DICAS DE FOTOATIVAÇÃO

Por que é importante?
As resinas compostas, sejam elas resinas para
adesão (adesivos dentais), resinas para restau-

de resinas menos amareladas para dentes cla-

rações (diretas ou indiretas) ou resinas para ci-

reados, além de cimentos translúcidos e resinas

mentação (cimentos resinosos), são fundamen-

do tipo bulk-fill (incremento único).

tais para a execução dos tratamentos estéticos

Visto que há uma variedade de fontes de luz e

disponíveis na odontologia restauradora. Sendo

de materiais resinosos (variadas composições

assim, os materiais resinosos, em sua grande

químicas), uma correta fotoativação do material

maioria, dependem total ou parcialmente de

resinoso implica maior durabilidade dos trata-

uma correta fotoativação para sua polimeriza-

mentos estéticos, aumentando sobremaneira o

ção efetiva. Vários são os aparelhos fotoativado-

Fotoativação de
materiais resinosos

Esses LEDs possuem eficiência para todo tipo

prognóstico em longo prazo dos procedimentos
adesivos, o que garante a satisfação do paciente.

Souza-Junior, Eduardo José

res e as técnicas de fotoativação, o que obriga o

Cirurgião-dentista

dentista a entender e a conhecer a fonte de luz e

Mestre em Dentística - UNICAMP

a técnica de aplicação luminosa adequada para

Doutorando em Materiais Dentários – UNICAMP-SP
edujcsj@gmail.com

O que é necessário?

a situação clínica em questão.
No mercado brasileiro são vendidos aparelhos
de luz emitida por diodo (LED) e aparelhos de

Hass, Viviane

•	 Fonte de luz de irradiância mínima de 400
mW/cm2 (seja ela LED ou aparelho de lâmpa-

Cirurgiã-dentista

lâmpada halógena. Os LEDs têm sido amplamen-

Mestre e Doutoranda em Dentística – UEPG-PR

te utilizados por apresentar diversas vantagens

Bertholdo, Gustavo
Cirurgião-dentista
Mestre em Prótese Dental – UNINGÁ
Professor do Centro Universitário de Várzea Grande – UNIVAG-MT

quando comparados aos aparelhos de lâmpada
halógena: são mais leves, possuem versão wire-

less, vida útil de aproximadamente 4 mil horas,
maior irradiância (em outras palavras, são mais

da halógena)
•	 Manutenção adequada do aparelho de emissão luminosa
•	 Óculos de proteção de cor laranja para os
olhos
•	 Filme plástico transparente (PVC) para cada

potentes), apresentam uma melhor ergonomia.1

paciente (biossegurança) como proteção à

Entretanto, existem alguns materiais resinosos

aderência indesejada de materiais resinosos,

Cirurgião-dentista

que não são eficientemente polimerizados com

para ser posicionado na ponteira da fonte de

Mestre e Doutor em Materiais Dentários – UNICAMP

a fotoativação por LEDs de segunda geração (a

Brandt, William Cunha
Professor da Universidade de Santo Amaro – UNISA-SP

Sinhoreti, Mário Alexandre Coelho

maioria dos que estão disponíveis no mercado).
Esses materiais possuem outro conteúdo de fo-

luz
•	 Radiômetro (para LED ou para aparelhos de
lâmpada halógena)

Mestre e Doutor em Materiais Dentários – UNICAMP

•	 Instruções do fabricante presentes nas em-

aparelhos que também emitam ondas no espec-

balagens dos materiais resinosos contendo

tro ultravioleta. Dessa forma, os LEDs de terceira

as informações sobre a fotoativação do pro-

geração ou de múltiplos picos têm sido utilizados

Cirurgião-dentista

toiniciador, exigindo que sejam fotoativados por

duto

1

Professor titular da UNICAMP-SP

para tal fim. Como exemplo temos o Bluephase
G2 (Ivoclar Vivadent, Schaan, Liechtenstein), o
VALO (Ultradent, South Jourdan, Utah, EUA) e o
Smartlite Max (Dentsply, Caulk, Midford, EUA).
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v.2, n.2, 2013
Como fazer?
Adesivos
Os adesivos que não possuem solvente no fras-

disso, nos adesivos de frasco único alguns fabri-

vação por 10 segundos, porém, quanto maior for

co, em geral, são adequadamente fotoativados

cantes, por conta da excessiva hidrofilia de seus

a distância entre a ponta do aparelho fotoativa-

por qualquer fonte de luz. Como exemplo tem-

componentes, adicionam fotoiniciadores alter-

dor e a superfície molhada pelo adesivo, menor

-se o “bond” dos sistemas de condicionamento

nativos, como o QTX e o TPO, que não são muito

será a irradiância da luz a atingir esse material.

total de 3 passos e dos autocondicionantes de

bem excitados com LEDs de segunda geração.

Sendo assim, deve-se realizar uma fotoativação

2 passos. Normalmente esse “bond” possui uma

Outro fator importante é a relação entre distân-

por no mínimo 20 segundos4 (Fig. A). Essa fotoa-

matriz orgânica livre de solvente, ou uma quanti-

cia da ponteira da fonte de luz e qualidade de po-

tivação adicional deve ser realizada com cautela,

dade ínfima de solvente. Por outro lado, para os

limerização. Para as cavidades com paredes pro-

pois alguns LEDs de alta irradiância, especial-

adesivos simplificados, deve-se, no mínimo, vola-

fundas, como em cavidades Classes I e II, onde a

mente os LEDs de segunda geração (ex.: Radii

tilizar o solvente com jato de ar por 10 segundos

parede pulpar ou gengival localiza-se de 4 mm

Cal, SDI, Victoria, Austrália), emitem muito calor,

antes da fotoativação. Dessa forma, a matriz do

a 8 mm de profundidade, há a necessidade de

especialmente na camada de adesivo; caso haja

polímero resinoso fica menos porosa e promove

uma fotoativação prolongada dos adesivos.2 De

uma dentina profunda e pouco espessa, pode

Além

maneira geral, os fabricantes indicam a fotoati-

haver injúrias pulpares.

2

maior selamento da dentina e esmalte.

2,3

A

Fotoativação do sistema adesivo por 20 segundos (A).
Resinas compostas

no mínimo 20 segundos de luz por incremento

quentemente maior durabilidade do tratamento

Existem alguns fatores que são importantes

(Fig. B). Em relação à saturação e à opacidade,

restaurador. Todavia, alguns materiais foram lan-

para garantir uma correta fotoativação de re-

em materiais mais saturados - por exemplo, uma

çados no mercado como “resinas de incremento

sinas compostas. Entre eles está a saturação

resina de cor A4 -, a fotoativação deve ser feita

único” (bulk-fill), com possibilidades promisso-

(intensidade da cor e opacidade), o tamanho do

de maneira mais prolongada, pois uma maior

ras na odontologia restauradora.

incremento e a distância do incremento para a

quantidade de pigmento impede que a luz che-

A ponteira do aparelho fotoativador pode ser fa-

ponteira do aparelho fotoativador. A fonte de luz

5

gue eficientemente em toda a massa de resina.

bricada de polímero ou de fibra óptica (Fig. C-D).

deve ter irradiância de no mínimo 400 mW/cm ,

O mesmo acontece para as resinas designadas

As ponteiras de plástico possuem maior disper-

e a fotoativação deve ocorrer com dose energé-

para “dentina”, ou resinas mais opacas.

são de luz e, ao chegarem ao material a ser fotoa-

2

tica mínima de 16 J. Isso implica a seguinte re-

A resina composta, independentemente da fonte

tivado, atingem-no com menor irradiância, quan-

gra: para aparelhos menos potentes, no mínimo

de luz utilizada, deve ser aplicada de maneira in-

do comparadas com as ponteiras de fibra óptica.

40 segundos de fotoativação por incremento. Já

cremental, com no máximo 2 mm de espessura,

Por outro lado, as ponteiras mais indicadas são

para aparelhos mais potentes (alta irradiância),

para que haja uma correta fotoativação e conse-

as de fibra óptica, as quais permitem uma pas-

1

sagem de luz com mínima perda luminosa, da
saída da lâmpada ou LED até a extremidade da
B

ponteira. Deve-se realizar uma proteção com filme fino de PVC (filme plástico para embalar alimentos) para que não grude resina e reduza-se
a passagem de luz. Os aparelhos mais modernos
possuem os LEDs já localizados na extremidade
da ponteira, para que não haja problema de redução da intensidade luminosa para fotoativação.
Em relação ao operador, ele tem influência significativa no processo de fotoativação, devendo
ficar atento durante todo o procedimento fotoativador, usar óculos de cor laranja para proteção
dos olhos e ter conhecimento sobre o aparelho
adequado para o material utilizado.
Da mesma forma que para os sistemas adesivos,
incrementos iniciais em cavidades profundas devem ser fotoativados por um tempo adicional, já
que, com 6 mm de distância entre ponta da fonte
de luz e material, a intensidade de luz que chega
é 50% menor do que a que sai da ponteira, reduzindo assim a qualidade do polímero formado.6
Fotoativação da camada de resina translúcida correspondente à camada de esmalte palatino (B).
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v.2, n.2, 2013
C

D

Fotoativação com ponteira de polímero evidenciando a dispersão demasiada da luz (C). Fotoativação com ponteira de fibra óptica evidenciando a concentração de luz no final da ponteira (D).

Cimentos resinosos

tida por esses tipos de cimentos faz com que o

Uma tendência no protocolo de utilização dos

As resinas para cimentação são os materiais

cimento possua uma polimerização satisfatória

cimentos resinosos duais é aguardar de 1 a 5

mais afetados quando o assunto é fotoativação.

mínima em casos de atenuação da luz.

minutos de polimerização química previamente

Isso acontece pelo fato de o material restaurador

Nos laminados cerâmicos, por apresentarem es-

à fotoativação.6 Esse tempo de espera é reco-

indireto atuar como uma barreira à passagem

pessura geralmente delgada, a luz consegue pe-

mendado com a intenção de se reduzir ao má-

completa da luz. Sendo assim, deve-se sempre

netrar mais através dessas restaurações, o que

ximo a tensão de contração de polimerização do

fotoativar pelo tempo indicado pelo fabricante

proporciona melhor efetividade na polimeriza-

cimento resinoso, já que este seria considerado

do cimento resinoso cada uma das faces visíveis

ção do material cimentante. Dessa forma, dá-se

um “incremento único” de resina composta e

e possíveis, ou seja, as faces vestibular, linguo-

preferência à utilização de cimentos resinosos

que provavelmente poderia gerar uma sensibili-

palatina e inciso-oclusal. Em restaurações com

fotoativados ou resinas compostas termomodi-

dade dental pós-cimentação. Esta é uma técnica

cerâmicas reforçadas (ex.: E.max, In Ceram), as

ficadas (aquecidas), já que a luz de fotoativação

promissora, pois esse tempo prévio sem fotoa-

quais possuem copings extremamente opacos,

consegue, na maioria das vezes, atravessar o

tivação pode ser utilizado para a limpeza intras-

deve-se sempre realizar uma fotoativação adi-

material e promover uma adequada fotopolime-

sulcular e interproximal dos cimentos e garante,

cional em cada uma das faces. Para a cimenta-

rização. Mesmo assim, para facetas cerâmicas,

in vitro, resultados muito interessantes com re-

ção de coroas cerâmicas, deve-se utilizar cimen-

por questão de cautela, deve-se aumentar o

dução da tensão de contração de polimerização

tos resinosos duais ou quimicamente ativados.

tempo de fotoativação para melhorar as proprie-

com mesma qualidade de polimerização que a

A polimerização química total ou parcial garan-

dades mecânicas e físicas do cimento resinoso.

técnica convencional.7
Pinos de fibra	
A cimentação de pinos de fibra deve, preferen-

cimento resinoso.8 Para a técnica do pino anatô-

vel com o material utilizado e irradiância mínima,

cialmente, ser realizada com adesivos duais e ci-

mico (pino reembasado com resina), deve-se dar

para que o procedimento adesivo seja realizado

mentos resinosos químicos ou duais, já que nem

preferência aos cimentos químicos, pois a luz de

de maneira correta e promova um sucesso clí-

toda a luz de fotoativação vai atingir de maneira

fotoativação dificilmente irá alcançar os terços

nico satisfatório. Deve-se levar em consideração

uniforme as regiões do conduto radicular. Além

médio e apical da região a ser restaurada, e os

a situação clínica e o material restaurador a ser

disso, uma dica importante é utilizar sempre o

cimentos duais, no que se refere à parte física da

utilizado, já que o conhecimento sobre as fontes

sistema de cimentação (adesivo + cimento resi-

fotoativação, estariam subpolimerizados.

de luz e técnicas de fotoativação é essencial para
que o tratamento restaurador seja realizado com

noso) do mesmo fabricante, para que não ocorra

Considerações finais

eficácia e garanta a satisfação do paciente.

sivo e do cimento resinoso.8 Em relação à trans-

A fotoativação é uma etapa fundamental para o

Referências

lucidez e à opacidade, os pinos translúcidos

sucesso e longevidade clínica das restaurações

conseguem transmitir mais luz para o interior do

adesivas, diretas ou indiretas. Dessa forma, é im-

conduto radicular (Fig. E), comparados aos pinos

portante que o profissional selecione uma fonte

opacos, melhorando também a performance do

de luz adequada, com espectro de luz compatí-

nenhuma interação negativa na polimerização
do cimento, por conta de diferença do pH do ade-

E

1.	 Rueggeberg FA. State-of-the-art: dental photocuring:
a review. Dent Mater. 2011;27:39-52.
2.	Ferreira SQ, Costa TR, Klein-Júnior CA, Accorinte
M, Meier MM, Loguercio AD, Reis A. Improvement
of exposure times: effects on adhesive properties
and resin-dentin bond strengths of etch-and-rinse
adhesives. J Adhes Dent. 2011;13:235-41.
3.	Gaglianone LA, Lima AF, Araújo LS, Cavalcanti AN,
Marchi GM. Influence of different shades and LED
irradiance on the degree of conversion of composite
resins. Braz Oral Res. 2012; 26:165-9.
4.	Hass V, Luque-Martinez I, Sabino NB, Loguercio AD,
Reis A. Prolonged exposure times o fone-step selfetch adhesives on adhesive properties and durability
of dentine bonds. J Dent. 2012;40:1090-102.
5.	Souza-Junior EJ, Bueno VC, Dias CT, Paulillo LA. Effect
of endodontic sealer and resin luting strategies on
pull-out bond strength of glass fiber posts to dentin.
Acta Odontol Latinoam. 2012;23:216-21.
6.	Price RB, Dérand T, Sedarous, Andreou P, Loney R.
Effect of distance on the power density from two light
guides. J Esthet Dent. 2000;12:320-7.
7.	 Faria-e-Silva A, Boaro L, Braga R, Piva E, Arias V, Martins
L. Effect of immediate or delayed light activation on
curing kinetics and shrinkage stress of dual-cure resin
cements. Oper Dent. 2011;36:196-204.
8.	Faria-e-Silva AL, Casseli DS, Ambrosano GM, Martins
LR. Effect of the adhesive application mode and fiber
post translucency on the push-out bond strength to
dentin. J Endod. 2007;33:1078-81.

Fotoativação de cimento resinoso para cimentação de um pino de fibra translúcido. Note a transmissão de luz pelo pino translúcido (B).
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v.2, n.2, 2013
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Dicas fotoativação - TIPS of Photoactivation

  • 1.
    DICAS DE FOTOATIVAÇÃO Porque é importante? As resinas compostas, sejam elas resinas para adesão (adesivos dentais), resinas para restau- de resinas menos amareladas para dentes cla- rações (diretas ou indiretas) ou resinas para ci- reados, além de cimentos translúcidos e resinas mentação (cimentos resinosos), são fundamen- do tipo bulk-fill (incremento único). tais para a execução dos tratamentos estéticos Visto que há uma variedade de fontes de luz e disponíveis na odontologia restauradora. Sendo de materiais resinosos (variadas composições assim, os materiais resinosos, em sua grande químicas), uma correta fotoativação do material maioria, dependem total ou parcialmente de resinoso implica maior durabilidade dos trata- uma correta fotoativação para sua polimeriza- mentos estéticos, aumentando sobremaneira o ção efetiva. Vários são os aparelhos fotoativado- Fotoativação de materiais resinosos Esses LEDs possuem eficiência para todo tipo prognóstico em longo prazo dos procedimentos adesivos, o que garante a satisfação do paciente. Souza-Junior, Eduardo José res e as técnicas de fotoativação, o que obriga o Cirurgião-dentista dentista a entender e a conhecer a fonte de luz e Mestre em Dentística - UNICAMP a técnica de aplicação luminosa adequada para Doutorando em Materiais Dentários – UNICAMP-SP edujcsj@gmail.com O que é necessário? a situação clínica em questão. No mercado brasileiro são vendidos aparelhos de luz emitida por diodo (LED) e aparelhos de Hass, Viviane • Fonte de luz de irradiância mínima de 400 mW/cm2 (seja ela LED ou aparelho de lâmpa- Cirurgiã-dentista lâmpada halógena. Os LEDs têm sido amplamen- Mestre e Doutoranda em Dentística – UEPG-PR te utilizados por apresentar diversas vantagens Bertholdo, Gustavo Cirurgião-dentista Mestre em Prótese Dental – UNINGÁ Professor do Centro Universitário de Várzea Grande – UNIVAG-MT quando comparados aos aparelhos de lâmpada halógena: são mais leves, possuem versão wire- less, vida útil de aproximadamente 4 mil horas, maior irradiância (em outras palavras, são mais da halógena) • Manutenção adequada do aparelho de emissão luminosa • Óculos de proteção de cor laranja para os olhos • Filme plástico transparente (PVC) para cada potentes), apresentam uma melhor ergonomia.1 paciente (biossegurança) como proteção à Entretanto, existem alguns materiais resinosos aderência indesejada de materiais resinosos, Cirurgião-dentista que não são eficientemente polimerizados com para ser posicionado na ponteira da fonte de Mestre e Doutor em Materiais Dentários – UNICAMP a fotoativação por LEDs de segunda geração (a Brandt, William Cunha Professor da Universidade de Santo Amaro – UNISA-SP Sinhoreti, Mário Alexandre Coelho maioria dos que estão disponíveis no mercado). Esses materiais possuem outro conteúdo de fo- luz • Radiômetro (para LED ou para aparelhos de lâmpada halógena) Mestre e Doutor em Materiais Dentários – UNICAMP • Instruções do fabricante presentes nas em- aparelhos que também emitam ondas no espec- balagens dos materiais resinosos contendo tro ultravioleta. Dessa forma, os LEDs de terceira as informações sobre a fotoativação do pro- geração ou de múltiplos picos têm sido utilizados Cirurgião-dentista toiniciador, exigindo que sejam fotoativados por duto 1 Professor titular da UNICAMP-SP para tal fim. Como exemplo temos o Bluephase G2 (Ivoclar Vivadent, Schaan, Liechtenstein), o VALO (Ultradent, South Jourdan, Utah, EUA) e o Smartlite Max (Dentsply, Caulk, Midford, EUA). 24 25 v.2, n.2, 2013
  • 2.
    Como fazer? Adesivos Os adesivosque não possuem solvente no fras- disso, nos adesivos de frasco único alguns fabri- vação por 10 segundos, porém, quanto maior for co, em geral, são adequadamente fotoativados cantes, por conta da excessiva hidrofilia de seus a distância entre a ponta do aparelho fotoativa- por qualquer fonte de luz. Como exemplo tem- componentes, adicionam fotoiniciadores alter- dor e a superfície molhada pelo adesivo, menor -se o “bond” dos sistemas de condicionamento nativos, como o QTX e o TPO, que não são muito será a irradiância da luz a atingir esse material. total de 3 passos e dos autocondicionantes de bem excitados com LEDs de segunda geração. Sendo assim, deve-se realizar uma fotoativação 2 passos. Normalmente esse “bond” possui uma Outro fator importante é a relação entre distân- por no mínimo 20 segundos4 (Fig. A). Essa fotoa- matriz orgânica livre de solvente, ou uma quanti- cia da ponteira da fonte de luz e qualidade de po- tivação adicional deve ser realizada com cautela, dade ínfima de solvente. Por outro lado, para os limerização. Para as cavidades com paredes pro- pois alguns LEDs de alta irradiância, especial- adesivos simplificados, deve-se, no mínimo, vola- fundas, como em cavidades Classes I e II, onde a mente os LEDs de segunda geração (ex.: Radii tilizar o solvente com jato de ar por 10 segundos parede pulpar ou gengival localiza-se de 4 mm Cal, SDI, Victoria, Austrália), emitem muito calor, antes da fotoativação. Dessa forma, a matriz do a 8 mm de profundidade, há a necessidade de especialmente na camada de adesivo; caso haja polímero resinoso fica menos porosa e promove uma fotoativação prolongada dos adesivos.2 De uma dentina profunda e pouco espessa, pode Além maneira geral, os fabricantes indicam a fotoati- haver injúrias pulpares. 2 maior selamento da dentina e esmalte. 2,3 A Fotoativação do sistema adesivo por 20 segundos (A).
  • 3.
    Resinas compostas no mínimo20 segundos de luz por incremento quentemente maior durabilidade do tratamento Existem alguns fatores que são importantes (Fig. B). Em relação à saturação e à opacidade, restaurador. Todavia, alguns materiais foram lan- para garantir uma correta fotoativação de re- em materiais mais saturados - por exemplo, uma çados no mercado como “resinas de incremento sinas compostas. Entre eles está a saturação resina de cor A4 -, a fotoativação deve ser feita único” (bulk-fill), com possibilidades promisso- (intensidade da cor e opacidade), o tamanho do de maneira mais prolongada, pois uma maior ras na odontologia restauradora. incremento e a distância do incremento para a quantidade de pigmento impede que a luz che- A ponteira do aparelho fotoativador pode ser fa- ponteira do aparelho fotoativador. A fonte de luz 5 gue eficientemente em toda a massa de resina. bricada de polímero ou de fibra óptica (Fig. C-D). deve ter irradiância de no mínimo 400 mW/cm , O mesmo acontece para as resinas designadas As ponteiras de plástico possuem maior disper- e a fotoativação deve ocorrer com dose energé- para “dentina”, ou resinas mais opacas. são de luz e, ao chegarem ao material a ser fotoa- 2 tica mínima de 16 J. Isso implica a seguinte re- A resina composta, independentemente da fonte tivado, atingem-no com menor irradiância, quan- gra: para aparelhos menos potentes, no mínimo de luz utilizada, deve ser aplicada de maneira in- do comparadas com as ponteiras de fibra óptica. 40 segundos de fotoativação por incremento. Já cremental, com no máximo 2 mm de espessura, Por outro lado, as ponteiras mais indicadas são para aparelhos mais potentes (alta irradiância), para que haja uma correta fotoativação e conse- as de fibra óptica, as quais permitem uma pas- 1 sagem de luz com mínima perda luminosa, da saída da lâmpada ou LED até a extremidade da B ponteira. Deve-se realizar uma proteção com filme fino de PVC (filme plástico para embalar alimentos) para que não grude resina e reduza-se a passagem de luz. Os aparelhos mais modernos possuem os LEDs já localizados na extremidade da ponteira, para que não haja problema de redução da intensidade luminosa para fotoativação. Em relação ao operador, ele tem influência significativa no processo de fotoativação, devendo ficar atento durante todo o procedimento fotoativador, usar óculos de cor laranja para proteção dos olhos e ter conhecimento sobre o aparelho adequado para o material utilizado. Da mesma forma que para os sistemas adesivos, incrementos iniciais em cavidades profundas devem ser fotoativados por um tempo adicional, já que, com 6 mm de distância entre ponta da fonte de luz e material, a intensidade de luz que chega é 50% menor do que a que sai da ponteira, reduzindo assim a qualidade do polímero formado.6 Fotoativação da camada de resina translúcida correspondente à camada de esmalte palatino (B). 26 27 v.2, n.2, 2013
  • 4.
    C D Fotoativação com ponteirade polímero evidenciando a dispersão demasiada da luz (C). Fotoativação com ponteira de fibra óptica evidenciando a concentração de luz no final da ponteira (D). Cimentos resinosos tida por esses tipos de cimentos faz com que o Uma tendência no protocolo de utilização dos As resinas para cimentação são os materiais cimento possua uma polimerização satisfatória cimentos resinosos duais é aguardar de 1 a 5 mais afetados quando o assunto é fotoativação. mínima em casos de atenuação da luz. minutos de polimerização química previamente Isso acontece pelo fato de o material restaurador Nos laminados cerâmicos, por apresentarem es- à fotoativação.6 Esse tempo de espera é reco- indireto atuar como uma barreira à passagem pessura geralmente delgada, a luz consegue pe- mendado com a intenção de se reduzir ao má- completa da luz. Sendo assim, deve-se sempre netrar mais através dessas restaurações, o que ximo a tensão de contração de polimerização do fotoativar pelo tempo indicado pelo fabricante proporciona melhor efetividade na polimeriza- cimento resinoso, já que este seria considerado do cimento resinoso cada uma das faces visíveis ção do material cimentante. Dessa forma, dá-se um “incremento único” de resina composta e e possíveis, ou seja, as faces vestibular, linguo- preferência à utilização de cimentos resinosos que provavelmente poderia gerar uma sensibili- palatina e inciso-oclusal. Em restaurações com fotoativados ou resinas compostas termomodi- dade dental pós-cimentação. Esta é uma técnica cerâmicas reforçadas (ex.: E.max, In Ceram), as ficadas (aquecidas), já que a luz de fotoativação promissora, pois esse tempo prévio sem fotoa- quais possuem copings extremamente opacos, consegue, na maioria das vezes, atravessar o tivação pode ser utilizado para a limpeza intras- deve-se sempre realizar uma fotoativação adi- material e promover uma adequada fotopolime- sulcular e interproximal dos cimentos e garante, cional em cada uma das faces. Para a cimenta- rização. Mesmo assim, para facetas cerâmicas, in vitro, resultados muito interessantes com re- ção de coroas cerâmicas, deve-se utilizar cimen- por questão de cautela, deve-se aumentar o dução da tensão de contração de polimerização tos resinosos duais ou quimicamente ativados. tempo de fotoativação para melhorar as proprie- com mesma qualidade de polimerização que a A polimerização química total ou parcial garan- dades mecânicas e físicas do cimento resinoso. técnica convencional.7
  • 5.
    Pinos de fibra Acimentação de pinos de fibra deve, preferen- cimento resinoso.8 Para a técnica do pino anatô- vel com o material utilizado e irradiância mínima, cialmente, ser realizada com adesivos duais e ci- mico (pino reembasado com resina), deve-se dar para que o procedimento adesivo seja realizado mentos resinosos químicos ou duais, já que nem preferência aos cimentos químicos, pois a luz de de maneira correta e promova um sucesso clí- toda a luz de fotoativação vai atingir de maneira fotoativação dificilmente irá alcançar os terços nico satisfatório. Deve-se levar em consideração uniforme as regiões do conduto radicular. Além médio e apical da região a ser restaurada, e os a situação clínica e o material restaurador a ser disso, uma dica importante é utilizar sempre o cimentos duais, no que se refere à parte física da utilizado, já que o conhecimento sobre as fontes sistema de cimentação (adesivo + cimento resi- fotoativação, estariam subpolimerizados. de luz e técnicas de fotoativação é essencial para que o tratamento restaurador seja realizado com noso) do mesmo fabricante, para que não ocorra Considerações finais eficácia e garanta a satisfação do paciente. sivo e do cimento resinoso.8 Em relação à trans- A fotoativação é uma etapa fundamental para o Referências lucidez e à opacidade, os pinos translúcidos sucesso e longevidade clínica das restaurações conseguem transmitir mais luz para o interior do adesivas, diretas ou indiretas. Dessa forma, é im- conduto radicular (Fig. E), comparados aos pinos portante que o profissional selecione uma fonte opacos, melhorando também a performance do de luz adequada, com espectro de luz compatí- nenhuma interação negativa na polimerização do cimento, por conta de diferença do pH do ade- E 1. Rueggeberg FA. State-of-the-art: dental photocuring: a review. Dent Mater. 2011;27:39-52. 2. Ferreira SQ, Costa TR, Klein-Júnior CA, Accorinte M, Meier MM, Loguercio AD, Reis A. Improvement of exposure times: effects on adhesive properties and resin-dentin bond strengths of etch-and-rinse adhesives. J Adhes Dent. 2011;13:235-41. 3. Gaglianone LA, Lima AF, Araújo LS, Cavalcanti AN, Marchi GM. Influence of different shades and LED irradiance on the degree of conversion of composite resins. Braz Oral Res. 2012; 26:165-9. 4. Hass V, Luque-Martinez I, Sabino NB, Loguercio AD, Reis A. Prolonged exposure times o fone-step selfetch adhesives on adhesive properties and durability of dentine bonds. J Dent. 2012;40:1090-102. 5. Souza-Junior EJ, Bueno VC, Dias CT, Paulillo LA. Effect of endodontic sealer and resin luting strategies on pull-out bond strength of glass fiber posts to dentin. Acta Odontol Latinoam. 2012;23:216-21. 6. Price RB, Dérand T, Sedarous, Andreou P, Loney R. Effect of distance on the power density from two light guides. J Esthet Dent. 2000;12:320-7. 7. Faria-e-Silva A, Boaro L, Braga R, Piva E, Arias V, Martins L. Effect of immediate or delayed light activation on curing kinetics and shrinkage stress of dual-cure resin cements. Oper Dent. 2011;36:196-204. 8. Faria-e-Silva AL, Casseli DS, Ambrosano GM, Martins LR. Effect of the adhesive application mode and fiber post translucency on the push-out bond strength to dentin. J Endod. 2007;33:1078-81. Fotoativação de cimento resinoso para cimentação de um pino de fibra translúcido. Note a transmissão de luz pelo pino translúcido (B). 28 29 v.2, n.2, 2013
  • 6.
    PROPAGANDA Proteção e prevençãosuperior contra cárie e erosão! Fluor Protector Helioseal® F Verniz estético protetor contendo flúor para desensibilização e prevenção de cáries. Selantes fotopolimerizáveis baseados em resina, para o selamento preventivo de fóssulas e fissuras, utilizando a técnica de condicionamento ácido do esmalte. Vantagens: – 0,1% de flúor em uma solução homogênea; a concentração é 10 vezes mais alta quando o verniz estiver seco; – Altamente estético; – Excelente adesão; – Compatível a todas as faixas etárias. Vantagens: – Retenção duradoura; – Forte selamento marginal; – Excelente fluidez. Cód.: 558519 Helioseal F: 1x 1.25 g Proteção avançada contra sensibilidade, cáries e erosão devido: – ao fechamento dos túbulos dentinários abertos; – a prevenção contra desmineralização; – a estimulação da remineralização; – a remineralização de cáries incipientes. Cód.: 550580 Intro Pack: 4x 0.4 ml PROMOÇÃO+ 1 2 Leve caixa de Fluor Protector mais seringas de ® Helioseal F e ganhe mais 1 caixa do Fluor Protector por: R$ 161,64 Disponível em uma Dental perto de você. Para mais informações: cac@ivoclarvivadent.com.br Alameda Caiapós, 723 - Tamboré - 06460-110 - Barueri - SP Fone: 11 2424-7400 - Fax: 11 2424-7440 *Todas as imagens são ilustrativas. **Validade da promoção: 30/06/2013 ou enquanto durar no estoque. Ivoclar Vivadent Brasil, empresa do grupo Ivoclar Vivadent AG – Liechtenstein. www.ivoclarvivadent.com.br + = Grátis