Estados mentais de risco para esquizofrenia:
É possível a prevenção?




Ary Gadelha de Alencar Araripe Neto

PROESQ/LINC/PRISMA
Histórico

 • Karl Jasper (1913) – Humor delirante
   (wahnstimmung)

 • Klaus Konrad (1958) – Die Beginnende
   Schizophrenia
    – Trema – Humor delirante
    – Apofania – Anástrofe
    – Apocalipse - Ruptura
    – Consolidação
    – Fase residual
O Que há de novo?
Teoria do Neurodesenvolvimento




      Precoces

     •Complicações
                                   Tardios
       obstétricas
 •Infecções perinatais
                                Uso de drogas
                               Estresse crônico




  0              5       10   15             20 (Idade em anos)
As apresentações clínicas passam a ser compreendidas
e investigadas como manifestações dos processos
biológicos subjacentes.
Fases da Esquizofrenia




                                       Psicose

                       Prodrômica

         Pré-Mórbida

0   5         10       15        20 (Idade em anos)
Estágio prodrômico


 •Critérios definidores de síndromes prodrômicas:

   •Critérios de ultra-alto risco

   •Sintomas básicos

                                    Miller et al., 2003;
                                    Klosterkötter et al., 2001
Ultra alto risco


   •Sintomas positivos atenuados;

   •Sintomas psicóticos breves e intermitentes;

   •Risco genético e deterioração funcional

    Conteúdo incomum do pensamento
    Grandiosidade
    Idéias persecutórias
    Anormalidades perceptuais
    Discurso desorganizado
Arch gen Psychiatry 2008;65: 28-37

•   291 indivíduos que preencheram critérios para UHR foram
    acompanhados por 2 anos e meio.

•   82 converteram - VPP de 35% para as síndromes prodrômicas
    isoladas.

•   Foram identificados 5 fatores relacionados a conversão para
    psicose.

•   A combinação de 3 desses fatores eleva o VPP para 74 a 81%

•   Tempo para conversão menor que 1 ano
Sintomas Básicos


  Conceito criado por Gerd Huber (1966):

“ Alterações sutis, vivenciadas subjetivamente como
  problemas na vontade, afeto, discurso, pensamento,
  percepção, atividade motora e tolerância ao stress”.
Arch gen Psychiatry 2001;58: 158-164



•   Presença de 1 BS, sens. 98% e espec. de 59%, VPP 70%
•   10 BS reunidos, sens. de 74% e espec. de 88%, VPP76,2% (COPER)




•   O tempo médio de duração da fase prodrômica foi de 5,6 anos.
Identificar marcadores comportamentais capazes
de predizer a evolução para psicose




                   Pródromos
                       X
            Estados mentais de Risco
Marcadores Neuro-biológicos
Neuropsicologia



 ródromos Vs Controles saudáveis


 onversão Vs Não-conversão


 ombinação de principais fatores
 preditivos aumenta sensibilidade
 e especificidade.


                                    Pflueger et al., 2007; Riecher-Rössler et al., 2009.
Neuroimagem estrutural



Perda de volume cortical
progressiva   entre  indivíduos
que converteram para psicose;




                                  (Sun et al., 2009)
Neuroimagem molecular



Desregulação dopaminérgica inicia antes do primeiro episódio
psicótico.




                                                      (Howes, 2009)
Tratamento
É possível a prevenção?
Autor/Ano               Grupo de            Tamanho              Desfecho

                                Tratamento
                           comparação          dos grupos


McGorry et al., 2002     1.TCC + risperidona      31        1. Redução na conversão em
                        2.Terapia de suporte      28        6 meses (9,7 Vs 35%),
                                                            p=0,026
                                                            2. Não houve diferença com 1
                                                            ano de seguimento
Morrison et al., 2004       1. TCC                29        1.Redução na conversão em 1
                        2. Monitoramento          29        ano (6% vs 26%), p<0,05
                                                            2. Redução na conversão em
                                                            3 anos – grupo TCC
 McGlashan et al.,         1.Olanzapina           31        1. Redução nas taxas de
      2006                   2.Placebo            29           conversão, mas não foi
                                                               significativa
                                                            2. Altas índices de efeitos
                                                               colaterais
  Amminger et al.,         1. Omega 3             41        1. Redução significativa nas
      2010                 2. Placebo             40        taxas de conversão (4,9% Vs
                                                            27,5%, p=0,004
Intervenção fase-específica
 EIPS
   Intervenção psicológica e redução de estressores
    psicossociais
 LIPS
   Intervenção farmacológica




                                          Klosterkötter et al., 2009
Conclusão
 Longo período pré-morbido e um período prodrômico


Identificação de marcadores cognitivos e biológicos
para aumentar a capacidade de predizer a transição.


 Intervenções no período prodrômico podem retardar o
primeiro episódio e melhorar o prognóstico de longo
prazo.
Um longo
caminho…
Primeiros passos…
Congresso brasileiro de psiquiatria

Congresso brasileiro de psiquiatria

  • 1.
    Estados mentais derisco para esquizofrenia: É possível a prevenção? Ary Gadelha de Alencar Araripe Neto PROESQ/LINC/PRISMA
  • 2.
    Histórico • KarlJasper (1913) – Humor delirante (wahnstimmung) • Klaus Konrad (1958) – Die Beginnende Schizophrenia – Trema – Humor delirante – Apofania – Anástrofe – Apocalipse - Ruptura – Consolidação – Fase residual
  • 3.
    O Que háde novo?
  • 4.
    Teoria do Neurodesenvolvimento Precoces •Complicações Tardios obstétricas •Infecções perinatais Uso de drogas Estresse crônico 0 5 10 15 20 (Idade em anos)
  • 5.
    As apresentações clínicaspassam a ser compreendidas e investigadas como manifestações dos processos biológicos subjacentes.
  • 6.
    Fases da Esquizofrenia Psicose Prodrômica Pré-Mórbida 0 5 10 15 20 (Idade em anos)
  • 7.
    Estágio prodrômico •Critériosdefinidores de síndromes prodrômicas: •Critérios de ultra-alto risco •Sintomas básicos Miller et al., 2003; Klosterkötter et al., 2001
  • 8.
    Ultra alto risco •Sintomas positivos atenuados; •Sintomas psicóticos breves e intermitentes; •Risco genético e deterioração funcional Conteúdo incomum do pensamento Grandiosidade Idéias persecutórias Anormalidades perceptuais Discurso desorganizado
  • 9.
    Arch gen Psychiatry2008;65: 28-37 • 291 indivíduos que preencheram critérios para UHR foram acompanhados por 2 anos e meio. • 82 converteram - VPP de 35% para as síndromes prodrômicas isoladas. • Foram identificados 5 fatores relacionados a conversão para psicose. • A combinação de 3 desses fatores eleva o VPP para 74 a 81% • Tempo para conversão menor que 1 ano
  • 10.
    Sintomas Básicos Conceito criado por Gerd Huber (1966): “ Alterações sutis, vivenciadas subjetivamente como problemas na vontade, afeto, discurso, pensamento, percepção, atividade motora e tolerância ao stress”.
  • 11.
    Arch gen Psychiatry2001;58: 158-164 • Presença de 1 BS, sens. 98% e espec. de 59%, VPP 70% • 10 BS reunidos, sens. de 74% e espec. de 88%, VPP76,2% (COPER) • O tempo médio de duração da fase prodrômica foi de 5,6 anos.
  • 12.
    Identificar marcadores comportamentaiscapazes de predizer a evolução para psicose Pródromos X Estados mentais de Risco
  • 13.
  • 14.
    Neuropsicologia ródromos VsControles saudáveis onversão Vs Não-conversão ombinação de principais fatores preditivos aumenta sensibilidade e especificidade. Pflueger et al., 2007; Riecher-Rössler et al., 2009.
  • 15.
    Neuroimagem estrutural Perda devolume cortical progressiva entre indivíduos que converteram para psicose; (Sun et al., 2009)
  • 16.
    Neuroimagem molecular Desregulação dopaminérgicainicia antes do primeiro episódio psicótico. (Howes, 2009)
  • 17.
  • 18.
    Autor/Ano Grupo de Tamanho Desfecho Tratamento comparação dos grupos McGorry et al., 2002 1.TCC + risperidona 31 1. Redução na conversão em 2.Terapia de suporte 28 6 meses (9,7 Vs 35%), p=0,026 2. Não houve diferença com 1 ano de seguimento Morrison et al., 2004 1. TCC 29 1.Redução na conversão em 1 2. Monitoramento 29 ano (6% vs 26%), p<0,05 2. Redução na conversão em 3 anos – grupo TCC McGlashan et al., 1.Olanzapina 31 1. Redução nas taxas de 2006 2.Placebo 29 conversão, mas não foi significativa 2. Altas índices de efeitos colaterais Amminger et al., 1. Omega 3 41 1. Redução significativa nas 2010 2. Placebo 40 taxas de conversão (4,9% Vs 27,5%, p=0,004
  • 19.
    Intervenção fase-específica  EIPS  Intervenção psicológica e redução de estressores psicossociais  LIPS  Intervenção farmacológica Klosterkötter et al., 2009
  • 20.
    Conclusão  Longo períodopré-morbido e um período prodrômico Identificação de marcadores cognitivos e biológicos para aumentar a capacidade de predizer a transição.  Intervenções no período prodrômico podem retardar o primeiro episódio e melhorar o prognóstico de longo prazo.
  • 22.
  • 23.

Notas do Editor

  • #15 1 – Não só esses indivíduos apresentam maiores taxas de conversão, mas também apresentam pior desempenho cognitivo 2 – Quando os indivíduos em pródromo são comparados a controles saudáveis, apresentam pior desempenho em vários domínios cognitivos, com destaque para memória de trabalho, planejamento e fluência verbal 3 – Medidas cognitivas melhoram a capacidade de predição de conversão para psicose em indivíduos em pródromo (go/no go e QI verbal)
  • #16 Quando comparados indivíduos que converteream e que não converteram, os indivíduos que converteram tiveram maior contração de superfície cortical
  • #19 4 ensaios clínicos randomizados. N são pequenos T odos demonstraram redução na taxa de conversão, alguns não significativo 2 demonstraram efeitos