ESTRATIFICAÇÃO E
DESIGUALDADE SOCIAL
Prof. Matheus Rodrigues
 Vocês conhecem
alguma sociedade ao
longo da história em
que efetivamente os
indivíduos desfrutassem
ou desfrutem de
maneira igualitária dos
bens e oportunidades
disponíveis?
Café (1935)
Na realidade, as sociedades humanas sempre conviveram com
distinções entre os mais variados grupos sociais que as compõem.
Inclusive nas sociedades menos complexas, critérios como sexo e
idade eram utilizados para diferenciar o acesso dos indivíduos não
apenas aos recursos materiais, como também ao poder de decisão
nos rumos da comunidade e na própria liberdade individual.
Portanto, ao olhar atentamente para a história humana, percebe-se
que a desigualdade entre os indivíduos é uma prática corriqueira, e
a igualdade seria nada mais que uma utopia.
Nesse sentido, não podemos questionar as desigualdades sociais?
O termo utilizado para designar as diferenciações sociais entre os
membros de uma mesma sociedade, independentemente do
critério em que se baseiam (riqueza, gênero, idade, religião etc.), é
estratificação social.Toda e qualquer forma de estratificação é
historicamente condicionada, ou seja, somente tem validade e deve
ser compreendida dentro de um contexto social e histórico
específico.
Ao longo da história, pode-se identificar três principais tipos de
estratificação social: os estamentos, as castas e as classes
sociais.
Como podemos identificar essa estratificação ao longo da história?
 A sociedade estamental vigente na Europa medieval, dividiu a
sociedade do período entre nobres, clero e servos. O elemento
central para a divisão dos indivíduos em um desses três estamentos
era a posse da terra. Além desse fator econômico, cabe também
ressaltar o peso ideológico do poder da Igreja no período, facilitando
para o não questionamento desse sistema, uma vez que todos
entendiam que ocupavam suas posições em função da vontade divina.
 Outro exemplo é o sistema de castas, que, apesar de ter se expressado
de forma mais intensa na Índia, também foi desenvolvido na China e
na Grécia antiga. A sociedade indiana se organizou em castas há mais
de 3 mil anos, adotando como critérios a religião, a ocupação e a etnia
dos indivíduos. Ainda que o sistema de castas tenha sido abolido
oficialmente em 1950, ele ainda persiste por força da tradição.
Atualmente, com o desenvolvimento do capitalismo na Índia, há uma
mescla das castas com as classes sociais e também a junção de
hábitos tradicionais e modernos nas práticas dos indivíduos.
Já o sistema de estratificação, é típico das sociedades capitalistas
modernas: as classes sociais. Nessa forma de estratificação social, o
principal critério de divisão é o modo diferente de apropriação das
riquezas produzidas. Cabe notar que é justamente nesse modo de
produção que se questionam as desigualdades sociais de forma
mais incisiva. E por qual motivo isso acontece?
O universalismo católico é o primeiro ponto para pensar a questão
das desigualdades nas sociedades modernas. O princípio cristão
de que todos são iguais perante Deus foi expandido pelos filósofos
iluministas para o seio das sociedades modernas por meio das
noções de igualdade jurídica, civil e de supremacia da vontade dos
indivíduos. Assim sendo, enquanto a religião serviu para justificar
os sistemas de estamentos e de castas, nas sociedades modernas
ela serviu como base de questionamento, unindo-se ao apreço por
outras liberdades, como a econômica e a política.
Todo esse processo foi desencadeado pelo novo olhar que os seres
humanos passaram a ter sobre si mesmos com o advento da
modernidade. A crença na razão e na capacidade de transformar o
ambiente em que vivem fez com que a crença nos desígnios
divinos perdessem sua força para explicar o mundo social.
Consequentemente, essa mudança de perspectiva trouxe uma visão
diferente para o modo como os indivíduos enxergavam as
desigualdades entre si. Afinal, se todos são iguais perante Deus,
perante as leis, como conceber as desigualdades sociais?
A desigualdade nas sociedades modernas não tem relação com o
nascimento, nem com aspectos religiosos, o modo de concebê-las é
também bastante diferente. Em tais sociedades, entende-se que as
desigualdades se relacionam com os ganhos ou as oportunidades
que são desigualmente distribuídas entre indivíduos ou grupo de
indivíduos. Desse modo, as desigualdades podem ser corrigidas de
três formas distintas:
 Em relação aos resultados: nesse sentido, todos os indivíduos de uma
‚
sociedade teriam acesso à mesma proporção de riquezas e prestígios
independentemente de seus esforços e suas características. No entanto, para
que essa situação ocorra, seria necessária a existência de um governo
autoritário e centralizador.
 Em relação às condições: concepção que entende que as diferenças de origem
‚
familiar, herança econômica e os efeitos dos níveis culturais dos pais deveriam
ser mitigadas para que todos possam iniciar do mesmo ponto a fim de que
busquem sucesso em suas vidas.
 Em relação às oportunidades: a maioria das políticas públicas de combate às
‚
desigualdades se orientam por esse princípio, que preza que todos os
indivíduos tenham direito às mesmas oportunidades (educação, saúde,
segurança) para se desenvolverem como pessoas e profissionais.
 Um aspecto importante para a definição das desigualdades nas sociedades
modernas é que elas se referem a distinções entre grupos de pessoas, e não
apenas entre indivíduos isolados. Por esse motivo, os estudos sociológicos
sobre desigualdades se preocupam em compreender como elas se estruturam,
como se repetem regularmente entre grupos de pessoas ao longo do tempo.
Olhar sociologicamente para a questão das desigualdades não significa
quantificar as diferenças presentes nas sociedades, mas sim entender como
essas diferenças são transformadas em desigualdades.
Na sua visão, qual o peso do racismo e do machismo para
as desigualdades sociais no nosso país?

CAP6 Estratificação e desigualdade social.pptx

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     Vocês conhecem algumasociedade ao longo da história em que efetivamente os indivíduos desfrutassem ou desfrutem de maneira igualitária dos bens e oportunidades disponíveis? Café (1935)
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    Na realidade, associedades humanas sempre conviveram com distinções entre os mais variados grupos sociais que as compõem. Inclusive nas sociedades menos complexas, critérios como sexo e idade eram utilizados para diferenciar o acesso dos indivíduos não apenas aos recursos materiais, como também ao poder de decisão nos rumos da comunidade e na própria liberdade individual. Portanto, ao olhar atentamente para a história humana, percebe-se que a desigualdade entre os indivíduos é uma prática corriqueira, e a igualdade seria nada mais que uma utopia. Nesse sentido, não podemos questionar as desigualdades sociais?
  • 4.
    O termo utilizadopara designar as diferenciações sociais entre os membros de uma mesma sociedade, independentemente do critério em que se baseiam (riqueza, gênero, idade, religião etc.), é estratificação social.Toda e qualquer forma de estratificação é historicamente condicionada, ou seja, somente tem validade e deve ser compreendida dentro de um contexto social e histórico específico. Ao longo da história, pode-se identificar três principais tipos de estratificação social: os estamentos, as castas e as classes sociais. Como podemos identificar essa estratificação ao longo da história?
  • 5.
     A sociedadeestamental vigente na Europa medieval, dividiu a sociedade do período entre nobres, clero e servos. O elemento central para a divisão dos indivíduos em um desses três estamentos era a posse da terra. Além desse fator econômico, cabe também ressaltar o peso ideológico do poder da Igreja no período, facilitando para o não questionamento desse sistema, uma vez que todos entendiam que ocupavam suas posições em função da vontade divina.  Outro exemplo é o sistema de castas, que, apesar de ter se expressado de forma mais intensa na Índia, também foi desenvolvido na China e na Grécia antiga. A sociedade indiana se organizou em castas há mais de 3 mil anos, adotando como critérios a religião, a ocupação e a etnia dos indivíduos. Ainda que o sistema de castas tenha sido abolido oficialmente em 1950, ele ainda persiste por força da tradição. Atualmente, com o desenvolvimento do capitalismo na Índia, há uma mescla das castas com as classes sociais e também a junção de hábitos tradicionais e modernos nas práticas dos indivíduos.
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    Já o sistemade estratificação, é típico das sociedades capitalistas modernas: as classes sociais. Nessa forma de estratificação social, o principal critério de divisão é o modo diferente de apropriação das riquezas produzidas. Cabe notar que é justamente nesse modo de produção que se questionam as desigualdades sociais de forma mais incisiva. E por qual motivo isso acontece? O universalismo católico é o primeiro ponto para pensar a questão das desigualdades nas sociedades modernas. O princípio cristão de que todos são iguais perante Deus foi expandido pelos filósofos iluministas para o seio das sociedades modernas por meio das noções de igualdade jurídica, civil e de supremacia da vontade dos indivíduos. Assim sendo, enquanto a religião serviu para justificar os sistemas de estamentos e de castas, nas sociedades modernas ela serviu como base de questionamento, unindo-se ao apreço por outras liberdades, como a econômica e a política.
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    Todo esse processofoi desencadeado pelo novo olhar que os seres humanos passaram a ter sobre si mesmos com o advento da modernidade. A crença na razão e na capacidade de transformar o ambiente em que vivem fez com que a crença nos desígnios divinos perdessem sua força para explicar o mundo social. Consequentemente, essa mudança de perspectiva trouxe uma visão diferente para o modo como os indivíduos enxergavam as desigualdades entre si. Afinal, se todos são iguais perante Deus, perante as leis, como conceber as desigualdades sociais? A desigualdade nas sociedades modernas não tem relação com o nascimento, nem com aspectos religiosos, o modo de concebê-las é também bastante diferente. Em tais sociedades, entende-se que as desigualdades se relacionam com os ganhos ou as oportunidades que são desigualmente distribuídas entre indivíduos ou grupo de indivíduos. Desse modo, as desigualdades podem ser corrigidas de três formas distintas:
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     Em relaçãoaos resultados: nesse sentido, todos os indivíduos de uma ‚ sociedade teriam acesso à mesma proporção de riquezas e prestígios independentemente de seus esforços e suas características. No entanto, para que essa situação ocorra, seria necessária a existência de um governo autoritário e centralizador.  Em relação às condições: concepção que entende que as diferenças de origem ‚ familiar, herança econômica e os efeitos dos níveis culturais dos pais deveriam ser mitigadas para que todos possam iniciar do mesmo ponto a fim de que busquem sucesso em suas vidas.  Em relação às oportunidades: a maioria das políticas públicas de combate às ‚ desigualdades se orientam por esse princípio, que preza que todos os indivíduos tenham direito às mesmas oportunidades (educação, saúde, segurança) para se desenvolverem como pessoas e profissionais.
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     Um aspectoimportante para a definição das desigualdades nas sociedades modernas é que elas se referem a distinções entre grupos de pessoas, e não apenas entre indivíduos isolados. Por esse motivo, os estudos sociológicos sobre desigualdades se preocupam em compreender como elas se estruturam, como se repetem regularmente entre grupos de pessoas ao longo do tempo. Olhar sociologicamente para a questão das desigualdades não significa quantificar as diferenças presentes nas sociedades, mas sim entender como essas diferenças são transformadas em desigualdades. Na sua visão, qual o peso do racismo e do machismo para as desigualdades sociais no nosso país?