1 | P á g i n a
Promocão
Integração
Apoio e incetivo á saúde da criança
S AÚ D E D A C RI AN Ç A E D O
A D O L E S C EN T E
PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE DA CRIANÇA
PAISC: (Programa de Atenção Integral a Saúde da criança)
 Em 1983 o Ministério da saúde criou o PAISMC – Programa de Assistência
Integral a Saúde da Criança.
 Em 1984 foi dividido e criado o PAISC- Programa de Assistência Integral a
Saúde da Criança.
FINALIDADES E DIRETRIZES:
Ações:
1. Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento
2. Incentivo ao aleitamento materno e orientação para o desmame
3. Controle de doença diarreicas
4. Controle das infecções respiratórias agudas
5. Imunização
Objetivo:
Criar condições para um atendimento integrado a saúde da criança de 0 a 5 anos, prioridade:
GRUPOS DE RISCO, através de um aumento de cobertura da assistência e melhoria da qualidade
do atendimento diminuindo assim a mobilidade infantil.
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2 | P á g i n a
Toda criança nascida viva com até 28 dias de vida extrauterina.
O RN com peso < 2,500g é considerado com baixo peso ao nascimento e de alto risco,
independentemente da idade gestacional.
Baixo peso ao nascer:
Recém-nascido: conceito e classificação
Baixo peso ao nascer = peso ao nascer <2,500g
Muito baixo peso ao nascer= peso ao nascer <1,500g (até e incluído 1,499g)
Extremo baixo peso ao nascer = peso ao nascer < 1,000g (até e incluindo 999g)
 Essa classificação se baseia em observações epidemiológicas de que crianças com
menos de 2,500g ao nascer tem um risco aproximadamente 20 vezes maior de
morrer em comparação ás de peso maior.
RN a termo: de 37 semanas a
41 semanas e 6 dias;
Classificação: idade gestacional, Peso ao Nascer.
RN pós-termo : com 42 semanas
ou mais.
RN pré-termo: até 36
semanas e 6 dias;
Classificação
idade
gestacional
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3 | P á g i n a
realização de
anmnese materna;
Preparo para atender
ao RN na sala de
parto (BRASIL,2014a)
Presença de
equipe treinada
em reanimação
neonatal.
Disponibilidade
do material
para
atendimento*;
Assistência ao Recém-nascido
Cuidados na hora do nascimento:
 Para admissão do RN, como berço de calor irradiante, material para animação
cardiopulmonar etc.
De acordo com as diretrizes nacionais de assistência ao parto normal, todos os locais
de parto devem manter os seguintes cuidados:
Cuidados para os locais de parto:
 Planejar o cuidado ciente de que pode ser necessário chamar por ajuda se o
recém-nascido precisar de ressuscitação;
 Desenvolver fluxogramas de referências de emergência e implementá-los, se
necessário;
 Assegurar que existam recursos para ressuscitação e para transferência do
recém-nascido para outro local se necessário.
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4 | P á g i n a
A respiração deve ser regular e suficiente para manter a FC em, aproximadamente,100bpm
Gestação a termo?
Ausência de mecônio?
Respirando ou chorando?
Tônus muscular bom?
Avaliação da vitalidade ao nascer
Imediatamente depois do nascimento, a necessidade de reanimação depende da avaliação
rápida de quatro situações referentes a vitalidade do RN. São feitas as seguintes perguntas
(BRASIL,2014a):
Se a resposta for sim para as quatros perguntas, considera-se que o RN
Esta com boa vitalidade e não necessita de manobras de reanimação
(BRASIL,2014ª).
 Respiração
Necessidade de Reanimação e Avalição de sua Eficácia
 Frequência cardíaca
De acordo com o manual de atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais da
saúde, a frequência cardíaca adequada para o RN varia, em média, de 120 a 140 bpm. Os RNs
em repouso com frequência cardíaca acima de 160bpm (taquicardia) devem ser mais bem
avaliados (BRASIL,2014a)
Segundo as diretrizes nacionais de assistência ao parto normal, o RN deve ser avaliado por um
neonatologista/pediatra nas seguintes situações: (BRASIL,2017a)
 Frequência respiratória > 60irpm;
 Presença de gemidos
 Frequência cardíaca < 100bpm ou > 160bpm;
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5 | P á g i n a
manter a temperatura corporal: secar
e aquecer RN e garantir a temperatura
ambiente na sala de parto entre 23º,
26ºC
estabelecer a permeabilidade das
vias aereas superiores , mas nao
aspirar de rotina.
estimular contato pele a pele
imediato da mae com a criança
logo apos o nascimento.
promover e manter o equilibrio
organico; prevenir infecções
 Enchimento capilar > 3 segundos;
 Temperatura corporal > 38 ºc
 Ou 37,5 ºC em 2 ocasiões, com 30 minutos de intervalo;
 Saturação de oxigênio <95%;
 Presença de cianose central confirmada pela oximetria de pulso, se disponível.
Assistência imediata ao RN
Condutas na assistência imediata ao RN (BRASIL,2017a)
 Realizar o clampeamento do cordão umbilical entre 1 e 5 minutos ou de forma
fisiológica quando cessar a pulsação, exceto se houver alguma contraindicação em
relação ao cordão ou a necessidade de reanimação neonatal;
 Se o RN necessitar de ressuscitação básica, iniciar com ar ambiente;
 Minimizar a separação do RN e sua mãe, levando em consideração as circunstâncias
clinicas;
 Estimular as mulheres a terem contato pele a pele imediato com a criança logo depois
do nascimento;
 Cobrir a criança com um campo ou uma toalha morna para mantê-la aquecida enquanto
mantem o contato pele a pele;
 Estimular o início precoce do aleitamento materno, idealmente na 1ª hora de vida.
objetivos
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6 | P á g i n a
 Registrar a circunferência cefálica, a temperatura corporal e o peso (depois da 1ª hora
de vida)
 Realizar exame físico inicial para detectar qualquer anormalidade física maior e para
identificar problemas que possam requerer transferência
 Avaliar índice de apgar, no 1º e no 5º minuto de vida rotineiramente.
 Assegurar que qualquer exame intervenção ou tratamento da criança seja realizado com
o consentimento dos pais e em sua presença ou, se isso não for possível, com o seu
conhecimento.
Índices de apgar
É um teste realizado nos primeiros minutos de vida de um recém-nascido e permite vigiar a sua
saúde global. É avaliado no índice de Apgar os seguintes item abaixo:
Os primeiros minutos de vida de um recém-nascido podem ser decisivos para a adaptação do
bebé à vida fora do útero materno. O teste de Apgar, introduzido nos anos 50 pela obstetra
norte-americana Virginia Apgar, é um método rápido de monitorizar o estado clínico do recém-
nascido após o nascimento.
Este teste é realizado ao primeiro, ao quinto e ao décimo minuto de vida do recém-nascido e
expressa-se num índice de 0 a 10 - quanto mais alta a pontuação, melhor é o estado clínico do
bebé após o nascimento.
Para que serve?
O índice de Apgar é uma expressão da condição fisiológica do bebé num momento específico e
inclui algumas apreciações subjetivas, como a avaliação da cor da pele, entre outros
parâmetros.
O teste de Apgar não determina a necessidade de uma reanimação do recém-nascido, mas é
uma ferramenta útil para a tomada de decisões quanto à sua saúde nos primeiros minutos de
vida. O Programa de Reanimação Neonatal norte-americano recomenda que a reanimação, se
necessária, seja aplicada de imediato, mesmo antes do primeiro minuto de vida, portanto,
antes da avaliação pelo teste de Apgar. Neste caso, o índice de Apgar será uma ferramenta útil
para avaliar a resposta do recém-nascido à reanimação.
O que é avaliado no índice de Apgar?
Para o teste de Apgar é suficiente o uso de um estetoscópio (para auscultar o coração) e a
observação da equipa que acompanha o parto. São analisados cinco pontos da fisiologia do
bebé: respiração, frequência cardíaca, irritabilidade reflexa, tónus muscular, cor da pele. Para
cada um, a pontuação de zero a dois corresponde a características específicas.
 Respiração
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0 - Não respira
1 - Respira lentamente e de forma irregular, fraca, com suspiros
2 - Chora vigorosamente
 Frequência cardíaca
0 - Não há batimento cardíaco
1 - Menos de 100 batimentos por minuto
2 - Mais de 100 Batimentos por minuto
 Irritabilidade reflexa
0 - Não responde a estímulos
1 - Faz caretas em resposta aos estímulos
2 - Chora, espirra ou tosse em resposta a estímulos
 Tónus muscular
0 - Músculos moles e caídos, sem atividade
1 - Há alguma tensão muscular e flexão dos músculos
2 - O bebé está ativo, músculos tensos e fletidos
 Cor (é importante notar que a cianose periférica é comum entre recém-nascidos e que
esta avaliação pode também variar segundo a cor da pele do bebé)
0 - O bebé está pálido ou azulado
1 - O bebé está rosado, mas azulado nas mãos e pés
2 - O bebé está completamente rosado
As pontuações de cada ponto são somadas. Uma pontuação de sete ou mais indica que o bebé
nasceu bem. Uma pontuação inferior a sete implica um acompanhamento próximo por parte
da equipa médica, que avalia que procedimentos poderão ser necessários. O Programa de
Reanimação Neonatal norte-americano, por exemplo, recomenda que, no caso de uma
pontuação inferior a sete aos cinco minutos, este exame seja repetido a cada cinco minutos até
aos 20 minutos.
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8 | P á g i n a
Vitamina K
(Fitomenadiona)
via
intramuscular
(IM);
dose única de
1mg
Quais as limitações deste teste?
Esta escala não tem em conta circunstâncias que podem influenciar uma pontuação baixa no
índice, mesmo que o recém-nascido seja saudável. Entre os fatores que podem diminuir a nota
neste teste estão:
 Nascimento prematuro
 Gravidez de risco
 Parto por cesariana
 Anestesia durante o parto
 Complicações no trabalho de parto
É importante notar ainda que esta escala terá avaliações diferentes no caso do recém-nascido
ter sido sujeito a reanimação.
O mau resultado no teste tem implicações na saúde futura do bebé?
Não. Este teste é uma avaliação do momento em que foi feito. Uma pontuação inicial baixa não
significa que o bebé terá complicações de saúde depois de lhe ser prestada a assistência que se
revele necessária. O teste de Apgar não diagnostica, aliás, nenhuma doença.
Vitamina k
Seguem algumas informações acerca da vitamina k, de acordo com as recomendações das
diretrizes nacionais de assistência ao parto normal (BRASIL, 2017ª)
As manifestações
clínicas
predominantes da
carência da vitamina
K
Hemorragias
Decorrentes da nao
ativação das
proteinas
dependentes de
vitamina K
De acordo com as diretrizes nacionais de assistência ao aparto normal, todos os recém-
nascido devem receber vitamina k para a profilaxia da doença hemorrágica, conforme
descrição abaixo:
Esse método de dose única, apresenta a melhor relação custo-efetividade.
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9 | P á g i n a
Vitamina K
(fitomenadiona)
via oral (VO)
2 mg ao nascer
ou logo depois;
+ 1 dose de 2 mg
Entre o 4º e o 7º
dia
Se os pais se recusarem a administração intramuscular (IM), deve ser oferecida a
administração oral (VO) de vitamina K, os responsáveis devem ser advertidos de que esse
método deve seguir as recomendações do fabricante e exige múltiplas doses, veja:
Para os RNs em aleitamento materno exclusivo, em adição ás recomendações para todos os
neonatos, uma dose de 2mg via oral deve ser administrada entre 4 e 7 semanas depois, por
causa dos níveis variáveis e baixos de vitamina K no leite materno e da produção endógena
inadequada.
Métodos de crede
O método de Credé ou credeização consiste na instilação ocular de uma gota de Nitrato de Prata
a 1% para prevenção da oftalmia gonocócica. Este procedimento é realizado na primeira hora de
vida, tanto em parto normal quanto cesáreo. Em caso de presença de vérnix na região ocular, o
mesmo deverá ser removido, mediante uso de uma gaze seca ou umidificada em água (não
utilizar soro fisiológico ou qualquer solução salina). Afastam-se as pálpebras e instila-se uma gota
de nitrato de prata a 1% no saco lacrimal inferior de cada olho.
 A profilaxia deve ser realizada na 1ª hora de vida depois do nascimento, tanto por parto
vaginal, quanto no cesáreo.
Profilaxia da oftalmia Neonatal
De acordo com o manual de diretrizes nacionais em 2020 é indicado:
 1 ª hora depois do nascimento, tanto parto vaginal quando cesáreo, instilar 1 gota
de nitrato de prata a 1% no fundo de cada olho ou tetraciclina a 1% (colírio).
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10 | P á g i n a
CUIDADOS DE ENFERMAGEM EM UTI NEONATAL
Os chamados “cuidados gerais de Enfermagem em UTI neonatal” são aqueles rotineiramente
realizados pela equipe técnica de Enfermagem para com todos os bebes internados, salvo
algumas exceções e/ou modificações de certos procedimentos para certos pacientes, conforme
prescrição medica e/ou de Enfermagem. Esses “cuidados gerais” incluem:
 Verificação de sinais vitais (saturação de oxigênio, pulso ou frequência cardíaca,
respiração temperatura e pressão arterial e aplicação de escala de dor);
 Manter elevação da cabeceira entre 30 e 45 graus conforme prescrição médica;
 Permeabilizar os cateteres de acesso venoso periférico, cateter umbilical, flebotomia ou
PICC (quaisquer que sejam que o RN esteja mantendo)
Conforme prescrição medica e de Enfermagem e observar constantemente se não há sinais
logísticos ou de extravasamento no local de inserção dos cateteres.
 Rodízio de sensor de oximetria continua entre os MMSS e MMII (membros superiores e
inferiores respectivamente)
 Higiene oral e ocular dos recém-nascido;
 Mudança de decúbito;
 Higiene perineal e troca de fraldas;
 Pesagem de fraldas e controle de eliminações vesico-fisiológico;
 Curativo de coto umbilical;
 Banho recém-nascido
 Troca de eletrodos e de roupas (ninho) do leito do recém-nascido (sempre após o banho
ou quando houver necessidade);
 Sempre observar a posição de cânula orotraquel e das sondas para certificar-se que o RN
não está “extubando acidentalmente” ou “que saque a sonda” quando necessário, colocar
luvinhas para evitar que o RN saque a sonda Gástrica;
 Oferta de dieta por gavagem, sonda-dedo, copinho, ou posicionando o recém-nascido
em seio materno (conforme a prescrição medica);
 Manutenção do conforto geral do recém-nascido (diminuir luminosidade, ruídos e ter
manuseio mínimo agrupando os cuidados)
 Manter ambiente térmico neutro;
(Esses cuidados listado acima são os principais cuidados rotineiros de uma UTI Neonatal.)
Verificando os sinais vitais dos Recém-Nascidos na UTI neonatal
A rotina de verificação dos sinais vitais em UTI neonatal costuma ser feita com um
espaçamento de horas que variam de 4 em 4, 3 em 3, ou até em 2 em 2 horas conforme o caso
e a gravidade do recém-nascido. Os sinais vitais são aqueles que nos informam sobre como
está, basicamente, a hemodinâmica do bebe, e incluem verificar:
 Saturação de oxigênio;
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11 | P á g i n a
Faixa de normalidade: 36,5 a 37ºC
 Temperatura;
 Frequência cardíaca;
 Respiração por minuto;
 P.A
 E verificar qual o nível da dor do RN aparenta naquele momento, através da aplicação
“da escala de dor” própria.
Saturação de oxigênio:
O oximetro de pulso é um método não invasivo que avalia a oxigenação dos tecidos por meio
da espectrometria infravermelha e reflete a saturação de oxigênio de hemoglobina. Nos
neonatos, a enfermagem deve colocar os eletrodos nas extremidades (mão e pés) sempre, com
o eletrodo “aceso com a luz vermelha” em cima da artéria local para que consiga fazer a
leitura, o de cima fica alinhado com o de baixo, e envolvem-se ambos com o coban para mantê-
los posicionados. Faz-se o rodizio deste sensor aproximadamente de 3 em 3 horas.
Verificação de Temperatura:
A temperatura axilar do bebê pode ser verificada com termômetro digital. Antes e após utilizar
o termômetro, deve-se fazer sua desinfecção com álcool a 70% posicionar o termômetro sob a
axila do bebê e esperar que o mesmo “apite”, avisando que já chegou a temperatura máxima,
verificar e anotar nos controles do bebê. Se o bebê estiver mantendo sensor de pele ou sensor
retal, a temperatura será mostrada continuamente na tela do monitor de parâmetros vitais
juntamente com outros sinais vitais.
Controle térmico
A temperatura central pode ser obtida de forma intermitente por via axilar ou continua por
meio de sensor abdominal. A temperatura da pele sobre o fígado tem sido bastante usada
como indicador da temperatura central. (Sensor na linha média da porção superior do abdome,
estando o recém-nascido em supino, ou colocar o sensor no dorso do recém-nascido, na região
escapular) a temperatura periférica pode ser aferida nos membros, mais comumente nos pés.
Não se recomenda a avaliação da temperatura retal.
Hipotermia:
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12 | P á g i n a
 Potencial estresse do frio (hipotermia leve): temperatura entre 36,0 e 36,4ºC;
Hipotermia moderada:
 Temperatura entre 32,0 e 35,9ºC
Hipotermia grave:
 Temperatura < 32,0 ºC;
Hipertermia:
 Temperatura > 37,5ºC;
Prevenção da hipotermia:
 Manter a temperatura da sala de parto maior ou igual a 25 º C;
 Ligar a fonte de calor radiante antes do nascimento e pré-aquecer os campos;
 Recepcionar o recém-nascido em campos aquecidos e colocá-lo sob calor radiante;
 Secar e remover os campos úmidos;
 Uso de gorro de algodão
 Cobertura oclusiva com filme de polietileno, poli vinil ou poliuretano (<32 semanas)
 Uso de saco plástico (A respiração do recém-nascido pode ser verificada de dois modos:
Observando o abdome do bebe para contar (a cada inspiração e expiração uma respiração
completa) por 1 minuto (para isso, ultilize um relógio analógico)
A Frequência Cardíaca:
Observa-se, ou posicionando o estetoscópio na região do bebe e contando por um minuto ou
observando o valor que aparece no monitor.
Lembrando que, para monitorar o bebe, deve-se colar os eletrodos nas regiões indicadas e
sobre eles colocar os sensores de acordo com a indicação do fabricante para que eles façam a
leitura e também, deve-se programar o monitor para que este mostre os parâmetros
desejados, programe o tipo de modo, o tipo de traçados e os limites que o aparelho deve
alarmar como máximo e mínimos para as frequências cardíacas e respiratórias do bebê
A Pressão Arterial:
Utilizar um manguito apropriado para o tamanho do bebe. O manguito deve cobrir dois terços
do braço do bebe. Ele mostrará a pressão sistólica (máxima), a diastólica (mínima) e a média
(que deve corresponder aproximadamente a quantas semanas o bebe tem.
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13 | P á g i n a
Classificação:
Pré – termo: < 34 semanas
Pré-termo Tardio: 34 – 36 semanas
Termo: 37- 42 semanas
Pós termo > 42 semanas
Antropometria do RN
Definição: Período Neonatal: Nascimento até 27 Dias, 23h e 59 min.
Idade Gestacional: Duração em semanas e dias. Consiste do primeiro dia da última Mestruação
até a data do parto.
Idade gestacional:
Observação inicial:
 Despir o RN e observar suas reações;
 Manter a temperatura ambiente adequada;
 Malformações grosseiras;
Medidas antropométricas:
Perímetro Cefálico (PC): 33 a 35 cm (bipariental);
Mede-se com fita métrica, passando pelo ponto mais saliente do osso occipital e pelas
bordas supra occpitária (globela) sem passar por cima das orelhas.
Perímetro Torácico (PT): 30,5 a 33 cm, 2 a 3 cm menor que o PC;
Perímetro Abdominal: 2 a 3 cm menor que o PC;
Obs.: fita métrica na altura da cicatriz umbilical
Estatura (Altura): 48 a 53 cm;
Peso: 2,500g a 4,000g perda de 10% de peso na 1ª semana de vida.
Obs.: pesar com o RN despido, antes da alimentação.
Ganho de Peso: primeiros 4 ou 5 dias, perda de 3 a 10% de peso, recuperando em torno do 10º
dia;
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14 | P á g i n a
Exame feito a partir do sangue coletado do calcanhar do bebê e que permite identificar doenças
graves, como: o hipotireoidismo congênito (glândula tireóide do recém-nascido não é capaz de
produzir quantidades adequadas de hormônios), a fenilcetonúria (doença do metabolismo) e as
hemoglobinopatias (doenças que afetam o sangue – traço falcêmico e doença falciforme).
 Primeiro trimestre, em média 25 a 30 g/dia
 Segundo trimestre, em média 20g/ dia
 Terceiro trimestre, em média 15g/ dia
Aspecto geral de comportamento:
- Postura: extremidades fletidas, pernas arqueadas, tônus musculares pronunciados, movimento
simétrico espontâneo, flexão e extensão bilateral;
- Nível de alerta/ consciência fácil de consolar e choro forte
Exames
Teste do Pezinho:
Por que fazer o teste?
Porque essas doenças não apresentam sintomas no nascimento e, se não forem diagnosticadas
e tratadas cedo, podem causar sérios danos à saúde, inclusive retardo mental grave e
irreversível.
Quem deve fazer o teste?
Todas as crianças recém-nascidas. A data ideal para a coleta de sangue é entre o 3º e 5º dia de
vida do recém-nascido.
O que é traço falcêmico?
É uma alteração herdada dos pais que afeta, diretamente, as células do sangue. Essa alteração é
não uma doença. Mas, se duas pessoas com traço falcêmico se unem, seus filhos podem nascer
com doença falciforme. Tanto o traço quanto a doença podem ser detectados através do Teste
do Pezinho.
O que é doença falciforme?
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15 | P á g i n a
É uma doença hereditária que provoca dificuldades na circulação do sangue. A doença falciforme
causa crises de dor aguda, infecções graves, icterícia (cor amarela no branco dos olhos) e
cansaço.
Onde se pode fazer o teste do pezinho?
Diversas maternidades já fazem o teste rotineiramente, antes da alta hospitalar, após o parto.
Procure saber se isto é feito na maternidade onde nasceu o seu filho. Caso o teste ainda não
tenha sido feito, você poderá procurar Postos de Saúde do seu município.
E se você não quiser que seu filho faça o teste?
Hoje em dia, o teste é obrigatório por lei em todo o território nacional. Alguns municípios,
inclusive, não permitem que a criança seja registrada em cartório se não tiver feito o Teste do
Pezinho anteriormente.
O tratamento é caro?
No caso do hipotireoidismo congênito, o tratamento é simples e barato, mas requer o
acompanhamento de um médico especialista. Já o tratamento da fenilcetonúria requer o uso de
leite e alimentos especiais que são, muitas vezes, importados.
O que acontece se a criança não fizer o tratamento?
Se o seu filho for portador de alguma dessas doenças e não for tratado convenientemente,
certamente desenvolverá problemas no desenvolvimento físico e mental e de nada adiantará
iniciar o tratamento depois que isso acontecer.
Teste do olhinho
O teste do olhinho, também conhecido como teste do reflexo vermelho, é um teste realizado
durante a primeira semana de vida do recém-nascido para avaliar as estruturas do olho,
garantindo que estão corretamente desenvolvidas.
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16 | P á g i n a
Este teste normalmente é feito logo na maternidade, mas pode também ser feito na primeira
consulta com o pediatra, devendo ser repetido algumas vezes durante os 2 primeiros anos de
vida.
O teste do olhinho está indicado para todos os recém-nascidos, mas é especialmente
importante no caso de crianças que nasceram com microcefalia ou que as mães foram
infectadas com o Zika vírus durante a gravidez, já que há maior risco de desenvolvimento de
alterações na visão.
Quando fazer o teste:
O teste do olhinho deve ser realizado em todos os recém-nascidos e geralmente é feito logo na
maternidade, durante os primeiros dias de vida. No entanto, caso não seja possível, o teste
deve ser feito na primeira consulta com o pediatra fora da maternidade.
É ainda recomendado que o teste seja repetido regularmente durante os primeiros 2 anos de
vida do bebê, de acordo com orientação do pediatra, mas normalmente é feito aos 4, 6, 12 e
24 meses.
Para que serve
O teste do olhinho avalia as estruturas do olho e, por isso, permite identificar qualquer
alteração que seja sugestiva de doenças oculares como:
 Catarata congênita;
 Glaucoma;
 Retinoblastoma;
 Cegueira.
Além disso, neste teste, o médico também pode avaliar se o bebê possui algum
grau elevado de miopia ou hipermetropia.
Como é feito o teste
O teste do olhinho não dói e é rápido, sendo realizado pelo pediatra através de um pequeno
aparelho que projeta uma luz nos olhos do recém-nascido.
Quando essa luz é refletida de cor avermelhada significa que as estruturas dos olhos do bebê
estão saudáveis. No entanto, quando a luz refletida é esbranquiçada ou de forma diferente
entre os olhos, deve-se fazer outros exames com o oftalmologista para investigar a
possibilidade de problemas de visão.
Quando fazer outros exames de vista
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17 | P á g i n a
Além do teste do olhinho, o bebê deve ser levado para uma consulta com o oftalmologista no
primeiro ano de vida e aos 3 anos. Além disso, os pais devem estar atentos a sinais de
problemas de visão, como não acompanhar o movimento de objetos e luzes, presença de fotos
em que os olhos criança refletem luz branca ou presença de olhos vesgos por 6 meses, o que
indica estrabismo.
Na presença desses sinais, deve-se levar a criança para fazer exames com o oftalmologista,
facilitando a identificação do problema e o tratamento adequado para prevenir problemas
mais graves, como a cegueira.
Teste da orelhinha
O teste da orelhinha é um teste obrigatório por lei que deve ser feito ainda na maternidade,
nos bebês para avaliar a audição e detectar precocemente algum grau de surdez no bebê.
Este teste é gratuito, fácil e não machuca o bebê e é normalmente realizado durante o sono
entre o 2º e 3º dia de vida do bebê. Em alguns casos, pode ser recomendado que o teste seja
repetido após 30 dias, principalmente quando há maior risco de alterações auditivas, como no
caso de recém-nascidos prematuros, com baixo peso ou cuja mãe teve alguma infecção
durante a gravidez que não foi devidamente tratada.
Para que serve
O teste da orelhinha tem como objetivo identificar alterações na capacidade auditiva do bebê,
e, por isso, é um teste importante para o diagnóstico precoce de surdez, por exemplo. Além
disso, esse teste permite identificar pequenas alterações auditivas e que poderiam interferir no
processo de desenvolvimento da fala.
Assim, por meio do teste da orelhinha, o fonoaudiólogo e o pediatra podem avaliar a
capacidade auditiva do bebê e, caso seja necessário, indicar o início de tratamento específico.
Como é feito o teste da orelhinha
O teste da orelhinha é um teste simples e que não causa dor ou desconforto para o bebê.
Nesse teste, o médico coloca um aparelho na orelha do bebê que emite estímulo sonoro e
mede o seu retorno através de uma pequena sonda que também é inserida na orelha no bebê.
Assim, em cerca de 5 a 10 minutos, o médico pode verificar se existem alterações que devem
ser investigadas e tratadas. No caso de ter sido verificada alteração durante o teste da
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orelhinha, o bebê deve ser encaminhado para a realização de um exame de audição mais
completo, para que possa ser concluído o diagnóstico e iniciado o tratamento adequado.
Quando fazer?
O teste da orelhinha é um teste obrigatório e é indicado logo nos primeiros dias de vida ainda
na maternidade, sendo normalmente realizado entre o 2º e o 3º dia de vida. Apesar de ser
indicado para todos os recém-nascidos, alguns bebês possuem maior chance de desenvolver
problemas auditivos, sendo, por isso, o teste da orelhinha muito importante. Assim, o risco de
o bebê ter o teste da orelhinha alterado é maior quando:
 Nascimento prematuro;
 Baixo peso ao nascer;
 Caso de surdez na família;
 Malformação dos ossos da face ou que envolva a orelha;
 A mulher teve alguma infecção durante a gravidez, como a toxoplasmose, rubéola,
citomegalovírus, herpes, sífilis ou HIV;
 Fizeram uso de antibióticos após o nascimento.
Nesses casos é importante que, independente do resultado, o teste seja repetido após 30
dias.
O que fazer se o teste da orelhinha der alterado:
O teste pode dar alterado em apenas uma orelha, quando o bebê apresenta líquido no ouvido,
que pode ser o líquido amniótico. Nesse caso, deve-se repetir o teste após 1 mês.
Quando o médico identifica alguma alteração nas duas orelhas, poderá indicar imediatamente
que os pais levem o bebê ao otorrinolaringologista ou fonoaudiologista para confirmar o
diagnóstico e iniciar o tratamento. Além disso pode ser preciso observar o desenvolvimento do
bebê, tentando perceber se ele ouve bem. Aos 7 e 12 meses de idade, o pediatra pode realizar
novamente o teste da orelhinha para avaliar como está a audição do bebê.
A tabela a seguir indica como se dá o desenvolvimento auditivo da criança:
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Idade do
bebê
O que ele deve fazer
Recém
nascido
Se assusta com sons fortes
0 a 3 meses Se acalma com sons moderadamente fortes e músicas
3 a 4 meses Presta atenção nos sons e tenta imitar sons
6 a 8 meses Tenta descobrir de onde vem o som; fala coisas como 'dada'
12 meses começa a falar as primeiras palavras, como mamã e entende
ordens claras, como' dá tchau'
18 meses fala, pelo menos, 6 palavras
2 anos fala frases usando 2 palavras como ' qué água'
3 anos fala frases com mais de 3 palavras e quer dar ordens
A melhor forma de saber se o bebê não escuta bem é levá-lo ao médico para realizar exames.
No consultório médico o pediatra poderá realizar alguns testes que evidenciam que a criança
possui alguma deficiência auditiva e se esta for confirmada, poderá indicar o uso de um
aparelho auditivo que pode ser feito sob medida.
Teste da linguinha
O teste da linguinha é um exame obrigatório que serve para diagnosticar e indicar o
tratamento precoce de problemas no freio da língua de recém-nascidos, que podem prejudicar
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a amamentação ou comprometer o ato de engolir, mastigar e falar, que é o caso da
anquiloglossia, também conhecida como língua presa.
O teste da linguinha é realizado nos primeiros dias de vida do bebê, geralmente ainda na
maternidade. Esse teste é simples e não causa dor, isso porque o fonoaudiólogo apenas
levanta a língua do bebê para analisar o freio da língua, que também pode ser chamado de
frênulo da língua.
Para que serve?
O teste da linguinha é realizado em recém-nascidos para detectar alterações do freio da língua,
como a língua presa, cientificamente chamada de anquiloglossia. Esta alteração é muito
comum e ocorre quando a membrana que prende a língua na parte de baixo da boca é muito
curta, dificultando os movimentos da língua.
Além disso, o teste da linguinha é feito para avaliar a espessura e de que forma o freio da
língua está fixado, além de analisar como o bebê movimenta a língua e se apresenta
dificuldades para sugar o leite materno.
Assim, é importante que o teste da linguinha seja feito o mais cedo possível, de preferência nos
primeiros meses de vida do bebê, pois dessa forma é possível identificar alterações do freio da
língua o quanto antes para evitar consequências como dificuldades na amamentação ou para
comer alimentos sólidos, alteração na estrutura dos dentes e na fala.
Como é feito?
O teste da linguinha é feito pelo fonoaudiólogo a partir da observação da movimentação da
língua e da forma como o freio está fixado. Essa observação é muitas vezes realizada quando o
bebê está chorando ou durante a amamentação, uma vez que algumas alterações na língua
podem dificultar a pega do bebê no peito da mãe.
Assim, ao verificar os movimentos da língua e o formato do freio, o fonoaudiólogo preenche
um protocolo em que constam algumas características que devem ser pontuadas durante o
exame e, no fim, identifica se há ou não alterações.
Caso seja verificado no teste da linguinha que existem alterações, o fonoaudiólogo e o pediatra
podem indicar o início de tratamento adequado, e, de acordo com a alteração identificada,
pode ser recomendada a realização de um pequeno procedimento para liberar a membrana
presa embaixo da língua.
Importância do tratamento
A língua presa limita os movimentos da língua durante a sucção e deglutição, o que pode levar
ao desmame precoce. Já na introdução da papinha sólida, os bebês com língua presa podem
apresentar dificuldade para engolir e até sofrer engasgos.
Assim, a identificação e o tratamento precoces podem diminuir as consequências negativas no
desenvolvimento oral das crianças de zero a dois anos de idade que nasceram com o freio da
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língua muito curto. Quando corrigido a tempo, o tratamento pode evitar transtornos nas
diferentes etapas do desenvolvimento oral das crianças.
Teste do coraçãozinho
O teste do coraçãozinho é obrigatório e gratuito, feito ainda na maternidade entre 24 e 48
horas após o nascimento. O exame consiste em medir a oxigenação do sangue e os batimentos
cardíacos do recém-nascido com o auxílio de um oxímetro, que é uma espécie de pulseirinha,
colocada no pulso e no pé do bebê.
Caso alguma alteração seja detectada, o bebê é encaminhado para fazer um ecocardiograma,
que é um exame que detecta defeitos no coração do bebê.
Doenças hemolíticas do RN
A doença hemolítica do recém-nascido é um quadro clínico no qual os glóbulos
vermelhos são degradados ou destruídos pelos anticorpos da mãe. A hemólise
é a destruição dos glóbulos vermelhos no sangue.
 Esse distúrbio pode ocorrer se o sangue da mãe for incompatível (entra em conflito)
com o sangue do feto.
 O diagnóstico toma por base exames de sangue da mãe e, às vezes, do pai.
 Às vezes, imunoglobulina é administrada à mãe durante a gestação para ajudar a
prevenir essa doença no recém-nascido.
 O tratamento pode incluir transfusões de sangue para o feto antes do parto e para o
recém-nascido após o parto.
Os glóbulos vermelhos contêm hemoglobina, uma proteína que confere a cor vermelha ao
sangue e que permite a este transportar oxigênio dos pulmões a todos os tecidos corporais.
Oxigênio é utilizado pelas células na produção da energia de que o corpo necessita, o que
origina dióxido de carbono como produto residual. Os glóbulos vermelhos transportam o
dióxido de carbono dos tecidos para os pulmões. Quando o número de glóbulos vermelhos é
muito baixo, o sangue transporta menos oxigênio, causando fadiga e fraqueza.
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A doença hemolítica do recém-nascido pode causar concentrações elevadas de bilirrubina no
sangue (hiperbilirrubinemia), baixo número de glóbulos vermelhos no sangue (anemia) e,
muito raramente, nas apresentações mais graves, morte. A bilirrubina é um pigmento
amarelo produzido durante a destruição normal dos glóbulos vermelhos.
Incompatibilidade de Rh
O fator Rh é uma molécula na superfície de glóbulos vermelhos em algumas pessoas. O
sangue será Rh positivo se os glóbulos vermelhos da pessoa tiverem o fator Rh. O sangue será
Rh negativo se os glóbulos vermelhos da pessoa não tiverem o fator Rh. O sangue da maioria
das pessoas é Rh positivo.
Quando o bebê tem glóbulos vermelhos Rh positivos e a mãe possui glóbulos vermelhos Rh
negativos, os dois têm uma incompatibilidade do fator Rh. Assim, o sistema imunológico da
mãe com sangue Rh negativo pode determinar que os glóbulos vermelhos do sangue Rh
positivo do feto são “estranhos” e produzir anticorpos contra o fator Rh nos glóbulos
vermelhos do feto (esse processo é denominado sensibilização ao Rh). Os anticorpos da mãe
podem atravessar a placenta e chegar ao sangue do feto antes do parto. Os anticorpos mãe
se fixam e destroem (causam a hemólise) os glóbulos vermelhos do feto. A destruição rápida
de glóbulos vermelhos começa enquanto o feto ainda está no útero e continua após o parto.
Essa destruição pode causar anemia.
A mãe com sangue Rh negativo pode produzir anticorpos anti-Rh se ela for exposta a glóbulos
vermelhos que são Rh positivo. A maneira mais comum de uma mulher ser exposta a sangue
Rh positivo é quando ela tem um feto com sangue Rh positivo. A mãe é exposta ao maior
volume de sangue do feto durante o parto, ocasião na qual a maior parte da sensibilização ao
Rh ocorre. Contudo, algumas mães também podem ser expostas ao sangue do feto antes
disso, por exemplo, durante um aborto espontâneo ou eletivo, durante um exame
diagnóstico no feto (por exemplo, uma amniocentese ou amostragem de vilosidades
coriônicas), caso elas sofram alguma lesão no abdômen, ou se houver um descolamento
prematuro da placenta (ruptura da placenta). Assim, a maioria dos casos de doença
hemolítica ocorre em fetos cujas mães passaram por dessensibilização em uma gravidez
anterior. Contudo, em casos raros, a mãe pode produzir anticorpos no início da gestação e
depois esses anticorpos afetam o feto mais no final da gestação. A exposição também pode
ocorrer fora de uma gestação, por exemplo, se a mãe tiver recebido em alguma ocasião uma
transfusão de sangue Rh positivo antes da gravidez. Assim que a mãe tenha sido exposta e
tenha desenvolvido anticorpos, é mais provável que ocorram problemas nas gestações
posteriores em que o feto tem sangue Rh positivo.
Incompatibilidade de ABO
Às vezes, outras incompatibilidades de grupo sanguíneo podem dar origem a uma doença
hemolítica similar (porém menos grave). Caso a mãe tenha sangue tipo O, por exemplo, e o
feto tenha sangue tipo A ou B, o corpo da mãe produzirá anticorpos anti-A ou anti-B que
podem atravessar a placenta em grandes quantidades, fixar-se aos glóbulos vermelhos do
feto e provocar sua destruição (hemólise), o que causa anemia leve ou hiperbilirrubinemia.
Esse tipo de incompatibilidade é denominado incompatibilidade ABO. Em geral, a
incompatibilidade ABO causa uma anemia menos grave que a incompatibilidade do fator Rh
e, ao contrário da incompatibilidade do fator Rh, ela normalmente fica menos grave com
cada gravidez posterior.
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Diagnóstico da doença hemolítica do recém-nascido
 Exames de sangue na mãe durante a gestação e, às vezes, no pai
Prevenção da doença hemolítica do recém-nascido
 Injeção de imunoglobulina durante a gestação e após o parto
Sintomas da doença hemolítica do recém-nascido
Após o parto, o recém-nascido com doença hemolítica possivelmente estará inchado, pálido
ou com a pele amarelada (um quadro clínico denominado icterícia) ou pode ter o fígado ou o
baço aumentados, anemia ou ter acúmulo de líquido no corpo.
Durante a primeira consulta pré-natal da gestação, a mãe realiza um exame de sangue para
determinar se o sangue dela é Rh positivo ou Rh negativo. Se o sangue da mãe for Rh
negativo e o resultado do exame for positivo para anticorpos anti-Rh ou se o resultado do
exame for positivo para outro tipo de anticorpo que pode causar doença hemolítica no recém-
nascido, o sangue do pai será analisado. A sensibilização ao Rh é um risco se o pai tiversangue
Rh positivo. Nessas situações, a mãe realiza exames de sangue periódicos durante a gestação
para verificar os níveis de anticorpos anti-Rh. Nada mais precisa ser feito, enquanto
anticorpos não forem detectados. Se os exames detectarem anticorpos, são realizados
exames de sangue especiais na mãe e no feto durante a gestação.
Para evitar que uma mulher com sangue Rh negativo desenvolva anticorpos contra os
glóbulos vermelhos do feto, ela recebe uma injeção de um preparado de imunoglobulina anti-
D (Rh0) aproximadamente na 28ª semana de gestação e novamente 72 horas após o parto.
Elas também recebem uma injeção após qualquer episódio de sangramento vaginal durante a
gravidez e depois da amniocentese ou amostragem das vilosidades coriônicas. A
imunoglobulina rapidamente reveste os glóbulos vermelhos fetais que sejam Rh positivo que
tenham entrado na circulação da mãe para evitar que o sistema imunológico da mãe
determine que eles são “estranhos” e, com isso, desencadeie a formação de anticorpos anti-
Rh. Esse tratamento em geral impede que a doença hemolítica do recém-nascido se
desenvolva.
Tratamento da doença hemolítica do recém-nascido
 Às vezes, transfusões de sangue para o feto antes do parto
 Às vezes, mais transfusões após o parto
 Tratamento da icterícia, se ela estiver presente
Se o feto for diagnosticado com anemia, ele pode receber transfusões de sangue antes do
nascimento. É possível que as transfusões continuem a ser realizadas até que o feto tenha
amadurecido o suficiente e possa nascer com segurança. Antes do parto, a mãe pode receber
corticosteroides para ajudar os pulmões do feto a amadurecerem e para se preparar para a
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possibilidade de um parto prematuro, caso necessário. O recém-nascido pode precisar de
mais transfusões após o parto.
A anemia grave causada pela doença hemolítica do recém-nascido é tratada da mesma
maneira que qualquer outra anemia (consulte tratamento da anemia). O médico também
examina o recém-nascido quanto à presença de icterícia. A icterícia tem propensão a ocorrer
quando uma destruição rápida dos glóbulos vermelhos produz um excesso de bilirrubina. A
bilirrubina é um pigmento amarelo que dá à pele e ao branco dos olhos do recém-nascido
uma tonalidade amarelada. Se a concentração de bilirrubina for demasiadamente elevada,
ela pode prejudicar o bebê. A concentração elevada de bilirrubina pode ser tratada ao expor
o recém-nascido a uma luz clara (fototerapia ou “banhos de luz”) ou, em algumas ocasiões,
submetendo o recém-nascido a uma exsanguineotransfusão. Concentrações muito elevadas
de bilirrubina no sangue podem causar danos cerebrais (querníctero), a menos que isso seja
evitado por essas medidas.
Parâmetros de crescimento e desenvolvimento de criança e
adolescente.
Fases de desenvolvimento da criança:
 O que é o desenvolvimento infantil?
O desenvolvimento infantil é um processo de aprendizado pelo qual as crianças passam para
adquirir e aprimorar diversas capacidades de âmbito cognitivo, motor, emocional e social.
Ao conquistar determinadas capacidades, a criança passa a apresentar certos comportamentos
e ações (como, por exemplo, dizer a primeira palavra, dar os primeiros passos, etc.) que são
esperados a partir de determinada idade.
O desenvolvimento infantil acaba por ser um conjunto de aprendizados que, pouco a pouco,
vai tornando a criança cada vez mais independente e autônoma.
Fases do desenvolvimento infantil (segundo Jean Piaget)
As etapas do desenvolvimento infantil foram o principal tema de estudo do psicólogo
suíço Jean Piaget.
Jean William Fritz Piaget (9 de agosto de 1896 - 16 de setembro de 1980)
Durante o tempo em que trabalhava em uma escola, Piaget se interessou por observar o
raciocínio utilizado pelas crianças para responder as perguntas de seus professores.
Posteriormente, passou a observar também os seus filhos e desta forma, acabou por subdividir
as fases da infância.
A teoria de Piaget considera que o desenvolvimento infantil consiste em quatro fases no que
diz respeito à cognição: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório
formal.
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 Sensório-motor: 0 a 2 anos
Nessa fase do desenvolvimento, a criança desenvolve a capacidade de se concentrar em
sensações e movimentos.
O bebê começa a ganhar consciência de movimentos que, anteriormente, eram involuntários.
Ele percebe, por exemplo, que ao esticar os braços pode alcançar determinados objetos.
Durante esse período, ocorre o desenvolvimento da coordenação motora.
Os bebês nessa faixa etária só têm consciência daquilo que podem ver e é por isso que choram
quando a mãe sai do seu campo de visão, mesmo que ela esteja muito perto.
 Pré-operatório: 2 a 7 anos
Esse é o período onde ocorrem representações da realidade dos próprios pensamentos.
Nessa fase, algumas vezes a criança não tem a real percepção dos acontecimentos, mas sim a
sua própria interpretação.
Ao observar um copo fino e alto e um copo baixo e largo que comportam a mesma quantidade,
por exemplo, a criança acredita que o copo alto comporte uma quantidade maior.
Durante esse período também é possível notar uma fase bastante acentuada
do egocentrismo e a necessidade de dar vida às coisas.
É a fase dos “porquês” e da exploração da imaginação, ou seja, do dito "faz de conta".
 Operatório concreto: 8 a 12 anos
Nessa fase começa a ser demonstrado o início do pensamento lógico concreto e as normas
sociais já começam a fazer sentido para a criança.
A criança é capaz de entender, por exemplo, que um copo fino e alto e um copo baixo e grosso
podem comportar a mesma quantidade de líquido.
Nessa faixa etária, o desenvolvimento da criança já contempla conhecimentos sobre regras
sociais e sobre o senso de justiça.
 Operatório formal: a partir dos 12 anos
Aos 12 anos a criança já possui a capacidade de compreender situações
abstratas e experiências de outras pessoas.
Mesmo que a própria criança jamais tenha vivido determinada experiência e nem mesmo nada
parecido, ela passa a ter a capacidade de compreender através de situações vividas por outros,
ou seja, a compreender situações abstratas.
O pré-adolescente também já é capaz de criar situações hipotéticas, teorias e possibilidades e
de começar a se tornar um ser autônomo.
Quais são os marcos do desenvolvimento infantil?
Os marcos do desenvolvimento infantil consistem em certos comportamentos ou capacidades
que se esperam das crianças em determinadas faixas etárias.
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 Desenvolvimento infantil de 7 meses a 1 ano
É importante referir que esses marcos podem acontecer mais cedo para umas crianças do que
para outras, mas uma variação de tempo excessivamente grande pode significar algum
distúrbio de desenvolvimento.
 Desenvolvimento infantil de 0 a 6 meses
 Logo a seguir ao nascimento: o bebê dorme a maior parte do tempo, chora ao sentir
desconforto e tem o hábito de sugar a boca;
 1 mês: move a cabeça, o olhar é capaz de acompanhar um objeto em movimento, reage a sons,
tem a capacidade de focar o rosto de outra pessoa com o olhar;
 6 semanas: sorri durante a interação com outras pessoas, fica deitado de bruços;
 3 meses: abre e fecha as mãos, mantém a cabeça firme quando está sentado e a eleva quando
deitado de bruços, tenta alcançar objetos suspensos, começa a balbuciar sons;
 5-6 meses: rola o corpo quando deitado, reconhece pessoas, é capaz de sentar (com apoio),
emite sons semelhantes a pequenos gritos para exprimir alegria.
 7 meses: é capaz de sentar (sem apoio), segura a mamadeira, passa objetos de uma mão para
outra, reconhece o próprio nome, sustenta parte do peso de seu corpo quando está em pé;
 9 meses: reage quando os brinquedos são tirados dele, consegue ficar em pé (com apoio),
consegue sentar a partir da posição de bruços, começa a falar “papá” e “mamã” ("papai" e
"mamãe"), engatinha;
 12 meses: é capaz de andar com apoio e de dar um ou dois passos sem apoio, aprende a bater
palmas e a “dar tchau”, fala algumas palavras, aprende a ingerir líquidos através de um copo.
 Desenvolvimento infantil de 1 ano e 6 meses a 3 anos
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 Desenvolvimento infantil de 4 a 6 anos
 1 ano e 6 meses: a criança anda com mais segurança, sobe escadas se apoiando, é capaz de
comer certos alimentos sozinhos, estabelece comunicação através de um vocabulário de cerca
de 10 palavras, desenha linhas verticais,
 2 anos – 2 anos e 6 meses: corre com certa segurança, sobe em móveis, ao manusear um livro
ou uma revista consegue virar uma página de cada vez, forma pequenas frases, abre portas,
sobe e desce escadas sem apoio, indica quando precisa ir ao banheiro.
 3 anos: consegue andar de velocípede, vai ao banheiro sozinha, faz perguntas com frequência,
conta até 10, sabe formar o plural de algumas palavras, reconhece algumas cores.
 4 anos: consegue pular em um pé só, aprende a atirar bolas, sabe lavar as mãos e o rosto, sobe
e desce escadas alternando os pés.
 5 anos: consegue agarrar uma bola atirada por outra pessoa, desenha pessoas, sabe pular,
sabe colocar a própria roupa e também se despir, conhece um número maior de cores.
 6 anos: sabe escrever o seu próprio nome, caminha em linha reta, apresenta fala fluente (usa
tempos verbais, plurais e pronomes corretamente), tem capacidade de memorizar histórias,
começa a aprender verdadeiramente a compartilhar, começa a demonstrar interesse em saber
de onde vêm os bebês.
 Crescimento, maturação e diferenciação e desenvolvimento
- O crescimento é definido como sendo a transformação quantitativa, ou seja, no que diz
respeito ao aspecto biológico, cronológico (anos) e antropométricos (altura, peso, etc). Ou seja,
o crescimento é o aumento na estrutura física realizada pela multiplicação de células.
2- O desenvolvimento é o aprimoramento de alguns componentes, sendo físico, mental,
emocional, social, motor, ou seja, aprimorando o que era simples para um estágio mais
evoluído.
3- A maturação se refere às transformações que capacitam o organismo alçar novos níveis de
funcionamento. Com a maturação, cada dia que passa, estamos mais preparados para executar
novas tarefas.
4- A maturação biológica alcança níveis intensos de modificação durante a puberdade, em
nosso caso, trabalhamos somente com crianças. A maturação biológica pode ser definida
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como; todas as mudanças morfológicas e fisiológicas que acontecem durante o processo de
crescimento devido às transformações físicas, psíquicas e sociais, estabelecendo um elo entre a
infância e o final da vida adulta (velhice). Com a criança vemos algumas transformações, mas
este estado se torna mais visível na puberdade.
5- A aplicação de tais conceitos é de fundamental importância para a distinção de padrões
maduros em determinada faixa etária. Por exemplo: a menina e um menino. A menina tem um
desenvolvimento mais rápido do que o menino em determinadas fases do crescimento.
6- Dessas situações, podemos tirar alguns aspectos importantes. Apesar de idades semelhantes
o grau de desenvolvimento é diferente e assim chegamos à idade biológica e cronológica.
7- A idade cronológica é a idade determinada pela diferença entre um determinado dia e o dia
do nascimento do indivíduo. Gallahue (1989) apresenta a seguinte classificação para a idade
cronológica:
• vida pré-natal (concepção a oito semanas de nascimento);
• primeira infância (um mês a 24 meses do nascimento);
• segunda infância (24 meses a 10 anos);
• adolescência (10-11 anos a 20 anos);
• adulto jovem (20 a 40 anos);
• adulto de meia idade (40 a 60 anos);
• adulto mais velho (acima de 60 anos).
8- A idade biológica, por outro lado, corresponde à idade determinada pelo nível de maturação
dos diversos órgãos que compõem o homem. A determinação da idade biológica, fator
importante nos estudos sobre aptidão física, treinamento desportivo, crescimento e
desenvolvimento, pode ser efetuada por meio da avaliação das idades mental, óssea,
morfológica, neurológica, dental e sexual, o que possibilita que se formem, basicamente, três
grupos: pré-púbere, púbere e pós-púbere (Araújo, 1985).
9- Para Malina (1988), os indicadores mais comumente usados para determinar a
maturação biológica nos estudos de crianças e jovens são a maturação esquelética e o
desenvolvimentodas características sexuais secundárias, ou seja, a maturação sexual.
Tipos de desenvolvimento infantil
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Durante o processo de desenvolvimento, a criança evolui em diferentes aspectos de sua
formação. A evolução não se dá somente no crescimento físico da criança, mas também na sua
parte cognitiva e social, dentre outras.
 Desenvolvimento afetivo
O desenvolvimento afetivo está relacionado aos sentimentos e às emoções e é perceptível por
parte da criança desde a fase de bebê.
Um bebê é capaz de compreender a recepção de carinho e de amor, e também de amar e de
criar laços afetivos com os pais e com outras pessoas próximas, principalmente com aquelas
com as quais tem mais convívio.
O estabelecimento dessas relações é fundamental para que a criança desenvolva sua
inteligência emocional e não tenha, no futuro, problemas afetivos.
 Desenvolvimento cognitivo
O desenvolvimento cognitivo refere-se à parte mais intelectual do ser humano. Diz respeito à
atenção, ao raciocínio, à memória e à capacidade de resolver problemas.
A cognição do ser humano é desenvolvida com o tempo. Enquanto bebê, uma pessoa não tem
uma capacidade de memória muito aguçada. Em geral, as pessoas não têm, por exemplo,
recordações de acontecimentos que tenham tido lugar antes dos seus dois anos de idade.
O desenvolvimento cognitivo infantil permite que a criança interprete, assimile e se relacione
com os estímulos do ambiente que a cerca e com a sua própria essência.
Saiba mais sobre cognitivo e cognição.
 Desenvolvimento físico
O desenvolvimento físico é aquele através do qual as crianças desenvolvem habilidades e
capacidades motoras como sentar, andar, ficar em pé, pular, correr, etc.
Em atividades que requerem mais precisão, como por exemplo, escrever, o desenvolvimento
físico fica também dependente do desenvolvimento cognitivo.
 Desenvolvimento social
Com o desenvolvimento social, a criança aprende a interagir em sociedade.
É com base nesse tipo de desenvolvimento que a criança estabelece com outras pessoas uma
espécie de intercâmbio de informações, que permite adquirir cultura, tradições e normas
sociais.
A importância de brincar no desenvolvimento infantil está diretamente relacionada com esse
tipo de desenvolvimento, pois através da socialização com outras crianças, são desenvolvidas
certas capacidades de interação e noções de limites.
O que pode influenciar o desenvolvimento infantil?
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Apesar da definição do conceito de fases do desenvolvimento piagetiano, o próprio Piaget
defende que esse desenvolvimento poder ser beneficiado por certos estímulos e por um
ambiente apropriado para crianças.
Os principais fatores que podem impactar o desenvolvimento infantil são:
 Ambiente onde a criança vive.
 Hereditariedade (os seus pais, avós e demais ancestrais).
 Alimentação.
 Problemas físicos.
Psicologia do desenvolvimento infantil
A psicologia do desenvolvimento infantil é responsável por estudar as alterações que ocorrem
no comportamento do ser humano durante a infância e defende que ele precisa passar por
algumas etapas de aprendizado para finalmente adquirir determinada capacidade.
Esse estudo engloba não só o desenvolvimento emocional/afetivo (emoções e sentimentos),
mas também o cognitivo (conhecimento/razão), o social (relações sociais) e
o psicomotor (funções motoras e psíquicas).
A psicologia do desenvolvimento busca estudar também os fatores que promovem as
mudanças de comportamento que levam a determinado fim.
O psicólogo suíço Jean Piaget, fez uma analogia entre o desenvolvimento infantil e o
desenvolvimento de um embrião: ele considerou que o percurso do desenvolvimento infantil
consistia em fases e que a conclusão de uma determinada fase era condição necessária para
passar à fase seguinte, ou seja, defendia que o desenvolvimento ocorria de forma sequencial,
sem pular etapas.
Piaget definiu o desenvolvimento cognitivo como uma espécie de embriologia mental.
A construção da criança enquanto indivíduo está diretamente relacionada com o ambiente que
a cerca. A demanda do ambiente pode influenciar diretamente o alcance de determinadas
capacidades.
Essa condição estabelece algumas relações do desenvolvimento infantil com a aprendizagem:
uma criança que não sofre estímulos, pode, por exemplo, desenvolver certas capacidades mais
tarde ou até mesmo vir a não desenvolvê-las.
Em outras palavras, se o ambiente não demanda, a criança pode não “reagir” e não “construir”.
Em suma, a psicologia do desenvolvimento infantil defende que a construção acontece através
da interação com o meio.
 A importância do brincar no desenvolvimento infantil
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As brincadeiras e jogos constituem uma parte fundamental do processo de desenvolvimento
infantil.
Através das brincadeiras, as crianças têm a possibilidade de explorar seus sentimentos e
emoções e também seus medos e angústias.
O lúdico também permite que as crianças criem situações hipotéticas que auxiliam no
desenvolvimento das capacidades de reflexão, análise, raciocínio, imaginação e criatividade.
A brincadeira com outras crianças, por exemplo, ensina a criança a partilhar seja um brinquedo
ou mesmo um espaço. Desta forma, a socialização ajuda a criança a ultrapassar a fase do
egocentrismo.
Administração de medicamento em pediatria
‘’. Administrar medicamentos a crianças e jovens é um cuidado de enfermagem que implica
grande responsabilidade para os Profissionais pois comporta riscos que é preciso prevenir e
minimizar. ’’
 Administração de medicamentos, fluidos e soluções:
As crianças, principalmente os RN´s apresentam maior facilidade de intoxicação devido a
imaturidade do gado, dos rins e porque passam por alterações frequentes no peso
corporal. Isso requer atenção redobrada da enfermagem;
Via oral
 A administração de medicamentos por via oral só pode ser utilizada nos bebes
que estiverem sendo alimentados por sucção, copinho ou sonda orogastrica;
 É a primeira via de escolha em crianças;
 Pode ser usado conta-gotas, copos, medidores ou seringas;
 Não é aconselhável colocar a medicação diretamente na boca da criança;
 Deve-se misturar a medicação com a agua deslada ou leite.
(Administração por via oral em recém-nascido: instilar a medicação com o auxílio de uma
seringa)
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Via oral
 Medicação em forma de capsulas ou comprimidos devem ser trituradas e diluídas em
água deslada estéril. Para administrar por copinho, misture a solução com no mínimo
5ml de leite;
 Sempre se cercar de que a criança engoliu;
 Devemos ter cuidado para que a criança não aspire o medicamento;
 Caso a criança cuspa ou vomite logo após, deve ser administrado novamente;
Via nasal:
 Consiste em instalar medicamento diretamente na mucosa nasal;
 Em recém-nascido e lactantes, posiciona-se a criança no colo da mãe com a cabeça
ligeiramente para trás, segurando os braços;
 Tapa-se uma das narinas e administra na outra e a criança deve permanecer na posição
por pelo menos 1 minuto.
Via otológica:
 Em crianças menores de 3 anos, as gotas devem ser administradas com a criança conda
e deitada sobre o lado não afetado;
 Puxa-se o pavilhão externo para baixo e para trás para que a solução anja todas as
partes;
 Em crianças maiores deve permanecer na posição por pelo menos 3 minutos
Administração por via otológica (ouvido): puxar o pavilhão externo baixo e para trás.
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Via ocular
 Administração de medicação no saco conjunval na forma de gotas ou pomadas;
 Coloca-se a criança deitada ou sentada com a cabeça inclinada para trás;
 Com uma das mãos puxa-se a pálpebra inferior para baixo e explica-se a medicação na
pequena bolsa que se forma e nunca direto no globo ocular;
 Em crianças menores que geralmente fecham os olhos, devemos instalar as gotas nos
cantos próximos ao nariz para espalhar quando a criança abrir os olhos
Administração por via ocular: puxar a pálpebra inferior para baixo
Via retal
 Tem por objetivo a indução da evacuação quando a criança está conspada, ou ns
terapêuticos
 Depois da via endovenosa e a que apresenta absorção mais rápida
 A administração pode ser feita através de supositórios ou sondas retais
Via retal
 Os supositórios utilizados devem ser sempre os infans sendo lubricados com óleo
mineral ou vaselina antes da introdução.
 Afastar as nadegas e introduzir lentamente o supositório;
 Após fazer-lo, o bebe deve ser mando com as nadegas e margens anais aproximadas
pelo menos 5 minutos
 No caso de soluções liquidas usa-se sondas adequadas ao tamanho do RN
 No caso de se usar a sonda retal, deve-se separar uma com tamanho adequado
(geralmente 8 a 12)
 Introduzir 5 a 10 cm de sonda no reto de acordo com tamanho da criança
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vl
 Conectar a seringa com medicação e injetar e em seguida injetar uma quantidade de ar
suficiente para empurrar a medicação
 Rerar a sonda e fazer a compreensão das nadegas.
Via subcutânea
 Os locais de preferência são: região externa e superior dos braços, região externa e
anterior da coxas, região glútea e região abdominal (exceto perto do umbigo);
 O volume não deve passar de 1ml, se a dose prescrita for maior deve-se dividir a
aplicação em região diferente;
 A agulha é a 13x4,5 e ângulo 90º em crianças com massa adequada e 45º em
desnutridas.
Administração por via subcutânea: região externa e anterior da coxa
Via intramuscular
 A principal região utilizada e anterior e lateral da coxa. Essa região só suporta pequenos
volumes que variam de acordo com o peso da criança:
 < 1000g – volume até 0,25ml
 >1000g - volume até 0,5 ml
 Ao terminar a aplicação deve- se fazer uma leve compressão com algodão seco
 A escolha da seringa e agulha dependem da idade e variam de acordo com estado
nutricional e idade da criança
 Deve-se posiciona-la de forma que o local escolhido tenha fácil acesso e que esteja
imobilizado
 Calçar luvas e fazer a assepsia
 Fixar o musculo entre os dedos e introduzir agulha em ângulo de 45º (quando for na
coxa) em direção ao pé da criança.
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Via endovenosa
 Quando a medicação for ser colocada no injetor lateral do equipo, é importante verificar
se a medicação feita pode ser “ misturada” ao pó de solução que o paciente está
recebendo.
 Os escalpes usados devem ser entre 23 a 27
 O jelco usado é geralmente o 24 a 22
 Devem ser xados adequadamente para que se permita visualizar sinais de infiltração e
outras complicações
Instrumentos para administração em via endovenosa
Cuidados de enfermagem:
Manter a criança sob observação, durante um período após a administração do medicamento,
principalmente se for a primeira vez que a droga é utilizada.
Observar se a criança engoliu toda a medicação: administrada via oral;
Em caso de administração intramuscular, prestar atenção na quantidade de medicação que o
musculo “suporta”;
Dar especial atenção as medicações venosas pois entram diretamente na circulação e são
potencialmente vesicantes (irritantes para o venoso);
Evitar o máximo tornar a administração de medicamento uma experiência estressante e
sofrida;
É importante que se conheça a ação do medicamento, os efeitos esperados e os colaterais, o
tempo de ação
Administrar o medicamento que foi preparado pela própria pessoa, evitando fazê-lo caso tenha
sido preparado por outro profissional.
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Principais patologias em crianças
Pneumonia Infantil: Como diagnosticar e tratar?
Pneumonia é um termo genérico para infecções pulmonares, que podem ser causadas por
vários tipos de agentes, como vírus e bactérias. Os principais sintomas são febre e tosse, bem
parecidos com os da gripe, por isso o diagnóstico pode ser difícil.
Como a pneumonia é diagnosticada?
Existem dois tipos principais de pneumonia, a viral e a bacteriana. A pneumonia viral
normalmente começa como um resfriado, e vai piorando aos poucos. A criança pode ter febre
acima de 38,5 graus, tosse que não melhora, além de respiração rápida e curta.
O início da pneumonia bacteriana tem um começo mais repentino. Os sintomas aparecem de
uma hora para outra: febre alta, acima de 39 graus, respiração curta e ofegante e tosse. A
perda de apetite e a falta de energia também são marcas registradas da pneumonia, mas é
sinal de alerta o fato de a criança continuar prostrada e inerte mesmo depois de controlada a
febre.
O médico vai auscultar os pulmões da criança com o estetoscópio. Quando há pneumonia,
surgem sons anormais na respiração. Caso haja suspeita de pneumonia, a criança terá de fazer
uma radiografia de tórax para obter uma imagem dos pulmões.
Talvez o médico peça também outros exames, como um hemograma (exame de sangue) e
coletas de amostras do nariz ou da garganta, para tentar identificar se a causa da infecção é
viral ou bacteriana. Pode ser que o médico prefira fazer esses exames no hospital, porque os
resultados já saem na hora.
Às vezes a pneumonia pode ser atípica, ou seja, aparecer sem tosse, por exemplo, ou com uma
tosse seca, sem catarro — ou até sem febre. Esse tipo de pneumonia pode causar pequenas
epidemias familiares ou na escola, e costuma ser causado por vírus ou bactérias mais
incomuns, como a clamídia e o micoplasma. Nesses casos, a melhora demora mais para
acontecer que no caso da pneumonia bacteriana mais comum.
Há crianças que reclamam de dor na barriga quando estão com pneumonia, o que pode causar
confusão no diagnóstico, e até desconfiança de apendicite. A dor abdominal pode ser causada
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A bronquiolite é uma infecção viral que afeta as vias respiratórias inferiores de bebês e crianças
pequenas com menos de 24 meses de idade.
por infecções nas regiões mais inferiores do pulmão, quando a pleura (camada que cobre o
pulmão) é atingida.
Qual é o tratamento?
O tratamento vai depender do tipo de pneumonia, do estado geral da criança e da idade dela.
A pneumonia viral, assim como todas as outras infecções provocadas por vírus, não responde a
antibióticos. O tratamento, nesse caso, pode se limitar a repouso, administração de líquidos,
remédios para a febre e eventuais inalações, para facilitar a respiração.
Caso a criança esteja muito fraca, os médicos podem preferir que ela fique no hospital, onde
receberá líquidos pela veia e poderá respirar com a ajuda de uma máscara com oxigênio.
Existem também tratamentos de fisioterapia respiratória que podem ser benéficos.
Quando a pneumonia é causada por bactéria, a criança tem de tomar antibióticos.
Dependendo da gravidade, os antibióticos podem ser dados em casa, por via oral, ou no
hospital, pela veia. Os outros tratamentos (inalação, oxigênio, fisioterapia respiratória e
medicamentos para aliviar os sintomas) também são usados de acordo com o estado geral da
criança.
Há algo que eu possa fazer para evitar a pneumonia?
Sim, há medidas que você pode tomar para reduzir o risco de pneumonia:
 Mantenha a vacinação dela em dia. As vacinas contra a bactéria Haemophilus influenza
tipo b (DTP Hib.), contra a difteria e a coqueluche são importantes porque previnem
doenças que podem levar à pneumonia.
 Existe também uma imunização específica contra pneumonias provocadas pela bactéria
pneumococo, oferecidas gratuitamente nos postos de vacinação.
 Vale lembrar que nenhuma vacina imuniza contra todos os tipos de pneumonia.
Converse com o pediatra e mantenha o calendário de vacinação do seu filho sempre em
dia.
 Lave sempre as mãos. O hábito de lavar as mãos com frequência, tanto as suas quanto
as da criança, ajuda a evitar a disseminação dos agentes causadores da doença.
 Não expor a criança à fumaça de cigarro. O ideal é largar o cigarro, se você ou o pai da
criança fumarem. Estudos já mostraram que crianças que convivem com fumantes e
com a fumaça do cigarro adoecem com mais frequência e são mais suscetíveis a doenças
como pneumonia, infecções respiratórias altas, asma e otite.
Bronquiolite
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 A bronquiolite é em geral causada por um vírus.
 Os sintomas incluem corrimento nasal, tosse, sibilos e dificuldade para respirar.
 O diagnóstico se baseia nos sintomas e em um exame físico.
 A maioria das crianças fica bem em casa e se recupera em alguns dias, mas algumas
precisam ser hospitalizadas.
 O tratamento consiste basicamente em dar suporte à criança durante a doença com
líquidos e ocasionalmente oxigênio.
Os brônquios e bronquíolos
As vias aéreas se assemelham a uma árvore invertida. O tronco é a traqueia (traqueia), que se
ramifica nas grandes vias aéreas chamadas brônquios. Os brônquios se ramificam várias vezes
em vias aéreas menores, terminando nas menores vias aéreas, chamadas bronquíolos. Os
bronquíolos têm apenas meio milímetro (ou 2/100 de polegada) de diâmetro. Suas paredes
têm uma fina camada circular de músculo liso que pode relaxar ou contrair, alterando, assim,
o tamanho das vias aéreas.
Em geral, a bronquiolite afeta as crianças menores de 24 meses de idade e é mais frequente
nos bebês com menos de seis meses de idade. Durante o primeiro ano de vida, a bronquiolite
afeta cerca de 11 em cada 100 crianças.
Causas de bronquiolite
A bronquiolite costuma ser causada por:
 Vírus sincicial respiratório (VSR)
 Vírus do resfriado comum (rinovírus)
 Parainfluenza e outros vírus
A infecção por qualquer desses vírus pode causar inflamação das vias respiratórias. A
inflamação provoca a contração das vias respiratórias e obstrui o fluxo de ar que entra e sai
dos pulmões. Em casos graves, as crianças têm baixa saturação de oxigênio na corrente
sanguínea.
A infecção pode ser mais comum ou mais grave em bebês cujas mães fumam cigarros,
especialmente aquelas que fumaram durante a gravidez. A infecção parece ser menos
comum entre bebês amamentados. Os pais e os irmãos e irmãs mais velhas podem ser
infectados com o mesmo vírus e o vírus provocar neles somente um leve resfriado.
V
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Diagnóstico da bronquiolite
 Avaliação de um médico
 Oximetria de pulso
 Às vezes, swab do muco ou radiografia do tórax
Sintomas da bronquiolite
A bronquiolite começa com os sintomas de um resfriado: corrimento nasal,
espirros, febre baixa e um pouco de tosse. Após alguns dias, as crianças desenvolvem
dificuldade para respirar e respiram rapidamente e com piora da tosse. Geralmente, as
crianças apresentam um ruído agudo quando expiram (sibilos). Na maioria dos bebês, os
sintomas são leves. Mesmo que os bebês possam respirar um tanto rapidamente e estar
sofrendo muita congestão, continuam alertas, felizes e comendo bem.
Bebês afetados mais gravemente respiram rapidamente e de forma superficial, usam seus
músculos da respiração intensamente para respirar e apresentam narinas dilatadas. Eles
ficam inquietos e ansiosos e podem ficar desidratados devido ao vômito e à dificuldade para
ingerir líquidos. A febre em geral está presente, mas nem sempre. Algumas crianças também
desenvolvem infecção do ouvido. Bebês prematuros ou bebês com menos de dois meses, às
vezes, têm episódios onde param de respirar brevemente (apneia). Em casos muito graves e
incomuns, a área ao redor da boca da criança pode ficar azulada devido à falta de oxigênio.
O médico faz o diagnóstico da bronquiolite tomando por base os sintomas e o exame físico.
Os médicos medem os níveis de oxigênio no sangue com um sensor colocado em um dedo
(oximetria de pulso).
Em casos graves, às vezes, o médico coleta muco profundamente dentro do nariz para tentar
identificar o vírus no laboratório ou faz uma radiografia torácica. Outros testes de laboratório
podem ser realizados.
Prognóstico de bronquiolite
A maioria das crianças se recupera em casa em três a cinco dias. Contudo, os sibilos e a tosse
podem continuar por duas a quatro semanas. Com os cuidados apropriados, a probabilidade
de graves consequências devido à bronquiolite é baixa, mesmo nas crianças que necessitam
ser hospitalizadas.
Algumas crianças apresentam episódios repetidos de sibilos após ter sofrido de bronquiolite.
Tratamento da bronquiolite
 Em casa, ingestão oral de líquidos
 No hospital, oxigenoterapia e líquidos administrados pela veia
Tratamento em casa
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A maioria das crianças pode ser tratada em casa com líquidos e medidas que aumentem seu
conforto.
Durante a doença, quantidades pequenas e frequentes de líquidos transparentes podem ser
dadas. Crescente dificuldade para respirar, cor azulada da pele, fadiga e desidratação indicam
que a criança tem de ser hospitalizada. As crianças com doenças cardíacas congênitas ou
doenças pulmonares ou com sistema imunológico comprometido podem ser hospitalizadas
mais cedo, pois são muito mais suscetíveis a adoecer com maior gravidade com a
bronquiolite.
Tratamento hospitalar
No hospital, os níveis de oxigênio são monitorados com um sensor fixado no dedo da mão ou
do pé, e oxigênio é administrado em uma tenda de oxigênio, tubo nasal (cânula) ou máscara
facial (consulte Administração de oxigênio). Raramente, um ventilador (uma máquina de
respiração que ajuda o ar a entrar e a sair dos pulmões) pode ser necessário para auxiliar a
respiração.
Líquidos são administrados por via intravenosa caso a criança não consiga beber
adequadamente.
Podem ser tentados medicamentos inalatórios para abrir as vias aéreas (broncodilatadores).
Embora esses medicamentos aliviem os sibilos e o estreitamento das vias aéreas causados
pela asma, sua eficácia no tratamento da bronquiolite é questionável. Corticosteroides (para
suprimir a inflamação) podem ser benéficos para algumas crianças.
Os médicos deixaram de usar o medicamento antiviral ribavirina (administrado por
nebulizador), exceto em crianças cujo sistema imunológico esteja extremamente fraco e cuja
infecção seja severa. Antibióticos não são úteis a menos que a criança também tenha uma
infecção bacteriana.
Prevenção
As crianças em alto risco de apresentarem complicações sérias, como aquelas que têm
doença cardíaca congênita grave ou que nasceram muito prematuramente, podem receber
palivizumabe para ajudar a prevenir a infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR).
Palivizumabe é um anticorpo ao VSR.
Bronquite
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Os sintomas de bronquite, na maioria das vezes, são confundidos com os de gripes e resfriados.
Por isso, os pais devem, frequentemente, fazer acompanhamento médico de seus filhos com
pediatras e entender melhor sobre as causas e os tratamentos.
É comum que bebê e crianças tenham problemas de respiração, afinal, seus organismos ainda
estão em formação. Além disso, as brincadeiras da idade, a exposição a climas e temperaturas,
à fumaça de cigarro e à poluição podem favorecer as doenças respiratórias.
A bronquite não é considerada um problema grave. Porém, quando ela surge, é importante
garantir que a criança seja tratada o mais rápido possível, de forma a preservar sua segurança e
saúde.
O que é a bronquite?
Em um corpo que está saudável, o pulmão recebe normalmente o ar por meio dos brônquios,
os quais estão conectados à traqueia. A bronquite acontece quando esse processo é
interrompido com a inflamação dos canais respiratórios, o que gera acúmulo de muco.
A principal origem desse problema é viral ou bacteriana, sendo que em alguns casos, a
inflamação por bactérias pode surgir após o ataque por vírus. Crianças são suscetíveis à
bronquite, por isso, é necessário levá-las ao pediatra especialista para indicar o melhor
tratamento possível.
Quais são os sintomas de bronquite em crianças?
Falta de ar
Um dos principais desconfortos que a criança sente com a bronquite é a dificuldade na
respiração. Isso acontece porque o trânsito do oxigênio no organismo fica interrompido. Os
brônquios são os canais responsáveis por levar o ar inalado até os alvéolos pulmonares, o que
não acontece quando surge o problema.
Além disso, menores que vivem com fumantes têm mais potencial não só para desenvolver a
doença, mas também sentem mais dificuldade para respirar quando ocorre a inflamação.
Cidades com mais poluição e casas com muita poeira são também fatores de risco.
Chiado ou sibilos
Os chiados ou sibilos são também um dos principais sintomas de bronquite. Tais sinais são
identificados pelo pediatra pela ausculta e após a identificação de um som semelhante a
assobios contínuos.
Quando os brônquios estão inflamados e há contrações na musculatura, ocorre o que os
médicos chamam de broncoespamos, gerando o ruído. Nesse caso, as vias respiratórias ficam
com seus canais mais inflexíveis, o que exige mais esforço para respirar.
Tosse com produção mucosa
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Pelos brônquios estarem contraídos e inchados, eles produzem maior quantidade de muco
para conseguir limpar a região do organismo. Contudo, a inflamação impede a respiração,
causando tosses. Na maioria das vezes, o local encontra-se com grande quantidade de
secreção, um material espesso, nas cores amareladas ou esverdeadas.
Febre, coriza e outros sintomas
Em geral, bronquites são iniciadas por meio de gripes que levam à inflamação dos brônquios.
Por isso, muitos pais confundem o problema com resfriados e outras infecções, afinal, os
sintomas são parecidos (corizas, tosses, febre). No entanto, o vírus ou a bactéria presente leva
ao desenvolvimento da bronquite e, assim, os cuidados passam a ser diferentes.
Quais são as variações da doença?
Bronquite crônica
Como o próprio nome diz, a bronquite crônica é recorrente e passa a acompanhar o paciente
no longo prazo ou por toda a vida. Essa situação pode ser ocasionada por pessoas dependentes
de cigarro que fumam próximo às crianças. Nesse caso, a produção de muco é excessiva a
partir do terceiro mês. O paciente pode ter mais dificuldade de respirar ou, até mesmo, de se
movimentar.
Bronquite aguda
É muito mais comum que crianças pequenas, bebês e idosos desenvolvam bronquites agudas.
Sua principal origem é viral mas, no entanto, pode surgir por meio de infecção bacteriana.
Além disso, outros fatores como a poluição, a poeira e os dias mais quentes influenciam no
aparecimento da doença.
A boa notícia é que não se trata de um problema tão sério para os pequenos, pois, em geral,
desaparece em até duas semanas sem a necessidade de utilizar medicamentos. No estágio
inicial, o nariz e a garganta são os mais impactados e, com a evolução do quadro, a bronquite
atinge os pulmões.
Quais são as formas de tratar a bronquite?
 Ida ao pediatra
 Reidratação da criança
 Administração de medicamentos indicados
 Repouso
 Uso de inalador e nebulizador
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Asma
Dificuldades para respirar, tosse, chiado no peito, respirações encurtadas, entre outros
sintomas, podem ser indicativos de asma em crianças. Embora esses problemas sejam comuns
a outras doenças respiratórias, no caso da asma eles são desencadeados por fatores como
alergias ou mudanças bruscas de temperatura.
Normalmente, a doença também apresenta um fator genético — ou seja, se os pais ou outros
irmãos são portadores de asma, a chance de a criança desenvolvê-la é grande. Por isso, é
importante ter atenção aos sinais e consultar o pediatra ou pneumologista, que poderá
orientar sobre os procedimentos para controle e prevenção de crises.
O que é asma?
A asma é uma doença crônica, que causa a inflamação das vias aéreas, fazendo com que elas
sofram um estreitamento que causa dificuldades respiratórias. De acordo com a Sociedade
Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, estima-se que 20 milhões de brasileiros sejam
portadores.
Apesar de ser possível que a doença apareça em qualquer idade, seu surgimento é mais
comum na infância, sendo que 30% a 80% dos portadores desenvolvem a asma até os 3 anos.
Entre eles, de 50% a 65% manifestam os sintomas no primeiro ano de vida.
A doença não tem cura, embora os sintomas possam ser mantidos sob controle com a ajuda de
medicamentos prescritos pelo médico e com o afastamento de possíveis agentes causadores
das crises.
Com o tratamento correto, a pessoa asmática consegue ter a mesma qualidade de vida de
qualquer outro indivíduo. A maioria das crianças portadoras da doença tem uma vida normal
na maior parte do tempo, com exceção dos períodos de crise.
É possível conviver com a asma de forma segura?
Para garantir a qualidade de vida da criança asmática, confira alguns detalhes fundamentais
para a identificação de crises e controle dos sintomas.
1. Entenda os sintomas
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Vários sintomas da asma são semelhantes aos de outras doenças respiratórias,
como bronquite, sinusite ou rinite. Por isso, é importante que seja feito o diagnóstico
adequado, para que a família possa afastar os agentes que desencadeiam as crises, o que
contribui para manter a qualidade de vida da criança.
Os sintomas mais comuns da asma são:
 Dificuldades para respirar;
 Tosse persistente;
 Chiado no peito e sibilos (ruído agudo durante a expiração);
 Respiração curta;
 Sensação de fadiga;
 Dor no peito.
2. Fique de olho no agravamento de uma crise asmática
Durante uma crise, alguns sinais podem indicar uma emergência, que necessita de
atendimento médico:
 Lábios com coloração arroxeada;
 Extrema dificuldade de respirar;
 Confusão mental ou sonolência;
 Pulsação rápida;
 Sudorese.
3. Saiba o que desencadeia a crise de asma em crianças
Como vimos, a asma é uma doença crônica e sem cura, que pode ser controlada com algumas
estratégias para afastar os chamados gatilhos, ou seja, agentes que desencadeiam as crises.
Conheça, a seguir, os principais, e descubra como afastá-los.
Ácaros
Encontrados normalmente em colchões, travesseiros, cortinas, tapetes, carpetes e até nos
bichinhos de pelúcia que costumam estar presentes nos quartos infantis, esses micro-
organismos se alimentam de descamação da pele, de pelos de animais domésticos e de mofo.
Assim, a melhor maneira de controlar a sua proliferação é investir na troca frequente de roupa
de cama, bem como na limpeza de carpetes, tapetes e cortinas. Se possível, evite o uso dessas
peças no quarto da criança asmática. Além disso, a casa deve ser arejada, para evitar mofo, e
os brinquedos armazenados em local fechado, para não acumularem poeira.
Fungos
Esse tipo de micro-organismo se desenvolve, especialmente, em ambientes quentes e úmidos.
Sistemas de ar-condicionado e sanitários são locais típicos para o surgimento de fungos. Assim,
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é fundamental investir na boa ventilação, limpeza dos equipamentos e de filtros de ar e nunca
deixar toalhas molhadas penduradas do banheiro.
Pólen
Flores, grama e árvores costumam piorar a asma em função da liberação de pólen, que
acontece com mais intensidade na primavera.
Fumaça de cigarro
Um paciente asmático, seja criança ou não, nunca deve ficar exposto à fumaça de cigarro. A
substância agrava os sintomas da asma e pode aumentar a inflamação nos brônquios.
Se alguém da família fuma, é importante adotar estratégias para que a criança não se exponha
ao cigarro, como trocar de roupa após fumar e nunca fazer isso dentro de casa. A alternativa
ideal é buscar um tratamento para combater o tabagismo.
Poluição
A poluição ambiental também é um dos agentes desencadeadores de asma. Evite sempre que
possível a exposição.
Infecções virais
Uma gripe ou um simples resfriado podem levar a uma crise de asma. Assim, pacientes
asmáticos devem ter cuidados extras, como vacinação em dia e limpeza frequente das vias
aéreas.
Mudança brusca de temperatura
O ar frio e seco irrita os brônquios e pode ser um gatilho para desencadear uma crise de asma.
Como controlar a asma em crianças?
É fundamental compreender que a asma não deve ser tratada somente nas situações de crise.
O tratamento precisa ser contínuo, mesmo que a criança não apresente sintomas.
Normalmente, a terapia consiste no uso de medicamentos inalatórios prescritos pelo médico e
medidas de higiene para afastar os agentes causadores de crises. Vale destacar que a limpeza
da casa deve ser feita com pano úmido, evitando que a poeira entre em suspensão e seja
inalada. Produtos de limpeza com cheiro forte precisam ser evitados.
No quarto da criança, as roupas de cama devem ser substituídas com frequência e os tapetes
devem ser retirados. Se não for possível evitar bichinhos de pelúcia, lave-os periodicamente e
exponha ao sol. Caso tenha animais em casa, não se preocupe: a convivência com a pessoa
asmática é possível, desde que sejam adotadas medidas adequadas de higiene.
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A fibrose cística é uma doença hereditária que faz com que certas glândulas produzam
secreções anormalmente espessas, resultando em lesões a tecidos e órgãos, especialmente
Outro cuidado importante é manter as vias respiratórias da criança sempre limpas, evitando o
acúmulo de secreções. A limpeza pode ser feita por meio da instilação de soro fisiológico, que
também contribui para umidificar as vias aéreas — afinal, o ressecamento das mucosas agrava
os sintomas.
Um nebulizador contribui significativamente para evitar as crises, seja facilitando a
administração dos medicamentos, seja para umidificar as vias respiratórias e facilitar a
respiração. No entanto, no caso de uso de remédios, é fundamental seguir as orientações
médicas relativas à dose e uso do aparelho.
Com os cuidados adequados, os sintomas da asma em crianças são totalmente controláveis.
Assim, além de adotar as medidas preventivas adequadas, investimento em um bom
nebulizador e garante mais qualidade de vida da criança.
Fibrose cística
nos pulmões e trato digestivo.
Os sintomas característicos incluem:
 Inchaço abdominal, fezes amolecidas e baixo ganho de peso, assim como tosse, sibilos
e infecções frequentes das vias respiratórias por toda a vida.
O diagnóstico é baseado em:
 Resultados do teste de suor e/ou exames genéticos.
A fibrose cística afeta muitos órgãos em todo o corpo e quase todas as glândulas que
secretam líquidos em um duto (glândulas exócrinas).
Os órgãos mais frequentemente afetados são:
 Pulmões
 Pâncreas
 Intestino
 Fígado e vesícula biliar
 Órgãos reprodutores
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Aproximadamente 10% dos recém-nascidos com fibrose cística apresentam íleo meconial, o
que causa vômitos, inchaço (distensão) do abdômen e ausência de evacuação. O íleo
meconial é muitas vezes complicado pela perfuração do intestino, um quadro clínico perigoso
que causa infecção e peritonite (a inflamação dos tecidos que revestem a cavidade abdominal
e dos órgãos abdominais) e, se não for tratado, leva ao choque e à morte. Alguns recém-
nascidos apresentam uma torção do intestino (volvo) ou desenvolvimento incompleto do
intestino. Os recém-nascidos que apresentam íleo meconial quase sempre desenvolvem
outros sintomas de fibrose cística.
Diagnóstico de fibrose cística
Sintomas da fibrose cística em:
Recém-nascidos e crianças pequenas
 Exames preventivos no recém-nascido
 Teste de suor
 Exames genéticos
 Teste do portador
 Outros exames
Tratamento de fibrose cística
 Imunizações de rotina
 Antibióticos, medicamentos inalados para diluir as secreções nas vias áreas e técnicas
de desobstrução das vias aéreas para remover secreções
 Medicamentos que ajudam a prevenir o estreitamento das vias aéreas (bronco
dilatadores) e, às vezes, corticosteroides
 Enzima pancreática e suplementos vitamínicos
 Dieta rica em calorias
 Em pessoas com variantes específicas, moduladores do CFTR
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Desnutrição
A desnutrição infantil é uma situação caracterizada pela deficiência de nutrientes do organismo
da criança, o que pode acontecer devido à alimentação incorreta, privação de alimentos ou
devido a alterações no trato gastrointestinal, como doença de Crohn e colite ulcerativa, por
exemplo, em que a absorção dos nutrientes pode ser prejudicada.
Assim, como consequência da deficiência de vitaminas e minerais fundamentais para o bom
funcionamento do corpo, é possível notar o aparecimento de alguns sinais e sintomas como
cansaço excessivo, pele mais ressecada, ocorrência de infecções com maior frequência e atraso
no crescimento e desenvolvimento da criança.
É importante que assim que forem notados sinais e sintomas que sejam sugestivos de
denutrição, o pediatra seja consultado, pois assim é possível que seja feita a avaliação do peso
da criança em relação à sua idade e altura, fazer o diagnóstico da desnutrição e encaminhar a
criança para um nutricionista para que possam ser identificadas as necessidades nutricionais e
seja estabelecido um plano alimentar adequado para a criança.
Sintomas de desnutrição infantil
A desnutrição é na maioria das vezes associada à magreza, no entanto como se trata de uma
situação causada pela falta de vitaminas e minerais essenciais para o bom funcionamento do
corpo, é possível que crianças que estejam acima do peso para sua idade, sejam também
desnutridas, uma vez que a alimentação pode ser rica em açúcar e gorduras e pobre nos
alimentos que fornecem os nutrientes fundamentais para o organismo.
Assim, alguns dos principais sinais e sintomas de desnutrição infantil são:
 Cansaço excessivo;
 Pele mais ressecada e pálida;
 Atraso no desenvolvimento da criança;
 Maior facilidade para ter infecções, já que o sistema imune é mais fraco;
 Irritabilidade;
 Cicatrização mais demorada;
 Queda de cabelo;
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 Falta de força;
 Diminuição da massa muscular;
 Falta de ar e de energia, principalmente se também houver anemia.
Além disso, em alguns casos, principalmente quando a desnutrição é muito grave, pode haver
também comprometimento na função de alguns órgãos, como fígado, pulmão e coração, o que
pode colocar em risco a vida da criança.
É importante que o pediatra seja consultado assim que forem identificados sinais e sintomas
que sejam indicativos de desnutrição, pois dessa forma é possível que sejam feitos exames que
ajudam a confirmar o diagnóstico e seja iniciado o tratamento mais adequado de forma a evitar
possíveis complicações da desnutrição como alterações no crescimento, falência de órgãos e
alterações no sistema nervoso.
Principais causas
As principais causas que podem estar relacionadas com a desnutrição infantil são:
 Desmame precoce;
 Alimentação pobre nutricionalmente;
 Infecções intestinais frequentes que têm como sintomas diarreia e vômitos;
 Alterações no sistema gastrointestinal, como doença de Crohn, colite ulcerativa e doença
celíaca;
 Transtornos alimentares, como anorexia e bulimia.
Além disso, condições socioeconômicas, baixo nível de escolaridade, condições inadequadas de
saneamento básico e a fraca ligação entre mãe e filho também podem ter como consequência
a desnutrição.
Como é o tratamento
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) identifica dois tipos de diarreia aguda:
O tratamento para desnutrição infantil deve ser orientado pelo pediatra e pelo nutricionista e
tem como objetivo combater os sintomas da desnutrição, fornecer os nutrientes necessários
para o crescimento saudável da criança e promover a sua qualidade de vida.
Assim, de acordo com o nível de desnutrição e com os nutrientes que estão em falta, pode ser
recomendada a realização de mudança nos hábitos alimentares e inclusão progressiva de
alguns alimentos. Além disso, no caso das crianças que não conseguem ter uma alimentação
mais sólida, pode ser indicado o consumo de alimentos mais pastosos ou líquidos, bem como
suplementos, para garantir a necessidade nutricional.
Nos casos de desnutrição grave, pode ser necessário que a criança fique internada no hospital
para que a alimentação possa ser feita por meio de sonda e sejam prevenidas complicações.
Diarreia aguda
A diarreia aguda é uma das principais causas de atendimento nos serviços de pronto
atendimento de Pediatria, e também é uma importante causa de morbidade e mortalidade
nessa faixa etária, principalmente nos países em desenvolvimento.
É definida como a alteração do ritmo intestinal, na qual as fezes ficam com consistência
amolecida ou líquida, podendo ocorrer mais de 3 vezes em 24 horas, durando menos de 14
dias (duração média de 5-7 dias).
 Aquosa (incluindo cólera) e com sangue (também chamada de disenteria – infecção
intestinal que resulta em diarreia com sangue ou muco)
Diarreia aguda em crianças: tratamento
A OMS e o MS orientam seguir os planos A, B e C de acordo com o diagnóstico que foi
estabelecido, As diretrizes da Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia
e Nutrição (ESPGHAN) / Sociedade Europeia de Doenças Infecciosas Pediátricas, de 2014,
também reforçam que reidratação oral com solução hipoosmolar deve ser rapidamente
iniciada, sendo o principal tratamento. Devemos manter a amamentação, sem alterar a dieta
da mãe, inclusive com leite e derivados. Para aquelas crianças que estão internadas e não são
amamentadas com leite materno, é possível considerar manejar a diarreia com alimentos
isentos de lactose.
O plano A consiste em oferecer mais líquido do que o habitual para prevenir a desidratação;
manter a alimentação habitual para prevenir a desnutrição; orientar sobre sinais de perigo que
devem ser observados a fim de que o paciente seja levado para o serviço de saúde na presença
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de algum sinal ou se não houver melhora clínica em dois dias; orientar o responsável sobre
hábitos de higiene e a reconhecer os sinais de desidratação, assim como preparar e administrar
a solução de reidratação oral (SRO); administrar zinco para os menores de cinco anos.
Quantidade de líquido que deve ser oferecido após evacuação diarreica:
– Para menores de 1 ano: 50-100 mL
– De 1 a 10 anos: 100-200 mL
– Maiores de 10 anos: quanto o paciente aceitar
O plano B consiste em administrar SRO sob supervisão médica, buscando evitar a desidratação.
Deve ser realizado na unidade de saúde, local onde os pacientes deverão permanecer até que
haja reidratação completa e reintrodução da alimentação.
Administrar de 50-100 mL/kg de líquido no período de 4-6 horas. Se os sinais de desidratação
desaparecerem, voltar para o plano A. Caso não haja melhora da desidratação, fazer
gastróclise. Se houver piora do quadro, evoluindo para desidratação grave, passar para o plano
C.
O plano C consiste em corrigir a desidratação grave através de hidratação parenteral no serviço
de saúde até que o paciente apresente melhora clínica com condições de receber tratamento
por via oral. Nessa etapa, há algumas recomendações de como fazer a reidratação parenteral:
– Segundo a OMS:
Lactentes e crianças maiores: 100 mL/kg de Ringer Lactato sendo:
< 12 meses: 30 mL/kg em 1 hora e 70 mL/kg em 5 horas
> 12 meses: 30 mL/kg em 30 minutos e 70 mL/kg em 2,5 horas
Caso não haja Ringer lactato disponível, usar Soro Fisiológico (SF)
– Segundo o MS:
Fase rápida (expansão):
< 5 anos: 20 mL/kg de SF a cada 30 minutos. Repetir até que a criança fique hidratada;
> 5 anos: 30 mL/kg de SF em 30 minutos + 70 mL/kg de Ringer lactato em 2,5 horas
Fase de manutenção e reposição (qualquer idade):
SG 5% + SF na proporção 4:1 (volume da regra de Holiday& Segar) + KCl 10% 2 mL para cada
100 mL
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A desidratação é quando ocorre a perda de água pelo corpo, geralmente causada por
vômitos e/ou diarreia.
Regra de Holiday & Segar:
– peso corporal de até 10 kg: 100 mL/kg;
– peso corporal entre 10 e 20 kg: 1000 mL + 50mL por quilo acima dos 10 kg;
– peso corporal superior a 20 kg: 1500 mL + 20mL por quilo que ultrapassar os 20 quilos.
Fase de reposição:
SG5% + SF partes iguais – iniciar com 50 mL/kg/dia. Reavaliar de acordo com as perdas
diarreicas.
O paciente deve ser pesado antes de iniciar qualquer terapia de reidratação e também a cada 2
horas.
Outro ponto muito importante no tratamento da diarreia aguda é a manutenção da
alimentação que forneça quantidade energética apropriada, sendo unânime a recomendação
das diversas entidades para manter o aleitamento materno durante o episódio diarreico. Ao
longo da etapa de expansão/reversão da desidratação, pode ser necessário recomendar jejum
provisório, até que o paciente apresente novamente condições de ser alimentado por via oral.
O emprego do zinco nos casos de diarreia tem reduzido a duração do quadro agudo, que tende
a durar menos de sete dias, além de prevenir novas ocorrências nos três meses subsequentes,
estando indicado nos quadros de diarreia nos menores de cinco anos. Geralmente prescrito no
plano A: administrar zinco de 24/24 horas, por 10 a 14 dias (10 mg/kg nas crianças até 6 meses
de idade; 20 mg/kg nas crianças maiores de 6 meses de idade).
Desidratação
 A desidratação ocorre quando há uma perda significativa de água do corpo, bem como a
perda de quantidades variadas de eletrólitos.
 Os sintomas incluem sede, hipoatividade, lábios/boca seca e redução do volume
urinário.
 A desidratação grave é potencialmente fatal.
 O tratamento consiste de hidratação e eletrólitos administrados por via oral, ou em
casos graves, pela veia (por via intravenosa).
A desidratação ocorre quando o corpo perde mais água do que ingere. Ocorre também a
perda de substâncias denominadas eletrólitos. Os eletrólitos são minerais presentes na
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Sintomas
O bebê desidratado precisa receber cuidados médicos imediatamente se
corrente sanguínea e dentro das células que são essenciais à vida. Sódio, potássio, cloreto e
bicarbonato são exemplos de eletrólitos.
Causas
A desidratação costuma ser causada por
 Perda excessiva de líquido, por exemplo, decorrente de vômitos e/ou diarreia
Uma causa menos comum da desidratação é
 Não beber líquido suficiente, como durante doenças infantis comuns, ou quando o
recém-nascido tem dificuldade para amamentar
Contudo, nem todo episódio de vômito ou diarreia, ou ambos, causa a desidratação.
 A moleira estiver afundada.
 Os olhos ficarem afundados.
 Não houver lágrimas ao chorar.
 A boca está seca.
 O volume de urina está baixo.
 O bebe está menos alerta e menos ativo (letárgico).
Desidratação leve costuma causar boca e lábios secos e aumentar a sede, e crianças podem
urinar com menor frequência.
A desidratação moderada faz com que a criança interaja ou brinque menos, tenha boca seca
e urina com menos frequência. A desidratação moderada a grave pode causar frequência
cardíaca acelerada e tontura.
A desidratação grave faz com que a criança fique sonolenta ou letárgica, sendo esse um sinal
de que ela precisa ser examinada pelo médico ou levada para o pronto-socorro
imediatamente. Não há lágrimas. É possível que a pele da criança esteja azulada (cianose) e
ela respire rapidamente. Por vezes, a desidratação faz com que a concentração de sal no
sangue diminua ou aumente de modo anormal. Alterações na concentração de sal podem
piorar os sintomas de desidratação e a letargia. Em casos graves, a criança pode
ter convulsões ou coma ou sofrer danos cerebrais e morrer.
Diagnóstico
 Exame médico
 Às vezes, exames de sangue e urina
O médico examina a criança e observa se ela perdeu peso corporal. Uma perda de peso
corporal em alguns dias será muito provavelmente causada por desidratação. Se for
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Tratamento
 Reposição de líquidos perdidos
IjiO refluxo gastroesofágico é o retorno de alimentos e ácidos do estômago até o esôfago e,
por vezes, até a boca.
conhecida, a quantidade de peso perdida ajuda o médico a decidir se a desidratação é leve,
moderada ou grave.
No caso de crianças com desidratação moderada a grave, o médico costuma fazer exames de
sangue e de urina para medir a concentração dos eletrólitos no organismo, o grau de
desidratação e a quantidade de reposição de líquido necessária.
A desidratação é tratada com a administração de líquidos contendo eletrólitos, como sódio e
cloretos. Caso a desidratação seja leve, os líquidos costumam ser administrados por via oral.
Soluções especiais para reidratação oral estão disponíveis, mas nem sempre são necessárias
para crianças que tiveram apenas diarreia ou vômitos leves. O tratamento da desidratação
em crianças de qualquer idade que estão vomitando é mais eficaz se a criança receber
primeiro pequenas quantidades frequentes de líquidos a cada dez minutos. A quantidade de
líquido pode ser lentamente aumentada e dada a intervalos menos frequentes caso a criança
consiga reter os líquidos sem vomitar. Caso a diarreia seja o único sintoma, quantidades
maiores de líquidos podem ser dadas com menor frequência. Se as crianças têm ambos os
vômitos e diarreia, elas recebem pequenas, quantidades frequentes de líquidos contendo
eletrólitos. Se esse tratamento aumenta a diarreia, as crianças podem precisar ser
hospitalizadas para líquidos administrados pela veia (por via intravenosa).
Refluxo gastroesofagico
 O refluxo pode ser causado pela posição do bebê durante a alimentação; alimentação
excessiva; exposição a cafeína, nicotina e fumaça de cigarro; intolerância ou alergia
alimentar; ou anomalia do trato digestivo.
 Os bebês podem vomitar, regurgitar demais, ter problemas de alimentação ou de
respiração e também parecer irritáveis.
 Exames que ajudam os médicos a diagnosticar o distúrbio incluem exames de imagem
com bário, pHmetria esofágica, cintilografia do esvaziamento gástrico, endoscopia e, às
vezes, ultrassonografia.
 As opções de tratamento incluem fórmula infantil mais espessa ou hipoalergênica para
alimentação, posicionamento especial, arrotos frequentes, às vezes medicamentos e,
em certos casos, cirurgia.
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(No caso de adultos, consulte Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).)
Quase todos os bebês têm episódios de refluxo gastroesofágico, que são caracterizados por
regurgitação ou arrotos. A regurgitação normalmente ocorre após a alimentação e é
considerada normal. O refluxo normalmente piora nos primeiros meses de vida, atinge o pico
aos seis a sete meses de idade e então diminui gradualmente. Em quase todos os bebês com
refluxo, o distúrbio desaparece por volta dos dezoito meses de idade.
O refluxo gastroesofágico é conhecido como doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)
quando
 Interfere na alimentação e no crescimento
 Danifica o esôfago (esofagite)
 Leva a dificuldades respiratórias (tais como tosse, sibilos ou interrupção da respiração)
 Continua além da primeira infância para a infância
Causas de refluxo gastroesofágico
Bebês saudáveis têm refluxo por vários motivos. A cinta muscular na junção do esôfago e do
estômago (o esfíncter esofágico inferior) normalmente impede que o conteúdo do estômago
entre no esôfago (consulte Considerações gerais sobre o esôfago). Nos bebês, esse músculo
pode estar subdesenvolvido ou pode relaxar em momentos impróprios, permitindo que o
conteúdo do estômago se mova para trás (reflua) para o esôfago. Ser mantido deitado
durante a alimentação ou deitar depois de ser alimentado promove o refluxo porque a
gravidade não consegue mais impedir que o material no estômago flua de volta para o
esôfago. Alimentação excessiva e doenças pulmonares crônicas predispõem um bebê a ter
refluxo, porque elas aumentam a pressão sobre o estômago. A fumaça de cigarro (como
tabagismo passivo) e a cafeína (em bebidas ou no leite materno) relaxam o esfíncter
esofágico inferior, permitindo que o refluxo ocorra mais prontamente. Cafeína e nicotina (no
leite materno) também estimulam a produção de ácido, de maneira que qualquer refluxo que
ocorrer será mais ácido.
Uma alergia alimentar, mais frequentemente alergia a leite de gado, ou intolerância
alimentar também podem contribuir para o refluxo, mas essas são causas menos comuns.
Outra causa menos comum de refluxo é esvaziamento gástrico lento (gastroparesia). Na
gastroparesia, os alimentos permanecem no estômago por um maior período de tempo,
mantendo a pressão no estômago elevada. A pressão elevada no estômago causa refluxo.
As doenças metabólicas hereditárias, como galactosemia e intolerância à frutose
hereditária e anomalias anatômicas, como um estreitamento do esôfago, um bloqueio parcial
do estômago (estenose pilórica) ou um posicionamento anômalo do intestino (má rotação)
podem a princípio imitar os sintomas do refluxo, porque eles causam episódios repetidos de
vômitos. Contudo, essas anomalias são mais sérias e podem progredir para vômito e outros
sintomas de obstrução, tais como dores abdominais, apatia e desidratação.
Doença de refluxo gastroesofágico
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Sintomas de refluxo gastroesofágico
Em bebês, os sintomas mais óbvios de refluxo gastroesofágico são
 Vômitos
 Regurgitação excessiva
Em crianças pequenas, os sintomas mais comuns são
 Dor torácica
 Dor abdominal
 Às vezes, azia (sensação de queimação por trás do diafragma)
Em adolescentes, o sintoma mais comum é o mesmo que em adultos:
 Azia
Complicações do refluxo
Em alguns bebês, o refluxo causa complicações e é conhecido como doença do refluxo
gastroesofágico (DRGE). Essas complicações incluem
 Irritação causada pelo desconforto estomacal
 Problemas de alimentação que podem resultar em crescimento deficiente
 “Crises” em que o bebê fica se retorcendo e mudando de posição que podem ser
confundidas com convulsões
Menos comumente, pequenas quantidades de ácido do estômago podem entrar na traqueia
(aspiração). O ácido na traqueia e nas passagens nasais pode resultar em tosse, sibilos,
interrupção da respiração (apneia) ou pneumonia. Muitas crianças com asma também têm
refluxo. Dor nos ouvidos, rouquidão, soluços e sinusite também podem ocorrer como
resultado da DRGE. Caso o esôfago seja significativamente irritado (esofagite), pode haver
alguma hemorragia, que pode resultar em anemia por deficiência de ferro. Em outras, a
esofagite pode causar tecido com cicatriz, que pode estreitar o esôfago (estenose).
Diagnóstico de refluxo gastroesofágico
 Estudo de deglutição de bário
 Sonda para pHmetria esofágica ou sonda de impedância
 Imagem de esvaziamento gástrico
 Endoscopia digestiva alta
 Ultrassonografia abdominal
Exames nem sempre são necessários para diagnosticar o refluxo gastroesofágico em bebês ou
crianças mais velhas que simplesmente têm sintomas leves, como regurgitações frequentes
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(em bebês) e azia (em crianças mais velhas). Contudo, caso os sintomas sejam mais
complicados, vários exames podem ser realizados.
Um estudo de deglutição de bário é o exame mais comum. A criança engole bário, um líquido
que delineia o trato digestivo quando radiografias são feitas. Ainda que esse exame possa
ajudar o médico a diagnosticar o refluxo gastroesofágico, o mais importante é que ele ajuda o
médico a identificar algumas das possíveis causas do refluxo.
Uma pHmetria esofágica é feita com um tubo fino e flexível com um sensor na ponta que
mede o grau de acidez (pH). Os médicos passam o tubo pelo nariz da criança, cruzam a
garganta e chegam ao final do esôfago. O tubo é em geral deixado nessa posição por 24
horas. Normalmente, as crianças não apresentam ácido no esôfago. Se o sensor detectar
ácido, é um sinal de refluxo. Os médicos às vezes usam esse exame para ver se as crianças
com sintomas como tosse ou dificuldades para respirar estão com refluxo.
Uma sonda de impedância é muito parecida com uma sonda para pHmetria esofágica, mas
ela consegue detectar tanto refluxo ácido como não ácido. Essa sonda é utilizada em crianças
que estão tomando medicamentos que suprimem o ácido estomacal para ver se elas ainda
têm refluxo, para ver se o refluxo está associado com outros sintomas e para confirmar que
os medicamentos estão funcionando para diminuir o refluxo ácido.
Uma cintilografia de esvaziamento gástrico é realizada para determinar a rapidez do
esvaziamento do estômago. Em uma cintilografia de esvaziamento gástrico, a criança toma
uma bebida (como leite, leite materno ou fórmula láctea) contendo uma pequena quantidade
de material levemente radioativo. Esse material é inofensivo para a criança. Uma câmera ou
ultrassom altamente sensível à radiação pode detectar onde o material está no corpo da
criança. A câmera vê, então, com que rapidez o material deixa o estômago e se há refluxo,
aspiração ou ambos.
Na endoscopia digestiva alta, a criança é sedada e um pequeno tubo flexível com uma
câmera na ponta (endoscópio) é passado pela boca e através do esôfago até chegar ao
estômago. O médico pode realizar uma endoscopia digestiva alta, caso precise verificar se o
refluxo causou danos ao esôfago (esofagite), uma úlcera ou irritação ou caso precise obter
uma amostra para biópsia. A endoscopia também pode ajudar a determinar que os sintomas
de refluxo não estão sendo causados por outra coisa, como alergia, infecção ou doença
celíaca. A broncoscopia é um exame similar no qual os médicos usam um endoscópio para
examinar a laringe e as vias respiratórias. A broncoscopia pode ajudar os médicos a decidir se
o refluxo é provavelmente causado por problemas pulmonares ou da respiração.
Um ultrassom do abdômen pode ser feito para bebês que vomitam com força, especialmente
para aqueles que perderam peso e apresentam complicações da desidratação. O ultrassom
pode ajudar os médicos a determinar se a válvula muscular entre o estômago e o intestino
delgado (chamada piloro) está inflamada. Um piloro inflamado pode significar que o bebê
tem estenose pilórica.
Tratamento de refluxo gastroesofágico
 No caso de bebês com regurgitação, fórmula infantil espessada, posicionamento
especial e fazer a criança arrotar com frequência
 No caso de bebês amamentados, mudar a dieta da mãe
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 Para bebês alimentados com fórmulas lácteas, uma tentativa com uma fórmula láctea
hipoalergênica
 Outras medidas para diminuir o refluxo
 Às vezes medicamentos
 Cirurgia raramente
O tratamento do refluxo depende da idade e dos sintomas da criança.
Caso o bebê apenas apresente regurgitação, o médico tranquiliza os pais que não há nada
mais grave acontecendo. Ele pode recomendar não fazer nenhum tratamento ou sugerir
medidas, tais como espessamento da fórmula láctea na alimentação, posicionamento
especial e arrotos frequentes. A fórmula infantil pode ser engrossada adicionando-se de uma
a três colheres de chá de cereal de arroz para cada 30 gramas da fórmula láctea. O bico da
mamadeira poderá ser cortado em cruz para permitir que a fórmula infantil flua. Bebês com
refluxo devem ser alimentados em posição ereta ou semiereta e, depois, mantidos em uma
posição ereta e não sentada por 20 a 30 minutos depois de terem sido alimentados (ficar
sentado em um carrinho de bebê, por exemplo, aumenta a pressão sobre o estômago e não
ajuda). Além disso, fazer com que o bebê arrote após ter bebido 30 a 60 mililitros pode
ajudar a diminuir a pressão sobre o estômago ao expelir o ar que o bebê engole.
A alergia a leite de vaca pode ocorrer mesmo em bebês amamentados podendo causar DRGE.
As mães podem tentar não beber leite de vaca por várias semanas e ver se isso ajuda.
Bebês alimentados com fórmula láctea podem se beneficiar tentando uma fórmula láctea
hipoalergênica por duas a quatro semanas, pois eles podem ter intolerância ou alergia
alimentar. Uma fórmula láctea hipoalergênica pode até mesmo ser útil para bebês sem
alergia alimentar, pois a fórmula ajuda a esvaziar o estômago mais rapidamente.
Por motivos de segurança, os médicos já não recomendam levantar a cabeça do berço ou da
cama. Os médicos recomendam que os bebês sejam colocados para dormir de costas. Essa
posição reduz o risco da síndrome de morte súbita infantil (SMSI).
Crianças mais velhas também devem evitar comer duas a três horas antes de dormir, evitar
beber bebidas com gás ou com cafeína, tomar determinados medicamentos (por exemplo,
aqueles com efeitos anticolinérgicos), comer determinados alimentos (por exemplo,
chocolate ou alimentos gordurosos) e comer demais.
Todas as crianças devem ser mantidas afastadas de cafeína e de fumaça de cigarro.
Medicamentos para refluxo
Caso alterações na alimentação e no posicionamento não controlem os sintomas, os médicos
podem receitar medicamentos. Diversos tipos de medicamentos para o refluxo estão
disponíveis:
 Os que neutralizam o ácido
 Os que suprimem a produção de ácido
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 Os que melhoram os movimentos do trato digestivo
Antiácidos são medicamentos que neutralizam o ácido estomacal. Esses medicamentos
atuam rápido no alívio de sintomas como azia.
No caso de crianças com doença mais grave, medicamentos supressores do ácido poderão
são necessários. Ao reduzir o ácido estomacal, esses medicamentos diminuem os sintomas e
permitem que o esôfago cicatrize.
Moniliase oral
O que é monilíase oral (sapinho)?
Manifestação da monilíase oral no bebê:
O sapinho, cientificamente chamado de candidíase oral, corresponde a uma infecção na boca
do bebê causada pelo fungo Candida albicans, que é mais comum em bebês com menos de 6
meses e que está relacionado com a baixa imunidade do bebê.
Quando a imunidade é afetada (o que pode ser desencadeado por diversos fatores, como
condições ambientais, uso de antibióticos e até a alimentação), há o crescimento excessivo
desse fungo que já é integrante do nosso organismo.
Em crianças, a imunidade baixa típica dos primeiros anos de vida (quando o sistema
imunológico ainda não se consolidou forte o suficiente para evitar infecções) é um dos fatores
que ajuda o aparecimento da doença.
Sinais e sintomas da monilíase oral:
A monilíase caracteriza-se pelo surgimento de manchas brancas na língua, bochechas e palato.
São placas brancas com aspecto de nata de leite e quando removidas revelam uma base
avermelhada.
Geralmente o bebê sente grande desconforto, dificultando a alimentação (no peito ou não) e
causa perda de apetite e até a recusa de água.
Outras características são: vômito, irritabilidade, insônia, choro constante, febre acima de 38°C
e dificuldade para engolir.
A monilíase oral geralmente é observada em bebês com menos de 6 meses e até no máximo 1
ano. Em crianças maiores é menos comum, e sua ocorrência pode indicar outros problemas de
saúde que necessitam ser investigados.
Em alguns casos, o sapinho no bebê também pode provocar o aparecimento de pontinhos
brancos nas unhas e nas dobras da pele, por exempo
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Manifestação da monilíase oral no bebê
Os bebês podem desenvolver candidíase oral por diversas razões, mas principalmente porque
seu sistema imunológico não está totalmente desenvolvido e não pode combater certos
microrganismos.
A transmissão costuma ser provocada pelo uso de mamadeiras e chupetas mal higienizadas, ou
pode ser adquirida durante o parto, quando o bebê entra em contato com os germes da vagina
que vão se multiplicar em sua pele e mucosas.
Outro motivo que também pode causar a doença são as famosas “bitoquinhas na boca” da
criança. Estas devem ser evitadas devido a chance de contaminação da boca dos adultos para a
criança.
Além de interferir no aleitamento materno, o uso de chupeta está associado à maior
ocorrência de candidíase oral (sapinho), de otite média e de alterações do palato.
É importante que as famílias conheçam outras formas de acalmar a criança ao invés de utilizar
como recurso somente a chupeta, como por exemplo fazer carinho, colocar no colo, cantar e
amamentar.
Além disso, se o bebê estiver sendo amamentado e a mãe ou o bebê estiverem tomando
antibiótico, há maior risco do fungo se desenvolver (o uso de antibiótico pode reduzir a
imunidade).
A transmissão entre as crianças pode ocorrer por meio da saliva, por exemplo quando uma
criança coloca na boca um objeto mordido por outra que tem a infecção.
Em trocadores públicos, a infecção não é comum, já que os pais costumam colocar proteções
como panos e/ou papel para proteger a troca da criança. A dica é certificar-se de usar alguma
proteção ao trocar o pequeno e garantir que o espaço seja o mais higiênico possível.
Prevenção da monilíase oral (sapinho):
As crianças com monilíase não devem ser afastadas do convívio normal, pois a Candida albicans
é um fungo normalmente presente na pele e mucosa das pessoas.
Para evitar acometimento pela monilíase oral é importante adotar algumas medidas:
 Manter a higiene adequada do bebê, com banhos regulares,
 Evitar que as crianças compartilhem objetos que vão à boca, pois podem favorecer a infecção;
 Utilizar roupas confortáveis em épocas de calor, pois a proliferação do fungo é mais comum em
estações quentes, nas quais as crianças suam e seus corpos permanecem úmidos por mais
tempo;
 Lavar bem as mãos (com água e sabão) sempre que for prestar cuidados ou pegar a criança no
colo;
 Fazer higiene dos mamilos antes de amamentar (com água).
 Realizar higiene bucal do bebê após cada mamada com dedeira, gaze umedecida ou escova de
dentes própria para idade.
 Oferecer de 5 a 10 ml de água para remover os restos de leite após as mamadas;
 Evitar o compartilhamento de mamadeiras e chupetas pelas crianças;
 Ferver os bicos e mamadeiras por 20 minutos;
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 Realizar a higiene dos brinquedos plásticos das crianças, principalmente aqueles levados a
boca, bem como utensílios de látex que a criança utiliza.
Se a criança estiver recebendo o leite materno, a mãe deverá observar seus mamilos quanto a
presença de sinais e sintomas sugestivos de infecção por cândida (pois o bebê pode transmitir
o fungo para a mãe).
Coceira nas mamas, sensação de queimação e dor em fisgadas, que persistem após as
mamadas, assim como vermelhidão em mamilos e aréola, pele brilhante ou com fina
descamação, observados ao exame físico, são sugestivos desse diagnóstico. Raramente
observam-se placas esbranquiçadas na área das mamas.
Tratamento e cuidados da monilíase oral (sapinho):
 O primeiro passo para o tratamento da monilíase é determinar as causas e combatê-las para
evitar recidivas (por exemplo falta de higiene da cavidade oral do bebê);
 Atenção a receitas caseiras, elas são contraindicadas pois piora a situação e irritam ainda mais
o bebê;
 Se as mães estiverem com os mamilos dos seios contaminados pelo fungo, elas devem usar
antifúngicos tópicos (prescritos por um médico ou farmacêutico). Antes de aplicar a medicação,
a mãe deverá ordenhar seu leite e administrá-lo à criança através de copinho ou colher;
 Mãe e filho deverão ser tratados para combater o fungo;
 As lesões da cavidade bucal podem ser limpas com uma gaze embebida em solução de
Bicarbonato de Sódio a 2%;
 Em casos mais severos são utilizados antifúngicos líquidos, creme ou gel na região infectada da
boca (prescritos por médico ou farmacêutico), que devem ser passados delicadamente com
uma gaze ou algodão na área afetada, ou esguichados com conta-gotas na cavidade oral;
 Não é recomendada amamentação direta no seio materno com o medicamento, pois o paladar
do leite humano estará alterado.
Importante: Para ajudar no tratamento é ainda importante lavar bem as mãos antes de mexer
no bebê, não beijar na boca, esterilizar chupetas, mamadeiras e talheres.
Má formação congênitas
O que é?
A malformação congênita, também chamada de anomalia congênita ou doença congênita é
uma anomalia estrutural ou funcional que ocorre durante a gestação e pode ser identificada
durante a gravidez, no nascimento ou após alguns dias de vida. Ela pode afetar quase todas as
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partes do corpo do bebê como coração, cérebro, pés etc., comprometendo a aparência, o
funcionamento do corpo ou ambos.
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a cada ano, cerca de 8 milhões
de bebês no mundo nascem com essa doença e desse total, cerca de 3 milhões morrem antes
de completar o quinto aniversário. Na América Latina, os defeitos congênitos são responsáveis
pela morte de 21% das mortes de crianças menores de 5 anos e no caso de recém-nascidos
estima-se que um em cada cinco falece durante os primeiros 28 dias de vida. No Brasil, a
malformação congênita é considerada a segunda principal causa de morte de bebês e crianças
– em primeiro lugar está a prematuridade.
E, apesar de nem todas as anomalias congênitas serem fatais, muitas crianças que sobrevivem
têm maior risco de apresentarem deficiências em longo prazo, requerendo serviços de saúde e
outros serviços de apoio, para melhorar sua qualidade de vida.
Causas e principais tipos malformações fetais
As anomalias congênitas ocorrem nos primeiros 3 meses de gravidez, quando os órgãos do
bebê estão se formando. Sua origem pode ser genética, infecciosa, ambiental ou nutricional,
embora em muitos casos não seja possível identificar sua causa. Suas principais causas são os
transtornos congênitos e perinatais, muitas vezes associados a agentes infecciosos deletérios à
organogênese fetal, tais como os vírus da rubéola, da imunodeficiência humana (HIV), o vírus
Zika, o citomegalovírus; o Treponema pallidum e o Toxoplasma gondii.
Além dos agentes infecciosos supracitados, há outros fatores que aumentam as chances de
desencadear uma doença congênita:
 O uso de drogas lícitas ou ilícitas, consumo de bebidas alcoólicas ou cigarro durante a
gravidez;
 Ter obesidade e ou diabetes não controlado antes e durante a gravidez;
 Fazer uso de medicamentos contra indicados no período gestacional;
 Ter alguém na família com malformação fetal;
 Gestante com idade acima de 35 anos.
Os distúrbios congênitos mais comuns e graves são defeitos cardíacos congênitos, defeitos do
tubo neural, anormalidades cromossômicas como a síndrome de Down e infecções congênitas
por vírus como Síndrome Congênita do Zika (SCZ). Outros também conhecidos são: lábio
leporino, fenda palatina, microcefalia e o conjunto das displasias esqueléticas.
Muitas doenças congênitas podem ser prevenidas ou tratadas com medidas básicas na
assistência pré-natal adequada, como a vacinação de meninas contra rubéola (previne a
síndrome da rubéola congênita) e a fortificação de alimentos com ácido fólico e vitamina B-12
(para evitar a ocorrência de defeitos do tubo neural, como, espinha bífida e anencefalia
Como o médico diagnostica as malformações fetais?
A ultrassonografia continua a ser o grande instrumento de diagnóstico das anomalias fetais,
capaz de detectar a hidropisia fetal, anomalia do septo cardíaco, problemas com a saída do
fluxo, hidrocefalia, obstruções do trato urinário, cistos renais, obstrução intestinal, anomalias
na parede abdominal e hérnia diafragmática.
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No caso de lábio leporino ou fenda palatina é feita uma ultrassonografia especializada no
segundo trimestre da gestação. Em alguns casos, a ultrassonografia deve ser complementada
por uma tomografia computadorizada e medição da circunferência craniana. Para detectar
alguma falha no desenvolvimento do cérebro e da medula espinhal deve ser feito também o
teste da alfafetoproteína materna na 16ª semana da gestação.
Além da ultrassonografia, o médico também poderá pedir exames como ecocardiograma fetal,
tomografia fetal e exames que identifiquem alterações genéticas como o cariótipo fetal com
punção do cordão umbilical. O Doppler é utilizado para avaliar fluxos sanguíneos das artérias
uterinas, umbilicais e outras.
O ultrassom comum calcula as medidas do feto, para saber se ele cresce adequadamente,
verifica a placenta e o líquido amniótico. O primeiro deles deve ser feito por volta da 12ª
semana, o segundo por volta da 22ª semana e o terceiro no final da gravidez. Realizar mais
ultrassonografias do que o recomendado normalmente não provoca danos à saúde da mãe ou
do bebê, mas só deve ser feito em casos especiais de gestações complicadas. Há exames de
líquido amniótico para verificar riscos de anomalias do bebê, como Síndrome de Down e
malformações do tubo neural.
Como prevenir as malformações fetais?
Muitas anomalias congênitas podem ser prevenidas ou tratadas. A suplementação com ácido
fólico na pré-gravidez, o consumo de iodo durante a gestação, a vacinação contra a rubéola
(que pode ser transmitida aos filhos durante a gestação) e assistência pré-natal adequada são
algumas formas de prevenção.
Embora não seja possível prevenir a maioria das malformações fetais, pode-se prevenir ou
minimizar muitas das consequências delas. Por isso, é importante que a mãe faça os exames
pré-natais de rotina.
Muitas drogas consideradas “simples” podem ter efeito teratogênico. Teratógeno é qualquer
substância que, estando presente no organismo materno durante a gestação, produz
alterações de estrutura ou função no feto. Por isso, o ideal é que a gestante não utilize
nenhuma droga durante a gestação ou só o faça com expressa autorização médica. Há casos
em que a grávida não pode abster-se de medicações durante a gestação, como medicações
para epilepsia e diabetes, por exemplo, mas esses casos devem ser acompanhados de perto
pelo ginecologista/obstetra.
É importante também abster-se totalmente de álcool e de fumo. A gestante deve evitar todas
as situações que a exponham às toxinas ambientais, evitar as infecções virais, vacinar-se antes
de engravidar e tomar as doses recomendadas de ácido fólico.
Dia 03 de Março
Em 03 de Março de 2016, no intuito de conscientizar o mundo sobre o impacto das anomalias
congênitas, promover o desenvolvimento e implantação de programas de prevenção, além de
expandir os serviços de saúde para todas as pessoas com anomalias congênitas, a Organização
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Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) se reuniram com
vários líderes de organizações de saúde para comemorar pela primeira vez o Dia Mundial de
Anomalias Congênitas, e desde então essa data passou a ser um dia de conscientização em
relação as doenças congênitas.
Vacinas:
VACINA BCG (Bacillus De Calmette-Guérin)
 Composição: bacilos vivos, a partir de cepas do Mycobacterium bovis atenuadas.
 Via: intradérmica.
 Esquema: dose única o mais precoce possível, preferencialmente nas primeiras 12 horas
após o nascimento.
o 2ª dose: para comunicantes domiciliares de hanseníase com intervalo de 6 meses
entre as doses.
 Indicação: prevenção de formas graves de tuberculose (miliar e meníngea).
 Contraindicação:
o Maiores de 5 anos portadores de HIV
o Imunodeficiência congênita ou adquirida
o Neoplasia maligna
o Tratamento com corticoide em dose imunossupressora, quimioterapia ou
radioterapia
o Gestantes (exceto em alto risco de exposição)
VACINA HEPATITE B
 Composição: antígeno recombinante de superfície AgHBs.
 Via: intramuscular.
 Esquema vacinal: 3 doses com intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda e 6
meses entre a primeira e terceira dose.
o Recém-nascidos devem receber a primeira dose nas primeiras 24 horas ou até 30
dias de vida.
o A continuidade do esquema vacinal será com a vacina adsorvida difteria, tétano,
pertussis, hepatite B e Haemophilus influenzae b (conjugada), nessa situação, o
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VACINA DIFTERIA, TÉTANO, PERTUSSIS, HEPATITE B E HAEMOPHILUS INFLUENZAE B – PENTA
esquema corresponderá a 4 doses, para as crianças que iniciam esquema vacinal a
partir de 1 mês de idade até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
 Contraindicação: reação anafilática após o recebimento de qualquer dose da vacina ou
de seus componentes.
 Composição: toxoides purificados de difteria e tétano, suspensão celular inativada de
Bordetella pertussis, antígeno de superfície da hepatite B e oligossacarídeos conjugados
de Haemophilus influenzae b.
 Via: intramuscular profunda.
 Esquema vacinal: 3 doses – 2, 4 e 6 meses de idade com intervalo de 60 dias entre as
doses.
o Doses de reforço com a DTP (difteria, tétano e pertusis) aos 15 meses e 4 anos
 Contraindicação:
o Criança com quadro neurológico em atividade.
o Quando após dose anterior de vacina a criança apresentar alterações
neurológicas.
o História de choque anafilático.
VACINA DIFTERIA, TÉTANO E PERTUSSIS (DTP)
 Composição: combinação de toxoides purificados de difteria e tétano, suspensão celular
inativada de Bordetella pertussis.
 Via: intramuscular profunda.
 Esquema vacinal: primeiro reforço aos 15 meses e segundo aos 4 anos. Idade máxima: 7
anos.
 Contraindicação: as mesmas da vacina Pentavalente.
VACINA POLIOMIELITE INATIVADA 1,2 E 3 (VIP)
 Composição: vacina é trivalente e contém os vírus da poliomielite dos tipos 1, 2 e 3,
obtidos em cultura celular e inativados.
 Via: intramuscular.
 Esquema vacinal: Esta vacina integra o esquema sequencial com a vacina poliomielite 1,
2 e 3 (atenuada) (VOP): três doses, sendo duas doses da vacina VIP (aos 2 e 4 meses) e
uma dose da VOP (aos 6 meses), com intervalo de 60 dias entre as doses e mínimo de 30
dias.
 Contraindicação: reação anafilática aos componentes da vacina.
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VACINA POLIOMIELITE ATENUADA 1,2 E 3 (VOP)
 Composição: vacina é trivalente, ou seja, contém os três tipos de poliovírus 1, 2 e 3.
 Via: oral
 Esquema vacinal: está vacina integra o esquema sequencial com a vacina VIP: três
doses, sendo duas doses da vacina VIP (aos 2 e 4 meses) e uma dose da VOP (aos 6
meses), com intervalo de 60 dias entre as doses e mínimo de 30 dias. Administre duas
doses de reforço com a VOP aos 15 meses e aos 4 anos de idade. Cada dose da vacina
corresponde a duas gotas.
 Contraindicação:
o Imunodeficiência humoral ou mediada por células com neoplasias.
o Uso de terapia imunossupressora.
o Usuários que presentaram poliomielite paralítica associada à dose anterior desta
mesma vacina.
o Usuários que estejam em contato domiciliar com pessoas imunodeficientes
suscetíveis.
o Lactentes e crianças internados em UTI.
VACINA PNEUMOCÓCICA CONJUGADA 10 VALENTE (PNEUMO 10)
 Composição: Vacina preparada a partir de polissacarídeos capsulares bacterianos
purificados do Streptococcus pneumoniae (pneumococo), com 10 sorotipos de
pneumococo.
 Via: intramuscular profunda.
 Esquema vacinal: A vacina deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de idade, com
intervalo de 60 dias entre as doses e mínimo de 30 dias, em menores de 1 ano de idade.
O reforço deve ser feito entre 12 e 15 meses, com intervalo de 6 meses após o esquema
básico.
 Contraindicação: reações anafiláticas a doses anteriores.
VACINA ROTAVÍRUS HUMANO (ATENUADA) (VORH)
 Composição: A vacina é constituída por um sorotipo do rotavírus humano atenuado da
cepa.
 Via: via oral
 Esquema vacinal: duas doses, administradas aos 2 e 4 meses de idade. A primeira dose
pode ser administrada a partir de 1 mês e 15 dias até 3 meses e 15 dias. A segunda dose
pode ser administrada a partir de 3 meses e 15 dias até 7 meses e 29 dias. Intervalo
mínimo de 30 dias entre as doses.
 Contraindicação:
o Histórico de invaginação intestinal ou com malformação congênita não corrigida
do trato gastrointestinal.
o Administração fora da faixa etária preconizada.
VACINA MENINGOCÓCICA C (CONJUGADA) (MENINGO C)
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 Composição: constituída por polissacarídeos capsulares purificados da Neisseria
meningitidis do sorogrupo C.
 Via: intramuscular
 Esquema vacinal: duas doses, administradas aos 3 e 5 meses de idade, com intervalo de
60 dias entre as doses e mínimo de 30 dias. O reforço deve ser feito entre 12 e 15 meses.
Em crianças entre 12 e 23 meses de idade sem comprovação vacinal ou com esquema
incompleto, administrar uma única dose.
 Contraindicação: reações anafiláticas a doses anteriores.
VACINA FEBRE AMARELA (ATENUADA) (FA)
 Composição: vírus vivos atenuados da febre amarela.
 Via: subcutânea
 Esquema vacinal: uma dose a partir dos 9 meses de idade. Uma dose deve ser
administrada a cada 10 anos.
 Contraindicação:
o Menores de 6 meses de idade;
o Gestantes e aleitamento materno.
o Imunodeprimido grave, independentemente do risco de exposição;
o Portadores de doenças autoimunes.
VACINA SARAMPO, CAXUMBA, RUBÉOLA (TRÍPLICE VIRAL)
 Composição: vírus vivos (atenuados) das cepas do vírus da rubéola, do sarampo e da
caxumba.
 Via: subcutânea
 Esquema vacinal: duas doses:
o 12 meses a 19 anos de idade: duas doses conforme a situação vacinal. A primeira
dose (aos 12 meses de idade) deve ser com a vacina tríplice viral e a segunda dose
(aos 15 meses de idade) deve ser com a vacina tetra viral, para as crianças que já
tenham recebido a 1ª dose da vacina tríplice viral.
o > 15 meses de idade não vacinadas: administrar a tríplice viral com o intervalo
mínimo de 30 dias entre as doses.
o 20 a 49 anos de idade: uma dose conforme a situação vacinal encontrada.
Considerar vacinada a pessoa que comprovar uma dose de vacina com
componente de sarampo, caxumba e rubéola ou sarampo e rubéola.
 Contraindicação:
o Anafilaxia
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VACINA DIFTERIA E TÉTANO ADULTO – DT (DUPLA ADULTO)
o Gestação
HEPATITE A
 Composição: antígeno do vírus da hepatite A.
 Via: intramuscular
 Esquema vacinal: uma dose aos 12 meses de idade na rotina de vacinação.
 Contraindicação: reação anafilática a algum dos componentes.
VACINA SARAMPO, CAXUMBA, RUBÉOLA E VARICELA (ATENUADA) (TETRA VIRAL)
 Composição: vírus vivos atenuados de cepas do sarampo, da caxumba, da rubéola e da
varicela.
 Via: subcutânea
 Esquema vacinal: uma dose aos 15 meses de idade em crianças que tenham recebido a
primeira dose da vacina tríplice viral.
 Contraindicação:
o Anafilaxia após dose anterior;
o Usuários com imunodeficiência clínica ou laboratorial grave.
 Composição: associação dos toxoides diftérico e tetânico.
 Via: intramuscular
 Esquema vacinal: administrada nos maiores de 7 anos de idade para os reforços ou
usuários com esquema incompleto ou não vacinados:
o Esquema vacinal completo: uma dose a cada 10 anos;
o Esquema incompleto: completar o esquema;
o Sem comprovação vacinal: três doses.
o Intervalo entre as doses é de 60 dias e após completar o esquema deve ser feito
reforço a cada 10 anos.
 Contraindicação: reação anafilática.
VACINA PAPILOMAVÍRUS HUMANO 6, 11, 16 E 18 (RECOMBINANTE) (HPV)
 Composição: quadrivalente recombinante inativada, constituída por proteínas L1 do HPV
tipos 6, 11, 16 e 18.
 Via: intramuscular.
 Esquema vacinal:
o 2 doses (0 e 6 meses) para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.
o 3 doses (0, 2 e 6 meses): meninas e mulheres infectadas pelo HIV entre 9 e 26
anos.
 Contraindicação: hipersensibilidade aos componentes da vacina e gestantes.
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VACINA INFLUENZA
 Composição: diferentes cepas do vírus Myxovirus influenzae inativados, fragmentados e
purificados, cultivados em ovos embrionados de galinha
 Via: intramuscular.
 Esquema vacinal: administrada anualmente para grupos elegíveis.
 Contraindicação:
o Menores de 6 meses de idade;
o Reação anafilática em dose anterior.
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PROGRAMA DE SAÚDE DO ADOLESCENTE
PNAISC – EIXOS ESTRÁTEGICOS
I- Atenção humanizada e qualificada a gestação, ao parto, ao nascimento, ao recém-nascido
II- Aleitamento materno e alimentação complementar saudável
III- Promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento integral
IV- Atenção integral a criança com agravos prevalente na infância e com doença crônicas
V- Atenção integral à criança em situação de violência, prevenção de acidentes e promoção da
cultura de paz.
VI- Atenção à saúde de crianças com deficiências ou em situação especificas e de vulnerabilidades
VII- Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno:
PORTARIA Nº 1.130, DE 5 DE AGOSTO DE 2015
Programa saúde do Adolescente - PROSAD
Adolescência:
O que é o PROSAD?
Criado pelo Ministério da saúde, através da portaria nº 980/GM, de 21 de dezembro de
1989.
Contexto
Transformação anatômicas,
fisiologicas e psicossociais
Vulnerabilidade social
Estimativa IBGE 2019
30,42% da população
brasileira total
28,53% da população do
Estado do Amapá
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Público alvo: jovens entre 10 e 19 anos.
Política de promoção da saúde: identificação de grupos de risco, detecção precoce dos
agravos com tratamento adequado e reabilitação, assegurando os princípios da
universalidade, equidade e integralidade de ações.
Objetivos e diretrizes:
Promover a saúde de forma integral, multisetorial e interdisciplinar.
- Ação deve ser pautada no respeito pela adolescência visando:
 Crescimento e desenvolvimento;
 Sexualidade;
 Saúde mental, saúde reprodutiva, saúde sexual e saúde na escola;
 Violência e maus tratos;
 Família;
 Prevenção de acidentes;
 Trabalho, lazer;
Estratégias:
- Implemento em todos os Estados brasileiros, polo Governo Federal, deve:
 Promover estratégias intersetoriais que aumentem o alcance do programa e
mantenha um canal de informação e atualização entre as esferas central, estadual e
municipal
 Treinar e capacitar profissionais e voluntários para atender e acolher os adolescentes;
Os centros de atenção devem:
 Contar com os profissionais das áreas de educação, media, saúde bucal, serviço
social, enfermagem, nutrição e saúde mental;
 Realizar trabalhos educativos e preventivos com os grupos de adolescente,
assim como com suas famílias e também outros elementos da comunidade;
 Manter contato com todos esses indivíduos.
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AÇOES NA UBS:
- De que forma é trabalhado a saúde do adolescente na Unidade Básica?
“Busca-se promover o direito a saúde do adolescente, mediante o acesso aos serviços e
ações de promoção a saúde, prevenção de doença e agravos e atenção humanizada”
- Atendimento disponível ao público adolescente na unidade básica:
“Especialidade medicas (cardiologia, endócrino, dermatologista, etc..), conforme suas
necessidades, clinico geral, nutrição, odontologia, psicologia, psiquiatria assistência social,
palestras educativas, medicamentos e curativos, imunização”.
ECA
Você já ouvir falar no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)?
Você sabe quais são os direitos que ele garante?
É hora de conhecer um pouco mais sobre este importante instrumento de defesa de nossos
direitos para poder exercê-los e lutar para que sejam garantidos e respeitados.
O Estatuto da criança e do adolescente (ECA) é um documento que reúne as leis específicas que
asseguram os direitos e deveres de crianças e adolescentes aqui no Brasil. Ele nasce da luta de
diversos movimentos sociais que defendem os direitos de crianças e adolescentes, já que antes
do estatuto existia apenas o “Código de Menores” que tratava de punir as crianças e
adolescentes consideradas infratores.
Desde 1990 com o ECA as crianças e os (as) adolescentes são reconhecidos como sujeitos de
direitos e estabelece que a família, o Estado e a sociedade são responsáveis pela sua proteção,
já que são pessoas que estão vivendo um período de intenso desenvolvimento físico, psicológico,
moral e social.
O que o estatuto garante?
"Crianças e adolescentes são sujeitos de Direitos" - Sujeitos de Direitos são pessoas que têm os
seus direitos garantidos por lei.
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73 | P á g i n a
"Seus direitos devem ser tratados com prioridade absoluta" - Isso quer dizer que os direitos das
crianças e dos/ das adolescentes estão em primeiro lugar.
"Para tudo deve ser levada em conta a condição peculiar de crianças e adolescentes serem
pessoas em desenvolvimento" - A criança e ao adolescente têm os mesmos direitos que uma
pessoa adulta e, além disso, têm alguns direitos especiais, por estarem em desenvolvimento
físico, psicológico, moral e social. As crianças e os adolescentes não conhecem todos os seus
direitos e por isso não têm condições de exigir, então é muito importante que todos conheçam
o ECA para que se possa conseguir uma sociedade mais justa para todos.
A Constituição Brasileira no artigo 227, também assegura a proteção integral à criança e ao
adolescente:
"É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar
e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão."
Direitos = Compromissos
Esses são alguns dos direitos que o estatuto garante, mas não podemos apenas pensar nos
DIREITOS, temos que pensar e colocar em prática nossos COMPROMISSOS, pessoais e sociais
com relação ao estatuto. Este compromisso social é uma forma de manifestar nosso respeito e
solidariedade para com a comunidade que vivemos, vamos pensar alguns desses compromissos
sociais:
 Direito de ter escola e educação
Nosso compromisso é frequentar as aulas, estudar, cuidar da escola etc.
 Direito a saúde e prevenção
Nosso compromisso é cuidar da nossa saúde, buscar informações e orientação nas
unidades de saúde, usar o preservativo em todas as relações e práticas sexuais etc.
 Direito à Liberdade, respeito e dignidade
 Nosso compromisso é respeitar as pessoas, agir com dignidade e ética, usufruir com
responsabilidade e conquistar nossa liberdade etc.
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 Pré-adolescência – dos 10 aos 14 anos,
 Adolescência – dos 15 aos 19 anos completos
 Juventude – dos 15 aos 24 anos.
Adolescência
A definição de adolescência, vem do Latim “ADOLESCENTIA”, que significa período da vida
humana entre a infância e a fase adulta. Vamos encontrar ainda quem defina adolescência como
uma fase natural da vida marcada pelas transformações biológicas e comportamentais.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define adolescência como sendo o período da vida que
começa aos 10 anos e termina aos 19 anos completos. Para a OMS, a adolescência é dividida em
Três fases:
No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera a adolescência, a faixa etária
dos 12 até os 18 anos de idade completos, sendo referência, desde 1990, para criação de leis e
programas que asseguram os direitos desta população.
Como vimos, são muitas as definições que tentam explicar a adolescência. Algumas definições
utilizam conceitos (embasados em estudos da psicologia, da educação, da filosofia, da medicina
etc.), outras definições utilizam recortes etários como é o caso da OMS. É importante saber que
os conceitos existem e atendem a objetivos específicos de programas, pesquisas e políticas
públicas.
CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO
A adolescência compreende um complexo processo de maturação que transforma a criança em
adultos.
 Desenvolvimento físico
 Crescimento
 Maturação sexual
Femininas
 Crescimento acelerado
 Desenvolvimento dos seios
 Curvas pelo corpo
 Desenvolvimentos do órgão genital
 Secreção e Mestruação
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Masculino
 Aumento dos testículos
 Aumento do tamanho do pênis
 Aparecimento de acne
 Alteração da voz
 Alargamento dos ombros e do tórax
 Surge a primeira ejaculação
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 Risco biológico: Obesidade, doenças crônicas, etc.
 Risco emocional: Depressão, uso e abuso de drogas, etc.
 Risco familiar: Pais alcoolistas, com transtornos mentais, etc.
 Risco social: Morar em áreas de tráfico de drogas, pobreza extrema, etc.
ATENDIMENTO AO ADOLESCENTE
A enfermagem durante a assistência ao adolescente entre 10 e 19 anos.
O atendimento ao adolescente deve sempre levar em conta, dentre outras variáveis, o
processo de crescimento e desenvolvimento e sua vulnerabilidade a inúmeros agravos físicos,
psíquicos e sociais, cuja análise permitirá a identificação dos fatores protetores que devam ser
promovidos e os riscos que deverão ser afastados e/ou atenuados.
Abrange ações Interdisciplinares, Inter setoriais e Interinstitucionais, voltadas para a
prevenção e promoção da saúde, para o atendimento local e para o encaminhamento de
situações e problemas específicos desta faixa etária. A própria condição de ausência de
oportunidade para refletir, construir um projeto de vida e concretizá-lo, pode colocar qualquer
adolescente em situação de risco, independente da situação social em que se encontre.
Didaticamente poderíamos classificá-los em:
Sexualidade e Gravidez na Adolescência
A gravidez na adolescência é considerada a que ocorre entre os 10 e 20 anos, de acordo com a
Organização Mundial de Saúde (OMS).
Apontada como uma gestação de alto risco decorrente das preocupações que traz à mãe e ao
recém-nascido, a gravidez nesta faixa etária pode acarretar problemas sociais e biológicos.
O Brasil apresenta elevados índices de adolescentes grávidas. Porém, o Ministério da Saúde
indica que houve uma redução de 17% no número de mães entre 10 e 19 anos, no período de
2004 a 2015.
Gravidez precoce
A gravidez na adolescência ocorre em um momento de intensas mudanças corporais
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A adolescência é um período da vida rico em manifestações emocionais, caracterizadas por
ambiguidade de papéis, mudança de valores e dificuldades face à procura de independência
pela vida.
A gravidez na adolescência é muitas vezes encarada de forma negativa do ponto de vista
emocional e financeiro das adolescentes e suas famílias, alterando drasticamente suas rotinas.
Veja alguns dados sobre a gravidez na adolescência no Brasil e ao redor do mundo:
 7,3 milhões de adolescentes se tornam mães a cada ano ao redor do mundo, das quais 2
milhões são menores de 15 anos;
 No ano de 2010 um relatório divulgado por um órgão ligado à ONU indica que 12% das
adolescentes entre 15 e 19 anos tinham pelo menos um filho;
 O Brasil tem 21 milhões de adolescentes com idade entre 12 e 17 anos, sendo que cerca de
300 mil crianças nascem de mães nessa faixa etária;
 Em pesquisa realizada pela ONU, o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a
cada mil meninas de 15 a 19 anos.
Consequências e riscos
Gravidez na adolescência: riscos e consequências
A gravidez na adolescência pode trazer consequências emocionais, sociais e econômicas para
a saúde da mãe e do filho.
A maioria das adolescentes que engravida abandona os estudos para cuidar do filho, o que
aumenta os riscos de desemprego e dependência econômica dos familiares.
Esse fatores contribuem para a perpetuação da pobreza, baixo nível de escolaridade, abuso e
violência familiar, tanto à mãe como à criança.
Além disso, a ocorrência de mortes na infância é alta em filhos nascidos de mães adolescentes.
A situação socioeconômica, a falta de apoio e de acompanhamento da gestação (pré-
natal) contribuem para que as adolescentes não recebam informações adequadas em relação à
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alimentação materna apropriada, à importância da amamentação e sobre a vacinação da
criança.
Também é grande o número de adolescentes que se submetem a abortos inseguros, usando
substâncias e remédios para abortar ou em clínicas clandestinas. Isso tem grandes riscos para a
saúde da adolescente e até mesmo risco de vida, sendo uma das principais causas de morte
materna.
Essas ações acarretam prejuízos às crianças, gerando um impacto na saúde pública, além da
limitação no desenvolvimento pessoal, social e profissional da gestante.
Principais fatores
Há diversos fatores de natureza objetiva e subjetiva que levam à gravidez no início da vida
reprodutiva, tais como:
 Falta de conhecimento adequado dos métodos contraceptivos e como usá-los;
 Dificuldade de acesso a esses métodos por parte do adolescente;
 Dificuldade e vergonha das meninas em solicitar o uso do preservativo pelo parceiro;
 Ingenuidade e submissão;
 Violência;
 Abandono;
 Desejo de estabelecer uma relação estável com o parceiro;
 Forte desejo pela maternidade, com expectativa de mudança social e de obtenção de
autonomia através da maternidade;
 Meninas com início da vida sexual cada vez mais precoce.
O ambiente familiar também tem relação direta com o início da atividade sexual.
Experiências sexuais precoces são observadas em adolescentes em famílias onde os irmãos
mais velhos já apresentam vida sexual ativa.
É comum encontrar adolescentes grávidas cujas mães também iniciaram a vida sexual
precocemente ou engravidaram durante a sua adolescência.
Por outro lado, famílias onde existe o hábito da conversa e há orientação sobre a vida sexual, a
situação pode ser diferente e a sexualidade melhor aproveitada pelos adolescentes no
momento certo.
Como evitar a gravidez na adolescência?
A melhor forma de evitar a gravidez na adolescência é se informar adequadamente e conhecer
o próprio corpo e do parceiro antes de começar a vida sexual.
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Meninos e meninas devem se informar sobre os métodos anticoncepcionais. A camisinha é o
mais comum, mais barato e mais fácil de utilizar. Além da gravidez indesejada, ela também
protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Métodos Contraceptivos
Existem diversos métodos anticoncepcionais ou contraceptivos, que se dividem em 4 tipos:
1. Métodos de Barreira
Utilizam produtos ou instrumentos que impedem a passagem dos espermatozoides pela
vagina. São eles:
1. Preservativo masculino (camisinha) e feminino;
2. Diafragma;
3. Espermicidas.
Métodos contraceptivos de barreira
2. Métodos Comportamentais
Dependem sobretudo do comportamento da mulher e exigem um conhecimento prévio do
corpo feminino para que possam ser aplicados. São eles:
1. Tabelinha;
2. Muco;
3. Temperatura.
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Métodos contraceptivos comportamentais
3. Métodos Hormonais
Comprimidos ou injeções produzidas com hormônios não naturais. Este tipo de método
interfere no equilíbrio hormonal do corpo da mulher, alterando o desenvolvimento do
endométrio, o movimento das tubas uterinas, a produção do muco cervical e impedindo que
ocorra ovulação. São eles:
1. Pílulas;
2. Injeções;
3. Adesivos;
4. Dispositivo Intrauterino - DIU: Trata-se de um objeto colocado no interior da vagina para evitar
a concepção.
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Métodos contraceptivos hormonais
4. Métodos Cirúrgicos ou Esterilização
Não é propriamente um método anticoncepcional, mas sim uma cirurgia realizada no homem
ou na mulher para evitar definitivamente a concepção. A esterilização da mulher é chamada de
laqueadura e a masculina, vasectomia.
Vacinas
Tomar vacinas é um ato de amor, é a melhor maneira de se proteger de uma série de
doenças graves e de suas complicações, que podem até levar à morte.
Você sabia que a maioria das doenças preveníveis por vacina são transmitidas por contato com
objetos contaminados ou por gotículas expelidas quando o doente espirra, tosse ou fala?
Assim, se uma pessoa é infectada, pode transmitir a doença para outras que ainda não foram
imunizadas.
Graças à vacinação, nas últimas décadas houve uma redução drástica da incidência de doenças
que costumavam matar milhares de pessoas todos os anos – como coqueluche, sarampo,
poliomielite e rubéola. Mas, mesmo estando sob controle hoje em dia, elas podem voltar a se
tornar uma epidemia caso as pessoas parem de se vacinar
VACINAS SÃO SEGURAS E EFICAZES
As vacinas são feitas com microrganismos atenuados da própria doença que previne. Por
exemplo, a vacina contra o sarampo contém o vírus do sarampo. No entanto, estes vírus estão
enfraquecidos ou mortos, fazendo com que o corpo não desenvolva a doença, mas se torne
preparado para combatê-la se for necessário (imunidade).
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Toda vacina licenciada passou antes por diversas fases de testes e estudos, por isso são
seguras. Elas também passam pela avaliação de institutos reguladores rígidos, como a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Algumas pessoas podem ter efeitos colaterais leves
depois de tomarem uma vacina, como dor no local da injeção e febre baixa.
VACINAS CERTAS PARA CADA FASE:
O Ministério da Saúde tem um calendário de vacinação específico para recém-nascidos e
crianças, bem como para pré-adolescentes e adolescentes, adultos, idosos; e ainda para
gestantes.
Para vacinar, basta comparecer a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou algum centro de
vacinação com o cartão de vacinação. O ideal é que cada dose seja administrada na idade
recomendada. Entretanto, se perdeu o prazo para alguma dose é importante atualizar as
vacinas. A maioria das vacinas disponíveis no Calendário Nacional de Vacinação é destinada a
crianças. São 15 vacinas, aplicadas antes dos 10 anos de idade.
Calendário vacinal dos adolescentes!
ADOLESCENTES
A caderneta de vacinação deve ser frequentemente atualizada. Algumas vacinas só são
administradas na adolescência. Outras precisam de reforço nessa faixa etária. Além disso,
doses atrasadas também podem ser colocadas em dia. Veja as vacinas recomendadas na
adolescência:
 HPV (previne o papiloma vírus, que causa cânceres e verrugas genitais) – são 2 doses (seis
meses de intervalo entre as doses). Meninas devem tomar entre 9-14 anos e meninos
entre 11-14 anos
 Meningocócica C (conjugada) (previne meningite causada por Neisseria meningitidis do
sorogrupo C) – Dose única ou reforço (a depender da situação vacinal anterior). Idade
recomendada é entre 11-14 anos
Entre 11 e 19 anos:
 Hepatite B – 3 doses (a depender da situação vacinal anterior)
 Febre Amarela – 1 dose (a depender da situação vacinal anterior)
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Anotações:
 Dupla Adulto (dT) (previne difteria e tétano) – Reforço a cada 10 anos
 Tríplice viral (previne sarampo, caxumba e rubéola) – 2 doses (de acordo com a situação
vacinal anterior)
 Pneumocócica 23 Valente (previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças
causadas pelo Pneumococo) – 1 dose (a depender da situação vacinal anterior) – (está
indicada para população indígena e grupos-alvo específicos)

Apostila Saúde da Criança e do Adolescente.docx

  • 1.
    1 | Pá g i n a Promocão Integração Apoio e incetivo á saúde da criança S AÚ D E D A C RI AN Ç A E D O A D O L E S C EN T E PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE DA CRIANÇA PAISC: (Programa de Atenção Integral a Saúde da criança)  Em 1983 o Ministério da saúde criou o PAISMC – Programa de Assistência Integral a Saúde da Criança.  Em 1984 foi dividido e criado o PAISC- Programa de Assistência Integral a Saúde da Criança. FINALIDADES E DIRETRIZES: Ações: 1. Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento 2. Incentivo ao aleitamento materno e orientação para o desmame 3. Controle de doença diarreicas 4. Controle das infecções respiratórias agudas 5. Imunização Objetivo: Criar condições para um atendimento integrado a saúde da criança de 0 a 5 anos, prioridade: GRUPOS DE RISCO, através de um aumento de cobertura da assistência e melhoria da qualidade do atendimento diminuindo assim a mobilidade infantil.
  • 2.
    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 2 | P á g i n a Toda criança nascida viva com até 28 dias de vida extrauterina. O RN com peso < 2,500g é considerado com baixo peso ao nascimento e de alto risco, independentemente da idade gestacional. Baixo peso ao nascer: Recém-nascido: conceito e classificação Baixo peso ao nascer = peso ao nascer <2,500g Muito baixo peso ao nascer= peso ao nascer <1,500g (até e incluído 1,499g) Extremo baixo peso ao nascer = peso ao nascer < 1,000g (até e incluindo 999g)  Essa classificação se baseia em observações epidemiológicas de que crianças com menos de 2,500g ao nascer tem um risco aproximadamente 20 vezes maior de morrer em comparação ás de peso maior. RN a termo: de 37 semanas a 41 semanas e 6 dias; Classificação: idade gestacional, Peso ao Nascer. RN pós-termo : com 42 semanas ou mais. RN pré-termo: até 36 semanas e 6 dias; Classificação idade gestacional
  • 3.
    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 3 | P á g i n a realização de anmnese materna; Preparo para atender ao RN na sala de parto (BRASIL,2014a) Presença de equipe treinada em reanimação neonatal. Disponibilidade do material para atendimento*; Assistência ao Recém-nascido Cuidados na hora do nascimento:  Para admissão do RN, como berço de calor irradiante, material para animação cardiopulmonar etc. De acordo com as diretrizes nacionais de assistência ao parto normal, todos os locais de parto devem manter os seguintes cuidados: Cuidados para os locais de parto:  Planejar o cuidado ciente de que pode ser necessário chamar por ajuda se o recém-nascido precisar de ressuscitação;  Desenvolver fluxogramas de referências de emergência e implementá-los, se necessário;  Assegurar que existam recursos para ressuscitação e para transferência do recém-nascido para outro local se necessário.
  • 4.
    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 4 | P á g i n a A respiração deve ser regular e suficiente para manter a FC em, aproximadamente,100bpm Gestação a termo? Ausência de mecônio? Respirando ou chorando? Tônus muscular bom? Avaliação da vitalidade ao nascer Imediatamente depois do nascimento, a necessidade de reanimação depende da avaliação rápida de quatro situações referentes a vitalidade do RN. São feitas as seguintes perguntas (BRASIL,2014a): Se a resposta for sim para as quatros perguntas, considera-se que o RN Esta com boa vitalidade e não necessita de manobras de reanimação (BRASIL,2014ª).  Respiração Necessidade de Reanimação e Avalição de sua Eficácia  Frequência cardíaca De acordo com o manual de atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais da saúde, a frequência cardíaca adequada para o RN varia, em média, de 120 a 140 bpm. Os RNs em repouso com frequência cardíaca acima de 160bpm (taquicardia) devem ser mais bem avaliados (BRASIL,2014a) Segundo as diretrizes nacionais de assistência ao parto normal, o RN deve ser avaliado por um neonatologista/pediatra nas seguintes situações: (BRASIL,2017a)  Frequência respiratória > 60irpm;  Presença de gemidos  Frequência cardíaca < 100bpm ou > 160bpm;
  • 5.
    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 5 | P á g i n a manter a temperatura corporal: secar e aquecer RN e garantir a temperatura ambiente na sala de parto entre 23º, 26ºC estabelecer a permeabilidade das vias aereas superiores , mas nao aspirar de rotina. estimular contato pele a pele imediato da mae com a criança logo apos o nascimento. promover e manter o equilibrio organico; prevenir infecções  Enchimento capilar > 3 segundos;  Temperatura corporal > 38 ºc  Ou 37,5 ºC em 2 ocasiões, com 30 minutos de intervalo;  Saturação de oxigênio <95%;  Presença de cianose central confirmada pela oximetria de pulso, se disponível. Assistência imediata ao RN Condutas na assistência imediata ao RN (BRASIL,2017a)  Realizar o clampeamento do cordão umbilical entre 1 e 5 minutos ou de forma fisiológica quando cessar a pulsação, exceto se houver alguma contraindicação em relação ao cordão ou a necessidade de reanimação neonatal;  Se o RN necessitar de ressuscitação básica, iniciar com ar ambiente;  Minimizar a separação do RN e sua mãe, levando em consideração as circunstâncias clinicas;  Estimular as mulheres a terem contato pele a pele imediato com a criança logo depois do nascimento;  Cobrir a criança com um campo ou uma toalha morna para mantê-la aquecida enquanto mantem o contato pele a pele;  Estimular o início precoce do aleitamento materno, idealmente na 1ª hora de vida. objetivos
  • 6.
    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 6 | P á g i n a  Registrar a circunferência cefálica, a temperatura corporal e o peso (depois da 1ª hora de vida)  Realizar exame físico inicial para detectar qualquer anormalidade física maior e para identificar problemas que possam requerer transferência  Avaliar índice de apgar, no 1º e no 5º minuto de vida rotineiramente.  Assegurar que qualquer exame intervenção ou tratamento da criança seja realizado com o consentimento dos pais e em sua presença ou, se isso não for possível, com o seu conhecimento. Índices de apgar É um teste realizado nos primeiros minutos de vida de um recém-nascido e permite vigiar a sua saúde global. É avaliado no índice de Apgar os seguintes item abaixo: Os primeiros minutos de vida de um recém-nascido podem ser decisivos para a adaptação do bebé à vida fora do útero materno. O teste de Apgar, introduzido nos anos 50 pela obstetra norte-americana Virginia Apgar, é um método rápido de monitorizar o estado clínico do recém- nascido após o nascimento. Este teste é realizado ao primeiro, ao quinto e ao décimo minuto de vida do recém-nascido e expressa-se num índice de 0 a 10 - quanto mais alta a pontuação, melhor é o estado clínico do bebé após o nascimento. Para que serve? O índice de Apgar é uma expressão da condição fisiológica do bebé num momento específico e inclui algumas apreciações subjetivas, como a avaliação da cor da pele, entre outros parâmetros. O teste de Apgar não determina a necessidade de uma reanimação do recém-nascido, mas é uma ferramenta útil para a tomada de decisões quanto à sua saúde nos primeiros minutos de vida. O Programa de Reanimação Neonatal norte-americano recomenda que a reanimação, se necessária, seja aplicada de imediato, mesmo antes do primeiro minuto de vida, portanto, antes da avaliação pelo teste de Apgar. Neste caso, o índice de Apgar será uma ferramenta útil para avaliar a resposta do recém-nascido à reanimação. O que é avaliado no índice de Apgar? Para o teste de Apgar é suficiente o uso de um estetoscópio (para auscultar o coração) e a observação da equipa que acompanha o parto. São analisados cinco pontos da fisiologia do bebé: respiração, frequência cardíaca, irritabilidade reflexa, tónus muscular, cor da pele. Para cada um, a pontuação de zero a dois corresponde a características específicas.  Respiração
  • 7.
    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 7 | P á g i n a 0 - Não respira 1 - Respira lentamente e de forma irregular, fraca, com suspiros 2 - Chora vigorosamente  Frequência cardíaca 0 - Não há batimento cardíaco 1 - Menos de 100 batimentos por minuto 2 - Mais de 100 Batimentos por minuto  Irritabilidade reflexa 0 - Não responde a estímulos 1 - Faz caretas em resposta aos estímulos 2 - Chora, espirra ou tosse em resposta a estímulos  Tónus muscular 0 - Músculos moles e caídos, sem atividade 1 - Há alguma tensão muscular e flexão dos músculos 2 - O bebé está ativo, músculos tensos e fletidos  Cor (é importante notar que a cianose periférica é comum entre recém-nascidos e que esta avaliação pode também variar segundo a cor da pele do bebé) 0 - O bebé está pálido ou azulado 1 - O bebé está rosado, mas azulado nas mãos e pés 2 - O bebé está completamente rosado As pontuações de cada ponto são somadas. Uma pontuação de sete ou mais indica que o bebé nasceu bem. Uma pontuação inferior a sete implica um acompanhamento próximo por parte da equipa médica, que avalia que procedimentos poderão ser necessários. O Programa de Reanimação Neonatal norte-americano, por exemplo, recomenda que, no caso de uma pontuação inferior a sete aos cinco minutos, este exame seja repetido a cada cinco minutos até aos 20 minutos.
  • 8.
    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 8 | P á g i n a Vitamina K (Fitomenadiona) via intramuscular (IM); dose única de 1mg Quais as limitações deste teste? Esta escala não tem em conta circunstâncias que podem influenciar uma pontuação baixa no índice, mesmo que o recém-nascido seja saudável. Entre os fatores que podem diminuir a nota neste teste estão:  Nascimento prematuro  Gravidez de risco  Parto por cesariana  Anestesia durante o parto  Complicações no trabalho de parto É importante notar ainda que esta escala terá avaliações diferentes no caso do recém-nascido ter sido sujeito a reanimação. O mau resultado no teste tem implicações na saúde futura do bebé? Não. Este teste é uma avaliação do momento em que foi feito. Uma pontuação inicial baixa não significa que o bebé terá complicações de saúde depois de lhe ser prestada a assistência que se revele necessária. O teste de Apgar não diagnostica, aliás, nenhuma doença. Vitamina k Seguem algumas informações acerca da vitamina k, de acordo com as recomendações das diretrizes nacionais de assistência ao parto normal (BRASIL, 2017ª) As manifestações clínicas predominantes da carência da vitamina K Hemorragias Decorrentes da nao ativação das proteinas dependentes de vitamina K De acordo com as diretrizes nacionais de assistência ao aparto normal, todos os recém- nascido devem receber vitamina k para a profilaxia da doença hemorrágica, conforme descrição abaixo: Esse método de dose única, apresenta a melhor relação custo-efetividade.
  • 9.
    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 9 | P á g i n a Vitamina K (fitomenadiona) via oral (VO) 2 mg ao nascer ou logo depois; + 1 dose de 2 mg Entre o 4º e o 7º dia Se os pais se recusarem a administração intramuscular (IM), deve ser oferecida a administração oral (VO) de vitamina K, os responsáveis devem ser advertidos de que esse método deve seguir as recomendações do fabricante e exige múltiplas doses, veja: Para os RNs em aleitamento materno exclusivo, em adição ás recomendações para todos os neonatos, uma dose de 2mg via oral deve ser administrada entre 4 e 7 semanas depois, por causa dos níveis variáveis e baixos de vitamina K no leite materno e da produção endógena inadequada. Métodos de crede O método de Credé ou credeização consiste na instilação ocular de uma gota de Nitrato de Prata a 1% para prevenção da oftalmia gonocócica. Este procedimento é realizado na primeira hora de vida, tanto em parto normal quanto cesáreo. Em caso de presença de vérnix na região ocular, o mesmo deverá ser removido, mediante uso de uma gaze seca ou umidificada em água (não utilizar soro fisiológico ou qualquer solução salina). Afastam-se as pálpebras e instila-se uma gota de nitrato de prata a 1% no saco lacrimal inferior de cada olho.  A profilaxia deve ser realizada na 1ª hora de vida depois do nascimento, tanto por parto vaginal, quanto no cesáreo. Profilaxia da oftalmia Neonatal De acordo com o manual de diretrizes nacionais em 2020 é indicado:  1 ª hora depois do nascimento, tanto parto vaginal quando cesáreo, instilar 1 gota de nitrato de prata a 1% no fundo de cada olho ou tetraciclina a 1% (colírio).
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 10 | P á g i n a CUIDADOS DE ENFERMAGEM EM UTI NEONATAL Os chamados “cuidados gerais de Enfermagem em UTI neonatal” são aqueles rotineiramente realizados pela equipe técnica de Enfermagem para com todos os bebes internados, salvo algumas exceções e/ou modificações de certos procedimentos para certos pacientes, conforme prescrição medica e/ou de Enfermagem. Esses “cuidados gerais” incluem:  Verificação de sinais vitais (saturação de oxigênio, pulso ou frequência cardíaca, respiração temperatura e pressão arterial e aplicação de escala de dor);  Manter elevação da cabeceira entre 30 e 45 graus conforme prescrição médica;  Permeabilizar os cateteres de acesso venoso periférico, cateter umbilical, flebotomia ou PICC (quaisquer que sejam que o RN esteja mantendo) Conforme prescrição medica e de Enfermagem e observar constantemente se não há sinais logísticos ou de extravasamento no local de inserção dos cateteres.  Rodízio de sensor de oximetria continua entre os MMSS e MMII (membros superiores e inferiores respectivamente)  Higiene oral e ocular dos recém-nascido;  Mudança de decúbito;  Higiene perineal e troca de fraldas;  Pesagem de fraldas e controle de eliminações vesico-fisiológico;  Curativo de coto umbilical;  Banho recém-nascido  Troca de eletrodos e de roupas (ninho) do leito do recém-nascido (sempre após o banho ou quando houver necessidade);  Sempre observar a posição de cânula orotraquel e das sondas para certificar-se que o RN não está “extubando acidentalmente” ou “que saque a sonda” quando necessário, colocar luvinhas para evitar que o RN saque a sonda Gástrica;  Oferta de dieta por gavagem, sonda-dedo, copinho, ou posicionando o recém-nascido em seio materno (conforme a prescrição medica);  Manutenção do conforto geral do recém-nascido (diminuir luminosidade, ruídos e ter manuseio mínimo agrupando os cuidados)  Manter ambiente térmico neutro; (Esses cuidados listado acima são os principais cuidados rotineiros de uma UTI Neonatal.) Verificando os sinais vitais dos Recém-Nascidos na UTI neonatal A rotina de verificação dos sinais vitais em UTI neonatal costuma ser feita com um espaçamento de horas que variam de 4 em 4, 3 em 3, ou até em 2 em 2 horas conforme o caso e a gravidade do recém-nascido. Os sinais vitais são aqueles que nos informam sobre como está, basicamente, a hemodinâmica do bebe, e incluem verificar:  Saturação de oxigênio;
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 11 | P á g i n a Faixa de normalidade: 36,5 a 37ºC  Temperatura;  Frequência cardíaca;  Respiração por minuto;  P.A  E verificar qual o nível da dor do RN aparenta naquele momento, através da aplicação “da escala de dor” própria. Saturação de oxigênio: O oximetro de pulso é um método não invasivo que avalia a oxigenação dos tecidos por meio da espectrometria infravermelha e reflete a saturação de oxigênio de hemoglobina. Nos neonatos, a enfermagem deve colocar os eletrodos nas extremidades (mão e pés) sempre, com o eletrodo “aceso com a luz vermelha” em cima da artéria local para que consiga fazer a leitura, o de cima fica alinhado com o de baixo, e envolvem-se ambos com o coban para mantê- los posicionados. Faz-se o rodizio deste sensor aproximadamente de 3 em 3 horas. Verificação de Temperatura: A temperatura axilar do bebê pode ser verificada com termômetro digital. Antes e após utilizar o termômetro, deve-se fazer sua desinfecção com álcool a 70% posicionar o termômetro sob a axila do bebê e esperar que o mesmo “apite”, avisando que já chegou a temperatura máxima, verificar e anotar nos controles do bebê. Se o bebê estiver mantendo sensor de pele ou sensor retal, a temperatura será mostrada continuamente na tela do monitor de parâmetros vitais juntamente com outros sinais vitais. Controle térmico A temperatura central pode ser obtida de forma intermitente por via axilar ou continua por meio de sensor abdominal. A temperatura da pele sobre o fígado tem sido bastante usada como indicador da temperatura central. (Sensor na linha média da porção superior do abdome, estando o recém-nascido em supino, ou colocar o sensor no dorso do recém-nascido, na região escapular) a temperatura periférica pode ser aferida nos membros, mais comumente nos pés. Não se recomenda a avaliação da temperatura retal. Hipotermia:
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 12 | P á g i n a  Potencial estresse do frio (hipotermia leve): temperatura entre 36,0 e 36,4ºC; Hipotermia moderada:  Temperatura entre 32,0 e 35,9ºC Hipotermia grave:  Temperatura < 32,0 ºC; Hipertermia:  Temperatura > 37,5ºC; Prevenção da hipotermia:  Manter a temperatura da sala de parto maior ou igual a 25 º C;  Ligar a fonte de calor radiante antes do nascimento e pré-aquecer os campos;  Recepcionar o recém-nascido em campos aquecidos e colocá-lo sob calor radiante;  Secar e remover os campos úmidos;  Uso de gorro de algodão  Cobertura oclusiva com filme de polietileno, poli vinil ou poliuretano (<32 semanas)  Uso de saco plástico (A respiração do recém-nascido pode ser verificada de dois modos: Observando o abdome do bebe para contar (a cada inspiração e expiração uma respiração completa) por 1 minuto (para isso, ultilize um relógio analógico) A Frequência Cardíaca: Observa-se, ou posicionando o estetoscópio na região do bebe e contando por um minuto ou observando o valor que aparece no monitor. Lembrando que, para monitorar o bebe, deve-se colar os eletrodos nas regiões indicadas e sobre eles colocar os sensores de acordo com a indicação do fabricante para que eles façam a leitura e também, deve-se programar o monitor para que este mostre os parâmetros desejados, programe o tipo de modo, o tipo de traçados e os limites que o aparelho deve alarmar como máximo e mínimos para as frequências cardíacas e respiratórias do bebê A Pressão Arterial: Utilizar um manguito apropriado para o tamanho do bebe. O manguito deve cobrir dois terços do braço do bebe. Ele mostrará a pressão sistólica (máxima), a diastólica (mínima) e a média (que deve corresponder aproximadamente a quantas semanas o bebe tem.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 13 | P á g i n a Classificação: Pré – termo: < 34 semanas Pré-termo Tardio: 34 – 36 semanas Termo: 37- 42 semanas Pós termo > 42 semanas Antropometria do RN Definição: Período Neonatal: Nascimento até 27 Dias, 23h e 59 min. Idade Gestacional: Duração em semanas e dias. Consiste do primeiro dia da última Mestruação até a data do parto. Idade gestacional: Observação inicial:  Despir o RN e observar suas reações;  Manter a temperatura ambiente adequada;  Malformações grosseiras; Medidas antropométricas: Perímetro Cefálico (PC): 33 a 35 cm (bipariental); Mede-se com fita métrica, passando pelo ponto mais saliente do osso occipital e pelas bordas supra occpitária (globela) sem passar por cima das orelhas. Perímetro Torácico (PT): 30,5 a 33 cm, 2 a 3 cm menor que o PC; Perímetro Abdominal: 2 a 3 cm menor que o PC; Obs.: fita métrica na altura da cicatriz umbilical Estatura (Altura): 48 a 53 cm; Peso: 2,500g a 4,000g perda de 10% de peso na 1ª semana de vida. Obs.: pesar com o RN despido, antes da alimentação. Ganho de Peso: primeiros 4 ou 5 dias, perda de 3 a 10% de peso, recuperando em torno do 10º dia;
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 14 | P á g i n a Exame feito a partir do sangue coletado do calcanhar do bebê e que permite identificar doenças graves, como: o hipotireoidismo congênito (glândula tireóide do recém-nascido não é capaz de produzir quantidades adequadas de hormônios), a fenilcetonúria (doença do metabolismo) e as hemoglobinopatias (doenças que afetam o sangue – traço falcêmico e doença falciforme).  Primeiro trimestre, em média 25 a 30 g/dia  Segundo trimestre, em média 20g/ dia  Terceiro trimestre, em média 15g/ dia Aspecto geral de comportamento: - Postura: extremidades fletidas, pernas arqueadas, tônus musculares pronunciados, movimento simétrico espontâneo, flexão e extensão bilateral; - Nível de alerta/ consciência fácil de consolar e choro forte Exames Teste do Pezinho: Por que fazer o teste? Porque essas doenças não apresentam sintomas no nascimento e, se não forem diagnosticadas e tratadas cedo, podem causar sérios danos à saúde, inclusive retardo mental grave e irreversível. Quem deve fazer o teste? Todas as crianças recém-nascidas. A data ideal para a coleta de sangue é entre o 3º e 5º dia de vida do recém-nascido. O que é traço falcêmico? É uma alteração herdada dos pais que afeta, diretamente, as células do sangue. Essa alteração é não uma doença. Mas, se duas pessoas com traço falcêmico se unem, seus filhos podem nascer com doença falciforme. Tanto o traço quanto a doença podem ser detectados através do Teste do Pezinho. O que é doença falciforme?
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 15 | P á g i n a É uma doença hereditária que provoca dificuldades na circulação do sangue. A doença falciforme causa crises de dor aguda, infecções graves, icterícia (cor amarela no branco dos olhos) e cansaço. Onde se pode fazer o teste do pezinho? Diversas maternidades já fazem o teste rotineiramente, antes da alta hospitalar, após o parto. Procure saber se isto é feito na maternidade onde nasceu o seu filho. Caso o teste ainda não tenha sido feito, você poderá procurar Postos de Saúde do seu município. E se você não quiser que seu filho faça o teste? Hoje em dia, o teste é obrigatório por lei em todo o território nacional. Alguns municípios, inclusive, não permitem que a criança seja registrada em cartório se não tiver feito o Teste do Pezinho anteriormente. O tratamento é caro? No caso do hipotireoidismo congênito, o tratamento é simples e barato, mas requer o acompanhamento de um médico especialista. Já o tratamento da fenilcetonúria requer o uso de leite e alimentos especiais que são, muitas vezes, importados. O que acontece se a criança não fizer o tratamento? Se o seu filho for portador de alguma dessas doenças e não for tratado convenientemente, certamente desenvolverá problemas no desenvolvimento físico e mental e de nada adiantará iniciar o tratamento depois que isso acontecer. Teste do olhinho O teste do olhinho, também conhecido como teste do reflexo vermelho, é um teste realizado durante a primeira semana de vida do recém-nascido para avaliar as estruturas do olho, garantindo que estão corretamente desenvolvidas.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 16 | P á g i n a Este teste normalmente é feito logo na maternidade, mas pode também ser feito na primeira consulta com o pediatra, devendo ser repetido algumas vezes durante os 2 primeiros anos de vida. O teste do olhinho está indicado para todos os recém-nascidos, mas é especialmente importante no caso de crianças que nasceram com microcefalia ou que as mães foram infectadas com o Zika vírus durante a gravidez, já que há maior risco de desenvolvimento de alterações na visão. Quando fazer o teste: O teste do olhinho deve ser realizado em todos os recém-nascidos e geralmente é feito logo na maternidade, durante os primeiros dias de vida. No entanto, caso não seja possível, o teste deve ser feito na primeira consulta com o pediatra fora da maternidade. É ainda recomendado que o teste seja repetido regularmente durante os primeiros 2 anos de vida do bebê, de acordo com orientação do pediatra, mas normalmente é feito aos 4, 6, 12 e 24 meses. Para que serve O teste do olhinho avalia as estruturas do olho e, por isso, permite identificar qualquer alteração que seja sugestiva de doenças oculares como:  Catarata congênita;  Glaucoma;  Retinoblastoma;  Cegueira. Além disso, neste teste, o médico também pode avaliar se o bebê possui algum grau elevado de miopia ou hipermetropia. Como é feito o teste O teste do olhinho não dói e é rápido, sendo realizado pelo pediatra através de um pequeno aparelho que projeta uma luz nos olhos do recém-nascido. Quando essa luz é refletida de cor avermelhada significa que as estruturas dos olhos do bebê estão saudáveis. No entanto, quando a luz refletida é esbranquiçada ou de forma diferente entre os olhos, deve-se fazer outros exames com o oftalmologista para investigar a possibilidade de problemas de visão. Quando fazer outros exames de vista
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 17 | P á g i n a Além do teste do olhinho, o bebê deve ser levado para uma consulta com o oftalmologista no primeiro ano de vida e aos 3 anos. Além disso, os pais devem estar atentos a sinais de problemas de visão, como não acompanhar o movimento de objetos e luzes, presença de fotos em que os olhos criança refletem luz branca ou presença de olhos vesgos por 6 meses, o que indica estrabismo. Na presença desses sinais, deve-se levar a criança para fazer exames com o oftalmologista, facilitando a identificação do problema e o tratamento adequado para prevenir problemas mais graves, como a cegueira. Teste da orelhinha O teste da orelhinha é um teste obrigatório por lei que deve ser feito ainda na maternidade, nos bebês para avaliar a audição e detectar precocemente algum grau de surdez no bebê. Este teste é gratuito, fácil e não machuca o bebê e é normalmente realizado durante o sono entre o 2º e 3º dia de vida do bebê. Em alguns casos, pode ser recomendado que o teste seja repetido após 30 dias, principalmente quando há maior risco de alterações auditivas, como no caso de recém-nascidos prematuros, com baixo peso ou cuja mãe teve alguma infecção durante a gravidez que não foi devidamente tratada. Para que serve O teste da orelhinha tem como objetivo identificar alterações na capacidade auditiva do bebê, e, por isso, é um teste importante para o diagnóstico precoce de surdez, por exemplo. Além disso, esse teste permite identificar pequenas alterações auditivas e que poderiam interferir no processo de desenvolvimento da fala. Assim, por meio do teste da orelhinha, o fonoaudiólogo e o pediatra podem avaliar a capacidade auditiva do bebê e, caso seja necessário, indicar o início de tratamento específico. Como é feito o teste da orelhinha O teste da orelhinha é um teste simples e que não causa dor ou desconforto para o bebê. Nesse teste, o médico coloca um aparelho na orelha do bebê que emite estímulo sonoro e mede o seu retorno através de uma pequena sonda que também é inserida na orelha no bebê. Assim, em cerca de 5 a 10 minutos, o médico pode verificar se existem alterações que devem ser investigadas e tratadas. No caso de ter sido verificada alteração durante o teste da
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 18 | P á g i n a orelhinha, o bebê deve ser encaminhado para a realização de um exame de audição mais completo, para que possa ser concluído o diagnóstico e iniciado o tratamento adequado. Quando fazer? O teste da orelhinha é um teste obrigatório e é indicado logo nos primeiros dias de vida ainda na maternidade, sendo normalmente realizado entre o 2º e o 3º dia de vida. Apesar de ser indicado para todos os recém-nascidos, alguns bebês possuem maior chance de desenvolver problemas auditivos, sendo, por isso, o teste da orelhinha muito importante. Assim, o risco de o bebê ter o teste da orelhinha alterado é maior quando:  Nascimento prematuro;  Baixo peso ao nascer;  Caso de surdez na família;  Malformação dos ossos da face ou que envolva a orelha;  A mulher teve alguma infecção durante a gravidez, como a toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes, sífilis ou HIV;  Fizeram uso de antibióticos após o nascimento. Nesses casos é importante que, independente do resultado, o teste seja repetido após 30 dias. O que fazer se o teste da orelhinha der alterado: O teste pode dar alterado em apenas uma orelha, quando o bebê apresenta líquido no ouvido, que pode ser o líquido amniótico. Nesse caso, deve-se repetir o teste após 1 mês. Quando o médico identifica alguma alteração nas duas orelhas, poderá indicar imediatamente que os pais levem o bebê ao otorrinolaringologista ou fonoaudiologista para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento. Além disso pode ser preciso observar o desenvolvimento do bebê, tentando perceber se ele ouve bem. Aos 7 e 12 meses de idade, o pediatra pode realizar novamente o teste da orelhinha para avaliar como está a audição do bebê. A tabela a seguir indica como se dá o desenvolvimento auditivo da criança:
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 19 | P á g i n a Idade do bebê O que ele deve fazer Recém nascido Se assusta com sons fortes 0 a 3 meses Se acalma com sons moderadamente fortes e músicas 3 a 4 meses Presta atenção nos sons e tenta imitar sons 6 a 8 meses Tenta descobrir de onde vem o som; fala coisas como 'dada' 12 meses começa a falar as primeiras palavras, como mamã e entende ordens claras, como' dá tchau' 18 meses fala, pelo menos, 6 palavras 2 anos fala frases usando 2 palavras como ' qué água' 3 anos fala frases com mais de 3 palavras e quer dar ordens A melhor forma de saber se o bebê não escuta bem é levá-lo ao médico para realizar exames. No consultório médico o pediatra poderá realizar alguns testes que evidenciam que a criança possui alguma deficiência auditiva e se esta for confirmada, poderá indicar o uso de um aparelho auditivo que pode ser feito sob medida. Teste da linguinha O teste da linguinha é um exame obrigatório que serve para diagnosticar e indicar o tratamento precoce de problemas no freio da língua de recém-nascidos, que podem prejudicar
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 20 | P á g i n a a amamentação ou comprometer o ato de engolir, mastigar e falar, que é o caso da anquiloglossia, também conhecida como língua presa. O teste da linguinha é realizado nos primeiros dias de vida do bebê, geralmente ainda na maternidade. Esse teste é simples e não causa dor, isso porque o fonoaudiólogo apenas levanta a língua do bebê para analisar o freio da língua, que também pode ser chamado de frênulo da língua. Para que serve? O teste da linguinha é realizado em recém-nascidos para detectar alterações do freio da língua, como a língua presa, cientificamente chamada de anquiloglossia. Esta alteração é muito comum e ocorre quando a membrana que prende a língua na parte de baixo da boca é muito curta, dificultando os movimentos da língua. Além disso, o teste da linguinha é feito para avaliar a espessura e de que forma o freio da língua está fixado, além de analisar como o bebê movimenta a língua e se apresenta dificuldades para sugar o leite materno. Assim, é importante que o teste da linguinha seja feito o mais cedo possível, de preferência nos primeiros meses de vida do bebê, pois dessa forma é possível identificar alterações do freio da língua o quanto antes para evitar consequências como dificuldades na amamentação ou para comer alimentos sólidos, alteração na estrutura dos dentes e na fala. Como é feito? O teste da linguinha é feito pelo fonoaudiólogo a partir da observação da movimentação da língua e da forma como o freio está fixado. Essa observação é muitas vezes realizada quando o bebê está chorando ou durante a amamentação, uma vez que algumas alterações na língua podem dificultar a pega do bebê no peito da mãe. Assim, ao verificar os movimentos da língua e o formato do freio, o fonoaudiólogo preenche um protocolo em que constam algumas características que devem ser pontuadas durante o exame e, no fim, identifica se há ou não alterações. Caso seja verificado no teste da linguinha que existem alterações, o fonoaudiólogo e o pediatra podem indicar o início de tratamento adequado, e, de acordo com a alteração identificada, pode ser recomendada a realização de um pequeno procedimento para liberar a membrana presa embaixo da língua. Importância do tratamento A língua presa limita os movimentos da língua durante a sucção e deglutição, o que pode levar ao desmame precoce. Já na introdução da papinha sólida, os bebês com língua presa podem apresentar dificuldade para engolir e até sofrer engasgos. Assim, a identificação e o tratamento precoces podem diminuir as consequências negativas no desenvolvimento oral das crianças de zero a dois anos de idade que nasceram com o freio da
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 21 | P á g i n a língua muito curto. Quando corrigido a tempo, o tratamento pode evitar transtornos nas diferentes etapas do desenvolvimento oral das crianças. Teste do coraçãozinho O teste do coraçãozinho é obrigatório e gratuito, feito ainda na maternidade entre 24 e 48 horas após o nascimento. O exame consiste em medir a oxigenação do sangue e os batimentos cardíacos do recém-nascido com o auxílio de um oxímetro, que é uma espécie de pulseirinha, colocada no pulso e no pé do bebê. Caso alguma alteração seja detectada, o bebê é encaminhado para fazer um ecocardiograma, que é um exame que detecta defeitos no coração do bebê. Doenças hemolíticas do RN A doença hemolítica do recém-nascido é um quadro clínico no qual os glóbulos vermelhos são degradados ou destruídos pelos anticorpos da mãe. A hemólise é a destruição dos glóbulos vermelhos no sangue.  Esse distúrbio pode ocorrer se o sangue da mãe for incompatível (entra em conflito) com o sangue do feto.  O diagnóstico toma por base exames de sangue da mãe e, às vezes, do pai.  Às vezes, imunoglobulina é administrada à mãe durante a gestação para ajudar a prevenir essa doença no recém-nascido.  O tratamento pode incluir transfusões de sangue para o feto antes do parto e para o recém-nascido após o parto. Os glóbulos vermelhos contêm hemoglobina, uma proteína que confere a cor vermelha ao sangue e que permite a este transportar oxigênio dos pulmões a todos os tecidos corporais. Oxigênio é utilizado pelas células na produção da energia de que o corpo necessita, o que origina dióxido de carbono como produto residual. Os glóbulos vermelhos transportam o dióxido de carbono dos tecidos para os pulmões. Quando o número de glóbulos vermelhos é muito baixo, o sangue transporta menos oxigênio, causando fadiga e fraqueza.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 22 | P á g i n a A doença hemolítica do recém-nascido pode causar concentrações elevadas de bilirrubina no sangue (hiperbilirrubinemia), baixo número de glóbulos vermelhos no sangue (anemia) e, muito raramente, nas apresentações mais graves, morte. A bilirrubina é um pigmento amarelo produzido durante a destruição normal dos glóbulos vermelhos. Incompatibilidade de Rh O fator Rh é uma molécula na superfície de glóbulos vermelhos em algumas pessoas. O sangue será Rh positivo se os glóbulos vermelhos da pessoa tiverem o fator Rh. O sangue será Rh negativo se os glóbulos vermelhos da pessoa não tiverem o fator Rh. O sangue da maioria das pessoas é Rh positivo. Quando o bebê tem glóbulos vermelhos Rh positivos e a mãe possui glóbulos vermelhos Rh negativos, os dois têm uma incompatibilidade do fator Rh. Assim, o sistema imunológico da mãe com sangue Rh negativo pode determinar que os glóbulos vermelhos do sangue Rh positivo do feto são “estranhos” e produzir anticorpos contra o fator Rh nos glóbulos vermelhos do feto (esse processo é denominado sensibilização ao Rh). Os anticorpos da mãe podem atravessar a placenta e chegar ao sangue do feto antes do parto. Os anticorpos mãe se fixam e destroem (causam a hemólise) os glóbulos vermelhos do feto. A destruição rápida de glóbulos vermelhos começa enquanto o feto ainda está no útero e continua após o parto. Essa destruição pode causar anemia. A mãe com sangue Rh negativo pode produzir anticorpos anti-Rh se ela for exposta a glóbulos vermelhos que são Rh positivo. A maneira mais comum de uma mulher ser exposta a sangue Rh positivo é quando ela tem um feto com sangue Rh positivo. A mãe é exposta ao maior volume de sangue do feto durante o parto, ocasião na qual a maior parte da sensibilização ao Rh ocorre. Contudo, algumas mães também podem ser expostas ao sangue do feto antes disso, por exemplo, durante um aborto espontâneo ou eletivo, durante um exame diagnóstico no feto (por exemplo, uma amniocentese ou amostragem de vilosidades coriônicas), caso elas sofram alguma lesão no abdômen, ou se houver um descolamento prematuro da placenta (ruptura da placenta). Assim, a maioria dos casos de doença hemolítica ocorre em fetos cujas mães passaram por dessensibilização em uma gravidez anterior. Contudo, em casos raros, a mãe pode produzir anticorpos no início da gestação e depois esses anticorpos afetam o feto mais no final da gestação. A exposição também pode ocorrer fora de uma gestação, por exemplo, se a mãe tiver recebido em alguma ocasião uma transfusão de sangue Rh positivo antes da gravidez. Assim que a mãe tenha sido exposta e tenha desenvolvido anticorpos, é mais provável que ocorram problemas nas gestações posteriores em que o feto tem sangue Rh positivo. Incompatibilidade de ABO Às vezes, outras incompatibilidades de grupo sanguíneo podem dar origem a uma doença hemolítica similar (porém menos grave). Caso a mãe tenha sangue tipo O, por exemplo, e o feto tenha sangue tipo A ou B, o corpo da mãe produzirá anticorpos anti-A ou anti-B que podem atravessar a placenta em grandes quantidades, fixar-se aos glóbulos vermelhos do feto e provocar sua destruição (hemólise), o que causa anemia leve ou hiperbilirrubinemia. Esse tipo de incompatibilidade é denominado incompatibilidade ABO. Em geral, a incompatibilidade ABO causa uma anemia menos grave que a incompatibilidade do fator Rh e, ao contrário da incompatibilidade do fator Rh, ela normalmente fica menos grave com cada gravidez posterior.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 23 | P á g i n a Diagnóstico da doença hemolítica do recém-nascido  Exames de sangue na mãe durante a gestação e, às vezes, no pai Prevenção da doença hemolítica do recém-nascido  Injeção de imunoglobulina durante a gestação e após o parto Sintomas da doença hemolítica do recém-nascido Após o parto, o recém-nascido com doença hemolítica possivelmente estará inchado, pálido ou com a pele amarelada (um quadro clínico denominado icterícia) ou pode ter o fígado ou o baço aumentados, anemia ou ter acúmulo de líquido no corpo. Durante a primeira consulta pré-natal da gestação, a mãe realiza um exame de sangue para determinar se o sangue dela é Rh positivo ou Rh negativo. Se o sangue da mãe for Rh negativo e o resultado do exame for positivo para anticorpos anti-Rh ou se o resultado do exame for positivo para outro tipo de anticorpo que pode causar doença hemolítica no recém- nascido, o sangue do pai será analisado. A sensibilização ao Rh é um risco se o pai tiversangue Rh positivo. Nessas situações, a mãe realiza exames de sangue periódicos durante a gestação para verificar os níveis de anticorpos anti-Rh. Nada mais precisa ser feito, enquanto anticorpos não forem detectados. Se os exames detectarem anticorpos, são realizados exames de sangue especiais na mãe e no feto durante a gestação. Para evitar que uma mulher com sangue Rh negativo desenvolva anticorpos contra os glóbulos vermelhos do feto, ela recebe uma injeção de um preparado de imunoglobulina anti- D (Rh0) aproximadamente na 28ª semana de gestação e novamente 72 horas após o parto. Elas também recebem uma injeção após qualquer episódio de sangramento vaginal durante a gravidez e depois da amniocentese ou amostragem das vilosidades coriônicas. A imunoglobulina rapidamente reveste os glóbulos vermelhos fetais que sejam Rh positivo que tenham entrado na circulação da mãe para evitar que o sistema imunológico da mãe determine que eles são “estranhos” e, com isso, desencadeie a formação de anticorpos anti- Rh. Esse tratamento em geral impede que a doença hemolítica do recém-nascido se desenvolva. Tratamento da doença hemolítica do recém-nascido  Às vezes, transfusões de sangue para o feto antes do parto  Às vezes, mais transfusões após o parto  Tratamento da icterícia, se ela estiver presente Se o feto for diagnosticado com anemia, ele pode receber transfusões de sangue antes do nascimento. É possível que as transfusões continuem a ser realizadas até que o feto tenha amadurecido o suficiente e possa nascer com segurança. Antes do parto, a mãe pode receber corticosteroides para ajudar os pulmões do feto a amadurecerem e para se preparar para a
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 24 | P á g i n a possibilidade de um parto prematuro, caso necessário. O recém-nascido pode precisar de mais transfusões após o parto. A anemia grave causada pela doença hemolítica do recém-nascido é tratada da mesma maneira que qualquer outra anemia (consulte tratamento da anemia). O médico também examina o recém-nascido quanto à presença de icterícia. A icterícia tem propensão a ocorrer quando uma destruição rápida dos glóbulos vermelhos produz um excesso de bilirrubina. A bilirrubina é um pigmento amarelo que dá à pele e ao branco dos olhos do recém-nascido uma tonalidade amarelada. Se a concentração de bilirrubina for demasiadamente elevada, ela pode prejudicar o bebê. A concentração elevada de bilirrubina pode ser tratada ao expor o recém-nascido a uma luz clara (fototerapia ou “banhos de luz”) ou, em algumas ocasiões, submetendo o recém-nascido a uma exsanguineotransfusão. Concentrações muito elevadas de bilirrubina no sangue podem causar danos cerebrais (querníctero), a menos que isso seja evitado por essas medidas. Parâmetros de crescimento e desenvolvimento de criança e adolescente. Fases de desenvolvimento da criança:  O que é o desenvolvimento infantil? O desenvolvimento infantil é um processo de aprendizado pelo qual as crianças passam para adquirir e aprimorar diversas capacidades de âmbito cognitivo, motor, emocional e social. Ao conquistar determinadas capacidades, a criança passa a apresentar certos comportamentos e ações (como, por exemplo, dizer a primeira palavra, dar os primeiros passos, etc.) que são esperados a partir de determinada idade. O desenvolvimento infantil acaba por ser um conjunto de aprendizados que, pouco a pouco, vai tornando a criança cada vez mais independente e autônoma. Fases do desenvolvimento infantil (segundo Jean Piaget) As etapas do desenvolvimento infantil foram o principal tema de estudo do psicólogo suíço Jean Piaget. Jean William Fritz Piaget (9 de agosto de 1896 - 16 de setembro de 1980) Durante o tempo em que trabalhava em uma escola, Piaget se interessou por observar o raciocínio utilizado pelas crianças para responder as perguntas de seus professores. Posteriormente, passou a observar também os seus filhos e desta forma, acabou por subdividir as fases da infância. A teoria de Piaget considera que o desenvolvimento infantil consiste em quatro fases no que diz respeito à cognição: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 25 | P á g i n a  Sensório-motor: 0 a 2 anos Nessa fase do desenvolvimento, a criança desenvolve a capacidade de se concentrar em sensações e movimentos. O bebê começa a ganhar consciência de movimentos que, anteriormente, eram involuntários. Ele percebe, por exemplo, que ao esticar os braços pode alcançar determinados objetos. Durante esse período, ocorre o desenvolvimento da coordenação motora. Os bebês nessa faixa etária só têm consciência daquilo que podem ver e é por isso que choram quando a mãe sai do seu campo de visão, mesmo que ela esteja muito perto.  Pré-operatório: 2 a 7 anos Esse é o período onde ocorrem representações da realidade dos próprios pensamentos. Nessa fase, algumas vezes a criança não tem a real percepção dos acontecimentos, mas sim a sua própria interpretação. Ao observar um copo fino e alto e um copo baixo e largo que comportam a mesma quantidade, por exemplo, a criança acredita que o copo alto comporte uma quantidade maior. Durante esse período também é possível notar uma fase bastante acentuada do egocentrismo e a necessidade de dar vida às coisas. É a fase dos “porquês” e da exploração da imaginação, ou seja, do dito "faz de conta".  Operatório concreto: 8 a 12 anos Nessa fase começa a ser demonstrado o início do pensamento lógico concreto e as normas sociais já começam a fazer sentido para a criança. A criança é capaz de entender, por exemplo, que um copo fino e alto e um copo baixo e grosso podem comportar a mesma quantidade de líquido. Nessa faixa etária, o desenvolvimento da criança já contempla conhecimentos sobre regras sociais e sobre o senso de justiça.  Operatório formal: a partir dos 12 anos Aos 12 anos a criança já possui a capacidade de compreender situações abstratas e experiências de outras pessoas. Mesmo que a própria criança jamais tenha vivido determinada experiência e nem mesmo nada parecido, ela passa a ter a capacidade de compreender através de situações vividas por outros, ou seja, a compreender situações abstratas. O pré-adolescente também já é capaz de criar situações hipotéticas, teorias e possibilidades e de começar a se tornar um ser autônomo. Quais são os marcos do desenvolvimento infantil? Os marcos do desenvolvimento infantil consistem em certos comportamentos ou capacidades que se esperam das crianças em determinadas faixas etárias.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 26 | P á g i n a  Desenvolvimento infantil de 7 meses a 1 ano É importante referir que esses marcos podem acontecer mais cedo para umas crianças do que para outras, mas uma variação de tempo excessivamente grande pode significar algum distúrbio de desenvolvimento.  Desenvolvimento infantil de 0 a 6 meses  Logo a seguir ao nascimento: o bebê dorme a maior parte do tempo, chora ao sentir desconforto e tem o hábito de sugar a boca;  1 mês: move a cabeça, o olhar é capaz de acompanhar um objeto em movimento, reage a sons, tem a capacidade de focar o rosto de outra pessoa com o olhar;  6 semanas: sorri durante a interação com outras pessoas, fica deitado de bruços;  3 meses: abre e fecha as mãos, mantém a cabeça firme quando está sentado e a eleva quando deitado de bruços, tenta alcançar objetos suspensos, começa a balbuciar sons;  5-6 meses: rola o corpo quando deitado, reconhece pessoas, é capaz de sentar (com apoio), emite sons semelhantes a pequenos gritos para exprimir alegria.  7 meses: é capaz de sentar (sem apoio), segura a mamadeira, passa objetos de uma mão para outra, reconhece o próprio nome, sustenta parte do peso de seu corpo quando está em pé;  9 meses: reage quando os brinquedos são tirados dele, consegue ficar em pé (com apoio), consegue sentar a partir da posição de bruços, começa a falar “papá” e “mamã” ("papai" e "mamãe"), engatinha;  12 meses: é capaz de andar com apoio e de dar um ou dois passos sem apoio, aprende a bater palmas e a “dar tchau”, fala algumas palavras, aprende a ingerir líquidos através de um copo.  Desenvolvimento infantil de 1 ano e 6 meses a 3 anos
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 27 | P á g i n a  Desenvolvimento infantil de 4 a 6 anos  1 ano e 6 meses: a criança anda com mais segurança, sobe escadas se apoiando, é capaz de comer certos alimentos sozinhos, estabelece comunicação através de um vocabulário de cerca de 10 palavras, desenha linhas verticais,  2 anos – 2 anos e 6 meses: corre com certa segurança, sobe em móveis, ao manusear um livro ou uma revista consegue virar uma página de cada vez, forma pequenas frases, abre portas, sobe e desce escadas sem apoio, indica quando precisa ir ao banheiro.  3 anos: consegue andar de velocípede, vai ao banheiro sozinha, faz perguntas com frequência, conta até 10, sabe formar o plural de algumas palavras, reconhece algumas cores.  4 anos: consegue pular em um pé só, aprende a atirar bolas, sabe lavar as mãos e o rosto, sobe e desce escadas alternando os pés.  5 anos: consegue agarrar uma bola atirada por outra pessoa, desenha pessoas, sabe pular, sabe colocar a própria roupa e também se despir, conhece um número maior de cores.  6 anos: sabe escrever o seu próprio nome, caminha em linha reta, apresenta fala fluente (usa tempos verbais, plurais e pronomes corretamente), tem capacidade de memorizar histórias, começa a aprender verdadeiramente a compartilhar, começa a demonstrar interesse em saber de onde vêm os bebês.  Crescimento, maturação e diferenciação e desenvolvimento - O crescimento é definido como sendo a transformação quantitativa, ou seja, no que diz respeito ao aspecto biológico, cronológico (anos) e antropométricos (altura, peso, etc). Ou seja, o crescimento é o aumento na estrutura física realizada pela multiplicação de células. 2- O desenvolvimento é o aprimoramento de alguns componentes, sendo físico, mental, emocional, social, motor, ou seja, aprimorando o que era simples para um estágio mais evoluído. 3- A maturação se refere às transformações que capacitam o organismo alçar novos níveis de funcionamento. Com a maturação, cada dia que passa, estamos mais preparados para executar novas tarefas. 4- A maturação biológica alcança níveis intensos de modificação durante a puberdade, em nosso caso, trabalhamos somente com crianças. A maturação biológica pode ser definida
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 28 | P á g i n a como; todas as mudanças morfológicas e fisiológicas que acontecem durante o processo de crescimento devido às transformações físicas, psíquicas e sociais, estabelecendo um elo entre a infância e o final da vida adulta (velhice). Com a criança vemos algumas transformações, mas este estado se torna mais visível na puberdade. 5- A aplicação de tais conceitos é de fundamental importância para a distinção de padrões maduros em determinada faixa etária. Por exemplo: a menina e um menino. A menina tem um desenvolvimento mais rápido do que o menino em determinadas fases do crescimento. 6- Dessas situações, podemos tirar alguns aspectos importantes. Apesar de idades semelhantes o grau de desenvolvimento é diferente e assim chegamos à idade biológica e cronológica. 7- A idade cronológica é a idade determinada pela diferença entre um determinado dia e o dia do nascimento do indivíduo. Gallahue (1989) apresenta a seguinte classificação para a idade cronológica: • vida pré-natal (concepção a oito semanas de nascimento); • primeira infância (um mês a 24 meses do nascimento); • segunda infância (24 meses a 10 anos); • adolescência (10-11 anos a 20 anos); • adulto jovem (20 a 40 anos); • adulto de meia idade (40 a 60 anos); • adulto mais velho (acima de 60 anos). 8- A idade biológica, por outro lado, corresponde à idade determinada pelo nível de maturação dos diversos órgãos que compõem o homem. A determinação da idade biológica, fator importante nos estudos sobre aptidão física, treinamento desportivo, crescimento e desenvolvimento, pode ser efetuada por meio da avaliação das idades mental, óssea, morfológica, neurológica, dental e sexual, o que possibilita que se formem, basicamente, três grupos: pré-púbere, púbere e pós-púbere (Araújo, 1985). 9- Para Malina (1988), os indicadores mais comumente usados para determinar a maturação biológica nos estudos de crianças e jovens são a maturação esquelética e o desenvolvimentodas características sexuais secundárias, ou seja, a maturação sexual. Tipos de desenvolvimento infantil
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 29 | P á g i n a Durante o processo de desenvolvimento, a criança evolui em diferentes aspectos de sua formação. A evolução não se dá somente no crescimento físico da criança, mas também na sua parte cognitiva e social, dentre outras.  Desenvolvimento afetivo O desenvolvimento afetivo está relacionado aos sentimentos e às emoções e é perceptível por parte da criança desde a fase de bebê. Um bebê é capaz de compreender a recepção de carinho e de amor, e também de amar e de criar laços afetivos com os pais e com outras pessoas próximas, principalmente com aquelas com as quais tem mais convívio. O estabelecimento dessas relações é fundamental para que a criança desenvolva sua inteligência emocional e não tenha, no futuro, problemas afetivos.  Desenvolvimento cognitivo O desenvolvimento cognitivo refere-se à parte mais intelectual do ser humano. Diz respeito à atenção, ao raciocínio, à memória e à capacidade de resolver problemas. A cognição do ser humano é desenvolvida com o tempo. Enquanto bebê, uma pessoa não tem uma capacidade de memória muito aguçada. Em geral, as pessoas não têm, por exemplo, recordações de acontecimentos que tenham tido lugar antes dos seus dois anos de idade. O desenvolvimento cognitivo infantil permite que a criança interprete, assimile e se relacione com os estímulos do ambiente que a cerca e com a sua própria essência. Saiba mais sobre cognitivo e cognição.  Desenvolvimento físico O desenvolvimento físico é aquele através do qual as crianças desenvolvem habilidades e capacidades motoras como sentar, andar, ficar em pé, pular, correr, etc. Em atividades que requerem mais precisão, como por exemplo, escrever, o desenvolvimento físico fica também dependente do desenvolvimento cognitivo.  Desenvolvimento social Com o desenvolvimento social, a criança aprende a interagir em sociedade. É com base nesse tipo de desenvolvimento que a criança estabelece com outras pessoas uma espécie de intercâmbio de informações, que permite adquirir cultura, tradições e normas sociais. A importância de brincar no desenvolvimento infantil está diretamente relacionada com esse tipo de desenvolvimento, pois através da socialização com outras crianças, são desenvolvidas certas capacidades de interação e noções de limites. O que pode influenciar o desenvolvimento infantil?
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 30 | P á g i n a Apesar da definição do conceito de fases do desenvolvimento piagetiano, o próprio Piaget defende que esse desenvolvimento poder ser beneficiado por certos estímulos e por um ambiente apropriado para crianças. Os principais fatores que podem impactar o desenvolvimento infantil são:  Ambiente onde a criança vive.  Hereditariedade (os seus pais, avós e demais ancestrais).  Alimentação.  Problemas físicos. Psicologia do desenvolvimento infantil A psicologia do desenvolvimento infantil é responsável por estudar as alterações que ocorrem no comportamento do ser humano durante a infância e defende que ele precisa passar por algumas etapas de aprendizado para finalmente adquirir determinada capacidade. Esse estudo engloba não só o desenvolvimento emocional/afetivo (emoções e sentimentos), mas também o cognitivo (conhecimento/razão), o social (relações sociais) e o psicomotor (funções motoras e psíquicas). A psicologia do desenvolvimento busca estudar também os fatores que promovem as mudanças de comportamento que levam a determinado fim. O psicólogo suíço Jean Piaget, fez uma analogia entre o desenvolvimento infantil e o desenvolvimento de um embrião: ele considerou que o percurso do desenvolvimento infantil consistia em fases e que a conclusão de uma determinada fase era condição necessária para passar à fase seguinte, ou seja, defendia que o desenvolvimento ocorria de forma sequencial, sem pular etapas. Piaget definiu o desenvolvimento cognitivo como uma espécie de embriologia mental. A construção da criança enquanto indivíduo está diretamente relacionada com o ambiente que a cerca. A demanda do ambiente pode influenciar diretamente o alcance de determinadas capacidades. Essa condição estabelece algumas relações do desenvolvimento infantil com a aprendizagem: uma criança que não sofre estímulos, pode, por exemplo, desenvolver certas capacidades mais tarde ou até mesmo vir a não desenvolvê-las. Em outras palavras, se o ambiente não demanda, a criança pode não “reagir” e não “construir”. Em suma, a psicologia do desenvolvimento infantil defende que a construção acontece através da interação com o meio.  A importância do brincar no desenvolvimento infantil
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 31 | P á g i n a As brincadeiras e jogos constituem uma parte fundamental do processo de desenvolvimento infantil. Através das brincadeiras, as crianças têm a possibilidade de explorar seus sentimentos e emoções e também seus medos e angústias. O lúdico também permite que as crianças criem situações hipotéticas que auxiliam no desenvolvimento das capacidades de reflexão, análise, raciocínio, imaginação e criatividade. A brincadeira com outras crianças, por exemplo, ensina a criança a partilhar seja um brinquedo ou mesmo um espaço. Desta forma, a socialização ajuda a criança a ultrapassar a fase do egocentrismo. Administração de medicamento em pediatria ‘’. Administrar medicamentos a crianças e jovens é um cuidado de enfermagem que implica grande responsabilidade para os Profissionais pois comporta riscos que é preciso prevenir e minimizar. ’’  Administração de medicamentos, fluidos e soluções: As crianças, principalmente os RN´s apresentam maior facilidade de intoxicação devido a imaturidade do gado, dos rins e porque passam por alterações frequentes no peso corporal. Isso requer atenção redobrada da enfermagem; Via oral  A administração de medicamentos por via oral só pode ser utilizada nos bebes que estiverem sendo alimentados por sucção, copinho ou sonda orogastrica;  É a primeira via de escolha em crianças;  Pode ser usado conta-gotas, copos, medidores ou seringas;  Não é aconselhável colocar a medicação diretamente na boca da criança;  Deve-se misturar a medicação com a agua deslada ou leite. (Administração por via oral em recém-nascido: instilar a medicação com o auxílio de uma seringa)
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 32 | P á g i n a Via oral  Medicação em forma de capsulas ou comprimidos devem ser trituradas e diluídas em água deslada estéril. Para administrar por copinho, misture a solução com no mínimo 5ml de leite;  Sempre se cercar de que a criança engoliu;  Devemos ter cuidado para que a criança não aspire o medicamento;  Caso a criança cuspa ou vomite logo após, deve ser administrado novamente; Via nasal:  Consiste em instalar medicamento diretamente na mucosa nasal;  Em recém-nascido e lactantes, posiciona-se a criança no colo da mãe com a cabeça ligeiramente para trás, segurando os braços;  Tapa-se uma das narinas e administra na outra e a criança deve permanecer na posição por pelo menos 1 minuto. Via otológica:  Em crianças menores de 3 anos, as gotas devem ser administradas com a criança conda e deitada sobre o lado não afetado;  Puxa-se o pavilhão externo para baixo e para trás para que a solução anja todas as partes;  Em crianças maiores deve permanecer na posição por pelo menos 3 minutos Administração por via otológica (ouvido): puxar o pavilhão externo baixo e para trás.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 33 | P á g i n a Via ocular  Administração de medicação no saco conjunval na forma de gotas ou pomadas;  Coloca-se a criança deitada ou sentada com a cabeça inclinada para trás;  Com uma das mãos puxa-se a pálpebra inferior para baixo e explica-se a medicação na pequena bolsa que se forma e nunca direto no globo ocular;  Em crianças menores que geralmente fecham os olhos, devemos instalar as gotas nos cantos próximos ao nariz para espalhar quando a criança abrir os olhos Administração por via ocular: puxar a pálpebra inferior para baixo Via retal  Tem por objetivo a indução da evacuação quando a criança está conspada, ou ns terapêuticos  Depois da via endovenosa e a que apresenta absorção mais rápida  A administração pode ser feita através de supositórios ou sondas retais Via retal  Os supositórios utilizados devem ser sempre os infans sendo lubricados com óleo mineral ou vaselina antes da introdução.  Afastar as nadegas e introduzir lentamente o supositório;  Após fazer-lo, o bebe deve ser mando com as nadegas e margens anais aproximadas pelo menos 5 minutos  No caso de soluções liquidas usa-se sondas adequadas ao tamanho do RN  No caso de se usar a sonda retal, deve-se separar uma com tamanho adequado (geralmente 8 a 12)  Introduzir 5 a 10 cm de sonda no reto de acordo com tamanho da criança
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 34 | P á g i n a vl  Conectar a seringa com medicação e injetar e em seguida injetar uma quantidade de ar suficiente para empurrar a medicação  Rerar a sonda e fazer a compreensão das nadegas. Via subcutânea  Os locais de preferência são: região externa e superior dos braços, região externa e anterior da coxas, região glútea e região abdominal (exceto perto do umbigo);  O volume não deve passar de 1ml, se a dose prescrita for maior deve-se dividir a aplicação em região diferente;  A agulha é a 13x4,5 e ângulo 90º em crianças com massa adequada e 45º em desnutridas. Administração por via subcutânea: região externa e anterior da coxa Via intramuscular  A principal região utilizada e anterior e lateral da coxa. Essa região só suporta pequenos volumes que variam de acordo com o peso da criança:  < 1000g – volume até 0,25ml  >1000g - volume até 0,5 ml  Ao terminar a aplicação deve- se fazer uma leve compressão com algodão seco  A escolha da seringa e agulha dependem da idade e variam de acordo com estado nutricional e idade da criança  Deve-se posiciona-la de forma que o local escolhido tenha fácil acesso e que esteja imobilizado  Calçar luvas e fazer a assepsia  Fixar o musculo entre os dedos e introduzir agulha em ângulo de 45º (quando for na coxa) em direção ao pé da criança.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 35 | P á g i n a Via endovenosa  Quando a medicação for ser colocada no injetor lateral do equipo, é importante verificar se a medicação feita pode ser “ misturada” ao pó de solução que o paciente está recebendo.  Os escalpes usados devem ser entre 23 a 27  O jelco usado é geralmente o 24 a 22  Devem ser xados adequadamente para que se permita visualizar sinais de infiltração e outras complicações Instrumentos para administração em via endovenosa Cuidados de enfermagem: Manter a criança sob observação, durante um período após a administração do medicamento, principalmente se for a primeira vez que a droga é utilizada. Observar se a criança engoliu toda a medicação: administrada via oral; Em caso de administração intramuscular, prestar atenção na quantidade de medicação que o musculo “suporta”; Dar especial atenção as medicações venosas pois entram diretamente na circulação e são potencialmente vesicantes (irritantes para o venoso); Evitar o máximo tornar a administração de medicamento uma experiência estressante e sofrida; É importante que se conheça a ação do medicamento, os efeitos esperados e os colaterais, o tempo de ação Administrar o medicamento que foi preparado pela própria pessoa, evitando fazê-lo caso tenha sido preparado por outro profissional.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 36 | P á g i n a Principais patologias em crianças Pneumonia Infantil: Como diagnosticar e tratar? Pneumonia é um termo genérico para infecções pulmonares, que podem ser causadas por vários tipos de agentes, como vírus e bactérias. Os principais sintomas são febre e tosse, bem parecidos com os da gripe, por isso o diagnóstico pode ser difícil. Como a pneumonia é diagnosticada? Existem dois tipos principais de pneumonia, a viral e a bacteriana. A pneumonia viral normalmente começa como um resfriado, e vai piorando aos poucos. A criança pode ter febre acima de 38,5 graus, tosse que não melhora, além de respiração rápida e curta. O início da pneumonia bacteriana tem um começo mais repentino. Os sintomas aparecem de uma hora para outra: febre alta, acima de 39 graus, respiração curta e ofegante e tosse. A perda de apetite e a falta de energia também são marcas registradas da pneumonia, mas é sinal de alerta o fato de a criança continuar prostrada e inerte mesmo depois de controlada a febre. O médico vai auscultar os pulmões da criança com o estetoscópio. Quando há pneumonia, surgem sons anormais na respiração. Caso haja suspeita de pneumonia, a criança terá de fazer uma radiografia de tórax para obter uma imagem dos pulmões. Talvez o médico peça também outros exames, como um hemograma (exame de sangue) e coletas de amostras do nariz ou da garganta, para tentar identificar se a causa da infecção é viral ou bacteriana. Pode ser que o médico prefira fazer esses exames no hospital, porque os resultados já saem na hora. Às vezes a pneumonia pode ser atípica, ou seja, aparecer sem tosse, por exemplo, ou com uma tosse seca, sem catarro — ou até sem febre. Esse tipo de pneumonia pode causar pequenas epidemias familiares ou na escola, e costuma ser causado por vírus ou bactérias mais incomuns, como a clamídia e o micoplasma. Nesses casos, a melhora demora mais para acontecer que no caso da pneumonia bacteriana mais comum. Há crianças que reclamam de dor na barriga quando estão com pneumonia, o que pode causar confusão no diagnóstico, e até desconfiança de apendicite. A dor abdominal pode ser causada
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 37 | P á g i n a A bronquiolite é uma infecção viral que afeta as vias respiratórias inferiores de bebês e crianças pequenas com menos de 24 meses de idade. por infecções nas regiões mais inferiores do pulmão, quando a pleura (camada que cobre o pulmão) é atingida. Qual é o tratamento? O tratamento vai depender do tipo de pneumonia, do estado geral da criança e da idade dela. A pneumonia viral, assim como todas as outras infecções provocadas por vírus, não responde a antibióticos. O tratamento, nesse caso, pode se limitar a repouso, administração de líquidos, remédios para a febre e eventuais inalações, para facilitar a respiração. Caso a criança esteja muito fraca, os médicos podem preferir que ela fique no hospital, onde receberá líquidos pela veia e poderá respirar com a ajuda de uma máscara com oxigênio. Existem também tratamentos de fisioterapia respiratória que podem ser benéficos. Quando a pneumonia é causada por bactéria, a criança tem de tomar antibióticos. Dependendo da gravidade, os antibióticos podem ser dados em casa, por via oral, ou no hospital, pela veia. Os outros tratamentos (inalação, oxigênio, fisioterapia respiratória e medicamentos para aliviar os sintomas) também são usados de acordo com o estado geral da criança. Há algo que eu possa fazer para evitar a pneumonia? Sim, há medidas que você pode tomar para reduzir o risco de pneumonia:  Mantenha a vacinação dela em dia. As vacinas contra a bactéria Haemophilus influenza tipo b (DTP Hib.), contra a difteria e a coqueluche são importantes porque previnem doenças que podem levar à pneumonia.  Existe também uma imunização específica contra pneumonias provocadas pela bactéria pneumococo, oferecidas gratuitamente nos postos de vacinação.  Vale lembrar que nenhuma vacina imuniza contra todos os tipos de pneumonia. Converse com o pediatra e mantenha o calendário de vacinação do seu filho sempre em dia.  Lave sempre as mãos. O hábito de lavar as mãos com frequência, tanto as suas quanto as da criança, ajuda a evitar a disseminação dos agentes causadores da doença.  Não expor a criança à fumaça de cigarro. O ideal é largar o cigarro, se você ou o pai da criança fumarem. Estudos já mostraram que crianças que convivem com fumantes e com a fumaça do cigarro adoecem com mais frequência e são mais suscetíveis a doenças como pneumonia, infecções respiratórias altas, asma e otite. Bronquiolite
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 38 | P á g i n a  A bronquiolite é em geral causada por um vírus.  Os sintomas incluem corrimento nasal, tosse, sibilos e dificuldade para respirar.  O diagnóstico se baseia nos sintomas e em um exame físico.  A maioria das crianças fica bem em casa e se recupera em alguns dias, mas algumas precisam ser hospitalizadas.  O tratamento consiste basicamente em dar suporte à criança durante a doença com líquidos e ocasionalmente oxigênio. Os brônquios e bronquíolos As vias aéreas se assemelham a uma árvore invertida. O tronco é a traqueia (traqueia), que se ramifica nas grandes vias aéreas chamadas brônquios. Os brônquios se ramificam várias vezes em vias aéreas menores, terminando nas menores vias aéreas, chamadas bronquíolos. Os bronquíolos têm apenas meio milímetro (ou 2/100 de polegada) de diâmetro. Suas paredes têm uma fina camada circular de músculo liso que pode relaxar ou contrair, alterando, assim, o tamanho das vias aéreas. Em geral, a bronquiolite afeta as crianças menores de 24 meses de idade e é mais frequente nos bebês com menos de seis meses de idade. Durante o primeiro ano de vida, a bronquiolite afeta cerca de 11 em cada 100 crianças. Causas de bronquiolite A bronquiolite costuma ser causada por:  Vírus sincicial respiratório (VSR)  Vírus do resfriado comum (rinovírus)  Parainfluenza e outros vírus A infecção por qualquer desses vírus pode causar inflamação das vias respiratórias. A inflamação provoca a contração das vias respiratórias e obstrui o fluxo de ar que entra e sai dos pulmões. Em casos graves, as crianças têm baixa saturação de oxigênio na corrente sanguínea. A infecção pode ser mais comum ou mais grave em bebês cujas mães fumam cigarros, especialmente aquelas que fumaram durante a gravidez. A infecção parece ser menos comum entre bebês amamentados. Os pais e os irmãos e irmãs mais velhas podem ser infectados com o mesmo vírus e o vírus provocar neles somente um leve resfriado. V D Í E O
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 39 | P á g i n a Diagnóstico da bronquiolite  Avaliação de um médico  Oximetria de pulso  Às vezes, swab do muco ou radiografia do tórax Sintomas da bronquiolite A bronquiolite começa com os sintomas de um resfriado: corrimento nasal, espirros, febre baixa e um pouco de tosse. Após alguns dias, as crianças desenvolvem dificuldade para respirar e respiram rapidamente e com piora da tosse. Geralmente, as crianças apresentam um ruído agudo quando expiram (sibilos). Na maioria dos bebês, os sintomas são leves. Mesmo que os bebês possam respirar um tanto rapidamente e estar sofrendo muita congestão, continuam alertas, felizes e comendo bem. Bebês afetados mais gravemente respiram rapidamente e de forma superficial, usam seus músculos da respiração intensamente para respirar e apresentam narinas dilatadas. Eles ficam inquietos e ansiosos e podem ficar desidratados devido ao vômito e à dificuldade para ingerir líquidos. A febre em geral está presente, mas nem sempre. Algumas crianças também desenvolvem infecção do ouvido. Bebês prematuros ou bebês com menos de dois meses, às vezes, têm episódios onde param de respirar brevemente (apneia). Em casos muito graves e incomuns, a área ao redor da boca da criança pode ficar azulada devido à falta de oxigênio. O médico faz o diagnóstico da bronquiolite tomando por base os sintomas e o exame físico. Os médicos medem os níveis de oxigênio no sangue com um sensor colocado em um dedo (oximetria de pulso). Em casos graves, às vezes, o médico coleta muco profundamente dentro do nariz para tentar identificar o vírus no laboratório ou faz uma radiografia torácica. Outros testes de laboratório podem ser realizados. Prognóstico de bronquiolite A maioria das crianças se recupera em casa em três a cinco dias. Contudo, os sibilos e a tosse podem continuar por duas a quatro semanas. Com os cuidados apropriados, a probabilidade de graves consequências devido à bronquiolite é baixa, mesmo nas crianças que necessitam ser hospitalizadas. Algumas crianças apresentam episódios repetidos de sibilos após ter sofrido de bronquiolite. Tratamento da bronquiolite  Em casa, ingestão oral de líquidos  No hospital, oxigenoterapia e líquidos administrados pela veia Tratamento em casa
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 40 | P á g i n a A maioria das crianças pode ser tratada em casa com líquidos e medidas que aumentem seu conforto. Durante a doença, quantidades pequenas e frequentes de líquidos transparentes podem ser dadas. Crescente dificuldade para respirar, cor azulada da pele, fadiga e desidratação indicam que a criança tem de ser hospitalizada. As crianças com doenças cardíacas congênitas ou doenças pulmonares ou com sistema imunológico comprometido podem ser hospitalizadas mais cedo, pois são muito mais suscetíveis a adoecer com maior gravidade com a bronquiolite. Tratamento hospitalar No hospital, os níveis de oxigênio são monitorados com um sensor fixado no dedo da mão ou do pé, e oxigênio é administrado em uma tenda de oxigênio, tubo nasal (cânula) ou máscara facial (consulte Administração de oxigênio). Raramente, um ventilador (uma máquina de respiração que ajuda o ar a entrar e a sair dos pulmões) pode ser necessário para auxiliar a respiração. Líquidos são administrados por via intravenosa caso a criança não consiga beber adequadamente. Podem ser tentados medicamentos inalatórios para abrir as vias aéreas (broncodilatadores). Embora esses medicamentos aliviem os sibilos e o estreitamento das vias aéreas causados pela asma, sua eficácia no tratamento da bronquiolite é questionável. Corticosteroides (para suprimir a inflamação) podem ser benéficos para algumas crianças. Os médicos deixaram de usar o medicamento antiviral ribavirina (administrado por nebulizador), exceto em crianças cujo sistema imunológico esteja extremamente fraco e cuja infecção seja severa. Antibióticos não são úteis a menos que a criança também tenha uma infecção bacteriana. Prevenção As crianças em alto risco de apresentarem complicações sérias, como aquelas que têm doença cardíaca congênita grave ou que nasceram muito prematuramente, podem receber palivizumabe para ajudar a prevenir a infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Palivizumabe é um anticorpo ao VSR. Bronquite
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 41 | P á g i n a Os sintomas de bronquite, na maioria das vezes, são confundidos com os de gripes e resfriados. Por isso, os pais devem, frequentemente, fazer acompanhamento médico de seus filhos com pediatras e entender melhor sobre as causas e os tratamentos. É comum que bebê e crianças tenham problemas de respiração, afinal, seus organismos ainda estão em formação. Além disso, as brincadeiras da idade, a exposição a climas e temperaturas, à fumaça de cigarro e à poluição podem favorecer as doenças respiratórias. A bronquite não é considerada um problema grave. Porém, quando ela surge, é importante garantir que a criança seja tratada o mais rápido possível, de forma a preservar sua segurança e saúde. O que é a bronquite? Em um corpo que está saudável, o pulmão recebe normalmente o ar por meio dos brônquios, os quais estão conectados à traqueia. A bronquite acontece quando esse processo é interrompido com a inflamação dos canais respiratórios, o que gera acúmulo de muco. A principal origem desse problema é viral ou bacteriana, sendo que em alguns casos, a inflamação por bactérias pode surgir após o ataque por vírus. Crianças são suscetíveis à bronquite, por isso, é necessário levá-las ao pediatra especialista para indicar o melhor tratamento possível. Quais são os sintomas de bronquite em crianças? Falta de ar Um dos principais desconfortos que a criança sente com a bronquite é a dificuldade na respiração. Isso acontece porque o trânsito do oxigênio no organismo fica interrompido. Os brônquios são os canais responsáveis por levar o ar inalado até os alvéolos pulmonares, o que não acontece quando surge o problema. Além disso, menores que vivem com fumantes têm mais potencial não só para desenvolver a doença, mas também sentem mais dificuldade para respirar quando ocorre a inflamação. Cidades com mais poluição e casas com muita poeira são também fatores de risco. Chiado ou sibilos Os chiados ou sibilos são também um dos principais sintomas de bronquite. Tais sinais são identificados pelo pediatra pela ausculta e após a identificação de um som semelhante a assobios contínuos. Quando os brônquios estão inflamados e há contrações na musculatura, ocorre o que os médicos chamam de broncoespamos, gerando o ruído. Nesse caso, as vias respiratórias ficam com seus canais mais inflexíveis, o que exige mais esforço para respirar. Tosse com produção mucosa
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 42 | P á g i n a Pelos brônquios estarem contraídos e inchados, eles produzem maior quantidade de muco para conseguir limpar a região do organismo. Contudo, a inflamação impede a respiração, causando tosses. Na maioria das vezes, o local encontra-se com grande quantidade de secreção, um material espesso, nas cores amareladas ou esverdeadas. Febre, coriza e outros sintomas Em geral, bronquites são iniciadas por meio de gripes que levam à inflamação dos brônquios. Por isso, muitos pais confundem o problema com resfriados e outras infecções, afinal, os sintomas são parecidos (corizas, tosses, febre). No entanto, o vírus ou a bactéria presente leva ao desenvolvimento da bronquite e, assim, os cuidados passam a ser diferentes. Quais são as variações da doença? Bronquite crônica Como o próprio nome diz, a bronquite crônica é recorrente e passa a acompanhar o paciente no longo prazo ou por toda a vida. Essa situação pode ser ocasionada por pessoas dependentes de cigarro que fumam próximo às crianças. Nesse caso, a produção de muco é excessiva a partir do terceiro mês. O paciente pode ter mais dificuldade de respirar ou, até mesmo, de se movimentar. Bronquite aguda É muito mais comum que crianças pequenas, bebês e idosos desenvolvam bronquites agudas. Sua principal origem é viral mas, no entanto, pode surgir por meio de infecção bacteriana. Além disso, outros fatores como a poluição, a poeira e os dias mais quentes influenciam no aparecimento da doença. A boa notícia é que não se trata de um problema tão sério para os pequenos, pois, em geral, desaparece em até duas semanas sem a necessidade de utilizar medicamentos. No estágio inicial, o nariz e a garganta são os mais impactados e, com a evolução do quadro, a bronquite atinge os pulmões. Quais são as formas de tratar a bronquite?  Ida ao pediatra  Reidratação da criança  Administração de medicamentos indicados  Repouso  Uso de inalador e nebulizador
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 43 | P á g i n a Asma Dificuldades para respirar, tosse, chiado no peito, respirações encurtadas, entre outros sintomas, podem ser indicativos de asma em crianças. Embora esses problemas sejam comuns a outras doenças respiratórias, no caso da asma eles são desencadeados por fatores como alergias ou mudanças bruscas de temperatura. Normalmente, a doença também apresenta um fator genético — ou seja, se os pais ou outros irmãos são portadores de asma, a chance de a criança desenvolvê-la é grande. Por isso, é importante ter atenção aos sinais e consultar o pediatra ou pneumologista, que poderá orientar sobre os procedimentos para controle e prevenção de crises. O que é asma? A asma é uma doença crônica, que causa a inflamação das vias aéreas, fazendo com que elas sofram um estreitamento que causa dificuldades respiratórias. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, estima-se que 20 milhões de brasileiros sejam portadores. Apesar de ser possível que a doença apareça em qualquer idade, seu surgimento é mais comum na infância, sendo que 30% a 80% dos portadores desenvolvem a asma até os 3 anos. Entre eles, de 50% a 65% manifestam os sintomas no primeiro ano de vida. A doença não tem cura, embora os sintomas possam ser mantidos sob controle com a ajuda de medicamentos prescritos pelo médico e com o afastamento de possíveis agentes causadores das crises. Com o tratamento correto, a pessoa asmática consegue ter a mesma qualidade de vida de qualquer outro indivíduo. A maioria das crianças portadoras da doença tem uma vida normal na maior parte do tempo, com exceção dos períodos de crise. É possível conviver com a asma de forma segura? Para garantir a qualidade de vida da criança asmática, confira alguns detalhes fundamentais para a identificação de crises e controle dos sintomas. 1. Entenda os sintomas
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 44 | P á g i n a Vários sintomas da asma são semelhantes aos de outras doenças respiratórias, como bronquite, sinusite ou rinite. Por isso, é importante que seja feito o diagnóstico adequado, para que a família possa afastar os agentes que desencadeiam as crises, o que contribui para manter a qualidade de vida da criança. Os sintomas mais comuns da asma são:  Dificuldades para respirar;  Tosse persistente;  Chiado no peito e sibilos (ruído agudo durante a expiração);  Respiração curta;  Sensação de fadiga;  Dor no peito. 2. Fique de olho no agravamento de uma crise asmática Durante uma crise, alguns sinais podem indicar uma emergência, que necessita de atendimento médico:  Lábios com coloração arroxeada;  Extrema dificuldade de respirar;  Confusão mental ou sonolência;  Pulsação rápida;  Sudorese. 3. Saiba o que desencadeia a crise de asma em crianças Como vimos, a asma é uma doença crônica e sem cura, que pode ser controlada com algumas estratégias para afastar os chamados gatilhos, ou seja, agentes que desencadeiam as crises. Conheça, a seguir, os principais, e descubra como afastá-los. Ácaros Encontrados normalmente em colchões, travesseiros, cortinas, tapetes, carpetes e até nos bichinhos de pelúcia que costumam estar presentes nos quartos infantis, esses micro- organismos se alimentam de descamação da pele, de pelos de animais domésticos e de mofo. Assim, a melhor maneira de controlar a sua proliferação é investir na troca frequente de roupa de cama, bem como na limpeza de carpetes, tapetes e cortinas. Se possível, evite o uso dessas peças no quarto da criança asmática. Além disso, a casa deve ser arejada, para evitar mofo, e os brinquedos armazenados em local fechado, para não acumularem poeira. Fungos Esse tipo de micro-organismo se desenvolve, especialmente, em ambientes quentes e úmidos. Sistemas de ar-condicionado e sanitários são locais típicos para o surgimento de fungos. Assim,
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 45 | P á g i n a é fundamental investir na boa ventilação, limpeza dos equipamentos e de filtros de ar e nunca deixar toalhas molhadas penduradas do banheiro. Pólen Flores, grama e árvores costumam piorar a asma em função da liberação de pólen, que acontece com mais intensidade na primavera. Fumaça de cigarro Um paciente asmático, seja criança ou não, nunca deve ficar exposto à fumaça de cigarro. A substância agrava os sintomas da asma e pode aumentar a inflamação nos brônquios. Se alguém da família fuma, é importante adotar estratégias para que a criança não se exponha ao cigarro, como trocar de roupa após fumar e nunca fazer isso dentro de casa. A alternativa ideal é buscar um tratamento para combater o tabagismo. Poluição A poluição ambiental também é um dos agentes desencadeadores de asma. Evite sempre que possível a exposição. Infecções virais Uma gripe ou um simples resfriado podem levar a uma crise de asma. Assim, pacientes asmáticos devem ter cuidados extras, como vacinação em dia e limpeza frequente das vias aéreas. Mudança brusca de temperatura O ar frio e seco irrita os brônquios e pode ser um gatilho para desencadear uma crise de asma. Como controlar a asma em crianças? É fundamental compreender que a asma não deve ser tratada somente nas situações de crise. O tratamento precisa ser contínuo, mesmo que a criança não apresente sintomas. Normalmente, a terapia consiste no uso de medicamentos inalatórios prescritos pelo médico e medidas de higiene para afastar os agentes causadores de crises. Vale destacar que a limpeza da casa deve ser feita com pano úmido, evitando que a poeira entre em suspensão e seja inalada. Produtos de limpeza com cheiro forte precisam ser evitados. No quarto da criança, as roupas de cama devem ser substituídas com frequência e os tapetes devem ser retirados. Se não for possível evitar bichinhos de pelúcia, lave-os periodicamente e exponha ao sol. Caso tenha animais em casa, não se preocupe: a convivência com a pessoa asmática é possível, desde que sejam adotadas medidas adequadas de higiene.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 46 | P á g i n a A fibrose cística é uma doença hereditária que faz com que certas glândulas produzam secreções anormalmente espessas, resultando em lesões a tecidos e órgãos, especialmente Outro cuidado importante é manter as vias respiratórias da criança sempre limpas, evitando o acúmulo de secreções. A limpeza pode ser feita por meio da instilação de soro fisiológico, que também contribui para umidificar as vias aéreas — afinal, o ressecamento das mucosas agrava os sintomas. Um nebulizador contribui significativamente para evitar as crises, seja facilitando a administração dos medicamentos, seja para umidificar as vias respiratórias e facilitar a respiração. No entanto, no caso de uso de remédios, é fundamental seguir as orientações médicas relativas à dose e uso do aparelho. Com os cuidados adequados, os sintomas da asma em crianças são totalmente controláveis. Assim, além de adotar as medidas preventivas adequadas, investimento em um bom nebulizador e garante mais qualidade de vida da criança. Fibrose cística nos pulmões e trato digestivo. Os sintomas característicos incluem:  Inchaço abdominal, fezes amolecidas e baixo ganho de peso, assim como tosse, sibilos e infecções frequentes das vias respiratórias por toda a vida. O diagnóstico é baseado em:  Resultados do teste de suor e/ou exames genéticos. A fibrose cística afeta muitos órgãos em todo o corpo e quase todas as glândulas que secretam líquidos em um duto (glândulas exócrinas). Os órgãos mais frequentemente afetados são:  Pulmões  Pâncreas  Intestino  Fígado e vesícula biliar  Órgãos reprodutores
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 47 | P á g i n a Aproximadamente 10% dos recém-nascidos com fibrose cística apresentam íleo meconial, o que causa vômitos, inchaço (distensão) do abdômen e ausência de evacuação. O íleo meconial é muitas vezes complicado pela perfuração do intestino, um quadro clínico perigoso que causa infecção e peritonite (a inflamação dos tecidos que revestem a cavidade abdominal e dos órgãos abdominais) e, se não for tratado, leva ao choque e à morte. Alguns recém- nascidos apresentam uma torção do intestino (volvo) ou desenvolvimento incompleto do intestino. Os recém-nascidos que apresentam íleo meconial quase sempre desenvolvem outros sintomas de fibrose cística. Diagnóstico de fibrose cística Sintomas da fibrose cística em: Recém-nascidos e crianças pequenas  Exames preventivos no recém-nascido  Teste de suor  Exames genéticos  Teste do portador  Outros exames Tratamento de fibrose cística  Imunizações de rotina  Antibióticos, medicamentos inalados para diluir as secreções nas vias áreas e técnicas de desobstrução das vias aéreas para remover secreções  Medicamentos que ajudam a prevenir o estreitamento das vias aéreas (bronco dilatadores) e, às vezes, corticosteroides  Enzima pancreática e suplementos vitamínicos  Dieta rica em calorias  Em pessoas com variantes específicas, moduladores do CFTR
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 48 | P á g i n a Desnutrição A desnutrição infantil é uma situação caracterizada pela deficiência de nutrientes do organismo da criança, o que pode acontecer devido à alimentação incorreta, privação de alimentos ou devido a alterações no trato gastrointestinal, como doença de Crohn e colite ulcerativa, por exemplo, em que a absorção dos nutrientes pode ser prejudicada. Assim, como consequência da deficiência de vitaminas e minerais fundamentais para o bom funcionamento do corpo, é possível notar o aparecimento de alguns sinais e sintomas como cansaço excessivo, pele mais ressecada, ocorrência de infecções com maior frequência e atraso no crescimento e desenvolvimento da criança. É importante que assim que forem notados sinais e sintomas que sejam sugestivos de denutrição, o pediatra seja consultado, pois assim é possível que seja feita a avaliação do peso da criança em relação à sua idade e altura, fazer o diagnóstico da desnutrição e encaminhar a criança para um nutricionista para que possam ser identificadas as necessidades nutricionais e seja estabelecido um plano alimentar adequado para a criança. Sintomas de desnutrição infantil A desnutrição é na maioria das vezes associada à magreza, no entanto como se trata de uma situação causada pela falta de vitaminas e minerais essenciais para o bom funcionamento do corpo, é possível que crianças que estejam acima do peso para sua idade, sejam também desnutridas, uma vez que a alimentação pode ser rica em açúcar e gorduras e pobre nos alimentos que fornecem os nutrientes fundamentais para o organismo. Assim, alguns dos principais sinais e sintomas de desnutrição infantil são:  Cansaço excessivo;  Pele mais ressecada e pálida;  Atraso no desenvolvimento da criança;  Maior facilidade para ter infecções, já que o sistema imune é mais fraco;  Irritabilidade;  Cicatrização mais demorada;  Queda de cabelo;
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 49 | P á g i n a  Falta de força;  Diminuição da massa muscular;  Falta de ar e de energia, principalmente se também houver anemia. Além disso, em alguns casos, principalmente quando a desnutrição é muito grave, pode haver também comprometimento na função de alguns órgãos, como fígado, pulmão e coração, o que pode colocar em risco a vida da criança. É importante que o pediatra seja consultado assim que forem identificados sinais e sintomas que sejam indicativos de desnutrição, pois dessa forma é possível que sejam feitos exames que ajudam a confirmar o diagnóstico e seja iniciado o tratamento mais adequado de forma a evitar possíveis complicações da desnutrição como alterações no crescimento, falência de órgãos e alterações no sistema nervoso. Principais causas As principais causas que podem estar relacionadas com a desnutrição infantil são:  Desmame precoce;  Alimentação pobre nutricionalmente;  Infecções intestinais frequentes que têm como sintomas diarreia e vômitos;  Alterações no sistema gastrointestinal, como doença de Crohn, colite ulcerativa e doença celíaca;  Transtornos alimentares, como anorexia e bulimia. Além disso, condições socioeconômicas, baixo nível de escolaridade, condições inadequadas de saneamento básico e a fraca ligação entre mãe e filho também podem ter como consequência a desnutrição. Como é o tratamento
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 50 | P á g i n a A Organização Mundial de Saúde (OMS) identifica dois tipos de diarreia aguda: O tratamento para desnutrição infantil deve ser orientado pelo pediatra e pelo nutricionista e tem como objetivo combater os sintomas da desnutrição, fornecer os nutrientes necessários para o crescimento saudável da criança e promover a sua qualidade de vida. Assim, de acordo com o nível de desnutrição e com os nutrientes que estão em falta, pode ser recomendada a realização de mudança nos hábitos alimentares e inclusão progressiva de alguns alimentos. Além disso, no caso das crianças que não conseguem ter uma alimentação mais sólida, pode ser indicado o consumo de alimentos mais pastosos ou líquidos, bem como suplementos, para garantir a necessidade nutricional. Nos casos de desnutrição grave, pode ser necessário que a criança fique internada no hospital para que a alimentação possa ser feita por meio de sonda e sejam prevenidas complicações. Diarreia aguda A diarreia aguda é uma das principais causas de atendimento nos serviços de pronto atendimento de Pediatria, e também é uma importante causa de morbidade e mortalidade nessa faixa etária, principalmente nos países em desenvolvimento. É definida como a alteração do ritmo intestinal, na qual as fezes ficam com consistência amolecida ou líquida, podendo ocorrer mais de 3 vezes em 24 horas, durando menos de 14 dias (duração média de 5-7 dias).  Aquosa (incluindo cólera) e com sangue (também chamada de disenteria – infecção intestinal que resulta em diarreia com sangue ou muco) Diarreia aguda em crianças: tratamento A OMS e o MS orientam seguir os planos A, B e C de acordo com o diagnóstico que foi estabelecido, As diretrizes da Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição (ESPGHAN) / Sociedade Europeia de Doenças Infecciosas Pediátricas, de 2014, também reforçam que reidratação oral com solução hipoosmolar deve ser rapidamente iniciada, sendo o principal tratamento. Devemos manter a amamentação, sem alterar a dieta da mãe, inclusive com leite e derivados. Para aquelas crianças que estão internadas e não são amamentadas com leite materno, é possível considerar manejar a diarreia com alimentos isentos de lactose. O plano A consiste em oferecer mais líquido do que o habitual para prevenir a desidratação; manter a alimentação habitual para prevenir a desnutrição; orientar sobre sinais de perigo que devem ser observados a fim de que o paciente seja levado para o serviço de saúde na presença
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 51 | P á g i n a de algum sinal ou se não houver melhora clínica em dois dias; orientar o responsável sobre hábitos de higiene e a reconhecer os sinais de desidratação, assim como preparar e administrar a solução de reidratação oral (SRO); administrar zinco para os menores de cinco anos. Quantidade de líquido que deve ser oferecido após evacuação diarreica: – Para menores de 1 ano: 50-100 mL – De 1 a 10 anos: 100-200 mL – Maiores de 10 anos: quanto o paciente aceitar O plano B consiste em administrar SRO sob supervisão médica, buscando evitar a desidratação. Deve ser realizado na unidade de saúde, local onde os pacientes deverão permanecer até que haja reidratação completa e reintrodução da alimentação. Administrar de 50-100 mL/kg de líquido no período de 4-6 horas. Se os sinais de desidratação desaparecerem, voltar para o plano A. Caso não haja melhora da desidratação, fazer gastróclise. Se houver piora do quadro, evoluindo para desidratação grave, passar para o plano C. O plano C consiste em corrigir a desidratação grave através de hidratação parenteral no serviço de saúde até que o paciente apresente melhora clínica com condições de receber tratamento por via oral. Nessa etapa, há algumas recomendações de como fazer a reidratação parenteral: – Segundo a OMS: Lactentes e crianças maiores: 100 mL/kg de Ringer Lactato sendo: < 12 meses: 30 mL/kg em 1 hora e 70 mL/kg em 5 horas > 12 meses: 30 mL/kg em 30 minutos e 70 mL/kg em 2,5 horas Caso não haja Ringer lactato disponível, usar Soro Fisiológico (SF) – Segundo o MS: Fase rápida (expansão): < 5 anos: 20 mL/kg de SF a cada 30 minutos. Repetir até que a criança fique hidratada; > 5 anos: 30 mL/kg de SF em 30 minutos + 70 mL/kg de Ringer lactato em 2,5 horas Fase de manutenção e reposição (qualquer idade): SG 5% + SF na proporção 4:1 (volume da regra de Holiday& Segar) + KCl 10% 2 mL para cada 100 mL
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 52 | P á g i n a A desidratação é quando ocorre a perda de água pelo corpo, geralmente causada por vômitos e/ou diarreia. Regra de Holiday & Segar: – peso corporal de até 10 kg: 100 mL/kg; – peso corporal entre 10 e 20 kg: 1000 mL + 50mL por quilo acima dos 10 kg; – peso corporal superior a 20 kg: 1500 mL + 20mL por quilo que ultrapassar os 20 quilos. Fase de reposição: SG5% + SF partes iguais – iniciar com 50 mL/kg/dia. Reavaliar de acordo com as perdas diarreicas. O paciente deve ser pesado antes de iniciar qualquer terapia de reidratação e também a cada 2 horas. Outro ponto muito importante no tratamento da diarreia aguda é a manutenção da alimentação que forneça quantidade energética apropriada, sendo unânime a recomendação das diversas entidades para manter o aleitamento materno durante o episódio diarreico. Ao longo da etapa de expansão/reversão da desidratação, pode ser necessário recomendar jejum provisório, até que o paciente apresente novamente condições de ser alimentado por via oral. O emprego do zinco nos casos de diarreia tem reduzido a duração do quadro agudo, que tende a durar menos de sete dias, além de prevenir novas ocorrências nos três meses subsequentes, estando indicado nos quadros de diarreia nos menores de cinco anos. Geralmente prescrito no plano A: administrar zinco de 24/24 horas, por 10 a 14 dias (10 mg/kg nas crianças até 6 meses de idade; 20 mg/kg nas crianças maiores de 6 meses de idade). Desidratação  A desidratação ocorre quando há uma perda significativa de água do corpo, bem como a perda de quantidades variadas de eletrólitos.  Os sintomas incluem sede, hipoatividade, lábios/boca seca e redução do volume urinário.  A desidratação grave é potencialmente fatal.  O tratamento consiste de hidratação e eletrólitos administrados por via oral, ou em casos graves, pela veia (por via intravenosa). A desidratação ocorre quando o corpo perde mais água do que ingere. Ocorre também a perda de substâncias denominadas eletrólitos. Os eletrólitos são minerais presentes na
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 53 | P á g i n a Sintomas O bebê desidratado precisa receber cuidados médicos imediatamente se corrente sanguínea e dentro das células que são essenciais à vida. Sódio, potássio, cloreto e bicarbonato são exemplos de eletrólitos. Causas A desidratação costuma ser causada por  Perda excessiva de líquido, por exemplo, decorrente de vômitos e/ou diarreia Uma causa menos comum da desidratação é  Não beber líquido suficiente, como durante doenças infantis comuns, ou quando o recém-nascido tem dificuldade para amamentar Contudo, nem todo episódio de vômito ou diarreia, ou ambos, causa a desidratação.  A moleira estiver afundada.  Os olhos ficarem afundados.  Não houver lágrimas ao chorar.  A boca está seca.  O volume de urina está baixo.  O bebe está menos alerta e menos ativo (letárgico). Desidratação leve costuma causar boca e lábios secos e aumentar a sede, e crianças podem urinar com menor frequência. A desidratação moderada faz com que a criança interaja ou brinque menos, tenha boca seca e urina com menos frequência. A desidratação moderada a grave pode causar frequência cardíaca acelerada e tontura. A desidratação grave faz com que a criança fique sonolenta ou letárgica, sendo esse um sinal de que ela precisa ser examinada pelo médico ou levada para o pronto-socorro imediatamente. Não há lágrimas. É possível que a pele da criança esteja azulada (cianose) e ela respire rapidamente. Por vezes, a desidratação faz com que a concentração de sal no sangue diminua ou aumente de modo anormal. Alterações na concentração de sal podem piorar os sintomas de desidratação e a letargia. Em casos graves, a criança pode ter convulsões ou coma ou sofrer danos cerebrais e morrer. Diagnóstico  Exame médico  Às vezes, exames de sangue e urina O médico examina a criança e observa se ela perdeu peso corporal. Uma perda de peso corporal em alguns dias será muito provavelmente causada por desidratação. Se for
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 54 | P á g i n a Tratamento  Reposição de líquidos perdidos IjiO refluxo gastroesofágico é o retorno de alimentos e ácidos do estômago até o esôfago e, por vezes, até a boca. conhecida, a quantidade de peso perdida ajuda o médico a decidir se a desidratação é leve, moderada ou grave. No caso de crianças com desidratação moderada a grave, o médico costuma fazer exames de sangue e de urina para medir a concentração dos eletrólitos no organismo, o grau de desidratação e a quantidade de reposição de líquido necessária. A desidratação é tratada com a administração de líquidos contendo eletrólitos, como sódio e cloretos. Caso a desidratação seja leve, os líquidos costumam ser administrados por via oral. Soluções especiais para reidratação oral estão disponíveis, mas nem sempre são necessárias para crianças que tiveram apenas diarreia ou vômitos leves. O tratamento da desidratação em crianças de qualquer idade que estão vomitando é mais eficaz se a criança receber primeiro pequenas quantidades frequentes de líquidos a cada dez minutos. A quantidade de líquido pode ser lentamente aumentada e dada a intervalos menos frequentes caso a criança consiga reter os líquidos sem vomitar. Caso a diarreia seja o único sintoma, quantidades maiores de líquidos podem ser dadas com menor frequência. Se as crianças têm ambos os vômitos e diarreia, elas recebem pequenas, quantidades frequentes de líquidos contendo eletrólitos. Se esse tratamento aumenta a diarreia, as crianças podem precisar ser hospitalizadas para líquidos administrados pela veia (por via intravenosa). Refluxo gastroesofagico  O refluxo pode ser causado pela posição do bebê durante a alimentação; alimentação excessiva; exposição a cafeína, nicotina e fumaça de cigarro; intolerância ou alergia alimentar; ou anomalia do trato digestivo.  Os bebês podem vomitar, regurgitar demais, ter problemas de alimentação ou de respiração e também parecer irritáveis.  Exames que ajudam os médicos a diagnosticar o distúrbio incluem exames de imagem com bário, pHmetria esofágica, cintilografia do esvaziamento gástrico, endoscopia e, às vezes, ultrassonografia.  As opções de tratamento incluem fórmula infantil mais espessa ou hipoalergênica para alimentação, posicionamento especial, arrotos frequentes, às vezes medicamentos e, em certos casos, cirurgia.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 55 | P á g i n a (No caso de adultos, consulte Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).) Quase todos os bebês têm episódios de refluxo gastroesofágico, que são caracterizados por regurgitação ou arrotos. A regurgitação normalmente ocorre após a alimentação e é considerada normal. O refluxo normalmente piora nos primeiros meses de vida, atinge o pico aos seis a sete meses de idade e então diminui gradualmente. Em quase todos os bebês com refluxo, o distúrbio desaparece por volta dos dezoito meses de idade. O refluxo gastroesofágico é conhecido como doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) quando  Interfere na alimentação e no crescimento  Danifica o esôfago (esofagite)  Leva a dificuldades respiratórias (tais como tosse, sibilos ou interrupção da respiração)  Continua além da primeira infância para a infância Causas de refluxo gastroesofágico Bebês saudáveis têm refluxo por vários motivos. A cinta muscular na junção do esôfago e do estômago (o esfíncter esofágico inferior) normalmente impede que o conteúdo do estômago entre no esôfago (consulte Considerações gerais sobre o esôfago). Nos bebês, esse músculo pode estar subdesenvolvido ou pode relaxar em momentos impróprios, permitindo que o conteúdo do estômago se mova para trás (reflua) para o esôfago. Ser mantido deitado durante a alimentação ou deitar depois de ser alimentado promove o refluxo porque a gravidade não consegue mais impedir que o material no estômago flua de volta para o esôfago. Alimentação excessiva e doenças pulmonares crônicas predispõem um bebê a ter refluxo, porque elas aumentam a pressão sobre o estômago. A fumaça de cigarro (como tabagismo passivo) e a cafeína (em bebidas ou no leite materno) relaxam o esfíncter esofágico inferior, permitindo que o refluxo ocorra mais prontamente. Cafeína e nicotina (no leite materno) também estimulam a produção de ácido, de maneira que qualquer refluxo que ocorrer será mais ácido. Uma alergia alimentar, mais frequentemente alergia a leite de gado, ou intolerância alimentar também podem contribuir para o refluxo, mas essas são causas menos comuns. Outra causa menos comum de refluxo é esvaziamento gástrico lento (gastroparesia). Na gastroparesia, os alimentos permanecem no estômago por um maior período de tempo, mantendo a pressão no estômago elevada. A pressão elevada no estômago causa refluxo. As doenças metabólicas hereditárias, como galactosemia e intolerância à frutose hereditária e anomalias anatômicas, como um estreitamento do esôfago, um bloqueio parcial do estômago (estenose pilórica) ou um posicionamento anômalo do intestino (má rotação) podem a princípio imitar os sintomas do refluxo, porque eles causam episódios repetidos de vômitos. Contudo, essas anomalias são mais sérias e podem progredir para vômito e outros sintomas de obstrução, tais como dores abdominais, apatia e desidratação. Doença de refluxo gastroesofágico
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 56 | P á g i n a Sintomas de refluxo gastroesofágico Em bebês, os sintomas mais óbvios de refluxo gastroesofágico são  Vômitos  Regurgitação excessiva Em crianças pequenas, os sintomas mais comuns são  Dor torácica  Dor abdominal  Às vezes, azia (sensação de queimação por trás do diafragma) Em adolescentes, o sintoma mais comum é o mesmo que em adultos:  Azia Complicações do refluxo Em alguns bebês, o refluxo causa complicações e é conhecido como doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Essas complicações incluem  Irritação causada pelo desconforto estomacal  Problemas de alimentação que podem resultar em crescimento deficiente  “Crises” em que o bebê fica se retorcendo e mudando de posição que podem ser confundidas com convulsões Menos comumente, pequenas quantidades de ácido do estômago podem entrar na traqueia (aspiração). O ácido na traqueia e nas passagens nasais pode resultar em tosse, sibilos, interrupção da respiração (apneia) ou pneumonia. Muitas crianças com asma também têm refluxo. Dor nos ouvidos, rouquidão, soluços e sinusite também podem ocorrer como resultado da DRGE. Caso o esôfago seja significativamente irritado (esofagite), pode haver alguma hemorragia, que pode resultar em anemia por deficiência de ferro. Em outras, a esofagite pode causar tecido com cicatriz, que pode estreitar o esôfago (estenose). Diagnóstico de refluxo gastroesofágico  Estudo de deglutição de bário  Sonda para pHmetria esofágica ou sonda de impedância  Imagem de esvaziamento gástrico  Endoscopia digestiva alta  Ultrassonografia abdominal Exames nem sempre são necessários para diagnosticar o refluxo gastroesofágico em bebês ou crianças mais velhas que simplesmente têm sintomas leves, como regurgitações frequentes
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 57 | P á g i n a (em bebês) e azia (em crianças mais velhas). Contudo, caso os sintomas sejam mais complicados, vários exames podem ser realizados. Um estudo de deglutição de bário é o exame mais comum. A criança engole bário, um líquido que delineia o trato digestivo quando radiografias são feitas. Ainda que esse exame possa ajudar o médico a diagnosticar o refluxo gastroesofágico, o mais importante é que ele ajuda o médico a identificar algumas das possíveis causas do refluxo. Uma pHmetria esofágica é feita com um tubo fino e flexível com um sensor na ponta que mede o grau de acidez (pH). Os médicos passam o tubo pelo nariz da criança, cruzam a garganta e chegam ao final do esôfago. O tubo é em geral deixado nessa posição por 24 horas. Normalmente, as crianças não apresentam ácido no esôfago. Se o sensor detectar ácido, é um sinal de refluxo. Os médicos às vezes usam esse exame para ver se as crianças com sintomas como tosse ou dificuldades para respirar estão com refluxo. Uma sonda de impedância é muito parecida com uma sonda para pHmetria esofágica, mas ela consegue detectar tanto refluxo ácido como não ácido. Essa sonda é utilizada em crianças que estão tomando medicamentos que suprimem o ácido estomacal para ver se elas ainda têm refluxo, para ver se o refluxo está associado com outros sintomas e para confirmar que os medicamentos estão funcionando para diminuir o refluxo ácido. Uma cintilografia de esvaziamento gástrico é realizada para determinar a rapidez do esvaziamento do estômago. Em uma cintilografia de esvaziamento gástrico, a criança toma uma bebida (como leite, leite materno ou fórmula láctea) contendo uma pequena quantidade de material levemente radioativo. Esse material é inofensivo para a criança. Uma câmera ou ultrassom altamente sensível à radiação pode detectar onde o material está no corpo da criança. A câmera vê, então, com que rapidez o material deixa o estômago e se há refluxo, aspiração ou ambos. Na endoscopia digestiva alta, a criança é sedada e um pequeno tubo flexível com uma câmera na ponta (endoscópio) é passado pela boca e através do esôfago até chegar ao estômago. O médico pode realizar uma endoscopia digestiva alta, caso precise verificar se o refluxo causou danos ao esôfago (esofagite), uma úlcera ou irritação ou caso precise obter uma amostra para biópsia. A endoscopia também pode ajudar a determinar que os sintomas de refluxo não estão sendo causados por outra coisa, como alergia, infecção ou doença celíaca. A broncoscopia é um exame similar no qual os médicos usam um endoscópio para examinar a laringe e as vias respiratórias. A broncoscopia pode ajudar os médicos a decidir se o refluxo é provavelmente causado por problemas pulmonares ou da respiração. Um ultrassom do abdômen pode ser feito para bebês que vomitam com força, especialmente para aqueles que perderam peso e apresentam complicações da desidratação. O ultrassom pode ajudar os médicos a determinar se a válvula muscular entre o estômago e o intestino delgado (chamada piloro) está inflamada. Um piloro inflamado pode significar que o bebê tem estenose pilórica. Tratamento de refluxo gastroesofágico  No caso de bebês com regurgitação, fórmula infantil espessada, posicionamento especial e fazer a criança arrotar com frequência  No caso de bebês amamentados, mudar a dieta da mãe
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 58 | P á g i n a  Para bebês alimentados com fórmulas lácteas, uma tentativa com uma fórmula láctea hipoalergênica  Outras medidas para diminuir o refluxo  Às vezes medicamentos  Cirurgia raramente O tratamento do refluxo depende da idade e dos sintomas da criança. Caso o bebê apenas apresente regurgitação, o médico tranquiliza os pais que não há nada mais grave acontecendo. Ele pode recomendar não fazer nenhum tratamento ou sugerir medidas, tais como espessamento da fórmula láctea na alimentação, posicionamento especial e arrotos frequentes. A fórmula infantil pode ser engrossada adicionando-se de uma a três colheres de chá de cereal de arroz para cada 30 gramas da fórmula láctea. O bico da mamadeira poderá ser cortado em cruz para permitir que a fórmula infantil flua. Bebês com refluxo devem ser alimentados em posição ereta ou semiereta e, depois, mantidos em uma posição ereta e não sentada por 20 a 30 minutos depois de terem sido alimentados (ficar sentado em um carrinho de bebê, por exemplo, aumenta a pressão sobre o estômago e não ajuda). Além disso, fazer com que o bebê arrote após ter bebido 30 a 60 mililitros pode ajudar a diminuir a pressão sobre o estômago ao expelir o ar que o bebê engole. A alergia a leite de vaca pode ocorrer mesmo em bebês amamentados podendo causar DRGE. As mães podem tentar não beber leite de vaca por várias semanas e ver se isso ajuda. Bebês alimentados com fórmula láctea podem se beneficiar tentando uma fórmula láctea hipoalergênica por duas a quatro semanas, pois eles podem ter intolerância ou alergia alimentar. Uma fórmula láctea hipoalergênica pode até mesmo ser útil para bebês sem alergia alimentar, pois a fórmula ajuda a esvaziar o estômago mais rapidamente. Por motivos de segurança, os médicos já não recomendam levantar a cabeça do berço ou da cama. Os médicos recomendam que os bebês sejam colocados para dormir de costas. Essa posição reduz o risco da síndrome de morte súbita infantil (SMSI). Crianças mais velhas também devem evitar comer duas a três horas antes de dormir, evitar beber bebidas com gás ou com cafeína, tomar determinados medicamentos (por exemplo, aqueles com efeitos anticolinérgicos), comer determinados alimentos (por exemplo, chocolate ou alimentos gordurosos) e comer demais. Todas as crianças devem ser mantidas afastadas de cafeína e de fumaça de cigarro. Medicamentos para refluxo Caso alterações na alimentação e no posicionamento não controlem os sintomas, os médicos podem receitar medicamentos. Diversos tipos de medicamentos para o refluxo estão disponíveis:  Os que neutralizam o ácido  Os que suprimem a produção de ácido
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 59 | P á g i n a  Os que melhoram os movimentos do trato digestivo Antiácidos são medicamentos que neutralizam o ácido estomacal. Esses medicamentos atuam rápido no alívio de sintomas como azia. No caso de crianças com doença mais grave, medicamentos supressores do ácido poderão são necessários. Ao reduzir o ácido estomacal, esses medicamentos diminuem os sintomas e permitem que o esôfago cicatrize. Moniliase oral O que é monilíase oral (sapinho)? Manifestação da monilíase oral no bebê: O sapinho, cientificamente chamado de candidíase oral, corresponde a uma infecção na boca do bebê causada pelo fungo Candida albicans, que é mais comum em bebês com menos de 6 meses e que está relacionado com a baixa imunidade do bebê. Quando a imunidade é afetada (o que pode ser desencadeado por diversos fatores, como condições ambientais, uso de antibióticos e até a alimentação), há o crescimento excessivo desse fungo que já é integrante do nosso organismo. Em crianças, a imunidade baixa típica dos primeiros anos de vida (quando o sistema imunológico ainda não se consolidou forte o suficiente para evitar infecções) é um dos fatores que ajuda o aparecimento da doença. Sinais e sintomas da monilíase oral: A monilíase caracteriza-se pelo surgimento de manchas brancas na língua, bochechas e palato. São placas brancas com aspecto de nata de leite e quando removidas revelam uma base avermelhada. Geralmente o bebê sente grande desconforto, dificultando a alimentação (no peito ou não) e causa perda de apetite e até a recusa de água. Outras características são: vômito, irritabilidade, insônia, choro constante, febre acima de 38°C e dificuldade para engolir. A monilíase oral geralmente é observada em bebês com menos de 6 meses e até no máximo 1 ano. Em crianças maiores é menos comum, e sua ocorrência pode indicar outros problemas de saúde que necessitam ser investigados. Em alguns casos, o sapinho no bebê também pode provocar o aparecimento de pontinhos brancos nas unhas e nas dobras da pele, por exempo
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 60 | P á g i n a Manifestação da monilíase oral no bebê Os bebês podem desenvolver candidíase oral por diversas razões, mas principalmente porque seu sistema imunológico não está totalmente desenvolvido e não pode combater certos microrganismos. A transmissão costuma ser provocada pelo uso de mamadeiras e chupetas mal higienizadas, ou pode ser adquirida durante o parto, quando o bebê entra em contato com os germes da vagina que vão se multiplicar em sua pele e mucosas. Outro motivo que também pode causar a doença são as famosas “bitoquinhas na boca” da criança. Estas devem ser evitadas devido a chance de contaminação da boca dos adultos para a criança. Além de interferir no aleitamento materno, o uso de chupeta está associado à maior ocorrência de candidíase oral (sapinho), de otite média e de alterações do palato. É importante que as famílias conheçam outras formas de acalmar a criança ao invés de utilizar como recurso somente a chupeta, como por exemplo fazer carinho, colocar no colo, cantar e amamentar. Além disso, se o bebê estiver sendo amamentado e a mãe ou o bebê estiverem tomando antibiótico, há maior risco do fungo se desenvolver (o uso de antibiótico pode reduzir a imunidade). A transmissão entre as crianças pode ocorrer por meio da saliva, por exemplo quando uma criança coloca na boca um objeto mordido por outra que tem a infecção. Em trocadores públicos, a infecção não é comum, já que os pais costumam colocar proteções como panos e/ou papel para proteger a troca da criança. A dica é certificar-se de usar alguma proteção ao trocar o pequeno e garantir que o espaço seja o mais higiênico possível. Prevenção da monilíase oral (sapinho): As crianças com monilíase não devem ser afastadas do convívio normal, pois a Candida albicans é um fungo normalmente presente na pele e mucosa das pessoas. Para evitar acometimento pela monilíase oral é importante adotar algumas medidas:  Manter a higiene adequada do bebê, com banhos regulares,  Evitar que as crianças compartilhem objetos que vão à boca, pois podem favorecer a infecção;  Utilizar roupas confortáveis em épocas de calor, pois a proliferação do fungo é mais comum em estações quentes, nas quais as crianças suam e seus corpos permanecem úmidos por mais tempo;  Lavar bem as mãos (com água e sabão) sempre que for prestar cuidados ou pegar a criança no colo;  Fazer higiene dos mamilos antes de amamentar (com água).  Realizar higiene bucal do bebê após cada mamada com dedeira, gaze umedecida ou escova de dentes própria para idade.  Oferecer de 5 a 10 ml de água para remover os restos de leite após as mamadas;  Evitar o compartilhamento de mamadeiras e chupetas pelas crianças;  Ferver os bicos e mamadeiras por 20 minutos;
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 61 | P á g i n a  Realizar a higiene dos brinquedos plásticos das crianças, principalmente aqueles levados a boca, bem como utensílios de látex que a criança utiliza. Se a criança estiver recebendo o leite materno, a mãe deverá observar seus mamilos quanto a presença de sinais e sintomas sugestivos de infecção por cândida (pois o bebê pode transmitir o fungo para a mãe). Coceira nas mamas, sensação de queimação e dor em fisgadas, que persistem após as mamadas, assim como vermelhidão em mamilos e aréola, pele brilhante ou com fina descamação, observados ao exame físico, são sugestivos desse diagnóstico. Raramente observam-se placas esbranquiçadas na área das mamas. Tratamento e cuidados da monilíase oral (sapinho):  O primeiro passo para o tratamento da monilíase é determinar as causas e combatê-las para evitar recidivas (por exemplo falta de higiene da cavidade oral do bebê);  Atenção a receitas caseiras, elas são contraindicadas pois piora a situação e irritam ainda mais o bebê;  Se as mães estiverem com os mamilos dos seios contaminados pelo fungo, elas devem usar antifúngicos tópicos (prescritos por um médico ou farmacêutico). Antes de aplicar a medicação, a mãe deverá ordenhar seu leite e administrá-lo à criança através de copinho ou colher;  Mãe e filho deverão ser tratados para combater o fungo;  As lesões da cavidade bucal podem ser limpas com uma gaze embebida em solução de Bicarbonato de Sódio a 2%;  Em casos mais severos são utilizados antifúngicos líquidos, creme ou gel na região infectada da boca (prescritos por médico ou farmacêutico), que devem ser passados delicadamente com uma gaze ou algodão na área afetada, ou esguichados com conta-gotas na cavidade oral;  Não é recomendada amamentação direta no seio materno com o medicamento, pois o paladar do leite humano estará alterado. Importante: Para ajudar no tratamento é ainda importante lavar bem as mãos antes de mexer no bebê, não beijar na boca, esterilizar chupetas, mamadeiras e talheres. Má formação congênitas O que é? A malformação congênita, também chamada de anomalia congênita ou doença congênita é uma anomalia estrutural ou funcional que ocorre durante a gestação e pode ser identificada durante a gravidez, no nascimento ou após alguns dias de vida. Ela pode afetar quase todas as
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 62 | P á g i n a partes do corpo do bebê como coração, cérebro, pés etc., comprometendo a aparência, o funcionamento do corpo ou ambos. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a cada ano, cerca de 8 milhões de bebês no mundo nascem com essa doença e desse total, cerca de 3 milhões morrem antes de completar o quinto aniversário. Na América Latina, os defeitos congênitos são responsáveis pela morte de 21% das mortes de crianças menores de 5 anos e no caso de recém-nascidos estima-se que um em cada cinco falece durante os primeiros 28 dias de vida. No Brasil, a malformação congênita é considerada a segunda principal causa de morte de bebês e crianças – em primeiro lugar está a prematuridade. E, apesar de nem todas as anomalias congênitas serem fatais, muitas crianças que sobrevivem têm maior risco de apresentarem deficiências em longo prazo, requerendo serviços de saúde e outros serviços de apoio, para melhorar sua qualidade de vida. Causas e principais tipos malformações fetais As anomalias congênitas ocorrem nos primeiros 3 meses de gravidez, quando os órgãos do bebê estão se formando. Sua origem pode ser genética, infecciosa, ambiental ou nutricional, embora em muitos casos não seja possível identificar sua causa. Suas principais causas são os transtornos congênitos e perinatais, muitas vezes associados a agentes infecciosos deletérios à organogênese fetal, tais como os vírus da rubéola, da imunodeficiência humana (HIV), o vírus Zika, o citomegalovírus; o Treponema pallidum e o Toxoplasma gondii. Além dos agentes infecciosos supracitados, há outros fatores que aumentam as chances de desencadear uma doença congênita:  O uso de drogas lícitas ou ilícitas, consumo de bebidas alcoólicas ou cigarro durante a gravidez;  Ter obesidade e ou diabetes não controlado antes e durante a gravidez;  Fazer uso de medicamentos contra indicados no período gestacional;  Ter alguém na família com malformação fetal;  Gestante com idade acima de 35 anos. Os distúrbios congênitos mais comuns e graves são defeitos cardíacos congênitos, defeitos do tubo neural, anormalidades cromossômicas como a síndrome de Down e infecções congênitas por vírus como Síndrome Congênita do Zika (SCZ). Outros também conhecidos são: lábio leporino, fenda palatina, microcefalia e o conjunto das displasias esqueléticas. Muitas doenças congênitas podem ser prevenidas ou tratadas com medidas básicas na assistência pré-natal adequada, como a vacinação de meninas contra rubéola (previne a síndrome da rubéola congênita) e a fortificação de alimentos com ácido fólico e vitamina B-12 (para evitar a ocorrência de defeitos do tubo neural, como, espinha bífida e anencefalia Como o médico diagnostica as malformações fetais? A ultrassonografia continua a ser o grande instrumento de diagnóstico das anomalias fetais, capaz de detectar a hidropisia fetal, anomalia do septo cardíaco, problemas com a saída do fluxo, hidrocefalia, obstruções do trato urinário, cistos renais, obstrução intestinal, anomalias na parede abdominal e hérnia diafragmática.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 63 | P á g i n a No caso de lábio leporino ou fenda palatina é feita uma ultrassonografia especializada no segundo trimestre da gestação. Em alguns casos, a ultrassonografia deve ser complementada por uma tomografia computadorizada e medição da circunferência craniana. Para detectar alguma falha no desenvolvimento do cérebro e da medula espinhal deve ser feito também o teste da alfafetoproteína materna na 16ª semana da gestação. Além da ultrassonografia, o médico também poderá pedir exames como ecocardiograma fetal, tomografia fetal e exames que identifiquem alterações genéticas como o cariótipo fetal com punção do cordão umbilical. O Doppler é utilizado para avaliar fluxos sanguíneos das artérias uterinas, umbilicais e outras. O ultrassom comum calcula as medidas do feto, para saber se ele cresce adequadamente, verifica a placenta e o líquido amniótico. O primeiro deles deve ser feito por volta da 12ª semana, o segundo por volta da 22ª semana e o terceiro no final da gravidez. Realizar mais ultrassonografias do que o recomendado normalmente não provoca danos à saúde da mãe ou do bebê, mas só deve ser feito em casos especiais de gestações complicadas. Há exames de líquido amniótico para verificar riscos de anomalias do bebê, como Síndrome de Down e malformações do tubo neural. Como prevenir as malformações fetais? Muitas anomalias congênitas podem ser prevenidas ou tratadas. A suplementação com ácido fólico na pré-gravidez, o consumo de iodo durante a gestação, a vacinação contra a rubéola (que pode ser transmitida aos filhos durante a gestação) e assistência pré-natal adequada são algumas formas de prevenção. Embora não seja possível prevenir a maioria das malformações fetais, pode-se prevenir ou minimizar muitas das consequências delas. Por isso, é importante que a mãe faça os exames pré-natais de rotina. Muitas drogas consideradas “simples” podem ter efeito teratogênico. Teratógeno é qualquer substância que, estando presente no organismo materno durante a gestação, produz alterações de estrutura ou função no feto. Por isso, o ideal é que a gestante não utilize nenhuma droga durante a gestação ou só o faça com expressa autorização médica. Há casos em que a grávida não pode abster-se de medicações durante a gestação, como medicações para epilepsia e diabetes, por exemplo, mas esses casos devem ser acompanhados de perto pelo ginecologista/obstetra. É importante também abster-se totalmente de álcool e de fumo. A gestante deve evitar todas as situações que a exponham às toxinas ambientais, evitar as infecções virais, vacinar-se antes de engravidar e tomar as doses recomendadas de ácido fólico. Dia 03 de Março Em 03 de Março de 2016, no intuito de conscientizar o mundo sobre o impacto das anomalias congênitas, promover o desenvolvimento e implantação de programas de prevenção, além de expandir os serviços de saúde para todas as pessoas com anomalias congênitas, a Organização
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 64 | P á g i n a Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) se reuniram com vários líderes de organizações de saúde para comemorar pela primeira vez o Dia Mundial de Anomalias Congênitas, e desde então essa data passou a ser um dia de conscientização em relação as doenças congênitas. Vacinas: VACINA BCG (Bacillus De Calmette-Guérin)  Composição: bacilos vivos, a partir de cepas do Mycobacterium bovis atenuadas.  Via: intradérmica.  Esquema: dose única o mais precoce possível, preferencialmente nas primeiras 12 horas após o nascimento. o 2ª dose: para comunicantes domiciliares de hanseníase com intervalo de 6 meses entre as doses.  Indicação: prevenção de formas graves de tuberculose (miliar e meníngea).  Contraindicação: o Maiores de 5 anos portadores de HIV o Imunodeficiência congênita ou adquirida o Neoplasia maligna o Tratamento com corticoide em dose imunossupressora, quimioterapia ou radioterapia o Gestantes (exceto em alto risco de exposição) VACINA HEPATITE B  Composição: antígeno recombinante de superfície AgHBs.  Via: intramuscular.  Esquema vacinal: 3 doses com intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda e 6 meses entre a primeira e terceira dose. o Recém-nascidos devem receber a primeira dose nas primeiras 24 horas ou até 30 dias de vida. o A continuidade do esquema vacinal será com a vacina adsorvida difteria, tétano, pertussis, hepatite B e Haemophilus influenzae b (conjugada), nessa situação, o
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 65 | P á g i n a VACINA DIFTERIA, TÉTANO, PERTUSSIS, HEPATITE B E HAEMOPHILUS INFLUENZAE B – PENTA esquema corresponderá a 4 doses, para as crianças que iniciam esquema vacinal a partir de 1 mês de idade até 4 anos, 11 meses e 29 dias.  Contraindicação: reação anafilática após o recebimento de qualquer dose da vacina ou de seus componentes.  Composição: toxoides purificados de difteria e tétano, suspensão celular inativada de Bordetella pertussis, antígeno de superfície da hepatite B e oligossacarídeos conjugados de Haemophilus influenzae b.  Via: intramuscular profunda.  Esquema vacinal: 3 doses – 2, 4 e 6 meses de idade com intervalo de 60 dias entre as doses. o Doses de reforço com a DTP (difteria, tétano e pertusis) aos 15 meses e 4 anos  Contraindicação: o Criança com quadro neurológico em atividade. o Quando após dose anterior de vacina a criança apresentar alterações neurológicas. o História de choque anafilático. VACINA DIFTERIA, TÉTANO E PERTUSSIS (DTP)  Composição: combinação de toxoides purificados de difteria e tétano, suspensão celular inativada de Bordetella pertussis.  Via: intramuscular profunda.  Esquema vacinal: primeiro reforço aos 15 meses e segundo aos 4 anos. Idade máxima: 7 anos.  Contraindicação: as mesmas da vacina Pentavalente. VACINA POLIOMIELITE INATIVADA 1,2 E 3 (VIP)  Composição: vacina é trivalente e contém os vírus da poliomielite dos tipos 1, 2 e 3, obtidos em cultura celular e inativados.  Via: intramuscular.  Esquema vacinal: Esta vacina integra o esquema sequencial com a vacina poliomielite 1, 2 e 3 (atenuada) (VOP): três doses, sendo duas doses da vacina VIP (aos 2 e 4 meses) e uma dose da VOP (aos 6 meses), com intervalo de 60 dias entre as doses e mínimo de 30 dias.  Contraindicação: reação anafilática aos componentes da vacina.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 66 | P á g i n a VACINA POLIOMIELITE ATENUADA 1,2 E 3 (VOP)  Composição: vacina é trivalente, ou seja, contém os três tipos de poliovírus 1, 2 e 3.  Via: oral  Esquema vacinal: está vacina integra o esquema sequencial com a vacina VIP: três doses, sendo duas doses da vacina VIP (aos 2 e 4 meses) e uma dose da VOP (aos 6 meses), com intervalo de 60 dias entre as doses e mínimo de 30 dias. Administre duas doses de reforço com a VOP aos 15 meses e aos 4 anos de idade. Cada dose da vacina corresponde a duas gotas.  Contraindicação: o Imunodeficiência humoral ou mediada por células com neoplasias. o Uso de terapia imunossupressora. o Usuários que presentaram poliomielite paralítica associada à dose anterior desta mesma vacina. o Usuários que estejam em contato domiciliar com pessoas imunodeficientes suscetíveis. o Lactentes e crianças internados em UTI. VACINA PNEUMOCÓCICA CONJUGADA 10 VALENTE (PNEUMO 10)  Composição: Vacina preparada a partir de polissacarídeos capsulares bacterianos purificados do Streptococcus pneumoniae (pneumococo), com 10 sorotipos de pneumococo.  Via: intramuscular profunda.  Esquema vacinal: A vacina deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses e mínimo de 30 dias, em menores de 1 ano de idade. O reforço deve ser feito entre 12 e 15 meses, com intervalo de 6 meses após o esquema básico.  Contraindicação: reações anafiláticas a doses anteriores. VACINA ROTAVÍRUS HUMANO (ATENUADA) (VORH)  Composição: A vacina é constituída por um sorotipo do rotavírus humano atenuado da cepa.  Via: via oral  Esquema vacinal: duas doses, administradas aos 2 e 4 meses de idade. A primeira dose pode ser administrada a partir de 1 mês e 15 dias até 3 meses e 15 dias. A segunda dose pode ser administrada a partir de 3 meses e 15 dias até 7 meses e 29 dias. Intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.  Contraindicação: o Histórico de invaginação intestinal ou com malformação congênita não corrigida do trato gastrointestinal. o Administração fora da faixa etária preconizada. VACINA MENINGOCÓCICA C (CONJUGADA) (MENINGO C)
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 67 | P á g i n a  Composição: constituída por polissacarídeos capsulares purificados da Neisseria meningitidis do sorogrupo C.  Via: intramuscular  Esquema vacinal: duas doses, administradas aos 3 e 5 meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses e mínimo de 30 dias. O reforço deve ser feito entre 12 e 15 meses. Em crianças entre 12 e 23 meses de idade sem comprovação vacinal ou com esquema incompleto, administrar uma única dose.  Contraindicação: reações anafiláticas a doses anteriores. VACINA FEBRE AMARELA (ATENUADA) (FA)  Composição: vírus vivos atenuados da febre amarela.  Via: subcutânea  Esquema vacinal: uma dose a partir dos 9 meses de idade. Uma dose deve ser administrada a cada 10 anos.  Contraindicação: o Menores de 6 meses de idade; o Gestantes e aleitamento materno. o Imunodeprimido grave, independentemente do risco de exposição; o Portadores de doenças autoimunes. VACINA SARAMPO, CAXUMBA, RUBÉOLA (TRÍPLICE VIRAL)  Composição: vírus vivos (atenuados) das cepas do vírus da rubéola, do sarampo e da caxumba.  Via: subcutânea  Esquema vacinal: duas doses: o 12 meses a 19 anos de idade: duas doses conforme a situação vacinal. A primeira dose (aos 12 meses de idade) deve ser com a vacina tríplice viral e a segunda dose (aos 15 meses de idade) deve ser com a vacina tetra viral, para as crianças que já tenham recebido a 1ª dose da vacina tríplice viral. o > 15 meses de idade não vacinadas: administrar a tríplice viral com o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. o 20 a 49 anos de idade: uma dose conforme a situação vacinal encontrada. Considerar vacinada a pessoa que comprovar uma dose de vacina com componente de sarampo, caxumba e rubéola ou sarampo e rubéola.  Contraindicação: o Anafilaxia
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 68 | P á g i n a VACINA DIFTERIA E TÉTANO ADULTO – DT (DUPLA ADULTO) o Gestação HEPATITE A  Composição: antígeno do vírus da hepatite A.  Via: intramuscular  Esquema vacinal: uma dose aos 12 meses de idade na rotina de vacinação.  Contraindicação: reação anafilática a algum dos componentes. VACINA SARAMPO, CAXUMBA, RUBÉOLA E VARICELA (ATENUADA) (TETRA VIRAL)  Composição: vírus vivos atenuados de cepas do sarampo, da caxumba, da rubéola e da varicela.  Via: subcutânea  Esquema vacinal: uma dose aos 15 meses de idade em crianças que tenham recebido a primeira dose da vacina tríplice viral.  Contraindicação: o Anafilaxia após dose anterior; o Usuários com imunodeficiência clínica ou laboratorial grave.  Composição: associação dos toxoides diftérico e tetânico.  Via: intramuscular  Esquema vacinal: administrada nos maiores de 7 anos de idade para os reforços ou usuários com esquema incompleto ou não vacinados: o Esquema vacinal completo: uma dose a cada 10 anos; o Esquema incompleto: completar o esquema; o Sem comprovação vacinal: três doses. o Intervalo entre as doses é de 60 dias e após completar o esquema deve ser feito reforço a cada 10 anos.  Contraindicação: reação anafilática. VACINA PAPILOMAVÍRUS HUMANO 6, 11, 16 E 18 (RECOMBINANTE) (HPV)  Composição: quadrivalente recombinante inativada, constituída por proteínas L1 do HPV tipos 6, 11, 16 e 18.  Via: intramuscular.  Esquema vacinal: o 2 doses (0 e 6 meses) para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. o 3 doses (0, 2 e 6 meses): meninas e mulheres infectadas pelo HIV entre 9 e 26 anos.  Contraindicação: hipersensibilidade aos componentes da vacina e gestantes.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 69 | P á g i n a VACINA INFLUENZA  Composição: diferentes cepas do vírus Myxovirus influenzae inativados, fragmentados e purificados, cultivados em ovos embrionados de galinha  Via: intramuscular.  Esquema vacinal: administrada anualmente para grupos elegíveis.  Contraindicação: o Menores de 6 meses de idade; o Reação anafilática em dose anterior.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 70 | P á g i n a PROGRAMA DE SAÚDE DO ADOLESCENTE PNAISC – EIXOS ESTRÁTEGICOS I- Atenção humanizada e qualificada a gestação, ao parto, ao nascimento, ao recém-nascido II- Aleitamento materno e alimentação complementar saudável III- Promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento integral IV- Atenção integral a criança com agravos prevalente na infância e com doença crônicas V- Atenção integral à criança em situação de violência, prevenção de acidentes e promoção da cultura de paz. VI- Atenção à saúde de crianças com deficiências ou em situação especificas e de vulnerabilidades VII- Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno: PORTARIA Nº 1.130, DE 5 DE AGOSTO DE 2015 Programa saúde do Adolescente - PROSAD Adolescência: O que é o PROSAD? Criado pelo Ministério da saúde, através da portaria nº 980/GM, de 21 de dezembro de 1989. Contexto Transformação anatômicas, fisiologicas e psicossociais Vulnerabilidade social Estimativa IBGE 2019 30,42% da população brasileira total 28,53% da população do Estado do Amapá
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 71 | P á g i n a Público alvo: jovens entre 10 e 19 anos. Política de promoção da saúde: identificação de grupos de risco, detecção precoce dos agravos com tratamento adequado e reabilitação, assegurando os princípios da universalidade, equidade e integralidade de ações. Objetivos e diretrizes: Promover a saúde de forma integral, multisetorial e interdisciplinar. - Ação deve ser pautada no respeito pela adolescência visando:  Crescimento e desenvolvimento;  Sexualidade;  Saúde mental, saúde reprodutiva, saúde sexual e saúde na escola;  Violência e maus tratos;  Família;  Prevenção de acidentes;  Trabalho, lazer; Estratégias: - Implemento em todos os Estados brasileiros, polo Governo Federal, deve:  Promover estratégias intersetoriais que aumentem o alcance do programa e mantenha um canal de informação e atualização entre as esferas central, estadual e municipal  Treinar e capacitar profissionais e voluntários para atender e acolher os adolescentes; Os centros de atenção devem:  Contar com os profissionais das áreas de educação, media, saúde bucal, serviço social, enfermagem, nutrição e saúde mental;  Realizar trabalhos educativos e preventivos com os grupos de adolescente, assim como com suas famílias e também outros elementos da comunidade;  Manter contato com todos esses indivíduos.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 72 | P á g i n a AÇOES NA UBS: - De que forma é trabalhado a saúde do adolescente na Unidade Básica? “Busca-se promover o direito a saúde do adolescente, mediante o acesso aos serviços e ações de promoção a saúde, prevenção de doença e agravos e atenção humanizada” - Atendimento disponível ao público adolescente na unidade básica: “Especialidade medicas (cardiologia, endócrino, dermatologista, etc..), conforme suas necessidades, clinico geral, nutrição, odontologia, psicologia, psiquiatria assistência social, palestras educativas, medicamentos e curativos, imunização”. ECA Você já ouvir falar no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)? Você sabe quais são os direitos que ele garante? É hora de conhecer um pouco mais sobre este importante instrumento de defesa de nossos direitos para poder exercê-los e lutar para que sejam garantidos e respeitados. O Estatuto da criança e do adolescente (ECA) é um documento que reúne as leis específicas que asseguram os direitos e deveres de crianças e adolescentes aqui no Brasil. Ele nasce da luta de diversos movimentos sociais que defendem os direitos de crianças e adolescentes, já que antes do estatuto existia apenas o “Código de Menores” que tratava de punir as crianças e adolescentes consideradas infratores. Desde 1990 com o ECA as crianças e os (as) adolescentes são reconhecidos como sujeitos de direitos e estabelece que a família, o Estado e a sociedade são responsáveis pela sua proteção, já que são pessoas que estão vivendo um período de intenso desenvolvimento físico, psicológico, moral e social. O que o estatuto garante? "Crianças e adolescentes são sujeitos de Direitos" - Sujeitos de Direitos são pessoas que têm os seus direitos garantidos por lei.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 73 | P á g i n a "Seus direitos devem ser tratados com prioridade absoluta" - Isso quer dizer que os direitos das crianças e dos/ das adolescentes estão em primeiro lugar. "Para tudo deve ser levada em conta a condição peculiar de crianças e adolescentes serem pessoas em desenvolvimento" - A criança e ao adolescente têm os mesmos direitos que uma pessoa adulta e, além disso, têm alguns direitos especiais, por estarem em desenvolvimento físico, psicológico, moral e social. As crianças e os adolescentes não conhecem todos os seus direitos e por isso não têm condições de exigir, então é muito importante que todos conheçam o ECA para que se possa conseguir uma sociedade mais justa para todos. A Constituição Brasileira no artigo 227, também assegura a proteção integral à criança e ao adolescente: "É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão." Direitos = Compromissos Esses são alguns dos direitos que o estatuto garante, mas não podemos apenas pensar nos DIREITOS, temos que pensar e colocar em prática nossos COMPROMISSOS, pessoais e sociais com relação ao estatuto. Este compromisso social é uma forma de manifestar nosso respeito e solidariedade para com a comunidade que vivemos, vamos pensar alguns desses compromissos sociais:  Direito de ter escola e educação Nosso compromisso é frequentar as aulas, estudar, cuidar da escola etc.  Direito a saúde e prevenção Nosso compromisso é cuidar da nossa saúde, buscar informações e orientação nas unidades de saúde, usar o preservativo em todas as relações e práticas sexuais etc.  Direito à Liberdade, respeito e dignidade  Nosso compromisso é respeitar as pessoas, agir com dignidade e ética, usufruir com responsabilidade e conquistar nossa liberdade etc.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 74 | P á g i n a  Pré-adolescência – dos 10 aos 14 anos,  Adolescência – dos 15 aos 19 anos completos  Juventude – dos 15 aos 24 anos. Adolescência A definição de adolescência, vem do Latim “ADOLESCENTIA”, que significa período da vida humana entre a infância e a fase adulta. Vamos encontrar ainda quem defina adolescência como uma fase natural da vida marcada pelas transformações biológicas e comportamentais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define adolescência como sendo o período da vida que começa aos 10 anos e termina aos 19 anos completos. Para a OMS, a adolescência é dividida em Três fases: No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera a adolescência, a faixa etária dos 12 até os 18 anos de idade completos, sendo referência, desde 1990, para criação de leis e programas que asseguram os direitos desta população. Como vimos, são muitas as definições que tentam explicar a adolescência. Algumas definições utilizam conceitos (embasados em estudos da psicologia, da educação, da filosofia, da medicina etc.), outras definições utilizam recortes etários como é o caso da OMS. É importante saber que os conceitos existem e atendem a objetivos específicos de programas, pesquisas e políticas públicas. CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO A adolescência compreende um complexo processo de maturação que transforma a criança em adultos.  Desenvolvimento físico  Crescimento  Maturação sexual Femininas  Crescimento acelerado  Desenvolvimento dos seios  Curvas pelo corpo  Desenvolvimentos do órgão genital  Secreção e Mestruação
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 75 | P á g i n a Masculino  Aumento dos testículos  Aumento do tamanho do pênis  Aparecimento de acne  Alteração da voz  Alargamento dos ombros e do tórax  Surge a primeira ejaculação
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 76 | P á g i n a
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 77 | P á g i n a  Risco biológico: Obesidade, doenças crônicas, etc.  Risco emocional: Depressão, uso e abuso de drogas, etc.  Risco familiar: Pais alcoolistas, com transtornos mentais, etc.  Risco social: Morar em áreas de tráfico de drogas, pobreza extrema, etc. ATENDIMENTO AO ADOLESCENTE A enfermagem durante a assistência ao adolescente entre 10 e 19 anos. O atendimento ao adolescente deve sempre levar em conta, dentre outras variáveis, o processo de crescimento e desenvolvimento e sua vulnerabilidade a inúmeros agravos físicos, psíquicos e sociais, cuja análise permitirá a identificação dos fatores protetores que devam ser promovidos e os riscos que deverão ser afastados e/ou atenuados. Abrange ações Interdisciplinares, Inter setoriais e Interinstitucionais, voltadas para a prevenção e promoção da saúde, para o atendimento local e para o encaminhamento de situações e problemas específicos desta faixa etária. A própria condição de ausência de oportunidade para refletir, construir um projeto de vida e concretizá-lo, pode colocar qualquer adolescente em situação de risco, independente da situação social em que se encontre. Didaticamente poderíamos classificá-los em: Sexualidade e Gravidez na Adolescência A gravidez na adolescência é considerada a que ocorre entre os 10 e 20 anos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Apontada como uma gestação de alto risco decorrente das preocupações que traz à mãe e ao recém-nascido, a gravidez nesta faixa etária pode acarretar problemas sociais e biológicos. O Brasil apresenta elevados índices de adolescentes grávidas. Porém, o Ministério da Saúde indica que houve uma redução de 17% no número de mães entre 10 e 19 anos, no período de 2004 a 2015. Gravidez precoce A gravidez na adolescência ocorre em um momento de intensas mudanças corporais
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 78 | P á g i n a A adolescência é um período da vida rico em manifestações emocionais, caracterizadas por ambiguidade de papéis, mudança de valores e dificuldades face à procura de independência pela vida. A gravidez na adolescência é muitas vezes encarada de forma negativa do ponto de vista emocional e financeiro das adolescentes e suas famílias, alterando drasticamente suas rotinas. Veja alguns dados sobre a gravidez na adolescência no Brasil e ao redor do mundo:  7,3 milhões de adolescentes se tornam mães a cada ano ao redor do mundo, das quais 2 milhões são menores de 15 anos;  No ano de 2010 um relatório divulgado por um órgão ligado à ONU indica que 12% das adolescentes entre 15 e 19 anos tinham pelo menos um filho;  O Brasil tem 21 milhões de adolescentes com idade entre 12 e 17 anos, sendo que cerca de 300 mil crianças nascem de mães nessa faixa etária;  Em pesquisa realizada pela ONU, o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos. Consequências e riscos Gravidez na adolescência: riscos e consequências A gravidez na adolescência pode trazer consequências emocionais, sociais e econômicas para a saúde da mãe e do filho. A maioria das adolescentes que engravida abandona os estudos para cuidar do filho, o que aumenta os riscos de desemprego e dependência econômica dos familiares. Esse fatores contribuem para a perpetuação da pobreza, baixo nível de escolaridade, abuso e violência familiar, tanto à mãe como à criança. Além disso, a ocorrência de mortes na infância é alta em filhos nascidos de mães adolescentes. A situação socioeconômica, a falta de apoio e de acompanhamento da gestação (pré- natal) contribuem para que as adolescentes não recebam informações adequadas em relação à
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 79 | P á g i n a alimentação materna apropriada, à importância da amamentação e sobre a vacinação da criança. Também é grande o número de adolescentes que se submetem a abortos inseguros, usando substâncias e remédios para abortar ou em clínicas clandestinas. Isso tem grandes riscos para a saúde da adolescente e até mesmo risco de vida, sendo uma das principais causas de morte materna. Essas ações acarretam prejuízos às crianças, gerando um impacto na saúde pública, além da limitação no desenvolvimento pessoal, social e profissional da gestante. Principais fatores Há diversos fatores de natureza objetiva e subjetiva que levam à gravidez no início da vida reprodutiva, tais como:  Falta de conhecimento adequado dos métodos contraceptivos e como usá-los;  Dificuldade de acesso a esses métodos por parte do adolescente;  Dificuldade e vergonha das meninas em solicitar o uso do preservativo pelo parceiro;  Ingenuidade e submissão;  Violência;  Abandono;  Desejo de estabelecer uma relação estável com o parceiro;  Forte desejo pela maternidade, com expectativa de mudança social e de obtenção de autonomia através da maternidade;  Meninas com início da vida sexual cada vez mais precoce. O ambiente familiar também tem relação direta com o início da atividade sexual. Experiências sexuais precoces são observadas em adolescentes em famílias onde os irmãos mais velhos já apresentam vida sexual ativa. É comum encontrar adolescentes grávidas cujas mães também iniciaram a vida sexual precocemente ou engravidaram durante a sua adolescência. Por outro lado, famílias onde existe o hábito da conversa e há orientação sobre a vida sexual, a situação pode ser diferente e a sexualidade melhor aproveitada pelos adolescentes no momento certo. Como evitar a gravidez na adolescência? A melhor forma de evitar a gravidez na adolescência é se informar adequadamente e conhecer o próprio corpo e do parceiro antes de começar a vida sexual.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 80 | P á g i n a Meninos e meninas devem se informar sobre os métodos anticoncepcionais. A camisinha é o mais comum, mais barato e mais fácil de utilizar. Além da gravidez indesejada, ela também protege contra as doenças sexualmente transmissíveis. Métodos Contraceptivos Existem diversos métodos anticoncepcionais ou contraceptivos, que se dividem em 4 tipos: 1. Métodos de Barreira Utilizam produtos ou instrumentos que impedem a passagem dos espermatozoides pela vagina. São eles: 1. Preservativo masculino (camisinha) e feminino; 2. Diafragma; 3. Espermicidas. Métodos contraceptivos de barreira 2. Métodos Comportamentais Dependem sobretudo do comportamento da mulher e exigem um conhecimento prévio do corpo feminino para que possam ser aplicados. São eles: 1. Tabelinha; 2. Muco; 3. Temperatura.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 81 | P á g i n a Métodos contraceptivos comportamentais 3. Métodos Hormonais Comprimidos ou injeções produzidas com hormônios não naturais. Este tipo de método interfere no equilíbrio hormonal do corpo da mulher, alterando o desenvolvimento do endométrio, o movimento das tubas uterinas, a produção do muco cervical e impedindo que ocorra ovulação. São eles: 1. Pílulas; 2. Injeções; 3. Adesivos; 4. Dispositivo Intrauterino - DIU: Trata-se de um objeto colocado no interior da vagina para evitar a concepção.
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 82 | P á g i n a Métodos contraceptivos hormonais 4. Métodos Cirúrgicos ou Esterilização Não é propriamente um método anticoncepcional, mas sim uma cirurgia realizada no homem ou na mulher para evitar definitivamente a concepção. A esterilização da mulher é chamada de laqueadura e a masculina, vasectomia. Vacinas Tomar vacinas é um ato de amor, é a melhor maneira de se proteger de uma série de doenças graves e de suas complicações, que podem até levar à morte. Você sabia que a maioria das doenças preveníveis por vacina são transmitidas por contato com objetos contaminados ou por gotículas expelidas quando o doente espirra, tosse ou fala? Assim, se uma pessoa é infectada, pode transmitir a doença para outras que ainda não foram imunizadas. Graças à vacinação, nas últimas décadas houve uma redução drástica da incidência de doenças que costumavam matar milhares de pessoas todos os anos – como coqueluche, sarampo, poliomielite e rubéola. Mas, mesmo estando sob controle hoje em dia, elas podem voltar a se tornar uma epidemia caso as pessoas parem de se vacinar VACINAS SÃO SEGURAS E EFICAZES As vacinas são feitas com microrganismos atenuados da própria doença que previne. Por exemplo, a vacina contra o sarampo contém o vírus do sarampo. No entanto, estes vírus estão enfraquecidos ou mortos, fazendo com que o corpo não desenvolva a doença, mas se torne preparado para combatê-la se for necessário (imunidade).
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 83 | P á g i n a Toda vacina licenciada passou antes por diversas fases de testes e estudos, por isso são seguras. Elas também passam pela avaliação de institutos reguladores rígidos, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Algumas pessoas podem ter efeitos colaterais leves depois de tomarem uma vacina, como dor no local da injeção e febre baixa. VACINAS CERTAS PARA CADA FASE: O Ministério da Saúde tem um calendário de vacinação específico para recém-nascidos e crianças, bem como para pré-adolescentes e adolescentes, adultos, idosos; e ainda para gestantes. Para vacinar, basta comparecer a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou algum centro de vacinação com o cartão de vacinação. O ideal é que cada dose seja administrada na idade recomendada. Entretanto, se perdeu o prazo para alguma dose é importante atualizar as vacinas. A maioria das vacinas disponíveis no Calendário Nacional de Vacinação é destinada a crianças. São 15 vacinas, aplicadas antes dos 10 anos de idade. Calendário vacinal dos adolescentes! ADOLESCENTES A caderneta de vacinação deve ser frequentemente atualizada. Algumas vacinas só são administradas na adolescência. Outras precisam de reforço nessa faixa etária. Além disso, doses atrasadas também podem ser colocadas em dia. Veja as vacinas recomendadas na adolescência:  HPV (previne o papiloma vírus, que causa cânceres e verrugas genitais) – são 2 doses (seis meses de intervalo entre as doses). Meninas devem tomar entre 9-14 anos e meninos entre 11-14 anos  Meningocócica C (conjugada) (previne meningite causada por Neisseria meningitidis do sorogrupo C) – Dose única ou reforço (a depender da situação vacinal anterior). Idade recomendada é entre 11-14 anos Entre 11 e 19 anos:  Hepatite B – 3 doses (a depender da situação vacinal anterior)  Febre Amarela – 1 dose (a depender da situação vacinal anterior)
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    M Ó DU L O 3 - S A Ú D E D A C R I A N Ç A E D O A D O L E S C E N T E 84 | P á g i n a Anotações:  Dupla Adulto (dT) (previne difteria e tétano) – Reforço a cada 10 anos  Tríplice viral (previne sarampo, caxumba e rubéola) – 2 doses (de acordo com a situação vacinal anterior)  Pneumocócica 23 Valente (previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo) – 1 dose (a depender da situação vacinal anterior) – (está indicada para população indígena e grupos-alvo específicos)