C1          Araçatuba, sábado, 23 de abril de 2011



                                                                                                                                                            Cinema
                                                                                                                                                            O Sesc exibe na próxima terça-
                                                                                                                                                            feira o filme “A Morte de um
                                                                                                                                                            Bookmaker Chinês”, no Polo
                                                                                                                                                            Avançado de Araçatuba. O lon-
                                                                                                                                                            ga encerra a Mostra John Cassa-
                                                                                                                                                            vetes, que exibiu parte da filmo-
                                                                                                                                                            grafia de um dos reformadores
                                                                                                                                                            do cinema. C3


     MÚSICA




                                                                                                                                                                                                            Alexandre Souza/Folha da Região - 15/04/2011




                                                                                                SENSIBILIDADE
                                                                                          Músico Mauro Rico compôs o
                                                                                        “Choro de Araçatuba” em 1980:
                                                                                     canção retrata a infância e adoles-
   Araçatuba                                                                           cência vividas na Vila Mendonça
   Barbara Nascimento
   vida@folhadaregiao.com.br
                                      tros. O araçatubense Mauro Ri-


A
         flauta e o bandolim con-     co escreveu em junho de 1980
         duzem a melodia. O ca-       letra e melodia de seu primeiro
         vaquinho centraliza o rit-   e único chorinho, "Choro de                Na letra, Rico relembra
mo. E para harmonizar toda a          Araçatuba".                          com saudosismo os momentos              como o bando-
composição é só somar o violão.             A música foi composta em       e situações das quais ele sentia        lim, ele sempre
O resultado dessa junção é o gê-      um sítio em Guararema, a 24          falta, como assistir às interpreta-     nos remete a ou-
nero musical mais resistente da       quilômetros de Mogi das Cru-         ções das bandas araçatubenses           tros tempos. Tal-
MPB (Música Popular Brasilei-         zes, onde Rico graduou-se em         na Praça Rui Barbosa; nadar na          vez por isso o te-
ra): o Choro, que tem hoje, 23        Arquitetura e Urbanismo. A sau-      prainha localizada, na época, en-       nha utilizado na
de abril, um dia especial dedica-     dade de sua cidade natal, em es-     tre os bairro Alvorada e Nova           composição dessa
do à sua celebração.                  pecial dos momentos vividos no       Iorque, e hoje extinta; e de co-        música".
      O Dia Nacional do Choro         bairro Vila Mendonça, onde cres-     lher as frutas das árvores exis-             Para ele, a difi-
foi criado em homenagem à da-         ceu, inspirou o arquiteto a pegar    tentes por toda a cidade.               culdade não está em
ta de nascimento de Pixinguinha       o violão e compor durante uma              "A geração de hoje não po-        compor o chorinho, e                                          músicos         de fácil manuseio como os de
(Alfredo da Rocha Viana Filho),       tarde letra e partitura da canção.   de viver nenhuma dessas expe-           sim em executá-lo, já que                        César Meneses, no vio-       corda (violão, cavaquinho, ban-
compositor e instrumentista, em                                            riências. Então quis eternizar          é um gênero instrumental que             lão e vocal; Pepa, na bateria; e     dolim), sopro (flauta, clarinete) e
especial do chorinho.                                                      nesse chorinho esses momentos           exige técnica. "Por isso, acredito       Makô e Querô na guitarra.            percussão (pandeiro, ganzá). O
      Ao lado do compositor pos-                                           marcantes para mim".                    que tive sorte porque saiu tudo                                               resultado foi a construção meló-
suem destaque também dentro           Surgimento                                                                   junto: letra e partitura".                    ORIGEM                          dica do choro.
do gênero os músicos Joaquim              do gênero é                           ROCK                                    Aos cinco anos de idade, o                O surgimento do choro é             Os primeiros conjuntos do
Antônio da Silva Callado, consi-       datado a partir da                       Rico explica que a música          arquiteto começou a tocar de             datado a partir da segunda meta-     gênero surgiram por volta de
derado o autor do primeiro cho-                                            sempre esteve presente em sua           forma autodidata piano, passan-          de do século 19, quando um cal-      1880, no Rio de Janeiro, antiga
ro (Flor Amorosa), Ernesto Naza-
                                       segunda metade do                   formação, entretanto, o rock era        do pelo violão aos 14, até che-          do cultural formado pela mistura     capital do Brasil. Entre os "cho-
reth, Chiquinha Gonzaga, Jacob             século 19                       o estilo musical predominante           gar aos 17, quando começou a             dos ritmos polca, xote, maxixe,      rões" da atualidade que ajudam
do Bandolim e Waldyr Azevedo.                                              em sua preferência. Já o chori-         compor e tocar contrabaixo,              tango, samba e lundu entraram        a manter em atividade essa ma-
Há também Dilermando Reis,                                                 nho era ouvido somente quando           considerada sua especialidade            em ebulição, expulsando dos sa-      nifestação instrumental popular
Garoto, João Pernambuco...                 "Foi algo espontâneo que        estava em reuniões familiares           atualmente.                              lões da sociedade o público adep-    destacam-se os músicos Pauli-
      A arte de compor chori-         não consigo explicar. O curioso      com os pais e avós.                          Com as atividades profissio-        to dos saraus e concertos.           nho da Viola, Isaías, Hamilton
nhos, porém, não é só um privi-       é que já estava com a data do             "Acho que o choro é algo           nais como arquiteto, ele mescla                Cientes da necessidade de      de Holanda, Hélio Delmiro, Turí-
légio de músicos do passado ou        meu retorno prevista. Porém, co-     bem melancólico. Embora pulse           há mais de 25 anos as apresen-           continuidade das reuniões musi-      bio Santos, Altamiro Carrilho e
dos estudiosos dos conservató-        mecei a me lembrar do passado        em alguns momentos durante o            tações junto ao grupo "Cia. &            cais, os grupos se adequaram à       Paulo Moura, falecido recente-
rios de música dos grandes cen-       e a música saiu", lembra.            uso de específicos instrumentos         Música", formado ainda pelos             situação adotando instrumentos       mente.Barbara Nascimento




                   Gosto pela música depende de divulgação
       O arquiteto e compositor             "Espaço tem. Basta os gru-     tas vezes o jovem não gosta por-        as décadas de 50 a 70, o chorinho        sor do instrumento no Projeto Gu-         "A maioria gosta, só que eu
 Mauro Rico afirma que o cenário      pos ou músicos se apresentarem       que não ouve. Duvido que exis-          e todas as músicas nacionais eram        ri em Araçatuba, Paulo Renato        os ensino na hora certa, quando
 para a divulgação do chorinho        na Praça João Pessoa, por exem-      ta um jovem que ao ouvir chori-         muito divulgadas por essas mídias.       Lourenço, explica que seus alunos    o aluno tem técnica para tocar.
 em espaços públicos de Araçatu-      plo. Lá já existe um público pron-   nho não gostará, é bem o estilo         É preciso que elas retomem este          se identificam com o gênero musi-    Porque para interpretar o chori-
 ba é positivo. Segundo ele, exis-    to e que gosta do chorinho".         deles", diz.                            trabalho para que o público se ha-       cal a partir do momento que o co-    nho somente no violão é preciso
 te um número satisfatório de pes-          Quanto à conquista dos jo-          Para Rico, é essencial que o       bitue ao estilo", conclui.               nhece. Entretanto, ele explica que   que o aluno consiga acompanhar
 soas que apreciam o gênero mu-       vens para o estilo, Rico é enfáti-   rádio e os programas de televisão                                                é preciso encontrar o momento        com melodia e harmonia cada
 sical e sempre estão na expectati-   co em dizer que tudo depende         voltem a tocar e apresentar as                  ENSINO                           certo para que o jovem comece a      nota musical da composição",
 va por apresentações.                do acesso às composições. "Mui-      composições de choro. "Durante                  O violonista erudito e profes-   interpretar as composições.          completa.BN

Chorinho mauro rico

  • 1.
    C1 Araçatuba, sábado, 23 de abril de 2011 Cinema O Sesc exibe na próxima terça- feira o filme “A Morte de um Bookmaker Chinês”, no Polo Avançado de Araçatuba. O lon- ga encerra a Mostra John Cassa- vetes, que exibiu parte da filmo- grafia de um dos reformadores do cinema. C3 MÚSICA Alexandre Souza/Folha da Região - 15/04/2011 SENSIBILIDADE Músico Mauro Rico compôs o “Choro de Araçatuba” em 1980: canção retrata a infância e adoles- Araçatuba cência vividas na Vila Mendonça Barbara Nascimento vida@folhadaregiao.com.br tros. O araçatubense Mauro Ri- A flauta e o bandolim con- co escreveu em junho de 1980 duzem a melodia. O ca- letra e melodia de seu primeiro vaquinho centraliza o rit- e único chorinho, "Choro de Na letra, Rico relembra mo. E para harmonizar toda a Araçatuba". com saudosismo os momentos como o bando- composição é só somar o violão. A música foi composta em e situações das quais ele sentia lim, ele sempre O resultado dessa junção é o gê- um sítio em Guararema, a 24 falta, como assistir às interpreta- nos remete a ou- nero musical mais resistente da quilômetros de Mogi das Cru- ções das bandas araçatubenses tros tempos. Tal- MPB (Música Popular Brasilei- zes, onde Rico graduou-se em na Praça Rui Barbosa; nadar na vez por isso o te- ra): o Choro, que tem hoje, 23 Arquitetura e Urbanismo. A sau- prainha localizada, na época, en- nha utilizado na de abril, um dia especial dedica- dade de sua cidade natal, em es- tre os bairro Alvorada e Nova composição dessa do à sua celebração. pecial dos momentos vividos no Iorque, e hoje extinta; e de co- música". O Dia Nacional do Choro bairro Vila Mendonça, onde cres- lher as frutas das árvores exis- Para ele, a difi- foi criado em homenagem à da- ceu, inspirou o arquiteto a pegar tentes por toda a cidade. culdade não está em ta de nascimento de Pixinguinha o violão e compor durante uma "A geração de hoje não po- compor o chorinho, e músicos de fácil manuseio como os de (Alfredo da Rocha Viana Filho), tarde letra e partitura da canção. de viver nenhuma dessas expe- sim em executá-lo, já que César Meneses, no vio- corda (violão, cavaquinho, ban- compositor e instrumentista, em riências. Então quis eternizar é um gênero instrumental que lão e vocal; Pepa, na bateria; e dolim), sopro (flauta, clarinete) e especial do chorinho. nesse chorinho esses momentos exige técnica. "Por isso, acredito Makô e Querô na guitarra. percussão (pandeiro, ganzá). O Ao lado do compositor pos- marcantes para mim". que tive sorte porque saiu tudo resultado foi a construção meló- suem destaque também dentro Surgimento junto: letra e partitura". ORIGEM dica do choro. do gênero os músicos Joaquim do gênero é ROCK Aos cinco anos de idade, o O surgimento do choro é Os primeiros conjuntos do Antônio da Silva Callado, consi- datado a partir da Rico explica que a música arquiteto começou a tocar de datado a partir da segunda meta- gênero surgiram por volta de derado o autor do primeiro cho- sempre esteve presente em sua forma autodidata piano, passan- de do século 19, quando um cal- 1880, no Rio de Janeiro, antiga ro (Flor Amorosa), Ernesto Naza- segunda metade do formação, entretanto, o rock era do pelo violão aos 14, até che- do cultural formado pela mistura capital do Brasil. Entre os "cho- reth, Chiquinha Gonzaga, Jacob século 19 o estilo musical predominante gar aos 17, quando começou a dos ritmos polca, xote, maxixe, rões" da atualidade que ajudam do Bandolim e Waldyr Azevedo. em sua preferência. Já o chori- compor e tocar contrabaixo, tango, samba e lundu entraram a manter em atividade essa ma- Há também Dilermando Reis, nho era ouvido somente quando considerada sua especialidade em ebulição, expulsando dos sa- nifestação instrumental popular Garoto, João Pernambuco... "Foi algo espontâneo que estava em reuniões familiares atualmente. lões da sociedade o público adep- destacam-se os músicos Pauli- A arte de compor chori- não consigo explicar. O curioso com os pais e avós. Com as atividades profissio- to dos saraus e concertos. nho da Viola, Isaías, Hamilton nhos, porém, não é só um privi- é que já estava com a data do "Acho que o choro é algo nais como arquiteto, ele mescla Cientes da necessidade de de Holanda, Hélio Delmiro, Turí- légio de músicos do passado ou meu retorno prevista. Porém, co- bem melancólico. Embora pulse há mais de 25 anos as apresen- continuidade das reuniões musi- bio Santos, Altamiro Carrilho e dos estudiosos dos conservató- mecei a me lembrar do passado em alguns momentos durante o tações junto ao grupo "Cia. & cais, os grupos se adequaram à Paulo Moura, falecido recente- rios de música dos grandes cen- e a música saiu", lembra. uso de específicos instrumentos Música", formado ainda pelos situação adotando instrumentos mente.Barbara Nascimento Gosto pela música depende de divulgação O arquiteto e compositor "Espaço tem. Basta os gru- tas vezes o jovem não gosta por- as décadas de 50 a 70, o chorinho sor do instrumento no Projeto Gu- "A maioria gosta, só que eu Mauro Rico afirma que o cenário pos ou músicos se apresentarem que não ouve. Duvido que exis- e todas as músicas nacionais eram ri em Araçatuba, Paulo Renato os ensino na hora certa, quando para a divulgação do chorinho na Praça João Pessoa, por exem- ta um jovem que ao ouvir chori- muito divulgadas por essas mídias. Lourenço, explica que seus alunos o aluno tem técnica para tocar. em espaços públicos de Araçatu- plo. Lá já existe um público pron- nho não gostará, é bem o estilo É preciso que elas retomem este se identificam com o gênero musi- Porque para interpretar o chori- ba é positivo. Segundo ele, exis- to e que gosta do chorinho". deles", diz. trabalho para que o público se ha- cal a partir do momento que o co- nho somente no violão é preciso te um número satisfatório de pes- Quanto à conquista dos jo- Para Rico, é essencial que o bitue ao estilo", conclui. nhece. Entretanto, ele explica que que o aluno consiga acompanhar soas que apreciam o gênero mu- vens para o estilo, Rico é enfáti- rádio e os programas de televisão é preciso encontrar o momento com melodia e harmonia cada sical e sempre estão na expectati- co em dizer que tudo depende voltem a tocar e apresentar as ENSINO certo para que o jovem comece a nota musical da composição", va por apresentações. do acesso às composições. "Mui- composições de choro. "Durante O violonista erudito e profes- interpretar as composições. completa.BN