•A vitória de Babilônia
•A fidelidade de
Daniel e seus amigos
na corte estrangeira
A. Deportação
Versos 1,2
a) Uma data: 3º ano de Jeoaquim
b) Babilônia submete Jerusalém
c) O Senhor “dá” {ntn)
B. Alienação
Versos 3-7
a) O alimento apontado
(alusão ao Criador, cf. Jonas 2:1; 4:6,7)
b) Um tempo: 3 anos, motivo do fim
c) Nomes “dados” (sam)
Estrutura geral do capítulo
Bi. Resistência
Versos 8-16
a) Daniel “tensiona” (sam)
b) 0 alimento pedido (alusão ao Criador, cf. Gên.
1:29)
c) Um tempo: 10 dias, motivo do fim
Ai. Libertação
Versos 17-21
a) Hebreus submetem Babilônia
b) Deus “dá” {ntn)
c) Uma data: 1º ano de Ciro
1
No ano terceiro do reinado de Jeoaquim,
rei de Judá, Nabucodonosor, rei da
Babilônia, veio a Jerusalém e a sitiou.
2
O Senhor entregou nas mãos dele
Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos
utensílios da Casa de Deus. Nabucodonosor
levou esses utensílios para a terra de Sinar,
para o templo do seu deus, e os pôs na casa
do tesouro do seu deus”.
Daniel 1:1,2
Versos 1 e 2
O ano de 605 a.C. marcou a primeira deportação dos hebreus para a Babilônia por
Nabucodonosor II. Em 722 a.C., os assírios invadiram o reino do norte de Israel (II
Reis 17:3-23).
Depois da morte de Salomão, o reino de Davi foi dividido em dois: 10 tribos de
Israel (chamadas de Efraim em alguns lugares) e 2 tribos de Judá (mais ao sul da
Palestina).
Versos 1 e 2
Aqui é importante ter em mente uma cronologia dos fatos. Vamos a ela:
612 a.C. – Babilônios e medos conquistam Assíria
605 a.C. – Babilônios lutam contra egípcios
605 a.C. – Nabucodonosor II se torna rei de Babilônia
605 a.C. – Babilônios invadem Judá (primeira deportação)
Versos 1 e 2
609 a.C. – Joacaz/Salum se torna rei de Judá (3 meses)
609 a.C. – Jeoaquim se torna rei de Judá (609-598)
601 a.C. – Judá se alia aos egípcios
598 a.C. – Joaquim se torna rei de Judá (598-597) - 3 meses e 10 dias
Versos 1 e 2
597 a.C. – Zedequias se torna rei de Judá (597-586)
597 a.C. – Babilônios capturam Jerusalém na segunda deportação (Ezequiel é
levado)
586 a.C. – Muros e portões de Jerusalém são queimados
586 a.C. – Terceira deportação e começo oficial do exílio
Detalhes da história
Segundo Rodrigo Silva, muito provavelmente, a julgar pela semelhança do que
ocorria nas investidas assírias, os babilônios provavelmente levaram os cativos
amarrados com as mãos para trás, o dorso ou o peito nu e um saiote que deixava as
nádegas à mostra. Menção deste tipo de prática em Isaías 20:4, no caso dos assírios.
Detalhes da história
Calcula-se que a distância de Jerusalém até Bagdá, capital do Iraque (onde mais ou
menos ficava a região de Babilônia antiga) seja de uns 1.600 km de distância. A
estimativa é que, por dia, os cativos tenham feito 25 km de caminhada.
Reflexões
Deus permitiu o cativeiro ao povo para que houvesse arrependimento e se
voltassem a Deus.
O maior desafio de Daniel e seus amigos era o de permanecerem fiéis aos
princípios que davam solidez a sua fé, mesmo diante de um ambiente altamente
contrário a suas crenças.
8
Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos: Visto que vocês não escutaram as minhas
palavras, 9
eis que mandarei buscar todas as tribos do Norte, diz o Senhor, e também
Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo, e os trarei contra esta terra, contra os seus
moradores e contra todas estas nações ao redor, e os destruirei totalmente. Farei deles
um objeto de horror e de vaias, ruínas perpétuas.
10
Farei cessar entre eles o som das festas e da alegria, a voz do noivo e a voz da noiva,
o ruído das pedras do moinho e a luz das lamparinas. Jeremias 25:8-10
11
Toda esta terra virá a ser uma ruína, objeto de horror, e estas nações servirão o rei
da Babilônia durante setenta anos.
12
Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, castigarei o rei da
Babilônia e aquela nação, a terra dos caldeus, por causa de sua iniquidade, diz o
Senhor; farei deles ruínas perpétuas.
Jeremias 25:11,12
3
Depois, o rei ordenou a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns
dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, 4
jovens sem nenhum
defeito, de boa aparência, sábios, instruídos, versados no conhecimento e que
fossem competentes para servirem no palácio real. E que Aspenaz lhes ensinasse a
cultura e a língua dos caldeus.
Daniel 1:3,4
5
O rei determinou que eles recebessem uma alimentação diária tirada das finas
iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia. Os jovens deveriam ser educados ao
longo de três anos e, ao final desse período, passariam a servir o rei.
6
Entre eles, se achavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias, que eram da tribo de
Judá.
7
O chefe dos eunucos lhes deu outros nomes, a saber: a Daniel, o de Beltessazar; a
Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o de Abede-Nego.
Daniel 1:5-7
Versos 3-7
O verbo determinar (no hebraico ali vayman) costuma aparecer, em outras partes
da Bíblia, sempre como um verbo cujo sujeito é Deus. Isso ocorre em textos como
Salmo 16:5; Jonas 2:1.
O curioso é que, no caso de Daniel 1:5, tal verbo está associado ao rei
Nabucodonosor como sujeito. Uma tentativa de o monarca se colocar no lugar de
Deus.
Versos 3 a 7
A refeição sugerida a Daniel e seus amigos era um reconhecimento a
Nabucodonosor como deus, devido ao uso do verbo ali traduzido em português
por determinar (ARA e outras versões).
Versos 3-7
Um oficial do rei se encarregou dos jovens hebreus. Aspenaz é apresentado como
chefe dos eunucos. Um oficial da corte responsável pela educação dos príncipes reais
e pelo bem-estar do harém. Nessa ocasião, era esperado que ele descobrisse futuros
diplomatas entre a realeza.
Os jovens escolhidos eram de nobre descendência e Jacques Doukhan explica que o
príncipe Daniel era provavelmente um descendente direto de Zedequias, o último rei
de Judá. Outra parte deste ensino, que levava a uma alienação cultural, consistia em
entender a prática da astrologia. A base de pensamento deles era de que o movimento
astral determinava o destino da humanidade.
Versos 3-7
Zdrako Stefanovic diz que os jovens deveriam ter entre 15 e 16 anos de idade. E não
deveriam ter defeitos. O ensino sobre a cultura e a língua dos caldeus era essencial.
Os caldeus eram a etnia principal no império e, portanto, atuavam como os
sacerdotes à divindade Marduk e guardiões das tradições sagradas. Eram ligados aos
semitas.
Há uma linha que avalia a possibilidade de que Daniel e seus amigos possam ter sido
feitos eunucos (parcialmente ou totalmente). Há, inclusive, uma indicação possível
disso em Isaías 39:7.
Versos 3-7
A troca de nomes deles significava uma outra tentativa de aculturá-los. Daniel, por
exemplo, foi chamado de Beltessazar. Significava Bel, outro nome para o deus
chamado Marduk, que segundo a crença, era quem preservava a vida.
Baldwin registra no seu comentário, sobre o sistema religioso babilônico, que “um
estudioso moderno observará que muitos desses deuses são personificações de partes
ou aspectos da natureza. Os deuses do sol e da lua são exemplos óbvios”.
Versos 3-7
O nome Beltessazar, segundo alguns historiadores, seria Bel, que protege
a vida do rei, em uma forma abreviada.
Por outro lado, os nomes de Daniel e seus amigos, no idioma original, continham
nomes divinos. El, Deus, no caso de Daniel, Misael e Yah, o Senhor, no caso de
Ananias e Azarias.
8
Daniel resolveu não se
contaminar com as finas
iguarias do rei, nem com o
vinho que ele bebia; por isso,
pediu ao chefe dos eunucos que
lhe permitisse não se
contaminar.
9
E Deus concedeu a Daniel
misericórdia e compreensão da
parte do chefe dos eunucos.
Daniel 1:8,9
10
Porém o chefe dos eunucos disse a
Daniel: — Tenho medo do meu
senhor, o rei, que determinou o que
vocês devem comer e beber. E se ele
perceber que o rosto de vocês está
mais abatido do que o rosto dos
outros jovens da mesma idade? Se
isto viesse a acontecer, vocês poriam
a minha cabeça em perigo diante do
rei.
11
Então Daniel foi falar com o
cozinheiro-chefe, a quem o chefe
dos eunucos havia encarregado de
cuidar de Daniel, Hananias, Misael e
Azarias. Daniel 1:10,11
12
Daniel disse a ele: — Por favor,
faça uma experiência com estes
seus servos durante dez dias. Dê-
nos legumes para comer e água
para beber.
13
Depois, compare a nossa
aparência com a dos jovens que
comem das finas iguarias do rei.
Dependendo do que enxergar, o
senhor decidirá o que fazer com
estes seus servos.
14
O cozinheiro-chefe concordou e
fez a experiência durante dez dias.
Daniel 1:12-14
15
No fim dos dez dias, a aparência
dos quatro jovens era melhor, e eles
estavam mais robustos do que todos
os jovens que comiam das finas
iguarias do rei.
16
Com isto, o cozinheiro-chefe tirou
deles as finas iguarias e o vinho que
deviam beber e lhes dava legumes.
17
Ora, a estes quatro jovens Deus
deu o conhecimento e a inteligência
em toda cultura e sabedoria. Mas a
Daniel deu inteligência para
interpretar todo tipo de visões e
sonhos. Daniel 1:15-17
Versos 8-17
Além disso, havia uma definição dos jovens de não ingerir nem carne e nem as
bebidas oferecidas ali no banquete real. A escritora Ellen White afirma que
“resolveram que, como os alimentos cárneos não haviam feito parte do seu regime
antes, tampouco deveriam usá-los no futuro. E como o uso de vinho fora proibido a
todos os que devessem se empenhar no serviço de Deus, resolveriam não participar
dele”. Ellen White, em Meditação Nos Lugares Celestiais, p. 267.
Versos 8-17
Tanto que Daniel nega diplomaticamente, no versículo 12, sugerindo que
recebessem água e legumes (mesma expressão de Gênesis 1:29), em alusão ao
Criador de tudo.
Versos 8-17
O exemplo de Daniel e seus amigos evidencia a conexão entre fé e existência.
Ou seja, a religião não consiste em abstrações, mas é aplicada à vida cotidiana,
real. Veja, por exemplo, que sacerdotes deixavam de tomar bebidas alcoólica
para melhor distinguir o que era sagrado e o que não era, portanto a vida pessoal
se confunde com a vida religiosa. Não há esta divisão ou dicotomia. Ver
Levítico 10:8-11.
18
Ao final do tempo determinado pelo rei para que os jovens fossem
levados à sua presença, o chefe dos eunucos os levou à presença de
Nabucodonosor.
19
Então o rei falou com eles. E, entre todos, não foram achados outros
como Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Por isso, passaram a servir o rei.
Em toda matéria de sabedoria e de inteligência sobre que 20
o rei lhes fez
perguntas, os achou dez vezes mais sábios do que todos os magos e
encantadores que havia em todo o seu reino.
21
Daniel continuou ali até o primeiro ano do reinado de Ciro.
Daniel 1:18-21
Versos 18-21
Final do capítulo evidencia que todo o desenvolvimento dos jovens hebreus não é
fruto do seu treinamento, capacitação humana, mas dependência divina. Mas é
inegável que foram fiéis.
Versos 18-21
Daniel foi dotado de inteligência sobre visões e sonhos. As interpretações nos
capítulos seguintes não seriam obra dele, mas de Deus por meio dele. Há, aí,
também, um claro paralelo com os sonhos interpretados por José, no Egito.
Versos 18-21
Estes jovens tiveram acesso direto ao rei e é dito que Daniel teve influência
direta, como um assessor especial de reis estrangeiros, até o tempo do domínio
persa, pois há a menção ao imperador Ciro.
Reflexões finais
Daniel e seus amigos tiveram a
oportunidade de testemunhar em
meio a uma corte pagã.
Eles tinham clareza de que aquilo
que possuíam, em termos de
sabedoria e habilidades, era
concedido divinamente e não
simplesmente um mérito da parte
deles.
Bibliografia
consultada:
• Comentário Bíblico Adventista
• Daniel – Wisdow to the wise – Zdrako
Stefanovic
• Segredos de Daniel – Jacques Doukhan
• Daniel – Introdução e Comentário –
Joyce Baldwin
• Curso A Bíblia Comentada – Rodrigo
Silva
CAP1.pptx o livro de Daniel capítulo 1 - análise

CAP1.pptx o livro de Daniel capítulo 1 - análise

  • 2.
    •A vitória deBabilônia •A fidelidade de Daniel e seus amigos na corte estrangeira
  • 3.
    A. Deportação Versos 1,2 a)Uma data: 3º ano de Jeoaquim b) Babilônia submete Jerusalém c) O Senhor “dá” {ntn) B. Alienação Versos 3-7 a) O alimento apontado (alusão ao Criador, cf. Jonas 2:1; 4:6,7) b) Um tempo: 3 anos, motivo do fim c) Nomes “dados” (sam) Estrutura geral do capítulo Bi. Resistência Versos 8-16 a) Daniel “tensiona” (sam) b) 0 alimento pedido (alusão ao Criador, cf. Gên. 1:29) c) Um tempo: 10 dias, motivo do fim Ai. Libertação Versos 17-21 a) Hebreus submetem Babilônia b) Deus “dá” {ntn) c) Uma data: 1º ano de Ciro
  • 4.
    1 No ano terceirodo reinado de Jeoaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio a Jerusalém e a sitiou. 2 O Senhor entregou nas mãos dele Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da Casa de Deus. Nabucodonosor levou esses utensílios para a terra de Sinar, para o templo do seu deus, e os pôs na casa do tesouro do seu deus”. Daniel 1:1,2
  • 5.
    Versos 1 e2 O ano de 605 a.C. marcou a primeira deportação dos hebreus para a Babilônia por Nabucodonosor II. Em 722 a.C., os assírios invadiram o reino do norte de Israel (II Reis 17:3-23). Depois da morte de Salomão, o reino de Davi foi dividido em dois: 10 tribos de Israel (chamadas de Efraim em alguns lugares) e 2 tribos de Judá (mais ao sul da Palestina).
  • 6.
    Versos 1 e2 Aqui é importante ter em mente uma cronologia dos fatos. Vamos a ela: 612 a.C. – Babilônios e medos conquistam Assíria 605 a.C. – Babilônios lutam contra egípcios 605 a.C. – Nabucodonosor II se torna rei de Babilônia 605 a.C. – Babilônios invadem Judá (primeira deportação)
  • 7.
    Versos 1 e2 609 a.C. – Joacaz/Salum se torna rei de Judá (3 meses) 609 a.C. – Jeoaquim se torna rei de Judá (609-598) 601 a.C. – Judá se alia aos egípcios 598 a.C. – Joaquim se torna rei de Judá (598-597) - 3 meses e 10 dias
  • 8.
    Versos 1 e2 597 a.C. – Zedequias se torna rei de Judá (597-586) 597 a.C. – Babilônios capturam Jerusalém na segunda deportação (Ezequiel é levado) 586 a.C. – Muros e portões de Jerusalém são queimados 586 a.C. – Terceira deportação e começo oficial do exílio
  • 9.
    Detalhes da história SegundoRodrigo Silva, muito provavelmente, a julgar pela semelhança do que ocorria nas investidas assírias, os babilônios provavelmente levaram os cativos amarrados com as mãos para trás, o dorso ou o peito nu e um saiote que deixava as nádegas à mostra. Menção deste tipo de prática em Isaías 20:4, no caso dos assírios.
  • 10.
    Detalhes da história Calcula-seque a distância de Jerusalém até Bagdá, capital do Iraque (onde mais ou menos ficava a região de Babilônia antiga) seja de uns 1.600 km de distância. A estimativa é que, por dia, os cativos tenham feito 25 km de caminhada.
  • 11.
    Reflexões Deus permitiu ocativeiro ao povo para que houvesse arrependimento e se voltassem a Deus. O maior desafio de Daniel e seus amigos era o de permanecerem fiéis aos princípios que davam solidez a sua fé, mesmo diante de um ambiente altamente contrário a suas crenças.
  • 12.
    8 Portanto, assim dizo Senhor dos Exércitos: Visto que vocês não escutaram as minhas palavras, 9 eis que mandarei buscar todas as tribos do Norte, diz o Senhor, e também Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo, e os trarei contra esta terra, contra os seus moradores e contra todas estas nações ao redor, e os destruirei totalmente. Farei deles um objeto de horror e de vaias, ruínas perpétuas. 10 Farei cessar entre eles o som das festas e da alegria, a voz do noivo e a voz da noiva, o ruído das pedras do moinho e a luz das lamparinas. Jeremias 25:8-10
  • 13.
    11 Toda esta terravirá a ser uma ruína, objeto de horror, e estas nações servirão o rei da Babilônia durante setenta anos. 12 Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, castigarei o rei da Babilônia e aquela nação, a terra dos caldeus, por causa de sua iniquidade, diz o Senhor; farei deles ruínas perpétuas. Jeremias 25:11,12
  • 14.
    3 Depois, o reiordenou a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, 4 jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, sábios, instruídos, versados no conhecimento e que fossem competentes para servirem no palácio real. E que Aspenaz lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. Daniel 1:3,4
  • 15.
    5 O rei determinouque eles recebessem uma alimentação diária tirada das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia. Os jovens deveriam ser educados ao longo de três anos e, ao final desse período, passariam a servir o rei. 6 Entre eles, se achavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias, que eram da tribo de Judá. 7 O chefe dos eunucos lhes deu outros nomes, a saber: a Daniel, o de Beltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o de Abede-Nego. Daniel 1:5-7
  • 16.
    Versos 3-7 O verbodeterminar (no hebraico ali vayman) costuma aparecer, em outras partes da Bíblia, sempre como um verbo cujo sujeito é Deus. Isso ocorre em textos como Salmo 16:5; Jonas 2:1. O curioso é que, no caso de Daniel 1:5, tal verbo está associado ao rei Nabucodonosor como sujeito. Uma tentativa de o monarca se colocar no lugar de Deus.
  • 17.
    Versos 3 a7 A refeição sugerida a Daniel e seus amigos era um reconhecimento a Nabucodonosor como deus, devido ao uso do verbo ali traduzido em português por determinar (ARA e outras versões).
  • 18.
    Versos 3-7 Um oficialdo rei se encarregou dos jovens hebreus. Aspenaz é apresentado como chefe dos eunucos. Um oficial da corte responsável pela educação dos príncipes reais e pelo bem-estar do harém. Nessa ocasião, era esperado que ele descobrisse futuros diplomatas entre a realeza. Os jovens escolhidos eram de nobre descendência e Jacques Doukhan explica que o príncipe Daniel era provavelmente um descendente direto de Zedequias, o último rei de Judá. Outra parte deste ensino, que levava a uma alienação cultural, consistia em entender a prática da astrologia. A base de pensamento deles era de que o movimento astral determinava o destino da humanidade.
  • 19.
    Versos 3-7 Zdrako Stefanovicdiz que os jovens deveriam ter entre 15 e 16 anos de idade. E não deveriam ter defeitos. O ensino sobre a cultura e a língua dos caldeus era essencial. Os caldeus eram a etnia principal no império e, portanto, atuavam como os sacerdotes à divindade Marduk e guardiões das tradições sagradas. Eram ligados aos semitas. Há uma linha que avalia a possibilidade de que Daniel e seus amigos possam ter sido feitos eunucos (parcialmente ou totalmente). Há, inclusive, uma indicação possível disso em Isaías 39:7.
  • 20.
    Versos 3-7 A trocade nomes deles significava uma outra tentativa de aculturá-los. Daniel, por exemplo, foi chamado de Beltessazar. Significava Bel, outro nome para o deus chamado Marduk, que segundo a crença, era quem preservava a vida. Baldwin registra no seu comentário, sobre o sistema religioso babilônico, que “um estudioso moderno observará que muitos desses deuses são personificações de partes ou aspectos da natureza. Os deuses do sol e da lua são exemplos óbvios”.
  • 21.
    Versos 3-7 O nomeBeltessazar, segundo alguns historiadores, seria Bel, que protege a vida do rei, em uma forma abreviada. Por outro lado, os nomes de Daniel e seus amigos, no idioma original, continham nomes divinos. El, Deus, no caso de Daniel, Misael e Yah, o Senhor, no caso de Ananias e Azarias.
  • 22.
    8 Daniel resolveu nãose contaminar com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; por isso, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar. 9 E Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos. Daniel 1:8,9
  • 23.
    10 Porém o chefedos eunucos disse a Daniel: — Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou o que vocês devem comer e beber. E se ele perceber que o rosto de vocês está mais abatido do que o rosto dos outros jovens da mesma idade? Se isto viesse a acontecer, vocês poriam a minha cabeça em perigo diante do rei. 11 Então Daniel foi falar com o cozinheiro-chefe, a quem o chefe dos eunucos havia encarregado de cuidar de Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Daniel 1:10,11
  • 24.
    12 Daniel disse aele: — Por favor, faça uma experiência com estes seus servos durante dez dias. Dê- nos legumes para comer e água para beber. 13 Depois, compare a nossa aparência com a dos jovens que comem das finas iguarias do rei. Dependendo do que enxergar, o senhor decidirá o que fazer com estes seus servos. 14 O cozinheiro-chefe concordou e fez a experiência durante dez dias. Daniel 1:12-14
  • 25.
    15 No fim dosdez dias, a aparência dos quatro jovens era melhor, e eles estavam mais robustos do que todos os jovens que comiam das finas iguarias do rei. 16 Com isto, o cozinheiro-chefe tirou deles as finas iguarias e o vinho que deviam beber e lhes dava legumes. 17 Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria. Mas a Daniel deu inteligência para interpretar todo tipo de visões e sonhos. Daniel 1:15-17
  • 26.
    Versos 8-17 Além disso,havia uma definição dos jovens de não ingerir nem carne e nem as bebidas oferecidas ali no banquete real. A escritora Ellen White afirma que “resolveram que, como os alimentos cárneos não haviam feito parte do seu regime antes, tampouco deveriam usá-los no futuro. E como o uso de vinho fora proibido a todos os que devessem se empenhar no serviço de Deus, resolveriam não participar dele”. Ellen White, em Meditação Nos Lugares Celestiais, p. 267.
  • 27.
    Versos 8-17 Tanto queDaniel nega diplomaticamente, no versículo 12, sugerindo que recebessem água e legumes (mesma expressão de Gênesis 1:29), em alusão ao Criador de tudo.
  • 28.
    Versos 8-17 O exemplode Daniel e seus amigos evidencia a conexão entre fé e existência. Ou seja, a religião não consiste em abstrações, mas é aplicada à vida cotidiana, real. Veja, por exemplo, que sacerdotes deixavam de tomar bebidas alcoólica para melhor distinguir o que era sagrado e o que não era, portanto a vida pessoal se confunde com a vida religiosa. Não há esta divisão ou dicotomia. Ver Levítico 10:8-11.
  • 29.
    18 Ao final dotempo determinado pelo rei para que os jovens fossem levados à sua presença, o chefe dos eunucos os levou à presença de Nabucodonosor. 19 Então o rei falou com eles. E, entre todos, não foram achados outros como Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Por isso, passaram a servir o rei. Em toda matéria de sabedoria e de inteligência sobre que 20 o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais sábios do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino. 21 Daniel continuou ali até o primeiro ano do reinado de Ciro. Daniel 1:18-21
  • 30.
    Versos 18-21 Final docapítulo evidencia que todo o desenvolvimento dos jovens hebreus não é fruto do seu treinamento, capacitação humana, mas dependência divina. Mas é inegável que foram fiéis.
  • 31.
    Versos 18-21 Daniel foidotado de inteligência sobre visões e sonhos. As interpretações nos capítulos seguintes não seriam obra dele, mas de Deus por meio dele. Há, aí, também, um claro paralelo com os sonhos interpretados por José, no Egito.
  • 32.
    Versos 18-21 Estes jovenstiveram acesso direto ao rei e é dito que Daniel teve influência direta, como um assessor especial de reis estrangeiros, até o tempo do domínio persa, pois há a menção ao imperador Ciro.
  • 33.
    Reflexões finais Daniel eseus amigos tiveram a oportunidade de testemunhar em meio a uma corte pagã. Eles tinham clareza de que aquilo que possuíam, em termos de sabedoria e habilidades, era concedido divinamente e não simplesmente um mérito da parte deles.
  • 34.
    Bibliografia consultada: • Comentário BíblicoAdventista • Daniel – Wisdow to the wise – Zdrako Stefanovic • Segredos de Daniel – Jacques Doukhan • Daniel – Introdução e Comentário – Joyce Baldwin • Curso A Bíblia Comentada – Rodrigo Silva