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                  Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
                                                                                                                                               I Série
                                                                                                                                               Número 3




                  BOLETIM OFICIAL
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                  ÍNDICE
                                                CONSELHO DE MINISTROS:

                                           Resolução nº 3/2012:

                                              Aprova a Estratégia Nacional de Imigração.

                                           Resolução nº 4/2012:

                                              Atribui ao Aeroporto Internacional da Praia o nome de “Aeroporto Internacional Nelson Mandela”.

                                                CHEFIA DO GOVERNO:

                                           Rectificação:

                                              Às Portarias nºs 3 e 4/2012, de 12 de Janeiro.


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                  78     I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012

                            CONSELHO DE MINISTROS                                         Nacional de Imigração, definidas em 2010: (1) Fluxos
                                                                                          migratórios, (2) Diálogo, solidariedade e parcerias, (3)
                                            –––––––                                       Crescimento económico e integração social e (4) Coerência
                                                                                          das políticas de migração. Através destes quatro pilares
                                    Resolução nº 3/2012
                                                                                          são apontadas medidas em relação à recolha e análise de
                                        de 23 de Janeiro                                  dados relativa à imigração, a gestão, controlo e segurança
                                                                                          das fronteiras, as parcerias e o diálogo internacional,
                    Cabo Verde é considerado, principalmente a partir da                  investimento, emprego, a integração social nas suas
                  independência, um país de imigração, com a entrada de                   diversas dimensões (Educação, Formação, Trabalho,
                  imigrantes da Europa, Ásia e da Costa Ocidental Afri-                   Segurança, Saúde e habitação), a relação e a necessária
                  cana. As causas apontadas são a estabilidade política e                 articulação entre as políticas de Emigração e as de imi-
                  social de Cabo Verde, a posição geográfica na encruzi-                   gração, e o importante papel das instituições públicas,
                  lhada de três continentes, a dinâmica de crescimento                    privadas e da sociedade civil neste processo.
                  económico, a integração regional na CEDEAO por força                      A implementação das políticas de imigração e as sub-
                  da ratificação dos tratados e convenções a que respeitam,                sequentes estratégias, incluindo a Estratégia Nacional
                  bem assim a Acordos bilateral e multilateral celebrados                 de Imigração, requerem o estabelecimento de um novo
                  internacionalmente.                                                     mecanismo de coordenação integrado no Gabinete da
                                                                                          Ministra-Adjunta do Primeiro Ministro – a Unidade
                    Apesar da existência de uma prática institucionalizada
                                                                                          de Coordenação da Imigração (UCI) – e o reforço das
                  no que toca a gestão da imigração e integração de imi-                  capacidades das instituições com responsabilidades em
                  grantes, Cabo Verde não dispõe ainda de uma política                    matéria de imigração, para responder de forma adequada
                  clara, e integrada que sistematize os objectivos, valores               os desafios ligados a este sector.
                  e princípios, e as orientações gerais e específicas de uma
                  estratégia nacional de imigração.                                          De forma a garantir a actuação concertada de todas
                                                                                          as instituições envolvidas na implementação da ENI, e
                     Considerando tal facto, e antevendo-se um aumento                    o acompanhamento e avaliação dos objectivos propostos,
                  da demanda por parte de cidadãos de outros países para                  o papel principal da UCI é de garantir a coordenação
                  fixação de residência, procura de emprego e realização                   entre todas as instituições e actores relacionados com
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                  de investimentos e negócios, o Governo, por Resolução                   a imigração e apoiá-los na implementação de políticas,
                  do Conselho de Ministros 8/2008 de 3 de Março (com re-                  estratégias e planos de acção.
                  novação de mandato através da Resolução 12/2009 de 18
                                                                                             Assim:
                  de Maio), criou, sob a Presidência do Ministro-Adjunto do
                  Primeiro-Ministro, a Comissão Interministerial para Es-                   No uso da faculdade conferida pelo nº 2 do artigo 265º
                  tudo e Proposição das Bases para a Política de Imigração                da Constituição, o Governo aprova a seguinte Resolução:
                  (CIMI), para diagnosticar a situação, e propor as bases
                  para a definição de uma Politica Nacional de Imigração                                                          Artigo 1º
                  que tenha como principais vectores são o combate à imi-                                                        Objecto
                  gração clandestina e emprego de mão-de-obra ilegal e às
                  situações socialmente degradantes que os mesmos pos-                      É aprovada a Estratégia Nacional de Imigração, anexa
                  sam comportar; uma eficaz gestão dos fluxos migratórios,                  à presente Resolução e que dela faz parte integrante.
                  e a efectiva e harmoniosa integração dos imigrantes na
                                                                                                                                 Artigo 2º
                  sociedade cabo-verdiana.
                                                                                                                           Implementação
                    Os trabalhos desenvolvidos por esta Comissão basea-
                  ram-se na mobilização de instituições, organizações da                    O acompanhamento, e seguimento da implementação
                  sociedade civil e parcerias a nível nacional e internacional,           da Estratégia Nacional de Imigração cabe à Unidade de
                  visando desenvolver a Política Nacional de Imigração e                  Coordenação da Imigração.
                  estabelecer um quadro eficaz e coerente para a gestão
                                                                                                                                 Artigo 3º
                  da imigração.
                                                                                                                         Entrada em Vigor
                    A Estratégia Nacional de Imigração (ENI), elaborada
                  no seio da CIMI, a partir de um trabalho conjunto de                      A presente Resolução entra em vigor no dia seguinte
                  várias instituições da Administração Pública central e                  ao da sua publicação.
                  local, organizações não governamentais, associações de
                  imigrantes, sindicatos, empregadores e vários parceiros                             Vista e aprovada no Conselho de Ministros de
                                                                                                        27 de Outubro de 2011.
                  envolvidos, constitui um documento que busca traduzir
                  em respostas políticas, medidas, iniciativas e actividades os              José Maria Pereira Neves
                  desafios impostos à Política Nacional de Imigração (PNI).
                                                                                                      Publique-se.
                    Neste sentido, a Estratégia Nacional de Imigração foi
                  elaborada de acordo com os quatro pilares da Política                      O Primeiro-Ministro, José Maria Pereira Neves

                                   https://kiosk.incv.cv                                               0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012                                                                        79

                     ESTRATÉGIA NACIONAL DE IMIGRAÇÃO                                       Considerando tal facto, foi criada por Resolução n.º
                                                                                          8/2008 de 3 de Março, sob a presidência do Ministro-
                    Introdução
                                                                                          Adjunto do Primeiro-Ministro, a Comissão Interminis-
                    Cabo Verde foi desde sempre, tradicional e historica-                 terial para Estudo e Proposição das Bases da Política
                  mente, considerado como um país de emigração, cuja diás-                de Imigração (CIMI) composta por várias instituições
                  pora tem um papel importante no seu desenvolvimento (a                  envolvidas com a gestão da imigração, e com o mandato
                  nível económico, cultural, educacional). No entanto, nos                de propor ao Governo uma Proposta de Política Nacional
                  últimos anos, a emigração tem desacelerado, em parte,                   de Imigração (PNI).
                  como resultado das restrições impostas pelos tradicionais
                                                                                            Os trabalhos desenvolvidos neste órgão visaram dois
                  países de acolhimento.
                                                                                          objectivos essenciais:
                     Entre 1990/2000, a emigração caiu de 9.900 (Nove mil
                  e novecentos) para 8.900 (oito mil e novecentos). Segundo                      1 - O reforço da concertação e articulação institucionais;
                  o Relatório de Desenvolvimento Humano das Nações                               2 - A elaboração de documentos orientadores para uma
                  Unidas de 2009, a taxa líquida de migração internacional                              melhor perspectivação e gestão da Imigração em
                  registada em Cabo Verde no período de 2005 a 2010 é                                   Cabo Verde.
                  de – 0,5% (zero vírgula cinco). Estima-se que a diáspora
                  cabo-verdiana esteja radicada em cerca de 30 países e                     A elaboração da Proposta de Política e Estratégia
                  que a população residente seja de 491.683 (quatrocentos e               Nacionais de Imigração (ENI) constituiu um processo de
                  noventa e um mil, seiscentos e oitenta e três) habitantes,              estudo, de diagnóstico da situação da imigração em Cabo
                  conforme dados do Censo de 2010.                                        Verde, mas essencialmente um processo construtivo e
                                                                                          partilhado no seio desta Comissão Interministerial com
                    Sendo membro da CEDEAO, é parte plena do Protocolo                    as instituições que, directa ou indirectamente, fizeram
                  de Livre Circulação, e também enquanto membro da                        o corpo deste órgão; os membros do Governo, dirigentes
                  Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP),                       de Administração Pública de sectores relevantes para
                  é parte do Estatuto da Cidadania Lusófona. Estes dois                   o domínio da imigração, representantes dos serviços
                  instrumentos vêm a influenciar a mobilidade de pessoas                   desconcentrados do estado, eleitos e responsáveis au-
                  em direcção a Cabo Verde, representando um aumento                      tárquicos, representantes sindicais, representantes dos
                  significativo de fluxos migratórios provenientes de outros                empregadores, empresários, organizações não governa-
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                  países, em especial da Costa Ocidental Africana.                        mentais, líderes de associações de imigrantes; e com o
                    Constata-se, no entanto, uma ausência ou fragilidade                  forte apoio e assistência técnica da União Europeia, atra-
                  no domínio estatístico do número de imigrantes em terri-                vés da iniciativa MIEUX do Centro Internacional para
                  tório nacional. Isto acontece num momento em que Cabo                   o Desenvolvimento de Políticas Migratórias (ICMPD).
                  Verde é graduado a país de rendimento médio, e o Gover-                   Neste sentido, a ENI visa traduzir a Política Nacional
                  no tem apostado fortemente em políticas e estratégias de                Imigração, enquanto quadro referencial comum de prin-
                  captação do investimento externo, a infra-estruturação,                 cípios, valores, objectivos e linhas de acção, em medidas,
                  o desenvolvimento da indústria turística, e a grande                    actividades, e iniciativas em matéria de imigração. Por
                  oferta de emprego no sector da construção civil e obras                 isso, ela requer, igualmente, um ordenamento jurídico
                  públicas, pese embora a elevada taxa de desemprego no                   consequente, rigor na aplicação das leis e montagens
                  seio da população cabo-verdiana.                                        administrativas e institucionais coerentes para a ade-
                    A imigração trouxe consigo aspectos de ordem social e                 quada gestão da entrada, permanência, saída, mobilidade
                  humana que exigem a adopção urgente de políticas, me-                   interna, acesso ao mercado de trabalho e/ou desenvolvi-
                  didas e estratégias visando, sobretudo, a coordenação das               mento de actividade económica independente por parte
                  instituições e a integração dos estrangeiros na sociedade               de estrangeiros e trabalhadores imigrantes.
                  cabo-verdiana, no sentido de encontrar o equilíbrio entre                 A ENI foi elaborada de acordo com os quatro pilares da
                  as necessidades do mercado de trabalho cabo-verdiano,                   Política Nacional de Imigração, definidas pelo Governo
                  o número de estrangeiros que pretendem entrar no país                   em 2010:
                  e o potencial do capital humano nacional.
                                                                                                 (1) Fluxos migratórios,
                     A política de imigração deve responder às necessidades
                  e realidades sociais, económicas, políticas e culturais e em                   (2) Diálogo, solidariedade e parcerias,
                  matéria de segurança, bem como ligar as peculiaridades                         (3) Crescimento económico e integração social, e
                  cabo-verdianas aos desenvolvimentos recentes e à sua
                  localização geográfica.                                                         (4) Coerência das políticas de migração.
                    O desafio da gestão da migração nacional assenta-se                      Nestes quatro pilares, esta Estratégia estabelece medidas,
                  fundamental em dois aspectos:                                           iniciativas e respostas políticas em áreas sectoriais e
                                                                                          transversais que assumem como grande finalidade uma
                       (1) Gerir os fluxos migratórios e optimizar os efeitos
                                                                                          melhor resposta aos desafios impostos pela imigração, e
                             positivos da presença de estrangeiros no país;
                                                                                          que assentam num conjunto de tópicos orientadores, dos
                       (2) Enquanto país de emigração, conceber e                         quais se destacam:
                            implementar políticas coerentes com as
                                                                                                 Migração regular;
                            práticas orientadas para as comunidades
                            cabo-verdianas no exterior.                                          Vistos, e residência;

                                  https://kiosk.incv.cv                                                0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  80     I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012

                       Migração laboral;                                                                suas consequências, tais como o regresso/
                                                                                                        readmissão, combate à imigração irregular,
                       Combate ao tráfico de seres humanos e protecção                                   contrabando de migrantes e tráfico humano;
                           das vítimas do tráfico;
                                                                                               ● Responsabilidade do Estado face aos seus
                       Gestão integrada das fronteiras;                                            nacionais, o que implica a adopção de regras
                       Recolha e análise de dados;                                                 claras sobre emigração, imigração, integração
                                                                                                   e naturalização;
                       Cooperação regional e internacional,
                                                                                               ● Utilidade macroeconómica sustentável e de longo
                       Direitos Humanos; Educação, Formação, Segurança,                             prazo, que implica a definição de critérios
                             Saúde e habitação;                                                     para a admissão controlada e seleccionada
                                                                                                    de nacionais estrangeiros visando as
                       Cidadania e naturalização;                                                   necessidades do mercado nacional de trabalho
                       Relação e coerência de políticas de emigração e de                           e o potencial dos imigrantes;
                            imigração.                                                         ● Prioridades e interesses nacionais relacionados
                                                                                                    com a manutenção e garantia da estabilidade
                    Assumindo-se que a implementação prática das me-
                                                                                                    política, económica e social.
                  didas de política e as respostas formuladas na Política
                  Nacional de imigração serão influenciadas por riscos                          ● Efectiva e regular comunicação, coordenação
                  inesperados e por vantagens de várias ordens, ela vai                            e cooperação entre todas as instituições
                  requerer um elevado nível de coordenação, parcerias                              relacionadas com a problemática da migração
                  internacionais e forte liderança. Este processo exigirá                          e áreas afins;
                  esforços coordenados, alinhados e harmonizados, tanto                        ● Autoridade do Estado, no âmbito do qual o Governo
                  do Governo, das instituições nacionais centrais, locais                           define as políticas de acordo com os interesses
                  e municípios, como do sector privado, sindicatos, uni-                            nacionais, estabelece critérios e regras de
                  versidades e centros de pesquisa, e sociedade civil que                           entrada e permanência de estrangeiros, assim
                  passarão a integrar a gestão da imigração na sua rotina                           como regras aplicáveis à contratação e emprego
                  de trabalho e intervenções a médio e longo prazo.                                 de estrangeiros, deve ser observado por todos.
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                    Assim sendo, o propósito estratégico do processo é fazer               1.2 Objectivo da Estratégia
                  com que todos os actores políticos e sociais pensem e ajam              O objectivo global da Estratégia Nacional de Imigra-
                  em conformidade com os principais valores e objectivos                ção é contribuir efectivamente para a implementação
                  da política nacional e estratégia, visando construir um               do objectivo, valores, princípios e disposições da Política
                  entendimento comum e o engajamento numa parceria e                    Nacional de Imigração.
                  cooperação genuínas.
                                                                                           1.3 Áreas de Intervenção
                    1. POLÍTICA NACIONAL DE IMIGRAÇÃO                                     A abrangência e a complexidade dos aspectos relaciona-
                    A Política Nacional de Imigração visa regular os pro-               dos com a migração impõem que a mesma seja abordada
                  cessos migratórios (fluxos migratórios mistos) de forma                de uma forma holística. A Estratégia abrange uma série
                  a contribuir para o desenvolvimento social e económico                de políticas relacionadas com áreas interligadas e base-
                  do país, diminuir os resultados negativos, garantir a se-             adas em seis pilares, a saber:
                  gurança nacional e das fronteiras, prevenir e combater                       (1) Fluxos migratórios;
                  a imigração irregular, o tráfico de seres humanos, criar
                                                                                               (2) Dados e pesquisa;
                  condições iguais e apropriadas para o respeito integral
                  do direito dos imigrantes, incluindo a segurança social,                     (3) Diálogo, solidariedade e parceria;
                  assim como facilitar uma gradual integração dos mesmos.                      (4) Investimento e actividade económica;
                    1.1 Valores e princípios                                                   (5) Integração de imigrantes;
                       ● Respeito, protecção e promoção dos direitos                           (6) Políticas nacionais de migração coerentes.
                           humanos e liberdades, de acordo com a                           1.4 Orientações
                           Constituição e o quadro legal nacional, e os
                                                                                               ● Coerência, consistência e complementaridade da
                           tratados internacionais ratificados por Cabo
                                                                                                    Política Nacional de Imigração, com as linhas
                           Verde. Por conseguinte, não obstante os
                                                                                                    da Estratégia Nacional (pilares), e programas
                           motivos, devem ser respeitados o princípio
                                                                                                    e políticas sectoriais, assim como parcerias
                           de não-repatriação dos que procuram asilo e
                                                                                                    internacionais estratégicas;
                           refugiados e o princípio de não-discriminação
                           de migrantes;                                                       ● Concertação e articulação para evitar respostas
                                                                                                   e consequências inesperadas e indesejadas
                       ● Respeito e cumprimento da legislação cabo-                                noutros sectores relacionados com a imigração;
                           verdiana por parte dos imigrantes;
                                                                                               ● Revisão e avaliação com o objectivo de garantir
                       ● Solidariedade e responsabilidade aplicados                                 sustentabilidade e ajustamentos necessários
                           à protecção e assistência internacionais                                 que são ditados e que reflictam tendências e
                           são extensivos à migração irregular e                                    mudanças.

                                  https://kiosk.incv.cv                                              0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012                                                                         81

                    1.5 Complementaridade                                                 2. GESTÃO DOS FLUXOS MIGRATÓRIOS
                     A ENI, como instrumento da política estratégica sec-                 2.1. Vistos, entradas e admissão
                  torial, está alinhada com as disposições e princípios do
                  Documento de Estratégia, Crescimento e Redução                         O número crescente de cidadãos estrangeiros que
                  da Pobreza II, o principal documento de estratégia                   procuram possibilidades para permanecerem em Cabo
                  nacional que define o contexto do desenvolvimento na-                 Verde impõe a tomada de medidas que facilitem a sua
                  cional, objectivos a médio e longo termo e os pilares do             entrada e admissão, de acordo com as políticas nacio-
                  desenvolvimento: Pilar I: Reforma Governamental; Pilar               nais de imigração e a realidade nacional. Tais medidas
                  II: Recursos Humanos; Pilar III: Competitividade: enfren-            devem assegurar um melhor controlo fronteiriço, recolha
                  tar os desafios para um desenvolvimento e globalização                de dados, troca de informação e cooperação entre todas
                  sustentáveis; Pilar IV: A infra-estrutura económica do               as entidades nacionais, incluindo as embaixadas cabo-
                  país; e Pilar V: Coesão social.                                      verdianas no exterior.

                    A ENI responde às prioridades nacionais estabelecidas                 Como a maioria dos imigrantes provêm da CPLP e da
                  no capítulo quarto do DECRP II sobre Migração (4.4.1.6.,             CEDEAO, o Governo considera actualmente a possibi-
                  pilar IV), no qual está baseada, e que define a necessi-              lidade de negociar cláusulas específicas do Protocolo da
                  dade de se desenvolver Linhas de Orientações relativas               CEDEAO sobre a Livre Circulação, particularmente as
                  à Política Nacional de Imigração e à legislação nacional             disposições que se referem aos estados membros peque-
                  em matéria de migração.                                              nos, como o artigo 68º do Tratado da CEDEAO1, o artigo
                                                                                       8.º do Protocolo2 relativo à liberdade de circulação, direito
                    O papel desta Estratégia é o de complementar e contri-             de residência e de estabelecimento e o artigo 7.º alterado
                  buir para a implementação da DECRP II, colocando em                  do Protocolo Complementar A/SP.11/6/89, que altera e
                  prática as medidas nela definidas na área da migração.                adita as disposições do artigo 7.º do Protocolo.
                  No entanto, a DECRP II deve ser revista de modo a in-
                  tegrar os pilares essenciais na Estratégia de Imigração                Estas disposições oferecem a Cabo Verde uma opor-
                  nas suas disposições, através de um forte enfoque nas                tunidade legal e política para propor e negociar com
                  peculiaridades da imigração e da substituição dos de-                a Comissão da CEDEAO cláusulas específicas que lhe
                  safios da imigração do pilar IV (infra-estrutura) para o              permitirão estabelecer o quadro institucional necessário
                                                                                       à gestão dos fluxos de imigrantes e a sua integração,
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                  pilar V (coesão social)
                                                                                       modernizar e regular o mercado de trabalho, erradicar
                    Considerando a complexidade da migração, a coo-                    as práticas ilegais e a exploração de imigrantes e criar as
                  peração internacional é um meio essencial para a sua                 condições institucionais e políticas para colocar em práti-
                  gestão. Além disso, o contexto regional e internacional              ca os direitos fundamentais dos trabalhadores migrantes,
                  constitui um dos factores que contribuem para definir e               definidas pelo Protocolo da CEDEAO e as convenções
                  dar corpo às políticas nacionais de imigração, tendo em              da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esta
                  conta as necessidades e interesses do país, assim como               abordagem evitaria a tomada de decisões unilaterais que
                  as tendências, perspectivas e impactos nos fluxos a nível             poderiam colocar em perigo a adesão de Cabo Verde à
                  nacional e regional.                                                 CEDEAO e as boas relações com os seus vizinhos.
                    Cabo Verde foi um dos primeiros países no mundo a                     Respostas políticas
                  ser convidado pela UE a assinar, em 2008, a Declaração
                  Conjunta sobre a Parceria para a Mobilidade (PPM) que                  1. Iniciar negociações com os países da CEDEAO e com
                  assume como objectivo principal a gestão da migração em              alguns Estados Membros com o objectivo de flexibilizar
                  benefício do país e dos próprios migrantes.                          a aplicação do Protocolo sobre livre circulação;

                    A PPM, enquanto instrumento de cooperação, procura                   2. Rever o sistema de vistos e estabelecer procedimentos
                  facilitar a mobilidade das pessoas, promovendo uma                   claros de emissão de vistos a diferentes categorias de
                  cooperação genuína em matérias de migração e desenvol-               candidatos, consoante os motivos para a entrada em
                  vimento, e prevenindo e combatendo a imigração ilegal, o             Cabo Verde, tendo em conta os resultados das negociações
                  contrabando de migrantes e o tráfico de seres humanos,                da CEDEAO, assim como as disposições previstas no
                  ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento de                      estatuto de cidadão da CPLP e os acordos bilaterais
                  uma política de readmissão e repatriação eficiente, que               assinados com outros países;
                  respeite os direitos humanos e a situação dos migrantes.
                                                                                       1
                                                                                         ARTIGO 68 ESTADOS MEMBROS SEM LITORAL E INSULARES
                  As iniciativas tomadas ao abrigo da PPM demonstram o                 Os Estados Membros, tendo em conta as dificuldades socioeconómicas que pos-
                  elevado interesse e o empenho político que Cabo Verde,               sam existir em alguns Estados Membros, em particular Estados insulares e sem
                  a UE e os seus Estados Membros têm em gerir, de forma                litoral, acordam conferir-lhes, sempre que adequado, um tratamento especial no
                                                                                       que respeita à aplicação de determinadas disposições deste Tratado e de acordo
                  conjunta, a migração e enunciam um conjunto de políticas             com qualquer assistência que possam necessitar.
                  que compõem esta Estratégia. Espera-se também que as                 2
                                                                                         ARTIGO 8 (PROTOCOLO A/P.1/5/79 RELACIONADO COM A LIVRE
                                                                                       CIRCULAÇÃO DE PESSOAS, RESIDENCIA E ESTABELECIMENTO)
                  futuras iniciativas da PPM contribuam para a implemen-                     1. Qualquer Estado Membro deve submeter propostas de alteração ou re-
                  tação desta Estratégia, bem como para a sua revisão e                             visão deste Protocolo.
                                                                                             2. Quaisquer propostas deverão ser apresentadas ao Secretário Executivo,
                  avaliação. A Estratégia está igualmente de acordo com as                          que deverá envia-las aos outros Estados Membros, o mais tardar
                  disposições das convenções internacionais e regionais de                          até trinta (30) dias após o recebimento das propostas. Alterações ou
                  que Cabo Verde é parte, bem como a Parceria África-UE                             revisões devem ser consideradas pelo Conselho de Ministros, após
                                                                                                    os Estados Membros terem recebido o aviso prévio com um mês de
                  para a Migração, Mobilidade e Emprego.                                            antecedência.


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                  82     I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012

                    3. Preparar e adoptar a nova lei sobre entrada e saída                  2.3. Migração Regular
                  de estrangeiros;
                                                                                            O desenvolvimento económico e a estabilidade política
                    4. Simplificar e implementar procedimentos eficazes                    e social transformaram Cabo Verde num país de destino,
                  para a entrada e controlo dos imigrantes;                              bem como num pólo de investimento para empresas es-
                                                                                         trangeiras. A diversidade da população migratória que
                    5. Implementar de forma integral os mecanismos                       pretende entrar em Cabo Verde por diversas razões, tais
                  relativos ao registo dos estrangeiros que entram com e                 como o emprego, a educação, o turismo, negócios, visitas
                  sem visto e o controlo dos estrangeiros residentes no país;            familiares e reunificação, por diferentes períodos de tempo,
                                                                                         impõe a tomada de medidas e acções imediatas, de modo
                    6. Estabelecer condições e regras claras para recusar
                                                                                         que o país beneficie desses movimentos e minimize os riscos.
                  a entrada, sem prejudicar os passageiros de boa fé;
                                                                                            Respostas políticas:
                    7. Criar uma plataforma tecnológica que permita uma
                  cooperação efectiva e troca de informações entre a DEF,                  1. Definir regras claras quanto às diferentes possibili-
                  os consulados cabo-verdianos, o INE e o NOSI;                          dades e duração dos movimentos migratórios (temporário
                                                                                         ou permanente) para fazer face a uma gama de neces-
                    8. Reforçar os conhecimentos básicos dos represen-                   sidades do país, melhorar o contexto socioeconómico e
                  tantes, entre outros da DEF, NOSI, INE e em matéria                    cumprir com obrigações internacionais relacionadas com
                  de recolha de dados, cooperação, intercâmbio de práticas               a protecção dos direitos dos migrantes;
                  relacionadas com a emissão de vistos, entrada e admissão                 2. Avaliar as necessidades actuais do país e o impacto
                  de estrangeiros.                                                       que a admissão de vários grupos de migrantes pode ter
                    2.2. Permanência e residência                                        em Cabo Verde;
                                                                                           3. Elaborar critérios e condições relativos aos migran-
                    O número de estrangeiros que entraram em Cabo                        tes temporários e permanentes;
                  Verde e permaneceram para além do período legalmente
                  permitido obriga a elaboração de um compreensivo me-                     4. Definir categorias para migrantes temporários de
                  canismo administrativo legal que trate dos estrangeiros                acordo com determinados objectivos nacionais pretendidos;
                  residentes em situação irregular.                                        5. Criar locais de informação dirigidos aos migrantes
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                                                                                         sobre as condições relativas à migração temporária ou
                    Respostas políticas:
                                                                                         permanente;
                     1. Definir regras claras para a regularização de estran-               6. Implementar medidas que permitam o controlo da
                  geiros com permanência de longa duração em situação                    migração temporária e garantam que a mesma conser-
                  irregular à luz da legislação nacional;                                ve a sua natureza temporária, com as condições para
                    2. Aplicar e melhorar a legislação nacional e os proce-              regressos futuros, etc;
                  dimentos relacionados com a residência de estrangeiros                   7. Facilitar a reunificação familiar de migrantes com o
                  dispostos a permaneceram em Cabo Verde por diferentes                  estatuto de residência ou elegível para o mesmo de forma
                  razões;                                                                humana, em particular das crianças;

                    3. Estabelecer requerimentos claros, condições e cri-                  8. Considerar o reconhecimento mútuo de diplomas
                  térios para os diferentes estatutos de residência, assim               educativos.
                  como indicar as instituições que lidam com os processos;                  2.4. Migração laboral
                    4. Instalar um sistema para monitorização capaz de                     As necessidades da economia nacional aliadas à falta
                  controlar os estrangeiros portadores de autorização de                 de oportunidades noutros países da região fazem com
                  residência;                                                            que a quantidade de pessoas à procura de trabalho ex-
                                                                                         ceda as oportunidades de trabalho existentes em Cabo
                    5. Desenvolver para os municípios o conceito de um                   Verde. O resultado tem sido uma dependência crescente
                  esquema de registo de estrangeiros com e sem autorização               que muitos empregadores têm em relação ao trabalho
                  de residência;                                                         migrante irregular, enquanto fonte de mão-de-obra ba-
                                                                                         rata. Existe na economia cabo-verdiana uma procura por
                    6. Implementar um mecanismo para intercâmbio de
                                                                                         trabalhadores qualificados nos sectores da construção e
                  informação entre as autoridades locais e centrais com o
                                                                                         do turismo, que requerem uma melhor qualificação da
                  objectivo de aumentar a base de conhecimento das pes-
                                                                                         força laboral. O Código de Trabalho (2008) prevê o direito
                  soas que residem no território de Cabo Verde;
                                                                                         ao trabalho dos que residem legalmente em Cabo Verde.
                    7. Usar o Sistema Nacional de Identificação e Autenti-                Um número significativo de trabalhadores migrantes não
                  cação (SNIAC) para o registo e emissão das autorizações                tem contratos de trabalho assinados, não são cobertos
                  de residência;                                                         pela previdencial social e os seus direitos são violados.
                                                                                            Respostas políticas:
                    8. Aumentar e melhorar a comunicação efectiva e a
                  coordenação entre o Instituto Nacional de Estatística                    1. Avaliar e reformular as políticas nacionais de em-
                  (INE), Núcleo Operacional para a Sociedade de Infor-                   prego, tendo em conta as necessidades do país, as reali-
                  mação (NOSI), Direcção de Estrangeiros e Fronteiras                    dades e peculiaridades do mercado de trabalho nacional
                  (DEF), autoridades centrais e outros.                                  e o potencial da mão-de-obra;

                                  https://kiosk.incv.cv                                               0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012                                                                        83

                    2. Modernizar o mercado de trabalho nacional e as                        2.5. Migração irregular
                  suas instituições com boas práticas e regras visando
                  enfrentar os desafios existentes;                                          Ao longo dos últimos anos, o número de migrantes
                                                                                          irregulares presentes no país tem vindo a aumentar
                    3. Criar um mecanismo regular de registo da taxa de                   gradualmente. A migração irregular em Cabo Verde
                  desemprego;                                                             assume diversas formas que vão desde a evasão ao
                                                                                          controlo de entrada, utilização de documentos falsos,
                    4. Avaliar as necessidades do mercado laboral e esta-                 até a permanência no país para além do tempo legal-
                  belecer critérios para o recrutamento e emprego de mão-                 mente permitido (a maioria dos migrantes irregulares
                  de-obra estrangeira através de uma lei especializada;                   entraram no país legalmente). A vasta costa marítima
                    5. Reforçar a capacidade dos serviços envolvidos na                   cabo-verdiana é um espaço favorável ao tráfico de seres
                  gestão de questões laborais e de segurança social em                    humanos e actividades criminais, incluindo o tráfico de
                  termos de monitorização, controlo e protecção;                          drogas. Os dados relativos aos fluxos migratórios que se
                                                                                          dirigem às ilhas por mar confirmam a existência de mi-
                    6. Estabelecer mecanismos para monitorizar e regular                  grantes que pretendem entrar em Cabo Verde. A polícia
                  o mercado laboral, em particular, o sector informal;                    tem detectado barcos com pessoas e barcos abandonados
                                                                                          ao longo da costa.
                    7. Disseminar informação sobre critérios e procedi-
                  mentos de contratação, benefícios sociais e protecção de                  Cabo Verde ratificou a Convenção das Nações Unidas
                  direitos dos trabalhadores migrantes;                                   contra o Crime Organização Transnacional e o seu Pro-
                                                                                          tocolo adicional contra o Contrabando de Migrantes por
                    8. Reforçar as capacidades das instituições nacionais                 Terra, Ar e Mar
                  que trabalham com as relações laborais e a inspecção
                  (DGT, IGT, INPS), organizações não governamentais                          Respostas políticas:
                  e associações de imigrantes de modo a detectar e lidar                    1. Adoptar um quadro legislativo abrangente que pre-
                  com casos de exploração, trabalho forçado e violação dos                vina e combata a migração irregular, incluindo sanções
                  direitos laborais;                                                      contra aqueles que explorem os migrantes;
                    9. Avaliar a proposta de institucionalização de au-                     2. Reforçar e manter a cooperação entre as agências
                  torização de trabalho ao invés da prática de validar os
1 464000 002089




                                                                                          e a cooperação regional com vista a melhor combater a
                  contratos de trabalho;                                                  migração irregular;
                    10. Estabelecer regras e procedimentos relativos ao                     3. Reforçar as capacidade da DEF a os seus serviços
                  trabalho do migrante e desenvolver um modelo de con-                    locais, a Guarda Costeira e outras instituições envolvidas
                  trato de trabalho para trabalhadores migrantes;                         na prevenção e combate da migração irregular, particu-
                     11. Procurar formas de desenvolver esquemas para a                   larmente na identificação dos migrantes irregulares, na
                  circulação migratória com os países da CEDEO;                           observância das normas internacionais no terreno, etc.
                                                                                            4. Elaborar linhas de orientação e instrumentos para
                    12. Negociar Acordos de Segurança Social com os países
                                                                                          todos os serviços locais da DEF sobre como tratar a mi-
                  de origem;
                                                                                          gração irregular, a protecção dos migrantes, etc.
                    13. Simplificar a imigração através do desenvolvimento
                                                                                            5. Aplicar as disposições da Convenção da ONU e o
                  de projectos e programas nas esferas do trabalho, formação
                                                                                          seu protocolo para a legislação nacional;
                  e segurança social;
                                                                                            6. Aumentar a cooperação entre o Governo e as agên-
                    14. Criar um mecanismo de reconhecimento da qualifi-                   cias especializadas internacionais de modo a prever e
                  cação dos imigrantes que entram no mercado de trabalho                  lutar contra a imigração irregular e o tráfico de pessoas:
                  nacional;
                                                                                            7. Reforçar as capacidades das agências relevantes
                     15. Estabelecer parcerias entre os parceiros sociais para            para um controlo mais efectivo da fronteira, em parti-
                  a informação e sensibilização dos trabalhadores migrantes;              cular, o mar e a costa;
                    16. Melhorar a coordenação entre a DEF, DGT, IGT                        8. Melhorar as capacidades do pessoal das companhias
                  e INPS com o objectivo de intercambiar procedimentos                    aéreas com particular destaque para obrigações interna-
                  e informação sobre os trabalhadores migrantes, assim                    cionais relacionadas com o transporte de passageiros.
                  como tomar medidas adequadas contra exploradores e
                  empregadores em casos de exploração e de violação dos                     2.6. Tráfico de seres humanos e protecção das vítimas
                  seus direitos humanos;                                                  do tráfico

                    17. Melhorar a cooperação entre as instituições na-                     Apesar de Cabo Verde ser parte do Protocolo da ONU
                  cionais que lidam com a problemática do trabalho, as                    para a Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de
                  associações de migrantes e as organizações não gover-                   Pessoas, a legislação nacional relativamente a mulheres
                  namentais;                                                              e crianças necessita ser substancialmente melhorada.
                                                                                          Relatórios da polícia alegam que o país é um ponto de
                   18. Ratificar as normas da OIT relacionadas com a                       trânsito do tráfico de pessoas da África Ocidental para
                  migração laboral, nomeadamente as convenções 97 e 143                   as ilhas Canárias e Europa

                                  https://kiosk.incv.cv                                                0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  84     I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012

                    Respostas políticas:                                                     2.8. Segurança documental
                    1. Adoptar um quadro legal nacional contra o tráfico,                    Nos últimos anos, o Governo, com o apoio de parceiros
                  em conformidade com os padrões internacionais, que                      internacionais, melhorou as suas infra-estruturas e
                  deverá introduzir definições e penalidades relevantes;                   capacidade em relação à detecção de documentos falsos
                    2. Desenvolver e apoiar um plano de acção de prevenção,               e adulterados. No entanto, o uso de documentos de via-
                  luta contra o tráfico e protecção das vítimas do tráfico;                 gem falsos e adulterados por migrantes irregulares que
                                                                                          foram previamente expulsos do país continua a ser uma
                    3. Definir um sistema para a recolha de dados sobre o                  prática comum.
                  tráfico e o contrabando de pessoas;
                                                                                             Respostas políticas:
                    4. Aumentar as capacidades das autoridades nacionais
                  para detectar e punir criminosos;                                         1. Fornecer e instalar equipamento capaz de reconhe-
                                                                                          cer todos os documentos de viagem actuais;
                    5. Aumentar as capacidades do sistema judicial de
                  modo a assegurar procedimentos criminais eficientes                        2. Melhorar os sistemas de controlo da segurança dos
                  contra traficantes e contrabandistas;                                    documentos e procedimentos nas fronteiras nacionais;
                    6. Desenvolver um sistema nacional de recurso que permite               3. Integrar dados biométricos nos passaportes nacio-
                  aos diferentes intervenientes prestar assistência imediata e            nais e nos documentos de viagem de modo e melhorar a
                  adequada, assim como serviços às vítimas do tráfico;                     segurança dos documentos e prevenir a falsificação de
                    7. Estabelecer parcerias com ONGs e outras organi-                    documentos, de acordo com os padrões internacionais;
                  zações da sociedade civil com o objectivo de encontrar                    4. Assegurar níveis padronizados de conhecimentos e
                  várias formas de assistência às vítimas do tráfico.                      equipamentos para a detecção de documentos falsos nos
                    2.7. Gestão integrada e controlo da fronteira                         diferentes pontos de entrada em Cabo Verde;
                    Cabo Verde tem uma área de 63.000 Km2, o arquipé-                      5. Criar instalações para operações de recolha e ar-
                  lago possui uma área de terreno de 4.033 km2, o litoral                 mazenamento de dados;
                  é de 1.000 km e o mar estende-se por 780.000 km2. As
                  áreas territoriais são vastas relativamente aos recursos                  6. Desenvolver e melhorar as competências para o
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                  disponíveis de vigilância. O problema principal é que os                reconhecimento de documentos falsos e adulterados e
                  parcos recursos e a insuficiente capacidade técnica limi-                promover formação contínua para o pessoal de controlo
                  tam as possibilidades de uma monitorização eficiente e                   dos documentos nas fronteiras.
                  controlo das fronteiras nacionais                                          2.9. Segurança nacional
                    Respostas políticas:
                                                                                           Apesar dos efeitos positivos da imigração, ela comporta
                    1. Melhorar as capacidades institucionais das agências                uma série de desafios à segurança nacional, particular-
                  com atribuições na fronteira: DEF, Polícia Marítima e                   mente ligados a diferentes formas do crime organizado.
                  Guarda Fronteira;
                                                                                            A extensa costa e o frágil controlo permitem a crimi-
                    2. Aplicar os princípios da Gestão Integrada da Fron-                 nosos explorarem facilmente as fronteiras para acti-
                  teira nas rotinas e actividades as instituições nacionais               vidades ilegais como o tráfico de migrantes, drogas ou
                  de protecção, controlo e monitorização das fronteiras                   armas, tráfico de seres humanos com recurso a autores
                  nacionais;                                                              originariamente de Cabo Verde, da região e de países
                    3. Melhorar o serviço entre agências e a cooperação                   desenvolvidos.
                  internacional, assim como a coordenação no campo da                        Tendo em conta os possíveis desafios à segurança, o
                  gestão de fronteira e a migração irregular;                             Governo criou a equipa de coordenação operacional de
                    4. Desenvolver uma Estratégia de Gestão das Frontei-                  segurança (ECOS) composto por instituições nacionais
                  ras Nacionais e um Plano de Acção;                                      ligadas à segurança. Neste sentido, o Governo criou a
                                                                                          figura do Conselheiro de Segurança Nacional, no gabi-
                    5. Intercambiar informação e aumentar a cooperação                    nete do Primeiro-Ministro e que desempenha um papel
                  com os membros da CEDEAO visando o aumento da                           importante na gestão da segurança nacional. É de grande
                  eficiência no controlo da fronteira;                                     importância que a ECOS também trate de assuntos de
                     6. Instalar sistemas de controlo da fronteira e vigilância           segurança relacionados com a imigração.
                  e formar os seus operadores;
                                                                                             Respostas políticas:
                    7. Aumentar o patrulhamento marítimo dos potenciais
                  lugares de chegada de migrantes;                                          2. Introduzir na agenda da ECOS os assuntos especí-
                                                                                          ficos de segurança relacionados com a imigração;
                    8. Desenvolver e actualizar os processos de controlo
                  de fronteira e vigilância;                                                3. Assegurar que o Conselheiro de Segurança Nacional
                                                                                          seja membro do Conselho Nacional de Imigração (CNI);
                    9. Oferecer formação adequada sobre requerimentos
                  legais nacionais e internacionais mais importantes e                      4. Garantir que todas as instituições com responsa-
                  procedimentos aos representantes das instituições que                   bilidades em matéria de segurança comuniquem-se e
                  trabalham na fronteira.                                                 cooperem eficiente e efectivamente;

                                   https://kiosk.incv.cv                                               0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012                                                                      85

                    5. Elaborar procedimentos que proíbam a entrada em                     Respostas políticas:
                  território cabo-verdiano de estrangeiros com antecedentes
                                                                                          1. Adoptar um quadro legislativo adequado e sintoni-
                  criminais graves associados à infracção da legislação de
                                                                                        zado com as normas internacionais;
                  imigração, envolvimento com terrorismo, contrabando/
                  tráfico de drogas ou de seres humanos ou impor ameaças                   2. Criar um sistema nacional de asilo e mecanismos
                  para a segurança nacional e ordem pública em Cabo Verde;              que assegurem o processamento dos pedidos e a protecção
                                                                                        dos que buscam asilo e dos refugiados;
                    6. Desenvolver competências de todas as relevantes
                  instituições nacionais e elaborar mecanismos para mo-                   3. Aumentar as competências da Comissão Nacional
                  dernizar, adaptar e implementar sistemas e procedimentos              dos Direitos Humanos no domínio da lei do asilo.
                  a nível da segurança nacional;                                           3. RECOLHA DE DADOS
                    7. Estabelecer e manter o diálogo e a cooperação com                   A falta de dados qualitativos e quantitativos sobre
                  a CEDEAO, CPLP, países de origem e outras partes                      as tendências actuais da imigração corrente e os fluxos
                  envolvidas no sentido de intercambiar informações re-                 constitui uma das principais deficiências da gestão da
                  lacionadas com a migração.                                            imigração em Cabo Verde. Esta realidade deixa as auto-
                                                                                        ridades incapazes de responder a algumas das perguntas
                    2.10. Expulsão, regresso e readmissão                               mais básicas sobre o perfil dos estrangeiros residentes
                                                                                        no país, o número total e actividades a que se dedicam.
                    Cabo Verde tem experimentado casos de regresso e
                                                                                        Além disso, a falta de estatísticas actualizadas, preci-
                  expulsão de estrangeiros em situação irregular. No pe-
                                                                                        sas, confiáveis e acessíveis torna difícil o processo de
                  ríodo 2006 a 2008, mais de 2.000 pessoas foram forçadas
                                                                                        formulação de políticas, em especial no que diz respeito
                  a regressar aos seus países, na sua maioria de países da
                                                                                        à integração dos imigrantes, ajuste do mercado de traba-
                  CEDEAO e da CPLP.
                                                                                        lho às necessidades do país, prevenção de consequências
                    Respostas políticas:                                                negativas da imigração.

                    1. Iniciar o processo de negociação e assinatura de                   A troca de informações entre as autoridades nacionais,
                  protocolos de readmissão com CEDEAO/CPLP e outros                     particularmente o INE, DEF, NOSI, e outras instituições,
                  países, assim como entendimentos dirigidos a facilitar o              é crucial para facilitar uma coordenação e cooperação
                  regresso voluntário;                                                  eficientes, criar uma melhor compreensão do fenómeno,
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                    2. Aplicar a legislação nacional relativa à expulsão e              cias actuais e aumentar a cooperação internacional. As
                  regresso de imigrantes em situação irregular;                         novas tecnologias devem ser rapidamente aplicadas e
                                                                                        largamente usadas pelas autoridades centrais e locais,
                     3. Definir procedimentos para identificar migrantes                  com o objectivo de recolher, partilhar e analisar os dados
                  irregulares e preparar os seus processos de regresso,                 da migração.
                  incluindo a preparação da documentação necessária;
                                                                                           3.1. Pesquisa
                     4. Avaliar a legislação nacional e decidir sobre a pos-
                                                                                           A pesquisa constante no campo da migração é essencial
                  sibilidade de criação de um Centro de Protecção Civil
                                                                                        para recolher informações, comparar dados, elaborar
                  administrado pelo Governo e por organizações huma-
                                                                                        políticas e aumentar a consciência sobre medidas de po-
                  nitárias que deverá, inter alia, receber migrantes em
                                                                                        lítica específicas entre os decisores políticos, população
                  situação irregular.
                                                                                        e imigrantes.
                    5. Definir regras e procedimentos para o regresso volun-                Respostas políticas:
                  tário e assegurar mecanismos para o regresso voluntário;
                                                                                          1. Reconhecer a importância da pesquisa nacional e
                    6. Criar mecanismos (com a fundamental participação                 internacional no desenvolvimento e implementação de
                  da Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidada-                   uma efectiva e eficiente gestão da migração;
                  nia) para monitorar expulsões e regressos de modo a                     2. Produzir inquéritos e estudos sobre vários aspectos
                  assegurar que os direitos humanos sejam protegidos.                   da imigração com vista a uma melhor compreensão dos
                    2.11. Asilo e Protecção Internacional de Refugiados                 perfis dos imigrantes e a sua situação socioeconómica
                                                                                        em Cabo Verde;
                    O Parlamento aprovou a Lei 106/V/99 de 2 de Agosto
                                                                                          3. Estabelecer parcerias e envolver as ONGs e instituições
                  relativa ao acolhimento de estrangeiros com base em ra-
                                                                                        académicas na realização de pesquisas,
                  zões humanitárias e centros temporários de acolhimento,
                  no entanto, Cabo Verde não ratificou a Convenção de                      4. Promover iniciativas e prestar apoio, inclusivo a
                  Genebra sobre o Estatuto dos Refugiados (1951), mas é                 nível individual, no domínio da investigação sobre mi-
                  parte no seu Protocolo de 1967, bem como da Convenção                 gração, estudos comparativos, intercâmbios de práticas
                  da União Africana Relativa aos Aspectos Específicos do                 e experiências, etc.
                  Problema dos Refugiados em África de 1969.                               5. Reconhecer a importância e a necessidade do aumento
                    Ainda que, aparentemente, poucos são os pedidos de                  da investigação científica em vários domínios, aspectos
                  asilo, o país deve estar preparado para eventuais futuros             e temas relacionados com a imigração;
                  pedidos, particularmente tendo em atenção a estabilidade                 6. Utilizar e integrar os resultados de vários estudos rela-
                  política do país e o seu desenvolvimento económico.                   cionados com políticas importantes e o Perfil da Migração.

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                  86     I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012

                    3.2. Recolha e análise de dados                                        3. Estimular as oportunidades bilaterais e multilaterais
                                                                                         para a harmonização dos dados;
                    Estatísticas precisas e actualizadas são necessárias
                  para uma eficiente e efectiva gestão da migração, mo-                     4. Participar nas redes regionais e internacionais e em
                  nitorização dos fluxos e compreensão das tendências e                   eventos para o intercâmbio de informações, experiência,
                  influências entre os diferentes processos de migração.                  melhores práticas, desafios, entre outros.
                  A recolha de dados, análise e gestão constituem uma
                                                                                           5. Promover a partilha de dados e informações entre
                  tarefa complexa, que envolve uma série de instituições
                                                                                         Estados e outros intervenientes considerados importan-
                  nacionais, como o INE, DEF e NOSI, e que deverá estar
                                                                                         tes no processo.
                  assente numa mútua e genuína cooperação e mecanismos
                  de coordenação.                                                           3.4. Protecção da dados
                    Respostas políticas:                                                    A recolha de dados deve ser totalmente protegida de
                                                                                         diferentes formas, de modo a preservar os direitos in-
                    1. Reforçar a coordenação e cooperação entre todas as                dividuais e garantir a sua privacidade. Como princípio
                  instituições nacionais que lidam com a recolha e análise               básico, os dados pessoais devem ser tratados equitativa
                  de dados, em particular o INE, NOSI e DEF;                             e licitamente.
                    2. Recolher numa base regular objectiva, confiável e                     Respostas políticas:
                  precisa de dados sobre todos os aspectos da migração;
                                                                                           1. Tomar medidas organizacionais e técnicas adequadas
                    3. Estabelecer redes nacionais capazes de recolher,                  para proteger os dados, incluindo o desenvolvimento de
                  analisar e divulgar informação sobre todos os processos                instalações, sistemas de cópia de segurança;
                  de migração;
                                                                                           2. Intercâmbio de informações de acordo com a legislação
                     4. Determinar o papel claro e a divisão das responsabi-             nacional e disposições que regem a protecção dos dados;
                  lidades entre as diferentes instituições que se relacionam
                  com a recolha, análise e divulgação de dados em matéria                  3. Elaborar um protocolo para partilhar informações
                  de migração;                                                           a terceiros;

                    5. Envolver as autoridades públicas locais no processo                 4. Usar estruturas seguras e plataformas para a trans-
                  de recolha de dados;                                                   ferência de dados (envio e recepção);
1 464000 002089




                    6. Criar, com o total envolvimento do NOSI, plataformas                 5. Garantir a total privacidade na recolha de dados.
                  tecnológicas de recolha e análise de dados entre as auto-                 4. DIÁLOGO, SOLIDARIEDADE E PARCERIA
                  ridades centrais e locais;
                                                                                            4.1. Cooperação Internacional e Regional
                    7. Disponibilizar o Sistema PASSE às outras auto-
                  ridades envolvidas com a migração, nomeadamente o                        Os fluxos e as tendências actuais da migração impõem
                  INE, com o objectivo de melhorar a recolha de dados e o                um diálogo regular, bilateral, multidimensional e multi-
                  intercâmbio de informação;                                             lateral, parcerias, troca de informações e cooperação en-
                                                                                         tre países de destino, trânsito e de origem, e organizações
                    8. Elaborar mecanismos para a recolha de dados sobre                 internacionais governamentais e não-governamentais, a
                  estrangeiros com ascendência cabo-verdiana;                            fim de melhor atender o quadro completo sobre migração.
                    9. Proporcionar formação regular e adequada ao pes-                    O diálogo permanente, a cooperação e as parcerias
                  soal envolvido na recolha e análise de dados sobre os                  permitem a Cabo Verde enfrentar os desafios e opor-
                  últimos métodos de recolha de dados e uso de tecnologias               tunidades da migração, tomar medidas relacionadas à
                  modernas;                                                              mobilidade intra-regional, combate ao tráfico humano,
                                                                                         migração irregular, promover a protecção aos migrantes
                    10. Definir modalidades de divulgação de dados ao público.
                                                                                         em necessidade, lidar com rotas da migração e redes,
                    3.3. Troca de Informações de Dados                                   troca de dados e informações, e implementar acções
                                                                                         conjuntas.
                    Tendo em conta que a troca de informações e dados a
                  nível nacional (autoridades centrais e locais), regional e                Respostas políticas:
                  internacional contribui para uma melhor compreensão
                                                                                           1. Aumentar o nível do diálogo político e operacional,
                  mútua dos assuntos relacionados com a migração, os
                                                                                         parcerias e intercâmbio de informações com diversos actores,
                  esforços do Governo de Cabo Verde devem ser orientados
                                                                                         em particular, com os países da CEDEAO, bem como os
                  para uma melhoria constante e progressiva da cooperação
                                                                                         países para onde os cidadãos cabo-verdianos emigram;
                  entre as diferentes instituições que recolhem e armaze-
                  nam dados sobre migração;                                                2. Tirar o máximo partido das iniciativas desenvolvidas
                                                                                         no âmbito da UE-Parceria para a Mobilidade de Cabo
                    Respostas políticas:
                                                                                         Verde, com o objectivo de reforçar a base de conhecimento
                   1. Criar, com a plena participação do INE, NOSI e DEF,                e gestão global da migração;
                  um mecanismo funcional sobre a partilha de dados;
                                                                                           3. Identificar e conseguir acordos em matérias de interesse
                    2. Promover o intercâmbio bilateral e multilateral                   comum relacionadas com a migração, particularmente a
                  de informações, dados e experiência a nível político e                 nível regional, e adoptar juntamente com outros países
                  operacional;                                                           interessados, soluções concretas e específicas;

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                  I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012                                                                        87

                    4. Tomar em consideração as vantagens de acordos                         4.3. Informação Pública
                  bilaterais e regionais que visariam a gestão de fluxos
                                                                                             Face ao crescente fluxo de estrangeiros que entram no
                  migratórios mistos, retorno e readmissão, protecção
                                                                                          país, essencialmente por razões de emprego, as autorida-
                  social dos migrantes, operações conjuntas, migração
                                                                                          des centrais e regionais, em colaboração com as ONGs e
                  regular, etc.
                                                                                          parceiros sociais, organizarão campanhas específicas de
                    4.2. Direitos Humanos dos Migrantes                                   informação com o objectivo de fornecer aos migrantes e
                                                                                          potenciais migrantes informações básicas e fidedignas
                    A protecção dos direitos humanos de todos os residentes               acerca das realidades do país, do contexto social, cultural
                  de um país é uma obrigação primordial do Governo, a qual                e económico, dos procedimentos e condições relacionados
                  decorre das normas internacionais e regionais ratificadas                com a entrada, residência e emprego, as consequências
                  e da Constituição de Cabo-Verde. O país é parte nas sete                práticas, legais, sociais e económicas da migração, le-
                  convenções de base sobre Direitos Humanos da ONU,                       gislação, direitos e deveres dos migrantes bem como as
                  incluindo a Convenção Internacional sobre a Protecção                   oportunidades da migração legal em Cabo Verde.
                  dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e
                  Suas Famílias.                                                            Considerando as atitudes de intolerância para com os
                                                                                          migrantes, as campanhas deverão também influenciar
                    A afluência de trabalhadores migrantes trouxe novos                    a opinião pública e modificar a percepção e os equívo-
                  desafios relacionados com a protecção dos direitos dos                   cos comuns sobre a migração, colocando as questões
                  migrantes, a discriminação para com os migrantes,                       migratórias no centro do debate público, promovendo
                  abusos e exploração dos traficantes, violação dos direitos               o diálogo e encontrando soluções para uma vasta gama
                  humanos, incluindo os direitos laborais e a frágil protec-              de problemas.
                  ção social, etc.
                                                                                             Respostas políticas:
                    Migrantes em situação irregular têm direito à protec-                   1. Preparar, formular e desenvolver a sensibilização
                  ção dos seus direitos humanos, mas são particularmente                  para a informação, recorrendo a campanhas focadas em
                  vulneráveis à discriminação e exploração. As mulheres                   diferentes categorias de migrantes e dirigidas a grupos-
                  migrantes poderão ser ainda mais vulneráveis aos                        alvo específicos, tendo em consideração as peculiaridades
                  abusos, visto que trabalham, na maioria dos casos, iso-                 nacionais e a receptividade dos migrantes;
                  ladamente e a sua dependência do empregador é muito
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                  mais evidente.                                                            2. Aumentar a consciencialização, através de vários
                                                                                          meios, entre os potenciais migrantes e migrantes sobre
                    Respostas políticas:                                                  os riscos da migração irregular, visando desencorajar
                                                                                          movimentos irregulares, assim como sobre as oportuni-
                    1. Implementar eficazmente as normas internacionais
                                                                                          dades de emprego legalmente existentes em Cabo Verde,
                  em matéria de protecção dos direitos humanos e direitos
                                                                                          as condições legais e os procedimentos de entrada e per-
                  dos migrantes que foram ratificadas por Cabo Verde;
                                                                                          manência no país, valores culturais cabo-verdianos, etc.
                    2. Assegurar a plena aplicação dos princípios de todos                  3. Divulgar informação entre os cidadãos de Cabo
                  os instrumentos de direitos humanos e, em particular,                   Verde visando promover uma melhor compreensão da
                  o princípio da não discriminação e da não-repatriação;                  migração e reduzir as atitudes intolerantes contra os
                    3. Adoptar medidas para evitar a discriminação e a                    imigrantes;
                  violação dos direitos dos migrantes;                                      4. Analisar a possibilidade de criar um Centro de Infor-
                                                                                          mação para Migrantes (nas instalações das autoridades
                    4. Divulgar informação junto dos migrantes sobre
                                                                                          locais ou ONGs locais);
                  os direitos humanos e os deveres dos migrantes, com o
                  apoio das diferentes partes interessadas incluindo as                     5. Envolver diferentes actores governamentais e não-
                  autoridades locais;                                                     governamentais na divulgação das informações, incluindo
                                                                                          as embaixadas cabo-verdianas no exterior, meios de
                    5. Formar os funcionários das várias autoridades                      comunicação, autoridades locais e parceiros sociais.
                  centrais e locais que lidam com migrantes sobre normas
                  internacionais de direitos humanos dos mesmos.                            6. Estabelecer parcerias com ONGs, associações de
                                                                                          migrantes, comunicação social, parceiros sociais e outras
                    6. Aumentar as capacidades da Comissão Nacional dos                   organizações da sociedade civil com vista a organizar
                  Direitos Humanos e Cidadania no tratamento de casos                     campanhas de divulgação das informações;
                  que envolvem migrantes, participar em exercícios de
                                                                                             7. Reforçar as capacidades das autoridades locais com
                  monitorização, divulgar, informar e promover formação
                                                                                          o objectivo de intensificar a sua participação nos esforços
                  aos ministérios e serviços ligados aos direitos humanos
                                                                                          nacionais para sensibilizar os nacionais e imigrantes nos
                  dos migrantes.
                                                                                          diferentes aspectos ligados à migração;
                    7. Cooperar com as ONGs que prestam serviços a                          8. Avaliar e rever as campanhas de informação com
                  migrantes e participar em iniciativas conjuntas que                     vista a melhorar o seu conteúdo para melhor adequá-las
                  facilitem o estabelecimento de um diálogo estável e a co-               às necessidades dos grupos-alvo;
                  municação com os migrantes, a compreensão e o respeito
                  dos direitos humanos, bem como a sua protecção, através                   9. Desenvolver acções e medidas adequadas para pre-
                  de diferentes meios, inclusivamente jurídicos, sociais, etc.            venir a disseminação de informação enganosa.

                                  https://kiosk.incv.cv                                                0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  88     I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012

                    5. INVESTIMENTOS E CRESCIMENTO ECONÓMICO                              A integração dos imigrantes na sociedade é um dos
                                                                                        importantes desafios para Cabo Verde. A inclusão de
                    Cabo Verde reconhece o papel essencial e a contribuição
                                                                                        migrantes não é um desafio sectorial ou isolado, mas atra-
                  das comunidades imigradas na economia nacional,
                                                                                        vessa muitos campos ou áreas e sectores da governação
                  particularmente em investimentos em sectores como
                                                                                        e requer intervenções das autoridades centrais e locais
                  as infra-estruturas públicas, turismo, imobiliários, etc.
                                                                                        e das diversas organizações da sociedade civil.
                    O forte desempenho do desenvolvimento do país actu-
                                                                                          As instituições centrais que desempenham um papel
                  almente provocou o crescimento do mercado laboral, com
                                                                                        crucial no processo de integração dos migrantes são o Mi-
                  novas iniciativas empresariais (em algumas ilhas esse
                                                                                        nistério da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos
                  número é superior a 100%), novas formas de organização
                                                                                        Recursos Humanos, o Ministério da Educação e Desporto,
                  do trabalho, actividades empreendedoras e novas abor-
                                                                                        o Ministério da Saúde e o Ministério do Ambiente, Habi-
                  dagens nas relações laborais. Esta situação exige um
                                                                                        tação e Ordenamento do Território. Da mesma forma, os
                  quadro legal alinhado com os desafios actuais. Além disso,
                                                                                        municípios, as estruturas descentralizadas do Estado, as
                  são necessárias medidas para maximizar o potencial
                                                                                        ONGs e o sector privado estão também automaticamente
                  económico, desenvolver os ganhos pessoais decorrentes
                                                                                        envolvidos.
                  da livre circulação de pessoas, serviços, bens e capitais
                  tendo em conta as prioridades nacionais, necessidades do                O Governo, os parceiros sociais e outros intervenientes
                  mercado laboral e implicações noutros serviços públicos.              devem promover a integração e a inclusão social, res-
                                                                                        peitando a diversidade cultural, a prevenção da discri-
                    Respostas políticas:
                                                                                        minação contra os trabalhadores migrantes e tomando
                     1. Realizar estudos aprofundados sobre a relação entre             medidas para combater o racismo e a xenofobia.
                  migração e investimentos e o comércio em Cabo Verde e
                                                                                          6.1. Educação e formação, segurança social, saúde
                  o impacto no desenvolvimento;
                                                                                        e habitação
                    2. Melhorar as capacidades das autoridades a nível
                                                                                          Do ponto de vista da integração, o acesso às instituições
                  central e local responsáveis pela supervisão e inspecção
                                                                                        fundamentais da sociedade de acolhimento é crucial:
                  das actividades económicas;
                                                                                        economia e mercado de trabalho, educação e sistemas
                    3. Elaborar e implementar um quadro regulador que                   de qualificação, sistema de habitação, instituições de
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                  permita o rastreamento e controlo dos riscos das activi-              protecção social, incluindo o sistema de saúde.
                  dades comerciais ilegais realizadas por estrangeiros sem
                                                                                           Respostas políticas:
                  autorização de residência;
                                                                                          1. Desenvolver uma política de integração global para
                    4. Avaliar as políticas comerciais internas, práticas e
                                                                                        Cabo Verde e programas que promovam a educação,
                  tendências, e analisar a possibilidade de se introduzir
                                                                                        segurança social, cuidados de saúde e habitação.
                  um sistema de licenças para as actividades económicas
                  dos estrangeiros;                                                       2. Aplicar políticas nacionais para a migração que
                                                                                        conceda aos migrantes em situação regular o acesso aos
                    5. Elaborar estratégias que permitam fazer o melhor
                                                                                        serviços sociais, com a condição de que o migrante, se
                  uso possível dos conhecimentos, competências e tecnologias
                                                                                        possível, participe no mercado de trabalho;
                  trazidos e investidos pelos residentes estrangeiros;
                                                                                          3. Tomar medidas para assegurar que os imigrantes
                    6. Manter um diálogo permanente com empregadores
                                                                                        recebam atenção e cuidados médicos de que necessitam,
                  visando a completa implementação do Código Laboral
                                                                                        sem distinção por quaisquer outros motivos que não
                  (Capítulo IV) e outras importantes leis;
                                                                                        sejam médicos;
                   7. Tomar medidas para prevenir a exploração e discri-
                                                                                          4. Implementar medidas que garantam às crianças o
                  minação dos migrantes trabalhadores;
                                                                                        acesso aos serviços de educação;
                    8. Elaborar novos modelos e procedimentos para a
                                                                                          5. Desenvolver uma política integrada que relativa-
                  contratação de mão-de-obra estrangeira de acordo com
                                                                                        mente leve à obrigatoriedade dos imigrantes aprender
                  os padrões nacionais e internacionais;
                                                                                        a falar a língua do país;
                    9. Avaliar e melhorar os procedimentos de reconheci-
                                                                                          6. Incentivar a participação activa dos imigrantes nos
                  mento de diplomas e certificados de educação e forma-
                                                                                        programas de integração e, assim, no processo de inte-
                  ção profissional para facilitar a entrada no mercado de
                                                                                        gração em geral;
                  trabalho.
                    6. INTEGRAÇÃO                                                         7. Criar mecanismos e plataformas de diálogo entre
                                                                                        o Governo, as autoridades locais e associações de imi-
                    A integração é um processo dinâmico e bidireccional de              grantes e ONGs:
                  inclusão dos imigrantes nas instituições e na sociedade de
                  acolhimento. Para ultrapassar as barreiras, a sociedade                 8. Identificar a possibilidade de criação de um meca-
                  de acolhimento e os imigrantes devem engajar-se num                   nismo para financiar actividades de integração;
                  mútuo processo de integração. A promoção dos direitos                   9. Desenvolver orientações sobre as boas práticas da
                  fundamentais, a não discriminação e a igualdade de                    integração dos imigrantes e divulgá-las junto das auto-
                  oportunidades para todos são aspectos fundamentais.                   ridades locais;

                                  https://kiosk.incv.cv                                              0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012                                                                                 89

                     10. Nomear e criar uma rede de coordenação dos pontos                  Os valores e objectivos propostos pelo Governo em
                  focais com diferentes instituições que tratam dos diferentes            matéria de emigração, assim como o seu apoio às comu-
                  aspectos da integração.                                                 nidades cabo-verdianas no exterior são importantes para
                                                                                          a política de imigração, como estabelecidos no Programa
                    6.2. Cultura, Práticas Religiosas e Tolerância
                                                                                          do Governo para 2006-2011:
                    Um dos aspectos característicos da imigração, e que
                                                                                                 ● Diálogo permanente com os países de acolhimento
                  constitui um desafio à sua gestão, é a coexistência num
                                                                                                      com o objectivo de alcançar acordos de
                  único território de cidadãos portadores de diferentes
                                                                                                      regulação dos fluxos de emigração, emissão
                  religiões e culturas.
                                                                                                      de vistos e integração;
                    Respostas políticas:
                                                                                                 ● Integração plena dos migrantes cabo-verdianos
                    1. Iniciar programas que ajudem os migrantes a enten-                             nas sociedades de acolhimento, através do
                  der a cultura, os valores, o sistema e as peculiaridades da                         envolvimento e participação cívica e política
                  sociedade cabo-verdiana visando uma gradual adaptação                               (cidadania);
                  aos mesmos;                                                                    ● Abertura para a adopção dos valores culturais
                    2. Desenvolver e implementar cursos e programas de                               das sociedades de acolhimento e co-habitação
                  orientação cívica e cultural para iniciar o processo de                            com os valores culturais de Cabo Verde;
                  integração de modo a assegurar que os imigrantes com-                          ● Reforço do relacionamento com Cabo Verde e
                  preendam, e respeitem os valores nacionais;                                        participação no processo de desenvolvimento;
                    3. Criar meios para os migrantes expressarem a sua                           ● Mobilização de cabo-verdianos qualificados ou
                  herança cultural e religião de acordo com a legislação                             formados no estrangeiro ou de cidadãos
                  cabo-verdiana;                                                                     estrangeiros de origem cabo-verdiana com
                    4. Aumentar o conhecimento e a aceitação da migração                             vista a contribuir com as suas competências
                  através de campanhas de sensibilização, eventos intra-                             para o desenvolvimento de Cabo Verde;
                  culturais.                                                                     ● Importância da segurança social, educação
                    6.3. Cidadania e Naturalização                                                   formação e habitação como instrumentos
                                                                                                     indispensáveis para a integração social;
1 464000 002089




                    Um dos objectivos de uma política de imigração
                  abrangente é evitar situações nas quais os migrantes                           ●      Iniciativas empresariais nos                               países   de
                  são arbitrariamente ou acidentalmente privados da sua                                  acolhimento e em Cabo Verde.
                  nacionalidade, de forma a proteger os seus direitos e                     Quanto à imigração, o programa do Governo 2006-
                  facilitar a sua identificação, bem como a disponibilização               2011 destaca:
                  e prestação dos serviços e políticas governamentais. É
                  também de interesse nacional oferecer aos migrantes a                          ● Imigração é um assunto interno de Cabo Verde,
                  possibilidade de se transformarem em membros de ple-                                mas, ao mesmo tempo, o Governo reconhece
                  nos direitos do Estado. A Constituição de Cabo Verde e                              a sua dimensão externa, particularmente no
                  a Lei da Nacionalidade estabelecem condições de acesso                              que diz respeito à relação e cooperação com a
                  à cidadania por parte dos estrangeiros.                                             CEDEAO e os países de onde vêm a maioria
                                                                                                      dos trabalhadores imigrantes;
                    Respostas políticas:
                                                                                                 ● Esforços permanentes devem ser realizados para
                    1. Avaliar e analisar a legislação nacional em matéria                           integrar os imigrantes na sociedade cabo-verdiana;
                  de nacionalidade e harmonizá-la com a política de imi-
                  gração nacional e os seus objectivos;                                          ● Recomenda-se uma gestão rigorosa de fluxo da
                                                                                                      imigração devido à limitada “capacidade
                    2. Adoptar e aplicar normas claras e transparentes e                              de absorção”, vulnerabilidades sociais e
                  procedimentos de forma equitativa para a aquisição da                               económicas e pequena dimensão do território.
                  nacionalidade por naturalização;
                                                                                            Nesta perspectiva, os objectivos, propósitos e pilares
                    3. Considerar a necessidade de estabelecer procedi-                   da Política Nacional de Imigração, como (1) gestão dos
                  mentos e critérios para a naturalização dos imigrantes                  fluxos migratórios, (2) diálogo solidário e parcerias, (3)
                  de longa duração;                                                       crescimento económico e integração social e (4) coerência
                    4. Considerar a possibilidade de vincular políticas de                de políticas migratórias, estão em conformidade com os
                  nacionalidade, incluindo a naturalização, com os progra-                objectivos do Governo relativamente ao apoio aos seus
                  mas de imigração e integração.                                          cidadãos e comunidades no exterior e o programa gover-
                                                                                          namental para a imigração.
                   7. COERÊNCIA DAS POLÍTICAS NACIONAIS DE
                                                                                            O Governo é favorável à livre circulação e à mobilidade
                  MIGRAÇÃO: A RELAÇÃO ENTRE AS POLÍTICAS
                                                                                          dos imigrantes em situação regular como forma de trazer
                  DE IMIGRAÇÃO E DE EMIGRAÇÃO
                                                                                          para o país de origem conhecimentos e competências
                    Cabo Verde, que é um país de emigração e que recen-                   necessários ao desenvolvimento. É verdade, porém, que
                  temente tornou-se num país de imigração, enfrenta o                     as remessas e os conhecimentos acumulados num país
                  desafio de conseguir assegurar esses dois aspectos da                    em desenvolvimento, como Cabo Verde, são muito mais
                  migração de forma equilibrada.                                          escassos do que os acumulados nos países desenvolvidos.

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                  90     I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012

                    No caso dos emigrantes cabo-verdianos no exterior, o                                  versando os valores, princípios e objectivos da
                  Governo milita pelo diálogo, acordos, gestão dos fluxos                                  PNI que devem ser interiorizados por todas
                  e integração social e política. O Governo reconhece o                                   as partes e praticados pelos cabo-verdianos
                  papel fundamental das comunidades migradas no ex-                                       nos respectivos países de acolhimento;
                  terior, que a diáspora é um importante recurso para o
                                                                                                 ● Troca de informações, coordenação e encontros
                  desenvolvimento do país através do investimento nos
                                                                                                      regulares entre os serviços que lidam com
                  domínios da infra-estrutura, imobiliária e hotelaria,
                                                                                                      questões de imigração e emigração;
                  desempenhando um papel significativo nos países de
                  destino em representação dos interesses dos migrantes                          ● Integração da política e prática coerente nos
                  ou facilitando contactos e relações com Cabo Verde, e                               mecanismos de acompanhamento e avaliação.
                  transferindo conhecimentos, competências e tecnologia.                   8. CONDIÇÕES E REQUISITOS PARA A IMPLE-
                  É, portanto, política do Governo colaborar efectivamente                MENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA
                  com a Diáspora cabo-verdiana.
                                                                                             8.1. O papel do Governo central
                     A coerência e as sinergias entre as políticas e as estra-
                  tégias de emigração e imigração têm uma importância                       A elaboração e implementação da Política e Estratégia
                  crucial na gestão de todos os aspectos relacionados com                 Nacionais de Imigração são da competência do Governo
                  a gestão da migração, e devem ser traduzidas nas acções                 central. O Governo atribuiu essa responsabilidade especí-
                  e no comportamento das instituições e dos funcionários.                 fica ao Ministra-Adjunta do Primeiro-Ministro (MAPM),
                  Não se deve excluir a possibilidade de adoptar medidas,                 que preside à Comissão Inter-Ministerial para estudo e
                  iniciativas ou acções concretas que possam ser consideradas             proposição das bases da Política de Imigração (CIMI)
                  contraditórias, tendo em conta os principais valores e                  criada em 2008. A CIMI foi mandatada para mobilizar as
                  princípios enunciados no documento estratégico nacional.                instituições e organizações da sociedade civil interessadas
                  Portanto, as vulnerabilidades estruturais de Cabo Verde,                ou envolvidas na gestão da imigração. Esta Comissão
                  decorrentes das suas características, do seu nível de de-               lançou algumas iniciativas e mobilizou parcerias a nível
                  senvolvimento e das suas especificidades (insularidade,                  nacional e internacional, visando desenvolver a Política
                  falta de recursos naturais, elevada taxa de desemprego                  Nacional de Imigração e estabelecer um quadro eficaz e
                  e aparelho produtivo rudimentar), podem transformar                     coerente para a gestão da imigração.
                  as soluções originais em medidas incoerentes. Nestas                      A implementação das políticas de imigração e as sub-
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                  circunstâncias, o Governo deve empenhar-se, em tempo                    sequentes estratégias, incluindo a Estratégia Nacional
                  útil, no diálogo, comunicação e negociação com os países                de Imigração, requerem a necessidade de estabelecer um
                  de origem e/ou a Comissão da CEDEAO para mostrar e                      novo mecanismo de coordenação integrado no Gabinete
                  demonstrar as necessidades específicas impostas pela                     da MAPM – a Unidade de Coordenação da Imigração
                  insularidade, pela pequena dimensão do território e pe-                 (UCI) – e o reforço das capacidades das instituições pú-
                  las limitações económicas. Este ponto enfatiza o papel                  blicas com responsabilidades em matéria de imigração,
                  fundamental do pilar “Diálogo, Solidariedade e Parceria”                as quais não se encontram na posse das capacidades
                  e ilustra a importância da interligação entre todos os                  técnicas necessárias e instalações para resolver de forma
                  pilares da política nacional de imigração.                              adequada os problemas ligados à imigração.
                    Com o objectivo de reforçar as políticas nacionais de                   A UCI substitui a CIMI e o seu papel principal é de ga-
                  migração e sua coerência, o Governo deve ter em consi-                  rantir a coordenação entre todas as instituições e actores
                  deração as seguintes medidas:                                           relacionados com a migração e ajudá-los a implementar
                                                                                          políticas, estratégias e planos de acção.
                       ● Amplo desenvolvimento de uma visão global de
                           Cabo Verde e compreensão da migração, com                        A fim de alcançar uma gestão consistente da imigração,
                           a comparação sistemática de objectivos, e                      o Governo iniciará o processo conducente aos seguintes
                           estratégias dos processos de emigração e de                    instrumentos ou decisões:
                           imigração;                                                            ● Aprovação e acompanhamento da Política
                                                                                                    Nacional de Imigração e Estratégia,
                       ● Análise comparativa e crítica das opções e
                           procedimentos das políticas nacionais de                              ● Definição de um quadro eficiente e funcional de
                           emigração e de imigração com o objectivo                                  coordenação de todos os serviços nacionais
                           de identificar as contradições e definir                                    envolvidos e consulta de parceiros regionais
                           estratégias para a adaptação e/ou diálogo                                 e internacionais;
                           com parceiros e países envolvidos;                                    ● Implementação de iniciativas que construam
                       ● Antecipação e mitigação dos riscos relacionados                             e reforcem as capacidades da gestão da
                            a interpretações erróneas dos objectivos                                 imigração nacional;
                            da PNI ou de outras iniciativas, através de                          ● Elaboração, implementação, monitorização e
                            uma comunicação activa e do diálogo com os                               avaliação de planos de acção (geral, sectorial
                            parceiros envolvidos e demais interessados, a                            e local) a serem desenvolvidos depois da
                            nível nacional, regional ou internacional;                               aprovação da estratégia nacional;
                       ● Reforço do diálogo com as comunidades Cabo-                             ● Avaliação constante, revisão e actualização da
                            Verdianas no estrangeiro e com a sociedade                               Política Nacional de Imigração e Estratégia.

                                  https://kiosk.incv.cv                                                0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012                                                                    91

                    8.2. O papel das instituições e serviços fundamentais               Além de um quadro institucional sólido, a gestão da
                  a nível nacional                                                    imigração exige melhores procedimentos e práticas ad-
                                                                                      ministrativas, melhor coordenação, cooperação, comu-
                    As mais importantes instituições nacionais que desem-
                                                                                      nicação e troca de informações. A gestão da imigração
                  penham um papel central na gestão da imigração são:
                                                                                      irá reforçar o propósito da Reforma da Administração
                      ●   Primeiro-Ministro e Ministra-Adjunta do                     Pública, nomeadamente a meta referente à prestação de
                           Primeiro-Ministro       responsável      pela              um melhor serviço aos clientes e usuários.
                           implementação e supervisão global da
                                                                                         8.3. O papel das autoridades locais e municípios
                           política de imigração. A UCI trabalhará sob a
                           responsabilidade da MAPM;                                    Os municípios e os serviços descentralizados do Go-
                      ● Ministério da Administração Interna através da                verno desempenham um papel importante na gestão da
                           Polícia Nacional/ Direcção de Estrangeiros e               imigração, principalmente no campo da integração. Inú-
                           Fronteiras (DEF), que controla as fronteiras e             meros desafios administrativos e problemas enfrentados
                           emite os vistos de permanência, prorrogação                por imigrantes devem ser resolvidos localmente e com a
                           de vistos, e autorização de residência;                    participação dos municípios e os serviços governamentais
                                                                                      descentralizados.
                      ● Ministério Juventude, Emprego e desenvolvimento
                           dos Recursos Humanos, responsável, através                    Os municípios devem estar cientes das disposições da
                           de vários serviços, pelo registo dos contratos             política nacional de imigração e de estratégia e contribuir
                           de trabalhos dos migrantes (Direcção Geral                 para a sua implementação. Tendo em conta o estatuto
                           do trabalho) e pela supervisão das condições               e as competências fixadas na lei, as responsabilidades e
                           de trabalho (Inspecção Geral do Trabalho).                 tarefas das autoridades locais em matéria de imigração
                           Outros serviços (Instituto do Emprego e                    devem ser definida de forma muito clara. É importante
                           Formação Profissional – IEFP-, Direcção                     criar locais de trabalho ou grupos de coordenação com
                           Geral do Emprego - DGE) têm um papel                       a participação dos principais atores locais. A UCI defi-
                           importante na concepção e implementação                    nirá as suas modalidades de funcionamento, estrutura
                           da política nacional de emprego e formação                 e liderança.
                           profissional;
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                                                                                        O sistema de comunicação e coordenação entre os
                      ● Ministério das Relações Exteriores, responsável               municípios, serviços descentralizados do Estado, e a UCI
                          pelo diálogo e cooperação com a CEDEAO,
                                                                                      são vital para o sucesso da implementação da política
                          CPLP      e    organizações    internacionais
                                                                                      de imigração nacional e estratégia. Todos os municípios
                          relevantes; A Direcção Geral dos Assuntos
                                                                                      devem designar um ponto focal de imigração, que deve
                          Consulares e Tratados, através das Missões
                                                                                      ser treinado e familiarizado com os objectivos da política
                          Diplomáticas, e Postos Consulares, emite
                                                                                      nacional e estratégia, e que devem fazer parte do grupo
                          vistos de entrada, faz a organização dos
                                                                                      de trabalho local.
                          pedidos de vistos de estrangeiros reformados,
                          e a intervenção no caso de expulsões;                          8.4. O papel do sector privado, ONGs e mundo académico
                      ● Ministério da Defesa Nacional, responsável,
                                                                                         Empregadores (nacionais e estrangeiros) devem estar
                          através da Guarda Costeira, pela prevenção e
                                                                                      cientes e respeitar a regulamentação nacional em matéria
                          combate do tráfico e de seres humanos no mar
                                                                                      de contratação, emprego e obrigações dos empregadores
                          e na extensa zona costeira;
                                                                                      (remunerações contratuais, segurança social, etc.), assim
                      ● Ministério da Justiça, responsável pelas questões             como recusar, de todo, evitar a situação ilegal e vulnerável
                           de naturalização e nacionalidade;                          de trabalhadores migrantes, como forma de “regular e
                                                                                      administrar” a relação laboral.
                      ● O Instituto Nacional da Previdência Social aplica
                           os direitos fundamentais dos trabalhadores                   Os desafios da imigração e integração vão além do
                           migrantes, tais como a assistência médica,                 âmbito governamental e institucional. As ONGs serão
                           pensões e outros abonos legais, como previsto              convidadas a cooperar com o Governo para definir es-
                           na lei nacional e em importantes convenções                tratégias nacionais, realizar acções práticas e cumprir
                           internacionais ratificadas pelo Governo de                  os objectivos da política.
                           Cabo Verde.
                                                                                        As ONG’s e o mundo académico (estudantes e investi-
                      ● O Instituto Nacional de Estatísticas, responsável
                                                                                      gadores) devem aportar críticas, abordagens inovadoras
                           pela recolha de dados, análise e divulgação;
                                                                                      e conhecimentos necessários para compreender melhor
                      ●    Ministério da Juventude, Emprego e                         os aspectos qualitativos e quantitativos da imigração e
                            desenvolvimento dos Recursos Humanos,                     contribuir para a formulação de políticas mais sólidas e
                            o Ministério da Educação e Desporto,                      práticas. Representantes de organizações da sociedade
                            Ministério da Saúde, Ministério do Ambiente               civil e universidades devem fazer parte do mecanismo de
                            e Ordenamento do Território, estão                        seguimento e consulta sob a estrutura da UCI, bem como
                            mandatados para tratar questões ligadas com               do mecanismo de revisão e acompanhamento da Política
                            a integração dos imigrantes.                              Nacional de Imigração e Estratégia.

                                 https://kiosk.incv.cv                                             0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  92     I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012

                    8.5. Vantagens e Riscos                                                  8.8. Capacitação
                    A implementação prática das medidas de política e as                     A falta de recursos humanos e financeiros, a falta de
                  respostas formuladas na Política Nacional de imigração                  capacidade e a frágil coordenação constituem obstácu-
                  deverão ser influenciadas por riscos inesperados e por                   los à efectiva implementação das políticas nacionais de
                  vantagens de várias ordens.                                             migração. É óbvio que todos os serviços estão a precisar
                                                                                          de recursos humanos preparados e bem treinados, for-
                    As principais vantagens são: a vontade política forte                 mação profissional permanente e contínua avaliação do
                  para elaborar políticas de imigração e adoptar estraté-                 desempenho. Uma série de cursos de formação temática
                  gias, o interesse das instituições nacionais para lidar                 foi identificada e deve ser organizada de forma a permitir
                  com questões de migração e parcerias reforçadas com                     que os serviços reforcem as capacidades dos seus líderes,
                  os Estados de origem, trânsito e destino, organizações                  profissionais e operadores/técnicos, responsáveis pelo
                  regionais e internacionais, sociedade civil, sector privado,            desenvolvimento, implementação, avaliação e revisão das
                  parceiros sociais, etc.                                                 políticas nacionais de comunicação e estratégia.
                    Os riscos referem-se à falta de pessoal qualificado,                     O Governo deve, portanto, desenvolver programas de
                  gestão subdesenvolvida, incoerências relacionadas com                   capacitação em gestão das migrações a nível local e na-
                  as responsabilidades e competências das instituições                    cional, reforçar as capacidades de todas as autoridades
                  nacionais, interpretação errada das políticas, dados                    para melhor gerirem as migrações e os fluxos migratórios
                  estatísticos insuficientes sobre o perfil da imigração dos                mistos, elaborar e rever permanentemente sistemas es-
                  imigrantes, escasso conhecimento sobre a situação real                  pecíficos de formação para cada categoria profissional da
                  em matéria de imigração, quadro legal subdesenvolvido,                  equipa, desenvolver cursos e manuais de formação para
                  frágil capacidade de análise de tendências, de tirar con-               as diferentes instituições nacionais.
                  clusões e de fazer os necessários ajustes para a estratégia
                                                                                           9. IMPLEMENTAÇÃO, ACOMPANHAMENTO,
                  de imigração.
                                                                                          REVISÃO E AVALIAÇÃO
                    8.6. Vontade política e liderança                                        9.1. Integração da Gestão da Imigração
                    A implementação da estratégia vai exigir um forte                        No Documento de Estratégia de Crescimento Econó-
                  compromisso político, vontade e liderança do governo                    mico e de Redução da Pobreza II (DECRP), a questão da
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                  e das várias instituições para trabalhar em conjunto,                   migração interna e da mobilidade e da imigração insere-
                  negociar com os diversos interessados, tomar decisões e                 se no pilar IV “Infra-estrutura económica”. A natureza
                  mantê-las de forma consistente. Os principais membros                   transversal da imigração e a sua dimensão impõem uma
                  do Governo e altos funcionários na gestão da imigração                  abordagem diferente, que permitirá a integração das
                  devem liderar este processo, através de uma comunicação                 questões de migração através do fornecimento deste docu-
                  constante com a sociedade civil e o diálogo político com                mento nacional de desenvolvimento. É imperativo que as
                  as autoridades regionais (CEDEAO, CPLP) e parceiros                     questões relacionadas com a migração sejam tratadas de
                  internacionais.                                                         forma integrada no pilar “Coesão Social”, que é o coração
                                                                                          da integração dos migrantes (educação e formação, acesso
                    A vontade política é crucial para a mobilização de
                                                                                          ao trabalho, relações e condições de trabalho, protecção
                  recursos internos e internacionais para a gestão da imi-
                                                                                          social e direitos fundamentais, segurança alimentar,
                  gração. A verdadeira vontade política vai muito além de
                                                                                          saúde, habitação, igualdade de géneros). É igualmente
                  declarações, e será aferido por acções e resultados.
                                                                                          óbvio que a situação social e económica dos migrantes
                    8.7. Assistência Técnica e Financeira                                 dita a necessidade de alargar o âmbito e o foco do DECRP
                                                                                          II em matéria de imigração.
                    Apesar da vontade política e liderança que as auto-
                  ridades de Cabo Verde podem apresentar, é óbvio que                        9.2. Implementação, Coordenação e Acompanhamento
                  o Governo não dispõe de todos os recursos humanos e                       A implementação da Estratégia Nacional de Imigração
                  financeiros para implementar a política nacional de imi-                 vai requerer um elevado nível de coordenação, parcerias
                  gração e a estratégia. A restrição orçamental é, portanto,              internacionais e forte liderança. O papel do UCI é primor-
                  a principal ameaça para a sua implementação. Deve-se                    dial porque a sua dimensão executiva, a abordagem de
                  levar em consideração que o Governo está actualmente                    participação e o acompanhamento dos grupos executarão
                  a proceder à reestruturação do quadro institucional                     medidas de políticas concretas em áreas seleccionadas.
                  nacional, através da racionalização de estruturas com o                 O processo no seu total exigirá esforços coordenados, ali-
                  objectivo de reter fundos.                                              nhados e harmonizados, tanto das instituições nacionais,
                    A criação de estruturas, como a UCI, e o fortalecimento               como do sector privado e sociedade civil que integrará a
                  das já existentes vão ser seriamente confrontados com                   gestão da imigração na sua rotina de trabalho e inter-
                  a falta de recursos financeiros para formar as pessoas,                  venções a médio e longo prazo.
                  adquirir os indispensáveis instrumentos técnicos e ferra-                 Assim sendo, o propósito estratégico do processo é fazer
                  mentas. A assistência internacional e a contribuição da                 com que todos os actores políticos e sociais pensem e ajam
                  ONU, UE, CEDEAO, parceiros bilaterais de Cabo verde                     em conformidade com os principais valores e objectivos
                  e importantes organizações internacionais (ICMPD,                       da política nacional e estratégia, visando construir um
                  OIT, OIM, etc.) devem ser solicitadas na perspectiva da                 entendimento comum e o engajamento numa parceria e
                  aplicação da política nacional de imigração e estratégia.               cooperação genuínas.

                                  https://kiosk.incv.cv                                                0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012                                                                          93

                    A UCI tem o mandato de coordenar e assegurar a                         A avaliação tem que ser um processo participativo e
                  coerência das intervenções políticas a todos os níveis e               conjunto no qual estejam envolvidas todas as agências/
                  propor a nomeação de pontos focais em todo o quadro                    instituições e parceiros. Desta forma, a avaliação dos
                  institucional a nível nacional. É de extrema importância               resultados da concepção, implementação e desempenho
                  que os termos de referência específicos sejam preparados                da política irá permitir a melhoria ou realinhamento
                  e entregues aos funcionários de todas as autoridades                   da política em si, bem como a qualidade e o sucesso de
                  envolvidas na implementação das políticas nacionais                    futuras iniciativas políticas.
                  de imigração e de estratégia, com o objectivo de separar
                                                                                            9.4. Planos de Acção
                  claramente as tarefas, melhorar a coordenação e garantir
                  um regular intercâmbio de informações.                                   A Estratégia será materializada em Planos de Acções
                                                                                         (nacional, local e institucional, etc.) que deverão incluir
                     O processo de acompanhamento oferece um mecanismo
                                                                                         actividades específicas e concretas a serem realizadas
                  de reacção imediata que permite identificar e resolver ra-
                                                                                         por todas as partes envolvidas na gestão da imigração.
                  pidamente os problemas com o mínimo de esforço, custos
                  e recursos, além de poder evitar que esses problemas se                  O Plano de Acção Nacional será elaborado e dirigido
                  combinem.                                                              pela UCI com a participação de um vasto número de
                     O acompanhamento da execução da estratégia deve ser                 intervenientes. A fim de melhor orientar as actividades
                  feito a vários níveis com a participação de uma grande                 das diversas instituições nacionais e ajudá-los a atingir
                  variedade de intervenientes com competências na gestão                 os seus objectivos, é necessária a elaboração de planos de
                  da imigração e outras partes envolvidas, tais como:                    acção sectoriais que permitam a definição de um quadro
                                                                                         preciso das actividades. O crescente papel das autorida-
                       ● O Conselho de Ministros - direcção política dos                 des locais na gestão da imigração pode ditar a necessidade
                           procedimentos e estratégias de migração;                      de conceber planos de acção específicos relacionados às
                       ● Mecanismos institucionais permanentes para                      suas actividades.
                           o acompanhamento, sob tutela da UCI, tais                                                          Anexo I
                           como Conselho Nacional de Imigração (CNI),
                           grupos de trabalho, Grupos Permanentes de                                             Lista de Abreviaturas
                           Acompanhamento (GPA) e outras entidades
                                                                                           CPLP              Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
1 464000 002089




                           que venham a ser criadas sob a sua égide,
                           numa fase posterior;                                            CNDHC             Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidadania
                       ● Mecanismos institucionais ad-hoc que Governo e                    DEF               Direcção de Estrangeiros e Fronteiras da Polícia Nacional
                           a UCI possam criar para acompanhamento,
                           avaliação e revisão da política;                                DGT               Direcção Geral do Trabalho

                       ● Assistência especializada, externa ou em regime
                                                                                           ECOS              Equipa de Coordenação Operacional de Segurança
                            de outsourcing, fornecida no âmbito de várias                  CEDEAO            Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental
                            iniciativas, incluindo, no quadro da UE, a                     GC                Guarda Costeira
                            Parceria para a Mobilidade em Cabo Verde;
                                                                                           ICMPD             Centro Internacional Para o Desenvolvimento das Políticas
                       ● Missão de avaliação conjunta, que poderá ser                                        Migratórias
                           realizada com o apoio das organizações                          IEFP              Instituto do Emprego e Formação Profissional
                           internacionais.
                                                                                           IGT               Inspecção Geral do Trabalho
                    A implementação, acompanhamento e coordenação vai
                  exigir a criação de um grupo de trabalho integrado por                   INE               Instituto Nacional de Estatística
                  várias autoridades e demais interessados. O trabalho                     INPS              Instituto Nacional de Previdência Social
                  desta estrutura será baseada num protocolo de coope-                     MAPM              Ministra-Adjunta do Primeiro Ministro
                  ração aceite por todos os participantes, que especifica os
                  métodos e procedimentos de trabalho.                                     MAHOT             Ministério do Ambiente,Habitação e Ordenamento do
                                                                                                             Território
                    9.3. Revisão e Avaliação
                                                                                           MDC               Ministério das Comunidades
                    A implementação da Estratégia Nacional de Imigração
                                                                                           MED               Ministério da Educação e Desporto
                  deve ser avaliada com o objectivo de se analisar os pro-
                  gressos realizados para se atingir os objectivos estraté-                MJEDRH            Ministério da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos
                  gicos e operacionais. Tal pressuposto visa garantir que                                    Recursos Humanos
                  a política de imigração evolui de forma dinâmica e que é                 MTIE              Ministério do Turismo, Industria e Energia
                  capaz de se ajustar constantemente e melhorar os seus                    NOSI              Núcleo Operacional da Sociedade de Informação
                  objectivos e respostas políticas a circunstâncias surgidas.
                                                                                           OIM               Organização Internacional das Migrações
                     O processo de avaliação tem de determinar o desempenho
                                                                                           OIT               Organização Internacional do Trabalho
                  da política global, a coerência e a inter-dependência entre
                  os diferentes aspectos da gestão das migrações, bem como                 ONG               Organização não-governamental
                  a contribuição e o desempenho de todos os seus elementos                 SNIAC             Sistema nacional de identificação e autenticação civil
                  individuais, vinculando as metas de gestão estratégica e
                  operacional ao impacto da política.                                      UE                União Europeia


                                  https://kiosk.incv.cv                                               0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  94     I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012

                                             Anexo II                                     Ministério Justiça:
                    Participantes nos encontros de apresentação                           Polícia Judiciária:
                  e discussão da Estratégia Nacional de Imigração
                                                                                              - José Carlos Correia;
                    Encontros de 2 a 6 de Agosto de 2010, e de 24 de No-
                  vembro de 2010                                                          Cadeia Central da Praia

                    Serviços e responsáveis                                                   - Francisco António Ramos;

                    Gabinete do Primeiro-Ministro:                                            - José Luís Gomes Tavares

                       - Conselheiro Segurança Nacional – Antero Matos                    Ministério Defesa Nacional
                       - Assessora - Malvina Gonçalves Monteiro;                          Guarda Costeira
                   Gabinete do Ministro-Adjunto do Primeiro-                                  - Arnaldo Dias;
                  Ministro e das Comunidades Emigradas:
                                                                                          Ministério Turismo, Indústria e Energia:
                       - Antónia Lopes Lima;
                                                                                          Direcção Geral do Turismo:
                       - Carmem Barros Furtado;
                                                                                              - Edilson Barbosa
                       - Francisco Carvalho
                                                                                         Comissão Nacional de Direitos Humanos e Ci-
                    Ministério Administração Interna:                                  dadania:
                    Direcção Estrangeiros e Fronteiras:                                       - Lígia Timas;
                       - Júlio Melício;
                                                                                          Instituto Nacional de Previdência Social
                       - Manuel António Semedo;
                                                                                              - Rita Évora Tavares;
1 464000 002089




                       - Augusto Teixeira;
                                                                                              - Elísio Furtado Barros
                    Ministério Negócios Estrangeiros:
                                                                                         Instituto cabo-verdiano para Igualdade e Equidade
                    Direcção Nacional de Assuntos Políticos e Cooperação:              de Género:

                       - Ana Sapinho Pires,                                                   - Elsa Fortes;

                       - José Luís Rocha;                                                 Instituto Nacional de Estatística

                    Direcção-Geral Assuntos Consulares:                                       - Maria de Lurdes Lopes;
                       - Isabel Oliveira,                                                 Instituto das Comunidades:
                       - António Morais;                                                      - Júlio Santos Rocha
                       - César Monteiro                                                   Instituto Caboverdiano da Criança e Adolescente:
                    Ministério Trabalho, Família e Solidariedade Social:                      - Raquel Gonçalves;
                    Direcção-Geral do Trabalho:                                          Núcleo Operacional para Sociedade de Informação
                       - Mónica Ramos;                                                 (NOSI)

                    Inspecção-Geral do Trabalho:                                              - Orlando Tavares;

                       - Luísa Cardoso                                                    Plataforma das ONG’s

                       - Marcelo Pina Araújo                                                  - Maria Celina dos Santos;

                    Direcção-Geral de Solidariedade Social:                               ADAD:

                       - Arciolinda Silva;                                                    - António Lima;

                       - Mirta Lopes                                                          - Sidnei Cardoso

                    Ministério Educação e Desporto:                                       Associação Nacional de Municípios de Cabo Verde

                    Direcção-Geral de Ensino Básico e Secundário:                             - Ivalena Delgado Rosário;

                       Maria de Fátima Barbosa;                                               - Zolica de Melo

                                  https://kiosk.incv.cv                                             0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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                  I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012                                                                     95

                    Associação Comercial Sotavento:                                      Foi ouvida a Empresa Nacional de Aeroporto e Segu-
                                                                                       rança Aérea (ASA).
                      - Nancy Tolentino;
                                                                                          Assim:
                    CITI-Habitat:
                                                                                         No uso da faculdade conferida pelo n.º 2 do artigo 265.º
                      - Emanuel Pinto                                                  da Constituição, o Governo aprova a seguinte Resolução:

                    Organização de Apoio aos Estrangeiros:                                                                   Artigo 1.º

                                                                                                                           Atribuição
                      - Irina Veiga
                                                                                         É atribuído ao Aeroporto Internacional da Praia o nome
                    RAMAO:                                                             de “Aeroporto Internacional Nelson Mandela”.
                      - Ana Maria Freire;                                                                                    Artigo 2.º

                      - Josefina Chantre;                                                                              Entrada em vigor


                      - Silvina Correia Andrade                                          A presente Resolução entra em vigor no dia seguinte
                                                                                       ao da sua publicação.
                    UNTC-CS:
                                                                                                   Vista e aprovada em Conselho de Ministros de
                      - Júlio Ascensão Silva                                                         12 de Janeiro de 2012.

                    Delegação da União Europeia em Cabo Verde:                            José Maria Pereira Neves.

                      - Marta Villa                                                                Publique-se.

                                                                                          O Primeiro-Ministro, José Maria Pereira Neves.
                    O Primeiro-Ministro, José Maria Pereira Neves
                                                                                                                    –––––––o§o–––––––
                                           –––––––
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                                   Resolução nº 4/2012                                                     CHEFIA DO GOVERNO

                                       de 23 de Janeiro                                                                      –––––––

                    Nelson Rolihlahla Mandela, advogado e ex-Presidente                                Secretaria-Geral do Governo
                  da África do Sul de 1994 a 1999, é o principal represent-
                                                                                                                        Rectificação
                  ante do movimento anti-apartheid, e activista transfor-
                  mador da história africana. É considerado um combatente                Por ter saído de forma inexacta as Portarias nºs 3 e
                  indomável pela liberdade que, ao longo de décadas de re-             4/2012, publicado no Boletim Oficial nº 2 de 12 de Janeiro de
                  clusão, nunca perdeu a esperança de viver num país onde              2012, rectifica-se:
                  todos os homens fossem iguais, em dignidade e direitos.
                                                                                                   Onde se lê:
                    O seu exemplo cimeiro de lutador tenaz e humanista
                  na mais plena acepção da palavra e o seu decisivo papel                 «……….
                  como Estadista-obreiro da nova África do Sul sob o signo
                  do arco-íris da igualdade, da tolerância e da liberdade                 Portaria nº 3/2011:
                  são traços de um percurso que é dos mais notáveis da                             Deve ler-se
                  História Contemporânea.
                                                                                          «…….
                    Tendo em conta a aproximação do vigésimo segundo
                  aniversário da sua libertação, facto que proporciona uma                Portaria nº 3/2012:
                  magnífica oportunidade para se render uma vibrante ho-
                  menagem a essa personalidade marcante da História da                             Onde se lê:
                  África e do mundo, entende o Governo de Cabo Verde que                  «……….
                  associar o nome do ex-Presidente da África do Sul, Nel-
                  son Mandela ao aeroporto da capital do país é um gesto                  Portaria nº 4/2011:
                  que vincula a nossa vocação e o nosso desígnio de Nação
                  aberta ao mundo, historicamente palco do cruzamento                              Deve ler-se
                  de povos e do diálogo entre culturas, mas igualmente
                                                                                          «…….
                  como Estado apostado numa África da Democracia,
                  do Desenvolvimento e das Liberdades, ou seja, valores                   Portaria nº 4/2012:
                  supremos pelos quais Mandela dedicou toda a sua vida,
                  consentindo sacrifícios extremos e assim afirmando-se como              Secretaria Geral do Governo, na Praia, aos 17 de Ja-
                  um exemplo maior e fonte de inspiração para gerações do              neiro de 2012. – O Secretário-Geral do Governo, Pedro
                  mundo inteiro, mas especialmente do nosso continente.                Andrade Semedo.

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                                                     I SÉRIE

                                               BOLETIM
                                               O F IC IAL
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                        I.N.C.V., S.A. informa que a transmissão de actos sujeitos a publicação na I e II Série do Boletim Oficial devem
                                obedecer as normas constantes no artigo 28º e 29º do Decreto-Lei nº 8/2011, de 31 de Janeiro.


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Bo 23 01-2012-3

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Através destes quatro pilares Resolução nº 3/2012 são apontadas medidas em relação à recolha e análise de de 23 de Janeiro dados relativa à imigração, a gestão, controlo e segurança das fronteiras, as parcerias e o diálogo internacional, Cabo Verde é considerado, principalmente a partir da investimento, emprego, a integração social nas suas independência, um país de imigração, com a entrada de diversas dimensões (Educação, Formação, Trabalho, imigrantes da Europa, Ásia e da Costa Ocidental Afri- Segurança, Saúde e habitação), a relação e a necessária cana. As causas apontadas são a estabilidade política e articulação entre as políticas de Emigração e as de imi- social de Cabo Verde, a posição geográfica na encruzi- gração, e o importante papel das instituições públicas, lhada de três continentes, a dinâmica de crescimento privadas e da sociedade civil neste processo. económico, a integração regional na CEDEAO por força A implementação das políticas de imigração e as sub- da ratificação dos tratados e convenções a que respeitam, sequentes estratégias, incluindo a Estratégia Nacional bem assim a Acordos bilateral e multilateral celebrados de Imigração, requerem o estabelecimento de um novo internacionalmente. mecanismo de coordenação integrado no Gabinete da Ministra-Adjunta do Primeiro Ministro – a Unidade Apesar da existência de uma prática institucionalizada de Coordenação da Imigração (UCI) – e o reforço das no que toca a gestão da imigração e integração de imi- capacidades das instituições com responsabilidades em grantes, Cabo Verde não dispõe ainda de uma política matéria de imigração, para responder de forma adequada clara, e integrada que sistematize os objectivos, valores os desafios ligados a este sector. e princípios, e as orientações gerais e específicas de uma estratégia nacional de imigração. De forma a garantir a actuação concertada de todas as instituições envolvidas na implementação da ENI, e Considerando tal facto, e antevendo-se um aumento o acompanhamento e avaliação dos objectivos propostos, da demanda por parte de cidadãos de outros países para o papel principal da UCI é de garantir a coordenação fixação de residência, procura de emprego e realização entre todas as instituições e actores relacionados com 1 464000 002089 de investimentos e negócios, o Governo, por Resolução a imigração e apoiá-los na implementação de políticas, do Conselho de Ministros 8/2008 de 3 de Março (com re- estratégias e planos de acção. novação de mandato através da Resolução 12/2009 de 18 Assim: de Maio), criou, sob a Presidência do Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro, a Comissão Interministerial para Es- No uso da faculdade conferida pelo nº 2 do artigo 265º tudo e Proposição das Bases para a Política de Imigração da Constituição, o Governo aprova a seguinte Resolução: (CIMI), para diagnosticar a situação, e propor as bases para a definição de uma Politica Nacional de Imigração Artigo 1º que tenha como principais vectores são o combate à imi- Objecto gração clandestina e emprego de mão-de-obra ilegal e às situações socialmente degradantes que os mesmos pos- É aprovada a Estratégia Nacional de Imigração, anexa sam comportar; uma eficaz gestão dos fluxos migratórios, à presente Resolução e que dela faz parte integrante. e a efectiva e harmoniosa integração dos imigrantes na Artigo 2º sociedade cabo-verdiana. Implementação Os trabalhos desenvolvidos por esta Comissão basea- ram-se na mobilização de instituições, organizações da O acompanhamento, e seguimento da implementação sociedade civil e parcerias a nível nacional e internacional, da Estratégia Nacional de Imigração cabe à Unidade de visando desenvolver a Política Nacional de Imigração e Coordenação da Imigração. estabelecer um quadro eficaz e coerente para a gestão Artigo 3º da imigração. Entrada em Vigor A Estratégia Nacional de Imigração (ENI), elaborada no seio da CIMI, a partir de um trabalho conjunto de A presente Resolução entra em vigor no dia seguinte várias instituições da Administração Pública central e ao da sua publicação. local, organizações não governamentais, associações de imigrantes, sindicatos, empregadores e vários parceiros Vista e aprovada no Conselho de Ministros de 27 de Outubro de 2011. envolvidos, constitui um documento que busca traduzir em respostas políticas, medidas, iniciativas e actividades os José Maria Pereira Neves desafios impostos à Política Nacional de Imigração (PNI). Publique-se. Neste sentido, a Estratégia Nacional de Imigração foi elaborada de acordo com os quatro pilares da Política O Primeiro-Ministro, José Maria Pereira Neves https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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No entanto, nos de propor ao Governo uma Proposta de Política Nacional últimos anos, a emigração tem desacelerado, em parte, de Imigração (PNI). como resultado das restrições impostas pelos tradicionais Os trabalhos desenvolvidos neste órgão visaram dois países de acolhimento. objectivos essenciais: Entre 1990/2000, a emigração caiu de 9.900 (Nove mil e novecentos) para 8.900 (oito mil e novecentos). Segundo 1 - O reforço da concertação e articulação institucionais; o Relatório de Desenvolvimento Humano das Nações 2 - A elaboração de documentos orientadores para uma Unidas de 2009, a taxa líquida de migração internacional melhor perspectivação e gestão da Imigração em registada em Cabo Verde no período de 2005 a 2010 é Cabo Verde. de – 0,5% (zero vírgula cinco). Estima-se que a diáspora cabo-verdiana esteja radicada em cerca de 30 países e A elaboração da Proposta de Política e Estratégia que a população residente seja de 491.683 (quatrocentos e Nacionais de Imigração (ENI) constituiu um processo de noventa e um mil, seiscentos e oitenta e três) habitantes, estudo, de diagnóstico da situação da imigração em Cabo conforme dados do Censo de 2010. Verde, mas essencialmente um processo construtivo e partilhado no seio desta Comissão Interministerial com Sendo membro da CEDEAO, é parte plena do Protocolo as instituições que, directa ou indirectamente, fizeram de Livre Circulação, e também enquanto membro da o corpo deste órgão; os membros do Governo, dirigentes Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), de Administração Pública de sectores relevantes para é parte do Estatuto da Cidadania Lusófona. Estes dois o domínio da imigração, representantes dos serviços instrumentos vêm a influenciar a mobilidade de pessoas desconcentrados do estado, eleitos e responsáveis au- em direcção a Cabo Verde, representando um aumento tárquicos, representantes sindicais, representantes dos significativo de fluxos migratórios provenientes de outros empregadores, empresários, organizações não governa- 1 464000 002089 países, em especial da Costa Ocidental Africana. mentais, líderes de associações de imigrantes; e com o Constata-se, no entanto, uma ausência ou fragilidade forte apoio e assistência técnica da União Europeia, atra- no domínio estatístico do número de imigrantes em terri- vés da iniciativa MIEUX do Centro Internacional para tório nacional. Isto acontece num momento em que Cabo o Desenvolvimento de Políticas Migratórias (ICMPD). Verde é graduado a país de rendimento médio, e o Gover- Neste sentido, a ENI visa traduzir a Política Nacional no tem apostado fortemente em políticas e estratégias de Imigração, enquanto quadro referencial comum de prin- captação do investimento externo, a infra-estruturação, cípios, valores, objectivos e linhas de acção, em medidas, o desenvolvimento da indústria turística, e a grande actividades, e iniciativas em matéria de imigração. Por oferta de emprego no sector da construção civil e obras isso, ela requer, igualmente, um ordenamento jurídico públicas, pese embora a elevada taxa de desemprego no consequente, rigor na aplicação das leis e montagens seio da população cabo-verdiana. administrativas e institucionais coerentes para a ade- A imigração trouxe consigo aspectos de ordem social e quada gestão da entrada, permanência, saída, mobilidade humana que exigem a adopção urgente de políticas, me- interna, acesso ao mercado de trabalho e/ou desenvolvi- didas e estratégias visando, sobretudo, a coordenação das mento de actividade económica independente por parte instituições e a integração dos estrangeiros na sociedade de estrangeiros e trabalhadores imigrantes. cabo-verdiana, no sentido de encontrar o equilíbrio entre A ENI foi elaborada de acordo com os quatro pilares da as necessidades do mercado de trabalho cabo-verdiano, Política Nacional de Imigração, definidas pelo Governo o número de estrangeiros que pretendem entrar no país em 2010: e o potencial do capital humano nacional. (1) Fluxos migratórios, A política de imigração deve responder às necessidades e realidades sociais, económicas, políticas e culturais e em (2) Diálogo, solidariedade e parcerias, matéria de segurança, bem como ligar as peculiaridades (3) Crescimento económico e integração social, e cabo-verdianas aos desenvolvimentos recentes e à sua localização geográfica. (4) Coerência das políticas de migração. O desafio da gestão da migração nacional assenta-se Nestes quatro pilares, esta Estratégia estabelece medidas, fundamental em dois aspectos: iniciativas e respostas políticas em áreas sectoriais e transversais que assumem como grande finalidade uma (1) Gerir os fluxos migratórios e optimizar os efeitos melhor resposta aos desafios impostos pela imigração, e positivos da presença de estrangeiros no país; que assentam num conjunto de tópicos orientadores, dos (2) Enquanto país de emigração, conceber e quais se destacam: implementar políticas coerentes com as Migração regular; práticas orientadas para as comunidades cabo-verdianas no exterior. Vistos, e residência; https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012 Migração laboral; suas consequências, tais como o regresso/ readmissão, combate à imigração irregular, Combate ao tráfico de seres humanos e protecção contrabando de migrantes e tráfico humano; das vítimas do tráfico; ● Responsabilidade do Estado face aos seus Gestão integrada das fronteiras; nacionais, o que implica a adopção de regras Recolha e análise de dados; claras sobre emigração, imigração, integração e naturalização; Cooperação regional e internacional, ● Utilidade macroeconómica sustentável e de longo Direitos Humanos; Educação, Formação, Segurança, prazo, que implica a definição de critérios Saúde e habitação; para a admissão controlada e seleccionada de nacionais estrangeiros visando as Cidadania e naturalização; necessidades do mercado nacional de trabalho Relação e coerência de políticas de emigração e de e o potencial dos imigrantes; imigração. ● Prioridades e interesses nacionais relacionados com a manutenção e garantia da estabilidade Assumindo-se que a implementação prática das me- política, económica e social. didas de política e as respostas formuladas na Política Nacional de imigração serão influenciadas por riscos ● Efectiva e regular comunicação, coordenação inesperados e por vantagens de várias ordens, ela vai e cooperação entre todas as instituições requerer um elevado nível de coordenação, parcerias relacionadas com a problemática da migração internacionais e forte liderança. Este processo exigirá e áreas afins; esforços coordenados, alinhados e harmonizados, tanto ● Autoridade do Estado, no âmbito do qual o Governo do Governo, das instituições nacionais centrais, locais define as políticas de acordo com os interesses e municípios, como do sector privado, sindicatos, uni- nacionais, estabelece critérios e regras de versidades e centros de pesquisa, e sociedade civil que entrada e permanência de estrangeiros, assim passarão a integrar a gestão da imigração na sua rotina como regras aplicáveis à contratação e emprego de trabalho e intervenções a médio e longo prazo. de estrangeiros, deve ser observado por todos. 1 464000 002089 Assim sendo, o propósito estratégico do processo é fazer 1.2 Objectivo da Estratégia com que todos os actores políticos e sociais pensem e ajam O objectivo global da Estratégia Nacional de Imigra- em conformidade com os principais valores e objectivos ção é contribuir efectivamente para a implementação da política nacional e estratégia, visando construir um do objectivo, valores, princípios e disposições da Política entendimento comum e o engajamento numa parceria e Nacional de Imigração. cooperação genuínas. 1.3 Áreas de Intervenção 1. POLÍTICA NACIONAL DE IMIGRAÇÃO A abrangência e a complexidade dos aspectos relaciona- A Política Nacional de Imigração visa regular os pro- dos com a migração impõem que a mesma seja abordada cessos migratórios (fluxos migratórios mistos) de forma de uma forma holística. A Estratégia abrange uma série a contribuir para o desenvolvimento social e económico de políticas relacionadas com áreas interligadas e base- do país, diminuir os resultados negativos, garantir a se- adas em seis pilares, a saber: gurança nacional e das fronteiras, prevenir e combater (1) Fluxos migratórios; a imigração irregular, o tráfico de seres humanos, criar (2) Dados e pesquisa; condições iguais e apropriadas para o respeito integral do direito dos imigrantes, incluindo a segurança social, (3) Diálogo, solidariedade e parceria; assim como facilitar uma gradual integração dos mesmos. (4) Investimento e actividade económica; 1.1 Valores e princípios (5) Integração de imigrantes; ● Respeito, protecção e promoção dos direitos (6) Políticas nacionais de migração coerentes. humanos e liberdades, de acordo com a 1.4 Orientações Constituição e o quadro legal nacional, e os ● Coerência, consistência e complementaridade da tratados internacionais ratificados por Cabo Política Nacional de Imigração, com as linhas Verde. Por conseguinte, não obstante os da Estratégia Nacional (pilares), e programas motivos, devem ser respeitados o princípio e políticas sectoriais, assim como parcerias de não-repatriação dos que procuram asilo e internacionais estratégicas; refugiados e o princípio de não-discriminação de migrantes; ● Concertação e articulação para evitar respostas e consequências inesperadas e indesejadas ● Respeito e cumprimento da legislação cabo- noutros sectores relacionados com a imigração; verdiana por parte dos imigrantes; ● Revisão e avaliação com o objectivo de garantir ● Solidariedade e responsabilidade aplicados sustentabilidade e ajustamentos necessários à protecção e assistência internacionais que são ditados e que reflictam tendências e são extensivos à migração irregular e mudanças. https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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Vistos, entradas e admissão torial, está alinhada com as disposições e princípios do Documento de Estratégia, Crescimento e Redução O número crescente de cidadãos estrangeiros que da Pobreza II, o principal documento de estratégia procuram possibilidades para permanecerem em Cabo nacional que define o contexto do desenvolvimento na- Verde impõe a tomada de medidas que facilitem a sua cional, objectivos a médio e longo termo e os pilares do entrada e admissão, de acordo com as políticas nacio- desenvolvimento: Pilar I: Reforma Governamental; Pilar nais de imigração e a realidade nacional. Tais medidas II: Recursos Humanos; Pilar III: Competitividade: enfren- devem assegurar um melhor controlo fronteiriço, recolha tar os desafios para um desenvolvimento e globalização de dados, troca de informação e cooperação entre todas sustentáveis; Pilar IV: A infra-estrutura económica do as entidades nacionais, incluindo as embaixadas cabo- país; e Pilar V: Coesão social. verdianas no exterior. A ENI responde às prioridades nacionais estabelecidas Como a maioria dos imigrantes provêm da CPLP e da no capítulo quarto do DECRP II sobre Migração (4.4.1.6., CEDEAO, o Governo considera actualmente a possibi- pilar IV), no qual está baseada, e que define a necessi- lidade de negociar cláusulas específicas do Protocolo da dade de se desenvolver Linhas de Orientações relativas CEDEAO sobre a Livre Circulação, particularmente as à Política Nacional de Imigração e à legislação nacional disposições que se referem aos estados membros peque- em matéria de migração. nos, como o artigo 68º do Tratado da CEDEAO1, o artigo 8.º do Protocolo2 relativo à liberdade de circulação, direito O papel desta Estratégia é o de complementar e contri- de residência e de estabelecimento e o artigo 7.º alterado buir para a implementação da DECRP II, colocando em do Protocolo Complementar A/SP.11/6/89, que altera e prática as medidas nela definidas na área da migração. adita as disposições do artigo 7.º do Protocolo. No entanto, a DECRP II deve ser revista de modo a in- tegrar os pilares essenciais na Estratégia de Imigração Estas disposições oferecem a Cabo Verde uma opor- nas suas disposições, através de um forte enfoque nas tunidade legal e política para propor e negociar com peculiaridades da imigração e da substituição dos de- a Comissão da CEDEAO cláusulas específicas que lhe safios da imigração do pilar IV (infra-estrutura) para o permitirão estabelecer o quadro institucional necessário à gestão dos fluxos de imigrantes e a sua integração, 1 464000 002089 pilar V (coesão social) modernizar e regular o mercado de trabalho, erradicar Considerando a complexidade da migração, a coo- as práticas ilegais e a exploração de imigrantes e criar as peração internacional é um meio essencial para a sua condições institucionais e políticas para colocar em práti- gestão. Além disso, o contexto regional e internacional ca os direitos fundamentais dos trabalhadores migrantes, constitui um dos factores que contribuem para definir e definidas pelo Protocolo da CEDEAO e as convenções dar corpo às políticas nacionais de imigração, tendo em da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esta conta as necessidades e interesses do país, assim como abordagem evitaria a tomada de decisões unilaterais que as tendências, perspectivas e impactos nos fluxos a nível poderiam colocar em perigo a adesão de Cabo Verde à nacional e regional. CEDEAO e as boas relações com os seus vizinhos. Cabo Verde foi um dos primeiros países no mundo a Respostas políticas ser convidado pela UE a assinar, em 2008, a Declaração Conjunta sobre a Parceria para a Mobilidade (PPM) que 1. Iniciar negociações com os países da CEDEAO e com assume como objectivo principal a gestão da migração em alguns Estados Membros com o objectivo de flexibilizar benefício do país e dos próprios migrantes. a aplicação do Protocolo sobre livre circulação; A PPM, enquanto instrumento de cooperação, procura 2. Rever o sistema de vistos e estabelecer procedimentos facilitar a mobilidade das pessoas, promovendo uma claros de emissão de vistos a diferentes categorias de cooperação genuína em matérias de migração e desenvol- candidatos, consoante os motivos para a entrada em vimento, e prevenindo e combatendo a imigração ilegal, o Cabo Verde, tendo em conta os resultados das negociações contrabando de migrantes e o tráfico de seres humanos, da CEDEAO, assim como as disposições previstas no ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento de estatuto de cidadão da CPLP e os acordos bilaterais uma política de readmissão e repatriação eficiente, que assinados com outros países; respeite os direitos humanos e a situação dos migrantes. 1 ARTIGO 68 ESTADOS MEMBROS SEM LITORAL E INSULARES As iniciativas tomadas ao abrigo da PPM demonstram o Os Estados Membros, tendo em conta as dificuldades socioeconómicas que pos- elevado interesse e o empenho político que Cabo Verde, sam existir em alguns Estados Membros, em particular Estados insulares e sem a UE e os seus Estados Membros têm em gerir, de forma litoral, acordam conferir-lhes, sempre que adequado, um tratamento especial no que respeita à aplicação de determinadas disposições deste Tratado e de acordo conjunta, a migração e enunciam um conjunto de políticas com qualquer assistência que possam necessitar. que compõem esta Estratégia. Espera-se também que as 2 ARTIGO 8 (PROTOCOLO A/P.1/5/79 RELACIONADO COM A LIVRE CIRCULAÇÃO DE PESSOAS, RESIDENCIA E ESTABELECIMENTO) futuras iniciativas da PPM contribuam para a implemen- 1. Qualquer Estado Membro deve submeter propostas de alteração ou re- tação desta Estratégia, bem como para a sua revisão e visão deste Protocolo. 2. Quaisquer propostas deverão ser apresentadas ao Secretário Executivo, avaliação. A Estratégia está igualmente de acordo com as que deverá envia-las aos outros Estados Membros, o mais tardar disposições das convenções internacionais e regionais de até trinta (30) dias após o recebimento das propostas. Alterações ou que Cabo Verde é parte, bem como a Parceria África-UE revisões devem ser consideradas pelo Conselho de Ministros, após os Estados Membros terem recebido o aviso prévio com um mês de para a Migração, Mobilidade e Emprego. antecedência. https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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Implementar de forma integral os mecanismos pretende entrar em Cabo Verde por diversas razões, tais relativos ao registo dos estrangeiros que entram com e como o emprego, a educação, o turismo, negócios, visitas sem visto e o controlo dos estrangeiros residentes no país; familiares e reunificação, por diferentes períodos de tempo, impõe a tomada de medidas e acções imediatas, de modo 6. Estabelecer condições e regras claras para recusar que o país beneficie desses movimentos e minimize os riscos. a entrada, sem prejudicar os passageiros de boa fé; Respostas políticas: 7. Criar uma plataforma tecnológica que permita uma cooperação efectiva e troca de informações entre a DEF, 1. Definir regras claras quanto às diferentes possibili- os consulados cabo-verdianos, o INE e o NOSI; dades e duração dos movimentos migratórios (temporário ou permanente) para fazer face a uma gama de neces- 8. Reforçar os conhecimentos básicos dos represen- sidades do país, melhorar o contexto socioeconómico e tantes, entre outros da DEF, NOSI, INE e em matéria cumprir com obrigações internacionais relacionadas com de recolha de dados, cooperação, intercâmbio de práticas a protecção dos direitos dos migrantes; relacionadas com a emissão de vistos, entrada e admissão 2. Avaliar as necessidades actuais do país e o impacto de estrangeiros. que a admissão de vários grupos de migrantes pode ter 2.2. Permanência e residência em Cabo Verde; 3. Elaborar critérios e condições relativos aos migran- O número de estrangeiros que entraram em Cabo tes temporários e permanentes; Verde e permaneceram para além do período legalmente permitido obriga a elaboração de um compreensivo me- 4. Definir categorias para migrantes temporários de canismo administrativo legal que trate dos estrangeiros acordo com determinados objectivos nacionais pretendidos; residentes em situação irregular. 5. Criar locais de informação dirigidos aos migrantes 1 464000 002089 sobre as condições relativas à migração temporária ou Respostas políticas: permanente; 1. Definir regras claras para a regularização de estran- 6. Implementar medidas que permitam o controlo da geiros com permanência de longa duração em situação migração temporária e garantam que a mesma conser- irregular à luz da legislação nacional; ve a sua natureza temporária, com as condições para 2. Aplicar e melhorar a legislação nacional e os proce- regressos futuros, etc; dimentos relacionados com a residência de estrangeiros 7. Facilitar a reunificação familiar de migrantes com o dispostos a permaneceram em Cabo Verde por diferentes estatuto de residência ou elegível para o mesmo de forma razões; humana, em particular das crianças; 3. Estabelecer requerimentos claros, condições e cri- 8. Considerar o reconhecimento mútuo de diplomas térios para os diferentes estatutos de residência, assim educativos. como indicar as instituições que lidam com os processos; 2.4. Migração laboral 4. Instalar um sistema para monitorização capaz de As necessidades da economia nacional aliadas à falta controlar os estrangeiros portadores de autorização de de oportunidades noutros países da região fazem com residência; que a quantidade de pessoas à procura de trabalho ex- ceda as oportunidades de trabalho existentes em Cabo 5. Desenvolver para os municípios o conceito de um Verde. O resultado tem sido uma dependência crescente esquema de registo de estrangeiros com e sem autorização que muitos empregadores têm em relação ao trabalho de residência; migrante irregular, enquanto fonte de mão-de-obra ba- rata. Existe na economia cabo-verdiana uma procura por 6. Implementar um mecanismo para intercâmbio de trabalhadores qualificados nos sectores da construção e informação entre as autoridades locais e centrais com o do turismo, que requerem uma melhor qualificação da objectivo de aumentar a base de conhecimento das pes- força laboral. O Código de Trabalho (2008) prevê o direito soas que residem no território de Cabo Verde; ao trabalho dos que residem legalmente em Cabo Verde. 7. Usar o Sistema Nacional de Identificação e Autenti- Um número significativo de trabalhadores migrantes não cação (SNIAC) para o registo e emissão das autorizações tem contratos de trabalho assinados, não são cobertos de residência; pela previdencial social e os seus direitos são violados. Respostas políticas: 8. Aumentar e melhorar a comunicação efectiva e a coordenação entre o Instituto Nacional de Estatística 1. Avaliar e reformular as políticas nacionais de em- (INE), Núcleo Operacional para a Sociedade de Infor- prego, tendo em conta as necessidades do país, as reali- mação (NOSI), Direcção de Estrangeiros e Fronteiras dades e peculiaridades do mercado de trabalho nacional (DEF), autoridades centrais e outros. e o potencial da mão-de-obra; https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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Avaliar as necessidades do mercado laboral e esta- até a permanência no país para além do tempo legal- belecer critérios para o recrutamento e emprego de mão- mente permitido (a maioria dos migrantes irregulares de-obra estrangeira através de uma lei especializada; entraram no país legalmente). A vasta costa marítima 5. Reforçar a capacidade dos serviços envolvidos na cabo-verdiana é um espaço favorável ao tráfico de seres gestão de questões laborais e de segurança social em humanos e actividades criminais, incluindo o tráfico de termos de monitorização, controlo e protecção; drogas. Os dados relativos aos fluxos migratórios que se dirigem às ilhas por mar confirmam a existência de mi- 6. Estabelecer mecanismos para monitorizar e regular grantes que pretendem entrar em Cabo Verde. A polícia o mercado laboral, em particular, o sector informal; tem detectado barcos com pessoas e barcos abandonados ao longo da costa. 7. Disseminar informação sobre critérios e procedi- mentos de contratação, benefícios sociais e protecção de Cabo Verde ratificou a Convenção das Nações Unidas direitos dos trabalhadores migrantes; contra o Crime Organização Transnacional e o seu Pro- tocolo adicional contra o Contrabando de Migrantes por 8. Reforçar as capacidades das instituições nacionais Terra, Ar e Mar que trabalham com as relações laborais e a inspecção (DGT, IGT, INPS), organizações não governamentais Respostas políticas: e associações de imigrantes de modo a detectar e lidar 1. Adoptar um quadro legislativo abrangente que pre- com casos de exploração, trabalho forçado e violação dos vina e combata a migração irregular, incluindo sanções direitos laborais; contra aqueles que explorem os migrantes; 9. Avaliar a proposta de institucionalização de au- 2. Reforçar e manter a cooperação entre as agências torização de trabalho ao invés da prática de validar os 1 464000 002089 e a cooperação regional com vista a melhor combater a contratos de trabalho; migração irregular; 10. Estabelecer regras e procedimentos relativos ao 3. Reforçar as capacidade da DEF a os seus serviços trabalho do migrante e desenvolver um modelo de con- locais, a Guarda Costeira e outras instituições envolvidas trato de trabalho para trabalhadores migrantes; na prevenção e combate da migração irregular, particu- 11. Procurar formas de desenvolver esquemas para a larmente na identificação dos migrantes irregulares, na circulação migratória com os países da CEDEO; observância das normas internacionais no terreno, etc. 4. Elaborar linhas de orientação e instrumentos para 12. Negociar Acordos de Segurança Social com os países todos os serviços locais da DEF sobre como tratar a mi- de origem; gração irregular, a protecção dos migrantes, etc. 13. Simplificar a imigração através do desenvolvimento 5. Aplicar as disposições da Convenção da ONU e o de projectos e programas nas esferas do trabalho, formação seu protocolo para a legislação nacional; e segurança social; 6. Aumentar a cooperação entre o Governo e as agên- 14. Criar um mecanismo de reconhecimento da qualifi- cias especializadas internacionais de modo a prever e cação dos imigrantes que entram no mercado de trabalho lutar contra a imigração irregular e o tráfico de pessoas: nacional; 7. Reforçar as capacidades das agências relevantes 15. Estabelecer parcerias entre os parceiros sociais para para um controlo mais efectivo da fronteira, em parti- a informação e sensibilização dos trabalhadores migrantes; cular, o mar e a costa; 16. Melhorar a coordenação entre a DEF, DGT, IGT 8. Melhorar as capacidades do pessoal das companhias e INPS com o objectivo de intercambiar procedimentos aéreas com particular destaque para obrigações interna- e informação sobre os trabalhadores migrantes, assim cionais relacionadas com o transporte de passageiros. como tomar medidas adequadas contra exploradores e empregadores em casos de exploração e de violação dos 2.6. Tráfico de seres humanos e protecção das vítimas seus direitos humanos; do tráfico 17. Melhorar a cooperação entre as instituições na- Apesar de Cabo Verde ser parte do Protocolo da ONU cionais que lidam com a problemática do trabalho, as para a Prevenção, Supressão e Punição do Tráfico de associações de migrantes e as organizações não gover- Pessoas, a legislação nacional relativamente a mulheres namentais; e crianças necessita ser substancialmente melhorada. Relatórios da polícia alegam que o país é um ponto de 18. Ratificar as normas da OIT relacionadas com a trânsito do tráfico de pessoas da África Ocidental para migração laboral, nomeadamente as convenções 97 e 143 as ilhas Canárias e Europa https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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Definir um sistema para a recolha de dados sobre o prática comum. tráfico e o contrabando de pessoas; Respostas políticas: 4. Aumentar as capacidades das autoridades nacionais para detectar e punir criminosos; 1. Fornecer e instalar equipamento capaz de reconhe- cer todos os documentos de viagem actuais; 5. Aumentar as capacidades do sistema judicial de modo a assegurar procedimentos criminais eficientes 2. Melhorar os sistemas de controlo da segurança dos contra traficantes e contrabandistas; documentos e procedimentos nas fronteiras nacionais; 6. Desenvolver um sistema nacional de recurso que permite 3. Integrar dados biométricos nos passaportes nacio- aos diferentes intervenientes prestar assistência imediata e nais e nos documentos de viagem de modo e melhorar a adequada, assim como serviços às vítimas do tráfico; segurança dos documentos e prevenir a falsificação de 7. Estabelecer parcerias com ONGs e outras organi- documentos, de acordo com os padrões internacionais; zações da sociedade civil com o objectivo de encontrar 4. Assegurar níveis padronizados de conhecimentos e várias formas de assistência às vítimas do tráfico. equipamentos para a detecção de documentos falsos nos 2.7. Gestão integrada e controlo da fronteira diferentes pontos de entrada em Cabo Verde; Cabo Verde tem uma área de 63.000 Km2, o arquipé- 5. Criar instalações para operações de recolha e ar- lago possui uma área de terreno de 4.033 km2, o litoral mazenamento de dados; é de 1.000 km e o mar estende-se por 780.000 km2. As áreas territoriais são vastas relativamente aos recursos 6. Desenvolver e melhorar as competências para o 1 464000 002089 disponíveis de vigilância. O problema principal é que os reconhecimento de documentos falsos e adulterados e parcos recursos e a insuficiente capacidade técnica limi- promover formação contínua para o pessoal de controlo tam as possibilidades de uma monitorização eficiente e dos documentos nas fronteiras. controlo das fronteiras nacionais 2.9. Segurança nacional Respostas políticas: Apesar dos efeitos positivos da imigração, ela comporta 1. Melhorar as capacidades institucionais das agências uma série de desafios à segurança nacional, particular- com atribuições na fronteira: DEF, Polícia Marítima e mente ligados a diferentes formas do crime organizado. Guarda Fronteira; A extensa costa e o frágil controlo permitem a crimi- 2. Aplicar os princípios da Gestão Integrada da Fron- nosos explorarem facilmente as fronteiras para acti- teira nas rotinas e actividades as instituições nacionais vidades ilegais como o tráfico de migrantes, drogas ou de protecção, controlo e monitorização das fronteiras armas, tráfico de seres humanos com recurso a autores nacionais; originariamente de Cabo Verde, da região e de países 3. Melhorar o serviço entre agências e a cooperação desenvolvidos. internacional, assim como a coordenação no campo da Tendo em conta os possíveis desafios à segurança, o gestão de fronteira e a migração irregular; Governo criou a equipa de coordenação operacional de 4. Desenvolver uma Estratégia de Gestão das Frontei- segurança (ECOS) composto por instituições nacionais ras Nacionais e um Plano de Acção; ligadas à segurança. Neste sentido, o Governo criou a figura do Conselheiro de Segurança Nacional, no gabi- 5. Intercambiar informação e aumentar a cooperação nete do Primeiro-Ministro e que desempenha um papel com os membros da CEDEAO visando o aumento da importante na gestão da segurança nacional. É de grande eficiência no controlo da fronteira; importância que a ECOS também trate de assuntos de 6. Instalar sistemas de controlo da fronteira e vigilância segurança relacionados com a imigração. e formar os seus operadores; Respostas políticas: 7. Aumentar o patrulhamento marítimo dos potenciais lugares de chegada de migrantes; 2. Introduzir na agenda da ECOS os assuntos especí- ficos de segurança relacionados com a imigração; 8. Desenvolver e actualizar os processos de controlo de fronteira e vigilância; 3. Assegurar que o Conselheiro de Segurança Nacional seja membro do Conselho Nacional de Imigração (CNI); 9. Oferecer formação adequada sobre requerimentos legais nacionais e internacionais mais importantes e 4. Garantir que todas as instituições com responsa- procedimentos aos representantes das instituições que bilidades em matéria de segurança comuniquem-se e trabalham na fronteira. cooperem eficiente e efectivamente; https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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Desenvolver competências de todas as relevantes instituições nacionais e elaborar mecanismos para mo- 3. Aumentar as competências da Comissão Nacional dernizar, adaptar e implementar sistemas e procedimentos dos Direitos Humanos no domínio da lei do asilo. a nível da segurança nacional; 3. RECOLHA DE DADOS 7. Estabelecer e manter o diálogo e a cooperação com A falta de dados qualitativos e quantitativos sobre a CEDEAO, CPLP, países de origem e outras partes as tendências actuais da imigração corrente e os fluxos envolvidas no sentido de intercambiar informações re- constitui uma das principais deficiências da gestão da lacionadas com a migração. imigração em Cabo Verde. Esta realidade deixa as auto- ridades incapazes de responder a algumas das perguntas 2.10. Expulsão, regresso e readmissão mais básicas sobre o perfil dos estrangeiros residentes no país, o número total e actividades a que se dedicam. Cabo Verde tem experimentado casos de regresso e Além disso, a falta de estatísticas actualizadas, preci- expulsão de estrangeiros em situação irregular. No pe- sas, confiáveis e acessíveis torna difícil o processo de ríodo 2006 a 2008, mais de 2.000 pessoas foram forçadas formulação de políticas, em especial no que diz respeito a regressar aos seus países, na sua maioria de países da à integração dos imigrantes, ajuste do mercado de traba- CEDEAO e da CPLP. lho às necessidades do país, prevenção de consequências Respostas políticas: negativas da imigração. 1. Iniciar o processo de negociação e assinatura de A troca de informações entre as autoridades nacionais, protocolos de readmissão com CEDEAO/CPLP e outros particularmente o INE, DEF, NOSI, e outras instituições, países, assim como entendimentos dirigidos a facilitar o é crucial para facilitar uma coordenação e cooperação regresso voluntário; eficientes, criar uma melhor compreensão do fenómeno, 1 464000 002089 aconselhar outras instituições sobre a situação e tendên- 2. Aplicar a legislação nacional relativa à expulsão e cias actuais e aumentar a cooperação internacional. As regresso de imigrantes em situação irregular; novas tecnologias devem ser rapidamente aplicadas e largamente usadas pelas autoridades centrais e locais, 3. Definir procedimentos para identificar migrantes com o objectivo de recolher, partilhar e analisar os dados irregulares e preparar os seus processos de regresso, da migração. incluindo a preparação da documentação necessária; 3.1. Pesquisa 4. Avaliar a legislação nacional e decidir sobre a pos- A pesquisa constante no campo da migração é essencial sibilidade de criação de um Centro de Protecção Civil para recolher informações, comparar dados, elaborar administrado pelo Governo e por organizações huma- políticas e aumentar a consciência sobre medidas de po- nitárias que deverá, inter alia, receber migrantes em lítica específicas entre os decisores políticos, população situação irregular. e imigrantes. 5. Definir regras e procedimentos para o regresso volun- Respostas políticas: tário e assegurar mecanismos para o regresso voluntário; 1. Reconhecer a importância da pesquisa nacional e 6. Criar mecanismos (com a fundamental participação internacional no desenvolvimento e implementação de da Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidada- uma efectiva e eficiente gestão da migração; nia) para monitorar expulsões e regressos de modo a 2. Produzir inquéritos e estudos sobre vários aspectos assegurar que os direitos humanos sejam protegidos. da imigração com vista a uma melhor compreensão dos 2.11. Asilo e Protecção Internacional de Refugiados perfis dos imigrantes e a sua situação socioeconómica em Cabo Verde; O Parlamento aprovou a Lei 106/V/99 de 2 de Agosto 3. Estabelecer parcerias e envolver as ONGs e instituições relativa ao acolhimento de estrangeiros com base em ra- académicas na realização de pesquisas, zões humanitárias e centros temporários de acolhimento, no entanto, Cabo Verde não ratificou a Convenção de 4. Promover iniciativas e prestar apoio, inclusivo a Genebra sobre o Estatuto dos Refugiados (1951), mas é nível individual, no domínio da investigação sobre mi- parte no seu Protocolo de 1967, bem como da Convenção gração, estudos comparativos, intercâmbios de práticas da União Africana Relativa aos Aspectos Específicos do e experiências, etc. Problema dos Refugiados em África de 1969. 5. Reconhecer a importância e a necessidade do aumento Ainda que, aparentemente, poucos são os pedidos de da investigação científica em vários domínios, aspectos asilo, o país deve estar preparado para eventuais futuros e temas relacionados com a imigração; pedidos, particularmente tendo em atenção a estabilidade 6. Utilizar e integrar os resultados de vários estudos rela- política do país e o seu desenvolvimento económico. cionados com políticas importantes e o Perfil da Migração. https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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Promover a partilha de dados e informações entre tarefa complexa, que envolve uma série de instituições Estados e outros intervenientes considerados importan- nacionais, como o INE, DEF e NOSI, e que deverá estar tes no processo. assente numa mútua e genuína cooperação e mecanismos de coordenação. 3.4. Protecção da dados Respostas políticas: A recolha de dados deve ser totalmente protegida de diferentes formas, de modo a preservar os direitos in- 1. Reforçar a coordenação e cooperação entre todas as dividuais e garantir a sua privacidade. Como princípio instituições nacionais que lidam com a recolha e análise básico, os dados pessoais devem ser tratados equitativa de dados, em particular o INE, NOSI e DEF; e licitamente. 2. Recolher numa base regular objectiva, confiável e Respostas políticas: precisa de dados sobre todos os aspectos da migração; 1. Tomar medidas organizacionais e técnicas adequadas 3. Estabelecer redes nacionais capazes de recolher, para proteger os dados, incluindo o desenvolvimento de analisar e divulgar informação sobre todos os processos instalações, sistemas de cópia de segurança; de migração; 2. Intercâmbio de informações de acordo com a legislação 4. Determinar o papel claro e a divisão das responsabi- nacional e disposições que regem a protecção dos dados; lidades entre as diferentes instituições que se relacionam com a recolha, análise e divulgação de dados em matéria 3. Elaborar um protocolo para partilhar informações de migração; a terceiros; 5. Envolver as autoridades públicas locais no processo 4. Usar estruturas seguras e plataformas para a trans- de recolha de dados; ferência de dados (envio e recepção); 1 464000 002089 6. Criar, com o total envolvimento do NOSI, plataformas 5. Garantir a total privacidade na recolha de dados. tecnológicas de recolha e análise de dados entre as auto- 4. DIÁLOGO, SOLIDARIEDADE E PARCERIA ridades centrais e locais; 4.1. Cooperação Internacional e Regional 7. Disponibilizar o Sistema PASSE às outras auto- ridades envolvidas com a migração, nomeadamente o Os fluxos e as tendências actuais da migração impõem INE, com o objectivo de melhorar a recolha de dados e o um diálogo regular, bilateral, multidimensional e multi- intercâmbio de informação; lateral, parcerias, troca de informações e cooperação en- tre países de destino, trânsito e de origem, e organizações 8. Elaborar mecanismos para a recolha de dados sobre internacionais governamentais e não-governamentais, a estrangeiros com ascendência cabo-verdiana; fim de melhor atender o quadro completo sobre migração. 9. Proporcionar formação regular e adequada ao pes- O diálogo permanente, a cooperação e as parcerias soal envolvido na recolha e análise de dados sobre os permitem a Cabo Verde enfrentar os desafios e opor- últimos métodos de recolha de dados e uso de tecnologias tunidades da migração, tomar medidas relacionadas à modernas; mobilidade intra-regional, combate ao tráfico humano, migração irregular, promover a protecção aos migrantes 10. Definir modalidades de divulgação de dados ao público. em necessidade, lidar com rotas da migração e redes, 3.3. Troca de Informações de Dados troca de dados e informações, e implementar acções conjuntas. Tendo em conta que a troca de informações e dados a nível nacional (autoridades centrais e locais), regional e Respostas políticas: internacional contribui para uma melhor compreensão 1. Aumentar o nível do diálogo político e operacional, mútua dos assuntos relacionados com a migração, os parcerias e intercâmbio de informações com diversos actores, esforços do Governo de Cabo Verde devem ser orientados em particular, com os países da CEDEAO, bem como os para uma melhoria constante e progressiva da cooperação países para onde os cidadãos cabo-verdianos emigram; entre as diferentes instituições que recolhem e armaze- nam dados sobre migração; 2. Tirar o máximo partido das iniciativas desenvolvidas no âmbito da UE-Parceria para a Mobilidade de Cabo Respostas políticas: Verde, com o objectivo de reforçar a base de conhecimento 1. Criar, com a plena participação do INE, NOSI e DEF, e gestão global da migração; um mecanismo funcional sobre a partilha de dados; 3. Identificar e conseguir acordos em matérias de interesse 2. Promover o intercâmbio bilateral e multilateral comum relacionadas com a migração, particularmente a de informações, dados e experiência a nível político e nível regional, e adoptar juntamente com outros países operacional; interessados, soluções concretas e específicas; https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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Direitos Humanos dos Migrantes informação com o objectivo de fornecer aos migrantes e potenciais migrantes informações básicas e fidedignas A protecção dos direitos humanos de todos os residentes acerca das realidades do país, do contexto social, cultural de um país é uma obrigação primordial do Governo, a qual e económico, dos procedimentos e condições relacionados decorre das normas internacionais e regionais ratificadas com a entrada, residência e emprego, as consequências e da Constituição de Cabo-Verde. O país é parte nas sete práticas, legais, sociais e económicas da migração, le- convenções de base sobre Direitos Humanos da ONU, gislação, direitos e deveres dos migrantes bem como as incluindo a Convenção Internacional sobre a Protecção oportunidades da migração legal em Cabo Verde. dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e Suas Famílias. Considerando as atitudes de intolerância para com os migrantes, as campanhas deverão também influenciar A afluência de trabalhadores migrantes trouxe novos a opinião pública e modificar a percepção e os equívo- desafios relacionados com a protecção dos direitos dos cos comuns sobre a migração, colocando as questões migrantes, a discriminação para com os migrantes, migratórias no centro do debate público, promovendo abusos e exploração dos traficantes, violação dos direitos o diálogo e encontrando soluções para uma vasta gama humanos, incluindo os direitos laborais e a frágil protec- de problemas. ção social, etc. Respostas políticas: Migrantes em situação irregular têm direito à protec- 1. Preparar, formular e desenvolver a sensibilização ção dos seus direitos humanos, mas são particularmente para a informação, recorrendo a campanhas focadas em vulneráveis à discriminação e exploração. As mulheres diferentes categorias de migrantes e dirigidas a grupos- migrantes poderão ser ainda mais vulneráveis aos alvo específicos, tendo em consideração as peculiaridades abusos, visto que trabalham, na maioria dos casos, iso- nacionais e a receptividade dos migrantes; ladamente e a sua dependência do empregador é muito 1 464000 002089 mais evidente. 2. Aumentar a consciencialização, através de vários meios, entre os potenciais migrantes e migrantes sobre Respostas políticas: os riscos da migração irregular, visando desencorajar movimentos irregulares, assim como sobre as oportuni- 1. Implementar eficazmente as normas internacionais dades de emprego legalmente existentes em Cabo Verde, em matéria de protecção dos direitos humanos e direitos as condições legais e os procedimentos de entrada e per- dos migrantes que foram ratificadas por Cabo Verde; manência no país, valores culturais cabo-verdianos, etc. 2. Assegurar a plena aplicação dos princípios de todos 3. Divulgar informação entre os cidadãos de Cabo os instrumentos de direitos humanos e, em particular, Verde visando promover uma melhor compreensão da o princípio da não discriminação e da não-repatriação; migração e reduzir as atitudes intolerantes contra os 3. Adoptar medidas para evitar a discriminação e a imigrantes; violação dos direitos dos migrantes; 4. Analisar a possibilidade de criar um Centro de Infor- mação para Migrantes (nas instalações das autoridades 4. Divulgar informação junto dos migrantes sobre locais ou ONGs locais); os direitos humanos e os deveres dos migrantes, com o apoio das diferentes partes interessadas incluindo as 5. Envolver diferentes actores governamentais e não- autoridades locais; governamentais na divulgação das informações, incluindo as embaixadas cabo-verdianas no exterior, meios de 5. Formar os funcionários das várias autoridades comunicação, autoridades locais e parceiros sociais. centrais e locais que lidam com migrantes sobre normas internacionais de direitos humanos dos mesmos. 6. Estabelecer parcerias com ONGs, associações de migrantes, comunicação social, parceiros sociais e outras 6. Aumentar as capacidades da Comissão Nacional dos organizações da sociedade civil com vista a organizar Direitos Humanos e Cidadania no tratamento de casos campanhas de divulgação das informações; que envolvem migrantes, participar em exercícios de 7. Reforçar as capacidades das autoridades locais com monitorização, divulgar, informar e promover formação o objectivo de intensificar a sua participação nos esforços aos ministérios e serviços ligados aos direitos humanos nacionais para sensibilizar os nacionais e imigrantes nos dos migrantes. diferentes aspectos ligados à migração; 7. Cooperar com as ONGs que prestam serviços a 8. Avaliar e rever as campanhas de informação com migrantes e participar em iniciativas conjuntas que vista a melhorar o seu conteúdo para melhor adequá-las facilitem o estabelecimento de um diálogo estável e a co- às necessidades dos grupos-alvo; municação com os migrantes, a compreensão e o respeito dos direitos humanos, bem como a sua protecção, através 9. Desenvolver acções e medidas adequadas para pre- de diferentes meios, inclusivamente jurídicos, sociais, etc. venir a disseminação de informação enganosa. https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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O forte desempenho do desenvolvimento do país actu- As instituições centrais que desempenham um papel almente provocou o crescimento do mercado laboral, com crucial no processo de integração dos migrantes são o Mi- novas iniciativas empresariais (em algumas ilhas esse nistério da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos número é superior a 100%), novas formas de organização Recursos Humanos, o Ministério da Educação e Desporto, do trabalho, actividades empreendedoras e novas abor- o Ministério da Saúde e o Ministério do Ambiente, Habi- dagens nas relações laborais. Esta situação exige um tação e Ordenamento do Território. Da mesma forma, os quadro legal alinhado com os desafios actuais. Além disso, municípios, as estruturas descentralizadas do Estado, as são necessárias medidas para maximizar o potencial ONGs e o sector privado estão também automaticamente económico, desenvolver os ganhos pessoais decorrentes envolvidos. da livre circulação de pessoas, serviços, bens e capitais tendo em conta as prioridades nacionais, necessidades do O Governo, os parceiros sociais e outros intervenientes mercado laboral e implicações noutros serviços públicos. devem promover a integração e a inclusão social, res- peitando a diversidade cultural, a prevenção da discri- Respostas políticas: minação contra os trabalhadores migrantes e tomando 1. Realizar estudos aprofundados sobre a relação entre medidas para combater o racismo e a xenofobia. migração e investimentos e o comércio em Cabo Verde e 6.1. Educação e formação, segurança social, saúde o impacto no desenvolvimento; e habitação 2. Melhorar as capacidades das autoridades a nível Do ponto de vista da integração, o acesso às instituições central e local responsáveis pela supervisão e inspecção fundamentais da sociedade de acolhimento é crucial: das actividades económicas; economia e mercado de trabalho, educação e sistemas 3. Elaborar e implementar um quadro regulador que de qualificação, sistema de habitação, instituições de 1 464000 002089 permita o rastreamento e controlo dos riscos das activi- protecção social, incluindo o sistema de saúde. dades comerciais ilegais realizadas por estrangeiros sem Respostas políticas: autorização de residência; 1. Desenvolver uma política de integração global para 4. Avaliar as políticas comerciais internas, práticas e Cabo Verde e programas que promovam a educação, tendências, e analisar a possibilidade de se introduzir segurança social, cuidados de saúde e habitação. um sistema de licenças para as actividades económicas dos estrangeiros; 2. Aplicar políticas nacionais para a migração que conceda aos migrantes em situação regular o acesso aos 5. Elaborar estratégias que permitam fazer o melhor serviços sociais, com a condição de que o migrante, se uso possível dos conhecimentos, competências e tecnologias possível, participe no mercado de trabalho; trazidos e investidos pelos residentes estrangeiros; 3. Tomar medidas para assegurar que os imigrantes 6. Manter um diálogo permanente com empregadores recebam atenção e cuidados médicos de que necessitam, visando a completa implementação do Código Laboral sem distinção por quaisquer outros motivos que não (Capítulo IV) e outras importantes leis; sejam médicos; 7. Tomar medidas para prevenir a exploração e discri- 4. Implementar medidas que garantam às crianças o minação dos migrantes trabalhadores; acesso aos serviços de educação; 8. Elaborar novos modelos e procedimentos para a 5. Desenvolver uma política integrada que relativa- contratação de mão-de-obra estrangeira de acordo com mente leve à obrigatoriedade dos imigrantes aprender os padrões nacionais e internacionais; a falar a língua do país; 9. Avaliar e melhorar os procedimentos de reconheci- 6. Incentivar a participação activa dos imigrantes nos mento de diplomas e certificados de educação e forma- programas de integração e, assim, no processo de inte- ção profissional para facilitar a entrada no mercado de gração em geral; trabalho. 6. INTEGRAÇÃO 7. Criar mecanismos e plataformas de diálogo entre o Governo, as autoridades locais e associações de imi- A integração é um processo dinâmico e bidireccional de grantes e ONGs: inclusão dos imigrantes nas instituições e na sociedade de acolhimento. Para ultrapassar as barreiras, a sociedade 8. Identificar a possibilidade de criação de um meca- de acolhimento e os imigrantes devem engajar-se num nismo para financiar actividades de integração; mútuo processo de integração. A promoção dos direitos 9. Desenvolver orientações sobre as boas práticas da fundamentais, a não discriminação e a igualdade de integração dos imigrantes e divulgá-las junto das auto- oportunidades para todos são aspectos fundamentais. ridades locais; https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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Cultura, Práticas Religiosas e Tolerância do Governo para 2006-2011: Um dos aspectos característicos da imigração, e que ● Diálogo permanente com os países de acolhimento constitui um desafio à sua gestão, é a coexistência num com o objectivo de alcançar acordos de único território de cidadãos portadores de diferentes regulação dos fluxos de emigração, emissão religiões e culturas. de vistos e integração; Respostas políticas: ● Integração plena dos migrantes cabo-verdianos 1. Iniciar programas que ajudem os migrantes a enten- nas sociedades de acolhimento, através do der a cultura, os valores, o sistema e as peculiaridades da envolvimento e participação cívica e política sociedade cabo-verdiana visando uma gradual adaptação (cidadania); aos mesmos; ● Abertura para a adopção dos valores culturais 2. Desenvolver e implementar cursos e programas de das sociedades de acolhimento e co-habitação orientação cívica e cultural para iniciar o processo de com os valores culturais de Cabo Verde; integração de modo a assegurar que os imigrantes com- ● Reforço do relacionamento com Cabo Verde e preendam, e respeitem os valores nacionais; participação no processo de desenvolvimento; 3. Criar meios para os migrantes expressarem a sua ● Mobilização de cabo-verdianos qualificados ou herança cultural e religião de acordo com a legislação formados no estrangeiro ou de cidadãos cabo-verdiana; estrangeiros de origem cabo-verdiana com 4. Aumentar o conhecimento e a aceitação da migração vista a contribuir com as suas competências através de campanhas de sensibilização, eventos intra- para o desenvolvimento de Cabo Verde; culturais. ● Importância da segurança social, educação 6.3. Cidadania e Naturalização formação e habitação como instrumentos indispensáveis para a integração social; 1 464000 002089 Um dos objectivos de uma política de imigração abrangente é evitar situações nas quais os migrantes ● Iniciativas empresariais nos países de são arbitrariamente ou acidentalmente privados da sua acolhimento e em Cabo Verde. nacionalidade, de forma a proteger os seus direitos e Quanto à imigração, o programa do Governo 2006- facilitar a sua identificação, bem como a disponibilização 2011 destaca: e prestação dos serviços e políticas governamentais. É também de interesse nacional oferecer aos migrantes a ● Imigração é um assunto interno de Cabo Verde, possibilidade de se transformarem em membros de ple- mas, ao mesmo tempo, o Governo reconhece nos direitos do Estado. A Constituição de Cabo Verde e a sua dimensão externa, particularmente no a Lei da Nacionalidade estabelecem condições de acesso que diz respeito à relação e cooperação com a à cidadania por parte dos estrangeiros. CEDEAO e os países de onde vêm a maioria dos trabalhadores imigrantes; Respostas políticas: ● Esforços permanentes devem ser realizados para 1. Avaliar e analisar a legislação nacional em matéria integrar os imigrantes na sociedade cabo-verdiana; de nacionalidade e harmonizá-la com a política de imi- gração nacional e os seus objectivos; ● Recomenda-se uma gestão rigorosa de fluxo da imigração devido à limitada “capacidade 2. Adoptar e aplicar normas claras e transparentes e de absorção”, vulnerabilidades sociais e procedimentos de forma equitativa para a aquisição da económicas e pequena dimensão do território. nacionalidade por naturalização; Nesta perspectiva, os objectivos, propósitos e pilares 3. Considerar a necessidade de estabelecer procedi- da Política Nacional de Imigração, como (1) gestão dos mentos e critérios para a naturalização dos imigrantes fluxos migratórios, (2) diálogo solidário e parcerias, (3) de longa duração; crescimento económico e integração social e (4) coerência 4. Considerar a possibilidade de vincular políticas de de políticas migratórias, estão em conformidade com os nacionalidade, incluindo a naturalização, com os progra- objectivos do Governo relativamente ao apoio aos seus mas de imigração e integração. cidadãos e comunidades no exterior e o programa gover- namental para a imigração. 7. COERÊNCIA DAS POLÍTICAS NACIONAIS DE O Governo é favorável à livre circulação e à mobilidade MIGRAÇÃO: A RELAÇÃO ENTRE AS POLÍTICAS dos imigrantes em situação regular como forma de trazer DE IMIGRAÇÃO E DE EMIGRAÇÃO para o país de origem conhecimentos e competências Cabo Verde, que é um país de emigração e que recen- necessários ao desenvolvimento. É verdade, porém, que temente tornou-se num país de imigração, enfrenta o as remessas e os conhecimentos acumulados num país desafio de conseguir assegurar esses dois aspectos da em desenvolvimento, como Cabo Verde, são muito mais migração de forma equilibrada. escassos do que os acumulados nos países desenvolvidos. https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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O Governo reconhece o as partes e praticados pelos cabo-verdianos papel fundamental das comunidades migradas no ex- nos respectivos países de acolhimento; terior, que a diáspora é um importante recurso para o ● Troca de informações, coordenação e encontros desenvolvimento do país através do investimento nos regulares entre os serviços que lidam com domínios da infra-estrutura, imobiliária e hotelaria, questões de imigração e emigração; desempenhando um papel significativo nos países de destino em representação dos interesses dos migrantes ● Integração da política e prática coerente nos ou facilitando contactos e relações com Cabo Verde, e mecanismos de acompanhamento e avaliação. transferindo conhecimentos, competências e tecnologia. 8. CONDIÇÕES E REQUISITOS PARA A IMPLE- É, portanto, política do Governo colaborar efectivamente MENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA com a Diáspora cabo-verdiana. 8.1. O papel do Governo central A coerência e as sinergias entre as políticas e as estra- tégias de emigração e imigração têm uma importância A elaboração e implementação da Política e Estratégia crucial na gestão de todos os aspectos relacionados com Nacionais de Imigração são da competência do Governo a gestão da migração, e devem ser traduzidas nas acções central. O Governo atribuiu essa responsabilidade especí- e no comportamento das instituições e dos funcionários. fica ao Ministra-Adjunta do Primeiro-Ministro (MAPM), Não se deve excluir a possibilidade de adoptar medidas, que preside à Comissão Inter-Ministerial para estudo e iniciativas ou acções concretas que possam ser consideradas proposição das bases da Política de Imigração (CIMI) contraditórias, tendo em conta os principais valores e criada em 2008. A CIMI foi mandatada para mobilizar as princípios enunciados no documento estratégico nacional. instituições e organizações da sociedade civil interessadas Portanto, as vulnerabilidades estruturais de Cabo Verde, ou envolvidas na gestão da imigração. Esta Comissão decorrentes das suas características, do seu nível de de- lançou algumas iniciativas e mobilizou parcerias a nível senvolvimento e das suas especificidades (insularidade, nacional e internacional, visando desenvolver a Política falta de recursos naturais, elevada taxa de desemprego Nacional de Imigração e estabelecer um quadro eficaz e e aparelho produtivo rudimentar), podem transformar coerente para a gestão da imigração. as soluções originais em medidas incoerentes. Nestas A implementação das políticas de imigração e as sub- 1 464000 002089 circunstâncias, o Governo deve empenhar-se, em tempo sequentes estratégias, incluindo a Estratégia Nacional útil, no diálogo, comunicação e negociação com os países de Imigração, requerem a necessidade de estabelecer um de origem e/ou a Comissão da CEDEAO para mostrar e novo mecanismo de coordenação integrado no Gabinete demonstrar as necessidades específicas impostas pela da MAPM – a Unidade de Coordenação da Imigração insularidade, pela pequena dimensão do território e pe- (UCI) – e o reforço das capacidades das instituições pú- las limitações económicas. Este ponto enfatiza o papel blicas com responsabilidades em matéria de imigração, fundamental do pilar “Diálogo, Solidariedade e Parceria” as quais não se encontram na posse das capacidades e ilustra a importância da interligação entre todos os técnicas necessárias e instalações para resolver de forma pilares da política nacional de imigração. adequada os problemas ligados à imigração. Com o objectivo de reforçar as políticas nacionais de A UCI substitui a CIMI e o seu papel principal é de ga- migração e sua coerência, o Governo deve ter em consi- rantir a coordenação entre todas as instituições e actores deração as seguintes medidas: relacionados com a migração e ajudá-los a implementar políticas, estratégias e planos de acção. ● Amplo desenvolvimento de uma visão global de Cabo Verde e compreensão da migração, com A fim de alcançar uma gestão consistente da imigração, a comparação sistemática de objectivos, e o Governo iniciará o processo conducente aos seguintes estratégias dos processos de emigração e de instrumentos ou decisões: imigração; ● Aprovação e acompanhamento da Política Nacional de Imigração e Estratégia, ● Análise comparativa e crítica das opções e procedimentos das políticas nacionais de ● Definição de um quadro eficiente e funcional de emigração e de imigração com o objectivo coordenação de todos os serviços nacionais de identificar as contradições e definir envolvidos e consulta de parceiros regionais estratégias para a adaptação e/ou diálogo e internacionais; com parceiros e países envolvidos; ● Implementação de iniciativas que construam ● Antecipação e mitigação dos riscos relacionados e reforcem as capacidades da gestão da a interpretações erróneas dos objectivos imigração nacional; da PNI ou de outras iniciativas, através de ● Elaboração, implementação, monitorização e uma comunicação activa e do diálogo com os avaliação de planos de acção (geral, sectorial parceiros envolvidos e demais interessados, a e local) a serem desenvolvidos depois da nível nacional, regional ou internacional; aprovação da estratégia nacional; ● Reforço do diálogo com as comunidades Cabo- ● Avaliação constante, revisão e actualização da Verdianas no estrangeiro e com a sociedade Política Nacional de Imigração e Estratégia. https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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A gestão da imigração penham um papel central na gestão da imigração são: irá reforçar o propósito da Reforma da Administração ● Primeiro-Ministro e Ministra-Adjunta do Pública, nomeadamente a meta referente à prestação de Primeiro-Ministro responsável pela um melhor serviço aos clientes e usuários. implementação e supervisão global da 8.3. O papel das autoridades locais e municípios política de imigração. A UCI trabalhará sob a responsabilidade da MAPM; Os municípios e os serviços descentralizados do Go- ● Ministério da Administração Interna através da verno desempenham um papel importante na gestão da Polícia Nacional/ Direcção de Estrangeiros e imigração, principalmente no campo da integração. Inú- Fronteiras (DEF), que controla as fronteiras e meros desafios administrativos e problemas enfrentados emite os vistos de permanência, prorrogação por imigrantes devem ser resolvidos localmente e com a de vistos, e autorização de residência; participação dos municípios e os serviços governamentais descentralizados. ● Ministério Juventude, Emprego e desenvolvimento dos Recursos Humanos, responsável, através Os municípios devem estar cientes das disposições da de vários serviços, pelo registo dos contratos política nacional de imigração e de estratégia e contribuir de trabalhos dos migrantes (Direcção Geral para a sua implementação. Tendo em conta o estatuto do trabalho) e pela supervisão das condições e as competências fixadas na lei, as responsabilidades e de trabalho (Inspecção Geral do Trabalho). tarefas das autoridades locais em matéria de imigração Outros serviços (Instituto do Emprego e devem ser definida de forma muito clara. É importante Formação Profissional – IEFP-, Direcção criar locais de trabalho ou grupos de coordenação com Geral do Emprego - DGE) têm um papel a participação dos principais atores locais. A UCI defi- importante na concepção e implementação nirá as suas modalidades de funcionamento, estrutura da política nacional de emprego e formação e liderança. profissional; 1 464000 002089 O sistema de comunicação e coordenação entre os ● Ministério das Relações Exteriores, responsável municípios, serviços descentralizados do Estado, e a UCI pelo diálogo e cooperação com a CEDEAO, são vital para o sucesso da implementação da política CPLP e organizações internacionais de imigração nacional e estratégia. Todos os municípios relevantes; A Direcção Geral dos Assuntos devem designar um ponto focal de imigração, que deve Consulares e Tratados, através das Missões ser treinado e familiarizado com os objectivos da política Diplomáticas, e Postos Consulares, emite nacional e estratégia, e que devem fazer parte do grupo vistos de entrada, faz a organização dos de trabalho local. pedidos de vistos de estrangeiros reformados, e a intervenção no caso de expulsões; 8.4. O papel do sector privado, ONGs e mundo académico ● Ministério da Defesa Nacional, responsável, Empregadores (nacionais e estrangeiros) devem estar através da Guarda Costeira, pela prevenção e cientes e respeitar a regulamentação nacional em matéria combate do tráfico e de seres humanos no mar de contratação, emprego e obrigações dos empregadores e na extensa zona costeira; (remunerações contratuais, segurança social, etc.), assim ● Ministério da Justiça, responsável pelas questões como recusar, de todo, evitar a situação ilegal e vulnerável de naturalização e nacionalidade; de trabalhadores migrantes, como forma de “regular e administrar” a relação laboral. ● O Instituto Nacional da Previdência Social aplica os direitos fundamentais dos trabalhadores Os desafios da imigração e integração vão além do migrantes, tais como a assistência médica, âmbito governamental e institucional. As ONGs serão pensões e outros abonos legais, como previsto convidadas a cooperar com o Governo para definir es- na lei nacional e em importantes convenções tratégias nacionais, realizar acções práticas e cumprir internacionais ratificadas pelo Governo de os objectivos da política. Cabo Verde. As ONG’s e o mundo académico (estudantes e investi- ● O Instituto Nacional de Estatísticas, responsável gadores) devem aportar críticas, abordagens inovadoras pela recolha de dados, análise e divulgação; e conhecimentos necessários para compreender melhor ● Ministério da Juventude, Emprego e os aspectos qualitativos e quantitativos da imigração e desenvolvimento dos Recursos Humanos, contribuir para a formulação de políticas mais sólidas e o Ministério da Educação e Desporto, práticas. Representantes de organizações da sociedade Ministério da Saúde, Ministério do Ambiente civil e universidades devem fazer parte do mecanismo de e Ordenamento do Território, estão seguimento e consulta sob a estrutura da UCI, bem como mandatados para tratar questões ligadas com do mecanismo de revisão e acompanhamento da Política a integração dos imigrantes. Nacional de Imigração e Estratégia. https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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    Documento descarregado peloutilizador Felismino Thomás (10.73.102.134) em 23-02-2012 10:46:05. Documento descarregado pelo utilizador Adilson (10.73.103.139) em 23-02-2012 12:09:54. © Todos os direitos reservados. A cópia ou distribuição não autorizada é proibida. 92 I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012 8.5. Vantagens e Riscos 8.8. Capacitação A implementação prática das medidas de política e as A falta de recursos humanos e financeiros, a falta de respostas formuladas na Política Nacional de imigração capacidade e a frágil coordenação constituem obstácu- deverão ser influenciadas por riscos inesperados e por los à efectiva implementação das políticas nacionais de vantagens de várias ordens. migração. É óbvio que todos os serviços estão a precisar de recursos humanos preparados e bem treinados, for- As principais vantagens são: a vontade política forte mação profissional permanente e contínua avaliação do para elaborar políticas de imigração e adoptar estraté- desempenho. Uma série de cursos de formação temática gias, o interesse das instituições nacionais para lidar foi identificada e deve ser organizada de forma a permitir com questões de migração e parcerias reforçadas com que os serviços reforcem as capacidades dos seus líderes, os Estados de origem, trânsito e destino, organizações profissionais e operadores/técnicos, responsáveis pelo regionais e internacionais, sociedade civil, sector privado, desenvolvimento, implementação, avaliação e revisão das parceiros sociais, etc. políticas nacionais de comunicação e estratégia. Os riscos referem-se à falta de pessoal qualificado, O Governo deve, portanto, desenvolver programas de gestão subdesenvolvida, incoerências relacionadas com capacitação em gestão das migrações a nível local e na- as responsabilidades e competências das instituições cional, reforçar as capacidades de todas as autoridades nacionais, interpretação errada das políticas, dados para melhor gerirem as migrações e os fluxos migratórios estatísticos insuficientes sobre o perfil da imigração dos mistos, elaborar e rever permanentemente sistemas es- imigrantes, escasso conhecimento sobre a situação real pecíficos de formação para cada categoria profissional da em matéria de imigração, quadro legal subdesenvolvido, equipa, desenvolver cursos e manuais de formação para frágil capacidade de análise de tendências, de tirar con- as diferentes instituições nacionais. clusões e de fazer os necessários ajustes para a estratégia 9. IMPLEMENTAÇÃO, ACOMPANHAMENTO, de imigração. REVISÃO E AVALIAÇÃO 8.6. Vontade política e liderança 9.1. Integração da Gestão da Imigração A implementação da estratégia vai exigir um forte No Documento de Estratégia de Crescimento Econó- compromisso político, vontade e liderança do governo mico e de Redução da Pobreza II (DECRP), a questão da 1 464000 002089 e das várias instituições para trabalhar em conjunto, migração interna e da mobilidade e da imigração insere- negociar com os diversos interessados, tomar decisões e se no pilar IV “Infra-estrutura económica”. A natureza mantê-las de forma consistente. Os principais membros transversal da imigração e a sua dimensão impõem uma do Governo e altos funcionários na gestão da imigração abordagem diferente, que permitirá a integração das devem liderar este processo, através de uma comunicação questões de migração através do fornecimento deste docu- constante com a sociedade civil e o diálogo político com mento nacional de desenvolvimento. É imperativo que as as autoridades regionais (CEDEAO, CPLP) e parceiros questões relacionadas com a migração sejam tratadas de internacionais. forma integrada no pilar “Coesão Social”, que é o coração da integração dos migrantes (educação e formação, acesso A vontade política é crucial para a mobilização de ao trabalho, relações e condições de trabalho, protecção recursos internos e internacionais para a gestão da imi- social e direitos fundamentais, segurança alimentar, gração. A verdadeira vontade política vai muito além de saúde, habitação, igualdade de géneros). É igualmente declarações, e será aferido por acções e resultados. óbvio que a situação social e económica dos migrantes 8.7. Assistência Técnica e Financeira dita a necessidade de alargar o âmbito e o foco do DECRP II em matéria de imigração. Apesar da vontade política e liderança que as auto- ridades de Cabo Verde podem apresentar, é óbvio que 9.2. Implementação, Coordenação e Acompanhamento o Governo não dispõe de todos os recursos humanos e A implementação da Estratégia Nacional de Imigração financeiros para implementar a política nacional de imi- vai requerer um elevado nível de coordenação, parcerias gração e a estratégia. A restrição orçamental é, portanto, internacionais e forte liderança. O papel do UCI é primor- a principal ameaça para a sua implementação. Deve-se dial porque a sua dimensão executiva, a abordagem de levar em consideração que o Governo está actualmente participação e o acompanhamento dos grupos executarão a proceder à reestruturação do quadro institucional medidas de políticas concretas em áreas seleccionadas. nacional, através da racionalização de estruturas com o O processo no seu total exigirá esforços coordenados, ali- objectivo de reter fundos. nhados e harmonizados, tanto das instituições nacionais, A criação de estruturas, como a UCI, e o fortalecimento como do sector privado e sociedade civil que integrará a das já existentes vão ser seriamente confrontados com gestão da imigração na sua rotina de trabalho e inter- a falta de recursos financeiros para formar as pessoas, venções a médio e longo prazo. adquirir os indispensáveis instrumentos técnicos e ferra- Assim sendo, o propósito estratégico do processo é fazer mentas. A assistência internacional e a contribuição da com que todos os actores políticos e sociais pensem e ajam ONU, UE, CEDEAO, parceiros bilaterais de Cabo verde em conformidade com os principais valores e objectivos e importantes organizações internacionais (ICMPD, da política nacional e estratégia, visando construir um OIT, OIM, etc.) devem ser solicitadas na perspectiva da entendimento comum e o engajamento numa parceria e aplicação da política nacional de imigração e estratégia. cooperação genuínas. https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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    Documento descarregado peloutilizador Felismino Thomás (10.73.102.134) em 23-02-2012 10:46:05. Documento descarregado pelo utilizador Adilson (10.73.103.139) em 23-02-2012 12:09:54. © Todos os direitos reservados. A cópia ou distribuição não autorizada é proibida. I SÉRIE — NO 3 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 23 DE JANEIRO DE 2012 93 A UCI tem o mandato de coordenar e assegurar a A avaliação tem que ser um processo participativo e coerência das intervenções políticas a todos os níveis e conjunto no qual estejam envolvidas todas as agências/ propor a nomeação de pontos focais em todo o quadro instituições e parceiros. Desta forma, a avaliação dos institucional a nível nacional. É de extrema importância resultados da concepção, implementação e desempenho que os termos de referência específicos sejam preparados da política irá permitir a melhoria ou realinhamento e entregues aos funcionários de todas as autoridades da política em si, bem como a qualidade e o sucesso de envolvidas na implementação das políticas nacionais futuras iniciativas políticas. de imigração e de estratégia, com o objectivo de separar 9.4. Planos de Acção claramente as tarefas, melhorar a coordenação e garantir um regular intercâmbio de informações. A Estratégia será materializada em Planos de Acções (nacional, local e institucional, etc.) que deverão incluir O processo de acompanhamento oferece um mecanismo actividades específicas e concretas a serem realizadas de reacção imediata que permite identificar e resolver ra- por todas as partes envolvidas na gestão da imigração. pidamente os problemas com o mínimo de esforço, custos e recursos, além de poder evitar que esses problemas se O Plano de Acção Nacional será elaborado e dirigido combinem. pela UCI com a participação de um vasto número de O acompanhamento da execução da estratégia deve ser intervenientes. A fim de melhor orientar as actividades feito a vários níveis com a participação de uma grande das diversas instituições nacionais e ajudá-los a atingir variedade de intervenientes com competências na gestão os seus objectivos, é necessária a elaboração de planos de da imigração e outras partes envolvidas, tais como: acção sectoriais que permitam a definição de um quadro preciso das actividades. O crescente papel das autorida- ● O Conselho de Ministros - direcção política dos des locais na gestão da imigração pode ditar a necessidade procedimentos e estratégias de migração; de conceber planos de acção específicos relacionados às ● Mecanismos institucionais permanentes para suas actividades. o acompanhamento, sob tutela da UCI, tais Anexo I como Conselho Nacional de Imigração (CNI), grupos de trabalho, Grupos Permanentes de Lista de Abreviaturas Acompanhamento (GPA) e outras entidades CPLP Comunidade dos Países de Língua Portuguesa 1 464000 002089 que venham a ser criadas sob a sua égide, numa fase posterior; CNDHC Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidadania ● Mecanismos institucionais ad-hoc que Governo e DEF Direcção de Estrangeiros e Fronteiras da Polícia Nacional a UCI possam criar para acompanhamento, avaliação e revisão da política; DGT Direcção Geral do Trabalho ● Assistência especializada, externa ou em regime ECOS Equipa de Coordenação Operacional de Segurança de outsourcing, fornecida no âmbito de várias CEDEAO Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental iniciativas, incluindo, no quadro da UE, a GC Guarda Costeira Parceria para a Mobilidade em Cabo Verde; ICMPD Centro Internacional Para o Desenvolvimento das Políticas ● Missão de avaliação conjunta, que poderá ser Migratórias realizada com o apoio das organizações IEFP Instituto do Emprego e Formação Profissional internacionais. IGT Inspecção Geral do Trabalho A implementação, acompanhamento e coordenação vai exigir a criação de um grupo de trabalho integrado por INE Instituto Nacional de Estatística várias autoridades e demais interessados. O trabalho INPS Instituto Nacional de Previdência Social desta estrutura será baseada num protocolo de coope- MAPM Ministra-Adjunta do Primeiro Ministro ração aceite por todos os participantes, que especifica os métodos e procedimentos de trabalho. MAHOT Ministério do Ambiente,Habitação e Ordenamento do Território 9.3. Revisão e Avaliação MDC Ministério das Comunidades A implementação da Estratégia Nacional de Imigração MED Ministério da Educação e Desporto deve ser avaliada com o objectivo de se analisar os pro- gressos realizados para se atingir os objectivos estraté- MJEDRH Ministério da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos gicos e operacionais. Tal pressuposto visa garantir que Recursos Humanos a política de imigração evolui de forma dinâmica e que é MTIE Ministério do Turismo, Industria e Energia capaz de se ajustar constantemente e melhorar os seus NOSI Núcleo Operacional da Sociedade de Informação objectivos e respostas políticas a circunstâncias surgidas. OIM Organização Internacional das Migrações O processo de avaliação tem de determinar o desempenho OIT Organização Internacional do Trabalho da política global, a coerência e a inter-dependência entre os diferentes aspectos da gestão das migrações, bem como ONG Organização não-governamental a contribuição e o desempenho de todos os seus elementos SNIAC Sistema nacional de identificação e autenticação civil individuais, vinculando as metas de gestão estratégica e operacional ao impacto da política. UE União Europeia https://kiosk.incv.cv 0D75815E-FB90-49A8-ADB6-54E974974F59
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