Universidade do Sul de Santa Catarina

Análise Microeconômica
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça
UnisulVirtual
2011
Créditos
Universidade do Sul de Santa Catarina – Campus UnisulVirtual – Educação Superior a Distância

Avenida dos Lagos, 41 – Cidade Universitária Pedra Branca | Palhoça – SC | 88137-900 | Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail: cursovirtual@unisul.br | Site: www.unisul.br/unisulvirtual

Reitor Unisul
Ailton Nazareno Soares
Vice-Reitor
Sebastião Salésio Heerdt
Chefe de Gabinete da
Reitoria
Willian Máximo
Pró-Reitora Acadêmica
Miriam de Fátima Bora Rosa
Pró-Reitor de Administração
Fabian Martins de Castro
Pró-Reitor de Ensino
Mauri Luiz Heerdt
Campus Universitário de
Tubarão
Diretora
Milene Pacheco Kindermann
Campus Universitário da
Grande Florianópolis
Diretor
Hércules Nunes de Araújo
Campus Universitário
UnisulVirtual
Diretora
Jucimara Roesler
Equipe UnisulVirtual
Diretora Adjunta
Patrícia Alberton

Secretaria Executiva e Cerimonial
Jackson Schuelter Wiggers (Coord.)
Marcelo Fraiberg Machado
Tenille Catarina
Vanessa Guimaraes Franceschi
Assessoria de Assuntos
Internacionais
Murilo Matos Mendonça
Assessoria DAD - Disciplinas a
Distância
Patrícia da Silva Meneghel (Coord.)
Carlos Alberto Areias
Franciele Arruda Rampelotti
Luiz Fernando Meneghel
Assessoria de Inovação e
Qualidade da EaD
Dênia Falcão de Bittencourt (Coord.)
Rafael Bavaresco Bongiolo
Assessoria de Relação com Poder
Público e Forças Armadas
Adenir Siqueira Viana
Assessoria de Tecnologia
Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.)
Felipe Jacson de Freitas
Jefferson Amorin Oliveira
José Olímpio Schmidt
Marcelo Neri da Silva
Phelipe Luiz Winter da Silva

Priscila da Silva
Rodrigo Battistotti Pimpão

Coordenação dos Cursos
Assistente das Coordenações
Maria de Fátima Martins
Auxiliares das coordenações
Fabiana Lange Patricio
Tânia Regina Goularte Waltemann
Coordenadores Graduação
Adriana Santos Rammê
Adriano Sérgio da Cunha
Aloísio José Rodrigues
Ana Luisa Mülbert
Ana Paula R. Pacheco
Artur Beck Neto
Bernardino José da Silva
Carmen Maria C. Pandini
Catia Melissa S. Rodrigues
Charles Cesconetto
Diva Marília Flemming
Eduardo Aquino Hübler
Eliza B. D. Locks
Fabiano Ceretta
Horácio Dutra Mello
Itamar Pedro Bevilaqua
Jairo Afonso Henkes
Janaína Baeta Neves
Jardel Mendes Vieira
Joel Irineu Lohn
Jorge Alexandre N. Cardoso
José Carlos N. Oliveira
José Gabriel da Silva
José Humberto D. Toledo
Joseane Borges de Miranda
Luciana Manfroi
Luiz Guilherme B. Figueiredo
Marciel Evangelista Catâneo
Maria Cristina Veit
Maria da Graça Poyer
Mauro Faccioni Filho
Moacir Fogaça
Nélio Herzmann
Onei Tadeu Dutra
Patrícia Fontanella
Raulino Jacó Brüning
Roberto Iunskovski
Rodrigo Nunes Lunardelli
Rogério Santos da Costa
Rosa Beatriz M. Pinheiro
Rose Clér Beche
Sérgio Sell
Tatiana Lee Marques
Thiago Coelho Soares
Valnei Campos Denardin
Victor Henrique Moreira Ferreira
Coordenadores Pós-Graduação
Aloisio Rodrigues
Anelise Leal Vieira Cubas
Bernardino José da Silva
Carmen Maria Cipriani Pandini
Daniela Ernani Monteiro Will
Giovani de Paula
Karla Leonora Nunes
Luiz Otávio Botelho Lento
Thiago Coelho Soares
Vera Regina N. Schuhmacher
Gerência Administração
Acadêmica
Angelita Marçal Flores (Gerente)
Fernanda Farias
Gestão Documental
Lamuniê Souza (Coord.)
Clair Maria Cardoso
Janaina Stuart da Costa
Josiane Leal
Marília Locks Fernandes
Ricardo Mello Platt

Secretaria de Ensino a Distância
Karine Augusta Zanoni

(Secretária de Ensino)

Giane dos Passos

(Secretária Acadêmica)

Alessandro Alves da Silva
Andréa Luci Mandira
Cristina Mara Shauffert
Djeime Sammer Bortolotti
Douglas Silveira
Fabiano Silva Michels
Felipe Wronski Henrique
Janaina Conceição
Jean Martins
Luana Borges da Silva
Luana Tarsila Hellmann
Maria José Rossetti
Miguel Rodrigues da Silveira Junior
Monique Tayse da Silva
Patricia A. Pereira de Carvalho
Patricia Nunes Martins
Paulo Lisboa Cordeiro
Rafaela Fusieger
Rosângela Mara Siegel
Silvana Henrique Silva
Vanilda Liordina Heerdt

Gerência Administrativa e
Financeira
Renato André Luz (Gerente)
Naiara Jeremias da Rocha
Valmir Venício Inácio
Financeiro Acadêmico
Marlene Schauffer
Rafael Back
Vilmar Isaurino Vidal

Gerência de Ensino, Pesquisa
e Extensão
Moacir Heerdt (Gerente)
Aracelli Araldi

Elaboração de Projeto e
Reconhecimento de Curso
Diane Dal Mago
Vanderlei Brasil
Extensão
Maria Cristina Veit (Coord.)
Pesquisa
Daniela E. M. Will

(Coord. PUIP, PUIC, PIBIC)

Mauro Faccioni Filho
(Coord. Nuvem)

Pós-Graduação
Clarissa Carneiro Mussi (Coord.)
Biblioteca
Soraya Arruda Waltrick (Coord.)
Paula Sanhudo da Silva
Renan Felipe Cascaes
Rodrigo Martins da Silva

Ednéia Araujo Alberto 
Francine Cardoso da Silva
Karla F. Wisniewski Desengrini
Maria Eugênia Ferreira Celeghin
Maria Lina Moratelli Prado
Mayara de Oliveira Bastos
Patrícia de Souza Amorim
Poliana Morgana Simão
Priscila Machado

Gerência de Desenho
e Desenvolvimento de
Materiais Didáticos
Márcia Loch (Gerente)

Acessibilidade
Vanessa de Andrade Manoel (Coord.)
Bruna de Souza Rachadel
Letícia Regiane Da Silva Tobal
Avaliação da aprendizagem
Lis Airê Fogolari (coord.)
Gabriella Araújo Souza Esteves
Desenho Educacional
Carmen Maria Cipriani Pandini
(Coord. Pós)

Carolina Hoeller da S. Boeing
(Coord. Ext/DAD)

Silvana Souza da Cruz (Coord. Grad.)
Ana Cláudia Taú
Carmelita Schulze
Cristina Klipp de Oliveira
Eloisa Machado Seemann
Flávia Lumi Matuzawa
Geovania Japiassu Martins
Jaqueline Cardozo Polla
Lygia Pereira
Luiz Henrique Milani Queriquelli
Marina Cabeda Egger Moellwald
Marina Melhado Gomes da Silva
Melina de la Barrera Ayres
Michele Antunes Correa
Nágila Cristina Hinckel
Pâmella Rocha Flores da Silva
Rafael Araújo Saldanha
Roberta de Fátima Martins
Sabrina Paula Soares Scaranto
Viviane Bastos

Gerência de Logística

Jeferson Cassiano A. da Costa
(Gerente)

Andrei Rodrigues
Logística de Encontros Presenciais
Graciele Marinês Lindenmayr (Coord.)
Ana Paula de Andrade
Cristilaine Santana Medeiros
Daiana Cristina Bortolotti
Edesio Medeiros Martins Filho
Fabiana Pereira
Fernando Oliveira Santos
Fernando Steimbach
Marcelo Jair Ramos

Capacitação e Assessoria ao
Docente
Enzo de Oliveira Moreira (Coord.)
Adriana Silveira
Alexandre Wagner da Rocha
Cláudia Behr Valente
Elaine Cristiane Surian
Juliana Cardoso Esmeraldino
Simone Perroni da Silva Zigunovas

Logística de Materiais
Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.)
Abraão do Nascimento Germano
Fylippy Margino dos Santos
Guilherme Lentz
Pablo Farela da Silveira
Rubens Amorim

Monitoria e Suporte
Enzo de Oliveira Moreira (Coord.)
Anderson da Silveira
Angélica Cristina Gollo
Bruno Augusto Zunino
Claudia Noemi Nascimento
Débora Cristina Silveira

Fabiano Ceretta (Gerente)
Alex Fabiano Wehrle
Márcia Luz de Oliveira
Sheyla Fabiana Batista Guerrer
Victor Henrique M. Ferreira (África)

Gerência de Marketing

Relacionamento com o Mercado
Eliza Bianchini Dallanhol Locks
Walter Félix Cardoso Júnior

Gerência de Produção

Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente)
Francini Ferreira Dias
Design Visual
Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.)
Adriana Ferreira dos Santos
Alex Sandro Xavier
Alice Demaria Silva
Anne Cristyne Pereira
Diogo Rafael da Silva
Edison Rodrigo Valim
Frederico Trilha
Higor Ghisi Luciano
Jordana Paula Schulka
Nelson Rosa
Patrícia Fragnani de Morais
Multimídia
Sérgio Giron (Coord.)
Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro
Dandara Lemos Reynaldo
Fernando Gustav Soares Lima
Sérgio Freitas Flores
Portal
Rafael Pessi (Coord.)
Luiz Felipe Buchmann Figueiredo
Comunicação
Marcelo Barcelos
Andreia Drewes
e-OLA
Carla Fabiana F. Raimundo (Coord.)
Vinicius Ritta de Moura
Produção Industrial
Francisco Asp (Coord.)
Ana Paula Pereira
Marcelo Bittencourt

Gerência Serviço de Atenção
Integral ao Acadêmico
James Marcel Silva Ribeiro (Gerente)
Atendimento
Maria Isabel Aragon (Coord.)
Andiara Clara Ferreira
André Luiz Portes
Bruno Ataide Martins
Holdrin Milet Brandao
Jenniffer Camargo
Maurício dos Santos Augusto
Maycon de Sousa Candido
Sabrina Mari Kawano Gonçalves
Vanessa Trindade
Orivaldo Carli da Silva Junior
Estágio
Jonatas Collaço de Souza (Coord.)
Juliana Cardoso da Silva
Micheli Maria Lino de Medeiros
Priscilla Geovana Pagani
Prouni
Tatiane Crestani Trentin (Coord.)
Gisele Terezinha Cardoso Ferreira
Scheila Cristina Martins
Taize Muller
André Luís da Silva Leite

Análise Microeconômica
Livro didático

Design instrucional
Marina Melhado Gomes da Silva
Alvaro Roberto Dias
3ª edição revista e atualizada

Palhoça
UnisulVirtual
2011
Copyright © UnisulVirtual 2011
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

Edição – Livro Didático
Professor Conteudista
André Luís da Silva Leite
Design Instrucional
Leandro Kingeski Pacheco
Marina Melhado Gomes da Silva
Alvaro Roberto Dias
ISBN
978-85-7817-042-4
Projeto Gráfico e Capa
Equipe UnisulVirtual
Diagramação
Adriana Ferreira dos Santos
Frederico Trilha
(3ª ed. rev. e atualizada)
Revisão e atualização de conteúdo
Valdemar Hahn Junior

338.5
L55	

Leite, André Luís da Silva
Análise microeconômica : livro didático / André Luís da Silva Leite
; revisão e atualização de conteúdo Valdemar Hahn Júnior ; design
instrucional Leandro Kingeski Pacheco, Marina Melhado Gomes da Silva,
Alvaro Roberto Dias. – 3. ed., rev. e atual. – Palhoça : UnisulVirtual, 2011.
149 p. : il. ; 28 cm.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7817-042-4
1. Microeconomia. 2. Monopólios. 3. Oligopólios. I. Hahn Júnior,
Valdemar. II. Pacheco, Leandro Kingeski. III. Silva, Marina Melhado Gomes
da. IV. Dias, Alvaro Roberto. V. Título.
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul
Sumário
Apresentação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
Palavras do professor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
UNIDADE 1 - Introdução à economia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
UNIDADE 2 - Demanda, oferta e elasticidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
UNIDADE 3 - Custos de produção. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
UNIDADE 4 - Concorrência perfeita e eficiência econômica . . . . . . . . . . . . . 75
UNIDADE 5 - Monopólio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
UNIDADE 6 - Concorrência Monopolista e Oligopólio. . . . . . . . . . . . . . . . . . 103
UNIDADE 7 - Análise Estrutural da Indústria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121
Para concluir o estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141
Sobre o professor conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143
Respostas e comentários das atividades de autoavaliação. . . . . . . . . . . . . . 145
Biblioteca Virtual. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149
Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Análise
Microeconômica.
O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma
e aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados
à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem didática
e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância,
proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a
um aprendizado contextualizado e eficaz.
Lembre-se que sua caminhada, nesta disciplina, será
acompanhada e monitorada constantemente pelo Sistema
Tutorial da UnisulVirtual, por isso a “distância” fica
caracterizada somente na modalidade de ensino que você optou
para sua formação, pois na relação de aprendizagem professores
e instituição estarão sempre conectados com você.
Então, sempre que sentir necessidade entre em contato; você tem
à disposição diversas ferramentas e canais de acesso tais como:
telefone, e-mail e o Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem,
que é o canal mais recomendado, pois tudo o que for enviado e
recebido fica registrado para seu maior controle e comodidade.
Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior prazer em lhe
atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal objetivo.
Bom estudo e sucesso!
Equipe UnisulVirtual.

7
Palavras do professor
A economia é o espaço onde ocorrem as decisões estratégicas
que nos afetam diretamente. Variáveis, tais como a taxa de
juros, taxa de câmbio, políticas econômicas do governo, têm
relação direta com o nosso cotidiano. O estudo da economia
é dividido em duas partes: a microeconomia (objeto deste
livro didático) e a macroeconomia (a ser tratada na disciplina
Análise Macroeconômica ). A microeconomia diz respeito aos
elementos específicos ao comportamento dos consumidores,
das empresas e dos mercados, tratados em nível individual. Já
a macroeconomia trata dos elementos de maior escopo, como
as taxas de juros, a gestão da economia pelo Estado, a moeda,
entre outros.
A leitura deste livro didático mostrará a você os principais
elementos da microeconomia. Ou seja, o modo como os
mercados funcionam e, principalmente, como os preços são
formados nos diferentes tipos de mercados. Sem pretensão de
esgotar o assunto, serão apresentados temas importantes para
o desenvolvimento do seu trabalho, tanto em nível acadêmico
quanto profissional.
Espero que todos tenham um bom proveito do conteúdo
selecionado.
Prof. André Luís da Silva Leite, Dr.
Plano de estudo
O plano de estudos visa a orientá-lo no desenvolvimento da
disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o
contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.
O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva
em conta instrumentos que se articulam e se complementam,
portanto, a construção de competências se dá sobre a
articulação de metodologias e por meio das diversas formas de
ação/mediação.
São elementos desse processo:
„„

o livro didático;

„„

o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA);

„„

„„

as atividades de avaliação (a distância, presenciais e de
autoavaliação);
o Sistema Tutorial

Ementa
Teoria da demanda e da oferta: elasticidade. Teoria da firma:
custos de produção. Estruturas de mercado e o processo de
formação de preços. Concorrência: competitividade e padrão
de concorrência.
Universidade do Sul de Santa Catarina

Objetivos
Gerais:
Fornecer ao estudante uma ferramenta útil à vida acadêmica
e profissional. Na universidade, a disciplina permite que
sejam entendidos elementos básicos de economia e o modo
de funcionamentos dos mercados. Na vida profissional, dá ao
estudante condições de observar, analisar, resolver e compreender
problemas enfrentados no cotidiano das empresas.

Específicos:
„„
„„

„„

„„

Identificar os diversos tipos de mercados.
Conhecer os processos de formação de preço nos diversos
tipos de mercado.
Analisar uma empresa dentro do seu respectivo mercado
e no contexto da economia como um todo.
Analisar o ambiente externo à empresa.

Carga Horária
A carga horária total da disciplina é 60 horas-aula, 4 créditos,
incluindo o processo de avaliação.

Conteúdo programático/objetivos
Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de
conhecimentos que você deverá deter para o desenvolvimento
de habilidades e competências necessárias à sua formação. Neste
sentido, veja a seguir as unidades que compõem o Livro didático
desta disciplina, bem como os seus respectivos objetivos.
Unidades de estudo: 7
12
Análise Microeconômica

Unidade 1- Introdução à economia
Esta unidade apresenta os elementos básicos que compõem o
estudo da ciência econômica. A unidade apresenta a razão do
surgimento da economia, os agentes básicos de um sistema
econômico e as perguntas a que a teoria visa responder.

Unidade 2 - Demanda, oferta e elasticidade
Esta unidade visa discutir o modo de funcionamento dos
mercados. Para tanto, primeiramente alguns conceitos
fundamentais são descritos. Em seguida, são abordados os
conceitos de demanda e oferta e o processo de formação de preços.
Por fim, apresenta-se o conceito e as aplicações de elasticidadepreço da demanda.

Unidade 3 - Custos de produção
Esta unidade trata dos custos de produção. Ao término desta
unidade, o(a) estudante terá subsídios para analisar custos como
uma importante ferramenta de tomada de decisões empresariais.

Unidade 4 - Concorrência perfeita e eficiência econômica
Esta unidade apresenta o modelo de concorrência perfeita. Este
é um modelo teórico que permite analisar um mercado sem as
imperfeições inerentes (estas podem ser, por exemplo, a formação
de cartel, o acesso privilegiado a informações, a concorrência
desleal, etc.). É um modelo muito utilizado, principalmente para
fins de políticas públicas.

Unidade 5 - Monopólio
Esta unidade discute o conceito de monopólio, que significa um
mercado no qual há apenas uma empresa que oferece o produto.
Ao longo deste texto, será possível observar que o monopólio
é socialmente ineficiente. Entretanto há situações nas quais o
monopólio é o melhor meio de produzir certos bens e serviços.
13
Universidade do Sul de Santa Catarina

Unidade 6 - Concorrência Monopolista e Oligopólio
Esta unidade apresenta duas estruturas de mercado: a
concorrência monopolista e o oligopólio. Nela serão apresentados
elementos de significativa importância para o entendimento
do processo de concorrência, como a interdependência entre
as empresas, as barreiras à entrada e os modelos básicos de
oligopólio que explicam o processo de formação de preços nestes
mercados.

Unidade 7 - Análise Estrutural da Indústria
Nesta unidade, apresenta-se o modelo das cinco forças
competitivas, também conhecido como modelo de Porter. Este
modelo utiliza elementos estudados nas unidades anteriores para
se analisar e compreender o posicionamento competitivo de uma
empresa e/ou indústria em certo momento.

14
Análise Microeconômica

Agenda de atividades/ Cronograma
„„

„„

„„

Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar
periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus
estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da
realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação
com os seus colegas e tutor.
Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço
a seguir as datas com base no cronograma da disciplina
disponibilizado no EVA.
Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas
ao desenvolvimento da disciplina.

Atividades obrigatórias

Demais atividades (registro pessoal)

15
Universidade do Sul de Santa Catarina

16
unidade 1

Introdução à economia
Objetivos de aprendizagem
„„

Compreender a razão do estudo da economia.

Seções de estudo
Seção 1

Introdução à economia

Seção 2

Os setores econômicos

Seção 3

O sistema econômico e as trocas

1
Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo
Esta unidade visa especificamente a apresentar ao estudante a
importância do estudo da economia. Nela, constam a razão do
surgimento da ciência econômica e o problema central que a
teoria econômica tem por objetivo resolver. Bom estudo!

Seção 1 - Introdução à economia
Você já notou que há muita influência do ambiente econômico,
nacional e internacional, em suas finanças pessoais?
Pense, por exemplo, na compra de um carro. De acordo
com seu orçamento, você pesquisa o preço de diferentes
automóveis, as taxas de juros dos financiamentos, as
vantagens oferecidas pelas concessionárias, etc. Sendo
assim, é verdadeiro dizer que a sua decisão sobre a compra
do carro depende de diversos fatores econômicos.
Assim como você, as empresas também são influenciadas
pelo ambiente econômico. E é por isto que o entendimento
da economia torna-se numa ferramenta importante para os
administradores de empresas, contadores e demais profissionais
ligados ao mundo dos negócios. Diversos fenômenos relevantes
nas áreas de marketing, finanças e administração geral, entre
outras, têm sua fundamentação na teoria econômica.

1.1 A definição de economia
Em poucas palavras, economia pode ser definida como uma
ciência que estuda a atividade produtiva. Focaliza estritamente
os problemas referentes ao uso mais eficiente de recursos
materiais escassos para a produção de bens; estuda as variações e
combinações na alocação dos fatores de produção (terra, capital,
trabalho, tecnologia), na distribuição de renda, na oferta e
procura e nos preços das mercadorias. (SANDRONI, 1998).
18
Análise Microeconômica

Todos nós participamos do sistema econômico do país,
consumindo, hoje, bens e serviços, ou poupando parte de nossa
renda para consumirmos no futuro.
De modo geral, pode-se afirmar que um paradoxo induz o
estudo da economia. Este paradoxo é representado pelo fato de os
recursos de produção serem limitados e as necessidades humanas
ilimitadas.
A natureza dos problemas econômicos reside na constatação de
que os recursos de que a coletividade dispõe para a satisfação
das necessidades das pessoas são limitados. Em compensação, as
necessidades do ser humano não têm limite.
Em outras palavras, as pessoas precisam de certos bens (roupas,
alimentos, casa para morar, automóvel) e serviços (educação, lazer,
saúde) que são escassos, isto é, existem em quantidades limitadas.
Já as aspirações humanas são relativamente ilimitadas, superando
o volume de bens e serviços disponíveis para a satisfação desses
desejos. Não é verdade que queremos cada vez mais e mais?

Recursos Escassos x Necessidades Ilimitadas
A atividade econômica em uma sociedade é realizada com o
propósito de produzir bens e serviços que se destinem à satisfação
das necessidades individuais ou coletivas de seus membros.
Entretanto, em razão da própria natureza do ser humano, suas
necessidades se ampliam continuamente, aumentando, em
consequência, as exigências do consumo. Um número cada vez
maior de pessoas procura bens e serviços que atendam suas
necessidades de lazer, educação, transportes coletivos, etc. Mesmo
para as necessidades puramente biológicas, surgem novos desejos.
As pessoas já não se satisfazem em aplacar sua sede bebendo
apenas água. Quando possível, recorrem a refrigerantes ou a
outras bebidas mais sofisticadas. Assim, pode-se dizer que, de
modo geral, as necessidades humanas são ilimitadas e os recursos
para supri-las são escassos. (SILVA, César R. L.; LUIZ, Sinclayr,
1996).

Unidade 1

19
Universidade do Sul de Santa Catarina

Qual é o problema fundamental da Ciência Econômica?
Como você percebeu, o problema fundamental da economia é a
escassez.
Como os recursos ou fatores de produção -- capital, terra,
trabalho, capacidade empresarial e tecnologia -- são escassos,
não podemos ter tudo o que desejamos ao mesmo tempo -- é
preciso escolher entre os bens e serviços que serão produzidos e
oferecidos à coletividade.
Assim, de acordo com os professores Troster e Mochón (1999,
p.5), “A economia estuda a maneira como se administram os
recursos escassos, com o objetivo de produzir bens e serviços e
distribuí-los para seu consumo entre os membros da sociedade.”

É possível dividir o estudo da economia em partes?
Sim, o estudo da economia é dividido em duas grandes
partes: a microeconomia e a macroeconomia, as quais
podem ser definidas da seguinte forma:
A microeconomia: a área que se ocupa com
a análise do comportamento individual dos
agentes econômicos, ou seja, das empresas e dos
consumidores. Quando você assiste na tevê a uma
reportagem sobre o aumento da gasolina ou sobre a
reação dos consumidores em relação a este aumento, eis
um exemplo de evento microeconômico;
„„

„„

20

A macroeconomia: é área da economia que se ocupa
com o funcionamento da economia como um todo. Seu
objetivo principal é entender como se administra o nível
de atividade econômica de um determinado país. Assim,
variáveis como inflação, PIB, taxa de juros são típicas
variáveis macroeconômicas. O principal motivo pelo
qual se estuda economia pode ser traduzido na seguinte
relação:
Análise Microeconômica

Fatores de produção escassos versus necessidades ilimitadas
Isto implica a existência de quatro questões fundamentais:
„„

O que produzir?

„„

Quanto produzir?

„„

Como produzir?

„„

Para quem produzir?

Como responder estas questões?
A resposta para estas questões fundamentais da economia, como
você aprenderá com mais detalhes na próxima unidade, depende
do sistema econômico, ou seja, se estamos numa economia
capitalista ou de mercado; ou se estamos numa economia
socialista ou planificada.

Seção 2 - Os setores econômicos
Os agentes econômicos (famílias ou pessoas, empresas e o
governo) podem ser agrupados em três grandes setores:
„„

„„

„„

Setor primário: refere-se às atividades próximas dos
recursos naturais, como por exemplo, a atividade
agrícola ou agroindustrial, a atividade pesqueira,
pecuária, etc.;
Setor secundário: refere-se à atividade industrial. É na
indústria que as matérias-primas são transformadas em
bens. Exemplos: indústrias e a construção civil;
Setor terciário: refere-se aos serviços, ou seja, à
satisfação das necessidades de serviços que não se
transformam em algo material. Serviços de saúde, de
transporte, de educação, de turismo, entre outros. Hoje
em dia, em diversos países, incluindo o Brasil, é o setor
que mais cresce e que mais emprega.
Unidade 1

21
Universidade do Sul de Santa Catarina

Os fatores de produção
A atividade econômica, por meio da produção de bens e
serviços, visa a satisfazer as necessidades humanas. E a produção
destes bens e serviços, numa economia de mercado, realiza-se
nas diversas empresas. E cada uma delas emprega fatores de
produção.
Assim, para ofertar bens ou serviços, as empresas precisam
adquirir fatores de produção.
Fatores de produção são os elementos que as empresas utilizam
para produzir um determinado bem ou serviço. São divididos em
cinco grandes grupos:
„„

„„

„„

„„

„„

22

Recursos Naturais: formado pelo espaço físico, pela
água e pelas matérias-primas em geral. Por exemplo, uma
fazenda utiliza bastante espaço físico para sua produção;
Capital: são as máquinas, equipamentos e instalações
empregados na produção. Podem ser tratores,
computadores, etc. Muitas empresas trabalham com um
número grande de máquinas nas linhas de produção;
Trabalho: refere-se aos serviços das pessoas empregadas
na produção, como o operário, o gerente, etc. São os
trabalhadores que operarão as máquinas e transformarão
a matéria-prima.
Tecnologia: a tecnologia compreende o estudo das
técnicas. Todo e qualquer trabalho desenvolvido requer
uma determinada maneira para a sua execução, e a
técnica é a maneira correta de executar uma tarefa
(know-how: saber como);
Capacidade Empresarial: compreende uma visão
muito clara das oportunidades de investimento, das
possibilidades de financiamento da produção, da
obtenção e utilização adequada dos fatores de produção
e, principalmente, da organização e coordenação eficiente
das operações.
Análise Microeconômica

A remuneração dos fatores de produção
Você já deve ter ouvido falar num famoso ditado popular que diz:
“nem relógio trabalha de graça”. Assim, cada um dos fatores de
produção, ou melhor, seus proprietários, mencionados
anteriormente, devem receber uma renda pela sua utilização.
Deste modo, a renda:
„„
„„

„„

Da terra é o aluguel;
Do capital é o lucro (quando o capitalista constitui
uma empresa) ou o juro (quando ele emprega
dinheiro);
Do trabalho é o salário.

Um agente econômico é qualquer entidade que pertence a
um determinado sistema econômico e atua nele. Pode ser
uma pessoa, tomada individualmente, ou uma pessoa coletiva
(empresa, cooperativa, órgão governamental, etc.). Os agentes
econôminos são as famílias (que têm o objetivo de satisfazer suas
necessidades), as empresas (que têm o objetivo de maximizar seus
lucros) e o Governo (que tem o objetivo de ampliar o bem-estar
social). A função de todos os agentes econômicos é fomentar
a circulação de bens e serviços necessários à satisfação das
necesidades dos consumidores, contribuindo para a geração de
renda e emprego.

As empresas
Nas sociedades modernas, as empresas produzem e oferecem
praticamente a totalidade dos bens e serviços, como o pão, os
automóveis, os sapatos, os serviços de turismo e assim por diante.
Como os economistas definem o que é uma empresa?

Unidade 1

23
Universidade do Sul de Santa Catarina

A empresa é a unidade de produção básica. Ela
contrata trabalho e compra fatores com o fim de
produzir e vender bens e serviços e, ao final do
processo, auferir lucro.

Nas sociedades primitivas, a produção era individual e artesanal.
Hoje, as empresas são as maiores responsáveis pela produção, já que
só elas são capazes de obter as vantagens da produção em massa.
Somente as empresas podem reunir grandes quantidades de recursos
financeiros e físicos necessários para construir as instalações e os
equipamentos que a atualidade exige.
Além disso, somente as empresas têm capacidade de organizar
os complexos processos de produção e distribuição exigidos pela
sociedade moderna.
O financiamento das empresas pode ser obtido através de
autofinanciamento ou financiamento externo. Ou seja: elas podem se
financiar com seu próprio capital ou tomar empréstimos juntos aos
bancos.
Você conhece as definições de empréstimo e de financiamento?
Os empréstimos são recursos obtidos com o compromisso
de devolução, ao fim de um determinado período, mediante
remuneração (pagamento de juros).
O financiamento difere do empréstimo, porque tais recursos
obtidos estão vinculados à venda de um bem ou serviço.

As famílias ou indivíduos
As famílias ou as pessoas têm basicamente duas funções no
sistema econômico:
„„

„„

24

Oferecer seus fatores de produção, isto é, trabalho e
capital às empresas;
Consumir os bens e serviços postos a sua disposição.
No entanto o consumo é restrito pelo orçamento de que
dispõem.
Análise Microeconômica

O setor público
O Governo é um importante agente da economia. Afinal, ele é
o maior responsável pelos rumos econômicos de uma nação. Há
pelo menos três níveis de governo, que devemos destacar:
„„

A administração local, ou seja, as prefeituras;

„„

As administrações estaduais;

„„

A administração central, ou seja, o Governo Federal e
seus ministérios.

O setor público é responsável pelo fornecimento dos chamados
bens públicos.
Bens públicos são bens proporcionados a todas as pessoas
a um custo que é igual ao necessário para o fornecimento
a uma só pessoa. (MANKIW, 1999).

A defesa nacional é um bem público. Caso uma nação
declare guerra ao Brasil, todos os cidadãos brasileiros
terão direito à defesa nacional. Por esta característica,
os bens públicos só podem ser providos pelo Estado.

Há, ainda, uma outra atribuição importante do governo, no que
diz respeito ao sistema econômico.
O setor público é responsável por estabelecer um marco jurídicoinstitucional no qual se desenvolve a atividade econômica,
sendo, também, responsável pelo estabelecimento da política
econômica.

Sistema econômico
Agora que você já sabe quem são os agentes econômicos,
podemos definir sistema econômico.

Unidade 1

25
Universidade do Sul de Santa Catarina

Sistema econômico é o conjunto de relações técnicas, básicas e
institucionais que caracterizam a organização econômica de uma
sociedade.

TECNO

RN
T
C

T = Trabalho
LOGIA C = K = Capital
RN = Recursos Naturais

Fatores
de Produção

ORGANIZAÇÃO
DA PRODUÇÃO

UNIDADES PRODUTIVAS
- Indivíduo
- Família
- Empresa

RENDAS
- Salários
- Lucros
- Juros
- Renda dos RN

APARELHO PRODUTIVO
- Primário
- Secundário
- Terciário

N
O

F
I

U

E
O

L

F

L
A

M

R
X

L
U
X
O

N
A
L

DEMANDA

Figura 1 – Sistema Econômico Simplificado.
Fonte: SILVA, 1983, p. 90.

26

PRODUTIVOS ou SERVIÇOS
- Consumo
- Capital
- Intermediário

MERCADO

OFERTA
Análise Microeconômica

Assim, conforme foi apresentado nesta unidade, o sistema
econômico deve responder a quatro questões básicas.
„„

O que produzir?
––

„„

Quanto produzir?
––

„„

Dos bens que vamos produzir, quanto devemos
produzir de cada um?

Como produzir?
––

„„

Devemos produzir mais estradas ou mais hospitais?

Quais técnicas e ferramentas serão utilizadas na
produção?

Para quem produzir?
––

Como a produção vai ser distribuída entre os diferentes
agentes da economia?

Quem, afinal, responde a estas perguntas?
Para respondermos a estas perguntas, devemos nos voltar um
pouco para a história da organização econômica. Basicamente,
podemos dizer que há dois tipos de organização da economia de
um país ou nação.
„„

Capitalismo ou Economia de mercado

„„

Socialismo ou Economia planificada

Capitalismo ou Economia de mercado
No capitalismo, a economia funciona de forma livre, ou
seja, cada um é livre para escolher o que produzir e em qual
quantidade, assumindo os riscos por isto. Diz-se que este sistema
é caracterizado pela livre iniciativa. Na unidade 5, falaremos de
mercado e você aprenderá como ele funciona.

Unidade 1

27
Universidade do Sul de Santa Catarina

Socialismo ou Economia planificada
No socialismo, quem responde às questões essenciais da
economia é o Estado. Por isto diz-se que uma economia socialista
é uma economia planificada: ela necessita do Planejamento
Estatal.
Este sistema é, justamente, o contrário da economia de mercado,
já que as decisões são tomadas de forma centralizada na agência
de planejamento do governo. Neste caso, as famílias não detêm
os fatores de produção. Estes pertencem à coletividade, ou seja,
ao governo.

Seção 3 - O sistema econômico e as trocas
Nesta seção, você estudará uma atividade que é de suma
importância para os sistemas econômicos modernos: as trocas.
Para entender melhor como elas acontecem, vamos imaginar uma
pessoa que more sozinha numa ilha. Esta pessoa deve ser capaz
de produzir, sozinha, tudo aquilo que necessita. E, obviamente,
seu consumo está restrito aos recursos que a ilha lhe oferece e à
sua capacidade de transformação destes recursos, ou seja, o seu
conhecimento.
Agora, numa sociedade moderna como a nossa, você já deve ter
percebido que isto é impossível. E, justamente, podemos dizer
que nossa sociedade é moderna devido a um conceito criado
pelo primeiro economista da história moderna, o escocês Adam
Smith, em 1776.
Em seu livro A Riqueza das Nações, Smith nos conta uma fábula,
conhecida como a fábula dos alfinetes.
Nesta fábula, Smith imagina que a produção de alfinetes pode-se
dar de duas formas: de forma artesanal e de forma industrial.

28
Análise Microeconômica

Na forma artesanal, um único trabalhador, de forma artesanal,
produziria, ao final de um dia, no máximo 20 alfinetes.
Já, na produção industrial, Adam Smith argumenta que,
como a fabricação de alfinetes é dividida em diferentes
operações, então 10 operários conseguiam fabricar,
na Inglaterra de dois séculos atrás, mais de 48.000
alfinetes em um único dia de trabalho.
Por que o número de trabalhadores aumentou 10
vezes e a produção aumentou 2.400 vezes?
A resposta é um fenômeno chamado ‘Especialização’.
Com 10 operários especialistas, cada um pode se especializar
numa determinada operação específica do processo produtivo, e,
consequentemente, aumentar a produtividade diária.
A especialização permite, também, que cada pessoa procure um
trabalho ou uma ocupação na qual seja mais produtiva.
Mas você deve notar que, no exemplo citado anteriormente, o
da pessoa que mora sozinha em uma ilha, ela não pode ser uma
especialista, afinal ela vive sozinha e todos os bens e serviços que
consome são originados do seu próprio trabalho.
Já, nas economias modernas, a especialização nos permite
concentrar nossos esforços em um determinado ramo de
atividade. Mas, se ao mesmo tempo, temos de ser especialistas,
então só produziremos uma parte dos bens e serviços que
necessitamos.
Daí a importância das trocas no sistema econômico.
Imaginemos duas pessoas: um alfaiate e um agricultor. O alfaiate
se especializou na produção de peças de roupa, enquanto o
agricultor se especializou na produção de verduras. Desta forma,
cada um é mais produtivo naquela atividade que sabe fazer. Mas,
como o alfaiate precisa se alimentar e o agricultor precisa se
vestir, eles podem então promover uma troca de produtos.

Unidade 1

29
Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de autoavaliação
Atividades de autoavaliação
1) Refletindo sobre o que você aprendeu no estudo desta unidade,
explique, a seguir, por que é importante entender a questão da
escassez?

2) Quem são os agentes econômicos, como estão agrupados e qual é a
importância de cada um para o sistema econômico?

30
Análise Microeconômica

Síntese
Nesta unidade, você efetuou estudos sobre a economia e sua
importância, principalmente porque diz respeito à administração
dos recursos escassos e das necessidades ilimitadas do ser
humano.
Também nesta unidade, você aprendeu quem são os principais
agentes econômicos e o seu papel no sistema.
Você estudou, também, a maneira como funciona o sistema
econômico em que vivemos e leu a famosa fábula dos alfinetes,
que mostra a importância da especialização para a economia
moderna e sofisticada.
Na próxima unidade, você começará a entender como funcionam
os mercados.

Saiba mais
Para aprofundar seu conhecimento sobre o que foi estudado nesta
unidade, você poderá ler as seguintes obras:
MANKIW, N.G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Campus,
1999.
SILVA, César R. L. & LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados:
introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 1996.
TROSTER, Roberto & MOCHON, Francisco. Introdução à
economia. São Paulo: Makron Books, 1999.

Unidade 1

31
unidade 2

Demanda, oferta e elasticidade
Objetivos de aprendizagem
„„

Discutir o modo de funcionamento dos mercados.

„„

Apresentar a lei da demanda e da oferta.

„„

Definir elasticidade-preço da demanda.

Seções de estudo
Seção 1

Conceitos básicos

Seção 2

Demanda e oferta: analisando os mercados

Seção 3

Equilíbrio de mercado

Seção 4

Elasticidade - preço da demanda

2
Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo
Nesta unidade, você estudará a teoria elementar dos mercados. De
um modo geral, esta teoria discute a maneira como os mercados
funcionam, ou seja, como é, na prática, a lei da demanda e da oferta.
Também é objeto de estudo desta unidade o conceito de elasticidade.
Por motivos didáticos, não é possível abordar cada mercado em
particular e suas peculiaridades. Porém, como você verá, a teoria é
aplicável a qualquer mercado.

Seção 1 - Conceitos básicos
A seguir, você estudará alguns conceitos que são básicos nesta
disciplina, como mercado e empresa ou firma. Estes conceitos são
importantes para a melhor compreensão da disciplina e dos temas
discutidos nesta e nas unidades seguintes. Acompanhe!

Mercado
Há várias definições para ‘mercado’. Em sentido geral, o termo
designa um grupo de compradores e vendedores que estão em
contato suficientemente próximo para que as trocas entre eles afetem
as condições de compra e venda dos demais. Um mercado existe,
quando compradores que pretendem trocar dinheiro por bens e
serviços estão em contato com vendedores desses mesmos bens e
serviços. Assim, o mercado pode ser entendido como o local, teórico
ou não, do encontro regular entre compradores e vendedores de uma
determinada economia.

Empresa ou Firma
Os economistas, por tradição, costumam se referir às empresas
utilizando o termo ‘firma’. No linguajar dos economistas, estas
aparecem como sinônimos. Similarmente à definição de mercado,
também há várias definições possíveis para firma.
34
Análise Microeconômica

De uma forma mais complexa, empresa é um dos regimes de
produção, onde um empresário, por meio de contratos, utiliza os
fatores de produção sob sua responsabilidade a fim de obter uma
finalidade, vendê-la no mercado e tirar, da diferença entre o custo de
produção e o preço de venda, o maior proveito monetário possível.
(ANTUNES,1964 apud FARINA, 2005).
Para Williamson (1996), a firma é uma estrutura de
governança. Neste caso, o autor quis enfatizar a ideia de que
a firma é autônoma e tem capacidade de tomar decisões.
Outra definição, esta de sentido mais técnico, diz que a firma
é uma função de produção, uma sinergia tecnológica que
explora economias de escala e escopo. (TIROLE, 1988).
Grossman e Hart (1986), numa definição mais jurídica, destacam
que uma firma é um nexo de contratos incompletos de longo prazo.
Ao usar o termo ‘contratos incompletos’, os autores querem assinalar
que é impossível um contrato ser completo, ou seja, que um contrato
contenha todos os elementos possíveis em um negócio. Afinal,
diversos fatos imprevisíveis podem ocorrer ao longo da vigência de
um contrato.

Seção 2 - Demanda e Oferta: analisando os mercados
A análise da demanda e oferta ou lei da demanda e da oferta é um
importante instrumento para se compreender a realidade de mercados
e da determinação de preços nos diversos tipos de mercado. A correta
análise da demanda e da oferta em um mercado permite, dentre
outras coisas, a compreensão e a previsão de como as variações na
conjuntura econômica nacional e internacional podem afetar o preço
de mercado e a produção.

Demanda
A lei da demanda visa a identificar os vários fatores que afetam
a decisão de compra dos consumidores. Podemos, então, definir
demanda individual como sendo a quantidade de um determinado
Unidade 2

35
Universidade do Sul de Santa Catarina

produto ou serviço que o consumidor deseja adquirir em certo
período de tempo.
Importante salientar que demanda é desejo de comprar, e não a
realização da compra. Além disto, demanda é um fluxo por unidade
de tempo. Ou seja: a demanda refere-se ao desejo de comprar certa
quantidade de um bem em um dado período.
A teoria da demanda é derivada de hipóteses da teoria do
consumidor. Parte-se do pressuposto de que o consumidor
tenha orçamento limitado e acesso a uma determinada cesta
de produtos, assim a teoria da demanda visa a explicar as
possibilidades de escolha do consumidor. O consumidor fará
escolhas com seu orçamento limitado e tentará alcançar a
melhor combinação de bens e serviços consumidos, ou seja,
aquela que lhe trará maior nível de satisfação.
como:

A demanda de um produto depende de muitos fatores, tais
„„

as preferências e gosto dos consumidores;

„„

preço do produto em questão;

„„

preço de produtos relacionados;

„„

a renda do consumidor;

„„

a distribuição de renda;

„„

a disponibilidade de crédito;

„„

as políticas governamentais direcionadas para o consumo,
como impostos e subsídios.

Porém a teoria da demanda costuma apresentar quatro determinantes
da demanda individual, visando à simplificação:
1. o preço do próprio bem;
2. o preço de bens relacionados;
3. a renda do consumidor; e
4. o gosto ou preferência do consumidor.

36
Análise Microeconômica

2.1 Variáveis que afetam a demanda
„„

Preço do próprio bem

É importante notar que o preço do próprio bem é a variável
principal na nossa análise. A lei geral da demanda mostra
que há uma relação negativa entre o preço do próprio bem e
a quantidade demandada deste mesmo bem. Quando o preço
cai, os consumidores tendem a aumentar seu desejo de comprálo. Isso acontece, pois, supondo que todas as outras variáveis
permaneçam constantes, o indivíduo fica relativamente mais rico,
quando o preço de um bem diminui.
E, quando o preço (P) de um bem aumenta, a quantidade
demandada (Qd) diminui. Por outro lado, quando o preço de um
bem diminui, sua quantidade demandada aumenta.
Esta hipótese já foi testada para diversas situações e, embora sofra
limitações, tende a mostrar a realidade da demanda em diferentes
mercados.
Assim, é possível demonstrar estas variáveis em um gráfico. Na
figura 1, a seguir, está a curva de demanda, que mostra a relação
negativa entre o preço do próprio bem e a quantidade que os
consumidores estão dispostos a demandar em um certo momento
no tempo, com tudo o mais permanecendo constante.
Preço
($)

D
Quantidade do produto
Figura 1 – Curva de demanda

Unidade 2

37
Universidade do Sul de Santa Catarina

Vamos analisar um exemplo do mercado de milho, como nos
mostra a seguir a tabela 1. É possível notar que, à medida que o
preço diminui de $12 para $1, a quantidade demandada aumenta.
Isto porque a sociedade comprará mais milho, quando o preço
estiver menor.
Preço ($)

Diante dos objetivos
deste texto, não nos
preocuparemos em estimar
as curvas de demanda.
Porém, com uma série
histórica de dados e um
pouco de conhecimento
de estatística, é fácil
estimá-las

Aplicação da Equação de
Regressão Linear (ỹ = a + bx).
Este conteúdo é explorado na
disciplina Estatística.

Quantidade Demandada
(milhares de sacas)

12,00
10,00
7,00
5,00
4,00
2,00
1,00

6
10
16
20
22
26
28

Tabela 1 – Demanda do Mercado de Milho

A relação expressa na curva de demanda também pode ser
expressa por meio da função de demanda. Neste caso, a função
teria a seguinte forma:
qd (p) = a - bp
Note que o sinal negativo mostra a relação inversa entre
quantidade demandada (qd) e preço (p). Para o exemplo do
milho, a equação é qd = 30 – 2 p. Voltaremos a esta equação mais
adiante.
„„

Preço de bens relacionados

A demanda de um produto também é influenciada pelo preço de
bens relacionados. Assim, temos duas situações:
1ª) Bens substitutos
Bens substitutos são aqueles cujo consumo de um substitui o do
outro. Por exemplo, carne de frango e carne bovina ou viajar de
avião e viajar de trem.
Vamos supor, por exemplo, o mercado de transporte aéreo entre
as cidades A e B. Caso o preço das passagens de ônibus aumente,
aumentará a demanda por viagens aéreas entre as duas cidades.
38
Análise Microeconômica

Este fenômeno pode ser observado, analisando a figura 2. Com o
aumento do preço das tarifas de ônibus, a demanda por passagens
aéreas aumentou, deslocando-se de D para D’.

Figura 2 - Demanda por passagens aéreas

Importante: Note que a curva de demanda se
deslocou. As variáveis preço e quantidade são variáveis
determinadas dentro do mercado. Mas outras variáveis,
como o preço de bens relacionados e a renda, são
determinadas fora do mercado, por isto exercem
influência sobre ele. Isto é representado por meio do
deslocamento da curva de demanda, como se pode ver
na figura 2.

2ª) Bens complementares
Bens complementares são bens consumidos simultaneamente, e
o consumo de um determinado bem complementa o do outro.
Por exemplo, automóvel e combustível, e, viagem de avião e
hospedagem em hotéis.
Neste sentido, suponha que as tarifas de avião sejam reduzidas.
Isso impulsionará o turismo e aumentará a demanda de leitos de
hotel. Assim, como mostrado na figura 3, a demanda de leitos de
hotel se deslocará de D para D’.

Unidade 2

39
Universidade do Sul de Santa Catarina

Preço
P
2

P
1

D
Q

Q

1

D

1

2

Quantidade

Figura 3 – Demanda por leitos de hotel
„„

Renda do consumidor

Se a renda do consumidor aumentar, haverá um deslocamento da
curva de demanda para a direita, o que significa que ele estará
disposto a consumir mais, ao mesmo preço.
De certa forma, todos nós nos comportamos assim. Por isso,
pense em alguns produtos que você compraria em maior
quantidade, caso o seu chefe lhe oferecesse, hoje, um belo
aumento de salário. Se os preços dos demais bens da economia
(ou de alguns deles) forem reduzidos, isso terá um efeito
semelhante em uma variação da renda.
Mudanças nas preferências dos consumidores também
deslocam a curva de demanda. Por exemplo, uma campanha
do governo contra o fumo deslocará a curva de demanda
de cigarros para baixo (demanda menor). E um dia bem
quente desloca a curva de demanda de sorvetes para a
direita (demanda maior). Outras variáveis influenciam
a demanda de um bem, como a sazonalidade, a moda, as
propagandas, etc.

40
Análise Microeconômica

2.2 Oferta (O)
Na subseção anterior, você estudou o que é demanda, ou seja,
o mercado sob o ponto de vista do demandante. Nesta, você
analisará a oferta, isto é, o mercado do ponto de vista de quem
vende.
Para análise da oferta, você deverá imaginar a existência de um
mercado com muitas empresas, todas de pequeno porte. E, que
este mercado é chamado de competitivo, ou seja, as empresas não
têm capacidade para fixar os preços de seus produtos. Neste caso,
o preço é fixado pelo mercado, e as empresas são tomadoras de
preço, isto é, praticam o preço determinado pelo mercado.
Por que uma empresa decide ofertar um determinado
produto?

O que leva uma empresa a decidir vender ou ofertar um
determinado produto é a expectativa de lucro (π). Neste sentido,
podemos definir lucro como sendo a remuneração de uma
empresa.
Geralmente, antes que uma nova empresa apareça no mercado,
o empresário faz um estudo detalhado sobre as
possibilidades de lucratividade deste novo negócio.
Como é a taxa de lucro que induz os empresários
a fazerem novos investimentos, então você pode
deduzir que quanto mais alto for o ganho (lucro)
da empresa com um determinado produto, maior
será a quantidade ofertada. Ou seja: mais empresas
vão querer ofertar ou vender aquele produto.

A curva de oferta
Assim, a curva de oferta informa quais quantidades os
vendedores estarão dispostos a ofertar para cada preço fixado pelo
mercado. Esta curva é um somatório das curvas de ofertas das
várias empresas que atuam no mercado e estabelece a quantidade
Unidade 2

41
Universidade do Sul de Santa Catarina

total que estes produtores estariam dispostos a oferecer para cada
nível de preço.
Observando a tabela 2, que reproduz aquele mesmo mercado de
milho da subseção anterior, você pode perceber que, à medida
que o preço do milho diminui, também diminui o incentivo dos
empresários para produzir. Logo, a oferta diminui, à medida que
o preço diminui. E vice-versa.
Preço ($)

Quantidade Ofertada
(milhares de sacas)

1,00
2,00
4,00
5,00
8,00
10,0
12,00

8
11
17
20
29
35
41

Tabela 2 – Oferta do Mercado de Milho.

A relação expressa na tabela 2 mostra a curva de oferta. Esta
relação pode ser expressa por meio da função de oferta:
qo (p) = a + bp
Note que o sinal positivo mostra a relação direta entre
quantidade/oferta (qo) e preço (p). Para o exemplo do milho, a
equação é qo (p) = 5 + 3p.
Aplicação da Equação de
Regressão Linear (ỹ = a + bx).
Este conteúdo é explorado na
disciplina Estatística.

42

Graficamente, temos a curva de demanda expressa, como na
figura 4.
Análise Microeconômica

Preço

O

($)

Quantidade do produto

ππFigura 4 - A curva de oferta
A figura 4 mostra que, caso o preço de mercado do produto
aumente, a quantidade ofertada do produto no mercado também
aumentará. Esta proposição é conhecida como a lei geral da
oferta. O que a figura 4 apresenta é que, à medida que o preço de
mercado aumenta, aumenta também o incentivo do empresário
a produzir mais. E vice-versa: à medida que o preço diminui, o
empresário tem menos incentivo para produzir.
Existem outros fatores que influenciam as decisões dos
empresários?

Vários fatores influenciam a oferta, como por exemplo:
„„

a tecnologia de produção da empresa;

„„

os preços dos insumos;

„„

número de concorrentes no mercado;

„„

as expectativas futuras.

Unidade 2

43
Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 3 - Equilíbrio de mercado
Agora que você estudou os conceitos de demanda e oferta, note como
se forma o preço em um mercado. Para isto, analisaremos novamente
o mercado de milho.
Preço ($)

Quantidade Demandada
(milhares de sacas)

Quantidade Ofertada
(milhares de sacas)

12,00
10,00
7,00
5,00
4,00
2,00
1,00

6
10
16
20
22
26
28

41
35
29
20
17
11
8

Tabela 3 – Demanda e oferta de milho.

Note que, ao preço de $5,00, a quantidade demandada e a quantidade
ofertada são iguais (qd=qo=20). Ou seja: não falta nem sobra produto
no mercado. Nesta situação, dizemos que o mercado está em
equilíbrio. O equilíbrio está ilustrado na figura 5.
O
Preço
($ por unidade)

Excesso de
oferta

^

P
1
P
0
P
2

^
Escassez de
oferta

Q0

D
Quantidade

Figura 5 – Equilíbrio de Mercado

Conforme a figura 5, quando o preço é P0, o mercado está em
equilíbrio, pois a quantidade demandada é igual à quantidade
ofertada, em Q0. É importante notar neste momento que o equilíbrio
de mercado mostra uma representação estática do mercado. Porém
pode-se afirmar que os mercados sempre tendem ao equilíbrio.
44
Análise Microeconômica

Para entender por que os mercados sempre tendem ao equilíbrio,
imagine que o preço de mercado seja igual a P1. Neste caso,
observe que a quantidade ofertada (cruzamento da curva de
oferta com a linha horizontal a partir de P1) é maior do que a
quantidade demandada. Esta situação é denominada de excesso
de oferta ou escassez de demanda. Assim, se há excesso de
oferta ou estoque, a tendência é que o preço caia até P0.
Por outro lado, se o preço de mercado for P2, então a quantidade
demandada será maior que a quantidade ofertada. A esta situação
denominamos excesso de demanda ou escassez de oferta.
Quando isto ocorre, as empresas se sentem mais impulsionadas a
produzir e o preço aumenta até P0.
Neste sentido, podemos dizer que todo e qualquer mercado
sempre tende ao equilíbrio. Ou seja: de um modo ou de outro, o
mercado chega ao preço e à quantidade de equilíbrio.
Matematicamente, o equilíbrio pode ser calculado por meio
das equações de demanda e oferta. Assim sendo, as equações de
demanda (qd) e de oferta (qo) são expressas por:
qd = 30 - 2p
qo = 5 - 3p
Para que se obtenha o preço de equilíbrio, basta igualar as duas
equações (lembre-se de que, no equilíbrio, qd=qo). Assim,
qd = qo
30 - 2p = 5 + 3p
30 - 5 = 2p + 3p
25 = 5p
25
p= =5
5
Para achar a quantidade de equilíbrio, basta substituir o valor do
preço (p) em qualquer uma das equações, já que, no equilíbrio,
elas são iguais. Temos:
qd = 30 - 2(5) = 30 - 10 = 20
Unidade 2

45
Universidade do Sul de Santa Catarina

Os resultados encontrados de fato são os mesmos resultados da
tabela 3.
É importante notar que o equilíbrio de mercado tal qual
representado pela figura 5, mostra um retrato estático do
mercado. Na realidade, os mercados são dinâmicos e sofrem,
constantemente, influência do ambiente externo, que pode ser o
governo, outros mercados, o resto do mundo e, também, eventos
imprevisíveis, como uma geada, uma guerra, etc.
Assim, vejamos alguns exemplos:
a) A figura 6 mostra uma representação do mercado de soja
brasileiro. Primeiramente, o preço de equilíbrio é P1 e a
quantidade de equilíbrio é Q1. Assim, vamos supor que alguns
fatores, como clima e quantidade de chuva, contribuíram para
que a produção de oferta aumentasse. Ou seja: contribuíram para
que a oferta aumentasse o que é representado pelo deslocamento
da curva de oferta de O para O1:

Figura 6 – Modificações no preço da soja

Observe que o deslocamento da oferta provocou uma redução
no preço (P1 para P2) e um aumento na quantidade de
equilíbrio(Q1 para Q2).
b) A figura 7 mostra, inicialmente (D e O), a configuração do
mercado de roupas de inverno. Com a proximidade do inverno,
a demanda aumenta e a curva se desloca (de D para D’). Assim,
46
Análise Microeconômica

supondo que a oferta permaneça constante, o preço aumenta de
P1 para P2 e a quantidade de equilíbrio também aumentará de
Q1 para Q3.

Figura 7 - Mercado de roupas de inverno

c) Na figura 8, que representa o mercado de automóveis,
primeiramente ocorre um deslocamento da demanda (D para
D’). Após, a produção aumenta, ou seja, há um deslocamento
da curva de oferta (O para O’). Como consequência, o preço
de mercado subiu de P1 para P2, e a quantidade de equilíbrio
aumentou de Q1 para Q2.
O
O

1

D

Preço

1

P
2
P
1

D
Q
1

Q

Quantidade

2

Figura 8 – Mercado de automóveis

Unidade 2

47
Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 4 – Elasticidade - preço da demanda (Epd)
O termo elasticidade é muito comum nos estudos dos economistas.
A ideia central do estudo das elasticidades é quantificar as relações
entre duas variáveis. Na teoria econômica, há várias formas
de estudar este conceito, por exemplo, a elasticidade-câmbio
exportação, que relaciona as variáveis taxa de câmbio com as
exportações.
Nesta disciplina, estamos preocupados apenas com a elasticidadepreço da demanda, que tem um papel importante na análise da
demanda do consumidor e das decisões empresariais. Já sabemos
que, quando o preço de um bem se reduz, sua quantidade
demandada aumenta. O que a elasticidade-preço da demanda
mostra é o quanto a quantidade demandada aumentará.
Matematicamente, elasticidade-preço da demanda é expressa por:
Epd =

% qd p.
=
%p
q

qd
p

A Epd é de grande interesse para as empresas, pois serve de base
para:
„„

Política de preços;

„„

Estratégia de vendas e atendimento dos objetivos de lucro;

„„

Participação no mercado.

Ou seja: com base nesta informação, a empresa pode fazer
previsões de vendas. Por exemplo, se um empresário, produtor de
mesas para escritório, sabe que a elasticidade-preço da demanda
dos produtos que vende é igual a -1,5, caso ele reduza os preços de
seus produtos em 10%, utilizando a fórmula, poderá aumentar a
demanda em 15%.
O coeficiente da elasticidade-preço da demanda é negativo
(quase sempre negativo, com raras exceções), uma vez que preço
e quantidade demandada são inversamente relacionados: quando
o preço se reduz, a quantidade demandada aumenta, e quando o
preço aumenta, a quantidade demandada cai.
48
Análise Microeconômica

Vamos detalhar isto melhor por meio do estudo das diferentes
classificações.

4.1 Classificações
„„

Demanda Elástica

Dizemos que um bem tem demanda elástica em relação ao
preço, quando o valor da elasticidade-preço da demanda for, em
módulo, maior do que 1,0. Ou seja: |Epd| > 1.
Por exemplo, suponha que um determinado produto tenha Epd = -1,4.
Neste caso, o valor da Epd mostra a razão entre a variação
percentual do preço e a variação percentual da quantidade
demandada. Neste caso, novamente recorrendo à equação,
supondo que o preço de mercado deste bem aumente 10%, a
quantidade demandada cairia 14%. Ou, caso o preço deste bem
caísse 5%, neste caso a quantidade demandada aumentaria,
aplicando a fórmula, 7%.
Dizemos que, quando a demanda é elástica, o consumidor é mais
sensível às variações no preço do bem. Atente para o fato de que
as variações percentuais foram proporcionalmente maiores do que
as variações no preço.
„„

Demanda inelástica

Já, quando um bem tem elasticidade, em módulo, menor do que
1, dizemos que este bem tem demanda inelástica em relação ao
preço, também se usa o termo demanda preço-inelástica. Neste
caso, |Epd| < 1,0.
Por exemplo, suponha um determinado produto cuja elasticidadepreço da demanda seja igual a -0,6. Com a ajuda da equação,
pode-se notar que, caso ocorra um aumento de 10% no preço
deste produto, a sua demanda cairia 6%. (Lembre-se de que
quantidade demandada e preço variam em direções opostas).
Por outro lado, se o preço caísse 8%, a quantidade demandada
aumentaria 4,8%.

Unidade 2

49
Universidade do Sul de Santa Catarina

Atente para o fato de que, neste caso, a variação percentual no
preço é superior à variação percentual na quantidade demandada,
ou seja,
| %qd | < | %p|
„„

Demanda unitária

Porém, quando, em módulo, a elasticidade-preço da demanda
é igual a 1, dizemos que um produto tem demanda unitária em
relação ao preço.

Determinantes da elasticidade
„„

A substituição do bem

Quanto mais facilmente um bem for substituível, mais elástica
em relação ao preço será a demanda deste bem. Ou seja: mais
sensível será o consumidor a variações no preço deste bem, já que
o consumidor pode substituí-lo facilmente e vice-versa.
Por exemplo, a gasolina é um bem com demanda preçoinelástica, pois é difícil ser substituída, principalmente a curto
prazo.
„„

Essencialidade do bem

Quanto mais essencial for um determinado bem, mais preçoinelástica será sua demanda e vice-versa.
A energia elétrica tem demanda inelástica em relação ao preço, já
que é essencial para a vida moderna.
„„

Peso relativo do bem no orçamento do consumidor

Quanto menor o peso do bem no orçamento do consumidor,
mais preço-inelástica será sua demanda e vice-versa.
Uma caixa de fósforos tem demanda preço-inelástica, pois o seu
preço (e o gasto mensal dos consumidores com este produto) é
pequeno em relação à renda da maioria dos consumidores.
50
Análise Microeconômica

Há dois casos extremos que merecem consideração:
a)	 Demanda perfeitamente elástica. Neste caso, como
mostra a figura 9, a quantidade demandada pode variar
sem que haja modificações no preço. Trataremos mais
deste caso na unidade 4.
Preço

p*

D

(a)

Quantidade

Figura 9 - Demanda perfeitamente elástica

b)	Demanda perfeitamente inelástica. Neste caso, isto
significa que qualquer variação no preço não provocará
alterações na quantidade demanda. O melhor exemplo
para isto é o sal.
Preço

D

Quantidade

*
Q

(b)
Figura 10 - Demanda perfeitamente inelástica

Unidade 2

51
Universidade do Sul de Santa Catarina

Formas de cálculo
Há várias formas de cálculo, mas, para os fins desta disciplina,
vamos estudar apenas a elasticidade no ponto.
Imagine um produto que tenha, em um determinado momento
no tempo, preço igual a $2 e quantidade de demanda igual a 6.
Num segundo momento, o preço passa para $4 e a quantidade de
demanda cai para 2. Temos, portanto:
P1= 2 e Q1 = 6

P2 = 4 e Q2 =2
Assim, pergunta-se: qual a elasticidade no ponto 1?
Aplicando a equação de elasticidade, vê-se que:
Epd =

p
qd

.

qd 2 (- 4) (- 8)
= .
=
= - 0,66
P 6 2
12

Note que qd = q2 - q1 = 2 - 6 = -4 e

p = p2 - p1 = 4 - 2 = 2

Ou seja: neste caso, o ponto de referência para a análise é o ponto 1.
Agora, calcula-se a Epd no ponto 2, utilizando a mesma equação.
Atente para o fato de que o ponto 2 é a referência neste momento.
Logo:
Epd =

p
qd

.

qd 4 4
16
= .
=
=-4
P 2 (- 2) - 4

A esta altura, já é possível notar que qd é a declividade ou o
P
coeficiente angular da curva de demanda. Como a curva de
demanda é negativamente inclinada, então o coeficiente angular
é negativo. Logo, a elasticidade-preço da demanda também é
negativa. Em suma, Epd é, em geral, negativa devido à relação
inversa entre preço e quantidade demandada.
Em geral, o conceito de elasticidade é utilizado em referência a um
determinado ponto, preço e quantidade. No exemplo, foi possível
observar que a elasticidade mudou conforme o ponto analisado.

52
Análise Microeconômica

Relação entre receita e elasticidade
A receita total (RT) de uma empresa produtora de um único
bem é o resultado da multiplicação da quantidade pelo preço
da mercadoria. Ou seja: RT = p . qd. É possível perceber que
variações no preço conduzirão a variações na quantidade
demandada e, consequentemente, na receita da empresa.
Pelo exame da elasticidade-preço da demanda, pode-se
compreender as variações na receita de uma empresa.
a) Demanda elástica
Quando um produto tem demanda elástica, |Epd| > 1, ou seja,
|rqd| > | rp|, neste caso, como a variação na quantidade
demandada é proporcionalmente maior que a variação no preço,
pode-se concluir que é a variação da quantidade que vai indicar a
variação na receita. Assim, conclui-se que, quando um produto
tem demanda elástica, uma redução no preço provoca um
aumento na receita e vice-versa.
b) Demanda inelástica
Já, quando um produto tem demanda inelástica, ocorre
|r p|> |rqd|. Neste caso, é a variação no preço que comanda a
variação na receita. Assim, quando um produto tem demanda
inelástica, um aumento no preço provoca um aumento na receita
e vice-versa.
Para exemplificar, retomemos os determinantes da elasticidadepreço da demanda. Com a análise dos determinantes, pode-se
observar que um produto com demanda inelástica apresenta uma
ou mais destas características:
„„

difícil de ser substituído;

„„

essencial; ou

„„

tem um peso relativamente pequeno no orçamento do
consumidor.

Por exemplo, a gasolina se encaixa bem nos dois primeiros itens.

Unidade 2

53
Universidade do Sul de Santa Catarina

Assim, quando a gasolina aumenta de preço, as empresas e o
governo (que recolhe impostos sobre o produto vendido) têm suas
receitas majoradas.
Por outro lado, um bem com demanda elástica é:
„„

facilmente substituível;

„„

supérfluo; ou

„„

tem um peso relativamente grande no orçamento do
consumidor.

Logo, se o preço de um biscoito ‘Tostines’ aumentar, parte dos
consumidores optará por consumir biscoitos de outra marca.
Assim, a receita da ‘Tostines’ tende a diminuir.
Em resumo, pode-se enunciar:
Elasticidade
Elástica | Epd| > 1
Unitária | Epd| = 1
Inelástica | Epd| < 1

Variação no Preço
Aumenta
Diminui
Aumenta
Diminui
Aumenta
Diminui

Quadro 1 – Relação Elasticidade e Receita da Empresa

54

Variação na Receita
Diminui
Aumenta
Permanece constante
Permanece constante
Aumenta
Diminui
Análise Microeconômica

Atividades de autoavaliação
1) Suponha que ocorra uma geada que destrua parte significativa da
plantação de café do Brasil. Indique o que acontecerá com o preço e
com a quantidade de equilíbrio no mercado de café.

2) Suponha que o governo dos EUA não cobre mais imposto de
importação sobre os calçados brasileiros. O que acontecerá, a curto
prazo, com o preço e a quantidade de equilíbrio no mercado brasileiro
de sapatos?

3) Suponha que aumentem no mundo os casos de gripe aviária. O que
tende a acontecer com o preço e a quantidade do milho, que é o
principal alimento do frango?

Unidade 2

55
Universidade do Sul de Santa Catarina

4) Sendo:
P0 = $20 e qd0 = 500, e P1 = $30 e qd1 = 400, calcule:
a) Elasticidade-preço da demanda no ponto 0;
b) Elasticidade-preço da demanda no ponto 1;
c) Classifique, nos dois pontos, a demanda deste produto, de acordo
com a elasticidade-preço da demanda.

Síntese
Nesta unidade, você aprendeu, de forma simples, como funcionam os
mercados. De modo geral, os mercados sempre tendem a definir um
preço de equilíbrio para cada produto. E este preço é definido pela
interação da oferta e da demanda.
Outro conceito importante aprendido nesta disciplina foi o conceito
de elasticidade-preço da demanda, que se refere à sensibilidade do
consumidor em relação a variações no preço de um dado produto.

56
Análise Microeconômica

Saiba mais
PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo:
Prentice Hall, 1999.
McGUIGAN, James; MOYER, R. Charles & HARRIS, Frederik.
Economia de empresas: aplicações, táticas e estratégias. São Paulo:
Pioneira Thomson Learning, 2004.
NELLIS, Joseph & PARKER, David. Princípios de economia para
negócios. São Paulo: Futura, 2003.

Unidade 2

57
unidade 3

Custos de produção
Objetivos de aprendizagem
„„

Entender o conceito de custos de oportunidades.

„„

Entender e analisar os custos de produção como parte
do processo decisório.

Seções de estudo
Seção 1

Custos econômicos versus custos contábeis

Seção 2

Custos de produção

Seção 3

Economias de escala

3
Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo
As decisões das empresas, no que diz respeito a preços, níveis de
produção e lucro, dependem diretamente dos custos de produção.
Através de certa tecnologia de produção e o preço dos insumos
(matéria-prima e fatores de produção), é possível calcular os custos
de produção e o gestor pode decidir como produzir.
Os insumos podem ser combinados de diferentes maneiras para
que seja obtida a mesma quantidade de produto. Por exemplo,
uma empresa pode produzir uma determinada quantidade de
sapatos com muitos trabalhadores (trabalho) e poucas máquinas
(capital). E a mesma quantidade de sapatos pode ser obtida com
mais capital do que trabalho. Uma das tarefas dos administradores
é decidir qual a combinação de insumos que minimiza os custos de
produção, mas não leva à queda na produção.
Estes e outros temas serão abordados nesta unidade. Acompanhe a
seguir, e bom estudo!

Seção 1 - Custos econômicos versus custos contábeis
Economistas e contadores têm formas diferentes de considerar os
custos.
Os contadores estão preocupados em retratar os custos
passados, para elaborar os demonstrativos anuais da empresa.
A contabilidade tem esta visão, porque é sua função manter
o controle sobre o patrimônio líquido da empresa e avaliar o
desempenho passado da empresa. Em suma, os contadores
estão preocupados em calcular os custos contábeis, que incluem
as despesas correntes somadas às despesas ocasionadas pela
depreciação dos equipamentos de capital.
Já os economistas tendem a ter uma visão das perspectivas futuras
de uma empresa, pois seus estudos preocupam-se com a alocação
dos recursos de produção escassos, com os custos que podem
ocorrer no futuro e com as decisões da empresa para minimizar
seus custos e maximizar os lucros.
60
Análise Microeconômica

Ou seja: os economistas refletem sobre os custos econômicos ou
custos de oportunidade que estão associados às oportunidades
que são deixadas de lado, caso a empresa não empregue seus
recursos da maneira mais rentável.
Por exemplo, uma companhia de transporte
aéreo pode optar por ser proprietária dos aviões
que utiliza. Mas ser proprietária dos aviões não
significa a melhor alternativa para a empresa. Ela
poderia, entre outras opções, fazer um leasing das
aeronaves e, assim, ter maior disponibilidade de
capital para outros investimentos.
Em outro exemplo ainda, pode-se considerar uma empresa que seja
proprietária do edifício em que opera e que, portanto, não paga
aluguel pelo espaço ocupado. Mas isto não implica dizer que a
empresa pode considerar o custo do espaço físico como sendo zero.
Um economista observaria que a empresa poderia receber aluguel
pelo espaço físico, caso o tivesse alugado para outra empresa. Este
aluguel não recebido corresponde aos custos de oportunidade de
utilização do espaço físico, devendo, portanto, ser incluído como
parte dos custos econômicos da empresa.

Seção 2 - Custos de produção
Nesta seção, será examinado o custo total (CT) de produção. O
custo total é a soma dos custos fixos (CF) e dos custos variáveis
(CV).
Lembre-se:
Custos fixos (CF) são custos que não variam com o
nível de produção.
Custos variáveis (CV) são custos que variam à medida
que o nível de produção varia.
CT = CF + CV (q)

Unidade 3

61
Universidade do Sul de Santa Catarina

Custos fixos referem-se a despesas com seguros, aluguel,
manutenção de equipamentos, funcionários que não estão ligados
à produção, segurança, dispêndios financeiros, entre outros.
São gastos que permanecem inalterados independentemente
do volume de produção da empresa. Ou seja: devem ser pagos
mesmo que não haja produção. Assim, a única forma de eliminar
os custos fixos é deixar de operar.
Os custos variáveis são, essencialmente, gastos com salários da
mão de obra direta (diretamente ligados à produção) e matériaprima.
Saber quais custos são fixos e quais são variáveis também
depende do prazo com o qual se lida.
A teoria econômica afirma que curto prazo é o período de tempo
no qual pelo menos um dos fatores de produção é fixo. No longo
prazo, todos os fatores de produção são variáveis. Ou seja: no
curto prazo, existem custos fixos, pois a empresa tem obrigações
legais a cumprir, como contratos. Já, no longo prazo, os custos
são variáveis, pois a empresa pode aumentar seu capital e sua
força de trabalho.

Além do custo total, do custo fixo e variável, a teoria econômica
também se preocupa com os custos totais médio (CMe) e
marginal (CMg).
O custo total médio ou custo médio (CMe) é o custo por
unidade de produto, ou, custo unitário.
Matematicamente, é o custo total (CT) dividido pela quantidade
(q) produzida.
CMe =

CT CF CV(q)
=
+
= CFMe + CVMe
q
q
q

Como o custo total é a soma dos custos fixos e variáveis, o custo
médio reflete a soma do custo fixo médio (CFMe) e do custo
variável médio (CVMe).

62
Análise Microeconômica

O custo marginal (CMg) - também definido em alguns livros
como custo incremental – é definido como o aumento de custo
ocasionado pela produção de uma unidade a mais. Devido ao
fato de o custo fixo não apresentar variação, o custo marginal é a
variação no custo variável, quando a produção aumenta em uma
unidade. Matematicamente, tem-se:
CMg =

CT(q)
q

=

CT(q)
q

Ou seja: o custo marginal é a derivada da função custo total.
Este conceito é muito importante nas tomadas de decisões, muito
embora pareça um pouco abstrato. Suponha um empresário o
qual tenha que decidir se aumenta, com base em um aumento
da demanda, sua produção. Mas, para aumentar a produção, a
empresa incorrerá em novos custos. Este aumento de custos é
exatamente o custo marginal. Claramente, é possível perceber
que a empresa só aumentará sua produção e seus custos, se houver
uma compensação financeira para tanto, como será demonstrado
na próxima unidade.
Tabela 1 – Custos no curto prazo
Q
(1)

CF($)
(2)

CV($)
(3)

CT($)
(4)
(2) + (3)

CFMe($/q)
(5)
(2):(3)

CVMe($q)
(6)
(3):(1)

CMe($/q)
(7)
(4):(1)

CMg($/Q)
(8)
∆4:∆1 *

0

50

0

50

-----------

---------

----------

---------

1

50

50

100

50

50

100

50

2

50

78

128

25

39

64

28

3

50

98

148

16,7

32,7

49,3

20

4

50

112

162

12,5

28

40,5

14

5

50

130

180

10

26

36

18

6

50

150

200

8,3

25

33,3

20

7

50

175

225

7,1

25

32,1

25

8

50

204

254

6,3

25,5

31,8

29

9

50

242

292

5,6

26,9

32,4

38

10

50

300

350

5

30

35

58

11

50

385

435

4,5

35

39,5

85

Unidade 3

63
Universidade do Sul de Santa Catarina

>> observação: coluna 8 ∆ = variação.
Q1 = ∆4:∆1 = (100 – 50) : (1 – 0) = 50 : 1 = 50
Q2 = ∆4:∆1 = (128 – 100) : (2 – 1) = 28 : 1 = 28
Fonte: Elaborado pelos professores.

A tabela 1 evidencia que, independente do nível de produção,
o custo fixo é $50. A tabela também mostra que os custos
totais e variáveis aumentam à medida que a produção também
aumenta. A taxa de elevação dos custos depende da natureza
do processo produtivo e, principalmente, da extensão em que
ocorrem rendimentos decrescentes de escala ao longo do processo
produtivo.
Rendimentos decrescentes ocorrem, quando a produtividade dos
insumos é declinante. Vamos supor que o trabalho seja o único
insumo variável deste processo produtivo. Assim, para poder
aumentar a produção, a empresa terá que contratar mais mão de
obra.
Então, se a produtividade do trabalho diminui à medida que
a empresa contrata mais trabalhadores, isto quer dizer que os
custos com a mão de obra devem ser cada vez maiores para se
obterem níveis mais elevados de produção. Consequentemente, o
custo total e o custo variável aumentam à medida que aumenta o
número de trabalhadores.
CT

Preço
CV

300
175

A

100
CF
0

1

2

3

4

5

(a)

64

6

7

8

9

10

11

12

13

Produto (unidade por ano)
Análise Microeconômica

Custos
100
(em $
por ano)

Cmg

75
CTMe

50

CVMe
25
CFMe
0

1

2

3

4

5

(b)

6

7

8

9

10

11

Produto (unidade por ano)

Figura 1 – Formato das curvas de custos

A figura 1 mostra como os custos mudam com o aumento da
produção. O gráfico (a) mostra o custo total, o custo fixo e o
variável. O gráfico (b) mostra o formato das curvas de custo
médio e marginal.
Em (a) é possível observar que o custo fixo (CF) é constante
no nível $50. Já o custo variável é $0, quando nada é produzido
e, então, aumenta continuamente, à medida que a produção
aumenta. O custo total (CT) é obtido pela soma dos custos fixo e
dos variáveis. A distância entre CT e CV é sempre 50, que é CF.
Note que os formatos das curvas CT e CV não são lineares. Isto
ocorre devido às diferenças de produtividade nos diferentes níveis
de produção.
A figura (b) mostra que a curva de custo fixo médio (CFMe)
apresenta queda contínua de $50 (q=1) até diminuir a um valor
próximo a zero. Isto ocorre porque CF é constante em $50.
CFME assume o formato de hipérbole dada à equação CF/q. O
formato das outras curvas está ligado à curva de custo marginal.
Sempre que o custo marginal for inferior ao custo médio, a
curva de custo médio apresentará declínio. E, sempre que custo
marginal for superior ao custo médio, este tenderá a elevar-se.
Pode-se notar, então, que, quando o custo médio estiver em seu
ponto mínimo, o custo marginal e os custos médios serão iguais.
A curva CVMe é inicialmente decrescente como consequência
do aumento da produtividade do fator variável e atinge um ponto

Unidade 3

65
Universidade do Sul de Santa Catarina

mínimo. Neste ponto em mínimo, a planta está operando com
a combinação ótima dos insumos; a partir daí, CVMe tende a
aumentar como resposta da queda da produtividade do fator de
produção variável.

Discutiremos este tema
com mais profundidade na
seção 3 desta unidade.

CMe é a soma de CFMe e CVMe. Assim como CVMe, a curva
CMe assume um formato em U. Este formato em U reflete a lei
dos rendimentos decrescentes.

Situações especiais – Custo marginal constante
Muitas vezes, dentro do processo de tomada de decisões,
observamos técnicas para facilitar a tarefa dos tomadores de
decisão. Como foi possível notar, a curva de custo marginal
é não linear. Porém, com a utilização de técnicas estatísticas,
como a análise de regressão, é possível transformar a curva de
custo marginal em uma reta. Logo, a função CT passa a ser uma
função de primeiro grau, como abaixo:
CT = CF + CV = CF + CMg(q)
E o custo médio seria igual a:
CMe =

CF + CMg(q)
CF
=
+ CMg
q
q

Seção 3 - Economias de escala
Economias de escala significam custos médios decrescentes com
a escala de produção, ou seja, aumento da capacidade produtiva
da planta (quantidade que pode ser produzida ao custo unitário
mínimo), conforme figura 2. Em outras palavras, a empresa
apresenta economias de escala, quando ela é capaz de duplicar sua
produção com menos do que o dobro dos custos.
Já as deseconomias de escala ocorrem, quando, à medida que a
produção aumenta, o custo médio também aumenta. A figura 2
mostra as duas situações. Até Q*, a empresa aumenta a produção
66
Análise Microeconômica

e o CMe tende a diminuir até o ponto ótimo (Q*), que é o ponto
no qual CMe é mínimo. A partir de Q*, ocorrem deseconomias
de escala.
S/Q
CMe

Q*

Quantidade

Figura 2 – Economias e deseconomias de escala

Na Figura 2, CMe é o custo médio unitário (ou médio) de “longo
prazo”, isto é, o menor custo unitário com que pode ser produzido
cada volume de produção, quando a escala de produção (ou
capacidade produtiva) é variável. Na presença de economias de
escala, ele é suposto decrescente com a quantidade produzida (e,
portanto, com a escala de produção), atingindo o valor mínimo em
Q*. Chamamos Q* de “escala mínima eficiente”.

Economia de Escala
É considerada a forma de economia responsável pela organização do
processo produtivo, de maneira que esta alcance a máxima utilização
dos fatores produtivos envolvidos no processo. Procura evidenciar
baixos custos de produção e o incremento de bens e serviços
disponíveis para a oferta. Ocorre, quando há uma expansão da
capacidade de produção de uma empresa ou indústria, provocando
aumento na quantidade total de sua produção, sem que ocorra
aumento proporcional no custo de produção.
Representada fisicamente por gigantescas unidades de produção, as
empresas de uma economia de escala possibilitam o emprego de um
amplo contingente de mão de obra altamente qualificada, grande
capacidade de estocagem de produção e de matérias-primas.
Unidade 3

67
Universidade do Sul de Santa Catarina

Existe economia de escala, quando a expansão da
capacidade de uma firma ou indústria causa um
aumento dos custos totais de produção menor que,
proporcionalmente, os do produto. Como resultado,
os custos médios de produção caem a longo prazo.
(BANNOCK et al., 1977).

Economia Pecuniária
Ocorre, quando há o fator que a explica através da redução
no preço pago pelos insumos dos produtos. Os insumos
correspondem aos componentes necessários para a produção
de determinados produtos, tais como os computadores, que
necessitam de uma série de itens para a sua composição final.
Exemplificando
Economia de Escala > Grandes Volumes > Baixos Custos
Unitários > Indústria de computadores = economia de escala na
produção; pesquisas e serviços.
Economia de Escala > Diferenciação do produto > Empresas
estabelecidas, com marca identificada, desenvolvem sentimentos
de lealdade em seus clientes.
Indústrias fabricantes de produtos para bebês;
alimentos (leite ninho); cosméticos; revistas; jornais;
refrigerantes.

Fontes de economias de escala
As economias de escala podem ser reais ou pecuniárias. As
economias de escala são reais, quando o que as explica é a
redução na quantidade de fatores de produção utilizados em
função do aumento da produção. Em outras palavras, a utilização
de insumos não aumenta na mesma proporção do aumento da
produção.

68
Análise Microeconômica

Já as economias de escala pecuniárias ocorrem, quando as
empresas pagam um preço menor pelos insumos. Ou seja: os
custos se reduzem, mas não em função de mudanças nas técnicas
de produção, mas sim, do poder de negociação da empresa.
As fontes das economias de escala reais são as que seguem.
„„

Ganhos de especialização

Este fato já foi enfatizado por Adam Smith no livro Uma
investigação sobre a natureza da riqueza das nações, de 1776.
Com uma maior quantidade de produto, maior poderá ser a
divisão do trabalho e mais especializados serão os trabalhadores e
as máquinas. Os trabalhadores serão mais hábeis em suas funções
e, com máquinas especializadas, maior será a produtividade e
menores serão os custos.
Novamente, o exemplo mais ilustrativo de como a especialização
pode contribuir para a ocorrência de economias de escala
foi descrito por Adam Smith na ‘fábula dos alfinetes’.
Smith afirmava que a produção de alfinetes na
Inglaterra era feita em 17 etapas e que um único
trabalhador (produção artesanal), ao longo de um
dia, fabricaria 20 alfinetes. Caso a produção fosse
feita de forma industrial, com 10 trabalhadores
especializados (alguns desempenhando mais de uma
função), a produção, ao final de um dia, atingiria
48.000 alfinetes. Observe que os custos com o fator de produção
trabalho aumentaram 10 vezes, mas em compensação os ganhos
de produtividade permitiram que a produção aumentasse 2.400
vezes.
A especialização pode ocorrer de diversas formas, como
especialização de equipamentos e de mão de obra (aprendizado
ou learning by doing).
„„

Indivisibilidade técnica

A segunda fonte de economia de escala, conforme Looty e
Szapiro (2002), relaciona-se com o tamanho dos equipamentos
industriais, sendo, portanto, observável, ao nível da planta

Unidade 3

69
Universidade do Sul de Santa Catarina

produtiva. Em certas situações, não é possível comprar uma
máquina com o tamanho exato para se produzir a quantidade
necessária. Neste caso, subutilizações da máquina podem servir
para uma futura expansão produtiva. Desta forma, haveria uma
expansão produtiva a taxas constantes, levando a uma redução
do custo médio. Claramente, esta expansão se dá até o limite da
utilização da capacidade do equipamento.

Atividades de autoavaliação
1) José tem uma pequena empresa na qual investiu $100.000 em
máquinas e equipamentos (estes $100.000 poderiam render $20.000/
ano se aplicados no mercado financeiro). Ao final de um ano, José
aufere $50.000 em lucro. Porém José foi chamado para trabalhar
para seu concorrente, que lhe ofereceu um rendimento anual igual a
$50.000. Pergunta-se: José tem custo de oportunidade em escolher ser
dono da sua própria empresa?

70
Análise Microeconômica

2) Complete, calculando os itens que estão em branco, os espaços na
tabela a seguir:
Produção

Custo Total

0

50

1

70

2

100

3

120

4

150

5

Custo Fixo

Custo Variável

Custo Marginal

Custo Médio

200

3) Uma empresa produz camisetas e conta com uma máquina e um
trabalhador. A empresa paga $20 semanais pelo leasing da máquina.
E, ao trabalhador, paga $1 por hora nos dias úteis, $2/hora aos sábados
e $3/h aos domingos. Por hipótese, a empresa não tem outros custos.
A empresa pode produzir 1 camiseta por hora e, por suposição, o
trabalhador pode trabalhar no máximo 8 horas/dia. Calcule:
a) O custo fixo, o custo variável e o custo total, quando a empresa
produz 40 camisetas por semana.

b) O custo médio, quando a produção é de 40 camisetas.

c) O custo marginal, quando q=40, q = 48 e q = 56 camisetas.

Unidade 3

71
Universidade do Sul de Santa Catarina

4) Uma empresa estima sua função de produção mensal como sendo: CT
= 40.000 + 70q (em US$ e quantidades expressas em unidades).
a) Qual o custo fixo?

b) Qual o custo variável, quando q = 1.000 unidades?

c) Qual o custo total, quando q = 1.000 unidades?

d) Qual o custo médio, quando q = 1.000?

e) Se a produção aumentar para 1.200/mês, qual será o custo médio? Há
economias de escala? Explique

72
Análise Microeconômica

5) Os custos de produção do leite
Este exercício trata de uma fazenda com 50 vacas no interior do
estado de Santa Catarina. Para simplificar, suponha que o único custo
variável desta fazenda seja o gasto com a alimentação das vacas,
que custa 6 centavos por litro de leite produzido (ou seja, o custo
marginal). Suponha, também, que os custos fixos sejam da ordem de
R$ 40.000,00/ mês. Apenas a família proprietária da fazenda trabalha
na produção de leite, o que ocupa todo seu tempo, independente do
volume de leite produzido.

a) Qual o custo total de produção da fazenda, se cada vaca produz
7.600 litros de leite no mês? E se cada vaca produzir 10.000 litros de leite
por mês?
b) Qual o custo médio da produção de leite nesta fazenda, se cada
vaca produzir 10.000 litros/ mês? Caso esta fazenda tivesse 100 vacas,
qual seria o novo custo médio? Com base nestas informações, pode-se
dizer que há economias de escala? Se houver, qual a importância da
economia de escala para uma empresa como esta?

Unidade 3

73
Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese
Nesta unidade, você teve contato com a teoria dos custos de
produção. A correta análise dos custos de produção é uma
importante ferramenta de competição, já que empresas com
custos menores do que suas concorrentes podem praticar preços
também menores.
Você aprendeu que economias de escala são importantes para
as empresas, pois permitem reduções nos custos médios ou
unitários.

Saiba mais
PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São
Paulo: Prentice Hall, 1999.
McGUIGAN, James; MOYER, R. Charles & HARRIS,
Frederik. Economia de empresas: aplicações, táticas e
estratégias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. 446p.

74
unidade 4

Concorrência perfeita e
eficiência econômica
Objetivos de aprendizagem
„„

Discutir o modelo de concorrência perfeita.

„„

Compreender a importância do modelo de concorrência
perfeita, a eficiência econômica e a conduta das
empresas neste tipo de mercado..

Seções de estudo
Seção 1
Seção 2

Características do modelo de concorrência
perfeita
A firma e o mercado em concorrência perfeita

Seção 3

Eficiência econômica

4
Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo
As estruturas de mercado são modelos que explicam as diversas
formas como os mercados podem se organizar, ou seja, elas
referem-se ao modo como os mercados são organizados.
Classicamente, são as seguintes as estruturas de mercado:
concorrência perfeita, monopólio, concorrência monopolística e
oligopólio.
Cada estrutura de mercado destaca alguns aspectos essenciais
da interação entre demanda e oferta, e se baseia em algumas
hipóteses e no realce de características observadas em mercados
existentes, tais como: o tamanho das empresas, o número
de empresas, a diferenciação de produtos, etc. (PINHO E
VASCONCELLOS, 1993).
Nesta unidade, você irá estudar o modelo de concorrência
perfeita. O modelo é, por definição, teórico. Ao longo da
unidade, o(a) leitor(a) atento(a) poderá notar que muitas das
premissas deste modelo são pouco aderentes à realidade. Porém o
modelo é muito importante por dois motivos:
1º) mostra que a concorrência é mais socialmente benéfica do que
monopólios ou oligopólios;
2º) permite que o estado possa regular setores essenciais da
economia (eletricidade, gás, remédios), simulando mercados de
concorrência perfeita.
Assim sendo, bom estudo! Em caso de dúvidas durante a leitura,
anote-as e procure resolvê-las junto com o professor-tutor.

76
Análise Microeconômica

Seção 1 - Características do modelo de concorrência
perfeita
O modelo de concorrência perfeita é útil para analisar diversos
tipos de mercados, tais como:
„„

o mercado agrícola,

„„

o de serviços,

„„

o mercado de câmbio e de ações.

A concorrência perfeita é um modelo abstrato e teórico estudado
em economia com o objetivo de fornecer ferramentas, para
melhor entender a realidade. Neste sentido, parte-se do
pressuposto de que a firma tem como objetivo maximizar seus
lucros. Voltaremos à questão dos lucros mais adiante. Este
modelo baseia-se em cinco hipóteses centrais, detalhadas a
seguir.
1. Atomicidade - É grande o número de ofertantes/
demandantes, e estes são pequenos em relação ao
tamanho do mercado, de modo que nenhum dos agentes
seja capaz de alterar o preço de mercado.
2. Livre mobilidade de fatores - Ausência de barreiras
à entrada/saída. Ou seja, empresas não enfrentam custos
expressivos nem para entrar no mercado, nem para sair.
Os custos expressivos que podem restringir a entrada
em um determinado setor são aqueles que uma nova
empresa tem de enfrentar e são superiores aos custos
de empresas já estabelecidas.
Por exemplo, no setor farmacêutico, as empresas já estabelecidas
detêm as patentes de seus produtos, que lhes garantem o
monopólio da produção de um determinado tipo de medicamento.
Uma empresa que desejasse entrar neste mercado teria de
investir elevadas somas em pesquisa e desenvolvimento de seus
próprios medicamentos ou comprar licenças para produzir os
medicamentos de outros laboratórios, a elevadas taxas. Ou seja:
no mercado farmacêutico, há barreiras à entrada, o que permite
concluir que não é um mercado perfeitamente competitivo.
Unidade 4

Conceito que será
detalhado nas próximas
unidades.

77
Universidade do Sul de Santa Catarina

Esta suposição é bastante importante, porque permite que a
competição seja efetiva. Ela quer dizer que os consumidores
podem mudar facilmente de fornecedor, se o rival aumentar o
seu preço. Na visão empresarial, significa que uma empresa pode
facilmente entrar em um setor, caso vislumbre perspectivas de
lucro, podendo, também, sair, se estiver incorrendo em prejuízos.

Segundo Sandroni (1990),
nas relações comerciais
internacionais, o termo
designa um tipo de
mercadoria em estado
bruto, ou seja, com baixo
valor agregado..

3. Homogeneidade do produto - Isto significa que o produto
ofertado pelas firmas é idêntico. Quando os produtos de todas
as empresas são substitutos perfeitos entre si (homogêneos),
nenhuma delas tem incentivo para elevar o preço acima do
preço praticado pelas concorrentes, pois perderia parte de suas
vendas. É o caso, por exemplo, dos produtos agrícolas, petróleo,
gasolina, papel, celulose, folhas de aço, alumínio. Estes produtos
são conhecidos como commodities. Esta suposição é bastante
importante, pois, de acordo com Pindyck e Rubinfeld (1999),
assegura a existência de um preço de mercado único de modo
consistente com a análise da demanda e da oferta.
Em contraste, quando os produtos não são homogêneos, cada
empresa pode elevar seu preço em relação ao do concorrente sem
perder todas as suas vendas. Os relógios suíços, por exemplo,
são mais caros que os relógios produzidos em outras partes do
mundo, já que são vistos pelos consumidores como produtos
de alta qualidade. Daí a importância da diferenciação como
estratégia de competição, o que será objeto de análise em outra
unidade subsequente.
4. Informação perfeita - Todos os agentes têm completa
informação sobre preços.

Alguns livros utilizam
também o termo
“aceitadoras de preço”.

5. As firmas são tomadoras de preço. Neste tipo de mercado, um
grande número de firmas participa do processo de concorrência.
Como cada empresa é pequena em relação ao tamanho do
mercado, nenhuma delas tem condições de influenciar o mercado
(ou seja, o preço de mercado) unilateralmente. Assim, diz-se que,
em mercados de concorrência perfeita, as firmas são tomadoras de
preço, ou seja, o preço praticado em um estabelecimento é dado
pelo mercado.
Por exemplo, um banco, ao comprar ou vender moeda
estrangeira, baseia-se no preço de mercado desta. Isto porque não

78
Análise Microeconômica

há qualquer motivo para o banco vender a um preço diferente.
Caso o banco venda os dólares a um preço menor do que o de
mercado, estará deixando de maximizar seus lucros.
Além disso, neste tipo de mercado, praticar preço menor que o
da concorrência é uma estratégia pouco eficaz, pois a firma sabe
que não tem condições de interferir no preço do mercado, já
que a sua quantidade ofertada é pequena. Caso o banco decida
vender dólares a um valor superior ao de mercado, não encontrará
compradores, pois estes, que têm plena informação do preço de
mercado, dirigir-se-ão a outro estabelecimento.
Os consumidores, neste tipo de mercado, também se comportam
como tomadores de preço, já que cada consumidor é responsável
por uma parcela pequena da demanda, de modo que não tem
condições de influenciar o preço de mercado.
Em suma, a concorrência perfeita é um modelo teórico muito
importante, pois permite entender o modelo ideal de mercado.
Daí, é possível entender os mercados reais e as ações do governo,
por exemplo, coibindo abuso por parte das empresas. Porém há
mercados nos quais as empresas se comportam como tomadoras
de preço, ou seja, como em concorrência perfeita. Estes mercados
são mercados de commodities, financeiro, cambial, panificadoras
ou farmácias em uma pequena cidade.

Seção 2 - A firma e o mercado em concorrência perfeita
Anteriormente, foi mencionado que as empresas em concorrência
perfeita têm como objetivo a maximização de lucros. Esta
suposição permite que se preveja o comportamento empresarial
de forma bastante acurada. No entanto saber se as empresas
maximizam ou não os seus lucros é um tema bastante controverso
nas bibliografias especializadas no tema.

Uma discussão mais
precisa encontra-se
em THOMPSON Jr,
Arthur & FORMBY, John.
Microeconomia da firma:
teoria e prática. Rio de
Janeiro: Prentice-Hall do
Brasil, 1998.

No caso das empresas de pequeno porte, administradas pelos
proprietários, o interesse pelo lucro, provavelmente, guiará as
decisões da empresa, já que o lucro é a própria remuneração
dos proprietários. Nas empresas maiores, em muitos casos, os
Unidade 4

79
Universidade do Sul de Santa Catarina

administradores não são os proprietários, mas sim, gestores
profissionais. Ou seja, executivos profissionais contratados para
administrar a empresa.
Estes executivos têm certa liberdade para se desviarem do
objetivo de maximizar os lucros. Os executivos podem estar
preocupados com o crescimento da empresa, já que, ao
administrarem empresas maiores, teriam maior prestígio no
mercado e, consequentemente, poderiam negociar para si maiores
salários.
De todo modo, a empresa que, a longo prazo, não se preocupar
em maximizar seus lucros provavelmente não sobreviverá. Um
exemplo refere-se às empresas da era da internet (as chamadas
‘pontocom’).
No começo da década de 2000, muitas tiveram que reformular
suas estratégias e buscar parcerias para não fechar. O caso mais
conhecido foi o da ‘Amazon.com’, maior livraria virtual do
planeta. Algumas foram vendidas para grupos empresariais,
como a Yahoo, por exemplo. Em suma, a hipótese da
maximização de lucros é razoável.
O chamado “equilíbrio da firma” em concorrência perfeita, a
curto prazo (dado o tamanho da planta), é obtido supondo-se
que o objetivo da firma é maximizar os seus lucros (π), dado o
preço de equilíbrio do mercado p*. Para tanto, ela deve produzir
a quantidade qi* de tal forma que o preço seja igual ao custo
marginal (CMg). Ou seja,
Max π --> p = CMg ,
Com a condição adicional de máximo (2a ordem):
CMg

>

0

Isso acontece porque, como visto anteriormente, a empresa
que opera em concorrência perfeita não tem condições de
modificar seu preço individualmente. Ou seja, considerando-se o
pressuposto de que o empresário quer maximizar seus lucros, não
há argumento racional para que o preço seja diferente do preço
de mercado. Se, de um lado, a empresa praticar um preço abaixo
do preço de mercado, não estará maximizando seus lucros e nem
80
Análise Microeconômica

conseguirá atrair mais compradores, pois seu tamanho é pequeno
em relação ao tamanho do mercado. Por outro lado, praticar um
preço acima do preço de mercado implica vender menos que seus
concorrentes e, também, em não maximizar lucros. Logo, neste
caso, o preço da firma é o próprio preço de mercado.
A figura 1 ilustra esta situação. Em (a) encontra-se a curva de
demanda da firma, que é horizontal. Em (b) está a curva de
demanda do mercado.
Empresa

$

Setor

$

S4

S4

d

D
100

q

200

(a)

Q

100

(b)

Produção

Produção

Figura 1: Curva de demanda da empresa e do setor em concorrência perfeita

Desta forma, como o preço da firma é constante, a receita
marginal (RMg) também será. A receita marginal pode ser
definida como a receita adicional devido à venda de uma unidade
a mais do produto. Matematicamente, a receita marginal é a
derivada da função receita. Assim, temos que:
RT = P.q
E
RMg =

RT
q

E a condição para maximizar lucro (π) é:
Sendo lucro expresso por:
π(q) = RT - CT

Unidade 4

81
Universidade do Sul de Santa Catarina

Para a finalidade deste
texto, não trataremos das
condições de segunda
ordem..

A condição para se maximizar a função é π igualar a derivada
primeira a zero. Desta forma, tem-se:
π (q)
RT
CT
O=
=
= RMg - CMg
q
q
q
Assim, o resultado final é:

.
. . RMg = CMg

O = RMg - CMg

Ou seja: a condição para maximizar lucro é determinar a
quantidade (q*) de produção que iguale receita marginal e custo
marginal. A figura 2 apresenta a maximização de lucros em curto
prazo. Note que a empresa escolhe o nível de produção q*, com
vistas a maximizar seus lucros, que corresponde à diferença entre
a receita, R(q) e o custo total, C(q). Neste nível de produção, a
receita marginal (inclinação da curva de receita) é igual ao custo
marginal (inclinação da curva de custo).
C(q)

Custo,
receita,
lucro
($ por ano)

R(q)

A

B

q

0

q*

(q)
Produção (unidade por ano)

Figura 2 – Maximização de lucros a curto prazo

Porém, em concorrência perfeita, como o preço é constante, este
é igual à receita marginal, logo, apenas neste tipo de mercado, a
condição para maximização de lucros é:
p - CMg
Assim, preço e custos marginais são iguais onde estes últimos
forem crescentes. A parte crescente da curva de custos
marginais representa a função de oferta da firma, enquanto o
82
Análise Microeconômica

preço constante corresponde à função de demanda da firma
(horizontal). A figura 3 ilustra este tradicional resultado da
microeconomia.
No curto prazo, uma empresa opera com uma quantia fixa
de capital e deve escolher a combinação de insumos variáveis
(trabalho e matéria-prima), visando à maximização dos lucros.
Na figura 3, a curva de preço (ou receita média) é constante igual a $40. O lucro é maximizado, quando a produção é igual
a 8 unidades, pois é quando a firma produz esta quantidade que
a receita marginal (que, neste caso, é o próprio preço) é igual ao
custo marginal. No sentido de melhor esclarecer, imagine que
a produção fosse igual a q=7. Neste ponto, a receita marginal
seria superior ao custo marginal, o que implica dizer que o lucro
poderia aumentar por meio de um aumento na produção. A área
hachurada entre q e q* mostra o lucro perdido associado à escolha
do nível de produção q1.
Por outro lado, imagine que a produção fosse igual a q2 = 9.
Neste caso, o lucro também não seria maximizado e a área
hachurada entre q* e q2 mostra o lucro perdido nesta escolha.
$

60
Lucro perdido devido a
q1
q*

50
40

Lucro perdido devido a
q1
q*

>

<

D

A

Rme = Rmg = P
CTMe
CVMe

C
B

30
20
10
0

1

q

0

2

3

4

5

6

7

8

9

q q* q
1
2

10

11

Produção

Figura 3 – Lucro na empresa em concorrência perfeita

Note-se que, na figura 3, existe um lucro positivo, devido ao
fato de o preço situar-se acima do custo unitário (menor que o
marginal, pois este é crescente). O lucro positivo é dado pela
diferença entre o ponto A e o ponto B. E o lucro total da empresa
é o retângulo ABCD, que representa a receita menos os custos.

Unidade 4

83
Universidade do Sul de Santa Catarina

É importante notar que a firma em concorrência perfeita, no
curto prazo, pode operar com prejuízo, desde que sua receita
seja maior ou igual aos custos variáveis. Em suma, a condição
básica para que uma empresa opere é pagar os custos variáveis.
Uma empresa que incorre em prejuízos no curto prazo não deve
necessariamente encerrar suas atividades. Isto porque ela pode
operar com prejuízos, esperando ter lucro no futuro, quando os
preços aumentarem ou quando conseguir reduzir seus custos de
produção. A empresa tem duas opções no curto prazo: ela pode
produzir, ou encerrar suas atividades. A decisão é tomada tendo
como base a situação que apresentar maiores lucros ou menor
prejuízo.
No que tange à operação com prejuízos, há duas situações que
devem ser analisadas:

.

I. p > CVMe . . RT > CV , porém RT < CT : neste caso
a empresa tem lucro negativo, mas paga os custos
variáveis. Apesar do prejuízo, a empresa não deverá
necessariamente encerrar suas atividades. A empresa
continuará a operar, pois paga os custos variáveis e
espera um futuro com melhores perspectivas.

.

II. p < CVMe . . RT < CV : neste caso, a empresa deverá
fechar, pois não consegue pagar os custos variáveis, que
são os custos necessários à operação direta da empresa.
Em suma, a empresa deve continuar a operar enquanto o preço
de seu produto for maior do que o custo variável médio no nível
de produção que maximiza o seu lucro.

84
Análise Microeconômica

Seção 3 - Eficiência econômica

Concorrência perfeita e eficiência econômica
As propriedades de eficiência econômica associadas pela Teoria
Microeconômica tradicional à concorrência perfeita decorrem dos
conceitos de eficiência alocativa (social) ou de Pareto e de ótimo
de Pareto.

Vilfredo Pareto
Economista, sociólogo e engenheiro italiano (1848-1923), foi
professor na Universidade de Lausanne (1892/1907), onde
sucedeu a Leon Walras, formando com este a chamada Escola
de Lausanne. Pareto enfatizou a aplicação da Matemática à
Economia dentro de um quadro teórico marginalista modificado
e reviu o método do Equilíbrio Geral de Walras. Criou os
conceitos de Ótimo, Ofemilidade e a chamada Lei de Pareto.
Ótimo de Pareto
Uma situação econômica é ótima no sentido de Pareto, se não for
possível melhorar a situação, ou, mais genericamente, a utilidade
de um agente, sem degradar a situação ou utilidade de qualquer
outro agente econômico. Existem 3 condições que necessitam
ser preenchidas para que uma economia possa ser considerada
Pareto Eficiente:
ƒƒ eficiência nas trocas - o que é produzido numa economia é distribuído de forma eficiente pelos agentes
econômicos, possibilitando que não sejam necessárias
mais trocas entre indivíduos, isto é, a taxa marginal de
substituição é a mesma para todos os indivíduos;
ƒƒ eficiência na produção - quando é possível produzir mais de um tipo de bens sem reduzir a produção de outros, isto é, quando a economia se encontra
sobre a sua curva de possibilidade de produção;
ƒƒ eficiência no mix de produtos - os bens produzidos numa economia devem refletir as preferências dos agentes econômicos
dessa economia. A taxa marginal de substituição deve ser
igual à taxa marginal de transformação. Um sistema de preços
de concorrência perfeita permite satisfazer esta condição.

Unidade 4

85
Universidade do Sul de Santa Catarina

Numa estrutura ou modelo econômico, podem coexistir diversos
ótimos de Pareto. Um ótimo de Pareto não tem necessariamente
um aspecto socialmente benéfico ou aceitável. Por exemplo, a
concentração de rendimento ou recursos num único agente pode
ser ótima no sentido de Pareto.
Com base nestes conceitos, são formulados os chamados
teoremas de bem-estar, que associam de forma biunívoca o
equilíbrio geral competitivo (em que todos os mercados estão
em concorrência perfeita) com alocações (distribuições) sociais
de bens e serviços eficientes de Pareto, realizadas pelo sistema
de preços de equilíbrio geral. Trata-se, portanto, de conceitos
relativos ao conjunto da economia, e não a mercados isolados.
A transposição desses conceitos normativos gerais para a análise
microeconômica – isto é, de mercados específicos – requer várias
hipóteses restritivas, pelas quais se chega a um procedimento
simplificador comumente aceito em Microeconomia: consiste em
avaliar o nível de bem-estar ou de eficiência alocativa associado
a cada mercado individual pela magnitude dos ganhos ou
rendimentos econômicos líquidos (acima dos custos) que são
apropriados naquele mercado – o chamado excedente econômico
do mercado.
O excedente por unidade de produto é definido pela diferença
entre o valor marginal que os consumidores estariam dispostos a
pagar pelo produto – cada ponto da curva de demanda – e o custo
marginal de sua produção pela indústria – cada ponto da curva de
oferta, no caso (presente) de um mercado em concorrência
perfeita.
Uma conclusão importante: a competição é sempre preferível
às estruturas de mercados de concorrência imperfeita. Em
concorrência perfeita, a firma não tem condições de alterar
o preço de mercado, ou seja, a única forma de aumentar sua
lucratividade é reduzir custos. Logo, a concorrência leva as
empresas a serem mais eficientes, ou seja, reduzirem custos
para manter ou aumentar sua lucratividade. Isto ficou bem
claro no Brasil, depois da introdução do Plano Real, que
controlou a inflação.

86
Análise Microeconômica

Uma das ferramentas do Plano Real foi a abertura do mercado
às firmas estrangeiras. Logo, as empresas brasileiras tiveram
que se adaptar a esta nova situação e, para se tornarem mais
competitivas, tiveram que reduzir custos, pois o poder de
mercado sobre seu preço foi reduzido.

Atividades de autoavaliação
1) Quais as hipóteses do modelo de concorrência perfeita?

2) Quais mercados você crê que têm mais semelhança com a concorrência
perfeita?

Unidade 4

87
Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese
Esta unidade tratou de explicitar a teoria da concorrência
perfeita. Este é um modelo teórico, mas muito importante, para
se entender como as empresas se comportam em situações nas
quais não há imperfeição nos mercados (as imperfeições são,
por exemplo, a assimetria de informações, a formação de cartel,
a concorrência desleal ou predatória, entre outras). A principal
característica deste modelo é que as empresas se comportam
como tomadoras de preço.
Esta é uma característica bastante importante, já que, como
mencionado, o modelo é teórico, mas permite que o governo
tome decisões sobre preços. Por exemplo, no caso da energia
elétrica, cujas tarifas são determinadas pelo governo, os órgãos
reguladores (no caso, a ANEEL) simulam, por meio de
computadores, que o mercado de energia elétrica é perfeitamente
competitivo e, com isto, determinam um preço próximo ao
custo marginal das empresas. Assim, o governo faz com que as
empresas se comportem como tomadoras de preço.

Saiba mais
PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São
Paulo: Prentice Hall, 1999.
McGUIGAN, James; MOYER, R. Charles & HARRIS,
Frederik. Economia de empresas: aplicações, táticas e
estratégias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

88
unidade 5

Monopólio
Objetivos de aprendizagem
„„

Discutir o conceito de monopólio.

„„

Compreender que esta estrutura de mercado é
socialmente ineficiente.

Seções de estudo
Seção 1

Monopólio

Seção 2
Seção 3

Decisão de produzir do monopolista maximização de lucros
Causas do monopólio

Seção 4

Poder de mercado

5
Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo
A teoria microeconômica tradicional há muito discute as
vantagens de um mercado competitivo em relação a um mercado
monopolista. Ela mostra que a presença de uma estrutura
monopolista impõe custos sociais, uma vez que, nesta estrutura,
a empresa cobra um preço significativamente acima do custo
marginal, em função do poder de mercado que tem. Já, em
mercados perfeitamente competitivos, as firmas se comportam
como tomadoras de preço, de modo que o preço é igual ao custo
marginal.

Seção 1 - Monopólio
Os modelos mais comuns de estruturas de mercados são: a
concorrência perfeita e o monopólio. A grande vantagem destes
modelos reside na sua simplicidade em demonstrar o modo como
operam as firmas e suas consequências para o bem-estar social.
O monopólio, per se, é a situação na qual uma empresa
detém 100% das vendas de um determinado mercado.
Exemplos incluem alguns serviços de utilidade pública,
como transmissão e distribuição de energia elétrica, redes
de gás, trens e metrôs.
Há, porém, situações nas quais uma empresa não é a única
produtora ou ofertante de um bem, mas detém significativo poder
de monopólio. É o caso da ‘firma dominante’, situação na qual
uma empresa detém mais de 50% das vendas de um mercado. As
lâminas da Gillette e filmes Kodak podem ser apresentados como
alguns exemplos.
Na condição de único produtor, o monopolista encontra-se em
posição privilegiada, afinal ele é o próprio mercado. Isto não
significa, porém, que o monopolista possa cobrar o preço que
desejar pelo seu produto. Como será mostrado mais adiante,
o preço do monopolista é limitado pela demanda ou, mais
especificamente, pela elasticidade-preço da demanda.
90
Análise Microeconômica

O objetivo do monopolista é maximizar o lucro. O conhecimento
da demanda e dos custos é crucial para que este objetivo seja
atingido.
A receita média do monopolista, isto é, o preço de cada unidade
vendida é a própria curva de demanda do mercado. Assim, a
decisão do monopolista consiste essencialmente em escolher
o nível de produção que maximizará seu lucro. Considere o
seguinte exemplo:
Preço (P)

Quantidade
(q)

Receita Total
(RT)

Receita
Marginal
(RMg)

Receita
Média (RMe)
ou
Preço (P)

6

0

0

-

-

5

1

5

5

5

4

2

8

3

4

3

3

9

1

3

2

4

8

-1

2

1

5

5

-3

1

Tabela 1 – Receita média e marginal do monopolista.

A tabela 1 mostra a receita total, receita marginal e média para
uma determinada curva de demanda. Note que, quando o preço
é $6, a receita é igual a $0, pois nenhuma unidade é vendida a
este preço. À medida que o preço é reduzido, mais unidades são
vendidas.
Se, ao preço de $5, vende-se uma unidade, a receita total e a
receita marginal são iguais a $5. O aumento na quantidade
vendida de 1 para 2 unidades resulta em um aumento da receita
de $5 para $8, logo a receita marginal é igual a $3. É importante
notar que a receita marginal tanto pode ser positiva quanto
negativa, de forma que, quando RMg for positiva, a receita tende
a aumentar com o aumento da quantidade, e, quando RMg for
negativa, a receita diminui.
A figura 1 ilustra a relação entre demanda e receita marginal.
Note que a inclinação da curva de receita marginal é menor do
que a inclinação da curva de demanda.
Unidade 5

91
Universidade do Sul de Santa Catarina

$/Q

Demanda
RMg
Quantidade

Figura 1 – Receita Marginal e Demanda

Seção 2 - Decisão de produzir do monopolista:
maximização de lucros
A decisão do monopolista consiste, essencialmente, em definir
uma quantidade a ser produzida que maximize seus lucros.
A maximização de lucros ocorre, quando a receita marginal
(RMg = RT ) se igualar ao custo marginal (CMg = CT ). A
q
q
receita marginal é a variação da receita resultante do aumento
de produção em uma unidade. O custo marginal é a variação no
custo resultante da produção de uma unidade a mais.
Matematicamente: tem-se que o lucro é igual à receita total
menos o custo total.
π (q) = RT (q) - CT (q)
Logo, ao maximizar a função lucro, ou seja, derivar a função,
temos que:
π

CT

q
92

RT
q

q
Análise Microeconômica

Logo:
O = RMg - CMg
.
. . RMg = CMg
A figura 2 ilustra esta situação. A curva RMe é a própria curva
de demanda e especifica o preço a ser recebido pelo monopolista
em função do seu nível de produção. A figura também mostra
as curvas de custo médio (CMe) e marginal (CMg) e a curva
de receita marginal (RMg). As curvas RMg e CMg se igualam
emQ*, que é a quantidade que o monopolista produzirá. A partir
da curva de demanda, é possível concluir que o monopolista
estabelecerá o preço P*.
$/Q
CMg
CMe
P*

Lucro
RMe
RMg
Q*

Quantidade

Figura 2 – Decisão do monopolista

Exemplo:
Suponha que um monopolista tenha seus custos
expressos pela seguinte função:
CT (q) = 50 + q 2
Ou seja: o custo fixo é $50 e o custo variável igual a q2.
Suponhamos que a demanda seja expressa pela
função:
P (q) = 40 - q
Neste caso, note que o custo marginal (derivado da
função custo) é 2q e a receita marginal (derivada da
função receita) é igual a 40 – 2q. Logo, igualando CMg
e RMg, temos que a quantidade a ser produzida é igual
a 10, e o preço cobrado pelo monopolista é 30.
Unidade 5

93
Universidade do Sul de Santa Catarina

Resolução:
RMg = CMg, ou seja, o aumento da produção se dá até
que a receita gerada por esse aumento se equipare ao
aumento nos custos. A partir desse ponto, se os custos
forem maiores do que a receita gerada, não é oportuno
aumentar a produção.
CT = 50 (Custo fixo) + q2 (Custo variável)
- Cmg = custos varáveis = 2q
- Rmg = função receita 40 – 2q
- Aplicando a fórmula Rmg = Cmg, temos:
	
40 – 2q = 2q
	
40 = 2q + 2q
	
40 = 4q
	
q = 40/4 = 10 (quantidade produzida)
- Substituindo a variável “q” na fórmula da demanda:
P(q) = 40 - p
P(q) = 40 – 10 = 30 (preço cobrado pelo monopolista)

A figura 3 mostra o custo, a receita e o lucro do monopolista.
Quando a empresa nada produz, o lucro é negativo devido à
presença dos custos fixos. O lucro aumenta à medida que Q
aumentar até atingir um ponto máximo (Q*) e, então, passa a
diminuir.

C

$

R

Lucro

Q*
Quantidade

94
Análise Microeconômica

$/Q
CMg
CMe
P

*

Lucro
RMe
RMg
Q*

Quantidade

Figura 3 – Maximização de lucros

Seção 3 - Causas do monopólio
Essencialmente, são quatro as causas do monopólio:

1. Patentes
Quando uma firma detém a patente de um produto ou de parte
dele, ela passa a ter o direito de ser a sua única produtora. O
tempo de duração da patente depende das leis de cada país onde
os direitos de propriedade são garantidos. Um exemplo é a JVC,
que detém a patente de fabricação de aparelhos DVD. Como
detentora da patente, a JVC recebe royalties pelos aparelhos
fabricados pelas outras empresas.

2. Acesso exclusivo à matéria-prima
Quando uma firma tem acesso exclusivo à matéria-prima principal
de um determinado produto, ela tem o monopólio da fabricação
deste produto. Um caso interessante é o caso da ALCOA, que, na
década de 1950, detinha todas as reservas de bauxita dos EUA,
sendo, portanto, a única produtora de alumínio daquele país.

Unidade 5

95
Universidade do Sul de Santa Catarina

Como o monopólio é uma estrutura de mercado ineficiente, o
governo americano, na época, proibiu a empresa de comprar novas
reservas e incentivou a entrada de novas empresas no setor, para
aumentar a competição e, consequentemente, o bem-estar social.

3. Tradição
A tradição de um país ou empresa na fabricação de um determinado
produto também leva ao monopólio ou eleva o poder de monopólio
(conceito que será discutido nesta unidade) da empresa/país com
mais tradição. É o caso dos relógios suíços. Embora a Suíça não seja
o único país a fabricar relógios, os relojoeiros suíços desfrutam de
significativo poder de monopólio e têm a capacidade de manipular
os preços de mercado.

4. Monopólio puro ou natural
A causa mais comum de monopólio é o puro ou natural. Um
monopólio natural é uma situação na qual uma única empresa
pode produzir e ofertar para todo o mercado com um custo médio
inferior ao que existiria em uma situação em que houvesse duas ou
mais empresas. Se uma empresa possui monopólio natural, é mais
eficiente e melhor para a sociedade deixar que sirva ao mercado
sozinha, do que deixar outras empresas entrarem no mercado para
competir.
O monopólio natural surge onde as economias de escala são
importantes, como, por exemplo, no caso das empresas de
transmissão de energia elétrica. Devido ao alto custo da construção
de postes e fios de transmissão, é inviável a presença de duas ou
mais empresas de transmissão operando com linhas paralelas. De
forma similar, a rede de água e esgoto ou linhas de metrô também
são monopólios naturais.
A figura 4 apresenta uma situação de monopólio natural. Note
que a curva de demanda cruza a curva de custo médio antes do seu
ponto de mínimo. Ou seja, se o monopólio representado na figura
fosse substituído por duas empresas, o custo médio de produção das
duas seria maior do que o do monopolista.
96
Análise Microeconômica

$/Q

CMe
D

Quantidade

Figura 4 – Monopólio natural

A ineficiência do monopólio
Em mercados perfeitamente competitivos, o preço é igual ao
custo marginal. Já, em monopólios, o preço é maior do que o
custo marginal. Assim, os resultados do monopólio são preços
maiores e menores quantidades para os consumidores, o que
significa que o monopólio é uma estrutura de mercado ineficiente
para a sociedade. A figura 5 ilustra essa afirmação.
$/Q

Perda de excedente do consumidor
Perda bruta
CMg

P
m
Pc

A

B
C

RMe

RMg
Q

m

Qc

Quantidade

Figura 5 – Custo social do monopólio

Na figura 5, Qm representa a quantidade produzida pelo
monopolista e Pm o preço do monopolista. Caso este
monopolista fosse obrigado pelo governo a operar como uma
firma de mercado competitivo, o seu preço se igualaria ao custo

Unidade 5

97
Universidade do Sul de Santa Catarina

marginal (ponto onde RMe é igual a CMg). Assim, o preço seria
Pc e a quantidade produzida Qc.
Os retângulos sombreados mostram as alterações ocorridas nos
excedentes do consumidor e do produtor, quando passamos
do preço e quantidade competitivos, Pc e Qc, para o preço e a
quantidade de monopólio, Pm e Qm. Em consequência de um
preço mais elevado, a perda dos consumidores é medida por A+B
e o produtor ganha A-C. A perda bruta é representada por –B-C,
que é o custo social do monopólio.

Eficiência econômica é
um critério de estimativa
do desempenho das
firmas, dos mercados e da
economia como um todo,
coloca Santacruz (1998).
O mais conhecido critério
de eficiência econômica
está ligado à concorrência
perfeita. A eficência
alocativa é maximizada na
situação conhecida como
Ótimo de Pareto, na qual
não existe a possibilidade
de um agente econômico
obter ganhos de bem-estar
sem uma consequente
redução do bem-estar de
outro agente econômico.
(SANTACRUZ, op. cit.).

Em suma, pode-se dizer que, do ponto de vista social, o
monopólio é uma estrutura de mercado ineficiente. Podese mostrar essa ineficiência de outro modo. Em mercados
competitivos, as empresas enfrentam concorrência e, como
consequência, têm seu poder sobre o seu preço individual
reduzido. Assim, visando à maximização de lucros, resta às
empresas reduzirem seus custos para poderem atingir seus
objetivos. Por outro lado, o monopolista tem poder sobre seu
preço e pode, limitado pela demanda, aumentar seu preço por
causa de eventuais aumentos nos custos.

Seção 4 - Poder de mercado
Desde a década de 1930, o mainstream da organização industrial
vem concentrando seus esforços de pesquisa na definição
e avaliação do poder de mercado e nos seus determinantes
principais. Os custos sociais do monopólio receberam bastante
atenção dos pesquisadores, ao passo que as eficiências que
podem advir do monopólio, como economias de escala, foram
negligenciadas por esta corrente teórica. Assim, estruturas de
mercado altamente concentradas são indesejáveis devido a sua
ineficiência.
Cabral (2000) define poder de mercado como a capacidade da
firma ajustar seus preços a um nível acima dos custos marginais
de produção. É semelhante à definição de Mas-Colell et al.

98
Análise Microeconômica

(1995, p. 383.), que afirmam que poder de mercado é “[...] a
habilidade de alterar os preços de forma lucrativa acima dos
níveis competitivos”. Em outras palavras, poder de mercado
pode ser definido como o poder de uma empresa de fixar preços,
significativa e persistentemente, acima do nível competitivo, com
efeito lucrativo.
Além das definições usuais dos manuais de organização
industrial, é interessante atentar para as definições dos órgãos
responsáveis pela legislação antitruste. Segundo o Departamento
de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), “poder de mercado é a
capacidade de, de modo lucrativo, manter os preços acima dos
níveis competitivos por um significante período de tempo. Em
alguns casos, o único produtor de um produto para o qual não há
bens substitutos pode manter o preço a um nível superior àquele
de um mercado competitivo”.
Similarmente, em algumas circunstâncias, onde um
pequeno número de firmas é responsável pelas vendas de um
determinado produto, elas podem exercer poder de mercado,
inclusive aproximando-se do desempenho de um monopolista,
coordenando suas ações, tanto explicita quanto implicitamente.”
(DOJ and FTC, 1997).
Em outros casos, uma única firma pode, unilateralmente, exercer
poder de mercado, o que caracteriza a conduta não coordenada.
Em todos os casos, o resultado do exercício de poder de mercado
implica uma transferência de riqueza dos consumidores para
os ofertantes, ou uma má alocação dos recursos. (DOJ e FTC,
1997). No caso de condutas não coordenadas, Stoft (2001)
mostra que “poder de Mercado implica aumento de preço e,
consequentemente, transfere riqueza dos consumidores para
todos os ofertantes, não apenas para aquele que exerceu poder de
mercado.”
Possas (1996) destaca um outro conceito, também de origem
mais jurídica que econômica, e de significado muito semelhante.
Ele aparece na lei brasileira: é o de posição dominante e
seu respectivo abuso. Apesar da ênfase distinta que alguns
intérpretes colocam na independência de ação que este conceito
envolveria, para os efeitos antitruste concretos tal distinção não
é muito relevante. Uma empresa oligopolista, por exemplo, tem
Unidade 5

Lei 8884 de 11 de junho
de 1994 (disponível em
<http:// www.senado.
gov.br, acessado em 30 de
março de 2001>)

“Ocorre posição
dominante, quando
uma empresa ou grupo
de empresas controla
parcela substancial de
mercado relevante, como
fornecedor, intermediário,
adquirente ou financiador
de um produto, serviço ou
tecnologia a ele relativa”
(Lei 8.884 de 11 de Junho
de 1994, art. 20, 2º). O
parágrafo 3º da mesma
lei afirma que a parcela
relevante é de 30% do
mercado.

99
Universidade do Sul de Santa Catarina

poder de mercado, pode exercê-lo de forma abusiva (contra
consumidores, empresas menores, etc.), mas não é independente,
ao contrário, é interdependente dos demais oligopolistas.
Importa ressaltar que o poder de mercado não se expressa
somente nos preços. Grande parte das condutas consideradas
anticompetitivas (por exemplo, as condutas previstas na Lei
nº8884/94, art. 21) não ocorre via preços. Esta definição, embora
restritiva, é utilizada por ser simples e de fácil aplicação, inclusive
jurídica. Ela implica suposição de que quem pode elevar os
preços, significativa e persistentemente, acima dos custos possui
poder de mercado e pode, em princípio, exercê-los por qualquer
outro meio disponível.
É interessante, ainda, lembrar que a Lei 8.884/94, em seu art.
20, parágrafo 1º, afirma que “a conquista do mercado resultante
de processo natural fundado na maior eficiência de agente
econômico em relação a seus competidores não caracteriza o
ilícito previsto no inciso II”. As condutas anticompetitivas, em
muitos casos, podem significar aumentos de preço.
Entende-se que a lei não coíbe o poder de mercado em si, e
sim seu abuso (Possas, 1996). Mas a lei não se limita a reprimir
condutas anticompetitivas, procurando também preveni-las, ao
atuar sobre a concentração das estruturas de mercado. Logo, em
qualquer caso, é indispensável ter meios de identificar e avaliar
se há poder de mercado e seu possível aumento em decorrência
de algum ato de concentração, independentemente de já haver
indícios de seu exercício abusivo.

100
Análise Microeconômica

Atividades de autoavaliação
1) Explique por que o monopólio é socialmente prejudicial.

2) Descreva o que é monopólio natural.

3) Cite alguns exemplos de monopólio natural, que podem ser
observados na economia brasileira.

Unidade 5

101
Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese
Esta unidade tratou do conceito de monopólio. Os monopólios,
mercados nos quais há apenas uma empresa ofertante,
são ineficientes, do ponto de vista social. Ou seja: por não
enfrentarem concorrentes, estas empresas nem sempre são
estimuladas a reduzir custos, preços ou, em alguns casos, a
melhor a qualidade de seu produto ou serviço.

Saiba mais
PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo:
Prentice Hall, 1999.
McGUIGAN, James; MOYER, R. Charles & HARRIS, Frederik.
Economia de empresas: aplicações, táticas e estratégias. São Paulo:
Pioneira Thomson Learning, 2004.

102
unidade 6

Concorrência Monopolista e
Oligopólio
Objetivos de aprendizagem
„„

Compreender o conceito de concorrência monopolista e
oligopólio.

„„

Discutir as noções de interdependência e barreiras à
entrada.

„„

Estudar a definição de cartel.

Seções de estudo
Seção 1

O modelo de concorrência monopolista

Seção 2
Seção 3

Oligopólio: barreiras à entrada e
interdependência
Modelos de oligopólio

Seção 4

Cartel

6
Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo
Nas unidades anteriores, você teve contato com a teoria da
concorrência perfeita e do monopólio. No primeiro caso, a
concorrência perfeita parte de premissas pouco realistas, mas seu
estudo é importante para entendermos como se comportariam
os mercados ideais. No lado oposto, o monopólio ocorre
principalmente em casos especiais, como os monopólios naturais.
A maior parte dos mercados no mundo é formada por
oligopólios. Nesta unidade, você aprenderá o processo de
tomada de decisão em oligopólios e mercados de concorrência
monopolista. A principal característica destes dois mercados
é a interdependência entre as empresas, ou seja, as decisões de
uma empresa podem afetar o desempenho das empresas rivais e
provocar reações por parte destas últimas.

Seção 1 - O modelo de concorrência monopolista
O modelo de concorrência monopolista apresenta características
semelhantes às do modelo de concorrência perfeita, como um
elevado número de empresas. Porém sua principal característica
refere-se ao fato de as empresas produzirem bens diferenciados
ou substitutos próximos, tais como os serviços de restaurantes,
lazer, etc.
A ideia central encontra-se na conduta dos empresários que,
visando a maximização de seus lucros, procuram atrair mais
consumidores para seu produto. Diferenciação de produtos
refere-se a algo que uma determinada firma oferece aos seus
clientes, que a faça parecer única, exclusiva, aos olhos destes
clientes, o que traz vantagens em termos de rentabilidade e/
ou participação no mercado. Tradicionalmente, cor, tamanho,
desempenho, marca, propaganda, acesso ao canal de distribuição,
facilidade de estacionamento, simpatia e cortesia, dentre diversos
outros, são considerados fatores motivadores da diferenciação.
104
Análise Microeconômica

Já que, contrariamente ao modelo de concorrência perfeita, os
produtos são diferenciados, as empresas passam a ter maior
poder sobre seu preço.
Entretanto, como há vários produtores de bens substitutos
próximos, as curvas de demanda destes produtores tendem a ser
bastante elásticas, pois os consumidores dispõem de diversas
alternativas de consumo.

Lembre-se do conceito
de poder de mercado,
estudado na unidade 5

Seção 2 - Oligopólio
O oligopólio é uma estrutura que prevalece na maioria dos
mercados no mundo, inclusive no Brasil. Pode-se definir
oligopólio como sendo um mercado no qual poucas empresas são
responsáveis por toda ou pela maior parte da oferta de bens
substitutos entre si.
Há mercados oligopolistas onde somente grandes empresas
atuam, como, por exemplo, o mercado de automóveis, que
conta com pouco mais de duas dezenas de empresas ao
redor do mundo. Em outros, como o de alimentos, há
a presença de um número expressivamente grande de
empresas, porém poucas são responsáveis pela maior
parte da oferta neste mercado. Já é possível perceber
que as grandes empresas detêm, em maior ou menor
grau, poder de mercado.
Além disto, o produto/serviço pode ser diferenciado
(refrigerantes, tênis, aparelhos de televisão) ou não diferenciado
(cimento, papel, celulose, alumínio, dentre outros).
Há duas características importantes de oligopólio que merecem
destaque e serão exploradas nas subseções seguintes:
1.	 a interdependência entre os agentes; e
2.	a presença de barreiras à entrada.

Unidade 6

105
Universidade do Sul de Santa Catarina

A primeira característica, que será detalhada adiante, refere-se
ao fato de que a estratégia de uma empresa (preço, propaganda,
quantidade produzida, qualidade do produto, condições de
venda,etc.) exerce algum tipo de impacto nas vendas das
empresas rivais.

2.1 Barreiras à entrada
Segundo J. Bain (1956) e P. Sylos-Labini (1956), que ainda
permanecem atuais neste tema, é a presença de barreiras à
entrada de concorrentes potenciais num mercado oligopolista
que permite às empresas mais bem situadas praticarem preços
acima do nível competitivo, embora, em geral, abaixo do nível
de maximização de monopólio a curto prazo. Barreiras à entrada
são impedimentos à entrada de novas firmas em um determinado
mercado.
As principais fontes de barreiras à entrada, todas elas fatores
estruturais, são, de acordo com J. Bain (1956):
a)	 economias de escala, técnicas ou de vendas, quando
o tamanho mínimo é uma proporção significativa do
mercado;
b)	vantagens absolutas de custos, ligadas à tecnologia
superior ou acesso privilegiado a insumos;
c)	 vantagens de diferenciação de produtos, já que a
diferenciação leva a um certo grau de fidelidade por parte
dos consumidores; e
d)	requisitos mínimos de capital para a instalação da
capacidade produtiva, associados aos investimentos
produtivos e em P&D e publicidade.

106
Análise Microeconômica

2.2 Interdependência estratégica
O principal traço distintivo do oligopólio é a interdependência
estratégica dos produtores; daí o destaque dado na literatura
econômica moderna à utilização da teoria dos jogos. Este
é o enfoque atualmente predominante na “Nova Teoria da
Organização Industrial” neoclássica, que utiliza a teoria dos
jogos não cooperativos e o seu principal conceito de equilíbrio, de
Nash.
A interdependência, como mencionado anteriormente, referese ao fato de que a ação de uma empresa pode produzir efeitos
nas empresas concorrentes. Por exemplo, caso a Volkswagen
resolva reduzir os preços de seus automóveis, ela venderá mais
automóveis, e seus concorrentes venderão menos. Isto levará os
concorrentes a também reduzirem seus preços ou criarem novas
estratégias de competição.
De outra forma, há momentos nos quais duas empresas podem
optar por não competir e, sim, cooperar. Por exemplo, para evitar
uma guerra de preços, duas empresas podem optar por manter os
mesmos preços de produtos semelhantes.
Quadro 1: os modelos clássicos de oligopólio

Os modelos “clássicos” de Cournot, Bertrand e Stackelberg
Os modelos “clássicos” de oligopólio, que exemplificam a
aplicação moderna de teoria dos jogos para a análise de
interação estratégica em situações já bem conhecidas na
literatura, são os modelos de duopólio (extensivos para
oligopólio) de Cournot, Bertrand e Stackelberg.
No modelo de Cournot, a quantidade (ou capacidade produtiva)
é a variável estratégica, por ser objeto de decisão estratégica
das firmas, que buscam maximizar seus lucros, pois a(s)
concorrente(s) fará(ão) o mesmo. O preço é resultado do
mercado (demanda e número de oligopolistas – na versão
original, dois), e foi objeto de muitas críticas pelo irrealismo.
Um exemplo de oligopólio é a Cournot, do setor de transporte
aéreo. A decisão estratégica neste caso é qual a capacidade de
transporte de cada avião. Um erro em uma decisão deste tipo
pode se configurar em um grande problema para a empresa.

Unidade 6

107
Universidade do Sul de Santa Catarina

O modelo de Bertrand foi proposto para superar o de Cournot e,
por isto, assume o preço em lugar da quantidade como variável
estratégica. Um exemplo do modelo de Bertrand é a indústria
de software. Neste caso, a decisão estratégica é a definição
do preço de venda. Copiar novas quantidades do programa é
relativamente fácil e pouco dispendioso.

Finalmente, o modelo de von Stackelberg é semelhante
ao de Cournot, mas com uma inovação importante: é
dinâmico, não podendo ser tratado estrategicamente como
um modelo “one shot”, como o de Cournot. Ele é conhecido
como modelo de “líder - seguidor” (“leader - follower”),
porque a ordem de entrada no mercado é importante.
Neste caso é vantajosa a empresa pioneira. Por exemplo, a
Hellmann’s foi a primeira maionese industrializada do Brasil.
E, por ser a primeira e a mais conhecida, hoje desfruta de
uma posição confortável no mercado.

Seção 3 - Modelos de oligopólio

3.1 Modelo da Curva de demanda quebrada
Uma característica comum de mercados oligopolistas é a rigidez
de preços. O modelo da curva de demanda quebrada explica esta
rigidez. É comum notar que produtos semelhantes fabricados por
empresas rivais tenham preços semelhantes. A rigidez de preços
é também consequência da interdependência estratégica entre as
empresas.
Se uma empresa diminuísse seus preços, os concorrentes teriam
suas vendas diminuídas e seriam obrigados a também reduzir
seus preços. Na contrapartida, se uma empresa aumentasse seus
preços unilateralmente, as suas vendas diminuiriam. As vendas
das concorrentes aumentariam, e elas não teriam nenhum
incentivo para também aumentar seus preços. Desta forma,
percebe-se que nenhuma empresa então estaria disposta, de
forma unilateral, a reduzir seu preço (pois as outras a seguiriam)
e nem a aumentar (já que as outras não a seguiriam).
108
Análise Microeconômica

Na figura 1, é possível notar como é a curva de demanda
quebrada. Nota-se que a curva de demanda (D) apresenta
uma ‘quebra’, quando o preço é p*. Este é o preço em vigor
no mercado. Acima deste preço, a curva de demanda é mais
inclinada, o que significa dizer que ela é elástica. E, quando a
demanda é elástica, aumentos de preço implicam redução na
receita e nas vendas. Por outro lado, para níveis de preço abaixo
de p*, a curva de demanda é menos inclinada, o que significa que
a demanda é inelástica.
E, como já visto na unidade 2, quando a demanda é inelástica,
reduções no preço implicam reduções na receita também.
Por outro lado, para níveis de preço abaixo de p*, a curva de
demanda é menos inclinada, o que significa que a demanda é
inelástica. E, como já foi visto na unidade 2, quando a demanda
é inelástica, reduções no preço implicam reduções na receita
também.
$/Q

CMg

p*

D

Q*

Quantidade

RMg

Figura 1 – A curva de demanda quebrada

Em suma, as empresas optam por não competir por preços
(guerra de preços, por exemplo), e a competição se dá por outras
variáveis, como diferenciação, qualidade, propagandas, etc.

Unidade 6

109
Universidade do Sul de Santa Catarina

Exemplo da curva de demanda quebrada

TAM segue Varig e corta preço das passagens em até 85%
Quinta, 16 de Março de 2006, 8h55
Fonte: INVERTIA (www.terra.com.br/invertia)

A TAM acompanhou as concorrentes Gol e Varig, que
divulgaram promoções nos últimos dias, e anunciou que
dará descontos de até 85% nas passagens aéreas no período
de Páscoa, entre os dias 11 e 18 de abril.
Para ter direito ao desconto, é necessário comprar as
passagens de ida e volta até o dia 4 de abril e permanecer
pelo menos dois dias no destino.
A compra dos bilhetes não conta pontos no programa
de fidelidade da companhia. A passagem Rio-Salvador,
ida e volta, sai a R$ 584; de São Paulo para Vitória, a tarifa
promocional ida e volta custa R$ 524.
A Varig havia anunciado desconto semelhante, válido a
partir da próxima sexta-feira. Já a Gol retomou a promoção
de venda de passagens a R$ 50 para alguns assentos de
voos específicos.

3.2 Liderança de preços
Vimos na subseção anterior que a formação de preço em alguns
mercados é explicada pela curva de demanda quebrada. Um outro
modelo de determinação da relação preço-produção em alguns
mercados oligopolistas é o modelo da liderança de preços.
Alguns setores têm um padrão por meio do qual uma ou algumas
empresas fixam um preço, e as demais tendem a segui-la. O
padrão de preço que é estabelecido depende do grau pelo qual
os produtos são diferenciados. Quanto mais diferenciado um
produto, maior será a diferença de preço entre as empresas que o
produzem.

110
Análise Microeconômica

Liderança de preços da firma dominante
No caso da liderança de preços da firma dominante, uma
empresa assume a posição de líder devido ao seu tamanho em
relação ao mercado. Em geral, é uma firma que detém uma fatia
de 40% ou mais do mercado. Uma empresa pode ser líder de
preço por ser a maior, mas também por ser aquela com melhor
conjunto de informações, e que, portanto, direciona as outras
empresas dentro do mercado.
Em certos casos, seguir o líder pode advir do receio de uma
retaliação implacável, já que a empresa dominante
normalmente tem custos mais baixos que as empresas
menores. Em outras situações, seguir o líder pode
ser encarado como uma conveniência, pois as firmas
menores utilizam o preço da líder como padrão para
todo o mercado.
Um exemplo de liderança de preços é o caso da
Hellmann’s. No mercado de maionese, a marca detém
uma expressiva fatia de mercado e é a marca mais conhecida.
Seu preço é o maior do mercado, que é o preço que maximiza
seu lucro. As empresas menores praticam um preço inferior e sua
conduta é semelhante à das empresas em concorrência perfeita, já
que são tomadoras de preço.

Seção 4 - Cartel
Muitas vezes, as empresas querem reduzir o risco que enfrentam
devido à presença de empresas rivais. Para isto, as empresas
podem cooperar ou formar cartel (o cartel também é conhecido
por conluio). Os acordos desta natureza são proibidos no Brasil
pela Lei 8.884, de 11 de julho de 1994.
Veja o que diz a lei em seus artigos 20 e 21:

Unidade 6

111
Universidade do Sul de Santa Catarina

Quadro 2 - Lei 8.884, de 11 de julho de 1994
Art. 20. Constituem infração da ordem econômica,
independentemente de culpa, os atos sob qualquer forma
manifestados, que tenham por objeto ou possam produzir os
seguintes efeitos, ainda que não sejam alcançados:
I - limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre
concorrência ou a livre iniciativa;
II - dominar mercado relevante de bens ou serviços;
III - aumentar arbitrariamente os lucros;
IV - exercer de forma abusiva posição dominante.
1º A conquista de mercado resultante de processo natural
fundado na maior eficiência de agente econômico em relação a
seus competidores não caracteriza o ilícito previsto no inciso II.
2º Ocorre posição dominante quando uma empresa ou grupo
de empresas controla parcela substancial de mercado relevante,
como fornecedor, intermediário, adquirente ou financiador de
um produto, serviço ou tecnologia a ele relativa.
3º A parcela de mercado referida no parágrafo anterior é
presumida como sendo da ordem de trinta por cento.
Art. 21. As seguintes condutas, além de outras, na medida em
que configurem hipótese prevista no art. 20 e seus incisos,
caracterizam infração da ordem econômica;
I - fixar ou praticar, em acordo com concorrente, sob qualquer
forma, preços e condições de venda de bens ou de prestação de
serviços;
II - obter ou influenciar a adoção de conduta comercial uniforme
ou concertada entre concorrentes;
III - dividir os mercados de serviços ou produtos, acabados ou
semiacabados, ou as fontes de abastecimento de matériasprimas ou produtos intermediários;
IV - limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado;
V - criar dificuldades à constituição, ao funcionamento ou ao
desenvolvimento de empresa concorrente ou de fornecedor,
adquirente ou financiador de bens ou serviços;
VI - impedir o acesso de concorrente às fontes de insumo,
matérias-primas, equipamentos ou tecnologia, bem como aos
canais de distribuição;

112
Análise Microeconômica

VII - exigir ou conceder exclusividade para divulgação de
publicidade nos meios de comunicação de massa;
VIII - combinar previamente preços ou ajustar vantagens na
concorrência pública ou administrativa;
IX - utilizar meios enganosos para provocar a oscilação de preços
de terceiros;
X - regular mercados de bens ou serviços, estabelecendo acordos
para limitar ou controlar a pesquisa e o desenvolvimento
tecnológico, a produção de bens ou prestação de serviços, ou
para dificultar investimentos destinados à produção de bens ou
serviços ou à sua distribuição;
XI - impor, no comércio de bens ou serviços, a distribuidores,
varejistas e representantes, preços de revenda, descontos,
condições de pagamento, quantidades mínimas ou máximas,
margem de lucro ou quaisquer outras condições de
comercialização relativos a negócios destes com terceiros;
XII - discriminar adquirentes ou fornecedores de bens ou serviços
por meio da fixação diferenciada de preços, ou de condições
operacionais de venda ou prestação de serviços;
XIII - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, dentro
das condições de pagamento normais aos usos e costumes
comerciais;
XIV - dificultar ou romper a continuidade ou desenvolvimento
de relações comerciais de prazo indeterminado em razão de
recusa da outra parte em submeter-se a cláusulas e condições
comerciais injustificáveis ou anticoncorrenciais;
XV - destruir, inutilizar ou açambarcar matérias-primas, produtos
intermediários ou acabados, assim como destruir, inutilizar ou
dificultar a operação de equipamentos destinados a produzi-los,
distribuí-los ou transportá-los;
XVI - açambarcar ou impedir a exploração de direitos de
propriedade industrial ou intelectual ou de tecnologia;
XVII - abandonar, fazer abandonar ou destruir lavouras ou
plantações, sem justa causa comprovada;
XVIII - vender injustificadamente mercadoria abaixo do preço de
custo;
XIX - importar quaisquer bens abaixo do custo no país
exportador, que não seja signatário dos códigos Antidumping e
de subsídios do Gatt;

Unidade 6

113
Universidade do Sul de Santa Catarina

XX - interromper ou reduzir em grande escala a produção, sem
justa causa comprovada;
XXI - cessar parcial ou totalmente as atividades da empresa sem
justa causa comprovada;

XXII - reter bens de produção ou de consumo, exceto para
garantir a cobertura dos custos de produção;
XXIII - subordinar a venda de um bem à aquisição de outro
ou à utilização de um serviço, ou subordinar a prestação de
um serviço à utilização de outro ou à aquisição de um bem;
XXIV - impor preços excessivos, ou aumentar sem justa
causa o preço de bem ou serviço.
Parágrafo único. Na caracterização da imposição de preços
excessivos ou do aumento injustificado de preços, além
de outras circunstâncias econômicas e mercadológicas
relevantes, considerar-se-á:
I - o preço do produto ou serviço, ou sua elevação, não
justificados pelo comportamento do custo dos respectivos
insumos, ou pela introdução de melhorias de qualidade;
II - o preço de produto anteriormente produzido, quando
se tratar de sucedâneo resultante de alterações não
substanciais;
III - o preço de produtos e serviços similares, ou sua
evolução, em mercados competitivos comparáveis;
IV - a existência de ajuste ou acordo, sob qualquer forma,
que resulte em majoração do preço de bem ou serviço ou
dos respectivos custos.

Esta lei criou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(CADE), órgão responsável por zelar pela livre concorrência.
As empresas fazem cartel para reduzir riscos causados pelo
processo de concorrência e, assim, operam como um monopolista
maximizador de lucros.

114
Análise Microeconômica

Fatores que afetam o conluio
„„

„„

Número de empresas: o conluio eficaz geralmente
é mais fácil, quando é menor o número de empresas
envolvidas. Se o número de empresas rivais é pequeno,
elas podem combinar preços e dominar o mercado para,
por exemplo, evitar que uma outra empresa entre no
mercado. Já, quando aumenta o número de concorrentes,
aumenta também a probabilidade de uma ou mais
empresas agirem de forma independente.
Elasticidade-preço da demanda: a prática de cartel tem
maior probabilidade de êxito, quando o produto tem
demanda inelástica em relação ao preço. Note na unidade
2, que, quando um produto tem estas características, um
aumento no preço leva a um aumento na receita. Além
disso, esta categoria engloba produtos essenciais, difíceis
de serem substituídos ou com preço muito baixo.

Acompanhe, no quadro a seguir, um exemplo de Cartel:
Friboi assume cartel e ilegalidade no BNDES
MAURO ZAFALON e FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL Folha de São Paulo, 27/11/2005.

O Friboi, maior abatedouro de bovinos da América Latina e
quarto maior do mundo, confessa operar em regime de cartel,
unido a pelo menos três outros frigoríficos brasileiros.
“Nós, o Bertin, o Independência... os três põem o preço do boi
em tudo quanto é Estado. Mato Grosso nós peita... Nós sozinho
regulou o preço. Estamos fazendo o preço do Mato Grosso, e os
outro acompanha [sic]”, diz José Batista Junior, proprietário do
Friboi.
“Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas,
agora nós estamos em cinco Estado, e nos cinco Estado nós
combina com três”, diz, nomeando os frigoríficos Independência,
Bertin e Mataboi - que negam participação no esquema.
Essa combinação que Batista Junior descreve teria o objetivo
de forçar os pecuaristas a vender seu gado aos frigoríficos a
um preço abaixo da lei da oferta e da procura, deturpando o
mercado.

Unidade 6

115
Universidade do Sul de Santa Catarina

Neste ano, a partir de outra denúncia, foi aberta
investigação no Cade (Conselho Administrativo de Defesa
Econômica) atrás de provas sobre a prática de cartel
no setor. A denúncia partiu da CNA (Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil).
Batista Junior, que, na semana passada, anunciou
ser candidato pelo PSDB ao governo de Goiás, fez as
declarações diante de testemunhas que estão em guerra
comercial com o Friboi. Sem saber, Batista Junior foi
gravado e filmado durante as conversas.
“Contrato de gaveta”
Em uma dessas conversas, também gravada, o irmão de
Batista Junior, Joesley Mendonça Batista, afirma ter um
“contrato de gaveta” com o BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social), pelo qual assumiu
uma dívida de R$ 11,2 milhões do grupo concorrente
Araputanga.
Friboi e Araputanga firmaram em 1999, compromisso
de arrendamento com opção de compra do frigorífico
Araputanga (MT). Os dois protagonizam disputa há anos na
Justiça, a qual põe o BNDES em situação delicada.

Fusões
Além dos casos de cartel, o CADE também julga os processos de
fusões. Uma fusão é uma união entre duas empresas, dando origem
a uma única empresa. As fusões podem ser originadas pela vontade
de diminuir a concorrência entre as firmas ou para se obterem
maiores lucros ou, ainda, para crescer e alcançar uma planta, cujo
tamanho possibilite obter economias de escala.
Segundo Scherer (1990), as fusões ocorrem por milhares de
motivos. Estes motivos vão desde a vontade de uma firma de se
tornar monopolista até a especulação.
Assimetrias em capacidades gerenciais implicariam
diferentes tamanhos de empresa e dariam origem a
possíveis fusões e aquisições. Assumindo que a gerência
da empresas A pode mais eficientemente (a um custo
menor) organizar a produção do produto X fabricado
pela companhia B, A pode adquirir B ou competir com

116
Análise Microeconômica

ela, iniciando a produção de X. A companhia A poderá
comprar B, mesmo com possível decréscimo na eficiência
gerencial de A devido à sua nova capacidade de produção,
se A produzir X a um custo mais baixo que B. Ou, então, A
produzirá X sem comprar a empresa B, na quantidade em
que o custo marginal de A para produzir uma unidade extra
do produto X seja igual ao custo marginal de B e ambos
sejam iguais ao preço de X no mercado. (KLOECKNER,
1994, p.43).

Outro ponto a ser analisado e que reforça os motivos para a
ocorrência de fusões é a separação entre a propriedade e o controle
da organização. Este fenômeno é comum atualmente,
principalmente em grandes empresas. Em muitos casos, os
herdeiros do proprietário são impedidos de assumir o controle da
firma, que é dado a administradores profissionais.
Segundo este paradigma, as fusões ocorrem porque os gerentes,
que não são os proprietários do capital, estão preocupados, não
apenas com os lucros da empresa, mas, principalmente,
com a manutenção de seus empregos. Desta forma,
os gerentes passam a concentrar seus esforços no
crescimento da empresa em que trabalham. Esta
preocupação com o crescimento, por sua vez, leva
à ocorrência de fusões e aquisições, que diminuem a
competição no setor onde as empresas operam.
Portanto as fusões, independentemente do motivo que as originou,
levam ao aumento do grau de concentração. Em outras palavras,
reduzem o número de empresas no setor e, consequentemente,
aumentam o poder de mercado das maiores empresas.

Acompanhe um exemplo de fusão – o caso AMBEV
Em julho de 1999, as duas maiores fabricantes de cerveja do Brasil,
Brahma e Antarctica, anunciaram a intenção de realizar uma fusão,
constituindo uma nova empresa, a AMBEV.
Em toda a sociedade gerou-se, então, o temor de que a nova
empresa tivesse um poder de mercado tão grande que ameaçasse
a concorrência e a sobrevivência das empresas concorrentes.
Este argumento se fundamenta no fato de que quanto maior a
concorrência, melhor a situação do consumidor.
Unidade 6

117
Universidade do Sul de Santa Catarina

Porém existem argumentos sólidos que sustentam a ocorrência
da fusão. Primeiramente, as tecnologias recentes na produção
de cerveja tornaram economicamente viável a construção de
megafábricas, empreendimentos capazes de produzir milhares de
litros por ano. À medida que estas unidades operem utilizando toda
sua capacidade, o custo médio tende a ser muito baixo. Esta redução
de custo pode beneficiar o consumidor, pois a empresa pode praticar
preços mais baixos.
Antes da fusão, a Brahma detinha 48,5% do mercado de cerveja e a
Antarctica detinha 23,1%. Claramente, a AMBEV passou a deter
uma significativa parcela deste mercado. A fusão foi aprovada pelo
CADE em 2000. Porém, com algumas restrições, dentre elas a
venda da marca Bavária e de cinco fábricas pelo país. As restrições
visam a reduzir o poder de mercado da empresa.
A decisão do CADE foi duramente criticada, mas percebe-se que
seus conselheiros creem que os efeitos negativos da fusão serão
compensados pelos efeitos positivos, como maior concorrência e
melhor qualidade dos produtos para os consumidores.

Atividades de autoavaliação
1) Quais as principais diferenças entre o modelo de concorrência
monopolista e o modelo de concorrência perfeita, estudado na
unidade 3?

118
Análise Microeconômica

2) Quais as principais diferenças e semelhanças entre o oligopólio e o
monopólio?

3) Por que existem os cartéis? Qual o efeito para a sociedade da existência
de cartéis?

Síntese
Esta unidade teve o objetivo de discutir os modelos de
concorrência monopolista e o oligopólio. De forma central,
viu-se que o processo de concorrência é caracterizado pela
interdependência entre as empresas e pela existência de
barreiras à entrada. A interdependência se refere ao fato de
que as decisões estratégicas de uma empresa podem interferir

Unidade 6

119
Universidade do Sul de Santa Catarina

no resultado das suas rivais. E as barreiras à entrada são
impedimentos à entrada de novas empresas no mercado.
Os cartéis também foram abordados nesta unidade. Viu-se que a
vantagem em se fazer um cartel é principalmente reduzir risco de
mercado e operar como uma empresa monopolista.

Saiba mais
MCCONELL, C. & BRUE, B. Microeconomia. 14. ed. Rio de
Janeiro: LTC, 2001.
PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São
Paulo: Prentice Hall, 1999.
PINHO, D.B. & VASCONCELLOS, M.A.S. (orgs.) Manual
de Economia. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

120
unidade 7

Análise Estrutural da Indústria
Objetivos de aprendizagem
„„

Analisar a indústria utilizando o modelo das cinco forças
competitivas, também conhecido por modelo de Porter.

Seções de estudo
Seção 1

O modelo

Seção 2

As forças competitivas

Seção 3

Estudo de caso

7
Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo
Michael Porter é engenheiro aeronáutico, tem doutorado em
economia de empresas e é professor de estratégia na universidade
de Harvard (EUA). Dentre seus estudos, um dos mais
importantes é o modelo das cinco forças competitivas, tema desta
unidade, também conhecido como modelo de Porter.
Em seu modelo, Porter descreve as cinco forças competitivas
(rivalidade na indústria, ameaça de entrantes, ameaça de
substitutos, compradores e fornecedores). A correta análise
deste modelo permite que as empresas compreendam o seu
posicionamento competitivo e as leva a tomar decisões acertadas.

Seção 1 - O modelo
Michael Porter (1986) adotou a definição de uma indústria como
sendo um grupo de empresas fabricantes de produtos que são
substitutos bastante próximos entre si. Além disso, a análise da
estrutura industrial é a base fundamental do seu modelo, uma
vez que, segundo o autor, a estrutura industrial tem uma forte
influência na determinação das regras competitivas, as quais
deverão ser observadas e compreendidas ao se analisar uma
indústria ou as empresas que a compõem.
Um dos pressupostos básicos da proposta de Porter é que cada
empresa que compete em uma indústria deve possuir uma
estratégia competitiva. Esta estratégia pode ser desenvolvida
explicitamente, por meio de um processo de planejamento,
mas também pode evoluir implicitamente, por intermédio das
atividades dos vários departamentos funcionais da empresa.
O desenvolvimento de uma estratégia competitiva determina
o modo como a empresa irá competir, quais devem ser suas
metas e quais as políticas necessárias para realizá-las. Este
desenvolvimento consiste em relacionar a empresa com o seu
meio de atuação, ou seja, relacionar a empresa com a indústria ou
122
Análise Microeconômica

com as indústrias em que ela compete, de modo a compreender
a concorrência e identificar as características estruturais, que
possibilitam a formulação de estratégias na busca de vantagens
competitivas.
Assim, a rentabilidade de uma indústria é função de sua
estrutura e é ela que estabelece as regras da concorrência que,
segundo Porter, dependem de cinco forças competitivas básicas,
demonstradas na figura 1.
ENTRANTES
POTENCIAIS

Ameaça

FORNECEDORES

Poder de
Negociação

CONCORRENTES
NA INDÚSTRIA

Poder de
Negociação

COMPRADORES

Ameaça

SUBSTITUTOS

Figura 1: Forças Competitivas na Indústria (Porter, 1986)

A pressão conjunta destas cinco forças determina a lucratividade
da indústria, tendo em vista que os preços, custos e
investimentos, que são os elementos básicos da rentabilidade, são
influenciados em diferentes graus de intensidade por cada uma
destas forças competitivas.
De fato, os preços que as empresas podem cobrar são
influenciados pelo poder de negociação dos compradores, pois
estes, quando muito fortes, exigem serviços de elevado valor
relativo, que repercutem nos custos e nos investimentos e, com
isto, nos preços dos produtos.
O poder de negociação dos fornecedores determina os custos de
matéria-prima e de outros insumos, que, por sua vez, influem
nos custos finais. A intensidade da rivalidade entre as empresas
da indústria influencia os preços e os custos, para competir em
áreas como desenvolvimento do produto, propaganda e esforço de
Unidade 7

123
Universidade do Sul de Santa Catarina

venda. A ameaça da entrada de novos participantes fixa limites
na estratégia de preços e no volume de investimento, e tem por
objetivo deter novos entrantes. Finalmente, a ameaça de produtos
substitutos influi nos preços que a indústria pode cobrar, pois
estabelece um teto para os mesmos.
Assim, a análise das cinco forças competitivas corresponde à
busca da melhor posição para a empresa. A partir dela, são
identificados os pontos fortes e pontos fracos peculiares a cada
situação de mercado, bem como a influência destas forças na
definição das estratégias competitivas.

Seção 2 - Forças Competitivas
As cinco forças competitivas - ameaça de entrada, ameaça de
substituição, poder de negociação dos compradores, poder de
negociação dos fornecedores e rivalidade entre as empresas da
indústria - refletem:
O fato de que a concorrência em uma indústria não
está limitada aos participantes estabelecidos. Clientes,
fornecedores, substitutos, e os entrantes potenciais são
todos “concorrentes” para as empresas na indústria,
podendo ter maior ou menor importância, dependendo
de circunstâncias particulares. (PORTER, 1986, p.24).

As cinco forças competitivas, em conjunto, determinam a
intensidade da concorrência na indústria, bem como dão
subsídios para o posicionamento de uma empresa na indústria,
destacando também as áreas em que as tendências da mesma
refletem ameaças e oportunidades. Determinadas características
técnicas e econômicas de uma indústria são críticas para a
intensidade de cada força competitiva. A seguir, são descritas as
características mais relevantes na determinação da intensidade de
cada uma das forças competitivas.

124
Análise Microeconômica

2.1 - Ameaça de entrada
A ameaça de novos entrantes caracteriza-se como a possibilidade
de entrada de novas empresas que trazem recursos,
geralmente substanciais, como nova capacidade
de produção e um grande desejo de ganhar uma
parcela do mercado.
A entrada de novos concorrentes pode
apresentar como consequência uma redução
da rentabilidade das empresas já existentes,
porque ela implica uma queda nos preços e
aumento da demanda por insumos, o que levará
a um aumento nos custos do produto final.
Para Porter (1986), mesmo a aquisição de uma empresa já
existente em uma indústria por companhias provenientes
de outros mercados, deve ser encarada como uma entrada.
Muito provavelmente, com a aquisição, novos recursos e nova
capacidade gerencial serão injetados nesta indústria, objetivando
um aumento da parcela de mercado da empresa já existente.
A intensidade da força representada pela ameaça de novos
entrantes depende de barreiras de entrada estabelecidas pelas
empresas já presentes na indústria. São seis as fontes principais de
barreiras de entrada. Veja-as a seguir.
1.	 Economias de escala: referem-se aos declínios nos
custos unitários de um produto, à medida que o nível
de produção aumenta, obrigando as empresas entrantes
a ingressarem em larga escala ou sujeitarem-se a uma
desvantagem de custo. Economias de escala podem
estar presentes em quase toda a função de uma
empresa, incluindo fabricação, compras, pesquisa e
desenvolvimento, rede de serviços, marketing, utilização
de forças de vendas e distribuição. As economias de
escala também podem estar presentes nas economias de
escopo (utilização dos mesmos fatores para produzir bens
diferentes) e economias monetárias (obtenção de fatores
de produção com menores preços).
A integração vertical é também um tipo de barreira de
entrada que gera economias de escala nos estágios de
produção ou de distribuição, uma vez que, nesta situação,
Unidade 7

125
Universidade do Sul de Santa Catarina

a empresa entrante deverá ingressar de forma integrada
ou enfrentar uma desvantagem de custo, assim como
uma possível exclusão de insumos ou mercados para o
seu produto, se a maioria dos concorrentes estabelecidos
estiver integrada.
2.	Diferenciação do produto: a diferenciação tem origem
na identificação de uma marca da empresa, seja através do
serviço ao consumidor, da diferença dos produtos, pelo
esforço de publicidade ou por ser a primeira na indústria.
Estes fatores contribuem para desenvolver um sentimento
de lealdade em seus compradores.
A diferenciação cria uma barreira de entrada, porque os
novos entrantes são forçados a investir pesado para
romper os vínculos estabelecidos entre os clientes e as
empresas existentes.
3.	 Necessidade de capital: a necessidade de investir recursos
financeiros em grande quantidade para poder competir
cria a barreira de entrada. O capital é essencial para os
investimentos em instalações de produção, para manter
estoques, cobrir prejuízos iniciais e, até mesmo, para
atividades de risco, como, por exemplo, pesquisa e
desenvolvimento ou publicidade inicial.
4.	 Custos de mudança: são os custos com os quais
o comprador se defronta, quando muda de um
fornecedor para o outro. Podem incluir aquisição
de novos equipamentos, custos de treinamento de
empregados, custos com testes e qualificações de nova
fonte e, até mesmo, custos psíquicos de desfazer um
relacionamento.
Quando eles são altos, constituem uma barreira de
entrada.
5.	 Acesso aos canais de distribuição: uma nova empresa
precisa, ao entrar numa indústria, assegurar a distribuição
para o seu produto, fazendo desconto de preços para
convencer o varejista a ceder espaço através de promessas
de promoções e coisas semelhantes. Se o acesso aos canais
de distribuição (atacado e varejo) for limitado e quanto
maior for o controle dos concorrentes sobre esses canais,
mais difícil será a entrada na indústria.
126
Análise Microeconômica

6.	 Desvantagem de custo independente de escala: Porter
(1986) enuncia, ainda, alguns fatores que apresentam
vantagens plenas de custos para as empresas estabelecidas
em uma indústria, impossíveis de serem igualadas pelos
entrantes potenciais, independente de economia de escala.
Tais fatores são os seguintes:
„„

„„

tecnologia patenteada do produto (que são protegidas por
patentes ou segredos);
acesso favorável às matérias-primas (as empresas
estabelecidas têm o controle das fontes de matériasprimas mais favoráveis ou as têm sob controle a preços
muito mais baixos do que o total);

„„

localizações favoráveis;

„„

subsídios oficiais (subsídios preferenciais do governo); e,

„„

curva de aprendizagem ou experiência (os custos
declinam à medida que uma empresa acumula
experiência na fabricação do produto).

Segundo Porter (1986), os efeitos da experiência se refletem na
redução dos custos – no marketing, na produção, na distribuição
e, principalmente, nas ações que envolvem um alto grau de
participação de mão de obra em operações e tarefas complicadas.
Por último, o governo, através de política governamental, também
pode agir de maneira a limitar ou impedir a entrada de novas
empresas na indústria com controles, como por exemplo: limites ao
acesso da matéria-prima e licenças de funcionamento.
Além destas barreiras, outros fatores podem desestimular a entrada
de novos concorrentes na indústria como:
a)	 Retaliação esperada - quando os entrantes em potencial
têm expectativas de vigorosas retaliações por parte das
empresas já estabelecidas, a entrada pode ser dissuadida. A
ameaça de retaliação é maior, quando as atuais empresas
têm um passado de fortes retaliações aos entrantes, alta
liquidez, excesso de capacidade instalada, alto grau de
comprometimento com a indústria, ativos pouco líquidos ou
ilíquidos e crescimento lento da indústria;

Unidade 7

127
Universidade do Sul de Santa Catarina

b)	 Preço de entrada dissuasivo - indústrias com a
rentabilidade muito baixa não estimulam a entrada de
novos competidores. A rentabilidade pode ser baixa por
uma imposição do mercado ou pode ser uma estratégia
temporária das empresas estabelecidas para impedir a
entrada de novos concorrentes.

2.2 - Rivalidade entre os concorrentes existentes
A rivalidade entre os concorrentes de uma indústria pode ser
definida como a disputa por posições entre as empresas que já
atuam em um mesmo mercado. Ela é caracterizada pelo uso de
táticas como concorrência de preços, batalha de publicidade,
introdução e aumento dos serviços ou das garantias dos
compradores. (PORTER,1986).
As empresas de uma indústria são mutuamente dependentes
e, portanto, os movimentos competitivos de uma empresa
têm efeitos imediatos nos seus concorrentes, o que estimula a
competitividade.
Conforme o autor, a concorrência de preços, por exemplo, é
altamente instável e, muito provavelmente, deixe toda a indústria
em pior situação do ponto de vista da rentabilidade. A redução
de preços é facilmente imitada pelos concorrentes rivais. Uma vez
igualados, eles reduzem as receitas de todas as empresas, a menos
que a elasticidade-preço da indústria seja bastante alta.
A intensidade da rivalidade pode ser analisada, levando-se em
consideração a interação de vários fatores, que são:
1.	 Concorrentes numerosos e bem equilibrados: quando
é grande o número de empresas em uma indústria, ou
quando elas são poucas, porém equilibradas, em relação
a tamanho e recursos, a rivalidade aumenta. Por outro
lado, quando a indústria é dominada por algumas poucas
empresas, altamente concentradas, as empresas líderes
podem impor regras ou coordenar as ações das demais
através de meios como liderança de preços.

128
Análise Microeconômica

2.	Crescimento lento da indústria: normalmente, para
as empresas que procuram expansão da participação do
mercado, o crescimento lento da indústria transforma
a concorrência em um jogo, provocando uma situação
muito mais instável do que quando a condição é de um
crescimento rápido da indústria.
3.	 Custos fixos ou de armazenamento altos: as empresas
com custos fixos elevados e com excesso de capacidade
provocam uma forte pressão que ocasiona uma rápida
escalada de redução de preços.
4.	Ausência de diferenciação ou custos de mudança:
a diferenciação cria um sentimento de lealdade no
comprador e gera um isolamento contra a concorrência.
Por outro lado, a ausência de diferenciação faz com que
a escolha dos compradores se baseie, em grande parte,
no preço e no serviço, gerando uma intensificação da
competitividade entre as empresas da indústria.
5.	 Capacidade da produção aumenta em grandes
incrementos: as economias de escala podem
proporcionar acréscimos excessivos na capacidade
de produção, rompendo o equilíbrio entre oferta e
procura na indústria, o que poderá determinar períodos
alternados de supercapacidade e reduções de preços.
6.	Concorrentes divergentes: são situações entre as
empresas concorrentes de uma indústria, cujos objetivos e
estratégias de competição são muito diferentes, gerando
um relacionamento de choque contínuo ao longo do
processo.
7.	 Grandes interesses estratégicos: são situações em que
os objetivos de determinadas empresas consistem no
estabelecimento de uma posição sólida no mercado ao
invés da lucratividade, aumentando assim a instabilidade
e a concorrência na indústria.
8.	Barreiras de saídas elevadas: algumas empresas
operando em prejuízo não abandonam a indústria na
esperança de conseguir o retorno do seu investimento.
Pela dificuldade de saída destas empresas, a rentabilidade

Unidade 7

129
Universidade do Sul de Santa Catarina

de toda a indústria pode ser permanentemente reduzida,
pois as empresas com excesso de capacidade de produção
são forçadas a competir, contribuindo para aumentar a
rivalidade existente. Caracterizam situações como estas
os acordos trabalhistas muito altos, restrições de ordem
governamental e social, inter-relações estratégicas como
acesso ao mercado, etc.

2.3 - Ameaça de produtos substitutos
A identificação de produtos substitutos é alcançada através de
pesquisa de outros produtos que possam desempenhar a mesma
função na indústria.
Os produtos substitutos podem limitar, ou mesmo reduzir, as
taxas de retorno de uma indústria, ao forçarem a fixação de um
teto nos preços que as empresas estabelecem como lucro.
Em sentido amplo, todas as empresas em uma indústria estão
competindo com as indústrias de produtos substitutos, de
modo que “quanto mais atrativa a alternativa de preçodesempenho oferecido pelos produtos substitutos, mais
firme será a pressão sobre os lucros da indústria.”
(PORTER,1986, p.39).
Assim, a força competitiva dos produtos substitutos
representa uma ameaça constante para as empresas
estabelecidas de uma indústria.
Segundo Porter (1986, p.40), “os produtos substitutos que exigem
maior atenção são aqueles que (1) estão sujeitos a tendências de
melhoramento do seu “trade off” de preço-desempenho com
produto da indústria, ou (2) são produzidos por indústrias com
lucros altos”.

130
Análise Microeconômica

2.4 - Poder de negociação dos compradores
Conforme Porter (1986), os compradores competem com a
indústria, forçando os preços para baixo, barganhando por
melhor qualidade ou por mais serviços e jogando os concorrentes
uns contra os outros, a ponto de, até mesmo, comprometer a
rentabilidade da indústria.
A maior ou menor pressão dos compradores no que se refere à
redução dos preços depende de certas características do grupo de
compradores em relação a sua situação no mercado, bem como da
importância relativa de suas compras em comparação com seus
negócios totais.
Portanto um grupo de compradores tem grande poder de
barganha nas seguintes circunstâncias:
1.	 Volume de compra ou grau de concentração dos
compradores em comparação com a indústria
ofertante: se uma parcela grande das vendas é adquirida
por um determinado comprador, isto faz com que
aumente a sua importância nos resultados.
2.	Participação do produto nos custos totais: quanto mais
significativos forem os custos pelos quais os compradores
adquirem os produtos que necessitam, maior será a
pressão para comprarem os produtos pelo preço mais
favorável possível. Do contrário, quando o produto
vendido pela indústria representa uma fração pequena
dos custos, o comprador é menos sensível ao preço.
3.	 Padronização ou não diferenciação dos produtos: neste
caso, os compradores com muitas opções de vendedores
jogam uma empresa contra a outra, na certeza de poder
contar sempre com fornecedores alternativos, forçando o
preço para baixo.
4.	Poucos custos de mudança: os compradores aumentam
o seu poder de negociação, quando o vendedor se
defronta com custos de mudança. Por outro lado, altos
custos de mudança prendem o comprador a determinados
fornecedores.

Unidade 7

131
Universidade do Sul de Santa Catarina

5.	 Lucratividade dos compradores: quando os lucros dos
compradores são reduzidos, criam-se condições para
eles buscarem a redução nos custos das compras. Porém
compradores com elevada margem de lucratividade são,
em geral, menos sensíveis ao preço.
6.	Ameaça de integração para trás: os compradores criam
uma posição em que podem negociar concessões, quando
eles são parcialmente integrados ou representam uma
ameaça real de integração para trás. Determinados
compradores adotam uma integração para trás parcial,
isto é, produzem parte do que necessitam de um
determinado componente ou produto e compram o
restante de fornecedores externos. Com isto, eles detêm
um forte poder de barganha, uma vez que as suas
ameaças são concretas, reais. Além disto, a produção
parcial própria lhes proporciona um conhecimento
detalhado dos custos.
Por outro lado, o poder de negociação do comprador
também pode ser parcialmente neutralizado, quando
as empresas na indústria ameaçam com uma integração
para frente, ou seja, fabricar ou executar o serviço dos
compradores.
7.	 Importância da qualidade dos produtos: os
compradores são menos sensíveis aos preços, quando
a qualidade do seu produto é afetada pelo produto da
indústria.
8.	Disponibilidade de informações: quando o comprador
tem todas as informações relativas à demanda, aos
preços reais de mercado, aos custos dos fornecedores, ele
aumenta o seu poder de negociação em relação a uma
situação de informação deficiente.
Assim, com informação total, os compradores têm
condições de assegurar o recebimento dos melhores
preços e contestar as queixas dos fornecedores de que sua
rentabilidade está ameaçada.
Estas fontes de informações, que dão poder de negociação ao
comprador da indústria, podem ter origem nos consumidores,
compradores industriais e comerciais.

132
Análise Microeconômica

Assim, os consumidores tendem a ser mais sensíveis aos
preços, quando compram produtos não diferenciados, mas que
representam uma despesa relativamente alta em relação às suas
vendas; e, menos sensíveis aos preços, quando compram produtos
em que a qualidade, por exemplo, é importante para eles.
Os compradores industriais e comerciais são representados pelos
atacadistas e varejistas, que, além de sujeitos às mesmas regras
dos consumidores, podem reforçar o seu poder de barganha em
relação aos fabricantes (os varejistas, quando podem influenciar as
decisões de compra dos consumidores; os atacadistas, quando
podem influenciar as decisões de compra dos varejistas ou de
outras empresas para as quais vendem).

2.5 - Poder de negociação dos fornecedores
Os fornecedores podem ameaçar as empresas
de uma indústria ao elevarem os seus preços ou
diminuírem a qualidade dos produtos e serviços
fornecidos e, com isto, podem comprometer a
rentabilidade de uma indústria caso ela não consiga
repassar os aumentos dos custos em seus próprios
preços.
As condições que tornam os fornecedores
poderosos tendem a refletir aquelas que tornam
os compradores poderosos. Porter (1986) cita as
seguintes circunstâncias que caracterizam um grupo
de fornecedor poderoso:
1.	 Grau de concentração dos fornecedores: quando os
fornecedores são formados por poucas companhias e mais
concentrados do que a indústria para a qual vendem,
dispõem de maior capacidade de exercer influência sobre
os preços, qualidade e condições.
2.	Inexistência de substitutos para seus produtos: a
ausência de produtos substitutos aumenta o poder de
negociação dos fornecedores concentrados.

Unidade 7

133
Universidade do Sul de Santa Catarina

3.	 Importância da indústria para o fornecedor: os
fornecedores terão mais influência sobre as indústrias,
quando o volume total de suas vendas para uma
determinada indústria não for significativa.
4.	Importância dos insumos para a indústria compradora:
quando o insumo é importante para o sucesso do
processo deformação do produto do comprador ou para
a qualidade do produto fabricado, aumenta o poder de
negociação do fornecedor.
5.	 Diferenciação dos insumos ou custo de mudança para
o comprador: os fornecedores podem neutralizar a
possibilidade do comprador jogar um fornecedor contra
o outro através da diferenciação de seu produto como
também através da elevação dos custos de mudança
(equipamentos, assistência técnica, etc.). Caso os custos
de mudança incidam sobre os fornecedores, o efeito é
inverso.
6.	Ameaça de integração para frente: esta circunstância
ocorre, quando a indústria se recusa a melhorar as
condições de compra em relação aos fornecedores
dos produtos utilizados por ela. Porter (1986) sugere,
ainda, que, além de considerar os fornecedores como
outras empresas, os recursos humanos (mão de obra
especializada, por exemplo) também devem ser
reconhecidos como fornecedores que exercem grande
poder em muitas indústrias. Quando a força de trabalho
é bem organizada ou existe uma redução da oferta de
mão de obra, o poder dos fornecedores de recursos
humanos é alto.

134
Análise Microeconômica

Seção 3 - Estudo de caso
O caso McDonald’s
Vamos analisar o posicionamento do restaurante fast food
McDonald’s de acordo com as cinco forças competitivas.

Rivalidade na indústria
A indústria de alimentos é uma indústria de crescimento maduro,
ou seja, cresce a taxas semelhantes à do PIB. Além do mais, o
McDonald’s enfrenta concorrência de outras cadeias de fast food,
de restaurantes tradicionais e de restaurantes ‘por quilo’.

Novos entrantes
É relativamente fácil entrar nesta indústria. Além do mais, há
uma tendência mundial de se buscar alimentação mais saudável.
Poder de barganha dos substitutos
Baixa barreira à entrada de restaurantes ofertando alimentos mais
saudáveis, além de outras opções à comida fast food.

Fornecedores
Como os fornecedores são exclusivos, estes têm pouco poder
de barganha em relação ao McDonald’s. Porém há poucos
fornecedores com qualidade e que podem trabalhar em parceria
com a rede McDonald’s.

Clientes
Há muitos clientes buscando alimentação mais saudável, com
várias opções de restaurantes rápidos nas cidades de médio e
grande porte.

Unidade 7

135
Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de autoavaliação
1) Em relação ao exemplo do McDonald’s, cite quais as forças competitivas
que são mais importantes para a rede, ou seja, aquelas que mais podem
interferir na sua lucratividade.

2) Analise a empresa onde você trabalha por meio do modelo de Porter
ou escolha uma empresa para fazer a análise.

136
Análise Microeconômica

Síntese
Nesta unidade, você aprendeu o modelo das cinco forças
competitivas ou modelo de Porter. A partir da análise das cinco
forças competitivas apresentadas, a empresa possui condições de
elaborar uma estratégia competitiva, assumindo ações ofensivas
ou defensivas para criar uma posição defensável em uma indústria
e, assim, obter o retorno de seu investimento.

Saiba mais
PORTER, Michael. Estratégia competitiva. 7.ed. Rio de
Janeiro: Campus, 1986.

Unidade 7

137
Para concluir o estudo
Esta disciplina teve como objetivo apresentar
ao(à) estudante uma introdução à microeconomia.
Em essência, a disciplina apresentada trata do
comportamento dos consumidores e empresas nos seus
respectivos mercados de atuação.
Espera-se que a disciplina tenha cumprido seu objetivo
e fornecido ao (à) leitor(a) atento(a), uma importante
ferramenta para a vida profissional.
Como o nosso interesse é sempre aprimorar este
trabalho, você está convidado(a) a enviar críticas e
sugestões para o autor, andreleite@unisul.br.
Sucesso!
Referências
FARINA, E. Prefácio. In: ZYLBERSTAJN, D. & SZTAJN, R. Direito e
economia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
GOLDBERD, D. Poder de compra e política antitruste. São
Paulo: Universidade de São Paulo (Tese de doutorado em direito),
2005.
GROSSMAN, S. & HART, O. The costs and benefits of ownership:
a theory of vertical and lateral integration. Journal of Political
Economy. 94, p. 691-719, 1986.
PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo:
Prentice Hall, 1999.
PINHO, D.B. & VASCONCELLOS, M.A.S. (orgs.) Manual de
economia. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
SANDRONI, Paulo. Dicionário da economia. São Paulo:Editora
Best Seller, 1996.
SILVA, César R. L. & LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados:
introdução à economia. São Paulo: Saraiva,1996.
SILVA, Osmar Inácio da. Introdução ao estudo da economia.
Porto Alegre: Sulina, 1983.
STOFT, S. Power System Economics: Designing markets for
electricity. IEEE/ Wiley Inter-Science: Pistacaway, 2001.
TIROLE, J. The theory of industrial organization. Cambridge:
The MIT Press, 1988.
U. S. Department of Justice. Horizontal Mergers Guidelines.
(http://www.usdoj.gov, acessado em 20/05/2001), 1997.
WILLIAMSON, O. The mechanisms of governance. New York:
Oxford University Press, 1996.
Sobre o professor conteudista
André Luís da Silva Leite - Bacharel em economia
pela UFSC, Mestre e Doutor, também pela UFSC. É
professor da UNISUL desde 1997 e também atua como
consultor, especificamente sobre análises de mercado.
Respostas e comentários das
atividades de autoavaliação
Unidade 1
1) O conceito de escassez é importante, porque permite que, ao
se analisarem os preços dos recursos, façam-se as melhores
escolhas no que diz respeito à utilização destes recursos.
2) Os agentes econômicos são as empresas, as pessoas ou
famílias, o governo e os outros países. Eles formam o sistema
econômico.

Unidade 2
1) Ocorrendo uma geada, a oferta de café diminui e o preço
aumenta.
2) Com os EUA comprando mais sapatos brasileiros, a oferta no
Brasil é reduzida e os preços tendem a aumentar.
3) Com a gripe aviária, haverá menor produção de frango e,
consequentemente, menor necessidade de milho. Assim, a
demanda por milho diminui e seu preço também diminui.
4)
a) Epd0 = -0,40
b) Epd1 = -0,75
c) Nos dois casos, a demanda é preço-inelástica.

Unidade 3
1) Sim, José tem custo de oportunidade equivalente a
R$20.000,00 (que é o valor que renderia seu capital aplicado
no mercado).
Universidade do Sul de Santa Catarina

2)
Produção

Custo Total

Custo Fixo

Custo
Variável

Custo
Marginal

Custo Médio

0

50

50

0

-

-

1

70

50

20

20

70

2

100

50

50

30

50

3

120

50

70

20

40

4

150

50

100

30

37,50

5

200

50

150

50

40

3)
a) CF= 20 e CV (q=40)= 40. Assim, CT = 60
b) CMe = CT/q = 60/40 = 1,50
c) CMg = 1 (entre q=0 e q=40); CMg = 2 ( entre q=41 e q= 48) e CMg = 3
(entre q= 49 e q = 56)
4)
a) CF = 40.000
b) CV = 70.000
c) CT = 110.000
d) CMe= 110
e) Se a produção aumentar para 1.200 unidade/mês, CMe = 103,33. Há
economias de escala, pois o custo médio foi reduzido.
5)
a) Quando cada vaca produz 7.600 litros, CT = 62.800. Já, quando cada
vaca produz 10.000 litros, CT = 70.000.
b) CMe = 0,14. Se o número de vacas aumentar para 100, o custo médio
passa a ser igual a 0,10. Há economias de escala, pois o custo médio foi
reduzido.

Unidade 4
1) As hipóteses básicas do modelo de concorrência perfeita são: I)
atomicidade dos agentes; II) informação perfeita; III) livre mobilidade
dos fatores; IV) homogeneidade do produto; e V) os agentes se
comportam como tomadores de preços.

146
Análise Microeconômica

2) Os mercados que têm semelhança com este modelo são os modernos
mercados agrícolas, os mercados de ações, mercados de commodities,
dentre outros.

Unidade 5
1) O monopólio é uma estrutura de mercado ineficiente, pois minimiza o
bem-estar social. Como referência, nota-se que, em caso de monopólio,
a quantidade à disposição do público é menor e o preço tende a ser
maior que em situações onde há concorrência.
2) Monopólio natural é a situação na qual, devido à presença de
economias de escala, uma única empresa produz de forma mais
eficiente (do ponto de vista da sociedade) do que duas ou mais
empresas concorrentes.
3) Exemplos de monopólio natural são as empresas de distribuição e
transmissão de energia elétrica; as empresas de água e saneamento.

Unidade 6
1) A principal diferença entre os modelos é que o modelo de concorrência
monopolista introduz a característica da diferenciação, que permite às
firmas também diferenciarem seus preços dos de seus concorrentes,
como no caso de restaurantes concorrentes em uma mesma cidade.
2) As principais semelhanças entre o oligopólio e o monopólio são as
seguintes: em ambos os casos as firmas detêm poder de mercado e há
significativas barreiras à entrada. As diferenças principais são estas: no
oligopólio há concorrência entre grandes empresas e esta concorrência
gera interdependência entre as mesmas.
3) As firmas fazem cartel para reduzir riscos e operar como uma empresa
monopolista maximizadora de lucros.

Unidade 7
1) No caso do McDonald’s, estas são forças importantes: rivalidade na
indústria, novos entrantes, produtos substitutos e o poder de barganha
dos clientes. Somente o poder de barganha dos fornecedores é menos
importante.

147
Biblioteca Virtual
Veja a seguir os serviços oferecidos pela Biblioteca Virtual aos
alunos a distância:
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Pesquisa a publicações online
www.unisul.br/textocompleto

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Acesso a bases de dados assinadas
www. unisul.br/bdassinadas

„„

Acesso a bases de dados gratuitas selecionadas
www.unisul.br/bdgratuitas

„„

Acesso a jornais e revistas on-line
www. unisul.br/periodicos

„„

Empréstimo de livros
www. unisul.br/emprestimos

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Escaneamento de parte de obra*

Acesse a página da Biblioteca Virtual da Unisul, disponível no EVA
e explore seus recursos digitais.
Qualquer dúvida escreva para bv@unisul.br

* Se você optar por escaneamento de parte do livro, será lhe enviado o
sumário da obra para que você possa escolher quais capítulos deseja solicitar
a reprodução. Lembrando que para não ferir a Lei dos direitos autorais (Lei
9610/98) pode-se reproduzir até 10% do total de páginas do livro.

Analise microecnonomica

  • 1.
    Universidade do Sulde Santa Catarina Análise Microeconômica Disciplina na modalidade a distância Palhoça UnisulVirtual 2011
  • 2.
    Créditos Universidade do Sulde Santa Catarina – Campus UnisulVirtual – Educação Superior a Distância Avenida dos Lagos, 41 – Cidade Universitária Pedra Branca | Palhoça – SC | 88137-900 | Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail: cursovirtual@unisul.br | Site: www.unisul.br/unisulvirtual Reitor Unisul Ailton Nazareno Soares Vice-Reitor Sebastião Salésio Heerdt Chefe de Gabinete da Reitoria Willian Máximo Pró-Reitora Acadêmica Miriam de Fátima Bora Rosa Pró-Reitor de Administração Fabian Martins de Castro Pró-Reitor de Ensino Mauri Luiz Heerdt Campus Universitário de Tubarão Diretora Milene Pacheco Kindermann Campus Universitário da Grande Florianópolis Diretor Hércules Nunes de Araújo Campus Universitário UnisulVirtual Diretora Jucimara Roesler Equipe UnisulVirtual Diretora Adjunta Patrícia Alberton Secretaria Executiva e Cerimonial Jackson Schuelter Wiggers (Coord.) Marcelo Fraiberg Machado Tenille Catarina Vanessa Guimaraes Franceschi Assessoria de Assuntos Internacionais Murilo Matos Mendonça Assessoria DAD - Disciplinas a Distância Patrícia da Silva Meneghel (Coord.) Carlos Alberto Areias Franciele Arruda Rampelotti Luiz Fernando Meneghel Assessoria de Inovação e Qualidade da EaD Dênia Falcão de Bittencourt (Coord.) Rafael Bavaresco Bongiolo Assessoria de Relação com Poder Público e Forças Armadas Adenir Siqueira Viana Assessoria de Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.) Felipe Jacson de Freitas Jefferson Amorin Oliveira José Olímpio Schmidt Marcelo Neri da Silva Phelipe Luiz Winter da Silva Priscila da Silva Rodrigo Battistotti Pimpão Coordenação dos Cursos Assistente das Coordenações Maria de Fátima Martins Auxiliares das coordenações Fabiana Lange Patricio Tânia Regina Goularte Waltemann Coordenadores Graduação Adriana Santos Rammê Adriano Sérgio da Cunha Aloísio José Rodrigues Ana Luisa Mülbert Ana Paula R. Pacheco Artur Beck Neto Bernardino José da Silva Carmen Maria C. Pandini Catia Melissa S. Rodrigues Charles Cesconetto Diva Marília Flemming Eduardo Aquino Hübler Eliza B. D. Locks Fabiano Ceretta Horácio Dutra Mello Itamar Pedro Bevilaqua Jairo Afonso Henkes Janaína Baeta Neves Jardel Mendes Vieira Joel Irineu Lohn Jorge Alexandre N. Cardoso José Carlos N. Oliveira José Gabriel da Silva José Humberto D. Toledo Joseane Borges de Miranda Luciana Manfroi Luiz Guilherme B. Figueiredo Marciel Evangelista Catâneo Maria Cristina Veit Maria da Graça Poyer Mauro Faccioni Filho Moacir Fogaça Nélio Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrícia Fontanella Raulino Jacó Brüning Roberto Iunskovski Rodrigo Nunes Lunardelli Rogério Santos da Costa Rosa Beatriz M. Pinheiro Rose Clér Beche Sérgio Sell Tatiana Lee Marques Thiago Coelho Soares Valnei Campos Denardin Victor Henrique Moreira Ferreira Coordenadores Pós-Graduação Aloisio Rodrigues Anelise Leal Vieira Cubas Bernardino José da Silva Carmen Maria Cipriani Pandini Daniela Ernani Monteiro Will Giovani de Paula Karla Leonora Nunes Luiz Otávio Botelho Lento Thiago Coelho Soares Vera Regina N. Schuhmacher Gerência Administração Acadêmica Angelita Marçal Flores (Gerente) Fernanda Farias Gestão Documental Lamuniê Souza (Coord.) Clair Maria Cardoso Janaina Stuart da Costa Josiane Leal Marília Locks Fernandes Ricardo Mello Platt Secretaria de Ensino a Distância Karine Augusta Zanoni (Secretária de Ensino) Giane dos Passos (Secretária Acadêmica) Alessandro Alves da Silva Andréa Luci Mandira Cristina Mara Shauffert Djeime Sammer Bortolotti Douglas Silveira Fabiano Silva Michels Felipe Wronski Henrique Janaina Conceição Jean Martins Luana Borges da Silva Luana Tarsila Hellmann Maria José Rossetti Miguel Rodrigues da Silveira Junior Monique Tayse da Silva Patricia A. Pereira de Carvalho Patricia Nunes Martins Paulo Lisboa Cordeiro Rafaela Fusieger Rosângela Mara Siegel Silvana Henrique Silva Vanilda Liordina Heerdt Gerência Administrativa e Financeira Renato André Luz (Gerente) Naiara Jeremias da Rocha Valmir Venício Inácio Financeiro Acadêmico Marlene Schauffer Rafael Back Vilmar Isaurino Vidal Gerência de Ensino, Pesquisa e Extensão Moacir Heerdt (Gerente) Aracelli Araldi Elaboração de Projeto e Reconhecimento de Curso Diane Dal Mago Vanderlei Brasil Extensão Maria Cristina Veit (Coord.) Pesquisa Daniela E. M. Will (Coord. PUIP, PUIC, PIBIC) Mauro Faccioni Filho (Coord. Nuvem) Pós-Graduação Clarissa Carneiro Mussi (Coord.) Biblioteca Soraya Arruda Waltrick (Coord.) Paula Sanhudo da Silva Renan Felipe Cascaes Rodrigo Martins da Silva Ednéia Araujo Alberto  Francine Cardoso da Silva Karla F. Wisniewski Desengrini Maria Eugênia Ferreira Celeghin Maria Lina Moratelli Prado Mayara de Oliveira Bastos Patrícia de Souza Amorim Poliana Morgana Simão Priscila Machado Gerência de Desenho e Desenvolvimento de Materiais Didáticos Márcia Loch (Gerente) Acessibilidade Vanessa de Andrade Manoel (Coord.) Bruna de Souza Rachadel Letícia Regiane Da Silva Tobal Avaliação da aprendizagem Lis Airê Fogolari (coord.) Gabriella Araújo Souza Esteves Desenho Educacional Carmen Maria Cipriani Pandini (Coord. Pós) Carolina Hoeller da S. Boeing (Coord. Ext/DAD) Silvana Souza da Cruz (Coord. Grad.) Ana Cláudia Taú Carmelita Schulze Cristina Klipp de Oliveira Eloisa Machado Seemann Flávia Lumi Matuzawa Geovania Japiassu Martins Jaqueline Cardozo Polla Lygia Pereira Luiz Henrique Milani Queriquelli Marina Cabeda Egger Moellwald Marina Melhado Gomes da Silva Melina de la Barrera Ayres Michele Antunes Correa Nágila Cristina Hinckel Pâmella Rocha Flores da Silva Rafael Araújo Saldanha Roberta de Fátima Martins Sabrina Paula Soares Scaranto Viviane Bastos Gerência de Logística Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente) Andrei Rodrigues Logística de Encontros Presenciais Graciele Marinês Lindenmayr (Coord.) Ana Paula de Andrade Cristilaine Santana Medeiros Daiana Cristina Bortolotti Edesio Medeiros Martins Filho Fabiana Pereira Fernando Oliveira Santos Fernando Steimbach Marcelo Jair Ramos Capacitação e Assessoria ao Docente Enzo de Oliveira Moreira (Coord.) Adriana Silveira Alexandre Wagner da Rocha Cláudia Behr Valente Elaine Cristiane Surian Juliana Cardoso Esmeraldino Simone Perroni da Silva Zigunovas Logística de Materiais Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.) Abraão do Nascimento Germano Fylippy Margino dos Santos Guilherme Lentz Pablo Farela da Silveira Rubens Amorim Monitoria e Suporte Enzo de Oliveira Moreira (Coord.) Anderson da Silveira Angélica Cristina Gollo Bruno Augusto Zunino Claudia Noemi Nascimento Débora Cristina Silveira Fabiano Ceretta (Gerente) Alex Fabiano Wehrle Márcia Luz de Oliveira Sheyla Fabiana Batista Guerrer Victor Henrique M. Ferreira (África) Gerência de Marketing Relacionamento com o Mercado Eliza Bianchini Dallanhol Locks Walter Félix Cardoso Júnior Gerência de Produção Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente) Francini Ferreira Dias Design Visual Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro Xavier Alice Demaria Silva Anne Cristyne Pereira Diogo Rafael da Silva Edison Rodrigo Valim Frederico Trilha Higor Ghisi Luciano Jordana Paula Schulka Nelson Rosa Patrícia Fragnani de Morais Multimídia Sérgio Giron (Coord.) Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro Dandara Lemos Reynaldo Fernando Gustav Soares Lima Sérgio Freitas Flores Portal Rafael Pessi (Coord.) Luiz Felipe Buchmann Figueiredo Comunicação Marcelo Barcelos Andreia Drewes e-OLA Carla Fabiana F. Raimundo (Coord.) Vinicius Ritta de Moura Produção Industrial Francisco Asp (Coord.) Ana Paula Pereira Marcelo Bittencourt Gerência Serviço de Atenção Integral ao Acadêmico James Marcel Silva Ribeiro (Gerente) Atendimento Maria Isabel Aragon (Coord.) Andiara Clara Ferreira André Luiz Portes Bruno Ataide Martins Holdrin Milet Brandao Jenniffer Camargo Maurício dos Santos Augusto Maycon de Sousa Candido Sabrina Mari Kawano Gonçalves Vanessa Trindade Orivaldo Carli da Silva Junior Estágio Jonatas Collaço de Souza (Coord.) Juliana Cardoso da Silva Micheli Maria Lino de Medeiros Priscilla Geovana Pagani Prouni Tatiane Crestani Trentin (Coord.) Gisele Terezinha Cardoso Ferreira Scheila Cristina Martins Taize Muller
  • 3.
    André Luís daSilva Leite Análise Microeconômica Livro didático Design instrucional Marina Melhado Gomes da Silva Alvaro Roberto Dias 3ª edição revista e atualizada Palhoça UnisulVirtual 2011
  • 4.
    Copyright © UnisulVirtual2011 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. Edição – Livro Didático Professor Conteudista André Luís da Silva Leite Design Instrucional Leandro Kingeski Pacheco Marina Melhado Gomes da Silva Alvaro Roberto Dias ISBN 978-85-7817-042-4 Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual Diagramação Adriana Ferreira dos Santos Frederico Trilha (3ª ed. rev. e atualizada) Revisão e atualização de conteúdo Valdemar Hahn Junior 338.5 L55 Leite, André Luís da Silva Análise microeconômica : livro didático / André Luís da Silva Leite ; revisão e atualização de conteúdo Valdemar Hahn Júnior ; design instrucional Leandro Kingeski Pacheco, Marina Melhado Gomes da Silva, Alvaro Roberto Dias. – 3. ed., rev. e atual. – Palhoça : UnisulVirtual, 2011. 149 p. : il. ; 28 cm. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7817-042-4 1. Microeconomia. 2. Monopólios. 3. Oligopólios. I. Hahn Júnior, Valdemar. II. Pacheco, Leandro Kingeski. III. Silva, Marina Melhado Gomes da. IV. Dias, Alvaro Roberto. V. Título. Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul
  • 5.
    Sumário Apresentação. . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 Palavras do professor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE 1 - Introdução à economia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 UNIDADE 2 - Demanda, oferta e elasticidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 UNIDADE 3 - Custos de produção. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 UNIDADE 4 - Concorrência perfeita e eficiência econômica . . . . . . . . . . . . . 75 UNIDADE 5 - Monopólio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 UNIDADE 6 - Concorrência Monopolista e Oligopólio. . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 UNIDADE 7 - Análise Estrutural da Indústria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 Para concluir o estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139 Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 Sobre o professor conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143 Respostas e comentários das atividades de autoavaliação. . . . . . . . . . . . . . 145 Biblioteca Virtual. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149
  • 7.
    Apresentação Este livro didáticocorresponde à disciplina Análise Microeconômica. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma e aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem didática e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância, proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a um aprendizado contextualizado e eficaz. Lembre-se que sua caminhada, nesta disciplina, será acompanhada e monitorada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual, por isso a “distância” fica caracterizada somente na modalidade de ensino que você optou para sua formação, pois na relação de aprendizagem professores e instituição estarão sempre conectados com você. Então, sempre que sentir necessidade entre em contato; você tem à disposição diversas ferramentas e canais de acesso tais como: telefone, e-mail e o Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem, que é o canal mais recomendado, pois tudo o que for enviado e recebido fica registrado para seu maior controle e comodidade. Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior prazer em lhe atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual. 7
  • 9.
    Palavras do professor Aeconomia é o espaço onde ocorrem as decisões estratégicas que nos afetam diretamente. Variáveis, tais como a taxa de juros, taxa de câmbio, políticas econômicas do governo, têm relação direta com o nosso cotidiano. O estudo da economia é dividido em duas partes: a microeconomia (objeto deste livro didático) e a macroeconomia (a ser tratada na disciplina Análise Macroeconômica ). A microeconomia diz respeito aos elementos específicos ao comportamento dos consumidores, das empresas e dos mercados, tratados em nível individual. Já a macroeconomia trata dos elementos de maior escopo, como as taxas de juros, a gestão da economia pelo Estado, a moeda, entre outros. A leitura deste livro didático mostrará a você os principais elementos da microeconomia. Ou seja, o modo como os mercados funcionam e, principalmente, como os preços são formados nos diferentes tipos de mercados. Sem pretensão de esgotar o assunto, serão apresentados temas importantes para o desenvolvimento do seu trabalho, tanto em nível acadêmico quanto profissional. Espero que todos tenham um bom proveito do conteúdo selecionado. Prof. André Luís da Silva Leite, Dr.
  • 11.
    Plano de estudo Oplano de estudos visa a orientá-lo no desenvolvimento da disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam, portanto, a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. São elementos desse processo: „„ o livro didático; „„ o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA); „„ „„ as atividades de avaliação (a distância, presenciais e de autoavaliação); o Sistema Tutorial Ementa Teoria da demanda e da oferta: elasticidade. Teoria da firma: custos de produção. Estruturas de mercado e o processo de formação de preços. Concorrência: competitividade e padrão de concorrência.
  • 12.
    Universidade do Sulde Santa Catarina Objetivos Gerais: Fornecer ao estudante uma ferramenta útil à vida acadêmica e profissional. Na universidade, a disciplina permite que sejam entendidos elementos básicos de economia e o modo de funcionamentos dos mercados. Na vida profissional, dá ao estudante condições de observar, analisar, resolver e compreender problemas enfrentados no cotidiano das empresas. Específicos: „„ „„ „„ „„ Identificar os diversos tipos de mercados. Conhecer os processos de formação de preço nos diversos tipos de mercado. Analisar uma empresa dentro do seu respectivo mercado e no contexto da economia como um todo. Analisar o ambiente externo à empresa. Carga Horária A carga horária total da disciplina é 60 horas-aula, 4 créditos, incluindo o processo de avaliação. Conteúdo programático/objetivos Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá deter para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. Neste sentido, veja a seguir as unidades que compõem o Livro didático desta disciplina, bem como os seus respectivos objetivos. Unidades de estudo: 7 12
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    Análise Microeconômica Unidade 1-Introdução à economia Esta unidade apresenta os elementos básicos que compõem o estudo da ciência econômica. A unidade apresenta a razão do surgimento da economia, os agentes básicos de um sistema econômico e as perguntas a que a teoria visa responder. Unidade 2 - Demanda, oferta e elasticidade Esta unidade visa discutir o modo de funcionamento dos mercados. Para tanto, primeiramente alguns conceitos fundamentais são descritos. Em seguida, são abordados os conceitos de demanda e oferta e o processo de formação de preços. Por fim, apresenta-se o conceito e as aplicações de elasticidadepreço da demanda. Unidade 3 - Custos de produção Esta unidade trata dos custos de produção. Ao término desta unidade, o(a) estudante terá subsídios para analisar custos como uma importante ferramenta de tomada de decisões empresariais. Unidade 4 - Concorrência perfeita e eficiência econômica Esta unidade apresenta o modelo de concorrência perfeita. Este é um modelo teórico que permite analisar um mercado sem as imperfeições inerentes (estas podem ser, por exemplo, a formação de cartel, o acesso privilegiado a informações, a concorrência desleal, etc.). É um modelo muito utilizado, principalmente para fins de políticas públicas. Unidade 5 - Monopólio Esta unidade discute o conceito de monopólio, que significa um mercado no qual há apenas uma empresa que oferece o produto. Ao longo deste texto, será possível observar que o monopólio é socialmente ineficiente. Entretanto há situações nas quais o monopólio é o melhor meio de produzir certos bens e serviços. 13
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Unidade 6 - Concorrência Monopolista e Oligopólio Esta unidade apresenta duas estruturas de mercado: a concorrência monopolista e o oligopólio. Nela serão apresentados elementos de significativa importância para o entendimento do processo de concorrência, como a interdependência entre as empresas, as barreiras à entrada e os modelos básicos de oligopólio que explicam o processo de formação de preços nestes mercados. Unidade 7 - Análise Estrutural da Indústria Nesta unidade, apresenta-se o modelo das cinco forças competitivas, também conhecido como modelo de Porter. Este modelo utiliza elementos estudados nas unidades anteriores para se analisar e compreender o posicionamento competitivo de uma empresa e/ou indústria em certo momento. 14
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    Análise Microeconômica Agenda deatividades/ Cronograma „„ „„ „„ Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e tutor. Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço a seguir as datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da disciplina. Atividades obrigatórias Demais atividades (registro pessoal) 15
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    unidade 1 Introdução àeconomia Objetivos de aprendizagem „„ Compreender a razão do estudo da economia. Seções de estudo Seção 1 Introdução à economia Seção 2 Os setores econômicos Seção 3 O sistema econômico e as trocas 1
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Para início de estudo Esta unidade visa especificamente a apresentar ao estudante a importância do estudo da economia. Nela, constam a razão do surgimento da ciência econômica e o problema central que a teoria econômica tem por objetivo resolver. Bom estudo! Seção 1 - Introdução à economia Você já notou que há muita influência do ambiente econômico, nacional e internacional, em suas finanças pessoais? Pense, por exemplo, na compra de um carro. De acordo com seu orçamento, você pesquisa o preço de diferentes automóveis, as taxas de juros dos financiamentos, as vantagens oferecidas pelas concessionárias, etc. Sendo assim, é verdadeiro dizer que a sua decisão sobre a compra do carro depende de diversos fatores econômicos. Assim como você, as empresas também são influenciadas pelo ambiente econômico. E é por isto que o entendimento da economia torna-se numa ferramenta importante para os administradores de empresas, contadores e demais profissionais ligados ao mundo dos negócios. Diversos fenômenos relevantes nas áreas de marketing, finanças e administração geral, entre outras, têm sua fundamentação na teoria econômica. 1.1 A definição de economia Em poucas palavras, economia pode ser definida como uma ciência que estuda a atividade produtiva. Focaliza estritamente os problemas referentes ao uso mais eficiente de recursos materiais escassos para a produção de bens; estuda as variações e combinações na alocação dos fatores de produção (terra, capital, trabalho, tecnologia), na distribuição de renda, na oferta e procura e nos preços das mercadorias. (SANDRONI, 1998). 18
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    Análise Microeconômica Todos nósparticipamos do sistema econômico do país, consumindo, hoje, bens e serviços, ou poupando parte de nossa renda para consumirmos no futuro. De modo geral, pode-se afirmar que um paradoxo induz o estudo da economia. Este paradoxo é representado pelo fato de os recursos de produção serem limitados e as necessidades humanas ilimitadas. A natureza dos problemas econômicos reside na constatação de que os recursos de que a coletividade dispõe para a satisfação das necessidades das pessoas são limitados. Em compensação, as necessidades do ser humano não têm limite. Em outras palavras, as pessoas precisam de certos bens (roupas, alimentos, casa para morar, automóvel) e serviços (educação, lazer, saúde) que são escassos, isto é, existem em quantidades limitadas. Já as aspirações humanas são relativamente ilimitadas, superando o volume de bens e serviços disponíveis para a satisfação desses desejos. Não é verdade que queremos cada vez mais e mais? Recursos Escassos x Necessidades Ilimitadas A atividade econômica em uma sociedade é realizada com o propósito de produzir bens e serviços que se destinem à satisfação das necessidades individuais ou coletivas de seus membros. Entretanto, em razão da própria natureza do ser humano, suas necessidades se ampliam continuamente, aumentando, em consequência, as exigências do consumo. Um número cada vez maior de pessoas procura bens e serviços que atendam suas necessidades de lazer, educação, transportes coletivos, etc. Mesmo para as necessidades puramente biológicas, surgem novos desejos. As pessoas já não se satisfazem em aplacar sua sede bebendo apenas água. Quando possível, recorrem a refrigerantes ou a outras bebidas mais sofisticadas. Assim, pode-se dizer que, de modo geral, as necessidades humanas são ilimitadas e os recursos para supri-las são escassos. (SILVA, César R. L.; LUIZ, Sinclayr, 1996). Unidade 1 19
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Qual é o problema fundamental da Ciência Econômica? Como você percebeu, o problema fundamental da economia é a escassez. Como os recursos ou fatores de produção -- capital, terra, trabalho, capacidade empresarial e tecnologia -- são escassos, não podemos ter tudo o que desejamos ao mesmo tempo -- é preciso escolher entre os bens e serviços que serão produzidos e oferecidos à coletividade. Assim, de acordo com os professores Troster e Mochón (1999, p.5), “A economia estuda a maneira como se administram os recursos escassos, com o objetivo de produzir bens e serviços e distribuí-los para seu consumo entre os membros da sociedade.” É possível dividir o estudo da economia em partes? Sim, o estudo da economia é dividido em duas grandes partes: a microeconomia e a macroeconomia, as quais podem ser definidas da seguinte forma: A microeconomia: a área que se ocupa com a análise do comportamento individual dos agentes econômicos, ou seja, das empresas e dos consumidores. Quando você assiste na tevê a uma reportagem sobre o aumento da gasolina ou sobre a reação dos consumidores em relação a este aumento, eis um exemplo de evento microeconômico; „„ „„ 20 A macroeconomia: é área da economia que se ocupa com o funcionamento da economia como um todo. Seu objetivo principal é entender como se administra o nível de atividade econômica de um determinado país. Assim, variáveis como inflação, PIB, taxa de juros são típicas variáveis macroeconômicas. O principal motivo pelo qual se estuda economia pode ser traduzido na seguinte relação:
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    Análise Microeconômica Fatores deprodução escassos versus necessidades ilimitadas Isto implica a existência de quatro questões fundamentais: „„ O que produzir? „„ Quanto produzir? „„ Como produzir? „„ Para quem produzir? Como responder estas questões? A resposta para estas questões fundamentais da economia, como você aprenderá com mais detalhes na próxima unidade, depende do sistema econômico, ou seja, se estamos numa economia capitalista ou de mercado; ou se estamos numa economia socialista ou planificada. Seção 2 - Os setores econômicos Os agentes econômicos (famílias ou pessoas, empresas e o governo) podem ser agrupados em três grandes setores: „„ „„ „„ Setor primário: refere-se às atividades próximas dos recursos naturais, como por exemplo, a atividade agrícola ou agroindustrial, a atividade pesqueira, pecuária, etc.; Setor secundário: refere-se à atividade industrial. É na indústria que as matérias-primas são transformadas em bens. Exemplos: indústrias e a construção civil; Setor terciário: refere-se aos serviços, ou seja, à satisfação das necessidades de serviços que não se transformam em algo material. Serviços de saúde, de transporte, de educação, de turismo, entre outros. Hoje em dia, em diversos países, incluindo o Brasil, é o setor que mais cresce e que mais emprega. Unidade 1 21
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Os fatores de produção A atividade econômica, por meio da produção de bens e serviços, visa a satisfazer as necessidades humanas. E a produção destes bens e serviços, numa economia de mercado, realiza-se nas diversas empresas. E cada uma delas emprega fatores de produção. Assim, para ofertar bens ou serviços, as empresas precisam adquirir fatores de produção. Fatores de produção são os elementos que as empresas utilizam para produzir um determinado bem ou serviço. São divididos em cinco grandes grupos: „„ „„ „„ „„ „„ 22 Recursos Naturais: formado pelo espaço físico, pela água e pelas matérias-primas em geral. Por exemplo, uma fazenda utiliza bastante espaço físico para sua produção; Capital: são as máquinas, equipamentos e instalações empregados na produção. Podem ser tratores, computadores, etc. Muitas empresas trabalham com um número grande de máquinas nas linhas de produção; Trabalho: refere-se aos serviços das pessoas empregadas na produção, como o operário, o gerente, etc. São os trabalhadores que operarão as máquinas e transformarão a matéria-prima. Tecnologia: a tecnologia compreende o estudo das técnicas. Todo e qualquer trabalho desenvolvido requer uma determinada maneira para a sua execução, e a técnica é a maneira correta de executar uma tarefa (know-how: saber como); Capacidade Empresarial: compreende uma visão muito clara das oportunidades de investimento, das possibilidades de financiamento da produção, da obtenção e utilização adequada dos fatores de produção e, principalmente, da organização e coordenação eficiente das operações.
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    Análise Microeconômica A remuneraçãodos fatores de produção Você já deve ter ouvido falar num famoso ditado popular que diz: “nem relógio trabalha de graça”. Assim, cada um dos fatores de produção, ou melhor, seus proprietários, mencionados anteriormente, devem receber uma renda pela sua utilização. Deste modo, a renda: „„ „„ „„ Da terra é o aluguel; Do capital é o lucro (quando o capitalista constitui uma empresa) ou o juro (quando ele emprega dinheiro); Do trabalho é o salário. Um agente econômico é qualquer entidade que pertence a um determinado sistema econômico e atua nele. Pode ser uma pessoa, tomada individualmente, ou uma pessoa coletiva (empresa, cooperativa, órgão governamental, etc.). Os agentes econôminos são as famílias (que têm o objetivo de satisfazer suas necessidades), as empresas (que têm o objetivo de maximizar seus lucros) e o Governo (que tem o objetivo de ampliar o bem-estar social). A função de todos os agentes econômicos é fomentar a circulação de bens e serviços necessários à satisfação das necesidades dos consumidores, contribuindo para a geração de renda e emprego. As empresas Nas sociedades modernas, as empresas produzem e oferecem praticamente a totalidade dos bens e serviços, como o pão, os automóveis, os sapatos, os serviços de turismo e assim por diante. Como os economistas definem o que é uma empresa? Unidade 1 23
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    Universidade do Sulde Santa Catarina A empresa é a unidade de produção básica. Ela contrata trabalho e compra fatores com o fim de produzir e vender bens e serviços e, ao final do processo, auferir lucro. Nas sociedades primitivas, a produção era individual e artesanal. Hoje, as empresas são as maiores responsáveis pela produção, já que só elas são capazes de obter as vantagens da produção em massa. Somente as empresas podem reunir grandes quantidades de recursos financeiros e físicos necessários para construir as instalações e os equipamentos que a atualidade exige. Além disso, somente as empresas têm capacidade de organizar os complexos processos de produção e distribuição exigidos pela sociedade moderna. O financiamento das empresas pode ser obtido através de autofinanciamento ou financiamento externo. Ou seja: elas podem se financiar com seu próprio capital ou tomar empréstimos juntos aos bancos. Você conhece as definições de empréstimo e de financiamento? Os empréstimos são recursos obtidos com o compromisso de devolução, ao fim de um determinado período, mediante remuneração (pagamento de juros). O financiamento difere do empréstimo, porque tais recursos obtidos estão vinculados à venda de um bem ou serviço. As famílias ou indivíduos As famílias ou as pessoas têm basicamente duas funções no sistema econômico: „„ „„ 24 Oferecer seus fatores de produção, isto é, trabalho e capital às empresas; Consumir os bens e serviços postos a sua disposição. No entanto o consumo é restrito pelo orçamento de que dispõem.
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    Análise Microeconômica O setorpúblico O Governo é um importante agente da economia. Afinal, ele é o maior responsável pelos rumos econômicos de uma nação. Há pelo menos três níveis de governo, que devemos destacar: „„ A administração local, ou seja, as prefeituras; „„ As administrações estaduais; „„ A administração central, ou seja, o Governo Federal e seus ministérios. O setor público é responsável pelo fornecimento dos chamados bens públicos. Bens públicos são bens proporcionados a todas as pessoas a um custo que é igual ao necessário para o fornecimento a uma só pessoa. (MANKIW, 1999). A defesa nacional é um bem público. Caso uma nação declare guerra ao Brasil, todos os cidadãos brasileiros terão direito à defesa nacional. Por esta característica, os bens públicos só podem ser providos pelo Estado. Há, ainda, uma outra atribuição importante do governo, no que diz respeito ao sistema econômico. O setor público é responsável por estabelecer um marco jurídicoinstitucional no qual se desenvolve a atividade econômica, sendo, também, responsável pelo estabelecimento da política econômica. Sistema econômico Agora que você já sabe quem são os agentes econômicos, podemos definir sistema econômico. Unidade 1 25
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Sistema econômico é o conjunto de relações técnicas, básicas e institucionais que caracterizam a organização econômica de uma sociedade. TECNO RN T C T = Trabalho LOGIA C = K = Capital RN = Recursos Naturais Fatores de Produção ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO UNIDADES PRODUTIVAS - Indivíduo - Família - Empresa RENDAS - Salários - Lucros - Juros - Renda dos RN APARELHO PRODUTIVO - Primário - Secundário - Terciário N O F I U E O L F L A M R X L U X O N A L DEMANDA Figura 1 – Sistema Econômico Simplificado. Fonte: SILVA, 1983, p. 90. 26 PRODUTIVOS ou SERVIÇOS - Consumo - Capital - Intermediário MERCADO OFERTA
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    Análise Microeconômica Assim, conformefoi apresentado nesta unidade, o sistema econômico deve responder a quatro questões básicas. „„ O que produzir? –– „„ Quanto produzir? –– „„ Dos bens que vamos produzir, quanto devemos produzir de cada um? Como produzir? –– „„ Devemos produzir mais estradas ou mais hospitais? Quais técnicas e ferramentas serão utilizadas na produção? Para quem produzir? –– Como a produção vai ser distribuída entre os diferentes agentes da economia? Quem, afinal, responde a estas perguntas? Para respondermos a estas perguntas, devemos nos voltar um pouco para a história da organização econômica. Basicamente, podemos dizer que há dois tipos de organização da economia de um país ou nação. „„ Capitalismo ou Economia de mercado „„ Socialismo ou Economia planificada Capitalismo ou Economia de mercado No capitalismo, a economia funciona de forma livre, ou seja, cada um é livre para escolher o que produzir e em qual quantidade, assumindo os riscos por isto. Diz-se que este sistema é caracterizado pela livre iniciativa. Na unidade 5, falaremos de mercado e você aprenderá como ele funciona. Unidade 1 27
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Socialismo ou Economia planificada No socialismo, quem responde às questões essenciais da economia é o Estado. Por isto diz-se que uma economia socialista é uma economia planificada: ela necessita do Planejamento Estatal. Este sistema é, justamente, o contrário da economia de mercado, já que as decisões são tomadas de forma centralizada na agência de planejamento do governo. Neste caso, as famílias não detêm os fatores de produção. Estes pertencem à coletividade, ou seja, ao governo. Seção 3 - O sistema econômico e as trocas Nesta seção, você estudará uma atividade que é de suma importância para os sistemas econômicos modernos: as trocas. Para entender melhor como elas acontecem, vamos imaginar uma pessoa que more sozinha numa ilha. Esta pessoa deve ser capaz de produzir, sozinha, tudo aquilo que necessita. E, obviamente, seu consumo está restrito aos recursos que a ilha lhe oferece e à sua capacidade de transformação destes recursos, ou seja, o seu conhecimento. Agora, numa sociedade moderna como a nossa, você já deve ter percebido que isto é impossível. E, justamente, podemos dizer que nossa sociedade é moderna devido a um conceito criado pelo primeiro economista da história moderna, o escocês Adam Smith, em 1776. Em seu livro A Riqueza das Nações, Smith nos conta uma fábula, conhecida como a fábula dos alfinetes. Nesta fábula, Smith imagina que a produção de alfinetes pode-se dar de duas formas: de forma artesanal e de forma industrial. 28
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    Análise Microeconômica Na formaartesanal, um único trabalhador, de forma artesanal, produziria, ao final de um dia, no máximo 20 alfinetes. Já, na produção industrial, Adam Smith argumenta que, como a fabricação de alfinetes é dividida em diferentes operações, então 10 operários conseguiam fabricar, na Inglaterra de dois séculos atrás, mais de 48.000 alfinetes em um único dia de trabalho. Por que o número de trabalhadores aumentou 10 vezes e a produção aumentou 2.400 vezes? A resposta é um fenômeno chamado ‘Especialização’. Com 10 operários especialistas, cada um pode se especializar numa determinada operação específica do processo produtivo, e, consequentemente, aumentar a produtividade diária. A especialização permite, também, que cada pessoa procure um trabalho ou uma ocupação na qual seja mais produtiva. Mas você deve notar que, no exemplo citado anteriormente, o da pessoa que mora sozinha em uma ilha, ela não pode ser uma especialista, afinal ela vive sozinha e todos os bens e serviços que consome são originados do seu próprio trabalho. Já, nas economias modernas, a especialização nos permite concentrar nossos esforços em um determinado ramo de atividade. Mas, se ao mesmo tempo, temos de ser especialistas, então só produziremos uma parte dos bens e serviços que necessitamos. Daí a importância das trocas no sistema econômico. Imaginemos duas pessoas: um alfaiate e um agricultor. O alfaiate se especializou na produção de peças de roupa, enquanto o agricultor se especializou na produção de verduras. Desta forma, cada um é mais produtivo naquela atividade que sabe fazer. Mas, como o alfaiate precisa se alimentar e o agricultor precisa se vestir, eles podem então promover uma troca de produtos. Unidade 1 29
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Atividades de autoavaliação Atividades de autoavaliação 1) Refletindo sobre o que você aprendeu no estudo desta unidade, explique, a seguir, por que é importante entender a questão da escassez? 2) Quem são os agentes econômicos, como estão agrupados e qual é a importância de cada um para o sistema econômico? 30
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    Análise Microeconômica Síntese Nesta unidade,você efetuou estudos sobre a economia e sua importância, principalmente porque diz respeito à administração dos recursos escassos e das necessidades ilimitadas do ser humano. Também nesta unidade, você aprendeu quem são os principais agentes econômicos e o seu papel no sistema. Você estudou, também, a maneira como funciona o sistema econômico em que vivemos e leu a famosa fábula dos alfinetes, que mostra a importância da especialização para a economia moderna e sofisticada. Na próxima unidade, você começará a entender como funcionam os mercados. Saiba mais Para aprofundar seu conhecimento sobre o que foi estudado nesta unidade, você poderá ler as seguintes obras: MANKIW, N.G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Campus, 1999. SILVA, César R. L. & LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados: introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 1996. TROSTER, Roberto & MOCHON, Francisco. Introdução à economia. São Paulo: Makron Books, 1999. Unidade 1 31
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    unidade 2 Demanda, ofertae elasticidade Objetivos de aprendizagem „„ Discutir o modo de funcionamento dos mercados. „„ Apresentar a lei da demanda e da oferta. „„ Definir elasticidade-preço da demanda. Seções de estudo Seção 1 Conceitos básicos Seção 2 Demanda e oferta: analisando os mercados Seção 3 Equilíbrio de mercado Seção 4 Elasticidade - preço da demanda 2
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade, você estudará a teoria elementar dos mercados. De um modo geral, esta teoria discute a maneira como os mercados funcionam, ou seja, como é, na prática, a lei da demanda e da oferta. Também é objeto de estudo desta unidade o conceito de elasticidade. Por motivos didáticos, não é possível abordar cada mercado em particular e suas peculiaridades. Porém, como você verá, a teoria é aplicável a qualquer mercado. Seção 1 - Conceitos básicos A seguir, você estudará alguns conceitos que são básicos nesta disciplina, como mercado e empresa ou firma. Estes conceitos são importantes para a melhor compreensão da disciplina e dos temas discutidos nesta e nas unidades seguintes. Acompanhe! Mercado Há várias definições para ‘mercado’. Em sentido geral, o termo designa um grupo de compradores e vendedores que estão em contato suficientemente próximo para que as trocas entre eles afetem as condições de compra e venda dos demais. Um mercado existe, quando compradores que pretendem trocar dinheiro por bens e serviços estão em contato com vendedores desses mesmos bens e serviços. Assim, o mercado pode ser entendido como o local, teórico ou não, do encontro regular entre compradores e vendedores de uma determinada economia. Empresa ou Firma Os economistas, por tradição, costumam se referir às empresas utilizando o termo ‘firma’. No linguajar dos economistas, estas aparecem como sinônimos. Similarmente à definição de mercado, também há várias definições possíveis para firma. 34
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    Análise Microeconômica De umaforma mais complexa, empresa é um dos regimes de produção, onde um empresário, por meio de contratos, utiliza os fatores de produção sob sua responsabilidade a fim de obter uma finalidade, vendê-la no mercado e tirar, da diferença entre o custo de produção e o preço de venda, o maior proveito monetário possível. (ANTUNES,1964 apud FARINA, 2005). Para Williamson (1996), a firma é uma estrutura de governança. Neste caso, o autor quis enfatizar a ideia de que a firma é autônoma e tem capacidade de tomar decisões. Outra definição, esta de sentido mais técnico, diz que a firma é uma função de produção, uma sinergia tecnológica que explora economias de escala e escopo. (TIROLE, 1988). Grossman e Hart (1986), numa definição mais jurídica, destacam que uma firma é um nexo de contratos incompletos de longo prazo. Ao usar o termo ‘contratos incompletos’, os autores querem assinalar que é impossível um contrato ser completo, ou seja, que um contrato contenha todos os elementos possíveis em um negócio. Afinal, diversos fatos imprevisíveis podem ocorrer ao longo da vigência de um contrato. Seção 2 - Demanda e Oferta: analisando os mercados A análise da demanda e oferta ou lei da demanda e da oferta é um importante instrumento para se compreender a realidade de mercados e da determinação de preços nos diversos tipos de mercado. A correta análise da demanda e da oferta em um mercado permite, dentre outras coisas, a compreensão e a previsão de como as variações na conjuntura econômica nacional e internacional podem afetar o preço de mercado e a produção. Demanda A lei da demanda visa a identificar os vários fatores que afetam a decisão de compra dos consumidores. Podemos, então, definir demanda individual como sendo a quantidade de um determinado Unidade 2 35
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    Universidade do Sulde Santa Catarina produto ou serviço que o consumidor deseja adquirir em certo período de tempo. Importante salientar que demanda é desejo de comprar, e não a realização da compra. Além disto, demanda é um fluxo por unidade de tempo. Ou seja: a demanda refere-se ao desejo de comprar certa quantidade de um bem em um dado período. A teoria da demanda é derivada de hipóteses da teoria do consumidor. Parte-se do pressuposto de que o consumidor tenha orçamento limitado e acesso a uma determinada cesta de produtos, assim a teoria da demanda visa a explicar as possibilidades de escolha do consumidor. O consumidor fará escolhas com seu orçamento limitado e tentará alcançar a melhor combinação de bens e serviços consumidos, ou seja, aquela que lhe trará maior nível de satisfação. como: A demanda de um produto depende de muitos fatores, tais „„ as preferências e gosto dos consumidores; „„ preço do produto em questão; „„ preço de produtos relacionados; „„ a renda do consumidor; „„ a distribuição de renda; „„ a disponibilidade de crédito; „„ as políticas governamentais direcionadas para o consumo, como impostos e subsídios. Porém a teoria da demanda costuma apresentar quatro determinantes da demanda individual, visando à simplificação: 1. o preço do próprio bem; 2. o preço de bens relacionados; 3. a renda do consumidor; e 4. o gosto ou preferência do consumidor. 36
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    Análise Microeconômica 2.1 Variáveisque afetam a demanda „„ Preço do próprio bem É importante notar que o preço do próprio bem é a variável principal na nossa análise. A lei geral da demanda mostra que há uma relação negativa entre o preço do próprio bem e a quantidade demandada deste mesmo bem. Quando o preço cai, os consumidores tendem a aumentar seu desejo de comprálo. Isso acontece, pois, supondo que todas as outras variáveis permaneçam constantes, o indivíduo fica relativamente mais rico, quando o preço de um bem diminui. E, quando o preço (P) de um bem aumenta, a quantidade demandada (Qd) diminui. Por outro lado, quando o preço de um bem diminui, sua quantidade demandada aumenta. Esta hipótese já foi testada para diversas situações e, embora sofra limitações, tende a mostrar a realidade da demanda em diferentes mercados. Assim, é possível demonstrar estas variáveis em um gráfico. Na figura 1, a seguir, está a curva de demanda, que mostra a relação negativa entre o preço do próprio bem e a quantidade que os consumidores estão dispostos a demandar em um certo momento no tempo, com tudo o mais permanecendo constante. Preço ($) D Quantidade do produto Figura 1 – Curva de demanda Unidade 2 37
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Vamos analisar um exemplo do mercado de milho, como nos mostra a seguir a tabela 1. É possível notar que, à medida que o preço diminui de $12 para $1, a quantidade demandada aumenta. Isto porque a sociedade comprará mais milho, quando o preço estiver menor. Preço ($) Diante dos objetivos deste texto, não nos preocuparemos em estimar as curvas de demanda. Porém, com uma série histórica de dados e um pouco de conhecimento de estatística, é fácil estimá-las Aplicação da Equação de Regressão Linear (ỹ = a + bx). Este conteúdo é explorado na disciplina Estatística. Quantidade Demandada (milhares de sacas) 12,00 10,00 7,00 5,00 4,00 2,00 1,00 6 10 16 20 22 26 28 Tabela 1 – Demanda do Mercado de Milho A relação expressa na curva de demanda também pode ser expressa por meio da função de demanda. Neste caso, a função teria a seguinte forma: qd (p) = a - bp Note que o sinal negativo mostra a relação inversa entre quantidade demandada (qd) e preço (p). Para o exemplo do milho, a equação é qd = 30 – 2 p. Voltaremos a esta equação mais adiante. „„ Preço de bens relacionados A demanda de um produto também é influenciada pelo preço de bens relacionados. Assim, temos duas situações: 1ª) Bens substitutos Bens substitutos são aqueles cujo consumo de um substitui o do outro. Por exemplo, carne de frango e carne bovina ou viajar de avião e viajar de trem. Vamos supor, por exemplo, o mercado de transporte aéreo entre as cidades A e B. Caso o preço das passagens de ônibus aumente, aumentará a demanda por viagens aéreas entre as duas cidades. 38
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    Análise Microeconômica Este fenômenopode ser observado, analisando a figura 2. Com o aumento do preço das tarifas de ônibus, a demanda por passagens aéreas aumentou, deslocando-se de D para D’. Figura 2 - Demanda por passagens aéreas Importante: Note que a curva de demanda se deslocou. As variáveis preço e quantidade são variáveis determinadas dentro do mercado. Mas outras variáveis, como o preço de bens relacionados e a renda, são determinadas fora do mercado, por isto exercem influência sobre ele. Isto é representado por meio do deslocamento da curva de demanda, como se pode ver na figura 2. 2ª) Bens complementares Bens complementares são bens consumidos simultaneamente, e o consumo de um determinado bem complementa o do outro. Por exemplo, automóvel e combustível, e, viagem de avião e hospedagem em hotéis. Neste sentido, suponha que as tarifas de avião sejam reduzidas. Isso impulsionará o turismo e aumentará a demanda de leitos de hotel. Assim, como mostrado na figura 3, a demanda de leitos de hotel se deslocará de D para D’. Unidade 2 39
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Preço P 2 P 1 D Q Q 1 D 1 2 Quantidade Figura 3 – Demanda por leitos de hotel „„ Renda do consumidor Se a renda do consumidor aumentar, haverá um deslocamento da curva de demanda para a direita, o que significa que ele estará disposto a consumir mais, ao mesmo preço. De certa forma, todos nós nos comportamos assim. Por isso, pense em alguns produtos que você compraria em maior quantidade, caso o seu chefe lhe oferecesse, hoje, um belo aumento de salário. Se os preços dos demais bens da economia (ou de alguns deles) forem reduzidos, isso terá um efeito semelhante em uma variação da renda. Mudanças nas preferências dos consumidores também deslocam a curva de demanda. Por exemplo, uma campanha do governo contra o fumo deslocará a curva de demanda de cigarros para baixo (demanda menor). E um dia bem quente desloca a curva de demanda de sorvetes para a direita (demanda maior). Outras variáveis influenciam a demanda de um bem, como a sazonalidade, a moda, as propagandas, etc. 40
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    Análise Microeconômica 2.2 Oferta(O) Na subseção anterior, você estudou o que é demanda, ou seja, o mercado sob o ponto de vista do demandante. Nesta, você analisará a oferta, isto é, o mercado do ponto de vista de quem vende. Para análise da oferta, você deverá imaginar a existência de um mercado com muitas empresas, todas de pequeno porte. E, que este mercado é chamado de competitivo, ou seja, as empresas não têm capacidade para fixar os preços de seus produtos. Neste caso, o preço é fixado pelo mercado, e as empresas são tomadoras de preço, isto é, praticam o preço determinado pelo mercado. Por que uma empresa decide ofertar um determinado produto? O que leva uma empresa a decidir vender ou ofertar um determinado produto é a expectativa de lucro (π). Neste sentido, podemos definir lucro como sendo a remuneração de uma empresa. Geralmente, antes que uma nova empresa apareça no mercado, o empresário faz um estudo detalhado sobre as possibilidades de lucratividade deste novo negócio. Como é a taxa de lucro que induz os empresários a fazerem novos investimentos, então você pode deduzir que quanto mais alto for o ganho (lucro) da empresa com um determinado produto, maior será a quantidade ofertada. Ou seja: mais empresas vão querer ofertar ou vender aquele produto. A curva de oferta Assim, a curva de oferta informa quais quantidades os vendedores estarão dispostos a ofertar para cada preço fixado pelo mercado. Esta curva é um somatório das curvas de ofertas das várias empresas que atuam no mercado e estabelece a quantidade Unidade 2 41
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    Universidade do Sulde Santa Catarina total que estes produtores estariam dispostos a oferecer para cada nível de preço. Observando a tabela 2, que reproduz aquele mesmo mercado de milho da subseção anterior, você pode perceber que, à medida que o preço do milho diminui, também diminui o incentivo dos empresários para produzir. Logo, a oferta diminui, à medida que o preço diminui. E vice-versa. Preço ($) Quantidade Ofertada (milhares de sacas) 1,00 2,00 4,00 5,00 8,00 10,0 12,00 8 11 17 20 29 35 41 Tabela 2 – Oferta do Mercado de Milho. A relação expressa na tabela 2 mostra a curva de oferta. Esta relação pode ser expressa por meio da função de oferta: qo (p) = a + bp Note que o sinal positivo mostra a relação direta entre quantidade/oferta (qo) e preço (p). Para o exemplo do milho, a equação é qo (p) = 5 + 3p. Aplicação da Equação de Regressão Linear (ỹ = a + bx). Este conteúdo é explorado na disciplina Estatística. 42 Graficamente, temos a curva de demanda expressa, como na figura 4.
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    Análise Microeconômica Preço O ($) Quantidade doproduto ππFigura 4 - A curva de oferta A figura 4 mostra que, caso o preço de mercado do produto aumente, a quantidade ofertada do produto no mercado também aumentará. Esta proposição é conhecida como a lei geral da oferta. O que a figura 4 apresenta é que, à medida que o preço de mercado aumenta, aumenta também o incentivo do empresário a produzir mais. E vice-versa: à medida que o preço diminui, o empresário tem menos incentivo para produzir. Existem outros fatores que influenciam as decisões dos empresários? Vários fatores influenciam a oferta, como por exemplo: „„ a tecnologia de produção da empresa; „„ os preços dos insumos; „„ número de concorrentes no mercado; „„ as expectativas futuras. Unidade 2 43
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Seção 3 - Equilíbrio de mercado Agora que você estudou os conceitos de demanda e oferta, note como se forma o preço em um mercado. Para isto, analisaremos novamente o mercado de milho. Preço ($) Quantidade Demandada (milhares de sacas) Quantidade Ofertada (milhares de sacas) 12,00 10,00 7,00 5,00 4,00 2,00 1,00 6 10 16 20 22 26 28 41 35 29 20 17 11 8 Tabela 3 – Demanda e oferta de milho. Note que, ao preço de $5,00, a quantidade demandada e a quantidade ofertada são iguais (qd=qo=20). Ou seja: não falta nem sobra produto no mercado. Nesta situação, dizemos que o mercado está em equilíbrio. O equilíbrio está ilustrado na figura 5. O Preço ($ por unidade) Excesso de oferta ^ P 1 P 0 P 2 ^ Escassez de oferta Q0 D Quantidade Figura 5 – Equilíbrio de Mercado Conforme a figura 5, quando o preço é P0, o mercado está em equilíbrio, pois a quantidade demandada é igual à quantidade ofertada, em Q0. É importante notar neste momento que o equilíbrio de mercado mostra uma representação estática do mercado. Porém pode-se afirmar que os mercados sempre tendem ao equilíbrio. 44
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    Análise Microeconômica Para entenderpor que os mercados sempre tendem ao equilíbrio, imagine que o preço de mercado seja igual a P1. Neste caso, observe que a quantidade ofertada (cruzamento da curva de oferta com a linha horizontal a partir de P1) é maior do que a quantidade demandada. Esta situação é denominada de excesso de oferta ou escassez de demanda. Assim, se há excesso de oferta ou estoque, a tendência é que o preço caia até P0. Por outro lado, se o preço de mercado for P2, então a quantidade demandada será maior que a quantidade ofertada. A esta situação denominamos excesso de demanda ou escassez de oferta. Quando isto ocorre, as empresas se sentem mais impulsionadas a produzir e o preço aumenta até P0. Neste sentido, podemos dizer que todo e qualquer mercado sempre tende ao equilíbrio. Ou seja: de um modo ou de outro, o mercado chega ao preço e à quantidade de equilíbrio. Matematicamente, o equilíbrio pode ser calculado por meio das equações de demanda e oferta. Assim sendo, as equações de demanda (qd) e de oferta (qo) são expressas por: qd = 30 - 2p qo = 5 - 3p Para que se obtenha o preço de equilíbrio, basta igualar as duas equações (lembre-se de que, no equilíbrio, qd=qo). Assim, qd = qo 30 - 2p = 5 + 3p 30 - 5 = 2p + 3p 25 = 5p 25 p= =5 5 Para achar a quantidade de equilíbrio, basta substituir o valor do preço (p) em qualquer uma das equações, já que, no equilíbrio, elas são iguais. Temos: qd = 30 - 2(5) = 30 - 10 = 20 Unidade 2 45
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Os resultados encontrados de fato são os mesmos resultados da tabela 3. É importante notar que o equilíbrio de mercado tal qual representado pela figura 5, mostra um retrato estático do mercado. Na realidade, os mercados são dinâmicos e sofrem, constantemente, influência do ambiente externo, que pode ser o governo, outros mercados, o resto do mundo e, também, eventos imprevisíveis, como uma geada, uma guerra, etc. Assim, vejamos alguns exemplos: a) A figura 6 mostra uma representação do mercado de soja brasileiro. Primeiramente, o preço de equilíbrio é P1 e a quantidade de equilíbrio é Q1. Assim, vamos supor que alguns fatores, como clima e quantidade de chuva, contribuíram para que a produção de oferta aumentasse. Ou seja: contribuíram para que a oferta aumentasse o que é representado pelo deslocamento da curva de oferta de O para O1: Figura 6 – Modificações no preço da soja Observe que o deslocamento da oferta provocou uma redução no preço (P1 para P2) e um aumento na quantidade de equilíbrio(Q1 para Q2). b) A figura 7 mostra, inicialmente (D e O), a configuração do mercado de roupas de inverno. Com a proximidade do inverno, a demanda aumenta e a curva se desloca (de D para D’). Assim, 46
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    Análise Microeconômica supondo quea oferta permaneça constante, o preço aumenta de P1 para P2 e a quantidade de equilíbrio também aumentará de Q1 para Q3. Figura 7 - Mercado de roupas de inverno c) Na figura 8, que representa o mercado de automóveis, primeiramente ocorre um deslocamento da demanda (D para D’). Após, a produção aumenta, ou seja, há um deslocamento da curva de oferta (O para O’). Como consequência, o preço de mercado subiu de P1 para P2, e a quantidade de equilíbrio aumentou de Q1 para Q2. O O 1 D Preço 1 P 2 P 1 D Q 1 Q Quantidade 2 Figura 8 – Mercado de automóveis Unidade 2 47
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Seção 4 – Elasticidade - preço da demanda (Epd) O termo elasticidade é muito comum nos estudos dos economistas. A ideia central do estudo das elasticidades é quantificar as relações entre duas variáveis. Na teoria econômica, há várias formas de estudar este conceito, por exemplo, a elasticidade-câmbio exportação, que relaciona as variáveis taxa de câmbio com as exportações. Nesta disciplina, estamos preocupados apenas com a elasticidadepreço da demanda, que tem um papel importante na análise da demanda do consumidor e das decisões empresariais. Já sabemos que, quando o preço de um bem se reduz, sua quantidade demandada aumenta. O que a elasticidade-preço da demanda mostra é o quanto a quantidade demandada aumentará. Matematicamente, elasticidade-preço da demanda é expressa por: Epd = % qd p. = %p q qd p A Epd é de grande interesse para as empresas, pois serve de base para: „„ Política de preços; „„ Estratégia de vendas e atendimento dos objetivos de lucro; „„ Participação no mercado. Ou seja: com base nesta informação, a empresa pode fazer previsões de vendas. Por exemplo, se um empresário, produtor de mesas para escritório, sabe que a elasticidade-preço da demanda dos produtos que vende é igual a -1,5, caso ele reduza os preços de seus produtos em 10%, utilizando a fórmula, poderá aumentar a demanda em 15%. O coeficiente da elasticidade-preço da demanda é negativo (quase sempre negativo, com raras exceções), uma vez que preço e quantidade demandada são inversamente relacionados: quando o preço se reduz, a quantidade demandada aumenta, e quando o preço aumenta, a quantidade demandada cai. 48
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    Análise Microeconômica Vamos detalharisto melhor por meio do estudo das diferentes classificações. 4.1 Classificações „„ Demanda Elástica Dizemos que um bem tem demanda elástica em relação ao preço, quando o valor da elasticidade-preço da demanda for, em módulo, maior do que 1,0. Ou seja: |Epd| > 1. Por exemplo, suponha que um determinado produto tenha Epd = -1,4. Neste caso, o valor da Epd mostra a razão entre a variação percentual do preço e a variação percentual da quantidade demandada. Neste caso, novamente recorrendo à equação, supondo que o preço de mercado deste bem aumente 10%, a quantidade demandada cairia 14%. Ou, caso o preço deste bem caísse 5%, neste caso a quantidade demandada aumentaria, aplicando a fórmula, 7%. Dizemos que, quando a demanda é elástica, o consumidor é mais sensível às variações no preço do bem. Atente para o fato de que as variações percentuais foram proporcionalmente maiores do que as variações no preço. „„ Demanda inelástica Já, quando um bem tem elasticidade, em módulo, menor do que 1, dizemos que este bem tem demanda inelástica em relação ao preço, também se usa o termo demanda preço-inelástica. Neste caso, |Epd| < 1,0. Por exemplo, suponha um determinado produto cuja elasticidadepreço da demanda seja igual a -0,6. Com a ajuda da equação, pode-se notar que, caso ocorra um aumento de 10% no preço deste produto, a sua demanda cairia 6%. (Lembre-se de que quantidade demandada e preço variam em direções opostas). Por outro lado, se o preço caísse 8%, a quantidade demandada aumentaria 4,8%. Unidade 2 49
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Atente para o fato de que, neste caso, a variação percentual no preço é superior à variação percentual na quantidade demandada, ou seja, | %qd | < | %p| „„ Demanda unitária Porém, quando, em módulo, a elasticidade-preço da demanda é igual a 1, dizemos que um produto tem demanda unitária em relação ao preço. Determinantes da elasticidade „„ A substituição do bem Quanto mais facilmente um bem for substituível, mais elástica em relação ao preço será a demanda deste bem. Ou seja: mais sensível será o consumidor a variações no preço deste bem, já que o consumidor pode substituí-lo facilmente e vice-versa. Por exemplo, a gasolina é um bem com demanda preçoinelástica, pois é difícil ser substituída, principalmente a curto prazo. „„ Essencialidade do bem Quanto mais essencial for um determinado bem, mais preçoinelástica será sua demanda e vice-versa. A energia elétrica tem demanda inelástica em relação ao preço, já que é essencial para a vida moderna. „„ Peso relativo do bem no orçamento do consumidor Quanto menor o peso do bem no orçamento do consumidor, mais preço-inelástica será sua demanda e vice-versa. Uma caixa de fósforos tem demanda preço-inelástica, pois o seu preço (e o gasto mensal dos consumidores com este produto) é pequeno em relação à renda da maioria dos consumidores. 50
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    Análise Microeconômica Há doiscasos extremos que merecem consideração: a) Demanda perfeitamente elástica. Neste caso, como mostra a figura 9, a quantidade demandada pode variar sem que haja modificações no preço. Trataremos mais deste caso na unidade 4. Preço p* D (a) Quantidade Figura 9 - Demanda perfeitamente elástica b) Demanda perfeitamente inelástica. Neste caso, isto significa que qualquer variação no preço não provocará alterações na quantidade demanda. O melhor exemplo para isto é o sal. Preço D Quantidade * Q (b) Figura 10 - Demanda perfeitamente inelástica Unidade 2 51
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Formas de cálculo Há várias formas de cálculo, mas, para os fins desta disciplina, vamos estudar apenas a elasticidade no ponto. Imagine um produto que tenha, em um determinado momento no tempo, preço igual a $2 e quantidade de demanda igual a 6. Num segundo momento, o preço passa para $4 e a quantidade de demanda cai para 2. Temos, portanto: P1= 2 e Q1 = 6 P2 = 4 e Q2 =2 Assim, pergunta-se: qual a elasticidade no ponto 1? Aplicando a equação de elasticidade, vê-se que: Epd = p qd . qd 2 (- 4) (- 8) = . = = - 0,66 P 6 2 12 Note que qd = q2 - q1 = 2 - 6 = -4 e p = p2 - p1 = 4 - 2 = 2 Ou seja: neste caso, o ponto de referência para a análise é o ponto 1. Agora, calcula-se a Epd no ponto 2, utilizando a mesma equação. Atente para o fato de que o ponto 2 é a referência neste momento. Logo: Epd = p qd . qd 4 4 16 = . = =-4 P 2 (- 2) - 4 A esta altura, já é possível notar que qd é a declividade ou o P coeficiente angular da curva de demanda. Como a curva de demanda é negativamente inclinada, então o coeficiente angular é negativo. Logo, a elasticidade-preço da demanda também é negativa. Em suma, Epd é, em geral, negativa devido à relação inversa entre preço e quantidade demandada. Em geral, o conceito de elasticidade é utilizado em referência a um determinado ponto, preço e quantidade. No exemplo, foi possível observar que a elasticidade mudou conforme o ponto analisado. 52
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    Análise Microeconômica Relação entrereceita e elasticidade A receita total (RT) de uma empresa produtora de um único bem é o resultado da multiplicação da quantidade pelo preço da mercadoria. Ou seja: RT = p . qd. É possível perceber que variações no preço conduzirão a variações na quantidade demandada e, consequentemente, na receita da empresa. Pelo exame da elasticidade-preço da demanda, pode-se compreender as variações na receita de uma empresa. a) Demanda elástica Quando um produto tem demanda elástica, |Epd| > 1, ou seja, |rqd| > | rp|, neste caso, como a variação na quantidade demandada é proporcionalmente maior que a variação no preço, pode-se concluir que é a variação da quantidade que vai indicar a variação na receita. Assim, conclui-se que, quando um produto tem demanda elástica, uma redução no preço provoca um aumento na receita e vice-versa. b) Demanda inelástica Já, quando um produto tem demanda inelástica, ocorre |r p|> |rqd|. Neste caso, é a variação no preço que comanda a variação na receita. Assim, quando um produto tem demanda inelástica, um aumento no preço provoca um aumento na receita e vice-versa. Para exemplificar, retomemos os determinantes da elasticidadepreço da demanda. Com a análise dos determinantes, pode-se observar que um produto com demanda inelástica apresenta uma ou mais destas características: „„ difícil de ser substituído; „„ essencial; ou „„ tem um peso relativamente pequeno no orçamento do consumidor. Por exemplo, a gasolina se encaixa bem nos dois primeiros itens. Unidade 2 53
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Assim, quando a gasolina aumenta de preço, as empresas e o governo (que recolhe impostos sobre o produto vendido) têm suas receitas majoradas. Por outro lado, um bem com demanda elástica é: „„ facilmente substituível; „„ supérfluo; ou „„ tem um peso relativamente grande no orçamento do consumidor. Logo, se o preço de um biscoito ‘Tostines’ aumentar, parte dos consumidores optará por consumir biscoitos de outra marca. Assim, a receita da ‘Tostines’ tende a diminuir. Em resumo, pode-se enunciar: Elasticidade Elástica | Epd| > 1 Unitária | Epd| = 1 Inelástica | Epd| < 1 Variação no Preço Aumenta Diminui Aumenta Diminui Aumenta Diminui Quadro 1 – Relação Elasticidade e Receita da Empresa 54 Variação na Receita Diminui Aumenta Permanece constante Permanece constante Aumenta Diminui
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    Análise Microeconômica Atividades deautoavaliação 1) Suponha que ocorra uma geada que destrua parte significativa da plantação de café do Brasil. Indique o que acontecerá com o preço e com a quantidade de equilíbrio no mercado de café. 2) Suponha que o governo dos EUA não cobre mais imposto de importação sobre os calçados brasileiros. O que acontecerá, a curto prazo, com o preço e a quantidade de equilíbrio no mercado brasileiro de sapatos? 3) Suponha que aumentem no mundo os casos de gripe aviária. O que tende a acontecer com o preço e a quantidade do milho, que é o principal alimento do frango? Unidade 2 55
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    Universidade do Sulde Santa Catarina 4) Sendo: P0 = $20 e qd0 = 500, e P1 = $30 e qd1 = 400, calcule: a) Elasticidade-preço da demanda no ponto 0; b) Elasticidade-preço da demanda no ponto 1; c) Classifique, nos dois pontos, a demanda deste produto, de acordo com a elasticidade-preço da demanda. Síntese Nesta unidade, você aprendeu, de forma simples, como funcionam os mercados. De modo geral, os mercados sempre tendem a definir um preço de equilíbrio para cada produto. E este preço é definido pela interação da oferta e da demanda. Outro conceito importante aprendido nesta disciplina foi o conceito de elasticidade-preço da demanda, que se refere à sensibilidade do consumidor em relação a variações no preço de um dado produto. 56
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    Análise Microeconômica Saiba mais PINDYCK,R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 1999. McGUIGAN, James; MOYER, R. Charles & HARRIS, Frederik. Economia de empresas: aplicações, táticas e estratégias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. NELLIS, Joseph & PARKER, David. Princípios de economia para negócios. São Paulo: Futura, 2003. Unidade 2 57
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    unidade 3 Custos deprodução Objetivos de aprendizagem „„ Entender o conceito de custos de oportunidades. „„ Entender e analisar os custos de produção como parte do processo decisório. Seções de estudo Seção 1 Custos econômicos versus custos contábeis Seção 2 Custos de produção Seção 3 Economias de escala 3
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Para início de estudo As decisões das empresas, no que diz respeito a preços, níveis de produção e lucro, dependem diretamente dos custos de produção. Através de certa tecnologia de produção e o preço dos insumos (matéria-prima e fatores de produção), é possível calcular os custos de produção e o gestor pode decidir como produzir. Os insumos podem ser combinados de diferentes maneiras para que seja obtida a mesma quantidade de produto. Por exemplo, uma empresa pode produzir uma determinada quantidade de sapatos com muitos trabalhadores (trabalho) e poucas máquinas (capital). E a mesma quantidade de sapatos pode ser obtida com mais capital do que trabalho. Uma das tarefas dos administradores é decidir qual a combinação de insumos que minimiza os custos de produção, mas não leva à queda na produção. Estes e outros temas serão abordados nesta unidade. Acompanhe a seguir, e bom estudo! Seção 1 - Custos econômicos versus custos contábeis Economistas e contadores têm formas diferentes de considerar os custos. Os contadores estão preocupados em retratar os custos passados, para elaborar os demonstrativos anuais da empresa. A contabilidade tem esta visão, porque é sua função manter o controle sobre o patrimônio líquido da empresa e avaliar o desempenho passado da empresa. Em suma, os contadores estão preocupados em calcular os custos contábeis, que incluem as despesas correntes somadas às despesas ocasionadas pela depreciação dos equipamentos de capital. Já os economistas tendem a ter uma visão das perspectivas futuras de uma empresa, pois seus estudos preocupam-se com a alocação dos recursos de produção escassos, com os custos que podem ocorrer no futuro e com as decisões da empresa para minimizar seus custos e maximizar os lucros. 60
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    Análise Microeconômica Ou seja:os economistas refletem sobre os custos econômicos ou custos de oportunidade que estão associados às oportunidades que são deixadas de lado, caso a empresa não empregue seus recursos da maneira mais rentável. Por exemplo, uma companhia de transporte aéreo pode optar por ser proprietária dos aviões que utiliza. Mas ser proprietária dos aviões não significa a melhor alternativa para a empresa. Ela poderia, entre outras opções, fazer um leasing das aeronaves e, assim, ter maior disponibilidade de capital para outros investimentos. Em outro exemplo ainda, pode-se considerar uma empresa que seja proprietária do edifício em que opera e que, portanto, não paga aluguel pelo espaço ocupado. Mas isto não implica dizer que a empresa pode considerar o custo do espaço físico como sendo zero. Um economista observaria que a empresa poderia receber aluguel pelo espaço físico, caso o tivesse alugado para outra empresa. Este aluguel não recebido corresponde aos custos de oportunidade de utilização do espaço físico, devendo, portanto, ser incluído como parte dos custos econômicos da empresa. Seção 2 - Custos de produção Nesta seção, será examinado o custo total (CT) de produção. O custo total é a soma dos custos fixos (CF) e dos custos variáveis (CV). Lembre-se: Custos fixos (CF) são custos que não variam com o nível de produção. Custos variáveis (CV) são custos que variam à medida que o nível de produção varia. CT = CF + CV (q) Unidade 3 61
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Custos fixos referem-se a despesas com seguros, aluguel, manutenção de equipamentos, funcionários que não estão ligados à produção, segurança, dispêndios financeiros, entre outros. São gastos que permanecem inalterados independentemente do volume de produção da empresa. Ou seja: devem ser pagos mesmo que não haja produção. Assim, a única forma de eliminar os custos fixos é deixar de operar. Os custos variáveis são, essencialmente, gastos com salários da mão de obra direta (diretamente ligados à produção) e matériaprima. Saber quais custos são fixos e quais são variáveis também depende do prazo com o qual se lida. A teoria econômica afirma que curto prazo é o período de tempo no qual pelo menos um dos fatores de produção é fixo. No longo prazo, todos os fatores de produção são variáveis. Ou seja: no curto prazo, existem custos fixos, pois a empresa tem obrigações legais a cumprir, como contratos. Já, no longo prazo, os custos são variáveis, pois a empresa pode aumentar seu capital e sua força de trabalho. Além do custo total, do custo fixo e variável, a teoria econômica também se preocupa com os custos totais médio (CMe) e marginal (CMg). O custo total médio ou custo médio (CMe) é o custo por unidade de produto, ou, custo unitário. Matematicamente, é o custo total (CT) dividido pela quantidade (q) produzida. CMe = CT CF CV(q) = + = CFMe + CVMe q q q Como o custo total é a soma dos custos fixos e variáveis, o custo médio reflete a soma do custo fixo médio (CFMe) e do custo variável médio (CVMe). 62
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    Análise Microeconômica O customarginal (CMg) - também definido em alguns livros como custo incremental – é definido como o aumento de custo ocasionado pela produção de uma unidade a mais. Devido ao fato de o custo fixo não apresentar variação, o custo marginal é a variação no custo variável, quando a produção aumenta em uma unidade. Matematicamente, tem-se: CMg = CT(q) q = CT(q) q Ou seja: o custo marginal é a derivada da função custo total. Este conceito é muito importante nas tomadas de decisões, muito embora pareça um pouco abstrato. Suponha um empresário o qual tenha que decidir se aumenta, com base em um aumento da demanda, sua produção. Mas, para aumentar a produção, a empresa incorrerá em novos custos. Este aumento de custos é exatamente o custo marginal. Claramente, é possível perceber que a empresa só aumentará sua produção e seus custos, se houver uma compensação financeira para tanto, como será demonstrado na próxima unidade. Tabela 1 – Custos no curto prazo Q (1) CF($) (2) CV($) (3) CT($) (4) (2) + (3) CFMe($/q) (5) (2):(3) CVMe($q) (6) (3):(1) CMe($/q) (7) (4):(1) CMg($/Q) (8) ∆4:∆1 * 0 50 0 50 ----------- --------- ---------- --------- 1 50 50 100 50 50 100 50 2 50 78 128 25 39 64 28 3 50 98 148 16,7 32,7 49,3 20 4 50 112 162 12,5 28 40,5 14 5 50 130 180 10 26 36 18 6 50 150 200 8,3 25 33,3 20 7 50 175 225 7,1 25 32,1 25 8 50 204 254 6,3 25,5 31,8 29 9 50 242 292 5,6 26,9 32,4 38 10 50 300 350 5 30 35 58 11 50 385 435 4,5 35 39,5 85 Unidade 3 63
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    Universidade do Sulde Santa Catarina >> observação: coluna 8 ∆ = variação. Q1 = ∆4:∆1 = (100 – 50) : (1 – 0) = 50 : 1 = 50 Q2 = ∆4:∆1 = (128 – 100) : (2 – 1) = 28 : 1 = 28 Fonte: Elaborado pelos professores. A tabela 1 evidencia que, independente do nível de produção, o custo fixo é $50. A tabela também mostra que os custos totais e variáveis aumentam à medida que a produção também aumenta. A taxa de elevação dos custos depende da natureza do processo produtivo e, principalmente, da extensão em que ocorrem rendimentos decrescentes de escala ao longo do processo produtivo. Rendimentos decrescentes ocorrem, quando a produtividade dos insumos é declinante. Vamos supor que o trabalho seja o único insumo variável deste processo produtivo. Assim, para poder aumentar a produção, a empresa terá que contratar mais mão de obra. Então, se a produtividade do trabalho diminui à medida que a empresa contrata mais trabalhadores, isto quer dizer que os custos com a mão de obra devem ser cada vez maiores para se obterem níveis mais elevados de produção. Consequentemente, o custo total e o custo variável aumentam à medida que aumenta o número de trabalhadores. CT Preço CV 300 175 A 100 CF 0 1 2 3 4 5 (a) 64 6 7 8 9 10 11 12 13 Produto (unidade por ano)
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    Análise Microeconômica Custos 100 (em $ porano) Cmg 75 CTMe 50 CVMe 25 CFMe 0 1 2 3 4 5 (b) 6 7 8 9 10 11 Produto (unidade por ano) Figura 1 – Formato das curvas de custos A figura 1 mostra como os custos mudam com o aumento da produção. O gráfico (a) mostra o custo total, o custo fixo e o variável. O gráfico (b) mostra o formato das curvas de custo médio e marginal. Em (a) é possível observar que o custo fixo (CF) é constante no nível $50. Já o custo variável é $0, quando nada é produzido e, então, aumenta continuamente, à medida que a produção aumenta. O custo total (CT) é obtido pela soma dos custos fixo e dos variáveis. A distância entre CT e CV é sempre 50, que é CF. Note que os formatos das curvas CT e CV não são lineares. Isto ocorre devido às diferenças de produtividade nos diferentes níveis de produção. A figura (b) mostra que a curva de custo fixo médio (CFMe) apresenta queda contínua de $50 (q=1) até diminuir a um valor próximo a zero. Isto ocorre porque CF é constante em $50. CFME assume o formato de hipérbole dada à equação CF/q. O formato das outras curvas está ligado à curva de custo marginal. Sempre que o custo marginal for inferior ao custo médio, a curva de custo médio apresentará declínio. E, sempre que custo marginal for superior ao custo médio, este tenderá a elevar-se. Pode-se notar, então, que, quando o custo médio estiver em seu ponto mínimo, o custo marginal e os custos médios serão iguais. A curva CVMe é inicialmente decrescente como consequência do aumento da produtividade do fator variável e atinge um ponto Unidade 3 65
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    Universidade do Sulde Santa Catarina mínimo. Neste ponto em mínimo, a planta está operando com a combinação ótima dos insumos; a partir daí, CVMe tende a aumentar como resposta da queda da produtividade do fator de produção variável. Discutiremos este tema com mais profundidade na seção 3 desta unidade. CMe é a soma de CFMe e CVMe. Assim como CVMe, a curva CMe assume um formato em U. Este formato em U reflete a lei dos rendimentos decrescentes. Situações especiais – Custo marginal constante Muitas vezes, dentro do processo de tomada de decisões, observamos técnicas para facilitar a tarefa dos tomadores de decisão. Como foi possível notar, a curva de custo marginal é não linear. Porém, com a utilização de técnicas estatísticas, como a análise de regressão, é possível transformar a curva de custo marginal em uma reta. Logo, a função CT passa a ser uma função de primeiro grau, como abaixo: CT = CF + CV = CF + CMg(q) E o custo médio seria igual a: CMe = CF + CMg(q) CF = + CMg q q Seção 3 - Economias de escala Economias de escala significam custos médios decrescentes com a escala de produção, ou seja, aumento da capacidade produtiva da planta (quantidade que pode ser produzida ao custo unitário mínimo), conforme figura 2. Em outras palavras, a empresa apresenta economias de escala, quando ela é capaz de duplicar sua produção com menos do que o dobro dos custos. Já as deseconomias de escala ocorrem, quando, à medida que a produção aumenta, o custo médio também aumenta. A figura 2 mostra as duas situações. Até Q*, a empresa aumenta a produção 66
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    Análise Microeconômica e oCMe tende a diminuir até o ponto ótimo (Q*), que é o ponto no qual CMe é mínimo. A partir de Q*, ocorrem deseconomias de escala. S/Q CMe Q* Quantidade Figura 2 – Economias e deseconomias de escala Na Figura 2, CMe é o custo médio unitário (ou médio) de “longo prazo”, isto é, o menor custo unitário com que pode ser produzido cada volume de produção, quando a escala de produção (ou capacidade produtiva) é variável. Na presença de economias de escala, ele é suposto decrescente com a quantidade produzida (e, portanto, com a escala de produção), atingindo o valor mínimo em Q*. Chamamos Q* de “escala mínima eficiente”. Economia de Escala É considerada a forma de economia responsável pela organização do processo produtivo, de maneira que esta alcance a máxima utilização dos fatores produtivos envolvidos no processo. Procura evidenciar baixos custos de produção e o incremento de bens e serviços disponíveis para a oferta. Ocorre, quando há uma expansão da capacidade de produção de uma empresa ou indústria, provocando aumento na quantidade total de sua produção, sem que ocorra aumento proporcional no custo de produção. Representada fisicamente por gigantescas unidades de produção, as empresas de uma economia de escala possibilitam o emprego de um amplo contingente de mão de obra altamente qualificada, grande capacidade de estocagem de produção e de matérias-primas. Unidade 3 67
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Existe economia de escala, quando a expansão da capacidade de uma firma ou indústria causa um aumento dos custos totais de produção menor que, proporcionalmente, os do produto. Como resultado, os custos médios de produção caem a longo prazo. (BANNOCK et al., 1977). Economia Pecuniária Ocorre, quando há o fator que a explica através da redução no preço pago pelos insumos dos produtos. Os insumos correspondem aos componentes necessários para a produção de determinados produtos, tais como os computadores, que necessitam de uma série de itens para a sua composição final. Exemplificando Economia de Escala > Grandes Volumes > Baixos Custos Unitários > Indústria de computadores = economia de escala na produção; pesquisas e serviços. Economia de Escala > Diferenciação do produto > Empresas estabelecidas, com marca identificada, desenvolvem sentimentos de lealdade em seus clientes. Indústrias fabricantes de produtos para bebês; alimentos (leite ninho); cosméticos; revistas; jornais; refrigerantes. Fontes de economias de escala As economias de escala podem ser reais ou pecuniárias. As economias de escala são reais, quando o que as explica é a redução na quantidade de fatores de produção utilizados em função do aumento da produção. Em outras palavras, a utilização de insumos não aumenta na mesma proporção do aumento da produção. 68
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    Análise Microeconômica Já aseconomias de escala pecuniárias ocorrem, quando as empresas pagam um preço menor pelos insumos. Ou seja: os custos se reduzem, mas não em função de mudanças nas técnicas de produção, mas sim, do poder de negociação da empresa. As fontes das economias de escala reais são as que seguem. „„ Ganhos de especialização Este fato já foi enfatizado por Adam Smith no livro Uma investigação sobre a natureza da riqueza das nações, de 1776. Com uma maior quantidade de produto, maior poderá ser a divisão do trabalho e mais especializados serão os trabalhadores e as máquinas. Os trabalhadores serão mais hábeis em suas funções e, com máquinas especializadas, maior será a produtividade e menores serão os custos. Novamente, o exemplo mais ilustrativo de como a especialização pode contribuir para a ocorrência de economias de escala foi descrito por Adam Smith na ‘fábula dos alfinetes’. Smith afirmava que a produção de alfinetes na Inglaterra era feita em 17 etapas e que um único trabalhador (produção artesanal), ao longo de um dia, fabricaria 20 alfinetes. Caso a produção fosse feita de forma industrial, com 10 trabalhadores especializados (alguns desempenhando mais de uma função), a produção, ao final de um dia, atingiria 48.000 alfinetes. Observe que os custos com o fator de produção trabalho aumentaram 10 vezes, mas em compensação os ganhos de produtividade permitiram que a produção aumentasse 2.400 vezes. A especialização pode ocorrer de diversas formas, como especialização de equipamentos e de mão de obra (aprendizado ou learning by doing). „„ Indivisibilidade técnica A segunda fonte de economia de escala, conforme Looty e Szapiro (2002), relaciona-se com o tamanho dos equipamentos industriais, sendo, portanto, observável, ao nível da planta Unidade 3 69
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    Universidade do Sulde Santa Catarina produtiva. Em certas situações, não é possível comprar uma máquina com o tamanho exato para se produzir a quantidade necessária. Neste caso, subutilizações da máquina podem servir para uma futura expansão produtiva. Desta forma, haveria uma expansão produtiva a taxas constantes, levando a uma redução do custo médio. Claramente, esta expansão se dá até o limite da utilização da capacidade do equipamento. Atividades de autoavaliação 1) José tem uma pequena empresa na qual investiu $100.000 em máquinas e equipamentos (estes $100.000 poderiam render $20.000/ ano se aplicados no mercado financeiro). Ao final de um ano, José aufere $50.000 em lucro. Porém José foi chamado para trabalhar para seu concorrente, que lhe ofereceu um rendimento anual igual a $50.000. Pergunta-se: José tem custo de oportunidade em escolher ser dono da sua própria empresa? 70
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    Análise Microeconômica 2) Complete,calculando os itens que estão em branco, os espaços na tabela a seguir: Produção Custo Total 0 50 1 70 2 100 3 120 4 150 5 Custo Fixo Custo Variável Custo Marginal Custo Médio 200 3) Uma empresa produz camisetas e conta com uma máquina e um trabalhador. A empresa paga $20 semanais pelo leasing da máquina. E, ao trabalhador, paga $1 por hora nos dias úteis, $2/hora aos sábados e $3/h aos domingos. Por hipótese, a empresa não tem outros custos. A empresa pode produzir 1 camiseta por hora e, por suposição, o trabalhador pode trabalhar no máximo 8 horas/dia. Calcule: a) O custo fixo, o custo variável e o custo total, quando a empresa produz 40 camisetas por semana. b) O custo médio, quando a produção é de 40 camisetas. c) O custo marginal, quando q=40, q = 48 e q = 56 camisetas. Unidade 3 71
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    Universidade do Sulde Santa Catarina 4) Uma empresa estima sua função de produção mensal como sendo: CT = 40.000 + 70q (em US$ e quantidades expressas em unidades). a) Qual o custo fixo? b) Qual o custo variável, quando q = 1.000 unidades? c) Qual o custo total, quando q = 1.000 unidades? d) Qual o custo médio, quando q = 1.000? e) Se a produção aumentar para 1.200/mês, qual será o custo médio? Há economias de escala? Explique 72
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    Análise Microeconômica 5) Oscustos de produção do leite Este exercício trata de uma fazenda com 50 vacas no interior do estado de Santa Catarina. Para simplificar, suponha que o único custo variável desta fazenda seja o gasto com a alimentação das vacas, que custa 6 centavos por litro de leite produzido (ou seja, o custo marginal). Suponha, também, que os custos fixos sejam da ordem de R$ 40.000,00/ mês. Apenas a família proprietária da fazenda trabalha na produção de leite, o que ocupa todo seu tempo, independente do volume de leite produzido. a) Qual o custo total de produção da fazenda, se cada vaca produz 7.600 litros de leite no mês? E se cada vaca produzir 10.000 litros de leite por mês? b) Qual o custo médio da produção de leite nesta fazenda, se cada vaca produzir 10.000 litros/ mês? Caso esta fazenda tivesse 100 vacas, qual seria o novo custo médio? Com base nestas informações, pode-se dizer que há economias de escala? Se houver, qual a importância da economia de escala para uma empresa como esta? Unidade 3 73
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Síntese Nesta unidade, você teve contato com a teoria dos custos de produção. A correta análise dos custos de produção é uma importante ferramenta de competição, já que empresas com custos menores do que suas concorrentes podem praticar preços também menores. Você aprendeu que economias de escala são importantes para as empresas, pois permitem reduções nos custos médios ou unitários. Saiba mais PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 1999. McGUIGAN, James; MOYER, R. Charles & HARRIS, Frederik. Economia de empresas: aplicações, táticas e estratégias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. 446p. 74
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    unidade 4 Concorrência perfeitae eficiência econômica Objetivos de aprendizagem „„ Discutir o modelo de concorrência perfeita. „„ Compreender a importância do modelo de concorrência perfeita, a eficiência econômica e a conduta das empresas neste tipo de mercado.. Seções de estudo Seção 1 Seção 2 Características do modelo de concorrência perfeita A firma e o mercado em concorrência perfeita Seção 3 Eficiência econômica 4
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Para início de estudo As estruturas de mercado são modelos que explicam as diversas formas como os mercados podem se organizar, ou seja, elas referem-se ao modo como os mercados são organizados. Classicamente, são as seguintes as estruturas de mercado: concorrência perfeita, monopólio, concorrência monopolística e oligopólio. Cada estrutura de mercado destaca alguns aspectos essenciais da interação entre demanda e oferta, e se baseia em algumas hipóteses e no realce de características observadas em mercados existentes, tais como: o tamanho das empresas, o número de empresas, a diferenciação de produtos, etc. (PINHO E VASCONCELLOS, 1993). Nesta unidade, você irá estudar o modelo de concorrência perfeita. O modelo é, por definição, teórico. Ao longo da unidade, o(a) leitor(a) atento(a) poderá notar que muitas das premissas deste modelo são pouco aderentes à realidade. Porém o modelo é muito importante por dois motivos: 1º) mostra que a concorrência é mais socialmente benéfica do que monopólios ou oligopólios; 2º) permite que o estado possa regular setores essenciais da economia (eletricidade, gás, remédios), simulando mercados de concorrência perfeita. Assim sendo, bom estudo! Em caso de dúvidas durante a leitura, anote-as e procure resolvê-las junto com o professor-tutor. 76
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    Análise Microeconômica Seção 1- Características do modelo de concorrência perfeita O modelo de concorrência perfeita é útil para analisar diversos tipos de mercados, tais como: „„ o mercado agrícola, „„ o de serviços, „„ o mercado de câmbio e de ações. A concorrência perfeita é um modelo abstrato e teórico estudado em economia com o objetivo de fornecer ferramentas, para melhor entender a realidade. Neste sentido, parte-se do pressuposto de que a firma tem como objetivo maximizar seus lucros. Voltaremos à questão dos lucros mais adiante. Este modelo baseia-se em cinco hipóteses centrais, detalhadas a seguir. 1. Atomicidade - É grande o número de ofertantes/ demandantes, e estes são pequenos em relação ao tamanho do mercado, de modo que nenhum dos agentes seja capaz de alterar o preço de mercado. 2. Livre mobilidade de fatores - Ausência de barreiras à entrada/saída. Ou seja, empresas não enfrentam custos expressivos nem para entrar no mercado, nem para sair. Os custos expressivos que podem restringir a entrada em um determinado setor são aqueles que uma nova empresa tem de enfrentar e são superiores aos custos de empresas já estabelecidas. Por exemplo, no setor farmacêutico, as empresas já estabelecidas detêm as patentes de seus produtos, que lhes garantem o monopólio da produção de um determinado tipo de medicamento. Uma empresa que desejasse entrar neste mercado teria de investir elevadas somas em pesquisa e desenvolvimento de seus próprios medicamentos ou comprar licenças para produzir os medicamentos de outros laboratórios, a elevadas taxas. Ou seja: no mercado farmacêutico, há barreiras à entrada, o que permite concluir que não é um mercado perfeitamente competitivo. Unidade 4 Conceito que será detalhado nas próximas unidades. 77
  • 78.
    Universidade do Sulde Santa Catarina Esta suposição é bastante importante, porque permite que a competição seja efetiva. Ela quer dizer que os consumidores podem mudar facilmente de fornecedor, se o rival aumentar o seu preço. Na visão empresarial, significa que uma empresa pode facilmente entrar em um setor, caso vislumbre perspectivas de lucro, podendo, também, sair, se estiver incorrendo em prejuízos. Segundo Sandroni (1990), nas relações comerciais internacionais, o termo designa um tipo de mercadoria em estado bruto, ou seja, com baixo valor agregado.. 3. Homogeneidade do produto - Isto significa que o produto ofertado pelas firmas é idêntico. Quando os produtos de todas as empresas são substitutos perfeitos entre si (homogêneos), nenhuma delas tem incentivo para elevar o preço acima do preço praticado pelas concorrentes, pois perderia parte de suas vendas. É o caso, por exemplo, dos produtos agrícolas, petróleo, gasolina, papel, celulose, folhas de aço, alumínio. Estes produtos são conhecidos como commodities. Esta suposição é bastante importante, pois, de acordo com Pindyck e Rubinfeld (1999), assegura a existência de um preço de mercado único de modo consistente com a análise da demanda e da oferta. Em contraste, quando os produtos não são homogêneos, cada empresa pode elevar seu preço em relação ao do concorrente sem perder todas as suas vendas. Os relógios suíços, por exemplo, são mais caros que os relógios produzidos em outras partes do mundo, já que são vistos pelos consumidores como produtos de alta qualidade. Daí a importância da diferenciação como estratégia de competição, o que será objeto de análise em outra unidade subsequente. 4. Informação perfeita - Todos os agentes têm completa informação sobre preços. Alguns livros utilizam também o termo “aceitadoras de preço”. 5. As firmas são tomadoras de preço. Neste tipo de mercado, um grande número de firmas participa do processo de concorrência. Como cada empresa é pequena em relação ao tamanho do mercado, nenhuma delas tem condições de influenciar o mercado (ou seja, o preço de mercado) unilateralmente. Assim, diz-se que, em mercados de concorrência perfeita, as firmas são tomadoras de preço, ou seja, o preço praticado em um estabelecimento é dado pelo mercado. Por exemplo, um banco, ao comprar ou vender moeda estrangeira, baseia-se no preço de mercado desta. Isto porque não 78
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    Análise Microeconômica há qualquermotivo para o banco vender a um preço diferente. Caso o banco venda os dólares a um preço menor do que o de mercado, estará deixando de maximizar seus lucros. Além disso, neste tipo de mercado, praticar preço menor que o da concorrência é uma estratégia pouco eficaz, pois a firma sabe que não tem condições de interferir no preço do mercado, já que a sua quantidade ofertada é pequena. Caso o banco decida vender dólares a um valor superior ao de mercado, não encontrará compradores, pois estes, que têm plena informação do preço de mercado, dirigir-se-ão a outro estabelecimento. Os consumidores, neste tipo de mercado, também se comportam como tomadores de preço, já que cada consumidor é responsável por uma parcela pequena da demanda, de modo que não tem condições de influenciar o preço de mercado. Em suma, a concorrência perfeita é um modelo teórico muito importante, pois permite entender o modelo ideal de mercado. Daí, é possível entender os mercados reais e as ações do governo, por exemplo, coibindo abuso por parte das empresas. Porém há mercados nos quais as empresas se comportam como tomadoras de preço, ou seja, como em concorrência perfeita. Estes mercados são mercados de commodities, financeiro, cambial, panificadoras ou farmácias em uma pequena cidade. Seção 2 - A firma e o mercado em concorrência perfeita Anteriormente, foi mencionado que as empresas em concorrência perfeita têm como objetivo a maximização de lucros. Esta suposição permite que se preveja o comportamento empresarial de forma bastante acurada. No entanto saber se as empresas maximizam ou não os seus lucros é um tema bastante controverso nas bibliografias especializadas no tema. Uma discussão mais precisa encontra-se em THOMPSON Jr, Arthur & FORMBY, John. Microeconomia da firma: teoria e prática. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 1998. No caso das empresas de pequeno porte, administradas pelos proprietários, o interesse pelo lucro, provavelmente, guiará as decisões da empresa, já que o lucro é a própria remuneração dos proprietários. Nas empresas maiores, em muitos casos, os Unidade 4 79
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    Universidade do Sulde Santa Catarina administradores não são os proprietários, mas sim, gestores profissionais. Ou seja, executivos profissionais contratados para administrar a empresa. Estes executivos têm certa liberdade para se desviarem do objetivo de maximizar os lucros. Os executivos podem estar preocupados com o crescimento da empresa, já que, ao administrarem empresas maiores, teriam maior prestígio no mercado e, consequentemente, poderiam negociar para si maiores salários. De todo modo, a empresa que, a longo prazo, não se preocupar em maximizar seus lucros provavelmente não sobreviverá. Um exemplo refere-se às empresas da era da internet (as chamadas ‘pontocom’). No começo da década de 2000, muitas tiveram que reformular suas estratégias e buscar parcerias para não fechar. O caso mais conhecido foi o da ‘Amazon.com’, maior livraria virtual do planeta. Algumas foram vendidas para grupos empresariais, como a Yahoo, por exemplo. Em suma, a hipótese da maximização de lucros é razoável. O chamado “equilíbrio da firma” em concorrência perfeita, a curto prazo (dado o tamanho da planta), é obtido supondo-se que o objetivo da firma é maximizar os seus lucros (π), dado o preço de equilíbrio do mercado p*. Para tanto, ela deve produzir a quantidade qi* de tal forma que o preço seja igual ao custo marginal (CMg). Ou seja, Max π --> p = CMg , Com a condição adicional de máximo (2a ordem): CMg > 0 Isso acontece porque, como visto anteriormente, a empresa que opera em concorrência perfeita não tem condições de modificar seu preço individualmente. Ou seja, considerando-se o pressuposto de que o empresário quer maximizar seus lucros, não há argumento racional para que o preço seja diferente do preço de mercado. Se, de um lado, a empresa praticar um preço abaixo do preço de mercado, não estará maximizando seus lucros e nem 80
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    Análise Microeconômica conseguirá atrairmais compradores, pois seu tamanho é pequeno em relação ao tamanho do mercado. Por outro lado, praticar um preço acima do preço de mercado implica vender menos que seus concorrentes e, também, em não maximizar lucros. Logo, neste caso, o preço da firma é o próprio preço de mercado. A figura 1 ilustra esta situação. Em (a) encontra-se a curva de demanda da firma, que é horizontal. Em (b) está a curva de demanda do mercado. Empresa $ Setor $ S4 S4 d D 100 q 200 (a) Q 100 (b) Produção Produção Figura 1: Curva de demanda da empresa e do setor em concorrência perfeita Desta forma, como o preço da firma é constante, a receita marginal (RMg) também será. A receita marginal pode ser definida como a receita adicional devido à venda de uma unidade a mais do produto. Matematicamente, a receita marginal é a derivada da função receita. Assim, temos que: RT = P.q E RMg = RT q E a condição para maximizar lucro (π) é: Sendo lucro expresso por: π(q) = RT - CT Unidade 4 81
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Para a finalidade deste texto, não trataremos das condições de segunda ordem.. A condição para se maximizar a função é π igualar a derivada primeira a zero. Desta forma, tem-se: π (q) RT CT O= = = RMg - CMg q q q Assim, o resultado final é: . . . RMg = CMg O = RMg - CMg Ou seja: a condição para maximizar lucro é determinar a quantidade (q*) de produção que iguale receita marginal e custo marginal. A figura 2 apresenta a maximização de lucros em curto prazo. Note que a empresa escolhe o nível de produção q*, com vistas a maximizar seus lucros, que corresponde à diferença entre a receita, R(q) e o custo total, C(q). Neste nível de produção, a receita marginal (inclinação da curva de receita) é igual ao custo marginal (inclinação da curva de custo). C(q) Custo, receita, lucro ($ por ano) R(q) A B q 0 q* (q) Produção (unidade por ano) Figura 2 – Maximização de lucros a curto prazo Porém, em concorrência perfeita, como o preço é constante, este é igual à receita marginal, logo, apenas neste tipo de mercado, a condição para maximização de lucros é: p - CMg Assim, preço e custos marginais são iguais onde estes últimos forem crescentes. A parte crescente da curva de custos marginais representa a função de oferta da firma, enquanto o 82
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    Análise Microeconômica preço constantecorresponde à função de demanda da firma (horizontal). A figura 3 ilustra este tradicional resultado da microeconomia. No curto prazo, uma empresa opera com uma quantia fixa de capital e deve escolher a combinação de insumos variáveis (trabalho e matéria-prima), visando à maximização dos lucros. Na figura 3, a curva de preço (ou receita média) é constante igual a $40. O lucro é maximizado, quando a produção é igual a 8 unidades, pois é quando a firma produz esta quantidade que a receita marginal (que, neste caso, é o próprio preço) é igual ao custo marginal. No sentido de melhor esclarecer, imagine que a produção fosse igual a q=7. Neste ponto, a receita marginal seria superior ao custo marginal, o que implica dizer que o lucro poderia aumentar por meio de um aumento na produção. A área hachurada entre q e q* mostra o lucro perdido associado à escolha do nível de produção q1. Por outro lado, imagine que a produção fosse igual a q2 = 9. Neste caso, o lucro também não seria maximizado e a área hachurada entre q* e q2 mostra o lucro perdido nesta escolha. $ 60 Lucro perdido devido a q1 q* 50 40 Lucro perdido devido a q1 q* > < D A Rme = Rmg = P CTMe CVMe C B 30 20 10 0 1 q 0 2 3 4 5 6 7 8 9 q q* q 1 2 10 11 Produção Figura 3 – Lucro na empresa em concorrência perfeita Note-se que, na figura 3, existe um lucro positivo, devido ao fato de o preço situar-se acima do custo unitário (menor que o marginal, pois este é crescente). O lucro positivo é dado pela diferença entre o ponto A e o ponto B. E o lucro total da empresa é o retângulo ABCD, que representa a receita menos os custos. Unidade 4 83
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    Universidade do Sulde Santa Catarina É importante notar que a firma em concorrência perfeita, no curto prazo, pode operar com prejuízo, desde que sua receita seja maior ou igual aos custos variáveis. Em suma, a condição básica para que uma empresa opere é pagar os custos variáveis. Uma empresa que incorre em prejuízos no curto prazo não deve necessariamente encerrar suas atividades. Isto porque ela pode operar com prejuízos, esperando ter lucro no futuro, quando os preços aumentarem ou quando conseguir reduzir seus custos de produção. A empresa tem duas opções no curto prazo: ela pode produzir, ou encerrar suas atividades. A decisão é tomada tendo como base a situação que apresentar maiores lucros ou menor prejuízo. No que tange à operação com prejuízos, há duas situações que devem ser analisadas: . I. p > CVMe . . RT > CV , porém RT < CT : neste caso a empresa tem lucro negativo, mas paga os custos variáveis. Apesar do prejuízo, a empresa não deverá necessariamente encerrar suas atividades. A empresa continuará a operar, pois paga os custos variáveis e espera um futuro com melhores perspectivas. . II. p < CVMe . . RT < CV : neste caso, a empresa deverá fechar, pois não consegue pagar os custos variáveis, que são os custos necessários à operação direta da empresa. Em suma, a empresa deve continuar a operar enquanto o preço de seu produto for maior do que o custo variável médio no nível de produção que maximiza o seu lucro. 84
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    Análise Microeconômica Seção 3- Eficiência econômica Concorrência perfeita e eficiência econômica As propriedades de eficiência econômica associadas pela Teoria Microeconômica tradicional à concorrência perfeita decorrem dos conceitos de eficiência alocativa (social) ou de Pareto e de ótimo de Pareto. Vilfredo Pareto Economista, sociólogo e engenheiro italiano (1848-1923), foi professor na Universidade de Lausanne (1892/1907), onde sucedeu a Leon Walras, formando com este a chamada Escola de Lausanne. Pareto enfatizou a aplicação da Matemática à Economia dentro de um quadro teórico marginalista modificado e reviu o método do Equilíbrio Geral de Walras. Criou os conceitos de Ótimo, Ofemilidade e a chamada Lei de Pareto. Ótimo de Pareto Uma situação econômica é ótima no sentido de Pareto, se não for possível melhorar a situação, ou, mais genericamente, a utilidade de um agente, sem degradar a situação ou utilidade de qualquer outro agente econômico. Existem 3 condições que necessitam ser preenchidas para que uma economia possa ser considerada Pareto Eficiente: ƒƒ eficiência nas trocas - o que é produzido numa economia é distribuído de forma eficiente pelos agentes econômicos, possibilitando que não sejam necessárias mais trocas entre indivíduos, isto é, a taxa marginal de substituição é a mesma para todos os indivíduos; ƒƒ eficiência na produção - quando é possível produzir mais de um tipo de bens sem reduzir a produção de outros, isto é, quando a economia se encontra sobre a sua curva de possibilidade de produção; ƒƒ eficiência no mix de produtos - os bens produzidos numa economia devem refletir as preferências dos agentes econômicos dessa economia. A taxa marginal de substituição deve ser igual à taxa marginal de transformação. Um sistema de preços de concorrência perfeita permite satisfazer esta condição. Unidade 4 85
  • 86.
    Universidade do Sulde Santa Catarina Numa estrutura ou modelo econômico, podem coexistir diversos ótimos de Pareto. Um ótimo de Pareto não tem necessariamente um aspecto socialmente benéfico ou aceitável. Por exemplo, a concentração de rendimento ou recursos num único agente pode ser ótima no sentido de Pareto. Com base nestes conceitos, são formulados os chamados teoremas de bem-estar, que associam de forma biunívoca o equilíbrio geral competitivo (em que todos os mercados estão em concorrência perfeita) com alocações (distribuições) sociais de bens e serviços eficientes de Pareto, realizadas pelo sistema de preços de equilíbrio geral. Trata-se, portanto, de conceitos relativos ao conjunto da economia, e não a mercados isolados. A transposição desses conceitos normativos gerais para a análise microeconômica – isto é, de mercados específicos – requer várias hipóteses restritivas, pelas quais se chega a um procedimento simplificador comumente aceito em Microeconomia: consiste em avaliar o nível de bem-estar ou de eficiência alocativa associado a cada mercado individual pela magnitude dos ganhos ou rendimentos econômicos líquidos (acima dos custos) que são apropriados naquele mercado – o chamado excedente econômico do mercado. O excedente por unidade de produto é definido pela diferença entre o valor marginal que os consumidores estariam dispostos a pagar pelo produto – cada ponto da curva de demanda – e o custo marginal de sua produção pela indústria – cada ponto da curva de oferta, no caso (presente) de um mercado em concorrência perfeita. Uma conclusão importante: a competição é sempre preferível às estruturas de mercados de concorrência imperfeita. Em concorrência perfeita, a firma não tem condições de alterar o preço de mercado, ou seja, a única forma de aumentar sua lucratividade é reduzir custos. Logo, a concorrência leva as empresas a serem mais eficientes, ou seja, reduzirem custos para manter ou aumentar sua lucratividade. Isto ficou bem claro no Brasil, depois da introdução do Plano Real, que controlou a inflação. 86
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    Análise Microeconômica Uma dasferramentas do Plano Real foi a abertura do mercado às firmas estrangeiras. Logo, as empresas brasileiras tiveram que se adaptar a esta nova situação e, para se tornarem mais competitivas, tiveram que reduzir custos, pois o poder de mercado sobre seu preço foi reduzido. Atividades de autoavaliação 1) Quais as hipóteses do modelo de concorrência perfeita? 2) Quais mercados você crê que têm mais semelhança com a concorrência perfeita? Unidade 4 87
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Síntese Esta unidade tratou de explicitar a teoria da concorrência perfeita. Este é um modelo teórico, mas muito importante, para se entender como as empresas se comportam em situações nas quais não há imperfeição nos mercados (as imperfeições são, por exemplo, a assimetria de informações, a formação de cartel, a concorrência desleal ou predatória, entre outras). A principal característica deste modelo é que as empresas se comportam como tomadoras de preço. Esta é uma característica bastante importante, já que, como mencionado, o modelo é teórico, mas permite que o governo tome decisões sobre preços. Por exemplo, no caso da energia elétrica, cujas tarifas são determinadas pelo governo, os órgãos reguladores (no caso, a ANEEL) simulam, por meio de computadores, que o mercado de energia elétrica é perfeitamente competitivo e, com isto, determinam um preço próximo ao custo marginal das empresas. Assim, o governo faz com que as empresas se comportem como tomadoras de preço. Saiba mais PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 1999. McGUIGAN, James; MOYER, R. Charles & HARRIS, Frederik. Economia de empresas: aplicações, táticas e estratégias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. 88
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    unidade 5 Monopólio Objetivos deaprendizagem „„ Discutir o conceito de monopólio. „„ Compreender que esta estrutura de mercado é socialmente ineficiente. Seções de estudo Seção 1 Monopólio Seção 2 Seção 3 Decisão de produzir do monopolista maximização de lucros Causas do monopólio Seção 4 Poder de mercado 5
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Para início de estudo A teoria microeconômica tradicional há muito discute as vantagens de um mercado competitivo em relação a um mercado monopolista. Ela mostra que a presença de uma estrutura monopolista impõe custos sociais, uma vez que, nesta estrutura, a empresa cobra um preço significativamente acima do custo marginal, em função do poder de mercado que tem. Já, em mercados perfeitamente competitivos, as firmas se comportam como tomadoras de preço, de modo que o preço é igual ao custo marginal. Seção 1 - Monopólio Os modelos mais comuns de estruturas de mercados são: a concorrência perfeita e o monopólio. A grande vantagem destes modelos reside na sua simplicidade em demonstrar o modo como operam as firmas e suas consequências para o bem-estar social. O monopólio, per se, é a situação na qual uma empresa detém 100% das vendas de um determinado mercado. Exemplos incluem alguns serviços de utilidade pública, como transmissão e distribuição de energia elétrica, redes de gás, trens e metrôs. Há, porém, situações nas quais uma empresa não é a única produtora ou ofertante de um bem, mas detém significativo poder de monopólio. É o caso da ‘firma dominante’, situação na qual uma empresa detém mais de 50% das vendas de um mercado. As lâminas da Gillette e filmes Kodak podem ser apresentados como alguns exemplos. Na condição de único produtor, o monopolista encontra-se em posição privilegiada, afinal ele é o próprio mercado. Isto não significa, porém, que o monopolista possa cobrar o preço que desejar pelo seu produto. Como será mostrado mais adiante, o preço do monopolista é limitado pela demanda ou, mais especificamente, pela elasticidade-preço da demanda. 90
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    Análise Microeconômica O objetivodo monopolista é maximizar o lucro. O conhecimento da demanda e dos custos é crucial para que este objetivo seja atingido. A receita média do monopolista, isto é, o preço de cada unidade vendida é a própria curva de demanda do mercado. Assim, a decisão do monopolista consiste essencialmente em escolher o nível de produção que maximizará seu lucro. Considere o seguinte exemplo: Preço (P) Quantidade (q) Receita Total (RT) Receita Marginal (RMg) Receita Média (RMe) ou Preço (P) 6 0 0 - - 5 1 5 5 5 4 2 8 3 4 3 3 9 1 3 2 4 8 -1 2 1 5 5 -3 1 Tabela 1 – Receita média e marginal do monopolista. A tabela 1 mostra a receita total, receita marginal e média para uma determinada curva de demanda. Note que, quando o preço é $6, a receita é igual a $0, pois nenhuma unidade é vendida a este preço. À medida que o preço é reduzido, mais unidades são vendidas. Se, ao preço de $5, vende-se uma unidade, a receita total e a receita marginal são iguais a $5. O aumento na quantidade vendida de 1 para 2 unidades resulta em um aumento da receita de $5 para $8, logo a receita marginal é igual a $3. É importante notar que a receita marginal tanto pode ser positiva quanto negativa, de forma que, quando RMg for positiva, a receita tende a aumentar com o aumento da quantidade, e, quando RMg for negativa, a receita diminui. A figura 1 ilustra a relação entre demanda e receita marginal. Note que a inclinação da curva de receita marginal é menor do que a inclinação da curva de demanda. Unidade 5 91
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    Universidade do Sulde Santa Catarina $/Q Demanda RMg Quantidade Figura 1 – Receita Marginal e Demanda Seção 2 - Decisão de produzir do monopolista: maximização de lucros A decisão do monopolista consiste, essencialmente, em definir uma quantidade a ser produzida que maximize seus lucros. A maximização de lucros ocorre, quando a receita marginal (RMg = RT ) se igualar ao custo marginal (CMg = CT ). A q q receita marginal é a variação da receita resultante do aumento de produção em uma unidade. O custo marginal é a variação no custo resultante da produção de uma unidade a mais. Matematicamente: tem-se que o lucro é igual à receita total menos o custo total. π (q) = RT (q) - CT (q) Logo, ao maximizar a função lucro, ou seja, derivar a função, temos que: π CT q 92 RT q q
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    Análise Microeconômica Logo: O =RMg - CMg . . . RMg = CMg A figura 2 ilustra esta situação. A curva RMe é a própria curva de demanda e especifica o preço a ser recebido pelo monopolista em função do seu nível de produção. A figura também mostra as curvas de custo médio (CMe) e marginal (CMg) e a curva de receita marginal (RMg). As curvas RMg e CMg se igualam emQ*, que é a quantidade que o monopolista produzirá. A partir da curva de demanda, é possível concluir que o monopolista estabelecerá o preço P*. $/Q CMg CMe P* Lucro RMe RMg Q* Quantidade Figura 2 – Decisão do monopolista Exemplo: Suponha que um monopolista tenha seus custos expressos pela seguinte função: CT (q) = 50 + q 2 Ou seja: o custo fixo é $50 e o custo variável igual a q2. Suponhamos que a demanda seja expressa pela função: P (q) = 40 - q Neste caso, note que o custo marginal (derivado da função custo) é 2q e a receita marginal (derivada da função receita) é igual a 40 – 2q. Logo, igualando CMg e RMg, temos que a quantidade a ser produzida é igual a 10, e o preço cobrado pelo monopolista é 30. Unidade 5 93
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Resolução: RMg = CMg, ou seja, o aumento da produção se dá até que a receita gerada por esse aumento se equipare ao aumento nos custos. A partir desse ponto, se os custos forem maiores do que a receita gerada, não é oportuno aumentar a produção. CT = 50 (Custo fixo) + q2 (Custo variável) - Cmg = custos varáveis = 2q - Rmg = função receita 40 – 2q - Aplicando a fórmula Rmg = Cmg, temos: 40 – 2q = 2q 40 = 2q + 2q 40 = 4q q = 40/4 = 10 (quantidade produzida) - Substituindo a variável “q” na fórmula da demanda: P(q) = 40 - p P(q) = 40 – 10 = 30 (preço cobrado pelo monopolista) A figura 3 mostra o custo, a receita e o lucro do monopolista. Quando a empresa nada produz, o lucro é negativo devido à presença dos custos fixos. O lucro aumenta à medida que Q aumentar até atingir um ponto máximo (Q*) e, então, passa a diminuir. C $ R Lucro Q* Quantidade 94
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    Análise Microeconômica $/Q CMg CMe P * Lucro RMe RMg Q* Quantidade Figura 3– Maximização de lucros Seção 3 - Causas do monopólio Essencialmente, são quatro as causas do monopólio: 1. Patentes Quando uma firma detém a patente de um produto ou de parte dele, ela passa a ter o direito de ser a sua única produtora. O tempo de duração da patente depende das leis de cada país onde os direitos de propriedade são garantidos. Um exemplo é a JVC, que detém a patente de fabricação de aparelhos DVD. Como detentora da patente, a JVC recebe royalties pelos aparelhos fabricados pelas outras empresas. 2. Acesso exclusivo à matéria-prima Quando uma firma tem acesso exclusivo à matéria-prima principal de um determinado produto, ela tem o monopólio da fabricação deste produto. Um caso interessante é o caso da ALCOA, que, na década de 1950, detinha todas as reservas de bauxita dos EUA, sendo, portanto, a única produtora de alumínio daquele país. Unidade 5 95
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Como o monopólio é uma estrutura de mercado ineficiente, o governo americano, na época, proibiu a empresa de comprar novas reservas e incentivou a entrada de novas empresas no setor, para aumentar a competição e, consequentemente, o bem-estar social. 3. Tradição A tradição de um país ou empresa na fabricação de um determinado produto também leva ao monopólio ou eleva o poder de monopólio (conceito que será discutido nesta unidade) da empresa/país com mais tradição. É o caso dos relógios suíços. Embora a Suíça não seja o único país a fabricar relógios, os relojoeiros suíços desfrutam de significativo poder de monopólio e têm a capacidade de manipular os preços de mercado. 4. Monopólio puro ou natural A causa mais comum de monopólio é o puro ou natural. Um monopólio natural é uma situação na qual uma única empresa pode produzir e ofertar para todo o mercado com um custo médio inferior ao que existiria em uma situação em que houvesse duas ou mais empresas. Se uma empresa possui monopólio natural, é mais eficiente e melhor para a sociedade deixar que sirva ao mercado sozinha, do que deixar outras empresas entrarem no mercado para competir. O monopólio natural surge onde as economias de escala são importantes, como, por exemplo, no caso das empresas de transmissão de energia elétrica. Devido ao alto custo da construção de postes e fios de transmissão, é inviável a presença de duas ou mais empresas de transmissão operando com linhas paralelas. De forma similar, a rede de água e esgoto ou linhas de metrô também são monopólios naturais. A figura 4 apresenta uma situação de monopólio natural. Note que a curva de demanda cruza a curva de custo médio antes do seu ponto de mínimo. Ou seja, se o monopólio representado na figura fosse substituído por duas empresas, o custo médio de produção das duas seria maior do que o do monopolista. 96
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    Análise Microeconômica $/Q CMe D Quantidade Figura 4– Monopólio natural A ineficiência do monopólio Em mercados perfeitamente competitivos, o preço é igual ao custo marginal. Já, em monopólios, o preço é maior do que o custo marginal. Assim, os resultados do monopólio são preços maiores e menores quantidades para os consumidores, o que significa que o monopólio é uma estrutura de mercado ineficiente para a sociedade. A figura 5 ilustra essa afirmação. $/Q Perda de excedente do consumidor Perda bruta CMg P m Pc A B C RMe RMg Q m Qc Quantidade Figura 5 – Custo social do monopólio Na figura 5, Qm representa a quantidade produzida pelo monopolista e Pm o preço do monopolista. Caso este monopolista fosse obrigado pelo governo a operar como uma firma de mercado competitivo, o seu preço se igualaria ao custo Unidade 5 97
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    Universidade do Sulde Santa Catarina marginal (ponto onde RMe é igual a CMg). Assim, o preço seria Pc e a quantidade produzida Qc. Os retângulos sombreados mostram as alterações ocorridas nos excedentes do consumidor e do produtor, quando passamos do preço e quantidade competitivos, Pc e Qc, para o preço e a quantidade de monopólio, Pm e Qm. Em consequência de um preço mais elevado, a perda dos consumidores é medida por A+B e o produtor ganha A-C. A perda bruta é representada por –B-C, que é o custo social do monopólio. Eficiência econômica é um critério de estimativa do desempenho das firmas, dos mercados e da economia como um todo, coloca Santacruz (1998). O mais conhecido critério de eficiência econômica está ligado à concorrência perfeita. A eficência alocativa é maximizada na situação conhecida como Ótimo de Pareto, na qual não existe a possibilidade de um agente econômico obter ganhos de bem-estar sem uma consequente redução do bem-estar de outro agente econômico. (SANTACRUZ, op. cit.). Em suma, pode-se dizer que, do ponto de vista social, o monopólio é uma estrutura de mercado ineficiente. Podese mostrar essa ineficiência de outro modo. Em mercados competitivos, as empresas enfrentam concorrência e, como consequência, têm seu poder sobre o seu preço individual reduzido. Assim, visando à maximização de lucros, resta às empresas reduzirem seus custos para poderem atingir seus objetivos. Por outro lado, o monopolista tem poder sobre seu preço e pode, limitado pela demanda, aumentar seu preço por causa de eventuais aumentos nos custos. Seção 4 - Poder de mercado Desde a década de 1930, o mainstream da organização industrial vem concentrando seus esforços de pesquisa na definição e avaliação do poder de mercado e nos seus determinantes principais. Os custos sociais do monopólio receberam bastante atenção dos pesquisadores, ao passo que as eficiências que podem advir do monopólio, como economias de escala, foram negligenciadas por esta corrente teórica. Assim, estruturas de mercado altamente concentradas são indesejáveis devido a sua ineficiência. Cabral (2000) define poder de mercado como a capacidade da firma ajustar seus preços a um nível acima dos custos marginais de produção. É semelhante à definição de Mas-Colell et al. 98
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    Análise Microeconômica (1995, p.383.), que afirmam que poder de mercado é “[...] a habilidade de alterar os preços de forma lucrativa acima dos níveis competitivos”. Em outras palavras, poder de mercado pode ser definido como o poder de uma empresa de fixar preços, significativa e persistentemente, acima do nível competitivo, com efeito lucrativo. Além das definições usuais dos manuais de organização industrial, é interessante atentar para as definições dos órgãos responsáveis pela legislação antitruste. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), “poder de mercado é a capacidade de, de modo lucrativo, manter os preços acima dos níveis competitivos por um significante período de tempo. Em alguns casos, o único produtor de um produto para o qual não há bens substitutos pode manter o preço a um nível superior àquele de um mercado competitivo”. Similarmente, em algumas circunstâncias, onde um pequeno número de firmas é responsável pelas vendas de um determinado produto, elas podem exercer poder de mercado, inclusive aproximando-se do desempenho de um monopolista, coordenando suas ações, tanto explicita quanto implicitamente.” (DOJ and FTC, 1997). Em outros casos, uma única firma pode, unilateralmente, exercer poder de mercado, o que caracteriza a conduta não coordenada. Em todos os casos, o resultado do exercício de poder de mercado implica uma transferência de riqueza dos consumidores para os ofertantes, ou uma má alocação dos recursos. (DOJ e FTC, 1997). No caso de condutas não coordenadas, Stoft (2001) mostra que “poder de Mercado implica aumento de preço e, consequentemente, transfere riqueza dos consumidores para todos os ofertantes, não apenas para aquele que exerceu poder de mercado.” Possas (1996) destaca um outro conceito, também de origem mais jurídica que econômica, e de significado muito semelhante. Ele aparece na lei brasileira: é o de posição dominante e seu respectivo abuso. Apesar da ênfase distinta que alguns intérpretes colocam na independência de ação que este conceito envolveria, para os efeitos antitruste concretos tal distinção não é muito relevante. Uma empresa oligopolista, por exemplo, tem Unidade 5 Lei 8884 de 11 de junho de 1994 (disponível em <http:// www.senado. gov.br, acessado em 30 de março de 2001>) “Ocorre posição dominante, quando uma empresa ou grupo de empresas controla parcela substancial de mercado relevante, como fornecedor, intermediário, adquirente ou financiador de um produto, serviço ou tecnologia a ele relativa” (Lei 8.884 de 11 de Junho de 1994, art. 20, 2º). O parágrafo 3º da mesma lei afirma que a parcela relevante é de 30% do mercado. 99
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    Universidade do Sulde Santa Catarina poder de mercado, pode exercê-lo de forma abusiva (contra consumidores, empresas menores, etc.), mas não é independente, ao contrário, é interdependente dos demais oligopolistas. Importa ressaltar que o poder de mercado não se expressa somente nos preços. Grande parte das condutas consideradas anticompetitivas (por exemplo, as condutas previstas na Lei nº8884/94, art. 21) não ocorre via preços. Esta definição, embora restritiva, é utilizada por ser simples e de fácil aplicação, inclusive jurídica. Ela implica suposição de que quem pode elevar os preços, significativa e persistentemente, acima dos custos possui poder de mercado e pode, em princípio, exercê-los por qualquer outro meio disponível. É interessante, ainda, lembrar que a Lei 8.884/94, em seu art. 20, parágrafo 1º, afirma que “a conquista do mercado resultante de processo natural fundado na maior eficiência de agente econômico em relação a seus competidores não caracteriza o ilícito previsto no inciso II”. As condutas anticompetitivas, em muitos casos, podem significar aumentos de preço. Entende-se que a lei não coíbe o poder de mercado em si, e sim seu abuso (Possas, 1996). Mas a lei não se limita a reprimir condutas anticompetitivas, procurando também preveni-las, ao atuar sobre a concentração das estruturas de mercado. Logo, em qualquer caso, é indispensável ter meios de identificar e avaliar se há poder de mercado e seu possível aumento em decorrência de algum ato de concentração, independentemente de já haver indícios de seu exercício abusivo. 100
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    Análise Microeconômica Atividades deautoavaliação 1) Explique por que o monopólio é socialmente prejudicial. 2) Descreva o que é monopólio natural. 3) Cite alguns exemplos de monopólio natural, que podem ser observados na economia brasileira. Unidade 5 101
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Síntese Esta unidade tratou do conceito de monopólio. Os monopólios, mercados nos quais há apenas uma empresa ofertante, são ineficientes, do ponto de vista social. Ou seja: por não enfrentarem concorrentes, estas empresas nem sempre são estimuladas a reduzir custos, preços ou, em alguns casos, a melhor a qualidade de seu produto ou serviço. Saiba mais PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 1999. McGUIGAN, James; MOYER, R. Charles & HARRIS, Frederik. Economia de empresas: aplicações, táticas e estratégias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. 102
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    unidade 6 Concorrência Monopolistae Oligopólio Objetivos de aprendizagem „„ Compreender o conceito de concorrência monopolista e oligopólio. „„ Discutir as noções de interdependência e barreiras à entrada. „„ Estudar a definição de cartel. Seções de estudo Seção 1 O modelo de concorrência monopolista Seção 2 Seção 3 Oligopólio: barreiras à entrada e interdependência Modelos de oligopólio Seção 4 Cartel 6
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Para início de estudo Nas unidades anteriores, você teve contato com a teoria da concorrência perfeita e do monopólio. No primeiro caso, a concorrência perfeita parte de premissas pouco realistas, mas seu estudo é importante para entendermos como se comportariam os mercados ideais. No lado oposto, o monopólio ocorre principalmente em casos especiais, como os monopólios naturais. A maior parte dos mercados no mundo é formada por oligopólios. Nesta unidade, você aprenderá o processo de tomada de decisão em oligopólios e mercados de concorrência monopolista. A principal característica destes dois mercados é a interdependência entre as empresas, ou seja, as decisões de uma empresa podem afetar o desempenho das empresas rivais e provocar reações por parte destas últimas. Seção 1 - O modelo de concorrência monopolista O modelo de concorrência monopolista apresenta características semelhantes às do modelo de concorrência perfeita, como um elevado número de empresas. Porém sua principal característica refere-se ao fato de as empresas produzirem bens diferenciados ou substitutos próximos, tais como os serviços de restaurantes, lazer, etc. A ideia central encontra-se na conduta dos empresários que, visando a maximização de seus lucros, procuram atrair mais consumidores para seu produto. Diferenciação de produtos refere-se a algo que uma determinada firma oferece aos seus clientes, que a faça parecer única, exclusiva, aos olhos destes clientes, o que traz vantagens em termos de rentabilidade e/ ou participação no mercado. Tradicionalmente, cor, tamanho, desempenho, marca, propaganda, acesso ao canal de distribuição, facilidade de estacionamento, simpatia e cortesia, dentre diversos outros, são considerados fatores motivadores da diferenciação. 104
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    Análise Microeconômica Já que,contrariamente ao modelo de concorrência perfeita, os produtos são diferenciados, as empresas passam a ter maior poder sobre seu preço. Entretanto, como há vários produtores de bens substitutos próximos, as curvas de demanda destes produtores tendem a ser bastante elásticas, pois os consumidores dispõem de diversas alternativas de consumo. Lembre-se do conceito de poder de mercado, estudado na unidade 5 Seção 2 - Oligopólio O oligopólio é uma estrutura que prevalece na maioria dos mercados no mundo, inclusive no Brasil. Pode-se definir oligopólio como sendo um mercado no qual poucas empresas são responsáveis por toda ou pela maior parte da oferta de bens substitutos entre si. Há mercados oligopolistas onde somente grandes empresas atuam, como, por exemplo, o mercado de automóveis, que conta com pouco mais de duas dezenas de empresas ao redor do mundo. Em outros, como o de alimentos, há a presença de um número expressivamente grande de empresas, porém poucas são responsáveis pela maior parte da oferta neste mercado. Já é possível perceber que as grandes empresas detêm, em maior ou menor grau, poder de mercado. Além disto, o produto/serviço pode ser diferenciado (refrigerantes, tênis, aparelhos de televisão) ou não diferenciado (cimento, papel, celulose, alumínio, dentre outros). Há duas características importantes de oligopólio que merecem destaque e serão exploradas nas subseções seguintes: 1. a interdependência entre os agentes; e 2. a presença de barreiras à entrada. Unidade 6 105
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    Universidade do Sulde Santa Catarina A primeira característica, que será detalhada adiante, refere-se ao fato de que a estratégia de uma empresa (preço, propaganda, quantidade produzida, qualidade do produto, condições de venda,etc.) exerce algum tipo de impacto nas vendas das empresas rivais. 2.1 Barreiras à entrada Segundo J. Bain (1956) e P. Sylos-Labini (1956), que ainda permanecem atuais neste tema, é a presença de barreiras à entrada de concorrentes potenciais num mercado oligopolista que permite às empresas mais bem situadas praticarem preços acima do nível competitivo, embora, em geral, abaixo do nível de maximização de monopólio a curto prazo. Barreiras à entrada são impedimentos à entrada de novas firmas em um determinado mercado. As principais fontes de barreiras à entrada, todas elas fatores estruturais, são, de acordo com J. Bain (1956): a) economias de escala, técnicas ou de vendas, quando o tamanho mínimo é uma proporção significativa do mercado; b) vantagens absolutas de custos, ligadas à tecnologia superior ou acesso privilegiado a insumos; c) vantagens de diferenciação de produtos, já que a diferenciação leva a um certo grau de fidelidade por parte dos consumidores; e d) requisitos mínimos de capital para a instalação da capacidade produtiva, associados aos investimentos produtivos e em P&D e publicidade. 106
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    Análise Microeconômica 2.2 Interdependênciaestratégica O principal traço distintivo do oligopólio é a interdependência estratégica dos produtores; daí o destaque dado na literatura econômica moderna à utilização da teoria dos jogos. Este é o enfoque atualmente predominante na “Nova Teoria da Organização Industrial” neoclássica, que utiliza a teoria dos jogos não cooperativos e o seu principal conceito de equilíbrio, de Nash. A interdependência, como mencionado anteriormente, referese ao fato de que a ação de uma empresa pode produzir efeitos nas empresas concorrentes. Por exemplo, caso a Volkswagen resolva reduzir os preços de seus automóveis, ela venderá mais automóveis, e seus concorrentes venderão menos. Isto levará os concorrentes a também reduzirem seus preços ou criarem novas estratégias de competição. De outra forma, há momentos nos quais duas empresas podem optar por não competir e, sim, cooperar. Por exemplo, para evitar uma guerra de preços, duas empresas podem optar por manter os mesmos preços de produtos semelhantes. Quadro 1: os modelos clássicos de oligopólio Os modelos “clássicos” de Cournot, Bertrand e Stackelberg Os modelos “clássicos” de oligopólio, que exemplificam a aplicação moderna de teoria dos jogos para a análise de interação estratégica em situações já bem conhecidas na literatura, são os modelos de duopólio (extensivos para oligopólio) de Cournot, Bertrand e Stackelberg. No modelo de Cournot, a quantidade (ou capacidade produtiva) é a variável estratégica, por ser objeto de decisão estratégica das firmas, que buscam maximizar seus lucros, pois a(s) concorrente(s) fará(ão) o mesmo. O preço é resultado do mercado (demanda e número de oligopolistas – na versão original, dois), e foi objeto de muitas críticas pelo irrealismo. Um exemplo de oligopólio é a Cournot, do setor de transporte aéreo. A decisão estratégica neste caso é qual a capacidade de transporte de cada avião. Um erro em uma decisão deste tipo pode se configurar em um grande problema para a empresa. Unidade 6 107
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    Universidade do Sulde Santa Catarina O modelo de Bertrand foi proposto para superar o de Cournot e, por isto, assume o preço em lugar da quantidade como variável estratégica. Um exemplo do modelo de Bertrand é a indústria de software. Neste caso, a decisão estratégica é a definição do preço de venda. Copiar novas quantidades do programa é relativamente fácil e pouco dispendioso. Finalmente, o modelo de von Stackelberg é semelhante ao de Cournot, mas com uma inovação importante: é dinâmico, não podendo ser tratado estrategicamente como um modelo “one shot”, como o de Cournot. Ele é conhecido como modelo de “líder - seguidor” (“leader - follower”), porque a ordem de entrada no mercado é importante. Neste caso é vantajosa a empresa pioneira. Por exemplo, a Hellmann’s foi a primeira maionese industrializada do Brasil. E, por ser a primeira e a mais conhecida, hoje desfruta de uma posição confortável no mercado. Seção 3 - Modelos de oligopólio 3.1 Modelo da Curva de demanda quebrada Uma característica comum de mercados oligopolistas é a rigidez de preços. O modelo da curva de demanda quebrada explica esta rigidez. É comum notar que produtos semelhantes fabricados por empresas rivais tenham preços semelhantes. A rigidez de preços é também consequência da interdependência estratégica entre as empresas. Se uma empresa diminuísse seus preços, os concorrentes teriam suas vendas diminuídas e seriam obrigados a também reduzir seus preços. Na contrapartida, se uma empresa aumentasse seus preços unilateralmente, as suas vendas diminuiriam. As vendas das concorrentes aumentariam, e elas não teriam nenhum incentivo para também aumentar seus preços. Desta forma, percebe-se que nenhuma empresa então estaria disposta, de forma unilateral, a reduzir seu preço (pois as outras a seguiriam) e nem a aumentar (já que as outras não a seguiriam). 108
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    Análise Microeconômica Na figura1, é possível notar como é a curva de demanda quebrada. Nota-se que a curva de demanda (D) apresenta uma ‘quebra’, quando o preço é p*. Este é o preço em vigor no mercado. Acima deste preço, a curva de demanda é mais inclinada, o que significa dizer que ela é elástica. E, quando a demanda é elástica, aumentos de preço implicam redução na receita e nas vendas. Por outro lado, para níveis de preço abaixo de p*, a curva de demanda é menos inclinada, o que significa que a demanda é inelástica. E, como já visto na unidade 2, quando a demanda é inelástica, reduções no preço implicam reduções na receita também. Por outro lado, para níveis de preço abaixo de p*, a curva de demanda é menos inclinada, o que significa que a demanda é inelástica. E, como já foi visto na unidade 2, quando a demanda é inelástica, reduções no preço implicam reduções na receita também. $/Q CMg p* D Q* Quantidade RMg Figura 1 – A curva de demanda quebrada Em suma, as empresas optam por não competir por preços (guerra de preços, por exemplo), e a competição se dá por outras variáveis, como diferenciação, qualidade, propagandas, etc. Unidade 6 109
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Exemplo da curva de demanda quebrada TAM segue Varig e corta preço das passagens em até 85% Quinta, 16 de Março de 2006, 8h55 Fonte: INVERTIA (www.terra.com.br/invertia) A TAM acompanhou as concorrentes Gol e Varig, que divulgaram promoções nos últimos dias, e anunciou que dará descontos de até 85% nas passagens aéreas no período de Páscoa, entre os dias 11 e 18 de abril. Para ter direito ao desconto, é necessário comprar as passagens de ida e volta até o dia 4 de abril e permanecer pelo menos dois dias no destino. A compra dos bilhetes não conta pontos no programa de fidelidade da companhia. A passagem Rio-Salvador, ida e volta, sai a R$ 584; de São Paulo para Vitória, a tarifa promocional ida e volta custa R$ 524. A Varig havia anunciado desconto semelhante, válido a partir da próxima sexta-feira. Já a Gol retomou a promoção de venda de passagens a R$ 50 para alguns assentos de voos específicos. 3.2 Liderança de preços Vimos na subseção anterior que a formação de preço em alguns mercados é explicada pela curva de demanda quebrada. Um outro modelo de determinação da relação preço-produção em alguns mercados oligopolistas é o modelo da liderança de preços. Alguns setores têm um padrão por meio do qual uma ou algumas empresas fixam um preço, e as demais tendem a segui-la. O padrão de preço que é estabelecido depende do grau pelo qual os produtos são diferenciados. Quanto mais diferenciado um produto, maior será a diferença de preço entre as empresas que o produzem. 110
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    Análise Microeconômica Liderança depreços da firma dominante No caso da liderança de preços da firma dominante, uma empresa assume a posição de líder devido ao seu tamanho em relação ao mercado. Em geral, é uma firma que detém uma fatia de 40% ou mais do mercado. Uma empresa pode ser líder de preço por ser a maior, mas também por ser aquela com melhor conjunto de informações, e que, portanto, direciona as outras empresas dentro do mercado. Em certos casos, seguir o líder pode advir do receio de uma retaliação implacável, já que a empresa dominante normalmente tem custos mais baixos que as empresas menores. Em outras situações, seguir o líder pode ser encarado como uma conveniência, pois as firmas menores utilizam o preço da líder como padrão para todo o mercado. Um exemplo de liderança de preços é o caso da Hellmann’s. No mercado de maionese, a marca detém uma expressiva fatia de mercado e é a marca mais conhecida. Seu preço é o maior do mercado, que é o preço que maximiza seu lucro. As empresas menores praticam um preço inferior e sua conduta é semelhante à das empresas em concorrência perfeita, já que são tomadoras de preço. Seção 4 - Cartel Muitas vezes, as empresas querem reduzir o risco que enfrentam devido à presença de empresas rivais. Para isto, as empresas podem cooperar ou formar cartel (o cartel também é conhecido por conluio). Os acordos desta natureza são proibidos no Brasil pela Lei 8.884, de 11 de julho de 1994. Veja o que diz a lei em seus artigos 20 e 21: Unidade 6 111
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Quadro 2 - Lei 8.884, de 11 de julho de 1994 Art. 20. Constituem infração da ordem econômica, independentemente de culpa, os atos sob qualquer forma manifestados, que tenham por objeto ou possam produzir os seguintes efeitos, ainda que não sejam alcançados: I - limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa; II - dominar mercado relevante de bens ou serviços; III - aumentar arbitrariamente os lucros; IV - exercer de forma abusiva posição dominante. 1º A conquista de mercado resultante de processo natural fundado na maior eficiência de agente econômico em relação a seus competidores não caracteriza o ilícito previsto no inciso II. 2º Ocorre posição dominante quando uma empresa ou grupo de empresas controla parcela substancial de mercado relevante, como fornecedor, intermediário, adquirente ou financiador de um produto, serviço ou tecnologia a ele relativa. 3º A parcela de mercado referida no parágrafo anterior é presumida como sendo da ordem de trinta por cento. Art. 21. As seguintes condutas, além de outras, na medida em que configurem hipótese prevista no art. 20 e seus incisos, caracterizam infração da ordem econômica; I - fixar ou praticar, em acordo com concorrente, sob qualquer forma, preços e condições de venda de bens ou de prestação de serviços; II - obter ou influenciar a adoção de conduta comercial uniforme ou concertada entre concorrentes; III - dividir os mercados de serviços ou produtos, acabados ou semiacabados, ou as fontes de abastecimento de matériasprimas ou produtos intermediários; IV - limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado; V - criar dificuldades à constituição, ao funcionamento ou ao desenvolvimento de empresa concorrente ou de fornecedor, adquirente ou financiador de bens ou serviços; VI - impedir o acesso de concorrente às fontes de insumo, matérias-primas, equipamentos ou tecnologia, bem como aos canais de distribuição; 112
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    Análise Microeconômica VII -exigir ou conceder exclusividade para divulgação de publicidade nos meios de comunicação de massa; VIII - combinar previamente preços ou ajustar vantagens na concorrência pública ou administrativa; IX - utilizar meios enganosos para provocar a oscilação de preços de terceiros; X - regular mercados de bens ou serviços, estabelecendo acordos para limitar ou controlar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, a produção de bens ou prestação de serviços, ou para dificultar investimentos destinados à produção de bens ou serviços ou à sua distribuição; XI - impor, no comércio de bens ou serviços, a distribuidores, varejistas e representantes, preços de revenda, descontos, condições de pagamento, quantidades mínimas ou máximas, margem de lucro ou quaisquer outras condições de comercialização relativos a negócios destes com terceiros; XII - discriminar adquirentes ou fornecedores de bens ou serviços por meio da fixação diferenciada de preços, ou de condições operacionais de venda ou prestação de serviços; XIII - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, dentro das condições de pagamento normais aos usos e costumes comerciais; XIV - dificultar ou romper a continuidade ou desenvolvimento de relações comerciais de prazo indeterminado em razão de recusa da outra parte em submeter-se a cláusulas e condições comerciais injustificáveis ou anticoncorrenciais; XV - destruir, inutilizar ou açambarcar matérias-primas, produtos intermediários ou acabados, assim como destruir, inutilizar ou dificultar a operação de equipamentos destinados a produzi-los, distribuí-los ou transportá-los; XVI - açambarcar ou impedir a exploração de direitos de propriedade industrial ou intelectual ou de tecnologia; XVII - abandonar, fazer abandonar ou destruir lavouras ou plantações, sem justa causa comprovada; XVIII - vender injustificadamente mercadoria abaixo do preço de custo; XIX - importar quaisquer bens abaixo do custo no país exportador, que não seja signatário dos códigos Antidumping e de subsídios do Gatt; Unidade 6 113
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    Universidade do Sulde Santa Catarina XX - interromper ou reduzir em grande escala a produção, sem justa causa comprovada; XXI - cessar parcial ou totalmente as atividades da empresa sem justa causa comprovada; XXII - reter bens de produção ou de consumo, exceto para garantir a cobertura dos custos de produção; XXIII - subordinar a venda de um bem à aquisição de outro ou à utilização de um serviço, ou subordinar a prestação de um serviço à utilização de outro ou à aquisição de um bem; XXIV - impor preços excessivos, ou aumentar sem justa causa o preço de bem ou serviço. Parágrafo único. Na caracterização da imposição de preços excessivos ou do aumento injustificado de preços, além de outras circunstâncias econômicas e mercadológicas relevantes, considerar-se-á: I - o preço do produto ou serviço, ou sua elevação, não justificados pelo comportamento do custo dos respectivos insumos, ou pela introdução de melhorias de qualidade; II - o preço de produto anteriormente produzido, quando se tratar de sucedâneo resultante de alterações não substanciais; III - o preço de produtos e serviços similares, ou sua evolução, em mercados competitivos comparáveis; IV - a existência de ajuste ou acordo, sob qualquer forma, que resulte em majoração do preço de bem ou serviço ou dos respectivos custos. Esta lei criou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), órgão responsável por zelar pela livre concorrência. As empresas fazem cartel para reduzir riscos causados pelo processo de concorrência e, assim, operam como um monopolista maximizador de lucros. 114
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    Análise Microeconômica Fatores queafetam o conluio „„ „„ Número de empresas: o conluio eficaz geralmente é mais fácil, quando é menor o número de empresas envolvidas. Se o número de empresas rivais é pequeno, elas podem combinar preços e dominar o mercado para, por exemplo, evitar que uma outra empresa entre no mercado. Já, quando aumenta o número de concorrentes, aumenta também a probabilidade de uma ou mais empresas agirem de forma independente. Elasticidade-preço da demanda: a prática de cartel tem maior probabilidade de êxito, quando o produto tem demanda inelástica em relação ao preço. Note na unidade 2, que, quando um produto tem estas características, um aumento no preço leva a um aumento na receita. Além disso, esta categoria engloba produtos essenciais, difíceis de serem substituídos ou com preço muito baixo. Acompanhe, no quadro a seguir, um exemplo de Cartel: Friboi assume cartel e ilegalidade no BNDES MAURO ZAFALON e FERNANDO CANZIAN DA REPORTAGEM LOCAL Folha de São Paulo, 27/11/2005. O Friboi, maior abatedouro de bovinos da América Latina e quarto maior do mundo, confessa operar em regime de cartel, unido a pelo menos três outros frigoríficos brasileiros. “Nós, o Bertin, o Independência... os três põem o preço do boi em tudo quanto é Estado. Mato Grosso nós peita... Nós sozinho regulou o preço. Estamos fazendo o preço do Mato Grosso, e os outro acompanha [sic]”, diz José Batista Junior, proprietário do Friboi. “Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas, agora nós estamos em cinco Estado, e nos cinco Estado nós combina com três”, diz, nomeando os frigoríficos Independência, Bertin e Mataboi - que negam participação no esquema. Essa combinação que Batista Junior descreve teria o objetivo de forçar os pecuaristas a vender seu gado aos frigoríficos a um preço abaixo da lei da oferta e da procura, deturpando o mercado. Unidade 6 115
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Neste ano, a partir de outra denúncia, foi aberta investigação no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) atrás de provas sobre a prática de cartel no setor. A denúncia partiu da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Batista Junior, que, na semana passada, anunciou ser candidato pelo PSDB ao governo de Goiás, fez as declarações diante de testemunhas que estão em guerra comercial com o Friboi. Sem saber, Batista Junior foi gravado e filmado durante as conversas. “Contrato de gaveta” Em uma dessas conversas, também gravada, o irmão de Batista Junior, Joesley Mendonça Batista, afirma ter um “contrato de gaveta” com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), pelo qual assumiu uma dívida de R$ 11,2 milhões do grupo concorrente Araputanga. Friboi e Araputanga firmaram em 1999, compromisso de arrendamento com opção de compra do frigorífico Araputanga (MT). Os dois protagonizam disputa há anos na Justiça, a qual põe o BNDES em situação delicada. Fusões Além dos casos de cartel, o CADE também julga os processos de fusões. Uma fusão é uma união entre duas empresas, dando origem a uma única empresa. As fusões podem ser originadas pela vontade de diminuir a concorrência entre as firmas ou para se obterem maiores lucros ou, ainda, para crescer e alcançar uma planta, cujo tamanho possibilite obter economias de escala. Segundo Scherer (1990), as fusões ocorrem por milhares de motivos. Estes motivos vão desde a vontade de uma firma de se tornar monopolista até a especulação. Assimetrias em capacidades gerenciais implicariam diferentes tamanhos de empresa e dariam origem a possíveis fusões e aquisições. Assumindo que a gerência da empresas A pode mais eficientemente (a um custo menor) organizar a produção do produto X fabricado pela companhia B, A pode adquirir B ou competir com 116
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    Análise Microeconômica ela, iniciandoa produção de X. A companhia A poderá comprar B, mesmo com possível decréscimo na eficiência gerencial de A devido à sua nova capacidade de produção, se A produzir X a um custo mais baixo que B. Ou, então, A produzirá X sem comprar a empresa B, na quantidade em que o custo marginal de A para produzir uma unidade extra do produto X seja igual ao custo marginal de B e ambos sejam iguais ao preço de X no mercado. (KLOECKNER, 1994, p.43). Outro ponto a ser analisado e que reforça os motivos para a ocorrência de fusões é a separação entre a propriedade e o controle da organização. Este fenômeno é comum atualmente, principalmente em grandes empresas. Em muitos casos, os herdeiros do proprietário são impedidos de assumir o controle da firma, que é dado a administradores profissionais. Segundo este paradigma, as fusões ocorrem porque os gerentes, que não são os proprietários do capital, estão preocupados, não apenas com os lucros da empresa, mas, principalmente, com a manutenção de seus empregos. Desta forma, os gerentes passam a concentrar seus esforços no crescimento da empresa em que trabalham. Esta preocupação com o crescimento, por sua vez, leva à ocorrência de fusões e aquisições, que diminuem a competição no setor onde as empresas operam. Portanto as fusões, independentemente do motivo que as originou, levam ao aumento do grau de concentração. Em outras palavras, reduzem o número de empresas no setor e, consequentemente, aumentam o poder de mercado das maiores empresas. Acompanhe um exemplo de fusão – o caso AMBEV Em julho de 1999, as duas maiores fabricantes de cerveja do Brasil, Brahma e Antarctica, anunciaram a intenção de realizar uma fusão, constituindo uma nova empresa, a AMBEV. Em toda a sociedade gerou-se, então, o temor de que a nova empresa tivesse um poder de mercado tão grande que ameaçasse a concorrência e a sobrevivência das empresas concorrentes. Este argumento se fundamenta no fato de que quanto maior a concorrência, melhor a situação do consumidor. Unidade 6 117
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Porém existem argumentos sólidos que sustentam a ocorrência da fusão. Primeiramente, as tecnologias recentes na produção de cerveja tornaram economicamente viável a construção de megafábricas, empreendimentos capazes de produzir milhares de litros por ano. À medida que estas unidades operem utilizando toda sua capacidade, o custo médio tende a ser muito baixo. Esta redução de custo pode beneficiar o consumidor, pois a empresa pode praticar preços mais baixos. Antes da fusão, a Brahma detinha 48,5% do mercado de cerveja e a Antarctica detinha 23,1%. Claramente, a AMBEV passou a deter uma significativa parcela deste mercado. A fusão foi aprovada pelo CADE em 2000. Porém, com algumas restrições, dentre elas a venda da marca Bavária e de cinco fábricas pelo país. As restrições visam a reduzir o poder de mercado da empresa. A decisão do CADE foi duramente criticada, mas percebe-se que seus conselheiros creem que os efeitos negativos da fusão serão compensados pelos efeitos positivos, como maior concorrência e melhor qualidade dos produtos para os consumidores. Atividades de autoavaliação 1) Quais as principais diferenças entre o modelo de concorrência monopolista e o modelo de concorrência perfeita, estudado na unidade 3? 118
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    Análise Microeconômica 2) Quaisas principais diferenças e semelhanças entre o oligopólio e o monopólio? 3) Por que existem os cartéis? Qual o efeito para a sociedade da existência de cartéis? Síntese Esta unidade teve o objetivo de discutir os modelos de concorrência monopolista e o oligopólio. De forma central, viu-se que o processo de concorrência é caracterizado pela interdependência entre as empresas e pela existência de barreiras à entrada. A interdependência se refere ao fato de que as decisões estratégicas de uma empresa podem interferir Unidade 6 119
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    Universidade do Sulde Santa Catarina no resultado das suas rivais. E as barreiras à entrada são impedimentos à entrada de novas empresas no mercado. Os cartéis também foram abordados nesta unidade. Viu-se que a vantagem em se fazer um cartel é principalmente reduzir risco de mercado e operar como uma empresa monopolista. Saiba mais MCCONELL, C. & BRUE, B. Microeconomia. 14. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001. PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 1999. PINHO, D.B. & VASCONCELLOS, M.A.S. (orgs.) Manual de Economia. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. 120
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    unidade 7 Análise Estruturalda Indústria Objetivos de aprendizagem „„ Analisar a indústria utilizando o modelo das cinco forças competitivas, também conhecido por modelo de Porter. Seções de estudo Seção 1 O modelo Seção 2 As forças competitivas Seção 3 Estudo de caso 7
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Para início de estudo Michael Porter é engenheiro aeronáutico, tem doutorado em economia de empresas e é professor de estratégia na universidade de Harvard (EUA). Dentre seus estudos, um dos mais importantes é o modelo das cinco forças competitivas, tema desta unidade, também conhecido como modelo de Porter. Em seu modelo, Porter descreve as cinco forças competitivas (rivalidade na indústria, ameaça de entrantes, ameaça de substitutos, compradores e fornecedores). A correta análise deste modelo permite que as empresas compreendam o seu posicionamento competitivo e as leva a tomar decisões acertadas. Seção 1 - O modelo Michael Porter (1986) adotou a definição de uma indústria como sendo um grupo de empresas fabricantes de produtos que são substitutos bastante próximos entre si. Além disso, a análise da estrutura industrial é a base fundamental do seu modelo, uma vez que, segundo o autor, a estrutura industrial tem uma forte influência na determinação das regras competitivas, as quais deverão ser observadas e compreendidas ao se analisar uma indústria ou as empresas que a compõem. Um dos pressupostos básicos da proposta de Porter é que cada empresa que compete em uma indústria deve possuir uma estratégia competitiva. Esta estratégia pode ser desenvolvida explicitamente, por meio de um processo de planejamento, mas também pode evoluir implicitamente, por intermédio das atividades dos vários departamentos funcionais da empresa. O desenvolvimento de uma estratégia competitiva determina o modo como a empresa irá competir, quais devem ser suas metas e quais as políticas necessárias para realizá-las. Este desenvolvimento consiste em relacionar a empresa com o seu meio de atuação, ou seja, relacionar a empresa com a indústria ou 122
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    Análise Microeconômica com asindústrias em que ela compete, de modo a compreender a concorrência e identificar as características estruturais, que possibilitam a formulação de estratégias na busca de vantagens competitivas. Assim, a rentabilidade de uma indústria é função de sua estrutura e é ela que estabelece as regras da concorrência que, segundo Porter, dependem de cinco forças competitivas básicas, demonstradas na figura 1. ENTRANTES POTENCIAIS Ameaça FORNECEDORES Poder de Negociação CONCORRENTES NA INDÚSTRIA Poder de Negociação COMPRADORES Ameaça SUBSTITUTOS Figura 1: Forças Competitivas na Indústria (Porter, 1986) A pressão conjunta destas cinco forças determina a lucratividade da indústria, tendo em vista que os preços, custos e investimentos, que são os elementos básicos da rentabilidade, são influenciados em diferentes graus de intensidade por cada uma destas forças competitivas. De fato, os preços que as empresas podem cobrar são influenciados pelo poder de negociação dos compradores, pois estes, quando muito fortes, exigem serviços de elevado valor relativo, que repercutem nos custos e nos investimentos e, com isto, nos preços dos produtos. O poder de negociação dos fornecedores determina os custos de matéria-prima e de outros insumos, que, por sua vez, influem nos custos finais. A intensidade da rivalidade entre as empresas da indústria influencia os preços e os custos, para competir em áreas como desenvolvimento do produto, propaganda e esforço de Unidade 7 123
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    Universidade do Sulde Santa Catarina venda. A ameaça da entrada de novos participantes fixa limites na estratégia de preços e no volume de investimento, e tem por objetivo deter novos entrantes. Finalmente, a ameaça de produtos substitutos influi nos preços que a indústria pode cobrar, pois estabelece um teto para os mesmos. Assim, a análise das cinco forças competitivas corresponde à busca da melhor posição para a empresa. A partir dela, são identificados os pontos fortes e pontos fracos peculiares a cada situação de mercado, bem como a influência destas forças na definição das estratégias competitivas. Seção 2 - Forças Competitivas As cinco forças competitivas - ameaça de entrada, ameaça de substituição, poder de negociação dos compradores, poder de negociação dos fornecedores e rivalidade entre as empresas da indústria - refletem: O fato de que a concorrência em uma indústria não está limitada aos participantes estabelecidos. Clientes, fornecedores, substitutos, e os entrantes potenciais são todos “concorrentes” para as empresas na indústria, podendo ter maior ou menor importância, dependendo de circunstâncias particulares. (PORTER, 1986, p.24). As cinco forças competitivas, em conjunto, determinam a intensidade da concorrência na indústria, bem como dão subsídios para o posicionamento de uma empresa na indústria, destacando também as áreas em que as tendências da mesma refletem ameaças e oportunidades. Determinadas características técnicas e econômicas de uma indústria são críticas para a intensidade de cada força competitiva. A seguir, são descritas as características mais relevantes na determinação da intensidade de cada uma das forças competitivas. 124
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    Análise Microeconômica 2.1 -Ameaça de entrada A ameaça de novos entrantes caracteriza-se como a possibilidade de entrada de novas empresas que trazem recursos, geralmente substanciais, como nova capacidade de produção e um grande desejo de ganhar uma parcela do mercado. A entrada de novos concorrentes pode apresentar como consequência uma redução da rentabilidade das empresas já existentes, porque ela implica uma queda nos preços e aumento da demanda por insumos, o que levará a um aumento nos custos do produto final. Para Porter (1986), mesmo a aquisição de uma empresa já existente em uma indústria por companhias provenientes de outros mercados, deve ser encarada como uma entrada. Muito provavelmente, com a aquisição, novos recursos e nova capacidade gerencial serão injetados nesta indústria, objetivando um aumento da parcela de mercado da empresa já existente. A intensidade da força representada pela ameaça de novos entrantes depende de barreiras de entrada estabelecidas pelas empresas já presentes na indústria. São seis as fontes principais de barreiras de entrada. Veja-as a seguir. 1. Economias de escala: referem-se aos declínios nos custos unitários de um produto, à medida que o nível de produção aumenta, obrigando as empresas entrantes a ingressarem em larga escala ou sujeitarem-se a uma desvantagem de custo. Economias de escala podem estar presentes em quase toda a função de uma empresa, incluindo fabricação, compras, pesquisa e desenvolvimento, rede de serviços, marketing, utilização de forças de vendas e distribuição. As economias de escala também podem estar presentes nas economias de escopo (utilização dos mesmos fatores para produzir bens diferentes) e economias monetárias (obtenção de fatores de produção com menores preços). A integração vertical é também um tipo de barreira de entrada que gera economias de escala nos estágios de produção ou de distribuição, uma vez que, nesta situação, Unidade 7 125
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    Universidade do Sulde Santa Catarina a empresa entrante deverá ingressar de forma integrada ou enfrentar uma desvantagem de custo, assim como uma possível exclusão de insumos ou mercados para o seu produto, se a maioria dos concorrentes estabelecidos estiver integrada. 2. Diferenciação do produto: a diferenciação tem origem na identificação de uma marca da empresa, seja através do serviço ao consumidor, da diferença dos produtos, pelo esforço de publicidade ou por ser a primeira na indústria. Estes fatores contribuem para desenvolver um sentimento de lealdade em seus compradores. A diferenciação cria uma barreira de entrada, porque os novos entrantes são forçados a investir pesado para romper os vínculos estabelecidos entre os clientes e as empresas existentes. 3. Necessidade de capital: a necessidade de investir recursos financeiros em grande quantidade para poder competir cria a barreira de entrada. O capital é essencial para os investimentos em instalações de produção, para manter estoques, cobrir prejuízos iniciais e, até mesmo, para atividades de risco, como, por exemplo, pesquisa e desenvolvimento ou publicidade inicial. 4. Custos de mudança: são os custos com os quais o comprador se defronta, quando muda de um fornecedor para o outro. Podem incluir aquisição de novos equipamentos, custos de treinamento de empregados, custos com testes e qualificações de nova fonte e, até mesmo, custos psíquicos de desfazer um relacionamento. Quando eles são altos, constituem uma barreira de entrada. 5. Acesso aos canais de distribuição: uma nova empresa precisa, ao entrar numa indústria, assegurar a distribuição para o seu produto, fazendo desconto de preços para convencer o varejista a ceder espaço através de promessas de promoções e coisas semelhantes. Se o acesso aos canais de distribuição (atacado e varejo) for limitado e quanto maior for o controle dos concorrentes sobre esses canais, mais difícil será a entrada na indústria. 126
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    Análise Microeconômica 6. Desvantagemde custo independente de escala: Porter (1986) enuncia, ainda, alguns fatores que apresentam vantagens plenas de custos para as empresas estabelecidas em uma indústria, impossíveis de serem igualadas pelos entrantes potenciais, independente de economia de escala. Tais fatores são os seguintes: „„ „„ tecnologia patenteada do produto (que são protegidas por patentes ou segredos); acesso favorável às matérias-primas (as empresas estabelecidas têm o controle das fontes de matériasprimas mais favoráveis ou as têm sob controle a preços muito mais baixos do que o total); „„ localizações favoráveis; „„ subsídios oficiais (subsídios preferenciais do governo); e, „„ curva de aprendizagem ou experiência (os custos declinam à medida que uma empresa acumula experiência na fabricação do produto). Segundo Porter (1986), os efeitos da experiência se refletem na redução dos custos – no marketing, na produção, na distribuição e, principalmente, nas ações que envolvem um alto grau de participação de mão de obra em operações e tarefas complicadas. Por último, o governo, através de política governamental, também pode agir de maneira a limitar ou impedir a entrada de novas empresas na indústria com controles, como por exemplo: limites ao acesso da matéria-prima e licenças de funcionamento. Além destas barreiras, outros fatores podem desestimular a entrada de novos concorrentes na indústria como: a) Retaliação esperada - quando os entrantes em potencial têm expectativas de vigorosas retaliações por parte das empresas já estabelecidas, a entrada pode ser dissuadida. A ameaça de retaliação é maior, quando as atuais empresas têm um passado de fortes retaliações aos entrantes, alta liquidez, excesso de capacidade instalada, alto grau de comprometimento com a indústria, ativos pouco líquidos ou ilíquidos e crescimento lento da indústria; Unidade 7 127
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    Universidade do Sulde Santa Catarina b) Preço de entrada dissuasivo - indústrias com a rentabilidade muito baixa não estimulam a entrada de novos competidores. A rentabilidade pode ser baixa por uma imposição do mercado ou pode ser uma estratégia temporária das empresas estabelecidas para impedir a entrada de novos concorrentes. 2.2 - Rivalidade entre os concorrentes existentes A rivalidade entre os concorrentes de uma indústria pode ser definida como a disputa por posições entre as empresas que já atuam em um mesmo mercado. Ela é caracterizada pelo uso de táticas como concorrência de preços, batalha de publicidade, introdução e aumento dos serviços ou das garantias dos compradores. (PORTER,1986). As empresas de uma indústria são mutuamente dependentes e, portanto, os movimentos competitivos de uma empresa têm efeitos imediatos nos seus concorrentes, o que estimula a competitividade. Conforme o autor, a concorrência de preços, por exemplo, é altamente instável e, muito provavelmente, deixe toda a indústria em pior situação do ponto de vista da rentabilidade. A redução de preços é facilmente imitada pelos concorrentes rivais. Uma vez igualados, eles reduzem as receitas de todas as empresas, a menos que a elasticidade-preço da indústria seja bastante alta. A intensidade da rivalidade pode ser analisada, levando-se em consideração a interação de vários fatores, que são: 1. Concorrentes numerosos e bem equilibrados: quando é grande o número de empresas em uma indústria, ou quando elas são poucas, porém equilibradas, em relação a tamanho e recursos, a rivalidade aumenta. Por outro lado, quando a indústria é dominada por algumas poucas empresas, altamente concentradas, as empresas líderes podem impor regras ou coordenar as ações das demais através de meios como liderança de preços. 128
  • 129.
    Análise Microeconômica 2. Crescimento lentoda indústria: normalmente, para as empresas que procuram expansão da participação do mercado, o crescimento lento da indústria transforma a concorrência em um jogo, provocando uma situação muito mais instável do que quando a condição é de um crescimento rápido da indústria. 3. Custos fixos ou de armazenamento altos: as empresas com custos fixos elevados e com excesso de capacidade provocam uma forte pressão que ocasiona uma rápida escalada de redução de preços. 4. Ausência de diferenciação ou custos de mudança: a diferenciação cria um sentimento de lealdade no comprador e gera um isolamento contra a concorrência. Por outro lado, a ausência de diferenciação faz com que a escolha dos compradores se baseie, em grande parte, no preço e no serviço, gerando uma intensificação da competitividade entre as empresas da indústria. 5. Capacidade da produção aumenta em grandes incrementos: as economias de escala podem proporcionar acréscimos excessivos na capacidade de produção, rompendo o equilíbrio entre oferta e procura na indústria, o que poderá determinar períodos alternados de supercapacidade e reduções de preços. 6. Concorrentes divergentes: são situações entre as empresas concorrentes de uma indústria, cujos objetivos e estratégias de competição são muito diferentes, gerando um relacionamento de choque contínuo ao longo do processo. 7. Grandes interesses estratégicos: são situações em que os objetivos de determinadas empresas consistem no estabelecimento de uma posição sólida no mercado ao invés da lucratividade, aumentando assim a instabilidade e a concorrência na indústria. 8. Barreiras de saídas elevadas: algumas empresas operando em prejuízo não abandonam a indústria na esperança de conseguir o retorno do seu investimento. Pela dificuldade de saída destas empresas, a rentabilidade Unidade 7 129
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    Universidade do Sulde Santa Catarina de toda a indústria pode ser permanentemente reduzida, pois as empresas com excesso de capacidade de produção são forçadas a competir, contribuindo para aumentar a rivalidade existente. Caracterizam situações como estas os acordos trabalhistas muito altos, restrições de ordem governamental e social, inter-relações estratégicas como acesso ao mercado, etc. 2.3 - Ameaça de produtos substitutos A identificação de produtos substitutos é alcançada através de pesquisa de outros produtos que possam desempenhar a mesma função na indústria. Os produtos substitutos podem limitar, ou mesmo reduzir, as taxas de retorno de uma indústria, ao forçarem a fixação de um teto nos preços que as empresas estabelecem como lucro. Em sentido amplo, todas as empresas em uma indústria estão competindo com as indústrias de produtos substitutos, de modo que “quanto mais atrativa a alternativa de preçodesempenho oferecido pelos produtos substitutos, mais firme será a pressão sobre os lucros da indústria.” (PORTER,1986, p.39). Assim, a força competitiva dos produtos substitutos representa uma ameaça constante para as empresas estabelecidas de uma indústria. Segundo Porter (1986, p.40), “os produtos substitutos que exigem maior atenção são aqueles que (1) estão sujeitos a tendências de melhoramento do seu “trade off” de preço-desempenho com produto da indústria, ou (2) são produzidos por indústrias com lucros altos”. 130
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    Análise Microeconômica 2.4 -Poder de negociação dos compradores Conforme Porter (1986), os compradores competem com a indústria, forçando os preços para baixo, barganhando por melhor qualidade ou por mais serviços e jogando os concorrentes uns contra os outros, a ponto de, até mesmo, comprometer a rentabilidade da indústria. A maior ou menor pressão dos compradores no que se refere à redução dos preços depende de certas características do grupo de compradores em relação a sua situação no mercado, bem como da importância relativa de suas compras em comparação com seus negócios totais. Portanto um grupo de compradores tem grande poder de barganha nas seguintes circunstâncias: 1. Volume de compra ou grau de concentração dos compradores em comparação com a indústria ofertante: se uma parcela grande das vendas é adquirida por um determinado comprador, isto faz com que aumente a sua importância nos resultados. 2. Participação do produto nos custos totais: quanto mais significativos forem os custos pelos quais os compradores adquirem os produtos que necessitam, maior será a pressão para comprarem os produtos pelo preço mais favorável possível. Do contrário, quando o produto vendido pela indústria representa uma fração pequena dos custos, o comprador é menos sensível ao preço. 3. Padronização ou não diferenciação dos produtos: neste caso, os compradores com muitas opções de vendedores jogam uma empresa contra a outra, na certeza de poder contar sempre com fornecedores alternativos, forçando o preço para baixo. 4. Poucos custos de mudança: os compradores aumentam o seu poder de negociação, quando o vendedor se defronta com custos de mudança. Por outro lado, altos custos de mudança prendem o comprador a determinados fornecedores. Unidade 7 131
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    Universidade do Sulde Santa Catarina 5. Lucratividade dos compradores: quando os lucros dos compradores são reduzidos, criam-se condições para eles buscarem a redução nos custos das compras. Porém compradores com elevada margem de lucratividade são, em geral, menos sensíveis ao preço. 6. Ameaça de integração para trás: os compradores criam uma posição em que podem negociar concessões, quando eles são parcialmente integrados ou representam uma ameaça real de integração para trás. Determinados compradores adotam uma integração para trás parcial, isto é, produzem parte do que necessitam de um determinado componente ou produto e compram o restante de fornecedores externos. Com isto, eles detêm um forte poder de barganha, uma vez que as suas ameaças são concretas, reais. Além disto, a produção parcial própria lhes proporciona um conhecimento detalhado dos custos. Por outro lado, o poder de negociação do comprador também pode ser parcialmente neutralizado, quando as empresas na indústria ameaçam com uma integração para frente, ou seja, fabricar ou executar o serviço dos compradores. 7. Importância da qualidade dos produtos: os compradores são menos sensíveis aos preços, quando a qualidade do seu produto é afetada pelo produto da indústria. 8. Disponibilidade de informações: quando o comprador tem todas as informações relativas à demanda, aos preços reais de mercado, aos custos dos fornecedores, ele aumenta o seu poder de negociação em relação a uma situação de informação deficiente. Assim, com informação total, os compradores têm condições de assegurar o recebimento dos melhores preços e contestar as queixas dos fornecedores de que sua rentabilidade está ameaçada. Estas fontes de informações, que dão poder de negociação ao comprador da indústria, podem ter origem nos consumidores, compradores industriais e comerciais. 132
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    Análise Microeconômica Assim, osconsumidores tendem a ser mais sensíveis aos preços, quando compram produtos não diferenciados, mas que representam uma despesa relativamente alta em relação às suas vendas; e, menos sensíveis aos preços, quando compram produtos em que a qualidade, por exemplo, é importante para eles. Os compradores industriais e comerciais são representados pelos atacadistas e varejistas, que, além de sujeitos às mesmas regras dos consumidores, podem reforçar o seu poder de barganha em relação aos fabricantes (os varejistas, quando podem influenciar as decisões de compra dos consumidores; os atacadistas, quando podem influenciar as decisões de compra dos varejistas ou de outras empresas para as quais vendem). 2.5 - Poder de negociação dos fornecedores Os fornecedores podem ameaçar as empresas de uma indústria ao elevarem os seus preços ou diminuírem a qualidade dos produtos e serviços fornecidos e, com isto, podem comprometer a rentabilidade de uma indústria caso ela não consiga repassar os aumentos dos custos em seus próprios preços. As condições que tornam os fornecedores poderosos tendem a refletir aquelas que tornam os compradores poderosos. Porter (1986) cita as seguintes circunstâncias que caracterizam um grupo de fornecedor poderoso: 1. Grau de concentração dos fornecedores: quando os fornecedores são formados por poucas companhias e mais concentrados do que a indústria para a qual vendem, dispõem de maior capacidade de exercer influência sobre os preços, qualidade e condições. 2. Inexistência de substitutos para seus produtos: a ausência de produtos substitutos aumenta o poder de negociação dos fornecedores concentrados. Unidade 7 133
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    Universidade do Sulde Santa Catarina 3. Importância da indústria para o fornecedor: os fornecedores terão mais influência sobre as indústrias, quando o volume total de suas vendas para uma determinada indústria não for significativa. 4. Importância dos insumos para a indústria compradora: quando o insumo é importante para o sucesso do processo deformação do produto do comprador ou para a qualidade do produto fabricado, aumenta o poder de negociação do fornecedor. 5. Diferenciação dos insumos ou custo de mudança para o comprador: os fornecedores podem neutralizar a possibilidade do comprador jogar um fornecedor contra o outro através da diferenciação de seu produto como também através da elevação dos custos de mudança (equipamentos, assistência técnica, etc.). Caso os custos de mudança incidam sobre os fornecedores, o efeito é inverso. 6. Ameaça de integração para frente: esta circunstância ocorre, quando a indústria se recusa a melhorar as condições de compra em relação aos fornecedores dos produtos utilizados por ela. Porter (1986) sugere, ainda, que, além de considerar os fornecedores como outras empresas, os recursos humanos (mão de obra especializada, por exemplo) também devem ser reconhecidos como fornecedores que exercem grande poder em muitas indústrias. Quando a força de trabalho é bem organizada ou existe uma redução da oferta de mão de obra, o poder dos fornecedores de recursos humanos é alto. 134
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    Análise Microeconômica Seção 3- Estudo de caso O caso McDonald’s Vamos analisar o posicionamento do restaurante fast food McDonald’s de acordo com as cinco forças competitivas. Rivalidade na indústria A indústria de alimentos é uma indústria de crescimento maduro, ou seja, cresce a taxas semelhantes à do PIB. Além do mais, o McDonald’s enfrenta concorrência de outras cadeias de fast food, de restaurantes tradicionais e de restaurantes ‘por quilo’. Novos entrantes É relativamente fácil entrar nesta indústria. Além do mais, há uma tendência mundial de se buscar alimentação mais saudável. Poder de barganha dos substitutos Baixa barreira à entrada de restaurantes ofertando alimentos mais saudáveis, além de outras opções à comida fast food. Fornecedores Como os fornecedores são exclusivos, estes têm pouco poder de barganha em relação ao McDonald’s. Porém há poucos fornecedores com qualidade e que podem trabalhar em parceria com a rede McDonald’s. Clientes Há muitos clientes buscando alimentação mais saudável, com várias opções de restaurantes rápidos nas cidades de médio e grande porte. Unidade 7 135
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    Universidade do Sulde Santa Catarina Atividades de autoavaliação 1) Em relação ao exemplo do McDonald’s, cite quais as forças competitivas que são mais importantes para a rede, ou seja, aquelas que mais podem interferir na sua lucratividade. 2) Analise a empresa onde você trabalha por meio do modelo de Porter ou escolha uma empresa para fazer a análise. 136
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    Análise Microeconômica Síntese Nesta unidade,você aprendeu o modelo das cinco forças competitivas ou modelo de Porter. A partir da análise das cinco forças competitivas apresentadas, a empresa possui condições de elaborar uma estratégia competitiva, assumindo ações ofensivas ou defensivas para criar uma posição defensável em uma indústria e, assim, obter o retorno de seu investimento. Saiba mais PORTER, Michael. Estratégia competitiva. 7.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1986. Unidade 7 137
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    Para concluir oestudo Esta disciplina teve como objetivo apresentar ao(à) estudante uma introdução à microeconomia. Em essência, a disciplina apresentada trata do comportamento dos consumidores e empresas nos seus respectivos mercados de atuação. Espera-se que a disciplina tenha cumprido seu objetivo e fornecido ao (à) leitor(a) atento(a), uma importante ferramenta para a vida profissional. Como o nosso interesse é sempre aprimorar este trabalho, você está convidado(a) a enviar críticas e sugestões para o autor, andreleite@unisul.br. Sucesso!
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    Referências FARINA, E. Prefácio.In: ZYLBERSTAJN, D. & SZTAJN, R. Direito e economia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. GOLDBERD, D. Poder de compra e política antitruste. São Paulo: Universidade de São Paulo (Tese de doutorado em direito), 2005. GROSSMAN, S. & HART, O. The costs and benefits of ownership: a theory of vertical and lateral integration. Journal of Political Economy. 94, p. 691-719, 1986. PINDYCK, R.S. & RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 1999. PINHO, D.B. & VASCONCELLOS, M.A.S. (orgs.) Manual de economia. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2003. SANDRONI, Paulo. Dicionário da economia. São Paulo:Editora Best Seller, 1996. SILVA, César R. L. & LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados: introdução à economia. São Paulo: Saraiva,1996. SILVA, Osmar Inácio da. Introdução ao estudo da economia. Porto Alegre: Sulina, 1983. STOFT, S. Power System Economics: Designing markets for electricity. IEEE/ Wiley Inter-Science: Pistacaway, 2001. TIROLE, J. The theory of industrial organization. Cambridge: The MIT Press, 1988. U. S. Department of Justice. Horizontal Mergers Guidelines. (http://www.usdoj.gov, acessado em 20/05/2001), 1997. WILLIAMSON, O. The mechanisms of governance. New York: Oxford University Press, 1996.
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    Sobre o professorconteudista André Luís da Silva Leite - Bacharel em economia pela UFSC, Mestre e Doutor, também pela UFSC. É professor da UNISUL desde 1997 e também atua como consultor, especificamente sobre análises de mercado.
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    Respostas e comentáriosdas atividades de autoavaliação Unidade 1 1) O conceito de escassez é importante, porque permite que, ao se analisarem os preços dos recursos, façam-se as melhores escolhas no que diz respeito à utilização destes recursos. 2) Os agentes econômicos são as empresas, as pessoas ou famílias, o governo e os outros países. Eles formam o sistema econômico. Unidade 2 1) Ocorrendo uma geada, a oferta de café diminui e o preço aumenta. 2) Com os EUA comprando mais sapatos brasileiros, a oferta no Brasil é reduzida e os preços tendem a aumentar. 3) Com a gripe aviária, haverá menor produção de frango e, consequentemente, menor necessidade de milho. Assim, a demanda por milho diminui e seu preço também diminui. 4) a) Epd0 = -0,40 b) Epd1 = -0,75 c) Nos dois casos, a demanda é preço-inelástica. Unidade 3 1) Sim, José tem custo de oportunidade equivalente a R$20.000,00 (que é o valor que renderia seu capital aplicado no mercado).
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    Universidade do Sulde Santa Catarina 2) Produção Custo Total Custo Fixo Custo Variável Custo Marginal Custo Médio 0 50 50 0 - - 1 70 50 20 20 70 2 100 50 50 30 50 3 120 50 70 20 40 4 150 50 100 30 37,50 5 200 50 150 50 40 3) a) CF= 20 e CV (q=40)= 40. Assim, CT = 60 b) CMe = CT/q = 60/40 = 1,50 c) CMg = 1 (entre q=0 e q=40); CMg = 2 ( entre q=41 e q= 48) e CMg = 3 (entre q= 49 e q = 56) 4) a) CF = 40.000 b) CV = 70.000 c) CT = 110.000 d) CMe= 110 e) Se a produção aumentar para 1.200 unidade/mês, CMe = 103,33. Há economias de escala, pois o custo médio foi reduzido. 5) a) Quando cada vaca produz 7.600 litros, CT = 62.800. Já, quando cada vaca produz 10.000 litros, CT = 70.000. b) CMe = 0,14. Se o número de vacas aumentar para 100, o custo médio passa a ser igual a 0,10. Há economias de escala, pois o custo médio foi reduzido. Unidade 4 1) As hipóteses básicas do modelo de concorrência perfeita são: I) atomicidade dos agentes; II) informação perfeita; III) livre mobilidade dos fatores; IV) homogeneidade do produto; e V) os agentes se comportam como tomadores de preços. 146
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    Análise Microeconômica 2) Osmercados que têm semelhança com este modelo são os modernos mercados agrícolas, os mercados de ações, mercados de commodities, dentre outros. Unidade 5 1) O monopólio é uma estrutura de mercado ineficiente, pois minimiza o bem-estar social. Como referência, nota-se que, em caso de monopólio, a quantidade à disposição do público é menor e o preço tende a ser maior que em situações onde há concorrência. 2) Monopólio natural é a situação na qual, devido à presença de economias de escala, uma única empresa produz de forma mais eficiente (do ponto de vista da sociedade) do que duas ou mais empresas concorrentes. 3) Exemplos de monopólio natural são as empresas de distribuição e transmissão de energia elétrica; as empresas de água e saneamento. Unidade 6 1) A principal diferença entre os modelos é que o modelo de concorrência monopolista introduz a característica da diferenciação, que permite às firmas também diferenciarem seus preços dos de seus concorrentes, como no caso de restaurantes concorrentes em uma mesma cidade. 2) As principais semelhanças entre o oligopólio e o monopólio são as seguintes: em ambos os casos as firmas detêm poder de mercado e há significativas barreiras à entrada. As diferenças principais são estas: no oligopólio há concorrência entre grandes empresas e esta concorrência gera interdependência entre as mesmas. 3) As firmas fazem cartel para reduzir riscos e operar como uma empresa monopolista maximizadora de lucros. Unidade 7 1) No caso do McDonald’s, estas são forças importantes: rivalidade na indústria, novos entrantes, produtos substitutos e o poder de barganha dos clientes. Somente o poder de barganha dos fornecedores é menos importante. 147
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