconheço que estou cativa
nessa situação, mas assim como o Senhor tirou o teu povo que estava
debaixo do jugo de escravidão do Egito, o Senhor há de me libertar, porque
aquele povo não tinha condições de sair daquela terra sozinho, assim como
eu não tenho condições de sair dessa situação sozinha. O máximo que
consigo fazer eu já o fiz, que é evitar contato físico, mas evitar os meus
sentimentos é impossível pra mim, no entanto é possível com a sua ajuda.”.

                                                                          31
E comecei a clamar a Deus para que ele fizesse um milagre para nos
afastarmos, comecei a crer que aconteceria algo, mais cedo ou mais tarde, e
que seria pela mão de Deus. E assim aconteceu.

       Pouco tempo depois ela precisou voltar a morar na cidade natal dela
e assim nos afastamos. Ela tentou me convencer a namorar a distância, mas
eu vi que tudo que estava acontecendo era o milagre por que eu tanto
clamava para nos afastar. A distância auxiliou muito no processo e aos
poucos eu consegui esquecê-la e a sentir a sensação de liberdade que eu
tanto esperava. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis
livres.” (João 8:36)

       Depois do término desse namoro, mesmo firme com Deus, passei por
várias situações que instigaram em mim os desejos homossexuais. Senti-me
atraída por umas garotas, me apaixonei por outras, mas a cada luta
superada eu me sentia mais forte e mais próxima de Deus, porque a Palavra
diz:

              “Por isso, não desanimamos; pelo contrario, mesmo que o
              nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem
              interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve a
              momentânea tribulação produz para nós eterno peso de
              glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas
              coisas que se vêem, mas nas coisas que se não vêem; porque
              as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são
              eternas.” (2 Coríntios 4: 16 ao 18)

      Então eu vi que, buscando a Deus, esses sentimentos não
permaneciam e na minha busca para me libertar de tais desejos eu adquiria
mais conhecimento do propósito de Deus para a minha vida e passava a ter
experiências tão maravilhosas e enriquecedoras com Deus que, de fato,
eram acima de toda comparação ao sofrimento momentâneo por que eu
estava passava.

       Hoje eu sei o que são as obras de Deus sendo manifestas em minha
vida e vejo o quanto valeu e vale a pena cada esforço para resistir ao
pecado. Hoje eu conheço mais da minha natureza, mais de Deus e conheço
os desejos imundos que em alguns momentos levo no coração, mas esses
desejos não me afastam de Deus, pelo contrário me aproximam ainda mais
Dele, porque fica evidente o quanto eu sou necessitada do Senhor para ser
transformada diariamente. Hoje me sinto atraída por homens, sentimento
que antes eu não tinha, tenho o desejo de um dia me casar, ter filhos,


                                                                        32
construir uma família e me sinto liberta da homossexualidade, porque hoje
eu entendo o que é liberdade. Cristo nos chama para sermos livres e, se
somos livres, temos liberdade para escolhermos em qual caminho
queremos andar. Ser livre é maravilhoso e eu agradeço a Deus por essa
oportunidade de provar dessa liberdade e da abundância de vida que Ele
nos concede, de provar de sentimentos de valor, de emoções e
relacionamentos edificantes e de descansar nas delícias das suas promessas
porque a minha vida está entregue a Deus e Ele de fato é o mais habilitado
para dirigi-la.

       Sou muito feliz e não me sinto enrustida, as coisas velhas se
passaram e o meu desejo é a cada dia que passa provar mais da novidade de
vida que o Senhor tem para mim. Eu nunca imaginei que eu fosse ser tão
feliz em toda a minha vida, ainda mais abdicando de algo que eu tinha
como essencial para a minha felicidade. Realmente somos limitados e não
temos noção do tamanho e da beleza do amor de Deus por nós e da obra
maravilhosa que Ele tem para as nossas vidas. Hoje faço das palavras de Jó
as minhas:

               Então respondeu Jó ao Senhor: Bem sei que tudo podes, e
               nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele
               como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho?
               Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas
               demais para mim, coisas que eu não conhecia. Escuta-me,
               pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei e tu me
               ensinarás. Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus
               olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó
               e na cinza”. Jó 42: 01-06

Que Deus abençoe a todos e os fortaleça para continuarem lutando a fim de
conhecerem a Deus não apenas de ouvir, mas de contemplar com os seus
olhos e com o seu coração a beleza da santidade do Senhor se manifestando
em suas próprias vidas, em nome de Jesus!

vanessaludtke@hotmail.com




                                                                       33
Félix
      Já quando era criança, eu sabia que tinha "algo estranho" ao ficar
vendo revistas pornôs com coleguinhas de classe. Eu sabia que esse “algo
estranho” era que eu gostava de garotos e não de garotas.

      Quando era adolescente me converti, por influência da minha
família, mas nunca tive a homossexualidade como um problema, encarava
isso de uma maneira bem tranqüila.Tive uma vida de adolescente comum,
tinha minhas escapulidas sexuais mesmo sendo menor de idade e isto sem
contar a pornografia.

       A questão sexual nunca tinha me incomodado até então. Mas depois
de um tempo na igreja onde desempenhava várias funções, um dia o pastor
me chamou e disse que estava sendo incomodado por Deus para me dizer
algo, por mais que isso não tivesse muito sentido.

       Ele me contou a história dele e seu envolvimento quando criança
com homossexualidade (apesar dele nunca ter praticado por ter nascido em
lar cristão) e como superou isso. De imediato, acabei ignorando. Não ia me
abrir com meu pastor porque tinha medo de perder minhas funções e coisas
assim, mas após um período de conversa e confiança, resolvi me abrir.

       Ele é um cara adorável e sei que fez o melhor que pode por mim,
mas ele não tinha muita informação na época e me prometeu uma
transformação em que eu acreditei e aceitei. Depois de um tempo ele já não
sabia o que fazer comigo, já que as coisas não estavam funcionando como
o esperado. Então me encaminhou para grupos de auxílio cristão gays, onde
me ensinaram a ter paciência e esperar que os sentimentos passassem.

      Gosto muito do pastor em questão, agradeço suas orações e a
semente que ele plantou no meu coração, assim como o carinho e
ensinamento que recebi onde fui procurar ajuda; porém, isso não estava
resolvendo muita coisa na época.

     Nesse tempo, tínhamos conversas e fazíamos orações diárias, assim
como confissão pecados e outras práticas e nessa mesma época tive acesso
a um livro de Helminiak, que acabei levando e entregando ao meu pastor.


                                                                       34
Foi a primeira vez que tinha ouvido falar em “teologia inclusiva” e
igrejas cristãs dirigidas e direcionadas ao público gay. É claro que isso me
deixou muito confuso e, ao procurar o meu pastor, descobri que ele não
tinha uma resposta para todas essas ideologias.

      Resolvi aderir à teologia inclusiva e caminhar em paz com Deus e
com minha sexualidade; acabei arrumando um namorado na época e
seguíamos bem.

       Estudando um pouco mais a teologia inclusiva de uma maneira
imparcial, comecei a ver algumas “coisas estranhas”, parecia que nem tudo
fazia sentido, nem tudo era apenas um lindo arco-íris. Achava tudo muito
fantástico e queria muito que fosse real, seria perfeito pra mim. Mas vi que
havia mais algumas coisas a serem consideradas além de Helminiak e seus
belos estudos. Comecei a conhecer outros escritores e textos e, com ajuda
de tradutores online, dava pra ler algumas coisas, já que no Brasil nem
havia tanta coisa na época.

       Enfim, vi algumas divergências em sua teologia e não consegui
aceitar como algo firme. Vale a pena ressaltar que isso era uma visão
minha já que tinha largado a igreja na época que comecei a namorar. Não
engoli a teologia inclusiva e acabei me afastando da igreja.

       Eu tinha quase 18 anos, a idade já é confusa por natureza e, com tudo
isso na cabeça, acabei me afundando aos poucos. Não me sentia amado e
nem aceito por Deus; então, continuei tentando mudar de todas as maneiras
possíveis e imagináveis. Não obtendo resultado, cheguei até a tentativas de
suicídio, já que eu realmente me odiava com todas as forças.

      Será que Deus queria isso? Claro que não. É por isso defendo tanto o
amor de Deus; sei o quão ruim é não se sentir amado por Deus por uma
questão sexual.

       Caí em depressão, larguei trabalho e escola. Fiquei um tempo preso
em meu quarto, já não tinha mais amigos e nem familiares; contei pra
minha família, e meu irmão, que era pastor, na época, começou uma
campanha de exorcismo e outras práticas que também não fizeram muito
efeito. Na época eu pensava: “já que Deus virou as costas pra mim porque
eu sou gay, irei virar as costas pra Ele também e seguir minha vida.”.

     A maneira que achei para resolver o sentimento de culpa foi “matar
Deus” dentro de mim; não tinha uma vida legal e nem grandes experiências


                                                                         35
com Deus, visto que nem seu amor incondicional eu aceitava. Acabei me
envolvendo com ocultismo, a começar por Wicca, Satanismo e terminando
em Satanismo Moderno, do qual participei por um curto período. Graças a
Deus tudo isso não durou muito tempo. Foi um momento mesmo apenas
para me afastar de vez de Deus.

       Para quem conhece o Satanismo, sabe que o Satanismo Moderno é
muito próximo do ateísmo. Assim sendo, para manter as aparências, me
identificava como ateu, filosofia que acabei aceitando um tempo depois.
Realmente não acreditava em Deus, “matei Deus” em mim e assim resolvi
minha vida sexual e meu sentimento de culpa.

       Nos anos seguintes experimentei a homossexualidade de uma
maneira maior, mantive bons relacionamentos estáveis, o que me levou a
sair de casa para construir algo ao lado do meu namorado na época. Em
geral, as pessoas associam homossexualidade à promiscuidade, drogas,
doenças e orgias e esse lado realmente existe (assim como na
heterossexualidade), mas não foi a vida pela qual optei.

       Eu vivi o que chamam hoje de “homoafetividade”, tive bons
namorados e estava bem e feliz com esses relacionamentos. Se eu falar que
amei todos os meus parceiros, estarei mentindo, mas tive sim ótimos
relacionamentos baseados em amor e alguns desses namoros se tornaram
grandes amizades.

      Nesse tempo minha vida melhorou muito. Estava com uma vida
financeira estável, em paz comigo mesmo, com família e amigos, não tinha
nenhum motivo para querer ou pensar em uma mudança; parecia mesmo
que toda aquela fase confusa tinha ficado para trás.

       Certo dia, comecei a ser incomodado por algo que só mais tarde fui
descobrir que era Deus. Eu ouvia algo me dizendo que “estava na hora" e
tinha um sentimento muito forte como se eu realmente estivesse “perdendo
algo”, não sei explicar muito bem. Era como se lembrar de que tem algo
para fazer, mas não se lembrar exatamente do quê. Algo estava realmente
me incomodando, mas não de uma forma ruim, porém insistente. Cheguei
inclusive a ouvir este “Está na hora” de uma maneira muito clara. Para
muitos, ouvir vozes é loucura, mas pra mim foi o começo de uma nova
história.




                                                                      36
Apesar de não crer em Deus na época, tinha um lado místico que
simpatizava com algumas ideologias, apesar de não acreditar e nem praticar
nada.

      Esse “Algo” começou a ficar cada dia mais forte, então eu achei que
só poderia ser algo espiritual, um convite, alguma coisa assim. Resolvi
conferir se era mesmo algo espiritual. Não fiz nenhuma oração ou algo do
gênero, apenas soltei ao vento algo parecido com isso: “Não sei o que está
acontecendo, mas se for um convite espiritual, então pare, e eu irei
responder esse convite.”.

       Deu certo. Comecei a não mais ser “incomodado” e tinha uma
promessa a cumprir, procurar algum plano espiritual. Não sabia o que
fazer, por mais que fosse adepto de diversas filosofias sem acreditar
verdadeiramente em nenhuma; então resolvi ir numa igreja cristã, pelo
menos era o que mais fazia sentido.

      Ao chegar à igreja, não pretendia fazer orações e muito menos
prestar atenção; estava indo apenas pra me livrar disso, porém, foi incrível
o derramar do amor de Deus sobre a minha vida. Naquele dia que ainda
está na memória, recebi o amor de Deus de uma maneira muito forte e
incondicional. Resolvi que iria novamente caminhar com Deus, pois ele me
amava independente de qualquer coisa.

      A principio, arrumei encrenca com meu namorado, morávamos
juntos há alguns anos na época e partilhávamos de uma boa relação com
base em amor e fidelidade. Ele acabou indo visitar a igreja, rendeu-se a
Cristo e começamos uma caminhada com Deus; fazíamos algumas coisas
juntos, como, por exemplo, orar, ler a Bíblia, assistir aos cultos, participar
de eventos na igreja e etc.

      Estava bem comigo, estava bem com Deus, estava bem com o meu
parceiro, não queria abrir mão disso, não queria nenhum tipo de
sofrimento, não queria abrir mão de nada, simplesmente estava bem e
confortável assim. Então Deus foi restaurando várias coisas na minha vida
e deixando a sexualidade guardada. Não me sentia incomodado com minha
sexualidade como anteriormente, visto que sabia do amor incondicional de
Deus por mim.

     Um dia tive a seguinte visão: “Havia um ninho com vários ratos e
um pássaro no meio deles, mas o pássaro parecia um rato, agia e vivia
como um rato, e Deus me dizia que eu era um pássaro que aprendeu a ser


                                                                           37
rato, mas que Ele tinha asas para que eu pudesse voar, Ele queria me
ensinar a ser um pássaro.”

       Logo associei a ilustração com minha sexualidade, apesar de ser
muito cético em relação a uma mudança, afinal de contas já tinha tentado
de tudo, com todas minhas forças e nada tinha dado certo. Acabei deixando
essa ideia sobre mudança de lado e segui em frente.

      Conforme ia me aproximando de Deus fui conhecendo mais sobre
Ele, experimentando mais do Seu Amor. Estava cada vez mais apaixonado
por Deus e queria responder a esse amor com uma vida santa, não só em
questão sexual, eu queria realmente uma vida em santidade. Optei mais
uma vez em dizer não para a homossexualidade e, com muito sofrimento e
dor, acabei me separando. Apesar de ter tido algumas idas e voltas, fui me
firmando e sustentando a minha posição.

       Retomei estudos, o domínio de vontades, fui buscar ajuda e
participar de atividades relacionadas com o tema. Caí novamente em
depressão e mais uma vez o pensamento de suicídio estava em minha
mente. Diante do fracasso, vi que estava muito infeliz e sabia que isso não
era o que Deus queria pra mim, ou, se era, pelo menos não deveria ser
daquela maneira.

      Nesse meio tempo fui aconselhado a me afastar de todos os meus
amigos gays, uma pena porque acabei perdendo contato de verdade com
algumas pessoas. O que eu tinha esquecido é que não tinha outros amigos,
senão aqueles. Por causa disso fiquei muito carente, o que se tornou uma
ótima válvula para sexo sem compromisso.

     Costumo dizer que tive uma boa vida e não tive problemas com
homossexualidade, os problemas vieram depois, quando optei por dizer
não.

       Fui a uma igreja inclusiva em SP na companhia de um rapaz que
conheci na igreja que frequentava e fiquei seriamente confuso no dia; não
fazia sentido. Era outra realidade que pra mim parecia boa. Resolvi aderi,
então, à teologia inclusiva (mais uma vez), mesmo sem mudar de igreja, já
que não tinha problemas onde congregava.

      Resolvi estudar um pouco melhor a teologia inclusiva, afinal, não é
simplesmente porque igrejas ou pessoas dizem que algo é verdadeiro que



                                                                        38
devemos aceitar como tal. Não gosto de ser manipulado, prefiro pensar por
mim, prefiro ter as minhas próprias conclusões.

       Mais uma vez encontrei uma manipulação de informações para uso
próprio, o que me fez voltar mais uma vez para o mesmo lugar: a
necessidade de mudança. Tentei uma troca com Deus, por mais que não
considerasse isso uma barganha. Eu deixaria o pecado em troca de uma
mudança de vida, coisa que não aconteceu, pois eu larguei o pecado, mas
não obtive uma mudança. Estava frustrado, decepcionado com Deus,
parecia que o Deus Fiel tinha quebrado a sua aliança comigo, fiz a minha
parte, estava dizendo não para a homossexualidade com todas as minhas
forças, mas não via mudanças.

      Pensei mais uma vez em largar tudo isso, largar minha vida com
Deus, afinal era muito “bem resolvido” antes de toda essa loucura e
confusão, mas dessa vez era diferente. Eu tinha experimentado do Seu
Amor, sabia que Ele me amava e o quanto isso era bom, não conseguia
mais ignorar tão grande Amor. Não queria abandonar Deus. Eu O amava,
mas mesmo assim como não via "esperança” para mim. Grande dilema!

       Resolvi então não me preocupar mais com mudança. O Amor de
Deus me completava de verdade, ainda que fosse ficar só pelo resto da
vida. Tudo bem, não me importava mais a mudança, mas viver com Ele.
Essa realidade mudou meu foco e me deu uma nova motivação e uma nova
atitude, já não me preocupava mais com o meu futuro; estava bem em um
presente com Deus.

      Acabei desistindo de buscar mudanças e optei pelo celibato, nesse
período aprendi boas virtudes em ser solteiro. Fui fazendo novas amizades
e aprendendo novas formas de estar de bem comigo mesmo. O que eu
esperava de mim? Morrer velho e solteiro com desejos homossexuais
controlados e muito feliz.

      Mas muita coisa começou a mudar, Deus foi tratando de diversas
áreas na minha vida. Foi trabalhando meu relacionamento com Ele, com
família e amigos, comigo mesmo, estar em paz comigo e com minha
autoimagem, entre diversas outras coisas.

      Houve um tempo que na área sexual era apenas Eu e Deus no Divã, e
garanto que aprendi muito com isso.




                                                                       39
Depois de um tempo, sem uma explicação que eu possa dar,
começou a despertar em mim um interesse físico por mulheres, coisa que
não tinha e nem imaginava ter. Comecei a perceber algumas diferenças na
maneira de me relacionar e viver. Ao mesmo tempo, fui resolvendo meus
problemas com pornografia, apesar da vontade na época, já não via mais a
necessidade de praticar, e aos poucos foi passando o vício e a vontade.

      Como estava resolvendo meu lado afetivo e físico por mulheres,
comecei a achar que o celibato já não era mais a única opção pra mim.
Apesar de ter resolvido o problemas com quedas, ainda não estava muito
seguro e preferi não me envolver, não era justo machucar alguém. Não me
achava pronto e não me sentia capaz de satisfazer uma companheira.

     Fui trabalhando os buracos na minha masculinidade e aos poucos
vendo grandes mudanças. Para fechar a história, hoje (final de 2010) estou
me preparando para o casamento com uma garota que amo muito e me
completa.

       Não quero com esse relato passar a impressão que restauração sexual
é algo lindo, fácil e maravilhoso, mas sim que é algo possível e acessível.
Não quero com esse relato incentivar pessoas a tal prática e nem manipular
ideias; que cada um resolva a sua situação sexual com Deus, o Criador da
sexualidade.

      Muitos criticam meu futuro, como se fosse incerto e costumo dizer
que quem tem medo do futuro, não está bem resolvido no presente e não
aprendeu com os erros do passado. Não me preocupo com a incerteza do
futuro, sei que nada me separa do Seu Amor.

     Cada pessoa tem sua história, tem sua vida, essa é um pedaço da
minha e, até aqui, valeu muito a pena dizer sim para o chamado de Deus.



      closetfull@hotmail.com




                                                                        40
Anderson
      Era uma vez um casal que planejou ter uma criança, e esse seria o
primeiro sobrinho, o primeiro neto, o primeiro orgulho da família, mas
acontecimentos mudariam a rota dessa história. Seria esse o começo de
uma história de ficção, mas disso só tem o “era uma vez”.

       Nasci nessa família com grande ligação religiosa, fui criado para ter
fé, para considerar a Deus e ao próximo, porém até certo ponto sozinho, já
que era filho único. Convivi bastante com adultos, meu pai trabalhava
muito e minha mãe me levava para todos os lugares, mas lembro que um
fato em si mudou drasticamente a maneira que eu encararia a vida. Aos 4
para 5 anos de idade mais ou menos, fui convidado por um familiar, não
muito mais velho que eu, para uma “brincadeira” num lugar, só soube do
que se tratava quando cheguei a esse lugar. Fui violado digamos assim, sem
requintes de violência, aquela “brincadeira” pareceu ser algo interessante
de se acontecer, era algo novo. Ele me pediu segredo sobre o assunto, mas
sem ameaças.       Aquela “brincadeira” se repetiu inúmeras vezes, até que
outras crianças também eram iniciadas naquilo ali. Depois daquele dia,
nunca mais vi os meninos da mesma forma, chegando até mesmo em
alguns momentos rejeitar ter nascido homem, pois se eu fosse menina,
poderia ter aquele sentimento naturalmente. Parece definitivo falar que uma
criança de 5 anos pensasse dessa forma, mas era o que eu tenho memória
plena de como era o meu pensamento naquela época.

       Um dia, minha mãe e tia, me chamaram para conversar, pois havia
um surto de crianças abusadas naquela época, e temerosas, resolveram me
alertar para que não deixasse que alguém fizesse algo que era feio,
descabido e fora de propósito. Enquanto falavam, vi que a tal “brincadeira”
era algo errado, e me calei, não disse nada a ambas sobre o fato de já estar
passando por aquela situação, afinal era errado e também o meu segredo
particular.




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Os anos foram passando, e essas experiências sexuais duraram até os
10 para 11 anos quando as mudanças do meu corpo aconteceram, e o
sentimento de que aquilo deveria parar aumentando e que Deus poderia me
castigar por aquilo tudo como havia aprendido. Porém, as fantasias com
outros garotos e romantizações sempre permaneciam. Apaixonei-me por
uma menina na escola que estudava, era um namorico de adolescentes, que
não deu muito certo. Logo me vi apaixonado por um garoto da minha sala,
foi um martírio, dias de choro, de sofrimento, isso durou mais de dois anos.
Depois houve outro garoto e mais outro.

       Nesse pano de fundo, meus pais falavam em divórcio, tudo aquilo
era aterrorizador para mim, então com a fé que tinha aprendido e até
ensinava outras crianças num curso daquela linha de fé, fazia orações para
que eles não se divorciassem, pois eu seria a única criança sem os pais
juntos já que todo mundo tinha os tinham do meu círculo de amizades. Não
adiantou nada, eles se divorciaram e nossas dificuldades financeiras
começaram, pois meu pai tinha outra família. Eu, minha mãe e meu irmão
mais novo agora estávamos sós. Uma tristeza imensa tomou conta de mim
e desejava morrer todos os dias. Todo dia acordar era um sofrimento
anunciado, me xingava em frente ao espelho, odiava tudo em mim, a morte
realmente seria a solução para as minhas angústias. Até que conheci
realmente aquele que eu tinha ouvido falar, mas era uma figura tão apagada
pra mim, Jesus. Ganhei uma nova vida, a vontade de morrer desapareceu, a
atração pelo mesmo sexo ficou ali soterrada, nem lembrava que existia isso.
Tinha agora uma turma na igreja, mais ou menos a minha idade, agora sim
tinha chegado ao meu lugar, em contato direto com o Criador do Universo.
As guerras interiores, as angústias, estavam enfim sendo submetidas ao
espelho de Deus, me enxerguei realmente na imagem que ele me mostrou.

       Mas, tudo que não é encarado, não desaparece, uma hora vem á tona
e com mais intensidade ainda. Comecei a ser rondado e sondado pela
serpente igual à Eva, tinha certezas como ela, mas a proposta da serpente
pareceu bem interessante, e as certezas de Deus em mim, não eram tão
certas assim. Reencontrei uma pessoa que fez parte da minha infância na
igreja, fiquei sabendo de coisas que pareciam surreais. Lugares,
relacionamento entre pessoas do mesmo sexo que eram totalmente fora das
minhas até então fantasias, fora de tudo que eu conhecia. Um mundo
realmente novo, o mundo GLS.

      Não demorou muito para que eu fizesse uma escolha, me dar uma
chance para um relacionamento com outro homem. Já que tinha orado,
jejuado, feito campanhas e eu achava que tudo aquilo já tinha finalizado, vi
que realmente era algo que poderia viver, não tinha escolhido aquele

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sentimento, mas o que eu queria naquele momento era colocá-lo para fora.
Começou a peregrinação das buscas de um relacionamento estável,
tranqüilo e fiel. Afinal eu tinha preceitos cristãos e não queria sexo por
sexo, apesar de poucas vezes ter me submetido a isso. Eu queria algo mais,
e por que não?

      A balada não era o ponto principal, era só um lugar para ver pessoas
que de semelhantes só o mesmo sentimento, fora isso via uma euforia no ar
travestida de alegria. Alegria mesmo era ali com Deus, na igreja, que vinha
do interior, aquilo tudo ali era euforia, mas estar ali era até interessante. O
mundo virtual era um lugar até certo ponto seguro para conhecer pessoas,
mais do que em baladas. Horas e horas de buscas, de conversas, de
seleções, de namoros virtuais, de encontros reais. Algumas surpresas,
outras decepções. O namoro não passava de tentativas, logo as reais
intenções das pessoas apareciam.

      Passado um tempo, em meio a essa busca do príncipe encantado,
recebi uma boa proposta de emprego, pois Deus permanecia o mesmo
apesar de eu não. Então parei com toda aquela prática, para digamos honrar
o que Deus estava me dando. Fiquei dois anos sem ir às baladas, sem me
envolver com alguém, mas tudo de novo somente soterrado, nada encarado.
Minha vida espiritual parecia ir muito bem, sempre gostei de ler a palavra
de Deus (Bíblia), passar horas lendo e meditando. Ia aos cultos, parecia
tudo muito bem mesmo. Até que um dia, me senti carente, e voltei a entrar
nos chats com a desculpa, que já tinha passado tanto tempo, e o ciclo de
pessoas passaram por ali, será que não tem alguém de verdade para mim?

       A resposta não demorou muito. Conheci um rapaz que era de outro
estado então seria inviável algum relacionamento, apesar de acreditar que
existia algum tipo de namoro virtual (aliás, acreditei várias vezes nisso).
Mas um dia, chegou um rapaz. Eu não estava tão disposto assim, já que já
vinha machucado demais para tentar. Não acreditava mais no que diziam, e
tinha levantado barricadas para me proteger de um novo relacionamento.
Mas ele disse a coisa certa na hora certa. Encontramo-nos, parecia tudo
perfeito, até a página dois. Uma traição atingiu ali e tudo que era uma
certeza naquele relacionamento caiu. Naufragou mais uma vez o pseudo
envolvimento que tinha. Sentei com o Senhor e perguntei o que estava
errado. Não sabia gostar diferente, sentir diferente, mas e o que eu sabia
sobre a palavra de Deus no quesito homossexualidade era bem claro. Deus
me mostrou por que aqueles relacionamentos não davam certo, era que o
lugar que eu queria colocar alguém, já tinha alguém ali há alguns anos. Era
o lugar de Jesus Cristo.


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Eu tinha muitas saudades da presença de Deus, não conseguia orar
estando naquela situação, naquela prática. Já tinha ouvido tantas coisas
sobre homossexualidade, acreditado em tantas coisas, no abracadabra
evangélico. Eu queria minha alegria intensa de volta. Queria meu
relacionamento íntimo com Jesus de volta. Mas como fazer diferente?
Como sentir diferente? Contar á alguém não era uma opção, já tinha visto
desastres acontecerem dentro e fora da igreja por alguém mencionar a
atração pelo mesmo sexo.

       Parei e conversei com Deus sobre tudo, foi a primeira vez que ao
invés de pedir para tirar um sentimento, falei com ele sobre tudo aquilo ali
de uma forma nova, sem aquele palavrório que eu sempre usava e achava
que estava tendo uma comunicação com Deus. “Eu não sei sentir de outra
forma Jesus, eu não sei enxergar de outra forma, tu sabes mais do que
qualquer um, mas me ensina como eu posso sair disso, como enxergar do
seu jeito, pois do meu jeito não dá mais”.

       Pensei e senti que agora eu tinha que cortar o que alimenta ou
favorece essa situação. Limpei minha conta de MSN, outra numa rede
social para que eu começasse agora do jeito de Deus. Livrar-se da
masturbação e pornografia foi um desafio. Não era viciado, mas era algo
recorrente, um tema estava ligado á outro. Até que comecei a trabalhar em
Deus qual era a raiz da situação que levava á masturbação. Comecei a
enxergar como ridículo ter que olhar um cara na tela do computador ou na
página da revista que não estava nem ai para mim e eu o desejando muito e
ele não sabia da minha existência. Fora que sabia como eram feitos alguns
daqueles vídeos, as montagens e mentiras por detrás de tudo. Ali não estava
expressa a verdadeira relação entre duas pessoas e sim a expressão do
instinto apenas. Relação sexual não era aquilo ali.

      Destruí o que eu conhecia de Deus para reconstruir de um jeito novo,
diferente. Não foi uma situação fácil, confortável, mas de imenso prazer.
Muitas vezes eu tive que me contrariar, para fazer do jeito de Deus, que é o
melhor.

       O marco da minha jornada de transformação (prefiro usar esse termo
que cura, pois não é uma doença) foi que Deus me mostrou um texto que
eu já tinha lido, mas não tinha percebido o teor dele, que fez tanto
significado para mim.

            “nem tampouco diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca.
            Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos, que


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guardam os meus sábados, e escolhem aquilo em que eu me
            agrado, e abraçam a minha aliança: Também lhes darei na
            minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome,
            melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a
            cada um deles, que nunca se apagará.” Isaías 56:3 a 5

      Sei que eunuco não é sinônimo de homossexual, mas ele também
algumas vezes não tinha escolha, outros escolheram para ele o que passaria
a viver dali pra frente. Mas esse texto foi um bálsamo no meu interior que
marcou o começo da minha jornada de transformação.

      Aprendi que era um caminho, uma jornada a ser seguida e não um
passe de mágicas. Não me preocupando com o tamanho do caminho, nem
com o tempo, mas me preocupando sim que jamais falte a ligação que eu
reconstrui com Jesus Cristo.

      Agora as rédeas voltaram para minhas mãos, e comecei a ter o que
Deus idealizou ali na criação e planejou para o ser humano, a dominação
sobre as coisas. Não era mais dominado por um sentimento, mas agora
poderia fazer escolhas conscientes, sabendo de todas as implicações, e a
melhor escolha tem sido andar como Jesus tem me direcionado.

       Todo dia é um novo dia, todo dia é dia de escolhas, todo dia é dia de
enxergar diferente. De ser transformado como filho, como amigo, como
servo de Deus, como profissional. Transformação tem impacto brutal nas
características básicas do ser humano. Agora sim, tenho uma sexualidade
sadia e sem culpa pela ótica de Jesus.



deduda00@hotmail.com




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Leonardo
       "O relato a seguir não expressa nenhum tipo de preconceito ou
discriminação. Respeito a opinião e as escolhas de cada ser humano e o que
estarei narrando, transmite aquilo que eu sentia, o que eu vivia e a situação
em que me encontrava."

      O passado deixou em meu ser profundas marcas e tristes lembranças.
Um passado que quando lembro me faz sentir nojo, mal estar e confesso
que chego a ficar decepcionado comigo mesmo.

       Fui aprisionado no horrível mundo da homossexualidade e posso
dizer que para mim essa prática foi uma horrível escravidão que me
entristeceu, machucou, humilhou e atormentou. Afinal, acho que todos os
indivíduos envolvidos com a homossexualidade ficam sem a certeza de
nada, num estado de medo e solidão.

      O homossexual é discriminado e rejeitado tanto pela sociedade como
pelos familiares. Ele é desrespeitado, sofre violência e sempre é vitima do
preconceito.

      Meu tormento começou após ter sofrido um abuso sexual pelo meu
próprio primo quando eu tinha apenas 10 anos e ele, bem mais velho do
que eu, com seus 18 anos. Ele que era um verme, um monstro que,
enquanto meus pais trabalhavam, ficava dentro de minha casa destruindo
minha vida e roubando meus sonhos e identidade.

       Passei três anos sendo abusado por esse monstro e minhas noites
eram de tormento, de humilhações, noites de trevas sem fim. Eu era ainda
pequeno, minha cabeça ficava confusa, revoltado, com dor e nojo. Aquela
situação foi aos poucos me destruindo e roubando minha identidade;
quando dei por conta, já estava tento desejos alucinados por sexo com
prostitutas, homossexuais, homens etc. Era algo horrível!

     Minha identidade e sonhos haviam sido roubados e logo com 16 anos
já me considerava homossexual, freqüentava boates, baladas e motéis.
Acorrentado e algemado pela lascívia, pelas orgias, pelo sexo compulsivo,
pela homossexualidade, pela prostituição. Minha vida era vivida na


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autodestruição, minha vida era regada de muito sexo... sexo... sexo...bebida
e música.

      Vivia uma vida de engano, sempre no meio de centenas de pessoas e
trazendo dentro de mim um enorme vazio, uma imensa solidão. Comecei
casos sérios com até três pessoas de uma vez e dizia estar namorando sério,
mas no fundo eu sentia que tinha algo de errado comigo. Eu não era
verdadeiramente feliz. O absurdo era tanto que por diversas noites transava,
com meus próprios primos até menores do que eu. Quando a noite passava
e chegava o amanhecer, vinha a tristeza em meu coração e uma acusação
gigante tomava minha mente.

      Certo dia, com uma tremenda ilusão em minha mente, conheci um
rapaz que me convenceu a usar drogas. Perdendo totalmente a cabeça, eu
resolvi sair de casa e morar com ele. Fiquei totalmente perdido e não sabia
o que estava fazendo, mas para mim tudo era normal. Eu via minha família
sofrendo com tudo isso e minha mãe, evangélica, não deixou de orar por
mim. Ela me aconselhava, mas eu estava cego, acreditando que era amor e
achando que estava me divertindo; passava por cima de tudo e de todos
para estar envolvido nesse mundo, até que cheguei aos 18 anos e foi
quando numa noite me bateu uma vontade diferente.

      Quando já não mais tinha esperança, envergonhado e cansado de
esconder da minha família aquela situação, tentei suicídio, mas algo foi
mais forte. Tinha uma vida financeira razoável, mas tinha uma vida
sentimental e amorosa destruída. Até que um dia resolvi mudar, dar um
basta naquela situação; já cansado de enganar a mim mesmo e aos meus
amigos e familiares, tomei uma atitude.

Tentei diversos tipos de ajuda, psicólogos, terapias individual e em grupos.
Comecei a buscar ajuda em Deus e a visitar uma igreja que ficava próxima
a casa em que eu morava com uma pessoa que supostamente eu amava.
Visitava a igreja e todos, mesmo sabendo de que mundo eu era, me
receberam com muito carinho. Isto foi muito importante para mim porque
eu pensava que ninguém se importava comigo.

       Comecei a me interessar por um grupo de oração em que todos
pregavam muito sobre libertação e eu ainda ímpio, duvidava de tudo que
era falado, mas algo no fundo me fazia frequentar todos os dias de culto,
mesmo não acreditando que algo em mim iria mudar.




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Com o passar do tempo as coisas foram piorando cada vez mais e
comecei a clamar por socorro e misericórdia. Depois comecei a acreditar
nas promessas de Deus que eram ditas na igreja e então foi que surgiu uma
luz no fundo do túnel. Descobri algo que estava dentro de mim, que era um
elemento de grande poder, que mudaria minha vida e todo meu ser: a fé.

       Através da fé alcancei a cura, a libertação e a transformação. Mudei
de volta para a casa de minha família, terminei o que eu chamava de
relacionamento e comecei a reconstruir minha vida e saí de lá do fundo do
poço onde não tinha nada e não era ninguém. Apenas minha família, que
nunca me abandonou, acreditava em mim e o que me importava era a
atenção daqueles a quem magoei tanto.

      Houve muito sofrimento e perseguição porque muitos não aceitavam
minha decisão de mudar e me humilhavam. Mas hoje estou casado com
uma serva de Deus que amo muito, que me deu muito apoio e muita ajuda.
Uma pessoa que Deus colocou em meu caminho, uma mulher a quem
posso dizer, com todas as letras, que amo de verdade.

      Tenho um filho que é a razão de meu viver, tenho minha profissão,
casa, carro etc. Muitos sonhos que eu vi perdidos foram resgatados e
concretizados. Hoje tenho minha verdadeira identidade, um homem
verdadeiro. Feliz.

     Agradeço muito a Deus e agradeço muito àqueles que entenderam
minha situação e acreditaram na minha a mudança.

      Jesus cristo mudou meu viver e continua mudando o viver de pessoas
que, assim como eu, dão crédito à palavra dEle.



papai_leo@hotmail.com




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Saulo
            (Hebreus 4:12,13) "Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz,
            e mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e penetra
            até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é
            apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E
            não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes, todas as
            coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem
            temos de tratar."

      Todo ser humano precisa de Deus, até mesmo aquele que se diz ateu,
que muitas vezes tenta provar através da ciência como o homem surgiu,
proclamando para o mundo que Deus não tem nada a ver com isto. Em
certo momento da vida, estes que se dizem incrédulos olham para o céu e
procuram por Ele. Como é maravilhoso e agradável saber que existe um
Deus que fez todas as coisas, que deixou a sua Palavra para podermos hoje
viver pela fé.

      Jesus bateu à minha porta através da Palavra de Deus, fez-me um
convite para recebê-lo como único Senhor e Salvador, o caminho certo que
leva a Deus, e, através do livre arbítrio, pude escolher entre continuar no
engano em que vivia ou acertar minha vida através das verdades que se
encontram na sua Palavra que está na Bíblia, que liberta, que modela nosso
caráter e nos coloca em um caminho reto.

      "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” (João 8:32 )

      Claro que aceitei Jesus em minha vida e passei a ter todas as
promessas que Ele tem para mim. Esse ato de aceitar Jesus como único
caminho que leva a Deus, como meu Senhor e Salvador, não tirou de minha
vida as dificuldades. Através da sua Palavra e do Espírito Santo, tenho
armas para lutar contra os problemas e aflições que surgem pela frente. Irei
compartilhar com você como eu vivia, mas também irei compartilhar do
mais importante, da vitória que tenho alcançado a cada dia, do homem que
verdadeiramente sou, da certeza de onde vim e para onde irei.



                                                                          49
Nasci em Contagem, no Estado de Minas Gerais. Minha infância foi
tímida, introvertida e insegura. Imagine o que as situações da vida podem
fazer em uma criança com essas características. Procure visualizar como o
inimigo pode agir nessa criança tão vulnerável às mentiras do mundo.
Lembrando que “o ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir”.
Pais, esse ladrão está matando, roubando e destruindo, por causa da nossa
falta de conhecimento da Palavra de Deus. É de grande importância
lembrar que Deus nos promete vida abundante através de Jesus.

      Durante minha infância sentia falta do meu pai. Não que ele estivesse
longe ou morto, ele estava vivo e perto. Tento lembrar-me de um abraço,
de um beijo, de ter sido carregado no colo por ele, de sentir sua presença
paterna, em que pudesse ter um referencial de comportamento masculino
para me espelhar, e não lembro. Lembro-me de uma novela que tinha uma
música tema chamada "Pai", e na abertura diária desta novela aparecia um
quebra-cabeça sendo montado e no final da montagem surgia a figura de
um menino caminhando em um parque de mãos dadas com seu pai. Detalhe
importante: a figura do pai não foi preenchida, estava em branco, era assim
que eu me sentia.

       Por ser tímido e introvertido, não conseguindo me comunicar com as
outras crianças, escutei muitas palavras de maldição. Quantas palavras que
entristeceram meu coração, quantas atitudes erradas para comigo. Por não
gostar de jogar bola, corrida de Fórmula 1, escutei muitos comentários
maldosos, que por mais que ignorasse, ficaram guardados comigo. Muitas
vezes, ao fazer algo errado, ou ter um comportamento tímido, fui chamado
de "chorão, débil mental, veado, bicha, mulherzinha". Fui até mesmo
vestido de menina, por uma pessoa próxima da minha família. Não entendo
o porquê deste ato, mas lembro-me exatamente da situação em que ela me
fez passar, e as pessoas que viram esta cena riam e faziam seus
comentários. Quando descobri do que realmente estavam comentando a
meu respeito, algo se quebrou dentro de mim. Há poder em nossas
palavras; se não sair benção de sua boca, cale-se, porque uma palavra
maldita pode mudar o rumo de uma vida.

        Morei em Belo Horizonte até os 14 anos de idade. Devido ao
desemprego de meu pai, viemos para Curitiba. Aqui voltei à rotina de
estudos e a refazer o círculo de colegas, o que para um tímido é muito
difícil. Tive minha primeira namorada, e com este namoro surgiram
questionamentos. Como não tive um pai próximo para me espelhar em seu
comportamento masculino, por falta de informação sexual, por falta de
estrutura na comunicação familiar, eu não levava esses relacionamentos
amorosos adiante. A base do mundo é a família, fundamentada na palavra

                                                                        50
de Deus. A distância que o homem vem tendo de Deus está abrindo brechas
para o desequilíbrio da família, trazendo dificuldades nos relacionamentos,
separação e falta de comunicação entre pais e filhos, levando a um desvio
de comportamento.

       Eu não sabia lidar com as intimidades que surgiam no namoro, e uma
namorada vendo que eu não queria acariciá-la de modo mais íntimo disse
ao meu ouvido: "às vezes acho que você não é homem". O que já havia
sido quebrado na infância veio a se quebrar ainda mais. Decidi ficar
sozinho e enfrentar a vergonha de não saber namorar e me expressar. Em
casa não havia diálogo. Aos 20 anos de idade, conheci um amigo que mais
tarde se declarou homossexual e, devido ao seu comportamento de risco,
era portador do vírus HIV. Conheci então, através de seus convites, as
práticas homossexuais. Aquelas palavras de maldição que escutei na
infância e na adolescência causaram um efeito neste momento da minha
vida, em que meus caminhos ficaram tortos através de minhas atitudes.
Escolhi uma estrada que parecia fácil, que mais tarde quase me levou à
morte espiritual, sendo que para a física faltava pouco também.

       Passei 12 anos na prática da homossexualidade, sem contar os anos
decorridos da infância até a adolescência, em que pensava que era
diferente, que algo estava errado comigo. Pensei que havia descoberto a
verdade, e que tudo que havia escutado de maldição se resolvia naquele
mundo que descobri. Conheci pessoas de bom coração, mas para Deus não
basta ser bom. Passei a ter amigos e amigas homossexuais, conviver com
efeminados, travestis, Drag Queen´s, muita festa, muita risada, muita
maquiagem. Quando a cortina se fechava, o vazio e a insatisfação daquela
vida, por mais agitada que fosse, aparecia por trás dos bastidores. A palavra
família se resumiu em duas pessoas apenas: "eu e ele", "ele e eu", bem
longe do que podemos chamar de família. Comecei a frequentar bares,
boates e ter relacionamentos homossexuais; demonstrava para as pessoas
que era um comportamento normal e aceitável, pois assim eu viveria
melhor, que era a resposta para tudo que sentia até então. Passei a atender
as minhas necessidades físicas e emocionais desta forma, mesmo assim,
essa descoberta não supriu as necessidades do meu coração, da minha alma.

       Saí da casa de meus pais para viver com um rapaz, um "amigo". Ali
fiquei por quase cinco anos. A Palavra de Deus nos diz em Gênesis 2:24:
"Portanto deixará o homem a seu pai e sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher
e ambos serão uma só carne." Mas não foi o que fiz. Deixei meus pais para
viver com outro homem como se fosse com mulher. Simplesmente ignorei
mais uma promessa de Deus para minha vida, porque dei crédito a uma
mentira, achando que havia nascido assim, que não tinha culpa, que

                                                                          51
morreria assim. Este era mais um dos infinitos relacionamentos
homossexuais que viria a ter. Mas pela misericórdia de Deus para comigo,
conheci sua verdade e fui colocado sobre uma Rocha firme e segura. Jesus
é fiel!

      "Tirou-me de um lago horrível de um charco de lodo, pôs os meus
pés sobre uma rocha e firmou os meus passos." ( Salmo 40:2 )

       Quantas vezes! Quantas vezes fechei as portas para Jesus. Eu sabia
que minha vida homossexual não era aceitável diante de Deus, tanto que
não lia os textos bíblicos que falavam do pecado em que vivia e raramente
quando os lia, era somente para criticá-los, dizendo que a Bíblia precisava
de uma revisão, mas eu não, que foi escrita por homens. Desta forma
tentava justificar minha prática homossexual com as necessidades e desejos
que sentia. Agindo assim eu na verdade estava dizendo para Deus que eu
dirigia minha vida.

       Mas Jesus insistiu educadamente, continuou batendo; eu estava
perdido, cego, andando por meus próprios caminhos e decisões, dono da
minha vida. Tinha dentro da minha carteira um documento chamado
identidade, mas no coração não havia identidade nenhuma. Lá no fundo da
minha alma, escondido de todos, eu pensava: “ah! Se eu pudesse deixar
esta prática que limita minha vida”.

      Nesses 12 anos que passei na homossexualidade, foram poucos os
momentos em que me senti seguro. Pelo contrário, vivia na insegurança e
na busca de amor, que jamais encontraria nos rapazes com quem estive;
eles não poderiam preencher o vazio do meu coração, homem nenhum
poderia.

     Saiba que alguém que está na prática da homossexualidade terá um
momento na sua vida em que questionará se o que vive está correto, terá
um momento de insatisfação e neste momento aquela palavra evangelística
que você lançou surtirá efeito e esta pessoa se lembrará que existe um
caminho verdadeiro, se lembrará de Jesus.

       Falo isto porque todos os rapazes com quem estive alimentam no seu
íntimo, bem lá no "esconderijo" do coração, o desejo de um dia terem uma
vida diferente, fora das práticas homossexuais. Eles podem dizer que são
felizes, mas desejam secretamente ter uma oportunidade para mudar.
Podem bater o pé e negar com suas atitudes e palavras, mas no coração
desejam mudança. A pessoa que está na prática da homossexualidade (seja


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efeminado, travesti, Drag Queen, transformista, michê) pode alterar este
caminho amando Jesus e tomando uma posição definida do tipo: "Não
quero viver praticando a homossexualidade, então não quero mais".
Quando tomei essa decisão, depois de um tempo, percebi que eu não
continuei homossexual. Sabe por quê? Porque a minha essência sempre foi
heterossexual, e esta essência surgiu naturalmente.

       Saí da casa daquele rapaz, com quem vivi por quase cinco anos, não
suportei tanta incerteza, tanta mentira e infidelidade. Nesta casa em que
morava com ele, sempre havia mudança, ora havia uma parede, ora havia
uma janela nesta parede, uma porta, derrubava-se outra parede. Volta e
meia a casa recebia uma mudança em pouco espaço de tempo; posso
compreender hoje que estas mudanças refletiam a insatisfação não com a
casa em que vivíamos, mas uma insatisfação interior de nós mesmos. Havia
uma necessidade de "trocar" objetos, móveis, e também pessoas. Ou
aceitava viver com ele e a sujeira que estava entrando mais uma vez no
relacionamento ou saía. Mas, como sair se estava preso àquela vida? Enfim
foram 12 anos na prática da homossexualidade. Sabia que precisava mudar,
mas não sabia como. Pude então perceber que realmente havia uma
inversão na minha forma de amar. Eu precisava não só mudar radicalmente,
mas manter-me nesta mudança, e isto encontrei nas verdades que estão na
Bíblia com a ajuda do Espírito Santo de Deus e da comunhão com meus
irmãos em Cristo. Mudança radical.

      Voltei para casa de minha mãe, meu pai já havia morrido. Entrei em
depressão, passei um ano em depressão, emagreci muito, lutando contra
solidão e angústia. Neste momento Deus moveu pessoas para serem usadas
em minha restauração de vida. Encontrei o verdadeiro amor, e o nome dele
é Jesus. Recebi um convite de um colega de trabalho, que via o meu
desespero, para ir até sua casa participar de uma reunião e nem perguntei
do que se tratava, se era disso ou daquilo, simplesmente precisava de ajuda.

       Busquei no início livrar-me da depressão e angústia, mas Deus já
estava movendo tudo para me receber e restaurar todas as áreas da minha
vida. Lá, conheci pessoas de uma igreja evangélica, que me receberam com
muito amor, um amor sem preconceitos e isto eu preciso dizer com todas as
letras: não enfrentei nenhum tipo de preconceito da parte deles. Eu sim, fui
cheio de barreiras, armado, e com preconceito. Passei a ter amigos cristãos
e reconheci que precisava de amizades sadias.

      Nessa igreja tive apoio de todos. O Pastor me recebeu com amor e
carinho, vale também falar aqui da importância que o grupo de jovens teve
neste momento. Foi necessário criar uma nova rotina e compromissos para

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minha vida mais importantes do que os compromissos anteriores. Notei que
a pessoa que mais teria que lutar pela minha mudança de comportamento
seria eu mesmo. Procurei manter-me sempre próximo dos amigos que ali
arranjei e esforcei-me ao máximo para ignorar as propostas que meus
antigos amigos faziam. Precisava entender tudo que tinha vivido até então,
o que me levou a praticar a homossexualidade e através do Evangelho de
Cristo acertar meus caminhos, pois ele endireita os caminhos tortos. Eu
ainda questionava Deus. "Deus, se eu deixar a homossexualidade, vou
sofrer muito. Como lidar com meus sentimentos e emoções, meus desejos e
vontades?". E na sua Palavra encontrava as respostas para tudo.

       "Não temas pois sou contigo, não te assombres porque sou o teu
Deus, eu te esforço, eu te ajudo e te sustento com a destra da minha
justiça." ( Isaías 41:10 )

       Uma vez aceitei um convite de um antigo amigo; o risco de regredir
foi altíssimo. Fui a um lugar que já havia frequentado e, pela primeira vez,
pude perceber como eu havia vivido. Aquele bar parecia um açougue, onde
bastava olhar para o lado e tinha um pedaço de carne para se relacionar
comigo. Pude perceber como aquelas pessoas buscavam se identificar com
alguém, como procuravam no outro o que faltou receber do seu pai e da sua
mãe. Aqui eu poderia ter conhecido mais um amor, e ter voltado a praticar
a homossexualidade, mas estaria deixando para trás todas as promessas que
Jesus tem para mim. Estaria deixando para trás os rios de águas cristalinas
que experimentei na presença de Jesus.

       Durante muito tempo continuei recebendo ligações maldosas, relutei
para não aceitar os convites para ir a bares e boates para homossexuais.
Mas neste momento Deus providenciou uma mudança em meu viver. Ele
olhou para mim, não gostou do que viu, e começou a trabalhar na minha
volta. Da depressão, que já durava um ano, Deus me libertou. Estava em
uma rodovia –BR 116 – comprei um maço de cigarros e dirigindo meu
carro comecei a clamar ao Senhor: "Senhor Deus, em nome do seu Filho
Jesus, eu levanto um clamor a ti, quando olho para trás não gosto do que
vejo, não quero mais viver na homossexualidade, mas quando olho para o
dia de hoje, não suportando mais esta angústia, esta tristeza, eu não vejo
saída. Ouça o meu clamor, mostra o caminho para minha libertação. Eu
desejo viver contigo, me ajude". E Ele ouviu meu clamor, não tive mais
depressão. Meus caminhos estavam sendo endireitados. Afastei-me de tudo
e de todos do meio antigo, precisava buscar alimento para sobreviver e,
depois de estar firmado na Rocha, levar este alimento para os que ficaram.
O que antes era escuridão em minha vida passou a ser luz.


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Filipenses 2:10-11: "para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos
que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra. E toda língua confesse
que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai" ( Filipenses 2:10-11 )

       Entendi que conheceria a verdade, e, se iria conhecer a verdade, o
que eu vivia era mentira, era falso, ilusão, armadilha do inimigo. Esta
verdade me libertou do cativeiro no qual me encontrava. Hoje sou livre e
sirvo a um Deus que muda o caminho errado e incerto de uma prostituta, de
um dependente químico, adúltero, mentiroso, homossexual, travesti, ladrão,
idólatra e de quem Ele quiser, e Ele quer que todos se salvem. Aquele que
perder a sua vida por amor a Jesus encontrá-la-á. Lembremo-nos que Ele é
o nosso Senhor, devemos nos curvar diante dEle. Ele nos dá o livre arbítrio
para escolher entre a vida e a morte.

      Hoje falo da verdade que descobri através da Palavra de Deus,
verdade que me libertou e me tornou livre de toda confusão que envolvia
minha vida. Para você que se acha livre, que faz o que quer, cuidado, você
está mais preso do que possa imaginar. A minha liberdade enquanto na
homossexualidade acabou se tornando minha prisão. Há esperança para
quem está nesta prática e deseja sair. Não é uma vitória fácil, mas é
possível. Enquanto não reconhecermos que estamos vivendo na escuridão,
não teremos como conhecer o verdadeiro e valioso brilho que vem da luz,
que vem de Jesus. Em vez de se arrependerem de seus erros, muitos estão
desejosos de ver que sua conduta errada, seu pecado, seja tirado da
categoria de pecado. Desta forma a morte e ressurreição de Jesus não
teriam servido de nada. Precisamos amar estas pessoas, mas não o erro que
estão praticando.

       O pecado é condenado, enquanto ao pecador são oferecidos perdão e
reconciliação. Nossas igrejas devem estar preparadas para ajudar pessoas
que queiram deixar esta prática. Digo pessoas preparadas porque estão
querendo expulsar demônios de homossexuais sendo que nem todos estão
possessos, cada caso é um caso a ser analisado e tratado, muitas vezes
tratando as feridas da alma.

      A luz da Palavra de Deus trouxe a verdade, caindo toda mentira. O
vazio que havia em meu coração foi preenchido pelo amor de Deus. Hoje
falo da verdade que encontrei na palavra de Deus. Conforme ia aprendendo
a viver com Jesus, as mentiras iam sendo descobertas. Posicionei-me com
todas as armas oferecidas na sua Palavra para resistir às imposições do
mundo.



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Eu e o rapaz que vivia comigo, tínhamos uma Bíblia aberta na
cabeceira da cama de casal, aberta em algum Salmo que não falava do
pecado em que vivíamos, claro. Só líamos o que nos era conveniente, é
mais fácil. É mais fácil dizer que a Bíblia precisa ser revista do que mudar.
Assim como é mais fácil seguir uma igreja que aceita o erro, onde não
precisa haver mudança.

       Por um tempo lembrava-me das festas, do falso brilho, muita risada,
gente bonita em suas roupas de marca, barriga cheia de comida e um
espírito vazio, mas ao raiar do dia... ao raiar do dia, o falso brilho começava
a se apagar e aí sim, vinha o vazio daquela vida. Não, não aceito mais isto
em minha vida, hoje a luz que brilha em meu coração vem de Jesus.
Descobri que Deus me amava, mas não ao erro que cometia. Ao mesmo
tempo em que Ele me dizia para abandonar a homossexualidade, Ele
também dizia para que não temesse mal algum. Deus não condenaria esta
prática sem antes oferecer uma saída. A saída está na sua Palavra, que é
viva e eficaz, e no amor de Jesus. Através do Espírito Santo fui convencido
do erro em que vivia. Somente o Espírito Santo pode nos convencer do
erro, da justiça e do juízo. Compreendi e aceitei como verdade textos na
Bíblia que até então eu não aceitava como tal. Sabia que os textos estavam
ali, mas achava que era somente para aquela época. Então fui convencido
pelo Espírito Santo de Deus. Basta olhar para o meu corpo masculino e
perceber tudo o que nele há.

       As leis que hoje existem em países liberais, que asseguram o
relacionamento homossexual, cirurgias para troca de órgão genital, seguro
de vida, podem aliviar o preconceito a sua volta, facilitar o seu dia-a-dia,
mas não podem assegurar e te proteger do vazio que fica dentro de você.

       Há poder na Palavra de Deus, poder que pode transformar vidas,
desde que aceitem a verdade. Buscando cura para as feridas da alma e
transformação no seu caráter, desabituando-se desta vida de confusão e
vivendo da maneira correta como prega Jesus. Você já se perguntou: Como
deixar de ser drogado? Parando de se drogar! Como deixar de ser
prostituta? Parando de se prostituir! Como deixar de ser mentiroso?
Parando de mentir. Uma prostituta quando deixa de se prostituir não
continua prostituta. Quando deixei as práticas homossexuais não continuei
homossexual, deixei tratar do meu caráter, mente, emoções, corpo e alma, e
amei Jesus de todo o coração, de toda minha alma e de todo o
entendimento.

      Você pode se perguntar: mas e os desejos e vontades que sentia, que
nasci assim e não tinha jeito? Com o passar do tempo, já fora da

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homossexualidade, a minha essência heterossexual, que nunca perdi,
começou a vir à tona, naturalmente. Fiz um propósito com Deus, em
minhas orações eu pedia para que Ele me desse a certeza da minha
heterossexualidade, e Ele me deu esta certeza, sabe como? Reencontrei
uma moça que há tempos não via, e neste reencontro a surpresa, ela havia
se convertido ao Senhor Jesus também. Houve um interesse de ambas as
partes em se conhecer melhor. Fizemos uma viagem para a cidade de
Florianópolis, em Santa Catarina. Lá ficamos hospedados na casa de
familiares e irmãos em Cristo, dentro da direção de Deus houve a
confirmação do meu propósito. Você pode se perguntar: “Mas como, o que
aconteceu? Que exemplo de relacionamento cristão é esse?” Deus é
perfeito em tudo o que faz. Estávamos conversando, já era tarde da noite, e
adormecemos. Senti um leve toque em meu pé, era a mão dela que
repousou ali, no meu pé. Através deste toque sutil, senti em meu corpo, a
confirmação de Deus em minha vida mais uma vez. Uma lágrima de
felicidade escorreu pelo meu rosto e glorifiquei a Deus. Então percebi que
basta permanecer no caminho de Jesus que tudo mais Ele fará. Os planos e
os sonhos de Deus para nós jamais se frustrarão.

      No início da minha caminhada com Jesus, eu duvidava que pudesse
deixar as práticas homossexuais. Minha mente estava impregnada,
acostumada, habituada com a condição homossexual em que me
encontrava. Ao permitir o trabalhar do Espírito Santo de Deus em minha
vida, pude ver mudanças em minha forma de pensar e comecei a entender
meu real papel masculino.

       Agradeço a Deus por ter usado pessoas em minha caminhada de
restauração para que pudesse me relacionar adequadamente com uma
mulher. Não há necessidade alguma de fazer o que eu fazia. A vida que
levo com minha esposa é gratificante em todos os sentidos. Tenho
alcançado saúde emocional e através disto tenho me tornado um homem
melhor, um cristão melhor. As feridas na alma que carreguei por cinco
anos, após entrar num processo, dificultavam minha caminhada como
cristão. Quando aceitei a Cristo em minha vida tive a convicção de que
estava salvo, mas também sabia que precisaria tratar as feridas que estavam
na minha alma. Deus também nos oferece saúde emocional. Paz é o que
sinto hoje. Realmente a vontade de Deus para os que o amam é boa,
perfeita e agradável. Casei-me porque não queria viver só, mas não é o
casamento que irá dizer que uma pessoa deixou a homossexualidade.

      Hoje sou livre para falar da libertação que a Palavra de Deus trouxe
para minha vida. Livre para dizer: a luta continua, no mundo terei aflições,
mas também tenho a verdade de Deus no meu coração para prosseguir a

                                                                         57
caminhada. Antes eu era espírita, acendia vela, místico, praticante da
homossexualidade, vivendo em bares e boates, coração em carne moída.
Hoje, lavado e remido pelo Sangue derramado na cruz, Sangue que me
deixou branco como a neve, como a branca lã e me fez acreditar nas
promessas de Deus para minha vida.

      Muitos me chamam de louco, por ir contra o padrão deste mundo.
Mas Deus escolhe as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias.
Escolhe os pequenos para confundir os grandes. Faz aquele que se deleita
em sua própria sabedoria parecer ignorante.



afontedejaco@gmail.com




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Gabriela
      Somos todos modernos! Eu sou moderna! Pensava eu isso.

      Bem, deixa eu me apresentar: meu nome é Gabriela, tenho 24 anos,
sendo que desde os seis últimos, tenho vivido de maneira diferente. Para
resumir, sou daquelas que se acha toda moderninha, gosta de livros, artes e
roupas modernas. Idéias também!

       Cresci com uma enorme aceitação às idéias livres e não
convencionais. Nunca gostei de títulos, nem rótulos, nem estereótipos
(apesar de no princípio aceitar o de “moderninha”). Sexo para mim era
liberdade, prazer total, não importava como; sendo bom não importava
mesmo como o faziam. Confesso que nunca me arrisquei em grandes
empreitadas sexuais, mas sexo era tudo! Durante minha pré-adolescência
tive minha primeira experiência homossexual. Única. Anos mais tarde
assumi uma vida totalmente heterossexual e cheia de fetiches. Um deles era
a pornografia virtual que me prendeu por anos e anos em uma gaiola sexual
irreal e vazia. Estranho para uma menina, né? Mas nunca me importei com
isso.

      Mesmo após minha entrega total a Jesus Cristo, me metia em
semanas regadas a todo tipo de pornografia;, eu ia à igreja em busca de um
alimento que preenchesse a alma, que me deixasse satisfeita por muito
tempo, mas ainda não tinha conseguido encontrar. Embora o sentimento de
vazio que me levava a querer sempre mais daquele prazer permanecesse,
me sentia incomodada, pois toda vez que ia novamente ao computador
aquela paz que estava sentindo me abandonava.

       Depois de algum tempo passei a perceber inúmeras demonstrações
do amor de Deus, pois por mais que eu me enfiasse naquela podridão, ele
sempre me proporcionava coisas boas e me aceitava mesmo numa condição
“ruim” como aquela. Mais à frente comecei a perceber que aquele tipo de
prática não era apenas um pecado, mas era um insulto a outro ser humano.
Comecei a compreender o quão terrível era submeter o outro
perversamente à satisfação de meus desejos e aos desejos daqueles que


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praticavam o sexo exposto naqueles vídeos. Comecei a imaginar e a sentir
Deus como um pai que planeja com muito carinho ter uma filha, e quando
acontece, a vê decidindo por seus próprios caminhos se direcionando a
práticas que não a consideram como uma pessoa, mas como um simples
objeto de prazer.

      Na realidade, quando assumi um compromisso com Deus deixando
de lado o sentimento de não merecer tê-lo em minha vida, passei a amá-lo
tanto que fazer algo contrário ao que ele queria me magoava também. E a
cada dia me percebia mais amada e mais confiante para conhecer quem eu
realmente era e o que realmente queria. Entendi que minha busca
desenfreada por prazer se resumia em uma fome muito grande de Deus e de
ajudar outras pessoas. De repente aquela pessoa tão fria que se importava
apenas consigo mesma, passou a olhar para quem estava à volta não mais
como objetos, mas como PESSOAS.

       Quantas vezes você quis obter somente sexo e percebeu que ficou
frustrado por que se sentiu vazio, usado, um objeto? Eu me senti assim
várias vezes, mas posso hoje dizer que continuo muito moderninha. Amo a
Cristo e, sigo sua palavra, mas também AMO SEXO e sei que ele foi um
presente de Deus para me unir ao meu parceiro eterno e fazer de mim uma
pessoa feliz. Não tenho medo de dizer que entendi através do que o meu
Criador disse, que a melhor maneira de se viver é tendo o sexo como uma
troca com quem se ama a ponto de assumir um compromisso eterno.

      Espero que todos possam um dia perceber da mesma maneira que eu!



closet_girls@hotmail.com




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Conclusão


Nosso objetivo em realizar este ousado projeto não é dizer quem
está certo, quem teve a melhor conquista ou a maior vitória.

Dez pessoas, dez relatos, mas todos com um ponto em comum. Se
isso não te levar a refletir no Grande Amor, teremos perdido
nossos esforços e fracassado em nosso alvo.

Com Deus, não se muda para ser aceito, não se muda para ser
amado. Ele, com Seu infinito amor, nos amou primeiro.

Ilude-se quem pensa em conquistar este Amor com boas ações, e
se engana quem acha que pode perdê-lo.

Ele simplesmente é o que é.

Como traduzir em palavras um Amor sem limites, que não vê
barreiras ou diferenças? Para Ele, somos todos iguais, sem
classes, gêneros ou qualidades. Todos iguais.

O assunto de restauração sexual geralmente tem duas visões
erradas. Uma ligada ao “ódio divino” que só aceita e ama pessoas
santas e uma outra que nos indica um amor inclusivo, esquecendo
que inclusão também é correção. Deus corrige a quem ama.

Qual então o ponto de equilíbrio desses dois extremos?

Em Mateus cap. 13:44 – 46, Jesus nos conta o seguinte:

           “Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro
           escondido num campo, que um homem achou e


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escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto
           tem, e compra aquele campo.

           Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem,
           negociante, que busca boas pérolas;

           E, encontrando uma pérola de grande valor, foi,
           vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.”



Muitas pessoas resumem o “reino dos céus” a uma morada
celestial pós-morte. Mas Eis que é chegado o reino dos céus (Mt
10.7), aqui, agora, na Terra, o reino de Deus está acessível a
todos. Isso é Graça, isso é Amor. Ele estende o seu reino a nós
que não o merecemos.

O que motiva alguém a renunciar a sua sexualidade? Achar um
grande tesouro. Esse mesmo tesouro que motiva pessoas
espalhadas pelo mundo que, mesmo sendo perseguidas, correndo
risco de serem presas, ou até mesmo morrer, encontram forças
para dizer: “Eu quero este tesouro! Por Ele se for preciso, morro.”

O “tesouro do campo”, que é Seu Amor, nos motiva e dá força
para vendermos tudo o que temos. Mais ainda, nos impulsiona a
negar e renunciar o que for preciso para estarmos com Ele.

“Todas as riquezas e prazeres desse mundo, não são nada,
comparado ao Seu Amor.” – Isso é achar um tesouro no campo.
Não é apenas saber que o tesouro existe, mas ser impulsionado a
abrir mão de tudo se preciso for para tê-Lo.

Para quem encontrou o real tesouro, santidade não passa a ser
uma opressão, uma obrigação ou um fardo pesado, mas uma força
que nos impulsiona a estar mais perto dEle.

Por isso somos “IMPULSIONADOS PELO AMOR”.


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Aqui temos histórias de pessoas que não mudaram para conseguir
um tesouro, mas mudaram porque o encontraram.

Se você ainda não encontrou esse tesouro, saiba que ele está
disponível para você. Deus te ama e não há nada que O faça
desistir de te amar. Basta você aceitar Seu Amor.

Se você já encontrou o verdadeiro tesouro e está em uma
caminhada de restauração sexual, esperamos que tenha
encontrado neste material ainda mais força e ânimo.

Se você também foi impulsionado pelo Amor de Deus e escreveu
uma nova história, gostaríamos muito de conhecer e publicar em
nossos próximos volumes.

Deus Abençoe



Que diariamente possamos viver e espalhar o Seu Amor.




                                    EQUIPE CLOSET FULL




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Vai Valer a Pena
                           (Livres para adorar)
Não compreendo os Teus caminhos
Mas Te darei a minha canção
Doces palavras Te darei
Me sustentas em minha dor
E isso me leva mais perto de Ti
Mais perto dos Teus caminhos
E ao redor de cada esquina, em cima de cada montanha
Eu não procuro por coroas, ou pelas águas das fontes

Desesperado eu Te busco
Frenético acredito
Que a visão da Tua face
É tudo o que eu preciso, eu Te direi
Que vai valer a pena
Vai valer a pena
Vai valer a pena, mesmo

Não compreendo os teus caminhos
Mas te darei a minha canção
Doces palavras te darei, te darei, te darei
Me sustentas em minha dor
E isso me leva mais perto de Ti
Mais perto dos Teus caminhos

E ao redor de cada esquina
Em cima de cada montanha
Eu não procuro por coroas
Ou pelas águas das fontes
Desesperado eu te busco
Frenético acredito
Que a visão da tua face
É tudo, tudo, tudo o que eu preciso

E o grande dia haverá de chegar
Quando eu e você, nos encontraremos com Ele, naquele dia
E eu e você, cantaremos em uma só voz a Ele

Senhor valeu a pena
Senhor valeu a pena
Senhor valeu, valeu, valeu, valeu

Eu haverei de cantar ao meu Senhor
Quando o grande dia chegar
Quando o grande dia chegar, e ele vem
Quando o grande dia chegar
Eu cantarei, eu cantarei, eu cantarei,
JESUS, sim, sim, sim
Jesus, valeu, valeu...


                                                           64

Impulsionados pelo amor

  • 1.
    IMPULSIONADOS PELO AMOR Relatosde restauração Sexual
  • 2.
    Este material foiidealizado e editado por Closet Full e parceiros. Apoiamos e incentivamos SUA reprodução, utilização e distribuição. Nossa intenção ao lançar o material em arquivo “pdf” é alcançar o maior número de pessoas GRATUITAMENTE. É PROIBIDO COMERCIALIZAR OU ALTERAR ESTE ARQUIVO. Caso deseje maiores informações ou conhecer outros materiais, escreva para: closetbook@hotmail.com http://closetfullbr.blogspot.com 2
  • 3.
    Agradecimentos À Deus, emprimeiro lugar, o Autor e Consumador da nossa Fé. Para Ele seja toda glória e honra. Deus, o personagem principal, não só de cada relato, mas deste trabalho. Para cada autor que, além de acreditar nesse projeto, dedicou o seu tempo e coragem para tornar possível este trabalho, o nosso muito obrigado por aceitar não só o convite, mas o desafio. Um agradecimento especial para Dionísio, Paulo e Marcus por cederem seus talentos para este projeto. Ao Juliano Son e Livres para Adorar por permitirem a utilização da letra da canção “Vai Valer a Pena”. EQUIPE CLOSET FULL 3
  • 4.
    Sumário Introdução..................................................05 Cláudio.......................................................06 Marcus.......................................................10 Thiago........................................................16 Eduardo......................................................21 Vanessa......................................................25 Félix...........................................................34 Anderson....................................................41 Leonardo....................................................46 Saulo..........................................................49 Gabriela.....................................................59 Conclusão .................................................61 Vai Valera Pena........................................64 4
  • 5.
    Introdução O objetivo destematerial não é apresentar a homossexualidade como boa ou ruim, muito menos entrar no mérito de causa e efeito homossexual. Este material foi realizado respeitando tanto quem vive na prática homossexual como quem optou por abandonar, escrevendo assim uma nova história. Cada autor é responsável pelo conteúdo de seus relatos e mensagens, que foram entregues entre o período de novembro/2010 e janeiro/2011. Ficou a critério de cada autor a divulgação ou não de seu e-mail para contato. Uma boa Leitura. 5
  • 6.
    Cláudio A história da minha vida é uma mistura de sofrimento e dor, aliada a grandes mudanças e alegria intensa. Desde a minha infância até o dia de hoje eu tenho experimentado grandes transformações, as quais me permitem dizer que a vida é maravilhosa e deve ser vivida com prazer e gozo. Eu experimentei o sofrimento bem cedo na minha vida. Ainda aos 7 ou 8 anos de idade fui introduzido às experiências sexuais com garotos da minha vizinhança. Um desses meninos tinha uns 17 anos e outros dois eram aproximadamente dois anos mais velhos que eu. O rapaz de 17 anos me atraía para os fundos da sua casa e mostrava- me um pênis de borracha. Com o passar do tempo, ele passou a mostrar o próprio pênis e pedia que eu o masturbasse. Isso desenvolveu em mim uma forte e irresistível atração pelo mesmo sexo. Com os outros dois meninos as "brincadeiras sexuais" eram mais intensas e chegavam a níveis mais práticos. Essas brincadeiras se estenderam até que eu completasse 10 anos de idade, ocasião em que mudei para outro bairro e fiquei livre do assédio e abusos daqueles dois garotos. O novo bairro em que fui morar era povoado com muitos meninos menores de idade e que passavam o dia (e parte da noite) na rua, longe dos olhos dos seus pais ou irmãos mais velhos. Nessa vizinhança, conheci e experimentei níveis de envolvimento sexual ainda mais intensos e frequentes. Todas as tardes e noites havia "brincadeiras" entre os garotos. A faixa etária da meninada era de 8 a 18 anos. Até os 16 anos eu sentia muito prazer com as brincadeiras sexuais que fazia com os colegas da minha idade. Tudo parecia tão natural e previsível. Eu não sentia nenhum remorso ou vergonha, afinal, todos os meninos faziam ou já haviam feito o mesmo. Não havia motivo para traumas, complexos e dilemas... Só diversão. Apesar disso, entre os 16 e 19 anos, dei-me conta de que tudo aquilo já estava fazendo parte do meu próprio jeito de ser, sentir, pensar e agir. 6
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    Comecei a entenderque o desejo sexual por garotos estava completamente impregnado em mim e não estava associado apenas a brincadeiras com os outros meninos. Tudo isso trouxe a mim uma constatação inequívoca: eu era "diferente"! Entre 16 e 19 anos permaneci celibatário, porém, entregue às fantasias homossexuais e à masturbação compulsiva. Ainda aos 19 anos, conheci um rapaz de 25 com o qual dormi uma única noite, o que foi suficiente para que a partir disso eu me entregasse completamente ao comportamento homossexual e assumisse o estilo de vida gay. Seguiram-se anos de casos, encontros e aventuras que acabaram por criar em mim uma forte convicção: eu era gay e devia me acostumar com a idéia e o modo de viver da comunidade homossexual! Apesar de tudo isso, aos 22 anos eu questionei o que eu havia vivido desde a infância e comecei a indagar por respostas quanto às origens dos meus sentimentos e desejos. Eu não duvidava da intensidade dos meus desejos e sentia-me confortável com o prazer que os atos e afetos homossexuais me proporcionavam. A única dúvida que persistia em minha mente estava relacionada ao fato de não saber o porquê disso acontecer comigo. Eu não lamentava o fato, mas queria saber a finalidade, o propósito de haver nascido homem, porém com uma mente e um desejo sexual voltado para os outros homens. Na verdade, eu queria mesmo era saber se Deus existia e se realmente estava por trás de tudo isso! Mesmo tendo aquele tipo de dúvida, eu não buscava por nenhuma resposta em Deus ou na religião. Ao mesmo tempo, eu lia quase tudo que aparecesse em minha frente e que estivesse relacionado ao tema da homossexualidade. Apesar de não estar à procura de uma resposta em Deus, na noite do dia 30 de março de 1997, sem que eu estivesse planejando nenhuma mudança em minha vida, acabei por ouvir "por acaso" uma mensagem de um pastor evangélico, na qual ele fazia um desafio para que os presentes buscassem conhecer uma tal "vontade de Deus". Segundo aquele pastor, essa seria a única forma para que um homem soubesse o quanto o seu comportamento agrada ou desagrada o seu Criador. Achei o argumento do pastor ligeiramente lógico e aceitei o desafio de conhecer aquela tal "vontade de Deus". Ainda assim, deixei claro ao próprio Deus (caso ele existisse) que eu NÃO acreditava em nada que os 7
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    crentes diziam eque eu achava a igreja um poço de hipocrisia e enganação. Apesar disso eu me propus a seguir os ensinos contidos na Bíblia, caso Jesus realmente mudasse minha forma de pensar, andar e falar. Eu tinha uma mente inquieta, a qual estava constantemente fixada em homens e sexo. Meu andar já estava ligeiramente afetado e os que passavam por mim percebiam claramente que eu tinha trejeitos femininos. Minha voz deixava claro o tipo de desejo sexual existia em mim. Aquela noite de verão foi o início de uma jornada emocionante. Comecei imediatamente a estudar a Bíblia e a procurar conhecer cada vez mais a vontade de Deus expressa nas Escrituras e me apaixonei ao compreender o grande amor que o Criador tem por suas criaturas. O meu relacionamento com o Deus apresentado pela Bíblia supriu todas as minhas necessidades intelectuais, emocionais e afetivas. Passei a me sentir um homem completo e, conforme eu conhecia mais do amor de Deus por cada um de nós, sentia-me mais forte, confiante e decidido a seguir a Verdade por toda a minha vida. Já se passaram mais de dez anos e durante todo esse tempo não houve recaídas ou indecisões. Eu compreendi que a atração pelo mesmo sexo decorre de um erro na nossa percepção psicossexual e que resulta em um comportamento inadequado à nossa estrutura física e emocional. Também entendi que não é possível realizar-se completamente em uma relação com alguém do mesmo sexo. Há sérias restrições e conseqüências biológicas, psicológicas e sociais inerentes à homossexualidade. Compreendi que é antinatural e contraproducente entregar-se a uma disposição mental homoerótica e aos relacionamentos homoafetivos. Casei-me há seis anos e tenho uma esposa maravilhosa, a qual enche a minha vida de significado, alegria e prazer, muito prazer. Sinto-me completamente realizado ao lado da minha companheira que, além de ser maravilhosamente bela, demonstra uma fé inabalável no nosso Deus, o Criador dos Céus e da Terra. A fé que vejo em minha esposa reforça aquela que há em mim mesmo, na qual eu vejo que tudo que Deus faz durará eternamente! Nosso casamento tem as mesmas dificuldades de todos os casais que se mantêm unidos nessa Terra. Temos diferenças, às vezes não as compreendemos. Ainda assim, o amor que há em nós tem vencido todas as nossas divergências e nos faz entender que Deus é amor e está ao lado dos que se esforçam para manter os votos nupciais. Nosso lar é cheio de amor e 8
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    paz e temosa certeza de que não seremos abalados por nada nessa vida, pois estamos alicerçados numa rocha que não se deixa abalar. O fato de experimentarmos e vencermos as dificuldades em nosso casamento nos dá ainda mais certeza de que o meu passado não desempenha nenhum papel no meu presente, exceto na condição de ferramenta para testemunho e aconselhamento para aqueles que desejam se livrar da homossexualidade. Há dois anos comecei a pesquisar o que de fato aconteceu em minha mente e que me levou a uma mudança tão radical. Fiz descobertas fantásticas sobre o funcionamento da mente e o comportamento humano. Atualmente, compartilho com outros homens a minha experiência e as pesquisas que realizo sobre esse tema. Compreendi que Deus fez o homem de um modo magnífico e deu a cada um de nós uma mente para ser usada adequadamente. Hoje sei que não importa o quanto tenhamos sofrido por desconhecermos o plano de Deus para nossa, podemos recomeçar a jornada e estabelecer uma sólida caminhada rumo a uma vida plena, com prazer e propósitos. Muitos homens já se beneficiaram do meu testemunho e do aconselhamento que lhes ofereço. Há maridos que estão reestruturando seus casamentos e rapazes que estão vivendo felizes com suas namoradas, livres do tormento que a atração pelo mesmo sexo lhes causava e aptos a sonharem com um matrimônio tradicional, em homem e mulher se unem para gerar filhos e ser uma família. Caso você ou alguém que você conhece tenha interesse em saber mais sobre o assunto, basta mandar uma mensagem por e-mail e poderemos conversar melhor sobre todo o processo de mudança que eu tenho experimentado nesses maravilhosos dez anos. Meu e-mail é luzesal@gmail.com Aceite o desafio e conheça o que pode mudar sua vida radicalmente: a Verdade! Um cordial abraço. 9
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    Marcus Já ouvi muitos relatos de pessoas que se envolveram na homossexualidade e que resolveram contar sobre sua libertação. Já ouvi casos de pessoas que afirmaram não terem passado por um processo de transformação, mas vivenciaram uma mudança instantânea. O fato é que, desde que comecei a procurar informações sobre este assunto, foram muitas histórias que apareceram – histórias interessantes, com grandes vitórias e algumas nem um pouco bem sucedidas. Identifiquei-me com alguns relatos, mas alguns pontos importantes presentes em minha vida nunca foram relatados. Dessa forma considerei oportuno escrever um pouco sobre minha caminhada com Deus. Nasci num lar cristão. Meu pai era evangelista e sempre trabalhou ativamente na igreja. Minha mãe também sempre esteve à frente de alguns trabalhos. Cresci, então, aprendendo a viver em Cristo, ouvindo a Palavra de Deus e me envolvendo nas atividades da igreja. Estava entrando na adolescência quando meu pai foi consagrado a pastor. Achei muito interessante isso no início, até porque ele sempre fez o trabalho de um pastor, mesmo quando era evangelista. Depois de um tempo, comecei a não gostar tanto da idéia – quem é filho de pastor sabe que as coisas não são tão fáceis para nós. Hoje, no entanto, glorifico a Deus por ter sido criado em uma família como a minha e por ter sido filho de pastor, pois tudo isso faz parte da minha constituição como parte integrante do Corpo de Cristo. Eu e meu pai tínhamos uma grande diferença de idade. Como ele tinha um trabalho secular e a igreja para pastorear, seu tempo em casa era bastante escasso. Assim, tivemos um relacionamento bem distante. Tive uma infância tranqüila, mas já me sentia diferente dos demais garotos. Não sabia o que seria essa diferença, mas eu não me via como sendo igual a eles. Fui crescendo e na escola, por vezes, ouvia alguns insultos dos colegas, pelo fato de não jogar futebol como eles e por andar muito com as meninas da classe. De certa forma, tudo isso me incomodava, embora eu não soubesse o que havia de errado comigo. 10
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    Chegou então àpuberdade e, com ela, várias descobertas, incluindo a masturbação. Lembro-me de que já ouvira meus colegas falarem sobre essa prática e um dia, por curiosidade, comecei a me masturbar. Sempre pensando nas minhas colegas, fui descobrindo o prazer que vinha desse ato, imaginando como seria uma relação sexual com as mulheres. Até esse momento, não pensava nos garotos. Certo dia, minha mãe e minha cunhada estavam conversando e de repente começaram a falar sobre sexo. No meio da conversa, surgiu alguma referência à masturbação e minha mãe falou que era pecado, pois o homem ficava pensando em alguma mulher para sentir prazer. Aquelas palavras ficaram ecoando em minha mente, num misto de temor, confusão e decepção pelo fato de algo tão bom e aparentemente tão inocente ser pecado. Pouco tempo depois, vem à minha mente um pensamento: “Um homem se masturbar pensando em uma mulher é pecado; e se ele pensar em outro homem será isso pecado também?”. Após esse pensamento, veio a ideia de experimentar essa nova “modalidade” e ver se o prazer seria o mesmo. Percebi que isso também trazia uma satisfação e então comecei a me estimular freqüentemente dessa forma, ou seja, pensando em homens. Na época eu não tinha noção do que estava fazendo comigo mesmo e das conseqüências desse padrão de pensamento. Deixei então de pensar nas minhas amigas e imaginava algumas intimidades com meus colegas. Em minhas fantasias, nunca imaginava uma relação sexual; eu não tinha noção de como seria isso. Melhor dizendo, não passava pela minha cabeça que um homem poderia fazer sexo com outro homem. Parece estranho dizer, mas durante toda minha adolescência essa prática era acompanhada de certa ingenuidade no que se refere ao sexo. Somente muito tempo depois fui perceber que, em todos aqueles anos alimentando tais fantasias, foi-se construindo um padrão de pensamento e meu corpo foi-se condicionando a responder a esses estímulos até que não conseguia mais me excitar pensando em uma mulher. E assim foram os anos se passando e já nem tinha curiosidade em relação ao corpo de uma mulher. Tive alguns poucos contatos com pornografia, quando trabalhava em uma loja e vi algumas revistas Playboy. Mas eu sempre tinha um medo muito grande de pecar; então via as revistas rapidamente, mas nada daquilo entrava em meu coração. 11
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    Durante muitos anos,meus colegas na igreja me procuravam para falar sobre as dificuldades que enfrentavam em relação à pornografia e eu sempre os aconselhava. Não entendia, no entanto, por que aquilo os prendia tanto, visto que das poucas vezes que eu vi não me senti preso a esse pecado. Apenas olhei como se olha um catálogo de produtos. Por todos esses aconselhamentos e pelo meu comportamento e envolvimento na igreja eu era visto como um rapaz exemplar e de muita confiança. Todos olhavam para mim como um modelo a ser seguido, mas somente eu e Deus sabíamos o tanto que eu sofria por sentir atração por outros homens. Nesse meio tempo, tentei por diversas vezes deixar o vício da masturbação – sim, eu era viciado nisso. Depois de muitas tentativas, aos 21 anos Deus me libertou dessa prática. Fiquei vários anos sem me masturbar, mas ainda havia muitos sinais de impureza sexual em minha vida. Para mim, no entanto, tudo isso já era um grande avanço, uma vez que estava livre da masturbação. O que eu não compreendia era que a pureza sexual envolve outras renúncias e que “pequenos” sinais de impureza podem levar ao vício sexual. Somente fui ter um envolvimento com pornografia bem mais tarde, por volta dos 25 ou 26 anos, quando vi um link na internet e surgiu uma curiosidade que me levou a acessar um site pornográfico. Na verdade eu sabia que aquele link levaria a uma página de conteúdo adulto, mas eu fiquei curioso para ver quem seria aquela mulher. Para minha surpresa, pela primeira vez a pornografia iria me prender. Fiquei extremamente excitado ao ver aquela mulher e ao mesmo tempo confuso e feliz por saber que sentia prazer diante da nudez feminina. Em meio àquela confusão/excitação, procurei outros sites com outras mulheres. Inicialmente, eu via apenas fotos. Com o tempo comecei a ver vídeos de sexo e de repente me vi viciado em masturbação – que era algo que já havia vencido – e pornografia. Foram muitas lutas, muito choro para me libertar de tudo isso. Nessa época eu era muito amigo de um pastor com quem pude me abrir sobre esse problema (pornografia e masturbação apenas; não falei sobre a atração por homens). Aprendi muito nesse período e pude ver e entender o que meus colegas passavam. Vi que não era tão simples assim. Que somente saber os versículos certos e saber que era pecado não me afastava de tais atos. Depois desse envolvimento, de tempos em tempos eu me via preso novamente a esse pecado. Certo dia, resolvi ver fotos de homens. Comecei vendo apenas fotos sensuais e até que me vi assistindo a vídeos de sexo gay. Estava espiritualmente frio e não conseguia abandonar aquele pecado. 12
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    Foi necessário muitoquebrantamento para que eu abandonasse esse vício. Depois disso, esse passou a ser um pecado que sempre me assediava e por vezes eu me rendia a curtos momentos de prazer para, então, me arrepender e me quebrantar novamente. A jornada para a restauração sexual é árdua e quando caminhamos sozinhos, o fardo parece mais pesado. Durante muitos anos eu lutei sozinho, até que um dia, assistindo a um programa na TV, vi uma entrevista de um pessoal que desenvolvia um trabalho interessante em que abordavam todas as questões que envolvem a pureza sexual. Resolvi procurar nas redes sociais algum grupo ou comunidade que discutisse sobre restauração sexual e encontrei algumas pessoas que passavam pela mesma luta que eu. Conheci diversos irmãos que estão em processo de transformação e que me ajudaram a entender muitos aspectos envolvidos nessa caminhada. Pude me abrir com várias pessoas e, principalmente, trazer à luz algo que estava escondido dentro de mim. Nesses relacionamentos, temos encontrado cura e identificado questões emocionais a serem trabalhadas. Hoje, ao olhar para trás, vejo o quanto Deus me guardou em toda a minha vida de uma maneira especial. Até chegar à vida adulta, eu praticamente não tive nenhum contato com homossexuais (não que eu soubesse). Costumo dizer que Deus me deixou “ilhado”, totalmente afastado desse meio. Aprendi que estamos em uma jornada e que, em Cristo, há restauração para a sexualidade. Aprendi que Cristo e o Espírito Santo estão trabalhando em minha vida e que o objetivo final é que eu me torne mais parecido com Jesus. Nesse processo em que Deus me molda à imagem de seu filho, a sexualidade representa apenas um aspecto que está sendo transformado. Há outras áreas em que Deus está trabalhando e não posso me esquecer disso. Aprendi que relacionamento com Deus é a chave para a restauração da identidade e que, em segundo lugar, vêm os demais relacionamentos. As curas emocionais não se dão na reclusão e sim nas relações saudáveis com homens e com mulheres. 13
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    Aprendi quem emCristo está o verdadeiro modelo de masculinidade que deve ser perseguido por todos os homens que estão no caminho da santidade. Com todas as pessoas com quem conversei, todos os relatos que ouvi e a cada dia que passa, tenho plena convicção do que eu quero e do que eu não quero para mim. Tenho uma convicção que é maior do que qualquer tentação ou desejo que eu possa sentir. Aprendi que o padrão de pureza sexual de Deus é muito elevado, mas que isso não é motivo para não buscá-lo. Pelo contrário, deve-se confiar apenas na graça e na misericórdia de Cristo. Mesmo com toda minha impureza, sei que a obra redentora de Cristo é suficiente. Aprendi que não é por que eu nunca me envolvi sexualmente que eu sou puro ou especial, mas que é por causa do sacrifício completo de Cristo que eu sou aceito por Deus. Aprendi que ser homem é muito bom, mas melhor ainda é ser um homem segundo o coração de Deus. Aprendi que em Cristo somos livres para escolher o que fazemos com nossos desejos impróprios. Aprendi a me importar com o dia de HOJE. HOJE eu quero ser santo. HOJE eu quero ser puro. Aprendi que quando Cristo é a resposta para meus anseios, então tudo termina bem. Aprendi que não importam as dificuldades ou tempestades; CRISTO é quem “nos leva ao porto desejado” (Salmos 107: 30b) Com este breve relato, quero encorajar a todos que lutam contra sentimentos por pessoas do mesmo sexo. Se você nunca se envolveu, agradeça a Cristo por te guardar e saiba que você não precisa experimentar o estilo de vida gay para ter certeza de que não nasceu para isso. Saiba que Deus te ama, te entende e Ele sabe quem você é; portanto, não importa o que os outros dizem, nem o que os seus sentimentos querem dizer a você. Suas tentações não determinam quem você é. Somente Deus pode te dizer sobre sua verdadeira identidade. E essa identidade você somente conhecerá 14
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    quando você conhecera Deus. À medida que você conhecer a Deus e a sua Palavra, então você conhecerá a si mesmo. Você é amado por Deus. Ele caminha com você nessa jornada. Por isso: NUNCA PARE DE LUTAR! novacriatura2008@yahoo.com.br 15
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    Thiago Sábado à noite e eu aqui escrevendo a minha história. Se fosse num passado não muito distante seria uma oportunidade para me aventurar num bate-papo da internet ou então acessar pornografia. Estranho começar assim, não é? Mas quis fugir do comum ao detalhar a minha experiência pra você. Na verdade, espero que compartilhá-la possa ajudar em algo. Vamos lá: Chamo-me Thiago, atualmente com 23 anos (estou escrevendo em 11/12/2010), solteiro, virgem, cristão, um cara normal. Assim como muitos, enfrento problemas na área da sexualidade, entre os tais: vício sexual, impureza e desejos homossexuais. Espera... Mas eu disse que sou virgem, como posso ser um viciado sexual? Calma, irei explicar mais à frente. Nasci num lar composto por pai, mãe e cinco filhos, sendo eu o mais novo e o único homem. Minha mãe, quando nasci, já era cristã e o meu pai, apesar de conhecer o Evangelho, não tinha nenhum vínculo com a igreja. Por certo, sempre meu pai foi ausente na minha criação e entendo que, por não haver um referencial masculino para me espelhar, acabei desenvolvendo atração por pessoas do mesmo sexo. Minha mãe, pela ausência do meu pai, por um lado tentou suprir essa falta, pois eu não posso reclamar de amor, carinho e aceitação da parte dela e de minhas irmãs. Por ser o único homem e o filho mais novo, minha mãe sempre foi muito zelosa comigo, me protegendo e me prendendo também. Lembro que eu não ficava muito na rua e sempre, sempre, informava aonde ia, com quem e etc. Minha infância foi normal: comecei a estudar com cinco anos, pois já sabia ler e escrever (de acordo com a idade, né?). Na escola eu não me sentia diferente dos demais e à medida que ia me destacando, com o passar dos anos, alguns meninos acabavam por colocar apelidos pejorativos e de conotação sexual em mim, do tipo: “fresco, viadinho” e etc. Não brincava muito na rua e ficava boa parte do tempo com as minhas irmãs, cujos comportamentos eu observava, e desenhava principalmente vestidos de 16
  • 17.
    noiva e sereia.Mas logo depois, passei a ir para a rua, onde brincava com os demais meninos normalmente. Nunca fui exatamente igual a eles, sempre tinha algo diferente, mas eu buscava interagir e sempre fui bem aceito. Na escola comecei a observar as meninas; achava algumas bonitas, fazia aqueles corações com iniciais... Coisas comuns. Não me passava pela cabeça que eu gostava de homens. Na infância tive o meu primeiro contato com material pornográfico, pois quando ia com meus colegas a uma quadra de esportes na escola do bairro, os adultos mostravam para nós tal material. Outra vez fui surpreendido pela mãe de um amigo enquanto eu e ele víamos uma revista na casa de um outro, sendo que era um quadrinho erótico. Morri de vergonha, mas continuava pensando nisso. Na 4ª série, com 10 anos, eu gostava muito de uma menina, que não me deu bola. Mudei de escola e na 5ª série é quando começa a puberdade para a maioria, época de conhecer as meninas, de ficar, enfim... Acontece que as meninas não queriam me conhecer, tão pouco ficar comigo. Continuava sendo o mais inteligente da sala, mas inacessível pras meninas, exceto as feinhas que me queriam, mas eu, orgulhoso, não queria. No caminho da escola havia uma banca de revistas e eu ficava olhando as capas das revistas – todas pornográficas. Morria de vontade de comprar uma, mas temia, pois o que minha mãe pensaria caso encontrasse? Ao caminhar pelo bairro, às vezes eu encontrava materiais pornográficos e levava pra casa, onde, após ver, jogava fora, me sentindo culpado e o mais indigno entre os homens. Entre 11 e 12 anos, minha mãe me proibiu de pular o muro da escola para jogar bola e, com isso, fui ficando em casa. Não mantinha mais aquele contato com os outros rapazes, exceto na hora da aula. Na escola ainda continuava ainda sendo o nerd, o primeiro em notas, mas o último em relacionamentos. Tinha alguns colegas, mas não eram amigos e começava a sofrer com a solidão e por me sentir diferente, quiçá rejeitado. Em casa começava-se a perguntar se eu já tinha beijado na boca, falava-se sobre os outros meninos que já estavam ficando e eu sempre falava que já tinha. Para o pessoal da escola falava que já tinha beijado na igreja e na igreja e em casa, falava que tinha beijado na escola. Hormônios a mil, tive uma puberdade meio que precoce comparada com a dos vizinhos de mesma idade. Mas com quem falar sobre isso? O único adulto com quem eu tinha mais contato era meu pai! Os desejos sexuais começaram a aparecer, e o meu único acesso a pornografia se restringia àquela famosa sessão de filmes numa rede de TV aberta, mas eu 17
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    comecei a notarque as mulheres não me chamavam a atenção. Quando elas apareciam sozinhas, não era legal. Com o isolamento, me dedicava aos estudos e sempre me destaquei; com isso começava novamente a onda de falarem algo acerca de mim, que eu não pegava ninguém, que não gostava de mulher e assim por diante. Isso me entristecia, mas ficava quieto. Aprendi que era só fingir que não era comigo... Passavam-se os anos e o desejo por mulheres foi sumindo, inversamente proporcional ao desejo por homens. Não pensava em namorar e casar com um cara, mas ao ver as revistas, o sexo entre homens e mulheres me era muito interessante, vindo depois o sexo bissexual e, por último, o sexo gay. Não há como não mencionar o problema que enfrento com a pornografia, aliás, vício. Foi me acompanhando desde a puberdade e me aprisionando também. Pois bem, sem aceitação, sem amigos e sem relações saudáveis, meu escape era a pornografia. Primeiro as revistas, depois filmes e, por fim, a internet. Eu não tinha nem ficado com uma menina, muito menos com um homem, afinal, eu ainda era cristão. Por conta da pornografia eu cheguei a roubar uma revista numa banca no centro da minha cidade, roubei algumas dos meus colegas no meu primeiro emprego e aluguei filmes na conta da minha irmã. Mas, uma hora isso perdeu a graça, foi quando conheci os chats. Inicialmente entrava, fazia hora com os gays e ia tocando a minha vida. O lance era entrar, seduzir e depois dizer que eu não era o da foto, que não ia rolar porque eu não podia fazer isso, que não era gay e etc. Por esse motivo, eu só teclava com pessoas de fora do Espírito Santo. Mas, um belo dia adicionei um cara da minha cidade e ele sugeriu um encontro. Marcamos no shopping; fui lá, mas como eu não era o da foto, vi a cara do sujeito e liguei dizendo que não dava pra eu ir; ele sacou a mentira e disse que poderíamos nos ver outro dia. Expliquei a situação, pedi desculpas e marquei novamente. Fui ao encontro dele e levei um cd para “reparar” meu erro. Fui a uma loja pagar uma fatura, depois fomos a outra loja e me despedi, sem nenhum contato. Ele entrou no MSN e me disse que era grato pelo cd, pois o fez lembrar do tempo que era líder de jovens, mas que, não suportou as tentações e saiu da igreja. Disse mais, que eu era homossexual e que não tinha pra onde fugir, estava estampado na minha cara isso e que não conseguiria lutar, pois ele mesmo não conseguiu. Caso eu quisesse, ele poderia arrumar uma pessoa para me iniciar na vida gay e daí eu poderia seguir minha vida. 18
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    Fiquei muito malcom a descoberta sobre o cara e também pelo que me propôs. Senti o peso e as conseqüências dos meus atos. Mas apesar disso, eu continuei entrando nos chats, fazendo vítimas, me arrependendo e vendo pornografia. Era um círculo vicioso. Praticamente sendo um Dom Juan virtual, o tempo foi passado e graças a Deus conheci um amigo, também pela internet, com o qual desabafei e abri o jogo. Ele me ajudou a ver meu problema, me indicou ajuda e me direcionou para um relacionamento com Deus. A partir daí me batizei e me dediquei mais a Obra de Deus. Ótimo? Não! Eu acabei fugindo dos meus desejos executando tarefas na igreja. Eu fazia de tudo, de decoração a programação de cultos e até mesmo pregações. Mesmo assim, a visita a chats e sites pornô não cessavam, pelo contrário, o que me trazia culpa, vergonha e raramente arrependimento, apesar do remorso. Mais um tempo se passou e comecei a fazer aconselhamento cristão com uma conselheira. Contei-lhe toda a minha história, fizemos algumas tarefas que me ajudaram muito. Hoje reconheço a importância dela e da intervenção de Deus através dessa pessoa na minha vida. Passei a entender o que acontece, o que aconteceu e o que pode acontecer, que vai variar de acordo com meu posicionamento. Tive acesso a materiais muito bons que me fizeram saber que muitos passam pelo mesmo, sendo que alguns conseguiram renunciar à homossexualidade, tendo vivido-a por um tempo ou não. Descobri que Deus me ama independente do que eu faça, e que, à medida que sou obediente à Sua Palavra, me torno o mais parecido com Jesus e isso não tem preço. Aliás, vale a pena pagar o preço. Hoje, continuo não tendo beijado nenhuma garota e também nenhum garoto. Não tive oportunidades? Lógico que tive. Não tive vontade? Digo que muito mais de fazer sexo do que beijar, dormir junto e etc., mas eu sou responsável pelas minhas escolhas e elas me trazem conseqüências. A homossexualidade não gera vida. Só uma pessoa é o Caminho, Verdade e Vida. E a Bíblia é bem clara quando diz que é pra escolhermos a Vida (Deuteronômio 30:19) Sei que Deus tem o melhor pra mim e entendo que pornografia, relacionamento gay e impureza sexual, além do vício, não se comparam com o que Ele tem e quer pra mim. 19
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    As lutas sãoconstantes, diárias e há momentos que penso que não vou conseguir, mas lembro de uma das falas da minha conselheira: “Ventos fortes vêm, mas também vão. Não se esqueça.” Mas se eu confio no Homem a quem o vento e o mar obedeceram, quando o vento forte vier, o que eu preciso fazer? Se eu pude escrever este relato para que você o lesse, não é mérito meu, mas sim da Graça de Deus, através de Jesus. Se você teve a oportunidade de ler e escolher o que fará daqui por diante com sua vida e escolhas, é também pela Graça de Deus. Renda-se a ela! Deus te abençoe! ancorados@gmail.com 20
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    Eduardo Quando me convidaram para escrever um relato sobre o que tinha acontecido em minha vida para este projeto, não sabia por onde começar. Li alguns dos relatos dos garotos que enviaram o texto para a publicação e entrei em desespero. Minha história é diferente das deles. Algo mais simples e ao mesmo tempo mais complexo. Tentei escrever de uma forma que consiga ajudar aqueles que lerem, espero que consiga. Antes de começar, já peço desculpas pelas expressões que sei que terei de usar, porém retratam a realidade. Sempre fui tímido e extrovertido ao mesmo tempo. Tímido com mulheres, mas extrovertido com todos. Para conseguir um relacionamento é algo extremamente difícil, mas para conquistar um amigo (a), consigo com facilidade. E, acredito eu, foi este o meu problema. Minha timidez com o sexo foi crescendo. Com 18 anos não tinha nem sequer beijado ninguém. Não via revistas pornográficas, não assistia a filmes deste tipo e nem acessava a internet com esse intuito. Tentava investir em mulheres, mas elas não caíam em meus desajeitados galanteios. Na internet conseguia me soltar mais. Conhecia muitas pessoas e, dentre elas, algumas que conquistavam pela internet. Certo dia meu amigo falou que na sala de sexo de um portal de internet ele conseguia se “divertir” com mulheres. Resolvi arriscar e lá fui eu. Sempre recatado e tímido, não sabia por onde começar. Tentei algumas vezes, cheguei a adicionar as meninas, mas não conseguia dar andamento à conversa, pois ficava tímido de ficar mais a vontade na web para me masturbar enquanto eu as via. Resolvi conversar com os homens daquela mesma sala, para ver como eles tinham coragem disso. Precisava de um amigo para falar que isso era normal ou algo assim. Porém não podia contar a ninguém o que estava acontecendo e os homens da sala não me respondiam. E aí, de forma idiota, me surgiu uma idéia: entrar na sala gay, pois lá os caras me responderiam, porque eles têm interesse em conversar com homens. 21
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    Encontrei um carasimpático que me falou sobre as experiências dele. Falou-me que era para ficar tranqüilo que daria tudo certo. Ele pediu meu MSN para continuarmos a conversa e por lá ele passou a dar em cima de mim. Sob o pretexto de me ensinar a me soltar, ele ligou a webcam dele. E eu aceitei. Não sabia que ele ia chegar a fazer o ato. Porém ele se masturbou para mim, com a “desculpa” de me ensinar o que fazer. Eu, do outro lado, fiquei totalmente abismado com o que ele estava fazendo, sem acreditar que ele faria algo assim. Fiquei em choque. Desliguei o MSN e por um bom tempo não procurei mais, afinal fiquei com receio do que tinha acontecido, já que eu havia ficado excitado ao assisti-lo. A partir deste momento me surgiu uma dúvida: todos os homens faziam esse tipo de coisa? Comentei com um amigo e juntos ficamos abobados pensando no fato. Decidimos adicionar alguns amigos em comum em um MSN falso, com nome de mulher, para ver se conseguíamos fazer as pessoas ligaram a cam. Não queríamos ver nossos amigos se masturbando, mas sim ver até onde eles chegavam. Em casa, sozinho, coloquei o plano em prática e três amigos adicionados, os três caíram na brincadeira. No mesmo dia, passei a ficar com receio do que tinha ocorrido, sentindo-me mal. Neste tempo o mesmo rapaz do chat apareceu no MSN e perguntou como eu estava. Contei o que havia ocorrido, com o envolvimento virtual de meus amigos, e ele disse que isso era mais normal que eu imaginava. Sobre eu ter ficado excitado, ele me afirmou que isso era normal e não queria dizer que eu era gay por sentir algo por outro homem, apenas estava curtindo o momento. Naquele dia, liguei a cam com ele. No momento me senti desconfortável, depois gostei e por fim me entreguei. Assim que terminei, me senti o pior ser da face da terra. Desliguei o MSN e demorei semanas para voltar a acessar. Daí em diante sempre acessava o bate papo e conversava com o pessoal na sala gay. Quando dava por mim, já estava na cam com alguém e me sentindo mal ao terminar. Com o tempo eu percebi que o que me fazia mal era me envolver demais com rapazes. Então passei a simular algumas coisas, me exibindo 22
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    na webcam edesligando em seguida. Eu via, gostava, ficava animado e não me sentia mal. Depois da exibição, ia para o banheiro e terminava sozinho o “serviço”. Por muitas vezes me olhava no espelho, me perguntava quem era eu e sentia nojo de mim mesmo. Tentei me convencer de que era algo normal, que todo mundo fazia e não tinha nada de errado eu querer me sentir amado pelas pessoas. Eu não tinha namorada, não conseguia nem sequer beijar uma menina e sentia os hormônios à flor da pele. Com a ajuda do “amigo do chat” passei a acreditar cada vez mais que isso era algo normal e que não tinha nada errado comigo, já que eu não era gay. Afinal de constas, pensava em beijar um cara e sentia nojo. Convidaram-me por diversas vezes para encontros reais, mas nunca aceitei. Além do meu MSN como homem, ainda tinha o MSN falso como mulher. Então eu conseguia ver tanto os gays quanto os heterossexuais na webcam. O desafio era o mais empolgante. Conseguir convencer um homem a ligar a câmera e se mostrar, mesmo sem ver o outro lado, era demais. Mas mesmo assim me sentia estranho e ruim. Sabia que aquele não era eu e que não queria isso para o meu futuro. Prometi à Deus que pararia com isso e pedi Sua ajuda. Consegui me desfazer do MSN de mulher e prometi que jamais voltaria a fazer. E Graças a Ele nunca mais voltei. Quanto ao meu outro MSN, até pouco tempo ainda persistia. Ao buscar ajuda – na verdade a ajuda veio até mim como um anjo enviado por Deus no bate papo – recebi diversos materiais sobre religião falando sobre estes assuntos. Interessei-me e me aprofundei na maioria deles. Não concordei com aqueles que falaram que isso iria me jogar aos fogos do inferno e me fazer pagar pelo resto da vida, ou que era a manifestação do demônio em meu corpo, porque pedia ajuda a Deus e Ele sabia que eu estava tentando. Não tinha medo dEle me julgar, pois sabia que Ele me entenderia. Com força e muita dificuldade, confesso, consegui aos poucos ir saindo desse meio. Minha vida melhorou muito quando parei de entrar para esses devidos fins no MSN. Se não fosse a força dos céus que me ajudaram e a paciência também – já que eu mesmo impunha dias para eu parar, me prometia que não iria mais ligar e me traía, fazendo exatamente aquilo que eu disse que jamais faria – eu não conseguiria. 23
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    Certa noite, apósmais uma quebra de promessa a mim mesmo sobre parar, fiquei pensando e refletindo e pedi que me ajudasse a parar no dia seguinte, pois estava me tornando algo que eu não queria. Apenas entrava na internet para isso, pensava o dia inteiro nisso e esperava a hora para conseguir fazer. No dia seguinte, ao pedir ajuda, eu entrei no MSN, recebi diversos convites para ligar a cam, mas, inexplicavelmente, não os aceitei e não me senti tentado a fazê-lo. Após tudo isso minha vida melhorou. Sinto- me livre como jamais fui desde que comecei com essa história, através de uma brincadeira inocente que tomou conta de minha vida. Graças a Deus. Espero que você que esteja lendo tenha força de vontade e conte com a ajuda dEle, pois sei que irá conseguir. Por pior que pareça a sua situação agora, não desanime e sempre confie, pois um dia tudo isso irá terminar; seu sofrimento irá passar e você poderá se livrar de tudo que o aflige. 24
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    Vanessa Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele, e o mais Ele fará. Salmos 37:5 Entre novembro e dezembro de 2007 aproximadamente, eu estava em casa, era madrugada e eu estava sem sono, estava desempregada. Minha mãe e meu padrasto, a quem considero como pai, estavam para se separar e o ambiente dentro de casa estava péssimo. Desde os meus 17 anos eu morava sozinha, mas justamente naquela época (já com 22 anos) eu estava na casa dos meus pais, acompanhando diariamente um cenário infernal de brigas e ofensas que os dois estavam travando. Com meus 19 anos, no trabalho eu fiz amizade com um rapaz gay; justamente nesse período eu comecei a identificar algo que eu de certa forma já tinha percebido antes em mim, mas negava: os impulsos homossexuais. Dessa vez, por mais que eu não quisesse enxergar, a cada dia que passava ficava mais claro que eu estava apaixonada por uma garota. Eu não queria assumir esse sentimento, não porque eu me preocupasse com a pecaminosidade disso, até porque eu não sabia que a prática da homossexualidade é pecaminosa. Não conhecia a palavra do Senhor, não freqüentava igreja; a única coisa que eu fazia era orar a Deus todas as noites, desde criança, e na época em que esses conflitos afloraram, eu orei muito ao Senhor para que ele tirasse de mim tais sentimentos. Na minha força, comecei a sair com as minhas amigas e sempre que aparecia uma oportunidade de ficar com um garoto eu ficava e depois voltava para casa me sentindo prostituída. Tentei me envolver mais intimamente com homens nessa época, o que piorou minha situação; a tentativa de relações sexuais com homem para afirmar a minha feminilidade foi um fracasso. Eu estava cansada, triste, perdida e muito deprimida, comecei a me afastar das pessoas, a me isolar, até que um dia resolvi desabafar com o meu colega de trabalho, gay, o que eu estava passando. Ele me acolheu, falou dos conflitos que ele enfrentou e disse que 25
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    eu precisava experimentarficar com uma mulher para saber o que eu sentia. Ele começou a insistir para que fôssemos a uma balada GLS. Então eu fui; a princípio odiei o lugar e não me senti à vontade, mas a disposição do meu amigo em me “ajudar” era tremenda e ele não desistiu; levou-me a outro lugar e eu gostei da música, o ambiente era mais leve, havia vários casais heterossexuais e naquela noite eu conheci um homem e não deu outra: para afirmar para o meu amigo que ele estava enganado, eu investi em mais um engano e fiquei com um homem. O meu amigo me sondou e com o tempo viu que foi uma atitude de desespero; novamente me convidou para ir a essa balada e eu neguei o convite porque decidi ficar sozinha com o meu conflito. Pouco tempo depois, Carlos, um amigo gay da pessoa por quem eu me apaixonara, veio morar na mesma cidade; até ele se instalar, foi preciso que ficasse uns dias morando na mesma casa em que eu e a minha amiga morávamos (ela dividia apartamento comigo). Com o tempo e a presença do Carlos, a minha resistência aos convites para as baladas GLS diminuíram e aos poucos eu passei a frequentar esses ambientes e a me acostumar com eles. No inicio eu só saia, dançava, conversava, ria e voltava para casa. Pablo e Carlos começaram a me cobrar, querendo saber quando eu iria ficar com uma mulher. Eu os enrolava, arrumava desculpas e saía sem dar resposta; na verdade eu já não estava tão resistente a beijar uma mulher, pois frequentando esses lugares, quando menos se espera passa-se a ver isso como algo normal, e o desejo reprimido vai tomando uma proporção cada vez maior na medida em que se vê diante dos olhos aquilo que se tem vontade de fazer. Certa noite eu cedi à pressão dos meus amigos e fiquei com uma garota; depois de ter ficado, acreditei ser esse o caminho que eu passaria a trilhar. Pouco tempo depois namorei e me apaixonei profundamente por uma garota. Todas as noites eu agradecia a Deus, porque acreditava que tudo que eu estava vivendo na época era fruto das minhas orações, das petições que eu fazia, já que eu tinha esquecido a minha amiga e agora estava vivendo um sentimento em que havia “reciprocidade”. Três meses depois, quando esse namoro terminou por eu ter sido traída, pensei em voltar atrás e me envolver com homens, mas meus amigos me convenceram a não fazer isso. Então arrumei outra namorada. No final do ano de 2007 eu enfrentava o desemprego e a baixa auto- estima por não conseguir encontrar algo que atendesse às minhas expectativas. Certo dia, desempregada, triste, com a família desestruturada, comecei a refletir e então me perguntei: “onde foi que essa bagunça começou? Quando essa falta de paz tomou conta mim?” E então lembrei 26
  • 27.
    que quando criançaeu orava ao Senhor, imaginava que Ele me levava para escola (porque eu tinha que ir sozinha) e Ele ia comigo; eu fazia todo percurso falando com Ele. Recapitulei cada momento e cada sensação que essa intimidade com Deus trazia e o que isso gerava em mim; lembrei-me das orações intensas que fiz para esquecer o sentimento que eu tinha pela minha amiga e notei que depois disso a intimidade foi se perdendo, acabou se tornando algo mecânico, e em alguns momentos nem se quer era realizado. Ao fazer essa análise, eu senti que precisava voltar para perto de Deus. Creio que era o Espírito Santo; eu estava na sala, saí de lá, fui para o meu quarto e quando me ajoelhei para orar senti muito medo, senti uma opressão espiritual terrível e comecei a orar de olhos abertos. Aos poucos, na medida em que eu abria o meu coração para Deus, os meus olhos se fechavam, eu chorava e sentia um alívio enorme. Pedi perdão por ter me afastado e disse que dali em diante eu voltaria a orar todos os dias e que se fosse preciso eu freqüentaria uma igreja. Disse para Deus que eu não sabia o que fazer quanto a isso, porque existem tantas religiões; então pedi que Ele me levasse àquela que me levasse a Ele; que Ele não desistisse de mim e, se por acaso alguns dias depois vacilasse, que se Ele insistisse em mim e na minha família e eu entregaria a minha vida para Ele. Naquele momento eu estava entregando a minha a Ele e pedi que Ele me orientasse e assim Ele fez. Poucos dias depois visitei uma amiga e ela me disse que tinha se convertido. Ela tinha um brilho no olhar, estava muito feliz, falou comigo sobre Jesus e me convidou para ir à igreja e lá ela me apresentou a uma garota que sabia de uma oportunidade de emprego temporário. Graças a Deus consegui essa vaga; os meus pais se separaram e a minha mãe não tinha renda o suficiente para sustentar a si mesma e a minha irmã. A nossa casa foi vendida e como estava em construção, o dinheiro foi dividido entre a minha mãe e o meu padrasto; a quantia não foi suficiente para cada um adquirir a sua casa. Então eu a minha mãe e a minha irmã fomos morar em dois cômodos. Depois disso, veio um tempo de muitas providências e milagres do Senhor. Experiências maravilhosas com Deus começaram a fazer parte da minha vida e a gerar em mim um amor maior pelo Senhor. Comecei a me desenvolver no trabalho, recebi aumento de salário e fui promovida; minha mãe e meu padrasto não voltaram, mas os dois passaram a buscar a Deus. Deus tocou no meu coração para buscar encontrar o meu pai biológico e eu 27
  • 28.
    sentia que oSenhor me pedia para procurá-lo para liberar o perdão para ele, mas eu não tinha a menor idéia de onde procurá-lo, pois não tinha contato com nenhum parente dele. Um dia o irmão de minha mãe disse que havia encontrado uma pessoa da família do meu pai. Entrei em contato com ela e pedi o telefone dele. Tanto ele quanto os outros familiares ficaram surpresos e muito felizes por termos conversado e por estarmos nos encontrando. Naquele ano passamos juntos o Natal e assim as coisas estavam acontecendo, não pelo meu esforço, mas pela mão poderosa do Senhor, não pelo meu merecimento, mas por sua abundância em misericórdia. Os problemas financeiros cessaram, minha família estava buscando a Deus e cada dia que passava eu me sentia mais feliz com o meu namoro, até escutar que isso é pecado. Eu não podia acreditar; no meu entendimento, pecado seria imoralidade sexual e eu não via o que eu fazia como imoral. Nessa época, eu já tinha até cortado as relações sexuais com a garota que eu namorava. Então pedi que Deus me revelasse, que Ele me convencesse, e eu largaria a homossexualidade. Lembro-me de que comecei a ler o livro de Romanos e, ao chegar ao versículo 24 do primeiro capítulo, que diz: “Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si”, me lembrei da palavra que diz em Jeremias 17:9 – “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso, quem o conhecerá?”. No versículo 25 de Romanos 1 diz: “Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira”, então ficou claro: a homossexualidade é um engano do meu coração, existem desejos imundos no meu coração criados através das circunstancias e da leitura que eu faço de tais circunstâncias. Certas experiências de vida e as interpretações que fazemos delas dão origem aos traumas e a uma diversidade de problemas na nossa área emocional. Como diz a palavra, o coração é enganoso, portanto os nossos traumas, as nossas necessidades, serão preenchidas através da mentira, do engano, quando na verdade só Deus pode nos curar e nos suprir dentro desses traumas. Pude ver, também, que eu não amava, que o sentimento que eu tinha se chamava paixão e não amor; por mais intenso que fosse, não era amor e sim uma paixão, então procurei o significado de paixão: Significado 1: Sentimento excessivo; afeto violento; entusiasmo; cólera; grande mágoa; vício dominador; alucinação. Significado 2: Movimento violento, impetuoso, do ser para o que ele deseja. Atração muito viva que se sente por alguma coisa. Objeto dessa 28
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    afeição. Predisposição paraou contra. Arrebatamento, cólera. Afeição muito forte, aflição da alma. Esses conceitos são encontrados em qualquer dicionário secular e estão de acordo com a palavra do Senhor. Analisando, lendo e entendendo cada palavra citada nesses significados eu vi que era exatamente isso que eu sentia; fui em 1 Coríntios 13 e li que o amor é o dom supremo. Analisei cada palavra que Paulo cita em relação ao amor e vi que eu precisava aprender a amar Como eu tinha me comprometido com Deus a abandonar a homossexualidade quando descobrisse a verdade, assim eu fiz, ou melhor, tentei fazer: no dia seguinte fui visitar a garota que eu namorava. Aos olhos carnais o nosso relacionamento estava indo muito bem, os meus sentimentos por ela estavam mais intensos do que antes, estávamos há quase três anos juntas, fazíamos planos, tínhamos sonhos e naquele dia eu vi que precisava abrir mão de tudo isso, eu não sabia o que dizer pra ela, não queria que ela ficasse com raiva da igreja, da Palavra ou de Deus. Deus estava me dando a oportunidade de amar realmente aquela vida e por amor à minha vida e à vida dela, precisávamos nos separar para vivermos dentro dos propósitos que Deus estabeleceu. Então conversei com ela e disse que não me sentia mais à vontade me relacionando com ela daquela forma. Após questionar se tudo era por causa da igreja, ela propôs que apenas continuássemos juntas, sem sexo, sem namoro, ao que eu respondi que, se não agüentássemos, eu iria terminar. Assim ficamos juntas sem ter nada e ela me ajudava, não me tentava e dizia que não queria que acontecesse algo porque sabia que do contrário iríamos terminar, e assim eu fui “levando”. Dentro de poucos meses eu me batizei e estava em paz com Deus, afinal, no meu entendimento eu não estava praticando a homossexualidade. Pouco tempo depois essa situação começou a gerar em mim alguns sentimentos; vi que eu estava vivendo uma dependência emocional e que esse estilo de vida não era sadio. Deus começou a falar comigo e me disse que aquilo era pouco, que Ele tinha mais para a minha vida, só que eu precisava dar liberdade para o Espírito Santo trabalhar em mim. Mais uma vez através do primeiro capítulo de Romanos, entendi que a minha mente estava cativa a uma disposição mental reprovável por Deus, 29
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    mas Deus queriame dar uma mente nova, um novo coração, para que eu pudesse experimentar dos seus bons e vivos pensamentos e sentimentos e, quem sabe um dia, provar da alegria de ser mãe, de gerar uma vida, construir uma família, amar e ser amada com liberdade em Deus. Então decidi dar espaço para Deus trabalhar e resolvi terminar com a garota que eu namorava. Foi um período difícil, pois ela não entendia o que teríamos que terminar, uma vez que já não tínhamos envolvimento físico. Esse tempo foi terrível porque eu tinha fortes sentimentos por ela. Fiquei mal, tinha dores de cabeça muito fortes, enjôo, chorava o dia todo, escondida pelos cantos para ninguém ver, enquanto trabalhava; algumas vezes passei tanto mal que fui para o hospital. Nunca me vi tão vulnerável, nas minhas orações eu agradecia a Deus por todas as vitórias, por todas as conquistas, mas dizia: “Pai, olha pra mim, olho pro meu estado, do jeito que eu estou, eu não vou ter condições de sustentar as tuas bênçãos na minha vida, eu estou sem ânimo, sem disposição para trabalhar”. Eu tinha pesadelos terríveis à noite, não estava conseguindo me alimentar, estava fraca, deprimida e, aos poucos, comecei a ficar chateada com Deus. Eu não entendia, eu já tinha terminado o namoro, feito cura e libertação, orava, jejuava e os sentimentos homossexuais estavam cada vez mais vivos dentro de mim e apesar de todo esforço que eu fazia, eu me sentia mais distante de Deus. Cria que Deus podia reverter aquela situação, mas não entendia porque Ele não agia. Eu já tinha feito tudo para poder experimentar a cura e a libertação e não via nada novo na área emocional; pelo contrário, eu me sentia cada vez pior. Comecei a perder o prazer de estar na igreja, mas mesmo assim continuei indo, não perdia um culto e não conseguia me imaginar voltando aos velhos hábitos. Eu já conhecia a Deus e não poderia retroceder e fingir que nada tinha acontecido na minha vida. Depois de muito questionar a Deus sobre os motivos pelos quais Ele permitiu que eu passasse por tudo isso, pude começar a entender o que a Palavra nos diz em Isaías 55: 8 e 9: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.” Os meus pensamentos e o meu entendimento em relação à manifestação das obras de Deus em minha vida eram extremamente limitados. Hoje, depois de provar da manifestação das obras maravilhosas 30
  • 31.
    de Deus ede diversas experiências íntimas com o Senhor, eu sinceramente agradeço a Ele pela minha tendência homossexual. Por muito tempo me prostrei diante dessa tendência, mas através dela aprendi a me prostrar aos pés do Senhor e vivo na prática o que o apóstolo Paulo diz: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.”. Depois de muito ter aprendido com o Senhor e sua Palavra, veio a primeira queda. Um dia em que eu ia viajar, comecei a sentir mal e não consegui falar com minha mãe. Então entrei em contato com minha ex- namorada, que me comprou remédios e me levou para sua casa. Naquela noite, recebendo toda aquela atenção e carinho, não resisti e me envolvi com ela. Logo que me recuperei, fui viajar e estava sob acusação, me perguntando como eu tivera coragem para fazer tais coisas, uma vez que eu conhecia a Palavra de Deus. Quando cheguei à minha cidade natal, fui ver meus parentes e quis logo ir dormir. Disse que estava cansada da viagem e naquela noite tive um sonho. Sonhei que eu via Jesus de costas orando e eu estava do lado dele orando também; de repente, ele parou de orar, me abraçou e falou no meu ouvido: “você está perdoada!”. Eu acordei no meio da noite com a sensação de ter recebido um abraço, aquela sensação e o sonho me levaram às nuvens, maravilhada. Quando voltei de viagem, minha ex-namorada passou a me cobrar uma posição quanto a voltarmos a namorar. Eu tentei resistir, mas infelizmente acabei cedendo e combinamos que voltaríamos a namorar como antes, sem contato físico. A sensação que eu tinha é que esse dilema não teria fim. Aquele relacionamento não me fazia bem e também não fazia bem para ela, mas eu não conseguia terminar. Então eu passei a trabalhar a minha fé em Deus e a visar à mudança daquela situação; passei a orar mais e a não lutar na minha força, não criar situações no meio físico para a nossa separação através de desentendimentos, mas sim, a criar situações no mundo espiritual. Certo dia eu disse ao Senhor: “Pai, eu reconheço que estou cativa nessa situação, mas assim como o Senhor tirou o teu povo que estava debaixo do jugo de escravidão do Egito, o Senhor há de me libertar, porque aquele povo não tinha condições de sair daquela terra sozinho, assim como eu não tenho condições de sair dessa situação sozinha. O máximo que consigo fazer eu já o fiz, que é evitar contato físico, mas evitar os meus sentimentos é impossível pra mim, no entanto é possível com a sua ajuda.”. 31
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    E comecei aclamar a Deus para que ele fizesse um milagre para nos afastarmos, comecei a crer que aconteceria algo, mais cedo ou mais tarde, e que seria pela mão de Deus. E assim aconteceu. Pouco tempo depois ela precisou voltar a morar na cidade natal dela e assim nos afastamos. Ela tentou me convencer a namorar a distância, mas eu vi que tudo que estava acontecendo era o milagre por que eu tanto clamava para nos afastar. A distância auxiliou muito no processo e aos poucos eu consegui esquecê-la e a sentir a sensação de liberdade que eu tanto esperava. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:36) Depois do término desse namoro, mesmo firme com Deus, passei por várias situações que instigaram em mim os desejos homossexuais. Senti-me atraída por umas garotas, me apaixonei por outras, mas a cada luta superada eu me sentia mais forte e mais próxima de Deus, porque a Palavra diz: “Por isso, não desanimamos; pelo contrario, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve a momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas coisas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” (2 Coríntios 4: 16 ao 18) Então eu vi que, buscando a Deus, esses sentimentos não permaneciam e na minha busca para me libertar de tais desejos eu adquiria mais conhecimento do propósito de Deus para a minha vida e passava a ter experiências tão maravilhosas e enriquecedoras com Deus que, de fato, eram acima de toda comparação ao sofrimento momentâneo por que eu estava passava. Hoje eu sei o que são as obras de Deus sendo manifestas em minha vida e vejo o quanto valeu e vale a pena cada esforço para resistir ao pecado. Hoje eu conheço mais da minha natureza, mais de Deus e conheço os desejos imundos que em alguns momentos levo no coração, mas esses desejos não me afastam de Deus, pelo contrário me aproximam ainda mais Dele, porque fica evidente o quanto eu sou necessitada do Senhor para ser transformada diariamente. Hoje me sinto atraída por homens, sentimento que antes eu não tinha, tenho o desejo de um dia me casar, ter filhos, 32
  • 33.
    construir uma famíliae me sinto liberta da homossexualidade, porque hoje eu entendo o que é liberdade. Cristo nos chama para sermos livres e, se somos livres, temos liberdade para escolhermos em qual caminho queremos andar. Ser livre é maravilhoso e eu agradeço a Deus por essa oportunidade de provar dessa liberdade e da abundância de vida que Ele nos concede, de provar de sentimentos de valor, de emoções e relacionamentos edificantes e de descansar nas delícias das suas promessas porque a minha vida está entregue a Deus e Ele de fato é o mais habilitado para dirigi-la. Sou muito feliz e não me sinto enrustida, as coisas velhas se passaram e o meu desejo é a cada dia que passa provar mais da novidade de vida que o Senhor tem para mim. Eu nunca imaginei que eu fosse ser tão feliz em toda a minha vida, ainda mais abdicando de algo que eu tinha como essencial para a minha felicidade. Realmente somos limitados e não temos noção do tamanho e da beleza do amor de Deus por nós e da obra maravilhosa que Ele tem para as nossas vidas. Hoje faço das palavras de Jó as minhas: Então respondeu Jó ao Senhor: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei e tu me ensinarás. Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza”. Jó 42: 01-06 Que Deus abençoe a todos e os fortaleça para continuarem lutando a fim de conhecerem a Deus não apenas de ouvir, mas de contemplar com os seus olhos e com o seu coração a beleza da santidade do Senhor se manifestando em suas próprias vidas, em nome de Jesus! vanessaludtke@hotmail.com 33
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    Félix Já quando era criança, eu sabia que tinha "algo estranho" ao ficar vendo revistas pornôs com coleguinhas de classe. Eu sabia que esse “algo estranho” era que eu gostava de garotos e não de garotas. Quando era adolescente me converti, por influência da minha família, mas nunca tive a homossexualidade como um problema, encarava isso de uma maneira bem tranqüila.Tive uma vida de adolescente comum, tinha minhas escapulidas sexuais mesmo sendo menor de idade e isto sem contar a pornografia. A questão sexual nunca tinha me incomodado até então. Mas depois de um tempo na igreja onde desempenhava várias funções, um dia o pastor me chamou e disse que estava sendo incomodado por Deus para me dizer algo, por mais que isso não tivesse muito sentido. Ele me contou a história dele e seu envolvimento quando criança com homossexualidade (apesar dele nunca ter praticado por ter nascido em lar cristão) e como superou isso. De imediato, acabei ignorando. Não ia me abrir com meu pastor porque tinha medo de perder minhas funções e coisas assim, mas após um período de conversa e confiança, resolvi me abrir. Ele é um cara adorável e sei que fez o melhor que pode por mim, mas ele não tinha muita informação na época e me prometeu uma transformação em que eu acreditei e aceitei. Depois de um tempo ele já não sabia o que fazer comigo, já que as coisas não estavam funcionando como o esperado. Então me encaminhou para grupos de auxílio cristão gays, onde me ensinaram a ter paciência e esperar que os sentimentos passassem. Gosto muito do pastor em questão, agradeço suas orações e a semente que ele plantou no meu coração, assim como o carinho e ensinamento que recebi onde fui procurar ajuda; porém, isso não estava resolvendo muita coisa na época. Nesse tempo, tínhamos conversas e fazíamos orações diárias, assim como confissão pecados e outras práticas e nessa mesma época tive acesso a um livro de Helminiak, que acabei levando e entregando ao meu pastor. 34
  • 35.
    Foi a primeiravez que tinha ouvido falar em “teologia inclusiva” e igrejas cristãs dirigidas e direcionadas ao público gay. É claro que isso me deixou muito confuso e, ao procurar o meu pastor, descobri que ele não tinha uma resposta para todas essas ideologias. Resolvi aderir à teologia inclusiva e caminhar em paz com Deus e com minha sexualidade; acabei arrumando um namorado na época e seguíamos bem. Estudando um pouco mais a teologia inclusiva de uma maneira imparcial, comecei a ver algumas “coisas estranhas”, parecia que nem tudo fazia sentido, nem tudo era apenas um lindo arco-íris. Achava tudo muito fantástico e queria muito que fosse real, seria perfeito pra mim. Mas vi que havia mais algumas coisas a serem consideradas além de Helminiak e seus belos estudos. Comecei a conhecer outros escritores e textos e, com ajuda de tradutores online, dava pra ler algumas coisas, já que no Brasil nem havia tanta coisa na época. Enfim, vi algumas divergências em sua teologia e não consegui aceitar como algo firme. Vale a pena ressaltar que isso era uma visão minha já que tinha largado a igreja na época que comecei a namorar. Não engoli a teologia inclusiva e acabei me afastando da igreja. Eu tinha quase 18 anos, a idade já é confusa por natureza e, com tudo isso na cabeça, acabei me afundando aos poucos. Não me sentia amado e nem aceito por Deus; então, continuei tentando mudar de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Não obtendo resultado, cheguei até a tentativas de suicídio, já que eu realmente me odiava com todas as forças. Será que Deus queria isso? Claro que não. É por isso defendo tanto o amor de Deus; sei o quão ruim é não se sentir amado por Deus por uma questão sexual. Caí em depressão, larguei trabalho e escola. Fiquei um tempo preso em meu quarto, já não tinha mais amigos e nem familiares; contei pra minha família, e meu irmão, que era pastor, na época, começou uma campanha de exorcismo e outras práticas que também não fizeram muito efeito. Na época eu pensava: “já que Deus virou as costas pra mim porque eu sou gay, irei virar as costas pra Ele também e seguir minha vida.”. A maneira que achei para resolver o sentimento de culpa foi “matar Deus” dentro de mim; não tinha uma vida legal e nem grandes experiências 35
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    com Deus, vistoque nem seu amor incondicional eu aceitava. Acabei me envolvendo com ocultismo, a começar por Wicca, Satanismo e terminando em Satanismo Moderno, do qual participei por um curto período. Graças a Deus tudo isso não durou muito tempo. Foi um momento mesmo apenas para me afastar de vez de Deus. Para quem conhece o Satanismo, sabe que o Satanismo Moderno é muito próximo do ateísmo. Assim sendo, para manter as aparências, me identificava como ateu, filosofia que acabei aceitando um tempo depois. Realmente não acreditava em Deus, “matei Deus” em mim e assim resolvi minha vida sexual e meu sentimento de culpa. Nos anos seguintes experimentei a homossexualidade de uma maneira maior, mantive bons relacionamentos estáveis, o que me levou a sair de casa para construir algo ao lado do meu namorado na época. Em geral, as pessoas associam homossexualidade à promiscuidade, drogas, doenças e orgias e esse lado realmente existe (assim como na heterossexualidade), mas não foi a vida pela qual optei. Eu vivi o que chamam hoje de “homoafetividade”, tive bons namorados e estava bem e feliz com esses relacionamentos. Se eu falar que amei todos os meus parceiros, estarei mentindo, mas tive sim ótimos relacionamentos baseados em amor e alguns desses namoros se tornaram grandes amizades. Nesse tempo minha vida melhorou muito. Estava com uma vida financeira estável, em paz comigo mesmo, com família e amigos, não tinha nenhum motivo para querer ou pensar em uma mudança; parecia mesmo que toda aquela fase confusa tinha ficado para trás. Certo dia, comecei a ser incomodado por algo que só mais tarde fui descobrir que era Deus. Eu ouvia algo me dizendo que “estava na hora" e tinha um sentimento muito forte como se eu realmente estivesse “perdendo algo”, não sei explicar muito bem. Era como se lembrar de que tem algo para fazer, mas não se lembrar exatamente do quê. Algo estava realmente me incomodando, mas não de uma forma ruim, porém insistente. Cheguei inclusive a ouvir este “Está na hora” de uma maneira muito clara. Para muitos, ouvir vozes é loucura, mas pra mim foi o começo de uma nova história. 36
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    Apesar de nãocrer em Deus na época, tinha um lado místico que simpatizava com algumas ideologias, apesar de não acreditar e nem praticar nada. Esse “Algo” começou a ficar cada dia mais forte, então eu achei que só poderia ser algo espiritual, um convite, alguma coisa assim. Resolvi conferir se era mesmo algo espiritual. Não fiz nenhuma oração ou algo do gênero, apenas soltei ao vento algo parecido com isso: “Não sei o que está acontecendo, mas se for um convite espiritual, então pare, e eu irei responder esse convite.”. Deu certo. Comecei a não mais ser “incomodado” e tinha uma promessa a cumprir, procurar algum plano espiritual. Não sabia o que fazer, por mais que fosse adepto de diversas filosofias sem acreditar verdadeiramente em nenhuma; então resolvi ir numa igreja cristã, pelo menos era o que mais fazia sentido. Ao chegar à igreja, não pretendia fazer orações e muito menos prestar atenção; estava indo apenas pra me livrar disso, porém, foi incrível o derramar do amor de Deus sobre a minha vida. Naquele dia que ainda está na memória, recebi o amor de Deus de uma maneira muito forte e incondicional. Resolvi que iria novamente caminhar com Deus, pois ele me amava independente de qualquer coisa. A principio, arrumei encrenca com meu namorado, morávamos juntos há alguns anos na época e partilhávamos de uma boa relação com base em amor e fidelidade. Ele acabou indo visitar a igreja, rendeu-se a Cristo e começamos uma caminhada com Deus; fazíamos algumas coisas juntos, como, por exemplo, orar, ler a Bíblia, assistir aos cultos, participar de eventos na igreja e etc. Estava bem comigo, estava bem com Deus, estava bem com o meu parceiro, não queria abrir mão disso, não queria nenhum tipo de sofrimento, não queria abrir mão de nada, simplesmente estava bem e confortável assim. Então Deus foi restaurando várias coisas na minha vida e deixando a sexualidade guardada. Não me sentia incomodado com minha sexualidade como anteriormente, visto que sabia do amor incondicional de Deus por mim. Um dia tive a seguinte visão: “Havia um ninho com vários ratos e um pássaro no meio deles, mas o pássaro parecia um rato, agia e vivia como um rato, e Deus me dizia que eu era um pássaro que aprendeu a ser 37
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    rato, mas queEle tinha asas para que eu pudesse voar, Ele queria me ensinar a ser um pássaro.” Logo associei a ilustração com minha sexualidade, apesar de ser muito cético em relação a uma mudança, afinal de contas já tinha tentado de tudo, com todas minhas forças e nada tinha dado certo. Acabei deixando essa ideia sobre mudança de lado e segui em frente. Conforme ia me aproximando de Deus fui conhecendo mais sobre Ele, experimentando mais do Seu Amor. Estava cada vez mais apaixonado por Deus e queria responder a esse amor com uma vida santa, não só em questão sexual, eu queria realmente uma vida em santidade. Optei mais uma vez em dizer não para a homossexualidade e, com muito sofrimento e dor, acabei me separando. Apesar de ter tido algumas idas e voltas, fui me firmando e sustentando a minha posição. Retomei estudos, o domínio de vontades, fui buscar ajuda e participar de atividades relacionadas com o tema. Caí novamente em depressão e mais uma vez o pensamento de suicídio estava em minha mente. Diante do fracasso, vi que estava muito infeliz e sabia que isso não era o que Deus queria pra mim, ou, se era, pelo menos não deveria ser daquela maneira. Nesse meio tempo fui aconselhado a me afastar de todos os meus amigos gays, uma pena porque acabei perdendo contato de verdade com algumas pessoas. O que eu tinha esquecido é que não tinha outros amigos, senão aqueles. Por causa disso fiquei muito carente, o que se tornou uma ótima válvula para sexo sem compromisso. Costumo dizer que tive uma boa vida e não tive problemas com homossexualidade, os problemas vieram depois, quando optei por dizer não. Fui a uma igreja inclusiva em SP na companhia de um rapaz que conheci na igreja que frequentava e fiquei seriamente confuso no dia; não fazia sentido. Era outra realidade que pra mim parecia boa. Resolvi aderi, então, à teologia inclusiva (mais uma vez), mesmo sem mudar de igreja, já que não tinha problemas onde congregava. Resolvi estudar um pouco melhor a teologia inclusiva, afinal, não é simplesmente porque igrejas ou pessoas dizem que algo é verdadeiro que 38
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    devemos aceitar comotal. Não gosto de ser manipulado, prefiro pensar por mim, prefiro ter as minhas próprias conclusões. Mais uma vez encontrei uma manipulação de informações para uso próprio, o que me fez voltar mais uma vez para o mesmo lugar: a necessidade de mudança. Tentei uma troca com Deus, por mais que não considerasse isso uma barganha. Eu deixaria o pecado em troca de uma mudança de vida, coisa que não aconteceu, pois eu larguei o pecado, mas não obtive uma mudança. Estava frustrado, decepcionado com Deus, parecia que o Deus Fiel tinha quebrado a sua aliança comigo, fiz a minha parte, estava dizendo não para a homossexualidade com todas as minhas forças, mas não via mudanças. Pensei mais uma vez em largar tudo isso, largar minha vida com Deus, afinal era muito “bem resolvido” antes de toda essa loucura e confusão, mas dessa vez era diferente. Eu tinha experimentado do Seu Amor, sabia que Ele me amava e o quanto isso era bom, não conseguia mais ignorar tão grande Amor. Não queria abandonar Deus. Eu O amava, mas mesmo assim como não via "esperança” para mim. Grande dilema! Resolvi então não me preocupar mais com mudança. O Amor de Deus me completava de verdade, ainda que fosse ficar só pelo resto da vida. Tudo bem, não me importava mais a mudança, mas viver com Ele. Essa realidade mudou meu foco e me deu uma nova motivação e uma nova atitude, já não me preocupava mais com o meu futuro; estava bem em um presente com Deus. Acabei desistindo de buscar mudanças e optei pelo celibato, nesse período aprendi boas virtudes em ser solteiro. Fui fazendo novas amizades e aprendendo novas formas de estar de bem comigo mesmo. O que eu esperava de mim? Morrer velho e solteiro com desejos homossexuais controlados e muito feliz. Mas muita coisa começou a mudar, Deus foi tratando de diversas áreas na minha vida. Foi trabalhando meu relacionamento com Ele, com família e amigos, comigo mesmo, estar em paz comigo e com minha autoimagem, entre diversas outras coisas. Houve um tempo que na área sexual era apenas Eu e Deus no Divã, e garanto que aprendi muito com isso. 39
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    Depois de umtempo, sem uma explicação que eu possa dar, começou a despertar em mim um interesse físico por mulheres, coisa que não tinha e nem imaginava ter. Comecei a perceber algumas diferenças na maneira de me relacionar e viver. Ao mesmo tempo, fui resolvendo meus problemas com pornografia, apesar da vontade na época, já não via mais a necessidade de praticar, e aos poucos foi passando o vício e a vontade. Como estava resolvendo meu lado afetivo e físico por mulheres, comecei a achar que o celibato já não era mais a única opção pra mim. Apesar de ter resolvido o problemas com quedas, ainda não estava muito seguro e preferi não me envolver, não era justo machucar alguém. Não me achava pronto e não me sentia capaz de satisfazer uma companheira. Fui trabalhando os buracos na minha masculinidade e aos poucos vendo grandes mudanças. Para fechar a história, hoje (final de 2010) estou me preparando para o casamento com uma garota que amo muito e me completa. Não quero com esse relato passar a impressão que restauração sexual é algo lindo, fácil e maravilhoso, mas sim que é algo possível e acessível. Não quero com esse relato incentivar pessoas a tal prática e nem manipular ideias; que cada um resolva a sua situação sexual com Deus, o Criador da sexualidade. Muitos criticam meu futuro, como se fosse incerto e costumo dizer que quem tem medo do futuro, não está bem resolvido no presente e não aprendeu com os erros do passado. Não me preocupo com a incerteza do futuro, sei que nada me separa do Seu Amor. Cada pessoa tem sua história, tem sua vida, essa é um pedaço da minha e, até aqui, valeu muito a pena dizer sim para o chamado de Deus. closetfull@hotmail.com 40
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    Anderson Era uma vez um casal que planejou ter uma criança, e esse seria o primeiro sobrinho, o primeiro neto, o primeiro orgulho da família, mas acontecimentos mudariam a rota dessa história. Seria esse o começo de uma história de ficção, mas disso só tem o “era uma vez”. Nasci nessa família com grande ligação religiosa, fui criado para ter fé, para considerar a Deus e ao próximo, porém até certo ponto sozinho, já que era filho único. Convivi bastante com adultos, meu pai trabalhava muito e minha mãe me levava para todos os lugares, mas lembro que um fato em si mudou drasticamente a maneira que eu encararia a vida. Aos 4 para 5 anos de idade mais ou menos, fui convidado por um familiar, não muito mais velho que eu, para uma “brincadeira” num lugar, só soube do que se tratava quando cheguei a esse lugar. Fui violado digamos assim, sem requintes de violência, aquela “brincadeira” pareceu ser algo interessante de se acontecer, era algo novo. Ele me pediu segredo sobre o assunto, mas sem ameaças. Aquela “brincadeira” se repetiu inúmeras vezes, até que outras crianças também eram iniciadas naquilo ali. Depois daquele dia, nunca mais vi os meninos da mesma forma, chegando até mesmo em alguns momentos rejeitar ter nascido homem, pois se eu fosse menina, poderia ter aquele sentimento naturalmente. Parece definitivo falar que uma criança de 5 anos pensasse dessa forma, mas era o que eu tenho memória plena de como era o meu pensamento naquela época. Um dia, minha mãe e tia, me chamaram para conversar, pois havia um surto de crianças abusadas naquela época, e temerosas, resolveram me alertar para que não deixasse que alguém fizesse algo que era feio, descabido e fora de propósito. Enquanto falavam, vi que a tal “brincadeira” era algo errado, e me calei, não disse nada a ambas sobre o fato de já estar passando por aquela situação, afinal era errado e também o meu segredo particular. 41
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    Os anos forampassando, e essas experiências sexuais duraram até os 10 para 11 anos quando as mudanças do meu corpo aconteceram, e o sentimento de que aquilo deveria parar aumentando e que Deus poderia me castigar por aquilo tudo como havia aprendido. Porém, as fantasias com outros garotos e romantizações sempre permaneciam. Apaixonei-me por uma menina na escola que estudava, era um namorico de adolescentes, que não deu muito certo. Logo me vi apaixonado por um garoto da minha sala, foi um martírio, dias de choro, de sofrimento, isso durou mais de dois anos. Depois houve outro garoto e mais outro. Nesse pano de fundo, meus pais falavam em divórcio, tudo aquilo era aterrorizador para mim, então com a fé que tinha aprendido e até ensinava outras crianças num curso daquela linha de fé, fazia orações para que eles não se divorciassem, pois eu seria a única criança sem os pais juntos já que todo mundo tinha os tinham do meu círculo de amizades. Não adiantou nada, eles se divorciaram e nossas dificuldades financeiras começaram, pois meu pai tinha outra família. Eu, minha mãe e meu irmão mais novo agora estávamos sós. Uma tristeza imensa tomou conta de mim e desejava morrer todos os dias. Todo dia acordar era um sofrimento anunciado, me xingava em frente ao espelho, odiava tudo em mim, a morte realmente seria a solução para as minhas angústias. Até que conheci realmente aquele que eu tinha ouvido falar, mas era uma figura tão apagada pra mim, Jesus. Ganhei uma nova vida, a vontade de morrer desapareceu, a atração pelo mesmo sexo ficou ali soterrada, nem lembrava que existia isso. Tinha agora uma turma na igreja, mais ou menos a minha idade, agora sim tinha chegado ao meu lugar, em contato direto com o Criador do Universo. As guerras interiores, as angústias, estavam enfim sendo submetidas ao espelho de Deus, me enxerguei realmente na imagem que ele me mostrou. Mas, tudo que não é encarado, não desaparece, uma hora vem á tona e com mais intensidade ainda. Comecei a ser rondado e sondado pela serpente igual à Eva, tinha certezas como ela, mas a proposta da serpente pareceu bem interessante, e as certezas de Deus em mim, não eram tão certas assim. Reencontrei uma pessoa que fez parte da minha infância na igreja, fiquei sabendo de coisas que pareciam surreais. Lugares, relacionamento entre pessoas do mesmo sexo que eram totalmente fora das minhas até então fantasias, fora de tudo que eu conhecia. Um mundo realmente novo, o mundo GLS. Não demorou muito para que eu fizesse uma escolha, me dar uma chance para um relacionamento com outro homem. Já que tinha orado, jejuado, feito campanhas e eu achava que tudo aquilo já tinha finalizado, vi que realmente era algo que poderia viver, não tinha escolhido aquele 42
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    sentimento, mas oque eu queria naquele momento era colocá-lo para fora. Começou a peregrinação das buscas de um relacionamento estável, tranqüilo e fiel. Afinal eu tinha preceitos cristãos e não queria sexo por sexo, apesar de poucas vezes ter me submetido a isso. Eu queria algo mais, e por que não? A balada não era o ponto principal, era só um lugar para ver pessoas que de semelhantes só o mesmo sentimento, fora isso via uma euforia no ar travestida de alegria. Alegria mesmo era ali com Deus, na igreja, que vinha do interior, aquilo tudo ali era euforia, mas estar ali era até interessante. O mundo virtual era um lugar até certo ponto seguro para conhecer pessoas, mais do que em baladas. Horas e horas de buscas, de conversas, de seleções, de namoros virtuais, de encontros reais. Algumas surpresas, outras decepções. O namoro não passava de tentativas, logo as reais intenções das pessoas apareciam. Passado um tempo, em meio a essa busca do príncipe encantado, recebi uma boa proposta de emprego, pois Deus permanecia o mesmo apesar de eu não. Então parei com toda aquela prática, para digamos honrar o que Deus estava me dando. Fiquei dois anos sem ir às baladas, sem me envolver com alguém, mas tudo de novo somente soterrado, nada encarado. Minha vida espiritual parecia ir muito bem, sempre gostei de ler a palavra de Deus (Bíblia), passar horas lendo e meditando. Ia aos cultos, parecia tudo muito bem mesmo. Até que um dia, me senti carente, e voltei a entrar nos chats com a desculpa, que já tinha passado tanto tempo, e o ciclo de pessoas passaram por ali, será que não tem alguém de verdade para mim? A resposta não demorou muito. Conheci um rapaz que era de outro estado então seria inviável algum relacionamento, apesar de acreditar que existia algum tipo de namoro virtual (aliás, acreditei várias vezes nisso). Mas um dia, chegou um rapaz. Eu não estava tão disposto assim, já que já vinha machucado demais para tentar. Não acreditava mais no que diziam, e tinha levantado barricadas para me proteger de um novo relacionamento. Mas ele disse a coisa certa na hora certa. Encontramo-nos, parecia tudo perfeito, até a página dois. Uma traição atingiu ali e tudo que era uma certeza naquele relacionamento caiu. Naufragou mais uma vez o pseudo envolvimento que tinha. Sentei com o Senhor e perguntei o que estava errado. Não sabia gostar diferente, sentir diferente, mas e o que eu sabia sobre a palavra de Deus no quesito homossexualidade era bem claro. Deus me mostrou por que aqueles relacionamentos não davam certo, era que o lugar que eu queria colocar alguém, já tinha alguém ali há alguns anos. Era o lugar de Jesus Cristo. 43
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    Eu tinha muitassaudades da presença de Deus, não conseguia orar estando naquela situação, naquela prática. Já tinha ouvido tantas coisas sobre homossexualidade, acreditado em tantas coisas, no abracadabra evangélico. Eu queria minha alegria intensa de volta. Queria meu relacionamento íntimo com Jesus de volta. Mas como fazer diferente? Como sentir diferente? Contar á alguém não era uma opção, já tinha visto desastres acontecerem dentro e fora da igreja por alguém mencionar a atração pelo mesmo sexo. Parei e conversei com Deus sobre tudo, foi a primeira vez que ao invés de pedir para tirar um sentimento, falei com ele sobre tudo aquilo ali de uma forma nova, sem aquele palavrório que eu sempre usava e achava que estava tendo uma comunicação com Deus. “Eu não sei sentir de outra forma Jesus, eu não sei enxergar de outra forma, tu sabes mais do que qualquer um, mas me ensina como eu posso sair disso, como enxergar do seu jeito, pois do meu jeito não dá mais”. Pensei e senti que agora eu tinha que cortar o que alimenta ou favorece essa situação. Limpei minha conta de MSN, outra numa rede social para que eu começasse agora do jeito de Deus. Livrar-se da masturbação e pornografia foi um desafio. Não era viciado, mas era algo recorrente, um tema estava ligado á outro. Até que comecei a trabalhar em Deus qual era a raiz da situação que levava á masturbação. Comecei a enxergar como ridículo ter que olhar um cara na tela do computador ou na página da revista que não estava nem ai para mim e eu o desejando muito e ele não sabia da minha existência. Fora que sabia como eram feitos alguns daqueles vídeos, as montagens e mentiras por detrás de tudo. Ali não estava expressa a verdadeira relação entre duas pessoas e sim a expressão do instinto apenas. Relação sexual não era aquilo ali. Destruí o que eu conhecia de Deus para reconstruir de um jeito novo, diferente. Não foi uma situação fácil, confortável, mas de imenso prazer. Muitas vezes eu tive que me contrariar, para fazer do jeito de Deus, que é o melhor. O marco da minha jornada de transformação (prefiro usar esse termo que cura, pois não é uma doença) foi que Deus me mostrou um texto que eu já tinha lido, mas não tinha percebido o teor dele, que fez tanto significado para mim. “nem tampouco diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca. Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos, que 44
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    guardam os meussábados, e escolhem aquilo em que eu me agrado, e abraçam a minha aliança: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará.” Isaías 56:3 a 5 Sei que eunuco não é sinônimo de homossexual, mas ele também algumas vezes não tinha escolha, outros escolheram para ele o que passaria a viver dali pra frente. Mas esse texto foi um bálsamo no meu interior que marcou o começo da minha jornada de transformação. Aprendi que era um caminho, uma jornada a ser seguida e não um passe de mágicas. Não me preocupando com o tamanho do caminho, nem com o tempo, mas me preocupando sim que jamais falte a ligação que eu reconstrui com Jesus Cristo. Agora as rédeas voltaram para minhas mãos, e comecei a ter o que Deus idealizou ali na criação e planejou para o ser humano, a dominação sobre as coisas. Não era mais dominado por um sentimento, mas agora poderia fazer escolhas conscientes, sabendo de todas as implicações, e a melhor escolha tem sido andar como Jesus tem me direcionado. Todo dia é um novo dia, todo dia é dia de escolhas, todo dia é dia de enxergar diferente. De ser transformado como filho, como amigo, como servo de Deus, como profissional. Transformação tem impacto brutal nas características básicas do ser humano. Agora sim, tenho uma sexualidade sadia e sem culpa pela ótica de Jesus. deduda00@hotmail.com 45
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    Leonardo "O relato a seguir não expressa nenhum tipo de preconceito ou discriminação. Respeito a opinião e as escolhas de cada ser humano e o que estarei narrando, transmite aquilo que eu sentia, o que eu vivia e a situação em que me encontrava." O passado deixou em meu ser profundas marcas e tristes lembranças. Um passado que quando lembro me faz sentir nojo, mal estar e confesso que chego a ficar decepcionado comigo mesmo. Fui aprisionado no horrível mundo da homossexualidade e posso dizer que para mim essa prática foi uma horrível escravidão que me entristeceu, machucou, humilhou e atormentou. Afinal, acho que todos os indivíduos envolvidos com a homossexualidade ficam sem a certeza de nada, num estado de medo e solidão. O homossexual é discriminado e rejeitado tanto pela sociedade como pelos familiares. Ele é desrespeitado, sofre violência e sempre é vitima do preconceito. Meu tormento começou após ter sofrido um abuso sexual pelo meu próprio primo quando eu tinha apenas 10 anos e ele, bem mais velho do que eu, com seus 18 anos. Ele que era um verme, um monstro que, enquanto meus pais trabalhavam, ficava dentro de minha casa destruindo minha vida e roubando meus sonhos e identidade. Passei três anos sendo abusado por esse monstro e minhas noites eram de tormento, de humilhações, noites de trevas sem fim. Eu era ainda pequeno, minha cabeça ficava confusa, revoltado, com dor e nojo. Aquela situação foi aos poucos me destruindo e roubando minha identidade; quando dei por conta, já estava tento desejos alucinados por sexo com prostitutas, homossexuais, homens etc. Era algo horrível! Minha identidade e sonhos haviam sido roubados e logo com 16 anos já me considerava homossexual, freqüentava boates, baladas e motéis. Acorrentado e algemado pela lascívia, pelas orgias, pelo sexo compulsivo, pela homossexualidade, pela prostituição. Minha vida era vivida na 46
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    autodestruição, minha vidaera regada de muito sexo... sexo... sexo...bebida e música. Vivia uma vida de engano, sempre no meio de centenas de pessoas e trazendo dentro de mim um enorme vazio, uma imensa solidão. Comecei casos sérios com até três pessoas de uma vez e dizia estar namorando sério, mas no fundo eu sentia que tinha algo de errado comigo. Eu não era verdadeiramente feliz. O absurdo era tanto que por diversas noites transava, com meus próprios primos até menores do que eu. Quando a noite passava e chegava o amanhecer, vinha a tristeza em meu coração e uma acusação gigante tomava minha mente. Certo dia, com uma tremenda ilusão em minha mente, conheci um rapaz que me convenceu a usar drogas. Perdendo totalmente a cabeça, eu resolvi sair de casa e morar com ele. Fiquei totalmente perdido e não sabia o que estava fazendo, mas para mim tudo era normal. Eu via minha família sofrendo com tudo isso e minha mãe, evangélica, não deixou de orar por mim. Ela me aconselhava, mas eu estava cego, acreditando que era amor e achando que estava me divertindo; passava por cima de tudo e de todos para estar envolvido nesse mundo, até que cheguei aos 18 anos e foi quando numa noite me bateu uma vontade diferente. Quando já não mais tinha esperança, envergonhado e cansado de esconder da minha família aquela situação, tentei suicídio, mas algo foi mais forte. Tinha uma vida financeira razoável, mas tinha uma vida sentimental e amorosa destruída. Até que um dia resolvi mudar, dar um basta naquela situação; já cansado de enganar a mim mesmo e aos meus amigos e familiares, tomei uma atitude. Tentei diversos tipos de ajuda, psicólogos, terapias individual e em grupos. Comecei a buscar ajuda em Deus e a visitar uma igreja que ficava próxima a casa em que eu morava com uma pessoa que supostamente eu amava. Visitava a igreja e todos, mesmo sabendo de que mundo eu era, me receberam com muito carinho. Isto foi muito importante para mim porque eu pensava que ninguém se importava comigo. Comecei a me interessar por um grupo de oração em que todos pregavam muito sobre libertação e eu ainda ímpio, duvidava de tudo que era falado, mas algo no fundo me fazia frequentar todos os dias de culto, mesmo não acreditando que algo em mim iria mudar. 47
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    Com o passardo tempo as coisas foram piorando cada vez mais e comecei a clamar por socorro e misericórdia. Depois comecei a acreditar nas promessas de Deus que eram ditas na igreja e então foi que surgiu uma luz no fundo do túnel. Descobri algo que estava dentro de mim, que era um elemento de grande poder, que mudaria minha vida e todo meu ser: a fé. Através da fé alcancei a cura, a libertação e a transformação. Mudei de volta para a casa de minha família, terminei o que eu chamava de relacionamento e comecei a reconstruir minha vida e saí de lá do fundo do poço onde não tinha nada e não era ninguém. Apenas minha família, que nunca me abandonou, acreditava em mim e o que me importava era a atenção daqueles a quem magoei tanto. Houve muito sofrimento e perseguição porque muitos não aceitavam minha decisão de mudar e me humilhavam. Mas hoje estou casado com uma serva de Deus que amo muito, que me deu muito apoio e muita ajuda. Uma pessoa que Deus colocou em meu caminho, uma mulher a quem posso dizer, com todas as letras, que amo de verdade. Tenho um filho que é a razão de meu viver, tenho minha profissão, casa, carro etc. Muitos sonhos que eu vi perdidos foram resgatados e concretizados. Hoje tenho minha verdadeira identidade, um homem verdadeiro. Feliz. Agradeço muito a Deus e agradeço muito àqueles que entenderam minha situação e acreditaram na minha a mudança. Jesus cristo mudou meu viver e continua mudando o viver de pessoas que, assim como eu, dão crédito à palavra dEle. papai_leo@hotmail.com 48
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    Saulo (Hebreus 4:12,13) "Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar." Todo ser humano precisa de Deus, até mesmo aquele que se diz ateu, que muitas vezes tenta provar através da ciência como o homem surgiu, proclamando para o mundo que Deus não tem nada a ver com isto. Em certo momento da vida, estes que se dizem incrédulos olham para o céu e procuram por Ele. Como é maravilhoso e agradável saber que existe um Deus que fez todas as coisas, que deixou a sua Palavra para podermos hoje viver pela fé. Jesus bateu à minha porta através da Palavra de Deus, fez-me um convite para recebê-lo como único Senhor e Salvador, o caminho certo que leva a Deus, e, através do livre arbítrio, pude escolher entre continuar no engano em que vivia ou acertar minha vida através das verdades que se encontram na sua Palavra que está na Bíblia, que liberta, que modela nosso caráter e nos coloca em um caminho reto. "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” (João 8:32 ) Claro que aceitei Jesus em minha vida e passei a ter todas as promessas que Ele tem para mim. Esse ato de aceitar Jesus como único caminho que leva a Deus, como meu Senhor e Salvador, não tirou de minha vida as dificuldades. Através da sua Palavra e do Espírito Santo, tenho armas para lutar contra os problemas e aflições que surgem pela frente. Irei compartilhar com você como eu vivia, mas também irei compartilhar do mais importante, da vitória que tenho alcançado a cada dia, do homem que verdadeiramente sou, da certeza de onde vim e para onde irei. 49
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    Nasci em Contagem,no Estado de Minas Gerais. Minha infância foi tímida, introvertida e insegura. Imagine o que as situações da vida podem fazer em uma criança com essas características. Procure visualizar como o inimigo pode agir nessa criança tão vulnerável às mentiras do mundo. Lembrando que “o ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir”. Pais, esse ladrão está matando, roubando e destruindo, por causa da nossa falta de conhecimento da Palavra de Deus. É de grande importância lembrar que Deus nos promete vida abundante através de Jesus. Durante minha infância sentia falta do meu pai. Não que ele estivesse longe ou morto, ele estava vivo e perto. Tento lembrar-me de um abraço, de um beijo, de ter sido carregado no colo por ele, de sentir sua presença paterna, em que pudesse ter um referencial de comportamento masculino para me espelhar, e não lembro. Lembro-me de uma novela que tinha uma música tema chamada "Pai", e na abertura diária desta novela aparecia um quebra-cabeça sendo montado e no final da montagem surgia a figura de um menino caminhando em um parque de mãos dadas com seu pai. Detalhe importante: a figura do pai não foi preenchida, estava em branco, era assim que eu me sentia. Por ser tímido e introvertido, não conseguindo me comunicar com as outras crianças, escutei muitas palavras de maldição. Quantas palavras que entristeceram meu coração, quantas atitudes erradas para comigo. Por não gostar de jogar bola, corrida de Fórmula 1, escutei muitos comentários maldosos, que por mais que ignorasse, ficaram guardados comigo. Muitas vezes, ao fazer algo errado, ou ter um comportamento tímido, fui chamado de "chorão, débil mental, veado, bicha, mulherzinha". Fui até mesmo vestido de menina, por uma pessoa próxima da minha família. Não entendo o porquê deste ato, mas lembro-me exatamente da situação em que ela me fez passar, e as pessoas que viram esta cena riam e faziam seus comentários. Quando descobri do que realmente estavam comentando a meu respeito, algo se quebrou dentro de mim. Há poder em nossas palavras; se não sair benção de sua boca, cale-se, porque uma palavra maldita pode mudar o rumo de uma vida. Morei em Belo Horizonte até os 14 anos de idade. Devido ao desemprego de meu pai, viemos para Curitiba. Aqui voltei à rotina de estudos e a refazer o círculo de colegas, o que para um tímido é muito difícil. Tive minha primeira namorada, e com este namoro surgiram questionamentos. Como não tive um pai próximo para me espelhar em seu comportamento masculino, por falta de informação sexual, por falta de estrutura na comunicação familiar, eu não levava esses relacionamentos amorosos adiante. A base do mundo é a família, fundamentada na palavra 50
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    de Deus. Adistância que o homem vem tendo de Deus está abrindo brechas para o desequilíbrio da família, trazendo dificuldades nos relacionamentos, separação e falta de comunicação entre pais e filhos, levando a um desvio de comportamento. Eu não sabia lidar com as intimidades que surgiam no namoro, e uma namorada vendo que eu não queria acariciá-la de modo mais íntimo disse ao meu ouvido: "às vezes acho que você não é homem". O que já havia sido quebrado na infância veio a se quebrar ainda mais. Decidi ficar sozinho e enfrentar a vergonha de não saber namorar e me expressar. Em casa não havia diálogo. Aos 20 anos de idade, conheci um amigo que mais tarde se declarou homossexual e, devido ao seu comportamento de risco, era portador do vírus HIV. Conheci então, através de seus convites, as práticas homossexuais. Aquelas palavras de maldição que escutei na infância e na adolescência causaram um efeito neste momento da minha vida, em que meus caminhos ficaram tortos através de minhas atitudes. Escolhi uma estrada que parecia fácil, que mais tarde quase me levou à morte espiritual, sendo que para a física faltava pouco também. Passei 12 anos na prática da homossexualidade, sem contar os anos decorridos da infância até a adolescência, em que pensava que era diferente, que algo estava errado comigo. Pensei que havia descoberto a verdade, e que tudo que havia escutado de maldição se resolvia naquele mundo que descobri. Conheci pessoas de bom coração, mas para Deus não basta ser bom. Passei a ter amigos e amigas homossexuais, conviver com efeminados, travestis, Drag Queen´s, muita festa, muita risada, muita maquiagem. Quando a cortina se fechava, o vazio e a insatisfação daquela vida, por mais agitada que fosse, aparecia por trás dos bastidores. A palavra família se resumiu em duas pessoas apenas: "eu e ele", "ele e eu", bem longe do que podemos chamar de família. Comecei a frequentar bares, boates e ter relacionamentos homossexuais; demonstrava para as pessoas que era um comportamento normal e aceitável, pois assim eu viveria melhor, que era a resposta para tudo que sentia até então. Passei a atender as minhas necessidades físicas e emocionais desta forma, mesmo assim, essa descoberta não supriu as necessidades do meu coração, da minha alma. Saí da casa de meus pais para viver com um rapaz, um "amigo". Ali fiquei por quase cinco anos. A Palavra de Deus nos diz em Gênesis 2:24: "Portanto deixará o homem a seu pai e sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher e ambos serão uma só carne." Mas não foi o que fiz. Deixei meus pais para viver com outro homem como se fosse com mulher. Simplesmente ignorei mais uma promessa de Deus para minha vida, porque dei crédito a uma mentira, achando que havia nascido assim, que não tinha culpa, que 51
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    morreria assim. Esteera mais um dos infinitos relacionamentos homossexuais que viria a ter. Mas pela misericórdia de Deus para comigo, conheci sua verdade e fui colocado sobre uma Rocha firme e segura. Jesus é fiel! "Tirou-me de um lago horrível de um charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou os meus passos." ( Salmo 40:2 ) Quantas vezes! Quantas vezes fechei as portas para Jesus. Eu sabia que minha vida homossexual não era aceitável diante de Deus, tanto que não lia os textos bíblicos que falavam do pecado em que vivia e raramente quando os lia, era somente para criticá-los, dizendo que a Bíblia precisava de uma revisão, mas eu não, que foi escrita por homens. Desta forma tentava justificar minha prática homossexual com as necessidades e desejos que sentia. Agindo assim eu na verdade estava dizendo para Deus que eu dirigia minha vida. Mas Jesus insistiu educadamente, continuou batendo; eu estava perdido, cego, andando por meus próprios caminhos e decisões, dono da minha vida. Tinha dentro da minha carteira um documento chamado identidade, mas no coração não havia identidade nenhuma. Lá no fundo da minha alma, escondido de todos, eu pensava: “ah! Se eu pudesse deixar esta prática que limita minha vida”. Nesses 12 anos que passei na homossexualidade, foram poucos os momentos em que me senti seguro. Pelo contrário, vivia na insegurança e na busca de amor, que jamais encontraria nos rapazes com quem estive; eles não poderiam preencher o vazio do meu coração, homem nenhum poderia. Saiba que alguém que está na prática da homossexualidade terá um momento na sua vida em que questionará se o que vive está correto, terá um momento de insatisfação e neste momento aquela palavra evangelística que você lançou surtirá efeito e esta pessoa se lembrará que existe um caminho verdadeiro, se lembrará de Jesus. Falo isto porque todos os rapazes com quem estive alimentam no seu íntimo, bem lá no "esconderijo" do coração, o desejo de um dia terem uma vida diferente, fora das práticas homossexuais. Eles podem dizer que são felizes, mas desejam secretamente ter uma oportunidade para mudar. Podem bater o pé e negar com suas atitudes e palavras, mas no coração desejam mudança. A pessoa que está na prática da homossexualidade (seja 52
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    efeminado, travesti, DragQueen, transformista, michê) pode alterar este caminho amando Jesus e tomando uma posição definida do tipo: "Não quero viver praticando a homossexualidade, então não quero mais". Quando tomei essa decisão, depois de um tempo, percebi que eu não continuei homossexual. Sabe por quê? Porque a minha essência sempre foi heterossexual, e esta essência surgiu naturalmente. Saí da casa daquele rapaz, com quem vivi por quase cinco anos, não suportei tanta incerteza, tanta mentira e infidelidade. Nesta casa em que morava com ele, sempre havia mudança, ora havia uma parede, ora havia uma janela nesta parede, uma porta, derrubava-se outra parede. Volta e meia a casa recebia uma mudança em pouco espaço de tempo; posso compreender hoje que estas mudanças refletiam a insatisfação não com a casa em que vivíamos, mas uma insatisfação interior de nós mesmos. Havia uma necessidade de "trocar" objetos, móveis, e também pessoas. Ou aceitava viver com ele e a sujeira que estava entrando mais uma vez no relacionamento ou saía. Mas, como sair se estava preso àquela vida? Enfim foram 12 anos na prática da homossexualidade. Sabia que precisava mudar, mas não sabia como. Pude então perceber que realmente havia uma inversão na minha forma de amar. Eu precisava não só mudar radicalmente, mas manter-me nesta mudança, e isto encontrei nas verdades que estão na Bíblia com a ajuda do Espírito Santo de Deus e da comunhão com meus irmãos em Cristo. Mudança radical. Voltei para casa de minha mãe, meu pai já havia morrido. Entrei em depressão, passei um ano em depressão, emagreci muito, lutando contra solidão e angústia. Neste momento Deus moveu pessoas para serem usadas em minha restauração de vida. Encontrei o verdadeiro amor, e o nome dele é Jesus. Recebi um convite de um colega de trabalho, que via o meu desespero, para ir até sua casa participar de uma reunião e nem perguntei do que se tratava, se era disso ou daquilo, simplesmente precisava de ajuda. Busquei no início livrar-me da depressão e angústia, mas Deus já estava movendo tudo para me receber e restaurar todas as áreas da minha vida. Lá, conheci pessoas de uma igreja evangélica, que me receberam com muito amor, um amor sem preconceitos e isto eu preciso dizer com todas as letras: não enfrentei nenhum tipo de preconceito da parte deles. Eu sim, fui cheio de barreiras, armado, e com preconceito. Passei a ter amigos cristãos e reconheci que precisava de amizades sadias. Nessa igreja tive apoio de todos. O Pastor me recebeu com amor e carinho, vale também falar aqui da importância que o grupo de jovens teve neste momento. Foi necessário criar uma nova rotina e compromissos para 53
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    minha vida maisimportantes do que os compromissos anteriores. Notei que a pessoa que mais teria que lutar pela minha mudança de comportamento seria eu mesmo. Procurei manter-me sempre próximo dos amigos que ali arranjei e esforcei-me ao máximo para ignorar as propostas que meus antigos amigos faziam. Precisava entender tudo que tinha vivido até então, o que me levou a praticar a homossexualidade e através do Evangelho de Cristo acertar meus caminhos, pois ele endireita os caminhos tortos. Eu ainda questionava Deus. "Deus, se eu deixar a homossexualidade, vou sofrer muito. Como lidar com meus sentimentos e emoções, meus desejos e vontades?". E na sua Palavra encontrava as respostas para tudo. "Não temas pois sou contigo, não te assombres porque sou o teu Deus, eu te esforço, eu te ajudo e te sustento com a destra da minha justiça." ( Isaías 41:10 ) Uma vez aceitei um convite de um antigo amigo; o risco de regredir foi altíssimo. Fui a um lugar que já havia frequentado e, pela primeira vez, pude perceber como eu havia vivido. Aquele bar parecia um açougue, onde bastava olhar para o lado e tinha um pedaço de carne para se relacionar comigo. Pude perceber como aquelas pessoas buscavam se identificar com alguém, como procuravam no outro o que faltou receber do seu pai e da sua mãe. Aqui eu poderia ter conhecido mais um amor, e ter voltado a praticar a homossexualidade, mas estaria deixando para trás todas as promessas que Jesus tem para mim. Estaria deixando para trás os rios de águas cristalinas que experimentei na presença de Jesus. Durante muito tempo continuei recebendo ligações maldosas, relutei para não aceitar os convites para ir a bares e boates para homossexuais. Mas neste momento Deus providenciou uma mudança em meu viver. Ele olhou para mim, não gostou do que viu, e começou a trabalhar na minha volta. Da depressão, que já durava um ano, Deus me libertou. Estava em uma rodovia –BR 116 – comprei um maço de cigarros e dirigindo meu carro comecei a clamar ao Senhor: "Senhor Deus, em nome do seu Filho Jesus, eu levanto um clamor a ti, quando olho para trás não gosto do que vejo, não quero mais viver na homossexualidade, mas quando olho para o dia de hoje, não suportando mais esta angústia, esta tristeza, eu não vejo saída. Ouça o meu clamor, mostra o caminho para minha libertação. Eu desejo viver contigo, me ajude". E Ele ouviu meu clamor, não tive mais depressão. Meus caminhos estavam sendo endireitados. Afastei-me de tudo e de todos do meio antigo, precisava buscar alimento para sobreviver e, depois de estar firmado na Rocha, levar este alimento para os que ficaram. O que antes era escuridão em minha vida passou a ser luz. 54
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    Filipenses 2:10-11: "paraque ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra. E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai" ( Filipenses 2:10-11 ) Entendi que conheceria a verdade, e, se iria conhecer a verdade, o que eu vivia era mentira, era falso, ilusão, armadilha do inimigo. Esta verdade me libertou do cativeiro no qual me encontrava. Hoje sou livre e sirvo a um Deus que muda o caminho errado e incerto de uma prostituta, de um dependente químico, adúltero, mentiroso, homossexual, travesti, ladrão, idólatra e de quem Ele quiser, e Ele quer que todos se salvem. Aquele que perder a sua vida por amor a Jesus encontrá-la-á. Lembremo-nos que Ele é o nosso Senhor, devemos nos curvar diante dEle. Ele nos dá o livre arbítrio para escolher entre a vida e a morte. Hoje falo da verdade que descobri através da Palavra de Deus, verdade que me libertou e me tornou livre de toda confusão que envolvia minha vida. Para você que se acha livre, que faz o que quer, cuidado, você está mais preso do que possa imaginar. A minha liberdade enquanto na homossexualidade acabou se tornando minha prisão. Há esperança para quem está nesta prática e deseja sair. Não é uma vitória fácil, mas é possível. Enquanto não reconhecermos que estamos vivendo na escuridão, não teremos como conhecer o verdadeiro e valioso brilho que vem da luz, que vem de Jesus. Em vez de se arrependerem de seus erros, muitos estão desejosos de ver que sua conduta errada, seu pecado, seja tirado da categoria de pecado. Desta forma a morte e ressurreição de Jesus não teriam servido de nada. Precisamos amar estas pessoas, mas não o erro que estão praticando. O pecado é condenado, enquanto ao pecador são oferecidos perdão e reconciliação. Nossas igrejas devem estar preparadas para ajudar pessoas que queiram deixar esta prática. Digo pessoas preparadas porque estão querendo expulsar demônios de homossexuais sendo que nem todos estão possessos, cada caso é um caso a ser analisado e tratado, muitas vezes tratando as feridas da alma. A luz da Palavra de Deus trouxe a verdade, caindo toda mentira. O vazio que havia em meu coração foi preenchido pelo amor de Deus. Hoje falo da verdade que encontrei na palavra de Deus. Conforme ia aprendendo a viver com Jesus, as mentiras iam sendo descobertas. Posicionei-me com todas as armas oferecidas na sua Palavra para resistir às imposições do mundo. 55
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    Eu e orapaz que vivia comigo, tínhamos uma Bíblia aberta na cabeceira da cama de casal, aberta em algum Salmo que não falava do pecado em que vivíamos, claro. Só líamos o que nos era conveniente, é mais fácil. É mais fácil dizer que a Bíblia precisa ser revista do que mudar. Assim como é mais fácil seguir uma igreja que aceita o erro, onde não precisa haver mudança. Por um tempo lembrava-me das festas, do falso brilho, muita risada, gente bonita em suas roupas de marca, barriga cheia de comida e um espírito vazio, mas ao raiar do dia... ao raiar do dia, o falso brilho começava a se apagar e aí sim, vinha o vazio daquela vida. Não, não aceito mais isto em minha vida, hoje a luz que brilha em meu coração vem de Jesus. Descobri que Deus me amava, mas não ao erro que cometia. Ao mesmo tempo em que Ele me dizia para abandonar a homossexualidade, Ele também dizia para que não temesse mal algum. Deus não condenaria esta prática sem antes oferecer uma saída. A saída está na sua Palavra, que é viva e eficaz, e no amor de Jesus. Através do Espírito Santo fui convencido do erro em que vivia. Somente o Espírito Santo pode nos convencer do erro, da justiça e do juízo. Compreendi e aceitei como verdade textos na Bíblia que até então eu não aceitava como tal. Sabia que os textos estavam ali, mas achava que era somente para aquela época. Então fui convencido pelo Espírito Santo de Deus. Basta olhar para o meu corpo masculino e perceber tudo o que nele há. As leis que hoje existem em países liberais, que asseguram o relacionamento homossexual, cirurgias para troca de órgão genital, seguro de vida, podem aliviar o preconceito a sua volta, facilitar o seu dia-a-dia, mas não podem assegurar e te proteger do vazio que fica dentro de você. Há poder na Palavra de Deus, poder que pode transformar vidas, desde que aceitem a verdade. Buscando cura para as feridas da alma e transformação no seu caráter, desabituando-se desta vida de confusão e vivendo da maneira correta como prega Jesus. Você já se perguntou: Como deixar de ser drogado? Parando de se drogar! Como deixar de ser prostituta? Parando de se prostituir! Como deixar de ser mentiroso? Parando de mentir. Uma prostituta quando deixa de se prostituir não continua prostituta. Quando deixei as práticas homossexuais não continuei homossexual, deixei tratar do meu caráter, mente, emoções, corpo e alma, e amei Jesus de todo o coração, de toda minha alma e de todo o entendimento. Você pode se perguntar: mas e os desejos e vontades que sentia, que nasci assim e não tinha jeito? Com o passar do tempo, já fora da 56
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    homossexualidade, a minhaessência heterossexual, que nunca perdi, começou a vir à tona, naturalmente. Fiz um propósito com Deus, em minhas orações eu pedia para que Ele me desse a certeza da minha heterossexualidade, e Ele me deu esta certeza, sabe como? Reencontrei uma moça que há tempos não via, e neste reencontro a surpresa, ela havia se convertido ao Senhor Jesus também. Houve um interesse de ambas as partes em se conhecer melhor. Fizemos uma viagem para a cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. Lá ficamos hospedados na casa de familiares e irmãos em Cristo, dentro da direção de Deus houve a confirmação do meu propósito. Você pode se perguntar: “Mas como, o que aconteceu? Que exemplo de relacionamento cristão é esse?” Deus é perfeito em tudo o que faz. Estávamos conversando, já era tarde da noite, e adormecemos. Senti um leve toque em meu pé, era a mão dela que repousou ali, no meu pé. Através deste toque sutil, senti em meu corpo, a confirmação de Deus em minha vida mais uma vez. Uma lágrima de felicidade escorreu pelo meu rosto e glorifiquei a Deus. Então percebi que basta permanecer no caminho de Jesus que tudo mais Ele fará. Os planos e os sonhos de Deus para nós jamais se frustrarão. No início da minha caminhada com Jesus, eu duvidava que pudesse deixar as práticas homossexuais. Minha mente estava impregnada, acostumada, habituada com a condição homossexual em que me encontrava. Ao permitir o trabalhar do Espírito Santo de Deus em minha vida, pude ver mudanças em minha forma de pensar e comecei a entender meu real papel masculino. Agradeço a Deus por ter usado pessoas em minha caminhada de restauração para que pudesse me relacionar adequadamente com uma mulher. Não há necessidade alguma de fazer o que eu fazia. A vida que levo com minha esposa é gratificante em todos os sentidos. Tenho alcançado saúde emocional e através disto tenho me tornado um homem melhor, um cristão melhor. As feridas na alma que carreguei por cinco anos, após entrar num processo, dificultavam minha caminhada como cristão. Quando aceitei a Cristo em minha vida tive a convicção de que estava salvo, mas também sabia que precisaria tratar as feridas que estavam na minha alma. Deus também nos oferece saúde emocional. Paz é o que sinto hoje. Realmente a vontade de Deus para os que o amam é boa, perfeita e agradável. Casei-me porque não queria viver só, mas não é o casamento que irá dizer que uma pessoa deixou a homossexualidade. Hoje sou livre para falar da libertação que a Palavra de Deus trouxe para minha vida. Livre para dizer: a luta continua, no mundo terei aflições, mas também tenho a verdade de Deus no meu coração para prosseguir a 57
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    caminhada. Antes euera espírita, acendia vela, místico, praticante da homossexualidade, vivendo em bares e boates, coração em carne moída. Hoje, lavado e remido pelo Sangue derramado na cruz, Sangue que me deixou branco como a neve, como a branca lã e me fez acreditar nas promessas de Deus para minha vida. Muitos me chamam de louco, por ir contra o padrão deste mundo. Mas Deus escolhe as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias. Escolhe os pequenos para confundir os grandes. Faz aquele que se deleita em sua própria sabedoria parecer ignorante. afontedejaco@gmail.com 58
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    Gabriela Somos todos modernos! Eu sou moderna! Pensava eu isso. Bem, deixa eu me apresentar: meu nome é Gabriela, tenho 24 anos, sendo que desde os seis últimos, tenho vivido de maneira diferente. Para resumir, sou daquelas que se acha toda moderninha, gosta de livros, artes e roupas modernas. Idéias também! Cresci com uma enorme aceitação às idéias livres e não convencionais. Nunca gostei de títulos, nem rótulos, nem estereótipos (apesar de no princípio aceitar o de “moderninha”). Sexo para mim era liberdade, prazer total, não importava como; sendo bom não importava mesmo como o faziam. Confesso que nunca me arrisquei em grandes empreitadas sexuais, mas sexo era tudo! Durante minha pré-adolescência tive minha primeira experiência homossexual. Única. Anos mais tarde assumi uma vida totalmente heterossexual e cheia de fetiches. Um deles era a pornografia virtual que me prendeu por anos e anos em uma gaiola sexual irreal e vazia. Estranho para uma menina, né? Mas nunca me importei com isso. Mesmo após minha entrega total a Jesus Cristo, me metia em semanas regadas a todo tipo de pornografia;, eu ia à igreja em busca de um alimento que preenchesse a alma, que me deixasse satisfeita por muito tempo, mas ainda não tinha conseguido encontrar. Embora o sentimento de vazio que me levava a querer sempre mais daquele prazer permanecesse, me sentia incomodada, pois toda vez que ia novamente ao computador aquela paz que estava sentindo me abandonava. Depois de algum tempo passei a perceber inúmeras demonstrações do amor de Deus, pois por mais que eu me enfiasse naquela podridão, ele sempre me proporcionava coisas boas e me aceitava mesmo numa condição “ruim” como aquela. Mais à frente comecei a perceber que aquele tipo de prática não era apenas um pecado, mas era um insulto a outro ser humano. Comecei a compreender o quão terrível era submeter o outro perversamente à satisfação de meus desejos e aos desejos daqueles que 59
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    praticavam o sexoexposto naqueles vídeos. Comecei a imaginar e a sentir Deus como um pai que planeja com muito carinho ter uma filha, e quando acontece, a vê decidindo por seus próprios caminhos se direcionando a práticas que não a consideram como uma pessoa, mas como um simples objeto de prazer. Na realidade, quando assumi um compromisso com Deus deixando de lado o sentimento de não merecer tê-lo em minha vida, passei a amá-lo tanto que fazer algo contrário ao que ele queria me magoava também. E a cada dia me percebia mais amada e mais confiante para conhecer quem eu realmente era e o que realmente queria. Entendi que minha busca desenfreada por prazer se resumia em uma fome muito grande de Deus e de ajudar outras pessoas. De repente aquela pessoa tão fria que se importava apenas consigo mesma, passou a olhar para quem estava à volta não mais como objetos, mas como PESSOAS. Quantas vezes você quis obter somente sexo e percebeu que ficou frustrado por que se sentiu vazio, usado, um objeto? Eu me senti assim várias vezes, mas posso hoje dizer que continuo muito moderninha. Amo a Cristo e, sigo sua palavra, mas também AMO SEXO e sei que ele foi um presente de Deus para me unir ao meu parceiro eterno e fazer de mim uma pessoa feliz. Não tenho medo de dizer que entendi através do que o meu Criador disse, que a melhor maneira de se viver é tendo o sexo como uma troca com quem se ama a ponto de assumir um compromisso eterno. Espero que todos possam um dia perceber da mesma maneira que eu! closet_girls@hotmail.com 60
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    Conclusão Nosso objetivo emrealizar este ousado projeto não é dizer quem está certo, quem teve a melhor conquista ou a maior vitória. Dez pessoas, dez relatos, mas todos com um ponto em comum. Se isso não te levar a refletir no Grande Amor, teremos perdido nossos esforços e fracassado em nosso alvo. Com Deus, não se muda para ser aceito, não se muda para ser amado. Ele, com Seu infinito amor, nos amou primeiro. Ilude-se quem pensa em conquistar este Amor com boas ações, e se engana quem acha que pode perdê-lo. Ele simplesmente é o que é. Como traduzir em palavras um Amor sem limites, que não vê barreiras ou diferenças? Para Ele, somos todos iguais, sem classes, gêneros ou qualidades. Todos iguais. O assunto de restauração sexual geralmente tem duas visões erradas. Uma ligada ao “ódio divino” que só aceita e ama pessoas santas e uma outra que nos indica um amor inclusivo, esquecendo que inclusão também é correção. Deus corrige a quem ama. Qual então o ponto de equilíbrio desses dois extremos? Em Mateus cap. 13:44 – 46, Jesus nos conta o seguinte: “Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e 61
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    escondeu; e, pelogozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo. Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.” Muitas pessoas resumem o “reino dos céus” a uma morada celestial pós-morte. Mas Eis que é chegado o reino dos céus (Mt 10.7), aqui, agora, na Terra, o reino de Deus está acessível a todos. Isso é Graça, isso é Amor. Ele estende o seu reino a nós que não o merecemos. O que motiva alguém a renunciar a sua sexualidade? Achar um grande tesouro. Esse mesmo tesouro que motiva pessoas espalhadas pelo mundo que, mesmo sendo perseguidas, correndo risco de serem presas, ou até mesmo morrer, encontram forças para dizer: “Eu quero este tesouro! Por Ele se for preciso, morro.” O “tesouro do campo”, que é Seu Amor, nos motiva e dá força para vendermos tudo o que temos. Mais ainda, nos impulsiona a negar e renunciar o que for preciso para estarmos com Ele. “Todas as riquezas e prazeres desse mundo, não são nada, comparado ao Seu Amor.” – Isso é achar um tesouro no campo. Não é apenas saber que o tesouro existe, mas ser impulsionado a abrir mão de tudo se preciso for para tê-Lo. Para quem encontrou o real tesouro, santidade não passa a ser uma opressão, uma obrigação ou um fardo pesado, mas uma força que nos impulsiona a estar mais perto dEle. Por isso somos “IMPULSIONADOS PELO AMOR”. 62
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    Aqui temos históriasde pessoas que não mudaram para conseguir um tesouro, mas mudaram porque o encontraram. Se você ainda não encontrou esse tesouro, saiba que ele está disponível para você. Deus te ama e não há nada que O faça desistir de te amar. Basta você aceitar Seu Amor. Se você já encontrou o verdadeiro tesouro e está em uma caminhada de restauração sexual, esperamos que tenha encontrado neste material ainda mais força e ânimo. Se você também foi impulsionado pelo Amor de Deus e escreveu uma nova história, gostaríamos muito de conhecer e publicar em nossos próximos volumes. Deus Abençoe Que diariamente possamos viver e espalhar o Seu Amor. EQUIPE CLOSET FULL 63
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    Vai Valer aPena (Livres para adorar) Não compreendo os Teus caminhos Mas Te darei a minha canção Doces palavras Te darei Me sustentas em minha dor E isso me leva mais perto de Ti Mais perto dos Teus caminhos E ao redor de cada esquina, em cima de cada montanha Eu não procuro por coroas, ou pelas águas das fontes Desesperado eu Te busco Frenético acredito Que a visão da Tua face É tudo o que eu preciso, eu Te direi Que vai valer a pena Vai valer a pena Vai valer a pena, mesmo Não compreendo os teus caminhos Mas te darei a minha canção Doces palavras te darei, te darei, te darei Me sustentas em minha dor E isso me leva mais perto de Ti Mais perto dos Teus caminhos E ao redor de cada esquina Em cima de cada montanha Eu não procuro por coroas Ou pelas águas das fontes Desesperado eu te busco Frenético acredito Que a visão da tua face É tudo, tudo, tudo o que eu preciso E o grande dia haverá de chegar Quando eu e você, nos encontraremos com Ele, naquele dia E eu e você, cantaremos em uma só voz a Ele Senhor valeu a pena Senhor valeu a pena Senhor valeu, valeu, valeu, valeu Eu haverei de cantar ao meu Senhor Quando o grande dia chegar Quando o grande dia chegar, e ele vem Quando o grande dia chegar Eu cantarei, eu cantarei, eu cantarei, JESUS, sim, sim, sim Jesus, valeu, valeu... 64