Gravura: Conservação, cuidados e vocabulário.
Professora: Luciana Estivalett
Sobre o papel
O papel é uma substância hidrossolúvel, isto é, tem tendência natural a absorver a água da atmosfera,
propriedade que lhe garante maciez e flexibilidade, mas também pode determinar sua destruição, conforme
seja exposto a condições adversas de temperatura e umidade. Mantido em uma atmosfera muito seca por
longo período de tempo, ele se torna quebradiço, e pode mesmo se desagregar.
O clima no Rio Grande do Sul não costuma ser acentuadamente seco e quente, o que livra o papel aqui de
se tornar quebradiço. Por outro lado, o Estado apresenta períodos de grande umidade relativa do ar, que
amolece e enruga as folhas, agindo também na degeneração da montagem e da moldura e favorecendo o
surgimento e proliferação de bactérias e fungos.
A temperatura ideal para o papel é de 20 graus centígrados, embora o aumento ou a diminuição de uma
dezena de graus ainda seja tolerável.
O papel colocado perto de lareiras, estufas, lâmpadas elétricas ou atrás de vidros que recebem raios
solares diretamente tem sua vida útil muito reduzida.
A iluminação é necessária para a contemplação dos trabalhos, mas deve ser administrada. As radiações da
luz agem sobre diversas substâncias ou impurezas do papel (ácidos, resinas, colas), causando o
rompimento das fibras, modificação da coloração (branqueamento ou amarelamento) e alteração das
tonalidades das tintas empregadas.
O rodízio entre as obras expostas pode ser um método de atenuar os danos que podem surgir pela
exposição a luz.
Cuidados com a gravura
A gravura deve ser segurada pelas margens, apenas com o indicador e o polegar das duas mãos.
Quando guardadas umas sobre as outras, é importante que seu dono as separe com papel japonês, para
proteger a superfície impressa.
Para emoldurar deve-se usar apenas cola de origem animal. As outras colas podem deixar marcas
irreversíveis.
O vidro é essencial para a proteção da gravura, mas ele não deve tocar a superfície do papel, pois a
condensação de umidade dentro da moldura pode causar manchas.
Um passe-partout espesso, que permite alguns milímetros entre a superfície do trabalho e o vidro, é
importante para a ventilação e ao mesmo tempo absorve a umidade. E é importante deixar todo o papel da
gravura a mostra, pois assim não ficará nenhuma “janela” amarelecida pela exposição desigual à luz.
A parede pode transmitir umidade ao trabalho nela pendurado. Nesse caso, quatro fatias de rolha,
colocadas nos cantos do verso do quadro garantem a circulação do ar e isolam a umidade.
Em caso de ataque de fungos, bactérias, traças ou outros insetos, o melhor é procurar a ajuda de um bom
restaurador. A maioria dos problemas causados pelo tempo pode ser reversível.
O Vocabulário
Numeração:
A numeração da gravura é feita por uma fração. O numerador indica o número do exemplar e o
denominador, o total da tiragem.
Além da edição normal, o artista pode fazer uma especial, em papel diferente ou em outra cor. Nesses
casos, esta edição será numerada em algarismos romanos.
Abaixo da gravura o artista, tradicionalmente, coloca a sigla correspondente à gravura e logo ao lado a
numeração.
Centralizado e entre aspas é posto o título da gravura. E na outra extremidade vai a assinatura e data do
trabalho.
Siglas:
 P.A. (prova do artista): Executa a tiragem proposta, o artista imprime certo número de gravuras a
mais, geralmente 6 ou 10% do total da tiragem, numeradas em algarismos romanos, que constituem
suas provas.
 P.C. (prova de cor): Orienta a aplicação da cor e as modificações que devem ser feitas antes de
iniciar a tiragem.
 P.E. (prova de estado): Provas tiradas para demonstrar o desenrolar da execução da matriz e
orientar as correções ou alterações a serem feitas, até que esteja pronta para impressão.
 P.I. (prova do impressor): Em gravuras estrangeiras a convenção usada não é P.I., mas bon à tirer.
É a gravura que finalmente está com a matriz e a tinta perfeitamente acertadas. É a prova que o
artista aprovou a edição a partir desse exemplar.
 IMP: Sigla que indica que foi o próprio artista que imprimiu a gravura. Quando é uma impressora
que a executa, é recomendável que esta coloque seu selo em relevo cego em uma das bordas do
papel.
 H.C. (hors commerce): Exemplar fora de mercado.
Referência bibliográfica
WEBSTER, Maria Helena. Gravuras compreensão e conservação. Porto Alegre: Webster Arte, 1984.

Conservação, cuidados e vocabulário da gravura

  • 1.
    Gravura: Conservação, cuidadose vocabulário. Professora: Luciana Estivalett Sobre o papel O papel é uma substância hidrossolúvel, isto é, tem tendência natural a absorver a água da atmosfera, propriedade que lhe garante maciez e flexibilidade, mas também pode determinar sua destruição, conforme seja exposto a condições adversas de temperatura e umidade. Mantido em uma atmosfera muito seca por longo período de tempo, ele se torna quebradiço, e pode mesmo se desagregar. O clima no Rio Grande do Sul não costuma ser acentuadamente seco e quente, o que livra o papel aqui de se tornar quebradiço. Por outro lado, o Estado apresenta períodos de grande umidade relativa do ar, que amolece e enruga as folhas, agindo também na degeneração da montagem e da moldura e favorecendo o surgimento e proliferação de bactérias e fungos. A temperatura ideal para o papel é de 20 graus centígrados, embora o aumento ou a diminuição de uma dezena de graus ainda seja tolerável. O papel colocado perto de lareiras, estufas, lâmpadas elétricas ou atrás de vidros que recebem raios solares diretamente tem sua vida útil muito reduzida. A iluminação é necessária para a contemplação dos trabalhos, mas deve ser administrada. As radiações da luz agem sobre diversas substâncias ou impurezas do papel (ácidos, resinas, colas), causando o rompimento das fibras, modificação da coloração (branqueamento ou amarelamento) e alteração das tonalidades das tintas empregadas. O rodízio entre as obras expostas pode ser um método de atenuar os danos que podem surgir pela exposição a luz. Cuidados com a gravura A gravura deve ser segurada pelas margens, apenas com o indicador e o polegar das duas mãos. Quando guardadas umas sobre as outras, é importante que seu dono as separe com papel japonês, para proteger a superfície impressa. Para emoldurar deve-se usar apenas cola de origem animal. As outras colas podem deixar marcas irreversíveis. O vidro é essencial para a proteção da gravura, mas ele não deve tocar a superfície do papel, pois a condensação de umidade dentro da moldura pode causar manchas.
  • 2.
    Um passe-partout espesso,que permite alguns milímetros entre a superfície do trabalho e o vidro, é importante para a ventilação e ao mesmo tempo absorve a umidade. E é importante deixar todo o papel da gravura a mostra, pois assim não ficará nenhuma “janela” amarelecida pela exposição desigual à luz. A parede pode transmitir umidade ao trabalho nela pendurado. Nesse caso, quatro fatias de rolha, colocadas nos cantos do verso do quadro garantem a circulação do ar e isolam a umidade. Em caso de ataque de fungos, bactérias, traças ou outros insetos, o melhor é procurar a ajuda de um bom restaurador. A maioria dos problemas causados pelo tempo pode ser reversível. O Vocabulário Numeração: A numeração da gravura é feita por uma fração. O numerador indica o número do exemplar e o denominador, o total da tiragem. Além da edição normal, o artista pode fazer uma especial, em papel diferente ou em outra cor. Nesses casos, esta edição será numerada em algarismos romanos. Abaixo da gravura o artista, tradicionalmente, coloca a sigla correspondente à gravura e logo ao lado a numeração. Centralizado e entre aspas é posto o título da gravura. E na outra extremidade vai a assinatura e data do trabalho. Siglas:  P.A. (prova do artista): Executa a tiragem proposta, o artista imprime certo número de gravuras a mais, geralmente 6 ou 10% do total da tiragem, numeradas em algarismos romanos, que constituem suas provas.  P.C. (prova de cor): Orienta a aplicação da cor e as modificações que devem ser feitas antes de iniciar a tiragem.  P.E. (prova de estado): Provas tiradas para demonstrar o desenrolar da execução da matriz e orientar as correções ou alterações a serem feitas, até que esteja pronta para impressão.  P.I. (prova do impressor): Em gravuras estrangeiras a convenção usada não é P.I., mas bon à tirer. É a gravura que finalmente está com a matriz e a tinta perfeitamente acertadas. É a prova que o artista aprovou a edição a partir desse exemplar.  IMP: Sigla que indica que foi o próprio artista que imprimiu a gravura. Quando é uma impressora que a executa, é recomendável que esta coloque seu selo em relevo cego em uma das bordas do papel.  H.C. (hors commerce): Exemplar fora de mercado. Referência bibliográfica
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    WEBSTER, Maria Helena.Gravuras compreensão e conservação. Porto Alegre: Webster Arte, 1984.