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Relatório da campanha
“Somos Todos Responsáveis” e a
íntegra dos 220 depoimentos
Janeiro de 2013
Relatório da campanha
“Somos Todos Responsáveis” e a
íntegra dos 220 depoimentos
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ÍNDICE 
ABAP – Associação Brasileira de Agências de Publicidade
Rua Pedroso Alvarenga, 1208 – 8º andar – Itaim Bibi 04531-004 – São Paulo – SP (55 11) 3074-2160
Site: www.abapnacional.com.br - E-mail: abap@abap.com.br
Vice-Presidente de Relações Institucionais:
Armando Strozenberg
(Euro RSCG Contemporânea)
Vice-Presidente de Relações Governamentais:
Bob Vieira da Costa
(Nova S/B Comunicação)
Vice-Presidente de Gestão de Agências e Relações com o Mercado:
Antônio Lino Pinto
(Talent Comunicação e Planejamento)
Vice-Presidente de Assuntos Regionais:
Antônio D'Alessandro
(DCS Net)
Diretor Executivo:
Decio Vomero
Diretor Para Assuntos Legais:
Antônio Fadiga
(Fischer América Comunicação Total)
Diretor de Relações Interassociativas:
Otto de Barros Vidal Júnior
(PPR- Profissionais de
Publicidade Reunidos)
Diretor Administrativo Financeiro:
Paulo Zoega
(QG Comunicação S/A)
Presidente Nacional:
Luiz Lara
(Lew'LaraTBWA Publicidade)
A campanha Somos Todos Responsáveis..........................  Pág.6
Campanha em Números............................................................  Pág.8
Canais..................................................................................................  Pág.9
Especialistas ..................................................................................  Pág.12
Índice de Depoimentos ...........................................................  Pág.14
5aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE
E
m uma era em que a mídia passa por
transformações radicais, convive-
mos constantemente com a insegu-
rança e a incerteza. Há várias frentes
de discussão sobre o assunto: o livre acesso
aos conteúdos na internet, as novas possibili-
dades de relacionamento nas redes sociais…
Queremos convidá-los a discutir um aspecto
mais específico e de interesse de todos nós:
como a publicidade interage com as crian-
ças. Quais são os cuidados que devem ser
adotados por pais e mães, quais são os bene-
fícios, quais são as consequências…
Este tema entrou em debate no mundo to-
do e também aqui no Brasil, onde a conver-
sa ainda ocorre dentro de grupos com visões
bastante radicais. Para eles, a receita é sim-
ples: basta proibir sumariamente a propagan-
da dirigida para crianças de até 12 anos para
protegê-las das tentações do consumo e de
outros supostos riscos. Mas será que é mes-
mo simples assim? As crianças também de-
verão ser proibidas de ver as vitrines nos sho-
ppings? Serão impedidas de mostrar o tênis e
a mochila novos aos colegas de classe para
evitar desejos consumistas? E o que dizer de
vídeogames, que raramente anunciam seus
produtos e são amplamente conhecidos e
desejados pelas crianças? E mais: sem propa-
ganda infantil não haverá programação pa-
ra as crianças. Então, nossos filhos acabarão
vendo novelas com publicidade para adultos
no lugar dos desenhos com propagandas pa-
ra criança? Longe da televisão, eles estarão
seguros navegando na internet? Deveríamos
proibir a internet também? E como diferen-
ciar o que é uma publicidade feita para crian-
ças de 12 anos (que se quer proibir) e de 13
anos, que seria liberada?
Nós reconhecemos o poder de persuasão da
publicidade, acreditamos que o assunto tem
a maior importância e precisa ser amplamen-
te discutido. Não acreditamos em passes de
mágica e lembramos que várias ideias bem
intencionadas resultaram em interferências
brutais na vida das pessoas. Acreditamos que
precisamos trabalhar juntos para aprimorar o
que for preciso, decifrar os desafios das mí-
dias em uma era de transformações e evitar
retrocessos. Nosso caminho é o do diálogo,
da liberdade, da responsabilidade e da edu-
cação. SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS.
O CAMINHO DO DIÁLOGO
LUIZ LARA, presidente da Abap
ClaudioRossi
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“M
ães e pais no mundo
todo estão preocupa-
dos com a influência
das mídias na formação
dos filhos. Crianças experimentam as no-
vidades antes. Se você acha que estimulá-
las e protegê-las é responsabilidade de to-
dos, participe da nossa campanha. Em uma
era em que a mídia passa por transforma-
ções radicais, convivemos constantemente
com a insegurança e a incerteza. Há várias
frentes de discussão sobre o assunto: o livre
acesso aos conteúdos na internet, as novas
possibilidades de relacionamento nas redes
sociais… Queremos convidá-los a discutir
um aspecto mais específico e de interesse
de todos nós: como a publicidade interage
com as crianças. Quais são os cuidados que
devem ser adotados por pais e mães, quais
são os benefícios, quais são as consequên-
cias…”, foi com essa chamada que a cam-
panha Somos Todos Responsáveis ocupou
a mídia e as redes sociais a partir de janeiro
de 2012.
Durante quase um ano a campanha Somos
Todos Responsáveis produziu mais de 220
depoimentos em vídeos. Pais, mães e es-
pecialistas foram convidados a falar sobre
crianças e propaganda sob diversas pers-
pectivas.
Ouvimos pedagogos, artistas, jornalistas,
empresáros, líderes de ONGs, ministros de
estado, personalidades e publicitários que
acreditam que a propaganda feita com res-
ponsabilidade, observando-se as diversas
regras que regulamentam o setor, pode ter
um papel positivo na vida das crianças.
Além disso reuniu cerca de 30 mil pessoas
em seus canais na internet e nas redes so-
ciais para discutir como a publicidade inte-
rage com as crianças, quais são as consequ-
ências e o que pode ser feito. Estima-se que
tenha falado para mais de um milhão de pes-
soas.
Os depoimentos colhidos durante a cam-
panha estão reunidos nessa publicação e
ainda podem ser acessados no site www.
somostodosresponsaveis.com.br. Acredita-
mos que se trata de uma fonte importante
de referências para aqueles que se interes-
sam pelo tema por reunir além opiniões, in-
formações e a orientação de especialistas
renomados.
A Campanha Somos Todos Responsáveis foi
conduzida pela Abap (Associação Brasileira
de Agências de Publicidade) e tem uma po-
SOMOS TODOS
RESPONSÁVEIS, A
CAMPANHA
7aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE
sição e um lado bem definido. Porém, o lei-
tor observará que o tema aqui aparece em
toda sua complexidade, com todas suas nu-
ances.
Também está registrada a preocupação de
pais, mães e especialistas em relação à in-
fluência da propaganda no desenvolvimen-
to das crianças, o que serve de alerta a to-
dos os envolvidos no assunto, anunciantes,
agências de propaganda. Essa é outra con-
tribuição que esperamos dar com essa pu-
blicação: relembrar e insistir na ideia de que
somos todos responsáveis pela proteção
das crianças.
No mundo de hoje as crianças nascem ro-
deadas pela mídia. Não só a TV, o rádio, os
jornais, as revistas, todos estes, objeto de an-
tigas discussões. Há temas novíssimos para
serem discutidos. Existem telas em elevado-
res, computadores estão se tornando equi-
pamentos universais. Anúncios publicitários
são veiculados em videogames, mensagens
estão circulando em e-mails e redes sociais.
Já existe propaganda no kit que a mãe rece-
be na maternidade. Estamos em um mun-
do de promoções e de marketing. Há mais
de 240 milhões de celulares, sendo que 37
milhões são smartphones, usados para en-
vio de e-mails, vídeos e acesso a redes so-
ciais. Podemos acabar com tudo isso? Sabe-
mos que não A publicidade é uma das peças
dessa rede e analisá-la de forma isolada pro-
vavelmente resultará em conclusões equi-
vocadas.
Esta publicação reúne os principais ques-
tionamentos, aborda as maiores polêmicas
e pretende responder com objetividade às
dúvidas mais comuns que surgiram durante
a campanha. Também reforça a ideia cen-
tral por trás dessa iniciativa: publicidade sim,
com muita responsabilidade, regras claras e
controle rigoroso.
Nós reconhecemos o poder de persuasão
da publicidade, acreditamos que o assunto
tem a maior importância e precisa ser am-
plamente discutido. Não acreditamos em
passes de mágica e lembramos que várias
ideias bem intencionadas resultaram em
intereferências brutais na vida das pessoas.
Acreditamos que precisamos trabalhar jun-
tos para aprimorar o que for preciso, decifrar
os desafios das mídias em uma era de trans-
formações e evitar retrocessos. Nosso cami-
nho é o do diálogo, da liberdade, da respon-
sabilidade e da educação. SOMOS TODOS
RESPONSÁVEIS
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A campanha em números
(Período entre 01 de janeiro de 2012 até 31 de dezembro de 2012)
Site
Visitas 17.000
Visitantes 12.000
Posts publicados 260
Vídeos publicados 220
Facebook
Fans 17.000
Visitas 34.000
Alcance das publicações 1.800.000
Posts publicados 450
Comentários 1.600
Ações positivas 25.000
Youtube
Vídeos 244
Exibições no canal 15.000
Posts para o Facebook
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Canais/Facebook
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Canais/Site
11aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
INFANTIL
EM DEBATE NAS
REDES SOCIAIS
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Poder Público
Alexandre Padilha  Ministro da Saúde
José Antônio Dias Toffoli  Ministro do Supremo Tribunal Federal
Milton Monti  (PR-SP)
Onofre Agostini  (PSD-SC)
Ruy Carneiro  (PSDB-PB)
Publicitários
Alexandre Gama  Presidente da Neogama
Dalton Pastore Jr.  Presidente do Fórum Permanente da Indústria da Comunicação
Enio Vergeiro  Presidente da APP  Associação dos Profissionais de Propaganda
Fabio Fernandes  Presidente da Nazca
Flávio Conti  Diretor geral da DPZ
Hiran Castelo Branco  Vice-presidente corporativo da ESPM
Jaques Lewkowicz  Sócio da Lew/Lara
José Henrique Borghi  Presidente da Bonghierh  Lowe
Luiz Fernando Musa  Diretor geral da Ogilvy Brasil
Luiz Lara  Presidente da Abap
Marcello Serpa  Sócio-presidente e diretor de criação da AlmapBBDO
Márcio Oliveira  Vice-presidente da Lew/Lara
Roberto Duailibi  Sócio-diretor da DPZ
Roberto Justus  Presidente da Young  Rubican
Sergio Amado  Presidente da Ogilvy Brasil
Sérgio Valente  Presidente da DM9DDB
Stalimir Vieira  Diretor da Abap
Jornalistas e mídia
Álvaro Leopoldo Filho  Diretor Comercial da Jovem Pan
Ana Helena Reis  Presidente da Multifocus
Lúcia Helena de Oliveira  Diretora de redação da revista Saúde, Editora Abril
Maggi Krause  Diretora de redação da revista Nova Escola
Márcia Vilela Neder  Diretora do núcleo de saúde, beleza e bem-estar da Editora Abril
Sílvia Poppovic  apresentadora de TV
Academia
Andrea Jotta  Pesquisadora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica)
Eugênio Bucci  professor da ECA/USP
Fernanda Cintra de Paula  Pesquisadora de mídias, crianças e consumo pela ESPM (Escola Superior de
Propaganda e Marketing)
Gil Giardelli  Professor de pós-graduação da ESPM e especialista em redes sociais
Isabel Orofino  Pesquisadora da ESPM e autora do livro mídias e mediação
Luli Radfahrer  professor da ECA/USP
principais DEPOIMENTOS À CAMPANHA
13aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE
Psiquiatras, psicólogos, pedagogos e educadores
Bernadette Vilhena  Escritora especializada em pedagogia empresarial e educação financeira
Debora Corigliano  Psicopedagoga e escritora do livro “Orientando pais, educando filhos”
Içami Tiba  Psiquiatra, educador e autor de vários livros sobre orientação aos pais, entre eles o “Quem ama educa”.
Jéssica Fogaça  Psicóloga Comportamental Infantil
Lidia Rosemberg Aratangy  Psicóloga referência em orientação familiar
Livia Borges  Psicóloga, escritora e consultora do Núcleo de Estudos da Violência da Polícia Militar do Distrito
Federal
Luiz Felipe Ponde  Filosofo e professor da PUC
Marcelo Cunha Bueno  Colunista da revista Crescer
Maria Irene Maluf  Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005 a 2007)
Mario Sergio Cortella  Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e mestre em
filosofia
Miriam Chicarelli Furini  Psicanalista e psicopedagoga
Nina Costa  Psicóloga especialista em transtornos afetivos da Unifesp
Roberto Shinyashiki  Conferencista e autor de 16 livros de auto-ajuda, que venderam um mais de 5,5 milhões de
exemplares no Brasil.
Rosely Sayão  Psicóloga, jornalista e escritora
Sueli Dib  Especialista em Educação Básica e consultora da Abril Educação e da Secretaria Estadual de Educação do
Espírito Santo
Thatiana Segundo  Orientadora educacional do colégio Dante Alighieri
Cultura
Cris Poli  Educadora, interpreta a Super Nanny no SBT
Fernando Gomes  Gerente de programação infantil da TV Cultura e criador do Cocoricó
Maurício de Sousa  Criador da Turma da Mônica
Papati Patata  Apresentadores do SBT
Paulo Tatit  Músico do grupo Palavra Cantada
Yudi Tamashiro  Apresentador do SBT
Ongs, empresas e associações
Ângelo Frazão  Superintendente de Marketing da AACD
Bianca Carvalho  Presidente da ONG Mundo Novo
Gilberto Leifert  Presidente do Conar
Luiz Carlos Dutra  Vice-presidente corporativo da Unilever para América Latina
PATRICIA BLANCO  Presidente do Instituto Palavra Aberta
Synésio Batista da Costa  Presidente da Abrinq
Advogados e jurístas
Gustavo Castro  De Vivo, Whitaker, Castro e Gonçalves Advogados
Luiz Flávio D'Urso  presidente da OAB-São Paulo
Maximilian Fierro Paschoal  Sócio da Pinheiro Neto
Ophir Cavalcante  Presidente nacional da OAB
Silvia Zeigler  Zeigler e Mendonça de Barros Sociedade de Advogados
Médicos e profissionais da saúde
Edson Bueno  Presidente da Amil
Florentino Cardoso  Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB)
Jorge Huberman  Pediatra do Hospital Albert Einstein e sócio do Instituto Saúde Plena
Mauro Gomes Aranha  Vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado
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A  
Adelina Pereira Macedo, Aposentada  ..................................................................................................................................  Pág. 28
Adriana Aparecida Fernandes dos Santos, Assistente Administrativa .........................................................  Pág. 28
Alexandre Gama, Presidente da Neogama  ...............................................................................................................................  Pág. 28
Alexandre Padilha, Ministro da Saúde  .....................................................................................................................................  Pág. 30
Álvaro Leopoldo Filho, Diretor Comercial da Jovem Pan ..........................................................................................  Pág. 30
Amanda Leite, Securitária ....................................................................................................................................................................  Pág. 30
Ana Alice Carvalho, Aposentada ...............................................................................................................................................  Pág. 31
Ana Helena Reis, Presidente da Multifocus .................................................................................................................................  Pág. 31
Ana Maria Custodio, Servidora Pública ....................................................................................................................................  Pág. 34
André Ramos Tavares, Diretor do Instituto Brasileiro de Estudos Constitucionais .................................................  Pág. 34
André Santi, Analista de Informática  .............................................................................................................................................  Pág. 35
Andrea Alves, Auxiliar de Produção ...............................................................................................................................................  Pág. 36
Andrea Antonacci, Jornalista ......................................................................................................................................................  Pág. 36
Andréa Espinoza, Estudante ...........................................................................................................................................................  Pág. 36
Andrea Jotta, Pesquisadora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica)....................................................................  Pág. 38
Andréa Marques Vieira, Dona de casa ....................................................................................................................................  Pág. 36
Andria Gonçalves Dias Barros, Auxiliar Administrativa .............................................................................................  Pág. 39
Angela Mello da Silva, Dona de Casa .....................................................................................................................................  Pág. 39
Ângelo Franzão, Superintendente de Marketing da AACD ................................................................................................  Pág. 40
Aparecida Teixeira Dias, Professora .........................................................................................................................................  Pág. 42
Armando Strozemberg, CEO da Euro RSCG Brasil ............................................................................................................  Pág. 43
Arnaldo Rabelo, Blogueiro e Consultor de Marketing Infantil ..........................................................................................  Pág. 44
índice DE DEPOIMENTOS
15aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE
b  
Beany Guimarães Monteiro, Professora ..............................................................................................................................  Pág. 44
Bernadette Vilhena, Escritora especializada em pedagogia empresarial e educação financeira .....................  Pág. 46
Beth Carmona, Diretora da ComKids ...........................................................................................................................................  Pág. 46
Bob Vieira da Costa, Sócio da Nova/SB ....................................................................................................................................  Pág. 47
c  
Camila Mizue Fujisawa, Assistente Jurídica ...........................................................................................................................  Pág. 50
Carina Eguia Cappucci Ceschini, Jornalista ...................................................................................................................  Pág. 50
Carla Bertolini, Professora .............................................................................................................................................................  Pág. 50
Carmen Alencar, Funcionária Federal ........................................................................................................................................  Pág. 51
Carolina Pilogi, Designer ................................................................................................................................................................  Pág. 51
Cecília Aparecida Pavani, Analista de RH .............................................................................................................................  Pág. 51
Celso Loducca, Presidente e Sócio da agência Loducca .....................................................................................................  Pág. 52
Cibele Sampaio, Administradora de empresas ...........................................................................................................................  Pág. 54
Cíntia Nogueira de Oliveira, Recepcionista .....................................................................................................................  Pág. 54
Cris Poli, educadora interpreta a Super Nanny no SBT .............................................................................................................  Pág. 54
Cristiane Aparecida Souza, Maquiadora .............................................................................................................................  Pág. 55
Cyd Alvarez, Presidente da NBS .......................................................................................................................................................  Pág. 123
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d  
Dalton Pastore Jr., Presidente do Fórum Permanente da Indústria da Comunicação .........................................  Pág. 56
Dayana Montenegro, Dona de casa ........................................................................................................................................  Pág. 58
Debora Corigliano, Psicopedagoga e escritora do livro “Orientando Pais, Educando Filhos”  ..........................  Pág. 58
Denise reis guglielmo, Secretária  ............................................................................................................................................  Pág. 59
Deolinda Caldeira Franco Mazottini, Aposentada ................................................................................................  Pág. 59
Domingos Augusto Mazottini, Aposentado ..................................................................................................................  Pág. 60
Douglas Bastos Florenço, Analista de Sistema .............................................................................................................  Pág. 60
e  
Edson Bueno, Presidente da Amil ...................................................................................................................................................  Pág. 60
Edson José Ferreira Pini, Professor ........................................................................................................................................  Pág. 62
Eduardo CÉsar Martins Ferreira, Supervisor de Seguros ........................................................................................  Pág. 62
Elaine Simões Garcia, Professora ...............................................................................................................................................  Pág. 63
Eliana Oliveira, Psicóloga .................................................................................................................................................................  Pág. 63
Elvira Ventura Filipe, Psicóloga  ................................................................................................................................................  Pág. 63
Enio Vergeiro, Presidente da APP, Associação dos Profissionais de Propaganda ........................................................  Pág. 64
Érica Cazé da Cunha, Dona de Casa .........................................................................................................................................  Pág. 64
Eronilde Maria de Souza, Assistente de Treinamento ....................................................................................................  Pág. 66
Ethel Perlman, Empresária ..............................................................................................................................................................  Pág. 66
Eugênio Bucci, professor da ECA/USP .........................................................................................................................................  Pág. 66
17aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE
f  
Fabiana Negri, Bancária ......................................................................................................................................................................  Pág. 68
Fabio Fernandes, Presidente da Nazca  ......................................................................................................................................  Pág. 68
Fátima Regina Feitosa, Advogada ..............................................................................................................................................  Pág. 71
Fernanda Almeida Prado, Psicóloga ......................................................................................................................................  Pág.71
Fernanda Cintra de Paula, Pesquisadora de mídias, crianças e consumo pela ESPM  ......................................  Pág. 72
Fernando Gomes, Gerente de programação infantil da TV Cultura e criador do Cocoricó ...................................  Pág. 76
Filhinha Oliveira Cardozo, Professora ...............................................................................................................................  Pág. 78
Flávio Conti, Diretor geral da DPZ ..................................................................................................................................................  Pág. 78
Florentino Cardoso, Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) ................................................................  Pág. 78
g  
Gardênia Abreu de Alencar, Analista de crédito .............................................................................................................  Pág. 79
Gil Giardelli, Professor de pós-graduação da ESPM e especialista em redes sociais ..................................................  Pág. 79
Gilberto Leifert, Presidente do Conar .......................................................................................................................................  Pág. 79
Gilda Bitiati, Professora Aposentada ..............................................................................................................................................  Pág. 82
Gilza Silva Gil Ferreira, Analista de Sistema ........................................................................................................................  Pág. 82
Gislene Devides, Analista de serviços de informática .............................................................................................................  Pág. 82
Graciela Faria Tabarelli, Advogada .......................................................................................................................................  Pág. 83
Grasiele Camaro, Setor de Turismo ............................................................................................................................................  Pág. 83
Guaraciara Pereira Crespi, Cabeleireira .............................................................................................................................  Pág. 83
Guilherme Renda Neto, Economista .......................................................................................................................................  Pág. 84
Gustavo Lorenzi de Castro, sócio do escritório De Vivo, Whitaker, Castro e Gonçalves Advogados ......... Pág. 84
18
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h  
Hélia Rossi, Diarista ................................................................................................................................................................................  Pág. 86
Henrique Puga, Professor .................................................................................................................................................................  Pág. 86
Hingrid Licinia Calixto Oliveira, Analista de Sistema ...............................................................................................  Pág. 86
Hiran Castelo Branco, Vice-presidente corporativo da ESPM .....................................................................................  Pág. 87
i  
Içami Tiba, Psiquiatra, educador e autor de livros sobre orientação aos pais .......................................................................  Pág.87
Immaculata De Iulis, Advogada ...................................................................................................................................................  Pág. 88
Isabel Orofino, Pesquisadora da ESPM e autora do livro “Mídias e mediação” ............................................................  Pág. 88
19aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE
j  
Jaques Lewkowicz, Sócio da Lew/Lara ....................................................................................................................................  Pág. 91
Januário Lins de Alencar Barbato, Professor de Ed. Física ....................................................................................  Pág. 92
Jéssica Fogaça, Psicóloga Comportamental Infantil .............................................................................................................  Pág. 94
Jéssica Lopes de Almeida, Nutricionista ................................................................................................................................  Pág. 92
Jéssica Pereira, Instrumentadora Cirúrgica ...............................................................................................................................  Pág. 95
João Matta, professor de marketing infantil da ESPM .............................................................................................................  Pág. 95
Jorge Basile Guglielmelli, Roteirista ...................................................................................................................................  Pág. 96
Jorge Huberman, Pediatra do Hospital Albert Einstein e sócio do Instituto Saúde Plena .......................................  Pág. 96
José Antônio Dias Toffoli, Ministro do Supremo Tribunal Federal  .........................................................................  Pág. 99
José Antônio Passos, Docente ..................................................................................................................................................  Pág. 99
José Henrique Borghi, Presidente da Bonghierh  Lowe ...............................................................................................  Pág. 99
José Geraldo Rocha, Diretor de Teatro ..................................................................................................................................  Pág. 99
José Marcelo Guimarães Moreira, Engenheiro ..........................................................................................................  Pág. 102
Judite Franco Cavalcante, Administradora .....................................................................................................................  Pág. 102
Juliana Neves, Farmacêutica ............................................................................................................................................................  Pág. 102
Juvenal Tedesque da Cunha , Advogado .........................................................................................................................  Pág. 103
k  
Kátia Regina Rufino, Analista de Crédito .................................................................................................................................  Pág. 104
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l  
Lamara Alves Maciel, Coordenadora de Call Center ...........................................................................................................  Pág. 104
Laura Camargo , Funcionária Pública .........................................................................................................................................  Pág. 104
Leila Aparecida Moris, Assistente de Compras ....................................................................................................................  Pág. 106
Leliane dos Santos, Bancária .......................................................................................................................................................  Pág. 106
Leonel José de Oliveira, Representante Comercial ..........................................................................................................  Pág. 106
Letícia de Santana Santos, Auxiliar de Enfermagem ......................................................................................................  Pág. 106
Leysle Silva, Professora ........................................................................................................................................................................  Pág. 107
Lidia Rosemberg Aratangy, Psicóloga referência em orientação familiar ..............................................................  Pág. 107
Lígia M. B. Garbi, Pedagoga ...............................................................................................................................................................  Pág. 108
Lilian Assali, Estudante ........................................................................................................................................................................  Pág. 110
Livia Borges, Psicóloga, escritora e consultora do Núcleo de Estudos da Violência da Polícia Militar do Distrito Federal ...  Pág. 110
Lourdes Faim Monteiro, Professora de Educação Física ................................................................................................  Pág. 110
Lúcia Helena de Oliveira, Diretora de redação da revista Saúde, Editora Abril ......................................................  Pág. 111
Luiz Carlos Dutra, Vice-presidente corporativo da Unilever para América Latina ..................................................  Pág. 111
Luiz Felipe Pondé, Filosofo e professor da PUC e FAAP ........................................................................................................  Pág. 112
Luiz Fernando Musa, CEO da Ogilvy .........................................................................................................................................  Pág. 115
Luiz Flávio D’Urso, Ex-presidente da OAB-São Paulo ..........................................................................................................  Pág. 116
Luiz Lara, Presidente da Abap ..............................................................................................................................................................  Pág. 118
Luiza Antonieta Gasparino, Enfermeira .............................................................................................................................  Pág. 118
Luli Radfahrer, professor da ECA/USP ........................................................................................................................................  Pág. 119
21aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE
m  
Madiana Jaques Alves, Secretária .............................................................................................................................................  Pág. 120
Magda Vera Guimarães Amaral, Diretora de Marketing ..............................................................................................  Pág. 122
Maggi Krause, Diretora de redação da revista Nova Escola ..................................................................................................  Pág. 122
Mara Relva dos Santos, Secretária ..........................................................................................................................................  Pág. 123
Marcelina Catarina Vidal Coelho, Auxiliar de Ateliê ...............................................................................................  Pág. 123
Marcelo Assumpção, Bancário ...................................................................................................................................................  Pág. 124
Marcelo Cunha Bueno, Colunista da revista Crescer .......................................................................................................  Pág. 124
Marcello Serpa, Sócio-presidente e diretor de criação da AlmapBBDO .......................................................................  Pág. 126
Marcia Bersi, Secretária .......................................................................................................................................................................  Pág. 127
Marcia Martinelli, Pedagoga ........................................................................................................................................................  Pág. 127
Márcia Vilela Neder, Diretora do núcleo de saúde, beleza e bem-estar da Editora Abril ......................................  Pág. 127
Márcio Naur Bonifácio, Corretor ............................................................................................................................................  Pág. 128
Márcio Oliveira, Vice-presidente da Lew/Lara ........................................................................................................................  Pág. 128
Maria Angélica Rocha Prieto, Autônoma ........................................................................................................................  Pág. 130
Maria Aparecida da Silva Teixeira, Orientadora Educacional ..................................................................................  Pág. 130
Maria Bezerra , Supervisora de Vendas ........................................................................................................................................  Pág. 131
Maria Cristina Carrasco, Professora ....................................................................................................................................  Pág. 131
Maria Cristina de Oliveira, Organizadora de Eventos ....................................................................................................  Pág. 132
Maria Das Graças Oliveira, Enfermeira ................................................................................................................................  Pág. 132
Maria de Fátima Machado Prates, Bancária ...................................................................................................................  Pág. 132
Maria dos Milagres Silva, Vendedora ...................................................................................................................................  Pág. 148
Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005 a 2007) ..........  Pág. 134
Mário Jorge Muralha, Economista .........................................................................................................................................  Pág. 140
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Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP e mestre em filósofia ...............................................  Pág. 140
Marisa Caramielo, Aposentada .....................................................................................................................................................  Pág. 148
Maurício de Sousa, Criador da Turma da Mônica .................................................................................................................  Pág. 150
Mauro Gomes Aranha, Vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo ...........  Pág. 151
Maximilian Fierro Paschoal, Sócio da Pinheiro Neto ...................................................................................................  Pág. 151
Milena Souza Santos, Agente de Atendimento ...................................................................................................................  Pág. 154
Milton Monti, Deputado federal (PR-SP) .....................................................................................................................................  Pág. 154
Miriam Chicarelli Furini, Psicanalista e psicopedagoga .................................................................................................  Pág. 155
Mônica de Moraes Barros Cavalcante, Vendedora ..............................................................................................  Pág. 156
Monica Heine, Advogada ....................................................................................................................................................................  Pág. 156
Mônica Roças, Contadora ................................................................................................................................................................  Pág. 158
n  
Nanci Murari, Administradora de empresa .................................................................................................................................  Pág. 158
Nataliê Mançal Boa Ventura, Estagiária ...........................................................................................................................  Pág. 159
Nina Costa, Psicóloga especialista em transtornos afetivos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) ....  Pág. 159
Nise Yamaguchi, Diretora do Instituto Avanços em Medicina e representante do Ministério da Saúde no Estado de São Paulo ......................  Pág. 160
o  
Ophir Cavalcante, Presidente nacional da OAB ....................................................................................................................  Pág. 162
23aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE
p  
Paola Pauli Lantieri Cavanha, Instrutora de Pilates .....................................................................................................  Pág. 163
Patati Patata, Apresentadores do SBT .........................................................................................................................................  Pág. 163
Patricia Blanco, Presidente do Instituto Palavra Aberta .....................................................................................................  Pág. 163
Patricia Camargo Frederico, Pediatra ..............................................................................................................................  Pág. 164
Patricia Floresval da Silva, Pagem ....................................................................................................................................  Pág. 166
Paula Rita Pacheco, Dentista .......................................................................................................................................................  Pág. 166
Paulo Giovani, Presidente da Leo Burnett ..................................................................................................................................  Pág. 166
Paulo Henrique Bertolini, Assistente de Vendas ...........................................................................................................  Pág. 167
Paulo Tatit, Músico do grupo Palavra Cantada ..........................................................................................................................  Pág. 168
Priscila Torallo, Advogada ...........................................................................................................................................................  Pág. 168
24
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r  
Rafaela Pitanga, Pediatra .................................................................................................................................................................  Pág. 169
Renata Andrade, Assistente Administrativa ..............................................................................................................................  Pág. 169
Renata Carvalho Pereira, Auxiliar de Enfermagem ........................................................................................................  Pág. 169
Renata Gomes de Oliveira, Analista de Sistema ................................................................................................................  Pág. 169
Renata Menezes, Estagiária Financeira  .......................................................................................................................................  Pág. 170
Ricardo Monteiro, Empresário ...................................................................................................................................................  Pág. 170
Roberto Duailibi, Sócio-diretor da DPZ .....................................................................................................................................  Pág. 170
Roberto Justus, Presidente da Young  Rubican  .................................................................................................................  Pág. 171
Roberto Shinyashiki, Conferencista e autor de 16 livros de auto-ajuda .....................................................................  Pág. 172
Rodrigo Martins Pescuma, Médico ......................................................................................................................................  Pág. 173
Rogerio Paes de Barros, Radialista .........................................................................................................................................  Pág. 173
Rosana Falanga, Psicóloga .............................................................................................................................................................  Pág. 174
Rosana Simone Silva, Editora Jurídica ......................................................................................................................................  Pág. 174
Rosana Zolini, Representante Comercial ....................................................................................................................................  Pág. 174
Rosely Sayão, Psicóloga, Jornalista e Escritora ..........................................................................................................................  Pág. 175
Rosemeire de Souza Arraes, Funcionária Pública ............................................................................................................  Pág. 175
Rosimeire Correa Gomes, Auxiliar Administrativa .............................................................................................................  Pág. 175
25aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE
s  
Sandra Buratini, Bióloga .................................................................................................................................................................  Pág. 176
Sandra Kaba , Professora .....................................................................................................................................................................  Pág. 176
Sergio Amado, Presidente da Ogilvy Brasil  ................................................................................................................................  Pág. 176
Sérgio Valente, Presidente da DM9DDB .....................................................................................................................................  Pág. 177
Sidnei Oliveira, Colunista da Exame.com para questões de conflito de gerações. .....................................................  Pág. 178
Silvana de luca, Secretária. .............................................................................................................................................................  Pág. 179
Sílvia Poppovic, Apresentadora de TV .........................................................................................................................................  Pág. 179
Silvia Zeigler, Advogada ....................................................................................................................................................................  Pág. 181
Simone Galuzzi, Comerciante .........................................................................................................................................................  Pág. 182
Solange Aparecida Bueno, Pedagoga ..................................................................................................................................  Pág. 182
Solange Marino Correia , Bancária ......................................................................................................................................  Pág. 183
Stalimir Vieira, Diretor da Abap ......................................................................................................................................................  Pág. 183
Sueli Dib, Pedagoga .................................................................................................................................................................................  Pág. 184
Suzana Leão, Economista ...................................................................................................................................................................  Pág. 186
Sydneyde Pires Arruda de Almeida, Corretora de Imóveis ......................................................................................  Pág. 186
Synésio Batista da Costa, Presidente da Abrinq ...............................................................................................................  Pág. 185
26
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t  
Tamires Gabriela Básilio Nascimento, Auxiliar Administrativa ............................................................................  Pág. 187
Tatiane Aparecida Fonseca, Esteticista  ..............................................................................................................................  Pág. 187
Thaís Raquel , Promotora ..................................................................................................................................................................  Pág. 187
Thales Gomes Moreira, Chefe de Cozinha ............................................................................................................................  Pág. 189
Thatiana Segundo, Orientadora educacional do colégio Dante Alighieri ...................................................................  Pág. 187
v  
Valéria Cabral, Recursos Humanos .............................................................................................................................................  Pág. 189
Valéria Titanero, Publicitária .........................................................................................................................................................  Pág. 189
Vanessa Ferreira de Sousa, Professora ................................................................................................................................  Pág. 189
Vartan Sarian Junior, Químico .................................................................................................................................................  Pág. 190
Vera Lucia Branquinho, Confeiteira ......................................................................................................................................  Pág. 190
Vera Lucia da Silva Ramos, Advogada ...................................................................................................................................  Pág. 190
Vicente Damaso Jimenez Perez, Empresário ....................................................................................................................  Pág. 190
Vinícios Otávio, Mecânico Aeronaútico .....................................................................................................................................  Pág. 191
w
Wilson dos Santos, Cabeleireiro ................................................................................................................................................  Pág. 191
Wirajane Gomes da Fonseca, Pesquisadora .....................................................................................................................  Pág. 191
y  
Yudi Tamashiro, Apresentador do SBT ........................................................................................................................................  Pág. 192
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 27
ESPECIALISTAS,
AUTORIDADES, PAIS E
MÃES FALAM SOBRE A
PUBLICIDADE
INFANTIL
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28
“Eu acho um absurdo essa proibição de propagandas infantis na televisão. Se
as crianças não assistirem o que elas gostam, o que elas preferem, vão assistir
novelas, coisas pornográficas, porque é muito difícil de proibir as crianças de
assistir TV.”
 Adelina Pereira Macedo, Aposentada

e 
“Eu sou contra a proibição da publicidade infantil na TV ou em qualquer meio
de comunicação, primeiro porque eu sou contra qualquer tipo de proibição,
apesar de achar dentro da publicidade tem que haver uma certa ética, mas
não acho que deva ser proibida.”
 Adriana Aparecida Fernandes dos Santos, Assistente administrativa

e 
“A maior demonstração de que a publicidade brasileira olha para si de manei-
ra responsável é o fato de ela ter criado um órgão que é exemplo mundial,
que é o Conar. O Conar é o olhar da própria publicidade para sua responsabi-
lidade. Eu não lembro de ter outro país com mecanismo tão eficiente e tão
próprio para tratar desse assunto. A publicidade é imprescindível, principal-
mente no Brasil e na fase que a sociedade brasileira está, até pelo valor infor-
mativo que ela tem. Então é o valor de levar às pessoas informações sobre
produtos, serviços, sobre o que está acontecendo ao redor dela, no sentido
de movimentar a economia também. A publicidade é uma mola do setor eco-
nômico e sem essa mola a máquina não funciona. Então o papel da publici-
dade é extremamente ativo e importante. Eu sou publicitário, mas antes eu
sou pai de duas filhas, e toda a questão do meu trabalho passa em como eu
traduzo essa questão para dentro de casa para as minhas filhas. Eu acho que
elas sempre devem ter direito à informação. Eu prefiro lidar com a existência
da informação e tentar orientá-las a ter um espirito analítico e critico daquilo
que elas ouvem do que esconder qualquer informação a respeito do mundo
onde elas vivem, seja isso comercial, seja institucional, seja pessoal.”
 Alexandre Gama, Presidente da Neogama

e 
A
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 29
“É decisivo o papel da publicidade na
capacidade de fazer as pessoas refletirem
sobre os seus atos. Quando falamos de
saúde, estamos falando de hábitos de vida
(…) e naquilo que pudermos ser grandes
parceiros em levar mensagens positivas
sobre hábitos de vida, terá o Ministério da
Saúde sempre ao seu lado.”
Alexandre Padilha
Ministro da Saúde
AgênciaBrasil
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30
“É decisivo o papel da publicidade na capacidade de poder fazer as pessoas
refletirem sobre os seus atos. Quando falamos de saúde, estamos falando ne-
cessariamente de hábitos de vida e de fatores de risco que podem agravar a
saúde de uma pessoa. Esse é um momento de decisão ás vezes individual,
emocional, com uma perspectiva do indivíduo em mudar a sua forma de vida,
seus hábitos ou aderir a um tratamento, e a publicidade tem uma capacidade
muito grande de levar essas mensagens positivas. Naquilo que pudermos ser
grandes parceiros em levar mensagens positivas sobre hábitos de vida, terá o
Ministério da Saúde sempre ao seu lado.”
 Alexandre Padilha, Ministro da Saúde

e 
“A Jovem Pan, há 10 anos, faz a campanha pela vida contra as drogas, porque
a Jovem Pan acredita que a informação é a arma mais importante para a
conscientização de nossas crianças e de nossos jovens. Ao mesmo tempo,
nós acreditamos que a publicidade informa, e é importantíssimo que não se
proíba a publicidade para crianças, porque ela é educativa e informativa, ela
forma nossas crianças e nossos jovens.”
 Álvaro Leopoldo Filho, Diretor Comercial da Jovem Pan

e 
“Sou securitária, sou mãe e por isso sou a favor da manutenção dessas propa-
gandas para criança, porque eu acho que a educação vem de casa. Eu tenho
sobrinho com 12 anos, outro com 9 e não foram influenciados por aquilo que
passa na televisão. Claro que tudo tem uma dosagem, feito em cima da res-
ponsabilidade daquilo que a gente passa para criança, mas eu acho que se
vier de casa, se vier educação da escola, eu acho que não agrava não.”
 Amanda Leite, Securitária

e 
A
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 31
“Sou contra o governo querer educar os nossos filhos, a gente que é respon-
sável pelos nossos filhos. Assim como eu já criei o meu filho que hoje tem 28
anos, praticamente sozinha. O meu filho é um homem decente, direito, mas
ele teve exemplo de casa, não foi de televisão, de rádio, de rua, teve bom
exemplo de casa.”
 Ana Alice Carvalho, Aposentada

e 
“Eu acredito mesmo que a publicidade infantil é muito importante, porque eu
acredito que a educação vem de casa, ela não é dada na rua. Então se a pri-
meira vez que a criança pedir alguma coisa, os pais barrarem, colocarem limi-
tes ela não vai fazer da próxima vez, ela não vai achar que tudo o que ela quer
ela consegue no grito.”
 Ana Lucia Covello, Gestora de Pessoas

e 
“Sou Ana Helena Reis presidente da Multifocus que é um instituto de pesquisa
que trabalha há muitos anos, acho que há mais de 15 anos com pesquisas
com criança. E essas pesquisas com criança nos trazem informações muito
interessantes sobre todo um universo infantil que vem evoluindo nos últimos
anos, e que na verdade mostram uma diversidade muito grande de meios de
contatos, enfim, de formas de atenção da realidade que eles vivem. O que te-
mos notado nesses últimos anos de pesquisa é que o universo infantil está
cada vez mais digital e cada vez mais globalizado e que as crianças têm aces-
so a uma multiplicidade de meios de informação que não são só a publicida-
de e sim são todas formas de contato com o produtos, com propagandas,
com outros amigos e isso fruto de uma capilaridade das relações sociais. En-
tão a criança hoje ela está ao mesmo tempo todo dia na internet, na televisão,
conversando com os amigos por meio de mensagem. Ela está também no ci-
nema, no parque e isso tudo é o que acaba formando um universo de infor-
mações e o que é mais interessante é que esse universo não distingue mais o
online do offline, então ela tanto está praticando uma atividade como com-
partilhando isso pelas redes sociais ou pelas mensagens com os amigos. En-
tão ela é hoje muito mais um veículo de transmissão, um viral de tudo o que
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32
acontece do que só uma captação passiva do que a mídia, do que a mensa-
gem trás. Isso a gente percebe por números, em duas pesquisas que nós fize-
mos em intervalos de três anos a relação das crianças na internet, a presença
delas na internet cresceu 27%, na TV a cabo 17%, nos jogos online 12%, então
ela está cada vez mais participando, o cinema cresceu 20%, mostra que a
criança hoje participa de tudo e nesse sentido ela recebe informações não só
daquilo que lhe é próprio, do que faz parte de um dito universo infantil, mas
de toda a sociedade. Ela palpita em termos de política, de consumo, ela tem a
sua participação nesse crescimento da preocupação com sustentabilidade,
com preservação do meio ambiente, elas são muito mais antenadas, e tam-
bém na maneira de consumir. É uma criança muito mais antenada. É lógico
que a gente vê esse quadro todo o que se toma de alerta, ela precisa saber fil-
trar essa informação. Nossa perspectiva não só como diretores de pesquisa,
mas como pais, orientadores, pessoas da mídia, acho que a preocupação
maior é de como orientar a criança de como filtrar tudo aquilo que ela recebe.
Não adianta a gente tentar tirá-la desse mundo, porque é um mundo em que
ela vive e a tendência é essa, mas sim, que ela saiba filtrar. A nossa maior mis-
são como adultos é ajudá-la a filtrar essa informação. E uma vez que isso seja
filtrado a participação dela como difusora de informações vai ser cada vez
maior. Ela é, vamos dizer assim, o fator que gera para esse buzz, para essa co-
municação, ela vai para a rede social, ela posta o que ela gosta, ela da um indi-
cação, um palpite sobre o que é legal fazer, sobre o que ela consumiu, sobre o
que ela viu, sobre a informação na televisão, então isso tudo é o que eu acho
que é a nova realidade. É uma criança participativa e que precisa ser uma
criança consciente. Agora a gente tentar inibir esse processo é praticamente
impossível porque faz parte da evolução da sociedade. Meu recado como
pesquisadora é muito mais, cada vez melhor entender essa criança e o que
encanta essa criança tanto na comunicação para adultos, para crianças, co-
mo no mundo e orientá-la a saber a ter um olhar crítico sobre aquilo que ela
recebe de informação. Acho que é basicamente isso”.
Ana Helena Reis, Presidente Multifocus
e 
A
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 33
“A preocupação maior é como
orientar a criança. Não adianta a
gente tentar tirá-la desse mundo,
porque é um mundo em que ela vive. A
nossa maior missão como adultos é
ajudá-la a filtrar essa informação.”
Ana Helena Reis
presidente da
Multifocus
Divulgação
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34
“O que eu acho sobre a questão da publicidade infantil é que, é claro que a
gente percebe alguns abusos, e esses abusos estão no sentido de fazer a
criança achar que ela só vai ter sucesso na vida comprando determinado pro-
duto e isso não é uma coisa positiva. Mas eu não acredito que seja uma boa
medida estar proibindo o direito que uma empresa tem de publicar o seu pro-
duto na mídia. A criança também tem o direito de escolher o que ela quer, a
marca que ela quer comprar, que combina com ela, com a personalidade de-
la. Além do que, eu acho que se começar a criar muita lei para proibir isso e
aquilo, você está tirando dos pais uma responsabilidade que é deles, que é de
criar o filho. É o pai, o educador que cria o filho, que ensina para ele o que é
excesso de consumismo, que aquele produto não vai trazer a felicidade plena
para ele. É uma obrigação dos pais e não de lei para ficar criando para facilitar
a vida dos pais, das mães, dos parentes.”
 Ana Maria Custodio, Servidora Pública

e 
“Eu acho que a proibição não, mas ter com responsabilidade, ter a propagan-
da com mais responsabilidade. A publicidade infantil não deve ser vetada, eu
acho que tem que ter responsabilidade, não proibir totalmente, mas ter con-
trole sobre as coisas levadas ao público infantil.”
Ana Lucia Rodrigues, Assistente Administrativa
e 
“Mas evidentemente que nós temos que pensar sempre que não é apenas o
Estado que tem o dever de educar, o dever de proteção da criança e do ado-
lescente, é também a família e também a sociedade. Então é importante que
a própria família e a sociedade em geral tenham os seus próprios mecanis-
mos e desenvolvam os seus próprios instrumentos no sentindo de proteger a
criança e o adolescente na medida do necessário conforme, cada unidade fa-
miliar entenda que deva proceder. Então é essa a situação atual, especial-
mente do ponto de vista Jurídico. Atualmente existe também um projeto de
lei que está tramitando no Congresso Nacional e que pretende restringir a
propaganda, que é uma liberdade de expressão comercial, que vai ser restrin-
gida por esse projeto de lei, caso ele venha ser aprovado em termos de horá-
A
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 35
rio, ou seja, uma restrição temporal. O projeto prevê que durante o período
das 7h até as 22h não haja nenhum tipo de propaganda direcionada ao públi-
co infantil ou relativa a esse público. Na realidade, esse tipo de projeto de lei,
com esse tipo de ressalva, se vier a ser aprovada pelo Congresso Nacional, ele
se transformará em uma lei, mas um lei inconstitucional. Eu digo inconstitu-
cional por um motivo central que é o da desproporcionalidade desse projeto
de lei. Porque essa restrição em realidade se transforma em uma verdadeira
vedação, então não é apenas uma restrição temporal, que até seria admissí-
vel, por exemplo, das 11h às 14h, período em que em geral as crianças estão
em momento de almoço, ou um pouco antes, ou um pouco depois, esse seria
um momento de restrição. Já um período tão abrangente em que se inclui
todo o horário importante da televisão ou da mídia, ele se transforma em uma
verdadeira proibição. As proibições, em termo de liberdade de expressão co-
mercial, que é o caso, são proibidas pela Constituição. Essa verdadeira proibi-
ção, mascarada em uma falsa ideia de restrição mínima, ela é inconstitucional
por esse motivo central, há outros pontos de inconstitucionalidade mas creio
que esse é suficiente para que nós não aceitemos esse tipo de preposição por
parte do Congresso Nacional, e que o Congresso possa refletir um pouco
mais a respeito de mecanismos que possam ser eficientes e constitucionais e
que preservem todos os valores constitucionais que são valores importantes
da nossa sociedade.”
 André Ramos Tavares, Diretor do Instituto Brasileiro de Estudos Constitucionais

e 
“Acho que o pai tem que impor o limite e a criança tem que saber o limite dela,
o pai deve expor as condições financeiras, se a criança deve ou não ganhar um
determinado brinquedo ou alguma coisa. Minha filha vê, pede as coisas, mas
eu exponho para ela o que dá e o que não dá para comprar, fala que vai dar no
aniversário ou no natal, ou ás vezes que não vai dar para dá mesmo. De certa
forma, com a publicidade eu estou mostrando para a minha filha quem é que
manda. Ás vezes ela quer, insistentemente, e a gente fala que não, que as con-
dições quem tem é a gente de dar ou não para ela, é uma forma de educar.“
 André Santi, Analista de Informática

e 
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36
“A respeito da propaganda, eu acho que não deveria tirar. Eu estou acostuma-
da a ver propagandas na televisão, cresci com isso e acho que nem por isso
tive qualquer reação ou obriguei meus pais a comprar. Eu acho que não de-
veria tirar não, porque se os pais saem com a criança na rua, a criança vai ver
um brinquedo, vai ver guloseimas, com certeza elas vão querer da mesma
forma. As vezes a criança nem liga para propaganda, as vezes está brincando
ali, nem dá importância para isso. Acho que não deveria tirar não, acho que
deveriam se preocupar com outras coisas, acho que não tem nada a ver.”
 Andrea Alves, Auxiliar de Produção

e 
“A minha opinião sobre a publicidade infantil, eu não sou contra a publicidade
infantil. Eu sou a favor da educação das crianças e dos jovens para que elas
saibam o que está sendo veiculado, para que elas possam fazer escolhas
conscientes com seus pais. Eu não acredito na proibição, eu acho que a proi-
bição não leva a nada.”
 Andrea Antanacci, Jornalista

e 
“Acredito que essa nova tomada do Governo é uma atitude radical, porque
afinal de contas a criança vai assimilar tudo que está ao redor dela, não so-
mente a publicidade infantil. O que eu proponho é que saibam colocar conte-
údo na televisão, não só para as crianças, mas especialmente para elas, por-
que elas são as que vão assimilar e vão ser pensadores do nosso futuro.”
 Andréa Espinoza, Estudante

“Eu não concordo com a exclusão da propaganda direcionada às crianças,
mas eu defendo a responsabilidade na abordagem e a forma de divulgar de-
terminado produto.”
 Andréa Marques Vieira, Dona de casa

e 
A
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 37
“A mídia infantil hoje nos meios de
comunicação não existe se não houver
uma indústria (...) A mídia hoje está na
nossa vida, as crianças já nascem se
relacionando muito mais com os milhares
de devices, tablets, games, tudo isso é
um aprendizado, tudo isso faz parte da
convivência e faz parte de uma educação.”
Beth Carmona
Consultora de
programação do canal
Gloob e dirigente do
Midiativa/Comkids
Divulgação/ArthurNobre
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38
“A propaganda e a publicidade que de certa forma faziam parte de antiga-
mente só da coisa de rádio, de televisão, das tecnologias que a gente brinca
de dizer que são de mão única, ou seja, que só vinham com a informação, ho-
je essa propaganda também migra então para os adventos tecnológicos de
mão mais interativa. Então hoje com o aumento do uso, por conta do aumen-
to das bandas e das possibilidades do ser humano estar na tecnologia, você
aumenta também a quantidade de publicidade dentro dessas tecnologias,
dentro da internet, dentro dos Smartfones e essa propaganda fica junto com
todo esse cotidiano que vem acontecendo e vem sendo mudado por conta
desta comunicação de mão dupla que hoje existe com a inteiração por conta
da internet. No caso das crianças o que a gente tem visto é que elas são bem
menos inocentes do que a gente imagina nesse contato com as propagandas
por conta das tecnologias. A tecnologia e principalmente a internet começa a
trazer um ser humano um pouco mais questionador e com um pouco mais
de voz ativa do que acontecia antigamente dentro da televisão e das comuni-
cações de mão única. Antigamente você tinha uma propaganda que se te dis-
sesse, se tivesse muito dinheiro, e te disse tal produto deixa as coisas cor de
rosa, se ela tivesse muito dinheiro, você era capaz de acreditar que realmente
tal produto deixava as coisas cor de rosa. Hoje em dia a propaganda tem tido
que se mobilizar para justamente nessa nova tecnologia e nesses novos meios
de comunicação de mão dupla que a gente chama, as novas mídias, utilizar
um pouco mais do que a gente chama de dados de realidade. Então hoje em
dia as pessoas e principalmente os consumidores eles podem realmente tes-
tar se aquele produto deixa as coisas mais cor de rosa, e se não deixarem ele
pode num Twitter de repente e dizer, “olha eu sinto muito mas tal produto
não deixa as coisas mais cor de rosa”. E se como ele várias outras pessoas
também tiverem feito o teste e concordarem com aquilo que ele está dizendo
elas vão retuitar aquilo e fazer uma onda que muitas vezes tem até derrubado
a questão da publicidade dizendo não esse produto eu estou dizendo que la-
va mais e que deixa mais cor de rosa. Quando a gente fala de criança a gente
então começa a ver crianças que já nascem mais questionadoras em relação
ao produto anunciado então não é pouco que você escuta de crianças que
dizem, “mas mãe isso é verdade, mas mãe isso que ele está dizendo na televi-
são é verdade?”, eles tem um pouco mais de noção do que por exemplo no-
vela muitas vezes é uma questão de ficção, desenho animado é uma questão
de ficção, eles são menos inocentes nessa separação entre o que é ficção e o
A
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 39
que é realidade, para eles até por conta da interatividade de poder montar
coisas na internet porque construir ali não só a sua propaganda, os seus bo-
necos, os seus avatares, os seus jogos, eles acabam se tornando mais poten-
tes nessa relação e ai eles podem questionar, e dizer “olha não é bem assim e
não é bem assado”. Confiando e dando mais peso à aquilo que o adulto está
dizendo do que aquilo que a comunicação, que a internet ou que a televisão
ou que a propaganda em si está dizendo. O perigo disso basicamente como
pai, mãe e como educador ali presente é não deixar realmente que aquelas
crianças acreditem que aquilo que esta sendo dito ali seja via televisão, seja
via internet, seja via qualquer outra símbolo ou mídia envolvida é puramente
verdade”.
Andrea Jotta, Pesquisadora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica)

e 
“Sou contra a campanha de proibir crianças de poderem passar os seus direi-
tos de trabalhar, de conquistar o seu espaço, porque outras crianças também
precisam ver o que elas estão fazendo e com isso há muitos brinquedos edu-
cativos onde a criança vai aprender alguma coisa de bom, nada é totalmente
ruim. Então eu acho errado, como eu tive meus filhos e através da televisão,
aprendi livros, brinquedos educativos, algumas maneiras interessantes para
que eles pudessem crescer com educação. Eu acredito que não tenha nada
de errado contra isso. Há outras coisas que poderiam ser melhor vistoriadas e
se preocuparem um pouco mais com isso.”
 Andria Gonçalves Dias Barros, Auxiliar Administrativa

e 
“Eu acho que realmente a televisão tem um grande poder sobre as crianças,
mas poder maior tem os pais, eles têm sim o dever, na verdade é o dever de
orientar e acompanhar os seus filhos. Há milênios, toda a vida, os pais acom-
panharam seus filhos, educaram, deram amor e respeito a eles, e ao mesmo
tempo os filhos fizeram o mesmo. Então eu acho que hoje em dia, esse negó-
cio de querer proibir coisas que não tem mais como ser proibidas, principal-
mente televisão e internet, é uma coisa que jamais vão conseguir tirar, vai até
piorar um pouco eu acho, porque a cada momento que são lançadas novida-
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40
des na internet, as crianças ficam mais apegadas a isso e mais nós pais temos
a responsabilidade de frear ou não nossos filhos. E realmente eu acho que
não adianta. Tirar para quê? Eles vão se esconder para fazer. Então vamos
continuar educando e levando os nossos filhos pelas mãos até que eles pos-
sam ter discernimento e poder eles mesmos decidir se querem ou não comer
salgadinhos em frente a TV.”
 Angela Mello da Silva, Dona de Casa

e 
“Evidente que a criança naturalmente é graciosa, a criança naturalmente cha-
ma a atenção do expectador em geral, e a serviço de uma marca, de um pro-
duto, isso merece realmente alguma administração, que é muito bem feita
pelo mercado publicitário, afinal de contas, o mercado publicitário hoje é ex-
tremamente maduro. Não é a toa que o Brasil está inserido entre os primeiros
países de maior criatividade no mundo inteiro, de maior técnica, de maior
qualidade, tanto em nível de produção como em nível de imaginação nas
campanhas. Portanto a criança merece sim ter uma oportunidade nesse pro-
cesso, afinal de contas, muitas marcas, muitos produtos, são voltadas para
ela, então ela deve ser inserida nesse contexto. Agora, é claro, que exageros
devem ser realmente eliminados. Essa administração pode e deve ser feita
pelos profissionais que atuam na área, como os publicitários brasileiros, que
são extremamente capacitados, qualificados, premiados no mundo inteiro, e
eu acho que não seria nem justo ter leigos tentando interferir nessa relação,
já que os especialistas vivem exclusivamente dessa atividade. Então eu acho
que a criança merece realmente ser focada, quando necessário e adequado,
porque ela sabe como ninguém transmitir e dar essa informação. Nós esta-
mos vivendo hoje nesse mundo da tecnologia que surpreende todo mundo a
todo instante, e pode estar certo que quem é mais surpreendido por isso é o
adulto, são as pessoas de mais idade, de meia idade e por aí vai. As crianças
são as menos surpreendidas nesse processo, porque elas são sábias. Então eu
acho que eliminar essa sabedoria, especialmente de uma informação comer-
cial publicitária, é um crime que estamos processando contra a humanidade.
A proibição da propaganda voltada para a criança merece realmente ser dis-
cutida. Primeiro porque a criança faz parte da sociedade como qualquer ou-
tro elemento, ela decretou realmente a sua importância agora nesse momen-
A
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 41
“Eu vou falar para você, papai
e mamãe, que você observe a
publicidade, aquilo que seu
filho gostaria de ter e não
ter, converse com ele, dialogue
com ele, coloque os limites”
Cris Poli
Educadora interpreta a
Super Nanny no SBT
LourivalRibeiro/SBT
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42
to da tecnologia onde ela é o centro e muitas vezes a solução de muitos pro-
blemas que acontecem em muitos “devices” que existem por aí, e nesse caso
é a prova evidente que mesmo a propaganda não sendo dirigida para ela, ela
é que domina toda essa parafernalha tecnológica. Eu entendo que não é a
proibição da propaganda voltada para a criança que vai ser a solução para um
determinado mote qualquer. Claro que isso merece ser realmente adminis-
trado, determinadas categorias evidentemente não devem ser anunciadas,
não só para crianças, não devem ser anunciadas no geral, ou devem ter algu-
mas restrições. Mas o que importa é que a população, a sociedade em geral,
ela evolui a cada dia, a cada instante, e hoje, é claro, quem merece o melhor
tratamento nessa relação, é o âmbito familiar, são os pais em relação aos seus
filhos, da educação pela qual a criança passa, pelo processo tanto escolar, co-
mo familiar e assim por diante. Nós não podemos esquecer em hipótese al-
guma que a propaganda é informação acima de tudo. Eu acho que eliminar a
informação desse processo é um mal muito grande que está sendo processa-
do para esse seguimento. É muito importante que a criança conviva com a
informação e depois discuta isso no seu ambiente familiar, no seu ambiente
de escola, enfim, e aí consiga determinar o que é bom e o que é ruim para
ela.”
 Ângelo Frazão, Superintendente de Marketing da AACD

e 
“Meu nome é Aparecida Teixeira Dias, professora de educação infantil, apo-
sentada pela prefeitura de São Paulo. A minha opinião com relação à proibi-
ção da publicidade, eu sou contra porque não vejo nenhum mal, consome
quem quer e os pais são encarregados de dizer sim ou não quando a criança
solicita, porque tudo tem um limite. Como a vida é feita de limite eu sou con-
tra a proibição, porque nós temos a orientação dos pais com relação a esse
consumo.”
 Aparecida Teixeira Dias, Professora

e 
A
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 43
“O homem do futuro não pode e nem deve ser criado hoje numa redoma pro-
tetora, que aliás, nem mesmo a natureza sabiamente permite. Qualidade e res-
peito sim, responsabilidade sempre, proibição pela proibição nunca, na publi-
cidade ou em qualquer outra atividade paralela. Sou sempre tomado por um
forte sentimento de dever cumprido quando me questionam e muito sobre o
papel da publicidade, em especial a publicidade para crianças e jovens. É que
ao contrário de que muito gente pensa, inclusive entre muitos de vocês que
me assistem, a publicidade é uma das mais instigantes formas de proteger e
aprimorar os adultos do que eles serão no futuro. Por quê? Primeiro, pelo fato
de que os anúncios são criados por publicitários que também são mães, pais,
vós, irmãs, tias e tios que trabalham para anunciantes que também são pais,
avós, tios e tias. Ou vocês acham que as cabeças e corações dos meus colegas
publicitários se escondem de alguma intenção diabólica de afrontar uma pre-
tensa fragilidade e a capacidade de discernimento dos seus próprios filhos, ne-
tos, sobrinhos de suas próprias famílias? Uma segunda explicação para essa
sensação de estarmos cumprindo o nosso dever são os próprios anúncios que
vocês veem por ai. Que além de garantir a independência da maior parte dos
veículos de comunicação do país, contam com a aprovação tão ética do Co-
nar, instituição que tem o poder de suspender ou exigir alteração dos anún-
cios a qualquer tempo, se eles forem considerados ofensivos, abusivos, menti-
rosos e enganosos, ou quando em particular se atentem contra o artigo 37 do
código, inteiramente dedicado à publicidade para crianças e jovens. O seu
monitoramento pelo Conar não só se tornou um dos mais rigorosos focos de
atenção como também constrói uma sintonia mais fina com as transforma-
ções sociais. A força da família e a dinâmica do papel educativo nos lares brasi-
leiros. Perguntas como: “O que você fez na escola hoje? O que você brincou?
O que você aprendeu esta semana? O que você viu na TV ou na Internet?” Per-
guntas cada vez mais presentes no nosso cotidiano. O nosso compromisso
nunca deve ser só o de publicitários, mas também o de adultos responsáveis,
devemos contribuir para a construção do futuro com pessoas preparadas a vi-
ver à busca das suas felicidades que é básico, mas entendendo também em
que o mundo que estarão amanhã, produzindo os limites do planeta e consu-
mir com consciência e prazer serão coisas indispensáveis.”
 Armando StrozeNberg, CEO da Euro RSCG Brasil

e 
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“Os programas infantis, o conteúdo infantil de modo geral, principalmente o
que está na televisão, ele depende da publicidade para se manter, para ter re-
ceitas. Se a gente não tiver publicidade direcionada às crianças, provavelmen-
te muitos desses programas não serã o viáveis, e as crianças ficarão sujeitas à
programação voltada ao adultos, o que é muito pior. Existem hoje vários pro-
jetos de lei que visam restringir a publicidade direcionada às crianças. Nós não
consideramos isso adequado, porque cerceia a liberdade dos pais de definir o
que é melhor para as crianças. E já existem hoje várias regulamentações e nor-
mas que protegem as crianças. Por exemplo, o Código de Defesa do Consumi-
dor, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Conar, a Anvisa e outros. O que
nós recomendamos para as empresas é que elas procurem atuar de forma res-
ponsável, procurando gerar benefícios para as crianças e para as mães ao lon-
go prazo. Então, elas não devem pedir, por exemplo, o consumo excessivo de
um produto que eventualmente possa, no caso de um consumo em excesso,
prejudicar a criança. Então a empresa também tem uma função educadora,
responsável, de garantir o benefício da criança ao longo prazo. E os pais e a fa-
mília de modo geral, devem ter a liberdade de definir o que é melhor para a
criança, inclusive definindo limites, para evitar excessos, por exemplo, o exces-
so de consumo. Nós acreditamos que a sociedade, discutindo abertamente o
assunto e podendo descobrir os melhores caminhos para isso, mas em um
ambiente de democracia e liberdade, seria o melhor caminho.”
 Arnaldo Rabelo, Blogueiro e Consultor de Marketing Infantil

e 
“Meu nome é Beany e o que eu acho sobre a propaganda infantil é que o go-
verno tendo um canal de televisão, deveria ter uma programação cultural
nesse canal que chamasse a atenção das crianças e que nesse canal então
não houvesse propaganda e que mesmo assim houvesse audiência. A partir
do momento que existem canais que são privados de comunicação, não há
como o governo censurá-los e as propagandas nesses canais devem existir
dentro dos critérios, é lógico, de ética. Mas a propaganda visa obter um resul-
tado específico e não tem como mascarar esse resultado.”
 Beany Guimarães Monteiro, Professora

e 
A
b
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 45
“Parece que as pessoas não
percebem o que já existe e
tentam apresentar propostas
para controlar o que nós já
controlamos há muito tempo”
Dalton Pastore Jr.
Presidente do ForCom
(Fórum Permanente
da Indústria da
Comunicação)
GuilhermeLongo
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“Quero falar um pouco sobre publicidade infantil. Todos nós sabemos que
desde muito pequena as crianças são expostas à diversas mídias. Mas o ponto
fundamental dessa exposição é o papel dos pais na formação da personalida-
de dessa criança enquanto consumidor, que tipo de consumidor ela vai ser
no futuro. Os pais têm um papel muito importante na formação dessa perso-
nalidade. A criança ainda não tem a defesa psíquica forte para poder discernir
o que ela precisa, o que ela não precisa, por isso ela vai para as lojas, vê os
anúncios de TV e vai querer todos os brinquedos, todos os sapatos e as rou-
pas da moda. Nisso não há mal nenhum, faz parte do processo de amadureci-
mento dessa criança, cabe aos pais e aos responsáveis terem atenção na for-
mação dessa criança, por isso, a educação financeira é muito importante, ela
é base para a formação desse consumidor consciente, esse consumidor pre-
ocupado com um planeta mais sustentável e mais justo. Lembre-se que a
criança, desde muito pequena, aprende através dos exemplos, ela vivencia o
cotidiano familiar e aí ela percebe como os pais lidam com o ato de consumir,
ela percebe se a família não tem limites nenhum, se a família é mais controla-
dora, é claro que ela não sabe expressar em palavras esses conceitos, mas ela
vai internalizando esses comportamentos. Por isso, a educação financeira in-
fantil é muito importante. Abolir todas as propagandas não resolveria o pro-
blema de um cidadão que não sabe consumir. Somente a educação vai deixar
marcas fortes nessa criança, nesse adolescente, para ele no futuro não se tor-
nar um consumidor endividado, sem limite.”
 Bernadette Vilhena, Escritora especializada em pedagogia empresarial e educação financeira

e 
“É preciso que aja consciência de várias partes, é preciso que a auto formação, a
autorregulação a consciência de quem produz para a criança se eleve, a consci-
ência de quem de uma certa forma financie essa publicidade infantil. A mídia in-
fantil hoje nos meios de comunicação ela não existe se não houver uma indús-
tria, e a indústria hoje ela tem várias pernas. Na indústria, na mídia, na comuni-
cação você tem muitos anunciantes, você tem produtores de publicidade, você
tem agências de publicidade e você tem os produtores de conteúdo que somos
nós. Todos acho que hoje sabemos da importância e do impacto que a mídia
tem sobre as crianças, e para isso nós precisamos nos preparar para realizar um
produto ou um conjunto de ações que venham colaborar com essa convivên-
b
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 47
cia mutua dentro de uma sociedade que sim, consome mídia. A mídia hoje esta
na nossa vida, nas vidas das crianças que já nascem sabendo muito mais ou se
relacionando muito mais com os milhares de devices, tablets, games. Tudo isso
é um aprendizado, tudo isso faz parte da convivência e faz parte de uma educa-
ção, então eu acredito sim no consumos da mídia consciente onde todos os
atores que fazem parte dessa grande indústria, incluindo o governo e a socieda-
de civil organizada e as famílias tenham suas ação e sua participação no proces-
so de forma consciente por que a gente não pode abrir mão desse instrumento
tão valioso que a mídia é na vida e na formação das nossas crianças. Meu nome
é Beth Carmona eu tenho 20 anos de experiência na área de programação e
produção e dentro desses anos de trabalho eu venho me especializando em pe-
lo menos 15 anos na área de programação e produção infantil e na mídia infantil
de uma forma geral. Eu me apaixonei por essa temática frente à importância
que eu acho que tem a mídia na vida das crianças, eu sou produtora, participei
de vários projetos importantes que marcaram a infância de muitas crianças, co-
mo Mundo da Lua, Castelo Ra-tim-bum, uma época áurea de trabalho e produ-
ção na programação da TV Cultura, depois disso trabalhei no Discovery Kids, no
Discovery Channel, hoje trabalho no site do canal Gloob.
Beth Carmona, Diretora da ComKids

e 
“É sabido por todos nós que trabalhamos numa agência de publicidade, que a
nossa matéria-prima, o poder de persuasão que a propaganda tem, é inegável
isso, esse é o nosso dia a dia, encontrar aquele ponto de persuasão que a publi-
cidade pode ter junto ao seu público-alvo. Portanto quando a gente fala crian-
ça, lembrando e considerando esse poder de persuasão que a televisão tem,
imediatamente vem um questão que é fundamental, existem limites, existem
regras que têm que ser observadas de uma maneira muito mais hiperativa pe-
los profissionais que trabalham com essa área de atuação que todos nós imagi-
namos. Eu gostaria de lembrar que eu fui o chefe de comunicação da assesso-
ria do Ministério da Saúde quando foi feita a promulgação da lei que proibia a
propaganda do cigarro na televisão em todas as faixas de horário. Eu lembro is-
so porque é muito importante, os contextos da discussão sobre limites, sobre
as regras que devem fazer parte quando a gente está falando de publicidade,
propaganda na televisão. Hoje você tem um Conar que exerce um papel abso-
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lutamente democrático, aberto, transparente,envolvente de toda a sociedade
no debate daquele que eventualmente ultrapassam esses limites, ultrapassam
o bom senso, ultrapassam a regra e são até exemplarmente punidos quando o
Conar julga improcedente o tipo de comunicação que é desenvolvida. Esse
amadurecimento que acredito do mercado, do mercado publicitário, dos seus
profissionais dessas instâncias todas fez com que hoje inclusive o Brasil tem
um dos mais avançados sistemas de autorregulamentação publicitária e isso é
fantástico, isso é rico e é motivo de próprio orgulho para o Brasil saber que nós
temos esses sistemas de autorregulamentação. É o melhor caminho em todos
os sentidos, falo não somente da publicidade que eventualmente na questão
infantil, mas qualquer tipo de publicidade onde houve um excesso ela deva ser
imediatamente entendida de uma maneira democrática, uma maneira partici-
pativa como o Conar, como ele consegue ser e exerce isso muitíssimo bem.
Por fim eu acredito que a própria sociedade brasileira está atenta e vigilante
com essas questões, é saudável, mas nós não podemos nos esquecer que os
meios de comunicação hoje tem uma rapidez muito grande, hoje nós estamos
falando de televisão, mas é a internet, são as redes sociais, é enorme o campo
de manifestação que a comunicação permite hoje através dos diversos meios.
Eu acredito fortemente tendo esses sistemas de autorregulamentação que en-
volve a sociedade que nós podemos rapidamente inclusive acionar os meca-
nismos para que isso aconteça, para que essa fiscalização, esse controle de
uma maneira democrática, transparente seja exercido em todas as formas de
comunicações existentes. Quando se pensa leis, regras, elas acabam ficando
engessadas porque o cenário, uma dinâmica de mundo é muito mais rápido e
essa possibilidade de nós termos uma autorregulamentação ela acompanha
essa modernidade de uma maneira muito mais efetiva, muito mais pertinente
ao que acontece no nosso mundo, no nosso dia a dia. Então eu acredito forte-
mente que o Brasil vai ser melhor se nós acreditarmos aqui que nós temos de
melhor, que no caso são estruturas como a do Conar que permite essa autorre-
gulamentação de uma maneira muito correta, muito séria, muito democrática
e muito transparente que é o que se precisa de fato para estabelecer limites e
regras na questão comum que nós estamos debatendo aqui que é a publicida-
de infantil.”
 Bob Vieira da Costa, Sócio da Nova/SB

e 
b
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 49
“Então fica um alerta aos pais:
usem o próprio exemplo de
conduta para educar os seus
filhos. É importante que a criança
tenha o exemplo dos pais para
valorizar de tudo que ela tem.”
Débora Corigliano
psicopedagoga e
escritora do livro
“Orientando pais,
educando filhos”
Divulgação
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“Em relação à proibição de propaganda destinada ao público infantil, eu acho
que não tem que proibir, tem que regular como na maioria das atividades que
o Estado faz. Mas proibir não, porque é um tipo de censura, eu acho que o Es-
tado não tem esse papel na sociedade.”
 Camila Mizue Fujisawa, Assistente Jurídica

e 
“Eu acho que a publicidade infantil não deve ser vetada, proibida, até porque é um
direito do comércio expor seus produtos para todos os públicos. Eu acho sim, que
deve haver um limite na maneira como a publicidade é feita, então o estímulo ao
consumismo não deve ser evidenciado, mas o produto em si, talvez até o brin-
quedo educativo, mostrar mais a parte educativa do produto que está sendo ven-
dido do que apenas incentivar o consumo pelo consumo. Os pais têm o dever de
educar, assim como qualquer outro membro da família, e mostrar limite para os
filhos. Agora, regulação da publicidade, da propaganda em si, deve ser feita por
um órgão específico. Como existem órgãos que regulam a junção das empresas,
por exemplo a união de duas empresas, tem que ter um órgão regulatório.”
Carina Eguia Cappucci Ceschini, Jornalista

e 
“Eu acho o seguinte, não pode existir proibição de tudo. As pessoas, as famílias, os
pais, as mães, os professores, têm de ensinar as crianças a selecionar o que veem,
como veem e discutir aquilo que realmente é bom ou não. A propaganda, toda
propaganda incentiva um consumismo, mas não é por isso que as crianças serão
consumistas, não é porque viram uma propaganda. Elas têm que ser criadas sa-
bendo o que é bom, sabendo o que vale e o que não vale. Não é porque o meu fi-
lho viu uma propaganda na televisão que eu tenho que comprar para ele o que
ele quer, isso não tem nada a ver. Eu que tenho que ensinar para eles o que é bom
e o que não é, o que pode e o que não pode, se eu tenho condições financeiras de
comprar ou não, nem por isso eles vão ficar frustrados, ou tristes, ou fazer algum
tipo de terapia, não é isso. Tem sim que saber o que é bom e o que não é.”
 Carla Bertolini, Professora

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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 51
“Olá meu nome é Carmen, estou falando aqui sobre a publicidade infantil ten-
do em vista que o governo tende a proibir essa publicidade infantil. O que eu
tenho a dizer é o seguinte a publicidade é muito bem-vinda desde que se tire
proveito dessa publicidade não só infantil como a adulta, qualquer tipo de pu-
blicidade. Eu sou a favor de uma boa publicidade, por isso eu acho que o go-
verno não pode radicalizar. Ele tem que verificar que tipo de publicidade está
sendo transmitida.”
Carmen Alencar, Funcionária Federal

e 
“Sou mãe de três filhas, uma de 8, 10 e 12 anos, e meu depoimento a respeito
da mídia, publicidade, propaganda para o público infantil, talvez seja diferen-
te, porque eu converso muito com as minhas filhas, mas eu acho que não
existir seria quase cessar a liberdade de expressão, então acho que regras têm
que existir para tudo. Mas isso é muito o papel dos pais.”
 Carolina Pilogi, Designer

e 
“Eu tenho dois filhos e acredito que a publicidade infantil tem que ser livre. A
criança tem que aprender desde cedo a discernir o que é certo e o que é erra-
do, o que é aproveitável ou não. A publicidade e a mídia vão sempre bombar-
deá-los de coisas que são aproveitáveis e as que eles têm que jogar fora tam-
bém, porque eles têm que saber discernir do que é certo e do que é errado na
vida deles desde cedo. Então, eu criei os dois que hoje já são grandes, mas
eles desde pequeno sempre aprenderam o que era certo e o que era errado.
Eles se espelhavam nos pais e criaram a formação deles, mas eu nunca os
proibi de assistir nada e nem de ler nada do que eles tinham acesso.”
 Cecília Aparecida Pavani, Analista de RH

e 
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“Quando a gente quer proibir as pessoas de se relacionarem, inclusive com as
coisas ruins, eu acho que a gente está fazendo uma coisa errada, acho que a
gente tem que aprender, ensinar nossos filhos a se relacionar com tudo o que
existe e saber selecionar aquilo que é bom daquilo que é ruim. Existe propagan-
da para criança boa, respeitosa e que acrescenta na vida da criança e existe a
que não é. Falar para o seu filho não comprar aquilo não, fale para o seu filho
não comprar aquele produto que não está respeitando ele, ao invés de tentar
proibir o relacionamento entre as marcas e as pessoas. Meu nome é Celso Lo-
ducca, eu sou publicitário e pai. As crianças não são adultos, não têm os mes-
mo filtros que os adultos, não têm as mesmas defesas nem intelectuais, nem
emocionais que os adultos podem ter. Por isso, eu como publicitário, e acho
que todos os publicitários responsáveis do Brasil, a gente procura tomar um
cuidado enorme na maneira de se relacionar e no jeito de poder falar com es-
sas crianças, a gente tem uma responsabilidade grande. De novo, eu sou pai
também, eu sei exatamente o que isso quer dizer. Agora, o meu filho tem aces-
so a todas as publicidades que existem feitas para crianças ou não, eu acho que
quando a gente começa a limitar a questão do que é publicidade feita para
criança, até 12 anos não pode fazer, até 13 pode fazer, o meu filho tem acesso a
publicidade que é feita para adulto “Ah como, eu permito?”. Não é isso, tá na vi-
da, eu não quero que o meu filho vá viver numa redoma que não tenha senso
crítico, ao contrário, eu prefiro ensinar meu filho que aquela propaganda feita
sem respeito por ele é feita por uma marca que ele não deve consumir, eu pre-
firo dizer isso para ele, porque o meu filho não vai viver nessa redoma, então eu
prefiro que ele saiba “ah essa marca não me respeitou, essa marca tentou me
empurrar de um jeito errado, vou ferrar ela, não vou comprar”. É assim que tem
que funcionar, porque a vida vai funcionar assim para ele, e eu prefiro ensinar
isso para ele.”
 Celso Loducca, Presidente e Sócio da agência Loducca

e 
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 53
“Quando a pessoa acredita em
alguma coisa, ela muda a sua
vida. As pessoas só fazem o
que veem, e a publicidade pode
ajudar muito nesse sentido.”
Edson Bueno
Presidente da Amil
Divulgação/Abap
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“Eu acho que a publicidade não é responsável por as crianças serem tão con-
sumistas. O exemplo disso tem que vir dos pais, da família. Um exemplo, uma
vez minha filha pediu um produto no supermercado, eu disse não, ela come-
çou a chorar, a fazer o showzinho', eu dei as costas e larguei ela sozinha. Ela
imediamente parou e veio atrás mim, ou seja, eu acho que não é só a publici-
dade que tem culpa nisso, nós pais também temos muita culpa nisso tudo.”
 Cibele Sampaio, Administradora de empresas

e 
“A gente vê DVD na televisão e as crianças assistem, vê livro. Fala “mãe compra
isso para gente?”, se a gente não puder naquele momento comprar, lógico que
a gente fala “a mãe vai comprar depois”. Só que sem essas publicações eu não
tenho diálogo com a minha filha, porque se ela não está brincando ela está
conversando comigo, só que quando ela está conversando comigo, está per-
guntando alguma coisa que ela está vendo na TV, na rádio, em qualquer lu-
gar.”
 Cíntia Nogueira de Oliveira, Recepcionista

e 
“Eu vejo que a publicidade para as crianças faz parte desse dia a dia, a intera-
ção do mercado, do que está lá fora com as famílias, com a educação. Eu vejo
assim a publicidade muito engajada sim naquilo que os pais têm para ofere-
cer para os filhos, como que eles têm que controlar isso aí, como que eles têm
que orientar os filhos, isso faz parte da educação, porque o mundo que a gen-
te vive querer eliminar a publicidade do nosso dia a dia, da televisão, da inter-
net é uma utopia. Papai e a mamãe que são responsáveis pela educação dos
seus filhos e eles têm que saber como lidar com isso, têm que saber como im-
por limites para os filhos, eles têm que mostrar para os filhos que tudo aquilo
que se oferece lá é muito lindo, muito chamativo, muito agradável, mas nem
tudo é aconselhável para eles por causa das idades, por causa das possibilida-
des econômicas ou até da influencia que isso pode exercer na criança. Então
eu creio que o caminho é orientar aos pais. Eu vou falar para você, papai e
mamãe, que você observe a publicidade, aquilo que seu filho gostaria de ter e
não ter, converse com ele, dialogue com ele, coloque os limites, “isso sim por-
c
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 55
que sim filho”, “isso não porque não filho” Eu creio que nós vivemos um mo-
mento em que nós somos bombardeados por “n” coisas o tempo todo e a
criança está exposta a esse bombardeio desde que ele acorda até que ele vá
dormir, em casa ou fora de casa. Então como orientar nossos filhos para eles
poderem receber esse bombardeio e avaliar aquilo que eles estão recebendo
e ensinar a escolher, a dizer o sim e a dizer o não, desde criancinhas, porque
isso vai servir na adolescência quando eles tenham, sejam bombardeados por
várias coisas em que eles tenham que se posicionar com autoridade. Conhe-
cimento, convicção do sim e do não, nem tudo é bom.
 Cris Poli, Educadora que interpreta a Super Nanny no SBT

e 
“Eu sou contra essa proibição, porque eu acho que os pais devem educar as
crianças. Então no caso estão tirando a responsabilidade dos pais proibindo a
publicidade. Os meus sobrinhos costumam assistir e se a gente fala “agora
não”, é agora não. Eu tenho uma educação em casa e eles aceitam, o não é
não e o sim é sim. Tem tantas coisas para as pessoas se preocuparem, outros
tipos de publicidade, ao invés da infantil.”
 Cristiane Aparecida Souza, Maquiadora

e 
“A publicidade brasileira se autorregulamenta, ela é muito consciente dos li-
mites éticos, ela se autorregulamenta antes de qualquer ação na Justiça, an-
tes de qualquer ação da sociedade, o próprio Conar já regulamenta a publici-
dade e o Conar é muito ágil. O Conar tira o filme do ar no domingo à noite.
Quando a gente fala em restrição à publicidade infantil, eu fico pensando: es-
pera um pouquinho, nós vamos tapar o Sol com a peneira? De que adianta eu
não colocar um filme na televisão quando a internet é um território aberto e
você tem uma possibilidade de entrada na internet e de visualizar coisas do
mundo inteiro de uma forma completamente livre. E combinemos aqui que
as novas gerações entram na mídia eletrônica pela internet. Mas para mim a
questão não é essa. A questão é a liberdade de expressão comercial tem de
ser mantida. Eu não quero me eximir da responsabilidade de pai eu tenho um
filho de 16 anos e uma filha de 14 e eu sei que eles têm de conviver com todas
as informações do mundo, com todas elas. Eu tenho de dar para eles a dire-
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ção. Por que do que adianta eu tratá-los, ou numa situação de proibição, tra-
ta-los numa redoma de vidro. Depois eles saem pelo mundo achando que o
mundo é de um jeito e o mundo não é daquele jeito. A gente não está falando
de uma coisa nociva, quando a gente fala de consumo, e portanto há uma
tendência em se pensar nem restringir a comunicação da chamada publici-
dade infantil, a gente fala de consumo está falando de consumo exagerado.
Porque o consumo dos produtos infantis ou voltados para crianças são pro-
dutos maravilhosos, são produtos deliciosos, que você deve consumir, é ba-
cana, é gostoso. O que você não pode é consumir em excesso e aí entram os
pais. Os pais têm de intervir, é sua responsabilidade. É minha responsabilida-
de, não é do governo. A responsabilidade de criar meus filhos é minha. Quan-
do a gente fala de cercear a liberdade de comunicação comercial eu me pre-
ocupo muito porque eu trabalho com isso, mas isso me causa um arrepio
porque o próximo passo é cercear a liberdade de expressão como um todo. E
aí não preciso dizer o quanto isso pode afetar nossas vidas como cidadão, co-
mo ser humano, como brasileiro.”
 Cyd Alvarez, Presidente da NBS
e 
A história da humanidade está cheia de boas intenções de gente que se con-
siderou com o direito e com a sabedoria de controlar o que os outros podem
ler, podem ouvir e podem assistir, e todas essas histórias terminaram mal. A
publicidade já é extremamente controlada, já é rigorosissimamente controla-
da. Qualquer pequeno deslize o Conar já pega aqui, já pega ali, ou seja, parece
que as pessoas não percebem o que já tem e tentam apresentar propostas
para controlar coisas que nós já controlamos há muito tempo. Algumas ten-
tativas de regulação e de censura à publicidade se baseiam num modelo de
comunicação que já está acabando, as pessoas ainda acham que todo o con-
trole vai poder se dar a hora que você falar assim, “proíba-se de anunciar isso,
proíba-se de anunciar aquilo”, proíba de anunciar aonde? Na televisão? Na te-
levisão aberta? Na televisão aberta de que país? As televisões conectadas na
internet já são uma em cada cinco, ano que vem serão duas em cada cinco,
em 2016 serão as cinco em cada cinco, e vai controlar como? Vai proibir co-
mo? Ou vamos fazer como a China fez com o Google, vamos tentar proibir
que ninguém possa entrar na internet? A luta que nós todos temos que ter,
c
d
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 57
“A publicidade infantil também é
didática, ela é voltada ao público
infantil e também ao pais. Sem ela
haverá uma falta de informação. Sua
proibição seria um cerceamento da
expressão comercial e editorial, e
isso de forma alguma é benéfico.”
Ênio Vergeiro
Presidente da APP
(Associação dos
Profissionais de
Propaganda)
Divulgação
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que é muito mais difícil do que conseguir proibir, conseguir proibir é fácil, a
luta é muito maior. É a luta de conseguir educar, conseguir instruir, conseguir
dar para as pessoas as ferramentas para que elas possam elas próprias se pro-
tegerem, se protegerem inclusive de quem quer proibir.
Dalton Pastore Jr., Presidente do Fórum Permanente da Indústria da Comunicação

e 
“Eu sou contra a proibição da publicidade infantil, porque eu sou mãe e eu sei
o que o meu filho pode ou não pode assistir, não precisa ninguém vir me dizer
o que ele pode ou não assistir.”
 Dayana Montenegro, Dona de casa

e 
“Hoje nós vamos conversar um pouquinho sobre consumismo infantil. Como
que os pais podem orientar e supervisionar essa questão do consumismo in-
fantil. Num primeiro momento dependendo da idade da criança os pais po-
dem controlar isso evitando com que a criança fique o tempo todo a frente de
uma televisão ou um computador recebendo esse tipo de informação. Quan-
do a criança é um pouco mais velha, um pré-adolescente os pais podem tra-
balhar com a conscientização através de dois tópicos importantes, o primeiro
que é a conversa abertamente explicando para o filho que é essa publicidade,
ou essa forma de consumismo. E o segundo ponto é o exemplo, pais que as
vezes proíbem seus filhos de fazerem compras ou de gastar o dinheiro, de re-
pente vão ao shopping e são consumistas assim impulsivos então fica real-
mente uma relação contraditória do que eu como pai falo e do que eu como
pai faço. Então fica um alerta aos pais que usem o próprio exemplo de condu-
ta para educar os seus filhos. Um outro momento em que eu acho importante
de conversarmos é que a criança faça a diferença em relação ao que ela rece-
be dessa mídia, como eu faço esse limite, até onde eu posso ir? Isso é impor-
tante que a criança tenha como exemplo dos pais a valorização do que ela
tem de que tudo o que ela tem, tem um real valor. Pais que não valorizam o
que têm ou desdenham o que têm e supervalorizam o que o vizinho tem, o
que os parentes próximos têm, a criança passa a não acreditar nisso, para ele
tudo é descartável. Então um brinquedo que custou muito caro, um brinque-
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 59
do que foi difícil que a criança tivesse acesso ela vai brincar por pouco tempo
e logo vai descartar porque os pais têm essa mania. Então é importante fazer
com que a criança valorize e aprenda a ter aquilo por um longo prazo de tem-
po, então não é porque tem um brinquedo mais novo no mercado que aque-
le que eu tenho em casa eu vou descartar, então isso é um alerta muito im-
portante para os pais”.
Debora Corigliano, Psicopedagoga e escritora do livro “Orientando pais, educando filhos”.

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“Na verdade, eu creio que a lei não seja eficiente, cabe a família orientar os fi-
lhos daquilo que se pode ou não fazer, aquilo que está no limite da capacida-
de deles, porque as crianças vão sofrer inclusive com influência de amigos e
de outras pessoas. Então cabe à família educar, colocar esses limites e mos-
trar aquilo que eles conseguem ou não.”
 Denise Reis Guglielmo, Secretária

e 
“Acho que não há necessidade de retirar a propaganda da televisão, porque
se algum produto que lá apareça, que eles estejam oferecendo, os pais com-
pram se eles tiverem poder aquisitivo para isso, ou se eles acharem que seja
necessário, compra se eles acharem que devem ou não. Portanto, a opção de
compra desses produtos apresentados é apenas dos pais, eles que têm que
educar os filhos. E eu acho que tem que ter liberdade de propaganda, liberda-
de de todo comercio, de toda a indústria e quem seja, apresentar seus produ-
tos para que eles sejam ou não adquiridos.”
 Deolinda Caldeira Franco Mazottini, Aposentada

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“Retirar as propagandas de crianças da televisão não é legal. Não é legal, por-
que quem tem que educar são os pais, não são as propagandas. Então a gente
tem que levar informação sim, e tem os pais peneirar o que eles podem ou
não ver. E desde que a propaganda seja sadia não tem porque retirar. Agora,
propaganda obscena tudo bem, mas propaganda de produtos não tem nada
a ver.”
 Domingos Augusto Mazottini, Aposentado

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“Eu acho que o governo tem coisa mais importante para ver, principalmente
com respeito a educação. Isso poderia ser feito na escola e não fazendo proi-
bição de nada, por que lá fora o nosso país é muito conhecido por sermos um
povo livre. Então eu acho importante que isso seja feito na escola e não atra-
vés de proibição.”
 Douglas Bastos Florenço, Analista de Sistema

e 
“Gostaria de fazer uma análise sobre como a publicidade pode ajudar na qua-
lidade de vida, nos hábitos e nos costumes da população. No Brasil e na maior
parte dos países, a publicidade pode ser a grande fonte de inspiração de uma
população. Hábitos alimentares, de atividade física, da maneira de viver e de
evitar o estresse, atingem todas as faixas etárias. Você pode trabalhar com as
crianças desde que elas nascem, porque existem as propagandas sublimina-
res, até todas as idades, pessoas de 90 e 100 anos. Quando a pessoa acredita
em uma coisa, ela muda a sua vida. As pessoas só fazem o que veem, e a pu-
blicidade pode ajudar muito nesse sentido.”
 Edson Bueno, Presidente da Amil

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“Algumas coisas precisam
ser resolvidas por lei,
mas nem todas. muitos dos
impasses são suficientemente
equacionados com instâncias
autorreguladoras.”
Eugênio Bucci
Professor da ECA/
USP (Escola de
Comunicação e Artes
da Universidade
de São Paulo)
Divulgação
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“Sobre proibição de veiculação de propagandas para a criançada, a nível in-
fantil, eu sou contra a proibição total. Lembro-me de campanhas de um ci-
garro chamado Benson  Hedges, e nem por isso me tornei fumante, e as
propagandas eram fantásticas. Lembro dos cigarrinhos de chocolate da Pan
que foram proibidos porque na capa da embalagem, tínhamos os garotos
com o cigarrinho de chocolate imitando o cigarro, nem por isso me tornei fu-
mante comendo esse chocolate. Sou a favor das campanhas publicitárias
com responsabilidade, aí sim. O outro aspecto também, seria o nível de em-
pregabilidade das pessoas. Entendo que proibindo propaganda, matéria pu-
blicitária dessa forma, isso vai contribuir para desempregar muita gente e vai
desestimular a formação de novos profissionais, porque se tudo for proibido
em termos de publicidade, o publicitário vai trabalhar em quê?”
Edson José Ferreira Pini, Professor

e 
“Meu nome é Eduardo Cesar Martins Ferreira e eu acho que essa questão da
publicidade infantil cabe aos pais orientar os filhos quanto ao consumo. Eu
acho que não é uma coisa que vem do governo. Eu tenho um filho de cinco
anos e ele vê as propagandas na TV, que sempre vão existir, e a gente sempre
orienta em casa o seguinte “o pai compra o que pode para você”, dependen-
do da propaganda que passa a gente orienta que aquilo é perigoso para ele, e
coisas desse tipo.”
 Eduardo César Martins Ferreira, Surpevisor de Seguros

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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 63
“Sou contra a proibição de propagandas infantis na televisão, não por conta
da pessoa querer escolher ou não, eu acho que a orientação tem que vir dos
pais. Os pais devem orientar as crianças para consumir os produtos e tem mil
maneiras da gente fazer isso. Inclusive, se for proibido na televisão, há outras
maneiras da criança ter acesso a isso, na escola, com os amigos, no próprio
supermercado, nas próprias vitrines das lojas. Então eu acho que essa resolu-
ção cabe aos pais, deve vir dos pais e não uma proibição do governo para que
isso aconteça.”
 Elaine Simões Garcia, Professora

e 
“Meu nome é Eliana, eu tenho duas filhas, uma de 12 e uma de 18. E durante a
criação delas, assim, a participação minha e do meu esposo foi essencial para
que elas soubessem escolher os programas e a gente também limitando bas-
tante o horário de programa delas, para que elas não se deixassem influenciar
por tantas propagandas que são bem apelativas para idade das crianças. Isso
foi durante alguns anos e hoje é natural elas obedecerem e saberem escolher
o que elas querem assistir e o que elas querem, decidir por aquilo que elas
querem.”
Eliana Oliveira, Psicóloga
e 
“Eu trabalho como psicóloga, psicóloga de formação. Eu sou contra a proibi-
ção da propaganda sobre propaganda infantil na televisão, porque eu sou
contrária que o Estado interfira em tudo. Censura como um todo eu sou con-
trária. Eu acredito que a gente pode orientar as crianças, os pais podem con-
versar com as crianças, sobre a propaganda que é feita e com isso, não neces-
sariamente comprar tudo o que a criança pede. Acredito que tem que ter uma
propaganda responsável, mas não que seja proibida.”
 Elvira Ventura Filipe, Psicóloga

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“Todo profissional criativo ao começar uma campanha, seja ela voltada à mí-
dia impressa,eletrônica ou televisiva, ele segue uma cartilha, que é o Conar. O
Conar autoregulamenta a publicidade de todos os setores da economia e é
hoje no Brasil um exemplo para o mundo todo. A proibição da propaganda
infantil não é benéfica, porque falta informação. A publicidade infantil tam-
bém é didática, ela é voltada ao público infantil e também ao pais, então ha-
verá falta de informação. E é um cerceamento da expressão comercial e edi-
torial, isso de forma alguma é benéfico. É possível conhecer mais sobre o Co-
nar no www.conar.org.br. Ele é rigoroso com todas as categorias que possam
causar algum dano a sociedade, com a publicidade infantil então, sem dúvida.
É necessário conhecer a fundo a preocupação desses conselheiros que são
representados ali pela sociedade civil. Podemos ficar tranquilos em relação a
isso, há muita responsabilidade nesse trabalho.”
 Enio Vergeiro, Presidente da APP, Associação dos Profissionais de Propaganda
e 
“Acho que a propaganda tem em todos os lugares e eu acho que são essas, as
pessoas que fazem as propagandas da TV são os responsáveis da programa-
ção. Se tirar essas propagandas, a programação provavelmente vai ficar ina-
dequada para as crianças. E outra coisa, propaganda tem em todo lugar, você
vai nos shoppings, vê as vitrines, leva ao consumo. Então as crianças estão
atentas a tudo e em todos os lugares elas veem. Eu acho que a propaganda,
claro, que tem que ser vigiada, tem que ser adequada, mas é inevitável.”
 Érica Cazé da Cunha, Dona de Casa

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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 65
“A gente tem uma dificuldade muito grande
de produzir programas para o público
infantil, produzir financeiramente, porque
é muito mais difícil você conseguir um
patrocinador, um colaborador, um apoio,
em função do fato desse mercado ser
tão discutido em relação à publicidade
dentro da programação infantil.”
Fernando Gomes
Gerente de
programação infantil
da TV Cultura e
criador do Cocoricó
JoyceRoma
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“No meu ponto de vista, não tem necessidade de haver uma proibição, por-
que a criança tem mais é que pedir o brinquedo. Ela almeja alguma coisa e a
única maneira de se informar sobre isso é ver o que ela deseja. Se o pai pode
ou não comprar, isso é uma situação de educação do pai, se ele vai ou não di-
zer para a criança: “Filho eu não posso comprar agora, aguarde um tempo”.
Tem que haver sim algum tipo de incentivo para mostrar para a criança que o
que ela quer, o que ela deseja, isso tem que acontecer sim. Eu sou contra isso
(a ideia de proibição), não pode proibir de maneira nenhuma.”
 Eronilde Maria de Souza, Assistente de Treinamento

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“É o seguinte, eu acho que não se deve proibir nada, mas acho que a publici-
dade infantil tem que ser uma coisa regulamentada. Bom, tudo o que é proi-
bido eu acho que não serve, mas eu acho que a coisa deve ser também um
pouco verificada, porque senão o público infantil é muito suscetível ao con-
sumo exagerado. Por isso mesmo que eu acho que tem que regulamentar.
Proibir não, regulamentar sim.”
 Ethel Perlman, Empresária

e 
“O Conar é um exemplo de visibilidade internacional. A experiência do Conar
no Brasil é um exito nas experiências que se tem de autorregulação e autorre-
gulamentação, e a gente usa indiscriminadamente essas duas expressões re-
gulação e autorregulamentação, mas normalmente a regulamentação se re-
fere a elaboração de normas, e a regulação se refere a aplicação e o acompa-
nhamento dessas normas inclusive com as atualizações e revisões necessá-
rias. Mas de fato no caso do Conar nos temos a autorregulamentação e temos
também a autorregulação. E ai é um bom exemplo para gente aprender que
algumas coisas precisam ser resolvidas por lei, mas nem todas. Muitas das
questões, muitos dos impasses, dos dilemas são suficientemente equaciona-
dos com instâncias autorreguladoras. Mas há um balanço entre aquilo que o
setor decide sobre si mesmo para resolver conflitos e paz, e aquilo que o Esta-
do exige desse setor que aparece na forma de lei. Uma coisa não substitui a
outra, mas há muito mais civilização onde a gente pode ter um pouco de au-
e
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 67
torregulação. (...) Para o Brasil hoje é uma espécie de consenso isso, de que
não se deve anunciar muito o cigarro, isso faz sentido, tem sentido para os ci-
dadãos do Brasil, ponto de equilíbrio que poderá ser mudado no futuro, mas
isso hoje é o ponto no qual a gente se acomoda e a autorregulação mesmo a
legislação devem buscar esses pontos de equilíbrios, são mais ou menos na-
turais. Então acho que como eu estava dizendo no início, a comunicação de-
ve buscar um ponto de entendimento, pontes entre interesses diversos em
que os diversos interlocutores estão confortáveis, é isso o que acontece com
a publicidade. E parece que a ideia de que o público infantil não deve ser ex-
cessivamente exposto na mensagem publicitária também é algo que vai ga-
nhando terreno. Não apenas no Brasil mas no mundo inteiro, existem proibi-
ções e essa é a palavra de publicidade destinada a criança de vários tipos, em
vários horários, em vários formatos e em muitos países. Eu não estou com is-
so querendo dizer que a publicidade destinada a criança deve ser proibida,
estou querendo dizer com isso que a democracia convive com normalidade
com restrições à publicidade destinada a criança e essas formas de restrições
variam mais de um país para o outro. É um ponto que deverá ser olhado, de-
verá ser examinado com mais atenção. O meu raciocínio é que a solução das
proibições unilaterais não funcionam bem, nós devemos trabalhar essa dúvi-
das para chegar a pontos de equilíbrio que podem incorporar proibições, in-
clusive na forma de lei. Em várias democracias há proibições, só que essas
proibições são aceitas com naturalidade, como as proibições que nós temos
para um certo tipo de propaganda de cigarro, uns podem achar que não de-
veria haver essa proibição, outros acham que a proibição é branda demais,
mas nós temos um ponto de equilíbrio de aceitação dessas coisas, então é is-
so que é um ganho que um diálogo pode trazer, o ganho não será a proibição
total de todos os regramentos, o ganho será a compreensão da necessidade
dos regramentos em algumas matérias e a necessidade de uma autorregula-
ção eficiente que resolva aquilo que não precisa chegar a lei, que não precisa
chegar à Justiça. Eu acho que cada vez mais as novas tecnologias ampliam as
margens e as vias de acesso dos mais diversos públicos a todo tipo de conte-
údo, isso quer dizer que as crianças cada vez mais estão expostas a uma gama
muito maior de estímulos de comunicação, elas convivem com isso. As pos-
sibilidades de controle seja dos pais, seja de qualquer autoridade educacional
ou religiosa, é muito mais difícil, se é que isso já foi desejável alguma vez, en-
tão cada vez mais por decorrência nós somos levados a ver que o mais im-
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portante é uma educação prolongada, uma educação ininterrupta que pre-
pare os novos públicos a conviver com essas comunicações dessas formas
todas de comunicação. Não se regula isso por lei impositiva e mesmo o as-
pecto normativo da autorregulação de revela pouco eficaz, nós precisamos
saber o que está em jogo, alertar para o que está em jogo e isso vai fazendo
com que a sociedade cada vez mais naturalmente saiba repelir aquilo que é
desonesto, aquilo que é invasivo no imaginário infantil, aquilo que pretende
instrumentalizar.”
 Eugênio Bucci, Professor da ECA/USP

e 
“Hoje, a sociedade está muito imediatista, tudo que seu filho quer, ele pode,
ele te pede, e ele consegue. Então, você tem que ensinar o seu filho a ter paci-
ência, a saber esperar a ter as coisas.”
 Fabiana Negri, Bancária

e 
“Eu acho que o Brasil, a sociedade brasileira, está sendo vítima, muitas vezes,
de algumas tentativas desacerbadas de controle daquelas instituições, entre
as quais estão instituições da publicidade que é aquelas que mais funcionam
no nosso negócio e no negócio da iniciativa privada no nosso país. A propa-
ganda brasileira, para quem não sabe, ela é autorregulamentada há mais de
30 anos e ser autorregulamentado tem varias virtudes, traz várias virtudes
junto. A gente como publicitário e aqueles que ajudam na autorregulamenta-
ção da publicidade, que aliás são profissionais de várias áreas, não apenas
profissionais da própria publicidade, tendem a fazer aquilo que a gente costu-
ma chamar de “mais real do que o Rei”. Existe um princípio básico na relação
da publicidade com o consumidor. Quanto mais não existir a intervenção do
estado e a intervenção de outros poderes que sejam alheios a esse diálogo
entre consumidor e publicidade, que é exatamente a necessidade que a pu-
blicidade nesse confronto, nesse diálogo direto que esse consumidor tem, de
se fazer agradável, de se fazer inteligível, de se fazer importante, de se fazer
simpático. Não existe nada que vá controlar a publicidade que seja mais im-
portante do que isso, do que a necessidade do fabricante, daquela marca, de
e
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 69
“Eu acredito que proibir a
publicidade é uma forma de
retrocesso dessa sociedade em
rede, com toda essa conexão, com
todo esse mundo conversando,
discutindo. Para quê ter uma
proibição?”
Gil Giardelli
Professor de
pós-graduação na
ESPM (Escola Superior
de Propaganda e
Marketing), especialista
em redes sociais
Divulgação
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se relacionar quanto mais honestamente, quanto mais francamente, quanto
mais sinceramente, quanto mais respeitosamente com o consumidor. A pri-
meira imagem, se o programa infantil que é importante, é educativo, que é de
entretenimento, que diverte, que ajuda a criança, que é pedagógico ou sim-
plesmente de diversão para ele, se esse programa infantil, não pode ter publi-
cidade infantil, qual publicidade a gente colocaria lá para viabilizar esse pro-
grama? Adulta? Acho que não, porque seria inadequado. Então, a publicidade
infantil tanto quanto a informação infantil, deve se adequar às necessidades e
os princípios básicos de respeito a essa criança, que as demais já estão, além
do Conar, estão contemplados no código civil e no código do menor. Mais di-
fícil é a gente encontrar soluções, verdadeiras, reais para sanar questões, que
são questões que estão embutidas politicamente nessas discussões que
acontecem como nesse momento, quando está se falando do respeito à
criança, simplesmente através da ponta do iceberg que é a publicidade que
conversa com o consumidor infantil. Então, a criança vai na loja, vai encon-
trar o brinquedo que vai estar lá pulando na cara dela, que ela vai falar para o
pai “compra para mim, comprar para mim” e ela vai chorar e bater pé, quanto
mais aquele pai não for aquele pai que sabe dá o limite e dizer “o papai não
pode comprar” ou “o papai não quer comprar porque você já ganhou muita
coisa”. E não importa a publicidade estar dentro da casa da criança ou não em
função disso, simplesmente porque ela vai ter acesso, ou ela deve ter acesso
porque fará parte da formação do caráter dela ter acesso e ter seus desejos
muitas vezes atendidos e a maioria das vezes não atendidos. É assim que se
forma um ser humano, é assim que se forma um cidadão. Não é escondendo
dele a informação, não é simplesmente tirando da frente dele as possibilida-
des de ter, mas sim dizendo a ele. Eu falo isso como pai, eu tenho quatro filhos
de diferentes idades, de 27 de idade a nove anos de idade, passei por isso com
todos eles, passo isso com todos eles, e sei o momento de dizer não, sei o mo-
mento de dizer sim e sei o momento de olhar a publicidade e dizer “acho que
isso não é propaganda que deveria estar no ar“. E quantas vezes e a maioria
das vezes fui ver, e estou falando de coisa de cinco, dez anos atrás, essa publi-
cidade foi efetivamente tirada do ar por orientação do Conar, então há um
processo evolutivo nessa relação e ele é interessante porque ele acontece
diante dos olhos da sociedade e não escondido em algum gabinete, e não es-
condido em algum lugar obscuro em que você cidadão, que acha que está
fazendo o seu papel no momento que você toma simplesmente a posição da
f
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 71
crítica, a posição que parece mais bonitinha dizer “vamos acabar com a publi-
cidade, é isso que vai resolver todos os males da sociedade”.
Fabio Fernandes, Presidente da Nazca

e 
“Eu acho o seguinte, a meu modo, a educação da criança infanto juventude vem
do berço, os pais é que tem que dar as proibições aos filhos, o que deve assistir
ou não é de livre e espontânea vontade. Quando eu achar que o programa não é
suficiente para o meu filho ou está mais alto do que a idade dele eu mando ele
se retirar e continuo assistindo, eu acho que isso é cultura. E outra coisa, às ve-
zes a gente está até contra a Constituição, de que é livre o pensamento, expres-
sões, a imagem, essa coisa toda, então eu estou contra os princípio da Consti-
tuição. Se eu for proibir o direito de liberdade de um filho meu assistir um deter-
minado programa ou o governo, uma autoridade venha interferir na educação
do meu filho dentro da minha própria casa.”
 Fátima Regina Feitosa, Advogada

e 
“Bem, eu penso que a criança pode, através da propaganda, saber e conhecer
os bens de consumo, mas que cabe aos pais orientar essas crianças para que
elas não sejam consumistas em excesso, para que esses bens, os brinquedos,
enfim, objetos de desejo dessa criança, não venham numa má educação,
num sentido de que complementaria todos os desejos e todas as necessida-
des da criança, eu acho que o buraco é mais embaixo. Os pais muitas vezes
abrem mão de educar e dão aquele presente, aquele brinquedo para não ter
esse trabalho de orientação.”
 Fernanda Almeida Prado, Psicóloga

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“Na minha pesquisa de campo eu fiz algumas entrevistas qualitativas com as
crianças e a gente tem, ainda não concluí o trabalho ainda não esta 100% ava-
liado, mas o que eu já percebi que é assim, tem uma mediação muito grande
da família e da escola, então assim, os momentos mais importantes na vida
daquelas crianças são os momentos em que elas estão na escola, ou que es-
tão dentro de casa com a sua família, então assim, não tem um grande núme-
ro de lembrança de marca de produtos alimentícios que era especificamente
o meu foco, mas assim não tem um grande número, as crianças não lembram
de diversas marcas e saem falando eu quero aquela marca, eles até pedem,
quando uma das perguntas era o que eles pediriam se pudessem ter recurso
ilimitado o que você compraria em um supermercado, tem uma coisa de “ah
eu quero aquele bolacha recheada”, “eu quero chocolate, refrigerante” , mas
menção de marca é muito pouca. E a coisa assim, do que você mais gosta de
fazer também não esta a televisão, não foi a primeira coisa que as crianças fa-
laram. Das 10 crianças com quem eu falei, acho que sete ou oito se eu não es-
tou enganada, a coisa que mais gosta de fazer no dia é brincar, mas ai você
pergunta, o que vocês brincam? “ah a gente brinca de pega-pega, brinca de
esconde-esconde”, ai tem as brincadeiras da escola e tem negócio de jogar
bola, eu brinco de boneca, eu brinco de escolinha, então assim, a televisão es-
ta lá no cotidiano daquela criança? Está, todas elas assistem televisão se não
todo dia, quase todo dia, mas dizer que aquilo é a coisa mais importante, que
aquilo é a única coisa que leva aquela criança para consumir eventualmente
alguma coisa eu não acredito. Outra coisa que foi marcante foi que aquelas
crianças quando você pergunta que produtos, nesse hora que eu pergunto
que produtos elas comprariam e tudo mais, tem muito do “Ah um amigo me
contou que aquilo é legal” ou “eu vi na escola um coleguinha comendo aqui-
lo, aquele biscoito então ai sim eu pedi para a minha mãe”, então muito mais
forte do que especificamente a publicidade”.
Fernanda Cintra de Paula, Pesquisadora de mídias, criança e consumo da ESPM (Escola
Superior de Propaganda e Marketing).
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 73
“O consumidor já tem a prerrogativa
de reclamar ao Conar diante de um
anúncio ofensivo, mentiroso, abusivo.
Quando o anúncio flagrantemente fere
a autorregulamentação o conselho de
ética do Conar pode suspender sua
veiculação. O anúncio sai do ar, deixa de
ser publicado.”
Gilberto Leifert
Presidente do Conar
(Conselho Nacional de
Autorregulamentação
Publicitária)
Divulgação
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74
“Eu acho que assim, o que eu diria para qualquer pai que é o que digo para
mim e para os meus amigos inclusive, é que a gente precisa educar a criança
para um consumo consciente. Até mesmo para as crianças de classe A que
poderiam ter acesso a qualquer bem de consumo, o negócio é entender para
que a criança precisa. Talvez a mesada seja uma maneira de você controlar o
consumo nas crianças de classe A. Nas crianças de classe baixa é mais difícil,
porque provavelmente elas não terão o mesmo acesso a mesadas ou coisas
assim, eu acho que educar é a grande palavra aí. Assim as agências, as empre-
sas têm que ser responsabilizadas sim, a gente tem que denunciar algum tipo
de abuso, se a gente olhar alguma coisa e falar “não, não acho que isso seja
adequado para nenhuma criança se for o caso”. Na minha casa as crianças
não assistem conteúdos que não são para a idade delas, então eu não vou
deixar assistir uma novela que é para cima de 14 anos para a minha filha de
cinco ou o meu menino de dez assistir. Então acho que esse é também um
papel dos pais saberem o que seus filhos podem ou não ver na televisão ou
no acesso a livros, revistas e coisas do gênero, mas principalmente explicar e
tentar fazer com que a criança entenda que tudo o que ela consome tem um
custo, que tem uma pessoa que trabalha ali por trás para conseguir o dinhei-
ro, que estudou e que nem tudo que a criança quer ela vai poder ter. Porque
assim as crianças têm que dar valor a aquilo que elas têm. Então assim, eu não
dou tudo para os meus filhos, claro que eu sempre quero dar o melhor princi-
palmente em termos de educação, mas tudo que as crianças pedem eu não
dou. Então eu acho que essa é a grande dica e assim faz parte da gente estar lá
e educar. Acho que a escola tem uma papel importante também, eu vou mui-
to às escolas dos meus filhos eu acho que é importante para mim para poder
de alguma maneira saber como é que a criança está naquele momento em
que ela não está com a gente, e se tem alguma coisa ali, então conversar com
o professor e conhecer os amigos das crianças é outra coisa que eu acho
muito importante”.
Fernanda Cintra de Paula, Pesquisadora de mídias, criança e consumo da ESPM (Escola
Superior de Propaganda e Marketing)
e 
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 75
“Eu entendo por um lado que os pais queiram proteger as crianças do mundo
do consumo, de proteger de uma maneira geral os seus filhos, mas eu sou con-
tra proibir a publicidade voltada para a criança. Primeiro porque a publicidade
não está só na televisão, ou só nas revistas, a publicidade esta na internet, a pu-
blicidade está nas ruas, está nas gôndolas de lojas, nas vitrines, ás vezes nos car-
ros, nos ônibus, então tirar a publicidade da televisão ou das revistas não vai tirar
a publicidade da vida da criança. Depois porque eu acho que a criança não está
vendo só exclusivamente conteúdo infantil, a criança as vezes quando está na
televisão, com ou sem os pais, também assiste conteúdo adulto. O programa
mais assistido por criança entre quatro e dez anos de idade, o primeiro progra-
ma é a novela três da rede globo, a novela das nove. Se a criança está assistindo
aquilo ali, se ela está na sala aquela hora, ela também está exposta a publicidade
que não é voltada especificamente para criança. A publicidade vai estar lá de al-
guma maneira na vida dela, então proibir a publicidade especificamente para
ela não vai tirar a publicidade da vida da criança. Depois tem uma outra coisa
que eu como mãe acredito é que tudo que é proibido, você não pode fazer que
a criança não sabe, que ela não tem conhecimento virá aquela coisa do fruto
proibido pode ser mais gostoso, então também não acho que a proibição seja o
melhor caminho. E tem um outro lado que a gente já vem percebendo uma re-
dução de produção de conteúdo infantil, até educacional mesmo nas emisso-
ras, então eu acho que se eu tiro a publicidade eu tiro a verba que financia con-
teúdo para essas emissoras de canal aberto ou canal fechado, mas que produ-
zem conteúdo que pode ser usado de maneira até educativa. Por outro lado eu
não sou a favor de colocar qualquer coisa para a criança na televisão, na revista,
todo mundo é responsável, todo mundo que eu digo são os pais, a família de
uma maneira geral, a escola, os anunciantes, as emissoras, as editoras onde vai
estar o anúncio, somos todos responsáveis por fiscalizar aquilo que está sendo
financiado, não pode deixar acontecer nenhum tipo de abuso que gere algum
tipo de consumo exagerado. É papel de pais, da escola, mas acho que muito for-
te principalmente dos pais de tentar educar as crianças para um consumo res-
ponsável, mas assim, o consumo está na vida da criança. Não é porque ela é
criança que ela não consome, ela sim é consumidora e tirar a publicidade não
vai tirar a criança da sociedade do consumo”.
Fernanda Cintra de Paula, Pesquisadora de mídias, criança e consumo da ESPM (Escola
Superior de Propaganda e Marketing)
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“Oi, meu nome é Fernando Gomes, hoje eu sou gerente do núcleo infantil da
TV Cultura e eu estou na TV Cultura desde 1996 e sempre trabalhando com o
público infantil. Entrei aqui no Bambalalão, na época um programa ao vivo e
desde então participei de quase todos os programas voltados ao público in-
fantil. Esses anos todos me deram algum tipo de visão em relação a esse mer-
cado tão específico que é o mercado infantil. A gente tem, e eu sinto isso na
pele a cada dia, principalmente agora como gerente do núcleo infantil, a gen-
te tem uma dificuldade muito grande de produzir programas para esse públi-
co, para essa faixa, produzir financeiramente, porque entre outras coisas é
muito mais difícil você conseguir um patrocinador, um colaborador, um
apoio, em função do fato de esse mercado ser tão discutido em relação a pu-
blicidade dentro da programação infantil. Por outro lado eu também acho
que a gente pode e deveria, para não descuidar tanto desse mercado que no
fundo é um investimento na criança, no futuro da criança, na criança da pró-
xima década, enfim, uma coisa que a gente está prevendo para o futuro, a
gente tem que cuidar melhor desse público e para cuidar melhor desse públi-
co a gente precisa ter opções de produção, óbvio, até para poder avaliar se é
boa ou ruim a produção que a gente está vendo na TV. E para isso a gente
precisa de patrocinadores, de gente que banque isso. Eu acho que a gente
tem várias outras opções, eu acho que o apoio pode ser dado com produtos
para os pais, porque em um programa que meu filho adora assistir, porque eu
não vou valorizar o patrocinador dele, mesmo que ele não seja do público in-
fantil. Cada vez mais diminui a quantidade de produção de programação in-
fantil, e aí se a gente falar, “puxa, mas então o problema é esse”, mas por que
diminuir? Porque o interesse comercial nesse tipo de programação cai muito
a partir do momento em que um possível anunciante para esse público não
pode anunciar dentro daquele horário destinado a criança. Eu queria muito
que a gente conseguisse ampliar esse leque, para que as grandes empresas,
instituições, começassem a valorizar a programação infantil, apostar nisso,
investir nisso e cobrar a qualidade que eu acho que é o caminho que a gente
tem.”
 Fernando Gomes, Gerente de programação infantil da TV Cultura e criador do Cocoricó
e 
f
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 77
“Quando nós olhamos a
propaganda, é preciso entender
que ela, enquanto instrumento,
depende essencialmente dos
valores e da ética de quem a
utiliza.”
Hiran Castelo Branco
Vice-presidente
corporativo da ESPM
(Escola Superior de
Propagnda e Marketing)
Divulgação
WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR
78
“Sou professora e eu acho que a publicidade infantil é muito importante em
qualquer horário, desde que seja uma publicidade saudável.”
 Filhinha Oliveira Cardozo, Professora
e 
“Qualquer atitude que leve a fiscalizar a liberdade de expressão tem que ser
censurada. Temos hoje uma propaganda de primeiro mundo, premiada em
vários países há vários anos, temos o nosso órgão controlador da qualidade
da comunicação, que é o Conar, portanto, não há a mínima possibilidade de
uma lei dessa ser aprovada, impedindo as pessoas falarem aquilo que elas de-
sejarem. Hoje, os anunciantes, a publicidade e as agências são muito respon-
sáveis, não há o porque de uma atitude como essa, pois ela é evasiva e anti-
constitucional. É uma atitude míope, porque imputa à televisão a responsabi-
lidade de levar a criança a consumir produtos errados. Hoje existem N ferra-
mentas e possibilidades de atingir a criança fora da televisão, ou seja, a pró-
pria internet, onde acontecem barbaridades e não há controle nenhum.”
 Flávio Conti, Diretor geral da DPZ

e 
“É fundamental que as agências de publicidade, propaganda e marketing en-
veredem por esse caminho, o de mostrar à população o que é bom para a so-
ciedade, o que é saudável em termos de alimentação e de atividade física, a
fim de que possamos chegar nos mais diferentes locais desse país, levando
boa informação. E se imaginarmos que vamos atingir um grande público e
que podemos também influenciar as crianças desse país, e que educá-las é
certamente muito mais fácil que educar os adultos, mostrando para as crian-
ças de hoje o quão importante é um estilo de vida adequado, com boa ali-
mentação e boa atividade física, nós certamente vamos ter no futuro um Bra-
sil muito mais saudável e adequado, as pessoas vão adoecer menos, e viver
com mais qualidade. Quero parabenizar a iniciativa e dizer que a Associação
Médica Brasileira está de portas abertas para ajudar no que for possível em tu-
do que se relacionar a saúde da população brasileira. A publicidade é funda-
mental, primeiro porque conhece a maneira de chegar às pessoas e a forma
de levar boa informação. Isso é muito importante para que tenhamos uma
f
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 79
população mais assistida e que compreenda melhor o que é mais adequado
em termos de hábitos de vida, para que possamos viver mais e melhor.”
 Florentino Cardoso, Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB)

e 
“Referente à publicidade infantil, eu sou a favor de continuar, porque tem
muito artista que começa a sua profissão quando criança, e não teria graça
televisão sem conteúdo infantil. Eu sou a favor de continuar.”
 Gardênia Abreu de Alencar, Analista de crédito

e 
“Proibir a publicidade por uma simples proibição é mais um ato dos séculos pas-
sados. Somos todos responsáveis, somos todos educadores, somos todos alu-
nos nessa era exponencial, nessa era digital. Então acredito que proibir a publici-
dade é uma forma de retrocesso dessa sociedade em rede, com toda essa cone-
xão, com todo esse mundo conversando, discutindo, para que ter uma proibi-
ção? Vamos tentar fazer coisas mais saudáveis, vamos tentar, realmente está
tudo sendo reformulado nesse mundo. A publicidade, como disse Maurício de
Sousa, tem que ter mais amor, mais carinho, ela tem que ser mais educadora. Dá
para a gente alinhar nesse mundo um processo de falar de vendas e também fa-
lar de educação. Como já disse alguns pensadores como Edgar Morin nós não
precisamos mais de revoluções, nós precisamos de metamorfose, e metamor-
fose vem desse mundo, desse mundo que a gente pode usar o mundo digital
para educar mais essas pessoas, para se educar em rede e num processo empí-
rico que nunca a sociedade teve nos últimos séculos que é aprender, fazer, er-
rar, fazer novamente e nesse processo vamos todos se educando.”
 Gil Giardelli, Professor de pós-graduação da ESPM e especialista em redes sociais

e 
“Quando alguém pretende que a propaganda seja proibida, o Conar sempre
lembra que no Brasil a Constituição garante liberdade de expressão para a
notícia, para a opinião e para o anúncio. A tarefa da publicidade que as agên-
cias, que os anunciantes e os veículos assumem perante a sociedade, é de
G
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veicular mensagens publicitárias honestas, verdadeiras e que seja de utilidade
para o público. Ao longo dos 30 anos de existência, o Conar teve oportunida-
de de examinar mais de 7000 anúncios e campanhas. Quando o anúncio fla-
grantemente fere a autorregulamentação o conselho de ética do Conar pode
suspender a veiculação daquele anúncio, o anúncio sai do ar, deixa de ser pu-
blicado. O consumidor tem hoje esta prerrogativa de reclamar ao Conar dian-
te de um anúncio ofensivo, mentiroso, abusivo, o Conar examina e submete
então à avaliação do conselho de ética. Esse conselho é composto por repre-
sentantes de entidades, de anunciantes, de agências, veículos e da sociedade
civil. O Conar é um órgão da sociedade civil. Ele terá sido talvez uma das pri-
meiras organizações da sociedade civil por iniciativa, como eu mencionei, da
atividade publicitária. Os representantes da sociedade civil são médicos, ad-
vogados, jornalistas, profissionais de fora da industria da comunicação que se
reúnem junto com os publicitários que integram as câmaras de ética do Co-
nar para avaliar os anúncios e como eu disse, aqueles que não estão em con-
formidade com as normas éticas são punidos com a suspensão da veicula-
ção, com uma recomendação de alteração. Da mesma forma que nós esco-
lhemos livremente os representantes políticos, o cidadão é considerado apto,
capaz para escolha de seus representantes, ele também o é em relação as es-
colhas que faz diante da propaganda. O cidadão decide com quem vai se ca-
sar, em que bairro da cidade vai morar, qual trabalho e profissão vai exercer e
também o que vai fazer com o seu dinheiro, qual sabonete vai comprar, em
que banco vai manter a conta, qual o telefone celular que lhe convém e inclu-
sive qual o jornal de sua preferência, a rádio que deseja acompanhar, qual é o
programa por meio do qual se informa, se é da televisão ou da TV a cabo, en-
fim. Eu como cidadão e os que estão aqui me assistindo têm o direito de fazer
escolhas e a vida é feita de escolhas, o tempo todo nós estamos fazendo es-
colhas, nós não podemos admitir é que o estado nos substitua nessa tarefa,
cada um de nós é responsável pelas escolhas como os anunciantes são res-
ponsáveis pelo que nos propõem. Neste embate, ganha sempre o público que
tem informação abundante, informação no sentido de notícia, no sentido
editorial, e informação comercial, as descrição a respeito dos produtos e ser-
viços, os preços, as comparações que permitem então ao cidadão fazer as
melhores escolhas e decidir por si o que convém a si mesmo e a sua família.”
Gilberto Leifert, Presidente do Conar

e 
g
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 81
“A essência da educação é
aproveitar qualquer oportunidade
que chegue à criança para juntos
criar o quadro de valores. Uma
criança com valores, ela mesma vai
rejeitar algumas publicidades.”
Içami Tiba
Psiquiatra, educador e
autor de vários livros
sobre orientação aos
pais, entre eles o
“Quem ama educa”,
Editora Gente
Divulgação
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“Sou professora aposentada, no momento eu sou esteticista e eu tenho dois
filhos pequenos. Quando eles eram pequenos, assim, eu percebia muito que
existia muita propaganda, muita publicidade direcionada especialmente para
criança. E a gente sabe que a publicidade, ela é importante, mas ela trabalha
muito com essa persuasão, ela tenta fazer com que o telespectador, o leitor
compre o produto. Muitas vezes a gente sabe que nem sempre, ou esse pro-
tudo é adequado ou é saudável. Então eu acho que a publicidade, ela existe e
a gente tem que tomar muito cuidado. Eu sou a favor assim, sou a favor da
publicidade sim, acho muito importante, mas da publicidade com responsa-
bilidade.”
 Gilda Bitiati, Professora Aposentada

e 
“Acho que a campanha infantil deve ser feita com responsabilidade. Não proi-
bição, mas fazer uma campanha mais educativa para esse público que está
chegando, essa nova geração.”
 Gilza Silva Gil Ferreira, Analista de Sistema

e 
“Minha filha é bastante consumista. Eu acredito assim, que os filhos são os es-
pelhos dos pais, seriam os espelhos dos pais, eu sou bastante consumista,
gosto de comprar, gosto de ter o que está no auge e minha filha esta indo pe-
lo mesmo caminho. Mas assim eu sou diferente, eu trabalho para comprar o
que eu quero, eu não tenho que pedir para uma pessoa e é por isso que eu
acho que até hoje, tudo o que eu pretendo ter eu luto até conseguir, diferente
da minha filha, porque eu acho o que não é necessário eu barro e não com-
pro para ela”.
Gislene Devides, Analista de serviços de informática
e 
g
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 83
“A publicidade infantil deve ser ponderada pelos meios de comunicação por-
que de alguma maneira há algum tipo de exagero com relação esse tipo de
publicidade principalmente nos horários em que são estabelecidos. Agora
uma proibição, além de ser inconstitucional, ela fere todos os direitos a de-
mocracia, porque cabe sim aos pais e não ao estado educar os seus filhos.”
 Graciela Faria Tabarelli, Advogada

e 
“Eu acho inadequada (a proibição da publicidade infantil), porque como vai
vender brinquedos e produtos infantis para as crianças? E se a criança vê a
propaganda o pai fala se pode ou não comprar, eu cresci assim e não sou
traumatizada por conta disso. Eu acho que é inadequada essa lei que esta
sendo criada, não tem nada a ver. Os dois (Estado e família), mas principal-
mente acho que nessa situação a família. O Estado tem a ver com a educação
da criança também, escolas e outras coisas. Mas nesse caso a família.”
 Grasiele Camaro, Setor de Turismo

e 
“Eu acho que o acesso à propaganda infantil tem que ser responsabilidade
dos pais. Eles têm que saber a o que eles expõem seus filhos e até aonde eles
merecem ou não receber aquilo que a propaganda está mostrando. Depende
de cada um, cada um deve saber como educa seus filhos. Hoje, minha filha
tem 15 anos e ela não é consumista, mas assiste bastante televisão. Sempre
que ela me pedia alguma coisa, eu dizia para ela 'quando você crescer, eu
compro'.”
 Guaraciara Pereira Crespi, Cabeleireira

e 
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84
“Eu sou a favor da publicidade, não vejo nada de mais. Acho até que depen-
dendo de algumas coisas, alguns produtos, ela é até educativa. Acho que não
precisaria acabar não, só que tem que ter um pouco de cuidado em algumas
coisas que podem influenciar de repente até na educação da criança. Mas eu
acho que com o acompanhamento dos pais isso aí pode ter um policiamento
de forma que não seja voltada para um lado ruim e sim para um lado bom.”
Guilherme Renda Neto, Economista
e 
“Meu nome é Gustavo Lorenzi de Castro, sou sócio do escritório De Vivo, Whi-
taker, Castro e Gonçalves Advogados. Relativamente ao tema publicidade in-
fantil, voltada para o público infantil, eu tenho uma opinião bastante peculiar
sobre o tema. Eu entendo que ultimamente tem havido uma espécie de mo-
vimento policialesco ou mesmo de uma certa patrulha no que diz respeito a
esse tipo de propaganda. Eu entendo que toda e qualquer propaganda deve
ser caracterizada e deve ter como pano de fundo a criatividade dos seus cria-
dores, a liberdade de expressão de modo que ela realmente atenda ao seu ob-
jetivo principal. O que eu acho que também deve ser levado em consideração
é que quando a gente fala em propaganda a gente deve lembrar que existe
um órgão autorregulamentador, que é o Conar, que acaba por verificar se es-
ta ou aquela propaganda atende aos princípios éticos, morais e inclusive le-
gais de todo e qualquer segmento. São raríssimos os casos onde as decisões
do Conar envolvendo propaganda foram questionadas judicialmente, o que
acaba por apontar a grande eficiência e capacidade desse órgão em regula-
mentar esse tipo de atividade. Com relação ao tema propaganda infantil, eu
acho que vale a pena lembrar que cabe aos pais ou aos responsáveis monito-
rar e franquiar ou não o acesso dos seus filhos menores às propagandas que
são especialmente transmitidas via televisão. Então, existe uma questão vol-
tada para a educação infantil que os pais tem que estar atentos a isso e fazer
com que toda a sociedade entenda que não é estabelecendo limites, parâme-
tros ou até mesmo uma espécie de censura, que esse tipo de problema vai ser
evitado. Na verdade a educação começa dentro de casa, os pais tem que estar
atentos a essa questão e viabilizar ou não o acesso as propagandas que even-
tualmente eles possam entender como adequadas ou não para os seus filhos.
Eu sou pai, tenho dois filhos pequenos, menores, de 5 e 7 anos e faço esse
g
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 85
“Eu sou a favor da
autorregulamentação, que é um dos
caminhos de se equacionar se deve
tirar determinada publicidade do
ar ou não. Acho que o extremo de
permitir qualquer coisa é perigoso,
assim como o de se proibir totalmente.”
João Matta
Professor de marketing
infantil da ESPM (Escola
Superior de Propaganda
e Marketing)
Divulgação
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controle, permitindo que eles assistam televisão em determinados horários
do dia, que são inclusive horários adequados à faixa etária deles.”
 Gustavo Lorenzi de Castro, Sócio do escritório De Vivo, Whitaker, Castro e Gonçalves
Advogados

e 
“Eu sou favorável à publicidade infantil, porque eu acho que não só nós adul-
tos como as crianças também têm que se manter informados. Tenho uma fi-
lha que foi, é publicitária hoje e a educação que eu dei para ela em relação a
isso foi muito boa.”
 Hélia Rossi, Diarista

e 
“Eu sou contra qualquer meio que venha restringir o acesso à informação. E a
publicidade é justamente um meio de você dar informação, imagens sobre
um produto e ainda mais infantil. Eles têm que ter acesso à informação, sobre
produtos, sobre serviços, para que eles criem o seu próprio juízo de valor com
relação a isso. É lógico que a gente sabe que a educação muitas vezes, se pro-
íbe as coisas. Ela não vai permitir que a criança tenha contato e crie conceitos
no processo. Por esse motivo eu sou contra, a criança tem que ter acesso à in-
formação e cabe aos pais, mães e educadores auxiliar na formação da sua
própria opinião.”
 Henrique Puga, Professor

e 
“Meu nome Hingrid, sou analista de sistemas, tenho uma filha de dez anos e
uma de um ano e seis meses. Eu sou a favor da publicidade infantil desde que
seja uma coisa responsável. Tem coisas muito piores que isso, que são músi-
cas que não dão valor as pessoas e que criança adora, ou sem nenhum conte-
údo, e que as crianças adoram e vão passando de criança para criança.”
 Hingrid Licinia Calixto Oliveira, Analista de Sistema
e 
g
h
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 87
A propaganda é um instrumento de conscientização e de difusão de ideias. E
se presta a comunicar sobre marcas, sobre produtos e como qualquer ferra-
menta para usos bons e eventualmente para usos que se possa criticar. Quan-
do nós olhamos a propaganda, é preciso entender que ela, enquanto instru-
mento, depende essencialmente dos valores e da ética de quem a utiliza.
Quando às vezes nós fazemos críticas à propaganda, nos esquecemos de to-
do o trabalho positivo que só se torna possível graças a esse instrumento de
que dispõe a sociedade. Estamos falando de campanhas de utilidade pública
que promovem a vacinação, estamos falando de campanhas a que o conse-
lho nacional de propaganda fez ao longo de anos junto com o Unicef e a Pas-
toral da Criança da saudosa doutora Zilda Arns. A população aprendeu a fazer
aquela famosa receita, um copo de água, uma pitada de sal e um punhado de
açúcar e quem entra no site do IBGE pode verificar que o soro caseiro foi um
elemento fundamental para a queda da mortalidade infantil. Tudo isso são os
aspectos positivos da propaganda e a propaganda certamente tem que seguir
aquele código de ética que nos foi legado pelos pioneiros que desenvolveram
essa atividade. Mas tenhamos sempre a compreensão de que nós estamos fa-
lando de um instrumento, o instrumento não é por si nem bom, nem mal,
sempre depende dos valores de quem o utiliza.
Hiran Castelo Branco, Vice-presidente corporativo da ESPM
e 
“Nós temos que aproveitar todas essas oportunidades educacionais que sur-
gem para aumentar o diálogo, a possibilidade de os pais passarem valores
através do que os filhos querem, porque se eles querem e recebem informa-
ção junto é o melhor momento educativo, porque agrada e informa. Prever
uma regra maior, de fora para dentro, seja uma lei estatal ou do próprio siste-
ma local, fica um pouco complicado, porque a própria família perde a auto-
nomia do poder de educação, se restringir a um horário fica até algo meio
contraditório, porque existem programas infantis, e não vai veicular publici-
dade de artigos infantis? Tudo isso entra pela psique de uma criança e nós te-
mos que cuidar como se o alimento tem que nutrir o corpo, a publicidade
também tem que ter o cuidado de nutrir a personalidade, o conhecimento e
elevar a qualidade de vida. Quem manda nos pais hoje são as crianças, por-
que os próprios pais, por falta de conhecimento educativo, acabam querendo
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i
se tornar só amigos dos filhos e amigos em geral só satisfazem e não educam.
A essência da educação é aproveitar qualquer oportunidade que chegue a
criança para juntos criar o quadro de valores. Uma criança com quadro de va-
lores, a mesma vai rejeitar algumas publicidades, “nossa que horrivel, nossa
que ótimo”. Então na educação, nós temos que preparar a pessoa a fazer es-
colhas e as melhores escolhas são aquelas que vem baseadas em valores, que
esses valores devem ser transmitidos pelos pais.”
 Içami Tiba, Psiquiatra, educador e autor de vários livros sobre orientação aos pais, entre eles o
“Quem ama educa”

e 
“Tenho três filhos e três netos, e não sou a favor da proibição da propaganda
de brinquedos para crianças na TV. Eu acho que a TV faz parte da vida normal
das crianças. Portanto o que tem que ser introduzido na vida da criança é o
sim e o não, quando aquilo é compatível e quando não é compatível. Eu te-
nho um exemplo dos meus netos que pediram no dia das crianças um pre-
sente que eu achei bastante caro, e aí eu avisei não, esse presente eu não
acho que é para dia da criança, você pode pedir para o dia de aniversário, no
dia da criança eu te dou uma lembrancinha, pode escolher uma outra opção.
Quando chegou o aniversário ele me lembrou, vovó agora é meu aniversário,
você pode me dar aquele presente? E eu disse ok. Então estabeleceu uma re-
lação entre eu e o meu neto. O não tem que ser exercido como o sim.”
 Immaculata De Lulis, Advogada

e 
“Eu venho de uma área de pesquisa que se volta a ouvir a criança, a trabalhar
com a criança, e isso é muito importante, porque em grande medida as teses
que circulam hoje em dia sobre a relação da criança com a mídia é pronun-
ciada pelos adultos, a partir do lugar do adulto, e geralmente um adulto de
classe social elevada e que está localizado nos centros urbanos. Então eu
sempre digo para os meus alunos que nós temos uma grande tendência a en-
tender a criança a partir do ponto de vista do adulto de classe alta nos centros
urbanos. Então essa é uma visão que eu chamaria de visão burguesa do con-
sumo, uma visão classista do consumo, uma visão adulto-cêntrica e uma vi-
são urbana. Isso é um grande problema porque a partir do momento em que
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 89
“A liberdade de expressão
é uma conquista do Estado
Democrático de Direito e do
processo civilizatório.”
José Antônio
Dias Toffoli
Ministro do STF
(Supremo Tribunal
Federal)
AgBRasil
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a gente atravessa a cidade, a gente vai na comunidade de periferia, a gente vê
que a realidade é muito diferente. Se a gente vai um pouquinho mais adiante,
vai para uma comunidade rural a realidade é mais diferente ainda, ou se a
gente vai trabalhar com as crianças de uma comunidade pesqueira isso tam-
bém muda. Então a gente precisa entender as culturas do consumo e não as-
sumir antecipadamente que toda criança é uma espécie de esponja que ab-
sorve os conteúdos da mídia de uma maneira direcional, de uma maneira li-
near sem que ela crie seus mecanismos de recusa, de resposta, de fuga, ou da
própria imaginação da criança é um caminho para ela ressignificar os produ-
tos da mídia. Se toda pessoa absorvesse os conteúdos feito uma esponja, a
sociedade seria assim um universo de pessoas idênticas, e a gente já está con-
vivendo com a cultura de massa há aproximadamente 50 anos, porque o rá-
dio é anterior, mas toda essa cultura do broadcasting, da televisão, ou dos
grandes conglomerados da comunicação, a gente já está convivendo com is-
so há 50 anos, e a gente vê que as subculturas, as resistências, a diversidade,
ela continua se manifestando”.
Isabel Orofino, Pesquisadora da ESPM e autora do livro “Mídias e mediação”
e 
“O que me preocupa é que esse movimento pela proibição da publicidade parte de
uma concepção equivocada de como a criança trabalha com isso. Não quero em hi-
pótese alguma, e isso é bem importante para mim dizer que eu não concordo com o
fato de que a gente precise dialogar sobre a publicidade. Eu concordo que o merca-
do comete vários abusos e isso não é uma questão só voltada para a infância, em li-
nhas gerais a publicidade erra muitas vezes assim como o jornalismo erra também,
assim como o cinema erra também, a telenovela erra também, são práticas cultu-
rais, mas eu não acredito que seja pela proibição da publicidade para criança que a
gente vá alcançar um resultado interessante. A proibição me preocupa muito por-
que a produção cultural para a criança, quer dizer, a telenovela para criança, a tele
ficção para criança, o cinema para criança, o desenho animado para criança, preci-
sam do apoio cultural de determinadas empresas que a gente chama de marketing
cultural, apoio cultural, patrocínio. Quer dizer, a gente não sabe que se proibir com-
pletamente o anunciante de estar presente nesses espaços que são destinados a
criança, isso pode comprometer a própria produção cultural para criança, então en-
fim, a gente vive numa sociedade completamente dinamizada por essas práticas de
i
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 91
mercado, tanto mercado de materiais, mercado de bens materiais, quanto mercado
de bens simbólicos. Acho que é inteligente a gente aprender a fazer essa sociedade
de um modo que se respeitem as pluralidades, as diversidades, as múltiplas vozes,
mas não simplesmente proibindo”.
Isabel Orofino, Pesquisadora da ESPM e autora do livro “Mídias e mediação”
e 
“Nós estamos falando de publicidade infantil, propaganda infantil. Então eu queria
registrar aqui que eu sou pai e sou avô também, tenho três netos. Eu sou publici-
tário e sou diretor de criação da minha agência. Quando a gente é avô, a gente já
pensa pela segunda vez aquilo que a gente exerceu com os filhos. Os meus filhos,
até pela minha origem judaica, foram criados com esse aspecto da liberdade que
os judeus têm na relação pais e filhos. A liberdade de expressão, a liberdade do di-
álogo, a liberdade da discussão inteligente e como avô eu estou repetindo tudo
de novo, e ser avô, aliás, neto para um avô é igual filho com açúcar. A gente está
vivendo uma era da informação. As crianças têm acesso a tudo, nas redes sociais,
nos jogos e a propaganda está envolvida nesse mundo, nesse mundo deles. E eu
penso, é melhor dizer desse jeito, eu penso que proibir alguma coisa que traduza
liberdade é uma das piores coisas que pode existir. Essa palavra “forbidden”, para
mim que sou de origem judaica, ela é muito pesada, muito forte. Eu prefiro que a
gente tenha um controle sobre aquilo que a gente faz. Primeiro começa com a
sua própria censura, com a sua própria sabedoria do que fazer para não atravessar
limites na hora em que você está conversando com uma criança. E segundo que
a gente também gosta muito da entidade do Conar, que nos regula, nós somos
auto regulamentados pelo Conar, e isso nos dá tranquilidade de saber até que
ponto a gente pode ir, porque o Conselho de Autorregulamentação tem todos os
representantes da sociedade. Então isso faz com que a gente já se sinta confortá-
vel na hora em que a gente está fazendo. Então começa que a gente tem a nossa
própria censura, nossos critérios, nossos cuidados, a gente sabe que está lidando
com criança e que a gente precisa ter os nossos limites. Além desse nosso próprio
limite a gente tem uma sociedade inteira que se juntou, se organizou, para que
pudesse regulamentar a nossa profissão em todos os seus segmentos e no seg-
mento infantil com muito mais cuidado.”
 Jaques Lewkowicz, Sócio da Lew/Lara

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J
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“Bom, o que eu acho mais importante na propaganda para a criança nos dias
de hoje, é que a criança deveria ter uma interatividade bem maior, interagir
mais com as coisas que ocorrem no mundo. E deixar a criança viver, deixar a
criança brincar perante aquilo que é transmitido pela propaganda, que seriam
desenhos, seriados, programas educativos, programas de lazer, cultura, não
só a criança ficar na frente de um computador o dia inteiro, memória virtual,
jogos de videogame que ás vezes instruem a criança para algo que realmente
não é viável, que não é facilitador para imagem, para a infância dela. Tanto na
minha época teve Thundercats, Rambo, Jaspion, Changeman. Hoje em dia
tem Gyraia, tem Power Rangers até que isso também pode valer, mas eu acho
que a criança tem que viver mais, deve brincar mais, deve ter um lazer diversi-
ficado como eu tive na minha época há uns 20 anos atrás, vamos pôr assim.”
 Januário Lins de Alencar Barbato, Professor de Ed. Física

e 
“Referente à proibição da propaganda infantil, eu acho que não precisa ser
tão radical. Basta apenas a propaganda promover qualidade de vida, que ve-
nha trazer benefícios à saúde das crianças.”
 Jéssica Lopes de Almeida, Nutricionista

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“Quem faz a publicidade tem que
se preocupar sim com o que está
transmitindo. Mas cabe aos pais
prepararem as crianças porque
sabemos que elas receberão muitas
mensagens que não deveriam receber
e não somente pela publicidade.”
Lidia Aratangy
psicóloga referência
em orientação familiar
Divulgação
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“Não tem como a gente impedir que as crianças estejam envolvidas direta-
mente com essa publicidade, mas é uma oportunidade que os pais têm de
conseguir educar os seus filhos para a questão do consumismo principal-
mente. Então assim através dessa publicidade as crianças manifestam os seus
desejos de coisas que elas querem, de coisas que elas querem comprar, de
coisas que elas querem parecer. Isso é importante os pais começarem a per-
ceber e a partir disso educar o seu filho. Então aí orientar mesmo, que ele não
pode ter tudo o que ele quer, na hora que ele deseja, então hoje em dia é mui-
to comum a gente ver crianças que querem comprar tudo, todos os brinque-
dos que aparecem na televisão, de todas as coisas que aparecem na propa-
ganda que eles veem e na verdade os pais não podem naquele momento, ou
não é adequado. Não é legal também os pais usarem a compra para conse-
guir coisas das crianças, elas têm que aprender que têm suas prioridades, têm
as coisas que elas precisam fazer e a partir disso elas podem sim receber uma
recompensa, mas não é interessante que essa recompensa seja coisas mate-
riais, isso é importante o pai falar. É mais importante o pai dar uma atenção,
passear, dar carinho do que dar um presente, o presente ele tem que ser dado
no momento certo, numa data especial. Isso é importante para a criança co-
meçar a perceber que ela pode ter as coisas que ela quiser mas que ela tam-
bém tem que fazer uma parte que é a dela. A questão dos filhos únicos é bem
delicada porque normalmente é uma questão que os pais têm dificuldade de
impôr os limites, então as crianças acabam abusando um pouquinho e pedin-
do mais coisas e se aproveitam mesmo das propagandas, dos produtos infan-
tis. Os pais precisam tomar cuidado para falar para essa criança que ela não
pode ter tudo o que ela quer, mesmo ela sendo filha única ela não pode ter
tudo o que ela quer no momento que ela quer, e é uma maneira do pai tam-
bém ajudar a criança a aprender a dividir. Então por exemplo, uma coisa que é
interessante fazer com o filho único é, no natal pedir para o filho escolher um
presente para ele e um presente para dar para uma outra criança. Pode até ser
uma criança que ele não conheça mas ele vai aprendendo, ele aprende a es-
perar, então ele recebe alguma coisa numa data importante, numa data espe-
cial, a partir de alguma coisa que ele fez, que ele conquistou. Filho único tem
que tomar bastante cuidado, é uma questão mesmo de limite. Os pais devem
falar no momento que as coisas acontecem, eles devem descrever para os fi-
lhos o que está acontecendo, então por exemplo, a criança diante de uma
propaganda pediu um brinquedo e o pai não pode comprar naquele momen-
J
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 95
to, ele fala, “agora não é o momento para eu comprar isso para você, isso dai a
gente vai comprar quando chegar o natal”, por exemplo. Isso ajuda a criança
a esperar, a conquistar um objetivo e o pai pode dizer isso para ela. O que
acontece as vezes é que o pai tem medo de falar exatamente o que eles estão
pensando para a criança, quando a gente explica para a criança ela entende
muito mais facilmente, então assim não pode ter medo de explicar para a
criança o que está acontecendo, “não, agora não é o momento”.
Jéssica Fogaça, Psicóloga comportamental infantil

e 
“Eu sou contra pararem de fazer propaganda infantil para as crianças, porque
a partir da propaganda a gente sabe o que uma criança quer, você aprende a
ensinar os seus filhos o seu padrão de vida e a criança aprende desde cedo o
que os pais podem ou não podem comprar, ou consumir. Eu acho que propa-
ganda tem um monte de coisas, tem de arma, de violência, de um monte de
coisas, e uma propaganda infantil você ensina os seus filhos terem mais res-
ponsabilidade a entender o que os pais podem comprar ou não, o que eles
podem consumir ou não.”
 Jéssica Pereira, Instrumentadora Musical

e 
“Eu sou bastante a favor da autorregulamentação, eu acho que a autorregula-
mentação é um dos caminhos mais fáceis de se conseguir equacionar a regu-
lamentação da publicidade, as proibições ou não, tirar determinada publici-
dade do ar ou não. Acho que o extremo de permitir qualquer coisa, é um ex-
tremo perigoso, assim como um outro extremo de proibir totalmente tam-
bém é perigoso. Acho que a autorregulamentação é uma das formas de você
conseguir fazer essa negociação bastante complicada, difícil de conseguir. A
autorregulamentação no Brasil ela tem um histórico que levou a participação
de três eixos como veículos, agências e anunciantes a participar desse projeto
e poderia como evolução desse processo dar um passo a mais, talvez envol-
vendo o consumidor, no estilo de uma ONG que represente os consumidores
quee nem esses órgãos de Procon e tudo mais. Acho que envolvimento do
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consumidor mesmo algum representante do consumidor e o processo da
autorregulamentação. E que existe outro em outros países em, por exemplo
no Canadá, que é um exemplo bastante interessante da autorregulamenta-
ção, onde o consumidor também é envolvido na hora de decidir e autorregu-
lamentar a publicidade para o público infantil. Não só consumidor, mas tam-
bém outras entidades de classe acabam participando. Mas eu acho que a par-
ticipação do consumidor seria um avanço interessante para a autorregula-
mentação do Brasil. Na Europa também existe autorregulamentação que tra-
balha nesses modos parecidos com o do Brasil, mas tem também a participa-
ção de outras entidades como o consumidor que acaba participando e torna
isso um processo bem mais efetivo e eficaz. Eu acho que o Brasil é sim um
bom exemplo de autorregulamentação para outros países. A autorregula-
mentação ela pode ser sim um exemplo para os países da América Latina, pa-
ra países como México e os outros países da América Latina que não têm uma
prática tão aberta da autorregulamentação, mesmo com o código de defesa
do consumidor a autorregulamentação, o Conar no Brasil são bons exemplos
para o resto do mundo.”
 João Matta, Professor de marketing infantil da ESPM

e 
“Acho que a publicidade tem que continuar na televisão e não é o governo
que deve limitar isso e sim a sociedade, os pais, mas a sociedade em geral, a
sociedade que tem esse poder de vetar uma propaganda, por exemplo, não
comprando os produtos. Não o governo.”
 Jorge Basile Guglielmelli, Roteirista

e 
“Eu acho que os pais têm que ser superiores à publicidade. Porque vejam bem,
eles têm que saber quem eles estão criando, porque essa criança vai crescer,
vai se tornar um adolescente, um adulto, e não pode só essa publicidade infan-
til influenciar a vida de uma criança. Então, explicar para uma criança que nem
tudo que ela quer, ela pode ter. Porque vamos supor: acaba a publicidade no
rádio, na TV, nos jornais, de brinquedos e de tudo. Mas a criança sai na rua, ela
entra no shopping, ela entra em uma loja, e o que tem nesses lugares? Tem
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 97
“Bem usada, a publicidade é um
caminho para promover saúde,
hábitos conscientes de consumo,
atitudes equilibradas, além de
possibilitar a produção de
conteúdos na mídia (...) preparados
para as crianças.”
Lúcia Helena de
Oliveira
Diretora de redação da
revista Saúde, Editora
Abril
Divulgação
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brinquedos expostos e ela vai pedir de todo o jeito. O que está acontecendo
hoje em dia, o que é uma coisa comum, é que pais e mães trabalham o dia in-
teiro, saem de manhã, voltam a tarde, ás vezes a criança fica com alguém em
casa, uma babá, ou uma empregada, ou a criança vai para a escola de manhã e
só é pega no fim da tarde ou começo da noite, que são períodos integrais. E há
ás vezes uma compensação da ausência dos pais, dando brinquedo, dando
brincadeiras ou coisas para a criança se distrair. Isso não é muito bom. A educa-
ção tem que vir dentro de casa, independe um pouco de toda essa, do que essa
mídia faz, porque a mídia realmente quer vender, se ela quer vender certo ou
errado é a nossa decisão, nós que somos os vendedores e nossos filhos vão ser
o reflexo do que nós somos. Então, quantos pais não têm por aí, consumidores,
que sem querer tornam seus filhos consumidores. Toda hora estamos vendo
campanhas de televisão, de rádio, como não usar o cartão de crédito, como
não fazer dividas acima do que a gente ganha, isso é muito importante, será
que os pais estão passando essas coisas para eles? Essas coisas boas, se os pais
forem bons consumidores, ou coisas não tão boas, se os pais não forem bons
consumidores, grandes gastadores. Então a nossa dica é isso, tentar mostrar
primeiro que a vida está aí e que o mundo não é cor de rosa e que algumas coi-
sas têm que ser ditas para a criança, não de forma brusca e nem agressiva, mas
explicar, uma criança entende perfeitamente quando a gente fala. Uma criança
diabética, quando a gente explica para ela que não pode comer açúcar, ela leva
os docinhos dela para uma festa, e ela raramente ou quase nunca vai pegar o
doce que está na festa, ela vai comer aquele doce, que ela sabe que é aquilo
que ela pode comer. Então, a criança é consciente dela, e os pais, nós que so-
mos e que fazemos o mundo dessa criança, que são os pais, os familiares, os
professores, os médicos que atendem essa criança, todas essa, que envolve es-
sa criança, vão fazer com que ela tenha uma personalidade. Eu acho que essa é
a minha dica e a minha manifestação frente a essa campanha que começou
agora, que eu acho correta, muito correta. Mas eu acho que ela tem que ter o
bom senso de saber como ela deve agir, que é como eu falei, a publicidade po-
de não existir, mas ela está escancarada na porta de uma criança, a qualquer
momento que ela sair de casa, até em uma esquina se vende brinquedo para a
criança nesses vendedores ambulantes, e aquilo é uma publicidade também,
que a gente não pode controlar.”
 Jorge Huberman, Pediatra do Hospital Albert Einstein e sócio do Instituto Saúde Plena

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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 99
“A liberdade de expressão é uma conquista do Estado Democrático de Direito
e do processo civilizatório. Há certas questões que verdadeiramente levam a
certas reflexões, uma delas é a da publicidade, da liberdade de expressão na
publicidade. No Brasil nós temos o sistema de autorregulação, que já vem há
anos sendo feito pelo Conar, que tem mostrado que a autorregulação tem ti-
rado do ar as propagandas que não se mostram adequadas pelo próprio meio
publicitário. E são questões apenas residuais que vão para o Poder Judiciário.
Em relação à publicidade para o público infantil, para as crianças e os adoles-
centes, é uma discussão que se faz agora mais presente e realmente é algo
que leva toda a sociedade a refletir. No nosso modo de ver as coisas, eu sem-
pre penso que o mais importante que o Estado punir é o Estado agir como
mediador da sociedade.”
 José Antônio Dias Toffoli, Ministro do Supremo Tribunal Federal

e 
“A publicidade infantil hoje é inevitável, mesmo tendo alguns mecanismos de
controle, sempre vão arrumar um meio de embuti-la em propagandas, em
comerciais. Mas também acho, como faço na minha casa com os meus filhos,
aproveito essa publicidade infantil para educá-los, saber que tudo tem limite,
tudo tem o seu momento, tudo tem a sua hora. Então eu aproveito dessa dei-
xa da publicidade infantil para também promover a educação dentro da mi-
nha casa.”
 José Antônio Passos, Docente

e 
“Eu acho que todos nós temos que ter uma atuação muito responsável e prin-
cipalmente estarmos abertos às discussões. Esse é um tema realmente sensí-
vel, que exige muita reflexão, não será um assunto a ser tratado exclusiva-
mente por um segmento da sociedade, ele deve ser dividido amplamente
com todas as bases da sociedade, educadores, juristas, publicitários, econo-
mistas e não apenas em determinados grupos que, na minha opinião, podem
representar um retrocesso. Não cabe a um segmento único da sociedade, de-
cidir o que deve ser feito com relação as crianças. Acho também que todos
nós, pais, temos uma responsabilidade anterior a da nossa profissão. Cabe a
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100
nós educarmos nossos filhos e mostrarmos a ele o melhor caminho e fazer
com que ele se decida junto com a nossa opinião. Então eu acho que a ques-
tão do ser ativo como orientador para os filhos é fundamental também. Quem
tem filho sabe que as crianças e os adolescentes hoje são expostos a milhares
de estímulos diariamente. Estímulos esses que vêm de vários lugares, desde
televisão, passando por rádio, por cinema, pela internet, não existe um ado-
lescente hoje que não tenha um Device, um celular. Então, através de inúme-
ros pontos de contato, hoje eles podem se relacionar com o mundo e não se-
ria justo coibir uma determinada ação publicitária exclusivamente, sendo que
isso de maneira nenhuma vai orientar os jovens e os adolescentes. Nós temos
que ter uma discussão muito mais profunda, proibir, definitivamente, não é a
saída. Eu por exemplo, como criador, quando estou diante de um job, diante
de uma necessidade de comunicação para o público infantil, eu primeiro me
coloco como pai e vejo se o que eu estou criando, aquela peça, primeiro faz
sentido para o público específico sem estar usando de nenhum artifício, ob-
viamente perigoso para aquele público e segundo, se os meus filhos, sempre
penso nisso, se os meus filhos poderiam ver aquela propaganda, se eles esta-
riam confortáveis, se eu estaria dando as mensagens corretas para ele e se
principalmente, depois de ver aquele tipo de propaganda, se seria uma men-
sagem saudável, se seria uma coisa construtiva, e a partir daí a gente constrói,
a gente cria, a gente leva a diante para o cliente a comunicação.”
 José Henrique Borghi, Presidente da BorghiERH/Lowe

e 
“Eu sou pai e avô. Meus filhos a relação deles com programa de televisão ti-
nha uma certa regra: determinados programas que não eram para eles, nor-
malmente substituía por outros programas e tal, tinha um pouco mais de
controle no sentido de criar algumas regras, substituir por outra coisa.”
 José Geraldo Rocha, Diretor de Teatro

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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 101
“É importante acabar com
essa história de achar que o
publicitário é um bandido ou
um parente próximo do bandido,
que faz publicidade porque quer
destruir o mundo.”
Luiz Felipe Pondé
Filósofo, articulista e
professor da PUC-SP
(Pontifícia Universidade
Católica de São
Paulo) e da FAAP
(Faculdades Armando
Álvares Penteado)
Divulgação
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“Cabe ao pai definir o que a criança precisa. É uma responsabilidade total-
mente do pai. Então se ele quiser deixar a criança assistir o programa onde vai
passar aquela propaganda, tudo bem, a criança assiste, mas também o pai vai
ter que ser responsável para arcar com a consequência daquilo. Arcar, se a
criança pedir alguma coisa ele vai dizer “não”. Tem muito pai que não sabe di-
zer não para os filhos.”
 José Marcelo Guimarães Moreira, Engenheiro

“E com relação a publicidade infantil, eu sou a favor, não sou contra, porque
eu acho que a orientação dos pais é o mais importante e não a proibição das
coisas. Sou contra o uso da internet indiscriminado, aí sim, porque eu acho
que leva a muitos caminhos perigosos, para as crianças principalmente, mas
a publicidade infantil não. Acho que tudo pode ser divulgado, os pais é que
tem que orientar as crianças sobre o caminho certo.”
 Judite Franco Cavalcante, Administradora

e 
“Tenho um filho de seis anos e sou super a favor da propaganda infantil como
qualquer tipo de propaganda. A responsabilidade, no caso da propaganda in-
fantil, dos pais de proibir ou liberarem a criança de assistir ou comprar aquilo
que elas querem. A criança também é livre, tem acesso a tudo, depende da
educação que recebe em casa. As crianças de alguma forma vão continuar
tendo acesso a isso, as empresas que fabricam, os fabricantes, os publicitá-
rios, todos acabam sendo prejudicados e para criança muda muito pouco.”
 Juliana Neves, Farmacêutica

e 
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 103
“Em relação à publicidade infantil, eu sou totalmente a favor e não vejo limita-
ção, porque já existem entidades que regulamentaram essa publicidade, mas
no entanto, quem deve orientar a criança são os pais, as mães, os avós. Veja
bem, nessa área de imprensa, publicidade, existe o que é bom e o que é ruim
e nessa faixa existem mais situações boas do que más. Então eu vejo como
sendo muito positiva a publicidade, não vejo com bons olhos essa limitação
da publicidade infantil das sete da manhã às 22h, porque afinal de contas,
nesse período é que a criança e o jovem poderia ter acesso a alguma informa-
ção, como algumas campanhas, campanhas coerentes e necessárias de es-
clarecimento sobre alguns fatos. Então eu particularmente, na condição de
pai e avô de cinco netos numa faixa etária variável, eu sou totalmente favorá-
vel a publicidade infantil, que compete a gente na condição de avô e nos
meus filhos de pai e mãe, isso de público geral, limitar o acesso a algum tipo
de informação que não venha a calhar com aquilo que seria ideal. Então a mi-
nha opinião, eu sou totalmente favorável a continuidade da liberdade de pu-
blicidade infantil, nos modos que é hoje.”
Juvenal Tedesque da Cunha, Advogado

e 
“Com relação à propaganda infantil na televisão, eu acho que tem que ter mais
programas educativos, mais brinquedos. Por quê? Vou dar um exemplo, na te-
levisão, no caso, TV Cultura, o tempo todo é educativo, a criança vê mais pro-
pagandas de brinquedo. Um exemplo, a Globo de manhã, das 8 da manhã até
o meio dia é programa infantil, porque nesses programas têm muitos dese-
nhos, nos intervalos desse programa, na propaganda vende brinquedo e mos-
tra boneca, carrinho. Agora vamos supor que tire isso do ar, então no horário
infantil vai passar aquele desenho, e vai passar de comidas? Não, tem que pas-
sar de acordo com o que a criança está assistindo. Um exemplo, a minha filha
tem 6 anos, ela estava na creche, eu achei super legal um trabalho da creche,
com relação à retornável. Sabe essas garrafas pet? Eles pegavam, cortavam e
faziam vai e vem, o varal era o fio do vai e vem, tudo reciclável, o rolinho do
durex fazia para as crianças poderem brincar. Então tem que ter esse incenti-
vo, porque se nessa propaganda colocar para tomar cuidado, minha filha falou
uma coisa linda essa semana, achei lindo: “mamãe, não desperdiça água, vai
acabar com o planeta água”, e eu entendi o que ela quis dizer, para tomar cui-
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dado para não acabar com a água, e tudo isso ela vê na TV Cultura, em alguns
programas da Globo, em alguns brinquedos que ela vê. Então é isso que está
faltando, se tirar isso vai ficar o dia inteiro aonde? Nos canais que passam o
que? Que não tem nada a ver com a idade das crianças. Eu acho que tem que
ter muito mais incentivo na propaganda, na programação e até nos brinque-
dos mesmo. Eu acho que não tem que tirar, eu não concordo com isso.”
Kátia Regina Rufino, Analista de Crédito

e 
“Eu tenho três filhos e duas netas. Tenho uma neta de 4 anos e outra de 12
anos. Eu sou a favor da liberdade da imprensa, liberdade de expressão e não
sou favorável a essa proibição do congresso de proibir propagandas dirigidas
para crianças dentro dos seus lares, até porque a responsabilidade do que a
criança deve assistir ou não compete aos pais. Então como somos todos res-
ponsáveis cada um determina o que seu filho deve ou não assistir.”
 Lamara Alves Maciel, Coordenadora de Call Center

e 
“Eu não sou contra a publicidade infantil, porque eu acho que a moderação
com relação ao produto de consumo tem que vir dos pais e da família, não
necessariamente da publicidade.”
 Laura Camargo, Funcionária Pública

e 
K
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 105
“É fato que abolir a publicidade
infantil seria uma barbaridade.
As crianças formam um público
consumidor e isso não é mal em
si mesmo.”
Luiz Flávio D'Urso
Presidente da OAB-SP
(Ordem dos Advogados
do Brasil, seccional São
Paulo) de 2003 a 2012
Divulgação
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“Eu não concordo com a proibição de publicidade infantil. É um espaço que
eles têm para passar conteúdo infantil para as crianças. Talvez, proibindo, eles
peguem o espaço para anunciar, publicar o uso de bebida alcóolica no lugar.
Então, eu não sou a favor.”
 Leliane dos Santos, Bancária

e 
“Não vejo como isso pode ser feito, não tem como restrigir a veiculação de
publicidade infantil na televisão, porque de uma forma ou de outra, eles vão
ter acesso à informação em outros meios de comunicação.”
 Leonel José de Oliveira, Representante Comercial

e 
“Sou mãe de duas filhas, uma de de 7 anos e uma de 1 ano. Eu não concordo
com a posição que eles têm de estar proibindo a publicidade infantil, porque
eu acho que é de acordo de cada família, cada um deve saber até onde meu
filho pode comer e o que não pode, independente de publicidade ou não.”
 Letícia de Santana Santos, Auxiliar de Enfermagem

e 
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 107
“Eu sou contra essa proibição de não mostrar comercial para criança, até por-
que o comercial para criança não vai influenciar a criança, é para informar
nós pais dos produtos que estão no mercado, que a gente pode utilizar, por-
que nós é que vamos escolher. Até porque a criança, tudo o que ela vê, até o
que não é produto para criança ela quer. Meu filho pede avião, pede carro.
Então não é só produto para criança que vai influenciar a criança e cabe aos
pais decidir o que vai adquirir e o que não vai adquirir para os filhos.”
 Leysle Silva, Professora
e 
“Censura sempre me incomodou, a ideia de censurar os livros de Monteiro
Lobato, ou de censurar a publicidade dirigida a criança sempre faz supor que
estamos lidando com pessoas absolutamente incapazes e desamparadas.
Censurar Monteiro Lobato é realmente é entrar no abuso do politicamente
correto esquecendo o contexto, esquecendo a história. Monteiro Lobato co-
meça a fazer mal às crianças justamente quando estamos vivendo uma era
de violência, preconceitos, mas parece que isso não incomoda tanto quanto
as tias anastácias do Rio. Não acho que a propaganda seja o veículo privile-
giado para educar as crianças, de fato não é este o objetivo da publicidade,
seria muito estranho se de repente a publicidade tivesse com que se preocu-
par em transmitir valores, mas é essencial que a publicidade sobretudo dirigi-
da a criança se preocupe com os valores que ela está transmitindo. Uma coisa
é informar, outra coisa é seduzir, uma coisa é falar das vantagens de um certo
objeto, outra coisa é insinuar que qualquer criança do mundo pode ter aquele
objeto e que é obrigação dos pais comprar aquele objeto, mas isso são distor-
ções da publicidade não faz parte da natureza do tornar público uma infor-
mação, uma notícia, um produto. Acho o politicamente correto importante,
mas essa censura, lamentável. O ideal será preparar as nossas crianças para
transforma-lás de esponja e que absorvem todos esses estímulos que as bom-
bardeiam o tempo todo em filtros para que elas mesmas aprendam a selecio-
nar o que que deve fazer parte da sua formação, da sua estrutura e o que deve
ficar de fora. Isso só é conseguido se acompanharmos nossas crianças se es-
tivermos perto dela. Vale para os dois lados, quem faz a publicidade tem que
se preocupar sim com o que ela está transmitindo e que cada publicitário
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pense em seu filho assistindo aquele comercial e o que o seu filho estará sen-
tindo ao ver aquelas cenas, cabe aos pais e aos educadores preparar as crian-
ças porque nós sabemos muito bem que elas receberam muitas mensagens
que não deveriam chegar a elas não necessariamente veiculadas pela publici-
dade”.
Lidia Aratangy, Psicóloga referência em orientação familiar
e 
“Há um paradoxo inerente à educação, nós estamos sempre necessariamen-
te educando hoje com a bagagem que recebemos ontem para preparar os fi-
lhos para enfrentarem o mundo amanhã. Nós vamos errar muito ao educar
os filhos, não tem importância, a maior parte do tempo nós estamos passan-
do o que eles precisam receber, o importante é estar perto, é acompanhar o
desenvolvimento dessas crianças sem se desligar do mundo, não basta estar
perto do filho se isso significa estar junto com esse filho dentro de uma bolha.
Nossos filhos não são nossos filhos, nossos filhos são filhos da vida, para a vi-
da. Então preparar para a vida significa ajudá-los a escutar, ajudá-los a enxer-
gar. Educar é uma tarefa amplamente subversiva, é interessante, enriquece-
dora, mas dá trabalho, não é para preguiçosos nem para covardes. Pais e fi-
lhos para se entender têm que aprender um novo idioma, os filhos têm que se
abrir um pouco para esses valores que os pais expressam de uma maneira di-
ferente que eles estão acostumados a usar, e os pais têm sim a obrigação de
acompanhar o idioma da tribo, de saber quais os instrumentos que eles estão
usando para se comunicar e aprender a se comunicar nesses instrumentos,
ainda que não com a maestria com que nossos adolescentes o fazem”.
Lidia Aratangy, Psicóloga referência em orientação familiar

e 
“Quanto à proibição de propaganda, não é o caso proibir, mas sim realizar
coisas mais interessantes. Eu acho deveriam haver mais coisas voltadas para
a parte cultural, incentivar mais as crianças para coisas boas, menos consumo
e mais coisas que possam ajudá-las a crescer de forma geral.”
 Lígia M. B. Garbi, Pedagoga

e 
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 109
“O melhor caminho não é a
simples tutela, a simples e
pura proibição. (…) a tutela do
Estado não pode substituir o
amadurecimento da sociedade
brasileira.”
Luiz Lara
Presidente da Abap
(Associação Brasileira
de Agências de
Publicidade)
Divulgação
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“Acho que tem que ir para o debate. Acho que não está certo proibir a publici-
dade, que faz parte da educação que os pais têm que ter. Tem que ter conver-
sa e o “não” faz parte. A educação cabe aos pais.”
 Lilian Assali, Estudante

e 
“Naturalmente que a publicidade constrói valores, comportamentos, então
nisso também há a possibilidade de se utilizar de uma maneira favorável para
construir comportamentos que desejamos. Então não se trata de dizer sim-
plesmente sou contra ou sou a favor da publicidade, vamos proibir ou não va-
mos proibir, porque essa não é a solução. Se nós pensarmos a publicidade
indireta, que não é nesse horário que o projeto de lei aborda, nós teremos pu-
blicidade fora de casa, no caminho de casa para a escola, temos publicidade
através dos programas de televisão, internamente nos programas, nos pró-
prios noticiários, que são períodos que as crianças estão fazendo as refeições
com os seus pais, e estão ali também assimilando comportamentos e valores.
Então, de toda a maneira, a publicidade ela não é simplesmente aquela que
nós conceituamos como tal, mas fazemos publicidade, através também do
nosso exemplo. Porque nós sabemos que a criança e o adolescente influen-
ciam diretamente no processo decisório para a compra, e também influen-
ciado os seus coleguinhas e até por esse motivo podemos utilizar também de
uma maneira positiva, fazendo campanha educativas. E isso também parte
não só do Estado, não só das empresas, enfim, mas até mesmo dos pais pro-
curando fazer com que aquele seu pequeno seja agente multiplicador de va-
lores construídos dentro de casa. Isso também é uma forma de propaganda. E
isso é uma boa propaganda.”
 Livia Borges, Psicóloga, escritora e consultora do Núcleo de Estudos da Violência da Polícia
Militar do Distrito Federal

e 
“Com relação às propagandas infantis de brinquedos, tudo vai de acordo com
a educação que os pais passam para os filhos, fazendo com que eles enten-
dam o que é possível a eles e o que não é. As crianças têm o direito de saber
aquilo que o mercado oferece a elas, de brinquedo, jogos, de tudo. Cabe aos
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 111
pais saber conversar com seus filhos em suas casas para os filhos terem a no-
ção daquilo que eles podem ter e o que eles não podem ter. Não é isso que vai
criar uma pessoa consumista e um adulto ruim no futuro.”
 Lourdes Faim Monteiro, Professora de Educação Física

e 
“A publicidade, em qualquer faixa etária, não só estimula consumo, mas tam-
bém pode induzir atitudes muito saudáveis. Quando falamos em crianças, a
publicidade é um canal fundamental, não só de informação, mas de forma-
ção dos nossos jovens. Bem usada, ela é um caminho para promover saúde,
hábitos conscientes de consumo, atitudes equilibradas, além de possibilitar a
produção de conteúdos na mídia digital, na rádio, na televisão e nas revistas,
especialmente pensados e preparados para as crianças . Quando temos pu-
blicidade, temos investimento e conseguimos produzir informação de quali-
dade. Essa é uma missão dos publicitários e de quem faz mídia. Informação
de qualidade é possível e necessária em um país que é carente de informação
sobre hábitos saudáveis. Precisamos formar uma nova geração mais cons-
ciente e com hábitos saudáveis, para viver um futuro muito longo, da maneira
mais plena possível.”
 Lúcia Helena de Oliveira, Diretora de redação da revista Saúde, Editora Abril

e 
“As empresas hoje, no caso da minha companhia, ela tem um perfil de produ-
to e uma comunicação intensa das suas marcas, mas que necessariamente
está vinculado a uma responsabilidade. Quando eu falo em responsabilidade,
ela tem a responsabilidade pela qualidade do produto, pela comunicação
com o seu consumidor e esse perfil de comunicação tem se alterado, não é
mais uma comunicação unilateral, ela espera do consumidor uma comuni-
cação mais ativa e as redes sociais deixam isso muito claro. Quando a gente
fala de proibição de propaganda para crianças, eu acho que é uma maneira
muito simples de olhar um tema que é muito mais importante e que passa
fundamentalmente pela questão de educação e conscientização. Se olhar
hoje alimentos, a comunicação de alimentos pode ser atrativa, diferenciada,
engajadora, mas ela fundamentalmente já traz uma questão importante que
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112
é a consciência pelos seus hábitos alimentares, pelo perfil nutricional, cuida-
do com a saúde que as companhias cada vez mais fazem isso. O próprio apoio
em campanhas públicas, quando aderimos as marcas, faz parte também des-
se processo. Dois exemplos que eu tenho aqui na companhia, dentre vários,
um é, nós já apoiamos a campanha de vacinação infantil com a nossa marca
Omo, principal marca hoje do Brasil, top of mind, como também campanhas
de consciência de higiene na lavagem das mãos com a marca LifeBuoy. São
pequenos gestos no dia a dia que nós criamos debate com as nossas marcas
e ouvimos as pessoas que fazem individualmente ou com as suas famílias
que geral transformações. A marca Unilever se tornou hoje a terceira maior
marca no setor de engajamento na rede social, no caso do Facebook e nós te-
mos mais de 300 mil fãs. O que não pode também é ignorar a importância de
uma comunicação responsável, adequada e direcionada por educação e um
grande exemplo, só para fechar, que nós temos no Brasil é o próprio Conar
que está aí a mais de 30 anos. Se nós pegarmos o código do Conar ao longo
dos anos sofreu várias modificações ou várias atualizações sempre para ex-
pressar um novo sentimento ou antecipar um novo comportamento da so-
ciedade para se tornar absolutamente contemporâneo e ao mesmo tempo
expressar o que é fundamental que é a autorregulação que é aquela que real-
mente faz a diferença, não a proibição.”
 Luiz Carlos Dutra, Vice-presidente corporativo da Unilever para América Latina

e 
“Sou colunista do jornal Folha de S. Paulo, inclusive na minha coluna já tive a
oportunidade de discutir várias vezes o tema da propaganda, da publicidade e
das várias tentativas de controle que o governo faz de vez em quando ou
quaisquer outros setores associados ao governo tentando estabelecer algum
tipo de controle sobre a publicidade. A minha posição é sempre a mesma, a
democracia é um regime que não se caracteriza unicamente pelo voto, a de-
mocracia se caracteriza pelo que se chama de filosofia política. Pesos e contra
pesos da democracia e esses pesos e contra pesos um dos essenciais é a exis-
tência da mídia livre. No caso da publicidade infantil especificamente, assim
como de qualquer outro tipo de publicidade, eu continuo pensando que qual-
quer forma de regulamentação deve ficar a cargo do sociedade civil, do mer-
cado, das agências de publicidade, dos anunciantes, porque aí você tem, na
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 113
“Eu acho que a televisão até
por causa da ação de órgãos
como o Conar, ela já é muito
protegida e para a criança
está se tornando cada vez
mais irrelevante.”
Luli Radfahrer
Professor da ECA/
USP (Escola de
Comunicação e Artes
da Universidade
de São Paulo)
Divulgação
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114
realidade, você tem uma espécie de grande assembleia de pessoas que en-
tendem do assunto. Outra coisa importante é acabar com essa história de
achar que o publicitário é um bandido ou um parente próximo do bandido,
que faz publicidade porque quer destruir o mundo. É necessário se entender
que sem a publicidade e a propaganda o mundo não existe de certa forma,
porque ela mobiliza desejos, ela ajuda as pessoas a tomarem decisões, elas de
certa forma educa a pessoa para conviver numa sociedade avançada de mer-
cado onde ela tem que tomar decisão o tempo inteiro. Fala-se que as crianças
devem crescer num ambiente estimulante, que as crianças devem aprender a
lidar com a realidade, que a criança deve ser educada a tomar decisões. A
ideia de que a publicidade simplesmente faz de você uma espécie de macaco
repetidor é uma ideia muito antiga de publicidade. A modernidade, a história
da modernidade está intimamente associada com a possibilidade de você ver
as ofertas do que existe no mundo e aprender a lidar com essas ofertas. Nessa
medida a publicidade infantil, ainda que ela tenha risco como qualquer ativi-
dade de mídia, esse risco deve ser trabalhado pelos profissionais de publicida-
de, porque inclusive se você retira a publicidade infantil do ar e das televisões
e redes sociais, onde vai parar a programação infantil? O que sempre me cha-
ma a atenção nessas pessoas que tem um impulso, que na realidade me pare-
ce uma espécie de impulso fascista, é interessante porque hoje existe um tipo
de fascismo que se acha que é do bem, controlar as crianças e as pessoas, pa-
ra fazer com que elas sejam do jeito que essas três ou quatro pessoas acham
que elas devem ser. A publicidade e a propaganda, ela instrumentaliza, ela
manipula toda uma gama de capital, de trabalho, de pensamento, de reflexão
sobre a sociedade, sobre os hábitos, sobre os costumes, e eu vejo a tentativa
de tirar a publicidade infantil do ar simplesmente como uma forma de proibir
brinquedo, ou então aquele tipo de dizer que a gente só vai fazer brinquedo
educacional, que normalmente corre-se o risco de fazer brinquedo chato que
a criança não gosta. Então eu sou radicalmente contra qualquer lei que tente
retirar a publicidade infantil do ar ou qualquer tipo de publicidade e acho que
isso deve ser, refletir sobre a publicidade, deve ser objeto dos especialistas no
assunto.”
 Luiz Felipe Pondé, Filosofo e professor da PUC e FAAP

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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 115
“O nosso mercado tem o Conar, a Abap, tem a ABA. A gente tem uma respon-
sabilidade muito grande, mas a gente tem que ter a consciência de que a pu-
blicidade tem um papel importante na sociedade e criou um instrumento on-
de publicitários discutem ética e discutem a correção, porque educação a
gente dá em casa. Eu não acho que a gente pode culpar ou vilanizar a publici-
dade sobre tudo, sobre todas as coisas. A maior liberdade que um ser humano
pode ter, e é isso que eu procuro fazer com os meus filhos, é dar a eles consci-
ência para que eles possam escolher. E eu entendo a publicidade dessa ma-
neira. É claro que a publicidade está aí para vender, para gerar interesse, nin-
guém tem vergonha de falar isso, não é ruim. Pelo contrário, a publicidade
está aí para educar também. Como em qualquer segmento, tem gente que
passa do ponto, tem gente que acerta o ponto, mas o mais importante é que é
um segmento maduro no Brasil, a publicidade brasileira tem um papel impor-
tantíssimo dentro do cenário global, e que talvez seja um mercado mais ma-
duro sobre o ponto de vista de consciência de órgão reguladores dentro do
próprio mercado. Então eu acho que a gente tem que respeitar e entender
que esse mercado é maduro, mas a grande mensagem aqui, além de respeitar
qualquer decisão destes órgãos, Conar, temos o CEMP, ABAP, ABA, enfim, é
entender que o mais importante é ter discussão correta, que é sobre a educa-
ção que você dá em casa para poder ter a liberdade de escolha, para ter a
consciência das consequências daquilo que você faz. E se existir um exagero,
corrija esse exagero. Que não se puna o mercado, ou se tenha uma visão de-
turpada sobre o assunto, porque a influência boa ou má não vem da publici-
dade, vêm de tudo. Hoje a gente vive num mundo onde qualquer um gera
conteúdo, qualquer um coloca uma mensagem, qualquer um divulga e que
bom que a gente tem órgãos que controlam, órgãos reguladores.”
 Luiz Fernando Musa, CEO da Ogilvy
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“A questão da publicidade infantil merece uma reflexão. É fato que abolir a
publicidade infantil isto seria uma barbaridade. O público infantil é um públi-
co consumidor e isso não é mal em si mesmo. O que se precisa é verificar se
as regras para esta publicidade estão atendendo os interesses da sociedade,
os interesses de proteção dela, desta camada da sociedade a quem se destina
essa publicidade infantil, jovens, as crianças. Assim sendo a OAB se posiciona
mais uma vez o palco desses debates, abrindo suas portas para que se os vá-
rios setores da sociedade, o setor inclusive de publicidade, e os próprios re-
presentantes dos interesses das crianças possam vir debater, se as regras que
temos são suficientes, se precisamos aperfeiçoá-las, se a tendência seria proi-
bir completamente a publicidade infantil e que de pronto já entendemos que
não seria o caminho mais adequado e, nessa esteira, insistir para que tivésse-
mos também a participação dos adultos, das famílias. Não se pode atribuir a
responsabilidade total do que temos nos meios de comunicação e aí precisa-
mos também avançar e pensar em toda essa web, exclusivamente a setores e
a terceiros. É responsabilidade sim da família examinar o que acontece para
que as crianças que estão sobre sua responsabilidade. Acredito que se nós
trabalharmos um grau de conscientização e debatermos profundamente es-
se tema, teremos dias onde os riscos que eventualmente hoje se apresentam,
no futuro, estarão superados.”
 Luiz Flávio D'Urso, Presidente da OAB-São Paulo

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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 117
“Muito mais do que falar para a criança
que uma publicidade é enganosa, é
interessante assumir uma postura. Se
você deixar de comprar um produto
porque você está se sentindo agredido
pela publicidade, você vai conseguir
passar o seu recado para o publicitário
também.”
Maggi Krause
diretora de redação da
revista Nova Escola
Divulgação
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A educação das crianças não é um problema só do Estado. O melhor cami-
nho não é a simples tutela, a simples e pura proibição. A educação das crian-
ças, e eu digo isso até como pai, é um problema de cada um de nós, é um pro-
blema que deve ser compartilhado e debatido pela sociedade brasileira em
todas as suas classes sociais, considerando que hoje é impossível tapar o Sol
com a peneira, porque todos nós, repito e reitero, estamos expostos à mídia o
tempo todo. Para nós da Abap é muito importante nós começarmos esse mo-
vimento no debate aberto com a sociedade brasileira. Nós entendemos que o
Brasil optou por viver na livre inciativa, numa sociedade democrática. Nós en-
tendemos que somos todos responsáveis porque talvez o caminho que pare-
ça ser o mais simples e puro seja a proibição simples. Acontece que a tutela
do Estado não pode substituir o amadurecimento da sociedade brasileira. Nós
vivemos uma mobilidade social ímpar nesse momento no Brasil. Nós vemos
integrantes das novas classes que estão emergindo no consumo, como as
classes C, D e E, muito preocupadas com a educação de seus filhos, extrema-
mente preocupadas com o futuro de seus filhos, investindo boa parte de suas
rendas na formação universitária de seus filhos. Hoje, sinceramente, na era da
tecnologia da informação, é muito difícil proibir o acesso. O melhor caminho
é a evolução desse debate , é o compartilhamento de toda a sociedade brasi-
leira de como os pais podem educar e preparar melhor os seus filhos, como
nós podemos discutir essa nova sociedade e essa nova forma de produção e
consumo que muitos de nós queremos.
Luiz Lara, Presidente da Abap

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“Sobre a proibição da publicidade infantil na televisão, eu acho que não deve
proibir. Já existem órgãos que controlam essa publicidade e o que vai influen-
ciar na vida da criança na verdade é a educação que os pais dão a ela. Então a
questão de persuadir os pais com relação a isso depende só deles, indepen-
dente da proibição dessa publicidade ou não, não tem muito nexo nisso. O
que depende mesmo é a educação que os pais dão para essa criança.”
 Luiza Antonieta Gasparino, Enfermeira

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“Eu acho que a televisão até por causa da ação de órgãos como o Conar, ela já
é muito protegida e para a criança está se tornando cada vez mais irrelevante.
Meu nome é Luli Radfahrer, eu sou professor de comunicação digital aqui na
ECA USP e também colunista de novas tecnologias na Folha de S.Paulo. Eu
acho que essa discussão ela é anacrônica, ela é completamente fora de pro-
pósito, porque a televisão ela já não é mais tão importante. Muitos publicitá-
rios adorariam que a televisão tivesse o glamour, tivesse a importância que
ela teve nos anos 70, mas hoje, honestamente, ninguém mais se lembra de
um comercial que passou na televisão até porque pouquíssimos, principal-
mente entre as crianças assistem televisão. Então boa parte deles está nas no-
vas mídias, boa parte deles está no Facebook, boa parte deles está no Google,
boa parte deles está no YouTube e em uma série de outros produtos como o
Club Penguim que ocupam muito mais da atenção e por tanto do share of
mind e do tempo de uso dessa criança do que na TV. Então eu acho que é im-
portante ampliar essa discussão e tirar um pouco da importância que ela tem
no veto sobre a TV que ele vai ser completamente inócuo. Até a gente pode
fazer um paralelo da guerra as drogas, a guerra às drogas ela faz tanto baru-
lho, ela chama tanta atenção para a proibição das drogas que ela se torna
completamente ineficaz, boa parte das vezes o consumo de droga é igual ou
maior depois de toda uma campanha de guerra às drogas na TV. Então acre-
dito o seguinte, se a intenção é nobre, essa discussão tem que ser ampliada e
eu acho que a arena da televisão é uma arena pequena demais para isso, prin-
cipalmente para o público infantil.”
 Luli Radfahrer, Professor da ECA/USP

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“A ideia dos pais, aliás uma ideia contemporânea de que a criança vive dentro
de um castelo, como um pequeno monarca protegida do mundo, foi uma
coisa que aconteceu no pós guerra até agora. Até a década de 50, a criança
brincava e corria na rua em cidades menores. Até a década de 80, 90 a criança
corria e brincava na rua. Hoje em dias as redes sociais são as novas ruas. En-
tão uma criança mesmo que ela esteja exposta à comunicação dos pais e da
escola, ela esta exposta a isso em redes, em pequenos jogos como Angry Bir-
ds, como Club Penguim, como os vários ambientes de jogos do Facebook e
outras redes como o Instagram. Eu acho que se o pai quer preparar a criança
para o mundo, ele tem que colocar a criança no mundo e ele tem que ir com
a criança onde ela está. Não adianta tentar plastificar a criança porque ele não
tem tempo para lidar com ela. Quer dizer a criança está livre, ela está aberta a
um contato com outras pessoas e você, pai, vai ter que arranjar tempo para
ficar com ela. Ela vai procurar o acesso online porque ela vai procurar os ami-
gos. Eu acho que a publicidade na televisão, ela é uma publicidade de que es-
timula fantasias, estimula a criança a brincar, não leva necessariamente a
compra deste ou outro produto. Eu acho que nesse ponto de novo a internet
muito mais assertiva e muito mais direta. Eu escrevo o nome de uma boneca
no Google e ai qualquer criança sabe fazer isso, a resposta que vai cair ali vai
ser a reposta de uma página que vai estar realmente malhando e dizendo que
aquela é a melhor boneca do mundo. Se eu procuro isso no Facebook vai cair
na página dessa boneca no Facebook que é muito mais assertiva e pega a
criança num momento de fragilidade.”
Luli Radfahrer, Professor da ECA/USP

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“Eu tenho uma filha de 22 anos e um de 18. Eu não tenho nada contra a pro-
paganda, pelo contrário, acho que estimula a criança a entender um monte
de coisa. Acho que não tem que ser proibido não, porque a proibição tem que
ser em casa, a educação em casa, você educa a criança em casa. Não é a pro-
paganda que vai fazer a criança ser consumista ou não.”
 Madiana Jaques Alves, Secretária
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“Os pais têm que entender que não é a
publicidade que faz o filho deles querer
tudo. É sim o pai e a mãe não estando
junto com o filho e explicando tudo
que aquilo que ele está vendo, tanto na
TV como com o amiguinho. Só assim ele
vai aprender a ter um comportamento de
consumo coerente.”
Maria Irene Maluf
ex-presidente da
Associação Brasileira
de Psicopedagogia
J.R.Duran
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“Eu concordo com a publicidade dirigida ao público infantil, desde que esta
não machuque os valores infantis, desde que os pais e integridade das crian-
ças e toda gente que pais, que publicitário, marketeiros, todos nós devemos
ser responsáveis, mas acho que não se deve proibir esse publicidade, uma
fonte de informação até para os pais também e crianças, portanto sou contra
a lei de proibir a publicidade infantil, mas repito, com toda a integridade e res-
ponsabilidade moral que as crianças merecem e merecem o nosso respeito.”
 Magda Vera Guimarães Amaral, Diretora de Marketing
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“Além de estar em casa ao lado dos filhos assistindo a TV, às vezes chama a
atenção algumas publicidades que têm um conteúdo que não combina com
os valores da família, então assim, muito mais do que falar para a criança que
uma publicidade é agressiva que é enganosa, é interessante você também as-
sumir uma postura, quando você está no supermercado com eles dizer, “eu
não vou comprar esse produto, porque esse produto eu vi em uma publicida-
de que não era bacana, a publicidade trazia valores ruins, mensagem ruim, eu
vou deixar de comprar esse produto por isso e por isso”, explicar isso para a
criança. Então eu acho que você consegue criar muito mais um senso crítico,
você consegue criar uma postura crítica e não comprando. Acho que assim
como os jornalistas os publicitários têm um grande poder na mão de comu-
nicar mensagens que podem ser superpositivas e também levar a mensagens
enganosas e abusivas que é isso que a gente não quer. Em outros países co-
mo a França por exemplo, os boicotes são super comuns porque as pessoas
se sentem agredidas por aquela mensagem e decidem “vamos boicotar”, e o
produto fica encalhado na gôndola do supermercado, é comum isso lá, muito
comum isso lá. Aqui no Brasil as pessoas têm pouco senso critico e esquecem
rápido, vão no supermercado e compram o que querem e deixam a criança
escolher o que quiser. Eu acho interessante dar limites e falar assim, “ isso eu
não posso levar, eu não quero levar, isso eu não vou levar porque a publicida-
de me agrediu. E se você deixar de comprar um produto porque você está se
sentindo agredido por aquela publicidade, por aquela mensagem você vai
conseguir passar o seu recado para o publicitário também. Acho que os edu-
cadores se quiserem até trazer para a sala de aula as discussões sobre a publi-
cidade, mostrando que existem mensagens que são positivas que estimulam
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 123
o cuidado com o meio ambiente, a sustentabilidade, descarte correto das em-
balagens, mas também existe publicidade abusiva e enganosa, então além se
estimular esse senso crítico nas crianças, também é interessante falar para
eles que eles têm o poder, eles podem consumir ou não o produto e isso de-
pende deles, então eles vão fazer o juízo de valor sobre as mensagens e de-
pois vão decidir se compram ou não. Eu acho que os alunos também vão se
sentir empoderados, vão se sentir diferentes e eu acho que cabe aos profes-
sores também mostrar para eles a diferença entre a publicidade que tá pas-
sando bons valores e maus valores”.
Maggi Krause, Diretora de redação da revista Nova Escola
e 
“Propaganda tem que existir, ela é o marketing de uma empresa. Só cabe aos
pais orientar isso e dar limite para as crianças, porque elas sabem o que deve
ser comprado ou não. Os pais têm que estar do lado e fazer isso com esse
controle. Agora, a propaganda é muito importante, isso tem que existir, não
pode ser barrado de forma alguma.”
 Mara Relva dos Santos, Secretária

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“Sou contra a proibição da publicidade infantil, porque eu acho que são os
pais que devem educar os filhos, dizendo a eles aquilo que pode e o que não
pode. A minha filha eu criei assim. Ela sempre assistiu programas, as propa-
gandas e nunca me deu problema, porque eu sempre soube explicar para ela
o que podia e o que não podia.”
 Marcelina Catarina Vidal Coelho, Auxiliar de Ateliê

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“Eu sou a favor da publicidade infantil desde que ela seja feita com responsa-
bilidade, talvez com algumas regulamentações devidas porque a propaganda
deve existir, não só para os adultos, mas também para as crianças e idosos.
Então proibir a propaganda infantil eu sou contra.”
 Marcelo Assumpção, Bancário

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“Eu acho uma tragédia a proibição, justamente porque a gente está falando
de um exercício democrático da discussão, mas também acho que não preci-
sa primeiro avacalhar para depois discutir, eu acho que existem algumas re-
gras e que são regras que podem ser discutidas anteriormente por uma rede
multidisciplinar não só de publicitários ou investidores que vão vender seus
produtos e que pense a respeito da linguagem que vamos nos comunicar.
Meu trabalho em algumas empresas é exatamente pensando nisso, as em-
presas me chamam e falam “quero vender tal produto”, e eu os ajudo a pensar
nessa linguagem, para que criança vocês querem vender? Que linguagem
vocês pensaram em usar? Essa linguagem é muito estereotipada vamos pen-
sar no futuro dessas crianças, vamos pensar nas famílias escutando essa lin-
guagem que vocês escolheram, vamos pensar em como criamos a imagem
do produto, levando em conta lógico o desenvolvimento infantil, levando em
conta todas as percepções a respeito da infância. Então eu acho que proibir
não é, mas a gente precisava regular com uma rede multidisciplinar pensan-
do nos aspectos sociais, psicológicos, financeiros porque não. Algumas em-
presas já tomaram consciência um pouco disso tanto que me chamaram pa-
ra fazer, e eu acho muito interessante que eles tenham chamado o professor,
um educador para falar a respeito da infância para ajudá-los a construírem
essa imagem da infância e não outro publicitário. Tinham todas essas figuras
lá, mas ter a figura do educador como alguém que avaliza a campanha, va-
mos dizer assim, eu acho absolutamente louvável inclusive para nós educa-
dores, para a profissão de professor, educador. Então eu acho que proibir me
dá medo, pedagogicamente vamos dizer assim, acho que proibir o que diz
respeito as questões pedagógicas, a educação, não é o melhor caminho”.
Marcelo Cunha Bueno, Colunista da revista Crescer
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 125
“Proteger uma criança é oferecer a ela
critério de escolha, não é retirá-la de um
ambiente. Alguns pais acham que se eles
deixarem os filhos em casa sem TV ligada,
sem internet, sem acesso às redes sociais
eles ficarão protegidos. Eles ficarão
isolados e se há alguma coisa que
deseduca é o isolamento.”
Mario Sergio Cortella
professor de educação
da PUC-SP e mestre
em filosofia.
Divulgação
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Muito se fala que a propaganda brasileira é uma das melhores do mundo, por cau-
sa dos prêmios, pelo reconhecimento, pela criatividade. Agora é importante dizer
aqui que a propaganda brasileira é uma das melhores do mundo porque ela é uma
das poucas que têm um sistema de autocensura que já está estabelecido há muito
tempo, que é o controle feito pelo Conar, que é feito pela própria sociedade, pelos
próprios publicitários, pela sociedade em geral, por todo mundo que tem no Conar
uma fantástica ferramenta de controle e de controlar os abusos. Eu acho que uma
sociedade só é madura quando ela tem a capacidade de se auto gerir e ela não
precisa de uma tutela, nem do estado, nem de uma parcela da sociedade. Essa ne-
cessidade de tutela, de cima para baixo, paternalista, faz parte de um Brasil antigo,
não do Brasil moderno. O Brasil moderno, uma sociedade moderna como a brasi-
leira, tem que ser capaz de os seus pais, as pessoas envolvidas, todas as pessoas
envolvidas de discutirem e melhor gerirem as necessidades que a sociedade tem.
No caso específico da propaganda infantil, eu como pai, sou pai de três filhas e es-
tou esperando mais um filho agora, eu tenho a capacidade, fui educado para edu-
car os meus filhos. Não quero e não admito que o governo ou uma parcela da so-
ciedade, eu não responsabilizo e nem entrego a tutela dos meus filhos para nin-
guém, eu sou responsável por ela. Então eu acho que o Brasil moderno não precisa
de tutela e acho que o Brasil moderno é diverso, ele tem opiniões distintas, dife-
rentes, o que é certo para mim pode ser errado para outra pessoa. Então nós temos
que conversar, sentar juntos e descobrir qual é o denominador comum onde nós
podemos chegar a uma conclusão. O radicalismo não leva a lugar nenhum. Eu
acho que o publicitário, quando cria, ele tem dentro de si um pai, um marido, uma
pessoa responsável. Não tem como evitar isso. As pessoas podem imaginar que
publicitários não tenham filhos, que quem cria a propaganda infantil é um irres-
ponsável, um louco, um desvairado que cria conteúdos perninciosos para as crian-
ças do Brasil. Não é assim, eu sou pai e aqui na criação, por exemplo na Almap, eu
acho que 80% das pessoas tem filhos e trabalham com filhos, então o bom senso
faz parte disso. Além do bom senso, porque confiar apenas no bom senso pode ser
perigoso, há uma série de regras já institucionalizadas dentro do mercado pelo
Conar e essas regras mudam dia a dia, elas evoluem de acordo com a necessidade
da sociedade, que impedem uma série de coisas na propaganda, não só a infantil
como a propaganda geral. E esses impedimentos foram acordados pela sociedade
e nós, publicitários, somos obrigados a repeitá-los.
Marcello Serpa, Sócio-presidente e diretor de criação da AlmapBBDO

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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 127
“Eu sou mãe de dois filhos, avó do Miguelzinho de 5 anos e sempre eduquei
os meus filhos assim vendo televisão, vendo propaganda. É normal que crian-
ça peça mesmo, mas a gente tem que orientar, falar que agora eu não posso,
não tenho dinheiro. Conversar, conversar e instruir bastante, porque se eles
não veem na televisão eles vão ver na rua, vão ver num jornal, numa revista.
Então é conversando, orientando, sabendo explicar tudo direitinho que a
gente consegue as coisas com as crianças.”
 Marcia Bersi, Secretária
 
e 
““Eu acredito que a publicidade infantil nunca atrapalhou em nada no desen-
volvimento dos meus filhos. Eu acho que os pais é que sabem o que devem
deixar ou não os filhos assistirem e no meu caso sempre foi ótimo, inclusive a
gente acompanha junto e sabe o que eles estão vendo. Então eu sou a favor
de que continue sim.”
 Marcia Martinelli, Pedagoga

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“A publicidade tem uma força muito grande, ela é muito poderosa em todos
os públicos, não só o infantil, mas o adulto também. Portanto, ela tem um pa-
pel, uma responsabilidade e um dever de educar e mudar a sociedade para
melhor. Todos os públicos são influenciados pela força da comunicação, ela
tem que ser responsável, educar, passar bons conceitos e é muito importante
que a gente não cerceie a liberdade da publicidade, devemos sim cobrar dela
a enorme responsabilidade e força que ela tem. Essas coisas podem caminhar
juntas muito bem, não há nenhuma incompatibilidade em juntar força, influ-
ência e dever de ser responsável com a informação que é passada, seja para
crianças ou adultos.”
 Márcia Vilela Neder, Diretora do núcleo de saúde, beleza e bem-estar da Editora Abril
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“A propaganda infantil, ela deveria passar também nos horário nobres, onde
pais e mães estão em casa que poderiam opinar sobre os brinquedos ou os
produtos para alimentação. Não só nos horários infantis, onde às vezes a gen-
te até desconhece em determinado momento o que a criança está falando,
porque não passa nos nossos horários.”
 Márcio Naur Bonifácio, Corretor

e 
“No fundo, banir, tirar, simplesmente dizer não para qualquer tipo de comunica-
ção é você tirar o poder que a gente tem de juntos ajudar as pessoas a criar um
critério de escolha do que elas querem ou não fazer, e um critério de não consu-
mir. A gente é cúmplice, a gente é responsável, a gente tem uma série de obriga-
ções não só com o que a gente vende para os nossos clientes, mas com o efeito
disso na vida deles. Então tudo o que a gente comunica, a gente tem a responsa-
bilidade sobre isso depois. E como responsáveis, a gente tem a obrigação de en-
tender se isso tem um efeito ruim na vida das pessoas, sejam elas crianças, idosos,
jovens, não importa. No caso específico das minhas filhas Maria Luiza e Isabella,
eu sou duplamente responsável, porque eu sou responsável da minha vida em
casa. Então se aqui eu posso contar com o Conar por exemplo, que autorregula
há anos e muito bem, eu tenho que ser o meu próprio Conar em casa, e o meu
próprio Conar, ao aprovar, ao levar uma ideia para o cliente que eu sei que vai ter
influência na vida da minha filha. Então eu jamais levaria algo que fosse impossí-
vel ou que prejudicasse a vida delas, eu jamais levaria. Se a gente acha que a tele-
visão é o que tem que ser banido porque é o que atinge maior número de pesso-
as, eu queria colocar um ponto que hoje mais de 80 milhões de pessoas acessam
a internet. Existem 90 mil lan houses no Brasil em que as pessoas acessam, smar-
tphones tem mais do que linha fixa. Então a mensagem se é ruim, vai chegar de
qualquer jeito para o seu filho, para o jovem, para o idoso e não é você que vai
proibir. Como profissional eu tenho uma responsabilidade clara de orientar o
conteúdo que vai ser digerido pelo público que vai consumir ou vai receber a co-
municação. Então eu estou aqui e tenho obrigação de falar com o meu cliente so-
bre o que ele vai querer comunicar, se isso pode ser abusivo ou não, se pode ser
apelativo ou não, o que for. Nesse caso, eu estou agindo como profissional, mas
eu não consigo me separar do pai de gêmeas. Portanto eu já coloco aqui como
imput, como responsável que sou dos meu filhos, eu já coloco dentro das reuni-
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 129
“A proibição é sempre um
palavrão, ela tira a sua
possibilidade de argumentar, de
dialogar, de falar, de passar
suas ideias, de discutir e de
aprender com o outro lado”
Maurício de Sousa
Criador da Turma
da Mônica
Divulgação
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130
ões que eu participo, dentro das minhas conversas com o cliente, o que eu acho
que duas crianças podem receber como comunicação e como conteúdo, eu te-
nho que colocar isso. E em casa, como a gente não controla tudo, como a gente
acredita na autorregulamentação, eu oriento elas, e é meu papel orientar, porque
eu sou pai, eu sou responsável por elas, o que é essa distinção entre o que é ape-
lativo e o que não é. E eu não estou falando da televisão, estou falando de toda e
qualquer comunicação que elas recebam.”
 Márcio Oliveira, Vice-presidente da Lew/Lara

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“A respeito da publicidade sobre propaganda infantil, eu não sou contra pelo
fato de que seja com bastante responsabilidade e educativa. Eu com minha
filha quando era pequena, eu sempre assisti com ela o que ela estava assistin-
do e acompanhei o crescimento dela juntamente com programas educati-
vos. Eu sou a favor de propagandas e da educação.”
 Maria Angélica Rocha Prieto, Autônoma

e 
“Eu sou a favor da orientação da publicidade infantil, eu não sou contra. Eu
acho que tudo tem que ser em harmonia, porque nós vivemos em um mundo
que tudo anda junto, não tem jeito de separar. Cabe aos meios de comunica-
ção fazer uma propaganda sensata, coerente, educativa também e aos pais,
educadores, escola, fazer um trabalho de complementação mostrando para
as crianças que as coisas existem, mas que tem os efeitos bons e tem os efei-
tos ruins, e eu sou responsável pelas minhas escolhas.”
 Maria Aparecida da Silva Teixeira, Orientadora Educacional

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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 131
“Publicidade é tudo de bom, independente se ela está na TV, ou mídia impres-
sa. O que faz a criança cobrar, pedir num ponto de venda aquele tal produto
que está na mídia, não é porque ele está na mídia, é porque ele viu na mão de
algum coleguinha, ou na escolinha, ou de um primo, ou no mercado que foi
com a mãe fazer uma compra. Eu tiro isso pelo meu filho, meu filho nem era
muito de ficar na frente da TV, porque ele ficava mais no videogame, e quan-
do eu ia fazer compra ele tinha já a comprinha dele, à parte. E aonde é que ele
via aquilo? Na mão de amiguinho, na escolinha, na escolinha de futebol ou na
escolinha de natação. Então a mídia não interfere, porque desde pequeno eu
eduquei ele assim. Ele vai, ele tem um limite, “filho, você pode pegar três coi-
sas”, então ele ia escolher dentro das três coisas o que ele queria mais ali, e ele
nunca deu show em ponto de venda. Tipo, sabe aquelas crianças birrentas?
Que chega esperneia, “ai, eu quero, eu quero, eu quero” e o pai e a mãe vai lá
e compra, não. Desde pequeno antes de sair de casa eu já falo “é assim, assim,
assado, desse jeito, tudo bem?”, “tudo bem”. Foi assim que eu criei ele hoje e é
assim que ele está fazendo com a minha neta, que eu tenho uma neta de um
ano e meio.”
 Maria Bezerra, Supervidora de Vendas

e 
“A publicidade infantil é importante, porque a criança tem que se inserir no
mundo atual. Ela tem que entender que ela pode consumir e que ela é impor-
tante no mundo. Portanto, não deve haver proibição. O que deve ter é uma
propaganda bem feita que saiba colocar a criança no mundo dela, não pas-
sando da idade e de limites. É muito importante haver propagandas para
crianças, desde fralda, roupa e alimento.”
 Maria Cristina Carrasco, Professora

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“Eu acho que é besteira (a proibição da publicidade infantil) porque hoje em
dias as crianças já têm opinião própria, e já sabem entender e compreender
quando o pai pode ou não pode. Porque quando eu fui criança também tive
dificuldade na família, não tinha brinquedo e assistia programa, que tinha in-
formação que você, no programa da Xuxa que tinha um café da manhã mara-
vilhoso cheio de coisas gostosas e eu tinha a consciência que a minha família
não podia comprar. Então eu acho que é besteira, o governo deveria cuidar
de outras coisas, porque os pais sabem o que a criança pode ou não pode e
sabe instruir os filhos. Se fosse antigamente tudo bem, mas hoje as crianças
são mais abertas, já têm mais informações, a internet, não vai incomodar tan-
to os pais. Eu acho que é besteira, acho que é até legal propaganda infantil,
até a opinião delas do que ela quer ou não quer. Escolher o brinquedo que ela
quer ou não quer. É um direito da criança.”
 Maria Cristina de Oliveira, Organizadora de Eventos

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“A publicidade não tem nada a ver com o consumo, porque são os pais que
levam as crianças a consumirem e não a sociedade, a sociedade não tem na-
da a ver com isso. Quem tem que educar seus filhos são os pais, ou seja, quem
vai ao supermercado fazer compras são os pais e não as crianças. Estou com
a minha sobrinha aqui hoje mesmo, saímos desde cedo, ela já pediu diversas
coisas e eu disse não. Então, não é a publicidade, não é o governo, o governo
não tem nada a ver com isso, e sim os pais.”
 Maria das Graças Oliveira, Enfermeira

e 
“Eu sou contra qualquer proibição, principalmente da publicidade para a
criança. Quem determina o que meu filho deve assistir ou deve ler, sou eu, a
mãe, o pai e não o governo. O governo somos nós. Se nós votamos para esse
governo ele tem que ser democrático e ele está aí para nos servir e não para
proibir. Se ele pensa em proibir alguma coisa, primeiro ele deve consultar o
povo, o plebiscito está aí para isso. Eu sempre quero votar.”
 Maria de Fátima Machado Prates, Bancária

e 
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 133
F
“Tudo aquilo que for um
proibicionismo relacionado à
publicidade corre o risco de
ser uma medida autoritária
e que não traz benefício às
pessoas.”
Mauro Gomes Aranha
Vice-presidente do
Cremesp (Conselho
Regional de Medicina
do Estado de São Paulo)
Divulgação
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134
“Você dificilmente vai ter pela televisão um grande choque de novidades, en-
tão o desejo real, a briga real está no vizinho. Então não adianta mais dizer
que a mídia é culpada, a televisão é culpada, ou a publicidade é culpada pelo
fato de que nossos filhos estão se tornando consumistas. Acho que talvez nos
devêssemos refletir uma postura anterior ao que a gente tem de falar assim
“Ah o meu filho não mente, o meu filho é ótimo, são as más companhias que
estão levando ele para esse caminho”. Não na verdade não são as más com-
panhias, é porque o seu filho não está sendo suficientemente forte ou sufi-
cientemente capaz de refletir sobre o que os outros falam, porque ele não es-
tá tendo argumentação pessoal, porque ele ainda é pequeno e precisa de pai
e mãe para o ajudarem a refletir sobre as coisas, eles precisam desses tutores,
que são os tutores naturais para ele poder refletir sobre um monte de coisas.
Também acontece isso em relação ao que ele vê na internet, o que ele vê nas
revistas, o que ele vê na televisão, as publicidades, também vê no shopping,
nas ruas, nas lojas, enfim, ele tem que ter um discernimento que ele só vai ter
no momento em que for amadurecendo, compreendendo do que é que se
trata aquelas coisas, do que se tratam aqueles estímulos e o que é bom para
ele ou não. Agora, isso a gente só aprende na prática, não tem nenhum livro
que você vá ler para o seu filho todos os dias à noite e que ele vai aprender,
não, ele só vai aprender se você sentar no sofá com ele e assistir uma propa-
ganda e falar “meu filho o que você vai fazer com esse pônei de um metro e
vinte de altura que se mexe sozinho e é um brinquedo e daqui há seis meses
não vai estar mais funcionando, e que graça tem ter um pônei que chacoalha,
que se mexe mas você não vai poder andar nele, ou para que serve esse tren-
zinho, para que serve esse novo tênis, ou para que serve tudo isso se você já
tem um muito parecido em casa, para que serve você ter cinco celulares se o
que você tem ainda tá funcionando e ainda tá ótimo, vamos pensar em uma
outra coisa quando houver a oportunidade, quando for seu aniversário?” En-
sinar a criança a raciocinar o que é aquilo realmente que ela quer, será que
aquilo que ela quer é realmente aquilo que ela deseja, será que ela precisa da-
quilo, será que aquilo vai fazer ela mais feliz? Isso a gente aprende no dia a dia,
com experiência e errando também, e os pais tem que entender que o feijão
não é culpado pelo fome, não é a publicidade que faz o filho dele querer tudo,
“eu quero, eu quero, eu quero”, é o pai e a mãe que não estando junto com o
filho, não explicando para ele a cada momento que aquilo que ele tá vendo
que tá chamando tanto a atenção dele, tanto na TV quanto no amiguinho
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 135
que ele vai aprender a ter um comportamento de consumo coerente cons-
ciente”.
Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005
a 2007)

e 
“O meu filho só compra se eu pagar, portanto se eu falar para meu filho, “não,
agora não é hora”, “não, mais tarde eu vou pensar nisso”, “quando for seu ani-
versário talvez a gente volte a falar nisso”, com certeza uma série enorme de
outras coisas já terão ocupado o lugar daquela. O desejo da criança já vai ter
mudado de lugar e vai ser uma ótima ocasião dos pais falarem “você se lembra
há três meses atrás que você me pediu um tênis tal, hoje não é mais aquele tê-
nis que você quer, pensou se eu tivesse comprado? Então é ir ensinando aos
pouquinhos na realidade o que acontece e nunca dizer a propaganda é quem
faz com que eu compre porque meu filho fica o tempo todo pedindo. Bom eu
estou mais preocupada com o bem estar, com a educação que eu estou dando
para o meu filho, ou como os meus amigos, os meus vizinhos vão falar o que eu
dou ou não dou para o meu filho. Eu tenho que pensar também minha postura
como pai, como mãe, e essas questões também eu vejo muito ligada a alguns
grupos que falam que a publicidade é que faz tudo isso, que as crianças serem
consumistas é culpa do excessivo apelo do mercado, oras vejam bem, esse é o
mundo em que vivemos, o mundo globalizado, se ela não vai olhar na televisão
ela vai olhar na internet ou nós vamos desligar a internet também? Ou ela não
vai mais no cinema? Ou ela não vai mais ver novela? Ou vai ver propaganda pa-
ra adulto, vai querer comprar o sapato e a bolsa que esta sendo divulgado, o
shampoo que está sendo divulgado para a mãe. Sim porque ela vai ver televi-
são, ninguém vai desligar a televisão o dia inteiro. E também por outro lado ela
não vai deixar de ver as outras pessoas, e as outras pessoas têm acesso a inter-
net, ela tem um pai que desliga a internet, desliga a televisão, e ainda que o pai
pertença aquele grupo de pessoas que acham que podem viver longe do mun-
do de consumo, apesar que moram num mundo de consumo, eles querem
ilhar os filhos, eles têm que pensar que tipo de preparo estão dando para os fi-
lhos para o dia em que eles não estiverem mais presentes, porque a gente não
educa para hoje, nem para o momento em que a gente está presente com o fi-
lho, educação é justamente você educar, criar hábitos, costumes valores, arrai-
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136
gar esses costumes esses comportamentos do teu filho para o momento em
que você não estiver presente ele continuar agindo como você acha que você
ensinou, ou que você pretende ensinar, ou como você gostaria de vê-lo agir.
Não adianta nada eu falar para o meu filho “olha você não pode roubar e eu fi-
car o tempo todo tomando conta da mãozinha dele, ai eu viro as costas ele vai
lá e rouba, porque eu não trouxe para ele valores reais, também não adianta
nada falar que meu filho rouba pelas más companhias. Não, vamos verificar se
são as más companhias que estão na verdade se aproximando de alguém igual,
ou se meu filho não está precisando mais da minha orientação, mais que eu
conte para ele como é que é mundo onde eu o coloquei e traduza para ele esse
mundo e o faça forte para viver dentro desse mundo cheio de apelos, apelos
bons e apelos ruins, mas eu que sou a responsável por essa questão, por fazer
dele uma pessoa que sabe escolher”.
Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005
a 2007)
e 
“A outra coisa que hoje se impõe a pensar é mudaram as crianças? Será que
as crianças deixaram de ser as mesmas crianças? Ou será que mudaram os
adultos? Mudou a forma de como os adultos educam os seus filhos. Acho que
esse é um ponto importante para a gente pensar, porque se eu estou diante
de uma televisão vendo o meu filho e tem uma publicidade, e o meu filho de
repente naquela propaganda ele se torna refém daquela produto, se eu falar
para ele, “não esse produto não é para a gente, eu não quero te dar isso, eu
não posso te dar isso, talvez eu te dê isso um dia”, isso é uma postura de pais
reais, de pais que dão o limite, mas até que ponto hoje os pais estão interessa-
dos em dar os limites para os filhos? Eu ouço coisas as vezes coisas assim “ah
coitadinho ele já vive numa vida tão regrada, tem horário para sair para voltar,
escola, todas as aulas particulares disso e aquilo, e ainda vou impor alguma
coisa a mais para ele? Que tipo de educação é essa que está se dando né? Isso
não é real. Então essa criança que hoje tem pais que não querem lhe dar limi-
tes são crianças que são as mesmas que aqueles pais foram, que os avós fo-
ram e os bisavós foram, só que os pais, os avós e os bisavós foram adultos di-
ferentes que sabiam dizer não que sabiam, ou queriam e faziam quando que-
riam justificar a sua decisão, mas as mantinham, mantinham decisões. Hoje
os pais dificilmente mantêm decisões, eles acabam se deixando levar pela in-
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 137
“Nós temos liberdade nos
veículos, nos seus editoriais,
porque nós temos uma
publicidade privada. Ou seja,
atingir a publicidade é também
atingir a democracia.”
Milton Monti
Deputado federal e
presidente da Frente
Parlamentar de
Comunicação Social
Divulgação
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138
sistência dos filhos e se você quer perder a autoridade eu tenho uma receita
superfácil, “diga sim depois de ter dito não”. É uma vez só na vida. Você nunca
mais vai ter problema com isso, seu filho para sempre vai saber que ele pode
vencer você, que o seu não é uma coisa momentânea Então é uma questão
de opção, a educação é uma coisa difícil por conta disso, a gente tem que
manter a palavra da gente e as vezes manter a palavra as vezes é muito mais
difícil do que a gente pode imaginar a principio”.
Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005
a 2007)
e 
“Entre essas publicidades eu vi algumas quando eu era criança, porque quan-
do eu nasci já havia televisão, então o que eu percebo e fico pensando ao lon-
go desse trajeto é que antigamente não tinha tantos grupos que analisavam,
criticavam sobre o que a publicidade faz com as crianças, então a publicidade
corria muito mais solta. Quem me disse que ela era mais ingênua, eu vou di-
zer que não ela era tão compromissada com a venda quanto ela é hoje, por-
que publicidade sempre foi publicidade ela na verdade sempre teve o mesmo
objetivo que é venda, tornar um produto tão sedutor a ponto que você o
queira ter, que é o seu desejo. Acontece que como não havia quem criticasse,
as pessoas não se colocavam na posição que estão hoje, de achar que ela é
ou pode ser a grande vilã da história substituindo o trabalho ou o momento
desagradável que eu tenho que ter com o meu filho. A publicidade ela é meio
cruel até eu posso dizer essa palavra antigamente, porque com as questões
mais ligadas a respeito a criança ou ligada mais a respeito da idade da criança
ou as questões ligadas a grupo étnicos ou cor de pele, ou religião, coisas as-
sim não eram tão olhadas, tão criticadas tão respeitadas, praticamente tudo
podia, então eu ter e você não ter era uma coisa comum, me lembro muito
bem disso. Coisas do tipo “você tem que pedir para ao papai também era co-
mum, hoje eu não conheço nenhuma publicidade e eu já rodei vários canais,
não tem nada similar a isso. Publicidade hoje em dia ela acaba sendo um jogo
muito mais limpo, aparentemente a criança tem mais chance de aprender e
discernir. Agora uma verdade é clara nenhuma criança nasce sabendo ela
precisa de um pai ou de uma mãe para traduzir o mundo onde ela vive”.
Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005
a 2007)
e 
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 139
“Outra questão também que a gente fica pensando é o quanto se terceiriza a
educação das crianças. Hoje a gente arranja profissionais praticamente para
tudo e outras pessoas para tudo. Então hoje a escola ela não da mais somente
a educação formal, ou seja, ela não apenas transmite ou ajuda a criança a
buscar o conhecimento, hoje ela tem que estar mais do que nunca dando al-
guns valores para as crianças e dando conhecimentos para as crianças bási-
cos e até mesmo de etiqueta. Não é raro você pegar escola hoje em dia que
ensina a criança a comer a mesa, uma fato que qualquer uma aprendia com
três anos de idade antigamente. Então esse tipo de postura também me pare-
ce que leva a mesma situação, eu tenho que arranjar alguém ai que é o culpa-
do pelo fato de que eu não consigo brecar os desejos do meu filho, os pedi-
dos do meu filho, então vamos lá, ou eu arranjo um profissional que faça isso
ou eu arranjo um bode expiatório, no caso a publicidade. Agora a gente sem-
pre pergunta, “tá ótimo meu filho não vai ter propaganda para ele, poxa que
bom ele não vai ter mesmo, mas também provavelmente ele não vai ter ca-
nais infantis”, porque a realidade é uma só, os canais infantis só se mantêm
com publicidades feitas em cima de crianças, e isso não é usar crianças, isso é
fazer alguma coisa para educar essas crianças para serem consumidoras no
futuro. Depende de quem? Dos pais saberem dosar e saberem trabalhar a res-
posta dos filhos referente a esses estímulos. Eles nunca vão poder tirar os ba-
res que têm nas ruas, não é porque o filho dele passa na porta de um bar que
o filho dele será um alcoólatra, porque ele vai mostrar que não é para ter
aquele comportamento, então da mesma forma ele vai mostrar que não é pa-
ra comprar 50 sandálias coloridas porque ele não tem 50 pés, não é uma cen-
topeia exatamente. Então essas coisas pequenas que de fora parecem ser
simples, no dia a dia são cansativas e por conta disso as pessoas tendem mes-
mo a querer que outros sejam os culpados pela situação e não eles os deten-
tores realmente do sim e do ano e portanto do limite. Portanto muitas vezes
de queimar o seu filme com os seus filhos de não ficarem tão bonitos e serem
tão amados quanto ele seriam se eles falassem sempre “sim sim sim”, ou vir-
gula, nem sempre são tão amados porque falam “sim sim sim”.
Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005
a 2007)

e 
WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR
140
.“Na minha opinião, a publicidade infantil tem que ser liberada normal. Isso é
uma determinação dos educadores das crianças, permitindo o acesso ou não.
Mesmo porque eu acho que proibir é subjugar o nível de educação do públi-
co brasileiro. Então acredito que o Brasil, o brasileiro em si está em uma fase
muito mais evoluída, e que os pais tem condições de discernir o que é bom e
o que não é bom. Então eu acho que tem que haver a liberalidade normal, a
propaganda deve ser livre mesmo. E cabe a cada um educador a responsabili-
dade de permitir esse acesso ou não.”
Mário Jorge Muralha, Economista

e 
“Como nós estamos no mundo em que a publicidade ela é uma parte ineren-
te e com as plataformas digitais hoje ela chega com muita velocidade, instan-
taneidade, simultaneidade e mobilidade no cotidiano, um pai e uma mãe se-
riam tolos se imaginassem que bastaria fechar os olhos em meio a um tiroteio
para não ser atingido. Por isso é uma questão a ser enfrentada. Eu não gosto
muito da expressão publicidade infantil porque o infantil ai ao aparecer como
um adjetivo ela da a impressão que você esta infantilizando a publicidade e
ela não é uma publicidade infantil, apenas dirigida à infância. Uma parcela
dessa publicidade ela faz com que aja uma deturpação do sentido original da
propaganda que é informar, divulgar e claro comercializar um produto, mas
de maneira nenhuma pode se alienar, porque todas as vezes que o é, embora
seja propaganda, é uma má propaganda. Quando a família, quando ela lida
com o mundo que há uma serie de demandas, ela precisa muita cautela para
não fazer com que a criança fique solta nesse mundo sem uma orientação.
Esse orientar significa que a família precisa sim prestar atenção a aquilo que a
criança esta exposta, não para impedir que ela tenha qualquer exposição, mas
para fazer com que essa exposição seja crivada por reflexões, por condutas e
ao mesmo tempo por direções, e em segundo lugar pais e mães precisam ter
clareza no que deseja em relação a formação de seu filho, por exemplo: se eu
quero um filho ou uma filha de qualquer idade que seja “consumólotra” que
tenha uma obsessão pela propriedade então é evidente que eu vou deixá-lo
solto em relação a qualquer coisa, mas se eu quero por exemplo uma criança
que seja capaz do consumo consciente, da capacidade de acesso sem ne-
nhum tipo de doença de consumo, que ele seja capaz de utilizar a publicida-
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aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 141
“A publicidade infantil é muito
importante, é importante como uma
forma de educação, de orientação
às nossas crianças para formar
o seu caráter, a fim de que elas
possam ser cidadãos da nossa
sociedade na sua plenitude.”
Ophir Cavalcante
Presidente Nacional
do Conselho Federal
da OAB (Ordem dos
Advogados do Brasil)
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142
de como meio não só de ciência, mas também de informação, de divertimen-
to e também claro na possibilidade de ser incentivado naquilo que fará é pre-
ciso fazê-lo de forma crítica. A capacidade crítica ela é desenvolvida na crian-
ça não quando a ela é negado o acesso a algo mas quando ela pode ter uma
visão muito mais refletida em relação a aquilo. Muito pais e mães se sentem
reféns de uma circunstância que acabam dizendo não haver alternativas, isto
é, quando tenho tempo de ficar com o meu filho eu vou compensá-lo de al-
guma maneira, esse é um mecanismo perigoso porque em breve ele pode
degenerar literalmente em chantagem, uma criança é inteligente, ela é um
ser como qualquer outro animal que é capaz de chantagear. Cães e gatos o
fazem. Uma parte hoje das crianças por isso mesmo confundem desejos com
direitos, imagina que aquilo que ela quer ela tende ter e portanto tudo o que
os pais tem que fazer é estarem resistindo para satisfazerem esses desejos, o
que não é verdade, uma parte hoje da família retira do filho a ideia de esforço,
ele não têm esforço para a obtenção de coisas, tudo parece muito normal ou
tudo parece muito óbvio e não é assim. Esse mundo mágico é um mundo pe-
rigoso porque ele não formará um adulto que não saberá lidar por exemplo
com frustrações, não saberá lidar com a perda de um amor, com a perda de
uma prova, com a perda de uma pessoa e nesse sentido a publicidade é aqui-
lo que nos emociona que mexe conosco. Emoverim em latim, aquele que
mexe, ela nos emociona e eu vou ter de reagir a essa emoção de dois modos,
imaginando “que legal se eu posso ter isso um dia” ou de outro modo, “eu
preciso ter isso a qualquer custo se não eu deixo de ser alguém que tem von-
tade de existir” o que é que algumas crianças fazem quando chantageiam os
pais. Se ela quer porque apenas ela quer, e é exagero, é obsessivo, é descon-
trolado, é absolutamente inútil, é preciso saber como dizer não, há uma coisa
que não se deve fazer é dizer ao filho ou a filha: “Papai tá sem dinheiro. Ma-
mãe tá sem dinheiro”, porque crianças não são tolas, elas sabem que você
tem dinheiro e ela sabe inclusive que mesmo que você não tenha dinheiro
materialmente você tem virtualmente com um cartão em que ela acompa-
nha você nesse tipo de situação, por isso a frase a ser dita para o filho é: “Papai
tem dinheiro mas não é para isso, o dinheiro que eu tenho é para outra coisa,
assim como eu não pego o seu dinheiro para comprar pão, para a gente pagar
conta de luz, esse dinheiro que eu tenho não será para isso, você terá que es-
perar”. A criança poderá nesse momento chorar, chore, não existe nenhum
relato na medicina de que choro tenha aniquilado alguém a menos que seja
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 143
de tristeza profunda e não porque há recusa naquilo que se deseja, se esse
choro perturba aquela comunidade que esta ali naquele lugar, saia com a
criança, “ah mas ai eu vou ter que interromper o meu programa”, dirá um pai,
ótimo, você é pai ou mãe por que fez essa escolha você vai ter que ter um
ônus em relação a isso. Nesta hora a relação com a publicidade será a relação
como um adulto inteligente tem que ter, muita coisa eu me exponho, algu-
mas eu quero e posso ter, algumas eu desejo e não posso ter e não terei, algu-
mas eu digo um dia eu terei isso, mas em nenhum momento ela me domina-
rá”.
Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade
Católica) e mestre em filosofia
e 
“Os pais precisam ser receptivos, isto é, não evitar que uma criança possa se
expor a algo que é inerente ao nosso modo de vida, mas não pode ser uma re-
cepção passiva, ela tem que ser ativa, isto é, uma recepção crítica na qual se
possa prestar atenção, pensar sobre aquilo, ver como eu adulto lidaria com
aquilo especialmente não só naquele momento mas também quando eu era
criança para eu poder refletir sobre a minha própria história. Não me colocan-
do como criança, mas podendo obter referências quanto aquela dimensão,
portanto uma capacidade de uma visão que não seja meramente absortiva,
mas seja capaz de digerir aquilo como algo que se aproveita alguma coisa e
outras como tal absorção se descarta”.
Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade
Católica) e mestre em filosofia
e 
“A ocasião em relação a criança dependerá da idade dela. Por exemplo uma
criança de cinco, seis anos ela não se interessa muito pelas coisas quando vo-
cê fala diretamente, você precisa criar uma ambiência e estabelecer com ela
uma ponte, por exemplo se ela viu uma determinada publicidade de um de-
terminado brinquedo, ou determinado alimento que ela queira de qualquer
modo, você precisa fazer com ela uma ponte antes, “olha só, quem diria. Você
sabe que tem gente que gosta desse tipo de bebida”, ai a criança ela vai falar
“ah mas eu gosto”, “mas não, porque você gosta?”. Ai a ideia do porque, isto é,
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144
ir colocando questões vai fazendo com que ela num determinando momen-
to vai chegar numa frase usual quando não a argumento que é só desejo que
“porque eu quero”, e como porque eu quero, ela não uma resposta que seja
explicita, a depender da idade da criança você vai dizer, “ah mas você tem que
saber porque você quer”, e querendo qualquer coisa isso não vale na vida. Se
ela tiver mais idade é entender as razões desse querer para saber se eles têm
fundamento ou eles são um mero desejo vazio, por isso o modo de aproxi-
mação é estabelecido dentro de pontes. Ninguém se interessa por algo se vo-
cê não entrar no campo dele de interesse, isto é, não provocá-lo com algo
que esta conectado com aquilo”.
Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade
Católica) e mestre em filosofia
e 
“Proteger uma criança é oferecer a ela critério de escolha, não é retira-la de
um ambiente, não é retira-la de um meio. Por exemplo, alguns pais acham
que se eles deixarem os filhos em casa sem TV ligada, sem internet, sem aces-
so as redes sociais ele ficará protegido. Não, ele não ficará protegido, ele fica-
rá isolado e se há alguma coisa que deseduca porque não preparada é o isola-
mento. Nesse sentido a exposição dos filhos a depender da idade deverá ser
feita junta com os pais, se não eles ficarão isolados e ficarão sozinhos tam-
bém referente àquilo. E esse pai ou mãe tem que preparar a criança para que
ela tenha autonomia, autonomia é diferente de soberania, soberania é eu fa-
zer o que eu quiser independentemente de qualquer coisa, a autonomia é eu
fazer o que eu quero no âmbito da minha liberdade, mas tenho que levar em
conta as outras liberdades que existem dos outros fatores externos a mim.
Formar crianças autônomas faz com que você tenha que utilizar tempo para
conversar com elas, tratar da ideia, tratar do tema, você está assistindo você
mostra, você observa, você diz “não faça isso porque isso é algo que está erra-
do”, e ela vai dizer “por que?”, você vai ter que explicar por isso pense na expli-
cação antes de ser na hora para evitar ter que dizer “Porque é ou porque eu
quero”, porque isso não é explicação alguma nesse sentido. E um dia vi uma
professora de educação infantil fazer algo que eu fiquei boquiaberto, havia
uma criança numa escola, uma criança de educação infantil, portanto com
quatro anos em que ela ia ao jardim toda hora e arrancavam as flores que ali
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 145
“A propaganda infantil na televisão
já foi muito escancarada (hoje)
as propagandas são muito mais
cuidadosas. (…) eu não gosto Quando
a sociedade já está chegando lá
problematizando um assunto e aí vem
uma lei e acaba com a discussão.”
Paulo Tatit
Músico do grupo
Palavra Cantada
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estavam, era uma plantação de margaridas muito bonitas, e a criança ia e tira-
va, algumas ela tirava e oferecia para alguém, mas ela estava desmontando o
jardim e eu fiquei imaginando o que eu faria naquela hora. Provavelmente eu
iria chegar na criança com a minha inexperiência e diria “pare de fazer isso
porque você está desmanchando o jardim”, e eu fiquei observando que a pro-
fessora chegou e falou para a menina assim, “olha não tire as flores porque se
você não tirar você vai ficar mais bonita”, você sabe que a menina parou de fa-
zer aquilo e eu na hora fiquei espantado com o argumento porque ele é um
argumento de natureza estética que tem uma consequência ética. A menina
como ela não quer ser feia, ela não disse “você é feia porque você está arran-
cando”, ela disse “se você não tirar essas flores você vai ficar mais bonita”, e a
menina parou de fazer, pois bem, isso exige criatividade, exige que se pense
além do óbvio, eu estava ao olhar aquilo pensando na solução óbvia, a profes-
sora aproveitou a experiência que ela tem para mexer com algo que é muito
forte nas pessoas, as pessoas querem ser bonitas, e ai assim, eu posso usar isso
também para dizer “olha você tem o tempo tudo isso, essa querência sem fim,
isso te enfeia, enfeia a sua existência, você é uma pessoa”, isto é, comece a tra-
balhar por aquilo que movimenta mais dentro de cada ser humano”.
Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade
Católica) e mestre em filosofia
e 
“Uma criança a partir dos quatro anos de idade ela começa a ter de lidar com
frustrações que são mais significativas, porque a imaginação dela que é muito
densa até quatro, cinco anos, que ela resolve parte das coisas imaginando
que ela voa, que ela é, que ela tem, há um momento em que essa com essa
concretude que virá em tese a partir dos quatro, cinco anos, fará com que ela
tenha de lidar com aquilo que de fato é afrontado de maneira nítida com a
imaginação e a realidade. A publicidade pode se inserir num pretexto para
que pais e mães comecem a marcar os territórios, entre aquilo que é mera
abstração, que é uma imaginação criativa, que é aquilo que eu posso querer o
que quiser com aquilo que eu posso nem sempre querer o que eu quero, pos-
so até querer mas não posso ter. Estabelecer essa fronteira, que inclusive ge-
rará depois uma maior capacidade de sanidade mental, porque pessoas com
alguns distúrbios mentais são aquelas que não têm muita clareza em qual a
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 147
fronteira entre o desejo e a realidade, entre o sonho e o vivido, entre o aspira-
do e o concreto e nesta hora a publicidade pode sim ser um pretexto porque
é aquilo inclusive que a criança se expõe com maior condição na medida em
que ela está o tempo todo em contato com mídia de alguma natureza”.
Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade
Católica) e mestre em filosofia
e 
“Toda educação ela é mais eficaz quando ela é exemplar, isto é, você não po-
de criar uma criança que seja um consumidor saudável se os adultos que a o
criam não são, essa saudabilidade desejada ela resulta antes de tudo de uma
exemplaridade se os pais o são os filhos vão buscar sê-lo. Nesse sentido al-
guns pais precisam educar a si mesmo como consumidores saudáveis. Claro
que essa educação portanto terá que ser no conjunto com a família, é a famí-
lia que vai observar que todo consumo que pode ser prazeroso, que pode ser
necessário, e que inclusive eleve a sua auto estima. Ele não pode ser destruti-
vo, ele não pode ser uma praticante do biocídio que é o assassinato da vida
em qualquer uma das suas condições, da vida futura, da vida da convivência
da vida da família, da vida do ambiente. Então tudo aquilo que servir como
forma de discutir a necessidade de preservar a capacidade de existência den-
tro de determinada condição ela servirá. Uma orientação prática para os pais
é em relação ao consumo consciente saudável é mostrar para ele qual o equi-
voco ou a letalidade de que aquilo contêm se fosse consumido, e mostrar.
Crianças aprendem muito pela imagem, o raciocínio abstrato ele é algo que é
mais sofisticado e ficar apenas falando vai levar a você ou a mim dizer, “já falei
mil vezes”, mas para mostrar você não precisa mostrar tantas vezes, você só
mostra uma ou duas. Adultos não são muito convencidos por imagens, se as-
sim fosse a exposição sobre a publicidade de cigarro dos malefícios que pode
carregar, ela teria uma eficácia muito maior que ela têm, mas crianças são
muito sensíveis às imagens, alias, tanto é, que a publicidade sabe disso, ela
trabalhar mais na emoção da imagem do que na razão disto”.
Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade
Católica) e mestre em filosofia
e 
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“A primeira coisa quando um filho pede tudo o que vê na televisão é que o pai
e mãe precisam pensar o que estão fazendo, porque o que derruba um copo
não é a última gota, são todas elas, e uma criança que chega a esse estágio
que beira a demência, certo, é algo que foi feito na formação anterior. Então
há duas situações que precisam ser tratadas, de um filho que esta desviado e
de um casal de adultos que é um casal que não tá entendendo direito como
que se formam pessoas. Pessoas que são formadas para um desejo incontido
elas serão sofredoras muito fortes na vida, porque a vida ela não é uma cor-
respondência imediata e direta entre aquilo em que a mente aspira e aquilo
que acontece realmente, consciência de realidade é exatamente o evitar a
demência e nesse ponto de vista a primeira coisa é ver se ela deseja é que ela
não terá. E se ela enfrentar esse “mas eu quero” é necessário que adulto use o
tempo necessário para isso ser enfrentado, dizer assim “ah mas eu não tenho
tempo”, vamos lembrar que tempo é uma questão de prioridade, se você não
tem tempo para isso é porque não é prioridade, e se não é prioridade então
não é um problema, se não é um problema não se preocupe com isso e forme
uma mentalidade distorcida e doente e a solte no mundo depois irresponsa-
velmente .
Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade
Católica) e mestre em filosofia
e 
“Eu sou contra a proibição de publicidade, a não proibição de publicidade in-
fantil, porque eu acho que as crianças têm que ter uma curiosidade com a vi-
gilância de adulto e ver o que elas estão assistindo, mas eles precisam das in-
formações do que está acontecendo, nas ruas. Eu como mãe, orientei meus
filho a partir da propaganda infantil, do que eles deveriam assistir e ficava de
olho.”
 Maria dos Milagres Silva, Vendedora

e 
“Quanto à questão das imagens que são passadas para as crianças, eu acho
que devemos tomar muito cuidado. Eu acho que deve ser integrado a uma
cultura, a uma forma de educação, na qual a criança possa melhorar dia a dia
seu conceito de vida na Terra. Agora, eu não proibiria absolutamente nada. A
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 149
“Se a televisão chega à sua
casa e à casa dos amigos em
todo o Brasil, é por causa
desses anunciantes que
ajudam esse sonho virar
realidade.”
Patati Patata
Apresentadores do SBT
Divulgação
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150
proibição é uma ditadura, porém eu colocaria valores comparativos também
para que a criança possa escolher, por meio do acompanhamento dos pais, o
que é certo e o que é errado. Eu acho que está faltando muito que a criança
tenha mais cultura e divertimento na televisão. Tudo que é construtivo para a
criança reflete na construção de um cidadão melhor no futuro.”
 Marisa Caramielo, Aposentada

e 
“Publicidade infantil? para mim, publicidade infantil é informação. É uma in-
formação básica para que nós possamos passar, quem mexe com publicida-
de possa passar o básico, de um produto básico, de uma campanha básica, de
alguma coisa que está sendo apresentava e vai entrar no comércio, qualquer
coisa assim. Lógico, há mensagens bem feitas, bem elaboradas, mensagens
com algum tipo de informação falha. E quando se fala de público infantil não
é só conversar bem, é conversar com cuidado, com carinho, com amor, com
atenção e fazer de conta que está falando com o filho, é a melhor maneira,
como eu faço no estúdio aqui. De vez em quando o pessoal chega para mim
“olha podemos fazer uma história assim, assado, um produto assim”, e eu per-
gunto, isso é sempre, o redator, o desenhista entra no estúdio e eu já bato
com ele esse papo, “você daria isso o que você está falando, esse produto, es-
sa história, você daria para o seu filho?” Se ele falar, “lógico, seria maravilha”,
então toca em frente, se ele falar “não sei não, o que você acha?”, não faça, pá-
ra, bloqueie, não vale. Eu acho que o bom publicitário, o pessoal de publicida-
de, o pessoal que está tratando da criançada, devem estar na mesma, todos
são pais de família, todos têm crianças, todos estão interessados que a crian-
ça hoje esteja atenta, esteja bem informada, antenada e sabendo tudo o que
está acontecendo, se nós partirmos do pressuposto de que é bom ignorar pa-
ra não falhar, nós vamos ter uma turminha de zumbis daqui algum tempo.
Olha, proibição da publicidade infantil, isso seria a coisa mais nefasta que ha-
veria para nossa criançada, eu não estou falando porque eu estou interessado
em vender alguma coisa, com publicidade ou sem publicidade a gente vende
milhões de revistas aqui e no exterior, a gente vende conteúdo cuidadoso,
com amor, carinho, feito como se fosse para os meus filhos, para os meus dez
filhos, quem tem dez filhos. Eu acho que aí também está faltando os pais cor-
rerem mais atrás, os pais acompanharam o que está acontecendo no mundo,
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 151
na publicidade, na informação, na comunicação para se entenderem com os
filhos, aí é possível e muito melhor eles acompanharem, monitorarem, serem
pais presentes, não ausentes e serem pais participantes e atuantes e ao mes-
mo tempo, confiantes nos filhos, nas crianças em geral e no que elas podem
ser com o convívio familiar. Então eu penso que não podemos falar em proi-
bição, temos que falar em diálogo.”
 Maurício de Sousa, Criador da Turma da Mônica

e 
“Para um órgão da ética médica, é absolutamente fundamental pensar a saú-
de nos seus aspectos preventivos e educacionais, para que as pessoas se apo-
derem da sua saúde, do seu corpo e da sua mente e tenham uma vida mais
saudável. Tudo aquilo que seja um proibicionismo relativamente à publicida-
de corre o risco de ser uma medida autoritária e que não traga o benefício
que pode trazer às pessoas. É claro que nós pensamos em uma publicidade
educativa, comprometida com a verdade e que estimule as pessoas, inclusive
as crianças, a cuidarem melhor de suas próprias vidas. Vivemos em um país
capitalista, quem tem interesses mercantis, mas evidentemente um país sus-
tentável do ponto de vista social. O Brasil faz o seu capitalismo de forma res-
ponsável, então, naquilo que a publicidade puder contribuir para que as pes-
soas adoeçam menos, ela terá o apoio dos órgãos de ética, porque essa é a
nossa obrigação moral e legal, apoiar tudo aquilo que vem em benefício da
saúde do ser humano e especificamente do brasileiro.”
 Mauro Gomes Aranha, Vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São
Paulo (Cremesp)

e 
“Meu nomé é Maximilian Fierro Paschoal, eu sou advogado atuante na área de di-
reito do consumidor. Muito se tem falado sobre publicidade infantil, ou seja, publi-
cidade de produtos direcionados ao público infantil. Não há a menor dúvida de
que a criança merece uma proteção especial, não só a criança, o idoso, criança a
própria lei já estabelece no próprio código de defesa do consumidor essa proteção
específica, mais do que isso, a própria sociedade se reuniu, se organizou e formou
um código, um código de autorregulamentação, sabendo, estabelecendo regras
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152
específicas, regras éticas, não têm força de lei, mas regras éticas que estabelecem
como deve se comportar o fornecedor diante de um público tão específico que
merece tanto cuidado. Mas o assunto veio à tona, com a ideia de proibição de
qualquer publicidade que envolva, não só um produto para criança, mas que en-
volva a participação da criança. A minha opinião não só como advogado, mas a
minha opinião principalmente como pai de quatro crianças é de que isso é uma
aberração. Nós temos dois dispositivos no código de defesa do consumidor que
estabelecem o que é publicidade danosa, o que é publicidade abusiva. Na abusiva
especificamente diz o que é uma publicidade que leve a criança a um mau com-
portamento, ou uma má atuação, algo que possa prejudicá-la. Basta a aplicação
deste dispositivo para que existam sim publicidades voltadas a produtos infantis,
isso não há problema nenhum, até mesmo produtos perigosos como cigarro, ta-
baco, bebidas e medicamentos, é assegurado constitucionalmente o direito da
publicidade desses produtos, com algumas limitações, isso é óbvio, muito mais de
produtos relacionados ao público infantil. Acredito eu que essas pretensões po-
dem levar a ideias absurdas e na verdade a uma desproteção, porque não há a me-
nor dúvida de que cabe aos pais, junto com a sociedade, junto com o governo, a
educação dessas crianças. E essas crianças só vão ser verdadeiros adultos, só vão
ser verdadeiros formadores de opinião, se desde pequenos souberem, receberem
de seus pais aquilo, isso é certo e isso é errado. E com isso, ela só tem isso na verda-
de vivendo, e não sendo enclausuradas num mundo em que não teriam acesso a
qualquer tipo de informação. Tirar esse poder dos pais, estabelecer proibições, ou
seja, seu filho não tem acesso a algo, seu filho não pode fazer isso, eu acredito que
isso é uma interferência drástica do Estado e absolutamente desnecessária, por-
que é ao pai que cabe na formação do filho, incentivar, ensinar essa criança a ter o
discernimento do que é o errado e do que é o certo e ela só vai aprender isso vi-
venciando dentro dos limites da lei e dos limites éticos já estabelecidos. A própria
sociedade se organizou, a própria sociedade estabeleceu seus princípios éticos e
colocou isso num código, que é o código de autorregulamentação do Conar. O
código é ainda mais específico que a própria lei, que o próprio código de defesa do
consumidor, quando fala especificamente no seu artigo 37 dos limites e do conte-
údo da publicidade de produtos para o público infantil. Fato é que o Conar e o judi-
ciário são dois excelentes instrumentos que o Brasil hoje já tem controle da publi-
cidade infantil e de tantas outras publicidades que existem no mercado.”
 Maximilian Fierro Paschoal, Sócio da Pinheiro Neto

e 
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 153
“ASPESSOASADORAMQUERER
PROIBIRCOISASNATELEVISÃO,E
NÓSDEVERÍAMOSAOCONTRÁRIO
PROIBIRASPROIBIÇÕES,PORQUE
SEDEIXARPROÍBEMTUDO.
Roberto Duailibi
Sócio-diretor da DPZ
Divulgação
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154
“Bom, a minha opinião seria que ao invés de se preocuparem com esse tema,
deviam abordar temas mais importantes para a sociedade, como por exem-
plo, a área da saúde e outras áreas que estão precisando de ênfase das autori-
dades nesse momento. Então eu acho que isso não seria tão importante, por-
que a questão da criança vê um brinquedo em um comercial e ela ter o dese-
jo de adquirir aquele brinquedo, ela pode ver numa loja também com o mes-
mo desejo. Acho que essa lei não tem muito a agregar.”
 Milena Souza Santos, Agente de Atendimento

e 
“Nós temos hoje um estado democrático de direito, e que temos uma im-
prensa bastante atuante e que contribui muito para o fortalecimento das ins-
tituições e com a sociedade brasileira. É preciso lembrar que um dos pilares
importantes dessa democracia e dessas possibilidades, é a publicidade priva-
da. Nós temos liberdade nos veículos, nos seus editoriais, nas suas posições,
porque nós temos uma publicidade privada, ou seja, atingir a publicidade é
também atingir a democracia no nosso país. Além disso, nós não podemos
imaginar que a publicidade, que já tem uma série de regulamentos através do
Conar, que é um sistema de autorregulação importante e que funciona bem,
venha ser responsável pela educação, ou até mesmo pela forma com que as
crianças e adolescentes podem forjar a sua personalidade. Nós temos que
imaginar e temos convicção disso, a educação e a formação da personalida-
de se faz pela família e é a família que deve ter os freios necessários. A publici-
dade quando aparece, pode ser educativa, mostrando que a vida tem limites e
que os limites precisam ser respeitados. Não é imaginando que criaremos
crianças e adolescentes em redomas de vidro, porque eles irão enfrentar a re-
alidade, muitas vezes difícil e cruel do mundo verdadeiro. Nós não podemos
propor que o governo venha tutelar a sociedade. O excesso de tutela deriva e
caminha para regimes autoritários que nós evidentemente não queremos
mais no nosso país. Portanto, o governo tem a responsabilidade de fazer com
que o cidadão, o jovem, o adolescente, a criança tenham formação suficiente
para discernir, para escolher, para questionar, para escolher, enfim, o cami-
nho que ele quer seguir. Nessa linha, eu fiquei muito feliz de ver o voto do mi-
nistro Dias Toffoli, tratando de um outro assunto, mas correlato a esse, dizen-
do: “A sociedade não deve ser tutelada pelo governo. A obrigação do governo
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 155
é dar educação e a obrigação da família é educar essas crianças e adolescen-
tes.” Nós estamos no Congresso, abertos ao debate, sem radicalismos, sem
sectarismos, mas de uma forma clara, de uma forma completa, analisando to-
dos os aspectos e posso dizer aqui com toda certeza, o caminho não é a proi-
bição total e restrita, o caminho é o debate, o caminho é trazer os argumen-
tos, o caminho é fazer com que esse assunto possa ser colocado para a socie-
dade e a sociedade assim, venha a discutir esse assunto com maturidade, com
serenidade, para que nós tenhamos uma democracia plena, para que nós não
tenhamos a nossa democracia capenga, sem uma imprensa livre, porque es-
se é o meu desejo.”
 Milton Monti, Deputado federal (PR-SP)
e 
“A publicidade dirigida às crianças, ao público infantil que hoje em dia tem um
volume muito grande então eu acredito que os pais fiquem um pouco perdi-
dos, na dúvida, em se comprar tudo se não compram e como lidar com isso,
porque é claro que as crianças pedem, elas se interessam, elas vêem que os
colegas já têm. Então eu acho que tem que haver um critério na seleção des-
ses brinquedos, desses jogos e mesmo desses programas infantis para que as
famílias possam junto com os seus filhos escolher isso e não ficar numa subs-
tituição dos brinquedos pela companhia dos pais. Então assim as crianças
que eu atendo, as famílias têm condição de estar comprando tudo o que é
oferecido pelo mercado, agora para que isso não aconteça tem que haver um
dialogo que eu considero importante entre os pais e as crianças para selecio-
nar os brinquedos que realmente vão ter uma função. Eu acho que se pode
escolher datas para presentear e não algo desenfreado que então toda sema-
na tem famílias que podem fazer isso. Não é indicado porque o presente o
brinquedo vai estar substituindo a presença dos pais e isso eu acho que de-
sestabiliza qualquer criança, até porque o brinquedo não tem essa capacida-
de de estar entrando nesse lugar”.
Miriam Furini, Psicanalista e psicopedagoga

e 
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156
“Acredito que dá para todos convivermos com isso desde que seja feito com
responsabilidade e que os órgãos responsáveis atuem em cima para não ha-
ver abusos. E acredito que dá para conviver sim porque hoje em dia tem crian-
ças que tem muito mais conhecimento e muito mais sabedoria do que mui-
tos adultos. E os pais também têm que acompanhar de perto, porque se dei-
xar muito livre, acredito que tem que ter liberdade com responsabilidade, tem
que acompanhar porque tem muitos meios que não são confiáveis, que po-
dem também atingir as crianças, e porém a publicidade que atua mais nos ca-
nais que são canais normais, que são veiculados, que não atuam fora da regu-
lamentação. Elas podem sim ajudar a educar com campanhas que venham
trazer algum beneficio, alguma informação para as crianças e para os pais
também, para as crianças e para os adultos.”
 Mônica de Moraes Barros Cavalcante, Vendedora

e 
“Sou contra a proibição da publicidade para crianças na televisão, mesmo
porque essa proibição não tem nenhum efeito, existem outras formas de pro-
paganda, outras formas de se atingir a criança até mesmo por meio de cole-
gas, de escola, o meio social todo pode ser voltado para esse tipo de propa-
ganda sem precisar da televisão. Então eu não acho que surtiria efeito e tam-
bém não acho que seja uma coisa adequada, até porque quem produz quer
vender, tem direito de fazer propaganda e de divulgar o seu negócio, os seus
produtos. Eu penso que até a propaganda as vezes para adultos é muito mais
danosa, mesmo porque o adulto é quem tem o poder aquisitivo, tem o di-
nheiro, condições. Não é a proibição que vai alterar essa questão das crianças
com relação a vontade de adquirir alguma coisa. Nesse esquema, inclusive eu
sou mãe, eu tenho uma filha, hoje ela tem 15 anos, é adolescente e a informá-
tica que impera, mas eu sempre tentei incutir na minha filha um tipo de ativi-
dade que não fosse só de informática. Então se a gente vai para praia ou se vai
para algum, férias, algum outro evento, ela sabe jogar buraco, um truco de
mesa, jogar um dominó, para tirar um pouco da informática, mas nem isso
fez com que ela se afastasse. Então não é a proibição dessa propaganda in-
fantil que vai impedir as crianças de terem vontades próprias.”
 Monica Heine, Advogada

e 
M
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 157
“Somos todos responsáveis
por esta onda consumista que
contaminou nossas crianças. não é a
publicidade que faz isso, somos nós.
A quantidade de publicidade que nós
temos nas mídias é reflexo do valor
extremo que a gente dá ao consumo.”
Rosely Sayão
Psicóloga, jornalista
e escritora
RodrigoCancela
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158
“Eu tenho uma filha de quatro anos que vê Discovery noite e dia. A publicida-
de de criança apresenta um leque enorme de opções. Cabe a gente, aos pais,
orientar algumas, e ela tem que saber o que é escolher, o que é priorizar e ver
que é fundamental. Eu tenho que ter 50 opções de brinquedos para escolher
cinco, para ela pedir ao papai noel e ver o que o papai noel vai trazer. A publi-
cidade é importante, porque se tirarem a publicidade como é o “zumzumzum”
que se escuta, como que ela vai poder escolher a Barbie nova, lava-lava, os
brinquedos que ela gosta. Senão, sem publicidade não existe. É fundamental,
é importante, não tem como tirar. Senão a propaganda, a televisão fica só
com problema, dor, acidente. Brinquedo é muito bom.”
 Mônica Roças, Contadora

e 
“Não, os meus filhos não são consumistas, eu tenho um filho de 18 anos e uma de
23, e eu ensinei a eles desde pequenos que não dá para ter tudo o que a gente
quer, e principalmente que eles tem que merecer para ter, ou batalhar para ter
aquele produto. Porque eu acredito que se você der tudo de mão beijada para
eles, eles não valorizam, e eu creio que eu tive sucesso nisso com essa educação
que eu dei para eles. Hoje eles sabem valorizar o que realmente é prioridade, eles
buscam ter coisas sólidas. Então assim, o meu filho ele está fazendo faculdade e
ele paga a própria faculdade apesar de eu poder ajudar, ele entende que ele tem
que se bancar sozinho. Então eu creio que isso foi devido a eu ter ensinado para
ele desde pequeno que não dá para ter tudo o que a gente quer e que muitas ve-
zes você deseja uma coisa que não é necessária, passou um tempo você vê que
aquilo não é tão importante. O mais importante é você investir em coisas sólidas e
no seu futuro como a faculdade e como um imóvel que eu acho muito importan-
te também, e eu creio que eles entenderam bem isso, porque hoje a minha filha já
se formou na faculdade e está em busca do seu imóvel próprio, e meu filho tam-
bém focando na faculdade, exemplo, ele não tem o último celular, o lançamento,
ele tem um celular que é para ele falar basicamente que é o necessário. Então as-
sim, ele não deixa de pagar a faculdade para comprar um celular ou um videoga-
me então acho que foi legal isso, não é importante, não é bom dar tudo o que eles
pedem não, eles têm que aprender a conquistar”.
Nanci Murari, Administradora de empresas.
e 
M
N
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 159
“Acho que deveria haver mais propaganda infantil, não há porque essa proibi-
ção de publicidade infantil. Eu sou totalmente contra a essa proibição.”
 Nataliê Mançal Boa Ventura, Estagiária

e 
“Quanto ao uso da publicidade infantil, desde que tenha um órgão que fiscali-
za os abusos, não tem nada a ver, eu sou a favor. As crianças têm que ter o
mundo delas, porque hoje o mundo está muito avançado. As crianças já sa-
bem muito mais do que isso na televisão e em outros meios de comunicação.
Então isso não vai tirar delas a sua conduta ou influências na infância delas,
desde que os pais eduquem e estejam presentes em tudo.”
 Nesomiro Gomes dos Santos, Segurança

e 
“O consumo na verdade e a propaganda relacionada ao consumo é algo que nós
hoje não podemos nos furtar ao fato de que a humanidade demorou em tese
3000 anos para desenvolver algumas tecnologias. Essas tecnologias elas são pro-
dutos de todo um estudo feito ao longo desse tempo e produto do pensamento
humano na questão da evolução dos aspectos importantes para o nosso confor-
to, para um maior conhecimento sobre tudo. A publicidade e a propaganda e es-
sas mídias fazem parte desse contexto, então os nossos filhos, as crianças e os
adolescentes eles devem estar inteirados desse processo porque isso faz parte da
vida deles, mesmo que eles tenham acesso direto ou indireto. Então o controle
deve ser feito principalmente no sentido de orientá-los que aquilo é algo que de-
ve ser discutido e deve ser falado tanto com pessoas que fazem parte do mesmo
grupo quanto dos adultos, quanto mais isso for feito, mais será regulado o próprio
grupo que têm acesso a isso e mais aquilo que é importante será preservado e o
que não é importante será automaticamente descartado. A proibição em relação
a tudo faz que nós voltemos a um estágio anterior que não é possível tendo em
vista que nós não podemos voltar a nada e impede que algo produtivo e impor-
tante seja realizado através da mídias que hoje são definitivas na sociedade”.
Nina Costa, Psicóloga especialista em transtornos afetivos da Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo)

e 
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160
“O consumo na verdade e a propaganda relacionada ao consumo é algo que
também faz parte dessa nova elaboração social, então nós temos uma socie-
dade capitalista que vive em função dos produtos que são consumidos. Hoje
existe algo diversificado que chama Geografia da Percepção, as pessoas com-
pram produtos que são necessários para que o consumo continue existindo,
não necessários para a sua utilização. Então orientar os filhos que eles têm o
direito de ter aquilo que é propagado como necessidade mas dentro de al-
guns limites. Os brinquedos, as crianças quando começam a ter muitos brin-
quedos elas começam a se sentir psicologicamente infelizes porque nada as
satisfaz, então é importante que os pais orientem que aquela propaganda que
está sendo veiculada ela está sendo veiculada para que todas as pessoas pos-
sam ter uma escolha, então que você tem o direito de fazer uma escolha. En-
tão orientá-los para que eles façam uma escolha dentre todas aquelas que
podem ser propagadas. A publicidade ela serve a um propósito de gerações,
então aquela criança que está sendo alvo de um determinado produto hoje
ela vai criar os seus filhos utilizando esse produto, então é interessante que os
pais já orientem desde cedo que aquele produto pode ser utilizado sempre
desde que seja uma escolha, eu tenho dez brinquedos, eu posso escolher um.
Quando a criança ela se perde desse grupo e ai ela quer todos os brinquedos
e todas as coisas dentro de um shopping e começa a chorar e tal, o ideal é que
o pai leve a criança para fora desse lugar, não compre aquele objeto e conver-
se com ela no sentido da necessidade que ela têm de ter aquilo agora ou se é
o processo de compra que também está sendo feito pelos próprios pais, os
pais usam esse recurso e o filho só esta repetindo. Isso só acontece se essa
conversa anterior sobre publicidade não acontecer, se tiver a conversa não
vai haver esse tipo de comportamento da criança”.
Nina Costa, Psicóloga especialista em transtornos afetivos da Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo)

e 
“Eu acho que a conscientização de toda a indústria da propaganda e da publi-
cidade, da correlação de forcas que existem, com relação à educação, a pro-
moção da saúde, aquilo que a gente pode imprimir na criança, de bons hábi-
tos, de hábitos saudáveis, é muito bem vinda. Eu acredito que a campanha
com responsabilidade, com consciência, com a percepção das necessidades,
N
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 161
“Se você proteger a criança da publicidade,
de tudo que pode ser perigoso, essa
criança vai ser um pato, ou uma vítima de
um traficante, ou uma boboca consumista
que acha que tudo é bom, que o que está
anunciado é bom. Por isso acho muito
importante ela estar exposta aos poucos
com regulamentação à vida como ela é.”
Sílvia Poppovic
Apresentadora de TV
Divulgação/Band
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participa de um processo educativo e é necessária que seja feita uma força
tarefa desse processo democrático, para que as crianças possam ter acesso às
informações de uma forma adequada, possam se beneficiar das informações
corretas e que todos participem em conjunto de um processo de crescimen-
to do futuro brasileiro.”
 Nise Yamaguchi, Diretora do Instituto Avanços em Medicina e representante do Ministério da
Saúde no Estado de São Paulo
e 
“Eu tenho certeza que com isso, com toda a liberdade de expressão, com essa
liberdade de imprensa e a publicidade inserida nesse contexto, nós temos
muito mais a ganhar do que se efetivamente só restringirmos a publicidade
em função dessa ou daquela compreensão a respeito desse processo. A pu-
blicidade infantil ela é muito importante, é importante como uma forma de
educação, de orientação às nossas crianças de forma a formar o seu caráter, a
fim de que elas possam ser cidadãos na sua plenitude da nossa sociedade. A
publicidade de um modo geral, ela tem que ser editada de forma ética respei-
tando parâmetros, respeitando credos, religiões, raça, enfim, sendo alguma
coisa que leve a mensagem e não induza a escolher isso ou aquilo para sua
vida e é claro que nesse contexto, entra a família, entra a educação que se po-
de permitir ou que se pode conceder a essas crianças a partir da família, a par-
tir da escola. É um trabalho integrado, é um trabalho que não se pode satani-
zar a publicidade e nem endeusar. Ela é apenas mais um elemento de forma-
ção educacional, de formação cultural que vai influir de uma forma efetiva na
personalidade daquela pessoa no futuro. Portanto, nós não vemos qualquer
tipo de problema do ponto de vista legal que se tenha publicidade com crian-
ças de 7h às 22h nas televisões, rádios, etc, e ao contrário, as crianças preci-
sam ser educadas para o mundo e eventualmente se houver algum tipo de
exagero, que algum pai se sinta melindrado com aquilo, que aquilo pode estar
influenciando dentro de preceitos e conceitos que ele tem de importante que
a família tenha, essa pessoas pode procurar a OAB, o Ministério Público, o Co-
nar, para que haja o controle sobre essa publicidade.”
 Ophir Cavalcante, Presidente nacional da OAB

e 
N
O
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 163
“Eu acho que a propaganda para o público infantil, deve ser moderada, por-
que quando chega datas especiais como dia das crianças e natal, é excessivo,
é uma massificação das crianças. Então eu acho que tem que ter essas propa-
gandas porque as indústrias precisam vender também, mas tem que ser mui-
to mais controlada, tem que ser controlada na verdade. Já passei por isso e é
um aperto, porque às vezes você vê propagandas enormes e o brinquedo não
corresponde à aquilo que a gente vai comprar.”
 Paola Pauli Lantieri, Instrutora de Pilates
e 
Patatá: Patati!?
Patati: Fala amigão!
Patatá: Você não acha que as crianças têm o direito de escolher o programa
de TV favorito delas?
Patati: Eu também acho Patatá. Seja o Carrossel Animado com o Patati e Pata-
tá ou qualquer outro programa infantil de sua preferência eu acho que a
criança tem sim o direito.
Patatá: E se hoje nós estamos aqui levando alegria para todo o Brasil, é através
da TV
Patati: E se a televisão chega na sua casa e na casa dos amigos em todo o Bra-
sil, é por causa dessas empresas amigas que ajudam esse sonho virar realida-
de.
Patatá: Publicidade tem regra!
Patati: E as regras devem sem cumpridas para levar sempre o melhor para vo-
cê criança.
Patatá: É, e é por isso que vocês são os nossos melhores amigos
Os dois: Um grande beijo do Patati e Patatá
Patati PatatÁ, Apresentadores do SBT

e 
“Nós acreditamos que toda proibição ou restrição à publicidade causa muito mais
danos do que benefícios. Não é restringindo a publicidade ou proibindo a publici-
dade infantil que você vai reduzir ou inibir o consumo. É a partir da publicidade,
mesmo destinada a crianças e adolescentes, que você vai dar a oportunidade des-
p
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164
sa criança ou desse público infantil e da família obter informações relevantes e
necessárias para que esse público exerça a sua liberdade de expressão de uma
forma muito mais efetiva, de uma forma muito mais próxima das suas necessida-
des. Toda e qualquer comunicação destinada à criança deve seguir questões rele-
vantes de extrema responsabilidade por se tratar de um público que ainda não
está totalmente formado em sua capacidade de discernimento. Mas, a proibição
faz com que a criança fique isolada do mundo em que a gente vive, então não
acredito e não acho necessário que aja essa proibição total, além do mais o nosso
mercado hoje já segue regras bastante rígidas em relação à publicidade. Nós te-
mos o Conar, Código de Autorregulamentação. Temos também o manifesto assi-
nado por várias empresas do mercado de alimentos que colocam regras muito
restritas para a publicidade destinada aos menores de 18 anos e isso faz com que,
não havendo a proibição e seguindo essas regras, a gente tenha uma comunica-
ção de qualidade voltada para a criança. Também quero considerar, e vale consi-
derar o papel da família, o papel dos pais na educação dessas crianças. Cabe aos
pais e só a eles falar, restringir e criar condições para que essa crianças sejam cria-
das para o consumo, não é bloqueando a publicidade que a gente vai conseguir
isso de forma efetiva. Eu tenho duas filhas e eu sei o quanto é difícil de a gente
atuar todos os dias colocando limites, elas pedem tudo, mas a gente tem que ter a
consciência e que cabe aos pais com que essa criança, com que esse adolescente
entenda quais são os limites e para qualquer outro produto seja de alimentos, be-
bidas ou de qualquer outro produto. O Palavra Aberta é um instituto que foi cria-
do recentemente para defender a liberdade de expressão seguindo o pressuposto
de que a liberdade de expressão é um valor fundamental e que deve ser valoriza-
do a todo tempo. A liberdade de expressão comercial é também uma forma de
expressão e uma forma de garantir que os veículos de comunicação tenham au-
tonomia e tenham independência financeira para que eles possam exercer a li-
berdade de imprensa. Dentro desse tripé, liberdade de expressão, liberdade de im-
prensa e liberdade de expressão comercial, nós também trabalhamos para a valo-
rização da liberdade de expressão individual, ou seja, tratar o indivíduo como al-
guém capaz de decidir por ele mesmo sem a tutela do estado, sem a necessidade
de novas leis que criem restrições para as suas escolhas e nesse sentido toda proi-
bição leva a esse ponto que é tratar o consumidor, seja ele criança, adolescente
ou adulto como alguém não capaz de decidir por ele mesmo.”
 Patricia Blanco, Presidente do Instituto Palavra Aberta
e 
P
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 165
“Se não tem a publicidade
infantil, não tem o produto, não
tem o programa, (…) então se
não tem tudo isso a criança
vai apelar para parte do
adolescente e do adulto.”
Yudi Tamashiro
Apresentador do SBT
Divulgação
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166
“Eu sou pediatra, mãe de dois filhos pequenos, uma de três e outro de um ano.
Referente as propagandas infantis, eu acho que vale a pena uma regulamen-
tação muito intensa sobre o tipo de propaganda que vai ser exposta às crian-
ças. Então, as propagandas que têm uma função apelativa, que fica muito, as-
sim, evidente a competição para as crianças terem algum brinquedo ou ainda
que existe alguma alimentação, eu acho que vale a pena dar uma restringida
muito mais intensa. Não precisa uma proibição, porque existem propagandas
positivas e até poéticas lidando com crianças, mas aquelas que impõe o con-
sumismo para a criança, eu acho que vale a pena sim uma regulamentação
mais intensa.”
 Patricia Camargo Frederico, Pediatra

e 
“Trabalho na área inclusive com crianças, sou pagem e trabalho na prefeitura
de Carapicuíba Eu acho que a publicidade infantil deve permanecer, porque
de qualquer modo a criança tem que ter o acesso ao que ela vai comprar, ao
que ela pode gostar ou não. Não tem porque tirar.”
 Patricia Floresval da Silva, Pagem

e 
“Acho que essa questão de que a propaganda infantil faz mal ou não, isso é
papel do pai controlar o que a criança assiste em casa, saber explicar para ela
o que está certo e o que está errado, e não simplesmente proibir. É papel do
pai participar da vida do filho, conversar com ele, saber o que está havendo, o
que acontece no mundo, e não papel da escola ou da propaganda. A propa-
ganda pode ajudar ou atrapalhar se for uma propaganda ruim, mas eu acho
que é função dos pais ter esse controle e orientar os filhos para que eles sejam
pessoas melhores.”
Paula Rita Pacheco, Dentista

e 
““Eu acho que nós estamos vivendo num país democrático, um país maduro e,
portanto, nós temos que ser contra todo e qualquer tipo de censura. Acho que
P
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 167
as famílias, os país, as mães, as crianças têm o direito de saber também através
da publicidade aquilo que lhes é oferecido. E acho que cercear a publicidade é
também cercear o direito da imprensa de denunciar aquilo que está errado, por-
que é através da publicidade que os veículos de comunicação obtêm recursos, e
principalmente através da publicidade que estes veículos, a grande imprensa e
que a pequena imprensa também têm recursos para vigiar aquilo que não está
sendo feito corretamente. Portanto sou contra todo e qualquer tipo de censura
a publicidade e acho que nós devemos pensar mais amplamente, temos que
criar um debate por exemplo sobre aquilo que é vendido, sobre os produtos que
estão sendo colocados à disposição das crianças. Games que são violentérri-
mos, games que são na verdade um incitamento à violência estão sendo vendi-
dos livremente, acho que devemos debater, chamar a sociedade para outros
debates que são muito mais importantes e que influenciam muito mais direta-
mente as crianças brasileiras. A Leo Burnett é uma empresa que está presente
no mundo inteiro há quase 100 anos e tem regras muito rígidas de como se diri-
gir ao consumidor. Nós tratamos desse caso com todo o respeito que ele mere-
ce. Nós lidamos aqui com a publicidade para criança ou para quem quer que se-
ja seguindo as normas do Conar a quem apoiamos integralmente. O conselho
de ética do Conar é composto por publicitários e por representantes dos consu-
midores, portanto é composto pela sociedade brasileira. E lá, no conselho de
ética, é que todo caso que for jugado necessário, deve ser livremente discutido
e arbitrado, poque o Conar é um exemplo que o Brasil dá ao mundo inteiro da
maturidade da publicidade que nós praticamos neste país.”
 Paulo Giovanni, Presidente da Leo Burnett

e 
“Sobre o assunto publicidade infantil, no meu ver, não há problema nenhum
em relação a isso. Isso se baseia muito na educação dos pais. No meu caso
com a minha filha, tem a publicidade, por exemplo, do Mc Lanche Feliz e, para
mim, não tem problema nenhum nisso. Se ela vê o brinquedo e quer ir e eu
posso levá-lá, eu levo e, se eu não posso levá-la, eu explico o porquê eu não
posso e a levo num outro dia. A publicidade infantil se vê mais em canais de
desenhos, para o público infantil mesmo. Acho que é até prejudicial, pois proi-
bindo, você proíbe a loja de divulgar seus produtos, divulgar a própria loja.
Então, no meu ponto de vista, tem que continuar tendo publicidade infantil,
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168
pois a loja divulga os produtos, divulga a loja e isso possibilita a loja a crescer e
gerar mais empregos. Seria radical demais ter essa proibição.”
 Paulo Henrique Bertolini, Assistente de Vendas

e 
“Eu trabalho para criança, eu faço música para criança, eu gostaria de expor o
meu trabalho para todas as crianças do Brasil cada vez mais, portanto eu sou a
favor de conversar com a criança, de anunciar o meu trabalho para todas as
crianças de todo o Brasil. A propaganda infantil na televisão já foi muito escan-
carada. Por exemplo,em outros tempos, se você pegar a década de 80, 90 e você
comparar com hoje, os limites são muito mais, as propagandas são muito mais
cuidadosas. Isso é uma coisa importante que aconteça naturalmente na socie-
dade através de discussão. Eu prefiro muito mais que uma ideia demore mais
para pegar do que vir as proibições. Então eu não gosto quando a sociedade já
está chegando, já está problematizando um assunto e vem uma lei, acaba com
a discussão, do jeito mais simples, e então você se redime da obrigação de você
educar o seu povo, de você criar professores críticos, crianças críticas com ou-
tras possibilidades e fica muito mais confortável “ah não, proíbe isso daí, não po-
de falar nada”, aí começa um monte de exceção “ah Palavra Cantada pode por-
que o trabalho é de qualidade. Não mas essa bonequinha aqui não pode porque
não tem qualidade”. Eu mesmo já mudei minha opinião dez vezes sobre brin-
quedo infantil, sabe. Então é sobre, isso é sempre um debate social que deve ser
levado, não pode extirpar o debate com lei.”
 Paulo Tatit, Músico do grupo Palavra Cantada

e 
“Eu tenho um filho de cinco anos, e acho que a proibição não é muito boa,
porque com a propaganda infantil, a gente sempre tem um gancho para po-
der ensinar alguma coisa. A propaganda e os meios de comunicação dão en-
sinamentos aos pais para poderem ensinar mais os filhos na ausência de pais
que não tem muito argumento, já pega um gancho e já reflete e ensina para o
filho em cima da propaganda, já pode ensinar os filhos sobre os assuntos.”
 Priscila Torallo, Advogada

e 
P
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 169
“A publicidade infantil é positiva sim. Nem sempre ela pode ser positiva ou ne-
gativa, eu acho que não tem que ter essa questão, esse critério. Eu acho que
tudo é positivo quando a relação familiar é positiva. Se a relação famíliar é po-
sitiva, então o externo não vai interferir muito, você tem que ter bases fortes
em casa. E agora, proibir? Aí não, eu sou contra.”
 Rafaela Pitanga, Pediatra

e 
“Eu sou contra a proibição de publicidade infantil, porque nesse país já tem
tanta proibição, já tem tanta lei protegendo as nossas crianças. Eu não vejo
necessidade dessa proibição. Acho que tem que haver uma publicidade en-
volvendo as crianças e acho desnecessária essa proibição.”
 Renata Andrade, Assistente Administrativa

e 
“Eu acho que a publicidade infantil tem que continuar, porque quem tem que
educar os filhos são os próprios pais. Eles que têm que impor limites às crian-
ças, o que tem e o que não tem que fazer, porque a publicidade faz parte do
meio de comunicação no Brasil.”
 Renata Carvalho Pereira, Auxiliar de Enfermagem

e 
“Eu sou contra esse projeto de lei que proíbe a publicidade infantil, porque na
verdade a publicidade não está na TV, ela está na internet, tem o apelo do co-
légio, dos amiguinhos, da rua, dos supermercados, das lojas, enfim. E também
tem o lado de que os programas infantis da TV aberta, provavelmente acaba-
riam, por conta dos patrocinadores e tudo o mais. Por isso que eu sou con-
tra.”
 Renata Gomes de Oliveira, Analista de Sistema

e 
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170
“Eu sou contra a criação da lei para a publicidade infantil. Eu acho que isso ca-
be à educação dos pais. Eu também já fui criança, muitas vezes eu quis uma
boneca, algum brinquedo e minha mãe sempre falava: “Agora não dá”, mas
eu não morri por causa disso. Enfim, eu acho que uma educação decente dos
pais ia melhorar muita coisa no país. Em relação também a coisas que tem a
ver com esse tema seriam os jogos violentos. Acredito que não tem nada a
ver, cabe mais realmente à educação dos pais.”
 Renata Menezes, Estagiária Financeira

e 
“Eu acho que toda propaganda é necessária e elas têm os seus objetivos.
Qualquer proibição que seja feita em relação à publicidade é um retrocesso,
voltaremos ao tempo da censura, no qual começaremos a reduzir as opções
de conhecimento e de informação. Então, eu acredito que as propagandas
possam ser administradas melhor a partir dos órgãos competentes, mas ja-
mais com um impedimento.”
 Ricardo Monteiro, Empresário

e 
As pessoas que querem que a sociedade não mude, não gosta de propagan-
da. Quando eu comecei na propaganda, eu comecei na Colgate, e apenas 5%
da população brasileira escovava os dentes. Então, o nosso trabalho era de-
monstrar que valia apena escovar os dentes, não ter mau hálito, ter mais hi-
giene na boca. Não se fazia a barba, não se vestia bem, as pessoas não tinham
essa preocupação, o terno durava 20 anos. Esse passo que foi passado pela
sociedade do século 17 que era o Brasil, passado para o século 20 já foi um
passo enorme, dado principalmente pelos meios de comunicação e por aque-
la atividade que sustenta os meios de comunicação que é o comércio, e por
aquela outra atividade que é uma extensão do comércio que é a propaganda.
Certos produtos no nosso ponto de vista criativo são extremamente difíceis
de se anunciar como é o caso de brinquedos, porque o brinquedo é em si um
estímulo à imaginação, então quando ele se transforma em propaganda dá a
impressão que ele esta mentindo. Mas para isso nós temos exatamente o Co-
nar, que tem regras para a propaganda infantil, onde a responsabilidade é
R
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 171
maior do que a propaganda para adulto. Se é essa a origem do ódio a infor-
mação, você fala “Ah mas na hora que você anuncia o tênis você esta estimu-
lando a criminalidade por que o jovem que não pode comprar o tênis, vai lá
num menino que está usando o tênis e rouba dele”, mas isso você não pode
só acusar a propaganda, tem que acusar então todo mundo que fabrica tênis,
tem que acusar quem põe na vitrine o tênis. O menino que está no ponto de
ônibus esperando o ônibus que virá apertado e vê o outro passando de moto,
ele quer a moto também. Cabe a nós que ele saiba que tem todo um processo
de trabalho de acúmulo de capital para poder dar entrada numa moto, a en-
trada já é um milagre, o crédito. As pessoas adoram querer proibir coisas na
televisão, e nós deveríamos ao contrário proibir as proibições, porque se dei-
xar proíbem tudo.
Roberto Duailibi, Sócio-diretor da DPZ

e 
“A gente ouve falar muito sobre a tal da restrição à propaganda, as críticas so-
bre como a publicidade brasileira trata os temas que vão para o ar, que vão
para os lares e que acabam influenciando as pessoas. Eu considero que o nos-
so mercado é um dos mercados mais organizados no sentido de não colocar
no ar coisas danosas à população. Já tem suas restrições em termos de legis-
lação, por exemplo bebidas alcoólicas com horários restritos, com elementos
que não podem ser usados na propaganda, enfim, na área de medicina tam-
bém, os remédios, etc.Todas as agências de propagandas, todos os profissio-
nais do nosso meio se pautam rigorosamente e com muito cuidado com re-
lação à mensagem que vão passar à população para vender este ou aquele
produto, este ou aquele serviço. Então eu considero que o nosso mercado, na
minha visão, absolutamente redondo. Em relação a esses controles o Conse-
lho Nacional de Auto Regulamentação, faz um trabalho fantástico e sério em
relação a isso, todas as denúncias que foram feitas nos últimos anos foram
apuradas a contento e foram colocados os pingos nos “is”. Ou seja, foi tirado
do ar, ou foram pedidos remendos, ou foram pedidos acertos nas campanhas
que talvez prejudicassem alguém no mercado. Então eu considero nosso
mercado muito maduro, muito sério em relação ao que nós veiculamos para
a população em geral. Sempre tem alguém querendo passar do ponto com
alguma ideia que possa prejudicar algumas pessoas ou o direito deste ou da-
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172
quele cidadão, mas, em geral, a grande maioria nós temos aí agências, veícu-
los e anunciantes sérios que sabem fazer o trabalho adequado, o que não po-
de é engessar isso tudo de uma forma top down, de cima para baixo, que pre-
judique o andamento do nosso mercado e prejudique a qualidade dos nossos
trabalhos. Essa é minha visão sobre o assunto, eu espero que possamos cami-
nhar para a modernidade, caminhar para o entendimento sem necessidade
nenhuma de restrição exagerada.”
 Roberto Justus, Presidente da Young  Rubican

e 
“Olá eu sou Roberto Shinyashink, médico psiquiatra, escritor e principalmente
pai de 5 filhos. E eu acho fundamental que a sociedade esteja se mobilizando
para fazer algo para conter os abusos da publicidade infantil na televisão. Bá-
sico, a gente não pode ver abusos e ficar perto. Agora, é importante que esse
debate, ele se aprofunde e procure incluir a sociedade como um todo, e não
simplesmente a gente fala “bom, se tem alta incidência de câncer, mata logo
os cancerosos”. Outro ponto dessa história é que os pais têm que educar seus
filhos e isso é uma função que a gente não pode delegar. Então eu vejo, on-
tem mesmo eu fiz uma palestra para Secretaria da Educação de Araguari, tive
a oportunidade de conversar com alguns professores e os professores falam
“poxa, a gente pega as crianças que os pais não têm tempo, a mãe não tem
tempo”, então muitas vezes o pai delega ao professor quase a obrigação de
educar o filho que é filho dele. Então não se pode delegar. Hoje o professor
tem que entender de psicologia, lidar com uma série de dificuldades psicoló-
gicas do aluno, e às vezes, esse filho que o pai também não educa, que o pai
pega, coloca lá para o psicólogo e fala “olha, meu filho está se sentindo inse-
guro, faz psicoterapia para ver se meu filho fica seguro”, depois não funciona
a psicoterapia e o pai briga com aquele psicólogo, põe em outro psicólogo, aí
o filho não estuda, põe em um psicopedagogo. E eu vejo que as vezes, eu tive
a oportunidade de falar, fazer palestras para cúpula da policia e às vezes esse
pai, quando a policia prende porque o filho está usando droga, o pai fala para
o delegado “fala para ele que ele vai ser preso”, então até o delegado vira o
educador, vira a pessoa que o pai e a mãe esperam que responda. Então esse
é o debate que eu acho que é muito maior, que é o debate sobre “gente de
quem é a responsabilidade de educar o próprio filho?” Sem dúvida isso não
R
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 173
pode escapar do pai. Então, lógico, 5 filhos, toda hora os filhos a vida inteira
“pai compra, pai compra” e você tem que educar seu filho, você tem que falar
“filho, pode ter uma coisa maravilhosa, não é o teu momento, o momento vai
ser esse...” Você tem que se responsabilizar. Então a sociedade tem que discu-
tir? Tem. Algo tem que ser feito. A gente não pode ficar vendo absurdos de
braços cruzados, mas os pais precisam educar seus filhos.”
Roberto Shinyashiki, Conferencista e autor de 16 livros de auto-ajuda, que venderam um mais
de 5,5 milhões de exemplares no Brasil

e 
“Eu sou médico e gostaria de falar um pouco sobre essa campanha do gover-
no de proibir a publicidade infantil, que no meu ponto de vista, além de ser
uma censura à propaganda, eu acho que é uma campanha que não tem mui-
to sentido. A propaganda, desde que ela seja feita de forma responsável, ela
pode atingir os diferentes públicos. Propaganda infantil existe, sempre existiu,
tem o seu público-alvo que são as crianças. E, na verdade, a responsabilidade
pelas crianças é dos pais, o governo tem o seu papel, mas acho que cabe aos
pais julgar quais propagandas as crianças podem assistir ou não. Eu sou con-
tra essa campanha do governo, acho que não se pode proibir nenhum tipo de
propaganda, mesmo a infantil, que tem o seu público-alvo e a sua finalidade
em termos de publicidade.”
 Rodrigo Martins Pescuma, Médico

e 
“Eu sou contra esse absurdo contra a publicidade infantil. Acredito que as pes-
soas têm que ter direito de ir e vir. Acredito que tem que haver uma assesso-
ria, os pais estarem acompanhando. Agora, proibição eu acho ridículo. O go-
verno tem que fazer tanta coisa e vai fazer logo isso? Vai acabar com o em-
prego de muita gente, vai acabar com o emprego de pessoas que trabalham
na area infantil, até para lançarem uma carreira de atores futuramente.”
 Rogerio Paes de Barros, Radialista

e 
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174
“Na minha opinião é que estão querendo tirar a responsabilidade dos pais de
falar não. Eu sou psicóloga, tenho três filhos e o mais velho tem 11 anos, e ca-
be aos pais impor esses limites e não a publicidade, não o governo. Esse é o
papel dos pais. A publicidade é importante, apesar que têm muitos comerciais
de brinquedos que o brinquedo anda e você acaba passando isso para os seus
filho: “o brinquedo não é assim que funciona, isso é imaginação.” Então eles,
através da propaganda, acabam aprendendo o que é imaginação, o que é re-
alidade. Cabe aos pais ensinar.”
 Rosana Falanga, Psicóloga
e 
“A minha opinião a respeito da propaganda infantil é de que ela tem que exis-
tir, mesmo porque eu cresci com isso e eu acho que ninguém, nenhuma
criança vai deixar de adotar isso, mas que ela seja regulamentada, ela precisa
ser uma propaganda com uma característica própria direcionada a criança,
mas que tenha um limite para isso. Não é qualquer coisa que você pode ofe-
recer. As crianças estão consumistas porque todo mundo é consumista, o
mundo se tornou muito consumista. A gente vive num país capitalista e isso é
fato, você chega na sua casa e você leva um celular e a criança vê esse celular
e ela vai querer também. Hoje em dia a criança já nasce conectada. Então ela
é consumista porque ela segue exatamente a sociedade e a sociedade se tor-
nou consumista.”
 Rosana Simone Silva, Editora Jurídica

e 
“Eu penso que deve haver uma conscientização em relação aos pais, pois eles
que têm que conscientizar as crianças, porque elas ainda não têm o discerni-
mento para saber o que é bom e o que é ruim. A publicidade não é culpada
em criar uma sociedade consumista. Ela tem o papel de vender um produto e
nós devemos ter a consciência para saber se ele é necessário ou não.”
 Rosana Zolini, Representante Comercial

e 
R
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 175
“Hoje a gente tem assim uma infinidade de bodes expiatórios: é a bebida é o
cigarro e agora a propaganda infantil. A questão é, o que é que a gente vai en-
sinar para as nossas crianças para esse mundo em que ela vai viver, como re-
agir a esse mundo. Creio que isso é mais importante o nosso compromisso
educativo, a nossa responsabilidade. Nós vivemos num mundo, aliás, as nos-
sas crianças nasceram e crescem no mundo que valoriza extremamente o
consumo. Quer dizer, é um valor do nosso mundo o consumo, outro dia eu vi
um professor de filosofia falar que antes a nossa máxima era “penso logo exis-
to” e hoje é “consumo logo existo”. Somos todos responsáveis por esta onda
consumista que contaminou nossas crianças e os nosso jovens, mas não são
as publicidades que fazem isso, somos nós. A publicidade e a quantidade de
publicidade que nós temos em todas as mídias, é reflexo do valor extremo
que a gente dá ao consumo nesse mundo. E eu gostaria imensamente de
lembrar que nós podemos não ser passivos em relação a isso, cada pai, cada
mãe, cada escola, a família e a escola são instituições que educam por exce-
lência primeiramente. Podem ajudar os mais novos, as crianças e os adoles-
centes serem críticos em relação ao consumo, ao terem consciência ao con-
sumir, a saber que não é o consumo que decide quem ele é, e que ele deve
decidir o que consumir.”
Rosely Sayão, Psicóloga, jornalista e escritora

e 
“Eu não acredito que o melhor seja proibir, eu acho que toda criança tem di-
reito a informação, tudo o que está sendo lançado ela tem que estar sabendo
o que está acontecendo ao seu redor e cabe aos pais orientar, dizer para que
que serve, para que não serve, quando ele pode comprar esse produto, quan-
do não pode comprar. Eu não acho que proibir seja o caminho para nada.”
 Rosemeire de Souza Arraes, Funcionária Pública

e 
“Eu não sou a favor da proibição da publicidade infantil, porque eu sempre
comprei algumas coisas que o meu filho gostava, aquilo que ele via nas propa-
gandas e me pedia e nem por isso ele se tornou consumista. Acho útil a propa-
ganda na hora da compra, porque nós podemos comprar os presentes para
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nossos sobrinhos e filhos que eles assistem na televisão e gostam. E nem tudo
que passa na televisão, a criança vai querer, porque um dia ela vai querer uma
coisa e no outro dia quer outra, então ela esquece. De cada dez propagandas
que passam na televisão, você dá um presente e elas já ficam satisfeitas.”
 Rosimeire Correa Gomes, Auxiliar Administrativa

e 
“Eu sou contra essa proibição da veiculação da propaganda direcionada para
o público infantil, porque as indústrias, os produtores, têm direito de de expor
os seus produtos. Então eu acho que cabe aos pais orientar as crianças e dizer
o que é bom, o que pode ou não.”
 Sandra Buratini, Bióloga

e 
“Sou contra a proibição da publicidade infantil nos meios de comunicação. Eu
acho que as crianças podem assistir e a família que deve coibir ou não. As crian-
ças devem saber se podem comprar ou não, ter aquele tipo de produto ou não,
mas é a família que deverá estar sempre atenta a este tipo de proibição. Não
tem nada que proibir a publicidade, são os pais que devem saber se aquele pro-
duto deve ou não ser consumido. A publicidade influencia, mas uma boa pro-
paganda, uma boa publicidade não, depende muito da publicidade. Existem
publicidades que podem afetar inclusive a criança, mas uma boa publicidade,
bem feita, com objetivo bom, eu acho que isso depende muito da família.”
 Sandra Kaba, Professora

e 
“O Brasil é o país do mundo que tem talvez o melhor código de autorregula-
mentação da publicidade. As leis que regulamentam a nossa atividade, aquilo
que nós podemos fazer e aquilo que nós não podemos fazer. O Conar é um
exemplo para o mundo e está sendo seguido em vários outros países. Nós so-
mos extremamente responsáveis nessa discussão, queremos ser mais respon-
sáveis ainda, queremos discutir sim com a sociedade, queremos ser ouvidos,
queremos participar do debate junto com todos os segmentos que compõem
R
S
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 177
essa discussão em torno de publicidade, do que é certo, do que é errado, publi-
cidade infantil, o que vale e o que não vale, o que é importante e o que não é.
Nós não temos nenhum interesse em infringir nenhuma norma, nenhuma lei.
Nós temos o único direito de informar, democraticamente, à população, as op-
ções que ela tem de comprar e ela tem que ouvir isso, essa é a realidade. O Co-
nar é o nosso grande código de regulamentação e de leis que nós seguimos
com muita atenção, com muita seriedade. A liberdade de expressão hoje é um
item importante da nossa Constituição. Nós temos de respeitá-la, porque nós
respeitamos a Constituição. O que nós deveríamos fazer, com consciência, é
apoiar o Conar, fortalecer o Conar e continuar discutindo aquilo que é exagera-
do, aquilo que é errado e tirar isso. E o que é bom, aquilo que pode avançar, dis-
cutir com todos os pares, com todos os segmentos dessa discussão para tentar
validar essa posição para o futuro, e tirando todos os preconceitos, todas as
causas políticas ou não políticas que temos dentro dessa discussão. Essa não é
uma discussão política, é uma discussão da nação, do país, do povo, do consu-
midor que precisa ser informado de tudo o que ele vive. Eu acho que isso que
precisava ser estabelecido nesse processo. Eu sou pai, de três filhos e uma filha,
e sou avô de oito netos. Então vocês acham que eu não tenho responsabilidade
suficiente para preservar os meus netos e os meus filhos e as novas gerações?
Quando nós criamos nossa companhia, comerciais de televisão, campanhas,
todos os nossos funcionário têm filhos, têm netos, têm família, pensam na fa-
mília. Nós não colocamos no ar aquilo que nós não defendemos, que nós não
queremos que nossa família veja. Esse é o principio básico da publicidade bra-
sileira. Nós só colocamos no ar aquilo que a minha família, que os meus netos,
que as minhas filhas, que o meu filho pode assistir.”
 Sergio Amado, Presidente da Ogilvy Brasil

e 
“Eu gosto muito mais da palavra responsabilidade do que a palavra censura,
mesmo porque a palavra censura significa confiar, cegamente, na responsa-
bilidade e no critério do censor, e desculpe censor, eu não confio no seu.
Acho que publicidade é o vilão fácil, fácil de você pegar e dizer: “Ah, esse pro-
blema é por conta da propaganda, esse problema é por conta da propagan-
da!”, veja a propaganda é um instrumento de persuasão, ela existe para isso, a
função da propaganda não é educar , educar é uma função do Ministério da
Educação, educar é função das escolas e dos pais. Propaganda existe como
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um fator sedutor, mas também é um fator responsável. Eu sou pai de duas fi-
lhas, uma de 9 e outra de 7 anos, eu não faço para filha dos outros o que eu
não quero que façam para as minhas, então isso é uma responsabilidade.
Agora, se você, daí deriva a dizer que toda e qualquer comunicação para
crianças é errada, errado está você! Por não olhar que a comunicação é uma
coisa muito ampla, e comunicação é uma coisa muito responsável, a comu-
nicação no Brasil é muito séria. E u vou te dar um exemplo, profissionais da
DM9 participam de todos os debates públicos, todos, no que diz respeito a le-
gislação ou a prestar a atenção sobre a comunicação voltado ao público in-
fantil. Não vejo problema nenhum você ter comunicação voltada ao público
infantil, eu vejo problema em você ter comunicação ruim voltada para o pú-
blico infantil. Você diz assim, a propaganda infantil, influencia, o conteúdo in-
fluencia, os programas influenciam, livros influenciam, então vamos censurar
programas, jornais, propagandas, fiscalizar professores e pais. Propaganda
não é culpada de nada, a sociedade que é culpada no que faz de ruim para as
crianças, assim como a sociedade é héroi no que faz de bom para as crianças.
Acho essa discussão genial, porque precisamos discutir com pais, com pro-
fessores, educadores, médicos, com especialistas. Mas, também quero parti-
cipar dessa discussão como publicitário e pai ativo na sociedade.”
 Sérgio Valente, Presidente da DM9DDB

e 
“Os pais hoje são muito ocupados trabalhando para dar o melhor para os seus
filhos e a gente começa a ver que isso é uma distorção na educação, e aí vem
uma recomendação, se eu pudesse dar uma recomendação para os pais, eu
faria uma recomendação direta, não de presentes para os seus filhos dê pre-
sença, isso talvez seja a maior mudança que a gente possa fazer. Os pais nes-
se momento precisam se esforçar bastante para ganhar intimidade com es-
sas novas tecnologias percebendo que a criança está um pouco mais focada
dentro de um determinado site, ou de uma determinada tecnologia. É legal o
pai ou a mãe se aproximar dessa criança e é óbvio que a gente naquele zelo,
“para de ficar nisso que você esta fazendo muito”, e a gente tenta o controle.
O meu caminho é um pouco diferente, minha sugestão é que esse pai e essa
mãe ao invés de entrar num processo de censura a medida que viu que a
criança está gastando mais energia em um determinado site, ou numa deter-
S
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 179
minada ação que o pai entre numa linha de virar uma espécie de aprendiz do
filho, “filho o que é isso que está fazendo? E me explica como é que faz”, “me
ensina eu quero aprender”, pede para o filho o ensinar porque o filho nessa
hora vai realmente querer ensinar, não é uma enganação, é legal porque o fi-
lho te ensine e aí você já entende se ele já tem discernimento ou não para que
ele te explicando você consiga completar o aprendizado dele com valores,
porque hoje as crianças já têm todas as informações na internet e elas vêm
muito mastigadas, elas são muito intuitivas. Talvez o que o filho precise é
completar esse conhecimento com valores que só os pais podem dar”.
Sidnei Oliveira, Colunista da Exame.com para questões de conflito de gerações
e 
“Eu acho que na verdade compete mais aos pais dar uma brecada nos filhos,
“não dá para comprar tal coisa”, eu acho que tem que ter um limite. Eu falo
muito isso para a minha filha que eu tenho dois netinhos. Então eu acho que
isso não tem nada a ver com o Estado, eu acho que é a parte da criação mes-
mo, dos pais. Eu dou dica para a minha nora, muitas vezes ele pede tal brin-
quedo e eu falo assim “você tem que fazer por onde receber esse brinquedo” e
se tiver condição também, se estiver indo bem na escola, se estiver comporta-
do e depende também do momento. Eu acho que a publicidade ajuda, porque
é uma opção de os pais verem o que tem no momento e compete aos pais.”
 Silvana de Luca, Secretária

e 
“A minha filha eu educo para ela aprender a se defender, aprender a se defen-
der do perigos e aprender a se defender de uma sociedade consumista. É co-
nhecer o que tem e saber o que é balela, e saber o que é enganoso e saber o
que é bom. Vivo de televisão, sou bicho de televisão então eu tenho uma rela-
ção até as vezes dividida, porque se de um lado eu amo e faço esse veículo, de
outro lado eu tenho medo dele, porque quando você tem um filho e você per-
cebe que ele vai estar disposto a todo tipo de estímulos não só da publicidade.
Como de horrores como de um telejornal, como de erotizações desnecessá-
rias de uma telenovela. Você fica preocupada, por que você fica preocupada?
Porque, poxa, eu vou ter que ensinar meu filho a se defender desses exageros.
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180
Eu chamo de exagero por quê? Porque eu acho que cada idade a criança pode
estar mais pronta ou menos pronta para o que ela vai estar assistindo. E essa
maturidade ela não se dá de uma hora para outra, ela vai amadurecendo. Você
tem que ensinar seu filho eventualmente a se defender do que pode deformar
a sua personalidade ou assustá-lo ou deixá-lo traumatizado, ou deixá-lo uma
criança voraz no caso da publicidade. A pessoa tem que conhecer, não adianta
tirar a publicidade da televisão e dizer agora meu filho está protegido, porque
a primeira vez que ele entrar num shopping e ver uma loja de tênis, ele vai
querer todos. Então ele tem que conhecer, e tem que saber escolher, tem que
saber o que é bom para ele e o que é ruim para ele. E isso você faz mostrando
que existe, não tirando da frente o que existe. Você pode, aí sim eu concordo, e
sou partidária, já fiz muitos debates na TV falando que você tem que ter ór-
gãos reguladores como o Conar com por exemplo a publicidade, como os
programas de televisão serem recomendados para certas idades, porque têm
coisas que muitas vezes a criança não está preparada e de uma hora para ou-
tra ela pode realmente ficar traumatizada com imagem de violência. Porque
se você proteger essa criança da publicidade, de tudo que pode ser perigoso,
essa criança vai ser um pato, ou uma vitima de um traficante, ou uma boboca
consumista que acha que tudo é bom, que o que esta anunciado é bom. Não,
a criança tem que ter espirito crítico, então é por isso que eu acho muito im-
portante ela estar exposta e ser exposta aos poucos com regulamentação a vi-
da como ela é.” (…) “Acho que o mundo digital ele é novo também para a gen-
te, nós adultos, especialmente para nós adultos. Para as crianças é tudo novo,
a vida toda é nova. Elas vão ter que aprender a fazer escolhas a se defender
desde cedo para tudo. Num mundo digital a gente ainda não sabe muito bem
como orientar em muitos casos a ela fugir de certas armadilhas, certos vírus,
certos sites são realmente surpreendentes e maléficos. A Ana por exemplo a
primeira vez que foi pesquisar na internet sobre Carnaval,. Ela só precisava de
imagens de porta estandarte de escola de samba, e ela escreveu carnaval e cli-
cou em imagens no Google. O que que apareceu? Uma mulher pelada de pei-
to de fora toda exibida e ela naquela época tinha 6 anos de idade e falou: “Mãe,
mas uma mulher pelada”. Para ela aquilo era muito esquisito porque tinha uns
negócios na ponta do peito. Para ela aquilo era muito pornográfico, era um
negócio que pegou pesado. E aí então a gente foi tendo que ensinar a não
acreditar em tudo o que via e escolher as coisas. Por isso que eu digo, não
adianta fechar os canais, você tem que ensinar que tem de tudo, mas tem que
S
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saber que tem coisas para a hora certa da idade dela, até hoje, ela tem 12 anos,
ela fala: “Isso não é para a minha idade né mãe?”. Eu falo “é, não é para sua ida-
de ainda”. Por isso eu acho que é uma invasão muitas vezes um adulto empur-
rar, sufocar essas crianças com tantas coisas, principalmente na parte de sexo
de que é perigoso, porque ensinam um sexo pornográfico, não um sexo diver-
tido, criativo, gostoso, prazeroso, troca. Existem instrumentos para os pais evi-
tarem que seus filhos se choquem com imagens assim no próprio computa-
dor, depois você tem que começar a ensinar o que é legal e o que não é legal,
acompanhar a vida digital dos seus filhos, talvez essa seja a melhor maneira,
estar perto, porque eu acho que realmente a vida digital ela é muito traiçoeira
ainda, porque a gente não conhece muito bem tudo o que pode acontecer. Eu
ouço histórias e já vi casos de bullying, muitas coisas que não foram muito bo-
as para as crianças, de criança sendo filmada no próprio quarto com aqueles
espiões de internet. Tem muita coisa chata, muito pesada, mas aí tem que ter
regulações, que a sociedade vai exigir essa regulações e vai aos poucos conse-
guir com que esses instrumentos regulem tudo. Agora o que não dá é imagi-
nar que você não pode ter internet porque tem perigos.”
 Sílvia Poppovic, Apresentadora de TV

e 
“Há alguns anos, se iniciou uma mobilização por parte de entidades de defesa
do consumidor e de defesa dos interesses das crianças para a proibição ou
forte restrição da publicidade de produtos destinados a crianças. Essas enti-
dades defendem que a publicidade dirigida às crianças seria prejudicial, pois
as crianças não teriam discernimento suficiente para entender que se trata de
uma opção e não de um comando, o que resultaria em um consumismo exa-
cerbado e, no caso de produtos alimentícios não saudáveis, em um aumento
dos índices de obesidade e problemas de saúde a ela relacionados. No Brasil,
a pressão das entidades de defesa das crianças e do consumidor levou a di-
versas iniciativas, dentre elas a edição, pelo Conselho Nacional de Autorregu-
lamentação Publicitária (CONAR), da Seção 11 no Código Brasileiro de Autor-
regulamentação Publicitária, para regular de forma mais detalhada a publici-
dade dirigida a crianças (menores de 12 anos) e adolescentes (de 12 a 18 anos).
Além disso, empresas do setor alimentício assumiram um Compromisso Pú-
blico perante a sociedade, válido a partir de 01/01/2012, para deixarem de pro-
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mover a publicidade para crianças menores de 12 anos de alimentos não sau-
dáveis. Não se pode negar que a criança deve ser protegida contra práticas
abusivas, que se aproveitem de sua ingenuidade e credulidade, mas o fato é
que a vedação à publicidade abusiva e as regras constantes do Código Brasi-
leiro de Autorregulamentação Publicitária já são instrumentos jurídicos sufi-
cientes para coibir esses abusos, não sendo necessária e nem saudável, do
ponto de vista da cidadania, a solução de simplesmente proibir a publicidade
de produtos para crianças. Além de ser uma restrição injustificada ao livre
exercício da atividade econômica, uma vez que existem instrumentos jurídi-
cos eficientes de controle para que a publicidade não seja nociva à criança, a
proibição ou restrição sem razoabilidade da publicidade de produtos destina-
dos às crianças tem por efeito não permitir que os pais eduquem seus filhos
com relação ao consumo. Na medida em que as crianças deixam de ser ex-
postas à publicidade, os pais perdem a oportunidade de lhes mostrar limites
em relação ao consumo e, consequentemente, de lhes dar educação para o
consumo. Não há que se falar em consumo exacerbado por crianças, pois
elas não têm poder aquisitivo para consumir. Cabe aos pais mostrar às crian-
ças os limites para o consumo.”
 Silvia Zeigler, Advogada

e 
“Eu sou comerciante, sou formada em pedagogia e eu acredito que a publici-
dade, ela é válida no sentido da formação da criança, no sentido de nos ajudar
na parte de alimentação, do consumo de alimentos saudáveis, na prática de
exercícios, no convívio familiar. Tudo que a publicidade vá nesse sentido para
nós que somos mães é válido.”
 Simone Galuzzi, Comerciante

e 
“Eu acredito que a publicidade infantil tem que ser livre, porque quem tem que
dar limite o pai e a mãe, os familiares e acredito que o governo não tenha que
proibir a propaganda na TV, no rádio, porque quem dá limite são os pais.”
 Solange Aparecida Bueno, Pedagoga

e 
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“Sou contra essa proibição das propagandas, porque eu acho que a responsa-
bilidade é dos pais. Eu acho que cabe a nós orientá-los e dar uma monitorada,
controlar o que pode e o que não pode. Enfim, a responsabilidade é nossa, já
existe lei para controlar as propagandas e isso sim é que deve ser utilizado,
colocado em prática, fazer com que cumpra-se a lei, as leis, isso é suficiente. A
minha geração lutou muito contra a ditadura, então eu acho que se proibir a
gente está voltando à ditadura e isso, não.”
 Solange Marino Correia, Bancária
e 
“Sem dúvidas que a criança deve ser objeto de uma atenção, de um cuidado
especial, isso é perfeitamente identificável no Código Nacional de Autorregu-
lamentação Publicitária, o Conar, que dedica um capítulo extremamente ri-
goroso sobre o assunto, eu falo como um profissional de criação, e tem con-
tas publicitárias que eu lido que tratam de produtos focados na criança. Nós
temos uma extrema preocupação em não ferir o código. O Conar é rigoroso
nesse aspecto, ele tira comerciais do ar, ele tira a publicidade do ar, ele pede
alterações, então está bastante cuidado isso no nosso negócio. Naturalmente
há aqueles mais radicais que acham que isso é insuficiente, e aí é que mora o
grande perigo, porque eu sempre digo que o absolutismo nasce das causas
nobres, ou seja, bandeiras extremamente agregadoras da sociedade que nin-
guém vai dizer que é a favor do câncer, essas bandeiras que aparentemente
carregam o senso comum, muitas vezes elas iludem, e as pessoas perdem a
noção de consequência. E então é preciso estar muito atento a isso. A ques-
tão da criança, ela é prevista, ela merece todo o cuidado no Código Nacional
de Autorregulamentação Publicitária, ela está prevista Constituição Federal,
ela está prevista no Código de Defesa ao Consumidor, ela está prevista no Es-
tatuto da Criança e do Adolescente e no próprio Conar. Então eu acho que
qualquer coisa além disso começa a caminhar para um terreno perigoso do
obscurantismo da censura e que não é próprio da democracia brasileira, não
é próprio daquilo que conquistamos com tanta luta. Períodos negros, perío-
dos extremamente ditatoriais que nós atravessamos a custa o sacrifício de
muita gente, então hoje não se justifica, não há razão, não há nenhum motivo
para que se volte qualquer nuance relativa a esses tempos tão obscuros que
nos vivemos no Brasil. Então eu recomendo que a sociedade esteja muito
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184
atenta, muito precavida contra esses movimentos radicais. Nós temos que ter
responsabilidades, ter compromisso, temos que ter atitude. Naturalmente to-
das as vezes que nós vermos os direitos da criança, os valores da criança, os
valores da família ameaçados, temos que nos manifestar, temos que recorrer
a lei, temos que recorrer a Autorregulamentação que são instrumentos que
estão ai a disposição de toda à sociedade. Aqueles que se dizem donos da
opinião pública, aqueles que se dizem os únicos capazes de entender o que a
sociedade quer são os mais perigosos. Mais perigosos do que qualquer anún-
cio, são mais perigosos que qualquer publicidade. Essa propaganda no mal
sentido é que deve ser sim objeto da nossa atenção, e de uma atenção muito
cuidadosa para que não contamine a sociedade, e nós viríamos a ter conse-
quências bastante negativas. Então eu recomendo: cuidado, cuidado sim
também com a criança, cuidado com a educação, cuidado com a fiscaliza-
ção, eu acho que os pais têm uma responsabilidade muito grande. Eles têm
que ser estimulados a terem atitudes, digamos assim, concernentes a sua
condição de pais, no sentido eles são responsáveis pela educação da criança,
eles são responsáveis pelo estabelecimento dos limites para as crianças, eles
são responsáveis pelo estabelecimento de critérios para essa criança, e o
quanto mais essa criança esteja exposta a toda qualidade de informação e re-
ceba junto dessa informação um filtro, um filtro digamos ético, moral, um fil-
tro educacional da sua família e essa conjunção, esse acordo, essa convivên-
cia é que vai ser capaz de formar cidadãos preparados, cidadãos com senso
crítico e cidadãos com capacidade de fazer as melhores escolhas.”
Stalimir Vieira, Diretor da Abap

e 
“Muitos discutem a ética sobre a publicidade infantil. Alguns especialistas
apontam o comportamento agressivo das crianças serem decorrentes da pu-
blicidade planejada.As mensagens televisivas são apontadas como as gran-
des vilãs, porque manipulam o comportamento das crianças através de men-
sagens subliminares inseridas nas propagandas com o objetivo do consumo.
Mas, mais do que debater se é ético fazer publicidade para induzir as crianças
e adolescentes a pressionar os pais comprar um objeto, que promete preen-
cher uma falsa necessidade criada pela mídia, é preciso se criar mecanismos
legais para regrar a publicidade, a propaganda e o marketing, principalmente
S
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 185
os direcionados para crianças e adolescentes. Penso que tais regras devem
abordar as mídias que incitam a erotização precoce através de produtos que
influenciem o vestir, andar, etc., e que tais mídias sejam centradas para os pais
(que devem avaliar a qualidade, necessidade) e não mais às crianças, pois é
legítimo afirmar que as crianças ou adolescentes quando desejam algo pres-
sionam, azucrinam e teimam até conseguir o que desejam. A ética na publici-
dade infantil vem sendo discutida há muitos anos, em vários países, mas aqui
no Brasil é preciso melhorar a educação básica cujas crianças serão os futu-
ros cidadãos críticos. Os cursos universitários que formam educadores deve-
riam ter como matéria o ensino deste tema – o desenvolvimento do pensa-
mento crítico, sua problematização e a resistência às manipulações da indús-
tria cultural movida pelo sistema capitalista. Dessa maneira, se criará uma ati-
tude ativa de defesa da sociedade por seus direitos de escolher o que se dese-
ja consumir, sem afetar a liberdade de cada um. Em relação à criança, ela é
antes de mais nada, um ser em formação que precisa receber toda atenção e
cuidados dos pais, dos educadores, da sociedade e das autoridades públicas.
O que menos interessa nessa fase do desenvolvimento, é ser tratada como
um mero comprador de produtos. Fato incontestável é que todas as mensa-
gens publicitárias têm por objetivo vender um produto ou serviço. A compra
quem decide é o consumidor, tanto melhor se educado para tal, ele comprará
apenas o que vai consumir.”
 Sueli Dib, Pedagoga

e 
“Falar em proibir a comunicação e falar em proibir um fabricante de brinque-
do de se comunicar com as crianças é no mínimo horrível. As pessoas que fa-
lam isso, no nosso ponto de vista, é porque de verdade não gostam de crian-
ça. Na verdade a responsabilidade pela vida da criança, pelos séculos dos sé-
culos, tem sido da família e não de leis. As leis protegem, as leis explicam al-
guns caminhos, mas de verdade nós do mundo do brinquedo, do mundo da
fantasia, nós não saberíamos falar com as crianças e trabalhar para elas, para
que elas sejam mais, mais felizes, porque o brinquedo é a miniaturização do
mundo adulto para criança. Como é que eu posso me relacionar com ela se
eu não puder falar com ela, se tiver uma lei me proibindo de falar com a crian-
ça? Eu acho que é irresponsável que alguém queira proibir que nós, fabrican-
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186
tes de brinquedos e outros setores da economia brasileira, conversemos com
nosso consumidor final, que é a criança, e o nosso mundo é da fantasia. A
criança não é como o adulto, a criança ela acorda querendo brincar, ela acor-
da ao imaginário, ela acorda querendo fazer coisas, é genético na criança a
agitação, a novidade, a movimentação. E depois, sempre foi responsabilidade
das famílias cuidar das crianças. O Estado entra onde a criança tem os seus di-
reitos violados e coisas dessa natureza, mas nós não temos no ambiente do
relacionamento indústria e criança aqui no Brasil nenhum caso, nenhuma
crise, nenhum crime de lesa a pátria, de dado às crianças, “ah, mas tem muita
publicidade”. É claro, a indústria é competente e tenta se comunicar com seus
consumidores, é assim no mundo inteiro e não há nenhuma criança danifica-
da por causa disso. Então eu acho que é o momento de mudar o debate, o de-
bate está numa direção completamente errada de garantia dos direitos. Nós
não queremos tirar o direito da criança. Agora, não podem tirar o nosso direi-
to de comunicar, mas principalmente de falar com a criança brasileira. Viva a
criança brasileira.”
 Synésio Batista da Costa, Presidente da Abrinq
e 
“Eu sou contra essa proibição, porque eu acho que os pais que devem educar
os filhos e selecionar aquilo que eles podem ver na televisão. E mesmo que
eles tenham visto, uma grande oportunidade de eles estarem ensinando o
que é certo e por que alguns produtos não são bons para serem consumi-
dos.”
Suzana Leão, Economista

e 
“Sobre a responsabilidade de publicidade infantil, ela deve ser dos pais. Eles
que têm que filtrar e ser responsáveis pela criança para orientar e depois dei-
xá-los livres para escolherem. Mas, desde pequenos, eles têm que saber o que
é certo e o que é errado e essa responsabilidade não é só da mídia e nem do
governo.”
 Sydneyde Pires Arruda de Almeida, Corretora de Imóveis

e 
S
aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 187
“Sou contra a nova lei do Estado, até porque as crianças têm que ser influencia-
das, serem educadas pelos pais. Se o pai não tem autoridade o suficiente para
dizer não, o Estado não tem que se responsabilizar por isso, porque eles devem
pensar melhor nas consequências que isso pode estar trazendo para a socieda-
de inteira, para a sociedade em si. É bobagem fazer essa lei. Eu sou contra.”
 Tamires Gabriela Basílio Nascimento, Auxiliar Administrativa

e 
“Tendo a propaganda é até mais fácil de a gente educar a criança. O filho che-
ga e fala: “mãe eu quero aquilo” e a gente, como pais, pode falar “não, então se
você ficar bonzinho você ganha, no dia das crianças, no natal ou no seu ani-
versário.” Então a gente pode, com um jogo de cintura, usar a propaganda a
nossa favor também na educação. Então eu sou contra. Meu filho faz propa-
ganda também e ele leva tudo isso na brincadeira, é legal ele como criança
interagir no comercial também.”
 Tatiane Aparecida Fonseca, Esteticista

e 
“Se tirar a publicidade infantil vai estar tirando também o direito da criança de
escolher, se ela pode ou não escolher aquele brinquedo e quem tem que de-
terminar isso são os pais. O pai é quem tem que educar o filho. “Eu quero, eu
quero, eu quero”, mas quem tem que dar a última palavra é o pai e a mãe. Ti-
rar, por exemplo, tirar brinquedos de circulação da TV, vamos dizer assim,
mas também vai tirar o direito da criança de escolha, como todo mundo tem
o direito de escolher, a criança também tem.”
 Thaís Raquel, Promotora

e 
“Meu nome é Thatiana Segundo, eu sou orientadora educacional de oitavo e
nono ano no colégio Dante Alighieri. E nós percebemos a necessidade de tra-
balhar o tema consumismo, porque a adolescência é uma fase onde eles es-
tão em formação de personalidade e existe a necessidade de ser aceito por
um grupo. Para ser aceito ele precisa se assemelhar aos pares, portanto ele
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188
precisa ter o que o colega tem ou o que aquele grupo tem ou vestir o que eles
vestem, frequentar os mesmos lugares e isso acontece indiscriminadamente.
Como nós desenvolvemos esse projeto, num primeiro momento a gente passa
um vídeo para esses alunos para que eles consigam diferenciar consumo e
consumismo. A partir do vídeo, a gente promove uma discussão, uma reflexão,
uma discussão, sobre as causas, motivos, consequências do consumismo. De-
pois de toda essa discussão, a gente tem um segundo momento onde a gente
coloca algumas propagandas onde eles façam uma análise crítica e tentar des-
cobrir o que está por trás de uma propaganda de televisão ou de uma revista,
numa sacola de uma roupa, qual a mensagem. A ideia é que ele faça uma análi-
se disso, o que é necessidade e o que é desejo, o que ele de fato precisa, porque
esse desejo ele nunca vai ser satisfeito e o adolescente chega à conclusão nes-
sas discussões que ele realmente ele quer um tênis, quer aquele celular e quan-
to ele obtém aquilo, aquilo perde a graça e ela já transfere para um outro objeto
aquele desejo, então isso não tem fim. Muitos pais me perguntam “ah eu não
sei como dizer não” porque ele fala todos os meus amigos tem um celular “x”
eu também quero, eu também preciso”, para o adolescente, isso é uma neces-
sidade, ele precisa. Se ele não tiver o que o amigo tem naquele momento, ele se
sente como se não fizesse parte daquele grupo. Aos pais cabe não ceder a es-
ses apelos e a essa pressão do adolescente o que é muito difícil, porque ne-
nhum pai quer ver seu filho frustrado, mas a frustração faz parte do processo de
crescimento e é importante ter clareza dos valores que você quer transmitir
para os seus filhos e fazer isso com muita segurança e sempre com muito diá-
logo, porque com o adolescente o embate não traz resultados positivos. Com
base no que a gente está fazendo a gente percebe que eles conseguem fazer
uma leitura crítica de uma propaganda, uma das lições que a gente sugere é
que eles discutam com os pais nos intervalos entre uma novela, entre um jor-
nal, qual a mensagem, o que eles está querendo me convencer, porque que
aquilo é fundamental para que eu seja feliz? E diferenciar se aquilo é necessário
mesmo, esse é o objetivo e a gente tem conseguido. Lógico que a gente não
tem, não almeja que todos os alunos de repente parem de desejar objetos, por-
que faz parte dessa fase mesmo em que eles estão, mas que consigam fazer
uma leitura diferente desse processo”.
Thatiana Segundo, Orientadora educacional do colégio Dante Alighieri

e 
T
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“A respeito de proibir a publicidade infantil, eu sou contra, porque eu acho
que vai começar a censurar e eu acho que não é por aí. Eu acho que os meios
têm que ser divulgados, mas divulgado com responsabilidade para que as
crianças não sejam enganadas, o consumidor, no caso. Agora, eu acho que a
publicidade tem que estar com carta branca, sem censura, desde que tenha
responsabilidade.”
 Thales Gomes Moreira, Chefe de Cozinha

e 
“Acho que é responsabilidade dos pais zelarem por aquilo que seus filho ve-
em quaisquer que sejam os meios de comunicação disponíveis. Isso vale para
todos os horários e para filhos em quaisquer idades.”
 Valéria Cabral, Recursos Humanos

e 
“A publicidade infantil é necessária, senão a programação infantil vai acabar
ficando muito pobre. Ela gera uma informação para os pais sobre o que com-
prar e o que não comprar para as crianças. Os próprios pais devem decidir is-
so e selecionar o que as crianças podem assistir ou não. A publicidade não in-
fluencia nisso, porque as crianças vão ver de qualquer maneira o que elas vão
querer comprar ou não, só que através da televisão é possível selecionar de
uma maneira melhor.”
 Valéria Titanero, Publicitária

e 
“Eu não concordo que seja retirada a publicidade para as crianças na televi-
são, porque eu acho que a questão da criança ser ou não consumista vai dos
pais. Os pais que vão colocar isso para criança, ensinando isso para criança.
Não se deve retirar nenhum tipo de programa que é indicado para criança na
televisão.”
 Vanessa Ferreira de Sousa, Professora

e 
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190
“Sobre publicidade infantil, eu pratico na minha casa, eu mostro para o meu
filho se alguma coisa está sendo oferecida, se não está na capacidade da fa-
mília conseguir, eu mostro que aquilo não está ao alcance no momento. Acho
que cabe aos pais transmitir ao filho a possibilidade que ele tem na vida na-
quele momento. E, se ele quiser ter algum outro objetivo, ele tem mecanis-
mos para isso, ele vai ter que estudar, trabalhar para almejar uma coisa que
ele não possa ter no momento. É o objetivo dos pais.”
 Vartan Sarian Junior, Químico

e 
“Sou contra a proibição da publicidade infantil, pelo fato de que isso está na cabe-
ça de pai e mãe colocar na cabeça do seu filho: “isso eu não posso te dar, isso eu
não posso te dar”. Os meus foram criados nesse sentido, o que eu posso te dar, eu
te dou, o que eu não posso eu não te dou. Então depende mais de mãe e pai colo-
car na cabeça da criança o que pode e o que não pode. Proibir não tem porquê.”
 Vera Lucia Branquinho, Confeiteira

e 
“Tocante a propaganda infantil, com o foco infantil, desde que se tenha cons-
ciência, eu acho que não há mal nenhum. Eu tenho um filho de 21 anos, que
foi criado assistindo propagandas e nada interferiu na educação dele. Depen-
de da família e da sua educação.”
 Vera Lúcia da Silva Ramos, Advogada

e 
“Eu acho que os pais têm que cuidar mais dos filhos e o governo tem que se
preocupar com problemas governamentais, não com as crianças. Então os
pais têm que saber o que está acontecendo, se libera para algumas propagan-
das, (…), as crianças têm que aproveitar o momento deles, mas é um assunto
que os pais têm que cuidar mais e tomar mais cuidado.”
 Vicente Damaso Jimenez Perez, Empresário

e 
V
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“Muitos brinquedos educativos, brinquedos que incentivam a educação de
crianças desde pequeno até o adolescente, vários jogos educativos e didáti-
cos vêm da publicidade. Eu acho que tirar essa publicidade é uma verdadeira
palhaçada. Tem publicidade de cerveja, de whisky, de carros super caros, de
apartamentos que você nunca vai conseguir comprar. A publicidade infantil é
totalmente sadia, além de ser divertida e a criança gosta. Os pais que são res-
ponsáveis pela educação dentro de casa e pelo que ele pode ou não assistir.”
 Vinicius Otávio, Mecânico Aeronáutico

e 
“Estou aqui para manifestar a minha opinião com relação à proibição da publici-
dade infantil. Eu considero essa ideia de proibir, uma coisa totalmente fora da
realidade, porque o que é proibido é justamente o que é desejado. Então no ca-
so da publicidade infantil deveria ter um foco mais informativo e não tanto co-
mercial, é essa a minha opinião, acho que proibir não e sim direcionar para as
pessoas se conscientizarem. O produto existe e acho que nem sempre pode ser
atingido por todas as camadas sociais, tem que se levar em consideração as ca-
madas sociais, porque uma criança de família pobre nem sempre vai poder ter,
mas por que não ver? Por que não conviver com isso? Porque ao invés de a gen-
te proibir ela vai ter convivência com isso na sociedade em geral, na escola, na
rua. O que os nossos filhos pedem a gente tem que ter uma didática em casa e
ensinar para eles o que eles podem e o que não podem ter. Mas proibir jamais,
porque tudo o que a gente proíbe, com certeza é desejado.”
Wirajane Gomes da Fonseca, Pesquisadora

e 
“Propaganda infantil tem que ter, porque é um direito de qualquer empresa
para ela continuar sobrevivendo no mercado e o pai decide o que deve fazer.
Às vezes, nós fazemos um sacrifício. O filho está vendo a propaganda e ele vai
pedir. Eu, como pai, vou fazer as minhas contas: se dá para comprar, ok; se
não dá, eu falo “espera um ano, dois, três anos”. Eu vou priorizar a educação, a
alimentação e a saúde.”
 Wilson dos Santos, Cabeleireiro
e 
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“Sete anos apresentando programa e o que eu sinto é que a publicidade in-
fantil ajuda bastante, até a educar a criança e mostrar para criança que ela é
criança. Eu acho que a publicidade infantil ajuda bastante em casos assim de
ajudar os pais a educarem os filhos. Por quê? Eu vou explicar. Porque hoje em
dia o que está acontecendo bastante é a criança querer ser adolescente ou
querer ser adulto, é o que eu vejo assim no meu dia a dia, no meu convívio
com as crianças. Eu acho que a publicidade ajuda bastante a passar essa men-
sagem para todas as crianças do Brasil, o porquê... Se não tem a publicidade,
não tem o produto, não tem o programa, não tem o Yudi todo dia na TV pas-
sando essa mensagem, passando as coisas boas para as crianças, então se
não tem tudo isso, a criança vai apelar para parte do adolescente e do adulto.
Elas vão partir a ouvir músicas que não tem a ver com a idade dela, vão fazer
coisas que não está na idade dela. Então eu acho que é muito importante a
publicidade infantil continuar, os programas infantis continuarem e toda essa
parte é importantíssima. Então eu acho, eu conto com a ajuda de todos vocês
para que o Yudi continue aqui apresentando o programa, alegrando todos os
filhos de vocês. Eu acho que quando eu animo as crianças do Brasil, eu acabo
pegando a família inteira e a casa toda fica mais alegre. Então a publicidade
infantil tem que continuar rolando pelo Brasilzão, no mundo todo, para que
as crianças continuem sendo crianças, certo? Brigado.”
 Yudi Tamashiro, Apresentador do SBT
Y
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Este trabalho está licenciado sob a Licença Atribuição-SemDerivados 3.0 Brasil da Creative Commons.
Seu conteúdo pode ser reproduzido desde que citada a fonte. Permissões adicionais ao âmbito desta
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Somos Todos Responsáveis - Depoimentos

  • 1.
    1 Relatório da campanha “SomosTodos Responsáveis” e a íntegra dos 220 depoimentos Janeiro de 2013
  • 3.
    Relatório da campanha “SomosTodos Responsáveis” e a íntegra dos 220 depoimentos
  • 4.
    4 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR ÍNDICE  ABAP – AssociaçãoBrasileira de Agências de Publicidade Rua Pedroso Alvarenga, 1208 – 8º andar – Itaim Bibi 04531-004 – São Paulo – SP (55 11) 3074-2160 Site: www.abapnacional.com.br - E-mail: abap@abap.com.br Vice-Presidente de Relações Institucionais: Armando Strozenberg (Euro RSCG Contemporânea) Vice-Presidente de Relações Governamentais: Bob Vieira da Costa (Nova S/B Comunicação) Vice-Presidente de Gestão de Agências e Relações com o Mercado: Antônio Lino Pinto (Talent Comunicação e Planejamento) Vice-Presidente de Assuntos Regionais: Antônio D'Alessandro (DCS Net) Diretor Executivo: Decio Vomero Diretor Para Assuntos Legais: Antônio Fadiga (Fischer América Comunicação Total) Diretor de Relações Interassociativas: Otto de Barros Vidal Júnior (PPR- Profissionais de Publicidade Reunidos) Diretor Administrativo Financeiro: Paulo Zoega (QG Comunicação S/A) Presidente Nacional: Luiz Lara (Lew'LaraTBWA Publicidade) A campanha Somos Todos Responsáveis..........................  Pág.6 Campanha em Números............................................................  Pág.8 Canais..................................................................................................  Pág.9 Especialistas ..................................................................................  Pág.12 Índice de Depoimentos ...........................................................  Pág.14
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    5aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE E m uma era em que a mídia passa por transformações radicais, convive- mos constantemente com a insegu- rança e a incerteza. Há várias frentes de discussão sobre o assunto: o livre acesso aos conteúdos na internet, as novas possibili- dades de relacionamento nas redes sociais… Queremos convidá-los a discutir um aspecto mais específico e de interesse de todos nós: como a publicidade interage com as crian- ças. Quais são os cuidados que devem ser adotados por pais e mães, quais são os bene- fícios, quais são as consequências… Este tema entrou em debate no mundo to- do e também aqui no Brasil, onde a conver- sa ainda ocorre dentro de grupos com visões bastante radicais. Para eles, a receita é sim- ples: basta proibir sumariamente a propagan- da dirigida para crianças de até 12 anos para protegê-las das tentações do consumo e de outros supostos riscos. Mas será que é mes- mo simples assim? As crianças também de- verão ser proibidas de ver as vitrines nos sho- ppings? Serão impedidas de mostrar o tênis e a mochila novos aos colegas de classe para evitar desejos consumistas? E o que dizer de vídeogames, que raramente anunciam seus produtos e são amplamente conhecidos e desejados pelas crianças? E mais: sem propa- ganda infantil não haverá programação pa- ra as crianças. Então, nossos filhos acabarão vendo novelas com publicidade para adultos no lugar dos desenhos com propagandas pa- ra criança? Longe da televisão, eles estarão seguros navegando na internet? Deveríamos proibir a internet também? E como diferen- ciar o que é uma publicidade feita para crian- ças de 12 anos (que se quer proibir) e de 13 anos, que seria liberada? Nós reconhecemos o poder de persuasão da publicidade, acreditamos que o assunto tem a maior importância e precisa ser amplamen- te discutido. Não acreditamos em passes de mágica e lembramos que várias ideias bem intencionadas resultaram em interferências brutais na vida das pessoas. Acreditamos que precisamos trabalhar juntos para aprimorar o que for preciso, decifrar os desafios das mí- dias em uma era de transformações e evitar retrocessos. Nosso caminho é o do diálogo, da liberdade, da responsabilidade e da edu- cação. SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS. O CAMINHO DO DIÁLOGO LUIZ LARA, presidente da Abap ClaudioRossi
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    6 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR “M ães e paisno mundo todo estão preocupa- dos com a influência das mídias na formação dos filhos. Crianças experimentam as no- vidades antes. Se você acha que estimulá- las e protegê-las é responsabilidade de to- dos, participe da nossa campanha. Em uma era em que a mídia passa por transforma- ções radicais, convivemos constantemente com a insegurança e a incerteza. Há várias frentes de discussão sobre o assunto: o livre acesso aos conteúdos na internet, as novas possibilidades de relacionamento nas redes sociais… Queremos convidá-los a discutir um aspecto mais específico e de interesse de todos nós: como a publicidade interage com as crianças. Quais são os cuidados que devem ser adotados por pais e mães, quais são os benefícios, quais são as consequên- cias…”, foi com essa chamada que a cam- panha Somos Todos Responsáveis ocupou a mídia e as redes sociais a partir de janeiro de 2012. Durante quase um ano a campanha Somos Todos Responsáveis produziu mais de 220 depoimentos em vídeos. Pais, mães e es- pecialistas foram convidados a falar sobre crianças e propaganda sob diversas pers- pectivas. Ouvimos pedagogos, artistas, jornalistas, empresáros, líderes de ONGs, ministros de estado, personalidades e publicitários que acreditam que a propaganda feita com res- ponsabilidade, observando-se as diversas regras que regulamentam o setor, pode ter um papel positivo na vida das crianças. Além disso reuniu cerca de 30 mil pessoas em seus canais na internet e nas redes so- ciais para discutir como a publicidade inte- rage com as crianças, quais são as consequ- ências e o que pode ser feito. Estima-se que tenha falado para mais de um milhão de pes- soas. Os depoimentos colhidos durante a cam- panha estão reunidos nessa publicação e ainda podem ser acessados no site www. somostodosresponsaveis.com.br. Acredita- mos que se trata de uma fonte importante de referências para aqueles que se interes- sam pelo tema por reunir além opiniões, in- formações e a orientação de especialistas renomados. A Campanha Somos Todos Responsáveis foi conduzida pela Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade) e tem uma po- SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS, A CAMPANHA
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    7aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE sição e um lado bem definido. Porém, o lei- tor observará que o tema aqui aparece em toda sua complexidade, com todas suas nu- ances. Também está registrada a preocupação de pais, mães e especialistas em relação à in- fluência da propaganda no desenvolvimen- to das crianças, o que serve de alerta a to- dos os envolvidos no assunto, anunciantes, agências de propaganda. Essa é outra con- tribuição que esperamos dar com essa pu- blicação: relembrar e insistir na ideia de que somos todos responsáveis pela proteção das crianças. No mundo de hoje as crianças nascem ro- deadas pela mídia. Não só a TV, o rádio, os jornais, as revistas, todos estes, objeto de an- tigas discussões. Há temas novíssimos para serem discutidos. Existem telas em elevado- res, computadores estão se tornando equi- pamentos universais. Anúncios publicitários são veiculados em videogames, mensagens estão circulando em e-mails e redes sociais. Já existe propaganda no kit que a mãe rece- be na maternidade. Estamos em um mun- do de promoções e de marketing. Há mais de 240 milhões de celulares, sendo que 37 milhões são smartphones, usados para en- vio de e-mails, vídeos e acesso a redes so- ciais. Podemos acabar com tudo isso? Sabe- mos que não A publicidade é uma das peças dessa rede e analisá-la de forma isolada pro- vavelmente resultará em conclusões equi- vocadas. Esta publicação reúne os principais ques- tionamentos, aborda as maiores polêmicas e pretende responder com objetividade às dúvidas mais comuns que surgiram durante a campanha. Também reforça a ideia cen- tral por trás dessa iniciativa: publicidade sim, com muita responsabilidade, regras claras e controle rigoroso. Nós reconhecemos o poder de persuasão da publicidade, acreditamos que o assunto tem a maior importância e precisa ser am- plamente discutido. Não acreditamos em passes de mágica e lembramos que várias ideias bem intencionadas resultaram em intereferências brutais na vida das pessoas. Acreditamos que precisamos trabalhar jun- tos para aprimorar o que for preciso, decifrar os desafios das mídias em uma era de trans- formações e evitar retrocessos. Nosso cami- nho é o do diálogo, da liberdade, da respon- sabilidade e da educação. SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS
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    8 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR A campanha emnúmeros (Período entre 01 de janeiro de 2012 até 31 de dezembro de 2012) Site Visitas 17.000 Visitantes 12.000 Posts publicados 260 Vídeos publicados 220 Facebook Fans 17.000 Visitas 34.000 Alcance das publicações 1.800.000 Posts publicados 450 Comentários 1.600 Ações positivas 25.000 Youtube Vídeos 244 Exibições no canal 15.000 Posts para o Facebook
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    9aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE Canais/Facebook
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    11aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE PUBLICIDADE INFANTIL EM DEBATE NAS REDES SOCIAIS
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    12 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR Poder Público Alexandre Padilha Ministro da Saúde José Antônio Dias Toffoli  Ministro do Supremo Tribunal Federal Milton Monti  (PR-SP) Onofre Agostini  (PSD-SC) Ruy Carneiro  (PSDB-PB) Publicitários Alexandre Gama  Presidente da Neogama Dalton Pastore Jr.  Presidente do Fórum Permanente da Indústria da Comunicação Enio Vergeiro  Presidente da APP  Associação dos Profissionais de Propaganda Fabio Fernandes  Presidente da Nazca Flávio Conti  Diretor geral da DPZ Hiran Castelo Branco  Vice-presidente corporativo da ESPM Jaques Lewkowicz  Sócio da Lew/Lara José Henrique Borghi  Presidente da Bonghierh Lowe Luiz Fernando Musa  Diretor geral da Ogilvy Brasil Luiz Lara  Presidente da Abap Marcello Serpa  Sócio-presidente e diretor de criação da AlmapBBDO Márcio Oliveira  Vice-presidente da Lew/Lara Roberto Duailibi  Sócio-diretor da DPZ Roberto Justus  Presidente da Young Rubican Sergio Amado  Presidente da Ogilvy Brasil Sérgio Valente  Presidente da DM9DDB Stalimir Vieira  Diretor da Abap Jornalistas e mídia Álvaro Leopoldo Filho  Diretor Comercial da Jovem Pan Ana Helena Reis  Presidente da Multifocus Lúcia Helena de Oliveira  Diretora de redação da revista Saúde, Editora Abril Maggi Krause  Diretora de redação da revista Nova Escola Márcia Vilela Neder  Diretora do núcleo de saúde, beleza e bem-estar da Editora Abril Sílvia Poppovic  apresentadora de TV Academia Andrea Jotta  Pesquisadora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) Eugênio Bucci  professor da ECA/USP Fernanda Cintra de Paula  Pesquisadora de mídias, crianças e consumo pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) Gil Giardelli  Professor de pós-graduação da ESPM e especialista em redes sociais Isabel Orofino  Pesquisadora da ESPM e autora do livro mídias e mediação Luli Radfahrer  professor da ECA/USP principais DEPOIMENTOS À CAMPANHA
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    13aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE Psiquiatras, psicólogos, pedagogos e educadores Bernadette Vilhena  Escritora especializada em pedagogia empresarial e educação financeira Debora Corigliano  Psicopedagoga e escritora do livro “Orientando pais, educando filhos” Içami Tiba  Psiquiatra, educador e autor de vários livros sobre orientação aos pais, entre eles o “Quem ama educa”. Jéssica Fogaça  Psicóloga Comportamental Infantil Lidia Rosemberg Aratangy  Psicóloga referência em orientação familiar Livia Borges  Psicóloga, escritora e consultora do Núcleo de Estudos da Violência da Polícia Militar do Distrito Federal Luiz Felipe Ponde  Filosofo e professor da PUC Marcelo Cunha Bueno  Colunista da revista Crescer Maria Irene Maluf  Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005 a 2007) Mario Sergio Cortella  Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e mestre em filosofia Miriam Chicarelli Furini  Psicanalista e psicopedagoga Nina Costa  Psicóloga especialista em transtornos afetivos da Unifesp Roberto Shinyashiki  Conferencista e autor de 16 livros de auto-ajuda, que venderam um mais de 5,5 milhões de exemplares no Brasil. Rosely Sayão  Psicóloga, jornalista e escritora Sueli Dib  Especialista em Educação Básica e consultora da Abril Educação e da Secretaria Estadual de Educação do Espírito Santo Thatiana Segundo  Orientadora educacional do colégio Dante Alighieri Cultura Cris Poli  Educadora, interpreta a Super Nanny no SBT Fernando Gomes  Gerente de programação infantil da TV Cultura e criador do Cocoricó Maurício de Sousa  Criador da Turma da Mônica Papati Patata  Apresentadores do SBT Paulo Tatit  Músico do grupo Palavra Cantada Yudi Tamashiro  Apresentador do SBT Ongs, empresas e associações Ângelo Frazão  Superintendente de Marketing da AACD Bianca Carvalho  Presidente da ONG Mundo Novo Gilberto Leifert  Presidente do Conar Luiz Carlos Dutra  Vice-presidente corporativo da Unilever para América Latina PATRICIA BLANCO  Presidente do Instituto Palavra Aberta Synésio Batista da Costa  Presidente da Abrinq Advogados e jurístas Gustavo Castro  De Vivo, Whitaker, Castro e Gonçalves Advogados Luiz Flávio D'Urso  presidente da OAB-São Paulo Maximilian Fierro Paschoal  Sócio da Pinheiro Neto Ophir Cavalcante  Presidente nacional da OAB Silvia Zeigler  Zeigler e Mendonça de Barros Sociedade de Advogados Médicos e profissionais da saúde Edson Bueno  Presidente da Amil Florentino Cardoso  Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) Jorge Huberman  Pediatra do Hospital Albert Einstein e sócio do Instituto Saúde Plena Mauro Gomes Aranha  Vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado
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    14 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR A   Adelina PereiraMacedo, Aposentada  ..................................................................................................................................  Pág. 28 Adriana Aparecida Fernandes dos Santos, Assistente Administrativa .........................................................  Pág. 28 Alexandre Gama, Presidente da Neogama  ...............................................................................................................................  Pág. 28 Alexandre Padilha, Ministro da Saúde  .....................................................................................................................................  Pág. 30 Álvaro Leopoldo Filho, Diretor Comercial da Jovem Pan ..........................................................................................  Pág. 30 Amanda Leite, Securitária ....................................................................................................................................................................  Pág. 30 Ana Alice Carvalho, Aposentada ...............................................................................................................................................  Pág. 31 Ana Helena Reis, Presidente da Multifocus .................................................................................................................................  Pág. 31 Ana Maria Custodio, Servidora Pública ....................................................................................................................................  Pág. 34 André Ramos Tavares, Diretor do Instituto Brasileiro de Estudos Constitucionais .................................................  Pág. 34 André Santi, Analista de Informática  .............................................................................................................................................  Pág. 35 Andrea Alves, Auxiliar de Produção ...............................................................................................................................................  Pág. 36 Andrea Antonacci, Jornalista ......................................................................................................................................................  Pág. 36 Andréa Espinoza, Estudante ...........................................................................................................................................................  Pág. 36 Andrea Jotta, Pesquisadora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica)....................................................................  Pág. 38 Andréa Marques Vieira, Dona de casa ....................................................................................................................................  Pág. 36 Andria Gonçalves Dias Barros, Auxiliar Administrativa .............................................................................................  Pág. 39 Angela Mello da Silva, Dona de Casa .....................................................................................................................................  Pág. 39 Ângelo Franzão, Superintendente de Marketing da AACD ................................................................................................  Pág. 40 Aparecida Teixeira Dias, Professora .........................................................................................................................................  Pág. 42 Armando Strozemberg, CEO da Euro RSCG Brasil ............................................................................................................  Pág. 43 Arnaldo Rabelo, Blogueiro e Consultor de Marketing Infantil ..........................................................................................  Pág. 44 índice DE DEPOIMENTOS
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    15aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE b   Beany Guimarães Monteiro, Professora ..............................................................................................................................  Pág. 44 Bernadette Vilhena, Escritora especializada em pedagogia empresarial e educação financeira .....................  Pág. 46 Beth Carmona, Diretora da ComKids ...........................................................................................................................................  Pág. 46 Bob Vieira da Costa, Sócio da Nova/SB ....................................................................................................................................  Pág. 47 c   Camila Mizue Fujisawa, Assistente Jurídica ...........................................................................................................................  Pág. 50 Carina Eguia Cappucci Ceschini, Jornalista ...................................................................................................................  Pág. 50 Carla Bertolini, Professora .............................................................................................................................................................  Pág. 50 Carmen Alencar, Funcionária Federal ........................................................................................................................................  Pág. 51 Carolina Pilogi, Designer ................................................................................................................................................................  Pág. 51 Cecília Aparecida Pavani, Analista de RH .............................................................................................................................  Pág. 51 Celso Loducca, Presidente e Sócio da agência Loducca .....................................................................................................  Pág. 52 Cibele Sampaio, Administradora de empresas ...........................................................................................................................  Pág. 54 Cíntia Nogueira de Oliveira, Recepcionista .....................................................................................................................  Pág. 54 Cris Poli, educadora interpreta a Super Nanny no SBT .............................................................................................................  Pág. 54 Cristiane Aparecida Souza, Maquiadora .............................................................................................................................  Pág. 55 Cyd Alvarez, Presidente da NBS .......................................................................................................................................................  Pág. 123
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    16 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR d   Dalton PastoreJr., Presidente do Fórum Permanente da Indústria da Comunicação .........................................  Pág. 56 Dayana Montenegro, Dona de casa ........................................................................................................................................  Pág. 58 Debora Corigliano, Psicopedagoga e escritora do livro “Orientando Pais, Educando Filhos”  ..........................  Pág. 58 Denise reis guglielmo, Secretária  ............................................................................................................................................  Pág. 59 Deolinda Caldeira Franco Mazottini, Aposentada ................................................................................................  Pág. 59 Domingos Augusto Mazottini, Aposentado ..................................................................................................................  Pág. 60 Douglas Bastos Florenço, Analista de Sistema .............................................................................................................  Pág. 60 e   Edson Bueno, Presidente da Amil ...................................................................................................................................................  Pág. 60 Edson José Ferreira Pini, Professor ........................................................................................................................................  Pág. 62 Eduardo CÉsar Martins Ferreira, Supervisor de Seguros ........................................................................................  Pág. 62 Elaine Simões Garcia, Professora ...............................................................................................................................................  Pág. 63 Eliana Oliveira, Psicóloga .................................................................................................................................................................  Pág. 63 Elvira Ventura Filipe, Psicóloga  ................................................................................................................................................  Pág. 63 Enio Vergeiro, Presidente da APP, Associação dos Profissionais de Propaganda ........................................................  Pág. 64 Érica Cazé da Cunha, Dona de Casa .........................................................................................................................................  Pág. 64 Eronilde Maria de Souza, Assistente de Treinamento ....................................................................................................  Pág. 66 Ethel Perlman, Empresária ..............................................................................................................................................................  Pág. 66 Eugênio Bucci, professor da ECA/USP .........................................................................................................................................  Pág. 66
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    17aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE f   Fabiana Negri, Bancária ......................................................................................................................................................................  Pág. 68 Fabio Fernandes, Presidente da Nazca  ......................................................................................................................................  Pág. 68 Fátima Regina Feitosa, Advogada ..............................................................................................................................................  Pág. 71 Fernanda Almeida Prado, Psicóloga ......................................................................................................................................  Pág.71 Fernanda Cintra de Paula, Pesquisadora de mídias, crianças e consumo pela ESPM  ......................................  Pág. 72 Fernando Gomes, Gerente de programação infantil da TV Cultura e criador do Cocoricó ...................................  Pág. 76 Filhinha Oliveira Cardozo, Professora ...............................................................................................................................  Pág. 78 Flávio Conti, Diretor geral da DPZ ..................................................................................................................................................  Pág. 78 Florentino Cardoso, Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) ................................................................  Pág. 78 g   Gardênia Abreu de Alencar, Analista de crédito .............................................................................................................  Pág. 79 Gil Giardelli, Professor de pós-graduação da ESPM e especialista em redes sociais ..................................................  Pág. 79 Gilberto Leifert, Presidente do Conar .......................................................................................................................................  Pág. 79 Gilda Bitiati, Professora Aposentada ..............................................................................................................................................  Pág. 82 Gilza Silva Gil Ferreira, Analista de Sistema ........................................................................................................................  Pág. 82 Gislene Devides, Analista de serviços de informática .............................................................................................................  Pág. 82 Graciela Faria Tabarelli, Advogada .......................................................................................................................................  Pág. 83 Grasiele Camaro, Setor de Turismo ............................................................................................................................................  Pág. 83 Guaraciara Pereira Crespi, Cabeleireira .............................................................................................................................  Pág. 83 Guilherme Renda Neto, Economista .......................................................................................................................................  Pág. 84 Gustavo Lorenzi de Castro, sócio do escritório De Vivo, Whitaker, Castro e Gonçalves Advogados ......... Pág. 84
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    18 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR h   Hélia Rossi,Diarista ................................................................................................................................................................................  Pág. 86 Henrique Puga, Professor .................................................................................................................................................................  Pág. 86 Hingrid Licinia Calixto Oliveira, Analista de Sistema ...............................................................................................  Pág. 86 Hiran Castelo Branco, Vice-presidente corporativo da ESPM .....................................................................................  Pág. 87 i   Içami Tiba, Psiquiatra, educador e autor de livros sobre orientação aos pais .......................................................................  Pág.87 Immaculata De Iulis, Advogada ...................................................................................................................................................  Pág. 88 Isabel Orofino, Pesquisadora da ESPM e autora do livro “Mídias e mediação” ............................................................  Pág. 88
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    19aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE j   Jaques Lewkowicz, Sócio da Lew/Lara ....................................................................................................................................  Pág. 91 Januário Lins de Alencar Barbato, Professor de Ed. Física ....................................................................................  Pág. 92 Jéssica Fogaça, Psicóloga Comportamental Infantil .............................................................................................................  Pág. 94 Jéssica Lopes de Almeida, Nutricionista ................................................................................................................................  Pág. 92 Jéssica Pereira, Instrumentadora Cirúrgica ...............................................................................................................................  Pág. 95 João Matta, professor de marketing infantil da ESPM .............................................................................................................  Pág. 95 Jorge Basile Guglielmelli, Roteirista ...................................................................................................................................  Pág. 96 Jorge Huberman, Pediatra do Hospital Albert Einstein e sócio do Instituto Saúde Plena .......................................  Pág. 96 José Antônio Dias Toffoli, Ministro do Supremo Tribunal Federal  .........................................................................  Pág. 99 José Antônio Passos, Docente ..................................................................................................................................................  Pág. 99 José Henrique Borghi, Presidente da Bonghierh Lowe ...............................................................................................  Pág. 99 José Geraldo Rocha, Diretor de Teatro ..................................................................................................................................  Pág. 99 José Marcelo Guimarães Moreira, Engenheiro ..........................................................................................................  Pág. 102 Judite Franco Cavalcante, Administradora .....................................................................................................................  Pág. 102 Juliana Neves, Farmacêutica ............................................................................................................................................................  Pág. 102 Juvenal Tedesque da Cunha , Advogado .........................................................................................................................  Pág. 103 k   Kátia Regina Rufino, Analista de Crédito .................................................................................................................................  Pág. 104
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    20 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR l   Lamara AlvesMaciel, Coordenadora de Call Center ...........................................................................................................  Pág. 104 Laura Camargo , Funcionária Pública .........................................................................................................................................  Pág. 104 Leila Aparecida Moris, Assistente de Compras ....................................................................................................................  Pág. 106 Leliane dos Santos, Bancária .......................................................................................................................................................  Pág. 106 Leonel José de Oliveira, Representante Comercial ..........................................................................................................  Pág. 106 Letícia de Santana Santos, Auxiliar de Enfermagem ......................................................................................................  Pág. 106 Leysle Silva, Professora ........................................................................................................................................................................  Pág. 107 Lidia Rosemberg Aratangy, Psicóloga referência em orientação familiar ..............................................................  Pág. 107 Lígia M. B. Garbi, Pedagoga ...............................................................................................................................................................  Pág. 108 Lilian Assali, Estudante ........................................................................................................................................................................  Pág. 110 Livia Borges, Psicóloga, escritora e consultora do Núcleo de Estudos da Violência da Polícia Militar do Distrito Federal ...  Pág. 110 Lourdes Faim Monteiro, Professora de Educação Física ................................................................................................  Pág. 110 Lúcia Helena de Oliveira, Diretora de redação da revista Saúde, Editora Abril ......................................................  Pág. 111 Luiz Carlos Dutra, Vice-presidente corporativo da Unilever para América Latina ..................................................  Pág. 111 Luiz Felipe Pondé, Filosofo e professor da PUC e FAAP ........................................................................................................  Pág. 112 Luiz Fernando Musa, CEO da Ogilvy .........................................................................................................................................  Pág. 115 Luiz Flávio D’Urso, Ex-presidente da OAB-São Paulo ..........................................................................................................  Pág. 116 Luiz Lara, Presidente da Abap ..............................................................................................................................................................  Pág. 118 Luiza Antonieta Gasparino, Enfermeira .............................................................................................................................  Pág. 118 Luli Radfahrer, professor da ECA/USP ........................................................................................................................................  Pág. 119
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    21aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE m   Madiana Jaques Alves, Secretária .............................................................................................................................................  Pág. 120 Magda Vera Guimarães Amaral, Diretora de Marketing ..............................................................................................  Pág. 122 Maggi Krause, Diretora de redação da revista Nova Escola ..................................................................................................  Pág. 122 Mara Relva dos Santos, Secretária ..........................................................................................................................................  Pág. 123 Marcelina Catarina Vidal Coelho, Auxiliar de Ateliê ...............................................................................................  Pág. 123 Marcelo Assumpção, Bancário ...................................................................................................................................................  Pág. 124 Marcelo Cunha Bueno, Colunista da revista Crescer .......................................................................................................  Pág. 124 Marcello Serpa, Sócio-presidente e diretor de criação da AlmapBBDO .......................................................................  Pág. 126 Marcia Bersi, Secretária .......................................................................................................................................................................  Pág. 127 Marcia Martinelli, Pedagoga ........................................................................................................................................................  Pág. 127 Márcia Vilela Neder, Diretora do núcleo de saúde, beleza e bem-estar da Editora Abril ......................................  Pág. 127 Márcio Naur Bonifácio, Corretor ............................................................................................................................................  Pág. 128 Márcio Oliveira, Vice-presidente da Lew/Lara ........................................................................................................................  Pág. 128 Maria Angélica Rocha Prieto, Autônoma ........................................................................................................................  Pág. 130 Maria Aparecida da Silva Teixeira, Orientadora Educacional ..................................................................................  Pág. 130 Maria Bezerra , Supervisora de Vendas ........................................................................................................................................  Pág. 131 Maria Cristina Carrasco, Professora ....................................................................................................................................  Pág. 131 Maria Cristina de Oliveira, Organizadora de Eventos ....................................................................................................  Pág. 132 Maria Das Graças Oliveira, Enfermeira ................................................................................................................................  Pág. 132 Maria de Fátima Machado Prates, Bancária ...................................................................................................................  Pág. 132 Maria dos Milagres Silva, Vendedora ...................................................................................................................................  Pág. 148 Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005 a 2007) ..........  Pág. 134 Mário Jorge Muralha, Economista .........................................................................................................................................  Pág. 140
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    22 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR Mario Sergio Cortella,Professor de educação da PUC-SP e mestre em filósofia ...............................................  Pág. 140 Marisa Caramielo, Aposentada .....................................................................................................................................................  Pág. 148 Maurício de Sousa, Criador da Turma da Mônica .................................................................................................................  Pág. 150 Mauro Gomes Aranha, Vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo ...........  Pág. 151 Maximilian Fierro Paschoal, Sócio da Pinheiro Neto ...................................................................................................  Pág. 151 Milena Souza Santos, Agente de Atendimento ...................................................................................................................  Pág. 154 Milton Monti, Deputado federal (PR-SP) .....................................................................................................................................  Pág. 154 Miriam Chicarelli Furini, Psicanalista e psicopedagoga .................................................................................................  Pág. 155 Mônica de Moraes Barros Cavalcante, Vendedora ..............................................................................................  Pág. 156 Monica Heine, Advogada ....................................................................................................................................................................  Pág. 156 Mônica Roças, Contadora ................................................................................................................................................................  Pág. 158 n   Nanci Murari, Administradora de empresa .................................................................................................................................  Pág. 158 Nataliê Mançal Boa Ventura, Estagiária ...........................................................................................................................  Pág. 159 Nina Costa, Psicóloga especialista em transtornos afetivos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) ....  Pág. 159 Nise Yamaguchi, Diretora do Instituto Avanços em Medicina e representante do Ministério da Saúde no Estado de São Paulo ......................  Pág. 160 o   Ophir Cavalcante, Presidente nacional da OAB ....................................................................................................................  Pág. 162
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    23aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE p   Paola Pauli Lantieri Cavanha, Instrutora de Pilates .....................................................................................................  Pág. 163 Patati Patata, Apresentadores do SBT .........................................................................................................................................  Pág. 163 Patricia Blanco, Presidente do Instituto Palavra Aberta .....................................................................................................  Pág. 163 Patricia Camargo Frederico, Pediatra ..............................................................................................................................  Pág. 164 Patricia Floresval da Silva, Pagem ....................................................................................................................................  Pág. 166 Paula Rita Pacheco, Dentista .......................................................................................................................................................  Pág. 166 Paulo Giovani, Presidente da Leo Burnett ..................................................................................................................................  Pág. 166 Paulo Henrique Bertolini, Assistente de Vendas ...........................................................................................................  Pág. 167 Paulo Tatit, Músico do grupo Palavra Cantada ..........................................................................................................................  Pág. 168 Priscila Torallo, Advogada ...........................................................................................................................................................  Pág. 168
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    24 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR r   Rafaela Pitanga,Pediatra .................................................................................................................................................................  Pág. 169 Renata Andrade, Assistente Administrativa ..............................................................................................................................  Pág. 169 Renata Carvalho Pereira, Auxiliar de Enfermagem ........................................................................................................  Pág. 169 Renata Gomes de Oliveira, Analista de Sistema ................................................................................................................  Pág. 169 Renata Menezes, Estagiária Financeira  .......................................................................................................................................  Pág. 170 Ricardo Monteiro, Empresário ...................................................................................................................................................  Pág. 170 Roberto Duailibi, Sócio-diretor da DPZ .....................................................................................................................................  Pág. 170 Roberto Justus, Presidente da Young Rubican  .................................................................................................................  Pág. 171 Roberto Shinyashiki, Conferencista e autor de 16 livros de auto-ajuda .....................................................................  Pág. 172 Rodrigo Martins Pescuma, Médico ......................................................................................................................................  Pág. 173 Rogerio Paes de Barros, Radialista .........................................................................................................................................  Pág. 173 Rosana Falanga, Psicóloga .............................................................................................................................................................  Pág. 174 Rosana Simone Silva, Editora Jurídica ......................................................................................................................................  Pág. 174 Rosana Zolini, Representante Comercial ....................................................................................................................................  Pág. 174 Rosely Sayão, Psicóloga, Jornalista e Escritora ..........................................................................................................................  Pág. 175 Rosemeire de Souza Arraes, Funcionária Pública ............................................................................................................  Pág. 175 Rosimeire Correa Gomes, Auxiliar Administrativa .............................................................................................................  Pág. 175
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    25aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE s   Sandra Buratini, Bióloga .................................................................................................................................................................  Pág. 176 Sandra Kaba , Professora .....................................................................................................................................................................  Pág. 176 Sergio Amado, Presidente da Ogilvy Brasil  ................................................................................................................................  Pág. 176 Sérgio Valente, Presidente da DM9DDB .....................................................................................................................................  Pág. 177 Sidnei Oliveira, Colunista da Exame.com para questões de conflito de gerações. .....................................................  Pág. 178 Silvana de luca, Secretária. .............................................................................................................................................................  Pág. 179 Sílvia Poppovic, Apresentadora de TV .........................................................................................................................................  Pág. 179 Silvia Zeigler, Advogada ....................................................................................................................................................................  Pág. 181 Simone Galuzzi, Comerciante .........................................................................................................................................................  Pág. 182 Solange Aparecida Bueno, Pedagoga ..................................................................................................................................  Pág. 182 Solange Marino Correia , Bancária ......................................................................................................................................  Pág. 183 Stalimir Vieira, Diretor da Abap ......................................................................................................................................................  Pág. 183 Sueli Dib, Pedagoga .................................................................................................................................................................................  Pág. 184 Suzana Leão, Economista ...................................................................................................................................................................  Pág. 186 Sydneyde Pires Arruda de Almeida, Corretora de Imóveis ......................................................................................  Pág. 186 Synésio Batista da Costa, Presidente da Abrinq ...............................................................................................................  Pág. 185
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    26 WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR t   Tamires GabrielaBásilio Nascimento, Auxiliar Administrativa ............................................................................  Pág. 187 Tatiane Aparecida Fonseca, Esteticista  ..............................................................................................................................  Pág. 187 Thaís Raquel , Promotora ..................................................................................................................................................................  Pág. 187 Thales Gomes Moreira, Chefe de Cozinha ............................................................................................................................  Pág. 189 Thatiana Segundo, Orientadora educacional do colégio Dante Alighieri ...................................................................  Pág. 187 v   Valéria Cabral, Recursos Humanos .............................................................................................................................................  Pág. 189 Valéria Titanero, Publicitária .........................................................................................................................................................  Pág. 189 Vanessa Ferreira de Sousa, Professora ................................................................................................................................  Pág. 189 Vartan Sarian Junior, Químico .................................................................................................................................................  Pág. 190 Vera Lucia Branquinho, Confeiteira ......................................................................................................................................  Pág. 190 Vera Lucia da Silva Ramos, Advogada ...................................................................................................................................  Pág. 190 Vicente Damaso Jimenez Perez, Empresário ....................................................................................................................  Pág. 190 Vinícios Otávio, Mecânico Aeronaútico .....................................................................................................................................  Pág. 191 w Wilson dos Santos, Cabeleireiro ................................................................................................................................................  Pág. 191 Wirajane Gomes da Fonseca, Pesquisadora .....................................................................................................................  Pág. 191 y   Yudi Tamashiro, Apresentador do SBT ........................................................................................................................................  Pág. 192
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 27 ESPECIALISTAS, AUTORIDADES, PAIS E MÃES FALAM SOBRE A PUBLICIDADE INFANTIL
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 28 “Eu acho umabsurdo essa proibição de propagandas infantis na televisão. Se as crianças não assistirem o que elas gostam, o que elas preferem, vão assistir novelas, coisas pornográficas, porque é muito difícil de proibir as crianças de assistir TV.”  Adelina Pereira Macedo, Aposentada e  “Eu sou contra a proibição da publicidade infantil na TV ou em qualquer meio de comunicação, primeiro porque eu sou contra qualquer tipo de proibição, apesar de achar dentro da publicidade tem que haver uma certa ética, mas não acho que deva ser proibida.”  Adriana Aparecida Fernandes dos Santos, Assistente administrativa e  “A maior demonstração de que a publicidade brasileira olha para si de manei- ra responsável é o fato de ela ter criado um órgão que é exemplo mundial, que é o Conar. O Conar é o olhar da própria publicidade para sua responsabi- lidade. Eu não lembro de ter outro país com mecanismo tão eficiente e tão próprio para tratar desse assunto. A publicidade é imprescindível, principal- mente no Brasil e na fase que a sociedade brasileira está, até pelo valor infor- mativo que ela tem. Então é o valor de levar às pessoas informações sobre produtos, serviços, sobre o que está acontecendo ao redor dela, no sentido de movimentar a economia também. A publicidade é uma mola do setor eco- nômico e sem essa mola a máquina não funciona. Então o papel da publici- dade é extremamente ativo e importante. Eu sou publicitário, mas antes eu sou pai de duas filhas, e toda a questão do meu trabalho passa em como eu traduzo essa questão para dentro de casa para as minhas filhas. Eu acho que elas sempre devem ter direito à informação. Eu prefiro lidar com a existência da informação e tentar orientá-las a ter um espirito analítico e critico daquilo que elas ouvem do que esconder qualquer informação a respeito do mundo onde elas vivem, seja isso comercial, seja institucional, seja pessoal.”  Alexandre Gama, Presidente da Neogama e  A
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 29 “É decisivo o papel da publicidade na capacidade de fazer as pessoas refletirem sobre os seus atos. Quando falamos de saúde, estamos falando de hábitos de vida (…) e naquilo que pudermos ser grandes parceiros em levar mensagens positivas sobre hábitos de vida, terá o Ministério da Saúde sempre ao seu lado.” Alexandre Padilha Ministro da Saúde AgênciaBrasil
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 30 “É decisivo opapel da publicidade na capacidade de poder fazer as pessoas refletirem sobre os seus atos. Quando falamos de saúde, estamos falando ne- cessariamente de hábitos de vida e de fatores de risco que podem agravar a saúde de uma pessoa. Esse é um momento de decisão ás vezes individual, emocional, com uma perspectiva do indivíduo em mudar a sua forma de vida, seus hábitos ou aderir a um tratamento, e a publicidade tem uma capacidade muito grande de levar essas mensagens positivas. Naquilo que pudermos ser grandes parceiros em levar mensagens positivas sobre hábitos de vida, terá o Ministério da Saúde sempre ao seu lado.”  Alexandre Padilha, Ministro da Saúde e  “A Jovem Pan, há 10 anos, faz a campanha pela vida contra as drogas, porque a Jovem Pan acredita que a informação é a arma mais importante para a conscientização de nossas crianças e de nossos jovens. Ao mesmo tempo, nós acreditamos que a publicidade informa, e é importantíssimo que não se proíba a publicidade para crianças, porque ela é educativa e informativa, ela forma nossas crianças e nossos jovens.”  Álvaro Leopoldo Filho, Diretor Comercial da Jovem Pan e  “Sou securitária, sou mãe e por isso sou a favor da manutenção dessas propa- gandas para criança, porque eu acho que a educação vem de casa. Eu tenho sobrinho com 12 anos, outro com 9 e não foram influenciados por aquilo que passa na televisão. Claro que tudo tem uma dosagem, feito em cima da res- ponsabilidade daquilo que a gente passa para criança, mas eu acho que se vier de casa, se vier educação da escola, eu acho que não agrava não.”  Amanda Leite, Securitária e  A
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 31 “Sou contra o governo querer educar os nossos filhos, a gente que é respon- sável pelos nossos filhos. Assim como eu já criei o meu filho que hoje tem 28 anos, praticamente sozinha. O meu filho é um homem decente, direito, mas ele teve exemplo de casa, não foi de televisão, de rádio, de rua, teve bom exemplo de casa.”  Ana Alice Carvalho, Aposentada e  “Eu acredito mesmo que a publicidade infantil é muito importante, porque eu acredito que a educação vem de casa, ela não é dada na rua. Então se a pri- meira vez que a criança pedir alguma coisa, os pais barrarem, colocarem limi- tes ela não vai fazer da próxima vez, ela não vai achar que tudo o que ela quer ela consegue no grito.”  Ana Lucia Covello, Gestora de Pessoas e  “Sou Ana Helena Reis presidente da Multifocus que é um instituto de pesquisa que trabalha há muitos anos, acho que há mais de 15 anos com pesquisas com criança. E essas pesquisas com criança nos trazem informações muito interessantes sobre todo um universo infantil que vem evoluindo nos últimos anos, e que na verdade mostram uma diversidade muito grande de meios de contatos, enfim, de formas de atenção da realidade que eles vivem. O que te- mos notado nesses últimos anos de pesquisa é que o universo infantil está cada vez mais digital e cada vez mais globalizado e que as crianças têm aces- so a uma multiplicidade de meios de informação que não são só a publicida- de e sim são todas formas de contato com o produtos, com propagandas, com outros amigos e isso fruto de uma capilaridade das relações sociais. En- tão a criança hoje ela está ao mesmo tempo todo dia na internet, na televisão, conversando com os amigos por meio de mensagem. Ela está também no ci- nema, no parque e isso tudo é o que acaba formando um universo de infor- mações e o que é mais interessante é que esse universo não distingue mais o online do offline, então ela tanto está praticando uma atividade como com- partilhando isso pelas redes sociais ou pelas mensagens com os amigos. En- tão ela é hoje muito mais um veículo de transmissão, um viral de tudo o que
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 32 acontece do quesó uma captação passiva do que a mídia, do que a mensa- gem trás. Isso a gente percebe por números, em duas pesquisas que nós fize- mos em intervalos de três anos a relação das crianças na internet, a presença delas na internet cresceu 27%, na TV a cabo 17%, nos jogos online 12%, então ela está cada vez mais participando, o cinema cresceu 20%, mostra que a criança hoje participa de tudo e nesse sentido ela recebe informações não só daquilo que lhe é próprio, do que faz parte de um dito universo infantil, mas de toda a sociedade. Ela palpita em termos de política, de consumo, ela tem a sua participação nesse crescimento da preocupação com sustentabilidade, com preservação do meio ambiente, elas são muito mais antenadas, e tam- bém na maneira de consumir. É uma criança muito mais antenada. É lógico que a gente vê esse quadro todo o que se toma de alerta, ela precisa saber fil- trar essa informação. Nossa perspectiva não só como diretores de pesquisa, mas como pais, orientadores, pessoas da mídia, acho que a preocupação maior é de como orientar a criança de como filtrar tudo aquilo que ela recebe. Não adianta a gente tentar tirá-la desse mundo, porque é um mundo em que ela vive e a tendência é essa, mas sim, que ela saiba filtrar. A nossa maior mis- são como adultos é ajudá-la a filtrar essa informação. E uma vez que isso seja filtrado a participação dela como difusora de informações vai ser cada vez maior. Ela é, vamos dizer assim, o fator que gera para esse buzz, para essa co- municação, ela vai para a rede social, ela posta o que ela gosta, ela da um indi- cação, um palpite sobre o que é legal fazer, sobre o que ela consumiu, sobre o que ela viu, sobre a informação na televisão, então isso tudo é o que eu acho que é a nova realidade. É uma criança participativa e que precisa ser uma criança consciente. Agora a gente tentar inibir esse processo é praticamente impossível porque faz parte da evolução da sociedade. Meu recado como pesquisadora é muito mais, cada vez melhor entender essa criança e o que encanta essa criança tanto na comunicação para adultos, para crianças, co- mo no mundo e orientá-la a saber a ter um olhar crítico sobre aquilo que ela recebe de informação. Acho que é basicamente isso”. Ana Helena Reis, Presidente Multifocus e  A
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 33 “A preocupação maior é como orientar a criança. Não adianta a gente tentar tirá-la desse mundo, porque é um mundo em que ela vive. A nossa maior missão como adultos é ajudá-la a filtrar essa informação.” Ana Helena Reis presidente da Multifocus Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 34 “O que euacho sobre a questão da publicidade infantil é que, é claro que a gente percebe alguns abusos, e esses abusos estão no sentido de fazer a criança achar que ela só vai ter sucesso na vida comprando determinado pro- duto e isso não é uma coisa positiva. Mas eu não acredito que seja uma boa medida estar proibindo o direito que uma empresa tem de publicar o seu pro- duto na mídia. A criança também tem o direito de escolher o que ela quer, a marca que ela quer comprar, que combina com ela, com a personalidade de- la. Além do que, eu acho que se começar a criar muita lei para proibir isso e aquilo, você está tirando dos pais uma responsabilidade que é deles, que é de criar o filho. É o pai, o educador que cria o filho, que ensina para ele o que é excesso de consumismo, que aquele produto não vai trazer a felicidade plena para ele. É uma obrigação dos pais e não de lei para ficar criando para facilitar a vida dos pais, das mães, dos parentes.”  Ana Maria Custodio, Servidora Pública e  “Eu acho que a proibição não, mas ter com responsabilidade, ter a propagan- da com mais responsabilidade. A publicidade infantil não deve ser vetada, eu acho que tem que ter responsabilidade, não proibir totalmente, mas ter con- trole sobre as coisas levadas ao público infantil.” Ana Lucia Rodrigues, Assistente Administrativa e  “Mas evidentemente que nós temos que pensar sempre que não é apenas o Estado que tem o dever de educar, o dever de proteção da criança e do ado- lescente, é também a família e também a sociedade. Então é importante que a própria família e a sociedade em geral tenham os seus próprios mecanis- mos e desenvolvam os seus próprios instrumentos no sentindo de proteger a criança e o adolescente na medida do necessário conforme, cada unidade fa- miliar entenda que deva proceder. Então é essa a situação atual, especial- mente do ponto de vista Jurídico. Atualmente existe também um projeto de lei que está tramitando no Congresso Nacional e que pretende restringir a propaganda, que é uma liberdade de expressão comercial, que vai ser restrin- gida por esse projeto de lei, caso ele venha ser aprovado em termos de horá- A
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 35 rio, ou seja, uma restrição temporal. O projeto prevê que durante o período das 7h até as 22h não haja nenhum tipo de propaganda direcionada ao públi- co infantil ou relativa a esse público. Na realidade, esse tipo de projeto de lei, com esse tipo de ressalva, se vier a ser aprovada pelo Congresso Nacional, ele se transformará em uma lei, mas um lei inconstitucional. Eu digo inconstitu- cional por um motivo central que é o da desproporcionalidade desse projeto de lei. Porque essa restrição em realidade se transforma em uma verdadeira vedação, então não é apenas uma restrição temporal, que até seria admissí- vel, por exemplo, das 11h às 14h, período em que em geral as crianças estão em momento de almoço, ou um pouco antes, ou um pouco depois, esse seria um momento de restrição. Já um período tão abrangente em que se inclui todo o horário importante da televisão ou da mídia, ele se transforma em uma verdadeira proibição. As proibições, em termo de liberdade de expressão co- mercial, que é o caso, são proibidas pela Constituição. Essa verdadeira proibi- ção, mascarada em uma falsa ideia de restrição mínima, ela é inconstitucional por esse motivo central, há outros pontos de inconstitucionalidade mas creio que esse é suficiente para que nós não aceitemos esse tipo de preposição por parte do Congresso Nacional, e que o Congresso possa refletir um pouco mais a respeito de mecanismos que possam ser eficientes e constitucionais e que preservem todos os valores constitucionais que são valores importantes da nossa sociedade.”  André Ramos Tavares, Diretor do Instituto Brasileiro de Estudos Constitucionais e  “Acho que o pai tem que impor o limite e a criança tem que saber o limite dela, o pai deve expor as condições financeiras, se a criança deve ou não ganhar um determinado brinquedo ou alguma coisa. Minha filha vê, pede as coisas, mas eu exponho para ela o que dá e o que não dá para comprar, fala que vai dar no aniversário ou no natal, ou ás vezes que não vai dar para dá mesmo. De certa forma, com a publicidade eu estou mostrando para a minha filha quem é que manda. Ás vezes ela quer, insistentemente, e a gente fala que não, que as con- dições quem tem é a gente de dar ou não para ela, é uma forma de educar.“  André Santi, Analista de Informática e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 36 “A respeito dapropaganda, eu acho que não deveria tirar. Eu estou acostuma- da a ver propagandas na televisão, cresci com isso e acho que nem por isso tive qualquer reação ou obriguei meus pais a comprar. Eu acho que não de- veria tirar não, porque se os pais saem com a criança na rua, a criança vai ver um brinquedo, vai ver guloseimas, com certeza elas vão querer da mesma forma. As vezes a criança nem liga para propaganda, as vezes está brincando ali, nem dá importância para isso. Acho que não deveria tirar não, acho que deveriam se preocupar com outras coisas, acho que não tem nada a ver.”  Andrea Alves, Auxiliar de Produção e  “A minha opinião sobre a publicidade infantil, eu não sou contra a publicidade infantil. Eu sou a favor da educação das crianças e dos jovens para que elas saibam o que está sendo veiculado, para que elas possam fazer escolhas conscientes com seus pais. Eu não acredito na proibição, eu acho que a proi- bição não leva a nada.”  Andrea Antanacci, Jornalista e  “Acredito que essa nova tomada do Governo é uma atitude radical, porque afinal de contas a criança vai assimilar tudo que está ao redor dela, não so- mente a publicidade infantil. O que eu proponho é que saibam colocar conte- údo na televisão, não só para as crianças, mas especialmente para elas, por- que elas são as que vão assimilar e vão ser pensadores do nosso futuro.”  Andréa Espinoza, Estudante “Eu não concordo com a exclusão da propaganda direcionada às crianças, mas eu defendo a responsabilidade na abordagem e a forma de divulgar de- terminado produto.”  Andréa Marques Vieira, Dona de casa e  A
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 37 “A mídia infantil hoje nos meios de comunicação não existe se não houver uma indústria (...) A mídia hoje está na nossa vida, as crianças já nascem se relacionando muito mais com os milhares de devices, tablets, games, tudo isso é um aprendizado, tudo isso faz parte da convivência e faz parte de uma educação.” Beth Carmona Consultora de programação do canal Gloob e dirigente do Midiativa/Comkids Divulgação/ArthurNobre
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 38 “A propaganda ea publicidade que de certa forma faziam parte de antiga- mente só da coisa de rádio, de televisão, das tecnologias que a gente brinca de dizer que são de mão única, ou seja, que só vinham com a informação, ho- je essa propaganda também migra então para os adventos tecnológicos de mão mais interativa. Então hoje com o aumento do uso, por conta do aumen- to das bandas e das possibilidades do ser humano estar na tecnologia, você aumenta também a quantidade de publicidade dentro dessas tecnologias, dentro da internet, dentro dos Smartfones e essa propaganda fica junto com todo esse cotidiano que vem acontecendo e vem sendo mudado por conta desta comunicação de mão dupla que hoje existe com a inteiração por conta da internet. No caso das crianças o que a gente tem visto é que elas são bem menos inocentes do que a gente imagina nesse contato com as propagandas por conta das tecnologias. A tecnologia e principalmente a internet começa a trazer um ser humano um pouco mais questionador e com um pouco mais de voz ativa do que acontecia antigamente dentro da televisão e das comuni- cações de mão única. Antigamente você tinha uma propaganda que se te dis- sesse, se tivesse muito dinheiro, e te disse tal produto deixa as coisas cor de rosa, se ela tivesse muito dinheiro, você era capaz de acreditar que realmente tal produto deixava as coisas cor de rosa. Hoje em dia a propaganda tem tido que se mobilizar para justamente nessa nova tecnologia e nesses novos meios de comunicação de mão dupla que a gente chama, as novas mídias, utilizar um pouco mais do que a gente chama de dados de realidade. Então hoje em dia as pessoas e principalmente os consumidores eles podem realmente tes- tar se aquele produto deixa as coisas mais cor de rosa, e se não deixarem ele pode num Twitter de repente e dizer, “olha eu sinto muito mas tal produto não deixa as coisas mais cor de rosa”. E se como ele várias outras pessoas também tiverem feito o teste e concordarem com aquilo que ele está dizendo elas vão retuitar aquilo e fazer uma onda que muitas vezes tem até derrubado a questão da publicidade dizendo não esse produto eu estou dizendo que la- va mais e que deixa mais cor de rosa. Quando a gente fala de criança a gente então começa a ver crianças que já nascem mais questionadoras em relação ao produto anunciado então não é pouco que você escuta de crianças que dizem, “mas mãe isso é verdade, mas mãe isso que ele está dizendo na televi- são é verdade?”, eles tem um pouco mais de noção do que por exemplo no- vela muitas vezes é uma questão de ficção, desenho animado é uma questão de ficção, eles são menos inocentes nessa separação entre o que é ficção e o A
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 39 que é realidade, para eles até por conta da interatividade de poder montar coisas na internet porque construir ali não só a sua propaganda, os seus bo- necos, os seus avatares, os seus jogos, eles acabam se tornando mais poten- tes nessa relação e ai eles podem questionar, e dizer “olha não é bem assim e não é bem assado”. Confiando e dando mais peso à aquilo que o adulto está dizendo do que aquilo que a comunicação, que a internet ou que a televisão ou que a propaganda em si está dizendo. O perigo disso basicamente como pai, mãe e como educador ali presente é não deixar realmente que aquelas crianças acreditem que aquilo que esta sendo dito ali seja via televisão, seja via internet, seja via qualquer outra símbolo ou mídia envolvida é puramente verdade”. Andrea Jotta, Pesquisadora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e  “Sou contra a campanha de proibir crianças de poderem passar os seus direi- tos de trabalhar, de conquistar o seu espaço, porque outras crianças também precisam ver o que elas estão fazendo e com isso há muitos brinquedos edu- cativos onde a criança vai aprender alguma coisa de bom, nada é totalmente ruim. Então eu acho errado, como eu tive meus filhos e através da televisão, aprendi livros, brinquedos educativos, algumas maneiras interessantes para que eles pudessem crescer com educação. Eu acredito que não tenha nada de errado contra isso. Há outras coisas que poderiam ser melhor vistoriadas e se preocuparem um pouco mais com isso.”  Andria Gonçalves Dias Barros, Auxiliar Administrativa e  “Eu acho que realmente a televisão tem um grande poder sobre as crianças, mas poder maior tem os pais, eles têm sim o dever, na verdade é o dever de orientar e acompanhar os seus filhos. Há milênios, toda a vida, os pais acom- panharam seus filhos, educaram, deram amor e respeito a eles, e ao mesmo tempo os filhos fizeram o mesmo. Então eu acho que hoje em dia, esse negó- cio de querer proibir coisas que não tem mais como ser proibidas, principal- mente televisão e internet, é uma coisa que jamais vão conseguir tirar, vai até piorar um pouco eu acho, porque a cada momento que são lançadas novida-
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 40 des na internet,as crianças ficam mais apegadas a isso e mais nós pais temos a responsabilidade de frear ou não nossos filhos. E realmente eu acho que não adianta. Tirar para quê? Eles vão se esconder para fazer. Então vamos continuar educando e levando os nossos filhos pelas mãos até que eles pos- sam ter discernimento e poder eles mesmos decidir se querem ou não comer salgadinhos em frente a TV.”  Angela Mello da Silva, Dona de Casa e  “Evidente que a criança naturalmente é graciosa, a criança naturalmente cha- ma a atenção do expectador em geral, e a serviço de uma marca, de um pro- duto, isso merece realmente alguma administração, que é muito bem feita pelo mercado publicitário, afinal de contas, o mercado publicitário hoje é ex- tremamente maduro. Não é a toa que o Brasil está inserido entre os primeiros países de maior criatividade no mundo inteiro, de maior técnica, de maior qualidade, tanto em nível de produção como em nível de imaginação nas campanhas. Portanto a criança merece sim ter uma oportunidade nesse pro- cesso, afinal de contas, muitas marcas, muitos produtos, são voltadas para ela, então ela deve ser inserida nesse contexto. Agora, é claro, que exageros devem ser realmente eliminados. Essa administração pode e deve ser feita pelos profissionais que atuam na área, como os publicitários brasileiros, que são extremamente capacitados, qualificados, premiados no mundo inteiro, e eu acho que não seria nem justo ter leigos tentando interferir nessa relação, já que os especialistas vivem exclusivamente dessa atividade. Então eu acho que a criança merece realmente ser focada, quando necessário e adequado, porque ela sabe como ninguém transmitir e dar essa informação. Nós esta- mos vivendo hoje nesse mundo da tecnologia que surpreende todo mundo a todo instante, e pode estar certo que quem é mais surpreendido por isso é o adulto, são as pessoas de mais idade, de meia idade e por aí vai. As crianças são as menos surpreendidas nesse processo, porque elas são sábias. Então eu acho que eliminar essa sabedoria, especialmente de uma informação comer- cial publicitária, é um crime que estamos processando contra a humanidade. A proibição da propaganda voltada para a criança merece realmente ser dis- cutida. Primeiro porque a criança faz parte da sociedade como qualquer ou- tro elemento, ela decretou realmente a sua importância agora nesse momen- A
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 41 “Eu vou falar para você, papai e mamãe, que você observe a publicidade, aquilo que seu filho gostaria de ter e não ter, converse com ele, dialogue com ele, coloque os limites” Cris Poli Educadora interpreta a Super Nanny no SBT LourivalRibeiro/SBT
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 42 to da tecnologiaonde ela é o centro e muitas vezes a solução de muitos pro- blemas que acontecem em muitos “devices” que existem por aí, e nesse caso é a prova evidente que mesmo a propaganda não sendo dirigida para ela, ela é que domina toda essa parafernalha tecnológica. Eu entendo que não é a proibição da propaganda voltada para a criança que vai ser a solução para um determinado mote qualquer. Claro que isso merece ser realmente adminis- trado, determinadas categorias evidentemente não devem ser anunciadas, não só para crianças, não devem ser anunciadas no geral, ou devem ter algu- mas restrições. Mas o que importa é que a população, a sociedade em geral, ela evolui a cada dia, a cada instante, e hoje, é claro, quem merece o melhor tratamento nessa relação, é o âmbito familiar, são os pais em relação aos seus filhos, da educação pela qual a criança passa, pelo processo tanto escolar, co- mo familiar e assim por diante. Nós não podemos esquecer em hipótese al- guma que a propaganda é informação acima de tudo. Eu acho que eliminar a informação desse processo é um mal muito grande que está sendo processa- do para esse seguimento. É muito importante que a criança conviva com a informação e depois discuta isso no seu ambiente familiar, no seu ambiente de escola, enfim, e aí consiga determinar o que é bom e o que é ruim para ela.”  Ângelo Frazão, Superintendente de Marketing da AACD e  “Meu nome é Aparecida Teixeira Dias, professora de educação infantil, apo- sentada pela prefeitura de São Paulo. A minha opinião com relação à proibi- ção da publicidade, eu sou contra porque não vejo nenhum mal, consome quem quer e os pais são encarregados de dizer sim ou não quando a criança solicita, porque tudo tem um limite. Como a vida é feita de limite eu sou con- tra a proibição, porque nós temos a orientação dos pais com relação a esse consumo.”  Aparecida Teixeira Dias, Professora e  A
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 43 “O homem do futuro não pode e nem deve ser criado hoje numa redoma pro- tetora, que aliás, nem mesmo a natureza sabiamente permite. Qualidade e res- peito sim, responsabilidade sempre, proibição pela proibição nunca, na publi- cidade ou em qualquer outra atividade paralela. Sou sempre tomado por um forte sentimento de dever cumprido quando me questionam e muito sobre o papel da publicidade, em especial a publicidade para crianças e jovens. É que ao contrário de que muito gente pensa, inclusive entre muitos de vocês que me assistem, a publicidade é uma das mais instigantes formas de proteger e aprimorar os adultos do que eles serão no futuro. Por quê? Primeiro, pelo fato de que os anúncios são criados por publicitários que também são mães, pais, vós, irmãs, tias e tios que trabalham para anunciantes que também são pais, avós, tios e tias. Ou vocês acham que as cabeças e corações dos meus colegas publicitários se escondem de alguma intenção diabólica de afrontar uma pre- tensa fragilidade e a capacidade de discernimento dos seus próprios filhos, ne- tos, sobrinhos de suas próprias famílias? Uma segunda explicação para essa sensação de estarmos cumprindo o nosso dever são os próprios anúncios que vocês veem por ai. Que além de garantir a independência da maior parte dos veículos de comunicação do país, contam com a aprovação tão ética do Co- nar, instituição que tem o poder de suspender ou exigir alteração dos anún- cios a qualquer tempo, se eles forem considerados ofensivos, abusivos, menti- rosos e enganosos, ou quando em particular se atentem contra o artigo 37 do código, inteiramente dedicado à publicidade para crianças e jovens. O seu monitoramento pelo Conar não só se tornou um dos mais rigorosos focos de atenção como também constrói uma sintonia mais fina com as transforma- ções sociais. A força da família e a dinâmica do papel educativo nos lares brasi- leiros. Perguntas como: “O que você fez na escola hoje? O que você brincou? O que você aprendeu esta semana? O que você viu na TV ou na Internet?” Per- guntas cada vez mais presentes no nosso cotidiano. O nosso compromisso nunca deve ser só o de publicitários, mas também o de adultos responsáveis, devemos contribuir para a construção do futuro com pessoas preparadas a vi- ver à busca das suas felicidades que é básico, mas entendendo também em que o mundo que estarão amanhã, produzindo os limites do planeta e consu- mir com consciência e prazer serão coisas indispensáveis.”  Armando StrozeNberg, CEO da Euro RSCG Brasil e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 44 “Os programas infantis,o conteúdo infantil de modo geral, principalmente o que está na televisão, ele depende da publicidade para se manter, para ter re- ceitas. Se a gente não tiver publicidade direcionada às crianças, provavelmen- te muitos desses programas não serã o viáveis, e as crianças ficarão sujeitas à programação voltada ao adultos, o que é muito pior. Existem hoje vários pro- jetos de lei que visam restringir a publicidade direcionada às crianças. Nós não consideramos isso adequado, porque cerceia a liberdade dos pais de definir o que é melhor para as crianças. E já existem hoje várias regulamentações e nor- mas que protegem as crianças. Por exemplo, o Código de Defesa do Consumi- dor, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Conar, a Anvisa e outros. O que nós recomendamos para as empresas é que elas procurem atuar de forma res- ponsável, procurando gerar benefícios para as crianças e para as mães ao lon- go prazo. Então, elas não devem pedir, por exemplo, o consumo excessivo de um produto que eventualmente possa, no caso de um consumo em excesso, prejudicar a criança. Então a empresa também tem uma função educadora, responsável, de garantir o benefício da criança ao longo prazo. E os pais e a fa- mília de modo geral, devem ter a liberdade de definir o que é melhor para a criança, inclusive definindo limites, para evitar excessos, por exemplo, o exces- so de consumo. Nós acreditamos que a sociedade, discutindo abertamente o assunto e podendo descobrir os melhores caminhos para isso, mas em um ambiente de democracia e liberdade, seria o melhor caminho.”  Arnaldo Rabelo, Blogueiro e Consultor de Marketing Infantil e  “Meu nome é Beany e o que eu acho sobre a propaganda infantil é que o go- verno tendo um canal de televisão, deveria ter uma programação cultural nesse canal que chamasse a atenção das crianças e que nesse canal então não houvesse propaganda e que mesmo assim houvesse audiência. A partir do momento que existem canais que são privados de comunicação, não há como o governo censurá-los e as propagandas nesses canais devem existir dentro dos critérios, é lógico, de ética. Mas a propaganda visa obter um resul- tado específico e não tem como mascarar esse resultado.”  Beany Guimarães Monteiro, Professora e  A b
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 45 “Parece que as pessoas não percebem o que já existe e tentam apresentar propostas para controlar o que nós já controlamos há muito tempo” Dalton Pastore Jr. Presidente do ForCom (Fórum Permanente da Indústria da Comunicação) GuilhermeLongo
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 46 “Quero falar umpouco sobre publicidade infantil. Todos nós sabemos que desde muito pequena as crianças são expostas à diversas mídias. Mas o ponto fundamental dessa exposição é o papel dos pais na formação da personalida- de dessa criança enquanto consumidor, que tipo de consumidor ela vai ser no futuro. Os pais têm um papel muito importante na formação dessa perso- nalidade. A criança ainda não tem a defesa psíquica forte para poder discernir o que ela precisa, o que ela não precisa, por isso ela vai para as lojas, vê os anúncios de TV e vai querer todos os brinquedos, todos os sapatos e as rou- pas da moda. Nisso não há mal nenhum, faz parte do processo de amadureci- mento dessa criança, cabe aos pais e aos responsáveis terem atenção na for- mação dessa criança, por isso, a educação financeira é muito importante, ela é base para a formação desse consumidor consciente, esse consumidor pre- ocupado com um planeta mais sustentável e mais justo. Lembre-se que a criança, desde muito pequena, aprende através dos exemplos, ela vivencia o cotidiano familiar e aí ela percebe como os pais lidam com o ato de consumir, ela percebe se a família não tem limites nenhum, se a família é mais controla- dora, é claro que ela não sabe expressar em palavras esses conceitos, mas ela vai internalizando esses comportamentos. Por isso, a educação financeira in- fantil é muito importante. Abolir todas as propagandas não resolveria o pro- blema de um cidadão que não sabe consumir. Somente a educação vai deixar marcas fortes nessa criança, nesse adolescente, para ele no futuro não se tor- nar um consumidor endividado, sem limite.”  Bernadette Vilhena, Escritora especializada em pedagogia empresarial e educação financeira e  “É preciso que aja consciência de várias partes, é preciso que a auto formação, a autorregulação a consciência de quem produz para a criança se eleve, a consci- ência de quem de uma certa forma financie essa publicidade infantil. A mídia in- fantil hoje nos meios de comunicação ela não existe se não houver uma indús- tria, e a indústria hoje ela tem várias pernas. Na indústria, na mídia, na comuni- cação você tem muitos anunciantes, você tem produtores de publicidade, você tem agências de publicidade e você tem os produtores de conteúdo que somos nós. Todos acho que hoje sabemos da importância e do impacto que a mídia tem sobre as crianças, e para isso nós precisamos nos preparar para realizar um produto ou um conjunto de ações que venham colaborar com essa convivên- b
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 47 cia mutua dentro de uma sociedade que sim, consome mídia. A mídia hoje esta na nossa vida, nas vidas das crianças que já nascem sabendo muito mais ou se relacionando muito mais com os milhares de devices, tablets, games. Tudo isso é um aprendizado, tudo isso faz parte da convivência e faz parte de uma educa- ção, então eu acredito sim no consumos da mídia consciente onde todos os atores que fazem parte dessa grande indústria, incluindo o governo e a socieda- de civil organizada e as famílias tenham suas ação e sua participação no proces- so de forma consciente por que a gente não pode abrir mão desse instrumento tão valioso que a mídia é na vida e na formação das nossas crianças. Meu nome é Beth Carmona eu tenho 20 anos de experiência na área de programação e produção e dentro desses anos de trabalho eu venho me especializando em pe- lo menos 15 anos na área de programação e produção infantil e na mídia infantil de uma forma geral. Eu me apaixonei por essa temática frente à importância que eu acho que tem a mídia na vida das crianças, eu sou produtora, participei de vários projetos importantes que marcaram a infância de muitas crianças, co- mo Mundo da Lua, Castelo Ra-tim-bum, uma época áurea de trabalho e produ- ção na programação da TV Cultura, depois disso trabalhei no Discovery Kids, no Discovery Channel, hoje trabalho no site do canal Gloob. Beth Carmona, Diretora da ComKids e  “É sabido por todos nós que trabalhamos numa agência de publicidade, que a nossa matéria-prima, o poder de persuasão que a propaganda tem, é inegável isso, esse é o nosso dia a dia, encontrar aquele ponto de persuasão que a publi- cidade pode ter junto ao seu público-alvo. Portanto quando a gente fala crian- ça, lembrando e considerando esse poder de persuasão que a televisão tem, imediatamente vem um questão que é fundamental, existem limites, existem regras que têm que ser observadas de uma maneira muito mais hiperativa pe- los profissionais que trabalham com essa área de atuação que todos nós imagi- namos. Eu gostaria de lembrar que eu fui o chefe de comunicação da assesso- ria do Ministério da Saúde quando foi feita a promulgação da lei que proibia a propaganda do cigarro na televisão em todas as faixas de horário. Eu lembro is- so porque é muito importante, os contextos da discussão sobre limites, sobre as regras que devem fazer parte quando a gente está falando de publicidade, propaganda na televisão. Hoje você tem um Conar que exerce um papel abso-
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 48 lutamente democrático, aberto,transparente,envolvente de toda a sociedade no debate daquele que eventualmente ultrapassam esses limites, ultrapassam o bom senso, ultrapassam a regra e são até exemplarmente punidos quando o Conar julga improcedente o tipo de comunicação que é desenvolvida. Esse amadurecimento que acredito do mercado, do mercado publicitário, dos seus profissionais dessas instâncias todas fez com que hoje inclusive o Brasil tem um dos mais avançados sistemas de autorregulamentação publicitária e isso é fantástico, isso é rico e é motivo de próprio orgulho para o Brasil saber que nós temos esses sistemas de autorregulamentação. É o melhor caminho em todos os sentidos, falo não somente da publicidade que eventualmente na questão infantil, mas qualquer tipo de publicidade onde houve um excesso ela deva ser imediatamente entendida de uma maneira democrática, uma maneira partici- pativa como o Conar, como ele consegue ser e exerce isso muitíssimo bem. Por fim eu acredito que a própria sociedade brasileira está atenta e vigilante com essas questões, é saudável, mas nós não podemos nos esquecer que os meios de comunicação hoje tem uma rapidez muito grande, hoje nós estamos falando de televisão, mas é a internet, são as redes sociais, é enorme o campo de manifestação que a comunicação permite hoje através dos diversos meios. Eu acredito fortemente tendo esses sistemas de autorregulamentação que en- volve a sociedade que nós podemos rapidamente inclusive acionar os meca- nismos para que isso aconteça, para que essa fiscalização, esse controle de uma maneira democrática, transparente seja exercido em todas as formas de comunicações existentes. Quando se pensa leis, regras, elas acabam ficando engessadas porque o cenário, uma dinâmica de mundo é muito mais rápido e essa possibilidade de nós termos uma autorregulamentação ela acompanha essa modernidade de uma maneira muito mais efetiva, muito mais pertinente ao que acontece no nosso mundo, no nosso dia a dia. Então eu acredito forte- mente que o Brasil vai ser melhor se nós acreditarmos aqui que nós temos de melhor, que no caso são estruturas como a do Conar que permite essa autorre- gulamentação de uma maneira muito correta, muito séria, muito democrática e muito transparente que é o que se precisa de fato para estabelecer limites e regras na questão comum que nós estamos debatendo aqui que é a publicida- de infantil.”  Bob Vieira da Costa, Sócio da Nova/SB e  b
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 49 “Então fica um alerta aos pais: usem o próprio exemplo de conduta para educar os seus filhos. É importante que a criança tenha o exemplo dos pais para valorizar de tudo que ela tem.” Débora Corigliano psicopedagoga e escritora do livro “Orientando pais, educando filhos” Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 50 “Em relação àproibição de propaganda destinada ao público infantil, eu acho que não tem que proibir, tem que regular como na maioria das atividades que o Estado faz. Mas proibir não, porque é um tipo de censura, eu acho que o Es- tado não tem esse papel na sociedade.”  Camila Mizue Fujisawa, Assistente Jurídica e  “Eu acho que a publicidade infantil não deve ser vetada, proibida, até porque é um direito do comércio expor seus produtos para todos os públicos. Eu acho sim, que deve haver um limite na maneira como a publicidade é feita, então o estímulo ao consumismo não deve ser evidenciado, mas o produto em si, talvez até o brin- quedo educativo, mostrar mais a parte educativa do produto que está sendo ven- dido do que apenas incentivar o consumo pelo consumo. Os pais têm o dever de educar, assim como qualquer outro membro da família, e mostrar limite para os filhos. Agora, regulação da publicidade, da propaganda em si, deve ser feita por um órgão específico. Como existem órgãos que regulam a junção das empresas, por exemplo a união de duas empresas, tem que ter um órgão regulatório.” Carina Eguia Cappucci Ceschini, Jornalista e  “Eu acho o seguinte, não pode existir proibição de tudo. As pessoas, as famílias, os pais, as mães, os professores, têm de ensinar as crianças a selecionar o que veem, como veem e discutir aquilo que realmente é bom ou não. A propaganda, toda propaganda incentiva um consumismo, mas não é por isso que as crianças serão consumistas, não é porque viram uma propaganda. Elas têm que ser criadas sa- bendo o que é bom, sabendo o que vale e o que não vale. Não é porque o meu fi- lho viu uma propaganda na televisão que eu tenho que comprar para ele o que ele quer, isso não tem nada a ver. Eu que tenho que ensinar para eles o que é bom e o que não é, o que pode e o que não pode, se eu tenho condições financeiras de comprar ou não, nem por isso eles vão ficar frustrados, ou tristes, ou fazer algum tipo de terapia, não é isso. Tem sim que saber o que é bom e o que não é.”  Carla Bertolini, Professora e  c
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 51 “Olá meu nome é Carmen, estou falando aqui sobre a publicidade infantil ten- do em vista que o governo tende a proibir essa publicidade infantil. O que eu tenho a dizer é o seguinte a publicidade é muito bem-vinda desde que se tire proveito dessa publicidade não só infantil como a adulta, qualquer tipo de pu- blicidade. Eu sou a favor de uma boa publicidade, por isso eu acho que o go- verno não pode radicalizar. Ele tem que verificar que tipo de publicidade está sendo transmitida.” Carmen Alencar, Funcionária Federal e  “Sou mãe de três filhas, uma de 8, 10 e 12 anos, e meu depoimento a respeito da mídia, publicidade, propaganda para o público infantil, talvez seja diferen- te, porque eu converso muito com as minhas filhas, mas eu acho que não existir seria quase cessar a liberdade de expressão, então acho que regras têm que existir para tudo. Mas isso é muito o papel dos pais.”  Carolina Pilogi, Designer e  “Eu tenho dois filhos e acredito que a publicidade infantil tem que ser livre. A criança tem que aprender desde cedo a discernir o que é certo e o que é erra- do, o que é aproveitável ou não. A publicidade e a mídia vão sempre bombar- deá-los de coisas que são aproveitáveis e as que eles têm que jogar fora tam- bém, porque eles têm que saber discernir do que é certo e do que é errado na vida deles desde cedo. Então, eu criei os dois que hoje já são grandes, mas eles desde pequeno sempre aprenderam o que era certo e o que era errado. Eles se espelhavam nos pais e criaram a formação deles, mas eu nunca os proibi de assistir nada e nem de ler nada do que eles tinham acesso.”  Cecília Aparecida Pavani, Analista de RH e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 52 “Quando a gentequer proibir as pessoas de se relacionarem, inclusive com as coisas ruins, eu acho que a gente está fazendo uma coisa errada, acho que a gente tem que aprender, ensinar nossos filhos a se relacionar com tudo o que existe e saber selecionar aquilo que é bom daquilo que é ruim. Existe propagan- da para criança boa, respeitosa e que acrescenta na vida da criança e existe a que não é. Falar para o seu filho não comprar aquilo não, fale para o seu filho não comprar aquele produto que não está respeitando ele, ao invés de tentar proibir o relacionamento entre as marcas e as pessoas. Meu nome é Celso Lo- ducca, eu sou publicitário e pai. As crianças não são adultos, não têm os mes- mo filtros que os adultos, não têm as mesmas defesas nem intelectuais, nem emocionais que os adultos podem ter. Por isso, eu como publicitário, e acho que todos os publicitários responsáveis do Brasil, a gente procura tomar um cuidado enorme na maneira de se relacionar e no jeito de poder falar com es- sas crianças, a gente tem uma responsabilidade grande. De novo, eu sou pai também, eu sei exatamente o que isso quer dizer. Agora, o meu filho tem aces- so a todas as publicidades que existem feitas para crianças ou não, eu acho que quando a gente começa a limitar a questão do que é publicidade feita para criança, até 12 anos não pode fazer, até 13 pode fazer, o meu filho tem acesso a publicidade que é feita para adulto “Ah como, eu permito?”. Não é isso, tá na vi- da, eu não quero que o meu filho vá viver numa redoma que não tenha senso crítico, ao contrário, eu prefiro ensinar meu filho que aquela propaganda feita sem respeito por ele é feita por uma marca que ele não deve consumir, eu pre- firo dizer isso para ele, porque o meu filho não vai viver nessa redoma, então eu prefiro que ele saiba “ah essa marca não me respeitou, essa marca tentou me empurrar de um jeito errado, vou ferrar ela, não vou comprar”. É assim que tem que funcionar, porque a vida vai funcionar assim para ele, e eu prefiro ensinar isso para ele.”  Celso Loducca, Presidente e Sócio da agência Loducca e  c
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 53 “Quando a pessoa acredita em alguma coisa, ela muda a sua vida. As pessoas só fazem o que veem, e a publicidade pode ajudar muito nesse sentido.” Edson Bueno Presidente da Amil Divulgação/Abap
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 54 “Eu acho quea publicidade não é responsável por as crianças serem tão con- sumistas. O exemplo disso tem que vir dos pais, da família. Um exemplo, uma vez minha filha pediu um produto no supermercado, eu disse não, ela come- çou a chorar, a fazer o showzinho', eu dei as costas e larguei ela sozinha. Ela imediamente parou e veio atrás mim, ou seja, eu acho que não é só a publici- dade que tem culpa nisso, nós pais também temos muita culpa nisso tudo.”  Cibele Sampaio, Administradora de empresas e  “A gente vê DVD na televisão e as crianças assistem, vê livro. Fala “mãe compra isso para gente?”, se a gente não puder naquele momento comprar, lógico que a gente fala “a mãe vai comprar depois”. Só que sem essas publicações eu não tenho diálogo com a minha filha, porque se ela não está brincando ela está conversando comigo, só que quando ela está conversando comigo, está per- guntando alguma coisa que ela está vendo na TV, na rádio, em qualquer lu- gar.”  Cíntia Nogueira de Oliveira, Recepcionista e  “Eu vejo que a publicidade para as crianças faz parte desse dia a dia, a intera- ção do mercado, do que está lá fora com as famílias, com a educação. Eu vejo assim a publicidade muito engajada sim naquilo que os pais têm para ofere- cer para os filhos, como que eles têm que controlar isso aí, como que eles têm que orientar os filhos, isso faz parte da educação, porque o mundo que a gen- te vive querer eliminar a publicidade do nosso dia a dia, da televisão, da inter- net é uma utopia. Papai e a mamãe que são responsáveis pela educação dos seus filhos e eles têm que saber como lidar com isso, têm que saber como im- por limites para os filhos, eles têm que mostrar para os filhos que tudo aquilo que se oferece lá é muito lindo, muito chamativo, muito agradável, mas nem tudo é aconselhável para eles por causa das idades, por causa das possibilida- des econômicas ou até da influencia que isso pode exercer na criança. Então eu creio que o caminho é orientar aos pais. Eu vou falar para você, papai e mamãe, que você observe a publicidade, aquilo que seu filho gostaria de ter e não ter, converse com ele, dialogue com ele, coloque os limites, “isso sim por- c
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 55 que sim filho”, “isso não porque não filho” Eu creio que nós vivemos um mo- mento em que nós somos bombardeados por “n” coisas o tempo todo e a criança está exposta a esse bombardeio desde que ele acorda até que ele vá dormir, em casa ou fora de casa. Então como orientar nossos filhos para eles poderem receber esse bombardeio e avaliar aquilo que eles estão recebendo e ensinar a escolher, a dizer o sim e a dizer o não, desde criancinhas, porque isso vai servir na adolescência quando eles tenham, sejam bombardeados por várias coisas em que eles tenham que se posicionar com autoridade. Conhe- cimento, convicção do sim e do não, nem tudo é bom.  Cris Poli, Educadora que interpreta a Super Nanny no SBT e  “Eu sou contra essa proibição, porque eu acho que os pais devem educar as crianças. Então no caso estão tirando a responsabilidade dos pais proibindo a publicidade. Os meus sobrinhos costumam assistir e se a gente fala “agora não”, é agora não. Eu tenho uma educação em casa e eles aceitam, o não é não e o sim é sim. Tem tantas coisas para as pessoas se preocuparem, outros tipos de publicidade, ao invés da infantil.”  Cristiane Aparecida Souza, Maquiadora e  “A publicidade brasileira se autorregulamenta, ela é muito consciente dos li- mites éticos, ela se autorregulamenta antes de qualquer ação na Justiça, an- tes de qualquer ação da sociedade, o próprio Conar já regulamenta a publici- dade e o Conar é muito ágil. O Conar tira o filme do ar no domingo à noite. Quando a gente fala em restrição à publicidade infantil, eu fico pensando: es- pera um pouquinho, nós vamos tapar o Sol com a peneira? De que adianta eu não colocar um filme na televisão quando a internet é um território aberto e você tem uma possibilidade de entrada na internet e de visualizar coisas do mundo inteiro de uma forma completamente livre. E combinemos aqui que as novas gerações entram na mídia eletrônica pela internet. Mas para mim a questão não é essa. A questão é a liberdade de expressão comercial tem de ser mantida. Eu não quero me eximir da responsabilidade de pai eu tenho um filho de 16 anos e uma filha de 14 e eu sei que eles têm de conviver com todas as informações do mundo, com todas elas. Eu tenho de dar para eles a dire-
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 56 ção. Por quedo que adianta eu tratá-los, ou numa situação de proibição, tra- ta-los numa redoma de vidro. Depois eles saem pelo mundo achando que o mundo é de um jeito e o mundo não é daquele jeito. A gente não está falando de uma coisa nociva, quando a gente fala de consumo, e portanto há uma tendência em se pensar nem restringir a comunicação da chamada publici- dade infantil, a gente fala de consumo está falando de consumo exagerado. Porque o consumo dos produtos infantis ou voltados para crianças são pro- dutos maravilhosos, são produtos deliciosos, que você deve consumir, é ba- cana, é gostoso. O que você não pode é consumir em excesso e aí entram os pais. Os pais têm de intervir, é sua responsabilidade. É minha responsabilida- de, não é do governo. A responsabilidade de criar meus filhos é minha. Quan- do a gente fala de cercear a liberdade de comunicação comercial eu me pre- ocupo muito porque eu trabalho com isso, mas isso me causa um arrepio porque o próximo passo é cercear a liberdade de expressão como um todo. E aí não preciso dizer o quanto isso pode afetar nossas vidas como cidadão, co- mo ser humano, como brasileiro.”  Cyd Alvarez, Presidente da NBS e  A história da humanidade está cheia de boas intenções de gente que se con- siderou com o direito e com a sabedoria de controlar o que os outros podem ler, podem ouvir e podem assistir, e todas essas histórias terminaram mal. A publicidade já é extremamente controlada, já é rigorosissimamente controla- da. Qualquer pequeno deslize o Conar já pega aqui, já pega ali, ou seja, parece que as pessoas não percebem o que já tem e tentam apresentar propostas para controlar coisas que nós já controlamos há muito tempo. Algumas ten- tativas de regulação e de censura à publicidade se baseiam num modelo de comunicação que já está acabando, as pessoas ainda acham que todo o con- trole vai poder se dar a hora que você falar assim, “proíba-se de anunciar isso, proíba-se de anunciar aquilo”, proíba de anunciar aonde? Na televisão? Na te- levisão aberta? Na televisão aberta de que país? As televisões conectadas na internet já são uma em cada cinco, ano que vem serão duas em cada cinco, em 2016 serão as cinco em cada cinco, e vai controlar como? Vai proibir co- mo? Ou vamos fazer como a China fez com o Google, vamos tentar proibir que ninguém possa entrar na internet? A luta que nós todos temos que ter, c d
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 57 “A publicidade infantil também é didática, ela é voltada ao público infantil e também ao pais. Sem ela haverá uma falta de informação. Sua proibição seria um cerceamento da expressão comercial e editorial, e isso de forma alguma é benéfico.” Ênio Vergeiro Presidente da APP (Associação dos Profissionais de Propaganda) Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 58 que é muitomais difícil do que conseguir proibir, conseguir proibir é fácil, a luta é muito maior. É a luta de conseguir educar, conseguir instruir, conseguir dar para as pessoas as ferramentas para que elas possam elas próprias se pro- tegerem, se protegerem inclusive de quem quer proibir. Dalton Pastore Jr., Presidente do Fórum Permanente da Indústria da Comunicação e  “Eu sou contra a proibição da publicidade infantil, porque eu sou mãe e eu sei o que o meu filho pode ou não pode assistir, não precisa ninguém vir me dizer o que ele pode ou não assistir.”  Dayana Montenegro, Dona de casa e  “Hoje nós vamos conversar um pouquinho sobre consumismo infantil. Como que os pais podem orientar e supervisionar essa questão do consumismo in- fantil. Num primeiro momento dependendo da idade da criança os pais po- dem controlar isso evitando com que a criança fique o tempo todo a frente de uma televisão ou um computador recebendo esse tipo de informação. Quan- do a criança é um pouco mais velha, um pré-adolescente os pais podem tra- balhar com a conscientização através de dois tópicos importantes, o primeiro que é a conversa abertamente explicando para o filho que é essa publicidade, ou essa forma de consumismo. E o segundo ponto é o exemplo, pais que as vezes proíbem seus filhos de fazerem compras ou de gastar o dinheiro, de re- pente vão ao shopping e são consumistas assim impulsivos então fica real- mente uma relação contraditória do que eu como pai falo e do que eu como pai faço. Então fica um alerta aos pais que usem o próprio exemplo de condu- ta para educar os seus filhos. Um outro momento em que eu acho importante de conversarmos é que a criança faça a diferença em relação ao que ela rece- be dessa mídia, como eu faço esse limite, até onde eu posso ir? Isso é impor- tante que a criança tenha como exemplo dos pais a valorização do que ela tem de que tudo o que ela tem, tem um real valor. Pais que não valorizam o que têm ou desdenham o que têm e supervalorizam o que o vizinho tem, o que os parentes próximos têm, a criança passa a não acreditar nisso, para ele tudo é descartável. Então um brinquedo que custou muito caro, um brinque- d
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 59 do que foi difícil que a criança tivesse acesso ela vai brincar por pouco tempo e logo vai descartar porque os pais têm essa mania. Então é importante fazer com que a criança valorize e aprenda a ter aquilo por um longo prazo de tem- po, então não é porque tem um brinquedo mais novo no mercado que aque- le que eu tenho em casa eu vou descartar, então isso é um alerta muito im- portante para os pais”. Debora Corigliano, Psicopedagoga e escritora do livro “Orientando pais, educando filhos”. e  “Na verdade, eu creio que a lei não seja eficiente, cabe a família orientar os fi- lhos daquilo que se pode ou não fazer, aquilo que está no limite da capacida- de deles, porque as crianças vão sofrer inclusive com influência de amigos e de outras pessoas. Então cabe à família educar, colocar esses limites e mos- trar aquilo que eles conseguem ou não.”  Denise Reis Guglielmo, Secretária e  “Acho que não há necessidade de retirar a propaganda da televisão, porque se algum produto que lá apareça, que eles estejam oferecendo, os pais com- pram se eles tiverem poder aquisitivo para isso, ou se eles acharem que seja necessário, compra se eles acharem que devem ou não. Portanto, a opção de compra desses produtos apresentados é apenas dos pais, eles que têm que educar os filhos. E eu acho que tem que ter liberdade de propaganda, liberda- de de todo comercio, de toda a indústria e quem seja, apresentar seus produ- tos para que eles sejam ou não adquiridos.”  Deolinda Caldeira Franco Mazottini, Aposentada e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 60 “Retirar as propagandasde crianças da televisão não é legal. Não é legal, por- que quem tem que educar são os pais, não são as propagandas. Então a gente tem que levar informação sim, e tem os pais peneirar o que eles podem ou não ver. E desde que a propaganda seja sadia não tem porque retirar. Agora, propaganda obscena tudo bem, mas propaganda de produtos não tem nada a ver.”  Domingos Augusto Mazottini, Aposentado e  “Eu acho que o governo tem coisa mais importante para ver, principalmente com respeito a educação. Isso poderia ser feito na escola e não fazendo proi- bição de nada, por que lá fora o nosso país é muito conhecido por sermos um povo livre. Então eu acho importante que isso seja feito na escola e não atra- vés de proibição.”  Douglas Bastos Florenço, Analista de Sistema e  “Gostaria de fazer uma análise sobre como a publicidade pode ajudar na qua- lidade de vida, nos hábitos e nos costumes da população. No Brasil e na maior parte dos países, a publicidade pode ser a grande fonte de inspiração de uma população. Hábitos alimentares, de atividade física, da maneira de viver e de evitar o estresse, atingem todas as faixas etárias. Você pode trabalhar com as crianças desde que elas nascem, porque existem as propagandas sublimina- res, até todas as idades, pessoas de 90 e 100 anos. Quando a pessoa acredita em uma coisa, ela muda a sua vida. As pessoas só fazem o que veem, e a pu- blicidade pode ajudar muito nesse sentido.”  Edson Bueno, Presidente da Amil e  d e
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 61 “Algumas coisas precisam ser resolvidas por lei, mas nem todas. muitos dos impasses são suficientemente equacionados com instâncias autorreguladoras.” Eugênio Bucci Professor da ECA/ USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo) Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 62 “Sobre proibição deveiculação de propagandas para a criançada, a nível in- fantil, eu sou contra a proibição total. Lembro-me de campanhas de um ci- garro chamado Benson Hedges, e nem por isso me tornei fumante, e as propagandas eram fantásticas. Lembro dos cigarrinhos de chocolate da Pan que foram proibidos porque na capa da embalagem, tínhamos os garotos com o cigarrinho de chocolate imitando o cigarro, nem por isso me tornei fu- mante comendo esse chocolate. Sou a favor das campanhas publicitárias com responsabilidade, aí sim. O outro aspecto também, seria o nível de em- pregabilidade das pessoas. Entendo que proibindo propaganda, matéria pu- blicitária dessa forma, isso vai contribuir para desempregar muita gente e vai desestimular a formação de novos profissionais, porque se tudo for proibido em termos de publicidade, o publicitário vai trabalhar em quê?” Edson José Ferreira Pini, Professor e  “Meu nome é Eduardo Cesar Martins Ferreira e eu acho que essa questão da publicidade infantil cabe aos pais orientar os filhos quanto ao consumo. Eu acho que não é uma coisa que vem do governo. Eu tenho um filho de cinco anos e ele vê as propagandas na TV, que sempre vão existir, e a gente sempre orienta em casa o seguinte “o pai compra o que pode para você”, dependen- do da propaganda que passa a gente orienta que aquilo é perigoso para ele, e coisas desse tipo.”  Eduardo César Martins Ferreira, Surpevisor de Seguros e  e
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 63 “Sou contra a proibição de propagandas infantis na televisão, não por conta da pessoa querer escolher ou não, eu acho que a orientação tem que vir dos pais. Os pais devem orientar as crianças para consumir os produtos e tem mil maneiras da gente fazer isso. Inclusive, se for proibido na televisão, há outras maneiras da criança ter acesso a isso, na escola, com os amigos, no próprio supermercado, nas próprias vitrines das lojas. Então eu acho que essa resolu- ção cabe aos pais, deve vir dos pais e não uma proibição do governo para que isso aconteça.”  Elaine Simões Garcia, Professora e  “Meu nome é Eliana, eu tenho duas filhas, uma de 12 e uma de 18. E durante a criação delas, assim, a participação minha e do meu esposo foi essencial para que elas soubessem escolher os programas e a gente também limitando bas- tante o horário de programa delas, para que elas não se deixassem influenciar por tantas propagandas que são bem apelativas para idade das crianças. Isso foi durante alguns anos e hoje é natural elas obedecerem e saberem escolher o que elas querem assistir e o que elas querem, decidir por aquilo que elas querem.” Eliana Oliveira, Psicóloga e  “Eu trabalho como psicóloga, psicóloga de formação. Eu sou contra a proibi- ção da propaganda sobre propaganda infantil na televisão, porque eu sou contrária que o Estado interfira em tudo. Censura como um todo eu sou con- trária. Eu acredito que a gente pode orientar as crianças, os pais podem con- versar com as crianças, sobre a propaganda que é feita e com isso, não neces- sariamente comprar tudo o que a criança pede. Acredito que tem que ter uma propaganda responsável, mas não que seja proibida.”  Elvira Ventura Filipe, Psicóloga e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 64 “Todo profissional criativoao começar uma campanha, seja ela voltada à mí- dia impressa,eletrônica ou televisiva, ele segue uma cartilha, que é o Conar. O Conar autoregulamenta a publicidade de todos os setores da economia e é hoje no Brasil um exemplo para o mundo todo. A proibição da propaganda infantil não é benéfica, porque falta informação. A publicidade infantil tam- bém é didática, ela é voltada ao público infantil e também ao pais, então ha- verá falta de informação. E é um cerceamento da expressão comercial e edi- torial, isso de forma alguma é benéfico. É possível conhecer mais sobre o Co- nar no www.conar.org.br. Ele é rigoroso com todas as categorias que possam causar algum dano a sociedade, com a publicidade infantil então, sem dúvida. É necessário conhecer a fundo a preocupação desses conselheiros que são representados ali pela sociedade civil. Podemos ficar tranquilos em relação a isso, há muita responsabilidade nesse trabalho.”  Enio Vergeiro, Presidente da APP, Associação dos Profissionais de Propaganda e  “Acho que a propaganda tem em todos os lugares e eu acho que são essas, as pessoas que fazem as propagandas da TV são os responsáveis da programa- ção. Se tirar essas propagandas, a programação provavelmente vai ficar ina- dequada para as crianças. E outra coisa, propaganda tem em todo lugar, você vai nos shoppings, vê as vitrines, leva ao consumo. Então as crianças estão atentas a tudo e em todos os lugares elas veem. Eu acho que a propaganda, claro, que tem que ser vigiada, tem que ser adequada, mas é inevitável.”  Érica Cazé da Cunha, Dona de Casa e  e
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 65 “A gente tem uma dificuldade muito grande de produzir programas para o público infantil, produzir financeiramente, porque é muito mais difícil você conseguir um patrocinador, um colaborador, um apoio, em função do fato desse mercado ser tão discutido em relação à publicidade dentro da programação infantil.” Fernando Gomes Gerente de programação infantil da TV Cultura e criador do Cocoricó JoyceRoma
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 66 “No meu pontode vista, não tem necessidade de haver uma proibição, por- que a criança tem mais é que pedir o brinquedo. Ela almeja alguma coisa e a única maneira de se informar sobre isso é ver o que ela deseja. Se o pai pode ou não comprar, isso é uma situação de educação do pai, se ele vai ou não di- zer para a criança: “Filho eu não posso comprar agora, aguarde um tempo”. Tem que haver sim algum tipo de incentivo para mostrar para a criança que o que ela quer, o que ela deseja, isso tem que acontecer sim. Eu sou contra isso (a ideia de proibição), não pode proibir de maneira nenhuma.”  Eronilde Maria de Souza, Assistente de Treinamento e  “É o seguinte, eu acho que não se deve proibir nada, mas acho que a publici- dade infantil tem que ser uma coisa regulamentada. Bom, tudo o que é proi- bido eu acho que não serve, mas eu acho que a coisa deve ser também um pouco verificada, porque senão o público infantil é muito suscetível ao con- sumo exagerado. Por isso mesmo que eu acho que tem que regulamentar. Proibir não, regulamentar sim.”  Ethel Perlman, Empresária e  “O Conar é um exemplo de visibilidade internacional. A experiência do Conar no Brasil é um exito nas experiências que se tem de autorregulação e autorre- gulamentação, e a gente usa indiscriminadamente essas duas expressões re- gulação e autorregulamentação, mas normalmente a regulamentação se re- fere a elaboração de normas, e a regulação se refere a aplicação e o acompa- nhamento dessas normas inclusive com as atualizações e revisões necessá- rias. Mas de fato no caso do Conar nos temos a autorregulamentação e temos também a autorregulação. E ai é um bom exemplo para gente aprender que algumas coisas precisam ser resolvidas por lei, mas nem todas. Muitas das questões, muitos dos impasses, dos dilemas são suficientemente equaciona- dos com instâncias autorreguladoras. Mas há um balanço entre aquilo que o setor decide sobre si mesmo para resolver conflitos e paz, e aquilo que o Esta- do exige desse setor que aparece na forma de lei. Uma coisa não substitui a outra, mas há muito mais civilização onde a gente pode ter um pouco de au- e
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 67 torregulação. (...) Para o Brasil hoje é uma espécie de consenso isso, de que não se deve anunciar muito o cigarro, isso faz sentido, tem sentido para os ci- dadãos do Brasil, ponto de equilíbrio que poderá ser mudado no futuro, mas isso hoje é o ponto no qual a gente se acomoda e a autorregulação mesmo a legislação devem buscar esses pontos de equilíbrios, são mais ou menos na- turais. Então acho que como eu estava dizendo no início, a comunicação de- ve buscar um ponto de entendimento, pontes entre interesses diversos em que os diversos interlocutores estão confortáveis, é isso o que acontece com a publicidade. E parece que a ideia de que o público infantil não deve ser ex- cessivamente exposto na mensagem publicitária também é algo que vai ga- nhando terreno. Não apenas no Brasil mas no mundo inteiro, existem proibi- ções e essa é a palavra de publicidade destinada a criança de vários tipos, em vários horários, em vários formatos e em muitos países. Eu não estou com is- so querendo dizer que a publicidade destinada a criança deve ser proibida, estou querendo dizer com isso que a democracia convive com normalidade com restrições à publicidade destinada a criança e essas formas de restrições variam mais de um país para o outro. É um ponto que deverá ser olhado, de- verá ser examinado com mais atenção. O meu raciocínio é que a solução das proibições unilaterais não funcionam bem, nós devemos trabalhar essa dúvi- das para chegar a pontos de equilíbrio que podem incorporar proibições, in- clusive na forma de lei. Em várias democracias há proibições, só que essas proibições são aceitas com naturalidade, como as proibições que nós temos para um certo tipo de propaganda de cigarro, uns podem achar que não de- veria haver essa proibição, outros acham que a proibição é branda demais, mas nós temos um ponto de equilíbrio de aceitação dessas coisas, então é is- so que é um ganho que um diálogo pode trazer, o ganho não será a proibição total de todos os regramentos, o ganho será a compreensão da necessidade dos regramentos em algumas matérias e a necessidade de uma autorregula- ção eficiente que resolva aquilo que não precisa chegar a lei, que não precisa chegar à Justiça. Eu acho que cada vez mais as novas tecnologias ampliam as margens e as vias de acesso dos mais diversos públicos a todo tipo de conte- údo, isso quer dizer que as crianças cada vez mais estão expostas a uma gama muito maior de estímulos de comunicação, elas convivem com isso. As pos- sibilidades de controle seja dos pais, seja de qualquer autoridade educacional ou religiosa, é muito mais difícil, se é que isso já foi desejável alguma vez, en- tão cada vez mais por decorrência nós somos levados a ver que o mais im-
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 68 portante é umaeducação prolongada, uma educação ininterrupta que pre- pare os novos públicos a conviver com essas comunicações dessas formas todas de comunicação. Não se regula isso por lei impositiva e mesmo o as- pecto normativo da autorregulação de revela pouco eficaz, nós precisamos saber o que está em jogo, alertar para o que está em jogo e isso vai fazendo com que a sociedade cada vez mais naturalmente saiba repelir aquilo que é desonesto, aquilo que é invasivo no imaginário infantil, aquilo que pretende instrumentalizar.”  Eugênio Bucci, Professor da ECA/USP e  “Hoje, a sociedade está muito imediatista, tudo que seu filho quer, ele pode, ele te pede, e ele consegue. Então, você tem que ensinar o seu filho a ter paci- ência, a saber esperar a ter as coisas.”  Fabiana Negri, Bancária e  “Eu acho que o Brasil, a sociedade brasileira, está sendo vítima, muitas vezes, de algumas tentativas desacerbadas de controle daquelas instituições, entre as quais estão instituições da publicidade que é aquelas que mais funcionam no nosso negócio e no negócio da iniciativa privada no nosso país. A propa- ganda brasileira, para quem não sabe, ela é autorregulamentada há mais de 30 anos e ser autorregulamentado tem varias virtudes, traz várias virtudes junto. A gente como publicitário e aqueles que ajudam na autorregulamenta- ção da publicidade, que aliás são profissionais de várias áreas, não apenas profissionais da própria publicidade, tendem a fazer aquilo que a gente costu- ma chamar de “mais real do que o Rei”. Existe um princípio básico na relação da publicidade com o consumidor. Quanto mais não existir a intervenção do estado e a intervenção de outros poderes que sejam alheios a esse diálogo entre consumidor e publicidade, que é exatamente a necessidade que a pu- blicidade nesse confronto, nesse diálogo direto que esse consumidor tem, de se fazer agradável, de se fazer inteligível, de se fazer importante, de se fazer simpático. Não existe nada que vá controlar a publicidade que seja mais im- portante do que isso, do que a necessidade do fabricante, daquela marca, de e f
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 69 “Eu acredito que proibir a publicidade é uma forma de retrocesso dessa sociedade em rede, com toda essa conexão, com todo esse mundo conversando, discutindo. Para quê ter uma proibição?” Gil Giardelli Professor de pós-graduação na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), especialista em redes sociais Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 70 se relacionar quantomais honestamente, quanto mais francamente, quanto mais sinceramente, quanto mais respeitosamente com o consumidor. A pri- meira imagem, se o programa infantil que é importante, é educativo, que é de entretenimento, que diverte, que ajuda a criança, que é pedagógico ou sim- plesmente de diversão para ele, se esse programa infantil, não pode ter publi- cidade infantil, qual publicidade a gente colocaria lá para viabilizar esse pro- grama? Adulta? Acho que não, porque seria inadequado. Então, a publicidade infantil tanto quanto a informação infantil, deve se adequar às necessidades e os princípios básicos de respeito a essa criança, que as demais já estão, além do Conar, estão contemplados no código civil e no código do menor. Mais di- fícil é a gente encontrar soluções, verdadeiras, reais para sanar questões, que são questões que estão embutidas politicamente nessas discussões que acontecem como nesse momento, quando está se falando do respeito à criança, simplesmente através da ponta do iceberg que é a publicidade que conversa com o consumidor infantil. Então, a criança vai na loja, vai encon- trar o brinquedo que vai estar lá pulando na cara dela, que ela vai falar para o pai “compra para mim, comprar para mim” e ela vai chorar e bater pé, quanto mais aquele pai não for aquele pai que sabe dá o limite e dizer “o papai não pode comprar” ou “o papai não quer comprar porque você já ganhou muita coisa”. E não importa a publicidade estar dentro da casa da criança ou não em função disso, simplesmente porque ela vai ter acesso, ou ela deve ter acesso porque fará parte da formação do caráter dela ter acesso e ter seus desejos muitas vezes atendidos e a maioria das vezes não atendidos. É assim que se forma um ser humano, é assim que se forma um cidadão. Não é escondendo dele a informação, não é simplesmente tirando da frente dele as possibilida- des de ter, mas sim dizendo a ele. Eu falo isso como pai, eu tenho quatro filhos de diferentes idades, de 27 de idade a nove anos de idade, passei por isso com todos eles, passo isso com todos eles, e sei o momento de dizer não, sei o mo- mento de dizer sim e sei o momento de olhar a publicidade e dizer “acho que isso não é propaganda que deveria estar no ar“. E quantas vezes e a maioria das vezes fui ver, e estou falando de coisa de cinco, dez anos atrás, essa publi- cidade foi efetivamente tirada do ar por orientação do Conar, então há um processo evolutivo nessa relação e ele é interessante porque ele acontece diante dos olhos da sociedade e não escondido em algum gabinete, e não es- condido em algum lugar obscuro em que você cidadão, que acha que está fazendo o seu papel no momento que você toma simplesmente a posição da f
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 71 crítica, a posição que parece mais bonitinha dizer “vamos acabar com a publi- cidade, é isso que vai resolver todos os males da sociedade”. Fabio Fernandes, Presidente da Nazca e  “Eu acho o seguinte, a meu modo, a educação da criança infanto juventude vem do berço, os pais é que tem que dar as proibições aos filhos, o que deve assistir ou não é de livre e espontânea vontade. Quando eu achar que o programa não é suficiente para o meu filho ou está mais alto do que a idade dele eu mando ele se retirar e continuo assistindo, eu acho que isso é cultura. E outra coisa, às ve- zes a gente está até contra a Constituição, de que é livre o pensamento, expres- sões, a imagem, essa coisa toda, então eu estou contra os princípio da Consti- tuição. Se eu for proibir o direito de liberdade de um filho meu assistir um deter- minado programa ou o governo, uma autoridade venha interferir na educação do meu filho dentro da minha própria casa.”  Fátima Regina Feitosa, Advogada e  “Bem, eu penso que a criança pode, através da propaganda, saber e conhecer os bens de consumo, mas que cabe aos pais orientar essas crianças para que elas não sejam consumistas em excesso, para que esses bens, os brinquedos, enfim, objetos de desejo dessa criança, não venham numa má educação, num sentido de que complementaria todos os desejos e todas as necessida- des da criança, eu acho que o buraco é mais embaixo. Os pais muitas vezes abrem mão de educar e dão aquele presente, aquele brinquedo para não ter esse trabalho de orientação.”  Fernanda Almeida Prado, Psicóloga e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 72 “Na minha pesquisade campo eu fiz algumas entrevistas qualitativas com as crianças e a gente tem, ainda não concluí o trabalho ainda não esta 100% ava- liado, mas o que eu já percebi que é assim, tem uma mediação muito grande da família e da escola, então assim, os momentos mais importantes na vida daquelas crianças são os momentos em que elas estão na escola, ou que es- tão dentro de casa com a sua família, então assim, não tem um grande núme- ro de lembrança de marca de produtos alimentícios que era especificamente o meu foco, mas assim não tem um grande número, as crianças não lembram de diversas marcas e saem falando eu quero aquela marca, eles até pedem, quando uma das perguntas era o que eles pediriam se pudessem ter recurso ilimitado o que você compraria em um supermercado, tem uma coisa de “ah eu quero aquele bolacha recheada”, “eu quero chocolate, refrigerante” , mas menção de marca é muito pouca. E a coisa assim, do que você mais gosta de fazer também não esta a televisão, não foi a primeira coisa que as crianças fa- laram. Das 10 crianças com quem eu falei, acho que sete ou oito se eu não es- tou enganada, a coisa que mais gosta de fazer no dia é brincar, mas ai você pergunta, o que vocês brincam? “ah a gente brinca de pega-pega, brinca de esconde-esconde”, ai tem as brincadeiras da escola e tem negócio de jogar bola, eu brinco de boneca, eu brinco de escolinha, então assim, a televisão es- ta lá no cotidiano daquela criança? Está, todas elas assistem televisão se não todo dia, quase todo dia, mas dizer que aquilo é a coisa mais importante, que aquilo é a única coisa que leva aquela criança para consumir eventualmente alguma coisa eu não acredito. Outra coisa que foi marcante foi que aquelas crianças quando você pergunta que produtos, nesse hora que eu pergunto que produtos elas comprariam e tudo mais, tem muito do “Ah um amigo me contou que aquilo é legal” ou “eu vi na escola um coleguinha comendo aqui- lo, aquele biscoito então ai sim eu pedi para a minha mãe”, então muito mais forte do que especificamente a publicidade”. Fernanda Cintra de Paula, Pesquisadora de mídias, criança e consumo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). e  f
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 73 “O consumidor já tem a prerrogativa de reclamar ao Conar diante de um anúncio ofensivo, mentiroso, abusivo. Quando o anúncio flagrantemente fere a autorregulamentação o conselho de ética do Conar pode suspender sua veiculação. O anúncio sai do ar, deixa de ser publicado.” Gilberto Leifert Presidente do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 74 “Eu acho queassim, o que eu diria para qualquer pai que é o que digo para mim e para os meus amigos inclusive, é que a gente precisa educar a criança para um consumo consciente. Até mesmo para as crianças de classe A que poderiam ter acesso a qualquer bem de consumo, o negócio é entender para que a criança precisa. Talvez a mesada seja uma maneira de você controlar o consumo nas crianças de classe A. Nas crianças de classe baixa é mais difícil, porque provavelmente elas não terão o mesmo acesso a mesadas ou coisas assim, eu acho que educar é a grande palavra aí. Assim as agências, as empre- sas têm que ser responsabilizadas sim, a gente tem que denunciar algum tipo de abuso, se a gente olhar alguma coisa e falar “não, não acho que isso seja adequado para nenhuma criança se for o caso”. Na minha casa as crianças não assistem conteúdos que não são para a idade delas, então eu não vou deixar assistir uma novela que é para cima de 14 anos para a minha filha de cinco ou o meu menino de dez assistir. Então acho que esse é também um papel dos pais saberem o que seus filhos podem ou não ver na televisão ou no acesso a livros, revistas e coisas do gênero, mas principalmente explicar e tentar fazer com que a criança entenda que tudo o que ela consome tem um custo, que tem uma pessoa que trabalha ali por trás para conseguir o dinhei- ro, que estudou e que nem tudo que a criança quer ela vai poder ter. Porque assim as crianças têm que dar valor a aquilo que elas têm. Então assim, eu não dou tudo para os meus filhos, claro que eu sempre quero dar o melhor princi- palmente em termos de educação, mas tudo que as crianças pedem eu não dou. Então eu acho que essa é a grande dica e assim faz parte da gente estar lá e educar. Acho que a escola tem uma papel importante também, eu vou mui- to às escolas dos meus filhos eu acho que é importante para mim para poder de alguma maneira saber como é que a criança está naquele momento em que ela não está com a gente, e se tem alguma coisa ali, então conversar com o professor e conhecer os amigos das crianças é outra coisa que eu acho muito importante”. Fernanda Cintra de Paula, Pesquisadora de mídias, criança e consumo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e  f
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 75 “Eu entendo por um lado que os pais queiram proteger as crianças do mundo do consumo, de proteger de uma maneira geral os seus filhos, mas eu sou con- tra proibir a publicidade voltada para a criança. Primeiro porque a publicidade não está só na televisão, ou só nas revistas, a publicidade esta na internet, a pu- blicidade está nas ruas, está nas gôndolas de lojas, nas vitrines, ás vezes nos car- ros, nos ônibus, então tirar a publicidade da televisão ou das revistas não vai tirar a publicidade da vida da criança. Depois porque eu acho que a criança não está vendo só exclusivamente conteúdo infantil, a criança as vezes quando está na televisão, com ou sem os pais, também assiste conteúdo adulto. O programa mais assistido por criança entre quatro e dez anos de idade, o primeiro progra- ma é a novela três da rede globo, a novela das nove. Se a criança está assistindo aquilo ali, se ela está na sala aquela hora, ela também está exposta a publicidade que não é voltada especificamente para criança. A publicidade vai estar lá de al- guma maneira na vida dela, então proibir a publicidade especificamente para ela não vai tirar a publicidade da vida da criança. Depois tem uma outra coisa que eu como mãe acredito é que tudo que é proibido, você não pode fazer que a criança não sabe, que ela não tem conhecimento virá aquela coisa do fruto proibido pode ser mais gostoso, então também não acho que a proibição seja o melhor caminho. E tem um outro lado que a gente já vem percebendo uma re- dução de produção de conteúdo infantil, até educacional mesmo nas emisso- ras, então eu acho que se eu tiro a publicidade eu tiro a verba que financia con- teúdo para essas emissoras de canal aberto ou canal fechado, mas que produ- zem conteúdo que pode ser usado de maneira até educativa. Por outro lado eu não sou a favor de colocar qualquer coisa para a criança na televisão, na revista, todo mundo é responsável, todo mundo que eu digo são os pais, a família de uma maneira geral, a escola, os anunciantes, as emissoras, as editoras onde vai estar o anúncio, somos todos responsáveis por fiscalizar aquilo que está sendo financiado, não pode deixar acontecer nenhum tipo de abuso que gere algum tipo de consumo exagerado. É papel de pais, da escola, mas acho que muito for- te principalmente dos pais de tentar educar as crianças para um consumo res- ponsável, mas assim, o consumo está na vida da criança. Não é porque ela é criança que ela não consome, ela sim é consumidora e tirar a publicidade não vai tirar a criança da sociedade do consumo”. Fernanda Cintra de Paula, Pesquisadora de mídias, criança e consumo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 76 “Oi, meu nomeé Fernando Gomes, hoje eu sou gerente do núcleo infantil da TV Cultura e eu estou na TV Cultura desde 1996 e sempre trabalhando com o público infantil. Entrei aqui no Bambalalão, na época um programa ao vivo e desde então participei de quase todos os programas voltados ao público in- fantil. Esses anos todos me deram algum tipo de visão em relação a esse mer- cado tão específico que é o mercado infantil. A gente tem, e eu sinto isso na pele a cada dia, principalmente agora como gerente do núcleo infantil, a gen- te tem uma dificuldade muito grande de produzir programas para esse públi- co, para essa faixa, produzir financeiramente, porque entre outras coisas é muito mais difícil você conseguir um patrocinador, um colaborador, um apoio, em função do fato de esse mercado ser tão discutido em relação a pu- blicidade dentro da programação infantil. Por outro lado eu também acho que a gente pode e deveria, para não descuidar tanto desse mercado que no fundo é um investimento na criança, no futuro da criança, na criança da pró- xima década, enfim, uma coisa que a gente está prevendo para o futuro, a gente tem que cuidar melhor desse público e para cuidar melhor desse públi- co a gente precisa ter opções de produção, óbvio, até para poder avaliar se é boa ou ruim a produção que a gente está vendo na TV. E para isso a gente precisa de patrocinadores, de gente que banque isso. Eu acho que a gente tem várias outras opções, eu acho que o apoio pode ser dado com produtos para os pais, porque em um programa que meu filho adora assistir, porque eu não vou valorizar o patrocinador dele, mesmo que ele não seja do público in- fantil. Cada vez mais diminui a quantidade de produção de programação in- fantil, e aí se a gente falar, “puxa, mas então o problema é esse”, mas por que diminuir? Porque o interesse comercial nesse tipo de programação cai muito a partir do momento em que um possível anunciante para esse público não pode anunciar dentro daquele horário destinado a criança. Eu queria muito que a gente conseguisse ampliar esse leque, para que as grandes empresas, instituições, começassem a valorizar a programação infantil, apostar nisso, investir nisso e cobrar a qualidade que eu acho que é o caminho que a gente tem.”  Fernando Gomes, Gerente de programação infantil da TV Cultura e criador do Cocoricó e  f
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 77 “Quando nós olhamos a propaganda, é preciso entender que ela, enquanto instrumento, depende essencialmente dos valores e da ética de quem a utiliza.” Hiran Castelo Branco Vice-presidente corporativo da ESPM (Escola Superior de Propagnda e Marketing) Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 78 “Sou professora eeu acho que a publicidade infantil é muito importante em qualquer horário, desde que seja uma publicidade saudável.”  Filhinha Oliveira Cardozo, Professora e  “Qualquer atitude que leve a fiscalizar a liberdade de expressão tem que ser censurada. Temos hoje uma propaganda de primeiro mundo, premiada em vários países há vários anos, temos o nosso órgão controlador da qualidade da comunicação, que é o Conar, portanto, não há a mínima possibilidade de uma lei dessa ser aprovada, impedindo as pessoas falarem aquilo que elas de- sejarem. Hoje, os anunciantes, a publicidade e as agências são muito respon- sáveis, não há o porque de uma atitude como essa, pois ela é evasiva e anti- constitucional. É uma atitude míope, porque imputa à televisão a responsabi- lidade de levar a criança a consumir produtos errados. Hoje existem N ferra- mentas e possibilidades de atingir a criança fora da televisão, ou seja, a pró- pria internet, onde acontecem barbaridades e não há controle nenhum.”  Flávio Conti, Diretor geral da DPZ e  “É fundamental que as agências de publicidade, propaganda e marketing en- veredem por esse caminho, o de mostrar à população o que é bom para a so- ciedade, o que é saudável em termos de alimentação e de atividade física, a fim de que possamos chegar nos mais diferentes locais desse país, levando boa informação. E se imaginarmos que vamos atingir um grande público e que podemos também influenciar as crianças desse país, e que educá-las é certamente muito mais fácil que educar os adultos, mostrando para as crian- ças de hoje o quão importante é um estilo de vida adequado, com boa ali- mentação e boa atividade física, nós certamente vamos ter no futuro um Bra- sil muito mais saudável e adequado, as pessoas vão adoecer menos, e viver com mais qualidade. Quero parabenizar a iniciativa e dizer que a Associação Médica Brasileira está de portas abertas para ajudar no que for possível em tu- do que se relacionar a saúde da população brasileira. A publicidade é funda- mental, primeiro porque conhece a maneira de chegar às pessoas e a forma de levar boa informação. Isso é muito importante para que tenhamos uma f
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 79 população mais assistida e que compreenda melhor o que é mais adequado em termos de hábitos de vida, para que possamos viver mais e melhor.”  Florentino Cardoso, Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) e  “Referente à publicidade infantil, eu sou a favor de continuar, porque tem muito artista que começa a sua profissão quando criança, e não teria graça televisão sem conteúdo infantil. Eu sou a favor de continuar.”  Gardênia Abreu de Alencar, Analista de crédito e  “Proibir a publicidade por uma simples proibição é mais um ato dos séculos pas- sados. Somos todos responsáveis, somos todos educadores, somos todos alu- nos nessa era exponencial, nessa era digital. Então acredito que proibir a publici- dade é uma forma de retrocesso dessa sociedade em rede, com toda essa cone- xão, com todo esse mundo conversando, discutindo, para que ter uma proibi- ção? Vamos tentar fazer coisas mais saudáveis, vamos tentar, realmente está tudo sendo reformulado nesse mundo. A publicidade, como disse Maurício de Sousa, tem que ter mais amor, mais carinho, ela tem que ser mais educadora. Dá para a gente alinhar nesse mundo um processo de falar de vendas e também fa- lar de educação. Como já disse alguns pensadores como Edgar Morin nós não precisamos mais de revoluções, nós precisamos de metamorfose, e metamor- fose vem desse mundo, desse mundo que a gente pode usar o mundo digital para educar mais essas pessoas, para se educar em rede e num processo empí- rico que nunca a sociedade teve nos últimos séculos que é aprender, fazer, er- rar, fazer novamente e nesse processo vamos todos se educando.”  Gil Giardelli, Professor de pós-graduação da ESPM e especialista em redes sociais e  “Quando alguém pretende que a propaganda seja proibida, o Conar sempre lembra que no Brasil a Constituição garante liberdade de expressão para a notícia, para a opinião e para o anúncio. A tarefa da publicidade que as agên- cias, que os anunciantes e os veículos assumem perante a sociedade, é de G
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 80 veicular mensagens publicitáriashonestas, verdadeiras e que seja de utilidade para o público. Ao longo dos 30 anos de existência, o Conar teve oportunida- de de examinar mais de 7000 anúncios e campanhas. Quando o anúncio fla- grantemente fere a autorregulamentação o conselho de ética do Conar pode suspender a veiculação daquele anúncio, o anúncio sai do ar, deixa de ser pu- blicado. O consumidor tem hoje esta prerrogativa de reclamar ao Conar dian- te de um anúncio ofensivo, mentiroso, abusivo, o Conar examina e submete então à avaliação do conselho de ética. Esse conselho é composto por repre- sentantes de entidades, de anunciantes, de agências, veículos e da sociedade civil. O Conar é um órgão da sociedade civil. Ele terá sido talvez uma das pri- meiras organizações da sociedade civil por iniciativa, como eu mencionei, da atividade publicitária. Os representantes da sociedade civil são médicos, ad- vogados, jornalistas, profissionais de fora da industria da comunicação que se reúnem junto com os publicitários que integram as câmaras de ética do Co- nar para avaliar os anúncios e como eu disse, aqueles que não estão em con- formidade com as normas éticas são punidos com a suspensão da veicula- ção, com uma recomendação de alteração. Da mesma forma que nós esco- lhemos livremente os representantes políticos, o cidadão é considerado apto, capaz para escolha de seus representantes, ele também o é em relação as es- colhas que faz diante da propaganda. O cidadão decide com quem vai se ca- sar, em que bairro da cidade vai morar, qual trabalho e profissão vai exercer e também o que vai fazer com o seu dinheiro, qual sabonete vai comprar, em que banco vai manter a conta, qual o telefone celular que lhe convém e inclu- sive qual o jornal de sua preferência, a rádio que deseja acompanhar, qual é o programa por meio do qual se informa, se é da televisão ou da TV a cabo, en- fim. Eu como cidadão e os que estão aqui me assistindo têm o direito de fazer escolhas e a vida é feita de escolhas, o tempo todo nós estamos fazendo es- colhas, nós não podemos admitir é que o estado nos substitua nessa tarefa, cada um de nós é responsável pelas escolhas como os anunciantes são res- ponsáveis pelo que nos propõem. Neste embate, ganha sempre o público que tem informação abundante, informação no sentido de notícia, no sentido editorial, e informação comercial, as descrição a respeito dos produtos e ser- viços, os preços, as comparações que permitem então ao cidadão fazer as melhores escolhas e decidir por si o que convém a si mesmo e a sua família.” Gilberto Leifert, Presidente do Conar e  g
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 81 “A essência da educação é aproveitar qualquer oportunidade que chegue à criança para juntos criar o quadro de valores. Uma criança com valores, ela mesma vai rejeitar algumas publicidades.” Içami Tiba Psiquiatra, educador e autor de vários livros sobre orientação aos pais, entre eles o “Quem ama educa”, Editora Gente Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 82 “Sou professora aposentada,no momento eu sou esteticista e eu tenho dois filhos pequenos. Quando eles eram pequenos, assim, eu percebia muito que existia muita propaganda, muita publicidade direcionada especialmente para criança. E a gente sabe que a publicidade, ela é importante, mas ela trabalha muito com essa persuasão, ela tenta fazer com que o telespectador, o leitor compre o produto. Muitas vezes a gente sabe que nem sempre, ou esse pro- tudo é adequado ou é saudável. Então eu acho que a publicidade, ela existe e a gente tem que tomar muito cuidado. Eu sou a favor assim, sou a favor da publicidade sim, acho muito importante, mas da publicidade com responsa- bilidade.”  Gilda Bitiati, Professora Aposentada e  “Acho que a campanha infantil deve ser feita com responsabilidade. Não proi- bição, mas fazer uma campanha mais educativa para esse público que está chegando, essa nova geração.”  Gilza Silva Gil Ferreira, Analista de Sistema e  “Minha filha é bastante consumista. Eu acredito assim, que os filhos são os es- pelhos dos pais, seriam os espelhos dos pais, eu sou bastante consumista, gosto de comprar, gosto de ter o que está no auge e minha filha esta indo pe- lo mesmo caminho. Mas assim eu sou diferente, eu trabalho para comprar o que eu quero, eu não tenho que pedir para uma pessoa e é por isso que eu acho que até hoje, tudo o que eu pretendo ter eu luto até conseguir, diferente da minha filha, porque eu acho o que não é necessário eu barro e não com- pro para ela”. Gislene Devides, Analista de serviços de informática e  g
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 83 “A publicidade infantil deve ser ponderada pelos meios de comunicação por- que de alguma maneira há algum tipo de exagero com relação esse tipo de publicidade principalmente nos horários em que são estabelecidos. Agora uma proibição, além de ser inconstitucional, ela fere todos os direitos a de- mocracia, porque cabe sim aos pais e não ao estado educar os seus filhos.”  Graciela Faria Tabarelli, Advogada e  “Eu acho inadequada (a proibição da publicidade infantil), porque como vai vender brinquedos e produtos infantis para as crianças? E se a criança vê a propaganda o pai fala se pode ou não comprar, eu cresci assim e não sou traumatizada por conta disso. Eu acho que é inadequada essa lei que esta sendo criada, não tem nada a ver. Os dois (Estado e família), mas principal- mente acho que nessa situação a família. O Estado tem a ver com a educação da criança também, escolas e outras coisas. Mas nesse caso a família.”  Grasiele Camaro, Setor de Turismo e  “Eu acho que o acesso à propaganda infantil tem que ser responsabilidade dos pais. Eles têm que saber a o que eles expõem seus filhos e até aonde eles merecem ou não receber aquilo que a propaganda está mostrando. Depende de cada um, cada um deve saber como educa seus filhos. Hoje, minha filha tem 15 anos e ela não é consumista, mas assiste bastante televisão. Sempre que ela me pedia alguma coisa, eu dizia para ela 'quando você crescer, eu compro'.”  Guaraciara Pereira Crespi, Cabeleireira e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 84 “Eu sou afavor da publicidade, não vejo nada de mais. Acho até que depen- dendo de algumas coisas, alguns produtos, ela é até educativa. Acho que não precisaria acabar não, só que tem que ter um pouco de cuidado em algumas coisas que podem influenciar de repente até na educação da criança. Mas eu acho que com o acompanhamento dos pais isso aí pode ter um policiamento de forma que não seja voltada para um lado ruim e sim para um lado bom.” Guilherme Renda Neto, Economista e  “Meu nome é Gustavo Lorenzi de Castro, sou sócio do escritório De Vivo, Whi- taker, Castro e Gonçalves Advogados. Relativamente ao tema publicidade in- fantil, voltada para o público infantil, eu tenho uma opinião bastante peculiar sobre o tema. Eu entendo que ultimamente tem havido uma espécie de mo- vimento policialesco ou mesmo de uma certa patrulha no que diz respeito a esse tipo de propaganda. Eu entendo que toda e qualquer propaganda deve ser caracterizada e deve ter como pano de fundo a criatividade dos seus cria- dores, a liberdade de expressão de modo que ela realmente atenda ao seu ob- jetivo principal. O que eu acho que também deve ser levado em consideração é que quando a gente fala em propaganda a gente deve lembrar que existe um órgão autorregulamentador, que é o Conar, que acaba por verificar se es- ta ou aquela propaganda atende aos princípios éticos, morais e inclusive le- gais de todo e qualquer segmento. São raríssimos os casos onde as decisões do Conar envolvendo propaganda foram questionadas judicialmente, o que acaba por apontar a grande eficiência e capacidade desse órgão em regula- mentar esse tipo de atividade. Com relação ao tema propaganda infantil, eu acho que vale a pena lembrar que cabe aos pais ou aos responsáveis monito- rar e franquiar ou não o acesso dos seus filhos menores às propagandas que são especialmente transmitidas via televisão. Então, existe uma questão vol- tada para a educação infantil que os pais tem que estar atentos a isso e fazer com que toda a sociedade entenda que não é estabelecendo limites, parâme- tros ou até mesmo uma espécie de censura, que esse tipo de problema vai ser evitado. Na verdade a educação começa dentro de casa, os pais tem que estar atentos a essa questão e viabilizar ou não o acesso as propagandas que even- tualmente eles possam entender como adequadas ou não para os seus filhos. Eu sou pai, tenho dois filhos pequenos, menores, de 5 e 7 anos e faço esse g
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 85 “Eu sou a favor da autorregulamentação, que é um dos caminhos de se equacionar se deve tirar determinada publicidade do ar ou não. Acho que o extremo de permitir qualquer coisa é perigoso, assim como o de se proibir totalmente.” João Matta Professor de marketing infantil da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 86 controle, permitindo queeles assistam televisão em determinados horários do dia, que são inclusive horários adequados à faixa etária deles.”  Gustavo Lorenzi de Castro, Sócio do escritório De Vivo, Whitaker, Castro e Gonçalves Advogados e  “Eu sou favorável à publicidade infantil, porque eu acho que não só nós adul- tos como as crianças também têm que se manter informados. Tenho uma fi- lha que foi, é publicitária hoje e a educação que eu dei para ela em relação a isso foi muito boa.”  Hélia Rossi, Diarista e  “Eu sou contra qualquer meio que venha restringir o acesso à informação. E a publicidade é justamente um meio de você dar informação, imagens sobre um produto e ainda mais infantil. Eles têm que ter acesso à informação, sobre produtos, sobre serviços, para que eles criem o seu próprio juízo de valor com relação a isso. É lógico que a gente sabe que a educação muitas vezes, se pro- íbe as coisas. Ela não vai permitir que a criança tenha contato e crie conceitos no processo. Por esse motivo eu sou contra, a criança tem que ter acesso à in- formação e cabe aos pais, mães e educadores auxiliar na formação da sua própria opinião.”  Henrique Puga, Professor e  “Meu nome Hingrid, sou analista de sistemas, tenho uma filha de dez anos e uma de um ano e seis meses. Eu sou a favor da publicidade infantil desde que seja uma coisa responsável. Tem coisas muito piores que isso, que são músi- cas que não dão valor as pessoas e que criança adora, ou sem nenhum conte- údo, e que as crianças adoram e vão passando de criança para criança.”  Hingrid Licinia Calixto Oliveira, Analista de Sistema e  g h
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 87 A propaganda é um instrumento de conscientização e de difusão de ideias. E se presta a comunicar sobre marcas, sobre produtos e como qualquer ferra- menta para usos bons e eventualmente para usos que se possa criticar. Quan- do nós olhamos a propaganda, é preciso entender que ela, enquanto instru- mento, depende essencialmente dos valores e da ética de quem a utiliza. Quando às vezes nós fazemos críticas à propaganda, nos esquecemos de to- do o trabalho positivo que só se torna possível graças a esse instrumento de que dispõe a sociedade. Estamos falando de campanhas de utilidade pública que promovem a vacinação, estamos falando de campanhas a que o conse- lho nacional de propaganda fez ao longo de anos junto com o Unicef e a Pas- toral da Criança da saudosa doutora Zilda Arns. A população aprendeu a fazer aquela famosa receita, um copo de água, uma pitada de sal e um punhado de açúcar e quem entra no site do IBGE pode verificar que o soro caseiro foi um elemento fundamental para a queda da mortalidade infantil. Tudo isso são os aspectos positivos da propaganda e a propaganda certamente tem que seguir aquele código de ética que nos foi legado pelos pioneiros que desenvolveram essa atividade. Mas tenhamos sempre a compreensão de que nós estamos fa- lando de um instrumento, o instrumento não é por si nem bom, nem mal, sempre depende dos valores de quem o utiliza. Hiran Castelo Branco, Vice-presidente corporativo da ESPM e  “Nós temos que aproveitar todas essas oportunidades educacionais que sur- gem para aumentar o diálogo, a possibilidade de os pais passarem valores através do que os filhos querem, porque se eles querem e recebem informa- ção junto é o melhor momento educativo, porque agrada e informa. Prever uma regra maior, de fora para dentro, seja uma lei estatal ou do próprio siste- ma local, fica um pouco complicado, porque a própria família perde a auto- nomia do poder de educação, se restringir a um horário fica até algo meio contraditório, porque existem programas infantis, e não vai veicular publici- dade de artigos infantis? Tudo isso entra pela psique de uma criança e nós te- mos que cuidar como se o alimento tem que nutrir o corpo, a publicidade também tem que ter o cuidado de nutrir a personalidade, o conhecimento e elevar a qualidade de vida. Quem manda nos pais hoje são as crianças, por- que os próprios pais, por falta de conhecimento educativo, acabam querendo
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 88 i se tornar sóamigos dos filhos e amigos em geral só satisfazem e não educam. A essência da educação é aproveitar qualquer oportunidade que chegue a criança para juntos criar o quadro de valores. Uma criança com quadro de va- lores, a mesma vai rejeitar algumas publicidades, “nossa que horrivel, nossa que ótimo”. Então na educação, nós temos que preparar a pessoa a fazer es- colhas e as melhores escolhas são aquelas que vem baseadas em valores, que esses valores devem ser transmitidos pelos pais.”  Içami Tiba, Psiquiatra, educador e autor de vários livros sobre orientação aos pais, entre eles o “Quem ama educa” e  “Tenho três filhos e três netos, e não sou a favor da proibição da propaganda de brinquedos para crianças na TV. Eu acho que a TV faz parte da vida normal das crianças. Portanto o que tem que ser introduzido na vida da criança é o sim e o não, quando aquilo é compatível e quando não é compatível. Eu te- nho um exemplo dos meus netos que pediram no dia das crianças um pre- sente que eu achei bastante caro, e aí eu avisei não, esse presente eu não acho que é para dia da criança, você pode pedir para o dia de aniversário, no dia da criança eu te dou uma lembrancinha, pode escolher uma outra opção. Quando chegou o aniversário ele me lembrou, vovó agora é meu aniversário, você pode me dar aquele presente? E eu disse ok. Então estabeleceu uma re- lação entre eu e o meu neto. O não tem que ser exercido como o sim.”  Immaculata De Lulis, Advogada e  “Eu venho de uma área de pesquisa que se volta a ouvir a criança, a trabalhar com a criança, e isso é muito importante, porque em grande medida as teses que circulam hoje em dia sobre a relação da criança com a mídia é pronun- ciada pelos adultos, a partir do lugar do adulto, e geralmente um adulto de classe social elevada e que está localizado nos centros urbanos. Então eu sempre digo para os meus alunos que nós temos uma grande tendência a en- tender a criança a partir do ponto de vista do adulto de classe alta nos centros urbanos. Então essa é uma visão que eu chamaria de visão burguesa do con- sumo, uma visão classista do consumo, uma visão adulto-cêntrica e uma vi- são urbana. Isso é um grande problema porque a partir do momento em que
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 89 “A liberdade de expressão é uma conquista do Estado Democrático de Direito e do processo civilizatório.” José Antônio Dias Toffoli Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) AgBRasil
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 90 a gente atravessaa cidade, a gente vai na comunidade de periferia, a gente vê que a realidade é muito diferente. Se a gente vai um pouquinho mais adiante, vai para uma comunidade rural a realidade é mais diferente ainda, ou se a gente vai trabalhar com as crianças de uma comunidade pesqueira isso tam- bém muda. Então a gente precisa entender as culturas do consumo e não as- sumir antecipadamente que toda criança é uma espécie de esponja que ab- sorve os conteúdos da mídia de uma maneira direcional, de uma maneira li- near sem que ela crie seus mecanismos de recusa, de resposta, de fuga, ou da própria imaginação da criança é um caminho para ela ressignificar os produ- tos da mídia. Se toda pessoa absorvesse os conteúdos feito uma esponja, a sociedade seria assim um universo de pessoas idênticas, e a gente já está con- vivendo com a cultura de massa há aproximadamente 50 anos, porque o rá- dio é anterior, mas toda essa cultura do broadcasting, da televisão, ou dos grandes conglomerados da comunicação, a gente já está convivendo com is- so há 50 anos, e a gente vê que as subculturas, as resistências, a diversidade, ela continua se manifestando”. Isabel Orofino, Pesquisadora da ESPM e autora do livro “Mídias e mediação” e  “O que me preocupa é que esse movimento pela proibição da publicidade parte de uma concepção equivocada de como a criança trabalha com isso. Não quero em hi- pótese alguma, e isso é bem importante para mim dizer que eu não concordo com o fato de que a gente precise dialogar sobre a publicidade. Eu concordo que o merca- do comete vários abusos e isso não é uma questão só voltada para a infância, em li- nhas gerais a publicidade erra muitas vezes assim como o jornalismo erra também, assim como o cinema erra também, a telenovela erra também, são práticas cultu- rais, mas eu não acredito que seja pela proibição da publicidade para criança que a gente vá alcançar um resultado interessante. A proibição me preocupa muito por- que a produção cultural para a criança, quer dizer, a telenovela para criança, a tele ficção para criança, o cinema para criança, o desenho animado para criança, preci- sam do apoio cultural de determinadas empresas que a gente chama de marketing cultural, apoio cultural, patrocínio. Quer dizer, a gente não sabe que se proibir com- pletamente o anunciante de estar presente nesses espaços que são destinados a criança, isso pode comprometer a própria produção cultural para criança, então en- fim, a gente vive numa sociedade completamente dinamizada por essas práticas de i
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 91 mercado, tanto mercado de materiais, mercado de bens materiais, quanto mercado de bens simbólicos. Acho que é inteligente a gente aprender a fazer essa sociedade de um modo que se respeitem as pluralidades, as diversidades, as múltiplas vozes, mas não simplesmente proibindo”. Isabel Orofino, Pesquisadora da ESPM e autora do livro “Mídias e mediação” e  “Nós estamos falando de publicidade infantil, propaganda infantil. Então eu queria registrar aqui que eu sou pai e sou avô também, tenho três netos. Eu sou publici- tário e sou diretor de criação da minha agência. Quando a gente é avô, a gente já pensa pela segunda vez aquilo que a gente exerceu com os filhos. Os meus filhos, até pela minha origem judaica, foram criados com esse aspecto da liberdade que os judeus têm na relação pais e filhos. A liberdade de expressão, a liberdade do di- álogo, a liberdade da discussão inteligente e como avô eu estou repetindo tudo de novo, e ser avô, aliás, neto para um avô é igual filho com açúcar. A gente está vivendo uma era da informação. As crianças têm acesso a tudo, nas redes sociais, nos jogos e a propaganda está envolvida nesse mundo, nesse mundo deles. E eu penso, é melhor dizer desse jeito, eu penso que proibir alguma coisa que traduza liberdade é uma das piores coisas que pode existir. Essa palavra “forbidden”, para mim que sou de origem judaica, ela é muito pesada, muito forte. Eu prefiro que a gente tenha um controle sobre aquilo que a gente faz. Primeiro começa com a sua própria censura, com a sua própria sabedoria do que fazer para não atravessar limites na hora em que você está conversando com uma criança. E segundo que a gente também gosta muito da entidade do Conar, que nos regula, nós somos auto regulamentados pelo Conar, e isso nos dá tranquilidade de saber até que ponto a gente pode ir, porque o Conselho de Autorregulamentação tem todos os representantes da sociedade. Então isso faz com que a gente já se sinta confortá- vel na hora em que a gente está fazendo. Então começa que a gente tem a nossa própria censura, nossos critérios, nossos cuidados, a gente sabe que está lidando com criança e que a gente precisa ter os nossos limites. Além desse nosso próprio limite a gente tem uma sociedade inteira que se juntou, se organizou, para que pudesse regulamentar a nossa profissão em todos os seus segmentos e no seg- mento infantil com muito mais cuidado.”  Jaques Lewkowicz, Sócio da Lew/Lara e  J
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 92 “Bom, o queeu acho mais importante na propaganda para a criança nos dias de hoje, é que a criança deveria ter uma interatividade bem maior, interagir mais com as coisas que ocorrem no mundo. E deixar a criança viver, deixar a criança brincar perante aquilo que é transmitido pela propaganda, que seriam desenhos, seriados, programas educativos, programas de lazer, cultura, não só a criança ficar na frente de um computador o dia inteiro, memória virtual, jogos de videogame que ás vezes instruem a criança para algo que realmente não é viável, que não é facilitador para imagem, para a infância dela. Tanto na minha época teve Thundercats, Rambo, Jaspion, Changeman. Hoje em dia tem Gyraia, tem Power Rangers até que isso também pode valer, mas eu acho que a criança tem que viver mais, deve brincar mais, deve ter um lazer diversi- ficado como eu tive na minha época há uns 20 anos atrás, vamos pôr assim.”  Januário Lins de Alencar Barbato, Professor de Ed. Física e  “Referente à proibição da propaganda infantil, eu acho que não precisa ser tão radical. Basta apenas a propaganda promover qualidade de vida, que ve- nha trazer benefícios à saúde das crianças.”  Jéssica Lopes de Almeida, Nutricionista e  J
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 93 “Quem faz a publicidade tem que se preocupar sim com o que está transmitindo. Mas cabe aos pais prepararem as crianças porque sabemos que elas receberão muitas mensagens que não deveriam receber e não somente pela publicidade.” Lidia Aratangy psicóloga referência em orientação familiar Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 94 “Não tem comoa gente impedir que as crianças estejam envolvidas direta- mente com essa publicidade, mas é uma oportunidade que os pais têm de conseguir educar os seus filhos para a questão do consumismo principal- mente. Então assim através dessa publicidade as crianças manifestam os seus desejos de coisas que elas querem, de coisas que elas querem comprar, de coisas que elas querem parecer. Isso é importante os pais começarem a per- ceber e a partir disso educar o seu filho. Então aí orientar mesmo, que ele não pode ter tudo o que ele quer, na hora que ele deseja, então hoje em dia é mui- to comum a gente ver crianças que querem comprar tudo, todos os brinque- dos que aparecem na televisão, de todas as coisas que aparecem na propa- ganda que eles veem e na verdade os pais não podem naquele momento, ou não é adequado. Não é legal também os pais usarem a compra para conse- guir coisas das crianças, elas têm que aprender que têm suas prioridades, têm as coisas que elas precisam fazer e a partir disso elas podem sim receber uma recompensa, mas não é interessante que essa recompensa seja coisas mate- riais, isso é importante o pai falar. É mais importante o pai dar uma atenção, passear, dar carinho do que dar um presente, o presente ele tem que ser dado no momento certo, numa data especial. Isso é importante para a criança co- meçar a perceber que ela pode ter as coisas que ela quiser mas que ela tam- bém tem que fazer uma parte que é a dela. A questão dos filhos únicos é bem delicada porque normalmente é uma questão que os pais têm dificuldade de impôr os limites, então as crianças acabam abusando um pouquinho e pedin- do mais coisas e se aproveitam mesmo das propagandas, dos produtos infan- tis. Os pais precisam tomar cuidado para falar para essa criança que ela não pode ter tudo o que ela quer, mesmo ela sendo filha única ela não pode ter tudo o que ela quer no momento que ela quer, e é uma maneira do pai tam- bém ajudar a criança a aprender a dividir. Então por exemplo, uma coisa que é interessante fazer com o filho único é, no natal pedir para o filho escolher um presente para ele e um presente para dar para uma outra criança. Pode até ser uma criança que ele não conheça mas ele vai aprendendo, ele aprende a es- perar, então ele recebe alguma coisa numa data importante, numa data espe- cial, a partir de alguma coisa que ele fez, que ele conquistou. Filho único tem que tomar bastante cuidado, é uma questão mesmo de limite. Os pais devem falar no momento que as coisas acontecem, eles devem descrever para os fi- lhos o que está acontecendo, então por exemplo, a criança diante de uma propaganda pediu um brinquedo e o pai não pode comprar naquele momen- J
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 95 to, ele fala, “agora não é o momento para eu comprar isso para você, isso dai a gente vai comprar quando chegar o natal”, por exemplo. Isso ajuda a criança a esperar, a conquistar um objetivo e o pai pode dizer isso para ela. O que acontece as vezes é que o pai tem medo de falar exatamente o que eles estão pensando para a criança, quando a gente explica para a criança ela entende muito mais facilmente, então assim não pode ter medo de explicar para a criança o que está acontecendo, “não, agora não é o momento”. Jéssica Fogaça, Psicóloga comportamental infantil e  “Eu sou contra pararem de fazer propaganda infantil para as crianças, porque a partir da propaganda a gente sabe o que uma criança quer, você aprende a ensinar os seus filhos o seu padrão de vida e a criança aprende desde cedo o que os pais podem ou não podem comprar, ou consumir. Eu acho que propa- ganda tem um monte de coisas, tem de arma, de violência, de um monte de coisas, e uma propaganda infantil você ensina os seus filhos terem mais res- ponsabilidade a entender o que os pais podem comprar ou não, o que eles podem consumir ou não.”  Jéssica Pereira, Instrumentadora Musical e  “Eu sou bastante a favor da autorregulamentação, eu acho que a autorregula- mentação é um dos caminhos mais fáceis de se conseguir equacionar a regu- lamentação da publicidade, as proibições ou não, tirar determinada publici- dade do ar ou não. Acho que o extremo de permitir qualquer coisa, é um ex- tremo perigoso, assim como um outro extremo de proibir totalmente tam- bém é perigoso. Acho que a autorregulamentação é uma das formas de você conseguir fazer essa negociação bastante complicada, difícil de conseguir. A autorregulamentação no Brasil ela tem um histórico que levou a participação de três eixos como veículos, agências e anunciantes a participar desse projeto e poderia como evolução desse processo dar um passo a mais, talvez envol- vendo o consumidor, no estilo de uma ONG que represente os consumidores quee nem esses órgãos de Procon e tudo mais. Acho que envolvimento do
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 96 consumidor mesmo algumrepresentante do consumidor e o processo da autorregulamentação. E que existe outro em outros países em, por exemplo no Canadá, que é um exemplo bastante interessante da autorregulamenta- ção, onde o consumidor também é envolvido na hora de decidir e autorregu- lamentar a publicidade para o público infantil. Não só consumidor, mas tam- bém outras entidades de classe acabam participando. Mas eu acho que a par- ticipação do consumidor seria um avanço interessante para a autorregula- mentação do Brasil. Na Europa também existe autorregulamentação que tra- balha nesses modos parecidos com o do Brasil, mas tem também a participa- ção de outras entidades como o consumidor que acaba participando e torna isso um processo bem mais efetivo e eficaz. Eu acho que o Brasil é sim um bom exemplo de autorregulamentação para outros países. A autorregula- mentação ela pode ser sim um exemplo para os países da América Latina, pa- ra países como México e os outros países da América Latina que não têm uma prática tão aberta da autorregulamentação, mesmo com o código de defesa do consumidor a autorregulamentação, o Conar no Brasil são bons exemplos para o resto do mundo.”  João Matta, Professor de marketing infantil da ESPM e  “Acho que a publicidade tem que continuar na televisão e não é o governo que deve limitar isso e sim a sociedade, os pais, mas a sociedade em geral, a sociedade que tem esse poder de vetar uma propaganda, por exemplo, não comprando os produtos. Não o governo.”  Jorge Basile Guglielmelli, Roteirista e  “Eu acho que os pais têm que ser superiores à publicidade. Porque vejam bem, eles têm que saber quem eles estão criando, porque essa criança vai crescer, vai se tornar um adolescente, um adulto, e não pode só essa publicidade infan- til influenciar a vida de uma criança. Então, explicar para uma criança que nem tudo que ela quer, ela pode ter. Porque vamos supor: acaba a publicidade no rádio, na TV, nos jornais, de brinquedos e de tudo. Mas a criança sai na rua, ela entra no shopping, ela entra em uma loja, e o que tem nesses lugares? Tem J
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 97 “Bem usada, a publicidade é um caminho para promover saúde, hábitos conscientes de consumo, atitudes equilibradas, além de possibilitar a produção de conteúdos na mídia (...) preparados para as crianças.” Lúcia Helena de Oliveira Diretora de redação da revista Saúde, Editora Abril Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 98 brinquedos expostos eela vai pedir de todo o jeito. O que está acontecendo hoje em dia, o que é uma coisa comum, é que pais e mães trabalham o dia in- teiro, saem de manhã, voltam a tarde, ás vezes a criança fica com alguém em casa, uma babá, ou uma empregada, ou a criança vai para a escola de manhã e só é pega no fim da tarde ou começo da noite, que são períodos integrais. E há ás vezes uma compensação da ausência dos pais, dando brinquedo, dando brincadeiras ou coisas para a criança se distrair. Isso não é muito bom. A educa- ção tem que vir dentro de casa, independe um pouco de toda essa, do que essa mídia faz, porque a mídia realmente quer vender, se ela quer vender certo ou errado é a nossa decisão, nós que somos os vendedores e nossos filhos vão ser o reflexo do que nós somos. Então, quantos pais não têm por aí, consumidores, que sem querer tornam seus filhos consumidores. Toda hora estamos vendo campanhas de televisão, de rádio, como não usar o cartão de crédito, como não fazer dividas acima do que a gente ganha, isso é muito importante, será que os pais estão passando essas coisas para eles? Essas coisas boas, se os pais forem bons consumidores, ou coisas não tão boas, se os pais não forem bons consumidores, grandes gastadores. Então a nossa dica é isso, tentar mostrar primeiro que a vida está aí e que o mundo não é cor de rosa e que algumas coi- sas têm que ser ditas para a criança, não de forma brusca e nem agressiva, mas explicar, uma criança entende perfeitamente quando a gente fala. Uma criança diabética, quando a gente explica para ela que não pode comer açúcar, ela leva os docinhos dela para uma festa, e ela raramente ou quase nunca vai pegar o doce que está na festa, ela vai comer aquele doce, que ela sabe que é aquilo que ela pode comer. Então, a criança é consciente dela, e os pais, nós que so- mos e que fazemos o mundo dessa criança, que são os pais, os familiares, os professores, os médicos que atendem essa criança, todas essa, que envolve es- sa criança, vão fazer com que ela tenha uma personalidade. Eu acho que essa é a minha dica e a minha manifestação frente a essa campanha que começou agora, que eu acho correta, muito correta. Mas eu acho que ela tem que ter o bom senso de saber como ela deve agir, que é como eu falei, a publicidade po- de não existir, mas ela está escancarada na porta de uma criança, a qualquer momento que ela sair de casa, até em uma esquina se vende brinquedo para a criança nesses vendedores ambulantes, e aquilo é uma publicidade também, que a gente não pode controlar.”  Jorge Huberman, Pediatra do Hospital Albert Einstein e sócio do Instituto Saúde Plena e  J
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 99 “A liberdade de expressão é uma conquista do Estado Democrático de Direito e do processo civilizatório. Há certas questões que verdadeiramente levam a certas reflexões, uma delas é a da publicidade, da liberdade de expressão na publicidade. No Brasil nós temos o sistema de autorregulação, que já vem há anos sendo feito pelo Conar, que tem mostrado que a autorregulação tem ti- rado do ar as propagandas que não se mostram adequadas pelo próprio meio publicitário. E são questões apenas residuais que vão para o Poder Judiciário. Em relação à publicidade para o público infantil, para as crianças e os adoles- centes, é uma discussão que se faz agora mais presente e realmente é algo que leva toda a sociedade a refletir. No nosso modo de ver as coisas, eu sem- pre penso que o mais importante que o Estado punir é o Estado agir como mediador da sociedade.”  José Antônio Dias Toffoli, Ministro do Supremo Tribunal Federal e  “A publicidade infantil hoje é inevitável, mesmo tendo alguns mecanismos de controle, sempre vão arrumar um meio de embuti-la em propagandas, em comerciais. Mas também acho, como faço na minha casa com os meus filhos, aproveito essa publicidade infantil para educá-los, saber que tudo tem limite, tudo tem o seu momento, tudo tem a sua hora. Então eu aproveito dessa dei- xa da publicidade infantil para também promover a educação dentro da mi- nha casa.”  José Antônio Passos, Docente e  “Eu acho que todos nós temos que ter uma atuação muito responsável e prin- cipalmente estarmos abertos às discussões. Esse é um tema realmente sensí- vel, que exige muita reflexão, não será um assunto a ser tratado exclusiva- mente por um segmento da sociedade, ele deve ser dividido amplamente com todas as bases da sociedade, educadores, juristas, publicitários, econo- mistas e não apenas em determinados grupos que, na minha opinião, podem representar um retrocesso. Não cabe a um segmento único da sociedade, de- cidir o que deve ser feito com relação as crianças. Acho também que todos nós, pais, temos uma responsabilidade anterior a da nossa profissão. Cabe a
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 100 nós educarmos nossosfilhos e mostrarmos a ele o melhor caminho e fazer com que ele se decida junto com a nossa opinião. Então eu acho que a ques- tão do ser ativo como orientador para os filhos é fundamental também. Quem tem filho sabe que as crianças e os adolescentes hoje são expostos a milhares de estímulos diariamente. Estímulos esses que vêm de vários lugares, desde televisão, passando por rádio, por cinema, pela internet, não existe um ado- lescente hoje que não tenha um Device, um celular. Então, através de inúme- ros pontos de contato, hoje eles podem se relacionar com o mundo e não se- ria justo coibir uma determinada ação publicitária exclusivamente, sendo que isso de maneira nenhuma vai orientar os jovens e os adolescentes. Nós temos que ter uma discussão muito mais profunda, proibir, definitivamente, não é a saída. Eu por exemplo, como criador, quando estou diante de um job, diante de uma necessidade de comunicação para o público infantil, eu primeiro me coloco como pai e vejo se o que eu estou criando, aquela peça, primeiro faz sentido para o público específico sem estar usando de nenhum artifício, ob- viamente perigoso para aquele público e segundo, se os meus filhos, sempre penso nisso, se os meus filhos poderiam ver aquela propaganda, se eles esta- riam confortáveis, se eu estaria dando as mensagens corretas para ele e se principalmente, depois de ver aquele tipo de propaganda, se seria uma men- sagem saudável, se seria uma coisa construtiva, e a partir daí a gente constrói, a gente cria, a gente leva a diante para o cliente a comunicação.”  José Henrique Borghi, Presidente da BorghiERH/Lowe e  “Eu sou pai e avô. Meus filhos a relação deles com programa de televisão ti- nha uma certa regra: determinados programas que não eram para eles, nor- malmente substituía por outros programas e tal, tinha um pouco mais de controle no sentido de criar algumas regras, substituir por outra coisa.”  José Geraldo Rocha, Diretor de Teatro e  J
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 101 “É importante acabar com essa história de achar que o publicitário é um bandido ou um parente próximo do bandido, que faz publicidade porque quer destruir o mundo.” Luiz Felipe Pondé Filósofo, articulista e professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e da FAAP (Faculdades Armando Álvares Penteado) Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 102 “Cabe ao paidefinir o que a criança precisa. É uma responsabilidade total- mente do pai. Então se ele quiser deixar a criança assistir o programa onde vai passar aquela propaganda, tudo bem, a criança assiste, mas também o pai vai ter que ser responsável para arcar com a consequência daquilo. Arcar, se a criança pedir alguma coisa ele vai dizer “não”. Tem muito pai que não sabe di- zer não para os filhos.”  José Marcelo Guimarães Moreira, Engenheiro “E com relação a publicidade infantil, eu sou a favor, não sou contra, porque eu acho que a orientação dos pais é o mais importante e não a proibição das coisas. Sou contra o uso da internet indiscriminado, aí sim, porque eu acho que leva a muitos caminhos perigosos, para as crianças principalmente, mas a publicidade infantil não. Acho que tudo pode ser divulgado, os pais é que tem que orientar as crianças sobre o caminho certo.”  Judite Franco Cavalcante, Administradora e  “Tenho um filho de seis anos e sou super a favor da propaganda infantil como qualquer tipo de propaganda. A responsabilidade, no caso da propaganda in- fantil, dos pais de proibir ou liberarem a criança de assistir ou comprar aquilo que elas querem. A criança também é livre, tem acesso a tudo, depende da educação que recebe em casa. As crianças de alguma forma vão continuar tendo acesso a isso, as empresas que fabricam, os fabricantes, os publicitá- rios, todos acabam sendo prejudicados e para criança muda muito pouco.”  Juliana Neves, Farmacêutica e  J
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 103 “Em relação à publicidade infantil, eu sou totalmente a favor e não vejo limita- ção, porque já existem entidades que regulamentaram essa publicidade, mas no entanto, quem deve orientar a criança são os pais, as mães, os avós. Veja bem, nessa área de imprensa, publicidade, existe o que é bom e o que é ruim e nessa faixa existem mais situações boas do que más. Então eu vejo como sendo muito positiva a publicidade, não vejo com bons olhos essa limitação da publicidade infantil das sete da manhã às 22h, porque afinal de contas, nesse período é que a criança e o jovem poderia ter acesso a alguma informa- ção, como algumas campanhas, campanhas coerentes e necessárias de es- clarecimento sobre alguns fatos. Então eu particularmente, na condição de pai e avô de cinco netos numa faixa etária variável, eu sou totalmente favorá- vel a publicidade infantil, que compete a gente na condição de avô e nos meus filhos de pai e mãe, isso de público geral, limitar o acesso a algum tipo de informação que não venha a calhar com aquilo que seria ideal. Então a mi- nha opinião, eu sou totalmente favorável a continuidade da liberdade de pu- blicidade infantil, nos modos que é hoje.” Juvenal Tedesque da Cunha, Advogado e  “Com relação à propaganda infantil na televisão, eu acho que tem que ter mais programas educativos, mais brinquedos. Por quê? Vou dar um exemplo, na te- levisão, no caso, TV Cultura, o tempo todo é educativo, a criança vê mais pro- pagandas de brinquedo. Um exemplo, a Globo de manhã, das 8 da manhã até o meio dia é programa infantil, porque nesses programas têm muitos dese- nhos, nos intervalos desse programa, na propaganda vende brinquedo e mos- tra boneca, carrinho. Agora vamos supor que tire isso do ar, então no horário infantil vai passar aquele desenho, e vai passar de comidas? Não, tem que pas- sar de acordo com o que a criança está assistindo. Um exemplo, a minha filha tem 6 anos, ela estava na creche, eu achei super legal um trabalho da creche, com relação à retornável. Sabe essas garrafas pet? Eles pegavam, cortavam e faziam vai e vem, o varal era o fio do vai e vem, tudo reciclável, o rolinho do durex fazia para as crianças poderem brincar. Então tem que ter esse incenti- vo, porque se nessa propaganda colocar para tomar cuidado, minha filha falou uma coisa linda essa semana, achei lindo: “mamãe, não desperdiça água, vai acabar com o planeta água”, e eu entendi o que ela quis dizer, para tomar cui-
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 104 dado para nãoacabar com a água, e tudo isso ela vê na TV Cultura, em alguns programas da Globo, em alguns brinquedos que ela vê. Então é isso que está faltando, se tirar isso vai ficar o dia inteiro aonde? Nos canais que passam o que? Que não tem nada a ver com a idade das crianças. Eu acho que tem que ter muito mais incentivo na propaganda, na programação e até nos brinque- dos mesmo. Eu acho que não tem que tirar, eu não concordo com isso.” Kátia Regina Rufino, Analista de Crédito e  “Eu tenho três filhos e duas netas. Tenho uma neta de 4 anos e outra de 12 anos. Eu sou a favor da liberdade da imprensa, liberdade de expressão e não sou favorável a essa proibição do congresso de proibir propagandas dirigidas para crianças dentro dos seus lares, até porque a responsabilidade do que a criança deve assistir ou não compete aos pais. Então como somos todos res- ponsáveis cada um determina o que seu filho deve ou não assistir.”  Lamara Alves Maciel, Coordenadora de Call Center e  “Eu não sou contra a publicidade infantil, porque eu acho que a moderação com relação ao produto de consumo tem que vir dos pais e da família, não necessariamente da publicidade.”  Laura Camargo, Funcionária Pública e  K L
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 105 “É fato que abolir a publicidade infantil seria uma barbaridade. As crianças formam um público consumidor e isso não é mal em si mesmo.” Luiz Flávio D'Urso Presidente da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional São Paulo) de 2003 a 2012 Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 106 “Eu não concordocom a proibição de publicidade infantil. É um espaço que eles têm para passar conteúdo infantil para as crianças. Talvez, proibindo, eles peguem o espaço para anunciar, publicar o uso de bebida alcóolica no lugar. Então, eu não sou a favor.”  Leliane dos Santos, Bancária e  “Não vejo como isso pode ser feito, não tem como restrigir a veiculação de publicidade infantil na televisão, porque de uma forma ou de outra, eles vão ter acesso à informação em outros meios de comunicação.”  Leonel José de Oliveira, Representante Comercial e  “Sou mãe de duas filhas, uma de de 7 anos e uma de 1 ano. Eu não concordo com a posição que eles têm de estar proibindo a publicidade infantil, porque eu acho que é de acordo de cada família, cada um deve saber até onde meu filho pode comer e o que não pode, independente de publicidade ou não.”  Letícia de Santana Santos, Auxiliar de Enfermagem e  L
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 107 “Eu sou contra essa proibição de não mostrar comercial para criança, até por- que o comercial para criança não vai influenciar a criança, é para informar nós pais dos produtos que estão no mercado, que a gente pode utilizar, por- que nós é que vamos escolher. Até porque a criança, tudo o que ela vê, até o que não é produto para criança ela quer. Meu filho pede avião, pede carro. Então não é só produto para criança que vai influenciar a criança e cabe aos pais decidir o que vai adquirir e o que não vai adquirir para os filhos.”  Leysle Silva, Professora e  “Censura sempre me incomodou, a ideia de censurar os livros de Monteiro Lobato, ou de censurar a publicidade dirigida a criança sempre faz supor que estamos lidando com pessoas absolutamente incapazes e desamparadas. Censurar Monteiro Lobato é realmente é entrar no abuso do politicamente correto esquecendo o contexto, esquecendo a história. Monteiro Lobato co- meça a fazer mal às crianças justamente quando estamos vivendo uma era de violência, preconceitos, mas parece que isso não incomoda tanto quanto as tias anastácias do Rio. Não acho que a propaganda seja o veículo privile- giado para educar as crianças, de fato não é este o objetivo da publicidade, seria muito estranho se de repente a publicidade tivesse com que se preocu- par em transmitir valores, mas é essencial que a publicidade sobretudo dirigi- da a criança se preocupe com os valores que ela está transmitindo. Uma coisa é informar, outra coisa é seduzir, uma coisa é falar das vantagens de um certo objeto, outra coisa é insinuar que qualquer criança do mundo pode ter aquele objeto e que é obrigação dos pais comprar aquele objeto, mas isso são distor- ções da publicidade não faz parte da natureza do tornar público uma infor- mação, uma notícia, um produto. Acho o politicamente correto importante, mas essa censura, lamentável. O ideal será preparar as nossas crianças para transforma-lás de esponja e que absorvem todos esses estímulos que as bom- bardeiam o tempo todo em filtros para que elas mesmas aprendam a selecio- nar o que que deve fazer parte da sua formação, da sua estrutura e o que deve ficar de fora. Isso só é conseguido se acompanharmos nossas crianças se es- tivermos perto dela. Vale para os dois lados, quem faz a publicidade tem que se preocupar sim com o que ela está transmitindo e que cada publicitário
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 108 pense em seufilho assistindo aquele comercial e o que o seu filho estará sen- tindo ao ver aquelas cenas, cabe aos pais e aos educadores preparar as crian- ças porque nós sabemos muito bem que elas receberam muitas mensagens que não deveriam chegar a elas não necessariamente veiculadas pela publici- dade”. Lidia Aratangy, Psicóloga referência em orientação familiar e  “Há um paradoxo inerente à educação, nós estamos sempre necessariamen- te educando hoje com a bagagem que recebemos ontem para preparar os fi- lhos para enfrentarem o mundo amanhã. Nós vamos errar muito ao educar os filhos, não tem importância, a maior parte do tempo nós estamos passan- do o que eles precisam receber, o importante é estar perto, é acompanhar o desenvolvimento dessas crianças sem se desligar do mundo, não basta estar perto do filho se isso significa estar junto com esse filho dentro de uma bolha. Nossos filhos não são nossos filhos, nossos filhos são filhos da vida, para a vi- da. Então preparar para a vida significa ajudá-los a escutar, ajudá-los a enxer- gar. Educar é uma tarefa amplamente subversiva, é interessante, enriquece- dora, mas dá trabalho, não é para preguiçosos nem para covardes. Pais e fi- lhos para se entender têm que aprender um novo idioma, os filhos têm que se abrir um pouco para esses valores que os pais expressam de uma maneira di- ferente que eles estão acostumados a usar, e os pais têm sim a obrigação de acompanhar o idioma da tribo, de saber quais os instrumentos que eles estão usando para se comunicar e aprender a se comunicar nesses instrumentos, ainda que não com a maestria com que nossos adolescentes o fazem”. Lidia Aratangy, Psicóloga referência em orientação familiar e  “Quanto à proibição de propaganda, não é o caso proibir, mas sim realizar coisas mais interessantes. Eu acho deveriam haver mais coisas voltadas para a parte cultural, incentivar mais as crianças para coisas boas, menos consumo e mais coisas que possam ajudá-las a crescer de forma geral.”  Lígia M. B. Garbi, Pedagoga e  L
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 109 “O melhor caminho não é a simples tutela, a simples e pura proibição. (…) a tutela do Estado não pode substituir o amadurecimento da sociedade brasileira.” Luiz Lara Presidente da Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade) Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 110 “Acho que temque ir para o debate. Acho que não está certo proibir a publici- dade, que faz parte da educação que os pais têm que ter. Tem que ter conver- sa e o “não” faz parte. A educação cabe aos pais.”  Lilian Assali, Estudante e  “Naturalmente que a publicidade constrói valores, comportamentos, então nisso também há a possibilidade de se utilizar de uma maneira favorável para construir comportamentos que desejamos. Então não se trata de dizer sim- plesmente sou contra ou sou a favor da publicidade, vamos proibir ou não va- mos proibir, porque essa não é a solução. Se nós pensarmos a publicidade indireta, que não é nesse horário que o projeto de lei aborda, nós teremos pu- blicidade fora de casa, no caminho de casa para a escola, temos publicidade através dos programas de televisão, internamente nos programas, nos pró- prios noticiários, que são períodos que as crianças estão fazendo as refeições com os seus pais, e estão ali também assimilando comportamentos e valores. Então, de toda a maneira, a publicidade ela não é simplesmente aquela que nós conceituamos como tal, mas fazemos publicidade, através também do nosso exemplo. Porque nós sabemos que a criança e o adolescente influen- ciam diretamente no processo decisório para a compra, e também influen- ciado os seus coleguinhas e até por esse motivo podemos utilizar também de uma maneira positiva, fazendo campanha educativas. E isso também parte não só do Estado, não só das empresas, enfim, mas até mesmo dos pais pro- curando fazer com que aquele seu pequeno seja agente multiplicador de va- lores construídos dentro de casa. Isso também é uma forma de propaganda. E isso é uma boa propaganda.”  Livia Borges, Psicóloga, escritora e consultora do Núcleo de Estudos da Violência da Polícia Militar do Distrito Federal e  “Com relação às propagandas infantis de brinquedos, tudo vai de acordo com a educação que os pais passam para os filhos, fazendo com que eles enten- dam o que é possível a eles e o que não é. As crianças têm o direito de saber aquilo que o mercado oferece a elas, de brinquedo, jogos, de tudo. Cabe aos L
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 111 pais saber conversar com seus filhos em suas casas para os filhos terem a no- ção daquilo que eles podem ter e o que eles não podem ter. Não é isso que vai criar uma pessoa consumista e um adulto ruim no futuro.”  Lourdes Faim Monteiro, Professora de Educação Física e  “A publicidade, em qualquer faixa etária, não só estimula consumo, mas tam- bém pode induzir atitudes muito saudáveis. Quando falamos em crianças, a publicidade é um canal fundamental, não só de informação, mas de forma- ção dos nossos jovens. Bem usada, ela é um caminho para promover saúde, hábitos conscientes de consumo, atitudes equilibradas, além de possibilitar a produção de conteúdos na mídia digital, na rádio, na televisão e nas revistas, especialmente pensados e preparados para as crianças . Quando temos pu- blicidade, temos investimento e conseguimos produzir informação de quali- dade. Essa é uma missão dos publicitários e de quem faz mídia. Informação de qualidade é possível e necessária em um país que é carente de informação sobre hábitos saudáveis. Precisamos formar uma nova geração mais cons- ciente e com hábitos saudáveis, para viver um futuro muito longo, da maneira mais plena possível.”  Lúcia Helena de Oliveira, Diretora de redação da revista Saúde, Editora Abril e  “As empresas hoje, no caso da minha companhia, ela tem um perfil de produ- to e uma comunicação intensa das suas marcas, mas que necessariamente está vinculado a uma responsabilidade. Quando eu falo em responsabilidade, ela tem a responsabilidade pela qualidade do produto, pela comunicação com o seu consumidor e esse perfil de comunicação tem se alterado, não é mais uma comunicação unilateral, ela espera do consumidor uma comuni- cação mais ativa e as redes sociais deixam isso muito claro. Quando a gente fala de proibição de propaganda para crianças, eu acho que é uma maneira muito simples de olhar um tema que é muito mais importante e que passa fundamentalmente pela questão de educação e conscientização. Se olhar hoje alimentos, a comunicação de alimentos pode ser atrativa, diferenciada, engajadora, mas ela fundamentalmente já traz uma questão importante que
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 112 é a consciênciapelos seus hábitos alimentares, pelo perfil nutricional, cuida- do com a saúde que as companhias cada vez mais fazem isso. O próprio apoio em campanhas públicas, quando aderimos as marcas, faz parte também des- se processo. Dois exemplos que eu tenho aqui na companhia, dentre vários, um é, nós já apoiamos a campanha de vacinação infantil com a nossa marca Omo, principal marca hoje do Brasil, top of mind, como também campanhas de consciência de higiene na lavagem das mãos com a marca LifeBuoy. São pequenos gestos no dia a dia que nós criamos debate com as nossas marcas e ouvimos as pessoas que fazem individualmente ou com as suas famílias que geral transformações. A marca Unilever se tornou hoje a terceira maior marca no setor de engajamento na rede social, no caso do Facebook e nós te- mos mais de 300 mil fãs. O que não pode também é ignorar a importância de uma comunicação responsável, adequada e direcionada por educação e um grande exemplo, só para fechar, que nós temos no Brasil é o próprio Conar que está aí a mais de 30 anos. Se nós pegarmos o código do Conar ao longo dos anos sofreu várias modificações ou várias atualizações sempre para ex- pressar um novo sentimento ou antecipar um novo comportamento da so- ciedade para se tornar absolutamente contemporâneo e ao mesmo tempo expressar o que é fundamental que é a autorregulação que é aquela que real- mente faz a diferença, não a proibição.”  Luiz Carlos Dutra, Vice-presidente corporativo da Unilever para América Latina e  “Sou colunista do jornal Folha de S. Paulo, inclusive na minha coluna já tive a oportunidade de discutir várias vezes o tema da propaganda, da publicidade e das várias tentativas de controle que o governo faz de vez em quando ou quaisquer outros setores associados ao governo tentando estabelecer algum tipo de controle sobre a publicidade. A minha posição é sempre a mesma, a democracia é um regime que não se caracteriza unicamente pelo voto, a de- mocracia se caracteriza pelo que se chama de filosofia política. Pesos e contra pesos da democracia e esses pesos e contra pesos um dos essenciais é a exis- tência da mídia livre. No caso da publicidade infantil especificamente, assim como de qualquer outro tipo de publicidade, eu continuo pensando que qual- quer forma de regulamentação deve ficar a cargo do sociedade civil, do mer- cado, das agências de publicidade, dos anunciantes, porque aí você tem, na L
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 113 “Eu acho que a televisão até por causa da ação de órgãos como o Conar, ela já é muito protegida e para a criança está se tornando cada vez mais irrelevante.” Luli Radfahrer Professor da ECA/ USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo) Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 114 realidade, você temuma espécie de grande assembleia de pessoas que en- tendem do assunto. Outra coisa importante é acabar com essa história de achar que o publicitário é um bandido ou um parente próximo do bandido, que faz publicidade porque quer destruir o mundo. É necessário se entender que sem a publicidade e a propaganda o mundo não existe de certa forma, porque ela mobiliza desejos, ela ajuda as pessoas a tomarem decisões, elas de certa forma educa a pessoa para conviver numa sociedade avançada de mer- cado onde ela tem que tomar decisão o tempo inteiro. Fala-se que as crianças devem crescer num ambiente estimulante, que as crianças devem aprender a lidar com a realidade, que a criança deve ser educada a tomar decisões. A ideia de que a publicidade simplesmente faz de você uma espécie de macaco repetidor é uma ideia muito antiga de publicidade. A modernidade, a história da modernidade está intimamente associada com a possibilidade de você ver as ofertas do que existe no mundo e aprender a lidar com essas ofertas. Nessa medida a publicidade infantil, ainda que ela tenha risco como qualquer ativi- dade de mídia, esse risco deve ser trabalhado pelos profissionais de publicida- de, porque inclusive se você retira a publicidade infantil do ar e das televisões e redes sociais, onde vai parar a programação infantil? O que sempre me cha- ma a atenção nessas pessoas que tem um impulso, que na realidade me pare- ce uma espécie de impulso fascista, é interessante porque hoje existe um tipo de fascismo que se acha que é do bem, controlar as crianças e as pessoas, pa- ra fazer com que elas sejam do jeito que essas três ou quatro pessoas acham que elas devem ser. A publicidade e a propaganda, ela instrumentaliza, ela manipula toda uma gama de capital, de trabalho, de pensamento, de reflexão sobre a sociedade, sobre os hábitos, sobre os costumes, e eu vejo a tentativa de tirar a publicidade infantil do ar simplesmente como uma forma de proibir brinquedo, ou então aquele tipo de dizer que a gente só vai fazer brinquedo educacional, que normalmente corre-se o risco de fazer brinquedo chato que a criança não gosta. Então eu sou radicalmente contra qualquer lei que tente retirar a publicidade infantil do ar ou qualquer tipo de publicidade e acho que isso deve ser, refletir sobre a publicidade, deve ser objeto dos especialistas no assunto.”  Luiz Felipe Pondé, Filosofo e professor da PUC e FAAP e  L
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 115 “O nosso mercado tem o Conar, a Abap, tem a ABA. A gente tem uma respon- sabilidade muito grande, mas a gente tem que ter a consciência de que a pu- blicidade tem um papel importante na sociedade e criou um instrumento on- de publicitários discutem ética e discutem a correção, porque educação a gente dá em casa. Eu não acho que a gente pode culpar ou vilanizar a publici- dade sobre tudo, sobre todas as coisas. A maior liberdade que um ser humano pode ter, e é isso que eu procuro fazer com os meus filhos, é dar a eles consci- ência para que eles possam escolher. E eu entendo a publicidade dessa ma- neira. É claro que a publicidade está aí para vender, para gerar interesse, nin- guém tem vergonha de falar isso, não é ruim. Pelo contrário, a publicidade está aí para educar também. Como em qualquer segmento, tem gente que passa do ponto, tem gente que acerta o ponto, mas o mais importante é que é um segmento maduro no Brasil, a publicidade brasileira tem um papel impor- tantíssimo dentro do cenário global, e que talvez seja um mercado mais ma- duro sobre o ponto de vista de consciência de órgão reguladores dentro do próprio mercado. Então eu acho que a gente tem que respeitar e entender que esse mercado é maduro, mas a grande mensagem aqui, além de respeitar qualquer decisão destes órgãos, Conar, temos o CEMP, ABAP, ABA, enfim, é entender que o mais importante é ter discussão correta, que é sobre a educa- ção que você dá em casa para poder ter a liberdade de escolha, para ter a consciência das consequências daquilo que você faz. E se existir um exagero, corrija esse exagero. Que não se puna o mercado, ou se tenha uma visão de- turpada sobre o assunto, porque a influência boa ou má não vem da publici- dade, vêm de tudo. Hoje a gente vive num mundo onde qualquer um gera conteúdo, qualquer um coloca uma mensagem, qualquer um divulga e que bom que a gente tem órgãos que controlam, órgãos reguladores.”  Luiz Fernando Musa, CEO da Ogilvy e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 116 “A questão dapublicidade infantil merece uma reflexão. É fato que abolir a publicidade infantil isto seria uma barbaridade. O público infantil é um públi- co consumidor e isso não é mal em si mesmo. O que se precisa é verificar se as regras para esta publicidade estão atendendo os interesses da sociedade, os interesses de proteção dela, desta camada da sociedade a quem se destina essa publicidade infantil, jovens, as crianças. Assim sendo a OAB se posiciona mais uma vez o palco desses debates, abrindo suas portas para que se os vá- rios setores da sociedade, o setor inclusive de publicidade, e os próprios re- presentantes dos interesses das crianças possam vir debater, se as regras que temos são suficientes, se precisamos aperfeiçoá-las, se a tendência seria proi- bir completamente a publicidade infantil e que de pronto já entendemos que não seria o caminho mais adequado e, nessa esteira, insistir para que tivésse- mos também a participação dos adultos, das famílias. Não se pode atribuir a responsabilidade total do que temos nos meios de comunicação e aí precisa- mos também avançar e pensar em toda essa web, exclusivamente a setores e a terceiros. É responsabilidade sim da família examinar o que acontece para que as crianças que estão sobre sua responsabilidade. Acredito que se nós trabalharmos um grau de conscientização e debatermos profundamente es- se tema, teremos dias onde os riscos que eventualmente hoje se apresentam, no futuro, estarão superados.”  Luiz Flávio D'Urso, Presidente da OAB-São Paulo e  L
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 117 “Muito mais do que falar para a criança que uma publicidade é enganosa, é interessante assumir uma postura. Se você deixar de comprar um produto porque você está se sentindo agredido pela publicidade, você vai conseguir passar o seu recado para o publicitário também.” Maggi Krause diretora de redação da revista Nova Escola Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 118 A educação dascrianças não é um problema só do Estado. O melhor cami- nho não é a simples tutela, a simples e pura proibição. A educação das crian- ças, e eu digo isso até como pai, é um problema de cada um de nós, é um pro- blema que deve ser compartilhado e debatido pela sociedade brasileira em todas as suas classes sociais, considerando que hoje é impossível tapar o Sol com a peneira, porque todos nós, repito e reitero, estamos expostos à mídia o tempo todo. Para nós da Abap é muito importante nós começarmos esse mo- vimento no debate aberto com a sociedade brasileira. Nós entendemos que o Brasil optou por viver na livre inciativa, numa sociedade democrática. Nós en- tendemos que somos todos responsáveis porque talvez o caminho que pare- ça ser o mais simples e puro seja a proibição simples. Acontece que a tutela do Estado não pode substituir o amadurecimento da sociedade brasileira. Nós vivemos uma mobilidade social ímpar nesse momento no Brasil. Nós vemos integrantes das novas classes que estão emergindo no consumo, como as classes C, D e E, muito preocupadas com a educação de seus filhos, extrema- mente preocupadas com o futuro de seus filhos, investindo boa parte de suas rendas na formação universitária de seus filhos. Hoje, sinceramente, na era da tecnologia da informação, é muito difícil proibir o acesso. O melhor caminho é a evolução desse debate , é o compartilhamento de toda a sociedade brasi- leira de como os pais podem educar e preparar melhor os seus filhos, como nós podemos discutir essa nova sociedade e essa nova forma de produção e consumo que muitos de nós queremos. Luiz Lara, Presidente da Abap e  “Sobre a proibição da publicidade infantil na televisão, eu acho que não deve proibir. Já existem órgãos que controlam essa publicidade e o que vai influen- ciar na vida da criança na verdade é a educação que os pais dão a ela. Então a questão de persuadir os pais com relação a isso depende só deles, indepen- dente da proibição dessa publicidade ou não, não tem muito nexo nisso. O que depende mesmo é a educação que os pais dão para essa criança.”  Luiza Antonieta Gasparino, Enfermeira e  L
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 119 “Eu acho que a televisão até por causa da ação de órgãos como o Conar, ela já é muito protegida e para a criança está se tornando cada vez mais irrelevante. Meu nome é Luli Radfahrer, eu sou professor de comunicação digital aqui na ECA USP e também colunista de novas tecnologias na Folha de S.Paulo. Eu acho que essa discussão ela é anacrônica, ela é completamente fora de pro- pósito, porque a televisão ela já não é mais tão importante. Muitos publicitá- rios adorariam que a televisão tivesse o glamour, tivesse a importância que ela teve nos anos 70, mas hoje, honestamente, ninguém mais se lembra de um comercial que passou na televisão até porque pouquíssimos, principal- mente entre as crianças assistem televisão. Então boa parte deles está nas no- vas mídias, boa parte deles está no Facebook, boa parte deles está no Google, boa parte deles está no YouTube e em uma série de outros produtos como o Club Penguim que ocupam muito mais da atenção e por tanto do share of mind e do tempo de uso dessa criança do que na TV. Então eu acho que é im- portante ampliar essa discussão e tirar um pouco da importância que ela tem no veto sobre a TV que ele vai ser completamente inócuo. Até a gente pode fazer um paralelo da guerra as drogas, a guerra às drogas ela faz tanto baru- lho, ela chama tanta atenção para a proibição das drogas que ela se torna completamente ineficaz, boa parte das vezes o consumo de droga é igual ou maior depois de toda uma campanha de guerra às drogas na TV. Então acre- dito o seguinte, se a intenção é nobre, essa discussão tem que ser ampliada e eu acho que a arena da televisão é uma arena pequena demais para isso, prin- cipalmente para o público infantil.”  Luli Radfahrer, Professor da ECA/USP e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 120 “A ideia dospais, aliás uma ideia contemporânea de que a criança vive dentro de um castelo, como um pequeno monarca protegida do mundo, foi uma coisa que aconteceu no pós guerra até agora. Até a década de 50, a criança brincava e corria na rua em cidades menores. Até a década de 80, 90 a criança corria e brincava na rua. Hoje em dias as redes sociais são as novas ruas. En- tão uma criança mesmo que ela esteja exposta à comunicação dos pais e da escola, ela esta exposta a isso em redes, em pequenos jogos como Angry Bir- ds, como Club Penguim, como os vários ambientes de jogos do Facebook e outras redes como o Instagram. Eu acho que se o pai quer preparar a criança para o mundo, ele tem que colocar a criança no mundo e ele tem que ir com a criança onde ela está. Não adianta tentar plastificar a criança porque ele não tem tempo para lidar com ela. Quer dizer a criança está livre, ela está aberta a um contato com outras pessoas e você, pai, vai ter que arranjar tempo para ficar com ela. Ela vai procurar o acesso online porque ela vai procurar os ami- gos. Eu acho que a publicidade na televisão, ela é uma publicidade de que es- timula fantasias, estimula a criança a brincar, não leva necessariamente a compra deste ou outro produto. Eu acho que nesse ponto de novo a internet muito mais assertiva e muito mais direta. Eu escrevo o nome de uma boneca no Google e ai qualquer criança sabe fazer isso, a resposta que vai cair ali vai ser a reposta de uma página que vai estar realmente malhando e dizendo que aquela é a melhor boneca do mundo. Se eu procuro isso no Facebook vai cair na página dessa boneca no Facebook que é muito mais assertiva e pega a criança num momento de fragilidade.” Luli Radfahrer, Professor da ECA/USP e  “Eu tenho uma filha de 22 anos e um de 18. Eu não tenho nada contra a pro- paganda, pelo contrário, acho que estimula a criança a entender um monte de coisa. Acho que não tem que ser proibido não, porque a proibição tem que ser em casa, a educação em casa, você educa a criança em casa. Não é a pro- paganda que vai fazer a criança ser consumista ou não.”  Madiana Jaques Alves, Secretária e  L M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 121 “Os pais têm que entender que não é a publicidade que faz o filho deles querer tudo. É sim o pai e a mãe não estando junto com o filho e explicando tudo que aquilo que ele está vendo, tanto na TV como com o amiguinho. Só assim ele vai aprender a ter um comportamento de consumo coerente.” Maria Irene Maluf ex-presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia J.R.Duran
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 122 “Eu concordo coma publicidade dirigida ao público infantil, desde que esta não machuque os valores infantis, desde que os pais e integridade das crian- ças e toda gente que pais, que publicitário, marketeiros, todos nós devemos ser responsáveis, mas acho que não se deve proibir esse publicidade, uma fonte de informação até para os pais também e crianças, portanto sou contra a lei de proibir a publicidade infantil, mas repito, com toda a integridade e res- ponsabilidade moral que as crianças merecem e merecem o nosso respeito.”  Magda Vera Guimarães Amaral, Diretora de Marketing e  “Além de estar em casa ao lado dos filhos assistindo a TV, às vezes chama a atenção algumas publicidades que têm um conteúdo que não combina com os valores da família, então assim, muito mais do que falar para a criança que uma publicidade é agressiva que é enganosa, é interessante você também as- sumir uma postura, quando você está no supermercado com eles dizer, “eu não vou comprar esse produto, porque esse produto eu vi em uma publicida- de que não era bacana, a publicidade trazia valores ruins, mensagem ruim, eu vou deixar de comprar esse produto por isso e por isso”, explicar isso para a criança. Então eu acho que você consegue criar muito mais um senso crítico, você consegue criar uma postura crítica e não comprando. Acho que assim como os jornalistas os publicitários têm um grande poder na mão de comu- nicar mensagens que podem ser superpositivas e também levar a mensagens enganosas e abusivas que é isso que a gente não quer. Em outros países co- mo a França por exemplo, os boicotes são super comuns porque as pessoas se sentem agredidas por aquela mensagem e decidem “vamos boicotar”, e o produto fica encalhado na gôndola do supermercado, é comum isso lá, muito comum isso lá. Aqui no Brasil as pessoas têm pouco senso critico e esquecem rápido, vão no supermercado e compram o que querem e deixam a criança escolher o que quiser. Eu acho interessante dar limites e falar assim, “ isso eu não posso levar, eu não quero levar, isso eu não vou levar porque a publicida- de me agrediu. E se você deixar de comprar um produto porque você está se sentindo agredido por aquela publicidade, por aquela mensagem você vai conseguir passar o seu recado para o publicitário também. Acho que os edu- cadores se quiserem até trazer para a sala de aula as discussões sobre a publi- cidade, mostrando que existem mensagens que são positivas que estimulam M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 123 o cuidado com o meio ambiente, a sustentabilidade, descarte correto das em- balagens, mas também existe publicidade abusiva e enganosa, então além se estimular esse senso crítico nas crianças, também é interessante falar para eles que eles têm o poder, eles podem consumir ou não o produto e isso de- pende deles, então eles vão fazer o juízo de valor sobre as mensagens e de- pois vão decidir se compram ou não. Eu acho que os alunos também vão se sentir empoderados, vão se sentir diferentes e eu acho que cabe aos profes- sores também mostrar para eles a diferença entre a publicidade que tá pas- sando bons valores e maus valores”. Maggi Krause, Diretora de redação da revista Nova Escola e  “Propaganda tem que existir, ela é o marketing de uma empresa. Só cabe aos pais orientar isso e dar limite para as crianças, porque elas sabem o que deve ser comprado ou não. Os pais têm que estar do lado e fazer isso com esse controle. Agora, a propaganda é muito importante, isso tem que existir, não pode ser barrado de forma alguma.”  Mara Relva dos Santos, Secretária e  “Sou contra a proibição da publicidade infantil, porque eu acho que são os pais que devem educar os filhos, dizendo a eles aquilo que pode e o que não pode. A minha filha eu criei assim. Ela sempre assistiu programas, as propa- gandas e nunca me deu problema, porque eu sempre soube explicar para ela o que podia e o que não podia.”  Marcelina Catarina Vidal Coelho, Auxiliar de Ateliê e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 124 “Eu sou afavor da publicidade infantil desde que ela seja feita com responsa- bilidade, talvez com algumas regulamentações devidas porque a propaganda deve existir, não só para os adultos, mas também para as crianças e idosos. Então proibir a propaganda infantil eu sou contra.”  Marcelo Assumpção, Bancário e  “Eu acho uma tragédia a proibição, justamente porque a gente está falando de um exercício democrático da discussão, mas também acho que não preci- sa primeiro avacalhar para depois discutir, eu acho que existem algumas re- gras e que são regras que podem ser discutidas anteriormente por uma rede multidisciplinar não só de publicitários ou investidores que vão vender seus produtos e que pense a respeito da linguagem que vamos nos comunicar. Meu trabalho em algumas empresas é exatamente pensando nisso, as em- presas me chamam e falam “quero vender tal produto”, e eu os ajudo a pensar nessa linguagem, para que criança vocês querem vender? Que linguagem vocês pensaram em usar? Essa linguagem é muito estereotipada vamos pen- sar no futuro dessas crianças, vamos pensar nas famílias escutando essa lin- guagem que vocês escolheram, vamos pensar em como criamos a imagem do produto, levando em conta lógico o desenvolvimento infantil, levando em conta todas as percepções a respeito da infância. Então eu acho que proibir não é, mas a gente precisava regular com uma rede multidisciplinar pensan- do nos aspectos sociais, psicológicos, financeiros porque não. Algumas em- presas já tomaram consciência um pouco disso tanto que me chamaram pa- ra fazer, e eu acho muito interessante que eles tenham chamado o professor, um educador para falar a respeito da infância para ajudá-los a construírem essa imagem da infância e não outro publicitário. Tinham todas essas figuras lá, mas ter a figura do educador como alguém que avaliza a campanha, va- mos dizer assim, eu acho absolutamente louvável inclusive para nós educa- dores, para a profissão de professor, educador. Então eu acho que proibir me dá medo, pedagogicamente vamos dizer assim, acho que proibir o que diz respeito as questões pedagógicas, a educação, não é o melhor caminho”. Marcelo Cunha Bueno, Colunista da revista Crescer e  M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 125 “Proteger uma criança é oferecer a ela critério de escolha, não é retirá-la de um ambiente. Alguns pais acham que se eles deixarem os filhos em casa sem TV ligada, sem internet, sem acesso às redes sociais eles ficarão protegidos. Eles ficarão isolados e se há alguma coisa que deseduca é o isolamento.” Mario Sergio Cortella professor de educação da PUC-SP e mestre em filosofia. Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 126 Muito se falaque a propaganda brasileira é uma das melhores do mundo, por cau- sa dos prêmios, pelo reconhecimento, pela criatividade. Agora é importante dizer aqui que a propaganda brasileira é uma das melhores do mundo porque ela é uma das poucas que têm um sistema de autocensura que já está estabelecido há muito tempo, que é o controle feito pelo Conar, que é feito pela própria sociedade, pelos próprios publicitários, pela sociedade em geral, por todo mundo que tem no Conar uma fantástica ferramenta de controle e de controlar os abusos. Eu acho que uma sociedade só é madura quando ela tem a capacidade de se auto gerir e ela não precisa de uma tutela, nem do estado, nem de uma parcela da sociedade. Essa ne- cessidade de tutela, de cima para baixo, paternalista, faz parte de um Brasil antigo, não do Brasil moderno. O Brasil moderno, uma sociedade moderna como a brasi- leira, tem que ser capaz de os seus pais, as pessoas envolvidas, todas as pessoas envolvidas de discutirem e melhor gerirem as necessidades que a sociedade tem. No caso específico da propaganda infantil, eu como pai, sou pai de três filhas e es- tou esperando mais um filho agora, eu tenho a capacidade, fui educado para edu- car os meus filhos. Não quero e não admito que o governo ou uma parcela da so- ciedade, eu não responsabilizo e nem entrego a tutela dos meus filhos para nin- guém, eu sou responsável por ela. Então eu acho que o Brasil moderno não precisa de tutela e acho que o Brasil moderno é diverso, ele tem opiniões distintas, dife- rentes, o que é certo para mim pode ser errado para outra pessoa. Então nós temos que conversar, sentar juntos e descobrir qual é o denominador comum onde nós podemos chegar a uma conclusão. O radicalismo não leva a lugar nenhum. Eu acho que o publicitário, quando cria, ele tem dentro de si um pai, um marido, uma pessoa responsável. Não tem como evitar isso. As pessoas podem imaginar que publicitários não tenham filhos, que quem cria a propaganda infantil é um irres- ponsável, um louco, um desvairado que cria conteúdos perninciosos para as crian- ças do Brasil. Não é assim, eu sou pai e aqui na criação, por exemplo na Almap, eu acho que 80% das pessoas tem filhos e trabalham com filhos, então o bom senso faz parte disso. Além do bom senso, porque confiar apenas no bom senso pode ser perigoso, há uma série de regras já institucionalizadas dentro do mercado pelo Conar e essas regras mudam dia a dia, elas evoluem de acordo com a necessidade da sociedade, que impedem uma série de coisas na propaganda, não só a infantil como a propaganda geral. E esses impedimentos foram acordados pela sociedade e nós, publicitários, somos obrigados a repeitá-los. Marcello Serpa, Sócio-presidente e diretor de criação da AlmapBBDO e  M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 127 “Eu sou mãe de dois filhos, avó do Miguelzinho de 5 anos e sempre eduquei os meus filhos assim vendo televisão, vendo propaganda. É normal que crian- ça peça mesmo, mas a gente tem que orientar, falar que agora eu não posso, não tenho dinheiro. Conversar, conversar e instruir bastante, porque se eles não veem na televisão eles vão ver na rua, vão ver num jornal, numa revista. Então é conversando, orientando, sabendo explicar tudo direitinho que a gente consegue as coisas com as crianças.”  Marcia Bersi, Secretária e  ““Eu acredito que a publicidade infantil nunca atrapalhou em nada no desen- volvimento dos meus filhos. Eu acho que os pais é que sabem o que devem deixar ou não os filhos assistirem e no meu caso sempre foi ótimo, inclusive a gente acompanha junto e sabe o que eles estão vendo. Então eu sou a favor de que continue sim.”  Marcia Martinelli, Pedagoga e  “A publicidade tem uma força muito grande, ela é muito poderosa em todos os públicos, não só o infantil, mas o adulto também. Portanto, ela tem um pa- pel, uma responsabilidade e um dever de educar e mudar a sociedade para melhor. Todos os públicos são influenciados pela força da comunicação, ela tem que ser responsável, educar, passar bons conceitos e é muito importante que a gente não cerceie a liberdade da publicidade, devemos sim cobrar dela a enorme responsabilidade e força que ela tem. Essas coisas podem caminhar juntas muito bem, não há nenhuma incompatibilidade em juntar força, influ- ência e dever de ser responsável com a informação que é passada, seja para crianças ou adultos.”  Márcia Vilela Neder, Diretora do núcleo de saúde, beleza e bem-estar da Editora Abril e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 128 “A propaganda infantil,ela deveria passar também nos horário nobres, onde pais e mães estão em casa que poderiam opinar sobre os brinquedos ou os produtos para alimentação. Não só nos horários infantis, onde às vezes a gen- te até desconhece em determinado momento o que a criança está falando, porque não passa nos nossos horários.”  Márcio Naur Bonifácio, Corretor e  “No fundo, banir, tirar, simplesmente dizer não para qualquer tipo de comunica- ção é você tirar o poder que a gente tem de juntos ajudar as pessoas a criar um critério de escolha do que elas querem ou não fazer, e um critério de não consu- mir. A gente é cúmplice, a gente é responsável, a gente tem uma série de obriga- ções não só com o que a gente vende para os nossos clientes, mas com o efeito disso na vida deles. Então tudo o que a gente comunica, a gente tem a responsa- bilidade sobre isso depois. E como responsáveis, a gente tem a obrigação de en- tender se isso tem um efeito ruim na vida das pessoas, sejam elas crianças, idosos, jovens, não importa. No caso específico das minhas filhas Maria Luiza e Isabella, eu sou duplamente responsável, porque eu sou responsável da minha vida em casa. Então se aqui eu posso contar com o Conar por exemplo, que autorregula há anos e muito bem, eu tenho que ser o meu próprio Conar em casa, e o meu próprio Conar, ao aprovar, ao levar uma ideia para o cliente que eu sei que vai ter influência na vida da minha filha. Então eu jamais levaria algo que fosse impossí- vel ou que prejudicasse a vida delas, eu jamais levaria. Se a gente acha que a tele- visão é o que tem que ser banido porque é o que atinge maior número de pesso- as, eu queria colocar um ponto que hoje mais de 80 milhões de pessoas acessam a internet. Existem 90 mil lan houses no Brasil em que as pessoas acessam, smar- tphones tem mais do que linha fixa. Então a mensagem se é ruim, vai chegar de qualquer jeito para o seu filho, para o jovem, para o idoso e não é você que vai proibir. Como profissional eu tenho uma responsabilidade clara de orientar o conteúdo que vai ser digerido pelo público que vai consumir ou vai receber a co- municação. Então eu estou aqui e tenho obrigação de falar com o meu cliente so- bre o que ele vai querer comunicar, se isso pode ser abusivo ou não, se pode ser apelativo ou não, o que for. Nesse caso, eu estou agindo como profissional, mas eu não consigo me separar do pai de gêmeas. Portanto eu já coloco aqui como imput, como responsável que sou dos meu filhos, eu já coloco dentro das reuni- M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 129 “A proibição é sempre um palavrão, ela tira a sua possibilidade de argumentar, de dialogar, de falar, de passar suas ideias, de discutir e de aprender com o outro lado” Maurício de Sousa Criador da Turma da Mônica Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 130 ões que euparticipo, dentro das minhas conversas com o cliente, o que eu acho que duas crianças podem receber como comunicação e como conteúdo, eu te- nho que colocar isso. E em casa, como a gente não controla tudo, como a gente acredita na autorregulamentação, eu oriento elas, e é meu papel orientar, porque eu sou pai, eu sou responsável por elas, o que é essa distinção entre o que é ape- lativo e o que não é. E eu não estou falando da televisão, estou falando de toda e qualquer comunicação que elas recebam.”  Márcio Oliveira, Vice-presidente da Lew/Lara e  “A respeito da publicidade sobre propaganda infantil, eu não sou contra pelo fato de que seja com bastante responsabilidade e educativa. Eu com minha filha quando era pequena, eu sempre assisti com ela o que ela estava assistin- do e acompanhei o crescimento dela juntamente com programas educati- vos. Eu sou a favor de propagandas e da educação.”  Maria Angélica Rocha Prieto, Autônoma e  “Eu sou a favor da orientação da publicidade infantil, eu não sou contra. Eu acho que tudo tem que ser em harmonia, porque nós vivemos em um mundo que tudo anda junto, não tem jeito de separar. Cabe aos meios de comunica- ção fazer uma propaganda sensata, coerente, educativa também e aos pais, educadores, escola, fazer um trabalho de complementação mostrando para as crianças que as coisas existem, mas que tem os efeitos bons e tem os efei- tos ruins, e eu sou responsável pelas minhas escolhas.”  Maria Aparecida da Silva Teixeira, Orientadora Educacional e  M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 131 “Publicidade é tudo de bom, independente se ela está na TV, ou mídia impres- sa. O que faz a criança cobrar, pedir num ponto de venda aquele tal produto que está na mídia, não é porque ele está na mídia, é porque ele viu na mão de algum coleguinha, ou na escolinha, ou de um primo, ou no mercado que foi com a mãe fazer uma compra. Eu tiro isso pelo meu filho, meu filho nem era muito de ficar na frente da TV, porque ele ficava mais no videogame, e quan- do eu ia fazer compra ele tinha já a comprinha dele, à parte. E aonde é que ele via aquilo? Na mão de amiguinho, na escolinha, na escolinha de futebol ou na escolinha de natação. Então a mídia não interfere, porque desde pequeno eu eduquei ele assim. Ele vai, ele tem um limite, “filho, você pode pegar três coi- sas”, então ele ia escolher dentro das três coisas o que ele queria mais ali, e ele nunca deu show em ponto de venda. Tipo, sabe aquelas crianças birrentas? Que chega esperneia, “ai, eu quero, eu quero, eu quero” e o pai e a mãe vai lá e compra, não. Desde pequeno antes de sair de casa eu já falo “é assim, assim, assado, desse jeito, tudo bem?”, “tudo bem”. Foi assim que eu criei ele hoje e é assim que ele está fazendo com a minha neta, que eu tenho uma neta de um ano e meio.”  Maria Bezerra, Supervidora de Vendas e  “A publicidade infantil é importante, porque a criança tem que se inserir no mundo atual. Ela tem que entender que ela pode consumir e que ela é impor- tante no mundo. Portanto, não deve haver proibição. O que deve ter é uma propaganda bem feita que saiba colocar a criança no mundo dela, não pas- sando da idade e de limites. É muito importante haver propagandas para crianças, desde fralda, roupa e alimento.”  Maria Cristina Carrasco, Professora e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 132 “Eu acho queé besteira (a proibição da publicidade infantil) porque hoje em dias as crianças já têm opinião própria, e já sabem entender e compreender quando o pai pode ou não pode. Porque quando eu fui criança também tive dificuldade na família, não tinha brinquedo e assistia programa, que tinha in- formação que você, no programa da Xuxa que tinha um café da manhã mara- vilhoso cheio de coisas gostosas e eu tinha a consciência que a minha família não podia comprar. Então eu acho que é besteira, o governo deveria cuidar de outras coisas, porque os pais sabem o que a criança pode ou não pode e sabe instruir os filhos. Se fosse antigamente tudo bem, mas hoje as crianças são mais abertas, já têm mais informações, a internet, não vai incomodar tan- to os pais. Eu acho que é besteira, acho que é até legal propaganda infantil, até a opinião delas do que ela quer ou não quer. Escolher o brinquedo que ela quer ou não quer. É um direito da criança.”  Maria Cristina de Oliveira, Organizadora de Eventos e  “A publicidade não tem nada a ver com o consumo, porque são os pais que levam as crianças a consumirem e não a sociedade, a sociedade não tem na- da a ver com isso. Quem tem que educar seus filhos são os pais, ou seja, quem vai ao supermercado fazer compras são os pais e não as crianças. Estou com a minha sobrinha aqui hoje mesmo, saímos desde cedo, ela já pediu diversas coisas e eu disse não. Então, não é a publicidade, não é o governo, o governo não tem nada a ver com isso, e sim os pais.”  Maria das Graças Oliveira, Enfermeira e  “Eu sou contra qualquer proibição, principalmente da publicidade para a criança. Quem determina o que meu filho deve assistir ou deve ler, sou eu, a mãe, o pai e não o governo. O governo somos nós. Se nós votamos para esse governo ele tem que ser democrático e ele está aí para nos servir e não para proibir. Se ele pensa em proibir alguma coisa, primeiro ele deve consultar o povo, o plebiscito está aí para isso. Eu sempre quero votar.”  Maria de Fátima Machado Prates, Bancária e  M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 133 F “Tudo aquilo que for um proibicionismo relacionado à publicidade corre o risco de ser uma medida autoritária e que não traz benefício às pessoas.” Mauro Gomes Aranha Vice-presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 134 “Você dificilmente vaiter pela televisão um grande choque de novidades, en- tão o desejo real, a briga real está no vizinho. Então não adianta mais dizer que a mídia é culpada, a televisão é culpada, ou a publicidade é culpada pelo fato de que nossos filhos estão se tornando consumistas. Acho que talvez nos devêssemos refletir uma postura anterior ao que a gente tem de falar assim “Ah o meu filho não mente, o meu filho é ótimo, são as más companhias que estão levando ele para esse caminho”. Não na verdade não são as más com- panhias, é porque o seu filho não está sendo suficientemente forte ou sufi- cientemente capaz de refletir sobre o que os outros falam, porque ele não es- tá tendo argumentação pessoal, porque ele ainda é pequeno e precisa de pai e mãe para o ajudarem a refletir sobre as coisas, eles precisam desses tutores, que são os tutores naturais para ele poder refletir sobre um monte de coisas. Também acontece isso em relação ao que ele vê na internet, o que ele vê nas revistas, o que ele vê na televisão, as publicidades, também vê no shopping, nas ruas, nas lojas, enfim, ele tem que ter um discernimento que ele só vai ter no momento em que for amadurecendo, compreendendo do que é que se trata aquelas coisas, do que se tratam aqueles estímulos e o que é bom para ele ou não. Agora, isso a gente só aprende na prática, não tem nenhum livro que você vá ler para o seu filho todos os dias à noite e que ele vai aprender, não, ele só vai aprender se você sentar no sofá com ele e assistir uma propa- ganda e falar “meu filho o que você vai fazer com esse pônei de um metro e vinte de altura que se mexe sozinho e é um brinquedo e daqui há seis meses não vai estar mais funcionando, e que graça tem ter um pônei que chacoalha, que se mexe mas você não vai poder andar nele, ou para que serve esse tren- zinho, para que serve esse novo tênis, ou para que serve tudo isso se você já tem um muito parecido em casa, para que serve você ter cinco celulares se o que você tem ainda tá funcionando e ainda tá ótimo, vamos pensar em uma outra coisa quando houver a oportunidade, quando for seu aniversário?” En- sinar a criança a raciocinar o que é aquilo realmente que ela quer, será que aquilo que ela quer é realmente aquilo que ela deseja, será que ela precisa da- quilo, será que aquilo vai fazer ela mais feliz? Isso a gente aprende no dia a dia, com experiência e errando também, e os pais tem que entender que o feijão não é culpado pelo fome, não é a publicidade que faz o filho dele querer tudo, “eu quero, eu quero, eu quero”, é o pai e a mãe que não estando junto com o filho, não explicando para ele a cada momento que aquilo que ele tá vendo que tá chamando tanto a atenção dele, tanto na TV quanto no amiguinho M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 135 que ele vai aprender a ter um comportamento de consumo coerente cons- ciente”. Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005 a 2007) e  “O meu filho só compra se eu pagar, portanto se eu falar para meu filho, “não, agora não é hora”, “não, mais tarde eu vou pensar nisso”, “quando for seu ani- versário talvez a gente volte a falar nisso”, com certeza uma série enorme de outras coisas já terão ocupado o lugar daquela. O desejo da criança já vai ter mudado de lugar e vai ser uma ótima ocasião dos pais falarem “você se lembra há três meses atrás que você me pediu um tênis tal, hoje não é mais aquele tê- nis que você quer, pensou se eu tivesse comprado? Então é ir ensinando aos pouquinhos na realidade o que acontece e nunca dizer a propaganda é quem faz com que eu compre porque meu filho fica o tempo todo pedindo. Bom eu estou mais preocupada com o bem estar, com a educação que eu estou dando para o meu filho, ou como os meus amigos, os meus vizinhos vão falar o que eu dou ou não dou para o meu filho. Eu tenho que pensar também minha postura como pai, como mãe, e essas questões também eu vejo muito ligada a alguns grupos que falam que a publicidade é que faz tudo isso, que as crianças serem consumistas é culpa do excessivo apelo do mercado, oras vejam bem, esse é o mundo em que vivemos, o mundo globalizado, se ela não vai olhar na televisão ela vai olhar na internet ou nós vamos desligar a internet também? Ou ela não vai mais no cinema? Ou ela não vai mais ver novela? Ou vai ver propaganda pa- ra adulto, vai querer comprar o sapato e a bolsa que esta sendo divulgado, o shampoo que está sendo divulgado para a mãe. Sim porque ela vai ver televi- são, ninguém vai desligar a televisão o dia inteiro. E também por outro lado ela não vai deixar de ver as outras pessoas, e as outras pessoas têm acesso a inter- net, ela tem um pai que desliga a internet, desliga a televisão, e ainda que o pai pertença aquele grupo de pessoas que acham que podem viver longe do mun- do de consumo, apesar que moram num mundo de consumo, eles querem ilhar os filhos, eles têm que pensar que tipo de preparo estão dando para os fi- lhos para o dia em que eles não estiverem mais presentes, porque a gente não educa para hoje, nem para o momento em que a gente está presente com o fi- lho, educação é justamente você educar, criar hábitos, costumes valores, arrai-
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 136 gar esses costumesesses comportamentos do teu filho para o momento em que você não estiver presente ele continuar agindo como você acha que você ensinou, ou que você pretende ensinar, ou como você gostaria de vê-lo agir. Não adianta nada eu falar para o meu filho “olha você não pode roubar e eu fi- car o tempo todo tomando conta da mãozinha dele, ai eu viro as costas ele vai lá e rouba, porque eu não trouxe para ele valores reais, também não adianta nada falar que meu filho rouba pelas más companhias. Não, vamos verificar se são as más companhias que estão na verdade se aproximando de alguém igual, ou se meu filho não está precisando mais da minha orientação, mais que eu conte para ele como é que é mundo onde eu o coloquei e traduza para ele esse mundo e o faça forte para viver dentro desse mundo cheio de apelos, apelos bons e apelos ruins, mas eu que sou a responsável por essa questão, por fazer dele uma pessoa que sabe escolher”. Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005 a 2007) e  “A outra coisa que hoje se impõe a pensar é mudaram as crianças? Será que as crianças deixaram de ser as mesmas crianças? Ou será que mudaram os adultos? Mudou a forma de como os adultos educam os seus filhos. Acho que esse é um ponto importante para a gente pensar, porque se eu estou diante de uma televisão vendo o meu filho e tem uma publicidade, e o meu filho de repente naquela propaganda ele se torna refém daquela produto, se eu falar para ele, “não esse produto não é para a gente, eu não quero te dar isso, eu não posso te dar isso, talvez eu te dê isso um dia”, isso é uma postura de pais reais, de pais que dão o limite, mas até que ponto hoje os pais estão interessa- dos em dar os limites para os filhos? Eu ouço coisas as vezes coisas assim “ah coitadinho ele já vive numa vida tão regrada, tem horário para sair para voltar, escola, todas as aulas particulares disso e aquilo, e ainda vou impor alguma coisa a mais para ele? Que tipo de educação é essa que está se dando né? Isso não é real. Então essa criança que hoje tem pais que não querem lhe dar limi- tes são crianças que são as mesmas que aqueles pais foram, que os avós fo- ram e os bisavós foram, só que os pais, os avós e os bisavós foram adultos di- ferentes que sabiam dizer não que sabiam, ou queriam e faziam quando que- riam justificar a sua decisão, mas as mantinham, mantinham decisões. Hoje os pais dificilmente mantêm decisões, eles acabam se deixando levar pela in- M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 137 “Nós temos liberdade nos veículos, nos seus editoriais, porque nós temos uma publicidade privada. Ou seja, atingir a publicidade é também atingir a democracia.” Milton Monti Deputado federal e presidente da Frente Parlamentar de Comunicação Social Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 138 sistência dos filhose se você quer perder a autoridade eu tenho uma receita superfácil, “diga sim depois de ter dito não”. É uma vez só na vida. Você nunca mais vai ter problema com isso, seu filho para sempre vai saber que ele pode vencer você, que o seu não é uma coisa momentânea Então é uma questão de opção, a educação é uma coisa difícil por conta disso, a gente tem que manter a palavra da gente e as vezes manter a palavra as vezes é muito mais difícil do que a gente pode imaginar a principio”. Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005 a 2007) e  “Entre essas publicidades eu vi algumas quando eu era criança, porque quan- do eu nasci já havia televisão, então o que eu percebo e fico pensando ao lon- go desse trajeto é que antigamente não tinha tantos grupos que analisavam, criticavam sobre o que a publicidade faz com as crianças, então a publicidade corria muito mais solta. Quem me disse que ela era mais ingênua, eu vou di- zer que não ela era tão compromissada com a venda quanto ela é hoje, por- que publicidade sempre foi publicidade ela na verdade sempre teve o mesmo objetivo que é venda, tornar um produto tão sedutor a ponto que você o queira ter, que é o seu desejo. Acontece que como não havia quem criticasse, as pessoas não se colocavam na posição que estão hoje, de achar que ela é ou pode ser a grande vilã da história substituindo o trabalho ou o momento desagradável que eu tenho que ter com o meu filho. A publicidade ela é meio cruel até eu posso dizer essa palavra antigamente, porque com as questões mais ligadas a respeito a criança ou ligada mais a respeito da idade da criança ou as questões ligadas a grupo étnicos ou cor de pele, ou religião, coisas as- sim não eram tão olhadas, tão criticadas tão respeitadas, praticamente tudo podia, então eu ter e você não ter era uma coisa comum, me lembro muito bem disso. Coisas do tipo “você tem que pedir para ao papai também era co- mum, hoje eu não conheço nenhuma publicidade e eu já rodei vários canais, não tem nada similar a isso. Publicidade hoje em dia ela acaba sendo um jogo muito mais limpo, aparentemente a criança tem mais chance de aprender e discernir. Agora uma verdade é clara nenhuma criança nasce sabendo ela precisa de um pai ou de uma mãe para traduzir o mundo onde ela vive”. Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005 a 2007) e  M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 139 “Outra questão também que a gente fica pensando é o quanto se terceiriza a educação das crianças. Hoje a gente arranja profissionais praticamente para tudo e outras pessoas para tudo. Então hoje a escola ela não da mais somente a educação formal, ou seja, ela não apenas transmite ou ajuda a criança a buscar o conhecimento, hoje ela tem que estar mais do que nunca dando al- guns valores para as crianças e dando conhecimentos para as crianças bási- cos e até mesmo de etiqueta. Não é raro você pegar escola hoje em dia que ensina a criança a comer a mesa, uma fato que qualquer uma aprendia com três anos de idade antigamente. Então esse tipo de postura também me pare- ce que leva a mesma situação, eu tenho que arranjar alguém ai que é o culpa- do pelo fato de que eu não consigo brecar os desejos do meu filho, os pedi- dos do meu filho, então vamos lá, ou eu arranjo um profissional que faça isso ou eu arranjo um bode expiatório, no caso a publicidade. Agora a gente sem- pre pergunta, “tá ótimo meu filho não vai ter propaganda para ele, poxa que bom ele não vai ter mesmo, mas também provavelmente ele não vai ter ca- nais infantis”, porque a realidade é uma só, os canais infantis só se mantêm com publicidades feitas em cima de crianças, e isso não é usar crianças, isso é fazer alguma coisa para educar essas crianças para serem consumidoras no futuro. Depende de quem? Dos pais saberem dosar e saberem trabalhar a res- posta dos filhos referente a esses estímulos. Eles nunca vão poder tirar os ba- res que têm nas ruas, não é porque o filho dele passa na porta de um bar que o filho dele será um alcoólatra, porque ele vai mostrar que não é para ter aquele comportamento, então da mesma forma ele vai mostrar que não é pa- ra comprar 50 sandálias coloridas porque ele não tem 50 pés, não é uma cen- topeia exatamente. Então essas coisas pequenas que de fora parecem ser simples, no dia a dia são cansativas e por conta disso as pessoas tendem mes- mo a querer que outros sejam os culpados pela situação e não eles os deten- tores realmente do sim e do ano e portanto do limite. Portanto muitas vezes de queimar o seu filme com os seus filhos de não ficarem tão bonitos e serem tão amados quanto ele seriam se eles falassem sempre “sim sim sim”, ou vir- gula, nem sempre são tão amados porque falam “sim sim sim”. Maria Irene Maluf, Ex-presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (2005 a 2007) e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 140 .“Na minha opinião,a publicidade infantil tem que ser liberada normal. Isso é uma determinação dos educadores das crianças, permitindo o acesso ou não. Mesmo porque eu acho que proibir é subjugar o nível de educação do públi- co brasileiro. Então acredito que o Brasil, o brasileiro em si está em uma fase muito mais evoluída, e que os pais tem condições de discernir o que é bom e o que não é bom. Então eu acho que tem que haver a liberalidade normal, a propaganda deve ser livre mesmo. E cabe a cada um educador a responsabili- dade de permitir esse acesso ou não.” Mário Jorge Muralha, Economista e  “Como nós estamos no mundo em que a publicidade ela é uma parte ineren- te e com as plataformas digitais hoje ela chega com muita velocidade, instan- taneidade, simultaneidade e mobilidade no cotidiano, um pai e uma mãe se- riam tolos se imaginassem que bastaria fechar os olhos em meio a um tiroteio para não ser atingido. Por isso é uma questão a ser enfrentada. Eu não gosto muito da expressão publicidade infantil porque o infantil ai ao aparecer como um adjetivo ela da a impressão que você esta infantilizando a publicidade e ela não é uma publicidade infantil, apenas dirigida à infância. Uma parcela dessa publicidade ela faz com que aja uma deturpação do sentido original da propaganda que é informar, divulgar e claro comercializar um produto, mas de maneira nenhuma pode se alienar, porque todas as vezes que o é, embora seja propaganda, é uma má propaganda. Quando a família, quando ela lida com o mundo que há uma serie de demandas, ela precisa muita cautela para não fazer com que a criança fique solta nesse mundo sem uma orientação. Esse orientar significa que a família precisa sim prestar atenção a aquilo que a criança esta exposta, não para impedir que ela tenha qualquer exposição, mas para fazer com que essa exposição seja crivada por reflexões, por condutas e ao mesmo tempo por direções, e em segundo lugar pais e mães precisam ter clareza no que deseja em relação a formação de seu filho, por exemplo: se eu quero um filho ou uma filha de qualquer idade que seja “consumólotra” que tenha uma obsessão pela propriedade então é evidente que eu vou deixá-lo solto em relação a qualquer coisa, mas se eu quero por exemplo uma criança que seja capaz do consumo consciente, da capacidade de acesso sem ne- nhum tipo de doença de consumo, que ele seja capaz de utilizar a publicida- M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 141 “A publicidade infantil é muito importante, é importante como uma forma de educação, de orientação às nossas crianças para formar o seu caráter, a fim de que elas possam ser cidadãos da nossa sociedade na sua plenitude.” Ophir Cavalcante Presidente Nacional do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 142 de como meionão só de ciência, mas também de informação, de divertimen- to e também claro na possibilidade de ser incentivado naquilo que fará é pre- ciso fazê-lo de forma crítica. A capacidade crítica ela é desenvolvida na crian- ça não quando a ela é negado o acesso a algo mas quando ela pode ter uma visão muito mais refletida em relação a aquilo. Muito pais e mães se sentem reféns de uma circunstância que acabam dizendo não haver alternativas, isto é, quando tenho tempo de ficar com o meu filho eu vou compensá-lo de al- guma maneira, esse é um mecanismo perigoso porque em breve ele pode degenerar literalmente em chantagem, uma criança é inteligente, ela é um ser como qualquer outro animal que é capaz de chantagear. Cães e gatos o fazem. Uma parte hoje das crianças por isso mesmo confundem desejos com direitos, imagina que aquilo que ela quer ela tende ter e portanto tudo o que os pais tem que fazer é estarem resistindo para satisfazerem esses desejos, o que não é verdade, uma parte hoje da família retira do filho a ideia de esforço, ele não têm esforço para a obtenção de coisas, tudo parece muito normal ou tudo parece muito óbvio e não é assim. Esse mundo mágico é um mundo pe- rigoso porque ele não formará um adulto que não saberá lidar por exemplo com frustrações, não saberá lidar com a perda de um amor, com a perda de uma prova, com a perda de uma pessoa e nesse sentido a publicidade é aqui- lo que nos emociona que mexe conosco. Emoverim em latim, aquele que mexe, ela nos emociona e eu vou ter de reagir a essa emoção de dois modos, imaginando “que legal se eu posso ter isso um dia” ou de outro modo, “eu preciso ter isso a qualquer custo se não eu deixo de ser alguém que tem von- tade de existir” o que é que algumas crianças fazem quando chantageiam os pais. Se ela quer porque apenas ela quer, e é exagero, é obsessivo, é descon- trolado, é absolutamente inútil, é preciso saber como dizer não, há uma coisa que não se deve fazer é dizer ao filho ou a filha: “Papai tá sem dinheiro. Ma- mãe tá sem dinheiro”, porque crianças não são tolas, elas sabem que você tem dinheiro e ela sabe inclusive que mesmo que você não tenha dinheiro materialmente você tem virtualmente com um cartão em que ela acompa- nha você nesse tipo de situação, por isso a frase a ser dita para o filho é: “Papai tem dinheiro mas não é para isso, o dinheiro que eu tenho é para outra coisa, assim como eu não pego o seu dinheiro para comprar pão, para a gente pagar conta de luz, esse dinheiro que eu tenho não será para isso, você terá que es- perar”. A criança poderá nesse momento chorar, chore, não existe nenhum relato na medicina de que choro tenha aniquilado alguém a menos que seja M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 143 de tristeza profunda e não porque há recusa naquilo que se deseja, se esse choro perturba aquela comunidade que esta ali naquele lugar, saia com a criança, “ah mas ai eu vou ter que interromper o meu programa”, dirá um pai, ótimo, você é pai ou mãe por que fez essa escolha você vai ter que ter um ônus em relação a isso. Nesta hora a relação com a publicidade será a relação como um adulto inteligente tem que ter, muita coisa eu me exponho, algu- mas eu quero e posso ter, algumas eu desejo e não posso ter e não terei, algu- mas eu digo um dia eu terei isso, mas em nenhum momento ela me domina- rá”. Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e mestre em filosofia e  “Os pais precisam ser receptivos, isto é, não evitar que uma criança possa se expor a algo que é inerente ao nosso modo de vida, mas não pode ser uma re- cepção passiva, ela tem que ser ativa, isto é, uma recepção crítica na qual se possa prestar atenção, pensar sobre aquilo, ver como eu adulto lidaria com aquilo especialmente não só naquele momento mas também quando eu era criança para eu poder refletir sobre a minha própria história. Não me colocan- do como criança, mas podendo obter referências quanto aquela dimensão, portanto uma capacidade de uma visão que não seja meramente absortiva, mas seja capaz de digerir aquilo como algo que se aproveita alguma coisa e outras como tal absorção se descarta”. Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e mestre em filosofia e  “A ocasião em relação a criança dependerá da idade dela. Por exemplo uma criança de cinco, seis anos ela não se interessa muito pelas coisas quando vo- cê fala diretamente, você precisa criar uma ambiência e estabelecer com ela uma ponte, por exemplo se ela viu uma determinada publicidade de um de- terminado brinquedo, ou determinado alimento que ela queira de qualquer modo, você precisa fazer com ela uma ponte antes, “olha só, quem diria. Você sabe que tem gente que gosta desse tipo de bebida”, ai a criança ela vai falar “ah mas eu gosto”, “mas não, porque você gosta?”. Ai a ideia do porque, isto é,
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 144 ir colocando questõesvai fazendo com que ela num determinando momen- to vai chegar numa frase usual quando não a argumento que é só desejo que “porque eu quero”, e como porque eu quero, ela não uma resposta que seja explicita, a depender da idade da criança você vai dizer, “ah mas você tem que saber porque você quer”, e querendo qualquer coisa isso não vale na vida. Se ela tiver mais idade é entender as razões desse querer para saber se eles têm fundamento ou eles são um mero desejo vazio, por isso o modo de aproxi- mação é estabelecido dentro de pontes. Ninguém se interessa por algo se vo- cê não entrar no campo dele de interesse, isto é, não provocá-lo com algo que esta conectado com aquilo”. Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e mestre em filosofia e  “Proteger uma criança é oferecer a ela critério de escolha, não é retira-la de um ambiente, não é retira-la de um meio. Por exemplo, alguns pais acham que se eles deixarem os filhos em casa sem TV ligada, sem internet, sem aces- so as redes sociais ele ficará protegido. Não, ele não ficará protegido, ele fica- rá isolado e se há alguma coisa que deseduca porque não preparada é o isola- mento. Nesse sentido a exposição dos filhos a depender da idade deverá ser feita junta com os pais, se não eles ficarão isolados e ficarão sozinhos tam- bém referente àquilo. E esse pai ou mãe tem que preparar a criança para que ela tenha autonomia, autonomia é diferente de soberania, soberania é eu fa- zer o que eu quiser independentemente de qualquer coisa, a autonomia é eu fazer o que eu quero no âmbito da minha liberdade, mas tenho que levar em conta as outras liberdades que existem dos outros fatores externos a mim. Formar crianças autônomas faz com que você tenha que utilizar tempo para conversar com elas, tratar da ideia, tratar do tema, você está assistindo você mostra, você observa, você diz “não faça isso porque isso é algo que está erra- do”, e ela vai dizer “por que?”, você vai ter que explicar por isso pense na expli- cação antes de ser na hora para evitar ter que dizer “Porque é ou porque eu quero”, porque isso não é explicação alguma nesse sentido. E um dia vi uma professora de educação infantil fazer algo que eu fiquei boquiaberto, havia uma criança numa escola, uma criança de educação infantil, portanto com quatro anos em que ela ia ao jardim toda hora e arrancavam as flores que ali M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 145 “A propaganda infantil na televisão já foi muito escancarada (hoje) as propagandas são muito mais cuidadosas. (…) eu não gosto Quando a sociedade já está chegando lá problematizando um assunto e aí vem uma lei e acaba com a discussão.” Paulo Tatit Músico do grupo Palavra Cantada Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 146 estavam, era umaplantação de margaridas muito bonitas, e a criança ia e tira- va, algumas ela tirava e oferecia para alguém, mas ela estava desmontando o jardim e eu fiquei imaginando o que eu faria naquela hora. Provavelmente eu iria chegar na criança com a minha inexperiência e diria “pare de fazer isso porque você está desmanchando o jardim”, e eu fiquei observando que a pro- fessora chegou e falou para a menina assim, “olha não tire as flores porque se você não tirar você vai ficar mais bonita”, você sabe que a menina parou de fa- zer aquilo e eu na hora fiquei espantado com o argumento porque ele é um argumento de natureza estética que tem uma consequência ética. A menina como ela não quer ser feia, ela não disse “você é feia porque você está arran- cando”, ela disse “se você não tirar essas flores você vai ficar mais bonita”, e a menina parou de fazer, pois bem, isso exige criatividade, exige que se pense além do óbvio, eu estava ao olhar aquilo pensando na solução óbvia, a profes- sora aproveitou a experiência que ela tem para mexer com algo que é muito forte nas pessoas, as pessoas querem ser bonitas, e ai assim, eu posso usar isso também para dizer “olha você tem o tempo tudo isso, essa querência sem fim, isso te enfeia, enfeia a sua existência, você é uma pessoa”, isto é, comece a tra- balhar por aquilo que movimenta mais dentro de cada ser humano”. Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e mestre em filosofia e  “Uma criança a partir dos quatro anos de idade ela começa a ter de lidar com frustrações que são mais significativas, porque a imaginação dela que é muito densa até quatro, cinco anos, que ela resolve parte das coisas imaginando que ela voa, que ela é, que ela tem, há um momento em que essa com essa concretude que virá em tese a partir dos quatro, cinco anos, fará com que ela tenha de lidar com aquilo que de fato é afrontado de maneira nítida com a imaginação e a realidade. A publicidade pode se inserir num pretexto para que pais e mães comecem a marcar os territórios, entre aquilo que é mera abstração, que é uma imaginação criativa, que é aquilo que eu posso querer o que quiser com aquilo que eu posso nem sempre querer o que eu quero, pos- so até querer mas não posso ter. Estabelecer essa fronteira, que inclusive ge- rará depois uma maior capacidade de sanidade mental, porque pessoas com alguns distúrbios mentais são aquelas que não têm muita clareza em qual a M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 147 fronteira entre o desejo e a realidade, entre o sonho e o vivido, entre o aspira- do e o concreto e nesta hora a publicidade pode sim ser um pretexto porque é aquilo inclusive que a criança se expõe com maior condição na medida em que ela está o tempo todo em contato com mídia de alguma natureza”. Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e mestre em filosofia e  “Toda educação ela é mais eficaz quando ela é exemplar, isto é, você não po- de criar uma criança que seja um consumidor saudável se os adultos que a o criam não são, essa saudabilidade desejada ela resulta antes de tudo de uma exemplaridade se os pais o são os filhos vão buscar sê-lo. Nesse sentido al- guns pais precisam educar a si mesmo como consumidores saudáveis. Claro que essa educação portanto terá que ser no conjunto com a família, é a famí- lia que vai observar que todo consumo que pode ser prazeroso, que pode ser necessário, e que inclusive eleve a sua auto estima. Ele não pode ser destruti- vo, ele não pode ser uma praticante do biocídio que é o assassinato da vida em qualquer uma das suas condições, da vida futura, da vida da convivência da vida da família, da vida do ambiente. Então tudo aquilo que servir como forma de discutir a necessidade de preservar a capacidade de existência den- tro de determinada condição ela servirá. Uma orientação prática para os pais é em relação ao consumo consciente saudável é mostrar para ele qual o equi- voco ou a letalidade de que aquilo contêm se fosse consumido, e mostrar. Crianças aprendem muito pela imagem, o raciocínio abstrato ele é algo que é mais sofisticado e ficar apenas falando vai levar a você ou a mim dizer, “já falei mil vezes”, mas para mostrar você não precisa mostrar tantas vezes, você só mostra uma ou duas. Adultos não são muito convencidos por imagens, se as- sim fosse a exposição sobre a publicidade de cigarro dos malefícios que pode carregar, ela teria uma eficácia muito maior que ela têm, mas crianças são muito sensíveis às imagens, alias, tanto é, que a publicidade sabe disso, ela trabalhar mais na emoção da imagem do que na razão disto”. Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e mestre em filosofia e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 148 “A primeira coisaquando um filho pede tudo o que vê na televisão é que o pai e mãe precisam pensar o que estão fazendo, porque o que derruba um copo não é a última gota, são todas elas, e uma criança que chega a esse estágio que beira a demência, certo, é algo que foi feito na formação anterior. Então há duas situações que precisam ser tratadas, de um filho que esta desviado e de um casal de adultos que é um casal que não tá entendendo direito como que se formam pessoas. Pessoas que são formadas para um desejo incontido elas serão sofredoras muito fortes na vida, porque a vida ela não é uma cor- respondência imediata e direta entre aquilo em que a mente aspira e aquilo que acontece realmente, consciência de realidade é exatamente o evitar a demência e nesse ponto de vista a primeira coisa é ver se ela deseja é que ela não terá. E se ela enfrentar esse “mas eu quero” é necessário que adulto use o tempo necessário para isso ser enfrentado, dizer assim “ah mas eu não tenho tempo”, vamos lembrar que tempo é uma questão de prioridade, se você não tem tempo para isso é porque não é prioridade, e se não é prioridade então não é um problema, se não é um problema não se preocupe com isso e forme uma mentalidade distorcida e doente e a solte no mundo depois irresponsa- velmente . Mario Sergio Cortella, Professor de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e mestre em filosofia e  “Eu sou contra a proibição de publicidade, a não proibição de publicidade in- fantil, porque eu acho que as crianças têm que ter uma curiosidade com a vi- gilância de adulto e ver o que elas estão assistindo, mas eles precisam das in- formações do que está acontecendo, nas ruas. Eu como mãe, orientei meus filho a partir da propaganda infantil, do que eles deveriam assistir e ficava de olho.”  Maria dos Milagres Silva, Vendedora e  “Quanto à questão das imagens que são passadas para as crianças, eu acho que devemos tomar muito cuidado. Eu acho que deve ser integrado a uma cultura, a uma forma de educação, na qual a criança possa melhorar dia a dia seu conceito de vida na Terra. Agora, eu não proibiria absolutamente nada. A M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 149 “Se a televisão chega à sua casa e à casa dos amigos em todo o Brasil, é por causa desses anunciantes que ajudam esse sonho virar realidade.” Patati Patata Apresentadores do SBT Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 150 proibição é umaditadura, porém eu colocaria valores comparativos também para que a criança possa escolher, por meio do acompanhamento dos pais, o que é certo e o que é errado. Eu acho que está faltando muito que a criança tenha mais cultura e divertimento na televisão. Tudo que é construtivo para a criança reflete na construção de um cidadão melhor no futuro.”  Marisa Caramielo, Aposentada e  “Publicidade infantil? para mim, publicidade infantil é informação. É uma in- formação básica para que nós possamos passar, quem mexe com publicida- de possa passar o básico, de um produto básico, de uma campanha básica, de alguma coisa que está sendo apresentava e vai entrar no comércio, qualquer coisa assim. Lógico, há mensagens bem feitas, bem elaboradas, mensagens com algum tipo de informação falha. E quando se fala de público infantil não é só conversar bem, é conversar com cuidado, com carinho, com amor, com atenção e fazer de conta que está falando com o filho, é a melhor maneira, como eu faço no estúdio aqui. De vez em quando o pessoal chega para mim “olha podemos fazer uma história assim, assado, um produto assim”, e eu per- gunto, isso é sempre, o redator, o desenhista entra no estúdio e eu já bato com ele esse papo, “você daria isso o que você está falando, esse produto, es- sa história, você daria para o seu filho?” Se ele falar, “lógico, seria maravilha”, então toca em frente, se ele falar “não sei não, o que você acha?”, não faça, pá- ra, bloqueie, não vale. Eu acho que o bom publicitário, o pessoal de publicida- de, o pessoal que está tratando da criançada, devem estar na mesma, todos são pais de família, todos têm crianças, todos estão interessados que a crian- ça hoje esteja atenta, esteja bem informada, antenada e sabendo tudo o que está acontecendo, se nós partirmos do pressuposto de que é bom ignorar pa- ra não falhar, nós vamos ter uma turminha de zumbis daqui algum tempo. Olha, proibição da publicidade infantil, isso seria a coisa mais nefasta que ha- veria para nossa criançada, eu não estou falando porque eu estou interessado em vender alguma coisa, com publicidade ou sem publicidade a gente vende milhões de revistas aqui e no exterior, a gente vende conteúdo cuidadoso, com amor, carinho, feito como se fosse para os meus filhos, para os meus dez filhos, quem tem dez filhos. Eu acho que aí também está faltando os pais cor- rerem mais atrás, os pais acompanharam o que está acontecendo no mundo, M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 151 na publicidade, na informação, na comunicação para se entenderem com os filhos, aí é possível e muito melhor eles acompanharem, monitorarem, serem pais presentes, não ausentes e serem pais participantes e atuantes e ao mes- mo tempo, confiantes nos filhos, nas crianças em geral e no que elas podem ser com o convívio familiar. Então eu penso que não podemos falar em proi- bição, temos que falar em diálogo.”  Maurício de Sousa, Criador da Turma da Mônica e  “Para um órgão da ética médica, é absolutamente fundamental pensar a saú- de nos seus aspectos preventivos e educacionais, para que as pessoas se apo- derem da sua saúde, do seu corpo e da sua mente e tenham uma vida mais saudável. Tudo aquilo que seja um proibicionismo relativamente à publicida- de corre o risco de ser uma medida autoritária e que não traga o benefício que pode trazer às pessoas. É claro que nós pensamos em uma publicidade educativa, comprometida com a verdade e que estimule as pessoas, inclusive as crianças, a cuidarem melhor de suas próprias vidas. Vivemos em um país capitalista, quem tem interesses mercantis, mas evidentemente um país sus- tentável do ponto de vista social. O Brasil faz o seu capitalismo de forma res- ponsável, então, naquilo que a publicidade puder contribuir para que as pes- soas adoeçam menos, ela terá o apoio dos órgãos de ética, porque essa é a nossa obrigação moral e legal, apoiar tudo aquilo que vem em benefício da saúde do ser humano e especificamente do brasileiro.”  Mauro Gomes Aranha, Vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e  “Meu nomé é Maximilian Fierro Paschoal, eu sou advogado atuante na área de di- reito do consumidor. Muito se tem falado sobre publicidade infantil, ou seja, publi- cidade de produtos direcionados ao público infantil. Não há a menor dúvida de que a criança merece uma proteção especial, não só a criança, o idoso, criança a própria lei já estabelece no próprio código de defesa do consumidor essa proteção específica, mais do que isso, a própria sociedade se reuniu, se organizou e formou um código, um código de autorregulamentação, sabendo, estabelecendo regras
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 152 específicas, regras éticas,não têm força de lei, mas regras éticas que estabelecem como deve se comportar o fornecedor diante de um público tão específico que merece tanto cuidado. Mas o assunto veio à tona, com a ideia de proibição de qualquer publicidade que envolva, não só um produto para criança, mas que en- volva a participação da criança. A minha opinião não só como advogado, mas a minha opinião principalmente como pai de quatro crianças é de que isso é uma aberração. Nós temos dois dispositivos no código de defesa do consumidor que estabelecem o que é publicidade danosa, o que é publicidade abusiva. Na abusiva especificamente diz o que é uma publicidade que leve a criança a um mau com- portamento, ou uma má atuação, algo que possa prejudicá-la. Basta a aplicação deste dispositivo para que existam sim publicidades voltadas a produtos infantis, isso não há problema nenhum, até mesmo produtos perigosos como cigarro, ta- baco, bebidas e medicamentos, é assegurado constitucionalmente o direito da publicidade desses produtos, com algumas limitações, isso é óbvio, muito mais de produtos relacionados ao público infantil. Acredito eu que essas pretensões po- dem levar a ideias absurdas e na verdade a uma desproteção, porque não há a me- nor dúvida de que cabe aos pais, junto com a sociedade, junto com o governo, a educação dessas crianças. E essas crianças só vão ser verdadeiros adultos, só vão ser verdadeiros formadores de opinião, se desde pequenos souberem, receberem de seus pais aquilo, isso é certo e isso é errado. E com isso, ela só tem isso na verda- de vivendo, e não sendo enclausuradas num mundo em que não teriam acesso a qualquer tipo de informação. Tirar esse poder dos pais, estabelecer proibições, ou seja, seu filho não tem acesso a algo, seu filho não pode fazer isso, eu acredito que isso é uma interferência drástica do Estado e absolutamente desnecessária, por- que é ao pai que cabe na formação do filho, incentivar, ensinar essa criança a ter o discernimento do que é o errado e do que é o certo e ela só vai aprender isso vi- venciando dentro dos limites da lei e dos limites éticos já estabelecidos. A própria sociedade se organizou, a própria sociedade estabeleceu seus princípios éticos e colocou isso num código, que é o código de autorregulamentação do Conar. O código é ainda mais específico que a própria lei, que o próprio código de defesa do consumidor, quando fala especificamente no seu artigo 37 dos limites e do conte- údo da publicidade de produtos para o público infantil. Fato é que o Conar e o judi- ciário são dois excelentes instrumentos que o Brasil hoje já tem controle da publi- cidade infantil e de tantas outras publicidades que existem no mercado.”  Maximilian Fierro Paschoal, Sócio da Pinheiro Neto e  M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 153 “ASPESSOASADORAMQUERER PROIBIRCOISASNATELEVISÃO,E NÓSDEVERÍAMOSAOCONTRÁRIO PROIBIRASPROIBIÇÕES,PORQUE SEDEIXARPROÍBEMTUDO. Roberto Duailibi Sócio-diretor da DPZ Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 154 “Bom, a minhaopinião seria que ao invés de se preocuparem com esse tema, deviam abordar temas mais importantes para a sociedade, como por exem- plo, a área da saúde e outras áreas que estão precisando de ênfase das autori- dades nesse momento. Então eu acho que isso não seria tão importante, por- que a questão da criança vê um brinquedo em um comercial e ela ter o dese- jo de adquirir aquele brinquedo, ela pode ver numa loja também com o mes- mo desejo. Acho que essa lei não tem muito a agregar.”  Milena Souza Santos, Agente de Atendimento e  “Nós temos hoje um estado democrático de direito, e que temos uma im- prensa bastante atuante e que contribui muito para o fortalecimento das ins- tituições e com a sociedade brasileira. É preciso lembrar que um dos pilares importantes dessa democracia e dessas possibilidades, é a publicidade priva- da. Nós temos liberdade nos veículos, nos seus editoriais, nas suas posições, porque nós temos uma publicidade privada, ou seja, atingir a publicidade é também atingir a democracia no nosso país. Além disso, nós não podemos imaginar que a publicidade, que já tem uma série de regulamentos através do Conar, que é um sistema de autorregulação importante e que funciona bem, venha ser responsável pela educação, ou até mesmo pela forma com que as crianças e adolescentes podem forjar a sua personalidade. Nós temos que imaginar e temos convicção disso, a educação e a formação da personalida- de se faz pela família e é a família que deve ter os freios necessários. A publici- dade quando aparece, pode ser educativa, mostrando que a vida tem limites e que os limites precisam ser respeitados. Não é imaginando que criaremos crianças e adolescentes em redomas de vidro, porque eles irão enfrentar a re- alidade, muitas vezes difícil e cruel do mundo verdadeiro. Nós não podemos propor que o governo venha tutelar a sociedade. O excesso de tutela deriva e caminha para regimes autoritários que nós evidentemente não queremos mais no nosso país. Portanto, o governo tem a responsabilidade de fazer com que o cidadão, o jovem, o adolescente, a criança tenham formação suficiente para discernir, para escolher, para questionar, para escolher, enfim, o cami- nho que ele quer seguir. Nessa linha, eu fiquei muito feliz de ver o voto do mi- nistro Dias Toffoli, tratando de um outro assunto, mas correlato a esse, dizen- do: “A sociedade não deve ser tutelada pelo governo. A obrigação do governo M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 155 é dar educação e a obrigação da família é educar essas crianças e adolescen- tes.” Nós estamos no Congresso, abertos ao debate, sem radicalismos, sem sectarismos, mas de uma forma clara, de uma forma completa, analisando to- dos os aspectos e posso dizer aqui com toda certeza, o caminho não é a proi- bição total e restrita, o caminho é o debate, o caminho é trazer os argumen- tos, o caminho é fazer com que esse assunto possa ser colocado para a socie- dade e a sociedade assim, venha a discutir esse assunto com maturidade, com serenidade, para que nós tenhamos uma democracia plena, para que nós não tenhamos a nossa democracia capenga, sem uma imprensa livre, porque es- se é o meu desejo.”  Milton Monti, Deputado federal (PR-SP) e  “A publicidade dirigida às crianças, ao público infantil que hoje em dia tem um volume muito grande então eu acredito que os pais fiquem um pouco perdi- dos, na dúvida, em se comprar tudo se não compram e como lidar com isso, porque é claro que as crianças pedem, elas se interessam, elas vêem que os colegas já têm. Então eu acho que tem que haver um critério na seleção des- ses brinquedos, desses jogos e mesmo desses programas infantis para que as famílias possam junto com os seus filhos escolher isso e não ficar numa subs- tituição dos brinquedos pela companhia dos pais. Então assim as crianças que eu atendo, as famílias têm condição de estar comprando tudo o que é oferecido pelo mercado, agora para que isso não aconteça tem que haver um dialogo que eu considero importante entre os pais e as crianças para selecio- nar os brinquedos que realmente vão ter uma função. Eu acho que se pode escolher datas para presentear e não algo desenfreado que então toda sema- na tem famílias que podem fazer isso. Não é indicado porque o presente o brinquedo vai estar substituindo a presença dos pais e isso eu acho que de- sestabiliza qualquer criança, até porque o brinquedo não tem essa capacida- de de estar entrando nesse lugar”. Miriam Furini, Psicanalista e psicopedagoga e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 156 “Acredito que dápara todos convivermos com isso desde que seja feito com responsabilidade e que os órgãos responsáveis atuem em cima para não ha- ver abusos. E acredito que dá para conviver sim porque hoje em dia tem crian- ças que tem muito mais conhecimento e muito mais sabedoria do que mui- tos adultos. E os pais também têm que acompanhar de perto, porque se dei- xar muito livre, acredito que tem que ter liberdade com responsabilidade, tem que acompanhar porque tem muitos meios que não são confiáveis, que po- dem também atingir as crianças, e porém a publicidade que atua mais nos ca- nais que são canais normais, que são veiculados, que não atuam fora da regu- lamentação. Elas podem sim ajudar a educar com campanhas que venham trazer algum beneficio, alguma informação para as crianças e para os pais também, para as crianças e para os adultos.”  Mônica de Moraes Barros Cavalcante, Vendedora e  “Sou contra a proibição da publicidade para crianças na televisão, mesmo porque essa proibição não tem nenhum efeito, existem outras formas de pro- paganda, outras formas de se atingir a criança até mesmo por meio de cole- gas, de escola, o meio social todo pode ser voltado para esse tipo de propa- ganda sem precisar da televisão. Então eu não acho que surtiria efeito e tam- bém não acho que seja uma coisa adequada, até porque quem produz quer vender, tem direito de fazer propaganda e de divulgar o seu negócio, os seus produtos. Eu penso que até a propaganda as vezes para adultos é muito mais danosa, mesmo porque o adulto é quem tem o poder aquisitivo, tem o di- nheiro, condições. Não é a proibição que vai alterar essa questão das crianças com relação a vontade de adquirir alguma coisa. Nesse esquema, inclusive eu sou mãe, eu tenho uma filha, hoje ela tem 15 anos, é adolescente e a informá- tica que impera, mas eu sempre tentei incutir na minha filha um tipo de ativi- dade que não fosse só de informática. Então se a gente vai para praia ou se vai para algum, férias, algum outro evento, ela sabe jogar buraco, um truco de mesa, jogar um dominó, para tirar um pouco da informática, mas nem isso fez com que ela se afastasse. Então não é a proibição dessa propaganda in- fantil que vai impedir as crianças de terem vontades próprias.”  Monica Heine, Advogada e  M
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 157 “Somos todos responsáveis por esta onda consumista que contaminou nossas crianças. não é a publicidade que faz isso, somos nós. A quantidade de publicidade que nós temos nas mídias é reflexo do valor extremo que a gente dá ao consumo.” Rosely Sayão Psicóloga, jornalista e escritora RodrigoCancela
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 158 “Eu tenho umafilha de quatro anos que vê Discovery noite e dia. A publicida- de de criança apresenta um leque enorme de opções. Cabe a gente, aos pais, orientar algumas, e ela tem que saber o que é escolher, o que é priorizar e ver que é fundamental. Eu tenho que ter 50 opções de brinquedos para escolher cinco, para ela pedir ao papai noel e ver o que o papai noel vai trazer. A publi- cidade é importante, porque se tirarem a publicidade como é o “zumzumzum” que se escuta, como que ela vai poder escolher a Barbie nova, lava-lava, os brinquedos que ela gosta. Senão, sem publicidade não existe. É fundamental, é importante, não tem como tirar. Senão a propaganda, a televisão fica só com problema, dor, acidente. Brinquedo é muito bom.”  Mônica Roças, Contadora e  “Não, os meus filhos não são consumistas, eu tenho um filho de 18 anos e uma de 23, e eu ensinei a eles desde pequenos que não dá para ter tudo o que a gente quer, e principalmente que eles tem que merecer para ter, ou batalhar para ter aquele produto. Porque eu acredito que se você der tudo de mão beijada para eles, eles não valorizam, e eu creio que eu tive sucesso nisso com essa educação que eu dei para eles. Hoje eles sabem valorizar o que realmente é prioridade, eles buscam ter coisas sólidas. Então assim, o meu filho ele está fazendo faculdade e ele paga a própria faculdade apesar de eu poder ajudar, ele entende que ele tem que se bancar sozinho. Então eu creio que isso foi devido a eu ter ensinado para ele desde pequeno que não dá para ter tudo o que a gente quer e que muitas ve- zes você deseja uma coisa que não é necessária, passou um tempo você vê que aquilo não é tão importante. O mais importante é você investir em coisas sólidas e no seu futuro como a faculdade e como um imóvel que eu acho muito importan- te também, e eu creio que eles entenderam bem isso, porque hoje a minha filha já se formou na faculdade e está em busca do seu imóvel próprio, e meu filho tam- bém focando na faculdade, exemplo, ele não tem o último celular, o lançamento, ele tem um celular que é para ele falar basicamente que é o necessário. Então as- sim, ele não deixa de pagar a faculdade para comprar um celular ou um videoga- me então acho que foi legal isso, não é importante, não é bom dar tudo o que eles pedem não, eles têm que aprender a conquistar”. Nanci Murari, Administradora de empresas. e  M N
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 159 “Acho que deveria haver mais propaganda infantil, não há porque essa proibi- ção de publicidade infantil. Eu sou totalmente contra a essa proibição.”  Nataliê Mançal Boa Ventura, Estagiária e  “Quanto ao uso da publicidade infantil, desde que tenha um órgão que fiscali- za os abusos, não tem nada a ver, eu sou a favor. As crianças têm que ter o mundo delas, porque hoje o mundo está muito avançado. As crianças já sa- bem muito mais do que isso na televisão e em outros meios de comunicação. Então isso não vai tirar delas a sua conduta ou influências na infância delas, desde que os pais eduquem e estejam presentes em tudo.”  Nesomiro Gomes dos Santos, Segurança e  “O consumo na verdade e a propaganda relacionada ao consumo é algo que nós hoje não podemos nos furtar ao fato de que a humanidade demorou em tese 3000 anos para desenvolver algumas tecnologias. Essas tecnologias elas são pro- dutos de todo um estudo feito ao longo desse tempo e produto do pensamento humano na questão da evolução dos aspectos importantes para o nosso confor- to, para um maior conhecimento sobre tudo. A publicidade e a propaganda e es- sas mídias fazem parte desse contexto, então os nossos filhos, as crianças e os adolescentes eles devem estar inteirados desse processo porque isso faz parte da vida deles, mesmo que eles tenham acesso direto ou indireto. Então o controle deve ser feito principalmente no sentido de orientá-los que aquilo é algo que de- ve ser discutido e deve ser falado tanto com pessoas que fazem parte do mesmo grupo quanto dos adultos, quanto mais isso for feito, mais será regulado o próprio grupo que têm acesso a isso e mais aquilo que é importante será preservado e o que não é importante será automaticamente descartado. A proibição em relação a tudo faz que nós voltemos a um estágio anterior que não é possível tendo em vista que nós não podemos voltar a nada e impede que algo produtivo e impor- tante seja realizado através da mídias que hoje são definitivas na sociedade”. Nina Costa, Psicóloga especialista em transtornos afetivos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 160 “O consumo naverdade e a propaganda relacionada ao consumo é algo que também faz parte dessa nova elaboração social, então nós temos uma socie- dade capitalista que vive em função dos produtos que são consumidos. Hoje existe algo diversificado que chama Geografia da Percepção, as pessoas com- pram produtos que são necessários para que o consumo continue existindo, não necessários para a sua utilização. Então orientar os filhos que eles têm o direito de ter aquilo que é propagado como necessidade mas dentro de al- guns limites. Os brinquedos, as crianças quando começam a ter muitos brin- quedos elas começam a se sentir psicologicamente infelizes porque nada as satisfaz, então é importante que os pais orientem que aquela propaganda que está sendo veiculada ela está sendo veiculada para que todas as pessoas pos- sam ter uma escolha, então que você tem o direito de fazer uma escolha. En- tão orientá-los para que eles façam uma escolha dentre todas aquelas que podem ser propagadas. A publicidade ela serve a um propósito de gerações, então aquela criança que está sendo alvo de um determinado produto hoje ela vai criar os seus filhos utilizando esse produto, então é interessante que os pais já orientem desde cedo que aquele produto pode ser utilizado sempre desde que seja uma escolha, eu tenho dez brinquedos, eu posso escolher um. Quando a criança ela se perde desse grupo e ai ela quer todos os brinquedos e todas as coisas dentro de um shopping e começa a chorar e tal, o ideal é que o pai leve a criança para fora desse lugar, não compre aquele objeto e conver- se com ela no sentido da necessidade que ela têm de ter aquilo agora ou se é o processo de compra que também está sendo feito pelos próprios pais, os pais usam esse recurso e o filho só esta repetindo. Isso só acontece se essa conversa anterior sobre publicidade não acontecer, se tiver a conversa não vai haver esse tipo de comportamento da criança”. Nina Costa, Psicóloga especialista em transtornos afetivos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e  “Eu acho que a conscientização de toda a indústria da propaganda e da publi- cidade, da correlação de forcas que existem, com relação à educação, a pro- moção da saúde, aquilo que a gente pode imprimir na criança, de bons hábi- tos, de hábitos saudáveis, é muito bem vinda. Eu acredito que a campanha com responsabilidade, com consciência, com a percepção das necessidades, N
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 161 “Se você proteger a criança da publicidade, de tudo que pode ser perigoso, essa criança vai ser um pato, ou uma vítima de um traficante, ou uma boboca consumista que acha que tudo é bom, que o que está anunciado é bom. Por isso acho muito importante ela estar exposta aos poucos com regulamentação à vida como ela é.” Sílvia Poppovic Apresentadora de TV Divulgação/Band
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 162 participa de umprocesso educativo e é necessária que seja feita uma força tarefa desse processo democrático, para que as crianças possam ter acesso às informações de uma forma adequada, possam se beneficiar das informações corretas e que todos participem em conjunto de um processo de crescimen- to do futuro brasileiro.”  Nise Yamaguchi, Diretora do Instituto Avanços em Medicina e representante do Ministério da Saúde no Estado de São Paulo e  “Eu tenho certeza que com isso, com toda a liberdade de expressão, com essa liberdade de imprensa e a publicidade inserida nesse contexto, nós temos muito mais a ganhar do que se efetivamente só restringirmos a publicidade em função dessa ou daquela compreensão a respeito desse processo. A pu- blicidade infantil ela é muito importante, é importante como uma forma de educação, de orientação às nossas crianças de forma a formar o seu caráter, a fim de que elas possam ser cidadãos na sua plenitude da nossa sociedade. A publicidade de um modo geral, ela tem que ser editada de forma ética respei- tando parâmetros, respeitando credos, religiões, raça, enfim, sendo alguma coisa que leve a mensagem e não induza a escolher isso ou aquilo para sua vida e é claro que nesse contexto, entra a família, entra a educação que se po- de permitir ou que se pode conceder a essas crianças a partir da família, a par- tir da escola. É um trabalho integrado, é um trabalho que não se pode satani- zar a publicidade e nem endeusar. Ela é apenas mais um elemento de forma- ção educacional, de formação cultural que vai influir de uma forma efetiva na personalidade daquela pessoa no futuro. Portanto, nós não vemos qualquer tipo de problema do ponto de vista legal que se tenha publicidade com crian- ças de 7h às 22h nas televisões, rádios, etc, e ao contrário, as crianças preci- sam ser educadas para o mundo e eventualmente se houver algum tipo de exagero, que algum pai se sinta melindrado com aquilo, que aquilo pode estar influenciando dentro de preceitos e conceitos que ele tem de importante que a família tenha, essa pessoas pode procurar a OAB, o Ministério Público, o Co- nar, para que haja o controle sobre essa publicidade.”  Ophir Cavalcante, Presidente nacional da OAB e  N O
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 163 “Eu acho que a propaganda para o público infantil, deve ser moderada, por- que quando chega datas especiais como dia das crianças e natal, é excessivo, é uma massificação das crianças. Então eu acho que tem que ter essas propa- gandas porque as indústrias precisam vender também, mas tem que ser mui- to mais controlada, tem que ser controlada na verdade. Já passei por isso e é um aperto, porque às vezes você vê propagandas enormes e o brinquedo não corresponde à aquilo que a gente vai comprar.”  Paola Pauli Lantieri, Instrutora de Pilates e  Patatá: Patati!? Patati: Fala amigão! Patatá: Você não acha que as crianças têm o direito de escolher o programa de TV favorito delas? Patati: Eu também acho Patatá. Seja o Carrossel Animado com o Patati e Pata- tá ou qualquer outro programa infantil de sua preferência eu acho que a criança tem sim o direito. Patatá: E se hoje nós estamos aqui levando alegria para todo o Brasil, é através da TV Patati: E se a televisão chega na sua casa e na casa dos amigos em todo o Bra- sil, é por causa dessas empresas amigas que ajudam esse sonho virar realida- de. Patatá: Publicidade tem regra! Patati: E as regras devem sem cumpridas para levar sempre o melhor para vo- cê criança. Patatá: É, e é por isso que vocês são os nossos melhores amigos Os dois: Um grande beijo do Patati e Patatá Patati PatatÁ, Apresentadores do SBT e  “Nós acreditamos que toda proibição ou restrição à publicidade causa muito mais danos do que benefícios. Não é restringindo a publicidade ou proibindo a publici- dade infantil que você vai reduzir ou inibir o consumo. É a partir da publicidade, mesmo destinada a crianças e adolescentes, que você vai dar a oportunidade des- p
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 164 sa criança oudesse público infantil e da família obter informações relevantes e necessárias para que esse público exerça a sua liberdade de expressão de uma forma muito mais efetiva, de uma forma muito mais próxima das suas necessida- des. Toda e qualquer comunicação destinada à criança deve seguir questões rele- vantes de extrema responsabilidade por se tratar de um público que ainda não está totalmente formado em sua capacidade de discernimento. Mas, a proibição faz com que a criança fique isolada do mundo em que a gente vive, então não acredito e não acho necessário que aja essa proibição total, além do mais o nosso mercado hoje já segue regras bastante rígidas em relação à publicidade. Nós te- mos o Conar, Código de Autorregulamentação. Temos também o manifesto assi- nado por várias empresas do mercado de alimentos que colocam regras muito restritas para a publicidade destinada aos menores de 18 anos e isso faz com que, não havendo a proibição e seguindo essas regras, a gente tenha uma comunica- ção de qualidade voltada para a criança. Também quero considerar, e vale consi- derar o papel da família, o papel dos pais na educação dessas crianças. Cabe aos pais e só a eles falar, restringir e criar condições para que essa crianças sejam cria- das para o consumo, não é bloqueando a publicidade que a gente vai conseguir isso de forma efetiva. Eu tenho duas filhas e eu sei o quanto é difícil de a gente atuar todos os dias colocando limites, elas pedem tudo, mas a gente tem que ter a consciência e que cabe aos pais com que essa criança, com que esse adolescente entenda quais são os limites e para qualquer outro produto seja de alimentos, be- bidas ou de qualquer outro produto. O Palavra Aberta é um instituto que foi cria- do recentemente para defender a liberdade de expressão seguindo o pressuposto de que a liberdade de expressão é um valor fundamental e que deve ser valoriza- do a todo tempo. A liberdade de expressão comercial é também uma forma de expressão e uma forma de garantir que os veículos de comunicação tenham au- tonomia e tenham independência financeira para que eles possam exercer a li- berdade de imprensa. Dentro desse tripé, liberdade de expressão, liberdade de im- prensa e liberdade de expressão comercial, nós também trabalhamos para a valo- rização da liberdade de expressão individual, ou seja, tratar o indivíduo como al- guém capaz de decidir por ele mesmo sem a tutela do estado, sem a necessidade de novas leis que criem restrições para as suas escolhas e nesse sentido toda proi- bição leva a esse ponto que é tratar o consumidor, seja ele criança, adolescente ou adulto como alguém não capaz de decidir por ele mesmo.”  Patricia Blanco, Presidente do Instituto Palavra Aberta e  P
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 165 “Se não tem a publicidade infantil, não tem o produto, não tem o programa, (…) então se não tem tudo isso a criança vai apelar para parte do adolescente e do adulto.” Yudi Tamashiro Apresentador do SBT Divulgação
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 166 “Eu sou pediatra,mãe de dois filhos pequenos, uma de três e outro de um ano. Referente as propagandas infantis, eu acho que vale a pena uma regulamen- tação muito intensa sobre o tipo de propaganda que vai ser exposta às crian- ças. Então, as propagandas que têm uma função apelativa, que fica muito, as- sim, evidente a competição para as crianças terem algum brinquedo ou ainda que existe alguma alimentação, eu acho que vale a pena dar uma restringida muito mais intensa. Não precisa uma proibição, porque existem propagandas positivas e até poéticas lidando com crianças, mas aquelas que impõe o con- sumismo para a criança, eu acho que vale a pena sim uma regulamentação mais intensa.”  Patricia Camargo Frederico, Pediatra e  “Trabalho na área inclusive com crianças, sou pagem e trabalho na prefeitura de Carapicuíba Eu acho que a publicidade infantil deve permanecer, porque de qualquer modo a criança tem que ter o acesso ao que ela vai comprar, ao que ela pode gostar ou não. Não tem porque tirar.”  Patricia Floresval da Silva, Pagem e  “Acho que essa questão de que a propaganda infantil faz mal ou não, isso é papel do pai controlar o que a criança assiste em casa, saber explicar para ela o que está certo e o que está errado, e não simplesmente proibir. É papel do pai participar da vida do filho, conversar com ele, saber o que está havendo, o que acontece no mundo, e não papel da escola ou da propaganda. A propa- ganda pode ajudar ou atrapalhar se for uma propaganda ruim, mas eu acho que é função dos pais ter esse controle e orientar os filhos para que eles sejam pessoas melhores.” Paula Rita Pacheco, Dentista e  ““Eu acho que nós estamos vivendo num país democrático, um país maduro e, portanto, nós temos que ser contra todo e qualquer tipo de censura. Acho que P
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 167 as famílias, os país, as mães, as crianças têm o direito de saber também através da publicidade aquilo que lhes é oferecido. E acho que cercear a publicidade é também cercear o direito da imprensa de denunciar aquilo que está errado, por- que é através da publicidade que os veículos de comunicação obtêm recursos, e principalmente através da publicidade que estes veículos, a grande imprensa e que a pequena imprensa também têm recursos para vigiar aquilo que não está sendo feito corretamente. Portanto sou contra todo e qualquer tipo de censura a publicidade e acho que nós devemos pensar mais amplamente, temos que criar um debate por exemplo sobre aquilo que é vendido, sobre os produtos que estão sendo colocados à disposição das crianças. Games que são violentérri- mos, games que são na verdade um incitamento à violência estão sendo vendi- dos livremente, acho que devemos debater, chamar a sociedade para outros debates que são muito mais importantes e que influenciam muito mais direta- mente as crianças brasileiras. A Leo Burnett é uma empresa que está presente no mundo inteiro há quase 100 anos e tem regras muito rígidas de como se diri- gir ao consumidor. Nós tratamos desse caso com todo o respeito que ele mere- ce. Nós lidamos aqui com a publicidade para criança ou para quem quer que se- ja seguindo as normas do Conar a quem apoiamos integralmente. O conselho de ética do Conar é composto por publicitários e por representantes dos consu- midores, portanto é composto pela sociedade brasileira. E lá, no conselho de ética, é que todo caso que for jugado necessário, deve ser livremente discutido e arbitrado, poque o Conar é um exemplo que o Brasil dá ao mundo inteiro da maturidade da publicidade que nós praticamos neste país.”  Paulo Giovanni, Presidente da Leo Burnett e  “Sobre o assunto publicidade infantil, no meu ver, não há problema nenhum em relação a isso. Isso se baseia muito na educação dos pais. No meu caso com a minha filha, tem a publicidade, por exemplo, do Mc Lanche Feliz e, para mim, não tem problema nenhum nisso. Se ela vê o brinquedo e quer ir e eu posso levá-lá, eu levo e, se eu não posso levá-la, eu explico o porquê eu não posso e a levo num outro dia. A publicidade infantil se vê mais em canais de desenhos, para o público infantil mesmo. Acho que é até prejudicial, pois proi- bindo, você proíbe a loja de divulgar seus produtos, divulgar a própria loja. Então, no meu ponto de vista, tem que continuar tendo publicidade infantil,
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 168 pois a lojadivulga os produtos, divulga a loja e isso possibilita a loja a crescer e gerar mais empregos. Seria radical demais ter essa proibição.”  Paulo Henrique Bertolini, Assistente de Vendas e  “Eu trabalho para criança, eu faço música para criança, eu gostaria de expor o meu trabalho para todas as crianças do Brasil cada vez mais, portanto eu sou a favor de conversar com a criança, de anunciar o meu trabalho para todas as crianças de todo o Brasil. A propaganda infantil na televisão já foi muito escan- carada. Por exemplo,em outros tempos, se você pegar a década de 80, 90 e você comparar com hoje, os limites são muito mais, as propagandas são muito mais cuidadosas. Isso é uma coisa importante que aconteça naturalmente na socie- dade através de discussão. Eu prefiro muito mais que uma ideia demore mais para pegar do que vir as proibições. Então eu não gosto quando a sociedade já está chegando, já está problematizando um assunto e vem uma lei, acaba com a discussão, do jeito mais simples, e então você se redime da obrigação de você educar o seu povo, de você criar professores críticos, crianças críticas com ou- tras possibilidades e fica muito mais confortável “ah não, proíbe isso daí, não po- de falar nada”, aí começa um monte de exceção “ah Palavra Cantada pode por- que o trabalho é de qualidade. Não mas essa bonequinha aqui não pode porque não tem qualidade”. Eu mesmo já mudei minha opinião dez vezes sobre brin- quedo infantil, sabe. Então é sobre, isso é sempre um debate social que deve ser levado, não pode extirpar o debate com lei.”  Paulo Tatit, Músico do grupo Palavra Cantada e  “Eu tenho um filho de cinco anos, e acho que a proibição não é muito boa, porque com a propaganda infantil, a gente sempre tem um gancho para po- der ensinar alguma coisa. A propaganda e os meios de comunicação dão en- sinamentos aos pais para poderem ensinar mais os filhos na ausência de pais que não tem muito argumento, já pega um gancho e já reflete e ensina para o filho em cima da propaganda, já pode ensinar os filhos sobre os assuntos.”  Priscila Torallo, Advogada e  P
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 169 “A publicidade infantil é positiva sim. Nem sempre ela pode ser positiva ou ne- gativa, eu acho que não tem que ter essa questão, esse critério. Eu acho que tudo é positivo quando a relação familiar é positiva. Se a relação famíliar é po- sitiva, então o externo não vai interferir muito, você tem que ter bases fortes em casa. E agora, proibir? Aí não, eu sou contra.”  Rafaela Pitanga, Pediatra e  “Eu sou contra a proibição de publicidade infantil, porque nesse país já tem tanta proibição, já tem tanta lei protegendo as nossas crianças. Eu não vejo necessidade dessa proibição. Acho que tem que haver uma publicidade en- volvendo as crianças e acho desnecessária essa proibição.”  Renata Andrade, Assistente Administrativa e  “Eu acho que a publicidade infantil tem que continuar, porque quem tem que educar os filhos são os próprios pais. Eles que têm que impor limites às crian- ças, o que tem e o que não tem que fazer, porque a publicidade faz parte do meio de comunicação no Brasil.”  Renata Carvalho Pereira, Auxiliar de Enfermagem e  “Eu sou contra esse projeto de lei que proíbe a publicidade infantil, porque na verdade a publicidade não está na TV, ela está na internet, tem o apelo do co- légio, dos amiguinhos, da rua, dos supermercados, das lojas, enfim. E também tem o lado de que os programas infantis da TV aberta, provavelmente acaba- riam, por conta dos patrocinadores e tudo o mais. Por isso que eu sou con- tra.”  Renata Gomes de Oliveira, Analista de Sistema e  r
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 170 “Eu sou contraa criação da lei para a publicidade infantil. Eu acho que isso ca- be à educação dos pais. Eu também já fui criança, muitas vezes eu quis uma boneca, algum brinquedo e minha mãe sempre falava: “Agora não dá”, mas eu não morri por causa disso. Enfim, eu acho que uma educação decente dos pais ia melhorar muita coisa no país. Em relação também a coisas que tem a ver com esse tema seriam os jogos violentos. Acredito que não tem nada a ver, cabe mais realmente à educação dos pais.”  Renata Menezes, Estagiária Financeira e  “Eu acho que toda propaganda é necessária e elas têm os seus objetivos. Qualquer proibição que seja feita em relação à publicidade é um retrocesso, voltaremos ao tempo da censura, no qual começaremos a reduzir as opções de conhecimento e de informação. Então, eu acredito que as propagandas possam ser administradas melhor a partir dos órgãos competentes, mas ja- mais com um impedimento.”  Ricardo Monteiro, Empresário e  As pessoas que querem que a sociedade não mude, não gosta de propagan- da. Quando eu comecei na propaganda, eu comecei na Colgate, e apenas 5% da população brasileira escovava os dentes. Então, o nosso trabalho era de- monstrar que valia apena escovar os dentes, não ter mau hálito, ter mais hi- giene na boca. Não se fazia a barba, não se vestia bem, as pessoas não tinham essa preocupação, o terno durava 20 anos. Esse passo que foi passado pela sociedade do século 17 que era o Brasil, passado para o século 20 já foi um passo enorme, dado principalmente pelos meios de comunicação e por aque- la atividade que sustenta os meios de comunicação que é o comércio, e por aquela outra atividade que é uma extensão do comércio que é a propaganda. Certos produtos no nosso ponto de vista criativo são extremamente difíceis de se anunciar como é o caso de brinquedos, porque o brinquedo é em si um estímulo à imaginação, então quando ele se transforma em propaganda dá a impressão que ele esta mentindo. Mas para isso nós temos exatamente o Co- nar, que tem regras para a propaganda infantil, onde a responsabilidade é R
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 171 maior do que a propaganda para adulto. Se é essa a origem do ódio a infor- mação, você fala “Ah mas na hora que você anuncia o tênis você esta estimu- lando a criminalidade por que o jovem que não pode comprar o tênis, vai lá num menino que está usando o tênis e rouba dele”, mas isso você não pode só acusar a propaganda, tem que acusar então todo mundo que fabrica tênis, tem que acusar quem põe na vitrine o tênis. O menino que está no ponto de ônibus esperando o ônibus que virá apertado e vê o outro passando de moto, ele quer a moto também. Cabe a nós que ele saiba que tem todo um processo de trabalho de acúmulo de capital para poder dar entrada numa moto, a en- trada já é um milagre, o crédito. As pessoas adoram querer proibir coisas na televisão, e nós deveríamos ao contrário proibir as proibições, porque se dei- xar proíbem tudo. Roberto Duailibi, Sócio-diretor da DPZ e  “A gente ouve falar muito sobre a tal da restrição à propaganda, as críticas so- bre como a publicidade brasileira trata os temas que vão para o ar, que vão para os lares e que acabam influenciando as pessoas. Eu considero que o nos- so mercado é um dos mercados mais organizados no sentido de não colocar no ar coisas danosas à população. Já tem suas restrições em termos de legis- lação, por exemplo bebidas alcoólicas com horários restritos, com elementos que não podem ser usados na propaganda, enfim, na área de medicina tam- bém, os remédios, etc.Todas as agências de propagandas, todos os profissio- nais do nosso meio se pautam rigorosamente e com muito cuidado com re- lação à mensagem que vão passar à população para vender este ou aquele produto, este ou aquele serviço. Então eu considero que o nosso mercado, na minha visão, absolutamente redondo. Em relação a esses controles o Conse- lho Nacional de Auto Regulamentação, faz um trabalho fantástico e sério em relação a isso, todas as denúncias que foram feitas nos últimos anos foram apuradas a contento e foram colocados os pingos nos “is”. Ou seja, foi tirado do ar, ou foram pedidos remendos, ou foram pedidos acertos nas campanhas que talvez prejudicassem alguém no mercado. Então eu considero nosso mercado muito maduro, muito sério em relação ao que nós veiculamos para a população em geral. Sempre tem alguém querendo passar do ponto com alguma ideia que possa prejudicar algumas pessoas ou o direito deste ou da- R
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 172 quele cidadão, mas,em geral, a grande maioria nós temos aí agências, veícu- los e anunciantes sérios que sabem fazer o trabalho adequado, o que não po- de é engessar isso tudo de uma forma top down, de cima para baixo, que pre- judique o andamento do nosso mercado e prejudique a qualidade dos nossos trabalhos. Essa é minha visão sobre o assunto, eu espero que possamos cami- nhar para a modernidade, caminhar para o entendimento sem necessidade nenhuma de restrição exagerada.”  Roberto Justus, Presidente da Young Rubican e  “Olá eu sou Roberto Shinyashink, médico psiquiatra, escritor e principalmente pai de 5 filhos. E eu acho fundamental que a sociedade esteja se mobilizando para fazer algo para conter os abusos da publicidade infantil na televisão. Bá- sico, a gente não pode ver abusos e ficar perto. Agora, é importante que esse debate, ele se aprofunde e procure incluir a sociedade como um todo, e não simplesmente a gente fala “bom, se tem alta incidência de câncer, mata logo os cancerosos”. Outro ponto dessa história é que os pais têm que educar seus filhos e isso é uma função que a gente não pode delegar. Então eu vejo, on- tem mesmo eu fiz uma palestra para Secretaria da Educação de Araguari, tive a oportunidade de conversar com alguns professores e os professores falam “poxa, a gente pega as crianças que os pais não têm tempo, a mãe não tem tempo”, então muitas vezes o pai delega ao professor quase a obrigação de educar o filho que é filho dele. Então não se pode delegar. Hoje o professor tem que entender de psicologia, lidar com uma série de dificuldades psicoló- gicas do aluno, e às vezes, esse filho que o pai também não educa, que o pai pega, coloca lá para o psicólogo e fala “olha, meu filho está se sentindo inse- guro, faz psicoterapia para ver se meu filho fica seguro”, depois não funciona a psicoterapia e o pai briga com aquele psicólogo, põe em outro psicólogo, aí o filho não estuda, põe em um psicopedagogo. E eu vejo que as vezes, eu tive a oportunidade de falar, fazer palestras para cúpula da policia e às vezes esse pai, quando a policia prende porque o filho está usando droga, o pai fala para o delegado “fala para ele que ele vai ser preso”, então até o delegado vira o educador, vira a pessoa que o pai e a mãe esperam que responda. Então esse é o debate que eu acho que é muito maior, que é o debate sobre “gente de quem é a responsabilidade de educar o próprio filho?” Sem dúvida isso não R
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 173 pode escapar do pai. Então, lógico, 5 filhos, toda hora os filhos a vida inteira “pai compra, pai compra” e você tem que educar seu filho, você tem que falar “filho, pode ter uma coisa maravilhosa, não é o teu momento, o momento vai ser esse...” Você tem que se responsabilizar. Então a sociedade tem que discu- tir? Tem. Algo tem que ser feito. A gente não pode ficar vendo absurdos de braços cruzados, mas os pais precisam educar seus filhos.” Roberto Shinyashiki, Conferencista e autor de 16 livros de auto-ajuda, que venderam um mais de 5,5 milhões de exemplares no Brasil e  “Eu sou médico e gostaria de falar um pouco sobre essa campanha do gover- no de proibir a publicidade infantil, que no meu ponto de vista, além de ser uma censura à propaganda, eu acho que é uma campanha que não tem mui- to sentido. A propaganda, desde que ela seja feita de forma responsável, ela pode atingir os diferentes públicos. Propaganda infantil existe, sempre existiu, tem o seu público-alvo que são as crianças. E, na verdade, a responsabilidade pelas crianças é dos pais, o governo tem o seu papel, mas acho que cabe aos pais julgar quais propagandas as crianças podem assistir ou não. Eu sou con- tra essa campanha do governo, acho que não se pode proibir nenhum tipo de propaganda, mesmo a infantil, que tem o seu público-alvo e a sua finalidade em termos de publicidade.”  Rodrigo Martins Pescuma, Médico e  “Eu sou contra esse absurdo contra a publicidade infantil. Acredito que as pes- soas têm que ter direito de ir e vir. Acredito que tem que haver uma assesso- ria, os pais estarem acompanhando. Agora, proibição eu acho ridículo. O go- verno tem que fazer tanta coisa e vai fazer logo isso? Vai acabar com o em- prego de muita gente, vai acabar com o emprego de pessoas que trabalham na area infantil, até para lançarem uma carreira de atores futuramente.”  Rogerio Paes de Barros, Radialista e 
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 174 “Na minha opiniãoé que estão querendo tirar a responsabilidade dos pais de falar não. Eu sou psicóloga, tenho três filhos e o mais velho tem 11 anos, e ca- be aos pais impor esses limites e não a publicidade, não o governo. Esse é o papel dos pais. A publicidade é importante, apesar que têm muitos comerciais de brinquedos que o brinquedo anda e você acaba passando isso para os seus filho: “o brinquedo não é assim que funciona, isso é imaginação.” Então eles, através da propaganda, acabam aprendendo o que é imaginação, o que é re- alidade. Cabe aos pais ensinar.”  Rosana Falanga, Psicóloga e  “A minha opinião a respeito da propaganda infantil é de que ela tem que exis- tir, mesmo porque eu cresci com isso e eu acho que ninguém, nenhuma criança vai deixar de adotar isso, mas que ela seja regulamentada, ela precisa ser uma propaganda com uma característica própria direcionada a criança, mas que tenha um limite para isso. Não é qualquer coisa que você pode ofe- recer. As crianças estão consumistas porque todo mundo é consumista, o mundo se tornou muito consumista. A gente vive num país capitalista e isso é fato, você chega na sua casa e você leva um celular e a criança vê esse celular e ela vai querer também. Hoje em dia a criança já nasce conectada. Então ela é consumista porque ela segue exatamente a sociedade e a sociedade se tor- nou consumista.”  Rosana Simone Silva, Editora Jurídica e  “Eu penso que deve haver uma conscientização em relação aos pais, pois eles que têm que conscientizar as crianças, porque elas ainda não têm o discerni- mento para saber o que é bom e o que é ruim. A publicidade não é culpada em criar uma sociedade consumista. Ela tem o papel de vender um produto e nós devemos ter a consciência para saber se ele é necessário ou não.”  Rosana Zolini, Representante Comercial e  R
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 175 “Hoje a gente tem assim uma infinidade de bodes expiatórios: é a bebida é o cigarro e agora a propaganda infantil. A questão é, o que é que a gente vai en- sinar para as nossas crianças para esse mundo em que ela vai viver, como re- agir a esse mundo. Creio que isso é mais importante o nosso compromisso educativo, a nossa responsabilidade. Nós vivemos num mundo, aliás, as nos- sas crianças nasceram e crescem no mundo que valoriza extremamente o consumo. Quer dizer, é um valor do nosso mundo o consumo, outro dia eu vi um professor de filosofia falar que antes a nossa máxima era “penso logo exis- to” e hoje é “consumo logo existo”. Somos todos responsáveis por esta onda consumista que contaminou nossas crianças e os nosso jovens, mas não são as publicidades que fazem isso, somos nós. A publicidade e a quantidade de publicidade que nós temos em todas as mídias, é reflexo do valor extremo que a gente dá ao consumo nesse mundo. E eu gostaria imensamente de lembrar que nós podemos não ser passivos em relação a isso, cada pai, cada mãe, cada escola, a família e a escola são instituições que educam por exce- lência primeiramente. Podem ajudar os mais novos, as crianças e os adoles- centes serem críticos em relação ao consumo, ao terem consciência ao con- sumir, a saber que não é o consumo que decide quem ele é, e que ele deve decidir o que consumir.” Rosely Sayão, Psicóloga, jornalista e escritora e  “Eu não acredito que o melhor seja proibir, eu acho que toda criança tem di- reito a informação, tudo o que está sendo lançado ela tem que estar sabendo o que está acontecendo ao seu redor e cabe aos pais orientar, dizer para que que serve, para que não serve, quando ele pode comprar esse produto, quan- do não pode comprar. Eu não acho que proibir seja o caminho para nada.”  Rosemeire de Souza Arraes, Funcionária Pública e  “Eu não sou a favor da proibição da publicidade infantil, porque eu sempre comprei algumas coisas que o meu filho gostava, aquilo que ele via nas propa- gandas e me pedia e nem por isso ele se tornou consumista. Acho útil a propa- ganda na hora da compra, porque nós podemos comprar os presentes para
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 176 nossos sobrinhos efilhos que eles assistem na televisão e gostam. E nem tudo que passa na televisão, a criança vai querer, porque um dia ela vai querer uma coisa e no outro dia quer outra, então ela esquece. De cada dez propagandas que passam na televisão, você dá um presente e elas já ficam satisfeitas.”  Rosimeire Correa Gomes, Auxiliar Administrativa e  “Eu sou contra essa proibição da veiculação da propaganda direcionada para o público infantil, porque as indústrias, os produtores, têm direito de de expor os seus produtos. Então eu acho que cabe aos pais orientar as crianças e dizer o que é bom, o que pode ou não.”  Sandra Buratini, Bióloga e  “Sou contra a proibição da publicidade infantil nos meios de comunicação. Eu acho que as crianças podem assistir e a família que deve coibir ou não. As crian- ças devem saber se podem comprar ou não, ter aquele tipo de produto ou não, mas é a família que deverá estar sempre atenta a este tipo de proibição. Não tem nada que proibir a publicidade, são os pais que devem saber se aquele pro- duto deve ou não ser consumido. A publicidade influencia, mas uma boa pro- paganda, uma boa publicidade não, depende muito da publicidade. Existem publicidades que podem afetar inclusive a criança, mas uma boa publicidade, bem feita, com objetivo bom, eu acho que isso depende muito da família.”  Sandra Kaba, Professora e  “O Brasil é o país do mundo que tem talvez o melhor código de autorregula- mentação da publicidade. As leis que regulamentam a nossa atividade, aquilo que nós podemos fazer e aquilo que nós não podemos fazer. O Conar é um exemplo para o mundo e está sendo seguido em vários outros países. Nós so- mos extremamente responsáveis nessa discussão, queremos ser mais respon- sáveis ainda, queremos discutir sim com a sociedade, queremos ser ouvidos, queremos participar do debate junto com todos os segmentos que compõem R S
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 177 essa discussão em torno de publicidade, do que é certo, do que é errado, publi- cidade infantil, o que vale e o que não vale, o que é importante e o que não é. Nós não temos nenhum interesse em infringir nenhuma norma, nenhuma lei. Nós temos o único direito de informar, democraticamente, à população, as op- ções que ela tem de comprar e ela tem que ouvir isso, essa é a realidade. O Co- nar é o nosso grande código de regulamentação e de leis que nós seguimos com muita atenção, com muita seriedade. A liberdade de expressão hoje é um item importante da nossa Constituição. Nós temos de respeitá-la, porque nós respeitamos a Constituição. O que nós deveríamos fazer, com consciência, é apoiar o Conar, fortalecer o Conar e continuar discutindo aquilo que é exagera- do, aquilo que é errado e tirar isso. E o que é bom, aquilo que pode avançar, dis- cutir com todos os pares, com todos os segmentos dessa discussão para tentar validar essa posição para o futuro, e tirando todos os preconceitos, todas as causas políticas ou não políticas que temos dentro dessa discussão. Essa não é uma discussão política, é uma discussão da nação, do país, do povo, do consu- midor que precisa ser informado de tudo o que ele vive. Eu acho que isso que precisava ser estabelecido nesse processo. Eu sou pai, de três filhos e uma filha, e sou avô de oito netos. Então vocês acham que eu não tenho responsabilidade suficiente para preservar os meus netos e os meus filhos e as novas gerações? Quando nós criamos nossa companhia, comerciais de televisão, campanhas, todos os nossos funcionário têm filhos, têm netos, têm família, pensam na fa- mília. Nós não colocamos no ar aquilo que nós não defendemos, que nós não queremos que nossa família veja. Esse é o principio básico da publicidade bra- sileira. Nós só colocamos no ar aquilo que a minha família, que os meus netos, que as minhas filhas, que o meu filho pode assistir.”  Sergio Amado, Presidente da Ogilvy Brasil e  “Eu gosto muito mais da palavra responsabilidade do que a palavra censura, mesmo porque a palavra censura significa confiar, cegamente, na responsa- bilidade e no critério do censor, e desculpe censor, eu não confio no seu. Acho que publicidade é o vilão fácil, fácil de você pegar e dizer: “Ah, esse pro- blema é por conta da propaganda, esse problema é por conta da propagan- da!”, veja a propaganda é um instrumento de persuasão, ela existe para isso, a função da propaganda não é educar , educar é uma função do Ministério da Educação, educar é função das escolas e dos pais. Propaganda existe como
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 178 um fator sedutor,mas também é um fator responsável. Eu sou pai de duas fi- lhas, uma de 9 e outra de 7 anos, eu não faço para filha dos outros o que eu não quero que façam para as minhas, então isso é uma responsabilidade. Agora, se você, daí deriva a dizer que toda e qualquer comunicação para crianças é errada, errado está você! Por não olhar que a comunicação é uma coisa muito ampla, e comunicação é uma coisa muito responsável, a comu- nicação no Brasil é muito séria. E u vou te dar um exemplo, profissionais da DM9 participam de todos os debates públicos, todos, no que diz respeito a le- gislação ou a prestar a atenção sobre a comunicação voltado ao público in- fantil. Não vejo problema nenhum você ter comunicação voltada ao público infantil, eu vejo problema em você ter comunicação ruim voltada para o pú- blico infantil. Você diz assim, a propaganda infantil, influencia, o conteúdo in- fluencia, os programas influenciam, livros influenciam, então vamos censurar programas, jornais, propagandas, fiscalizar professores e pais. Propaganda não é culpada de nada, a sociedade que é culpada no que faz de ruim para as crianças, assim como a sociedade é héroi no que faz de bom para as crianças. Acho essa discussão genial, porque precisamos discutir com pais, com pro- fessores, educadores, médicos, com especialistas. Mas, também quero parti- cipar dessa discussão como publicitário e pai ativo na sociedade.”  Sérgio Valente, Presidente da DM9DDB e  “Os pais hoje são muito ocupados trabalhando para dar o melhor para os seus filhos e a gente começa a ver que isso é uma distorção na educação, e aí vem uma recomendação, se eu pudesse dar uma recomendação para os pais, eu faria uma recomendação direta, não de presentes para os seus filhos dê pre- sença, isso talvez seja a maior mudança que a gente possa fazer. Os pais nes- se momento precisam se esforçar bastante para ganhar intimidade com es- sas novas tecnologias percebendo que a criança está um pouco mais focada dentro de um determinado site, ou de uma determinada tecnologia. É legal o pai ou a mãe se aproximar dessa criança e é óbvio que a gente naquele zelo, “para de ficar nisso que você esta fazendo muito”, e a gente tenta o controle. O meu caminho é um pouco diferente, minha sugestão é que esse pai e essa mãe ao invés de entrar num processo de censura a medida que viu que a criança está gastando mais energia em um determinado site, ou numa deter- S
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 179 minada ação que o pai entre numa linha de virar uma espécie de aprendiz do filho, “filho o que é isso que está fazendo? E me explica como é que faz”, “me ensina eu quero aprender”, pede para o filho o ensinar porque o filho nessa hora vai realmente querer ensinar, não é uma enganação, é legal porque o fi- lho te ensine e aí você já entende se ele já tem discernimento ou não para que ele te explicando você consiga completar o aprendizado dele com valores, porque hoje as crianças já têm todas as informações na internet e elas vêm muito mastigadas, elas são muito intuitivas. Talvez o que o filho precise é completar esse conhecimento com valores que só os pais podem dar”. Sidnei Oliveira, Colunista da Exame.com para questões de conflito de gerações e  “Eu acho que na verdade compete mais aos pais dar uma brecada nos filhos, “não dá para comprar tal coisa”, eu acho que tem que ter um limite. Eu falo muito isso para a minha filha que eu tenho dois netinhos. Então eu acho que isso não tem nada a ver com o Estado, eu acho que é a parte da criação mes- mo, dos pais. Eu dou dica para a minha nora, muitas vezes ele pede tal brin- quedo e eu falo assim “você tem que fazer por onde receber esse brinquedo” e se tiver condição também, se estiver indo bem na escola, se estiver comporta- do e depende também do momento. Eu acho que a publicidade ajuda, porque é uma opção de os pais verem o que tem no momento e compete aos pais.”  Silvana de Luca, Secretária e  “A minha filha eu educo para ela aprender a se defender, aprender a se defen- der do perigos e aprender a se defender de uma sociedade consumista. É co- nhecer o que tem e saber o que é balela, e saber o que é enganoso e saber o que é bom. Vivo de televisão, sou bicho de televisão então eu tenho uma rela- ção até as vezes dividida, porque se de um lado eu amo e faço esse veículo, de outro lado eu tenho medo dele, porque quando você tem um filho e você per- cebe que ele vai estar disposto a todo tipo de estímulos não só da publicidade. Como de horrores como de um telejornal, como de erotizações desnecessá- rias de uma telenovela. Você fica preocupada, por que você fica preocupada? Porque, poxa, eu vou ter que ensinar meu filho a se defender desses exageros. s
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 180 Eu chamo deexagero por quê? Porque eu acho que cada idade a criança pode estar mais pronta ou menos pronta para o que ela vai estar assistindo. E essa maturidade ela não se dá de uma hora para outra, ela vai amadurecendo. Você tem que ensinar seu filho eventualmente a se defender do que pode deformar a sua personalidade ou assustá-lo ou deixá-lo traumatizado, ou deixá-lo uma criança voraz no caso da publicidade. A pessoa tem que conhecer, não adianta tirar a publicidade da televisão e dizer agora meu filho está protegido, porque a primeira vez que ele entrar num shopping e ver uma loja de tênis, ele vai querer todos. Então ele tem que conhecer, e tem que saber escolher, tem que saber o que é bom para ele e o que é ruim para ele. E isso você faz mostrando que existe, não tirando da frente o que existe. Você pode, aí sim eu concordo, e sou partidária, já fiz muitos debates na TV falando que você tem que ter ór- gãos reguladores como o Conar com por exemplo a publicidade, como os programas de televisão serem recomendados para certas idades, porque têm coisas que muitas vezes a criança não está preparada e de uma hora para ou- tra ela pode realmente ficar traumatizada com imagem de violência. Porque se você proteger essa criança da publicidade, de tudo que pode ser perigoso, essa criança vai ser um pato, ou uma vitima de um traficante, ou uma boboca consumista que acha que tudo é bom, que o que esta anunciado é bom. Não, a criança tem que ter espirito crítico, então é por isso que eu acho muito im- portante ela estar exposta e ser exposta aos poucos com regulamentação a vi- da como ela é.” (…) “Acho que o mundo digital ele é novo também para a gen- te, nós adultos, especialmente para nós adultos. Para as crianças é tudo novo, a vida toda é nova. Elas vão ter que aprender a fazer escolhas a se defender desde cedo para tudo. Num mundo digital a gente ainda não sabe muito bem como orientar em muitos casos a ela fugir de certas armadilhas, certos vírus, certos sites são realmente surpreendentes e maléficos. A Ana por exemplo a primeira vez que foi pesquisar na internet sobre Carnaval,. Ela só precisava de imagens de porta estandarte de escola de samba, e ela escreveu carnaval e cli- cou em imagens no Google. O que que apareceu? Uma mulher pelada de pei- to de fora toda exibida e ela naquela época tinha 6 anos de idade e falou: “Mãe, mas uma mulher pelada”. Para ela aquilo era muito esquisito porque tinha uns negócios na ponta do peito. Para ela aquilo era muito pornográfico, era um negócio que pegou pesado. E aí então a gente foi tendo que ensinar a não acreditar em tudo o que via e escolher as coisas. Por isso que eu digo, não adianta fechar os canais, você tem que ensinar que tem de tudo, mas tem que S
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 181 saber que tem coisas para a hora certa da idade dela, até hoje, ela tem 12 anos, ela fala: “Isso não é para a minha idade né mãe?”. Eu falo “é, não é para sua ida- de ainda”. Por isso eu acho que é uma invasão muitas vezes um adulto empur- rar, sufocar essas crianças com tantas coisas, principalmente na parte de sexo de que é perigoso, porque ensinam um sexo pornográfico, não um sexo diver- tido, criativo, gostoso, prazeroso, troca. Existem instrumentos para os pais evi- tarem que seus filhos se choquem com imagens assim no próprio computa- dor, depois você tem que começar a ensinar o que é legal e o que não é legal, acompanhar a vida digital dos seus filhos, talvez essa seja a melhor maneira, estar perto, porque eu acho que realmente a vida digital ela é muito traiçoeira ainda, porque a gente não conhece muito bem tudo o que pode acontecer. Eu ouço histórias e já vi casos de bullying, muitas coisas que não foram muito bo- as para as crianças, de criança sendo filmada no próprio quarto com aqueles espiões de internet. Tem muita coisa chata, muito pesada, mas aí tem que ter regulações, que a sociedade vai exigir essa regulações e vai aos poucos conse- guir com que esses instrumentos regulem tudo. Agora o que não dá é imagi- nar que você não pode ter internet porque tem perigos.”  Sílvia Poppovic, Apresentadora de TV e  “Há alguns anos, se iniciou uma mobilização por parte de entidades de defesa do consumidor e de defesa dos interesses das crianças para a proibição ou forte restrição da publicidade de produtos destinados a crianças. Essas enti- dades defendem que a publicidade dirigida às crianças seria prejudicial, pois as crianças não teriam discernimento suficiente para entender que se trata de uma opção e não de um comando, o que resultaria em um consumismo exa- cerbado e, no caso de produtos alimentícios não saudáveis, em um aumento dos índices de obesidade e problemas de saúde a ela relacionados. No Brasil, a pressão das entidades de defesa das crianças e do consumidor levou a di- versas iniciativas, dentre elas a edição, pelo Conselho Nacional de Autorregu- lamentação Publicitária (CONAR), da Seção 11 no Código Brasileiro de Autor- regulamentação Publicitária, para regular de forma mais detalhada a publici- dade dirigida a crianças (menores de 12 anos) e adolescentes (de 12 a 18 anos). Além disso, empresas do setor alimentício assumiram um Compromisso Pú- blico perante a sociedade, válido a partir de 01/01/2012, para deixarem de pro-
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 182 mover a publicidadepara crianças menores de 12 anos de alimentos não sau- dáveis. Não se pode negar que a criança deve ser protegida contra práticas abusivas, que se aproveitem de sua ingenuidade e credulidade, mas o fato é que a vedação à publicidade abusiva e as regras constantes do Código Brasi- leiro de Autorregulamentação Publicitária já são instrumentos jurídicos sufi- cientes para coibir esses abusos, não sendo necessária e nem saudável, do ponto de vista da cidadania, a solução de simplesmente proibir a publicidade de produtos para crianças. Além de ser uma restrição injustificada ao livre exercício da atividade econômica, uma vez que existem instrumentos jurídi- cos eficientes de controle para que a publicidade não seja nociva à criança, a proibição ou restrição sem razoabilidade da publicidade de produtos destina- dos às crianças tem por efeito não permitir que os pais eduquem seus filhos com relação ao consumo. Na medida em que as crianças deixam de ser ex- postas à publicidade, os pais perdem a oportunidade de lhes mostrar limites em relação ao consumo e, consequentemente, de lhes dar educação para o consumo. Não há que se falar em consumo exacerbado por crianças, pois elas não têm poder aquisitivo para consumir. Cabe aos pais mostrar às crian- ças os limites para o consumo.”  Silvia Zeigler, Advogada e  “Eu sou comerciante, sou formada em pedagogia e eu acredito que a publici- dade, ela é válida no sentido da formação da criança, no sentido de nos ajudar na parte de alimentação, do consumo de alimentos saudáveis, na prática de exercícios, no convívio familiar. Tudo que a publicidade vá nesse sentido para nós que somos mães é válido.”  Simone Galuzzi, Comerciante e  “Eu acredito que a publicidade infantil tem que ser livre, porque quem tem que dar limite o pai e a mãe, os familiares e acredito que o governo não tenha que proibir a propaganda na TV, no rádio, porque quem dá limite são os pais.”  Solange Aparecida Bueno, Pedagoga e  S
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 183 “Sou contra essa proibição das propagandas, porque eu acho que a responsa- bilidade é dos pais. Eu acho que cabe a nós orientá-los e dar uma monitorada, controlar o que pode e o que não pode. Enfim, a responsabilidade é nossa, já existe lei para controlar as propagandas e isso sim é que deve ser utilizado, colocado em prática, fazer com que cumpra-se a lei, as leis, isso é suficiente. A minha geração lutou muito contra a ditadura, então eu acho que se proibir a gente está voltando à ditadura e isso, não.”  Solange Marino Correia, Bancária e  “Sem dúvidas que a criança deve ser objeto de uma atenção, de um cuidado especial, isso é perfeitamente identificável no Código Nacional de Autorregu- lamentação Publicitária, o Conar, que dedica um capítulo extremamente ri- goroso sobre o assunto, eu falo como um profissional de criação, e tem con- tas publicitárias que eu lido que tratam de produtos focados na criança. Nós temos uma extrema preocupação em não ferir o código. O Conar é rigoroso nesse aspecto, ele tira comerciais do ar, ele tira a publicidade do ar, ele pede alterações, então está bastante cuidado isso no nosso negócio. Naturalmente há aqueles mais radicais que acham que isso é insuficiente, e aí é que mora o grande perigo, porque eu sempre digo que o absolutismo nasce das causas nobres, ou seja, bandeiras extremamente agregadoras da sociedade que nin- guém vai dizer que é a favor do câncer, essas bandeiras que aparentemente carregam o senso comum, muitas vezes elas iludem, e as pessoas perdem a noção de consequência. E então é preciso estar muito atento a isso. A ques- tão da criança, ela é prevista, ela merece todo o cuidado no Código Nacional de Autorregulamentação Publicitária, ela está prevista Constituição Federal, ela está prevista no Código de Defesa ao Consumidor, ela está prevista no Es- tatuto da Criança e do Adolescente e no próprio Conar. Então eu acho que qualquer coisa além disso começa a caminhar para um terreno perigoso do obscurantismo da censura e que não é próprio da democracia brasileira, não é próprio daquilo que conquistamos com tanta luta. Períodos negros, perío- dos extremamente ditatoriais que nós atravessamos a custa o sacrifício de muita gente, então hoje não se justifica, não há razão, não há nenhum motivo para que se volte qualquer nuance relativa a esses tempos tão obscuros que nos vivemos no Brasil. Então eu recomendo que a sociedade esteja muito
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 184 atenta, muito precavidacontra esses movimentos radicais. Nós temos que ter responsabilidades, ter compromisso, temos que ter atitude. Naturalmente to- das as vezes que nós vermos os direitos da criança, os valores da criança, os valores da família ameaçados, temos que nos manifestar, temos que recorrer a lei, temos que recorrer a Autorregulamentação que são instrumentos que estão ai a disposição de toda à sociedade. Aqueles que se dizem donos da opinião pública, aqueles que se dizem os únicos capazes de entender o que a sociedade quer são os mais perigosos. Mais perigosos do que qualquer anún- cio, são mais perigosos que qualquer publicidade. Essa propaganda no mal sentido é que deve ser sim objeto da nossa atenção, e de uma atenção muito cuidadosa para que não contamine a sociedade, e nós viríamos a ter conse- quências bastante negativas. Então eu recomendo: cuidado, cuidado sim também com a criança, cuidado com a educação, cuidado com a fiscaliza- ção, eu acho que os pais têm uma responsabilidade muito grande. Eles têm que ser estimulados a terem atitudes, digamos assim, concernentes a sua condição de pais, no sentido eles são responsáveis pela educação da criança, eles são responsáveis pelo estabelecimento dos limites para as crianças, eles são responsáveis pelo estabelecimento de critérios para essa criança, e o quanto mais essa criança esteja exposta a toda qualidade de informação e re- ceba junto dessa informação um filtro, um filtro digamos ético, moral, um fil- tro educacional da sua família e essa conjunção, esse acordo, essa convivên- cia é que vai ser capaz de formar cidadãos preparados, cidadãos com senso crítico e cidadãos com capacidade de fazer as melhores escolhas.” Stalimir Vieira, Diretor da Abap e  “Muitos discutem a ética sobre a publicidade infantil. Alguns especialistas apontam o comportamento agressivo das crianças serem decorrentes da pu- blicidade planejada.As mensagens televisivas são apontadas como as gran- des vilãs, porque manipulam o comportamento das crianças através de men- sagens subliminares inseridas nas propagandas com o objetivo do consumo. Mas, mais do que debater se é ético fazer publicidade para induzir as crianças e adolescentes a pressionar os pais comprar um objeto, que promete preen- cher uma falsa necessidade criada pela mídia, é preciso se criar mecanismos legais para regrar a publicidade, a propaganda e o marketing, principalmente S
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 185 os direcionados para crianças e adolescentes. Penso que tais regras devem abordar as mídias que incitam a erotização precoce através de produtos que influenciem o vestir, andar, etc., e que tais mídias sejam centradas para os pais (que devem avaliar a qualidade, necessidade) e não mais às crianças, pois é legítimo afirmar que as crianças ou adolescentes quando desejam algo pres- sionam, azucrinam e teimam até conseguir o que desejam. A ética na publici- dade infantil vem sendo discutida há muitos anos, em vários países, mas aqui no Brasil é preciso melhorar a educação básica cujas crianças serão os futu- ros cidadãos críticos. Os cursos universitários que formam educadores deve- riam ter como matéria o ensino deste tema – o desenvolvimento do pensa- mento crítico, sua problematização e a resistência às manipulações da indús- tria cultural movida pelo sistema capitalista. Dessa maneira, se criará uma ati- tude ativa de defesa da sociedade por seus direitos de escolher o que se dese- ja consumir, sem afetar a liberdade de cada um. Em relação à criança, ela é antes de mais nada, um ser em formação que precisa receber toda atenção e cuidados dos pais, dos educadores, da sociedade e das autoridades públicas. O que menos interessa nessa fase do desenvolvimento, é ser tratada como um mero comprador de produtos. Fato incontestável é que todas as mensa- gens publicitárias têm por objetivo vender um produto ou serviço. A compra quem decide é o consumidor, tanto melhor se educado para tal, ele comprará apenas o que vai consumir.”  Sueli Dib, Pedagoga e  “Falar em proibir a comunicação e falar em proibir um fabricante de brinque- do de se comunicar com as crianças é no mínimo horrível. As pessoas que fa- lam isso, no nosso ponto de vista, é porque de verdade não gostam de crian- ça. Na verdade a responsabilidade pela vida da criança, pelos séculos dos sé- culos, tem sido da família e não de leis. As leis protegem, as leis explicam al- guns caminhos, mas de verdade nós do mundo do brinquedo, do mundo da fantasia, nós não saberíamos falar com as crianças e trabalhar para elas, para que elas sejam mais, mais felizes, porque o brinquedo é a miniaturização do mundo adulto para criança. Como é que eu posso me relacionar com ela se eu não puder falar com ela, se tiver uma lei me proibindo de falar com a crian- ça? Eu acho que é irresponsável que alguém queira proibir que nós, fabrican-
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 186 tes de brinquedose outros setores da economia brasileira, conversemos com nosso consumidor final, que é a criança, e o nosso mundo é da fantasia. A criança não é como o adulto, a criança ela acorda querendo brincar, ela acor- da ao imaginário, ela acorda querendo fazer coisas, é genético na criança a agitação, a novidade, a movimentação. E depois, sempre foi responsabilidade das famílias cuidar das crianças. O Estado entra onde a criança tem os seus di- reitos violados e coisas dessa natureza, mas nós não temos no ambiente do relacionamento indústria e criança aqui no Brasil nenhum caso, nenhuma crise, nenhum crime de lesa a pátria, de dado às crianças, “ah, mas tem muita publicidade”. É claro, a indústria é competente e tenta se comunicar com seus consumidores, é assim no mundo inteiro e não há nenhuma criança danifica- da por causa disso. Então eu acho que é o momento de mudar o debate, o de- bate está numa direção completamente errada de garantia dos direitos. Nós não queremos tirar o direito da criança. Agora, não podem tirar o nosso direi- to de comunicar, mas principalmente de falar com a criança brasileira. Viva a criança brasileira.”  Synésio Batista da Costa, Presidente da Abrinq e  “Eu sou contra essa proibição, porque eu acho que os pais que devem educar os filhos e selecionar aquilo que eles podem ver na televisão. E mesmo que eles tenham visto, uma grande oportunidade de eles estarem ensinando o que é certo e por que alguns produtos não são bons para serem consumi- dos.” Suzana Leão, Economista e  “Sobre a responsabilidade de publicidade infantil, ela deve ser dos pais. Eles que têm que filtrar e ser responsáveis pela criança para orientar e depois dei- xá-los livres para escolherem. Mas, desde pequenos, eles têm que saber o que é certo e o que é errado e essa responsabilidade não é só da mídia e nem do governo.”  Sydneyde Pires Arruda de Almeida, Corretora de Imóveis e  S
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 187 “Sou contra a nova lei do Estado, até porque as crianças têm que ser influencia- das, serem educadas pelos pais. Se o pai não tem autoridade o suficiente para dizer não, o Estado não tem que se responsabilizar por isso, porque eles devem pensar melhor nas consequências que isso pode estar trazendo para a socieda- de inteira, para a sociedade em si. É bobagem fazer essa lei. Eu sou contra.”  Tamires Gabriela Basílio Nascimento, Auxiliar Administrativa e  “Tendo a propaganda é até mais fácil de a gente educar a criança. O filho che- ga e fala: “mãe eu quero aquilo” e a gente, como pais, pode falar “não, então se você ficar bonzinho você ganha, no dia das crianças, no natal ou no seu ani- versário.” Então a gente pode, com um jogo de cintura, usar a propaganda a nossa favor também na educação. Então eu sou contra. Meu filho faz propa- ganda também e ele leva tudo isso na brincadeira, é legal ele como criança interagir no comercial também.”  Tatiane Aparecida Fonseca, Esteticista e  “Se tirar a publicidade infantil vai estar tirando também o direito da criança de escolher, se ela pode ou não escolher aquele brinquedo e quem tem que de- terminar isso são os pais. O pai é quem tem que educar o filho. “Eu quero, eu quero, eu quero”, mas quem tem que dar a última palavra é o pai e a mãe. Ti- rar, por exemplo, tirar brinquedos de circulação da TV, vamos dizer assim, mas também vai tirar o direito da criança de escolha, como todo mundo tem o direito de escolher, a criança também tem.”  Thaís Raquel, Promotora e  “Meu nome é Thatiana Segundo, eu sou orientadora educacional de oitavo e nono ano no colégio Dante Alighieri. E nós percebemos a necessidade de tra- balhar o tema consumismo, porque a adolescência é uma fase onde eles es- tão em formação de personalidade e existe a necessidade de ser aceito por um grupo. Para ser aceito ele precisa se assemelhar aos pares, portanto ele T
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 188 precisa ter oque o colega tem ou o que aquele grupo tem ou vestir o que eles vestem, frequentar os mesmos lugares e isso acontece indiscriminadamente. Como nós desenvolvemos esse projeto, num primeiro momento a gente passa um vídeo para esses alunos para que eles consigam diferenciar consumo e consumismo. A partir do vídeo, a gente promove uma discussão, uma reflexão, uma discussão, sobre as causas, motivos, consequências do consumismo. De- pois de toda essa discussão, a gente tem um segundo momento onde a gente coloca algumas propagandas onde eles façam uma análise crítica e tentar des- cobrir o que está por trás de uma propaganda de televisão ou de uma revista, numa sacola de uma roupa, qual a mensagem. A ideia é que ele faça uma análi- se disso, o que é necessidade e o que é desejo, o que ele de fato precisa, porque esse desejo ele nunca vai ser satisfeito e o adolescente chega à conclusão nes- sas discussões que ele realmente ele quer um tênis, quer aquele celular e quan- to ele obtém aquilo, aquilo perde a graça e ela já transfere para um outro objeto aquele desejo, então isso não tem fim. Muitos pais me perguntam “ah eu não sei como dizer não” porque ele fala todos os meus amigos tem um celular “x” eu também quero, eu também preciso”, para o adolescente, isso é uma neces- sidade, ele precisa. Se ele não tiver o que o amigo tem naquele momento, ele se sente como se não fizesse parte daquele grupo. Aos pais cabe não ceder a es- ses apelos e a essa pressão do adolescente o que é muito difícil, porque ne- nhum pai quer ver seu filho frustrado, mas a frustração faz parte do processo de crescimento e é importante ter clareza dos valores que você quer transmitir para os seus filhos e fazer isso com muita segurança e sempre com muito diá- logo, porque com o adolescente o embate não traz resultados positivos. Com base no que a gente está fazendo a gente percebe que eles conseguem fazer uma leitura crítica de uma propaganda, uma das lições que a gente sugere é que eles discutam com os pais nos intervalos entre uma novela, entre um jor- nal, qual a mensagem, o que eles está querendo me convencer, porque que aquilo é fundamental para que eu seja feliz? E diferenciar se aquilo é necessário mesmo, esse é o objetivo e a gente tem conseguido. Lógico que a gente não tem, não almeja que todos os alunos de repente parem de desejar objetos, por- que faz parte dessa fase mesmo em que eles estão, mas que consigam fazer uma leitura diferente desse processo”. Thatiana Segundo, Orientadora educacional do colégio Dante Alighieri e  T
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 189 “A respeito de proibir a publicidade infantil, eu sou contra, porque eu acho que vai começar a censurar e eu acho que não é por aí. Eu acho que os meios têm que ser divulgados, mas divulgado com responsabilidade para que as crianças não sejam enganadas, o consumidor, no caso. Agora, eu acho que a publicidade tem que estar com carta branca, sem censura, desde que tenha responsabilidade.”  Thales Gomes Moreira, Chefe de Cozinha e  “Acho que é responsabilidade dos pais zelarem por aquilo que seus filho ve- em quaisquer que sejam os meios de comunicação disponíveis. Isso vale para todos os horários e para filhos em quaisquer idades.”  Valéria Cabral, Recursos Humanos e  “A publicidade infantil é necessária, senão a programação infantil vai acabar ficando muito pobre. Ela gera uma informação para os pais sobre o que com- prar e o que não comprar para as crianças. Os próprios pais devem decidir is- so e selecionar o que as crianças podem assistir ou não. A publicidade não in- fluencia nisso, porque as crianças vão ver de qualquer maneira o que elas vão querer comprar ou não, só que através da televisão é possível selecionar de uma maneira melhor.”  Valéria Titanero, Publicitária e  “Eu não concordo que seja retirada a publicidade para as crianças na televi- são, porque eu acho que a questão da criança ser ou não consumista vai dos pais. Os pais que vão colocar isso para criança, ensinando isso para criança. Não se deve retirar nenhum tipo de programa que é indicado para criança na televisão.”  Vanessa Ferreira de Sousa, Professora e  V
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 190 “Sobre publicidade infantil,eu pratico na minha casa, eu mostro para o meu filho se alguma coisa está sendo oferecida, se não está na capacidade da fa- mília conseguir, eu mostro que aquilo não está ao alcance no momento. Acho que cabe aos pais transmitir ao filho a possibilidade que ele tem na vida na- quele momento. E, se ele quiser ter algum outro objetivo, ele tem mecanis- mos para isso, ele vai ter que estudar, trabalhar para almejar uma coisa que ele não possa ter no momento. É o objetivo dos pais.”  Vartan Sarian Junior, Químico e  “Sou contra a proibição da publicidade infantil, pelo fato de que isso está na cabe- ça de pai e mãe colocar na cabeça do seu filho: “isso eu não posso te dar, isso eu não posso te dar”. Os meus foram criados nesse sentido, o que eu posso te dar, eu te dou, o que eu não posso eu não te dou. Então depende mais de mãe e pai colo- car na cabeça da criança o que pode e o que não pode. Proibir não tem porquê.”  Vera Lucia Branquinho, Confeiteira e  “Tocante a propaganda infantil, com o foco infantil, desde que se tenha cons- ciência, eu acho que não há mal nenhum. Eu tenho um filho de 21 anos, que foi criado assistindo propagandas e nada interferiu na educação dele. Depen- de da família e da sua educação.”  Vera Lúcia da Silva Ramos, Advogada e  “Eu acho que os pais têm que cuidar mais dos filhos e o governo tem que se preocupar com problemas governamentais, não com as crianças. Então os pais têm que saber o que está acontecendo, se libera para algumas propagan- das, (…), as crianças têm que aproveitar o momento deles, mas é um assunto que os pais têm que cuidar mais e tomar mais cuidado.”  Vicente Damaso Jimenez Perez, Empresário e  V
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    aSSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEAGÊNCIAS DE PUBLICIDADE 191 “Muitos brinquedos educativos, brinquedos que incentivam a educação de crianças desde pequeno até o adolescente, vários jogos educativos e didáti- cos vêm da publicidade. Eu acho que tirar essa publicidade é uma verdadeira palhaçada. Tem publicidade de cerveja, de whisky, de carros super caros, de apartamentos que você nunca vai conseguir comprar. A publicidade infantil é totalmente sadia, além de ser divertida e a criança gosta. Os pais que são res- ponsáveis pela educação dentro de casa e pelo que ele pode ou não assistir.”  Vinicius Otávio, Mecânico Aeronáutico e  “Estou aqui para manifestar a minha opinião com relação à proibição da publici- dade infantil. Eu considero essa ideia de proibir, uma coisa totalmente fora da realidade, porque o que é proibido é justamente o que é desejado. Então no ca- so da publicidade infantil deveria ter um foco mais informativo e não tanto co- mercial, é essa a minha opinião, acho que proibir não e sim direcionar para as pessoas se conscientizarem. O produto existe e acho que nem sempre pode ser atingido por todas as camadas sociais, tem que se levar em consideração as ca- madas sociais, porque uma criança de família pobre nem sempre vai poder ter, mas por que não ver? Por que não conviver com isso? Porque ao invés de a gen- te proibir ela vai ter convivência com isso na sociedade em geral, na escola, na rua. O que os nossos filhos pedem a gente tem que ter uma didática em casa e ensinar para eles o que eles podem e o que não podem ter. Mas proibir jamais, porque tudo o que a gente proíbe, com certeza é desejado.” Wirajane Gomes da Fonseca, Pesquisadora e  “Propaganda infantil tem que ter, porque é um direito de qualquer empresa para ela continuar sobrevivendo no mercado e o pai decide o que deve fazer. Às vezes, nós fazemos um sacrifício. O filho está vendo a propaganda e ele vai pedir. Eu, como pai, vou fazer as minhas contas: se dá para comprar, ok; se não dá, eu falo “espera um ano, dois, três anos”. Eu vou priorizar a educação, a alimentação e a saúde.”  Wilson dos Santos, Cabeleireiro e  W
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    WWW.SOMOSTODOSRESPONSAVEIS.COM.BR 192 “Sete anos apresentandoprograma e o que eu sinto é que a publicidade in- fantil ajuda bastante, até a educar a criança e mostrar para criança que ela é criança. Eu acho que a publicidade infantil ajuda bastante em casos assim de ajudar os pais a educarem os filhos. Por quê? Eu vou explicar. Porque hoje em dia o que está acontecendo bastante é a criança querer ser adolescente ou querer ser adulto, é o que eu vejo assim no meu dia a dia, no meu convívio com as crianças. Eu acho que a publicidade ajuda bastante a passar essa men- sagem para todas as crianças do Brasil, o porquê... Se não tem a publicidade, não tem o produto, não tem o programa, não tem o Yudi todo dia na TV pas- sando essa mensagem, passando as coisas boas para as crianças, então se não tem tudo isso, a criança vai apelar para parte do adolescente e do adulto. Elas vão partir a ouvir músicas que não tem a ver com a idade dela, vão fazer coisas que não está na idade dela. Então eu acho que é muito importante a publicidade infantil continuar, os programas infantis continuarem e toda essa parte é importantíssima. Então eu acho, eu conto com a ajuda de todos vocês para que o Yudi continue aqui apresentando o programa, alegrando todos os filhos de vocês. Eu acho que quando eu animo as crianças do Brasil, eu acabo pegando a família inteira e a casa toda fica mais alegre. Então a publicidade infantil tem que continuar rolando pelo Brasilzão, no mundo todo, para que as crianças continuem sendo crianças, certo? Brigado.”  Yudi Tamashiro, Apresentador do SBT Y
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