Sessão de escrita criativa
                                                            Orientada pelo jornalista Rui Barbosa Batista
                                                                                           março de 2012


2º Prémio:
                                  A bruxa Esmeralda
       Num reino distante, existia uma bruxa chamada Esmeralda. Ela era uma bruxinha simpática e
inteligente, só que era feia.
       A bruxa Esmeralda era aluna do colégio das fadas. A sua professora preferida era Irina, a única
professora bruxa de todo o colégio. Irina era professora de feitiços e como a Esmeralda era estudiosa,
todos os períodos tirava cinco.
       Para além da fada Ivete, Esmeralda não tinha amigas, por isso quando Ivete brincava com as
outras meninas, ela ficava sozinha.
       - A Esmeralda pode vir brincar connosco? – perguntava Ivete.
        - Não! Ainda não reparaste que ela é feia e além disso é uma bruxa?! – replicava Verónica.
       Verónica era uma fada da claque do clube de futebol do colégio, «os huskys», mas era muito
convencida e bonita. Só andava com raparigas que fossem como ela: elegantes, bem vestidas e sempre
na moda. Achava-se a rapariga mais popular do colégio. Ela desprezava todos os colegas que não
seguiam a moda dela. Além de não os deixar brincar com ela, torturava-os a ponto de os obrigar a
carregar os seus livros e acessórios.
       Esmeralda pertencia ao grupo dos que Verónica maltratava. No entanto, recusava-se a ser sua
criada. Talvez por isso, Verónica a espezinhasse ainda mais, ridicularizando-a à frente de todos.
       Numa manhã de muito calor, depois da aula de educação física, enquanto se encontravam nos
balneários, Verónica aproveitou mais uma vez para troçar de Esmeralda:
       - Vejam só os sapatos de pele de crocodilo da Esmeraldinha. És mesmo sem graça, ó bruxinha!
       Esmeralda nem era muito de choros, mas aquela semana fora particularmente difícil: trabalhos e
mais trabalhos e as piadas de Verónica que eram cada vez mais frequentes. Fechada na casa de banho,
Esmeralda limpou as lágrimas do seu choro silencioso. Quando a amiga Ivete a foi chamar, saíram as
duas apressadamente dos balneários. Verónica, que se encontrava a retocar a maquiagem, fez um
sorriso trocista.
       Passados alguns minutos, quando se encontravam a passear no recreio, um som agudo começou
a ouvir-se. Era o alarme de incêndio. De seguida, vários professores começaram a encaminhar os alunos
para o campo desportivo exterior. As informações não eram muito claras. Só se ouviam os alunos a
repetirem:
- O ginásio está a arder!
       Esmeralda e Ivete ficaram preocupadas, porque sabiam que Verónica estava no balneário. Ainda
tentaram encontrá-la, mas ela não estava junto dos colegas da turma.
       Esmeralda podia não gostar muito dela, mas, como tinha bom coração, decidiu que devia
procurá-la, pois podia estar em perigo.
       - A Verónica ainda deve estar no balneário. Vou lá ver! – afirmou decidida Esmeralda.
       - Não vás! – suplicou Ivete, tentando impedi-la.
       Mas a bruxa Esmeralda não lhe deu ouvidos e correu em direção ao ginásio. Escondendo-se dos
professores, Esmeralda conseguiu entrar no ginásio. Não se viam chamas, mas o fumo parecia nevoeiro
cerrado. À medida que se aproximava do balneário feminino, Esmeralda teve a impressão que ouviu
tossir. Depois de tropeçar e cair várias vezes, acabou por encontrar Verónica que, debaixo de um banco,
respirava com muita dificuldade. Esmeralda ajudou-a a levantar-se e saíram as duas a tossir e a
cambalear. Os bombeiros socorreram-nas ainda dentro do edifício, porque tinham sido avisados pela
Ivete. Por razões de segurança, as duas alunas foram levadas para o hospital.
       Depois do tratamento, Esmeralda e Verónica esperaram que os seus pais as fossem buscar.
Verónica estava de cabeça baixa, o seu olhar era envergonhado. Quando ganhou coragem, aproximou-
se de Esmeralda e disse-lhe:
       - Obrigada por me teres salvo. Eu nem sequer merecia. Tenho-me portado como uma menina
mimada e mal educada. Prometo que não volta a acontecer.
       Esmeralda sorriu e as duas meninas apertaram as mãos.
       Após esta ação de salvamento, toda a escola passou a ver Esmeralda como uma heroína.
Esmeralda sentia-se muito mais confiante e não se cansava de repetir:
       - Sou a bruxa Esmeralda e estou muito orgulhosa por ser quem sou!


                                                                                         Carla Pinto, 6ºB

2premio a bruxa esmeralda carla_6_b

  • 1.
    Sessão de escritacriativa Orientada pelo jornalista Rui Barbosa Batista março de 2012 2º Prémio: A bruxa Esmeralda Num reino distante, existia uma bruxa chamada Esmeralda. Ela era uma bruxinha simpática e inteligente, só que era feia. A bruxa Esmeralda era aluna do colégio das fadas. A sua professora preferida era Irina, a única professora bruxa de todo o colégio. Irina era professora de feitiços e como a Esmeralda era estudiosa, todos os períodos tirava cinco. Para além da fada Ivete, Esmeralda não tinha amigas, por isso quando Ivete brincava com as outras meninas, ela ficava sozinha. - A Esmeralda pode vir brincar connosco? – perguntava Ivete. - Não! Ainda não reparaste que ela é feia e além disso é uma bruxa?! – replicava Verónica. Verónica era uma fada da claque do clube de futebol do colégio, «os huskys», mas era muito convencida e bonita. Só andava com raparigas que fossem como ela: elegantes, bem vestidas e sempre na moda. Achava-se a rapariga mais popular do colégio. Ela desprezava todos os colegas que não seguiam a moda dela. Além de não os deixar brincar com ela, torturava-os a ponto de os obrigar a carregar os seus livros e acessórios. Esmeralda pertencia ao grupo dos que Verónica maltratava. No entanto, recusava-se a ser sua criada. Talvez por isso, Verónica a espezinhasse ainda mais, ridicularizando-a à frente de todos. Numa manhã de muito calor, depois da aula de educação física, enquanto se encontravam nos balneários, Verónica aproveitou mais uma vez para troçar de Esmeralda: - Vejam só os sapatos de pele de crocodilo da Esmeraldinha. És mesmo sem graça, ó bruxinha! Esmeralda nem era muito de choros, mas aquela semana fora particularmente difícil: trabalhos e mais trabalhos e as piadas de Verónica que eram cada vez mais frequentes. Fechada na casa de banho, Esmeralda limpou as lágrimas do seu choro silencioso. Quando a amiga Ivete a foi chamar, saíram as duas apressadamente dos balneários. Verónica, que se encontrava a retocar a maquiagem, fez um sorriso trocista. Passados alguns minutos, quando se encontravam a passear no recreio, um som agudo começou a ouvir-se. Era o alarme de incêndio. De seguida, vários professores começaram a encaminhar os alunos para o campo desportivo exterior. As informações não eram muito claras. Só se ouviam os alunos a repetirem:
  • 2.
    - O ginásioestá a arder! Esmeralda e Ivete ficaram preocupadas, porque sabiam que Verónica estava no balneário. Ainda tentaram encontrá-la, mas ela não estava junto dos colegas da turma. Esmeralda podia não gostar muito dela, mas, como tinha bom coração, decidiu que devia procurá-la, pois podia estar em perigo. - A Verónica ainda deve estar no balneário. Vou lá ver! – afirmou decidida Esmeralda. - Não vás! – suplicou Ivete, tentando impedi-la. Mas a bruxa Esmeralda não lhe deu ouvidos e correu em direção ao ginásio. Escondendo-se dos professores, Esmeralda conseguiu entrar no ginásio. Não se viam chamas, mas o fumo parecia nevoeiro cerrado. À medida que se aproximava do balneário feminino, Esmeralda teve a impressão que ouviu tossir. Depois de tropeçar e cair várias vezes, acabou por encontrar Verónica que, debaixo de um banco, respirava com muita dificuldade. Esmeralda ajudou-a a levantar-se e saíram as duas a tossir e a cambalear. Os bombeiros socorreram-nas ainda dentro do edifício, porque tinham sido avisados pela Ivete. Por razões de segurança, as duas alunas foram levadas para o hospital. Depois do tratamento, Esmeralda e Verónica esperaram que os seus pais as fossem buscar. Verónica estava de cabeça baixa, o seu olhar era envergonhado. Quando ganhou coragem, aproximou- se de Esmeralda e disse-lhe: - Obrigada por me teres salvo. Eu nem sequer merecia. Tenho-me portado como uma menina mimada e mal educada. Prometo que não volta a acontecer. Esmeralda sorriu e as duas meninas apertaram as mãos. Após esta ação de salvamento, toda a escola passou a ver Esmeralda como uma heroína. Esmeralda sentia-se muito mais confiante e não se cansava de repetir: - Sou a bruxa Esmeralda e estou muito orgulhosa por ser quem sou! Carla Pinto, 6ºB