INTERIM MANAGEMENT
razo
O número de telefone dos interim managers é linha SOS das companhias que
já se viraram para os gestores a prazo para resolverem os seus problemas. Veja
quando precisa deles e conhea o perfil dos gestores independentes
porlsabeiCanha
11
CARREIRAS 

INTERIM MANAGEMENT 

es ores com 

razocon ra oa
onúmero de telefone dos interim managers é ~ linha SOS das companhias
que já se viraram para os gestores a prazo para resolverem os seus problemas.
Veja quando precisa deles e conhe~a o perfil dos gestores independentes
nterim management? Nunca ouvi
falar disso!" . Se se rever nesta afirma­
c;:ao prepare-se porque no futuro
ouvirá falar muito disso. Um interim
manager é um gestor a tempo tem­
porário que entra nas empresas sobretudo
em épocas de crise. "Sao asoluc;:ao parasitu­
ac;:6es inesperadas, nao previstas, em que
nao houve tempo para preparar um plano
de sucessao", explica Bruno Lehmann, da
consultora em executive search Egon
Zehnder.
O interim manager tem um objectivo
claramente definido e urna data estipulada
para o cumprir. Depois, abandona a com­
panhia e parte para outra. "Sois como ]úlio
César:veni, vidi, vici(cheguei, vievenci)",
refere um amigo italiano a Andrés Binder,
argentino de 37 anos, que em Portugal se
dedica a esta actividade. Nao é o único inte­
rim manager, mas é a excepc;:ao num mer­
cado de trabalho de gestores e executivos
habituados ao emprego a tempo inteiro.Por
mero acaso conheceu um outro colega que
abrac;:ou a mesma actividade, mas perdeu­
lhe o rasto. "Tentei formar urna associac;:ao
de interim managemente nao consegui",
diz Binder que ainda nao desistiu de con­
cretizar essa ideia.
48 . Fortuna Margo 94
porlsabelCanha
a interim management é urna figura
ainda mal delineada. Que nome lhe atribu­
ir em portugues, quando mesmo na língua
inglesa os contornos estao mal definidos e
nao se chegou a aCOl'do quanto anomen­
clatura? Há quem lhes chame executivos de
portfolio,executivos temporários,gesto¡;es
free lancersou gestores para alugar. Nos Es­
tados Unidos usa-se também os termos lea­
sing de executivos e aIuguerde cabec;:as, tra­
duc;:6es directas que deixam que pensar.
a conceito do interim manage.1}'lent
foi desenvolvido na Holanda, durante a re­
cessao do inÍCio dos anos 80.Apioneira foi
a BCG Interim Managemem, consultora de
Amesterdao fundada em 1978 por Floris
Croen e Caes Boer. Em 1986 a BCG fez urna
joint-venture com a consultora suíc;:a de
executive search Egon Zehnder, dando ori­
gem aExecutive Interim Management-EIM.
Aassociac;:ao marcou o inÍCio da internacio­
naJizac;:ao do conceito e da companhia, que
hoje detém 10 esclitórios na Europa Oci­
dental e dois na Austrália, sendo a única
agencia de interim managementque opera
a nÍvel europeu. Só em 1993 teve 200 pro­
jectos. "O segredo é urna boapoolde mana­
gers", revela Bnmo Lehmann, que explica:
"A selecc;:ao do interim manager precisa
ser mais rápida, o que se consegue porque
os factores de personalidade sao secundá­
rios. Ele tem de exercer o papel que apar- .
tida ficou definido. aque é urna grande res­
ponsabilidadeporque asoluc;:aoencontrada .
tem de ser estanque, nao pode meter água
por nenhum lado".
Foi preciso esperar urna década para
que o interim management comec;:asse a
perdero carimbo de soluc;:ao adequada ape­
naspara crises esporádicas,sendo hoje cada
vez mais encarado como um recurso de que
as companhias disp6em para fazer face a
projectos específicos. E dez anos foi tam­
bém o tempo necessário para que o con­
ceito se difundisse na Holanda, amadure­
cesse em Inglaterra e chegasse aos Estados
Unidos. Segundo as declarac;:6es ao
Financial Times de MartinWood, director
responsável pelo interim managementna
PA Consulting, "apenas urna em cada oito
grandes companhias britanicas já usou o
interim management". Na Alemanha o
conceito foi introduzido em 1989.Mas nao
foi no seio do capitalismo que mais utili­
dade lhe foi dado, o que se prende com o
seu carácter de recurso em situac;:6es de
crise. "É interessante notar que a queda do
muro de Berlim acelerou instantaneamen­
te a necessidade de situa¡;;oes de gestao tem­
porárias na AJemanha de Leste. Só a partir
daí o conceito come¡;;ou depois a ser utili­
zado na antiga Alemanha Ocídental", rela­
ta Bruno Lehmann. Até á data a EIM reali­
zou 22 missoes na extinta Alemanha de
Leste, a maioría das quais ligadas a privati­
za¡;;oes. Apesar da Europa Ocidental ser a
suaprioridade, a empresa encara aHungría,
Polónia Eslováquia e República Checacomo
mercados a nao descurar.
Em Portugal o interim management
nao está ainda muito difundido. Andrés
Binder recebe, sobretudo, trabalhos que
lhe chegam de empresas estrangeiras. "Elas
aceitam mais os interim managers. Nas
companhias nacionais poe-se muito os
velhos amigos, sejam bons ou maus. Basta
ver que a maioria das empresas ainda nao
recorrem ao executive search", compara.
Mas Binder preve sucesso nesta actividade
"Num país onde as leis laborais sao muito
rígidas o interim managementtem de fun­
cionar", defende, referindo que os países
do Benelux, onde os gestores temporários
lograram grandesucesso, aestruturaempre­
sarial é semelhante aportuguesa: maiori­
tariamente composta por pequenas ou
médias empresas familiares. "Porexemplo,
na Bélgica um interim manager foi cha­
mado para o comando de uma companhia,
até que o sucessor pudesse tomar o seu
lugar. Esta circunstancia é tao vulgar em
Portugal e nao é fácil encontrar quem este­
ja disposto a suportar a situa¡;;ao em que
sabe que, mais cedo ou mais tarde,será dis­
pensado para entrar o filho do patcio".
Lá fora,há já exemplos de empresas que
adoptaram o conceito dentro das suas por­
tas. A IBM, por exemplo, salvou do despe­
dimento alguns dos seus gestores intermé­
dios,colocando-os numaUl1idade especial,
um quadro de gestores que sao enviados
para assignements (nomea¡;;oes) de curto
prazo, com missoes claramente definidas.
Mas as companhias que nao tem a dimen­
sao da Big Blue nao podem dar-se a esse
luxo. É neste grupo que estao os melhores
clientes das agencias especializadas em inte­
rim managelnent.
Os interim managers encontram-se
numa grande diversidade de situa¡;;oes e de
organiza¡;;oes - desde grandes empresas a
institui¡;;oes prisionais ou Polícia. Osexem­
plos chegam sobretudo através da imprensa
estrangeira. Segundo o Financial Times,
na Leyland DAF assumiram as rédeas da
companhia,enquanto se procuravam com­
pradores. A Britannia Life contratou um
interim manager para absorver a aquisi­
¡;;ao de uma companhia de servi¡;;os finan­
ceiros.Em Portugal, a Manpower tem neste
momento colocados vários gestores tem­
porários. Um gestor de recursos humanos
está, por seis meses, numa multinacional a
fazer o levantamento global do perfil dos
postos de trabalho, dos trabalhadores e da
sua adequa¡;;ao aos postos de trabalho e aos
novos postos acriarna sequenciade muda.l1­
cas tecnológicas introduzidas; um gestor
de vendas acompanha a equipa de vende­
dores enquanto decorre o processo de
selec¡;;ao e posterior forma¡;;aO desse qua­
dro no país de origem da empresa.
Margo 94 Fortuna' 49
CARREIRAS Interim management 

Handy "ofull time nas empresas será ape­ vou de férias. Só me pagam as horas queEste é, aliás, um caso paradigmático do
recurso aos gestores temporários. Um dos nas urna das opc;oes,aopc;ao de urna mino­ trabalho. Feitas as contas posso garantir
casos que a EIM resolveu em Portugal visa­ ria, talvez de urna elite". que o interim manager custa menos que
va também assegurar operíodo que medeia Até agora, os quadros estavam mais ou urnfull time managercujopeso para a em­
entre urna sucessao. Urna multinacionalque­ menosprotegidos destas intempérides.Mas presa é quase duas vezes o seu ordenado
ria substituir o seu director-geral e come­ agora, que até o desemprego já atingiu os bruto, porque há que contarcom 14 ordena­
c;ou urna busca dentro do grupo pela pes­ white collars,também o trabaIho temporá­ dos, seguranc;a social, reforma, custos de
rio lhes bate a porta.Comoo interim mana­ recrutamento e de formac;ao,eventuaiscus­soa mais adequada. A soluc;ao encontrada
foi a expatriac;ao do director-geral brasiJei­ gement se enquadra nesta tendencia pro­ tos de despedimento e Olltros beneficios
ro. Mas até que se encontrasse quem o subs­ fetizada por Charles Handy, há também que um gestor normalmente recebe", diz
tituisse no Brasile ele viesse de armas e baga­ quem chame aos interim managers-acres­ Andrés Binder.
gens - o que levou nove meses - precisava cente no glossário -handymen. Por outro lado, a empresa consegue
Como a necessidade apura o engenho, resultados imediatos. "A curva de aprendi­de alguém que tomasse conta da operac;ao
eis que o mercado norte-americano fka zagem dentro da companhia é mais rápida,portuguesa. "Estabeleceu-se um perfil ade­
quado a essa situac;ao transitória e o requi­ pejado de empresas que se dedicam ao tra­ porque ele já está habituado a situac;oes
sito mínimo que neste caso se exigia ao inte­ balho temporário de executivos. David diferentes", refere Binder.
rin'l managerera, tao-só, confianc;a", revela Lord, editorda Executive RecruiterNews, Claro que este expediente surgiu nao
citado pela Fortune, esti.¡na que elas quase apenas para gáudio das empresas, para res­Bruno Lehmann.
que triplicaram desde 1990. Para as empre­ ponder as suas necessidades esporáricas eEm 1991, o guru da Gestao Charles
Handy advogou e previu com grande pre­ sas, o trabalho temporário de quadros e temporárias. Do lado dos executivos tem­
cisao a tendencia para o trabaIho flexível, executivos apresenta as mesmas vantagens porários há também vantagens.Muitos qua­
do que o trabalho temporário em geral. dros, desempregados ou insatisfeitos comno best-seller The Age ofUnreason -A Era
da Irracionalidade, em versao portugue­ "Easy start, easypart",sintetiza,ao Herald os projectos em mao, reconhecem na nova
Tribune, Carl Hague, presidente da Praxis tendencia a resposta para os seus desafiossa da Colecc;ao Pensara Gestao, das Edic;oes
CETOP. No seu livro mais recente, The Age Executive Task Force, de Birmingham. de independencia. "Ser autónomo é urna
ofParadox, que sairá nos Estados Unidos Quando a necessidade é apenas temporá­ grande vantagem", acrescenta Andrés
em Marc;o, o professor da London Business ria compensa e assim que nao necessitar Binder, que passou em Portugal por um
School val mais longe na sua visao da empre­ dos seus servic;os pode-os dispensar. "Nao período de transic;ao de carreira.
sa que opera com um núcleo muito recebo honorários nem subsídio quando Gostava de Portugal,casou-se com urna
restrito de trabalhadores perma- portuguesa e queria deixar a carreira
nentes e um grupo numeroso que PERFIL DO INTERIM MANAGER intemacional. Grandepartedasuavida
é a sua forc;a de contigentes. profissional foi feita como expatria­
Nem todos levam as profecias É uma pessoa independente, em termos económicos, já que do. Engenheiro industrial, passou para
nao pode depender de um único empregador e, por definic;:ao,
dade dos números é inegável. Se­ nao deve estar aprocura de um emprego definitivo e a tempo gestao até se aventurarpara a Europa.
inteiro. "Este aspecto é muito importante. Nao pode ter receio Em 1982 estava em Fontainebleau a
de Handy muit9 a sério, mas a ver­ aáreafinanceira,fazendo controlo de
gundoaFortune,os cálculosfeitos
pelos norte-americanos mostram de que o contrato acabe porque a decisao nao agrada aos acci­ tirar o MBA, no Insead. Terminado o
onistas", diz Andrés Binder. Para além de ser capaz de um mestrado,dentre asmuitas propostasque asua forc;a de trabaIho é jácom­

posta em 25%-um em cada quatro diagnóstico rápido e preciso da situac;:ao, precisa de uma gran­ com que um recém-master é aliciado, 

-por contigentes, isto é, profissio­ de capacidade de concretizac;:ao, de actuar ra'pidamente mas preferiu a Olivetti. Em Itália fazia con­

naisempart-time, em trabalho tem­ sem precipitac;:ao. "A imaginac;:ao e a capacidade analítica - trolo de gestao da única fábrica de
porário,jree lancers,subcontrata­ para ler, mais do que os números, a organizac;:ao informal- sao impressorasque o grupo de Benedetti
tinha, passou por várias flliais e pelados ou em regime liberal. Para que fundamentais", diz Binder. Deve ser uma pessoa muito vira­
casa-mae.De lá partiu para os Estadosos números nao sejam enganado­ da para os objectivos, enérgica e dinamica. Para ser bem acei-
Unidos e, em 1988,aOlivetti trá-loparares é,no entanto, precisofrisar que te deve ter provado o seu sucesso noutros projectos, sendo
Portugal como director financeiro daeles incluem os profissionais em re­ em regra um gestor senior. Aos interim managers exige-se
subsidiruiapOltuguesa.Depoisde asse­gime liberal, em que se enquadram mais em termos de adequac;:ao afunc;:ao do que se exige a um
gurar a direcc;ao-geral de uma com­um batalhao de médicos e advoga­ gestor a tempo inteiro. Aos gestores que assumem uma fun­
panhia de seguranc;a electrónica, emdos que se fazem pagar muito bem. c;:ao é-Ihes reconhecido uns meses em que toma conhecimento
1992 repensoua vida profissional. "OAtendencia fica mais bem deli­ da situac;:ao, como demonstra o Professor Gabarro. Mas ao
interim management comec;ou porneada sabendo-se que alguns ana­ interim managernao é dado esse beneficio. "O interim mana­
acaso",recorda. "Umconhecido,pro­listas prevem que dentro de seis ger precisa de grande capacidade de adaptac;:ao. Entra na
prietário de urna média companhia,anos, no ano 2000, metade da forc;a
empresa de manha e ao meio-diajá tem de estar a tomar deci­
precisava de ajuda por um períodoactiva americana será constituida
s6es, de saberquais os pontos fortes efracos", defende Bruno limitado de tempo, até que encon­por pessoas sem um emprego per­
Lehmann, da consultora Egon Zehnder. trasse urna pessoa paraficar até afren­manente. Como escreve Charles
50· Fortuna Marc;:o 94
te do negócio. Seis meses depois,
encontrámos essa pessoa, a reorga­
EXECUTIVOS TEMPORARIOS managers permanecem indepen­
dentes. Com frequéncia a eles
nizac,;ao que nos propuséramos fazer
estava avanc,;ada e era missao dessa
Aempresa suíga Ádia -presente em 26 países- está em Portugal
desde 1990, mas ainda nao recebeu um único pedido de ges­
cabem tomar as decisoes necessá­
rias, mas que quem está na empre­
pessoa, que ía permanentemente para
a empresa, terminá-Ias. O meu traba­
lho ficou concluído".
Decorrido um ano e meio já
desenvolveu quatro missoes. Nem
aos conhecidos Andrés Binder reve­
tores em trabalho temporário. Mas o seu director-geral, Mário
Costa, acredita que mais cedo ou mais tarde essa tendencia
chegará a Portugal. "Há cinco anos o mercado de trabalho tem­
porário era tao incipiente que até aconselhei os suígos a nao
virem para Portugal. Ea verdade é que a adesao a CEE e o pro­
cesso de privatizagoes permitiram que este mercado cresces­
sa nao tem coragem como, por
exemplo, dispensafll111 antigo e esti­
mado colaborador que já nao se
enquadrana nova estrutura. Andrés
Binder alega vantagens em relac,;ao
as pessoas que estao na companhia.
la qual a companhia. Os seus colegas
do MBA, alguns dos quais fazem inte­
rim lnanagement, com quem se reu­
se a um bom ritmo". Na Inglaterra ou nos Estados Unidos o
grupo Ádia tem mesmo empresas específicas de trabalho tem­
porário de determinados profissionais. A Accountants on Call,
"Quem chega de fora vé as coisas
com outros olhos e está menos sen­
sibilizado as políticas e sentinlentos
niu em Franc,;a, adoptam o mesmo por exemplo, nos EUA, dedica-se apenas ao trabalho temporá­ internos, por isso tem a coragem de
procedimento. "As companhias nao rio de contabilistas e financeLros; a Adia Information tomar as decisoes necessárias, por
gostam que se saiba. Por isso man­
telillo o segredo. Nao aceito um tra­
balho de urna empresa concorrente
Techonologies que só trabalha o mercado de trabalho tempo­
rário de profissionais de informática; no Reino Unido, aJonathan
Wren - a que alguns dos grandes bancos portugueses recorrem
mtúto duras que sejam, e actuarmais
fdamente em nmc,;ao dos objectivos
que tem de prosseguir".
pelo período de um ano. Se creio que - dedica-se só a área da banca. A entrada de um gestor tempo­
o projecto nao é viável recuso o tra­
balho. Sao questoes de ética. O meu
Também a Manpower, a' empresa que em Portugal lidera o
trabalho temporário e que detém o alvará número 1, nos Estados
rário pode, como se depreende,
gerar reacc,;oes adversas nas pesso­
sucesso é a minha única publicidade
e nesta actividade um trabalho mal
feito ou urna falta de ética sao fatais:
Unidos, Franga e Inglaterra criou a Manpower-Quadros, que se
dedicam em exclusivo a sua colocagao temporária. "Esta faixa
de mercado está a aumentar substancialmente", conta Marcelino
as que jáestao na companhia. "Ideal­
mente os líderes da empresa devem
estar envolvidos, empenhados no
custam as inúmeras vezes que se pro­
cedeu com ética e se realizou um
bom trabalho".
Pena Costa, director-geral que é também o presidente da
Associagao de Empresas de Trabalho Temporário. A filial por­
tuguesatemjá alguma experiencia nesta actividade, tendo neste
processo e devem, desde o primei­
ro dia, apresentá-Io como interim
manager", sugere Andrés Binder.
Como acontece um pouco com
todas as novidades, para as explicar,
faz-se a comparac,;ao com conceitos
já conhecidos. Diz-se por exemplo
que é o trabalho temporário mas de
quadros superiores, o que para um
momento alguns executivos colocados temporariamente em
empresas. "Estamos atentos ao desenvolvimento deste mer­
cado e as oportunidades que este segmento representa para a
expansao comercial", explica Marcelino Costa. Mas ele repre­
senta apenas 1% da facturagao da Manpower Portuguesa, que
em 1993 foi de 1350 mil contos.
Algumas companhias mostram
suspeitas de que um outsider COll­
siga, numa indústria ou sector de
actividade que lhe podem ser des­
conhecidos, apresentar resultados
rapidamente. Andreas Binder dis­
país com a tradic,;ao de Portugal- em corda. A sua experiéncia é diversa.
que trabalho temporário surge imediata­ vantagens de todos os que estao de fora da "A maior parte das vezes que as empresas
mente associado a secretárias ou soldado- vida diária da empresa, sejam consultores chamam um interim manager é para en­
res - parece urna contradic,;ao nos termos. externos ou outsiders: apresentam melho­ frentar problemas genéricos: financeiros,
"O único ponto de convergéncia com o tra­ res resultados que os insiders que - como de organizac,;ao e sobretudo de gente, nao
balho temporário é a existéncia de um limi­ os outsidersgostam de Iembrar-estaO inlbu­ sao empresas com problemas comerciais.
te temporal para desenvolver o trabalho", idos da situac,;ao pelo que a mudanc,;a é mais Eainda que o fosse o interim managertam­
argumenta Andrés Binder. dificil. Um interim manager terá de ter as bém sabe marketing". Noutros mercados
Para melhor apresentar o conceito, faz­ qualidades de um bom consultor aliadas a mais desenvolvidos há já interim mana­
se ainda o paralelo com a consultoria e o urna capacidade de execuc,;ao e de liderar gers especializados por áreas funcionais.
recrutamento, em que o interim manage­ equipas. Sob esta perspectiva, é mais difi­ Mas nem tudo corre sempre bem. ] ohn
mentfica a meia distancia de ambas as figu­ cil ser um bom gestor temporário do que Hird, presidente de urna Associac,;ao de
ras. Nao se trataapenas de recn¡tamentopor­ . apenas um bom gestor. "O segredo está em Interim Managers, conta ao Financial
que o interim manageré chamado a prestar implementar talvez nao a soluc,;ao perfeita, Times que urna companhia se arrependeu
o seu apoio enquanto conselheiro. Mas nao porque essa pode levar anos a concretizar, de contratar um interim especialista em
se fica pelos bons conselhos. Para cumprir mas em muitos casos a soluc,;ao que encami­ computadores que causou danos -nao quan- .
plenamente a sua func,;ao, precisa de execu­ nha a empresa no bom rumo e que evita que tificados - a companhia com urna má com­
tar, deimplementardepressae bem. "As con­ a situac,;ao piore", explica Andrés Binder. pra de equipamentos informáticos. Eoutra
sultoras analisam e aconselham, mas em regra Da consultoda, o interim managerguar­ companhia acolheu um director financei­
nao inlplementam. Equando implementam da ainda a independéncia, que é reforc,;ada ro temporário que se mostrou incompe­
cobram ofee de consultoda, que é supedor pelo facto de urna vez a missao cumprida tente e sem qualificac,;oes para lidar com o
ao do interim management", diz Binder. ele se desvincular da companhia. assunto. Para tirar dúvidas resta aguardar
Os interim managers apresentam as Durante cada nomeac,;ao os interim os resultados em Portugal. •
Margo 94 Fortuna· 51
I

Fortune Magazine

  • 1.
    INTERIM MANAGEMENT razo O númerode telefone dos interim managers é linha SOS das companhias que já se viraram para os gestores a prazo para resolverem os seus problemas. Veja quando precisa deles e conhea o perfil dos gestores independentes porlsabeiCanha
  • 2.
    11 CARREIRAS INTERIM MANAGEMENT es ores com razocon ra oa onúmero de telefone dos interim managers é ~ linha SOS das companhias que já se viraram para os gestores a prazo para resolverem os seus problemas. Veja quando precisa deles e conhe~a o perfil dos gestores independentes nterim management? Nunca ouvi falar disso!" . Se se rever nesta afirma­ c;:ao prepare-se porque no futuro ouvirá falar muito disso. Um interim manager é um gestor a tempo tem­ porário que entra nas empresas sobretudo em épocas de crise. "Sao asoluc;:ao parasitu­ ac;:6es inesperadas, nao previstas, em que nao houve tempo para preparar um plano de sucessao", explica Bruno Lehmann, da consultora em executive search Egon Zehnder. O interim manager tem um objectivo claramente definido e urna data estipulada para o cumprir. Depois, abandona a com­ panhia e parte para outra. "Sois como ]úlio César:veni, vidi, vici(cheguei, vievenci)", refere um amigo italiano a Andrés Binder, argentino de 37 anos, que em Portugal se dedica a esta actividade. Nao é o único inte­ rim manager, mas é a excepc;:ao num mer­ cado de trabalho de gestores e executivos habituados ao emprego a tempo inteiro.Por mero acaso conheceu um outro colega que abrac;:ou a mesma actividade, mas perdeu­ lhe o rasto. "Tentei formar urna associac;:ao de interim managemente nao consegui", diz Binder que ainda nao desistiu de con­ cretizar essa ideia. 48 . Fortuna Margo 94 porlsabelCanha a interim management é urna figura ainda mal delineada. Que nome lhe atribu­ ir em portugues, quando mesmo na língua inglesa os contornos estao mal definidos e nao se chegou a aCOl'do quanto anomen­ clatura? Há quem lhes chame executivos de portfolio,executivos temporários,gesto¡;es free lancersou gestores para alugar. Nos Es­ tados Unidos usa-se também os termos lea­ sing de executivos e aIuguerde cabec;:as, tra­ duc;:6es directas que deixam que pensar. a conceito do interim manage.1}'lent foi desenvolvido na Holanda, durante a re­ cessao do inÍCio dos anos 80.Apioneira foi a BCG Interim Managemem, consultora de Amesterdao fundada em 1978 por Floris Croen e Caes Boer. Em 1986 a BCG fez urna joint-venture com a consultora suíc;:a de executive search Egon Zehnder, dando ori­ gem aExecutive Interim Management-EIM. Aassociac;:ao marcou o inÍCio da internacio­ naJizac;:ao do conceito e da companhia, que hoje detém 10 esclitórios na Europa Oci­ dental e dois na Austrália, sendo a única agencia de interim managementque opera a nÍvel europeu. Só em 1993 teve 200 pro­ jectos. "O segredo é urna boapoolde mana­ gers", revela Bnmo Lehmann, que explica: "A selecc;:ao do interim manager precisa ser mais rápida, o que se consegue porque os factores de personalidade sao secundá­ rios. Ele tem de exercer o papel que apar- . tida ficou definido. aque é urna grande res­ ponsabilidadeporque asoluc;:aoencontrada . tem de ser estanque, nao pode meter água por nenhum lado". Foi preciso esperar urna década para que o interim management comec;:asse a perdero carimbo de soluc;:ao adequada ape­ naspara crises esporádicas,sendo hoje cada vez mais encarado como um recurso de que as companhias disp6em para fazer face a projectos específicos. E dez anos foi tam­ bém o tempo necessário para que o con­ ceito se difundisse na Holanda, amadure­ cesse em Inglaterra e chegasse aos Estados Unidos. Segundo as declarac;:6es ao Financial Times de MartinWood, director responsável pelo interim managementna PA Consulting, "apenas urna em cada oito grandes companhias britanicas já usou o interim management". Na Alemanha o conceito foi introduzido em 1989.Mas nao foi no seio do capitalismo que mais utili­ dade lhe foi dado, o que se prende com o seu carácter de recurso em situac;:6es de crise. "É interessante notar que a queda do muro de Berlim acelerou instantaneamen­
  • 3.
    te a necessidadede situa¡;;oes de gestao tem­ porárias na AJemanha de Leste. Só a partir daí o conceito come¡;;ou depois a ser utili­ zado na antiga Alemanha Ocídental", rela­ ta Bruno Lehmann. Até á data a EIM reali­ zou 22 missoes na extinta Alemanha de Leste, a maioría das quais ligadas a privati­ za¡;;oes. Apesar da Europa Ocidental ser a suaprioridade, a empresa encara aHungría, Polónia Eslováquia e República Checacomo mercados a nao descurar. Em Portugal o interim management nao está ainda muito difundido. Andrés Binder recebe, sobretudo, trabalhos que lhe chegam de empresas estrangeiras. "Elas aceitam mais os interim managers. Nas companhias nacionais poe-se muito os velhos amigos, sejam bons ou maus. Basta ver que a maioria das empresas ainda nao recorrem ao executive search", compara. Mas Binder preve sucesso nesta actividade "Num país onde as leis laborais sao muito rígidas o interim managementtem de fun­ cionar", defende, referindo que os países do Benelux, onde os gestores temporários lograram grandesucesso, aestruturaempre­ sarial é semelhante aportuguesa: maiori­ tariamente composta por pequenas ou médias empresas familiares. "Porexemplo, na Bélgica um interim manager foi cha­ mado para o comando de uma companhia, até que o sucessor pudesse tomar o seu lugar. Esta circunstancia é tao vulgar em Portugal e nao é fácil encontrar quem este­ ja disposto a suportar a situa¡;;ao em que sabe que, mais cedo ou mais tarde,será dis­ pensado para entrar o filho do patcio". Lá fora,há já exemplos de empresas que adoptaram o conceito dentro das suas por­ tas. A IBM, por exemplo, salvou do despe­ dimento alguns dos seus gestores intermé­ dios,colocando-os numaUl1idade especial, um quadro de gestores que sao enviados para assignements (nomea¡;;oes) de curto prazo, com missoes claramente definidas. Mas as companhias que nao tem a dimen­ sao da Big Blue nao podem dar-se a esse luxo. É neste grupo que estao os melhores clientes das agencias especializadas em inte­ rim managelnent. Os interim managers encontram-se numa grande diversidade de situa¡;;oes e de organiza¡;;oes - desde grandes empresas a institui¡;;oes prisionais ou Polícia. Osexem­ plos chegam sobretudo através da imprensa estrangeira. Segundo o Financial Times, na Leyland DAF assumiram as rédeas da companhia,enquanto se procuravam com­ pradores. A Britannia Life contratou um interim manager para absorver a aquisi­ ¡;;ao de uma companhia de servi¡;;os finan­ ceiros.Em Portugal, a Manpower tem neste momento colocados vários gestores tem­ porários. Um gestor de recursos humanos está, por seis meses, numa multinacional a fazer o levantamento global do perfil dos postos de trabalho, dos trabalhadores e da sua adequa¡;;ao aos postos de trabalho e aos novos postos acriarna sequenciade muda.l1­ cas tecnológicas introduzidas; um gestor de vendas acompanha a equipa de vende­ dores enquanto decorre o processo de selec¡;;ao e posterior forma¡;;aO desse qua­ dro no país de origem da empresa. Margo 94 Fortuna' 49
  • 4.
    CARREIRAS Interim management Handy "ofull time nas empresas será ape­ vou de férias. Só me pagam as horas queEste é, aliás, um caso paradigmático do recurso aos gestores temporários. Um dos nas urna das opc;oes,aopc;ao de urna mino­ trabalho. Feitas as contas posso garantir casos que a EIM resolveu em Portugal visa­ ria, talvez de urna elite". que o interim manager custa menos que va também assegurar operíodo que medeia Até agora, os quadros estavam mais ou urnfull time managercujopeso para a em­ entre urna sucessao. Urna multinacionalque­ menosprotegidos destas intempérides.Mas presa é quase duas vezes o seu ordenado ria substituir o seu director-geral e come­ agora, que até o desemprego já atingiu os bruto, porque há que contarcom 14 ordena­ c;ou urna busca dentro do grupo pela pes­ white collars,também o trabaIho temporá­ dos, seguranc;a social, reforma, custos de rio lhes bate a porta.Comoo interim mana­ recrutamento e de formac;ao,eventuaiscus­soa mais adequada. A soluc;ao encontrada foi a expatriac;ao do director-geral brasiJei­ gement se enquadra nesta tendencia pro­ tos de despedimento e Olltros beneficios ro. Mas até que se encontrasse quem o subs­ fetizada por Charles Handy, há também que um gestor normalmente recebe", diz tituisse no Brasile ele viesse de armas e baga­ quem chame aos interim managers-acres­ Andrés Binder. gens - o que levou nove meses - precisava cente no glossário -handymen. Por outro lado, a empresa consegue Como a necessidade apura o engenho, resultados imediatos. "A curva de aprendi­de alguém que tomasse conta da operac;ao eis que o mercado norte-americano fka zagem dentro da companhia é mais rápida,portuguesa. "Estabeleceu-se um perfil ade­ quado a essa situac;ao transitória e o requi­ pejado de empresas que se dedicam ao tra­ porque ele já está habituado a situac;oes sito mínimo que neste caso se exigia ao inte­ balho temporário de executivos. David diferentes", refere Binder. rin'l managerera, tao-só, confianc;a", revela Lord, editorda Executive RecruiterNews, Claro que este expediente surgiu nao citado pela Fortune, esti.¡na que elas quase apenas para gáudio das empresas, para res­Bruno Lehmann. que triplicaram desde 1990. Para as empre­ ponder as suas necessidades esporáricas eEm 1991, o guru da Gestao Charles Handy advogou e previu com grande pre­ sas, o trabalho temporário de quadros e temporárias. Do lado dos executivos tem­ cisao a tendencia para o trabaIho flexível, executivos apresenta as mesmas vantagens porários há também vantagens.Muitos qua­ do que o trabalho temporário em geral. dros, desempregados ou insatisfeitos comno best-seller The Age ofUnreason -A Era da Irracionalidade, em versao portugue­ "Easy start, easypart",sintetiza,ao Herald os projectos em mao, reconhecem na nova Tribune, Carl Hague, presidente da Praxis tendencia a resposta para os seus desafiossa da Colecc;ao Pensara Gestao, das Edic;oes CETOP. No seu livro mais recente, The Age Executive Task Force, de Birmingham. de independencia. "Ser autónomo é urna ofParadox, que sairá nos Estados Unidos Quando a necessidade é apenas temporá­ grande vantagem", acrescenta Andrés em Marc;o, o professor da London Business ria compensa e assim que nao necessitar Binder, que passou em Portugal por um School val mais longe na sua visao da empre­ dos seus servic;os pode-os dispensar. "Nao período de transic;ao de carreira. sa que opera com um núcleo muito recebo honorários nem subsídio quando Gostava de Portugal,casou-se com urna restrito de trabalhadores perma- portuguesa e queria deixar a carreira nentes e um grupo numeroso que PERFIL DO INTERIM MANAGER intemacional. Grandepartedasuavida é a sua forc;a de contigentes. profissional foi feita como expatria­ Nem todos levam as profecias É uma pessoa independente, em termos económicos, já que do. Engenheiro industrial, passou para nao pode depender de um único empregador e, por definic;:ao, dade dos números é inegável. Se­ nao deve estar aprocura de um emprego definitivo e a tempo gestao até se aventurarpara a Europa. inteiro. "Este aspecto é muito importante. Nao pode ter receio Em 1982 estava em Fontainebleau a de Handy muit9 a sério, mas a ver­ aáreafinanceira,fazendo controlo de gundoaFortune,os cálculosfeitos pelos norte-americanos mostram de que o contrato acabe porque a decisao nao agrada aos acci­ tirar o MBA, no Insead. Terminado o onistas", diz Andrés Binder. Para além de ser capaz de um mestrado,dentre asmuitas propostasque asua forc;a de trabaIho é jácom­ posta em 25%-um em cada quatro diagnóstico rápido e preciso da situac;:ao, precisa de uma gran­ com que um recém-master é aliciado, -por contigentes, isto é, profissio­ de capacidade de concretizac;:ao, de actuar ra'pidamente mas preferiu a Olivetti. Em Itália fazia con­ naisempart-time, em trabalho tem­ sem precipitac;:ao. "A imaginac;:ao e a capacidade analítica - trolo de gestao da única fábrica de porário,jree lancers,subcontrata­ para ler, mais do que os números, a organizac;:ao informal- sao impressorasque o grupo de Benedetti tinha, passou por várias flliais e pelados ou em regime liberal. Para que fundamentais", diz Binder. Deve ser uma pessoa muito vira­ casa-mae.De lá partiu para os Estadosos números nao sejam enganado­ da para os objectivos, enérgica e dinamica. Para ser bem acei- Unidos e, em 1988,aOlivetti trá-loparares é,no entanto, precisofrisar que te deve ter provado o seu sucesso noutros projectos, sendo Portugal como director financeiro daeles incluem os profissionais em re­ em regra um gestor senior. Aos interim managers exige-se subsidiruiapOltuguesa.Depoisde asse­gime liberal, em que se enquadram mais em termos de adequac;:ao afunc;:ao do que se exige a um gurar a direcc;ao-geral de uma com­um batalhao de médicos e advoga­ gestor a tempo inteiro. Aos gestores que assumem uma fun­ panhia de seguranc;a electrónica, emdos que se fazem pagar muito bem. c;:ao é-Ihes reconhecido uns meses em que toma conhecimento 1992 repensoua vida profissional. "OAtendencia fica mais bem deli­ da situac;:ao, como demonstra o Professor Gabarro. Mas ao interim management comec;ou porneada sabendo-se que alguns ana­ interim managernao é dado esse beneficio. "O interim mana­ acaso",recorda. "Umconhecido,pro­listas prevem que dentro de seis ger precisa de grande capacidade de adaptac;:ao. Entra na prietário de urna média companhia,anos, no ano 2000, metade da forc;a empresa de manha e ao meio-diajá tem de estar a tomar deci­ precisava de ajuda por um períodoactiva americana será constituida s6es, de saberquais os pontos fortes efracos", defende Bruno limitado de tempo, até que encon­por pessoas sem um emprego per­ Lehmann, da consultora Egon Zehnder. trasse urna pessoa paraficar até afren­manente. Como escreve Charles 50· Fortuna Marc;:o 94
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    te do negócio.Seis meses depois, encontrámos essa pessoa, a reorga­ EXECUTIVOS TEMPORARIOS managers permanecem indepen­ dentes. Com frequéncia a eles nizac,;ao que nos propuséramos fazer estava avanc,;ada e era missao dessa Aempresa suíga Ádia -presente em 26 países- está em Portugal desde 1990, mas ainda nao recebeu um único pedido de ges­ cabem tomar as decisoes necessá­ rias, mas que quem está na empre­ pessoa, que ía permanentemente para a empresa, terminá-Ias. O meu traba­ lho ficou concluído". Decorrido um ano e meio já desenvolveu quatro missoes. Nem aos conhecidos Andrés Binder reve­ tores em trabalho temporário. Mas o seu director-geral, Mário Costa, acredita que mais cedo ou mais tarde essa tendencia chegará a Portugal. "Há cinco anos o mercado de trabalho tem­ porário era tao incipiente que até aconselhei os suígos a nao virem para Portugal. Ea verdade é que a adesao a CEE e o pro­ cesso de privatizagoes permitiram que este mercado cresces­ sa nao tem coragem como, por exemplo, dispensafll111 antigo e esti­ mado colaborador que já nao se enquadrana nova estrutura. Andrés Binder alega vantagens em relac,;ao as pessoas que estao na companhia. la qual a companhia. Os seus colegas do MBA, alguns dos quais fazem inte­ rim lnanagement, com quem se reu­ se a um bom ritmo". Na Inglaterra ou nos Estados Unidos o grupo Ádia tem mesmo empresas específicas de trabalho tem­ porário de determinados profissionais. A Accountants on Call, "Quem chega de fora vé as coisas com outros olhos e está menos sen­ sibilizado as políticas e sentinlentos niu em Franc,;a, adoptam o mesmo por exemplo, nos EUA, dedica-se apenas ao trabalho temporá­ internos, por isso tem a coragem de procedimento. "As companhias nao rio de contabilistas e financeLros; a Adia Information tomar as decisoes necessárias, por gostam que se saiba. Por isso man­ telillo o segredo. Nao aceito um tra­ balho de urna empresa concorrente Techonologies que só trabalha o mercado de trabalho tempo­ rário de profissionais de informática; no Reino Unido, aJonathan Wren - a que alguns dos grandes bancos portugueses recorrem mtúto duras que sejam, e actuarmais fdamente em nmc,;ao dos objectivos que tem de prosseguir". pelo período de um ano. Se creio que - dedica-se só a área da banca. A entrada de um gestor tempo­ o projecto nao é viável recuso o tra­ balho. Sao questoes de ética. O meu Também a Manpower, a' empresa que em Portugal lidera o trabalho temporário e que detém o alvará número 1, nos Estados rário pode, como se depreende, gerar reacc,;oes adversas nas pesso­ sucesso é a minha única publicidade e nesta actividade um trabalho mal feito ou urna falta de ética sao fatais: Unidos, Franga e Inglaterra criou a Manpower-Quadros, que se dedicam em exclusivo a sua colocagao temporária. "Esta faixa de mercado está a aumentar substancialmente", conta Marcelino as que jáestao na companhia. "Ideal­ mente os líderes da empresa devem estar envolvidos, empenhados no custam as inúmeras vezes que se pro­ cedeu com ética e se realizou um bom trabalho". Pena Costa, director-geral que é também o presidente da Associagao de Empresas de Trabalho Temporário. A filial por­ tuguesatemjá alguma experiencia nesta actividade, tendo neste processo e devem, desde o primei­ ro dia, apresentá-Io como interim manager", sugere Andrés Binder. Como acontece um pouco com todas as novidades, para as explicar, faz-se a comparac,;ao com conceitos já conhecidos. Diz-se por exemplo que é o trabalho temporário mas de quadros superiores, o que para um momento alguns executivos colocados temporariamente em empresas. "Estamos atentos ao desenvolvimento deste mer­ cado e as oportunidades que este segmento representa para a expansao comercial", explica Marcelino Costa. Mas ele repre­ senta apenas 1% da facturagao da Manpower Portuguesa, que em 1993 foi de 1350 mil contos. Algumas companhias mostram suspeitas de que um outsider COll­ siga, numa indústria ou sector de actividade que lhe podem ser des­ conhecidos, apresentar resultados rapidamente. Andreas Binder dis­ país com a tradic,;ao de Portugal- em corda. A sua experiéncia é diversa. que trabalho temporário surge imediata­ vantagens de todos os que estao de fora da "A maior parte das vezes que as empresas mente associado a secretárias ou soldado- vida diária da empresa, sejam consultores chamam um interim manager é para en­ res - parece urna contradic,;ao nos termos. externos ou outsiders: apresentam melho­ frentar problemas genéricos: financeiros, "O único ponto de convergéncia com o tra­ res resultados que os insiders que - como de organizac,;ao e sobretudo de gente, nao balho temporário é a existéncia de um limi­ os outsidersgostam de Iembrar-estaO inlbu­ sao empresas com problemas comerciais. te temporal para desenvolver o trabalho", idos da situac,;ao pelo que a mudanc,;a é mais Eainda que o fosse o interim managertam­ argumenta Andrés Binder. dificil. Um interim manager terá de ter as bém sabe marketing". Noutros mercados Para melhor apresentar o conceito, faz­ qualidades de um bom consultor aliadas a mais desenvolvidos há já interim mana­ se ainda o paralelo com a consultoria e o urna capacidade de execuc,;ao e de liderar gers especializados por áreas funcionais. recrutamento, em que o interim manage­ equipas. Sob esta perspectiva, é mais difi­ Mas nem tudo corre sempre bem. ] ohn mentfica a meia distancia de ambas as figu­ cil ser um bom gestor temporário do que Hird, presidente de urna Associac,;ao de ras. Nao se trataapenas de recn¡tamentopor­ . apenas um bom gestor. "O segredo está em Interim Managers, conta ao Financial que o interim manageré chamado a prestar implementar talvez nao a soluc,;ao perfeita, Times que urna companhia se arrependeu o seu apoio enquanto conselheiro. Mas nao porque essa pode levar anos a concretizar, de contratar um interim especialista em se fica pelos bons conselhos. Para cumprir mas em muitos casos a soluc,;ao que encami­ computadores que causou danos -nao quan- . plenamente a sua func,;ao, precisa de execu­ nha a empresa no bom rumo e que evita que tificados - a companhia com urna má com­ tar, deimplementardepressae bem. "As con­ a situac,;ao piore", explica Andrés Binder. pra de equipamentos informáticos. Eoutra sultoras analisam e aconselham, mas em regra Da consultoda, o interim managerguar­ companhia acolheu um director financei­ nao inlplementam. Equando implementam da ainda a independéncia, que é reforc,;ada ro temporário que se mostrou incompe­ cobram ofee de consultoda, que é supedor pelo facto de urna vez a missao cumprida tente e sem qualificac,;oes para lidar com o ao do interim management", diz Binder. ele se desvincular da companhia. assunto. Para tirar dúvidas resta aguardar Os interim managers apresentam as Durante cada nomeac,;ao os interim os resultados em Portugal. • Margo 94 Fortuna· 51 I