“ADOPT_DTV:
Barreiras
à
adopção
da
televisão
digital
no
contexto
da

        transição
da
televisão
analógica
para
o
digital
em
Portugal”


                      (
PTDC/CCI‐COM/102576/2008)

                                      



                       Relatório
Final

                             Outubro
de
2011









                                    1

























Este
relatório
constitui
uma
das
componentes
de
investigação
do
projecto
“ADOPT‐DTV:
Barreiras
à

adopção
da
televisão
digital
no
contexto
da
transição
da
televisão
analógica
para
o
digital”
(PTDC/CCI‐
COM/102576/2008),
da
responsabilidade
do
Centro
de
Investigação
em
Comunicação,
Artes
e
Novas

Tecnologias
(CICANT)
da

Universidade
Lusófona
de
Humanidades
e
Tecnologias,
com
o
financiamento

da
Fundação
para
a
Ciência
e
Tecnologia,
em
parceria
com
o
Obercom
e
Anacom.






EQUIPA
DE
INVESTIGAÇÃO

Universidade
Lusófona
de
Humanidades
e
Tecnologias

‐
Manuel
José
Damásio
(investigador
responsável)

‐
Célia
Quico
(coordenação‐geral)

‐
Iolanda
Veríssimo

‐
Sara
Henriques

‐
Rui
Henriques

‐
Inês
Martins

‐
Ágata
Sequeira

‐
Diogo
Morais





PARCEIROS

Obercom
–
Observatório
da
Comunicação
(Gustavo
Cardoso,
Vera
Araújo)

Anacom
–
Autoridade
Nacional
das
Comunicações






FICHA
TÉCNICA

Título:
 
       
        “ADOPT‐DTV:
Relatório
Final”

Autoria:

       
        Manuel
José
Damásio,
Célia
Quico,
Iolanda
Veríssimo,
Sara
Henriques

Agradecimentos:


        Ágata
Sequeira,
Rui
Henriques,
Diogo
Morais,
Inês
Martins,
André
Baptista,

Peter
Olaf
Looms,
Carla
Ales

Data
de
Publicação:

     Outubro
de
2011








                                                 2







ÍNDICE






0.
Sumario
Executivo .............................................................................................. 4

1.
Descrição
do
Projecto ......................................................................................... 9

2.
Execução
Material ............................................................................................ 21

3.
Resultados
principais........................................................................................ 25

4.
Recomendações ............................................................................................... 71

5.
Bibliografia ....................................................................................................... 80

6.
Anexos
A
–
Publicações
do
projecto
ADOPT‐DTV .............................................. 84

6.
Anexos
B
–
Relatórios
do
projecto
ADOPT‐DTV................................................. 88



















                                                           3




0.
Sumario
Executivo



Introdução

Compreender
 quais
 são
 os
 factores
 mais
 significativos
 para
 a
 adopção
 e
 rejeição
 da
 TV

digital
por
parte
da
população
Portuguesa
é
o
principal
objectivo
do
projecto
“ADOPT‐DTV:

Barreiras
à
adopção
da
televisão
digital
no
contexto
da
transição
da
televisão
analógica
para

o
digital
(PTDC/CCI‐COM/102576/2008)”.
O
segundo
objectivo
é
propor
às
principais
partes

interessadas
neste
processo
em
Portugal
um
conjunto
de
recomendações
de
ordem
prática,

procurando
 contribuir
 efectivamente
 para
 uma
 televisão
 digital
 mais
 inclusiva,
 para
 a

promoção
de
uma
comunicação
mais
eficiente,
para
a
melhoria
qualitativa
do
conteúdo
da

TV
digital
e
maior
facilidade
de
uso
da
mesma.
O
foco
deste
projecto
incide
especialmente

nas
pessoas
que
não
têm
intenção
de
adoptar
TV
digital.
Mais
concretamente,
o
objectivo
é

compreender
 e
 identificar
 os
 principais
 factores
 que
 explicam
 esta
 intenção,
 bem
 como
 o

seu
perfil
demográfico
e
socioeconómico.

            

        O
 projecto
 de
 investigação
 ADOPT‐DTV
 teve
 início
 em
 Abril
 de
 2010,
 tendo
 a

duração
de
18
meses.
O
projecto
combina
métodos
quantitativos
e
qualitativos,
de
acordo

com
as
boas
práticas
de
projectos
de
âmbito
semelhante:
             

1)
 Estudo
 etnográfico
 junto
 de
 30
 famílias
 Portuguesas,
 com
 a
 finalidade
 de
 explorar
 em

contexto
natural
quais
são
suas
atitudes
e
nível
de
conhecimento
sobre
a
TV
digital;
          

2)
 Entrevistas
 com
 partes
 interessadas,
 com
 a
 intenção
 de
 compreender
 as
 diferentes

perspectivas
dos
intervenientes
centrais
neste
domínio
específico;
           

3)
Inquérito
quantitativo,
aplicado
a
uma
amostra
representativa
da
população
Portuguesa,

com
 o
 objectivo
 principal
 de
 determinar
 os
 principais
 factores
 de
 adopção
 e
 rejeição

associados
à
TV
digital;
 

4)
Estudo
de
usabilidade,
com
uma
amostra
de
20
utilizadores
com
intuito
de
realizar
uma

análise
comparativa
de
alguns
dos
equipamentos
descodificadores
de
TV
digital
terrestre
em

Portugal,
em
termos
de
facilidade
de
utilização
e
satisfação
geral.

        A
 equipa
 de
 investigação
 visa
 assim
 contribuir
 para
 uma
 melhor
 compreensão
 dos

desafios
enfrentados
a
curto
e
médio
prazo
durante
o
processo
de
transição
da
TV
analógica

terrestre
 para
 a
 digital
 terrestre
 –
 também
 conhecido
 por
 switchover
 ‐
 e

 em
 termos

práticos,

contribuir
tanto
em
Portugal
como
para
outros
países
numa
situação
semelhante

para
o
desenvolvimento
de
uma
TV
digital
mais
inclusiva.






                                                4





Resultados
principais


Os
resultados
principais
serão
detalhados
no
capítulo
3,
sendo
devidamente
suportados
nos

dados
e
achados
dos
estudos
empíricos
que
integram
o
presente
projecto
de
investigação.



1.
Posse
de
TV
em
sinal
aberto
e
de
TV
por
subscrição

 

‐
 A
 percentagem
 da
 população
 de
 Portugal
 Continental
 que
 recebe
 exclusivamente

televisão
em
sinal
aberto
deve
situar‐se
próximo
dos
38%,
em
Setembro
de
2011.
                            

1.a.
os
indivíduos
com
TV
paga
em
Portugal
são
sobretudo
jovens
adultos
e
adultos
de
meia

idade,
 mais
 propensos
 a
 ter
 níveis
 mais
 elevados
 de
 educação
 e
 a
 pertencer
 a
 grupos
 de

status
mais
alto
(A/
B/
C)1
e
menos
propensos
a
ter
algum
tipo
de
deficiência
(visual,
auditiva

ou
de
mobilidade).


1.b.
 os
 indivíduos
 sem
 TV
 paga
 em
 Portugal
 são
 mais
 propensos
 a
 ter
 mais
 de
 55
 anos
 de

idade,
 a
 possuir
 baixos
 níveis
 de
 habilitações
 académicas
 e
 um
 baixo
 status
 (D/
 E)
 e,

finalmente,
a
possuir
algum
nível
de
deficiência
(auditiva,
visual
ou
de
mobilidade).
                     



2.
Tipo
de
acesso
a
TV
em
sinal
aberto
 

‐
 Verifica‐se
 que
 a
 recepção
 de
 TV
 analógica
 terrestre
 se
 mantém
 como
 largamente

dominante
 junto
 dos
 Portugueses
sem
TV
paga,
sendo
o
acesso
à
TDT
pouco
expressivo,

estimando‐se
em
Setembro
de
2011
que
35%
da
população
de
Portugal
Continental
possa

ser
afectada
com
o
desligamento
do
sinal
de
TV
analógico
terrestre.
                    



       

3.
Conhecimento
sobre
a
TV
digital
e
TDT

                                          

‐
Estima‐se
que
a
maioria
dos
Portugueses
já
tenha
ouvido
falar
em
TV
digital
e
em
TDT,

mas
 que
 na
 maior
 parte
 dos
 casos
 tenham
 dificuldades
 em
 definir
 ou
 caracterizar
 estas

tecnologias.
             



4.
Vantagens
e
desvantagens
associadas
à
TV
digital

 

‐
A
reduzida
percepção
das
vantagens
e
desvantagens
associadas
à
TV
digital
e
à
TDT
é
a

situação
mais
comum
verificada,
sendo
o
custo
identificado
como
a
principal
desvantagem



        




































































1
 

O
status
é
determinado
pela
empresa
de
estudos
de
mercado
GfK
com
base
no
nível
de
escolaridade
e
na

ocupação
do
respondente:
mais
detalhes
nos
anexos
a
este
relatório.





                                                                              5

e
a
melhoria
da
qualidade
de
imagem
e
som
percebida
como
a
principal
vantagem.
                   



5.
Conhecimento
sobre
o
desligamento
do
sinal
de
TV
analógica
terrestre
                 

‐
 Estima‐se
 que
 a
 maioria
 da
 população
 Portuguesa
 desconheça
 qual
 a
 data
 prevista
 do

desligamento
do
sinal
de
TV
analógica
terrestre,
a
3
meses
do
início
do
switch‐off.

        

6.
Conhecimento
do
que
deve
ser
feito
para
continuar
a
ter
TV
em
sinal
aberto
‐
Verifica‐se
um
baixo
nível
de
conhecimento
sobre
as
questões
práticas
relacionadas
com

a
recepção
de
TDT,
sobretudo
no
caso
dos
Portugueses
sem
TV
paga
em
casa.
 



7.
Intenção
de
aquisição
de
equipamentos
ou
serviços
de
acesso
a
TV
digital
e
TDT
                

‐
Estima‐se
que
perto
de
metade
dos
Portugueses
sem
TV
paga
estejam
indecisos
quanto
à

obtenção
 de
 equipamentos
 ou
 serviços
 de
 TV
 digital,
 a
 3
 meses
 do
 início
 previsto
 do

desligamento
da
emissão
de
TV
analógica
terrestre.

          



8.
Motivos
para
ter
TDT

                       

‐
 Verifica‐se
 que
 os
 benefícios
 associados
 à
 presente
 oferta
 de
 TDT
 têm
 pouco
 peso
 na

respectiva
 intenção
 de
 adopção,
 sendo
 o
 corte
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre

apontado
como
o
principal
motivo
para
ter
TDT.
               



9.
Barreiras
à
adopção
de
TV
digital
e
TDT

‐
Os
custos
e
as
questões
práticas
são
das
principais
barreiras
à
obtenção
de
TV
digital
‐
e

TDT
em
particular
–
para
os
Portugueses
sem
TV
paga
em
casa.




10.
Adopção
de
TV
digital
–
perfis

        

‐
 Propõem‐se
 quatro
 perfis
 de
 adopters
 de
 TV
 digital
 em
 Portugal,
 considerando
 a
 posse

de
TV
paga
e
a
intenção
de
uso
de
TV
digital:
 

10.a.
Grupo
–
“Já
Adoptou”
(espectadores
com
TV
paga
por
cabo,
DTH,
IPTV,
fibra‐óptica
e

outras
tecnologias)
‐
sobretudo
jovens
adultos
e
adultos
de
meia
idade,
mais
propensos
a
ter

níveis
 mais
 elevados
 de
 educação
 e
 a
 pertencer
 a
 grupos
 de
 status
 mais
 alto
 e
 menos

propensos
a
ter
algum
tipo
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
de
mobilidade);
          
        

10.b.
 Grupo
 –
 “Adopta”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 estão
 a
 considerar

comprar
uma
caixa
descodificadora
ou
televisor
com
TDT
integrado
ou
então
subscrever
um

serviço
 de
 TV
 paga
 para
 continuar
 a
 ver
 televisão
 em
 casa)
 ‐
 são
 mais
 propensos
 a
 serem





                                                 6

homens,
a
terem
idades
compreendidas
entre
os
18
e
os
44
anos,
a
possuírem
habilitações

académicas
elevadas
e
menos
propensos
a
ter
algum
nível
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou

motora);

       

10.c.
 Grupo
 –
 “Em
 Dúvida”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 não
 sabem
 ou
 não

responderam
 qual
 a
 sua
 intenção
 de
 aquisição
 de
 TV
 digital)
 ‐
 existe
 uma
 maior

probabilidade
de
serem
mulheres,
a
terem
baixas
habilitações
académicas
e
possuírem
um

nível
significativo
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
motora);
      

10.d.
 Grupo
 –
 “Não
 Adopta”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 alegam
 não
 ter

intenção
em
adoptar
TV
digital)
‐
são
mais
propensos
a
terem
mais
de
55
anos
de
idade,
a

possuírem
 um
 baixo
 nível
 de
 habilitações
 académicas
 (instrução
 primária
 completa
 ou

menos)
e
a
terem
um
nível
significativo
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
motora).
             



Hipótese
principal
do
projecto
de
investigação
 

‐
 Verificou‐se
 a
 validação
 da
 hipótese
 principal
 do
 projecto
 de
 investigação,
 em
 que
 no

contexto
 da
 transição
 da
 TV
 analógica‐digital,
 a
 adopção
 da
 TV
 digital
 está

significativamente
condicionada
por
factores
de
expectativa
de
desempenho,
expectativa

de
 esforço
 e
 influência
 social,
 com
 forte
 probabilidade
 de
 rejeição
 significativa
 por
 parte

de
 segmentos
 da
 população
 com
 idade
 mais
 avançada,
 com
 menores
 habilitações

académicas
e
com
necessidades
especiais.

             





Recomendações


As
 recomendações
 serão
 detalhadas
 no
 capítulo
 4,
 sendo
 devidamente
 suportadas
 nos

dados
e
achados
dos
estudos
empíricos
que
integram
o
presente
projecto
de
investigação,

bem
como
na
revisão
de
literatura
realizada
no
âmbito
do
projecto.
             



1.
Ponderar
o
adiamento
das
datas
de
desligamento
do
sinal
analógico
terrestre
                   

‐
tendo
sobretudo
em
consideração
as
pessoas
que
recebem
em
exclusivo
as
emissões
de

TV
 analógica
 terrestre,
 estimando‐se
 haver
 um
 risco
 elevado
 de
 que
 parte
 substancial

desta
 população
 possa
 ficar
 sem
 acesso
 ao
 sinal
 de
 televisão,
 a
 manterem‐se
 as
 datas

previstas
para
o
desligamento
da
TV
analógica
terrestre.
              



2.
Tornar
atractiva
a
oferta
de
TDT,
com
mais
canais
TV
e
serviços
úteis


‐
as
vantagens
da
TDT
são
praticamente
inexpressivas
para
os
espectadores
Portugueses,





                                                 7

mantendo‐se
a
mesma
oferta
de
canais
da
TV
analógica
terrestre:
a
melhoria
da
qualidade

de
 imagem
 e
 som
 não
 deve
 ser
 suficiente
 para
 motivar
 a
 mudança
 voluntária
 da
 grande

maioria
da
população
a
ser
impactada
pelo
switch‐off.
 



3.
Promover
campanhas
de
comunicação
mais
informativas
e
esclarecedoras
 

‐
 sobretudo
 ter
 em
 consideração
 as
 populações
 mais
 vulneráveis,
 como
 sejam
 os
 mais

idosos,
 as
 pessoas
 com
 status
 socioeconómico
 mais
 baixo
 e
 pessoas
 com
 necessidades

especiais,
 que
 correspondem
 à
 maioria
 das
 pessoas
 afectadas
 com
 o
 desligamento
 das

emissões
de
TV
analógica
terrestre.
        



4.
Reforçar
os
apoios
específicos
dirigidos
às
populações
mais
vulneráveis
             

‐
 os
 mais
 idosos,
 os
 mais
 carenciados
 e
 as
 pessoas
 com
 deficiências
 visuais,
 auditivas
 e

motoras
 devem
 merecer
 uma
 maior
 atenção
 da
 parte
 das
 entidades
 responsáveis
 nesta

matéria,
nomeadamente
com
através
do
reforço
dos
apoios
específicos
disponíveis.
                










                                                 8




1.
Descrição
do
Projecto





1.1.
Contextualização2

                                    


       O
 tema
 da
 migração
 para
 a
 televisão
 digital
 está
 na
 ordem
 do
 dia
 em
 Portugal:
 em

2009
 foram
 iniciadas
 as
 transmissões
 de
 televisão
 digital
 terrestre
 (TDT),
 em
 2011
 serão

realizados
 os
 primeiros
 desligamentos
 do
 sinal
 analógico,
 e
 em
 2012
 está
 previsto
 o

encerramento
 total
 das
 transmissões
 da
 radiodifusão
 analógica
 –
 processo
 também

conhecido
 por
 switchover.
 Assim,
 será
 necessário
 que
 até
 2012
 todos
 os
 lares
 que

actualmente
recebem
o
sinal
de
televisão
tradicional
através
de
antena
analógica
(ou
seja,

os
que
não
têm
televisão
paga
nem
pré‐instalação
de
cabo)
comprem
um
descodificador
e

uma
 antena
 adaptada
 para
 que
 possam
 continuar
 a
 usufruir
 das
 emissões
 televisivas.
 Por

outro
 lado,
 será
 ainda
 necessário
 preparar
 a
 indústria
 e
 o
 mercado
 dos
 media
 para
 este

processo
de
migração,
já
que
ele
implica
não
só
um
processo
de
transição
para
o
digital
no

próprio
operador,
como
também
pelo
facto
de
vir
reconfigurar
as
fontes
de
criação
de
valor

no
 contexto
 do
 sector
 televisivo.
 Por
 fim,
 também
 as
 actuais
 políticas
 de
 media
 e
 mais

especificamente
 de
 televisão
 terão
 de
 ser
 enquadradas
 no
 contexto
 da
 migração
 para
 o

digital,
 por
 via
 por
 exemplo
 a
 repensar
 o
 papel
 do
 serviço
 público
 ou
 o
 destino
 das

frequências
que
ficarão
livres
no
espectro
radioeléctrico
em
consequência
da
migração
para

o
 digital
 do
 sinal
 de
 televisão,
 e
 que
 poderão
 ser
 utilizadas
 para
 uma
 vasta
 gama
 de

aplicações
 tais
 como
 o
 desenvolvimento
 da
 alta
 definição,
 a
 criação
 de
 novos
 canais
 ou
 a

televisão
móvel.



       A
partir
da
segunda
metade
dos
anos
noventa,
assiste‐se
na
Europa
à
disseminação
da

Televisão
Digital,
tendo
este
incremento
por
base
a
decisão
da
maioria
dos
países
europeus

de
 realizar
 o
 encerramento
 das
 suas
 emissões
 analógicas
 nacionais
 (switch‐off)
 até
 2012.

Assim,
 o
 desenvolvimento
 da
 televisão
 digital
 na
 Europa
 assenta,
 quase
 exclusivamente,

num
 processo
 político
 aliado
 a
 imperativos
 económicos
 e
 políticos
 (Papathanassopoulos,

2002),
e
não
na
exigência
dos
telespectadores
suprirem
uma
necessidade
social
através
da

inovação
 tecnológica.
 Em
 24
 de
 Maio
 de
 2005,
 a
 Comissão
 Europeia
 adoptou
 uma

comunicação
 intitulada
 ''Acelerar
 a
 transição
 da
 radiodifusão
 analógica
 para
 a
 digital'',
 na

         




































































2
Sub‐capítulo
de
contextualização
de
autoria
de
Vera
Araújo,
retirado
do
relatório
“Estado
da
Arte
na
Europa”,


em
anexo
ao
relatório
final
ADOPT‐DTV.





                                                                               9

qual
 fixa
 os
 objectivos
 da
 política
 comunitária
 para
 a
 referida
 transição,
 com
 base
 em

emissões
digitais
terrestres.
Nesse
contexto,
defende‐se
que
a
migração
trará
ganhos
para

todas
 as
 partes
 envolvidas.
 Por
 um
 lado,
 o
 cidadão
 terá
 um
 maior
 acesso
 à
 Sociedade
 de

Informação,
poderá
usufruir
de
uma
maior
diversidade
de
conteúdos
e
serviços,
acrescidas

capacidades
de
interacção,
possibilidade
de
personalização
da
experiência
televisiva,
assim

como
melhorias
em
termos
e
imagem
e
som.
Por
outro
lado,
as
empresas
de
media
terão

novas
 oportunidades
 em
 termos
 de
 oferta
 de
 serviços
 inovadores
 de
 valor
 acrescentado,

assim
 como
 a
 possibilidade
 de
 vender
 aos
 anunciantes
 espaços
 publicitários
 com
 maiores

recursos
 de
 segmentação.
 Por
 fim,
 o
 Estado
 poderá
 incrementar
 o
 pluralismo
 e
 a

diversidade
 graças
 ao
 aumento
 do
 número
 de
 canais,
 assim
 como
 criar
 novas

funcionalidades
 para
 incrementar
 a
 cidadania,
 tais
 como
 o
 T‐gov,
 ou
 seja,
 a
 utilização
 da

televisão
 como
 interface
 de
 comunicação
 entre
 a
 Administração
 Pública
 e
 os
 cidadãos,

permitindo
 aplicações
 tais
 como
 o
 pagamento
 de
 impostos
 através
 do
 televisor.
 Uma
 vez

que,
 ao
 contrário
 dos
 computadores,
 a
 penetração
 da
 televisão
 nos
 lares
 nas
 sociedades

ocidentais
 ronda
 os
 100%,
 e
 que
 este
 meio
 é
 utilizado
 por
 mais
 de
 95%
 dos
 indivíduos
 na

Europa
 (OEA,
 2010),
 as
 potencialidades
 em
 termos
 de
 inclusão
 e
 cidadania
 merecem

destaque,
oferecendo
novas
ferramentas
para
o
empowerment
dos
cidadãos.





1.2.
A
transição
da
TV
analógica
terrestre
para
o
digital
em
Portugal



       Depois
de
uma
falsa
partida
em
2001,
a
televisão
digital
terrestre
(TDT)
é
finalmente

lançada
 em
 Portugal
 a
 26
 de
 Abril
 de
 2009,
 que
 assim
 se
 torna
 um
 dos
 países
 com
 uma

agenda
 mais
 ambiciosa
 –
 ou
 arriscada,
 dependendo
 da
 perspectiva
 –
 para
 a
 transição

completa
da
televisão
analógica
terrestre
para
a
digital
terrestre
ou
como
um
risco
elevado,

já
 que
 haverá
 menos
 tempo
 para
 realizar
 tudo
 o
 que
 é
 necessário
 de
 forma
 a
 garantir
 o

sucesso
deste
processo.


       Deve
 ser
 notado
 que,
 em
 finais
 de
 2011,
 o
 sistema
 de
 TDT
 oferece
 exactamente
 os

mesmos
canais
que
o
sistema
de
TV
analógica
terrestre
–
nem
mais
nem
menos
canais.
Um

quinto
 canal
 gratuito
 poderá
 vir
 a
 ser
 lançado
 no
 futuro,
 mas
 a
 sua
 concessão
 tem
 sido

adiada
 sine
 die
 como
 resultado
 da
 exclusão
 dos
 dois
 únicos
 concorrentes
 ao
 concurso

público
 promovido
 pela
 Entidade
 Reguladora
 para
 a
 Comunicação
 Social
 –
 ERC
 (2009).

Igualmente,
o
lançamento
do
serviço
pago
de
TDT
também
foi
adiado
sem
data
definida,
já

que
 o
 vencedor
 do
 respectivo
 concurso
 público
 acabou
 por
 desistir
 da
 sua
 licença
 ‐
 mais

detalhes
 adiante.
 Além
 disso,
 deve
 ser
 referido
 que
 a
 primeira
 campanha
 de
 comunicação




                                                 10

nacional
sobre
o
switch‐off
analógico
teve
início
em
Março
de
2011,
a
10
meses
da
primeira

fase
 de
 desligamento
 dos
 retransmissores
 de
 TV
 analógica
 terrestre
 –
 definida
 para
 12
 de

Janeiro
de
2012.
         


      No
 entanto,
 em
 2001
 foi
 lançado
 o
 primeiro
 concurso
 público
 para
 a
 atribuição
 de

uma
licença
de
estabelecimento
e
exploração
de
uma
plataforma
de
TDT
(Anacom,
2001).
O

vencedor
deste
concurso
foi
o
consórcio
PTDP
‐
Plataforma
de
Televisão
Digital
Portuguesa
‐,

constituído
 pelo
 Grupo
 Pereira
 Coutinho,
 recém‐chegado
 ao
 sector
 de
 telecomunicações,

RTP
e
SIC.
Após
vários
atrasos
por
parte
do
consórcio
para
o
lançamento
da
operação,
em

Março
 2003
 a
 Anacom
 propôs
 a
 revogação
 da
 licença
 anteriormente
 concedida

considerando,
 entre
 outros
 aspectos,
 “as
 dificuldades
 objectivas
 da
 oferta
 massificada
 dos

equipamentos
 terminais
 necessários
 ao
 início
 da
 exploração
 comercial
 da
 referida

plataforma”
(Anacom,
2003).
       


        Seria
 necessário
 esperar
 por
 2008
 para
 que
 fossem
 lançados
 novos
 concursos

públicos
neste
âmbito.
A
PT
Comunicações
da
Portugal
Telecom
concorreu
ao
multiplexer
A,

destinado
à
TDT
em
sinal
aberto,
bem
como
aos
multiplexers
B
a
F,
destinados
à
TDT
paga,

aos
quais
também
concorreu
a
empresa
Airplus
TV.
Em
Outubro
de
2008,
a
Anacom
e
ERC

homologaram
 os
 direitos
 para
 a
 utilização
 do
 multiplexer
 A
 à
 PT
 Comunicações
 (Anacom,

2008).
Em
Novembro
de
2008,
a
Anacom
atribuiu
à
mesma
PT
Comunicações
os
direitos
de

utilização
de
frequências
associados
aos
multiplexers
B
a
F
(Anacom,
2009)
–
o
que
foi
alvo

de
contestação
do
concorrente
Airplus
TV
(TekSapo,
2008).


      Porém,
 nos
 inícios
 de
 2010,
 a
 PT
 solicitou
 à
 Anacom
 a
 revogação
 das
 licenças
 dos

multiplexers
 de
 TDT
 paga,
 apresentando
 como
 justificação
 as
 mudanças
 significativas
 no

mercado
 da
 TV
 por
 assinatura,
 como
 seja
 o
 aumento
 da
 concorrência,
 o
 que
 reduziria
 a

importância
competitiva
da
plataforma
terrestre.
A
Anacom
–
sem
o
apoio
da
ERC
–
aceitou

o
pedido
da
PT
(Anacom,
2010).
A
transmissão
de
TDT
gratuita
viria
a
começar
em
29
Abril

de
2009,
atingindo
algumas
regiões
do
País
e
cerca
de
30%
da
população.
Em
finais
de
2011,

Portugal
 continua
 sem
 planos
 no
 que
 respeita
 ao
 serviço
 de
 TV
 digital
 terrestre
 por

assinatura.
     



1.3.
Objectivos
          

O
 enfoque
 deste
 projecto
 de
 investigação
 está
 nas
 pessoas
 que
 não
 têm
 a
 intenção
 de

adoptar
 TV
 digital,
 nomeadamente,
 na
 compreensão
 dos
 principais
 factores
 que
 explicam

esta
 intenção,
 bem
 como
 na
 determinação
 do
 seu
 perfil
 demográfico
 e
 socioeconómico.




                                                11

Com
 base
 nestes
 dados
 será
 possível
 delinear
 recomendações
 que
 contribuam
 para
 que
 a

transição
 bem
 sucedida
 da
 TV
 analógica
 terrestre
 para
 o
 digital
 seja
 uma
 realidade
 para

todos
os
Portugueses.


        Esta
 transição
 apresenta
 desafios
 que
 ultrapassam
 o
 âmbito
 estritamente

tecnológico,
 com
 sérias
 implicações
 económicas
 e
 sociais.
 A
 investigação
 pode
 contribuir

com
 soluções
 inovadoras
 para
 superar
 os
 obstáculos
 inerentes
 a
 este
 processo
 (Candel,

2007).
De
igual
modo,
a
investigação
permite
reflectir
sobre
o
que
foi
realizado,
de
modo
a

evitar
repetir
erros
do
passado,
como
observa
Roberto
Suárez
Candel
(2007),
para
quem
a

monitorização
 da
 migração
 para
 a
 televisão
 digital
 é
 necessária
 para
 que
 possam
 ser

introduzidas
 medidas
 correctivas
 a
 tempo.
 Deste
 modo,
 somente
 compreendendo
 as

atitudes
das
pessoas
em
relação
à
TV
digital,
os
seus
receios
e
preocupações,
será
possível

difundir
 as
 mensagens
 certas
 e
 assegurar
 que
 ninguém
 “fica
 para
 trás”
 neste
 processo
 de

transição.
        Este
 princípio
 de
 investigação
 e
 monitorização
 do
 processo
 de
 transição
 para
 o

digital
 tem
 vindo
 a
 ser
 aplicado
 um
 pouco
 por
 toda
 a
 Europa,
 com
 destaque
 para
 os

trabalhos
produzidos
no
Reino
Unido.
Em
primeiro
lugar,
há
a
referir
os
estudos
realizados

para
o
Digital
Television
Project
(DTI),
estabelecido
em
2001
em
parceria
pelo
Department

for
Culture,
Media
and
Sport
e
o
Department
of
Trade
and
Industry,
tais
como
o
estudo
Easy

TV
 2002
 Research
 Report
 (Freeman,
 Lessiter,
 Williams
 &
 Harrison,
 2003)
 e
 os
 estudos

compilados
no
relatório
Digital
Television
for
All
‐
a
report
on
usability
and
accessible
design

(Klein,
 Karger
 &
 Sinclair,
 2003),
 que
 teve
 por
 objectivo
 abordar
 as
 questões
 humanas

relativas
 à
 adopção
 de
 equipamentos
 e
 serviços
 de
 televisão
 digital
 por
 espectadores
 com

diferentes
 tipos
 de
 necessidades
 O
 trabalho
 desenvolvido
 na
 compilação
 deste
 relatório

incluiu
uma
série
de
consultas
às
principais
partes
interessadas,
um
inquérito
quantitativo
a

cerca
 de
 4.000
 espectadores,
 oito
 focus
 groups
 para
 cobrir
 assuntos
 relacionados
 com

usabilidade,
 uma
 auditoria
 de
 especialistas
 com
 três
 modelos
 típicos
 de
 caixas

descodificadoras
de
TV
digital,
uma
previsão
do
efeito
de
exclusão
de
três
modelos
típicos

de
 caixas
 descodificadoras
 de
 TV
 digital,
 uma
 série
 de
 treze
 testes
 de
 usabilidade
 de
 dois

sistemas
de
TV
digital
com
utilizadores
com
diferentes
capacidades.


        Por
outro
lado,
a
entidade
que
no
Reino
Unido
tem
por
missão
regular
a
actividade

das
 indústrias
 da
 comunicação
 e
 media
 –
 a
 Ofcom
 (e
 antes
 o
 ITC)
 –
 também
 tem
 vindo
 a

realizar
uma
série
de
estudos
relacionados
com
a
adopção
da
TV
digital,
com
destaque
para


um
 estudo
 específico
 para
 compreender
 como
 as
 populações
 seniores,
 com
 necessidades






                                                 12

especiais,
 isoladas
 e
 com
 baixos
 rendimentos
 vão
 ser
 afectadas
 pelo
 switch‐off
 da
 TV

analógica
terrestre
(Freeman,
Lessiter
&
Beattie,
2007).



        Em
 relação
 à
 literatura
 em
 Portugal
 sobre
 o
 tema,
 há
 que
 referir
 o
 conjunto
 de

trabalhos
do
Observatório
da
Comunicação
–
Obercom,
que
ao
longo
de
2008
publicou
um

conjunto
 de
 quatro
 breves
 relatórios
 sobre
 TV
 digital,
 com
 base
 nos
 resultados
 de
 um

inquérito
quantitativo,
obtidos
através
de
entrevista
directa
a
uma
amostra
constituída
por

1.041
 inquiridos,
 representativa
 da
 população
 portuguesa
 residente
 em
 Portugal

continental,
 com
 idade
 igual
 ou
 superior
 a
 15
 anos
 de
 idade
 (Araújo,
 Cardoso
 &
 Espanha,

2008a).
 O
 trabalho
 de
 campo
 decorreu
 em
 Fevereiro
 de
 2008
 e
 as
 entrevistas
 foram

realizadas
 pela
 Metris
 GfK.
 Em
 primeiro
 lugar,
 de
 destacar
 a
 baixa
 percentagem
 de

inquiridos
que
afirmou
ter
conhecimento
do
processo
de
switchover
‐
3,2%
da
amostra
total

‐
 enquanto
 que
 16,2%
 afirmaram
 já
 ter
 ouvido
 falar
 da
 televisão
 digital
 terrestre.
 Já
 os

inquiridos
 que
 afirmaram
 possuir
 TV
 digital
 em
 sua
 casa,
 destes
 11,2%
 referiram
 já
 ter

ouvido
 falar
 do
 switchover
 e
 destes
 46,1%
 já
 ouviu
 falar
 da
 TDT
 este
 processo
 (Araújo,

Cardoso
 &
 Espanha,
 2008c).
 Já
 em
 relação
 ao
 grau
 de
 conhecimento
 sobre
 TV
 digital,
 de

acordo
 com
 este
 estudo,
 72%
 dos
 inquiridos
 com
 TV
 por
 cabo
 afirmou
 já
 ter
 ouvido
 falar

desta
plataforma,
contra
44,8%
dos
inquiridos
com
acesso
a
televisão
analógica
através
de

antena
convencional
(Araújo,
Cardoso
&
Espanha,
2008b).
Sobre
se
já
ouviu
falar
de
TDT,
a

distribuição
foi
a
seguinte:
responderam
afirmativamente
22,4%
dos
inquiridos
com
TV
por

cabo
 e
 11%
 dos
 inquiridos
 com
 acesso
 a
 televisão
 analógica
 terrestre
 (Araújo,
 Cardoso
 &

Espanha,
2008b).

        



1.4.
Enquadramento
Teórico
e
Hipóteses
 

A
 adopção
 da
 TV
 digital
 em
 Portugal
 é
 o
 problema
 a
 ser
 investigado,
 nomeadamente,

determinar
quais
são
os
factores
de
adopção
e
rejeição
de
uso
de
televisão
digital
por
parte

dos
 Portugueses,
 bem
 como
 identificar
 oportunidades
 para
 que
 esta
 nova
 plataforma
 de

distribuição
de
televisão
possa
chegar
a
todas
as
pessoas
interessadas.
A
importância
social,

económica
e
política
da
televisão
faz
com
que
o
processo
de
transição
da
TV
analógica
para

o
digital
deva
ser
alvo
da
maior
atenção
e
cautela,
para
que
ninguém
deixe
de
ter
acesso
a

este
meio
de
comunicação.

        


        A
transição
da
televisão
analógica
terrestre
para
televisão
digital
terrestre
é
um
caso

particular
 de
 difusão
 de
 uma
 inovação
 em
 que
 a
 adopção
 é
 simultaneamente
 voluntária
 e

involuntária,
 dado
 que
 há
 uma
 data
 obrigatória
 para
 encerrar
 a
 transmissão
 analógica.





                                                13

Considerando
 a
 literatura
 sobre
 difusão
 de
 inovações
 é
 imperativo
 mencionar
 o
 livro

Diffusion
of
Innovations
de
Everett
Rogers
(1962),
no
qual
o
autor
explica
que
a
difusão
de

novas
ideias
–
mesmo
depois
de
provadas
como
benéficas
e
positivas
–
é
uma
tarefa
difícil

que
deve
ser
planeada
para
ser
bem
sucedida.
Rogers
apresenta
neste
livro
vários
exemplos

de
 inovações
 que
 não
 foram
 aceites
 ou
 adoptadas,
 apesar
 de
 serem
 benéficas.
 Entre
 as

razões
 que
 o
 autor
 apresenta
 para
 tal
 contam‐se
 as
 crenças
 culturais
 de
 determinadas

comunidades,
 tradições
 e
 hábitos
 antigos,
 a
 falha
 na
 divulgação
 de
 ideias
 na
 comunidade

local
 e
 entre
 os
 indivíduos
 que
 são
 socialmente
 melhor
 aceites
 na
 comunidade,
 falha
 na

inclusão
da
opinião
de
indivíduos
considerados
líderes,
percepções
do
público‐alvo
sobre
o

agente
de
mudança,
uso
de
mensagens
não
adequadas
às
necessidades
e
competências
do

público‐alvo.



        Analisando
 os
 primeiros
 autores
 a
 investigarem
 sobre
 a
 difusão
 de
 inovações,

Rogers
 menciona
 o
 sociólogo
 e
 criminologista
 Francês,
 Gabriel
 Tarde.
 Particularmente,
 no

seu
trabalho
Les
Lois
de
l’Imitation
(1890),
Tarde
expõe
uma
teoria
de
inovação
baseada
na

imitação
e
invenção,
actos
que
ele
considerava
como
actos
sociais
elementares.
No
entanto,

as
propostas
do
autor
não
foram
imediatamente
seguidas
por
estudos
empíricos
na
área
da

difusão
de
inovações,
algo
que
veio
a
acontecer
décadas
mais
tarde,
refere
Rogers.
Uma
das

referências
 mais
 importantes
 neste
 campo,
 observou
 Rogers,
 foi
 o
 estudo
 de
 difusão
 do

milho
 híbrido
 no
 estado
 do
 Iowa,
 nos
 Estados
 Unidos
 da
 América,
 por
 Bruce
 Ryan
 e
 Neal

Gross
 (1943),
 que
 vieram
 a
 estabelecer
 uma
 nova
 abordagem
 ao
 estudo
 da
 difusão
 das

inovações.



        Antes
 da
 publicação
 do
 livro
 de
 Rogers,
 George
 Beal
 e
 Joel
 Bohlen
 sintetizaram
 os

resultados
de
35
estudos
sobre
como
os
agricultores
adoptaram
novas
ideias
no
artigo
The

Diffusion
 Process
 (1957),
 propondo
 um
 referencial
 teórico
 para
 todos
 os
 que
 enfrentam
 o

desafio
de
difundir
ideias
e
práticas.
Nestes
estudos,
realizados
ao
longo
de
duas
décadas,
os

agricultores
 foram
 questionados
 sobre
 as
 suas
 práticas
 agrícolas
 e
 domésticas,
 uso
 de

pesticidas,
 fertilizantes
 e
 outras
 técnicas
 agrícolas.
 Após
 análise
 destes
 estudos,
 Beal
 e

Bohlen
 sugeriram
 que
 os
 indivíduos
 aceitam
 novas
 ideias
 seguindo
 um
 processo
 mental

composto,
 pelo
 menos,
 por
 cinco
 fases:
 fase
 de
 consciencialização
 (awareness),
 fase
 de

interesse,
fase
de
avaliação,
fase
de
experimentação
e
fase
de
adopção.
Ainda
significativo,

estes
 autores
 propuseram
 cinco
 categorias
 de
 indivíduos,
 com
 base
 no
 tempo
 que
 os

mesmos
 necessitam
 para
 adoptar
 novas
 ideias,
 possuindo
 diferentes
 características

individuais
e
sociais:
inovators/
os
inovadores,
the
early
adopters/
os
adoptantes
iniciais,
the





                                                14

early
 majority/
 a
 maioria
 inicial,
 the
 majority/
 a
 maioria,
 the
 non‐adopters/
 os
 não‐
adoptantes.
Mais
tarde,
Rogers
viria
a
propor
categorias
semelhantes,
que
acabaram
por
se

tornar
 o
 padrão
 para
 os
 estudos
 nesta
 área:
 the
 inovators,
 the
 early
 adopters,
 the
 early

majority,
the
late
majority,
the
laggards.



         Estudos
 mais
 recentes
 neste
 âmbito
 apresentam
 outros
 modelos
 explicativos
 da

difusão
 e
 adopção
 de
 inovações.
 Venkatesh,
 Morris,
 Davis
 &
 Davis
 (2003)
 propõem
 um

modelo
unificado
com
base
nos
vários
dos
modelos
mais
significativos
desenvolvidos
neste

campo
–
a
Teoria
Unificada
de
Aceitação
e
Uso
de
Tecnologia
(Unified
Theory
of
Acceptance

and
 Use
 of
 Technology
 ‐
 UTAUT).
 Estes
 autores
 defendem
 que
 a
 expectativa
 de

performance,
 expectativa
 de
 esforço,
 influência
 social
 e
 condições
 facilitadoras
 são

determinantes
directos
da
intenção
de
uso
e
comportamentos
de
adopção
de
inovações.
O

impacto
destes
quatro
factores
é
mediado
pela
idade,
género,
experiência
e
voluntariedade

de
uso.
 


         No
 modelo
 UTAUT,
 a
 expectativa
 de
 desempenho
 é
 definida
 como
 o
 grau
 em
 que

um
 indivíduo
 acredita
 que
 o
 uso
 de
 um
 sistema
 o
 irá
 ajudar
 a
 atingir
 melhorias
 de

desempenho
 no
 trabalho:
 os
 cinco
 constructos
 relacionados
 com
 esta
 variável
 são
 a

percepção
de
utilidade,
motivação
extrínseca,
adequação
do
trabalho/
emprego,
vantagem

relativa
 e
 expectativas
 de
 resultado.
 Por
 outro
 lado,
 a
 expectativa
 de
 esforço
 é
 definida

como
o
grau
de
facilidade
associado
ao
uso
do
sistema:
o
reconhecimento
da
facilidade
de

uso,
 a
 complexidade
 e
 facilidade
 de
 utilização
 são
 os
 conceitos
 relacionados
 com
 esta

variável.
 Influência
 social,
 outra
 variável
 do
 modelo
 UTAUT,
 é
 o
 grau
 através
 do
 qual
 o

sujeito
 percebe
 que
 outros
 sujeitos,
 considerados
 importantes
 na
 área,
 acreditam
 que
 ele

deve
usar
o
novo
sistema:
os
constructos
relacionados
são
norma
subjectiva,
factores
sociais

e
de
imagem.
Por
último,
as
condições
facilitadoras
são
definidas
como
o
grau
em
que
um

indivíduo
acredita
que
uma
infra‐estrutura
organizacional
e
técnica
existe
para
apoiar
o
uso

do
 sistema:
 percepção
 de
 controlo
 comportamental,
 condições
 de
 facilidade
 e

compatibilidade
são
os
constructos
relacionados
com
esta
variável.
Além
destes
conceitos,
o

estudo
 pretende
 ainda
 avaliar
 os
 constructos
 de
 auto‐eficácia,
 ansiedade
 e
 atitudes
 em

relação
 a
 técnicas,
 as
 quais
 Venkatesh
 et
 al.
 (2003)
 consideram
 como
 não
 sendo

directamente
 determinantes
 da
 intenção
 de
 uso.
 O
 impacto
 destes
 quatro
 constructos
 é

ainda
 mediado
 pela
 idade,
 género,
 experiência
 e
 voluntariedade
 de
 uso.
 O
 modelo
 UTAUT

foi
 desenvolvido
 através
 da
 revisão
 e
 consolidação
 de
 oito
 teorias
 na
 área
 da
 difusão
 e

adopção
 de
 inovações,
 nomeadamente:
 teoria
 da
 acção
 racional,
 modelo
 de
 aceitação
 de





                                                15

tecnologia,
modelo
motivacional,
modelo
de
difusão
de
inovações
e
a
teoria
cognitiva
social,

entre
 outras.
 Na
 área
 específica
 da
 adopção
 da
 TV
 digital,
 o
 modelo
 UTAUT
 tem
 sido

aplicado
 em
 vários
 projectos
 de
 investigação,
 como
 as
 investigações
 de
 campo

desenvolvidas
na
Itália,
no
âmbito
dos
projectos
de
T‐government
(Papa,
Nicoló,
Cornacchia,

Sapio,
Livi
&
Turk,
2009).



          Seguindo
 a
 teoria
 unificada
 da
 aceitação
 e
 uso
 de
 tecnologias,
 as
 principais

hipóteses
de
investigação
são
as
seguintes:



          H1.
As
expectativas
de
desempenho
têm
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital

          e
o
seu
efeito
é
maior
nos
jovens
e
nos
homens.



          H2.
As
expectativas
de
esforço
têm
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
e
o

          seu
efeito
é
maior
para
os
mais
velhos,
com
habilitações
académicas
mais
baixas
e

          para
as
mulheres.


          H3.
A
influência
social
tem
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
e
o
seu
efeito

          é
maior
para
os
mais
velhos,
com
um
nível
mais
baixo
de
habilitações
académicas
e

          para
as
mulheres.


          H4.
As
condições
facilitadoras
não
têm
um
efeito
significativo
na
intenção
de
uso
de

          TV
digital
na
maioria
da
população,
mas
têm
um
efeito
significativo
nos
mais
velhos.


          H5.
a)
A
auto‐eficácia
no
uso
de
tecnologias
não
tem
influência
significativa
na

          intenção
de
uso
de
TV
digital

          H5.b)
A
ansiedade
em
relação
ao
uso
de
tecnologias
não
tem
influência
significativa

          na
intenção
de
uso
de
TV
digital

          H5.c)
As
atitudes
em
relação
ao
uso
de
tecnologias
não
têm
influência
significativa

          na
intenção
de
uso
de
TV
digital.



          Deste
modo,
a
hipótese
principal
do
projecto
de
investigação
é
a
seguinte:
                        

HP:
 no
 contexto
 da
 transição
 da
 TV
 analógica‐digital,
 a
 adopção
 da
 TV
 digital
 está

significativamente
condicionada
por
factores
de
expectativa
de
desempenho,
expectativa
de

esforço
 e
 influência
 social,
 com
 forte
 probabilidade
 de
 rejeição
 significativa
 por
 parte
 de

segmentos
da
população
com
idade
mais
avançada,
com
menores
habilitações
académicas3

e
 com
 necessidades
 especiais.
 Todos
 estes
 factores
 constituem
 barreiras
 para
 adopção
 da

         




































































3
 
Nota:
optou‐se
por
substituir
a
variável
“habilitações
académicas”
pela
“experiência
de
uso
de
tecnologias”,
por

ser
um
indicador
mais
objectivo
e
concreto





                                                                               16

TV
digital.


1.5.
Metodologia


O
desenho
de
investigação
combina
métodos
quantitativos
e
qualitativos,
de
acordo
com
as

boas
práticas
de
projectos
com
âmbito
semelhante,
nomeadamente:
                         

‐
Klein,
J.
Karger,
S.
&
Sinclair,
K.
(2004a)
Attitudes
to
digital
television:
preliminary
findings

on
consumer
adoption
of
digital
television;
                                         

‐
 Klein,
 J.
 Karger,
 S.
 &
 Sinclair,
 K.
 (2004b)
 Attitudes
 to
 switchover:
 the
 impact
 of
 digital

switchover
on
consumer
adoption
of
digital
television;
 

‐
 Clarkson,
 J.
 &
 Keates,
 S.
 (2003)
 Digital
 TV
 For
 All:
 a
 report
 on
 usability
 and
 accessible

design.



         Em
 particular,
 no
 estudo
 Attitudes
 to
 switchover
 (Klein,
 Karger,
 &
 Sinclair,
 2004a)

foram
identificadas
três
novas
formas
de
pensar
sobre
os
consumidores
do
Reino
Unido
em

relação
 à
 sua
 adopção
 voluntária
 da
 TV
 digital:
 1)
 a
 caracterização
 das
 diferentes
 fases
 de

transição
da
televisão
analógica
para
a
digital;
2)
uma
nova
segmentação
de
mercado
para
a

fase
 voluntária
 de
 adopção,
 partindo
 da
 anterior
 segmentação
 proposta
 pelo
 projecto
 Go

Digital
 (2003)4;
 3)
 um
 modelo
 do
 processo
 de
 decisão
 dos
 consumidores
 que
 combina
 os

critérios
de
simbolismo
da
plataforma,
com
atractividade
dos
conteúdos
e
facilidade
de
uso

dos
equipamentos
(Klein,
Karger
&
Sinclair,
2004a).
Neste
relatório,
os
autores
propuseram

um
modelo
do
processo
de
decisão
dos
consumidores
de
TV
digital
em
que
os
consumidores

decidem
o
que
pensar
sobre
a
TV
digital
ao
olhar
para
três
níveis
diferentes:
simbolismo
da

plataforma,
grau
de
atractividade
dos
conteúdos
e
facilidade
de
uso
do
equipamento.



         Em
 relação
 ao
 projecto
 Attitudes
 to
 digital
 television
 (Klein,
 Karger
 &
 Sinclair,

2004b),
 o
 enfoque
 foi
 nos
 non‐adopters,
 ou
 seja,
 nas
 pessoas
 que
 afirmaram
 não
 ter
 a

intenção
 de
 adoptar
 TV
 digital,
 um
 grupo
 que
 constitui
 uma
 barreira
 ao
 objectivo
 do

governo
 em
 conseguir
 uma
 transição
 rápida
 e
 essencialmente
 voluntária
 para
 a
 TV
 digital:

“deste
modo
há
uma
necessidade
particularmente
forte
em
compreender
porque
é
que
os

non‐adopters
 tomaram
 essa
 posição.
 Assim,
 ao
 se
 compreender
 melhor
 as
 barreiras
 à

adopção
será
possível
recomendar
formas
de
as
ultrapassar,
convertendo
efectivamente
os

sub‐grupos
de
non‐adopters”.

        




































































4
De
notar
que
na
segmentação
proposta
pelo
projecto
Go
Digital
(2003)
foi
identificado
um
grupo
de

consumidores
que
afirmaram
que
não
seriam
persuadidos
a
adoptar/
comprar
TV
digital.
O
projecto
estabeleceu

que
este
segmento
corresponderia
a
aproximadamente
13%
dos
lares
no
Reino
Unido,
ou
seja,
a
3,2
milhões
de

domicílios.



                                                                              17

A
 metodologia
 do
 projecto
 de
 investigação
 combinou
 os
 seguintes
 métodos

quantitativos
e
qualitativos:


    1) Estudo
 etnográfico
 –
 realizado
 junto
 de
 uma
 amostra
 de
 20
 famílias
 de
 perfis

        diferenciados,
 com
 o
 objectivo
 de
 explorar
 em
 contexto
 quais
 as
 suas
 atitudes
 em

        relação
 à
 TV
 digital
 e
 quais
 os
 usos
 dados
 à
 televisão.
 Ainda,
 houve
 a
 intenção
 de

        compreender
como
estas
famílias
adoptam
novas
tecnologias
de
comunicação
e
de

        informação
 ou
 novos
 equipamentos
 de
 entretenimento
 doméstico
 e/
 ou
 pessoal,

        bem
 como
 quais
 são
 os
 seus
 estilos
 de
 aprendizagem
 (por
 exemplo,
 se
 são
 auto‐
        eficazes,
recorrem
à
sua
rede
social
para
obter
aconselhamento
ou
ajuda
no
uso
de

        novos
equipamentos
ou
novos
serviços,
etc).
O
trabalho
de
campo
entre
Setembro

        de
2010
e
Março
de
2011,
e
o
recrutamento
da
amostra
foi
feito
através
do
contacto

        com
 as
 câmaras
 municipais
 de
 Alenquer
 e
 da
 Nazaré,
 bem
 como
 com
 as
 juntas
 de

        freguesia
 de
 Agualva,
 Cacém,
 Mira‐Sintra
 e
 São
 Marcos,
 na
 tentativa
 de
 encontrar

        famílias
 com
 os
 perfis
 adequados
 aos
 objectivos
 do
 projecto.
 Mais
 detalhes
 no

        relatório
 “ADOPT‐DTV:
 Estudo
 Etnográfico”
 (Veríssimo,
 Henriques
 &
 Quico,
 2011),

        em
anexo
a
este
relatório
final.


    2) Entrevistas
com
stakeholders
‐
o
principal
objectivo
destas
entrevistas
foi
o
de
obter

        as
 diferentes
 perspectivas
 das
 partes
 interessadas
 neste
 processo
 de
 transição,
 ou

        seja,
canais
de
televisão
em
sinal
aberto,
operadores
de
TV
paga,
operador
de
TDT,

        reguladores,
 representantes
 de
 consumidores,
 representantes
 de
 pessoas
 com

        necessidades
especiais,
entre
outros.
O
instrumento
da
entrevista
foi
composto
por

        13
 perguntas
 abertas.
 Os
 participantes
 foram
 contactados
 via
 e‐mail,
 telefone
 e

        carta
durante
Outubro
e
Novembro
de
2010.
A
maioria
das
respostas
foi
obtida
em

        Novembro
 e
 Dezembro
 de
 2010.
 Um
 total
 de
 16
 entrevistas
 foram
 realizadas
 até

        final
de
Janeiro
de
2011.
A
maioria
dos
participantes
preferiu
responder
por
e‐mail,

        tendo
 os
 representantes
 da
 SIC/
 Impresa,
 ERC
 e
 RTP
 optado
 pela
 entrevista

        presencial:
 deste
 modo,
 procedeu‐se
 à
 transcrição
 da
 entrevista,
 que
 foi

        posteriormente
 validada
 pelo
 respectivo
 entrevistado.
 Mais
 detalhes
 no
 relatório

        “ADOPT‐DTV:
 Entrevistas
 com
 Stakeholders”
 (Sequeira,
 Veríssimo
 &
 Quico,
 2011),

        em
anexo
a
este
relatório
final.


    3) Inquérito
 quantitativo
 ‐
 aplicado
 junto
 de
 uma
 amostra
 representativa
 da

        população
 portuguesa,
 tendo
 sido
 baseado
 no
 instrumento
 anteriormente

        elaborado
 pelo
 Obercom
 (Araújo,
 Cardoso
 &
 Espanha,
 2008),
 com
 as
 necessárias




                                                 18

adaptações
 para
 o
 presente
 projecto.
 O
 inquérito
 foi
 aperfeiçoado
 com
 os

        contributos
 de
 todos
 os
 parceiros
 do
 projecto,
 ou
 seja,
 do
 Obercom
 e
 da
 Anacom.

        Ainda,
foi
realizado
um
pré‐teste
envolvendo
14
indivíduos
em
Outubro
de
2010,
de

        acordo
com
as
mesmas
condições
que
seriam
posteriormente
seguidas
no
estudo.
O

        inquérito
final
foi
aplicado
a
uma
amostra
de
1.205
indivíduos
com
mais
de
18
anos

        de
 idade,
 sendo
 realizado
 em
 casa
 dos
 entrevistados
 por
 uma
 equipa
 de

        entrevistadores
da
GfK,
a
empresa
de
estudos
de
mercado
recrutada
para
o
efeito.

        No
total,
o
instrumento
compreende
33
questões
e
22
itens
de
caracterização.
Mais

        detalhes
 no
 relatório
 “ADOPT‐DTV:
 Inquérito
 Quantitativo”
 (Henriques
 &
 Quico,

        2011),
em
anexo
a
este
relatório
final.



    4) Estudo
 de
 usabilidade,
 com
 uma
 amostra
 de
 20
 participantes,
 para
 proceder
 à

        análise
 comparativa
 da
 eficácia
 e
 satisfação
 de
 alguns
 dos
 equipamentos

        descodificadores
 de
 TV
 digital
 terrestre
 disponíveis
 no
 mercado
 português.
 Na

        constituição
 da
 amostra
 foi
 dada
 particular
 atenção
 ao
 recrutamento
 de
 pessoas

        com
idade
igual
ou
superior
a
65
anos
e
a
pessoas
com
necessidades
especiais.
Os

        testes
 de
 usabilidade
 decorreram
 Universidade
 Lusófona,
 onde
 anteriormente
 já

        foram
 efectuados
 diversos
 estudos
 com
 um
 âmbito
 semelhante
 a
 este
 (Conceição,

        Quico
 e
 Damásio,
 2005).
 Mais
 detalhes
 no
 relatório
 “ADOPT‐DTV:
 Estudo
 de

        Usabilidade”
(Henriques
&
Veríssimo,
2011),
em
anexo
a
este
relatório
final.



        Ao
longo
do
projecto
houve
a
preocupação
de
publicar
e
divulgar
os
resultados
de

cada
 um
 dos
 estudos
 que
 integram
 o
 projecto
 de
 investigação
 logo
 após
 a
 sua
 conclusão,

com
 o
 objectivo
 de
 contribuir
 activamente
 para
 a
 transição
 bem
 sucedida
 da
 TV
 analógica

para
 o
 digital.
 Em
 Janeiro
 e
 em
 Março
 de
 2011,
 a
 equipa
 de
 investigação
 lançou
 press‐
releases
com
alguns
dos
principais
do
inquérito
quantitativo
do
presente
estudo,
disponíveis

no
web
site
do
projecto
http://adoptdtv.ulusofona.pt/.





        Ainda,
 como
 os
 responsáveis
 pelo
 projecto
 ADOPT‐DTV
 também
 são
 responsáveis

pelo
 projecto
 de
 investigação
 e
 desenvolvimento
 “iDTV‐Health:
 Inclusive
 services
 to

promote
 health
 and
 wellness
 via
 digital
 interactive
 television”
 (UTA‐Est/MAI/0012/2009)

optou‐se
 por
 aproveitar
 sinergias
 entre
 os
 projectos.
 Assim,
 no
 âmbito
 do
 projecto
 IDTV‐
Health
foi
realizado
um
inquérito
quantitativo
sobre
saúde
e
media
em
Setembro
de
2011,

tendo
sido
 aproveitada
 esta
 oportunidade
para
voltar
a
colocar
algumas
das
questões
que

faziam
parte
do
inquérito
ADOPT‐DTV,
dada
a
importância
de
fazer
um
acompanhamento
da

evolução
 dos
 indicadores‐chave
 do
 inquérito.
 O
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011
 seguiu
 os




                                               19

mesmos
 moldes
 do
 inquérito
 de
 Novembro
 de
 2010:
 trata‐se
 também
 de
 uma
 amostra

representativa
da
população
Portuguesa
com
mais
de
18
anos,
também
com
cerca
de
1.200

inquiridos,
 também
 aplicado
 presencialmente
 na
 casa
 dos
participantes
 e
 cujo
 trabalho
 de

campo
 e
 recolha
 de
 dados
 foi
 também
 da
 responsabilidade
 da
 empresa
 de
 estudos
 de

mercado
GfK.







                                              20





2.
Execução
Material

        O
 projecto
 ADOPT‐DTV
 teve
 início
 em
 Abril
 de
 2010,
 com
 um
 ligeiro
 atraso
 em

relação
 à
 data
 inicialmente
 prevista
 (Janeiro
 de
 2010),
 devido
 a
 atrasos
 no
 processo
 de

contratualização
 inicial
 e
 transferência
 de
 verbas
 por
 parte
 da
 FCT.
 Após
 essa
 fase,

procedeu‐se
ao
acerto
e
homologação
de
um
novo
cronograma
e
iniciaram‐se
os
trabalhos

em
ritmo
normal.


        No
primeiro
ano
de
actividade,
tal
como
definido
no
plano
de
trabalho,
realizou‐se
a

revisão
 de
 literatura
 relativa
 aos
 estudos
 e
 relatórios
 sobre
 a
 migração
 da
 TV
 analógica

terrestre
para
o
digital
no
contexto
Europeu,
da
responsabilidade
de
Vera
Araújo
(Obercom).

O
 relatório
 “ADOPT‐DTV:
 Estado
 da
 Arte”
 (Araújo,
 2011)
 consta
 dos
 anexos
 a
 este

documento,
 encontrando‐se
 publicado
 no
 web
 site
 do
 projecto.
 De
 modo
 a
 se
 aprofundar

um
 caso
 de
 um
 processo
 de
 switch‐off
 já
 concluído,
 solicitou‐se
 a
 Peter
 Olaf
 Looms
 a

elaboração
 de
 um
 relatório
 de
 análise
 da
 experiência
 da
 Dinamarca,
 com
 o
 título
 ‐
 “A

transição
 para
 a
 televisão
 digital
 terrestre:
 experiências
 da
 Dinamarca”
 que
 também

engloba
um
relatório
sobre
TV
digital
e
acessibilidade

‐
“Digital
TV
and
access
services
”.


        Em
paralelo
com
a
elaboração
destes
relatórios,
a
equipa
de
investigação
avançou
a

partir
de
Julho
de
2010
com
os
trabalhos
preparatórios
de
três
dos
quatro
estudos
empíricos

que
 integram
 o
 presente
 projecto
 de
 investigação,
 nomeadamente,
 o
 estudo
 etnográfico,

entrevistas
 com
 os
 stakeholders
 e
 inquérito
 quantitativo.
 Em
 particular,
 o
 inquérito

quantitativo
 arrancou
 mais
 cedo
 do
 que
 o
 programado,
 a
 pedido
 da
 Anacom,
 já
 que

manifestou
interesse
em
obter
resultados
mais
cedo
do
que
o
definido
no
plano
de
trabalho.

Desta
forma,
o
instrumento
foi
desenvolvido
e
re‐trabalhado
em
Setembro
2010,
seguindo‐
se
o
pré‐teste
do
instrumento,
que
decorreu
até
23
de
Outubro.
Em
simultâneo,
procedeu‐
se
ao
envio
de
pedido
de
propostas
de
orçamento
e
plano
a
quatro
empresas
de
estudos
de

mercado
(GfK,
Eurosondagem,
IMR,
Intercampus),
tendo
sido
recebidas
as
propostas
até
15

de
Outubro
de
2010.
A
escolha
recaiu
na
empresa
GfK,
que
já
antes
tinha
sido
responsável

pela
aplicação
do
inquérito
do
Obercom
sobre
TV
digital
em
2008.
A
reunião
com
empresa

seleccionada
decorreu
a
25
de
Outubro,
na
qual
ficou
acordado
o
calendário
de
aplicação
do

inquérito
e
de
entrega
dos
resultados.
Assim,
o
trabalho
de
campo
teve
lugar
em
meados
de

Novembro
e
a
base
de
dados
com
os
resultados
foram
entregues
no
início
de
Dezembro.

        No
âmbito
das
entrevistas
com
os
stakeholders,
a
equipa
começou
por
elaborar
o

guião
de
entrevistas
de
Julho
a
Setembro
de
2010,
bem
como
a
lista
de
entidades,
empresas

ou
especialistas
a
contactar
para
o
efeito.
O
trabalho
de
campo
estendeu‐se
para
além
do



                                                21

intervalo
 de
 tempo
 primeiro
 definido,
 já
 que
 alguns
 dos
 participantes
 tardaram
 em
 dar

resposta
ao
pedido
de
entrevista:
a
equipa
contactou
mais
de
30
stakeholders
e
obteve
16

entrevistas.
A
codificação
das
entrevistas
foi
efectuada
posteriormente
à
recepção
da
quase

totalidade
das
entrevistas,
ao
longo
do
primeiro
semestre
de
2011,
com
recurso
ao
software

de
análise
qualitativa
NVivo.
O
relatório
final
relativo
às
entrevistas
com
os
stakeholders
foi

concluído
em
Setembro
de
2011.


         Para
o
estudo
etnográfico
optou‐se
por
circunscrever
o
trabalho
de
campo
às
três

zonas‐piloto
 do
 desligamento
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre
 –
 a
 saber:
 Alenquer,

Cacém
e
Nazaré.
Em
Julho
de
2010,
a
equipa
elaborou
o
guião
e
definiu
os
procedimentos

para
 a
 realização
 das
 sessões
 de
 observação,
 bem
 como
 teve
 formação
 em
 NVivo.
 Em

Setembro,
efectuou‐se
o
pré‐teste
do
guião
em
casa
de
três
famílias.

A
partir
de
finais
de

Setembro,
 a
 equipa
 de
 investigação
 procedeu
 ao
 contacto
 com
 as
 respectivas
 câmaras
 ou

juntas
de
freguesia
das
zonas‐piloto,
de
forma
a
obter
apoio
no
recrutamento
das
famílias,

tarefa
 que
 acabou
 por
 ser
 mais
 morosa
 do
 que
 o
 inicialmente
 previsto,
 tendo
 o

recrutamento
e
trabalho
de
campo
acabado
por
se
estender
até
Março
de
2011.
Em
paralelo

com
o
trabalho
de
campo,
a
equipa
procedeu
à
digitalização
dos
vídeos,
análise
dos
vídeos
e

das
notas
de
campo,
transcrição
de
entrevistas
semi‐estruturadas
e
finalmente,
codificação

dos
 conteúdos,
 com
 apoio
 do
 software
 NVivo.
 A
 elaboração
 dos
 relatórios
 individuais
 foi

sendo
 efectuada
 ao
 longo
 do
 primeiro
 semestre
 de
 2011,
 tendo
 sido
 entregue
 o
 relatório

final
deste
estudo
em
Setembro
de
2011.
              


        O
quarto
e
último
estudo
empírico
–
estudo
de
usabilidade
–
arrancou
em
Maio
de

2011,
 já
 que
 foi
 necessário
 mais
 tempo
 do
 que
 o
 previsto
 para
 a
 realização
 dos
 outros

estudo
empíricos
que
integram
o
projecto,
bem
como
foi
necessário
o
empenho
da
equipa

de
 investigação
 na
 organização
 e
 logística
 associada
 à
 conferência
 internacional
 EuroITV

2011.
Ainda,
como
o
laboratório
de
usabilidade
da
Universidade
Lusófona
estava
em
obras

foi
 necessário
 encontrar
 uma
 solução
 de
 recurso.
 A
 primeira
 opção
 acabou
 por
 ser

descartada,
 devido
 a
 problemas
 técnicos
 na
 instalação
 de
 uma
 antena
 de
 televisão
 digital

terrestre.
Assim,
o
recrutamento
da
amostra
e
respectivo
trabalho
de
campo
acabou
por
se

atrasar,
tendo
coincidido
com
Julho
e
Agosto.
Em
Setembro,
o
trabalho
de
campo
foi
dado

por
concluído.
O
relatório
do
estudo
e
usabilidade
foi
finalizado
em
meados
de
Outubro
de

2011.

         Relativamente
 às
 acções
 de
 divulgação
 dos
 resultados
 do
 projecto,
 em
 finais
 de

Dezembro
 de
 2010,
 a
 equipa
 de
 investigação
 da
 ULHT
 convocou
 os
 representantes
 dos

parceiros
Obercom
e
Anacom
para
uma
reunião
de
divulgação
dos
primeiros
resultados
do





                                               22

inquérito
 quantitativo.
 A
 esta
 reunião
 seguiu‐se
 o
 envio
 de
 um
 press‐release
 no
 início
 de

Janeiro
 de
 2011,
 bem
 como
 publicação
 no
 web
 site
 do
 projecto,
 com
 a
 informação

considerada
como
mais
relevante.


         A
 2
 Março
 de
 2011,
 a
 equipa
 de
 investigação
 da
 ULHT
 organizou
 um
 workshop

restrito
aos
parceiros
no
projecto,
para
apresentação
detalhada
de
processo
de
switchover

na
Dinamarca
e
da
importância
da
acessibilidade
universal
em
TV
digital,
com
a
presença
de

Peter
Olaf
Looms.


         De
 notar
 que
 no
 âmbito
 do
 projecto
 ADOPT‐TV,
 a
 equipa
 de
 investigação
 da
 ULHT

foi
 responsável
 pela
 organização
 do
 importante
 evento
 na
 área
 da
 TV
 digital
 interactiva

“EuroITV
2011”
‐
http://www.euroitv2011.org/
‐,
que
teve
lugar
de
29
de
Junho
a
1
de
Julho

de
2011
–
cujo
o
relatório
final
se
encontra
anexado
a
este
documento
–
Relatório
“EuroITV

2011”.
A
conferência
“EuroITV”
é
um
fórum
para
profissionais
e
académicos
da
Europa
e
de

todo
 o
 mundo
 que
 trabalham
 ou
 têm
 interesse
 no
 campo
 televisão
 interactiva
 e
 vídeo
 na

web.
 Esta
 conferência
 anual
 apresenta
 o
 estado‐da‐arte
 na
 academia
 e
 na
 indústria
 no

campo
 da
 TV
 interactiva,
 tais
 como
 IPTV,
 mobile
 TV,
 produção
 de
 conteúdos
 digitais,

usabilidade
e
avaliação
da
experiência
dos
utilizadores,
requisitos
técnicos,
infra‐estruturas

e
 tecnologias
 futuras.
 O
 “EuroITV2011”
 teve
 como
 entidades
 organizadoras
 e
 de

acolhimento
 a
 Universidade
 Lusófona
 Tecnologias
 e
 Humanidades
 (ULHT)
 e
 o
 Instituto

Superior
 de
 Ciências
 do
 Trabalho
 e
 da
 Empresa
 (ISCTE).
 Esta
 foi
 a
 nona
 edição
 da
 série
 de

conferências
 EuroITV,
 que
 teve
 início
 em
 2003
 e
 que
 desde
 então
 tem
 vindo

progressivamente
a
crescer.
A
conferência
teve
lugar
por
duas
vezes
em
Brighton
(UK),
em

Aalborg
 (Dinamarca),
 Atenas
 (Grécia),
 Amesterdão
 (Holanda),
 Salzburgo
 (Áustria),

 Lovaina

(Bélgica)
e
Tampere
(Finlândia).
A
próxima
edição
decorre
em
Berlim
(Alemanha),
de
4
a
6

de
Julho
de
2012,
sendo
organizada
pelo
Fraunhofer
Institute.

         Ainda,
 a
 equipa
 de
 investigação
 esteve
 activamente
 envolvida
 na
 organização
 do

colóquio
“Media
e
Deficiência”,
que
decorreu
a
28
de
Setembro
de
2011
na
Universidade

Lusófona,
 com
 organização
 conjunta
 entre
 a
 universidade
 e
 o
 Gabinete
 para
 os
 Meios
 de

Comunicação
 Social
 (GMCS).
 No
 web
 site
 do
 colóquio
 serão
 publicados
 os
 vídeos
 das

sessões,
 bem
 como
 outra
 documentação
 relacionada
 com
 a
 temática
 da
 deficiência
 e
 os

media:
http://www.mediaedeficiencia.com/
.
Finalmente,
o
workshop
final
de
divulgação
e

disseminação
dos
resultados
do
projecto
deve
decorrer
até
ao
final
de
2011,
em
data
a
fixar.

         No
web
site
ADOPT‐DTV
‐
http://adoptdtv.ulusofona.pt/
‐
lançado
em
Novembro
de

2010
 ‐
 encontra‐se
 toda
 a
 documentação
 essencial
 relativa
 ao
 presente
 projecto
 de

investigação,
 tais
 como
 os
 artigos
 científicos
 aceites
 em
 conferências
 e
 em
 publicações





                                                  23

científicas,
 relatórios
 dos
 estudos
 empíricos
 e
 de
 revisão
 de
 bibliografia,
 bem
 como
 outras

informações
 de
 interesse
 relacionados
 com
 a
 transição
 da
 TV
 analógica
 terrestre
 para
 o

digital.
 Já
 em
 Outubro
 de
 2011,
 a
 equipa
 de
 investigação
 criou
 uma
 página
 do
 Facebook,

para
 divulgação
 e
 disseminação
 dos
 principais
 resultados
 do
 projecto,
 disponível
 no

endereço:
http://www.facebook.com/pages/TDT‐Adopt‐DTV/248275598555929


          Relativamente
à
apresentação
de
artigos
em
conferências
e
à
publicação
de
artigos

em
 revistas
 científicas,
 até
 30
 de
 Outubro
 de
 2011
 estes
 são
 os
 artigos
 e
 relatórios
 já

apresentados
e
publicados,
bem
como
os
artigos
já
com
publicação
garantida.
 



Indicadores
de
realização
do
projecto
–
ver
6.
Anexos
para
lista
completa
                        

(*
até
final
de
2011
e
ao
longo
de
2012,
a
equipa
de
investigação
vai
continuar
a
submeter
artigos
a

conferências
e
revistas
nacionais
e
internacionais)




                                                                                   P
           R


A
–
Publicações
                                                                     
            


Livros
                                                                             2
          6*


Artigos
em
revistas
internacionais
                                                 5
          5*


Artigos
em
revistas
nacionais
                                                      6
          3*


B
–
Comunicações
                                                                    
            


Em
congressos
científicos
internacionais
                                           6
          6*


Em
congressos
científicos
nacionais
                                                4
          2*


C‐
Relatórios
                                                                      4
           8


D‐
Organização
de
seminários
e
conferências
                                        2
           4


E‐
Formação
Avançada
                                                                
            


Teses
de
Doutoramento
                                                              
1
          1


Teses
de
Mestrado
                                                                  1
           1


Outra
                                                                              0
           1


F‐
Modelos
                                                                         1
           1







                                                  24




3.
Resultados
principais



1.
Posse
de
TV
em
sinal
aberto
e
de
TV
por
subscrição:
taxa
de
penetração
e
perfis

‐
A
percentagem
da
população
de
Portugal
Continental
que
recebe
exclusivamente

televisão
em
sinal
aberto
deve
situar‐se
próximo
dos
38%,
em
Setembro
de
2011.

No
 último
 inquérito
 sobre
 TV
 digital
 da
 Universidade
 Lusófona
 realizado
 em
 Setembro
 de

20115,
 61.7%
 afirmaram
 ter
 TV
 paga
 em
 casa
 (n=742),
 o
 que
 implica
 que
 38.3%
 dos

inquiridos
não
possuem
TV
paga
(n=460).
Estes
dados
coincidem
os
valores
do
Barómetro

de
 Telecomunicações
 da
 Marktest,
 que
 estimou
 em
 61.9%
 a
 penetração
 de
 TV
 paga
 em

Portugal
 Continental,
 em
 Junho
 de
 2011
 (Anacom,
 2011).
 Já
 os
 valores
 avançados
 pela

Anacom
 variam
 consoante
 o
 denominador
 considerado:
 49.5
 assinantes
 por
 cada
 100

alojamentos,
 caso
 se
 considere
 o
 total
 de
 alojamentos
 familiares
 clássicos
 (o
 que
 inclui

alojamentos
de
residência
habitual
e
de
uso
sazonal
ou
residências
secundárias),
enquanto

que
 considerando
 o
 total
 de
 famílias
 clássicas,
 a
 Anacom
 (2011)
 estimou
 que
 72.2%
 são

assinantes
 de
 TV
 por
 subscrição
 no
 segundo
 trimestre
 de
 2011.
 Considerando
 que
 a

população
residente
em
Portugal
Continental6
é
de
10.041.813
indivíduos
(população
total:

10.555.853
 indivíduos),
 de
 acordo
 com
 últimos
 dados
 apurados
 pelo
 Instituto
 Nacional
 de

Estatística
 (2011),
 podemos
 estimar
 que
 cerca
 de
 3,8
 milhões
 de
 Portugueses
 usufruem

exclusivamente
dos
canais
de
televisão
em
sinal
aberto
em
sua
casa.


         Em
relação
aos
resultados
apurados
no
primeiro
inquérito
quantitativo
realizado
no

âmbito
 do
 projecto
 ADOPT‐DTV,
 54,7%
 usufruíam
 de
 um
 serviço
 de
 TV
 paga
 em
 casa

(n=655),
o
que
significa
que
45,3%
do
total
dos
participantes
recebiam
somente
televisão

em
sinal
aberto
(n=543).
O
trabalho
de
campo
deste
inquérito
decorreu
em
Novembro
de

2010,
junto
de
uma
amostra
de
1.205
participantes,
dos
quais
99.4%
possuíam
pelo
menos

um
televisor
em
casa
(n=1198).




        




































































5
 
Inquérito
realizado
no
âmbito
do
projecto
de
investigação
“iDTV‐Health:
Inclusive
services
to
promote
health

and
wellness
via
digital
interactive
television”
(UTA‐Est/MAI/0012/2009),
cujo
trabalho
de
campo
decorreu
de
16

a
27
de
Setembro
de
2011,
junto
de
uma
amostra
representativa
da
população
Portuguesa
com
mais
de
18
anos,

constituída
por
1.207
inquiridos,
dos
quais
1.202
participantes
afirmaram
ter
TV
em
casa.


6
 
De
notar
que
a
Região
Autónoma
dos
Açores
e
Região
Autónoma
da
Madeira
tem
uma
taxa
de
penetração
de

TV
paga
muito
superior
à
de
Portugal
Continental,
respectivamente
com
95
assinantes
por
100
alojamentos
e
81

assinantes
por
100
alojamentos.
Fonte
–
Anacom
(2011)
“Serviço
de
Televisão
por
Subscrição
‐
2º
trimestre
de

2011”
http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1096827




                                                                              25

Tabela
1:
Posse
de
TV
paga
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health
‐
ULHT,
2011)

               
              Novembro
2010
             Janeiro
2011
            Setembro
2011

                                 (n=1198)
                 (n=1198)
                 (n=1202)

                                    %
                        %
                        %


Sim
                                54.7
                     59.5
                     61.7


Não
                                45.3
                     40.5
                     38.3


           


           De
 modo
 a
 compreender
 melhor
 quais
 os
 perfis
 dos
 espectadores
 com
 TV
 por

subscrição
e
sem
TV
por
subscrição,
a
seguir
se
apresenta
a
análise
estatística
descritiva
e

inferencial
 de
 algumas
 variáveis,
 tendo
 por
 base
 o
 inquérito
 principal
 do
 ADOPT‐DTV,
 cujo

trabalho
 de
 campo
 decorreu
 em
 Novembro
 de
 2010.
 As
 análises
 realizadas
 respeitam
 um

nível
 de
 confiança
 de
 95%
 (α
 =
 0,05)
 tendo
 sido
 usado
 o
 teste
 do
 Qui‐Quadrado,
 uma
 vez

que
 se
 evidenciou
 como
 o
 mais
 adequado
 e
 potente.
 Quando
 os
 pressupostos
 do
 Qui‐
Quadrado
não
foram
verificados
recorreu‐se
ao
uso
do
Teste
Exacto
de
Fisher.
 


           No
 que
 respeita
 ao
 perfil
 socioeconómico
 dos
 assinantes
 de
 TV
 paga,
 os
 dados

indicam
que
as
variáveis
sexo
e
TV
por
assinatura
não
são
independentes,
verificando‐se
a

existência
 de
 diferenças
 estatisticamente
 significativas
 entre
 género
 masculino
 e
 feminino

quanto
à
posse
de
TV
paga
(χ2
(1)
=0,185,
p
=
0,667,
n
=
1.198;
α
=
0,05).
Os
dados
indicam

que
existe
uma
percentagem
maior
de
participantes
do
sexo
feminino
que
têm
TV
paga
em

casa,
 quando
 comparado
 com
 os
 participantes
 do
 sexo
 masculino.
 Encontramos
 também

uma
 diferença
 estatisticamente
 significativa
 entre
 a
 idade
 e
 a
 TV
 paga,
 indicando
 que
 os

participantes
mais
velhos
são
menos
propensos
a
ter
TV
paga
nas
suas
próprias
casas
(χ2
(5)

=
73,879,
p
<0,001,
n
=
1198;
α
=
0,05).
Verificou‐se
ainda
uma
correlação
negativa
razoável

e
significativa
entre
a
idade
e
posse
de
TV
por
assinatura
(P
=‐
0,25,
p
<0,001).
 


Tabela
2:
TV
paga
e
TV
em
sinal
aberto
vs.
idade
(ADOPT‐DTV,
Novembro
de
2010)

    
                               Amostra
total
              TV
paga

          TV
em
sinal
aberto

                                        %
                         %
                      %


    18‐24
anos
                             12
                  14.2
                     7.2


    25‐34
anos
                             21
                   24
                     17.5


    35‐44
anos
                          19.1
                   20.8
                     17


    45‐54
anos
                          18.2
                   19.2
                    16.6


    55‐64
anos
                          13.3
                   11.3
                    15.8


    +
65
anos
                           16.4
                    8.2
                     23






                                                 26




          Em
relação
ao
status
dos
participantes
com
TV
paga,
foi
encontrada
uma
correlação

positiva
 (V
 =
 0,244;
 p
 <0,001)
 e
 diferenças
 estatisticamente
 significativas.
 Estes
 dados

indicam
 que
 os
 participantes
 com
 um
 nível
 de
 status
 mais
 elevado
 (A,
 B)
 têm
 maior

probabilidade
de
ter
TV
paga
em
casa
do
que
indivíduos
nos
grupos
menos
favorecidos
(D,

E),
estando
consideravelmente
abaixo
da
média
na
subscrição
de
serviços
de
TV
paga
(χ2(4)

=
71,093;
p
<0,001;
n
=
1.198;
α
=
0,05).




Tabela
3:
TV
paga
e
TV
em
sinal
aberto
vs.
Status
(ADOPT‐DTV,
Novembro
de
2010)



    
                               Amostra
total
              TV
paga
             TV
em
sinal
aberto

                                        %
                         %
                        %


    A
                                   2.7
                       4
                      0.7


    B
                                   13.9
                     19
                      8.5


    C

                                  19.6
                     24
                      14.9


    D

                                  48.8
                     40
                      59.1


    E
                                   15
                       13
                      16.8

              

Em
 relação
 às
 pessoas
 com
 necessidades
 especiais,
 nomeadamente
 aos
 indivíduos
 com

deficiências
visuais,
auditivas
e
de
mobilidade,
mais
uma
vez
encontramos
uma
correlação

positiva
entre
a
deficiência
e
a
posse
de
TV
em
sinal
aberto.
Os
resultados
indicam
ainda
a

existência
 de
 diferenças
 significativas
 entre
 essas
 variáveis,
 revelando
 que
 os
 participantes

com
 deficiência
 auditiva,
 visual
 ou
 de
 mobilidade
 são
 mais
 propensos
 a
 ter
 TV
 em
 sinal

aberto
nas
suas
casas
(deficiência
visual
χ2
(4)
=
21,422,
p
<0,001,
n
=
1.198;
α
=
0,05;
V
=

0,134,
p
<0,001;
deficiência
auditiva
χ2
(4)
=
42,303,
p
<0,001,
n
=
1.198;
α
=
0,05;
V
=
0,188,

p
<0,001;
mobilidade
reduzidaχ2
(4)
=
66,131;
p
<0,001,
n
=
1.198;
V
=
0,235,
p
<0,001;
α
=

0,05).

 


Tabela
4:
TV
paga
e
TV
em
sinal
aberto
vs.
Deficiências
visuais
(ADOPT‐DTV,
2011)

    Dificuldades
em
ver
            Amostra
total
              TV
paga
             TV
em
sinal
aberto


                                        %
                         %
                        %


    Nenhuma
                             62.3
                    68.8
                      56


    Um
pouco
                            13.9
                    12.7
                     15.5


    Alguma
                              18
                      14.8
                     22.1


    Muita
                               5.1
                      4.1
                     6.4


    Não
vejo
                            0.1
                      0.2
                      0




                                                 27



Tabela
5:
TV
paga
e
TV
em
sinal
aberto

vs.
Deficiências
auditivas
(ADOPT‐DTV,
2011)

  Dificuldades
em
ouvir
           Amostra
total
                TV
paga
         TV
em
sinal
aberto


                                                                            %
              %
                   %


    Nenhuma
                                                                80
            86.7
                71.8

    Um
pouco
                                                              9.4
             6.4
                13

    Alguma
                                                                8.5
             5.8
                11.8

    Muita
                                                                 1.9
             0.9
                3.1

    Não
ouço
                                                              0.2
             0.3
                0.2



Tabela
6:
TV
paga
e
TV
em
sinal
aberto
vs.
Deficiências
motoras
(ADOPT‐DTV,
2011)

    Dificuldades
em
andar

                                      Amostra
total
           TV
paga
    TV
em
sinal
aberto


                                                                            %
              %
                   %


    Nenhuma
                                                              77.1
            85.5
                67

    Um
pouco
                                                               10
             7.6
                12.9

    Alguma
                                                                8.8
             5.6
                12.7

    Muita
                                                                 3.7
             1.1
                6.8

    Não
ando
                                                              0.3
             0.2
                0.6




              Em
resumo,
com
base
nos
resultados
do
primeiro
inquérito
quantitativo
aplicado
a

uma
 amostra
 representativa
 da
 população
 Portuguesa
 no
 âmbito
 do
 projecto
 ADOPT‐DTV,

podemos
afirmar
que
os
indivíduos
com
TV
paga
em
Portugal
são
sobretudo
jovens
adultos

e
 adultos
 de
 meia
 idade,
 mais
 propensos
 a
 ter
 níveis
 mais
 elevados
 de
 educação
 e
 a

pertencer
a
grupos
de
status
mais
alto
(A
/
B
/
C)7
e
menos
propensos
a
ter
algum
tipo
de

deficiência
 (visual,
 auditiva
 ou
 de
 mobilidade).
 Por
 outro
 lado,
 os
 indivíduos
 sem
 TV
 paga

em
Portugal
são
mais
propensos
a
ter
uma
idade
elevada,
a
ter
mais
de
55
anos
de
idade,

a
possuir
baixos
níveis
de
habilitações
académicas
e
um
baixo
status
(D
/
E)
e,
finalmente,

a
possuir
algum
nível
de
deficiência
(auditiva,
visual
ou
de
mobilidade)8.
                                 





             




































































7
 

O
status
é
determinado
pela
empresa
de
estudos
de
mercado
GfK
com
base
no
nível
de
escolaridade
e
na

ocupação
do
respondente:
mais
detalhes
nos
anexos
a
este
relatório.


8
Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
artigo:
 Quico,
Célia;
Damásio,
Manuel
José;
Henriques,
Sara
&
Veríssimo,

Iolanda
 (2011).
 “Perfis
 de
 adopters
 de
 TV
 digital
 no
 contexto
 do
 processo
 de
 transição
 da
 televisão
 analógica

terrestre
para
a
televisão
digital
terrestre
em
Portugal”.
In
Proc.
of
SOPCOM
2011.
Universidade
do
Porto,
Porto/

Portugal.

15
‐
17

Dezembro
2011.




                                                                                   28

2.
Tipo
de
acesso
a
TV
em
sinal
aberto
               

‐
Verifica‐se
que
a
recepção
de
TV
analógica
terrestre
se
mantém
como
largamente

dominante
 junto
 dos
 Portugueses
 sem
 TV
 paga,
 sendo
 o
 acesso
 à
 TDT
 pouco

expressivo,
estimando‐se
que
35%
da
população
de
Portugal
Continental
possa
ser

afectada
com
o
desligamento
do
sinal.
                
         

No
último
inquérito
sobre
TV
digital
realizado
em
Setembro
de
2011,
dos
460
inquiridos
que

responderam
 negativamente
 à
 questão
 “tem
 TV
 paga”
 (total
 inquiridos
 com
 TV
 =1.202),

92.4%
 afirmaram
 receber
 TV
 analógica
 através
 da
 antena
 tradicional
 (n=425)
 e
 3%

indicaram
ter
TDT
(n=14),
enquanto
que
2.6%
referiram
receber
TV
gratuitamente
através

de
 parabólica
 e
 2.6%
 não
 sabem
 ou
 não
 responderam
 a
 esta
 questão.
 De
 notar
 que
 no

inquérito
 anterior,
 realizado
 em
 Novembro
 de
 2010,
 do
 conjunto
 de
 inquiridos
 que

indicaram
não
ter
TV
paga,
96.7%
afirmaram
ter
TV
analógica
terrestre,
enquanto
que
1.8%

afirmaram
 receber
 o
 sinal
 de
 TV
 por
 uma
 parabólica
 e
 1.1%
 afirmaram
 receber
 TDT,
 com

0.7%
 a
 optarem
 por
 não
 responder
 e
 0.2%
 dos
 inquiridos
 a
 identificarem
 outro
 tipo
 de

acesso.
 Deste
 modo,
 verificou‐se
 uma
 ligeira
 subida
 da
 percentagem
 dos
 que
 afirmam
 ter

TDT,
que
passou
de
1.1%
para
3%
dos
inquiridos
sem
TV
paga.
 


        

Tabela
7:
Tipo
de
acesso
à
televisão
gratuita
no
agregado
familiar
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)


                        
                                 Novembro
2010
        Setembro
2011

                                                             (n=543)
               (n=460)

                                                                %
                     %


Antena
tradicional
(analógica,
sem
TV
por
                    96.7
                   92.4

subscrição)


Televisão
digital
Terrestre
(TDT=
                             1.1
                    3


Por
satélite/
com
parabólica
(gratuita)
                       1.8
                   2.6


Outro
tipo
de
acesso
                                          0.2
                   0.2


Não
sabe/
não
responde
                                        0.7
                   2.6


(nota:
havia
a
possibilidade
de
escolher
mais
do
que
uma
opção)
       


         No
 estudo
 etnográfico,
 realizado
 junto
 de
 30
 famílias
 das
 3
 zonas‐piloto
 do

desligamento
da
emissão
analógica
terrestre
de
televisão,
5
das
famílias
entrevistadas
não

eram
assinantes
de
serviços
de
televisão
(famílias
5,
8,
9,
17
e
23).
Já
no
caso
do
estudo
de

usabilidade,
dos
20
participantes
que
colaboraram
na
avaliação
dos
equipamentos
de
TDT,
4

não
eram
subscritores
de
um
serviço
de
TV
paga.
                





                                               29

3.
Conhecimento
sobre
a
TV
digital
e
TDT

 

‐
Estima‐se
que
a
maioria
dos
Portugueses
já
tenha
ouvido
falar
em
TV
digital
e
em

TDT,
 mas
 que
 na
 maior
 parte
 dos
 casos
 tenham
 dificuldades
 em
 definir
 ou

caracterizar
estas
tecnologias.
            

Em
 relação
à
 familiaridade
 com
 os
 termos
e
expressões‐chave
associadas
à
TV
digital
,
em

primeiro
 lugar,
 78.2%
 dos
 participantes
 no
 inquérito
 realizado
 em
 Setembro
 de
 2011

conhecem
ou
já
ouviram
falar
de
TV
digital.
Num
segundo
inquérito
no
âmbito
do
projecto

ADOPT‐DTV
 realizado
 em
 Janeiro
 de
 2011
 e
 divulgado
 em
 Março,
 75.5%
 responderam

afirmativamente
a
esta
questão,
pelo
que
se
verifica
um
ligeiro
acréscimo
neste
indicador.


         Já
 sobre
 o
 termo
 “televisão
 digital
 terrestre”,
 em
 Janeiro
 de
 2011,
 46.1%
 dos

inquiridos
 afirmaram
 já
 ter
 ouvido
 falar
 desta
 plataforma
 de
 distribuição
 de
 sinal
 de
 TV

digital,
enquanto
que
no
inquérito
de
Setembro
de
2011,
72%
dos
inquiridos
responderam

já
 ter
 ouvido
 falar
 de
 TDT,
 o
 que
 representa
 uma
 subida
 assinalável
 num
 intervalo
 de
 8

meses.
 Ainda
 de
 referir
 que
 14.3%
 dos
 inquiridos
 responderam
 conhecer
 a
 expressão

“switchover
 digital”
 neste
 último
 estudo,
 enquanto
 que
 em
 Janeiro
 de
 2011,
 11%

responderam
já
ter
ouvido
falar
desta
expressão.
             



Tabela
8:
Conhecimento
de
expressões
associadas
à
TV
digital
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)
 


                        
                               Janeiro
2011
             Setembro
2011

                                                          (n=1198)
                  (n=1202)

                                                             %
                         %


                        
                          Sim,
já
ouvi
falar
de...
   Sim,
já
ouvi
falar
de...


TV
Digital
                                                 75.5
                       78.2


TV
de
alta
definição
(HD
                                   69.4
                       69.8


Switchover
digital
                                          11
                        14.3


Televisão
Digital
Terrestre
(TDT)
                          46.1
                        72


BOX/Caixa
descodificadora
(STB)
                            61.8
                       70.6




         O
 estudo
 etnográfico
 é
 esclarecedor
 quanto
 à
 diferença
 entre
 já
 ter
 ouvido
 falar

sobre
 TV
 digital
 e
 saber
 definir
 ou
 caracterizar
 TV
 digital.
 Assim,
 verifica‐se
 um

desconhecimento
 generalizado
 sobre
 as
 características
 da
 TV
 digital:
 das
 30
 famílias
 que

integraram
 o
 estudo,
 em
 26
 famílias
 pelo
 menos
 um
 dos
 seus
 membros
 afirmou
 já
 ter

ouvido
falar
no
tema,
mas
apenas
3
participantes
do
total
de
63
entrevistados
neste
estudo




                                                30

foram
capazes
de
explicar
no
que
consiste
este
tipo
de
transmissão
de
sinal
de
televisão
e
de

dados
e
quais
das
suas
características.

          Nestas
famílias
em
que
pelo
menos
um
dos
seus
elementos
afirmou
ter
ouvido
falar

em
 televisão
 digital,
 esta
 informação
 chegou
 através
 dos
 media
 nacionais
 ou
 locais,
 de

familiares
 ou
 de
 amigos,
 de
 técnicos
 especializados,
 ou
 das
 empresas
 operadoras
 de

televisão,
 via
 telefone.
 «Eu
 ouvi
 na
 televisão,
 até
 parece
 que
 ia
 ser
 a
 partir
 de
 Janeiro
 ou

qualquer
coisa,
mas
não
sei
bem...»,
aponta
Sofia,
alenquerense
de
37
anos.
«Já
ouvi
falar,

através
do
senhor
das
televisões,
o
nosso
técnico.
Ele
já
tinha
dito
que
qualquer
dia…
E
disse

que
Alenquer
era
uma
das
zonas
de
experiência‐piloto»,
conta
Carla,
de
65
anos,
depois
de

explicar
 que,
 quando
 comprou
 a
 sua
 última
 televisão,
 lhe
 disseram
 que
 esta
 já
 estava

equipada
com
«não
sei
o
quê
para
a
era
digital».
«Fui
abordado
pelo
telefone,
por
mais
de

uma
 vez
 (…)
 Falaram
 em
 televisão
 digital,
 diziam
 que
 iam
 aplicar
 um
 equipamento
 para

poder
fazer
a
transformação
no
caso
dos
televisores
que
já
existem,
porque
os
futuros
vêm
já

preparados»,
 refere
 Manuel,
 de
 71
 anos,
 sublinhando
 que
 é
 pelo
 telefone,
 através
 das

empresas,
 que
 normalmente
 lhe
 chegam
 as
 primeiras
 informações
 sobre
 equipamentos

tecnológicos.

          Apesar
 de,
 aparentemente,
 as
 pessoas
 se
 demonstrarem
 familiarizadas
 com
 o

termo,
 as
 ideias
 sobre
 televisão
 digital
 parecem
 ser
 vagas
 em
 21
 das
 26
 famílias
 que

afirmaram
 já
 ter
 ouvido
 falar
 no
 tema,
 chegando
 alguns
 indivíduos
 a
 relacionar
 televisão

digital
com
aspectos
ainda
distantes
da
realidade.
«O
que
eu
entendi
como
TV
Digital
é
que

são
aquelas
televisões
em
que
a
gente
não
precisa
de
ter,
por
exemplo,
um
comando
para

ligar
e
desligar»,
sugere
Adelaide,
de
37
anos.
«Agora
já
não
há
comandos,
já
não
há
nada.
É

tudo
 pelo
 ecrã,
 muito
 fininho»,
 explica
 Luísa,
 apostando
 na
 mesma
 ideia,
 de
 que
 digital
 é

sinónimo
 de
 ”touch”.
 Na
 verdade,
 apesar
 de
 mais
 de
 40
 indivíduos,
 de
 26
 famílias,
 terem

assumido
conhecer
o
termo
“televisão
digital”,
muito
poucos
souberam
defini‐la,
sendo
as

expressões
mais
recorrentes:
«já
ouvi
falar
na
televisão
digital,
mas
muito
sinceramente
não

tenho
bem
uma
ideia
do
que
é…»
(Sónia,
35
anos);
«Ouvir
falar
já
ouvi,
mas
não
estou
assim

muito
por
dentro…»
(Isabel,
73
anos);
«Já
ouvi
falar.
Mas,
no
fundo,
não
sei
mesmo
o
que
é

que
 se
 passa»
 (Adelaide,
 37
 anos);
 «Eu
 ouvi
 falar,
 mas
 não
 liguei
 nenhuma»
 (Américo,
 77

anos).

          Por
 outro
 lado,
 quase
 não
 se
 ouviram
 definições
 precisas
 de
 televisão
 digital,

destacando‐se
 apenas
 três
 respostas
 mais
 concretas:
 «A
 ideia
 que
 eu
 tenho
 é
 que
 é
 um

formato
 diferente,
 que
 tem
 a
 capacidade
 de
 transportar
 muito
 mais
 informação.
 O
 que

permite
uma
série
de
funcionalidades.
No
imediato,
uma
melhor
qualidade
de
imagem
e
de





                                                   31

som.
E
depois
uma
série
de
funcionalidades
que
a
TV
normal
não
permite»,
explicou
Carlos,

de
37
anos;
«É
diferente,
vai
ser
uma
televisão
com
mais
qualidade…
É
o
que
dizem…
Mais

qualidade
de
emissão»,
definiu
Jorge,
de
64
anos;
«Fala‐se
muito
na
televisão
digital.
Que
é

um
 sistema
 de
 transmissão
 de
 televisão
 diferente
 daquele
 actualmente
 está
 em
 uso.
 Os

pormenores
 técnicos,
 não
 sei.
 A
 ideia
 que
 eu
 tenho
 é
 que
 é
 uma
 coisa
 nova,
 que
 vai
 ser

aplicada
em
Portugal,
mas
não
só
na
televisão.
Noutros
sistemas
de
comunicação
também»,

considerou
Manuel,
de
71
anos9.





4.
Vantagens
e
desvantagens
associadas
à
TV
digital

                                 

‐
 A
 reduzida
 percepção
 das
 vantagens
 e
 desvantagens
 associadas
 à
 TV
 digital
 é
 a

situação
 mais
 comum
 verificada,
 sendo
 o
 custo
 identificado
 como
 a
 principal

desvantagem
 e
 a
 melhoria
 da
 qualidade
 de
 imagem
 e
 som
 percebida
 como
 a

principal
vantagem.
 

No
 estudo
 etnográfico
 realizado
 junto
 de
 30
 famílias
 das
 zonas‐piloto
 do
 desligamento
 foi

perceptível
a
hesitação
dos
indivíduos
ao
falar
das
vantagens
e
desvantagens
da
televisão

digital.
Ainda
assim,
a
vantagem
mais
mencionada
foi
a
melhor
qualidade
de
imagem
e
som,

seguida
da
alta
definição
e
do
3D.
A
desvantagem
mais
apontada
foi
o
custo
que
a
TV
digital

implica.


          Entre
 as
 26
 famílias
 em
 que
 pelo
 menos
 um
 dos
 seus
 elementos
 admitiu
 já
 ter

ouvido
falar
em
TV
digital,
um
ou
mais
dos
respectivos
elementos
de
15
famílias
afirmaram

não
saber
quais
são
os
seus
benefícios
e
em
11
famílias
pelo
menos
um
dos
seus
membros

disseram
 não
 conhecer
 quais
 as
 desvantagens.
 Depois
 do
 maioritário
 “não
 sei”
 (por
 15

famílias),
a
vantagem
mais
mencionada
foi
a
melhoria
da
qualidade
de
imagem
e
do
som

(por
6
famílias).
Seguidamente,
em
2
famílias,
a
possibilidade
de
trazer
a
alta
definição
ou
o

3D
 para
 as
 salas
 de
 estar
 são
 vantagens
 reconhecidas,
 tal
 como
 a
 possibilidade
 de
 haver

mais
 canais
 (2
 famílias),
 mais
 serviços
 e
 funcionalidades
 (2
 famílias).
 A
 diversificação
 dos

conteúdos,
 a
 redução
 das
 falhas
 técnicas
 e
 a
 evolução
 tecnológica
 foram
 outras
 das

vantagens
mencionadas
pelos
entrevistados.






         




































































9
Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
relatório:
Veríssimo,
Iolanda;
Henriques,
Sara
&
Quico,
Célia
(2011)


“ADOPT‐DTV:
Estudo
Etnográfico”.





                                                                               32

Há,
por
outro
lado,
quem
não
encontre
qualquer
vantagem
na
televisão
digital.
No

Cacém,
 Ana,
 de
 34
 anos,
 considera
 que
 as
 vantagens
 da
 televisão
 digital
 são
 «coisas
 que

mulheres
 não
 reparam».
 Em
 casa
 dos
 Baptista,
 por
 exemplo,
 a
 mãe,
 Sofia,
 de
 37
 anos,

admite
que
não
vê
nenhuma
vantagem
na
TV
digital,
ao
que
a
filha
mais
nova,
Filipa,
de
10

anos,
responde:
«Oh
mãe,
eu
vejo
vantagens.
Imagine
que
decide
dar
o
jantar
numa
altura

que
 está
 a
 dar
 um
 programa
 importante,
 eu
 posso
 meter
 na
 pausa
 e
 assim
 não
 perco
 o

programa...».


          Apesar
de
11
famílias
referirem
que
não
sabem
o
suficiente
sobre
a
TV
digital
para

apontar
 as
 suas
 desvantagens,
 os
 custos
 são
 o
 primeiro
 “senão”
 de
 quem
 se
 atreve
 a

sugerir
 os
 inconvenientes
 deste
 tipo
 de
 transmissão.
 «As
 desvantagens
 são
 para
 a

carteira!»,
 exclama
 Jacinto,
 de
 32
 anos.
 «É
 mais
 uma
 coisa
 para
 a
 gente
 gastar
 dinheiro»,

completa
 Sandra,
 de
 34
 anos.
 «É
 conforme
 o
 custo
 dela…»,
 aponta
 Laura,
 de
 70
 anos,

virando‐se
para
o
irmão
que
diz
ainda
não
conhecer
as
desvantagens
da
TV
digital,
por
não

ter
 informação
 suficiente
 sobre
 o
 assunto.
 Depois,
 a
 obrigatoriedade
 da
 adesão,
 a

necessidade
 de
 adaptar
 os
 equipamentos
 e
 a
 necessidade
 de
 haver
 dois
 comandos
 são

desvantagens
 mencionadas
 pelas
 famílias.
 Clara,
 de
 67
 anos,
 habitante
 de
 Alenquer,

considera
que
o
facto
de
não
haver
nenhuma
vantagem
evidente
na
mudança,
mas
apenas
a

obrigação
de
mudar,
é
a
maior
das
desvantagens:
«Não
há
motivação…».

          É
de
salientar
que
as
vantagens
da
TV
digital
mais
mencionadas
pelos
entrevistados

não
coincidem
com
as
principais
razões
que
estes
dizem
poder
levar
a
aderir
à
TV
digital.

Neste
 caso,
 o
 aumento
 da
 grelha
 de
 canais
 e
 a
 existência
 de
 pacotes
 vantajosos
 são
 as

razões
mais
mencionadas,
em
vez
da
melhoria
da
qualidade
de
imagem,
da
alta
definição
e

do
 3D10.
 A
 título
 de
 exemplo,
 a
 existência
 de
 pacotes
 vantajosos
 foi
 a
 segunda
 motivação

mais
citada
pelos
entrevistados
quando
falavam
nas
razões
para
aderir
à
TV
digital.
No
caso

de
Sandra,
o
pacote
que
englobava
telefone
fixo,
televisão
e
internet
ficava
mais
em
conta
e

proporcionava‐lhe
mais
comodidade
para
falar
com
a
filha,
que
vive
com
o
pai
biológico:
«A

gente
teve
que
pôr
MEO
porque
eu
assim
falo
mais
vezes
com
a
minha
filha.
Porque
se
eu

não
tivesse
telefone
em
casa,
tinha
que
ir
a
uma
cabine
telefonar
até
às
20h30.
E
assim
com

telefone
em
casa,
até
às
dez
da
noite
eu
posso
telefonar‐lhe.
É
uma
coisa
boa
que
eu
tenho».







         




































































10
Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
relatório:
Veríssimo,
Iolanda;
Henriques,
Sara
&
Quico,
Célia
(2011)


“ADOPT‐DTV:
Estudo
Etnográfico”.





                                                                               33

5.
Conhecimento
sobre
o
desligamento
da
emissão
de
TV
analógica
terrestre
                                                      

‐
 Estima‐se
 que
 a
 maioria
 da
 população
 Portuguesa
 desconheça
 qual
 a
 data

prevista
do
desligamento
da
emissão
de
TV
analógica
terrestre,
a
3
meses
do
início

do
switch‐off.
 

No
último
inquérito
sobre
TV
digital
realizado
em
Setembro
de
2011,
59%
dos
participantes

revelaram
desconhecer
o
ano
do
desligamento
da
emissão
da
TV
analógica
terrestre,
com

41%
dos
inquiridos
a
identificar
correctamente
2012,
5.2%
a
indicarem
o
ano
de
2011,
0.7%

a
referirem
ser
o
ano
de
2013
e
0.2%
a
indicarem
outro
ano,
enquanto
que
52.7%
de
todos

os
inquiridos
afirmaram
não
saber
qual
o
ano
do
“apagão”
11

            De
sublinhar
que
dos
460
inquiridos
que
não
possuem
TV
paga,
62%
desconhecem

que
em
2012
está
previsto
o
desligamento
do
sinal
de
TV
analógica
terrestre.
Assim,
56.5%

deste
 inquiridos
 responderam
 não
 saber
 para
 que
 ano
 está
 previsto
 o
 “apagão”
 da
 TV

analógica
 terrestre,
 4.3%
 indicaram
 o
 ano
 de
 2011,
 38%
 apontaram
 correctamente
 2012,

0.9%
referiram
ser
o
ano
de
2013,
enquanto
que
0.2%
indicaram
outro
ano.
                                               



Tabela
9:
Conhecimento
do
ano
do
switchover
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)
                                            
       



                                                  Janeiro
2011
                          Setembro
2011
         Setembro
2011

                                                 (n=1198;
todos
os
                      (n=1202;
todos
os
   (n=460;
inquiridos
sem

                                                inquiridos
com
TV)
                     inquiridos
com
TV)
         TV
paga)

                                                         %
                                      %
                     %


Não
sei
                                                      85.4
                            52.7
                   56.5


Sim,
para
2011
                                                6.1
                            5.2
                    4.3


Sim,
para
2012
                                                7.8
                             41
                     38


Sim,
para
2013
                                                0.7
                            0.7
                    0.9


Sim,
outro
ano
                                                0%
                            0.2%
                   0.2%




            Em
relação
aos
resultados
apurados
no
inquérito
de
Novembro
de
2010,
regista‐se

um
 aumento
 substancial
 da
 percentagem
 de
 inquiridos
 que
 indicou
 correctamente
 2012

como
 o
 ano
 do
 desligamento
 do
 sinal
 analógico
 de
 televisão:
 no
 primeiro
 estudo
 do
 ano,

apenas
 7.8%
 dos
 participantes
 identificaram
 correctamente
 2012
 como
 o
 ano
 do

desligamento,
 enquanto
 85.4%
 dos
 inquiridos
 afirmaram
 não
 saber
 quando
 tal
 vai

           




































































11
Nota:
em
introdução
a
esta
questão,
os
inquiridos
foram
informados
pelos
entrevistadores
que
o
“switchover

digital”
é
o
nome
dado
ao
processo
em
que
a
transmissão
televisiva
analógica
é
convertida
em
transmissão

digital
e
que,
caso
não
adapte
o
televisor
e
se
não
tiver
TV
por
subscrição,
tal
significa
que
vai
deixar
de
receber
a

RTP,
SIC
e
TVI.




                                                                                 34

acontecer,
6,1%
indicaram
o
ano
de
2011
como
a
data
do
desligamento
e
0.7%
apontaram
o

ano
de
2013.
Neste
inquérito,
os
participantes
entre
35
e
44
anos
foram
os
que
revelaram

ser
 melhor
 informados
 sobre
 o
 ano
 do
switch‐off,
 com
 13,1%
 respondendo
 correctamente

que
seria
em
2012.
De
sublinhar
que
o
grupo
dos
indivíduos
com
mais
de
65
anos
foi
o
que

revelou
ter
um
maior
nível
de
desconhecimento
desta
data:
assim,
95,5%
destes
inquiridos

afirmaram
 não
 saber
 quando
 ocorrerá
 este
 processo
 de
 transição,
 enquanto
 que
 apenas

1,1%
 identificou
 correctamente
 o
 ano
 do
 desligamento,
 uma
 percentagem
 bem
 abaixo
 do

7,8%
 da
 amostra
 global.
 No
 total,
 98,9%
 dos
 indivíduos
 com
 65
 anos
 ou
 mais
 não
 sabiam

quando
ocorrerá
o
switch‐off
da
TV
analógica
terrestre.
 

        Esta
mesma
questão
foi
colocada
aos
participantes
do
estudo
etnográfico
e
entre
as

30
famílias
entrevistadas,
em
15
famílias
havia
o
conhecimento
de
que
o
sinal
analógico
de

televisão
 terrestre
 ia
 ser
 desligado
 e
 nas
 outras
 15
 famílias
 tal
 era
 desconhecido.
 Na

verdade,
entre
as
15
famílias
a
par
do
desligamento
houve
3
casos
em
que
alguns
elementos

sabiam
do
switch‐off
e
outros
não
estavam
informados.
Em
casa
dos
Rosário,
por
exemplo,

podia
 notar‐se
 que
 Carlos,
 o
 pai,
 de
 37
 anos,
 estava
 muito
 mais
 a
 par
 das
 novidades

tecnológicas
 do
 que
 qualquer
 outro
 membro
 da
 família.
 Apesar
 de
 a
 esposa
 e
 os
 sogros

também
 terem
 afirmado
 conhecer
 o
 switch‐off,
 foi
 Carlos
 o
 único
 que
 imediatamente

utilizou
 a
 palavra
 “apagão”
 para
 responder
 e
 demonstrou
 estar
 mais
 ou
 menos
 a
 par
 da

data‐limite
para
o
desligamento.
Da
mesma
forma,
na
família
Matos,
Manuel,
de
70
anos,
já

sabia
 que
 o
 desligamento
 do
 sinal
 analógico
 de
 TV
 ia
 acontecer,
 enquanto
 a
 esposa
 disse

que
a
situação
lhe
«passou
ao
lado».


 

        Ainda
neste
âmbito,
verificou‐se
que
os
indivíduos
que
já
ouviram
falar
no
switch‐
off
 têm
 dificuldades
 em
 explicar
 o
 processo
 e
 em
 apontar
 uma
 data‐limite
 para
 o

desligamento
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre.
 Apesar
 de
 alguns
 entrevistados
 já

terem
 ouvido,
 de
 facto,
 falar
 no
 “apagão”
 analógico,
 14
 famílias
 não
 sabiam
 qual
 a
 data‐
limite
 para
 se
 concretizar
 o
 processo.
 Assim,
 na
 altura
 de
 perguntar
 a
 data
 em
 que
 as

emissões
 analógicas
 iriam
 ser
 descontinuadas,
 ouviram‐se
 respostas
 como:
 «não»;
 «não

faço
a
mínima
ideia»;
«não
sei
nada
do
que
nos
espera».
Quanto
aos
procedimentos
a
ter

nessa
altura,
como
já
foi
mencionado,
algumas
famílias
afirmaram
saber
da
necessidade
de

se
 comprar
 «um
 aparelho»
 (6
 famílias).
 Algumas
 até
 sabiam
 o
 preço
 médio
 deste

equipamento
(2
famílias),
mas
na
maioria
dos
lares
(18
famílias)
subsistem
as
dúvidas
sobre

quem
será
afectado
e
como
deverá
proceder.

        A
 título
 de
 exemplo,
 temos
 o
 caso
 de
 Catarina
 de
 73
 anos
 e
 reformada,
 que
 não

estava
a
par
do
desligamento
e
não
fazia
ideia
da
respectiva
data‐limite,
mas
depois
de
ser





                                                35

esclarecida,
 sugeriu
 que
 esta
 será
 uma
 transição
 «para
 melhor».
 Ainda
 assim,
 considerou

que
esta
é
uma
mudança
«para
quem
pode».
Questionada
sobre
o
valor
que
estaria
disposta

a
 pagar
 para
 continuar
 a
 ter
 TV
 em
 casa,
 Catarina
 respondeu
 que
 não
 poderia
 ser
 «algo

muito
elevado».
Mais
do
que
uma
vez,
a
idosa
reforçou
a
ideia:
«Mas
eu
vou
ficar
mesmo

sem
 televisão?
 Oh
 meu
 Deus…
 Isto
 é
 a
 minha
 companhia!».
 Caso
 semelhante
 é
 de
 Joana,

que
tem
71
anos,
é
viúva
e
vive
sozinha,
recebendo
de
igual
modo
apenas
os
canais
em
sinal

aberto.
 Joana
 está
 reformada
 e
 vai
 fazendo
 alguns
 trabalhos
 de
 costura
 em
 casa,
 sendo
 a

televisão
é
a
sua
principal
companhia.
Por
isso,
lamenta
o
facto
de
o
ecrã
estar
sempre
cheio

de
 interferências.
 «Tenho
 saudades
 de
 ver
 televisão.
 Vou
 a
 casa
 de
 outras
 pessoas
 e
 vejo

televisão
com
uma
qualidade
que
eu
não
tenho.
E
sinto
saudades
realmente.
Esta
televisão

está
cheia
de
interferências
e
só
tenho
o
3
e
o
4.
E
nem
sempre».
Joana
explica
que
gostava

que
 alguém
 a
 ajudasse
 a
 ter
 um
 melhor
 sinal
 de
 televisão,
 mas
 garante
 que
 não
 tem

condições
para
assinar
um
serviço
de
televisão
paga.
Há
uns
anos,
até
anulou
o
serviço
de

telefone
 fixo
 para
 baixar
 as
 contas.
 Por
 isso,
 a
 televisão
 por
 cabo
 ou
 por
 satélite
 seria
 um

luxo.
«Não
posso
estar
a
pagar,
porque
é
mais
uma
renda…
Eu
mandei
tirar
o
telefone
para

não
acrescer
mais
essa
despesa.
Ora
se
vou
para
isto
da
TV
Cabo
ou
coisa
assim,
a
pouco
e

pouco
vai
aumentando
e
a
pessoa
chega
a
pontos
em
que
não
dá».
                     

         Apesar
de
não
conhecerem
o
termo
técnico
que
denomina
o
desligamento
do
sinal

analógico,
Sara
e
Maria
não
encaram
a
informação
sobre
o
switch‐off
como
uma
novidade
e,

perante
a
possibilidade
de
adquirirem
TV
digital
em
casa
nos
próximos
12
meses,
Sara
diz:

«Se
 a
 partir
 de
 Maio
 for
 (o
 switch‐off),
 tem
 que
 ser,
 para
 vermos
 televisão».
 No
 entanto,

nem
 Sara
 nem
 Maria
 sabem
 o
 que
 têm
 que
 fazer
 para
 continuarem
 a
 ter
 os
 4
 canais

gratuitos
 de
 TV
 em
 casa.
 «O
 meu
 filho
 só
 me
 disse
 isso.
 Também,
 até
 lá…»,
 afirma
 Sara.

Depois
de
feito
um
esclarecimento
sobre
os
custos
da
transição
para
a
TDT
e
questionadas

sobre
se
conseguirão
suportar
o
custo
do
descodificador
para
continuarem
a
ter
TV,
Sara
e

Maria
exclamam:
«Tem
que
ser!
Ficar
sem
televisão
não
vamos
ficar».

 

         Apesar
de
não
precisarem
de
se
preocupar
em
adaptar
a
sua
televisão
para
receber

a
TV
Digital
–
visto
já
terem
televisão
por
subscrição
–
tanto
Manuel
como
Júlia
temem
pela

situação
dos
seus
familiares
mais
próximos,
que
não
têm
TV
digital
em
todas
as
televisões.

Manuel
 considera
 que
 a
 sua
 mãe
 não
 quererá
 comprar
 um
 descodificador
 ou
 outra

televisão.
«A
minha
mãe
já
tem
78
anos,
recebe
uma
reforma
de
cento
e
tal
euros.
Como
é

que
ela
pode?».










                                                   36

6.
Conhecimento
do
que
deve
ser
feito
para
continuar
a
ter
TV
em
sinal
aberto
‐
 Verifica‐se
 um
 baixo
 nível
 de
 conhecimento
 sobre
 as
 questões
 práticas

relacionadas
com
a
recepção
de
TDT,
sobretudo
no
caso
dos
Portugueses
sem
TV

paga
em
casa.


No
último
inquérito
da
responsabilidade
da
Universidade
Lusófona
sobre
TV
digital
realizado

em
Setembro
de
2011,
38.6%
de
todos
os
participantes
afirmaram
que
a
sua
televisão
actual

é
compatível
com
o
sinal
de
TDT,
28.4%
responderam
não
ser
compatível
e
33%
não
sabem

ou
não
respondem
a
esta
questão.
De
notar
que
no
caso
dos
inquiridos
sem
TV
paga,
43.9%

afirmaram
 que
 o
 seu
 televisor
 não
 é
 compatível
 com
 a
 TDT
 e
 41.5%
 responderam
 não

saber,
 enquanto
 que
 14.6%
 indicaram
 que
 é
 compatível.
 Já
 no
 inquérito
 realizado
 em

Janeiro
de
2011,
30.1%
responderam
que
a
sua
televisão
actual
era
compatível
com
o
sinal
e

TDT,
 14.2%
 afirmaram
 não
 ser
 compatível
 e
 55.8%
 não
 sabiam
 ou
 não
 reponderam
 a
 esta

questão.
           



Tabela
 10:
 Sabe
 se
 a
 sua
 televisão
 actual
 é
 compatível,
 isto
 é,
 se
 pode
 receber
 o
 sinal
 da
 Televisão

Digital
Terrestre
(TDT)?
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)
              



                                    Janeiro
2011
                Setembro
2011
               Setembro
2011

                                   (n=1198;
todos
os
            (n=1202;
todos
os
           (n=460;
inquiridos

                                  inquiridos
com
TV)
           inquiridos
com
TV)
             sem
TV
paga)


Sim,
é
compatível
                       30.1%
                         38.6%
                       14.6%


Não,
não
é
compatível
                   14.2%
                         28.4%
                       43.9%


Não
sei
se
é
compatível
                 55.8%
                            33%
                      41.5%





          Ainda,
perguntou‐se
a
estes
460
participantes
sem
TV
paga
se
sabem
o
que
têm
de

fazer
 para
 poder
 receber
 a
 TDT
 em
 sua
 casa
 (P.12):
 55.4%
 responderam
 não
 saber
 o
 que

fazer
para
ter
TDT,
contra
44.6%
de
respostas
afirmativas.
Em
relação
aos
dados
apurados

em
Janeiro
de
2011
e
divulgados
em
Março,
 84.1%
dos
inquiridos
sem
TV
paga
afirmaram

desconhecer
 o
 que
 deviam
 fazer
 para
 receber
 televisão
 digital
 terrestre.
 Deste
 modo,

verifica‐se
um
decréscimo
significativo
da
percentagem
de
pessoas
que
não
sabe
o
que
fazer

para
 ter
 TDT,
 mas
 ainda
 assim
 55.4%
 é
 um
 valor
 que
 pode
 ser
 considerado
 como

preocupante,
atendendo
a
que
à
data
do
trabalho
de
campo
do
inquérito
faltavam
cerca
de

3
meses
para
a
primeira
fase
do
desligamento
do
sinal
analógico
de
TV
‐
que
vai
afectar
a

maioria
da
população
Portuguesa.

                 





                                                        37



Tabela
11:
Sabe
o
que
tem
de
fazer
para
receber
TDT
em
sua
casa?
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)



                             Janeiro
2011
              Setembro
2011
         Setembro
2011

                            (n=1198;
todos
os
          (n=1202;
todos
os
   (n=460;
inquiridos
sem

                           inquiridos
com
TV)
         inquiridos
com
TV)
         TV
paga)

                                    %
                          %
                     %


Sim
                              23.8
                       53.3
                   44.6


Não
                              76.2
                       46.6
                   55.4





        Sobre
 se
 a
 respectiva
 zona
 de
 residência
 tem
 cobertura
 de
 TDT,
 70.4%
 dos

participantes
 no
 inquérito
 sem
 TV
 paga
 responderam
 não
 saber
 se
 podem
 receber
 TDT,

18.7%
afirmaram
que
a
sua
zona
de
residência
não
está
coberta
e
10.9%
responderam
que

estão
cobertos
por
esta
tecnologia
de
distribuição
de
sinal
de
televisão.
 



Tabela
12:
Sabe
se
a
sua
zona
de
residência
já
tem
cobertura
TDT?
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)




                             Janeiro
2011
              Setembro
2011
         Setembro
2011

                            (n=1198;
todos
os
          (n=1202;
todos
os
   (n=460;
inquiridos
sem

                           inquiridos
com
TV)
         inquiridos
com
TV)
         TV
paga)

                                    %
                          %
                     %


Sim,
tem
cobertura
               20.3
                       23.5
                   10.9


Não,
não
tem
                     10.9
                      18.5%
                   18.7

cobertura


Não
sei
se
tem
                   68.9
                       58.1
                   70.4

cobertura





        Mais
 concretamente,
 no
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011
 os
 participantes
 sem
 TV

paga
 foram
 questionados
 sobre
 quais
 os
 procedimentos
 que
 consideram
 ser
 necessários

para
receber
a
TDT
em
casa,
ao
que
44.6%
responderam
não
saber
se
é
necessário
adaptar

antena
e
17.8%
referem
ser
um
procedimento
necessário,
38.9%
indicaram
não
saber
se
é

necessário
ter
uma
caixa
descodificadora
e
55.2%
respondem
que
tal
é
necessário
e
37.2%

dos
inquiridos
afirmaram
não
saber
se
é
necessário
comprar
um
televisor
novo,
enquanto

que
38.5%
responderam
ser
necessário.



        No
 estudo
 etnográfico,
 alguns
 dos
 participantes
 sabem
 que
 as
 famílias
 terão
 que

investir
na
compra
de
um
equipamento,
apesar
de
regra
geral
desconhecerem
os
custos
e
se





                                                38

serão
afectados.
A
título
e
exemplo,
Sónia
‐
mãe
de
duas
crianças,
de
5
e
7
anos
‐
afirmou

que
a
sua
família
não
saberá
como
proceder
caso
se
veja
confrontada
com
a
necessidade
de

adaptar
as
duas
televisões
para
receber
TV
digital.
Já
Verónica,
professora
de
dança,
de
22

anos,
conta
que
soube
do
“apagão”
numa
conversa
com
a
cunhada,
que
vive
em
Espanha,
e

que
 lhe
 explicou
 que
 o
 país
 vizinho
 já
 tinha
 feito
 a
 transição.
 Apesar
 de
 Verónica
 não
 ter

ficado
muito
esclarecida
sobre
o
tema,
percebeu
que
iria
haver
uma
mudança:
«Na
conversa

com
a
minha
cunhada
apercebi‐me,
mas
sinceramente
eu
não
liguei
muito.
Achei
estranho…

Pensei
 “Ai
 agora
 TV
 digital,
 também
 agora
 fazem
 tudo.
 Não
 me
 digam
 que
 me
 vão
 tirar
 o

comando”.
Foi
a
primeira
coisa
que
eu
disse
(risos)».
A
resposta
de
Verónica
não
foi
a
única

deste
 género,
 a
 reflectir
 um
 pouco
 a
 persistência
 de
 dúvidas
 nas
 famílias
 em
 relação
 aos

pormenores
 da
 transição.
 Por
 exemplo,
 Margarida,
 mulher‐a‐dias
 de
 69
 anos,
 recorda
 que

há
dois
anos,
quando
comprou
a
sua
mais
recente
televisão,
o
técnico
que
a
auxiliou
falou‐
lhe
no
desligamento
e
que
teria
de
adquirir
um
aparelho
para
continuar
a
ter
televisão
ou
de

investir
numa
televisão
moderna.
Porém,
as
ideias
sobre
o
apagão
permaneceram
confusas

para
a
nazarena.
«Eu
perguntei‐lhe:
“Então,
mas
se
vai‐se
embora
tudo
e
o
que
é
que
a
gente

faz
às
nossas
televisões?”.
E
ele
disse‐me
que
eu
tinha
que
comprar
um
aparelho
não
sei
o

quê.
 Ele
 até
 me
 disse
 que
 a
 gente
 depois
 tinha
 que
 ter
 plasmas
 e
 mais
 não
 sei
 o
 quê»,

recorda.



         Para
Ana,
de
34
anos,
o
desligamento
da
emissão
de
TV
analógica
terrestre
também

não
 é
 uma
 novidade.
 A
 jovem
 mãe
 foi,
 aliás,
 uma
 das
 entrevistadas
 que
 demonstrou
 ter

mais
conhecimentos
sobre
o
desligamento,
já
que
o
seu
emprego
implica
estar
ao
corrente

das
notícias
sobre
televisão.
«Já
sabia.
Dia
12
de
Abril...
Não,
em
Abril
de
2012.
O
dia
acho

que
 ainda
 não
 está
 decidido
 (…)
 Ou
 compram
 uma
 caixa,
 que
 faz
 a
 conversão,
 para
 a

televisão
antiga,
ou
têm
que
comprar
uma
televisão
nova.
Até
sei
o
preço
dessa
caixa:
varia

entre
os
50
e
os
250
euros»,
conta.
No
café
da
família
Simões,
em
Alenquer,
outra
Ana,
de
33

anos,
também
afirmou
conhecer
vagamente
o
processo
da
transição
da
televisão
analógica

para
o
digital,
explicando
que,
através
das
conversas
no
café,
percebeu
que
uma
mudança
se

avizinhava.
 «Ouvi
 dizer
 que
 estava‐se
 a
 pensar
 retirar
 todo
 o
 tipo
 de
 ecrãs
 do
 mercado…

Aliás,
não
é
todo
o
tipo
de
ecrãs,
mas
sim
os
ecrãs
mais
antigos,
para
fazer
uma
instalação

de
 TV
 digital.
 Mas
 só
 ouvi
 assim
 isto
 muito
 vagamente.
 Também,
 na
 altura,
 não
 me

despertou
 interesse
 porque
 estava
 ocupada
 e
 passou.
 Não
 falei
 sobre
 o
 assunto
 com

ninguém.
Não
sei
como
é
que
esse
processo
poderá
ser
feito,
não
sei
que
custos
é
que
poderá

ter,
 não
 sei
 se
 posso
 tirar
 alguma
 vantagem
 ou
 não
 daí».
 À
 questão
 «Acha
 que
 vai
 ser






                                                  39

afectada
 por
 esse
 processo?»,
 Ana
 respondeu
 não
 saber,
 acrescentando
 que
 «depende
 da

obrigatoriedade
das
coisas»
e
admitindo
que
não
faz
ideia
da
data
limite
para
o
processo.


          Ainda,
 verifica‐se
 que
 as
 fontes
 mais
 citadas
 pelos
 entrevistados
 quando
 lhes

perguntam
 como
 souberam
 do
 desligamento
 são
 o
 “boca‐a‐boca”,
 os
 media
 nacionais
 e

locais,
 bem
 como
 as
 operadoras
 de
 telecomunicações,
 via
 telefone.
 Neste
 estudo

etnográfico
foi
também
perceptível
que,
quando
as
famílias
não
sabem
como
resolver
um

problema
 com
 um
 dado
 equipamento
 tecnológico,
 recorrem
 maioritariamente
 a
 amigos

ou
familiares.
As
pessoas
com
mais
de
50
anos
tendem
a
pedir
“aos
mais
novos”
ajuda
para

lidar
 com
 os
 aparelhos,
 sejam
 telemóveis,
 computadores
 ou
 uma
 televisão.
 Porém,
 regra

geral,
os
assuntos
ligados
à
televisão
são
resolvidos
por
técnicos
especializados12.







7.
Intenção
de
aquisição
de
equipamentos
ou
serviços
de
acesso
a
TV
digital
e
TDT

‐
Estima‐se
que
perto
de
metade
dos
Portugueses
sem
TV
paga
estejam
indecisos

quanto
à
obtenção
de
equipamentos
ou
serviços
de
TV
digital,
a
3
meses
do
início

previsto
do
desligamento
da
emissão
de
TV
analógica
terrestre.

 

Começando
por
mencionar
os
últimos
dados
recolhidos,
relativos
ao
inquérito
realizado
em

Setembro
 de
 2011,
 aos
 425
 participantes
 que
 responderam
 não
 ter
 TV
 paga
 e
 receber
 TV

analógica
tradicional
(35.3%
da
amostra
total
de
participantes
com
TV
em
casa),
perguntou‐
se
se
estão
a
ponderar
adquirir
ou
subscrever
equipamentos
e
serviços
de
recepção
de
TV

digital
nos
próximos
12
meses13.
Assim,
16.2%
dos
inquiridos
sem
TV
paga
pensam
comprar

um
 novo
 televisor,
 que
 tenha
 TDT
 integrada,
 24.2%
 ponderam
 comprar
 uma
 caixa

descodificadora
 de
 TDT,
 6.8%
 têm
 a
 intenção
 de
 subscrever
 um
 serviço
 de
 TV
 por
 cabo,

0.2%
projectam
subscrever
um
serviço
de
TV
por
fibra‐óptica,
0.5%
planeiam
subscrever
um

serviço
 de
 TV
 por
 satélite
 e
 nenhum
 dos
 inquiridos
 identificou
 a
 opção
 “IPTV
 ou
 ADSL”.

Ainda,
 11.3%
 afirmaram
 não
 ter
 intenção
 de
 aquisição
 de
 equipamentos
 e
 serviços
 de

recepção
 de
 TV
 digital
 (representam
 4%
 da
 amostra
 total
 do
 inquérito)
 e


46.4%
não
sabem
ou
não
responderam
a
esta
questão.




         




































































12
Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
relatório:
Veríssimo,
Iolanda;
Henriques,
Sara
&
Quico,
Célia
(2011)

“ADOPT‐DTV:
Estudo
Etnográfico”.

13
 
Nota:
no
decorrer
do
inquérito
foi
explicado
aos
participantes
o
que
é
a
TV
digital
e
a
TDT,
bem
como
que
a

TDT
vem
substituir
as
actuais
emissões
analógicas
e
que
para
ter
TDT
será
necessário
comprar
uma
caixa

descodificadora
ou
comprar
um
televisor
já
preparado
para
receber
TDT.




                                                                               40

Em
comparação
com
os
dados
apurados
em
Novembro
de
2010,
os
525
inquiridos

sem
 TV
 paga
 e
 com
 recepção
 de
 TV
 analógica
 por
 antena
 tradicional
 responderam
 do

seguinte
modo:
7.8%
 previam
 optar
 pela
 aquisição
 de
 um
 televisor
 com
 TDT
 integrada,
 8%

manifestaram
 estar
 inclinados
 para
 comprar
 uma
 caixa
 descodificadora
 de
 TDT,
 5.8%

ponderavam
optar
pela
subscrição
de
TV
por
cabo,
1.3%
consideraram
a
possibilidade
de
ter

TV
por
fibra
óptica,
0.4%
ponderavam
a
opção
TV
satélite,
nenhum
dos
inquiridos
identificou

a
 opção
 “IPTV
 ou
 ADSL”,
 34.1%
 dos
 inquiridos
 afirmaram
 não
 ter
 intenção
 de
 adquirir

nenhum
dos
principais
equipamentos
e/ou
serviços
de
TV
digital,
45.5%
não
sabem
ou
não

responderam
 se
 têm
 intenção
 de
 adquirir
 equipamentos
 e/ou
 serviços
 de
 TV
 digital
 nos

próximos
12
meses.
         



Tabela
 13:
 Intenção
 de
 adquirir
 equipamentos
 ou
 serviços
 de
 TV
 digital
 nos
 próximos
 12
 meses

(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)
(inquiridos
sem
TV
paga
e
com
recepção
de
TV
analogical
terrestre)



                                                          Novembro
2010
                Setembro
2011

                                                              (n=525)
                       (n=425)

                                                                 %
                             %


Comprar
novo
televisor,
com
TDT
integrada
                        7.8
                       16.2


Comprar
caixa
descodificadora
de
TDT
                              8
                        24.2


Subscrever
serviço
TV
por
cabo
                                   5.9
                        6.8


Subscrever
serviço
TV
satélite
(parabólica):
                     0.4
                        0.5


Subscrever
serviço
IPTV
/
ADSL
                                    0
                          0


Subscrever
serviço
TV
por
fibra‐óptica
                           1.3
                        0.2


Nenhum
                                                          34.1
                       11.3


Não
sabe
/
não
responde
                                         45.4
                       46.4


         Nota:
os
inquiridos
tinham
a
possibilidade
de
escolher
mais
do
que
uma
opção



         Assim,
 regista‐se
 um
 incremento
 substancial
 da
 intenção
 de
 compra
 caixas

descodificadoras
e
televisores
com
TDT
integrados
por
parte
dos
inquiridos
sem
TV
paga
e

que
 recebem
 TV
 através
 analógica
 terrestre,
 que
 passa
 de
 8%
 para
 24.2%
 no
 caso
 dos

descodificadores
 e
 de
 7.8%
 para
 16.2%
 no
 caso
 dos
 televisores
 com
 TDT.
 Porém,
 a

percentagem
 destes
 inquiridos
 que
 não
 sabe
 ou
 que
 não
 responde
 a
 esta
 questão

manteve‐se
praticamente
igual
neste
intervalo
de
10
meses:
45.5%
em
Novembro
de
2010

e
46.4%
em
Setembro
de
2011.
Ainda,
manteve‐se
igual
a
percentagem
de
respondentes






                                                    41

que
indicou
ter
intenção
de
subscrever
um
serviço
de
TV
paga
(TV
por
cabo,
satélite,
IPTV,

fibra‐óptica):
7.5%
em
Novembro
de
2010
e
7.5%
em
Setembro
de
2011.


           Estes
 mesmos
 425
 participantes
 do
 estudo
 de
 Setembro
 de
 2011
 foram
 ainda

convidados
 a
 responder
 quando
 pensam
 comprar
 um
 televisor
 ou
 caixa
 descodificadora

para
 ter
 TDT,
 tendo
 1.9%
 destes
 inquiridos
 afirmado
 que
 o
 fariam
 daqui
 a
 3
 meses,
 2.8%

daqui
a
6
meses,
1.2%
daqui
a
1
ano,
37.2%
só
quando
for
obrigatório,
6.3%
nunca,
0.7%
já

adquiriram,
 0.2%
 deram
 outra
 resposta
 e
 49.6%
 não
 sabem
 ou
 não
 respondem
 a
 esta

questão.
No
inquérito
aplicado
em
Novembro
de
2010,
dos
inquiridos
sem
TV
paga
e
com

recepção
 de
 TV
 analógica
 terrestre,
 53.1%
 não
 sabiam
 ou
 não
 responderam
 quando

pensavam
 comprar
 um
 televisor
 ou
 caixa
 descodificadora
 de
 TDT,
 pelo
 que
 se
 regista
 um

ligeiro
 decréscimo
 neste
 indicador.
 Já
 30.5%
 destes
 inquiridos
 afirmaram
 que
 o
 fariam
 só

quando
 fosse
 obrigatório,
 valor
 que
 aumentou
 no
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011,
 para

37.2%.




Tabela
14:
Intenção
de
adquirir
equipamento
compatível
com
sinal
de
TDT
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,

2011)
(inquiridos
sem
TV
paga
e
com
recepção
de
TV
analogical
terrestre)



                                                      Novembro
2010
            Setembro
2011

                                                          (n=525)
                   (n=425)

                                                             %
                         %


Daqui
a
1
mês
                                               0.4
                       0


Daqui
a
3
meses
                                             0.2
                      1.9


Daqui
a
6
meses
                                             0.6
                      2.8


Daqui
a
1
ano
                                               2.1
                      1.2


Só
quando
for
obrigatório
                                   30.5
                     37.2


Nunca
                                                       12.4
                     6.3


Já
comprou/
já
tem
                                           ‐
                       0.7


Outra
                                                       0.8
                      0.2


Não
sabe/
não
responde
                                      53.1
                     49.6




Ainda,
 no
 estudo
 de
 Novembro
 de
 2010,
 12.4%
 afirmaram
 que
 nunca
 irão
 comprar
 um

televisor
 ou
 caixa
 descodificadora
 de
 TDT,
 enquanto
 que
 em
 Setembro
 de
 2011
 essa

percentagem
diminuiu
para
6.3%,
o
que
é
uma
descida
substancial.






                                                42

8.
Motivos
para
ter
TDT
             

‐
Verifica‐se
que
os
benefícios
associados
à
presente
oferta
de
TDT
têm
pouco
peso

na
 respectiva
 intenção
 de
 adopção,
 sendo
 o
 corte
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica

terrestre
apontado
como
o
principal
motivo
para
ter
TDT.


No
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011,
 o
 corte
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre
 é

identificado
como
o
principal
motivo
para
ter
TDT,
por
parte
de
39.3%
dos
participantes
no

inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011,
 ao
 qual
 se
 seguem
 os
 33.2%
 que
 não
 sabem
 ou
 não

respondem
qual
o
motivo
para
ter
TDT,
13.2%
indicaram
a
qualidade
de
imagem
e
som
em

relação
à
TV
analógica,
12.5%
não
identificaram
nenhum
motivo
para
ter
TDT,
3.5%
porque

tem
 TV
 de
 alta
 definição
 gratuita,
 0.7%
 apontaram
 outras
 razões
 e
 nenhum
 dos
 inquiridos

escolheu
a
opção
“porque
tem
serviços
de
interesse,
como
o
guia
TV”.
 



Tabela
 15:
 Qual
 é,
 para
 si,
 o
 principal
 motivo
 para
 ter
 TDT?
 (ADOPT‐DTV
 e
 IDTV
 Health,
 2011)

(inquiridos
sem
TV
paga
e
com
recepção
de
TV
analogical
terrestre)



                                                         Novembro
2010
               Setembro
2011

                                                             (n=525)
                      (n=425)


Pela
qualidade
de
imagem
e
som
em
relação
à
                     13.7
                       13.2

TV
analógica:


Porque
o
sinal
analógico
de
TV
vai
ser
desligado
                25.7
                       39.3

em
breve


Porque
tem
TV
de
alta
definição
gratuita
                        1.9
                        3.5


Porque
tem
serviços
de
interesse,
como
guia
TV
                   0
                          0


Nenhum
                                                          23.6
                       12.5


Outras
razões
                                                   1.3
                        0.7


Não
sabe/
não
responde
                                          36.5
                       33.2





         No
 inquérito
 aplicado
 em
 Novembro
 de
 2010,
 quanto
 ao
 principal
 motivo
 para
 ter

TDT,
36.5%
dos
inquiridos
sem
TV
paga
e
que
recebem
TV
analógica
terrestre
tradicional
não

sabiam
ou
não
responderam
a
esta
questão,
enquanto
que
25.7%
dos
inquiridos
apontaram

o
 corte
 do
 sinal
 analógico
 como
 principal
 motivo
 para
 ter
 TDT.
 Ainda
 neste
 inquérito
 de

Novembro,
23.6%
destes
inquiridos
afirmaram
não
encontrar
nenhum
motivo
para
ter
TDT,






                                                   43

tendo
a
qualidade
de
imagem
e
som
sido
foi
apontada
como
principal
motivo
por
13.7%
dos

participantes
e
1.9%
identificaram
o
acesso
gratuito
a
TV
de
alta
definição.

                     


          No
estudo
relativo
às
entrevistas
com
as
principais
partes
interessadas
no
processo

de
switchover,
a
melhoria
da
qualidade
de
som
e
imagem
foi
identificado
como
o
principal

argumento
 para
 convencer
 os
 Portugueses
 a
 voluntariamente
 adoptarem
 TV
 digital
 para

os
16
stakeholders
entrevistados
no
âmbito
deste
projecto
de
investigação,
citado
por
13

destes
 participantes.
 A
 recepção
 de
 canais
 em
 HD
 e
 em
 3D
 foi
 referenciado
 por
 7
 dos

stakeholders
 entrevistados.
 Também
 7
 destes
 16
 representantes
 das
 partes
 interessadas

mencionaram
 novos
 serviços,
 funcionalidades
 e
 interactividade
 como
 um
 dos
 principais

argumentos
para
a
adopção
voluntária
de
TV
digital14.

 Em
 maior
 detalhe,
 os
 principais

argumentos
para
a
adopção
voluntária
de
TV
digital
referidos
pelos
stakeholders
foram:



1)
Melhoria
da
qualidade
de
imagem
e
som,
com
13
referências
(ANACOM,
APAP,
APD,
APIT,


APMP,
DECO,
ERC,
Abreu,
MediaCapital,
PT,
Impresa,
Sonaecom,
ZON);


2)
 Novos
 serviços
 e
 funcionalidades,
 com
 7
 referências
 (APD,
 APED,
 APMP,
 Abreu,
 PT,

Sonaecom,
ZON);
                           

‐
HD
e
3D,
com
7
referências
(DECO,
ERC,
Media
Capital,
Sonaecom,
ZON,
Abreu,
RTP);


4)
Mais
canais
de
televisão,
com
5
referências
(DECO,
ERC,
MediaCapital
ZON,
RTP);


5)
 Switch‐off
 obrigatório
 do
 sinal
 analógico,
 com
 4
 referências
 (ANACOM,
 APAP,
 Impresa,

ZON);


6)
5º
canal
gratuito,
com
3
referências
(APIT,
Denicoli,
Abreu);


7)
Baixo
custo,
com
2
referências
(APED,
Media
Capital);


‐
TDT
sem
vantagens
ou
sem
percepção
das
vantagens,
com
2
referências
(Denicoli,
DECO);


9)
Acessibilidade
para
pessoas
com
necessidades
especiais,
com
1
referência
(APD);
                          

‐
Libertação
do
espectro
radioeléctrico,
com
1
referência
(Abreu);
                      


         




































































14
Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
relatório:
Sequeira,
Ágata,
Iolanda;
Henriques,
Sara
&
Quico,
Célia
(2011)

“ADOPT‐DTV:
Entrevistas
com
Stakeholders”.


Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
artigo:
Quico,
Célia;
Damásio,
Manuel
José;
Henriques,
Sara
&
Veríssimo,

Iolanda
(2011).
“Incentivos
e
Barreiras
à
Adopção
da
Televisão
Digital
Terrestre
em
Portugal:
Perspectivas
dos

Telespectadores
e
de
Outras
Partes
Interessadas”.
In
Proc.
of
SOPCOM
2011.
Universidade
do
Porto,
Porto/

Portugal.

15
‐
17

Dezembro
2011.

 







                                                                               44

‐
Recepção
interior
e
móvel
de
TV,
com
1
referência
(ANACOM);


‐
Interoperabilidade,
questões
técnicas,
com
1
referência
(MediaCapital);
             

‐
Pacotes
pagos
com
outros
serviços,
com
1
referência
(MediaCapital).
 



        No
entanto,
comparando
estes
dados
com
os
do
inquérito
quantitativo,
verificamos

que
 apenas
 13,7%
 dos
 participantes
 no
 inquérito
 de
 Novembro
 de
 2010
 e
 13.2%
 dos

inquiridos
em
Setembro
de
2011
identificaram
a
qualidade
de
som
e
imagem
como
motivo

principal
 para
 obter
 TV
 digital.
 Numa
 pergunta
 anterior
 do
 inquérito
 quantitativo
 de

Novembro
 de
 2010,
 pediu‐se
 aos
 participantes
 que
 avaliassem
 a
 qualidade
 de
 som
 e

imagem
 do
 sinal
 de
 TV
 que
 recebem
 em
 casa
 (Q.16),
 de
 0
 (totalmente
 insatisfeito)
 a
 10

(totalmente
 satisfeito).
 Apenas
 1,9%
 dos
 inquiridos
 afirmaram
 estar
 insatisfeitos
 ou
 muito

insatisfeitos
 (0
 a
 4
 pontos,
 numa
 escala
 de
 0
 a
 10)
 e
 13,6%
 manifestaram
 estar

moderadamente
 satisfeitos
 (5
 e
 6
 pontos,
 em
 10).
 A
 vasta
 maioria
 dos
 participantes
 no

inquérito
consideraram
estar
satisfeitos
ou
muito
satisfeitos
com
a
qualidade
de
imagem
e

som,
com
83,9%
a
avaliar
com
7
e
10
pontos
a
qualidade
do
sinal
TV
que
recebem
em
casa,

enquanto
0,5%
dos
inquiridos
optaram
por
não
responder
a
esta
pergunta.

              

        Além
disso,
novos
serviços,
funcionalidades
e
interactividade
foram
mencionados

por
 7
 dos
 16
 stakeholders
 como
 um
 dos
 principais
 argumentos
 que
 possibilitariam
 a

adopção
 voluntária
 de
 TV
 digital.
 No
 entanto,
 em
 ambos
 os
 inquéritos
 quantitativos

nenhum
 dos
 participantes
 com
 TV
 analógica
 terrestre
 seleccionaram
 esta
 opção,
 das

diversas
listadas
como
motivos
para
obter
TDT.
 

        O
 quarto
 principal
 incentivo
 para
 adopção
 de
 TV
 digital
 motivo
 referido
 pelos

stakeholders
foi
a
possibilidade
de
obter
mais
canais
de
televisão,
mencionado
por
5
dos
16

entrevistados
 (DECO,
 ERC,
 Media
 Capital,
 RTP
 e
 ZON).
 Mais
 uma
 vez
 comparando
 com
 os

resultados
 do
 inquérito
 quantitativo
 de
 Novembro
 de
 2010,
 quando
 questionados
 se

queriam
 mais
 canais
 de
 TV
 (Q.13),
 86,9%
 dos
 inquiridos
 responderam
 que
 não
 desejavam

mais
 canais
 de
 TV,
 ou
 seja,
 apenas
 13,1%
 demonstraram
 interesse
 em
 ter
 mais
 canais
 de

televisão.
      

        A
título
de
exemplo,
para
o
grupo
MediaCapital,
vários
argumentos
são
importantes,

considerando
que
a
falha
de
qualquer
um
deles
“pode
colocar
em
causa
o
sucesso
de
todo
o

processo”.
Assim,
a
detentora
do
canal
em
sinal
aberto
TVI
enumera
a
qualidade
de
imagem

e
 som,
 a
 quantidade
 e
 tipo
 de
 programas
 em
 HD,
 custo
 dos
 descodificadores
 e
 de
 outros

equipamentos,
 variedade
 de
 oferta
 de
 conteúdo
 e
 integração
 com
 pacotes
 que
 englobem

outros
serviços,
entre
outros.






                                               45

Já
 no
 caso
 da
 RTP,
 o
 seu
 representante
 na
 entrevista
 –
 Pedro
 Braumman
 –

considerou
 que
 em
 Portugal
 “estamos
 perante
 um
 paradoxo,
 difícil
 de
 explicar
 em
 termos

internacionais”,
ou
seja,
que
a
“oferta
previsível
da
TDT
ser
até
ao
switch‐off,
em
princípio,

exactamente
a
mesma
que
aquela
que
acontece
no
sistema
analógico”.
Para
este
director
da

RTP,
tal
 dificulta
a
 adopção
a
TDT
por
parte
da
população
portuguesa,
comparando
com
a

experiência
 bem
 sucedida
 em
 Espanha.
 De
 modo
 semelhante,
 a
 associação
 de
 defesa
 dos

consumidores
DECO
também
tem
reservas
quanto
ao
sucesso
deste
processo
em
Portugal:

“A
migração
espontânea
será
complicada
de
suceder,
visto
que
a
plataforma
digital
terrestre

não
apresenta
de
momento,
nenhuma
vantagem
óbvia
para
os
consumidores
em
relação
ao

sistema
analógico”.

        Ainda,
 o
 representante
 do
 grupo
 Impresa,
 Francisco
 Maria
 Balsemão,
 começa
 por

questionar
 o
 que
 ganham
 as
 pessoas
ao
mudar:
“Sinceramente,
se
fosse
um
cidadão,
para

mim
 era
 uma
 chatice
 ter
 que
 trocar”.
 Este
 administrador
 do
 grupo
 que
 detém
 o
 canal

comercial
 em
 sinal
 aberto
 SIC
 acrescenta
 que
 a
 TDT
 paga
 poderia
 ter
 tido
 um
 impacto

positivo
na
adopção
da
TDT
em
Portugal:
“antes
do
concurso
para
a
televisão
paga
ter
sido

anulado,
eu
ainda
podia
pensar
“É
pago,
mas
por
mais
10
euros
vou
ter
muito
mais
canais”.

Aí,
mais
gente
podia
querer
mudar.
“Mas,
de
facto,
neste
momento,
para
além
da
questão

da
inevitabilidade,
não
vejo
que
haja
grandes
argumentos”.


        Tal
 opinião
 vem
 de
 encontro
 à
 perspectiva
 de
 um
 dos
 participantes
 no
 estudo

etnográfico
«Não
há
motivação…»
‐
afirma
Clara,
de
67
anos
e
habitante
de
Alenquer,
que

considera
não
haver
nenhuma
vantagem
evidente
na
mudança,
mas
apenas
a
obrigação
de

mudar,
ao
que
o
marido,
Jorge,
de
70
anos,
responde:
«O
progresso
é
assim
não
é?
Ninguém

acha
bem,
toda
a
gente
refila,
mas
depois
acaba
por
aceitar».

        Já
Ana,
de
33
anos,
observa
que
nestas
condições
não
se
sente
motivada
para
fazer

a
 transição:
 «Não
 há
 oferta.
 A
 melhoria
 da
 qualidade
 de
 imagem
 não
 é
 suficiente
 para

motivar,
 mas
 nós
 os
 portugueses
 também
 não
 nos
 chateamos
 com
 nada,
 somos
 muito

permissivos.
 E
 se
 foi
 uma
 decisão
 da
 União
 Europeia,
 nós
 vamos
 ter
 que
 acatar
 com
 ela.

Claro
que,
se
puderem
melhorar
alguma
coisa…
Se,
ao
facto
de
sermos
obrigados
a
mudar

para
continuar
a
ter
televisão,
conseguissem
juntar
uma
mais‐valia
ao
cliente,
só
caía
bem

(risos)»,
considera.
No
ponto
de
vista
desta
empregada
de
balcão,
a
sua
família
beneficiaria

ainda
 mais
 caso
 a
 TDT
 lhe
 trouxesse,
 para
 além
 do
 aumento
 do
 número
 de
 canais,
 mais

serviços,
como
o
da
gravação
de
programas
ou
de
Pausa
TV.
«Podiam
ser
uma
mais‐valia
por

causa
 da
 situação
 dos
 horários».
 Gravar
 os
 filmes
 permitiria
 a
 Ana
 não
 ter
 de
 perder

algumas
horas
de
descanso
para
poder
ver
um
filme
que
lhe
interesse.
 





                                                46



9.
Barreiras
à
adopção
de
TV
digital
e
TDT

‐
 Os
 custos
 e
 as
 questões
 práticas
 são
 das
 principais
 barreiras
 à
 obtenção
 de
 TV

digital
‐
e
TDT
em
particular
–
para
os
Portugueses
sem
TV
paga
em
casa.
                           

Os
 custos
 associados
 à
 TV
 digital
 foram
 a
 preocupação
 dominante
 manifestada
 pelos

participantes
 ao
 inquérito
 de
 Novembro
 de
 2010,
 com
 60,6%
 dos
 inquiridos
 a
 concordar

com
 a
 afirmação
 “A
 minha
 principal
 preocupação
 são
 os
 custos
 que
 vou
 ter
 com
 esta

mudança”.




Tabela
 16:
 Até
 que
 ponto
 concorda
 com
 cada
 uma
 destas
 afirmações
 sobre
 este
 processo
 de

switchover?

(para
todos
os
inquiridos
com
TV
em
casa;
n=1.198)
(ADOPT‐DTV,
2010)


                                       Discordo
                                       Concordo
 Não
sabe/

                                                               Não
concordo

                                      completa‐    Discordo
                 Concordo
 completa‐    Não

                 
                                             nem
discordo

                                        mente
        %
                        %
       mente
  responde

                                                                    %

                                          %
                                              %
         %


Tudo
bem:
não
há
problema
para
          5.4
       15.5
         21.6
       36.3
      5.9
       15.1

mim


Estou
satisfeito
com
o
fim
da

transmissão,
ainda
que
haja

                                         7.3
        21
          28.3
       26.6
      2.6
       13.9

algum
inconveniente
na
situação

Estou
surpreendido
‐
não
sabia

que
o
sinal
analógico
de
TV
ia
ser

                                         4.3
       13.9
         20.7
       36.9
      11.4
      12.7

desligado
em
breve

Estou
ansioso
e
descontente
por
         3.8
       17.9
         31.7
       25.6
      7.1
       13.8

ser
forçado
a
fazer
esta
mudança


Acho
que
este
processo
devia
ser

mais
demorado
dando
                     1.3
        8.1
         22.1
       35.6
      17.9
      15.1

oportunidades
às
pessoas
para

adquirirem
mais
informação


A
minha
principal
preocupação

são
os
custos
que
vou
ter
com
           1.3
        6.8
         18.4
       37.4
      23.2
      12.8

esta
mudança



Estou
preocupado
com
as

questões
práticas
como
ter
uma

nova
antena
ou
cablagem
e
um
            2.2
       12.2
         22.1
       36.5
      13.3
      13.8

novo
equipamento
a
funcionar

devidamente


Não
acredito
que
vão
desligar
o

                                         2.6
       11.9
         33.3
       22.3
      4.2
       25.6

sinal
analógico
em
2012


          


          Segue‐se
do
conjunto
de
afirmações
pré‐definidas
sobre
o
processo
de
switch‐off,
a

preocupação
 com
 as
 questões
 práticas
 associadas
 à
 TV
 digital,
 como
 a
 cablagem
 a

instalação
 do
 equipamento,
 com
 49,8%
 de
 todos
 os
 inquiridos
 a
 manifestarem
 a
 sua





                                                    47

preocupação
quanto
a
este
aspecto.
Destaque
para
os
53,7%
de
inquiridos
que
concordam

a
frase
“Acho
que
este
processo
deveria
ser
mais
demorado,
dando
mais
oportunidade
às

pessoas
para
adquirirem
mais
informação”
e
ainda
para
os
48,3%
que
concordaram
com
a

afirmação
“Estou
surpreendido
–
não
sabia
que
o
sinal
analógico
de
TV
ia
ser
desligado
em

breve”.


           Neste
 caso,
 verifica‐se
 a
 concordância
 entre
 as
 perspectivas
 dos
 stakeholders
 e
 as

perspectivas
 dos
 participantes
 no
 inquérito
 quantitativo,
 no
 respeitante
 às
 principais

barreiras
e
obstáculos
à
adopção
de
TV
digital,
sendo
os
custos
referidos
como
o
principal

obstáculo.
 A
 seguir
 se
 apresentam
 as
 principais
 barreiras
 mencionadas
 pelos
 stakeholders

consultados
no
âmbito
deste
projecto
de
investigação:



1)
Custos,
com
9
referências
(APAP,
APD,
APED,
APMP,
Denicoli,
Abreu,
PT,
RTP
e

Sonaecom);


2)
Ausência
ou
insuficiência
de
informação,
com
7
referências
(Anacom,
APAP,
APD,
DECO,

ERC,
Media
Capital,
Sonaecom);



3)
Falta
de
vantagens
da
TDT
ou
de
percepção
das
mesmas,
com
6
referências
(APED,
DECO,

Denicoli,
Media
Capital,
Impresa,
RTP);


4)
Condições
do
mercado,
com
3
referências
(Denicoli,
Abreu,
MediaCapital);


5)
Inexistência
de
transmissão
de
TV
alta
definição
na
TDT,
com
2
referências
(Anacom,
PT);

‐
Inexistência
do
5º
canal
ou
outros
canais,
com
2
referências
(Anacom,
PT);

‐
Baixa
literacia
tecnológica,
com
2
referências
(Anacom,
APMP);


8)
Acção
do
Governo
e
modelo
para
a
TDT,
com
1
referência
(Denicoli);

‐
O
contexto
da
crise
económica,
com
1
referência
(Denicoli);

‐
Insuficiente
cobertura,
com
1
referência
(Media
Capital);

‐
Duração
do
processo
de
transição,
com
1
referência
(APMP);

‐
Idade
e
género
dos
telespectadores,
com
1
referência
(APMP);

‐
Acção
obrigatória
para
telespectadores,
com
1
referência
(APIT);

‐
Utilização
da
internet,
com
1
referência
(Abreu).


           Curiosamente,
a
questão
dos
custos
foi
referida
pela
Portugal
Telecom,
operador
de

TDT,
que
considerou
o
preço
do
equipamento
como
“um
entrave”
para
a
expansão
da
TDT

em
 Portugal,
 “há
 bem
 pouco
 tempo,
 não
 existiam
 sequer
 no
 mercado
 equipamentos





                                                  48

compatíveis
 com
 a
 norma
 TDT
 portuguesa,
 quer
 em
 quantidade
 quer
 em
 acessibilidade
 de

preço”.



        A
 ausência
 ou
 insuficiência
 de
 informação
 foi
 a
 segunda
 barreira
 mais

referenciada,
com
a
ERC
a
considerar
que
“a
principal
barreira
que
existe,
neste
momento,
é

a
 falta
 de
 informação”,
 referindo
 que
 o
 processo
 de
 transição
 deveria
 ser
 explicado
 ao

consumidor
como
uma
venda
directa,
tal
como
o
cabo
ou
IPTV
é
vendido,
sendo
explicado
a

todos
 os
 consumidores
 as
 vantagens
 associadas
 a
 este
 processo.
 Por
 outro
 lado,
 a
 DECO,

associação
nacional
que
representa
os
consumidores,
refere
como
principal
problema
a
falta

de
informação
e
o
pouco
valor
que
a
TDT
acrescenta
à
televisão
portuguesa.


        No
 estudo
 etnográfico,
 no
 que
 respeita
 às
 razões
 que
 desmotivam
 as
 famílias
 a

terem
televisão
digital,
a
questão
dos
custos
aparece
em
primeiro
lugar.
O
caso
de
Joana,

de
 71
 anos,
 é
 semelhante
 ao
 de
 Catarina,
 dois
 anos
 mais
 velha.
 Em
 comum,
 estas

reformadas
têm
o
facto
de
viverem
no
concelho
de
Alenquer,
sozinhas,
e
da
televisão
lhes

servir
 de
 companhia
 todos
 os
 dias.
 Da
 mesma
 maneira,
 Joana
 e
 Catarina
 gostariam
 de
 ter

mais
canais
para
preencher
as
várias
horas
em
frente
ao
ecrã,
mas
deparam‐se
sempre
com

as
mesmas
quatro
estações.
Na
verdade,
Joana
lembra
que
nem
os
quatro
canais
consegue

apanhar,
e
Catarina
sublinha
as
constantes
interferências
a
roubarem‐lhe
a
imagem.
Ainda

assim,
estas
idosas
‐
que
nem
se
conhecem
‐
rejeitam
completamente
a
hipótese
de
virem
a

ter
um
serviço
de
televisão
paga,
mais
uma
vez,
por
uma
mesma
razão:
a
baixa
reforma.
Por

outro
 lado,
 também
 há
 jovens
 famílias
 a
 descartar
 a
 opção
 “televisão
 digital”.
 A
 família

“Simões”,
por
exemplo,
é
servida
pelo
sinal
analógico
terrestre
de
televisão.
Ana
explica
que

não
pode
juntar
mais
uma
mensalidade
às
despesas
de
uma
família
numerosa
como
a
sua.

«Como
 estou
 pouco
 tempo
 em
 casa,
 não
 se
 justifica
 eu
 pagar
 um
 valor
 acrescido
 para
 ver

mais
 televisão.
 Porque
 esse
 valor
 também
 conta
 no
 orçamento
 da
 família
 e
 é
 um
 grande

abalo
no
agregado
familiar.
Num
agregado
familiar
grande
como
o
meu,
tudo
conta,
e
não

se
 justifica.
 Às
 vezes
 os
 miúdos
 chateiam‐me
 porque
 gostavam
 de
 ver
 o
 Panda.
 E
 eu
 digo

“quando
lá
fores
abaixo
ao
café,
vês”.
Têm
que
ter
paciência
(…)
Não
se
justifica
porque
os

preços
também
são
elevadíssimos».


        Ainda,
de
forma
a
compreender
as
motivações
por
detrás
da
relutância
em
ter
TDT,

pediu‐se
 aos
 124
 indivíduos
 que
 afirmaram
 não
 ter
 nenhum
 motivo
 para
 obter
 TDT
 –

representando
 10,3%
 da
 amostra
 total
 do
 inquérito
 quantitativo
 de
 Novembro
 de
 2010
 ‐

que
 indicassem
 o
 seu
 nível
 de
 concordância
 com
 um
 conjunto
 de
 afirmações
 sobre
 este

tema.
 Esta
 questão
 baseou‐se
 numa
 das
 questões
 do
 estudo
 Attitudes
 to
 switchover
 de




                                                49

Klein,
Karger
e
Sinclair
(2004),
mais
exactamente
na
Q.44.


         

Tabela
17:

Qual
o
seu
grau
de
concordância
com
cada
uma
das
seguintes
frases?
(ADOPT‐DTV,
2010)

(só
para
indivíduos
que
referem
não
ter
motivo
para
ter
TDT;
n=124)



                                     Discordo
                                       Concordo
 Não
sabe/

                                                             Não
concordo

                                    completa‐    Discordo
                 Concordo
 completa‐    Não

                 
                                           nem
discordo

                                      mente
        %
                        %
       mente
  responde

                                                                  %

                                        %
                                              %
         %


A
TV
não
é
importante
para
mim,

eu
não
me
vou
incomodar
em

                                       3.2
        21
          21.8
        36.2
        4
      13.7

fazer
a
conversão



Eu
não
quero
TDT
na
minha
casa

                                       1.6
       15.3
         20.2
        36.3
       10.5
    16.1


Eu
gostava
de
continuar
a
ter
TV

em
casa
mas
é
uma
questão
de

                                       0.8
        2.4
          9.7
        62.9
       15.3
     8.9

custos


Eu
não
sei
como
ter
TDT.
É
tudo
        0
         8.1
         12.9
        50.8
       11.3
    16.9

muito
complicado


Eu
gostava
de
continuar
a
ter
TV
      0.8
        9.7
         16.9
        43.5
       8.9
     20.2

mas
não
sei
como
instalar
TDT


Eu
gostava
de
continuar
a
ver
TV

mas
acho
que
nunca
vou

                                       1.6
       15.3
         23.4
        27.4
       8.1
     24.2

conseguir
perceber
como

funciona
a
TDT





Assim,
77,9%
deste
grupo
de
inquiridos
concordaram
com
a
afirmação
“Quero
continuar
a

ver
 televisão
 mas
 é
 uma
 questão
 de
 custos”.
 A
 dificuldade
 em
 saber
 o
 que
 fazer,
 a
 nível

prático,
 foi
 identificada
 em
 segundo
 lugar
 nesta
 lista,
 com
 62,1%
 destes
 inquiridos
 a

concordar
com
a
afirmação
“Não
sei
como
ter
TV
digital,
é
tudo
muito
complicado”.
Ainda

de
 sublinhar
 que
 46,8%
 destes
 inquiridos
 afirmaram
 concordar
 com
 a
 afirmação
 “Eu
 não

quero
TV
digital
em
minha
casa”
(58
pessoas,
4,8%
da
amostra
total)
e
40,2%
concordaram

com
 a
 afirmação
 “A
 TV
 não
 é
 importante
 para
 mim
 e
 não
 vou
 ter
 o
 trabalho
 de
 fazer
 a

mudança
para
TV
digital”
(50
participantes,
4,1%
da
amostra
total).
                 





10.
Adopção
de
TV
digital
e
TDT
–
perfis
                

‐
Propõem‐se
quatro
perfis
de
adopters
de
TV
digital
em
Portugal,
considerando
a

posse
de
TV
paga
e
a
intenção
de
uso
de
TV
digital:

                    

10.a.
 Grupo
 –
 “Já
 Adoptou”:
 que
 corresponde
 a
 quem
 tem
 TV
 paga
 por
 cabo,
 DTH,
 IPTV,






                                                  50

fibra‐óptica
e
outras
tecnologias15,;
                                          
         

10.b.
 Grupo
 –
 “Adopta”:
 espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 estão
 a
 considerar

comprar
uma
caixa
descodificadora
ou
televisor
com
TDT
integrado
ou
então
subscrever
um

serviço
de
TV
paga
para
continuar
a
ver
televisão
em
casa;
                                   

10.c.
 Grupo
 –
 “Em
 Dúvida”:
 espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 não
 sabem
 ou
 não

responderam
qual
a
sua
intenção
de
aquisição
de
TV
digital;
                                  

10.d.
 Grupo
 –
 “Não
 Adopta”:
 espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 alegam
 não
 ter

intenção
em
adoptar
TV
digital.
 



Os
 perfis
 foram
 definidos
 com
 base
 na
 disponibilidade
 de
 TV
 paga
 em
 casa
 (P.3)
 e
 na

intenção
em
subscrever
um
serviço
de
TV
paga
ou
de
adquirir
equipamentos
receptores
de

TV
digital
(P.28).

                       



Tabela
18:
Perfis
baseados
na
posse
de
TV
paga
e
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
(ADOPT‐DTV,
2011)



                                   
                                                                 Novembro
2010

                                                                                                         (n=525)

                                                                                                            %


Grupo
                              Comprar
novo
televisor,
com
TDT
integrada
                            23.4

“Adopta”

                                    Comprar
caixa
descodificadora
de
TDT
                                   


                                    Subscrever
serviço
TV
por
cabo


                                    Subscrever
serviço
TV
satélite
(parabólica):


                                    Subscrever
serviço
IPTV
/
ADSL


                                    Subscrever
serviço
TV
por
fibra‐óptica


Grupo
                              Nenhum
                                                               34.1

“Não
Adopta”


Grupo
                              Não
sabe
/
não
responde
                                              45.4

“Em
Dúvida”


Nota:
os
inquiridos
tinham
a
possibilidade
de
escolher
mais
do
que
uma
opção.
                    




De
forma
a
procurar
analisar
as
características
dos
indivíduos
de
acordo
com
a
sua
intenção

de
uso
de
TV
digital
–
tem
intenção
de
adoptar
TV
digital
nos
próximos
12
meses
(“Adopta”),


         




































































15
De
acordo
com
os
dados
publicados
pela
Anacom
em
Setembro
de
2011,
78%
dos
assinantes
de
serviços
de

TV
por
cabo
usufruem
do
formato
digital
‐
número
que
continua
a
crescer
‐,
representando
os
assinantes
de
TV

por
cabo
50.2%
de
todos
os
subscritores
de
serviços
de
TV
paga.
Os
restantes
sistemas
–
IPTV,
DTH,
fibra‐óptica
e

outras
tecnologias
no
mercado
português
‐
são
100%
digitais.




                                                                                   51

não
 tem
 intenção
 de
 adoptar
 TV
 digital
 nos
 próximos
 12
 meses
 (“Não
 Adopta”)
 e
 está
 em

dúvida
 se
 pretende
 adoptar
 TV
 digital
 (“Em
 Dúvida”)
 ‐
 foi
 realizada
 a
 análise
 das
 variáveis

sexo,
idade,
habilitações
académicas,
status
e
dificuldades
auditivas,
visuais
e
motoras.


              Os
dados
indicam
a
existência
de
diferenças
significativas
para
um
nível
de
confiança

de
95%
entre
o
género
feminino
e
masculino
para
a
variável
intenção
de
uso
(χ2(2)=8,083;

p=0,017).
De
acordo
com
os
dados
descritivos
existe
uma
maior
percentagem
de
sujeitos
do

género
masculino
com
intenção
de
adoptar
TV
digital,
valores
muito
semelhantes
entre
os

géneros
 nos
 grupos
 que
 referem
 não
 ter
 intenção
 de
 adoptar
 TV
 digital
 e
 uma

percentagem
superior
do
género
feminino
no
grupo
que
responde
estar
em
dúvida
sobre
a

aquisição
de
equipamentos
ou
serviços
de
acesso
a
TV
digital.




Tabela
19:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Sexo
(ADOPT‐DTV,
2011)


                                                                              SEXO

                                  

                                                              MASCULINO
           FEMININO
         Total

    Intenção

       Não
Adopta
                N
                           90
            89
               179

    de
Uso
                                     %

                   50,3%
            49,7%
           100,0%

                     Adopta
                    N
                           63
            44
               107

                                                %

                   58,9%
            41,1%
           100,0%

                     Em
Dúvida
                 N
                      102
              137
                239

                                                %

                   42,7%
            57,3%
           100,0%




              Em
relação
à
variável
idade
foram
novamente
encontradas
diferenças
significativas

entre
os
grupos
(χ2(10)=46,380;
p<0,001).
Analisando
a
tabela
seguinte
é
possível
verificar

que
os
sujeitos
que
referem
não
ter
intenção
de
adoptar
TV
digital
são
maioritariamente

pessoas
de
idade
mais
avançada,
com
55
ou
mais
anos.
Pelo
contrário,
os
indivíduos
que

afirmaram
ter
intenção
de
adoptar
a
TV
digital
dentro
de
12
meses
são
sobretudo
os
mais

jovens,
com
idades
compreendidas
entre
os
18
e
44
anos.

                




              






                                                     52

Tabela
20:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Idade
(ADOPT‐DTV,
2011



                                                                          Idade

                       
                   18‐24
     25‐34
    35‐44
          45‐54
        55‐64
     mais
65

                                           anos
      anos
     anos
            anos
        anos
       anos
          Total

    Intenção

    Não
Adopta
       N
           9
      26
             17
          28
         37
              62
     179

    de
Uso
                         %

     5,0%
 14,5%
            9,5%
 15,6%
 20,7%
                      34,6%
 100,0%

                  Adopta
           N
        18
        18
             27
          19
         14
              11
     107

                                    %

    16,8%
 16,8%
 25,2%
 17,8%
 13,1%
                                10,3%
 100,0%

                  Dúvida
           N
        15
        47
             46
          42
         31
              58
     239

                                    %

     6,3%
 19,7%
 19,2%
 17,6%
 13,0%
                                24,3%
 100,0%



              No
 que
 respeita
 ao
 nível
 de
 habilitações
 académicas
 encontraram‐se
 diferenças

significativas
entre
os
grupos
e
a
respectiva
intenção
de
uso
(χ2(14)=40,219;
p<0,001).
Deste

modo,
o
grupo
de
indivíduos
que
tem
intenção
de
adoptar
TV
digital
caracteriza‐se
por
ter

habilitações
académicas
mais
elevadas,
enquanto
que
os
indivíduos
que
estão
em
dúvida

ou
 afirmaram
 não
 ter
 intenção
 de
 adoptar
 TV
 digital
 possuem
 baixas
 habilitações

académicas
–
de
notar
que
60.9%
dos
inquiridos
com
TV
analógica
terrestre
que
afirmaram

não
 ter
 a
 intenção
 de
 adquirir
 serviços
 ou
 equipamentos
 de
 acesso
 à
 TV
 digital

frequentaram
apenas
a
instrução
primária
ou
não
sabem
ler
nem
escrever.

                                      




Tabela
21:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Habilitações
académicas
(ADOPT‐DTV,
2011



                                                                                      Intenção
de
Uso

                                
                              Não
Adopta
                  Adopta
                 Dúvida


                                                               N
              %

       N
        %

         N
         %



    
Universitário/Pós‐Grad./Mestrado/Doutoramento
                 5
     2,8%
             6
   5,6%
             4
     1,7%


    Curso
médio/
Politécnico
                                       1
         ,6%
          3
   2,8%
             1
      ,4%


    Frequência
de
curso
superior/
médio
                            1
         ,6%
          1
       ,9%
          3
     1,3%


    12º
ano
(7º
ano
liceal/
11º
ano)
                           24
 13,4%
                  18
 16,8%
             33
   13,8%


    9º
ano
(5º
ano
liceal)
                                     18
 10,1%
                  28
 26,2%
             39
   16,3%


    6º
ano
(2º
ano
liceal)
                                     21
 11,7%
                  21
 19,6%
             37
   15,5%


    Instrução
primária
completa

                               74
 41,3%
                  25
 23,4%
             87
   36,4%


    Instrução
primária
incompleta/
analfabeto
                  35
 19,6%
                   5
   4,7%
            35
   14,6%

    Total
                                                     179
 100,0%
 107
 100,0%
                       239
 100,0%






                                                      53

Em
 relação
 às
 dificuldades
 em
 ver,
 ouvir
 ou
 andar,
 foram
 encontradas
 diferenças

significativas
 entre
 os
 grupos
 para
 as
 três
 situações
 (dificuldades
 em
 ver
 χ2(6)=28,755;

p<0,001;
 dificuldade
 em
 ouvir
 χ2(8)=21,424;
 p=0,006;
 dificuldades
 em
 andar
 χ2(8)=35,691;

p<0,001).
 Assim,
 verifica‐se
 uma
 percentagem
 mais
 elevada
 de
 pessoas
 com
 alguma
 ou

muita
 dificuldade
 em
 ver,
 ouvir
 ou
 andar
 no
 grupo
 dos
 sujeitos
 que
 referem
 não
 ter

intenção
de
adoptar
TV
digital,
bem
como
uma
percentagem
mais
elevada
destes
inquiridos

estão
 em
 dúvida
 se
 adoptarão
 essa
 tecnologia,
 comparativamente
 com
 os
 inquiridos
 que

indicaram
não
ter
dificuldades
ou
ter
poucas
dificuldades
em
ver,
ouvir
ou
andar.




Tabela
22:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Dificuldades
em
ver
(ADOPT‐DTV,
2011



                                      P.34.
Tem
dificuldade
em
ver
mesmo
usando

                                              óculos
ou
lentes
de
contacto?


                   

                                    Nenhuma
       Pouca
      Alguma
        Tem
muita

                                    dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
    Total


Intenção
        Não
Adopta
 N
             78
          32
          50
            19
      179

de
Uso
                       %

       43,6%
        17,9%
       27,9%
         10,6%
   100,0%


                 Adopta
      N
            79
          13
          12
             3
      107


                              %

       73,8%
        12,1%
       11,2%
          2,8%
   100,0%


                 Em
Dúvida
   N
           136
          37
          54
            12
      239


                              %

       56,9%
        15,5%
       22,6%
          5,0%
   100,0%




Tabela
23:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Dificuldades
em
ouvir
(ADOPT‐DTV,
2011



                                    P.35.
E
quanto
à
audição?
Tem
dificuldade
em
ouvir
mesmo

                                                   usando
um
aparelho
auditivo?


                   
                                                                       Não

                                    Nenhuma
       Pouca
       Alguma
       Tem
muita
 consegue

                                    dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
    ouvir
        Total


    Intenção

 Não
Adopta
 N
              113
          24
          31
            10
            1
     179

    de
Uso
                   %

        63,1%
       13,4%
       17,3%
          5,6%
      ,6%
 100,0%


                Adopta
       N
            90
          10
             6
           1
            0
     107


                              %

        84,1%
        9,3%
        5,6%
           ,9%
      ,0%
 100,0%


                Em
Dúvida
    N
           176
          33
          24
             6
            0
     239


                              %

        73,6%
       13,8%
       10,0%
          2,5%
      ,0%
 100,0%






                                                     54

Tabela
24:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Dificuldades
em
andar(ADOPT‐DTV,
2011)



                                            P.36.
E
quanto
à
locomoção?
Tem
dificuldade
em
andar
ou

                                                              em
subir
degraus?
Diria
que...

                    
                                                                                         Não

                                         Nenhuma
             Pouca
            Alguma
        Tem
muita
 consegu
                                        dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
 e
andar

                     Total


Intenção
 Não
Adopta
            N
                96
                30
               32
             19
          2
      179

de
Uso
                          %

           53,6%
           16,8%
               17,9%
        10,6%
      1,1%
      100,0%


                  Adopta
        N
                92
                    5
              5
             4
          1
      107


                                 %

           86,0%
               4,7%
             4,7%
         3,7%
       ,9%
      100,0%


                  Em
Dúvida
     N
              164
                 32
               29
             14
          0
      239


                                 %

           68,6%
           13,4%
               12,1%
         5,9%
       ,0%
      100,0%


    

              No
 que
 toca
 a
 variável
 status
 social,
 os
 dados
 indicam
 que
 não
 se
 encontram

    diferenças
significativas
entre
os
grupos
A,
B,
C,
D
e
E
para
a
intenção
de
uso
de
TV
digital

    (χ2(8)=9,035;
 p=0,269).
 A
 tabela
 seguinte
 apresenta
 os
 dados
 descritivos
 referentes
 a
 esta

    variável
e
a
intenção
de
adopção
de
TV
digital.



    Tabela
25:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Status
(ADOPT‐DTV,
2011)



                                                                               STATUS
SOCIAL



                                                         A
               B
           C
          D
          E
         Total


    Intenção

     Não
Adopta
         N
                      0
              13
          27
      115
           24
     179

    de
uso
                            %

                ,0%
             7,3%
      15,1%
       64,2%
     13,4%
 100,0%


                   Adopta
             N
                      2
              11
          18
         56
         20
     107


                                       %

               1,9%
            10,3%
      16,8%
       52,3%
     18,7%
 100,0%


                   Dúvida
             N
                      2
              17
          31
      142
           47
     239


                                       %

                ,8%
             7,1%
      13,0%
       59,4%
     19,7%
 100,0%


              

              

              Em
síntese,
cada
um
destes
grupos
pode
ser
caracterizado
da
seguinte
forma:


    10.b.
 Grupo
 –
 “Adopta”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 estão
 a
 considerar

    comprar
uma
caixa
descodificadora
ou
televisor
com
TDT
ou
então
subscrever
um
serviço
de

    TV
 paga
 para
 continuar
 a
 ver
 televisão
 em
 casa)
 são
 mais
 propensos
 a
 serem
 homens,
 a

    terem
idades
compreendidas
entre
os
18
e
os
44
anos,
a
possuírem
habilitações
académicas


    
                                                               55

elevadas
 e
 menos
 propensos
 a
 ter
 algum
 nível
 de
 deficiência
 (visual,
 auditiva
 ou
 motora);


10.c.
 Grupo
 –
 “Em
 Dúvida”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 não
 sabem
 ou
 não

responderam
qual
a
sua
intenção
de
aquisição
de
TV
digital)
existe
uma
maior
probabilidade

de
 serem
 mulheres,
 a
 terem
 baixas
 habilitações
 académicas
 e
 possuírem
 um
 nível

significativo
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
motora);
 

10.d.
 Grupo
 –
 “Não
 Adopta”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 alegam
 não
 ter

intenção
 em
 adoptar
 TV
 digital)
 são
 mais
 propensos
 a
 terem
 mais
 de
 55
 anos
 de
 idade,
 a

possuírem
 um
 baixo
 nível
 de
 habilitações
 académicas
 (instrução
 primária
 completa
 ou

menos)
e
a
terem
um
nível
significativo
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
motora).
                   


         Finalmente,
 de
 notar
 que
 houve
 uma
 evolução
 substancial
 da
 percentagem
 de

inquiridos
 com
 acesso
 a
 TV
 analógica
 terrestre
 que
 indicou
 ter
 intenção
 de
 adquirir

equipamentos
ou
serviços
para
recepção
de
TV
digital
do
inquérito
de
Setembro
e
2011
em

relação
ao
inquérito
de
Novembro
de
2010,
que
passou
de
23.4%
para
47.9%.
Por
seu
turno,

a
percentagem
destes
inquiridos
que
afirmaram
não
ter
intenção
de
compra
de
serviços
ou

equipamento
 de
 TV
 digital
 diminuiu
 substancialmente,
 de
 34.1%
 em
 Novembro
 de
 2010

para
11.3%
para
Setembro
de
2011.


Tabela
 26:
 Comparativo
 da
 evolução
 percentual
 dos
 perfis
 baseados
 na
 posse
 de
 TV
 paga
 e
 na

intenção
de
uso
de
TV
digital
(ADOPT‐DTV,
2011)



                  
                                                   Novembro
2010
     Setembro
2011

                                                                          (n=525)
            (n=425)

                                                                             %
                  %


Grupo
             Comprar
novo
televisor,
com
TDT
integrada
                23.4
              47.9

“Adopta”

                   Comprar
caixa
descodificadora
de
TDT
                        
                 


                   Subscrever
serviço
TV
por
cabo


                   Subscrever
serviço
TV
satélite
(parabólica):


                   Subscrever
serviço
IPTV
/
ADSL


                   Subscrever
serviço
TV
por
fibra‐óptica


Grupo
             Nenhum
                                                   34.1
              11.3

“Não
Adopta”


Grupo
             Não
sabe
/
não
responde
                                  45.4
              46.4

“Em
Dúvida”


         Nota:
os
inquiridos
tinham
a
possibilidade
de
escolher
mais
do
que
uma
opção.
     





        Já
a
percentagem
de
participantes
que
não
sabe
ou
não
respondeu
à
pergunta
que



                                                    56

equipamentos
ou
serviços
de
TV
digital
está
a
pensar
adquirir
ou
subscrever
nos
próximos

12
 meses
 manteve‐se
 praticamente
 inalterada
 entre
 os
 dois
 inquéritos.
 A
 averiguação
 dos

perfis
 destes
 grupos
 de
 participantes
 do
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011
 já
 sai
 fora
 do

âmbito
 do
 presente
 relatório
 ‐
 até
 porque
 os
 resultados
 são
 de
 outro
 projecto
 de

investigação
 da
 responsabilidade
 do
 CICANT
 e
 chegaram
 à
 equipa
 de
 investigação
 em

meados
 de
 Outubro
 de
 2011
 ‐
 mas
 há
 a
 intenção
 de
 proceder
 a
 essa
 averiguação

posteriormente
em
artigos
a
submeter
a
revistas
e
conferências
científicas.
           






Hipótese
principal
do
projecto
de
investigação
             


‐
 Verificou‐se
 a
 validação
 da
 hipótese
 principal
 do
 projecto
 de
 investigação,
 em

que
no
contexto
da
transição
da
TV
analógica‐digital,
a
adopção
da
TV
digital
está

significativamente
 condicionada
 por
 factores
 de
 expectativa
 de
 desempenho,

expectativa
 de
 esforço
 e
 influência
 social,
 com
 forte
 probabilidade
 de
 rejeição

significativa
por
parte
de
segmentos
da
população
com
idade
mais
avançada,
com

menores
habilitações
académicas
e
com
necessidades
especiais.



Conforme
foi
referido
na
parte
introdutória
deste
relatório,
os
autores
da
Teoria
Unificada

de
 Aceitação
 e
 Uso
 de
 Tecnologia
 (Unified
 Theory
 of
 Acceptance
 and
 Use
 of
 Technology
 –

UTAUT)
 defendem
 que
 a
 expectativa
 de
 performance,
 expectativa
 de
 esforço,
 influência

social
 e
 condições
 facilitadoras
 são
 determinantes
 directos
 da
 intenção
 de
 uso
 e

comportamentos
 de
 adopção
 de
 inovações,
 sendo
 o
 impacto
 destes
 quatro
 factores
 é

mediado
pela
idade,
género,
experiência
e
voluntariedade
de
uso
(Venkatesh
et
al.,
2003).

Com
base
nesta
teoria
foram
formuladas
as
seguintes
hipóteses
de
investigação:

                                                                              


H1.
As
expectativas
de
desempenho
têm
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
e
o
seu

efeito
é
maior
nos
jovens
e
nos
homens.



H2.
As
expectativas
de
esforço
têm
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
e
o
seu
efeito

é
maior
para
os
mais
velhos,
com
habilitações
académicas
mais
baixas
e
para
as
mulheres.


H3.
A
influência
social
tem
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
e
o
seu
efeito
é
maior

para
os
mais
velhos,
com
habilitações
académicas
mais
baixas
e
para
as
mulheres.


H4.
As
condições
facilitadoras
não
têm
um
efeito
significativo
na
intenção
de
uso
de
TV

digital
na
maioria
da
população,
mas
têm
um
efeito
significativo
nos
mais
velhos.




                                               57

H5.
a)
A
auto‐eficácia
no
uso
de
tecnologias
não
tem
influência
significativa
na
intenção
de

uso
de
TV
digital

H5.b)
A
ansiedade
em
relação
ao
uso
de
tecnologias
não
tem
influência
significativa
na

intenção
de
uso
de
TV
digital

H5.c)
As
atitudes
em
relação
ao
uso
de
tecnologias
não
têm
influência
significativa
na

intenção
de
uso
de
TV
digital.



        De
 forma
 a
 testar
 as
 hipóteses
teóricas
do
projecto
optou‐se
por
realizar
a
análise

estatística
por
dois
processos,
analisando‐se
a
primeira
parte
das
hipóteses
através
de
uma

análise
de
variância
e
a
segunda
parte
das
hipóteses
através
de
uma
ANOVA
multivariada,

procurando‐se
 analisar
 a
 interacção
 de
 novos
 factores
 na
 intenção
 de
 uso
 para
 cada

dimensão
da
escala
adaptada
do
modelo
UTAUT.



        Com
o
intuito
de
simplificar
a
leitura
da
análise,
optou‐se
por
referir
brevemente
as

designações
usadas
para
cada
variável
e
o
número
de
variáveis
a
analisar.
Assim,
em
relação

às
dimensões
da
escala
(adaptação
do
modelo
UTAUT)
usada
no
inquérito
quantitativo
são

examinadas
sete
dimensões:
expectativa
de
desempenho,
expectativa
de
esforço,
influência

social,
condições
facilitadoras,
auto‐eficácia,
ansiedade
e
atitudes.



        No
 que
 toca
 a
 variável
 intenção
 de
 uso
 de
 TV
 digital
 foram
 formados
 três
 grupos:


Grupo
–
“Adopta”:
grupo
de
indivíduos
que
pretendem
adoptar
TV
digital
(têm
intenção
de

comprar
 uma
 TV
 que
 tenha
 TDT
 integrada
 ou
 caixa
 descodificadora,
 ou
 subscrever
 algum

serviço
de
TV
digital
–
TV
por
cabo,
satélite,
IPTV
ou
fibra
óptica,
nos
próximos
12
meses);

Grupo
–
“Não
adopta”:
grupo
de
indivíduos
que
não
pretendem
adoptar
TV
digital
(não
têm

intenção
de
comprar
ou
subscrever
qualquer
dos
serviços
acima
indicados);
                 

Grupo
 –
 “Em
 dúvida”:
 grupo
 de
 indivíduos
 que
 estão
 em
 dúvida
 se
 adoptarão
 TV
 digital

(pessoas
 que
 responderam
 “não
 sei”
 às
 questões
 acima
 enumeradas,
 ou
 mesmo
 pessoas

que
optaram
por
não
responder).


        De
 forma
 a
 analisar
 se
 a
 variável
 intenção
 de
 uso
 de
 TV
 digital
 tem
 influência
 nas

dimensões
 resultantes
 da
 adaptação
 do
 modelo
 UTAUT,
 foi
 realizada
 uma
 análise
 de

variância
através
de
comparação
de
médias,
ANOVA
One‐Way,
após
a
verificação
dos
seus

pressupostos.
 Os
 dados
 indicam
 a
 existência
 de
 diferenças
 significativas
 para
 um
 nível
 de

confiança
 de
 95%
 (alpha=0.05)
 em
 todas
 as
 variáveis
 respeitantes
 ao
 modelo
 referido

(expectativa
 de
 desempenho
 F(2,417)=9,785;
 P<.001;
 expectativa
 de
 esforço

F(2,317)=11,180;
 p<.001;
 Influência
 social
 F(2,416)=9,989;
 p<.001;
 Condições
 facilitadoras

F(2,400)=13,928;
 p<.001;
 Atitudes
 de
 uso
 F(2,390)=10,184;
 p<.001;
 Auto‐eficácia



                                                 58

F(2,380)=5,064;
 p=.007;
 Ansiedade
 F(2,404)=6,438;p=0.002).
 De
 acordo
 com
 o
 teste
 de

Tuckey,
encontram‐se
diferenças
significativas
para
a
variável
Expectativas
de
Desempenho

entre
os
grupos
“Não
adopta”
Vs
“Adopta”
(p<0.001);
“Adopta”
Vs
“Em
dúvida”
(p<0.001);

para
a
variável
Expectativa
de
Esforço
entre
os
grupos
“Não
adopta”
Vs
“Adopta”
(p<0.001);

“Não
adopta”
Vs
“Dúvida”
(p=0.01);
para
a
variável
Influência
Social
entre
os
grupos
“Não

adopta”
 Vs
 “Adopta”
 (p=0.001);
 “Adopta”
 Vs
 “Em
 dúvida
 (p<0”.001);
 para
 a
 variável

Condições
Facilitadoras
entre
os
grupos
“Não
adopta”
Vs
“Adopta”
(p<0.001);
“Adopta”
Vs

“Em
 dúvida”
 (p<0.001);
 para
 a
 variável
 Atitudes
 de
 Uso
 entre
 os
 grupos
 “Não
 adopt”a
 Vs

“Adopta”
 (p<0.001)
 e
 “Adopta”
 Vs
 “Em
 dúvida”
 (p<0.001);
 para
 a
 variável
 Auto‐Eficácia

entre
 os
 grupos
 “Não
 adopta”
 Vs
 “Adopt”a
 (p=0.005);
 e
 por
 último,
 para
 a
 variável

Ansiedade
entre
os
grupos
“Não
adopta”
Vs
“Adopta”
(p=0.001)
e
“Adopta”
Vs
“Em
dúvida”

(p=0.028).



Tabela
H1.
Médias
das
variáveis
do
modelo
UTAUT
e
Intenção
de
uso


                         

                                                        N*
          Média
      Desvio‐padrão
         Mínimo
        Máximo


    Expectativa
de

             Não
Adopta
               137
          8,18
               3,294
               1
         14

    desempenho
                  Adopta
                   101
          9,79
               2,974
               2
         14

                                 Em
Dúvida
                182
          8,25
               3,058
               1
         15

    Expectativa
de
esforço
      Não
Adopta
               106
          7,52
               3,237
               1
         15

                                 Adopta
                      90
        9,54
               2,961
               1
         14

                                 Em
Dúvida
                124
          8,69
               2,867
               2
         15

    Influência
social
           Não
Adopta
               140
          7,59
               2,800
               1
         14

                                 Adopta
                      98
        8,95
               2,665
               2
         15

                                 Em
Dúvida
                181
          7,42
               2,957
               1
         15

    Condições
facilitadoras
     Não
Adopta
               134
          5,87
               3,593
               1
         13

                                 Adopta
                      98
        8,20
               3,446
               1
         14

                                 Em
Dúvida
                171
          6,22
               3,539
               1
         15

    Atitudes
de
uso

            Não
Adopta
               129
          8,20
               3,355
               2
         15

                                 Adopta
                      99
        9,97
               2,844
               1
         15

                                 Em
Dúvida
                165
          8,42
               3,197
               1
         15

    Auto
eficácia
               Não
Adopta
               121
          7,83
               2,848
               1
         15

                                 Adopta
                   100
          9,02
               3,104
               2
         15

                                 Em
Dúvida
                162
          8,29
               2,516
               2
         14

    Ansiedade
                   Não
Adopta
               128
          8,18
               3,281
               1
         15

                                 Adopta
                   100
          9,65
               3,079
               2
         15

                                 Em
Dúvida
                179
          8,65
               2,993
               2
         15

*
 o
 número
 de
 sujeitos
 por
 perfil
 difere
 ligeiramente
 por
 dimensão
 já
 que
 foram
 eliminadas
 do
 cálculo
 as

respostas
“Não
sei/
Não
respondo”.
       




                                                         59




De
acordo
com
as
médias
de
cada
grupo
em
cada
dimensão,
é
possível
verificar
que
o
grupo

“Adopta”
 apresenta
 valores
 mais
 elevados
 nas
 comparações
 onde
 se
 encontraram

diferenças
 significativas,
 sendo
 possível
 perceber
 que
 as
 diferentes
 dimensões
 do
 modelo

proposto
contribuem
positivamente
para
a
intenção
de
adopção
de
TV
digital.
De
notar
que

a
 dimensão
 Ansiedade
 foi
 construída
 na
 negativa,
 tendo
 os
 valores
 obtidos
 na
 escala
 sido

invertidos
para
realizar
a
cotação
da
variável
e
posterior
análise.
Desta
forma,
é
necessário

conceptualizar
essa
mesma
dimensão
pela
negativa
–
Não
ansiedade,
compreendendo
que

os
valores
elevados
do
grupo
“Adopta”
nesta
dimensão
apontam
a
mesma
(não‐ansiedade)

como
tendo
um
efeito
positivo
na
intenção
de
uso
de
TV
digital.


                                                                




Gráfico
H1.
Médias
das
variáveis
do
modelo
UTAUT
e
Intenção
de
uso





        De
 forma
 a
 analisar
 o
 efeito
 de
 interacção
 foi
 realizada
 uma
 ANOVA
 multivariada

após
 a
 verificação
 dos
 seus
 pressupostos
 em
 todas
 as
 variáveis
 (normalidade
 e

homogeneidade
de
variância).
No
que
respeita
a
primeira
hipótese
do
estudo,
que
investiga

a
 intenção
 de
 uso
 e
 a
 sua
 interacção
 com
 o
 género
 e
 idade
 relativamente
 à
 variável

expectativas
de
desempenho
(variável
proveniente
do
modelo
UTAUT),
procura‐se
perceber

se
existe
um
efeito
positivo
da
intenção
de
uso,
portanto
maior
probabilidade
de
adopção

de
TV
digital,
nos
sujeitos
mais
jovens
da
amostra
e
do
género
masculino.
A
tabela
seguinte

apresenta
as
médias
para
a
relação
entre
as
variáveis
em
questão.

            






                                                60

Tabela
H2.
Médias:
intenção
de
uso
e
género
para
a
variável
expectativas
de
desempenho



                            Expectativas
de
desempenho


     Intenção
de

                          Sexo
         Média
      Desvio‐Padrão
    N

         uso


    Não
Adopta
      MASCULINO
             8,65
            3,031
        74


                     FEMININO
              7,62
            3,521
        63

    Adopta
          MASCULINO
             9,98
            2,977
        60

                     FEMININO
              9,51
            2,984
        41

    Em
Dúvida
       MASCULINO
             8,46
            3,001
        83

                     FEMININO
              8,08
            3,109
        99




              De
 acordo
 com
 os
 dados
 alcançados,
 não
 se
 verifica
 um
 efeito
 de
 interacção

significativo
entre
a
intenção
de
uso
e
o
género
para
a
variável
expectativa
de
desempenho

(F(3,414)=0,461;
 p=0,631).
 A
 ausência
 de
 interacção
 indica
 que
 a
 diferença
 da
 intenção
 de

uso
entre
homens
e
mulheres
é
igual
para
os
sujeitos
com
intenção
de
adoptar,
não
adoptar

ou
em
dúvida
de
adopção
de
TV
digital.
O
gráfico
seguinte
representa
as
combinações
entre

intenção
de
uso
e
o
género,
evidenciando
trajectórias
semelhantes
para
o
género
feminino
e

masculino
o
que
indica
a
não
existência
de
interacção
entre
as
variáveis
no
que
respeita
as

expectativas
de
desempenho.



Gráfico
H2
.
Interação
–
intenção
de
uso
e
género
para
expectativas
de
desempenho






                                                                                       




                                                     61

No
 entanto,
 no
 que
 toca
 aos
 efeitos
 principais,
 verifica‐se
 que
 existem
 diferenças

significativas
 para
 a
 intenção
 de
 uso
 (F(2,416)=
 9,167;
 p<0,001)
 e
 para
 género
 (F(1,416)=

4,041;
p=0,045)
isoladamente.
Através
do
teste
de
múltiplas
comparações
de
Bonferroni,
as

diferenças
encontram‐se
entre
os
grupos
masculino
Vs
feminino,
no
que
toca
ao
género,
e

entre
 os
 grupos
 “Adopta”
 Vs
 “Não
 Adopta”
 (p<0,001)
 e
 Adopta”
 Vs
 “Dúvida”
 (p<0,001).
 O

género
masculino
e
o
grupo
“Adopta”
apresentam
médias
superiores
em
ambos
os
casos.



           Os
 dados
 indicam
 assim
 que,
 apesar
 de
 não
 se
 encontrar
 interacção
 significativa

entre
 o
 factor
 idade
 e
 o
 factor
 intenção
 de
 uso
 para
 esta
 dimensão,
 existe
 uma
 relação

positiva
 entre
 a
 intenção
 de
 adoptar
 TV
 digital
 e
 o
 género
 nas
 expectativas
 de

desempenho,
 sendo
 que
 o
 género
 masculino
 e
 o
 grupo
 que
 pretende
 adoptar
 TV
 digital

apresentam
valores
superiores
aos
restantes
grupos.



           Em
 relação
 à
 idade,
 procurou‐se
 igualmente
 perceber
 se
 existe
 um
 efeito
 de

interacção
entre
a
idade
e
a
intenção
de
uso
para
as
expectativas
de
desempenho.
Os
dados

indicam
 a
 não
 existência
 de
 interacção
 entre
 os
 factores
 F(10,402)=0,310;
 p=0,978),

verificando‐se
contudo
diferenças
significativas
nos
factores
isoladamente
(intenção
de
uso:

F(1,402)=5,333;
p=0,005
e
Idade
F(5,402)=11,321;
p<0,001).
Analisando
os
valores
do
teste

de
Bonferroni,
as
diferenças
significativas
encontram‐se
entre
os
grupos
“Adopta”
Vs
“Não

Adopta”
 (p<0,001)
 e
 “Adopta”
 Vs
 “Em
 Dúvida”
 (p<0,001).
 A
 tabela
 3
 apresenta
 os
 dados

descritivos
para
as
variáveis
em
questão
e
o
gráfico
2
representa
as
trajectórias
dos
escalões

etários
 para
 variável
 intenção
 de
 uso,
 considerando
 as
 expectativas
 de
 desempenho.

Novamente
 o
 grupo
 “Adopta”
 apresenta
 médias
 superiores
 em
 relação
 aos
 restantes

grupos.
 
 No
 que
 toca
 à
 variável
 idade,
 verificam‐se
 médias
 superiores
 nos
 escalões
 etários

mais
jovens
(dos
18
aos
24
anos,
dos
25
aos
34
anos
e
ainda,
dos
35
aos
44
anos).
Apesar
de

não
se
verificar
interacção
entre
os
factores,
isoladamente
analisados
os
mesmos
indicam

uma
 relação
 positiva
 entre
 escalões
 etários
 mais
 jovens
 e
 intenção
 de
 adopção
 de
 TV

digital
na
dimensão
de
expectativas
de
desempenho.


Tabela
H3.
Médias:
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
expectativas
de
desempenho


    
                                  Média
       Desvio‐padrão
      N

    Não
Adopta
   18‐24
anos
              10,71
            1,496
           7

                  25‐34
anos
               9,70
            3,267
          23

                  35‐44
anos
               9,07
            2,764
          15

                  45‐54
anos
               8,91
            3,502
          23

                  55‐64
anos
               7,11
            3,059
          28

                  mais
65
anos
             6,88
            3,059
          41




                                                   62

Adopta
         18‐24
anos
           11,50
         2,036
        18

                    25‐34
anos
           10,78
         1,957
        18

                    35‐44
anos
            9,73
         2,933
        26

                    45‐54
anos
            9,71
         3,312
        17

                    55‐64
anos
            8,23
         3,086
        13

                    mais
65
anos
          7,00
         3,000
         9

    Em
Dúvida
      18‐24
anos
            9,00
         1,871
        13

                    25‐34
anos
            9,32
         2,595
        44

                    35‐44
anos
            8,59
         3,219
        37

                    45‐54
anos
            8,42
         2,430
        36

                    55‐64
anos
            7,56
         3,468
        18

                    mais
65
anos
          6,41
         3,439
        34




Gráfico
H3.
Médias:
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
expectativas
de
desempenho





                                                                                      




              Em
relação
à
segunda
hipótese
teórica,
questiona‐se
se
as
variáveis
idade
e
género

terão
algum
efeito
na
intenção
de
uso,
considerando
a
expectativas
de
esforço
(variável
do

modelo
 UTAUT).
 A
 análise
 recorreu
 novamente
 à
 ANOVA
 multivariada,
 procurando
 um

efeito
de
interacção
entre
as
variáveis
referidas.
Os
dados
indicam
que
a
variável
género
não

interage
 com
 a
 variável
 intenção
 de
 uso
 no
 que
 toca
 às
 expectativas
 de
 esforço

(F(2,314)=1,547;
 p=0,214).
 Em
 relação
 aos
 efeitos
 principais
 dos
 factores
 encontram‐se

diferenças
 significativas
 para
 a
 variável
 intenção
 de
 uso
 (F(2,314)=10,744;
 p<0,001)
 e

género(F(2,314)=10,742;
 p=0,001;)
 nos
 grupos
 masculino
 Vs
 feminino,
 “Adopta”
 Vs
 “Não




                                                  63

Adopta”
 (p<0,001)
 e
 “Adopta”
 Vs
 “Em
 Dúvida”
 (p=0,009).
 Em
 relação
 à
 variável
 idade,

também
 não
 se
 encontrou
 interacção
 entre
 os
 factores
 (F(10,302)=0,732;
 p=0,694),

verificando‐se
 contudo
 diferenças
 estatisticamente
 significativas
 para
 os
 factores

isoladamente:
Intenção
de
uso
(F(2,302)=6,003;
p=0,003;)
e
idade
(F(5,302)=6,782;
p<0,001).

As
 diferenças
 encontradas
 são
 entre
 o
 grupo
 masculino
 Vs
 feminino
 e
 entre
 os
 grupos

“Adopta”
Vs
“Não
Adopta”
(p<0,001)
e
“Não
Adopta”
Vs
“Em
Dúvida”
(p<0,009).
As
tabelas

seguintes
 apresentam
 os
 dados
 descritivos
 para
 as
 variáveis
 relativas
 à
 segunda
 hipótese

teórica
e
os
gráficos
apresentam
as
trajectórias
das
variáveis
em
questão.



              Novamente,
é
possível
verificar
que
o
grupo
masculino
apresenta
médias
superiores

quando
 comparado,
 isoladamente,
 com
 o
 feminino
 e
 os
 escalões
 etários
 mais
 jovens

apresentam
 médias
 superiores
 quando
 comparados
 com
 os
 escalões
 de
 idades
 mais

elevadas.
 No
 que
 toca
 os
 grupos
 de
 intenção
 de
 uso,
 o
 grupo
 “Adopta”
 apresenta
 médias

mais
 elevadas,
 seguido
 do
 grupo
 “Em
 Dúvida”
 (ver
 tabelas
 descritivas
 seguintes).
 Desta

forma,
 os
 dados
 confirmam
 a
 hipótese
 teórica
 colocada,
 a
 intenção
 de
 uso
 tem
 uma

relação
com
as
expectativas
de
esforço
sendo
que
o
grupo
dos
sujeitos
do
género
feminino

e
de
escalões
etários
mais
elevados
apresentam
médias
mais
baixas.

 




Tabela
H4.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
género
para
a
variável
expectativas
de
esforço



    SEXO
                             Média
     Desvio‐padrão
     N


    Não
Adopta
     MASCULINO
           7,76
            3,344
         59


                    FEMININO
            7,21
            3,106
         47

    Adopta
         MASCULINO
          10,42
            2,658
         50

                    FEMININO
            8,45
            2,987
         40

    Em
Dúvida
      MASCULINO
           9,10
            2,721
         59

                    FEMININO
            8,31
            2,963
         65










                                                  64



Gráfico
H4.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
género
para
a
variável
expectativas
de
esforço





                                                                               

Tabela
H5.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
expectativas
de
esforço



     Intenção
de

         uso
            Idade
     Média
      Desvio‐padrão
      N


     Não
Adopta
    18‐24
anos
         8,43
            3,359
           7


                    25‐34
anos
         8,90
            2,844
          21


                    35‐44
anos
         8,62
            3,404
          13


                    45‐54
anos
         9,06
            3,255
          16


                    55‐64
anos
         6,41
            2,425
          17

d




                    mais
65
anos
       5,78
            2,904
          32

i




     Adopta
        18‐24
anos
        10,00
            3,162
          18

m




e
                    25‐34
anos
        10,25
            2,082
          16


n
                    35‐44
anos
         9,04
            3,113
          24


s                   45‐54
anos
        11,15
            1,994
          13

i
                    55‐64
anos
         8,18
            2,960
          11

o



                    mais
65
anos
       7,88
            3,643
           8


     Em
Dúvida
     18‐24
anos
         9,18
            1,601
          11

n




1





                    25‐34
anos
         9,44
            1,795
          34


                    35‐44
anos
         9,14
            3,399
          22


                    45‐54
anos
         8,58
            2,928
          26


                    55‐64
anos
         8,40
            3,239
          10


                    mais
65
anos
       7,00
            3,464
          21




                                                 65



Gráfico
H5.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
expectativas
de
esforço





                                                                                          




         Em
relação
à
terceira
hipótese
do
estudo,
argumenta‐se
que
a
idade
e
género
têm

um
 efeito
 na
 intenção
 de
 uso
 de
 TV
 digital,
 no
 que
 toca
 à
 variável
 influência
 social.
 De

acordo
com
os
dados
o
efeito
de
interacção
entre
estes
factores
não
se
verifica,
quer
para
a

idade
(F(2,413)=0,585;
p=0,557)
quer
para
o
género
(F(2,413)=,
P=0,557),
mas
novamente
os

factores
isolados
apresentam
diferenças
significativas
entre
os
grupos.
Assim,
no
que
toca
a

variável
 intenção
 de
 uso
 (F(2,413)=9,256;
 p<0,001)
 e
 idade
 (F(1,313)=4,835;
 p=0,028)

existem
 diferenças
 significativas
 entre
 os
 grupos
 “Adopta”
 Vs
 “Não
 Adopta”
 (p=0,001)
 e

“Adopta”
 Vs
 “Em
 Dúvida”
 (p<0,001),
 sendo
 que
 o
 grupo
 “Adopta”
 apresenta
 médias
 mais

elevadas
em
ambos
os
casos
(consultar
tabela
descritiva
seguinte).



         Em
 relação
 à
 interacção
 com
 a
 variável
 género,
 novamente
 os
 factores
 isolados

apresentam
diferenças
significativas
entre
os
grupos,
evidenciando
o
grupo
masculino
com

médias
 mais
 elevadas.
 Desta
 forma,
 os
 dados
 confirmam
 a
 hipótese
 teórica
 colocada,
 a

intenção
de
uso
tem
uma
relação
com
as
influência
social,
sendo
que
o
grupo
dos
sujeitos

do
género
feminino
e
de
escalões
etários
mais
elevados
apresentam
médias
mais
baixas.



         





                                                 66

Tabela
H6.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
género
para
a
variável
influência
social



                       Intenção
de
uso
        Sexo
   Média
      Desvio‐padrão
     N


                        Não
Adopta
       MASCULINO
      8,07
              2,468
    75


                                          FEMININO
       7,05
              3,069
    65


                        Adopta
           MASCULINO
      9,18
              2,823
    57


                                          FEMININO
       8,63
              2,426
    41

         dimension1





                        Em
Dúvida
        MASCULINO
      7,60
              3,121
    81


                                          FEMININO
       7,27
              2,824
   100





Gráfico
H6.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
género
para
a
variável
influência
social





                                                                                                      


Tabela
H7.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
influência
social



         Intenção
de
uso
                  Idade
      Média
      Desvio‐padrão
          N


    d
             Não
Adopta
              18‐24
anos
          7,25
            3,240
               8


    i                                 25‐34
anos
          8,70
            2,183
              23

    m
                                      35‐44
anos
          8,00
            3,183
              16

    e



                                      45‐54
anos
          8,59
            2,282
              22


                                      55‐64
anos
          7,63
            2,684
              30

    n




    s




                                      mais
65
anos
        6,32
            2,832
              41

    i




    o





   n



                                                                   67

    1



    Adopta
       18‐24
anos
              9,33
            2,849
         18


                  25‐34
anos
              9,69
            2,330
         16


                  35‐44
anos
              9,08
            2,208
         26


                  45‐54
anos
              8,53
            3,484
         17


                  55‐64
anos
              8,83
            2,725
         12


                  mais
65
anos
            7,44
            2,128
           9


    Em
Dúvida
    18‐24
anos
              7,31
            2,658
         13


                  25‐34
anos
              8,09
            2,662
         43


                  35‐44
anos
              7,62
            3,157
         37


                  45‐54
anos
              7,86
            2,631
         36


                  55‐64
anos
              6,48
            3,502
         21


                  mais
65
anos
            6,42
            2,986
         31


    Total
        18‐24
anos
              8,23
            2,978
         39


                  25‐34
anos
              8,57
            2,519
         82


                  35‐44
anos
              8,18
            2,921
         79


                  45‐54
anos
              8,23
            2,739
         75


                  55‐64
anos
              7,48
            3,058
         63


                  mais
65
anos
            6,48
            2,816
         81




Gráfico
H7.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
influência
social







                                                                                          




                                                  68

No
 que
 respeita
 a
 quarta
 hipótese
 do
 estudo,
 argumenta‐se
 que
 a
 idade
 tem
 um

efeito
na
intenção
de
uso
em
consideração
à
dimensão
condições
facilitadoras.
De
acordo

com
 os
 dados,
 não
 existe
 interacção
 entre
 o
 factor
 idade
 e
 o
 factor
 intenção
 de
 uso

(F(0,643;p=0,777),
 contudo
 os
 factores
 isolados
 apresentam
 diferenças
 significativas
 nos

seus
 grupos
 (intenção
 de
 uso:
 F(2,385)=9,306;
 p<0,001
 e
 idade
 F(5,385)=4,925;
 p=0,000).

Assim,
 com
 base
 no
 teste
 de
 Bonferroni,
 as
 diferenças
 encontradas
 são
 entre
 os
 grupos

“Adopta”
Vs
“Não
Adopta”
(p<0,001)
e
“Adopta”
Vs
“Em
Dúvida”
(p<0,001),
sendo
que,
tal

como
 é
 possível
 observar
 na
 tabela
 seguinte,
 as
 médias
 são
 superiores
 para
 o
 grupo
 de

sujeitos
que
têm
intenção
de
adoptar
TV
digital
nos
escalões
etários
centrais
e
superiores.


                


Tabela
H7.
Média:
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
condições
facilitadoras



         Intenção
de
uso
        Idade
      Média
      Desvio‐padrão
    N


         Não
Adopta
        18‐24
anos
          5,50
            2,976
         8


                            25‐34
anos
          7,68
            3,286
        22


                            35‐44
anos
          6,33
            4,117
        15


                            45‐54
anos
          6,81
            3,027
        21


                            55‐64
anos
          5,26
            3,460
        27

    d




                            mais
65
anos
        4,73
            3,668
        41

    i




         Adopta
            18‐24
anos
          9,39
            2,593
        18

    m




    e
                            25‐34
anos
          8,72
            3,322
        18


    n
                            35‐44
anos
          7,72
            3,814
        25


    s                       45‐54
anos
          8,31
            3,807
        16

    i

                            55‐64
anos
          8,58
            2,811
        12

    o



                            mais
65
anos
        5,44
            3,358
         9


         Em
Dúvida
         18‐24
anos
          7,55
            3,532
        11

    n




    1





                            25‐34
anos
          7,37
            2,984
        43


                            35‐44
anos
          6,06
            3,626
        34


                            45‐54
anos
          5,91
            3,137
        34


                            55‐64
anos
          6,18
            4,433
        17


                            mais
65
anos
        4,72
            3,612
        32











                                                        69



Gráfico
H7.
Média:
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
condições
facilitadoras





                                                                                              





A
 hipótese
 5
 e
 derivadas
 ficaram
 respondidas
 com
 a
 ANOVA
 simples,
 tendo
 os
 dados

indicado
 a
 existência
 de
 diferenças
 significativas
 para
 um
 nível
 de
 confiança
 de
 95%

(alpha=0.05)
 nestas
 variáveis
 respeitantes
 ao
 modelo
 referido
 (Atitudes
 de
 uso

F(2,390)=10,184;
 p<.001;
 Auto‐eficácia
 F(2,380)=5,064;
 p=.007;
 Ansiedade
 F(2,404)=6,438;

p=0.002).









                                                 70




4.
Recomendações

Considerando
 os
 resultados
 antes
 apresentados
 e
 a
 revisão
 de
 literatura
 conduzida
 no

âmbito
 deste
 projecto
 de
 investigação,
 apresentam‐se
 as
 seguintes
 recomendações
 às

principais
partes
interessadas
envolvidas
no
processo
de
transição
da
TV
analógica
terrestre

para
o
digital
terrestre
em
Portugal:
     




1.
 Ponderar
 o
 adiamento
 das
 datas
 de
 desligamento
 do
 sinal
 analógico
 terrestre


‐
 tendo
 sobretudo
 em
 consideração
 as
 pessoas
 que
 recebem
 em
 exclusivo
 as

emissões
 de
 TV
 analógica
terrestre,
estimando‐se
haver
 um
risco
elevado
de
que

parte
 substancial
 desta
 população
 possa
 ficar
 sem
 acesso
 ao
 sinal
 de
 televisão,
 a

manterem‐se
as
datas
previstas
para
o
desligamento
da
TV
analógica
terrestre.


O
 presente
 projecto
 de
 investigação
 estima
 que
 cerca
 de
 38%
 da
 população
 de
 Portugal

Continental
 receba
 somente
 TV
 em
 sinal
 aberto,
 a
 3
 meses
 do
 início
 do
 desligamento
 das

emissões
 de
 TV
 analógica
 terrestre.
 Ainda,
 estima‐se
 que
 a
 recepção
 de
 TV
 analógica

terrestre
se
mantenha
como
largamente
dominante
junto
destes
Portugueses
sem
TV
paga,

sendo
 o
 acesso
 à
 TDT
 pouco
 expressivo.
 No
 inquérito
 quantitativo
 aplicado
 junto
 de
 uma

amostra
representativa
da
população
de
Portugal
Continental,
dos
38.3%
que
não
possuem

TV
 paga
 em
 casa,
 apenas
 3%
 afirmaram
 receber
 TDT,
 enquanto
 que
 92.4%
 afirmaram

receber
TV
analógica,
através
da
antena
tradicional.
Este
modo,
estima‐se
que
cerca
de
35%

da
população
de
Portugal
Continental
possa
ser
afectada
com
o
“apagão”,
de
acordo
com
os

dados
apurados
em
Setembro
de
2011.

        A
 ter
 também
 em
 consideração
 o
 baixo
 nível
 de
 conhecimento
 sobre
 a
 data
 do

desligamento,
 bem
 como
 o
 baixo
 nível
 de
 conhecimento
 sobre
 o
 deve
 ser
 feito
 para

continuar
 a
 ter
 TV
 em
 sinal
 aberto.
 No
 presente
 projecto estimou‐se
 que
 a
 maioria
 da

população
 Portuguesa
 desconheça
 qual
 a
 data
 prevista
 do
 desligamento
 do
 sinal
 de
 TV

analógica
terrestre,
verificou‐se
um
baixo
nível
de
conhecimento
sobre
as
questões
práticas

relacionadas
 com
 a
 recepção
 de
 TDT
 e
 estimou‐se
 que
 perto
 de
 metade
 dos
 Portugueses

sem
 TV
 paga
 estejam
 indecisos
 quanto
 à
 obtenção
 de
 equipamentos
 ou
 serviços
 de
 TV

digital,
a
3
meses
do
início
previsto
do
desligamento
das
emissões
de
TV
analógica
terrestre.

A
ter
também
em
consideração
que
no
caso
dos
inquiridos
sem
TV
paga,
43.9%
afirmaram

que
 o
 seu
 televisor
 não
 é
 compatível
 com
 a
 TDT
 e
 14.6%
 indicaram
 ser
 compatível,
 sendo

estes
dados
relativos
a
Setembro
de
2011.
Ainda
que
estes
resultados
não
possibilitem
dar




                                                71

uma
 resposta
 rigorosa
 e
 definitiva
 à
 questão
 “quantos
 Portugueses
 não
 estão
 preparados

para
 o
 desligamento
 da
 TV
 analógica
 terrestre?”
 ‐
 até
 pelo
 elevado
 número
 de
 inquiridos

sem
 TV
 paga
 que
 em
 Setembro
 de
 2011
 afirmaram
 não
 saber
 se
 têm
 um
 televisor

compatível
com
TDT
(41.5%)
e
que
afirmaram
não
saber
se
a
sua
zona
de
residência
já
tem

cobertura
 TDT
 (70.4%)
 ‐
 ainda
 assim
 são
 elementos
 significativos
 a
 serem
 tidos
 em

consideração
pelos
decisores
nesta
matéria.

         De
 notar
 que
 nos
 Estados
 Unidos
 da
 América
 o
 desligamento
 do
 sinal
 de
 TV

analógica
terrestre
foi
adiado
por
três
vezes:
de
2006
para
31
Dezembro
de
2008,
ao
qual
se

seguiu
o
adiamento
para
17
de
Fevereiro
de
2009
e,
finalmente,
para
12
de
Junho
de
2009

(Hart,
2009).
Em
Janeiro
de
2009,
a
cerca
de
um
mês
da
data‐limite
anunciada
para
desligar

o
 sinal
 analógico
 de
 televisão,
 a
 Nielsen
 estimou
 que
 quase
 7%
 de
 todos
 os
 lares
 com

televisão
 não
 estavam
 preparados
 para
 o
 fim
 da
 televisão
 analógica
 terrestre
 (7,8
 milhões

de
lares),
já
que
não
possuíam
um
televisor
ou
descodificador
de
televisão
digital
(InformiTV,

2008).

 

         Assim,
o
recém‐eleito
presidente
dos
E.U.A.
Barack
Obama
avançou
com
a
proposta

de
adiar
o
switch‐off
nos
E.U.A.,
declarando
que
“milhões
de
Americanos,
incluindo
aqueles

nas
 comunidades
 mais
 vulneráveis,
 teriam
 sido
 deixados
 às
 escuras
 se
 a
 conversão
 tivesse

ido
em
frente
como
planeado”
(cit.
in
Hart,
2011).
A
menos
de
2
semanas
da
data
prevista

para
 o
 desligamento
 –
 marcado
 para
 17
 de
 Fevereiro
 de
 2009
 ‐,
 a
 Câmara
 dos

Representantes
 viria
 a
 aprovar
 a
 proposta
 de
 adiamento
 de
 Barack
 Obama,
 já
 antes

aprovada
 pelo
 Senado
 (Stelter,
 2009).
 Na
 perspectiva
 do
 investigador
 Norte‐Americano

Jeffrey
 Hart
 (2011)
 o
 adiamento
 da
 transição
 de
 Fevereiro
 para
 Junho
 de
 2009
 ajudou
 a

evitar
disrupções
graves
no
quotidiano
dos
cidadãos,
“enquanto
esforços
adicionais
levados

a
 cabo
 pela
 FCC
 e
 a
 NTIA
 depois
 das
 eleições
 de
 Novembro
 para
 emendar
 o
 programa
 de

cupões
 para
 aquisição
 dos
 descodificadores
 e
 para
 educar
 os
 consumidores
 acabaram
 por

ajudar
a
reduzir
os
custos
do
ajustamento
para
os
pobres
e
os
idosos”.
 

         Por
 outro
 lado,
 há
 a
 destacar
 o
 processo
 de
 switchover
 na
 Dinamarca,
 que
 é

considerado
como
um
caso
de
sucesso
da
migração
da
TV
analógica
terrestre
para
o
digital.

Estimou‐se
que
24%
da
população
seria
afectada
com
o
“apagão”,
ou
seja,
cerca
de
601.000

famílias
‐
a
Dinamarca
tem
cerca
de
5,5
milhões
habitantes.
Assim,
no
dia
do
desligamento,

a
 31
 de
 Outubro
 de
 2009,
 6.000
 famílias
 Dinamarquesas
 não
 estavam
 preparadas
 para
 o

desligamento
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre,
 tendo
 a
 linha
 telefónica
 de
 apoio
 à

população
recebido
4.000
chamadas
no
dia
da
transição
(Vejlgaard,
2010).

         Deste
 modo,
 revela‐se
 ser
 essencial
 monitorizar
 com
 regularidade
 o
 progresso
 da





                                                72

migração
com
recurso
a
indicadores‐chave,
através
de
entidades
independentes
e
credíveis,

à
semelhança
do
que
aconteceu
em
países
como
os
E.U.A.,
Espanha
e
Dinamarca.
A
título
de

exemplo,
os
indicadores‐chave
utilizados
no
contexto
da
transição
da
TV
analógica
terrestre

para
o
digital
terrestre
na
Dinamarca
foram
os
seguintes:
            

A.
 Tem
 conhecimento
 que
 o
 sinal
 de
 TV
 analógica
 vai
 ser
 desligado
 a
 31
 de
 Outubro
 de

2009?
 

B.
 Sabe
 se
 o
 televisor
 principal
 de
 sua
 casa
 será
 afectado
 com
 o
 desligamento
 do
 sinal

analógico
de
TV?

         

C.
A
sua
casa
está
preparada
para
o
sinal
de
TV
digital?

 

          Ainda
 a
 ter
 em
 consideração,
 observa
 Vejlgaard
 (2010)
 que
 à
 medida
 que
 a
 data‐
limite
se
aproxima,
o
período
de
inovação‐decisão
se
torna
mais
curto.
Dito
de
outro
modo,

mesmo
 que
 os
 indicadores
 de
 conversão
 para
 a
 TV
 digital
 possam
 estar
 aquém
 das
 metas

definidas,
se
a
estratégia
foi
bem
concebida
e
executada,
essas
metas
ainda
são
possíveis
de

atingir.







2.
Tornar
atractiva
a
oferta
de
TDT,
com
mais
canais
TV
e
serviços
úteis

 

‐
actualmente
as
vantagens
da
TDT
são
praticamente
inexpressivas,
mantendo‐se
a

mesma
 oferta
 de
 canais
 da
 TV
 analógica
 terrestre:
 a
 melhoria
 da
 qualidade
 de

imagem
 e
 som
 não
 deve
 ser
 suficiente
 para
 motivar
 a
 mudança
 voluntária
 da

grande
maioria
da
população
a
ser
impactada
pelo
switch‐off.
                  

No
 caso
 de
 Portugal,
 o
 investimento
 obrigatório
 na
 compra
 de
 televisores
 com
 TDT

integrado
ou
caixas
descodificadoras
não
resulta
actualmente
num
acréscimo
de
canais
de

televisão
disponíveis
em
sinal
aberto,
ao
contrário
do
que
aconteceu
regra
geral
em
todos
os

países
que
passaram
pelo
mesmo
processo.


          A
 título
 de
 exemplo,
 em
 Espanha
 os
 espectadores
 usufruíam
 de
 4
 canais
 em
 sinal

aberto
 através
 do
 sistema
 de
 TV
 analógico
 terrestre
 e
 passaram
 a
 receber
 20
 canais

gratuitos
com
a
TDT
(Impulsa
TDT,
2010).
Nos
países
Europeus
com
TDT
o
número
de
canais

nacionais
transmitidos
gratuitamente
através
desta
plataforma
são
os
seguintes,
de
acordo

com
 os
 dados
 recolhidos
 pelo
 investigador
 Sérgio
 Denicoli
 (2011),
 da
 Universidade
 Minho:








                                                73



Tabela
27:

Canais
nacionais
emitidos
gratuitamente
em
sistemas
de
TDT
na
Europa
(Denicoli,
2011)


    Reino
Unido
            43
canais
            
    Eslovénia
            8
canais


    Itália
                 39
canais
            
    Áustria
              7
canais


    Alemanha
               35
canais
            
    Hungria
              7
canais


    Espanha
                27
canais
            
    Irlanda
              7
canais


    França
                 18
canais
            
    Suécia
               7
canais


    Grécia
                 17
canais
            
    Chipre
               6
canais


    Finlândia
              14
canais
            
    Eslováquia
           6
canais


    Lituânia
               14
canais
            
    Estónia
              4
canais


    Luxemburgo
             12
canais
            
    Letónia
              4
canais


    Polónia
                12
canais
            
    Portugal
             4
canais


    República
Checa
        10
canais
            
    Países
Baixos
        3
canais


    Bélgica
                9
canais
             
    Bulgária
             3
canais


    Dinamarca
              8
canais
             
    Malta
                2
canais






              A
 questão
 da
 atractividade
 da
 oferta
 de
 TDT
 foi
 sublinhada
 por
 Michael
 Starks,

especialista
em
políticas
públicas
relacionadas
com
o
switch‐off
e
autor
do
livro
Switching
to

Digital
 Television
 sobre
 o
 processo
 de
 transição
 da
 TV
 analógica
 para
 o
 digital
 no
 Reino

Unido
,
referindo
que
“se
a
TV
digital
fosse
atractiva
para
os
consumidores,
a
maioria
deles

iria
gastar
o
seu
próprio
dinheiro
voluntariamente,
especialmente
quando
se
espera
que
as

famílias
 médias
 substituam
 os
 televisores
 principais
 dentro
 de
 uma
 década”.
 (Starks,
 2007:

11).
 Assim,
 seria
 possível
 manter
 relativamente
 baixo
 o
 número
 de
 casas
 para
 os
 quais
 a

mudança
seria
forçada.



              Em
 Portugal,
 conforme
 apontou
 Sérgio
 Denicoli,
 faltam
 elementos
 que
 levem
 o

telespectador
 a
 querer
 migrar
 voluntariamente
 para
 a
 TDT:
 “Em
 Espanha,
 por
 exemplo,
 a

TDT
trouxe
mais
de
20
canais
de
acesso
livre.
Ou
seja,
os
cidadãos
investiram
na
compra
de

um
 aparelho
 de
TV
com
 sintonizador
digital
ou
 de
 uma
 set‐top‐box
 porque
 sabiam
 que

teriam
uma
programação
diferenciada”
(entrevista
concedida
à
equipa
do
projecto
ADOPT‐
DTV
 a
 15‐10‐2010).
 Tal
 perspectiva
 foi
 corroborada
 pela
 associação
 de
 defesa
 dos

consumidores
 DECO,
 que
 considerou
 que
 será
 difícil
 que
 os
 Portugueses
 migrem





                                                     74

espontaneamente
 para
 a
 TDT:
 “visto
 que
 a
 plataforma
 digital
 terrestre
 não
 apresenta
 de

momento,
 nenhuma
 vantagem
 óbvia
 para
 os
 consumidores
 em
 relação
 ao
 sistema

analógico.
Temos
os
mesmos
canais,
nível
de
resolução,
formato
de
imagem
(4:3)
e
apenas
o

guia
electrónico
de
programas
(EPG)
como
serviço
adicional”
(entrevista
concedida
à
equipa

do
projecto
ADOPT‐DTV
a
11‐11‐2010).


        Quando
 questionados
 sobre
 que
 recomendações
 fariam
 para
 que
 o
 processo
 de

transição
 da
 televisão
 analógica
 para
 a
 TDT
 fosse
 bem‐sucedido,
 a
 questão
 do
 5º
 canal
 foi

referida
 por
 5
 dos
 16
 stakeholders
 como
 uma
 mais‐valia,
 bem
 como
 a
 possibilidade
 dos

canais
 públicos
 que
 agora
 apenas
 estão
 disponíveis
 na
 rede
 paga
 (RTP
 N
 e
 RTP
 Memória)

serem
disponibilizados
na
rede
aberta
digital,
ou
de
se
permitir
que
a
SIC
e
TVI
pudessem
ter

direito
 a
 usufruir
 de
 mais
 espectro
 radioeléctrico
 para
 que
 os
 seus
 canais
 de
 notícias

pudessem
 também
 ser
 disponibilizados
 gratuitamente
 através
 da
 TDT.
 Igualmente,
 foi

sugerida
 por
 Denicoli
 a
 criação
 de
 canais
 regionais
 ou
 de
 universidades
 que
 estivessem

disponíveis
 na
 nova
 plataforma
 sem
 serem
 pagos.
 No
 fundo,
 o
 que
 se
 recomenda
 é
 que
 a

passagem
 de
 TV
 analógica
 para
 a
 digital
 implique
 um
 aumento
 da
 oferta
 de
 canais

disponíveis
gratuitamente,
de
forma
a
que
lhe
esteja
associada
uma
mais‐valia
óbvia.


        De
 recordar
 que
 no
 presente
 estudo
 se
 verificou
 que
 os
 benefícios
 associados
 à

presente
oferta
de
TDT
têm
pouco
peso
na
respectiva
intenção
de
adopção,
com
o
corte
da

emissão
de
TV
analógica
terrestre
a
ser
identificado
como
o
principal
motivo
para
obter
TDT

no
último
inquérito
realizado
em
Setembro
de
2011,
por
39.3%
dos
inquiridos
sem
TV
paga,

com
 33.2%
 a
 escolher
 a
 opção
 “não
 sei/
 não
 respondo”
 à
 questão
 qual
 o
 principal
 motivo

para
 ter
 TDT.
 A
 melhoria
 da
 qualidade
 de
 imagem
 de
 som
 da
 TV
 digital
 em
 relação
 à
 TV

analógica
 foi
 indicada
 por
 13.2%
 destes
 participantes,
 uma
 percentagem
 que
 se
 manteve

praticamente
igual
à
apurada
no
inquérito
de
Novembro
de
2010
(13.7%).
Ainda
de
referir

que
no
inquérito
de
Setembro
de
2011,
12.5%
dos
participantes
sem
TV
paga
afirmaram
não

encontrar
nenhum
motivo
para
ter
TDT.







3.
Promover
campanhas
de
comunicação
mais
informativas
e
esclarecedoras

 

‐
 sobretudo
 ter
 em
 consideração
 as
 populações
 mais
 vulneráveis,
 como
 sejam
 os

mais
 idosos,
 as
 pessoas
 com
 baixo
 status
 socioeconómico
 e
 pessoas
 com

necessidades
especiais,
que
correspondem
à
maioria
das
pessoas
afectadas
com
o

desligamento
das
emissões
de
TV
analógica
terrestre.

                 



                                                 75

O
presente
estudo
de
investigação
verificou
que
os
indivíduos
sem
TV
paga
em
Portugal
são

mais
 propensos
 a
 ter
 mais
 de
 55
 anos
 de
 idade,
 a
 possuir
 baixos
 níveis
 de
 habilitações

académicas
 e
 um
 baixo
 status
 (D/
 E)
 e,
 finalmente,
 a
 possuir
 algum
 nível
 de
 deficiência

(auditiva,
 visual
 ou
 de
 mobilidade).
 A
 adequação
 das
 mensagens
 a
 estes
 público‐alvo,
 em

particular
 da
 
 terminologia
 a
 usar,
 reveste‐se
 assim
 de
 particular
 cuidado
 e
 atenção,
 já
 se

trata
 de
 explicar
 um
 processo
 de
 conversão
 de
 tecnologia
 obrigatório,
 com
 poucas

vantagens
perceptíveis
para
os
espectadores
Portugueses,
conforme
foi
antes
referenciado.

Mesmo
noutros
contextos
em
que
as
vantagens
da
conversão
são
mais
notórias,
como
é
o

caso
do
Reino
Unido,
a
questão
da
persuasão
dos
espectadores
em
relação
a
uma
medida

compulsória
 não
 tem
 sido
 matéria
 pacífica,
 como
 aponta
 Michael
 Starks
 (2007:
 2):
 “Estas

expectativas
 vieram
 a
 colocar
 dilemas
 quer
 aos
 políticos,
 cujos
 instintos
 de
 sobrevivência

politica
os
alertaram
para
não
serem
demasiado
evangelizadores
sobre
o
assunto,
quer
para

os
canais
de
televisão
e
a
industria
de
equipamentos
receptores
de
TV,
que
têm
que
cultivar

as
suas
próprias
relações
com
a
população
e
que
eram
sensíveis
aos
riscos
de
se
tornarem
os

portadores
das
más
notícias
do
Governo”.
                


         Em
países
como
a
Espanha
e
Reino
Unido
foram
criadas
de
entidades
responsáveis

pela
 implementação,
 divulgação
 e
 avaliação
 do
 processo
 de
 transição
 para
 o
 digital,

resultantes
 de
 parcerias
 entre
 os
 principais
 stakeholders
 neste
 campo
 –
 tais
 como

reguladores,
operadores
de
televisão,
canais
de
televisão,
entre
outros.




         No
 caso
 da
 Espanha,
 a
 entidade
 formada
 para
 este
 efeito
 tinha
 a
 designação

“Impulsa
 TDT”
 definiu
 que
 a
 quarta
 e
 última
 fase
 da
 sua
 estratégia
 de
 comunicação
 teria

como
objectivo
sensibilizar
os
grupos
resistentes
à
migração
para
a
TDT,
para
que
ninguém

ficasse
 de
 fora
 do
 processo.
 De
 notar
 que
 esta
 entidade
 deu
 inicio
 as
 campanhas
 de

comunicação
sobre
a
transição
para
a
TDT
em
2006,
ou
seja,
4
anos
antes
do
desligamento

definitivo
 das
 emissões
 de
 TV
 analogia
 terrestre
 em
 Espanha,
 tendo
 na
 altura
 como

principais
objectivos
dar
a
conhecer
a
TDT
e
o
início
do
processo
de
transição
e
comunicar
os

benefícios
racionais
trazidos
por
esta
tecnologia
(tais
como
melhor
qualidade
de
imagem
e

som,
mais
canais
de
televisão
gratuitos,
interactividade,
entre
outros
aspectos).
 


         No
Reino
Unido,
a
entidade
sem
fins
lucrativos
“Digital
UK”
foi
fundada
em
2005
em

resposta
a
uma
solicitação
do
Governo
britânico,
juntando
os
esforços
de
canais
de
televisão

públicos
 e
 privados
 (BBC,
 ITV,
 Channel
 4,
 Five,
 S4C),
 operadores
 dos
 multiplexes
 (SDN,

Arqiva),
 reguladores
 (Ofcom,
 BIS,
 DCMS)
 e
 diversas
 associações
 de
 defesa
 dos

consumidores.





                                                  76

A
campanha
de
comunicação
no
Reino
Unido
esteve
centrada
na
personagem
“Digit

Al”,
 tendo
 por
 objectivo
 de
 certo
 modo
 humanizar
 a
 tecnologia.
 A
 estratégia
 de

comunicação
 contemplou
 não
 só
 os
 meios
 de
 comunicação
 de
 massas
 como
 a
 televisão,

como
 também
 a
 divulgação
 através
 da
 web
 e
 comunicação
 de
 proximidade,
 através
 da

distribuição
de
folhetos
nas
casas
das
pessoas
e
de
“roadshows”
protagonizados
pelo
Digit

Al,
que
percorreu
o
país
a
explicar
o
que
era
este
processo
de
migração
a
TDT
e
o
que
fazer

para
 continuar
 a
 ter
 televisão.
 Em
 paralelo,
 os
 fornecedores
 e
 vendedores
 de
 televisões
 e

caixas
 descodificadoras
 foram
 alvo
 de
 acções
 comunicação
 específicas,
 para
 que

disponibilizassem
informação
rigorosa
e
ajustada
aos
possíveis
clientes.



         Ainda,
 na
 Dinamarca
 foi
 levada
 a
 cabo
 uma
 linha
 de
 comunicação
 dirigida
 às

populações
 mais
 vulneráveis
 neste
 processo
 ‐
 em
 particular,
 os
 mais
 idosos
 (Vejlgaard,

2010).
Estes
são
exemplos,
entre
outros
possíveis,
de
campanhas
de
comunicação
feitas
pela

positiva
e
centradas
nos
públicos‐alvo
a
serem
impactados
pelo
desligamento
do
sinal
de
TV

analógico
terrestre.
                     






4.
Reforçar
os
apoios
específicos
dirigidos
às
populações
mais
vulneráveis

                            

‐
 os
 mais
 idosos,
 os
 mais
 carenciados
 e
 as
 pessoas
 com
 deficiências
 visuais,

auditivas
 e
 motoras
 devem
 merecer
 uma
 maior
 atenção
 da
 parte
 das
 entidades

responsáveis
 nesta
 matéria,
 nomeadamente
 com
 através
 do
 reforço
 dos
 apoios

específicos
disponíveis.
                                  

A
Anacom
e
PT
tornaram
públicos
em
Março
de
2011
quais
os
grupos
elegíveis
à
atribuição

de
 um
 subsídio
 de
 aquisição
 de
 equipamentos
 descodificadores
 de
 TDT
 e
 quais
 os

procedimentos
necessários
à
obtenção
do
respectivo
subsídio
‐
a
saber:
 

a.
Cidadãos
 com
 necessidades
 especiais,
 com
 grau
 de
 deficiência
 igual
 ou
 superior
 a
 60%;

b.
Beneficiários
do
rendimento
social
de
inserção;
                                  

c.
Reformados
e
pensionistas
com
rendimento
inferior
a
500
euros
mensais.
                    


         Assim,
o
subsídio
para
aquisição
de
equipamentos
de
TDT
ficou
fixado
em
“50%
do

valor
 do
 equipamento
 descodificador
 TDT
 adquirido,
 até
 um
 máximo
 de
 €
 22,00,
 já

considerando
 um
 custo
 de
 €
 3,00
 relativo
 ao
 processo
 de
 tratamento
 da
 solicitação”16.

Porém,
 tendo
 em
 consideração
 que
 o
 preço
 médio
 das
 caixas
 mais
 baratas
 no
 mercado

        




































































16
 
Anacom
(2011).
Decisão
sobre
a
atribuição
de
subsídio
à
aquisição
de
equipamentos
TDT.
Acedido
a
27‐10‐
2011,
em:
http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1079309





                                                                              77

ronda
 sobretudo
 os
 40
 e
 os
 50
 euros
 (Deco,
 2011)
 e
 que
 pode
 acrescer
 o
 custo
 da

deslocação
 de
 um
 técnico
 a
 casa,
 o
 reembolso
 máximo
 de
 22
 euros
 pode
 ser
 considerado

como
manifestamente
insuficiente
para
cobrir
os
custos
desta
migração
obrigatória17.

 


          Ainda,
já
que
cerca
de
13%
da
população
Portuguesa
não
iria
ser
coberta
pela
rede

de
TDT,
havia
o
compromisso
por
parte
da
PT
em
subsidiar
estes
espectadores
“incluindo
a

mão‐de‐obra,
 equipamentos
 receptores
 terminais,
 antena
 e
 cablagem,
 (...)
 para
 que
 estes

não
 tenham
 qualquer
 acréscimo
 de
 custos,
 face
 aos
 utilizadores
 daquelas»18,
 tal
 como

previsto
no
regulamento
do
concurso
para
atribuição
do
direito
de
utilização
de
frequências

de
 âmbito
 nacional
 para
 o
 serviço
 de
 TDT
 em
 sinal
 aberto
 e
 no
 respectivo
 caderno
 de

encargos.
 Actualmente,
 o
 preço
 do
 “Kit
 TDT
 Complementar”
 ‐
 destinado
 aos
 espectadores

que
 não
 estão
 cobertos
 pela
 rede
 de
 TDT
 ‐
 é
 de
 77
 euros.
 A
 este
 valor
 acresce
 o
 custo
 de

instalação,
 que
 no
 caso
 de
 ser
 realizada
 por
 agentes
 próprios
 ou
 parceiros
 da
 PT
 cobrarão

pela
mesma
um
valor
máximo
de
61
euros.
Estes
espectadores
podem
solicitar
o
reembolso

de
22
euros
à
PT,
de
acordo
com
a
informação
disponível
no
site
da
Anacom19.


          Em
contraste,
no
caso
de
Espanha
a
cobertura
da
rede
de
TDT
ficou
próxima
de
99%,

superando
 deste
 modo
 a
 anterior
 taxa
 de
 cobertura
 da
 rede
 de
 TV
 analógica
 terrestre,

ficando
a
recepção
universal
assegurada
a
100%
com
a
utilização
da
distribuição
via
satélite

(Impulsa
 TDT,
 2010).
 Em
 Espanha,
 os
 seguintes
 grupos
 de
 pessoas
 podiam
 solicitar
 a

instalação
gratuita
de
uma
caixa
descodificadora
de
TDT
às
entidades
com
competência
na

matéria:

1.
 pessoas
 com
 80
 ou
 mais
 anos,
 que
 vivam
 sós
 ou
 acompanhadas
 por
 outra
 pessoa

igualmente
com
80
ou
mais
anos
de
idade;
                                             

2.
 pessoas
 com
 mais
 de
 65
 anos
 de
 idade
 que
 tenham
 reconhecidamente
 um
 nível
 de

dependência
 de
 grau
 II
 (dependência
 severa)
 ou
 grau
 III
 (grande
 dependência);

3.
 pessoas
 com
 reconhecida
 incapacidade
 visual
 ou
 auditiva,
 igual
 ou
 superior
 a
 33%

(Impulsa
TDT,
2010).

         




































































17
  
A
este
propósito
de
recordar
que
em
Abril
de
2009
a
PT
anunciou
criar
um
fundo
para
subsidiar
a
compra
de

receptores
de
TV
digital,
dos
quais
15
milhões
seriam
para
“receptores
simples
de
canal
aberto
e
os
restantes
25

milhões
 para
 descodificadores
 do
 sinal”
 (Correio
 da
 Manhã,
 2009).
 Ainda,
 o
 presidente
 da
 PT,
 Zeinal
 Bava

sublinhou
 na
 altura
 que
 este
 fundo
 serviria
 para
 subsidiar
 as
 “caixas
 de
 quem
 tem
 dificuldades
 financeiras.

'Queremos
garantir
que
todos
os
portugueses
continuem
a
ver
televisão'”.


18
  

Anacom
(2011).
Decisão
de
definição
do
procedimento
de
comparticipação
de
instalações
e
equipamentos
nas

zonas
abrangidas
por
meios
de
cobertura
complementares
(DTH),
no
âmbito
da
TDT.
Acedido
a
27‐10‐2011,
em:

http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1080844



19
 
Anacom
(2011)
Televisão
digital
terrestre
‐
comparticipação
em
zonas
DTH.
Acedido
em
27‐10‐2011,
em:

http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1080885





                                                                               78

No
 Reino
 Unido,
 os
 cidadãos
 com
 mais
 de
 75
 anos
 e
 com
 necessidades
 especiais

podem
 requerer
 um
 apoio
 totalmente
 gratuito
 à
 migração
 para
 a
 TV
 digital,
 designado

“Switchover
 Help
 Scheme”,
 que
 contempla
 a
 oferta
 de
 uma
 caixa
 descodificadora
 de
 TV

digital,
 da
 instalação
 do
 equipamento
 por
 um
 técnico
 credenciado
 e
 ainda
 12
 meses
 de

assistência
através
de
uma
linha
telefónica
dedicada.
Estimou‐se
que
cerca
de
7
milhões
de

pessoas
podiam
beneficiar
gratuitamente
do
“Switchover
Help
Scheme”.
Ainda,
este
mesmo

programa
 de
 migração
 para
 a
 TV
 digital,
 da
 responsabilidade
 da
 BBC,
 podia
 ser
 requerido

por
 outras
 populações
 mediante
 o
 pagamento
 fixo
 de
 40
 libras
 (aproximadamente
 45

euros),
incluindo
os
mesmos
benefícios
acima
apontados.



        Já
 no
 caso
 dos
 Estados
 Unidos
 da
 América,
 o
 Governo
 promoveu
 um
 programa
 de

subsidiação
 das
 caixas
 descodificadoras,
 atribuindo
 a
 cada
 casa
 dois
 cupões
 de
 40
 dólares

para
 aquisição
 de
 equipamentos
 receptores
 de
 TDT
 (aproximadamente
 29
 euros
 x
 2
 =
 58

euros).
 No
 total,
 34,4
 milhões
 de
 domicílios
 beneficiaram
 deste
 programa,
 representando

1,5
 mil
 milhões
 de
 dólares
 de
 subsídios.
 O
 programa
 de
 subsidiação
 foi
 pago
 com
 uma

pequena
parte
do
dinheiro
encaixado
pelo
Estado
no
leilão
das
frequências
tornadas
livres

após
o
desligamento
do
sinal
de
TV
analógica
terrestre,
que
ascendeu
a
20
mil
milhões
de

dólares
(DVB,
2009).


        Assim,
 se
 recomenda
 o
 reforço
 da
 subsidiação
 da
 compra
 e
 instalação
 das
 caixas

descodificadoras.
 Para
 tal,
 poderia
 ser
 aplicada
 uma
 parcela
 do
 encaixe
 financeiro
 do
 IVA

por
parte
do
Estado
resultante
das
vendas
dos
televisores
e
caixas
descodificadoras
de
TDT

ou
uma
parcela
do
encaixe
financeiro
resultante
do
futuro
leilão
das
frequências
do
espectro

radioeléctrico
tornadas
livres
com
o
desligamento
das
emissões
analógicas
de
televisão.




        






                                                79




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27‐10‐2011,
em:
http://www.deco.proteste.pt/dvd‐tv‐
       som/descodificadores‐para‐televisao‐digital‐terrestre‐poupe‐ate‐111‐euros‐
       s647831.htm#http://www.deco.proteste.pt/dvd‐tv‐som/descodificadores‐para‐
       televisao‐digital‐terrestre‐poupe‐ate‐111‐euros‐s647831/itemid/39.htm


Denicoli,
S.
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Portugal
entre
os
países
que
transmitem
menos
canais
na
TDT.
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        24‐10‐2011,
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http://tvdigital.wordpress.com/2011/06/21/portugal‐entre‐os‐4‐
        paises‐que‐transmitem‐menos‐canais‐livres‐na‐tdt/


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European
DVB‐T
Map.
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24‐10‐2011,
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Analogue
switch‐off:
learning
from
experiences
in
Europe.
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       2099,
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DigiTAG
(2008b).
Switching
off
analogue
television.
Acedido
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08‐01‐2009,
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       http://www.digitag.org/ASO/ASO.html


Digital
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Annual
Switchover
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24‐10‐2011,
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         http://www.digitaluk.co.uk/__data/assets/pdf_file/0018/52056/DIGITAL_UK_Resea
         rch_Brochure.pdf


DVB
(2009).
DTT
STB
coupon
subsidy
ends.
Acedido
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24‐10‐2011,
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       http://www.dvb.org/about_dvb/dvb_worldwide/usa/


ERC
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Concurso
Público
do
"5º
Canal".
Acedido
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25‐09‐2011,
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       http://www.erc.pt/pt/noticias/concurso‐publico‐do‐5‐canal


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J.,
Lessiter,
J.
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Digital
Television
Switchover
and
Disabled,

      Older,
Isolated
and
Low
Income
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      http://stakeholders.ofcom.org.uk/market‐data‐research/tv‐
      research/dsoind/dso_research/


Go
Digital
Group
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Go
Digital
Project
–report
on
the
key
findings.
Acedido
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08‐01‐
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        df


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TDT
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TDT
Informe
Final
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       http://www.televisiondigital.es/Herramientas/Novedades/Paginas/Informefinaldelai
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to
delay
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Congress
Delays
Troubled
Switch
To
Digital
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         dyn/content/article/2009/02/04/AR2009020402584.html?hpid=topnews&sid=ST20
         09020402856&s_pos



                                              81

Hart,
J.(2011).
The
Transition
to
Digital
Television
in
the
United
States:
The
Endgame.

         International
Journal
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Digital
Television
1
(1):
7–29.


Klein.
J.,
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N.,
Sinclair,
K.,
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S.
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Equipment
needs
of
consumers

          facing
the
most
difficulty
switching
to
digital
television.
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          http://www.digitaltelevision.gov.uk/pdf.../2006/eq‐needsofconsumers.pdf


Klein,
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Attitudes
to
switchover:
the
impact
of
digital

          switchover
on
consumer
adoption
of
digital
television.
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08‐03‐2011,
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          http://www.digitaltelevision.gov.uk/pdf_documents/publications/AttitudestoSwitch
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Klein,
J.
Karger,
S.
&
Sinclair,
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(2004a).
Attitudes
to
digital
television:
preliminary
findings
on

          consumer
adoption
of
digital
television.
Acedido
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08‐03‐2011,
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          http://www.digitaltelevision.gov.uk/pdf_documents/publications/Attitudes_to_Digit
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Klein,
J.
Karger,
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Digital
Television
for
All:
A
report
on
usability
and

          accessible
design.
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08‐03‐2011,
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          http://www.digitaltelevision.gov.uk/pdf_documents/publications/Digital_TV_for_all
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Database
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TV
companies
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channels
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(2006).
Digital
Switchover:
an
audit
of
viewer'
priorities.
Acedido
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       http://stakeholders.ofcom.org.uk/market‐data‐research/tv‐
       research/dsoind/vieweraudit/?a=0


Ofcom
(2004)
Driving
Digital
Switchover
‐
A
report
to
the
Secretary
of
State.
Acedido
a
05‐
       10‐2011,
em:
http://stakeholders.ofcom.org.uk/market‐data‐research/tv‐
       research/dsoind/dso_report/


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T.
(2009).
Emissões
experimentais
dia
29.
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24‐10‐2011,
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        http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=863E43F3‐96D5‐480C‐AD13‐
        D60F5AFF4E36&channelid=00000017‐0000‐0000‐0000‐000000000017


Papa,
F.,
Nicoló,
E.,
Cornacchia,
M.,
Sapio,
B.,
Livi,
S.,
Turk,
T.
(2009)
Adoption
and
use
of

        digital
TV
services
for
citizens"”.
Proceedings
of
the
Conference
The
Good,
the
Bad

        and
the
Challenging.
Copenhaga,
Cost,
13‐15
Maio
2009,
pp.
161‐171.


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television
in
the
digital
age.
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Diffusion
of
Innovations.
Glencoe:
Free
Press.


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Switching
to
Digital
Television:
UK
Public
Policy
and
the
Market.
Bristol:

        Intellect
Books.



Stelter,
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Switch
to
Digital
TV
Wins
a
Delay
to
June
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         http://www.nytimes.com/2009/02/05/business/media/05digital.html?adxnnl=1&ad
         xnnlx=1319450480‐3+OM5d74gbWgkmH1Fc0poQ


TekSapo
(2008).
AirPlus
não
desiste
de
processo
da
TDT.
Acedido
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22‐09‐2011,
em:

       http://tek.sapo.pt/noticias/telecomunicacoes/airplus_nao_desiste_de_processo_da
       _tdt_894463.html




                                                82

Vejlgaard,
H.
(2010).
Digital
Television
in
Denmark.
Acedido
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15‐10‐2011,
em:

        http://www.detnyetv‐signal.dk/files/Danskerne_og_det_digitale_tv‐signal.pdf


Venkatesh,
V.,
Morris,
M.
G.,
Davis,
G.
B.
&

Davis,
F.
D.
(2003)
“User
acceptance
of

       information
technology:
Toward
a
unified
view”,
MIS
Quarterly,
27,
3,
425‐478.






                                           83




6.
Anexos
A
–
Publicações
do
projecto
ADOPT‐DTV




Livros
(1)
       

Damásio,
 Manuel
 (2010).
 Teorias
 da
 mudança
 tecnológica:
 das
 comunidades
 ao
 capital

social.
Lisboa:
Edições
Universitárias
Lusófonas.
 




Edição/
Coordenação
de
Volumes
Científicos
e
Colecções
(1)
               


Damásio,
Manuel
&
Álvares,
Cláudia
(eds.)
(2010).
Teorias
e
práticas
dos
media:
situando
o

local
no
Global.
Lisboa:
Edições
Universitárias
Lusófonas.
               



Capítulos
em
Livros
(4)
 

Quico,
 Célia
 (2012).
 “DTT
 switchover
 in
 Portugal:
 comparing
 the
 perspectives
 of
 the
 main

stakeholders”
for
Sousa,
Helena
&
Denicoli,
Sérgio
(eds.
)
Digital
Communication
Policies
in

the
 Information
 Society
 Promotion
 Stage.
 eBook.
 Universidade
 do
 Minho.
 (em
 execução:
 a

entregar
até
30
de
Novembro
de
2011;
a
convite
do
editor).
               



Damásio,
 Manuel
 (2010).
 “Tecnologia
 e
 sociedade:
 que
 experiência
 hoje
 dos
 nossos
 bens

culturais?”.
In
C.
Alvares
&
M.
Damásio
(Org.)
Teorias
e
Práticas
dos
Media:
Situando
o
Local

no
Global.
Lisboa:
Edições
Universitárias
Lusófonas.




Damásio,
 Manuel
 (2009).
 “Actividade
 e
 Comunicação:
 o
 sujeito
 perante
 os
 media”
 in

Cardoso,
 Gustavo,
 Cádima,
 Francisco
 &
 Cardoso,
 Luís
 (Eds.)
 Media,
 Redes
 e
 Comunicação:

Futuros
presentes,
Lisboa:
Editorial
Quimera,
pp.109‐129.
                



Damásio,
 Manuel
 (2009).
 "Tecnologia
 e
 Sociedade:
 a
 modelação
 social
 das
 tecnologias
 da

informação
 e
 da
 comunicação".
 in
 Cultura
 Digital
 e
 Cidadania,
 Quaderno
 Gris,
 Madrid,

Espanha;
         
        



Revistas
Internacionais
(5)
         

Quico,
 Célia
 (2012).
 “The
 transition
 to
 digital
 TV
 in
 Portugal“.
 In
 International
 Journal
 of

Digital
 Television.
 3
 (2).
 (em
 execução:
 a
 entregar
 até
 31
 de
 Janeiro
 de
 2012;
 a
 convite
 do

editor).







                                                   84

Damásio,
Manuel,
S.
Henriques,
Sara
&
Costa,
Conceição
(2011).
"Sense
of
Community
and

Social
Capital:
The
Role
of
the
Internet
in
Shaping
Social
Dynamics",
Medien
Journal
3/2010

•Europas
Jugendliche
im
Social
Web:
Soziale
Perspektiven,
pp:
49‐62.
          



Damásio,
 Manuel
 &
 Henriques,
 Sara
 (2011).
 “Virtual
 communities
 and
 social
 activities:

reframing
the
on‐line
experience”.
IJWBC
‐
International
Journal
of
Web
Based
Communities,

Vol.
6,
issue
4.
New
York:
Inderscience.

 



Damásio,
 Manuel
 &
 Henriques,
 Sara
 (2011).
 “The
 relevance
 of
 social
 capital
 to
 the

experience
 of
 Internet
 use:
 contributions
 to
 the
 analysis
 of
 the
 relationship
 between

communities
 and
 social
 network”.
 IJICST
 ‐
 International
 Journal
 of
 Interactive

Communication
Systems
and
Technologies,
Winter
2011.
Hershey:
IGI‐GLOBAL.
 



Damásio,
 Manual.
 &
 Henriques,
 Sara
 (2011).
 “Social
 capital
 and
 knowledge
 sharing
 in

project‐based
 organizations”.
 IJEG
 ‐
 International
 Journal
 of
 electronic
 governance,
 Special

Issue
 on:
 "(Re)Creating
 Public
 Sphere,
 Civic
 Culture
 and
 Civic
 Engagement:
 Public
 Service

Media
vs.
Online
Social
Networks”,
Summer
2011.
Inderscience.
 



Revistas
Nacionais
(3)
 

Quico,
Célia
&
Damásio,
Manuel
José
(2009).
"ADOPT_DTV:
Barreiras
à
adopção
da
televisão

digital
 no
contexto
da
transição
da
televisão
analógica
 para
 o
 digital
em
 Portugal”,
Revista

Prisma.com
–
revista
de
Ciências
da
Informação
e
Comunicação,
9:
1.

          



Damásio,
M;
Mackert,
M,
Henriques,
S
(2012),
“Saúde
Eletrónica
e
Literacia
em
saúde:
Uma

Revisão
 da
 Metodologia
 de
 Pesquisa”,
 Revista
 Comunicação
 e
 Sociedade,
 Vol.
 XXXX,
 2012,

pp.XXXXXX,
Braga:
Universidade
do
Minho
e
Edições
Húmus
(a
publicar).


               



Damásio,
 Manuel
 &
 Henriques,
 Sara,
 (2010),
 “A
 Relevância
 do
 Capital
 Social
 para
 a

experiência
de
uso
da
internet:
contributos
para
a
análise
da
relação
entre
comunidades
e

redes
 sociais”,
 Revista
 Media
 &
 Jornalismo,
 nº16,
 vol.
 9,
 nº1,
 Primavera/Verão
 2010,
 pp:

115‐145.
        



Congressos
Internacionais
(6)
 

Damásio,
 Manuel;
 Mackert,
 Michael
 &
 Henriques,
 Sara
 (2011).
 “e‐Health
 and
 Health





                                                85

Literacy:
 A
 Research
 Methodology
 Review”,
 COST
 action
 ISO906
 International
 Conference,

London,
31
August
2011.
            



Damásio,
 Manuel;
 Henriques,
 Sara
 &
 Costa,
 Conceição
 (2011).
 “Mobile
 access
 to
 the

internet:
the
Portuguese
case”,
International
conference
Tranforming
audiences
3,
London,

1
e
2
Setembro
2011.
 




Quico,
Célia;
Damásio,
Manuel
José;
Henriques,
Sara
&
Veríssimo,
Iolanda
(2011).
“Profiles

of
 digital
 TV
 adopters
 in
 the
 switchover
 context
 in
 Portugal”.
 In
 Proc.
 of
 IAMCR
 2011.

Universidade
Lusófona
&
LINI,
Istambul/
Turquia.

13
‐
17

Julho
2011.
 



Quico,
 Célia;
 Damásio,
 Manuel
 José;
 Henriques,
 Sara
 &
 Veríssimo,
 Iolanda
 (2011).
 “Drivers

and
barriers
to
digital
television
adoption
in
Portugal:
the
perspectives
of
the
TV
viewers
and

other
main
stakeholders”.
In
Proc.
of
IAMCR
2011.
Kadir
Has
University,
Istambul/
Turquia.


13
‐
17

Julho
2011.
      



Quico,
 Célia;
 Damásio,
 Manuel
 José;
 Henriques,
 Sara
 &
 Veríssimo,
 Iolanda
 (2011).
 “Drivers

and
 barriers
 to
 the
 adoption
 of
 digital
 television
 in
 Portugal:
 the
 perspectives
 of
 the
 TV

viewers
 and
 other
 main
 stakeholders”.
 In
 Proc.
 of
 EuroITV
 2011.
 Universidade
 Lusófona
 &

LINI,
Lisboa/
Portugal.

29
Junho
‐
1
Julho
2011.





Quico,
 Célia
 &
 Damásio,
 Manuel
 José
 (2010).
 “Understanding
 Barriers
 to
 Digital
 Television

Adoption
 in
 the
 Context
 of
 the
 Digital
 Switchover
 in
 Portugal”.
 In
 Proc.
 of
 IAMCR
 2010
 –

Digital
Divide
Working
Group.
Universidade
do
Minho,
Braga/
Portugal.

20
Julho
2010.
 



Congressos
Nacionais
(2)
           

Quico,
Célia;
Damásio,
Manuel
José;
Henriques,
Sara
&
Veríssimo,
Iolanda
(2011).
“Perfis
de

adopters
de
TV
digital
no
contexto
do
processo
de
transição
da
televisão
analógica
terrestre

para
 a
 televisão
 digital
 terrestre
 em
 Portugal”.
 In
 Proc.
 of
 SOPCOM
 2011.
 Universidade
 do

Porto,
Porto/
Portugal.

15
‐
17

Dezembro
2011.
              


        

Quico,
 Célia;
 Damásio,
 Manuel
 José;
 Henriques,
 Sara
 &
 Veríssimo,
 Iolanda
 (2011).

“Incentivos
 e
 Barreiras
 à
 Adopção
 da
 Televisão
 Digital
 Terrestre
 em
 Portugal:
 Perspectivas

dos
 Telespectadores
 e
 de
 Outras
 Partes
 Interessadas”.
 In
 Proc.
 of
 SOPCOM
 2011.





                                                 86

Universidade
do
Porto,
Porto/
Portugal.

15
‐
17

Dezembro
2011.

     



Eventos
Organizados
(4)
        

‐
seminário
de
Mark
Deuze,
11
Outubro
de
2011


‐
seminário
de
Peter
Looms,
2
de
Março
de
2011
         

‐
conferência
internacional
"EuroITV
2011",
29
de
Junho
a
1
de
Julho
de
2011
   

‐
colóquio
"Media
e
Deficiência,
28
de
Setembro
de
2011
        



Teses
(2)
      

Araújo,
 Vera
 (em
 preparação)
 “Understanding
 DTV
 Usages
 in
 the
 Era
 of
 Networked

Communication:
Integrating
the
Audience,
the
Media
and
the
Public
Policy’s
Perspectives”.

Doutoramento
em
Ciências
da
Comunicação.
Instituto
Superior
de
Ciências
Sociais
e
Políticas

(ISCSP‐UTL).



Veríssimo,
Iolanda
(em
preparação)
"TV
local
em
Portugal:
perspectivas
de
desenvolvimento

da
 televisão
 de
 proximidade
 no
 novo
 cenário
 digital".
 Mestrado
 de
 Ciências
 da

Comunicação.
Faculdade
de
Ciências
Sociais
e
Humanas
–
Universidade
Nova
de
Lisboa.
 










                                           87





6.
Anexos
B
–
Relatórios
do
projecto
ADOPT‐DTV




Relatório
“ADOPT‐DTV:
Estudo
de
Usabilidade”


Autoria:
Rui
Henriques,
com
Iolanda
Veríssimo
e
Inês
Martins




Relatório
“ADOPT‐DTV:
Estudo
Etnográfico”


Relatório
“ADOPT‐DTV:
Estudo
Etnográfico”
‐
Anexos

Autoria:
Iolanda
Veríssimo,
com
Sara
Henriques

Revisão
e
coordenação:
Célia
Quico



Relatório
“ADOPT‐DTV:
Entrevistas
com
Stakeholders”


Relatório
“ADOPT‐DTV:
Entrevistas
com
Stakeholders”
‐
Anexos

Autoria:
Ágata
Sequeira,
com
Iolanda
Veríssimo


Revisão
e
coordenação:
Célia
Quico



Relatório
“ADOPT‐DTV:
Inquérito
Quantitativo”


Autoria:
Sara
Henriques

Revisão
e
coordenação:
Célia
Quico



Relatório
Final
“EuroITV
2011”


Autoria:
Célia
Quico




Relatório
“A
transição
para
a
televisão
digital
terrestre:
experiências
da

Dinamarca”


Autoria:
Peter
Olaf
Looms



Relatório
“Estado
da
Arte
na
Europa”


Autoria:
Vera
Araújo






                                           88








   89


Adopt dtv relatorio-final_out2011

  • 1.
    
 
 
 
 
 
 “ADOPT_DTV:
Barreiras
à
adopção
da
televisão
digital
no
contexto
da
 transição
da
televisão
analógica
para
o
digital
em
Portugal”

 (
PTDC/CCI‐COM/102576/2008)
 
 Relatório
Final
 Outubro
de
2011
 
 
 1

  • 2.
    
 
 
 
 
 
 
 
 Este
relatório
constitui
uma
das
componentes
de
investigação
do
projecto
“ADOPT‐DTV:
Barreiras
à
 adopção
da
televisão
digital
no
contexto
da
transição
da
televisão
analógica
para
o
digital”
(PTDC/CCI‐ COM/102576/2008),
da
responsabilidade
do
Centro
de
Investigação
em
Comunicação,
Artes
e
Novas
 Tecnologias
(CICANT)
da

Universidade
Lusófona
de
Humanidades
e
Tecnologias,
com
o
financiamento
 da
Fundação
para
a
Ciência
e
Tecnologia,
em
parceria
com
o
Obercom
e
Anacom.

 
 
 EQUIPA
DE
INVESTIGAÇÃO
 Universidade
Lusófona
de
Humanidades
e
Tecnologias
 ‐
Manuel
José
Damásio
(investigador
responsável)
 ‐
Célia
Quico
(coordenação‐geral)
 ‐
Iolanda
Veríssimo
 ‐
Sara
Henriques
 ‐
Rui
Henriques
 ‐
Inês
Martins
 ‐
Ágata
Sequeira
 ‐
Diogo
Morais
 
 
 PARCEIROS
 Obercom
–
Observatório
da
Comunicação
(Gustavo
Cardoso,
Vera
Araújo)
 Anacom
–
Autoridade
Nacional
das
Comunicações
 
 
 FICHA
TÉCNICA
 Título:
 
 
 “ADOPT‐DTV:
Relatório
Final”
 Autoria:

 
 Manuel
José
Damásio,
Célia
Quico,
Iolanda
Veríssimo,
Sara
Henriques
 Agradecimentos:


 Ágata
Sequeira,
Rui
Henriques,
Diogo
Morais,
Inês
Martins,
André
Baptista,
 Peter
Olaf
Looms,
Carla
Ales
 Data
de
Publicação:

 Outubro
de
2011
 
 
 2

  • 3.
    
 
 ÍNDICE
 
 
 0.
Sumario
Executivo .............................................................................................. 4
 1.
Descrição
do
Projecto......................................................................................... 9
 2.
Execução
Material ............................................................................................ 21
 3.
Resultados
principais........................................................................................ 25
 4.
Recomendações ............................................................................................... 71
 5.
Bibliografia ....................................................................................................... 80
 6.
Anexos
A
–
Publicações
do
projecto
ADOPT‐DTV .............................................. 84
 6.
Anexos
B
–
Relatórios
do
projecto
ADOPT‐DTV................................................. 88
 
 
 
 
 
 
 3

  • 4.
    
 0.
Sumario
Executivo
 
 Introdução
 Compreender
 quais
 são
os
 factores
 mais
 significativos
 para
 a
 adopção
 e
 rejeição
 da
 TV
 digital
por
parte
da
população
Portuguesa
é
o
principal
objectivo
do
projecto
“ADOPT‐DTV:
 Barreiras
à
adopção
da
televisão
digital
no
contexto
da
transição
da
televisão
analógica
para
 o
digital
(PTDC/CCI‐COM/102576/2008)”.
O
segundo
objectivo
é
propor
às
principais
partes
 interessadas
neste
processo
em
Portugal
um
conjunto
de
recomendações
de
ordem
prática,
 procurando
 contribuir
 efectivamente
 para
 uma
 televisão
 digital
 mais
 inclusiva,
 para
 a
 promoção
de
uma
comunicação
mais
eficiente,
para
a
melhoria
qualitativa
do
conteúdo
da
 TV
digital
e
maior
facilidade
de
uso
da
mesma.
O
foco
deste
projecto
incide
especialmente
 nas
pessoas
que
não
têm
intenção
de
adoptar
TV
digital.
Mais
concretamente,
o
objectivo
é
 compreender
 e
 identificar
 os
 principais
 factores
 que
 explicam
 esta
 intenção,
 bem
 como
 o
 seu
perfil
demográfico
e
socioeconómico.

 
 O
 projecto
 de
 investigação
 ADOPT‐DTV
 teve
 início
 em
 Abril
 de
 2010,
 tendo
 a
 duração
de
18
meses.
O
projecto
combina
métodos
quantitativos
e
qualitativos,
de
acordo
 com
as
boas
práticas
de
projectos
de
âmbito
semelhante:
 
 1)
 Estudo
 etnográfico
 junto
 de
 30
 famílias
 Portuguesas,
 com
 a
 finalidade
 de
 explorar
 em
 contexto
natural
quais
são
suas
atitudes
e
nível
de
conhecimento
sobre
a
TV
digital;
 
 2)
 Entrevistas
 com
 partes
 interessadas,
 com
 a
 intenção
 de
 compreender
 as
 diferentes
 perspectivas
dos
intervenientes
centrais
neste
domínio
específico;
 
 3)
Inquérito
quantitativo,
aplicado
a
uma
amostra
representativa
da
população
Portuguesa,
 com
 o
 objectivo
 principal
 de
 determinar
 os
 principais
 factores
 de
 adopção
 e
 rejeição
 associados
à
TV
digital;
 
 4)
Estudo
de
usabilidade,
com
uma
amostra
de
20
utilizadores
com
intuito
de
realizar
uma
 análise
comparativa
de
alguns
dos
equipamentos
descodificadores
de
TV
digital
terrestre
em
 Portugal,
em
termos
de
facilidade
de
utilização
e
satisfação
geral. A
 equipa
 de
 investigação
 visa
 assim
 contribuir
 para
 uma
 melhor
 compreensão
 dos
 desafios
enfrentados
a
curto
e
médio
prazo
durante
o
processo
de
transição
da
TV
analógica
 terrestre
 para
 a
 digital
 terrestre
 –
 também
 conhecido
 por
 switchover
 ‐
 e

 em
 termos
 práticos,

contribuir
tanto
em
Portugal
como
para
outros
países
numa
situação
semelhante
 para
o
desenvolvimento
de
uma
TV
digital
mais
inclusiva.

 
 4

  • 5.
    
 
 Resultados
principais

 Os
resultados
principais
serão
detalhados
no
capítulo
3,
sendo
devidamente
suportados
nos
 dados
e
achados
dos
estudos
empíricos
que
integram
o
presente
projecto
de
investigação.
 
 1.
Posse
de
TV
em
sinal
aberto
e
de
TV
por
subscrição

 
 ‐
 A
percentagem
 da
 população
 de
 Portugal
 Continental
 que
 recebe
 exclusivamente
 televisão
em
sinal
aberto
deve
situar‐se
próximo
dos
38%,
em
Setembro
de
2011.
 
 1.a.
os
indivíduos
com
TV
paga
em
Portugal
são
sobretudo
jovens
adultos
e
adultos
de
meia
 idade,
 mais
 propensos
 a
 ter
 níveis
 mais
 elevados
 de
 educação
 e
 a
 pertencer
 a
 grupos
 de
 status
mais
alto
(A/
B/
C)1
e
menos
propensos
a
ter
algum
tipo
de
deficiência
(visual,
auditiva
 ou
de
mobilidade).

 1.b.
 os
 indivíduos
 sem
 TV
 paga
 em
 Portugal
 são
 mais
 propensos
 a
 ter
 mais
 de
 55
 anos
 de
 idade,
 a
 possuir
 baixos
 níveis
 de
 habilitações
 académicas
 e
 um
 baixo
 status
 (D/
 E)
 e,
 finalmente,
a
possuir
algum
nível
de
deficiência
(auditiva,
visual
ou
de
mobilidade).
 
 
 2.
Tipo
de
acesso
a
TV
em
sinal
aberto
 
 ‐
 Verifica‐se
 que
 a
 recepção
 de
 TV
 analógica
 terrestre
 se
 mantém
 como
 largamente
 dominante
 junto
 dos
 Portugueses
sem
TV
paga,
sendo
o
acesso
à
TDT
pouco
expressivo,
 estimando‐se
em
Setembro
de
2011
que
35%
da
população
de
Portugal
Continental
possa
 ser
afectada
com
o
desligamento
do
sinal
de
TV
analógico
terrestre.
 
 

 
 3.
Conhecimento
sobre
a
TV
digital
e
TDT

 
 ‐
Estima‐se
que
a
maioria
dos
Portugueses
já
tenha
ouvido
falar
em
TV
digital
e
em
TDT,
 mas
 que
 na
 maior
 parte
 dos
 casos
 tenham
 dificuldades
 em
 definir
 ou
 caracterizar
 estas
 tecnologias.
 
 
 4.
Vantagens
e
desvantagens
associadas
à
TV
digital

 
 ‐
A
reduzida
percepção
das
vantagens
e
desvantagens
associadas
à
TV
digital
e
à
TDT
é
a
 situação
mais
comum
verificada,
sendo
o
custo
identificado
como
a
principal
desvantagem
 



































































 1 

O
status
é
determinado
pela
empresa
de
estudos
de
mercado
GfK
com
base
no
nível
de
escolaridade
e
na
 ocupação
do
respondente:
mais
detalhes
nos
anexos
a
este
relatório.
 
 5

  • 6.
    e
a
melhoria
da
qualidade
de
imagem
e
som
percebida
como
a
principal
vantagem.
 
 
 5.
Conhecimento
sobre
o
desligamento
do
sinal
de
TV
analógica
terrestre
 
 ‐
 Estima‐se
 que
 a
 maioria
 da
 população
 Portuguesa
 desconheça
 qual
 a
 data
 prevista
 do
 desligamento
do
sinal
de
TV
analógica
terrestre,
a
3
meses
do
início
do
switch‐off.
 
 6.
Conhecimento
do
que
deve
ser
feito
para
continuar
a
ter
TV
em
sinal
aberto ‐
Verifica‐se
um
baixo
nível
de
conhecimento
sobre
as
questões
práticas
relacionadas
com
 a
recepção
de
TDT,
sobretudo
no
caso
dos
Portugueses
sem
TV
paga
em
casa.
 
 
 7.
Intenção
de
aquisição
de
equipamentos
ou
serviços
de
acesso
a
TV
digital
e
TDT
 
 ‐
Estima‐se
que
perto
de
metade
dos
Portugueses
sem
TV
paga
estejam
indecisos
quanto
à
 obtenção
 de
 equipamentos
 ou
 serviços
 de
 TV
 digital,
 a
 3
 meses
 do
 início
 previsto
 do
 desligamento
da
emissão
de
TV
analógica
terrestre.

 
 
 8.
Motivos
para
ter
TDT
 
 ‐
 Verifica‐se
 que
 os
 benefícios
 associados
 à
 presente
 oferta
 de
 TDT
 têm
 pouco
 peso
 na
 respectiva
 intenção
 de
 adopção,
 sendo
 o
 corte
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre
 apontado
como
o
principal
motivo
para
ter
TDT.
 
 
 9.
Barreiras
à
adopção
de
TV
digital
e
TDT
 ‐
Os
custos
e
as
questões
práticas
são
das
principais
barreiras
à
obtenção
de
TV
digital
‐
e
 TDT
em
particular
–
para
os
Portugueses
sem
TV
paga
em
casa.

 
 10.
Adopção
de
TV
digital
–
perfis

 
 ‐
 Propõem‐se
 quatro
 perfis
 de
 adopters
 de
 TV
 digital
 em
 Portugal,
 considerando
 a
 posse
 de
TV
paga
e
a
intenção
de
uso
de
TV
digital:
 
 10.a.
Grupo
–
“Já
Adoptou”
(espectadores
com
TV
paga
por
cabo,
DTH,
IPTV,
fibra‐óptica
e
 outras
tecnologias)
‐
sobretudo
jovens
adultos
e
adultos
de
meia
idade,
mais
propensos
a
ter
 níveis
 mais
 elevados
 de
 educação
 e
 a
 pertencer
 a
 grupos
 de
 status
 mais
 alto
 e
 menos
 propensos
a
ter
algum
tipo
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
de
mobilidade);
 
 
 10.b.
 Grupo
 –
 “Adopta”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 estão
 a
 considerar
 comprar
uma
caixa
descodificadora
ou
televisor
com
TDT
integrado
ou
então
subscrever
um
 serviço
 de
 TV
 paga
 para
 continuar
 a
 ver
 televisão
 em
 casa)
 ‐
 são
 mais
 propensos
 a
 serem
 
 6

  • 7.
    homens,
a
terem
idades
compreendidas
entre
os
18
e
os
44
anos,
a
possuírem
habilitações
 académicas
elevadas
e
menos
propensos
a
ter
algum
nível
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
 motora);

 
 10.c.
 Grupo
 –
 “Em
 Dúvida”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 não
 sabem
 ou
 não
 responderam
 qual
 a
 sua
 intenção
 de
 aquisição
 de
 TV
 digital)
 ‐
 existe
 uma
 maior
 probabilidade
de
serem
mulheres,
a
terem
baixas
habilitações
académicas
e
possuírem
um
 nível
significativo
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
motora);
 
 10.d.
 Grupo
 –
 “Não
 Adopta”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 alegam
 não
 ter
 intenção
em
adoptar
TV
digital)
‐
são
mais
propensos
a
terem
mais
de
55
anos
de
idade,
a
 possuírem
 um
 baixo
 nível
 de
 habilitações
 académicas
 (instrução
 primária
 completa
 ou
 menos)
e
a
terem
um
nível
significativo
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
motora).
 
 
 Hipótese
principal
do
projecto
de
investigação
 
 ‐
 Verificou‐se
 a
 validação
 da
 hipótese
 principal
 do
 projecto
 de
 investigação,
 em
 que
 no
 contexto
 da
 transição
 da
 TV
 analógica‐digital,
 a
 adopção
 da
 TV
 digital
 está
 significativamente
condicionada
por
factores
de
expectativa
de
desempenho,
expectativa
 de
 esforço
 e
 influência
 social,
 com
 forte
 probabilidade
 de
 rejeição
 significativa
 por
 parte
 de
 segmentos
 da
 população
 com
 idade
 mais
 avançada,
 com
 menores
 habilitações
 académicas
e
com
necessidades
especiais.

 
 
 
 Recomendações

 As
 recomendações
 serão
 detalhadas
 no
 capítulo
 4,
 sendo
 devidamente
 suportadas
 nos
 dados
e
achados
dos
estudos
empíricos
que
integram
o
presente
projecto
de
investigação,
 bem
como
na
revisão
de
literatura
realizada
no
âmbito
do
projecto.
 
 
 1.
Ponderar
o
adiamento
das
datas
de
desligamento
do
sinal
analógico
terrestre
 
 ‐
tendo
sobretudo
em
consideração
as
pessoas
que
recebem
em
exclusivo
as
emissões
de
 TV
 analógica
 terrestre,
 estimando‐se
 haver
 um
 risco
 elevado
 de
 que
 parte
 substancial
 desta
 população
 possa
 ficar
 sem
 acesso
 ao
 sinal
 de
 televisão,
 a
 manterem‐se
 as
 datas
 previstas
para
o
desligamento
da
TV
analógica
terrestre.
 
 
 2.
Tornar
atractiva
a
oferta
de
TDT,
com
mais
canais
TV
e
serviços
úteis

 ‐
as
vantagens
da
TDT
são
praticamente
inexpressivas
para
os
espectadores
Portugueses,
 
 7

  • 8.
    mantendo‐se
a
mesma
oferta
de
canais
da
TV
analógica
terrestre:
a
melhoria
da
qualidade
 de
 imagem
 e
som
 não
 deve
 ser
 suficiente
 para
 motivar
 a
 mudança
 voluntária
 da
 grande
 maioria
da
população
a
ser
impactada
pelo
switch‐off.
 
 
 3.
Promover
campanhas
de
comunicação
mais
informativas
e
esclarecedoras
 
 ‐
 sobretudo
 ter
 em
 consideração
 as
 populações
 mais
 vulneráveis,
 como
 sejam
 os
 mais
 idosos,
 as
 pessoas
 com
 status
 socioeconómico
 mais
 baixo
 e
 pessoas
 com
 necessidades
 especiais,
 que
 correspondem
 à
 maioria
 das
 pessoas
 afectadas
 com
 o
 desligamento
 das
 emissões
de
TV
analógica
terrestre.
 
 
 4.
Reforçar
os
apoios
específicos
dirigidos
às
populações
mais
vulneráveis
 
 ‐
 os
 mais
 idosos,
 os
 mais
 carenciados
 e
 as
 pessoas
 com
 deficiências
 visuais,
 auditivas
 e
 motoras
 devem
 merecer
 uma
 maior
 atenção
 da
 parte
 das
 entidades
 responsáveis
 nesta
 matéria,
nomeadamente
com
através
do
reforço
dos
apoios
específicos
disponíveis.
 
 
 
 
 8

  • 9.
    
 1.
Descrição
do
Projecto
 
 1.1.
Contextualização2

 
 O
 tema
 da
 migração
 para
 a
 televisão
 digital
 está
 na
 ordem
 do
 dia
 em
 Portugal:
 em
 2009
 foram
 iniciadas
 as
 transmissões
 de
 televisão
 digital
 terrestre
 (TDT),
 em
 2011
 serão
 realizados
 os
 primeiros
 desligamentos
 do
 sinal
 analógico,
 e
 em
 2012
 está
 previsto
 o
 encerramento
 total
 das
 transmissões
 da
 radiodifusão
 analógica
 –
 processo
 também
 conhecido
 por
 switchover.
 Assim,
 será
 necessário
 que
 até
 2012
 todos
 os
 lares
 que
 actualmente
recebem
o
sinal
de
televisão
tradicional
através
de
antena
analógica
(ou
seja,
 os
que
não
têm
televisão
paga
nem
pré‐instalação
de
cabo)
comprem
um
descodificador
e
 uma
 antena
 adaptada
 para
 que
 possam
 continuar
 a
 usufruir
 das
 emissões
 televisivas.
 Por
 outro
 lado,
 será
 ainda
 necessário
 preparar
 a
 indústria
 e
 o
 mercado
 dos
 media
 para
 este
 processo
de
migração,
já
que
ele
implica
não
só
um
processo
de
transição
para
o
digital
no
 próprio
operador,
como
também
pelo
facto
de
vir
reconfigurar
as
fontes
de
criação
de
valor
 no
 contexto
 do
 sector
 televisivo.
 Por
 fim,
 também
 as
 actuais
 políticas
 de
 media
 e
 mais
 especificamente
 de
 televisão
 terão
 de
 ser
 enquadradas
 no
 contexto
 da
 migração
 para
 o
 digital,
 por
 via
 por
 exemplo
 a
 repensar
 o
 papel
 do
 serviço
 público
 ou
 o
 destino
 das
 frequências
que
ficarão
livres
no
espectro
radioeléctrico
em
consequência
da
migração
para
 o
 digital
 do
 sinal
 de
 televisão,
 e
 que
 poderão
 ser
 utilizadas
 para
 uma
 vasta
 gama
 de
 aplicações
 tais
 como
 o
 desenvolvimento
 da
 alta
 definição,
 a
 criação
 de
 novos
 canais
 ou
 a
 televisão
móvel.

 A
partir
da
segunda
metade
dos
anos
noventa,
assiste‐se
na
Europa
à
disseminação
da
 Televisão
Digital,
tendo
este
incremento
por
base
a
decisão
da
maioria
dos
países
europeus
 de
 realizar
 o
 encerramento
 das
 suas
 emissões
 analógicas
 nacionais
 (switch‐off)
 até
 2012.
 Assim,
 o
 desenvolvimento
 da
 televisão
 digital
 na
 Europa
 assenta,
 quase
 exclusivamente,
 num
 processo
 político
 aliado
 a
 imperativos
 económicos
 e
 políticos
 (Papathanassopoulos,
 2002),
e
não
na
exigência
dos
telespectadores
suprirem
uma
necessidade
social
através
da
 inovação
 tecnológica.
 Em
 24
 de
 Maio
 de
 2005,
 a
 Comissão
 Europeia
 adoptou
 uma
 comunicação
 intitulada
 ''Acelerar
 a
 transição
 da
 radiodifusão
 analógica
 para
 a
 digital'',
 na
 



































































 2
Sub‐capítulo
de
contextualização
de
autoria
de
Vera
Araújo,
retirado
do
relatório
“Estado
da
Arte
na
Europa”,
 em
anexo
ao
relatório
final
ADOPT‐DTV.
 
 9

  • 10.
    qual
 fixa
 os
objectivos
 da
 política
 comunitária
 para
 a
 referida
 transição,
 com
 base
 em
 emissões
digitais
terrestres.
Nesse
contexto,
defende‐se
que
a
migração
trará
ganhos
para
 todas
 as
 partes
 envolvidas.
 Por
 um
 lado,
 o
 cidadão
 terá
 um
 maior
 acesso
 à
 Sociedade
 de
 Informação,
poderá
usufruir
de
uma
maior
diversidade
de
conteúdos
e
serviços,
acrescidas
 capacidades
de
interacção,
possibilidade
de
personalização
da
experiência
televisiva,
assim
 como
melhorias
em
termos
e
imagem
e
som.
Por
outro
lado,
as
empresas
de
media
terão
 novas
 oportunidades
 em
 termos
 de
 oferta
 de
 serviços
 inovadores
 de
 valor
 acrescentado,
 assim
 como
 a
 possibilidade
 de
 vender
 aos
 anunciantes
 espaços
 publicitários
 com
 maiores
 recursos
 de
 segmentação.
 Por
 fim,
 o
 Estado
 poderá
 incrementar
 o
 pluralismo
 e
 a
 diversidade
 graças
 ao
 aumento
 do
 número
 de
 canais,
 assim
 como
 criar
 novas
 funcionalidades
 para
 incrementar
 a
 cidadania,
 tais
 como
 o
 T‐gov,
 ou
 seja,
 a
 utilização
 da
 televisão
 como
 interface
 de
 comunicação
 entre
 a
 Administração
 Pública
 e
 os
 cidadãos,
 permitindo
 aplicações
 tais
 como
 o
 pagamento
 de
 impostos
 através
 do
 televisor.
 Uma
 vez
 que,
 ao
 contrário
 dos
 computadores,
 a
 penetração
 da
 televisão
 nos
 lares
 nas
 sociedades
 ocidentais
 ronda
 os
 100%,
 e
 que
 este
 meio
 é
 utilizado
 por
 mais
 de
 95%
 dos
 indivíduos
 na
 Europa
 (OEA,
 2010),
 as
 potencialidades
 em
 termos
 de
 inclusão
 e
 cidadania
 merecem
 destaque,
oferecendo
novas
ferramentas
para
o
empowerment
dos
cidadãos.
 
 1.2.
A
transição
da
TV
analógica
terrestre
para
o
digital
em
Portugal

 Depois
de
uma
falsa
partida
em
2001,
a
televisão
digital
terrestre
(TDT)
é
finalmente
 lançada
 em
 Portugal
 a
 26
 de
 Abril
 de
 2009,
 que
 assim
 se
 torna
 um
 dos
 países
 com
 uma
 agenda
 mais
 ambiciosa
 –
 ou
 arriscada,
 dependendo
 da
 perspectiva
 –
 para
 a
 transição
 completa
da
televisão
analógica
terrestre
para
a
digital
terrestre
ou
como
um
risco
elevado,
 já
 que
 haverá
 menos
 tempo
 para
 realizar
 tudo
 o
 que
 é
 necessário
 de
 forma
 a
 garantir
 o
 sucesso
deste
processo.

 Deve
 ser
 notado
 que,
 em
 finais
 de
 2011,
 o
 sistema
 de
 TDT
 oferece
 exactamente
 os
 mesmos
canais
que
o
sistema
de
TV
analógica
terrestre
–
nem
mais
nem
menos
canais.
Um
 quinto
 canal
 gratuito
 poderá
 vir
 a
 ser
 lançado
 no
 futuro,
 mas
 a
 sua
 concessão
 tem
 sido
 adiada
 sine
 die
 como
 resultado
 da
 exclusão
 dos
 dois
 únicos
 concorrentes
 ao
 concurso
 público
 promovido
 pela
 Entidade
 Reguladora
 para
 a
 Comunicação
 Social
 –
 ERC
 (2009).
 Igualmente,
o
lançamento
do
serviço
pago
de
TDT
também
foi
adiado
sem
data
definida,
já
 que
 o
 vencedor
 do
 respectivo
 concurso
 público
 acabou
 por
 desistir
 da
 sua
 licença
 ‐
 mais
 detalhes
 adiante.
 Além
 disso,
 deve
 ser
 referido
 que
 a
 primeira
 campanha
 de
 comunicação
 
 10

  • 11.
    nacional
sobre
o
switch‐off
analógico
teve
início
em
Março
de
2011,
a
10
meses
da
primeira
 fase
 de
 desligamento
dos
 retransmissores
 de
 TV
 analógica
 terrestre
 –
 definida
 para
 12
 de
 Janeiro
de
2012.
 
 No
 entanto,
 em
 2001
 foi
 lançado
 o
 primeiro
 concurso
 público
 para
 a
 atribuição
 de
 uma
licença
de
estabelecimento
e
exploração
de
uma
plataforma
de
TDT
(Anacom,
2001).
O
 vencedor
deste
concurso
foi
o
consórcio
PTDP
‐
Plataforma
de
Televisão
Digital
Portuguesa
‐,
 constituído
 pelo
 Grupo
 Pereira
 Coutinho,
 recém‐chegado
 ao
 sector
 de
 telecomunicações,
 RTP
e
SIC.
Após
vários
atrasos
por
parte
do
consórcio
para
o
lançamento
da
operação,
em
 Março
 2003
 a
 Anacom
 propôs
 a
 revogação
 da
 licença
 anteriormente
 concedida
 considerando,
 entre
 outros
 aspectos,
 “as
 dificuldades
 objectivas
 da
 oferta
 massificada
 dos
 equipamentos
 terminais
 necessários
 ao
 início
 da
 exploração
 comercial
 da
 referida
 plataforma”
(Anacom,
2003).
 
 Seria
 necessário
 esperar
 por
 2008
 para
 que
 fossem
 lançados
 novos
 concursos
 públicos
neste
âmbito.
A
PT
Comunicações
da
Portugal
Telecom
concorreu
ao
multiplexer
A,
 destinado
à
TDT
em
sinal
aberto,
bem
como
aos
multiplexers
B
a
F,
destinados
à
TDT
paga,
 aos
quais
também
concorreu
a
empresa
Airplus
TV.
Em
Outubro
de
2008,
a
Anacom
e
ERC
 homologaram
 os
 direitos
 para
 a
 utilização
 do
 multiplexer
 A
 à
 PT
 Comunicações
 (Anacom,
 2008).
Em
Novembro
de
2008,
a
Anacom
atribuiu
à
mesma
PT
Comunicações
os
direitos
de
 utilização
de
frequências
associados
aos
multiplexers
B
a
F
(Anacom,
2009)
–
o
que
foi
alvo
 de
contestação
do
concorrente
Airplus
TV
(TekSapo,
2008).
 Porém,
 nos
 inícios
 de
 2010,
 a
 PT
 solicitou
 à
 Anacom
 a
 revogação
 das
 licenças
 dos
 multiplexers
 de
 TDT
 paga,
 apresentando
 como
 justificação
 as
 mudanças
 significativas
 no
 mercado
 da
 TV
 por
 assinatura,
 como
 seja
 o
 aumento
 da
 concorrência,
 o
 que
 reduziria
 a
 importância
competitiva
da
plataforma
terrestre.
A
Anacom
–
sem
o
apoio
da
ERC
–
aceitou
 o
pedido
da
PT
(Anacom,
2010).
A
transmissão
de
TDT
gratuita
viria
a
começar
em
29
Abril
 de
2009,
atingindo
algumas
regiões
do
País
e
cerca
de
30%
da
população.
Em
finais
de
2011,
 Portugal
 continua
 sem
 planos
 no
 que
 respeita
 ao
 serviço
 de
 TV
 digital
 terrestre
 por
 assinatura.
 
 
 1.3.
Objectivos
 
 O
 enfoque
 deste
 projecto
 de
 investigação
 está
 nas
 pessoas
 que
 não
 têm
 a
 intenção
 de
 adoptar
 TV
 digital,
 nomeadamente,
 na
 compreensão
 dos
 principais
 factores
 que
 explicam
 esta
 intenção,
 bem
 como
 na
 determinação
 do
 seu
 perfil
 demográfico
 e
 socioeconómico.
 
 11

  • 12.
    Com
 base
 nestes
dados
 será
 possível
 delinear
 recomendações
 que
 contribuam
 para
 que
 a
 transição
 bem
 sucedida
 da
 TV
 analógica
 terrestre
 para
 o
 digital
 seja
 uma
 realidade
 para
 todos
os
Portugueses.

 Esta
 transição
 apresenta
 desafios
 que
 ultrapassam
 o
 âmbito
 estritamente
 tecnológico,
 com
 sérias
 implicações
 económicas
 e
 sociais.
 A
 investigação
 pode
 contribuir
 com
 soluções
 inovadoras
 para
 superar
 os
 obstáculos
 inerentes
 a
 este
 processo
 (Candel,
 2007).
De
igual
modo,
a
investigação
permite
reflectir
sobre
o
que
foi
realizado,
de
modo
a
 evitar
repetir
erros
do
passado,
como
observa
Roberto
Suárez
Candel
(2007),
para
quem
a
 monitorização
 da
 migração
 para
 a
 televisão
 digital
 é
 necessária
 para
 que
 possam
 ser
 introduzidas
 medidas
 correctivas
 a
 tempo.
 Deste
 modo,
 somente
 compreendendo
 as
 atitudes
das
pessoas
em
relação
à
TV
digital,
os
seus
receios
e
preocupações,
será
possível
 difundir
 as
 mensagens
 certas
 e
 assegurar
 que
 ninguém
 “fica
 para
 trás”
 neste
 processo
 de
 transição. Este
 princípio
 de
 investigação
 e
 monitorização
 do
 processo
 de
 transição
 para
 o
 digital
 tem
 vindo
 a
 ser
 aplicado
 um
 pouco
 por
 toda
 a
 Europa,
 com
 destaque
 para
 os
 trabalhos
produzidos
no
Reino
Unido.
Em
primeiro
lugar,
há
a
referir
os
estudos
realizados
 para
o
Digital
Television
Project
(DTI),
estabelecido
em
2001
em
parceria
pelo
Department
 for
Culture,
Media
and
Sport
e
o
Department
of
Trade
and
Industry,
tais
como
o
estudo
Easy
 TV
 2002
 Research
 Report
 (Freeman,
 Lessiter,
 Williams
 &
 Harrison,
 2003)
 e
 os
 estudos
 compilados
no
relatório
Digital
Television
for
All
‐
a
report
on
usability
and
accessible
design
 (Klein,
 Karger
 &
 Sinclair,
 2003),
 que
 teve
 por
 objectivo
 abordar
 as
 questões
 humanas
 relativas
 à
 adopção
 de
 equipamentos
 e
 serviços
 de
 televisão
 digital
 por
 espectadores
 com
 diferentes
 tipos
 de
 necessidades
 O
 trabalho
 desenvolvido
 na
 compilação
 deste
 relatório
 incluiu
uma
série
de
consultas
às
principais
partes
interessadas,
um
inquérito
quantitativo
a
 cerca
 de
 4.000
 espectadores,
 oito
 focus
 groups
 para
 cobrir
 assuntos
 relacionados
 com
 usabilidade,
 uma
 auditoria
 de
 especialistas
 com
 três
 modelos
 típicos
 de
 caixas
 descodificadoras
de
TV
digital,
uma
previsão
do
efeito
de
exclusão
de
três
modelos
típicos
 de
 caixas
 descodificadoras
 de
 TV
 digital,
 uma
 série
 de
 treze
 testes
 de
 usabilidade
 de
 dois
 sistemas
de
TV
digital
com
utilizadores
com
diferentes
capacidades.
 Por
outro
lado,
a
entidade
que
no
Reino
Unido
tem
por
missão
regular
a
actividade
 das
 indústrias
 da
 comunicação
 e
 media
 –
 a
 Ofcom
 (e
 antes
 o
 ITC)
 –
 também
 tem
 vindo
 a
 realizar
uma
série
de
estudos
relacionados
com
a
adopção
da
TV
digital,
com
destaque
para

 um
 estudo
 específico
 para
 compreender
 como
 as
 populações
 seniores,
 com
 necessidades
 
 12

  • 13.
    especiais,
 isoladas
 e
com
 baixos
 rendimentos
 vão
 ser
 afectadas
 pelo
 switch‐off
 da
 TV
 analógica
terrestre
(Freeman,
Lessiter
&
Beattie,
2007).

 Em
 relação
 à
 literatura
 em
 Portugal
 sobre
 o
 tema,
 há
 que
 referir
 o
 conjunto
 de
 trabalhos
do
Observatório
da
Comunicação
–
Obercom,
que
ao
longo
de
2008
publicou
um
 conjunto
 de
 quatro
 breves
 relatórios
 sobre
 TV
 digital,
 com
 base
 nos
 resultados
 de
 um
 inquérito
quantitativo,
obtidos
através
de
entrevista
directa
a
uma
amostra
constituída
por
 1.041
 inquiridos,
 representativa
 da
 população
 portuguesa
 residente
 em
 Portugal
 continental,
 com
 idade
 igual
 ou
 superior
 a
 15
 anos
 de
 idade
 (Araújo,
 Cardoso
 &
 Espanha,
 2008a).
 O
 trabalho
 de
 campo
 decorreu
 em
 Fevereiro
 de
 2008
 e
 as
 entrevistas
 foram
 realizadas
 pela
 Metris
 GfK.
 Em
 primeiro
 lugar,
 de
 destacar
 a
 baixa
 percentagem
 de
 inquiridos
que
afirmou
ter
conhecimento
do
processo
de
switchover
‐
3,2%
da
amostra
total
 ‐
 enquanto
 que
 16,2%
 afirmaram
 já
 ter
 ouvido
 falar
 da
 televisão
 digital
 terrestre.
 Já
 os
 inquiridos
 que
 afirmaram
 possuir
 TV
 digital
 em
 sua
 casa,
 destes
 11,2%
 referiram
 já
 ter
 ouvido
 falar
 do
 switchover
 e
 destes
 46,1%
 já
 ouviu
 falar
 da
 TDT
 este
 processo
 (Araújo,
 Cardoso
 &
 Espanha,
 2008c).
 Já
 em
 relação
 ao
 grau
 de
 conhecimento
 sobre
 TV
 digital,
 de
 acordo
 com
 este
 estudo,
 72%
 dos
 inquiridos
 com
 TV
 por
 cabo
 afirmou
 já
 ter
 ouvido
 falar
 desta
plataforma,
contra
44,8%
dos
inquiridos
com
acesso
a
televisão
analógica
através
de
 antena
convencional
(Araújo,
Cardoso
&
Espanha,
2008b).
Sobre
se
já
ouviu
falar
de
TDT,
a
 distribuição
foi
a
seguinte:
responderam
afirmativamente
22,4%
dos
inquiridos
com
TV
por
 cabo
 e
 11%
 dos
 inquiridos
 com
 acesso
 a
 televisão
 analógica
 terrestre
 (Araújo,
 Cardoso
 &
 Espanha,
2008b).

 
 
 1.4.
Enquadramento
Teórico
e
Hipóteses
 
 A
 adopção
 da
 TV
 digital
 em
 Portugal
 é
 o
 problema
 a
 ser
 investigado,
 nomeadamente,
 determinar
quais
são
os
factores
de
adopção
e
rejeição
de
uso
de
televisão
digital
por
parte
 dos
 Portugueses,
 bem
 como
 identificar
 oportunidades
 para
 que
 esta
 nova
 plataforma
 de
 distribuição
de
televisão
possa
chegar
a
todas
as
pessoas
interessadas.
A
importância
social,
 económica
e
política
da
televisão
faz
com
que
o
processo
de
transição
da
TV
analógica
para
 o
digital
deva
ser
alvo
da
maior
atenção
e
cautela,
para
que
ninguém
deixe
de
ter
acesso
a
 este
meio
de
comunicação.

 
 A
transição
da
televisão
analógica
terrestre
para
televisão
digital
terrestre
é
um
caso
 particular
 de
 difusão
 de
 uma
 inovação
 em
 que
 a
 adopção
 é
 simultaneamente
 voluntária
 e
 involuntária,
 dado
 que
 há
 uma
 data
 obrigatória
 para
 encerrar
 a
 transmissão
 analógica.
 
 13

  • 14.
    Considerando
 a
 literatura
sobre
 difusão
 de
 inovações
 é
 imperativo
 mencionar
 o
 livro
 Diffusion
of
Innovations
de
Everett
Rogers
(1962),
no
qual
o
autor
explica
que
a
difusão
de
 novas
ideias
–
mesmo
depois
de
provadas
como
benéficas
e
positivas
–
é
uma
tarefa
difícil
 que
deve
ser
planeada
para
ser
bem
sucedida.
Rogers
apresenta
neste
livro
vários
exemplos
 de
 inovações
 que
 não
 foram
 aceites
 ou
 adoptadas,
 apesar
 de
 serem
 benéficas.
 Entre
 as
 razões
 que
 o
 autor
 apresenta
 para
 tal
 contam‐se
 as
 crenças
 culturais
 de
 determinadas
 comunidades,
 tradições
 e
 hábitos
 antigos,
 a
 falha
 na
 divulgação
 de
 ideias
 na
 comunidade
 local
 e
 entre
 os
 indivíduos
 que
 são
 socialmente
 melhor
 aceites
 na
 comunidade,
 falha
 na
 inclusão
da
opinião
de
indivíduos
considerados
líderes,
percepções
do
público‐alvo
sobre
o
 agente
de
mudança,
uso
de
mensagens
não
adequadas
às
necessidades
e
competências
do
 público‐alvo.

 Analisando
 os
 primeiros
 autores
 a
 investigarem
 sobre
 a
 difusão
 de
 inovações,
 Rogers
 menciona
 o
 sociólogo
 e
 criminologista
 Francês,
 Gabriel
 Tarde.
 Particularmente,
 no
 seu
trabalho
Les
Lois
de
l’Imitation
(1890),
Tarde
expõe
uma
teoria
de
inovação
baseada
na
 imitação
e
invenção,
actos
que
ele
considerava
como
actos
sociais
elementares.
No
entanto,
 as
propostas
do
autor
não
foram
imediatamente
seguidas
por
estudos
empíricos
na
área
da
 difusão
de
inovações,
algo
que
veio
a
acontecer
décadas
mais
tarde,
refere
Rogers.
Uma
das
 referências
 mais
 importantes
 neste
 campo,
 observou
 Rogers,
 foi
 o
 estudo
 de
 difusão
 do
 milho
 híbrido
 no
 estado
 do
 Iowa,
 nos
 Estados
 Unidos
 da
 América,
 por
 Bruce
 Ryan
 e
 Neal
 Gross
 (1943),
 que
 vieram
 a
 estabelecer
 uma
 nova
 abordagem
 ao
 estudo
 da
 difusão
 das
 inovações.

 Antes
 da
 publicação
 do
 livro
 de
 Rogers,
 George
 Beal
 e
 Joel
 Bohlen
 sintetizaram
 os
 resultados
de
35
estudos
sobre
como
os
agricultores
adoptaram
novas
ideias
no
artigo
The
 Diffusion
 Process
 (1957),
 propondo
 um
 referencial
 teórico
 para
 todos
 os
 que
 enfrentam
 o
 desafio
de
difundir
ideias
e
práticas.
Nestes
estudos,
realizados
ao
longo
de
duas
décadas,
os
 agricultores
 foram
 questionados
 sobre
 as
 suas
 práticas
 agrícolas
 e
 domésticas,
 uso
 de
 pesticidas,
 fertilizantes
 e
 outras
 técnicas
 agrícolas.
 Após
 análise
 destes
 estudos,
 Beal
 e
 Bohlen
 sugeriram
 que
 os
 indivíduos
 aceitam
 novas
 ideias
 seguindo
 um
 processo
 mental
 composto,
 pelo
 menos,
 por
 cinco
 fases:
 fase
 de
 consciencialização
 (awareness),
 fase
 de
 interesse,
fase
de
avaliação,
fase
de
experimentação
e
fase
de
adopção.
Ainda
significativo,
 estes
 autores
 propuseram
 cinco
 categorias
 de
 indivíduos,
 com
 base
 no
 tempo
 que
 os
 mesmos
 necessitam
 para
 adoptar
 novas
 ideias,
 possuindo
 diferentes
 características
 individuais
e
sociais:
inovators/
os
inovadores,
the
early
adopters/
os
adoptantes
iniciais,
the
 
 14

  • 15.
    early
 majority/
 a
maioria
 inicial,
 the
 majority/
 a
 maioria,
 the
 non‐adopters/
 os
 não‐ adoptantes.
Mais
tarde,
Rogers
viria
a
propor
categorias
semelhantes,
que
acabaram
por
se
 tornar
 o
 padrão
 para
 os
 estudos
 nesta
 área:
 the
 inovators,
 the
 early
 adopters,
 the
 early
 majority,
the
late
majority,
the
laggards.

 Estudos
 mais
 recentes
 neste
 âmbito
 apresentam
 outros
 modelos
 explicativos
 da
 difusão
 e
 adopção
 de
 inovações.
 Venkatesh,
 Morris,
 Davis
 &
 Davis
 (2003)
 propõem
 um
 modelo
unificado
com
base
nos
vários
dos
modelos
mais
significativos
desenvolvidos
neste
 campo
–
a
Teoria
Unificada
de
Aceitação
e
Uso
de
Tecnologia
(Unified
Theory
of
Acceptance
 and
 Use
 of
 Technology
 ‐
 UTAUT).
 Estes
 autores
 defendem
 que
 a
 expectativa
 de
 performance,
 expectativa
 de
 esforço,
 influência
 social
 e
 condições
 facilitadoras
 são
 determinantes
directos
da
intenção
de
uso
e
comportamentos
de
adopção
de
inovações.
O
 impacto
destes
quatro
factores
é
mediado
pela
idade,
género,
experiência
e
voluntariedade
 de
uso.
 
 No
 modelo
 UTAUT,
 a
 expectativa
 de
 desempenho
 é
 definida
 como
 o
 grau
 em
 que
 um
 indivíduo
 acredita
 que
 o
 uso
 de
 um
 sistema
 o
 irá
 ajudar
 a
 atingir
 melhorias
 de
 desempenho
 no
 trabalho:
 os
 cinco
 constructos
 relacionados
 com
 esta
 variável
 são
 a
 percepção
de
utilidade,
motivação
extrínseca,
adequação
do
trabalho/
emprego,
vantagem
 relativa
 e
 expectativas
 de
 resultado.
 Por
 outro
 lado,
 a
 expectativa
 de
 esforço
 é
 definida
 como
o
grau
de
facilidade
associado
ao
uso
do
sistema:
o
reconhecimento
da
facilidade
de
 uso,
 a
 complexidade
 e
 facilidade
 de
 utilização
 são
 os
 conceitos
 relacionados
 com
 esta
 variável.
 Influência
 social,
 outra
 variável
 do
 modelo
 UTAUT,
 é
 o
 grau
 através
 do
 qual
 o
 sujeito
 percebe
 que
 outros
 sujeitos,
 considerados
 importantes
 na
 área,
 acreditam
 que
 ele
 deve
usar
o
novo
sistema:
os
constructos
relacionados
são
norma
subjectiva,
factores
sociais
 e
de
imagem.
Por
último,
as
condições
facilitadoras
são
definidas
como
o
grau
em
que
um
 indivíduo
acredita
que
uma
infra‐estrutura
organizacional
e
técnica
existe
para
apoiar
o
uso
 do
 sistema:
 percepção
 de
 controlo
 comportamental,
 condições
 de
 facilidade
 e
 compatibilidade
são
os
constructos
relacionados
com
esta
variável.
Além
destes
conceitos,
o
 estudo
 pretende
 ainda
 avaliar
 os
 constructos
 de
 auto‐eficácia,
 ansiedade
 e
 atitudes
 em
 relação
 a
 técnicas,
 as
 quais
 Venkatesh
 et
 al.
 (2003)
 consideram
 como
 não
 sendo
 directamente
 determinantes
 da
 intenção
 de
 uso.
 O
 impacto
 destes
 quatro
 constructos
 é
 ainda
 mediado
 pela
 idade,
 género,
 experiência
 e
 voluntariedade
 de
 uso.
 O
 modelo
 UTAUT
 foi
 desenvolvido
 através
 da
 revisão
 e
 consolidação
 de
 oito
 teorias
 na
 área
 da
 difusão
 e
 adopção
 de
 inovações,
 nomeadamente:
 teoria
 da
 acção
 racional,
 modelo
 de
 aceitação
 de
 
 15

  • 16.
    tecnologia,
modelo
motivacional,
modelo
de
difusão
de
inovações
e
a
teoria
cognitiva
social,
 entre
 outras.
 Na
área
 específica
 da
 adopção
 da
 TV
 digital,
 o
 modelo
 UTAUT
 tem
 sido
 aplicado
 em
 vários
 projectos
 de
 investigação,
 como
 as
 investigações
 de
 campo
 desenvolvidas
na
Itália,
no
âmbito
dos
projectos
de
T‐government
(Papa,
Nicoló,
Cornacchia,
 Sapio,
Livi
&
Turk,
2009).

 Seguindo
 a
 teoria
 unificada
 da
 aceitação
 e
 uso
 de
 tecnologias,
 as
 principais
 hipóteses
de
investigação
são
as
seguintes:

 H1.
As
expectativas
de
desempenho
têm
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
 e
o
seu
efeito
é
maior
nos
jovens
e
nos
homens.

 H2.
As
expectativas
de
esforço
têm
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
e
o
 seu
efeito
é
maior
para
os
mais
velhos,
com
habilitações
académicas
mais
baixas
e
 para
as
mulheres.
 H3.
A
influência
social
tem
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
e
o
seu
efeito
 é
maior
para
os
mais
velhos,
com
um
nível
mais
baixo
de
habilitações
académicas
e
 para
as
mulheres.
 H4.
As
condições
facilitadoras
não
têm
um
efeito
significativo
na
intenção
de
uso
de
 TV
digital
na
maioria
da
população,
mas
têm
um
efeito
significativo
nos
mais
velhos.
 H5.
a)
A
auto‐eficácia
no
uso
de
tecnologias
não
tem
influência
significativa
na
 intenção
de
uso
de
TV
digital
 H5.b)
A
ansiedade
em
relação
ao
uso
de
tecnologias
não
tem
influência
significativa
 na
intenção
de
uso
de
TV
digital
 H5.c)
As
atitudes
em
relação
ao
uso
de
tecnologias
não
têm
influência
significativa
 na
intenção
de
uso
de
TV
digital.

 Deste
modo,
a
hipótese
principal
do
projecto
de
investigação
é
a
seguinte:
 
 HP:
 no
 contexto
 da
 transição
 da
 TV
 analógica‐digital,
 a
 adopção
 da
 TV
 digital
 está
 significativamente
condicionada
por
factores
de
expectativa
de
desempenho,
expectativa
de
 esforço
 e
 influência
 social,
 com
 forte
 probabilidade
 de
 rejeição
 significativa
 por
 parte
 de
 segmentos
da
população
com
idade
mais
avançada,
com
menores
habilitações
académicas3
 e
 com
 necessidades
 especiais.
 Todos
 estes
 factores
 constituem
 barreiras
 para
 adopção
 da
 



































































 3 
Nota:
optou‐se
por
substituir
a
variável
“habilitações
académicas”
pela
“experiência
de
uso
de
tecnologias”,
por
 ser
um
indicador
mais
objectivo
e
concreto
 
 16

  • 17.
    TV
digital. 
 1.5.
Metodologia
 O
desenho
de
investigação
combina
métodos
quantitativos
e
qualitativos,
de
acordo
com
as
 boas
práticas
de
projectos
com
âmbito
semelhante,
nomeadamente:
 
 ‐
Klein,
J.
Karger,
S.
&
Sinclair,
K.
(2004a)
Attitudes
to
digital
television:
preliminary
findings
 on
consumer
adoption
of
digital
television;
 
 ‐
 Klein,
 J.
 Karger,
 S.
 &
 Sinclair,
 K.
 (2004b)
 Attitudes
 to
 switchover:
 the
 impact
 of
 digital
 switchover
on
consumer
adoption
of
digital
television;
 
 ‐
 Clarkson,
 J.
 &
 Keates,
 S.
 (2003)
 Digital
 TV
 For
 All:
 a
 report
 on
 usability
 and
 accessible
 design.

 Em
 particular,
 no
 estudo
 Attitudes
 to
 switchover
 (Klein,
 Karger,
 &
 Sinclair,
 2004a)
 foram
identificadas
três
novas
formas
de
pensar
sobre
os
consumidores
do
Reino
Unido
em
 relação
 à
 sua
 adopção
 voluntária
 da
 TV
 digital:
 1)
 a
 caracterização
 das
 diferentes
 fases
 de
 transição
da
televisão
analógica
para
a
digital;
2)
uma
nova
segmentação
de
mercado
para
a
 fase
 voluntária
 de
 adopção,
 partindo
 da
 anterior
 segmentação
 proposta
 pelo
 projecto
 Go
 Digital
 (2003)4;
 3)
 um
 modelo
 do
 processo
 de
 decisão
 dos
 consumidores
 que
 combina
 os
 critérios
de
simbolismo
da
plataforma,
com
atractividade
dos
conteúdos
e
facilidade
de
uso
 dos
equipamentos
(Klein,
Karger
&
Sinclair,
2004a).
Neste
relatório,
os
autores
propuseram
 um
modelo
do
processo
de
decisão
dos
consumidores
de
TV
digital
em
que
os
consumidores
 decidem
o
que
pensar
sobre
a
TV
digital
ao
olhar
para
três
níveis
diferentes:
simbolismo
da
 plataforma,
grau
de
atractividade
dos
conteúdos
e
facilidade
de
uso
do
equipamento.

 Em
 relação
 ao
 projecto
 Attitudes
 to
 digital
 television
 (Klein,
 Karger
 &
 Sinclair,
 2004b),
 o
 enfoque
 foi
 nos
 non‐adopters,
 ou
 seja,
 nas
 pessoas
 que
 afirmaram
 não
 ter
 a
 intenção
 de
 adoptar
 TV
 digital,
 um
 grupo
 que
 constitui
 uma
 barreira
 ao
 objectivo
 do
 governo
 em
 conseguir
 uma
 transição
 rápida
 e
 essencialmente
 voluntária
 para
 a
 TV
 digital:
 “deste
modo
há
uma
necessidade
particularmente
forte
em
compreender
porque
é
que
os
 non‐adopters
 tomaram
 essa
 posição.
 Assim,
 ao
 se
 compreender
 melhor
 as
 barreiras
 à
 adopção
será
possível
recomendar
formas
de
as
ultrapassar,
convertendo
efectivamente
os
 sub‐grupos
de
non‐adopters”.
 



































































 4
De
notar
que
na
segmentação
proposta
pelo
projecto
Go
Digital
(2003)
foi
identificado
um
grupo
de
 consumidores
que
afirmaram
que
não
seriam
persuadidos
a
adoptar/
comprar
TV
digital.
O
projecto
estabeleceu
 que
este
segmento
corresponderia
a
aproximadamente
13%
dos
lares
no
Reino
Unido,
ou
seja,
a
3,2
milhões
de
 domicílios.
 
 17

  • 18.
    A
 metodologia
 do
projecto
 de
 investigação
 combinou
 os
 seguintes
 métodos
 quantitativos
e
qualitativos:
 1) Estudo
 etnográfico
 –
 realizado
 junto
 de
 uma
 amostra
 de
 20
 famílias
 de
 perfis
 diferenciados,
 com
 o
 objectivo
 de
 explorar
 em
 contexto
 quais
 as
 suas
 atitudes
 em
 relação
 à
 TV
 digital
 e
 quais
 os
 usos
 dados
 à
 televisão.
 Ainda,
 houve
 a
 intenção
 de
 compreender
como
estas
famílias
adoptam
novas
tecnologias
de
comunicação
e
de
 informação
 ou
 novos
 equipamentos
 de
 entretenimento
 doméstico
 e/
 ou
 pessoal,
 bem
 como
 quais
 são
 os
 seus
 estilos
 de
 aprendizagem
 (por
 exemplo,
 se
 são
 auto‐ eficazes,
recorrem
à
sua
rede
social
para
obter
aconselhamento
ou
ajuda
no
uso
de
 novos
equipamentos
ou
novos
serviços,
etc).
O
trabalho
de
campo
entre
Setembro
 de
2010
e
Março
de
2011,
e
o
recrutamento
da
amostra
foi
feito
através
do
contacto
 com
 as
 câmaras
 municipais
 de
 Alenquer
 e
 da
 Nazaré,
 bem
 como
 com
 as
 juntas
 de
 freguesia
 de
 Agualva,
 Cacém,
 Mira‐Sintra
 e
 São
 Marcos,
 na
 tentativa
 de
 encontrar
 famílias
 com
 os
 perfis
 adequados
 aos
 objectivos
 do
 projecto.
 Mais
 detalhes
 no
 relatório
 “ADOPT‐DTV:
 Estudo
 Etnográfico”
 (Veríssimo,
 Henriques
 &
 Quico,
 2011),
 em
anexo
a
este
relatório
final.
 2) Entrevistas
com
stakeholders
‐
o
principal
objectivo
destas
entrevistas
foi
o
de
obter
 as
 diferentes
 perspectivas
 das
 partes
 interessadas
 neste
 processo
 de
 transição,
 ou
 seja,
canais
de
televisão
em
sinal
aberto,
operadores
de
TV
paga,
operador
de
TDT,
 reguladores,
 representantes
 de
 consumidores,
 representantes
 de
 pessoas
 com
 necessidades
especiais,
entre
outros.
O
instrumento
da
entrevista
foi
composto
por
 13
 perguntas
 abertas.
 Os
 participantes
 foram
 contactados
 via
 e‐mail,
 telefone
 e
 carta
durante
Outubro
e
Novembro
de
2010.
A
maioria
das
respostas
foi
obtida
em
 Novembro
 e
 Dezembro
 de
 2010.
 Um
 total
 de
 16
 entrevistas
 foram
 realizadas
 até
 final
de
Janeiro
de
2011.
A
maioria
dos
participantes
preferiu
responder
por
e‐mail,
 tendo
 os
 representantes
 da
 SIC/
 Impresa,
 ERC
 e
 RTP
 optado
 pela
 entrevista
 presencial:
 deste
 modo,
 procedeu‐se
 à
 transcrição
 da
 entrevista,
 que
 foi
 posteriormente
 validada
 pelo
 respectivo
 entrevistado.
 Mais
 detalhes
 no
 relatório
 “ADOPT‐DTV:
 Entrevistas
 com
 Stakeholders”
 (Sequeira,
 Veríssimo
 &
 Quico,
 2011),
 em
anexo
a
este
relatório
final.
 3) Inquérito
 quantitativo
 ‐
 aplicado
 junto
 de
 uma
 amostra
 representativa
 da
 população
 portuguesa,
 tendo
 sido
 baseado
 no
 instrumento
 anteriormente
 elaborado
 pelo
 Obercom
 (Araújo,
 Cardoso
 &
 Espanha,
 2008),
 com
 as
 necessárias
 
 18

  • 19.
    adaptações
 para
 o
presente
 projecto.
 O
 inquérito
 foi
 aperfeiçoado
 com
 os
 contributos
 de
 todos
 os
 parceiros
 do
 projecto,
 ou
 seja,
 do
 Obercom
 e
 da
 Anacom.
 Ainda,
foi
realizado
um
pré‐teste
envolvendo
14
indivíduos
em
Outubro
de
2010,
de
 acordo
com
as
mesmas
condições
que
seriam
posteriormente
seguidas
no
estudo.
O
 inquérito
final
foi
aplicado
a
uma
amostra
de
1.205
indivíduos
com
mais
de
18
anos
 de
 idade,
 sendo
 realizado
 em
 casa
 dos
 entrevistados
 por
 uma
 equipa
 de
 entrevistadores
da
GfK,
a
empresa
de
estudos
de
mercado
recrutada
para
o
efeito.
 No
total,
o
instrumento
compreende
33
questões
e
22
itens
de
caracterização.
Mais
 detalhes
 no
 relatório
 “ADOPT‐DTV:
 Inquérito
 Quantitativo”
 (Henriques
 &
 Quico,
 2011),
em
anexo
a
este
relatório
final.

 4) Estudo
 de
 usabilidade,
 com
 uma
 amostra
 de
 20
 participantes,
 para
 proceder
 à
 análise
 comparativa
 da
 eficácia
 e
 satisfação
 de
 alguns
 dos
 equipamentos
 descodificadores
 de
 TV
 digital
 terrestre
 disponíveis
 no
 mercado
 português.
 Na
 constituição
 da
 amostra
 foi
 dada
 particular
 atenção
 ao
 recrutamento
 de
 pessoas
 com
idade
igual
ou
superior
a
65
anos
e
a
pessoas
com
necessidades
especiais.
Os
 testes
 de
 usabilidade
 decorreram
 Universidade
 Lusófona,
 onde
 anteriormente
 já
 foram
 efectuados
 diversos
 estudos
 com
 um
 âmbito
 semelhante
 a
 este
 (Conceição,
 Quico
 e
 Damásio,
 2005).
 Mais
 detalhes
 no
 relatório
 “ADOPT‐DTV:
 Estudo
 de
 Usabilidade”
(Henriques
&
Veríssimo,
2011),
em
anexo
a
este
relatório
final.

 Ao
longo
do
projecto
houve
a
preocupação
de
publicar
e
divulgar
os
resultados
de
 cada
 um
 dos
 estudos
 que
 integram
 o
 projecto
 de
 investigação
 logo
 após
 a
 sua
 conclusão,
 com
 o
 objectivo
 de
 contribuir
 activamente
 para
 a
 transição
 bem
 sucedida
 da
 TV
 analógica
 para
 o
 digital.
 Em
 Janeiro
 e
 em
 Março
 de
 2011,
 a
 equipa
 de
 investigação
 lançou
 press‐ releases
com
alguns
dos
principais
do
inquérito
quantitativo
do
presente
estudo,
disponíveis
 no
web
site
do
projecto
http://adoptdtv.ulusofona.pt/.



 Ainda,
 como
 os
 responsáveis
 pelo
 projecto
 ADOPT‐DTV
 também
 são
 responsáveis
 pelo
 projecto
 de
 investigação
 e
 desenvolvimento
 “iDTV‐Health:
 Inclusive
 services
 to
 promote
 health
 and
 wellness
 via
 digital
 interactive
 television”
 (UTA‐Est/MAI/0012/2009)
 optou‐se
 por
 aproveitar
 sinergias
 entre
 os
 projectos.
 Assim,
 no
 âmbito
 do
 projecto
 IDTV‐ Health
foi
realizado
um
inquérito
quantitativo
sobre
saúde
e
media
em
Setembro
de
2011,
 tendo
sido
 aproveitada
 esta
 oportunidade
para
voltar
a
colocar
algumas
das
questões
que
 faziam
parte
do
inquérito
ADOPT‐DTV,
dada
a
importância
de
fazer
um
acompanhamento
da
 evolução
 dos
 indicadores‐chave
 do
 inquérito.
 O
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011
 seguiu
 os
 
 19

  • 20.
    mesmos
 moldes
 do
inquérito
 de
 Novembro
 de
 2010:
 trata‐se
 também
 de
 uma
 amostra
 representativa
da
população
Portuguesa
com
mais
de
18
anos,
também
com
cerca
de
1.200
 inquiridos,
 também
 aplicado
 presencialmente
 na
 casa
 dos
participantes
 e
 cujo
 trabalho
 de
 campo
 e
 recolha
 de
 dados
 foi
 também
 da
 responsabilidade
 da
 empresa
 de
 estudos
 de
 mercado
GfK.

 
 20

  • 21.
    
 2.
Execução
Material
 O
 projecto
 ADOPT‐DTV
 teve
 início
 em
 Abril
 de
 2010,
 com
 um
 ligeiro
 atraso
 em
 relação
 à
 data
 inicialmente
 prevista
 (Janeiro
 de
 2010),
 devido
 a
 atrasos
 no
 processo
 de
 contratualização
 inicial
 e
 transferência
 de
 verbas
 por
 parte
 da
 FCT.
 Após
 essa
 fase,
 procedeu‐se
ao
acerto
e
homologação
de
um
novo
cronograma
e
iniciaram‐se
os
trabalhos
 em
ritmo
normal.

 No
primeiro
ano
de
actividade,
tal
como
definido
no
plano
de
trabalho,
realizou‐se
a
 revisão
 de
 literatura
 relativa
 aos
 estudos
 e
 relatórios
 sobre
 a
 migração
 da
 TV
 analógica
 terrestre
para
o
digital
no
contexto
Europeu,
da
responsabilidade
de
Vera
Araújo
(Obercom).
 O
 relatório
 “ADOPT‐DTV:
 Estado
 da
 Arte”
 (Araújo,
 2011)
 consta
 dos
 anexos
 a
 este
 documento,
 encontrando‐se
 publicado
 no
 web
 site
 do
 projecto.
 De
 modo
 a
 se
 aprofundar
 um
 caso
 de
 um
 processo
 de
 switch‐off
 já
 concluído,
 solicitou‐se
 a
 Peter
 Olaf
 Looms
 a
 elaboração
 de
 um
 relatório
 de
 análise
 da
 experiência
 da
 Dinamarca,
 com
 o
 título
 ‐
 “A
 transição
 para
 a
 televisão
 digital
 terrestre:
 experiências
 da
 Dinamarca”
 que
 também
 engloba
um
relatório
sobre
TV
digital
e
acessibilidade

‐
“Digital
TV
and
access
services
”.

 Em
paralelo
com
a
elaboração
destes
relatórios,
a
equipa
de
investigação
avançou
a
 partir
de
Julho
de
2010
com
os
trabalhos
preparatórios
de
três
dos
quatro
estudos
empíricos
 que
 integram
 o
 presente
 projecto
 de
 investigação,
 nomeadamente,
 o
 estudo
 etnográfico,
 entrevistas
 com
 os
 stakeholders
 e
 inquérito
 quantitativo.
 Em
 particular,
 o
 inquérito
 quantitativo
 arrancou
 mais
 cedo
 do
 que
 o
 programado,
 a
 pedido
 da
 Anacom,
 já
 que
 manifestou
interesse
em
obter
resultados
mais
cedo
do
que
o
definido
no
plano
de
trabalho.
 Desta
forma,
o
instrumento
foi
desenvolvido
e
re‐trabalhado
em
Setembro
2010,
seguindo‐ se
o
pré‐teste
do
instrumento,
que
decorreu
até
23
de
Outubro.
Em
simultâneo,
procedeu‐ se
ao
envio
de
pedido
de
propostas
de
orçamento
e
plano
a
quatro
empresas
de
estudos
de
 mercado
(GfK,
Eurosondagem,
IMR,
Intercampus),
tendo
sido
recebidas
as
propostas
até
15
 de
Outubro
de
2010.
A
escolha
recaiu
na
empresa
GfK,
que
já
antes
tinha
sido
responsável
 pela
aplicação
do
inquérito
do
Obercom
sobre
TV
digital
em
2008.
A
reunião
com
empresa
 seleccionada
decorreu
a
25
de
Outubro,
na
qual
ficou
acordado
o
calendário
de
aplicação
do
 inquérito
e
de
entrega
dos
resultados.
Assim,
o
trabalho
de
campo
teve
lugar
em
meados
de
 Novembro
e
a
base
de
dados
com
os
resultados
foram
entregues
no
início
de
Dezembro.
 No
âmbito
das
entrevistas
com
os
stakeholders,
a
equipa
começou
por
elaborar
o
 guião
de
entrevistas
de
Julho
a
Setembro
de
2010,
bem
como
a
lista
de
entidades,
empresas
 ou
especialistas
a
contactar
para
o
efeito.
O
trabalho
de
campo
estendeu‐se
para
além
do
 
 21

  • 22.
    intervalo
 de
 tempo
primeiro
 definido,
 já
 que
 alguns
 dos
 participantes
 tardaram
 em
 dar
 resposta
ao
pedido
de
entrevista:
a
equipa
contactou
mais
de
30
stakeholders
e
obteve
16
 entrevistas.
A
codificação
das
entrevistas
foi
efectuada
posteriormente
à
recepção
da
quase
 totalidade
das
entrevistas,
ao
longo
do
primeiro
semestre
de
2011,
com
recurso
ao
software
 de
análise
qualitativa
NVivo.
O
relatório
final
relativo
às
entrevistas
com
os
stakeholders
foi
 concluído
em
Setembro
de
2011.

 Para
o
estudo
etnográfico
optou‐se
por
circunscrever
o
trabalho
de
campo
às
três
 zonas‐piloto
 do
 desligamento
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre
 –
 a
 saber:
 Alenquer,
 Cacém
e
Nazaré.
Em
Julho
de
2010,
a
equipa
elaborou
o
guião
e
definiu
os
procedimentos
 para
 a
 realização
 das
 sessões
 de
 observação,
 bem
 como
 teve
 formação
 em
 NVivo.
 Em
 Setembro,
efectuou‐se
o
pré‐teste
do
guião
em
casa
de
três
famílias.

A
partir
de
finais
de
 Setembro,
 a
 equipa
 de
 investigação
 procedeu
 ao
 contacto
 com
 as
 respectivas
 câmaras
 ou
 juntas
de
freguesia
das
zonas‐piloto,
de
forma
a
obter
apoio
no
recrutamento
das
famílias,
 tarefa
 que
 acabou
 por
 ser
 mais
 morosa
 do
 que
 o
 inicialmente
 previsto,
 tendo
 o
 recrutamento
e
trabalho
de
campo
acabado
por
se
estender
até
Março
de
2011.
Em
paralelo
 com
o
trabalho
de
campo,
a
equipa
procedeu
à
digitalização
dos
vídeos,
análise
dos
vídeos
e
 das
notas
de
campo,
transcrição
de
entrevistas
semi‐estruturadas
e
finalmente,
codificação
 dos
 conteúdos,
 com
 apoio
 do
 software
 NVivo.
 A
 elaboração
 dos
 relatórios
 individuais
 foi
 sendo
 efectuada
 ao
 longo
 do
 primeiro
 semestre
 de
 2011,
 tendo
 sido
 entregue
 o
 relatório
 final
deste
estudo
em
Setembro
de
2011.
 
 
 O
quarto
e
último
estudo
empírico
–
estudo
de
usabilidade
–
arrancou
em
Maio
de
 2011,
 já
 que
 foi
 necessário
 mais
 tempo
 do
 que
 o
 previsto
 para
 a
 realização
 dos
 outros
 estudo
empíricos
que
integram
o
projecto,
bem
como
foi
necessário
o
empenho
da
equipa
 de
 investigação
 na
 organização
 e
 logística
 associada
 à
 conferência
 internacional
 EuroITV
 2011.
Ainda,
como
o
laboratório
de
usabilidade
da
Universidade
Lusófona
estava
em
obras
 foi
 necessário
 encontrar
 uma
 solução
 de
 recurso.
 A
 primeira
 opção
 acabou
 por
 ser
 descartada,
 devido
 a
 problemas
 técnicos
 na
 instalação
 de
 uma
 antena
 de
 televisão
 digital
 terrestre.
Assim,
o
recrutamento
da
amostra
e
respectivo
trabalho
de
campo
acabou
por
se
 atrasar,
tendo
coincidido
com
Julho
e
Agosto.
Em
Setembro,
o
trabalho
de
campo
foi
dado
 por
concluído.
O
relatório
do
estudo
e
usabilidade
foi
finalizado
em
meados
de
Outubro
de
 2011.
 Relativamente
 às
 acções
 de
 divulgação
 dos
 resultados
 do
 projecto,
 em
 finais
 de
 Dezembro
 de
 2010,
 a
 equipa
 de
 investigação
 da
 ULHT
 convocou
 os
 representantes
 dos
 parceiros
Obercom
e
Anacom
para
uma
reunião
de
divulgação
dos
primeiros
resultados
do
 
 22

  • 23.
    inquérito
 quantitativo.
 A
esta
 reunião
 seguiu‐se
 o
 envio
 de
 um
 press‐release
 no
 início
 de
 Janeiro
 de
 2011,
 bem
 como
 publicação
 no
 web
 site
 do
 projecto,
 com
 a
 informação
 considerada
como
mais
relevante.

 A
 2
 Março
 de
 2011,
 a
 equipa
 de
 investigação
 da
 ULHT
 organizou
 um
 workshop
 restrito
aos
parceiros
no
projecto,
para
apresentação
detalhada
de
processo
de
switchover
 na
Dinamarca
e
da
importância
da
acessibilidade
universal
em
TV
digital,
com
a
presença
de
 Peter
Olaf
Looms.

 De
 notar
 que
 no
 âmbito
 do
 projecto
 ADOPT‐TV,
 a
 equipa
 de
 investigação
 da
 ULHT
 foi
 responsável
 pela
 organização
 do
 importante
 evento
 na
 área
 da
 TV
 digital
 interactiva
 “EuroITV
2011”
‐
http://www.euroitv2011.org/
‐,
que
teve
lugar
de
29
de
Junho
a
1
de
Julho
 de
2011
–
cujo
o
relatório
final
se
encontra
anexado
a
este
documento
–
Relatório
“EuroITV
 2011”.
A
conferência
“EuroITV”
é
um
fórum
para
profissionais
e
académicos
da
Europa
e
de
 todo
 o
 mundo
 que
 trabalham
 ou
 têm
 interesse
 no
 campo
 televisão
 interactiva
 e
 vídeo
 na
 web.
 Esta
 conferência
 anual
 apresenta
 o
 estado‐da‐arte
 na
 academia
 e
 na
 indústria
 no
 campo
 da
 TV
 interactiva,
 tais
 como
 IPTV,
 mobile
 TV,
 produção
 de
 conteúdos
 digitais,
 usabilidade
e
avaliação
da
experiência
dos
utilizadores,
requisitos
técnicos,
infra‐estruturas
 e
 tecnologias
 futuras.
 O
 “EuroITV2011”
 teve
 como
 entidades
 organizadoras
 e
 de
 acolhimento
 a
 Universidade
 Lusófona
 Tecnologias
 e
 Humanidades
 (ULHT)
 e
 o
 Instituto
 Superior
 de
 Ciências
 do
 Trabalho
 e
 da
 Empresa
 (ISCTE).
 Esta
 foi
 a
 nona
 edição
 da
 série
 de
 conferências
 EuroITV,
 que
 teve
 início
 em
 2003
 e
 que
 desde
 então
 tem
 vindo
 progressivamente
a
crescer.
A
conferência
teve
lugar
por
duas
vezes
em
Brighton
(UK),
em
 Aalborg
 (Dinamarca),
 Atenas
 (Grécia),
 Amesterdão
 (Holanda),
 Salzburgo
 (Áustria),

 Lovaina
 (Bélgica)
e
Tampere
(Finlândia).
A
próxima
edição
decorre
em
Berlim
(Alemanha),
de
4
a
6
 de
Julho
de
2012,
sendo
organizada
pelo
Fraunhofer
Institute.
 Ainda,
 a
 equipa
 de
 investigação
 esteve
 activamente
 envolvida
 na
 organização
 do
 colóquio
“Media
e
Deficiência”,
que
decorreu
a
28
de
Setembro
de
2011
na
Universidade
 Lusófona,
 com
 organização
 conjunta
 entre
 a
 universidade
 e
 o
 Gabinete
 para
 os
 Meios
 de
 Comunicação
 Social
 (GMCS).
 No
 web
 site
 do
 colóquio
 serão
 publicados
 os
 vídeos
 das
 sessões,
 bem
 como
 outra
 documentação
 relacionada
 com
 a
 temática
 da
 deficiência
 e
 os
 media:
http://www.mediaedeficiencia.com/
.
Finalmente,
o
workshop
final
de
divulgação
e
 disseminação
dos
resultados
do
projecto
deve
decorrer
até
ao
final
de
2011,
em
data
a
fixar.
 No
web
site
ADOPT‐DTV
‐
http://adoptdtv.ulusofona.pt/
‐
lançado
em
Novembro
de
 2010
 ‐
 encontra‐se
 toda
 a
 documentação
 essencial
 relativa
 ao
 presente
 projecto
 de
 investigação,
 tais
 como
 os
 artigos
 científicos
 aceites
 em
 conferências
 e
 em
 publicações
 
 23

  • 24.
    científicas,
 relatórios
 dos
estudos
 empíricos
 e
 de
 revisão
 de
 bibliografia,
 bem
 como
 outras
 informações
 de
 interesse
 relacionados
 com
 a
 transição
 da
 TV
 analógica
 terrestre
 para
 o
 digital.
 Já
 em
 Outubro
 de
 2011,
 a
 equipa
 de
 investigação
 criou
 uma
 página
 do
 Facebook,
 para
 divulgação
 e
 disseminação
 dos
 principais
 resultados
 do
 projecto,
 disponível
 no
 endereço:
http://www.facebook.com/pages/TDT‐Adopt‐DTV/248275598555929

 Relativamente
à
apresentação
de
artigos
em
conferências
e
à
publicação
de
artigos
 em
 revistas
 científicas,
 até
 30
 de
 Outubro
 de
 2011
 estes
 são
 os
 artigos
 e
 relatórios
 já
 apresentados
e
publicados,
bem
como
os
artigos
já
com
publicação
garantida.
 
 
 Indicadores
de
realização
do
projecto
–
ver
6.
Anexos
para
lista
completa
 
 (*
até
final
de
2011
e
ao
longo
de
2012,
a
equipa
de
investigação
vai
continuar
a
submeter
artigos
a
 conferências
e
revistas
nacionais
e
internacionais)
 
 P
 R
 A
–
Publicações
 
 
 Livros
 2
 6*
 Artigos
em
revistas
internacionais
 5
 5*
 Artigos
em
revistas
nacionais
 6
 3*
 B
–
Comunicações
 
 
 Em
congressos
científicos
internacionais
 6
 6*
 Em
congressos
científicos
nacionais
 4
 2*
 C‐
Relatórios
 4
 8
 D‐
Organização
de
seminários
e
conferências
 2
 4
 E‐
Formação
Avançada
 
 
 Teses
de
Doutoramento
 
1
 1
 Teses
de
Mestrado
 1
 1
 Outra
 0
 1
 F‐
Modelos
 1
 1
 
 
 24

  • 25.
    
 3.
Resultados
principais
 
 1.
Posse
de
TV
em
sinal
aberto
e
de
TV
por
subscrição:
taxa
de
penetração
e
perfis
 ‐
A
percentagem
da
população
de
Portugal
Continental
que
recebe
exclusivamente
 televisão
em
sinal
aberto
deve
situar‐se
próximo
dos
38%,
em
Setembro
de
2011.
 No
 último
 inquérito
sobre
 TV
 digital
 da
 Universidade
 Lusófona
 realizado
 em
 Setembro
 de
 20115,
 61.7%
 afirmaram
 ter
 TV
 paga
 em
 casa
 (n=742),
 o
 que
 implica
 que
 38.3%
 dos
 inquiridos
não
possuem
TV
paga
(n=460).
Estes
dados
coincidem
os
valores
do
Barómetro
 de
 Telecomunicações
 da
 Marktest,
 que
 estimou
 em
 61.9%
 a
 penetração
 de
 TV
 paga
 em
 Portugal
 Continental,
 em
 Junho
 de
 2011
 (Anacom,
 2011).
 Já
 os
 valores
 avançados
 pela
 Anacom
 variam
 consoante
 o
 denominador
 considerado:
 49.5
 assinantes
 por
 cada
 100
 alojamentos,
 caso
 se
 considere
 o
 total
 de
 alojamentos
 familiares
 clássicos
 (o
 que
 inclui
 alojamentos
de
residência
habitual
e
de
uso
sazonal
ou
residências
secundárias),
enquanto
 que
 considerando
 o
 total
 de
 famílias
 clássicas,
 a
 Anacom
 (2011)
 estimou
 que
 72.2%
 são
 assinantes
 de
 TV
 por
 subscrição
 no
 segundo
 trimestre
 de
 2011.
 Considerando
 que
 a
 população
residente
em
Portugal
Continental6
é
de
10.041.813
indivíduos
(população
total:
 10.555.853
 indivíduos),
 de
 acordo
 com
 últimos
 dados
 apurados
 pelo
 Instituto
 Nacional
 de
 Estatística
 (2011),
 podemos
 estimar
 que
 cerca
 de
 3,8
 milhões
 de
 Portugueses
 usufruem
 exclusivamente
dos
canais
de
televisão
em
sinal
aberto
em
sua
casa.
 Em
relação
aos
resultados
apurados
no
primeiro
inquérito
quantitativo
realizado
no
 âmbito
 do
 projecto
 ADOPT‐DTV,
 54,7%
 usufruíam
 de
 um
 serviço
 de
 TV
 paga
 em
 casa
 (n=655),
o
que
significa
que
45,3%
do
total
dos
participantes
recebiam
somente
televisão
 em
sinal
aberto
(n=543).
O
trabalho
de
campo
deste
inquérito
decorreu
em
Novembro
de
 2010,
junto
de
uma
amostra
de
1.205
participantes,
dos
quais
99.4%
possuíam
pelo
menos
 um
televisor
em
casa
(n=1198).

 



































































 5 
Inquérito
realizado
no
âmbito
do
projecto
de
investigação
“iDTV‐Health:
Inclusive
services
to
promote
health
 and
wellness
via
digital
interactive
television”
(UTA‐Est/MAI/0012/2009),
cujo
trabalho
de
campo
decorreu
de
16
 a
27
de
Setembro
de
2011,
junto
de
uma
amostra
representativa
da
população
Portuguesa
com
mais
de
18
anos,
 constituída
por
1.207
inquiridos,
dos
quais
1.202
participantes
afirmaram
ter
TV
em
casa.
 6 
De
notar
que
a
Região
Autónoma
dos
Açores
e
Região
Autónoma
da
Madeira
tem
uma
taxa
de
penetração
de
 TV
paga
muito
superior
à
de
Portugal
Continental,
respectivamente
com
95
assinantes
por
100
alojamentos
e
81
 assinantes
por
100
alojamentos.
Fonte
–
Anacom
(2011)
“Serviço
de
Televisão
por
Subscrição
‐
2º
trimestre
de
 2011”
http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1096827
 
 25

  • 26.
    Tabela
1:
Posse
de
TV
paga
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health
‐
ULHT,
2011) 
 Novembro
2010
 Janeiro
2011
 Setembro
2011
 (n=1198)
 (n=1198)
 (n=1202)
 %
 %
 %
 Sim
 54.7
 59.5
 61.7
 Não
 45.3
 40.5
 38.3
 
 De
 modo
 a
 compreender
 melhor
 quais
 os
 perfis
 dos
 espectadores
 com
 TV
 por
 subscrição
e
sem
TV
por
subscrição,
a
seguir
se
apresenta
a
análise
estatística
descritiva
e
 inferencial
 de
 algumas
 variáveis,
 tendo
 por
 base
 o
 inquérito
 principal
 do
 ADOPT‐DTV,
 cujo
 trabalho
 de
 campo
 decorreu
 em
 Novembro
 de
 2010.
 As
 análises
 realizadas
 respeitam
 um
 nível
 de
 confiança
 de
 95%
 (α
 =
 0,05)
 tendo
 sido
 usado
 o
 teste
 do
 Qui‐Quadrado,
 uma
 vez
 que
 se
 evidenciou
 como
 o
 mais
 adequado
 e
 potente.
 Quando
 os
 pressupostos
 do
 Qui‐ Quadrado
não
foram
verificados
recorreu‐se
ao
uso
do
Teste
Exacto
de
Fisher.
 
 No
 que
 respeita
 ao
 perfil
 socioeconómico
 dos
 assinantes
 de
 TV
 paga,
 os
 dados
 indicam
que
as
variáveis
sexo
e
TV
por
assinatura
não
são
independentes,
verificando‐se
a
 existência
 de
 diferenças
 estatisticamente
 significativas
 entre
 género
 masculino
 e
 feminino
 quanto
à
posse
de
TV
paga
(χ2
(1)
=0,185,
p
=
0,667,
n
=
1.198;
α
=
0,05).
Os
dados
indicam
 que
existe
uma
percentagem
maior
de
participantes
do
sexo
feminino
que
têm
TV
paga
em
 casa,
 quando
 comparado
 com
 os
 participantes
 do
 sexo
 masculino.
 Encontramos
 também
 uma
 diferença
 estatisticamente
 significativa
 entre
 a
 idade
 e
 a
 TV
 paga,
 indicando
 que
 os
 participantes
mais
velhos
são
menos
propensos
a
ter
TV
paga
nas
suas
próprias
casas
(χ2
(5)
 =
73,879,
p
<0,001,
n
=
1198;
α
=
0,05).
Verificou‐se
ainda
uma
correlação
negativa
razoável
 e
significativa
entre
a
idade
e
posse
de
TV
por
assinatura
(P
=‐
0,25,
p
<0,001).
 
 Tabela
2:
TV
paga
e
TV
em
sinal
aberto
vs.
idade
(ADOPT‐DTV,
Novembro
de
2010)
 
 Amostra
total
 TV
paga

 TV
em
sinal
aberto
 %
 %
 %
 18‐24
anos
 12
 14.2
 7.2
 25‐34
anos
 21
 24
 17.5
 35‐44
anos
 19.1
 20.8
 17
 45‐54
anos
 18.2
 19.2
 16.6
 55‐64
anos
 13.3
 11.3
 15.8
 +
65
anos
 16.4
 8.2
 23
 
 26

  • 27.
    Em
relação
ao
status
dos
participantes
com
TV
paga,
foi
encontrada
uma
correlação
 positiva
 (V
 =
 0,244;
 p
 <0,001)
 e
 diferenças
 estatisticamente
 significativas.
 Estes
 dados
 indicam
 que
 os
 participantes
 com
 um
 nível
 de
 status
 mais
 elevado
 (A,
 B)
 têm
 maior
 probabilidade
de
ter
TV
paga
em
casa
do
que
indivíduos
nos
grupos
menos
favorecidos
(D,
 E),
estando
consideravelmente
abaixo
da
média
na
subscrição
de
serviços
de
TV
paga
(χ2(4)
 =
71,093;
p
<0,001;
n
=
1.198;
α
=
0,05).

 
 Tabela
3:
TV
paga
e
TV
em
sinal
aberto
vs.
Status
(ADOPT‐DTV,
Novembro
de
2010)
 
 Amostra
total
 TV
paga
 TV
em
sinal
aberto
 %
 %
 %
 A
 2.7
 4
 0.7
 B
 13.9
 19
 8.5
 C

 19.6
 24
 14.9
 D

 48.8
 40
 59.1
 E
 15
 13
 16.8
 
 Em
 relação
 às
 pessoas
 com
 necessidades
 especiais,
 nomeadamente
 aos
 indivíduos
 com
 deficiências
visuais,
auditivas
e
de
mobilidade,
mais
uma
vez
encontramos
uma
correlação
 positiva
entre
a
deficiência
e
a
posse
de
TV
em
sinal
aberto.
Os
resultados
indicam
ainda
a
 existência
 de
 diferenças
 significativas
 entre
 essas
 variáveis,
 revelando
 que
 os
 participantes
 com
 deficiência
 auditiva,
 visual
 ou
 de
 mobilidade
 são
 mais
 propensos
 a
 ter
 TV
 em
 sinal
 aberto
nas
suas
casas
(deficiência
visual
χ2
(4)
=
21,422,
p
<0,001,
n
=
1.198;
α
=
0,05;
V
=
 0,134,
p
<0,001;
deficiência
auditiva
χ2
(4)
=
42,303,
p
<0,001,
n
=
1.198;
α
=
0,05;
V
=
0,188,
 p
<0,001;
mobilidade
reduzidaχ2
(4)
=
66,131;
p
<0,001,
n
=
1.198;
V
=
0,235,
p
<0,001;
α
=
 0,05).

 
 Tabela
4:
TV
paga
e
TV
em
sinal
aberto
vs.
Deficiências
visuais
(ADOPT‐DTV,
2011)
 Dificuldades
em
ver
 Amostra
total
 TV
paga
 TV
em
sinal
aberto

 %
 %
 %
 Nenhuma
 62.3
 68.8
 56
 Um
pouco
 13.9
 12.7
 15.5
 Alguma
 18
 14.8
 22.1
 Muita
 5.1
 4.1
 6.4
 Não
vejo
 0.1
 0.2
 0
 
 27

  • 28.
    
 Tabela
5:
TV
paga
e
TV
em
sinal
aberto

vs.
Deficiências
auditivas
(ADOPT‐DTV,
2011)
 Dificuldades
em
ouvir
 Amostra
total
 TV
paga
 TV
em
sinal
aberto

 %
 %
 %
 Nenhuma
 80
 86.7
 71.8
 Um
pouco
 9.4
 6.4
 13
 Alguma
 8.5
 5.8
 11.8
 Muita
 1.9
 0.9
 3.1
 Não
ouço
 0.2
 0.3
 0.2
 
 Tabela
6:
TV
paga
e
TV
em
sinal
aberto
vs.
Deficiências
motoras
(ADOPT‐DTV,
2011)
 Dificuldades
em
andar

 Amostra
total
 TV
paga
 TV
em
sinal
aberto

 %
 %
 %
 Nenhuma
 77.1
 85.5
 67
 Um
pouco
 10
 7.6
 12.9
 Alguma
 8.8
 5.6
 12.7
 Muita
 3.7
 1.1
 6.8
 Não
ando
 0.3
 0.2
 0.6
 
 Em
resumo,
com
base
nos
resultados
do
primeiro
inquérito
quantitativo
aplicado
a
 uma
 amostra
 representativa
 da
 população
 Portuguesa
 no
 âmbito
 do
 projecto
 ADOPT‐DTV,
 podemos
afirmar
que
os
indivíduos
com
TV
paga
em
Portugal
são
sobretudo
jovens
adultos
 e
 adultos
 de
 meia
 idade,
 mais
 propensos
 a
 ter
 níveis
 mais
 elevados
 de
 educação
 e
 a
 pertencer
a
grupos
de
status
mais
alto
(A
/
B
/
C)7
e
menos
propensos
a
ter
algum
tipo
de
 deficiência
 (visual,
 auditiva
 ou
 de
 mobilidade).
 Por
 outro
 lado,
 os
 indivíduos
 sem
 TV
 paga
 em
Portugal
são
mais
propensos
a
ter
uma
idade
elevada,
a
ter
mais
de
55
anos
de
idade,
 a
possuir
baixos
níveis
de
habilitações
académicas
e
um
baixo
status
(D
/
E)
e,
finalmente,
 a
possuir
algum
nível
de
deficiência
(auditiva,
visual
ou
de
mobilidade)8.
 
 
 



































































 7 

O
status
é
determinado
pela
empresa
de
estudos
de
mercado
GfK
com
base
no
nível
de
escolaridade
e
na
 ocupação
do
respondente:
mais
detalhes
nos
anexos
a
este
relatório.
 8
Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
artigo:
 Quico,
Célia;
Damásio,
Manuel
José;
Henriques,
Sara
&
Veríssimo,
 Iolanda
 (2011).
 “Perfis
 de
 adopters
 de
 TV
 digital
 no
 contexto
 do
 processo
 de
 transição
 da
 televisão
 analógica
 terrestre
para
a
televisão
digital
terrestre
em
Portugal”.
In
Proc.
of
SOPCOM
2011.
Universidade
do
Porto,
Porto/
 Portugal.

15
‐
17

Dezembro
2011.
 
 28

  • 29.
    2.
Tipo
de
acesso
a
TV
em
sinal
aberto
 
 ‐
Verifica‐se
que
a
recepção
de
TV
analógica
terrestre
se
mantém
como
largamente
 dominante
 junto
 dos
 Portugueses
 sem
 TV
 paga,
 sendo
 o
 acesso
 à
 TDT
 pouco
 expressivo,
estimando‐se
que
35%
da
população
de
Portugal
Continental
possa
ser
 afectada
com
o
desligamento
do
sinal.
 
 
 No
último
inquérito
sobre
TV
digital
realizado
em
Setembro
de
2011,
dos
460
inquiridos
que
 responderam
 negativamente
 à
 questão
 “tem
 TV
 paga”
 (total
 inquiridos
 com
 TV
 =1.202),
 92.4%
 afirmaram
 receber
 TV
 analógica
 através
 da
 antena
 tradicional
 (n=425)
 e
 3%
 indicaram
ter
TDT
(n=14),
enquanto
que
2.6%
referiram
receber
TV
gratuitamente
através
 de
 parabólica
 e
 2.6%
 não
 sabem
 ou
 não
 responderam
 a
 esta
 questão.
 De
 notar
 que
 no
 inquérito
 anterior,
 realizado
 em
 Novembro
 de
 2010,
 do
 conjunto
 de
 inquiridos
 que
 indicaram
não
ter
TV
paga,
96.7%
afirmaram
ter
TV
analógica
terrestre,
enquanto
que
1.8%
 afirmaram
 receber
 o
 sinal
 de
 TV
 por
 uma
 parabólica
 e
 1.1%
 afirmaram
 receber
 TDT,
 com
 0.7%
 a
 optarem
 por
 não
 responder
 e
 0.2%
 dos
 inquiridos
 a
 identificarem
 outro
 tipo
 de
 acesso.
 Deste
 modo,
 verificou‐se
 uma
 ligeira
 subida
 da
 percentagem
 dos
 que
 afirmam
 ter
 TDT,
que
passou
de
1.1%
para
3%
dos
inquiridos
sem
TV
paga.
 
 
 
 Tabela
7:
Tipo
de
acesso
à
televisão
gratuita
no
agregado
familiar
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)
 
 Novembro
2010
 Setembro
2011
 (n=543)
 (n=460)
 %
 %
 Antena
tradicional
(analógica,
sem
TV
por
 96.7
 92.4
 subscrição)
 Televisão
digital
Terrestre
(TDT=
 1.1
 3
 Por
satélite/
com
parabólica
(gratuita)
 1.8
 2.6
 Outro
tipo
de
acesso
 0.2
 0.2
 Não
sabe/
não
responde
 0.7
 2.6
 (nota:
havia
a
possibilidade
de
escolher
mais
do
que
uma
opção)
 
 No
 estudo
 etnográfico,
 realizado
 junto
 de
 30
 famílias
 das
 3
 zonas‐piloto
 do
 desligamento
da
emissão
analógica
terrestre
de
televisão,
5
das
famílias
entrevistadas
não
 eram
assinantes
de
serviços
de
televisão
(famílias
5,
8,
9,
17
e
23).
Já
no
caso
do
estudo
de
 usabilidade,
dos
20
participantes
que
colaboraram
na
avaliação
dos
equipamentos
de
TDT,
4
 não
eram
subscritores
de
um
serviço
de
TV
paga.
 
 
 
 29

  • 30.
    3.
Conhecimento
sobre
a
TV
digital
e
TDT

 
 ‐
Estima‐se
que
a
maioria
dos
Portugueses
já
tenha
ouvido
falar
em
TV
digital
e
em
 TDT,
 mas
que
 na
 maior
 parte
 dos
 casos
 tenham
 dificuldades
 em
 definir
 ou
 caracterizar
estas
tecnologias.
 
 Em
 relação
à
 familiaridade
 com
 os
 termos
e
expressões‐chave
associadas
à
TV
digital
,
em
 primeiro
 lugar,
 78.2%
 dos
 participantes
 no
 inquérito
 realizado
 em
 Setembro
 de
 2011
 conhecem
ou
já
ouviram
falar
de
TV
digital.
Num
segundo
inquérito
no
âmbito
do
projecto
 ADOPT‐DTV
 realizado
 em
 Janeiro
 de
 2011
 e
 divulgado
 em
 Março,
 75.5%
 responderam
 afirmativamente
a
esta
questão,
pelo
que
se
verifica
um
ligeiro
acréscimo
neste
indicador.
 Já
 sobre
 o
 termo
 “televisão
 digital
 terrestre”,
 em
 Janeiro
 de
 2011,
 46.1%
 dos
 inquiridos
 afirmaram
 já
 ter
 ouvido
 falar
 desta
 plataforma
 de
 distribuição
 de
 sinal
 de
 TV
 digital,
enquanto
que
no
inquérito
de
Setembro
de
2011,
72%
dos
inquiridos
responderam
 já
 ter
 ouvido
 falar
 de
 TDT,
 o
 que
 representa
 uma
 subida
 assinalável
 num
 intervalo
 de
 8
 meses.
 Ainda
 de
 referir
 que
 14.3%
 dos
 inquiridos
 responderam
 conhecer
 a
 expressão
 “switchover
 digital”
 neste
 último
 estudo,
 enquanto
 que
 em
 Janeiro
 de
 2011,
 11%
 responderam
já
ter
ouvido
falar
desta
expressão.
 
 
 Tabela
8:
Conhecimento
de
expressões
associadas
à
TV
digital
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)
 
 
 Janeiro
2011
 Setembro
2011
 (n=1198)
 (n=1202)
 %
 %
 
 Sim,
já
ouvi
falar
de...
 Sim,
já
ouvi
falar
de...
 TV
Digital
 75.5
 78.2
 TV
de
alta
definição
(HD
 69.4
 69.8
 Switchover
digital
 11
 14.3
 Televisão
Digital
Terrestre
(TDT)
 46.1
 72
 BOX/Caixa
descodificadora
(STB)
 61.8
 70.6
 
 O
 estudo
 etnográfico
 é
 esclarecedor
 quanto
 à
 diferença
 entre
 já
 ter
 ouvido
 falar
 sobre
 TV
 digital
 e
 saber
 definir
 ou
 caracterizar
 TV
 digital.
 Assim,
 verifica‐se
 um
 desconhecimento
 generalizado
 sobre
 as
 características
 da
 TV
 digital:
 das
 30
 famílias
 que
 integraram
 o
 estudo,
 em
 26
 famílias
 pelo
 menos
 um
 dos
 seus
 membros
 afirmou
 já
 ter
 ouvido
falar
no
tema,
mas
apenas
3
participantes
do
total
de
63
entrevistados
neste
estudo
 
 30

  • 31.
    foram
capazes
de
explicar
no
que
consiste
este
tipo
de
transmissão
de
sinal
de
televisão
e
de
 dados
e
quais
das
suas
características.
 Nestas
famílias
em
que
pelo
menos
um
dos
seus
elementos
afirmou
ter
ouvido
falar
 em
 televisão
 digital,
 esta
 informação
 chegou
 através
 dos
 media
 nacionais
 ou
 locais,
 de
 familiares
 ou
 de
 amigos,
 de
 técnicos
 especializados,
 ou
 das
 empresas
 operadoras
 de
 televisão,
 via
 telefone.
 «Eu
 ouvi
 na
 televisão,
 até
 parece
 que
 ia
 ser
 a
 partir
 de
 Janeiro
 ou
 qualquer
coisa,
mas
não
sei
bem...»,
aponta
Sofia,
alenquerense
de
37
anos.
«Já
ouvi
falar,
 através
do
senhor
das
televisões,
o
nosso
técnico.
Ele
já
tinha
dito
que
qualquer
dia…
E
disse
 que
Alenquer
era
uma
das
zonas
de
experiência‐piloto»,
conta
Carla,
de
65
anos,
depois
de
 explicar
 que,
 quando
 comprou
 a
 sua
 última
 televisão,
 lhe
 disseram
 que
 esta
 já
 estava
 equipada
com
«não
sei
o
quê
para
a
era
digital».
«Fui
abordado
pelo
telefone,
por
mais
de
 uma
 vez
 (…)
 Falaram
 em
 televisão
 digital,
 diziam
 que
 iam
 aplicar
 um
 equipamento
 para
 poder
fazer
a
transformação
no
caso
dos
televisores
que
já
existem,
porque
os
futuros
vêm
já
 preparados»,
 refere
 Manuel,
 de
 71
 anos,
 sublinhando
 que
 é
 pelo
 telefone,
 através
 das
 empresas,
 que
 normalmente
 lhe
 chegam
 as
 primeiras
 informações
 sobre
 equipamentos
 tecnológicos.
 Apesar
 de,
 aparentemente,
 as
 pessoas
 se
 demonstrarem
 familiarizadas
 com
 o
 termo,
 as
 ideias
 sobre
 televisão
 digital
 parecem
 ser
 vagas
 em
 21
 das
 26
 famílias
 que
 afirmaram
 já
 ter
 ouvido
 falar
 no
 tema,
 chegando
 alguns
 indivíduos
 a
 relacionar
 televisão
 digital
com
aspectos
ainda
distantes
da
realidade.
«O
que
eu
entendi
como
TV
Digital
é
que
 são
aquelas
televisões
em
que
a
gente
não
precisa
de
ter,
por
exemplo,
um
comando
para
 ligar
e
desligar»,
sugere
Adelaide,
de
37
anos.
«Agora
já
não
há
comandos,
já
não
há
nada.
É
 tudo
 pelo
 ecrã,
 muito
 fininho»,
 explica
 Luísa,
 apostando
 na
 mesma
 ideia,
 de
 que
 digital
 é
 sinónimo
 de
 ”touch”.
 Na
 verdade,
 apesar
 de
 mais
 de
 40
 indivíduos,
 de
 26
 famílias,
 terem
 assumido
conhecer
o
termo
“televisão
digital”,
muito
poucos
souberam
defini‐la,
sendo
as
 expressões
mais
recorrentes:
«já
ouvi
falar
na
televisão
digital,
mas
muito
sinceramente
não
 tenho
bem
uma
ideia
do
que
é…»
(Sónia,
35
anos);
«Ouvir
falar
já
ouvi,
mas
não
estou
assim
 muito
por
dentro…»
(Isabel,
73
anos);
«Já
ouvi
falar.
Mas,
no
fundo,
não
sei
mesmo
o
que
é
 que
 se
 passa»
 (Adelaide,
 37
 anos);
 «Eu
 ouvi
 falar,
 mas
 não
 liguei
 nenhuma»
 (Américo,
 77
 anos).
 Por
 outro
 lado,
 quase
 não
 se
 ouviram
 definições
 precisas
 de
 televisão
 digital,
 destacando‐se
 apenas
 três
 respostas
 mais
 concretas:
 «A
 ideia
 que
 eu
 tenho
 é
 que
 é
 um
 formato
 diferente,
 que
 tem
 a
 capacidade
 de
 transportar
 muito
 mais
 informação.
 O
 que
 permite
uma
série
de
funcionalidades.
No
imediato,
uma
melhor
qualidade
de
imagem
e
de
 
 31

  • 32.
    som.
E
depois
uma
série
de
funcionalidades
que
a
TV
normal
não
permite»,
explicou
Carlos,
 de
37
anos;
«É
diferente,
vai
ser
uma
televisão
com
mais
qualidade…
É
o
que
dizem…
Mais
 qualidade
de
emissão»,
definiu
Jorge,
de
64
anos;
«Fala‐se
muito
na
televisão
digital.
Que
é
 um
 sistema
 de
transmissão
 de
 televisão
 diferente
 daquele
 actualmente
 está
 em
 uso.
 Os
 pormenores
 técnicos,
 não
 sei.
 A
 ideia
 que
 eu
 tenho
 é
 que
 é
 uma
 coisa
 nova,
 que
 vai
 ser
 aplicada
em
Portugal,
mas
não
só
na
televisão.
Noutros
sistemas
de
comunicação
também»,
 considerou
Manuel,
de
71
anos9.
 
 
 4.
Vantagens
e
desvantagens
associadas
à
TV
digital

 
 ‐
 A
 reduzida
 percepção
 das
 vantagens
 e
 desvantagens
 associadas
 à
 TV
 digital
 é
 a
 situação
 mais
 comum
 verificada,
 sendo
 o
 custo
 identificado
 como
 a
 principal
 desvantagem
 e
 a
 melhoria
 da
 qualidade
 de
 imagem
 e
 som
 percebida
 como
 a
 principal
vantagem.
 
 No
 estudo
 etnográfico
 realizado
 junto
 de
 30
 famílias
 das
 zonas‐piloto
 do
 desligamento
 foi
 perceptível
a
hesitação
dos
indivíduos
ao
falar
das
vantagens
e
desvantagens
da
televisão
 digital.
Ainda
assim,
a
vantagem
mais
mencionada
foi
a
melhor
qualidade
de
imagem
e
som,
 seguida
da
alta
definição
e
do
3D.
A
desvantagem
mais
apontada
foi
o
custo
que
a
TV
digital
 implica.
 Entre
 as
 26
 famílias
 em
 que
 pelo
 menos
 um
 dos
 seus
 elementos
 admitiu
 já
 ter
 ouvido
falar
em
TV
digital,
um
ou
mais
dos
respectivos
elementos
de
15
famílias
afirmaram
 não
saber
quais
são
os
seus
benefícios
e
em
11
famílias
pelo
menos
um
dos
seus
membros
 disseram
 não
 conhecer
 quais
 as
 desvantagens.
 Depois
 do
 maioritário
 “não
 sei”
 (por
 15
 famílias),
a
vantagem
mais
mencionada
foi
a
melhoria
da
qualidade
de
imagem
e
do
som
 (por
6
famílias).
Seguidamente,
em
2
famílias,
a
possibilidade
de
trazer
a
alta
definição
ou
o
 3D
 para
 as
 salas
 de
 estar
 são
 vantagens
 reconhecidas,
 tal
 como
 a
 possibilidade
 de
 haver
 mais
 canais
 (2
 famílias),
 mais
 serviços
 e
 funcionalidades
 (2
 famílias).
 A
 diversificação
 dos
 conteúdos,
 a
 redução
 das
 falhas
 técnicas
 e
 a
 evolução
 tecnológica
 foram
 outras
 das
 vantagens
mencionadas
pelos
entrevistados.

 



































































 9
Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
relatório:
Veríssimo,
Iolanda;
Henriques,
Sara
&
Quico,
Célia
(2011)
 “ADOPT‐DTV:
Estudo
Etnográfico”.
 
 32

  • 33.
    Há,
por
outro
lado,
quem
não
encontre
qualquer
vantagem
na
televisão
digital.
No
 Cacém,
 Ana,
 de
34
 anos,
 considera
 que
 as
 vantagens
 da
 televisão
 digital
 são
 «coisas
 que
 mulheres
 não
 reparam».
 Em
 casa
 dos
 Baptista,
 por
 exemplo,
 a
 mãe,
 Sofia,
 de
 37
 anos,
 admite
que
não
vê
nenhuma
vantagem
na
TV
digital,
ao
que
a
filha
mais
nova,
Filipa,
de
10
 anos,
responde:
«Oh
mãe,
eu
vejo
vantagens.
Imagine
que
decide
dar
o
jantar
numa
altura
 que
 está
 a
 dar
 um
 programa
 importante,
 eu
 posso
 meter
 na
 pausa
 e
 assim
 não
 perco
 o
 programa...».
 Apesar
de
11
famílias
referirem
que
não
sabem
o
suficiente
sobre
a
TV
digital
para
 apontar
 as
 suas
 desvantagens,
 os
 custos
 são
 o
 primeiro
 “senão”
 de
 quem
 se
 atreve
 a
 sugerir
 os
 inconvenientes
 deste
 tipo
 de
 transmissão.
 «As
 desvantagens
 são
 para
 a
 carteira!»,
 exclama
 Jacinto,
 de
 32
 anos.
 «É
 mais
 uma
 coisa
 para
 a
 gente
 gastar
 dinheiro»,
 completa
 Sandra,
 de
 34
 anos.
 «É
 conforme
 o
 custo
 dela…»,
 aponta
 Laura,
 de
 70
 anos,
 virando‐se
para
o
irmão
que
diz
ainda
não
conhecer
as
desvantagens
da
TV
digital,
por
não
 ter
 informação
 suficiente
 sobre
 o
 assunto.
 Depois,
 a
 obrigatoriedade
 da
 adesão,
 a
 necessidade
 de
 adaptar
 os
 equipamentos
 e
 a
 necessidade
 de
 haver
 dois
 comandos
 são
 desvantagens
 mencionadas
 pelas
 famílias.
 Clara,
 de
 67
 anos,
 habitante
 de
 Alenquer,
 considera
que
o
facto
de
não
haver
nenhuma
vantagem
evidente
na
mudança,
mas
apenas
a
 obrigação
de
mudar,
é
a
maior
das
desvantagens:
«Não
há
motivação…».
 É
de
salientar
que
as
vantagens
da
TV
digital
mais
mencionadas
pelos
entrevistados
 não
coincidem
com
as
principais
razões
que
estes
dizem
poder
levar
a
aderir
à
TV
digital.
 Neste
 caso,
 o
 aumento
 da
 grelha
 de
 canais
 e
 a
 existência
 de
 pacotes
 vantajosos
 são
 as
 razões
mais
mencionadas,
em
vez
da
melhoria
da
qualidade
de
imagem,
da
alta
definição
e
 do
 3D10.
 A
 título
 de
 exemplo,
 a
 existência
 de
 pacotes
 vantajosos
 foi
 a
 segunda
 motivação
 mais
citada
pelos
entrevistados
quando
falavam
nas
razões
para
aderir
à
TV
digital.
No
caso
 de
Sandra,
o
pacote
que
englobava
telefone
fixo,
televisão
e
internet
ficava
mais
em
conta
e
 proporcionava‐lhe
mais
comodidade
para
falar
com
a
filha,
que
vive
com
o
pai
biológico:
«A
 gente
teve
que
pôr
MEO
porque
eu
assim
falo
mais
vezes
com
a
minha
filha.
Porque
se
eu
 não
tivesse
telefone
em
casa,
tinha
que
ir
a
uma
cabine
telefonar
até
às
20h30.
E
assim
com
 telefone
em
casa,
até
às
dez
da
noite
eu
posso
telefonar‐lhe.
É
uma
coisa
boa
que
eu
tenho».

 
 
 



































































 10
Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
relatório:
Veríssimo,
Iolanda;
Henriques,
Sara
&
Quico,
Célia
(2011)
 “ADOPT‐DTV:
Estudo
Etnográfico”.
 
 33

  • 34.
    5.
Conhecimento
sobre
o
desligamento
da
emissão
de
TV
analógica
terrestre
 
 ‐
 Estima‐se
 que
 a
 maioria
 da
 população
 Portuguesa
 desconheça
 qual
 a
 data
 prevista
do
desligamento
da
emissão
de
TV
analógica
terrestre,
a
3
meses
do
início
 do
switch‐off.
 
 No
último
inquérito
sobre
TV
digital
realizado
em
Setembro
de
2011,
59%
dos
participantes
 revelaram
desconhecer
o
ano
do
desligamento
da
emissão
da
TV
analógica
terrestre,
com
 41%
dos
inquiridos
a
identificar
correctamente
2012,
5.2%
a
indicarem
o
ano
de
2011,
0.7%
 a
referirem
ser
o
ano
de
2013
e
0.2%
a
indicarem
outro
ano,
enquanto
que
52.7%
de
todos
 os
inquiridos
afirmaram
não
saber
qual
o
ano
do
“apagão”
11
 De
sublinhar
que
dos
460
inquiridos
que
não
possuem
TV
paga,
62%
desconhecem
 que
em
2012
está
previsto
o
desligamento
do
sinal
de
TV
analógica
terrestre.
Assim,
56.5%
 deste
 inquiridos
 responderam
 não
 saber
 para
 que
 ano
 está
 previsto
 o
 “apagão”
 da
 TV
 analógica
 terrestre,
 4.3%
 indicaram
 o
 ano
 de
 2011,
 38%
 apontaram
 correctamente
 2012,
 0.9%
referiram
ser
o
ano
de
2013,
enquanto
que
0.2%
indicaram
outro
ano.
 
 
 Tabela
9:
Conhecimento
do
ano
do
switchover
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)
 
 
 
 Janeiro
2011
 Setembro
2011
 Setembro
2011
 (n=1198;
todos
os
 (n=1202;
todos
os
 (n=460;
inquiridos
sem
 inquiridos
com
TV)
 inquiridos
com
TV)
 TV
paga)
 %
 %
 %
 Não
sei
 85.4
 52.7
 56.5
 Sim,
para
2011
 6.1
 5.2
 4.3
 Sim,
para
2012
 7.8
 41
 38
 Sim,
para
2013
 0.7
 0.7
 0.9
 Sim,
outro
ano
 0%
 0.2%
 0.2%
 
 Em
relação
aos
resultados
apurados
no
inquérito
de
Novembro
de
2010,
regista‐se
 um
 aumento
 substancial
 da
 percentagem
 de
 inquiridos
 que
 indicou
 correctamente
 2012
 como
 o
 ano
 do
 desligamento
 do
 sinal
 analógico
 de
 televisão:
 no
 primeiro
 estudo
 do
 ano,
 apenas
 7.8%
 dos
 participantes
 identificaram
 correctamente
 2012
 como
 o
 ano
 do
 desligamento,
 enquanto
 85.4%
 dos
 inquiridos
 afirmaram
 não
 saber
 quando
 tal
 vai
 



































































 11
Nota:
em
introdução
a
esta
questão,
os
inquiridos
foram
informados
pelos
entrevistadores
que
o
“switchover
 digital”
é
o
nome
dado
ao
processo
em
que
a
transmissão
televisiva
analógica
é
convertida
em
transmissão
 digital
e
que,
caso
não
adapte
o
televisor
e
se
não
tiver
TV
por
subscrição,
tal
significa
que
vai
deixar
de
receber
a
 RTP,
SIC
e
TVI.
 
 34

  • 35.
    acontecer,
6,1%
indicaram
o
ano
de
2011
como
a
data
do
desligamento
e
0.7%
apontaram
o
 ano
de
2013.
Neste
inquérito,
os
participantes
entre
35
e
44
anos
foram
os
que
revelaram
 ser
 melhor
 informados
sobre
 o
 ano
 do
switch‐off,
 com
 13,1%
 respondendo
 correctamente
 que
seria
em
2012.
De
sublinhar
que
o
grupo
dos
indivíduos
com
mais
de
65
anos
foi
o
que
 revelou
ter
um
maior
nível
de
desconhecimento
desta
data:
assim,
95,5%
destes
inquiridos
 afirmaram
 não
 saber
 quando
 ocorrerá
 este
 processo
 de
 transição,
 enquanto
 que
 apenas
 1,1%
 identificou
 correctamente
 o
 ano
 do
 desligamento,
 uma
 percentagem
 bem
 abaixo
 do
 7,8%
 da
 amostra
 global.
 No
 total,
 98,9%
 dos
 indivíduos
 com
 65
 anos
 ou
 mais
 não
 sabiam
 quando
ocorrerá
o
switch‐off
da
TV
analógica
terrestre.
 
 Esta
mesma
questão
foi
colocada
aos
participantes
do
estudo
etnográfico
e
entre
as
 30
famílias
entrevistadas,
em
15
famílias
havia
o
conhecimento
de
que
o
sinal
analógico
de
 televisão
 terrestre
 ia
 ser
 desligado
 e
 nas
 outras
 15
 famílias
 tal
 era
 desconhecido.
 Na
 verdade,
entre
as
15
famílias
a
par
do
desligamento
houve
3
casos
em
que
alguns
elementos
 sabiam
do
switch‐off
e
outros
não
estavam
informados.
Em
casa
dos
Rosário,
por
exemplo,
 podia
 notar‐se
 que
 Carlos,
 o
 pai,
 de
 37
 anos,
 estava
 muito
 mais
 a
 par
 das
 novidades
 tecnológicas
 do
 que
 qualquer
 outro
 membro
 da
 família.
 Apesar
 de
 a
 esposa
 e
 os
 sogros
 também
 terem
 afirmado
 conhecer
 o
 switch‐off,
 foi
 Carlos
 o
 único
 que
 imediatamente
 utilizou
 a
 palavra
 “apagão”
 para
 responder
 e
 demonstrou
 estar
 mais
 ou
 menos
 a
 par
 da
 data‐limite
para
o
desligamento.
Da
mesma
forma,
na
família
Matos,
Manuel,
de
70
anos,
já
 sabia
 que
 o
 desligamento
 do
 sinal
 analógico
 de
 TV
 ia
 acontecer,
 enquanto
 a
 esposa
 disse
 que
a
situação
lhe
«passou
ao
lado».


 
 Ainda
neste
âmbito,
verificou‐se
que
os
indivíduos
que
já
ouviram
falar
no
switch‐ off
 têm
 dificuldades
 em
 explicar
 o
 processo
 e
 em
 apontar
 uma
 data‐limite
 para
 o
 desligamento
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre.
 Apesar
 de
 alguns
 entrevistados
 já
 terem
 ouvido,
 de
 facto,
 falar
 no
 “apagão”
 analógico,
 14
 famílias
 não
 sabiam
 qual
 a
 data‐ limite
 para
 se
 concretizar
 o
 processo.
 Assim,
 na
 altura
 de
 perguntar
 a
 data
 em
 que
 as
 emissões
 analógicas
 iriam
 ser
 descontinuadas,
 ouviram‐se
 respostas
 como:
 «não»;
 «não
 faço
a
mínima
ideia»;
«não
sei
nada
do
que
nos
espera».
Quanto
aos
procedimentos
a
ter
 nessa
altura,
como
já
foi
mencionado,
algumas
famílias
afirmaram
saber
da
necessidade
de
 se
 comprar
 «um
 aparelho»
 (6
 famílias).
 Algumas
 até
 sabiam
 o
 preço
 médio
 deste
 equipamento
(2
famílias),
mas
na
maioria
dos
lares
(18
famílias)
subsistem
as
dúvidas
sobre
 quem
será
afectado
e
como
deverá
proceder.
 A
 título
 de
 exemplo,
 temos
 o
 caso
 de
 Catarina
 de
 73
 anos
 e
 reformada,
 que
 não
 estava
a
par
do
desligamento
e
não
fazia
ideia
da
respectiva
data‐limite,
mas
depois
de
ser
 
 35

  • 36.
    esclarecida,
 sugeriu
 que
esta
 será
 uma
 transição
 «para
 melhor».
 Ainda
 assim,
 considerou
 que
esta
é
uma
mudança
«para
quem
pode».
Questionada
sobre
o
valor
que
estaria
disposta
 a
 pagar
 para
 continuar
 a
 ter
 TV
 em
 casa,
 Catarina
 respondeu
 que
 não
 poderia
 ser
 «algo
 muito
elevado».
Mais
do
que
uma
vez,
a
idosa
reforçou
a
ideia:
«Mas
eu
vou
ficar
mesmo
 sem
 televisão?
 Oh
 meu
 Deus…
 Isto
 é
 a
 minha
 companhia!».
 Caso
 semelhante
 é
 de
 Joana,
 que
tem
71
anos,
é
viúva
e
vive
sozinha,
recebendo
de
igual
modo
apenas
os
canais
em
sinal
 aberto.
 Joana
 está
 reformada
 e
 vai
 fazendo
 alguns
 trabalhos
 de
 costura
 em
 casa,
 sendo
 a
 televisão
é
a
sua
principal
companhia.
Por
isso,
lamenta
o
facto
de
o
ecrã
estar
sempre
cheio
 de
 interferências.
 «Tenho
 saudades
 de
 ver
 televisão.
 Vou
 a
 casa
 de
 outras
 pessoas
 e
 vejo
 televisão
com
uma
qualidade
que
eu
não
tenho.
E
sinto
saudades
realmente.
Esta
televisão
 está
cheia
de
interferências
e
só
tenho
o
3
e
o
4.
E
nem
sempre».
Joana
explica
que
gostava
 que
 alguém
 a
 ajudasse
 a
 ter
 um
 melhor
 sinal
 de
 televisão,
 mas
 garante
 que
 não
 tem
 condições
para
assinar
um
serviço
de
televisão
paga.
Há
uns
anos,
até
anulou
o
serviço
de
 telefone
 fixo
 para
 baixar
 as
 contas.
 Por
 isso,
 a
 televisão
 por
 cabo
 ou
 por
 satélite
 seria
 um
 luxo.
«Não
posso
estar
a
pagar,
porque
é
mais
uma
renda…
Eu
mandei
tirar
o
telefone
para
 não
acrescer
mais
essa
despesa.
Ora
se
vou
para
isto
da
TV
Cabo
ou
coisa
assim,
a
pouco
e
 pouco
vai
aumentando
e
a
pessoa
chega
a
pontos
em
que
não
dá».
 
 Apesar
de
não
conhecerem
o
termo
técnico
que
denomina
o
desligamento
do
sinal
 analógico,
Sara
e
Maria
não
encaram
a
informação
sobre
o
switch‐off
como
uma
novidade
e,
 perante
a
possibilidade
de
adquirirem
TV
digital
em
casa
nos
próximos
12
meses,
Sara
diz:
 «Se
 a
 partir
 de
 Maio
 for
 (o
 switch‐off),
 tem
 que
 ser,
 para
 vermos
 televisão».
 No
 entanto,
 nem
 Sara
 nem
 Maria
 sabem
 o
 que
 têm
 que
 fazer
 para
 continuarem
 a
 ter
 os
 4
 canais
 gratuitos
 de
 TV
 em
 casa.
 «O
 meu
 filho
 só
 me
 disse
 isso.
 Também,
 até
 lá…»,
 afirma
 Sara.
 Depois
de
feito
um
esclarecimento
sobre
os
custos
da
transição
para
a
TDT
e
questionadas
 sobre
se
conseguirão
suportar
o
custo
do
descodificador
para
continuarem
a
ter
TV,
Sara
e
 Maria
exclamam:
«Tem
que
ser!
Ficar
sem
televisão
não
vamos
ficar».

 
 Apesar
de
não
precisarem
de
se
preocupar
em
adaptar
a
sua
televisão
para
receber
 a
TV
Digital
–
visto
já
terem
televisão
por
subscrição
–
tanto
Manuel
como
Júlia
temem
pela
 situação
dos
seus
familiares
mais
próximos,
que
não
têm
TV
digital
em
todas
as
televisões.
 Manuel
 considera
 que
 a
 sua
 mãe
 não
 quererá
 comprar
 um
 descodificador
 ou
 outra
 televisão.
«A
minha
mãe
já
tem
78
anos,
recebe
uma
reforma
de
cento
e
tal
euros.
Como
é
 que
ela
pode?».

 
 
 
 36

  • 37.
    6.
Conhecimento
do
que
deve
ser
feito
para
continuar
a
ter
TV
em
sinal
aberto ‐
 Verifica‐se
 um
baixo
 nível
 de
 conhecimento
 sobre
 as
 questões
 práticas
 relacionadas
com
a
recepção
de
TDT,
sobretudo
no
caso
dos
Portugueses
sem
TV
 paga
em
casa.

 No
último
inquérito
da
responsabilidade
da
Universidade
Lusófona
sobre
TV
digital
realizado
 em
Setembro
de
2011,
38.6%
de
todos
os
participantes
afirmaram
que
a
sua
televisão
actual
 é
compatível
com
o
sinal
de
TDT,
28.4%
responderam
não
ser
compatível
e
33%
não
sabem
 ou
não
respondem
a
esta
questão.
De
notar
que
no
caso
dos
inquiridos
sem
TV
paga,
43.9%
 afirmaram
 que
 o
 seu
 televisor
 não
 é
 compatível
 com
 a
 TDT
 e
 41.5%
 responderam
 não
 saber,
 enquanto
 que
 14.6%
 indicaram
 que
 é
 compatível.
 Já
 no
 inquérito
 realizado
 em
 Janeiro
de
2011,
30.1%
responderam
que
a
sua
televisão
actual
era
compatível
com
o
sinal
e
 TDT,
 14.2%
 afirmaram
 não
 ser
 compatível
 e
 55.8%
 não
 sabiam
 ou
 não
 reponderam
 a
 esta
 questão.
 
 
 Tabela
 10:
 Sabe
 se
 a
 sua
 televisão
 actual
 é
 compatível,
 isto
 é,
 se
 pode
 receber
 o
 sinal
 da
 Televisão
 Digital
Terrestre
(TDT)?
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)
 
 
 Janeiro
2011
 Setembro
2011
 Setembro
2011
 (n=1198;
todos
os
 (n=1202;
todos
os
 (n=460;
inquiridos
 inquiridos
com
TV)
 inquiridos
com
TV)
 sem
TV
paga)
 Sim,
é
compatível
 30.1%
 38.6%
 14.6%
 Não,
não
é
compatível
 14.2%
 28.4%
 43.9%
 Não
sei
se
é
compatível
 55.8%
 33%
 41.5%
 
 Ainda,
perguntou‐se
a
estes
460
participantes
sem
TV
paga
se
sabem
o
que
têm
de
 fazer
 para
 poder
 receber
 a
 TDT
 em
 sua
 casa
 (P.12):
 55.4%
 responderam
 não
 saber
 o
 que
 fazer
para
ter
TDT,
contra
44.6%
de
respostas
afirmativas.
Em
relação
aos
dados
apurados
 em
Janeiro
de
2011
e
divulgados
em
Março,
 84.1%
dos
inquiridos
sem
TV
paga
afirmaram
 desconhecer
 o
 que
 deviam
 fazer
 para
 receber
 televisão
 digital
 terrestre.
 Deste
 modo,
 verifica‐se
um
decréscimo
significativo
da
percentagem
de
pessoas
que
não
sabe
o
que
fazer
 para
 ter
 TDT,
 mas
 ainda
 assim
 55.4%
 é
 um
 valor
 que
 pode
 ser
 considerado
 como
 preocupante,
atendendo
a
que
à
data
do
trabalho
de
campo
do
inquérito
faltavam
cerca
de
 3
meses
para
a
primeira
fase
do
desligamento
do
sinal
analógico
de
TV
‐
que
vai
afectar
a
 maioria
da
população
Portuguesa.

 
 
 37

  • 38.
    
 Tabela
11:
Sabe
o
que
tem
de
fazer
para
receber
TDT
em
sua
casa?
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)
 
 Janeiro
2011
 Setembro
2011
 Setembro
2011
 (n=1198;
todos
os
 (n=1202;
todos
os
 (n=460;
inquiridos
sem
 inquiridos
com
TV)
 inquiridos
com
TV)
 TV
paga)
 %
 %
 %
 Sim
 23.8
 53.3
 44.6
 Não
 76.2
 46.6
 55.4
 
 Sobre
 se
 a
 respectiva
 zona
 de
 residência
 tem
 cobertura
 de
 TDT,
 70.4%
 dos
 participantes
 no
 inquérito
 sem
 TV
 paga
 responderam
 não
 saber
 se
 podem
 receber
 TDT,
 18.7%
afirmaram
que
a
sua
zona
de
residência
não
está
coberta
e
10.9%
responderam
que
 estão
cobertos
por
esta
tecnologia
de
distribuição
de
sinal
de
televisão.
 
 
 Tabela
12:
Sabe
se
a
sua
zona
de
residência
já
tem
cobertura
TDT?
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)

 
 Janeiro
2011
 Setembro
2011
 Setembro
2011
 (n=1198;
todos
os
 (n=1202;
todos
os
 (n=460;
inquiridos
sem
 inquiridos
com
TV)
 inquiridos
com
TV)
 TV
paga)
 %
 %
 %
 Sim,
tem
cobertura
 20.3
 23.5
 10.9
 Não,
não
tem
 10.9
 18.5%
 18.7
 cobertura
 Não
sei
se
tem
 68.9
 58.1
 70.4
 cobertura
 
 Mais
 concretamente,
 no
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011
 os
 participantes
 sem
 TV
 paga
 foram
 questionados
 sobre
 quais
 os
 procedimentos
 que
 consideram
 ser
 necessários
 para
receber
a
TDT
em
casa,
ao
que
44.6%
responderam
não
saber
se
é
necessário
adaptar
 antena
e
17.8%
referem
ser
um
procedimento
necessário,
38.9%
indicaram
não
saber
se
é
 necessário
ter
uma
caixa
descodificadora
e
55.2%
respondem
que
tal
é
necessário
e
37.2%
 dos
inquiridos
afirmaram
não
saber
se
é
necessário
comprar
um
televisor
novo,
enquanto
 que
38.5%
responderam
ser
necessário.

 No
 estudo
 etnográfico,
 alguns
 dos
 participantes
 sabem
 que
 as
 famílias
 terão
 que
 investir
na
compra
de
um
equipamento,
apesar
de
regra
geral
desconhecerem
os
custos
e
se
 
 38

  • 39.
    serão
afectados.
A
título
e
exemplo,
Sónia
‐
mãe
de
duas
crianças,
de
5
e
7
anos
‐
afirmou
 que
a
sua
família
não
saberá
como
proceder
caso
se
veja
confrontada
com
a
necessidade
de
 adaptar
as
duas
televisões
para
receber
TV
digital.
Já
Verónica,
professora
de
dança,
de
22
 anos,
conta
que
soube
do
“apagão”
numa
conversa
com
a
cunhada,
que
vive
em
Espanha,
e
 que
 lhe
 explicou
que
 o
 país
 vizinho
 já
 tinha
 feito
 a
 transição.
 Apesar
 de
 Verónica
 não
 ter
 ficado
muito
esclarecida
sobre
o
tema,
percebeu
que
iria
haver
uma
mudança:
«Na
conversa
 com
a
minha
cunhada
apercebi‐me,
mas
sinceramente
eu
não
liguei
muito.
Achei
estranho…
 Pensei
 “Ai
 agora
 TV
 digital,
 também
 agora
 fazem
 tudo.
 Não
 me
 digam
 que
 me
 vão
 tirar
 o
 comando”.
Foi
a
primeira
coisa
que
eu
disse
(risos)».
A
resposta
de
Verónica
não
foi
a
única
 deste
 género,
 a
 reflectir
 um
 pouco
 a
 persistência
 de
 dúvidas
 nas
 famílias
 em
 relação
 aos
 pormenores
 da
 transição.
 Por
 exemplo,
 Margarida,
 mulher‐a‐dias
 de
 69
 anos,
 recorda
 que
 há
dois
anos,
quando
comprou
a
sua
mais
recente
televisão,
o
técnico
que
a
auxiliou
falou‐ lhe
no
desligamento
e
que
teria
de
adquirir
um
aparelho
para
continuar
a
ter
televisão
ou
de
 investir
numa
televisão
moderna.
Porém,
as
ideias
sobre
o
apagão
permaneceram
confusas
 para
a
nazarena.
«Eu
perguntei‐lhe:
“Então,
mas
se
vai‐se
embora
tudo
e
o
que
é
que
a
gente
 faz
às
nossas
televisões?”.
E
ele
disse‐me
que
eu
tinha
que
comprar
um
aparelho
não
sei
o
 quê.
 Ele
 até
 me
 disse
 que
 a
 gente
 depois
 tinha
 que
 ter
 plasmas
 e
 mais
 não
 sei
 o
 quê»,
 recorda.

 Para
Ana,
de
34
anos,
o
desligamento
da
emissão
de
TV
analógica
terrestre
também
 não
 é
 uma
 novidade.
 A
 jovem
 mãe
 foi,
 aliás,
 uma
 das
 entrevistadas
 que
 demonstrou
 ter
 mais
conhecimentos
sobre
o
desligamento,
já
que
o
seu
emprego
implica
estar
ao
corrente
 das
notícias
sobre
televisão.
«Já
sabia.
Dia
12
de
Abril...
Não,
em
Abril
de
2012.
O
dia
acho
 que
 ainda
 não
 está
 decidido
 (…)
 Ou
 compram
 uma
 caixa,
 que
 faz
 a
 conversão,
 para
 a
 televisão
antiga,
ou
têm
que
comprar
uma
televisão
nova.
Até
sei
o
preço
dessa
caixa:
varia
 entre
os
50
e
os
250
euros»,
conta.
No
café
da
família
Simões,
em
Alenquer,
outra
Ana,
de
33
 anos,
também
afirmou
conhecer
vagamente
o
processo
da
transição
da
televisão
analógica
 para
o
digital,
explicando
que,
através
das
conversas
no
café,
percebeu
que
uma
mudança
se
 avizinhava.
 «Ouvi
 dizer
 que
 estava‐se
 a
 pensar
 retirar
 todo
 o
 tipo
 de
 ecrãs
 do
 mercado…
 Aliás,
não
é
todo
o
tipo
de
ecrãs,
mas
sim
os
ecrãs
mais
antigos,
para
fazer
uma
instalação
 de
 TV
 digital.
 Mas
 só
 ouvi
 assim
 isto
 muito
 vagamente.
 Também,
 na
 altura,
 não
 me
 despertou
 interesse
 porque
 estava
 ocupada
 e
 passou.
 Não
 falei
 sobre
 o
 assunto
 com
 ninguém.
Não
sei
como
é
que
esse
processo
poderá
ser
feito,
não
sei
que
custos
é
que
poderá
 ter,
 não
 sei
 se
 posso
 tirar
 alguma
 vantagem
 ou
 não
 daí».
 À
 questão
 «Acha
 que
 vai
 ser
 
 39

  • 40.
    afectada
 por
 esse
processo?»,
 Ana
 respondeu
 não
 saber,
 acrescentando
 que
 «depende
 da
 obrigatoriedade
das
coisas»
e
admitindo
que
não
faz
ideia
da
data
limite
para
o
processo.

 Ainda,
 verifica‐se
 que
 as
 fontes
 mais
 citadas
 pelos
 entrevistados
 quando
 lhes
 perguntam
 como
 souberam
 do
 desligamento
 são
 o
 “boca‐a‐boca”,
 os
 media
 nacionais
 e
 locais,
 bem
 como
 as
 operadoras
 de
 telecomunicações,
 via
 telefone.
 Neste
 estudo
 etnográfico
foi
também
perceptível
que,
quando
as
famílias
não
sabem
como
resolver
um
 problema
 com
 um
 dado
 equipamento
 tecnológico,
 recorrem
 maioritariamente
 a
 amigos
 ou
familiares.
As
pessoas
com
mais
de
50
anos
tendem
a
pedir
“aos
mais
novos”
ajuda
para
 lidar
 com
 os
 aparelhos,
 sejam
 telemóveis,
 computadores
 ou
 uma
 televisão.
 Porém,
 regra
 geral,
os
assuntos
ligados
à
televisão
são
resolvidos
por
técnicos
especializados12.
 
 
 7.
Intenção
de
aquisição
de
equipamentos
ou
serviços
de
acesso
a
TV
digital
e
TDT
 ‐
Estima‐se
que
perto
de
metade
dos
Portugueses
sem
TV
paga
estejam
indecisos
 quanto
à
obtenção
de
equipamentos
ou
serviços
de
TV
digital,
a
3
meses
do
início
 previsto
do
desligamento
da
emissão
de
TV
analógica
terrestre.

 
 Começando
por
mencionar
os
últimos
dados
recolhidos,
relativos
ao
inquérito
realizado
em
 Setembro
 de
 2011,
 aos
 425
 participantes
 que
 responderam
 não
 ter
 TV
 paga
 e
 receber
 TV
 analógica
tradicional
(35.3%
da
amostra
total
de
participantes
com
TV
em
casa),
perguntou‐ se
se
estão
a
ponderar
adquirir
ou
subscrever
equipamentos
e
serviços
de
recepção
de
TV
 digital
nos
próximos
12
meses13.
Assim,
16.2%
dos
inquiridos
sem
TV
paga
pensam
comprar
 um
 novo
 televisor,
 que
 tenha
 TDT
 integrada,
 24.2%
 ponderam
 comprar
 uma
 caixa
 descodificadora
 de
 TDT,
 6.8%
 têm
 a
 intenção
 de
 subscrever
 um
 serviço
 de
 TV
 por
 cabo,
 0.2%
projectam
subscrever
um
serviço
de
TV
por
fibra‐óptica,
0.5%
planeiam
subscrever
um
 serviço
 de
 TV
 por
 satélite
 e
 nenhum
 dos
 inquiridos
 identificou
 a
 opção
 “IPTV
 ou
 ADSL”.
 Ainda,
 11.3%
 afirmaram
 não
 ter
 intenção
 de
 aquisição
 de
 equipamentos
 e
 serviços
 de
 recepção
 de
 TV
 digital
 (representam
 4%
 da
 amostra
 total
 do
 inquérito)
 e

 46.4%
não
sabem
ou
não
responderam
a
esta
questão.

 



































































 12
Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
relatório:
Veríssimo,
Iolanda;
Henriques,
Sara
&
Quico,
Célia
(2011)
 “ADOPT‐DTV:
Estudo
Etnográfico”.
 13 
Nota:
no
decorrer
do
inquérito
foi
explicado
aos
participantes
o
que
é
a
TV
digital
e
a
TDT,
bem
como
que
a
 TDT
vem
substituir
as
actuais
emissões
analógicas
e
que
para
ter
TDT
será
necessário
comprar
uma
caixa
 descodificadora
ou
comprar
um
televisor
já
preparado
para
receber
TDT.
 
 40

  • 41.
    Em
comparação
com
os
dados
apurados
em
Novembro
de
2010,
os
525
inquiridos
 sem
 TV
 paga
e
 com
 recepção
 de
 TV
 analógica
 por
 antena
 tradicional
 responderam
 do
 seguinte
modo:
7.8%
 previam
 optar
 pela
 aquisição
 de
 um
 televisor
 com
 TDT
 integrada,
 8%
 manifestaram
 estar
 inclinados
 para
 comprar
 uma
 caixa
 descodificadora
 de
 TDT,
 5.8%
 ponderavam
optar
pela
subscrição
de
TV
por
cabo,
1.3%
consideraram
a
possibilidade
de
ter
 TV
por
fibra
óptica,
0.4%
ponderavam
a
opção
TV
satélite,
nenhum
dos
inquiridos
identificou
 a
 opção
 “IPTV
 ou
 ADSL”,
 34.1%
 dos
 inquiridos
 afirmaram
 não
 ter
 intenção
 de
 adquirir
 nenhum
dos
principais
equipamentos
e/ou
serviços
de
TV
digital,
45.5%
não
sabem
ou
não
 responderam
 se
 têm
 intenção
 de
 adquirir
 equipamentos
 e/ou
 serviços
 de
 TV
 digital
 nos
 próximos
12
meses.
 
 
 Tabela
 13:
 Intenção
 de
 adquirir
 equipamentos
 ou
 serviços
 de
 TV
 digital
 nos
 próximos
 12
 meses
 (ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
2011)
(inquiridos
sem
TV
paga
e
com
recepção
de
TV
analogical
terrestre)
 
 Novembro
2010
 Setembro
2011
 (n=525)
 (n=425)
 %
 %
 Comprar
novo
televisor,
com
TDT
integrada
 7.8
 16.2
 Comprar
caixa
descodificadora
de
TDT
 8
 24.2
 Subscrever
serviço
TV
por
cabo
 5.9
 6.8
 Subscrever
serviço
TV
satélite
(parabólica):
 0.4
 0.5
 Subscrever
serviço
IPTV
/
ADSL
 0
 0
 Subscrever
serviço
TV
por
fibra‐óptica
 1.3
 0.2
 Nenhum
 34.1
 11.3
 Não
sabe
/
não
responde
 45.4
 46.4
 Nota:
os
inquiridos
tinham
a
possibilidade
de
escolher
mais
do
que
uma
opção
 Assim,
 regista‐se
 um
 incremento
 substancial
 da
 intenção
 de
 compra
 caixas
 descodificadoras
e
televisores
com
TDT
integrados
por
parte
dos
inquiridos
sem
TV
paga
e
 que
 recebem
 TV
 através
 analógica
 terrestre,
 que
 passa
 de
 8%
 para
 24.2%
 no
 caso
 dos
 descodificadores
 e
 de
 7.8%
 para
 16.2%
 no
 caso
 dos
 televisores
 com
 TDT.
 Porém,
 a
 percentagem
 destes
 inquiridos
 que
 não
 sabe
 ou
 que
 não
 responde
 a
 esta
 questão
 manteve‐se
praticamente
igual
neste
intervalo
de
10
meses:
45.5%
em
Novembro
de
2010
 e
46.4%
em
Setembro
de
2011.
Ainda,
manteve‐se
igual
a
percentagem
de
respondentes
 
 41

  • 42.
    que
indicou
ter
intenção
de
subscrever
um
serviço
de
TV
paga
(TV
por
cabo,
satélite,
IPTV,
 fibra‐óptica):
7.5%
em
Novembro
de
2010
e
7.5%
em
Setembro
de
2011.
 Estes
 mesmos
 425
 participantes
 do
 estudo
 de
 Setembro
 de
 2011
 foram
 ainda
 convidados
 a
 responder
 quando
 pensam
 comprar
 um
 televisor
 ou
 caixa
 descodificadora
 para
 ter
 TDT,
 tendo
 1.9%
 destes
 inquiridos
 afirmado
 que
 o
 fariam
 daqui
 a
 3
 meses,
 2.8%
 daqui
a
6
meses,
1.2%
daqui
a
1
ano,
37.2%
só
quando
for
obrigatório,
6.3%
nunca,
0.7%
já
 adquiriram,
 0.2%
 deram
 outra
 resposta
 e
 49.6%
 não
 sabem
 ou
 não
 respondem
 a
 esta
 questão.
No
inquérito
aplicado
em
Novembro
de
2010,
dos
inquiridos
sem
TV
paga
e
com
 recepção
 de
 TV
 analógica
 terrestre,
 53.1%
 não
 sabiam
 ou
 não
 responderam
 quando
 pensavam
 comprar
 um
 televisor
 ou
 caixa
 descodificadora
 de
 TDT,
 pelo
 que
 se
 regista
 um
 ligeiro
 decréscimo
 neste
 indicador.
 Já
 30.5%
 destes
 inquiridos
 afirmaram
 que
 o
 fariam
 só
 quando
 fosse
 obrigatório,
 valor
 que
 aumentou
 no
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011,
 para
 37.2%.

 
 Tabela
14:
Intenção
de
adquirir
equipamento
compatível
com
sinal
de
TDT
(ADOPT‐DTV
e
IDTV
Health,
 2011)
(inquiridos
sem
TV
paga
e
com
recepção
de
TV
analogical
terrestre)
 
 Novembro
2010
 Setembro
2011
 (n=525)
 (n=425)
 %
 %
 Daqui
a
1
mês
 0.4
 0
 Daqui
a
3
meses
 0.2
 1.9
 Daqui
a
6
meses
 0.6
 2.8
 Daqui
a
1
ano
 2.1
 1.2
 Só
quando
for
obrigatório
 30.5
 37.2
 Nunca
 12.4
 6.3
 Já
comprou/
já
tem
 ‐
 0.7
 Outra
 0.8
 0.2
 Não
sabe/
não
responde
 53.1
 49.6
 Ainda,
 no
 estudo
 de
 Novembro
 de
 2010,
 12.4%
 afirmaram
 que
 nunca
 irão
 comprar
 um
 televisor
 ou
 caixa
 descodificadora
 de
 TDT,
 enquanto
 que
 em
 Setembro
 de
 2011
 essa
 percentagem
diminuiu
para
6.3%,
o
que
é
uma
descida
substancial.
 
 42

  • 43.
    8.
Motivos
para
ter
TDT
 
 ‐
Verifica‐se
que
os
benefícios
associados
à
presente
oferta
de
TDT
têm
pouco
peso
 na
 respectiva
 intenção
 de
 adopção,
 sendo
 o
 corte
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre
apontado
como
o
principal
motivo
para
ter
TDT.

 No
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011,
 o
 corte
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre
 é
 identificado
como
o
principal
motivo
para
ter
TDT,
por
parte
de
39.3%
dos
participantes
no
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011,
 ao
 qual
 se
 seguem
 os
 33.2%
 que
 não
 sabem
 ou
 não
 respondem
qual
o
motivo
para
ter
TDT,
13.2%
indicaram
a
qualidade
de
imagem
e
som
em
 relação
à
TV
analógica,
12.5%
não
identificaram
nenhum
motivo
para
ter
TDT,
3.5%
porque
 tem
 TV
 de
 alta
 definição
 gratuita,
 0.7%
 apontaram
 outras
 razões
 e
 nenhum
 dos
 inquiridos
 escolheu
a
opção
“porque
tem
serviços
de
interesse,
como
o
guia
TV”.
 
 
 Tabela
 15:
 Qual
 é,
 para
 si,
 o
 principal
 motivo
 para
 ter
 TDT?
 (ADOPT‐DTV
 e
 IDTV
 Health,
 2011)
 (inquiridos
sem
TV
paga
e
com
recepção
de
TV
analogical
terrestre)
 
 Novembro
2010
 Setembro
2011
 (n=525)
 (n=425)
 Pela
qualidade
de
imagem
e
som
em
relação
à
 13.7
 13.2
 TV
analógica:
 Porque
o
sinal
analógico
de
TV
vai
ser
desligado
 25.7
 39.3
 em
breve
 Porque
tem
TV
de
alta
definição
gratuita
 1.9
 3.5
 Porque
tem
serviços
de
interesse,
como
guia
TV
 0
 0
 Nenhum
 23.6
 12.5
 Outras
razões
 1.3
 0.7
 Não
sabe/
não
responde
 36.5
 33.2
 
 No
 inquérito
 aplicado
 em
 Novembro
 de
 2010,
 quanto
 ao
 principal
 motivo
 para
 ter
 TDT,
36.5%
dos
inquiridos
sem
TV
paga
e
que
recebem
TV
analógica
terrestre
tradicional
não
 sabiam
ou
não
responderam
a
esta
questão,
enquanto
que
25.7%
dos
inquiridos
apontaram
 o
 corte
 do
 sinal
 analógico
 como
 principal
 motivo
 para
 ter
 TDT.
 Ainda
 neste
 inquérito
 de
 Novembro,
23.6%
destes
inquiridos
afirmaram
não
encontrar
nenhum
motivo
para
ter
TDT,
 
 43

  • 44.
    tendo
a
qualidade
de
imagem
e
som
sido
foi
apontada
como
principal
motivo
por
13.7%
dos
 participantes
e
1.9%
identificaram
o
acesso
gratuito
a
TV
de
alta
definição.

 
 No
estudo
relativo
às
entrevistas
com
as
principais
partes
interessadas
no
processo
 de
switchover,
a
melhoria
da
qualidade
de
som
e
imagem
foi
identificado
como
o
principal
 argumento
 para
 convencer
 os
 Portugueses
 a
 voluntariamente
 adoptarem
 TV
 digital
 para
 os
16
stakeholders
entrevistados
no
âmbito
deste
projecto
de
investigação,
citado
por
13
 destes
 participantes.
 A
 recepção
 de
 canais
 em
 HD
 e
 em
 3D
 foi
 referenciado
 por
 7
 dos
 stakeholders
 entrevistados.
 Também
 7
 destes
 16
 representantes
 das
 partes
 interessadas
 mencionaram
 novos
 serviços,
 funcionalidades
 e
 interactividade
 como
 um
 dos
 principais
 argumentos
para
a
adopção
voluntária
de
TV
digital14.

 Em
 maior
 detalhe,
 os
 principais
 argumentos
para
a
adopção
voluntária
de
TV
digital
referidos
pelos
stakeholders
foram:

 1)
Melhoria
da
qualidade
de
imagem
e
som,
com
13
referências
(ANACOM,
APAP,
APD,
APIT,

 APMP,
DECO,
ERC,
Abreu,
MediaCapital,
PT,
Impresa,
Sonaecom,
ZON);
 2)
 Novos
 serviços
 e
 funcionalidades,
 com
 7
 referências
 (APD,
 APED,
 APMP,
 Abreu,
 PT,
 Sonaecom,
ZON);
 
 ‐
HD
e
3D,
com
7
referências
(DECO,
ERC,
Media
Capital,
Sonaecom,
ZON,
Abreu,
RTP);
 4)
Mais
canais
de
televisão,
com
5
referências
(DECO,
ERC,
MediaCapital
ZON,
RTP);
 5)
 Switch‐off
 obrigatório
 do
 sinal
 analógico,
 com
 4
 referências
 (ANACOM,
 APAP,
 Impresa,
 ZON);
 6)
5º
canal
gratuito,
com
3
referências
(APIT,
Denicoli,
Abreu);
 7)
Baixo
custo,
com
2
referências
(APED,
Media
Capital);

 ‐
TDT
sem
vantagens
ou
sem
percepção
das
vantagens,
com
2
referências
(Denicoli,
DECO);
 9)
Acessibilidade
para
pessoas
com
necessidades
especiais,
com
1
referência
(APD);
 
 ‐
Libertação
do
espectro
radioeléctrico,
com
1
referência
(Abreu);
 
 



































































 14
Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
relatório:
Sequeira,
Ágata,
Iolanda;
Henriques,
Sara
&
Quico,
Célia
(2011)
 “ADOPT‐DTV:
Entrevistas
com
Stakeholders”.
 Mais
detalhes
sobre
este
tópico
no
artigo:
Quico,
Célia;
Damásio,
Manuel
José;
Henriques,
Sara
&
Veríssimo,
 Iolanda
(2011).
“Incentivos
e
Barreiras
à
Adopção
da
Televisão
Digital
Terrestre
em
Portugal:
Perspectivas
dos
 Telespectadores
e
de
Outras
Partes
Interessadas”.
In
Proc.
of
SOPCOM
2011.
Universidade
do
Porto,
Porto/
 Portugal.

15
‐
17

Dezembro
2011.

 
 
 
 44

  • 45.
    ‐
Recepção
interior
e
móvel
de
TV,
com
1
referência
(ANACOM);

 ‐
Interoperabilidade,
questões
técnicas,
com
1
referência
(MediaCapital);
 
 ‐
Pacotes
pagos
com
outros
serviços,
com
1
referência
(MediaCapital).
 
 
 No
entanto,
comparando
estes
dados
com
os
do
inquérito
quantitativo,
verificamos
 que
 apenas
 13,7%
 dos
 participantes
 no
 inquérito
 de
 Novembro
 de
 2010
 e
 13.2%
 dos
 inquiridos
em
Setembro
de
2011
identificaram
a
qualidade
de
som
e
imagem
como
motivo
 principal
 para
 obter
 TV
 digital.
 Numa
 pergunta
 anterior
 do
 inquérito
 quantitativo
 de
 Novembro
 de
 2010,
 pediu‐se
 aos
 participantes
 que
 avaliassem
 a
 qualidade
 de
 som
 e
 imagem
 do
 sinal
 de
 TV
 que
 recebem
 em
 casa
 (Q.16),
 de
 0
 (totalmente
 insatisfeito)
 a
 10
 (totalmente
 satisfeito).
 Apenas
 1,9%
 dos
 inquiridos
 afirmaram
 estar
 insatisfeitos
 ou
 muito
 insatisfeitos
 (0
 a
 4
 pontos,
 numa
 escala
 de
 0
 a
 10)
 e
 13,6%
 manifestaram
 estar
 moderadamente
 satisfeitos
 (5
 e
 6
 pontos,
 em
 10).
 A
 vasta
 maioria
 dos
 participantes
 no
 inquérito
consideraram
estar
satisfeitos
ou
muito
satisfeitos
com
a
qualidade
de
imagem
e
 som,
com
83,9%
a
avaliar
com
7
e
10
pontos
a
qualidade
do
sinal
TV
que
recebem
em
casa,
 enquanto
0,5%
dos
inquiridos
optaram
por
não
responder
a
esta
pergunta.

 
 Além
disso,
novos
serviços,
funcionalidades
e
interactividade
foram
mencionados
 por
 7
 dos
 16
 stakeholders
 como
 um
 dos
 principais
 argumentos
 que
 possibilitariam
 a
 adopção
 voluntária
 de
 TV
 digital.
 No
 entanto,
 em
 ambos
 os
 inquéritos
 quantitativos
 nenhum
 dos
 participantes
 com
 TV
 analógica
 terrestre
 seleccionaram
 esta
 opção,
 das
 diversas
listadas
como
motivos
para
obter
TDT.
 
 O
 quarto
 principal
 incentivo
 para
 adopção
 de
 TV
 digital
 motivo
 referido
 pelos
 stakeholders
foi
a
possibilidade
de
obter
mais
canais
de
televisão,
mencionado
por
5
dos
16
 entrevistados
 (DECO,
 ERC,
 Media
 Capital,
 RTP
 e
 ZON).
 Mais
 uma
 vez
 comparando
 com
 os
 resultados
 do
 inquérito
 quantitativo
 de
 Novembro
 de
 2010,
 quando
 questionados
 se
 queriam
 mais
 canais
 de
 TV
 (Q.13),
 86,9%
 dos
 inquiridos
 responderam
 que
 não
 desejavam
 mais
 canais
 de
 TV,
 ou
 seja,
 apenas
 13,1%
 demonstraram
 interesse
 em
 ter
 mais
 canais
 de
 televisão.
 
 A
título
de
exemplo,
para
o
grupo
MediaCapital,
vários
argumentos
são
importantes,
 considerando
que
a
falha
de
qualquer
um
deles
“pode
colocar
em
causa
o
sucesso
de
todo
o
 processo”.
Assim,
a
detentora
do
canal
em
sinal
aberto
TVI
enumera
a
qualidade
de
imagem
 e
 som,
 a
 quantidade
 e
 tipo
 de
 programas
 em
 HD,
 custo
 dos
 descodificadores
 e
 de
 outros
 equipamentos,
 variedade
 de
 oferta
 de
 conteúdo
 e
 integração
 com
 pacotes
 que
 englobem
 outros
serviços,
entre
outros.

 
 45

  • 46.
    Já
 no
 caso
da
 RTP,
 o
 seu
 representante
 na
 entrevista
 –
 Pedro
 Braumman
 –
 considerou
 que
 em
 Portugal
 “estamos
 perante
 um
 paradoxo,
 difícil
 de
 explicar
 em
 termos
 internacionais”,
ou
seja,
que
a
“oferta
previsível
da
TDT
ser
até
ao
switch‐off,
em
princípio,
 exactamente
a
mesma
que
aquela
que
acontece
no
sistema
analógico”.
Para
este
director
da
 RTP,
tal
 dificulta
a
 adopção
a
TDT
por
parte
da
população
portuguesa,
comparando
com
a
 experiência
 bem
 sucedida
 em
 Espanha.
 De
 modo
 semelhante,
 a
 associação
 de
 defesa
 dos
 consumidores
DECO
também
tem
reservas
quanto
ao
sucesso
deste
processo
em
Portugal:
 “A
migração
espontânea
será
complicada
de
suceder,
visto
que
a
plataforma
digital
terrestre
 não
apresenta
de
momento,
nenhuma
vantagem
óbvia
para
os
consumidores
em
relação
ao
 sistema
analógico”.
 Ainda,
 o
 representante
 do
 grupo
 Impresa,
 Francisco
 Maria
 Balsemão,
 começa
 por
 questionar
 o
 que
 ganham
 as
 pessoas
ao
mudar:
“Sinceramente,
se
fosse
um
cidadão,
para
 mim
 era
 uma
 chatice
 ter
 que
 trocar”.
 Este
 administrador
 do
 grupo
 que
 detém
 o
 canal
 comercial
 em
 sinal
 aberto
 SIC
 acrescenta
 que
 a
 TDT
 paga
 poderia
 ter
 tido
 um
 impacto
 positivo
na
adopção
da
TDT
em
Portugal:
“antes
do
concurso
para
a
televisão
paga
ter
sido
 anulado,
eu
ainda
podia
pensar
“É
pago,
mas
por
mais
10
euros
vou
ter
muito
mais
canais”.
 Aí,
mais
gente
podia
querer
mudar.
“Mas,
de
facto,
neste
momento,
para
além
da
questão
 da
inevitabilidade,
não
vejo
que
haja
grandes
argumentos”.

 Tal
 opinião
 vem
 de
 encontro
 à
 perspectiva
 de
 um
 dos
 participantes
 no
 estudo
 etnográfico
«Não
há
motivação…»
‐
afirma
Clara,
de
67
anos
e
habitante
de
Alenquer,
que
 considera
não
haver
nenhuma
vantagem
evidente
na
mudança,
mas
apenas
a
obrigação
de
 mudar,
ao
que
o
marido,
Jorge,
de
70
anos,
responde:
«O
progresso
é
assim
não
é?
Ninguém
 acha
bem,
toda
a
gente
refila,
mas
depois
acaba
por
aceitar».
 Já
Ana,
de
33
anos,
observa
que
nestas
condições
não
se
sente
motivada
para
fazer
 a
 transição:
 «Não
 há
 oferta.
 A
 melhoria
 da
 qualidade
 de
 imagem
 não
 é
 suficiente
 para
 motivar,
 mas
 nós
 os
 portugueses
 também
 não
 nos
 chateamos
 com
 nada,
 somos
 muito
 permissivos.
 E
 se
 foi
 uma
 decisão
 da
 União
 Europeia,
 nós
 vamos
 ter
 que
 acatar
 com
 ela.
 Claro
que,
se
puderem
melhorar
alguma
coisa…
Se,
ao
facto
de
sermos
obrigados
a
mudar
 para
continuar
a
ter
televisão,
conseguissem
juntar
uma
mais‐valia
ao
cliente,
só
caía
bem
 (risos)»,
considera.
No
ponto
de
vista
desta
empregada
de
balcão,
a
sua
família
beneficiaria
 ainda
 mais
 caso
 a
 TDT
 lhe
 trouxesse,
 para
 além
 do
 aumento
 do
 número
 de
 canais,
 mais
 serviços,
como
o
da
gravação
de
programas
ou
de
Pausa
TV.
«Podiam
ser
uma
mais‐valia
por
 causa
 da
 situação
 dos
 horários».
 Gravar
 os
 filmes
 permitiria
 a
 Ana
 não
 ter
 de
 perder
 algumas
horas
de
descanso
para
poder
ver
um
filme
que
lhe
interesse.
 
 
 
 46

  • 47.
    
 9.
Barreiras
à
adopção
de
TV
digital
e
TDT
 ‐
 Os
 custos
e
 as
 questões
 práticas
 são
 das
 principais
 barreiras
 à
 obtenção
 de
 TV
 digital
‐
e
TDT
em
particular
–
para
os
Portugueses
sem
TV
paga
em
casa.
 
 Os
 custos
 associados
 à
 TV
 digital
 foram
 a
 preocupação
 dominante
 manifestada
 pelos
 participantes
 ao
 inquérito
 de
 Novembro
 de
 2010,
 com
 60,6%
 dos
 inquiridos
 a
 concordar
 com
 a
 afirmação
 “A
 minha
 principal
 preocupação
 são
 os
 custos
 que
 vou
 ter
 com
 esta
 mudança”.

 
 Tabela
 16:
 Até
 que
 ponto
 concorda
 com
 cada
 uma
 destas
 afirmações
 sobre
 este
 processo
 de
 switchover?

(para
todos
os
inquiridos
com
TV
em
casa;
n=1.198)
(ADOPT‐DTV,
2010)
 Discordo
 Concordo
 Não
sabe/
 Não
concordo
 completa‐ Discordo
 Concordo
 completa‐ Não
 
 nem
discordo
 mente
 %
 %
 mente
 responde
 %
 %
 %
 %
 Tudo
bem:
não
há
problema
para
 5.4
 15.5
 21.6
 36.3
 5.9
 15.1
 mim

 Estou
satisfeito
com
o
fim
da
 transmissão,
ainda
que
haja
 7.3
 21
 28.3
 26.6
 2.6
 13.9
 algum
inconveniente
na
situação
 Estou
surpreendido
‐
não
sabia
 que
o
sinal
analógico
de
TV
ia
ser
 4.3
 13.9
 20.7
 36.9
 11.4
 12.7
 desligado
em
breve
 Estou
ansioso
e
descontente
por
 3.8
 17.9
 31.7
 25.6
 7.1
 13.8
 ser
forçado
a
fazer
esta
mudança

 Acho
que
este
processo
devia
ser
 mais
demorado
dando
 1.3
 8.1
 22.1
 35.6
 17.9
 15.1
 oportunidades
às
pessoas
para
 adquirirem
mais
informação

 A
minha
principal
preocupação
 são
os
custos
que
vou
ter
com
 1.3
 6.8
 18.4
 37.4
 23.2
 12.8
 esta
mudança

 Estou
preocupado
com
as
 questões
práticas
como
ter
uma
 nova
antena
ou
cablagem
e
um
 2.2
 12.2
 22.1
 36.5
 13.3
 13.8
 novo
equipamento
a
funcionar
 devidamente
 Não
acredito
que
vão
desligar
o
 2.6
 11.9
 33.3
 22.3
 4.2
 25.6
 sinal
analógico
em
2012
 
 Segue‐se
do
conjunto
de
afirmações
pré‐definidas
sobre
o
processo
de
switch‐off,
a
 preocupação
 com
 as
 questões
 práticas
 associadas
 à
 TV
 digital,
 como
 a
 cablagem
 a
 instalação
 do
 equipamento,
 com
 49,8%
 de
 todos
 os
 inquiridos
 a
 manifestarem
 a
 sua
 
 47

  • 48.
    preocupação
quanto
a
este
aspecto.
Destaque
para
os
53,7%
de
inquiridos
que
concordam
 a
frase
“Acho
que
este
processo
deveria
ser
mais
demorado,
dando
mais
oportunidade
às
 pessoas
para
adquirirem
mais
informação”
e
ainda
para
os
48,3%
que
concordaram
com
a
 afirmação
“Estou
surpreendido
–
não
sabia
que
o
sinal
analógico
de
TV
ia
ser
desligado
em
 breve”.
 Neste
 caso,
 verifica‐se
 a
 concordância
 entre
 as
 perspectivas
 dos
 stakeholders
 e
 as
 perspectivas
 dos
 participantes
 no
 inquérito
 quantitativo,
 no
 respeitante
 às
 principais
 barreiras
e
obstáculos
à
adopção
de
TV
digital,
sendo
os
custos
referidos
como
o
principal
 obstáculo.
 A
 seguir
 se
 apresentam
 as
 principais
 barreiras
 mencionadas
 pelos
 stakeholders
 consultados
no
âmbito
deste
projecto
de
investigação:

 1)
Custos,
com
9
referências
(APAP,
APD,
APED,
APMP,
Denicoli,
Abreu,
PT,
RTP
e
 Sonaecom);
 2)
Ausência
ou
insuficiência
de
informação,
com
7
referências
(Anacom,
APAP,
APD,
DECO,
 ERC,
Media
Capital,
Sonaecom);

 3)
Falta
de
vantagens
da
TDT
ou
de
percepção
das
mesmas,
com
6
referências
(APED,
DECO,
 Denicoli,
Media
Capital,
Impresa,
RTP);
 4)
Condições
do
mercado,
com
3
referências
(Denicoli,
Abreu,
MediaCapital);
 5)
Inexistência
de
transmissão
de
TV
alta
definição
na
TDT,
com
2
referências
(Anacom,
PT);
 ‐
Inexistência
do
5º
canal
ou
outros
canais,
com
2
referências
(Anacom,
PT);
 ‐
Baixa
literacia
tecnológica,
com
2
referências
(Anacom,
APMP);
 8)
Acção
do
Governo
e
modelo
para
a
TDT,
com
1
referência
(Denicoli);
 ‐
O
contexto
da
crise
económica,
com
1
referência
(Denicoli);
 ‐
Insuficiente
cobertura,
com
1
referência
(Media
Capital);
 ‐
Duração
do
processo
de
transição,
com
1
referência
(APMP);
 ‐
Idade
e
género
dos
telespectadores,
com
1
referência
(APMP);
 ‐
Acção
obrigatória
para
telespectadores,
com
1
referência
(APIT);
 ‐
Utilização
da
internet,
com
1
referência
(Abreu).
 Curiosamente,
a
questão
dos
custos
foi
referida
pela
Portugal
Telecom,
operador
de
 TDT,
que
considerou
o
preço
do
equipamento
como
“um
entrave”
para
a
expansão
da
TDT
 em
 Portugal,
 “há
 bem
 pouco
 tempo,
 não
 existiam
 sequer
 no
 mercado
 equipamentos
 
 48

  • 49.
    compatíveis
 com
 a
norma
 TDT
 portuguesa,
 quer
 em
 quantidade
 quer
 em
 acessibilidade
 de
 preço”.

 A
 ausência
 ou
 insuficiência
 de
 informação
 foi
 a
 segunda
 barreira
 mais
 referenciada,
com
a
ERC
a
considerar
que
“a
principal
barreira
que
existe,
neste
momento,
é
 a
 falta
 de
 informação”,
 referindo
 que
 o
 processo
 de
 transição
 deveria
 ser
 explicado
 ao
 consumidor
como
uma
venda
directa,
tal
como
o
cabo
ou
IPTV
é
vendido,
sendo
explicado
a
 todos
 os
 consumidores
 as
 vantagens
 associadas
 a
 este
 processo.
 Por
 outro
 lado,
 a
 DECO,
 associação
nacional
que
representa
os
consumidores,
refere
como
principal
problema
a
falta
 de
informação
e
o
pouco
valor
que
a
TDT
acrescenta
à
televisão
portuguesa.
 No
 estudo
 etnográfico,
 no
 que
 respeita
 às
 razões
 que
 desmotivam
 as
 famílias
 a
 terem
televisão
digital,
a
questão
dos
custos
aparece
em
primeiro
lugar.
O
caso
de
Joana,
 de
 71
 anos,
 é
 semelhante
 ao
 de
 Catarina,
 dois
 anos
 mais
 velha.
 Em
 comum,
 estas
 reformadas
têm
o
facto
de
viverem
no
concelho
de
Alenquer,
sozinhas,
e
da
televisão
lhes
 servir
 de
 companhia
 todos
 os
 dias.
 Da
 mesma
 maneira,
 Joana
 e
 Catarina
 gostariam
 de
 ter
 mais
canais
para
preencher
as
várias
horas
em
frente
ao
ecrã,
mas
deparam‐se
sempre
com
 as
mesmas
quatro
estações.
Na
verdade,
Joana
lembra
que
nem
os
quatro
canais
consegue
 apanhar,
e
Catarina
sublinha
as
constantes
interferências
a
roubarem‐lhe
a
imagem.
Ainda
 assim,
estas
idosas
‐
que
nem
se
conhecem
‐
rejeitam
completamente
a
hipótese
de
virem
a
 ter
um
serviço
de
televisão
paga,
mais
uma
vez,
por
uma
mesma
razão:
a
baixa
reforma.
Por
 outro
 lado,
 também
 há
 jovens
 famílias
 a
 descartar
 a
 opção
 “televisão
 digital”.
 A
 família
 “Simões”,
por
exemplo,
é
servida
pelo
sinal
analógico
terrestre
de
televisão.
Ana
explica
que
 não
pode
juntar
mais
uma
mensalidade
às
despesas
de
uma
família
numerosa
como
a
sua.
 «Como
 estou
 pouco
 tempo
 em
 casa,
 não
 se
 justifica
 eu
 pagar
 um
 valor
 acrescido
 para
 ver
 mais
 televisão.
 Porque
 esse
 valor
 também
 conta
 no
 orçamento
 da
 família
 e
 é
 um
 grande
 abalo
no
agregado
familiar.
Num
agregado
familiar
grande
como
o
meu,
tudo
conta,
e
não
 se
 justifica.
 Às
 vezes
 os
 miúdos
 chateiam‐me
 porque
 gostavam
 de
 ver
 o
 Panda.
 E
 eu
 digo
 “quando
lá
fores
abaixo
ao
café,
vês”.
Têm
que
ter
paciência
(…)
Não
se
justifica
porque
os
 preços
também
são
elevadíssimos».
 Ainda,
de
forma
a
compreender
as
motivações
por
detrás
da
relutância
em
ter
TDT,
 pediu‐se
 aos
 124
 indivíduos
 que
 afirmaram
 não
 ter
 nenhum
 motivo
 para
 obter
 TDT
 –
 representando
 10,3%
 da
 amostra
 total
 do
 inquérito
 quantitativo
 de
 Novembro
 de
 2010
 ‐
 que
 indicassem
 o
 seu
 nível
 de
 concordância
 com
 um
 conjunto
 de
 afirmações
 sobre
 este
 tema.
 Esta
 questão
 baseou‐se
 numa
 das
 questões
 do
 estudo
 Attitudes
 to
 switchover
 de
 
 49

  • 50.
    Klein,
Karger
e
Sinclair
(2004),
mais
exactamente
na
Q.44.

 
 Tabela
17:

Qual
o
seu
grau
de
concordância
com
cada
uma
das
seguintes
frases?
(ADOPT‐DTV,
2010)
 (só
para
indivíduos
que
referem
não
ter
motivo
para
ter
TDT;
n=124)

 Discordo
 Concordo
 Não
sabe/
 Não
concordo
 completa‐ Discordo
 Concordo
 completa‐ Não
 
 nem
discordo
 mente
 %
 %
 mente
 responde
 %
 %
 %
 %
 A
TV
não
é
importante
para
mim,
 eu
não
me
vou
incomodar
em
 3.2
 21
 21.8
 36.2
 4
 13.7
 fazer
a
conversão

 Eu
não
quero
TDT
na
minha
casa
 1.6
 15.3
 20.2
 36.3
 10.5
 16.1
 Eu
gostava
de
continuar
a
ter
TV
 em
casa
mas
é
uma
questão
de
 0.8
 2.4
 9.7
 62.9
 15.3
 8.9
 custos

 Eu
não
sei
como
ter
TDT.
É
tudo
 0
 8.1
 12.9
 50.8
 11.3
 16.9
 muito
complicado

 Eu
gostava
de
continuar
a
ter
TV
 0.8
 9.7
 16.9
 43.5
 8.9
 20.2
 mas
não
sei
como
instalar
TDT

 Eu
gostava
de
continuar
a
ver
TV
 mas
acho
que
nunca
vou
 1.6
 15.3
 23.4
 27.4
 8.1
 24.2
 conseguir
perceber
como
 funciona
a
TDT

 Assim,
77,9%
deste
grupo
de
inquiridos
concordaram
com
a
afirmação
“Quero
continuar
a
 ver
 televisão
 mas
 é
 uma
 questão
 de
 custos”.
 A
 dificuldade
 em
 saber
 o
 que
 fazer,
 a
 nível
 prático,
 foi
 identificada
 em
 segundo
 lugar
 nesta
 lista,
 com
 62,1%
 destes
 inquiridos
 a
 concordar
com
a
afirmação
“Não
sei
como
ter
TV
digital,
é
tudo
muito
complicado”.
Ainda
 de
 sublinhar
 que
 46,8%
 destes
 inquiridos
 afirmaram
 concordar
 com
 a
 afirmação
 “Eu
 não
 quero
TV
digital
em
minha
casa”
(58
pessoas,
4,8%
da
amostra
total)
e
40,2%
concordaram
 com
 a
 afirmação
 “A
 TV
 não
 é
 importante
 para
 mim
 e
 não
 vou
 ter
 o
 trabalho
 de
 fazer
 a
 mudança
para
TV
digital”
(50
participantes,
4,1%
da
amostra
total).
 
 
 
 10.
Adopção
de
TV
digital
e
TDT
–
perfis
 
 ‐
Propõem‐se
quatro
perfis
de
adopters
de
TV
digital
em
Portugal,
considerando
a
 posse
de
TV
paga
e
a
intenção
de
uso
de
TV
digital:

 
 10.a.
 Grupo
 –
 “Já
 Adoptou”:
 que
 corresponde
 a
 quem
 tem
 TV
 paga
 por
 cabo,
 DTH,
 IPTV,
 
 50

  • 51.
    fibra‐óptica
e
outras
tecnologias15,;
 
 
 10.b.
 Grupo
 –
 “Adopta”:
 espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 estão
 a
 considerar
 comprar
uma
caixa
descodificadora
ou
televisor
com
TDT
integrado
ou
então
subscrever
um
 serviço
de
TV
paga
para
continuar
a
ver
televisão
em
casa;
 
 10.c.
 Grupo
 –
 “Em
 Dúvida”:
 espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 não
 sabem
 ou
 não
 responderam
qual
a
sua
intenção
de
aquisição
de
TV
digital;
 
 10.d.
 Grupo
 –
 “Não
 Adopta”:
 espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 alegam
 não
 ter
 intenção
em
adoptar
TV
digital.
 
 
 Os
 perfis
 foram
 definidos
 com
 base
 na
 disponibilidade
 de
 TV
 paga
 em
 casa
 (P.3)
 e
 na
 intenção
em
subscrever
um
serviço
de
TV
paga
ou
de
adquirir
equipamentos
receptores
de
 TV
digital
(P.28).

 
 
 Tabela
18:
Perfis
baseados
na
posse
de
TV
paga
e
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
(ADOPT‐DTV,
2011)
 
 
 Novembro
2010
 (n=525)
 %
 Grupo
 Comprar
novo
televisor,
com
TDT
integrada
 23.4
 “Adopta”
 Comprar
caixa
descodificadora
de
TDT
 
 Subscrever
serviço
TV
por
cabo
 Subscrever
serviço
TV
satélite
(parabólica):
 Subscrever
serviço
IPTV
/
ADSL
 Subscrever
serviço
TV
por
fibra‐óptica
 Grupo
 Nenhum
 34.1
 “Não
Adopta”
 Grupo
 Não
sabe
/
não
responde
 45.4
 “Em
Dúvida”
 Nota:
os
inquiridos
tinham
a
possibilidade
de
escolher
mais
do
que
uma
opção.
 
 
 De
forma
a
procurar
analisar
as
características
dos
indivíduos
de
acordo
com
a
sua
intenção
 de
uso
de
TV
digital
–
tem
intenção
de
adoptar
TV
digital
nos
próximos
12
meses
(“Adopta”),
 



































































 15
De
acordo
com
os
dados
publicados
pela
Anacom
em
Setembro
de
2011,
78%
dos
assinantes
de
serviços
de
 TV
por
cabo
usufruem
do
formato
digital
‐
número
que
continua
a
crescer
‐,
representando
os
assinantes
de
TV
 por
cabo
50.2%
de
todos
os
subscritores
de
serviços
de
TV
paga.
Os
restantes
sistemas
–
IPTV,
DTH,
fibra‐óptica
e
 outras
tecnologias
no
mercado
português
‐
são
100%
digitais.
 
 51

  • 52.
    não
 tem
 intenção
de
 adoptar
 TV
 digital
 nos
 próximos
 12
 meses
 (“Não
 Adopta”)
 e
 está
 em
 dúvida
 se
 pretende
 adoptar
 TV
 digital
 (“Em
 Dúvida”)
 ‐
 foi
 realizada
 a
 análise
 das
 variáveis
 sexo,
idade,
habilitações
académicas,
status
e
dificuldades
auditivas,
visuais
e
motoras.

 Os
dados
indicam
a
existência
de
diferenças
significativas
para
um
nível
de
confiança
 de
95%
entre
o
género
feminino
e
masculino
para
a
variável
intenção
de
uso
(χ2(2)=8,083;
 p=0,017).
De
acordo
com
os
dados
descritivos
existe
uma
maior
percentagem
de
sujeitos
do
 género
masculino
com
intenção
de
adoptar
TV
digital,
valores
muito
semelhantes
entre
os
 géneros
 nos
 grupos
 que
 referem
 não
 ter
 intenção
 de
 adoptar
 TV
 digital
 e
 uma
 percentagem
superior
do
género
feminino
no
grupo
que
responde
estar
em
dúvida
sobre
a
 aquisição
de
equipamentos
ou
serviços
de
acesso
a
TV
digital.

 
 Tabela
19:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Sexo
(ADOPT‐DTV,
2011)
 SEXO
 
 MASCULINO
 FEMININO
 Total
 Intenção

 Não
Adopta
 N
 90
 89
 179
 de
Uso
 %

 50,3%
 49,7%
 100,0%
 Adopta
 N
 63
 44
 107
 %

 58,9%
 41,1%
 100,0%
 Em
Dúvida
 N
 102
 137
 239
 %

 42,7%
 57,3%
 100,0%
 
 Em
relação
à
variável
idade
foram
novamente
encontradas
diferenças
significativas
 entre
os
grupos
(χ2(10)=46,380;
p<0,001).
Analisando
a
tabela
seguinte
é
possível
verificar
 que
os
sujeitos
que
referem
não
ter
intenção
de
adoptar
TV
digital
são
maioritariamente
 pessoas
de
idade
mais
avançada,
com
55
ou
mais
anos.
Pelo
contrário,
os
indivíduos
que
 afirmaram
ter
intenção
de
adoptar
a
TV
digital
dentro
de
12
meses
são
sobretudo
os
mais
 jovens,
com
idades
compreendidas
entre
os
18
e
44
anos.

 
 
 
 
 52

  • 53.
    Tabela
20:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Idade
(ADOPT‐DTV,
2011
 Idade
 
 18‐24
 25‐34
 35‐44
 45‐54
 55‐64
 mais
65
 anos
 anos
 anos
 anos
 anos
 anos
 Total
 Intenção

 Não
Adopta
 N
 9
 26
 17
 28
 37
 62
 179
 de
Uso
 %

 5,0%
 14,5%
 9,5%
 15,6%
 20,7%
 34,6%
 100,0%
 Adopta
 N
 18
 18
 27
 19
 14
 11
 107
 %

 16,8%
 16,8%
 25,2%
 17,8%
 13,1%
 10,3%
 100,0%
 Dúvida
 N
 15
 47
 46
 42
 31
 58
 239
 %

 6,3%
 19,7%
 19,2%
 17,6%
 13,0%
 24,3%
 100,0%
 
 No
 que
 respeita
 ao
 nível
 de
 habilitações
 académicas
 encontraram‐se
 diferenças
 significativas
entre
os
grupos
e
a
respectiva
intenção
de
uso
(χ2(14)=40,219;
p<0,001).
Deste
 modo,
o
grupo
de
indivíduos
que
tem
intenção
de
adoptar
TV
digital
caracteriza‐se
por
ter
 habilitações
académicas
mais
elevadas,
enquanto
que
os
indivíduos
que
estão
em
dúvida
 ou
 afirmaram
 não
 ter
 intenção
 de
 adoptar
 TV
 digital
 possuem
 baixas
 habilitações
 académicas
–
de
notar
que
60.9%
dos
inquiridos
com
TV
analógica
terrestre
que
afirmaram
 não
 ter
 a
 intenção
 de
 adquirir
 serviços
 ou
 equipamentos
 de
 acesso
 à
 TV
 digital
 frequentaram
apenas
a
instrução
primária
ou
não
sabem
ler
nem
escrever.

 
 
 Tabela
21:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Habilitações
académicas
(ADOPT‐DTV,
2011
 Intenção
de
Uso
 
 Não
Adopta
 Adopta
 Dúvida
 N
 %

 N
 %

 N
 %

 
Universitário/Pós‐Grad./Mestrado/Doutoramento
 5
 2,8%
 6
 5,6%
 4
 1,7%
 Curso
médio/
Politécnico
 1
 ,6%
 3
 2,8%
 1
 ,4%
 Frequência
de
curso
superior/
médio
 1
 ,6%
 1
 ,9%
 3
 1,3%
 12º
ano
(7º
ano
liceal/
11º
ano)
 24
 13,4%
 18
 16,8%
 33
 13,8%
 9º
ano
(5º
ano
liceal)
 18
 10,1%
 28
 26,2%
 39
 16,3%
 6º
ano
(2º
ano
liceal)
 21
 11,7%
 21
 19,6%
 37
 15,5%
 Instrução
primária
completa

 74
 41,3%
 25
 23,4%
 87
 36,4%
 Instrução
primária
incompleta/
analfabeto
 35
 19,6%
 5
 4,7%
 35
 14,6%
 Total
 179
 100,0%
 107
 100,0%
 239
 100,0%
 
 
 53

  • 54.
    Em
 relação
 às
dificuldades
 em
 ver,
 ouvir
 ou
 andar,
 foram
 encontradas
 diferenças
 significativas
 entre
 os
 grupos
 para
 as
 três
 situações
 (dificuldades
 em
 ver
 χ2(6)=28,755;
 p<0,001;
 dificuldade
 em
 ouvir
 χ2(8)=21,424;
 p=0,006;
 dificuldades
 em
 andar
 χ2(8)=35,691;
 p<0,001).
 Assim,
 verifica‐se
 uma
 percentagem
 mais
 elevada
 de
 pessoas
 com
 alguma
 ou
 muita
 dificuldade
 em
 ver,
 ouvir
 ou
 andar
 no
 grupo
 dos
 sujeitos
 que
 referem
 não
 ter
 intenção
de
adoptar
TV
digital,
bem
como
uma
percentagem
mais
elevada
destes
inquiridos
 estão
 em
 dúvida
 se
 adoptarão
 essa
 tecnologia,
 comparativamente
 com
 os
 inquiridos
 que
 indicaram
não
ter
dificuldades
ou
ter
poucas
dificuldades
em
ver,
ouvir
ou
andar.

 
 Tabela
22:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Dificuldades
em
ver
(ADOPT‐DTV,
2011
 P.34.
Tem
dificuldade
em
ver
mesmo
usando
 óculos
ou
lentes
de
contacto?

 
 Nenhuma
 Pouca
 Alguma
 Tem
muita
 dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
 Total
 Intenção
 Não
Adopta
 N
 78
 32
 50
 19
 179
 de
Uso
 %

 43,6%
 17,9%
 27,9%
 10,6%
 100,0%
 Adopta
 N
 79
 13
 12
 3
 107
 %

 73,8%
 12,1%
 11,2%
 2,8%
 100,0%
 Em
Dúvida
 N
 136
 37
 54
 12
 239
 %

 56,9%
 15,5%
 22,6%
 5,0%
 100,0%
 
 Tabela
23:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Dificuldades
em
ouvir
(ADOPT‐DTV,
2011
 P.35.
E
quanto
à
audição?
Tem
dificuldade
em
ouvir
mesmo
 usando
um
aparelho
auditivo?

 
 Não
 Nenhuma
 Pouca
 Alguma
 Tem
muita
 consegue
 dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
 ouvir
 Total
 Intenção

 Não
Adopta
 N
 113
 24
 31
 10
 1
 179
 de
Uso
 %

 63,1%
 13,4%
 17,3%
 5,6%
 ,6%
 100,0%
 Adopta
 N
 90
 10
 6
 1
 0
 107
 %

 84,1%
 9,3%
 5,6%
 ,9%
 ,0%
 100,0%
 Em
Dúvida
 N
 176
 33
 24
 6
 0
 239
 %

 73,6%
 13,8%
 10,0%
 2,5%
 ,0%
 100,0%
 
 
 54

  • 55.
    Tabela
24:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Dificuldades
em
andar(ADOPT‐DTV,
2011)
 P.36.
E
quanto
à
locomoção?
Tem
dificuldade
em
andar
ou
 em
subir
degraus?
Diria
que...
 
 Não
 Nenhuma
 Pouca
 Alguma
 Tem
muita
 consegu dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
 dificuldade
 e
andar

 Total
 Intenção
 Não
Adopta
 N
 96
 30
 32
 19
 2
 179
 de
Uso
 %

 53,6%
 16,8%
 17,9%
 10,6%
 1,1%
 100,0%
 Adopta
 N
 92
 5
 5
 4
 1
 107
 %

 86,0%
 4,7%
 4,7%
 3,7%
 ,9%
 100,0%
 Em
Dúvida
 N
 164
 32
 29
 14
 0
 239
 %

 68,6%
 13,4%
 12,1%
 5,9%
 ,0%
 100,0%
 
 No
 que
 toca
 a
 variável
 status
 social,
 os
 dados
 indicam
 que
 não
 se
 encontram
 diferenças
significativas
entre
os
grupos
A,
B,
C,
D
e
E
para
a
intenção
de
uso
de
TV
digital
 (χ2(8)=9,035;
 p=0,269).
 A
 tabela
 seguinte
 apresenta
 os
 dados
 descritivos
 referentes
 a
 esta
 variável
e
a
intenção
de
adopção
de
TV
digital.

 Tabela
25:
Intenção
de
adoptar
TV
digital
Vs
Status
(ADOPT‐DTV,
2011)
 STATUS
SOCIAL
 
 A
 B
 C
 D
 E
 Total
 Intenção

 Não
Adopta
 N
 0
 13
 27
 115
 24
 179
 de
uso
 %

 ,0%
 7,3%
 15,1%
 64,2%
 13,4%
 100,0%
 Adopta
 N
 2
 11
 18
 56
 20
 107
 %

 1,9%
 10,3%
 16,8%
 52,3%
 18,7%
 100,0%
 Dúvida
 N
 2
 17
 31
 142
 47
 239
 %

 ,8%
 7,1%
 13,0%
 59,4%
 19,7%
 100,0%
 
 
 Em
síntese,
cada
um
destes
grupos
pode
ser
caracterizado
da
seguinte
forma:
 10.b.
 Grupo
 –
 “Adopta”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 estão
 a
 considerar
 comprar
uma
caixa
descodificadora
ou
televisor
com
TDT
ou
então
subscrever
um
serviço
de
 TV
 paga
 para
 continuar
 a
 ver
 televisão
 em
 casa)
 são
 mais
 propensos
 a
 serem
 homens,
 a
 terem
idades
compreendidas
entre
os
18
e
os
44
anos,
a
possuírem
habilitações
académicas
 
 55

  • 56.
    elevadas
 e
 menos
propensos
 a
 ter
 algum
 nível
 de
 deficiência
 (visual,
 auditiva
 ou
 motora);

 10.c.
 Grupo
 –
 “Em
 Dúvida”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 não
 sabem
 ou
 não
 responderam
qual
a
sua
intenção
de
aquisição
de
TV
digital)
existe
uma
maior
probabilidade
 de
 serem
 mulheres,
 a
 terem
 baixas
 habilitações
 académicas
 e
 possuírem
 um
 nível
 significativo
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
motora);
 
 10.d.
 Grupo
 –
 “Não
 Adopta”
 (espectadores
 de
 TV
 em
 sinal
 aberto
 que
 alegam
 não
 ter
 intenção
 em
 adoptar
 TV
 digital)
 são
 mais
 propensos
 a
 terem
 mais
 de
 55
 anos
 de
 idade,
 a
 possuírem
 um
 baixo
 nível
 de
 habilitações
 académicas
 (instrução
 primária
 completa
 ou
 menos)
e
a
terem
um
nível
significativo
de
deficiência
(visual,
auditiva
ou
motora).
 
 Finalmente,
 de
 notar
 que
 houve
 uma
 evolução
 substancial
 da
 percentagem
 de
 inquiridos
 com
 acesso
 a
 TV
 analógica
 terrestre
 que
 indicou
 ter
 intenção
 de
 adquirir
 equipamentos
ou
serviços
para
recepção
de
TV
digital
do
inquérito
de
Setembro
e
2011
em
 relação
ao
inquérito
de
Novembro
de
2010,
que
passou
de
23.4%
para
47.9%.
Por
seu
turno,
 a
percentagem
destes
inquiridos
que
afirmaram
não
ter
intenção
de
compra
de
serviços
ou
 equipamento
 de
 TV
 digital
 diminuiu
 substancialmente,
 de
 34.1%
 em
 Novembro
 de
 2010
 para
11.3%
para
Setembro
de
2011.
 Tabela
 26:
 Comparativo
 da
 evolução
 percentual
 dos
 perfis
 baseados
 na
 posse
 de
 TV
 paga
 e
 na
 intenção
de
uso
de
TV
digital
(ADOPT‐DTV,
2011)
 
 
 Novembro
2010
 Setembro
2011
 (n=525)
 (n=425)
 %
 %
 Grupo
 Comprar
novo
televisor,
com
TDT
integrada
 23.4
 47.9
 “Adopta”
 Comprar
caixa
descodificadora
de
TDT
 
 
 Subscrever
serviço
TV
por
cabo
 Subscrever
serviço
TV
satélite
(parabólica):
 Subscrever
serviço
IPTV
/
ADSL
 Subscrever
serviço
TV
por
fibra‐óptica
 Grupo
 Nenhum
 34.1
 11.3
 “Não
Adopta”
 Grupo
 Não
sabe
/
não
responde
 45.4
 46.4
 “Em
Dúvida”
 Nota:
os
inquiridos
tinham
a
possibilidade
de
escolher
mais
do
que
uma
opção.
 
 
 
 Já
a
percentagem
de
participantes
que
não
sabe
ou
não
respondeu
à
pergunta
que
 
 56

  • 57.
    equipamentos
ou
serviços
de
TV
digital
está
a
pensar
adquirir
ou
subscrever
nos
próximos
 12
 meses
 manteve‐se
praticamente
 inalterada
 entre
 os
 dois
 inquéritos.
 A
 averiguação
 dos
 perfis
 destes
 grupos
 de
 participantes
 do
 inquérito
 de
 Setembro
 de
 2011
 já
 sai
 fora
 do
 âmbito
 do
 presente
 relatório
 ‐
 até
 porque
 os
 resultados
 são
 de
 outro
 projecto
 de
 investigação
 da
 responsabilidade
 do
 CICANT
 e
 chegaram
 à
 equipa
 de
 investigação
 em
 meados
 de
 Outubro
 de
 2011
 ‐
 mas
 há
 a
 intenção
 de
 proceder
 a
 essa
 averiguação
 posteriormente
em
artigos
a
submeter
a
revistas
e
conferências
científicas.
 
 
 
 Hipótese
principal
do
projecto
de
investigação
 
 ‐
 Verificou‐se
 a
 validação
 da
 hipótese
 principal
 do
 projecto
 de
 investigação,
 em
 que
no
contexto
da
transição
da
TV
analógica‐digital,
a
adopção
da
TV
digital
está
 significativamente
 condicionada
 por
 factores
 de
 expectativa
 de
 desempenho,
 expectativa
 de
 esforço
 e
 influência
 social,
 com
 forte
 probabilidade
 de
 rejeição
 significativa
por
parte
de
segmentos
da
população
com
idade
mais
avançada,
com
 menores
habilitações
académicas
e
com
necessidades
especiais.


 Conforme
foi
referido
na
parte
introdutória
deste
relatório,
os
autores
da
Teoria
Unificada
 de
 Aceitação
 e
 Uso
 de
 Tecnologia
 (Unified
 Theory
 of
 Acceptance
 and
 Use
 of
 Technology
 –
 UTAUT)
 defendem
 que
 a
 expectativa
 de
 performance,
 expectativa
 de
 esforço,
 influência
 social
 e
 condições
 facilitadoras
 são
 determinantes
 directos
 da
 intenção
 de
 uso
 e
 comportamentos
 de
 adopção
 de
 inovações,
 sendo
 o
 impacto
 destes
 quatro
 factores
 é
 mediado
pela
idade,
género,
experiência
e
voluntariedade
de
uso
(Venkatesh
et
al.,
2003).
 Com
base
nesta
teoria
foram
formuladas
as
seguintes
hipóteses
de
investigação:
 
 H1.
As
expectativas
de
desempenho
têm
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
e
o
seu
 efeito
é
maior
nos
jovens
e
nos
homens.

 H2.
As
expectativas
de
esforço
têm
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
e
o
seu
efeito
 é
maior
para
os
mais
velhos,
com
habilitações
académicas
mais
baixas
e
para
as
mulheres.
 H3.
A
influência
social
tem
um
efeito
na
intenção
de
uso
de
TV
digital
e
o
seu
efeito
é
maior
 para
os
mais
velhos,
com
habilitações
académicas
mais
baixas
e
para
as
mulheres.
 H4.
As
condições
facilitadoras
não
têm
um
efeito
significativo
na
intenção
de
uso
de
TV
 digital
na
maioria
da
população,
mas
têm
um
efeito
significativo
nos
mais
velhos.
 
 57

  • 58.
    H5.
a)
A
auto‐eficácia
no
uso
de
tecnologias
não
tem
influência
significativa
na
intenção
de
 uso
de
TV
digital
 H5.b)
A
ansiedade
em
relação
ao
uso
de
tecnologias
não
tem
influência
significativa
na
 intenção
de
uso
de
TV
digital
 H5.c)
As
atitudes
em
relação
ao
uso
de
tecnologias
não
têm
influência
significativa
na
 intenção
de
uso
de
TV
digital.

 De
 forma
 a
 testar
 as
 hipóteses
teóricas
do
projecto
optou‐se
por
realizar
a
análise
 estatística
por
dois
processos,
analisando‐se
a
primeira
parte
das
hipóteses
através
de
uma
 análise
de
variância
e
a
segunda
parte
das
hipóteses
através
de
uma
ANOVA
multivariada,
 procurando‐se
 analisar
 a
 interacção
 de
 novos
 factores
 na
 intenção
 de
 uso
 para
 cada
 dimensão
da
escala
adaptada
do
modelo
UTAUT.

 Com
o
intuito
de
simplificar
a
leitura
da
análise,
optou‐se
por
referir
brevemente
as
 designações
usadas
para
cada
variável
e
o
número
de
variáveis
a
analisar.
Assim,
em
relação
 às
dimensões
da
escala
(adaptação
do
modelo
UTAUT)
usada
no
inquérito
quantitativo
são
 examinadas
sete
dimensões:
expectativa
de
desempenho,
expectativa
de
esforço,
influência
 social,
condições
facilitadoras,
auto‐eficácia,
ansiedade
e
atitudes.

 No
 que
 toca
 a
 variável
 intenção
 de
 uso
 de
 TV
 digital
 foram
 formados
 três
 grupos:
 
Grupo
–
“Adopta”:
grupo
de
indivíduos
que
pretendem
adoptar
TV
digital
(têm
intenção
de
 comprar
 uma
 TV
 que
 tenha
 TDT
 integrada
 ou
 caixa
 descodificadora,
 ou
 subscrever
 algum
 serviço
de
TV
digital
–
TV
por
cabo,
satélite,
IPTV
ou
fibra
óptica,
nos
próximos
12
meses);
 Grupo
–
“Não
adopta”:
grupo
de
indivíduos
que
não
pretendem
adoptar
TV
digital
(não
têm
 intenção
de
comprar
ou
subscrever
qualquer
dos
serviços
acima
indicados);
 
 Grupo
 –
 “Em
 dúvida”:
 grupo
 de
 indivíduos
 que
 estão
 em
 dúvida
 se
 adoptarão
 TV
 digital
 (pessoas
 que
 responderam
 “não
 sei”
 às
 questões
 acima
 enumeradas,
 ou
 mesmo
 pessoas
 que
optaram
por
não
responder).
 De
 forma
 a
 analisar
 se
 a
 variável
 intenção
 de
 uso
 de
 TV
 digital
 tem
 influência
 nas
 dimensões
 resultantes
 da
 adaptação
 do
 modelo
 UTAUT,
 foi
 realizada
 uma
 análise
 de
 variância
através
de
comparação
de
médias,
ANOVA
One‐Way,
após
a
verificação
dos
seus
 pressupostos.
 Os
 dados
 indicam
 a
 existência
 de
 diferenças
 significativas
 para
 um
 nível
 de
 confiança
 de
 95%
 (alpha=0.05)
 em
 todas
 as
 variáveis
 respeitantes
 ao
 modelo
 referido
 (expectativa
 de
 desempenho
 F(2,417)=9,785;
 P<.001;
 expectativa
 de
 esforço
 F(2,317)=11,180;
 p<.001;
 Influência
 social
 F(2,416)=9,989;
 p<.001;
 Condições
 facilitadoras
 F(2,400)=13,928;
 p<.001;
 Atitudes
 de
 uso
 F(2,390)=10,184;
 p<.001;
 Auto‐eficácia
 
 58

  • 59.
    F(2,380)=5,064;
 p=.007;
 Ansiedade
F(2,404)=6,438;p=0.002).
 De
 acordo
 com
 o
 teste
 de
 Tuckey,
encontram‐se
diferenças
significativas
para
a
variável
Expectativas
de
Desempenho
 entre
os
grupos
“Não
adopta”
Vs
“Adopta”
(p<0.001);
“Adopta”
Vs
“Em
dúvida”
(p<0.001);
 para
a
variável
Expectativa
de
Esforço
entre
os
grupos
“Não
adopta”
Vs
“Adopta”
(p<0.001);
 “Não
adopta”
Vs
“Dúvida”
(p=0.01);
para
a
variável
Influência
Social
entre
os
grupos
“Não
 adopta”
 Vs
 “Adopta”
 (p=0.001);
 “Adopta”
 Vs
 “Em
 dúvida
 (p<0”.001);
 para
 a
 variável
 Condições
Facilitadoras
entre
os
grupos
“Não
adopta”
Vs
“Adopta”
(p<0.001);
“Adopta”
Vs
 “Em
 dúvida”
 (p<0.001);
 para
 a
 variável
 Atitudes
 de
 Uso
 entre
 os
 grupos
 “Não
 adopt”a
 Vs
 “Adopta”
 (p<0.001)
 e
 “Adopta”
 Vs
 “Em
 dúvida”
 (p<0.001);
 para
 a
 variável
 Auto‐Eficácia
 entre
 os
 grupos
 “Não
 adopta”
 Vs
 “Adopt”a
 (p=0.005);
 e
 por
 último,
 para
 a
 variável
 Ansiedade
entre
os
grupos
“Não
adopta”
Vs
“Adopta”
(p=0.001)
e
“Adopta”
Vs
“Em
dúvida”
 (p=0.028).

 Tabela
H1.
Médias
das
variáveis
do
modelo
UTAUT
e
Intenção
de
uso
 
 N*
 Média
 Desvio‐padrão
 Mínimo
 Máximo
 Expectativa
de

 Não
Adopta
 137
 8,18
 3,294
 1
 14
 desempenho
 Adopta
 101
 9,79
 2,974
 2
 14
 Em
Dúvida
 182
 8,25
 3,058
 1
 15
 Expectativa
de
esforço
 Não
Adopta
 106
 7,52
 3,237
 1
 15
 Adopta
 90
 9,54
 2,961
 1
 14
 Em
Dúvida
 124
 8,69
 2,867
 2
 15
 Influência
social
 Não
Adopta
 140
 7,59
 2,800
 1
 14
 Adopta
 98
 8,95
 2,665
 2
 15
 Em
Dúvida
 181
 7,42
 2,957
 1
 15
 Condições
facilitadoras
 Não
Adopta
 134
 5,87
 3,593
 1
 13
 Adopta
 98
 8,20
 3,446
 1
 14
 Em
Dúvida
 171
 6,22
 3,539
 1
 15
 Atitudes
de
uso

 Não
Adopta
 129
 8,20
 3,355
 2
 15
 Adopta
 99
 9,97
 2,844
 1
 15
 Em
Dúvida
 165
 8,42
 3,197
 1
 15
 Auto
eficácia
 Não
Adopta
 121
 7,83
 2,848
 1
 15
 Adopta
 100
 9,02
 3,104
 2
 15
 Em
Dúvida
 162
 8,29
 2,516
 2
 14
 Ansiedade
 Não
Adopta
 128
 8,18
 3,281
 1
 15
 Adopta
 100
 9,65
 3,079
 2
 15
 Em
Dúvida
 179
 8,65
 2,993
 2
 15
 *
 o
 número
 de
 sujeitos
 por
 perfil
 difere
 ligeiramente
 por
 dimensão
 já
 que
 foram
 eliminadas
 do
 cálculo
 as
 respostas
“Não
sei/
Não
respondo”.
 
 
 59

  • 60.
    
 De
acordo
com
as
médias
de
cada
grupo
em
cada
dimensão,
é
possível
verificar
que
o
grupo
 “Adopta”
 apresenta
 valores
mais
 elevados
 nas
 comparações
 onde
 se
 encontraram
 diferenças
 significativas,
 sendo
 possível
 perceber
 que
 as
 diferentes
 dimensões
 do
 modelo
 proposto
contribuem
positivamente
para
a
intenção
de
adopção
de
TV
digital.
De
notar
que
 a
 dimensão
 Ansiedade
 foi
 construída
 na
 negativa,
 tendo
 os
 valores
 obtidos
 na
 escala
 sido
 invertidos
para
realizar
a
cotação
da
variável
e
posterior
análise.
Desta
forma,
é
necessário
 conceptualizar
essa
mesma
dimensão
pela
negativa
–
Não
ansiedade,
compreendendo
que
 os
valores
elevados
do
grupo
“Adopta”
nesta
dimensão
apontam
a
mesma
(não‐ansiedade)
 como
tendo
um
efeito
positivo
na
intenção
de
uso
de
TV
digital.

 
 
 Gráfico
H1.
Médias
das
variáveis
do
modelo
UTAUT
e
Intenção
de
uso
 De
 forma
 a
 analisar
 o
 efeito
 de
 interacção
 foi
 realizada
 uma
 ANOVA
 multivariada
 após
 a
 verificação
 dos
 seus
 pressupostos
 em
 todas
 as
 variáveis
 (normalidade
 e
 homogeneidade
de
variância).
No
que
respeita
a
primeira
hipótese
do
estudo,
que
investiga
 a
 intenção
 de
 uso
 e
 a
 sua
 interacção
 com
 o
 género
 e
 idade
 relativamente
 à
 variável
 expectativas
de
desempenho
(variável
proveniente
do
modelo
UTAUT),
procura‐se
perceber
 se
existe
um
efeito
positivo
da
intenção
de
uso,
portanto
maior
probabilidade
de
adopção
 de
TV
digital,
nos
sujeitos
mais
jovens
da
amostra
e
do
género
masculino.
A
tabela
seguinte
 apresenta
as
médias
para
a
relação
entre
as
variáveis
em
questão.

 
 
 
 60

  • 61.
    Tabela
H2.
Médias:
intenção
de
uso
e
género
para
a
variável
expectativas
de
desempenho
 Expectativas
de
desempenho
 Intenção
de
 Sexo
 Média
 Desvio‐Padrão
 N
 uso
 Não
Adopta
 MASCULINO
 8,65
 3,031
 74
 FEMININO
 7,62
 3,521
 63
 Adopta
 MASCULINO
 9,98
 2,977
 60
 FEMININO
 9,51
 2,984
 41
 Em
Dúvida
 MASCULINO
 8,46
 3,001
 83
 FEMININO
 8,08
 3,109
 99
 
 De
 acordo
 com
 os
 dados
 alcançados,
 não
 se
 verifica
 um
 efeito
 de
 interacção
 significativo
entre
a
intenção
de
uso
e
o
género
para
a
variável
expectativa
de
desempenho
 (F(3,414)=0,461;
 p=0,631).
 A
 ausência
 de
 interacção
 indica
 que
 a
 diferença
 da
 intenção
 de
 uso
entre
homens
e
mulheres
é
igual
para
os
sujeitos
com
intenção
de
adoptar,
não
adoptar
 ou
em
dúvida
de
adopção
de
TV
digital.
O
gráfico
seguinte
representa
as
combinações
entre
 intenção
de
uso
e
o
género,
evidenciando
trajectórias
semelhantes
para
o
género
feminino
e
 masculino
o
que
indica
a
não
existência
de
interacção
entre
as
variáveis
no
que
respeita
as
 expectativas
de
desempenho.

 Gráfico
H2
.
Interação
–
intenção
de
uso
e
género
para
expectativas
de
desempenho

 
 
 61

  • 62.
    No
 entanto,
 no
que
 toca
 aos
 efeitos
 principais,
 verifica‐se
 que
 existem
 diferenças
 significativas
 para
 a
 intenção
 de
 uso
 (F(2,416)=
 9,167;
 p<0,001)
 e
 para
 género
 (F(1,416)=
 4,041;
p=0,045)
isoladamente.
Através
do
teste
de
múltiplas
comparações
de
Bonferroni,
as
 diferenças
encontram‐se
entre
os
grupos
masculino
Vs
feminino,
no
que
toca
ao
género,
e
 entre
 os
 grupos
 “Adopta”
 Vs
 “Não
 Adopta”
 (p<0,001)
 e
 Adopta”
 Vs
 “Dúvida”
 (p<0,001).
 O
 género
masculino
e
o
grupo
“Adopta”
apresentam
médias
superiores
em
ambos
os
casos.

 Os
 dados
 indicam
 assim
 que,
 apesar
 de
 não
 se
 encontrar
 interacção
 significativa
 entre
 o
 factor
 idade
 e
 o
 factor
 intenção
 de
 uso
 para
 esta
 dimensão,
 existe
 uma
 relação
 positiva
 entre
 a
 intenção
 de
 adoptar
 TV
 digital
 e
 o
 género
 nas
 expectativas
 de
 desempenho,
 sendo
 que
 o
 género
 masculino
 e
 o
 grupo
 que
 pretende
 adoptar
 TV
 digital
 apresentam
valores
superiores
aos
restantes
grupos.

 Em
 relação
 à
 idade,
 procurou‐se
 igualmente
 perceber
 se
 existe
 um
 efeito
 de
 interacção
entre
a
idade
e
a
intenção
de
uso
para
as
expectativas
de
desempenho.
Os
dados
 indicam
 a
 não
 existência
 de
 interacção
 entre
 os
 factores
 F(10,402)=0,310;
 p=0,978),
 verificando‐se
contudo
diferenças
significativas
nos
factores
isoladamente
(intenção
de
uso:
 F(1,402)=5,333;
p=0,005
e
Idade
F(5,402)=11,321;
p<0,001).
Analisando
os
valores
do
teste
 de
Bonferroni,
as
diferenças
significativas
encontram‐se
entre
os
grupos
“Adopta”
Vs
“Não
 Adopta”
 (p<0,001)
 e
 “Adopta”
 Vs
 “Em
 Dúvida”
 (p<0,001).
 A
 tabela
 3
 apresenta
 os
 dados
 descritivos
para
as
variáveis
em
questão
e
o
gráfico
2
representa
as
trajectórias
dos
escalões
 etários
 para
 variável
 intenção
 de
 uso,
 considerando
 as
 expectativas
 de
 desempenho.
 Novamente
 o
 grupo
 “Adopta”
 apresenta
 médias
 superiores
 em
 relação
 aos
 restantes
 grupos.
 
 No
 que
 toca
 à
 variável
 idade,
 verificam‐se
 médias
 superiores
 nos
 escalões
 etários
 mais
jovens
(dos
18
aos
24
anos,
dos
25
aos
34
anos
e
ainda,
dos
35
aos
44
anos).
Apesar
de
 não
se
verificar
interacção
entre
os
factores,
isoladamente
analisados
os
mesmos
indicam
 uma
 relação
 positiva
 entre
 escalões
 etários
 mais
 jovens
 e
 intenção
 de
 adopção
 de
 TV
 digital
na
dimensão
de
expectativas
de
desempenho.
 Tabela
H3.
Médias:
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
expectativas
de
desempenho
 
 Média
 Desvio‐padrão
 N
 Não
Adopta
 18‐24
anos
 10,71
 1,496
 7
 25‐34
anos
 9,70
 3,267
 23
 35‐44
anos
 9,07
 2,764
 15
 45‐54
anos
 8,91
 3,502
 23
 55‐64
anos
 7,11
 3,059
 28
 mais
65
anos
 6,88
 3,059
 41
 
 62

  • 63.
    Adopta
 18‐24
anos
 11,50
 2,036
 18
 25‐34
anos
 10,78
 1,957
 18
 35‐44
anos
 9,73
 2,933
 26
 45‐54
anos
 9,71
 3,312
 17
 55‐64
anos
 8,23
 3,086
 13
 mais
65
anos
 7,00
 3,000
 9
 Em
Dúvida
 18‐24
anos
 9,00
 1,871
 13
 25‐34
anos
 9,32
 2,595
 44
 35‐44
anos
 8,59
 3,219
 37
 45‐54
anos
 8,42
 2,430
 36
 55‐64
anos
 7,56
 3,468
 18
 mais
65
anos
 6,41
 3,439
 34
 
 Gráfico
H3.
Médias:
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
expectativas
de
desempenho
 
 
 Em
relação
à
segunda
hipótese
teórica,
questiona‐se
se
as
variáveis
idade
e
género
 terão
algum
efeito
na
intenção
de
uso,
considerando
a
expectativas
de
esforço
(variável
do
 modelo
 UTAUT).
 A
 análise
 recorreu
 novamente
 à
 ANOVA
 multivariada,
 procurando
 um
 efeito
de
interacção
entre
as
variáveis
referidas.
Os
dados
indicam
que
a
variável
género
não
 interage
 com
 a
 variável
 intenção
 de
 uso
 no
 que
 toca
 às
 expectativas
 de
 esforço
 (F(2,314)=1,547;
 p=0,214).
 Em
 relação
 aos
 efeitos
 principais
 dos
 factores
 encontram‐se
 diferenças
 significativas
 para
 a
 variável
 intenção
 de
 uso
 (F(2,314)=10,744;
 p<0,001)
 e
 género(F(2,314)=10,742;
 p=0,001;)
 nos
 grupos
 masculino
 Vs
 feminino,
 “Adopta”
 Vs
 “Não
 
 63

  • 64.
    Adopta”
 (p<0,001)
 e
“Adopta”
 Vs
 “Em
 Dúvida”
 (p=0,009).
 Em
 relação
 à
 variável
 idade,
 também
 não
 se
 encontrou
 interacção
 entre
 os
 factores
 (F(10,302)=0,732;
 p=0,694),
 verificando‐se
 contudo
 diferenças
 estatisticamente
 significativas
 para
 os
 factores
 isoladamente:
Intenção
de
uso
(F(2,302)=6,003;
p=0,003;)
e
idade
(F(5,302)=6,782;
p<0,001).
 As
 diferenças
 encontradas
 são
 entre
 o
 grupo
 masculino
 Vs
 feminino
 e
 entre
 os
 grupos
 “Adopta”
Vs
“Não
Adopta”
(p<0,001)
e
“Não
Adopta”
Vs
“Em
Dúvida”
(p<0,009).
As
tabelas
 seguintes
 apresentam
 os
 dados
 descritivos
 para
 as
 variáveis
 relativas
 à
 segunda
 hipótese
 teórica
e
os
gráficos
apresentam
as
trajectórias
das
variáveis
em
questão.

 Novamente,
é
possível
verificar
que
o
grupo
masculino
apresenta
médias
superiores
 quando
 comparado,
 isoladamente,
 com
 o
 feminino
 e
 os
 escalões
 etários
 mais
 jovens
 apresentam
 médias
 superiores
 quando
 comparados
 com
 os
 escalões
 de
 idades
 mais
 elevadas.
 No
 que
 toca
 os
 grupos
 de
 intenção
 de
 uso,
 o
 grupo
 “Adopta”
 apresenta
 médias
 mais
 elevadas,
 seguido
 do
 grupo
 “Em
 Dúvida”
 (ver
 tabelas
 descritivas
 seguintes).
 Desta
 forma,
 os
 dados
 confirmam
 a
 hipótese
 teórica
 colocada,
 a
 intenção
 de
 uso
 tem
 uma
 relação
com
as
expectativas
de
esforço
sendo
que
o
grupo
dos
sujeitos
do
género
feminino
 e
de
escalões
etários
mais
elevados
apresentam
médias
mais
baixas.

 
 
 Tabela
H4.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
género
para
a
variável
expectativas
de
esforço
 SEXO
 Média
 Desvio‐padrão
 N
 Não
Adopta
 MASCULINO
 7,76
 3,344
 59
 FEMININO
 7,21
 3,106
 47
 Adopta
 MASCULINO
 10,42
 2,658
 50
 FEMININO
 8,45
 2,987
 40
 Em
Dúvida
 MASCULINO
 9,10
 2,721
 59
 FEMININO
 8,31
 2,963
 65
 
 
 
 64

  • 65.
    
 Gráfico
H4.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
género
para
a
variável
expectativas
de
esforço
 
 Tabela
H5.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
expectativas
de
esforço
 Intenção
de
 uso
 Idade
 Média
 Desvio‐padrão
 N
 Não
Adopta
 18‐24
anos
 8,43
 3,359
 7
 25‐34
anos
 8,90
 2,844
 21
 35‐44
anos
 8,62
 3,404
 13
 45‐54
anos
 9,06
 3,255
 16
 55‐64
anos
 6,41
 2,425
 17
 d mais
65
anos
 5,78
 2,904
 32
 i Adopta
 18‐24
anos
 10,00
 3,162
 18
 m e 25‐34
anos
 10,25
 2,082
 16
 n 35‐44
anos
 9,04
 3,113
 24
 s 45‐54
anos
 11,15
 1,994
 13
 i 55‐64
anos
 8,18
 2,960
 11
 o mais
65
anos
 7,88
 3,643
 8
 Em
Dúvida
 18‐24
anos
 9,18
 1,601
 11
 n 1
 25‐34
anos
 9,44
 1,795
 34
 35‐44
anos
 9,14
 3,399
 22
 45‐54
anos
 8,58
 2,928
 26
 55‐64
anos
 8,40
 3,239
 10
 mais
65
anos
 7,00
 3,464
 21
 
 65

  • 66.
    
 Gráfico
H5.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
expectativas
de
esforço
 
 
 Em
relação
à
terceira
hipótese
do
estudo,
argumenta‐se
que
a
idade
e
género
têm
 um
 efeito
 na
 intenção
 de
 uso
 de
 TV
 digital,
 no
 que
 toca
 à
 variável
 influência
 social.
 De
 acordo
com
os
dados
o
efeito
de
interacção
entre
estes
factores
não
se
verifica,
quer
para
a
 idade
(F(2,413)=0,585;
p=0,557)
quer
para
o
género
(F(2,413)=,
P=0,557),
mas
novamente
os
 factores
isolados
apresentam
diferenças
significativas
entre
os
grupos.
Assim,
no
que
toca
a
 variável
 intenção
 de
 uso
 (F(2,413)=9,256;
 p<0,001)
 e
 idade
 (F(1,313)=4,835;
 p=0,028)
 existem
 diferenças
 significativas
 entre
 os
 grupos
 “Adopta”
 Vs
 “Não
 Adopta”
 (p=0,001)
 e
 “Adopta”
 Vs
 “Em
 Dúvida”
 (p<0,001),
 sendo
 que
 o
 grupo
 “Adopta”
 apresenta
 médias
 mais
 elevadas
em
ambos
os
casos
(consultar
tabela
descritiva
seguinte).

 Em
 relação
 à
 interacção
 com
 a
 variável
 género,
 novamente
 os
 factores
 isolados
 apresentam
diferenças
significativas
entre
os
grupos,
evidenciando
o
grupo
masculino
com
 médias
 mais
 elevadas.
 Desta
 forma,
 os
 dados
 confirmam
 a
 hipótese
 teórica
 colocada,
 a
 intenção
de
uso
tem
uma
relação
com
as
influência
social,
sendo
que
o
grupo
dos
sujeitos
 do
género
feminino
e
de
escalões
etários
mais
elevados
apresentam
médias
mais
baixas.

 
 
 66

  • 67.
    Tabela
H6.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
género
para
a
variável
influência
social
 
 Intenção
de
uso
 Sexo
 Média
 Desvio‐padrão
 N
 Não
Adopta
 MASCULINO
 8,07
 2,468
 75
 FEMININO
 7,05
 3,069
 65
 Adopta
 MASCULINO
 9,18
 2,823
 57
 FEMININO
 8,63
 2,426
 41
 dimension1
 Em
Dúvida
 MASCULINO
 7,60
 3,121
 81
 FEMININO
 7,27
 2,824
 100
 
 Gráfico
H6.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
género
para
a
variável
influência
social
 
 Tabela
H7.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
influência
social
 
 Intenção
de
uso
 Idade
 Média
 Desvio‐padrão
 N
 d Não
Adopta
 18‐24
anos
 7,25
 3,240
 8
 i 25‐34
anos
 8,70
 2,183
 23
 m 35‐44
anos
 8,00
 3,183
 16
 e 45‐54
anos
 8,59
 2,282
 22
 55‐64
anos
 7,63
 2,684
 30
 n s mais
65
anos
 6,32
 2,832
 41
 i o 
 n 67
 1

  • 68.
    Adopta
 18‐24
anos
 9,33
 2,849
 18
 25‐34
anos
 9,69
 2,330
 16
 35‐44
anos
 9,08
 2,208
 26
 45‐54
anos
 8,53
 3,484
 17
 55‐64
anos
 8,83
 2,725
 12
 mais
65
anos
 7,44
 2,128
 9
 Em
Dúvida
 18‐24
anos
 7,31
 2,658
 13
 25‐34
anos
 8,09
 2,662
 43
 35‐44
anos
 7,62
 3,157
 37
 45‐54
anos
 7,86
 2,631
 36
 55‐64
anos
 6,48
 3,502
 21
 mais
65
anos
 6,42
 2,986
 31
 Total
 18‐24
anos
 8,23
 2,978
 39
 25‐34
anos
 8,57
 2,519
 82
 35‐44
anos
 8,18
 2,921
 79
 45‐54
anos
 8,23
 2,739
 75
 55‐64
anos
 7,48
 3,058
 63
 mais
65
anos
 6,48
 2,816
 81
 
 Gráfico
H7.
Interacção
entre
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
influência
social
 
 
 
 68

  • 69.
    No
 que
 respeita
a
 quarta
 hipótese
 do
 estudo,
 argumenta‐se
 que
 a
 idade
 tem
 um
 efeito
na
intenção
de
uso
em
consideração
à
dimensão
condições
facilitadoras.
De
acordo
 com
 os
 dados,
 não
 existe
 interacção
 entre
 o
 factor
 idade
 e
 o
 factor
 intenção
 de
 uso
 (F(0,643;p=0,777),
 contudo
 os
 factores
 isolados
 apresentam
 diferenças
 significativas
 nos
 seus
 grupos
 (intenção
 de
 uso:
 F(2,385)=9,306;
 p<0,001
 e
 idade
 F(5,385)=4,925;
 p=0,000).
 Assim,
 com
 base
 no
 teste
 de
 Bonferroni,
 as
 diferenças
 encontradas
 são
 entre
 os
 grupos
 “Adopta”
Vs
“Não
Adopta”
(p<0,001)
e
“Adopta”
Vs
“Em
Dúvida”
(p<0,001),
sendo
que,
tal
 como
 é
 possível
 observar
 na
 tabela
 seguinte,
 as
 médias
 são
 superiores
 para
 o
 grupo
 de
 sujeitos
que
têm
intenção
de
adoptar
TV
digital
nos
escalões
etários
centrais
e
superiores.
 
 
 Tabela
H7.
Média:
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
condições
facilitadoras
 
 Intenção
de
uso
 Idade
 Média
 Desvio‐padrão
 N
 Não
Adopta
 18‐24
anos
 5,50
 2,976
 8
 25‐34
anos
 7,68
 3,286
 22
 35‐44
anos
 6,33
 4,117
 15
 45‐54
anos
 6,81
 3,027
 21
 55‐64
anos
 5,26
 3,460
 27
 d mais
65
anos
 4,73
 3,668
 41
 i Adopta
 18‐24
anos
 9,39
 2,593
 18
 m e 25‐34
anos
 8,72
 3,322
 18
 n 35‐44
anos
 7,72
 3,814
 25
 s 45‐54
anos
 8,31
 3,807
 16
 i 55‐64
anos
 8,58
 2,811
 12
 o mais
65
anos
 5,44
 3,358
 9
 Em
Dúvida
 18‐24
anos
 7,55
 3,532
 11
 n 1
 25‐34
anos
 7,37
 2,984
 43
 35‐44
anos
 6,06
 3,626
 34
 45‐54
anos
 5,91
 3,137
 34
 55‐64
anos
 6,18
 4,433
 17
 mais
65
anos
 4,72
 3,612
 32
 
 
 
 69

  • 70.
    
 Gráfico
H7.
Média:
intenção
de
uso
e
idade
para
a
variável
condições
facilitadoras
 
 
 A
 hipótese
 5
 e
 derivadas
 ficaram
 respondidas
 com
 a
 ANOVA
 simples,
 tendo
 os
 dados
 indicado
 a
 existência
 de
 diferenças
 significativas
 para
 um
 nível
 de
 confiança
 de
 95%
 (alpha=0.05)
 nestas
 variáveis
 respeitantes
 ao
 modelo
 referido
 (Atitudes
 de
 uso
 F(2,390)=10,184;
 p<.001;
 Auto‐eficácia
 F(2,380)=5,064;
 p=.007;
 Ansiedade
 F(2,404)=6,438;
 p=0.002).

 
 
 70

  • 71.
    
 4.
Recomendações
 Considerando
 os
 resultados
antes
 apresentados
 e
 a
 revisão
 de
 literatura
 conduzida
 no
 âmbito
 deste
 projecto
 de
 investigação,
 apresentam‐se
 as
 seguintes
 recomendações
 às
 principais
partes
interessadas
envolvidas
no
processo
de
transição
da
TV
analógica
terrestre
 para
o
digital
terrestre
em
Portugal:
 
 
 1.
 Ponderar
 o
 adiamento
 das
 datas
 de
 desligamento
 do
 sinal
 analógico
 terrestre

 ‐
 tendo
 sobretudo
 em
 consideração
 as
 pessoas
 que
 recebem
 em
 exclusivo
 as
 emissões
 de
 TV
 analógica
terrestre,
estimando‐se
haver
 um
risco
elevado
de
que
 parte
 substancial
 desta
 população
 possa
 ficar
 sem
 acesso
 ao
 sinal
 de
 televisão,
 a
 manterem‐se
as
datas
previstas
para
o
desligamento
da
TV
analógica
terrestre.

 O
 presente
 projecto
 de
 investigação
 estima
 que
 cerca
 de
 38%
 da
 população
 de
 Portugal
 Continental
 receba
 somente
 TV
 em
 sinal
 aberto,
 a
 3
 meses
 do
 início
 do
 desligamento
 das
 emissões
 de
 TV
 analógica
 terrestre.
 Ainda,
 estima‐se
 que
 a
 recepção
 de
 TV
 analógica
 terrestre
se
mantenha
como
largamente
dominante
junto
destes
Portugueses
sem
TV
paga,
 sendo
 o
 acesso
 à
 TDT
 pouco
 expressivo.
 No
 inquérito
 quantitativo
 aplicado
 junto
 de
 uma
 amostra
representativa
da
população
de
Portugal
Continental,
dos
38.3%
que
não
possuem
 TV
 paga
 em
 casa,
 apenas
 3%
 afirmaram
 receber
 TDT,
 enquanto
 que
 92.4%
 afirmaram
 receber
TV
analógica,
através
da
antena
tradicional.
Este
modo,
estima‐se
que
cerca
de
35%
 da
população
de
Portugal
Continental
possa
ser
afectada
com
o
“apagão”,
de
acordo
com
os
 dados
apurados
em
Setembro
de
2011.
 A
 ter
 também
 em
 consideração
 o
 baixo
 nível
 de
 conhecimento
 sobre
 a
 data
 do
 desligamento,
 bem
 como
 o
 baixo
 nível
 de
 conhecimento
 sobre
 o
 deve
 ser
 feito
 para
 continuar
 a
 ter
 TV
 em
 sinal
 aberto.
 No
 presente
 projecto estimou‐se
 que
 a
 maioria
 da
 população
 Portuguesa
 desconheça
 qual
 a
 data
 prevista
 do
 desligamento
 do
 sinal
 de
 TV
 analógica
terrestre,
verificou‐se
um
baixo
nível
de
conhecimento
sobre
as
questões
práticas
 relacionadas
 com
 a
 recepção
 de
 TDT
 e
 estimou‐se
 que
 perto
 de
 metade
 dos
 Portugueses
 sem
 TV
 paga
 estejam
 indecisos
 quanto
 à
 obtenção
 de
 equipamentos
 ou
 serviços
 de
 TV
 digital,
a
3
meses
do
início
previsto
do
desligamento
das
emissões
de
TV
analógica
terrestre.
 A
ter
também
em
consideração
que
no
caso
dos
inquiridos
sem
TV
paga,
43.9%
afirmaram
 que
 o
 seu
 televisor
 não
 é
 compatível
 com
 a
 TDT
 e
 14.6%
 indicaram
 ser
 compatível,
 sendo
 estes
dados
relativos
a
Setembro
de
2011.
Ainda
que
estes
resultados
não
possibilitem
dar
 
 71

  • 72.
    uma
 resposta
 rigorosa
e
 definitiva
 à
 questão
 “quantos
 Portugueses
 não
 estão
 preparados
 para
 o
 desligamento
 da
 TV
 analógica
 terrestre?”
 ‐
 até
 pelo
 elevado
 número
 de
 inquiridos
 sem
 TV
 paga
 que
 em
 Setembro
 de
 2011
 afirmaram
 não
 saber
 se
 têm
 um
 televisor
 compatível
com
TDT
(41.5%)
e
que
afirmaram
não
saber
se
a
sua
zona
de
residência
já
tem
 cobertura
 TDT
 (70.4%)
 ‐
 ainda
 assim
 são
 elementos
 significativos
 a
 serem
 tidos
 em
 consideração
pelos
decisores
nesta
matéria.
 De
 notar
 que
 nos
 Estados
 Unidos
 da
 América
 o
 desligamento
 do
 sinal
 de
 TV
 analógica
terrestre
foi
adiado
por
três
vezes:
de
2006
para
31
Dezembro
de
2008,
ao
qual
se
 seguiu
o
adiamento
para
17
de
Fevereiro
de
2009
e,
finalmente,
para
12
de
Junho
de
2009
 (Hart,
2009).
Em
Janeiro
de
2009,
a
cerca
de
um
mês
da
data‐limite
anunciada
para
desligar
 o
 sinal
 analógico
 de
 televisão,
 a
 Nielsen
 estimou
 que
 quase
 7%
 de
 todos
 os
 lares
 com
 televisão
 não
 estavam
 preparados
 para
 o
 fim
 da
 televisão
 analógica
 terrestre
 (7,8
 milhões
 de
lares),
já
que
não
possuíam
um
televisor
ou
descodificador
de
televisão
digital
(InformiTV,
 2008).

 
 Assim,
o
recém‐eleito
presidente
dos
E.U.A.
Barack
Obama
avançou
com
a
proposta
 de
adiar
o
switch‐off
nos
E.U.A.,
declarando
que
“milhões
de
Americanos,
incluindo
aqueles
 nas
 comunidades
 mais
 vulneráveis,
 teriam
 sido
 deixados
 às
 escuras
 se
 a
 conversão
 tivesse
 ido
em
frente
como
planeado”
(cit.
in
Hart,
2011).
A
menos
de
2
semanas
da
data
prevista
 para
 o
 desligamento
 –
 marcado
 para
 17
 de
 Fevereiro
 de
 2009
 ‐,
 a
 Câmara
 dos
 Representantes
 viria
 a
 aprovar
 a
 proposta
 de
 adiamento
 de
 Barack
 Obama,
 já
 antes
 aprovada
 pelo
 Senado
 (Stelter,
 2009).
 Na
 perspectiva
 do
 investigador
 Norte‐Americano
 Jeffrey
 Hart
 (2011)
 o
 adiamento
 da
 transição
 de
 Fevereiro
 para
 Junho
 de
 2009
 ajudou
 a
 evitar
disrupções
graves
no
quotidiano
dos
cidadãos,
“enquanto
esforços
adicionais
levados
 a
 cabo
 pela
 FCC
 e
 a
 NTIA
 depois
 das
 eleições
 de
 Novembro
 para
 emendar
 o
 programa
 de
 cupões
 para
 aquisição
 dos
 descodificadores
 e
 para
 educar
 os
 consumidores
 acabaram
 por
 ajudar
a
reduzir
os
custos
do
ajustamento
para
os
pobres
e
os
idosos”.
 
 Por
 outro
 lado,
 há
 a
 destacar
 o
 processo
 de
 switchover
 na
 Dinamarca,
 que
 é
 considerado
como
um
caso
de
sucesso
da
migração
da
TV
analógica
terrestre
para
o
digital.
 Estimou‐se
que
24%
da
população
seria
afectada
com
o
“apagão”,
ou
seja,
cerca
de
601.000
 famílias
‐
a
Dinamarca
tem
cerca
de
5,5
milhões
habitantes.
Assim,
no
dia
do
desligamento,
 a
 31
 de
 Outubro
 de
 2009,
 6.000
 famílias
 Dinamarquesas
 não
 estavam
 preparadas
 para
 o
 desligamento
 da
 emissão
 de
 TV
 analógica
 terrestre,
 tendo
 a
 linha
 telefónica
 de
 apoio
 à
 população
recebido
4.000
chamadas
no
dia
da
transição
(Vejlgaard,
2010).
 Deste
 modo,
 revela‐se
 ser
 essencial
 monitorizar
 com
 regularidade
 o
 progresso
 da
 
 72

  • 73.
    migração
com
recurso
a
indicadores‐chave,
através
de
entidades
independentes
e
credíveis,
 à
semelhança
do
que
aconteceu
em
países
como
os
E.U.A.,
Espanha
e
Dinamarca.
A
título
de
 exemplo,
os
indicadores‐chave
utilizados
no
contexto
da
transição
da
TV
analógica
terrestre
 para
o
digital
terrestre
na
Dinamarca
foram
os
seguintes:
 
 A.
 Tem
 conhecimento
 que
 o
 sinal
 de
 TV
 analógica
 vai
 ser
 desligado
 a
 31
 de
 Outubro
 de
 2009?
 
 B.
 Sabe
 se
 o
 televisor
 principal
 de
 sua
 casa
 será
 afectado
 com
 o
 desligamento
 do
 sinal
 analógico
de
TV?

 
 C.
A
sua
casa
está
preparada
para
o
sinal
de
TV
digital?

 
 Ainda
 a
 ter
 em
 consideração,
 observa
 Vejlgaard
 (2010)
 que
 à
 medida
 que
 a
 data‐ limite
se
aproxima,
o
período
de
inovação‐decisão
se
torna
mais
curto.
Dito
de
outro
modo,
 mesmo
 que
 os
 indicadores
 de
 conversão
 para
 a
 TV
 digital
 possam
 estar
 aquém
 das
 metas
 definidas,
se
a
estratégia
foi
bem
concebida
e
executada,
essas
metas
ainda
são
possíveis
de
 atingir.


 
 
 2.
Tornar
atractiva
a
oferta
de
TDT,
com
mais
canais
TV
e
serviços
úteis

 
 ‐
actualmente
as
vantagens
da
TDT
são
praticamente
inexpressivas,
mantendo‐se
a
 mesma
 oferta
 de
 canais
 da
 TV
 analógica
 terrestre:
 a
 melhoria
 da
 qualidade
 de
 imagem
 e
 som
 não
 deve
 ser
 suficiente
 para
 motivar
 a
 mudança
 voluntária
 da
 grande
maioria
da
população
a
ser
impactada
pelo
switch‐off.
 
 No
 caso
 de
 Portugal,
 o
 investimento
 obrigatório
 na
 compra
 de
 televisores
 com
 TDT
 integrado
ou
caixas
descodificadoras
não
resulta
actualmente
num
acréscimo
de
canais
de
 televisão
disponíveis
em
sinal
aberto,
ao
contrário
do
que
aconteceu
regra
geral
em
todos
os
 países
que
passaram
pelo
mesmo
processo.

 A
 título
 de
 exemplo,
 em
 Espanha
 os
 espectadores
 usufruíam
 de
 4
 canais
 em
 sinal
 aberto
 através
 do
 sistema
 de
 TV
 analógico
 terrestre
 e
 passaram
 a
 receber
 20
 canais
 gratuitos
com
a
TDT
(Impulsa
TDT,
2010).
Nos
países
Europeus
com
TDT
o
número
de
canais
 nacionais
transmitidos
gratuitamente
através
desta
plataforma
são
os
seguintes,
de
acordo
 com
 os
 dados
 recolhidos
 pelo
 investigador
 Sérgio
 Denicoli
 (2011),
 da
 Universidade
 Minho:
 
 
 73

  • 74.
    
 Tabela
27:

Canais
nacionais
emitidos
gratuitamente
em
sistemas
de
TDT
na
Europa
(Denicoli,
2011)

 Reino
Unido
 43
canais
 
 Eslovénia
 8
canais
 Itália
 39
canais
 
 Áustria
 7
canais
 Alemanha
 35
canais
 
 Hungria
 7
canais
 Espanha
 27
canais
 
 Irlanda
 7
canais
 França
 18
canais
 
 Suécia
 7
canais
 Grécia
 17
canais
 
 Chipre
 6
canais
 Finlândia
 14
canais
 
 Eslováquia
 6
canais
 Lituânia
 14
canais
 
 Estónia
 4
canais
 Luxemburgo
 12
canais
 
 Letónia
 4
canais
 Polónia
 12
canais
 
 Portugal
 4
canais
 República
Checa
 10
canais
 
 Países
Baixos
 3
canais
 Bélgica
 9
canais
 
 Bulgária
 3
canais
 Dinamarca
 8
canais
 
 Malta
 2
canais
 
 A
 questão
 da
 atractividade
 da
 oferta
 de
 TDT
 foi
 sublinhada
 por
 Michael
 Starks,
 especialista
em
políticas
públicas
relacionadas
com
o
switch‐off
e
autor
do
livro
Switching
to
 Digital
 Television
 sobre
 o
 processo
 de
 transição
 da
 TV
 analógica
 para
 o
 digital
 no
 Reino
 Unido
,
referindo
que
“se
a
TV
digital
fosse
atractiva
para
os
consumidores,
a
maioria
deles
 iria
gastar
o
seu
próprio
dinheiro
voluntariamente,
especialmente
quando
se
espera
que
as
 famílias
 médias
 substituam
 os
 televisores
 principais
 dentro
 de
 uma
 década”.
 (Starks,
 2007:
 11).
 Assim,
 seria
 possível
 manter
 relativamente
 baixo
 o
 número
 de
 casas
 para
 os
 quais
 a
 mudança
seria
forçada.

 Em
 Portugal,
 conforme
 apontou
 Sérgio
 Denicoli,
 faltam
 elementos
 que
 levem
 o
 telespectador
 a
 querer
 migrar
 voluntariamente
 para
 a
 TDT:
 “Em
 Espanha,
 por
 exemplo,
 a
 TDT
trouxe
mais
de
20
canais
de
acesso
livre.
Ou
seja,
os
cidadãos
investiram
na
compra
de
 um
 aparelho
 de
TV
com
 sintonizador
digital
ou
 de
 uma
 set‐top‐box
 porque
 sabiam
 que
 teriam
uma
programação
diferenciada”
(entrevista
concedida
à
equipa
do
projecto
ADOPT‐ DTV
 a
 15‐10‐2010).
 Tal
 perspectiva
 foi
 corroborada
 pela
 associação
 de
 defesa
 dos
 consumidores
 DECO,
 que
 considerou
 que
 será
 difícil
 que
 os
 Portugueses
 migrem
 
 74

  • 75.
    espontaneamente
 para
 a
TDT:
 “visto
 que
 a
 plataforma
 digital
 terrestre
 não
 apresenta
 de
 momento,
 nenhuma
 vantagem
 óbvia
 para
 os
 consumidores
 em
 relação
 ao
 sistema
 analógico.
Temos
os
mesmos
canais,
nível
de
resolução,
formato
de
imagem
(4:3)
e
apenas
o
 guia
electrónico
de
programas
(EPG)
como
serviço
adicional”
(entrevista
concedida
à
equipa
 do
projecto
ADOPT‐DTV
a
11‐11‐2010).
 Quando
 questionados
 sobre
 que
 recomendações
 fariam
 para
 que
 o
 processo
 de
 transição
 da
 televisão
 analógica
 para
 a
 TDT
 fosse
 bem‐sucedido,
 a
 questão
 do
 5º
 canal
 foi
 referida
 por
 5
 dos
 16
 stakeholders
 como
 uma
 mais‐valia,
 bem
 como
 a
 possibilidade
 dos
 canais
 públicos
 que
 agora
 apenas
 estão
 disponíveis
 na
 rede
 paga
 (RTP
 N
 e
 RTP
 Memória)
 serem
disponibilizados
na
rede
aberta
digital,
ou
de
se
permitir
que
a
SIC
e
TVI
pudessem
ter
 direito
 a
 usufruir
 de
 mais
 espectro
 radioeléctrico
 para
 que
 os
 seus
 canais
 de
 notícias
 pudessem
 também
 ser
 disponibilizados
 gratuitamente
 através
 da
 TDT.
 Igualmente,
 foi
 sugerida
 por
 Denicoli
 a
 criação
 de
 canais
 regionais
 ou
 de
 universidades
 que
 estivessem
 disponíveis
 na
 nova
 plataforma
 sem
 serem
 pagos.
 No
 fundo,
 o
 que
 se
 recomenda
 é
 que
 a
 passagem
 de
 TV
 analógica
 para
 a
 digital
 implique
 um
 aumento
 da
 oferta
 de
 canais
 disponíveis
gratuitamente,
de
forma
a
que
lhe
esteja
associada
uma
mais‐valia
óbvia.
 De
 recordar
 que
 no
 presente
 estudo
 se
 verificou
 que
 os
 benefícios
 associados
 à
 presente
oferta
de
TDT
têm
pouco
peso
na
respectiva
intenção
de
adopção,
com
o
corte
da
 emissão
de
TV
analógica
terrestre
a
ser
identificado
como
o
principal
motivo
para
obter
TDT
 no
último
inquérito
realizado
em
Setembro
de
2011,
por
39.3%
dos
inquiridos
sem
TV
paga,
 com
 33.2%
 a
 escolher
 a
 opção
 “não
 sei/
 não
 respondo”
 à
 questão
 qual
 o
 principal
 motivo
 para
 ter
 TDT.
 A
 melhoria
 da
 qualidade
 de
 imagem
 de
 som
 da
 TV
 digital
 em
 relação
 à
 TV
 analógica
 foi
 indicada
 por
 13.2%
 destes
 participantes,
 uma
 percentagem
 que
 se
 manteve
 praticamente
igual
à
apurada
no
inquérito
de
Novembro
de
2010
(13.7%).
Ainda
de
referir
 que
no
inquérito
de
Setembro
de
2011,
12.5%
dos
participantes
sem
TV
paga
afirmaram
não
 encontrar
nenhum
motivo
para
ter
TDT.

 
 
 3.
Promover
campanhas
de
comunicação
mais
informativas
e
esclarecedoras

 
 ‐
 sobretudo
 ter
 em
 consideração
 as
 populações
 mais
 vulneráveis,
 como
 sejam
 os
 mais
 idosos,
 as
 pessoas
 com
 baixo
 status
 socioeconómico
 e
 pessoas
 com
 necessidades
especiais,
que
correspondem
à
maioria
das
pessoas
afectadas
com
o
 desligamento
das
emissões
de
TV
analógica
terrestre.

 
 
 75

  • 76.
    O
presente
estudo
de
investigação
verificou
que
os
indivíduos
sem
TV
paga
em
Portugal
são
 mais
 propensos
 a
ter
 mais
 de
 55
 anos
 de
 idade,
 a
 possuir
 baixos
 níveis
 de
 habilitações
 académicas
 e
 um
 baixo
 status
 (D/
 E)
 e,
 finalmente,
 a
 possuir
 algum
 nível
 de
 deficiência
 (auditiva,
 visual
 ou
 de
 mobilidade).
 A
 adequação
 das
 mensagens
 a
 estes
 público‐alvo,
 em
 particular
 da
 
 terminologia
 a
 usar,
 reveste‐se
 assim
 de
 particular
 cuidado
 e
 atenção,
 já
 se
 trata
 de
 explicar
 um
 processo
 de
 conversão
 de
 tecnologia
 obrigatório,
 com
 poucas
 vantagens
perceptíveis
para
os
espectadores
Portugueses,
conforme
foi
antes
referenciado.
 Mesmo
noutros
contextos
em
que
as
vantagens
da
conversão
são
mais
notórias,
como
é
o
 caso
do
Reino
Unido,
a
questão
da
persuasão
dos
espectadores
em
relação
a
uma
medida
 compulsória
 não
 tem
 sido
 matéria
 pacífica,
 como
 aponta
 Michael
 Starks
 (2007:
 2):
 “Estas
 expectativas
 vieram
 a
 colocar
 dilemas
 quer
 aos
 políticos,
 cujos
 instintos
 de
 sobrevivência
 politica
os
alertaram
para
não
serem
demasiado
evangelizadores
sobre
o
assunto,
quer
para
 os
canais
de
televisão
e
a
industria
de
equipamentos
receptores
de
TV,
que
têm
que
cultivar
 as
suas
próprias
relações
com
a
população
e
que
eram
sensíveis
aos
riscos
de
se
tornarem
os
 portadores
das
más
notícias
do
Governo”.
 
 Em
países
como
a
Espanha
e
Reino
Unido
foram
criadas
de
entidades
responsáveis
 pela
 implementação,
 divulgação
 e
 avaliação
 do
 processo
 de
 transição
 para
 o
 digital,
 resultantes
 de
 parcerias
 entre
 os
 principais
 stakeholders
 neste
 campo
 –
 tais
 como
 reguladores,
operadores
de
televisão,
canais
de
televisão,
entre
outros.


 No
 caso
 da
 Espanha,
 a
 entidade
 formada
 para
 este
 efeito
 tinha
 a
 designação
 “Impulsa
 TDT”
 definiu
 que
 a
 quarta
 e
 última
 fase
 da
 sua
 estratégia
 de
 comunicação
 teria
 como
objectivo
sensibilizar
os
grupos
resistentes
à
migração
para
a
TDT,
para
que
ninguém
 ficasse
 de
 fora
 do
 processo.
 De
 notar
 que
 esta
 entidade
 deu
 inicio
 as
 campanhas
 de
 comunicação
sobre
a
transição
para
a
TDT
em
2006,
ou
seja,
4
anos
antes
do
desligamento
 definitivo
 das
 emissões
 de
 TV
 analogia
 terrestre
 em
 Espanha,
 tendo
 na
 altura
 como
 principais
objectivos
dar
a
conhecer
a
TDT
e
o
início
do
processo
de
transição
e
comunicar
os
 benefícios
racionais
trazidos
por
esta
tecnologia
(tais
como
melhor
qualidade
de
imagem
e
 som,
mais
canais
de
televisão
gratuitos,
interactividade,
entre
outros
aspectos).
 
 No
Reino
Unido,
a
entidade
sem
fins
lucrativos
“Digital
UK”
foi
fundada
em
2005
em
 resposta
a
uma
solicitação
do
Governo
britânico,
juntando
os
esforços
de
canais
de
televisão
 públicos
 e
 privados
 (BBC,
 ITV,
 Channel
 4,
 Five,
 S4C),
 operadores
 dos
 multiplexes
 (SDN,
 Arqiva),
 reguladores
 (Ofcom,
 BIS,
 DCMS)
 e
 diversas
 associações
 de
 defesa
 dos
 consumidores.

 
 76

  • 77.
    A
campanha
de
comunicação
no
Reino
Unido
esteve
centrada
na
personagem
“Digit
 Al”,
 tendo
 por
objectivo
 de
 certo
 modo
 humanizar
 a
 tecnologia.
 A
 estratégia
 de
 comunicação
 contemplou
 não
 só
 os
 meios
 de
 comunicação
 de
 massas
 como
 a
 televisão,
 como
 também
 a
 divulgação
 através
 da
 web
 e
 comunicação
 de
 proximidade,
 através
 da
 distribuição
de
folhetos
nas
casas
das
pessoas
e
de
“roadshows”
protagonizados
pelo
Digit
 Al,
que
percorreu
o
país
a
explicar
o
que
era
este
processo
de
migração
a
TDT
e
o
que
fazer
 para
 continuar
 a
 ter
 televisão.
 Em
 paralelo,
 os
 fornecedores
 e
 vendedores
 de
 televisões
 e
 caixas
 descodificadoras
 foram
 alvo
 de
 acções
 comunicação
 específicas,
 para
 que
 disponibilizassem
informação
rigorosa
e
ajustada
aos
possíveis
clientes.

 Ainda,
 na
 Dinamarca
 foi
 levada
 a
 cabo
 uma
 linha
 de
 comunicação
 dirigida
 às
 populações
 mais
 vulneráveis
 neste
 processo
 ‐
 em
 particular,
 os
 mais
 idosos
 (Vejlgaard,
 2010).
Estes
são
exemplos,
entre
outros
possíveis,
de
campanhas
de
comunicação
feitas
pela
 positiva
e
centradas
nos
públicos‐alvo
a
serem
impactados
pelo
desligamento
do
sinal
de
TV
 analógico
terrestre.
 

 
 
 4.
Reforçar
os
apoios
específicos
dirigidos
às
populações
mais
vulneráveis

 
 ‐
 os
 mais
 idosos,
 os
 mais
 carenciados
 e
 as
 pessoas
 com
 deficiências
 visuais,
 auditivas
 e
 motoras
 devem
 merecer
 uma
 maior
 atenção
 da
 parte
 das
 entidades
 responsáveis
 nesta
 matéria,
 nomeadamente
 com
 através
 do
 reforço
 dos
 apoios
 específicos
disponíveis.
 
 A
Anacom
e
PT
tornaram
públicos
em
Março
de
2011
quais
os
grupos
elegíveis
à
atribuição
 de
 um
 subsídio
 de
 aquisição
 de
 equipamentos
 descodificadores
 de
 TDT
 e
 quais
 os
 procedimentos
necessários
à
obtenção
do
respectivo
subsídio
‐
a
saber:
 
 a.
Cidadãos
 com
 necessidades
 especiais,
 com
 grau
 de
 deficiência
 igual
 ou
 superior
 a
 60%;
 b.
Beneficiários
do
rendimento
social
de
inserção;
 
 c.
Reformados
e
pensionistas
com
rendimento
inferior
a
500
euros
mensais.
 
 Assim,
o
subsídio
para
aquisição
de
equipamentos
de
TDT
ficou
fixado
em
“50%
do
 valor
 do
 equipamento
 descodificador
 TDT
 adquirido,
 até
 um
 máximo
 de
 €
 22,00,
 já
 considerando
 um
 custo
 de
 €
 3,00
 relativo
 ao
 processo
 de
 tratamento
 da
 solicitação”16.
 Porém,
 tendo
 em
 consideração
 que
 o
 preço
 médio
 das
 caixas
 mais
 baratas
 no
 mercado
 



































































 16 
Anacom
(2011).
Decisão
sobre
a
atribuição
de
subsídio
à
aquisição
de
equipamentos
TDT.
Acedido
a
27‐10‐ 2011,
em:
http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1079309

 
 77

  • 78.
    ronda
 sobretudo
 os
40
 e
 os
 50
 euros
 (Deco,
 2011)
 e
 que
 pode
 acrescer
 o
 custo
 da
 deslocação
 de
 um
 técnico
 a
 casa,
 o
 reembolso
 máximo
 de
 22
 euros
 pode
 ser
 considerado
 como
manifestamente
insuficiente
para
cobrir
os
custos
desta
migração
obrigatória17.

 
 Ainda,
já
que
cerca
de
13%
da
população
Portuguesa
não
iria
ser
coberta
pela
rede
 de
TDT,
havia
o
compromisso
por
parte
da
PT
em
subsidiar
estes
espectadores
“incluindo
a
 mão‐de‐obra,
 equipamentos
 receptores
 terminais,
 antena
 e
 cablagem,
 (...)
 para
 que
 estes
 não
 tenham
 qualquer
 acréscimo
 de
 custos,
 face
 aos
 utilizadores
 daquelas»18,
 tal
 como
 previsto
no
regulamento
do
concurso
para
atribuição
do
direito
de
utilização
de
frequências
 de
 âmbito
 nacional
 para
 o
 serviço
 de
 TDT
 em
 sinal
 aberto
 e
 no
 respectivo
 caderno
 de
 encargos.
 Actualmente,
 o
 preço
 do
 “Kit
 TDT
 Complementar”
 ‐
 destinado
 aos
 espectadores
 que
 não
 estão
 cobertos
 pela
 rede
 de
 TDT
 ‐
 é
 de
 77
 euros.
 A
 este
 valor
 acresce
 o
 custo
 de
 instalação,
 que
 no
 caso
 de
 ser
 realizada
 por
 agentes
 próprios
 ou
 parceiros
 da
 PT
 cobrarão
 pela
mesma
um
valor
máximo
de
61
euros.
Estes
espectadores
podem
solicitar
o
reembolso
 de
22
euros
à
PT,
de
acordo
com
a
informação
disponível
no
site
da
Anacom19.
 Em
contraste,
no
caso
de
Espanha
a
cobertura
da
rede
de
TDT
ficou
próxima
de
99%,
 superando
 deste
 modo
 a
 anterior
 taxa
 de
 cobertura
 da
 rede
 de
 TV
 analógica
 terrestre,
 ficando
a
recepção
universal
assegurada
a
100%
com
a
utilização
da
distribuição
via
satélite
 (Impulsa
 TDT,
 2010).
 Em
 Espanha,
 os
 seguintes
 grupos
 de
 pessoas
 podiam
 solicitar
 a
 instalação
gratuita
de
uma
caixa
descodificadora
de
TDT
às
entidades
com
competência
na
 matéria:
 1.
 pessoas
 com
 80
 ou
 mais
 anos,
 que
 vivam
 sós
 ou
 acompanhadas
 por
 outra
 pessoa
 igualmente
com
80
ou
mais
anos
de
idade;
 
 2.
 pessoas
 com
 mais
 de
 65
 anos
 de
 idade
 que
 tenham
 reconhecidamente
 um
 nível
 de
 dependência
 de
 grau
 II
 (dependência
 severa)
 ou
 grau
 III
 (grande
 dependência);
 3.
 pessoas
 com
 reconhecida
 incapacidade
 visual
 ou
 auditiva,
 igual
 ou
 superior
 a
 33%
 (Impulsa
TDT,
2010).
 



































































 17 
A
este
propósito
de
recordar
que
em
Abril
de
2009
a
PT
anunciou
criar
um
fundo
para
subsidiar
a
compra
de
 receptores
de
TV
digital,
dos
quais
15
milhões
seriam
para
“receptores
simples
de
canal
aberto
e
os
restantes
25
 milhões
 para
 descodificadores
 do
 sinal”
 (Correio
 da
 Manhã,
 2009).
 Ainda,
 o
 presidente
 da
 PT,
 Zeinal
 Bava
 sublinhou
 na
 altura
 que
 este
 fundo
 serviria
 para
 subsidiar
 as
 “caixas
 de
 quem
 tem
 dificuldades
 financeiras.
 'Queremos
garantir
que
todos
os
portugueses
continuem
a
ver
televisão'”.
 18 

Anacom
(2011).
Decisão
de
definição
do
procedimento
de
comparticipação
de
instalações
e
equipamentos
nas
 zonas
abrangidas
por
meios
de
cobertura
complementares
(DTH),
no
âmbito
da
TDT.
Acedido
a
27‐10‐2011,
em:
 http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1080844

 19 
Anacom
(2011)
Televisão
digital
terrestre
‐
comparticipação
em
zonas
DTH.
Acedido
em
27‐10‐2011,
em:
 http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1080885

 
 78

  • 79.
    No
 Reino
 Unido,
os
 cidadãos
 com
 mais
 de
 75
 anos
 e
 com
 necessidades
 especiais
 podem
 requerer
 um
 apoio
 totalmente
 gratuito
 à
 migração
 para
 a
 TV
 digital,
 designado
 “Switchover
 Help
 Scheme”,
 que
 contempla
 a
 oferta
 de
 uma
 caixa
 descodificadora
 de
 TV
 digital,
 da
 instalação
 do
 equipamento
 por
 um
 técnico
 credenciado
 e
 ainda
 12
 meses
 de
 assistência
através
de
uma
linha
telefónica
dedicada.
Estimou‐se
que
cerca
de
7
milhões
de
 pessoas
podiam
beneficiar
gratuitamente
do
“Switchover
Help
Scheme”.
Ainda,
este
mesmo
 programa
 de
 migração
 para
 a
 TV
 digital,
 da
 responsabilidade
 da
 BBC,
 podia
 ser
 requerido
 por
 outras
 populações
 mediante
 o
 pagamento
 fixo
 de
 40
 libras
 (aproximadamente
 45
 euros),
incluindo
os
mesmos
benefícios
acima
apontados.

 Já
 no
 caso
 dos
 Estados
 Unidos
 da
 América,
 o
 Governo
 promoveu
 um
 programa
 de
 subsidiação
 das
 caixas
 descodificadoras,
 atribuindo
 a
 cada
 casa
 dois
 cupões
 de
 40
 dólares
 para
 aquisição
 de
 equipamentos
 receptores
 de
 TDT
 (aproximadamente
 29
 euros
 x
 2
 =
 58
 euros).
 No
 total,
 34,4
 milhões
 de
 domicílios
 beneficiaram
 deste
 programa,
 representando
 1,5
 mil
 milhões
 de
 dólares
 de
 subsídios.
 O
 programa
 de
 subsidiação
 foi
 pago
 com
 uma
 pequena
parte
do
dinheiro
encaixado
pelo
Estado
no
leilão
das
frequências
tornadas
livres
 após
o
desligamento
do
sinal
de
TV
analógica
terrestre,
que
ascendeu
a
20
mil
milhões
de
 dólares
(DVB,
2009).
 Assim,
 se
 recomenda
 o
 reforço
 da
 subsidiação
 da
 compra
 e
 instalação
 das
 caixas
 descodificadoras.
 Para
 tal,
 poderia
 ser
 aplicada
 uma
 parcela
 do
 encaixe
 financeiro
 do
 IVA
 por
parte
do
Estado
resultante
das
vendas
dos
televisores
e
caixas
descodificadoras
de
TDT
 ou
uma
parcela
do
encaixe
financeiro
resultante
do
futuro
leilão
das
frequências
do
espectro
 radioeléctrico
tornadas
livres
com
o
desligamento
das
emissões
analógicas
de
televisão.


 
 
 79

  • 80.
    
 5.
Bibliografia
 
 Anacom
(2011).
Serviço
de
Televisão
por
Subscrição
‐
2º
trimestre
de
2011.
Acedido
a
21‐10‐ 2011,
em:
http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1096827
 Anacom
 (2010).
 Situação
 das
 Comunicações
 2008.
 Acedido
 a
 21‐10‐2011,
 em:
 http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=955402
 Anacom
(2009).
TDT
‐
Títulos
do
MUX
B
a
F
atribuídos
à
PTC.
2009.
Acedido
a
25‐09‐2011,
 em:
http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=957813
 Anacom
 (2008).
 TDT
 ‐
 Título
 do
 MUX
 A
 atribuído
 à
 PTC.
 Acedido
 a
 24‐10‐2011,
 em:
 http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=764118
 Anacom
 (2003).
 PDTP
 license
 revocation.
 Anacom.
 Acedido
 a
 23‐09‐2011,
 em
 http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=418396
 Anacom
 (2001).
 Notice
 no.
 5520‐A/2001,
 of
 7
 of
 April.
 Acedido
 a
 23‐09‐2011.

 
http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=980156
 Araújo,
V.,
Cardoso,
G.
&
Espanha,
R.
(2008d).
Perspectivas
de
Implementação
da
Televisão
 Digital
em
Portugal:
Representações
e
Expectativas
em
Relação
à
Televisão
Digital.
 Acedido
a
24‐10‐2011,
em:
http://www.obercom.pt/content/538.np3
 Araújo,
V.,
Cardoso,
G.
&
Espanha,
R
(2008c).
Perspectivas
Implementação
da
Televisão
 Digital
em
Portugal:
Novas
tecnologias,
novos
consumos?.
Acedido
a
24‐10‐2011,
 em:
http://www.obercom.pt/content/513.np3
 Araújo,
V.,
Cardoso,
G.
&
Espanha,
R
(2008b).
Perspectivas
Implementação
da
Televisão
 Digital
em
Portugal:
Caracterização
do
acesso
TV
2008.
Acedido
a
24‐10‐2011,
em:
 http://www.obercom.pt/content/498.np3
 Araújo,
V.,
Cardoso,
G.
&
Espanha,
R
(2008a).
Perspectivas
de
Implementação
da
Televisão
 Digital
em
Portugal:
Conhecimento
e
Compreensão.
Acedido
a
24‐10‐2011,
em:
 http://www.obercom.pt/content/485.np3
 Bohlen,
J.
M.
&
Beal,
G.
M.
(1957)
The
Diffusion
Process.
Special
Report
No.
18
(Agriculture
 Extension
Service,
Iowa
State
College).
pp.
56–77.
 Candel,
R.
(2007).
The
Migration
towards
Digital
Terrestrial
Television
(DTT):
Challenges
for
 Public
Policy
and
Public
Broadcasters”.
Observatorio
(OBS*)
Journal,
1,
185‐203.
 Acedido
a
05‐01‐2009,
em:
 http://obs.obercom.pt/index.php/obs/article/view/54/69
 
 Clarkson,
J.
&
Keates,
S.
(2003).
Digital
TV
For
All:
a
report
on
usability
and
accessible
design.
 Acedido
a
05‐01‐2009,
em:
 http://www.digitaltelevision.gov.uk/pdf_documents/publications/Digital_TV_for_all _appendix_e.pdf
 Comissão
Europeia
(2005)
Switchover
from
analogue
to
digital
broadcasting.
COM(2005)
 204,
Bruxelas,
24
de
Maio
de
2005.
Acedido
a
24‐10‐2011,
em:
 http://europa.eu/legislation_summaries/audiovisual_and_media/l24223a_en.htm
 
 80

  • 81.
    Damásio,
M.
J.,
Quico,
C.
&
Costa,
C.
(2005).
User
centred
design
methodologies
applied
to
 the
development
of
an
electronic
programming
guide:
the
partnership
experience
of
 PT
Multimédia
and
Universidade
Lusófona.
Proceedings
of
the
European
Conference
 on
Interactive
Television:
User
Centred
ITV
Systems,
Programmes
and
Applications.
 Aalborg/
Dinamarca.
30
de
Março
a
1
de
Abril
de
2005.
 Deco/
Proteste
(2011).
Descodificadores
para
televisão
digital
terrestre:
poupe
até
111
 euros.
Acedido
a
27‐10‐2011,
em:
http://www.deco.proteste.pt/dvd‐tv‐ som/descodificadores‐para‐televisao‐digital‐terrestre‐poupe‐ate‐111‐euros‐ s647831.htm#http://www.deco.proteste.pt/dvd‐tv‐som/descodificadores‐para‐ televisao‐digital‐terrestre‐poupe‐ate‐111‐euros‐s647831/itemid/39.htm
 Denicoli,
S.
(2011).
Portugal
entre
os
países
que
transmitem
menos
canais
na
TDT.
Acedido
a
 24‐10‐2011,
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http://tvdigital.wordpress.com/2011/06/21/portugal‐entre‐os‐4‐ paises‐que‐transmitem‐menos‐canais‐livres‐na‐tdt/
 DigiTAG
(2010).
European
DVB‐T
Map.
Acedido
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24‐10‐2011,
em:
http://www.digitag.org/
 DigiTAG
(2008a).
Analogue
switch‐off:
learning
from
experiences
in
Europe.
Acedido
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08‐01‐ 2099,
em:
http://www.digitag.org/ASO/ASOHandbook.pdf
 DigiTAG
(2008b).
Switching
off
analogue
television.
Acedido
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08‐01‐2009,
em:

 http://www.digitag.org/ASO/ASO.html
 Digital
UK
(2010).
Annual
Switchover
Report.
Acedido
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24‐10‐2011,
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 http://www.digitaluk.co.uk/__data/assets/pdf_file/0018/52056/DIGITAL_UK_Resea rch_Brochure.pdf
 DVB
(2009).
DTT
STB
coupon
subsidy
ends.
Acedido
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24‐10‐2011,
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 http://www.dvb.org/about_dvb/dvb_worldwide/usa/
 ERC
(2009).
Concurso
Público
do
"5º
Canal".
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25‐09‐2011,
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 http://www.erc.pt/pt/noticias/concurso‐publico‐do‐5‐canal
 Freeman,
J.,
Lessiter,
J.
&
Beattie,
E.
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Digital
Television
Switchover
and
Disabled,
 Older,
Isolated
and
Low
Income
consumers.
Acedido
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24‐10‐2011,
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 http://stakeholders.ofcom.org.uk/market‐data‐research/tv‐ research/dsoind/dso_research/
 Go
Digital
Group
(2003).
Go
Digital
Project
–report
on
the
key
findings.
Acedido
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08‐01‐ 2009,
em:
 http://www.ofcom.org.uk/static/archive/itc/uploads/GO_DIGITAL_KEY_FINDINGS.p df
 Impulsa
TDT
(2010).
TDT
Informe
Final
2010.
Acedido
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24‐10‐2011,
em:
 http://www.televisiondigital.es/Herramientas/Novedades/Paginas/Informefinaldelai mplantaciondelaTDTenEspa%C3%B1a.aspx
 InformiTV
(2008).
Calls
to
delay
American
analogue
television
switch
off.
Acedido
a
19‐01‐ 2009,
em:
http://informitv.com/news/2009/01/11/callstodelay/
 Hart,
K.
(2009).
Congress
Delays
Troubled
Switch
To
Digital
TV”.
Acedido
a
22‐10‐2011,
em:
 http://www.washingtonpost.com/wp‐ dyn/content/article/2009/02/04/AR2009020402584.html?hpid=topnews&sid=ST20 09020402856&s_pos
 
 81

  • 82.
    Hart,
J.(2011).
The
Transition
to
Digital
Television
in
the
United
States:
The
Endgame.
 International
Journal
of
Digital
Television
1
(1):
7–29.
 Klein.
J.,
Scott,
N.,
Sinclair,
K.,
Gale,
S.
&
Clarkson,
J.
(2006).
Equipment
needs
of
consumers
 facing
the
most
difficulty
switching
to
digital
television.
Acedido
a
24‐10‐2011,
em:
 http://www.digitaltelevision.gov.uk/pdf.../2006/eq‐needsofconsumers.pdf
 Klein,
J.
Karger,
S.
&
Sinclair,
K.
(2004b).
Attitudes
to
switchover:
the
impact
of
digital
 switchover
on
consumer
adoption
of
digital
television.
Acedido
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08‐03‐2011,
em:
 http://www.digitaltelevision.gov.uk/pdf_documents/publications/AttitudestoSwitch over_300304.pdf
 Klein,
J.
Karger,
S.
&
Sinclair,
K.
(2004a).
Attitudes
to
digital
television:
preliminary
findings
on
 consumer
adoption
of
digital
television.
Acedido
a
08‐03‐2011,
em:

 http://www.digitaltelevision.gov.uk/pdf_documents/publications/Attitudes_to_Digit al_Television.pdf
 Klein,
J.
Karger,
S.
&
Sinclair,
K.
(2003).
Digital
Television
for
All:
A
report
on
usability
and
 accessible
design.
Acedido
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08‐03‐2011,
em:
 http://www.digitaltelevision.gov.uk/pdf_documents/publications/Digital_TV_for_all .pdf
 OEA,
Mavise
(2010).
Database
of
TV
companies
and
TV
channels
in
the
European
Union.
 Acedido
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24‐10‐2011,
em:
http://mavise.obs.coe.int/
 Ofcom
(2006).
Digital
Switchover:
an
audit
of
viewer'
priorities.
Acedido
a
05‐01‐2009,
em:
 http://stakeholders.ofcom.org.uk/market‐data‐research/tv‐ research/dsoind/vieweraudit/?a=0
 Ofcom
(2004)
Driving
Digital
Switchover
‐
A
report
to
the
Secretary
of
State.
Acedido
a
05‐ 10‐2011,
em:
http://stakeholders.ofcom.org.uk/market‐data‐research/tv‐ research/dsoind/dso_report/
 Oliveira,
T.
(2009).
Emissões
experimentais
dia
29.
Acedido
a
24‐10‐2011,
em:
 http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=863E43F3‐96D5‐480C‐AD13‐ D60F5AFF4E36&channelid=00000017‐0000‐0000‐0000‐000000000017
 Papa,
F.,
Nicoló,
E.,
Cornacchia,
M.,
Sapio,
B.,
Livi,
S.,
Turk,
T.
(2009)
Adoption
and
use
of
 digital
TV
services
for
citizens"”.
Proceedings
of
the
Conference
The
Good,
the
Bad
 and
the
Challenging.
Copenhaga,
Cost,
13‐15
Maio
2009,
pp.
161‐171.
 Papathanassopoulos,
S.
(2002).
European
television
in
the
digital
age.
Polity
Press,
UK.
 Rogers,
E.
M.
(1962).
Diffusion
of
Innovations.
Glencoe:
Free
Press.
 Starks,
M.
(2007).
Switching
to
Digital
Television:
UK
Public
Policy
and
the
Market.
Bristol:
 Intellect
Books.

 Stelter,
B.
(2009).
Switch
to
Digital
TV
Wins
a
Delay
to
June
12.
Acedido
a
22‐10‐2011,
em:
 http://www.nytimes.com/2009/02/05/business/media/05digital.html?adxnnl=1&ad xnnlx=1319450480‐3+OM5d74gbWgkmH1Fc0poQ
 TekSapo
(2008).
AirPlus
não
desiste
de
processo
da
TDT.
Acedido
a
22‐09‐2011,
em:
 http://tek.sapo.pt/noticias/telecomunicacoes/airplus_nao_desiste_de_processo_da _tdt_894463.html
 
 82

  • 83.
    Vejlgaard,
H.
(2010).
Digital
Television
in
Denmark.
Acedido
a
15‐10‐2011,
em:
 http://www.detnyetv‐signal.dk/files/Danskerne_og_det_digitale_tv‐signal.pdf
 Venkatesh,
V.,
Morris,
M.
G.,
Davis,
G.
B.
&

Davis,
F.
D.
(2003)
“User
acceptance
of
 information
technology:
Toward
a
unified
view”,
MIS
Quarterly,
27,
3,
425‐478.
 
 83

  • 84.
    
 6.
Anexos
A
–
Publicações
do
projecto
ADOPT‐DTV

 
 Livros
(1)
 
 Damásio,
 Manuel
 (2010).
 Teorias
 da
 mudança
 tecnológica:
 das
 comunidades
 ao
 capital
 social.
Lisboa:
Edições
Universitárias
Lusófonas.
 
 

 Edição/
Coordenação
de
Volumes
Científicos
e
Colecções
(1)
 

 Damásio,
Manuel
&
Álvares,
Cláudia
(eds.)
(2010).
Teorias
e
práticas
dos
media:
situando
o
 local
no
Global.
Lisboa:
Edições
Universitárias
Lusófonas.
 
 
 Capítulos
em
Livros
(4)
 
 Quico,
 Célia
 (2012).
 “DTT
 switchover
 in
 Portugal:
 comparing
 the
 perspectives
 of
 the
 main
 stakeholders”
for
Sousa,
Helena
&
Denicoli,
Sérgio
(eds.
)
Digital
Communication
Policies
in
 the
 Information
 Society
 Promotion
 Stage.
 eBook.
 Universidade
 do
 Minho.
 (em
 execução:
 a
 entregar
até
30
de
Novembro
de
2011;
a
convite
do
editor).
 
 
 Damásio,
 Manuel
 (2010).
 “Tecnologia
 e
 sociedade:
 que
 experiência
 hoje
 dos
 nossos
 bens
 culturais?”.
In
C.
Alvares
&
M.
Damásio
(Org.)
Teorias
e
Práticas
dos
Media:
Situando
o
Local
 no
Global.
Lisboa:
Edições
Universitárias
Lusófonas.

 Damásio,
 Manuel
 (2009).
 “Actividade
 e
 Comunicação:
 o
 sujeito
 perante
 os
 media”
 in
 Cardoso,
 Gustavo,
 Cádima,
 Francisco
 &
 Cardoso,
 Luís
 (Eds.)
 Media,
 Redes
 e
 Comunicação:
 Futuros
presentes,
Lisboa:
Editorial
Quimera,
pp.109‐129.
 
 
 Damásio,
 Manuel
 (2009).
 "Tecnologia
 e
 Sociedade:
 a
 modelação
 social
 das
 tecnologias
 da
 informação
 e
 da
 comunicação".
 in
 Cultura
 Digital
 e
 Cidadania,
 Quaderno
 Gris,
 Madrid,
 Espanha;
 
 
 
 Revistas
Internacionais
(5)
 
 Quico,
 Célia
 (2012).
 “The
 transition
 to
 digital
 TV
 in
 Portugal“.
 In
 International
 Journal
 of
 Digital
 Television.
 3
 (2).
 (em
 execução:
 a
 entregar
 até
 31
 de
 Janeiro
 de
 2012;
 a
 convite
 do
 editor).

 
 
 84

  • 85.
    Damásio,
Manuel,
S.
Henriques,
Sara
&
Costa,
Conceição
(2011).
"Sense
of
Community
and
 Social
Capital:
The
Role
of
the
Internet
in
Shaping
Social
Dynamics",
Medien
Journal
3/2010
 •Europas
Jugendliche
im
Social
Web:
Soziale
Perspektiven,
pp:
49‐62.
 
 
 Damásio,
 Manuel
 &
 Henriques,
 Sara
 (2011).
 “Virtual
 communities
 and
 social
 activities:
 reframing
the
on‐line
experience”.
IJWBC
‐
International
Journal
of
Web
Based
Communities,
 Vol.
6,
issue
4.
New
York:
Inderscience.

 
 
 Damásio,
 Manuel
 &
 Henriques,
 Sara
 (2011).
 “The
 relevance
 of
 social
 capital
 to
 the
 experience
 of
 Internet
 use:
 contributions
 to
 the
 analysis
 of
 the
 relationship
 between
 communities
 and
 social
 network”.
 IJICST
 ‐
 International
 Journal
 of
 Interactive
 Communication
Systems
and
Technologies,
Winter
2011.
Hershey:
IGI‐GLOBAL.
 
 
 Damásio,
 Manual.
 &
 Henriques,
 Sara
 (2011).
 “Social
 capital
 and
 knowledge
 sharing
 in
 project‐based
 organizations”.
 IJEG
 ‐
 International
 Journal
 of
 electronic
 governance,
 Special
 Issue
 on:
 "(Re)Creating
 Public
 Sphere,
 Civic
 Culture
 and
 Civic
 Engagement:
 Public
 Service
 Media
vs.
Online
Social
Networks”,
Summer
2011.
Inderscience.
 
 
 Revistas
Nacionais
(3)
 
 Quico,
Célia
&
Damásio,
Manuel
José
(2009).
"ADOPT_DTV:
Barreiras
à
adopção
da
televisão
 digital
 no
contexto
da
transição
da
televisão
analógica
 para
 o
 digital
em
 Portugal”,
Revista
 Prisma.com
–
revista
de
Ciências
da
Informação
e
Comunicação,
9:
1.

 
 
 Damásio,
M;
Mackert,
M,
Henriques,
S
(2012),
“Saúde
Eletrónica
e
Literacia
em
saúde:
Uma
 Revisão
 da
 Metodologia
 de
 Pesquisa”,
 Revista
 Comunicação
 e
 Sociedade,
 Vol.
 XXXX,
 2012,
 pp.XXXXXX,
Braga:
Universidade
do
Minho
e
Edições
Húmus
(a
publicar).


 
 
 Damásio,
 Manuel
 &
 Henriques,
 Sara,
 (2010),
 “A
 Relevância
 do
 Capital
 Social
 para
 a
 experiência
de
uso
da
internet:
contributos
para
a
análise
da
relação
entre
comunidades
e
 redes
 sociais”,
 Revista
 Media
 &
 Jornalismo,
 nº16,
 vol.
 9,
 nº1,
 Primavera/Verão
 2010,
 pp:
 115‐145.
 
 
 Congressos
Internacionais
(6)
 
 Damásio,
 Manuel;
 Mackert,
 Michael
 &
 Henriques,
 Sara
 (2011).
 “e‐Health
 and
 Health
 
 85

  • 86.
    Literacy:
 A
 Research
Methodology
 Review”,
 COST
 action
 ISO906
 International
 Conference,
 London,
31
August
2011.
 
 
 Damásio,
 Manuel;
 Henriques,
 Sara
 &
 Costa,
 Conceição
 (2011).
 “Mobile
 access
 to
 the
 internet:
the
Portuguese
case”,
International
conference
Tranforming
audiences
3,
London,
 1
e
2
Setembro
2011.
 
 

 Quico,
Célia;
Damásio,
Manuel
José;
Henriques,
Sara
&
Veríssimo,
Iolanda
(2011).
“Profiles
 of
 digital
 TV
 adopters
 in
 the
 switchover
 context
 in
 Portugal”.
 In
 Proc.
 of
 IAMCR
 2011.
 Universidade
Lusófona
&
LINI,
Istambul/
Turquia.

13
‐
17

Julho
2011.
 
 
 Quico,
 Célia;
 Damásio,
 Manuel
 José;
 Henriques,
 Sara
 &
 Veríssimo,
 Iolanda
 (2011).
 “Drivers
 and
barriers
to
digital
television
adoption
in
Portugal:
the
perspectives
of
the
TV
viewers
and
 other
main
stakeholders”.
In
Proc.
of
IAMCR
2011.
Kadir
Has
University,
Istambul/
Turquia.

 13
‐
17

Julho
2011.
 
 
 Quico,
 Célia;
 Damásio,
 Manuel
 José;
 Henriques,
 Sara
 &
 Veríssimo,
 Iolanda
 (2011).
 “Drivers
 and
 barriers
 to
 the
 adoption
 of
 digital
 television
 in
 Portugal:
 the
 perspectives
 of
 the
 TV
 viewers
 and
 other
 main
 stakeholders”.
 In
 Proc.
 of
 EuroITV
 2011.
 Universidade
 Lusófona
 &
 LINI,
Lisboa/
Portugal.

29
Junho
‐
1
Julho
2011.


 
 Quico,
 Célia
 &
 Damásio,
 Manuel
 José
 (2010).
 “Understanding
 Barriers
 to
 Digital
 Television
 Adoption
 in
 the
 Context
 of
 the
 Digital
 Switchover
 in
 Portugal”.
 In
 Proc.
 of
 IAMCR
 2010
 –
 Digital
Divide
Working
Group.
Universidade
do
Minho,
Braga/
Portugal.

20
Julho
2010.
 
 
 Congressos
Nacionais
(2)
 
 Quico,
Célia;
Damásio,
Manuel
José;
Henriques,
Sara
&
Veríssimo,
Iolanda
(2011).
“Perfis
de
 adopters
de
TV
digital
no
contexto
do
processo
de
transição
da
televisão
analógica
terrestre
 para
 a
 televisão
 digital
 terrestre
 em
 Portugal”.
 In
 Proc.
 of
 SOPCOM
 2011.
 Universidade
 do
 Porto,
Porto/
Portugal.

15
‐
17

Dezembro
2011.
 
 
 
 Quico,
 Célia;
 Damásio,
 Manuel
 José;
 Henriques,
 Sara
 &
 Veríssimo,
 Iolanda
 (2011).
 “Incentivos
 e
 Barreiras
 à
 Adopção
 da
 Televisão
 Digital
 Terrestre
 em
 Portugal:
 Perspectivas
 dos
 Telespectadores
 e
 de
 Outras
 Partes
 Interessadas”.
 In
 Proc.
 of
 SOPCOM
 2011.
 
 86

  • 87.
    Universidade
do
Porto,
Porto/
Portugal.

15
‐
17

Dezembro
2011.

 
 
 Eventos
Organizados
(4)
 
 ‐
seminário
de
Mark
Deuze,
11
Outubro
de
2011

 ‐
seminário
de
Peter
Looms,
2
de
Março
de
2011
 
 ‐
conferência
internacional
"EuroITV
2011",
29
de
Junho
a
1
de
Julho
de
2011
 
 ‐
colóquio
"Media
e
Deficiência,
28
de
Setembro
de
2011
 
 
 Teses
(2)
 
 Araújo,
 Vera
 (em
 preparação)
 “Understanding
 DTV
 Usages
 in
 the
 Era
 of
 Networked
 Communication:
Integrating
the
Audience,
the
Media
and
the
Public
Policy’s
Perspectives”.
 Doutoramento
em
Ciências
da
Comunicação.
Instituto
Superior
de
Ciências
Sociais
e
Políticas
 (ISCSP‐UTL).
 Veríssimo,
Iolanda
(em
preparação)
"TV
local
em
Portugal:
perspectivas
de
desenvolvimento
 da
 televisão
 de
 proximidade
 no
 novo
 cenário
 digital".
 Mestrado
 de
 Ciências
 da
 Comunicação.
Faculdade
de
Ciências
Sociais
e
Humanas
–
Universidade
Nova
de
Lisboa.
 
 
 
 
 87

  • 88.
    
 6.
Anexos
B
–
Relatórios
do
projecto
ADOPT‐DTV

 
 Relatório
“ADOPT‐DTV:
Estudo
de
Usabilidade”

 Autoria:
Rui
Henriques,
com
Iolanda
Veríssimo
e
Inês
Martins

 
 Relatório
“ADOPT‐DTV:
Estudo
Etnográfico”

 Relatório
“ADOPT‐DTV:
Estudo
Etnográfico”
‐
Anexos
 Autoria:
Iolanda
Veríssimo,
com
Sara
Henriques
 Revisão
e
coordenação:
Célia
Quico
 
 Relatório
“ADOPT‐DTV:
Entrevistas
com
Stakeholders”

 Relatório
“ADOPT‐DTV:
Entrevistas
com
Stakeholders”
‐
Anexos
 Autoria:
Ágata
Sequeira,
com
Iolanda
Veríssimo

 Revisão
e
coordenação:
Célia
Quico
 
 Relatório
“ADOPT‐DTV:
Inquérito
Quantitativo”

 Autoria:
Sara
Henriques
 Revisão
e
coordenação:
Célia
Quico
 
 Relatório
Final
“EuroITV
2011”

 Autoria:
Célia
Quico

 
 Relatório
“A
transição
para
a
televisão
digital
terrestre:
experiências
da
 Dinamarca”

 Autoria:
Peter
Olaf
Looms
 
 Relatório
“Estado
da
Arte
na
Europa”

 Autoria:
Vera
Araújo
 
 88

  • 89.
    
 
 89