A Internet como potenciadora de capital social e como
espaço para uma sociedade civil mais forte
Marco António Fonseca Pereira
Mestrado em Ciência Política
Escola de Sociologia e Políticas Públicas
ÍNDICE
INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 1
NOVAS FORMAS DE LIGAÇÃO ................................................................................................................. 2
O OUTRO LADO DA MOEDA.................................................................................................................... 4
SOCIEDADE CIVIL GLOBAL ....................................................................................................................... 5
CONCLUSÕES........................................................................................................................................... 6
BIBLIOGRAFIA.......................................................................................................................................... 7
INTRODUÇÃO
Para uma democracia forte é necessária uma sociedade civil forte. Com a Internet,
novas formas de associação criam novas oportunidades de deliberação pública e protesto.
Novas formas de comunicação em rede criam uma sociedade civil global capaz de fazer frente
aos poderes políticos e poderes corporativos. A globalização trouxe novas formas de
governação e, com elas, novos problemas que não podem apenas ser tratados dentro da
esfera dos governos nacionais. Estes, com as suas limitações nacionais e frente aos poderes
globais que surgem com os processos de globalização, têm dificuldades em responder a
problemas mundiais. Pode a sociedade civil, recorrendo às novas tecnologias de
comunicação e informação, como a Internet ajudar na resolução destes problemas globais?
Que formas de comunicação são estas que se formam entre os cidadãos com acentuada
presença on-line? Qual a importância das comunidades virtuais? Quais são os desafios que
a Internet impõe a uma sociedade civil forte? Estas são algumas das questões levantadas
quando discutida a influência da Internet na sociedade civil e um problema que existe na
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investigação sobre a sociedade civil é a falta de sensibilidade para novas e alternativas formas
de solidariedade, comunicação e envolvimento cívico e político (Ester & Vinken, 2003) e, como
argumenta Scholte (1999), a tecnologia é crucial, já que o desenvolvimento no processamento
das tecnologias de informação e comunicação permitiu a construção de uma infraestrutura
para ligações a nível global. Ora, se a Internet permite o alargamento da sociedade civil do
local para o global, então é importante também refletir sobre as proporções que a sociedade
civil pode tomar à escala global. Os grupos e movimentos sociais locais podem assim fazer
chegar as suas causas a outras populações outrora inalcançáveis. A função da Internet para
a produção de capital social, a sua influência no envolvimento cívico e político e a sua
utilização para a organização de protestos a nível global e a constituição de uma sociedade
civil global são tópicos em destaque neste ensaio.
NOVAS FORMAS DE LIGAÇÃO
Uma questão muito discutida no âmbito da influência da Internet nas relações sociais é a
forma como esta pode funcionar como produtora de capital social. Este conceito refere-se às
componentes dos processos de organização social como as redes, normas e confiança que
permitem e facilitam a coordenação e cooperação de indivíduos para o cumprimento de um
objetivo comum (Putnam, 1995), ou explicado de outra forma, a coleção de laços sociais de
um certo indivíduo que lhe fornece acesso a recursos, informação ou ajuda que lhe dão
acesso a benefícios, sejam eles económicos ou não (Pénard e Poussing, 2010). Este é um
conceito sociológico altamente utilizado para discutir o impacto que os grupos e redes sociais
têm para a constituição de uma sociedade civil forte.
De facto, Putnam verificou um declínio no capital social associando-o a uma erosão da
vida comunitária e da sociedade civil (Ester e Vinken, 2003). Este declínio do capital social é
frequentemente associado com o uso de novas tecnologias. Existem autores que relacionam
o tempo gasto “on-line” com a diminuição da socialização e a participação em eventos fora de
casa (Nie e Erbring, 2000 in Shah et al., 2001). Estas perspetivas contrastam com outra
literatura que se foca em novas formas de organização e envolvimento cívico que surgem com
o crescente uso da Internet.
Mark Poster e Sherry Turkle (in Jensen et al. 2007), por exemplo, são defensores da ideia
de que a Internet constitui um meio que permite o desenvolvimento de novas formas de
comunidade que não estão sujeitas às limitações e constrangimentos da vida comunitária “off-
line”. Um aspecto positivo que se destaca é a possibilidade do modo de vida virtual poder
mobilizar segmentos sociais que não estão à partida integrados na participação cívica
convencional. Isto pode mitigar a divisão social existente e a dificuldade de acesso a
comunidades com estruturas verticais mais rígidas. Dados sugerem, aliás, que o processo de
envolvimento político on-line é mais democrático, já tendo que os fatores socioeconómicos
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tendem a ser diluídos no ciberespaço (Jensen et al., 2007). A realidade é agora virtual e quase
toda a informação está agora disponível na Internet e o que ainda não está lá vai passar a
estar rapidamente (Norris, 2001 in Ester e Viken, 2003).
Quan-Haase e Wellman (2004) identificam três tendências na literatura sobre a influência
da Internet no capital social. A primeira debruça-se sobre o modo como a Internet transforma
o capital social, salientando o baixo custo da comunicação com comunidades distantes que
partilham interesses comuns. Outra perspetiva é a de que a Internet diminui o capital social
ao afastar os indíviduos do seio familiar e dos amigos devido à proliferação de conteúdos de
entretenimento e informação e ao desvio da atenção dos indivíduos para os problemas
globais, afastando-os dos problemas locais. De facto, os videojogos virtuais ou o tempo gasto
em salas de “chat” podem ter um efeito negativo na confiança e na produção de capital social
(Shah et al., 2001). A outra abordagem referida por Quan-Haase e Wellman (2004) é a de que
a Internet complementa o capital social ao facilitar as ligações sociais já existentes, tanto no
capital social como no envolvimento cívico.
A Internet, como John Naughton (2001) explica, facilita o acesso a dados, informação e
conhecimento; a publicação por indivíduos e grupos que veriam os seus conteúdos ser
vetados pelos tradicionais ‘gatekeepers’ dos media tradicionais, aumenta a rapidez da
circulação da informação, a sua partilha e, talvez o fator mais importante para o processo
cívico, permite a formação e manutenção de comunidades virtuais de pessoas ou instituições
já existentes com vista a interesses comuns. Facilmente deduzimos o potencial que o
ciberespaço tem para o envolvimento associativo.
Por outro lado, é pertinente reconhecer a existência da literatura de visões muito
pessimistas sobre as características de uma sociedade civil on-line. Há autores que
menosprezam o efeito da Internet no envolvimento político, considerando o seu efeito
marginal ( Bimber, 2003 in Jensen et al., 2007) ou que a Internet tende a apenas reproduzir
as estruturas já existentes e que, assim, o efeito na deliberação das políticas públicas será o
mesmo (Jensen et al., 2007:41). Ainda, um estudo (Shah et al., 2001) concluiu que as relações
entre o uso da Internet e a produção de capital social tem de ter em conta os motivos que
estão por trás de cada utilzação individual do meio e que é mais importante perceber o teor
dos comportamentos on-line do que propriamente a quantidade do tempo que as pessoas
gastam na Internet. De facto, a utilização da Internet para partilha de informação tem um
impacto positivo universal na produção de capital social pois os utilizadores que a usam para
este fim tendem a ter contacto com mais experiências de recrutamento para vida cívica (Shah
et al., 2001), por exemplo, através do e-mail, usado para a ligação com outros indivíduos, a
organização de eventos e o recrutamento de voluntários (2001:154).
Ainda sobre a produção de capital social, Quan-Haase e Wellman (2004) concluiram que
a Internet contribui para o seu aumento, e não para a sua diminuição ou transformação, já
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que os utilizadores que usam mais a Internet continuam a comunicar com outros através de
chamadas telefónicas ou presencialmente. Outro exemplo é o das mensagens enviadas por
telemóvel, que servem regularmente para marcar encontros e, como aconteceu com o
telefone, é importante perceber que a os efeitos da Internet evoluirão com o tempo (Fischer,
1992 in Quan-Haase e Wellman, 2004).
O OUTRO LADO DA MOEDA
Apesar de ser claro o potencial da Internet na produção de capital social e no envolvimento
cívico, é necessário também refletir sobre os riscos que a utilização da Internet traz aos
cidadãos. Uma das questões destacadas na literatura sobre o assunto é a da desigualdade
existente no acesso à Internet (Levine, 2000; Naughton, 2001). A existência de uma
infraestrutura de comunicação é necessária, mas não suficiente para garantir igualdade de
acesso para todos (Naughton, 2001). Sem igual acesso a ligações rápidas, o know-how
informático e recursos econonómicos, a sociedade civil corre o risco de ser mais uma prova
da clivagem socioeconómica existente. De facto, apesar das nações industriais conterem
apenas 15% da população, representam 88% dos utilizadores de Internet (Levine, 2000).
Segundo um relatório das Nações Unidas de 1999 (in Naughton, 2001) na Ásia do Sul, com
20% da população, tinha apenas 1% da totalidade dos utilizadores da Internet. É preciso ter
em conta então os níveis de acesso da população antes de falar numa sociedade efetivamente
global, já que a desigualdade existente no acesso à Internet reforça a clivagem entre os países
desenvolvidos e os países em desenvolvimento (Naughton, 2001).
Outra preocupação demonstrada por Levine (2000) é o facto de, apesar do uso da Internet
aumentar a criação de ligações sociais, a sociedade poder vir a tornar-se mais atomatizada e
individualista. A importância da sociedade civil prende-se com o facto de constituir uma ponte
entre os interesses dos cidadãos e as instituições políticas de uma sociedade. Ora, os
cidadãos desenvolvem as suas opiniões e posições políticas através da participação ou
observação em discussões (Levine, 2000:5) De facto, Levine reconhece que existe muita
discussão política na Internet, mas adverte para o risco desta vir a perder qualidade ao longo
do tempo à medida que os indivíduos filtram a informação a que têm acesso. A Internet pode
mesmo aumentar a estratificação intelectual, na medida em que os grupos de diferentes
interesses proliferam existindo separados uns dos outros (Levine, 2000). O autor também
reflete sobre o efeito do aumento da Internet como plataforma de consumo de bens e troca
de mercadorias. Esta função pode ter um efeito na forma como os cidadãos consomem
também informação. Se cada vez mais a informação a que acedemos ou recebemos é
baseada naquela que está previamente guardada nos servidores dos computadores,
informação que é filtrada e moldada para ir de encontro aos interesses dos consumidores,
então o debate político pode ser comprometido por não termos acesso a diferentes pontos de
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vista e opiniões. E como diz Andrew Shapiro (in Levine, 2000), é muito difícil encontrar um
grupo dedicado ao bem-comum em geral. Esta lógica da Internet virada para o consumidor
pode também limitar o acesso a grupos com informação não-censurada (Levine, 2000:6).
Outra questão abordada por Levine é a da privacidade. O autor argumenta que a natureza
e os contornos desta são limitados pela Internet. Levine explica que, apesar das vantagens
do anonimato nas comunicações entre os indivíduos na Internet, a privacidade destes pode
enfraquecer os laços horizontais, por exemplo, no exercício de ligações entre cidadãos como
iguais (2000:6). É importante então perceber como estes problemas podem ser resolvidos
para que o potencial da Internet para a sociedade civil não seja minado pelas consequências
da sua utilização acima mencionadas.
Ainda, como a arquitetura da Net não é imutável (Lessig, 1999 in Naughton, 2001), existem
forças poderosas, que ao representar diferentes interesses, estão a fazer pressão com o
propósito de mudar a arquitetura do sistema da Internet para o tornar muito mais fechado e
maleável (Naughton, 2001). “Mudanças como estas seriam desastrosas para aqueles que
usam a Net para informar, comunicar e fazer campanha contra os poderes governamentais e
corporativos” (Naughton, 2001:166).
SOCIEDADE CIVIL GLOBAL
Outra questão abordada na literatura sobre sociedade civil é o papel da Internet na
coordenação de movimentos de protesto globais (Castells, 2008; Naughton 2001). Castells
(2008) explica a importância de uma sociedade civil global, que, diz, teve um crescimento
induzido pela fraca resposta de dos sistemas políticos nacionais para responder os problemas
do mundo a uma escala global. Segundo o sociológo, entre o Estado e a sociedade encontra-
se a esfera pública, onde as pessoas se tornam cidadãos ao articular os seus pontos de vista
autónomos para depois influenciar as instituições políticas da sociedade (Castells, 2008:78).
A organização dos interesses destes cidadãos constitui a sociedade civil.
De facto, a sociedade civil global tem agora “os meios tecnológicos para existir de
forma independente das instituições políticas e dos mass media” (Castells, 2008:86) e “os
ativistas podem comparar as políticas de diferentes governos e organizações internacionais
quando estão a decidir como abordam as suas próprias autoridades” (Naughton, 2001). A
formação de comunidades que já não estão limitadas pelo território são permitidas pelas
características da Internet. O crescimento da sociedade civil global resulta da diminuição da
capacidade dos governos nacionais para gerir os problemas mundiais numa escala global
(Castells, 2008). De facto, emergiu um processo de governação global sem que haja
propriamente um governo global e a esfera pública global é altamente dependente dos media
de comuniação locais e globais, e a Internet, assim como meios de comunicação horizontais
têm um papel decisivo na tomada de decisão de políticas públicas globais. Os media atuais
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são locais e globais ao mesmo tempo (Castells, 2008). O e-mail e a listas de discussão são a
forma de interação mais antiga, mais popular e que requer menos recursos tecnológicos da
Internet (Naughton, 2001).
John Naughton refere alguns exemplos de como grupos da sociedade civil usaram a
Internet para atingir os seus objetivos. De facto, um grande número de organizações não
governamentais já estão na Internet e disponibilizam informação de fácil acesso sobre direitos
humanos (Naughton, 2001:155). O primeiro é o OneWorld.org, o maior portal de sociedade
civil na Internet (não confundir com a aliança de companhias aéreas Oneworld). Criado em
1995 por Anuradha Vittachi, uma jornalista especializada em direitos humanos e
desenvolvimento, e pelo britânico Peter Armstrong, jornalista da BBC. Ambos se interessavam
pelo potencial da Internet como plataforma potenciadora dos direitos humanos e do
desenvolvimento sustentável. Como explica Naughton (2001), o portal OneWorld tem como
objetivo informar de forma eficaz estes assuntos a uma audiência global e para juntar uma
comunidade global com o objetivo do desenvolvimento sustentável através de parcerias
interativas “on-line” entre organizações e indivíduos que partilhem a mesma visão. Se no início
este website juntava 22 organizações parceiras, Naughton contou mais de 900. Num mês, o
site atrai mais de um milhão de visitas e chega à população de mais de 90 países (Naughton,
2001:151).
Um evento muito discutido na literatura sobre o potencial da Internet para a sociedade
civil foram as manifestações ocorridas em 1999 contra a reunião da Organização Mundial do
Comércio (OMC). Ativistas não só enviavam e-mails como transmitiam informação a partir do
local ao vivo através de vídeo e e aúdio, difundindo rapidamente conteúdos para todo mundo,
sendo depois estes conteúdos reproduzidos pelos media tradicionais. Mas Naughton (2001)
argumenta que ainda mais importante que a forma como estes ativistas usaram as novas
tecnologias de informação é o facto de estas permitirem aos cidadãos fazerem frente às
organizações capitalistas, que antes pareciam inatingíveis através de uma frente unida. “A
Internet e o e-mail permitiram a pequenos grupos não-lucrativos com pequenos orçamentos
organizar um protesto massivo com milhares de pessoas nos Estados Unidos e noutros
países” (Arnett, 1999 in Naughton, 2001). Outros grupos que usam a Internet para exercer a
sua atividade de forma intensiva são os ambientalistas (Naughton, 2001).
CONCLUSÕES
Este ensaio faz uma revisão de diferentes conceitos e argumentos utilizados na
literatura académica sobre a utilização da Internet como ferramenta e espaço utilizado para a
concretização dos objetivos e causas da sociedade civil. Movimentos sociais, organizações
não-governamentais e grupos de pessoas com interesses comuns têm vindo a partilhar as
suas causas através de novas tecnologias de informação. A Internet permite mais facilmente
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a partilha de informação, conteúdos e recrutamento de voluntários, tanto por parte de
indivíduos como por parte de organizações. A sociedade civil pode assim aceder a mais
recursos para fazer pressão a interesses instalados e na tomada de decisão de políticas
públicas. Surgem novas formas de protesto e um movimento que antes atingiria apenas
proporções locais pode chegar com a Internet a todo o mundo.
Contudo, a Internet ainda não chega a toda a população mundial e algumas das formas
da sua utilização podem trazer alguns riscos à produção de capital social, podendo ter como
consequência a alienação e a atomização da sociedade. A proliferação de conteúdos de
entretenimento e o uso de dados de navegação pelos interesses de mercado para levar ao
consumidor apenas as informações e conteúdos que vão de encontro aos seus interesses
podem pôr em causa também o acesso a diferentes pontos de vista e a uma discussão entre
posições políticas ou opiniões diferentes.
Mas, mesmo que de facto seja importante estudar estes fenómenos menos positivos,
é impossível não notar o potencial que a Internet e as redes sociais virtuais podem ter na
organização e coordenação de protestos e na luta de causas a nível global. As instituições
políticas e os interesses capitalistas não podem ignorar os interesses públicos dos grupos
cívicos se estes tiverem do seu lado a solidariedade de outras populações. De salientar
também a visibilidade mediática que a sociedade civil pode atingir recorrendo às novas
tecnologias de comunicação e informação como a Internet.
BIBLIOGRAFIA
Castells, Manuel (2008), The New Public Sphere: Global Civil society, Communication Networks, and
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93
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Naughton, J. (2001), "Contested space: The internet and global civil society" in Global Civil Society
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Putnam, R. D. (1995). Bowling alone: America's declining social capital. Journal of democracy, 6(1), 65-
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8
Quan-Haase, A., & Wellman, B. (2004). How does the Internet affect social capital? Social capital and
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Scholte, J. A. (1999). Global civil society: changing the world?.
V. Shah, Nojin Kwak, R. Lance Holbert, D. (2001). " Connecting" and" disconnecting" with civic life:
Patterns of Internet use and the production of social capital. Political communication, 18(2), 141-162.

Ensaio - Internet e Sociedade Civil

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    A Internet comopotenciadora de capital social e como espaço para uma sociedade civil mais forte Marco António Fonseca Pereira Mestrado em Ciência Política Escola de Sociologia e Políticas Públicas ÍNDICE INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 1 NOVAS FORMAS DE LIGAÇÃO ................................................................................................................. 2 O OUTRO LADO DA MOEDA.................................................................................................................... 4 SOCIEDADE CIVIL GLOBAL ....................................................................................................................... 5 CONCLUSÕES........................................................................................................................................... 6 BIBLIOGRAFIA.......................................................................................................................................... 7 INTRODUÇÃO Para uma democracia forte é necessária uma sociedade civil forte. Com a Internet, novas formas de associação criam novas oportunidades de deliberação pública e protesto. Novas formas de comunicação em rede criam uma sociedade civil global capaz de fazer frente aos poderes políticos e poderes corporativos. A globalização trouxe novas formas de governação e, com elas, novos problemas que não podem apenas ser tratados dentro da esfera dos governos nacionais. Estes, com as suas limitações nacionais e frente aos poderes globais que surgem com os processos de globalização, têm dificuldades em responder a problemas mundiais. Pode a sociedade civil, recorrendo às novas tecnologias de comunicação e informação, como a Internet ajudar na resolução destes problemas globais? Que formas de comunicação são estas que se formam entre os cidadãos com acentuada presença on-line? Qual a importância das comunidades virtuais? Quais são os desafios que a Internet impõe a uma sociedade civil forte? Estas são algumas das questões levantadas quando discutida a influência da Internet na sociedade civil e um problema que existe na
  • 2.
    2 investigação sobre asociedade civil é a falta de sensibilidade para novas e alternativas formas de solidariedade, comunicação e envolvimento cívico e político (Ester & Vinken, 2003) e, como argumenta Scholte (1999), a tecnologia é crucial, já que o desenvolvimento no processamento das tecnologias de informação e comunicação permitiu a construção de uma infraestrutura para ligações a nível global. Ora, se a Internet permite o alargamento da sociedade civil do local para o global, então é importante também refletir sobre as proporções que a sociedade civil pode tomar à escala global. Os grupos e movimentos sociais locais podem assim fazer chegar as suas causas a outras populações outrora inalcançáveis. A função da Internet para a produção de capital social, a sua influência no envolvimento cívico e político e a sua utilização para a organização de protestos a nível global e a constituição de uma sociedade civil global são tópicos em destaque neste ensaio. NOVAS FORMAS DE LIGAÇÃO Uma questão muito discutida no âmbito da influência da Internet nas relações sociais é a forma como esta pode funcionar como produtora de capital social. Este conceito refere-se às componentes dos processos de organização social como as redes, normas e confiança que permitem e facilitam a coordenação e cooperação de indivíduos para o cumprimento de um objetivo comum (Putnam, 1995), ou explicado de outra forma, a coleção de laços sociais de um certo indivíduo que lhe fornece acesso a recursos, informação ou ajuda que lhe dão acesso a benefícios, sejam eles económicos ou não (Pénard e Poussing, 2010). Este é um conceito sociológico altamente utilizado para discutir o impacto que os grupos e redes sociais têm para a constituição de uma sociedade civil forte. De facto, Putnam verificou um declínio no capital social associando-o a uma erosão da vida comunitária e da sociedade civil (Ester e Vinken, 2003). Este declínio do capital social é frequentemente associado com o uso de novas tecnologias. Existem autores que relacionam o tempo gasto “on-line” com a diminuição da socialização e a participação em eventos fora de casa (Nie e Erbring, 2000 in Shah et al., 2001). Estas perspetivas contrastam com outra literatura que se foca em novas formas de organização e envolvimento cívico que surgem com o crescente uso da Internet. Mark Poster e Sherry Turkle (in Jensen et al. 2007), por exemplo, são defensores da ideia de que a Internet constitui um meio que permite o desenvolvimento de novas formas de comunidade que não estão sujeitas às limitações e constrangimentos da vida comunitária “off- line”. Um aspecto positivo que se destaca é a possibilidade do modo de vida virtual poder mobilizar segmentos sociais que não estão à partida integrados na participação cívica convencional. Isto pode mitigar a divisão social existente e a dificuldade de acesso a comunidades com estruturas verticais mais rígidas. Dados sugerem, aliás, que o processo de envolvimento político on-line é mais democrático, já tendo que os fatores socioeconómicos
  • 3.
    3 tendem a serdiluídos no ciberespaço (Jensen et al., 2007). A realidade é agora virtual e quase toda a informação está agora disponível na Internet e o que ainda não está lá vai passar a estar rapidamente (Norris, 2001 in Ester e Viken, 2003). Quan-Haase e Wellman (2004) identificam três tendências na literatura sobre a influência da Internet no capital social. A primeira debruça-se sobre o modo como a Internet transforma o capital social, salientando o baixo custo da comunicação com comunidades distantes que partilham interesses comuns. Outra perspetiva é a de que a Internet diminui o capital social ao afastar os indíviduos do seio familiar e dos amigos devido à proliferação de conteúdos de entretenimento e informação e ao desvio da atenção dos indivíduos para os problemas globais, afastando-os dos problemas locais. De facto, os videojogos virtuais ou o tempo gasto em salas de “chat” podem ter um efeito negativo na confiança e na produção de capital social (Shah et al., 2001). A outra abordagem referida por Quan-Haase e Wellman (2004) é a de que a Internet complementa o capital social ao facilitar as ligações sociais já existentes, tanto no capital social como no envolvimento cívico. A Internet, como John Naughton (2001) explica, facilita o acesso a dados, informação e conhecimento; a publicação por indivíduos e grupos que veriam os seus conteúdos ser vetados pelos tradicionais ‘gatekeepers’ dos media tradicionais, aumenta a rapidez da circulação da informação, a sua partilha e, talvez o fator mais importante para o processo cívico, permite a formação e manutenção de comunidades virtuais de pessoas ou instituições já existentes com vista a interesses comuns. Facilmente deduzimos o potencial que o ciberespaço tem para o envolvimento associativo. Por outro lado, é pertinente reconhecer a existência da literatura de visões muito pessimistas sobre as características de uma sociedade civil on-line. Há autores que menosprezam o efeito da Internet no envolvimento político, considerando o seu efeito marginal ( Bimber, 2003 in Jensen et al., 2007) ou que a Internet tende a apenas reproduzir as estruturas já existentes e que, assim, o efeito na deliberação das políticas públicas será o mesmo (Jensen et al., 2007:41). Ainda, um estudo (Shah et al., 2001) concluiu que as relações entre o uso da Internet e a produção de capital social tem de ter em conta os motivos que estão por trás de cada utilzação individual do meio e que é mais importante perceber o teor dos comportamentos on-line do que propriamente a quantidade do tempo que as pessoas gastam na Internet. De facto, a utilização da Internet para partilha de informação tem um impacto positivo universal na produção de capital social pois os utilizadores que a usam para este fim tendem a ter contacto com mais experiências de recrutamento para vida cívica (Shah et al., 2001), por exemplo, através do e-mail, usado para a ligação com outros indivíduos, a organização de eventos e o recrutamento de voluntários (2001:154). Ainda sobre a produção de capital social, Quan-Haase e Wellman (2004) concluiram que a Internet contribui para o seu aumento, e não para a sua diminuição ou transformação, já
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    4 que os utilizadoresque usam mais a Internet continuam a comunicar com outros através de chamadas telefónicas ou presencialmente. Outro exemplo é o das mensagens enviadas por telemóvel, que servem regularmente para marcar encontros e, como aconteceu com o telefone, é importante perceber que a os efeitos da Internet evoluirão com o tempo (Fischer, 1992 in Quan-Haase e Wellman, 2004). O OUTRO LADO DA MOEDA Apesar de ser claro o potencial da Internet na produção de capital social e no envolvimento cívico, é necessário também refletir sobre os riscos que a utilização da Internet traz aos cidadãos. Uma das questões destacadas na literatura sobre o assunto é a da desigualdade existente no acesso à Internet (Levine, 2000; Naughton, 2001). A existência de uma infraestrutura de comunicação é necessária, mas não suficiente para garantir igualdade de acesso para todos (Naughton, 2001). Sem igual acesso a ligações rápidas, o know-how informático e recursos econonómicos, a sociedade civil corre o risco de ser mais uma prova da clivagem socioeconómica existente. De facto, apesar das nações industriais conterem apenas 15% da população, representam 88% dos utilizadores de Internet (Levine, 2000). Segundo um relatório das Nações Unidas de 1999 (in Naughton, 2001) na Ásia do Sul, com 20% da população, tinha apenas 1% da totalidade dos utilizadores da Internet. É preciso ter em conta então os níveis de acesso da população antes de falar numa sociedade efetivamente global, já que a desigualdade existente no acesso à Internet reforça a clivagem entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento (Naughton, 2001). Outra preocupação demonstrada por Levine (2000) é o facto de, apesar do uso da Internet aumentar a criação de ligações sociais, a sociedade poder vir a tornar-se mais atomatizada e individualista. A importância da sociedade civil prende-se com o facto de constituir uma ponte entre os interesses dos cidadãos e as instituições políticas de uma sociedade. Ora, os cidadãos desenvolvem as suas opiniões e posições políticas através da participação ou observação em discussões (Levine, 2000:5) De facto, Levine reconhece que existe muita discussão política na Internet, mas adverte para o risco desta vir a perder qualidade ao longo do tempo à medida que os indivíduos filtram a informação a que têm acesso. A Internet pode mesmo aumentar a estratificação intelectual, na medida em que os grupos de diferentes interesses proliferam existindo separados uns dos outros (Levine, 2000). O autor também reflete sobre o efeito do aumento da Internet como plataforma de consumo de bens e troca de mercadorias. Esta função pode ter um efeito na forma como os cidadãos consomem também informação. Se cada vez mais a informação a que acedemos ou recebemos é baseada naquela que está previamente guardada nos servidores dos computadores, informação que é filtrada e moldada para ir de encontro aos interesses dos consumidores, então o debate político pode ser comprometido por não termos acesso a diferentes pontos de
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    5 vista e opiniões.E como diz Andrew Shapiro (in Levine, 2000), é muito difícil encontrar um grupo dedicado ao bem-comum em geral. Esta lógica da Internet virada para o consumidor pode também limitar o acesso a grupos com informação não-censurada (Levine, 2000:6). Outra questão abordada por Levine é a da privacidade. O autor argumenta que a natureza e os contornos desta são limitados pela Internet. Levine explica que, apesar das vantagens do anonimato nas comunicações entre os indivíduos na Internet, a privacidade destes pode enfraquecer os laços horizontais, por exemplo, no exercício de ligações entre cidadãos como iguais (2000:6). É importante então perceber como estes problemas podem ser resolvidos para que o potencial da Internet para a sociedade civil não seja minado pelas consequências da sua utilização acima mencionadas. Ainda, como a arquitetura da Net não é imutável (Lessig, 1999 in Naughton, 2001), existem forças poderosas, que ao representar diferentes interesses, estão a fazer pressão com o propósito de mudar a arquitetura do sistema da Internet para o tornar muito mais fechado e maleável (Naughton, 2001). “Mudanças como estas seriam desastrosas para aqueles que usam a Net para informar, comunicar e fazer campanha contra os poderes governamentais e corporativos” (Naughton, 2001:166). SOCIEDADE CIVIL GLOBAL Outra questão abordada na literatura sobre sociedade civil é o papel da Internet na coordenação de movimentos de protesto globais (Castells, 2008; Naughton 2001). Castells (2008) explica a importância de uma sociedade civil global, que, diz, teve um crescimento induzido pela fraca resposta de dos sistemas políticos nacionais para responder os problemas do mundo a uma escala global. Segundo o sociológo, entre o Estado e a sociedade encontra- se a esfera pública, onde as pessoas se tornam cidadãos ao articular os seus pontos de vista autónomos para depois influenciar as instituições políticas da sociedade (Castells, 2008:78). A organização dos interesses destes cidadãos constitui a sociedade civil. De facto, a sociedade civil global tem agora “os meios tecnológicos para existir de forma independente das instituições políticas e dos mass media” (Castells, 2008:86) e “os ativistas podem comparar as políticas de diferentes governos e organizações internacionais quando estão a decidir como abordam as suas próprias autoridades” (Naughton, 2001). A formação de comunidades que já não estão limitadas pelo território são permitidas pelas características da Internet. O crescimento da sociedade civil global resulta da diminuição da capacidade dos governos nacionais para gerir os problemas mundiais numa escala global (Castells, 2008). De facto, emergiu um processo de governação global sem que haja propriamente um governo global e a esfera pública global é altamente dependente dos media de comuniação locais e globais, e a Internet, assim como meios de comunicação horizontais têm um papel decisivo na tomada de decisão de políticas públicas globais. Os media atuais
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    6 são locais eglobais ao mesmo tempo (Castells, 2008). O e-mail e a listas de discussão são a forma de interação mais antiga, mais popular e que requer menos recursos tecnológicos da Internet (Naughton, 2001). John Naughton refere alguns exemplos de como grupos da sociedade civil usaram a Internet para atingir os seus objetivos. De facto, um grande número de organizações não governamentais já estão na Internet e disponibilizam informação de fácil acesso sobre direitos humanos (Naughton, 2001:155). O primeiro é o OneWorld.org, o maior portal de sociedade civil na Internet (não confundir com a aliança de companhias aéreas Oneworld). Criado em 1995 por Anuradha Vittachi, uma jornalista especializada em direitos humanos e desenvolvimento, e pelo britânico Peter Armstrong, jornalista da BBC. Ambos se interessavam pelo potencial da Internet como plataforma potenciadora dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável. Como explica Naughton (2001), o portal OneWorld tem como objetivo informar de forma eficaz estes assuntos a uma audiência global e para juntar uma comunidade global com o objetivo do desenvolvimento sustentável através de parcerias interativas “on-line” entre organizações e indivíduos que partilhem a mesma visão. Se no início este website juntava 22 organizações parceiras, Naughton contou mais de 900. Num mês, o site atrai mais de um milhão de visitas e chega à população de mais de 90 países (Naughton, 2001:151). Um evento muito discutido na literatura sobre o potencial da Internet para a sociedade civil foram as manifestações ocorridas em 1999 contra a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ativistas não só enviavam e-mails como transmitiam informação a partir do local ao vivo através de vídeo e e aúdio, difundindo rapidamente conteúdos para todo mundo, sendo depois estes conteúdos reproduzidos pelos media tradicionais. Mas Naughton (2001) argumenta que ainda mais importante que a forma como estes ativistas usaram as novas tecnologias de informação é o facto de estas permitirem aos cidadãos fazerem frente às organizações capitalistas, que antes pareciam inatingíveis através de uma frente unida. “A Internet e o e-mail permitiram a pequenos grupos não-lucrativos com pequenos orçamentos organizar um protesto massivo com milhares de pessoas nos Estados Unidos e noutros países” (Arnett, 1999 in Naughton, 2001). Outros grupos que usam a Internet para exercer a sua atividade de forma intensiva são os ambientalistas (Naughton, 2001). CONCLUSÕES Este ensaio faz uma revisão de diferentes conceitos e argumentos utilizados na literatura académica sobre a utilização da Internet como ferramenta e espaço utilizado para a concretização dos objetivos e causas da sociedade civil. Movimentos sociais, organizações não-governamentais e grupos de pessoas com interesses comuns têm vindo a partilhar as suas causas através de novas tecnologias de informação. A Internet permite mais facilmente
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    7 a partilha deinformação, conteúdos e recrutamento de voluntários, tanto por parte de indivíduos como por parte de organizações. A sociedade civil pode assim aceder a mais recursos para fazer pressão a interesses instalados e na tomada de decisão de políticas públicas. Surgem novas formas de protesto e um movimento que antes atingiria apenas proporções locais pode chegar com a Internet a todo o mundo. Contudo, a Internet ainda não chega a toda a população mundial e algumas das formas da sua utilização podem trazer alguns riscos à produção de capital social, podendo ter como consequência a alienação e a atomização da sociedade. A proliferação de conteúdos de entretenimento e o uso de dados de navegação pelos interesses de mercado para levar ao consumidor apenas as informações e conteúdos que vão de encontro aos seus interesses podem pôr em causa também o acesso a diferentes pontos de vista e a uma discussão entre posições políticas ou opiniões diferentes. Mas, mesmo que de facto seja importante estudar estes fenómenos menos positivos, é impossível não notar o potencial que a Internet e as redes sociais virtuais podem ter na organização e coordenação de protestos e na luta de causas a nível global. As instituições políticas e os interesses capitalistas não podem ignorar os interesses públicos dos grupos cívicos se estes tiverem do seu lado a solidariedade de outras populações. De salientar também a visibilidade mediática que a sociedade civil pode atingir recorrendo às novas tecnologias de comunicação e informação como a Internet. BIBLIOGRAFIA Castells, Manuel (2008), The New Public Sphere: Global Civil society, Communication Networks, and Global Governance, The Annals of the American Academy of Political and Social Science, 616, pp. 78- 93 Ester, P., Vinken, H. (2003), "Debating Civil Society On the Fear for Civic Decline and Hope for the Internet Alternative", International Sociology, 18(4), 659-680. Hwang, H., & Kim, K. O. (2015). Social media as a tool for social movements: the effect of social media use and social capital on intention to participate in social movements. International Journal of Consumer Studies, 39(5), 478-488. Jensen, ML, et al. (2007), "Civil society and cyber society: The role of the Internet in community associations and democratic politics.", The Information Society, 23(1), 39-50. Levine, P. (2000), "The internet and civil Society", Philosophy and Public Policy Quarterly, 20(4), 1-8. Naughton, J. (2001), "Contested space: The internet and global civil society" in Global Civil Society 2011, London, LSE Centre for the Study of Global Governance. Pénard, T., & Poussing, N. (2010). Internet use and social capital: The strength of virtual ties. Journal of Economic Issues, 44(3), 569-595. Putnam, R. D. (1995). Bowling alone: America's declining social capital. Journal of democracy, 6(1), 65- 78.
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    8 Quan-Haase, A., &Wellman, B. (2004). How does the Internet affect social capital? Social capital and information technology, 113, 135-113. Scholte, J. A. (1999). Global civil society: changing the world?. V. Shah, Nojin Kwak, R. Lance Holbert, D. (2001). " Connecting" and" disconnecting" with civic life: Patterns of Internet use and the production of social capital. Political communication, 18(2), 141-162.