Instituto Superior T´cnico
                    e
Departamento de Matem´tica
                         a
   c˜      ´
Sec¸ao de Algebra e An´lise
                       a




                                               ´
            Apontamentos das Aulas Te´ricas de Algebra Linear
                                     o
                                     1o Semestre 2007/2008

                          LEAmb, LEMat, LQ, MEBiol, MEQ

                                         Paulo Pinto
                              http://www.math.ist.utl.pt/˜ ppinto/




  Conte´ do
       u
  1 Sistemas de Equa¸oes Lineares e
                       c˜                    C´lculo
                                               a         Matricial                                                            2
    1.1 Matrizes . . . . . . . . . . . . .   . . . . .   . . . . . . .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .    2
    1.2 Sistemas de Equa¸oes Lineares .
                          c˜                 . . . . .   . . . . . . .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .    6
    1.3 Matrizes Elementares . . . . . .     . . . . .   . . . . . . .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   13
    1.4 A matriz inversa . . . . . . . .     . . . . .   . . . . . . .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   15

  2 Determinante                                                                                                             19

  3 Espa¸os Lineares (Vectoriais)
        c                                                                                                        23
    3.1 Subespa¸os lineares – exemplos: n´ cleo, espa¸o colunas e linhas de
                c                         u           c                                              uma matriz 26
    3.2 Independencia linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .                       . . . . . . 31
    3.3 Bases e dimens˜o de Espa¸os Lineares . . . . . . . . . . . . . . .
                       a         c                                                                   . . . . . . 33
    3.4 Coordenadas de um vector numa base . . . . . . . . . . . . . . . .                           . . . . . . 39

  4 Valores Pr´prios, Vectores Pr´prios e diagonaliza¸˜o de Matrizes
              o                  o                   ca                                                                      40

  5 Produtos Internos                                                                                                        47

  6 Transforma¸oes Lineares
                c˜                                                                                                           59
    6.1 Matriz mudan¸a de base . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
                       c                                                                                     .   .   .   .   61
    6.2 Representa¸ao matricial de uma transforma¸ao linear . . . . . . . . .
                   c˜                                c˜                                                      .   .   .   .   62
    6.3 Transforma¸oes injectivas, sobrejectiva e bijectivas – equa¸oes lineares
                    c˜                                             c˜                                        .   .   .   .   66
    6.4 Valores e vectores pr´prios de transforma¸oes lineares . . . . . . . . .
                             o                    c˜                                                         .   .   .   .   70

  7 Algumas Aplica¸oes
                    c˜                                                                                                       71
    7.1 Formas quadr´ticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
                     a                                                                                                       71
    7.2 M´ınimos quadrados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .                                   71
    7.3 Equa¸oes diferenciais ordin´rias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
             c˜                    a                                                                                         71


                                                1
1     Sistemas de Equa¸oes Lineares e C´lculo Matricial
                      c˜               a
1.1    Matrizes
Defini¸˜o 1 Uma matriz A, do tipo m
       ca                                     × n (m por n), ´ uma tabela de mn n´ meros
                                                             e                   u
dispostos em m linhas e n colunas:
                                                                
                                     a11      a12    ···   a1n
                                    a21      a22    ···   a2n   
                                                                
                              A= .            .            .    .
                                    ..        .
                                               .  ···       .
                                                            .    
                                     am1      am2 · · · amn

A linha i de A ´:
               e
                                     ai1 ai2 · · · ain       ,
para cada i = 1, ..., m. A coluna j de A ´:
                                         e
                                                    
                                               a1j
                                          
                                              a2j   
                                                     
                                               .
                                                .    
                                               .    
                                              amj

para cada j = 1, ..., n. Usa-se tamb´m a nota¸ao A = (aij )m×n na qual aij ´ a entrada (i, j)
                                    e        c˜                            e
da matriz A.
   Se m = n, diz-se que A ´ uma matriz quadrada do tipo n × n e as entradas a11 , a22 , ...,
                             e
ann formam a chamada diagonal principal de A.



Exemplo 1 As matrizes
                                                                               
                                                                              4
                 1 −1               1 2 3 4                                  3 
         A=               , B=                           , C=    0 0 7   eD= 
                −2 2                2 0 −2 0                                 2 
                                                                              1

s˜o dos seguintes tipos: A ´ 2 × 2, B ´ 2 × 4, C ´ 1 × 3, A ´ 4 × 1. Tem-se, por exemplo,
 a                          e         e          e          e
a21 = −2, b13 = 3, c12 = 0 e d41 = 1.



Observa¸˜o 1 Uma matriz (real) A do tipo m × n ´ uma aplica¸ao:
       ca                                      e           c˜

                              A : {1, ..., m} × {1, ..., n} −→ R
                                            (i, j) −→ aij



Nota¸˜o 1 O conjunto de todas as matrizes reais do tipo m×n ´ denotado por Matm×n (R).
    ca                                                      e

                                               2
Defini¸˜o 2 Duas matrizes s˜o iguais se forem do mesmo tipo e se as entradas corres-
       ca                           a
pondentes forem iguais, isto ´, A = (aij )m×n e B = (bij )p×q s˜o iguais se m = p, n = q e
                                  e                            a
aij = bij , para i = 1, ..., m e j = 1, ..., n.


Defini¸˜o 3 A soma de duas matrizes do mesmo tipo A = (aij )m×n e B = (bij )m×n ´ a
       ca                                                                      e
matriz
                           A + B = (aij + bij )m×n .


Exemplo 2 Sejam
                                                               
                                                            −1                                        √
              1 4 −1               0 −3 2
     A=                   ,B=                      , C =  −1/2  e D =                      −2        3 .
             −3 2 6                4 −1 −5
                                                            2
                   1 1 1
Tem-se A + B =               e n˜o ´ poss´ somar C com D.
                                a e      ıvel
                   1 1 1


Defini¸˜o 4 O produto de um escalar (n´ mero) α por uma matriz A = (aij )m×n ´ a
       ca                            u                                      e
matriz:
                             αA = (αaij )m×n .


Nota¸˜o 2 A matriz (−1)A ser´ denotada por −A.
    ca                      a


                          1 4 −1
Exemplo 3 Seja A =               . Tem-se, por exemplo,
                         −3 2 6
                                          −2 −8 2
                                 −2A =                              .
                                          6 −4 −12


Defini¸˜o 5 O produto AB de duas matrizes A e B s´ pode ser efectuado se o n´ mero
       ca                                               o                          u
de colunas da 1a matriz, A, fˆr igual ao n´ mero de linhas da 2a matriz, B. Nesse caso, o
                             o            u
produto AB de A = (aij )m×p por B = (bij )p×n ´ definido por:
                                              e
                                           p
                                  AB =          aik bkj         ,
                                          k=1             m×n

isto ´,
      e
                                                                     p                              p
                                                                                                                   
   a11 a12   ···   a1p                                                    a1k bk1        ···              a1k bkn 
 .                 .  b11      · · · b1j · · · b1n   
 .  .       ···    . 
                    .                                             k=1                               k=1           
                        b21   · · · b2j · · · b2n  
                                                                            ···
                                                                                       p
                                                                                            aik bkj         ···
                                                                                                                    
 ai1 ai2    ···   aip   .            .         . =                                                             
                    .  .       ··· . ··· .  
 .                         .           .         .                                   k=1
                                                                                                                    
 .  .       ···    . 
                    .
                                                       
                                                                    p                                 p
                                                                                                                    
                                                                                                                    
                           bp1   · · · bpj · · · bpn                        amk bk1        ···              amk bkn
   am1 am2   ···   amp                                              k=1                               k=1


                                               3
Exemplo 4 Sejam A, B, C e D as matrizes do exemplo 2. N˜o ´ poss´ efectuar, por
                                                        a e     ıvel
exemplo, AB. No entanto, tem-se:
                                                    √ 
                                               2   − 3
                                                    √
                            −5
                    AC =         e CD =  1 − √       3/2  .
                            14
                                              −4 2 3



Observa¸˜o 2 O produto de matrizes n˜o ´ comutativo. Por exemplo, para
       ca                           a e

             0 1             0 −1                      1 0               −1 0
      A=            eB=               tem-se AB =              e BA =             .
             1 0             1 0                       0 −1               0 1

Logo AB = BA.



Defini¸˜o 6 A transposta de uma matriz A = (aij )m×n ´ a matriz
     ca                                             e

                                     AT = (aji )n×m

que se obtem trocando as linhas com as colunas de A.



Exemplo 5 Sejam A e C as matrizes do exemplo 2. Tem-se
                               
                         1 −3
                                                       1
                AT =  4     2       e   C T = −1 −     2           .
                        −1 6                           2



Teorema 1 Sejam A, B, C e D matrizes de tipos apropriados, α e β escalares. S˜o v´lidas
                                                                             a a
as seguintes propriedades para as opera¸oes matriciais.
                                       c˜

   (a) (Comutatividade da soma) A + B = B + A.

   (b) (Associatividade da soma) A + (B + C) = (A + B) + C.

   (c) (Elemento neutro da soma) Existe uma unica matriz 0 do tipo m×n tal que A+0 = A,
                                            ´
para toda a matriz A do tipo m × n. A ` matriz 0, cujas entradas s˜o todas iguais a zero,
                                                                   a
chama-se matriz nula.

  (d) (Sim´trico) Para cada matriz A existe uma unica matriz B tal que A + B = 0. Esta
           e                                    ´
matriz B denota-se por −A.

   (e) (Associatividade do produto por escalares) α (βA) = (αβ) A.

   (f ) (Distributividade) (α + β) A = αA + βA.

                                           4
(g) (Distributividade) α (A + B) = αA + αB.

   (h) (Associatividade do produto de matrizes) A (BC) = (AB) C.

   (i) (Distributividade) A (B + C) = AB + AC         e (B + C) D = BD + CD.

   (j) α (AB) = (αA) B = A (αB).
             T
   (k) AT        = A.

   (l) (A + B)T = AT + B T .

   (m) (αA)T = αAT .

   (n) (AB)T = B T AT .

   (o) (A1 A2 ...An )T = AT ...AT AT , com A1 , A2 , ..., An matrizes de tipos apropriados.
                          n     2 1

       `
   (p) A matriz, do tipo n × n,
                                                        
                                               1 0 ··· 0
                                           
                                              0 1 ··· 0 
                                                         
                                         I=   .
                                               .   .. . 
                                                       . 
                                              .     . .
                                               0 0 ··· 1

chama-se matriz identidade (de ordem n) e ´ tal que
                                          e

                                    AI = A       e   IB = B,

para todas as matrizes A = (aij )m×n e B = (bij )n×m .


Defini¸˜o 7 (i) A diferen¸a entre duas matrizes A e B do mesmo tipo ´ definida por
     ca                 c                                          e

                                         A − B = A + (−B),

ou seja, ´ a soma de A com o sim´trico de B.
         e                      e

   (ii) Sejam A uma matriz do tipo n × n e p ∈ N. A potˆncia p de A ´ definida por
                                                       e            e

                        Ap = A...A e para p = 0 define-se A0 = I.
                               p vezes

         `
   (iii) A matriz do tipo n × n
                                                          
                                         a11 0 · · · 0
                                     
                                         0 a22 · · · 0    
                                                           
                                         .
                                          .      ..   .
                                                      .    ,
                                         .         . .    
                                          0  0 · · · ann

cujas entradas fora da diagonal principal s˜o nulas, chama-se matriz diagonal.
                                           a

                                                 5
Observa¸˜o 3 Tem-se: 1A = A, 0A = 0, A + A = 2A, A + . . . + A = nA.
       ca
                                                                       n vezes




Defini¸˜o 8 (i) Seja A = (aij )n×n uma matriz do tipo n × n. Diz-se que A ´ sim´trica se
        ca                                                                        e     e
A = A , isto ´, se aij = aji , para i, j = 1, ..., n. Diz-se que A ´ anti-sim´trica se A = −AT ,
        T
               e                                                   e         e
isto ´, se aij = −aji , para i, j = 1, ..., n.
     e



1.2      Sistemas de Equa¸oes Lineares
                         c˜
Defini¸˜o 9 Uma equa¸˜o linear com n inc´gnitas x1 , x2 , ..., xn ´ uma equa¸ao da forma
     ca            ca                  o                         e         c˜

                                  a1 x1 + a2 x2 + ... + an xn = b,

em que a1 , a2 , ..., an e b s˜o constantes (reais ou complexos).
                              a


Defini¸˜o 10 Um sistema de m equa¸oes lineares com n inc´gnitas ´ um conjunto de
       ca                           c˜                         o e
equa¸oes da forma
    c˜                  
                         a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = b1
                        
                        
                           a21 x1 + a22 x2 + ... + a2n xn = b2
                    (∗)
                        
                                          ...
                        
                          am1 x1 + am2 x2 + ... + amn xn = bm
em que aij e bk s˜o constantes (reais ou complexos), para i, k = 1, ..., m e j = 1, ..., n.
                 a


Observa¸˜o 4 Usando o produto de matrizes definido na sec¸ao anterior, o sistema linear
        ca                                              c˜
acima pode ser escrito como uma equa¸ao matricial
                                    c˜

                                                AX = B,

em que
                                                                                       
                    a11   a12   ···   a1n                     x1                       b1
             
                   a21   a22   ···   a2n   
                                            
                                                     
                                                             x2   
                                                                   
                                                                                   
                                                                                      b2   
                                                                                            
           A=       .
                     .     .
                           .           .
                                       .    ,     X=         .
                                                               .       e        B=    .
                                                                                        .   .
                    .     .···        .                     .                      .   
                    am1 am2 · · · amn                         xn                       bm

A matriz A ´ a matriz dos coeficientes do sistema, X ´ a matriz coluna das inc´gnitas
           e                                            e                        o
e B ´ a matriz coluna dos termos independentes. Uma solu¸ao do sistema linear (∗) ´ uma
    e                                                    c˜                       e
matriz                                         
                                             s1
                                           s2 
                                               
                                      S= .  . 
                                           .
                                            sn

                                                   6
tal que as equa¸oes do sistema s˜o satisfeitas quando substitu´
               c˜               a                             ımos
                               x1 = s1 , x2 = s2 , ..., xn = sn .
Ao conjunto de todas as solu¸oes do sistema chama-se conjunto solu¸ao ou solu¸ao geral do
                            c˜                                    c˜         c˜
sistema.


Exemplo 6 O sistema linear de duas equa¸oes e duas inc´gnitas
                                       c˜             o
                                           x + 2y = 1
                                           2x + y = 0
pode ser escrito do seguinte modo:
                                     1 2      x          1
                                                   =          .
                                     2 1      y          0

                                                                                   −1/3
A solu¸ao (geral) do sistema acima ´ x = −1/3 e y = 2/3 (verifique!), isto ´, X =
      c˜                           e                                      e             .
                                                                                    2/3


Observa¸˜o 5 De modo a facilitar a resolu¸ao de um sistema linear, este pode ser sempre
         ca                                c˜
substitu´ por outro que tenha o mesmo conjunto solu¸ao. Esse outro ´ obtido depois
        ıdo                                              c˜                e
de aplicar sucessivamente opera¸oes sobre as equa¸oes do sistema inicial que n˜o alterem a
                               c˜                c˜                           a
solu¸ao do mesmo. As opera¸oes s˜o:
    c˜                      c˜    a

   - Trocar a posi¸ao de duas equa¸oes do sistema;
                  c˜               c˜
   - Multiplicar uma equa¸ao por um escalar diferente de zero;
                          c˜
   - Somar a uma equa¸ao um m´ ltiplo escalar de outra equa¸ao.
                       c˜        u                          c˜

   Estas s˜o as chamadas opera¸oes elementares. Quando aplicamos opera¸oes elementares
           a                    c˜                                      c˜
as equa¸oes de um sistema linear, s´ os coeficientes e os termos independentes do sistema
`       c˜                          o
s˜o alterados. Assim, podemos aplicar as opera¸oes a matriz
 a                                            c˜ `
                                                              
                                     a11 a12 · · · a1n | b1
                                   a21 a22 · · · a2n | b2 
                                                              
                        [A | B] =  .     .          .    . . ,
                                   . .   . ···
                                          .          .
                                                     .    . . 
                                                          . .
                                    am1 am2 · · · amn | bm
a qual se d´ o nome de matriz aumentada do sistema.
`          a

Defini¸˜o 11 As opera¸oes elementares que podem ser aplicadas as linhas de uma matriz
       ca           c˜                                       `
s˜o as seguintes:
 a

   (i) Trocar a posi¸ao de duas linhas da matriz;
                    c˜

   (ii) Multiplicar uma linha da matriz por um escalar diferente de zero;

   (iii) Somar a uma linha da matriz um m´ ltiplo escalar de outra linha.
                                         u

                                               7
Teorema 2 Se dois sistemas lineares AX = B e CX = D s˜o tais que a matriz aumentada
                                                          a
[C | D] ´ obtida de [A | B] atrav´s de uma opera¸ao elementar, ent˜o os dois sistemas tˆm
        e                        e              c˜                a                    e
o mesmo conjunto solu¸ao, isto ´, s˜o equivalentes.
                       c˜       e a



Observa¸˜o 6 O m´todo que iremos usar para resolver sistemas lineares consiste na aplica¸ao
         ca        e                                                                      c˜
de opera¸oes elementares as linhas da matriz aumentada do sistema de modo a obter uma
        c˜               `
matriz em escada de linhas em rela¸ao a qual o sistema associado seja de f´cil resolu¸ao.
                                  c˜ `                                    a          c˜



Defini¸˜o 12 Uma matriz A = (aij )m×n diz-se em escada de linhas se:
     ca

   (i) Todas as linhas nulas (formadas inteiramente por zeros) est˜o por baixo das linhas
                                                                  a
n˜o nulas;
 a

   (ii) Por baixo (e na mesma coluna) do primeiro elemento n˜o nulo de cada linha e por
                                                            a
baixo dos elementos nulos anteriores da mesma linha, todas as entradas s˜o nulas. Esse
                                                                        a
primeiro elemento n˜o nulo de cada linha tem o nome de pivot.
                    a



Defini¸˜o 13 Seja A uma matriz em escada de linhas. Ao no de pivots de A matriz, isto
       ca
       o
´, ao n de linhas n˜o nulas de A, d´-se o nome de caracter´
e                  a               a                       ıstica de A, car A. Se A fˆr a
                                                                                      o
matriz em escada de linhas obtida de C atrav´s de opera¸oes elementares ent˜o diz-se que a
                                            e          c˜                  a
caracter´ıstica de C ´ car A, tendo-se car C = car A. Temos que carA =carA T .
                      e



Exemplo 7 As seguintes matrizes est˜o em escada de linhas:
                                   a
                                                                    
                                                    2 −1 2 1/2 0 √0
                                                  0 0 −3 1 0      2 
           4 −1             0 1 3 0                                 
     A=            , B=                    , C= 0 0       0 0 0 −5  .
           0 0              0 0 −5 1             
                                                  0 0
                                                                     
                                                           0 0 0 0 
                                                    0 0    0 0 0 0

Pivot de A: 4. Pivots de B: 1, −5. Pivots de C: 2, −3, −5.
   car A = 1, car B = 2 e car C = 3.



Defini¸˜o 14 O m´todo de resolver sistemas lineares que consiste em aplicar opera¸oes
      ca            e                                                               c˜
elementares as linhas da matriz aumentada do respectivo sistema de modo a que essa matriz
            `
fique em escada de linhas, chama-se m´todo de elimina¸˜o de Gauss1 .
                                      e                  ca


  1
      Johann Carl Friedrich Gauss 1777-1855

                                              8
Exemplo 8 O sistema linear         
                                    x+z =3
                                   
                                   
                                   
                                   
                                     x + 2y + 2z = 6
                                   
                                   
                                   
                                   
                                   
                                     3y + 3z = 6
na forma matricial ´
                   e                    
                                1 0 1    x       3
                               1 2 2  y  =  6 .
                                0 3 3    z       6
Consideremos   ent˜o a matriz aumentada e
                  a                          o consequente m´todo de elimina¸ao de Gauss:
                                                               e              c˜
                                                                              
        1 0    1 | 3                   1 0    1 | 3                     1 0 1 | 3
      1 2     2 | 6       −→        0 2    1 | 3  3 −→             0 2 1 | 3 .
                         −L1 +L2 →L2                   − 2 L2 +L3 →L3       3    3
        0 3    3 | 6                   0 3    3 | 6                     0 0 2 | 2
Logo,                                        
                                x+z =3
                                              x=2
                                              
                               
                                             
                                              
                                             
                                 2y + z = 3 ⇔   y=1
                               
                                             
                                              
                               
                                3            
                                              
                                       3     
                                   2
                                     z=2        z = 1.

   Neste exemplo o sistema tem solu¸˜o unica e diz-se poss´
                                   ca ´                   ıvel e determinado.


Exemplo 9 O sistema linear
                         
                          3z − 9w = 6
                         
                         
                         
                         
                           5x + 15y − 10z + 40w = −45
                         
                         
                         
                         
                         
                           x + 3y − z + 5w = −7
´ equivalente a
e                                                
                                         x         
                          0 0   3 −9               6
                         5 15 −10 40   y  =  −45  .
                                            
                                         z 
                          1 3 −1 5                 −7
                                          w
Consideremos ent˜o a matriz aumentada e o consequente m´todo de elimina¸ao de Gauss:
                a                                      e                c˜
                                                                   
            0 0      3 −9 | 6                     1 3 −1 5 | −7
           5 15 −10 40 | −45  −→  1 3 −2 8 | −9                        −→
                                         L1 ↔L3                         −L1 +L2 →L2
            1 3 −1 5 | −7               1
                                          L →L2
                                                  0 0 3 −9 | 6
                                        5 2
                                                                
            1 3 −1 5 | −7                         1 3 −1 5 | −7
     −→  0 0 −1 3 | −2               −→        0 0 −1 3 | −2  .
                                   3L2 +L3 →L3
            0 0 3 −9 | 6                          0 0 0 0 | 0

                                              9
Logo,                                              
                     x + 3y − z + 5w = −7           x = −3y − 2w − 5
                                                ⇔
                                                   
                           −z + 3w = −2                   z = 3w + 2.
As inc´gnitas y e w s˜o livres e as inc´gnitas x e z s˜o n˜o livres. A solu¸ao geral do sistema
      o              a                 o              a a                  c˜
´:
e                                                            
                                      x         −3y − 2w − 5
                                    y               y        
                             X=         =
                                    z  
                                                                ,
                                                    3w + 2      
                                      w                w
para quaisquer y, w ∈ R, isto ´, o conjunto solu¸ao ´ dado por:
                              e                 c˜ e

                        S = {(−3y − 2w − 5, y, 3w + 2, w) : y, w ∈ R} .

Neste exemplo o sistema tem infinitas solu¸oes e diz-se poss´
                                         c˜                ıvel e indeterminado.



Exemplo 10 Seja a ∈ R. O sistema linear
                             
                              x + 2y + z = 3
                             
                             
                             
                             
                               x+y−z =2
                             
                             
                             
                             
                             
                               x + y + (a2 − 5) z = a

´ equivalente a
e                                            
                                1 2    1     x      3
                               1 1  −1   y  =  2  .
                                1 1 a2 − 5   z      a
Consideremos ent˜o a matriz aumentada e o consequente m´todo de elimina¸ao de Gauss:
                a                                       e               c˜
                                                                                 
  1 2     1    3                  1 2     1      3                   1 2     1      3
 1 1    −1    2      −→        0 −1   −2     −1       −→        0 −1   −2     −1  .
                    −L1 +L2 →L2                        −L2 +L3 →L3
  1 1 a2 − 5 a −L1 +L3 →L3 0 −1 a2 − 6 a − 3                         0 0 a2 − 4 a − 2

Se a = 2, ent˜o o sistema ´ poss´ e indeterminado:
             a            e     ıvel
                                             
                           x + 2y + z = 3     x = 3z + 1
                                           ⇔
                                             
                             −y − 2z = −1       y = −2z + 1,

a inc´gnita z ´ livre, as inc´gnitas x e y s˜o n˜o livres e a solu¸ao geral do sistema ´
     o        e              o              a a                   c˜                   e
                                                          
                                         x          3z + 1
                                 X =  y  =  −2z + 1  ,
                                         z             z


                                              10
para qualquer z ∈ R, isto ´, o conjunto solu¸ao ´ dado por:
                          e                 c˜ e

                            S = {(3z + 1, −2z + 1, z) : z ∈ R} .

Assim, se a = 2, o sistema tem infinitas solu¸oes e diz-se poss´
                                             c˜                 ıvel e indeterminado.
   Se a = −2, o sistema n˜o tem solu¸˜o e diz-se imposs´
                           a          ca                   ıvel.
   Se a = −2 e a = 2, o sistema tem a solu¸˜o unica:
                                          ca ´
                                                         
                                   x        (a + 5)/(a + 2)
                             X = y =        a/(a + 2)    
                                   z           1/(a + 2)

e diz-se poss´
             ıvel e determinado.




Observa¸˜o 7 Seja [A | B] a matriz aumentada associada a um sistema linear com n
         ca
inc´gnitas.
   o

   (i) Se car A = car [A | B] = n ent˜o o sistema ´ poss´
                                     a            e     ıvel e determinado (tem uma
unica solu¸ao).
´         c˜

    (ii) Se car A = car [A | B] < n ent˜o o sistema ´ poss´
                                       a            e     ıvel e indeterminado (tem um
no infinito de solu¸oes).
                  c˜

   (iii) Se car A < car [A | B] ent˜o o sistema ´ imposs´
                                   a            e       ıvel (n˜o tem solu¸ao).
                                                               a          c˜

    (iv) Podemos escolher como inc´gnitas livres (podem tomar valores arbitr´rios) do
                                    o                                       a
sistema aquelas que correspondem as colunas, que n˜o contenham pivots, da matriz em
                                    `                a
escada de linhas obtida de A atrav´s de opera¸oes elementares.
                                  e          c˜

   (v) As inc´gnitas n˜o livres do sistema s˜o aquelas que correspondem as colunas,
             o         a                    a                             `
que contenham pivots, da matriz em escada de linhas obtida de A atrav´s de opera¸oes
                                                                     e          c˜
elementares.

   (vi) car A = no de linhas n˜o nulas da matriz em escada de linhas obtida de A = no de
                              a
          o
pivots = n de inc´gnitas n˜o livres.
                 o        a



Teorema 3 Sejam A uma matriz do tipo m × n e B uma matriz do tipo m × 1. Se o sistema
linear AX = B tem duas solu¸oes distintas X0 e X1 (X0 = X1 ), ent˜o ter´ infinitas solu¸oes.
                           c˜                                    a     a              c˜


   Dem. Basta verificar que Xλ = (1 − λ) X0 + λX1 ´ solu¸ao do sistema AX = B, para
                                                 e     c˜
qualquer λ ∈ R.




                                            11
Defini¸˜o 15 Um sistema linear da forma
     ca
                       
                        a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = 0
                       
                       
                           a21 x1 + a22 x2 + ... + a2n xn = 0
                       
                                          ...
                       
                          am1 x1 + am2 x2 + ... + amn xn = 0
tem o nome de sistema linear homog´neo. Este sistema poder ser escrito na forma
                                  e
AX = 0.
   Todo o sistema linear homog´neo admite
                              e             pelo menos a solu¸˜o trivial:
                                                             ca
                                             
                                       x1          0
                                      x2     0 
                                             
                                X = .       =  . .
                                      ..     . .
                                       xn          0
Assim, todo o sistema linear homog´neo tem solu¸ao. Al´m disso, ou tem apenas a solu¸ao
                                  e            c˜     e                             c˜
trivial ou tem infinitas solu¸oes.
                            c˜

Teorema 4 Se A = (aij )m×n ´ tal que m < n, ent˜o o sistema linear homog´neo AX = 0
                           e                   a                        e
tem infinitas solu¸oes.
                 c˜

    Dem. Como o sistema tem menos equa¸oes do que inc´gnitas (m < n), o no de linhas
                                            c˜              o
n˜o nulas r da matriz em escada de linhas obtida da matriz aumentada do sistema tamb´m
  a                                                                                    e
´ tal que r < n. Assim, r pivots e n − r inc´gnitas livres as quais podem assumir qualquer
e                                           o
valor real. Logo, o sistema linear homog´neo AX = 0 tem infinitas solu¸oes.
                                        e                               c˜

Teorema 5 Sejam A = (aij )m×n e α, β ∈ R.

   (i) Se X e Y s˜o solu¸oes do sistema AX = 0, ent˜o X + Y tamb´m o ´.
                 a      c˜                         a            e    e

   (ii) Se X ´ solu¸ao do sistema AX = 0, ent˜o αX tamb´m o ´.
             e     c˜                        a         e    e

   (iii) Se X e Y s˜o solu¸oes do sistema AX = 0, ent˜o αX + βY tamb´m o ´.
                   a      c˜                         a              e    e

Teorema 6 Seja A uma matriz do tipo m × n e B = 0 uma matriz do tipo m × 1. Qualquer
solu¸ao X do sistema AX = B escreve-se na forma X = X0 + Y onde X0 ´ uma solu¸ao
    c˜                                                                e          c˜
particular do sistema AX = B e Y ´ uma solu¸ao do sistema homog´neo AX = 0. Assim:
                                 e         c˜                  e
          solu¸ao geral de
              c˜                  solu¸ao particular de
                                      c˜                        solu¸ao geral de
                                                                    c˜
                             =                            +                        .
              AX = B                     AX = B                     AX = 0

   Dem. Sendo X0 uma solu¸ao particular do sistema AX = B, basta escrever
                         c˜
                                   X = X0 + (X − X0 )
e mostrar que X − X0 ´ solu¸ao do sistema homog´neo AX = 0.
                     e     c˜                  e


                                            12
1.3    Matrizes Elementares
Defini¸˜o 16 Uma matriz elementar do tipo n × n ´ uma matriz obtida da matriz iden-
       ca                                         e
tidade I atrav´s de uma unica opera¸ao elementar.
              e         ´          c˜

   (i) A matriz Pij , chamada matriz de permuta¸˜o, ´ a matriz elementar obtida por
                                                    ca e
troca da linha i com a linha j da matriz I. Tem-se:
                                                                   
                          1 0 ···                   ··· 0
                       0 ... ...                        .
                                                         .          
                                                        .          
                       . .                                         
                       . .. 1
                       .
                                                                    
                                                                    
                      
                                 0          1                      
                                                                     ←i
                      
                                   1                               
                                                                    
                      
                Pij =                ..                            
                                                                         .
                                         .                          
                                                                   
                      
                                          1                        
                                                                    
                                 1          0                       ←j
                                                                   
                                                    .. .
                                                       . .
                                                                   
                                               1        .          
                       .                      ..   ..              
                       .
                        .                         .    . 0          
                        0 ···                  ··· 0 1


   (ii) A matriz Ei (α) ´ a matriz elementar obtida da matriz I atrav´s do produto do escalar
                        e                                            e
α = 0 pela linha i da matriz I. Tem-se:
                                                              
                                  1 0 ···               ··· 0
                                                             . 
                                0 ... ...                   . 
                               
                                .                           . 
                                . ...                         
                                .         1                   
                                                              
                      Ei (α) =                α                ←i .
                                                       .. . 
                               
                                                   1      . . 
                                                             . 
                                .                 ..   ..     
                                ..                   .    . 0 
                                  0 ···           ··· 0 1


  (iii) A matriz Eij (α) ´ a matriz elementar obtida da matriz I por soma da linha j com
                           e
um m´ ltiplo α da linha i. Tem-se:
     u
                                                             
                                 1 0 ···               ··· 0
                                0 ... ...                  . 
                                                            . 
                                                           .
                                . .                          
                                . .. 1
                                 .                             ←i
                                                             
                               
                     Eij (α) =              ..               
                                                                     .
                                                .             
                                                             
                                                       .. . 
                                                          . .  ←j
                               
                                       α          1        .
                                .                ..   ..     
                                .
                                 .                   .    . 0 
                                 0 ···            ··· 0 1


                                             13
Exemplo 11 As matrizes elementares do tipo 2 × 2 s˜o:
                                                  a


                              0 1                   α 0                    1 0
               P12 = P21 =          , E1 (α) =            , E2 (α) =             ,
                              1 0                   0 1                    0 α
com α = 0,

                                    1 0                      1 α
                        E12 (α) =              e E21 (α) =             .
                                    α 1                      0 1



Teorema 7 Sejam E uma matriz elementar do tipo m × m e A uma matriz qualquer do
tipo m × n. Ent˜o, EA ´ a matriz obtida de A atrav´s da mesma opera¸ao elementar que
                 a        e                          e                 c˜
originou E. Isto ´, aplicar uma opera¸ao elementar a uma matriz corresponde a multiplicar
                 e                   c˜
essa matriz a esquerda por uma matriz elementar.
            `



Exemplo 12 Consideremos a matriz aumentada          do exemplo 9:
                                                          
                           0 0     3 −9              | 6
                          5 15 −10 40               | −45  .
                           1 3 −1 5                  | −7

A opera¸ao elementar:
       c˜
                                                     
              0 0     3 −9 | 6            1 3 −1 5 | −7
            5 15 −10 40 | −45  −→  5 15 −10 40 | −45  ,
                                 L1 ↔L3
              1 3 −1 5 | −7               0 0  3 −9 | 6

corresponde   a seguinte multiplica¸ao (`
              `                    c˜ a     esquerda):
                                                                      
         0    0 1       0 0      3 −9        | 6         1 3 −1 5 | −7
        0    1 0   5 15 −10 40            | −45  =  5 15 −10 40 | −45  .
         1    0 0       1 3 −1 5             | −7        0 0   3 −9 | 6

A opera¸ao elementar:
       c˜
                                                       
              1 3 −1 5 | −7                 1 3 −1 5 | −7
             5 15 −10 40 | −45  −→  1 3 −2 8 | −9  ,
                                  1
                                    L →L2
              0 0     3 −9 | 6    5 2       0 0 3 −9 | 6

corresponde a seguinte multiplica¸ao (` esquerda):
            `                    c˜ a
                                                                
          1 0 0         1 3 −1 5 | −7                  1 3 −1 5 | −7
         0 1/5 0   5 15 −10 40 | −45  =  1 3 −2 8 | −9  .
          0 0 1         0 0       3 −9 | 6             0 0 3 −9 | 6



                                               14
A opera¸ao elementar:
       c˜
                                                       
              1 3 −1 5 | −7                 1 3 −1 5 | −7
             1 3 −2 8 | −9     −→        0 0 −1 3 | −2  ,
                              −L1 +L2 →L2
              0 0 3 −9 | 6                  0 0 3 −9 | 6

corresponde a seguinte multiplica¸ao
            `                    c˜    (` esquerda):
                                        a
                                                                
            1 0 0         1 3 −1        5 | −7         1 3 −1 5 | −7
          −1 1 0   1 3 −2            8 | −9  =  0 0 −1 3 | −2  .
            0 0 1         0 0 3         −9 | 6         0 0 3 −9 | 6

Finalmente, a opera¸ao elementar:
                   c˜
                                                             
                1 3 −1 5 | −7                     1 3 −1 5 | −7
              0 0 −1 3 | −2           −→       0 0 −1 3 | −2  ,
                                    3L2 +L3 →L3
                0 0 3 −9 | 6                      0 0 0 0 | 0

corresponde a seguinte multiplica¸ao
            `                    c˜    (` esquerda):
                                        a
                                                                
              1 0 0       1 3 −1        5 | −7         1 3 −1 5 | −7
            0 1 0   0 0 −1           3 | −2  =  0 0 −1 3 | −2  .
              0 3 1       0 0 3         −9 | 6         0 0 0 0 | 0

Tem-se ent˜o:
          a
                                                                      
                                   0 0   3 −9 | 6          1 3 −1 5 | −7
                        1
  E23 (3) E12 (−1) E2        P13  5 15 −10 40 | −45  =  0 0 −1 3 | −2  .
                        5
                                   1 3 −1 5 | −7           0 0 0 0 | 0

1.4    A matriz inversa
Defini¸˜o 17 Uma matriz A (do tipo n × n) diz-se invert´ se existir uma matriz B (do
       ca                                             ıvel
tipo n × n) tal que
                                  AB = BA = I.
`
A matriz B chama-se matriz inversa de A e denota-se por A−1 .



Observa¸˜o 8 Obviamente que resulta da defini¸ao de matriz inversa o seguinte facto:
          ca                                 c˜
         −1                           −1
sendo A a matriz inversa de A, ent˜o A ´ invert´ e a sua inversa ´ a pr´pria matriz
                                  a      e      ıvel             e     o
             −1 −1
A, isto ´, (A ) = A.
        e



Exemplo 13 As seguintes matrizes s˜o a inversa uma da outra:
                                  a

                                 −2 1             −1/2 1/6
                            A=            e B=                 .
                                  0 3              0   1/3

                                            15
Teorema 8 A inversa de uma matriz ´ unica.
                                  e´


   Dem. Sejam B e C as inversas de A. Ent˜o,
                                         a

                          B = BI = B (AC) = (BA) C = IC = C.



Teorema 9 (i) Se A = (aij )n×n e B = (bij )n×n s˜o duas matrizes invert´
                                                a                      ıveis, ent˜o AB ´
                                                                                 a     e
invert´ e
      ıvel
                                 (AB)−1 = B −1 A−1 .

                                 ıvel, ent˜o AT ´ invert´ e
   (ii) Se A = (aij )n×n ´ invert´
                         e                a     e       ıvel
                                             −1           T
                                      AT          = A−1       .



Defini¸˜o 18 Uma matriz A = (aij )n×n diz-se n˜o singular se ap´s o m´todo de elimina¸ao
       ca                                       a                 o     e                c˜
de Gauss esta fˆr transformada numa matriz triangular superior (matriz cujas entradas
               o
por baixo da diagonal principal s˜o todas nulas) cujas entradas da diagonal principal sejam
                                 a
todas n˜o nulas. Uma matriz A = (aij )n×n diz-se singular se ap´s o m´todo de elimina¸ao
        a                                                        o     e                 c˜
de Gauss existir (pelo menos) uma linha nula na matriz obtida de A.



Teorema 10 Uma matriz A = (aij )n×n ´ invert´ se e s´ se ´ n˜o singular.
                                    e       ıvel    o e a



Teorema 11 Toda a matriz elementar ´ invert´
                                   e       ıvel e a respectiva inversa ´ tamb´m uma
                                                                       e     e
matriz elementar. Tem-se:

   (i) (Pij )−1 = Pij .

   (ii) (Ei (α))−1 = Ei (1/α), para α = 0.

   (iii) (Eij (α))−1 = Eij (−α).



Teorema 12 (Factoriza¸˜o triangular). Seja A uma matriz n˜o singular do tipo n × n.
                           ca                                     a
Ent˜o ou A admite a factoriza¸ao unica A = LDU ou existe uma matriz de permuta¸ao P
    a                           c˜ ´                                                  c˜
tal que P A admite a factoriza¸ao unica P A = LDU , onde L e U s˜o respectivamente uma
                                c˜ ´                                a
matriz triangular inferior e uma matriz triangular superior com as entradas das diagonais
principais todas iguais a 1, e D ´ uma matriz diagonal com as entradas da diagonal principal
                                 e
todas n˜o nulas.
        a



                                                  16
Observa¸˜o 9 As entradas da diagonal principal da matriz D do teorema 12 s˜o os pivots
         ca                                                               a
que resultam da aplica¸ao do m´todo de elimina¸ao de Gauss a matriz A.
                      c˜      e               c˜           `


                               
                          1 1 1
Exemplo 14 Seja A =  2 1 4 . Tem-se:
                          2 3 5
                                                             
                                   1 1 1        1 0 0      1 1 1
      E23 (1)E13 (−2)E12 (−2)A =  0 −1 2  =  0 −1 0   0 1 −2  .
                                   0 0 5        0 0 5      0 0 1

Logo,                                                                  
                                                        1 0 0      1 1 1
            A = (E12 (−2))−1 (E13 (−2))−1 (E23 (1))−1  0 −1 0   0 1 −2  .
                                                        0 0 5      0 0 1
Isto ´,
     e                                                        
                                               1 0 0      1 1 1
                  A = E12 (2)E13 (2)E23 (−1)  0 −1 0   0 1 −2  ,
                                               0 0 5      0 0 1
ou ainda,
                                       A = LDU ,
com
                                                               
                                                     1      0 0
                      L = E12 (2)E13 (2)E23 (−1) =  2      1 0 ,
                                                     2     −1 1
                                                              
                            1 0 0                     1     1 1
                      D =  0 −1 0  e U =  0              1 −2  .
                            0 0 5                     0     0 1



Observa¸˜o 10 Uma matriz A ´ invert´
        ca                 e       ıvel se e s´ se fˆr igual ao produto de matrizes
                                              o     o
elementares.



Teorema 13 Seja A uma matriz do tipo n × n.

   (i) O sistema associado a AX = B tem solu¸ao unica se e s´ se A fˆr invert´
                                            c˜ ´            o       o        ıvel. Neste
                       −1
caso a solu¸ao ´ X = A B.
           c˜ e

   (ii) O sistema homog´neo AX = 0 tem solu¸ao n˜o trivial se e s´ se A fˆr singular (n˜o
                       e                   c˜ a                  o       o             a
invert´
      ıvel).



                                           17
Teorema 14 Sejam A e B duas matrizes do tipo n × n. Se AB ´ invert´
                                                          e       ıvel, ent˜o A e B
                                                                           a
s˜o invert´
 a        ıveis.


   Dem. Considere o sistema (AB) X = 0. Se B n˜o fosse invert´
                                                    a             ıvel, ent˜o pelo teorema
                                                                           a
13 existiria X = 0 tal que BX = 0. Logo, X = 0 seria solu¸ao n˜o trivial de ABX = 0, o
                                                          c˜ a
que contraria o teorema 13 uma vez que por hip´tese AB ´ invert´
                                              o        e       ıvel. Assim, B ´ invert´
                                                                               e       ıvel.
                                                                                       −1
Finalmente, A ´ invert´ por ser o produto de duas matrizes invert´
               e       ıvel                                        ıveis: A = (AB) B .


Observa¸˜o 11 (Como inverter matrizes do tipo n × n). Seja A uma matriz do tipo
         ca
n × n e consideremos a equa¸ao AX = B. Se A fˆr invert´
                           c˜                o        ıvel temos

                                    AX = B ⇔ X = A−1 B,

isto ´,
     e
                                    AX = IB ⇔ IX = A−1 B.
Assim, para determinar a inversa de A, iremos transformar a matriz aumentada [A | I] na
matriz [I | A−1 ], por meio de opera¸oes elementares aplicadas as linhas de [A | I]. Este
                                    c˜                         `
m´todo tem o nome de m´todo de elimina¸˜o de Gauss-Jordan2 e consistir´ na conti-
  e                       e                  ca                                a
nua¸ao do m´todo de elimina¸ao de Gauss agora aplicado a [matriz triangular superior | ∗],
    c˜       e               c˜
efectuando-se as elimina¸oes de baixo para cima de modo a obter-se [I | A−1 ].
                        c˜


                                  
                          1 1 1
Exemplo 15 (i) Seja A =  2 1 4 . Tem-se
                          2 3 5
                                                                       
              1 1 1 | 1 0 0                       1 1 1 | 1 0 0
  [A | I] =  2 1 4 | 0 1 0          −→        0 −1 2 | −2 1 0               −→
                                 −2L1 +L2 −→L2                              L2 +L3 −→L3
              2 3 5 | 0 0 1 −2L1 +L3 −→L3 0 1 3 | −2 0 1
                                                                       
        1 1 1 | 1 0 0                      1 1 1 |        1       0     0
 −→  0 −1 2 | −2 1 0  1 −→  0 −1 2 | −2                        1     0       −→
                               L3 −→L3                                      −2L3 +L2 −→L2
        0 0 5 | −4 1 1       5             0 0 1 | −4/5 1/5 1/5             −L3 +L1 −→L1
                                                        
                      1 1 0 | 9/5 −1/5 −1/5
                 −→  0 −1 0 | −2/5 3/5 −2/5                   −→
                                                            L2 +L1 −→L1
                      0 0 1 | −4/5 1/5              1/5
                                                        
                        1 0 0 | 7/5 2/5 −3/5
                  −→  0 −1 0 | −2/5 3/5 −2/5  −→
                                                            −L2 −→L2
                        0 0 1 | −4/5 1/5 1/5
                                                             
                           1 0 0 | 7/5           2/5 −3/5
                     −→  0 1 0 | 2/5 −3/5 2/5  .
                           0 0 1 | −4/5 1/5             1/5
   2
       Wilhelm Jordan 1842 – 1899

                                             18
           
                     1 2 3
     (ii) Seja A =  1 1 2         . Tem-se
                     0 1 1
                                                                       
                1 2 3 | 1           0 0                  1 2   3 | 1 0 0
    [A | I] =  1 1 2 | 0           1 0      −→        0 −1 −1 | −1 1 0      −→
                                          −L1 +L2 −→L2                      L2 +L3 −→L3
                0 1 1 | 0           0 1                  0 1   1 | 0 0 1
                                                        
                                        1 2   3 | 1 0 0
                                   −→  0 −1 −1 | −1 1 0  .
                                        0 0   0 | −1 1 1
Logo, A ´ singular e como tal n˜o ´ invert´
        e                      a e        ıvel.




2         Determinante

Defini¸˜o 19 Dados os n´ meros naturais 1, 2, ..., n chama-se permuta¸˜o desses n n´ meros
       ca                u                                          ca            u
a qualquer lista em em que os mesmos sejam apresentados por ordem arbitr´ria.
                                                                         a



Defini¸˜o 20 Seja (i1 i2 ...in ) uma permuta¸ao dos n´ meros naturais 1, 2, ..., n. Diz-se que
      ca                                    c˜          u
um par (ij ik ) ´ uma invers˜o quando (j − k) (ij − ik ) < 0 (isto ´, quando ij e ik aparecerem
                e           a                                      e
na permuta¸ao por ordem decrescente).
            c˜



       ca                     c˜                      ımpar) quando o no m´ximo de in-
Defini¸˜o 21 Uma permuta¸ao (i1 i2 ...in ) diz-se par (´                   a
vers˜es inclu´
    o        ıdas fˆr par (´
                   o       ımpar).




Exemplo 16 A permuta¸ao (21453) ´ ´
                    c˜          e ımpar pois contem as invers˜es (21), (43) e (53).
                                                             o



Defini¸˜o 22 Seja A ∈ Matn×n (R). Chama-se determinante3 de A, e escreve-se |A| ou
       ca
det A, o n´ mero que se obtem do seguinte modo:
          u

   (i) Formam-se todos os produtos poss´ıveis de n factores em que intervenha um elemento
de cada linha e, simultaneamente, um elemento de cada coluna de A.
    3
        O Determinante de uma matriz foi pela primeira vez considerado por Talakazu Seki 1642–1708




                                                     19
(ii) Afecta-se cada produto do sinal + ou do sinal − conforme as permuta¸oes (dos
                                                                                  c˜
n´ meros naturais 1, 2, ..., n) que figuram nos ´
 u                                             ındices de linha e de coluna tenham a mesma
paridade ou n˜o.
             a

   (iii) Somam-se as parcelas obtidas.

   Em resumo:
                        |A| =                            (−1)σ a1j1 a2j2 ...anjn ,
                                      (j1 j2 ...jn )
                                 permuta¸ao de 1,2,...,n
                                        c˜
em que                              
                                     0 se (j1 j2 ...jn ) ´ par
                                                          e
                              σ=
                                    
                                         1 se (j1 j2 ...jn ) ´ ´
                                                             e ımpar.



Observa¸˜o 12 Podemos ainda escrever de modo equivalente:
       ca


                         |A| =                             (−1)σ ai1 1 ai2 2 ...ain n ,
                                      (i1 i2 ...in )
                                 permuta¸ao de 1,2,...,n
                                        c˜
em que
                                     
                                      0 se (i1 i2 ...in ) ´ par
                                                           e
                              σ=
                                     
                                         1 se (i1 i2 ...in ) ´ ´
                                                             e ımpar.



Teorema 15 Seja A ∈ Mat2×2 (R). Ent˜o
                                   a

                                        a11 a12
                            |A| =                     = a11 a22 − a12 a21 .
                                        a21 a22

   (ii) Seja A ∈ Mat3×3 (R). Ent˜o
                                a


         a11 a12 a13
|A| =    a21 a22 a23   = a11 a22 a33 + a12 a23 a31 + a21 a32 a13 − a13 a22 a31 − a12 a21 a33 − a11 a23 a32 .
         a31 a32 a33



Observa¸˜o 13 Se A ∈ Matn×n (R) ent˜o |A| tem n! parcelas, pelo que p.ex. se aplicarmos
         ca                          a
a defini¸ao de determinante a uma matriz 4 × 4, teremos 4! = 24 parcelas.
       c˜



                                                    20
Exemplo 17 (i)
                                 1 −1
                                         = 1(−2) − (−1)2 = 0.
                                 2 −2
   (ii)
               1 2  1
               3 −1 2         = 1(−1)(−3) + 3 + 8 − 1(−1)2 − 6(−3) − 2 = 32.
               2 1 −3



Teorema 16 Sejam A, B ∈ Matn×n (R). Seja λ ∈ R.

   (i) det (AB) = det A det B.

   (ii) Se A fˆr uma matriz triangular superior ou triangular inferior ent˜o det A = produto
              o                                                           a
dos elementos da diagonal principal de A.

   (iii) Se A tiver uma linha nula ent˜o det A = 0.
                                      a

    (iv) Se B fˆr obtida de A multiplicando uma linha de A por um n´ mero real λ ent˜o
               o                                                   u                a
det B = λ det A.

    (v) Se B fˆr obtida de A somando a uma linha de A um m´ ltiplo real λ de uma outra
              o                                           u
linha de A ent˜o det B = det A.
              a

   (vi) Se duas linhas de A forem iguais ent˜o det A = 0.
                                            a

   (vii) Se B fˆr obtida de A trocando duas linhas de A ent˜o det B = − det A.
               o                                           a

   (viii) det AT = det A.

                                           1
   (ix) Se A fˆr invert´ det (A−1 ) =
              o        ıvel                    .
                                         det A
   (x) det (λA) = λn det A.

   (xi) det (AB) = 0 ⇒ det A = 0 ou det B = 0.

   (xii) det (AB) = det (BA).

   (xiii) det(A) = 0 se e s´ se A invert´
                           o            ıvel.

Observa¸˜o 14 Em geral, det(A + B) = det(A) + det(B).
       ca

Defini¸˜o 23 Seja A = (aij ) ∈ Matn×n (R), com n > 1. Seja Aij a matriz do tipo (n −
       ca
1) × (n − 1) que se obtem de A suprimindo a linha i e a coluna j de A. Chama-se a Aij o
menor-ij da matriz A.



                                                21
Teorema 17 (F´rmula de Laplace4 .) Seja A ∈ Matn×n (R), com n > 1. Tem-se
             o
                                                    n
                                      det A =            aij (−1)i+j det Aij .
                                                j=1

Observa¸˜o 15 Seja A ∈ Matn×n (R), com n > 1. Tem-se
       ca
                                                    n
                                      det A =            aij (−1)i+j det Aij .
                                                i=1

Exemplo 18
         1 0 −2 3
                                                        1 −2 3                1 0 −2
         2 1 −1 4                             3+2                         3+4
                             = (−1)(−1)                 2 −1 4 + (−2)(−1)     2 1 −1           =
         0 −1 0 −2
                                                        1 −2 −3               1 0 −2
         1 0 −2 −3
  = (−1)(−3) + (−2)4 + 2(−2)3 − (−1)3 − (−2)2(−3) − 4(−2) + 2 [(−2) − (−2)] = −18


Defini¸˜o 24 Seja A = (aij ) ∈ Matn×n (R), com n > 1. Seja aij = (−1)i+j det Aij onde
       ca
Aij ´ o menor-ij da matriz A. Chama-se a aij o cofactor-ij da matriz A e a matriz
     e                                                                      `
cof A = (aij ) ∈ Matn×n (R), com n > 1, a matriz dos cofactores de A.


Teorema 18 Para qualquer matriz A ∈ Matn×n (R), com n > 1, tem-se
                                           A (cof A)T = (det A) I.
Se det A = 0 ent˜o A ´ invert´ e
                a    e       ıvel
                                                          1
                                           A−1 =              (cof A)T .
                                                        det A

                              a b
Exemplo 19 Seja A =                        ∈ Mat2×2 (R) tal que det A = 0. Ent˜o A ´ invert´ e
                                                                              a    e       ıvel
                              c d
                                                   1            d −b
                                       A−1 =                                .
                                                ad − bc         −c a
(Veja por exemplo o exo 10 da ficha 2.) Note que ad − bc = det A.
    (ii) Podemos usar o teorema 18 para calcular n˜o s´ a inversa de uma matriz (n˜o
                                                    a o                           a
singular) mas tamb´m entradas concretas dessa inversa. Seja
                  e
                                                 
                                         1 0 0
                                  A =  4 5 6 .
                                         7 8 9
A entrada (2, 3) da matriz A−1 ´ dada por
                               e
                 1                           1                      1                    1 0
 (A−1 )23 =          (cof A)T          =         (−1)3+2 det A32 =               − det             = 2.
               det A             23        det A                   −3                    4 6
  4
      Pierre-Simon Laplace 1749–1827

                                                          22
Teorema 19 (Regra de Cramer5 .) Seja A ∈ Matn×n (R) tal que A ´ n˜o singular. Ent˜o
                                                                  e a            a
a unica solu¸ao do sistema de equa¸oes lineares AX = B ´ dada por
  ´         c˜                    c˜                   e
                                                            1
                                      X = A−1 B =               (cof A)T B.
                                                          det A
                                           T                             T
Isto ´, sendo X =
     e                      x1 . . . x n       eB=        b1 . . . bn        tem-se
                                                      n
                                             1                        det Bj
                                      xj =                 akj bk =          ,
                                           det A     k=1
                                                                      det A

onde Bj ´ a matriz obtida de A substituindo a coluna j de A pela matriz coluna B dos
         e
termos independentes.


Exemplo 20 O sistema de equa¸oes lineares
                            c˜
                              
                               2x + y = 8
                              
                              
                              
                              
                                 −x + 2y + 4z = 7
                              
                              
                              
                              
                              
                                 −x + z = 1
pode ser resolvido usando a regra de Cramer:
              8   1    0                        2    8     0                            2   1   8
              7   2    4                       −1    7     4                           −1   2   7
              1   0    1                       −1    1     1                           −1   0   1
        x=                   = 13,     y=                      = −18         e    z=                = 14.
              2    1    0                       2    1     0                            2   1   0
             −1    2    4                      −1    2     4                           −1   2   4
             −1    0    1                      −1    0     1                           −1   0   1



3        Espa¸os Lineares (Vectoriais)
             c

No final do s´culo XIX e no come¸o do s´culo XX tornou-se claro – gra¸as a Grassmann 6 ,
              e                  c     e                              c
      7          8
Peano e a Weyl – que o desenvolvimento axiom´tico da geometria Euclideana podia ser feito
                                             a
apelando a estruturas matem´ticas — Espa¸os Vectoriais e Euclidianos — que desempanham
                            a            c
um papel determinante noutras areas da matem´tica e de outras ciˆncias. O estudo das
                                ´               a                   e
estruturas matem´ticas independente quer dos contextos que lhes deram origem quer dos
                   a
contextos em que aplicam constitui uma das ideias mais ricas da matem´tica do s´culo XX
                                                                      a        e
             a            a                        ´
e ´ indissoci´vel da matem´tica Emmy Noether9 . A Algebra linear ´ basicamente o estuda
  e                                                               e
dessas estruturas.

    5
      Gabriel Cramer 1704–1752
    6
      Hermann Grassmann 1809–1877
    7
      Giuseppe Peano 1858–1932
    8
      Hermanm Weyl 1885–1955
    9
      Emmy Noether 1882–1935

                                                          23
Defini¸˜o 25 Um conjunto n˜o vazio V ´ um espa¸o linear (real) se existirem duas
       ca                      a            e          c
opera¸oes associadas a V , uma soma de elementos de V e um produto de escalares (n´ meros
      c˜                                                                          u
reais) por elementos de V , com as seguintes propriedades:

   (a) (Fecho da soma). Para quaisquer u, v ∈ V tem-se u + v ∈ V .

   (b) (Fecho do produto por escalares). Para quaisquer α ∈ R e u ∈ V tem-se αu ∈ V .

   (c) (Comutatividade da soma). Para quaisquer u, v ∈ V , u + v = v + u.

   (d) (Associatividade da soma). Para quaisquer u, v, w ∈ V , u + (v + w) = (u + v) + w.

   (e) (Elemento neutro da soma). Existe um elemento de V designado por 0 tal que, para
qualquer u ∈ V , u + 0 = u.

   (f ) (Sim´trico). Para cada (qualquer) u ∈ V existe v ∈ V tal que u + v = 0. A v
            e
chama-se o sim´trico de u e denota-se por −u.
                e

   (g) (Associatividade do produto por escalares). Para quaisquer α, β ∈ R e u ∈ V ,
α (βu) = (αβ) u.

    (h) (Distributividade em rela¸ao a soma de vectores). Para quaisquer α ∈ R e u, v ∈ V ,
                                 c˜ `
α (u + v) = αu + αv.

   (i) (Distributividade em rela¸ao a soma de escalares). Para quaisquer α, β ∈ R e u ∈ V ,
                                c˜ `
(α + β) u = αu + βu.

   (j) Para qualquer u ∈ V , 1u = u.



Observa¸˜o 16 Aos elementos de V chamaremos vectores.
       ca



Exemplo 21 Exemplos de espa¸os lineares:
                           c

   (i) Rn , com as opera¸oes usuais:
                        c˜

              (u1 , u2 , ..., un ) + (v1 , v2 , ..., vn ) = (u1 + v1 , u2 + v2 , ..., un + vn ),

                              α(u1 , u2 , ..., un ) = (αu1 , αu2 , ..., αun ).

   (ii) Matm×n (R) (conjunto de todas as matrizes reais do tipo m × n), com as opera¸oes
                                                                                    c˜
(usuais): A + B e αA.

   (iii) O conjunto de todas as fun¸oes reais de vari´vel real definidas num conjunto n˜o
                                   c˜                a                                a
vazio S ⊆ R, com as opera¸oes usuais:
                         c˜

                                      (f + g)(x) = f (x) + g(x),

                                                     24
(αf )(x) = αf (x).

   (iv) O conjunto P de todos os polin´mios reais, com as opera¸oes usuais.
                                      o                        c˜

   (v) O conjunto Pn de todos os polin´mios reais de grau menor ou igual a n, com as
                                      o
opera¸oes usuais.
     c˜


Observa¸˜o 17 Um mesmo conjunto pode servir para formar espa¸os lineares diferentes:
       ca                                                   c

   (i) O conjunto dos n´ meros reais R, com a soma definida por
                       u

                                       u    v = u + v + 1,

e o produto por escalares definido por

                                       α · u = αu + α − 1,

´ um espa¸o linear. (Neste caso o elemento neutro ´ −1.)
e        c                                        e

   (ii) O conjunto dos n´ meros reais maiores do que zero, com a soma definida por
                        u

                                           u   v = uv,

e o produto por escalares definido por

                                           α · u = uα ,

´ um espa¸o linear. (Neste caso o elemento neutro ´ 1.)
e        c                                        e


Observa¸˜o 18 Altera¸oes nos conjuntos considerados anteriormente podem resultar em
         ca            c˜
conjuntos que n˜o s˜o espa¸os lineares.
               a a        c

    (i) O conjunto {(x, y) ∈ R2 : x ≥ 0 e y ≥ 0}, com as opera¸oes usuais, n˜o ´ um espa¸o
                                                              c˜            a e         c
linear. Por exemplo, os sim´tricos n˜o est˜o no conjunto.
                            e        a     a

   (ii) O conjunto V = {a0 + a1 t + ... + an tn : a0 , a1 , ..., an ∈ R e an = 0}, com as opera¸oes
                                                                                               c˜
usuais, n˜o ´ um espa¸o linear. Por exemplo:
         a e         c

                       tn , −tn + t ∈ V , mas tn + (−tn + t) = t ∈ V .
                                                                 /

  (iii) O conjunto U = {f : R −→ R tais que f (1) = 2}, com as opera¸oes usuais, n˜o ´
                                                                    c˜            a e
um espa¸o linear. Por exemplo, se f1 , f2 ∈ U ,
        c

                         (f1 + f2 ) (1) = f1 (1) + f2 (1) = 2 + 2 = 4 = 2.

Logo, f1 + f2 ∈ U .
              /



                                                25
3.1    Subespa¸os lineares – exemplos: n´ cleo, espa¸o colunas e li-
               c                        u           c
       nhas de uma matriz

Defini¸˜o 26 Seja V um espa¸o linear. Diz-se que S ´ um subespa¸o de V se S ´ um
      ca                      c                        e               c   e
subconjunto de V e se S, com as opera¸oes de V , fˆr um espa¸o linear.
                                     c˜           o         c



Observa¸˜o 19 No entanto, para mostrar que um certo conjunto S ⊂ V ´ um subespa¸o
         ca                                                                 e             c
do espa¸o linear V , n˜o ser´ necess´rio verificar as 10 propriedades da defini¸ao 25, como se
       c              a     a       a                                        c˜
pode ver no seguinte teorema.



Teorema 20 Um subconjunto n˜o vazio S de um espa¸o linear V ´ um subespa¸o de V se
                           a                    c           e           c
e s´ se:
   o

   (i) Para quaisquer u, v ∈ S tem-se u + v ∈ S.

   (ii) Para quaisquer α ∈ R e u ∈ S tem-se αu ∈ S.



Exemplo 22 Exemplos de subespa¸os:
                              c

   (i) Os unicos subespa¸os do espa¸o linear R, com as opera¸oes usuais, s˜o {0} e R.
          ´             c          c                        c˜            a

   (ii) Os subespa¸os do espa¸o linear R3 , com as opera¸oes usuais, s˜o: {(0, 0, 0)}, R3 ,
                   c          c                           c˜          a
todas as rectas que passam pela origem e todos os planos que passam pela origem.

   (iii) O conjunto de todas as matrizes (reais) triangulares superiores (do tipo n × n) ´ um
                                                                                         e
subespa¸o do espa¸o linear Matn×n (R), com as opera¸oes usuais.
        c         c                                    c˜

    (iv) O conjunto de todas as fun¸oes reais definidas e cont´
                                      c˜                          ınuas em I ⊂ R (I ´ um
                                                                                      e
intervalo) ´ um subespa¸o do espa¸o linear de todas as fun¸oes f : I −→ R, com as opera¸oes
           e           c         c                        c˜                            c˜
usuais.

   (v) Seja A uma matriz (real) do tipo m × n. O conjunto

                 C(A) = {b ∈ Rm : Au = b tem pelo menos uma solu¸ao u}
                                                                c˜

   ´ um subespa¸o do espa¸o linear Rm , com as opera¸oes usuais, ao qual se d´ o nome de
   e           c         c                          c˜                       a
espa¸o das colunas de A.
     c

   (vi) Seja A uma matriz (real) do tipo m × n. O conjunto

                               Nuc(A) = {u ∈ Rn : Au = 0}

´ um subespa¸o do espa¸o linear Rn , com as opera¸oes usuais, ao qual se d´ o nome de
e           c         c                          c˜                       a
espa¸o nulo ou n´cleo de A.
    c            u

                                             26
Observa¸˜o 20 (i) Se A ´ invert´ ent˜o Nuc(A) = {0}.
       ca              e       ıvel a

   (ii) Se Nuc(A) = {0} ent˜o A ´ invert´
                           a    e       ıvel.

   (iii) Poderemos obter subespa¸os de um espa¸o linear atrav´s de combina¸oes lineares
                                c             c              e            c˜
de vectores desse espa¸o.
                      c



Defini¸˜o 27 Seja S um subconjunto n˜o vazio de um espa¸o linear V . Diz-se que um vector
         ca                                       a    c
u ´ combina¸˜o linear finita dos elementos de S, se existir um no finito de elementos de
  e                ca
S, u1 , ..., uk , e de escalares λ1 , ..., λk tais que
                                                             k
                             u = λ1 u1 + ... + λk uk =            λ i ui .
                                                            i=1

Ao cojunto de todas as combina¸oes lineares finitas de elementos de S chama-se expans˜o
                               c˜                                                    a
linear de S e designa-se por L(S). Se S ´ o conjunto vazio ∅, escreve-se L(∅) = {0}.
                                        e



Teorema 21 Seja S um subconjunto n˜o vazio de um espa¸o linear V . A expans˜o linear
                                     a                  c                  a
L(S) de S ´ o menor subespa¸o de V que cont´m S. Deste modo, a L(S) tamb´m se chama
          e                c               e                            e
o subespa¸o gerado por S, e diz-se que S gera L(S).
          c



Observa¸˜o 21 Seja S e T dois subconjuntos n˜o vazios de um espa¸o linear V , com S ⊂ T .
        ca                                  a                   c
Se L(S) = V ent˜o L(T ) = V .
               a



Exemplo 23 (i) O espa¸o linear R2 ´ gerado por qualquer dos seguintes conjuntos de vec-
                      c             e
tores:
               {(1, 0), (0, 1)}, {(1, 2), (−1, 11)} e {(23, 8), (6, 14)}.
   (ii) O subespa¸o {(x, y) ∈ R2 : y = 2x} do espa¸o linear R2 ´ gerado por qualquer dos
                  c                               c            e
seguintes conjuntos de vectores:

                          {(1, 2)}, {(−2, −4)} e {(77, 154)}.

   (iii) O espa¸o linear Pn de todos os polin´mios de grau menor ou igual a n, ´ gerado
               c                             o                                 e
por qualquer dos seguintes conjuntos de vectores:

                2     n                      2               n          t t2     tn
          {1, t, t , ..., t }, {1, 1 + t, (1 + t) , ..., (1 + t) } e {1, , , ..., }.
                                                                        1! 2!    n!
   (iv) O espa¸o linear P de todos os polin´mios, ´ gerado pelo conjunto infinito de vectores:
              c                            o      e

                                        {1, t, t2 , ...}.

                                                 27
(v) O espa¸o linear V de todas as fun¸oes f : R → R diferenci´veis tais que f (x) = af (x)
              c                          c˜                     a
                               ax
´ gerado pela fun¸ao f1 (x) = e , i.e. V = L({f1 }).
e                c˜
   (vi) Seja A uma matriz (real) do tipo m × n. O espa¸o das colunas de A,
                                                        c
                  C(A) = {b ∈ Rm : Au = b tem pelo menos uma solu¸ao u} ,
                                                                 c˜
´ o subespa¸o (do
e          c        espa¸o linear Rm ) gerado pelas colunas de A, uma vez que:
                        c
                                                                                     
   b1        a11     a12 · · · a1n      u1            a11          a12           a1n
 b2   a21         a22 · · · a2n  
                                     u2          a21        a22          a2n            
                                                                                       
 . = .
    .   .           .
                      . ···      .   .  = u1  .  + u2  .  + ... + un  .
                                 .  .               .           .                          .
 .           .       .          .       .          .           .             ..             
   bm        am1    am2 · · · amn       un           am1           am2           amn
    (vii) Seja A uma matriz (real) do tipo m × n. Ao subespa¸o linear de Rn gerado pelas
                                                            c
linhas de A d´-se o nome de espa¸o das linhas de A e designa-se por L(A).
              a                  c

   (viii) Sejam
                                                
                              1 −3 1          −1 2
            0 0 0                                                                  2 0
    A=                , B =  0 0 7  , C =  2 −4                     e D=                .
            0 0 0                                                                  0 −1
                              0 0 0           −2 4
Tem-se
                    C(A) = {(0, 0)}, Nuc(A) = R3        e L(A) = {(0, 0, 0)}.
C(B) = L ({(1, 0, 0) , (1, 7, 0)}) , Nuc(B) = L ({(3, 1, 0)}) e L(B) = L ({(1, −3, 1) , (0, 0, 7)}) .
         C(C) = L ({(−1, 2, −2)}) , Nuc(C) = L ({(2, 1)}) e L(C) = L ({(−1, 2)}) .
     C(D) = L ({(2, 0) , (0, −1)}) , Nuc(D) = {(0, 0)} e L(D) = L ({(2, 0) , (0, −1)}) .

   (ix) Seja U = {A ∈ Mat3×2 (R) : a12       = a21 = a32 = 0 e a11 + 2a31 = 0}. Tem-se, para
A ∈ U,
                                                                      
                a11 a12       −2a31           0            −2 0          0 0
          A=   a21 a22  =  0              a22  = a31  0 0  + a22  0 1  ,
                a31 a32         a31           0             1 0          0 0
com a31 , a22 ∈ R. Logo,
                                             
                                    −2 0     0 0 
                             U = L  0 0 , 0 1  .
                                                  
                                      1 0     0 0
   (x) Seja U = {p(t) = a0 + a1 t + a2 t2 ∈ P2 : p(1) = p(0)}. Tem-se, para p(t) ∈ U ,
             p(1) = p(0) ⇐⇒ a0 + a1 + a2 = a0 ⇐⇒ a1 + a2 = 0 ⇐⇒ a1 = −a2 .
Logo,

                           p(t) = a0 − a2 t + a2 t2 = a0 1 + a2 −t + t2 ,
com a0 , a2 ∈ R. Assim,
                                      U =L      1, −t + t2   .

                                                28
Teorema 22 Se U e V s˜o subespa¸os do espa¸o linear W , ent˜o:
                     a         c          c                a

   (i) O conjunto U ∩ V ´ um subespa¸o linear de W .
                        e           c

                                                     e             c         ´
   (ii) O conjunto U + V = {u + v : u ∈ U e v ∈ V } ´ um subespa¸o de W . E o menor
subespa¸o de W que cont´m U ∪ V . O conjunto U ∪ V em geral n˜o ´ um subespa¸o. Tem-se
        c              e                                     a e            c
U + V = L(U ∪ V ).



Exemplo 24 (i) Em R3 , considere os subespa¸os:
                                           c

         U = {(x, y, z) ∈ R3 : x + y − 2z = 0} e V = L ({(1, 1, −1), (1, 2, 1)}) .

Seja v ∈ V , ent˜o
                a

                     v = α(1, 1, −1) + β(1, 2, 1) = (α + β, α + 2β, −α + β),

com α, β ∈ R. Para que v esteja tamb´m em U ´ preciso que:
                                    e       e

                             (α + β) + (α + 2β) − 2 (−α + β) = 0.

A ultima equa¸ao ´ equivalente a 4α + β = 0 ⇐⇒ β = −4α. Logo,
  ´          c˜ e

     U ∩ V = {(−3α, −7α, −5α) : α ∈ R} = {α(−3, −7, −5) : α ∈ R} = L ({(3, 7, 5)}) .

   (ii) Em R3 , considere os subespa¸os:
                                    c

              U = L ({(1, −1, 1), (1, 2, 2)})   e V = L ({(2, 1, 1), (−1, 1, 3)}) .

Seja v ∈ U , ent˜o
                a

                     v = α(1, −1, 1) + β(1, 2, 2) = (α + β, −α + 2β, α + 2β),

com α, β ∈ R. Para que v esteja tamb´m em V ´ preciso que:
                                    e       e

                     (α + β, −α + 2β, α + 2β) = λ(2, 1, 1) + µ(−1, 1, 3) =
                                              = (2λ − µ, λ + µ, λ + 3µ) ,

com λ, µ ∈ R. Deste modo,             
                                       α + β = 2λ − µ
                                      
                                      
                                      
                                      
                                        −α + 2β = λ + µ
                                      
                                      
                                      
                                      
                                      
                                        α + 2β = λ + 3µ.
Considerando a matriz aumentada tem-se
                                                                             
   1 1 | 2λ − µ                    1 1 | 2λ − µ                    1 1 | 2λ − µ
 −1 2 | λ + µ          −→       0 3 |   3λ         −→         0 3 |   3λ     
                      L1 +L2 →L2                  − 1 L2 +L3 →L3
   1 2 | λ + 3µ −L1 +L3 →L3 0 1 | −λ + 4µ           3              0 0 | −2λ + 4µ

                                                29
Logo,                                           
                              α + β = 2λ − µ
                                                 α=µ
                                                 
                             
                                                
                                                 
                                                
                               β=λ            ⇐⇒   β = 2µ
                             
                                                
                                                 
                             
                                                
                                                 
                                                
                               0 = −2λ + 4µ.       λ = 2µ.
Assim,
         α(1, −1, 1) + β(1, 2, 2) = µ(1, −1, 1) + 2µ(1, 2, 2) = (3µ, 3µ, 5µ) = µ(3, 3, 5).
Logo,
           U ∩ V = {(3µ, 3µ, 5µ) : µ ∈ R} ={µ(3, 3, 5) : µ ∈ R} = L ({(3, 3, 5)}) .
Observa¸˜o 22 Neste exemplo (ii), os subespa¸os U e V poderiam ter sido apresentados
         ca                                 c
inicialmente na forma:
    U = {(x, y, z) ∈ R3 : 4x + y − 3z = 0} e V = {(x, y, z) ∈ R3 : 2x − 7y + 3z = 0},
uma vez que
U = {(x, y, z) ∈ R3 : 4x + y − 3z = 0} = L ({(1, −4, 0), (0, 3, 1)}) = L ({(1, −1, 1), (1, 2, 2)})
e
V = {(x, y, z) ∈ R3 : 2x−7y+3z = 0} = L ({(7, 2, 0), (−3, 0, 2)}) = L ({(2, 1, 1), (−1, 1, 3)}) .
   (iii) Sejam W = Matn×n (R), U o subespa¸o (de W ) das matrizes triangulares superiores,
                                           c
V o subespa¸o (de W ) das matrizes triangulares inferiores. Ent˜o
             c                                                 a
               U +V =W          e      U ∩ V = subespa¸o das matrizes diagonais.
                                                      c
    (iv) Sejam W = R2 , U = L({(1, 0)}) e V = L({(0, 1)}). O conjunto
                             U ∪ V = {(x, y) ∈ R2 : x = 0 ∨ y = 0}
n˜o ´ um espa¸o linear:
 a e         c
                                    (1, 0) + (0, 1) = (1, 1) ∈ U ∪ V
                                                             /
                                     ∈U      ∈V



Teorema 23 Se U e V subespa¸os do espa¸o linear W , ent˜o U ∪ V ´ subespa¸o de W se
                           c          c                a        e        c
e s´ se U ⊂ V ou V ⊂ U .
   o


Teorema 24 Sejam W1 e W2 subespa¸os de um espa¸o linear V tais que
                                c             c
                                           W1 ∩ W2 = {0}.
Se V = W1 + W2 ent˜o todo o vector v ∈ V pode ser escrito de modo unico na forma
                  a                                               ´
                                             v = w 1 + w2
com w1 ∈ W1 e w2 ∈ W2 . Neste caso escreve-se V = W1 ⊕ W2 e diz-se que V ´ a soma
                                                                         e
directa dos espa¸os W1 e W2 .
                c

                                                   30
Teorema 25 O espa¸o das linhas L(A) e o n´ cleo Nuc(A) de uma matriz A ∈ Matm×n (R)
                    c                      u
mantˆm-se invariantes por aplica¸ao do m´todo de elimina¸ao de Gauss. Isto ´, sendo A a
    e                           c˜      e               c˜                 e
matriz em escada que se obtem de A por aplica¸ao desse m´todo, tem-se
                                             c˜          e

                             L(A) = L(A ) e Nuc(A) = Nuc(A ).



Observa¸˜o 23 Seja A ∈ Matm×n (R). Se A fˆr a matriz em escada que se obtem de A por
         ca                                 o
aplica¸ao do m´todo de elimina¸ao de Gauss, tem-se
      c˜      e               c˜

                                          C(A) = C(A ).

Teorema 26 Seja A ∈ Matm×n (R). Tem-se

                           C(A) = L(AT ) e L(A) ∩ Nuc(A) = {0}.




3.2    Independencia linear
Defini¸˜o 28 Seja V um espa¸o linear. Seja S = {v1 , v2 , ..., vk } ⊂ V . Diz-se que o con-
          ca                              c
junto S ´ linearmente dependente se e s´ se algum dos vectores de S se escrever como
             e                                     o
combina¸ao linear dos restantes, isto ´, se e s´ se existir algum i ∈ {1, 2, ..., k} e escalares
             c˜                                  e   o
λ1 , λ2 , ..., λi−1 , λi+1 , ..., λk ∈ R tais que

                   vi = λ1 v1 + λ2 v2 + ... + λi−1 vi−1 + λi+1 vi+1 + ... + λk vk .

Defini¸˜o 29 Seja V um espa¸o linear. Seja S = {v1 , v2 , ..., vk } ⊂ V . Diz-se que o conjunto
       ca                    c
S ´ linearmente independente se e s´ se nenhum dos vectores de S se puder escrever
  e                                      o
como combina¸ao linear dos restantes, isto ´, se e s´ a unica solu¸ao do sistema homog´neo
            c˜                             e        o ´            c˜                     e

                                  λ1 v1 + λ2 v2 + ... + λk vk = 0

fˆr a solu¸ao trivial, ou seja, λ1 = λ2 = ... = λk = 0.
 o        c˜
    Se V = Rn , sendo A a matriz cujas colunas s˜ os vectores de S, enta˜o S ´ linearmente
                                                   a                    a    e
independente se e s´ se Nuc(A) = {0} se e s´ se car(A) = k.
                        o                        o



Teorema 27 Seja A uma matriz em escada de linhas.

   (i) As colunas de A que contˆm pivots s˜o linearmente independentes.
                               e          a

   (ii) As linhas n˜o nulas de A s˜o linearmente independentes.
                   a              a

   (iii) O no de linhas independentes e o no de colunas independentes (de A ) s˜o ambos
                                                                               a
iguais a caracter´
       `         ıstica de A .



                                                 31
Observa¸˜o 24 (i) Assim, atendendo ao teorema anterior, a independˆncia linear de S =
              ca                                                           e
{v1 , v2 , ..., vk } ⊂ V (espa¸o linear) pode ser decidida aplicando o m´todo de elimina¸ao a
                               c                                        e               c˜ `
matriz A cujas colunas s˜o os vectores de S, de modo a coloc´-la em escada de linhas. Sendo
                             a                                   a
A essa matriz em escada, tem-se pelo teorema ??

                                  Nuc(A) = Nuc(A ) (*).

Uma vez que as colunas de A que contˆm pivots s˜o linearmente independentes ent˜o, devido
                                        e         a                              a
a (*), as colunas de A nas posi¸oes correspondentes tamb´m ser˜o linearmente independentes.
                               c˜                       e     a

   (ii) Em R, quaisquer dois vectores s˜o linearmente dependentes.
                                       a

   (iii) Em R2 , dois vectores s˜o linearmente independentes se n˜o forem colineares.
                                a                                a

   (iv) Em R3 , trˆs vectores s˜o linearmente independentes se n˜o forem coplanares.
                  e            a                                a

   (v) Qualquer conjunto que contenha o vector nulo (elemento neutro) ´ linearmente de-
                                                                      e
pendente. Em particular, o conjunto {0}, formado apenas pelo vector nulo, ´ linearmente
                                                                           e
dependente.

   (vi) O conjunto vazio ∅ ´ linearmente independente.
                           e



Teorema 28 Sejam S1 e S2 dois subconjuntos finitos de um espa¸o linear, tais que S1 ⊂ S2 .
                                                            c

   (i) Se S1 ´ linearmente dependente ent˜o S2 tamb´m ´ linearmente dependente.
             e                           a         e e

   (ii) Se S2 ´ linearmente independente ent˜o S1 tamb´m ´ linearmente independente.
              e                             a         e e



Observa¸˜o 25 Sejam S1 e S2 dois subconjuntos finitos de um espa¸o linear, tais que
           ca                                                  c
S1 ⊂ S 2 .

   (i) Se S2 fˆr linearmente dependente ent˜o S1 tanto pode ser linearmente dependente
              o                            a
como linearmente independente.

   (ii) Se S1 fˆr linearmente independente ent˜o S2 tanto pode ser linearmente dependente
               o                              a
como linearmente independente.



Exemplo 25 Seja    S = {(1, 0, 2), (2, 0, 4), (0, 1, 2)}. Tem-se
                                                                          
             1     2 0                       1 2 0                       1 2 0
       A=   0     0 1        −→          0 0 1           −→         0 0 1 =A.
                          −2L1 +L3 →L3                    −2L2 +L3 →L3
             2     4 2                       0 0 2                       0 0 0



                                             32
Logo, como apenas existem dois pivots e portanto uma vari´vel livre, as trˆs colunas de A
                                                            a              e
s˜o linearmente dependentes, isto ´, o conjunto S ´ linearmente dependente. O subconjunto
 a                                e                  e
de S:
                                     {(1, 0, 2), (2, 0, 4)}
tamb´m ´ linearmente dependente. No entanto, uma vez que a 1a e 3a colunas de A s˜o
     e e                                                                           a
independentes pois correspondem as colunas da matriz em escada A que contˆm os pivots,
                                `                                        e
o subconjunto de S:
                                   {(1, 0, 2), (0, 1, 2)}
´ linearmente independente.
e



3.3    Bases e dimens˜o de Espa¸os Lineares
                     a         c
Defini¸˜o 30 Chama-se base de um espa¸o linear V a qualquer subconjunto S de V que
       ca                           c
verifique as duas condi¸oes:
                      c˜

   (i) S gera V , isto ´, L(S) = V .
                       e

   (ii) S ´ linearmente independente.
          e



Teorema 29 Qualquer espa¸o linear V = {0} tem pelo menos uma base.
                        c

   Dem.: Demonstra¸ao n˜o trivial!!
                  c˜ a


Observa¸˜o 26 Qualquer espa¸o linear V = {0} tem um no infinito de bases. Por exemplo,
        ca                        c
se S = {u1 , ..., uk } fˆr uma base de V ent˜o para cada α = 0 o conjunto {αu1 , ..., αuk } ´
                        o                   a                                               e
tamb´m uma base de V .
     e



Teorema 30 Todas as bases de um espa¸o linear V = {0} tˆm o mesmo no de vectores.
                                    c                  e



Defini¸˜o 31 Chama-se dimens˜o de um espa¸o linear V = {0} ao no de vectores de uma
       ca                            a            c
base qualquer de V , e escreve-se dim V . Se V = {0} ent˜o dim V = 0 uma vez que o conjunto
                                                        a
vazio ∅ ´ base de {0}. Um espa¸o linear ter´ dimens˜o finita se uma sua base tiver um n o
        e                          c           a       a
finito de vectores.




                                             33
Exemplo 26 (i) O conjunto {1} ´ uma base de R, chamada base can´nica ou natural de
                              e                                o
R. Logo,
                                   dim R = 1.
   (ii) O conjunto {(1, 0), (0, 1)} ´ uma base de R2 , chamada base can´nica ou natural de
                                    e                                  o
 2
R . Logo,
                                         dim R2 = 2.
   (iii) O conjunto {(1, 0, 0), (0, 1, 0), (0, 0, 1)} ´ uma base de R3 , chamada base can´nica
                                                      e                                  o
ou natural de R3 . Logo,
                                            dim R3 = 3.
   (iv) O conjunto

         1 0 0          0 1 0        0 0 1         0 0 0         0 0 0         0 0 0
                    ,            ,             ,             ,             ,
         0 0 0          0 0 0        0 0 0         1 0 0         0 1 0         0 0 1

´ uma base de Mat2×3 (R), chamada base can´nica ou natural de Mat2×3 (R). Logo,
e                                         o

                                     dim Mat2×3 (R) = 6.

   (v) Tem-se
                           dim Rn = n e dim Matm×n (R) = mn.
    (vi) O conjunto {1, t, t2 , ..., tn } ´ uma base de Pn (espa¸o linear de todos os polin´mios
                                          e                     c                          o
reais de grau menor ou igual a n), chamada base can´nica ou natural de Pn . Logo,
                                                          o

                                       dim Pn = n + 1.

    (vii) O conjunto {1, t, t2 , ...} ´ uma base de P (espa¸o linear de todos os polin´mios
                                      e                    c                          o
reais), chamada base can´nica ou natural de P . Logo,
                         o

                                         dim P = ∞.



Exemplo 27 O conjunto dos n´ meros complexos E = C ´ um espa¸o linear tanto sobre os
                               u                         e        c
reais como sobre os pr´prios complexos, i.e. tanto considerando R como os escalares ou C
                      o
como escalares. Assim, dimC (E) = 1 e {1} ´ uma base; dimR (E) = 1 e {1, i} ´ uma base.
                                           e                                e

Defini¸˜o 32 Chama-se nulidade a dimens˜o do n´ cleo ou espa¸o nulo de uma matriz A
       ca                     `       a      u             c
e escreve-se nul A.



Teorema 31 Seja A ∈ Matm×n (R).

   (i) Tem-se
                                dim C(A) = dim L(A) = car A.
   (ii) Tem-se
                                      car A + nul A = n.

                                              34
Teorema 32 Sejam W1 e W2 dois subespa¸os de dimens˜o finita de um espa¸o linear V .
                                      c            a                 c
Ent˜o,
   a
               dim (W1 + W2 ) = dim W1 + dim W2 − dim (W1 ∩ W2 ) .


Teorema 33 Sejam V um espa¸o linear de dimens˜o finita e W um subespa¸o de V .
                          c                  a                      c

   (i) Seja S = {u1 , ..., uk } ⊂ V . Se S ´ linearmente independente ent˜o S ser´ um subcon-
                                           e                             a       a
junto de uma base de V e ter-se-´ dim V ≥ k.
                                     a

   (ii) Se dim V = n, ent˜o quaisquer m vectores de V , com m > n, s˜o linearmente
                         a                                          a
dependentes.

   (iii) Se dim V = n, ent˜o nenhum conjunto com m vectores de V , em que m < n, pode
                          a
gerar V .

     (iv) O subespa¸o W tem dimens˜o finita e dim W ≤ dim V .
                   c              a

     (v) Se dim W = dim V , ent˜o W = V .
                               a

    (vi) Se dim V = n, ent˜o quaisquer n vectores de V linearmente independentes cons-
                          a
tituem uma base de V .

     (vii) Se dim V = n, ent˜o quaisquer n vectores geradores de V constituem uma base de
                            a
V.


Observa¸˜o 27 O no de elementos de uma base de um espa¸o linear ´ igual ao no m´
         ca                                                c        e              ınimo de
vectores possam constituir um conjunto gerador desse espa¸o e ´ tamb´m igual ao n o m´ximo
                                                         c e        e                  a
de vectores que possam constituir um conjunto linearmente independente nesse espa¸o. c


Exemplo 28 Seja A ∈ Matm×n (R). Como L(A) e Nuc(A) s˜o subespa¸os de Rn ent˜o
                                                    a         c            a
                           L(A) + Nuc(A) = L (L(A) ∪ Nuc(A))
´ tamb´m um subepa¸o de Rn . Por outro lado, atendendo a que
e     e           c
                                    L(A) ∩ Nuc(A) = {0}
(teorema 26), tem-se
                                 dim (L(A) ∩ Nuc(A)) = 0.
Assim,
         dim (L(A) + Nuc(A)) = dim L(A) + dim Nuc(A) − dim (L(A) ∩ Nuc(A)) =
                             = car A + nul A − 0 =
                             = n.
Logo, pelo teorema 33 (v), tem-se
                                    Rn = L(A) ⊕ Nuc(A).

                                             35
Exemplo 29 (i) Os seguintes conjuntos s˜o todos os subespa¸os de R:
                                       a                  c

                                               {0} e R.

    (ii) Os seguintes conjuntos s˜o todos os subespa¸os de R2 :
                                 a                  c

                     {(0, 0)} , todas as rectas que contˆm a origem e R2 .
                                                        e

    (iii) Os seguintes conjuntos s˜o todos os subespa¸os de R3 :
                                  a                  c

{(0, 0, 0)} , todas as rectas que contˆm a origem, todos os planos que contˆm a origem e R 3 .
                                      e                                    e



Observa¸˜o 28 O m´todo de elimina¸ao de Gauss permite determinar a dimens˜o e uma
         ca           e               c˜                                        a
base quer para o espa¸o das linhas L(A) quer para o espa¸o das colunas C(A) de uma matriz
                     c                                  c
A. Seja A a matriz em escada que se obtem de A por aplica¸ao do m´todo de elimina¸ao
                                                             c˜        e             c˜
de Gauss. Ent˜o,
              a

    (i) Uma base para L(A) ser´ formada pelas linhas n˜o nulas de A .
                              a                       a

   (ii) Uma base para C(A) ser´ formada pelas colunas de A que correspondem as posi¸oes
                              a                                             `      c˜
das colunas de A que contˆm os pivots.
                         e



Exemplo 30 Seja                                     
                                           2   1 1 1
                                       A= 4   2 3 3 .
                                           −6 −3 1 1
Tem-se
                                                               
         2  1 1 1                  2 1 1 1                  2 1 1 1
    A= 4   2 3 3       −→       0 0 1 1     −→         0 0 1 1 =A.
                    −2L1 +L2 →L2             −4L2 +L3 →L3
        −6 −3 1 1    3L1 +L3 →L3   0 0 4 4                  0 0 0 0

Logo, {(2, 1, 1, 1), (0, 0, 1, 1)} ´ uma base de L(A) e {(2, 4, −6), (1, 3, 1)} ´ uma base de C(A).
                                   e                                            e
Assim,
                                      dim L(A) = 2 = dim C(A)
e
             L(A) = L ({(2, 1, 1, 1), (0, 0, 1, 1)}) , C(A) = L ({(2, 4, −6), (1, 3, 1)}) .
Por outro lado,
                                                           
                                                                          
                                   
                                                         x               0  
                                                      y                   
                                                                          0 
                   Nuc(A ) =   (x, y, z, w) ∈ R4 : A  z =
                                                                           =
                             
                                                                         0 
                                                                             
                                                          w               0
                           = {(x, −2x, −w, w) : x, w ∈ R} =
                           = L{(1, −2, 0, 0), (0, 0, −1, 1)}.

                                                  36
Como o conjunto {(1, −2, 0, 0), (0, 0, −1, 1)} ´ linearmente independente e gera Nuc(A ) ent˜o
                                               e                                            a
´ uma base de Nuc(A ). Finalmente, uma vez que Nuc(A) = Nuc(A ), o conjunto
e

                                   {(1, −2, 0, 0), (0, 0, −1, 1)}

´ uma base de Nuc(A) e portanto dim Nuc(A) = 2, com
e

                            Nuc(A) = L{(1, −2, 0, 0), (0, 0, −1, 1)}.

Exemplo 31 Seja S = {1, 2, −1), (2, 1, 1), (−1, −2, 1), (0, 1, 0)} ⊂ R3 . Determinemos uma
base para L(S).

   Considere a seguinte matriz cujas colunas      s˜o os vectores de S:
                                                   a
                                                        
                                      1 2         −1 0
                                    2 1          −2 1  .
                                     −1 1          1 0

Tem-se
                                                              
        1 2 −1 0                  1 2 −1 0                1 2 −1 0
      2 1 −2 1       −→        0 −3 0 1  −→  0 −3 0 1  .
                   −2L1 +L2 →L2              L2 +L3 →L3
       −1 1 1 0     L1 +L3 →L3    0 3  0 0                0 0  0 1

Logo, S = {1, 2, −1), (2, 1, 1), (0, 1, 0)} ´ uma base de L(S). Como dim R3 = 3, ent˜o tem-se
                                            e                                       a
                  3                           3
mesmo: L(S) = R e S ´ uma base de R .
                         e

   Resolu¸˜o alternativa: Considere a seguinte matriz cujas linhas s˜o os vectores de S:
         ca                                                         a
                                               
                                   1    2 −1
                                 2     1    1 
                                 −1 −2 1  .
                                               

                                   0    1    0

Tem-se
                                                                                          
   1   2 −1                      1 2 −1            1 2 −1                                 1 2 −1
 2    1  1                    0 −3 3 
                                         −→  0 −3 3 
                                                                                       0 −3 3 
 −1 −2 1  −2L1−→→L2                                                        −→
                                                                                             .
                  +L2           0 0  0  L3 ↔L4  0 1 0                 1
                                                                            L +L3 →L3
                                                                                         0 0  1 
                                                                          3 2
              L1 +L3 →L3
   0   1  0                      0 1  0            0 0 0                                  0 0  0

Logo, S = {1, 2, −1), (0, −3, 3), (0, 0, 1)} ´ uma base de L(S). Como dim R3 = 3, ent˜o
                                             e                                       a
                         3                        3
tem-se mesmo: L(S) = R e S ´ uma base de R .
                                e



Exemplo 32 Seja Sa,b = {1, 0, 1), (0, 1, a), (1, 1, b), (1, 1, 1)} ⊂ R3 . Determinemos os valores
dos parˆmetros a e b para os quais Sa,b n˜o gere R3 .
       a                                  a



                                                37
Considere a seguinte matriz cujas colunas   s˜o os vectores de S:
                                                a
                                                   
                                       1 0     1 1
                                      0 1     1 1 .
                                       1 a     b 1

Tem-se
                                                                    
     1 0 1 1                 1 0  1  1                  1 0     1      1
   0 1 1 1      −→        0 1  1  1     −→         0 1     1      1 .
               −L1 +L3 →L3               −aL2 +L3 →L3
     1 a b 1                 0 a b−1 0                  0 0 b − a − 1 −a

Logo, Sa,b n˜o gera R3 se e s´ se b − a − 1 = 0 e −a = 0, isto ´, se e s´ se a = 0 e b = 1.
            a                o                                 e        o



Teorema 34 (i) Seja A ∈ Matm×n (R). As colunas de A geram Rm se e s´ se car A = m.
                                                                   o

    (ii) Seja A ∈ Matm×n (R). As colunas de A s˜o linearmente independentes se e s´ se
                                               a                                  o
car A = n.

    (iii) Seja A ∈ Matn×n (R). A matriz A ´ invert´
                                          e       ıvel se e s´ se as colunas de A (ou as
                                                             o
                                   n
linhas de A) formarem uma base de R . No caso de A ser invert´ tem-se
                                                               ıvel

                                     C(A) = L(A) = Rn .

Observa¸˜o 29 Seja A ∈ Matm×n (R) e considere o sistema de equa¸oes lineares Au = b.
       ca                                                      c˜

    (i) O sistema Au = b ´ imposs´
                         e       ıvel (n˜o tem solu¸ao) se e s´ se b ∈ C(A), isto ´, se e s´
                                        a          c˜         o      /            e        o
se car A < car [A | b].

    (ii) O sistema Au = b ´ poss´
                              e      ıvel e indeterminado (tem um no infinito de solu¸oes) se
                                                                                     c˜
e s´ se b ∈ C(A) e as colunas de A forem linearmente dependentes, isto ´, se e s´ se car A =
   o                                                                   e        o
car [A | b] < n, isto ´, se e s´ se car A = car [A | b] e nul A = 0.
                      e         o

    (iii) O sistema Au = b ´ poss´
                                 e      ıvel e determinado (tem uma unica solu¸ao) se e s´
                                                                     ´        c˜         o
se b ∈ C(A) e as colunas de A forem linearmente independentes, isto ´, se e s´ se car A =
                                                                       e      o
car [A | b] = n, isto ´, se e s´ se car A = car [A | b] e nul A = 0.
                      e        o



Observa¸˜o 30 Seja A ∈ Matm×n (R) e considere o sistema de equa¸oes lineares Au = b.
       ca                                                      c˜

    (i) Existˆncia de solu¸˜o: Se m ≤ n ent˜o o sistema Au = b tem pelo menos uma
             e             ca                 a
                         m
solu¸ao u para cada b ∈ R se e s´ se car A = m.
    c˜                          o

    (ii) Unicidade de solu¸˜o: Se m ≥ n ent˜o o sistema Au = b tem no m´ximo uma
                           ca                  a                              a
                         m
solu¸ao u para cada b ∈ R se e s´ se car A = n, isto ´, se e s´ se nul A = 0.
    c˜                          o                    e        o

    (iii) Existˆncia e unicidade de solu¸˜o: Se m = n ent˜o o sistema Au = b tem
               e                           ca                a
                               m
solu¸ao unica u para cada b ∈ R se e s´ se A fˆr invert´
    c˜ ´                              o       o        ıvel.

                                              38
Teorema 35 Seja A ∈ Matn×n (R). As seguintes afirma¸oes s˜o equivalentes.
                                                  c˜    a

   (i) A ´ n˜o singular.
         e a

   (ii) A ´ invert´
          e       ıvel.

   (iii) Nuc(A) = {0}.

   (iv) nul A = 0.

   (v) Au = 0 tem apenas a solu¸ao trivial u = 0.
                               c˜

   (vi) Au = b tem solu¸ao unica u para cada b ∈ Rn .
                       c˜ ´

   (vii) A caracter´
                   ıstica de A ´ m´xima, isto ´, car A = n.
                               e a            e

   (viii) As colunas de A geram Rn .

   (ix) As colunas de A s˜o independentes.
                         a

   (x) As linhas de A geram Rn .

   (xi) As linhas de A s˜o independentes.
                        a

    (xii) A menos de permuta¸oes de linhas, a matriz A admite uma unica factoriza¸ao
                            c˜                                    ´              c˜
triangular LDU .

3.4    Coordenadas de um vector numa base
Defini¸˜o 33 Seja S = {v1 , v2 , ..., vk } uma base ordenada de um espa¸o linear V e seja u
          ca                                                          c
um vector de V . Chamam-se coordenadas do vector u na base ordenada S aos escalares
λ1 , λ2 , ..., λk da combina¸ao linear:
                            c˜

                                 u = λ1 v1 + λ2 v2 + ... + λk vk .

Designamos por uS as coordenadas de u na base S, i.e. uS = (λ1 , · · · , λk ).

Teorema 36 Seja V um espa¸o linear.
                             c
   (i) Um conjunto S de vectores n˜o nulos de V ´ uma base de V se e s´ se todo o vector
                                   a            e                     o
de V puder ser escrito de modo unico como combina¸ao linear dos vectores de S.
                               ´                  c˜

    (ii) Se dim V = n, ent˜o dados u, w ∈ V e S = {v1 , v2 , . . . , vn } uma base ordenada de
                           a
V , tem-se u = w se e s´ se as coordenadas de u e de w na base S forem iguais.
                       o

Exemplo 33 i) Sejam S1 = {e1 , e2 } e S2 = {v1 , v2 } duas bases de R2 , onde e1 = (1, 0), e2 =
(0, 1), v1 = (1, 1) e v2 = (1, −1). Seja ainda u = (11, 3).
Ent˜o uS1 = (11, 3) enquanto uS2 = (7, 4).
    a

   ii) Seja F o subespa¸o de R3 gerado pelos vectores v1 = (1, 1, 1) e v2 = (1, 0, 1). Claro que
                        c
B = {v1 , v2 } ´ uma base de F , uma vez que os vectores v1 , v2 s˜o linearmente independentes.
               e                                                  a

                                                39
Sendo u = (3, 1, 3) ∈ F , ent˜o as coordenadas uB de u na base B s˜o uB = (1, 2), uma vez
                             a                                    a
que λ1 = 1, λ2 = 2 ´ a unica solu¸ao de u = λ1 v1 + λ2 v2 .
                    e ´           c˜

   iii) Considerando a mesma base B de ii), sabendo que as coordenadas de um vector u na
base B s˜o uB = (2, 1), ent˜o o vector u = 2v1 + 1v2 = (3, 2, 3).
         a                 a




4    Valores Pr´prios, Vectores Pr´prios e diagonaliza¸˜o
               o                  o                   ca
     de Matrizes
Defini¸˜o 34 Seja A ∈ Matn×n (R). Chama-se a
     ca
                                      det(A − λI),
o polin´mio caracter´
       o              ıstico da matriz A. O polin´mio p(λ) = det(A − λI) tem grau n, o
                                                 o
                                    n
coeficiente do termo de grau n ´ (−1) e o termo constante ´ p(0) = det A.
                              e                          e


Defini¸˜o 35 Seja A ∈ Matn×n (R). Chama-se valor pr´prio de A a qualquer escalar λ
       ca                                                   o
tal que A − λI seja singular, isto ´, tal que det(A − λI) = 0. Chama-se vector pr´prio de
                                   e                                             o
A, associado ao valor pr´prio λ de A, a qualquer vector n˜o nulo v que verifique
                        o                                  a
                                     (A − λI)v = 0.
Observa¸˜o 31 Seja A ∈ Matn×n (R). O escalar 0 ´ valor pr´prio de A se e s´ se A fˆr
          ca                                          e         o               o o
singular. Isto ´, a matriz A ´ invert´ se e s´ se 0 n˜o fˆr valor pr´prio de A.
               e             e       ıvel    o       a o            o


Defini¸˜o 36 Sejam A, B ∈ Matn×n (R). As matrizes A e B dizem-se semelhantes se
        ca
existir uma matriz S invert´ tal que
                           ıvel
                                      B = SAS −1
Teorema 37 Sejam A, B ∈ Matn×n (R). Se A e B forem semelhantes ent˜o A e B tˆm o
                                                                       a          e
mesmo polin´mio caracter´
           o             ıstico. Em particular, se A e B forem semelhantes ent˜o A e B
                                                                              a
tˆm os mesmos valores pr´prios.
 e                      o

    Dem. Tem-se
                    det(B − λI) =   det(SAS −1 − λI) =
                                =   det(SAS −1 − λSS −1 ) =
                                =   det(S(A − λI)S −1 ) =
                                =   det S det(A − λI) det S −1 =
                                                        1
                                  = det S det(A − λI)       =
                                                      det S
                                  = det(A − λI).



                                           40
Teorema 38 Seja A ∈ Matn×n . Se A tiver valores pr´prios distintos λ1 , ..., λk e se u1 , ..., uk
                                                   o
forem os vectores pr´prios associados a cada um destes valores pr´prios, ent˜o os vectores
                        o                                        o            a
u1 , ..., uk s˜o linearmente independentes.
              a



Defini¸˜o 37 Seja A ∈ Matn×n (R). Se existir uma matriz S invert´ tal que
     ca                                                        ıvel

                                                D = SAS −1 ,

com D matriz diagonal, ent˜o diz-se que A ´ uma matriz diagonaliz´vel e que S (matriz
                            a             e                      a
de mudan¸a de base, ver sec¸ao 6.1) ´ a matriz diagonalizante.
        c                  c˜       e



Teorema 39 Seja A ∈ Matn×n (R). A matriz A ´ diagonaliz´vel se e s´ se existir uma base
                                                  e              a           o
     n
de R constitu´ por vectores pr´prios de A. Neste caso, as entradas da diagonal principal
               ıda                o
dessa matriz diagonal ser˜o os valores pr´prios associados aos vectores pr´prios da base de
                          a               o                                     o
Rn pela ordem da mesma. O mesmo se aplica em Cn .
    Em particular, se A tiver n valores pr´prios distintos λ1 , ..., λn ent˜o a matriz A ´ diago-
                                          o                                a             e
naliz´vel e a matriz diagonal ´:
     a                        e
                                                       
                                      λ1 0 ... 0
                                           .. ..      .
                                    
                                     0      .   . . . 
                                     . .               .
                                     ..    ..       0 
                                       0 ... 0 λn

Observa¸˜o 32 Seja A a matriz n × n.
          ca
    (1) Seja p(λ) o polin´mio caracter´
                         o            ıstico de A. Para cada raiz λ1 de p(λ), a sua multipli-
cidade enquanto raiz do polin´mio chama-se mutliplicidade alg´brica de λ1 e denota-se por
                              o                                 e
ma (λ1 ). Mais precisamente, λ0 tem tem multiplicidade alg´brica m quando
                                                           e

                                        p(λ) = (λ − λ1 )m q(λ)

e q(λ1 ) = 0.
         `
    (2) A dimens˜o de Nuc(A − λ1 I) chama-se multiplicidade geom´trica e designa-se por
                 a                                              e
mg (λ1 ).
    (3) A matriz A ∈ Matn×n ´ diagonaliz´vel se e s´ se
                            e           a          o

                                                dimNuc(A − λI) = dim(V ).
                           λ valores proprios

Ou seja, existe uma base de V na qual a representa¸ao matricial de T ´ uma matriz diagonal
                                                    c˜               e
sse
                               dim Eλ1 + · · · + dim Eλk = n,
onde λ1 , · · · , λk (k ≤ n) s˜o os valores pr´prios de T .
                              a               o



                                                     41
Teorema 40 Seja A ∈ Matn×n (R) tal que A ´ sim´trica, isto ´, tal que A = AT . Ent˜o A
                                         e    e            e                      a
´ diagonaliz´vel.
e           a



Exemplo 34 (i) Uma matriz com valores pr´prios distintos.
                                        o
                                            
                                  1   5 −1
                           A =  0 −2 1 
                                 −4 0     3

O polin´mio caracter´
       o            ıstico ´ dado por
                           e

                                   1−λ        5       −1
               det(A − λI) =         0     −2 − λ      1    =
                                    −4        0      3−λ
                             =   (1 − λ) (−2 − λ) (3 − λ) − 20 + 4 (2 + λ) =
                             =   (1 − λ) (−2 − λ) (3 − λ) + 4λ − 12 =
                             =   (3 − λ) [(λ − 1) (λ + 2) − 4] =
                             =   (3 − λ) λ2 + λ − 6 =
                             =   (3 − λ) (λ − 2) (λ + 3) .

Os valores pr´prios de A s˜o os valores de λ para os quais det(A − λI) = 0. Logo, os valores
             o            a
pr´prios de A s˜o
  o            a
                              λ1 = 3, λ2 = 2 e λ3 = −3.
Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ s˜o os vectores n˜o nulos u ∈ R 3
              o                                 o        a               a
para os quais
                                     (A − λI) u = 0,
isto ´, s˜o os vectores n˜o nulos de Nuc (A − λI).
     e a                 a
    Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 3. Tem-se
                                  o                              o
                                                    
                                          −2 5 −1
                 Nuc (A − λ1 I) = Nuc  0 −5 1  = L ({(0, 1, 5)}) .
                                          −4 0     0

Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ1 ´ dado por
               c    o         e

                          Eλ1 = Nuc (A − λ1 I) = L ({(0, 1, 5)}) .

Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 3 s˜o
              o                                 o             a

                             u = (0, s, 5s) , com s ∈ R {0} .

   Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 2. Tem-se
                              o                                 o
                                                   
                                       −1 5 −1
             Nuc (A − λ2 I) = Nuc  0 −4 1  = L ({(1, 1, 4)}) .
                                       −4 0       1

                                            42
Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ2 ´ dado por
               c    o         e

                          Eλ2 = Nuc (A − λ2 I) = L ({(1, 1, 4)}) .

Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 2 s˜o
              o                                 o             a

                             u = (s, s, 4s) , com s ∈ R {0} .

   Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ3 = −3. Tem-se
                              o                                 o
                                                 
                                        4 5 −1
             Nuc (A − λ3 I) = Nuc  0 1 1  = L ({(3, −2, 2)}) .
                                       −4 0 6

Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ3 ´ dado por
               c    o         e

                         Eλ3 = Nuc (A − λ3 I) = L ({(3, −2, 2)}) .

Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ3 = −3 s˜o
              o                                 o              a

                           u = (3s, −2s, 2s) , com s ∈ R {0} .

    Atendendo a que os valores pr´prios de A s˜o distintos, pelo teorema 38, os vectores
                                 o             a
pr´prios de A associados a esses valores pr´prios s˜o linearmente independentes. Como
  o                                        o       a
      3                            3
dim R = 3, ent˜o 3 vectores em R linearmente independentes formar˜o desde logo uma
               a                                                      a
         3
base de R . Logo, o conjunto

                            S = {(0, 1, 5) , (1, 1, 4) , (3, −2, 2)}

´ uma base de R3 . Deste modo, temos uma base de R3 formada s´ por vectores pr´prios de
e                                                                o             o
A. Logo, a matriz A ´ diagonaliz´vel, isto ´, existe uma matriz invert´ S diagonalizante
                     e          a          e                          ıvel
tal que a matriz SAS −1 ´ diagonal, tendo-se
                        e
                                                                
                                       λ1 0 0            3 0 0
                    D = SAS −1 =  0 λ2 0  =  0 2 0  ,
                                       0 0 λ3            0 0 −3
com                                                
                                             0 1 3
                                  S −1   =  1 1 −2  .
                                             5 4 2
Note que cada coluna de S −1 ´ formada pelo vector pr´prio associado ao valor pr´prio
                                 e                   o                          o
respectivo e na posi¸ao respectiva.
                    c˜
   (ii) Uma matriz com valores pr´prios repetidos mas diagonaliz´vel.
                                     o                               a
                                               
                                         2 1 1
                                    A= 2 3 2 
                                         3 3 4


                                              43
O polin´mio caracter´
       o            ıstico ´ dado por
                           e
                       2−λ       1      1
   det(A − λI) =         2     3−λ      2     =
                         3       3    4−λ
                 =   (2 − λ) (3 − λ) (4 − λ) + 6 + 6 − 3 (3 − λ) − 6 (2 − λ) − 2 (4 − λ) =
                 =   −λ3 + 9λ2 − 15λ + 7 =
                 =   − (λ − 1) (λ − 1) (λ − 7) .

Os valores pr´prios de A s˜o os valores de λ para os quais det(A − λI) = 0. Logo, os valores
             o            a
pr´prios de A s˜o
  o            a
                                    λ1 = 1 e λ2 = 7.
Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ s˜o os vectores n˜o nulos u ∈ R 3
              o                                 o        a               a
para os quais
                                     (A − λI) u = 0,
isto ´, s˜o os vectores n˜o nulos de Nuc (A − λI).
     e a                 a
    Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 1. Tem-se
                                  o                              o
                                             
                                       1 1 1
             Nuc (A − λ1 I) = Nuc  2 2 2  = L ({(−1, 1, 0) , (−1, 0, 1)}) .
                                       3 3 3

Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ1 ´ dado por
               c    o         e

                     Eλ1 = Nuc (A − λ1 I) = L ({(−1, 1, 0) , (−1, 0, 1)}) .

Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 1 s˜o
              o                                 o             a

              u = (−s − t, s, t) , com s, t ∈ R, n˜o simultˆneamente nulos.
                                                  a        a

   Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 7. Tem-se
                              o                                 o
                                                   
                                       −5 1       1
             Nuc (A − λ2 I) = Nuc  2 −4 2  = L ({(1, 2, 3)}) .
                                        3    3 −3

Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ2 ´ dado por
               c    o         e

                           Eλ2 = Nuc (A − λ2 I) = L ({(1, 2, 3)}) .

Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 7 s˜o
              o                                 o             a

                              u = (s, 2s, 3s) , com s ∈ R {0} .

   Atendendo a que
                                   dim Eλ1 + dim Eλ2 = 3,
podemos ter a seguinte base de R3 formada s´ por vectores pr´prios de A
                                           o                o

                            S = {(−1, 1, 0) , (−1, 0, 1) , (1, 2, 3)} .

                                                44
Logo, a matriz A ´ diagonaliz´vel, isto ´, existe uma matriz
                 e           a          e                      invert´ S diagonalizante tal
                                                                     ıvel
                 −1
que a matriz SAS ´ diagonal, tendo-se
                    e
                                                                
                                        λ1 0 0            1    0 0
                               −1     0 λ1 0  =  0
                     D = SAS =                                 1 0 ,
                                        0 0 λ2            0    0 7
com                                                
                                            −1 −1 1
                                  S −1   = 1   0 2 .
                                             0  1 3
Note que cada coluna de S −1 ´ formada pelo vector pr´prio associado ao valor pr´prio
                                 e                   o                          o
respectivo e na posi¸ao respectiva.
                    c˜
   (iii) Uma matriz com valores pr´prios repetidos e n˜o diagonaliz´vel.
                                        o                 a            a
                                                 
                                           7 5 −1
                                    A =  0 −2 1 
                                          20 0  3
O polin´mio caracter´
       o            ıstico ´ dado por
                           e
                                  7−λ        5      −1
              det(A − λI) =         0     −2 − λ     1    =
                                   20        0     3−λ
                            =   (7 − λ) (−2 − λ) (3 − λ) + 100 − 20 (2 + λ) =
                            =   (3 − λ) [(7 − λ) (−2 − λ) + 20] =
                            =   (3 − λ) λ2 − 5λ + 6 =
                            =   (3 − λ) (λ − 3) (λ − 2) .
Os valores pr´prios de A s˜o os valores de λ para os quais det(A − λI) = 0. Logo, os valores
             o            a
pr´prios de A s˜o
  o            a
                                    λ1 = 3 e λ2 = 2.
Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ s˜o os vectores n˜o nulos u ∈ R 3
              o                                 o        a               a
para os quais
                                     (A − λI) u = 0,
isto ´, s˜o os vectores n˜o nulos de Nuc (A − λI).
     e a                 a
    Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 3. Tem-se
                                  o                              o
                                                   
                                            4 5 −1
                 Nuc (A − λ1 I) = Nuc  0 −5 1  = L ({(0, 1, 5)}) .
                                           20 0    0
Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ1 ´ dado por
               c    o         e
                          Eλ1 = Nuc (A − λ1 I) = L ({(0, 1, 5)}) .
Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 3 s˜o
              o                                 o             a
                             u = (0, s, 5s) , com s ∈ R {0} .

                                              45
Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 2. Tem-se
                              o                                 o
                                                
                                      5 5 −1
           Nuc (A − λ2 I) = Nuc  0 −4 1  = L ({(1, −5, −20)}) .
                                     20 0      1

Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ2 ´ dado por
               c    o         e

                        Eλ2 = Nuc (A − λ2 I) = L ({(1, −5, −20)}) .

Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 2 s˜o
              o                                 o             a

                          u = (s, −5s, −20s) , com s ∈ R {0} .

   Atendendo a que
                                dim Eλ1 + dim Eλ2 = 2 < 3,
n˜o ´ poss´ ter uma base de R3 formada s´ por vectores pr´prios de A. Logo, a matriz
 a e      ıvel                               o                 o
A n˜o ´ diagonaliz´vel, isto ´, n˜o existe uma matriz invert´ S diagonalizante tal que a
   a e            a          e a                            ıvel
            −1
matriz SAS seja diagonal.
   (iv) Uma matriz com apenas um valor pr´prio real.
                                                 o
                                                    
                                            1 0 0
                                     A =  0 0 −1 
                                            0 1 0

O polin´mio caracter´
       o            ıstico ´ dado por
                           e

                                             1−λ 0   0
                         det(A − λI) =        0  −λ −1         =
                                              0   1 −λ
                                        = λ2 (1 − λ) + (1 − λ) =
                                        = (1 − λ) λ2 + 1 .

Os valores pr´prios de A s˜o os valores de λ para os quais det(A − λI) = 0. Logo, os valores
             o            a
pr´prios de A s˜o
  o            a
                               λ1 = 1, λ2 = i e λ3 = −i.
Logo, a matriz A n˜o ´ diagonaliz´vel numa matriz de entradas reais, isto ´, n˜o existe
                   a e            a                                         e a
                                                           −1
uma matriz invert´ S diagonalizante tal que a matriz SAS seja diagonal com entradas
                 ıvel
reais. No entanto e atendendo a que os trˆs valores pr´prios s˜o distintos, a matriz A ´
                                          e           o       a                        e
diagonaliz´vel numa matriz de entradas complexas:
          a
                                                
                                        1 0 0
                                      0 i 0 
                                        0 0 −i




                                            46
5      Produtos Internos

Defini¸˜o 38 Sejam V um espa¸o linear real e 0 o vector nulo de V . Chama-se produto
      ca                   c
interno em V a aplica¸ao
             `       c˜
                               , :V ×V →R
                                                 (u, v) → u, v
que verifique as trˆs condi¸oes seguintes.
                  e       c˜

     (i) Simetria: para todos os u, v ∈ V

                                              u, v = v, u .

     (ii) Linearidade: para todo o v ∈ V (fixo) a aplica¸ao
                                                       c˜

                                                V →R

                                                u → u, v
´ linear.
e
    (iii) Positividade: para todo o u ∈ V tal que u = 0,

                                                 u, u > 0.

Observa¸˜o 33 Se V ´ uma espac co linear complexo, ent˜o , : V × V → C ´ um produto
          ca           e                                   a                  e
interno se, os axiomas de defini¸ao anterior forem satisfeitos, com excep¸ao ao simetria que
                               c˜                                       c˜
´ substituido por:
e
                                       u, v = v, u .
onde v, u denota o complexo conjugado de v, u .



Defini¸˜o 39 Chama-se espa¸o euclidiano a um espa¸o linear com um produto interno.
     ca                  c                      c



Observa¸˜o 34 Seja V um espa¸o euclidiano real. Seja S = {w1 , w2 , ..., wn } uma base de
         ca                  c
V . Sejam u, v ∈ V . Sejam
                           α1 , α2 , ..., αn e β 1 , β 2 , ..., β n
as coordenadas de u e de v na base S respectivamente, isto ´,
                                                           e
                                        n                                                       n
    u = α1 w1 + α2 w2 + ... + αn wn =         α i wi   e v = β 1 w1 + β 2 w2 + ... + β n wn =         β i wi .
                                        i=1                                                     i=1




                                                       47
Logo,
                     n               n                        n    n
        u, v   =          α i wi ,         β i wi       =              αi β j w i , w j =
                    i=1              i=1                     i=1 j=1
                                                                                                                
                                                            w 1 , w1     w 1 , w2   ...       w 1 , wn        β1
                                                    
                                                           w 2 , w1     w 2 , w2   ...       w 2 , wn   
                                                                                                            β2   
                                                                                                                   
               =    α1 α 2 . . . αn                            .
                                                                .            .
                                                                             .                    .
                                                                                                  .          .
                                                                                                               .   .
                                                               .            .                    .          .   
                                                            w n , w1     w n , w2   ...       w n , wn        βn

Isto ´, existe uma matriz
     e                         sim´trica e definida positiva (todos os seus valores pr´prios s˜o
                                  e                                                  o       a
positivos):
                                                                                                                              
         w 1 , w1 w 1 , w2      ...        w 1 , wn                                                                         β1
      w 2 , w1   w 2 , w2      ...        w 2 , wn                                                                       β2   
                                                                                                                              
A=          .
             .        .
                      .                        .
                                               .                 tal que      u, v =         α 1 α 2 . . . αn      A       .
                                                                                                                             .   .
            .        .                        .                                                                           .   
         w n , w1 w n , w2      ...        w n , wn                                                                         βn

Teorema 41 Seja V um espa¸o linear real com dim V = n. Seja {w1 , w2 , ..., wn } uma base
                            c
de V . Ent˜o, uma aplica¸ao
          a             c˜
                                 , :V ×V →R
´ um produto interno (em V ) se e s´ se
e                                  o
                                                                                        
                                                                                    β1
                                                                                
                                                                                   β2   
                                                                                         
                               u, v =           α 1 α 2 . . . αn               A    .
                                                                                     .   ,
                                                                                    .   
                                                                                    βn
com
               u = α1 w1 + α2 w2 + ... + αn wn , v = β 1 w1 + β 2 w2 + ... + β n wn
e A ´ uma matriz sim´trica cujos valores pr´prios
    e               e                      o                           s˜o todos positivos. Se a aplica¸ao , fˆr
                                                                        a                              c˜     o
um produto interno tem-se
                                                                                            
                               w 1 , w1   w 1 , w2                       ...    w 1 , wn
                             w 2 , w1    w 2 , w2                       ...    w 2 , wn     
                                                                                            
                      A=          .
                                   .          .
                                              .                                     .
                                                                                    .        .
                                  .          .                                     .        
                               w n , w1   w n , w2                       ...    w n , wn



Observa¸˜o 35 No caso complexo, tamb´m podemos encontrar uma matriz A com entradas
        ca                          e
complexas tal que                                      
                                                    β1
                                                   β 
                                                   2 
                        u, v = α1 α2 . . . αn A  . 
                                                   . 
                                                     .
                                                    βn

                                                                  48
t
com os valores pr´prios de A todos positivos e A = A , onde A ´ a matriz que se obt´m de
                 o                                            e                    e
A passando todas as entardas de A ao complexo conjugado. Uma matriz A que satisfa¸a   c
      t
A = A diz-se hermitiana.

Exemplo 35 (i) Seja , : R2 × R2 → R a aplica¸ao definida por:
                                            c˜

                                  (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = α1 β 1 + α2 β 2 ,

com (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) ∈ R2 . Esta aplica¸ao ´ um produto interno em R2 a que se d´ o nome
                                                c˜ e                                     a
                                       2
de produto interno usual em R , uma vez que

                                                                                             β1
                    (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = α1 β 1 + α2 β 2 =           α1 α2    A
                                                                                             β2
com
                                                       1 0
                                              A=                .
                                                       0 1
A matriz A ´ sim´trica e o unico valor pr´prio de A ´ 1 > 0.
           e    e          ´             o          e

   (ii) Seja , : R2 × R2 → R a aplica¸ao definida por:
                                     c˜

                               (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = −2α1 β 1 + 3α2 β 2 ,

com (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) ∈ R2 . Esta aplica¸ao n˜o ´ um produto interno em R2 , uma vez que
                                                c˜ a e

                                                                                              β1
                  (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = −2α1 β 1 + 3α2 β 2 =           α1 α2       A
                                                                                              β2
com
                                                      −2 0
                                            A=                      .
                                                       0 3
A matriz A ´ sim´trica, no entanto, os valores pr´prios de A: −2 e 3 n˜o s˜o ambos positivos.
           e    e                                o                    a a



Exemplo 36 R2 com um produto interno n˜o usual. Seja ,
                                      a                                                           : R 2 × R2 → R a
aplica¸ao definida por:
      c˜

                        (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = 2α1 β 1 + α1 β 2 + α2 β 1 + α2 β 2 ,

com (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) ∈ R2 .
   ´ a
   E f´cil ver que esta aplica¸ao ´ sim´trica e linear em rela¸ao a (α 1 , α2 ) (fixando (β 1 , β 2 )).
                                     c˜ e   e                 c˜
Vejamos por exemplo que a condi¸ao       c˜

                     (α1 , α2 ) , (α1 , α2 ) > 0, para todo o (α1 , α2 ) = (0, 0),

´ satisfeita.
e
    Atendendo a que

                   (α1 , α2 ) , (α1 , α2 ) = 2α2 + 2α1 α2 + α2 = α2 + (α1 + α2 )2 ,
                                               1             2    1


                                                      49
tem-se

(α1 , α2 ) , (α1 , α2 ) = 0 ⇔ (α1 = 0 e α1 + α2 = 0) ⇔ (α1 = 0 e α2 = 0) ⇔ (α1 , α2 ) = (0, 0).

   Em alternativa, podemos escrever

                                                                                             β1
          (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = 2α1 β 1 + α1 β 2 + α2 β 1 + α2 β 2 =     α1 α2     A
                                                                                             β2
com
                                                     2 1
                                             A=               .
                                                     1 1
                                                               √          √
                                                             3+ 5       3− 5
A matriz A ´ sim´trica e os valores pr´prios de A:
           e    e                     o                        2
                                                                    e     2
                                                                               s˜o ambos positivos.
                                                                                a



Defini¸˜o 40 Sejam V um espa¸o euclidiano e 0 o vector nulo de V . Sejam u, v ∈ V .
     ca                    c

   (i) Chama-se norma de u a:
                                              u =        u, u .

   (ii) Chama-se projec¸˜o ortogonal de v sobre u = 0 a:
                       ca

                                                         v, u
                                           proju v =          u.
                                                          u 2

   (iii) Diz-se que u e v s˜o ortogonais se u, v = 0.
                           a

   (iv) Chama-se ˆngulo entre dois vectores n˜o nulos u e v a:
                 a                           a

                                                          u, v
                                          θ = arccos           .
                                                         u v


                                                                                   π
Observa¸˜o 36 O angulo θ entre dois vectores n˜o nulos u e v ´
         ca     ˆ                             a              e                     2
                                                                                       se e s´ se u e v s˜o
                                                                                             o           a
ortogonais.



Teorema 42 Desigualdade de Cauchy-Schwarz. Seja V um espa¸o euclidiano. Ent˜o,
                                                         c                 a
para todos os u, v ∈ V ,
                             | u, v | ≤ u v




                                                    50
Observa¸˜o 37 (i) Teorema de Pit´goras. Sejam u, v ∈ R2 . Tem-se u e v ortogonais se
        ca                      a
e s´ se
   o
                             u−v 2 = u 2+ v 2.

    Dem.
                             2
                    u−v          =      u − v, u − v = u, u − v, u − u, v + v, v =
                                 =      u 2 − 2 u, v + v 2 = u 2 + v 2

se e s´ se
      o
                                                         u, v = 0,
isto ´, se e s´ se u e v forem ortogonais.
     e        o

    (ii) Em R2 com o produto interno usual, a desigualdade de Cauchy-Schwarz ´ dada por
                                                                             e

                                     |α1 β 1 + α2 β 2 | ≤      α 2 + α2
                                                                 1    2      β2 + β2,
                                                                              1    2

uma vez que
                                        (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = α1 β 1 + α2 β 2 ,
com (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) ∈ R2 .

    (iii) Em Rn com o produto interno usual, a desigualdade de Cauchy-Schwarz ´ dada por
                                                                              e

                                            n                   n           n
                                                 αi β i ≤            α2
                                                                      i         β2,
                                                                                 i
                                           i=1                 i=1        i=1

uma vez que
                                 (α1 , ..., αn ) , (β 1 , ..., β n ) = α1 β 1 + ... + αn β n ,
com (α1 , ..., αn ) , (β 1 , ..., β n ) ∈ Rn .



Teorema 43 Sejam V um espa¸o euclidiano e 0 o vector nulo de V . Sejam u.v ∈ V e λ ∈ R.
                               c
A norma satisfaz as seguintes propriedades.

    (i) Positividade: u > 0 se u = 0.

    (ii) Homogeneidade: λu = |λ| u

    (iii) Desigualdade triangular: u + v ≤ u + v



Observa¸˜o 38 Pode definir-se norma num espa¸o linear V , sem estar associada a qualquer
        ca                                    c
produto interno, como sendo uma aplica¸ao de V em R que satisfaz as propriedades do
                                        c˜
teorema anterior. A um espa¸o linear com uma norma chama-se espa¸o normado.
                           c                                     c



                                                             51
Observa¸˜o 39 Seja V um espa¸o euclidiano. Sejam u, v ∈ V . Tem-se
       ca                   c
                                        1              2          2         2
                             u, v =          u+v           − u        − v       .
                                        2


Observa¸˜o 40 Seja V um espa¸o linear real normado. Sejam u, v ∈ V . Ent˜o, a norma
         ca                     c                                       a
pode ser obtida de um produto interno na forma

                                            u =            u, u

se e s´ se
      o
                                   2               2              2             2
                            u−v        + u+v           =2 u           +2 v          .
Esta ultima equa¸ao ´ conhecida por lei do paralelogramo.
     ´          c˜ e



Exemplo 37 Uma norma que n˜o ´ obtida a partir de um produto interno. Seja
                                a e
     2
  : R → R a aplica¸ao definida por
                  c˜

                                       (α1 , α2 ) = |α1 | + |α2 | ,
                      ´ a
com (α1 , α2 ) ∈ R2 . E f´cil verificar que esta aplica¸ao satisfaz as trˆs condi¸oes do teorema
                                                      c˜                e       c˜
43. Logo, ´ uma norma. No entanto, ´ tamb´m f´cil verificar que esta norma n˜o satisfaz
           e                             e       e a                                  a
a lei do paralelogramo. Logo, esta norma n˜o poder´ ser obtida a partir de um produto
                                                a        a
interno.



Defini¸˜o 41 Sejam V um espa¸o euclidiano e S ⊂ V . Diz-se que S ´ ortogonal se para
       ca                    c                                  e
todos os u, v ∈ S com u = v,
                                    u, v = 0.
Diz-se que S ´ ortonormado se fˆr ortogonal e para todo o u ∈ S,
             e                 o

                                                u = 1.



Teorema 44 Sejam V um espa¸o euclidiano e S ⊂ V . Seja 0 o vector nulo de V . Se S ´
                                c                                                      e
ortogonal e 0 ∈ S ent˜o S ´ linearmente independente. Em particular, se n = dim V ent˜o
              /      a    e                                                          a
qualquer conjunto S ortogonal de n vectores n˜o nulos ´ uma base de V .
                                             a        e




                                                  52
Teorema 45 Seja V um espa¸o euclidiano com dim V = n. Seja S = {u1 , ..., un } uma base
                              c
ortogonal de V . Ent˜o, as coordenadas de um vector v ∈ V em rela¸ao a base S s˜o dadas
                    a                                            c˜ `          a
por:

                                                            v, uj
                                                   αj =              ,
                                                            u j , uj
com j = 1, ..., n. Se S fˆr ortonormada ent˜o as coordenadas de um vector v ∈ V em rela¸ao
                         o                 a                                           c˜
a base S s˜o dadas por:
`         a

                                                    αj = v, uj ,
com j = 1, ..., n.



Teorema 46 Seja V um espa¸o euclidiano real com dim V = n. Seja S = {w1 , ..., wn } uma
                             c
base ortonormada de V . Ent˜o, para todos os u, v ∈ V ,
                           a

                n                                                                            n
       u, v =         u, wi v, wi         (f´rmula de Parseval) e tem-se
                                            o                                       u =           u, wi 2 .
                i=1                                                                       i=1




Observa¸˜o 41 Seja V um espa¸o euclidiano real com dim V = n. Seja S = {w1 , ..., wn }
        ca                     c
uma base ortonormada de V . Sejam u, v ∈ V , com

                    u = α1 w1 + α2 w2 + ... + αn wn , v = β 1 w1 + β 2 w2 + ... + β n wn .
Ent˜o, atendendo ao teorema 45, a f´rmula de Parseval ´ dada por:
   a                               o                  e

                        n                                                                    n
            u, v =           αi β i = α1 β 1 + α2 β 2 + ... + αn β n     e tem-se   u =          α2 .
                                                                                                  i
                       i=1                                                                i=1




Nota¸˜o 3 Sejam V um espa¸o euclidiano e 0 o vector nulo de V . Para qualquer v ∈ V ,
     ca                      c
                    1                     v
com v = 0, o vector v v ser´ denotado por v .
                           a



Teorema 47 M´todo de ortogonaliza¸˜o de Gram-Schmidt10 . Seja V um espa¸o
                 e                       ca                            c
euclidiano. Considere o conjunto linearmente independente:

                                                {v1 , v2 , ..., vk } ⊂ V .
  10
       Jorgen Pedersen Gram 1850–1916. Erhard Schmidt 1876–1959




                                                           53
Sejam

                               u1 = v 1 ,
                               u2 = v2 − proju1 v2 ,
                                    ...
                               uk = vk − proju1 vk − ... − projuk−1 vk .

Ent˜o:
   a

   (i) L({u1 , u2 , ..., uk }) = L({v1 , v2 , ..., vk })

   (ii) O conjunto {u1 , u2 , ..., uk } ´ uma base ortogonal de L({v1 , v2 , ..., vk }).
                                        e

                             u1   u2        uk
   (iii) O conjunto             ,    , ...,                ´ uma base ortonormada de L({v1 , v2 , ..., vk }).
                                                           e
                             u1   u2        uk



Exemplo 38 Considere-se R4 com o produto interno usual. Seja

                   U = L({(1, 1, −1, −1), (1, 2, 3, 4), (2, 1, −6, −7), (1, 3, 7, 9)}).

Determinemos a dimens˜o
                     a           de U e uma      base ortonormada para U . Tem-se
                                                                                        
              1 1 2               1              1 1 2 1              1 1 2 1
           1 2 1                 3            0 1 −1 2          0 1 −1 2               
                                    −→                       −→                          .
           −1 3 −6               7            0 4 −4 8           0 0 0 0                
             −1 4 −7              9              0 5 −5 10            0 0 0 0
Logo, o conjunto {v1 , v2 }, com v1 = (1, 1, −1, −1) e v2 = (1, 2, 3, 4), ´ uma base de U e como
                                                                          e
tal dim U = 2.
    Sejam
                                u1 = v1 e u2 = v2 − proju1 v2 .
Logo, o conjunto {u1 , u2 }, com u1 = (1, 1, −1, −1) e
                                 1+2−3−4
                    u2 = (1, 2, 3, 4) −      (1, 1, −1, −1) = (2, 3, 2, 3),
                                       4
´ uma base ortogonal de U . Uma base ortonormada para U :
e
                                                                    √    √    √     √
                  u1   u2                 1 1 1 1                    26 3 26 26 3 26
                     ,            =        , ,− ,−              ,      ,    ,     ,
                  u1   u2                 2 2 2 2                   13   26    13   26



Teorema 48 Qualquer espa¸o euclidiano de dimens˜o finita tem uma base ortonormada.
                        c                      a




                                                           54
Teorema 49 Seja {v1 , v2 , ..., vn } uma base de Rn . Ent˜o, existe um unico produto interno
                                                         a             ´
    n
em R para o qual esta base ´ ortonormada.
                               e



Exemplo 39 Considere em R2 a base S = {v1 , v2 }, com v1 = (1, 0) e v2 = (1, 1). Vejamos
que existe um e um s´ produto interno para o qual a base S ´ ortonormada.
                      o                                     e
          2                                       2
   Seja Bc = {(1, 0), (0, 1)} a base can´nica de R . Tem-se
                                        o
                                                                  −1
                                             −1            1 1                1 −1
                      SBc →S = SS→Bc
                        2          2              =                    =                  .
                                                           0 1                0 1
Sejam u, v ∈ R2 . Tem-se
                                 u = (α1 , α2 )       e v = (β 1 , β 2 ) ,
                                                     2
onde α1 , α2 e β 1 , β 2 s˜o as coordenadas na base Bc de u e v respectivamente. Seja S = SBc →S .
                          a                                                                 2
                              2     2
Logo, a aplica¸ao , : R × R definida por
                c˜

                                                            v 1 , v1       v 1 , v2           1 0
             u, v = (Su)T A (Sv) , com A =                                            =             ,
                                                            v 2 , v1       v 2 , v2           0 1

´ um produto interno e ´ o unico para o qual a base S ´ ortonormada. Tem-se ent˜o
e                      e ´                            e                        a

                      (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = α1 β 1 − α1 β 2 − α2 β 1 + 2α2 β 2 .
´ a
E f´cil verificar que para este produto interno a base S ´ ortonormada:
                                                        e

                   (1, 0) , (1, 1) = 0 e      (1, 0) , (1, 0) = (1, 1) , (1, 1) = 1.



Teorema 50 Seja A ∈ Matn×n (R) tal que A ´ sim´trica, isto ´, tal que A = AT . Ent˜o A ´
                                               e    e           e                     a     e
diagonaliz´vel relativamente a uma base ortonormada vp formada s´ por vectores pr´prios
          a                                                          o                 o
de A. Seja S a matriz cujas colunas s˜o os vectores da base vp e D a matriz diagonal onde
                                      a
se coloca na entrada i da diagonal o valor pr´prio λi que corresponde a coluna i de S. Ent˜o
                                             o                        `                   a
temos
                                         D = S T AS,
e portanto S ´ ortogonal S −1 = S T .
             e



Defini¸˜o 42 Sejam V um espa¸o euclidiano e S um subespa¸o de V . Diz-se que um
       ca                         c                          c
elemento de V ´ ortogonal a S se fˆr ortogonal a todos os elementos de S. Ao conjunto
                e                    o
de todos os elementos ortogonais a S chama-se complemento ortogonal de S e designa-se
por S ⊥ .



Teorema 51 Qualquer que seja o subespa¸o S de um espa¸o euclidiano V , tamb´m S ⊥ ´
                                      c              c                     e      e
um subespa¸o de V .
          c

                                                      55
Exemplo 40 (i) Se S ⊂ R3 ´ um plano que passa pela origem, ent˜o S ⊥ ´ uma recta que
                             e                                a      e
passa pela origem e ´ perpendicular ao plano.
                    e

    (ii) Se S ⊂ R3 ´ uma recta que passa pela origem, ent˜o S ⊥ ´ um plano que passa pela
                   e                                     a      e
origem e ´ perpendicular a recta.
          e              `

   (iii) Seja A ∈ Matm×n (R). Ent˜o,
                                 a

                                        Nuc(A) = (L(A))⊥ .



Teorema 52 Se S ´ um subespa¸o de dimens˜o finita de um espa¸o euclidiano V , ent˜o V
                    e             c           a                  c                   a
                         ⊥                   ⊥
´ a soma directa de S e S , isto ´, V = S ⊕ S . Logo, cada elemento v ∈ V pode ser escrito
e                                e
de modo unico como soma de um elemento de S com um elemento de S ⊥ :
         ´

                           v = vS + vS ⊥ , com vS ∈ S           e vS ⊥ ∈ S ⊥ .
`
A aplica¸ao PS : V → S definida por PS (v) = vS chama-se projec¸˜o ortogonal de V
        c˜                                                      ca
sobre S e a aplica¸ao PS ⊥ : V → S ⊥ definida por PS ⊥ (v) = vS ⊥ chama-se projec¸˜o
           `      c˜                                                            ca
                       ⊥
ortogonal de V sobre S . Tem-se

                                            I = P S + PS ⊥ .

   Se {v1 , v2 , ..., vn } ´ uma base ortonormada de S, ent˜o
                           e                               a
                                                   n
                                        PS (v) =         v, vi vi ,
                                                   i=1

para todo o v ∈ V .
   Se {u1 , u2 , ..., uk } ´ uma base ortonormada de S ⊥ , ent˜o
                           e                                  a
                                                    k
                                      PS ⊥ (v) =         v, uj uj ,
                                                   j=1


para todo o v ∈ V .
   As aplica¸oes PS e PS ⊥ s˜o transforma¸oes lineares de V em V que satisfazem as propri-
            c˜              a            c˜
edades:

   (i) PS (V ) = S, PS ⊥ (V ) = S ⊥ ;

   (ii) (PS )2 = PS , (PS ⊥ )2 = PS ⊥ ;

   (iii) PS (u) , v = u, PS (v) ,         PS ⊥ (u) , v = u, PS ⊥ (v) , para todos os u, v ∈ V ;
            2              2
   (iv) u       = PS (u)       + PS ⊥ (u) 2 , para todo o u ∈ V (Teorema de Pit´goras);
                                                                               a




                                                   56
Observa¸˜o 42 Seja S ´ um subespa¸o de dimens˜o finita de um espa¸o euclidiano V . Seja
       ca            e           c           a                  c
v ∈V.

   (i) dim S + dim S ⊥ = dim V
              ⊥
   (ii) S ⊥       =S

   (iii) Se {v1 , v2 , ..., vn } ´ uma base de S ent˜o v ∈ S ⊥ se e s´ se
                                 e                  a                o

                                v, v1 = v, v2 = ... = v, vn = 0.



Teorema 53 Seja S ´ um subespa¸o de dimens˜o finita de um espa¸o euclidiano V . Seja
                      e          c          a                 c
v ∈ V . Ent˜o, existe um elemento de S mais pr´ximo de v do que qualquer dos outros
           a                                  o
pontos de S. Este elemento ´ a projec¸˜o ortogonal PS (v) de v sobre S e tem-se
                             e         ca

                                     v − PS (v) ≤ v − u ,

para todo o u ∈ S, e a igualdade verifica-se se e s´ se u = PS (v).
                                                  o



Defini¸˜o 43 Seja V um espa¸o euclidiano. Seja S ´ um subespa¸o de V com dim S = k.
       ca                     c                 e           c
Seja q ∈ V . Chama-se ao conjunto
                                     {q} + S
um k-plano. A distˆncia d de um ponto p ∈ V a um k-plano P = {q} + S ´ dada por:
                  a                                                  e

                                    d (p, P) = PS ⊥ (p − q) .



Observa¸˜o 43 A distˆncia entre dois k-planos paralelos P1 = {a} + S e P2 = {b} + S ´
        ca          a                                                               e
dada por:
                            d (P1 , P2 ) = PS ⊥ (a − b) .



Exemplo 41 Considere-se R3 com o produto interno usual.

   (i) Seja P o plano (em R3 ) que passa pelos pontos: (1, 2, 1), (1, 0, −1) e (1, 1, 1). Tem-se

                         P = {(1, 2, 1)} + L ({(0, −2, −2), (0, −1, 0)})


   Equa¸˜o vectorial de P:
       ca

                        (x, y, z) = (1, 2, 1) + α(0, −2, −2) + β(0, −1, 0),

com α, β ∈ R.

                                                57
Equa¸oes param´tricas de P:
       c˜        e
                           
                            x=1
                           
                           
                           
                           
                              y = 2 + 2β − 2α − β
                           
                           
                           
                           
                           
                              z = 1 − 2α
com α, β ∈ R.
   Equa¸˜o cartesiana de P:
       ca
                                               x = 1.

   Em alternativa, podemos determinar uma equa¸˜o cartesiana de P do seguinte modo.
                                                   ca
Atendendo a que
                      P = {(1, 2, 1)} + L ({(0, −2, −2), (0, −1, 0)}) ,
seja
                               S = L ({(0, −2, −2), ((0, −1, 0)}) .
Logo,
       S⊥ =     (x, y, z) ∈ R3 : (x, y, z), (0, −2, −2) = 0 e    (x, y, z), (0, −1, 0) = 0 =
                       0 −2 −2
          = Nuc                         = L ({(1, 0, 0)})
                       0 −1 0
e assim, a equa¸ao cartesiana do plano P que passa pelo ponto (1, 2, 1) ´ dada por:
               c˜                                                       e
                            ( (x − 1, y − 2, z − 1), (1, 0, 0) = 0) ⇔
ou seja por
                                               x = 1.

    (ii) Determinemos a equa¸˜o cartesiana da recta que passa pelos pontos (1, 1, 0) e
                            ca
(1, 2, 1). Tem-se
                            r = {(1, 1, 0)} + L ({(0, 1, 1)}) ,
uma vez que (0, 1, 1) = (1, 2, 1) − (1, 1, 0). Seja
                                       S = L ({(0, 1, 1)}) .
Logo,
S ⊥ = (x, y, z) ∈ R3 : (x, y, z), (0, 1, 1) = 0 = Nuc          0 1 1    = L ({(1, 0, 0), (0, 1, −1)})
e assim, a equa¸ao cartesiana da recta r ´ dada por:
               c˜                        e
           ( (x − 1, y − 1, z), (1, 0, 0) = 0 e    (x − 1, y − 1, z), (0, 1, −1) = 0) ⇔
                           ⇔ (1 (x − 1) = 0 e 1 (y − 1) − 1z = 0) ,
ou seja por                               
                                           x=1
                                          
                                              y − z = 1.



                                                  58
6     Transforma¸oes Lineares
                c˜

Defini¸˜o 44 Sejam U e V espa¸os lineares. Diz-se que
     ca                     c

                                            T :U →V

´ uma transforma¸˜o linear se e s´ se verificar as duas condi¸oes:
e               ca               o                          c˜

    (i) T (u + v) = T (u) + T (v), para todos os u, v ∈ U .
    (ii) T (λu) = λT (u), para todos os u ∈ U e λ ∈ R.



Observa¸˜o 44 Sejam U e V espa¸os lineares. Sejam 0 o vector nulo de U e 0 o vector
         ca                   c
nulo de V .

    (i) Se T : U → V fˆr uma transforma¸ao linear ent˜o T (U ) ´ um subespa¸o de V e
                        o                c˜           a        e           c
al´m disso tem-se T (0) = 0 . Logo, se T n˜o verificar T (0) = 0 ent˜o T n˜o ser´ uma
  e                                       a                        a     a     a
transforma¸ao linear.
           c˜

    (ii) T : U → V ´ uma transforma¸ao linear se e s´ se
                   e               c˜               o

                                 T (λu + µv) = λT (u) + µT (v),

para todos os λ, µ ∈ R e u, v ∈ U .

   (iii) Seja T : U → V uma transforma¸ao linear e seja {v1 , v2 , . . . , vn } uma base de U .
                                               c˜
Seja u ∈ U . Logo, existem λ1 , λ2 , ..., λn ∈ R tais que

                                  u = λ1 v1 + λ2 v2 + ... + λn vn .

Tem-se ent˜o
          a
                          T (u) = λ1 T (v1 ) + λ2 T (v2 ) + ... + λn T (vn ).

Exemplo 42 Consideremos a base can´nica {(1, 0) , (0, 1)} de R2 . Seja T : R2 → R uma
                                         o
transforma¸ao linear tal que T (1, 0) = 1 e T (0, 1) = 1.
          c˜
   Para qualquer (x, y) ∈ R2 tem-se

                                    (x, y) = x(1, 0) + y(0, 1).

Ent˜o,
   a
                T (x, y) = T (x(1, 0) + y(0, 1)) = xT (1, 0) + yT (0, 1) = x + y.
Logo, T : R2 → R ´ a transforma¸ao linear definida explicitamente por
                 e             c˜

                                         T (x, y) = x + y.




                                                  59
Teorema 54 Sejam U e V espa¸os lineares e seja {v1 , v2 , . . . , vn } uma base de U . Sejam
                                c
T1 , T2 : U → V duas transforma¸oes lineares.
                               c˜

                Se T1 (vi ) = T2 (vi ) para todo o i = 1, . . . , n, ent˜o T1 (u) = T2 (u),
                                                                        a

para todo o u ∈ U , isto ´, T1 = T2 .
                         e



Exemplo 43 Sejam U e V espa¸os lineares e seja 0 o vector nulo de V .
                           c

   (i) Seja O : U → V definida por
                                               O(u) = 0,
para todo o u ∈ U . O ´ uma transforma¸ao linear e chama-se transforma¸˜o nula.
                      e               c˜                              ca

   (ii) Seja λ ∈ R. Seja Tλ : U → U definida por

                                              Tλ (u) = λu,

para todo o u ∈ U . Tλ ´ uma transforma¸ao linear. Se λ = 1 ent˜o chama-se a T1 a
                       e               c˜                        a
transforma¸˜o identidade e denota-se por I. Tem-se I(u) = u, para todo o u ∈ U .
           ca

   (iii) Seja
                                         tr : Matn×n (R) → R
definida por
                                                                     n
                               tr(A) = a11 + a22 + ... + ann =            aii ,
                                                                    i=1

para todo o A = (aij )n×n ∈ Matn×n (R). tr (tra¸o) ´ uma transforma¸ao linear.
                                               c e                 c˜

   (iv) Seja A ∈ Matm×n (R). Seja

                                             T : Rn → R m

definida por
                                              T (u) = Au,
para todo o u ∈ Rn . T ´ uma transforma¸ao linear.
                       e               c˜

   (v) Seja E o espa¸o das fun¸oes diferenci´veis. Ent˜o T : E → E definida por
                    c         c˜            a         a

                                               T (f ) = f

´ uma transforma¸ao linear.
e               c˜




                                                    60
6.1    Matriz mudan¸a de base
                   c
Nesta sec¸ao vamos dar uma fam´ importante de ”Representa¸ao matricial”.
         c˜                   ılia                       c˜

Teorema 55 Seja V um espa¸o linear de dimens˜o n. Sejam S1 = {v1 , v2 , . . . , vn } e S2 =
                                    c                 a
{w1 , w2 , . . . , wn } duas bases ordenadas de V . Seja SS1 →S2 a matriz cujas colunas s˜o as
                                                                                         a
coordenadas dos vectores de S1 em rela¸ao a base S2 . Isto ´,
                                            c˜ `               e
                                                            n
             SS1 →S2 = (sij )n×n         com vj =                sij wi      para todo o j = 1, ..., n.
                                                           i=1

A matriz SS1 →S2 ´ n˜o singular e chama-se matriz de mudan¸a de base (da base S1 para
                  e a                                     c
S2 ). Assim, se tivermos
                                                            n
                                                   u=            λi v i ,
                                                           i=1

isto ´, se (λ1 , ..., λn ) forem as coordenadas do vector u na base S1 ent˜o as coordenadas
       e                                                                  a
(µ1 , ..., µn ) de u na base S2 s˜o dadas por
                                 a
                                                        
                                       µ1               λ1
                                      .             . 
                                      .  = SS1 →S2  .  .
                                        .                .
                                       µn               λn

   Dem. Tem-se
                     n               n                n          n                  n   n
               u=         µi wi =         λj v j =         λj          sij wi =               sij λj   wi .
                    i=1             j=1              j=1         i=1              i=1   j=1

Atendendo ao teorema 36 (i), as coordenadas de um vector u numa base s˜o unicas. Logo,
                                                                      a ´
                                                           n
                                               µi =              sij λj      ,
                                                           j=1

para todo o i = 1, ..., n. Isto ´,
                                e
                                                                            
                                            µ1                              λ1
                                           .                               . .
                                           .  = SS1 →S2                   . 
                                                          
                                             .                               .
                                            µn                              λn

Observa¸˜o 45 Tem-se
       ca
                                              SS2 →S1 = (SS1 →S2 )−1 .

Exemplo 44 Seja Bc = {(1, 0), (0, 1)} a base can´nica de R2 . Seja B = {(1, 2), (2, 1)} uma
                                                  o
outra base ordenada de R2 . Sejam (2, 3) as coordenadas de um vector u na base can´nica Bc
                                                                                    o
e determinemos as coordenadas de u na base B usando a matriz de mudan¸a de base SBc →B .
                                                                         c
Tem-se
                                            −1/3 2/3
                                SBc →B =                  ,
                                             2/3 −1/3

                                                           61
uma vez que
                          1        2                 2        1
                (1, 0) = − (1, 2) + (2, 1) e (0, 1) = (1, 2) − (2, 1).
                          3        3                 3        3
Logo, as coordenadas de u na base B s˜o dadas por
                                     a

                                  2           −1/3 2/3                    2       4/3
                        SBc →B         =                                      =         .
                                  3            2/3 −1/3                   3       1/3

Logo, 4/3 e 1/3 s˜o as coordenadas de (2, 3) na base ordenada B, isto ´
                 a                                                    e
                                               4        1
                                       (2, 3) = (1, 2) + (2, 1).
                                               3        3

6.2     Representa¸˜o matricial de uma transforma¸˜o linear
                  ca                             ca
Teorema 56 Sejam U e V espa¸os lineares de dimens˜es finitas tais que dim U = n e
                                   c                      o
dim V = m. Sejam S1 = {u1 , u2 , . . . , un } e S2 = {v1 , v2 , . . . , vm } duas bases ordenadas
de U e V respectivamente. Seja T : U → V uma transforma¸ao linear. Considere-se a
                                                                        c˜
matriz A = (aij )m×n ∈ Matm×n (R) cuja coluna j, para cada j = 1, ..., n, ´ formada pelas
                                                                                  e
coordenadas de T (uj ) na base S2 . Isto ´,
                                         e
                                                         m
                                             T (uj ) =         aij vi .
                                                         i=1

Chama-se a esta matriz A a representa¸˜o matricial de T em rela¸ao as bases S 1 e S2 e
                                     ca                        c˜ `
escreve-se
                                  A = M (T ; S1 ; S2 ).
Al´m disso, sendo α1 , α2 , ..., αn as
  e                                         coordenadas de um vector v ∈ U na base ordenada S1
ent˜o as coordenadas β 1 , β 2 , ..., β m
   a                                        de T (v) ∈ V na base ordenada S2 s˜o dadas por
                                                                              a
                                                                   
                                      β1                           α1
                                   β                            α2 
                                   2                               
                                   .        = M (T ; S1 ; S2 )  .  .
                                   .   .                        . 
                                                                    .
                                      βm                           αn

Observa¸˜o 46 (a) Seja V um espa¸o linear de dimens˜o finita, com dim V = n. Sejam
         ca                                     c                      a
S1 = {u1 , u2 , . . . , un } e S2 = {v1 , v2 , . . . , vn } duas bases ordenadas de V . A representa¸ao
                                                                                                    c˜
matricial da transforma¸ao identidade I : V → V em rela¸ao as bases S1 e S2 ´ igual a
                               c˜                                         c˜ `                 e       `
matriz de mudan¸a da base S1 para S2 . Isto ´,
                       c                                   e

                                        M (I; S1 ; S2 ) = SS1 →S2 .

(b) Quando a base de partida e chegada coincidem S2 = S1 , denota-se M (T ; S1 ; S2 ) som-
plesmente por M (T ; S1 ).
                   n                             m
Teorema 57 Sejam Bc = {e1 , e2 , . . . , en } e Bc = {e1 , e2 , . . . , em } as bases can´nicas (or-
                                                                                         o
denadas) de R e R respectivamente. Seja T : Rn → Rm uma transforma¸ao linear.
             n   m
                                                                                         c˜

                                                     62
n    m
Considere-se a matriz A = (aij )m×n = M (T ; Bc ; Bc ) ∈ Matm×n (R) cuja coluna j, para cada
                                                                    m
j = 1, ..., n, ´ formada pelas coordenadas de T (ej ) na base Bc . Isto ´,
               e                                                          e
                                                               
                                                1                 0          
                              m                0               .      a1j
                                                                 .   . 
                                 aij ei = a1j  .  + ... + amj  .  =  .  .
                                               
                   T (ej ) =                                                .
                                               . 
                                                .                0 
                             i=1                                          amj
                                                0                 1

Ent˜o, tem-se, para todo o u ∈ Rn ,
   a
                                                          T (u) = Au.

   Dem. Seja u ∈ Rn . Ent˜o, existem λ1 , λ2 , ..., λn ∈ R tais que
                         a
                                                                                     n
                                    u = λ1 e1 + λ2 e2 + ... + λn en =                     λj e j .
                                                                                    j=1

Uma vez que, para todo o j = 1, ..., n,
                                                                 m
                                                    T (ej ) =           aij ei ,
                                                                 i=1

tem-se
                      n                            n                      n         m                m     n
   T (u) = T               λj e j           =            λj T (ej ) =          λj         aij ei =               aij λj   ei =
                                      T ´ linear
                                        e
                     j=1                           j=1                   j=1        i=1              i=1   j=1
                                                                                                  
                 n                      n                       a11      · · · a1n              λ1
          =           a1j λj , ...,         amj λj        =             ···                   .  = Au.
                                                                                                 . 
                                                                                                .
                j=1                   j=1                       am1      · · · amn              λn

Exemplo 45 (i) Seja T : R4 → R3 definida por T (x, y, z, w) = (3x + y − 2z, 0, x + 4z). T
                                                4  3
´ uma transforma¸ao linear e a matriz M (T ; Bc ; Bc ) que representa T em rela¸ao as bases
e                c˜                                                            c˜ `
                       4    3      4       3
can´nicas (ordenadas) Bc e Bc de R e R respectivamente, ´ dada por
   o                                                         e
                                                            
                                                3 1 −2 0
                                   4    3
                           M (T ; Bc ; Bc ) =  0 0 0 0  ,
                                                1 0 4 0

uma vez que T (1, 0, 0, 0) = (3, 0, 1), T (0, 1, 0, 0) = (1, 0, 0), T (0, 0, 1, 0) = (−2, 0, 4) e
T (0, 0, 0, 1) = (0, 0, 0). Tem-se ent˜o:
                                      a
                                                                    
                                                                   x
                                                        4    3
                                                                  y 
                               T (x, y, z, w) = M (T ; Bc ; Bc ) 
                                                                  z .
                                                                     

                                                                   w

   (ii) Sejam S1 = {1, t, t2 } e S2 = {1, t, t2 , t3 } as bases can´nicas (ordenadas) de P2 e P3
                                                                   o
respectivamente. Seja D : P2 → P3 tal que D(1) = 0, D(t) = 1 e D(t2 ) = 2t. D ´ uma       e

                                                                63
transforma¸ao linear e a matriz M (D; S1 ; S2 ) que representa D em rela¸ao as bases can´nicas
            c˜                                                          c˜ `            o
S1 e S2 , ´ dada por
          e                                                 
                                                     0 1 0
                                                   0 0 2 
                               M (D; S1 ; S2 ) =  0 0 0 .
                                                             

                                                     0 0 0
    (iii) T : R2 → R2 definida por T (x, y) = (1 − y, 2x) n˜o ´ uma transforma¸ao linear.
                                                          a e                c˜

    (iv) T : R2 → R definida por T (x, y) = xy n˜o ´ uma transforma¸ao linear.
                                               a e                c˜



Teorema 58 Seja V um espa¸o linear de dimens˜o finita. Seja T : V → V uma trans-
                                c                    a
forma¸ao linear. Sejam S1 e S2 duas bases ordenadas de V . Seja M (T ; S1 ; S1 ) a matriz que
      c˜
representa T em rela¸ao a base S1 .
                     c˜ `
   Ent˜o, a matriz M (T ; S2 ; S2 ) que representa T em rela¸ao a base S2 , ´ dada por
       a                                                    c˜ `            e

                        M (T ; S2 ; S2 ) = SS1 →S2 M (T ; S1 ; S1 ) (SS1 →S2 )−1 ,

onde SS1 →S2 ´ a matriz de mudan¸a da base S1 para S2 .
             e                    c
   Al´m disso,
     e
                            SS1 →S2 M (T ; S1 ; S1 ) = M (T ; S1 ; S2 )
e
                               M (T ; S2 ; S2 )SS1 →S2 = M (T ; S1 ; S2 ).
Isto ´, o diagrama seguinte ´ comutativo.
     e                      e
                                                 M (T ;S1 ;S1 )
                                      (V, S1 )       −→           (V, S1 )
                                                       T
                               SS1 →S2 ↓ I                         I ↓ SS1 →S2
                                                       T
                                     (V, S2 )        −→           (V, S2 )
                                                 M (T ;S2 ;S2 )


Teorema 59 (Caso geral.) Sejam U e V dois espa¸os lineares de dimens˜es finitas. Seja
                                                         c                     o
T : U → V uma transforma¸ao linear. Sejam S1 e S1 duas bases ordenadas de U . Sejam S2
                            c˜
e S2 duas bases ordenadas de V . Seja M (T ; S1 ; S2 ) a matriz que representa T em rela¸ao as
                                                                                         c˜ `
bases S1 e S2 .
    Ent˜o, a matriz M (T ; S1 ; S2 ) que representa T em rela¸ao as bases S1 e S2 , ´ dada por
       a                                                     c˜ `                   e
                                                                                 −1
                        M (T ; S1 ; S2 ) = SS2 →S2 M (T ; S1 ; S2 ) SS1 →S1           ,

onde SS2 →S2 e SS1 →S1 s˜o as matrizes de mudan¸a das bases S2 para S2 e de S1 para S1
                        a                             c
respectivamente.
   Al´m disso,
      e
                            SS2 →S2 M (T ; S1 ; S2 ) = M (T ; S1 ; S2 )
e
                               M (T ; S1 ; S2 )SS1 →S1 = M (T ; S1 ; S2 ).


                                                    64
Isto ´, o diagrama seguinte ´ comutativo.
     e                      e
                                                  M (T ;S1 ;S2 )
                                       (U, S1 )       −→           (V, S2 )
                                                        T
                               SS1 →S1 ↓ I                          I ↓ SS2 →S2
                                                        T
                                     (U, S1 )         −→           (V, S2 )
                                                  M (T ;S1 ;S2 )


Exemplo 46 Seja T : R2 → R2 definida por T (x, y) = (y, x). T ´ uma transforma¸ao
                                                                       e                c˜
                         2    2                                                            2
linear. A matriz M (T ; Bc ; Bc ) que representa T em rela¸ao a base can´nica (ordenada) Bc
                                                          c˜ `           o
     2
de R , ´ dada por
        e
                                           2    2     0 1
                                   M (T ; Bc ; Bc ) =      .
                                                      1 0
Seja S = {(1, 1), (−1, 1)} uma base ordenada de R2 .
   A matriz M (T ; S; S) que representa T em rela¸ao a base ordenada S de R2 , ´ dada por
                                                 c˜ `                          e

                                                             1 0
                                       M (T ; S; S) =                    ,
                                                             0 −1

uma vez que T (1, 1) = (1, 1) = 1(1, 1)+0(−1, 1) e T (−1, 1) = (1, −1) = 0(1, 1)+(−1)(−1, 1).
  Vamos agora verificar que se tem
                                                       2    2                       −1
                         M (T ; S; S) = SBc →S M (T ; Bc ; Bc ) SBc →S
                                          2                       2                      .
                         1          1                    1          1
    Uma vez que (0, 1) = 2 (1, 1) + 2 (−1, 1) e (1, 0) = 2 (1, 1) − 2 (−1, 1), tem-se ent˜o
                                                                                         a

                                                     1/2 1/2
                                       SBc →S =
                                         2                              .
                                                     1/2 −1/2

Logo,
                                                                                                    −1
                     2    2            −1           1/2 1/2                  0 1         1/2 1/2
      SBc →S M (T ; Bc ; Bc ) SBc →S
        2                       2           =                                                            =
                                                    1/2 −1/2                 1 0         1/2 −1/2
                                                     1/2 1/2                 1 1
                                            =                                            =
                                                    −1/2 1/2                 1 −1
                                               1 0
                                            =             =
                                               0 −1
                                            = M (T ; S; S).

Isto ´,
     e
                                                       2    2                       −1
                         M (T ; S; S) = SBc →S M (T ; Bc ; Bc ) SBc →S
                                          2                       2                      .
Al´m disso,
  e
                                              2    2             2
                               SBc →S M (T ; Bc ; Bc ) = M (T ; Bc ; S)
                                 2


e
                                                             2
                                M (T ; S; S)SBc →S = M (T ; Bc ; S).
                                              2




                                                     65
Defini¸˜o 45 Sejam U e V espa¸os lineares e S, T : U → V transforma¸oes lineares. Seja
      ca                      c                                   c˜
λ ∈ R. Sejam S + T, λT : U → V definidas por

                       (S + T ) (u) = S(u) + T (u) e (λT )(u) = λT (u),

para todo o u ∈ U . S + T e λT s˜o transforma¸oes lineares.
                                a            c˜



Defini¸˜o 46 Sejam U e V espa¸os lineares. Chama-se a L(U, V ) o conjunto de todas as
       ca                       c
transforma coes lineares de U em V .
           ¸˜



Teorema 60 Sejam U e V espa¸os lineares. O conjunto L(U, V ), com as opera¸oes da
                                 c                                        c˜
defini¸ao 29, ´ um espa¸o linear.
     c˜      e        c



Exemplo 47 Seja S = {T1 , T2 , T3 , T4 } com T1 , T2 , T3 , T4 ∈ L(R2 , R2 ) definidas por

          T1 (x, y) = (x, 0), T2 (x, y) = (y, 0), T3 (x, y) = (0, x) e T4 (x, y) = (0, y),

para todo o (x, y) ∈ R2 . O conjunto S ´ uma base de L(R2 , R2 ). Logo, dim L(R2 , R2 ) = 4.
                                       e



6.3    Transforma¸oes injectivas, sobrejectiva e bijectivas – equa¸oes
                 c˜                                               c˜
       lineares
Defini¸˜o 47 Sejam U, V e W espa¸os lineares e, T : U → V e S : V → W transforma¸oes
       ca                          c                                           c˜
lineares. Seja S ◦ T (ou ST ): U → W definida por

                                      (S ◦ T ) (u) = S (T (u)) ,

para todo o u ∈ U . S ◦ T ´ uma transforma¸ao linear. Chama-se a S ◦ T (ou ST ) a
                          e               c˜
composi¸˜o de S com T .
        ca



Observa¸˜o 47 Em geral, tem-se S ◦ T = T ◦ S.
       ca



Teorema 61 Sejam U, V e W espa¸os lineares de dimens˜es finitas. Sejam S1 , S2 e S3 bases
                                 c                    o
de U, V e W respectivamente. Sejam T ∈ L(U, V ) e S ∈ L(V, W ). Ent˜o, tem-se
                                                                   a

                         M (S ◦ T ; S1 ; S3 ) = M (S; S2 ; S3 )M (T ; S1 ; S2 ).



                                                   66
Teorema 62 (i) Sejam T : U → V, S : V → W e R : W → X. Ent˜o, tem-se
                                                          a

                                   R ◦ (S ◦ T ) = (R ◦ S) ◦ T .

   (ii) Sejam R, S : U → V e T : V → W . Seja λ ∈ R. Ent˜o, tem-se
                                                        a

                   T ◦ (R + S) = T ◦ R + T ◦ S e T ◦ (λR) = λ (T ◦ R) .

Se o contradom´
              ınio de Q estiver contido em U ent˜o
                                                a

                   (R + S) ◦ Q = R ◦ Q + S ◦ Q e (λR) ◦ Q = λ (R ◦ Q) .

Defini¸˜o 48 Define-se
     ca

                      T 0 = I e T k = T ◦ T k−1 , para todo o k = 1, 2, ....

Observa¸˜o 48 Tem-se T m+n = T m ◦ T n para todos os m, n ∈ N.
       ca



Defini¸˜o 49 (i) T : U → V diz-se injectiva se e s´ se
     ca                                          o

                                  T (u) = T (w) ⇒ u = w,

para todos os u, w ∈ U , isto ´, se e s´ se
                              e        o

                                  u = w ⇒ T (u) = T (w),

para todos os u, w ∈ U .

   (ii) T : U → V diz-se sobrejectiva se e s´ se
                                            o

                                              T (U ) = V .

   (iii) T : U → V diz-se bijectiva se e s´ se fˆr injectiva e sobrejectiva.
                                          o     o



Defini¸˜o 50 Sejam U e V espa¸os lineares. Diz-se que U e V s˜o isomorfos se e s´ se
        ca                    c                                  a                 o
existir um isomorfismo entre U e V , isto ´, se e s´ se existir uma transforma¸ao linear
                                         e        o                          c˜
bijectiva T : U → V .



Teorema 63 Sejam U e V dois espa¸os lineares de dimens˜es finitas. U e V s˜o isomorfos
                                c                     o                  a
se e s´ se dim U = dim V .
      o



Observa¸˜o 49 No teorema ?? tem-se dim L(U, V ) = mn.
       ca



                                                  67
Teorema 64 Sejam U e V espa¸os lineares de dimens˜es finitas tais que dim U = dim V .
                             c                      o
Seja T : U → V uma transforma¸ao linear. Ent˜o, T ´ injectiva se e s´ se T ´ sobrejectiva.
                             c˜             a     e                 o      e



Defini¸˜o 51 Sejam U e V espa¸os lineares e T : U → V uma transforma¸ao linear. Seja
       ca                   c                                      c˜
0 o vector nulo de V .


   (i) Chama-se contradom´
                         ınio ou imagem de T ao conjunto

                                  T (U ) = {T (u) : u ∈ U } ,

que tamb´m se denota por I(T ).
        e

   (ii) Chama-se n´cleo ou espa¸o nulo de T ao conjunto
                  u            c

                               Nuc(T ) = {u ∈ U : T (u) = 0} .

Teorema 65 Sejam U e V espa¸os lineares e T : U → V uma transforma¸ao linear. Ent˜o,
                                 c                                    c˜         a
os conjuntos Nuc(T ) e I(T ) s˜o subespa¸os de U e V respectivamente.
                              a         c



Exemplo 48 Sejam U e V espa¸os lineares. Sejam 0 e 0 os vectores nulos de U e V
                           c
respectivamente.

   (i) Considere a transforma¸ao nula O : U → V definida por
                             c˜

                                         O(u) = 0 ,

para todo o u ∈ U . Tem-se

                               Nuc(O) = U e I(O) = {0 } .

   (ii) Considere a transforma¸ao identidade I : U → U definida por
                              c˜

                                          I(u) = u,

para todo o u ∈ U . Tem-se
                                Nuc(I) = {0} e I(I) = U .

Exemplo 49 Seja A ∈ Matm×n (R). Seja

                                        T : Rn → R m

definida por
                                         T (u) = Au,
para todo o u ∈ Rn . Tem-se

                             Nuc(T ) = Nuc(A) e I(T ) = C(A).

                                              68
Defini¸˜o 52 Sejam U e V espa¸os lineares e T : U → V uma transforma¸ao linear.
     ca                     c                                      c˜

   (i) Chama-se caracter´
                        ıstica de T a dimens˜o de I(T ), isto ´,
                                    `       a                 e

                                      car T = dim I(T ).

   (ii) Chama-se nulidade de T a dimens˜o de Nuc(T ), isto ´,
                               `       a                   e

                                     nul T = dim Nuc(T ).

Teorema 66 Sejam U um espa¸o linear de dimens˜o finita e T uma transforma¸ao linear
                               c                 a                      c˜
definida em U . Ent˜o, o subespa¸o I(T ) tem dimens˜o finita e
                  a            c                  a

                              dim Nuc(T ) + dim I(T ) = dim U .

Teorema 67 Sejam T : Rn → Rm uma transforma¸ao linear. Sejam Bc e Bc as bases
                                                    c˜                  n     m

can´nicas (ordenadas) de Rn e Rm respectivamente. Seja A = M (T ; Bc ; Bc ) ∈ Matm×n (R)
   o                                                                 n  m
                                               n    m
a matriz que representa T em rela¸ao as bases Bc e Bc . Tem-se ent˜o:
                                 c˜ `                             a

   (i) dim Nuc(T ) = nul A;

   (ii) dim I(T ) = car A;

   (iii) T ´ injectiva se e s´ se nul A = 0, isto ´, se e s´ se car A = n;
           e                 o                    e        o

   (iv) T ´ sobrejectiva se e s´ se car A = m.
          e                    o


Defini¸˜o 53 Diz-se que T : U → V ´ invert´ se existir S : T (U ) → U tal que
     ca                          e       ıvel

                                S ◦ T = IU e T ◦ S = IT (U ) ,

onde IU e IT (U ) s˜o as fun¸oes identidade em U e T (U ) respectivamente. Chama-se a S a
                   a        c˜
inversa de T e escreve-se
                                          S = T −1 .

Teorema 68 Sejam U e V espa¸os lineares de dimens˜es finitas. Seja T : U → V uma
                                 c                      o
transforma¸ao linear. Seja 0 o vector nulo de U . As seguintes afirma¸oes s˜o equivalentes.
          c˜                                                        c˜    a

   (i) T ´ injectiva.
         e

   (ii) T ´ invert´ e a inversa T −1 : T (U ) → U ´ linear.
          e       ıvel                            e

   (iii) Nuc(T ) = {0}.

   (iv) dim U = dim T (U ).

   (v) T transforma vectores linearmente independentes de U em vectores linearmente in-
dependentes de V .

   (vi) T transforma bases de U em bases de T (U ).

                                               69
Teorema 69 Sejam U e V dois espa¸os lineares de dimens˜es finitas. Seja T : U → V uma
                                        c                       o
transforma¸ao linear. Sejam S1 e S2 duas bases ordenadas de U e V respectivamente. Seja
           c˜
A = M (T ; S1 ; S2 ) a matriz que representa T em rela¸ao as bases S1 e S2 .
                                                        c˜ `
   Se V = T (U ) ent˜o T ´ invert´ se e s´ se A fˆr uma matriz quadrada n˜o singular.
                        a     e      ıvel      o         o                   a
Tem-se ent˜o
           a
                                     A−1 = M (T −1 ; S2 ; S1 ),
isto ´, A−1 ser´ a matriz que representa T −1 em rela¸ao as bases S2 e S1 .
     e         a                                     c˜ `



Teorema 70 Sejam U e V espa¸os lineares. Seja T : U → V uma transforma¸ao linear.
                           c                                          c˜
Seja b ∈ V . Ent˜o:
                a

    (i) Existˆncia de solu¸˜o: o sistema T (u) = b tem pelo menos uma solu¸ao u se e s´
               e          ca                                              c˜          o
se b ∈ T (U );

    (ii) Unicidade de solu¸˜o: o sistema T (u) = b tem no m´ximo uma solu¸ao u se e s´
                          ca                               a             c˜          o
se T fˆr injectiva;
       o

    (iii) Existˆncia e unicidade de solu¸˜o: o sistema T (u) = b tem solu¸ao unica u se
               e                        ca                               c˜ ´
e s´ se b ∈ T (U ) e T fˆr injectiva.
   o                    o



Teorema 71 Sejam U e V espa¸os lineares. Seja T : U → V uma transforma¸ao linear. Seja
                                 c                                            c˜
b ∈ V . A solu cao geral do sistema de equa¸oes lineares T (u) = b obt´m-se somando a uma
               ¸˜                           c˜                        e
solu¸ao particular desse sistema a solu¸a o geral do sistema de equa¸oes lineares homog´neo
    c˜                                 c˜                           c˜                 e
T (u) = 0.



6.4    Valores e vectores pr´prios de transforma¸oes lineares
                            o                   c˜
Defini¸˜o 54 Seja U espa¸o lineare e T : U → V uma transforma¸ao linear. Diz-se que um
       ca                c                                      c˜
escalar λ ´ um valor pr´prio de T se existir um vector n˜o nulo u ∈ U tal que
          e            o                                a

                                         T (u) = λu.

Aos vectores n˜o nulos u que satisfazem a equa¸ao anterior chamam-se vectores pr´prios
              a                               c˜                                o
associados ao valor pr´prio λ. Dado um valor pr´prio λ de T , o conjunto
                      o                        o

                                 Eλ = {u ∈ U : T (u) = λu}

´ um subespa¸o linear de U . Chama-se a Eλ o subespa¸o pr´prio de T associado ao valor
e           c                                       c    o
pr´prio λ.
  o




                                             70
Teorema 72 Sejam V um espa¸o linear e 0 o vector nulo de V . Seja T : V → V uma
                                 c
transforma¸ao linear.
           c˜
   (i) Um escalar λ ´ um valor pr´prio de T se e s´ se Nuc(T − λI) = {0}. Sendo λ um
                       e            o                 o
valor pr´prio de T , o subespa¸o pr´prio de T , associado ao valor pr´prio λ, ´ dado por
        o                     c    o                                 o        e

                                     Eλ = Nuc(T − λI).
    (ii) Se o espa¸o linear V tiver dimensa˜ finita e se A = M (T ; B, B) fˆr uma matriz que
                  c                         o                             o
representa T em rela¸ao a uma base B de V , ent˜o um escalar λ ´ um valor pr´prio de T se
                      c˜                         a               e             o
e s´ se esse escalar λ fˆr solu¸ao da equa¸ao
   o                    o      c˜         c˜

                                       det(A − λI) = 0,

i.e. λ fˆr valor pr´prio de A.
        o          o



Observa¸˜o 50 Se A = M (T ; B, B) representa uma transforma¸ao linear T : V → V num
          ca                                                     c˜
base B1 , ent˜o T diz-se diagonaliz´vel se A o fˆr. Neste caso, sendo Bvp constutu´ por
             a                     a            o                                 ıda
vectores pr´prios de T , ent˜o:
           o                a

                                  M (T ; Bvp , Bvp ) = SAS −1

onde S = SB→Bvp , e portanto M (T ; Bvp , Bvp ) ´ a matriz diagonal cujas entradas da diagonal
                                                e
s˜o os valores pr´prios de A (iguais aos de T ).
 a               o


7     Algumas Aplica¸oes
                    c˜
7.1    Formas quadr´ticas
                   a
a completar...

7.2    M´
        ınimos quadrados
a completar....

7.3    Equa¸oes diferenciais ordin´rias
           c˜                     a
a completar....


Nota Final. Agradecimentos ao Prof. Nuno Martins (ver http://www.math.ist.utl.pt/~ nmartins) por
ter cedido os suas notas de algebra linear, das quais resultaram estas como corol´rio.
                            ´                                                    a




                                              71

Apontamentos aulas teóricas al

  • 1.
    Instituto Superior T´cnico e Departamento de Matem´tica a c˜ ´ Sec¸ao de Algebra e An´lise a ´ Apontamentos das Aulas Te´ricas de Algebra Linear o 1o Semestre 2007/2008 LEAmb, LEMat, LQ, MEBiol, MEQ Paulo Pinto http://www.math.ist.utl.pt/˜ ppinto/ Conte´ do u 1 Sistemas de Equa¸oes Lineares e c˜ C´lculo a Matricial 2 1.1 Matrizes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 1.2 Sistemas de Equa¸oes Lineares . c˜ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 1.3 Matrizes Elementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 1.4 A matriz inversa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 2 Determinante 19 3 Espa¸os Lineares (Vectoriais) c 23 3.1 Subespa¸os lineares – exemplos: n´ cleo, espa¸o colunas e linhas de c u c uma matriz 26 3.2 Independencia linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 3.3 Bases e dimens˜o de Espa¸os Lineares . . . . . . . . . . . . . . . a c . . . . . . 33 3.4 Coordenadas de um vector numa base . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 4 Valores Pr´prios, Vectores Pr´prios e diagonaliza¸˜o de Matrizes o o ca 40 5 Produtos Internos 47 6 Transforma¸oes Lineares c˜ 59 6.1 Matriz mudan¸a de base . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . c . . . . 61 6.2 Representa¸ao matricial de uma transforma¸ao linear . . . . . . . . . c˜ c˜ . . . . 62 6.3 Transforma¸oes injectivas, sobrejectiva e bijectivas – equa¸oes lineares c˜ c˜ . . . . 66 6.4 Valores e vectores pr´prios de transforma¸oes lineares . . . . . . . . . o c˜ . . . . 70 7 Algumas Aplica¸oes c˜ 71 7.1 Formas quadr´ticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . a 71 7.2 M´ınimos quadrados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 7.3 Equa¸oes diferenciais ordin´rias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . c˜ a 71 1
  • 2.
    1 Sistemas de Equa¸oes Lineares e C´lculo Matricial c˜ a 1.1 Matrizes Defini¸˜o 1 Uma matriz A, do tipo m ca × n (m por n), ´ uma tabela de mn n´ meros e u dispostos em m linhas e n colunas:   a11 a12 ··· a1n  a21 a22 ··· a2n    A= . . . .  .. . . ··· . .  am1 am2 · · · amn A linha i de A ´: e ai1 ai2 · · · ain , para cada i = 1, ..., m. A coluna j de A ´: e   a1j   a2j    . .   .  amj para cada j = 1, ..., n. Usa-se tamb´m a nota¸ao A = (aij )m×n na qual aij ´ a entrada (i, j) e c˜ e da matriz A. Se m = n, diz-se que A ´ uma matriz quadrada do tipo n × n e as entradas a11 , a22 , ..., e ann formam a chamada diagonal principal de A. Exemplo 1 As matrizes   4 1 −1 1 2 3 4  3  A= , B= , C= 0 0 7 eD=  −2 2 2 0 −2 0  2  1 s˜o dos seguintes tipos: A ´ 2 × 2, B ´ 2 × 4, C ´ 1 × 3, A ´ 4 × 1. Tem-se, por exemplo, a e e e e a21 = −2, b13 = 3, c12 = 0 e d41 = 1. Observa¸˜o 1 Uma matriz (real) A do tipo m × n ´ uma aplica¸ao: ca e c˜ A : {1, ..., m} × {1, ..., n} −→ R (i, j) −→ aij Nota¸˜o 1 O conjunto de todas as matrizes reais do tipo m×n ´ denotado por Matm×n (R). ca e 2
  • 3.
    Defini¸˜o 2 Duasmatrizes s˜o iguais se forem do mesmo tipo e se as entradas corres- ca a pondentes forem iguais, isto ´, A = (aij )m×n e B = (bij )p×q s˜o iguais se m = p, n = q e e a aij = bij , para i = 1, ..., m e j = 1, ..., n. Defini¸˜o 3 A soma de duas matrizes do mesmo tipo A = (aij )m×n e B = (bij )m×n ´ a ca e matriz A + B = (aij + bij )m×n . Exemplo 2 Sejam   −1 √ 1 4 −1 0 −3 2 A= ,B= , C =  −1/2  e D = −2 3 . −3 2 6 4 −1 −5 2 1 1 1 Tem-se A + B = e n˜o ´ poss´ somar C com D. a e ıvel 1 1 1 Defini¸˜o 4 O produto de um escalar (n´ mero) α por uma matriz A = (aij )m×n ´ a ca u e matriz: αA = (αaij )m×n . Nota¸˜o 2 A matriz (−1)A ser´ denotada por −A. ca a 1 4 −1 Exemplo 3 Seja A = . Tem-se, por exemplo, −3 2 6 −2 −8 2 −2A = . 6 −4 −12 Defini¸˜o 5 O produto AB de duas matrizes A e B s´ pode ser efectuado se o n´ mero ca o u de colunas da 1a matriz, A, fˆr igual ao n´ mero de linhas da 2a matriz, B. Nesse caso, o o u produto AB de A = (aij )m×p por B = (bij )p×n ´ definido por: e p AB = aik bkj , k=1 m×n isto ´, e    p p  a11 a12 ··· a1p   a1k bk1 ··· a1k bkn   . .  b11 · · · b1j · · · b1n   . . ··· .  .   k=1 k=1     b21 · · · b2j · · · b2n   ··· p aik bkj ···   ai1 ai2 ··· aip   . . . =  .  . ··· . ··· .    . . . . k=1   . . ··· .  .   p p   bp1 · · · bpj · · · bpn amk bk1 ··· amk bkn am1 am2 ··· amp k=1 k=1 3
  • 4.
    Exemplo 4 SejamA, B, C e D as matrizes do exemplo 2. N˜o ´ poss´ efectuar, por a e ıvel exemplo, AB. No entanto, tem-se:  √  2 − 3 √ −5 AC = e CD =  1 − √ 3/2  . 14 −4 2 3 Observa¸˜o 2 O produto de matrizes n˜o ´ comutativo. Por exemplo, para ca a e 0 1 0 −1 1 0 −1 0 A= eB= tem-se AB = e BA = . 1 0 1 0 0 −1 0 1 Logo AB = BA. Defini¸˜o 6 A transposta de uma matriz A = (aij )m×n ´ a matriz ca e AT = (aji )n×m que se obtem trocando as linhas com as colunas de A. Exemplo 5 Sejam A e C as matrizes do exemplo 2. Tem-se   1 −3 1 AT =  4 2  e C T = −1 − 2 . −1 6 2 Teorema 1 Sejam A, B, C e D matrizes de tipos apropriados, α e β escalares. S˜o v´lidas a a as seguintes propriedades para as opera¸oes matriciais. c˜ (a) (Comutatividade da soma) A + B = B + A. (b) (Associatividade da soma) A + (B + C) = (A + B) + C. (c) (Elemento neutro da soma) Existe uma unica matriz 0 do tipo m×n tal que A+0 = A, ´ para toda a matriz A do tipo m × n. A ` matriz 0, cujas entradas s˜o todas iguais a zero, a chama-se matriz nula. (d) (Sim´trico) Para cada matriz A existe uma unica matriz B tal que A + B = 0. Esta e ´ matriz B denota-se por −A. (e) (Associatividade do produto por escalares) α (βA) = (αβ) A. (f ) (Distributividade) (α + β) A = αA + βA. 4
  • 5.
    (g) (Distributividade) α(A + B) = αA + αB. (h) (Associatividade do produto de matrizes) A (BC) = (AB) C. (i) (Distributividade) A (B + C) = AB + AC e (B + C) D = BD + CD. (j) α (AB) = (αA) B = A (αB). T (k) AT = A. (l) (A + B)T = AT + B T . (m) (αA)T = αAT . (n) (AB)T = B T AT . (o) (A1 A2 ...An )T = AT ...AT AT , com A1 , A2 , ..., An matrizes de tipos apropriados. n 2 1 ` (p) A matriz, do tipo n × n,   1 0 ··· 0   0 1 ··· 0   I= . . .. .  .   . . . 0 0 ··· 1 chama-se matriz identidade (de ordem n) e ´ tal que e AI = A e IB = B, para todas as matrizes A = (aij )m×n e B = (bij )n×m . Defini¸˜o 7 (i) A diferen¸a entre duas matrizes A e B do mesmo tipo ´ definida por ca c e A − B = A + (−B), ou seja, ´ a soma de A com o sim´trico de B. e e (ii) Sejam A uma matriz do tipo n × n e p ∈ N. A potˆncia p de A ´ definida por e e Ap = A...A e para p = 0 define-se A0 = I. p vezes ` (iii) A matriz do tipo n × n   a11 0 · · · 0   0 a22 · · · 0    . . .. . . ,  . . .  0 0 · · · ann cujas entradas fora da diagonal principal s˜o nulas, chama-se matriz diagonal. a 5
  • 6.
    Observa¸˜o 3 Tem-se:1A = A, 0A = 0, A + A = 2A, A + . . . + A = nA. ca n vezes Defini¸˜o 8 (i) Seja A = (aij )n×n uma matriz do tipo n × n. Diz-se que A ´ sim´trica se ca e e A = A , isto ´, se aij = aji , para i, j = 1, ..., n. Diz-se que A ´ anti-sim´trica se A = −AT , T e e e isto ´, se aij = −aji , para i, j = 1, ..., n. e 1.2 Sistemas de Equa¸oes Lineares c˜ Defini¸˜o 9 Uma equa¸˜o linear com n inc´gnitas x1 , x2 , ..., xn ´ uma equa¸ao da forma ca ca o e c˜ a1 x1 + a2 x2 + ... + an xn = b, em que a1 , a2 , ..., an e b s˜o constantes (reais ou complexos). a Defini¸˜o 10 Um sistema de m equa¸oes lineares com n inc´gnitas ´ um conjunto de ca c˜ o e equa¸oes da forma c˜   a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = b1   a21 x1 + a22 x2 + ... + a2n xn = b2 (∗)   ...  am1 x1 + am2 x2 + ... + amn xn = bm em que aij e bk s˜o constantes (reais ou complexos), para i, k = 1, ..., m e j = 1, ..., n. a Observa¸˜o 4 Usando o produto de matrizes definido na sec¸ao anterior, o sistema linear ca c˜ acima pode ser escrito como uma equa¸ao matricial c˜ AX = B, em que       a11 a12 ··· a1n x1 b1   a21 a22 ··· a2n     x2     b2   A= . . . . . . , X= . .  e B= . . .  . .··· .   .   .  am1 am2 · · · amn xn bm A matriz A ´ a matriz dos coeficientes do sistema, X ´ a matriz coluna das inc´gnitas e e o e B ´ a matriz coluna dos termos independentes. Uma solu¸ao do sistema linear (∗) ´ uma e c˜ e matriz   s1  s2    S= .  .   . sn 6
  • 7.
    tal que asequa¸oes do sistema s˜o satisfeitas quando substitu´ c˜ a ımos x1 = s1 , x2 = s2 , ..., xn = sn . Ao conjunto de todas as solu¸oes do sistema chama-se conjunto solu¸ao ou solu¸ao geral do c˜ c˜ c˜ sistema. Exemplo 6 O sistema linear de duas equa¸oes e duas inc´gnitas c˜ o x + 2y = 1 2x + y = 0 pode ser escrito do seguinte modo: 1 2 x 1 = . 2 1 y 0 −1/3 A solu¸ao (geral) do sistema acima ´ x = −1/3 e y = 2/3 (verifique!), isto ´, X = c˜ e e . 2/3 Observa¸˜o 5 De modo a facilitar a resolu¸ao de um sistema linear, este pode ser sempre ca c˜ substitu´ por outro que tenha o mesmo conjunto solu¸ao. Esse outro ´ obtido depois ıdo c˜ e de aplicar sucessivamente opera¸oes sobre as equa¸oes do sistema inicial que n˜o alterem a c˜ c˜ a solu¸ao do mesmo. As opera¸oes s˜o: c˜ c˜ a - Trocar a posi¸ao de duas equa¸oes do sistema; c˜ c˜ - Multiplicar uma equa¸ao por um escalar diferente de zero; c˜ - Somar a uma equa¸ao um m´ ltiplo escalar de outra equa¸ao. c˜ u c˜ Estas s˜o as chamadas opera¸oes elementares. Quando aplicamos opera¸oes elementares a c˜ c˜ as equa¸oes de um sistema linear, s´ os coeficientes e os termos independentes do sistema ` c˜ o s˜o alterados. Assim, podemos aplicar as opera¸oes a matriz a c˜ `   a11 a12 · · · a1n | b1  a21 a22 · · · a2n | b2    [A | B] =  . . . . . ,  . . . ··· . . . . .  . . am1 am2 · · · amn | bm a qual se d´ o nome de matriz aumentada do sistema. ` a Defini¸˜o 11 As opera¸oes elementares que podem ser aplicadas as linhas de uma matriz ca c˜ ` s˜o as seguintes: a (i) Trocar a posi¸ao de duas linhas da matriz; c˜ (ii) Multiplicar uma linha da matriz por um escalar diferente de zero; (iii) Somar a uma linha da matriz um m´ ltiplo escalar de outra linha. u 7
  • 8.
    Teorema 2 Sedois sistemas lineares AX = B e CX = D s˜o tais que a matriz aumentada a [C | D] ´ obtida de [A | B] atrav´s de uma opera¸ao elementar, ent˜o os dois sistemas tˆm e e c˜ a e o mesmo conjunto solu¸ao, isto ´, s˜o equivalentes. c˜ e a Observa¸˜o 6 O m´todo que iremos usar para resolver sistemas lineares consiste na aplica¸ao ca e c˜ de opera¸oes elementares as linhas da matriz aumentada do sistema de modo a obter uma c˜ ` matriz em escada de linhas em rela¸ao a qual o sistema associado seja de f´cil resolu¸ao. c˜ ` a c˜ Defini¸˜o 12 Uma matriz A = (aij )m×n diz-se em escada de linhas se: ca (i) Todas as linhas nulas (formadas inteiramente por zeros) est˜o por baixo das linhas a n˜o nulas; a (ii) Por baixo (e na mesma coluna) do primeiro elemento n˜o nulo de cada linha e por a baixo dos elementos nulos anteriores da mesma linha, todas as entradas s˜o nulas. Esse a primeiro elemento n˜o nulo de cada linha tem o nome de pivot. a Defini¸˜o 13 Seja A uma matriz em escada de linhas. Ao no de pivots de A matriz, isto ca o ´, ao n de linhas n˜o nulas de A, d´-se o nome de caracter´ e a a ıstica de A, car A. Se A fˆr a o matriz em escada de linhas obtida de C atrav´s de opera¸oes elementares ent˜o diz-se que a e c˜ a caracter´ıstica de C ´ car A, tendo-se car C = car A. Temos que carA =carA T . e Exemplo 7 As seguintes matrizes est˜o em escada de linhas: a   2 −1 2 1/2 0 √0  0 0 −3 1 0 2  4 −1 0 1 3 0   A= , B= , C= 0 0 0 0 0 −5  . 0 0 0 0 −5 1   0 0  0 0 0 0  0 0 0 0 0 0 Pivot de A: 4. Pivots de B: 1, −5. Pivots de C: 2, −3, −5. car A = 1, car B = 2 e car C = 3. Defini¸˜o 14 O m´todo de resolver sistemas lineares que consiste em aplicar opera¸oes ca e c˜ elementares as linhas da matriz aumentada do respectivo sistema de modo a que essa matriz ` fique em escada de linhas, chama-se m´todo de elimina¸˜o de Gauss1 . e ca 1 Johann Carl Friedrich Gauss 1777-1855 8
  • 9.
    Exemplo 8 Osistema linear   x+z =3     x + 2y + 2z = 6      3y + 3z = 6 na forma matricial ´ e      1 0 1 x 3  1 2 2  y  =  6 . 0 3 3 z 6 Consideremos ent˜o a matriz aumentada e a o consequente m´todo de elimina¸ao de Gauss: e c˜       1 0 1 | 3 1 0 1 | 3 1 0 1 | 3  1 2 2 | 6  −→  0 2 1 | 3  3 −→  0 2 1 | 3 . −L1 +L2 →L2 − 2 L2 +L3 →L3 3 3 0 3 3 | 6 0 3 3 | 6 0 0 2 | 2 Logo,    x+z =3   x=2        2y + z = 3 ⇔ y=1       3    3  2 z=2 z = 1. Neste exemplo o sistema tem solu¸˜o unica e diz-se poss´ ca ´ ıvel e determinado. Exemplo 9 O sistema linear   3z − 9w = 6     5x + 15y − 10z + 40w = −45      x + 3y − z + 5w = −7 ´ equivalente a e    x    0 0 3 −9  6  5 15 −10 40   y  =  −45  .   z  1 3 −1 5 −7 w Consideremos ent˜o a matriz aumentada e o consequente m´todo de elimina¸ao de Gauss: a e c˜     0 0 3 −9 | 6 1 3 −1 5 | −7  5 15 −10 40 | −45  −→  1 3 −2 8 | −9  −→ L1 ↔L3 −L1 +L2 →L2 1 3 −1 5 | −7 1 L →L2 0 0 3 −9 | 6 5 2     1 3 −1 5 | −7 1 3 −1 5 | −7 −→  0 0 −1 3 | −2  −→  0 0 −1 3 | −2  . 3L2 +L3 →L3 0 0 3 −9 | 6 0 0 0 0 | 0 9
  • 10.
    Logo,    x + 3y − z + 5w = −7  x = −3y − 2w − 5 ⇔   −z + 3w = −2 z = 3w + 2. As inc´gnitas y e w s˜o livres e as inc´gnitas x e z s˜o n˜o livres. A solu¸ao geral do sistema o a o a a c˜ ´: e     x −3y − 2w − 5  y   y  X= =  z   , 3w + 2  w w para quaisquer y, w ∈ R, isto ´, o conjunto solu¸ao ´ dado por: e c˜ e S = {(−3y − 2w − 5, y, 3w + 2, w) : y, w ∈ R} . Neste exemplo o sistema tem infinitas solu¸oes e diz-se poss´ c˜ ıvel e indeterminado. Exemplo 10 Seja a ∈ R. O sistema linear   x + 2y + z = 3     x+y−z =2      x + y + (a2 − 5) z = a ´ equivalente a e      1 2 1 x 3  1 1 −1   y  =  2  . 1 1 a2 − 5 z a Consideremos ent˜o a matriz aumentada e o consequente m´todo de elimina¸ao de Gauss: a e c˜       1 2 1 3 1 2 1 3 1 2 1 3  1 1 −1 2  −→  0 −1 −2 −1  −→  0 −1 −2 −1  . −L1 +L2 →L2 −L2 +L3 →L3 1 1 a2 − 5 a −L1 +L3 →L3 0 −1 a2 − 6 a − 3 0 0 a2 − 4 a − 2 Se a = 2, ent˜o o sistema ´ poss´ e indeterminado: a e ıvel    x + 2y + z = 3  x = 3z + 1 ⇔   −y − 2z = −1 y = −2z + 1, a inc´gnita z ´ livre, as inc´gnitas x e y s˜o n˜o livres e a solu¸ao geral do sistema ´ o e o a a c˜ e     x 3z + 1 X =  y  =  −2z + 1  , z z 10
  • 11.
    para qualquer z∈ R, isto ´, o conjunto solu¸ao ´ dado por: e c˜ e S = {(3z + 1, −2z + 1, z) : z ∈ R} . Assim, se a = 2, o sistema tem infinitas solu¸oes e diz-se poss´ c˜ ıvel e indeterminado. Se a = −2, o sistema n˜o tem solu¸˜o e diz-se imposs´ a ca ıvel. Se a = −2 e a = 2, o sistema tem a solu¸˜o unica: ca ´     x (a + 5)/(a + 2) X = y = a/(a + 2)  z 1/(a + 2) e diz-se poss´ ıvel e determinado. Observa¸˜o 7 Seja [A | B] a matriz aumentada associada a um sistema linear com n ca inc´gnitas. o (i) Se car A = car [A | B] = n ent˜o o sistema ´ poss´ a e ıvel e determinado (tem uma unica solu¸ao). ´ c˜ (ii) Se car A = car [A | B] < n ent˜o o sistema ´ poss´ a e ıvel e indeterminado (tem um no infinito de solu¸oes). c˜ (iii) Se car A < car [A | B] ent˜o o sistema ´ imposs´ a e ıvel (n˜o tem solu¸ao). a c˜ (iv) Podemos escolher como inc´gnitas livres (podem tomar valores arbitr´rios) do o a sistema aquelas que correspondem as colunas, que n˜o contenham pivots, da matriz em ` a escada de linhas obtida de A atrav´s de opera¸oes elementares. e c˜ (v) As inc´gnitas n˜o livres do sistema s˜o aquelas que correspondem as colunas, o a a ` que contenham pivots, da matriz em escada de linhas obtida de A atrav´s de opera¸oes e c˜ elementares. (vi) car A = no de linhas n˜o nulas da matriz em escada de linhas obtida de A = no de a o pivots = n de inc´gnitas n˜o livres. o a Teorema 3 Sejam A uma matriz do tipo m × n e B uma matriz do tipo m × 1. Se o sistema linear AX = B tem duas solu¸oes distintas X0 e X1 (X0 = X1 ), ent˜o ter´ infinitas solu¸oes. c˜ a a c˜ Dem. Basta verificar que Xλ = (1 − λ) X0 + λX1 ´ solu¸ao do sistema AX = B, para e c˜ qualquer λ ∈ R. 11
  • 12.
    Defini¸˜o 15 Umsistema linear da forma ca   a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = 0   a21 x1 + a22 x2 + ... + a2n xn = 0   ...  am1 x1 + am2 x2 + ... + amn xn = 0 tem o nome de sistema linear homog´neo. Este sistema poder ser escrito na forma e AX = 0. Todo o sistema linear homog´neo admite e pelo menos a solu¸˜o trivial: ca     x1 0  x2   0      X = .  =  . .  ..   . . xn 0 Assim, todo o sistema linear homog´neo tem solu¸ao. Al´m disso, ou tem apenas a solu¸ao e c˜ e c˜ trivial ou tem infinitas solu¸oes. c˜ Teorema 4 Se A = (aij )m×n ´ tal que m < n, ent˜o o sistema linear homog´neo AX = 0 e a e tem infinitas solu¸oes. c˜ Dem. Como o sistema tem menos equa¸oes do que inc´gnitas (m < n), o no de linhas c˜ o n˜o nulas r da matriz em escada de linhas obtida da matriz aumentada do sistema tamb´m a e ´ tal que r < n. Assim, r pivots e n − r inc´gnitas livres as quais podem assumir qualquer e o valor real. Logo, o sistema linear homog´neo AX = 0 tem infinitas solu¸oes. e c˜ Teorema 5 Sejam A = (aij )m×n e α, β ∈ R. (i) Se X e Y s˜o solu¸oes do sistema AX = 0, ent˜o X + Y tamb´m o ´. a c˜ a e e (ii) Se X ´ solu¸ao do sistema AX = 0, ent˜o αX tamb´m o ´. e c˜ a e e (iii) Se X e Y s˜o solu¸oes do sistema AX = 0, ent˜o αX + βY tamb´m o ´. a c˜ a e e Teorema 6 Seja A uma matriz do tipo m × n e B = 0 uma matriz do tipo m × 1. Qualquer solu¸ao X do sistema AX = B escreve-se na forma X = X0 + Y onde X0 ´ uma solu¸ao c˜ e c˜ particular do sistema AX = B e Y ´ uma solu¸ao do sistema homog´neo AX = 0. Assim: e c˜ e solu¸ao geral de c˜ solu¸ao particular de c˜ solu¸ao geral de c˜ = + . AX = B AX = B AX = 0 Dem. Sendo X0 uma solu¸ao particular do sistema AX = B, basta escrever c˜ X = X0 + (X − X0 ) e mostrar que X − X0 ´ solu¸ao do sistema homog´neo AX = 0. e c˜ e 12
  • 13.
    1.3 Matrizes Elementares Defini¸˜o 16 Uma matriz elementar do tipo n × n ´ uma matriz obtida da matriz iden- ca e tidade I atrav´s de uma unica opera¸ao elementar. e ´ c˜ (i) A matriz Pij , chamada matriz de permuta¸˜o, ´ a matriz elementar obtida por ca e troca da linha i com a linha j da matriz I. Tem-se:   1 0 ··· ··· 0  0 ... ... . .   .   . .   . .. 1  .     0 1   ←i   1    Pij =  ..  . .      1    1 0  ←j   .. . . .    1 .   . .. ..   . . . . 0  0 ··· ··· 0 1 (ii) A matriz Ei (α) ´ a matriz elementar obtida da matriz I atrav´s do produto do escalar e e α = 0 pela linha i da matriz I. Tem-se:   1 0 ··· ··· 0 .   0 ... ... .    . .   . ...   . 1    Ei (α) =  α  ←i .  .. .    1 . .  .   . .. ..   .. . . 0  0 ··· ··· 0 1 (iii) A matriz Eij (α) ´ a matriz elementar obtida da matriz I por soma da linha j com e um m´ ltiplo α da linha i. Tem-se: u   1 0 ··· ··· 0  0 ... ... .  .   .  . .   . .. 1 .  ←i    Eij (α) =  ..  . .    .. .  . .  ←j   α 1 .  . .. ..   . . . . 0  0 ··· ··· 0 1 13
  • 14.
    Exemplo 11 Asmatrizes elementares do tipo 2 × 2 s˜o: a 0 1 α 0 1 0 P12 = P21 = , E1 (α) = , E2 (α) = , 1 0 0 1 0 α com α = 0, 1 0 1 α E12 (α) = e E21 (α) = . α 1 0 1 Teorema 7 Sejam E uma matriz elementar do tipo m × m e A uma matriz qualquer do tipo m × n. Ent˜o, EA ´ a matriz obtida de A atrav´s da mesma opera¸ao elementar que a e e c˜ originou E. Isto ´, aplicar uma opera¸ao elementar a uma matriz corresponde a multiplicar e c˜ essa matriz a esquerda por uma matriz elementar. ` Exemplo 12 Consideremos a matriz aumentada do exemplo 9:   0 0 3 −9 | 6  5 15 −10 40 | −45  . 1 3 −1 5 | −7 A opera¸ao elementar: c˜     0 0 3 −9 | 6 1 3 −1 5 | −7  5 15 −10 40 | −45  −→  5 15 −10 40 | −45  , L1 ↔L3 1 3 −1 5 | −7 0 0 3 −9 | 6 corresponde a seguinte multiplica¸ao (` ` c˜ a esquerda):      0 0 1 0 0 3 −9 | 6 1 3 −1 5 | −7  0 1 0   5 15 −10 40 | −45  =  5 15 −10 40 | −45  . 1 0 0 1 3 −1 5 | −7 0 0 3 −9 | 6 A opera¸ao elementar: c˜     1 3 −1 5 | −7 1 3 −1 5 | −7  5 15 −10 40 | −45  −→  1 3 −2 8 | −9  , 1 L →L2 0 0 3 −9 | 6 5 2 0 0 3 −9 | 6 corresponde a seguinte multiplica¸ao (` esquerda): ` c˜ a      1 0 0 1 3 −1 5 | −7 1 3 −1 5 | −7  0 1/5 0   5 15 −10 40 | −45  =  1 3 −2 8 | −9  . 0 0 1 0 0 3 −9 | 6 0 0 3 −9 | 6 14
  • 15.
    A opera¸ao elementar: c˜     1 3 −1 5 | −7 1 3 −1 5 | −7  1 3 −2 8 | −9  −→  0 0 −1 3 | −2  , −L1 +L2 →L2 0 0 3 −9 | 6 0 0 3 −9 | 6 corresponde a seguinte multiplica¸ao ` c˜ (` esquerda): a      1 0 0 1 3 −1 5 | −7 1 3 −1 5 | −7  −1 1 0   1 3 −2 8 | −9  =  0 0 −1 3 | −2  . 0 0 1 0 0 3 −9 | 6 0 0 3 −9 | 6 Finalmente, a opera¸ao elementar: c˜     1 3 −1 5 | −7 1 3 −1 5 | −7  0 0 −1 3 | −2  −→  0 0 −1 3 | −2  , 3L2 +L3 →L3 0 0 3 −9 | 6 0 0 0 0 | 0 corresponde a seguinte multiplica¸ao ` c˜ (` esquerda): a      1 0 0 1 3 −1 5 | −7 1 3 −1 5 | −7  0 1 0   0 0 −1 3 | −2  =  0 0 −1 3 | −2  . 0 3 1 0 0 3 −9 | 6 0 0 0 0 | 0 Tem-se ent˜o: a     0 0 3 −9 | 6 1 3 −1 5 | −7 1 E23 (3) E12 (−1) E2 P13  5 15 −10 40 | −45  =  0 0 −1 3 | −2  . 5 1 3 −1 5 | −7 0 0 0 0 | 0 1.4 A matriz inversa Defini¸˜o 17 Uma matriz A (do tipo n × n) diz-se invert´ se existir uma matriz B (do ca ıvel tipo n × n) tal que AB = BA = I. ` A matriz B chama-se matriz inversa de A e denota-se por A−1 . Observa¸˜o 8 Obviamente que resulta da defini¸ao de matriz inversa o seguinte facto: ca c˜ −1 −1 sendo A a matriz inversa de A, ent˜o A ´ invert´ e a sua inversa ´ a pr´pria matriz a e ıvel e o −1 −1 A, isto ´, (A ) = A. e Exemplo 13 As seguintes matrizes s˜o a inversa uma da outra: a −2 1 −1/2 1/6 A= e B= . 0 3 0 1/3 15
  • 16.
    Teorema 8 Ainversa de uma matriz ´ unica. e´ Dem. Sejam B e C as inversas de A. Ent˜o, a B = BI = B (AC) = (BA) C = IC = C. Teorema 9 (i) Se A = (aij )n×n e B = (bij )n×n s˜o duas matrizes invert´ a ıveis, ent˜o AB ´ a e invert´ e ıvel (AB)−1 = B −1 A−1 . ıvel, ent˜o AT ´ invert´ e (ii) Se A = (aij )n×n ´ invert´ e a e ıvel −1 T AT = A−1 . Defini¸˜o 18 Uma matriz A = (aij )n×n diz-se n˜o singular se ap´s o m´todo de elimina¸ao ca a o e c˜ de Gauss esta fˆr transformada numa matriz triangular superior (matriz cujas entradas o por baixo da diagonal principal s˜o todas nulas) cujas entradas da diagonal principal sejam a todas n˜o nulas. Uma matriz A = (aij )n×n diz-se singular se ap´s o m´todo de elimina¸ao a o e c˜ de Gauss existir (pelo menos) uma linha nula na matriz obtida de A. Teorema 10 Uma matriz A = (aij )n×n ´ invert´ se e s´ se ´ n˜o singular. e ıvel o e a Teorema 11 Toda a matriz elementar ´ invert´ e ıvel e a respectiva inversa ´ tamb´m uma e e matriz elementar. Tem-se: (i) (Pij )−1 = Pij . (ii) (Ei (α))−1 = Ei (1/α), para α = 0. (iii) (Eij (α))−1 = Eij (−α). Teorema 12 (Factoriza¸˜o triangular). Seja A uma matriz n˜o singular do tipo n × n. ca a Ent˜o ou A admite a factoriza¸ao unica A = LDU ou existe uma matriz de permuta¸ao P a c˜ ´ c˜ tal que P A admite a factoriza¸ao unica P A = LDU , onde L e U s˜o respectivamente uma c˜ ´ a matriz triangular inferior e uma matriz triangular superior com as entradas das diagonais principais todas iguais a 1, e D ´ uma matriz diagonal com as entradas da diagonal principal e todas n˜o nulas. a 16
  • 17.
    Observa¸˜o 9 Asentradas da diagonal principal da matriz D do teorema 12 s˜o os pivots ca a que resultam da aplica¸ao do m´todo de elimina¸ao de Gauss a matriz A. c˜ e c˜ `   1 1 1 Exemplo 14 Seja A =  2 1 4 . Tem-se: 2 3 5      1 1 1 1 0 0 1 1 1 E23 (1)E13 (−2)E12 (−2)A =  0 −1 2  =  0 −1 0   0 1 −2  . 0 0 5 0 0 5 0 0 1 Logo,    1 0 0 1 1 1 A = (E12 (−2))−1 (E13 (−2))−1 (E23 (1))−1  0 −1 0   0 1 −2  . 0 0 5 0 0 1 Isto ´, e    1 0 0 1 1 1 A = E12 (2)E13 (2)E23 (−1)  0 −1 0   0 1 −2  , 0 0 5 0 0 1 ou ainda, A = LDU , com   1 0 0 L = E12 (2)E13 (2)E23 (−1) =  2 1 0 , 2 −1 1     1 0 0 1 1 1 D =  0 −1 0  e U =  0 1 −2  . 0 0 5 0 0 1 Observa¸˜o 10 Uma matriz A ´ invert´ ca e ıvel se e s´ se fˆr igual ao produto de matrizes o o elementares. Teorema 13 Seja A uma matriz do tipo n × n. (i) O sistema associado a AX = B tem solu¸ao unica se e s´ se A fˆr invert´ c˜ ´ o o ıvel. Neste −1 caso a solu¸ao ´ X = A B. c˜ e (ii) O sistema homog´neo AX = 0 tem solu¸ao n˜o trivial se e s´ se A fˆr singular (n˜o e c˜ a o o a invert´ ıvel). 17
  • 18.
    Teorema 14 SejamA e B duas matrizes do tipo n × n. Se AB ´ invert´ e ıvel, ent˜o A e B a s˜o invert´ a ıveis. Dem. Considere o sistema (AB) X = 0. Se B n˜o fosse invert´ a ıvel, ent˜o pelo teorema a 13 existiria X = 0 tal que BX = 0. Logo, X = 0 seria solu¸ao n˜o trivial de ABX = 0, o c˜ a que contraria o teorema 13 uma vez que por hip´tese AB ´ invert´ o e ıvel. Assim, B ´ invert´ e ıvel. −1 Finalmente, A ´ invert´ por ser o produto de duas matrizes invert´ e ıvel ıveis: A = (AB) B . Observa¸˜o 11 (Como inverter matrizes do tipo n × n). Seja A uma matriz do tipo ca n × n e consideremos a equa¸ao AX = B. Se A fˆr invert´ c˜ o ıvel temos AX = B ⇔ X = A−1 B, isto ´, e AX = IB ⇔ IX = A−1 B. Assim, para determinar a inversa de A, iremos transformar a matriz aumentada [A | I] na matriz [I | A−1 ], por meio de opera¸oes elementares aplicadas as linhas de [A | I]. Este c˜ ` m´todo tem o nome de m´todo de elimina¸˜o de Gauss-Jordan2 e consistir´ na conti- e e ca a nua¸ao do m´todo de elimina¸ao de Gauss agora aplicado a [matriz triangular superior | ∗], c˜ e c˜ efectuando-se as elimina¸oes de baixo para cima de modo a obter-se [I | A−1 ]. c˜   1 1 1 Exemplo 15 (i) Seja A =  2 1 4 . Tem-se 2 3 5     1 1 1 | 1 0 0 1 1 1 | 1 0 0 [A | I] =  2 1 4 | 0 1 0  −→  0 −1 2 | −2 1 0  −→ −2L1 +L2 −→L2 L2 +L3 −→L3 2 3 5 | 0 0 1 −2L1 +L3 −→L3 0 1 3 | −2 0 1     1 1 1 | 1 0 0 1 1 1 | 1 0 0 −→  0 −1 2 | −2 1 0  1 −→  0 −1 2 | −2 1 0  −→ L3 −→L3 −2L3 +L2 −→L2 0 0 5 | −4 1 1 5 0 0 1 | −4/5 1/5 1/5 −L3 +L1 −→L1   1 1 0 | 9/5 −1/5 −1/5 −→  0 −1 0 | −2/5 3/5 −2/5  −→ L2 +L1 −→L1 0 0 1 | −4/5 1/5 1/5   1 0 0 | 7/5 2/5 −3/5 −→  0 −1 0 | −2/5 3/5 −2/5  −→ −L2 −→L2 0 0 1 | −4/5 1/5 1/5   1 0 0 | 7/5 2/5 −3/5 −→  0 1 0 | 2/5 −3/5 2/5  . 0 0 1 | −4/5 1/5 1/5 2 Wilhelm Jordan 1842 – 1899 18
  • 19.
     1 2 3 (ii) Seja A =  1 1 2 . Tem-se 0 1 1     1 2 3 | 1 0 0 1 2 3 | 1 0 0 [A | I] =  1 1 2 | 0 1 0  −→  0 −1 −1 | −1 1 0  −→ −L1 +L2 −→L2 L2 +L3 −→L3 0 1 1 | 0 0 1 0 1 1 | 0 0 1   1 2 3 | 1 0 0 −→  0 −1 −1 | −1 1 0  . 0 0 0 | −1 1 1 Logo, A ´ singular e como tal n˜o ´ invert´ e a e ıvel. 2 Determinante Defini¸˜o 19 Dados os n´ meros naturais 1, 2, ..., n chama-se permuta¸˜o desses n n´ meros ca u ca u a qualquer lista em em que os mesmos sejam apresentados por ordem arbitr´ria. a Defini¸˜o 20 Seja (i1 i2 ...in ) uma permuta¸ao dos n´ meros naturais 1, 2, ..., n. Diz-se que ca c˜ u um par (ij ik ) ´ uma invers˜o quando (j − k) (ij − ik ) < 0 (isto ´, quando ij e ik aparecerem e a e na permuta¸ao por ordem decrescente). c˜ ca c˜ ımpar) quando o no m´ximo de in- Defini¸˜o 21 Uma permuta¸ao (i1 i2 ...in ) diz-se par (´ a vers˜es inclu´ o ıdas fˆr par (´ o ımpar). Exemplo 16 A permuta¸ao (21453) ´ ´ c˜ e ımpar pois contem as invers˜es (21), (43) e (53). o Defini¸˜o 22 Seja A ∈ Matn×n (R). Chama-se determinante3 de A, e escreve-se |A| ou ca det A, o n´ mero que se obtem do seguinte modo: u (i) Formam-se todos os produtos poss´ıveis de n factores em que intervenha um elemento de cada linha e, simultaneamente, um elemento de cada coluna de A. 3 O Determinante de uma matriz foi pela primeira vez considerado por Talakazu Seki 1642–1708 19
  • 20.
    (ii) Afecta-se cadaproduto do sinal + ou do sinal − conforme as permuta¸oes (dos c˜ n´ meros naturais 1, 2, ..., n) que figuram nos ´ u ındices de linha e de coluna tenham a mesma paridade ou n˜o. a (iii) Somam-se as parcelas obtidas. Em resumo: |A| = (−1)σ a1j1 a2j2 ...anjn , (j1 j2 ...jn ) permuta¸ao de 1,2,...,n c˜ em que   0 se (j1 j2 ...jn ) ´ par e σ=  1 se (j1 j2 ...jn ) ´ ´ e ımpar. Observa¸˜o 12 Podemos ainda escrever de modo equivalente: ca |A| = (−1)σ ai1 1 ai2 2 ...ain n , (i1 i2 ...in ) permuta¸ao de 1,2,...,n c˜ em que   0 se (i1 i2 ...in ) ´ par e σ=  1 se (i1 i2 ...in ) ´ ´ e ımpar. Teorema 15 Seja A ∈ Mat2×2 (R). Ent˜o a a11 a12 |A| = = a11 a22 − a12 a21 . a21 a22 (ii) Seja A ∈ Mat3×3 (R). Ent˜o a a11 a12 a13 |A| = a21 a22 a23 = a11 a22 a33 + a12 a23 a31 + a21 a32 a13 − a13 a22 a31 − a12 a21 a33 − a11 a23 a32 . a31 a32 a33 Observa¸˜o 13 Se A ∈ Matn×n (R) ent˜o |A| tem n! parcelas, pelo que p.ex. se aplicarmos ca a a defini¸ao de determinante a uma matriz 4 × 4, teremos 4! = 24 parcelas. c˜ 20
  • 21.
    Exemplo 17 (i) 1 −1 = 1(−2) − (−1)2 = 0. 2 −2 (ii) 1 2 1 3 −1 2 = 1(−1)(−3) + 3 + 8 − 1(−1)2 − 6(−3) − 2 = 32. 2 1 −3 Teorema 16 Sejam A, B ∈ Matn×n (R). Seja λ ∈ R. (i) det (AB) = det A det B. (ii) Se A fˆr uma matriz triangular superior ou triangular inferior ent˜o det A = produto o a dos elementos da diagonal principal de A. (iii) Se A tiver uma linha nula ent˜o det A = 0. a (iv) Se B fˆr obtida de A multiplicando uma linha de A por um n´ mero real λ ent˜o o u a det B = λ det A. (v) Se B fˆr obtida de A somando a uma linha de A um m´ ltiplo real λ de uma outra o u linha de A ent˜o det B = det A. a (vi) Se duas linhas de A forem iguais ent˜o det A = 0. a (vii) Se B fˆr obtida de A trocando duas linhas de A ent˜o det B = − det A. o a (viii) det AT = det A. 1 (ix) Se A fˆr invert´ det (A−1 ) = o ıvel . det A (x) det (λA) = λn det A. (xi) det (AB) = 0 ⇒ det A = 0 ou det B = 0. (xii) det (AB) = det (BA). (xiii) det(A) = 0 se e s´ se A invert´ o ıvel. Observa¸˜o 14 Em geral, det(A + B) = det(A) + det(B). ca Defini¸˜o 23 Seja A = (aij ) ∈ Matn×n (R), com n > 1. Seja Aij a matriz do tipo (n − ca 1) × (n − 1) que se obtem de A suprimindo a linha i e a coluna j de A. Chama-se a Aij o menor-ij da matriz A. 21
  • 22.
    Teorema 17 (F´rmulade Laplace4 .) Seja A ∈ Matn×n (R), com n > 1. Tem-se o n det A = aij (−1)i+j det Aij . j=1 Observa¸˜o 15 Seja A ∈ Matn×n (R), com n > 1. Tem-se ca n det A = aij (−1)i+j det Aij . i=1 Exemplo 18 1 0 −2 3 1 −2 3 1 0 −2 2 1 −1 4 3+2 3+4 = (−1)(−1) 2 −1 4 + (−2)(−1) 2 1 −1 = 0 −1 0 −2 1 −2 −3 1 0 −2 1 0 −2 −3 = (−1)(−3) + (−2)4 + 2(−2)3 − (−1)3 − (−2)2(−3) − 4(−2) + 2 [(−2) − (−2)] = −18 Defini¸˜o 24 Seja A = (aij ) ∈ Matn×n (R), com n > 1. Seja aij = (−1)i+j det Aij onde ca Aij ´ o menor-ij da matriz A. Chama-se a aij o cofactor-ij da matriz A e a matriz e ` cof A = (aij ) ∈ Matn×n (R), com n > 1, a matriz dos cofactores de A. Teorema 18 Para qualquer matriz A ∈ Matn×n (R), com n > 1, tem-se A (cof A)T = (det A) I. Se det A = 0 ent˜o A ´ invert´ e a e ıvel 1 A−1 = (cof A)T . det A a b Exemplo 19 Seja A = ∈ Mat2×2 (R) tal que det A = 0. Ent˜o A ´ invert´ e a e ıvel c d 1 d −b A−1 = . ad − bc −c a (Veja por exemplo o exo 10 da ficha 2.) Note que ad − bc = det A. (ii) Podemos usar o teorema 18 para calcular n˜o s´ a inversa de uma matriz (n˜o a o a singular) mas tamb´m entradas concretas dessa inversa. Seja e   1 0 0 A =  4 5 6 . 7 8 9 A entrada (2, 3) da matriz A−1 ´ dada por e 1 1 1 1 0 (A−1 )23 = (cof A)T = (−1)3+2 det A32 = − det = 2. det A 23 det A −3 4 6 4 Pierre-Simon Laplace 1749–1827 22
  • 23.
    Teorema 19 (Regrade Cramer5 .) Seja A ∈ Matn×n (R) tal que A ´ n˜o singular. Ent˜o e a a a unica solu¸ao do sistema de equa¸oes lineares AX = B ´ dada por ´ c˜ c˜ e 1 X = A−1 B = (cof A)T B. det A T T Isto ´, sendo X = e x1 . . . x n eB= b1 . . . bn tem-se n 1 det Bj xj = akj bk = , det A k=1 det A onde Bj ´ a matriz obtida de A substituindo a coluna j de A pela matriz coluna B dos e termos independentes. Exemplo 20 O sistema de equa¸oes lineares c˜   2x + y = 8     −x + 2y + 4z = 7      −x + z = 1 pode ser resolvido usando a regra de Cramer: 8 1 0 2 8 0 2 1 8 7 2 4 −1 7 4 −1 2 7 1 0 1 −1 1 1 −1 0 1 x= = 13, y= = −18 e z= = 14. 2 1 0 2 1 0 2 1 0 −1 2 4 −1 2 4 −1 2 4 −1 0 1 −1 0 1 −1 0 1 3 Espa¸os Lineares (Vectoriais) c No final do s´culo XIX e no come¸o do s´culo XX tornou-se claro – gra¸as a Grassmann 6 , e c e c 7 8 Peano e a Weyl – que o desenvolvimento axiom´tico da geometria Euclideana podia ser feito a apelando a estruturas matem´ticas — Espa¸os Vectoriais e Euclidianos — que desempanham a c um papel determinante noutras areas da matem´tica e de outras ciˆncias. O estudo das ´ a e estruturas matem´ticas independente quer dos contextos que lhes deram origem quer dos a contextos em que aplicam constitui uma das ideias mais ricas da matem´tica do s´culo XX a e a a ´ e ´ indissoci´vel da matem´tica Emmy Noether9 . A Algebra linear ´ basicamente o estuda e e dessas estruturas. 5 Gabriel Cramer 1704–1752 6 Hermann Grassmann 1809–1877 7 Giuseppe Peano 1858–1932 8 Hermanm Weyl 1885–1955 9 Emmy Noether 1882–1935 23
  • 24.
    Defini¸˜o 25 Umconjunto n˜o vazio V ´ um espa¸o linear (real) se existirem duas ca a e c opera¸oes associadas a V , uma soma de elementos de V e um produto de escalares (n´ meros c˜ u reais) por elementos de V , com as seguintes propriedades: (a) (Fecho da soma). Para quaisquer u, v ∈ V tem-se u + v ∈ V . (b) (Fecho do produto por escalares). Para quaisquer α ∈ R e u ∈ V tem-se αu ∈ V . (c) (Comutatividade da soma). Para quaisquer u, v ∈ V , u + v = v + u. (d) (Associatividade da soma). Para quaisquer u, v, w ∈ V , u + (v + w) = (u + v) + w. (e) (Elemento neutro da soma). Existe um elemento de V designado por 0 tal que, para qualquer u ∈ V , u + 0 = u. (f ) (Sim´trico). Para cada (qualquer) u ∈ V existe v ∈ V tal que u + v = 0. A v e chama-se o sim´trico de u e denota-se por −u. e (g) (Associatividade do produto por escalares). Para quaisquer α, β ∈ R e u ∈ V , α (βu) = (αβ) u. (h) (Distributividade em rela¸ao a soma de vectores). Para quaisquer α ∈ R e u, v ∈ V , c˜ ` α (u + v) = αu + αv. (i) (Distributividade em rela¸ao a soma de escalares). Para quaisquer α, β ∈ R e u ∈ V , c˜ ` (α + β) u = αu + βu. (j) Para qualquer u ∈ V , 1u = u. Observa¸˜o 16 Aos elementos de V chamaremos vectores. ca Exemplo 21 Exemplos de espa¸os lineares: c (i) Rn , com as opera¸oes usuais: c˜ (u1 , u2 , ..., un ) + (v1 , v2 , ..., vn ) = (u1 + v1 , u2 + v2 , ..., un + vn ), α(u1 , u2 , ..., un ) = (αu1 , αu2 , ..., αun ). (ii) Matm×n (R) (conjunto de todas as matrizes reais do tipo m × n), com as opera¸oes c˜ (usuais): A + B e αA. (iii) O conjunto de todas as fun¸oes reais de vari´vel real definidas num conjunto n˜o c˜ a a vazio S ⊆ R, com as opera¸oes usuais: c˜ (f + g)(x) = f (x) + g(x), 24
  • 25.
    (αf )(x) =αf (x). (iv) O conjunto P de todos os polin´mios reais, com as opera¸oes usuais. o c˜ (v) O conjunto Pn de todos os polin´mios reais de grau menor ou igual a n, com as o opera¸oes usuais. c˜ Observa¸˜o 17 Um mesmo conjunto pode servir para formar espa¸os lineares diferentes: ca c (i) O conjunto dos n´ meros reais R, com a soma definida por u u v = u + v + 1, e o produto por escalares definido por α · u = αu + α − 1, ´ um espa¸o linear. (Neste caso o elemento neutro ´ −1.) e c e (ii) O conjunto dos n´ meros reais maiores do que zero, com a soma definida por u u v = uv, e o produto por escalares definido por α · u = uα , ´ um espa¸o linear. (Neste caso o elemento neutro ´ 1.) e c e Observa¸˜o 18 Altera¸oes nos conjuntos considerados anteriormente podem resultar em ca c˜ conjuntos que n˜o s˜o espa¸os lineares. a a c (i) O conjunto {(x, y) ∈ R2 : x ≥ 0 e y ≥ 0}, com as opera¸oes usuais, n˜o ´ um espa¸o c˜ a e c linear. Por exemplo, os sim´tricos n˜o est˜o no conjunto. e a a (ii) O conjunto V = {a0 + a1 t + ... + an tn : a0 , a1 , ..., an ∈ R e an = 0}, com as opera¸oes c˜ usuais, n˜o ´ um espa¸o linear. Por exemplo: a e c tn , −tn + t ∈ V , mas tn + (−tn + t) = t ∈ V . / (iii) O conjunto U = {f : R −→ R tais que f (1) = 2}, com as opera¸oes usuais, n˜o ´ c˜ a e um espa¸o linear. Por exemplo, se f1 , f2 ∈ U , c (f1 + f2 ) (1) = f1 (1) + f2 (1) = 2 + 2 = 4 = 2. Logo, f1 + f2 ∈ U . / 25
  • 26.
    3.1 Subespa¸os lineares – exemplos: n´ cleo, espa¸o colunas e li- c u c nhas de uma matriz Defini¸˜o 26 Seja V um espa¸o linear. Diz-se que S ´ um subespa¸o de V se S ´ um ca c e c e subconjunto de V e se S, com as opera¸oes de V , fˆr um espa¸o linear. c˜ o c Observa¸˜o 19 No entanto, para mostrar que um certo conjunto S ⊂ V ´ um subespa¸o ca e c do espa¸o linear V , n˜o ser´ necess´rio verificar as 10 propriedades da defini¸ao 25, como se c a a a c˜ pode ver no seguinte teorema. Teorema 20 Um subconjunto n˜o vazio S de um espa¸o linear V ´ um subespa¸o de V se a c e c e s´ se: o (i) Para quaisquer u, v ∈ S tem-se u + v ∈ S. (ii) Para quaisquer α ∈ R e u ∈ S tem-se αu ∈ S. Exemplo 22 Exemplos de subespa¸os: c (i) Os unicos subespa¸os do espa¸o linear R, com as opera¸oes usuais, s˜o {0} e R. ´ c c c˜ a (ii) Os subespa¸os do espa¸o linear R3 , com as opera¸oes usuais, s˜o: {(0, 0, 0)}, R3 , c c c˜ a todas as rectas que passam pela origem e todos os planos que passam pela origem. (iii) O conjunto de todas as matrizes (reais) triangulares superiores (do tipo n × n) ´ um e subespa¸o do espa¸o linear Matn×n (R), com as opera¸oes usuais. c c c˜ (iv) O conjunto de todas as fun¸oes reais definidas e cont´ c˜ ınuas em I ⊂ R (I ´ um e intervalo) ´ um subespa¸o do espa¸o linear de todas as fun¸oes f : I −→ R, com as opera¸oes e c c c˜ c˜ usuais. (v) Seja A uma matriz (real) do tipo m × n. O conjunto C(A) = {b ∈ Rm : Au = b tem pelo menos uma solu¸ao u} c˜ ´ um subespa¸o do espa¸o linear Rm , com as opera¸oes usuais, ao qual se d´ o nome de e c c c˜ a espa¸o das colunas de A. c (vi) Seja A uma matriz (real) do tipo m × n. O conjunto Nuc(A) = {u ∈ Rn : Au = 0} ´ um subespa¸o do espa¸o linear Rn , com as opera¸oes usuais, ao qual se d´ o nome de e c c c˜ a espa¸o nulo ou n´cleo de A. c u 26
  • 27.
    Observa¸˜o 20 (i)Se A ´ invert´ ent˜o Nuc(A) = {0}. ca e ıvel a (ii) Se Nuc(A) = {0} ent˜o A ´ invert´ a e ıvel. (iii) Poderemos obter subespa¸os de um espa¸o linear atrav´s de combina¸oes lineares c c e c˜ de vectores desse espa¸o. c Defini¸˜o 27 Seja S um subconjunto n˜o vazio de um espa¸o linear V . Diz-se que um vector ca a c u ´ combina¸˜o linear finita dos elementos de S, se existir um no finito de elementos de e ca S, u1 , ..., uk , e de escalares λ1 , ..., λk tais que k u = λ1 u1 + ... + λk uk = λ i ui . i=1 Ao cojunto de todas as combina¸oes lineares finitas de elementos de S chama-se expans˜o c˜ a linear de S e designa-se por L(S). Se S ´ o conjunto vazio ∅, escreve-se L(∅) = {0}. e Teorema 21 Seja S um subconjunto n˜o vazio de um espa¸o linear V . A expans˜o linear a c a L(S) de S ´ o menor subespa¸o de V que cont´m S. Deste modo, a L(S) tamb´m se chama e c e e o subespa¸o gerado por S, e diz-se que S gera L(S). c Observa¸˜o 21 Seja S e T dois subconjuntos n˜o vazios de um espa¸o linear V , com S ⊂ T . ca a c Se L(S) = V ent˜o L(T ) = V . a Exemplo 23 (i) O espa¸o linear R2 ´ gerado por qualquer dos seguintes conjuntos de vec- c e tores: {(1, 0), (0, 1)}, {(1, 2), (−1, 11)} e {(23, 8), (6, 14)}. (ii) O subespa¸o {(x, y) ∈ R2 : y = 2x} do espa¸o linear R2 ´ gerado por qualquer dos c c e seguintes conjuntos de vectores: {(1, 2)}, {(−2, −4)} e {(77, 154)}. (iii) O espa¸o linear Pn de todos os polin´mios de grau menor ou igual a n, ´ gerado c o e por qualquer dos seguintes conjuntos de vectores: 2 n 2 n t t2 tn {1, t, t , ..., t }, {1, 1 + t, (1 + t) , ..., (1 + t) } e {1, , , ..., }. 1! 2! n! (iv) O espa¸o linear P de todos os polin´mios, ´ gerado pelo conjunto infinito de vectores: c o e {1, t, t2 , ...}. 27
  • 28.
    (v) O espa¸olinear V de todas as fun¸oes f : R → R diferenci´veis tais que f (x) = af (x) c c˜ a ax ´ gerado pela fun¸ao f1 (x) = e , i.e. V = L({f1 }). e c˜ (vi) Seja A uma matriz (real) do tipo m × n. O espa¸o das colunas de A, c C(A) = {b ∈ Rm : Au = b tem pelo menos uma solu¸ao u} , c˜ ´ o subespa¸o (do e c espa¸o linear Rm ) gerado pelas colunas de A, uma vez que: c            b1 a11 a12 · · · a1n u1 a11 a12 a1n  b2   a21 a22 · · · a2n     u2   a21   a22   a2n             . = . .   . . . ··· .   .  = u1  .  + u2  .  + ... + un  . .  .  .  .  .  . . . . .  .  .  ..  bm am1 am2 · · · amn un am1 am2 amn (vii) Seja A uma matriz (real) do tipo m × n. Ao subespa¸o linear de Rn gerado pelas c linhas de A d´-se o nome de espa¸o das linhas de A e designa-se por L(A). a c (viii) Sejam     1 −3 1 −1 2 0 0 0 2 0 A= , B =  0 0 7  , C =  2 −4  e D= . 0 0 0 0 −1 0 0 0 −2 4 Tem-se C(A) = {(0, 0)}, Nuc(A) = R3 e L(A) = {(0, 0, 0)}. C(B) = L ({(1, 0, 0) , (1, 7, 0)}) , Nuc(B) = L ({(3, 1, 0)}) e L(B) = L ({(1, −3, 1) , (0, 0, 7)}) . C(C) = L ({(−1, 2, −2)}) , Nuc(C) = L ({(2, 1)}) e L(C) = L ({(−1, 2)}) . C(D) = L ({(2, 0) , (0, −1)}) , Nuc(D) = {(0, 0)} e L(D) = L ({(2, 0) , (0, −1)}) . (ix) Seja U = {A ∈ Mat3×2 (R) : a12 = a21 = a32 = 0 e a11 + 2a31 = 0}. Tem-se, para A ∈ U,         a11 a12 −2a31 0 −2 0 0 0 A=  a21 a22  =  0 a22  = a31  0 0  + a22  0 1  , a31 a32 a31 0 1 0 0 0 com a31 , a22 ∈ R. Logo,      −2 0 0 0  U = L  0 0 , 0 1  .   1 0 0 0 (x) Seja U = {p(t) = a0 + a1 t + a2 t2 ∈ P2 : p(1) = p(0)}. Tem-se, para p(t) ∈ U , p(1) = p(0) ⇐⇒ a0 + a1 + a2 = a0 ⇐⇒ a1 + a2 = 0 ⇐⇒ a1 = −a2 . Logo, p(t) = a0 − a2 t + a2 t2 = a0 1 + a2 −t + t2 , com a0 , a2 ∈ R. Assim, U =L 1, −t + t2 . 28
  • 29.
    Teorema 22 SeU e V s˜o subespa¸os do espa¸o linear W , ent˜o: a c c a (i) O conjunto U ∩ V ´ um subespa¸o linear de W . e c e c ´ (ii) O conjunto U + V = {u + v : u ∈ U e v ∈ V } ´ um subespa¸o de W . E o menor subespa¸o de W que cont´m U ∪ V . O conjunto U ∪ V em geral n˜o ´ um subespa¸o. Tem-se c e a e c U + V = L(U ∪ V ). Exemplo 24 (i) Em R3 , considere os subespa¸os: c U = {(x, y, z) ∈ R3 : x + y − 2z = 0} e V = L ({(1, 1, −1), (1, 2, 1)}) . Seja v ∈ V , ent˜o a v = α(1, 1, −1) + β(1, 2, 1) = (α + β, α + 2β, −α + β), com α, β ∈ R. Para que v esteja tamb´m em U ´ preciso que: e e (α + β) + (α + 2β) − 2 (−α + β) = 0. A ultima equa¸ao ´ equivalente a 4α + β = 0 ⇐⇒ β = −4α. Logo, ´ c˜ e U ∩ V = {(−3α, −7α, −5α) : α ∈ R} = {α(−3, −7, −5) : α ∈ R} = L ({(3, 7, 5)}) . (ii) Em R3 , considere os subespa¸os: c U = L ({(1, −1, 1), (1, 2, 2)}) e V = L ({(2, 1, 1), (−1, 1, 3)}) . Seja v ∈ U , ent˜o a v = α(1, −1, 1) + β(1, 2, 2) = (α + β, −α + 2β, α + 2β), com α, β ∈ R. Para que v esteja tamb´m em V ´ preciso que: e e (α + β, −α + 2β, α + 2β) = λ(2, 1, 1) + µ(−1, 1, 3) = = (2λ − µ, λ + µ, λ + 3µ) , com λ, µ ∈ R. Deste modo,   α + β = 2λ − µ     −α + 2β = λ + µ      α + 2β = λ + 3µ. Considerando a matriz aumentada tem-se       1 1 | 2λ − µ 1 1 | 2λ − µ 1 1 | 2λ − µ  −1 2 | λ + µ  −→  0 3 | 3λ  −→  0 3 | 3λ  L1 +L2 →L2 − 1 L2 +L3 →L3 1 2 | λ + 3µ −L1 +L3 →L3 0 1 | −λ + 4µ 3 0 0 | −2λ + 4µ 29
  • 30.
    Logo,    α + β = 2λ − µ   α=µ        β=λ ⇐⇒ β = 2µ           0 = −2λ + 4µ. λ = 2µ. Assim, α(1, −1, 1) + β(1, 2, 2) = µ(1, −1, 1) + 2µ(1, 2, 2) = (3µ, 3µ, 5µ) = µ(3, 3, 5). Logo, U ∩ V = {(3µ, 3µ, 5µ) : µ ∈ R} ={µ(3, 3, 5) : µ ∈ R} = L ({(3, 3, 5)}) . Observa¸˜o 22 Neste exemplo (ii), os subespa¸os U e V poderiam ter sido apresentados ca c inicialmente na forma: U = {(x, y, z) ∈ R3 : 4x + y − 3z = 0} e V = {(x, y, z) ∈ R3 : 2x − 7y + 3z = 0}, uma vez que U = {(x, y, z) ∈ R3 : 4x + y − 3z = 0} = L ({(1, −4, 0), (0, 3, 1)}) = L ({(1, −1, 1), (1, 2, 2)}) e V = {(x, y, z) ∈ R3 : 2x−7y+3z = 0} = L ({(7, 2, 0), (−3, 0, 2)}) = L ({(2, 1, 1), (−1, 1, 3)}) . (iii) Sejam W = Matn×n (R), U o subespa¸o (de W ) das matrizes triangulares superiores, c V o subespa¸o (de W ) das matrizes triangulares inferiores. Ent˜o c a U +V =W e U ∩ V = subespa¸o das matrizes diagonais. c (iv) Sejam W = R2 , U = L({(1, 0)}) e V = L({(0, 1)}). O conjunto U ∪ V = {(x, y) ∈ R2 : x = 0 ∨ y = 0} n˜o ´ um espa¸o linear: a e c (1, 0) + (0, 1) = (1, 1) ∈ U ∪ V / ∈U ∈V Teorema 23 Se U e V subespa¸os do espa¸o linear W , ent˜o U ∪ V ´ subespa¸o de W se c c a e c e s´ se U ⊂ V ou V ⊂ U . o Teorema 24 Sejam W1 e W2 subespa¸os de um espa¸o linear V tais que c c W1 ∩ W2 = {0}. Se V = W1 + W2 ent˜o todo o vector v ∈ V pode ser escrito de modo unico na forma a ´ v = w 1 + w2 com w1 ∈ W1 e w2 ∈ W2 . Neste caso escreve-se V = W1 ⊕ W2 e diz-se que V ´ a soma e directa dos espa¸os W1 e W2 . c 30
  • 31.
    Teorema 25 Oespa¸o das linhas L(A) e o n´ cleo Nuc(A) de uma matriz A ∈ Matm×n (R) c u mantˆm-se invariantes por aplica¸ao do m´todo de elimina¸ao de Gauss. Isto ´, sendo A a e c˜ e c˜ e matriz em escada que se obtem de A por aplica¸ao desse m´todo, tem-se c˜ e L(A) = L(A ) e Nuc(A) = Nuc(A ). Observa¸˜o 23 Seja A ∈ Matm×n (R). Se A fˆr a matriz em escada que se obtem de A por ca o aplica¸ao do m´todo de elimina¸ao de Gauss, tem-se c˜ e c˜ C(A) = C(A ). Teorema 26 Seja A ∈ Matm×n (R). Tem-se C(A) = L(AT ) e L(A) ∩ Nuc(A) = {0}. 3.2 Independencia linear Defini¸˜o 28 Seja V um espa¸o linear. Seja S = {v1 , v2 , ..., vk } ⊂ V . Diz-se que o con- ca c junto S ´ linearmente dependente se e s´ se algum dos vectores de S se escrever como e o combina¸ao linear dos restantes, isto ´, se e s´ se existir algum i ∈ {1, 2, ..., k} e escalares c˜ e o λ1 , λ2 , ..., λi−1 , λi+1 , ..., λk ∈ R tais que vi = λ1 v1 + λ2 v2 + ... + λi−1 vi−1 + λi+1 vi+1 + ... + λk vk . Defini¸˜o 29 Seja V um espa¸o linear. Seja S = {v1 , v2 , ..., vk } ⊂ V . Diz-se que o conjunto ca c S ´ linearmente independente se e s´ se nenhum dos vectores de S se puder escrever e o como combina¸ao linear dos restantes, isto ´, se e s´ a unica solu¸ao do sistema homog´neo c˜ e o ´ c˜ e λ1 v1 + λ2 v2 + ... + λk vk = 0 fˆr a solu¸ao trivial, ou seja, λ1 = λ2 = ... = λk = 0. o c˜ Se V = Rn , sendo A a matriz cujas colunas s˜ os vectores de S, enta˜o S ´ linearmente a a e independente se e s´ se Nuc(A) = {0} se e s´ se car(A) = k. o o Teorema 27 Seja A uma matriz em escada de linhas. (i) As colunas de A que contˆm pivots s˜o linearmente independentes. e a (ii) As linhas n˜o nulas de A s˜o linearmente independentes. a a (iii) O no de linhas independentes e o no de colunas independentes (de A ) s˜o ambos a iguais a caracter´ ` ıstica de A . 31
  • 32.
    Observa¸˜o 24 (i)Assim, atendendo ao teorema anterior, a independˆncia linear de S = ca e {v1 , v2 , ..., vk } ⊂ V (espa¸o linear) pode ser decidida aplicando o m´todo de elimina¸ao a c e c˜ ` matriz A cujas colunas s˜o os vectores de S, de modo a coloc´-la em escada de linhas. Sendo a a A essa matriz em escada, tem-se pelo teorema ?? Nuc(A) = Nuc(A ) (*). Uma vez que as colunas de A que contˆm pivots s˜o linearmente independentes ent˜o, devido e a a a (*), as colunas de A nas posi¸oes correspondentes tamb´m ser˜o linearmente independentes. c˜ e a (ii) Em R, quaisquer dois vectores s˜o linearmente dependentes. a (iii) Em R2 , dois vectores s˜o linearmente independentes se n˜o forem colineares. a a (iv) Em R3 , trˆs vectores s˜o linearmente independentes se n˜o forem coplanares. e a a (v) Qualquer conjunto que contenha o vector nulo (elemento neutro) ´ linearmente de- e pendente. Em particular, o conjunto {0}, formado apenas pelo vector nulo, ´ linearmente e dependente. (vi) O conjunto vazio ∅ ´ linearmente independente. e Teorema 28 Sejam S1 e S2 dois subconjuntos finitos de um espa¸o linear, tais que S1 ⊂ S2 . c (i) Se S1 ´ linearmente dependente ent˜o S2 tamb´m ´ linearmente dependente. e a e e (ii) Se S2 ´ linearmente independente ent˜o S1 tamb´m ´ linearmente independente. e a e e Observa¸˜o 25 Sejam S1 e S2 dois subconjuntos finitos de um espa¸o linear, tais que ca c S1 ⊂ S 2 . (i) Se S2 fˆr linearmente dependente ent˜o S1 tanto pode ser linearmente dependente o a como linearmente independente. (ii) Se S1 fˆr linearmente independente ent˜o S2 tanto pode ser linearmente dependente o a como linearmente independente. Exemplo 25 Seja S = {(1, 0, 2), (2, 0, 4), (0, 1, 2)}. Tem-se       1 2 0 1 2 0 1 2 0 A=  0 0 1  −→  0 0 1  −→  0 0 1 =A. −2L1 +L3 →L3 −2L2 +L3 →L3 2 4 2 0 0 2 0 0 0 32
  • 33.
    Logo, como apenasexistem dois pivots e portanto uma vari´vel livre, as trˆs colunas de A a e s˜o linearmente dependentes, isto ´, o conjunto S ´ linearmente dependente. O subconjunto a e e de S: {(1, 0, 2), (2, 0, 4)} tamb´m ´ linearmente dependente. No entanto, uma vez que a 1a e 3a colunas de A s˜o e e a independentes pois correspondem as colunas da matriz em escada A que contˆm os pivots, ` e o subconjunto de S: {(1, 0, 2), (0, 1, 2)} ´ linearmente independente. e 3.3 Bases e dimens˜o de Espa¸os Lineares a c Defini¸˜o 30 Chama-se base de um espa¸o linear V a qualquer subconjunto S de V que ca c verifique as duas condi¸oes: c˜ (i) S gera V , isto ´, L(S) = V . e (ii) S ´ linearmente independente. e Teorema 29 Qualquer espa¸o linear V = {0} tem pelo menos uma base. c Dem.: Demonstra¸ao n˜o trivial!! c˜ a Observa¸˜o 26 Qualquer espa¸o linear V = {0} tem um no infinito de bases. Por exemplo, ca c se S = {u1 , ..., uk } fˆr uma base de V ent˜o para cada α = 0 o conjunto {αu1 , ..., αuk } ´ o a e tamb´m uma base de V . e Teorema 30 Todas as bases de um espa¸o linear V = {0} tˆm o mesmo no de vectores. c e Defini¸˜o 31 Chama-se dimens˜o de um espa¸o linear V = {0} ao no de vectores de uma ca a c base qualquer de V , e escreve-se dim V . Se V = {0} ent˜o dim V = 0 uma vez que o conjunto a vazio ∅ ´ base de {0}. Um espa¸o linear ter´ dimens˜o finita se uma sua base tiver um n o e c a a finito de vectores. 33
  • 34.
    Exemplo 26 (i)O conjunto {1} ´ uma base de R, chamada base can´nica ou natural de e o R. Logo, dim R = 1. (ii) O conjunto {(1, 0), (0, 1)} ´ uma base de R2 , chamada base can´nica ou natural de e o 2 R . Logo, dim R2 = 2. (iii) O conjunto {(1, 0, 0), (0, 1, 0), (0, 0, 1)} ´ uma base de R3 , chamada base can´nica e o ou natural de R3 . Logo, dim R3 = 3. (iv) O conjunto 1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 , , , , , 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 ´ uma base de Mat2×3 (R), chamada base can´nica ou natural de Mat2×3 (R). Logo, e o dim Mat2×3 (R) = 6. (v) Tem-se dim Rn = n e dim Matm×n (R) = mn. (vi) O conjunto {1, t, t2 , ..., tn } ´ uma base de Pn (espa¸o linear de todos os polin´mios e c o reais de grau menor ou igual a n), chamada base can´nica ou natural de Pn . Logo, o dim Pn = n + 1. (vii) O conjunto {1, t, t2 , ...} ´ uma base de P (espa¸o linear de todos os polin´mios e c o reais), chamada base can´nica ou natural de P . Logo, o dim P = ∞. Exemplo 27 O conjunto dos n´ meros complexos E = C ´ um espa¸o linear tanto sobre os u e c reais como sobre os pr´prios complexos, i.e. tanto considerando R como os escalares ou C o como escalares. Assim, dimC (E) = 1 e {1} ´ uma base; dimR (E) = 1 e {1, i} ´ uma base. e e Defini¸˜o 32 Chama-se nulidade a dimens˜o do n´ cleo ou espa¸o nulo de uma matriz A ca ` a u c e escreve-se nul A. Teorema 31 Seja A ∈ Matm×n (R). (i) Tem-se dim C(A) = dim L(A) = car A. (ii) Tem-se car A + nul A = n. 34
  • 35.
    Teorema 32 SejamW1 e W2 dois subespa¸os de dimens˜o finita de um espa¸o linear V . c a c Ent˜o, a dim (W1 + W2 ) = dim W1 + dim W2 − dim (W1 ∩ W2 ) . Teorema 33 Sejam V um espa¸o linear de dimens˜o finita e W um subespa¸o de V . c a c (i) Seja S = {u1 , ..., uk } ⊂ V . Se S ´ linearmente independente ent˜o S ser´ um subcon- e a a junto de uma base de V e ter-se-´ dim V ≥ k. a (ii) Se dim V = n, ent˜o quaisquer m vectores de V , com m > n, s˜o linearmente a a dependentes. (iii) Se dim V = n, ent˜o nenhum conjunto com m vectores de V , em que m < n, pode a gerar V . (iv) O subespa¸o W tem dimens˜o finita e dim W ≤ dim V . c a (v) Se dim W = dim V , ent˜o W = V . a (vi) Se dim V = n, ent˜o quaisquer n vectores de V linearmente independentes cons- a tituem uma base de V . (vii) Se dim V = n, ent˜o quaisquer n vectores geradores de V constituem uma base de a V. Observa¸˜o 27 O no de elementos de uma base de um espa¸o linear ´ igual ao no m´ ca c e ınimo de vectores possam constituir um conjunto gerador desse espa¸o e ´ tamb´m igual ao n o m´ximo c e e a de vectores que possam constituir um conjunto linearmente independente nesse espa¸o. c Exemplo 28 Seja A ∈ Matm×n (R). Como L(A) e Nuc(A) s˜o subespa¸os de Rn ent˜o a c a L(A) + Nuc(A) = L (L(A) ∪ Nuc(A)) ´ tamb´m um subepa¸o de Rn . Por outro lado, atendendo a que e e c L(A) ∩ Nuc(A) = {0} (teorema 26), tem-se dim (L(A) ∩ Nuc(A)) = 0. Assim, dim (L(A) + Nuc(A)) = dim L(A) + dim Nuc(A) − dim (L(A) ∩ Nuc(A)) = = car A + nul A − 0 = = n. Logo, pelo teorema 33 (v), tem-se Rn = L(A) ⊕ Nuc(A). 35
  • 36.
    Exemplo 29 (i)Os seguintes conjuntos s˜o todos os subespa¸os de R: a c {0} e R. (ii) Os seguintes conjuntos s˜o todos os subespa¸os de R2 : a c {(0, 0)} , todas as rectas que contˆm a origem e R2 . e (iii) Os seguintes conjuntos s˜o todos os subespa¸os de R3 : a c {(0, 0, 0)} , todas as rectas que contˆm a origem, todos os planos que contˆm a origem e R 3 . e e Observa¸˜o 28 O m´todo de elimina¸ao de Gauss permite determinar a dimens˜o e uma ca e c˜ a base quer para o espa¸o das linhas L(A) quer para o espa¸o das colunas C(A) de uma matriz c c A. Seja A a matriz em escada que se obtem de A por aplica¸ao do m´todo de elimina¸ao c˜ e c˜ de Gauss. Ent˜o, a (i) Uma base para L(A) ser´ formada pelas linhas n˜o nulas de A . a a (ii) Uma base para C(A) ser´ formada pelas colunas de A que correspondem as posi¸oes a ` c˜ das colunas de A que contˆm os pivots. e Exemplo 30 Seja   2 1 1 1 A= 4 2 3 3 . −6 −3 1 1 Tem-se       2 1 1 1 2 1 1 1 2 1 1 1 A= 4 2 3 3  −→  0 0 1 1  −→  0 0 1 1 =A. −2L1 +L2 →L2 −4L2 +L3 →L3 −6 −3 1 1 3L1 +L3 →L3 0 0 4 4 0 0 0 0 Logo, {(2, 1, 1, 1), (0, 0, 1, 1)} ´ uma base de L(A) e {(2, 4, −6), (1, 3, 1)} ´ uma base de C(A). e e Assim, dim L(A) = 2 = dim C(A) e L(A) = L ({(2, 1, 1, 1), (0, 0, 1, 1)}) , C(A) = L ({(2, 4, −6), (1, 3, 1)}) . Por outro lado,        x 0     y    0  Nuc(A ) = (x, y, z, w) ∈ R4 : A  z =    =   0    w 0 = {(x, −2x, −w, w) : x, w ∈ R} = = L{(1, −2, 0, 0), (0, 0, −1, 1)}. 36
  • 37.
    Como o conjunto{(1, −2, 0, 0), (0, 0, −1, 1)} ´ linearmente independente e gera Nuc(A ) ent˜o e a ´ uma base de Nuc(A ). Finalmente, uma vez que Nuc(A) = Nuc(A ), o conjunto e {(1, −2, 0, 0), (0, 0, −1, 1)} ´ uma base de Nuc(A) e portanto dim Nuc(A) = 2, com e Nuc(A) = L{(1, −2, 0, 0), (0, 0, −1, 1)}. Exemplo 31 Seja S = {1, 2, −1), (2, 1, 1), (−1, −2, 1), (0, 1, 0)} ⊂ R3 . Determinemos uma base para L(S). Considere a seguinte matriz cujas colunas s˜o os vectores de S: a   1 2 −1 0  2 1 −2 1  . −1 1 1 0 Tem-se       1 2 −1 0 1 2 −1 0 1 2 −1 0  2 1 −2 1  −→  0 −3 0 1  −→  0 −3 0 1  . −2L1 +L2 →L2 L2 +L3 →L3 −1 1 1 0 L1 +L3 →L3 0 3 0 0 0 0 0 1 Logo, S = {1, 2, −1), (2, 1, 1), (0, 1, 0)} ´ uma base de L(S). Como dim R3 = 3, ent˜o tem-se e a 3 3 mesmo: L(S) = R e S ´ uma base de R . e Resolu¸˜o alternativa: Considere a seguinte matriz cujas linhas s˜o os vectores de S: ca a   1 2 −1  2 1 1   −1 −2 1  .   0 1 0 Tem-se         1 2 −1 1 2 −1 1 2 −1 1 2 −1  2 1 1   0 −3 3   −→  0 −3 3     0 −3 3   −1 −2 1  −2L1−→→L2 −→     . +L2  0 0 0  L3 ↔L4  0 1 0  1 L +L3 →L3  0 0 1  3 2 L1 +L3 →L3 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 Logo, S = {1, 2, −1), (0, −3, 3), (0, 0, 1)} ´ uma base de L(S). Como dim R3 = 3, ent˜o e a 3 3 tem-se mesmo: L(S) = R e S ´ uma base de R . e Exemplo 32 Seja Sa,b = {1, 0, 1), (0, 1, a), (1, 1, b), (1, 1, 1)} ⊂ R3 . Determinemos os valores dos parˆmetros a e b para os quais Sa,b n˜o gere R3 . a a 37
  • 38.
    Considere a seguintematriz cujas colunas s˜o os vectores de S: a   1 0 1 1  0 1 1 1 . 1 a b 1 Tem-se       1 0 1 1 1 0 1 1 1 0 1 1  0 1 1 1  −→  0 1 1 1  −→  0 1 1 1 . −L1 +L3 →L3 −aL2 +L3 →L3 1 a b 1 0 a b−1 0 0 0 b − a − 1 −a Logo, Sa,b n˜o gera R3 se e s´ se b − a − 1 = 0 e −a = 0, isto ´, se e s´ se a = 0 e b = 1. a o e o Teorema 34 (i) Seja A ∈ Matm×n (R). As colunas de A geram Rm se e s´ se car A = m. o (ii) Seja A ∈ Matm×n (R). As colunas de A s˜o linearmente independentes se e s´ se a o car A = n. (iii) Seja A ∈ Matn×n (R). A matriz A ´ invert´ e ıvel se e s´ se as colunas de A (ou as o n linhas de A) formarem uma base de R . No caso de A ser invert´ tem-se ıvel C(A) = L(A) = Rn . Observa¸˜o 29 Seja A ∈ Matm×n (R) e considere o sistema de equa¸oes lineares Au = b. ca c˜ (i) O sistema Au = b ´ imposs´ e ıvel (n˜o tem solu¸ao) se e s´ se b ∈ C(A), isto ´, se e s´ a c˜ o / e o se car A < car [A | b]. (ii) O sistema Au = b ´ poss´ e ıvel e indeterminado (tem um no infinito de solu¸oes) se c˜ e s´ se b ∈ C(A) e as colunas de A forem linearmente dependentes, isto ´, se e s´ se car A = o e o car [A | b] < n, isto ´, se e s´ se car A = car [A | b] e nul A = 0. e o (iii) O sistema Au = b ´ poss´ e ıvel e determinado (tem uma unica solu¸ao) se e s´ ´ c˜ o se b ∈ C(A) e as colunas de A forem linearmente independentes, isto ´, se e s´ se car A = e o car [A | b] = n, isto ´, se e s´ se car A = car [A | b] e nul A = 0. e o Observa¸˜o 30 Seja A ∈ Matm×n (R) e considere o sistema de equa¸oes lineares Au = b. ca c˜ (i) Existˆncia de solu¸˜o: Se m ≤ n ent˜o o sistema Au = b tem pelo menos uma e ca a m solu¸ao u para cada b ∈ R se e s´ se car A = m. c˜ o (ii) Unicidade de solu¸˜o: Se m ≥ n ent˜o o sistema Au = b tem no m´ximo uma ca a a m solu¸ao u para cada b ∈ R se e s´ se car A = n, isto ´, se e s´ se nul A = 0. c˜ o e o (iii) Existˆncia e unicidade de solu¸˜o: Se m = n ent˜o o sistema Au = b tem e ca a m solu¸ao unica u para cada b ∈ R se e s´ se A fˆr invert´ c˜ ´ o o ıvel. 38
  • 39.
    Teorema 35 SejaA ∈ Matn×n (R). As seguintes afirma¸oes s˜o equivalentes. c˜ a (i) A ´ n˜o singular. e a (ii) A ´ invert´ e ıvel. (iii) Nuc(A) = {0}. (iv) nul A = 0. (v) Au = 0 tem apenas a solu¸ao trivial u = 0. c˜ (vi) Au = b tem solu¸ao unica u para cada b ∈ Rn . c˜ ´ (vii) A caracter´ ıstica de A ´ m´xima, isto ´, car A = n. e a e (viii) As colunas de A geram Rn . (ix) As colunas de A s˜o independentes. a (x) As linhas de A geram Rn . (xi) As linhas de A s˜o independentes. a (xii) A menos de permuta¸oes de linhas, a matriz A admite uma unica factoriza¸ao c˜ ´ c˜ triangular LDU . 3.4 Coordenadas de um vector numa base Defini¸˜o 33 Seja S = {v1 , v2 , ..., vk } uma base ordenada de um espa¸o linear V e seja u ca c um vector de V . Chamam-se coordenadas do vector u na base ordenada S aos escalares λ1 , λ2 , ..., λk da combina¸ao linear: c˜ u = λ1 v1 + λ2 v2 + ... + λk vk . Designamos por uS as coordenadas de u na base S, i.e. uS = (λ1 , · · · , λk ). Teorema 36 Seja V um espa¸o linear. c (i) Um conjunto S de vectores n˜o nulos de V ´ uma base de V se e s´ se todo o vector a e o de V puder ser escrito de modo unico como combina¸ao linear dos vectores de S. ´ c˜ (ii) Se dim V = n, ent˜o dados u, w ∈ V e S = {v1 , v2 , . . . , vn } uma base ordenada de a V , tem-se u = w se e s´ se as coordenadas de u e de w na base S forem iguais. o Exemplo 33 i) Sejam S1 = {e1 , e2 } e S2 = {v1 , v2 } duas bases de R2 , onde e1 = (1, 0), e2 = (0, 1), v1 = (1, 1) e v2 = (1, −1). Seja ainda u = (11, 3). Ent˜o uS1 = (11, 3) enquanto uS2 = (7, 4). a ii) Seja F o subespa¸o de R3 gerado pelos vectores v1 = (1, 1, 1) e v2 = (1, 0, 1). Claro que c B = {v1 , v2 } ´ uma base de F , uma vez que os vectores v1 , v2 s˜o linearmente independentes. e a 39
  • 40.
    Sendo u =(3, 1, 3) ∈ F , ent˜o as coordenadas uB de u na base B s˜o uB = (1, 2), uma vez a a que λ1 = 1, λ2 = 2 ´ a unica solu¸ao de u = λ1 v1 + λ2 v2 . e ´ c˜ iii) Considerando a mesma base B de ii), sabendo que as coordenadas de um vector u na base B s˜o uB = (2, 1), ent˜o o vector u = 2v1 + 1v2 = (3, 2, 3). a a 4 Valores Pr´prios, Vectores Pr´prios e diagonaliza¸˜o o o ca de Matrizes Defini¸˜o 34 Seja A ∈ Matn×n (R). Chama-se a ca det(A − λI), o polin´mio caracter´ o ıstico da matriz A. O polin´mio p(λ) = det(A − λI) tem grau n, o o n coeficiente do termo de grau n ´ (−1) e o termo constante ´ p(0) = det A. e e Defini¸˜o 35 Seja A ∈ Matn×n (R). Chama-se valor pr´prio de A a qualquer escalar λ ca o tal que A − λI seja singular, isto ´, tal que det(A − λI) = 0. Chama-se vector pr´prio de e o A, associado ao valor pr´prio λ de A, a qualquer vector n˜o nulo v que verifique o a (A − λI)v = 0. Observa¸˜o 31 Seja A ∈ Matn×n (R). O escalar 0 ´ valor pr´prio de A se e s´ se A fˆr ca e o o o singular. Isto ´, a matriz A ´ invert´ se e s´ se 0 n˜o fˆr valor pr´prio de A. e e ıvel o a o o Defini¸˜o 36 Sejam A, B ∈ Matn×n (R). As matrizes A e B dizem-se semelhantes se ca existir uma matriz S invert´ tal que ıvel B = SAS −1 Teorema 37 Sejam A, B ∈ Matn×n (R). Se A e B forem semelhantes ent˜o A e B tˆm o a e mesmo polin´mio caracter´ o ıstico. Em particular, se A e B forem semelhantes ent˜o A e B a tˆm os mesmos valores pr´prios. e o Dem. Tem-se det(B − λI) = det(SAS −1 − λI) = = det(SAS −1 − λSS −1 ) = = det(S(A − λI)S −1 ) = = det S det(A − λI) det S −1 = 1 = det S det(A − λI) = det S = det(A − λI). 40
  • 41.
    Teorema 38 SejaA ∈ Matn×n . Se A tiver valores pr´prios distintos λ1 , ..., λk e se u1 , ..., uk o forem os vectores pr´prios associados a cada um destes valores pr´prios, ent˜o os vectores o o a u1 , ..., uk s˜o linearmente independentes. a Defini¸˜o 37 Seja A ∈ Matn×n (R). Se existir uma matriz S invert´ tal que ca ıvel D = SAS −1 , com D matriz diagonal, ent˜o diz-se que A ´ uma matriz diagonaliz´vel e que S (matriz a e a de mudan¸a de base, ver sec¸ao 6.1) ´ a matriz diagonalizante. c c˜ e Teorema 39 Seja A ∈ Matn×n (R). A matriz A ´ diagonaliz´vel se e s´ se existir uma base e a o n de R constitu´ por vectores pr´prios de A. Neste caso, as entradas da diagonal principal ıda o dessa matriz diagonal ser˜o os valores pr´prios associados aos vectores pr´prios da base de a o o Rn pela ordem da mesma. O mesmo se aplica em Cn . Em particular, se A tiver n valores pr´prios distintos λ1 , ..., λn ent˜o a matriz A ´ diago- o a e naliz´vel e a matriz diagonal ´: a e   λ1 0 ... 0 .. .. .   0 . . . .   . . .  .. .. 0  0 ... 0 λn Observa¸˜o 32 Seja A a matriz n × n. ca (1) Seja p(λ) o polin´mio caracter´ o ıstico de A. Para cada raiz λ1 de p(λ), a sua multipli- cidade enquanto raiz do polin´mio chama-se mutliplicidade alg´brica de λ1 e denota-se por o e ma (λ1 ). Mais precisamente, λ0 tem tem multiplicidade alg´brica m quando e p(λ) = (λ − λ1 )m q(λ) e q(λ1 ) = 0. ` (2) A dimens˜o de Nuc(A − λ1 I) chama-se multiplicidade geom´trica e designa-se por a e mg (λ1 ). (3) A matriz A ∈ Matn×n ´ diagonaliz´vel se e s´ se e a o dimNuc(A − λI) = dim(V ). λ valores proprios Ou seja, existe uma base de V na qual a representa¸ao matricial de T ´ uma matriz diagonal c˜ e sse dim Eλ1 + · · · + dim Eλk = n, onde λ1 , · · · , λk (k ≤ n) s˜o os valores pr´prios de T . a o 41
  • 42.
    Teorema 40 SejaA ∈ Matn×n (R) tal que A ´ sim´trica, isto ´, tal que A = AT . Ent˜o A e e e a ´ diagonaliz´vel. e a Exemplo 34 (i) Uma matriz com valores pr´prios distintos. o   1 5 −1 A =  0 −2 1  −4 0 3 O polin´mio caracter´ o ıstico ´ dado por e 1−λ 5 −1 det(A − λI) = 0 −2 − λ 1 = −4 0 3−λ = (1 − λ) (−2 − λ) (3 − λ) − 20 + 4 (2 + λ) = = (1 − λ) (−2 − λ) (3 − λ) + 4λ − 12 = = (3 − λ) [(λ − 1) (λ + 2) − 4] = = (3 − λ) λ2 + λ − 6 = = (3 − λ) (λ − 2) (λ + 3) . Os valores pr´prios de A s˜o os valores de λ para os quais det(A − λI) = 0. Logo, os valores o a pr´prios de A s˜o o a λ1 = 3, λ2 = 2 e λ3 = −3. Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ s˜o os vectores n˜o nulos u ∈ R 3 o o a a para os quais (A − λI) u = 0, isto ´, s˜o os vectores n˜o nulos de Nuc (A − λI). e a a Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 3. Tem-se o o   −2 5 −1 Nuc (A − λ1 I) = Nuc  0 −5 1  = L ({(0, 1, 5)}) . −4 0 0 Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ1 ´ dado por c o e Eλ1 = Nuc (A − λ1 I) = L ({(0, 1, 5)}) . Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 3 s˜o o o a u = (0, s, 5s) , com s ∈ R {0} . Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 2. Tem-se o o   −1 5 −1 Nuc (A − λ2 I) = Nuc  0 −4 1  = L ({(1, 1, 4)}) . −4 0 1 42
  • 43.
    Logo, o subespa¸opr´prio Eλ2 ´ dado por c o e Eλ2 = Nuc (A − λ2 I) = L ({(1, 1, 4)}) . Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 2 s˜o o o a u = (s, s, 4s) , com s ∈ R {0} . Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ3 = −3. Tem-se o o   4 5 −1 Nuc (A − λ3 I) = Nuc  0 1 1  = L ({(3, −2, 2)}) . −4 0 6 Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ3 ´ dado por c o e Eλ3 = Nuc (A − λ3 I) = L ({(3, −2, 2)}) . Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ3 = −3 s˜o o o a u = (3s, −2s, 2s) , com s ∈ R {0} . Atendendo a que os valores pr´prios de A s˜o distintos, pelo teorema 38, os vectores o a pr´prios de A associados a esses valores pr´prios s˜o linearmente independentes. Como o o a 3 3 dim R = 3, ent˜o 3 vectores em R linearmente independentes formar˜o desde logo uma a a 3 base de R . Logo, o conjunto S = {(0, 1, 5) , (1, 1, 4) , (3, −2, 2)} ´ uma base de R3 . Deste modo, temos uma base de R3 formada s´ por vectores pr´prios de e o o A. Logo, a matriz A ´ diagonaliz´vel, isto ´, existe uma matriz invert´ S diagonalizante e a e ıvel tal que a matriz SAS −1 ´ diagonal, tendo-se e     λ1 0 0 3 0 0 D = SAS −1 =  0 λ2 0  =  0 2 0  , 0 0 λ3 0 0 −3 com   0 1 3 S −1 =  1 1 −2  . 5 4 2 Note que cada coluna de S −1 ´ formada pelo vector pr´prio associado ao valor pr´prio e o o respectivo e na posi¸ao respectiva. c˜ (ii) Uma matriz com valores pr´prios repetidos mas diagonaliz´vel. o a   2 1 1 A= 2 3 2  3 3 4 43
  • 44.
    O polin´mio caracter´ o ıstico ´ dado por e 2−λ 1 1 det(A − λI) = 2 3−λ 2 = 3 3 4−λ = (2 − λ) (3 − λ) (4 − λ) + 6 + 6 − 3 (3 − λ) − 6 (2 − λ) − 2 (4 − λ) = = −λ3 + 9λ2 − 15λ + 7 = = − (λ − 1) (λ − 1) (λ − 7) . Os valores pr´prios de A s˜o os valores de λ para os quais det(A − λI) = 0. Logo, os valores o a pr´prios de A s˜o o a λ1 = 1 e λ2 = 7. Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ s˜o os vectores n˜o nulos u ∈ R 3 o o a a para os quais (A − λI) u = 0, isto ´, s˜o os vectores n˜o nulos de Nuc (A − λI). e a a Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 1. Tem-se o o   1 1 1 Nuc (A − λ1 I) = Nuc  2 2 2  = L ({(−1, 1, 0) , (−1, 0, 1)}) . 3 3 3 Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ1 ´ dado por c o e Eλ1 = Nuc (A − λ1 I) = L ({(−1, 1, 0) , (−1, 0, 1)}) . Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 1 s˜o o o a u = (−s − t, s, t) , com s, t ∈ R, n˜o simultˆneamente nulos. a a Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 7. Tem-se o o   −5 1 1 Nuc (A − λ2 I) = Nuc  2 −4 2  = L ({(1, 2, 3)}) . 3 3 −3 Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ2 ´ dado por c o e Eλ2 = Nuc (A − λ2 I) = L ({(1, 2, 3)}) . Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 7 s˜o o o a u = (s, 2s, 3s) , com s ∈ R {0} . Atendendo a que dim Eλ1 + dim Eλ2 = 3, podemos ter a seguinte base de R3 formada s´ por vectores pr´prios de A o o S = {(−1, 1, 0) , (−1, 0, 1) , (1, 2, 3)} . 44
  • 45.
    Logo, a matrizA ´ diagonaliz´vel, isto ´, existe uma matriz e a e invert´ S diagonalizante tal ıvel −1 que a matriz SAS ´ diagonal, tendo-se e     λ1 0 0 1 0 0 −1  0 λ1 0  =  0 D = SAS = 1 0 , 0 0 λ2 0 0 7 com   −1 −1 1 S −1 = 1 0 2 . 0 1 3 Note que cada coluna de S −1 ´ formada pelo vector pr´prio associado ao valor pr´prio e o o respectivo e na posi¸ao respectiva. c˜ (iii) Uma matriz com valores pr´prios repetidos e n˜o diagonaliz´vel. o a a   7 5 −1 A =  0 −2 1  20 0 3 O polin´mio caracter´ o ıstico ´ dado por e 7−λ 5 −1 det(A − λI) = 0 −2 − λ 1 = 20 0 3−λ = (7 − λ) (−2 − λ) (3 − λ) + 100 − 20 (2 + λ) = = (3 − λ) [(7 − λ) (−2 − λ) + 20] = = (3 − λ) λ2 − 5λ + 6 = = (3 − λ) (λ − 3) (λ − 2) . Os valores pr´prios de A s˜o os valores de λ para os quais det(A − λI) = 0. Logo, os valores o a pr´prios de A s˜o o a λ1 = 3 e λ2 = 2. Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ s˜o os vectores n˜o nulos u ∈ R 3 o o a a para os quais (A − λI) u = 0, isto ´, s˜o os vectores n˜o nulos de Nuc (A − λI). e a a Determinemos os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 3. Tem-se o o   4 5 −1 Nuc (A − λ1 I) = Nuc  0 −5 1  = L ({(0, 1, 5)}) . 20 0 0 Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ1 ´ dado por c o e Eλ1 = Nuc (A − λ1 I) = L ({(0, 1, 5)}) . Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ1 = 3 s˜o o o a u = (0, s, 5s) , com s ∈ R {0} . 45
  • 46.
    Determinemos os vectorespr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 2. Tem-se o o   5 5 −1 Nuc (A − λ2 I) = Nuc  0 −4 1  = L ({(1, −5, −20)}) . 20 0 1 Logo, o subespa¸o pr´prio Eλ2 ´ dado por c o e Eλ2 = Nuc (A − λ2 I) = L ({(1, −5, −20)}) . Os vectores pr´prios de A associados ao valor pr´prio λ2 = 2 s˜o o o a u = (s, −5s, −20s) , com s ∈ R {0} . Atendendo a que dim Eλ1 + dim Eλ2 = 2 < 3, n˜o ´ poss´ ter uma base de R3 formada s´ por vectores pr´prios de A. Logo, a matriz a e ıvel o o A n˜o ´ diagonaliz´vel, isto ´, n˜o existe uma matriz invert´ S diagonalizante tal que a a e a e a ıvel −1 matriz SAS seja diagonal. (iv) Uma matriz com apenas um valor pr´prio real. o   1 0 0 A =  0 0 −1  0 1 0 O polin´mio caracter´ o ıstico ´ dado por e 1−λ 0 0 det(A − λI) = 0 −λ −1 = 0 1 −λ = λ2 (1 − λ) + (1 − λ) = = (1 − λ) λ2 + 1 . Os valores pr´prios de A s˜o os valores de λ para os quais det(A − λI) = 0. Logo, os valores o a pr´prios de A s˜o o a λ1 = 1, λ2 = i e λ3 = −i. Logo, a matriz A n˜o ´ diagonaliz´vel numa matriz de entradas reais, isto ´, n˜o existe a e a e a −1 uma matriz invert´ S diagonalizante tal que a matriz SAS seja diagonal com entradas ıvel reais. No entanto e atendendo a que os trˆs valores pr´prios s˜o distintos, a matriz A ´ e o a e diagonaliz´vel numa matriz de entradas complexas: a   1 0 0  0 i 0  0 0 −i 46
  • 47.
    5 Produtos Internos Defini¸˜o 38 Sejam V um espa¸o linear real e 0 o vector nulo de V . Chama-se produto ca c interno em V a aplica¸ao ` c˜ , :V ×V →R (u, v) → u, v que verifique as trˆs condi¸oes seguintes. e c˜ (i) Simetria: para todos os u, v ∈ V u, v = v, u . (ii) Linearidade: para todo o v ∈ V (fixo) a aplica¸ao c˜ V →R u → u, v ´ linear. e (iii) Positividade: para todo o u ∈ V tal que u = 0, u, u > 0. Observa¸˜o 33 Se V ´ uma espac co linear complexo, ent˜o , : V × V → C ´ um produto ca e a e interno se, os axiomas de defini¸ao anterior forem satisfeitos, com excep¸ao ao simetria que c˜ c˜ ´ substituido por: e u, v = v, u . onde v, u denota o complexo conjugado de v, u . Defini¸˜o 39 Chama-se espa¸o euclidiano a um espa¸o linear com um produto interno. ca c c Observa¸˜o 34 Seja V um espa¸o euclidiano real. Seja S = {w1 , w2 , ..., wn } uma base de ca c V . Sejam u, v ∈ V . Sejam α1 , α2 , ..., αn e β 1 , β 2 , ..., β n as coordenadas de u e de v na base S respectivamente, isto ´, e n n u = α1 w1 + α2 w2 + ... + αn wn = α i wi e v = β 1 w1 + β 2 w2 + ... + β n wn = β i wi . i=1 i=1 47
  • 48.
    Logo, n n n n u, v = α i wi , β i wi = αi β j w i , w j = i=1 i=1 i=1 j=1    w 1 , w1 w 1 , w2 ... w 1 , wn β1   w 2 , w1 w 2 , w2 ... w 2 , wn   β2   = α1 α 2 . . . αn  . . . . . .  . . .  . . .  .  w n , w1 w n , w2 ... w n , wn βn Isto ´, existe uma matriz e sim´trica e definida positiva (todos os seus valores pr´prios s˜o e o a positivos):     w 1 , w1 w 1 , w2 ... w 1 , wn β1  w 2 , w1 w 2 , w2 ... w 2 , wn   β2      A= . . . . . .  tal que u, v = α 1 α 2 . . . αn A . . .  . . .   .  w n , w1 w n , w2 ... w n , wn βn Teorema 41 Seja V um espa¸o linear real com dim V = n. Seja {w1 , w2 , ..., wn } uma base c de V . Ent˜o, uma aplica¸ao a c˜ , :V ×V →R ´ um produto interno (em V ) se e s´ se e o   β1   β2   u, v = α 1 α 2 . . . αn A . . ,  .  βn com u = α1 w1 + α2 w2 + ... + αn wn , v = β 1 w1 + β 2 w2 + ... + β n wn e A ´ uma matriz sim´trica cujos valores pr´prios e e o s˜o todos positivos. Se a aplica¸ao , fˆr a c˜ o um produto interno tem-se   w 1 , w1 w 1 , w2 ... w 1 , wn  w 2 , w1 w 2 , w2 ... w 2 , wn    A= . . . . . . .  . . .  w n , w1 w n , w2 ... w n , wn Observa¸˜o 35 No caso complexo, tamb´m podemos encontrar uma matriz A com entradas ca e complexas tal que   β1  β   2  u, v = α1 α2 . . . αn A  .   .  . βn 48
  • 49.
    t com os valorespr´prios de A todos positivos e A = A , onde A ´ a matriz que se obt´m de o e e A passando todas as entardas de A ao complexo conjugado. Uma matriz A que satisfa¸a c t A = A diz-se hermitiana. Exemplo 35 (i) Seja , : R2 × R2 → R a aplica¸ao definida por: c˜ (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = α1 β 1 + α2 β 2 , com (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) ∈ R2 . Esta aplica¸ao ´ um produto interno em R2 a que se d´ o nome c˜ e a 2 de produto interno usual em R , uma vez que β1 (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = α1 β 1 + α2 β 2 = α1 α2 A β2 com 1 0 A= . 0 1 A matriz A ´ sim´trica e o unico valor pr´prio de A ´ 1 > 0. e e ´ o e (ii) Seja , : R2 × R2 → R a aplica¸ao definida por: c˜ (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = −2α1 β 1 + 3α2 β 2 , com (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) ∈ R2 . Esta aplica¸ao n˜o ´ um produto interno em R2 , uma vez que c˜ a e β1 (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = −2α1 β 1 + 3α2 β 2 = α1 α2 A β2 com −2 0 A= . 0 3 A matriz A ´ sim´trica, no entanto, os valores pr´prios de A: −2 e 3 n˜o s˜o ambos positivos. e e o a a Exemplo 36 R2 com um produto interno n˜o usual. Seja , a : R 2 × R2 → R a aplica¸ao definida por: c˜ (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = 2α1 β 1 + α1 β 2 + α2 β 1 + α2 β 2 , com (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) ∈ R2 . ´ a E f´cil ver que esta aplica¸ao ´ sim´trica e linear em rela¸ao a (α 1 , α2 ) (fixando (β 1 , β 2 )). c˜ e e c˜ Vejamos por exemplo que a condi¸ao c˜ (α1 , α2 ) , (α1 , α2 ) > 0, para todo o (α1 , α2 ) = (0, 0), ´ satisfeita. e Atendendo a que (α1 , α2 ) , (α1 , α2 ) = 2α2 + 2α1 α2 + α2 = α2 + (α1 + α2 )2 , 1 2 1 49
  • 50.
    tem-se (α1 , α2) , (α1 , α2 ) = 0 ⇔ (α1 = 0 e α1 + α2 = 0) ⇔ (α1 = 0 e α2 = 0) ⇔ (α1 , α2 ) = (0, 0). Em alternativa, podemos escrever β1 (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = 2α1 β 1 + α1 β 2 + α2 β 1 + α2 β 2 = α1 α2 A β2 com 2 1 A= . 1 1 √ √ 3+ 5 3− 5 A matriz A ´ sim´trica e os valores pr´prios de A: e e o 2 e 2 s˜o ambos positivos. a Defini¸˜o 40 Sejam V um espa¸o euclidiano e 0 o vector nulo de V . Sejam u, v ∈ V . ca c (i) Chama-se norma de u a: u = u, u . (ii) Chama-se projec¸˜o ortogonal de v sobre u = 0 a: ca v, u proju v = u. u 2 (iii) Diz-se que u e v s˜o ortogonais se u, v = 0. a (iv) Chama-se ˆngulo entre dois vectores n˜o nulos u e v a: a a u, v θ = arccos . u v π Observa¸˜o 36 O angulo θ entre dois vectores n˜o nulos u e v ´ ca ˆ a e 2 se e s´ se u e v s˜o o a ortogonais. Teorema 42 Desigualdade de Cauchy-Schwarz. Seja V um espa¸o euclidiano. Ent˜o, c a para todos os u, v ∈ V , | u, v | ≤ u v 50
  • 51.
    Observa¸˜o 37 (i)Teorema de Pit´goras. Sejam u, v ∈ R2 . Tem-se u e v ortogonais se ca a e s´ se o u−v 2 = u 2+ v 2. Dem. 2 u−v = u − v, u − v = u, u − v, u − u, v + v, v = = u 2 − 2 u, v + v 2 = u 2 + v 2 se e s´ se o u, v = 0, isto ´, se e s´ se u e v forem ortogonais. e o (ii) Em R2 com o produto interno usual, a desigualdade de Cauchy-Schwarz ´ dada por e |α1 β 1 + α2 β 2 | ≤ α 2 + α2 1 2 β2 + β2, 1 2 uma vez que (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = α1 β 1 + α2 β 2 , com (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) ∈ R2 . (iii) Em Rn com o produto interno usual, a desigualdade de Cauchy-Schwarz ´ dada por e n n n αi β i ≤ α2 i β2, i i=1 i=1 i=1 uma vez que (α1 , ..., αn ) , (β 1 , ..., β n ) = α1 β 1 + ... + αn β n , com (α1 , ..., αn ) , (β 1 , ..., β n ) ∈ Rn . Teorema 43 Sejam V um espa¸o euclidiano e 0 o vector nulo de V . Sejam u.v ∈ V e λ ∈ R. c A norma satisfaz as seguintes propriedades. (i) Positividade: u > 0 se u = 0. (ii) Homogeneidade: λu = |λ| u (iii) Desigualdade triangular: u + v ≤ u + v Observa¸˜o 38 Pode definir-se norma num espa¸o linear V , sem estar associada a qualquer ca c produto interno, como sendo uma aplica¸ao de V em R que satisfaz as propriedades do c˜ teorema anterior. A um espa¸o linear com uma norma chama-se espa¸o normado. c c 51
  • 52.
    Observa¸˜o 39 SejaV um espa¸o euclidiano. Sejam u, v ∈ V . Tem-se ca c 1 2 2 2 u, v = u+v − u − v . 2 Observa¸˜o 40 Seja V um espa¸o linear real normado. Sejam u, v ∈ V . Ent˜o, a norma ca c a pode ser obtida de um produto interno na forma u = u, u se e s´ se o 2 2 2 2 u−v + u+v =2 u +2 v . Esta ultima equa¸ao ´ conhecida por lei do paralelogramo. ´ c˜ e Exemplo 37 Uma norma que n˜o ´ obtida a partir de um produto interno. Seja a e 2 : R → R a aplica¸ao definida por c˜ (α1 , α2 ) = |α1 | + |α2 | , ´ a com (α1 , α2 ) ∈ R2 . E f´cil verificar que esta aplica¸ao satisfaz as trˆs condi¸oes do teorema c˜ e c˜ 43. Logo, ´ uma norma. No entanto, ´ tamb´m f´cil verificar que esta norma n˜o satisfaz e e e a a a lei do paralelogramo. Logo, esta norma n˜o poder´ ser obtida a partir de um produto a a interno. Defini¸˜o 41 Sejam V um espa¸o euclidiano e S ⊂ V . Diz-se que S ´ ortogonal se para ca c e todos os u, v ∈ S com u = v, u, v = 0. Diz-se que S ´ ortonormado se fˆr ortogonal e para todo o u ∈ S, e o u = 1. Teorema 44 Sejam V um espa¸o euclidiano e S ⊂ V . Seja 0 o vector nulo de V . Se S ´ c e ortogonal e 0 ∈ S ent˜o S ´ linearmente independente. Em particular, se n = dim V ent˜o / a e a qualquer conjunto S ortogonal de n vectores n˜o nulos ´ uma base de V . a e 52
  • 53.
    Teorema 45 SejaV um espa¸o euclidiano com dim V = n. Seja S = {u1 , ..., un } uma base c ortogonal de V . Ent˜o, as coordenadas de um vector v ∈ V em rela¸ao a base S s˜o dadas a c˜ ` a por: v, uj αj = , u j , uj com j = 1, ..., n. Se S fˆr ortonormada ent˜o as coordenadas de um vector v ∈ V em rela¸ao o a c˜ a base S s˜o dadas por: ` a αj = v, uj , com j = 1, ..., n. Teorema 46 Seja V um espa¸o euclidiano real com dim V = n. Seja S = {w1 , ..., wn } uma c base ortonormada de V . Ent˜o, para todos os u, v ∈ V , a n n u, v = u, wi v, wi (f´rmula de Parseval) e tem-se o u = u, wi 2 . i=1 i=1 Observa¸˜o 41 Seja V um espa¸o euclidiano real com dim V = n. Seja S = {w1 , ..., wn } ca c uma base ortonormada de V . Sejam u, v ∈ V , com u = α1 w1 + α2 w2 + ... + αn wn , v = β 1 w1 + β 2 w2 + ... + β n wn . Ent˜o, atendendo ao teorema 45, a f´rmula de Parseval ´ dada por: a o e n n u, v = αi β i = α1 β 1 + α2 β 2 + ... + αn β n e tem-se u = α2 . i i=1 i=1 Nota¸˜o 3 Sejam V um espa¸o euclidiano e 0 o vector nulo de V . Para qualquer v ∈ V , ca c 1 v com v = 0, o vector v v ser´ denotado por v . a Teorema 47 M´todo de ortogonaliza¸˜o de Gram-Schmidt10 . Seja V um espa¸o e ca c euclidiano. Considere o conjunto linearmente independente: {v1 , v2 , ..., vk } ⊂ V . 10 Jorgen Pedersen Gram 1850–1916. Erhard Schmidt 1876–1959 53
  • 54.
    Sejam u1 = v 1 , u2 = v2 − proju1 v2 , ... uk = vk − proju1 vk − ... − projuk−1 vk . Ent˜o: a (i) L({u1 , u2 , ..., uk }) = L({v1 , v2 , ..., vk }) (ii) O conjunto {u1 , u2 , ..., uk } ´ uma base ortogonal de L({v1 , v2 , ..., vk }). e u1 u2 uk (iii) O conjunto , , ..., ´ uma base ortonormada de L({v1 , v2 , ..., vk }). e u1 u2 uk Exemplo 38 Considere-se R4 com o produto interno usual. Seja U = L({(1, 1, −1, −1), (1, 2, 3, 4), (2, 1, −6, −7), (1, 3, 7, 9)}). Determinemos a dimens˜o a de U e uma base ortonormada para U . Tem-se       1 1 2 1 1 1 2 1 1 1 2 1  1 2 1 3   0 1 −1 2    0 1 −1 2    −→  −→  .  −1 3 −6 7   0 4 −4 8   0 0 0 0  −1 4 −7 9 0 5 −5 10 0 0 0 0 Logo, o conjunto {v1 , v2 }, com v1 = (1, 1, −1, −1) e v2 = (1, 2, 3, 4), ´ uma base de U e como e tal dim U = 2. Sejam u1 = v1 e u2 = v2 − proju1 v2 . Logo, o conjunto {u1 , u2 }, com u1 = (1, 1, −1, −1) e 1+2−3−4 u2 = (1, 2, 3, 4) − (1, 1, −1, −1) = (2, 3, 2, 3), 4 ´ uma base ortogonal de U . Uma base ortonormada para U : e √ √ √ √ u1 u2 1 1 1 1 26 3 26 26 3 26 , = , ,− ,− , , , , u1 u2 2 2 2 2 13 26 13 26 Teorema 48 Qualquer espa¸o euclidiano de dimens˜o finita tem uma base ortonormada. c a 54
  • 55.
    Teorema 49 Seja{v1 , v2 , ..., vn } uma base de Rn . Ent˜o, existe um unico produto interno a ´ n em R para o qual esta base ´ ortonormada. e Exemplo 39 Considere em R2 a base S = {v1 , v2 }, com v1 = (1, 0) e v2 = (1, 1). Vejamos que existe um e um s´ produto interno para o qual a base S ´ ortonormada. o e 2 2 Seja Bc = {(1, 0), (0, 1)} a base can´nica de R . Tem-se o −1 −1 1 1 1 −1 SBc →S = SS→Bc 2 2 = = . 0 1 0 1 Sejam u, v ∈ R2 . Tem-se u = (α1 , α2 ) e v = (β 1 , β 2 ) , 2 onde α1 , α2 e β 1 , β 2 s˜o as coordenadas na base Bc de u e v respectivamente. Seja S = SBc →S . a 2 2 2 Logo, a aplica¸ao , : R × R definida por c˜ v 1 , v1 v 1 , v2 1 0 u, v = (Su)T A (Sv) , com A = = , v 2 , v1 v 2 , v2 0 1 ´ um produto interno e ´ o unico para o qual a base S ´ ortonormada. Tem-se ent˜o e e ´ e a (α1 , α2 ) , (β 1 , β 2 ) = α1 β 1 − α1 β 2 − α2 β 1 + 2α2 β 2 . ´ a E f´cil verificar que para este produto interno a base S ´ ortonormada: e (1, 0) , (1, 1) = 0 e (1, 0) , (1, 0) = (1, 1) , (1, 1) = 1. Teorema 50 Seja A ∈ Matn×n (R) tal que A ´ sim´trica, isto ´, tal que A = AT . Ent˜o A ´ e e e a e diagonaliz´vel relativamente a uma base ortonormada vp formada s´ por vectores pr´prios a o o de A. Seja S a matriz cujas colunas s˜o os vectores da base vp e D a matriz diagonal onde a se coloca na entrada i da diagonal o valor pr´prio λi que corresponde a coluna i de S. Ent˜o o ` a temos D = S T AS, e portanto S ´ ortogonal S −1 = S T . e Defini¸˜o 42 Sejam V um espa¸o euclidiano e S um subespa¸o de V . Diz-se que um ca c c elemento de V ´ ortogonal a S se fˆr ortogonal a todos os elementos de S. Ao conjunto e o de todos os elementos ortogonais a S chama-se complemento ortogonal de S e designa-se por S ⊥ . Teorema 51 Qualquer que seja o subespa¸o S de um espa¸o euclidiano V , tamb´m S ⊥ ´ c c e e um subespa¸o de V . c 55
  • 56.
    Exemplo 40 (i)Se S ⊂ R3 ´ um plano que passa pela origem, ent˜o S ⊥ ´ uma recta que e a e passa pela origem e ´ perpendicular ao plano. e (ii) Se S ⊂ R3 ´ uma recta que passa pela origem, ent˜o S ⊥ ´ um plano que passa pela e a e origem e ´ perpendicular a recta. e ` (iii) Seja A ∈ Matm×n (R). Ent˜o, a Nuc(A) = (L(A))⊥ . Teorema 52 Se S ´ um subespa¸o de dimens˜o finita de um espa¸o euclidiano V , ent˜o V e c a c a ⊥ ⊥ ´ a soma directa de S e S , isto ´, V = S ⊕ S . Logo, cada elemento v ∈ V pode ser escrito e e de modo unico como soma de um elemento de S com um elemento de S ⊥ : ´ v = vS + vS ⊥ , com vS ∈ S e vS ⊥ ∈ S ⊥ . ` A aplica¸ao PS : V → S definida por PS (v) = vS chama-se projec¸˜o ortogonal de V c˜ ca sobre S e a aplica¸ao PS ⊥ : V → S ⊥ definida por PS ⊥ (v) = vS ⊥ chama-se projec¸˜o ` c˜ ca ⊥ ortogonal de V sobre S . Tem-se I = P S + PS ⊥ . Se {v1 , v2 , ..., vn } ´ uma base ortonormada de S, ent˜o e a n PS (v) = v, vi vi , i=1 para todo o v ∈ V . Se {u1 , u2 , ..., uk } ´ uma base ortonormada de S ⊥ , ent˜o e a k PS ⊥ (v) = v, uj uj , j=1 para todo o v ∈ V . As aplica¸oes PS e PS ⊥ s˜o transforma¸oes lineares de V em V que satisfazem as propri- c˜ a c˜ edades: (i) PS (V ) = S, PS ⊥ (V ) = S ⊥ ; (ii) (PS )2 = PS , (PS ⊥ )2 = PS ⊥ ; (iii) PS (u) , v = u, PS (v) , PS ⊥ (u) , v = u, PS ⊥ (v) , para todos os u, v ∈ V ; 2 2 (iv) u = PS (u) + PS ⊥ (u) 2 , para todo o u ∈ V (Teorema de Pit´goras); a 56
  • 57.
    Observa¸˜o 42 SejaS ´ um subespa¸o de dimens˜o finita de um espa¸o euclidiano V . Seja ca e c a c v ∈V. (i) dim S + dim S ⊥ = dim V ⊥ (ii) S ⊥ =S (iii) Se {v1 , v2 , ..., vn } ´ uma base de S ent˜o v ∈ S ⊥ se e s´ se e a o v, v1 = v, v2 = ... = v, vn = 0. Teorema 53 Seja S ´ um subespa¸o de dimens˜o finita de um espa¸o euclidiano V . Seja e c a c v ∈ V . Ent˜o, existe um elemento de S mais pr´ximo de v do que qualquer dos outros a o pontos de S. Este elemento ´ a projec¸˜o ortogonal PS (v) de v sobre S e tem-se e ca v − PS (v) ≤ v − u , para todo o u ∈ S, e a igualdade verifica-se se e s´ se u = PS (v). o Defini¸˜o 43 Seja V um espa¸o euclidiano. Seja S ´ um subespa¸o de V com dim S = k. ca c e c Seja q ∈ V . Chama-se ao conjunto {q} + S um k-plano. A distˆncia d de um ponto p ∈ V a um k-plano P = {q} + S ´ dada por: a e d (p, P) = PS ⊥ (p − q) . Observa¸˜o 43 A distˆncia entre dois k-planos paralelos P1 = {a} + S e P2 = {b} + S ´ ca a e dada por: d (P1 , P2 ) = PS ⊥ (a − b) . Exemplo 41 Considere-se R3 com o produto interno usual. (i) Seja P o plano (em R3 ) que passa pelos pontos: (1, 2, 1), (1, 0, −1) e (1, 1, 1). Tem-se P = {(1, 2, 1)} + L ({(0, −2, −2), (0, −1, 0)}) Equa¸˜o vectorial de P: ca (x, y, z) = (1, 2, 1) + α(0, −2, −2) + β(0, −1, 0), com α, β ∈ R. 57
  • 58.
    Equa¸oes param´tricas deP: c˜ e   x=1     y = 2 + 2β − 2α − β      z = 1 − 2α com α, β ∈ R. Equa¸˜o cartesiana de P: ca x = 1. Em alternativa, podemos determinar uma equa¸˜o cartesiana de P do seguinte modo. ca Atendendo a que P = {(1, 2, 1)} + L ({(0, −2, −2), (0, −1, 0)}) , seja S = L ({(0, −2, −2), ((0, −1, 0)}) . Logo, S⊥ = (x, y, z) ∈ R3 : (x, y, z), (0, −2, −2) = 0 e (x, y, z), (0, −1, 0) = 0 = 0 −2 −2 = Nuc = L ({(1, 0, 0)}) 0 −1 0 e assim, a equa¸ao cartesiana do plano P que passa pelo ponto (1, 2, 1) ´ dada por: c˜ e ( (x − 1, y − 2, z − 1), (1, 0, 0) = 0) ⇔ ou seja por x = 1. (ii) Determinemos a equa¸˜o cartesiana da recta que passa pelos pontos (1, 1, 0) e ca (1, 2, 1). Tem-se r = {(1, 1, 0)} + L ({(0, 1, 1)}) , uma vez que (0, 1, 1) = (1, 2, 1) − (1, 1, 0). Seja S = L ({(0, 1, 1)}) . Logo, S ⊥ = (x, y, z) ∈ R3 : (x, y, z), (0, 1, 1) = 0 = Nuc 0 1 1 = L ({(1, 0, 0), (0, 1, −1)}) e assim, a equa¸ao cartesiana da recta r ´ dada por: c˜ e ( (x − 1, y − 1, z), (1, 0, 0) = 0 e (x − 1, y − 1, z), (0, 1, −1) = 0) ⇔ ⇔ (1 (x − 1) = 0 e 1 (y − 1) − 1z = 0) , ou seja por   x=1  y − z = 1. 58
  • 59.
    6 Transforma¸oes Lineares c˜ Defini¸˜o 44 Sejam U e V espa¸os lineares. Diz-se que ca c T :U →V ´ uma transforma¸˜o linear se e s´ se verificar as duas condi¸oes: e ca o c˜ (i) T (u + v) = T (u) + T (v), para todos os u, v ∈ U . (ii) T (λu) = λT (u), para todos os u ∈ U e λ ∈ R. Observa¸˜o 44 Sejam U e V espa¸os lineares. Sejam 0 o vector nulo de U e 0 o vector ca c nulo de V . (i) Se T : U → V fˆr uma transforma¸ao linear ent˜o T (U ) ´ um subespa¸o de V e o c˜ a e c al´m disso tem-se T (0) = 0 . Logo, se T n˜o verificar T (0) = 0 ent˜o T n˜o ser´ uma e a a a a transforma¸ao linear. c˜ (ii) T : U → V ´ uma transforma¸ao linear se e s´ se e c˜ o T (λu + µv) = λT (u) + µT (v), para todos os λ, µ ∈ R e u, v ∈ U . (iii) Seja T : U → V uma transforma¸ao linear e seja {v1 , v2 , . . . , vn } uma base de U . c˜ Seja u ∈ U . Logo, existem λ1 , λ2 , ..., λn ∈ R tais que u = λ1 v1 + λ2 v2 + ... + λn vn . Tem-se ent˜o a T (u) = λ1 T (v1 ) + λ2 T (v2 ) + ... + λn T (vn ). Exemplo 42 Consideremos a base can´nica {(1, 0) , (0, 1)} de R2 . Seja T : R2 → R uma o transforma¸ao linear tal que T (1, 0) = 1 e T (0, 1) = 1. c˜ Para qualquer (x, y) ∈ R2 tem-se (x, y) = x(1, 0) + y(0, 1). Ent˜o, a T (x, y) = T (x(1, 0) + y(0, 1)) = xT (1, 0) + yT (0, 1) = x + y. Logo, T : R2 → R ´ a transforma¸ao linear definida explicitamente por e c˜ T (x, y) = x + y. 59
  • 60.
    Teorema 54 SejamU e V espa¸os lineares e seja {v1 , v2 , . . . , vn } uma base de U . Sejam c T1 , T2 : U → V duas transforma¸oes lineares. c˜ Se T1 (vi ) = T2 (vi ) para todo o i = 1, . . . , n, ent˜o T1 (u) = T2 (u), a para todo o u ∈ U , isto ´, T1 = T2 . e Exemplo 43 Sejam U e V espa¸os lineares e seja 0 o vector nulo de V . c (i) Seja O : U → V definida por O(u) = 0, para todo o u ∈ U . O ´ uma transforma¸ao linear e chama-se transforma¸˜o nula. e c˜ ca (ii) Seja λ ∈ R. Seja Tλ : U → U definida por Tλ (u) = λu, para todo o u ∈ U . Tλ ´ uma transforma¸ao linear. Se λ = 1 ent˜o chama-se a T1 a e c˜ a transforma¸˜o identidade e denota-se por I. Tem-se I(u) = u, para todo o u ∈ U . ca (iii) Seja tr : Matn×n (R) → R definida por n tr(A) = a11 + a22 + ... + ann = aii , i=1 para todo o A = (aij )n×n ∈ Matn×n (R). tr (tra¸o) ´ uma transforma¸ao linear. c e c˜ (iv) Seja A ∈ Matm×n (R). Seja T : Rn → R m definida por T (u) = Au, para todo o u ∈ Rn . T ´ uma transforma¸ao linear. e c˜ (v) Seja E o espa¸o das fun¸oes diferenci´veis. Ent˜o T : E → E definida por c c˜ a a T (f ) = f ´ uma transforma¸ao linear. e c˜ 60
  • 61.
    6.1 Matriz mudan¸a de base c Nesta sec¸ao vamos dar uma fam´ importante de ”Representa¸ao matricial”. c˜ ılia c˜ Teorema 55 Seja V um espa¸o linear de dimens˜o n. Sejam S1 = {v1 , v2 , . . . , vn } e S2 = c a {w1 , w2 , . . . , wn } duas bases ordenadas de V . Seja SS1 →S2 a matriz cujas colunas s˜o as a coordenadas dos vectores de S1 em rela¸ao a base S2 . Isto ´, c˜ ` e n SS1 →S2 = (sij )n×n com vj = sij wi para todo o j = 1, ..., n. i=1 A matriz SS1 →S2 ´ n˜o singular e chama-se matriz de mudan¸a de base (da base S1 para e a c S2 ). Assim, se tivermos n u= λi v i , i=1 isto ´, se (λ1 , ..., λn ) forem as coordenadas do vector u na base S1 ent˜o as coordenadas e a (µ1 , ..., µn ) de u na base S2 s˜o dadas por a     µ1 λ1  .   .   .  = SS1 →S2  .  . . . µn λn Dem. Tem-se n n n n n n u= µi wi = λj v j = λj sij wi = sij λj wi . i=1 j=1 j=1 i=1 i=1 j=1 Atendendo ao teorema 36 (i), as coordenadas de um vector u numa base s˜o unicas. Logo, a ´ n µi = sij λj , j=1 para todo o i = 1, ..., n. Isto ´, e     µ1 λ1  .  . .  .  = SS1 →S2  .   . . µn λn Observa¸˜o 45 Tem-se ca SS2 →S1 = (SS1 →S2 )−1 . Exemplo 44 Seja Bc = {(1, 0), (0, 1)} a base can´nica de R2 . Seja B = {(1, 2), (2, 1)} uma o outra base ordenada de R2 . Sejam (2, 3) as coordenadas de um vector u na base can´nica Bc o e determinemos as coordenadas de u na base B usando a matriz de mudan¸a de base SBc →B . c Tem-se −1/3 2/3 SBc →B = , 2/3 −1/3 61
  • 62.
    uma vez que 1 2 2 1 (1, 0) = − (1, 2) + (2, 1) e (0, 1) = (1, 2) − (2, 1). 3 3 3 3 Logo, as coordenadas de u na base B s˜o dadas por a 2 −1/3 2/3 2 4/3 SBc →B = = . 3 2/3 −1/3 3 1/3 Logo, 4/3 e 1/3 s˜o as coordenadas de (2, 3) na base ordenada B, isto ´ a e 4 1 (2, 3) = (1, 2) + (2, 1). 3 3 6.2 Representa¸˜o matricial de uma transforma¸˜o linear ca ca Teorema 56 Sejam U e V espa¸os lineares de dimens˜es finitas tais que dim U = n e c o dim V = m. Sejam S1 = {u1 , u2 , . . . , un } e S2 = {v1 , v2 , . . . , vm } duas bases ordenadas de U e V respectivamente. Seja T : U → V uma transforma¸ao linear. Considere-se a c˜ matriz A = (aij )m×n ∈ Matm×n (R) cuja coluna j, para cada j = 1, ..., n, ´ formada pelas e coordenadas de T (uj ) na base S2 . Isto ´, e m T (uj ) = aij vi . i=1 Chama-se a esta matriz A a representa¸˜o matricial de T em rela¸ao as bases S 1 e S2 e ca c˜ ` escreve-se A = M (T ; S1 ; S2 ). Al´m disso, sendo α1 , α2 , ..., αn as e coordenadas de um vector v ∈ U na base ordenada S1 ent˜o as coordenadas β 1 , β 2 , ..., β m a de T (v) ∈ V na base ordenada S2 s˜o dadas por a     β1 α1  β   α2   2     .  = M (T ; S1 ; S2 )  .  .  . .   .  . βm αn Observa¸˜o 46 (a) Seja V um espa¸o linear de dimens˜o finita, com dim V = n. Sejam ca c a S1 = {u1 , u2 , . . . , un } e S2 = {v1 , v2 , . . . , vn } duas bases ordenadas de V . A representa¸ao c˜ matricial da transforma¸ao identidade I : V → V em rela¸ao as bases S1 e S2 ´ igual a c˜ c˜ ` e ` matriz de mudan¸a da base S1 para S2 . Isto ´, c e M (I; S1 ; S2 ) = SS1 →S2 . (b) Quando a base de partida e chegada coincidem S2 = S1 , denota-se M (T ; S1 ; S2 ) som- plesmente por M (T ; S1 ). n m Teorema 57 Sejam Bc = {e1 , e2 , . . . , en } e Bc = {e1 , e2 , . . . , em } as bases can´nicas (or- o denadas) de R e R respectivamente. Seja T : Rn → Rm uma transforma¸ao linear. n m c˜ 62
  • 63.
    n m Considere-se a matriz A = (aij )m×n = M (T ; Bc ; Bc ) ∈ Matm×n (R) cuja coluna j, para cada m j = 1, ..., n, ´ formada pelas coordenadas de T (ej ) na base Bc . Isto ´, e e     1 0   m  0   .  a1j  .   .  aij ei = a1j  .  + ... + amj  .  =  .  .   T (ej ) = .  .  .  0  i=1 amj 0 1 Ent˜o, tem-se, para todo o u ∈ Rn , a T (u) = Au. Dem. Seja u ∈ Rn . Ent˜o, existem λ1 , λ2 , ..., λn ∈ R tais que a n u = λ1 e1 + λ2 e2 + ... + λn en = λj e j . j=1 Uma vez que, para todo o j = 1, ..., n, m T (ej ) = aij ei , i=1 tem-se n n n m m n T (u) = T λj e j = λj T (ej ) = λj aij ei = aij λj ei = T ´ linear e j=1 j=1 j=1 i=1 i=1 j=1    n n a11 · · · a1n λ1 = a1j λj , ..., amj λj = ···  .  = Au. .   . j=1 j=1 am1 · · · amn λn Exemplo 45 (i) Seja T : R4 → R3 definida por T (x, y, z, w) = (3x + y − 2z, 0, x + 4z). T 4 3 ´ uma transforma¸ao linear e a matriz M (T ; Bc ; Bc ) que representa T em rela¸ao as bases e c˜ c˜ ` 4 3 4 3 can´nicas (ordenadas) Bc e Bc de R e R respectivamente, ´ dada por o e   3 1 −2 0 4 3 M (T ; Bc ; Bc ) =  0 0 0 0  , 1 0 4 0 uma vez que T (1, 0, 0, 0) = (3, 0, 1), T (0, 1, 0, 0) = (1, 0, 0), T (0, 0, 1, 0) = (−2, 0, 4) e T (0, 0, 0, 1) = (0, 0, 0). Tem-se ent˜o: a   x 4 3  y  T (x, y, z, w) = M (T ; Bc ; Bc )   z .  w (ii) Sejam S1 = {1, t, t2 } e S2 = {1, t, t2 , t3 } as bases can´nicas (ordenadas) de P2 e P3 o respectivamente. Seja D : P2 → P3 tal que D(1) = 0, D(t) = 1 e D(t2 ) = 2t. D ´ uma e 63
  • 64.
    transforma¸ao linear ea matriz M (D; S1 ; S2 ) que representa D em rela¸ao as bases can´nicas c˜ c˜ ` o S1 e S2 , ´ dada por e   0 1 0  0 0 2  M (D; S1 ; S2 ) =  0 0 0 .  0 0 0 (iii) T : R2 → R2 definida por T (x, y) = (1 − y, 2x) n˜o ´ uma transforma¸ao linear. a e c˜ (iv) T : R2 → R definida por T (x, y) = xy n˜o ´ uma transforma¸ao linear. a e c˜ Teorema 58 Seja V um espa¸o linear de dimens˜o finita. Seja T : V → V uma trans- c a forma¸ao linear. Sejam S1 e S2 duas bases ordenadas de V . Seja M (T ; S1 ; S1 ) a matriz que c˜ representa T em rela¸ao a base S1 . c˜ ` Ent˜o, a matriz M (T ; S2 ; S2 ) que representa T em rela¸ao a base S2 , ´ dada por a c˜ ` e M (T ; S2 ; S2 ) = SS1 →S2 M (T ; S1 ; S1 ) (SS1 →S2 )−1 , onde SS1 →S2 ´ a matriz de mudan¸a da base S1 para S2 . e c Al´m disso, e SS1 →S2 M (T ; S1 ; S1 ) = M (T ; S1 ; S2 ) e M (T ; S2 ; S2 )SS1 →S2 = M (T ; S1 ; S2 ). Isto ´, o diagrama seguinte ´ comutativo. e e M (T ;S1 ;S1 ) (V, S1 ) −→ (V, S1 ) T SS1 →S2 ↓ I I ↓ SS1 →S2 T (V, S2 ) −→ (V, S2 ) M (T ;S2 ;S2 ) Teorema 59 (Caso geral.) Sejam U e V dois espa¸os lineares de dimens˜es finitas. Seja c o T : U → V uma transforma¸ao linear. Sejam S1 e S1 duas bases ordenadas de U . Sejam S2 c˜ e S2 duas bases ordenadas de V . Seja M (T ; S1 ; S2 ) a matriz que representa T em rela¸ao as c˜ ` bases S1 e S2 . Ent˜o, a matriz M (T ; S1 ; S2 ) que representa T em rela¸ao as bases S1 e S2 , ´ dada por a c˜ ` e −1 M (T ; S1 ; S2 ) = SS2 →S2 M (T ; S1 ; S2 ) SS1 →S1 , onde SS2 →S2 e SS1 →S1 s˜o as matrizes de mudan¸a das bases S2 para S2 e de S1 para S1 a c respectivamente. Al´m disso, e SS2 →S2 M (T ; S1 ; S2 ) = M (T ; S1 ; S2 ) e M (T ; S1 ; S2 )SS1 →S1 = M (T ; S1 ; S2 ). 64
  • 65.
    Isto ´, odiagrama seguinte ´ comutativo. e e M (T ;S1 ;S2 ) (U, S1 ) −→ (V, S2 ) T SS1 →S1 ↓ I I ↓ SS2 →S2 T (U, S1 ) −→ (V, S2 ) M (T ;S1 ;S2 ) Exemplo 46 Seja T : R2 → R2 definida por T (x, y) = (y, x). T ´ uma transforma¸ao e c˜ 2 2 2 linear. A matriz M (T ; Bc ; Bc ) que representa T em rela¸ao a base can´nica (ordenada) Bc c˜ ` o 2 de R , ´ dada por e 2 2 0 1 M (T ; Bc ; Bc ) = . 1 0 Seja S = {(1, 1), (−1, 1)} uma base ordenada de R2 . A matriz M (T ; S; S) que representa T em rela¸ao a base ordenada S de R2 , ´ dada por c˜ ` e 1 0 M (T ; S; S) = , 0 −1 uma vez que T (1, 1) = (1, 1) = 1(1, 1)+0(−1, 1) e T (−1, 1) = (1, −1) = 0(1, 1)+(−1)(−1, 1). Vamos agora verificar que se tem 2 2 −1 M (T ; S; S) = SBc →S M (T ; Bc ; Bc ) SBc →S 2 2 . 1 1 1 1 Uma vez que (0, 1) = 2 (1, 1) + 2 (−1, 1) e (1, 0) = 2 (1, 1) − 2 (−1, 1), tem-se ent˜o a 1/2 1/2 SBc →S = 2 . 1/2 −1/2 Logo, −1 2 2 −1 1/2 1/2 0 1 1/2 1/2 SBc →S M (T ; Bc ; Bc ) SBc →S 2 2 = = 1/2 −1/2 1 0 1/2 −1/2 1/2 1/2 1 1 = = −1/2 1/2 1 −1 1 0 = = 0 −1 = M (T ; S; S). Isto ´, e 2 2 −1 M (T ; S; S) = SBc →S M (T ; Bc ; Bc ) SBc →S 2 2 . Al´m disso, e 2 2 2 SBc →S M (T ; Bc ; Bc ) = M (T ; Bc ; S) 2 e 2 M (T ; S; S)SBc →S = M (T ; Bc ; S). 2 65
  • 66.
    Defini¸˜o 45 SejamU e V espa¸os lineares e S, T : U → V transforma¸oes lineares. Seja ca c c˜ λ ∈ R. Sejam S + T, λT : U → V definidas por (S + T ) (u) = S(u) + T (u) e (λT )(u) = λT (u), para todo o u ∈ U . S + T e λT s˜o transforma¸oes lineares. a c˜ Defini¸˜o 46 Sejam U e V espa¸os lineares. Chama-se a L(U, V ) o conjunto de todas as ca c transforma coes lineares de U em V . ¸˜ Teorema 60 Sejam U e V espa¸os lineares. O conjunto L(U, V ), com as opera¸oes da c c˜ defini¸ao 29, ´ um espa¸o linear. c˜ e c Exemplo 47 Seja S = {T1 , T2 , T3 , T4 } com T1 , T2 , T3 , T4 ∈ L(R2 , R2 ) definidas por T1 (x, y) = (x, 0), T2 (x, y) = (y, 0), T3 (x, y) = (0, x) e T4 (x, y) = (0, y), para todo o (x, y) ∈ R2 . O conjunto S ´ uma base de L(R2 , R2 ). Logo, dim L(R2 , R2 ) = 4. e 6.3 Transforma¸oes injectivas, sobrejectiva e bijectivas – equa¸oes c˜ c˜ lineares Defini¸˜o 47 Sejam U, V e W espa¸os lineares e, T : U → V e S : V → W transforma¸oes ca c c˜ lineares. Seja S ◦ T (ou ST ): U → W definida por (S ◦ T ) (u) = S (T (u)) , para todo o u ∈ U . S ◦ T ´ uma transforma¸ao linear. Chama-se a S ◦ T (ou ST ) a e c˜ composi¸˜o de S com T . ca Observa¸˜o 47 Em geral, tem-se S ◦ T = T ◦ S. ca Teorema 61 Sejam U, V e W espa¸os lineares de dimens˜es finitas. Sejam S1 , S2 e S3 bases c o de U, V e W respectivamente. Sejam T ∈ L(U, V ) e S ∈ L(V, W ). Ent˜o, tem-se a M (S ◦ T ; S1 ; S3 ) = M (S; S2 ; S3 )M (T ; S1 ; S2 ). 66
  • 67.
    Teorema 62 (i)Sejam T : U → V, S : V → W e R : W → X. Ent˜o, tem-se a R ◦ (S ◦ T ) = (R ◦ S) ◦ T . (ii) Sejam R, S : U → V e T : V → W . Seja λ ∈ R. Ent˜o, tem-se a T ◦ (R + S) = T ◦ R + T ◦ S e T ◦ (λR) = λ (T ◦ R) . Se o contradom´ ınio de Q estiver contido em U ent˜o a (R + S) ◦ Q = R ◦ Q + S ◦ Q e (λR) ◦ Q = λ (R ◦ Q) . Defini¸˜o 48 Define-se ca T 0 = I e T k = T ◦ T k−1 , para todo o k = 1, 2, .... Observa¸˜o 48 Tem-se T m+n = T m ◦ T n para todos os m, n ∈ N. ca Defini¸˜o 49 (i) T : U → V diz-se injectiva se e s´ se ca o T (u) = T (w) ⇒ u = w, para todos os u, w ∈ U , isto ´, se e s´ se e o u = w ⇒ T (u) = T (w), para todos os u, w ∈ U . (ii) T : U → V diz-se sobrejectiva se e s´ se o T (U ) = V . (iii) T : U → V diz-se bijectiva se e s´ se fˆr injectiva e sobrejectiva. o o Defini¸˜o 50 Sejam U e V espa¸os lineares. Diz-se que U e V s˜o isomorfos se e s´ se ca c a o existir um isomorfismo entre U e V , isto ´, se e s´ se existir uma transforma¸ao linear e o c˜ bijectiva T : U → V . Teorema 63 Sejam U e V dois espa¸os lineares de dimens˜es finitas. U e V s˜o isomorfos c o a se e s´ se dim U = dim V . o Observa¸˜o 49 No teorema ?? tem-se dim L(U, V ) = mn. ca 67
  • 68.
    Teorema 64 SejamU e V espa¸os lineares de dimens˜es finitas tais que dim U = dim V . c o Seja T : U → V uma transforma¸ao linear. Ent˜o, T ´ injectiva se e s´ se T ´ sobrejectiva. c˜ a e o e Defini¸˜o 51 Sejam U e V espa¸os lineares e T : U → V uma transforma¸ao linear. Seja ca c c˜ 0 o vector nulo de V . (i) Chama-se contradom´ ınio ou imagem de T ao conjunto T (U ) = {T (u) : u ∈ U } , que tamb´m se denota por I(T ). e (ii) Chama-se n´cleo ou espa¸o nulo de T ao conjunto u c Nuc(T ) = {u ∈ U : T (u) = 0} . Teorema 65 Sejam U e V espa¸os lineares e T : U → V uma transforma¸ao linear. Ent˜o, c c˜ a os conjuntos Nuc(T ) e I(T ) s˜o subespa¸os de U e V respectivamente. a c Exemplo 48 Sejam U e V espa¸os lineares. Sejam 0 e 0 os vectores nulos de U e V c respectivamente. (i) Considere a transforma¸ao nula O : U → V definida por c˜ O(u) = 0 , para todo o u ∈ U . Tem-se Nuc(O) = U e I(O) = {0 } . (ii) Considere a transforma¸ao identidade I : U → U definida por c˜ I(u) = u, para todo o u ∈ U . Tem-se Nuc(I) = {0} e I(I) = U . Exemplo 49 Seja A ∈ Matm×n (R). Seja T : Rn → R m definida por T (u) = Au, para todo o u ∈ Rn . Tem-se Nuc(T ) = Nuc(A) e I(T ) = C(A). 68
  • 69.
    Defini¸˜o 52 SejamU e V espa¸os lineares e T : U → V uma transforma¸ao linear. ca c c˜ (i) Chama-se caracter´ ıstica de T a dimens˜o de I(T ), isto ´, ` a e car T = dim I(T ). (ii) Chama-se nulidade de T a dimens˜o de Nuc(T ), isto ´, ` a e nul T = dim Nuc(T ). Teorema 66 Sejam U um espa¸o linear de dimens˜o finita e T uma transforma¸ao linear c a c˜ definida em U . Ent˜o, o subespa¸o I(T ) tem dimens˜o finita e a c a dim Nuc(T ) + dim I(T ) = dim U . Teorema 67 Sejam T : Rn → Rm uma transforma¸ao linear. Sejam Bc e Bc as bases c˜ n m can´nicas (ordenadas) de Rn e Rm respectivamente. Seja A = M (T ; Bc ; Bc ) ∈ Matm×n (R) o n m n m a matriz que representa T em rela¸ao as bases Bc e Bc . Tem-se ent˜o: c˜ ` a (i) dim Nuc(T ) = nul A; (ii) dim I(T ) = car A; (iii) T ´ injectiva se e s´ se nul A = 0, isto ´, se e s´ se car A = n; e o e o (iv) T ´ sobrejectiva se e s´ se car A = m. e o Defini¸˜o 53 Diz-se que T : U → V ´ invert´ se existir S : T (U ) → U tal que ca e ıvel S ◦ T = IU e T ◦ S = IT (U ) , onde IU e IT (U ) s˜o as fun¸oes identidade em U e T (U ) respectivamente. Chama-se a S a a c˜ inversa de T e escreve-se S = T −1 . Teorema 68 Sejam U e V espa¸os lineares de dimens˜es finitas. Seja T : U → V uma c o transforma¸ao linear. Seja 0 o vector nulo de U . As seguintes afirma¸oes s˜o equivalentes. c˜ c˜ a (i) T ´ injectiva. e (ii) T ´ invert´ e a inversa T −1 : T (U ) → U ´ linear. e ıvel e (iii) Nuc(T ) = {0}. (iv) dim U = dim T (U ). (v) T transforma vectores linearmente independentes de U em vectores linearmente in- dependentes de V . (vi) T transforma bases de U em bases de T (U ). 69
  • 70.
    Teorema 69 SejamU e V dois espa¸os lineares de dimens˜es finitas. Seja T : U → V uma c o transforma¸ao linear. Sejam S1 e S2 duas bases ordenadas de U e V respectivamente. Seja c˜ A = M (T ; S1 ; S2 ) a matriz que representa T em rela¸ao as bases S1 e S2 . c˜ ` Se V = T (U ) ent˜o T ´ invert´ se e s´ se A fˆr uma matriz quadrada n˜o singular. a e ıvel o o a Tem-se ent˜o a A−1 = M (T −1 ; S2 ; S1 ), isto ´, A−1 ser´ a matriz que representa T −1 em rela¸ao as bases S2 e S1 . e a c˜ ` Teorema 70 Sejam U e V espa¸os lineares. Seja T : U → V uma transforma¸ao linear. c c˜ Seja b ∈ V . Ent˜o: a (i) Existˆncia de solu¸˜o: o sistema T (u) = b tem pelo menos uma solu¸ao u se e s´ e ca c˜ o se b ∈ T (U ); (ii) Unicidade de solu¸˜o: o sistema T (u) = b tem no m´ximo uma solu¸ao u se e s´ ca a c˜ o se T fˆr injectiva; o (iii) Existˆncia e unicidade de solu¸˜o: o sistema T (u) = b tem solu¸ao unica u se e ca c˜ ´ e s´ se b ∈ T (U ) e T fˆr injectiva. o o Teorema 71 Sejam U e V espa¸os lineares. Seja T : U → V uma transforma¸ao linear. Seja c c˜ b ∈ V . A solu cao geral do sistema de equa¸oes lineares T (u) = b obt´m-se somando a uma ¸˜ c˜ e solu¸ao particular desse sistema a solu¸a o geral do sistema de equa¸oes lineares homog´neo c˜ c˜ c˜ e T (u) = 0. 6.4 Valores e vectores pr´prios de transforma¸oes lineares o c˜ Defini¸˜o 54 Seja U espa¸o lineare e T : U → V uma transforma¸ao linear. Diz-se que um ca c c˜ escalar λ ´ um valor pr´prio de T se existir um vector n˜o nulo u ∈ U tal que e o a T (u) = λu. Aos vectores n˜o nulos u que satisfazem a equa¸ao anterior chamam-se vectores pr´prios a c˜ o associados ao valor pr´prio λ. Dado um valor pr´prio λ de T , o conjunto o o Eλ = {u ∈ U : T (u) = λu} ´ um subespa¸o linear de U . Chama-se a Eλ o subespa¸o pr´prio de T associado ao valor e c c o pr´prio λ. o 70
  • 71.
    Teorema 72 SejamV um espa¸o linear e 0 o vector nulo de V . Seja T : V → V uma c transforma¸ao linear. c˜ (i) Um escalar λ ´ um valor pr´prio de T se e s´ se Nuc(T − λI) = {0}. Sendo λ um e o o valor pr´prio de T , o subespa¸o pr´prio de T , associado ao valor pr´prio λ, ´ dado por o c o o e Eλ = Nuc(T − λI). (ii) Se o espa¸o linear V tiver dimensa˜ finita e se A = M (T ; B, B) fˆr uma matriz que c o o representa T em rela¸ao a uma base B de V , ent˜o um escalar λ ´ um valor pr´prio de T se c˜ a e o e s´ se esse escalar λ fˆr solu¸ao da equa¸ao o o c˜ c˜ det(A − λI) = 0, i.e. λ fˆr valor pr´prio de A. o o Observa¸˜o 50 Se A = M (T ; B, B) representa uma transforma¸ao linear T : V → V num ca c˜ base B1 , ent˜o T diz-se diagonaliz´vel se A o fˆr. Neste caso, sendo Bvp constutu´ por a a o ıda vectores pr´prios de T , ent˜o: o a M (T ; Bvp , Bvp ) = SAS −1 onde S = SB→Bvp , e portanto M (T ; Bvp , Bvp ) ´ a matriz diagonal cujas entradas da diagonal e s˜o os valores pr´prios de A (iguais aos de T ). a o 7 Algumas Aplica¸oes c˜ 7.1 Formas quadr´ticas a a completar... 7.2 M´ ınimos quadrados a completar.... 7.3 Equa¸oes diferenciais ordin´rias c˜ a a completar.... Nota Final. Agradecimentos ao Prof. Nuno Martins (ver http://www.math.ist.utl.pt/~ nmartins) por ter cedido os suas notas de algebra linear, das quais resultaram estas como corol´rio. ´ a 71