EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
EJA
ProfªJamille Rangel
HISTORICIDADE DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E
ADULTOS
Os primeiros vestígios da Educação de Adultos, no Brasil são perceptíveis por
volta de 1549 com a chegada dos jesuítas, que começaram a catequizar e
instruir os nativos. Desde aquela época até os dias atuais a Educação de
Jovens e Adultos (EJA) passou por enormes transformações em todos os seus
aspectos. Atualmente, a preocupação com esta modalidade de ensino vem
crescendo significativamente, pois buscasse uma nova maneira de conduzir a
prática docente e desenvolver métodos de ensino que contemplem um público
tão diferenciado, com faixa etária e vivências distintas. Assim, a cada dia e a
cada turma, o educador da EJA tem um novo desafio a ser vencido.
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TRAJETÓRIA DA EJA
Pode-se dizer que os primeiros educadores foram os Jesuítas, que chegaram
ao Brasil com a pretensão de catequizar a população a partir de princípios
religiosos, transmitindo normas de comportamento e ensinando ofícios
necessários ao funcionamento da economia colonial.
Como a maioria da população era analfabeta, o método de ensino dos
jesuítas consistia em um conjunto de regras e preceitos religiosos, transmitido
basicamente pela oralidade.
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TRAJETÓRIA DA EJA
A partir de 1945, com o fim da ditadura de Getúlio Vargas, o Brasil viveu a
efervescência política da redemocratização. Era urgente a necessidade de aumentar as
bases eleitorais para a sustentação do governo central, integrar as massas
populacionais de imigração recente e, sobretudo, incrementar a produção. Para tanto,
era necessário oferecer instrução mínima à população.
Em janeiro do ano de 1964, foi aprovado o Plano Nacional de Alfabetização, que
previa a disseminação de programas de educação de adultos, orientados pela
proposta de Paulo Freire, por todo Brasil, mas que devido ao Golpe Militar não se
concretizou e ainda foi expulso do país seu idealizador.
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TRAJETÓRIA NA EJA
Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 5.692, de
1971, que foi, sem dúvidas, o evento de maior destaque para a reinserção escolar
daqueles que não tiveram oportunidade de estudar na época certa, expandiu-se a
necessidade de criação do ensino supletivo.
Nesse mesmo período, foram criados os Centros de Estudos Supletivos (CES), nos quais as
atividades desenvolvidas baseavam-se nos princípios do ensino personalizado, com
metodologia própria, que recomendava a adoção de estudo dirigido, a orientação
individual ou em pequenos grupos, a instrução programada e o uso de rádio, televisão e
multimeios.
Com a Constituição de 1988, o dever do Estado com a Educação de Jovens e Adultos foi
ampliado ao se determinar a garantia de “Ensino Fundamental obrigatório e gratuito,
assegurada, inclusive, sua oferta para todos os que a ele não tiveram acesso na idade
própria” (BRASIL, 1988).
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TRAJETÓRIA DA EJA
Contudo, a partir de 1988, viabilizaram-se parcerias entre organizações da
sociedade civil e o Estado, nos mais diversos níveis, visando à definição e execução
das políticas sociais e municipalização das ações do Estado nas diversas áreas, como
saúde, educação e assistência social. Nas campanhas de alfabetização de jovens e
adultos, essas medidas refletiram nas iniciativas privadas e não governamentais que,
durante a década de 90 do século XX, foram as maiores responsáveis pela atuação
nesse setor. Mesmo assim, a taxa de analfabetismo da população rural situava-se
em um patamar bastante alto.
Em 1990, foi realizado em Jomtiem, Tailândia, a Conferência Mundial de Educação
para Todos, que explicitou a dramática realidade mundial de analfabetismo de
pessoas jovens e adultas e propôs maior equidade social nos países mais pobres e
populosos do mundo. Esse mesmo ano foi considerado pela Unesco como Ano
Internacional da Alfabetização.
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TRAJETÓRIA DA EJA
Ainda na década de 90, foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional n. 9.394/96, na qual a EJA passou a ser considerada uma
modalidade da educação básica nas etapas dos Ensinos Fundamental e
Médio, usufruindo de uma especificidade própria.
Embora o título da seção que trata da educação de jovens e adultos no texto
da nova LDB, Lei 9394/96 - seja Educação de Jovens e Adultos,
diferentemente do título da Lei nº 5692/71 que era Ensino Supletivo, o
conteúdo de ambas as leis muda muito pouco, tendo em vista a ênfase nos
cursos e exames supletivos.
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EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS:
CORRENTES E TENDÊNCIAS
A especificidade dos alunos da EJA decorre do fato de serem jovens e
adultos, maduros, experientes, trabalhadores ou pretendentes à (re) inserção
no mercado de trabalho, o que requer a retomada do próprio conceito de
alfabetização. Muito além das exigências do domínio de habilidades da
leitura e da escrita vão as novas demandas do mundo contemporâneo para o
exercício pleno da cidadania. Neste contexto, a alfabetização não pode ser
reduzida ao aspecto da aquisição pura e simples do código alfabético e
numérico, ao aspecto do letramento, em detrimento da categoria de
cidadania e da perspectiva do estabelecimento de bases para uma educação
continuada.
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EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS:
CORRENTES E TENDÊNCIAS
O adulto em processo de aquisição do código
escrito traz consigo ideias a respeito do que
seja a escrita, inclusive mais cristalizada do
que a criança quando inicia na escola. Ele
sobrevive numa sociedade letrada e
reconhece o valor social da escrita; embora
não a domine emprega critérios coerentes e
de classificação de um material gráfico, muito
antes de poder ler, no sentido convencional.
Esse adulto tem uma visão de mundo, ouve e
usa a língua antes de lê-la e escrevê-la.
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O QUE É A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS?
Educação de Jovens e Adultos é aqui entendida como modalidade
oficial de ensino, amparada pela Constituição Federal de 1988,
art. 205, e pela nova LDB - Lei nº 9.394/96, artigo 4º, que visa
estender o direito ao Ensino Fundamental aos cidadãos de todas
as faixas etárias que já ultrapassaram a idade de escolarização
regular. Esta modalidade de ensino atende um público cuja
maioria é constituída de pessoas que tiveram passagens
fracassadas pela escola, entre elas muitos adolescentes e jovens
recém-excluídos do sistema regular e outros são aquelas pessoas
que nunca frequentaram escola.
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Andragogia é definida como ciência e arte de ensinar adultos a aprenderem.
A EJA é uma modalidade de ensino amparada por lei, e voltada para as pessoas
que não tiveram acesso ou permanência no ensino regular na idade própria.
Abrangendo os processos formativos desta modalidade da Educação Básica nas
etapas do Ensino Fundamental e Médio, e têm as seguintes funções:
*função reparadora (ao reconhecer a igualdade humana de diretrizes e acesso aos
direitos cíveis, pela restauração de um direito negado);
*função equalizadora (ao objetivo de propor igualdade de oportunidade de
acesso e permanência na escola);
*função qualificadora (ao viabilizar a atualização permanente de conhecimento e
aprendizagens contínuas).
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Declaração de Hamburgo, 1997
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IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS
POPULARES NA EJA
Em janeiro do ano de 1964, foi aprovado o Plano Nacional de Alfabetização, que
previa a disseminação de programas de educação de adultos, orientados pela
proposta de Paulo Freire, por todo Brasil.
Contando, em grande parte, com educadores populares, a preparação do plano,
com forte engajamento de estudantes, sindicatos e diversos grupos estimulados pela
efervescência política da época, foi interrompida, alguns meses depois, pelo Golpe
Militar.
Freire (1996) criticou a chamada “educação bancária”, que considerava o
analfabeto como alguém que não possui cultura ou conhecimento, uma espécie de
banco onde o educador deveria depositar o conhecimento. Como contraponto a esse
modelo, Freire fez referência à educação problematizadora. A educação
apregoada por Freire não se caracteriza pela transmissão de conhecimentos, como
se o processo de ensino e de aprendizagem circulasse em uma rua de mão única.
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IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS
POPULARES NA EJA
Tomando o alfabetizando como sujeito de sua aprendizagem, ele propunha
uma ação educativa que não negasse a cultura, mas que fosse transformando-
a através de um diálogo ancorado no tripé educador/alfabetizando/objeto
do conhecimento.
Com uma proposta conscientizadora de alfabetização de adultos,
prescindindo da utilização de cartilhas, valorizando os saberes dos
alfabetizandos, dos quais se originavam os conteúdos de ensino, e
considerando que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, Freire
(1996) desenvolveu um conjunto de ações pedagógicas, amplamente
divulgadas e conhecidas.
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IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS
POPULARES NA EJA
Nesse período, foram produzidos diversos materiais orientados por princípios
freirianos para a alfabetização de adultos. Esses materiais, normalmente
elaborados regional ou localmente, procuravam expressar o universo vivencial
dos alfabetizandos. Para contextualizar esse universo, os materiais continham
as “palavras geradoras”, que eram acompanhadas de imagens relacionadas
a temas para debates, e os quadros de descoberta, com as sílabas derivadas
das palavras, acrescidas de pequenas frases para leitura. O que
caracterizava esses materiais não era apenas a referência à realidade
imediata dos adultos, mas, principalmente, a intenção de problematizar essa
realidade.
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IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS
POPULARES NA EJA
Em 1966, o programa de alfabetização encerrou-se em alguns estados devido à
pressão exercida pelo governo militar, que só permitia a realização de programas
de alfabetização de adultos com caráter assistencialista e conservador, até que, em
1967, assumiu o controle dessa atividade, lançando o Movimento Brasileiro de
Alfabetização (Mobral).
No modelo de alfabetização proposto pelo Mobral, as técnicas utilizadas consistiam
em codificações de palavras preestabelecidas, escritas em cartazes com as famílias
fonéticas, quadros ou fichas de descoberta, muito próximos das metodologias
anteriormente utilizadas no modelo de Paulo Freire. No entanto, havia uma diferença
fundamental: as “palavras”, tanto quanto as fichas de codificações eram elaboradas
da mesma forma para todo o Brasil, a partir de problemáticas sociais particulares do
povo. Profª Jamille Rangel
IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS
POPULARES NA EJA
Tratava-se fundamentalmente de ensinar a ler, a escrever e a contar, deixando
de lado a autonomia e a conscientização crítica e transformadora da linha
iniciada por Paulo Freire.
Dessa forma, o método do Mobral não partia do diálogo e da realidade
existencial, mas de lições preestabelecidas pelo contexto militar.
O Mobral foi extinto em 1985 e seu lugar foi ocupado pela Fundação
Nacional para Educação de Jovens e Adultos (Fundação Educar), que abriu
mão de executar diretamente os programas, passando a apoiar financeira e
tecnicamente as iniciativas não governamentais (ONGs), entidades civis e
empresas conveniadas.
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FUNDAMENTOS LEGAIS E POLÍTICAS
EDUCACIONAIS DE EJA
As políticas públicas voltadas para a educação de jovens e adultos no Brasil sempre
estiveram sob o compromisso do governo federal. A União lançou diversas campanhas
e programas de alfabetização e criou estímulos financeiros e técnicos para que os
estados e organismos da sociedade civil se ocupassem do ensino elementar dos
adultos.
A partir de 1940, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) se constitui como tema de
política educacional, no Brasil. A menção à necessidade de oferecer educação aos
adultos já aparecia em textos normativos anteriores, como na Constituição de 1934,
mas é, sobretudo, na década de 1940 em diante que começaria a tomar corpo, em
iniciativas concretas, a preocupação de oferecer os benefícios da escolarização a
amplas camadas da população até então excluídas da escola
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MARCOS LEGAIS: AVANÇOS,
LIMITES E PERSPECTIVAS
O tema educação está mencionado em todas as Constituições do Brasil, da primeira,
outorgada em 1824, até a atual, promulgada em 1988. Isso nos permite
acompanhar os avanços e/ou recuos a partir do enfoque de cada uma, que variará
de acordo com a evolução histórica, a ideologia predominante e a situação política
do país em cada uma delas.
A partir da segunda metade do século XX ocorreram importantes atos internacionais
– declarações, acordos, convenções - que sinalizam uma nova concepção de Educação
de Jovens e Adultos.
Ocorreram também, neste mesmo período, a nível nacional, a consolidação de um
novo paradigma pedagógico para a Educação de Jovens e Adultos, cuja referência
principal foi o educador Paulo Freire
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DIRETRIZES CURRICULARES PARA EJA
Foram estabelecidas as novas Diretrizes Curriculares para a EJA, através da
resolução CNE/CEB Nº 1, de 5 de julho de 2000, observadas as diretrizes já
estipuladas para os níveis de ensino fundamental e médio, que também se estendem
para essa modalidade de educação de jovens e adultos.
A idade mínima para a inscrição e a realização de exames supletivos de conclusão
de ensino fundamental é de 15 anos e para a conclusão de ensino médio, 18 anos. É
vedada a matrícula em cursos da EJA de crianças e adolescentes na faixa etária de
7 a 14 anos completos.
Nos casos de cursos da modalidade EJA semipresenciais e a distância, os alunos
somente poderão ser avaliados, para fins de conclusão, em exames supletivos
presenciais oferecidos por instituições autorizadas pelo poder público para esse fim.
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DIRETRIZES CURRICULARES PARA EJA
As diretrizes destacam que a EJA, como modalidade da educação básica, deve
considerar o perfil dos alunos e sua faixa etária ao propor um modelo pedagógico,
de modo a assegurar:
• equidade: distribuição específica dos componentes curriculares, a fim de propiciar
um patamar igualitário de formação e restabelecer a igualdade de direitos e de
oportunidades em face do direito à educação;
• diferença: identificação e reconhecimento da alteridade própria e inseparável dos
jovens e dos adultos em seu processo formativo, da valorização do mérito de cada um
e do desenvolvimento de seus conhecimentos e valores.
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O LEGADO DE PAULO FREIRE
O método de Paulo Freire aparece como a grande novidade, algo ousado para o
momento. Ele utilizava-se dos Centros de Cultura, independentes dos sujeitos serem
letrados ou não, onde os temas debatidos eram por eles sugeridos. Lá os educandos
podiam demonstrar que são sujeitos históricos, dotados de uma sabedoria popular,
capazes de transformar a realidade em que estão inseridos. Partia-se da leitura do
mundo para a leitura da escrita.
O pensamento pedagógico de Paulo Freire, assim como sua proposta de
alfabetização de adultos, inspirou os principais programas de alfabetização e
educação popular que se realizaram no país no início dos anos 1960, bem como
influenciou e influencia diretamente um grande número de educadores.
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FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
Os educadores que vão trabalhar com jovens e adultos devem desenvolver uma
prática que reconheça e utilize os saberes e as histórias de vida dos próprios
educadores, que potencialize suas reflexões críticas e suas inserções sociais, que
proporcione vivências capazes de aguçar a capacidade investigativa e o
compromisso com os grupos populares, e que, acima de tudo, respeite-os como seres
humanos: respeite suas ideias, seus posicionamentos, suas leituras de mundo, seus
sentimentos.
Percebe-se que ensinar adultos exige dos professores o domínio de novos saberes
docentes ou saberes profissionais. A construção da identidade de professor está além
das paredes da escola, das abordagens técnicas e metodológicas das práticas
educativas. Ser professor e ser pessoa exige saberes muito mais amplos que estão
além do saber ensinar.
FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
Síntese dos quatro pilares para a educação no século XXI:
Aprender a conhecer – É necessário tornar prazeroso o ato de compreender,
descobrir, construir e reconstruir o conhecimento para que não seja efêmero, para
que se mantenha ao longo do tempo e para que valorize a curiosidade, a autonomia
e a atenção permanentemente. É preciso também pensar o novo, reconstruir o velho
e reinventar o pensar.
Aprender a fazer – Não basta preparar-se com cuidados para inserir-se no setor do
trabalho. A rápida evolução por que passam as profissões pede que o indivíduo
esteja apto a enfrentar novas situações de emprego e a trabalhar em equipe,
desenvolvendo espírito cooperativo e de humildade na reelaboração conceitual e
nas trocas, valores necessários ao trabalho coletivo. Ter iniciativa e intuição, gostar
de uma certa dose de risco, saber comunicar-se e resolver conflitos e ser flexível.
Aprender a fazer envolve uma série de técnicas a serem trabalhadas.
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FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
A seguir, é apresentada uma síntese dos quatro pilares para a educação no século
XXI.
Aprender a conhecer – É necessário tornar prazeroso o ato de compreender,
descobrir, construir e reconstruir o conhecimento para que não seja efêmero, para
que se mantenha ao longo do tempo e para que valorize a curiosidade, a autonomia
e a atenção permanentemente. É preciso também pensar o novo, reconstruir o velho
e reinventar o pensar.
Aprender a fazer – Não basta preparar-se com cuidados para inserir-se no setor do
trabalho. A rápida evolução por que passam as profissões pede que o indivíduo
esteja apto a enfrentar novas situações de emprego e a trabalhar em equipe,
desenvolvendo espírito cooperativo e de humildade na reelaboração conceitual e
nas trocas, valores necessários ao trabalho coletivo. Ter iniciativa e intuição, gostar
de uma certa dose de risco, saber comunicar-se e resolver conflitos e ser flexível.
Aprender a fazer envolve uma série de técnicas a serem trabalhadas.
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FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
Aprender a conviver – No mundo atual, este é um importantíssimo aprendizado por
ser valorizado quem aprende a viver com os outros, a compreendê-los, a desenvolver
a percepção de interdependência, a administrar conflitos, a participar de projetos
comuns, a ter prazer no esforço comum.
Aprender a ser – É importante desenvolver sensibilidade, sentido ético e estético,
responsabilidade pessoal, pensamento autônomo e crítico, imaginação, criatividade,
iniciativa e crescimento integral da pessoa em relação à inteligência. A
aprendizagem precisa ser integral, não negligenciando nenhuma das potencialidades
de cada indivíduo.
FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
Com base nessa visão dos quatro pilares do conhecimento, pode-se prever
grandes consequências na educação. O ensino-aprendizagem voltado apenas
para a absorção de conhecimento e que tem sido objeto de preocupação
constante de quem ensina deverá dar lugar ao ensinar a pensar, saber
comunicar-se e pesquisar, ter raciocínio lógico, fazer sínteses e elaborações
teóricas, ser independente e autônomo; enfim, ser socialmente competente.
Uma educação fundamentada nos quatro pilares acima elencados sugere
alguns procedimentos didáticos que lhe seja condizente, como:
*Relacionar o tema com a experiência do estudante e de outros personagens
do contexto social;
*Desenvolver a pedagogia da pergunta (Paulo Freire e Antonio Faundez, Por
uma Pedagogia da Pergunta, Editora Paz e Terra, 1985);
FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
*Proporcionar uma relação dialógica com o estudante;
*Envolver o estudante num processo que conduz a resultados, conclusões ou
compromissos com a prática;
*Oferecer um processo de autoaprendizagem e corresponsabilidade no
processo de aprendizagem;
*Utilizar o jogo pedagógico com o princípio de construir o texto.
FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
Podemos citar algumas práticas essenciais ao profissional que trabalha com
Educação de Jovens e Adultos, como:
*Valorizar os conhecimentos do aluno, ouvir suas experiências e suposições e
relacionar essa sabedoria aos conceitos teóricos;
*Dialogar sempre, com linguagem e tratamento adequado ao público;
*Perguntar o que os estudantes sabem sobre o conteúdo e a opinião deles a respeito
dos temas antes de abordá-los cientificamente. Dessa forma, o educador mostra que
eles sabem, mesmo sem se dar conta disso;
* Compreender que educar jovens e adultos é um ato político e, para isso, ele deve
saber estimular o exercício da cidadania.
FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
Algumas características dos educadores de EJA são:
*Que o educador seja um sujeito agregador, orientador do grupo, animador e
propositivo, a fim de manter o grupo unido e perseguindo objetivos de
aprendizagem comuns à turma;
*A escuta compreensiva, muito mais que avaliativa, uma escuta que busque entender
o outro, descobrir sua lógica, sua fundamentação, pois isto sustenta visões de mundo;
*A tolerância, que só é possível com muito querer bem, necessário para respeitar as
diferenças;
*Atitude de curiosidade investigativa: querer muito mais entender do que dar
respostas, ou induzir o educando a chegar na resposta correta, o que vem junto com
a escuta compreensiva;
FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
*A flexibilidade para lidar com o inesperado;
*O respeito pelo tempo do outro, o que exige uma paciência também compreensiva,
porque sabemos que no processo de aprendizagem cada um tem um ritmo, tem um
tempo para produzir suas próprias reflexões;
*Assumir a responsabilidade de estar trabalhando com seres humanos, traduzida
pelo compromisso que assumimos com o outro;
*A participação social, cultural e política: o educador deve ser um agente de
transformação social, comprometido também com os projetos de sociedade que
estão sendo construídos, isto é , um sujeito também aprendente da Educação no
sentido amplo, que se dá pela inserção em todos os campos sociais, assim como
estamos, enquanto sociedade, aprendendo a construir a democracia no país.
FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
O educador a EJA precisa ser preparado para dar conta de fazer do espaço da
sala de aula, um espaço da construção coletiva, onde a pesquisa, como princípio
educativo e pedagógico, contribua para a construção da aprendizagem significativa
dos educandos. Essa aprendizagem é medida conforme a necessidade e
característica do grupo, de acordo com a realidade escolar e a vivência de cada
educando. É necessário que o professor trabalhe de forma interdisciplinar com os seus
educandos, valorizando a experiência de cada um, integrando a turma à vida
escolar, ampliando, assim, o universo cultural por meio da socialização.
Segundo Paulo Freire (2003), o educador precisa estar qualificado para atuar na
EJA, sabendo valorizar e respeitar as peculiaridades de cada educando da sua sala
de aula, tendo uma reflexão teórico-prática sobre sua prática pedagógica, ou seja,
sobre sua própria concepção metodológica de como trabalhar de forma
diferenciada com a Educação de Jovens e Adultos.
FORMAÇÃO DE EDUCADORES PARA EJA
Nesse sentido, os educadores devem, constantemente, avaliar suas práticas
pedagógicas, buscar aprofundar teoricamente aspectos ligados à educação de
jovens e adultos, resgatar, em primeiro lugar, a consciência sobre as seguintes
questões: quem são os educandos, como eles pensam, como dimensionam seu tempo,
quais seus interesses, como percebem o mundo a sua volta, quais suas necessidades,
como constroem o conhecimento e outras mais.
A formação dos educadores da EJA, segundo Ribeiro (2002), deve articular a
prática e a teoria a todo o momento, pois o que se pretende alcançar é um maior
conhecimento da realidade, de forma a intervir nesse contexto, melhorando a
qualidade da prática dos educadores juntamente com os educandos.
Eja,   educação de jovens e adultos  Eja
Eja,   educação de jovens e adultos  Eja

Eja, educação de jovens e adultos Eja

  • 1.
    EDUCAÇÃO DE JOVENSE ADULTOS EJA ProfªJamille Rangel
  • 2.
    HISTORICIDADE DA EDUCAÇÃODE JOVENS E ADULTOS Os primeiros vestígios da Educação de Adultos, no Brasil são perceptíveis por volta de 1549 com a chegada dos jesuítas, que começaram a catequizar e instruir os nativos. Desde aquela época até os dias atuais a Educação de Jovens e Adultos (EJA) passou por enormes transformações em todos os seus aspectos. Atualmente, a preocupação com esta modalidade de ensino vem crescendo significativamente, pois buscasse uma nova maneira de conduzir a prática docente e desenvolver métodos de ensino que contemplem um público tão diferenciado, com faixa etária e vivências distintas. Assim, a cada dia e a cada turma, o educador da EJA tem um novo desafio a ser vencido. Profª Jamille Rangel
  • 3.
    TRAJETÓRIA DA EJA Pode-sedizer que os primeiros educadores foram os Jesuítas, que chegaram ao Brasil com a pretensão de catequizar a população a partir de princípios religiosos, transmitindo normas de comportamento e ensinando ofícios necessários ao funcionamento da economia colonial. Como a maioria da população era analfabeta, o método de ensino dos jesuítas consistia em um conjunto de regras e preceitos religiosos, transmitido basicamente pela oralidade. Profª Jamille Rangel
  • 4.
    TRAJETÓRIA DA EJA Apartir de 1945, com o fim da ditadura de Getúlio Vargas, o Brasil viveu a efervescência política da redemocratização. Era urgente a necessidade de aumentar as bases eleitorais para a sustentação do governo central, integrar as massas populacionais de imigração recente e, sobretudo, incrementar a produção. Para tanto, era necessário oferecer instrução mínima à população. Em janeiro do ano de 1964, foi aprovado o Plano Nacional de Alfabetização, que previa a disseminação de programas de educação de adultos, orientados pela proposta de Paulo Freire, por todo Brasil, mas que devido ao Golpe Militar não se concretizou e ainda foi expulso do país seu idealizador. Profª Jamille Rangel
  • 5.
    TRAJETÓRIA NA EJA Coma promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 5.692, de 1971, que foi, sem dúvidas, o evento de maior destaque para a reinserção escolar daqueles que não tiveram oportunidade de estudar na época certa, expandiu-se a necessidade de criação do ensino supletivo. Nesse mesmo período, foram criados os Centros de Estudos Supletivos (CES), nos quais as atividades desenvolvidas baseavam-se nos princípios do ensino personalizado, com metodologia própria, que recomendava a adoção de estudo dirigido, a orientação individual ou em pequenos grupos, a instrução programada e o uso de rádio, televisão e multimeios. Com a Constituição de 1988, o dever do Estado com a Educação de Jovens e Adultos foi ampliado ao se determinar a garantia de “Ensino Fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria” (BRASIL, 1988). Profª Jamille Rangel
  • 6.
    TRAJETÓRIA DA EJA Contudo,a partir de 1988, viabilizaram-se parcerias entre organizações da sociedade civil e o Estado, nos mais diversos níveis, visando à definição e execução das políticas sociais e municipalização das ações do Estado nas diversas áreas, como saúde, educação e assistência social. Nas campanhas de alfabetização de jovens e adultos, essas medidas refletiram nas iniciativas privadas e não governamentais que, durante a década de 90 do século XX, foram as maiores responsáveis pela atuação nesse setor. Mesmo assim, a taxa de analfabetismo da população rural situava-se em um patamar bastante alto. Em 1990, foi realizado em Jomtiem, Tailândia, a Conferência Mundial de Educação para Todos, que explicitou a dramática realidade mundial de analfabetismo de pessoas jovens e adultas e propôs maior equidade social nos países mais pobres e populosos do mundo. Esse mesmo ano foi considerado pela Unesco como Ano Internacional da Alfabetização. Profª Jamille Rangel
  • 7.
    TRAJETÓRIA DA EJA Aindana década de 90, foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 9.394/96, na qual a EJA passou a ser considerada uma modalidade da educação básica nas etapas dos Ensinos Fundamental e Médio, usufruindo de uma especificidade própria. Embora o título da seção que trata da educação de jovens e adultos no texto da nova LDB, Lei 9394/96 - seja Educação de Jovens e Adultos, diferentemente do título da Lei nº 5692/71 que era Ensino Supletivo, o conteúdo de ambas as leis muda muito pouco, tendo em vista a ênfase nos cursos e exames supletivos. Profª Jamille Rangel
  • 8.
    EDUCAÇÃO DE JOVENSE ADULTOS: CORRENTES E TENDÊNCIAS A especificidade dos alunos da EJA decorre do fato de serem jovens e adultos, maduros, experientes, trabalhadores ou pretendentes à (re) inserção no mercado de trabalho, o que requer a retomada do próprio conceito de alfabetização. Muito além das exigências do domínio de habilidades da leitura e da escrita vão as novas demandas do mundo contemporâneo para o exercício pleno da cidadania. Neste contexto, a alfabetização não pode ser reduzida ao aspecto da aquisição pura e simples do código alfabético e numérico, ao aspecto do letramento, em detrimento da categoria de cidadania e da perspectiva do estabelecimento de bases para uma educação continuada. Profª Jamille Rangel
  • 9.
    EDUCAÇÃO DE JOVENSE ADULTOS: CORRENTES E TENDÊNCIAS O adulto em processo de aquisição do código escrito traz consigo ideias a respeito do que seja a escrita, inclusive mais cristalizada do que a criança quando inicia na escola. Ele sobrevive numa sociedade letrada e reconhece o valor social da escrita; embora não a domine emprega critérios coerentes e de classificação de um material gráfico, muito antes de poder ler, no sentido convencional. Esse adulto tem uma visão de mundo, ouve e usa a língua antes de lê-la e escrevê-la. Profª Jamille Rangel
  • 10.
    O QUE ÉA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS? Educação de Jovens e Adultos é aqui entendida como modalidade oficial de ensino, amparada pela Constituição Federal de 1988, art. 205, e pela nova LDB - Lei nº 9.394/96, artigo 4º, que visa estender o direito ao Ensino Fundamental aos cidadãos de todas as faixas etárias que já ultrapassaram a idade de escolarização regular. Esta modalidade de ensino atende um público cuja maioria é constituída de pessoas que tiveram passagens fracassadas pela escola, entre elas muitos adolescentes e jovens recém-excluídos do sistema regular e outros são aquelas pessoas que nunca frequentaram escola. Profª Jamille Rangel
  • 11.
    Andragogia é definidacomo ciência e arte de ensinar adultos a aprenderem. A EJA é uma modalidade de ensino amparada por lei, e voltada para as pessoas que não tiveram acesso ou permanência no ensino regular na idade própria. Abrangendo os processos formativos desta modalidade da Educação Básica nas etapas do Ensino Fundamental e Médio, e têm as seguintes funções: *função reparadora (ao reconhecer a igualdade humana de diretrizes e acesso aos direitos cíveis, pela restauração de um direito negado); *função equalizadora (ao objetivo de propor igualdade de oportunidade de acesso e permanência na escola); *função qualificadora (ao viabilizar a atualização permanente de conhecimento e aprendizagens contínuas). Profª Jamille Rangel
  • 12.
  • 13.
    Declaração de Hamburgo,1997 Profª Jamille Rangel
  • 14.
    IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS POPULARESNA EJA Em janeiro do ano de 1964, foi aprovado o Plano Nacional de Alfabetização, que previa a disseminação de programas de educação de adultos, orientados pela proposta de Paulo Freire, por todo Brasil. Contando, em grande parte, com educadores populares, a preparação do plano, com forte engajamento de estudantes, sindicatos e diversos grupos estimulados pela efervescência política da época, foi interrompida, alguns meses depois, pelo Golpe Militar. Freire (1996) criticou a chamada “educação bancária”, que considerava o analfabeto como alguém que não possui cultura ou conhecimento, uma espécie de banco onde o educador deveria depositar o conhecimento. Como contraponto a esse modelo, Freire fez referência à educação problematizadora. A educação apregoada por Freire não se caracteriza pela transmissão de conhecimentos, como se o processo de ensino e de aprendizagem circulasse em uma rua de mão única. Profª Jamille Rangel
  • 15.
    IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS POPULARESNA EJA Tomando o alfabetizando como sujeito de sua aprendizagem, ele propunha uma ação educativa que não negasse a cultura, mas que fosse transformando- a através de um diálogo ancorado no tripé educador/alfabetizando/objeto do conhecimento. Com uma proposta conscientizadora de alfabetização de adultos, prescindindo da utilização de cartilhas, valorizando os saberes dos alfabetizandos, dos quais se originavam os conteúdos de ensino, e considerando que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, Freire (1996) desenvolveu um conjunto de ações pedagógicas, amplamente divulgadas e conhecidas. Profª Jamille Rangel
  • 16.
    IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS POPULARESNA EJA Nesse período, foram produzidos diversos materiais orientados por princípios freirianos para a alfabetização de adultos. Esses materiais, normalmente elaborados regional ou localmente, procuravam expressar o universo vivencial dos alfabetizandos. Para contextualizar esse universo, os materiais continham as “palavras geradoras”, que eram acompanhadas de imagens relacionadas a temas para debates, e os quadros de descoberta, com as sílabas derivadas das palavras, acrescidas de pequenas frases para leitura. O que caracterizava esses materiais não era apenas a referência à realidade imediata dos adultos, mas, principalmente, a intenção de problematizar essa realidade. Profª Jamille Rangel
  • 17.
    IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS POPULARESNA EJA Em 1966, o programa de alfabetização encerrou-se em alguns estados devido à pressão exercida pelo governo militar, que só permitia a realização de programas de alfabetização de adultos com caráter assistencialista e conservador, até que, em 1967, assumiu o controle dessa atividade, lançando o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). No modelo de alfabetização proposto pelo Mobral, as técnicas utilizadas consistiam em codificações de palavras preestabelecidas, escritas em cartazes com as famílias fonéticas, quadros ou fichas de descoberta, muito próximos das metodologias anteriormente utilizadas no modelo de Paulo Freire. No entanto, havia uma diferença fundamental: as “palavras”, tanto quanto as fichas de codificações eram elaboradas da mesma forma para todo o Brasil, a partir de problemáticas sociais particulares do povo. Profª Jamille Rangel
  • 18.
    IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS POPULARESNA EJA Tratava-se fundamentalmente de ensinar a ler, a escrever e a contar, deixando de lado a autonomia e a conscientização crítica e transformadora da linha iniciada por Paulo Freire. Dessa forma, o método do Mobral não partia do diálogo e da realidade existencial, mas de lições preestabelecidas pelo contexto militar. O Mobral foi extinto em 1985 e seu lugar foi ocupado pela Fundação Nacional para Educação de Jovens e Adultos (Fundação Educar), que abriu mão de executar diretamente os programas, passando a apoiar financeira e tecnicamente as iniciativas não governamentais (ONGs), entidades civis e empresas conveniadas. Profª Jamille Rangel
  • 19.
    FUNDAMENTOS LEGAIS EPOLÍTICAS EDUCACIONAIS DE EJA As políticas públicas voltadas para a educação de jovens e adultos no Brasil sempre estiveram sob o compromisso do governo federal. A União lançou diversas campanhas e programas de alfabetização e criou estímulos financeiros e técnicos para que os estados e organismos da sociedade civil se ocupassem do ensino elementar dos adultos. A partir de 1940, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) se constitui como tema de política educacional, no Brasil. A menção à necessidade de oferecer educação aos adultos já aparecia em textos normativos anteriores, como na Constituição de 1934, mas é, sobretudo, na década de 1940 em diante que começaria a tomar corpo, em iniciativas concretas, a preocupação de oferecer os benefícios da escolarização a amplas camadas da população até então excluídas da escola Profª Jamille Rangel
  • 20.
    MARCOS LEGAIS: AVANÇOS, LIMITESE PERSPECTIVAS O tema educação está mencionado em todas as Constituições do Brasil, da primeira, outorgada em 1824, até a atual, promulgada em 1988. Isso nos permite acompanhar os avanços e/ou recuos a partir do enfoque de cada uma, que variará de acordo com a evolução histórica, a ideologia predominante e a situação política do país em cada uma delas. A partir da segunda metade do século XX ocorreram importantes atos internacionais – declarações, acordos, convenções - que sinalizam uma nova concepção de Educação de Jovens e Adultos. Ocorreram também, neste mesmo período, a nível nacional, a consolidação de um novo paradigma pedagógico para a Educação de Jovens e Adultos, cuja referência principal foi o educador Paulo Freire Profª Jamille Rangel
  • 21.
    DIRETRIZES CURRICULARES PARAEJA Foram estabelecidas as novas Diretrizes Curriculares para a EJA, através da resolução CNE/CEB Nº 1, de 5 de julho de 2000, observadas as diretrizes já estipuladas para os níveis de ensino fundamental e médio, que também se estendem para essa modalidade de educação de jovens e adultos. A idade mínima para a inscrição e a realização de exames supletivos de conclusão de ensino fundamental é de 15 anos e para a conclusão de ensino médio, 18 anos. É vedada a matrícula em cursos da EJA de crianças e adolescentes na faixa etária de 7 a 14 anos completos. Nos casos de cursos da modalidade EJA semipresenciais e a distância, os alunos somente poderão ser avaliados, para fins de conclusão, em exames supletivos presenciais oferecidos por instituições autorizadas pelo poder público para esse fim. Profª Jamille Rangel
  • 22.
    DIRETRIZES CURRICULARES PARAEJA As diretrizes destacam que a EJA, como modalidade da educação básica, deve considerar o perfil dos alunos e sua faixa etária ao propor um modelo pedagógico, de modo a assegurar: • equidade: distribuição específica dos componentes curriculares, a fim de propiciar um patamar igualitário de formação e restabelecer a igualdade de direitos e de oportunidades em face do direito à educação; • diferença: identificação e reconhecimento da alteridade própria e inseparável dos jovens e dos adultos em seu processo formativo, da valorização do mérito de cada um e do desenvolvimento de seus conhecimentos e valores. Profª Jamille Rangel
  • 23.
    O LEGADO DEPAULO FREIRE O método de Paulo Freire aparece como a grande novidade, algo ousado para o momento. Ele utilizava-se dos Centros de Cultura, independentes dos sujeitos serem letrados ou não, onde os temas debatidos eram por eles sugeridos. Lá os educandos podiam demonstrar que são sujeitos históricos, dotados de uma sabedoria popular, capazes de transformar a realidade em que estão inseridos. Partia-se da leitura do mundo para a leitura da escrita. O pensamento pedagógico de Paulo Freire, assim como sua proposta de alfabetização de adultos, inspirou os principais programas de alfabetização e educação popular que se realizaram no país no início dos anos 1960, bem como influenciou e influencia diretamente um grande número de educadores. Profª Jamille Rangel
  • 24.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA Os educadores que vão trabalhar com jovens e adultos devem desenvolver uma prática que reconheça e utilize os saberes e as histórias de vida dos próprios educadores, que potencialize suas reflexões críticas e suas inserções sociais, que proporcione vivências capazes de aguçar a capacidade investigativa e o compromisso com os grupos populares, e que, acima de tudo, respeite-os como seres humanos: respeite suas ideias, seus posicionamentos, suas leituras de mundo, seus sentimentos. Percebe-se que ensinar adultos exige dos professores o domínio de novos saberes docentes ou saberes profissionais. A construção da identidade de professor está além das paredes da escola, das abordagens técnicas e metodológicas das práticas educativas. Ser professor e ser pessoa exige saberes muito mais amplos que estão além do saber ensinar.
  • 25.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA Síntese dos quatro pilares para a educação no século XXI: Aprender a conhecer – É necessário tornar prazeroso o ato de compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento para que não seja efêmero, para que se mantenha ao longo do tempo e para que valorize a curiosidade, a autonomia e a atenção permanentemente. É preciso também pensar o novo, reconstruir o velho e reinventar o pensar. Aprender a fazer – Não basta preparar-se com cuidados para inserir-se no setor do trabalho. A rápida evolução por que passam as profissões pede que o indivíduo esteja apto a enfrentar novas situações de emprego e a trabalhar em equipe, desenvolvendo espírito cooperativo e de humildade na reelaboração conceitual e nas trocas, valores necessários ao trabalho coletivo. Ter iniciativa e intuição, gostar de uma certa dose de risco, saber comunicar-se e resolver conflitos e ser flexível. Aprender a fazer envolve uma série de técnicas a serem trabalhadas. Profª Jamille Rangel
  • 26.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA A seguir, é apresentada uma síntese dos quatro pilares para a educação no século XXI. Aprender a conhecer – É necessário tornar prazeroso o ato de compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento para que não seja efêmero, para que se mantenha ao longo do tempo e para que valorize a curiosidade, a autonomia e a atenção permanentemente. É preciso também pensar o novo, reconstruir o velho e reinventar o pensar. Aprender a fazer – Não basta preparar-se com cuidados para inserir-se no setor do trabalho. A rápida evolução por que passam as profissões pede que o indivíduo esteja apto a enfrentar novas situações de emprego e a trabalhar em equipe, desenvolvendo espírito cooperativo e de humildade na reelaboração conceitual e nas trocas, valores necessários ao trabalho coletivo. Ter iniciativa e intuição, gostar de uma certa dose de risco, saber comunicar-se e resolver conflitos e ser flexível. Aprender a fazer envolve uma série de técnicas a serem trabalhadas. Profª Jamille Rangel
  • 27.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA Aprender a conviver – No mundo atual, este é um importantíssimo aprendizado por ser valorizado quem aprende a viver com os outros, a compreendê-los, a desenvolver a percepção de interdependência, a administrar conflitos, a participar de projetos comuns, a ter prazer no esforço comum. Aprender a ser – É importante desenvolver sensibilidade, sentido ético e estético, responsabilidade pessoal, pensamento autônomo e crítico, imaginação, criatividade, iniciativa e crescimento integral da pessoa em relação à inteligência. A aprendizagem precisa ser integral, não negligenciando nenhuma das potencialidades de cada indivíduo.
  • 28.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA Com base nessa visão dos quatro pilares do conhecimento, pode-se prever grandes consequências na educação. O ensino-aprendizagem voltado apenas para a absorção de conhecimento e que tem sido objeto de preocupação constante de quem ensina deverá dar lugar ao ensinar a pensar, saber comunicar-se e pesquisar, ter raciocínio lógico, fazer sínteses e elaborações teóricas, ser independente e autônomo; enfim, ser socialmente competente. Uma educação fundamentada nos quatro pilares acima elencados sugere alguns procedimentos didáticos que lhe seja condizente, como: *Relacionar o tema com a experiência do estudante e de outros personagens do contexto social; *Desenvolver a pedagogia da pergunta (Paulo Freire e Antonio Faundez, Por uma Pedagogia da Pergunta, Editora Paz e Terra, 1985);
  • 29.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA *Proporcionar uma relação dialógica com o estudante; *Envolver o estudante num processo que conduz a resultados, conclusões ou compromissos com a prática; *Oferecer um processo de autoaprendizagem e corresponsabilidade no processo de aprendizagem; *Utilizar o jogo pedagógico com o princípio de construir o texto.
  • 30.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA Podemos citar algumas práticas essenciais ao profissional que trabalha com Educação de Jovens e Adultos, como: *Valorizar os conhecimentos do aluno, ouvir suas experiências e suposições e relacionar essa sabedoria aos conceitos teóricos; *Dialogar sempre, com linguagem e tratamento adequado ao público; *Perguntar o que os estudantes sabem sobre o conteúdo e a opinião deles a respeito dos temas antes de abordá-los cientificamente. Dessa forma, o educador mostra que eles sabem, mesmo sem se dar conta disso; * Compreender que educar jovens e adultos é um ato político e, para isso, ele deve saber estimular o exercício da cidadania.
  • 31.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA Algumas características dos educadores de EJA são: *Que o educador seja um sujeito agregador, orientador do grupo, animador e propositivo, a fim de manter o grupo unido e perseguindo objetivos de aprendizagem comuns à turma; *A escuta compreensiva, muito mais que avaliativa, uma escuta que busque entender o outro, descobrir sua lógica, sua fundamentação, pois isto sustenta visões de mundo; *A tolerância, que só é possível com muito querer bem, necessário para respeitar as diferenças; *Atitude de curiosidade investigativa: querer muito mais entender do que dar respostas, ou induzir o educando a chegar na resposta correta, o que vem junto com a escuta compreensiva;
  • 32.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA *A flexibilidade para lidar com o inesperado; *O respeito pelo tempo do outro, o que exige uma paciência também compreensiva, porque sabemos que no processo de aprendizagem cada um tem um ritmo, tem um tempo para produzir suas próprias reflexões; *Assumir a responsabilidade de estar trabalhando com seres humanos, traduzida pelo compromisso que assumimos com o outro; *A participação social, cultural e política: o educador deve ser um agente de transformação social, comprometido também com os projetos de sociedade que estão sendo construídos, isto é , um sujeito também aprendente da Educação no sentido amplo, que se dá pela inserção em todos os campos sociais, assim como estamos, enquanto sociedade, aprendendo a construir a democracia no país.
  • 33.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA O educador a EJA precisa ser preparado para dar conta de fazer do espaço da sala de aula, um espaço da construção coletiva, onde a pesquisa, como princípio educativo e pedagógico, contribua para a construção da aprendizagem significativa dos educandos. Essa aprendizagem é medida conforme a necessidade e característica do grupo, de acordo com a realidade escolar e a vivência de cada educando. É necessário que o professor trabalhe de forma interdisciplinar com os seus educandos, valorizando a experiência de cada um, integrando a turma à vida escolar, ampliando, assim, o universo cultural por meio da socialização. Segundo Paulo Freire (2003), o educador precisa estar qualificado para atuar na EJA, sabendo valorizar e respeitar as peculiaridades de cada educando da sua sala de aula, tendo uma reflexão teórico-prática sobre sua prática pedagógica, ou seja, sobre sua própria concepção metodológica de como trabalhar de forma diferenciada com a Educação de Jovens e Adultos.
  • 34.
    FORMAÇÃO DE EDUCADORESPARA EJA Nesse sentido, os educadores devem, constantemente, avaliar suas práticas pedagógicas, buscar aprofundar teoricamente aspectos ligados à educação de jovens e adultos, resgatar, em primeiro lugar, a consciência sobre as seguintes questões: quem são os educandos, como eles pensam, como dimensionam seu tempo, quais seus interesses, como percebem o mundo a sua volta, quais suas necessidades, como constroem o conhecimento e outras mais. A formação dos educadores da EJA, segundo Ribeiro (2002), deve articular a prática e a teoria a todo o momento, pois o que se pretende alcançar é um maior conhecimento da realidade, de forma a intervir nesse contexto, melhorando a qualidade da prática dos educadores juntamente com os educandos.