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CENTRO UNIVERSITÁRIO SAGRADO CORAÇÃO – UNISAGRADO
CASSIO KAZEDANI ZAKABI
PATOLOGIAS CAUSADAS PELA MÁ INSTALAÇÃO DE SISTEMAS
FOTOVOLTAICOS
BAURU
2023
CASSIO KAZEDANI ZAKABI
PATOLOGIAS CAUSADAS PELA MÁ INSTALAÇÃO DE SISTEMAS
FOTOVOLTAICOS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
como parte dos requisitos para obtenção do
título de bacharel em Engenharia Civil -
Centro Universitário Sagrado Coração.
Orientadora: Prof.a
Ma. Fabiana Costa
Munhoz
BAURU
2023
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD
Zakabi, Cassio Kazedani
Z11p
Patologias causadas pela má instalação de sistemas fotovoltaicos /
Cassio Kazedani Zakabi. -- 2023.
26f. : il.
Orientadora: Prof.a
M.a
Fabiana Costa Munhoz
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) -
Centro Universitário Sagrado Coração - UNISAGRADO - Bauru - SP
1. Instalação. 2. Construção. 3. Projeto. 4. Infiltração. 5. Energia
Solar. I. Munhoz, Fabiana Costa. II. Título.
Elaborado por Lidyane Silva Lima - CRB-8/9602
CASSIO KAZEDANI ZAKABI
PATOLOGIAS CAUSADAS PELA MÁ INSTALAÇÃO DE SISTEMAS
FOTOVOLTAICOS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
como parte dos requisitos para obtenção do
título de bacharel em Engenharia Civil -
Centro Universitário Sagrado Coração.
Aprovado em: ___/___/____.
Banca examinadora:
___________________________________________________
Prof.a
Ma. Fabiana Costa Munhoz (Orientadora)
Centro Universitário Sagrado Coração
___________________________________________________
Titulação, Nome
Instituição
___________________________________________________
Titulação, Nome
Instituição
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Histórico dos preços dos sistemas fotovoltaicos ...............................................13
Figura 2 – Inversor ..............................................................................................................14
Figura 3 – Módulos solares .................................................................................................14
Figura 4 – Estrutura de alumínio.........................................................................................15
Figura 5 – Acessórios de fixação (telha cerâmica)..............................................................16
Figura 6 – Acessórios de fixação (telha metálica)...............................................................17
Figura 7 – Acessórios de fixação (laje) ...............................................................................17
Figura 8 – Infiltração na laje................................................................................................18
Figura 9 – Colapso de telhado.............................................................................................19
Figura 10 – Mapa de isopletas.............................................................................................20
Figura 11 – Posicionamento correto de módulos solares ....................................................22
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1 – Patologias e possíveis causas ......................................................................20
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO........................................................................................................11
2 METODOLOGIA ....................................................................................................12
3 REVISÃO DE LITERATURA ...............................................................................12
3.1 ENERGIA SOLAR ....................................................................................................12
3.2 COMPONENTES DOS SISTEMAS FOTOVOLTAICOS.......................................13
3.2.1 Inversor .....................................................................................................................14
3.2.2 Módulo solar .............................................................................................................14
3.2.3 Estrutura em alumínio.............................................................................................15
3.2.4 Acessórios de fixação................................................................................................16
4 PATOLOGIAS CAUSADAS NA EDIFICAÇÃO .................................................17
4.1 INFILTRAÇÃO .........................................................................................................18
4.2 SOBRECARGA .........................................................................................................19
4.3 AÇÃO DOS VENTOS...............................................................................................20
4.4 ESTUDO DE CASO ..................................................................................................21
5 RECOMENDAÇÕES PARA EVITAR PATOLOGIAS ......................................22
5.1 INFILTRAÇÃO .........................................................................................................22
5.2 SOBRECARGA .........................................................................................................23
5.3 AÇÃO DOS VENTOS...............................................................................................23
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................24
REFERÊNCIAS .......................................................................................................24
10
PATOLOGIAS CAUSADAS PELA MÁ INSTALAÇÃO DE SISTEMAS
FOTOVOLTAICOS
Cassio Kazedani Zakabi1
1
Graduando em Engenharia Civil pelo Centro Universitário Sagrado Coração (UNISAGRADO)
cassiokz@hotmail.com
RESUMO
Houve um boom de instalações fotovoltaicas por conta do acesso ao crédito pelos
consumidores finais e pela facilidade de instaladores em geral poderem comercializarem e
instalarem o produto, instaladores esses que, salvo exceções, não possuem a formação
adequada nem o conhecimento técnico necessário para realizar a execução do serviço de
forma correta. A consequência da má realização de um serviço de instalação de energia solar
ocasiona diversas patologias em edificações (risco de colapso e prejuízos em geral) e
investigar as causas raízes desses problemas foi a motivação para este estudo, assim como
orientar os profissionais envolvidos sobre a responsabilidade para com a edificação. A
metodologia foi realizada por meio de revisão de literatura de autores recém-formados assim
como os mais tradicionais em suas áreas, especialmente em se tratando de patologias
construtivas com o endosso de instruções de fabricantes de materiais, e por fim um estudo de
caso de uma residência na qual apresentou sintomas estudados neste trabalho e foi possível
realizar uma análise in loco. Com o presente trabalho foi possível concluir que um conjunto
de fatores (má formação de profissionais, a não execução dos procedimentos adequados, o
mal planejamento e falhas de projeto) são os principais motivos dessas execuções errôneas.
Palavras-chave: Instalação. Construção. Projeto. Infiltração. Energia solar.
ABSTRACT
There has been a boom in photovoltaic installations in recent years due to access to credit and
the ease of installers in general being able to sell and install the product, installers who, with
exceptions, do not have the appropriate training or technical knowledge necessary to carry out
the execution. of the service correctly. The consequence of poor performance of a solar
energy installation service causes various pathologies in buildings (mrisk of collapse and
losses in general) and investigating the root causes of these problems was the motivation for
this study as well as guiding the professional responsible for the project of possible preventive
maintenance. The methodology was carried out through a literature review of recently
graduated authors as well as the most traditional in their areas, especially when it comes to
construction pathologies and was endorsed with an analysis of datasheets from material
manufacturers, and finally a case study of a case which presented the symptoms studied in
this work and it was possible to carry out on-site analysis.
With the present work it was possible to conclude that a set of factors (poor professional
training, failure to execute appropriate procedures, poor planning and project failures) are the
main reasons for these erroneous executions.
Keywords: Photovoltaic. Construction. Pathologies. Infiltration. Solar energy
11
1 INTRODUÇÃO
Ser autossuficiente na produção de energia elétrica é um desejo antigo e faz com que
as nações invistam em estudos e desenvolvimento de tecnologias relacionadas. Hoje em dia
esse conceito é cada vez mais facilmente encontrado nas residências unifamiliares e
edificações comerciais no Brasil. Houve nos últimos anos uma crescente demanda por
instalações de sistemas fotovoltaicos devido ao avanço tecnológico e à popularização da
comercialização deste sistema.
Conforme Cassalate (2020, p.6):
[...] O aumento constante das tarifas de energia elétrica, o rápido retorno financeiro
que o sistema fotovoltaico pode oferecer são fatores que atraem os consumidores em
relação a energia solar. Com essa demanda maior, as empresas de energia solar
afloraram no mercado. Porém, muitas empresas não estão devidamente qualificadas
para atuar no ramo.
Dentre os benefícios da utilização da energia solar pode-se citar a redução de custos
mensais com a conta de energia da concessionária, o apelo sustentável da energia limpa e
renovável e a possibilidade de gerar créditos de energia.
Matavelli (2013) afirma que a energia elétrica é obtida da conversão direta da luz por
meio do efeito fotovoltaico. Efeito esse que só pode ser obtido por meio de um sistema com
módulos fotovoltaicos, componentes que são instalados na parte superior da cobertura da
edificação, aliado a um inversor, que é responsável por converter a corrente contínua em
corrente alternada, estruturas de fixação dos módulos e acessórios complementares.
Trata-se de um sistema relativamente novo no Brasil, porém com evolução constante e
rápida de suas tecnologias. No entanto, a instalação em larga escala e com prazos enxutos
para atender a alta demanda trazem ineficiência na execução e causam prejuízos ao
desempenho da edificação ao longo do tempo.
Às ineficiências damos o nome de patologias na construção civil. Bolina, Tutikian e
Helene (2019, p.8) conceituam,
[...] patologia das construções é a ciência que procura, de forma sistêmica, estudar os
defeitos incidentes nos materiais construtivos, componentes e elementos ou na
edificação como um todo, buscando diagnosticar as origens e compreender os
mecanismos de deflagração e de evolução do processo patológico, além das suas
formas de manifestação.
Tem-se entre as principais patologias, que surgem ao longo dos anos nas edificações, a
diminuição da vida útil ou prejuízo ao desempenho da estrutura conforme seu
dimensionamento e execução original.
Segundo a NBR 15575 (ABNT, 2013), a avaliação de desempenho busca analisar a
adequação ao uso de um sistema ou de um processo construtivo destinado a atender a uma
função, independentemente da solução técnica adotada. Ou seja, é esperado que mesmo após
a instalação de um sistema mantenham-se as características como a estanqueidade,
conservação da cobertura e segurança em relação às cargas adicionadas.
Borges (2019) afirma que gerenciar envolve planejar, monitorar e controlar por etapas,
em vista disso é importante frisar a importância do capital humano nesta questão, desde o
treinamento dos instaladores, a fim de seguir um método de execução, até a gestão adequada
da equipe por parte do encarregado do projeto.
O objetivo deste artigo é analisar as patologias encontradas em coberturas de
edificações decorrentes da instalação incorreta de um sistema fotovoltaico.
12
A instalação de um sistema de energia solar é um processo composto por etapas
sequenciais que exigem metodologia e que devem obedecer às normas técnicas de execução.
Conforme Zuchetti (2015), durante tais processos podem ocorrer falhas ou descuidos dos mais
variados tipos, que acabam por gerar vícios e problemas. É nesse sentido que se faz necessário
uma maior difusão dos conhecimentos necessários entre os profissionais envolvidos em toda
cadeia executiva de um sistema, sejam eles engenheiros, arquitetos, fabricantes de materiais
etc.
Zuchetti (2015) ainda afirma que estes conhecimentos se desenvolvem basicamente a
partir do conhecimento teórico e prático do profissional e pela divulgação e difusão dos
métodos empregados no tratamento dos problemas apresentados através da coleta de
informações e dados relevantes. Dessa forma, o conteúdo abordado no presente trabalho visa
disseminar a discussão do tema e buscar tratativas para minimizar prejuízos em edificações.
2 METODOLOGIA
Neste trabalho foi utilizado a abordagem qualitativa que, por meio do estudo de caso e
revisão de literatura, possui o objetivo de ser uma pesquisa explicativa.
Segundo Gil (2007), pesquisa explicativa é o tipo de pesquisa que têm como
preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a
ocorrência dos fenômenos, ou seja, na presente pesquisa busca-se analisar possíveis causas de
problemas em edificações após a instalação de sistemas fotovoltaicos.
Conforme Gerhardt e Silveira (2009) descrevem que metodologia qualitativa possui a
seguinte distinção em relação à metodologia quantitativa:
[...] Os pesquisadores que utilizam os métodos qualitativos buscam explicar o
porquê das coisas, exprimindo o que convém ser feito, mas não quantificam os
valores e as trocas simbólicas nem se submetem à prova de fatos, pois os dados
analisados são não-métricos (suscitados e de interação) e se valem de diferentes
abordagens.
Segundo Fernandes (2019) a revisão de literatura representa a base para a coleta de
dados. Para tal, houve a revisão na literatura com foco em autores com teses e dissertações
específicas nas áreas de construção, engenharia, patologias e gestão de projetos. Desta forma,
após a coleta de dados foi realizado o cruzamento desses de acordo com a revisão de normas
atinentes e fichas técnicas de fabricantes em relação ao observado em instalações realizadas
em residências.
Gerhardt e Silveira (2009, p. 56) tratam a coleta de dados como:
A coleta de dados compreende o conjunto de operações por meio das quais o modelo
de análise é confrontado aos dados coletados. Ao longo dessa etapa, várias
informações são, portanto, coletadas. Elas serão sistematicamente analisadas na
etapa posterior.
3 REVISÃO DE LITERATURA
A fim de facilitar o entendimento e aprofundar o conhecimento sobre o tema foram
realizadas pesquisas bibliográficas conforme descrito a seguir.
3.1 ENERGIA SOLAR
A Lei 9.427 (BRASIL, 1996) institui a ANEEL (Agência Nacional de Energia
Elétrica), órgão federal que rege as determinações e diretrizes no que tange a energia solar
13
(dentre outras matrizes energéticas) no Brasil e tem por finalidade regular e fiscalizar a
produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade
com as políticas e diretrizes do governo federal.
Já a resolução normativa ANEEL nº 1.059 de fevereiro de 2023 conceitua o aparato
que permite a microgeração de energia:
Sistema de Compensação de Energia Elétrica - SCEE: sistema no qual a energia
elétrica ativa é injetada por unidade consumidora com microgeração ou minigeração
distribuída na rede da distribuidora local, cedida a título de empréstimo gratuito e
posteriormente utilizada para compensar o consumo de energia elétrica ativa ou
contabilizada como crédito de energia de unidades consumidoras participantes do
sistema.
O principal evento que fomentou a proliferação da energia solar no Brasil foi a
resolução ANEEL 482 de 2012, na qual foram criados incentivos com a compensação de
energia, o sistema net meetering. Nesse modelo, onde o consumidor também é produtor de
parte da energia, o usuário injeta na rede elétrica o saldo que não foi consumido por sua
residência, ou seja, é gerado créditos para os meses posteriores àquele mês em que foi
produzido o montante de energia pelo sistema fotovoltaico residencial.
Como pode ser observado na Figura 1, o custo por Watt instalado obteve uma
vertiginosa principalmente a partir de 2019. Isso se deve principalmente ao fato de ter a
China, um dos maiores players como fornecedores dos equipamentos, entrar no mercado
brasileiro com uma estratégia agressiva de custos baixos e os principais bancos do Brasil
fomentando o segmento com a disposição de crédito específico à geração de energia solar
própria para pessoas físicas e empresas.
Figura 1 – Histórico dos preços dos sistemas fotovoltaicos
Fonte: ABSOLAR (2023)
3.2 COMPONENTES DO SISTEMAS FOTOVOLTAICOS
Tem-se como elementos básicos do sistema fotovoltaico os seguintes componentes:
14
3.2.1 Inversor
Trata-se do dispositivo responsável por converter a corrente contínua em corrente
alternada (Figura 2) geralmente é instalado em regiões cobertas da residência e de fácil
acesso. Segundo Santos (2019, p. 19):
A produção da energia origina-se da movimentação de elétrons em um circuito
elétrico ali conectado, que produção de energia elétrica em corrente contínua (CC),
todavia, as residências e os sistemas que energia que utilizamos são de correntes
alternadas (CA), sendo assim nesses sistemas tem que ter em sua composição um
inversor para transformar as correntes em CA.
Figura 2 - Inversor
Fonte: Elaborado pelo autor
3.2.2 Módulos solares
São placas instaladas sobre o telhado (figura 3), normalmente instaladas orientadas
para o norte geográfico, e são responsáveis por captar a energia solar e convertê-la em energia
elétrica através do efeito fotovoltaico. São constituídas basicamente de alumínio, vidro e placa
de silício, cada peça possui o peso aproximado de 25 kgs.
Conforme, Matavelli (2013, p.17),
O efeito fotovoltaico ocorre em materiais ditos semicondutores, que são
caracterizados pela presença de bandas de energia onde elétrons são permitidos,
chamadas bandas de valência, e outras bandas que são vazias, chamadas bandas de
condução.
Figura 3 – Módulos solares
15
Fonte: Elaborado pelo autor
3.2.3 Estrutura em alumínio
Tem como finalidade suportar a carga dos módulos solares (Figura 4). Os módulos
solares e a estrutura de alumínio são de suma importância para este estudo, pois trata-se dos
elementos contribuintes para uma das patologias que pode levar ao maior dano material ao
imóvel, a carga de vento incidente nos módulos solares. São constituídas em alumínio devido
à leveza, à resistência e à propriedade de dissipação do calor (como estão em constante
exposição ao calor, as placas podem chegar a 20ºC a mais do que a temperatura ambiente).
Segundo Mendes,
“O alumínio é o elemento metálico mais abundante na crosta terrestre, sendo que o
Brasil constitui a segunda maior reserva de bauxita do mundo, além disso, o
alumínio atualmente é o metal não ferroso mais consumido do mundo, devido
principalmente as suas propriedades físico-químicas, que possibilitam uma
ampla variedade de utilização (MENDES, 2019, p. 18 apud BRITO; QUEIROGA;
MACEDO, 2010).
Figura 4 – Estrutura de alumínio
Fonte: Romagnole (© 2023)
16
3.2.4 Acessórios de fixação
Acessórios de fixação: Para cada tipo de cobertura é utilizado um fixador específico
(coberturas em telhas metálicas trapezoidais ou plissadas, coberturas em telhas de
fibrocimento, lajes impermeabilizadas, coberturas em telha cerâmica). Na Figura 5 é possível
observar um fixador específico para telha cerâmica, na Figura 6, um fixador específico para
telha metálica e na Figura 7 um fixador exclusivo para lajes. Devido ao fato de existirem
inúmeros tipos de materiais para coberturas e variações de formatos e dimensões, nem sempre
é instalado o acessório correto específico ao projeto do cliente, nesses casos geralmente
ocorre a adaptação realizada de forma intuitiva e sem planejamento.
Gnipper e Mikaldo JR (2007) salientam que:
Na fase de projeto dos sistemas prediais, os vícios podem ocorrer por falhas de
concepção sistêmica, erros de dimensionamento, ausência ou incorreções de
especificações de materiais e de serviços, insuficiência ou inexistência de detalhes
construtivos etc. (GNIPPER; MIKALDO JR, 2007, p. 03)
Figura 5 – Acessórios de fixação (telha cerâmica)
Fonte: Romagnole (© 2023)
Figura 6 – Acessórios de fixação (telha metálica)
17
Fonte: Romagnole (© 2023)
Figura 7 – Acessórios de fixação (laje)
Fonte: Intelbras (© 2023)
4 PATOLOGIAS CAUSADAS NA EDIFICAÇÃO
Pereira (2009) conceitua que patologias das construções é a área da engenharia civil
que analisa o desempenho insatisfatório de elementos que compõem uma edificação,
desempenho este, atualmente regido por normas técnicas.
Pereira (2009, p. 5) ainda afirma que:
[...] é possível observar não apenas a importância da origem, como também o
tratamento que será necessário aplicar como solução. Dentro da engenharia é
18
importante destacar a importância do engenheiro na identificação da patologia, uma
vez que o conhecimento do profissional pode evitar que tais problemas ocorram, e,
depois de identificados, quais atitudes necessárias para saná-lo.
Taguchi (2010) discorre que:
As fissuras podem pronunciar-se de diferentes formas. Sendo ortogonais à direção
dos esforços de tração atuantes, manifestam-se sintomas sob forma de fissuras de
direção predominantemente vertical, horizontal ou inclinada conforme a causa da
patologia (TAGUCHI, 2010, p. 31).
Cremonini (1988, p. 33) conceitua que os agentes causadores das patologias podem ser
em decorrência de 3 motivos citados a seguir:
1. Uso: inadequado da estrutura projetada;
2. Construtiva: por falta de mão de obra qualificada;
3. Congênitas quando há erros na fase de planejamento e projeto.
4.1 INFILTRAÇÃO
Conforme Zuchetti (2015, p. 29):
Os problemas relacionados com a umidade nas edificações, sempre trazem um
grande desconforto e degradam a construção rapidamente, sendo as soluções
destes problemas extremamente onerosas. O aparecimento frequente de problemas
ocasionados por umidade é decorrência das características construtivas adotadas
assim como os novos materiais e sistemas construtivos empregados que muitas
vezes não são executados corretamente, e a falta de manutenção e limpeza em
locais onde há possibilidade de acúmulo de água da chuva e umidade.
Na Figura 8 é possível observar manchas oriundas da umidade na laje forro causada
pela penetração de água pela cobertura, consequência da má vedação de alguns parafusos de
fixação da estrutura.
Zuchetti (2015) ainda afirma que a presença de umidade na alvenaria pode ocasionar
manchas, bolor, fungos, algas, eflorescências, descolamento, desagregação e mudança de
coloração devido à absorção capilar superficial da água por condensação.
Figura 8: Infiltração na laje
19
Fonte: Elaborado pelo autor
4.2 SOBRECARGA
Piancastelli (2005) afirma que o uso inadequado das estruturas ocorre em função do
acréscimo da carga desviando assim a finalidade original para qual a estrutura em questão foi
projetada aumentando assim a solicitação da estrutura.
Há casos na qual a estrutura que suporta as telhas é de madeiras e nem sempre estão
em boas condições de manutenção podendo apresentar infestações de cupins, partes em
deterioração. O mesmo ocorre em estruturas de aço onde podem apresentar pontos de
corrosão, pontos de solda com seção inferior ao necessário ou apoios dos caibros fora do eixo
dos montantes, todos esses fatores contribuindo para a redução da rigidez estrutural. Na
Figura 9 é possível observar o colapso de uma cobertura devido ao excesso de carga sobre a
estrutura de madeira a qual não houve uma avaliação prévia para verificar as condições do
material e que não foi dimensionada adequadamente para receber o sistema.
Figura 9: Colapso de telhado
20
Fonte: Canal Solar (© 2022)
4.3 AÇÃO DOS VENTOS
Trata-se de um fator muitas vezes ignorados em dimensionamentos de sistema e em
dimensionamentos de estruturas de coberturas. A NBR 6123 orienta o dimensionamento para
um determinado pico de velocidade de vento registrado nos últimos 50 anos, ou seja, mesmo
com a experiência do profissional responsável pelo projeto pode ocorrer que ele não tenha
vivenciado esta mensuração máxima realizada, o que pode levar a um subdimensionamento
da estrutura.
Segundo a NBR 6123 (ABNT, 2013),
A velocidade básica do vento, é a velocidade de uma rajada de 3s, excedida em
média uma vez em 50 anos, a 10 m acima do terreno, em campo aberto e plano.
Como regra geral, é admitido que o vento básico pode soprar de qualquer direção
horizontal.
Portanto ao dimensionar um sistema alguns fatores interferem na segurança como a
velocidade máxima do vento já registrada na localidade, para tal é necessário utilizar o mapa
de isopletas (conforme Figura 10) que indica o dado com base histórica para que o projetista
possa calcular a estrutura com uma margem de segurança adequada à região, pode-se tomar
como exemplo o estado de São Paulo que, em algumas regiões, chega a ter ventos de 45 m/s e
que pode facilmente desprender os módulos com sua carga de vento. Outro fator de extrema
importância no projeto é considerar o transpasse dos módulos para fora da cobertura, que é
uma região onde concentra a carga de vento (mais bem explicado na Figura 11), e a
quantidade de módulos fixados em um mesmo ponto na estrutura.
Figura 10: Mapa de isopletas
21
Fonte: ABNT (2013)
4.4 ESTUDO DE CASO
Foi realizado um estudo de caso em uma residência localizada na cidade de Bauru no
qual se encontravam instaladores e engenheiros a fim de se averiguar uma instalação já
finalizada (O sistema consistia em 10 placas solares instaladas sobre um telhado cerâmico
com sistemas de fixação em alumínio extrusado) a qual apresentou infiltração na cobertura
após um período de chuvas intensas. Após as análises foi constatado que a causa raiz da
patologia foi a má execução na instalação do sistema.
O sintoma apresentado foi manchas de umidade decorrentes da presença de bolor na
laje de um dos cômodos da residência e o motivo da infiltração encontrado foi o mal encaixe
da telha cerâmica após a instalação dos fixadores nos caibros da cobertura, como a placa solar
se encontra instalada com menos de 10 cm acima da telha a percepção do problema se deu
apenas com a vinda das chuvas e a consequente infiltração de água na laje.
A tratativa adotada para a situação foi a simples realocação da telha para encaixá-la
adequadamente, porém para tal foi necessário mobilizar um funcionário da empresa para subir
no telhado, desativar o sistema, remover a placa e encaixá-la corretamente.
O Quadro 1 foi elaborado conforme uma breve entrevista não-estruturada entre
instaladores e engenheiros de uma determinada empresa na qual foi perguntado os locais das
patologias e as causas mais habituais identificadas conforme a seguir:
22
Quadro 1: Patologias e possíveis causas
Patologia Localização Possíveis causas
Infiltração Laje
Telha mal encaixada, erro na
aplicação de PU, (poeira na
superfície, ressecamento, orifícios),
telhas quebradas durante instalação
Sobrecarga Estrutura da cobertura
Sobreposição de placas ou pessoas
durante instalação, oxidação na
estrutura metálica da cobertura,
decomposição da estrutura de
madeira
Ação dos ventos Telhas / placas / Estrutura
Parafuso mal apertado,
subdimensionamento da estrutura
Quadro 1: Elaborado pelo autor
Em relação às infiltrações foi comentado que geralmente ocorre devido à perfuração
na cobertura para instalação do elemento fixador da estrutura de alumínio, sendo na maioria
dos casos observados telhas de fibrocimento e cerâmicas, que por vezes tendem a fissurarem
devido aos seguintes motivos: movimentação de instaladores concentrado a carga
pontualmente, utilização de ferramentas inadequadas, utilização de brocas desgastadas, queda
de ferramentas e sobrecarga de materiais.
Dentre outros problemas citados durante a entrevista foram citados a perda de
eficiência das placas solares devido ao rompimento de circuitos internos que ocorrem quando
instaladores pisam sobre a superfície delas, sendo altamente não indicado adicionar nenhuma
carga sobre elas.
5 RECOMENDAÇÕES PARA EVITAR PATOLOGIAS
5.1 INFILTRAÇÃO
Na etapa da instalação dos acessórios de fixação é onde existe o maior potencial de
ocorrerem graves patologias de infiltração de água na edificação. Isso devido à alguns fatores
que podem ocorrem de forma isolada ou concomitantemente: No caso de coberturas de telhas
cerâmicas podem ocorrer quebras de algumas partes, quando necessário removê-las ou
durante a movimentação dos instaladores sobre o telhado; Impermeabilização insuficiente ou
incorreta (aplicação de PU – Poliuretano de alta viscosidade ou manta asfáltica) após
realização das furações das telhas para instalação das hastes; O mal encaixe das telhas após a
execução do serviço ou até mesmo ausentar algumas partes do telhado por esquecimento.
A fim de se otimizar a adesão do selante à telha é necessário realizar a limpeza da
superfície e do elemento estrutural com um pano umedecido sem nenhum aditivo químico,
que pode ocasionar a quebra das ligações estruturais do selante, após a limpeza realizada é
recomendável a aplicação de um primer (promotor de aderência) antes da aplicação do
selante.
Segundo o fabricante Sika (2021), o primer forma uma película intermediária entre o
selante e o substrato, promovendo a adesão química. Já o selante flexível de poliuretano
híbrido trata-se de um monocomponente a base de poliuretano que cura com umidade do ar,
recomendado para vedação e colagem de diversos materiais.
Conforme Fibersals (2021), materiais sofrem processos de dilatação e contração
devido ao aumento e diminuição de temperatura, respectivamente. Por conta dessa
propriedade física o poliuretano torna-se um excelente material para resistir as
23
movimentações ocorridas entre uma haste de fixação com uma telha de fibrocimento por
exemplo, isso ocorre devido à sua boa trabalhabilidade.
Além da questão da cobertura em si, há de se notar que a geração de resíduos durante a
instalação do sistema, pvc dos cabos descascados, embalagens plásticas dos equipamentos,
embalagens de alimentos consumidos, pedaços de fita isolante, pedaços de cinta plástica,
panos, layers da manta asfáltica etc., caso não recolhidos após a instalação podem causar o
entupimento dos dutos de escoamento das calhas e causar inundação da cobertura.
5.2 SOBRECARGA
Na maioria das instalações não é consultado um engenheiro civil para uma vistoria
prévia, dessa forma o sistema é instalado muitas vezes sem o reforço estrutural adequado. No
que diz respeito à mão de obra especializada, nem sem sempre os profissionais receberam o
treinamento adequado em relação aos cuidados com a edificação existente e para com o
manuseio do material sobre a cobertura. Dentre os erros graves, pode-se citar a situação na
qual instaladores acabam concentrando as cargas provenientes dos módulos fotovoltaicos
somados as cargas dos próprios instaladores e equipamentos em uma pequena área
concentrando os esforços na estrutura.
De acordo com Zuchetti (2022, p. 18 apud Thomaz, 1989, p. 45) a ocorrência de
fissuras por dimensionamento inadequado e sobrecarga das estruturas, quando não há
conhecimento técnico ou especificações em manuais de uso e manutenção de que variações
bruscas no carregamento do elemento estrutural, podem vir a causar manifestações
patológicas nas peças (DO CARMO, 2003).
A realização de um planejamento de armazenamento de cargas sobre o telhado, a
vistoria prévia da estrutura e a instrução para com os instaladores sobre normas de segurança
e pontos mais vulneráveis e que devem ser evitados pisar ou instalar placas se fazem
necessários para garantir que o desempenho da cobertura da edificação não seja prejudicado.
5.3 AÇÃO DOS VENTOS
No telhado, as partes que mais sofrem a carga de vento são as extremidades das placas
solares, por este motivo recomenda-se que a placa seja instalada com no mínimo 30 cm
abaixo da linha de projeção diagonal do telhado conforme demonstra a Figura 11 abaixo.
Figura 11: Posicionamento correto de módulos solares
24
Fonte: Elaborado pelo autor
Manter a paginação adequada dos módulos (dentro da área do telhado com menor
carga de vento), garantir o espaçamento máximo entre fixadores recomendado por cada
fabricante e realizar a inspeção do torque dos parafusos anualmente são as recomendações
para evitar desplacamentos causados pelo vento.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo teve como objetivo analisar as principais patologias que ocorrem em
coberturas de edifícios que são causadas posteriormente às instalações com ausência de
projetos ou falhas de execução de sistemas fotovoltaicos.
Foi analisado a literatura com vistas ao diagnóstico de patologias em edifícios, assim
como em datasheets de fabricantes dos componentes e por fim foi realizado o estudo de caso
com o intuito de observar in loco os sintomas na edificação.
Foi possível observar através deste trabalho que o principal motivo que leva a uma
edificação mostrar indícios de alguma patologia é a ausência de um profissional com sólidos
conhecimentos técnicos e apto a resolver situações não previstas em projeto, e que costumam
aparecem apenas durante a instalação. É nítido as inúmeras referências na literatura citando a
mesma questão podendo assim afirmar que se trata de uma questão cultural e que ocorre em
diversas regiões do Brasil.
No que tange às tratativas para resolução dos problemas pode-se afirmar que no
tocante às etapas necessárias para a execução de um sistema, a principal é a fase de
projeto/planejamento do sistema, sendo que nesta etapa está incluído a visita técnica in loco
com a finalidade de observar as condições que a edificação apresenta, necessidade de
equipamentos ou ferramentas específicas, realização de obras preliminares, necessidade de
escoramentos ou de planos de ringging, assim como notar a presença de patologias pré-
existentes. Quando a patologia ocorre após a execução e entrega do serviço, além de ter uma
manutenção corretiva mais dispendiosa para eliminar ou reduzir os danos causados pode
causar levar a outras patologias caso não seja realizada a tratativa em tempo hábil.
Como sugestão para trabalhos futuros pode-se citar o estudo sobre a perda da
eficiência do sistema fotovoltaico devido à poeira carregada pelo ar e que se instala na
superfície, nesse estudo poderia ser analisado técnicas para limpeza regular ou
dispositivos/materiais que amenizem esse problema.
REFERÊNCIAS
ANEEL. Resolução Normativa ANEEL nº 1.059 de fevereiro de 2023. Aprimora as regras
para a conexão e o faturamento de centrais de microgeração e minigeração distribuída em
sistemas de distribuição de energia elétrica. Disponível em:
https://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren20231059.html. Acesso em: 07 abr. 2023
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15575: Edificações
habitacionais — Desempenho Parte 1: Requisitos gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6123: Forças
devido ao vento em edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.
BADRA, M. Canal Solar, 2022. Disponível em: https://canalsolar.com.br/teto-de-
churrascaria-desaba-cuidados-na-hora-de-instalar-paineis-solares/. Acesso em: 20 out. 2023
25
BNDES. A Energia Solar no Brasil. 2018. Disponível em:
https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/conhecimento/noticias/noticia/energia-solar.
Acesso em: 07 abr. 2023
BOLINA, F. L.; TUTIKIAN, B. F.; HELENE, P. Patologia de estruturas. 1ª edição. São
Paulo: Oficina de Textos, 2019.
BORGES, F. V. Recomendações para a gestão de empreendimentos de infraestrutura.
2019. Tese (Mestrado em ciências) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. Disponível
em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3146/tde-07052019-
091445/publico/FernandaVarellaBorgesCorr19.pdf. Acesso em: 01 abr. 2023
BRASIL. Lei 9.427, de 26 de dezembro de 1996. Institui a Agência Nacional de Energia
Elétrica - ANEEL. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9427compilada.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA
%209.427%2C%20DE%2026%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996.&text=Institui%20a
%20Ag%C3%AAncia%20Nacional%20de,el%C3%A9trica%20e%20d%C3%A1%20outras%
20provid%C3%AAncias. Acesso em: 07 abr. 2023
CASSALATE, B. S. A Relevância do planejamento de projetos em instalações
fotovoltaicas. 2020. Artigo (MBA em gestão de projetos) - UNILINS, Lins, 2020.
DO CARMO, P. O. Patologia das construções. Santa Maria, Programa de atualização
profissional – CREA – RS, 2003. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/75242.
Acesso em 10 jun. 2023
ESTRUTURA DE FIXAÇÃO PARA SISTEMA FOTOVOLTAICO. Intelbras, 2023.
Disponível em: https://www.intelbras.com/pt-br/estrutura-de-fixacao-para-sistema-
fotovoltaico-estrutura-para-laje. Acesso em: 20 out. 2023
ESTRUTURA FOTOVOLTAICA. Grupo Romagnole, 2017. Disponível em:
https://www.romagnole.com.br/produtos/estrutura-fotovoltaica. Acesso em: 03 set. 2023
FERNANDES, D. B. P. Impactos da norma brasileira de desempenho NBR 15575 sobre
projetos e especificação de revestimentos para o envelope construtivo. 2019. Dissertação
(Mestrado em Arquitetura, Urbanismo e Tecnologia) – Universidade de São Paulo, São
Carlos, 2019. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/102/102131/tde-
30102020-171350/publico/Dissertacaoversaocorrigidadanibanqueri_vf.pdf
Fibersals Blog. Impermeabilização com poliuretano. 2020. Disponível em:
https://fibersals.com.br/blog/impermeabilizacao-com-
poliuretano/#:~:text=O%20poliuretano%20%C3%A9%20um%20dos,substrato%20dos%20at
aques%20da%20umidade. Acesso em 03 set. 2023
GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. Métodos de pesquisa. 1ºa edição. Porto Alegre:
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26
GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 2007. Disponível em:
https://ayanrafael.files.wordpress.com/2011/08/gil-a-c-mc3a9todos-e-tc3a9cnicas-de-
pesquisa-social.pdf. Acesso em: 07 abr. 2023
GNIPPER, S. F.; MIKALDO JR. J. Patologias frequentes em sistemas prediais
hidráulicosanitários e de gás combustível decorrentes de falhas no processo de produção
do projeto. Curitiba, 2007. Disponível em:
http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=27&Cod=319. Acesso em: 08 ago.
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https://sistemas.eel.usp.br/bibliotecas/monografias/2013/MEQ13015.pdf. Acesso em: 17 mar.
2023
PEREIRA, L. P. Identificação de patologias e metodologia de análise: Estudos de casos em
projetos de financiamento do programa Minha Casa Minha Vida. Disponível em:
http://repositorio.unis.edu.br/bitstream/prefix/1264/1/Let%C3%ADcia%20Paiva%20Pereira.p
df. Acesso em 21 mai. 2023
PIANCASTELLI, E. M. Patologia e Terapia das Estruturas: Origem das Enfermidades.
2005. Disponível em: https://www.yumpu.com/pt/document/read/49165665/origem-das-
enfermidades-demc-ufmg. Acesso em 23 mai. 2023
SANTOS, E. D. Análise de problemas relacionados a construção civil decorrentes das
instalações fotovoltaicas. 2019. TCC (Graduação em engenharia civil). Disponível em:
https://repositorio.animaeducacao.com.br/handle/ANIMA/4660. Acesso em 21 mai. 2023
SIKA. Ficha técnica de produto. 2021. Disponível em:
https://bra.sika.com/pt/construcao/selagem-e-vedacao-de-juntas/vedacao-de-telhas-calhas-
rufos/sikaflex-101-selaplus.html. Acesso em: 07 out. 2023
THOMAZ, E. Trincas em edifício: Causas, prevenção e recuperação. 1ª ed. São Paulo, Pini,
1989. Disponível em: https://www.scribd.com/document/349701252/Trincas-e-Edificios-
Causas-prevencao-e-Recuperacao-Eng-Ercio-Thomaz-pdf. Acesso em: 25 mai. 2023
ZUCHETTI, P. A. B. Patologias da construção civil: Investigação patológica em edifício co
rporativo de administração pública no vale do taquari. 2015. Monografia (Graduação em Enge
nharia Civil 2015). Disponível em: https://www.univates.br/bdu/bitstream/10737/939/1/2015P
edroAugustoBastianiZuchetti.pdf. Acesso em: 23 mar. 2023

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  • 1. CENTRO UNIVERSITÁRIO SAGRADO CORAÇÃO – UNISAGRADO CASSIO KAZEDANI ZAKABI PATOLOGIAS CAUSADAS PELA MÁ INSTALAÇÃO DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS BAURU 2023
  • 2. CASSIO KAZEDANI ZAKABI PATOLOGIAS CAUSADAS PELA MÁ INSTALAÇÃO DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como parte dos requisitos para obtenção do título de bacharel em Engenharia Civil - Centro Universitário Sagrado Coração. Orientadora: Prof.a Ma. Fabiana Costa Munhoz BAURU 2023
  • 3. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD Zakabi, Cassio Kazedani Z11p Patologias causadas pela má instalação de sistemas fotovoltaicos / Cassio Kazedani Zakabi. -- 2023. 26f. : il. Orientadora: Prof.a M.a Fabiana Costa Munhoz Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) - Centro Universitário Sagrado Coração - UNISAGRADO - Bauru - SP 1. Instalação. 2. Construção. 3. Projeto. 4. Infiltração. 5. Energia Solar. I. Munhoz, Fabiana Costa. II. Título. Elaborado por Lidyane Silva Lima - CRB-8/9602
  • 4. CASSIO KAZEDANI ZAKABI PATOLOGIAS CAUSADAS PELA MÁ INSTALAÇÃO DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como parte dos requisitos para obtenção do título de bacharel em Engenharia Civil - Centro Universitário Sagrado Coração. Aprovado em: ___/___/____. Banca examinadora: ___________________________________________________ Prof.a Ma. Fabiana Costa Munhoz (Orientadora) Centro Universitário Sagrado Coração ___________________________________________________ Titulação, Nome Instituição ___________________________________________________ Titulação, Nome Instituição
  • 5. LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Histórico dos preços dos sistemas fotovoltaicos ...............................................13 Figura 2 – Inversor ..............................................................................................................14 Figura 3 – Módulos solares .................................................................................................14 Figura 4 – Estrutura de alumínio.........................................................................................15 Figura 5 – Acessórios de fixação (telha cerâmica)..............................................................16 Figura 6 – Acessórios de fixação (telha metálica)...............................................................17 Figura 7 – Acessórios de fixação (laje) ...............................................................................17 Figura 8 – Infiltração na laje................................................................................................18 Figura 9 – Colapso de telhado.............................................................................................19 Figura 10 – Mapa de isopletas.............................................................................................20 Figura 11 – Posicionamento correto de módulos solares ....................................................22
  • 6. LISTA DE QUADROS QUADRO 1 – Patologias e possíveis causas ......................................................................20
  • 7. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................................11 2 METODOLOGIA ....................................................................................................12 3 REVISÃO DE LITERATURA ...............................................................................12 3.1 ENERGIA SOLAR ....................................................................................................12 3.2 COMPONENTES DOS SISTEMAS FOTOVOLTAICOS.......................................13 3.2.1 Inversor .....................................................................................................................14 3.2.2 Módulo solar .............................................................................................................14 3.2.3 Estrutura em alumínio.............................................................................................15 3.2.4 Acessórios de fixação................................................................................................16 4 PATOLOGIAS CAUSADAS NA EDIFICAÇÃO .................................................17 4.1 INFILTRAÇÃO .........................................................................................................18 4.2 SOBRECARGA .........................................................................................................19 4.3 AÇÃO DOS VENTOS...............................................................................................20 4.4 ESTUDO DE CASO ..................................................................................................21 5 RECOMENDAÇÕES PARA EVITAR PATOLOGIAS ......................................22 5.1 INFILTRAÇÃO .........................................................................................................22 5.2 SOBRECARGA .........................................................................................................23 5.3 AÇÃO DOS VENTOS...............................................................................................23 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................24 REFERÊNCIAS .......................................................................................................24
  • 8. 10 PATOLOGIAS CAUSADAS PELA MÁ INSTALAÇÃO DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS Cassio Kazedani Zakabi1 1 Graduando em Engenharia Civil pelo Centro Universitário Sagrado Coração (UNISAGRADO) cassiokz@hotmail.com RESUMO Houve um boom de instalações fotovoltaicas por conta do acesso ao crédito pelos consumidores finais e pela facilidade de instaladores em geral poderem comercializarem e instalarem o produto, instaladores esses que, salvo exceções, não possuem a formação adequada nem o conhecimento técnico necessário para realizar a execução do serviço de forma correta. A consequência da má realização de um serviço de instalação de energia solar ocasiona diversas patologias em edificações (risco de colapso e prejuízos em geral) e investigar as causas raízes desses problemas foi a motivação para este estudo, assim como orientar os profissionais envolvidos sobre a responsabilidade para com a edificação. A metodologia foi realizada por meio de revisão de literatura de autores recém-formados assim como os mais tradicionais em suas áreas, especialmente em se tratando de patologias construtivas com o endosso de instruções de fabricantes de materiais, e por fim um estudo de caso de uma residência na qual apresentou sintomas estudados neste trabalho e foi possível realizar uma análise in loco. Com o presente trabalho foi possível concluir que um conjunto de fatores (má formação de profissionais, a não execução dos procedimentos adequados, o mal planejamento e falhas de projeto) são os principais motivos dessas execuções errôneas. Palavras-chave: Instalação. Construção. Projeto. Infiltração. Energia solar. ABSTRACT There has been a boom in photovoltaic installations in recent years due to access to credit and the ease of installers in general being able to sell and install the product, installers who, with exceptions, do not have the appropriate training or technical knowledge necessary to carry out the execution. of the service correctly. The consequence of poor performance of a solar energy installation service causes various pathologies in buildings (mrisk of collapse and losses in general) and investigating the root causes of these problems was the motivation for this study as well as guiding the professional responsible for the project of possible preventive maintenance. The methodology was carried out through a literature review of recently graduated authors as well as the most traditional in their areas, especially when it comes to construction pathologies and was endorsed with an analysis of datasheets from material manufacturers, and finally a case study of a case which presented the symptoms studied in this work and it was possible to carry out on-site analysis. With the present work it was possible to conclude that a set of factors (poor professional training, failure to execute appropriate procedures, poor planning and project failures) are the main reasons for these erroneous executions. Keywords: Photovoltaic. Construction. Pathologies. Infiltration. Solar energy
  • 9. 11 1 INTRODUÇÃO Ser autossuficiente na produção de energia elétrica é um desejo antigo e faz com que as nações invistam em estudos e desenvolvimento de tecnologias relacionadas. Hoje em dia esse conceito é cada vez mais facilmente encontrado nas residências unifamiliares e edificações comerciais no Brasil. Houve nos últimos anos uma crescente demanda por instalações de sistemas fotovoltaicos devido ao avanço tecnológico e à popularização da comercialização deste sistema. Conforme Cassalate (2020, p.6): [...] O aumento constante das tarifas de energia elétrica, o rápido retorno financeiro que o sistema fotovoltaico pode oferecer são fatores que atraem os consumidores em relação a energia solar. Com essa demanda maior, as empresas de energia solar afloraram no mercado. Porém, muitas empresas não estão devidamente qualificadas para atuar no ramo. Dentre os benefícios da utilização da energia solar pode-se citar a redução de custos mensais com a conta de energia da concessionária, o apelo sustentável da energia limpa e renovável e a possibilidade de gerar créditos de energia. Matavelli (2013) afirma que a energia elétrica é obtida da conversão direta da luz por meio do efeito fotovoltaico. Efeito esse que só pode ser obtido por meio de um sistema com módulos fotovoltaicos, componentes que são instalados na parte superior da cobertura da edificação, aliado a um inversor, que é responsável por converter a corrente contínua em corrente alternada, estruturas de fixação dos módulos e acessórios complementares. Trata-se de um sistema relativamente novo no Brasil, porém com evolução constante e rápida de suas tecnologias. No entanto, a instalação em larga escala e com prazos enxutos para atender a alta demanda trazem ineficiência na execução e causam prejuízos ao desempenho da edificação ao longo do tempo. Às ineficiências damos o nome de patologias na construção civil. Bolina, Tutikian e Helene (2019, p.8) conceituam, [...] patologia das construções é a ciência que procura, de forma sistêmica, estudar os defeitos incidentes nos materiais construtivos, componentes e elementos ou na edificação como um todo, buscando diagnosticar as origens e compreender os mecanismos de deflagração e de evolução do processo patológico, além das suas formas de manifestação. Tem-se entre as principais patologias, que surgem ao longo dos anos nas edificações, a diminuição da vida útil ou prejuízo ao desempenho da estrutura conforme seu dimensionamento e execução original. Segundo a NBR 15575 (ABNT, 2013), a avaliação de desempenho busca analisar a adequação ao uso de um sistema ou de um processo construtivo destinado a atender a uma função, independentemente da solução técnica adotada. Ou seja, é esperado que mesmo após a instalação de um sistema mantenham-se as características como a estanqueidade, conservação da cobertura e segurança em relação às cargas adicionadas. Borges (2019) afirma que gerenciar envolve planejar, monitorar e controlar por etapas, em vista disso é importante frisar a importância do capital humano nesta questão, desde o treinamento dos instaladores, a fim de seguir um método de execução, até a gestão adequada da equipe por parte do encarregado do projeto. O objetivo deste artigo é analisar as patologias encontradas em coberturas de edificações decorrentes da instalação incorreta de um sistema fotovoltaico.
  • 10. 12 A instalação de um sistema de energia solar é um processo composto por etapas sequenciais que exigem metodologia e que devem obedecer às normas técnicas de execução. Conforme Zuchetti (2015), durante tais processos podem ocorrer falhas ou descuidos dos mais variados tipos, que acabam por gerar vícios e problemas. É nesse sentido que se faz necessário uma maior difusão dos conhecimentos necessários entre os profissionais envolvidos em toda cadeia executiva de um sistema, sejam eles engenheiros, arquitetos, fabricantes de materiais etc. Zuchetti (2015) ainda afirma que estes conhecimentos se desenvolvem basicamente a partir do conhecimento teórico e prático do profissional e pela divulgação e difusão dos métodos empregados no tratamento dos problemas apresentados através da coleta de informações e dados relevantes. Dessa forma, o conteúdo abordado no presente trabalho visa disseminar a discussão do tema e buscar tratativas para minimizar prejuízos em edificações. 2 METODOLOGIA Neste trabalho foi utilizado a abordagem qualitativa que, por meio do estudo de caso e revisão de literatura, possui o objetivo de ser uma pesquisa explicativa. Segundo Gil (2007), pesquisa explicativa é o tipo de pesquisa que têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos, ou seja, na presente pesquisa busca-se analisar possíveis causas de problemas em edificações após a instalação de sistemas fotovoltaicos. Conforme Gerhardt e Silveira (2009) descrevem que metodologia qualitativa possui a seguinte distinção em relação à metodologia quantitativa: [...] Os pesquisadores que utilizam os métodos qualitativos buscam explicar o porquê das coisas, exprimindo o que convém ser feito, mas não quantificam os valores e as trocas simbólicas nem se submetem à prova de fatos, pois os dados analisados são não-métricos (suscitados e de interação) e se valem de diferentes abordagens. Segundo Fernandes (2019) a revisão de literatura representa a base para a coleta de dados. Para tal, houve a revisão na literatura com foco em autores com teses e dissertações específicas nas áreas de construção, engenharia, patologias e gestão de projetos. Desta forma, após a coleta de dados foi realizado o cruzamento desses de acordo com a revisão de normas atinentes e fichas técnicas de fabricantes em relação ao observado em instalações realizadas em residências. Gerhardt e Silveira (2009, p. 56) tratam a coleta de dados como: A coleta de dados compreende o conjunto de operações por meio das quais o modelo de análise é confrontado aos dados coletados. Ao longo dessa etapa, várias informações são, portanto, coletadas. Elas serão sistematicamente analisadas na etapa posterior. 3 REVISÃO DE LITERATURA A fim de facilitar o entendimento e aprofundar o conhecimento sobre o tema foram realizadas pesquisas bibliográficas conforme descrito a seguir. 3.1 ENERGIA SOLAR A Lei 9.427 (BRASIL, 1996) institui a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), órgão federal que rege as determinações e diretrizes no que tange a energia solar
  • 11. 13 (dentre outras matrizes energéticas) no Brasil e tem por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. Já a resolução normativa ANEEL nº 1.059 de fevereiro de 2023 conceitua o aparato que permite a microgeração de energia: Sistema de Compensação de Energia Elétrica - SCEE: sistema no qual a energia elétrica ativa é injetada por unidade consumidora com microgeração ou minigeração distribuída na rede da distribuidora local, cedida a título de empréstimo gratuito e posteriormente utilizada para compensar o consumo de energia elétrica ativa ou contabilizada como crédito de energia de unidades consumidoras participantes do sistema. O principal evento que fomentou a proliferação da energia solar no Brasil foi a resolução ANEEL 482 de 2012, na qual foram criados incentivos com a compensação de energia, o sistema net meetering. Nesse modelo, onde o consumidor também é produtor de parte da energia, o usuário injeta na rede elétrica o saldo que não foi consumido por sua residência, ou seja, é gerado créditos para os meses posteriores àquele mês em que foi produzido o montante de energia pelo sistema fotovoltaico residencial. Como pode ser observado na Figura 1, o custo por Watt instalado obteve uma vertiginosa principalmente a partir de 2019. Isso se deve principalmente ao fato de ter a China, um dos maiores players como fornecedores dos equipamentos, entrar no mercado brasileiro com uma estratégia agressiva de custos baixos e os principais bancos do Brasil fomentando o segmento com a disposição de crédito específico à geração de energia solar própria para pessoas físicas e empresas. Figura 1 – Histórico dos preços dos sistemas fotovoltaicos Fonte: ABSOLAR (2023) 3.2 COMPONENTES DO SISTEMAS FOTOVOLTAICOS Tem-se como elementos básicos do sistema fotovoltaico os seguintes componentes:
  • 12. 14 3.2.1 Inversor Trata-se do dispositivo responsável por converter a corrente contínua em corrente alternada (Figura 2) geralmente é instalado em regiões cobertas da residência e de fácil acesso. Segundo Santos (2019, p. 19): A produção da energia origina-se da movimentação de elétrons em um circuito elétrico ali conectado, que produção de energia elétrica em corrente contínua (CC), todavia, as residências e os sistemas que energia que utilizamos são de correntes alternadas (CA), sendo assim nesses sistemas tem que ter em sua composição um inversor para transformar as correntes em CA. Figura 2 - Inversor Fonte: Elaborado pelo autor 3.2.2 Módulos solares São placas instaladas sobre o telhado (figura 3), normalmente instaladas orientadas para o norte geográfico, e são responsáveis por captar a energia solar e convertê-la em energia elétrica através do efeito fotovoltaico. São constituídas basicamente de alumínio, vidro e placa de silício, cada peça possui o peso aproximado de 25 kgs. Conforme, Matavelli (2013, p.17), O efeito fotovoltaico ocorre em materiais ditos semicondutores, que são caracterizados pela presença de bandas de energia onde elétrons são permitidos, chamadas bandas de valência, e outras bandas que são vazias, chamadas bandas de condução. Figura 3 – Módulos solares
  • 13. 15 Fonte: Elaborado pelo autor 3.2.3 Estrutura em alumínio Tem como finalidade suportar a carga dos módulos solares (Figura 4). Os módulos solares e a estrutura de alumínio são de suma importância para este estudo, pois trata-se dos elementos contribuintes para uma das patologias que pode levar ao maior dano material ao imóvel, a carga de vento incidente nos módulos solares. São constituídas em alumínio devido à leveza, à resistência e à propriedade de dissipação do calor (como estão em constante exposição ao calor, as placas podem chegar a 20ºC a mais do que a temperatura ambiente). Segundo Mendes, “O alumínio é o elemento metálico mais abundante na crosta terrestre, sendo que o Brasil constitui a segunda maior reserva de bauxita do mundo, além disso, o alumínio atualmente é o metal não ferroso mais consumido do mundo, devido principalmente as suas propriedades físico-químicas, que possibilitam uma ampla variedade de utilização (MENDES, 2019, p. 18 apud BRITO; QUEIROGA; MACEDO, 2010). Figura 4 – Estrutura de alumínio Fonte: Romagnole (© 2023)
  • 14. 16 3.2.4 Acessórios de fixação Acessórios de fixação: Para cada tipo de cobertura é utilizado um fixador específico (coberturas em telhas metálicas trapezoidais ou plissadas, coberturas em telhas de fibrocimento, lajes impermeabilizadas, coberturas em telha cerâmica). Na Figura 5 é possível observar um fixador específico para telha cerâmica, na Figura 6, um fixador específico para telha metálica e na Figura 7 um fixador exclusivo para lajes. Devido ao fato de existirem inúmeros tipos de materiais para coberturas e variações de formatos e dimensões, nem sempre é instalado o acessório correto específico ao projeto do cliente, nesses casos geralmente ocorre a adaptação realizada de forma intuitiva e sem planejamento. Gnipper e Mikaldo JR (2007) salientam que: Na fase de projeto dos sistemas prediais, os vícios podem ocorrer por falhas de concepção sistêmica, erros de dimensionamento, ausência ou incorreções de especificações de materiais e de serviços, insuficiência ou inexistência de detalhes construtivos etc. (GNIPPER; MIKALDO JR, 2007, p. 03) Figura 5 – Acessórios de fixação (telha cerâmica) Fonte: Romagnole (© 2023) Figura 6 – Acessórios de fixação (telha metálica)
  • 15. 17 Fonte: Romagnole (© 2023) Figura 7 – Acessórios de fixação (laje) Fonte: Intelbras (© 2023) 4 PATOLOGIAS CAUSADAS NA EDIFICAÇÃO Pereira (2009) conceitua que patologias das construções é a área da engenharia civil que analisa o desempenho insatisfatório de elementos que compõem uma edificação, desempenho este, atualmente regido por normas técnicas. Pereira (2009, p. 5) ainda afirma que: [...] é possível observar não apenas a importância da origem, como também o tratamento que será necessário aplicar como solução. Dentro da engenharia é
  • 16. 18 importante destacar a importância do engenheiro na identificação da patologia, uma vez que o conhecimento do profissional pode evitar que tais problemas ocorram, e, depois de identificados, quais atitudes necessárias para saná-lo. Taguchi (2010) discorre que: As fissuras podem pronunciar-se de diferentes formas. Sendo ortogonais à direção dos esforços de tração atuantes, manifestam-se sintomas sob forma de fissuras de direção predominantemente vertical, horizontal ou inclinada conforme a causa da patologia (TAGUCHI, 2010, p. 31). Cremonini (1988, p. 33) conceitua que os agentes causadores das patologias podem ser em decorrência de 3 motivos citados a seguir: 1. Uso: inadequado da estrutura projetada; 2. Construtiva: por falta de mão de obra qualificada; 3. Congênitas quando há erros na fase de planejamento e projeto. 4.1 INFILTRAÇÃO Conforme Zuchetti (2015, p. 29): Os problemas relacionados com a umidade nas edificações, sempre trazem um grande desconforto e degradam a construção rapidamente, sendo as soluções destes problemas extremamente onerosas. O aparecimento frequente de problemas ocasionados por umidade é decorrência das características construtivas adotadas assim como os novos materiais e sistemas construtivos empregados que muitas vezes não são executados corretamente, e a falta de manutenção e limpeza em locais onde há possibilidade de acúmulo de água da chuva e umidade. Na Figura 8 é possível observar manchas oriundas da umidade na laje forro causada pela penetração de água pela cobertura, consequência da má vedação de alguns parafusos de fixação da estrutura. Zuchetti (2015) ainda afirma que a presença de umidade na alvenaria pode ocasionar manchas, bolor, fungos, algas, eflorescências, descolamento, desagregação e mudança de coloração devido à absorção capilar superficial da água por condensação. Figura 8: Infiltração na laje
  • 17. 19 Fonte: Elaborado pelo autor 4.2 SOBRECARGA Piancastelli (2005) afirma que o uso inadequado das estruturas ocorre em função do acréscimo da carga desviando assim a finalidade original para qual a estrutura em questão foi projetada aumentando assim a solicitação da estrutura. Há casos na qual a estrutura que suporta as telhas é de madeiras e nem sempre estão em boas condições de manutenção podendo apresentar infestações de cupins, partes em deterioração. O mesmo ocorre em estruturas de aço onde podem apresentar pontos de corrosão, pontos de solda com seção inferior ao necessário ou apoios dos caibros fora do eixo dos montantes, todos esses fatores contribuindo para a redução da rigidez estrutural. Na Figura 9 é possível observar o colapso de uma cobertura devido ao excesso de carga sobre a estrutura de madeira a qual não houve uma avaliação prévia para verificar as condições do material e que não foi dimensionada adequadamente para receber o sistema. Figura 9: Colapso de telhado
  • 18. 20 Fonte: Canal Solar (© 2022) 4.3 AÇÃO DOS VENTOS Trata-se de um fator muitas vezes ignorados em dimensionamentos de sistema e em dimensionamentos de estruturas de coberturas. A NBR 6123 orienta o dimensionamento para um determinado pico de velocidade de vento registrado nos últimos 50 anos, ou seja, mesmo com a experiência do profissional responsável pelo projeto pode ocorrer que ele não tenha vivenciado esta mensuração máxima realizada, o que pode levar a um subdimensionamento da estrutura. Segundo a NBR 6123 (ABNT, 2013), A velocidade básica do vento, é a velocidade de uma rajada de 3s, excedida em média uma vez em 50 anos, a 10 m acima do terreno, em campo aberto e plano. Como regra geral, é admitido que o vento básico pode soprar de qualquer direção horizontal. Portanto ao dimensionar um sistema alguns fatores interferem na segurança como a velocidade máxima do vento já registrada na localidade, para tal é necessário utilizar o mapa de isopletas (conforme Figura 10) que indica o dado com base histórica para que o projetista possa calcular a estrutura com uma margem de segurança adequada à região, pode-se tomar como exemplo o estado de São Paulo que, em algumas regiões, chega a ter ventos de 45 m/s e que pode facilmente desprender os módulos com sua carga de vento. Outro fator de extrema importância no projeto é considerar o transpasse dos módulos para fora da cobertura, que é uma região onde concentra a carga de vento (mais bem explicado na Figura 11), e a quantidade de módulos fixados em um mesmo ponto na estrutura. Figura 10: Mapa de isopletas
  • 19. 21 Fonte: ABNT (2013) 4.4 ESTUDO DE CASO Foi realizado um estudo de caso em uma residência localizada na cidade de Bauru no qual se encontravam instaladores e engenheiros a fim de se averiguar uma instalação já finalizada (O sistema consistia em 10 placas solares instaladas sobre um telhado cerâmico com sistemas de fixação em alumínio extrusado) a qual apresentou infiltração na cobertura após um período de chuvas intensas. Após as análises foi constatado que a causa raiz da patologia foi a má execução na instalação do sistema. O sintoma apresentado foi manchas de umidade decorrentes da presença de bolor na laje de um dos cômodos da residência e o motivo da infiltração encontrado foi o mal encaixe da telha cerâmica após a instalação dos fixadores nos caibros da cobertura, como a placa solar se encontra instalada com menos de 10 cm acima da telha a percepção do problema se deu apenas com a vinda das chuvas e a consequente infiltração de água na laje. A tratativa adotada para a situação foi a simples realocação da telha para encaixá-la adequadamente, porém para tal foi necessário mobilizar um funcionário da empresa para subir no telhado, desativar o sistema, remover a placa e encaixá-la corretamente. O Quadro 1 foi elaborado conforme uma breve entrevista não-estruturada entre instaladores e engenheiros de uma determinada empresa na qual foi perguntado os locais das patologias e as causas mais habituais identificadas conforme a seguir:
  • 20. 22 Quadro 1: Patologias e possíveis causas Patologia Localização Possíveis causas Infiltração Laje Telha mal encaixada, erro na aplicação de PU, (poeira na superfície, ressecamento, orifícios), telhas quebradas durante instalação Sobrecarga Estrutura da cobertura Sobreposição de placas ou pessoas durante instalação, oxidação na estrutura metálica da cobertura, decomposição da estrutura de madeira Ação dos ventos Telhas / placas / Estrutura Parafuso mal apertado, subdimensionamento da estrutura Quadro 1: Elaborado pelo autor Em relação às infiltrações foi comentado que geralmente ocorre devido à perfuração na cobertura para instalação do elemento fixador da estrutura de alumínio, sendo na maioria dos casos observados telhas de fibrocimento e cerâmicas, que por vezes tendem a fissurarem devido aos seguintes motivos: movimentação de instaladores concentrado a carga pontualmente, utilização de ferramentas inadequadas, utilização de brocas desgastadas, queda de ferramentas e sobrecarga de materiais. Dentre outros problemas citados durante a entrevista foram citados a perda de eficiência das placas solares devido ao rompimento de circuitos internos que ocorrem quando instaladores pisam sobre a superfície delas, sendo altamente não indicado adicionar nenhuma carga sobre elas. 5 RECOMENDAÇÕES PARA EVITAR PATOLOGIAS 5.1 INFILTRAÇÃO Na etapa da instalação dos acessórios de fixação é onde existe o maior potencial de ocorrerem graves patologias de infiltração de água na edificação. Isso devido à alguns fatores que podem ocorrem de forma isolada ou concomitantemente: No caso de coberturas de telhas cerâmicas podem ocorrer quebras de algumas partes, quando necessário removê-las ou durante a movimentação dos instaladores sobre o telhado; Impermeabilização insuficiente ou incorreta (aplicação de PU – Poliuretano de alta viscosidade ou manta asfáltica) após realização das furações das telhas para instalação das hastes; O mal encaixe das telhas após a execução do serviço ou até mesmo ausentar algumas partes do telhado por esquecimento. A fim de se otimizar a adesão do selante à telha é necessário realizar a limpeza da superfície e do elemento estrutural com um pano umedecido sem nenhum aditivo químico, que pode ocasionar a quebra das ligações estruturais do selante, após a limpeza realizada é recomendável a aplicação de um primer (promotor de aderência) antes da aplicação do selante. Segundo o fabricante Sika (2021), o primer forma uma película intermediária entre o selante e o substrato, promovendo a adesão química. Já o selante flexível de poliuretano híbrido trata-se de um monocomponente a base de poliuretano que cura com umidade do ar, recomendado para vedação e colagem de diversos materiais. Conforme Fibersals (2021), materiais sofrem processos de dilatação e contração devido ao aumento e diminuição de temperatura, respectivamente. Por conta dessa propriedade física o poliuretano torna-se um excelente material para resistir as
  • 21. 23 movimentações ocorridas entre uma haste de fixação com uma telha de fibrocimento por exemplo, isso ocorre devido à sua boa trabalhabilidade. Além da questão da cobertura em si, há de se notar que a geração de resíduos durante a instalação do sistema, pvc dos cabos descascados, embalagens plásticas dos equipamentos, embalagens de alimentos consumidos, pedaços de fita isolante, pedaços de cinta plástica, panos, layers da manta asfáltica etc., caso não recolhidos após a instalação podem causar o entupimento dos dutos de escoamento das calhas e causar inundação da cobertura. 5.2 SOBRECARGA Na maioria das instalações não é consultado um engenheiro civil para uma vistoria prévia, dessa forma o sistema é instalado muitas vezes sem o reforço estrutural adequado. No que diz respeito à mão de obra especializada, nem sem sempre os profissionais receberam o treinamento adequado em relação aos cuidados com a edificação existente e para com o manuseio do material sobre a cobertura. Dentre os erros graves, pode-se citar a situação na qual instaladores acabam concentrando as cargas provenientes dos módulos fotovoltaicos somados as cargas dos próprios instaladores e equipamentos em uma pequena área concentrando os esforços na estrutura. De acordo com Zuchetti (2022, p. 18 apud Thomaz, 1989, p. 45) a ocorrência de fissuras por dimensionamento inadequado e sobrecarga das estruturas, quando não há conhecimento técnico ou especificações em manuais de uso e manutenção de que variações bruscas no carregamento do elemento estrutural, podem vir a causar manifestações patológicas nas peças (DO CARMO, 2003). A realização de um planejamento de armazenamento de cargas sobre o telhado, a vistoria prévia da estrutura e a instrução para com os instaladores sobre normas de segurança e pontos mais vulneráveis e que devem ser evitados pisar ou instalar placas se fazem necessários para garantir que o desempenho da cobertura da edificação não seja prejudicado. 5.3 AÇÃO DOS VENTOS No telhado, as partes que mais sofrem a carga de vento são as extremidades das placas solares, por este motivo recomenda-se que a placa seja instalada com no mínimo 30 cm abaixo da linha de projeção diagonal do telhado conforme demonstra a Figura 11 abaixo. Figura 11: Posicionamento correto de módulos solares
  • 22. 24 Fonte: Elaborado pelo autor Manter a paginação adequada dos módulos (dentro da área do telhado com menor carga de vento), garantir o espaçamento máximo entre fixadores recomendado por cada fabricante e realizar a inspeção do torque dos parafusos anualmente são as recomendações para evitar desplacamentos causados pelo vento. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo teve como objetivo analisar as principais patologias que ocorrem em coberturas de edifícios que são causadas posteriormente às instalações com ausência de projetos ou falhas de execução de sistemas fotovoltaicos. Foi analisado a literatura com vistas ao diagnóstico de patologias em edifícios, assim como em datasheets de fabricantes dos componentes e por fim foi realizado o estudo de caso com o intuito de observar in loco os sintomas na edificação. Foi possível observar através deste trabalho que o principal motivo que leva a uma edificação mostrar indícios de alguma patologia é a ausência de um profissional com sólidos conhecimentos técnicos e apto a resolver situações não previstas em projeto, e que costumam aparecem apenas durante a instalação. É nítido as inúmeras referências na literatura citando a mesma questão podendo assim afirmar que se trata de uma questão cultural e que ocorre em diversas regiões do Brasil. No que tange às tratativas para resolução dos problemas pode-se afirmar que no tocante às etapas necessárias para a execução de um sistema, a principal é a fase de projeto/planejamento do sistema, sendo que nesta etapa está incluído a visita técnica in loco com a finalidade de observar as condições que a edificação apresenta, necessidade de equipamentos ou ferramentas específicas, realização de obras preliminares, necessidade de escoramentos ou de planos de ringging, assim como notar a presença de patologias pré- existentes. Quando a patologia ocorre após a execução e entrega do serviço, além de ter uma manutenção corretiva mais dispendiosa para eliminar ou reduzir os danos causados pode causar levar a outras patologias caso não seja realizada a tratativa em tempo hábil. Como sugestão para trabalhos futuros pode-se citar o estudo sobre a perda da eficiência do sistema fotovoltaico devido à poeira carregada pelo ar e que se instala na superfície, nesse estudo poderia ser analisado técnicas para limpeza regular ou dispositivos/materiais que amenizem esse problema. REFERÊNCIAS ANEEL. Resolução Normativa ANEEL nº 1.059 de fevereiro de 2023. Aprimora as regras para a conexão e o faturamento de centrais de microgeração e minigeração distribuída em sistemas de distribuição de energia elétrica. Disponível em: https://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren20231059.html. Acesso em: 07 abr. 2023 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15575: Edificações habitacionais — Desempenho Parte 1: Requisitos gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6123: Forças devido ao vento em edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. BADRA, M. Canal Solar, 2022. Disponível em: https://canalsolar.com.br/teto-de- churrascaria-desaba-cuidados-na-hora-de-instalar-paineis-solares/. Acesso em: 20 out. 2023
  • 23. 25 BNDES. A Energia Solar no Brasil. 2018. Disponível em: https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/conhecimento/noticias/noticia/energia-solar. Acesso em: 07 abr. 2023 BOLINA, F. L.; TUTIKIAN, B. F.; HELENE, P. Patologia de estruturas. 1ª edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2019. BORGES, F. V. Recomendações para a gestão de empreendimentos de infraestrutura. 2019. Tese (Mestrado em ciências) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3146/tde-07052019- 091445/publico/FernandaVarellaBorgesCorr19.pdf. Acesso em: 01 abr. 2023 BRASIL. Lei 9.427, de 26 de dezembro de 1996. Institui a Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9427compilada.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA %209.427%2C%20DE%2026%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996.&text=Institui%20a %20Ag%C3%AAncia%20Nacional%20de,el%C3%A9trica%20e%20d%C3%A1%20outras% 20provid%C3%AAncias. Acesso em: 07 abr. 2023 CASSALATE, B. S. A Relevância do planejamento de projetos em instalações fotovoltaicas. 2020. Artigo (MBA em gestão de projetos) - UNILINS, Lins, 2020. DO CARMO, P. O. Patologia das construções. Santa Maria, Programa de atualização profissional – CREA – RS, 2003. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/75242. Acesso em 10 jun. 2023 ESTRUTURA DE FIXAÇÃO PARA SISTEMA FOTOVOLTAICO. Intelbras, 2023. Disponível em: https://www.intelbras.com/pt-br/estrutura-de-fixacao-para-sistema- fotovoltaico-estrutura-para-laje. Acesso em: 20 out. 2023 ESTRUTURA FOTOVOLTAICA. Grupo Romagnole, 2017. Disponível em: https://www.romagnole.com.br/produtos/estrutura-fotovoltaica. Acesso em: 03 set. 2023 FERNANDES, D. B. P. Impactos da norma brasileira de desempenho NBR 15575 sobre projetos e especificação de revestimentos para o envelope construtivo. 2019. Dissertação (Mestrado em Arquitetura, Urbanismo e Tecnologia) – Universidade de São Paulo, São Carlos, 2019. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/102/102131/tde- 30102020-171350/publico/Dissertacaoversaocorrigidadanibanqueri_vf.pdf Fibersals Blog. Impermeabilização com poliuretano. 2020. Disponível em: https://fibersals.com.br/blog/impermeabilizacao-com- poliuretano/#:~:text=O%20poliuretano%20%C3%A9%20um%20dos,substrato%20dos%20at aques%20da%20umidade. Acesso em 03 set. 2023 GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. Métodos de pesquisa. 1ºa edição. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.
  • 24. 26 GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 2007. Disponível em: https://ayanrafael.files.wordpress.com/2011/08/gil-a-c-mc3a9todos-e-tc3a9cnicas-de- pesquisa-social.pdf. Acesso em: 07 abr. 2023 GNIPPER, S. F.; MIKALDO JR. J. Patologias frequentes em sistemas prediais hidráulicosanitários e de gás combustível decorrentes de falhas no processo de produção do projeto. Curitiba, 2007. Disponível em: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=27&Cod=319. Acesso em: 08 ago. 2023 MATAVELLI, A. C. Energia solar: geração de energia elétrica utilizando células fotovoltaicas. 2013. Monografia (Graduação em Engenharia Química) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. Disponível em: https://sistemas.eel.usp.br/bibliotecas/monografias/2013/MEQ13015.pdf. Acesso em: 17 mar. 2023 PEREIRA, L. P. Identificação de patologias e metodologia de análise: Estudos de casos em projetos de financiamento do programa Minha Casa Minha Vida. Disponível em: http://repositorio.unis.edu.br/bitstream/prefix/1264/1/Let%C3%ADcia%20Paiva%20Pereira.p df. Acesso em 21 mai. 2023 PIANCASTELLI, E. M. Patologia e Terapia das Estruturas: Origem das Enfermidades. 2005. Disponível em: https://www.yumpu.com/pt/document/read/49165665/origem-das- enfermidades-demc-ufmg. Acesso em 23 mai. 2023 SANTOS, E. D. Análise de problemas relacionados a construção civil decorrentes das instalações fotovoltaicas. 2019. TCC (Graduação em engenharia civil). Disponível em: https://repositorio.animaeducacao.com.br/handle/ANIMA/4660. Acesso em 21 mai. 2023 SIKA. Ficha técnica de produto. 2021. Disponível em: https://bra.sika.com/pt/construcao/selagem-e-vedacao-de-juntas/vedacao-de-telhas-calhas- rufos/sikaflex-101-selaplus.html. Acesso em: 07 out. 2023 THOMAZ, E. Trincas em edifício: Causas, prevenção e recuperação. 1ª ed. São Paulo, Pini, 1989. Disponível em: https://www.scribd.com/document/349701252/Trincas-e-Edificios- Causas-prevencao-e-Recuperacao-Eng-Ercio-Thomaz-pdf. Acesso em: 25 mai. 2023 ZUCHETTI, P. A. B. Patologias da construção civil: Investigação patológica em edifício co rporativo de administração pública no vale do taquari. 2015. Monografia (Graduação em Enge nharia Civil 2015). Disponível em: https://www.univates.br/bdu/bitstream/10737/939/1/2015P edroAugustoBastianiZuchetti.pdf. Acesso em: 23 mar. 2023