• Faculdade unicamentehumana
• Capacidade de usarmos símbolos
verbais para realização de atividades
(dar ordens, conselhos, fazer
perguntas, …)
• A comunicação pode ser feita
verbalmente ou através de gestos,
sinais convencionais, …
6.
Língua
• O conceitode língua trata-se
especificamente de um código
verbal - um conjunto de palavras
que detêm significado para
determinado grupo.
• Podemos dizer que a língua é
um tipo de linguagem.
• São exemplos a Língua
Portuguesa, a Língua Inglesa e a
Língua Gestual Portuguesa.
Fala
A forma comoo indivíduo se comunica oralmente.
Diretamente relacionada com a língua.
É considerada individual e comumente é afetada por
vícios de linguagem, costumes locais e sotaques.
10.
Competência linguística
A capacidadeintuitiva que o falante tem de usar a
sua língua materna, de acordo com as regras que
presidem ao seu funcionamento, o seu
conhecimento da língua
Competência comunicativa
Saber adequar o que diz à situação, a intenção
que dá ao expresso, a quem se dirige, …
11.
Língua Padrão (ounorma) - emprego generalizado da língua, que
constitui um registo mais ou menos estável. A língua padrão em
Portugal é atualmente a variedade falada em Lisboa.
A língua é una, mas pode apresentar variedades a nível da sua
realização oral e escrita.
12.
Variação linguística
propriedade queas línguas têm de se diferenciar em função da geografia, da
sociedade e do tempo
• Variedades geográficas – variedades próprias de cada região mas que,
geralmente, não impedem a comunicação. Também apelidadas de dialetos.
• Variedades sociais – variedades no que concerne ao ambiente socioeconómico
ou educacional (idade, sexo, nível de instrução,…). Também chamados de
socioletos.
• Variedades situacionais - variedades correspondentes às diversas situações
de comunicação (relação formal ou informa, comunicação oral ou escrita, …)
Níveis e registosde Língua
• Familiar – situação de perfeito à-vontade; vocabulário e construções frásicas simples e
com expressividade
Que sotaque giro! É mesmo fixe!
• Cuidada – vocabulário mais escolhido e uma construção frásica mais cuidada e menos
usuais
Considero que aquele sotaque tem uma musicalidade claramente
harmoniosa! Melhor, fascinante!
• Literária – cunho pessoal, marcado pela criatividade com uso de sonoridades e força
sugestiva de recursos expressivos
16.
Níveis e registosde Língua
• Popular – vocabulário e construções frásicas simples, uso de provérbios e
expressões idiomáticas
Já com esta são três que te escrevo, e ó por hora nem uma nem duas da tua parte. Marido! Que fazes tu, que
não respondes? Ando a futurar que não tens o miolo no seu lugar. Longe da vista, longe do coração, diz lá
o ditado. Ora, queira Deus que não seja por minga de saúde; e, se é, di-lo para cá, que eu estou aqui estou lá.
O primo Afonso de Gamboa esteve cá há dias, e a modo de caçoada foi-me dizendo que lá na capital as
mulheres enguiçam os homens, e fazem deles gato sapato. Eu fiquei sem pinga de sangue, meu Calisto! Mal
fiz eu em te deixar ir às Cortes. Bem tolo é quem está bem na sua casa, e se mete nestas coisas dos governos,
que só servem para quem não tem que perder, como diz o primo Afonso.
O pior é se tu pegas a doidejar com as mulheres, e sais do teu sério.
Camilo Castelo Branco, A Queda dum Anjo
17.
Níveis e registosde Língua
• Calão – nível de língua de uso geral, por vezes associado à língua popular e também
utilizado em situações de familiaridade, contudo transmitindo um sentimento mais
grosseiro através dos termos utilizados
E ficam-se, caraças, ficam-se com uma história dessas? Depois de a gaja
ter dito aos outros dois gajos que foi ela que matou o gajo? […] Então e esse
chefe Larguinho não disse pessoalmente, pelo telefone, aqui ao Quim, que era
verdade que ela não o tinha morto? Quim, caraças, disse ou não disse? Querem
fazer de um gajo parvo?
Clara Pinto Correia, Adeus, Princesa
18.
Níveis e registosde Língua
• Gíria – uso da língua restrito a um grupo socioprofissional
“Manolo mata no peito e cola na relva, Pauliiinho corta in extremis e
dispara, mas tem Carlão à ilharga, Juca bate no esférico, rodopia, faz um bonito,
éeee lançamento longo… Manecas recebe e progride no terreno, remata do meio
da rua… não é gooooolo… Zezinho sobe e agarra, ripa na rapaqueca e…” Não é
chinês, apenas um pedaço selecionado do dialeto futebolístico. Aqui fica a
tradução: … a balo bate no peito de Manolo e cai no chão. Paulinho evita o golo
mesmo no último minuto e dá pontapé na bola com bastante força. Carlão não o
larga. Entretanto Juca despista o adversário ao mudar a direção da jogada,
mandando o esférico para longe. Manecas fica com a bola, avança até à baliza
do adversário, chuta, mas está demasiado afastado para marcar golo. O guarda-
redes defende, pula, agarra na bola, dá-lhe uns toques e…
In Cosmos, n.º28
19.
Níveis e registosde Língua
• Regionalismos – diferenças a nível fonético e fonológico na pronúncia e a nível lexical, semântico e
sintático.
- Olha cá, Mar´da Luz!
- Que queres tu, Mar´Santana?
- O que quero eu? Quero saber em que contos me foste meter coa Lianor na borda-d’água.
- Eu! Só se estás pardinal!
- Estou sim, vem cá tomar o bafo. Pensas que sou comati que vinhas noutro dia areada pelo
caminho de fora.
- Como sabes que o teu home só vai ao mar quando ele está rojo, por isso é que falas dessa
maneira.
- Então o meu home não é tanto como’ó teu?...
Raul Brandão, Os Pescadores
20.
Classifica as frasesde acordo com o
seu registo, assinalando a opção
correta.
Rui, agradeço imenso a sua ajuda nesta situação.
A
Registo formal
B
Registo informal
21.
Classifica as frasesde acordo com o
seu registo, assinalando a opção
correta.
Mano, estarás de volta à base para o Natal? Quero reunir a
família em minha casa.
A
Registo formal
B
Registo informal
22.
Classifica as frasesde acordo com o
seu registo, assinalando a opção
correta.
Cá estamos nós todos bronzeados a gozar uns belos dias de
praia.
A
Registo formal
B
Registo informal
23.
Classifica as frasesde acordo com o
seu registo, assinalando a opção
correta.
Coloco-me à sua inteira disposição para quaisquer
esclarecimentos.
A
Registo formal
B
Registo informal
Notas do Editor
#3 e pelo gesto e pela palavra falada e escrita, comunicar pela imagem (real ou simbólica),
por sons ou pela sua ausência (sons ambientes, ruídos, música, pausas e silêncios) e
através de sensações táteis (escrita em Braille, uma cotovelada de advertência...).
#6 Língua é um sistema de signos convencionais usados pelos membros de uma mesma comunidade, por outras palavras, um grupo social utiliza um conjunto organizado de elementos representativos para comunicar.
Como a língua é um património social, tanto os signos como as formas de combiná-los são conhecidos e acatados pelos membros da comunidade que a emprega. Visto que o homem é um ser naturalmente social, alguém que tem necessidade, não só de natureza física mas também de natureza moral e psicológica, de participar na vida do seu semelhante, a língua em comum é um elemento fundamental. Talvez até o traço que vai presidir à formação de qualquer comunidade, bem como a base fundamental da sua união.
Existem diversas línguas, diferentes entre si, com caraterísticas definidas que as opõem umas às outras e que correspondem a outras comunidades linguísticas. Por outro lado, dentro da mesma comunidade podem existir diferenças, nomeadamente as variantes dos dialetos e pronúncias, como por exemplo dentro da língua portuguesa há diferentes formas de falar e entoar as letras e os ditongos, conforme a região do país.
Estes fenómenos acontecem porque, apesar de a língua ser um fenómeno fundamentalmente social, é igualmente uma realização individual, uma manifestação da própria liberdade do homem, enquanto ser único, possuidor não só de graus de cultura diferentes, como também possuidor de gostos e sensibilidades desiguais.
#8 Individualmente, cada pessoa pode utilizar a língua do seu grupo social de uma maneira particular, personalizada, desenvolvendo assim a fala (não confundir com o ato de falar, aqui refere-se ao dom de exprimir o pensamento com a palavra).
Por mais original e criativa que seja, a fala de cada sujeito deve estar contida no conjunto mais amplo que é a língua materna, caso contrário, o falante estará a deixar de empregar a sua língua e não será compreendido pelos membros da sua comunidade.
Quando um sujeito falante, para designar uma paisagem que lhe agrada, diz “a paisagem é bonita”, outro talvez dirá “a vista é linda”. Se não se notam diferenças acentuadas quanto às significações das duas expressões que os indivíduos utilizaram para manifestar as suas apreciações, a verdade é que as mesmas, quer proferidas volutaria quer involuntariamente, englobam palavras que não são exatamente as mesmas. Isto demostra que a língua é um vínculo que une os homens mas é também, devido à sua riqueza e ao conjunto de realizações que permite, um elemento em que torna o homem único, pois pode mostrar os seus conhecimentos, os seus gostos, a sua liberdade, de diversas formas.
Assim sendo, a fala é a realização individual da língua.
#9 A linguagem refere-se a toda a forma de comunicação, através da fala (verbal) ou mesmo gestos, sons, imagens, etc. (não-verbal).
Para que a fala seja compreendida, é necessário que o recetor compreenda a língua em que a mensagem que foi transmitida.
A fala refere-se à forma como as pessoas comunicam entre elas, oralmente.
https://www.diferenca.com/fala-lingua-e-linguagem/
#19 Além das marcas da oralidade e das variantes a nível fonológico (home, Lianor), verifica a existência de expressões que não são usadas correntemente, mas que compreende com facilidade: comati (como tu). Há ainda outras cujo significado é explicitado pelo próprio autor: pardinal (bêbado), caminho de fora (estrada), rojo (calmo). São termos usados em determinados locais ou regiões e considerados regionalismos, que constituem uma extraordinária riqueza da língua.