Clarice
Lispector
Liberdade é pouco.
O que eu
desejo ainda
não tem
Vida:
indecifrável.
Perto do Coração Selvagem,
de 1943.
 Ucrânia, 1920 – Rio de Janeiro/BR, 1977
 A Ucrânia havia sido invadida e tomada pela Rússia
 Mudou-se para o Brasil aos 2 anos de idade
 Em 1943, naturalizou-se brasileira
 Escritora: romances, contos, crônicas, poemas, cartas
 Jornalista, tradutora
 Morou em Recife e RJ
 Casou-se com Maury Gurgel Valente, diplomata brasileiro na Itália
 Foi traduzida para mais de 10 idiomas, recebendo em torno de 200 traduções,
principalmente para o espanhol e o francês
 Em 1943, aos 23 anos, publica seu primeiro romance Perto do Coração Selvagem
Nasceu em uma família judaica da Rússia que perdeu suas rendas com a Guerra
Civil Russa, e se viu obrigada a emigrar em decorrência da perseguição a
judeus, resultando em diversos extermínios em massa. Clarice chegou ao
Brasil , ainda pequena, em 1922, com seus pais e duas irmãs. A escritora dizia
não ter nenhuma ligação com a Ucrânia -
"Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo."
Os Enigmas
da
Esfinge
Em 14 de setembro de 1966, provoca, involuntariamente, um incêndio ao
dormir deixando seu cigarro aceso. O quarto fica destruído, e a escritora é
hospitalizada, ficando entre a vida e a morte por três dias. Sua mão direita é
quase amputada devido aos ferimentos. Mesmo depois de passado o risco
de morte, fica hospitalizada por dois meses. Clarice começara a fumar e
beber ainda na adolescência, enquanto compunha seus poemas.
Clarice é hospitalizada, com um câncer de ovário detectado tarde
demais e inoperável. A doença se espalhara por todo o seu
organismo. Clarice faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia
antes de seu 57° aniversário.
Clarice foi chamada de alienada, cerebral, intimista e tediosa por críticos
comunistas linha-dura. Só reagia quando ofendida pela estúpida
acusação de que era estrangeira. Sempre se indignou diante do fato de
que havia quem relativizasse sua condição de brasileira, escreveu sua
amiga mais próxima. Nascera na Rússia, é certo, mas aqui chegara aos dois
meses de idade. Queria-se brasileira sob todos os aspectos. "Eu, enfim,
sou brasileira", ela declarou, "pronto e pronto.“ (p. 21)
MOSER, Benjamin. Clarice. COSACNAIFY: São Paulo, 2011.
 A mãe fora estuprada na
Ucrânia por soldados
russos.
 A esquizofrenia do
filho Pedro
Obra.
Filme A hora da estrela, de
1985, dirigido por Suzana
Amaral.
Washington, 11 de dezembro de 1956, terça-feira
Fernando,
Estou lendo o livro de Guimarães Rosa e não posso deixar de escrever a você.
Nunca vi coisa assim! É a coisa mais linda dos últimos tempos. Não sei até onde vai
o poder inventivo dele, ultrapassa o limite imaginável. Estou até tola. A linguagem
dele, tão perfeita também de entonação, é diretamente entendida Pela linguagem
íntima da gente – e nesse sentido ele mais que inventou, ele descobriu, ou
melhor, inventou a verdade. Que mais se pode querer? Fico até aflita de tanto
gostar. Agora entendo o seu entusiasmo, Fernando. Já entendia por causa de
Sagarana, mas este agora vai tão além que explica ainda mais o que ele queria
com Sagarana. O livro está me dando uma reconciliação com tudo, me explicando
coisas adivinhadas, enriquecendo tudo. Como tudo vale a pena! A menor tentativa
vale a pena. Sei que estou meio confusa, mas vai assim mesmo, misturado. Acho a
mesma coisa que você: genial. Que outro nome dar? Esse mesmo.
Me escreva, diga coisas que você acha dele. Assim eu ainda leio melhor.
Um abraço da amiga
Clarice.
Feliz Natal!
Carta de Clarice ao grande
amigo escritor
Sabino (cronista
Fernando
gaúcho)
sobre o romance Grande
Sertão: veredas, de João
Guimarães Rosa
Muita coisa importante falta
nome.
G. Rosa, Grande Sertão:
veredas, 1956.
Estátua da escritora na Praça Maciel
Pinheiro, no bairro de Boa Vista,
área central de Recife, Pernambuco.
Clarice escreve certo por
linhas tortas.
 Narrativa Intimista: introspecção, subjetiva – do coser (costurar/perfurar) os espaços
infinitos
 Escrita das crises existenciais
Não tem pessoas que cosem para fora? Eu coso para dentro.
 Fluxo de consciência: existência subjetiva e silenciosa das personagens
 Monólogo interior (coser para dentro)
 Solidão e os vazios da vida
 Busca pela identidade/alteridade e pela liberdade ilimitada
 Epifania:
significa o relato de uma experiência que mostra inusitada revelação. É a percepção de
uma realidade atordoante, quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as
situações mais cotidianas comportam súbita iluminação na consciência. Ao dar-se a
epifania, a consciência do indivíduo se abre para outra realidade, a do sujeito.
 Personagens basicamente femininos
 Linguagem da ânsia, do vômito
 Busca por Deus
Mesmo que eu não mereça, que Deus venha, por favor, venha.
Características
De A Hora da
Estrela
 Narrado em 3ª pessoa, o escritor Rodrigo S.M. (distanciamento)
 Rodrigo S.M. nasceu e viveu no NE; é ele quem vive as epifanias (EXPLOSÃO), pois a
narrativa dá conta das suas crises existenciais
 Macabéa: protagonista da história; é o objeto cotidiano pelo qual se
dão as revelações do narrador ― era como a Clarice se enxergava
 Rodrigo S.M: autor fictício, narrador, alterego de Clarice
 Linguagem simples; narrativa complexa
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade
através de muito trabalho. [...] Pensar é um ato,
sentir é um fato. (p.11)
• É isso que torna a narrativa
densa e angustiante.
• O próprio narrador é assim, Rodrigo S.M.
Será essa história um dia o meu coágulo? Que seja eu. Se há
verdade nela ― e é claro que a história é verdadeira embora
inventada ― que cada um a reconheça em si mesmo. (p.12)
É que numa rua do Rio de Janeiro peguei no ar de relance o
sentimento de perdição no rosto de uma moça nordestina. Eu, Rodrigo
S.M. Relato antigo, este, pois não quero ser modernoso e inventar
modismos à guisa de originalidade. Assim é que experimentei contra
os meus hábitos uma história com começo, meio e “gran finale”
seguido de silêncio e chuva. (p.12-13)
• Silêncio: a inexistência social de Macabéa
• Chuva: a confusão epifânica, o despertar da consciência
• Silêncio e chuva formam O Grito da própria autora
 Macabéa: retirante nordestina, sertão de Alagoas, 19 anos, cara de fome, tola, feia,
morrinhenta
 Vivia no RJ, numa cidade toda feita contra ela (p.15)
 Ignorante, em relação à consciência da sua condição existencial e formação
 A felicidade está na alienação, é exatamente isso que provoca o narrador
Quero antes afiançar que essa moça não se conhece senão através de ir vivendo à
toa. Se tivesse a tolice de se perguntar “quem sou eu?” cairia estatelada e em cheio
no chão. É que “quem sou eu?” provoca necessidade. E como satisfazer a
necessidade? Quem se indaga é incompleto. (p.15)
 Trabalhava de datilógrafa.
 Era humilhada pelo chefe, Raimundo Silveira
 Tinha muita fé; ACEITAVA TUDO COMO ERA - era invisível socialmente
 Tinha apena suma parente: uma tia beata que a violentava com cascudos; faleceu mais tarde
 Morava com 4 moças, balconistas das lojas Americanas: Maria da Penha, Maria
Aparecida, Maria José e Maria
 Glória: feia mas bem alimentada, colega de trabalho de Macabéa, mais inteligente
[...] se pensava melhor, dir-se-ia que havia brotado da terra do sertão em
cogumelo logo mofado. (p.19)
Marcélia Cartaxo, atriz que
interpretou a personagem
Macabéa, em 1985.
Nunca pensava em “eu sou eu”. Acho que julgava não ter direito, ela era
um acaso. Um feto jogado na lata de lixo embrulhado em um jornal. Há
milhares como ela? Sim, e que são apenas um acaso. Pensando bem:
quem não é um acaso na vida? Quanto a mim, só me livro de ser
apenas um acaso porque escrevo, o que é um ato que é um fato. (p. 36)
Domínio da palavra
escrita – da arte de
escrever
Vez por outra ia para a zona sul e ficava olhando as vitrinas faiscantes de joias
e roupas acetinadas ― só para se mortificar um pouco. É que ela sentia falta
de encontrar-se consigo mesma e sofrer um pouco é um encontro. (p.34)
• Mas Macabéa não tinha esta consciência, Rodrigo S.M. sim
• Complexo de pobreza: desejo inconsciente de ter mais, de ser mais
Fixação pelo fútil:
• Fixação por soldados; uma vez por mês ia ao cinema, gostava de coca-cola
• Datilógrafa sem formação nem competência
• Adorava escutar rádio, ler anúncios de jornais velhos
O autor fictício tem
consciência de sua
trajetória histórica,
por isso pode
escrever a trajetória
de outras pessoas
Macabéa mentiu ao chefe que arrancaria um dente para
tirar um dia de folga, ficar sozinha em casa. (explosão de
Rodrigo S.M.)
(p.42): a história sobre Macabéa começa de fato
 Macabéa conhece Olímpico, que a convida para passear:
diálogo truncado
 Olímpico de Jesus Moreira Chaves: mentiu o nome para
parecer ter mais status – Olímpico de Jesus era nome dado
aos que não têm pai
A SOLIDÃO é o

caminho para a
LIBERDADE

Ob. As EXPLOSÕES são o
processo epifânico, ou seja, de
revelação pelo o qual Rodrigo
S.M. passa. A vida de
Macabéa é o seu despertar
para outra realidade, a de si
próprio.
Mas ainda não expliquei bem Olímpico. Vinha do sertão da Paraíba e tinha uma resistência que provinha da paixão
por sua terra braba e rachada pela seca. Trouxera consigo, comprada no mercado da Paraíba, uma lata de vaselina
perfumada e um pente, como posse sua e exclusiva. Besuntava o cabelo preto até encharcá-lo. Não desconfiava que
as cariocas tinham nojo daquela meladeira gordurosa. Nascera crestado e duro que nem galho seco de árvore ou
pedra ao sol. Era mais passível de salvação que Macabéa pois não fora à toa que matara um homem, desafeto seu,
nos cafundós do sertão, o canivete comprido entrando mole-mole no fígado macio do sertanejo. Guardava disso
segredo absoluto, o que lhe dava a força que um segredo dá. Olímpico era macho de briga. Mas fraquejava em
relação a enterros: às vezes ia, três vezes por semana a enterro de desconhecidos, cujos anúncios saíam nos jornais
e sobretudo no O dia: e seus olhos ficavam cheios de lágrimas. Era uma fraqueza, mas quem não tem a sua. Semana
em que não havia enterro, era semana vazia desse homem que, se era doido, sabia muito bem o que queria. De
modo que não era doido coisa alguma. (p.57-58)
Macabéa, ao contrário de Olímpico, era fruto do cruzamento de “o quê” com “o quê”. Na
verdade ela parecia ter nascido de uma idéia vaga qualquer dos pais famintos. Olímpico pelo
menos roubava sempre que podia e até do vigia de obras onde era sua dormida. Ter matado e
roubar faziam com que ele não fosse um simples acontecido qualquer, davam-lhe uma
categoria, faziam dele um homem com honra até lavada. Ele também se salvava mais do que
Macabéa porque tinha grande talento para desenhar rapidamente perfeitas caricaturas
ridículas dos retratos de poderosos nos jornais. Era a sua vingança. Sua única bondade com
Macabéa foi dizer-lhe que arranjaria para ela emprego na metalúrgica quando fosse despedida.
(p.58)
A ideia de
que a arte
SALVA,
LIBERTA
 Macabéa estava apaixonada no terceiro encontro, e explica a origem de seu nome:
Homenagem a Nossa Senhora da Boa Morte, caso ela vingasse
 Olímpico aprendeu com o padrasto a ser fino e a enganar mulheres
• era operário numa metalúrgica
• dormia de graça nas guaridas de obras
• cabra safado e artista (esculpia imagens de santos)
• extremamente grosseiro com Macabéa, maldoso e vingativo
 Macabéa nunca recebeu uma carta na vida,
e o telefone do escritório só chamava o chefe e a
Glória.
 Diálogo (p.48): Macabéa não se sente gente, pois
nunca esteve em evidência
― É que só sei ser impossível, não sei mais nada.
O
que é que eu faço para conseguir ser possível?
 Escutava o rádiorrelógio: curiosidades e termos que
não entendia; Olímpico muito menos mas
não assumia.
 Ficou encantada com uma canção de Caruso Una
Furtiva Lacrima (Uma lágrima sombria)
 Ela só prestava atenção em coisas
insignificantes como ela.
 Ele a levantou no colo, o que lhe proporcionou uma
Ironia: Macabéa sonhava ser artista de cinema
como Marylin Monroe.
 Fim do namoro: Macabéa riu da situação
 Olímpico juntou-se com Glória
– Você, Macabéa, é um cabelo na sopa. [...]. Me desculpe se eu lhe
ofendi, mas sou sincero. Você está ofendida?
– Não, não, não! Ah por favor quero ir embora! Por favor me diga
logo adeus! (p. 60)
 Ela chegou em casa e pintou a boca de vermelho sangue
 Diálogo entre Glória e Macabéa
Glória perguntou-lhe:
–Por que é que você me pede tanta aspirina?
Não estou reclamando, embora isso custe
dinheiro.
– É para eu não me doer.
– Como é que é? Hein? Você se dói?
– Eu me dôo o tempo todo.
– Aonde?
– Dentro, não sei explicar.
Aliás cada vez mais ela não se sabia explicar.
Transformara-se em simplicidade orgânica.
(p. 62)
Cena do filme de 1985. José Dumont interpretou a personagem Olímpico de
Jesus.
Tamara
Taxman, a
interpretou
personagem
Glória.
 Glória era uma pequena burguesa, e Macabéa, no fundo,
não confiava nela
 Para compensar o roubo do namorado, Glória
covida Macabéa para um café
Ninguém pode entrar no coração de ninguém.
Macabéa até que falava com Glória — mas nunca
de peito aberto. (p. 65)
 Enquanto isso, sobre Olímpico:
Não se arrependeu um só instante de romper com
Macabéa pois seu destino era o de subir para um dia
entrar no mundo dos outros. (p. 65-66)
Greta Garbo, atriz sueca. 1905-
1990
 Rodrigo S.M. se envolve demais com
a trajetória de Macabéa, tanto que
confunde com a sua.
Sim, estou apaixonado por Macabéa a minha querida Maca,
apaixonado pela sua feiúra e anonimato total pois ela não é para
ninguém. Apaixonado por seus pulmões frágeis, a magricela.
Quisera eu tanto que ela abrisse a boca e dissesse:
– Eu sou sozinha no mundo e não acredito em ninguém; todos
mentem, às vezes até na hora do amor, eu não acho que um ser fale
com o outro, a verdade só me vem quando estou sozinha.
Maca, porém, jamais disse frases, em primeiro lugar por ser de
parca palavra. E acontece que não tinha consciência de si e não
reclamava nada, até pensava que era feliz. Não se tratava de uma
idiota mas tinha a felicidade pura dos idiotas. E também não
prestava atenção em si mesma: ela não sabia. (Vejo que tentei dar
a Maca uma situação minha: eu preciso de algumas horas de
solidão por dia senão “me muero”.)
Quanto a mim, só sou verdadeiro quando estou sozinho.
Quando eu era pequeno pensava que de um momento para outro
eu cairia para fora do mundo. (p. 68-69)
 Glória indica uma cartomante para Macabéa: Madama
Carlota, em Olaria
 Na terreira: Macabéa foi tratada com muito carinho
 Carlota era nordestina, fora prostituta e gostava da função
 Recomenda um feitiço para trazer sorte a Macabéa
 As visões de Carlota:
1. Macabéa irá perder tudo
2. Irá ganhar tudo ao sair da casa da madama
3. O namorado retornará arrependido e lhe
pedirá em
casamento
4. Será mais valorizada no emprego
5. Irá receber dinheiro de um estrangeiro, à noite: homem
alourado, Hans, rico, que irá casar com ela
Ob. Madama Carlota havia
previsto para outra menina que
ela seria atropelada
Madama Carlota havia acertado tudo. Macabéa estava
espantada. Só então vira que sua vida era uma miséria. Teve
vontade de chorar ao ver o seu lado oposto, ela que, como disse,
até então se julgava feliz. (p. 79)
EPIFANIA DE MACABÉA
Afinal saiu dos fundos da casa uma moça com
olhos muito vermelhos e madama Carlota
mandou Macabéa entrar. (Como é chato lidar
com fatos, o cotidiano me aniquila, estou com
preguiça de escrever esta história que é um
desabafo apenas. Vejo que escrevo aquém e
além de mim. Não me responsabilizo pelo que
agora escrevo). (p. 72)
 Rodrigo S.M. não suporta a resignação de
Macabéa
 Tenta se desfazer da
responsabilidade de sentir por ela a
realidade
 Ao sair da terreira da cartomante e
atravessar a rua:
MACABÉA É ATRAPELADA POR
UMA MERCEDEZ BENZ
O gringo rico
A estrela A morte
Sua queda não era nada, pensou ela, apenas um empurrão. Batera
com a cabeça na quina da calçada e ficara caída, a cara mansamente
voltada para a sarjeta. E da cabeça um fio de sangue
inesperadamente vermelho e rico. O que queria dizer que apesar de
tudo ela pertencia a uma resistente raça anã teimosa que um dia vai
talvez reivindicar o direito ao grito. (p. 80)
[...] Ainda bem que pelo menos não falei e nem falarei em
morte e sim apenas um atropelamento. Ficou inerme no
canto da rua, talvez descansando das emoções, e viu entre as
pedras do esgoto o ralo capim de um verde da mais tenra
esperança humana. Hoje, pensou ela, hoje é o primeiro dia de
minha vida: nasci. (p. 80)
Macabéa pronuncia uma última frase: ―Quanto ao futuro. (p.
85)
Desculpai-me esta morte. É que não pude evita-la, a gente aceita tudo
porque já beijou a parede. (p. 85)
A hora da estrela
de Macabéa
é o momento de sua morte,
quando todos estão olhando
para ela, percebendo que ela
existe.
Escritores que
procuram seus
porquês da vida
Retirante Nordestina
Clarice era estrangeira,
viveu em Recife antes de
morar no RJ
Alterego
artístico
de Clarice
Rodrigo S. M.
Macabéa Alterego social
de Clarice
Clarice
estrangeira.
era uma
Não porque
nasceu na
Criada
desde
Ucrânia.
menininha
no Brasil,
brasileira
era tão
quanto não
importa quem. Clarice
era estrangeira na
terra. Dava a impressão
de andar no mundo como
de
quem
noitinha
desembarca
numa cidade
desconhecida onde
greve geral
há
de
transportes. (p. 13)
MOSER, Benjamin. Clarice. COSACNAIFY:
São Paulo, 2011.
FIM

Clarice Lispector - A Hora da Estrela.pptx

  • 1.
    Clarice Lispector Liberdade é pouco. Oque eu desejo ainda não tem
  • 2.
    Vida: indecifrável. Perto do CoraçãoSelvagem, de 1943.  Ucrânia, 1920 – Rio de Janeiro/BR, 1977  A Ucrânia havia sido invadida e tomada pela Rússia  Mudou-se para o Brasil aos 2 anos de idade  Em 1943, naturalizou-se brasileira  Escritora: romances, contos, crônicas, poemas, cartas  Jornalista, tradutora  Morou em Recife e RJ  Casou-se com Maury Gurgel Valente, diplomata brasileiro na Itália  Foi traduzida para mais de 10 idiomas, recebendo em torno de 200 traduções, principalmente para o espanhol e o francês  Em 1943, aos 23 anos, publica seu primeiro romance Perto do Coração Selvagem Nasceu em uma família judaica da Rússia que perdeu suas rendas com a Guerra Civil Russa, e se viu obrigada a emigrar em decorrência da perseguição a judeus, resultando em diversos extermínios em massa. Clarice chegou ao Brasil , ainda pequena, em 1922, com seus pais e duas irmãs. A escritora dizia não ter nenhuma ligação com a Ucrânia - "Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo."
  • 3.
    Os Enigmas da Esfinge Em 14de setembro de 1966, provoca, involuntariamente, um incêndio ao dormir deixando seu cigarro aceso. O quarto fica destruído, e a escritora é hospitalizada, ficando entre a vida e a morte por três dias. Sua mão direita é quase amputada devido aos ferimentos. Mesmo depois de passado o risco de morte, fica hospitalizada por dois meses. Clarice começara a fumar e beber ainda na adolescência, enquanto compunha seus poemas. Clarice é hospitalizada, com um câncer de ovário detectado tarde demais e inoperável. A doença se espalhara por todo o seu organismo. Clarice faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Clarice foi chamada de alienada, cerebral, intimista e tediosa por críticos comunistas linha-dura. Só reagia quando ofendida pela estúpida acusação de que era estrangeira. Sempre se indignou diante do fato de que havia quem relativizasse sua condição de brasileira, escreveu sua amiga mais próxima. Nascera na Rússia, é certo, mas aqui chegara aos dois meses de idade. Queria-se brasileira sob todos os aspectos. "Eu, enfim, sou brasileira", ela declarou, "pronto e pronto.“ (p. 21) MOSER, Benjamin. Clarice. COSACNAIFY: São Paulo, 2011.  A mãe fora estuprada na Ucrânia por soldados russos.  A esquizofrenia do filho Pedro
  • 4.
    Obra. Filme A horada estrela, de 1985, dirigido por Suzana Amaral.
  • 5.
    Washington, 11 dedezembro de 1956, terça-feira Fernando, Estou lendo o livro de Guimarães Rosa e não posso deixar de escrever a você. Nunca vi coisa assim! É a coisa mais linda dos últimos tempos. Não sei até onde vai o poder inventivo dele, ultrapassa o limite imaginável. Estou até tola. A linguagem dele, tão perfeita também de entonação, é diretamente entendida Pela linguagem íntima da gente – e nesse sentido ele mais que inventou, ele descobriu, ou melhor, inventou a verdade. Que mais se pode querer? Fico até aflita de tanto gostar. Agora entendo o seu entusiasmo, Fernando. Já entendia por causa de Sagarana, mas este agora vai tão além que explica ainda mais o que ele queria com Sagarana. O livro está me dando uma reconciliação com tudo, me explicando coisas adivinhadas, enriquecendo tudo. Como tudo vale a pena! A menor tentativa vale a pena. Sei que estou meio confusa, mas vai assim mesmo, misturado. Acho a mesma coisa que você: genial. Que outro nome dar? Esse mesmo. Me escreva, diga coisas que você acha dele. Assim eu ainda leio melhor. Um abraço da amiga Clarice. Feliz Natal! Carta de Clarice ao grande amigo escritor Sabino (cronista Fernando gaúcho) sobre o romance Grande Sertão: veredas, de João Guimarães Rosa Muita coisa importante falta nome. G. Rosa, Grande Sertão: veredas, 1956.
  • 6.
    Estátua da escritorana Praça Maciel Pinheiro, no bairro de Boa Vista, área central de Recife, Pernambuco. Clarice escreve certo por linhas tortas.  Narrativa Intimista: introspecção, subjetiva – do coser (costurar/perfurar) os espaços infinitos  Escrita das crises existenciais Não tem pessoas que cosem para fora? Eu coso para dentro.  Fluxo de consciência: existência subjetiva e silenciosa das personagens  Monólogo interior (coser para dentro)  Solidão e os vazios da vida  Busca pela identidade/alteridade e pela liberdade ilimitada  Epifania: significa o relato de uma experiência que mostra inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante, quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam súbita iluminação na consciência. Ao dar-se a epifania, a consciência do indivíduo se abre para outra realidade, a do sujeito.  Personagens basicamente femininos  Linguagem da ânsia, do vômito  Busca por Deus Mesmo que eu não mereça, que Deus venha, por favor, venha.
  • 7.
    Características De A Horada Estrela  Narrado em 3ª pessoa, o escritor Rodrigo S.M. (distanciamento)  Rodrigo S.M. nasceu e viveu no NE; é ele quem vive as epifanias (EXPLOSÃO), pois a narrativa dá conta das suas crises existenciais  Macabéa: protagonista da história; é o objeto cotidiano pelo qual se dão as revelações do narrador ― era como a Clarice se enxergava  Rodrigo S.M: autor fictício, narrador, alterego de Clarice  Linguagem simples; narrativa complexa Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho. [...] Pensar é um ato, sentir é um fato. (p.11) • É isso que torna a narrativa densa e angustiante. • O próprio narrador é assim, Rodrigo S.M. Será essa história um dia o meu coágulo? Que seja eu. Se há verdade nela ― e é claro que a história é verdadeira embora inventada ― que cada um a reconheça em si mesmo. (p.12) É que numa rua do Rio de Janeiro peguei no ar de relance o sentimento de perdição no rosto de uma moça nordestina. Eu, Rodrigo S.M. Relato antigo, este, pois não quero ser modernoso e inventar modismos à guisa de originalidade. Assim é que experimentei contra os meus hábitos uma história com começo, meio e “gran finale” seguido de silêncio e chuva. (p.12-13) • Silêncio: a inexistência social de Macabéa • Chuva: a confusão epifânica, o despertar da consciência • Silêncio e chuva formam O Grito da própria autora
  • 8.
     Macabéa: retirantenordestina, sertão de Alagoas, 19 anos, cara de fome, tola, feia, morrinhenta  Vivia no RJ, numa cidade toda feita contra ela (p.15)  Ignorante, em relação à consciência da sua condição existencial e formação  A felicidade está na alienação, é exatamente isso que provoca o narrador Quero antes afiançar que essa moça não se conhece senão através de ir vivendo à toa. Se tivesse a tolice de se perguntar “quem sou eu?” cairia estatelada e em cheio no chão. É que “quem sou eu?” provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto. (p.15)  Trabalhava de datilógrafa.  Era humilhada pelo chefe, Raimundo Silveira  Tinha muita fé; ACEITAVA TUDO COMO ERA - era invisível socialmente  Tinha apena suma parente: uma tia beata que a violentava com cascudos; faleceu mais tarde  Morava com 4 moças, balconistas das lojas Americanas: Maria da Penha, Maria Aparecida, Maria José e Maria  Glória: feia mas bem alimentada, colega de trabalho de Macabéa, mais inteligente [...] se pensava melhor, dir-se-ia que havia brotado da terra do sertão em cogumelo logo mofado. (p.19) Marcélia Cartaxo, atriz que interpretou a personagem Macabéa, em 1985.
  • 9.
    Nunca pensava em“eu sou eu”. Acho que julgava não ter direito, ela era um acaso. Um feto jogado na lata de lixo embrulhado em um jornal. Há milhares como ela? Sim, e que são apenas um acaso. Pensando bem: quem não é um acaso na vida? Quanto a mim, só me livro de ser apenas um acaso porque escrevo, o que é um ato que é um fato. (p. 36) Domínio da palavra escrita – da arte de escrever Vez por outra ia para a zona sul e ficava olhando as vitrinas faiscantes de joias e roupas acetinadas ― só para se mortificar um pouco. É que ela sentia falta de encontrar-se consigo mesma e sofrer um pouco é um encontro. (p.34) • Mas Macabéa não tinha esta consciência, Rodrigo S.M. sim • Complexo de pobreza: desejo inconsciente de ter mais, de ser mais Fixação pelo fútil: • Fixação por soldados; uma vez por mês ia ao cinema, gostava de coca-cola • Datilógrafa sem formação nem competência • Adorava escutar rádio, ler anúncios de jornais velhos O autor fictício tem consciência de sua trajetória histórica, por isso pode escrever a trajetória de outras pessoas
  • 10.
    Macabéa mentiu aochefe que arrancaria um dente para tirar um dia de folga, ficar sozinha em casa. (explosão de Rodrigo S.M.) (p.42): a história sobre Macabéa começa de fato  Macabéa conhece Olímpico, que a convida para passear: diálogo truncado  Olímpico de Jesus Moreira Chaves: mentiu o nome para parecer ter mais status – Olímpico de Jesus era nome dado aos que não têm pai A SOLIDÃO é o  caminho para a LIBERDADE  Ob. As EXPLOSÕES são o processo epifânico, ou seja, de revelação pelo o qual Rodrigo S.M. passa. A vida de Macabéa é o seu despertar para outra realidade, a de si próprio. Mas ainda não expliquei bem Olímpico. Vinha do sertão da Paraíba e tinha uma resistência que provinha da paixão por sua terra braba e rachada pela seca. Trouxera consigo, comprada no mercado da Paraíba, uma lata de vaselina perfumada e um pente, como posse sua e exclusiva. Besuntava o cabelo preto até encharcá-lo. Não desconfiava que as cariocas tinham nojo daquela meladeira gordurosa. Nascera crestado e duro que nem galho seco de árvore ou pedra ao sol. Era mais passível de salvação que Macabéa pois não fora à toa que matara um homem, desafeto seu, nos cafundós do sertão, o canivete comprido entrando mole-mole no fígado macio do sertanejo. Guardava disso segredo absoluto, o que lhe dava a força que um segredo dá. Olímpico era macho de briga. Mas fraquejava em relação a enterros: às vezes ia, três vezes por semana a enterro de desconhecidos, cujos anúncios saíam nos jornais e sobretudo no O dia: e seus olhos ficavam cheios de lágrimas. Era uma fraqueza, mas quem não tem a sua. Semana em que não havia enterro, era semana vazia desse homem que, se era doido, sabia muito bem o que queria. De modo que não era doido coisa alguma. (p.57-58)
  • 11.
    Macabéa, ao contráriode Olímpico, era fruto do cruzamento de “o quê” com “o quê”. Na verdade ela parecia ter nascido de uma idéia vaga qualquer dos pais famintos. Olímpico pelo menos roubava sempre que podia e até do vigia de obras onde era sua dormida. Ter matado e roubar faziam com que ele não fosse um simples acontecido qualquer, davam-lhe uma categoria, faziam dele um homem com honra até lavada. Ele também se salvava mais do que Macabéa porque tinha grande talento para desenhar rapidamente perfeitas caricaturas ridículas dos retratos de poderosos nos jornais. Era a sua vingança. Sua única bondade com Macabéa foi dizer-lhe que arranjaria para ela emprego na metalúrgica quando fosse despedida. (p.58) A ideia de que a arte SALVA, LIBERTA  Macabéa estava apaixonada no terceiro encontro, e explica a origem de seu nome: Homenagem a Nossa Senhora da Boa Morte, caso ela vingasse  Olímpico aprendeu com o padrasto a ser fino e a enganar mulheres • era operário numa metalúrgica • dormia de graça nas guaridas de obras • cabra safado e artista (esculpia imagens de santos) • extremamente grosseiro com Macabéa, maldoso e vingativo
  • 12.
     Macabéa nuncarecebeu uma carta na vida, e o telefone do escritório só chamava o chefe e a Glória.  Diálogo (p.48): Macabéa não se sente gente, pois nunca esteve em evidência ― É que só sei ser impossível, não sei mais nada. O que é que eu faço para conseguir ser possível?  Escutava o rádiorrelógio: curiosidades e termos que não entendia; Olímpico muito menos mas não assumia.  Ficou encantada com uma canção de Caruso Una Furtiva Lacrima (Uma lágrima sombria)  Ela só prestava atenção em coisas insignificantes como ela.  Ele a levantou no colo, o que lhe proporcionou uma Ironia: Macabéa sonhava ser artista de cinema como Marylin Monroe.
  • 13.
     Fim donamoro: Macabéa riu da situação  Olímpico juntou-se com Glória – Você, Macabéa, é um cabelo na sopa. [...]. Me desculpe se eu lhe ofendi, mas sou sincero. Você está ofendida? – Não, não, não! Ah por favor quero ir embora! Por favor me diga logo adeus! (p. 60)  Ela chegou em casa e pintou a boca de vermelho sangue  Diálogo entre Glória e Macabéa Glória perguntou-lhe: –Por que é que você me pede tanta aspirina? Não estou reclamando, embora isso custe dinheiro. – É para eu não me doer. – Como é que é? Hein? Você se dói? – Eu me dôo o tempo todo. – Aonde? – Dentro, não sei explicar. Aliás cada vez mais ela não se sabia explicar. Transformara-se em simplicidade orgânica. (p. 62) Cena do filme de 1985. José Dumont interpretou a personagem Olímpico de Jesus. Tamara Taxman, a interpretou personagem Glória.
  • 14.
     Glória erauma pequena burguesa, e Macabéa, no fundo, não confiava nela  Para compensar o roubo do namorado, Glória covida Macabéa para um café Ninguém pode entrar no coração de ninguém. Macabéa até que falava com Glória — mas nunca de peito aberto. (p. 65)  Enquanto isso, sobre Olímpico: Não se arrependeu um só instante de romper com Macabéa pois seu destino era o de subir para um dia entrar no mundo dos outros. (p. 65-66) Greta Garbo, atriz sueca. 1905- 1990
  • 15.
     Rodrigo S.M.se envolve demais com a trajetória de Macabéa, tanto que confunde com a sua. Sim, estou apaixonado por Macabéa a minha querida Maca, apaixonado pela sua feiúra e anonimato total pois ela não é para ninguém. Apaixonado por seus pulmões frágeis, a magricela. Quisera eu tanto que ela abrisse a boca e dissesse: – Eu sou sozinha no mundo e não acredito em ninguém; todos mentem, às vezes até na hora do amor, eu não acho que um ser fale com o outro, a verdade só me vem quando estou sozinha. Maca, porém, jamais disse frases, em primeiro lugar por ser de parca palavra. E acontece que não tinha consciência de si e não reclamava nada, até pensava que era feliz. Não se tratava de uma idiota mas tinha a felicidade pura dos idiotas. E também não prestava atenção em si mesma: ela não sabia. (Vejo que tentei dar a Maca uma situação minha: eu preciso de algumas horas de solidão por dia senão “me muero”.) Quanto a mim, só sou verdadeiro quando estou sozinho. Quando eu era pequeno pensava que de um momento para outro eu cairia para fora do mundo. (p. 68-69)
  • 16.
     Glória indicauma cartomante para Macabéa: Madama Carlota, em Olaria  Na terreira: Macabéa foi tratada com muito carinho  Carlota era nordestina, fora prostituta e gostava da função  Recomenda um feitiço para trazer sorte a Macabéa  As visões de Carlota: 1. Macabéa irá perder tudo 2. Irá ganhar tudo ao sair da casa da madama 3. O namorado retornará arrependido e lhe pedirá em casamento 4. Será mais valorizada no emprego 5. Irá receber dinheiro de um estrangeiro, à noite: homem alourado, Hans, rico, que irá casar com ela Ob. Madama Carlota havia previsto para outra menina que ela seria atropelada Madama Carlota havia acertado tudo. Macabéa estava espantada. Só então vira que sua vida era uma miséria. Teve vontade de chorar ao ver o seu lado oposto, ela que, como disse, até então se julgava feliz. (p. 79) EPIFANIA DE MACABÉA Afinal saiu dos fundos da casa uma moça com olhos muito vermelhos e madama Carlota mandou Macabéa entrar. (Como é chato lidar com fatos, o cotidiano me aniquila, estou com preguiça de escrever esta história que é um desabafo apenas. Vejo que escrevo aquém e além de mim. Não me responsabilizo pelo que agora escrevo). (p. 72)  Rodrigo S.M. não suporta a resignação de Macabéa  Tenta se desfazer da responsabilidade de sentir por ela a realidade
  • 17.
     Ao sairda terreira da cartomante e atravessar a rua: MACABÉA É ATRAPELADA POR UMA MERCEDEZ BENZ O gringo rico A estrela A morte Sua queda não era nada, pensou ela, apenas um empurrão. Batera com a cabeça na quina da calçada e ficara caída, a cara mansamente voltada para a sarjeta. E da cabeça um fio de sangue inesperadamente vermelho e rico. O que queria dizer que apesar de tudo ela pertencia a uma resistente raça anã teimosa que um dia vai talvez reivindicar o direito ao grito. (p. 80) [...] Ainda bem que pelo menos não falei e nem falarei em morte e sim apenas um atropelamento. Ficou inerme no canto da rua, talvez descansando das emoções, e viu entre as pedras do esgoto o ralo capim de um verde da mais tenra esperança humana. Hoje, pensou ela, hoje é o primeiro dia de minha vida: nasci. (p. 80) Macabéa pronuncia uma última frase: ―Quanto ao futuro. (p. 85)
  • 18.
    Desculpai-me esta morte.É que não pude evita-la, a gente aceita tudo porque já beijou a parede. (p. 85) A hora da estrela de Macabéa é o momento de sua morte, quando todos estão olhando para ela, percebendo que ela existe. Escritores que procuram seus porquês da vida Retirante Nordestina Clarice era estrangeira, viveu em Recife antes de morar no RJ Alterego artístico de Clarice Rodrigo S. M. Macabéa Alterego social de Clarice Clarice estrangeira. era uma Não porque nasceu na Criada desde Ucrânia. menininha no Brasil, brasileira era tão quanto não importa quem. Clarice era estrangeira na terra. Dava a impressão de andar no mundo como de quem noitinha desembarca numa cidade desconhecida onde greve geral há de transportes. (p. 13) MOSER, Benjamin. Clarice. COSACNAIFY: São Paulo, 2011.
  • 19.