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A Visão Espírita
do Homem
André Henrique
Natal, 8 de julho de 1996
Seguindo as tradições da ciência mecanicista
o ser humano foi tomado
como uma mera máquina biológica,
um organismo complexo
com sistemas de funções específicas.
D i a g r a m a ç ã o : E l i o M o l l o
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 2
É Tempo De SORRIR !!!
Reserve tempo para trabalhar
Este é o preço do êxito
Reserve tempo para pensar
Esta é a fonte do saber
Reserve tempo para divertir-se
Este é o segredo da juventude
Reserve tempo para ser amigo
Este é o caminho da felicidade
Reserve tempo para sonhar
Este é o meio de ligar uma estrela a sua vida
Reserve tempo para amar
Este é um privilégio concedido por Deus
Reserve tempo para ser útil ao próximo
Pois a vida é demasiadamente curta para sermos egoístas
Reserve tempo para sorrir
Esta é a música da alma.
Tempo é questão de preferência...
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 3
Visão Espírita do Homem
“...Eis o Homem!”
- Pilatos (João, 19:5)
QUEM SOMOS?
“O milagre dos milagres é que de um monte de bar-
ro Deus fez um homem hoje!...”
Motel Kamsoy -
No filme The Fiddler on the Roof
A Natureza tem sido objeto das reflexões do h o-
mem desde que a linguagem iluminou-lhe o cérebro
com o magnífico poder da representação. O mito
nos permitiu apreender conteúdos da realidade e
tão logo construímos uma história da natureza bu s-
camos construir nela a história de nós mesmos.
Afinal, quem somos? — tornou-se a pergunta
central do homem que percebia a si mesmo como
único, distinto mesmo de seus sem elhantes, idios-
sincrático, singular...
As tradições mitológicas das civilizações antigas
apontam para a herança divina que portamos. Cada
mito da criação humana encerra uma representação
de conceitos construídos a partir da percepção da
natureza das coisas acrescida do poder criativo que
a linguagem lhe proporcionava.
Muitos séculos depois, a questão de nossa ide n-
tidade permanece tão válida como outrora. Mais
até... Reconhecer nossa verdadeira natureza torna -
se na atualidade a questão fundamental de cuja
resposta derivam nossas ações, nossa ética, no s-
sos ideais.
O homem é o que ele faz de si. E ele faz aquilo
que acredita ser.
Máquinas? Deuses? Réprobos? Afinal, quem
somos?
O presente trabalho pretende elucidar particular i-
dades desta questão. Traremos à baila conceitos
que grassam na cultura ocidental. E embora influe n-
ciados por correntes do pensamento oriental, este
não será objeto direto de nossas cogitações. A fil o-
sofia espírita servirá como pano de fundo para o
desenvolvimento de nossas idéias. Sobre os seus
postulados analisaremos, construiremos e refutar e-
mos conceitos acerca da natureza do homem.
Nosso propósito? Edificar, com os elementos ora
existentes, uma concepção abrangente acerca da
natureza humana. Uma concepção conspirante.
Erguida contra as noções estabelecidas que apre-
sentam o homem como um objeto, máquina ou
complexo exclusivamente material. Pretendemos
incendiar a apatia. Lutamos por entronizar o conce i-
to de que somos um projeto de transformação, s o-
mos um processo em construção; somos um d evir.
A filosofia espírita, respaldada na ciência emergente
do espírito, serve-nos de base fundamental para
propor e desenvolver uma nova, desafiante e tran s-
formadora idéia: A VISÃO ESPÍRITA DO HOMEM.
VISÕES DA ANTROPOLOGIA
“A antropologia é a ciência do fenômeno humano.
Em contraste com as disciplinas que limitam po r-
ções de entendimento no fenômeno, a antropologia
considera a história, a psicologia, a sociologia, a
economia, etc., não como domínios, mas sim como
componentes de um fenômeno global.
Edgar Morim
em O Homem e a Morte.
Como estudo do fenômeno humano, a antrop o-
logia se propõem a estudá-lo em todas as suas
dimensões. Aqui encontramos conflitos entre as
diversas visões sobre a natureza humana. Ora visto
como um complexo puramente biológico, outr as,
como um diáfano componente espiritual que mil a-
grosamente se mostra pela vontade misteriosa de
Deus, o problema do ser humano tem merecido a
atenção de diversas escolas do pensamento. Pod e-
remos agrupar tais visões — conforme proposta do
prof. J. Herculano Pires1 — da seguinte forma:
A Antropologia Materialista
Reduzindo o homem a um complexo físico-
químico e apresentando o Espírito como um epif e-
nômeno, esta abordagem busca equacionar a
questão humana dentro da lógica mecanicista bu s-
cando na fisiologia cerebral a explicação última da
realidade humana.
A Antropologia Espiritualista
Propõem um Ser Espiritual cuja existência e s-
tende-se para além da vida física; porém, negli-
gencia aspectos importantes acerca do mundo m a-
terial por considerá-lo de menor importância.
Uma nova antropologia...
A visão espírita do homem propõem uma nova
antropologia — talvez a retomada do conceito fun-
damental dela. Reconhecendo as dimensões espiri-
tual e material do ser humano, propõem -se a um
estudo abrangente acerca da natureza humana.
Transformando o antropus num conceito espiritual,
1< PIRES, J. Herculano. PARAPSICOLOGIA HOJE E AM A-
NHÃ. pp 13 a 17. 9ª ed. Edicel. São Paulo. 1987.
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 4
num processo de desenvolvimento de um ser bio -
psico-sócio-espiritual, a nova antropologia Aproxi-
ma-se do o Espiritismo já que este é definido como
o “a ciência que estuda a origem, natureza e dest i-
nação dos Espíritos, bem como suas relações com
o mundo corporal.” — conforme o assinala seu codi-
ficador.
O HOMEM COMO CONCEITO
“...o entendimento da natureza tem sua finali-
dade dirigida ao entendimento da natureza
humana, e da condição humana enquanto nat u-
ral.”
Jacob Bronowski -
em A Escalada Humana
A linguagem é uma das grandes conquistas
humanas. Através dela representamos e sign i-
ficamos o mundo. utilizamo-la como instrumen-
to de acesso à realidade das coisas e mesmo
de acesso à nós mesmos. Falar de conceitos
significa articular símbolos. É disto que trata-
remos agora. Diversos símbolos dispostos de
forma organizada, estruturados dentro de um
contexto cultural específico e que pretendem a
representação, ainda que parcial, daquilo que
fomos, somos ou viremos a ser. Aqui nos to r-
namos sujeitos e objetos de nossas próprias
definições.
Conceito Biológico
Seguindo as tradições da ciência mecanicis-
ta o ser humano foi tomado como uma mera
máquina biológica, um organismo complexo
com sistemas de funções específicas.
O grande elemento capaz de diferenciar o
homem de outros organismos superiores era just a-
mente a incrível complexidade de seu cérebro, t o-
mada então como a máquina central do complexo
biológico humano. Explicar o cérebro significava, em
última instância, explicar o homem. Mesmo os co n-
ceitos de consciência e mente encontravam, no
paradigma materialista, a solução de continuidade
suposta na explicação do mecanismo cerebral.
A esse respeito, Jonh Eccles — eminente neuro-
fisiologista — se pronuncia nos seguintes termos:
“É essencial que todas as considerações
sobre o problema mente-cérebro se fundamen-
tem no conhecimento da compreensão científi-
ca do cérebro e nas várias atividades que são
tidas como envolvidas na produção da exper i-
ência consciente”2
O conceito biológico do homem-cérebro deu ori-
gem à concepção de um ser mecânico cuja existê n-
2< POPPER, Karl Raimund e Eccles John C. “O EU E O SEU
CÉREBRO”. pp. 284. Ed. Papirus, Brasília. 1991
cia estava passível de explicação pelo modelo co m-
putacional de Von Neuwman:
PROCESSADOR + MEMÓRIA + SISTEMAS DE
ENTRADA E SAÍDA DE INFORMAÇÕES
Nesta concepção a mente humana aparec ia co-
mo um epifenômeno cuja existência era derivada da
manutenção da memória que possibilitava, media n-
te o condicionamento, automatizar res-
postas para os eventos ocorridos no
mundo externo, primeiramente, e no
mundo interno após um certo desenvol-
vimento. Assim, cada parte da memória
humana, estaria gravada em algum
lugar específico do cérebro, segundo a
concepção de algumas correntes do
pensamento. A especialização cerebral
— entre o lado direito e esquerdo do
cérebro — apresentam na atualidade o
desenvolvimento contemporâneo de tais
concepções.
Uma das mais eminentes personali-
dades no desenvolvimento destes con-
ceitos foi o neurocirurgião canadense
Wilder Penfield. Nos anos 20, com ex-
periência envolvendo epilépticos, Penfi-
eld descobriu que ao estimular determi-
nadas regiões do cérebro, seus pacien-
tes recordavam-se de fatos específicos
em suas memórias. A repetição do es-
tímulo ocasionava a lembrança detalha-
da dos mesmos episódios.
A este respeito ele escreveria em
1975:
“De imediato, ficava evidente que
não se tratavam de sonhos. Eram
ativações elétricas de um registro
seqüencial de consciência, um re-
gistro que tinha sido formulado durante a expe-
riência anterior do paciente. Este revivia tudo
aquilo de que tinha consciência naquele perí o-
do de anterior como num flashback cinemato-
gráfico.”3
3< Citado por TALBOT, Michael. O UNIVERSO HOLOGR Á-
FICO. pp. 30. Editora BestSeller. São Paulo. Traduzido de
The Holographic Universe [1991]
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 5
A idéia de uma máquina biológica consolida-
va-se a pouco e pouco. A expressão vida veg e-
tativa utilizada para pessoas com acidentes c e-
rebrais irreversíveis, denota a crença materiali s-
ta de nossa cultura ao supor esteja o indivíduo
encerrado em seu complexo aparelho cerebral.
Porém, este mesmo paradigma encontra dif i-
culdades na explicação de inúmeros fenômenos
da realidade. Voltemos às idéias de Sir John
Eccles. Na mesma obra citada ele desenvolve a
tese de uma hipótese que:
“...considera que a mente autoconscient e
é uma entidade independente que está at i-
vamente engajada em ler na multidão de
centros ativos dos módulos da áreas de
ligação do hemisfério cerebral dominante. A
mente autoconsciente seleciona desses ce n-
tros, de acordo com sua atenção e seus int e-
resses, e integra o que selecionou para nos
fornecer a cada momento a unidade de exper i-
ência consciente.”4
E mais adiante:
“...acredito que a estratégia reducionista não
terá sucesso na tentativa de explicação dos
níveis mais elevados do desempenho consci-
ente do cérebro humano”5
Tais visões trariam implicações para um conceito
biológico mais abrangente acerca do ser humano.
Aceitando de forma clara, a existência de uma d i-
mensão biológica do homem somos conduzidos a
uma visão mais abrangente de sua própria estrutu-
ra.
A filosofia espírita reconhece esta dimensão bi o-
lógica, embora não se restrinja a ela. Diz-nos o Prof.
J. Herculano Pires:
“Cada criatura humana é um ser espiritual, mas
é também um ser físico ou um ser corporal (biológi-
co diríamos nós).6
Prossegue Herculano agora citando O Livro dos
Espíritos — obra primeira da Filosofia Espírita:
“Se o homem não possui uma alma animal,
que por suas paixões o rebaixe ao nível dos
animais, tem seu corpo, que freqüentemente o
rebaixa a este nível, porque o corpo é um ser
dotado de vitalidade, que possui instintos, mas
não inteligentes, limitados aos interesse de su a
conservação.”7
Vendo a dimensão biológica do homem, atribui n-
do extrema importância mesmo à esta dimensão, o
4< (idem pp. 435)
5< (idem pp. 439)
6< PIRES, J. Herculano. em INTRODUÇÃO À FILOSOFIA
ESPÍRITA. pp. 62. Ed. Paidéia. 1ª ed. São Paulo. 1983
7< KARDEC, Allan, O LIVRO DOS ESPÍRITOS. item 605a. pp
298. FEB.
Espiritismo antecipa a derrocada da conce p-
ção materialista do homem.
Para falarmos em conceitos específicos,
visitemos Stanislav Grof em “Além do Cére-
bro” quando ele escreve:
"O último desafio sério ao pensamen-
to mecanicista é a teoria do biólogo e
bioquímico britânico,, Rupert Sheldra-
ker, em seu livro revolucionário e alta-
mente controvertido, Uma Nova Ciência
da Vida (1981) Sheldraker fez uma crít i-
ca brilhante das limitações da força ex-
planatória da ciência mecanicista e sua
inabilidade para encarar problemas de
significância nas áreas de da morfoge-
nia, durante o processo individual e a evolução
das espécies, da genética ou de formas insti n-
tivas e mais complexas de comportamento. A
ciência mecanicista trata apenas do caráter
quantitativo dos fenômenos, com aquilo que
Sheldraker chamou de 'causação formativa'.
Ainda segundo Sheldraker, os organismos vi-
vos não são apenas máquinas biológicas co m-
plexas e a vida não pode ser reduzida a re a-
ções químicas. "8
É assim que nos aliamos a uma visão moderna
do homem encarado como um organismo biológico
de extrema complexidade, porém não encerrado
nesse mesmo organismo. Antes, enxergamos no
biológico uma de suas dimensões constitutivas.
É assim que em 1959, encontramos nos escritos
de Will Durant um desabafo sob o qual vale a pena
refletir:
“Talvez a biologia venha a rebelar-se com o
domínio dos métodos e conceitos da física; e
descubra que a vida se aproxima mais das
bases da realidade do que a ‘matéria’ dos físi-
cos e dos químicos. E quando a biologia se
libertar da mão cadavérica do método mec a-
nístico, sairá dos laboratórios para o mundo,
começará a transformar os propósitos hum a-
nos, como a física transformou a face da terra;
e porá fim à brutal opressão da maquinaria
sobre o gênero humano. Ela revelará, até para
os filósofos que a duzentos anos vivem escr a-
vizados aos matemáticos e físicos, a unidade
diretiva; a criatividade protéica e a magnificente
espontaneidade da vida” (DURANT, Will. EM
Filosofia da Vida. pp. 76. ed. 11ª. Companhia Edito-
ra Nacional. São Paulo. 1959.)
8< GROF, Stanislav. Em “Além do Cérebro - Nascimento,
Morte e Transcendência em Psicoterapia”. pp.43 Editora
MacGraw-Hill. São Paulo. 1987
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 6
Conceito Social
O homem é uma unidade social. Está na natur e-
za humana a necessidade da vida em sociedade.
Estruturamos, desde a grei primitiva até a socied a-
de globalizada de hoje, uma civilização centrada na
conquista social. Mesmo quando insistimos em priv i-
légios para o indivíduo, temos no contexto da des i-
gualdade social a estrutura viabilizadora deste abo r-
to social.
O homem é um animal social - insistia Aristóte-
les.
Somos mais. Necessitamos da vida em socieda-
de como elemento capaz de nortear o processo de
desenvolvimento de nossa cultura. Somente em
sociedade os homens podem desenvolver os limites
de suas potencialidades.
A sociedade estabelece estruturas de relações
que possibilitam a estruturação do indivíduo median-
te o processo de aprendizado e adaptação. Aqui, a
família desempenha papel crucial como o elemento
diretor do processo de aculturação do indivíduo,
responsável que é pela introdução da linguagem e
da ética social, elementos primários da civilização
individual.
Lev Semyonovich Vygotsky, psicólogo russo,
propõem em seus escritos que é a sociedade a
responsável pelo desenvolvimento da mente hum a-
na.
Assim se pronunciam alguns estudiosos( Michael
Cole e Sylvia Scribner):
“Os sistemas de signos (a linguagem, a es-
crita, o sistema de números), assim como o
sistema de instrumentos, são criados pelas
sociedade ao longo do curso da história hum a-
na e mudam a forma social e o nível de seu
desenvolvimento cultural. Vygotsky acreditava
que a internalização dos sistemas produzidos
culturalmente provoca transformações compo r-
tamentais e estabelece um elo de ligação entre
as formas iniciais e tardias do desenvolvimento
individual. “ ( VYGOTSKY, L.S. em “A Formação
Social da Mente”. p. 8. 4ª ed. Ed. Martins Fontes.
São Paulo. 1991)
E nas próprias palavras de VYGOTSKY:
“...o momento de maior significado no curso
do desenvolvimento intelectual, que dá origem
às formas puramente humanas de inteligência
prática e abstrata, acontece quando a fala e a
atividade prática, então duas linhas complet a-
mente independentes de desenvolvimento,
convergem.” (idem. pp. 27)
E mais adiante:
“... Signos e palavras constituem para
as crianças, primeiro e acima de tudo, um meio
de contato social com outras pessoas. As fun-
ções cognitivas e comunicativas da linguagem
tornam-se, então, a base de uma forma nova e
superior de atividade nas crianças, distingui n-
do-as dos animais."
Ao analisarmos a questão do ponto de vista esp í-
rita - pelo que recomendamos o estudo de todo o
capítulo VII da parte terceira de O Livro dos Espír i-
tos, que trata Da lei de Sociedade — vemos a ques-
tão 766, onde Kardec interroga:
“766. A vida social está em a Natureza?
“Certamente. Deus fez o homem para viver
em sociedade. Não lhe deu inutilmente a pala-
vra e todas as outras faculdades necessárias à
vida de relação.”(destaques nossos)
Os escritos de Vygotsky — que era materialista
dialético e cujo trabalho fundamenta a teoria psic o-
lógica do marxismo — foram levados a efeito entre
1924 e 1934, mas constituem a confirmação da
posição espírita - exposta em 1857 — com relação
ao conceito social do homem; ressalvado o fato de
que suas percepções se limitam a uma existência
do indivíduo, ao passo que o Espiritismo considera
estas relações antes, durante e depois da existência
física.
Do item 676 de O Livro dos Espíritos extraímos a
afirmação: “Sem o trabalho o homem permane-
ceria sempre na in-
fância quanto à inte-
ligência. “ Avaliando a
abrangência desta
afirmativa, identifica-
mos no processo social
de luta pela sobrevi-
vência, no qual o ho-
mem transforma a
realidade e é por ela
transformado, o elemento condutor da filosofia espí-
rita no tocante ao desenvolvimento do ser humano.
Estabelecido o progresso intelectual — para o qual o
trabalho é condição precípua — dele decorre natu-
ralmente o progresso moral, embora não imediat a-
mente.
Analisando, então, o homem no contexto social,
vemo-lo como um manipulador de instrumentos e
símbolos. Identificamo-lo como ser passível de
transformação e como agente transformador. T e-
mos nele o elemento que cria, elabora e se modifica
através da realidade social. O instrumento como
elemento viabilizador de seu trabalho na transfo r-
mação da natureza; o símbolo como elemento inter-
no, fruto da convivência social e capaz de lhe red i-
mensionar os limites internos numa nova compr e-
ensão da realidade e que o transforma efetivame n-
te.
Herculano Pires propõem uma interpretação
mais abrangente do conceito social espírita no que
toca às relações sociais. Identificando, graças à
interação Homens / Espíritos pelas vias mediúnicas
e intuitivas (vide o cap. IX da segunda parte de O
Livro dos Espíritos — Da intervenção dos Espíritos
no Mundo Corporal — particularmente os item 459 a
472) o conceito de uma Cosmossociologia. Ao e n-
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 7
carar o fato de ser o homem um membro das Soc i-
edade Cósmica o Espiritismo nos remete à uma
instância superior da análise sociológica. Tal análise
nos remete à uma nova ordem de idéias de cuja
abrangência extraímos: o processo reencarnatório,
a participação na sociedade terrena e espiritual, o
trabalho dentro e fora do corpo físico — como expe-
riências de aprendizagem através das quais o ser
edifica-se a si mesmo pela convivência social.
Conceito Psicológico
O homem é um ser psicológico. Guarda
em si mesmo um universo inteiro a ser
explorado. Seus motivos, suas pulsões e
mesmo sua vontade apresentam-se como
variáveis complexas que lhe determinam o
caráter. A psicologia — ou o estudo da
alma — propõem-se a elucidar os movi-
mentos ou processos ocorridos no contexto
da mente. Fundamentando o estudo desses
processos mentais, essa ciência da alma
consolidou-se nos trabalhos de Sigmund
Freud, psiquiatra tcheco que em 1900, com
a obra “A Interpretação do Sonhos” ,
inaugura um novo capítulo no livro da histó-
ria do pensamento humano.
A composição do pensamento humano
norteia-se por padrões que nos são acessí-
veis ao conhecimento imediato e que compõem
nossa consciência. Freud foi o primeiro a identificar
que, no entanto, além dos motivos e padrões da
consciência, influenciam-nos sobremaneira outros
motivos e outros padrões existente num plano me n-
tal distinto a que ele denominou inconsciente. A
psicologia passou a ver o complexo humano como
um conjunto de forças e definiu seus objeto de pe s-
quisa — a psicologia humana — como o esforço
para representar e equacionar tais forças de modo a
oferecer um nítida compreensão do homem e de
seus comportamentos.
Apesar das diversas visões da psicologia — adi-
ante, no item A PSICOLOGIA HUMANA, veremos um
conjunto de escolas psicológicas — é fácil notar a im-
portância do conceito psicológico do homem como o
elemento representativo dos movimentos da alma
humana, movimentos estes responsáveis por suas
pulsões, seus interesses e mesmo suas vontades.
Conceito Espiritual
A crença na imortalidade da alma é o fundame n-
to mais antigo de que o homem via a si próprio c o-
mo algo mais além do corpo. Tal crença mistura -se
com a própria história da cultura humana..
O conceito espiritual apresenta-se nas diversas
representações que o homem fazia de si. Porém,
com o advento do paradigma mecanicista o aspecto
espiritual foi extremamente relegado. Primeiro com
a divisão cartesiana de corpo e alma, que deixou
para a ciência o estudo do corpo e para a religião o
estudo do espírito, tido como elemento sobrenatural.
O estabelecimento da premissa materialista como
fundamento da explicação da natureza — inclusive
a humana — proposta por Tomas Hobbes, no sécu-
lo XVII trouxe força incomensurável ao conceito do
homem como máquina e inaugurava o moderno
esforço de explicar o homem como um conjunto de
causas e efeitos fisiológicos a lhe determinarem a
existência.
Caberia ao século XIX a definição de um novo
paradigma no contexto da ciência. Derivado das
pesquisas com os fenômenos mediúnicos, o
prof. H. Denizard Rivail viria propor a adoção
do Espírito como uma das potências da Nat u-
reza, retirando-lhe o caráter de sobrenatural e
resolvendo a descontinuidade existente entre
matéria e espírito. Publicando a obra “O Livros
dos Espíritos “— em 1857, com o pseudônimo
de Allan Kardec — restabelecia no homem sua
dimensão espiritual ao passo em que dispunha
essa dimensão para o estudo da ciência. E
além disso propôs que:
“O Espiritismo é uma ciência que trata
da natureza, da origem e da destinação
dos Espíritos, e das suas relações com o
mundo corporal. " - Allan Kardec9
Vale salientar que a visão espírita não con-
trapõem corpo e alma, conforme podemos
encontrar em O Livro dos Espíritos item VI da Intr o-
dução:
“Há no homem três coisas:
1º, o corpo ou ser material análogo aos
animais e animado do mesmo princípio vital;
2º a alma ou ser imaterial, Espírito en-
carnado no corpo;
3º, o laço que prende a alma ao corpo,
princípio intermediário entre a matéria e o E s-
pírito.”
Com esta visão o Espiritismo recolocaria o Esp í-
rito como elemento natural, passível de pesquisa
pela ciência — embora não acessíveis aos méto-
dos científicos de então.
O conceito espiritual do homem se propõem a
representar o homem como tendo uma dimensão
pronunciada que lhe extrapola o corpo físico, ant e-
cedendo e sobrevivendo a ele. Esta perspectiva tem
aos poucos se consolidado como uma visão científi-
ca moderna. O declínio dos conceitos newtonianos -
cartesianos - fundamentalmente mecanicistas —
deu azo ao surgimento de novas visões que hoje
consolidam tal aspecto espiritual do ser humano. Os
esforços de Stanislav Grof, Roberto Assaglioli, Pie r-
re Weil, Elizabeth Kübbler-Ross, Hellen Wambach,
Raymond Moody Jr., Carlis Osis, Ian Stevenson,
Hernani Guimarães Andrade — entre outros — no
sentido da pesquisa moderna do Espírito, tem surt i-
9< KARDEC, Allan - O QUE É O ESPIRITISMO. I.D.E. pp. 10
15ª ed. São Paulo. 1983.
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 8
do efeito e incomodado a visão materialista do h o-
mem colocando-a em posição insustentável.
A REVOLUÇÃO ESPIRITUAL
O Homem, a Mesa e os Espíritos
Quando o conceito do homem animal - puro
complexo bio-físico-químico — se estabelecera no
século XIX, um conjunto de fenômenos extraordin á-
rios solaparam a cultura materialista vigente. As
chamadas danças das mesas — fenômeno no qual
um grupo de pessoas em torno de uma mesa a
viam levantar-se, mover-se e mesmo responder
perguntas através de pancadas e movimentos —
veio despertar o interesse de inúmeros pesquisado-
res. Entre eles o Prof. Hippolyte Léon Denizard R i-
vail.
As pesquisas do Prof. Rivail culminaram em
1857 com o lançamento de O LIVRO DOS ESPÍR I-
TOS, o qual ele assinava com o pseudônimo de
Allan Kardec.
Na obra o Sr, Rivail propunha uma revisão radi-
cal em torno do conceito do homem, de sua exi s-
tência, de seus propósitos e conceitos em torno da
vida.
A mudança conceitual
A primeira mudança se deu na própria colocação
do problema. Até então as questões pertinentes aos
Espíritos residiam na alçada
exclusiva da religião, e desde
Tertuliano, a premissa religiosa
era “crer por ser impossível”. O
maravilhoso e o sobrenatural
grassavam ameaçados num
mundo em que a Ciência esta-
belecia seus domínios...
O Sr. Rivail, contudo, propunha que o Espírito
não era um ente sobrenatural. Estava na natureza
das coisas e era passível de pesquisa. E como uma
das primeiras conclusões extraídas de suas pesqu i-
sas viu nos Espíritos nada mais do que os próprios
homens despidos do corpo físico.
O estudo do fenômeno mediúnico — curiosa-
mente iniciado com a dança das mesas — culminou
com a definição de uma nova visão em torno da
natureza e do homem.
Existência e Imortalidade
A proposta filosófica do Espiritismo, ao abordar a
questão é colocada nos seguintes termos:
1. Existe alma? — aqui entendida como algo a-
lém da simples estrutura biológica do cérebro.
2. Esta alma sobrevive à morte do corpo?
Estes termos nos levam a uma abordagem met i-
culosa do problema humano.
A própria pesquisa espírita, já no século XIX,
respondia afirmativamente a ambas as interrog a-
ções, mas somente a partir de 1932, com a public a-
ção da obra Novas Fronteiras da Mente, de autoria
do professor Joseph B. Rhine — o pai da parapsico-
logia moderna, a ciência oficial despertou para tratar
o assunto com a seriedade merecida. O objetivo da
obra do prof. Rhine era apresentar como suas pe s-
quisas — utilizando o método estatístico — demons-
travam a existência no homem de percepções e x-
trasensoriais. Tais faculdades indicavam a possibi li-
dade de existência, no homem , de algo além da
matéria.
Na década de 80, uma obra de extrema curios i-
dade — O EU E O SEU CÉREBRO — assinada
pelos eminentes pesquisadores Karl Raimund Po p-
per, filósofo, e John Eccles, neurofisiologista, adv o-
gavam a real existência de um EU, distinto do cére-
bro.
As pesquisas sobre as potencialidades da alma
eclodiram com força total a partir da década de 70.
Em particular, o surgimento da Psicologia Tran s-
pessoal, a imortalidade deste EU ficou patenteada
através das pesquisas com a reencarnação e as
experiências de quase morte.
A proposta de abordagem do Espiritismo mo s-
trou-se acertada para o caso.
DIMENSÕES E ABRANGÊNCIAS DO SER
HUMANO
O Ser bio-psico-sócio-espiritual
Á luz do pensamento espírita, encaramos o h o-
mem como um complexo bio-psico-sócio-espiritual
que se manifesta em múltiplas experiência de a-
prendizagem reencarnatória com vistas ao dese n-
volvimento de suas potencialidades morais e intele c-
tuais. Tais dimensões humanas não podem ser
descaracterizadas sob pena de obter-se uma pálida
representação do homem. O entendimento do ser
humano passa, portanto, pelo entendimento de suas
dimensões múltiplas e, particularmente, pelo rec o-
nhecimento de suas dimensão espiritual - responsá-
vel pela perenização de sua individualidade evoluti-
va a expressar-se em múltiplas existências dentro e
fora da experiência carnal.
Há um ponto que merece esclarecimento partic u-
lar. Trata-se da dimensão biológica humana, muitas
vezes associada exclusivamente á vida encarnada.
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 9
Através do estudo do corpo espiritual - ou peris-
pírito — somos forçados a reconhecer uma dime n-
são biológica espiritual(!). Assim como poderemos
pensar em dimensões sociais espirituais, e psicol ó-
gicas espirituais. A dimensão espiritual aparece
como um elemento de destaque para acentuar que
as dimensões bio-psico-sociais NÃO ESTÃO
RESTRITAS A UMA EXISTÊNCIA FÍSICA!!! Mas
estendem-se por toda a história espiritual do ser. A
vida possui uma abrangência inco-
mensurável a desdobrar-se em ca-
deias evolutivas que integram o
mundo espiritual e material.10
O Ser Agente e o Ser Paciente
A epopéia da existência humana
desdobra-se através de uma se-
qüência evolutiva curiosa. Primeiro é
a Natureza que, ao formar e trans-
formar a espécie humana, dota-a do
aparelho mental, que lhe possibilita
compreender a si próprio e à Nature-
za. Depois vem o esforço humano de
mudar o meio em que está; o que
resulta na aceleração do processo de
mudança de si mesmo mas agora
seguido pela efetiva transformação
do meio onde está...
Temos assim a dupla natureza humana ora
AGENTE ora PACIENTE.... Da interação entre e s-
tes aspecto temos como resultado o PROCESSO
EVOLUTIVO HUMANO.
A capacidade de transformar a si mesmo quer
como agente, quer como paciente, traz ao homem
uma abrangência notável uma vez que o coloca
acima se si mesmo, para além do que existe no
presente. Esta abrangência lhe caracteriza o projeto
existencial. o homem aparece como uma atualiz a-
ção de si próprio, como a melhoria daquilo que já
foi. Este processo desenvolve-se não apenas em
uma experiência existencial, mas na multiplicidade
das encarnações.
Agindo, o homem aciona o meio externo. So-
frendo as conseqüências dos seus atos, o homem
sente a natureza agindo sobre si, transformando -o.
Este é o referencial educativo da vida. O pensame n-
to espírita denomina-lhe LEI DE CAUSA E EFEITO.
Esta lei não determina quais serão as conseqüên-
cias das atitudes humanas mas estabelece que elas
virão de modo que, através delas, o homem seja
transformado pelo aprendizado de novos valores,
pensamentos e atitudes.
10< Para maiores detalhes em torno da questão sugerimos o
estudo da obra EVOLUÇÂO EM DOIS MUNDOS do espírito
André Luiz - psicografia Waldo Vieira e Frnacisco Cândido
Xavier editado pela FEB.
A integração existencial
Em sua magnífica obra TIPOS PSICOLÓGICOS,
o psicólogo Carl G. Jung define a individuação 11:
“De modo geral, pode-se dizer que a in-
dividuação é o processo de constituição e pa r-
ticularização da essência individual, especia l-
mente, o desenvolvimento do indivíduo — se-
gundo o ponto de vista psicológico — como
essência diferenciada do todo,
da psicologia coletiva”
Se estendermos este processo
de individuação para a realidade
reencarnatória observaremos que o
processo reencarnatório é, de fato,
um processo de individuação. Po-
rém, a cada nova existência não
somos remetidos ao ponto zero!
Antes, cada experiência de vida está
integrada de modo a possibilidade o
desenvolvimento integral do Ser,
tanto do ponto de vista moral quanto
intelectual. Acerca do assunto afirma
Allan Kardec12:
“A vida do Espírito, pois,
se compõem de uma série de
existências corpóreas, cada uma
das quais representa para ele uma ocasião de
progredir(...)”
E recentemente, analisando o mesmo problema
escreveu o físico Patrick Drouot13:
“Durante meus anos de pesquisa, pude
constatar que as vidas passadas não estão
separadas umas das outras. Estão ligadas
por uma espécie de fio condutor, que se
desenrola incansavelmente além do tempo e
do espaço.”(destaques nossos)
Isto porque, as diversas experiências reencarn a-
tórias, promovem o desenvolvimento dos potenciais
do ser espiritual, que, embora evolutivo, guarda sua
integridade psicológica, algo a que podemos chamar
de INDIVIDUALIDADE ESPIRITUAL. Cada enca r-
nação possibilita a expressão desta individualidade
ao mesmo tempo que lhe promove o desenvolv i-
mento.
Importa considerar que este desenvolvimento
não ocorre apenas no plano subjetivo. Na medida
em que se desenvolve o indivíduo espiritual mani-
festa potencialidades mais aprimoradas para agir no
meio em que vive. Seu vigor intelectual e afetivo
manifestam-se em ondas de influenciação e forças
de mudança, que tocam os seres e as coisas de
sua convivência. A convivência social — no sentido
11< JUNG, Carl Gustave, TIPOS PSICOLÓGICOS. pp.525. 4ª
ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 1987.
12< KARDEC, Allan. O LIVRO DOS ESPÍRITOS. pp.129. 57ª
ed. FEB. Rio de Janeiro
13< DROUOT, Patrick. SOMOS TODOS IMORTAIS. pp. 59. 3ª
ed. Ed. Record . Rio de Janeiro. 1995.
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 10
mais amplo possível — promove, ao longo do tem-
po, a melhoria de todos os envolvidos no processo,
constituindo-se este desenvolvimento no propósito
da vida. A este processo denominamos INTEGR A-
ÇÃO EXISTENCIAL.
A PSICOLOGIA HUMANA
“Uma imagem nova da psique humana tem sido das
mais significativas contribuições da moderna pe s-
quisa da consciência à emergente visão científica do
mundo.
Stanislav Grof - Em Alem do Cérebro
O propósito da representação de uma psicologi a
humana vem de encontro aos nossos anseios de
compreender a complexidade do ser humano. Os
modelos ora representados constituem — em nossa
opinião particularíssima — as grandes vertentes do
pensamento psicológico vigente. Apresentamo -los
sob a epígrafe de cartografias por entendê-los como
mapas de representação da estrutura psicológica
humana.
Destacamos, porém, que foge ao
escopo deste trabalho uma análise
minuciosa de cada modelo apresen-
tado, excetuando-se obviamente, o
modelo espírita.14
A cartografia de S. Freud
Com base no pressuposto de um
determinismo psíquico — no qual se
admite não haver descontinuidade na
vida mental já que para cada pensamento, memória
revivida, sentimento ou ação, podemos encontrar
uma causa — Freud estabeleceu a existência na
psique humana dos seguintes processos:
Consciente — “uma pequena parte da mente,
incluí tudo do que estamos cientes num dado m o-
mento”15
Inconsciente — onde “estão elementos instinti-
vos, que nunca foram conscientes e que não estão
acessíveis à consciência”16
Pré-consciente — “uma parte do inconsciente,
mas uma parte que pode tornar-se consciente com
facilidade.”17
E com base neles estabeleceu a primeira cart o-
grafia da psique. A estrutura da personalidade ap a-
rece em Freud composta por três instâncias:
14< Para uma análise mais didática da questão sugerimos - na
condição de não-especialista na área - o livro TEORIAS DA
PERSONALIDADE de Fadiman e Frager - para uma análise
de Freud, Jung e Skiner. Para Grof, sugerimos sua obra
ALÉM DO CÉREBRO, e para Vygotsky, A FORMAÇÃ O
SOCIAL DA MENTE.
15< FADIMAN, James e FRAGER, Robert. Teorias da Person a-
lidade. pp. 7. Ed. Habra. São Paulo. 1986.
16< Idem.
17< Idem.
ID — onde estão os instintos básicos da organi-
zação biológica e que se manifestação de modo
desconhecido;
EGO — o elemento de contato com a realidade
das coisas, onde se desdobram os processos con s-
cientes. Funciona como uma “camada” que dá fo r-
ma e direção às forças propulsoras do ID, de onde
ele retira as energias de realização.
SUPEREGO — “É o depósito dos códigos mo-
rais, modelos de conduta e dos constructos que
constituem as inibições da personalidade.” 18
Freud identifica uma cadeia de extrema vincul a-
ção biológica com relação aos processos mentais.
Estabelece o conceito das pulsões de vida (libido) e
de morte (que não recebeu denominação específ i-
ca) como energias propulsoras das atividades de
formação e desenvolvimento da personalidade.
A cartografia de C. J. Jung
Para Jung os arquétipos desempenham papel
fundamental na compreensão do ser
humano. Em sua cartografia da psique
humana Jung retrata cinco arquétipos:
PERSONA — A forma através da
qual nos apresentamos no palco da
vida. Segundo a definição do próprio
Jung19:
“(...) um complexo funcional a que se
chegou por motivos de adaptação ou de
necessária comodidade”
EGO — É “(...) o centro da consciência e um dos
maiores arquétipos da personalidade. Ele forn ece
um sentido de consistência e direção em nossas
vidas conscientes.20”
SOMBRA — uma parte do inconsciente na qual
residem aspectos inaceitáveis, até para nós mes-
mos, de nossa individualidade.
ANIMA ou ANIMUS — aparece como uma par-
cela complementar de nossa individualidade. Apr e-
senta-se como um elemento do inconsciente com
as tendências complementares às apresentadas
pelo EGO.
SELF — aparece como o nosso EU INTEGRAL,
um elemento norteador de nosso processo de ind i-
viduação. Na definição de Jung21: “consciente e
inconsciente não estão necessariamente em opos i-
ção um ao outro, mas complementam -se mutua-
mente para formar uma totalidade :o SELF.”
18< Idem. pp. 12.
19< JUNG, Carl Gustave, TIPOS PSICOLÓGICOS. pp.478. 4ª
ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 1987
20< FADIMAN, James e FRAGER, Robert. Teorias da Person a-
lidade. pp. 53. Ed. Habra. São Paulo. 1986
21< Idem. pp. 56 (citado por)
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 11
A cartografia de B. F. Skiner
CONDICIONAMENTOS — para a psicologia be-
haviorista radical de Skiner, o corpo apresenta -se
como a totalidade do ser. As experiências sensórias
edificariam, através de um processo de
CONDICIONAMENTO as ações, pensamentos,
associações e motivos da personalidade humana. A
estrutura mental edifica-se e reforma-se com base
nos estímulos ou repressões repetidas. O homem
apresenta-se como resultado de sua história, sendo
possível modifica-lo através de novos estímulos.
A cartografia de S. Grof
Barreira Sensorial — os elementos vinculados à
própria biologia humana. Sensações e formas rel a-
cionadas às disposições de nossos órgãos sensor i-
ais.
Inconsciente Individual — o nível da biografia
individual onde residem todas as experiências de
nossa história de vida.
Nível de Nascimento e Morte — onde são en-
contradas e interrelacionadas as experiências ps í-
quicas relacionadas aos fenômenos da morte e do
nascimento. Aqui encontramos matrizes psicológ i-
cas cujo arcabouço reflete, em parte, os arquétipos
coletivos referentes aos episódios de nascimento e
morte.
Domínio Transpessoal — onde as experiências
transpessoais se manifestam. Analisando essas
experiências ou fenômenos transpessoais, o Dr.
Grof assinalou22:
“O denominador comum desses fenômenos, de
outra maneira ricos e ramificados, é a sensação
vivida pelo sujeito de que sua consciência expandiu-
se além das comuns limitações do EGO e transce n-
deu os limites do tempo e do espaço.”
A cartografia Espírita
O Espiritismo, ao propor a compreensão do h o-
mem em sua totalidade identifica - conforme citado
anteriormente — que:
“Há no homem três coisas:
1º, o corpo ou ser material análogo aos
animais e animado do mesmo princípio vital;
2º a alma ou ser imaterial, Espírito en-
carnado no corpo;
3º, o laço que prende a alma ao corpo,
princípio intermediário entre a matéria e o E s-
pírito.”
A Doutrina reconhece no homem a existência de
um corpo biológico:
“(...)o corpo é um ser dotado de vitali-
dade, que possui instintos, mas não intelige n-
22< GROF, Stanislav. Em “Além do Cérebro - Nascimento,
Morte e Transcendência em Psicoterapia”. pp.97. Editora
MacGraw-Hill. São Paulo. 1987
tes, limitados aos interesse de sua conserv a-
ção.”23
Este corpo estabelece um nível da consciência
humana. Mais além dele identificamos o perispírito
como a matriz de toda a memória do Ser, o eleme n-
to responsável — porquanto indissociável do Espíri-
to, propriamente dito — pelo armazenamento de
toda a memória do Ser. Nele encontramos o registro
de TODAS as experiências encarnatórias do Espír i-
to. E finalmente temos o Espírito como o elemento
fundamental do Ser, aquele que lhe confere indiv i-
dualidade. O Espírito mostra-se como um princípio
inteligente individualizado e passível de progresso.
Formulando uma compreensão específica da
cartografia espírita, o Espírito André Luiz, em sua
obra No Mundo Maior, no capítulo “A CASA
MENTAL”, introduz uma extrapolação da teoria
freudiana ao propor a casa mental dividida em três
módulos:
O Inconsciente — onde se encontra toda a ex-
periência da vida pretérita do indivíduo — inclusive
as experiência em vidas passadas;
O Consciente — onde repousam as experiên-
cias acessíveis pela mente no presente; e
O Superconsciente — a porção de nossa mente
onde se encontram as nossas promessas e ideais
de melhoria individual.
A representação da psique humana, à luz do E s-
piritismo faz-nos ver que as abordagens tradicionais
no campo da psicologia não são antagônicas, mas
complementares. A existência e imortalidade da
alma fornecem a chave para a compreensão de um
conjunto de problemas acerca do homem que n e-
nhum outro preceito permite. Vemos que o cond i-
cionamento behaviorista de fato ocorre a nível no
corpo, nos limites das barreiras sensoriais que se
consolidam na forma de elementos simbólicos na
mente, através de reflexos condicionados e cond i-
cionantes, mas percebemos que ao longo do tempo,
nos recessos de nossa alma, desenvolvemos i-
gualmente aspectos particularíssimos a se expr es-
sarem na forma dos arquétipos Junguianos. Rec o-
nhecemos a similitude do ID, do EGO e do Super e-
go com as estruturas criadas pela experiência mult i-
existêncial, a exprimir-se em várias reencarnações,
desde o princípio inteligente original (o ID) que pela
experiência na matéria desenvolve um individualid a-
de (EGO) a submeter-se ao processo evolutivo me-
diante o desenvolvimento de referenciais superiores
acerca de si mesmo (SUPEREGO).
A compreensão da psicologia Transpessoal —
que tem sua definição em GROF — aproxima a
pesquisa científica oficial do modelo proposto pelo
Espiritismo, embora não se identifique a ele.
SER E SIGNIFICADO: ANÁLISE DA PERSPECTIVA
HUMANA
23< 23 - KARDEC, Allan, O LIVRO DOS ESPÍRITOS. item
605a. pp 298. FEB.
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 12
“Pode surpreender que eu diga, baseado em minha
prática profissional, assim como na de meus col e-
gas psicólogos e psiquiatras, que o problema fu n-
damental do homem, em meados do século XX, é o
vazio. Com isso quero dizer não só que muita gente
ignora o que quer. mas também que freqüentemente
não tem uma idéia nítida do que sente.”
Rollo May em O Homem à Procura de Si Mesmo.
O Sentido da Vida em Frankl
O Dr. Viktor Frankl é um dos sobreviventes de
Auschwitz. Responsável pelo desenvolvimento de
uma nova linha de terapia à qual ele denominou
LOGOTERAPIA — ou a terapia do sentido.
Na primavera de 1977 o Dr. Frankl escreveu 24:
“(...) o homem não pode mais ser con-
siderado apenas como uma criatura cujo int e-
resse fundamental é o de satisfazer as pul-
sões, de gratificar os instintos, ou então, dentro
de certos limites, reconciliar entre si o ID, o
EGO e o Superego, nem a presença humana
pode ser entendida simplesmente como o r e-
sultado de condicionamentos ou de reflexos
condicionados. Neste âmbito, ao contrário, o
homem se revela como um ser em busca de
um sentido.”
Esta busca de um sentido resulta na transform a-
ção da experiência de vida num processo de real i-
zação real; de autorealização e autoatualização.
O Espiritismo destaca este aspecto como sendo
fundamental para o equilíbrio humano: a necessid a-
de de um sentido para a vida. E nesse particular, na
medida em que estende a vida para além das fro n-
teiras da morte e estabelece uma cadeia de dese n-
volvimento ontológico, a Doutrina Espírita viabiliza a
integridade do equilíbrio pela extrapolação da per s-
pectiva humana dando ao ser um significado real
para sua vida: a construção de si mesmo!
May e o Homem a procura de Si
Mas quem é este homem?
Em 1969 o Dr. Rollo May, psicólogo norte-
americano publicou uma obra que guarda interesse
até os presentes dias: O HOMEM A PROCURA DE
SI MESMO. Nesta obra o Dr. May estabelece que o
grande conflito da era moderna foi a perda de si
mesmo.
Estabelecendo a rotina, a angústia, o medo e a
solidão como os elementos responsáveis pela neu-
rose contemporânea, propõem que o
(re)conhecimento de si mesmo seja a via de recup e-
ração da integridade humana na atualidade.
No item 919 de O Livro dos Espíritos, encontr a-
mos a preocupação dos prepostos espirituais no
sentido de efetivar a transformação humana:
24< 24 - FRANKL, Viktor. UM SENTIDO PARA A VIDA. pp 11.
6ª ed. Ed. Santuário. São Paulo. 1989.
“919. Qual o meio prático mais eficaz que
tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir
à atração do mal?
- Um sábio da antigüidade vo-lo disse:
Conhece-te a ti mesmo.”
Assim, o Espiritismo propõem a estruturaçã o de
um processo contínuo de conhecimento e auto -
avaliação com fins de melhoria continuada acerca
daquilo que somos intelectual e moralmente.
A Verdade e a Vida no Caminho de Jesus
625. Qual o tipo mais perfeito que
Deus tem oferecido ao ho-
mem para lhe servir de guia e
modelo?
R. - Jesus.
"O LIVRO DOS ESPÍ-
RITOS" item 625.
A mensagem do Cristianismo permanece um
convite para o desenvolvimento das potencialidades
humanas mais profundas. Desde o “amar a Deus
sobre todas as coisas e ao próximo como a si me s-
mo” e passando pelo “Conhecereis a verdade e ela
vos tornará livres”, vemos Movimento Cristão uma
proposta de transformação no homem.
“Vós sois deuses!” — asseverava Jesus.
Convocando-nos para iniciar o nosso processo
de melhoria pessoal, o Cristianismo nos faz ver a
nós mesmos como uma promessa de evolução.
Crer que a mensagem de Jesus reveste de caráter
passivo, indutora de um estado de expectativa in o-
perante face à vida, é ignorar a essência mesma do
Cristianismo: o esforço de melhoria íntima na dir e-
ção de promover o amor a si; ao próximo e a Deus.
O HOMEM COMO FENÔMENO, AGENTE E
PROJETO
O Projeto Existencial
O homem se mostra na visão espírita, como um
projeto de si mesmo. Um arcabouço iniciado pela
natureza; dotado de consciência e responsabilizado
pelo seu próprio desenvolvimento ulterior.
Através das experiências reencarnatórias vai ele
adquirindo novas compreensões sobre a natureza
de si e das coisas; vai efetuando suas mudanças de
comportamento, melhorando-se, expandindo-se...
A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 13
Edificação de Si...
Aparecendo como um fenômeno da natureza, o
homem se transformou num agente de destaque
capaz de mudar as coisas e a si.
Na condição de agente de transformação o tr a-
balho desempenha para ele um papel fundamental.
É pelo trabalho que o homem age no meio e o meio
lhe transforma. Por esse motivo o destaque dado
por Kardec no tocante à necessidade do trabalho,
mesmo quando o indivíduo não dependa econom i-
camente dele.
O HOMEM PARA ALÉM DE SI
“É tempo que o homem tenha um objetivo.
É tempo que o homem cultive o germe de sua mais
elevada esperança.”
Zaratustra, Em Assim Falava Zaratustra de F. N i-
etzsche.
O conceito do Além do Homem em Nietzsche
Friedrich Nietzsche, o filósofo poeta desesper a-
do, autor da morte de Deus na modernidade, ao
analisar o homem em sua totalidade chegou à co n-
clusão que o tempo do homem havia passado. Foi o
primeiro a desenvolver uma filosofia centrada no
conceito da seleção natural, na sobrevivência nat u-
ral do mais forte e aplicá-la ao tipo humano. Pro-
pondo que o homem é uma ponte entre o animal e o
Além-do-Homem, Nietzsche estabelece um convite
para que o homem ultrapasse seus limites e dese n-
volva a integralidade de seus potenciais.
Embora os pressupostos de Nietzsche sejam
mais poéticos que filosóficos, somos tentados a
concordar com suas idéias em torno da necessid a-
de do advento de um Além-do-Homem, caracteriza-
do essencialmente pelo esforço de superação da
humanidade, pela busca mesmo dela.
O homem como devir
Simone de Beauvoir define o homem não como
um processo, mas como um devir, um constante vir
a ser. Tal compreensão sobre a natureza humana
nos permite idealizar o que há de mais profundo na
existência humana: a capacidade de continuamente
se superar, de melhorar a si próprio; de se recons-
truir e de (re)significar-se.
O humanidade e pós-humanidade em Jesus
O homem é um mistério a ser desvendado diar i-
amente, por si mesmo. Constituímo-nos naquilo que
nos esforçamos por ser, ou naquilo que permitimos
à vida nos edificar. Somos produtos e agentes de
nossos próprios esforços, de nossas próprias ações.
Afinal, o que seremos?
Seremos o que nos projetarmos. Seremos frutos
de nossos pensamentos, de nossos atos.
À luz da Doutrina Espírita verificamos nossa
condição de viajores de nossa existência, de cons-
trutores de nosso destino. Impelindo-nos a realizar
nosso progresso intelecto-moral, o Espiritismo nos
lança no desafio de construir em nós o Além -do-
Homem.
E neste contexto, ao perceber a indecisão em
somos por vezes lançados, a superação de nós
mesmos é estabelecida pela recomendação cristã:
“Sede perfeitos...”
De modo que não nos restasse dúvidas em torno
do roteiro a seguir, interrogou Kardec aos prepostos
da Espiritualidade Maior:
625 - Qual o tipo mais perfeito que Deus
tem oferecido ao homem para lhe servir de guia e
modelo?
R. Jesus.
André Henrique
Natal, 8 de julho de 1996

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( Espiritismo) # - andre henrique - a visao espirita do homem

  • 1. A Visão Espírita do Homem André Henrique Natal, 8 de julho de 1996 Seguindo as tradições da ciência mecanicista o ser humano foi tomado como uma mera máquina biológica, um organismo complexo com sistemas de funções específicas. D i a g r a m a ç ã o : E l i o M o l l o
  • 2. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 2 É Tempo De SORRIR !!! Reserve tempo para trabalhar Este é o preço do êxito Reserve tempo para pensar Esta é a fonte do saber Reserve tempo para divertir-se Este é o segredo da juventude Reserve tempo para ser amigo Este é o caminho da felicidade Reserve tempo para sonhar Este é o meio de ligar uma estrela a sua vida Reserve tempo para amar Este é um privilégio concedido por Deus Reserve tempo para ser útil ao próximo Pois a vida é demasiadamente curta para sermos egoístas Reserve tempo para sorrir Esta é a música da alma. Tempo é questão de preferência...
  • 3. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 3 Visão Espírita do Homem “...Eis o Homem!” - Pilatos (João, 19:5) QUEM SOMOS? “O milagre dos milagres é que de um monte de bar- ro Deus fez um homem hoje!...” Motel Kamsoy - No filme The Fiddler on the Roof A Natureza tem sido objeto das reflexões do h o- mem desde que a linguagem iluminou-lhe o cérebro com o magnífico poder da representação. O mito nos permitiu apreender conteúdos da realidade e tão logo construímos uma história da natureza bu s- camos construir nela a história de nós mesmos. Afinal, quem somos? — tornou-se a pergunta central do homem que percebia a si mesmo como único, distinto mesmo de seus sem elhantes, idios- sincrático, singular... As tradições mitológicas das civilizações antigas apontam para a herança divina que portamos. Cada mito da criação humana encerra uma representação de conceitos construídos a partir da percepção da natureza das coisas acrescida do poder criativo que a linguagem lhe proporcionava. Muitos séculos depois, a questão de nossa ide n- tidade permanece tão válida como outrora. Mais até... Reconhecer nossa verdadeira natureza torna - se na atualidade a questão fundamental de cuja resposta derivam nossas ações, nossa ética, no s- sos ideais. O homem é o que ele faz de si. E ele faz aquilo que acredita ser. Máquinas? Deuses? Réprobos? Afinal, quem somos? O presente trabalho pretende elucidar particular i- dades desta questão. Traremos à baila conceitos que grassam na cultura ocidental. E embora influe n- ciados por correntes do pensamento oriental, este não será objeto direto de nossas cogitações. A fil o- sofia espírita servirá como pano de fundo para o desenvolvimento de nossas idéias. Sobre os seus postulados analisaremos, construiremos e refutar e- mos conceitos acerca da natureza do homem. Nosso propósito? Edificar, com os elementos ora existentes, uma concepção abrangente acerca da natureza humana. Uma concepção conspirante. Erguida contra as noções estabelecidas que apre- sentam o homem como um objeto, máquina ou complexo exclusivamente material. Pretendemos incendiar a apatia. Lutamos por entronizar o conce i- to de que somos um projeto de transformação, s o- mos um processo em construção; somos um d evir. A filosofia espírita, respaldada na ciência emergente do espírito, serve-nos de base fundamental para propor e desenvolver uma nova, desafiante e tran s- formadora idéia: A VISÃO ESPÍRITA DO HOMEM. VISÕES DA ANTROPOLOGIA “A antropologia é a ciência do fenômeno humano. Em contraste com as disciplinas que limitam po r- ções de entendimento no fenômeno, a antropologia considera a história, a psicologia, a sociologia, a economia, etc., não como domínios, mas sim como componentes de um fenômeno global. Edgar Morim em O Homem e a Morte. Como estudo do fenômeno humano, a antrop o- logia se propõem a estudá-lo em todas as suas dimensões. Aqui encontramos conflitos entre as diversas visões sobre a natureza humana. Ora visto como um complexo puramente biológico, outr as, como um diáfano componente espiritual que mil a- grosamente se mostra pela vontade misteriosa de Deus, o problema do ser humano tem merecido a atenção de diversas escolas do pensamento. Pod e- remos agrupar tais visões — conforme proposta do prof. J. Herculano Pires1 — da seguinte forma: A Antropologia Materialista Reduzindo o homem a um complexo físico- químico e apresentando o Espírito como um epif e- nômeno, esta abordagem busca equacionar a questão humana dentro da lógica mecanicista bu s- cando na fisiologia cerebral a explicação última da realidade humana. A Antropologia Espiritualista Propõem um Ser Espiritual cuja existência e s- tende-se para além da vida física; porém, negli- gencia aspectos importantes acerca do mundo m a- terial por considerá-lo de menor importância. Uma nova antropologia... A visão espírita do homem propõem uma nova antropologia — talvez a retomada do conceito fun- damental dela. Reconhecendo as dimensões espiri- tual e material do ser humano, propõem -se a um estudo abrangente acerca da natureza humana. Transformando o antropus num conceito espiritual, 1< PIRES, J. Herculano. PARAPSICOLOGIA HOJE E AM A- NHÃ. pp 13 a 17. 9ª ed. Edicel. São Paulo. 1987.
  • 4. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 4 num processo de desenvolvimento de um ser bio - psico-sócio-espiritual, a nova antropologia Aproxi- ma-se do o Espiritismo já que este é definido como o “a ciência que estuda a origem, natureza e dest i- nação dos Espíritos, bem como suas relações com o mundo corporal.” — conforme o assinala seu codi- ficador. O HOMEM COMO CONCEITO “...o entendimento da natureza tem sua finali- dade dirigida ao entendimento da natureza humana, e da condição humana enquanto nat u- ral.” Jacob Bronowski - em A Escalada Humana A linguagem é uma das grandes conquistas humanas. Através dela representamos e sign i- ficamos o mundo. utilizamo-la como instrumen- to de acesso à realidade das coisas e mesmo de acesso à nós mesmos. Falar de conceitos significa articular símbolos. É disto que trata- remos agora. Diversos símbolos dispostos de forma organizada, estruturados dentro de um contexto cultural específico e que pretendem a representação, ainda que parcial, daquilo que fomos, somos ou viremos a ser. Aqui nos to r- namos sujeitos e objetos de nossas próprias definições. Conceito Biológico Seguindo as tradições da ciência mecanicis- ta o ser humano foi tomado como uma mera máquina biológica, um organismo complexo com sistemas de funções específicas. O grande elemento capaz de diferenciar o homem de outros organismos superiores era just a- mente a incrível complexidade de seu cérebro, t o- mada então como a máquina central do complexo biológico humano. Explicar o cérebro significava, em última instância, explicar o homem. Mesmo os co n- ceitos de consciência e mente encontravam, no paradigma materialista, a solução de continuidade suposta na explicação do mecanismo cerebral. A esse respeito, Jonh Eccles — eminente neuro- fisiologista — se pronuncia nos seguintes termos: “É essencial que todas as considerações sobre o problema mente-cérebro se fundamen- tem no conhecimento da compreensão científi- ca do cérebro e nas várias atividades que são tidas como envolvidas na produção da exper i- ência consciente”2 O conceito biológico do homem-cérebro deu ori- gem à concepção de um ser mecânico cuja existê n- 2< POPPER, Karl Raimund e Eccles John C. “O EU E O SEU CÉREBRO”. pp. 284. Ed. Papirus, Brasília. 1991 cia estava passível de explicação pelo modelo co m- putacional de Von Neuwman: PROCESSADOR + MEMÓRIA + SISTEMAS DE ENTRADA E SAÍDA DE INFORMAÇÕES Nesta concepção a mente humana aparec ia co- mo um epifenômeno cuja existência era derivada da manutenção da memória que possibilitava, media n- te o condicionamento, automatizar res- postas para os eventos ocorridos no mundo externo, primeiramente, e no mundo interno após um certo desenvol- vimento. Assim, cada parte da memória humana, estaria gravada em algum lugar específico do cérebro, segundo a concepção de algumas correntes do pensamento. A especialização cerebral — entre o lado direito e esquerdo do cérebro — apresentam na atualidade o desenvolvimento contemporâneo de tais concepções. Uma das mais eminentes personali- dades no desenvolvimento destes con- ceitos foi o neurocirurgião canadense Wilder Penfield. Nos anos 20, com ex- periência envolvendo epilépticos, Penfi- eld descobriu que ao estimular determi- nadas regiões do cérebro, seus pacien- tes recordavam-se de fatos específicos em suas memórias. A repetição do es- tímulo ocasionava a lembrança detalha- da dos mesmos episódios. A este respeito ele escreveria em 1975: “De imediato, ficava evidente que não se tratavam de sonhos. Eram ativações elétricas de um registro seqüencial de consciência, um re- gistro que tinha sido formulado durante a expe- riência anterior do paciente. Este revivia tudo aquilo de que tinha consciência naquele perí o- do de anterior como num flashback cinemato- gráfico.”3 3< Citado por TALBOT, Michael. O UNIVERSO HOLOGR Á- FICO. pp. 30. Editora BestSeller. São Paulo. Traduzido de The Holographic Universe [1991]
  • 5. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 5 A idéia de uma máquina biológica consolida- va-se a pouco e pouco. A expressão vida veg e- tativa utilizada para pessoas com acidentes c e- rebrais irreversíveis, denota a crença materiali s- ta de nossa cultura ao supor esteja o indivíduo encerrado em seu complexo aparelho cerebral. Porém, este mesmo paradigma encontra dif i- culdades na explicação de inúmeros fenômenos da realidade. Voltemos às idéias de Sir John Eccles. Na mesma obra citada ele desenvolve a tese de uma hipótese que: “...considera que a mente autoconscient e é uma entidade independente que está at i- vamente engajada em ler na multidão de centros ativos dos módulos da áreas de ligação do hemisfério cerebral dominante. A mente autoconsciente seleciona desses ce n- tros, de acordo com sua atenção e seus int e- resses, e integra o que selecionou para nos fornecer a cada momento a unidade de exper i- ência consciente.”4 E mais adiante: “...acredito que a estratégia reducionista não terá sucesso na tentativa de explicação dos níveis mais elevados do desempenho consci- ente do cérebro humano”5 Tais visões trariam implicações para um conceito biológico mais abrangente acerca do ser humano. Aceitando de forma clara, a existência de uma d i- mensão biológica do homem somos conduzidos a uma visão mais abrangente de sua própria estrutu- ra. A filosofia espírita reconhece esta dimensão bi o- lógica, embora não se restrinja a ela. Diz-nos o Prof. J. Herculano Pires: “Cada criatura humana é um ser espiritual, mas é também um ser físico ou um ser corporal (biológi- co diríamos nós).6 Prossegue Herculano agora citando O Livro dos Espíritos — obra primeira da Filosofia Espírita: “Se o homem não possui uma alma animal, que por suas paixões o rebaixe ao nível dos animais, tem seu corpo, que freqüentemente o rebaixa a este nível, porque o corpo é um ser dotado de vitalidade, que possui instintos, mas não inteligentes, limitados aos interesse de su a conservação.”7 Vendo a dimensão biológica do homem, atribui n- do extrema importância mesmo à esta dimensão, o 4< (idem pp. 435) 5< (idem pp. 439) 6< PIRES, J. Herculano. em INTRODUÇÃO À FILOSOFIA ESPÍRITA. pp. 62. Ed. Paidéia. 1ª ed. São Paulo. 1983 7< KARDEC, Allan, O LIVRO DOS ESPÍRITOS. item 605a. pp 298. FEB. Espiritismo antecipa a derrocada da conce p- ção materialista do homem. Para falarmos em conceitos específicos, visitemos Stanislav Grof em “Além do Cére- bro” quando ele escreve: "O último desafio sério ao pensamen- to mecanicista é a teoria do biólogo e bioquímico britânico,, Rupert Sheldra- ker, em seu livro revolucionário e alta- mente controvertido, Uma Nova Ciência da Vida (1981) Sheldraker fez uma crít i- ca brilhante das limitações da força ex- planatória da ciência mecanicista e sua inabilidade para encarar problemas de significância nas áreas de da morfoge- nia, durante o processo individual e a evolução das espécies, da genética ou de formas insti n- tivas e mais complexas de comportamento. A ciência mecanicista trata apenas do caráter quantitativo dos fenômenos, com aquilo que Sheldraker chamou de 'causação formativa'. Ainda segundo Sheldraker, os organismos vi- vos não são apenas máquinas biológicas co m- plexas e a vida não pode ser reduzida a re a- ções químicas. "8 É assim que nos aliamos a uma visão moderna do homem encarado como um organismo biológico de extrema complexidade, porém não encerrado nesse mesmo organismo. Antes, enxergamos no biológico uma de suas dimensões constitutivas. É assim que em 1959, encontramos nos escritos de Will Durant um desabafo sob o qual vale a pena refletir: “Talvez a biologia venha a rebelar-se com o domínio dos métodos e conceitos da física; e descubra que a vida se aproxima mais das bases da realidade do que a ‘matéria’ dos físi- cos e dos químicos. E quando a biologia se libertar da mão cadavérica do método mec a- nístico, sairá dos laboratórios para o mundo, começará a transformar os propósitos hum a- nos, como a física transformou a face da terra; e porá fim à brutal opressão da maquinaria sobre o gênero humano. Ela revelará, até para os filósofos que a duzentos anos vivem escr a- vizados aos matemáticos e físicos, a unidade diretiva; a criatividade protéica e a magnificente espontaneidade da vida” (DURANT, Will. EM Filosofia da Vida. pp. 76. ed. 11ª. Companhia Edito- ra Nacional. São Paulo. 1959.) 8< GROF, Stanislav. Em “Além do Cérebro - Nascimento, Morte e Transcendência em Psicoterapia”. pp.43 Editora MacGraw-Hill. São Paulo. 1987
  • 6. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 6 Conceito Social O homem é uma unidade social. Está na natur e- za humana a necessidade da vida em sociedade. Estruturamos, desde a grei primitiva até a socied a- de globalizada de hoje, uma civilização centrada na conquista social. Mesmo quando insistimos em priv i- légios para o indivíduo, temos no contexto da des i- gualdade social a estrutura viabilizadora deste abo r- to social. O homem é um animal social - insistia Aristóte- les. Somos mais. Necessitamos da vida em socieda- de como elemento capaz de nortear o processo de desenvolvimento de nossa cultura. Somente em sociedade os homens podem desenvolver os limites de suas potencialidades. A sociedade estabelece estruturas de relações que possibilitam a estruturação do indivíduo median- te o processo de aprendizado e adaptação. Aqui, a família desempenha papel crucial como o elemento diretor do processo de aculturação do indivíduo, responsável que é pela introdução da linguagem e da ética social, elementos primários da civilização individual. Lev Semyonovich Vygotsky, psicólogo russo, propõem em seus escritos que é a sociedade a responsável pelo desenvolvimento da mente hum a- na. Assim se pronunciam alguns estudiosos( Michael Cole e Sylvia Scribner): “Os sistemas de signos (a linguagem, a es- crita, o sistema de números), assim como o sistema de instrumentos, são criados pelas sociedade ao longo do curso da história hum a- na e mudam a forma social e o nível de seu desenvolvimento cultural. Vygotsky acreditava que a internalização dos sistemas produzidos culturalmente provoca transformações compo r- tamentais e estabelece um elo de ligação entre as formas iniciais e tardias do desenvolvimento individual. “ ( VYGOTSKY, L.S. em “A Formação Social da Mente”. p. 8. 4ª ed. Ed. Martins Fontes. São Paulo. 1991) E nas próprias palavras de VYGOTSKY: “...o momento de maior significado no curso do desenvolvimento intelectual, que dá origem às formas puramente humanas de inteligência prática e abstrata, acontece quando a fala e a atividade prática, então duas linhas complet a- mente independentes de desenvolvimento, convergem.” (idem. pp. 27) E mais adiante: “... Signos e palavras constituem para as crianças, primeiro e acima de tudo, um meio de contato social com outras pessoas. As fun- ções cognitivas e comunicativas da linguagem tornam-se, então, a base de uma forma nova e superior de atividade nas crianças, distingui n- do-as dos animais." Ao analisarmos a questão do ponto de vista esp í- rita - pelo que recomendamos o estudo de todo o capítulo VII da parte terceira de O Livro dos Espír i- tos, que trata Da lei de Sociedade — vemos a ques- tão 766, onde Kardec interroga: “766. A vida social está em a Natureza? “Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a pala- vra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.”(destaques nossos) Os escritos de Vygotsky — que era materialista dialético e cujo trabalho fundamenta a teoria psic o- lógica do marxismo — foram levados a efeito entre 1924 e 1934, mas constituem a confirmação da posição espírita - exposta em 1857 — com relação ao conceito social do homem; ressalvado o fato de que suas percepções se limitam a uma existência do indivíduo, ao passo que o Espiritismo considera estas relações antes, durante e depois da existência física. Do item 676 de O Livro dos Espíritos extraímos a afirmação: “Sem o trabalho o homem permane- ceria sempre na in- fância quanto à inte- ligência. “ Avaliando a abrangência desta afirmativa, identifica- mos no processo social de luta pela sobrevi- vência, no qual o ho- mem transforma a realidade e é por ela transformado, o elemento condutor da filosofia espí- rita no tocante ao desenvolvimento do ser humano. Estabelecido o progresso intelectual — para o qual o trabalho é condição precípua — dele decorre natu- ralmente o progresso moral, embora não imediat a- mente. Analisando, então, o homem no contexto social, vemo-lo como um manipulador de instrumentos e símbolos. Identificamo-lo como ser passível de transformação e como agente transformador. T e- mos nele o elemento que cria, elabora e se modifica através da realidade social. O instrumento como elemento viabilizador de seu trabalho na transfo r- mação da natureza; o símbolo como elemento inter- no, fruto da convivência social e capaz de lhe red i- mensionar os limites internos numa nova compr e- ensão da realidade e que o transforma efetivame n- te. Herculano Pires propõem uma interpretação mais abrangente do conceito social espírita no que toca às relações sociais. Identificando, graças à interação Homens / Espíritos pelas vias mediúnicas e intuitivas (vide o cap. IX da segunda parte de O Livro dos Espíritos — Da intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal — particularmente os item 459 a 472) o conceito de uma Cosmossociologia. Ao e n-
  • 7. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 7 carar o fato de ser o homem um membro das Soc i- edade Cósmica o Espiritismo nos remete à uma instância superior da análise sociológica. Tal análise nos remete à uma nova ordem de idéias de cuja abrangência extraímos: o processo reencarnatório, a participação na sociedade terrena e espiritual, o trabalho dentro e fora do corpo físico — como expe- riências de aprendizagem através das quais o ser edifica-se a si mesmo pela convivência social. Conceito Psicológico O homem é um ser psicológico. Guarda em si mesmo um universo inteiro a ser explorado. Seus motivos, suas pulsões e mesmo sua vontade apresentam-se como variáveis complexas que lhe determinam o caráter. A psicologia — ou o estudo da alma — propõem-se a elucidar os movi- mentos ou processos ocorridos no contexto da mente. Fundamentando o estudo desses processos mentais, essa ciência da alma consolidou-se nos trabalhos de Sigmund Freud, psiquiatra tcheco que em 1900, com a obra “A Interpretação do Sonhos” , inaugura um novo capítulo no livro da histó- ria do pensamento humano. A composição do pensamento humano norteia-se por padrões que nos são acessí- veis ao conhecimento imediato e que compõem nossa consciência. Freud foi o primeiro a identificar que, no entanto, além dos motivos e padrões da consciência, influenciam-nos sobremaneira outros motivos e outros padrões existente num plano me n- tal distinto a que ele denominou inconsciente. A psicologia passou a ver o complexo humano como um conjunto de forças e definiu seus objeto de pe s- quisa — a psicologia humana — como o esforço para representar e equacionar tais forças de modo a oferecer um nítida compreensão do homem e de seus comportamentos. Apesar das diversas visões da psicologia — adi- ante, no item A PSICOLOGIA HUMANA, veremos um conjunto de escolas psicológicas — é fácil notar a im- portância do conceito psicológico do homem como o elemento representativo dos movimentos da alma humana, movimentos estes responsáveis por suas pulsões, seus interesses e mesmo suas vontades. Conceito Espiritual A crença na imortalidade da alma é o fundame n- to mais antigo de que o homem via a si próprio c o- mo algo mais além do corpo. Tal crença mistura -se com a própria história da cultura humana.. O conceito espiritual apresenta-se nas diversas representações que o homem fazia de si. Porém, com o advento do paradigma mecanicista o aspecto espiritual foi extremamente relegado. Primeiro com a divisão cartesiana de corpo e alma, que deixou para a ciência o estudo do corpo e para a religião o estudo do espírito, tido como elemento sobrenatural. O estabelecimento da premissa materialista como fundamento da explicação da natureza — inclusive a humana — proposta por Tomas Hobbes, no sécu- lo XVII trouxe força incomensurável ao conceito do homem como máquina e inaugurava o moderno esforço de explicar o homem como um conjunto de causas e efeitos fisiológicos a lhe determinarem a existência. Caberia ao século XIX a definição de um novo paradigma no contexto da ciência. Derivado das pesquisas com os fenômenos mediúnicos, o prof. H. Denizard Rivail viria propor a adoção do Espírito como uma das potências da Nat u- reza, retirando-lhe o caráter de sobrenatural e resolvendo a descontinuidade existente entre matéria e espírito. Publicando a obra “O Livros dos Espíritos “— em 1857, com o pseudônimo de Allan Kardec — restabelecia no homem sua dimensão espiritual ao passo em que dispunha essa dimensão para o estudo da ciência. E além disso propôs que: “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal. " - Allan Kardec9 Vale salientar que a visão espírita não con- trapõem corpo e alma, conforme podemos encontrar em O Livro dos Espíritos item VI da Intr o- dução: “Há no homem três coisas: 1º, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado do mesmo princípio vital; 2º a alma ou ser imaterial, Espírito en- carnado no corpo; 3º, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o E s- pírito.” Com esta visão o Espiritismo recolocaria o Esp í- rito como elemento natural, passível de pesquisa pela ciência — embora não acessíveis aos méto- dos científicos de então. O conceito espiritual do homem se propõem a representar o homem como tendo uma dimensão pronunciada que lhe extrapola o corpo físico, ant e- cedendo e sobrevivendo a ele. Esta perspectiva tem aos poucos se consolidado como uma visão científi- ca moderna. O declínio dos conceitos newtonianos - cartesianos - fundamentalmente mecanicistas — deu azo ao surgimento de novas visões que hoje consolidam tal aspecto espiritual do ser humano. Os esforços de Stanislav Grof, Roberto Assaglioli, Pie r- re Weil, Elizabeth Kübbler-Ross, Hellen Wambach, Raymond Moody Jr., Carlis Osis, Ian Stevenson, Hernani Guimarães Andrade — entre outros — no sentido da pesquisa moderna do Espírito, tem surt i- 9< KARDEC, Allan - O QUE É O ESPIRITISMO. I.D.E. pp. 10 15ª ed. São Paulo. 1983.
  • 8. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 8 do efeito e incomodado a visão materialista do h o- mem colocando-a em posição insustentável. A REVOLUÇÃO ESPIRITUAL O Homem, a Mesa e os Espíritos Quando o conceito do homem animal - puro complexo bio-físico-químico — se estabelecera no século XIX, um conjunto de fenômenos extraordin á- rios solaparam a cultura materialista vigente. As chamadas danças das mesas — fenômeno no qual um grupo de pessoas em torno de uma mesa a viam levantar-se, mover-se e mesmo responder perguntas através de pancadas e movimentos — veio despertar o interesse de inúmeros pesquisado- res. Entre eles o Prof. Hippolyte Léon Denizard R i- vail. As pesquisas do Prof. Rivail culminaram em 1857 com o lançamento de O LIVRO DOS ESPÍR I- TOS, o qual ele assinava com o pseudônimo de Allan Kardec. Na obra o Sr, Rivail propunha uma revisão radi- cal em torno do conceito do homem, de sua exi s- tência, de seus propósitos e conceitos em torno da vida. A mudança conceitual A primeira mudança se deu na própria colocação do problema. Até então as questões pertinentes aos Espíritos residiam na alçada exclusiva da religião, e desde Tertuliano, a premissa religiosa era “crer por ser impossível”. O maravilhoso e o sobrenatural grassavam ameaçados num mundo em que a Ciência esta- belecia seus domínios... O Sr. Rivail, contudo, propunha que o Espírito não era um ente sobrenatural. Estava na natureza das coisas e era passível de pesquisa. E como uma das primeiras conclusões extraídas de suas pesqu i- sas viu nos Espíritos nada mais do que os próprios homens despidos do corpo físico. O estudo do fenômeno mediúnico — curiosa- mente iniciado com a dança das mesas — culminou com a definição de uma nova visão em torno da natureza e do homem. Existência e Imortalidade A proposta filosófica do Espiritismo, ao abordar a questão é colocada nos seguintes termos: 1. Existe alma? — aqui entendida como algo a- lém da simples estrutura biológica do cérebro. 2. Esta alma sobrevive à morte do corpo? Estes termos nos levam a uma abordagem met i- culosa do problema humano. A própria pesquisa espírita, já no século XIX, respondia afirmativamente a ambas as interrog a- ções, mas somente a partir de 1932, com a public a- ção da obra Novas Fronteiras da Mente, de autoria do professor Joseph B. Rhine — o pai da parapsico- logia moderna, a ciência oficial despertou para tratar o assunto com a seriedade merecida. O objetivo da obra do prof. Rhine era apresentar como suas pe s- quisas — utilizando o método estatístico — demons- travam a existência no homem de percepções e x- trasensoriais. Tais faculdades indicavam a possibi li- dade de existência, no homem , de algo além da matéria. Na década de 80, uma obra de extrema curios i- dade — O EU E O SEU CÉREBRO — assinada pelos eminentes pesquisadores Karl Raimund Po p- per, filósofo, e John Eccles, neurofisiologista, adv o- gavam a real existência de um EU, distinto do cére- bro. As pesquisas sobre as potencialidades da alma eclodiram com força total a partir da década de 70. Em particular, o surgimento da Psicologia Tran s- pessoal, a imortalidade deste EU ficou patenteada através das pesquisas com a reencarnação e as experiências de quase morte. A proposta de abordagem do Espiritismo mo s- trou-se acertada para o caso. DIMENSÕES E ABRANGÊNCIAS DO SER HUMANO O Ser bio-psico-sócio-espiritual Á luz do pensamento espírita, encaramos o h o- mem como um complexo bio-psico-sócio-espiritual que se manifesta em múltiplas experiência de a- prendizagem reencarnatória com vistas ao dese n- volvimento de suas potencialidades morais e intele c- tuais. Tais dimensões humanas não podem ser descaracterizadas sob pena de obter-se uma pálida representação do homem. O entendimento do ser humano passa, portanto, pelo entendimento de suas dimensões múltiplas e, particularmente, pelo rec o- nhecimento de suas dimensão espiritual - responsá- vel pela perenização de sua individualidade evoluti- va a expressar-se em múltiplas existências dentro e fora da experiência carnal. Há um ponto que merece esclarecimento partic u- lar. Trata-se da dimensão biológica humana, muitas vezes associada exclusivamente á vida encarnada.
  • 9. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 9 Através do estudo do corpo espiritual - ou peris- pírito — somos forçados a reconhecer uma dime n- são biológica espiritual(!). Assim como poderemos pensar em dimensões sociais espirituais, e psicol ó- gicas espirituais. A dimensão espiritual aparece como um elemento de destaque para acentuar que as dimensões bio-psico-sociais NÃO ESTÃO RESTRITAS A UMA EXISTÊNCIA FÍSICA!!! Mas estendem-se por toda a história espiritual do ser. A vida possui uma abrangência inco- mensurável a desdobrar-se em ca- deias evolutivas que integram o mundo espiritual e material.10 O Ser Agente e o Ser Paciente A epopéia da existência humana desdobra-se através de uma se- qüência evolutiva curiosa. Primeiro é a Natureza que, ao formar e trans- formar a espécie humana, dota-a do aparelho mental, que lhe possibilita compreender a si próprio e à Nature- za. Depois vem o esforço humano de mudar o meio em que está; o que resulta na aceleração do processo de mudança de si mesmo mas agora seguido pela efetiva transformação do meio onde está... Temos assim a dupla natureza humana ora AGENTE ora PACIENTE.... Da interação entre e s- tes aspecto temos como resultado o PROCESSO EVOLUTIVO HUMANO. A capacidade de transformar a si mesmo quer como agente, quer como paciente, traz ao homem uma abrangência notável uma vez que o coloca acima se si mesmo, para além do que existe no presente. Esta abrangência lhe caracteriza o projeto existencial. o homem aparece como uma atualiz a- ção de si próprio, como a melhoria daquilo que já foi. Este processo desenvolve-se não apenas em uma experiência existencial, mas na multiplicidade das encarnações. Agindo, o homem aciona o meio externo. So- frendo as conseqüências dos seus atos, o homem sente a natureza agindo sobre si, transformando -o. Este é o referencial educativo da vida. O pensame n- to espírita denomina-lhe LEI DE CAUSA E EFEITO. Esta lei não determina quais serão as conseqüên- cias das atitudes humanas mas estabelece que elas virão de modo que, através delas, o homem seja transformado pelo aprendizado de novos valores, pensamentos e atitudes. 10< Para maiores detalhes em torno da questão sugerimos o estudo da obra EVOLUÇÂO EM DOIS MUNDOS do espírito André Luiz - psicografia Waldo Vieira e Frnacisco Cândido Xavier editado pela FEB. A integração existencial Em sua magnífica obra TIPOS PSICOLÓGICOS, o psicólogo Carl G. Jung define a individuação 11: “De modo geral, pode-se dizer que a in- dividuação é o processo de constituição e pa r- ticularização da essência individual, especia l- mente, o desenvolvimento do indivíduo — se- gundo o ponto de vista psicológico — como essência diferenciada do todo, da psicologia coletiva” Se estendermos este processo de individuação para a realidade reencarnatória observaremos que o processo reencarnatório é, de fato, um processo de individuação. Po- rém, a cada nova existência não somos remetidos ao ponto zero! Antes, cada experiência de vida está integrada de modo a possibilidade o desenvolvimento integral do Ser, tanto do ponto de vista moral quanto intelectual. Acerca do assunto afirma Allan Kardec12: “A vida do Espírito, pois, se compõem de uma série de existências corpóreas, cada uma das quais representa para ele uma ocasião de progredir(...)” E recentemente, analisando o mesmo problema escreveu o físico Patrick Drouot13: “Durante meus anos de pesquisa, pude constatar que as vidas passadas não estão separadas umas das outras. Estão ligadas por uma espécie de fio condutor, que se desenrola incansavelmente além do tempo e do espaço.”(destaques nossos) Isto porque, as diversas experiências reencarn a- tórias, promovem o desenvolvimento dos potenciais do ser espiritual, que, embora evolutivo, guarda sua integridade psicológica, algo a que podemos chamar de INDIVIDUALIDADE ESPIRITUAL. Cada enca r- nação possibilita a expressão desta individualidade ao mesmo tempo que lhe promove o desenvolv i- mento. Importa considerar que este desenvolvimento não ocorre apenas no plano subjetivo. Na medida em que se desenvolve o indivíduo espiritual mani- festa potencialidades mais aprimoradas para agir no meio em que vive. Seu vigor intelectual e afetivo manifestam-se em ondas de influenciação e forças de mudança, que tocam os seres e as coisas de sua convivência. A convivência social — no sentido 11< JUNG, Carl Gustave, TIPOS PSICOLÓGICOS. pp.525. 4ª ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 1987. 12< KARDEC, Allan. O LIVRO DOS ESPÍRITOS. pp.129. 57ª ed. FEB. Rio de Janeiro 13< DROUOT, Patrick. SOMOS TODOS IMORTAIS. pp. 59. 3ª ed. Ed. Record . Rio de Janeiro. 1995.
  • 10. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 10 mais amplo possível — promove, ao longo do tem- po, a melhoria de todos os envolvidos no processo, constituindo-se este desenvolvimento no propósito da vida. A este processo denominamos INTEGR A- ÇÃO EXISTENCIAL. A PSICOLOGIA HUMANA “Uma imagem nova da psique humana tem sido das mais significativas contribuições da moderna pe s- quisa da consciência à emergente visão científica do mundo. Stanislav Grof - Em Alem do Cérebro O propósito da representação de uma psicologi a humana vem de encontro aos nossos anseios de compreender a complexidade do ser humano. Os modelos ora representados constituem — em nossa opinião particularíssima — as grandes vertentes do pensamento psicológico vigente. Apresentamo -los sob a epígrafe de cartografias por entendê-los como mapas de representação da estrutura psicológica humana. Destacamos, porém, que foge ao escopo deste trabalho uma análise minuciosa de cada modelo apresen- tado, excetuando-se obviamente, o modelo espírita.14 A cartografia de S. Freud Com base no pressuposto de um determinismo psíquico — no qual se admite não haver descontinuidade na vida mental já que para cada pensamento, memória revivida, sentimento ou ação, podemos encontrar uma causa — Freud estabeleceu a existência na psique humana dos seguintes processos: Consciente — “uma pequena parte da mente, incluí tudo do que estamos cientes num dado m o- mento”15 Inconsciente — onde “estão elementos instinti- vos, que nunca foram conscientes e que não estão acessíveis à consciência”16 Pré-consciente — “uma parte do inconsciente, mas uma parte que pode tornar-se consciente com facilidade.”17 E com base neles estabeleceu a primeira cart o- grafia da psique. A estrutura da personalidade ap a- rece em Freud composta por três instâncias: 14< Para uma análise mais didática da questão sugerimos - na condição de não-especialista na área - o livro TEORIAS DA PERSONALIDADE de Fadiman e Frager - para uma análise de Freud, Jung e Skiner. Para Grof, sugerimos sua obra ALÉM DO CÉREBRO, e para Vygotsky, A FORMAÇÃ O SOCIAL DA MENTE. 15< FADIMAN, James e FRAGER, Robert. Teorias da Person a- lidade. pp. 7. Ed. Habra. São Paulo. 1986. 16< Idem. 17< Idem. ID — onde estão os instintos básicos da organi- zação biológica e que se manifestação de modo desconhecido; EGO — o elemento de contato com a realidade das coisas, onde se desdobram os processos con s- cientes. Funciona como uma “camada” que dá fo r- ma e direção às forças propulsoras do ID, de onde ele retira as energias de realização. SUPEREGO — “É o depósito dos códigos mo- rais, modelos de conduta e dos constructos que constituem as inibições da personalidade.” 18 Freud identifica uma cadeia de extrema vincul a- ção biológica com relação aos processos mentais. Estabelece o conceito das pulsões de vida (libido) e de morte (que não recebeu denominação específ i- ca) como energias propulsoras das atividades de formação e desenvolvimento da personalidade. A cartografia de C. J. Jung Para Jung os arquétipos desempenham papel fundamental na compreensão do ser humano. Em sua cartografia da psique humana Jung retrata cinco arquétipos: PERSONA — A forma através da qual nos apresentamos no palco da vida. Segundo a definição do próprio Jung19: “(...) um complexo funcional a que se chegou por motivos de adaptação ou de necessária comodidade” EGO — É “(...) o centro da consciência e um dos maiores arquétipos da personalidade. Ele forn ece um sentido de consistência e direção em nossas vidas conscientes.20” SOMBRA — uma parte do inconsciente na qual residem aspectos inaceitáveis, até para nós mes- mos, de nossa individualidade. ANIMA ou ANIMUS — aparece como uma par- cela complementar de nossa individualidade. Apr e- senta-se como um elemento do inconsciente com as tendências complementares às apresentadas pelo EGO. SELF — aparece como o nosso EU INTEGRAL, um elemento norteador de nosso processo de ind i- viduação. Na definição de Jung21: “consciente e inconsciente não estão necessariamente em opos i- ção um ao outro, mas complementam -se mutua- mente para formar uma totalidade :o SELF.” 18< Idem. pp. 12. 19< JUNG, Carl Gustave, TIPOS PSICOLÓGICOS. pp.478. 4ª ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 1987 20< FADIMAN, James e FRAGER, Robert. Teorias da Person a- lidade. pp. 53. Ed. Habra. São Paulo. 1986 21< Idem. pp. 56 (citado por)
  • 11. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 11 A cartografia de B. F. Skiner CONDICIONAMENTOS — para a psicologia be- haviorista radical de Skiner, o corpo apresenta -se como a totalidade do ser. As experiências sensórias edificariam, através de um processo de CONDICIONAMENTO as ações, pensamentos, associações e motivos da personalidade humana. A estrutura mental edifica-se e reforma-se com base nos estímulos ou repressões repetidas. O homem apresenta-se como resultado de sua história, sendo possível modifica-lo através de novos estímulos. A cartografia de S. Grof Barreira Sensorial — os elementos vinculados à própria biologia humana. Sensações e formas rel a- cionadas às disposições de nossos órgãos sensor i- ais. Inconsciente Individual — o nível da biografia individual onde residem todas as experiências de nossa história de vida. Nível de Nascimento e Morte — onde são en- contradas e interrelacionadas as experiências ps í- quicas relacionadas aos fenômenos da morte e do nascimento. Aqui encontramos matrizes psicológ i- cas cujo arcabouço reflete, em parte, os arquétipos coletivos referentes aos episódios de nascimento e morte. Domínio Transpessoal — onde as experiências transpessoais se manifestam. Analisando essas experiências ou fenômenos transpessoais, o Dr. Grof assinalou22: “O denominador comum desses fenômenos, de outra maneira ricos e ramificados, é a sensação vivida pelo sujeito de que sua consciência expandiu- se além das comuns limitações do EGO e transce n- deu os limites do tempo e do espaço.” A cartografia Espírita O Espiritismo, ao propor a compreensão do h o- mem em sua totalidade identifica - conforme citado anteriormente — que: “Há no homem três coisas: 1º, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado do mesmo princípio vital; 2º a alma ou ser imaterial, Espírito en- carnado no corpo; 3º, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o E s- pírito.” A Doutrina reconhece no homem a existência de um corpo biológico: “(...)o corpo é um ser dotado de vitali- dade, que possui instintos, mas não intelige n- 22< GROF, Stanislav. Em “Além do Cérebro - Nascimento, Morte e Transcendência em Psicoterapia”. pp.97. Editora MacGraw-Hill. São Paulo. 1987 tes, limitados aos interesse de sua conserv a- ção.”23 Este corpo estabelece um nível da consciência humana. Mais além dele identificamos o perispírito como a matriz de toda a memória do Ser, o eleme n- to responsável — porquanto indissociável do Espíri- to, propriamente dito — pelo armazenamento de toda a memória do Ser. Nele encontramos o registro de TODAS as experiências encarnatórias do Espír i- to. E finalmente temos o Espírito como o elemento fundamental do Ser, aquele que lhe confere indiv i- dualidade. O Espírito mostra-se como um princípio inteligente individualizado e passível de progresso. Formulando uma compreensão específica da cartografia espírita, o Espírito André Luiz, em sua obra No Mundo Maior, no capítulo “A CASA MENTAL”, introduz uma extrapolação da teoria freudiana ao propor a casa mental dividida em três módulos: O Inconsciente — onde se encontra toda a ex- periência da vida pretérita do indivíduo — inclusive as experiência em vidas passadas; O Consciente — onde repousam as experiên- cias acessíveis pela mente no presente; e O Superconsciente — a porção de nossa mente onde se encontram as nossas promessas e ideais de melhoria individual. A representação da psique humana, à luz do E s- piritismo faz-nos ver que as abordagens tradicionais no campo da psicologia não são antagônicas, mas complementares. A existência e imortalidade da alma fornecem a chave para a compreensão de um conjunto de problemas acerca do homem que n e- nhum outro preceito permite. Vemos que o cond i- cionamento behaviorista de fato ocorre a nível no corpo, nos limites das barreiras sensoriais que se consolidam na forma de elementos simbólicos na mente, através de reflexos condicionados e cond i- cionantes, mas percebemos que ao longo do tempo, nos recessos de nossa alma, desenvolvemos i- gualmente aspectos particularíssimos a se expr es- sarem na forma dos arquétipos Junguianos. Rec o- nhecemos a similitude do ID, do EGO e do Super e- go com as estruturas criadas pela experiência mult i- existêncial, a exprimir-se em várias reencarnações, desde o princípio inteligente original (o ID) que pela experiência na matéria desenvolve um individualid a- de (EGO) a submeter-se ao processo evolutivo me- diante o desenvolvimento de referenciais superiores acerca de si mesmo (SUPEREGO). A compreensão da psicologia Transpessoal — que tem sua definição em GROF — aproxima a pesquisa científica oficial do modelo proposto pelo Espiritismo, embora não se identifique a ele. SER E SIGNIFICADO: ANÁLISE DA PERSPECTIVA HUMANA 23< 23 - KARDEC, Allan, O LIVRO DOS ESPÍRITOS. item 605a. pp 298. FEB.
  • 12. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 12 “Pode surpreender que eu diga, baseado em minha prática profissional, assim como na de meus col e- gas psicólogos e psiquiatras, que o problema fu n- damental do homem, em meados do século XX, é o vazio. Com isso quero dizer não só que muita gente ignora o que quer. mas também que freqüentemente não tem uma idéia nítida do que sente.” Rollo May em O Homem à Procura de Si Mesmo. O Sentido da Vida em Frankl O Dr. Viktor Frankl é um dos sobreviventes de Auschwitz. Responsável pelo desenvolvimento de uma nova linha de terapia à qual ele denominou LOGOTERAPIA — ou a terapia do sentido. Na primavera de 1977 o Dr. Frankl escreveu 24: “(...) o homem não pode mais ser con- siderado apenas como uma criatura cujo int e- resse fundamental é o de satisfazer as pul- sões, de gratificar os instintos, ou então, dentro de certos limites, reconciliar entre si o ID, o EGO e o Superego, nem a presença humana pode ser entendida simplesmente como o r e- sultado de condicionamentos ou de reflexos condicionados. Neste âmbito, ao contrário, o homem se revela como um ser em busca de um sentido.” Esta busca de um sentido resulta na transform a- ção da experiência de vida num processo de real i- zação real; de autorealização e autoatualização. O Espiritismo destaca este aspecto como sendo fundamental para o equilíbrio humano: a necessid a- de de um sentido para a vida. E nesse particular, na medida em que estende a vida para além das fro n- teiras da morte e estabelece uma cadeia de dese n- volvimento ontológico, a Doutrina Espírita viabiliza a integridade do equilíbrio pela extrapolação da per s- pectiva humana dando ao ser um significado real para sua vida: a construção de si mesmo! May e o Homem a procura de Si Mas quem é este homem? Em 1969 o Dr. Rollo May, psicólogo norte- americano publicou uma obra que guarda interesse até os presentes dias: O HOMEM A PROCURA DE SI MESMO. Nesta obra o Dr. May estabelece que o grande conflito da era moderna foi a perda de si mesmo. Estabelecendo a rotina, a angústia, o medo e a solidão como os elementos responsáveis pela neu- rose contemporânea, propõem que o (re)conhecimento de si mesmo seja a via de recup e- ração da integridade humana na atualidade. No item 919 de O Livro dos Espíritos, encontr a- mos a preocupação dos prepostos espirituais no sentido de efetivar a transformação humana: 24< 24 - FRANKL, Viktor. UM SENTIDO PARA A VIDA. pp 11. 6ª ed. Ed. Santuário. São Paulo. 1989. “919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? - Um sábio da antigüidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.” Assim, o Espiritismo propõem a estruturaçã o de um processo contínuo de conhecimento e auto - avaliação com fins de melhoria continuada acerca daquilo que somos intelectual e moralmente. A Verdade e a Vida no Caminho de Jesus 625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao ho- mem para lhe servir de guia e modelo? R. - Jesus. "O LIVRO DOS ESPÍ- RITOS" item 625. A mensagem do Cristianismo permanece um convite para o desenvolvimento das potencialidades humanas mais profundas. Desde o “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si me s- mo” e passando pelo “Conhecereis a verdade e ela vos tornará livres”, vemos Movimento Cristão uma proposta de transformação no homem. “Vós sois deuses!” — asseverava Jesus. Convocando-nos para iniciar o nosso processo de melhoria pessoal, o Cristianismo nos faz ver a nós mesmos como uma promessa de evolução. Crer que a mensagem de Jesus reveste de caráter passivo, indutora de um estado de expectativa in o- perante face à vida, é ignorar a essência mesma do Cristianismo: o esforço de melhoria íntima na dir e- ção de promover o amor a si; ao próximo e a Deus. O HOMEM COMO FENÔMENO, AGENTE E PROJETO O Projeto Existencial O homem se mostra na visão espírita, como um projeto de si mesmo. Um arcabouço iniciado pela natureza; dotado de consciência e responsabilizado pelo seu próprio desenvolvimento ulterior. Através das experiências reencarnatórias vai ele adquirindo novas compreensões sobre a natureza de si e das coisas; vai efetuando suas mudanças de comportamento, melhorando-se, expandindo-se...
  • 13. A V i s ã o E s p í r i t a d o H o m e m página - 13 Edificação de Si... Aparecendo como um fenômeno da natureza, o homem se transformou num agente de destaque capaz de mudar as coisas e a si. Na condição de agente de transformação o tr a- balho desempenha para ele um papel fundamental. É pelo trabalho que o homem age no meio e o meio lhe transforma. Por esse motivo o destaque dado por Kardec no tocante à necessidade do trabalho, mesmo quando o indivíduo não dependa econom i- camente dele. O HOMEM PARA ALÉM DE SI “É tempo que o homem tenha um objetivo. É tempo que o homem cultive o germe de sua mais elevada esperança.” Zaratustra, Em Assim Falava Zaratustra de F. N i- etzsche. O conceito do Além do Homem em Nietzsche Friedrich Nietzsche, o filósofo poeta desesper a- do, autor da morte de Deus na modernidade, ao analisar o homem em sua totalidade chegou à co n- clusão que o tempo do homem havia passado. Foi o primeiro a desenvolver uma filosofia centrada no conceito da seleção natural, na sobrevivência nat u- ral do mais forte e aplicá-la ao tipo humano. Pro- pondo que o homem é uma ponte entre o animal e o Além-do-Homem, Nietzsche estabelece um convite para que o homem ultrapasse seus limites e dese n- volva a integralidade de seus potenciais. Embora os pressupostos de Nietzsche sejam mais poéticos que filosóficos, somos tentados a concordar com suas idéias em torno da necessid a- de do advento de um Além-do-Homem, caracteriza- do essencialmente pelo esforço de superação da humanidade, pela busca mesmo dela. O homem como devir Simone de Beauvoir define o homem não como um processo, mas como um devir, um constante vir a ser. Tal compreensão sobre a natureza humana nos permite idealizar o que há de mais profundo na existência humana: a capacidade de continuamente se superar, de melhorar a si próprio; de se recons- truir e de (re)significar-se. O humanidade e pós-humanidade em Jesus O homem é um mistério a ser desvendado diar i- amente, por si mesmo. Constituímo-nos naquilo que nos esforçamos por ser, ou naquilo que permitimos à vida nos edificar. Somos produtos e agentes de nossos próprios esforços, de nossas próprias ações. Afinal, o que seremos? Seremos o que nos projetarmos. Seremos frutos de nossos pensamentos, de nossos atos. À luz da Doutrina Espírita verificamos nossa condição de viajores de nossa existência, de cons- trutores de nosso destino. Impelindo-nos a realizar nosso progresso intelecto-moral, o Espiritismo nos lança no desafio de construir em nós o Além -do- Homem. E neste contexto, ao perceber a indecisão em somos por vezes lançados, a superação de nós mesmos é estabelecida pela recomendação cristã: “Sede perfeitos...” De modo que não nos restasse dúvidas em torno do roteiro a seguir, interrogou Kardec aos prepostos da Espiritualidade Maior: 625 - Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para lhe servir de guia e modelo? R. Jesus. André Henrique Natal, 8 de julho de 1996