O Evangelho Segundo
Mateus
Análise
0 propósito do evangelho de Mateus foi o de testificar que
Jesus era o Messias da promessa do Antigo Testamento, e que
a Sua missão messiânica consistia em trazer o Reino de Deus
até os homens. Esses dois temas — o caráter messiânico de
Jesus e a presença do Reino de Deus — estão inseparavelmen­
te ligados, e cada qual inclui um “mistério” — um novo des­
vendar do propósito remidor divino (vd Rm 16.25,26).
O mistério da missão messiânica é que antes do Messias
vir como o celeste Filho do Homem, entre as nuvens do céu,
a fim de estabelecer o Reino sobre a terra inteira, terá primei­
ramente de vir em humildade entre os homens na qualidade de
Servo sofredor com a finalidade de morrer. Esse era um ensi­
no desconhecido para os judeus do primeiro século de nossa
era. Para o crente de hoje, entretanto, o capítulo 53 de Isaías
prediz claramente os sofrimentos do Messias. Não obstante, o
Messias não é chamado por nome nessa passagem, e o contex­
to (Is 48.20; 49.3) especificamente apresenta a Israel como
Servode Deus. Não é para surpreender, portanto, que osjudeus
não tivessem compreendido que Isaías 53 era trecho que se re­
ferisse ao Messias. Os judeus aguardavam então um Messias
vindo em poder e vitória, e o Antigo Testamento, verdadeira­
mente, prometia um tal Messias.
O Filho de Davi é um Rei divino que governará o Reino
messiânico (Is 9 e 11; Jr 33), quando todo pecado e mal será
tirado e quando a paz e a justiça prevalecerão. O Filho do Ho­
mem é um ser celestial a Quem será entregue o governo de to­
das as nações ereinosdaterra.0 AntigoTestamento não indica
como esses dois conceitos proféticos, do Rei Davídico e do Fi­
lho do Homem celestial, estão relacionados entre si, ou como
qualquer deles pode ser identificado com o Servo Sofredor do
capítulo 53 de Isaías. Por conseguinte, os judeus do primeiro
século esperavam por um Messias Davídico conquistador ou
por um Filho do Homem celestial, e não por um humilde Ser­
vo do Senhor que haveria de sofrer e morrer. O mistério mes­
siânico — o novo desvendamento do propósito divino — é
que o celestial Filho do Homem deve primeiramente sofrer e
morrer em cumprimento de Sua missão redentora e messiâni­
ca na qualidade de Servo sofredor, antes de vir em poder e
grande glória.
O mistério do Reino é semelhante e está intimamente as­
sociado com o mistério messiânico. O segundo capítulode Da­
niel descreve a vinda do Reino de Deus em traços vívidos, em
termosda destruição de todo poderque fizerresistência a Deus
e se opuser à vontade divina. O Reino virá em poder, varren­
do à sua frente todo o mal e todo império hostil, transforman­
do a terra e inaugurando uma nova ordem universal de perfeita
paz e retidão. Entretanto,Jesus não ofereceu tal Reino de imen­
so poder. Por conseguinte, tanto a Sua mensagem como a Sua
pessoa foram inteiramente incompreendidas pelos Seus con­
temporâneos, incluindo os Seus discípulos. Ele era filho de um
carpinteiro; Sua família era conhecida em Nazaré; Ele parecia
pouco mais do que um rabinojudaico. Suas palavras eram fei­
tos gentis de bondade e amor, e no entanto afirmava que em
Suas palavras e ações, bem como em Sua Pessoa, o Reino de
Deus se tinha aproximado. Todavia, os reinos dos homens e
do mundo não foram perturbados, e o odiadodomínio de Roma
sobre o povo terreno de Deus não era desafiado. Como é que
esse poderia ser o Reino de Deus se não partia pelo meio to­
dos os demais reinos e não os pulverizava? Mas a nova reve­
lação sobre o divino propósito é que o Reino haveria de vir em
poder espiritual, antes de vir em glória.
Autor
A tradição do segundo século de nossa era atribui o pri­
meiro evangelho ao apóstolo Mateus.
Esboço
NASCIMENTO E INFÂNCIA DO MESSIAS, 1.1 -2.23
Genealogia, 1.1-12
Narrativas sobre o Nascimento, 1.18—2.18
A Mudança para Nazaré, 2.19-23
PRELUDIO DO MINISTÉRIO DO MESSIAS, 11 4 25
O Ministério Preparatório de João Batista, 3.1-12
O Batismo dOrws. 1 13-17
A lenüçao de |esus, 4 1 11
Sumário do Ministério Galileu. 4.12-25
DISCURSO I lUSTIÇA DO REINO, 5 1-7.29
As Bem-aventuranças, 5.1-16
O Caráter da Justiça do Reino, S.17-48
A Prática da Justiça do Reino, 6.1-7.12
A Escolha do Reino, 7.13-27
O Modo do Ensino de Jesus, 7.28,29
NARRAIIVA I: FFITOS PODEROSOS DO REINO,
8 .1 -9 38
Uma Série de Milagres, 8.1—9.8
O Reinu e a Ordrtn AnUga, 9 9 17
Mais Milaqres, 9 18 38“
DISCURSO II PROlTAMAÇÃO DO REINO, 10 I 42
Os Pregadores e sua Missão, 10.1 -15
A Respostaa Ser Esperada, 10.16-42
NARRAIIVA II A PRESENÇA DO RllNO, I I I - 12 aO
O Desafio à Presente Geração, 11.16-30
O Remo e |oao Batota, 11 I IS
A Oposição ac Reinu 12 I 45
A fninunhdC no Remo. 12 46-50
DISCURSO III: MISTÉRIO DO REINO, 13.1 -58
A Parábola do Semeador, 13 1 9
Explicação do Método das Parábolas, 13.10-23
Outras Parabolas, 13 74 42
Reação às Parábolas de Jesus, 13.S3-58
NARRATIVA III ( RISE DO REINO, 14 1 -1/77
Cnse da Oposição, 14 1— 15 20
Retirada para o Norte. 15 71 39
Mais um Conflito, 16.1-12
Uma Crise de Fé, 16.13-20
MATEUS 1.1 1328
Jesus Prepara Seus Discípulos para Sua própria Morte,
16.21 - 17.27
DISCURSO IV: COMUNHÃO DO REINO, 18.1 -35
Humildade, 18.1-20
Perdão, 18.21-35
NARRATIVA IV' CONFLITO CAUSADO PELO REINO,
1 9 .1 -2 3 39
Ensinos Deixados no Caminho de lerusalém,
19.1 —20.26
Cura em JerícA, 20 29-34
Acontecimentos em lerusalém, 21.1-22 "
Controvérsias com os |udeus, 212 i — 22.46
Denúncias contra os Escribas e Fariseus, 23.1-39
DISCURSO V: FUTURO DO REINO, 24.1 — 25.46
Profecia do Reino Vindouro, 24.1 - 36
Advertências sobre a Vigilância, 24.37— 25.30
Julgamento das Nações, 25.31 -46
A PAIXÃO DO REI, 26.1 — 27.66
Trama para Trair a Jesus, 26.1 -16
A Última Ceia, 26.17-30
Acontecimentos no Celsêmani, 26.31 -56
Os lulgamentos, 2 6 .5 7 -2 7 .2 6
Crucificação e Sepultamento, 27.27-66
Sepultamento, 27.57-66
A RESSURREIÇÃO, 28.1-20
As Mulheres e o Anjo, 28.1-10
O Falso Testemunho dos Guardas, 2 8.11-15
A Ascensão 28.16-20
A genealogia de Jesus Cristo .
Lc 3.23-38
1
Livro da genealogia de Jesus Cristo, fi­
lho de Davi, filho de Abraão.0
2 Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó;
Jacó, a Judá e a seus irmãos;b
3 Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera;
Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão;c
4 Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a
Naassom; Naassom, a Salmom;
5 Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de
Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé;
6 Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a
Salomão, da que fora mulher de Urias;d
7 Salomão gerou a Roboão; Roboão, a
Abias; Abias, a Asa;0
8 Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão; Jo-
rão, a Uzias;
9 Uzias gerou a Jotão; Jotão, a Acaz;
Acaz, a Ezequias;
10 Ezequias gerou a Manassés; Manassés,
a Amom; Amom, a Josias;f
11 Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos,
no tempo do exílios na Babilônia.
12 Depois do exílio na Babilônia, Jeconias
gerou a Salatiel; e Salatiel, a Zorobabel;h
13 Zorobabel gerou a Abiúde; Abiúde, a
Eliaquim; Eliaquim, a Azor;
1.1 oGn 12.3;
Is 11.1;
Mt 22.42;
|o 7.42; Rm 1.3
1.2 í>Gn 21.2-3
1.3 cGn 38.27;
ICr 2.5,9
1.6°lSm 16.1;
2Sm 12.24
1.7 elCr 3.10
1.10 <2Rs20.21;
ICr 3.13
1.11
92Rs 24.14-15;
2Cr 36.10;
|r 27.20
1.12 MCr 3.17;
Ed 3.2; Ag 1.1
1.18 <Lc1.27
1.19 >Dt 24.1
1.20 *Lc 1.35
14 Azor gerou a Sadoque; Sadoque, a
Aquim; Aquim, a Eliúde;
15 Eliúde gerou a Eleazar; Eleazar, a
Matã; Matã, a Jacó.
16 E Jacó gerou a José, marido de
Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama
o Cristo.
17 De sorte que todas as gerações, desde
Abraão até Davi, são catorze; desde Davi até
ao exílio na Babilônia, catorze; e desde o exí­
lio na Babilônia até Cristo, catorze.
O nascimento de Jesus Cristo
Lc 2.1-7
18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi
assim: estando Maria', sua mãe, desposada
com José, sem que tivessem antes coabitado,
achou-se grávida pelo Espírito Santo.
19 Mas José, seu esposo, sendo justo e
não a querendo infamar, resolveu deixá-la se­
cretamente./
20 Enquanto ponderava nestas coisas, eis
que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Se­
nhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas
receber Maria, tua mulher, porque o que nela
foi gerado é do Espírito Santo.*
21 Ela dará à luz um filho e lhe porás o
1.1-17 Considera-se que a genealogia de Mateus cita a li­
nhagem de José (cf Lc 3.23n). Mateus, o evangelho do reino
de Deus, mostra Jesus como o herdeiro legítimo do trono de
Israel; Lucas, o evangelho do Filho do homem, interessa-se
pela descendência humana de nosso Senhor. A genealogia,
como é o costume oriental, se demora apenas nos nomes
mais conhecidos, mencionando 42 gerações num periodo de
c. 2.000 anos. A divisão em três seções de 14 gerações, seria
uma ajuda à memória. O primeiro grupo, de Abraão até Davi,
c. 1.000 anos. O segundo, de Davi até o exílio na Babilônia,
abrange c. 400 anos; o último (com José e Maria, represen­
tando a décima quarta geração), abrange c. 600 anos. Cada
divisão é separada de acordo com as épocas básicas da histó­
ria de Israel: a monarquia, o cativeiro, a vinda do Messias.
Não se deve, aqui, procurar uma lista completa dos antepas­
sados de Jesus; Esdras, por exemplo, omitiu seis gerações no
seu relatório (cfEd 7.1-5 com 1 Cr 6.3-15).
1.18 Jesus foi concebido por obra e graça do Espírito Santo,
e nasceu de Maria, sendo esta ainda virgem. Sua conceição
foi sobrenatural, não de semente humana, mas divina.
1.21 E lhe porás o nome de jesus. É a forma grega do heb
Josué, yehôshua', que significa "O Senhor (Jeová) é a sal­
vação".
1329 MATEUS 2.13
nome' de Jesus, porque ele salvará o seu
povo dos pecados deles.
22 Ora, tudo isto aconteceu para que se
cumprisse o que fora dito pelo Senhor por
intermédio do profeta:
. 23 Eis que a virgem conceberá e dará à
luz um filho, e ele será chamado pelo
nome de Emanuelm
(£ue quer dizer: Deus conosco).
24 Despertado José do sono, fez como lhe
ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua
mulher.
25 Contudo, não a conheceu, enquanto ela
não deu à luz um filho, a quem pôs o nome"
de Jesus.
A visita dos magos
2 Tendo Jesus nascido em Belém da Ju-
déia, em dias do rei Herodes, eis que
vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.0
2 E perguntavam: Onde está o recém-nas­
cido Rei dos judeus? Porque vimos a sua es­
trela no Oriente e viemos para adorá-lo.P
3 Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei He­
rodes, e, com ele, toda a Jerusalém;
4 então, convocando todos os principais
sacerdotes e escribas do povo, indagava deles
onde o Cristo deveria nascer. 9
5 Em Belém da Judéia, responderam eles,
porque assim está escrito por intermédio do
profeta:
6 E tu, Belém, terra de Judá, não és de
1.21 /Lc 1.31
1.23 m|s 7.14
1.25 nLc 2.21
2.1 oCn 10.30;
1Rs 4.30
2.2 pNm 24.17;
U2.11
2.4 4 20 34.13
2.6 rMq 5.2
modo algum a menor entre as princi­
pais de Judá; porque de ti sairá o Guia
que há de apascentar a meu povo,
Israel.'
7 Com isto, Herodes, tendo chamado se­
cretamente os magos, inquiriu deles com pre­
cisão quanto ao tempo em que a estrela
aparecera.
8 E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide
informar-vos cuidadosamente a respeito do
menino; e, quando o tiverdes encontrado, avi­
sai-me, para eu também ir adorá-lo.
9 Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis
que a estrela que viram no Oriente os prece­
dia, até que, chegando, parou sobre onde es­
tava o menino.
10 E, vendo eles a estrela, alegraram-se
com grande e intenso júbilo.
11 Entrando na casa, viram o menino com
Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e,
abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas
ofertas: ouro, incenso e mirra.5
12 Sendo por divina advertência preveni­
dos em sonho para não voltarem à presença
de Herodes, regressaram por outro caminho a
sua terra.'
2.11 *SI 72.10
2.12 tM tl.20
A fuga para o Egito
13 Tendo eles partido, eis que apareceu
um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse:
Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge
para o Egito e permanece lá até que eu te
2.1 Belém da judéia. Para distingui-ia da Belém de Zebulom
(Jz 19.15). O nome distintivo ocorre também em Rt 1.1. Rei
Herodes. Chamado o Grande. Era um descendente de Esaú.
Começou a reinar em 37 a .C , e morreu pelo ano 4 a.C. Os
romanos chamaram-no Rei dos judeus. Era um homem cruel,
bárbaro, sanguinário. Uns magos do oriente. Os magos eram
astrólogos ou mágicos; às vezes o termo incluía os que traba­
lhavam em outras ciências, as quais na época tinham pouco
a ver com o fespíríto científico", e incluíam a superstição, a
magia e impostura. -O comentário que os antigos pais da
Igreja fizeram sobre esta cena, é que representa a astrologia e
a magia cürvando-se perante Cristo, reconhecendo que a ilu­
minação de Cristo dissipa as trevas da falsa sabedoria.-As len­
das populares atribuÍFam nomes-a -estes-magos, fazendo deles
três reis orientais; talvez o número de presentes (v 11) e uma
aplicação do SI 72.1 ( M l , levaram a estas conjeturas, porém
o evangelho não se detém nestes assuntos.
2.2 Vimos a sua estrela no Oriente. O astrônomo Kepler cal­
cula que se tratava da conjunção de Júpiter e Saturno na
constelação de Peixes, em 7 a.C. Outros sugerem que se tra­
tava de alguma estrela variável, com seu surgimento e desa­
parecimento periódicos, uma das quais foi notada pelos
chineses em 4 a.C. Os magos, como astrólogos, teriam se
interessado imediatamente. O certo é que Deus concedeu
no tempo apropriado a visão da estrela prometida em
N m 24.17. • N. Hom. A obediência: 1) Dos magos, "vimos
e viemos", 2.2; 2) De José, 1.20,22; 3) De-~ Maria,
Lc 1.26-37,38. -------
2.11 Alguns supõem que Jesus já teria dois anos de flaHè na
época, por causa das crianças que Herodes resolveu matar.
Mas a contagem judaica usaria o termo "de dois anos para
baixo" para as crianças até um ano completo de idade. Hero­
des na sua ansiedade historicamente comprovada, de elimi­
nar qualquer possível pretendente ao trono, não perderia a
garantia de matar esta criancinha só por causa de algum
equívoco de meses. Maria e José só teriam ficado em Belém
até completar os 40 dias da purificação (Lc 2.22 com
Lv 12.2-4). O adoraram. A adoração incluía presentes signifi­
cativos: ouro, simbolizando a realeza; incenso, a divindade;
mirra, o sacrifício. Além do simbolismo, é claro que eram pre­
sentes valiosos, ofertados para aquele que era reconhecido,
no mínimo, como iuturo rei de Israel.
2.13 Tendo eles partido. Tanto os magos como |osé e Maria,
foram desviados do caminho de Herodes, pela mensagem
mandada por Deus.
MATEUS 2.14 1330
avise; porque Herodes há de procurar o me­
nino para o matar.
14 Dispondo-se ele, tomou de noite o me­
nino e sua mãe e partiu para o Egito;
15 e lá ficou até à morte de Herodes, para
que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor,
por intermédio do profeta:
Do Egito chamei o meu Filho".
2.15 "Os 11.1
2.17 "Jr 31.15
2.18 w|r 31.15
2.22 *Mt 3.13
A matança dos inocentes
16 Vendo-se iludido pelos magos, enfure­
ceu-se Herodes grandemente e mandou matar
todos os meninos de Belém e de todos os seus
arredores, de dois anos para baixo, conforme
o tempo do qual com precisão se informara
dos magos.
17 Então, se cumpriu o que fora dito por
intermédio do profeta Jeremias:1
'
18 Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto,
[choro] e grande lamento; era Raquel
chorando por seus filhos e inconsolável
porque nãomais existem.w
2.23 ris 11.1
3.1 ^is 14.10;
Lc 3.2-3
3.2 "Mt4.17;
Mc 1.15
SDn 2.44
3.3 c|s 40.3
A volta do Egito
19 Tendo Herodes morrido, eis que um
anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no
Egito, e disse-lhe:
20 Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e
vai para a terra de Israel; porque já morreram
os que atentavam contra a vida do menino.
21 Dispôs-se ele, tomou o menino e sua
mãe e regressou para a terra de Israel.
22 Tendo, porém, ouvido que Arquelau
3.4 "2Rs 1.8
3.5 *Mc 1.5
3 .6 'At 19.4
3.7 sMt 23.33
reinava na Judéia em lugar de seu pai Hero­
des, temeu ir para lá; e, por divina advertência
prevenido em sonho, retirou-se para as re­
giões da Galiléia.*
23 E foi habitar numa cidade chamada
Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito
por intermédio dos profetas:
Ele será chamado Nazareno^.
A pregação de João Batista
M c 1 .2 -6 ; L c 3 .1 -9
3
Naqueles dias, apareceu João Batista
pregando no deserto da Judéia e dizia:2
2 Arrependei-vos°, porque está próximo
o reino dos céusb. ’
3 Porque este é o referido por intermédio
do profeta Isaías:
Voz do que clama no deserto: Preparai o
caminho do Senhor, endireitai as suas
veredas2.
4 Usava João vestes® de pêlos de camelo
e um cinto de couro; a sua alimentação eram
gafanhotos e mel silvestre.
5 Então, saíam a ter com ele Jerusalém,
toda a Judéia e toda a circunvizinhança do
Jordão;e
6 e eram por ele batizados no rio Jordão,
confessando os seus pecados.f
7 Vendo ele, porém, que muitos fariseus
e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes:
Raça de víboras®, quem vos induziu a fugir
da ira vindoura?
2.15 A téà morte de Herodes. Herodes o Grande; morreu em
c. 4 a .£ ; calcula-se então o nascimento de Cristo para 6 ou
7 a .C , e assim, o máximo que José e Mana podiam ter pas­
sado no fcqito seria um penoao de dois anos, quando então
receberam a ordem divina de voltar.
2.23 Nazareno. A palavra aplica-se a quem mora em Nazaré;
relembra o nazireu, que se consagrava especial e totalmente
à adoração de Deus (Nm 6.1-5); e ainda coincide com a pa­
lavra hebraica nécer, “ renovo" que é um dos títulos do Mes­
sias (Is 11.1). Jesus tornou-se triplamente merecedor do título
"Nazareno".
3.1 lodo Batista. "João", heb yohãnãn, "Deus teve misericór­
dia". A palavra "Batista" refere-se a sua vocação especial de
batizar, assinalando arrependimento em preparação para a
aceitação de Cristo.
3:2 O fén o doscéus.Só Mateus emprega esta expressão, que
nos outros evangelhos é "Reino de Deus",-uma vez que1as
expressões diferentes ocorrem em narrativas iguais, é certo
que significam a mesma coisa. O Batista decerto está pen­
sando numa organização de Deus a ser estabelecida no
mundo, mas, à parte e antes de qualquer manifestação visível
da soberania de Deus, a expressão significa a maneira de vida
dos que se deixam dirigir por Deus em tudo. É o reino dos
céus porque sua origem, seus propósitos, e seu rei, são celes­
tiais. Este conceito abrange várias idéias em conjunto, inclu­
sive a relação e posição que ganhamos ao passar pelo novo
nascimento (Jo 3.3). • N. Hom. A providência de Deus. )e-
sus, apesar de ter nascido numa manjedoura, já possuía meios
para pagar as despesas de seus pais no Egito, através dos
presentes dos magos, e. para preparar a mente do povo para
o ministério de Jesus, tinha a |oão Batista.
3.5 Saíam a ter com. ele. João se estabelece num vau natural
do Jordão conhecido como Betabara ou Betânia do outro
lado do Jordão (Jo 1.28), por onde tinha de passar todo israe­
lita que demandava Jerusalém.
3.7 Batismo. O batismo de João era especificamente um sinal
exterior do arrependimento do pecado confessado pela pes­
soa batizada; o simbolismo do batismo cristão contém muitas
outras realidades espirituais, da união com Cristo, da aceita­
ção da salvação, etc.
1331 MATEUS 4.7
8 Produzi, pois, frutos dignos de arrepen­
dimento;
9 e não comeceis a dizer entre vós mes­
mos: Temos por pai a Abraãoh; porque eu
vos afirmo que destas pedras Deus pode sus­
citar filhos a Abraão. .
10 Já está posto o machado à raiz das ár­
vores; toda árvore1
, pois, que não produz
bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
3.9 "Jo 8.33
3.10 'Mt 7.19
3.11 /Is 4.4;
Mc 1.8; Jo 1.15,
26,33;
ICo 12.13
3.12 *MI 3.3
16 Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis
que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito
de Deus descendo como pomba, vindo so­
bre ele.m
17 E eis uma voz dos céus, que dizia: Este
é o meu Filho amado", em quem me com­
prazo0.
A tentação de Jesus
M c 1 .1 2-1 3 ; L c 4 .1-13
João dá testemunho de Cristo
M c 1 .7 -8 ; L c 3 .1 5 -1 7 ; Jo 1.19-28
r 11 Eu vos batizo coma água, parab arre­
pendimento; mas aquele que vem depois de
mim é mais poderoso dp que eu, cujas sandá­
lias não sou digno de levar. Ele vos batizará
coma o Espírito Santo e coma fogo./
12 A sua pá, ele a tem na mão e limpará
completamente a sua eira; recolherá o seu
trigo no celeiro, mas queimará a palha em
Ifogo inextinguível.*
O batismo de Jesus
M c 1 .9 -1 1 ; L c 3 .2 1 -2 2 ; Jo 1.32-34
13 Por esse tempo, dirigiu-se Jesus da Ga-
üléia para o Jordão, a fim de que João o
batizasse.1
14 Ele, porém, o dissuadia, dizendo: Eu é
que preciso ser batizado por ti, e tu vens
a mim?
15 Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por
enquanto, porque, assim, nos convém cumprir
toda a justiça. Então, ele o admitiu.
3.13 (Mt 2.22;
Lc 3.21
3 .1 6 "i|sll.2 ;
Lc 3.22
3.17 "Mt 12.18;
17.5; Mc 9.7;
Lc 9.35 °ls 42.1
4.1 pHb 2.18;
4.15
4.4 9Dt 8.3
4.5 "Ne 11.1;
Is 48.2; Apl 1.2
4.6 sSI 91.11
tSI 91.12
4
A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito
ao deserto, para ser tentadoP pelo diabo.
2 E, depois de jejuar quarenta dias e qua­
renta noites, teve fome.
3 Então, o tentador, aproximando-se, lhe
disse: Se és Filho de Deus, manda que estas
pedras se transformem em pães.
■4 Jesus, porém, respondeu: Está escrito:
Não só de pão viverá o homem, mas de
toda palavra que procede da boca de
Deus9.
5 Então, o diabo o levou à Cidade Santa,
colocou-o sobre o pináculo do templo"
6 e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te
abaixo, porque está escrito: I
Aos seus anjos ordenará a teu respeito que
te guardem5; e: : '
Eles te susterão nas suas mãos, paia não
tropegarés nalguma pedra*. ’’"
7 Respondeu-lhe Jesus: Também está
escrito:
Não tentarás o Senhor, teu Deus".
4.7 "Dt 6.16 «com; ou em bpara; ou à vista de
3.8 Produzi, pois, frutos. Este sermão foi dirigido às multidões
(Lc 3.7), aos fariseus e saduceus (M t 3.7), aos publicanos
(Lc 3.12), aos soldados (Lc 3.14). João não temia a ninguém
(cf 14.3-4).
3.11 Com o Espírito Santo e com fogo. Refere-se ao ministério
espiritual de Cristo. Sua obra começou acompanhada pela
energia sobrenatural do Espírito Santo, colhendo-se algum
"trigo" (os fiéis), e revelando-se quem seria "palha" para jul­
gamento. A doutrina do batismo no Espírito Santo não recebe
luzes neste trecho, pois o assunto pertence à época posterior
à ressurreição de Jesus (cf 1 Co 12.13).
3.13 Caliléia. A área de Israel da qual Jesus era nativo.
3.13-17 O batismo de Jesus não era para arrependimento.
Era apenas um sinal de que Jesus se colocava do lado da
minoria dos fiéis e que dava Seu apoio à obra de João. Além
disto, era, a unção sacerdotal de Jesus, o cumprimento da
cerimônia descrita em Êx 29.4-7. • N. Hom. A solenidade
do batismo de Jesus: 1) A presença da Trindade; 2) A voz dos
céus; 3) A grande declaração do Pai: "Este é o meu Filho
amado, em quem me comprazo" (17; cf Cn 22.2; Is 42.1).
3.16 O Espírito de Deus. O Espírito, por cuja obra Jesus foi
concebido (1.18) e por cujo poder Jesus operava maravilhas
(Lc4.18). Como pomba. Símbolo da mansidão e do sacrifício.
Veja contraste em At 2.3 quando Ele desceu sobre bs discípu­
los em línguas como que de fogo.
4.1 A tradição aponta o Monte da tentação no sul da Judéia.
Diabo. Cr diabolos, "maldizente", o que lança uma pessoa
contra a outra. Na mesma narrativa, Marcos emprega a pala­
vra Satanás (Mc 1.13), que é uma transliteração da palavra
hebraica sãtãn "adversário", "acusador".
4.2 jejuou. O ministério de Jesus começou corri jejum, uma
preparação espiritual para a luta com o diabo: destacam-se
também as 40 noites, por causa do costume árabe de obser­
var o jejum durante o dia. Teve fome. Na hora do esgota­
mento aparece o tentador, o diabo. A arma usada por Jesus
nesta batalha de três etapas, era à Palavra de Deus: "Está
escrito"; através dessa arma o diabo foi golpeado e vencido.
Cf as narrativas paralelas.________ _________________________ _
_
MATEUS 4.8 1332
8 Levou-o ainda o diabo a um monte
muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do
mundo e a glória deles
9 e lhe disse: Tudo isto te darei se, pros­
trado, me adorares.
10 Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te,
Satanás, porque está escrito:
Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele
darás culto1
'.
11 Com isto, o deixou o diabo, e eis que
vieram anjos e o serviram.w
Jesus voltaparv a Galiléia
M c 1 .1 4-1 5 ; L c 4.14,15
12 Ouvindo, porém, Jesus que João* fora
preso, retirou-se para a Galiléia;
13 e, deixando Nazaré, foi morar em Ça-
famaumr.»situada à beira-mar, nos confins
de Zehulom e Naftali;
14 parà que se cumprisse o que fora dito
pqr intermédio do profeta Isaías:
' 15 Terra de Zebulom, terra de Naftali, ca­
minho do mar, além do Jordão, Gali-
-------léiades gentios
16lt) povo que jazia em trevas viu grande
— luz., e aos que viviam na região e som-
JJjra da morte resplandeceu-lhes a luz.0
—f 7-Daí por diante, passou Jesus a pregar e
a dizer;. Arrependei-vos*’, porque está pró­
ximo o reino dos eéusc. ~
A vocação de discípulos ~~
M c 1 .1 6-2 0 ; L c 5 .1-11
18 Caminhando junto ao mar da Galiléia,
viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e
André, que lançavam as redes ao mar, porque
eram pescadores.d
19 E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vw
farei pescadores de homens.e
20 Então, eles deixaram imediatamente s
redes e o seguiram.*
21 Passando adiante, viu outros dois ir­
mãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, sem
irmão, que estavam no Barco em companhia
de seu pai, consertando as redes; e chamoò-
os.9
22 Então, eles, no mesmo instante, dei­
xando o barco e seu pai, o seguiram.
Jesus prega por toda a Galiléia
e cura muitos enfermos
L c 6 .17-19
23 Percorria Jesus toda a Galiléia*1
, ensi­
nando nas sinagogas, pregando o evangelho
do reino e curando toda sorte de doenças e
enfermidades entre o povo. _
24 E a sua fama correu por toda a Sniac
trouxeram-lhe, então, todos os doentes, aco­
metidos de várias enfermidades e tormentos
endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E
ele os curou.
25 E da Galiléia, Decápolis, Jerusalém,
Judéia e dalém do Iordão numerosas multi­
dões o seguiam.’
O sermão do monte
As bem-aventuranças
L c 6.20-23
Vendo Jesus as multidões, subiu ao
monte, e, como se assentasse, aproxima­
ram-se os seus discípulos;*
4.iovDt6.i3
4.11 »Hb1.l4
4.12 *Mt 14.3;
Mc 6.17;
Lc 3.19-20
4.13/Jo 2.12
4.15 z|s 9.1-2
4.16o(1J-16)
Is 9.1-2
4.17 l>Mt 3.2
cDn 2.44
4.18
dMc 1.16-18;
Jo 1.42
4.19
«Lc 5.10-11
4.20 ’Mc 10.28
4.21
9Mc 1.19-20
4.23 íiMt 9.35;
Mc 1.39; Lc 4.44
4.25 ’Mc 3.7
5.1/Mc 3.13
4.12 A prisão de João Batista encerra o ministério de Jesus na
Judéia, passando então a exercer Seu ministério na Galiléia,
estabelecendo o centra das Suas atividades messiânicas em
Cafarnaum, importante cidade da Galiléia.
4.13-17 Sob a direção do Espírito, Jesus deixa $eu lar e seus
amigos, iniciando o cumprimento da profèóiá de Isaías
(Is 9.1 -2 ). A duração de sua missão na Terra é calculada para
três anos, de acordo com as informações registradas nos qua­
tro evangelhos. Jesus passa a maior parte do Seu ministério na
humilde Galiléia e não na portentosa Jerusalém. Passou três
vezes por toda Galiléia, sendo que desta vez com quatro pes­
cadores. j
4.16 O povo que jazia em trevas. Sua situação é descrita por '
"trevas", sem iluminação espiritual, e só na expectativa da j
morte. A vida, por mais movimentada que seja, é apenas o j
prelúdio da morte, quando se desconhece o gozo das realida- i
des espirituais que Cristo veio oferecer. I
4.17 Próximo. Gr êqgiken, "chegou", "aproximou-se", "está 1
perto" no tempo ou no espaço. Era o ponto vital na histúã
da redenção, o cumprimento de tudo aquilo que é o reino de
Deus. Agora forma-se um povo especialmente de Deus pek
obra de Cristo. Manifesta-se agora a presença de Deus enbe
os homens, pela pessoa de Jesus. Jesus estende agora o con­
vite aos, homens para aceitar ou rejeitar o senhorio de D e»
em suas vidas. Mas pensa-se também na futura consumação
final, quando o Reino será estabelecido na Terra (Ap 20.461
4.18-22 A chamada dos quatro discípulos: André, Tiago, Pe­
dro e João. Aqui são convidados a seguir a Cristo dedicando-
se ao discipulado (gr mathêtês, aquele que está sendo
ensinado); a vocação à plena conversão se descreve en
Jo 1.35-51; e a missão dos apóstolos (gr apostolas, "en­
viado", "emissário", "missionário"), descreve-se en
Mt 10.1-15, cf At 1.8.
4.23 Percorria. Reflete a ardente paixão do Mestre pelas at-
mas perdidas, em prol das quais: 1) Ensinava nas sinagogas
2) Pregava o evangelho do Reino; 3) Curava enfermidades.
1333 MATEUS 5.21
2 e ele passou a ensiná-los, dizendo:
3 Bem-aventurados os humildes de espí­
rito, porque deles 6 o reino dos céusA
4 Bem-aventurados os que choram', por­
que serão consolados.
5 Bem-aventurados os mansos™, porque
herdarão a terra.
6 Bem-aventurados os que têm fome e
sede” de justiça, porque serão fartos.
7 Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.0
8 Bem-aventurados os limpos de cora-
çãoP, porque verão a Deus.
9 Bem-aventurados os pacificadores, por­
que serão chamados filhos de Deus.
10 Bem-aventurados os perseguidos? por
causa da justiça, porque deles é o reino dos
céus.
11 Bem-aventuradosr sois quando, por
minha causa, vos injuriarem, e vos persegui­
rem, e, mentindo, disserem todo mal con­
tra vós.
12 Regozijai-vos e exultai, porque é
grande o vosso galardão nos céus; pois assim
perseguiram aos profetas5 que viveram antes
de vós.
Os discípulos, o sal da terra
Mc 9.49-50; Lc 14.34-35
13 Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier
a ser insípido, como lhe restaurar o sabor?
Para nada mais presta senão para, lançado
fora, ser pisado pelos homens. <
5 .3 ‘ SI 51.17;
Is 57.15
5.4 M
s61.2
5.5 mSI 37.11
5.6 nls 55.1-2
5.7 oSl 41.1;
Mc 11.25;
2Tm 1.16;
Tg 2.13
5.8 PSI 24.4
Os discípulos, a luz do mundo
14 Vós sois a luz do mundo“. Não se
pode esconder a cidade edificada sobre um
monte;
15 nem se acende uma candeia1
' para co­
locá-la debaixo do alqueire, mas no velador,
e alumia a todos os que se encontram na casa.
16 Assim brilhe também a vossa luz
diante dos homens, para que vejam as vossas
boas obrasw e glorifiquem a vosso Pai que
está nos céus.
5.10 <7lPe 3.14
5.11 ri Pe 4.14
5.12
s2Cr 36.16;
At 7.12
5.13 tMc 9.50
5.14 u)o 8.12;
9.5
5.15 vMc 4.21;
Lc 8.16; 11.33
5.16 *vipe 2.12
5.17 *Rm 3.31
5.18 rLc 16.17
Jesus não veio revogar a Lei, mas cumprir
17 Não penseis que vim revogar a Lei ou
os Profetas; não vim para revogar, vim para
cumprir."
18 Porque em verdade vos digo: até que o
céu e a terra)' passem, nem um i ou um til
jyunais passará da Lei, até que tudo se cumpra.
19 Aquele, pois, que violar um destes
mandamentos, posto que dos menores, e as­
sim ensinar aos homens, será considerado mí­
nimo no reino dos céus; aquele, porém, que
os observar e ensinar, esse será considerado
grande no reino dos céus.2 
20 Porque vos digo que, se a vossa justiça
não exceder em muito a dos escribas e fari­
seus, jamais entrareis no reino dos céus.0
5.19 zStg 2.10
Jesus completa o que foi dito aos antigos
Do homicídio
5.20 oRm 9.31 21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não
5.2 Passou a ensiná-los. )esus achava-se em Cafarnaum, cer­
cado por grandes multidões, num lugar que hoje é apontado
como o Monte das Bem-aventuranças. O Sermão inteiro
ocupa os caps 5, 6 e 7, e seus ensinamentos foram repetidos
no decurso da missão ativa de Jesus na terra, como se verifica
nas referências e partes diferentes do Evangelho de Lucas.
5.3-12 Bem-aventurados. Cr makarios, "feliz", "abençoado".
É a felicidade do coração que está em paz com Deus, e es­
tende-se aos seguintes: 1) Humildes de espírito, os verdadeiros
humildes, não sendo a simples falta de bens materiais que
produz a humildade; 2) Os que choram, lamentando seus pró­
prios pecados; 3) Os mansos, que se dobram à vontade de
Deus; 4) Fome e sede de justiça, é o que têm os que buscam
a santidade que vem de Deus; 5) Os misericordiosos, que se
compadecem do seu próximo; 6) Os limpos de coração, têm
uma santidade no íntimo; 7) Os pacificadores, têm paz com
Deus e a semeiam; 8) Os perseguidos, que sofrem qualquer
sacrifício para permanecer dentro da vontade de Cristo.
5.13,14 A influência e a responsabilidade do cristão neste
mundo: o sal preserva e dá sabor, a luz brilha e se opõe às
trevas. “
5.17 Para cumprir. Cr plêrõsai, "encher", "completar". Jesus
não veio revogar ou destruir nenhuma palavra que Deus ensi­
nara aos fiéis do passado no AT. Veio cumprir plenamente o
propósito de Deus revelado no AT dando à lei e aos profetas
aquilo que faltava: O Espírito Santo para interpretá-lo e poder
para pô-lo em prática, pela sua obra salvadora.
5.18 A letra i (foto) era a menor letra do abecedário grego e
hebraico (yôdh), e o til (gr keraia, lit "chifrezinho", era o sinal
que distinguia certas consoantes hebraicas, o daleth do rêsh,
o bêth do kaph). '
5.19 Aquele, pois, que violar. A Bíblia é a palavra de Deus, e
não deve ser menosprezada, retalhada ou profanada nas
mãos dos homens.
5.20 justiça. Gr dikaiosunê; a qualidade de ser reto ou justo.
Não é suficiente a observância de leis e de costumes; para isto
os fariseus serviam muito bem. Precisa-se certa realidade espi­
ritual produzida pelo relacionamento com Deus pela fé que
resulta numa retidão interna refletida pela expressão externa
(cf Lc 18.14n; Rm 4.3). '
5.21,22 Não matarás. Os judeus valorizavam a letra da lei
que proibia eliminar-se a vida humana (Êx20.13). Jesus, reve-
MATEUS 5.22 1334
matarás6; e: Quem matar estará sujeito a jul­
gamento.
22 Eu, porém, vos digo que todo aquele
que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará
sujeito a julgamento; e quem proferir um in­
sulto a seu irmão estará sujeito a julgamento
do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará
sujeito ao inferno de fogo.c
23 Se, pois, ao trazeres ao altar a tua
oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem
alguma coisa contra ti,d
24 deixa perante o altar a tua oferta, vai
primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, en­
tão, voltando, faze a tua oferta.e
25 Entra em acordo sem demora com o
teu adversário, enquanto estás com ele a ca­
minho, para que o adversário não te entregue,
ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas
recolhido à prisão/
26 Em verdade te digo que não sairás dalir
enquanto não pagares o último centavo.
D o adultério
27 Ouvistes que foi dito: Não adulte-
rarás9.
C 28 Eu, porém, vos digo: quàlquer que
olhar para uma mulher com intenção impura,
jno coração, já adulterou com ela.6
29 Se o teu olho1
' direito te faz tropeçar,
arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que
se perca um dos teus membros, é hão seja
todo o teu corpo lançado no inferno.
30 E, se a tua mão/ direita te faz tropeçar,
corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se
5.21 ifx20.13;
Dt 5.17
5.22 cStg 2.20;
l)o 3.15
5.23 "Mt 8.4
5.24 e|ó 42.8;
1Tm 2.8;
IPe 3.7
5.25 /SI 32.6;
Is 55.6
5.27 9Êx 20.14;
Dt5.18
5.28 6Gn 34.2;
2Sm 11.2;
Pv6.25
5.29 /Mtl 8.9;
Mc 9.47
5.30 ;Mt 18.8;
Mc 9.43
5.31
*Dt 24.1-4;
Mt 19.7;
Mc 10.4
5.32 /Lc 16.18;
1Co 7.10-11
5.33 mlv 19.12
"Nm 30.2;
Dt 23.21
5.34 oTg 5.12
Pis 66.1;
Mt 23.22
5.35 pis 66.1
'SI 48.2
5.37 sCI 4.6
5.38 íÊx 21.24;
Lv 24.20;
Dt 19.21
5.39 uPv 20,22;
Lm 3.30;
Rm 12.17,19;
ICo 6.7;
ITs 5.15;
1Pe 3.9
perca um dos teus membros, e não vá todo o
teu corpo para o inferno.
31 Também foi dito: Aquele que repudiar
sua mulher*, dê-lhe carta de divórcio.
32 Eu, porém, vos digo: qualquer que re­
pudiar sua mulher, exceto em caso de rela­
ções sexuais ilícitas, a expõe a tomar-se
adúltera; e aquele que casar com a repudiada
comete adultério'.
Dos juramentos
33 Também ouvistes que foi dito aos anti­
gos: Não jurarás falsom, mas cumprirás" ri­
gorosamente para com o Senhor os teus
juramentos.
34 Eu, porém, vos digo: de modo algum
jureis0; nem pelo céuP, por ser o trono de
Deus;
35 nem pela terra<
/, por ser estrado de
seus pés; nem por Jerusalém'', por ser cidade
do grande Rei;
36 nem jures pela tua cabeça, porque não
podes tomar um cabelo branco ou preto.
37 Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim;
não, não. O que disto passar vem do ma­
ligno.5
Da vingança
L c 6.27-30
38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho,
dente por dente(.
39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao
perverso; mas, a qualquer que te ferir na face
direita, volta-lhe também a outra;"
lando a vontade de Deus, porém, proibiu o ódio e a vingança
que já é assassínio no coração (cf 23-26).
5.22 Inferno. Gr geenna, que translitera o hebraico gê-
hinnõm, "o vale de Hinom"; este vale profundo ficava ao sul
de Jerusalém. Durante o reinado de Manasses alguns judeus
sacrificavam ali aos seus próprios filhos, através do fogo, ao
ídolo Moloque. Finalmente tomou-se o depósito de lixo da
cidade, e inclusive de carcaças de animais e de criminosos
executados. O fogo e a fumaça incessantes criaram o símbolo
do castigo eterno.
5.27,28 Não adulterarás. Adulterar, para o judeu, obser­
vando-se a letra de Êx 20.14, seria deitar-se com a mulher do
seu próximo. Para jesus, é isto e ainda algo mais. Atendendo
ao espírito da lei e à disposição do coração que leva a cobiçar
uma mulher, declara que pensamento impuro é adultério,
embora não se pratique o ato.
5.32 A interpretação que os judeus da época de Jesus chega­
ram a ter da lei, começou a ter aplicação dupla: lenitiva para
com os homens, e severa para com as mulheres. Um homem
podia divorciar-se de sua esposa por qualquer pretexto, e
tinha muita facilidade para tomar uma concubina. Aqui, bem
como em outras questões, jesus revela qual era a verdadeira
intenção da Palavra de Deus, desde os primórdios.
5.33,34 Não jurarás falso. Cf Lv 19.12; Êx20 .7 ; D t5.34. O
juramento era permitido no AT, mas jesus querendo que toda
palavra nossa seja pura e inabalável (37), proíbe o juramento.
• N. Hom. Lugares onde nossa luz não deve ficar: 1) Debaixo
do alqueire, 5.15; 2) Debaixo da cama, Mc 4.21; 3) Debaixo
do vaso, Lc 8.16; 4) Em qualquer lugar escondido, Lc 11.23.
5.38 Olho por olho. A intenção desta lei era de controlar a
vingança da pessoa lesada, não podendo ultrapassar a sim­
ples retribuição justa e exata (Êx 21.24; Dt 19.21; Lv 24.20).
Jesus ultrapassa a justiça com amor, não somente na Sua obra
sacrificial na cruz, pela qual Deus cancela o castigo que Sua
justiça decreta, mas também na Sua vida diária demons­
trando que a justiça pode ser cumprida através de Sua Pessoa
e no Seu ensino.
1335 MATEUS 6.12
40 e, ao que quer demandar contigo e ti­
rar-te a túnica, deixa-lhe também a capa.
41 Se alguém te obrigar a andar uma mi­
lha, vai com ele duas."
42 Dá a quem te pede e não voltes as cos­
tas ao que deseja que lhe emprestes."'
5.41 v-Mt 27.32
5.42 »Dt 15.8;
Lc 6.30,35
5.43 *Lv 19.18
Do amor ao próximo
lc 6.32-36
t" 43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu
próximo* e odiarás o teu inimigo.
44 Eu, porém, vos digo: amai os vossos
inimigos e orai pelos que vos perseguem;)'
45 para que vos tomeis filhos do vosso Pai
celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre
maus e bons e vir chuvas sobre justos e in-
[justos.2
46 Porque, se amardes os que vos amam,
que recompensa tendes? Não fazem os publi-
canos também o mesmo?“
47 E, se saudardes somente os vossos ir­
mãos, que fazeis de mais? Não fazem os gen­
tios também o mesmo?
48 Portanto, sede vós perfeitos* como
perfeito é o vosso Pai celeste.
5.44 /Lc 6.27;
At 7.60;
1Co 4.12-13;
1Pe2.23
5.45 *|ó 25.3
5.46 oLc 6.32
5.48&Dt 18.13
6.1 cMt 23.5
6.2 “ Rm 12.8
6.4 ^Lc 14.14
6.5 fLc 18.10-14
6.6 9Is 26.20
A prática da justiça
6 Guardai-vos de exercer a vossa justiça
diante dos homens, com o fim de serdes
vistos por elesc; doutra sorte, não tereis ga­
lardão junto de vosso Pai celeste.
Como se deve dar esmolas
6.7 “ IRs 18.26;
Ec5.2
6.9 'Lc 11.2
6.10
i S1103.20-21;
At 21.14
2 Quando, pois, deres esmola, não toques
trombeta diante de ti, como fazem os hipócri­
tas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glo-
6.11 *Jó 23.12
6.12 'Mt 18.21
rificados pelos homens. Em verdade vos digo
que eles já receberam a recompensa.*
3 Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a
tua mão esquerda o que faz a tua mão direita;
4 para que a tua esmola fique em secreto;
e teu Pai, que vê em secreto, te recom­
pensará.“
Como se deve orar
5 E, quando orardes, não sereis como os
hipócritas; porque gostam de orar em péf nas
sinagogas e nos cantos das praças, para serem
vistos dos homens. Em verdade vos digo que
eles já receberam a recompensa.
6 Tu, porém, quando orares, entra no teu
quarto9 e, fechada a porta, oraras a teu FüT
que está em secreto; e teu Pai, que vê em
secreto, te recompensará.
7 E, orando, não useis de vãs repetições,
como os gentios; porque presumem que pelo
seu muito falar serão ouvidos.*
8 Não vos assemelheis, pois, a eles; por­
que Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes
necessidade, antes que lho peçais.
A oração dominical
Lc 11.2-4
9 Portanto, vós orareis assim:'
Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o teu nome;
10 venha o teu reino;/
faça-se a tua vontade,
assim na terra como no céu;
11 o pão nosso de cada dia*
dá-nos hoje;
12 e perdoa-nos as nossas dívidas/
5.43 Odiarás o teu inimigo. Esta expressão pertence à tradição
popular dos judeus, e não ao AT. Os judeus consideravam
que só outros judeus (e prosélitos, ver Lv 19.33-44) eram
vizinhos. Mas jesus ensinou o amor para com todos, conside­
rando-os além disto o sinal pelo qual o mundo reconheceria
os filhos do Pai Celestial ()o 13.35).
5.48 Perfeitos, jesus aponta para a absoluta perfeição do
amor de Deus como alvo do crente (cf 1 Pe 1.15,16). Não se
debate a possibilidade filosófica do absoluto amor perfeito na
terra: quem pertence a Cristo, pratica a verdadeira piedade
(1 Jo 1.6-10), e já tem sua absoluta garantia da transforma­
ção final (1 |o 3.2).
6.1 Guardai-vos de exercer, jesus não condena as esmolas
(2-4), nem a oração (5-8), nem o jejum (16-18). Não de­
vem estes, porém, ser aproveitados para demonstrações pú­
blicas, pois a humildade, e não o orgulho, é a base da
comunhão com Deus. jesus venceu a grande batalha contra
Satanás com jejum (4.2) e recomendou-o aos Seus discípulos
durante Sua ausência, (9.15) reconhecendo-o como útil para
se enfrentar ao diabo (17.21).
6.7 Vãs repetições. Esta era a maneira pagã de "forçar" os
deuses e conceder favores que estava em voga com os adora­
dores de Baal (1 Rs 18.26-28).
6.9 Pai nosso. Cf Lc 11.2n. Nome. O pensamento hebraico
não distinguia claramente entre o nome e a pessoa. Santificar
0 nome de Deus, implica em viver de uma maneira tal que
Sua Santidade se manifeste em Seus filhos.
6.10 Venha o teu reino. O Reino de Deus tem dois aspectos.
No sentido presente, se manifesta onde quer que Ele seja
adorado e seguido, nos corações onde Deus reina. O Reino
virá de modo completo ao mundo quando Deus vencer o
último inimigo, por ocasião da volta de Cristo (2 T s2.8 ;
1 Co 15.23—
28). Só Deus pode estabelecer Seu próprio
Reino.
6.11 De cada dia. Cf Lc 11.3n.
MATEUS 6.13 1336
assim como nós temos perdoado
aos nossos devedores;
13 e não nos deixes cair
em tentação;
mas livra-nos do mal
[pois teu é o reino™, o poder
e a glória para sempre. Amém]!
14 Porque, se perdoardes aos homens as
suas ofensas, também vosso Pai celeste vos
perdoará;'’
15 se, porém, não perdoardes aos homens
[as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos per­
doará as vossas ofensas.0
6.15
" K r 29.11
6.14
"Mc 11.25-26;
Cl 3.13
6.1So(14-15)
Mc 11.25-26
6.16 Pis 58.5
Comojejuar 6.17 vRt 3.3
16 Quando jejuardes, não vos mostreis
contristados como os hipócritas; porque desfi­
guram o rosto com o fim de parecer aos ho­
mens que jejuam. Em verdade vos digo que
eles já receberam a recompensa.P
17 Tu, porém, quando jejuares, unge a ca­
beça e lava o rosto,9
18 com o fim de não parecer aos homens
que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu
Pai, que vê em secreto, te recompensará.
6.19 fTg 5.2-3
6.20 >Mt 19.21;
lTm 6.19;
1Pe 1.4
6.22 'Lc 11.34
Os tesouros no céu
19 Não acumuleis' para vós outros tesou­
ros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem
corroem e onde ladrões escavam e roubam;
20 mas ajuntai para vós outros tesouros no
céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde
ladrões não escavam, nem roubam;5
21 porque, onde está o teu tesouro, aí es­
tará também o teu coração.
6.24 uLc 16.13;
ITm 6.17;
Tg 4.4; IJo 2.15
6.25 ‘'SI 55.22;
IPe 5.7
6.26 iv|ó 38.41;
Lc 12.24
A luz e as trevas
Lc 11.34-36
22 São os olhos a lâmpada do corpo. Se os
teus olhos forem bons, todo o teu corpo sera
luminoso;'
23 se, porém, os teus olhos forem maus,
todo o teu corpo estará em trevas. Portanto,
caso a luz que em ti há sejam trevas, que
grandes trevas serão!
Os dois senhores
24 Ninguém pode servir a dois senhores:
porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao
outro, ou se devotará a um e desprezará ao
outro. Não podeis servir a Deus e às ri­
quezas.0
A ansiosa solicitude pela vida
L c 12.22-31
25 Por isso, vos digo: não andeis ansiosos
pela vossa vida, quanto áo que haveis de co­
mer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanco
ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do
que o alimento, e o corpo, mais do que as
vestes?v
26 Observai as aves do céu: não semeiam,
não colhem, nem ajuntam em celeiros; con­
tudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porven­
tura, não valeis vós muito mais do que as
aves?"'
27 Qual de vós, por ansioso que esteja,
pode acrescentar um côvado ao curso da sua
vidac?
28 E por que andais ansiosos quanto ao
cao curso da sua vida; ou à estatura
6.13 Deixes cair (peirasmos "tentação" ou "teste"). A tenta­
ção, que dq ponto de vista do diabo deve derrotar-nos, do
ponto de vista de Deus, deve fortalecer-nos (Lc 22.32). Jesus
deixa bem claro que a vitória somente se consegue vigiando
e orando (26.41; í Co 10.13). Mal. O original pode ser igual­
mente bem traduzido por "maligno", i.e., o diabo.
6.15 S e. . . não perdoardes. A exigência do perdão se baseia
na natureza da oração na igreja. Em 18.15-20, a "onipotên­
cia da oração em nome de Cristo" requer pleno perdão entre
todos os membros.
6.16 Hipócritas. Gr hupokritês, significava originalmente
"ator", aquele que finge ser alguém. Jesus frisa o fingimento
religioso, a busca do louvor dos homens por causa da religio­
sidade externa. O jejum não é condenado se tiver como alvo
o aproximar-se de Deus e a negação de si mesmo.
6.19 Tesouros. Gr thêsauros, "tesouraria". Trata-se de arma­
zenar para si mesmo valores materiais além do necessário
(1 Tm 6.6-10). Estes, por sua vez, vêm a dominar seu próprio
dono, e a deixar desamparados os necessitados. Traça: Parte
dos tesouros orientais consistia em valiosos tecidos e vestidos.
Escavam. Passando pela parede de tijolos de barro e de terra.
6.20 Tesouros no céu ajuntam-se somente convertendo pe­
cadores que viverão eternamente (cf Lc 16.9n).
6.22 Olhos. A luz na qual vivemos é captada pelos olhas
nosso vínculo com o mundo visível; sem eles, o mundo nas
seria escuridão. Nossa visão espiritual é nosso vínculo com a
eternidade.
6.24 Riquezas. Gr mamõn, transliteração da palavra aramaia
que significa "riqueza", mas que Jesus aqui está dando como
nome pessoal, como se fosse um ídolo pagão (ó que, na prá­
tica, tende a ser, pois sua busca exige uma dedicação igud
àquela que uma religião exige).
6.27 Côvado. Medida de comprimento de 46 cm . Aqui é hu­
moristicamente considerada como mais um pedacinho de
vida, pois a palavra, hêlikia, deve ser compreendida mais
como tempo do que como "estatura".
6.28 Os lírios do campo. As anémonas vermelhas que cres-
1337 MATEUS 7.12
vestuário? Considerai como crescem os lírios
do campo: eles não trabalham, nem fiam.
29 Eu, contudo, vos afirmo que nem Salo­
mão*, em toda a sua glória, se vestiu como
qualquer deles.
30 Ora, se Deus veste assim a erva do
campo, que hoje existe e amanhã é lançada no
forno, quanto mais a vós outros, homens de
pequena fé?
31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo:
Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com
que nos vestiremos?
32 Porque os gentios é que procuram to­
das estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe
que necessitais de todas elas;
33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu
reino ê~ã~sua justiça, e todas estas coisàsvos
serão acrescentadas./
34 Portanto, não vos inquieteis com o dia
de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuida­
dos; basta ao dia o seu próprio mal.
O juízo temerário é proibido
Lc 6.37-38,41-42
6.29
*1Rs 10.4-7;
2Cr 9.3-6
6.33 ylRs 3.13;
Mc 10.30;
1Tm 4.8
7.1 zLc 6.37;
1Co 4.3,5;
Tg 4.11-12
7.2 oMc 4.24
7.3 6Lc 6.41-42
7.6 cPv 9.7-8
7.7 °Mt 21.22;
Lc 11.9-10;
Tg 1.5-6;
1|o 3.22
7
Não julgueis, para que não sejais jul­
gados.*
2 Pois, com o critério com que julgardes,
sereis julgados; e, com a medida0 com que
tiverdes medido, vos medirão também.
3 Por que vês tu o argueiro no olho de teu
irmão, porém não reparas na trave que está no
teu próprio?b
4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me
7.8ePv8.17
7 .9 'Lc 11.11-13
7.11 sCn6.5
7.12 6Lc 6.31
tirar o argueiro do teu olho, quando tens a
trave no teu?
5 Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu
olho e, então, verás claramente para tirar o
argueiro do olho de teu irmão.
Não deis o que é santo aos cães
6 Não deis aos cães o que é santo, nem
lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para
que não as pisem com os pés e, voltando-se,
vos dilacerem.c
Jesus incita a orar
Lc 11.9-13
7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis;
batei, e abrir-se-vos-T3 '
8 Pois todo o que pede recebe; o que
busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-
á.g ...............
9 Ou qual dentre vós é o homem que, se
porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará
pedra?f
10 Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará
uma cobra?
11 Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar
boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais
vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas
aos que lhe pedirem?»
12 Tudo quanto, pois, quereis^ que os ho­
mens vos façam, assim fazei-o vós também a
eles; porque esta é a Lei e os Profetas.
ciam nas encostas dos montes da Palestina, que Jesus via en­
quanto pregava.
6.33 Buscai primeiro. Jesus mostra a verdadeira escala de valo­
res: o corpo vale mais do que seu vestuário, a vida vale mais
do que a comida que a sustenta (w 25-32), e acima destas
coisas terrenas está a comunhão espiritual com Deus. Quem
dá a Deus a posição central em sua vida, gozará do Seu cui­
dado onipotente e eterno (Rm 8.32).
6.34 Mal. Cr kakos, "mal" (do ponto de vista humano), "difi­
culdade".
7.1 Não julgueis. Não se proíbe o uso de critérios sãos. O que
é proibido é o espírito de crítica, que aumenta o erro alheio.
7.3 Argueiro. O cisco que representa o pecado alheio, e que
pode cegar (v 22 e nota), não é de nossa responsabilidade
corrigir, uma vez que nossos pecados são como uma trave
nos impedindo de ver.
7.6 Porcos. Animais considerados imundos pelos judeus
(Lv 11.3). Pérolas. A maior preciosidade, para os orientais. A
parábola pinta o quadro de um rico jogando, a mancheias,
pérolas aos porcos como se fossem ervilhas, irritando aos por­
cos que dariam mais valor a ervilhas "genuínas". A igreja pri­
mitiva interpretou este ditado de Jesus, com relação à ceia do
Senhor. Dar ceia a incrédulos, hereges e até aos não batizados
(os não comprometidos com Cristo) era, para o autor do
Didaquê (c. 120 d .C ), para Tertuliano, para Teodoro e ou­
tros, muito perigoso. Apaga as distinções entre a fé e o paga­
nismo, e enfim, destróit> cristianismo.
7.7 Ás três expressões, em conjunto, ensinam claramente
qual é a disposição amorosa de Deus no que diz respeito a
atenderás orações (cf Jo 14.13-14).
7.9 Um estímulo à oração, destinado àqueles que imaginam
que Deus não responderá, ou mesmo atendendo, não conce­
derá a bênção especificamente pedida. Pedra. Semelhante aos
pães orientais, redondos e achatados. Cobra. Semelhante à
enguia, que é comestível.
7.12 Este versículo, originário de Jesus, chama-se "a regra
áurea". Aqui Jesus se ocupa com o nosso procedimento diá­
rio: devemos agir somente em amor (1 Co 13.4—
8), cedendo
ao próximo o que buscamos para nosso próprio bem. Longe
de pagar o mal com o mal, devemos fazer o bem a todos. Foi
assim que Deus respondeu à rebelião dos homens ofere­
cendo-lhes a salvação pela graça (Ef 2.8,9).
1338
As duas estradas
L c 13.24
13 Entrai pela porta estreita (larga é a
porta, e espaçoso, o caminno que conduz para
a perdição, e sao muitos os que entram'
por ela),1
14 porque estreita é a porta, e apertado, o
caminho que conduz para a vida, e são poucos
os que acertam com ela.
Os falsos profetas
15 Acautelai-vos dos falsos profetas, que
se vos apresentam disfarçados em ovelhas,
mas por dentro são lobos roubadores./
16 Pelos seus frutos os conhecereis. Co­
lhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou
figos dos abrolhos?*
17 Assim, toda árvore boa produz bons
frutos, porém a árvore má produz frutos
maus.'
18 Não pode a árvore boa produzir frutos
maus, nem a árvore má produzir frutos bons.
19 Toda árvore que não produz bom fruto
é cortada e lançada ao fogo.m
20 Assim, pois, pelos seus frutos os co-
riihecereis.n
21 Nem todo o que me diz: Senhor, Se­
nhor! entrará no reino dos céus, mas aquele
que faz a vontade de meu Pai, que está nos
céus.0
22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me:
Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós
profetizado ém teu nome, e em teu nome não
expelimos demônios, e em teu nome não fize­
mos muitos milagres?P
MATEUS 7.13
7.13 'Lc 13.24
7.15 (Dt 13.3;
Mq 3.5;
Mc 13.22;
Rm 16.17-18;
Cl 2.8; 2Tm 3.5;
2Pe 2.1-3;
1Jo4.1
7.16 *Mt 7.20
7.17 '|r 11.19
7.19 mMt 3.10;
|o 15.2,6
7.20 "(17-20)
Mt 3.10; 12.33;
Lc 3.9
7.21 »Os 8.2;
Lc 6.46;
Rm2.13
7.22 pNm 24.4;
1Co 13.2
7.23 4SI 6.8
7.24 rLc 6.47
7.28 sMt 13.54;
Lc 4.32
7.29 ((28-29)
Mc 1.22; Lc 4.32
23 Então, lhes direi explicitamente: nunca
vos conheci. Apartai-vos de mim, os que pra-
,ticais a inioüidadeo.
Os dois fundamentos
L c 6 .46-49
24 Todo aquele, pois, que ouve estas mi­
nhas palavras e as pratica será comparado a
um homem prudente que edificou a sua casa
sobre a rocha;r
25 e caiu a chuva, transbordaram os rios,
sopraram os ventos e deram com ímpeto con­
tra aquela casa, que não caiu, porque fora
edificada sobre a rocha.
26 E todo aquele que ouve estas minhas
palavras e não as pratica será comparado a um
homem insensato que edificou a sua casa so­
bre a areia; .................
27 e caiu a chuva, transbordaram os rios,
sopraram os ventos e deram com ímpeto con­
tra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a
sua ruína.
O fim do sermão do monte
28 Quando Jesus acabou de proferir estas
palavras, estavam as multidões maravilhadas
da sua doutrina;5
29 porque ele as ensinava como quem tem
autoridade e não como os escribas.1
A cura de um leproso
M c 1 .4 0-4 4 ; L c 5 .12-14
8
Ora, descendo ele do monte, grandes
multidões o seguiram.
2 E eis que um leproso, tendo-se aproxi-
7.13,14 Porto estreita. jesus chama o caminho para o céu de
"porta estreita" ou "caminho apertado", não porque de Deus
tivesse falta da generosidade de querer salvar a todos
(2 Pe 3.9), mas porque na prática muito poucas pessoas re­
nunciam ao éu-próprio para procurar a Deus. A figura dos
dois caminhos tem sido comum em muitos pensamentos reli­
giosos, desde a época de Sócrates (400 a .C ). Destaca-se em
dois livros cristãos do primeiro século d .C , no Didaquê e na
epístola de Barnabé.
7.15 Acautelai-vos. Não devemos nos impressionar com as
vestes (práticas religiosas) dos falsos profetas (v 15), nem
com aquilo que dizem (21), nem com aquilo que fazem (22);
devem ser julgados apenas pelo critério de jesus, pelos frutos
espirituais se é que realmente os produzem, cf C| 5.22-23. A
marca dos falsos profetas é o interesse egoísta, ao contrário
do Bom Pastor que ama as ovelhas (jo 10.11 -13). No tempo
do NT vieram na forma de judaizantes ou de gnósticos, que
se deduz de, 2 Co 11.13; 1 jo 4.1; 1 Tm 4.1.
7.24,27 A conclusão do Sermão do Monte: 1) Aquele que
ouvè a palavra de jesus e pratica, é como o homem sábio que
edificou a casa (sua vida e suas atividades) sobre a rocha
(Cristo), resistindo assim à ação devastadora do tempo e da
eternidade: as provações, tentaçõesé o julgamento; 2) O que
ouve a palavra de Jesus e não a pratica, é como um insensato
que constrói a casa da sua vida sobre os alicerces humanos do
dinheiro, dá cultura, dos títulos, da fama, da popularidade, os
quais como a areia não resistem à ação demolidora do juízo
final.
7.29 Autoridade. Autoridade cívica e religiosa é justamente o
que os escribas tinham, mas a palavra gr exousia, também
significa "poder sobrenatural" é o que o evangelho tem,
1 Co 2.4-5.
8.1 Descendo. Encerrou-se um dos cinco grandes grupos de
ensinamentos que Mateus ajuntou, nos cap 5 -7 ; os outros
encontram-se nos cap 10,13,18 e 24-25. • N. Hom. A
doença e sua cura, 8.1-4. Os males lamentáveis são físicos e
espirituais. A enfermidade física é uma infelicidade, mas a da
alma envolve pecado, A cura do corpo pode advir de remé-
1339 MATEUS 8.20
mado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quise­
res, podes purificar-me.1
1
3 E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe,
dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente
ele ficou limpo da sua lepra.
4 Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o di­
gas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacer­
dote e fazer a oferta que Moisés ordenouv,
para servir de testemunho ao povo.
8 .2 " Mc 1.40
8.4 "Lv 14.1-32
8.5 wLc 7.1
8.8 *SI 107.20
A cura do criado de um centurião
L c 7.1-10
5 Tendo Jesus entrado em Cafamaum,
apresentou-se-lhe um centurião, implo­
rando: .
8.11 yCn 12.3;
Ml 1.11;
At 10.45; Ef 3.6
6 Senhor, o meu criado jaz em casa, de
cama, paralítico, sofrendo horrivelmente.
7 Jesus lhe disse: Eu irei curá-lo.
8 Mas o centurião respondeu: Senhor, não
sou digno de que entres em minha casa; mas
apenas manda com uma palavra, e o meu ra­
paz será curado.*
9 Pois também eu sou homem sujeito à
autoridade, tenho soldados às minhas ordens
e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e
ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.
10 Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse
aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo
que nem mesmo em Israel achei fé como esta.
11 Digo-vos que muitos virão do Oriente
e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com
Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.7
12 Ao passo que os filhos do reino serão
8.12/(11-12)
Mt 22.13;
25.30;
Lc 13.28-29
8.14
"Mc 1.29-31;
1Co 9.5
8.16 6Mc 1.32
8.17 c|s 53.4
8.19
"Lc 9.57-58
lançados para fora, nas trevasz; ali haverá
choro e ranger de dentes.
13 Então, disse Jesus ao centurião: Vai-te,
e seja feito conforme a tua fé. E, naquela
mesma hora, o servo foi curado.
A cura da sogra de Pedro
M c 1.29-31; L c 4 .38-39
14 Tendo Jesus chegado à casa de Pedro,
viu a sogra deste acamada e ardendo em
febre.0
15 Mas Jesus tomou-a pela mão, e à febre
a deixou. Ela se levantou e passou a servi-lo.
Muitas outras curas ^
Mc 1.32-34; Lc 4.40-41
16 Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos
endemoninhados; e ele meramente com a pa­
lavra expeliu os espíritos e curou todos os que
estavam doentes;b
17 para que se cumprisse o que fora dito
por intermédio do profeta Isaías:
Ele mesmo tomou as nossas enfermidades
e carregou com as nossas doençasc.
Jesus põe à prova os que querem segui-lo
L c 9.57-62
18 Vendo Jesus muita gente ao seu redor,
ordenou que passassem para a outra margem.
19 Então, aproximando-se dele um es­
criba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para
onde quer que fores.d
20 Mas Jesus lhe respondeu: As raposas
têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas
dios ou da intervenção divina, mas os males da alma só po­
dem ser curados pelo sangue de Jesus.
8.4 Moisés ordenou. As leis sobre a lepra (Lv cap 13 e 14)
eram pormenorizadas, e o conceito da quarentena teve seu
início naquela época. A palavra traduzida por "lepra" (heb
çãro'ath) é uma definição genérica de várias desordens na
pele, havendo rara coincidência com o tipo hoje mais cómu-
mente conhecido. Para os hebreus, simbolizava o pecado, por
ser nojento, contagioso e incurável. |esus, ao curá-la, revela
parte da natureza do Seu ministério.
8.5 Um centurião. Oficial do império Romano, comandante
de uma centúria ou destacamento de 100 soldados. O proce­
dimento e a fé que este homem manifestou, provocaram a
admiração de Jesus (10).
8.9 Para o centurião era tão natural Jesus ter plenos poderes
sobre as influências invisíveis do universo, como o era para
um oficial romano ter confiança no cumprimento de suas
ordens.
8.14,15 Esta passagem dos evangelhos indica que Pedro era
casado e que possuía casa, como se vê em Mc 1.29. Paulo
menciona que Pedro levava a esposa nas viagens missionárias
(1 Co 9.5).
8.16 Endemoninhados. Para desafiar o ministério de Jesus, Sa­
tanás lançou uma ofensiva concentrada de forças malignas
(Lc 4.33). Não é valida a idéia que diz que os antigos con­
fundiam doenças com possessão demoníaca, revelando igno­
rância e superstição, A Bíblia define doenças e também é
específica quando se trata de possessão de demônios.
8.17 Para que se cumprisse. Mateus mostra a Jesus Cristo
como o Rei prometido pelas profecias do AT Por isso há tan­
tos textos que vinculam Jesus com as profecias (93 citações).
Isto, porém, não significa que Jesus procurasse profecias do
AT para depois se esforçar para cumpri-las.
8.18-22 Segue-me. A prova de alguém ser discípulo de
Cristo é o fato de segui-IO, procurando executar Sua vontade
(28.20). Sepultar. Cf Lc 9.59,60n.
8.20 O Filho do homem. Título que Jesus aplicou a si mesmo,
cerca de 80 vezes. Não se referia a algum profeta futuro,
como certos judeus imaginavam. A comparação de 16.13-15
com Lc 9.22 mostra que o título pertencia a Jesus. O termo
1340
w
j
t
JÍSÊIB1
8
^ 8:0? . 10 3o
o Filho do Homem não tem onde reclinar a
cabeça.
21 E outro dos discípulos lhe disse: Se­
nhor, permite-me ir primeiro sepultar
meu pai.e
22 Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-
me, e deixa aos mortos o sepultar os seus
próprios mortos.
8.21 e1Rs 19.20
8.24 'Mc 4.37
Jesus acalma uma tempestade
M c 4 .3 5 -4 1 ; L c 8.22-25
23 Então, entrando ele no barco, seus dis­
cípulos o seguiram. ;
. . 24 E eis que sobreveio no mar uma grande
tempestade, de sorte que o barco era varrido
pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia/
25 Mas os discípulos vieram acordá-lo,
clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos!
26 Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que
sois tímidos, homens de pequena fé? E, levan­
tando-se, repreendeu os ventos e o mar; e
fez-se grande bonança.9
27 E maravilharam-se os homens, di­
zendo: Quem é este que até os ventos e o mar
lhe obedecem?
8.28 hMc 5.1
8.34 <
'D
t5.25;
IRs 17.18;
At 16.39
A cura de dois endemoninhados gadarenos
M c 5 .1 -2 0 ; L c 8 .2 6-3 9 ,
9.1 /Mt 4.13
28 Tendo ele chegado à outra margem, à
terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro
dois endemoninhados, saindo dentre os sepul­
cros, e a tal ponto furiosos, que ninguém po­
dia passar por aquele caminho/
29 E eis que gritaram: Que temos nós con­
tigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-
nos antes de tempo?
30 Ora, andava pastando, não longe deles,
uma grande manada de porcos.
9.2 *Mt 8.10;
Lc 5.18
9 .4 /S1139.2;
Mc 12.15
31 Então, os demônios lhe rogavam: Se
nos expeles, manda-nos para a manada de
porcos.
32 Pois ide, ordenou-lhes Jesus. E eles,
saindo, passaram para os porcos; e eis que
toda a manada se precipitou, despenhadeiro
abaixo, para dentro do mar, e nas águas pere­
ceram.
33 Fugiram os porqueiros e, chegando à
cidade, contaram todas estas coisas e o que
acontecera aos endemoninhados.
34 Então, a cidade toda saiu para encon­
trar-se com Jesus; e, vendo-o, lhe rogaram
que se retirasse da terra deles.'
A cura de um paralítico em Cafarnaum
M c 2 .1 -1 2 ; L c 5 .17-26
9 Entrando Jesus mim barco, passou para
o outro lado e foi para a Sua própria
cidade./
• 2 E eis que lhe trouxeram um paralítico
deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus
disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho;
estão perdoados os teus pecados/
3 Mas alguns escribas diziam consigo:
Este blasfema.
4 Jesus, porém, conhecendo-lhes os pen­
samentos, disse: Por que cogitais o mal no
vosso coração?'
5 Pois qual é mais fácil? Dizer: Estão per­
doados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te
e anda?
6 Ora, para que saibais que o Filho do
Homem tem sobre a terra autoridade para per­
doar pecados — disse, então, ao paralítico:
Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua
casa.
7 E, levantando-se, partiu para sua casa.
pode ter dois sentidos: 1) Possivelmente mostra que Jesus era
plenamente humano, o Homem ideal e representante da raça
humana; 2) Mostra claramente, também, que Jesus é o Mes­
sias eterno, vindo do próprio céu, segundo a profecia de
Dn 7.13-14, a qual Jesus aplicava a Si mesmo (26.64). Os
dois sentidos reúnem-se na missão de Jesus, 12 incluindo-se
a parte final desta missão, a futura segunda vinda na qual
Jesus será Juiz do universo (Jo 5.22,27)
8.23-27 Jesus ia atravessando o lago da Galiléia, saindo de
Cafarnaum e indo para Gadara, uma travessia de lOkm. Jesus
dormia, exausto depois de tanto trabalho. A tempestade sú­
bita era típica daquela região. Os pecadores nada conse­
guiam contra ela e despertaram o Mestre, que demonstrou
Sua autoridade sobre as forças da natureza.
8.28-34. Mateus dá um relatório rápido sobre dois endemo­
ninhados. Lucas, como médico que se interessa pelo lado hu­
mano das coisas, dá um relatório completo de um deles,
descrevendo a história da sua doença, e também sua atitude
depois de curado (Lc 8.26-39n). Os materialistas dos nossos
dias, atribuem os sintomas a alguma perturbação mental,
mas muitos têm visto a operação do mundo dos demônios na
época atual.
8.34 Que se retirasse. Jesus foi expulso de Gadara; talvez o
prejuízo material causado pela morte de dois mil porcos era
considerado mais importante do que uma grandiosa obra es­
piritual de libertação (cf Lc 8.32n).
9.1 Sua própria cidade. Cafarnaum (Mc 2.1, e Mt 4.12n).
9 .2-8 Um paralítico. Nesta cura Jesus vence o pecado junta­
mente com a doença; cumpre um ministério integral
(cf Lc5.18-26n).
1341 MATEUS 9.21
8 Vendo isto, as multidões, possuídas de
temor, glorificaram a Deus, que dera tal auto­
ridade aos homens.
9.9 '"Mc 2.14
A vocação de Mateus
Mc 2.13-14; Lc 5.27-28
9.10 "Mc 2.15
9 Partindo Jesus dali, viu um homem
chamado Mateus sentado na coletoria e
disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o
seguiu.™
9.11 o(IO-ll)
Lc 15.1-2
Jesus come com pecadores
Mc 2.15-17; Lc 5.29-32
10 E sucedeu que, estando ele em casa, à
mesa, muitos publicanos e pecadores vieram
e tomaram lugares com Jesus e seus discí­
pulos.”
11 Ora, vendo isto, os fariseus pergunta­
vam aos discípulos: Por que come o vosso
Mestre com os publicanos e pecadores?0
12 Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não
precisam de médico, e sim os doentes.
13 Ide, porém, e aprendeiP o que sig­
nifica:
Misericórdia quero e não holocaustosR;
pois não vim chamar justos, e sim pe­
cadores [ao arrependimento].
Dojejum
Mc 2.18-22; Lc 5.33-39
9.13 pMt 12.7
4Os 6.6
9.14 "Mc 2.18
9.15 s|o 3.29;
ICo 7.5
9.18 'Mc 5.22
14 Vieram, depois, os discípulos de João e
lhe perguntaram: Por que jejuamos nós, e os 9.20 "Mc 5.25
fariseus [muitas vezes], e teus discípulos não
jejuam?r
15 Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso,
estar tristes os convidados para o casamento,
enquanto o noivo está com eles? Dias virão,
contudo, em que lhes será tirado o noivo, e
nesses dias hão de jejuar.s •
16 Ninguém põe remendo de pano novo
em veste velha; porque o remendo tira parte
da veste, e fica maior a rotura.
17 Nem se põe vinho novo em odres ve­
lhos; do contrário, rompem-se os odres, der­
rama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas
põe-se vinho novo em odres novos, e ambos
se conservam.
O pedido de um chefe
Mc 5.21-24a; Lc 8.40-42a
18 Enquanto estas coisas lhes dizia, eis
que um chefe, aproximando-se, o adorou e
disse: Minha filha faleceu agora mesMo; mas
vem, impõe a mão sobre ela, e viverá.f
A cura de uma mulher enferma
Mc 5.24b-34; Lc 8.42b-48
19 E Jesus, levantando-se, o seguia, e
também os seus discípulos.
20 E eis que uma mulher, que durante
doze anos vinha padecendo de uma hemorra­
gia, veio por trás dele e lhe tocou na orla da
veste;“
21 porque dizia consigo mesma: Se eu
apenas lhe tocar a veste, ficarei curada.
9.9 Um homem chamado Mateus. Era publicano, isto é, um
cobrador de impostos. Era desprezado e odiado pelos judeus
em virtude da colaboração com os inimigos romanos. Obti­
nha muito lucro exigindo a mais alta taxa possível. Social­
mente, entre os não religiosos, era um emprego rendoso e de
prestígio. Segue-me. Mateus passou do império romano para
o Reino dos Céus.
9.10 Em casa. Era a casa do próprio Mateus, escritor deste
evangelho, conforme se vê em Lc 5.27 (onde aparece seu
nome israelita, Levij. Publicanos e pecadores. O costume israe­
lita destacava as duas palavras talvez para fazer dos publica­
nos uma classe especial de pecadores.
9.11 Por que come. Os empedernidos judeus quiseram insi­
nuar que esta prova de misericórdia de Cristo era sinal que se
sentia em boa companhia com os pecadores. Eles, com tanto
medo de se deixar contaminar, julgaram estas pessoas como
que sendo desprezadas por Deus. Jesus, a Luz do Mundo,
ilumina sem medo de que as trevas prevaleçam (|o 1.5).
• N. Hom. Jesus conhece os pensamentos dos homens, cf 4
com Lc 7.39-50 e Hb4.13 - "Todas as coisas estão desco­
bertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar
contas".
9.13 Deus prefere ser compassivo em lugar do cumprimento
meticuloso da Lei.
9.14,15 E nesses dias hão de jejuar. Enquanto os crentes
aguardam ansiosos pela segunda Vinda de Cristo, o tempo de
jejum continua (6.16n). Os discípulos de |oão jejuavam, na
esperança de que sua devoção apressaria a vinda do Reino.
9.18 Um chefe. Era chefe da sinagoga, e chamava-se jairo
(Lc 9.41). Minha filha faleceu, Estas palavras refletem a situa­
ção que Lucas, como médico, divide çientificamente em duas
partes: jairo vem pedir em favor da filha que está morrendo
(Lc 8.42), e só depois de ter feito seu pedido, ficou sabendo
que ela morrera nesse meio tempo (Lc 8.49). • N. Hom. Os
milagres de Jesus comprovam Seu poder ilimitado e Sua infi­
nita misericórdia, vencendo doenças e demônios (8.3 e 8.16)
e dominando sobre poderes espirituais e inanimados (8.8
e 8.26-27) em resposta à petição da fé.
9.20 Marcos menciona ainda um pormenor, o de que os mé­
dicos tiraram-lhe todo o dinheiro que ela possuía, sem con­
tudo poderem curá-la; a ética profissional de médico, de
Lucas, que normalmente registrava os pormenores clínicos,
talvez o tenha feito omitir uma referência a esta delicada
questão.
MATEUS 9.22 1342
22 E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse:
Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou. E,
desde aquele instante, a mulher ficou sã.v
A ressurreição dafilha de Jairo
Mc 5.35-43; Lc 8.49-56
23 Tendo Jesus chegado à casa do chefe e
vendo os tocadores de flauta e o povo em
alvoroço, disse:"'
24 Retirai-vos, porque não está morta a
menina, mas dorme. E riam-se dele."
25 Mas, afastado o povo, entrou Jesus, to­
mou a menina pela mão, e ela se levantou.
26 E a fama deste acontecimento correu
por toda aquela terra.
A cura de dois cegos
Tl Partindo Jesus dali, sèguiram-no dois
cegos, clamando: Tem compaixão de nós, Fi­
lho de Davfiy
28 Tendo ele entrado em casa, aproxi­
maram-se os cegos, e Jesus lhes perguntou:
Credes que eu posso fazer isso? Res-
pondetam-lhe: Sim, Senhor!
29 S ti o , lhes tocou os olhos, dizendo:
Faça-ise-’i'os conforme a vossa fé.
30 E .abriram-se-lhes os olhos. Jesus, po­
rém, os advertiu severamente, dizendo: Acau-
telai-vos de que ninguém o saiba.2
31 Saindo eles, porém, divulgaram-lhe a
fama por toda aquela terra.0
9.22 >tc 7.50
9.23
« 2 0 35.25;
Lc 8.51
9.24 *At 20.10
9.27 rMt 15.22;
Lc 18.38-39
9.30 ^Mt 8.4
A cura de um mudo endemoninhado.
A blasfêmia dosfariseus
32 Ao retirarem-se eles, foi-lhe trazido
um mudo endemoninhado.b
33 E, expelido o demônio, falou o mudo;
e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais
se viu tal coisa em Israel!
34 Mas os fariseus murmuravam: Pelo
maioral dos demônios é que expele os de­
mônios.2
9.31 oMc 7.36
Jesus ia por toda partefazendo o bem.
A seara e os trabalhadores
9.32 6Mt 12.22
9.34 c(32-34)
Mt 10.25;
12.22-24;
Mc 3.22;
Lc 11.14-15
9.35 dMt 4.23;
Mc 1.39; Lc 4.44
9.36
«1RS 22.17;
2Cr 18.16;
Mc 6.34
9.37 Ur 10.2
35 E percorriad Jesus todas as cidades e
povoados, ensinando nas sinagogas, pregando
o evangelho do reino e curando toda sorte de
doenças e enfermidades.
36 Vendo ele as multidões, compadeceu-
se delas, porque estavam aflitas é exaustas
como ovelhas que não têm pastore.
37 E, então, se dirigiu a seus discípulos: A
seara, na verdade, é grande, mas os trabalha­
dores são poucos/
38 Rogai, pois, ao Senhor da seara que
mande trabalhadores para a sua seara.9
A escolha dos doze apóstolos.
Os seus nomes
Mc 3.13-19; Lc 6.12-16
9.38 9(37-38)
Lc10.2
Tendo chamado os seus doze discí­
pulos, deu-lhes Jesus autoridade so-
9.22 A tua fé te salvou. Deus, através de Cristo, está sempre
pronto para agir, restando somente o ser humano crer para
receber. O verbo grego sõzein significa tanto salvar como cu­
rar. É restaurar e restabelecer totalmente. Decerto esta mulher
recebeu também a cura da alma.
9.23 Tocadores de flauta. Estes, juntamente com as carpidei­
ras, eram profissionais que acompanhavam os enterros; essas
lamentações não eram sertão mercenárias, o que se revela
pelo tom de zombaria qué adotaram para com Jesus. Ele res­
suscitou a menina com a mesma ternura com a qual sua mãe
a despertaria cada manhã (Mc 5.41).
9.27-31 Os dois cegos: 1) Seguiram a Jesus; 2) Fizeram-lhe
um pedido; 3) Persistiam no pedido; 4) Creram em Jesus e no
seu poder; 5) Receberam a cura de acordo com a fé indivi­
dual de cada um; 6) Deixaram de obedecer a Jesus numa
coisa. Este último passo é a falta em que muitos incorrem, ao
buscar o auxílio de Jesus.
9.27 Filho de Davi. É um título messiânico (2 Sm 7.12-16;
Lc 1.32; Rm 1.3). ,
9.28 Senhor. Gr kurios, às vezes um termo de cortesia em
relações humanas como em Mt 6.24; 15.27; Ef 6.9; e às vezes
usado como tradução da palavra hebraica yhwh "Senhor",
o nome de Deus aplicado a Jesus (Êx 6.2,3; Mt 22.43-45;
Jn 20.28). Estes cegos, porém, estavam ainda incertos quanto
ao pleno sentido da palavra quando a aplicaram a Jesu
(At 2.21, Rm 10.9,13).
9.32 Mudo. Gr kõphos, que significa "embotado", aplica-s*
às capacidades de falar, ouvir, ver e compreender; o contexto
(cf "falou" v 33), revela a interpretação da palavra. Aqui era
obra de demônios.
9.37 Os trabalhadores sõo poucos. Para todas as carreiras tá
concorrências entre os homens. Há milhares de excedentes
procurando vagas nas universidades, mas para o ministério, a
mais urgente de todas as vocações, poucas pessoas se ofe­
recem.
9.38 Rogai. O assunto do ministério pertence especialmerto
a Deus, e deve ser motivo de muitas orações, pois não baáa
uma pessoa querer, ou gostar. É necessária uma vocação i
vina, e está condicionada à comunhão com Deus pela oração
a qual nenhuma eficiência eclesiástica pode substituir. Mandfc
Gr ekbalein, "lançar para longe", "expulsar", "mandar co »
energia". Dá a idéia da dinâmica e da urgência da m issã
cristã (cf Ef 4.11,12).
10.1 Deu-lhes autoridade. Concedeu algo do Seu poder »■
brenatural para vencer as forças do maligno, cf notas 7 J ft
28.18-20; Lc 9.1.
1343 MATEUS 10.25
bre espíritos imundos para os expelir e para
curar toda sorte de doenças e enfermidades.h
2 Ora, os nomes dos doze apóstolos são
estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro,
e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu,
e João, seu irmão;'
3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o
publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
4 Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que
foi quem o traiu./
As instruções para os doze
Mc 6.7-11; Lc 9.1-5
5 A estes doze enviou Jesus, dando-lhes
as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos
gentios, nem entreis em cidade de samari-
tanos;*
6 mas, de preferência, procurai as ovelhas
perdidas da casa de Israel;'
7 e, à medida que seguirdes, pregai que
está próximo o reino dos céus.™
8 Curai enfermos, ressuscitai mortos, pu­
rificai leprosos, expeli demônios; de graça re­
cebestes, de graça dai."
9 Não vos provereis de ouro, nem de
prata, nem de cobre nos vossos cintos;0
10 nem de alforje para o caminho, nem de
duas túnicas, nem de sandálias, nem de bor­
dão; porque digno é o trabalhador do seu ali-
mentoP.
11 E, em qualquer cidade ou povoado em
que entrardes, indagai quem neles é digno; e
aí ficai até vos retirardes.<
? ‘
12 Ao entrardes na casa, saudai-a;
13 se, com efeito, a casa for digna, venha
sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for,
tome para vós outros a vossa paz/
14 Se alguém não vos receber, nem ouvir
as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou
daquela cidade, sacudi o pós dos vossos pés.
to .i
SMc 3.13-14
10.2'|o 1.42
10.4/Lc 6.15;
At 1.13
10.5
*2Rs 17.24;
Jo4.9,20
10.6 'Is 53.6;
Ez 34.5-6,16;
At 13.46;
IPe 2.25
10.7 mMt 3.2
10.8 "At 8.18
10.9 o1Sm 9.7;
U9.3
10.10
f>1Co 9.14;
ITm 5.18
10.11 íLclO.8
10.13 'SI 35.13
10.14 sAt 13.51
10.15
(M tl 1.23-24
"Gn 19.24-28
"(5-15)
Lc 10.1-12
10.16 wtx. 10.3;
1Co 14.20;
Ef 5.15
10.17 *Mt 24.9;
Lc 12.11
10.18 yAt 12.1;
2Tm4.16
10.19 zÊx 4.12;
Mc 13.11-13
10.20
°2Sm 23.2;
2Tm4.17
10.21 6Mq 7.6;
Lc 21.16
10.22
cDn 12.12-13;
Mc 13.13
10.23 9Mt 2.13
10.24 «te 6.40
f)o 13.16; 15.20
15 Em Verdade vos digo que menos ri­
gor' haverá para Sodoma e Gomorra“, no
Dia do Juízo, do que para aquela cidade/
16 Eis que eu vos envio como ovelhas
para o meio de lobos; sede, portanto, pruden­
tes como as serpentes e símplices como as
pombas."'
17 E acautelai-vos dos homens; porque
vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão
nas suas sinagogas/
18 por minha causa sereis levados à pre­
sença de governadores e de reis, para lhes
servir de testemunho, a eles e aos gentios/
19 E, quando vos entregarem, não cuideis
em Como ou o que haveis de falar, porque,
naquela hora, vos será concedido o que haveis
de dizer/
20 visto que não sois vós os que falais,
mas o Espírito de vosso Pai, é quem fala
em vós.0
21 Um irmão entregará à morte outro ir­
mão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se
levantarão contra os progenitores e- os
matarão/
22 Sereis odiados de todos por causa do
meu nome; aquele, porém, que perseverar até,
ao fim, esse será salvo.c '
23 Quando, porém, vos perseguirem numa
cidade, fugi para outra; porque em verdade
vos digo que não acabareis de percorrer as
cidades de Israel, até que venha o Filho do
H om em /
Os estímulos
24 O discípulo* não está acima do seu
mestre, nem o servo', acima do seu senhor.
25 Basta ao discípulo ser como o seu mes­
tre, e ao servo, como o seu senhor. Se chama-
10.2 Apóstolos. "Enviados", cf 4.18-22n. É a primeira vez
que esta palavra ocorre na Bíblia. A lista dos doze deve ser
comparada com a dos demais evangelhos, e com At 1.13
para se notar diferenças nos nomes e na ordem dos mesmos.
10.9-11 Estes versículos ensinam o servo de Cristo a tomar
uma atitude de fé com a obra missionária, aceitando as condi­
ções de vida que Cristo e a comunidade dos fiéis lhe ofere­
ceram.
10.14 Sacudi o pó. Os judeus, sob o domínio romano, desen­
volveram um costume de afastar, de maneira mais dramática
e completa, qualquer contato com os não judeus, conside­
rando o próprio pó dos seus pés imundo como a putrefação
da morte, jesus ordena que seus apóstolos usem desse cos­
tume para com os próprios judeus, caso necessário, a fim de
causar impacto aos rebeldes e duros de coração. Seriam, por
isso perseguidos, maltratados, presos e interrogados, porém o
Espírito Santo falaria por eles, e o evangelho causaria grande
revolução, até sair-se vitorioso. A obra a ser feita em meio às
perseguições, éra pregar o reino de Deus, confirmando-o
pela cura de enfermos, ressuscitando os mortos, purificando
leprosos, expulsando demônios, e tudo pela graça de
Cristo (5 -8 ).
10.25 Belzebu. Nome antigo de algum ídolo dos cananeus,
que depois se tornou o nome de um demônio principal, ao
qual os fariseus chegaram a atribuir a obra divina e sobrenatu­
ral de jesus, como se vê em 9.34 e 12.24, cf Lc 10.15n.
MATEUS 10.26 1344
ram BelzebuS ao dono da casa, quanto mais
aos seus domésticos?
26 Portanto, não os temais; pois nada há
encoberto, que não venha a ser reveladoó;
nem oculto, que não venha a ser conhe­
cido.
27 O que vos digo às escuras, dizei-o a
plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, pro­
clamai-o dos eirados.
28 Não temais os que matam o corpo e
não podem matar a alma; temei, antes, aquele
que pode fazer perecer no inferno tanto a
alma como o corpo.'
29 Não se vendem dois pardais por um
asse? E nenhum deles cairá em terra sem o
consentimento de vosso Pai.
30 E, quanto a vós outros, até os cabelos
todos da cabeça estão contados.!
31 Não temais, pois! Bem mais valeis vós
do que muitos pardais.
32 Portanto, todo aquele que me confessar
diante dos homens, também eu o confessarei
diante de meu Pai, que está nos céus;*
33 mas aquele que me negar' diante dos
homens, também eu o negarei diante de meu
Pai, que está nos céus. -
As dificuldades
i 34 Não penseis que vim trazer paz à terra;
não vim trazer paz, mas espada.m
10.25
SMt 9.34;
12.24; Mc 3.22;
Lc 11.15
10.26
!>Mc4.22;
Lc 8.17
10.28
ris 8.12-13;
IPe 3.14
10.30
/ISm 14.45;
2Sm 14.11;
At 27.34
10.32 Hc 12.8;
Ap 3.5
10.33
'2Tm2.12
10.34 .
">Lc 12.49
10.35 "Mq 7.6
10.36 o(35-36)
Mq 7.6
10.37 pLc 14.26
10.38
íMt 16.24;
Lc 9.23
10.39
rLc 17.33;
|o 12.25
J(38-39)
Mt 16.24-25;
Mc 8.34-35;
Lc 9.23-24;
17.33; |o 12.25
10.40
(Lc 10.16;
]o 13.20
oMc9.37;
Lc9.48
35 Pois vim causar divisão entre o homem
e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora
e sua sogra."
36 Assim, os inimigos do homem serão os
da sua própria casa.0
37 Quem ama seu pai ou sua mãe mais do
que a mim não é digno de mim; quem ama
seu filho ou sua filha mais do que a mim não
é digno de mim;P
38 e quem não toma a sua cruz e vem após
mim não é digno de mim.9
39 Quem acha a sua vida perdê-la-ár;
quem, todavia, perde a vida por minha causa
açhá-la-á.5
As recompensas
40 Quem vos recebe a mim me recebe';
e quem me recebe recebe aquele“ que me
enviou.
41 Quem recebe um profeta, no caráter de
profeta, receberá o galardão de profeta; quem
recebe um justo, no caráter de justo, receberá
o galardão de justo.v
42 E quem der a beber, ainda que seja um
copo de água fria, a um destes pequeninos,
por ser este meu discípulo, em verdade vos
digo que de modo algum perderá o seu ga­
lardão."
10.41 v1Rs 17.10; 2Rs4.8 10.42 »Mt 8.5-6; Hb6.10
10.28 Perecer. O castigo eterno; afastado de Deus; a fonte da
vida.
10.29 Pardais. Cr strouthion lit "passarinho", um diminutivo
afetuoso como seria o feminino "pardoca", uma nota de ter­
nura para com algo de mínimo valor comercial; esta compai­
xão divina nos consola muito. Asse, moeda equivalente a
meia hora de serviço baseado no "salário mínimo" da época.
10.30,31 Até os cabelos. Á providência divina valoriza o
homem. ‘
10.32-36 O capítulo inteiro, e este trecho especialmente,
projeta uma nota de urgência na mensagem de Cristo, mos­
trando que é exclusiva na sua situação e nos seus resultados,
que é eterna na sua duração e no seu propósito, e que é
dogmática quanto ao caráter único e insubstituível da pessoa
de Cristo. O cristianismo moderno, como tem sido superficial,
está longe de arcar com as exigências desta mensagem.
10.34 Não vim trazer paz. "Paz" no sentido de comodismo,
ócio e ausência de lutas, jesus não trará, enquanto o mundo
não estiver em comunhão com Deus. A paz verdadeira de
espírito para o crente que está em comunhão com Deus, é
sua herança legada por Cristo ( jo 14.27).
10.35 Nora. Cr numphé, lit "noiva", "esposa", que no caso
seria levada para morar na casa do marido com seus sogros.
Se ela se achega mais a Cristo do que a seus sogros, logo as
relações no lar se deterioram. • N. Hom. Confissão ou nega­
ção de Cristo. Toda pessoa chega a tomar uma atitude ou
outra (Mt 12.20). Há vários modos de confessá-lo, recebendo
dEle uma missão (10.5-7), ajudando os Seus servos (10.11),
testificando publicamente de Cristo (10.32). Para negar a
Cristo, pode-se recusar a aceitação de Seus obreiros (10.14),
persegui-los (17-23), ou falar publicamente contra Ele (33).
10.37 Não é necessário abandonar os parentes para seguir a
jesus, mas se estes forem um empecilho para o crente livre­
mente servi-lo, deve-se dar a Cristo a preeminência.
10.38 Tomo a sua cruz. Não é procurando p sofrimento, mas
é vivendo tão-somente para Cristo ao ponto de se enfrentar
as conseqüências. O criminoso romano carregava a cruz para
o lugar da execução. O crente salvo por Cristo carrega con­
sigo a mesma cruz: a renúncia de si mesmo para servir unica­
mente a Cristo, mesmo até à morte (Gl 2.20),
10.39 Um dos paradoxos de Jesus. Quem se dedica à busca
das vantagens da vida terrestre, perde a vida eterna conce­
dida em Cristo (2 Co 5.17).
10.40-42 Quem vos. recebe, jesus promete recompensar a
todo e qualquer esforço que fizermos em favor do seu Reino,
não se esquecendo dos que assim Q servem (1 Co 15.58;
Cl 6.9; Mt 25.35-36). .
1345 MATEUS 11.21
Jesus prega nas cidades
n
Ora, tendo acabado Jesus de dar estas
instruções a seus doze discípulos,
partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades
deles.
João envia mensageiros a Jesus
L c 7.18-23
2 Quando João ouviu, no cárcere, falar das
obras de Cristo, mandou por seus discípulos
perguntar-lhe:*
3 És tu aquele que estava para vir ou have­
mos de esperar outro?/
4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e
anunciai a João o que estais ouvindo e vendo:
5 os cegos* vêem, os coxos andam, os
leprosos são purificados, os surdos ouvem, os
mortos são ressuscitados, e aos pobres está
sendo pregado o evangelho0.
6 E bem-aventurado é aquele que não
achar em mim motivo de tropeço.b
Jesus dá testemunho de João
L c 7.24-35
7 Então, em partindo eles, passou Jesus a
dizer ao povo a respeito de João: Que saístes
a ver no deserto? Um caniço agitado pelo
vento?*
8 Sim, que saístes a ver? Um homem ves­
tido de roupas finas? Ora, os que vestem rou­
pas finas assistem nos palácios reais.
9 Mas para que saístes? Para ver um pro­
feta? Sim, eu vos digo, e muito mais que
profeta.d
10 Este é de quem está escrito:
11.2*Mt14.3
11.3 rGn 49.10;
Dn 9.24
11.5 zls 35.5-6
ais 61.1
11.6
bis 8.14-15;
Rm9.32-33;
1Co 1.23;
1Pe 2.8
11.7 T c 7.24
11.9 °Mt 14.5
11.10'Ml 3.1
11.12'Lc16.16
11.13 9(12-13)
Lc 16.16
11.146MI 4.5;
Mt 17.10-13;
Mc 9.11-13
11.15 'Mt 13.9;
Ap 2.7,11,17,29
11.16/Lc 7.31
11.19 LMt 9.10
11.20 'Lc 10.13
Eis aí eu envio diante da tua face o meu
mensageiro, o qual preparará o teu ca­
minho diante de tie.
11 Em verdade vos digo: entre os nascidos
de mulher, ninguém apareceu maior do que
João Batista; mas o menor no reino dos céus
é maior do que ele.
12 Desde os dias de João Batista até
agora, o reino dos céus é tomado por esforço,
e os que se esforçam se apoderam dele.f
13 Porque todos os Profetas e a Lei profe­
tizaram até João.9
14 E, se o quereis reconhecer, ele mesmo
é Eliash, que estava para vir.
15 Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.'
16 Mas a quem hei de comparar esta gera­
ção? É semelhante a meninos que, sentados
nas praças, gritam aos companheiros:/
17 Nós vos tocamos flauta,
e não dançastes;
entoamos lamentações,
e não pranteastes.
18 Pois veio João, que não comia nem be­
bia, e dizem: Tem demônio!
19 Veio o Filho do Homem, que come e
bebe, e dizem; Eis aí um glutão e bebedor de
vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas
a sabedoria é justificada por suas obras.k
Ai das cidades impenitentes!
L c 10.13-15
20 Passou, então, Jesus a increpar as cida­
des nas quais ele operara numerosos milagres,
pelo fato de não se terem arrependido:1
21 Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida!
11.2 No cárcere. |oão Batista estava encarcerado em Maque-
ros, fortaleza inóspita nas proximidades do mar Morto.
11.3 És tu aquele que estava para vir? João quis certificar-se,
antes de morrer, de que Jesus era realmente o Messias. Talvez
a hora da pergunta revele que João conservava uma leve es­
perança que Jesus seria o Messias que o povo esperava, des­
truindo os romanos e libertando os fiéis pela força das armas.
Aliás, Jesus e |oão evitaram usar a palavra "Messias" que os
próprios ouvintes poderiam interpretar como a declaração da
vinda do libertador militar nacionalista.
11.12 Se apoderam. Cf harpazein, "apanhar", "agarrar", "ar­
rebatar", usando também para expressar a ação dos ladrões.
Aqui representa a maneira corajosa e resoluta dos fiéis, de
aceitar para si o Reino que Deus lhes oferece, vencendo, pela
fé e pelo poder de Cristo, qualquer oposição do mundo exte­
rior, ou de tentação íntima (Lc16.16n). Pode-se interpretar
como uma referência à violência de certos judeus que pensa­
ram em estabelecer o reino pela força bélica (como era o caso
dos zelotes).
11.7-19 A respeito de João. Quando os discípulos de João se
retiraram, Jesus começou a descrever a pessoa, a missão e a
obra de |oão: 1) O maior entre todos os mortais; 2) Suas ves­
tes características; 3) Um profeta em termos de Ml 3:1; 4) O
fim de uma época. João tinha chegado ao ponto culminante
dos profetas, pois Jesus, o Alvo das profecias, estava perante
seus olhos. Qualquer crente seria maiór do que |oão, pois
veria a culminação de Cristo, participando nos seus bene­
fícios.
11.20 increpar. Gr oneidisein, lit "Lançar em rosto" ou "re­
preender". Revelou tudo quanto foi feito para estas cidades,
milagres portentosos, que serviam como prova da missão to­
tal de Cristo, a não ser para aqueles que de modo nenhum
queriam ser levados ao arrependimento. • N. Hom. Três ver­
dades do evangelho: 1) Produz revolução no seio das famílias
(10.34-37); 2) Exige plena dedicação dos seus seguidores
(1 0 .9-1 1 ; 22-23,37); 3) Sempre traz sua recompensa
(10 .32 -3 3,4 0 -42 ).
11.21 Corazim.. . Betsaida.. . Cafarnaum. Três cidades locali-
MATEUS 11.22 1346
Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem
operado os milagres que em vós se fizeram,
há muito que elas se teriam arrependido com
pano de saco e cinza.m
22 E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo,
haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que
para vós outras."
23 Tu, Cafamaum, elevar-te-ás, porven­
tura, até ao céu°? Descerás até ao inferno;
porque, se em Sodoma se tivessem operado
os milagres que em ti se fizeram, teria ela
permanecido até ao dia de hoje.
24 Digo-vos, porém, que menos rigor ha­
verá, no Dia do Juízo, para com a terra de
Sodoma do que para contigo.P
Jesus, o Salvador dos humildes
L c 10.21-22
25 Por aquele tempo, exclamou Jesus:
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque ocultaste estas coisas aos sábios e ins­
truídos e as revelaste aos pequeninos.'?
26 Sim, ó Pai, porque assim foi do teu
agrado.
27 Tudo me foi entregue' por meu Pai.
Ninguém conhece o Filho, senão o Pais; e
ninguém conhece o Pai, senão o Filho e
aquele a quem o Filho o quiser revelar.
11.21
mJoh 3.7-8
11.22 "(21-22)
Is 23.1-18;
Ez 26.1-28.26;
Jl 3.4-8;
Am 1.9-10;
Zc 9.2-4
11.23
ols 14.13-15
11.24p(23-24)
Gn 19.24-28;
Mt 10.15;
Lc 10.12
11.25 9SI 8.2;
Lc 10.21;
1Co 1.19,27;
2Co 3.14
11.27 r|o 3.35
sjo 10.15
11.29 íjr 6.16;
Jo 13.15; 1)0 2.6
11.30 uljo 5.3
12.1 *0123.25
12.3
»ISm 21.1-6
12.4 «Lv 24.9
12.5
yNm 28.9-10
Vinde a mim 12.6 *2Cr 6.18
28 Vinde a mim, todos os que estais can­
sados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
12.7 oMt9.l3
t>Os 6.6
29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei
de mim, porque sou manso e humilde de cora­
ção; e achareis descanso para a vossa alma.'
30 Porque o meu jugo é suave, e o meu
fardo é leve."
Jesus é senhor do sábado
M c 2 .2 3 -2 8 ; L c 6 .1 -5
Por aquele tempo, em dia de sábado,
passou Jesus pelas searas. Ora, es­
tando os seus discípulos com fome, entraram
a colher espigasse a comer.
2 Os fariseus, porém, vendo isso, disse­
ram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o
que não é lícito fazer em dia de sábado.
3 Mas Jesus lhes disse: Não lestes o que
fez Davi”' quando ele e seus companheiros
tiveram fome?
4 Como entrou na Casa de Deus, e come­
ram os pães da proposição, os quais não lhes
era lícito" comer, nem a ele nem aos que com
ele estavam, mas exclusivamente aos sacer­
dotes?
5 Ou não lestes na Lei que, aos sábados,
os sacerdotes no templo violam o sábado/ e
ficam sem culpa? Pois eu vos digo:
6 aqui está quem é maior que o templo."
7 Mas, se vós soubésseis0 o que significa:
Misericórdia quero e não holocaustos*,
não teríeis condenado inocentes.
8 Porque o Filho do Homem é senhor do
<
31:
sábado..
zadas na banda noroeste do mar da Galiléia, sobre as quais
pouco sabemos, a não ser que rejeitaram a mensagem de
Cristo, precedendo, em sua rejeição, à dos judeus.
11.24 Menos rigor. Não que Sodoma fosse menos pecadora
do que as cidades mencionadas: apenas não teve as mesmas
oportunidades que estas. .........
11.25 Graças te dou. Jesus dava graças pela misericórdia de
Deus, em revelar as verdades eternas para os simples, jesus
não condena ao intelecto, mas sim ao orgulho intelectual.
Sem humildade, o evangelho não tem acesso ao coração.
Sábios e instruídos. Seriam os doutores da Lei e os escribas que
orgulhavam-se do seu profundo estudo e conhecimento do
AT, mas que não foram capazes de reconhecer quem era Je­
sus. Pequeninos. São os discípulos que, pela fé, perceberam a
verdade acerca de Cristo (M t 16.16ss). Estas coisas. Referem-
se aos "mistérios do Reino" (13.11).
11.27 Estas palavras de Jesus formam sua maior reivindica­
ção. Ele afirma categoricamente que só Ele conhece verdadei­
ramente a Deus, e Ele é o único que pode revelá-lo (Jo 1.18;
14.9s).
11.28-30 Sobrecarregados. Os que levam o fardo dos fari­
seus, as exigências da lei e as tradições para serem salvos
(Mt 23.4). jugo. Os rabinos fariseus usaram a metáfora do
"jugo da lei". • N. Hom. "Vinde a mim". 1 )0 convite é para
todos; 2) O convite é para vir a |esus sem intermediários;
3) O convite é para os aflitos; 4) O convite oferece alívio à
alma; 5) O convite é para se rejeitar o jugo cruel do mundo
e do pecado, e para receber o suave de Cristo (é suave por­
que Cristo carrega o peso por nós); 6) O convite oferece-nos
descanso espiritual num Mestre verdadeiramente misericor­
dioso. • N. Hom. As maravilhas de Jesus: 1) O convite de
Jesus; 2) O alívio de Jesus; 3) O descanso de jesus; 4 ) O jugo
de Jesus; 5) O fardo de Jesus; 6) A paz de Jesus. Assim como
a pomba de Noé encontrou, na arca, o descanso que não
existia fora, assim o crente encontra, no Senhor Jesus, des­
canso e paz para o seu coração (Rm 5.1).
12.1-8 Entraram a colher, espigas. Seguindo a Jesus pelos
campos de trigo, os discípulos usufruíram do mesmo direito
que os transeuntes, comendo para satisfazer a fome, sem le­
var nada consigo (Dt 23.25). Segundo os fariseus, debulhar
era um tipo de trabalho proibido no sábado (Lc 6.1). Jesus
mostra, por exemplo histórico, que fazer o serviço de Deus
supera as regras religiosas. Jesus declara Sua igualdade a Deus
quando reivindica ser o Senhor do sábado (8; cf Jo 5.17). O
sábado foi dado ao homem para seu bem e não para preju­
dicá-lo (12). Veja Lc 6.4n.
1347 MATEUS 12.31
0 homem da mão ressequida
Mc 3.1-6; Lc 6.6-11
9 Tendo Jesus partido dali, entrou na sina­
goga deles.c
10 Achava-se ali um homem que tinha
uma das mãos ressequida; e eles, então, com
o intuito de acusá-lo, perguntaram a Jesus; É
lícito curar no sábado?d
11 Ao que lhes respondeu; Qual dentre
vós será o homemc que, tendo uma ovelha, e,
num sábado, esta cair numa cova, não fará
iodo o esforço, tirando-a dali?
12 Ora, quanto mais vale um homem que
■ma ovelha? Logo, é lícito, nos sábados, fazer
o bem.
13 Então, disse ao homem: Estende a
mão. Estendeu-a, e ela ficou sã como a outra.
14 Retirando-se, porém, os fariseus, cons-
psavam contra ele, sobre como lhe tirariam a
n á ã .f
12.10 4Lc 13.14
12.11 eLc 14.5
12.14'Mt 27.1;
Lc6.ll
12.15
sMt 10.23
12.16 6Mt 9.30
12.18 >
ls42.1
12.217(18-21)
Is 42.1-4
Jaus se retira
15 Mas Jesus, sabendo disto, afastou-se
dali. Muitos o seguiram, e a todos ele curou,9
16 advertindo-lhes, porém, que o não ex­
pusessem à publicidade,
17 para se cumprir o que foi dito por inter­
médio do profeta Isaías:
18 Eis aqui o meu servo, que escolhi, o
meu amado, em quem a minha alma se
compraz. Farei repousar sobre ele o
meu Espírito, e ele anunciará juízo aòs
gentios.'
19 Não contenderá, nem gritará, nem al­
guém ouvirá nas praças a sua voz.
20 Não esmagará a cana quebrada, nem
12.22 kMt 9.32;
Lc 11.14
12.24 '(22-24)
Mt 9.34; 10.25
12.25 ">Mt 9.4;
Ap 2.23
12.28 "Dn 2.44
12.29 oIs 49.24
12.30 pMc 9.40
apagará a torcida que fumega, até que
faça vencedor o juízo.
21 E, no seu nome, esperarão os gentiosJ
A cura de um endemoninhado
cego e mudo. A blasfêmia dosfariseus.
Jesus se defende
M c 3 .2 2-3 0 ; L c 11.14-23
22 Então, lhe trouxeram um endemoni­
nhado, cego e mudo; e ele o curou, passando
o mudo a falar e a ver.*
23 E toda a multidão se admirava e dizia:
E este, porventura, o Filho de Davi?
24 Mas os fariseus, ouvindo isto, murmu­
ravam: Este não expele demônios senão pelo
poder de Belzebu, maioral dos demônios.1
25 Jesus, porém, conhecendo-lhes os pen­
samentos, disse: Todo reino dividido contra si
mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa
dividida contra si mesma não subsistirá."1
26 Se Satanás expele a Satanás, dividido
está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o
seu reino? ,
27 E, se eu expulso demônios por Bel­
zebu, por quem os expulsam vossos filhos?
Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes.
28 Se, porém, eu expulsò demônios pelo
Espírito de Deus, certamente é chegado o
reino de Deus sobre vós.n
29 Ou como pode alguém entrar na casa
do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro
amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa.°
30 Quem não é por mimP é contra mim;
e quem comigo não ajunta espalha.
31 Por isso, vos declaro: todo pecado e
blasfêmia serão perdoados aos homens; más
*214 Já no meio do seu ministério surge a ameaça contra a
â fe de jesus.
1216 Publicidade. Muitos quiseram ouvir histórias de maravi-
■
b e milagres; outros quiseram se beneficiar com eles, mas
pncos quiseram ouvir e obedecer à mensagem espiritual de
ia is . Esta implica que suas vidas deveriam ser totalmente
Miçformadas. Jesus queria evitar um movimento popular
«■rente naquela época de que ele, Jesus, cumpriria a espe-
raça de um Messias militar.
0 .18-21 A vida de Jesus estava dentro da vontade de Deus,
£ «pressa peio profeta Isaías (42.1-4). Vemos aqui, que |e-
■X tendo assumido a forma humana, soube tratar as pessoas
n m misericórdia, como se estas fossem caniços que se que-
fcnriam ao mais leve toque, ou como pavios que, emitindo
ma fraca centelha, apagar-se-iam com a maior facilidade.
O 23 filho de Davi. Um título do Messias, cf 2 Sm 7.12-16;
* 2 2 . . ■ .
B 2 4 -2 9 Os fariseus, rejeitando a todas as provas que Jesus
operava ao manifestar obras divinas, atribuíam-nas a Belzebu
(cf as notas de 10.15 e de 11.31 -32). Lançaram mão da calú­
nia e da perfídia, mas Jesus, com lógica clara e objetiva,
demonstrou estar destruindo, e não construindo, ao impé­
rio maligno (1 Jo 3.8). Casa do Valente. Cf Is 49.24-26;
Lc 11.21n.
12.30 Não há neutralidade em assuntos religiosos. Quem
não serve a Cristo, está servindo ao diabo e curva-se ao seu
jugo.
12.31,32 Blasfêmia contra Q íspírito. 1) Rejeitar as mais claras
provas de que as obras de Jesus que revelam a aproximação
do Reino de Deus, foram feitas pelo poder do Espírito Santo;
2) Alegar que pertencem ao diabo. É sinal de endurecimento
tão completo, ao ponto de não existir nenhuma esperança de
arrependimento e conversão (cf Hb 6.4-6; 10.26-31); o pe­
cador torna-se incapaz de reconhecer ou distinguir entre o
divino e o diabólico.
MATEUS 12.32 1348
a blasfêmia contra o Espírito não será per­
doada.9
32 Se alguém proferir' alguma palavra
contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso per­
doado; mas, se alguém falar contra o Espírito
Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste
mundo nem no porvir.
Arvores e seusfrutos
1 x6 .4 3 -4 5
33 Ou fazei a árvore5 boa e o seu fruto
bom ou a árvore má e o seu fruto mau; porque
pelo fruto se conhece a árvore.
34 Raça de víboras', como podeis falar
coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala
do que está cheio o coração.
35 O homem bom tira do tesouro bom
coisas boas; mas o homem mau do mau te­
souro tira coisas más.
36 Digo-vos que de toda palavra frívola
que proferirem os homens, dela darão conta
no Dia do Juízo;
37 porque, pelas tuas palavras, serás justi­
ficado e, pelas tuas palavras, serás con­
denado.
O sinal de Jonas
L c 11.29-32
12.31
9Mc 3.28;
At 7.51; 1Jo 5.16
12.32 rMc 3.29;
Lc 12.10
12.33
sMt 7.17-20
12.34
'Mt 15.18
12.38
uMt 16.1;
Lc 11.16,29;
ICo 1.22
12.39 ris 57.3;
Mc 8.38
12.40 "In 1.17
12.41 *|n 3.5
12.42
ylRs 10.1-10;
209.1-12
*(38-42)
Mt 16.1-4;
Mc 8.11-13;
Lc 12.54-56
38 Então, alguns escribas e fariseus repli­
caram: Mestre, queremos ver de tua parte al­
gum sinal.“
39 Ele, porém, respondeu: Uma geração
má e adúltera pede um sinal; mas nenhum
12.43 0jó 1.7;
1Pe 5.8
12.45 6Hb 6.4;
2Pe 2.20-22
sinal lhe será dado, senão o do profm
Jonas.1
'
40 Porque assim como esteve Jonaswtrês-
dias e três noites no ventre do grande petic
assim o Filho do Homem estará três dias e
três noites no coração da terra.
41 Ninivitas se levantarão, no Juízo, coa
esta geração e a condenarão; porque se arre­
penderam com a pregação de Jonas-*. E e»
aqui está quem é maior do que Jonas.
42 A rainha do Suit se levantará, tm
Juízo, com esta geração e a condenará; par­
que veio dos confins da terra para ouvir i
sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem i
maior do que Salomão.*
A estratégia de Satanás
L c 11.24-26
43 Quando o espírito imundo sai do ho­
mem, anda por lugares áridos procurando re­
pouso, porém não encontra.“
44 Por isso, diz: Voltarei para minha ca»
donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia,
varrida e ornamentada.
45 Então, vai e leva consigo outros se*e
espíritos, piores do que ele, e, entrando, bato­
tam ali; e o último estado daquele homem
toma-se pior do que o primeiro. Assim tam­
bém acontecerá a esta geração perversa.6
A família de Jesus
M c 3 .3 1 -3 5 ; L c 8.19-21
46 Falava ainda Jesus ao povo, e eis que
12.34 A boca fala. A blasfêmia dos fariseus é a prova de sua
maldade. O caráter do homem é revelado através de suas
palavras (Tg 3.2).
12.36,37 Palavra frívola. Nossas palavras pesam na balança
(Pv 18.21).
12.38 Sinal. Há três palavras gregas para designar milagres:
1) feras, coisa portentosa; 2) dunamis, poder maravilhoso;
3) sêmeion, uma prova ou sinal sobrenatural. No passado, vá­
rios líderes de Israel tinham concedido ao povo provas de sua
missão da parte de Deus; para autenticar a obra de Moisés,
Deus enviou o maná; para Josué, Deus fez parar o Sòl e a lua;
para Samuel, enviou trovões de um céu limpo e sem tempes­
tades; para Elias, mandou fogo do céu; para Isaías fez recuar
a sombra do relógio do Sol. Para confirmar a obra de Jesus,
haveria o maior portento de todos: Deus ressuscitaria a Seu
Filho da sepultura, maior sinal do que aquele que serviu para
a conversão de toda Nínive (39-41).
12.42 Rainha do sul. A rainha de Sabá visitou Salomão a fim
de verificar a veracidade acerca das histórias de sua grande
sabedoria (1 Rs 10.1-10). Jesus, como sempre, está aceitando
fielmente as narrativas do AT.
12.43-45 Só pela obra de Cristo é que as forças do maligno
não têm acesso à personalidade humana; se, no entanto, >
pessoa não permite que o Espírito Santo tenha inteiro con­
trole sob sua vontade, todo o seu ser corre o perigo de se
deixar levar novamente pela força do diabo e seus auxiliares.
A conversão consiste em muito mais do que arrependimento
Exige o renascimento do Espírito (|o 3.3,5) e obediência
(Jo 15.10).
12.46-50 Jesus tinha quatro irmãos (mencionados pelo
nome em Mc 6.3), além de um número de irmãs não especifi­
cado. Sém base histórica, já tem sido negado serem, estes,
filhos de José e Maria. As alternativas apresentadas são: estes
podiam ser primos de Jesus, filhos de Alfeu e de outra Maria,
irmã da mãe de Jesus. Podiam, também, segundo, tais teólo­
gos, ser filhos de José antes do seu casamento com Maria.
Jo 7.5 e At 1.14 distingue-os dos filhos de Alfeu. Nota-se,
também, que nas dez ocasiões em que sua presença se regis­
tra, estão sempre com Maria, mãe de Jesus. Não se deve
esquecer a mensagem espiritual desse trecho: nossa fraterni­
dade jaz em nossa obediência a Cristo, reunindo-nos numa
nova família espiritual. Nota-se também que Jesus não tinha
1349 MATEUS 13.19
sua mãe e seus irmãos estavam do lado de
fora, procurando falar-lhe.c
47 E alguém lhe disse: Tua mãe e teus
irmãos estão lá fora e querem falar-te.
48 Porém ele respondeu ao que lhe trou­
xera o aviso: Quem é minha mãe e quem são
meus irmãos?
49 E, estendendo a mão para os discípu­
los, disse: Eis minha mãe e meus irmãos.
50 Porque qualquer que fizer a vontade
de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã
emãe.d
A parábola do semeador
Mc 4 :1 -9 ; L c 8 .4 -8
1 O Naquele mesmo dia, saindo Jesus de
-L J casa, assentou-se à beira-mar;e
2 e grandes multidões se reuniram perto
dele, de modo que entrou num barco e se
assentou; e toda a multidão estava em pé nà
praia.f
3 E de muitas coisas lhes falou por pará­
bolas e dizia: Eis que o semeador saiu a
semear.9
4 E, ao semear, uma parte caiu à beira do
caminho, e, vindo as aves, a comeram.
5 Outra parte caiu em solo rochoso, onde
a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser
profunda a terra.
6 Saindo, porém, o sol, a queimou; e, por­
que não tinha raiz, secou-se.
7 Outra caiu entre os espinhos, e os espi­
nhos cresceram e a sufocaram.
8 Outra, enfim, caiu em boa terra e deu
fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.h
9 Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.'
12.46
cMt 13.55;
Lc 8.19-21;
At 1.14; ICo 9.5
12.50
rfjo 15.14;
Cl 3.11
13.1 eMc4.1
13.2'(1-2)
Lc 5.1-3
13.3 sLc 8.5
13.8 "Gn 26.12
13.9 <Mt 11.15
13.11
IM tll.25;
ICo 2.10;
1|o 2.27
13.12
*Mt 25.29;
Mc 4.25;
Lc 8.18; 19.26
13.14'Is 6.9;
Mc 4.12;
|o 12.40;
Rm 11.8;
2Co 3.14-15
13.15 ">(14-15)
Is 6.9-10
13.16
"Mt 16.17;
jo 20.29
13.17 0(16-17)
Lc 10.23-24
13.18pMc4.l4
A explicação da parábola
M c 4 .1 0 -2 0 ; L c 8 .9 -1 5
10 Então, se aproximaram os discípulos e
lhe perguntaram: Por que lhes falas por pará­
bolas?
11 Ao que respondeu: Porque a vós outros
é dado conhecer os mistérios do reino dos
céus, mas àqueles não lhes é isso concedido./
12 Pois ao que tem* se lhe dará, e terá em
abundância; mas, ao que não tem, até o que
tem lhe será tirado.
13 Por isso, lhes falo por parábolas; por­
que, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ou­
vem, nem entendem.
14 De sorte que neles se cumpre a profe­
cia de Isaías:'
Ouvireis com os ouvidos e de nenhum
modo entendereis; vereis com os olhos
e de nenhum modo percebereis.
15 Porque o coração deste povo está eridu-
recido, de mau grado ouviram com os
ouvidos e fecharam os olhos; pára não
suceder que vejam com os olhos, ou­
çam com os ouvidos, entendam com o
coração, se convertam e sejam por mim
curados.m
16 Bem-aventurados, porém, os vossos
olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, por­
que ouvem."
17 Pois em verdade vos digo que muitos
profetas e justos desejaram ver o que vedes
e não viram; e ouvir o que ouvis e não ou­
viram.0
18 Atendei vós, pois, à parábola do se­
meador.P
19 A todos os que ouvem a palavra do
reino e não a compreendem, vem o maligno e
arrebata o que lhes foi semeado no coração.
a mínima Intenção de exaltar Sua mãe à posição de uma
divindade.
13.1 De casa. A casa de Simão e de André, em Cafárnaum
(cf 8.14).
13.2 Num barco. Um púlpito natural, separado da multidão.
13.3 Parábolas. Gr parabolês, "comparação", lit "lançar duas
coisas semelhantes uma contra a outra". Significa colocar
uma cõisa ao lado da outra para estabelecer a semelhança ou
distinção. Nos lábios dé |esus, veio a ser método especial de
usar histórias terrenas para desvendar verdades espirituais
àqueles que se entregam a Ele. Um dos motivos era atingir os
simples, fixar as verdades nas mentes dos ouvintes (Mc 4.3n),
e sobretudo distinguir entre as pessoas de boa fé que queriam
aprender, e as demais que viessem zombar ou discutir
(cf Is 6.9-10).
13.3-9 A parábola do Semeador. Com esta parábola, jesus
inicia o primeiro grupo de parábolas registradas em Mateus.
Esta coleção, até o fim do capítulo, diz respeito ao Reino de
Deus. Nesta parábola, a semente é a proclamação da "Palavra
do Reino", a mensagem de Cristo. Os tipos de terreno repre­
sentam os diferentes tipos de pessoas quanto à sua atitude
para com a mensagem.
13.11-17 Mistérios. Conhecimentos mais profundos sobre as
realidades espirituais. Acesso aos mistérios só se consegue
pela fé perseverante em Cristo. Os discípulos recebem a ilumi­
nação de Deus (16). Os incrédulos rebeldes ficam, como con-
seqüência, cada vez mais endurecidos, perdendo, finalmente,
qualquer atração pela mensagem salvadora (12).
MATEUS 13.20 1350
Este é o que foi semeado à beira do
caminho.1
?
20 O que foi semeado em solo rochoso,
esse é o que ouve a palavra e a recebe logo,
com alegria;r
21 mas não tem raiz em si mesmo, sendo,
antes, de pouca duração; em lhe chegando a
angústia ou a perseguição por causa da pala­
vra, logo se escandaliza.5
22 O que foi semeado entre os espinhos é
o que ouve a palavra, porém os cuidados do
mundo e a fascinação das riquezas sufocam a
palavra, e fica infrutífera.?
23 Mas o que foi semeado em boa terra é
o que ouve a palavra e a compreende; este
frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta
por um.
A parábola dojoio
24 Outra parábola lhes propôs, dizendo:
O reino dos céus é semelhante a um homem
que semeou boa semente no seu campo;
25 mas, enquanto os homens dormiam,
veio o inimigo dele, semeou o joio no meio
do trigo e retirou-se.
26 E, quando a erva cresceu e produziu
fruto, apareceu também o joio.
27 Então, vindo os servos do dono da
casa, lhe disseram; Senhor, não semeaste boa
semente no teu campo? Donde vem, pois, o
joio?
28 Ele, porém, lhes respondeu: Um ini­
migo fez isso. Mas os servos lhe pergunta­
ram: Queres que vamos e arranquemos o
joio?
29 Não! Replicou ele, para que, ao separar
o joio, não arranqueis também com ele o
trigo.
30 Deixai-os crescer juntos até à colheita,
e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros:
ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para
ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no mem
celeiro.“
A parábola do grão de mostarda
M c 4 .3 0 -3 2 ; L c 13.18-19
31 Outra parábola lhes propôs, dizendo:
O reino dos céus é semelhante a um grão de
mostarda, que um homem tomou e plantou no
seu campo;1
'
32 o qual é, na verdade, a menor de todas
as sementes, e, crescida, é maior do que as
hortaliças, e se faz árvore, de modo que as
aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos.
A parábola dofermento
L c 13.20-21
33 Disse-lhes outra parábola: O reino dos
céus é semelhante ao fermento que uma mu­
lher tomou e escondeu em três medidas de
farinha, até ficar tudo levedado.w
Por que Jesusfalou por parábolas
M c 4 .33-34
34 Todas estas coisas disse Jesus às multi­
dões por parábolas e sem parábolas nada lhes
dizia;*
35 para que se cumprisse o que foi dito
por intermédio do profeta: ,
Abrirei em parábolas a minha boca; publi-
13.19 <?M
t 4.23
13.20 í-ls 58.2;
Jo 5.35
13.21 sM tll.6;
2Tm 1.15
13.22 t)r 4.3;
Mc 10.23;
1Tm 6.9;
2Tm4.10
13.30 “ Mt 3.12
13.31 ‘'Is 2.2-3;
Mc 4.30
13.33
»Lc 13.20
13.34
«Mc 4.33-34
13.24-30 A parábola do joio demonstra que um dos aspec­
tos do Reino é o juízo, e que este juízo está reservado à autori­
dade divina, e não ao critério humano. O joio é uma planta
que se confunde com o trigo, crescendo juntamente com ele,
e só se distingue quando vem a época da ceifa, quando então
o trigo revela seu verdadeiro valor, produzindo cereal comes­
tível. Até então, o joio é poupado por causa do trigo.
13.31,32 A parábola da mostarda revela outro aspecto do
Reino: o crescimento rápido e útil apesar de um começo bas­
tante humilde (cf Mc 4.31 n). :
13.33 Fermento. Esta parábola enfatiza o poder transforma­
dor invisível do evangelho, especialmente na vida particular
do discípulo totalmente entregue a seu mestre, Cristo. Além
dessa transformação individual, possivelmente, jesus aponta
para a influência do evangelho que, silenciosamente e com
poder, muda a sociedade e a cultura (ou governo, nos casos
em que os cristãos decididos existem em suficiente propor­
ção). A notável influência do cristianismo na transformação
da vida da mulher, dos pobres, dos doentes, dos velhos, dos
escravos e das criancinhas, é bem conhecida através da histó­
ria. Cristo não afirma, aqui, que todo o mundo se converterá
(Lc 13.18-21 n; 24-30). Três medidas. O Reino dos céus cons­
titui-se, para nós na presença da gloriosa e inexplicável Trin­
dade de Deus; devemos guardar, em nossos corações a
porção exata de cada Pessoa da Trindade (2 Co 13.13;
Ef 1.3-14).
13.34 As multidões por parábolas. Houve uma diferença entre
o tratamento que jesus deu aos discípulos escolhidos, expli­
cando-lhes tudo em particular (w 10-23), é a maneira de
falar às multidões. Esta diferença destaca-se especialmente
depois de os fariseus terem blasfemado contra o Espírito
Santo (12.24,30) e planejado o assassinato de Jesus (12.14).
Distinguiam-se, então, mais e mais os que seguiriam a jesus,
e os que estariam prontos a exigir sua crucificação. A oposi­
ção cresce à custa de calúnias, mentiras, falsa interpretação
da lei, transformando-se em perseguição deliberada, até cul­
minar no Calvário.
1351 MATEUS 13.54
carei coisas ocultas desde a criação [do
mundo])'.
A explicação da parábola dojoio
36 Então, despedindo as multidões, foi Je­
sus para casa. E, chegando-se a ele os seus
discípulos, disseram: Explica-nos a parábola
do joio do campo.
37 E ele respondeu: O que semeia a boa
semente é o Filho do Homem;
38 o campo é o mundo; a boa semente são
os filhos do reino; o joio são os filhos do
maligno;2
39 o inimigo que o semeou é o diabo; a
ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros
são os anjos.0
40 Pois, assim como o joio é colhidq e
lançado ao fogo, assim será na consumação
do século.
41 Máhdará o Filho do Homem os seus
anjos, que ajuntarão do seu reino todos os
escândalos e os que praticam a iniqüidadeh
42 e os lançarão na fornalha acesa; ali ha­
verá choro e ranger de dentes.0
43 Então, os justos resplandecerão como o
sol, no reino de seu Pai. Quem têm ouvidos
[para ouvir], ouça.d
Aparábola do tesouro escondido
44 O reino dós céus é semelhante a um
tesouro oculto no campo, o qual certo ho­
mem, tendo-o achado, escondeu. E, transbor­
dante de alegria, vai, vende tudo o que tem e
compra aquele campo.0
A parábola da pérola
45 O reino dos céus é também semelhante
a um que negocia e procura boas pérolas;
46 e, tendo achado uma pérola dé grande
valor, vende tudo o que possui e a compra/
A parábola da rede
47 O reino dos céus é ainda semelhante a
uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes
de toda espécie.9
48 E, quando já está cheia, os pescadores
arrastam-na para a praia e, assentados, esco­
lhem os bons para os cestos e os ruins deitam
fora.
49 Assim será na consumação do século:
sairão os anjos, e separarão os maus dentre os
justos,h
50 e os lançarão na fornalha acesa; ali ha­
verá choro e ranger de dentes.'
Coisas novas e velhas
51 Entendestes todas estas coisas? Res­
ponderam-lhe: Sim!
52 Então, lhes disse: Por isso, todo escriba
versado no reino dos céus é semelhante a um
pai de família que tira do seu depósito coisas
novas e coisas velhas/
Jesus prega em Nazaré.
E rejeitado pelos seus
M c 6 .1 -6 ; L c 4 .1 6-3 0
53 Tendo Jesus proferido estas parábolas,
retirou-se dali.
54 E, chegando à sua terra, ensinava-os na
sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e
13.35 XSI 78.2
13.38
iGn 3.13;
Mc 16.15,20;
)o 8.44;
Rm 10.18;
1|o 3.8
13.39 o|| 3.13
13.41
6Mt 18.7;
2Pe 2.1-2
13.42 cMt 3.12
13.43
<*Dn 12.3;
1Co 15.42-43,58
13.44 <
M
s55.1
13.46 ÍPV 2.4
13.47
9Mt 22.10
13.49
6Mt 25.32
13.50
<M
t 13.42
13.52/Ct 7.13
13.36 Despedindo as multidões. )esus, voltando para casa de
Simão e André, mais uma vez estava só com os discípulos que
estavam sendo preparados para continuar a Sua obra e que
precisavam entender tudo. A parábola do joio é, tecnica­
mente, uma alegoria, pois não ensina só uma verdade em
seu conjunto total; cada pormenor representa alguma coisa.
• N. Hom. O trigo e o joio juntos, w 24-30; 36-43. O qua­
dro representa: 1) O bem e o mal coexistindo na Igreja visível
até ao fim do mundo: a) nas igrejas há sempre crentes e in­
crédulos; b) jamais existirá uma igreja só de "trigo"; c) os
incrédulos existem entre os crentes, como Judas entre os dis­
cípulos; d) deve se tomar cuidado de não procurar arrancar a
parte infiel, para não causar confusão e abalar a muitas pes­
soas; é recomendávél o maior cuidado possível na disciplina.
O quadro também representa: 2) O juízo de Deus quando
passar a haver esta separação: a) entré o trigo e o joio;
b) feita pela justiça divina; c) o joio para o fogo e o trigo para
o celeiro.
13.44 Tesouro oculto. O Reino de Deus apresenta-se, aqui,
como um valor. Enterrar tesouros era comum antes de existir
rede bancária. Às vezes o primitivo dono morria e o tesouro
ficava perdido, até que alguém o achasse por acaso.
13.46 Pérola de grande valor. O valor multiplica-se com o
tamanho. Uma pérola do tamanho de um ovo deveria valer
centenas de pérolas de tamanho regular, o que seria o esto­
que inteiro de um negociante de pérolas, o qual exercia o
papel típico de um banqueiro da época. Aqui, o Reino é de
valor incomparável.
13.47-50 A parábola da rede mostra o Reino de Deus fa­
zendo a separação depois de sua proclamação a todos
(cf 13.24n; 24.14). Esta parábola foi falada aos discípulos em
casa bem como as duas anteriores. Evidentemente, Mateus
reuniu uma série de parábolas faladas em diversas ocasiões.
13.52 Escriba. Gr grammateus, "escrivão'', "secretário"; já
que bem poucos sabiam escrever, os êscribas que copiavam e
arquivavam as leis e as tradições de Israel, tornaram-se douto­
res e advogados (Lc5.21n). Não havia uma distinção clara
entre a lei de Deus e as dos homens.
MATEUS 13.55 1352
diziam: Donde lhe vêm esta sabedoria e estes
poderes miraculosos?*
55 Não é este o filho do carpinteiro? Não
se chama sua mãe Maria, e seus irmãos,
Tiago, José, Simão e Judas?'
56 Não vivem entre nós todas as suas ir­
mãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto?
57 E escandalizavam-se nele. Jesus, po­
rém, lhes disse: Não há profeta sem honra,
senão na sua terrame na sua casa.
58 E não fez ali muitos milagres, por
causa da incredulidade deles.n
13.54 *Mt 2.23;
Lc 4.16,23
13.55 'Is 49.7;
Mc 6.3; |o 6.42
13.57 mjo 4.44
13.58
"Mc 6.5-6
A morte de João Batista
Mc 6.14-29; kc 9.7-9
1 A Por aquele tempo, ouviu o tetrarca
x t Herodes a fama de Jesus0
2 e disse aos que o serviam: Este é João
Batista; ele ressuscitou dos mortos, e, por
isso, nele operam forças miraculosas.
3 Porque Herodes, haVendo prendido è
atado a João, o metera no cárcere, por causa
de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão;P
4 pois João lhe dizia: Não te é lícito
possuí-laP/
5 E, querendo matá-lo, temia o povo,, por­
que o tinham como profeta.5
6 Ora, tendo chegado o dia natalício de
Herodes, dançou a filha dê Herodias diante de
todos e agradou a Herodes.
7 Pelo que prometeu, com juramento, dar-
lhe o que pedisse.
14.1 °Mc 6.14
14.3 pMc 6.17
14.4 qLv 18.16;
20.21 r(3-4)
Lc 3.19-20
14.5sMt21.26
14.13
'Mt 10.23;
Lc 9.19
14.14 uMt 9.36
14.15
*Mc 6.35; Jo 6.5
8 Então, ela, instigada por sua mãe, disse
Dá-me, aqui, num prato, a cabeça de Jo »
Batista.
9 Entristeceu-se o rei, mas, por causa d»
juramento e dos que estavam com ele à mesa.
determinou que lha dessem;
10 e deu ordens e decapitou a João no
cárcere.
11 Foi trazida a cabeça num prato e dada
à jovem, que a levou a sua mãe.
12 Então, vieram os seus discípulos, leva­
ram o corpo e o sepultaram; depois, foram e
o anunciaram a Jesus.
A primeira multiplicação de pães e peixes
Mc 6.30-44; Lc 9.10-17; Jo 6.1-13
13 Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali nua
barco, para um lugar deserto, à parte; sa­
bendo-o as multidões, vieram das cidades se­
guindo-o porteira.'
14 Desembarcando, viu Jesus uma grande
multidão, compadeceu-se dela e curou os
seus enfermos.“
15 Ao cair da tarde, vieram os discípulos
a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e
vai adiantada a hora; despede, pois, as multi­
dões para que, indo pelas aldeias, comprem
para si o que comer.v
16 Jesus, porém, lhes disse: Não precisam
retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer.
17 Mas eles responderam: Não temos aqui
senão cinco pães e dois peixes.
__________________________________ a___
13.55 Do carpinteiro, josé, cujos filhos são aqui mencionados
(v 56). |esus, como o filho mais velho, teria sido ajudante do
pai ou sustentava a familia após a morte deste, como se vê
em Mc 6.3. • N. Hom. Aspectos do Reino de Deus: 1) Juízo,
w 24-30; 2) Crescimento, w 31-32; 3) Poder transforma­
dor, v 33; 4) Valor escondido aos homens (v 44) e incompa­
rável, v 45; 5) Separação e seleção, w 47-50.
14.1 O tetrarca Herodes. Tetrarca, gr tetrarchês, significa
"quem rege uma quarta parte". No caso era a quarta parte da
Palestina, a Galiléia e a Peréia que foi legada a Herodes Anti­
pas, um dos filhos de Herodes, o Grande. Cada um dos filhos
ganhou uma parte. A fama de jesus. Depois das maravilhosas
viagens de Jesus pela Galiléia, surgiram muitas idéias a res­
peito dele, cf 16.13-14. A consciência supersticiosa e cul­
pada de Herodes apontava logo para a teoria de que jesus
seria João Batista ressurreto.
14.3 O cárcere da fortaleza de Maquero, perto do mar
Morto, era bem visível, se olhado do magnífico palácio de
Herodes Antipas. Duas masmorras escuras, fortes e profundas
podem ser vistas até hoje. Ali ficara o profeta, que ministrara
ao ar livre, durante um ano inteiro.
14.4 O caso envolve certas complicações de divórcio e in­
cesto. Herodias era descendente de Herodes, o Grande, e es­
posa de Herodes Filipe, de quem se divorciou para se casar
com Herodes Antipas, seu tio. Este, para a receber como nova
esposa, divorciou-se de sua esposa anterior que era filha de
Aretas, rei da Arábia, da porção então chamada Nabatéia.
14.12 Anunciaram a Jesus. Esperavam talvez que jesus, final
mente agisse como um Messias militar, sendo provocado a
intervir com poderes sobrenaturais. Ou, talvez simplesmente
passariam a ficar com jesus.
14.13.14 jesus, ao atravessar o mar da Galiléia, indo de Ca-
farnaum para Betsaida júlia deixava os territórios de Herodes
Antipas, e entrava numa parte deserta do Território de Filipe.
14.14 Compadeceu-se. O povo, vendo jesus partir no barco,
andou uns 8km pela região deserta, em busca das Suas bên­
çãos. Sobre o milagre, veja Lc 9.12-17n.
14.17 Os pães e os peixes eram o lanche de um único me­
nino (jo 6.9). • N. Hom. "A multiplicação dos pães" mostra:
1) A compaixão de Cristo; 2) O direito de todos receberem
(cf Mc 6.39); 3) Gratidão pelo poder e generosidade de Deus
(SI 107); 4) A cooperação dos discípulos (cf sua cooperação
no testemunho, At 1.8); 5) A fartura de bênçãos (cf jo 7.38);
6) Economia - não deixar de fazer bom uso de tudo o que
Deus nos dá (Mt 25.14-30).
1353 MATEUS 15.3
18 Então, ele disse: Trazei-mos.
19 E, tendo mandado que a multidão se
assentasse sobre a relva, tomando os cinco
pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao
céu, os abençoou. Depois, tendo partido os
pães, deu-os aos discípulos, e estes, às mul­
tidões.w
20 Todos comeram e se fartaram; e dos
pedaços que sobejaram recolheram ainda
doze cestos cheios.
21 E os que comeram foram cerca de
cinco mil homens, além de mulheres e
crianças.
Jesus anda por sobre o mar
Mc 6.45-52; Jo 6.15-21
22 Logo a seguir, compeliu Jesus os discí­
pulos a embarcar e passar adiante dele para
o outro lado, enquanto ele despedia as mul­
tidões. ‘
23 E, despedidas as multidões, subiu ao
monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a
tarde, lá estava ele, só.*
24 Entretanto, o barco já estava longe, a
muitos estádios da terra, açoitado pelas on­
das; porque o vento era contrário.
25 Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter
com eles, andando por sobre o mar.
26 E os discípulos, ao verem-no andando
sobre as águas, ficaram aterrados e exclama­
ram: E um fantasma! E, tomados de medo,
gritaram.)'
27 Mas Jesus imediatamente lhes disse:
Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!
28 Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és
tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por so­
bre as águas.
29 E ele disse: Vem! E Pedro, descendo
do barco, andou por sobre as águas e foi ter
com Jesus.
30 Reparando, porém, na força do vento,
teve medo; e, começando a submergir, gritou:
Salva-me, Senhor!
31 E, prontamente, Jesus, estendendo a
mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pe­
quena fé, por que duvidaste?
32 Subindo ambos para o barco, cessou o
vento.
33 E os que estavam no barco o adoraram,
dizendo: Verdadeiramente és Filho de
Deus!*
Jesus em Genesaré
Mc 6.53-56
34 Então, estando já no outro lado, chega­
ram a terra, em Genesaré.0
35 Reconhecendo-o os homens daquela
terra, mandaram avisar a toda a circunvizi­
nhança e trouxeram-lhe todos os enfermos;
36 e lhe rogavam que ao menos pudessem
tocar na orla da sua veste. E todos os que
tocaram ficaram sãos.b
Jesus e a tradição dos anciãos.
O que contamina o homem
Mc 7.1-23
Então, vieram de Jerusalém a Jesus
alguns fariseus e escribas e pergun­
taram:*
2 Por que transgridem os teus discípulos
a tradição dos anciãos? Pois não lavam as
mãos, quando comem.d
3 Ele, porém, lhes respondeu: Por que
14.19
»Mt 15.36
14.23 *Mc 6.46
14.26 rjó 9.8
14.33 ;SI 2.7;
Mc 1.1; Jo 1.49;
Rm 1.4
14.34 oMc 6.53
14.36
5Mt9.20;
Lc 6.19
15.1 cMc 7.1
15.2 dMc 7.5
14.21 Mulheres e crianças. Umas centenas, talvez.
14.22 Compeliu. Decerto era para escudar os discípulos de
serem arrebatados pela tentação de querer ver a Jesus como
Rei (Jo 6.15).
14.23 Orar sozinho. O segredo de como se pode ser guiado
mais efetivamente por Deus do que pelos exemplos e pensa­
mentos dos homens.
14.25 Quarta vigília. Entre três e seis horas da manhã. A pri­
meira processava-se das 18 às 21 h; a segunda das 21 às 24;
e a terceira ia até às 3. Andando por sobre o mar. Tem domínio
sobre o mar aquele que o criou.
14.34 Genesaré. A planície sobre a qual se situavà Ca-
farnaum.
15.1 Escribas e fariseus chegaram de Jerusalém para reforçar
o rol dos inimigos de Jesus, que já estavam se consolidando,
como foi o caso dos fariseus com os herodianos (Mc 3.6).
Mais tarde, até os saduceus, tradicionalmente rivais dos fari­
seus, seriam acrescentados (Mt 16.6).
15.2 Tradição dos anciãos. Interpretação oral-escrita da lei de
Moisés, com muita coisa adicionada, chegando a ter autori­
dade quase igual à da própria Lei, entre fariseus (cf 5.43n).
Tudo isto foi posteriormente codificado no Mishná, o núcleo
do Talmude.
15.3 Por causa da vossa tradição. A tradição da lavagem das
mãos era simples higiene antes das refeições. Veio a ser um
tipo de purificação ritual para afastar a mínima possibilidade
de a pessoa ter sido contaminada pela poeira advinda de al­
gum pagão (cf 10.14n). A ocupação dos romanos intensi­
ficou o legalismo, na tentativa de atingir a "santidade" e
conseguir o socorro necessário de Deus para a expulsão dos
pagãos. Não percebiam, porém, que certas interpretações ti­
nham já violado a verdadeira lei.
MATEUS 15.4 1354
transgredis vós também o mandamento de
Deus, por causa da vossa tradição?
4 Porque Deus ordenou:
Honra a teu pai e a tua mãee;
e:
Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe
seja punido de morte'.
5 Mas vós dizeis: Se alguém disser a seu
pai ou a sua mãe: É oferta ao Senhor aquilo
que poderias aproveitar de mim;9
6 esse jamais honrará a seu pai ou a sua
mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus,
por causa da vossa tradição.
7 Hipócritas! Bem profetizou Isaías a
vosso respeito, dizendo:h
8 Este povo honra-me com os lábios, mas
o seu coração está longe de mim.'
9 E em vão me adoram, ensinando doutri­
nas que são preceitos de homens./
10 E, tendo convocado a multidão, lhes
disse: Ouvi e entendei:k
11 não é o que entra pela boca o que con­
tamina o homem, mas o que sai da boca, isto,
sim, contamina o homem.'
12 Então, aproximando-se dele os discí­
pulos, disseram: Sabes que os fariseus, ou­
vindo a tua palavra, se escandalizaram?
13 Ele, porém, respondeu: Toda planta
que meu Pai celestial não plantou será ar­
rancada.'7
'
14 Deixai-os; são cegos, guias de cegos".
Ora, se um cego guiar outro cego, cairão am­
bos no barranco.
15.4 eÊx 20.12
4x21.17;
Lv 20.9
15.5
9Mc 7.11-12
15.7 hMc 7.6
15.8 'Is 29.13
15,9/(8-9)
Is 29.13
15.10 '‘Mc 7.14
15.11 /At 10.15;
ITm 4.4; Tt 1.15
15 Então, lhe disse Pedro: Explica-nos a
parábola.0
16 Jesus, porém, disse: Também vós não
entendeis ainda?P
17 Não compreendeis que tudo o que en­
tra pela boca desce para o ventre e, depois, é
lançado em lugar cscuso?R
18 Mas o que sai da boca vem do coração,
e é isso que contamina o homem/
19 Porque do coração procedem maus de­
sígnios, homicídios, adultérios, prostituição,
furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.5
20 São estas as coisas que contaminam o
homem; mas o comer sem lavar as mãos não
o contamina.
15.13 mjo 15.2;
1Co 3.12 A mulher cananéia
15.14 "Lc 6.39
15.15 °Mc 7.17
15.16 pMt 16.9
15.17
9lCo 6.13
15.18 rTg3.6
15.19 sGn 6.5;
]r 17.9
15.21 tMc 7.24
15.24
“ Mt 10.5-6;
Rm 15.8
M c 7.24-30
21 Partindo Jesus dali, retirou-se para os
lados de Tiro e Sidom/
22 E eis que uma mulher cananéia, que
viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Fi­
lho de Davi, tem compaixão de mim! Minha
filha está horrivelmente endemoninhada.
23 Ele, porém, não lhe respondeu palavra.
E os seus discípulos, aproximando-se, roga­
ram-lhe: Despede-a, pois vem clamando
atrás de nós.
24 Mas Jesus respondeu: Não fui enviado
senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.u
25 Ela, porém, .veio e o adorou, dizendo:
Senhor, socorre-me!
26 Então, ele, respondendo, disse: Não é
15.4-6 )esus passa a citar os dez mandatos, mostrando
como a tradição dos judeus havia suscitado maneira de deso-
bedecê-IO. Se alguém queria livrar-se da responsabilidade de
cuidar de seus pais em idade avançada, era só fazer a falsa
declaração de que seus bens pertenciam ao templo, de que
eram korban (que significa "oferenda"). Seus bens seriam re­
gistrados em nome do templo até a morte dos pais, quando
então se passaria a "combinar" algo com os escribas, no in­
tuito de reavê-los. Parece que para o gozo de tais benefícios
legais não era necessário uma grande oferta. Talvez alguns
que assim faziam estivessem presentes na hora.
15.6 Invalidastes a palavra de Deus. Devemos estar sempre
atentos para os métodos que se usam para invalidar a Palavra:
1) Esquecimento; 2) Reinterpretação; 3) Racionalização;
4) Ignorância; e 5) Simples desobediência.
15.11 O que entra pela boca. Segundo a explicação dada por
jesus a Pedro (17-20), a comida que não foi preparada se­
gundo as tradições dos anciãos não prejudica ao ser ingerida
(At 10.10-15n). O que prejudica é o mal, concentrado no
íntimo do ser humano e exprimido através da boca
(Tg 3.6-12). Contamina. Cr koinein, lit "tornar comum",
"profanar". No sentido bíblico significa ser cerimonialmente
------------------------------------ w
------
"imundo", sem direito a participar do culto público, ou apro­
ximar-se de Deus em oração. A declaração de )esus, decerto
abrangia tudo isto.
15.13 Será arrancada. Jesus não altera Sua doutrina para
agradar as pessoas que não buscam o verdadeiro sentido da
Palavra de Deus (3 -9 ). Para estes só resta a condenação.
15.21 Os lados de Tiro. O território marítimo chamado Fení­
cia (hoje o Líbano) que fazia limite ao norte e a oeste, com a
Galiléia.
15.22 Cananéia. Descendentes dos Cananeus que Josué ex­
pulsou da Terra Prometida cuja civilização foi centralizada e
perpetuada na cidade de Tiro. Marcos chamava-a de grega,
de origem siro-fenícia (Mc 7.26). "Grega" significaria "de ci­
vilização helenística".
15.26 Cachorrinhos. Gr kunarion, um diminutivo afetuoso,
empregado para os cachorrinhos de estimação, "de colo". Se
as palavras usadas por jesus para indicar que Sua missão é
primariamente para Israel parecem-nos severas, o certo é que
havia algo no tom da Sua voz para encorajar esta mulher e
dar uma resposta cheia de fé, esperança e coragem. Devia ter
sido, para jesus, um grande alívio testemunhar uma fé tão
1355 MATEUS 16.4
bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos
cachorrinhos.1
'
27 Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor,
porém os cachorrinhos comem das migalhas
que caem da mesa dos seus donos.
28 Então, lhe disse Jesus: Ó mulher,
grande é a tua fé! Faça-se contigo como que­
res. E, desde aquele momento, sua filha fi­
cou sã.
Jesus volta para o mar da Galiléia
e cura muitos enfermos
29 Partindo Jesus dali, foi para junto do
mar da Galiléia; e, subindo ao monte, assen­
tou-se ali.w
30 E vieram a ele muitas multidões tra­
zendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos
e outros muitos e os largaram junto aos pés de
Jesus; e ele os curou/
31 De modo que o povo se maravilhou ao
ver que os mudos falavam, os aleijados reco­
bravam saúde, os coxos andavam e os cegos
riam. Então, glorificavam ao Deus de Israel.
A segunda multiplicação de pães e peixes
Mc 8.1 -1 0
32 E, chamando Jesus os seus discípulos,
disse: Tenho compaixão desta gente, porque
há três dias que permanece comigo e não tem
o que comer; e não quero despedi-la em je­
jum, para que não desfaleça pelo caminho.)'
33 Mas os discípulos lhe disseram: Onde
haverá neste deserto tantos pães para fartar
óo grande multidão?2
15.26 «'Mt 7.6
15.29 "Mt 4.18
15.30
*ls 35.5-6;
Lc 7.22
15.32 yMc 8.1
15.33 *2Rs 4.43
34 Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães
tendes? Responderam: Sete e alguns pei­
xinhos.
35 Então, tendo mandado o povo assentar-
se no chão,
36 tomou os sete pães e os peixes, e,
dando graças, partiu, e deu aos discípulos, e
estes, ao povo.0
37 Todos comeram e se fartaram; e, do
que sobejou, recolheram sete cestos cheios.
38 Ora, os que comeram eram quatro mil
homens, além de mulheres e crianças.
39 E, tendo despedido as multidões, en­
trou Jesus no barco e foi para o território de
Magadã.b
15.36
ol$m 9.13;
Lc 22.19
Osfariseus e os saduceus
pedem um sinal do céu
M c 8.11-13
15.39 6Mc 8.10
16.1 cMt 12.38;
Lc 11.16;
K o 1.22
16.4 °)n 3.4-5
e(1 /)
Mt 12.38-42;
Lc 11.29-32
1 Aproximando-se os fariseus e os sa-
JL U duceus, tentando-o, pediram-lhe que
lhes mostrasse um sinal vindo do céu.c
2 Ele, porém, lhes respondeu: Chegada a
tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o
céu está avermelhado;
3 e, pela manhã: Hoje, haverá tempestade,
porque o céu está de um vermelho sombrio.
Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do Céu
e não podeis discernir os sinais dos tempos?
4 Uma geração má e adúltera pede um
sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o
de Jonasd. E, deixando-os, retirou-se.e
grande, e ao mesmo tempo singela e humilde, em pleno fun­
cionamento, depois de tantas lutas com fariseus que a des­
peito da sua fidelidade à letra da Lei, pouco ou nada sabiam
da verdadeira comunhão com Deus em espírito e em ver­
dade. Este passo de |esus também foi a aurora da missão "até
aos confins da terra". • N. Hom. O que a fé fez à mulher
cananéia: 1) Levou-a a jesus; 2) Levou-a a pedir a jesus;
3) Levou-a a achegar-se a jesus; 4) Levou-a a perseverar na
Tora da prova, da dúvida; 5) Levou-a à vitória, sendo aten-
dda em sua petição e conhecendo realmente o Mestre.
15-29 Ao monte. Deve ser a subida para a planície atrás de
Cafamaum para quem sobe do mar da Galiléia. Deve ser o
ugar onde jesus usualmente ensinava, pregava e curava, o
ocal do Sermão do Monte (5.1).
15.30 Esta lista de doentes pende para o lado das grandes
ncapacidades físicas, as quais oferecem base para não apoiar
a teoria de "curas psicológicas".
15.32-39 A segunda multiplicação de pães e peixes. Muitos
ntérpretes querem que esta seja outra versão do mesmo mi-
agre descrito em 14.15-21. Nada mais errado. O próprio
jesus destaca bem os dois incidentes (16.9 e 10) e esta se­
gunda multiplicação foi em outro lugar (Decápolis, Mc 7.31),
com um número diferente de pães e peixes, com menos so­
bras recolhidas, menos pessoas a comer e um rumo diferente
tomado por jesus, após o milagre, desta vez com seus discí­
pulos.
15.39 Magadã. Possivelmente Magdala, a cidade de Maria
Madalena, situada entre Tiberíades e Cafamaum. É também
chamada Dalmanuta (Mc 8.10).
16.1 Um sinal vindo do céu. Uma prova milagrosa
(cf12.38n).
16.3 Sinais dos tempos. Os líderes religiosos leram estes sinais,
tão bem como os não religiosos. Os sinais celestiais, porém,
que apontavam para os acontecimentos do calendário da
operação de Dèus entre os homens, eles não o sabiam inter­
pretar, mesmo com as numerosas profecias do AT.
16.4 O de /onas. A ressurreição de jesus, figurada pelos três
dias e as três noites que Jonas passou no ventre do grande
peixe (12.39-41).
MATEUS 16.5 1356
Ofermento dosfariseus e dos saduceus
Mc 8.14-21
5 Ora, tendo os discípulos passado para o
outro lado, esqueceram-se de levar pão/
6 E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos
do fermento dos fariseuss e dos saduceus.
7 Eles, porém, discorriam entre si, di­
zendo: E porque não trouxemos pão.
8 Percebendo-o Jesus, disse: Por que dis­
correis entre vós, homens de pequena fé, so­
bre o não terdes pão?
9 Não compreendeis ainda, nem vos lem­
brais dos cinco pãesh para cinco mil homens
e de quantos cestos tomastes?
10 Nem dos sete pães' para os quatro mil
e de quantos cestos tomastes?
11 Como não compreendeis que não vos
falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos
do fermento dos fariseus e dos saduceus.
12 Então, entenderam que não lhes dissera
que se acautelassem do fermento de pães, mas
da doutrina dos fariseus e dos saduceus.
16.5 'Mc 8.14
16.6 gLc 12.1
16.9
6Mt 14.17-21
16.10
'Mt 15.34-38
16.13/Mc 8.27
16.14
‘ Mt 14.1-2;
Mc 6.14-15;
Lc 9.7-8
16.16
'Jo 6.68-69
16.17
m1Co2.10;
Ef 2.8
16.18
njó 38.17;
Is 38.10; Ef 2.20
A confissão de Pedro
Mc 8.27-30; Lc 9.18-21
16.19
°Mt 18.18;
Jo 20.23
13 Indo Jesus para os lados de Cesaréia de
Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz
o povo ser o Filho do Homem?/
14 E eles responderam: Uns dizem: João
Batista*; outros: Elias; e outros: Jeremias ou
algum dos profetas.
16.20
pMt 17.9;
Lc 9.21
16.21
«íMt 20.17;
Lc 9.22
15 Mas vós, continuou ele, quem dizeis
que eu sou?
16 Respondendo Simão Pedro', disse: Tu
és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
17 Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventu­
rado és, Simão Barjonas, porque não foi came
e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que
está nos céus.m
18 Também eu te digo que tu és Pedro, e
sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e
as portas do inferno não' prevalecerão con­
tra ela."
19 Dar-te-ei as chaves do reino dos céus:
o que ligares0 na terra terá sido ligado nos
céus; e o que desligares na terra terá sido
desligado nos céus.
20 Então, advertiu os discípulos de que a
ninguém dissessem ser ele o Cristo.P
Jesus prediz a sua morte e ressurreição
Mc 8.31-33; Lc 9.22
21 Desde esse tempo, começou Jesus
Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era
necessário seguir para Jerusalém e sofrer mui­
tas coisas dos anciãos, dos principais sacerdo­
tes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no
terceiro dia.9
22 E Pedro, chamando-o à parte, começou
a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti.
Senhor; isso de modo algum te acontecerá.
23 Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro:
Arreda, Satanás! Tu és para m ini'pedra de
16.5 Para o outro lado. Para os territórios de Filipe, provavel­
mente desembarcando em Betsaida, de onde foram cami­
nhando para Cesaréia de Filipe, cidade situada no sopé do
monte Hermom, cujo pico se localiza a c. 20km mais para o
norte. '
16.6 Fermento dos fariseus e dos saduceus. Em contraste com
o fermento comparado ao desenvolvimento do Reino de
Deus (13.33n). Fala-se aqui em hipocrisia e perversidade cres­
centes (12).
16.13 Cesaréia de Filipe. Filipe, filho de Herodes, o Grande,
seguiu o costume de dar o nome do imperador César a uma
cidade de destaque, que antes era chamada Panéias, "santuá­
rio do deus Pan".
16.14 Uns dizem. Registra-se, aqui, a opinião da gente co­
mum que esperava tão ansiosamente as indicações de que
Deus logo redimiria Seu povo.
16.15 Mas vós. Os discípulos tinham recebido uma vocação
especial de seguir a Cristo (4.18-22); presenciaram milagres
(8.14-27); fizeram uma viagem missionária (10.5-15); rece­
biam muita instrução em particular (cap 13). Receberam p
desafio de pronunciar suas conclusões.
16.16 Pedro, falando em nome dos doze e pela revelação de
Deus, reconhece Jesus como o "Cristo", ou seja, o Messias, o
Salvador do mundo.
16.18 Esta pedra. Apesar do jogo de palavras, não é a
pessoa de Pedro que é a pedra fundamental da Igreja. É
Cristo mesmo, segundo o próprio Pedro (1 Pe 2 .4 -8 ;
cf Mt 21.42-44). Até certo ponto, todos os apóstolos são pe­
dras fundamentais, mas só pelo fato de serem porta-vozes
e testemunhas do evangelho, garantindo sua veracidade
(Ef2.20). • N. Hom. "A edificação da Igreja" depende:
1) Da revelação de Cristo por parte de Deus (17, cf Jo 16.13);
2) De Cristo ser o fundamento (1 Co 3.11); 3) De Cristo exer­
cer Seu poder soberano (28.18-20); 4) Dos discípulos con­
fessarem a Jesus (16; At 1.8; 8.4); 5) De levar o ataque até às
portas do hades (At 5.29). Portas do Inferno (gr hades "lugar
dos mortos"). A igreja é construída não apenas sobre a pessoa
de Cristo, mas também na Sua obra que o obrigou a morrer
(entrar no hades) e conquistar a morte através da ressurreição
(1 Pe 3.18).
16.19 Chaves do Reino. O direito especial concedido a Pedro
de abrir a porta da salvação para os judeus (At 2) e aos gen­
tios (At 10). Todo discípulo que ganha uma só alma para
Cristo exerce o poder das chaves (1 Co 16.9).
16.23 Satanás. A inspiração satânica (e mundana) sempre
1357 MATEUS 17.12
tropeço, porque não cogitas das coisas de
Deus, e sim das dos homens/
O discípulo de Cristo deve levar a sua cruz
M c 8 .3 4 -9 .1 ; L c 9 .2 3-2 7
24 Então, disse Jesus a seus discípulos: Se
alguém5 quer vir após mim, a si mesmo se
negue, tome a sua cruz e siga-me.
25 Porquanto, quem quiser salvar1 a sua
vida perdê-la-á; e quem perder a vida por
minha causa achá-la-á.
26 Pois que aproveitará o homem se ga­
nhar o mundo inteiro e perder a sua alma?J3u
que dará o homem em troca da sua alma?u
27 Porque o Filho do Homem há de vir1
'
na glória de seu Pai, com os seus anjos, e,
então, retribuirá**' a cada um conforme as suas
obras.
28 Em verdade vos digo que alguns há,
dos que aqui se encontram, que de maneira
nenhuma passarão pela morte até que vejam
vir o Filho do Homem no seu reino/
A transfiguração
M c 9 .2 -8 ; L c 9.28-36
n
Seis dias depois, tomou Jesus con­
sigo a Pedro e aos irmãos Tiago e
João e os levou, em particular, a um alto
monte.)'
2 E foi transfigurado diante deles; o seu
16.23
r2Sm 19.22
16.24
JMU 0.38;
Lc 14.27
16.25
íMt 10.39;
Lc 17.33;
Jo 12.25
16.26
«SI 49.7-8
16.27
yMt 25.31
«'SI 62.12
16.28 «Mc 9.1
17.1 yMc 9.2
17.5 ^ls 42.1
°Mt 3.17;
12.18; Mc 1.11;
Lc 3.22 6(1-5)
2Pe 1.17-18
17.6 c2Pe 1.18
17.7 6Dn 8.18
17.9 fMt 16.20
17.10 íMI 4.5
17.11 9Ml 4.6;
At 3.21
17.12
6Mt 11.14
rosto resplandecia como o sol, e as suas ves­
tes tomaram-se brancas como a luz.
3 E eis que lhes apareceram Moisés e
Elias, falando com ele.
4 Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom
é estarmos aqui; se queres, farei aqui três ten­
das; uma será tua, outra para Moisés, outra
para Elias.
5 Falava ele ainda, quando uma nuvem
luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem,
uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado,
em quem me comprazo2; a ele ouvi°.b
6 Ouvindo-a os discípulos, caíram de bru­
ços, tomados de grande medo.c
7 Aproximando-se deles, tocou-lhes Je­
sus, dizendo: Erguei-vos e não temais!d -
8 Então, eles, levantando os olhos, a nin­
guém viram, senão Jesus.
A vinda de Elias
M c 9 .9-13
9 E, descendo eles do monte, ordenou-
lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até
que o Filho do Homem ressuscite dentre os
mortos/
10 Mas os discípulos o interrogaram: Por
que dizem, pois, os escribas ser necessário
que Elias' venha primeiro?
11 Então, Jesus respondeu: De fato, Elias
virá e restaurará todas as coisas.9
12 Eu, porém, vos declaro que Elias'* já
veio, e não o reconheceram; antes, fizeram
procura conseguir a salvação sem a cruz (Mc 8.34s).
• N. Hom. 16.24-27 Seguir a Jesus exige um novo rumo
na vida, que precisa ser: 1) Espontâneo e voluntário; 2) Em
direção a Jesus; 3) Com renúncia do eu; 4) Até à morte.
Cf 8.18-22; Lc 9.18-26n.
16.28 O Filho do homem no seu reino. Marcos interpreta:
"chegado com poder o Reino de Deus" (Mc 9.1). Os estágios
da revelação do Reino de Deus são: a transfiguração
(17.1-8); a ressurreição de Cristo; o dia de Pentecostes; a
destruição de Jerusalém; a segunda vinda com tudo ó que se
associa com ela; o fato de a transfiguração ser descrita logo em
seguida sugere que o cumprimento desta profecia jaz par­
cialmente aí, embora não haja dúvidas de que este seja um
início, um antegozo do futuro desenrolar, estágio após está­
gio, do estabelecimento do Reino de Deus (cf Lc 9.27n).
17.1 Seis dias depois. Ainda estavam subindo o Monte Her-
mon, desde Betsaida (16.5n), passando por Cesaréia de Filipe
(16.13), numa caminhada que pode ser descrita como um
retiro espiritual.
17.1-8 Esta experiência de um antegozo da glória divina era
uma revelação para Pedro, Tiago e João, sobre a natureza da
obra e do reino de Cristo. Jesus é visto por eles na Sua glória
divina (cf Jo 17.5), ladeado por Moisés, representando a Lei
de Israel, e por Elias, representando os Profetas. Jesus é reve­
lado como a realidade gloriosa à qual a totalidade do AT
apontava o cumprimento de toda a história da redenção,
desde o dia no qual Abraão foi chamado para obedecer a
Deus, abandonou tudo para receber a herança. Cf Gn 12.2,3;
15.4,5. Deus interveio para consolar Jesus que já estava no
caminho da crucificação (22-23 com 16-21), e também
para receber os discípulos a fim de continuarem firmes e con­
fiantes depois da ascensão de Cristo (cf 2 Pe 1.16-18, onde
Pedro descreve a experiência e cita-a como prova da divin­
dade dé Cristo).
17.5 Palavras para inspirar os discípulos e consolar a Cristo.
17.9 Do Monte. Algumas tradições dizem que era o Tabor,
mas o que contraria isto é que havia, na época de Jesus, uma
fortaleza romana dominando o monte. O caminho mais ló­
gico seria, rumo às alturas do Hermom, a 20km de Cesaréia
de Filipe e com quase 3.000 m de altura.
17.10-13 Os judeus estavam aguardando um segundo apa­
recimento de Elias antes da vinda do Messias (Ml 4.5), mas
Jesus demonstrou que era João Batista o cumpridor desta mis­
são profética (aliás, suas vestes e sua maneira de viver já apon­
tavam para o caráter de um Elias).
MATEUS 17.13 1358
com ele tudo quanto quiseram. Assim tam­
bém o Filho do Homem há de padecer nas
mãos deles.
13 Então, os discípulos entenderam que
lhes falara a respeito de João Batista.'
A cura de umjovem possesso
M c 9 .1 4-2 9 ; L c 9.37-42
14 E, quando chegaram para junto da mul­
tidão, aproximou-se dele um homem, que se
ajoelhou e disse:/
15 Senhor, compadece-te de meu filho,
porque é lunático e sofre muito; pois muitas
vezes cai no fogo e outras muitas, na água.
16 Apresentei-o a teus discípulos, mas
eles não puderam curá-lo.
17 Jesus exclamou: O geração incrédula e
perversa! Até quando estarei convosco? Até
quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o
menino.
18 E Jesus repreendeu o demônio, e este
saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o
menino curado.
19 Então, os discípulos, aproximando-se
de Jesus, perguntaram em particular: Por que
motivo não pudemos nós expulsá-lo?
20 E ele lhes respondeu: Por causa da pe­
quenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo
que, se tiverdes f é k como um grão de mos­
tarda, direis a este monte: Passa daqui para
acolá, e ele passará. Nada vos será impos­
sível.
21 [Mas esta casta não se expele senão por
meio de oração e jejum.]
De novo Jesus prediz a sua morte
e ressurreição
M c 9 .3 0-3 2 ; L c 9.43b-45
22 Reunidos eles na Galiléia, disse-lhes
17.13
'Mt 11.14
17.14/Mc 9.14
17.20
*Mt21.21;
Mc 11.23;
1C0 13.2
17.22
'Mt 16.21;
Lc 9.22,44
17.24
mÊx 30.13;
38.26
18.1 "Lc 22.24
18.3
°Mc 10.15;
Lc 18.17
18.4 pMt 20.27
Jesus: O Filho do Homem está para ser entre­
gue nas mãos dos homens;'
23 e estes o matarão; mas, ao terceiro dia,
ressuscitará. Então, os discípulos se entriste­
ceram grandemente.
Jesus paga imposto
24 Tendo eles chegado a Cafamaum, diri­
giram-se a Pedro os que cobravam 0 im­
posto™ das duas dracmas e perguntaram: Não
paga o vosso Mestre as duas dracmas?
25 Sim, respondeu ele. Ao entrar Pedro
em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Si-
mão, que te parece? De quem cobram os reis
da terra impostos ou tributo: dos seus filhos
ou dos estranhos?
26 Respondendo Pedro: Dos estranhos,
Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos.
27 Mas, para que não os escandalizemos,
vai ao mar, lança o anzol, e 0 primeiro peixe
que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acha­
rás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por
mim e por ti.
0 maior no reino dos céus
M c 9 .3 3-3 7 ; L c 9.46-48
1 Q Naquela hora, aproximaram-se de
X O Jesus os discípulos, perguntando:
Quem é, porventura, 0 maior" no reino dos
céus?
2 E Jesus, chamando uma criança, colo­
cou-a no meio deles. v
3 E disse: Em verdade vos digo que, se
não vos converterdes0 e não vos tomardes
como crianças, de modo algum entrareis no
reino dos céus.
4 Portanto, aquele que se humilhar como
esta criança, esse é o maior no reino dos
céus.P
17.14-21 Um jovem possesso. Local - 0 sopé do monte Her-
mom; hora - de madrugada; situação - a volta da experiên­
cia gloriosa, para a situação humana - a glória divina invade
as limitações da terra. O jovem era possuído por um espírito
mudo (Mc 9.17), e ainda era filho único (Lc 9.38). A multidão
incluía escribas que estavam discutindo com os discípulos que
nada conseguiam fazer para expulsar 0 demônio (Mc 9.14
e 18). A causa do fracasso dos discípulos, da atitude dos escri­
bas, da doença do menino, e do desespero do pai, era a
pouca fé.
17.22 Na Galiléia. No caminho de volta para Cafarnaum
(24). Este era já o segundo aviso de Cristo, antecipando o que
ia sofrer (cf 16.21). O último aviso está em 20.17-19. Os
discípulos eram demorados para entender esta parte da obra
de Cristo, e ainda no fim deixaram-se abalar quando estas
palavras de Cristo foram cumpridas (26.56,69-75).
17.24-27 O imposto era cobrado para 0 templo, cada ano,
no mês de março. Esta ocasião deve ter se dado no ano
28 d.C. Na moeda israelita equivalia à metade de um sido
por pessoa, na moeda grega internacional, duas dracmas, ou
dois dias de salário mínimo. Cada israelita de mais de 20 anos
de idade pagava imposto religioso, jesus, sendo o filho de
Deus, 0 dono do templo, não teria qualquer obrigação de
pagar este imposto (cf Lc 2.49). Para não dar, contudo, oca­
sião de os judeus o acusarem, e também para ensinar aos
discípulos (e a nós) a fidelidade nos deveres civis e religiosos,
mandou entregar 0 imposto (27; Rm 13.7). O milagre mostra
como o Pai providencia o necessário para Seus filhos. Estáter.
Uma moeda que valia quatro dracmas, suficiente para pagar
o imposto de duas pessoas.
1359
5 E quem receber uma criança, tal como
esta, em meu nome, a mim me recebe,9
18.5 iM t 10.42
18.6 rMc 9.42
Os tropeços
M c 9 .4 2-4 8 ; L c 17.1-2
6 Qualquer, porém, que fizer tropeçar a
um destes pequeninos que crêem em mim,
melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pes­
coço uma grande pedra de moinho, e fosse
afogado na profundeza do m ar/
7 Ai do mundo, por causa dos escândalos;
porque é inevitável que venham escândalos,
mas ai do homem pelo qual vem o es­
cândalo!5
8 Portanto, se a tua mão* ou o teu pé te
faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; me­
lhor é entrares na vida manco ou aleijado do
que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lan­
çado no fogo eterno.
9 Se um dos teus olhos“ te faz tropeçar,
arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entra­
res na vida com um só dos teus olhos do que,
tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.
A parábola da ovelha perdida
L c 1 5.3-7
10 Vede, não desprezeis a qualquer destes
pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus
anjos nos céus vêem incessantemente a face
de meu Pai celeste.1
'
18.7 JMt 26.24;
ICo 11.19
18.8 (Mt 5.30
18.9 «Mt 5.29
18.10 ‘-Et 1.14;
Zcl 3.7; Hb 1.14
18.11
»'Lc 19.10
18.12 *Lc 15.4
18.15
xLv 19.17;
Tg 5.20; 1Pe 3.1
18.16
^Dt 17.16;
19.15
18.17
°Rm 16.17;
ICo 5.9;
2Ts 3.6,14;
2Jo 1.10
18.18
“ Mt 16.19;
|o 20.23
11 [Porque o Filho do Homem" veio sal­
var o que estava perdido.]
12 Que vos parece? Se um homem tiver
cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não
deixará ele nos montes as noventa e nove,
indo procurar a que se extraviou?*
13 E, se porventura a encontra, em ver­
dade vos digo que maior prazer sentirá por
causa desta do que pelas noventa e nove que
não se extraviaram.
14 Assim, pois, não é da vontade de vosso
Pai celeste que pereça um só destes peque­
ninos.
Como se deve tratar a um irmão culpado
15 Se teu irmão pecar [contra ti], vai argiii-
lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a
teu irmão.)'
16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda
contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo
depoimento de duas ou três testemunhas7,
toda palavra se estabeleça.
17 E, se ele não os atender, dize-o à
igreja; e, se recusar ouvir também a igreja,
considera-o como gentio e publicano.0
18 Em verdade vos digo que tudo o que
ligardes6 na tenra terá sido ligado nos céus, e
tudo o que desligardes na terra terá sido desli­
gado nos céus.
19 Em verdade também vos digo que, se
MATEUS 18.19
18.6 Pequeninos, jesus singulariza a grandeza da humildade,
a singela dependência e a completa confiança no Pai Celes­
tial, tomando-a de uma criança a qual a deposita no pai ter­
restre como modelo. Pedra de moinho. Aquela que era movida
por um asno.
18.8,9 Qualquer capacidade física, mental ou espiritual que
nos leve ao afastamento de Deus, deixa de cumprir sua princi­
pal finalidade e é, até, um empecilho mortal.
18.10 A referência aos pequeninos pode ser tanto à criança
como aos neófitos na fé. O escândalo e o desprezo a estes
novos teria efeito negativo no exemplo ou ensino, afastando-
os da fé. O provocador de escândalos receberá o mais severo
julgamento de Deus (6.7). Seus anjos. Os anjos têm um minis­
tério especial de cuidar dos que não podem cuidar de si mes­
mos (cf Hb 1.14).
18.12-14 A parábola da ovelha perdida reforça ainda mais a
doutrina do terno cuidado que Deus tem para com cada indi­
víduo simples e humilde. E possível que jesus resuma aqui
uma parábola, por Ele contada em outras circunstâncias mais
pormenorizadamente (Lc 15.3-7n).
18.14 Da vontade de vosso Pai. O pai deseja que todos sejam
salvos. Mandou Seu Filho ao mundo para salvar, e não para
condenar. O homem que vai para o inferno, vai porque desde
já consente, direta ou indiretamente, nisso (25.41), e não
porque Deus o quer (1 Tm 2.4).
18.1 5 - 17 A disciplina da igreja: 1) Ouve testemunhas;
2) Trata da vida moral dos crentes, do "irmão": 3) Visa à re­
cuperação de um faltoso (cf Gl 6.1 -5 ); 4) Os membros de­
vem exortar-se mutuamente e em particular; 5) Outros
membros podem ser consultados; 6) Só no caso de não haver
arrependimento é que o caso deveria ser encaminhado às
autoridades da igreja; 7) Caso haja desrespeito à igreja, o cul­
pado deve ser excluído da comunhão e tratado como a um
pagão (o que não deixa de estar dentro do objetivo do amor).
• N. Hom. A prova da verdadeira conversão é a humildade
perante Cristo e perante os homens (18.3 e 10); a prova da
inimizade a Cristo também está no fato de alguém fazer a
algum outro tropeçar na fé (18.6-9).
18.16- 20 jesus dá grande importância à verdadeira união na
igreja. A disciplina impõe-se pela unidade da ação. A oração
atinge seu pleno valor quando feita em conjunto pelos cren­
tes. A congregação que se reúne em nome de Cristo é a que
O tem em seu meio. O ponto comum e central da fé, a pes­
soa de jesus Cristo, é Sua autoridade, Sua palavra, Seu amor,
e sendo Ele, assim, o alvo e o estimulador da fé cristã. Ele é o
fator básico da unidade.
18.19 O verdadeiro entendimento entre os seres humanos é
raro. Jesus só exige um acordo entre duas pessoas, mas a Sua
oração é que este acordo cristão seja estendido a todos os
crentes do mundo (Jo 17.21).
MATEUS 18.20 1360
dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a
respeito de qualquer coisa que, porventura, ^°3'22
pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai,
que está nos céus.c
20 Porque, onde estiverem dois ou três
reunidos em meu nome, ali estou no meio
deles. 18.21 «de 17.4
Quantas vezes se deve perdoar a um irmão
L c 17.3-4
21 Então, Pedro, aproximando-se, lhe per­
guntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão
pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até
sete vezes?d
22 Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que
até sete vezes, mas até setenta vezes sete.e
18.22 eMt 6.14;
Cl 3.13
A parábola do credor incompassivo
23 Por isso, o reino dos céus é semelhante
a um rei que resolveu ajustar contas com os
seus servos.
24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe
um que lhe devia dez mil talentos.
25 Não tendo ele, porém, com que pagar,
ordenou o senhor que fosse vendido ele, a
mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que
a dívida fosse paga.f
26 Então, o servo, prostrando-se reve­
rente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te
pagarei.
27 E o senhor daquele servo, compade­
cendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a
dívida.
28 Saindo, pofém, aquele servo, encon­
trou um dos seus conservos que lhe devia cem
18.25 f2Rs 4.1
18.35
gPv 21.13;
Mc 11.26
19.1 6Mc 10.1
19.2 >M
t 12.15
denários; e, agarrando-o, o sufocava, di­
zendo: Paga-me o que me deves.
29 Então, o seu conservo, caindo-lhe aos
pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te
pagarei.
30 Ele, entretanto, não quis; antes, indo­
se, o lançou na prisão, até que saldasse a
dívida.
31 Vendo os seus companheiros o que se
havia passado, entfisteceram-se muito e fo­
ram relatar ao seu senhor tudo que acon­
tecera.
32 Então, o seu senhor, chamando-o, lhe
disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dí­
vida toda porque me suplicaste;
33 não devias ta, igualmente, compade­
cer-te do teu conservo, como também eu me
compadeci de ti?
34 E, indignando-se, o seu senhor o entre­
gou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a
dívida.
35 Assim também meu Pai celeste vos
fará, se do íntimo não perdoardes cada um a
seu irmão.9
Jesus atravessa o Jordão
M c 10.1
1 Q E aconteceu que, concluindo Jesos
X V estas palavras, deixou a Galiléia e foi
para o território da Judéia, além do Jordão.*
2 Seguiram-no muitas multidões, e curou-
as ali.1
A questão do divórcio
M c 1 0.2-1 2 ; L c 16.18
3 Vieram a ele alguns fariseus e o experi-
18.21 Até sete vezes? Pedro quis ser generoso, pois as tradi­
ções dos rabinos falavam em perdoar até três vezes. A res­
posta de Jesus, tomando-se em consideração o que Pedro
disse, significa que o espírito de perdão vai muito além dos
mesquinhos cálculos humanos.
18.23-25 A parábola do credor sem compaixão, ensina a
Pedro o motivo pelo qual deve-se perdoar sem limites. Deus
perdoou-nos tanta coisa ao nos conceder o dom gratuito da
Salvação em Cristo, que qualquer ofensa que outro ser hu­
mano possa praticar contra nós, é irrisória, em comparação a
isto. Perdoá-lo seria o mínimo que poderíamos fazer, refle­
tindo, assim, algo da bondade divina que tem sido derra­
mada em nossas vidas (6.14,15).
18.24 Talentos. Cada um valia 6.000 denários, e seu con­
teúdo em prata valeria, hoje, acima de sete mil cruzeiros,
embora na época se comprasse muito mais em mercadorias.
A soma total era de 60 milhões de denários. • N. Hom. O
verdadeiro perdão: 1) Jesus ensinou-nos a perdoar sempre;
2) Isto refere-se espedalmente a ofensas praticadas conta
nós mesmos; 3) Pelo fato de também sermos pecadores, n ia
nos compete julgar com demasiado rigor às faltas do n a »
próximo; 4) Deus, finalmente, julgará a todos segundo S n
reta justiça: que será de nós se não praticarmos misericórdia?
(Tg 2.13).
19.1 Deixou a Caliléia. Pela última vez. Daí para a frente este
evangelho descreve o ministério de Jesus no caminho de Jev»-
salém (cf Lc 9.51 n).
19.3-12 A questão do divórcio, além do seu valor intrínseca
revestia-se de especial importância para os fariseus que vie­
ram provar a Jesus com um assunto que os dividia. Os segv-
dores de Hillel, permitiam ao homem servir-se de quaíqnr
pretexto para o divórcio, e os de Shammai afirmavam que ■
se podia admitir o divórcio em caso de adultério. Jesus, m
responder, superou à expectativa dos rabinos, assim como a
das regras civis, pelas quais Moisés permitiu divórcio legrt-
zado à pessoa que, moral e religiosamente, já estivesse sepa-
1361 MATEUS 19.22
mentavam, perguntando: É lícito ao mari­
do repudiar a sua mulher por qualquer mo­
tivo?
4 Então, respondeu ele: Não tendes lido
que o Criador, desde o princípio, os fez ho­
mem emulheri
5 e que disse:
Por esta causa deixará o homem pái e mãe
e se unirá a sua mulher, tomando-se os
dois uma só carne*?
6 De modo que já não são mais dois, po­
rém uma só carne. Portanto, o que Deus ajun­
tou não o separe o homem.
7 Replicaram-lhe: Por que mandou, então,
Moisés' dar carta de divorcio e repudiar?
8 Respondeu-lhes Jesus: Por causa da du­
reza do vosso coração é que Moisés vos per­
mitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não
foi assim desde o princípio.
9 Eu, porém, vos digo: quem repudiar™
sua mulher, não sendo por causa de relações
sexuais ilícitas, e casar com outra comete
adultério [e o que casar com a repudiada co­
mete adultério].
10 Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a
condição do homem relativamente à sua mu­
lher, não convém casar.n
11 Jesus, porém, lhes respondeu: Nem to­
dos são aptos para receber este conceito, mas
apenas aqueles a quem é dado.0 ’
12 Porque há eunucos de nascença; há ou­
tros a quem os homens fizeram tais; e há
outros que a si mesmos se fizeram eunucos,
por causa do reino dos céus. Quem é apto
para o admitir admita.P
19.4ÍGn 1.27;
5.2
Jesus abençoa as crianças
M c 10.13-16; L c 18.15-17
19.5 *Gn 2.24
19.7'Dt 24.1-4;
Mt 5.31
19.9 mMt 5.32;
1Co 7.10-11
19.10
"Pv 21.19
13 Trouxeram-lhe, então, algumas crian­
ças, para que lhes impusesse as mãos e
orasse; mas os discípulos os repreendiam. 9
14 Jesus, porém, disse: Deixai os pequeni­
nos, não os embaraceis de vir a mim, porque
dos tais é o reino dos céus/
15 E, tendo-lhes imposto as mãos, reti­
rou-se dali.
19.11 o1Co7.2
19.12
Pi Co 7.32
19.13
9Mc 10.13
19.14 rMt 18.3
19.16
sMc 10.17
19.18
'Êx 20.13;
Dt 5.17
“ 1x20.14;
Dl 5.18
x1x20.15;
Dt 5.19
"1x20.16;
Dt 5.20
19.19
*Ex 20.12;
Dt5.16
yLv 19.18
19.21 rMt 6.20;
At 2.45;
ITm 6.18-19
0 jovem rico
M c 10.17-22; L c 18.18-23 '
16 E eis que alguém, aproximando-se, lhe
perguntou: Mestre, que farei eu de bom, para
_alcançar a vida eterna?5
1 17 Respondeu-lhe Jesus: Por que me per­
guntas acerca do que é bom? Bom só existe
um. Se queres, porém, entrar na vida, guarda
jOSmandamentos.
18 E ele lhe perguntou: Quais? Respondeu
Jesus: Não matarás1, não adulterarás“, não
furtarásv, não dirás falso testemunho*;
19 honra a teu pai e a tua mãe* e amarás
o teu próximo>' como a ti mesmo.
20 Replicou-lhe o jovem: Tudo isso tenho
observado; que me falta ainda?
21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito,
vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás
um tesouro no céu; depois, vem e
segue-me.2
22 Tendo, porém, o jovem ouvido esta pa­
lavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas
propriedades.
rada do cônjuge. Ele raciocinou pelos princípios morais que
Deus dotara o mundo ao criar o homem. A intenção de Deus
não era só que as pessoas casadas ficassem juntas, mas tam­
bém que houvesse plena união do corpo e alma em amor.
Jesus não proibiu o segundo casamento da parte inocente, no
caso de adultério (9).
19.10-12 O ensinamento de jesus era difícil mesmo para os
doze, cuja atitude baseava-se no fato de que se as condições
eram tão severas, o caminho mais certo seria não casar. Nota-
se que Jesus dignificou o casamento muito acima do nível
então aceito, declarando ser o princípio e plano divinos, de
que o casamento seja indissolúvel. Os judeus, assim como os
demais orientais daquela época, tinham um conceito errôneo
a respeito das mulheres, quase compradas e até consideradas
como propriedade do esposo, jesus ressalta o valor da mu­
lher, iniciando uma humanização que se desenvolve até hoje.
19.12 jesus reconheceu o valor do celibato quando assumido
para melhor servir a Deus. Tinha entretanto, que ser voluntá­
rio. Sua prática depende do dom de Deus que capacita a
pessoa para esta vocação (1 Co 7.7). O celibato imposto por
decreto não é apoiado na Bíblia.
19.13 Impusesse as mãos. O gesto de transmitir a bênção; os
pais piedosos devem sempre buscar a bênção de Cristo para
seus filhos.
19.15 Retirou-se dali. Jesus estava prosseguindo viagem pela
Peréia, território além do Jordão, dominado por Herodes Anti­
pas. Ao longo do caminho parava em várias cidades e aldeias,
realizando Sua obra.
19.16-22 Lucas descreve este jovem como um homem de
posição (Lc 18.18), e Marcos menciona que, ao aproximar-se
correu e ajoelhou-se (Mc 10.17). Possuindo tudo o que se
podia desejar na terra, preocupava-se com a vida eterna. Não
cogitara a incompatibilidade entre o mundanismo e o reino
de Deus (Mt 6.33). A riqueza gera a soberba e rejeita a hu­
milde fé em Deus.
MATEUS 19.23 1362
O perigo das riquezas
M c 10.23-31; L c 18.24-30
23 Então, disse Jesus a seus discípulos:
Em verdade vos digo que um rico dificil­
mente entrará no reino dos céus.0
24 E ainda vos digo que é mais fácil pas­
sar um camelo pelo fundo de uma agulha do
que entrar um rico no reino de Deus.
25 Ouvindo isto, os discípulos ficaram
grandemente maravilhados e disseram: Sendo
assim, quem pode ser salvo?
26 Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes:
Isto é impossível aos homens, mas para Deus
tudo é possível.6
27 Então, lhe falou Pedro: Eis que nós
tudo deixamos e te seguimos; que será, pois,
de nós?c
28 Jesus lhes respondeu: Em verdade vos
digo que vós, os que me seguistes, quando, na
regeneração, o Filho do Homem se assentar6
no trono da sua glória, também yos assenta­
reis em doze tronose para julgar as doze tri­
bos de Israel.
29 E todo aquele que tiver deixado casas,
ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe [ou mu­
lher], ou filhos, ou campos, por causa do meu
nome, receberá muitas vezes mais e herdará a
vida eterna/
19.23
0Mt 13.22;
1Co 1.26;
1Tm 6.9-10
19.26
t>Gn 18.14;
|r 32.17; Lc 1.37
19.27 cDt 33.9;
Mc 10.28
19.28
°Mt 25.31
«•Lc22.30
19.29
fMc 10.29-30
19.30
9Mt20.16;
Lc 13.30
20.8 hLv 19.13;
Dt 24.15
30 Porém muitos primeiros serão últimos:
e os últimoss, primeiros.
A parábola dos trabalhadores na vinha
O O P°r9ue 0 reino dos céus é semelhante
s A I a um dono de casa que saiu de ma­
drugada para assalariar trabalhadores para a
sua vinha.
2 E, tendo ajustado com os trabalhadores a
um denário por dia, mandou-os para a vinha.
3 Saindo pela terceira hora, viu, na praça,
outros que estavam desocupados
4 e disse-lhes: Ide vós também para a vi­
nha, e vos darei o que for justo. Eles foram.
5 Tendo saído outra vez, perto da hora
sexta e da nona, procedeu da mesma forma.
6 e, saindo por volta da hora undécima,
encontrou outros que estavam desocupados c
perguntou-lhes: Por que estivestes aqui deso­
cupados o dia todo?
7 Responderam-lhe: Porque ninguém nos
contratou. Então, lhes disse ele: Ide também
vós para a vinha.
8 Ao cair da tarde, disse o senhor da vinha
ao seu administrador: Chama os trabalhadores
e paga-lhes o salário6, começando pelos últi­
mos, indo até aos primeiros.
9 Vindo os da hora undécima, recebe*
cada um deles um denário. •
W rC m .S íO Ã _______;
___
19.23 Dificilmente. |esus não disse que é impossível. O
grande tropeço é colocar as riquezas acima da responsabili­
dade que se tem perante Deus (cf Lc 18.26,27n). Abraão, Isa-
que e Jó eram homens de grandes posses, mas colocavam
Deus em primeiro lugar, sendo herdeiros das promessas de
Deus, às quais davam mais valor do que às riquezas materiais
(Hb 11.8-21).
19.24 Camelo pelo fundo de uma agulha. O camelo era o
maior animal comumente conhecido pelos judeus. Uns dizem
que se refere à impossibilidade de o camelo passar pela porta
pequena (ao lado do portão grande nos muros da cidade),
porta essa que um homem atravessa com dificuldade
(cf Mc 10.25n). • N. Hom. O perigo das riquezas: 1) Produ­
zem uma falsa segurança; 2) Algemam o homem a este
mundo; 3) Tendem a criar um espírito egoísta (1 Tm 6.9,10).
19.28 Regeneração. Cf At 3.20,21 n. Doze tribos. A Bíblia ex­
plica como as dez tribos do norte (Israel) perdidas por sécu­
los, antes de Cristo, pela mistura com gentios, serão
literalmente restauradas. Alguns pensam que esta frase repre­
senta a Igreja universal composta de judeus e gentios salvos
(cf Ap 7.4ss).
19.29 jesus promete que, todos os que tomam parte na Sua
batalha, compartilharão da Sua vitória. Em troca por tudo que
sacrificam, receberão, não posses materiais, mas novas rela­
ções humanas e divinas.
19.30 Haverá surpresas, no fim. Deus não julgará pelos pa­
drões dos homens.
20.3 Na praça. A praça pública, ponto de reunião para <s
que não tinham serviço, bem como operários avulsos.
20.5 Hora sexta. O dia, em Israel, estava dividido em quatra
partes iguais, convencionalmente chamadas "terceira hora".
9 horas da manhã; "a sexta hora", meio-dia; "a nona hora'.
15 horas; "o pôr do Sol", 18 horas. Cada dia não era igual no
verão e no inverno, por isso era raríssimo, senão difícil, especi­
ficar precisamente as horas; daí a necessidade da expressão
"undécima hora", v 9, que, atualmente, num mundo de pre­
cisão mecânica, equivaleria a "cinco para as seis". Veja 14.25o
para completar o quadro das horas da noite.
20.8 O salário, jesus está dando, aqui, a resposta à pergunta
de Pedro, de qual seria o galardão dos que deixam tudo pare
seguir a jesus (21.26-30).
20.9 Um denário. Salário diário dos soldados do Império Ro­
mano, portanto um "salário mínimo". O fato de os últimos
receberem em primeiro lugar mostra que os judeus, os pn-
meiros a receber a chamada divina, não seriam os primeiros a
receber o galardão final, pois a salvação não vem da herança
racial, nem humana, mas da generosidade e graça divinas
(15). Do mesmo modo, a salvação, em si, é algo tão precioso,
que não existe salvação de primeira classe, distinta de alguma
outra classe inferior de salvação. Ninguém tem o direito de
reclamar contra Deus. Ele é soberano em todas as suas deo-
10 Ao chegarem os primeiros, pensaram
que receberiam mais; porém também estes
receberam um denário cada um.
11 Mas, tendo-o recebido, murmuravam
contra o dono da casa,
12 dizendo: Estes últimos trabalharam
apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós,
que suportamos a fadiga e o calor do dia.
13 Mas o proprietário, respondendo, disse
a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não
combinaste comigo um denário?
14 Toma o que é teu e vai-te; pois quero
dar a este último tanto quanto a ti.
15 Porventura, não me é lícito fazer o que
quero do que é meu? Ou são maus os teus
olhos porque eu sou bom?'
16 Assim, os últimos serão primeiros/, e
os primeiros serão últimos [porque muitos são
chamados, mas poucos escolhidos].
Jesus ainda outra vezprediz
sua morte e ressurreição
l M c 1 0.32 -3 4; L c 18.31-33
17 Estando Jesus para subir a Jerusalém,
chamou à parte os doze e, em caminho, lhes
disse:*
18 Eis que subimos para Jerusalém, e o
Filho do Homem será entregue aos principais
sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à
morte.'
19 E o entregarão aos gentios para ser es­
carnecido, açoitado e crucificado; mas, ao ter­
ceiro dia, ressurgirá."1
O pedido da mãe de Tiago e João
M c 10.35-45
20 Então, se chegou a ele a mulher de
1363
Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pe­
diu-lhe um favor."
21 Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela
respondeu: Manda que, no teu reino, estes
meus dois filhos se assentem, um à tua direita,
e o outro à tua esquerda.0
22 Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que
pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou
para beber? Responderam-lhe: Podemos.p
23 Então, lhes disse: Bebereis o meu cá­
lice; mas o assentar-se à minha direita e à
minha esquerda não me compete concedê-lo;
é, porém, para aqueles a quem está preparado
por meu Pai.9
24 Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-
se contra os dois irmãos/
25 Então, Jesus, chamando-os, disse: Sa­
beis que os governadores dos povos os domi­
nam e que os maiorais exercem autoridade
sobre eles.
26 Não é assim entre vós; pelo contrário,
quem quiser tomar-se grande entre vós, será
esse o que vos sirva;5
27 e quem quiser ser o primeiro entre vós
será vosso servo;'
28 tal como o Filho do Homem, que não
veio para ser servido, mas para servir e dar a
sua vida em resgate por muitos."
A cura de dois cegos de Jerico
M c 1 0.46-52; L c 18.35-43
29 Saindo eles de Jerico, uma grande mul­
tidão o acompanhava.1
'
30 E eis que dois cegos, assentados à beira
do caminho, tendo ouvido que Jesus passava,
clamaram: Senhor, Filho de Davi, tem com­
paixão de nós!1
"
31 Mas a multidão os repreendia para que
MATEUS 20.31
20.15 'Dt 15.9;
Mt 6.23
20.16
/Mt 19.30;
Mc 10.31;
Lc 13.30
20.17
LMc 10.32;
Jo 12.12
20.18
'Mt 16.21
20.19
">Mt27.2;
Lc 23.1; At 3.13
20.20 "Mt 4.21
20.21
°Mt 19.28
20.22
pMt 26.39;
Mc 14.36;
|o 18.11
20.23
RMt 25.34;
Rm8.17;
2Co 1.7
20.24
rMc 10.41
20.26
iMt 23.11;
1Pe 5.3
20.27 t(26-27)
Mt 23.11;
Mc 9.35
20.28 u(24-28)
Lc 22.24-27
20.29
VMc 10.46
20.30 »Mt 9.27
sões. Tudo depende de Deus, e não de força ou obra hu­
mana (16).
20.17 Estando jesus para subir a Ierusalém. Em continuação à
viagem encetada desde que |esus deixou a Caliléia (19.1 n). É
a terceira vez que Jesus avisa os discípulos da Sua morte
(cf 17.22n).
20.20 A mulher de Zebedeu. Quando compararmos 27.56
com Mc 15.40 e Jo 19.25, chegamos à conclusão que seu
nome era Salomé, e que era irmã de Maria, mãe de Jesus,
Tiago e João seriam, então, primos de Jesus.
20.20-28 O pedido foi feito pela mãe com os filhos (Marcos
menciona os filhos, Mc 10.35) e era contra eles que os discí­
pulos se indignaram (24). O pedido ambicioso revelou um
conceito político do Reino de Deus e um desejo que não se
condiz com o espírito da fé cristã. • N. Hom. Os grandes no
reino de Deus: 1) Dos ambiciosos, Jesus exige sofrimento leal
até a morte; 2) Dos orgulhosos, exige o serviço mais humilde;
3) Dos grandes, exige submissão, como de um servo (lit "es­
cravo"), aos outros (Ef 5.21). A chave do comportamento
ideal é a atitude do próprio Cristo (28).
20.28 Em resgate por muitos. O grego lutron significa "preço
de libertação", o dinheiro pago em prol de um escravo para
que este possa sair livre. A vida de Cristo foi oferecida para
pagar a dívida do nosso pecado, para nos libertar e justificar
(2 Co 5.21). É o sacrifício de Cristo que nos salva (Is 53.6), e
não o martírio dos homens, muito embora, como Tiago, mor­
ram em prol do evangelho (At 12.2).
20.29-34 Somente Mateus nos informa que Jesus curou dois
cegos, curando talvez um deles quando saía da velha Jerico,
e o outro quando entrava na nova Jerico (cf Mc 10.46 com
Lc 18.35n).
MATEUS 20.32 1364
se calassem; eles, porém, gritavam cada vez
mais: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia
de nós!
32 Então, parando Jesus, chamou-os e
perguntou: Que quereis que eu vos faça?
33 Responderam: Senhor, que se nos
abram os olhos,
34 Condoído, Jesus tocou-lhes os olhos, e
imediatamente recuperaram a vista e o foram
seguindo.
21.1 *Zc 14.4;
Lc 19.29
21.5 vZc 9.9
21.6 ^Mc 11.4
21.7 °2Rs 9.13
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
Mc 11.1-11; Lc 19.28-40; Jo 12.12-15
^ 1 Quando se aproximaram de Jerusa-
zd- I lém e chegaram a Betfagé, ao monte
das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos,
dizendo-lhes:*
2 Ide à aldeia que aí está diante de vós e
logo achareis presa uma jumenta e, com ela,
um jumentinho. Desprendei-a e trazei-mos.
3 E, se alguém vos disser alguma coisa,
respondei-lhe que o Senhor precisa deles. E
logo os enviará.
4 Ora, isto aconteceu para se cumprir o
que foi dito por intermédio do profeta:
5 Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu
Rei, humilde, montado em jumento,
num jumentinho, cria de animal de
carga.)'
6 Indo os discípulos e tendo feito como
Jesus lhes ordenara,2
7 trouxeram a jumenta e o jumentinho.
Então, puseram em cima deles as suas vestes,
e sobre elas Jesus montou.0
21.8 9Lv 23.40
21.9
cS1118.25-26
21.10
OMc 11.15;
Jo2.13,15
21.11 *Mt2.23;
Jo 6.14
21.12
fDt 14.25;
Lc 19.45
21.13 9Is 56.7
9Jr 7.11
8 E a maior parte da multidão estendeu as
suas vestes pelo caminho, e outros cortavam
ramos de árvores, espalhando-os pela
estrada.b
9 E as multidões, tanto as que o precediam
como as que o seguiam, clamavam: Hosanac
ao Filho de Davi! Bendito o que vem em
nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!
10 E, entrando ele em Jerusalém, toda a
cidade se alvoroçou, e perguntavam: Quem é
este?d
11 E as multidões clamavam: Este é o pro­
feta Jesus, de Nazaré da Galiléia!"
A purificação do templo
Mc 11.15-17; Lc 19.45-46
12 Tendo Jesus entrado no templo, expul­
sou todos os que ali vendiam e compravam;
também derribou as mesas dos cambistas e as
cadeiras dos que vendiam pombas/
13 E disse-lhes; Está escrito:
A minha casa será chamada casa de ora­
ção?; vós, porém, a transformais em
covil de salteadoresh.
Jesus efetua curas no templo
14 Vieram a ele, no templo, cegos e co­
xos, e ele os curou.
15 Mas, vendo os principais sacerdotes e
os escribas as maravilhas que Jesus fazia e
os meninos clamando: Hosana ao Filho de
Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe:
16 Ouves o que estes estão dizendo? Res­
pondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes:
20.32 Que quereis. Jesus convida-nos a especificar nossos
pedidos.
21.1 Betfagé. Significa "Casa do Figo", cf Lc 19.29n. Começa
aqui o relatório da última semana da vida humana de Jesus.
21.2 Um jumentinho. A compaixão de Jesus não permitia que
o filhote fosse apartado de sua mãe, a jumenta, que passaria
a tomar parte da procissão. Não é aceitável, porém, a suges­
tão de que Mateus tenha escrito intencionalmente o v 5,
como uma alusão a dois animais.
21.3 O Senhor. Para os discípulos, era um título divino
(9.28n). Depois da confissão de Pedro (16.18), Jesus o empre­
gou como tal.
21.5 A aplicação da profecia mostra que Jesus foi identificado
como o Rei-Messias prometido; o povo compreendeu os
acontecimentos dessa maneira.
21.9 Hosana. Cr hõsanna, que translitera o tíeb hôshi' â nã',
"salva, por favor", que por fim veio a ser uma simples expres­
são do júbilo rejigioso.
21.10 Cm jerusalém. Naquela tarde, Jesus, olhando ao redor,
retirou-se e foi pernoitar em Betânia (Mc 11.11).
21.12 Na manhã de segunda-feira (Mc 11.12), Jesus conti­
nua a obra da moralização do templo, que havia dado início
ao Seu ministério em Jerusalém, três anos antes (Jo 2.14). A
profanação passou a invadir novamente o recinto sagrado.
Era necessário haver certa transação financeira para se pode­
rem vender sacrifícios e cambiar moedas do templo com os
que vinham de longe. Não era, porém, correto ocupar o re­
cinto inteiro com extorsionários que roubavam o dinheiro dos
peregrinos. O culto estava tornando-se apenas uma desculpa
para o comércio fraudulento: a venda dos animais cultual­
mente aceitáveis se realizava a preços bastante elevados. As
moedas estrangeiras não eram aceitáveis nas urnas (caixa das
ofertas), por serem cunhadas com imagens do imperador
(que era tido por um deus) ou de várias divindades.
21.14-17 No templo, muitos foram curados, e os sacerdotes
ficaram indignados ao presenciar os milagres que Jesus ope­
rava e as aclamações que recebia até mesmo de crianças.
Se os sacerdotes imaginaram que as crianças eram treinadas
para isto, foram rebatidos por Jesus, que mostrou ser, o lou­
vor dos pequenos inocentes, o mais puro, pois que Deus os
ilumina.
1365 MATEUS 21.33
Da boca de pequeninos e crianças de peito
tiraste perfeito louvor'?
17 E, deixando-os, saiu da cidade para
Betânia, onde pernoitou.!
21.16'Si 8.2
21.17
i Mc 11.11
A figueira semfruto
M c 11.12-14,20-24
18 Cedo de manhã, ao voltar para a ci­
dade, teve fome;*1
19 e, vendo uma figueira à beira do cami­
nho, aproximou-se dela; e, não tendo achado
senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça
fruto de ti! E a figueira secou imediata­
mente.1
20 Vendo isto os discípulos, admiraram-
se e exclamaram: Como secou depressa a fi­
gueira! m
21 Jesus, porém, lhes respondeu: Em ver­
dade vos digo que, se tiverdes fén e não duvi­
dardes, não somente fareis o que foi feito à
figueira, mas até mesmo, se a este monte dis­
serdes: Ergue-te e lança-te no mar, tal su­
cederá;
22 e tudo quanto pedirdes em oração,
crendo, recebereis.0
21.18
kMc 11.12
21.19
'Mc 11.13
21.20
mMc 11.20
21.21
"Mt 17.20;
1Co 13.2
21.22 oMt 7.7;
Lc 11.9; 1|o 3.22
21.23 pÊx 2.14;
U 20.1
A autoridade de Jesus e o batismo de João
M c 11.27-33; L c 2 0 .1 -8
23 Tendo Jesus chegado ao templo, es­
tando já ensinando, acercaram-se dele os
principais sacerdotes e os anciãos do povo,
perguntando: Com que autoridade fazes estas
coisas? E quem te deu essa autoridade??
24 E Jesus lhes respondeu: Eu também
vos farei uma pergunta; se me responderdes,
21.26
gMt 14.5;
Lc 20.6
21.31 'Lc 7.29
21.32 "Lc 3.12;
7.29-30
também eu vos direi com que autoridade faço
estas coisas.
25 Donde era o batismo de João, do céu
ou dos homens? E discorriam entre si: Se
dissermos: do céu, ele nos dirá: Então, por
que não acreditastes nele?
26 E, se dissermos: dos homens, é para
temer o povo, porque todos consideram João
como profeta. 9
27 Então, responderam a Jesus: Não sabe­
mos. E ele, por sua vez: Nem eu vos digo com
que autoridade faço estas coisas.
A parábola dos doisfilhos
28 E que vos parecei Um homem tinha
dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse:
Filho, vai hoje trabalhar na vinha.
29 Ele respondeu: Sim, senhor; porém
não foi.
30 Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a
mesma coisa. Mas este respondeu: Não
quero; depois, arrependido, foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pai?
Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus:
Em verdade vos digo que publicanos e mere­
trizes vos precedem no reino de Deus/
32 Porque João veio a vós outros no cami­
nho da justiça, e não acreditastes nele; ao
passo que publicanoss e meretrizes creram.
Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arre­
pendestes, afinal, para acreditardes nele.
A parábola dos lavradores maus
M c 1 2.1-1 2 ; L c 2 0.9-19
33 Atentai noutra parábola. Havia um ho-
21.18 Aqui, o incidente da figueira é narrado de uma só vez
(cf Mc 11.12,20). Segundo o Talmude, a figueira costumava
produzir figos duas vezes ao ano, sendo a primeira colheita
feita em abril. O incidente é uma ilustração dramática: 1) Da
maldição que cai sobre a hipocrisia (a aparência sem resul­
tado, as folhas sem os frutos que, no caso da figueira, viriam
antes); e 2) Do poder da oração da fé. A figueira, aqui, simbo­
liza a Israel, que tem a aparência, a tradição e o estofo religio­
sos, mas ao rejeitar seu Messias, será amaldiçoada.
21.23-27 Jesus recusa este tipo de pergunta que não é feita
com humildade e fé, mas como em um desafio, pois tinha, já,
feito tudo para revelar a presença do Reino de Deus entre os
homens. Uma revelação mais dramática não produziria a con­
versão, mas só a obediência provocada pelo terror. Jesus
passa a vencer os sacerdotes com o mesmo tipo de lógica que
estes praticavam.
21.25 A pergunta foi feita a |esus com o intuito de provocá-
lo a declarar que era o próprio Messias (e os sacerdotes pode­
riam, então, prendê-IO e entregá-IO aos romanos), ou a
negar que tivesse autoridade sobrenatural, passando, então,
a perder o apoio popular, Jesus, por sua vez, os convocou
a fazer uma declaração semelhante, acerca de João Batista, o
que não ousaram fazer (27). Nóo acreditastes nele? João teste­
munhou claramente acerca de Jesus, declarando que era o
Messias (Jo 1.32-34).
21.28-32 Vem agora a resposta parabólica de Jesus, em con­
testação à pergunta dos sacerdotes citada no v 23. A autori­
dade está com aqueles que realmente procuram e praticam a
vontade de Deus, por mais ignorantes e pecaminosos que
tenham sido no passado. Não está com aqueles que, apesar
de terem sido estabelecidos como autoridades eclesiásticas,
rejeitam a mensagem de Deus, o evangelho do Reino.
21.33 Noutra parábola. Cf Lc 20.9-16n. Jesus continua apre­
sentando, por parábola, Seu direito em responder à pergunta
dos sacerdotes no v 23. • N. Hom. "Os maus lavradores"
revela: 1) Acerca de Deus: a) Sua confiança nos homens;
b) Sua paciência; c) Seu julgamento; 2) Acerca dos homens:
a) seu privilégio; b) sua liberdade de ação; c) sua responsabi-
MATEUS 21.34 1366
mem, dono de casa, que plantou uma vinha'.
Cercou-a de uma sebe, construiu nela um la­
gar, edificou-lhe uma torre e arrendou-a a
uns lavradores. Depois, se ausentou do país.
34 Ao tempo da colheita, enviou os seus
servos aos lavradores, para receber os frutos
que lhe tocavam."
35 E os lavradores, agarrando os servos,
espancaram a um, mataram a outro e a outro
apedrejaram.1
'
36 Enviou ainda outros servos em maior
número; e trataram-nos da mesma sorte.
37 E, por último, enviou-lhes o seu pró­
prio filho, dizendo: A meu filho respeitarão.
38 Mas os lavradores, vendo o filho, dis­
seram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos,
matemo-lo e apoderemo-nos da sua he­
rança. w
39 E, agarrando-o, lançaram-no fora da
vinha e o mataram.*
40 Quando, pois, vier o senhor da vinha,
que fará àqueles lavradores?
41 Responderam-lhe: Fará perecer horri­
velmente a estes malvados e arrendará a vinha
a outros lavradores que lhe remetam os frutos
nos seus devidos tempos,y
42 Perguntou-lhes Jesus: Nunca lestes nas
Escrituras:
A pedra que os construtores rejeitaram,
essa veio a ser a principal pedra, angu­
lar; isto procede do Senhor e é maravi­
lhoso aos nossos olhos*?
21.33 M
s5.1-2
21.34
“ Ct 8.11-12
21.35
*'20 24.21;
Mt 5.12;
ITs 2.15;
Hb 11.36-37
21.38 »SI 2.2;
Mt 26.3; At 4.27
21.39
*Mt 26.50;
U 22.54;
At 2.23
21.41
vLc 20.16;
Rm9.1-33
21.42
*S1118.22-23
21.43 °Mt 8.12
21.44
6Is 8.14-15;
2c 12.3;
Rm 9.33;
IPe 2.8
21.46
cMt 21.11;
|o 7.40
22.1 “ Lc 14.16
22.4 ePv 9.2
43 Portanto, vos digo que o reino de Deus
vos será tirado e será entregue a um povo que
lhe produza os respectivos frutos.“
44 Todo o que cair sobre esta pedra ficará
em pedaços; e aquele sobre quem ela cair
ficará reduzido a pó.b
45 Os principais sacerdotes e os fariseus,
ouvindo estas parábolas, entenderam que era
a respeito deles que Jesus falava;
46 e, conquanto buscassem prendê-lo, te­
meram as multidões, porque estas o conside­
ravam como profeta.c
A parábola das bodas
^ De novo, entrou Jesus a falar por pa­
rábolas, dizendo-lhes:d
2 O reino dos céus é semelhante a um lã
que celebrou as bodas de seu filho.
3 Então, enviou os seus servos a chamar
os convidados para as bodas; mas estes não
quiseram vir.
4 Enviou ainda outros servos, com esta
ordem: Dizei aos convidados: Eis que já pre­
parei o meu banquete; os meus bois e cevados
já foram abatidos, e tudo está pronto; vinde
para as bodas.*
5 Eles, porém, não se importaram e se fo­
ram, um para o seu campo, outro para o se»
negócio;
6 e os outros, agarrando os servos, os mal­
trataram e mataram.
7 O rei ficou irado e, enviando as suas
lidade; d) seu pecado egoísta; 3) Acerca de Cristo: a) Seu di­
reito; b) Seu sacrifício consciente e voluntário.
21.34 Colheita. Simboliza o fruto da fé, virtudes religiosas.
21.35 Os judeus sempre perseguiam os profetas que fossem
requerer da mão deles, um comportamento moral e espiritual
perante Deus.
21.38 Sua herança. Seria loucura que os mordomos de uma
vinha pudessem imaginar que, ao assassinar o herdeiro da
mesma, pudessem passar a possuí-la. Esta, porém, ainda seria
maior loucura, a dos sacerdotes que agiam como se a crucifi­
cação do Filho de Deus lhes deixaria a herança de Israel por
conta deles.
21.41 Os judeus que não quisessem aceitar a verdadeira
mensagem de Deus, ficariam sem herança espiritual. (Note a
destruição do Templo e Jerusalém em 70 d .C ). A igreja redi­
mida passa a ganhar a herança do povo de Deus.
21.42-44 Jesus é a pedra fundamental para os que confes­
sam o Seu nome, e edificam suas vidas nEle, passando então
a fazer parte do edifício de Cristo, pedras vivas da Igreja
(cf 16.18n; At 4.11 n); para quem se recusa crer em Cristo, Ele
deixa de ser a pedra que alicerça esta vida. Toma-se-lhe pe­
dra de tropeço e condenação no julgamento (Is 8.14-15;
Lc20.17n; Rm 9.32; 1 Pe2.8). Mais tarde, Pedro mostrou
que Cristo era a sua pedra fundamentai para operar milagres,
pedra de cuja aceitação depende a salvação de cada u »
(At 4.11-12).
21.46 Temeram. Tinham medo de um tumulto e da opinião
pública.
22.2 Reino dos céus. Outras parábolas do Reino constam no
cap 13.
22.2-14 A proclamação do evangelho é como um comnle
insistente a uma festa maravilhosa. Ainda assim há pessoa
que o rejeitam.
22.6 Mataram. Lucas narra uma parábola semelhante, em
que compara o evangelho a uma festa (Lc 14.15-24); con­
sulte as notas nesse trecho. Parece que jesus repetiu a pam-
bola, agora em circunstâncias mais urgentes, e adicionou este
pormenor para ensinar aos fariseus qual era a atitude deles, e
qual seria seu fim por causa disso. Profetiza-se também a
perseguição dos cristãos.
22.7 Os inimigos declarados do evangelho serão extermina­
dos. Pode ser uma predição especifica a respeito da destnã-
ção de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C. Depois vem o
julgamento final. Os inimigos disfarçados, aqueles que parto-
1367 MATEUS 22.28
tropas, exterminou aqueles assassinos e lhes
incendiou a cidade/
8 Então, disse aos seus servos: Está pronta
a festa, mas os convidados não eram dignos.9
9 Ide, pois, para as encruzilhadas dos ca­
minhos e convidai para as bodas a quantos
encontrardes.
10 E, saindo aqueles servos pelas estradas,
reuniram todos os que encontraram, maus e
bons; e a sala do banquete ficou repleta de
convidados/
11 Entrando, porém, o rei para ver os que
estavam à mesa, notou ali um homem que não
trazia veste nupcial'
12 e perguntou-lhe: Amigo, como entraste
aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu.
13 Então, ordenou o rei aos serventes:
Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora,
nas trevas; ali haverá choro e ranger de
dentes/.
14 Porque muitos são chamados, mas pou­
cos, escolhidos/
22.7 'Dn 9.26
22.8 9Mt 10.11;
At 13.46
22.10
6Mt 13.38
22.11 '2Co 5.3;
Cl 3.10,12
22.13/Mt 8.12;
25.30
22.14
*Mt 20.16
A questão do tributo
M c 1 2.13-17; L c 2 0.20-26
22.15
'Mc 12.13
15 Então, retirando-se os fariseus, consul­
taram entre si como o surpreenderiam em al­
guma palavra/
16 E enviaram-lhe discípulos, juntamente
com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre,
sabemos que és verdadeiro e que ensinas o
caminho de Deus, de acordo com a verdade,
sem te importares com quem quer que seja,
porque não olhas a aparência dos homens.
22.21
mMt 17.25
22.23 "At 23.8
22.24 oDt 25.5
17 Dize-nos, pois: que te parece? É lícito
pagar tributo a César ou não?
18 Jesus, porém, conhecendo-lhes a malí­
cia, respondeu: Por que me experimentais, hi­
pócritas?
19 Mostrai-me a moeda do tributo. Trou­
xeram-lhe um denário.
20 E ele lhes perguntou: De quem é esta
efígie e inscrição?
21 Responderam: De César. Então, lhes
disse: Dai, pois, a César o que é de César e a
Deus o que é de Deus.m
22 Ouvindo isto, se admiraram e, dei­
xando-o, foram-se.
Os saduceus e a ressurreição
M c 12.18-27; L c 20.27-40
23 Naquele dia, aproximaram-se dele al­
guns saduceus, que dizem não haver ressur­
reição", e lhe perguntaram:
24 Mestre, Moisés disse:
Se alguém morrer, não tendo filhos, seu
irmão casará com a viúva e suscitará
descendência ao falecido0.
25 Ora, havia entre nós sete irmãos.
O primeiro, tendo casado, morreu e, não
tendo descendência, deixou sua mulher a seu
irmão; "
26 o mesmo sucedeu com o segundo, com
o terceiro, até ao sétimo;
27 depois de todos eles, morreu também a
mulher.
28 Portanto, na ressurreição, de qual dos
pam das atividades evangélicas sem a verdadeira conversão,
também perecerão.
22.11 Veste nupcial. Simboliza a justificação com a qual
Cristo reveste as pessoas que aceitam o dom gratuito da sal­
vação (Rm 13.14; Ap 19.8).
22.15 Retirando-se os fariseus. Ao responder ao desafio lan­
çado pelos fariseus, |esus tinha demonstrado Sua autoridade
divina, desmascarando os fariseus como inimigos de Deus
(21.23-22; 14); estes retiraram-se derrotados do debate.
22.16 Herodianos. Dificilmente podiam trabalhar com os fari­
seus, pois os partidários de Herpdes pouco se interessaram
pela Lei. Como os fariseus, entretanto, queriam a indepen­
dência civil e religiosa (Mc 3.6n). Os maus colaboram contra
o Sumo Bem.
22.17 Se Jesus dissesse "É licito pagar tributo a César", seria
considerado traidor do povo. Se dissesse "não", então isto
seria o suficiente para que os herodianos começassem a que­
rer entregar Jesus aos romanos.
22.21 A resposta de Jesus vai diretamente para princípios;
César tem direito aos impostos porque o próprio Deus o deu
(Rm 13.1 -7 ). Os governos deste mundo sustentam-se com
dinheiro colhido de impostos. O governo espiritual desen­
volve-se com a moeda eterna: amor, bondade, benignidade,
fé (veja notas sobre Lc 20.20,24,25). • N. Hom. O reino dos
céus não é deste mundo. Pertence a uma ordem de coisas
toda espiritual, que não entra em conflito com os poderes
terrestres naquilo que têm de legítimo. No tributo pago às
autoridades cívicas, apenas se lhes retribui algo daquilo que
oferecem.
22.23 Saduceus. O partido aristocrático que dominava a polí­
tica dos judeus, inclusive a posição do sumo sacerdote. Não
acreditavam nem em ressurreição, nem em anjos, nem na
imortalidade da alma; nisto diferiam dos fariseus. Agora vi­
nham copiosamente lançar contra Jesus sua dúvida predileta.
22.24-32 Os saduceus quiseram zombar da ressurreição.
Aceitando apenas o Pentateuco como autoridade, recorriam à
Lei do levirato (Dt 25.5), presumindo que seria aplicada nos
céus. Jesus dá a sua resposta dentro dos moldes do Penta­
teuco, tirando conclusões claras (Lc 20.28n).
MATEUS 22.29 1368
sete será ela esposa? Porque todos a despo­
saram.
29 Respondeu-lhes Jesus: Errais, não co­
nhecendo as Escrituras nem o poder de
Deus.P
30 Porque, na ressurreição, nem casam,
nem se dão em casamento; são, porém, como
os anjos no céu.9
31 E, quanto à ressurreição dos mortos,
não tendes lido o que Deus vos declarou:
32 Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de
Isaque e o Deus de Jacór? Ele não é
Deus de mortos, e sim de vivos.
33 Ouvindo isto, as multidões se maravi­
lhavam da sua doutrina,s
O grande mandamento
M c 12.28-31
34 Entretanto, os fariseus, sabendo que ele
fizera calar os saduceus, reuniram-se em con­
selho.1
35 E um deles, Intérprete da Lei, experi­
mentando-o, lhe perguntou:"
36 Mestre, qual é o grande mandamento
na Lei?
37 Respondeu-lhe Jesus:
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu
coração, de toda a tua alma e de todo o
teu entendimento*.
38 Este é o grande e primeiro manda­
mento.
39 O segundo, semelhante a este, é:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo1
*.
40 Destes dois mandamentos dependem
toda a Lei e os Profetas.*
22.29 p)0 20.9
22.30 91)0 3.2
22.32 rÊx 3.6
22.33 sMt 7.28
22.34
tMc 12.28
22.35 ufc 10.25
22.37 >'Dt 6.5
22.39
»Lv 19.18
22.40 *(34-40)
Lc 10.25-28
22.41
rMc 12.35
22.44ZS1110.1
22.46
aMc 12.34
23.2 *Ne 8.4;
Ml 2.7; Lc 20.45
23.3 cRm 2.19
23.4 "Lc 11.46;
Cl 6.13
23.5 *Mt 6.1
O Cristo, Filho de Davi
M c 12.35-37; L c 20.41-44
41 Reunidos os fariseus, interrogou-os
Jesus: y
42 Que pensais vós do Cristo? De quem é
filho? Responderam-lhe eles: De Davi.
43 Replicou-lhes Jesus: Como, pois,
Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor,
dizendo:
44 Disse o Senhor ao meu Senhor: As­
senta-te à minha direita, até que eu po­
nha os teus inimigos debaixo dos
teus pés?2
45 Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como
é ele seu filho?
46 E ninguém lhe podia responder pala­
vra, nem ousou alguém, a partir daquele dia,
fazer-lhe perguntas."
Jesus censura os escribas e osfariseus
M c 12.38-40; L c 11.37-52; 20.45-47
0 Então, falou Jesus às multidões e aos
seus discípulos:
2 Na cadeira de Moisés, se assentaram os
escribas e os fariseus.b
3 Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles
vos disserem, porém não os imiteis nas suas
obras; porque dizem e não fazem.c
4 Atam fardos pesados [e difíceis de carre­
gar] e os põem sobre os ombros dos homens;
entretanto, eles mesmos nem com o dedo que­
rem movê-los.d
5 Praticam, porém, todas as suas obras*
com o fim de serem vistos dos homens; pois
22.34-36 Os fariseus voltam agora à tona com sua dúvida
predileta. Haviam abstraído do AT 248 preceitos afirmativos
(em número idêntico ao total dos membros do corpo se­
gundo a enumeração dos judeus) e 365 negativos (cf dias do
ano). A soma é igual a um total de 613 (o número de letras
do Decálogo), e sempre debatiam a prioridade entre eles.
22.40 Mais uma vez, )esus abandonou a dialética de racioci­
nar dos fariseus e saduceus, para chegar diretamente a princí­
pios fundamentais, espirituais e eternos. Assim foi com a
pergunta sobre a autoridade, com a questão do tributo e no
assunto da ressurreição (21.23— 22.33).
22.41-45 Agora é Jesus quê levanta perguntas. Os fariseus
tinham estudado muito sobre a natureza do Messias, mas só
se demoravam nas esperanças que sugeriam que o Messias
seria um rei com poderes divinos para conceder a Israel toda
a riqueza e poder que se podia desejar. Conheciam o Messias
como o Filho de Davi, mas não o Senhor de Davi, nem Seu
domínio espiritual em amor e mansidão (Lc 20.42-44n).
22.46 Jesus era vitorioso na razão, no direito, na lei, na lógica
e no bom senso, mas na prática, no plano físico, os inimigos
o mataram.
23.2 Cadeira de Moisés. A autoridade legislativa que era de
Moisés.
• N. Hom. 23.3 Não os imiteis nas suas obras. 1) Não pra­
ticam o que pregam; 2) Dificultam a prática da Lei (4);
3) Fazem tudo para produzir falsas aparências (5); 4) Buscam
a primazia nas sinagogas (6); 5) Fazem questão de ser lison­
jeados (7); 6) Procuram hònra e glória (8,10).
23.5 Filactérios. Eram cápsulas, ou rolos de couro, que os ju­
deus usavam na testa, perto do coração, e no braço es­
querdo. Continham quatro passagens bíblicas: Êx 13.1-10,
e 11 -16; Dt 6.4-9; 11.13-21. A cápsula usada na testa tinha
quatro compartimentos com um destes textos gravado em
pergaminho em cada compartimento. A cápsula que se usava
no braço continha um único pergaminho com os quatro tex­
tos juntos. Honravam-se as cápsulas tanto quanto as próprias
Escrituras (imaginava-se que o próprio Deus usava filactérios),
e seu tamanho era considerado como um sinal de zelo de
1369
alargam os seus filactérios' e alongam as
suas franjas®.
6 Amam o primeiro lugar nos banquetes e
as primeiras cadeiras nas sinagogas,h
7 as saudações nas praças e o serem cha­
mados mestres pelos homens.
8 Vós, porém, não sereis chamados mes­
tres, porque um só é vosso Mestre, e vós
todos sois irmãos.'
9 A ninguém sobre a terra chameis vosso
pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está
nos céus./
10 Nem sereis chamados guias, porque
um só é vosso Guia, o Cristo.
11 Mas o maior* dentre vós será vosso
servo.
12 Quem a si mesmo se exaltar' será hu­
milhado; e quem a si mesmo se humilhar será
exaltado.
23.5 'Dt 6.8
9Nm 15.38
23.6
AMc 12.38-39;
3)0 1.9
23.8'2Co 1.24;
1Pe 5.3
23.9/MM.6
23.11
*Mt 20.26-27;
Mc 9.35;
10.43-44;
Lc 22.26
23.12
'Lc 14.11; 18.14
23.13
">Lc 11.52
23.14
"Mc 12.40;
2Tm 3.6; Tt 1.11
Várias advertências de Jesus
13 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­
tas, porque fechais o reino dos céus diante dos
homens; pois vós não entrais, nem deixais
entrar os que estão entrando!m
14 [Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­
tas, porque devorais as casas das viúvas e,
para o justificar, fazeis longas orações; por
isso, sofrereis juízo muito mais severo!]"
15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­
tas, porque rodeais o mar e a terra para fazer
um prosélito; e, uma vez feito, o tomais filho
do inferno duas vezes mais do que vós!
16 Ai de vós, guias cegos, que dizeis;
Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas,
23.16
oMt 5.33-34
23.17
pÊx 30.29
23.19
4Êx 29.37
23.21
"1Rs 8.13;
2Cr 6.2
23.22 Us 66.1;
Mt 5.34
23.23 'Lv 27.30
23.25 "Mc 7.4
23.27 "At 23.3
se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica
obrigado pelo que jurou!0
17 Insensatos e cegos! Pois qual é maior;
o ouro ou o santuário que santifica o ouro?P
18 E dizeis: Quem jurar pelo altar, isso é
nada; quem, porém, jurar pela oferta que está
sobre o altar fica obrigado pelo que jurou.
19 Cegos! Pois qual é maior; a oferta ou o
altar que santifica a oferta?9
20 Portanto, quem jurar pelo altar jura por
ele e por tudo o que sobre ele está.
21 Quem jurar pelo santuário jura por ele
e por aquele que nele habita/
22 e quem jurar pelo céu jura pelo trono
de Deus5 e por aquele que no trono está
sentado.
23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­
tas, porque dais o dízimo' da hortelã, do en­
dro e do cominho e tendes negligenciado os
preceitos mais importantes da Lei; a justiça, a
misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas
coisas, sem omitir aquelas!
24 Guias cegos, que coais o mosquito e
engolis o camelo!
25 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­
tas, porque limpais o exterior do copo e do
prato, mas estes, por dentro, estão cheios de
rapina e intemperança!"
26 Fariseu cego, limpa primeiro o interior
do copo, para que também o seu exterior fi­
que limpo!
27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­
tas, porque sois semelhantes aos sepulcros
caiadosv, que, por fora, se mostram belos,
MATEUS 23.27
quem o usava. Também eram considerados como amuletos
para evitar o mal. Franjas. São as borlas descritas em
Nm 15.37-41, usadas de maneira singular, como lembrete
visível da profissão religiosa dos judeus e que também jesus
usava (cf Mt 9.20 onde se traduz por "orla"). Os fariseus de­
senvolveram esse costume até sobrecarregá-lo de minúcias,
esquecendo-se porém da sua singela mensagem espiritual.
• N. Hom. 23.13-31 "Ai" é uma exclamação de jesus, pro­
funda, penetrante e enérgica, que parte do coração do
Mestre contra a hipocrisia dos fariseus e escribas. São oito,
aqui; 1) O ai contra a impenitência dos fariseus (13); 2) O ai
contra a avareza dos fariseus (14); 3) O ai contra o zelo cego
dos fariseus em conseguir adeptos (15); 4) O ai contra os jura­
mentos levianos dos fariseus que invalidavam a lei (16-22);
5) O ai contra o grande valor que os fariseus davam aos por­
menores legais em detrimento dos valores reais (23-24); 6) O
ai contra a aparência exterior ostentada pelos fariseus
(25-26); 7) Idem (27-28); 8) O ai contra a veneração hipó­
crita que os fariseus tinham para com os profetas (29-36).
23.23 Hortelã. Usada para cobrir o chão nas casas e sinago­
gas, e como especiaria. Endro. Planta medicinal perfumada.
Cominho. Sementes de erva doce, de vários usos culinários. As
três hortaliças teriam algum valor comercial, mas o dízimo
obtido seria o mínimo. Os fariseus, ao se mostrarem zelosos
nos pormenores, pensaram que podiam esconder, de si mes­
mos e de Deus, o fato de não estarem à altura da verdadeira
religião.
23.24 Os insetos eram cerimoniálmente imundos. Mas um
camelo também o era, e ainda, o maior animal imundo co­
nhecido por eles. Este versículo, cujo sentido figurado salienta
a prática de deixar passar grandes erros enquanto se evitavam
os pequenos.
23.27 Sepulcros caiados. Simples túmulos no chão eram caia­
dos na época da vinda dos peregrinos, por ocasião da Páscoa,
para que os estranhos não pisassem neles, tornando-se, as­
sim, cerimonialmente imundos e excluídos entãò da celebra­
ção religiosa. Era justamente naquela época do ano que jesus
estava falando.
MATEUS 23.28 1370
mas interiormente estão cheios de ossos de
mortos e de toda imundícia!
28 Assim também vós exteriormente pare­
ceis justos aos homens, mas, por dentro, es­
tais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.
29 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­
tas, porque edificais os sepulcros dos profe­
tas, adornais os túmulos dos justos*'
30 e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias
de nossos pais, não teríamos sido seus cúm­
plices no sangue dos profetas!
31 Assim, contra vós mesmos, testificais
que sois filhos dos que mataram os profetas.*
32 Enchei vós, pois, a medida de vossos
pais.z
33 Serpentes, raça de víboras2! Como es­
capareis da condenação do inferno?
34 Por isso, eis que eu vos envio profetas,
sábios e escribas. A uns matareis e crucifica­
reis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas
e perseguireis de cidade em cidade;0
35 para que sobre vós recaia todo o san­
gue justo derramado sobre a terra, desde o
sangue do justo Abel6 até ao sangue de Zaca­
rias0, filho de Baraquias, a quem matastes
entre o santuário e o altar.
36 Em verdade vos digo que todas estas
coisas hão de vir sobre a presente geração.
O lamento sobre Jerusalém
Lc 13.34-35
37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os
profetas e apedrejas os que te foram enviados!
Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos,
como a galinha ajunta os seus pintinhos de­
baixo das asas, e vós não o quisestes!0
23.29
»4x11.47
23.31
"At 7.51-52;
lTs 2.15
23.32
/Gn 15.16;
lTs 2.16
23.33 ^Mt 3.7;
Lc 3.7
23.34
°Mt 10.17;
At 5.40;
2Co 11.24-25
23.35 6Gn 4.8
c2Cr 24.20-21
23.37
°Dt 32.11-12;
2Cr 24.21;
Lc 13.34
23.39
‘ S1118.26
24.1 fMc 13.1
24.2g1Rs 9.7;
Mq 3.12
24.3 6Mc 13.3;
ITs 5.1
24.4 <
Ef5.6;
2Ts 2.3; 1Jo 4.1
24.5/jr 14.14;
Jo 5.43
24.7 *2Cr 15.6;
Ag 2.22
38 Eis que a vossa casa vos ficará deserta.
39 Declaro-vos, pois, que, desde agora, já
não me vereis, até que venhais a dizer:
Bendito o que vem em nome do Senhor0!
O sermão profético
A destruição do templo ,
M c 1 3 .1 -2 ; L c 2 1 .5 -6
O A Tendo Jesus saído do templo, ia-se
i retirando, quando se aproximaram
dele os seus discípulos para lhe mostrar as
construções do templo/
2 Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo
isto? Em verdade vos digo que não, ficará aqui
pedra sobre pedra que não seja derribada.9
0 princípio das dores
M c 1 3 .3 -1 3 ; L c 2 1.7-19
3 No monte das Oliveiras, achava-se Je­
sus assentado, quando se aproximaram dele
os discípulos, em particular, e lhe pediram:
Dize-nos quando sucederão estas coisas e que
sinal haverá da tua vinda e da consumação do
século.h
4 E ele lhes respondeu: Vede que ninguém
vos engane.1
__________
, 5 Porque virão muitos em meu nome, di­
zendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a
muitos./
1 b b., certamérite, oüvireislalar de guerras
e rumores de guerras; vede, não vos assusteis,
porque é necessário assim acontecer, mas
ainda não é o fim.
7 Porquanto se levantará nação contra na­
ção, reino contra reino, e haverá fomes e ter­
remotos em vários lugares;*
23.35 A té.. . Zacarias. Se é o Zacarias cujo livra consta na
Bíblia, então é só aqui que se registra seu martírio. Se é o
Zacarias mencionado em 2 Cr 24.17-22, então historica­
mente não seria o último caso de perseguição contra os pro­
fetas, pois a data do assassinato é 796 a .C ; Jesus pode ter
citado Zacarias como o último registrado nas Escrituras (pois
na Bíblia hebraica os livros das Crônicas constam por último).
23.37 lerusaiém. Reconhecimento pleno da rejeição dos ju­
deus (cf Jo 1.11). Deus fez tudo para Seu povo, mas este re­
jeitou a Jesus.
23.38 Vossa casa. A cidade e a nação seriam assoladas em
70 d.C.
23.39 A salvação dos judeus não tem outro caminho senão a
confissão do Senhor Jesus Cristo, reconhecendo-o como Sal­
vador e Filho de Deus. Os líderes religiosos terão de participar
do júbilo das multidões, descrito em 21.9, e não confiar na
sua própria religiosidade.
24.1 Depois desta luta, Jesus, saindo do templo, revela aos
discípulos que de nada adiantou a bela construção se o tem­
plo era um lugar onde hão se buscava conhecer a Deus, me­
diante Seu Filho.
24.3-31 O fim do mundo; "a consumação do século". Os
discípulos fazem indagações sobre "quando" e "que sinal ha­
verá" relativo à destruição de Jerusalém, a segunda vinda de
Jesus, e o fim dó mundo. Os três assuntos pertencem um ao
outro, sendo, o julgamento de Jerusalém, apenas um passo
na direção da consumação final. Destacam-se os w 15-20
como conselhos para a atitude dos crentes a ser tomada na
invasão de Jerusalém (70 d.C.), instruções estas que os cren­
tes seguiram à risca. A volta de Jesus marca o fim da ordem
mundana. Antes disso, porém, aparecerão enganadores, fal­
sos cristos, guerras, fome e terremotos, tribulações, falsos pro­
fetas, multiplicação da iniqüidade, esfriamento do amor a
Deus. Todos estes sinais apenas criam o ambiente para a ma­
nifestação do grande sinal, a pregação do evangelho até aos
confins do mundo (14; cf 28.18-20). Então virá o fim.
1371 MATEUS 24.32
8 porém tudo isto é o princípio das dores.
9 Então, sereis atribulados, e vos matarão.
Sereis odiados de todas as nações, por causa
do meu nome.'
10 Nesse tempo, muitos hão de se escan­
dalizar, trair e odiar uns aos outros;™
11 levantar-se-ão muitos falsos profetas e
enganarão a muitos."
12 E, por se multiplicar a iniqüidade, o
amor se esfriará de quase todos.
13 Aquele, porém, que perseverar até o
fim, esse será salvo.0
14 E será pregado este evangelho do reino
por todo o mundo, para testemunho a todas as
nações. Então, virá o fim.P
A grande tribulação
Mc 13.14-23; Lc 21.20-23
15 Quando, pois, virdes o abominável da
desolação? de que falou o profeta Daniel, no
lugar santo (quem lê entenda),
16 então, os que estiverem na Judéia fu­
jam para os montes;
17 quem estiver sobre o eirado não desça
a tirar de casa alguma coisa;
18 e quem estiver no campo não volte
atrás para buscar a sua capa.
19 Ai das que estiverem grávidas e das
que amamentarem naqueles dias!''
20 Orai para que a vossa fuga não se dê no
inverno, nem no sábado;
21 porque nesse tempo haverá grande tri­
bulação5, como desde o princípio do mundo
até agora não tem havido e nem haverá
jamais.
22 Não tivessem aqueles dias sido abre­
viados, ninguém seria salvo; mas, por causa
dos escolhidos, tais dias serão abreviados.f
24.9'Mt 10.17;
Lc 21.12;
At 4.2-3;
IPe 4.16
24.10
mMt 11.6;
2Tm 1.15
24.11 "Mt4.5;
At 20.29;
1Tm 4.1;
2Pe2.1
24.13
0Mt 10.22;
Hb 3.6,14
24.14
pMt 4.23;
Cl 1.6,23
24.15
íDn 9.27;
11.31; 12.11
24.19 rLc 23.29
24.21 sDn 12.1;
Ap 7.14
24.22 M
s 65.8-9
24.23
"Mc 13.21
24.24''Dt 13.1;
|o 6.37;
2Ts 2.9-11;
2Tm 2.19;
Ap 13.13
24.27
"Lc 17.24
24.28 *|ó 29.30
24.29 Vis 13.10;
Ez 32.7; Jl 2.31;
Ap 6.12-13
24.30
zDn 7.13;
Ap 1.7
24.31
°Mt 13.41;
1Co 15.52;
U s4.16
24.32
6Lc 21.29
23 Então, se alguém vos disser: Eis aqui o
Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;"
24 porque surgirão falsos cristos e falsos
profetas operando grandes sinais e prodígios
para enganar, se possível, os próprios
eleitos.v
25 Vede que vo-lo tenho predito.
26 Portanto, se vos disserem: Eis que ele
está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no inte­
rior da casa!, não acrediteis.
27 Porque, assim como o relâmpago sai
do oriente e se mostra até no ocidente, assim
há de ser a vinda do Filho do Homem."
28 Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão
os abutres."
A vinda do Filho do Homem
Mc 13.24-27; Lc 21.25-28
29 Logo em seguida à tribulação daqueles
dias, o sol escurecerá)', a lua não dará a sua
claridade, as estrelas cairão do firmamento, e
os poderes dos céus serão abalados.
30 Então, aparecerá no céu o sinal do Fi­
lho do Homem; todos os povos da terra se
lamentarão e verão o Filho do Homem vindo
sobre as nuvens* do céu, com poder e muita
glória.
31 E ele enviará os seus anjos, com grande
clangor de trombeta, os quais reunirão os seus
escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra
extremidade dos céus.0
A parábola da figueira.
Exortação à vigilância
Mc 13.28-37; Lc 21.29-36
32 Aprendei, pois, a parábola da figueira:
quando já os seus ramos se renovam e as
folhas brotam, sabeis que está próximo o
verão.b
24.8 O princípio das dores. Estes versículos descrevem a situa­
ção imediatamente anterior à destruição de Jerusalém e tudo
isto era prelúdio aos outros acontecimentos que se desenrola­
riam no decurso da história do mundo.
24.15 O abominável da desolação. Cr bdelugma tês erémõ-
seõs, referindo-se ao heb shiqquç shõmêm (Dn 12.11), que se
traduz "a coisa abominável que causa espanto (ou horror)". A
referência seria alguma forma horrível de idolatria como se
verificou quando o rei Antíoco Epifânio erigiu um altar a Zeus
no lugar do altar de )eová (1 Macabeus 1.54-59; 6.7; 2 Ma-
cabeus 6.1-5) em 170 a. C. também no ano 70 d.C. os ro­
manos ofereceram sacrifícios pagãos em Jerusalém, ao
proclamar Tito como imperador. Contrário às ordens de Tito,
o templo passou a ser totalmente destruído conforme a des­
crição profética do v 2.
24.16 Os crentes, de fato, refugiaram-se em Pela, na região
de Decápolis, mesmo quando parecia que os romanos não
tomariam a cidade.
24.24 Compare com a pessoa do anticristo descrita em
2 Ts 2.9-10.
24.27-31 Apesar da pregação dos muitos falsos cristos nin­
guém deve se deixar iludir, pois na Sua segunda vinda, Jesus
não virá nascer novamente como infante, no berço. O brilho
da Sua presença encherá o horizonte (27 e 30). O arrebata­
mento descreve-se no v 31 (cf 1 Co 15.12; 1 Ts 4.16,17).
24.32 Assim como a figueira dá o sinal da chegada do verão,
assim também estes acontecimentos devem nos preparar
para a vinda de Cristo, não nos deixando apanhar de surpresa
(33-42).
MATEUS 24.33 1372
33 Assim também vós: quando virdes to­
das estas coisas, sabei que está próximo, às
portas.c
34 Em verdade vos digo que não passará
esta geração sem que tudo isto aconteça.d
35 Passará o céu e a terra, porém as mi­
nhas palavras não passarão.e
36 Mas a respeito daquele dia e hora nin­
guém sabe, nem os anjos dos céus, nem o
Filho, senão o Pai/
37 Pois assim como foi nos dias de Noés,
também será a vinda do Filho do Homem.
38 Porquanto, assim como nos dias ante­
riores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam
e davam-se em casamento, até ao dia em que
Noé entrou na arca/
39 e não o perceberam, senão quando veio
o dilúvio' e os levou a todos, assim será
também a vinda do Filho do Homem.
40 Então, dois estarão no campo, um será
tomado, e deixado o outro/
41 duas estarão trabalhando num moinho,
uma será tomada, e deixada a outra.
42 Portanto, vigiai, porque não sabeis em
que dia vem o vosso Senhor.k .
43 Mas considerai isto: se o pai de família
soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria
e não deixaria que fosse arrombada a sua
casa/
24.33 cStg 5.9
24.34
<?M
t 16.28;
U 21.32
24.35
«SI 102.26;
|r 31.35-36;
Mc 13.31;
Hbl.11
24.36 >U 14.7;
At 1.7; 1Ts 5.2;
2Pe3.10
24.37
9Cn 6.5-8
24.38
*Gn 6.3-5;
1Pe 3.20
24.39
íCn 7.6-24
24.40 /Lc 17.34
24.42
*Mc 13.33
24.43
ILc 12.39;
ITs 5.2;
2Pe3.10
24.44 (42-44)
Lc 12.35-40.
24.45
nLc 12.42;
K o 4.2; Hb 3.5
24.46
<
>
A
p16.15
24.47
pMt 25.21;
Lc 22.29
24.51 gMt8.12
25.1 'Hf 5.29-30
44 Por isso, ficai também vós apercebi­
dos; porque, à hora em que não cuidais, o
Filho do Homem virá.m
A parábola do bom servo e do mau
L c 12.42-46
45 Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a
quem o senhor confiou os seus conservos para
dar-lhes o sustento a seu tempo?"
46 Bem-aventurado aquele servo a quem
seu senhor, quando vier, achar fazendo
assim.0
47 Em verdade vos digo que lhe confiará
todos os seus bens.P
48 Mas, se aquele servo, sendo mau, dis­
ser consigo mesmo: Meu senhor demora-se,
49 e passar a espancar os seus companhei­
ros e a comer e beber com ébrios,
50 virá o senhor daquele servo em dia em
que não o espera e em hora que não sabe
51 e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte
com os hipócritas; ali haverá choro e ranger
de dentes.“
?
A parábola das dez virgens
^ ^ Então, o reino dos céus será seme­
lhante a dez virgens que, tomando as
suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o
noivo/
24.34 Esta geração. Cr genea. Significa: 1) As pessoas que
viviam numa certa época da história que os hebreus calcula­
vam 40 anos (lapso de tempo atribuído a cada geração). As
pessoas que viviam na época de Jesus, de fato, chegaram a
ver a destruição de Jerusalém, com todos os seus horrores,
dentro de 40 anos; 2) Significa também "raça", "família", ou
"tipo de vida". A raça dos judeus ainda existirá como nação
distinta até a vinda de Cristo.
24.33-42 Ensina-se a vigilância. Consciência do que está
acontecendo, esperando ansiosamente pela volta do Rei, en­
quanto se trabalha em prol do Seu Reino; cuidado tomado
para que nosso ensinamento e nossa vida estejam à altura de
tão grandiosas revelações. Nunca se sabe quando alguém
está para ser "levado" por morte súbita, ou arrebatado
quando Cristo voltar (39 e 41). Um total de seis parábolas
ilustram a necessidade de haver esta atitude de vigilância:
1) O porteiro, Mc 13.35-37; 2) O pai da família,
Mt 24.43-44; 3) O servo fiel, 24.45-51; 4) As dez virgens,
25.1 -13; 5) Os talentos, 25.14-30; 6) As ovelhas e os bodes,
25.31 -4 6. O vigiar, segundo se vê aqui, inclui o fiel exercício
de todas as virtudes cristãs: aguardar a volta de Cristo, cum­
prindo o dever, desenvolvendo talentos e amparando os
aflitos.
24.43 Jesus mostra como é óbvio e lógico, alguém se prepa­
rar para uma emergência, quando sabe a hora que esta vai
surgir. Mas emergências espirituais estão dentro da alçada de
Deus (36). A nossa parte é ficar em constante prontidão.
24.44 É erróneo tentar calcular uma data para a vinda de
Cristo. É mais errôneo ainda negligenciar este acontecimento,
deixando de prepararmo-nos. A expectativa da vinda de
Cristo transforma a vida cristã, no sentido de comunicar-lhes
mais urgência e vivacidade. Seria um erro aplicar estas pala­
vras somente à hora da vinda de Cristo: a atitude de vigilante
fidelidade aos preceitos de Cristo sempre vale, sempre trans­
forma a vida no mundo. A parábola do bom servo e do mau
ensina como o servo de Cristo deve viver (45-51).
24.51 Hipócritas. O contexto revela o hipócrita como aquele
cuja vida não está à altura da sua alegada fidelidade a Cristo
(cf 6.16n).
25.1-13 A parábola das dez virgens continua a mensagem
de Jesus sobre a expectativa da vinda de Cristo, e sobre o
estado de preparo e vigilância que se exige da parte dos cren­
tes. A mensagem é também um apelo aos israelitas para que
venham a "esperar" o Noivo Eterno, a ter uma verdadeira fé
em Cristo como Salvador. Na hora da vinda de Cristo, reve­
lar-se-á quais são os crentes verdadeiros que confiam em
Cristo e aguardam a Sua vinda, e quais são aqueles cuja pro­
fissão religiosa não inclui a "vigilância" - a fé transformadora
em Cristo. O certo é que o trecho não está ensinando que
Cristo arrebatará alguns membros das igrejas e deixará para
trás os demais que não estiverem preparados. Pois se "vir­
gens" significa "crentes", como é que Jesus falaria: "Não vos
conheço"? Se as últimas cinco ficaram sem óleo" (o Espírito),
então não eram crentes (cf 24.13; Hb 3.13,14). -
1373
2 Cinco dentre elas eram néscias, e cinco,
prudentes.5
3 As néscias, ao tomarem as suas lâmpa­
das, não levaram azeite consigo;
4 no entanto, as prudentes, além das lâm­
padas, levaram azeite nas vasilhas.
5 E, tardando o noivo, foram todas toma­
das de sono e adormeceram/
6 Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito:
Eis o noivo! Saí ao seu encontro!“
7 Então, se levantaram todas aquelas vir­
gens e prepararam as suas lâmpadas.v
8 E as néscias disseram às prudentes: Dai-
nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpa­
das estão-se apagando.
9 Mas as prudentes responderam: Não,
para que não nos falte a nós e a vós outras!
Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o.
10 E, saindo elas para comprar, chegou o
noivo, e as que estavam apercebidas entraram
com ele para as bodas; e fechou-se a porta.1
1
'
11 Mais tarde, chegaram as virgens nés­
cias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a
porta!-*
12 Mas ele respondeu: Em verdade vos
digo que não vos Conheço,y
13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia
nem a hora.z
25.2 sMt 13.47
25.5 MTs 5.6
25.6 uMt 24.31;
1Ts4.16
25.7 vtc 12.35
25.10
"Lc 13.25
25.11
«Mt 7.21-23
25.12/(10-12)
Lc 13.25
25.13
*Mt 24.42;
Mc 13.33,35;
ICo 16.13;
1Ts5.6;1Pe5.8;
Ap 16.15
25.14
aMt 21.33
25.15
f>Rm12.6;
ICo 12.7,11,29
A parábola dos talentos
14 Pois será como um homem que, ausen­
tando-se do país, chamou os seus servos e
lhes confiou os seus bens.0
15 A um deu cinco talentos, a outro, dois
e a outro, um, a cada um segundo a sua pró­
pria capacidade; e, então, partiu.6
16 O que recebera cinco talentos saiu
imediatamente a negociar com eles e ganhou
outros cinco.
25.21
cMt 24.34;
Lc 12.44;
2Tm 2.12;
1Pe 1.8
25.23
<*M
t 25.21
eMt13.12;
Mc 4.25; U8.18
17 Do mesmo modo, o que recebera dois
ganhou outros dois.
18 Mas o que recebera um, saindo, abriu
uma cova e escondeu o dinheiro do seu
senhor.
19 Depois de muito tempo, voltou o se­
nhor daqueles servos e ajustou contas com
eles.
20 Então, aproximando-se o que recebera
cinco talentos, entregou outros cinco, di­
zendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos;
eis aqui outros cinco talentos que ganhei.
21 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo
bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito
te colocarei; entra no gozo do teu senhor/
22 E, aproximando-se também o que rece­
bera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos
me confiaste; aqui tens outros dois que
ganhei.
23 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo
bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito
te colocarei; entra no gozo do teu senhor.6
24 Chegando, por fim, o que recebera um
talento, disse: Senhor, sabendo que és homem
severo, que ceifas onde não semeaste e ajun­
tas onde não espalhaste,
25 receoso, escondi na terra o teu talento;
aqui tens o que é teu.
26 Respondeu-lhe, porém, o senhor:
Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde
não semeei e ajunto onde não espalhei?
27 Cumpria, portanto, que entregasses o
meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar,
receberia com juros o que é meu.
28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que
tem dez.
29 Porque a todo o que tem se lhe daráe,
e terá em abundância; mas ao que não tem,
até o que tem lhe será tirado.
MATEUS 25.29
25.14-30 A parábola dos talentos emprega a palavra "ta­
lento" (peso de 30 kg de prata equivalente a 6.000 denários,
no sentido de uma fé e capacidades que Deus concede aos
crentes, que implicam em uma compreensão do amor de
Deus revelado em Cristo e suas conseqüentes implicações.
São oportunidades espirituais que nos levam à vida eterna
mediante o conhecimento de Deus, se bem aproveitadas. A
parábola não pode descrever um julgamento dos homens ba­
seado sobre seu uso de capacidades em geral, pois o caminho
da salvação é bem diferente. É um julgamento semelhante
àquele pronunciado contra a pessoa que vem à festa eterna
sem se vestir da justificação em Cristo (2 2 .12 -1 4).
• N. Hom. Investimentos e contas Prestadas: Notam-se estes
contrastes; 1) O Senhor dá - os escravos elevados à posição
de mordomos devem em tudo empenhar-se para o benefício
do seu dono; 2) Dois labutam confiadamente e um escravo
negligente desobedece ao seu Senhor; 3) Dois regozijam
com a recomendação do Mestre e o outro recebe o julga­
mento merecido.
25.25 O servo que não fez uso do talento, agiu assim porque
desconfiava de seu senhor e o odiava. Não quis arriscar-se e
fazer o dom circular. Preferiu a neutralidade (Mt 5.15,16) e
isentar-se da responsabilidade.
25.29 Os dons de Deus multiplicam-se se os utilizarmos, pois
transformam nossas vidas, de tal maneira que ficamos em
condições de receber muito mais da plenitude que nos ofe­
rece o Senhor. O amor gera mais amor, a fé gera mais fé, a
obediência à Palavra de Deus produz uma fonte de virtude
que vai influenciando nosso ambiente (2 Pe 1.3-7).
MATEUS 25.30 1374
30 E o servo inútil, lançai-of para fora,
nas trevas. Ali haverá choro e ranger de
dentes.
O grande julgamento
31 Quando vier o Filho do Homem na sua
majestade? e todos os anjos com ele, então,
se assentará no trono da sua glóriah;
32 e todas as nações serão reunidas em
sua presença, e ele separará uns dos outros,
como o pastor separa dos cabritos as
ovelhas;1
33 e porá as ovelhas à sua direita, mas os
cabritos, à esquerda;
34 então, dirá o Rei aos que estiverem à
sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! En­
trai na posse do reino que vos está preparado
desde a fundação do mundo./
35 Porque tive fome, e me destes de co­
mer; tive sede, e me destes de beber; era fo­
rasteiro, e me hospedastes;*
36 estava nu, e me vestistes; enfermo, e
me visitastes; preso, e fostes ver-me.'
37 Então, perguntarão os justos: Senhor,
quando foi que te vimos com fome e te demos
de comer? Ou com sede e te demos de beber?
38 E quando te vimos forasteiro e te hos­
pedamos? Ou nu e te vestimos?
39 E quando te vimos enfermo ou preso e
te fomos visitar?
40 O Rei, respondendo, lhes dirá: Em ver­
dade vos afirmo que, sempre que o fizestes a
um destes meus pequeninos irmãos, a mim o
fizestes.m
41 Então, o Rei dirá também aos que esti-
25.30'Mt 8.12;
22.13
25.31
9Mt 16.27
6Mt 19.28
25.32 itz 20.38;
Rm 14.10;
2Co 5.10
25.34
/'Mt 20.23;
Rm 8.17;
ICo 2.9;
IPe 1.4,9;
Ap 21.7
25.35 Ms 58.7;
Hb 13.2; 3|o 1.5
25.36
'2Tm1.16
25.40
ropv 14.31;
Mc 9.41
25.41 "SI 6.8;
Lc 13.27;
2Pe 2.4
25.45
oPv 14.31;
At 9.5
25.46 pDn 12.2
26.2 qMc 14.1;
Jo 12.1
26.3 'SI 2.2;
At 4.25
verem à sua esquerda: Apartai-vos de mim,
malditos, para o fogo eterno, preparado para o
diabo e seus anjos."
42 Porque tive fome, e não me destes de
comer; tive sede, e não me destes de beber;
43 sendo forasteiro, não mé hospedastes;
estando nu, não me vestistes; achando-me en­
fermo e preso, não fostes ver-me.
44 E eles lhe perguntarão: Senhor, quando
foi que te vimos com fome, com sede, foras­
teiro, nu, enfermo ou preso e não te assis­
timos?
45 Então, lhes responderá: Em verdade
vos digo que, sempre que o deixastes de fazer
a um destes mais pequeninos, a mim o deixas­
tes de fazer.0
46 E irão estes para o castigo etemoP,
porém os justos, para a vida eterna.
O plano para tirar a vida de Jesus
M c 1 4 .1 -2 ; U 2 2 .1 -2 ; Jo 11.45-53
/T Tendo Jesus acabado todos estes en­
sinamentos, disse a seus discípulos:
2 Sabeis que, daqui a dois dias, celebrar-
se-á a Páscoa; e o Filho do Homem será en­
tregue para ser crucificado.?
3 Então, os principais sacerdotes e os an­
ciãos do povo se reuniram no palácio do sumo
sacerdote, chamado Caifás;r
4 e deliberaram prender Jesus, à traição, e
matá-lo. ,
5 Mas diziam: Não durante a festa, para
que não haja tumulto entre o povo.
25.31-46 O ]uízo Final: 1) Jesus ensinou sobre os pecados
de omissão e os julgamentos que cairiam sobre os mesmos
(cf Tg 4.17); 2) Ocorrerá por ocasião da segunda vinda de
Jesus, que será em esplendor e majestade, acompanhada por
todos os anjos; 3) Assentar-se-á como rei e juiz, em glória e
poder; 4) Todos comparecerão perante Jesus; 5) Haverá sepa­
ração entre as ovelhas (os remidos do Senhor) e os cabritos
(os que rejeitarem a Jesus neste mundo); 6) A base do julga­
mento: a vida frutífera em boas obras que são o sinal exterior
da presença de Cristo no coração de quem sinceramente crê
nEle. • N. Hom. Os juízos de Deus são descritos na Bíblia;
1) O juízo que Cristo enfrentou, ao receber nossa condena­
ção na Sua carne, pagando nossa dívida e salvando-nos,
Is 53.6,8; Rm 5.9; 2 Co 5.21; 2) O juízo pelo qual cada um
deve examinar-se a si mesmo, julgando se seus atos são retos
perante Deus e os homens, 1 Co 11.31; 3) O juízo dentro da
Igreja, a disciplina dos crentes errantes, 1 Co 5.1-5; 4) O
juízo de Israel, SI 50.1-7; Ez 20.33-44; 5) O juízo dos anjos
rebeldes, Jd 6; 6) O juízo das obras dos crentes,
I C o 3 .10 -1 7; 2 Co 5 .9 -1 0 ; 7) O juízo dos ímpios,
Ap 20.11-15; 8) A condenação de Satanás, Ap 20.10; 9) O
juízo das nações, Mt 25.31-46. Ap 20.7-15 índica que ao
juízo final seguirá o Milênio.
25.32 Nos campos em Israel, as ovelhas e os cabritos viviam
juntos; as ovelhas tinham alto valor, e os cabritos, pouco va­
lor; veja Ez 34.17 para a metáfora do juiz como pastor.
25.46 Castigo eterno. É inútil tecer doutrinas para limitar o
tempo da punição ou para alegar que, no final, todos serão
salvos. A palavra "eterno", gr o/õníos, aplica-se tanto à dura­
ção da era vindoura como ao castigo após esta época. Aiõnios
vem de aion, que quer dizer "era". Refere-se, então, à vida ou
castigo da era vindoura, sem nada especificar sobre sua dura­
ção. É de se notar que a vida de Deus não tem fim. Teria fim
o Seu castigo?
26.1 -2 jesus, tendo falado do desenrolar futuro do plano de
Deus, volta Sua atenção para o passo decisivo: Sua crucifi­
cação.
26.3-5 Trata-se de uma reunião do Sinédrio (Supremo Tri­
bunal dos judeus) na época da Páscoa.
1375 MATEUS 26.24
Jesus ungido em Betânia
M c 1 4 .3 -9 ; Jo 1 2.1-8
6 Ora, estando Jesus em Betânia, em casa
de Simão, o leproso,s
7 aproximou-se dele uma mulher, tra­
zendo um vaso de alabastro cheio de precioso
bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça,
estando ele à mesa.
8 Vendo isto, indignaram-se os discípulos
e disseram: Para que este desperdício?f
9 Pois este perfume podia ser vendido por
muito dinheiro e dar-se aos pobres.
10 Mas Jesus, sabendo disto, disse-lhes:
Por que molestais esta mulher? Ela praticou
boa ação para comigo.
11 Porque os pobres“, sempre os tendes
convosco, mas a mim nem sempre me tendes;
12 pois, derramando este perfume sobre o
meu corpo, ela o fez para o meu sepulta-
mento.
13 Em verdade vos digo: Onde for pre­
gado em todo o mundo este evangelho, será
também contado o que ela fez, para memó­
ria sua.
26.8 fJo 12.4
26.11
u O ll5.ll
26.14 uMt 10.4;
Lc 22.3
26.15
“'Zc 11.12
26.17
*Êx 12.1-27
Opacto da traição
M c 14.10-11; L c 2 2 .3 -6
26.20
yMc 14.17-21;
Jo 13.21
14 Então, um dos doze, chamado Judas
Iscariotes, indo ter com os principais sacerdo­
tes, propôs:v
15 Que me quereis dar, e eu vo-lo entre-
26.23 ^SI 41.9;
Jo 13.18
garei? E pagaram-lhe trinta moedas de
prata.“'
16 E, desse momento em diante, buscava
ele uma boa ocasião para o entregar.
Os discípulos preparam a Páscoa
M c 14.12-16; L c 22.7-13
17 No primeiro dia da Festa dos Pães As-
mos*, vieram os discípulos a Jesus e lhe per­
guntaram: Onde queres que te façamos os
preparativos para comeres a Páscoa?
18 E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter
com certo homem e dizei-lhe: O Mestre
manda dizer: O meu tempo está próximo; em
tua casa celebrarei a Páscoa com os meus
discípulos.
19 E eles fizeram como Jesus lhes orde­
nara e prepararam a Páscoa.
O traidor é indicado
M c 14.17-21; L c 2 2.21-23; Jo 13.21-30
20 Chegada a tarde, pôs-se ele à mesa
com os doze discípulos.y
21 E, enquanto comiam, declarou Jesus:
Em verdade vos digo que um dentre vós me
trairá.
22 E eles, muitíssimo contristados, come­
çaram um por um a perguntar-lhe: Porven­
tura, sou eu, Senhor?
23 E ele respondeu: O que mete comigo a
mão no prato, esse me trairá.z
24 O Filho do Homem vai, como está es­
crito a seu respeito, mas ai daquele por inter-
26.6 Em Betânia. Aldeia que distava 3km de |erusalém. Era
terça-feira à noite, que, para os judeus, seria o começo da
quarta-feira, pois contavam seus dias desde o pôr do Sol.
Simão. Não há base bíblica para a sugestão de que este ho­
mem era pai ou esposo de Marta ou Maria. Jo 12.2 diz que
Lázaro estava presente, que Marta servia, e os w seguintes
dizem que Maria ungiu a Jesus. Esta Maria não deve ser con­
fundida com a pecadora que também ungiu a Jesus, os pés de
Jesus, em sinal de arrependimento (Lc 7.36-50), nem com a
Madalena de quem Jesus expulsou sete demônios (Lc 8.2). A
tradição tem somado as três histórias para fornecer uma nar­
rativa completa sobre Maria Madalena. História bonita mas
inexata.
26.8 Aqui os discípulos são incentivados por Judas (|o 12.4),
os quais se indignam por causa do custo material da homena­
gem prestada por Maria. No caso da pecadora, foram os fari­
seus que ficaram indignados porque Jesus deixou que a
mulher se aproximasse dEle (Lc 7.39).
26.15 Trinta moedas. O valor legal do resgate de uma vida
humana, o preço de um escravo. Se a moeda era o estáter
(17.27), seria um total equivalente a 120 dias de mão-de-
obra.
26.17 Pães asmas. Na época da Páscoa, celebravam-se sete
dias de pães asmos (sem fermento), em memória da saída
apressada do Egito, quando não se podia preparar pães para
a viagem, e os israelitas levaram consigo a massa antes que
levedasse (Êx 12.34). Durante esta época, removia-se qual­
quer sinal de levedura das casas, sinal de purificação da podri­
dão do pecado (cf 16.6). A duração da festa era do dia 14 de
Nisã até ao dia 21 (Êx 12.18), datas que, em nosso calendá­
rio, coincidem às vezes com março, às vezes com abril, se­
gundo se observa até hoje com a data da Páscoa.
26.19 Prepararam. Imolaram o cordeiro conforme a prescri­
ção da lei (Êx 12.1-11).
26.20 A tarde. O fim da quarta-feira e o começo da quinta.
Jesus ia celebrar a Páscoa com Seus discípulos com um dia de
antecedência, pois no dia oficial do feriado religioso nacional
da Páscoa, Ele mesmo estaria sendo retirado, morto, da Cruz,
o Cordeiro de Deus imolado.
26.21-25 Jesus não era vítima involuntária, tomado de sur­
presa pelas circunstâncias. Era um sacrifício deliberadamente
oferecido. Decerto que a resposta dada a Judas foi feita tão
silenciosamente, que os outros discípulos não ouviram, para
não impedirem a traição.
MATEUS 26.25 1376
médio de quem o Filho do Homem0 está
sendo traído! Melhor lhe fora não haver
nascido!
25 Então, Judas, que o traía, perguntou:
Acaso, sou eu, Mestre? Respondeu-lhe Jesus:
Tu o disseste.
A Ceia do Senhor
M c 14.22-26; L c 2 2.14-20; IC o 11.23-25
26 Enquanto comiam, tomou Jesus um
pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos
discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o
meu corpo.b
27 A seguir, tomou um cálice e, tendo
dado graças, o deu aos discípulos, dizendo:
Bebei dele todos;0
28 porque isto é o meu sangued, o sangue
da [nova] aliança0, derramado em favor de
muitos, para remissão de pecados.
29 E digo-vos que, desta hora em diante,
não beberei deste fruto da videira, até aquele
dia em que o hei de beber, novo, convosco no
reino de meu Pai.f
30 E, tendo cantado um hino, saíram para
o monte das Oliveiras.9
Pedro é avisado
M c 14.27-31; L c 2 2.31-34; Jo 13.36-38
31 Então, Jesus lhes disse: Esta noite, to­
dos vós vos escandalizareis comigo; porque
está escrito:
Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho
ficarão dispersasA
32 Mas, depois da minha ressurreição',
irei adiante de vós para a Galiléia.
33 Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a
ser um tropeço para todos, nunca o serás
para mim.
34 Replicou-lhe Jesus: Em verdade te
digo que, nesta mesma noite, antes que o galo
cante, tu me negarás três vezesj
35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja
necessário morrer contigo, de nenhum modo
te negarei. E todos os discípulos disseram o
mesmo.
Jesus no Getsêmani
M c 14.32-42; L c 22.39-46
36 Em seguida, foi Jesus com eles a um
lugar chamado Getsêmani e disse a seus discí­
pulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali
orar;k
37 e, levando consigo a Pedro e aos dois
filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e
a angustiar-se.'
38 Então, lhes disse: A minha alma está
profundamente triste até à morte; ficai aqui e
vigiai comigo.m
39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se
sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai,
se possível, passe de mim este cálice! Toda­
via, não seja como eu quero, e sim como tu
queres."
40 E, voltando para os discípulos, achou-
os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem
uma hora pudestes vós vigiar comigo?
41 Vigiai e orai, para que não entreis em
tentação; o espírito, na verdade, está pronto,
mas a carne é fraca.0
42 Tomando a retirar-se, orou de novo,
dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de
mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a
tua vontade.
43 E, voltando, achou-os outra vez dor­
mindo; porque os seus olhos estavam
pesados.
44 Deixando-os novamente, foi orar pela
terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
26.24 oSI 41.9 .
26.26
&Mc 14.22;
ICo 10.16
26.27
cMc 14.23
26.28
díx 24.6-8
ejr 31.31-34
26.29
fMc 14.25;
At 10.41
26.30
3Mc 14.26
26.31 t>Zc13.7
26.32
'Mt 28.16
26.34
M c 14.30;
)o 13.38
26.36
kMc 14.32-35;
Jo 18.1
26.37 IMt 4.21
26.38
"Mo 12.27
26.39
"Mt 20.22;
Lc 22.42; Hb 5.7
26.41
oMc 13.33;
Ef 6.18
26.26 Jesus ofereceu pão sem fermento e vinho comum,
para sérem símbolos e representações, apenas, daquilo que
Ele é para Seus seguidores e daquilo que fez em prol dos
homens. A ceia deve continuar a ser celebrada como memo­
rial (Lc 22.19), até à segunda vinda de Cristo (1 Co 11.26).
Todos os discípulos são convidados a participar tanto do pão
como do vinho.
26.28 Aferça. A primeira aliança foi estabelecida pelo sangue
aspergido de animais sacrificados (cf Hb9.19ss). A nova
aliança tornou-se válida através do sangue vertido do Filho de
Deus (Hb 8.7-13).
26.36-46 Um dos acontecimentos mais significativos da vida
de Jesus. Demonstra a verdadeira humanidade de )esus
(Hb 5.7). Levou primeiro Seus discípulos mais aconchegados
para apoio e consolação. Mas a agonia final tinha de ser en-
frentada por Ele sozinho em comunhão com o Pai. Instintiva­
mente, como homem, recuava perante a morte na cruz, com
todas as suas humilhações e torturas. A luta e a agonia de
Jesus eram intensas e reais, neste instante, inclusive a tentação
de evitar a cruz. A divindade de Jesus não O protegia deste
sofrimento, pois para Se encarnar, abriu mão das Suas prerro­
gativas para realmente participar de nossa vida, dos nossos
sofrimentos. A vitória de Jesus foi obtida contra tentações
reais, sofrimentos reais.
26.36 Getsêmani. O nome significa "lagar do azeite", situado
no monte das Oliveiras, bem interpretado pelo nome "Jardim
das Oliveiras".
26.39 Cálice. Não de bênção, mas de sofrimento, estendido
a Jesus pelo plano estabelecido pelo próprio Deus. Isto é ser
imolado em prol dos pecadores e para salvação deles.
1377 MATEUS 26.60
45 Então, voltou para os discípulos e lhes
disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é
chegada a hora, e o Filho do Homem está
sendo entregue nas mãos de pecadores.
46 Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor
se aproxima.
Jesus é preso
Mc 14.43-50; Lc 22.47-53; Jo 18.2-11
26.47
PMc 14.43;
Jo 18.3
26.49
<?2Sm20.9
26.50 ^
5
141.9
26.51 s|c 18.10
47 Falava ele ainda, e eis que chegou Ju­
das, um dos doze, e, com ele, grande turba
com espadas e porretes, vinda da parte dos
principais sacerdotes e dos anciãos do povo.P
48 Ora, o traidor lhes tinha dado este si­
nal: Aquele a quem eu beijar, é esse; pren­
dei-o.
49 E logo, aproximando-se de Jesus, lhe
disse: Salve, Mestre! E o beijou. 9
50 Jesus, porém, lhe disse: Amigo, para
que vieste? Nisto, aproximando-se eles, dei­
taram as mãos em Jesus e o prenderam/
51 E eis que um dos que estavam com
Jesus, estendendo a mão, sacou da espada e,
golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou-
lhe a orelha/
52 Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua
espada; pois todos os que lançam mão da es­
pada à espada perecerão/
53 Acaso, pensas que não posso rogar a
26.52 tCn 9.6
26.53 u2Rs 6.17
26.54 Zs 53.7;
Lc 24.25,44,46
26.55
» lc 19.47;
21.37
26.56
*Lm 4.20;
|o 18.15
26.57
yMc 14.53;
(0 18.12-13,24
26.60
^Dt 19.15;
Mc 14.55
meu Pai, e ele me mandaria neste momento
mais de doze legiões de anjos?"
54 Como, pois, se cumpririam as Escritu­
ras, segundo as quais assim deve suceder?1
'
55 Naquele momento, disse Jesus às mul­
tidões: Saístes com espadas e porretes para
prenderrme, como a um salteador? Todos os
dias, no templo, eu me assentava [convosco]
ensinando1
", e não me prendestes.
56 Tudo isto, porém, aconteceu para que
se cumprissem as Escrituras dos profetas.
Então, os discípulos todos, deixando-o,
fugiram/
Jesus perante o Sinédrio
Mc 14.53-65; Lc 22.63-71; Jo 18.12-14,19-24
57 E os que prenderam Jesus o levaram à
casa de Caifás, o sumo sacerdote, onde se
haviam reunido os escribas e os anciãos.)'
58 Mas Pedro o seguia de longe até ao
pátio do sumo sacerdote e, tendo entrado, as­
sentou-se entre os serventuários, para ver
o fim.
59 Ora, os principais sacerdotes e todo o
Sinédrio procuravam algum testemunho falso
contra Jesus, a fim de o condenarem à morte.
60 E não acharam, apesar de se terem
apresentado muitas testemunhas falsas. Mas,
afinal, compareceram duas, afirmando/
26.47 judas tinha recebido uma escolta da fortaleza romana
de Antônía, originalmente construída por Herodes, ao norte
do templo. Veio bem equipado com armas e com lanternas
(mesmo na época da lua cheia), pois temia os poderes sobre­
naturais de (esus, que aliás só tinham sido empregados para o
benefício de outros e não de si mesmo.
26.49 Beijou. Gr kataphilein, "beijar com ardor ou com abra­
ços", o mesmo verbo usado com referência ao pai do filho
pródigo, quando ele recebeu a este último com amor
(Lc 15.20).
• N. Hom. 26.50 (esus amou a (udas Iscariotes, chamando-o
de amigo. Amou também os Seus colegas algozes (Lc 23.34).
Amou os pecadores (Lc 15.1-2). Amou ao mundo (Jo 3.16).
Este amor quer nos transformar a vida.
.26.51 O evangelista (oão, escrevendo depois da morte dos
protagonistas, informa que foi Pedro quem decepou a orelha
de Ivlalco, servo do sumo sacerdote (Jo 18.10). Pedro mos­
trou grande coragem, na hora, mas logo passou a ter medo
de uma criada (69-70).
26.53 Doze legiões de anjos. Uma legião era calculada em
6.000. O total de 12 seria 72.000 anjos. Se o Anjo feriu o
Egito para libertar os israelitas, e o Anjo puniu grande parte
dos habitantes de Jerusalém, na época de Davi, que não fa­
riam doze legiões (por mais simbólico, parabólico e arredon­
dado que seja esse número)?
26.56 Para que se cumprissem as escrituras. Não eram apenas
algumas citações que se aplicavam como que por coincidên­
cia a Jesus, jesus deu o pleno sentido e o pleno cumprimento
ao sentido total e verdadeiro da Escritura inteira.
26.57 Caifás. Jo 18.13 diz que, em primeiro lugar, Jesus foi
conduzido a Anás, sogro de Caifás, devido ao fato de os ju­
deus considerarem-no sumo sacerdote, mesmo, depois de as
autoridades civis terem nomeado Caifás, contrariamente à lei.
26.58 Pedro o seguia de longe. Não quis ser identificado
como discípulo e, por isso, ser preso.
26.59-68 O julgamento do Sinédrio (O Supremo Concílio
dos judeus, composto dos sumos sacerdotes, dos saduceus,
dos fariseus e dos escribas). No caso de Jesus, a reunião era
ilícita por ter sido feita à noite (27: cf NDB, p 1536). Os 72
membros do Sinédrio precisavam de testemunhas, mas no
fim só acharam duas que torceram as palavras de Jesus (61),
Jesus nada respondeu às acusações absurdas (62), mas rom­
peu o silêncio para confirmar ser o Messias, quando o sumo
sacerdote O instigou a um juramento (63). Isto (dizer ser o
Messias) era considerado blasfêmia para os judeus, e passível
de morte (65-66), pois Jesus estava igualando-se a Deus. Os
judeus nem sequer levaram em conta a hipótese de que Jesus
falara a pura verdade, sendo, portanto, totalmente inocente
do crime pelo qual foi crucificado. Jesus, uma vez condenado,
foi exposto ao escárnio dos membros do Sinédrio, uma situa­
ção totalmente ilícita.
MATEUS 26.61 1378
61 Este disse: Posso destruir o santuário
de Deus e reedificá-lo em três dias0.
62 E, levantando-se o sumo sacerdote,
perguntou a Jesus: Nada respondes ao que
estes depõem contra ti?b
63 Jesus, porém, guardou silêncio. E o
sumo sacerdote lhe disse: Eu te conjuro pelo
Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o
Filho de Deus.c
64 Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste;
entretanto, eu vos declaro que, desde agora,
vereis o Filho do Homem assentado à direita
do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvensd
do céu.
65 Então, o sumo sacerdote rasgou as suas
vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade
mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes
agora a blasfêmia!e
66 Que vos parece? Responderam eles: E
réu de morte.f
67 Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe
davam murros, e outros o esbofeteavam,
dizendo:9
68 Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te
bateu!h
Pedro nega a Jesus
Mc 14.66-72; Lc 22.55-62; Jo 18.15-18,25-27
69 Ora, estava Pedro assentado fora no pá­
tio; e, aproximando-se uma criada, lhe disse:
Também tu estavas com Jesus, o galileu.'
70 Ele, porém, o negou diante de todos,
dizendo: Não sei o que dizes.
71 E, saindo para o alpendre, foi ele visto
por outra criada, a qual disse aos que ali esta-
26.61 alo 2.19
26.62
bMc 14.60
26.63 cLv 5.1;
1Sm 14.24,26;
Mt 27.12,14
26.64 4Dn 7.13
26.65
e2Rs 18.37
26.661(65-66)
Lv24.16
26.67 aIs 50.6;
Lc 22.63
vam: Este também estava com Jesus, o na­
zareno.
72 E ele negou outra vez, com juramento:
Não conheço tal homem.
73 Logo depois, aproximando-se os que
ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeira­
mente, és também um deles, porque o teu
modo de falar o denuncia./
74 Então, começou ele a praguejar é a ju­
rar: Não conheço esse homem! E imediata­
mente cantou o galo.k
75 Então, Pedro se lembrou da palavra
que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante,
tu me negarás três vezes. E, saindo dali, cho­
rou amargamente.1
26.68
hMc 14.65
26.69
'Mc 14.66;
|o 18.16-17,25
26.73 /Lc 22.59
26.74
kMc 14.71
Jesus entregue a Pilotos
Mc 15.1; Lc 23.1-2; Jo 18.28-32
Ao romper o dia, todos os principais
Á* / sacerdotes e os anciãos do povo en­
traram em conselho contra Jesus, para o
matarem;™
2 e, amarrando-o, levaram-no e o entrega­
ram ao governador Pilatos.0
26/75
'Mt 26.34;
Lc 22.61-62
27.1 mSI 2.2;
Lc 22.66
27.2 "Mt 20.19
27.3
oMt 26.14-15
27.5
p2Sm 17.23
O suicídio de Judas
3 Então, Judas, o que o traiu, vendo que
Jesus fora condenado, tocado de remorso, de­
volveu as trinta moedas de prata aos princi­
pais sacerdotes e aos anciãos, dizendo:0
4 Pequei, traindo sangue inocente. Eles,
porém, responderam: Que nos importa? Isso é
contigo.
5 Então, Judas, atirando para o santuário
as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-
se.P
26.63 Te conjuro pelo Deus vivo. O estratagema de forçar d
réu a se declarar sob juramento era ilícito na jurisprudência
israelita, que não tolerava qualquer tipo de "lavagem cere­
bral" ou declaração forçada que o condenaria. A base dos
casos jurídicos, desde os tempos de Moisés, era o depoi­
mento desinteressado e coincidente de pelo menos duas tes­
temunhas. O debate, naquela época, concentrava-se em
tomo da ameaça que Cristo apresentava ao mundo político e
religioso.
26.74 jurar. Uma prática judaica comum, que jesus já conde­
nara (5.34). Quanto mais Pedro falava, tanto mais se traía,
pois além disso, não dominava a pronúncia clássica das letras
guturais.
• N. Hom. 26.75 Os erros preliminares de Pedro; 1) Dema­
siada autoconfiança (33); 1) Desobediência da ordem de
jesus para vigiar e orar (40-44); 3) Esquecimento da palavra
de jesus (75; cf 34). Conclusão: O tropeço na vida cristã é con-
seqüência de erros anteriores.
27.1 Em conselho. Não para julgar o caso, mas para "legali­
zar" uma decisão ilícita, tomada no decurso da noite.
27.2 Entregaram. Este veio a sér o dia da crucificação de
Cristo, tido tradicionalmente como sexta-feira, mas que bem
podia ter sido quinta-feira, seguindo-se a cronologia dada
acima, e que daria os três dias da permanência de Jesus na
sepultura, embora a expressão "três dias" pudesse muito bem
ser calculada, desde sexta-feira à tarde até a manhã de do­
mingo, o que seria o cômputo tradicional Lc 23.54-24.1
apoia este último cálculo. Levaram-no a Pilatos. Só as autori­
dades romanas podiam ratificar a sentença da crucificação, e
os judeus não desejaram nada menos do que a própria cruz
para jesus. As autoridades religiosas de Israel submeteram-se
aos romanos para crucificar a própria Esperança de Israel.
27.5 O triste fim do pecador impenitente.
1379 MATEUS 27.27
6 E os principais sacerdotes, tomando as
moedas, disseram: Não é lícito deitá-las no
cofre das ofertas, porque é preço de sangue.
7 E, tendo deliberado, compraram com
elas o campo do oleiro, para cemitério de
forasteiros.
8 Por isso, aquele campo tem sido cha­
mado, até ao dia de hoje, Campo de Sangue. <
f
9 Então, se cumpriu o que foi dito por
intermédio do profeta Jeremias:''
Tomaram as trinta moedas de prata, preço
em que foi estimado aquele a quem
alguns dos filhos de Israel avaliaram;
10 e as deram pelo campo do oleiro, assim
como me ordenou o Senhor.5
27.8 9(6-8)
At 1.18-19
27.9
rZc 11.12-13
27.10 s(9-10)
Zc 11.12-13
27.11 'Mc 15.2;
Jo 18.33,37;
1Tm 6.13
27.12
«Mt 26.63
27.13
vMt 26.62
Jesus perante Pilotos
M c 1 5.1-1 5 ; L c 2 3 .1 -5 ,1 3 -2 5 ; Jo 18.33-19.16
11 Jesus estava em pé ante ò governador;
e este o interrogou, dizendo: Es tu o rei dos
judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes.f
12 E, sendo acusado pelos principais sa­
cerdotes e pelos anciãos, nada respondeu."
13 Então, lhe perguntou Pilatos: Não ou­
ves quantas acusações te fazem?1
'
14 Jesus não respondeu nem uma palavra,
vindo com isto a admirar-se grandemente o
governador.
15 Ora, por ocasião da festa, costumava
o governador soltar ao povo um dos presos,
conforme eles quisessem.'1
'
16 Naquela ocasião, tinham eles um preso
muito conhecido, chamado Barrabás.
17 Estando, pois, o povo reunido, pergun­
tou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos
27.1s
"Mc 15.6;
Jo 18.39
27.20
«Mc 15.11;
Jo 18.40
27.24
xDt 21.6-9
27.25
zDt 19.10;
2Sm 1.16;
1Rs 2.32;
At 5.28
27.26 "Is 53.5;
Lc 23.16,24-25
27.27
6Mc 15.15
solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo?
18 Porque sabia que, por inveja, o tinham
entregado.
19 E, estando ele no tribunal, sua mulher
mandou dizer-lhe: Não te envolvas com esse
justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por
seu respeito.
20 Mas os principais sacerdotes e os an­
ciãos persuadiram o povo a que pedisse Bar­
rabás e fizesse morrer Jesus.*
21 De novo, perguntou-lhes o governa­
dor: Qual dos dois quereis que eu vos solte?
Responderam eles: Barrabás!
22 Replicou-lhes Pilatos: Que farei, en­
tão, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucifi­
cado! Responderam todos.
23 Que mal fez ele? Perguntou Pilatos.
Porém cada vez clamavam mais: Seja cruci­
ficado!
24 Vendo Pilatos que nada conseguia, an­
tes, pelo contrário, aumentava o tumulto,
mandando vir água, lavou as mãos)' perante
o povo, dizendo: Estou inocente do sangue
deste [justo]; fique o caso convosco!
25 E o povo todo respondeu: Caia sobre
nós o seu sangue e sobre nossos filhos!7
26 Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e,
após haver açoitado a Jesus, entregou-o para
ser crucificado.0
Jesus entregue aos soldados
M c 15.16-20; Jo 1 9.2-3
27 Logo a seguir, os soldados do governa­
dor, levando Jesus para o pretório, reuniram
em tomo dele toda a coorte.*
27.11 O governador. O historiador romano, Tácito, que es­
creveu seus livros entre 98 e 104 d.C. só registra o governa­
dor Pôncio Pilatos em conexão com sua autorização da
crucificação de Cristo. Flávio Josefo (37 d. C. —início do se­
gundo século), historiador judeu que viveu na época da re­
volta contra Roma, narra vários atos da estultícia de Pilatos,
que desviava fundos do templo, e massacrou uns samaritanos
sem motivo justo, sendo finalmente deposto pelos romanos.
Segundo Eusébio, foi levado ao suicídio entre 37 e 41 d.C.
Uma pedra de dedicação com o nome de Pilatos foi desco­
berta em Cesaréia, em 1961. .
27.15-26 Pilatos, vendo que Jesus èra inocente, que os sa­
cerdotes tinham-no entregue por inveja, e sendo advertido
pela visão de sua esposa, queria libertá-lo. Pilatos sentiu, com
certeza, que o povo prevaleceria contra os sacerdotes, e que
pediria a libertação deste pregador de amor e médico dos
aflitos. Por isso publicamente ofereceu a absolvição tradicio­
nal a Jesus. Mas o povo, atiçado pelos sacerdotes, sedento
pela sedição que Barrabás continuaria a provocar contra os
romanos, exigiu que aquela absolvição se estendesse a Barra­
bás e não a Jesus. Então Jesus, já antes da Sua morte, veio a
ser Aquele cujo sofrimento liberta o pecador, neste caso um
assassino e insurrecionado. O povo assumiu a responsabili­
dade da morte de Cristo, e Pilatos "lavou as mãos" para não
ser acusado de acudir um inimigo de Roma, que é o que os
sacerdotes hipocritamente ameaçavam fazer (Jo 19.12).
27.26 Açoitada. Esta tortura infligia-se com flagelos de couro
pesado com pontas de chumbo ou de osso, e o único limite
imposto ao algoz romano era o limite da sua própria cruel­
dade. Os judeus, por sua vez, só usayam açoites, em um má­
ximo de quarenta golpes, estipulado legalmente.
27.27-31 Estes ultrajes que Jesus sofreu, com tanta tortura e
zombaria não podiam ser impostos por uma corte de roma­
nos, que tinham uma disciplina forte. Sugere-se que eram
sírios, que agora aproveitariam a ocasião para dar asas às suas
inimizades tradicionais com israelitas. O manto, a coroa, e o
caniço eram pobres substitutos do apanágio de um rei. Jesus
sofreu as piores torturas imagináveis.
MATEUS 27.28
28 Despojando-o das vestes, cobriram-no
com um manto escarlate;c
j29 tecendo uma coroa de espinhos, pu­
seram-lha na cabeça e, na mão direita, um
caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o
escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeusd
30 E, cuspindo nele, tomaram o caniço e
davam-lhe com ele na cabeça/
31 Depois de o terem escarnecido, despi­
ram-lhe o manto e o vestiram com as suas
próprias vestes. Em seguida, o levaram para
ser crucificado/
27.28 cLc 23.11
27.29 dSI 69.19
27.30 eis 50.6
27.31 Os 53.7
27.32
9Nm 15.35;
1Rs 21.13;
Lc 23.26;
Hb 13.12
27.33
líMc 15.22;
|o 19.17
27.34 <5169.21
SimSo leva a cruz do Senhor
M c 15.21; L c 23,26
32 Ao saírem, encontraram um cireneu,
chamado Simão, a quem obrigaram a carre­
gar-lhe a cruz.9
27.35/SI 22.18
27.36
*Mt 27.54
27.37
'Mc 15.26;
jo 19.19
A crucificação
M c 15.22-32; L c 2 3.32 -4 3; Jo 19.17-24
33 E, chegando a um íugar chamado Gól-
gota, que significa Lugar da Caveira,h
34 deram-lhe a beber vinho com fel; mas
ele, provando-o, não o quis beber.1
'
35 Depois de o crucificarem, repartiram
entre si as suas vestes/, tirando a sorte.
36 E, assentados ali, o guardavam/
37 Por cim a da sua cabeça puseram escrita
a sua acusação: E ste É Je s u s, O Re i Dos
Ju d e u s.'
38 E foram crucificados com ele dois la­
drões, um à sua direita, e outro à sua es­
querda.m
39 Os que iam passando blasfemavam
dele, meneando a cabeça" e dizendo:
27.38
<n|s 53.12;
Lc 23.32-33
27.39 "SI 22.7;
109.25
27.40
oMt 26.61;
]o 2.19
27.43 pSI 22.8
27.44
<
1Mc 15.32
27.45 rAm 8.9;
Lc 23.44
27.46J SI 22.1
27.48 IS) 69.21
27.50
«Mc 15.37
27.51
V
ÊX26.31-33
40 O tu que destróis o santuário e em três
dias o reedificas0! Salva-te a ti mesmo, se és
Filho de Deus, e desce da cruz!
41 De igual modo, os principais sacerdo­
tes, com os escribas e anciãos, escarnecendo,
diziam:
42 Salvou os outros, a si mesmo não pode
salvar-se. E rei de Israel! Desça da cruz, e
creremos nele.
43 Confiou em DeusP; pois venha livrá-
lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque
disse: Sou Filho de Deus.
44 E os mesmos impropérios lhe diziam
também os ladrões que haviam sido crucifica­
dos com ele.9
A morte de Jesus
M c 15.33-41; L c 2 3.44-49; Jo 19.28-30
45 Desde a hora sexta até à hora nona,
houve trevas sobre toda a terra/
46 Por volta da hora nona, clamou Jesus
em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni?
O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por
que me desamparaste5?
47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo
isto, diziam: Ele chama por Elias.
48 E, logo, um deles correu a buscar uma
esponja e, tendo-a embebido de vinagre' e
colocado na ponta de um caniço, deu-lhe a
beber.
49 Os outros, porém, diziam: Deixa, veja­
mos se Elias vem salvá-lo.
50 E Jesus, clamando outra vez com
grande voz, entregou o espírito.“
51 Eis que o véu1
' do santuário se rasgou
1380
27.32 Simão. Cf Rm 16.13n.
27.33 Cólgota. Tradução latina de nome aramaico da nossa
palavra Calvário Um monte fora dos muros de Jerusalém, que
visto de longe se assemelha a uma caveira humana. Sua loca­
lização mentém-se incerta.
27.34 Vinho com fel. Pensa-se que era um tipo de anestésico.
27.35-44 Jesus, cravado no madeiro, foi erguido entre o céu
e a terra como sinal de vergonha e horror, com uma acusação
escrita em três línguas. Posto entre dois salteadores, foi escar­
necido por três grupos distintos: "pecadores ignorantes",
"pecadores religiosos" e "pecadores condenados". Os mais
culpados sempre eram religiosos que conheciam as Escrituras
mas não reconheciam Jesus em Sua morte cumprindo as pro­
fecias messiânicas (cf 51 22). Jesus morreu pelos nossos peca­
dos, segundo as Escrituras (1 Co 15.3).
27.45 Jesus foi crucificado às 9 horas da manhã (a terceira
hora dos judeus, contada desde o nascer do Sol). Às 12 horas
houve trevas sobre a terra. Às 15 horas Jesus expirou. As frases
que Jesus proferiu durante estas seis horas, registram-se num
total de sete na seguinte ordem: 1) Lc 23.34; 2) Jo 19.26-27,
3) Lc 23.43; 4) Mt 27.46; 5) |o 19.28; 6) Jo 19.30;
7) Lc 23.46.
27.50 Entregou o espírito. Depois destas palavras, Lucas do
qüe Jesus expirou (Jo 19.31-37); atiriram-lhe o lado com
uma lança. O que verteu do lado de Jesus, foi uma mistura
do sangue coagulado e de soro (este possui a aparência de
água). Esta situação surge no caso dè ruptura do coração,
quando o sangue acumula-se no pericárdio (o tecido celular
que reveste o exterior do coração). A tortura mental, espiri­
tual e física pode muito bem ter provocado o rompimento do
coração, o que provocou de Jesus este único clamor. O inci­
dente desaprova uma teoria que surgiu no século XIX, que
Jesus desmaiou para então despertar no túmulo.
27.51 O véu do santuário. A cortina que dividia o santuário
do Santo dos Santos, para onde ninguém podia penetrar se­
não o sumo sacerdote, e este só no dia da expiação. O acorv
1381 MATEUS 28.7
em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra,
fenderam-se as rochas;
52 abriram-se os sepulcros, e muitos cor­
pos de santos, que dormiam, ressuscitaram;
53 e, saindo dos sepulcros depois da res­
surreição de Jesus, entraram na cidade santa e
apareceram a muitos.
54 O centurião e os que com ele guarda­
vam a Jesus, vendo o terremoto e tudo o que
se passava, ficaram possuídos de grande te­
mor e disseram: Verdadeiramente este era Fi­
lho de Deus.*v
55 Estavam ali muitas mulheres, obser­
vando de longe; eram as que vinham seguindo
a Jesus desde a Galiléia, para o servirem;"
56 entre elas estavam Maria Madalena,
Maria, mãe de Tiago e de José, e a mulher de
Zebedeu.r
O sepultamento de Jesus
M c 15.42-47; L c 2 3.50 -5 6; Jo 19.38-42
57 Caindo a tarde, veio um homem rico de
Arimatéia, chamado José, que era também
discípulo de Jesus.z
58 Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o
corpo de Jesus. Então, Pilatos mandou que
lho fosse entregue.
59 E José, tomando o corpo, envolveu-o
num pano limpo de linho
60 e o depositou no seu túmulo novo, que
fizera abrir na rocha; e, rolando uma grande
pedra para a entrada do sepulcro, se retirou.0
61 Achavam-se ali, sentadas em frente da
sepultura, Maria Madalena e a outra Maria.
A guarda do sepulcro
62 No dia seguinte, que é o dia depois da
preparação, reuniram-se os principais sacer-
27.54
»Mt 27.36;
Lc 25.47
27.55 *Lc 8.2-3
27.56 y(55-56)
Lc 8.2-3
27.57
cMc 15.42;
Jo 19.38
27.60 oIs 53.9
dotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos,
63 disseram-lhe: Senhor, lembramo-nos
de que aquele embusteiro, enquanto vivia,
disse: Depois de três dias ressuscitareib.
64 Ordena, pois, que o sepulcro seja guar­
dado com segurança até ao terceiro dia, para
não suceder que, vindo os discípulos, o rou­
bem e depois digam ao povo: Ressuscitou dos
mortos; e será o último embuste pior que o
primeiro.
65 Disse-lhes Pilatos: Aí tendes uma es­
colta; ide e guardai o sepulcro como bem vos
parecer.
66 Indo eles, montaram guarda ao sepul­
cro, selando a pedra e deixando ali a escolta.c
27.63
6Mt 16.21;
17.23; 20.19;
Mc 8.31; 9.31;
10.33-34;
Lc 9.22;
18.31-33
27.66 cDn 6.17
28.1 àMt 27.56;
Lc 24.1
28.2 cMc 16.5;
Jo20.12
28.3 fDn 10.6
28.6 9Mt 12.40
A ressurreição de Jesus.
Seu aparecimento às mulheres
M c 1 6 .1 -8 ; L c 2 4.1 -1 2 ; Jo 2 0.1-10
A O No findar do sábado, ao entrar o pri­
meiro dia da semana, Maria Mada­
lena e a outra Maria foram ver o sepulcro.d
2 E eis que houve um grande terremoto;
porque um anjo do Senhor desceu do céu,
chegou-se, removeu a pedra e assentou-se so­
bre pla.e
3 O seu aspecto era como um relâmpago,
e a sua veste, alva como a neve/
4 E os guardas tremeram espavoridos e
ficaram como se estivessem mortos.
5 Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres,
disse: Não temais; porque sei que buscais Je­
sus, que foi crucificado.
6 Ele não está aqui; ressuscitou, como ti­
nha dito. Vinde ver onde ele jazia.9
7 Ide, pois, depressa e dizei aos seus discí­
pulos que ele ressuscitou dos mortos e vai
tecimento seria uma tragédia para os judeus, mas simbólico
para os crentes: em Cristo está abolida toda e qualquer sepa­
ração entre o adorador e seu Deus (Jo 14.6).
27.52 Abriram-se os sepulcros. Só Mateus narra o incidente.
Foi um pequeno sinal da vida eterna para os fiéis. Só depois
da ressurreição de Cristo foram vistos estes santos.
27.55 Muitas mulheres. Aquelas que tinham seguido a Jesus
durante Seu ministério na Galiléia ficaram fiéis até ao fim, e
até ao novo começo (28.1; Jo 20.11-18). O perfeito amor
lançou fora o medo (1 Jo 4.18).
27.57-66 O sepultamento de Jesus. Aos cuidados de José
da Arimatéia e de Nicodemos, ambos membros do Sinédrio
(Jo 19.38-39), que trataram das formalidades civis, das des­
pesas, e do túmulo, que pertencia a José de Arimatéia e que
ficava no monte Calvário (Jo 19.41). As autoridades civis e
religiosas, para evitar qualquer história que pudesse surgir so-
bre um Mestre ressurreto, violaram o sábado para tomarem
as providências necessárias para evitar que o túmulo fosse
violado e o corpo roubado.
28.1 No domingo de madrugada, verificou-se o milagre da
ressurreição, da vitória sobre a morte pela intervenção divina.
Várias evidências apontam para a hipótese que o túmulo des­
coberto numa escavação arqueológica do General Christian
Gordon é o túmulo autêntico, pela sua situação interna, pelos
remanescentes de um templo 'ão que um imperador romano
erigiu ali, segundo os historiadores antigos. Viu-se ainda ves­
tígios de alterações para acomodar o corpo de )esus, maior
do que o de José de Arimatéia que segundo a tradição, era de
baixa estatura. O quarto escavado na rocha tinha dois túmu­
los, dos quais, só um tinha sido ocupado, sem, porém, haver
o mínimo vestígio de restos mortais.
1382
MATEUS 28.8
adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. É
como vos digo!'7
8 E, retirando-se elas apressadamente do
sepulcro, tomadas de medo e grande alegria,
correram a anünciá-lo aos discípulos.
9 E eis que Jesus veio ao encontro delas e
disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraça­
ram-lhe os pés e o adoraram.'
10 Então, Jesus lhes disse: Não temais!
Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à
Galiléia e lá me verão./
Osjudeus subornam os guardas
11 E, indo elas, eis que alguns da guarda
foram à cidade e contaram aos principais sa­
cerdotes tudo o que sucedera.
12 Reunindo-se eles em conselho com os
anciãos, deram grande soma de dinheiro aos
soldados,
13 recomendando-lhes que dissessem:
Vieram de noite os discípulos dele e o rouba­
ram enquanto dormíamos.
14 Caso isto chegue ao conhecimento do
governador, nós o persuadiremos e vos pore­
mos em segurança.
28.7 hMt 26.32
28.9'Mc 16.9
28.10 i|o 20.17;
Hb2.11
28.16
*Mt 26.32;
Mc 14.28
28.18
'Dn 7.13-14;
Lc 1.32; At 2.36;
1Co 15.27;
Ef 1.10,21;
1Pe 3.22
28.19 mAt 1.8
28.20 "At 2.42
15 Eles, recebendo o dinheiro, fizeram
como estavam instruídos. Esta versão divul­
gou-se entre os judeus até ao dia de hoje.
Jesus aparece aos discípulos na Galiléia
16 Seguiram os onze discípulos para a Ga­
liléia k, para o monte que Jesus lhes de­
signara.
17 E, quando o viram, o adoraram; mas
alguns duvidaram.
A Grande Comissão
M c 1 6.15 -1 8; L c 24.44-49
18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, di­
zendo: Toda a autoridade me foi dada no céu
e na terra.'
19 Idem, portanto, fazei discípulos de to­
das as nações, batizando-os em nome do Pai,
e do Filho, e do Espírito Santo;
20 ensinando-os a guardar todas as coisas
que vos tenho ordenado. E eis que estou con­
vosco todos os dias até à consumação do
século."
28.13-15 A burla dos judeus. Agostinho propõe o seguinte
argumento: "dormindo ou acordados: Se acordados, por que
deixaram alguém roubar o corpo de jesus? E se dormindo:
como poderiam declarar que foram os discípulos que furta­
ram o corpb de jesus?" Em ambas as circunstâncias seriam
condenados à morte, se não fosse o interesse dos líderes, em
encobrir o fato da intervenção divina.
28.16-20 Um grande encontro. Foi marcado por jesus na
Galiléia, e os discípulos viram-no e O adoraram. Alicerçados
no poder eterno que jesus detêm e que prometeu exercer em
prol da Sua obra na qual Seus servos participam, os discípulos
receberam a incumbência de evangelizar o mundo. Sua mis­
são consistia em levar as almas à conversão, batizar os conver­
tidos para fazerem parte da Igreja de Cristo, e ensiná-los a
viver segundo Seus ensinamentos e no Seu poder, sentindo
Sua presença espiritual acompanhando cada um dos Seus. A
promessa da continuada presença divina é a chave de ouro
que encerrará vários livros da Bíblia (cf Êx 40.38; Ez 48.35;
Ap 22.20). jesus, depois de ressuscitar, apareceu a várias pes­
soas em várias ocasiões: 1) A Madalena, jo 20.11-18; 2) Às
mulheres, Mt 28.9-10; 3) Aos dois discípulos, no caminho de
Emaús, Lc 24.13-33; 4) A Pedro, Lc 24.34-35; 5) Aos dez
discípulos no cenáculo, |o20.19; 6) Aos onze discípulos no
cenáculo, jo 20.24-29; 7) Aos sete discípulos na Galiléia,
jo 2 1.2 4 -29 ; 8) Aos onze no monte, na Galiléia,
Mt 28.16-17; 9) A Tiago, 1 Co 15.7; 10) A uma multidão no
Monte das Oliveiras, Lc 24.44-49; 11) A Paulo, At 9.3-8.

01. mateus

  • 2.
    O Evangelho Segundo Mateus Análise 0propósito do evangelho de Mateus foi o de testificar que Jesus era o Messias da promessa do Antigo Testamento, e que a Sua missão messiânica consistia em trazer o Reino de Deus até os homens. Esses dois temas — o caráter messiânico de Jesus e a presença do Reino de Deus — estão inseparavelmen­ te ligados, e cada qual inclui um “mistério” — um novo des­ vendar do propósito remidor divino (vd Rm 16.25,26). O mistério da missão messiânica é que antes do Messias vir como o celeste Filho do Homem, entre as nuvens do céu, a fim de estabelecer o Reino sobre a terra inteira, terá primei­ ramente de vir em humildade entre os homens na qualidade de Servo sofredor com a finalidade de morrer. Esse era um ensi­ no desconhecido para os judeus do primeiro século de nossa era. Para o crente de hoje, entretanto, o capítulo 53 de Isaías prediz claramente os sofrimentos do Messias. Não obstante, o Messias não é chamado por nome nessa passagem, e o contex­ to (Is 48.20; 49.3) especificamente apresenta a Israel como Servode Deus. Não é para surpreender, portanto, que osjudeus não tivessem compreendido que Isaías 53 era trecho que se re­ ferisse ao Messias. Os judeus aguardavam então um Messias vindo em poder e vitória, e o Antigo Testamento, verdadeira­ mente, prometia um tal Messias. O Filho de Davi é um Rei divino que governará o Reino messiânico (Is 9 e 11; Jr 33), quando todo pecado e mal será tirado e quando a paz e a justiça prevalecerão. O Filho do Ho­ mem é um ser celestial a Quem será entregue o governo de to­ das as nações ereinosdaterra.0 AntigoTestamento não indica como esses dois conceitos proféticos, do Rei Davídico e do Fi­ lho do Homem celestial, estão relacionados entre si, ou como qualquer deles pode ser identificado com o Servo Sofredor do capítulo 53 de Isaías. Por conseguinte, os judeus do primeiro século esperavam por um Messias Davídico conquistador ou por um Filho do Homem celestial, e não por um humilde Ser­ vo do Senhor que haveria de sofrer e morrer. O mistério mes­ siânico — o novo desvendamento do propósito divino — é que o celestial Filho do Homem deve primeiramente sofrer e morrer em cumprimento de Sua missão redentora e messiâni­ ca na qualidade de Servo sofredor, antes de vir em poder e grande glória. O mistério do Reino é semelhante e está intimamente as­ sociado com o mistério messiânico. O segundo capítulode Da­ niel descreve a vinda do Reino de Deus em traços vívidos, em termosda destruição de todo poderque fizerresistência a Deus e se opuser à vontade divina. O Reino virá em poder, varren­ do à sua frente todo o mal e todo império hostil, transforman­ do a terra e inaugurando uma nova ordem universal de perfeita paz e retidão. Entretanto,Jesus não ofereceu tal Reino de imen­ so poder. Por conseguinte, tanto a Sua mensagem como a Sua pessoa foram inteiramente incompreendidas pelos Seus con­ temporâneos, incluindo os Seus discípulos. Ele era filho de um carpinteiro; Sua família era conhecida em Nazaré; Ele parecia pouco mais do que um rabinojudaico. Suas palavras eram fei­ tos gentis de bondade e amor, e no entanto afirmava que em Suas palavras e ações, bem como em Sua Pessoa, o Reino de Deus se tinha aproximado. Todavia, os reinos dos homens e do mundo não foram perturbados, e o odiadodomínio de Roma sobre o povo terreno de Deus não era desafiado. Como é que esse poderia ser o Reino de Deus se não partia pelo meio to­ dos os demais reinos e não os pulverizava? Mas a nova reve­ lação sobre o divino propósito é que o Reino haveria de vir em poder espiritual, antes de vir em glória. Autor A tradição do segundo século de nossa era atribui o pri­ meiro evangelho ao apóstolo Mateus. Esboço NASCIMENTO E INFÂNCIA DO MESSIAS, 1.1 -2.23 Genealogia, 1.1-12 Narrativas sobre o Nascimento, 1.18—2.18 A Mudança para Nazaré, 2.19-23 PRELUDIO DO MINISTÉRIO DO MESSIAS, 11 4 25 O Ministério Preparatório de João Batista, 3.1-12 O Batismo dOrws. 1 13-17 A lenüçao de |esus, 4 1 11 Sumário do Ministério Galileu. 4.12-25 DISCURSO I lUSTIÇA DO REINO, 5 1-7.29 As Bem-aventuranças, 5.1-16 O Caráter da Justiça do Reino, S.17-48 A Prática da Justiça do Reino, 6.1-7.12 A Escolha do Reino, 7.13-27 O Modo do Ensino de Jesus, 7.28,29 NARRAIIVA I: FFITOS PODEROSOS DO REINO, 8 .1 -9 38 Uma Série de Milagres, 8.1—9.8 O Reinu e a Ordrtn AnUga, 9 9 17 Mais Milaqres, 9 18 38“ DISCURSO II PROlTAMAÇÃO DO REINO, 10 I 42 Os Pregadores e sua Missão, 10.1 -15 A Respostaa Ser Esperada, 10.16-42 NARRAIIVA II A PRESENÇA DO RllNO, I I I - 12 aO O Desafio à Presente Geração, 11.16-30 O Remo e |oao Batota, 11 I IS A Oposição ac Reinu 12 I 45 A fninunhdC no Remo. 12 46-50 DISCURSO III: MISTÉRIO DO REINO, 13.1 -58 A Parábola do Semeador, 13 1 9 Explicação do Método das Parábolas, 13.10-23 Outras Parabolas, 13 74 42 Reação às Parábolas de Jesus, 13.S3-58 NARRATIVA III ( RISE DO REINO, 14 1 -1/77 Cnse da Oposição, 14 1— 15 20 Retirada para o Norte. 15 71 39 Mais um Conflito, 16.1-12 Uma Crise de Fé, 16.13-20
  • 3.
    MATEUS 1.1 1328 JesusPrepara Seus Discípulos para Sua própria Morte, 16.21 - 17.27 DISCURSO IV: COMUNHÃO DO REINO, 18.1 -35 Humildade, 18.1-20 Perdão, 18.21-35 NARRATIVA IV' CONFLITO CAUSADO PELO REINO, 1 9 .1 -2 3 39 Ensinos Deixados no Caminho de lerusalém, 19.1 —20.26 Cura em JerícA, 20 29-34 Acontecimentos em lerusalém, 21.1-22 " Controvérsias com os |udeus, 212 i — 22.46 Denúncias contra os Escribas e Fariseus, 23.1-39 DISCURSO V: FUTURO DO REINO, 24.1 — 25.46 Profecia do Reino Vindouro, 24.1 - 36 Advertências sobre a Vigilância, 24.37— 25.30 Julgamento das Nações, 25.31 -46 A PAIXÃO DO REI, 26.1 — 27.66 Trama para Trair a Jesus, 26.1 -16 A Última Ceia, 26.17-30 Acontecimentos no Celsêmani, 26.31 -56 Os lulgamentos, 2 6 .5 7 -2 7 .2 6 Crucificação e Sepultamento, 27.27-66 Sepultamento, 27.57-66 A RESSURREIÇÃO, 28.1-20 As Mulheres e o Anjo, 28.1-10 O Falso Testemunho dos Guardas, 2 8.11-15 A Ascensão 28.16-20 A genealogia de Jesus Cristo . Lc 3.23-38 1 Livro da genealogia de Jesus Cristo, fi­ lho de Davi, filho de Abraão.0 2 Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó; Jacó, a Judá e a seus irmãos;b 3 Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão;c 4 Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a Naassom; Naassom, a Salmom; 5 Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé; 6 Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;d 7 Salomão gerou a Roboão; Roboão, a Abias; Abias, a Asa;0 8 Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão; Jo- rão, a Uzias; 9 Uzias gerou a Jotão; Jotão, a Acaz; Acaz, a Ezequias; 10 Ezequias gerou a Manassés; Manassés, a Amom; Amom, a Josias;f 11 Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos, no tempo do exílios na Babilônia. 12 Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel, a Zorobabel;h 13 Zorobabel gerou a Abiúde; Abiúde, a Eliaquim; Eliaquim, a Azor; 1.1 oGn 12.3; Is 11.1; Mt 22.42; |o 7.42; Rm 1.3 1.2 í>Gn 21.2-3 1.3 cGn 38.27; ICr 2.5,9 1.6°lSm 16.1; 2Sm 12.24 1.7 elCr 3.10 1.10 <2Rs20.21; ICr 3.13 1.11 92Rs 24.14-15; 2Cr 36.10; |r 27.20 1.12 MCr 3.17; Ed 3.2; Ag 1.1 1.18 <Lc1.27 1.19 >Dt 24.1 1.20 *Lc 1.35 14 Azor gerou a Sadoque; Sadoque, a Aquim; Aquim, a Eliúde; 15 Eliúde gerou a Eleazar; Eleazar, a Matã; Matã, a Jacó. 16 E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo. 17 De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze; desde Davi até ao exílio na Babilônia, catorze; e desde o exí­ lio na Babilônia até Cristo, catorze. O nascimento de Jesus Cristo Lc 2.1-7 18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria', sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. 19 Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la se­ cretamente./ 20 Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Se­ nhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo.* 21 Ela dará à luz um filho e lhe porás o 1.1-17 Considera-se que a genealogia de Mateus cita a li­ nhagem de José (cf Lc 3.23n). Mateus, o evangelho do reino de Deus, mostra Jesus como o herdeiro legítimo do trono de Israel; Lucas, o evangelho do Filho do homem, interessa-se pela descendência humana de nosso Senhor. A genealogia, como é o costume oriental, se demora apenas nos nomes mais conhecidos, mencionando 42 gerações num periodo de c. 2.000 anos. A divisão em três seções de 14 gerações, seria uma ajuda à memória. O primeiro grupo, de Abraão até Davi, c. 1.000 anos. O segundo, de Davi até o exílio na Babilônia, abrange c. 400 anos; o último (com José e Maria, represen­ tando a décima quarta geração), abrange c. 600 anos. Cada divisão é separada de acordo com as épocas básicas da histó­ ria de Israel: a monarquia, o cativeiro, a vinda do Messias. Não se deve, aqui, procurar uma lista completa dos antepas­ sados de Jesus; Esdras, por exemplo, omitiu seis gerações no seu relatório (cfEd 7.1-5 com 1 Cr 6.3-15). 1.18 Jesus foi concebido por obra e graça do Espírito Santo, e nasceu de Maria, sendo esta ainda virgem. Sua conceição foi sobrenatural, não de semente humana, mas divina. 1.21 E lhe porás o nome de jesus. É a forma grega do heb Josué, yehôshua', que significa "O Senhor (Jeová) é a sal­ vação".
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    1329 MATEUS 2.13 nome'de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. 22 Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: . 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuelm (£ue quer dizer: Deus conosco). 24 Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. 25 Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome" de Jesus. A visita dos magos 2 Tendo Jesus nascido em Belém da Ju- déia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.0 2 E perguntavam: Onde está o recém-nas­ cido Rei dos judeus? Porque vimos a sua es­ trela no Oriente e viemos para adorá-lo.P 3 Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei He­ rodes, e, com ele, toda a Jerusalém; 4 então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer. 9 5 Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: 6 E tu, Belém, terra de Judá, não és de 1.21 /Lc 1.31 1.23 m|s 7.14 1.25 nLc 2.21 2.1 oCn 10.30; 1Rs 4.30 2.2 pNm 24.17; U2.11 2.4 4 20 34.13 2.6 rMq 5.2 modo algum a menor entre as princi­ pais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel.' 7 Com isto, Herodes, tendo chamado se­ cretamente os magos, inquiriu deles com pre­ cisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera. 8 E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avi­ sai-me, para eu também ir adorá-lo. 9 Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os prece­ dia, até que, chegando, parou sobre onde es­ tava o menino. 10 E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo. 11 Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra.5 12 Sendo por divina advertência preveni­ dos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra.' 2.11 *SI 72.10 2.12 tM tl.20 A fuga para o Egito 13 Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te 2.1 Belém da judéia. Para distingui-ia da Belém de Zebulom (Jz 19.15). O nome distintivo ocorre também em Rt 1.1. Rei Herodes. Chamado o Grande. Era um descendente de Esaú. Começou a reinar em 37 a .C , e morreu pelo ano 4 a.C. Os romanos chamaram-no Rei dos judeus. Era um homem cruel, bárbaro, sanguinário. Uns magos do oriente. Os magos eram astrólogos ou mágicos; às vezes o termo incluía os que traba­ lhavam em outras ciências, as quais na época tinham pouco a ver com o fespíríto científico", e incluíam a superstição, a magia e impostura. -O comentário que os antigos pais da Igreja fizeram sobre esta cena, é que representa a astrologia e a magia cürvando-se perante Cristo, reconhecendo que a ilu­ minação de Cristo dissipa as trevas da falsa sabedoria.-As len­ das populares atribuÍFam nomes-a -estes-magos, fazendo deles três reis orientais; talvez o número de presentes (v 11) e uma aplicação do SI 72.1 ( M l , levaram a estas conjeturas, porém o evangelho não se detém nestes assuntos. 2.2 Vimos a sua estrela no Oriente. O astrônomo Kepler cal­ cula que se tratava da conjunção de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes, em 7 a.C. Outros sugerem que se tra­ tava de alguma estrela variável, com seu surgimento e desa­ parecimento periódicos, uma das quais foi notada pelos chineses em 4 a.C. Os magos, como astrólogos, teriam se interessado imediatamente. O certo é que Deus concedeu no tempo apropriado a visão da estrela prometida em N m 24.17. • N. Hom. A obediência: 1) Dos magos, "vimos e viemos", 2.2; 2) De José, 1.20,22; 3) De-~ Maria, Lc 1.26-37,38. ------- 2.11 Alguns supõem que Jesus já teria dois anos de flaHè na época, por causa das crianças que Herodes resolveu matar. Mas a contagem judaica usaria o termo "de dois anos para baixo" para as crianças até um ano completo de idade. Hero­ des na sua ansiedade historicamente comprovada, de elimi­ nar qualquer possível pretendente ao trono, não perderia a garantia de matar esta criancinha só por causa de algum equívoco de meses. Maria e José só teriam ficado em Belém até completar os 40 dias da purificação (Lc 2.22 com Lv 12.2-4). O adoraram. A adoração incluía presentes signifi­ cativos: ouro, simbolizando a realeza; incenso, a divindade; mirra, o sacrifício. Além do simbolismo, é claro que eram pre­ sentes valiosos, ofertados para aquele que era reconhecido, no mínimo, como iuturo rei de Israel. 2.13 Tendo eles partido. Tanto os magos como |osé e Maria, foram desviados do caminho de Herodes, pela mensagem mandada por Deus.
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    MATEUS 2.14 1330 avise;porque Herodes há de procurar o me­ nino para o matar. 14 Dispondo-se ele, tomou de noite o me­ nino e sua mãe e partiu para o Egito; 15 e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho". 2.15 "Os 11.1 2.17 "Jr 31.15 2.18 w|r 31.15 2.22 *Mt 3.13 A matança dos inocentes 16 Vendo-se iludido pelos magos, enfure­ ceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos. 17 Então, se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias:1 ' 18 Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, [choro] e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque nãomais existem.w 2.23 ris 11.1 3.1 ^is 14.10; Lc 3.2-3 3.2 "Mt4.17; Mc 1.15 SDn 2.44 3.3 c|s 40.3 A volta do Egito 19 Tendo Herodes morrido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe: 20 Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino. 21 Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe e regressou para a terra de Israel. 22 Tendo, porém, ouvido que Arquelau 3.4 "2Rs 1.8 3.5 *Mc 1.5 3 .6 'At 19.4 3.7 sMt 23.33 reinava na Judéia em lugar de seu pai Hero­ des, temeu ir para lá; e, por divina advertência prevenido em sonho, retirou-se para as re­ giões da Galiléia.* 23 E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno^. A pregação de João Batista M c 1 .2 -6 ; L c 3 .1 -9 3 Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia:2 2 Arrependei-vos°, porque está próximo o reino dos céusb. ’ 3 Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas2. 4 Usava João vestes® de pêlos de camelo e um cinto de couro; a sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre. 5 Então, saíam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão;e 6 e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.f 7 Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras®, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? 2.15 A téà morte de Herodes. Herodes o Grande; morreu em c. 4 a .£ ; calcula-se então o nascimento de Cristo para 6 ou 7 a .C , e assim, o máximo que José e Mana podiam ter pas­ sado no fcqito seria um penoao de dois anos, quando então receberam a ordem divina de voltar. 2.23 Nazareno. A palavra aplica-se a quem mora em Nazaré; relembra o nazireu, que se consagrava especial e totalmente à adoração de Deus (Nm 6.1-5); e ainda coincide com a pa­ lavra hebraica nécer, “ renovo" que é um dos títulos do Mes­ sias (Is 11.1). Jesus tornou-se triplamente merecedor do título "Nazareno". 3.1 lodo Batista. "João", heb yohãnãn, "Deus teve misericór­ dia". A palavra "Batista" refere-se a sua vocação especial de batizar, assinalando arrependimento em preparação para a aceitação de Cristo. 3:2 O fén o doscéus.Só Mateus emprega esta expressão, que nos outros evangelhos é "Reino de Deus",-uma vez que1as expressões diferentes ocorrem em narrativas iguais, é certo que significam a mesma coisa. O Batista decerto está pen­ sando numa organização de Deus a ser estabelecida no mundo, mas, à parte e antes de qualquer manifestação visível da soberania de Deus, a expressão significa a maneira de vida dos que se deixam dirigir por Deus em tudo. É o reino dos céus porque sua origem, seus propósitos, e seu rei, são celes­ tiais. Este conceito abrange várias idéias em conjunto, inclu­ sive a relação e posição que ganhamos ao passar pelo novo nascimento (Jo 3.3). • N. Hom. A providência de Deus. )e- sus, apesar de ter nascido numa manjedoura, já possuía meios para pagar as despesas de seus pais no Egito, através dos presentes dos magos, e. para preparar a mente do povo para o ministério de Jesus, tinha a |oão Batista. 3.5 Saíam a ter com. ele. João se estabelece num vau natural do Jordão conhecido como Betabara ou Betânia do outro lado do Jordão (Jo 1.28), por onde tinha de passar todo israe­ lita que demandava Jerusalém. 3.7 Batismo. O batismo de João era especificamente um sinal exterior do arrependimento do pecado confessado pela pes­ soa batizada; o simbolismo do batismo cristão contém muitas outras realidades espirituais, da união com Cristo, da aceita­ ção da salvação, etc.
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    1331 MATEUS 4.7 8Produzi, pois, frutos dignos de arrepen­ dimento; 9 e não comeceis a dizer entre vós mes­ mos: Temos por pai a Abraãoh; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode sus­ citar filhos a Abraão. . 10 Já está posto o machado à raiz das ár­ vores; toda árvore1 , pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. 3.9 "Jo 8.33 3.10 'Mt 7.19 3.11 /Is 4.4; Mc 1.8; Jo 1.15, 26,33; ICo 12.13 3.12 *MI 3.3 16 Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo so­ bre ele.m 17 E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado", em quem me com­ prazo0. A tentação de Jesus M c 1 .1 2-1 3 ; L c 4 .1-13 João dá testemunho de Cristo M c 1 .7 -8 ; L c 3 .1 5 -1 7 ; Jo 1.19-28 r 11 Eu vos batizo coma água, parab arre­ pendimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso dp que eu, cujas sandá­ lias não sou digno de levar. Ele vos batizará coma o Espírito Santo e coma fogo./ 12 A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em Ifogo inextinguível.* O batismo de Jesus M c 1 .9 -1 1 ; L c 3 .2 1 -2 2 ; Jo 1.32-34 13 Por esse tempo, dirigiu-se Jesus da Ga- üléia para o Jordão, a fim de que João o batizasse.1 14 Ele, porém, o dissuadia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? 15 Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o admitiu. 3.13 (Mt 2.22; Lc 3.21 3 .1 6 "i|sll.2 ; Lc 3.22 3.17 "Mt 12.18; 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35 °ls 42.1 4.1 pHb 2.18; 4.15 4.4 9Dt 8.3 4.5 "Ne 11.1; Is 48.2; Apl 1.2 4.6 sSI 91.11 tSI 91.12 4 A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentadoP pelo diabo. 2 E, depois de jejuar quarenta dias e qua­ renta noites, teve fome. 3 Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. ■4 Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus9. 5 Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo" 6 e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: I Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem5; e: : ' Eles te susterão nas suas mãos, paia não tropegarés nalguma pedra*. ’’" 7 Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus". 4.7 "Dt 6.16 «com; ou em bpara; ou à vista de 3.8 Produzi, pois, frutos. Este sermão foi dirigido às multidões (Lc 3.7), aos fariseus e saduceus (M t 3.7), aos publicanos (Lc 3.12), aos soldados (Lc 3.14). João não temia a ninguém (cf 14.3-4). 3.11 Com o Espírito Santo e com fogo. Refere-se ao ministério espiritual de Cristo. Sua obra começou acompanhada pela energia sobrenatural do Espírito Santo, colhendo-se algum "trigo" (os fiéis), e revelando-se quem seria "palha" para jul­ gamento. A doutrina do batismo no Espírito Santo não recebe luzes neste trecho, pois o assunto pertence à época posterior à ressurreição de Jesus (cf 1 Co 12.13). 3.13 Caliléia. A área de Israel da qual Jesus era nativo. 3.13-17 O batismo de Jesus não era para arrependimento. Era apenas um sinal de que Jesus se colocava do lado da minoria dos fiéis e que dava Seu apoio à obra de João. Além disto, era, a unção sacerdotal de Jesus, o cumprimento da cerimônia descrita em Êx 29.4-7. • N. Hom. A solenidade do batismo de Jesus: 1) A presença da Trindade; 2) A voz dos céus; 3) A grande declaração do Pai: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (17; cf Cn 22.2; Is 42.1). 3.16 O Espírito de Deus. O Espírito, por cuja obra Jesus foi concebido (1.18) e por cujo poder Jesus operava maravilhas (Lc4.18). Como pomba. Símbolo da mansidão e do sacrifício. Veja contraste em At 2.3 quando Ele desceu sobre bs discípu­ los em línguas como que de fogo. 4.1 A tradição aponta o Monte da tentação no sul da Judéia. Diabo. Cr diabolos, "maldizente", o que lança uma pessoa contra a outra. Na mesma narrativa, Marcos emprega a pala­ vra Satanás (Mc 1.13), que é uma transliteração da palavra hebraica sãtãn "adversário", "acusador". 4.2 jejuou. O ministério de Jesus começou corri jejum, uma preparação espiritual para a luta com o diabo: destacam-se também as 40 noites, por causa do costume árabe de obser­ var o jejum durante o dia. Teve fome. Na hora do esgota­ mento aparece o tentador, o diabo. A arma usada por Jesus nesta batalha de três etapas, era à Palavra de Deus: "Está escrito"; através dessa arma o diabo foi golpeado e vencido. Cf as narrativas paralelas.________ _________________________ _ _
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    MATEUS 4.8 1332 8Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles 9 e lhe disse: Tudo isto te darei se, pros­ trado, me adorares. 10 Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto1 '. 11 Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram.w Jesus voltaparv a Galiléia M c 1 .1 4-1 5 ; L c 4.14,15 12 Ouvindo, porém, Jesus que João* fora preso, retirou-se para a Galiléia; 13 e, deixando Nazaré, foi morar em Ça- famaumr.»situada à beira-mar, nos confins de Zehulom e Naftali; 14 parà que se cumprisse o que fora dito pqr intermédio do profeta Isaías: ' 15 Terra de Zebulom, terra de Naftali, ca­ minho do mar, além do Jordão, Gali- -------léiades gentios 16lt) povo que jazia em trevas viu grande — luz., e aos que viviam na região e som- JJjra da morte resplandeceu-lhes a luz.0 —f 7-Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer;. Arrependei-vos*’, porque está pró­ ximo o reino dos eéusc. ~ A vocação de discípulos ~~ M c 1 .1 6-2 0 ; L c 5 .1-11 18 Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores.d 19 E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vw farei pescadores de homens.e 20 Então, eles deixaram imediatamente s redes e o seguiram.* 21 Passando adiante, viu outros dois ir­ mãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, sem irmão, que estavam no Barco em companhia de seu pai, consertando as redes; e chamoò- os.9 22 Então, eles, no mesmo instante, dei­ xando o barco e seu pai, o seguiram. Jesus prega por toda a Galiléia e cura muitos enfermos L c 6 .17-19 23 Percorria Jesus toda a Galiléia*1 , ensi­ nando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo. _ 24 E a sua fama correu por toda a Sniac trouxeram-lhe, então, todos os doentes, aco­ metidos de várias enfermidades e tormentos endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os curou. 25 E da Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e dalém do Iordão numerosas multi­ dões o seguiam.’ O sermão do monte As bem-aventuranças L c 6.20-23 Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproxima­ ram-se os seus discípulos;* 4.iovDt6.i3 4.11 »Hb1.l4 4.12 *Mt 14.3; Mc 6.17; Lc 3.19-20 4.13/Jo 2.12 4.15 z|s 9.1-2 4.16o(1J-16) Is 9.1-2 4.17 l>Mt 3.2 cDn 2.44 4.18 dMc 1.16-18; Jo 1.42 4.19 «Lc 5.10-11 4.20 ’Mc 10.28 4.21 9Mc 1.19-20 4.23 íiMt 9.35; Mc 1.39; Lc 4.44 4.25 ’Mc 3.7 5.1/Mc 3.13 4.12 A prisão de João Batista encerra o ministério de Jesus na Judéia, passando então a exercer Seu ministério na Galiléia, estabelecendo o centra das Suas atividades messiânicas em Cafarnaum, importante cidade da Galiléia. 4.13-17 Sob a direção do Espírito, Jesus deixa $eu lar e seus amigos, iniciando o cumprimento da profèóiá de Isaías (Is 9.1 -2 ). A duração de sua missão na Terra é calculada para três anos, de acordo com as informações registradas nos qua­ tro evangelhos. Jesus passa a maior parte do Seu ministério na humilde Galiléia e não na portentosa Jerusalém. Passou três vezes por toda Galiléia, sendo que desta vez com quatro pes­ cadores. j 4.16 O povo que jazia em trevas. Sua situação é descrita por ' "trevas", sem iluminação espiritual, e só na expectativa da j morte. A vida, por mais movimentada que seja, é apenas o j prelúdio da morte, quando se desconhece o gozo das realida- i des espirituais que Cristo veio oferecer. I 4.17 Próximo. Gr êqgiken, "chegou", "aproximou-se", "está 1 perto" no tempo ou no espaço. Era o ponto vital na histúã da redenção, o cumprimento de tudo aquilo que é o reino de Deus. Agora forma-se um povo especialmente de Deus pek obra de Cristo. Manifesta-se agora a presença de Deus enbe os homens, pela pessoa de Jesus. Jesus estende agora o con­ vite aos, homens para aceitar ou rejeitar o senhorio de D e» em suas vidas. Mas pensa-se também na futura consumação final, quando o Reino será estabelecido na Terra (Ap 20.461 4.18-22 A chamada dos quatro discípulos: André, Tiago, Pe­ dro e João. Aqui são convidados a seguir a Cristo dedicando- se ao discipulado (gr mathêtês, aquele que está sendo ensinado); a vocação à plena conversão se descreve en Jo 1.35-51; e a missão dos apóstolos (gr apostolas, "en­ viado", "emissário", "missionário"), descreve-se en Mt 10.1-15, cf At 1.8. 4.23 Percorria. Reflete a ardente paixão do Mestre pelas at- mas perdidas, em prol das quais: 1) Ensinava nas sinagogas 2) Pregava o evangelho do Reino; 3) Curava enfermidades.
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    1333 MATEUS 5.21 2e ele passou a ensiná-los, dizendo: 3 Bem-aventurados os humildes de espí­ rito, porque deles 6 o reino dos céusA 4 Bem-aventurados os que choram', por­ que serão consolados. 5 Bem-aventurados os mansos™, porque herdarão a terra. 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede” de justiça, porque serão fartos. 7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.0 8 Bem-aventurados os limpos de cora- çãoP, porque verão a Deus. 9 Bem-aventurados os pacificadores, por­ que serão chamados filhos de Deus. 10 Bem-aventurados os perseguidos? por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 11 Bem-aventuradosr sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos persegui­ rem, e, mentindo, disserem todo mal con­ tra vós. 12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas5 que viveram antes de vós. Os discípulos, o sal da terra Mc 9.49-50; Lc 14.34-35 13 Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. < 5 .3 ‘ SI 51.17; Is 57.15 5.4 M s61.2 5.5 mSI 37.11 5.6 nls 55.1-2 5.7 oSl 41.1; Mc 11.25; 2Tm 1.16; Tg 2.13 5.8 PSI 24.4 Os discípulos, a luz do mundo 14 Vós sois a luz do mundo“. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; 15 nem se acende uma candeia1 ' para co­ locá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. 16 Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obrasw e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus. 5.10 <7lPe 3.14 5.11 ri Pe 4.14 5.12 s2Cr 36.16; At 7.12 5.13 tMc 9.50 5.14 u)o 8.12; 9.5 5.15 vMc 4.21; Lc 8.16; 11.33 5.16 *vipe 2.12 5.17 *Rm 3.31 5.18 rLc 16.17 Jesus não veio revogar a Lei, mas cumprir 17 Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir." 18 Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra)' passem, nem um i ou um til jyunais passará da Lei, até que tudo se cumpra. 19 Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e as­ sim ensinar aos homens, será considerado mí­ nimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.2 20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fari­ seus, jamais entrareis no reino dos céus.0 5.19 zStg 2.10 Jesus completa o que foi dito aos antigos Do homicídio 5.20 oRm 9.31 21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não 5.2 Passou a ensiná-los. )esus achava-se em Cafarnaum, cer­ cado por grandes multidões, num lugar que hoje é apontado como o Monte das Bem-aventuranças. O Sermão inteiro ocupa os caps 5, 6 e 7, e seus ensinamentos foram repetidos no decurso da missão ativa de Jesus na terra, como se verifica nas referências e partes diferentes do Evangelho de Lucas. 5.3-12 Bem-aventurados. Cr makarios, "feliz", "abençoado". É a felicidade do coração que está em paz com Deus, e es­ tende-se aos seguintes: 1) Humildes de espírito, os verdadeiros humildes, não sendo a simples falta de bens materiais que produz a humildade; 2) Os que choram, lamentando seus pró­ prios pecados; 3) Os mansos, que se dobram à vontade de Deus; 4) Fome e sede de justiça, é o que têm os que buscam a santidade que vem de Deus; 5) Os misericordiosos, que se compadecem do seu próximo; 6) Os limpos de coração, têm uma santidade no íntimo; 7) Os pacificadores, têm paz com Deus e a semeiam; 8) Os perseguidos, que sofrem qualquer sacrifício para permanecer dentro da vontade de Cristo. 5.13,14 A influência e a responsabilidade do cristão neste mundo: o sal preserva e dá sabor, a luz brilha e se opõe às trevas. “ 5.17 Para cumprir. Cr plêrõsai, "encher", "completar". Jesus não veio revogar ou destruir nenhuma palavra que Deus ensi­ nara aos fiéis do passado no AT. Veio cumprir plenamente o propósito de Deus revelado no AT dando à lei e aos profetas aquilo que faltava: O Espírito Santo para interpretá-lo e poder para pô-lo em prática, pela sua obra salvadora. 5.18 A letra i (foto) era a menor letra do abecedário grego e hebraico (yôdh), e o til (gr keraia, lit "chifrezinho", era o sinal que distinguia certas consoantes hebraicas, o daleth do rêsh, o bêth do kaph). ' 5.19 Aquele, pois, que violar. A Bíblia é a palavra de Deus, e não deve ser menosprezada, retalhada ou profanada nas mãos dos homens. 5.20 justiça. Gr dikaiosunê; a qualidade de ser reto ou justo. Não é suficiente a observância de leis e de costumes; para isto os fariseus serviam muito bem. Precisa-se certa realidade espi­ ritual produzida pelo relacionamento com Deus pela fé que resulta numa retidão interna refletida pela expressão externa (cf Lc 18.14n; Rm 4.3). ' 5.21,22 Não matarás. Os judeus valorizavam a letra da lei que proibia eliminar-se a vida humana (Êx20.13). Jesus, reve-
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    MATEUS 5.22 1334 matarás6;e: Quem matar estará sujeito a jul­ gamento. 22 Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um in­ sulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.c 23 Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,d 24 deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, en­ tão, voltando, faze a tua oferta.e 25 Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a ca­ minho, para que o adversário não te entregue, ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão/ 26 Em verdade te digo que não sairás dalir enquanto não pagares o último centavo. D o adultério 27 Ouvistes que foi dito: Não adulte- rarás9. C 28 Eu, porém, vos digo: quàlquer que olhar para uma mulher com intenção impura, jno coração, já adulterou com ela.6 29 Se o teu olho1 ' direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, é hão seja todo o teu corpo lançado no inferno. 30 E, se a tua mão/ direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se 5.21 ifx20.13; Dt 5.17 5.22 cStg 2.20; l)o 3.15 5.23 "Mt 8.4 5.24 e|ó 42.8; 1Tm 2.8; IPe 3.7 5.25 /SI 32.6; Is 55.6 5.27 9Êx 20.14; Dt5.18 5.28 6Gn 34.2; 2Sm 11.2; Pv6.25 5.29 /Mtl 8.9; Mc 9.47 5.30 ;Mt 18.8; Mc 9.43 5.31 *Dt 24.1-4; Mt 19.7; Mc 10.4 5.32 /Lc 16.18; 1Co 7.10-11 5.33 mlv 19.12 "Nm 30.2; Dt 23.21 5.34 oTg 5.12 Pis 66.1; Mt 23.22 5.35 pis 66.1 'SI 48.2 5.37 sCI 4.6 5.38 íÊx 21.24; Lv 24.20; Dt 19.21 5.39 uPv 20,22; Lm 3.30; Rm 12.17,19; ICo 6.7; ITs 5.15; 1Pe 3.9 perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno. 31 Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher*, dê-lhe carta de divórcio. 32 Eu, porém, vos digo: qualquer que re­ pudiar sua mulher, exceto em caso de rela­ ções sexuais ilícitas, a expõe a tomar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério'. Dos juramentos 33 Também ouvistes que foi dito aos anti­ gos: Não jurarás falsom, mas cumprirás" ri­ gorosamente para com o Senhor os teus juramentos. 34 Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis0; nem pelo céuP, por ser o trono de Deus; 35 nem pela terra< /, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém'', por ser cidade do grande Rei; 36 nem jures pela tua cabeça, porque não podes tomar um cabelo branco ou preto. 37 Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do ma­ ligno.5 Da vingança L c 6.27-30 38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente(. 39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra;" lando a vontade de Deus, porém, proibiu o ódio e a vingança que já é assassínio no coração (cf 23-26). 5.22 Inferno. Gr geenna, que translitera o hebraico gê- hinnõm, "o vale de Hinom"; este vale profundo ficava ao sul de Jerusalém. Durante o reinado de Manasses alguns judeus sacrificavam ali aos seus próprios filhos, através do fogo, ao ídolo Moloque. Finalmente tomou-se o depósito de lixo da cidade, e inclusive de carcaças de animais e de criminosos executados. O fogo e a fumaça incessantes criaram o símbolo do castigo eterno. 5.27,28 Não adulterarás. Adulterar, para o judeu, obser­ vando-se a letra de Êx 20.14, seria deitar-se com a mulher do seu próximo. Para jesus, é isto e ainda algo mais. Atendendo ao espírito da lei e à disposição do coração que leva a cobiçar uma mulher, declara que pensamento impuro é adultério, embora não se pratique o ato. 5.32 A interpretação que os judeus da época de Jesus chega­ ram a ter da lei, começou a ter aplicação dupla: lenitiva para com os homens, e severa para com as mulheres. Um homem podia divorciar-se de sua esposa por qualquer pretexto, e tinha muita facilidade para tomar uma concubina. Aqui, bem como em outras questões, jesus revela qual era a verdadeira intenção da Palavra de Deus, desde os primórdios. 5.33,34 Não jurarás falso. Cf Lv 19.12; Êx20 .7 ; D t5.34. O juramento era permitido no AT, mas jesus querendo que toda palavra nossa seja pura e inabalável (37), proíbe o juramento. • N. Hom. Lugares onde nossa luz não deve ficar: 1) Debaixo do alqueire, 5.15; 2) Debaixo da cama, Mc 4.21; 3) Debaixo do vaso, Lc 8.16; 4) Em qualquer lugar escondido, Lc 11.23. 5.38 Olho por olho. A intenção desta lei era de controlar a vingança da pessoa lesada, não podendo ultrapassar a sim­ ples retribuição justa e exata (Êx 21.24; Dt 19.21; Lv 24.20). Jesus ultrapassa a justiça com amor, não somente na Sua obra sacrificial na cruz, pela qual Deus cancela o castigo que Sua justiça decreta, mas também na Sua vida diária demons­ trando que a justiça pode ser cumprida através de Sua Pessoa e no Seu ensino.
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    1335 MATEUS 6.12 40e, ao que quer demandar contigo e ti­ rar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. 41 Se alguém te obrigar a andar uma mi­ lha, vai com ele duas." 42 Dá a quem te pede e não voltes as cos­ tas ao que deseja que lhe emprestes."' 5.41 v-Mt 27.32 5.42 »Dt 15.8; Lc 6.30,35 5.43 *Lv 19.18 Do amor ao próximo lc 6.32-36 t" 43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo* e odiarás o teu inimigo. 44 Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;)' 45 para que vos tomeis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e in- [justos.2 46 Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publi- canos também o mesmo?“ 47 E, se saudardes somente os vossos ir­ mãos, que fazeis de mais? Não fazem os gen­ tios também o mesmo? 48 Portanto, sede vós perfeitos* como perfeito é o vosso Pai celeste. 5.44 /Lc 6.27; At 7.60; 1Co 4.12-13; 1Pe2.23 5.45 *|ó 25.3 5.46 oLc 6.32 5.48&Dt 18.13 6.1 cMt 23.5 6.2 “ Rm 12.8 6.4 ^Lc 14.14 6.5 fLc 18.10-14 6.6 9Is 26.20 A prática da justiça 6 Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por elesc; doutra sorte, não tereis ga­ lardão junto de vosso Pai celeste. Como se deve dar esmolas 6.7 “ IRs 18.26; Ec5.2 6.9 'Lc 11.2 6.10 i S1103.20-21; At 21.14 2 Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócri­ tas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glo- 6.11 *Jó 23.12 6.12 'Mt 18.21 rificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.* 3 Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; 4 para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recom­ pensará.“ Como se deve orar 5 E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em péf nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. 6 Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto9 e, fechada a porta, oraras a teu FüT que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. 7 E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.* 8 Não vos assemelheis, pois, a eles; por­ que Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais. A oração dominical Lc 11.2-4 9 Portanto, vós orareis assim:' Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10 venha o teu reino;/ faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; 11 o pão nosso de cada dia* dá-nos hoje; 12 e perdoa-nos as nossas dívidas/ 5.43 Odiarás o teu inimigo. Esta expressão pertence à tradição popular dos judeus, e não ao AT. Os judeus consideravam que só outros judeus (e prosélitos, ver Lv 19.33-44) eram vizinhos. Mas jesus ensinou o amor para com todos, conside­ rando-os além disto o sinal pelo qual o mundo reconheceria os filhos do Pai Celestial ()o 13.35). 5.48 Perfeitos, jesus aponta para a absoluta perfeição do amor de Deus como alvo do crente (cf 1 Pe 1.15,16). Não se debate a possibilidade filosófica do absoluto amor perfeito na terra: quem pertence a Cristo, pratica a verdadeira piedade (1 Jo 1.6-10), e já tem sua absoluta garantia da transforma­ ção final (1 |o 3.2). 6.1 Guardai-vos de exercer, jesus não condena as esmolas (2-4), nem a oração (5-8), nem o jejum (16-18). Não de­ vem estes, porém, ser aproveitados para demonstrações pú­ blicas, pois a humildade, e não o orgulho, é a base da comunhão com Deus. jesus venceu a grande batalha contra Satanás com jejum (4.2) e recomendou-o aos Seus discípulos durante Sua ausência, (9.15) reconhecendo-o como útil para se enfrentar ao diabo (17.21). 6.7 Vãs repetições. Esta era a maneira pagã de "forçar" os deuses e conceder favores que estava em voga com os adora­ dores de Baal (1 Rs 18.26-28). 6.9 Pai nosso. Cf Lc 11.2n. Nome. O pensamento hebraico não distinguia claramente entre o nome e a pessoa. Santificar 0 nome de Deus, implica em viver de uma maneira tal que Sua Santidade se manifeste em Seus filhos. 6.10 Venha o teu reino. O Reino de Deus tem dois aspectos. No sentido presente, se manifesta onde quer que Ele seja adorado e seguido, nos corações onde Deus reina. O Reino virá de modo completo ao mundo quando Deus vencer o último inimigo, por ocasião da volta de Cristo (2 T s2.8 ; 1 Co 15.23— 28). Só Deus pode estabelecer Seu próprio Reino. 6.11 De cada dia. Cf Lc 11.3n.
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    MATEUS 6.13 1336 assimcomo nós temos perdoado aos nossos devedores; 13 e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino™, o poder e a glória para sempre. Amém]! 14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará;'’ 15 se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos per­ doará as vossas ofensas.0 6.15 " K r 29.11 6.14 "Mc 11.25-26; Cl 3.13 6.1So(14-15) Mc 11.25-26 6.16 Pis 58.5 Comojejuar 6.17 vRt 3.3 16 Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfi­ guram o rosto com o fim de parecer aos ho­ mens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.P 17 Tu, porém, quando jejuares, unge a ca­ beça e lava o rosto,9 18 com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. 6.19 fTg 5.2-3 6.20 >Mt 19.21; lTm 6.19; 1Pe 1.4 6.22 'Lc 11.34 Os tesouros no céu 19 Não acumuleis' para vós outros tesou­ ros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; 20 mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam;5 21 porque, onde está o teu tesouro, aí es­ tará também o teu coração. 6.24 uLc 16.13; ITm 6.17; Tg 4.4; IJo 2.15 6.25 ‘'SI 55.22; IPe 5.7 6.26 iv|ó 38.41; Lc 12.24 A luz e as trevas Lc 11.34-36 22 São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo sera luminoso;' 23 se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! Os dois senhores 24 Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às ri­ quezas.0 A ansiosa solicitude pela vida L c 12.22-31 25 Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto áo que haveis de co­ mer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanco ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?v 26 Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; con­ tudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porven­ tura, não valeis vós muito mais do que as aves?"' 27 Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vidac? 28 E por que andais ansiosos quanto ao cao curso da sua vida; ou à estatura 6.13 Deixes cair (peirasmos "tentação" ou "teste"). A tenta­ ção, que dq ponto de vista do diabo deve derrotar-nos, do ponto de vista de Deus, deve fortalecer-nos (Lc 22.32). Jesus deixa bem claro que a vitória somente se consegue vigiando e orando (26.41; í Co 10.13). Mal. O original pode ser igual­ mente bem traduzido por "maligno", i.e., o diabo. 6.15 S e. . . não perdoardes. A exigência do perdão se baseia na natureza da oração na igreja. Em 18.15-20, a "onipotên­ cia da oração em nome de Cristo" requer pleno perdão entre todos os membros. 6.16 Hipócritas. Gr hupokritês, significava originalmente "ator", aquele que finge ser alguém. Jesus frisa o fingimento religioso, a busca do louvor dos homens por causa da religio­ sidade externa. O jejum não é condenado se tiver como alvo o aproximar-se de Deus e a negação de si mesmo. 6.19 Tesouros. Gr thêsauros, "tesouraria". Trata-se de arma­ zenar para si mesmo valores materiais além do necessário (1 Tm 6.6-10). Estes, por sua vez, vêm a dominar seu próprio dono, e a deixar desamparados os necessitados. Traça: Parte dos tesouros orientais consistia em valiosos tecidos e vestidos. Escavam. Passando pela parede de tijolos de barro e de terra. 6.20 Tesouros no céu ajuntam-se somente convertendo pe­ cadores que viverão eternamente (cf Lc 16.9n). 6.22 Olhos. A luz na qual vivemos é captada pelos olhas nosso vínculo com o mundo visível; sem eles, o mundo nas seria escuridão. Nossa visão espiritual é nosso vínculo com a eternidade. 6.24 Riquezas. Gr mamõn, transliteração da palavra aramaia que significa "riqueza", mas que Jesus aqui está dando como nome pessoal, como se fosse um ídolo pagão (ó que, na prá­ tica, tende a ser, pois sua busca exige uma dedicação igud àquela que uma religião exige). 6.27 Côvado. Medida de comprimento de 46 cm . Aqui é hu­ moristicamente considerada como mais um pedacinho de vida, pois a palavra, hêlikia, deve ser compreendida mais como tempo do que como "estatura". 6.28 Os lírios do campo. As anémonas vermelhas que cres-
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    1337 MATEUS 7.12 vestuário?Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. 29 Eu, contudo, vos afirmo que nem Salo­ mão*, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? 31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? 32 Porque os gentios é que procuram to­ das estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; 33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino ê~ã~sua justiça, e todas estas coisàsvos serão acrescentadas./ 34 Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuida­ dos; basta ao dia o seu próprio mal. O juízo temerário é proibido Lc 6.37-38,41-42 6.29 *1Rs 10.4-7; 2Cr 9.3-6 6.33 ylRs 3.13; Mc 10.30; 1Tm 4.8 7.1 zLc 6.37; 1Co 4.3,5; Tg 4.11-12 7.2 oMc 4.24 7.3 6Lc 6.41-42 7.6 cPv 9.7-8 7.7 °Mt 21.22; Lc 11.9-10; Tg 1.5-6; 1|o 3.22 7 Não julgueis, para que não sejais jul­ gados.* 2 Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida0 com que tiverdes medido, vos medirão também. 3 Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?b 4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me 7.8ePv8.17 7 .9 'Lc 11.11-13 7.11 sCn6.5 7.12 6Lc 6.31 tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? 5 Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão. Não deis o que é santo aos cães 6 Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem.c Jesus incita a orar Lc 11.9-13 7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-T3 ' 8 Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe- á.g ............... 9 Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra?f 10 Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? 11 Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?» 12 Tudo quanto, pois, quereis^ que os ho­ mens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas. ciam nas encostas dos montes da Palestina, que Jesus via en­ quanto pregava. 6.33 Buscai primeiro. Jesus mostra a verdadeira escala de valo­ res: o corpo vale mais do que seu vestuário, a vida vale mais do que a comida que a sustenta (w 25-32), e acima destas coisas terrenas está a comunhão espiritual com Deus. Quem dá a Deus a posição central em sua vida, gozará do Seu cui­ dado onipotente e eterno (Rm 8.32). 6.34 Mal. Cr kakos, "mal" (do ponto de vista humano), "difi­ culdade". 7.1 Não julgueis. Não se proíbe o uso de critérios sãos. O que é proibido é o espírito de crítica, que aumenta o erro alheio. 7.3 Argueiro. O cisco que representa o pecado alheio, e que pode cegar (v 22 e nota), não é de nossa responsabilidade corrigir, uma vez que nossos pecados são como uma trave nos impedindo de ver. 7.6 Porcos. Animais considerados imundos pelos judeus (Lv 11.3). Pérolas. A maior preciosidade, para os orientais. A parábola pinta o quadro de um rico jogando, a mancheias, pérolas aos porcos como se fossem ervilhas, irritando aos por­ cos que dariam mais valor a ervilhas "genuínas". A igreja pri­ mitiva interpretou este ditado de Jesus, com relação à ceia do Senhor. Dar ceia a incrédulos, hereges e até aos não batizados (os não comprometidos com Cristo) era, para o autor do Didaquê (c. 120 d .C ), para Tertuliano, para Teodoro e ou­ tros, muito perigoso. Apaga as distinções entre a fé e o paga­ nismo, e enfim, destróit> cristianismo. 7.7 Ás três expressões, em conjunto, ensinam claramente qual é a disposição amorosa de Deus no que diz respeito a atenderás orações (cf Jo 14.13-14). 7.9 Um estímulo à oração, destinado àqueles que imaginam que Deus não responderá, ou mesmo atendendo, não conce­ derá a bênção especificamente pedida. Pedra. Semelhante aos pães orientais, redondos e achatados. Cobra. Semelhante à enguia, que é comestível. 7.12 Este versículo, originário de Jesus, chama-se "a regra áurea". Aqui Jesus se ocupa com o nosso procedimento diá­ rio: devemos agir somente em amor (1 Co 13.4— 8), cedendo ao próximo o que buscamos para nosso próprio bem. Longe de pagar o mal com o mal, devemos fazer o bem a todos. Foi assim que Deus respondeu à rebelião dos homens ofere­ cendo-lhes a salvação pela graça (Ef 2.8,9).
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    1338 As duas estradas Lc 13.24 13 Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminno que conduz para a perdição, e sao muitos os que entram' por ela),1 14 porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela. Os falsos profetas 15 Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores./ 16 Pelos seus frutos os conhecereis. Co­ lhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?* 17 Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.' 18 Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. 19 Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.m 20 Assim, pois, pelos seus frutos os co- riihecereis.n 21 Nem todo o que me diz: Senhor, Se­ nhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.0 22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado ém teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fize­ mos muitos milagres?P MATEUS 7.13 7.13 'Lc 13.24 7.15 (Dt 13.3; Mq 3.5; Mc 13.22; Rm 16.17-18; Cl 2.8; 2Tm 3.5; 2Pe 2.1-3; 1Jo4.1 7.16 *Mt 7.20 7.17 '|r 11.19 7.19 mMt 3.10; |o 15.2,6 7.20 "(17-20) Mt 3.10; 12.33; Lc 3.9 7.21 »Os 8.2; Lc 6.46; Rm2.13 7.22 pNm 24.4; 1Co 13.2 7.23 4SI 6.8 7.24 rLc 6.47 7.28 sMt 13.54; Lc 4.32 7.29 ((28-29) Mc 1.22; Lc 4.32 23 Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que pra- ,ticais a inioüidadeo. Os dois fundamentos L c 6 .46-49 24 Todo aquele, pois, que ouve estas mi­ nhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha;r 25 e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto con­ tra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. 26 E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa so­ bre a areia; ................. 27 e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto con­ tra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína. O fim do sermão do monte 28 Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina;5 29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.1 A cura de um leproso M c 1 .4 0-4 4 ; L c 5 .12-14 8 Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram. 2 E eis que um leproso, tendo-se aproxi- 7.13,14 Porto estreita. jesus chama o caminho para o céu de "porta estreita" ou "caminho apertado", não porque de Deus tivesse falta da generosidade de querer salvar a todos (2 Pe 3.9), mas porque na prática muito poucas pessoas re­ nunciam ao éu-próprio para procurar a Deus. A figura dos dois caminhos tem sido comum em muitos pensamentos reli­ giosos, desde a época de Sócrates (400 a .C ). Destaca-se em dois livros cristãos do primeiro século d .C , no Didaquê e na epístola de Barnabé. 7.15 Acautelai-vos. Não devemos nos impressionar com as vestes (práticas religiosas) dos falsos profetas (v 15), nem com aquilo que dizem (21), nem com aquilo que fazem (22); devem ser julgados apenas pelo critério de jesus, pelos frutos espirituais se é que realmente os produzem, cf C| 5.22-23. A marca dos falsos profetas é o interesse egoísta, ao contrário do Bom Pastor que ama as ovelhas (jo 10.11 -13). No tempo do NT vieram na forma de judaizantes ou de gnósticos, que se deduz de, 2 Co 11.13; 1 jo 4.1; 1 Tm 4.1. 7.24,27 A conclusão do Sermão do Monte: 1) Aquele que ouvè a palavra de jesus e pratica, é como o homem sábio que edificou a casa (sua vida e suas atividades) sobre a rocha (Cristo), resistindo assim à ação devastadora do tempo e da eternidade: as provações, tentaçõesé o julgamento; 2) O que ouve a palavra de Jesus e não a pratica, é como um insensato que constrói a casa da sua vida sobre os alicerces humanos do dinheiro, dá cultura, dos títulos, da fama, da popularidade, os quais como a areia não resistem à ação demolidora do juízo final. 7.29 Autoridade. Autoridade cívica e religiosa é justamente o que os escribas tinham, mas a palavra gr exousia, também significa "poder sobrenatural" é o que o evangelho tem, 1 Co 2.4-5. 8.1 Descendo. Encerrou-se um dos cinco grandes grupos de ensinamentos que Mateus ajuntou, nos cap 5 -7 ; os outros encontram-se nos cap 10,13,18 e 24-25. • N. Hom. A doença e sua cura, 8.1-4. Os males lamentáveis são físicos e espirituais. A enfermidade física é uma infelicidade, mas a da alma envolve pecado, A cura do corpo pode advir de remé-
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    1339 MATEUS 8.20 mado,adorou-o, dizendo: Senhor, se quise­ res, podes purificar-me.1 1 3 E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. 4 Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o di­ gas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacer­ dote e fazer a oferta que Moisés ordenouv, para servir de testemunho ao povo. 8 .2 " Mc 1.40 8.4 "Lv 14.1-32 8.5 wLc 7.1 8.8 *SI 107.20 A cura do criado de um centurião L c 7.1-10 5 Tendo Jesus entrado em Cafamaum, apresentou-se-lhe um centurião, implo­ rando: . 8.11 yCn 12.3; Ml 1.11; At 10.45; Ef 3.6 6 Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente. 7 Jesus lhe disse: Eu irei curá-lo. 8 Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu ra­ paz será curado.* 9 Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. 10 Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta. 11 Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.7 12 Ao passo que os filhos do reino serão 8.12/(11-12) Mt 22.13; 25.30; Lc 13.28-29 8.14 "Mc 1.29-31; 1Co 9.5 8.16 6Mc 1.32 8.17 c|s 53.4 8.19 "Lc 9.57-58 lançados para fora, nas trevasz; ali haverá choro e ranger de dentes. 13 Então, disse Jesus ao centurião: Vai-te, e seja feito conforme a tua fé. E, naquela mesma hora, o servo foi curado. A cura da sogra de Pedro M c 1.29-31; L c 4 .38-39 14 Tendo Jesus chegado à casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e ardendo em febre.0 15 Mas Jesus tomou-a pela mão, e à febre a deixou. Ela se levantou e passou a servi-lo. Muitas outras curas ^ Mc 1.32-34; Lc 4.40-41 16 Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a pa­ lavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes;b 17 para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doençasc. Jesus põe à prova os que querem segui-lo L c 9.57-62 18 Vendo Jesus muita gente ao seu redor, ordenou que passassem para a outra margem. 19 Então, aproximando-se dele um es­ criba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.d 20 Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas dios ou da intervenção divina, mas os males da alma só po­ dem ser curados pelo sangue de Jesus. 8.4 Moisés ordenou. As leis sobre a lepra (Lv cap 13 e 14) eram pormenorizadas, e o conceito da quarentena teve seu início naquela época. A palavra traduzida por "lepra" (heb çãro'ath) é uma definição genérica de várias desordens na pele, havendo rara coincidência com o tipo hoje mais cómu- mente conhecido. Para os hebreus, simbolizava o pecado, por ser nojento, contagioso e incurável. |esus, ao curá-la, revela parte da natureza do Seu ministério. 8.5 Um centurião. Oficial do império Romano, comandante de uma centúria ou destacamento de 100 soldados. O proce­ dimento e a fé que este homem manifestou, provocaram a admiração de Jesus (10). 8.9 Para o centurião era tão natural Jesus ter plenos poderes sobre as influências invisíveis do universo, como o era para um oficial romano ter confiança no cumprimento de suas ordens. 8.14,15 Esta passagem dos evangelhos indica que Pedro era casado e que possuía casa, como se vê em Mc 1.29. Paulo menciona que Pedro levava a esposa nas viagens missionárias (1 Co 9.5). 8.16 Endemoninhados. Para desafiar o ministério de Jesus, Sa­ tanás lançou uma ofensiva concentrada de forças malignas (Lc 4.33). Não é valida a idéia que diz que os antigos con­ fundiam doenças com possessão demoníaca, revelando igno­ rância e superstição, A Bíblia define doenças e também é específica quando se trata de possessão de demônios. 8.17 Para que se cumprisse. Mateus mostra a Jesus Cristo como o Rei prometido pelas profecias do AT Por isso há tan­ tos textos que vinculam Jesus com as profecias (93 citações). Isto, porém, não significa que Jesus procurasse profecias do AT para depois se esforçar para cumpri-las. 8.18-22 Segue-me. A prova de alguém ser discípulo de Cristo é o fato de segui-IO, procurando executar Sua vontade (28.20). Sepultar. Cf Lc 9.59,60n. 8.20 O Filho do homem. Título que Jesus aplicou a si mesmo, cerca de 80 vezes. Não se referia a algum profeta futuro, como certos judeus imaginavam. A comparação de 16.13-15 com Lc 9.22 mostra que o título pertencia a Jesus. O termo
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    1340 w j t JÍSÊIB1 8 ^ 8:0? .10 3o o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. 21 E outro dos discípulos lhe disse: Se­ nhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai.e 22 Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue- me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. 8.21 e1Rs 19.20 8.24 'Mc 4.37 Jesus acalma uma tempestade M c 4 .3 5 -4 1 ; L c 8.22-25 23 Então, entrando ele no barco, seus dis­ cípulos o seguiram. ; . . 24 E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia/ 25 Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos! 26 Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levan­ tando-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança.9 27 E maravilharam-se os homens, di­ zendo: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem? 8.28 hMc 5.1 8.34 < 'D t5.25; IRs 17.18; At 16.39 A cura de dois endemoninhados gadarenos M c 5 .1 -2 0 ; L c 8 .2 6-3 9 , 9.1 /Mt 4.13 28 Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepul­ cros, e a tal ponto furiosos, que ninguém po­ dia passar por aquele caminho/ 29 E eis que gritaram: Que temos nós con­ tigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar- nos antes de tempo? 30 Ora, andava pastando, não longe deles, uma grande manada de porcos. 9.2 *Mt 8.10; Lc 5.18 9 .4 /S1139.2; Mc 12.15 31 Então, os demônios lhe rogavam: Se nos expeles, manda-nos para a manada de porcos. 32 Pois ide, ordenou-lhes Jesus. E eles, saindo, passaram para os porcos; e eis que toda a manada se precipitou, despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, e nas águas pere­ ceram. 33 Fugiram os porqueiros e, chegando à cidade, contaram todas estas coisas e o que acontecera aos endemoninhados. 34 Então, a cidade toda saiu para encon­ trar-se com Jesus; e, vendo-o, lhe rogaram que se retirasse da terra deles.' A cura de um paralítico em Cafarnaum M c 2 .1 -1 2 ; L c 5 .17-26 9 Entrando Jesus mim barco, passou para o outro lado e foi para a Sua própria cidade./ • 2 E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados/ 3 Mas alguns escribas diziam consigo: Este blasfema. 4 Jesus, porém, conhecendo-lhes os pen­ samentos, disse: Por que cogitais o mal no vosso coração?' 5 Pois qual é mais fácil? Dizer: Estão per­ doados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda? 6 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para per­ doar pecados — disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. 7 E, levantando-se, partiu para sua casa. pode ter dois sentidos: 1) Possivelmente mostra que Jesus era plenamente humano, o Homem ideal e representante da raça humana; 2) Mostra claramente, também, que Jesus é o Mes­ sias eterno, vindo do próprio céu, segundo a profecia de Dn 7.13-14, a qual Jesus aplicava a Si mesmo (26.64). Os dois sentidos reúnem-se na missão de Jesus, 12 incluindo-se a parte final desta missão, a futura segunda vinda na qual Jesus será Juiz do universo (Jo 5.22,27) 8.23-27 Jesus ia atravessando o lago da Galiléia, saindo de Cafarnaum e indo para Gadara, uma travessia de lOkm. Jesus dormia, exausto depois de tanto trabalho. A tempestade sú­ bita era típica daquela região. Os pecadores nada conse­ guiam contra ela e despertaram o Mestre, que demonstrou Sua autoridade sobre as forças da natureza. 8.28-34. Mateus dá um relatório rápido sobre dois endemo­ ninhados. Lucas, como médico que se interessa pelo lado hu­ mano das coisas, dá um relatório completo de um deles, descrevendo a história da sua doença, e também sua atitude depois de curado (Lc 8.26-39n). Os materialistas dos nossos dias, atribuem os sintomas a alguma perturbação mental, mas muitos têm visto a operação do mundo dos demônios na época atual. 8.34 Que se retirasse. Jesus foi expulso de Gadara; talvez o prejuízo material causado pela morte de dois mil porcos era considerado mais importante do que uma grandiosa obra es­ piritual de libertação (cf Lc 8.32n). 9.1 Sua própria cidade. Cafarnaum (Mc 2.1, e Mt 4.12n). 9 .2-8 Um paralítico. Nesta cura Jesus vence o pecado junta­ mente com a doença; cumpre um ministério integral (cf Lc5.18-26n).
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    1341 MATEUS 9.21 8Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal auto­ ridade aos homens. 9.9 '"Mc 2.14 A vocação de Mateus Mc 2.13-14; Lc 5.27-28 9.10 "Mc 2.15 9 Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.™ 9.11 o(IO-ll) Lc 15.1-2 Jesus come com pecadores Mc 2.15-17; Lc 5.29-32 10 E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discí­ pulos.” 11 Ora, vendo isto, os fariseus pergunta­ vam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?0 12 Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. 13 Ide, porém, e aprendeiP o que sig­ nifica: Misericórdia quero e não holocaustosR; pois não vim chamar justos, e sim pe­ cadores [ao arrependimento]. Dojejum Mc 2.18-22; Lc 5.33-39 9.13 pMt 12.7 4Os 6.6 9.14 "Mc 2.18 9.15 s|o 3.29; ICo 7.5 9.18 'Mc 5.22 14 Vieram, depois, os discípulos de João e lhe perguntaram: Por que jejuamos nós, e os 9.20 "Mc 5.25 fariseus [muitas vezes], e teus discípulos não jejuam?r 15 Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar.s • 16 Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura. 17 Nem se põe vinho novo em odres ve­ lhos; do contrário, rompem-se os odres, der­ rama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam. O pedido de um chefe Mc 5.21-24a; Lc 8.40-42a 18 Enquanto estas coisas lhes dizia, eis que um chefe, aproximando-se, o adorou e disse: Minha filha faleceu agora mesMo; mas vem, impõe a mão sobre ela, e viverá.f A cura de uma mulher enferma Mc 5.24b-34; Lc 8.42b-48 19 E Jesus, levantando-se, o seguia, e também os seus discípulos. 20 E eis que uma mulher, que durante doze anos vinha padecendo de uma hemorra­ gia, veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste;“ 21 porque dizia consigo mesma: Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada. 9.9 Um homem chamado Mateus. Era publicano, isto é, um cobrador de impostos. Era desprezado e odiado pelos judeus em virtude da colaboração com os inimigos romanos. Obti­ nha muito lucro exigindo a mais alta taxa possível. Social­ mente, entre os não religiosos, era um emprego rendoso e de prestígio. Segue-me. Mateus passou do império romano para o Reino dos Céus. 9.10 Em casa. Era a casa do próprio Mateus, escritor deste evangelho, conforme se vê em Lc 5.27 (onde aparece seu nome israelita, Levij. Publicanos e pecadores. O costume israe­ lita destacava as duas palavras talvez para fazer dos publica­ nos uma classe especial de pecadores. 9.11 Por que come. Os empedernidos judeus quiseram insi­ nuar que esta prova de misericórdia de Cristo era sinal que se sentia em boa companhia com os pecadores. Eles, com tanto medo de se deixar contaminar, julgaram estas pessoas como que sendo desprezadas por Deus. Jesus, a Luz do Mundo, ilumina sem medo de que as trevas prevaleçam (|o 1.5). • N. Hom. Jesus conhece os pensamentos dos homens, cf 4 com Lc 7.39-50 e Hb4.13 - "Todas as coisas estão desco­ bertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas". 9.13 Deus prefere ser compassivo em lugar do cumprimento meticuloso da Lei. 9.14,15 E nesses dias hão de jejuar. Enquanto os crentes aguardam ansiosos pela segunda Vinda de Cristo, o tempo de jejum continua (6.16n). Os discípulos de |oão jejuavam, na esperança de que sua devoção apressaria a vinda do Reino. 9.18 Um chefe. Era chefe da sinagoga, e chamava-se jairo (Lc 9.41). Minha filha faleceu, Estas palavras refletem a situa­ ção que Lucas, como médico, divide çientificamente em duas partes: jairo vem pedir em favor da filha que está morrendo (Lc 8.42), e só depois de ter feito seu pedido, ficou sabendo que ela morrera nesse meio tempo (Lc 8.49). • N. Hom. Os milagres de Jesus comprovam Seu poder ilimitado e Sua infi­ nita misericórdia, vencendo doenças e demônios (8.3 e 8.16) e dominando sobre poderes espirituais e inanimados (8.8 e 8.26-27) em resposta à petição da fé. 9.20 Marcos menciona ainda um pormenor, o de que os mé­ dicos tiraram-lhe todo o dinheiro que ela possuía, sem con­ tudo poderem curá-la; a ética profissional de médico, de Lucas, que normalmente registrava os pormenores clínicos, talvez o tenha feito omitir uma referência a esta delicada questão.
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    MATEUS 9.22 1342 22E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou. E, desde aquele instante, a mulher ficou sã.v A ressurreição dafilha de Jairo Mc 5.35-43; Lc 8.49-56 23 Tendo Jesus chegado à casa do chefe e vendo os tocadores de flauta e o povo em alvoroço, disse:"' 24 Retirai-vos, porque não está morta a menina, mas dorme. E riam-se dele." 25 Mas, afastado o povo, entrou Jesus, to­ mou a menina pela mão, e ela se levantou. 26 E a fama deste acontecimento correu por toda aquela terra. A cura de dois cegos Tl Partindo Jesus dali, sèguiram-no dois cegos, clamando: Tem compaixão de nós, Fi­ lho de Davfiy 28 Tendo ele entrado em casa, aproxi­ maram-se os cegos, e Jesus lhes perguntou: Credes que eu posso fazer isso? Res- pondetam-lhe: Sim, Senhor! 29 S ti o , lhes tocou os olhos, dizendo: Faça-ise-’i'os conforme a vossa fé. 30 E .abriram-se-lhes os olhos. Jesus, po­ rém, os advertiu severamente, dizendo: Acau- telai-vos de que ninguém o saiba.2 31 Saindo eles, porém, divulgaram-lhe a fama por toda aquela terra.0 9.22 >tc 7.50 9.23 « 2 0 35.25; Lc 8.51 9.24 *At 20.10 9.27 rMt 15.22; Lc 18.38-39 9.30 ^Mt 8.4 A cura de um mudo endemoninhado. A blasfêmia dosfariseus 32 Ao retirarem-se eles, foi-lhe trazido um mudo endemoninhado.b 33 E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel! 34 Mas os fariseus murmuravam: Pelo maioral dos demônios é que expele os de­ mônios.2 9.31 oMc 7.36 Jesus ia por toda partefazendo o bem. A seara e os trabalhadores 9.32 6Mt 12.22 9.34 c(32-34) Mt 10.25; 12.22-24; Mc 3.22; Lc 11.14-15 9.35 dMt 4.23; Mc 1.39; Lc 4.44 9.36 «1RS 22.17; 2Cr 18.16; Mc 6.34 9.37 Ur 10.2 35 E percorriad Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. 36 Vendo ele as multidões, compadeceu- se delas, porque estavam aflitas é exaustas como ovelhas que não têm pastore. 37 E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalha­ dores são poucos/ 38 Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.9 A escolha dos doze apóstolos. Os seus nomes Mc 3.13-19; Lc 6.12-16 9.38 9(37-38) Lc10.2 Tendo chamado os seus doze discí­ pulos, deu-lhes Jesus autoridade so- 9.22 A tua fé te salvou. Deus, através de Cristo, está sempre pronto para agir, restando somente o ser humano crer para receber. O verbo grego sõzein significa tanto salvar como cu­ rar. É restaurar e restabelecer totalmente. Decerto esta mulher recebeu também a cura da alma. 9.23 Tocadores de flauta. Estes, juntamente com as carpidei­ ras, eram profissionais que acompanhavam os enterros; essas lamentações não eram sertão mercenárias, o que se revela pelo tom de zombaria qué adotaram para com Jesus. Ele res­ suscitou a menina com a mesma ternura com a qual sua mãe a despertaria cada manhã (Mc 5.41). 9.27-31 Os dois cegos: 1) Seguiram a Jesus; 2) Fizeram-lhe um pedido; 3) Persistiam no pedido; 4) Creram em Jesus e no seu poder; 5) Receberam a cura de acordo com a fé indivi­ dual de cada um; 6) Deixaram de obedecer a Jesus numa coisa. Este último passo é a falta em que muitos incorrem, ao buscar o auxílio de Jesus. 9.27 Filho de Davi. É um título messiânico (2 Sm 7.12-16; Lc 1.32; Rm 1.3). , 9.28 Senhor. Gr kurios, às vezes um termo de cortesia em relações humanas como em Mt 6.24; 15.27; Ef 6.9; e às vezes usado como tradução da palavra hebraica yhwh "Senhor", o nome de Deus aplicado a Jesus (Êx 6.2,3; Mt 22.43-45; Jn 20.28). Estes cegos, porém, estavam ainda incertos quanto ao pleno sentido da palavra quando a aplicaram a Jesu (At 2.21, Rm 10.9,13). 9.32 Mudo. Gr kõphos, que significa "embotado", aplica-s* às capacidades de falar, ouvir, ver e compreender; o contexto (cf "falou" v 33), revela a interpretação da palavra. Aqui era obra de demônios. 9.37 Os trabalhadores sõo poucos. Para todas as carreiras tá concorrências entre os homens. Há milhares de excedentes procurando vagas nas universidades, mas para o ministério, a mais urgente de todas as vocações, poucas pessoas se ofe­ recem. 9.38 Rogai. O assunto do ministério pertence especialmerto a Deus, e deve ser motivo de muitas orações, pois não baáa uma pessoa querer, ou gostar. É necessária uma vocação i vina, e está condicionada à comunhão com Deus pela oração a qual nenhuma eficiência eclesiástica pode substituir. Mandfc Gr ekbalein, "lançar para longe", "expulsar", "mandar co » energia". Dá a idéia da dinâmica e da urgência da m issã cristã (cf Ef 4.11,12). 10.1 Deu-lhes autoridade. Concedeu algo do Seu poder »■ brenatural para vencer as forças do maligno, cf notas 7 J ft 28.18-20; Lc 9.1.
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    1343 MATEUS 10.25 breespíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades.h 2 Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;' 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu./ As instruções para os doze Mc 6.7-11; Lc 9.1-5 5 A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samari- tanos;* 6 mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel;' 7 e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus.™ 8 Curai enfermos, ressuscitai mortos, pu­ rificai leprosos, expeli demônios; de graça re­ cebestes, de graça dai." 9 Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos;0 10 nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bor­ dão; porque digno é o trabalhador do seu ali- mentoP. 11 E, em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes.< ? ‘ 12 Ao entrardes na casa, saudai-a; 13 se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, tome para vós outros a vossa paz/ 14 Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pós dos vossos pés. to .i SMc 3.13-14 10.2'|o 1.42 10.4/Lc 6.15; At 1.13 10.5 *2Rs 17.24; Jo4.9,20 10.6 'Is 53.6; Ez 34.5-6,16; At 13.46; IPe 2.25 10.7 mMt 3.2 10.8 "At 8.18 10.9 o1Sm 9.7; U9.3 10.10 f>1Co 9.14; ITm 5.18 10.11 íLclO.8 10.13 'SI 35.13 10.14 sAt 13.51 10.15 (M tl 1.23-24 "Gn 19.24-28 "(5-15) Lc 10.1-12 10.16 wtx. 10.3; 1Co 14.20; Ef 5.15 10.17 *Mt 24.9; Lc 12.11 10.18 yAt 12.1; 2Tm4.16 10.19 zÊx 4.12; Mc 13.11-13 10.20 °2Sm 23.2; 2Tm4.17 10.21 6Mq 7.6; Lc 21.16 10.22 cDn 12.12-13; Mc 13.13 10.23 9Mt 2.13 10.24 «te 6.40 f)o 13.16; 15.20 15 Em Verdade vos digo que menos ri­ gor' haverá para Sodoma e Gomorra“, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade/ 16 Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, pruden­ tes como as serpentes e símplices como as pombas."' 17 E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas/ 18 por minha causa sereis levados à pre­ sença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios/ 19 E, quando vos entregarem, não cuideis em Como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer/ 20 visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai, é quem fala em vós.0 21 Um irmão entregará à morte outro ir­ mão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e- os matarão/ 22 Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até, ao fim, esse será salvo.c ' 23 Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do H om em / Os estímulos 24 O discípulo* não está acima do seu mestre, nem o servo', acima do seu senhor. 25 Basta ao discípulo ser como o seu mes­ tre, e ao servo, como o seu senhor. Se chama- 10.2 Apóstolos. "Enviados", cf 4.18-22n. É a primeira vez que esta palavra ocorre na Bíblia. A lista dos doze deve ser comparada com a dos demais evangelhos, e com At 1.13 para se notar diferenças nos nomes e na ordem dos mesmos. 10.9-11 Estes versículos ensinam o servo de Cristo a tomar uma atitude de fé com a obra missionária, aceitando as condi­ ções de vida que Cristo e a comunidade dos fiéis lhe ofere­ ceram. 10.14 Sacudi o pó. Os judeus, sob o domínio romano, desen­ volveram um costume de afastar, de maneira mais dramática e completa, qualquer contato com os não judeus, conside­ rando o próprio pó dos seus pés imundo como a putrefação da morte, jesus ordena que seus apóstolos usem desse cos­ tume para com os próprios judeus, caso necessário, a fim de causar impacto aos rebeldes e duros de coração. Seriam, por isso perseguidos, maltratados, presos e interrogados, porém o Espírito Santo falaria por eles, e o evangelho causaria grande revolução, até sair-se vitorioso. A obra a ser feita em meio às perseguições, éra pregar o reino de Deus, confirmando-o pela cura de enfermos, ressuscitando os mortos, purificando leprosos, expulsando demônios, e tudo pela graça de Cristo (5 -8 ). 10.25 Belzebu. Nome antigo de algum ídolo dos cananeus, que depois se tornou o nome de um demônio principal, ao qual os fariseus chegaram a atribuir a obra divina e sobrenatu­ ral de jesus, como se vê em 9.34 e 12.24, cf Lc 10.15n.
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    MATEUS 10.26 1344 ramBelzebuS ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos? 26 Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser reveladoó; nem oculto, que não venha a ser conhe­ cido. 27 O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, pro­ clamai-o dos eirados. 28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.' 29 Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. 30 E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados.! 31 Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais. 32 Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus;* 33 mas aquele que me negar' diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus. - As dificuldades i 34 Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.m 10.25 SMt 9.34; 12.24; Mc 3.22; Lc 11.15 10.26 !>Mc4.22; Lc 8.17 10.28 ris 8.12-13; IPe 3.14 10.30 /ISm 14.45; 2Sm 14.11; At 27.34 10.32 Hc 12.8; Ap 3.5 10.33 '2Tm2.12 10.34 . ">Lc 12.49 10.35 "Mq 7.6 10.36 o(35-36) Mq 7.6 10.37 pLc 14.26 10.38 íMt 16.24; Lc 9.23 10.39 rLc 17.33; |o 12.25 J(38-39) Mt 16.24-25; Mc 8.34-35; Lc 9.23-24; 17.33; |o 12.25 10.40 (Lc 10.16; ]o 13.20 oMc9.37; Lc9.48 35 Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra." 36 Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.0 37 Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;P 38 e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.9 39 Quem acha a sua vida perdê-la-ár; quem, todavia, perde a vida por minha causa açhá-la-á.5 As recompensas 40 Quem vos recebe a mim me recebe'; e quem me recebe recebe aquele“ que me enviou. 41 Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo.v 42 E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu ga­ lardão." 10.41 v1Rs 17.10; 2Rs4.8 10.42 »Mt 8.5-6; Hb6.10 10.28 Perecer. O castigo eterno; afastado de Deus; a fonte da vida. 10.29 Pardais. Cr strouthion lit "passarinho", um diminutivo afetuoso como seria o feminino "pardoca", uma nota de ter­ nura para com algo de mínimo valor comercial; esta compai­ xão divina nos consola muito. Asse, moeda equivalente a meia hora de serviço baseado no "salário mínimo" da época. 10.30,31 Até os cabelos. Á providência divina valoriza o homem. ‘ 10.32-36 O capítulo inteiro, e este trecho especialmente, projeta uma nota de urgência na mensagem de Cristo, mos­ trando que é exclusiva na sua situação e nos seus resultados, que é eterna na sua duração e no seu propósito, e que é dogmática quanto ao caráter único e insubstituível da pessoa de Cristo. O cristianismo moderno, como tem sido superficial, está longe de arcar com as exigências desta mensagem. 10.34 Não vim trazer paz. "Paz" no sentido de comodismo, ócio e ausência de lutas, jesus não trará, enquanto o mundo não estiver em comunhão com Deus. A paz verdadeira de espírito para o crente que está em comunhão com Deus, é sua herança legada por Cristo ( jo 14.27). 10.35 Nora. Cr numphé, lit "noiva", "esposa", que no caso seria levada para morar na casa do marido com seus sogros. Se ela se achega mais a Cristo do que a seus sogros, logo as relações no lar se deterioram. • N. Hom. Confissão ou nega­ ção de Cristo. Toda pessoa chega a tomar uma atitude ou outra (Mt 12.20). Há vários modos de confessá-lo, recebendo dEle uma missão (10.5-7), ajudando os Seus servos (10.11), testificando publicamente de Cristo (10.32). Para negar a Cristo, pode-se recusar a aceitação de Seus obreiros (10.14), persegui-los (17-23), ou falar publicamente contra Ele (33). 10.37 Não é necessário abandonar os parentes para seguir a jesus, mas se estes forem um empecilho para o crente livre­ mente servi-lo, deve-se dar a Cristo a preeminência. 10.38 Tomo a sua cruz. Não é procurando p sofrimento, mas é vivendo tão-somente para Cristo ao ponto de se enfrentar as conseqüências. O criminoso romano carregava a cruz para o lugar da execução. O crente salvo por Cristo carrega con­ sigo a mesma cruz: a renúncia de si mesmo para servir unica­ mente a Cristo, mesmo até à morte (Gl 2.20), 10.39 Um dos paradoxos de Jesus. Quem se dedica à busca das vantagens da vida terrestre, perde a vida eterna conce­ dida em Cristo (2 Co 5.17). 10.40-42 Quem vos. recebe, jesus promete recompensar a todo e qualquer esforço que fizermos em favor do seu Reino, não se esquecendo dos que assim Q servem (1 Co 15.58; Cl 6.9; Mt 25.35-36). .
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    1345 MATEUS 11.21 Jesusprega nas cidades n Ora, tendo acabado Jesus de dar estas instruções a seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles. João envia mensageiros a Jesus L c 7.18-23 2 Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe:* 3 És tu aquele que estava para vir ou have­ mos de esperar outro?/ 4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: 5 os cegos* vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho0. 6 E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.b Jesus dá testemunho de João L c 7.24-35 7 Então, em partindo eles, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?* 8 Sim, que saístes a ver? Um homem ves­ tido de roupas finas? Ora, os que vestem rou­ pas finas assistem nos palácios reais. 9 Mas para que saístes? Para ver um pro­ feta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta.d 10 Este é de quem está escrito: 11.2*Mt14.3 11.3 rGn 49.10; Dn 9.24 11.5 zls 35.5-6 ais 61.1 11.6 bis 8.14-15; Rm9.32-33; 1Co 1.23; 1Pe 2.8 11.7 T c 7.24 11.9 °Mt 14.5 11.10'Ml 3.1 11.12'Lc16.16 11.13 9(12-13) Lc 16.16 11.146MI 4.5; Mt 17.10-13; Mc 9.11-13 11.15 'Mt 13.9; Ap 2.7,11,17,29 11.16/Lc 7.31 11.19 LMt 9.10 11.20 'Lc 10.13 Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu ca­ minho diante de tie. 11 Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele. 12 Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.f 13 Porque todos os Profetas e a Lei profe­ tizaram até João.9 14 E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Eliash, que estava para vir. 15 Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.' 16 Mas a quem hei de comparar esta gera­ ção? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:/ 17 Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes. 18 Pois veio João, que não comia nem be­ bia, e dizem: Tem demônio! 19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem; Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.k Ai das cidades impenitentes! L c 10.13-15 20 Passou, então, Jesus a increpar as cida­ des nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido:1 21 Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! 11.2 No cárcere. |oão Batista estava encarcerado em Maque- ros, fortaleza inóspita nas proximidades do mar Morto. 11.3 És tu aquele que estava para vir? João quis certificar-se, antes de morrer, de que Jesus era realmente o Messias. Talvez a hora da pergunta revele que João conservava uma leve es­ perança que Jesus seria o Messias que o povo esperava, des­ truindo os romanos e libertando os fiéis pela força das armas. Aliás, Jesus e |oão evitaram usar a palavra "Messias" que os próprios ouvintes poderiam interpretar como a declaração da vinda do libertador militar nacionalista. 11.12 Se apoderam. Cf harpazein, "apanhar", "agarrar", "ar­ rebatar", usando também para expressar a ação dos ladrões. Aqui representa a maneira corajosa e resoluta dos fiéis, de aceitar para si o Reino que Deus lhes oferece, vencendo, pela fé e pelo poder de Cristo, qualquer oposição do mundo exte­ rior, ou de tentação íntima (Lc16.16n). Pode-se interpretar como uma referência à violência de certos judeus que pensa­ ram em estabelecer o reino pela força bélica (como era o caso dos zelotes). 11.7-19 A respeito de João. Quando os discípulos de João se retiraram, Jesus começou a descrever a pessoa, a missão e a obra de |oão: 1) O maior entre todos os mortais; 2) Suas ves­ tes características; 3) Um profeta em termos de Ml 3:1; 4) O fim de uma época. João tinha chegado ao ponto culminante dos profetas, pois Jesus, o Alvo das profecias, estava perante seus olhos. Qualquer crente seria maiór do que |oão, pois veria a culminação de Cristo, participando nos seus bene­ fícios. 11.20 increpar. Gr oneidisein, lit "Lançar em rosto" ou "re­ preender". Revelou tudo quanto foi feito para estas cidades, milagres portentosos, que serviam como prova da missão to­ tal de Cristo, a não ser para aqueles que de modo nenhum queriam ser levados ao arrependimento. • N. Hom. Três ver­ dades do evangelho: 1) Produz revolução no seio das famílias (10.34-37); 2) Exige plena dedicação dos seus seguidores (1 0 .9-1 1 ; 22-23,37); 3) Sempre traz sua recompensa (10 .32 -3 3,4 0 -42 ). 11.21 Corazim.. . Betsaida.. . Cafarnaum. Três cidades locali-
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    MATEUS 11.22 1346 Porque,se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza.m 22 E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras." 23 Tu, Cafamaum, elevar-te-ás, porven­ tura, até ao céu°? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. 24 Digo-vos, porém, que menos rigor ha­ verá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.P Jesus, o Salvador dos humildes L c 10.21-22 25 Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e ins­ truídos e as revelaste aos pequeninos.'? 26 Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue' por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pais; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 11.21 mJoh 3.7-8 11.22 "(21-22) Is 23.1-18; Ez 26.1-28.26; Jl 3.4-8; Am 1.9-10; Zc 9.2-4 11.23 ols 14.13-15 11.24p(23-24) Gn 19.24-28; Mt 10.15; Lc 10.12 11.25 9SI 8.2; Lc 10.21; 1Co 1.19,27; 2Co 3.14 11.27 r|o 3.35 sjo 10.15 11.29 íjr 6.16; Jo 13.15; 1)0 2.6 11.30 uljo 5.3 12.1 *0123.25 12.3 »ISm 21.1-6 12.4 «Lv 24.9 12.5 yNm 28.9-10 Vinde a mim 12.6 *2Cr 6.18 28 Vinde a mim, todos os que estais can­ sados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. 12.7 oMt9.l3 t>Os 6.6 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de cora­ ção; e achareis descanso para a vossa alma.' 30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." Jesus é senhor do sábado M c 2 .2 3 -2 8 ; L c 6 .1 -5 Por aquele tempo, em dia de sábado, passou Jesus pelas searas. Ora, es­ tando os seus discípulos com fome, entraram a colher espigasse a comer. 2 Os fariseus, porém, vendo isso, disse­ ram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado. 3 Mas Jesus lhes disse: Não lestes o que fez Davi”' quando ele e seus companheiros tiveram fome? 4 Como entrou na Casa de Deus, e come­ ram os pães da proposição, os quais não lhes era lícito" comer, nem a ele nem aos que com ele estavam, mas exclusivamente aos sacer­ dotes? 5 Ou não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado/ e ficam sem culpa? Pois eu vos digo: 6 aqui está quem é maior que o templo." 7 Mas, se vós soubésseis0 o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos*, não teríeis condenado inocentes. 8 Porque o Filho do Homem é senhor do < 31: sábado.. zadas na banda noroeste do mar da Galiléia, sobre as quais pouco sabemos, a não ser que rejeitaram a mensagem de Cristo, precedendo, em sua rejeição, à dos judeus. 11.24 Menos rigor. Não que Sodoma fosse menos pecadora do que as cidades mencionadas: apenas não teve as mesmas oportunidades que estas. ......... 11.25 Graças te dou. Jesus dava graças pela misericórdia de Deus, em revelar as verdades eternas para os simples, jesus não condena ao intelecto, mas sim ao orgulho intelectual. Sem humildade, o evangelho não tem acesso ao coração. Sábios e instruídos. Seriam os doutores da Lei e os escribas que orgulhavam-se do seu profundo estudo e conhecimento do AT, mas que não foram capazes de reconhecer quem era Je­ sus. Pequeninos. São os discípulos que, pela fé, perceberam a verdade acerca de Cristo (M t 16.16ss). Estas coisas. Referem- se aos "mistérios do Reino" (13.11). 11.27 Estas palavras de Jesus formam sua maior reivindica­ ção. Ele afirma categoricamente que só Ele conhece verdadei­ ramente a Deus, e Ele é o único que pode revelá-lo (Jo 1.18; 14.9s). 11.28-30 Sobrecarregados. Os que levam o fardo dos fari­ seus, as exigências da lei e as tradições para serem salvos (Mt 23.4). jugo. Os rabinos fariseus usaram a metáfora do "jugo da lei". • N. Hom. "Vinde a mim". 1 )0 convite é para todos; 2) O convite é para vir a |esus sem intermediários; 3) O convite é para os aflitos; 4) O convite oferece alívio à alma; 5) O convite é para se rejeitar o jugo cruel do mundo e do pecado, e para receber o suave de Cristo (é suave por­ que Cristo carrega o peso por nós); 6) O convite oferece-nos descanso espiritual num Mestre verdadeiramente misericor­ dioso. • N. Hom. As maravilhas de Jesus: 1) O convite de Jesus; 2) O alívio de Jesus; 3) O descanso de jesus; 4 ) O jugo de Jesus; 5) O fardo de Jesus; 6) A paz de Jesus. Assim como a pomba de Noé encontrou, na arca, o descanso que não existia fora, assim o crente encontra, no Senhor Jesus, des­ canso e paz para o seu coração (Rm 5.1). 12.1-8 Entraram a colher, espigas. Seguindo a Jesus pelos campos de trigo, os discípulos usufruíram do mesmo direito que os transeuntes, comendo para satisfazer a fome, sem le­ var nada consigo (Dt 23.25). Segundo os fariseus, debulhar era um tipo de trabalho proibido no sábado (Lc 6.1). Jesus mostra, por exemplo histórico, que fazer o serviço de Deus supera as regras religiosas. Jesus declara Sua igualdade a Deus quando reivindica ser o Senhor do sábado (8; cf Jo 5.17). O sábado foi dado ao homem para seu bem e não para preju­ dicá-lo (12). Veja Lc 6.4n.
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    1347 MATEUS 12.31 0homem da mão ressequida Mc 3.1-6; Lc 6.6-11 9 Tendo Jesus partido dali, entrou na sina­ goga deles.c 10 Achava-se ali um homem que tinha uma das mãos ressequida; e eles, então, com o intuito de acusá-lo, perguntaram a Jesus; É lícito curar no sábado?d 11 Ao que lhes respondeu; Qual dentre vós será o homemc que, tendo uma ovelha, e, num sábado, esta cair numa cova, não fará iodo o esforço, tirando-a dali? 12 Ora, quanto mais vale um homem que ■ma ovelha? Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem. 13 Então, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e ela ficou sã como a outra. 14 Retirando-se, porém, os fariseus, cons- psavam contra ele, sobre como lhe tirariam a n á ã .f 12.10 4Lc 13.14 12.11 eLc 14.5 12.14'Mt 27.1; Lc6.ll 12.15 sMt 10.23 12.16 6Mt 9.30 12.18 > ls42.1 12.217(18-21) Is 42.1-4 Jaus se retira 15 Mas Jesus, sabendo disto, afastou-se dali. Muitos o seguiram, e a todos ele curou,9 16 advertindo-lhes, porém, que o não ex­ pusessem à publicidade, 17 para se cumprir o que foi dito por inter­ médio do profeta Isaías: 18 Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aòs gentios.' 19 Não contenderá, nem gritará, nem al­ guém ouvirá nas praças a sua voz. 20 Não esmagará a cana quebrada, nem 12.22 kMt 9.32; Lc 11.14 12.24 '(22-24) Mt 9.34; 10.25 12.25 ">Mt 9.4; Ap 2.23 12.28 "Dn 2.44 12.29 oIs 49.24 12.30 pMc 9.40 apagará a torcida que fumega, até que faça vencedor o juízo. 21 E, no seu nome, esperarão os gentiosJ A cura de um endemoninhado cego e mudo. A blasfêmia dosfariseus. Jesus se defende M c 3 .2 2-3 0 ; L c 11.14-23 22 Então, lhe trouxeram um endemoni­ nhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver.* 23 E toda a multidão se admirava e dizia: E este, porventura, o Filho de Davi? 24 Mas os fariseus, ouvindo isto, murmu­ ravam: Este não expele demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios.1 25 Jesus, porém, conhecendo-lhes os pen­ samentos, disse: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá."1 26 Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino? , 27 E, se eu expulso demônios por Bel­ zebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. 28 Se, porém, eu expulsò demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.n 29 Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa.° 30 Quem não é por mimP é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha. 31 Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; más *214 Já no meio do seu ministério surge a ameaça contra a â fe de jesus. 1216 Publicidade. Muitos quiseram ouvir histórias de maravi- ■ b e milagres; outros quiseram se beneficiar com eles, mas pncos quiseram ouvir e obedecer à mensagem espiritual de ia is . Esta implica que suas vidas deveriam ser totalmente Miçformadas. Jesus queria evitar um movimento popular «■rente naquela época de que ele, Jesus, cumpriria a espe- raça de um Messias militar. 0 .18-21 A vida de Jesus estava dentro da vontade de Deus, £ «pressa peio profeta Isaías (42.1-4). Vemos aqui, que |e- ■X tendo assumido a forma humana, soube tratar as pessoas n m misericórdia, como se estas fossem caniços que se que- fcnriam ao mais leve toque, ou como pavios que, emitindo ma fraca centelha, apagar-se-iam com a maior facilidade. O 23 filho de Davi. Um título do Messias, cf 2 Sm 7.12-16; * 2 2 . . ■ . B 2 4 -2 9 Os fariseus, rejeitando a todas as provas que Jesus operava ao manifestar obras divinas, atribuíam-nas a Belzebu (cf as notas de 10.15 e de 11.31 -32). Lançaram mão da calú­ nia e da perfídia, mas Jesus, com lógica clara e objetiva, demonstrou estar destruindo, e não construindo, ao impé­ rio maligno (1 Jo 3.8). Casa do Valente. Cf Is 49.24-26; Lc 11.21n. 12.30 Não há neutralidade em assuntos religiosos. Quem não serve a Cristo, está servindo ao diabo e curva-se ao seu jugo. 12.31,32 Blasfêmia contra Q íspírito. 1) Rejeitar as mais claras provas de que as obras de Jesus que revelam a aproximação do Reino de Deus, foram feitas pelo poder do Espírito Santo; 2) Alegar que pertencem ao diabo. É sinal de endurecimento tão completo, ao ponto de não existir nenhuma esperança de arrependimento e conversão (cf Hb 6.4-6; 10.26-31); o pe­ cador torna-se incapaz de reconhecer ou distinguir entre o divino e o diabólico.
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    MATEUS 12.32 1348 ablasfêmia contra o Espírito não será per­ doada.9 32 Se alguém proferir' alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso per­ doado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir. Arvores e seusfrutos 1 x6 .4 3 -4 5 33 Ou fazei a árvore5 boa e o seu fruto bom ou a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. 34 Raça de víboras', como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração. 35 O homem bom tira do tesouro bom coisas boas; mas o homem mau do mau te­ souro tira coisas más. 36 Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; 37 porque, pelas tuas palavras, serás justi­ ficado e, pelas tuas palavras, serás con­ denado. O sinal de Jonas L c 11.29-32 12.31 9Mc 3.28; At 7.51; 1Jo 5.16 12.32 rMc 3.29; Lc 12.10 12.33 sMt 7.17-20 12.34 'Mt 15.18 12.38 uMt 16.1; Lc 11.16,29; ICo 1.22 12.39 ris 57.3; Mc 8.38 12.40 "In 1.17 12.41 *|n 3.5 12.42 ylRs 10.1-10; 209.1-12 *(38-42) Mt 16.1-4; Mc 8.11-13; Lc 12.54-56 38 Então, alguns escribas e fariseus repli­ caram: Mestre, queremos ver de tua parte al­ gum sinal.“ 39 Ele, porém, respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum 12.43 0jó 1.7; 1Pe 5.8 12.45 6Hb 6.4; 2Pe 2.20-22 sinal lhe será dado, senão o do profm Jonas.1 ' 40 Porque assim como esteve Jonaswtrês- dias e três noites no ventre do grande petic assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra. 41 Ninivitas se levantarão, no Juízo, coa esta geração e a condenarão; porque se arre­ penderam com a pregação de Jonas-*. E e» aqui está quem é maior do que Jonas. 42 A rainha do Suit se levantará, tm Juízo, com esta geração e a condenará; par­ que veio dos confins da terra para ouvir i sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem i maior do que Salomão.* A estratégia de Satanás L c 11.24-26 43 Quando o espírito imundo sai do ho­ mem, anda por lugares áridos procurando re­ pouso, porém não encontra.“ 44 Por isso, diz: Voltarei para minha ca» donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. 45 Então, vai e leva consigo outros se*e espíritos, piores do que ele, e, entrando, bato­ tam ali; e o último estado daquele homem toma-se pior do que o primeiro. Assim tam­ bém acontecerá a esta geração perversa.6 A família de Jesus M c 3 .3 1 -3 5 ; L c 8.19-21 46 Falava ainda Jesus ao povo, e eis que 12.34 A boca fala. A blasfêmia dos fariseus é a prova de sua maldade. O caráter do homem é revelado através de suas palavras (Tg 3.2). 12.36,37 Palavra frívola. Nossas palavras pesam na balança (Pv 18.21). 12.38 Sinal. Há três palavras gregas para designar milagres: 1) feras, coisa portentosa; 2) dunamis, poder maravilhoso; 3) sêmeion, uma prova ou sinal sobrenatural. No passado, vá­ rios líderes de Israel tinham concedido ao povo provas de sua missão da parte de Deus; para autenticar a obra de Moisés, Deus enviou o maná; para Josué, Deus fez parar o Sòl e a lua; para Samuel, enviou trovões de um céu limpo e sem tempes­ tades; para Elias, mandou fogo do céu; para Isaías fez recuar a sombra do relógio do Sol. Para confirmar a obra de Jesus, haveria o maior portento de todos: Deus ressuscitaria a Seu Filho da sepultura, maior sinal do que aquele que serviu para a conversão de toda Nínive (39-41). 12.42 Rainha do sul. A rainha de Sabá visitou Salomão a fim de verificar a veracidade acerca das histórias de sua grande sabedoria (1 Rs 10.1-10). Jesus, como sempre, está aceitando fielmente as narrativas do AT. 12.43-45 Só pela obra de Cristo é que as forças do maligno não têm acesso à personalidade humana; se, no entanto, > pessoa não permite que o Espírito Santo tenha inteiro con­ trole sob sua vontade, todo o seu ser corre o perigo de se deixar levar novamente pela força do diabo e seus auxiliares. A conversão consiste em muito mais do que arrependimento Exige o renascimento do Espírito (|o 3.3,5) e obediência (Jo 15.10). 12.46-50 Jesus tinha quatro irmãos (mencionados pelo nome em Mc 6.3), além de um número de irmãs não especifi­ cado. Sém base histórica, já tem sido negado serem, estes, filhos de José e Maria. As alternativas apresentadas são: estes podiam ser primos de Jesus, filhos de Alfeu e de outra Maria, irmã da mãe de Jesus. Podiam, também, segundo, tais teólo­ gos, ser filhos de José antes do seu casamento com Maria. Jo 7.5 e At 1.14 distingue-os dos filhos de Alfeu. Nota-se, também, que nas dez ocasiões em que sua presença se regis­ tra, estão sempre com Maria, mãe de Jesus. Não se deve esquecer a mensagem espiritual desse trecho: nossa fraterni­ dade jaz em nossa obediência a Cristo, reunindo-nos numa nova família espiritual. Nota-se também que Jesus não tinha
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    1349 MATEUS 13.19 suamãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe.c 47 E alguém lhe disse: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te. 48 Porém ele respondeu ao que lhe trou­ xera o aviso: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? 49 E, estendendo a mão para os discípu­ los, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. 50 Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã emãe.d A parábola do semeador Mc 4 :1 -9 ; L c 8 .4 -8 1 O Naquele mesmo dia, saindo Jesus de -L J casa, assentou-se à beira-mar;e 2 e grandes multidões se reuniram perto dele, de modo que entrou num barco e se assentou; e toda a multidão estava em pé nà praia.f 3 E de muitas coisas lhes falou por pará­ bolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear.9 4 E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram. 5 Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. 6 Saindo, porém, o sol, a queimou; e, por­ que não tinha raiz, secou-se. 7 Outra caiu entre os espinhos, e os espi­ nhos cresceram e a sufocaram. 8 Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.h 9 Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.' 12.46 cMt 13.55; Lc 8.19-21; At 1.14; ICo 9.5 12.50 rfjo 15.14; Cl 3.11 13.1 eMc4.1 13.2'(1-2) Lc 5.1-3 13.3 sLc 8.5 13.8 "Gn 26.12 13.9 <Mt 11.15 13.11 IM tll.25; ICo 2.10; 1|o 2.27 13.12 *Mt 25.29; Mc 4.25; Lc 8.18; 19.26 13.14'Is 6.9; Mc 4.12; |o 12.40; Rm 11.8; 2Co 3.14-15 13.15 ">(14-15) Is 6.9-10 13.16 "Mt 16.17; jo 20.29 13.17 0(16-17) Lc 10.23-24 13.18pMc4.l4 A explicação da parábola M c 4 .1 0 -2 0 ; L c 8 .9 -1 5 10 Então, se aproximaram os discípulos e lhe perguntaram: Por que lhes falas por pará­ bolas? 11 Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido./ 12 Pois ao que tem* se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 13 Por isso, lhes falo por parábolas; por­ que, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ou­ vem, nem entendem. 14 De sorte que neles se cumpre a profe­ cia de Isaías:' Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. 15 Porque o coração deste povo está eridu- recido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; pára não suceder que vejam com os olhos, ou­ çam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.m 16 Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, por­ que ouvem." 17 Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ou­ viram.0 18 Atendei vós, pois, à parábola do se­ meador.P 19 A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. a mínima Intenção de exaltar Sua mãe à posição de uma divindade. 13.1 De casa. A casa de Simão e de André, em Cafárnaum (cf 8.14). 13.2 Num barco. Um púlpito natural, separado da multidão. 13.3 Parábolas. Gr parabolês, "comparação", lit "lançar duas coisas semelhantes uma contra a outra". Significa colocar uma cõisa ao lado da outra para estabelecer a semelhança ou distinção. Nos lábios dé |esus, veio a ser método especial de usar histórias terrenas para desvendar verdades espirituais àqueles que se entregam a Ele. Um dos motivos era atingir os simples, fixar as verdades nas mentes dos ouvintes (Mc 4.3n), e sobretudo distinguir entre as pessoas de boa fé que queriam aprender, e as demais que viessem zombar ou discutir (cf Is 6.9-10). 13.3-9 A parábola do Semeador. Com esta parábola, jesus inicia o primeiro grupo de parábolas registradas em Mateus. Esta coleção, até o fim do capítulo, diz respeito ao Reino de Deus. Nesta parábola, a semente é a proclamação da "Palavra do Reino", a mensagem de Cristo. Os tipos de terreno repre­ sentam os diferentes tipos de pessoas quanto à sua atitude para com a mensagem. 13.11-17 Mistérios. Conhecimentos mais profundos sobre as realidades espirituais. Acesso aos mistérios só se consegue pela fé perseverante em Cristo. Os discípulos recebem a ilumi­ nação de Deus (16). Os incrédulos rebeldes ficam, como con- seqüência, cada vez mais endurecidos, perdendo, finalmente, qualquer atração pela mensagem salvadora (12).
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    MATEUS 13.20 1350 Esteé o que foi semeado à beira do caminho.1 ? 20 O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria;r 21 mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da pala­ vra, logo se escandaliza.5 22 O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.? 23 Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um. A parábola dojoio 24 Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; 25 mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se. 26 E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. 27 Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram; Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? 28 Ele, porém, lhes respondeu: Um ini­ migo fez isso. Mas os servos lhe pergunta­ ram: Queres que vamos e arranquemos o joio? 29 Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. 30 Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no mem celeiro.“ A parábola do grão de mostarda M c 4 .3 0 -3 2 ; L c 13.18-19 31 Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo;1 ' 32 o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos. A parábola dofermento L c 13.20-21 33 Disse-lhes outra parábola: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mu­ lher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.w Por que Jesusfalou por parábolas M c 4 .33-34 34 Todas estas coisas disse Jesus às multi­ dões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia;* 35 para que se cumprisse o que foi dito por intermédio do profeta: , Abrirei em parábolas a minha boca; publi- 13.19 <?M t 4.23 13.20 í-ls 58.2; Jo 5.35 13.21 sM tll.6; 2Tm 1.15 13.22 t)r 4.3; Mc 10.23; 1Tm 6.9; 2Tm4.10 13.30 “ Mt 3.12 13.31 ‘'Is 2.2-3; Mc 4.30 13.33 »Lc 13.20 13.34 «Mc 4.33-34 13.24-30 A parábola do joio demonstra que um dos aspec­ tos do Reino é o juízo, e que este juízo está reservado à autori­ dade divina, e não ao critério humano. O joio é uma planta que se confunde com o trigo, crescendo juntamente com ele, e só se distingue quando vem a época da ceifa, quando então o trigo revela seu verdadeiro valor, produzindo cereal comes­ tível. Até então, o joio é poupado por causa do trigo. 13.31,32 A parábola da mostarda revela outro aspecto do Reino: o crescimento rápido e útil apesar de um começo bas­ tante humilde (cf Mc 4.31 n). : 13.33 Fermento. Esta parábola enfatiza o poder transforma­ dor invisível do evangelho, especialmente na vida particular do discípulo totalmente entregue a seu mestre, Cristo. Além dessa transformação individual, possivelmente, jesus aponta para a influência do evangelho que, silenciosamente e com poder, muda a sociedade e a cultura (ou governo, nos casos em que os cristãos decididos existem em suficiente propor­ ção). A notável influência do cristianismo na transformação da vida da mulher, dos pobres, dos doentes, dos velhos, dos escravos e das criancinhas, é bem conhecida através da histó­ ria. Cristo não afirma, aqui, que todo o mundo se converterá (Lc 13.18-21 n; 24-30). Três medidas. O Reino dos céus cons­ titui-se, para nós na presença da gloriosa e inexplicável Trin­ dade de Deus; devemos guardar, em nossos corações a porção exata de cada Pessoa da Trindade (2 Co 13.13; Ef 1.3-14). 13.34 As multidões por parábolas. Houve uma diferença entre o tratamento que jesus deu aos discípulos escolhidos, expli­ cando-lhes tudo em particular (w 10-23), é a maneira de falar às multidões. Esta diferença destaca-se especialmente depois de os fariseus terem blasfemado contra o Espírito Santo (12.24,30) e planejado o assassinato de Jesus (12.14). Distinguiam-se, então, mais e mais os que seguiriam a jesus, e os que estariam prontos a exigir sua crucificação. A oposi­ ção cresce à custa de calúnias, mentiras, falsa interpretação da lei, transformando-se em perseguição deliberada, até cul­ minar no Calvário.
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    1351 MATEUS 13.54 careicoisas ocultas desde a criação [do mundo])'. A explicação da parábola dojoio 36 Então, despedindo as multidões, foi Je­ sus para casa. E, chegando-se a ele os seus discípulos, disseram: Explica-nos a parábola do joio do campo. 37 E ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem; 38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;2 39 o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos.0 40 Pois, assim como o joio é colhidq e lançado ao fogo, assim será na consumação do século. 41 Máhdará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidadeh 42 e os lançarão na fornalha acesa; ali ha­ verá choro e ranger de dentes.0 43 Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem têm ouvidos [para ouvir], ouça.d Aparábola do tesouro escondido 44 O reino dós céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo ho­ mem, tendo-o achado, escondeu. E, transbor­ dante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.0 A parábola da pérola 45 O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas; 46 e, tendo achado uma pérola dé grande valor, vende tudo o que possui e a compra/ A parábola da rede 47 O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.9 48 E, quando já está cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, esco­ lhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora. 49 Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos,h 50 e os lançarão na fornalha acesa; ali ha­ verá choro e ranger de dentes.' Coisas novas e velhas 51 Entendestes todas estas coisas? Res­ ponderam-lhe: Sim! 52 Então, lhes disse: Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas/ Jesus prega em Nazaré. E rejeitado pelos seus M c 6 .1 -6 ; L c 4 .1 6-3 0 53 Tendo Jesus proferido estas parábolas, retirou-se dali. 54 E, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e 13.35 XSI 78.2 13.38 iGn 3.13; Mc 16.15,20; )o 8.44; Rm 10.18; 1|o 3.8 13.39 o|| 3.13 13.41 6Mt 18.7; 2Pe 2.1-2 13.42 cMt 3.12 13.43 <*Dn 12.3; 1Co 15.42-43,58 13.44 < M s55.1 13.46 ÍPV 2.4 13.47 9Mt 22.10 13.49 6Mt 25.32 13.50 <M t 13.42 13.52/Ct 7.13 13.36 Despedindo as multidões. )esus, voltando para casa de Simão e André, mais uma vez estava só com os discípulos que estavam sendo preparados para continuar a Sua obra e que precisavam entender tudo. A parábola do joio é, tecnica­ mente, uma alegoria, pois não ensina só uma verdade em seu conjunto total; cada pormenor representa alguma coisa. • N. Hom. O trigo e o joio juntos, w 24-30; 36-43. O qua­ dro representa: 1) O bem e o mal coexistindo na Igreja visível até ao fim do mundo: a) nas igrejas há sempre crentes e in­ crédulos; b) jamais existirá uma igreja só de "trigo"; c) os incrédulos existem entre os crentes, como Judas entre os dis­ cípulos; d) deve se tomar cuidado de não procurar arrancar a parte infiel, para não causar confusão e abalar a muitas pes­ soas; é recomendávél o maior cuidado possível na disciplina. O quadro também representa: 2) O juízo de Deus quando passar a haver esta separação: a) entré o trigo e o joio; b) feita pela justiça divina; c) o joio para o fogo e o trigo para o celeiro. 13.44 Tesouro oculto. O Reino de Deus apresenta-se, aqui, como um valor. Enterrar tesouros era comum antes de existir rede bancária. Às vezes o primitivo dono morria e o tesouro ficava perdido, até que alguém o achasse por acaso. 13.46 Pérola de grande valor. O valor multiplica-se com o tamanho. Uma pérola do tamanho de um ovo deveria valer centenas de pérolas de tamanho regular, o que seria o esto­ que inteiro de um negociante de pérolas, o qual exercia o papel típico de um banqueiro da época. Aqui, o Reino é de valor incomparável. 13.47-50 A parábola da rede mostra o Reino de Deus fa­ zendo a separação depois de sua proclamação a todos (cf 13.24n; 24.14). Esta parábola foi falada aos discípulos em casa bem como as duas anteriores. Evidentemente, Mateus reuniu uma série de parábolas faladas em diversas ocasiões. 13.52 Escriba. Gr grammateus, "escrivão'', "secretário"; já que bem poucos sabiam escrever, os êscribas que copiavam e arquivavam as leis e as tradições de Israel, tornaram-se douto­ res e advogados (Lc5.21n). Não havia uma distinção clara entre a lei de Deus e as dos homens.
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    MATEUS 13.55 1352 diziam:Donde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos?* 55 Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas?' 56 Não vivem entre nós todas as suas ir­ mãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto? 57 E escandalizavam-se nele. Jesus, po­ rém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terrame na sua casa. 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.n 13.54 *Mt 2.23; Lc 4.16,23 13.55 'Is 49.7; Mc 6.3; |o 6.42 13.57 mjo 4.44 13.58 "Mc 6.5-6 A morte de João Batista Mc 6.14-29; kc 9.7-9 1 A Por aquele tempo, ouviu o tetrarca x t Herodes a fama de Jesus0 2 e disse aos que o serviam: Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas. 3 Porque Herodes, haVendo prendido è atado a João, o metera no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão;P 4 pois João lhe dizia: Não te é lícito possuí-laP/ 5 E, querendo matá-lo, temia o povo,, por­ que o tinham como profeta.5 6 Ora, tendo chegado o dia natalício de Herodes, dançou a filha dê Herodias diante de todos e agradou a Herodes. 7 Pelo que prometeu, com juramento, dar- lhe o que pedisse. 14.1 °Mc 6.14 14.3 pMc 6.17 14.4 qLv 18.16; 20.21 r(3-4) Lc 3.19-20 14.5sMt21.26 14.13 'Mt 10.23; Lc 9.19 14.14 uMt 9.36 14.15 *Mc 6.35; Jo 6.5 8 Então, ela, instigada por sua mãe, disse Dá-me, aqui, num prato, a cabeça de Jo » Batista. 9 Entristeceu-se o rei, mas, por causa d» juramento e dos que estavam com ele à mesa. determinou que lha dessem; 10 e deu ordens e decapitou a João no cárcere. 11 Foi trazida a cabeça num prato e dada à jovem, que a levou a sua mãe. 12 Então, vieram os seus discípulos, leva­ ram o corpo e o sepultaram; depois, foram e o anunciaram a Jesus. A primeira multiplicação de pães e peixes Mc 6.30-44; Lc 9.10-17; Jo 6.1-13 13 Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali nua barco, para um lugar deserto, à parte; sa­ bendo-o as multidões, vieram das cidades se­ guindo-o porteira.' 14 Desembarcando, viu Jesus uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos.“ 15 Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e vai adiantada a hora; despede, pois, as multi­ dões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer.v 16 Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer. 17 Mas eles responderam: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. __________________________________ a___ 13.55 Do carpinteiro, josé, cujos filhos são aqui mencionados (v 56). |esus, como o filho mais velho, teria sido ajudante do pai ou sustentava a familia após a morte deste, como se vê em Mc 6.3. • N. Hom. Aspectos do Reino de Deus: 1) Juízo, w 24-30; 2) Crescimento, w 31-32; 3) Poder transforma­ dor, v 33; 4) Valor escondido aos homens (v 44) e incompa­ rável, v 45; 5) Separação e seleção, w 47-50. 14.1 O tetrarca Herodes. Tetrarca, gr tetrarchês, significa "quem rege uma quarta parte". No caso era a quarta parte da Palestina, a Galiléia e a Peréia que foi legada a Herodes Anti­ pas, um dos filhos de Herodes, o Grande. Cada um dos filhos ganhou uma parte. A fama de jesus. Depois das maravilhosas viagens de Jesus pela Galiléia, surgiram muitas idéias a res­ peito dele, cf 16.13-14. A consciência supersticiosa e cul­ pada de Herodes apontava logo para a teoria de que jesus seria João Batista ressurreto. 14.3 O cárcere da fortaleza de Maquero, perto do mar Morto, era bem visível, se olhado do magnífico palácio de Herodes Antipas. Duas masmorras escuras, fortes e profundas podem ser vistas até hoje. Ali ficara o profeta, que ministrara ao ar livre, durante um ano inteiro. 14.4 O caso envolve certas complicações de divórcio e in­ cesto. Herodias era descendente de Herodes, o Grande, e es­ posa de Herodes Filipe, de quem se divorciou para se casar com Herodes Antipas, seu tio. Este, para a receber como nova esposa, divorciou-se de sua esposa anterior que era filha de Aretas, rei da Arábia, da porção então chamada Nabatéia. 14.12 Anunciaram a Jesus. Esperavam talvez que jesus, final mente agisse como um Messias militar, sendo provocado a intervir com poderes sobrenaturais. Ou, talvez simplesmente passariam a ficar com jesus. 14.13.14 jesus, ao atravessar o mar da Galiléia, indo de Ca- farnaum para Betsaida júlia deixava os territórios de Herodes Antipas, e entrava numa parte deserta do Território de Filipe. 14.14 Compadeceu-se. O povo, vendo jesus partir no barco, andou uns 8km pela região deserta, em busca das Suas bên­ çãos. Sobre o milagre, veja Lc 9.12-17n. 14.17 Os pães e os peixes eram o lanche de um único me­ nino (jo 6.9). • N. Hom. "A multiplicação dos pães" mostra: 1) A compaixão de Cristo; 2) O direito de todos receberem (cf Mc 6.39); 3) Gratidão pelo poder e generosidade de Deus (SI 107); 4) A cooperação dos discípulos (cf sua cooperação no testemunho, At 1.8); 5) A fartura de bênçãos (cf jo 7.38); 6) Economia - não deixar de fazer bom uso de tudo o que Deus nos dá (Mt 25.14-30).
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    1353 MATEUS 15.3 18Então, ele disse: Trazei-mos. 19 E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, tendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às mul­ tidões.w 20 Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios. 21 E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças. Jesus anda por sobre o mar Mc 6.45-52; Jo 6.15-21 22 Logo a seguir, compeliu Jesus os discí­ pulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as mul­ tidões. ‘ 23 E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.* 24 Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas on­ das; porque o vento era contrário. 25 Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. 26 E os discípulos, ao verem-no andando sobre as águas, ficaram aterrados e exclama­ ram: E um fantasma! E, tomados de medo, gritaram.)' 27 Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! 28 Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por so­ bre as águas. 29 E ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus. 30 Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor! 31 E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pe­ quena fé, por que duvidaste? 32 Subindo ambos para o barco, cessou o vento. 33 E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és Filho de Deus!* Jesus em Genesaré Mc 6.53-56 34 Então, estando já no outro lado, chega­ ram a terra, em Genesaré.0 35 Reconhecendo-o os homens daquela terra, mandaram avisar a toda a circunvizi­ nhança e trouxeram-lhe todos os enfermos; 36 e lhe rogavam que ao menos pudessem tocar na orla da sua veste. E todos os que tocaram ficaram sãos.b Jesus e a tradição dos anciãos. O que contamina o homem Mc 7.1-23 Então, vieram de Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e pergun­ taram:* 2 Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem.d 3 Ele, porém, lhes respondeu: Por que 14.19 »Mt 15.36 14.23 *Mc 6.46 14.26 rjó 9.8 14.33 ;SI 2.7; Mc 1.1; Jo 1.49; Rm 1.4 14.34 oMc 6.53 14.36 5Mt9.20; Lc 6.19 15.1 cMc 7.1 15.2 dMc 7.5 14.21 Mulheres e crianças. Umas centenas, talvez. 14.22 Compeliu. Decerto era para escudar os discípulos de serem arrebatados pela tentação de querer ver a Jesus como Rei (Jo 6.15). 14.23 Orar sozinho. O segredo de como se pode ser guiado mais efetivamente por Deus do que pelos exemplos e pensa­ mentos dos homens. 14.25 Quarta vigília. Entre três e seis horas da manhã. A pri­ meira processava-se das 18 às 21 h; a segunda das 21 às 24; e a terceira ia até às 3. Andando por sobre o mar. Tem domínio sobre o mar aquele que o criou. 14.34 Genesaré. A planície sobre a qual se situavà Ca- farnaum. 15.1 Escribas e fariseus chegaram de Jerusalém para reforçar o rol dos inimigos de Jesus, que já estavam se consolidando, como foi o caso dos fariseus com os herodianos (Mc 3.6). Mais tarde, até os saduceus, tradicionalmente rivais dos fari­ seus, seriam acrescentados (Mt 16.6). 15.2 Tradição dos anciãos. Interpretação oral-escrita da lei de Moisés, com muita coisa adicionada, chegando a ter autori­ dade quase igual à da própria Lei, entre fariseus (cf 5.43n). Tudo isto foi posteriormente codificado no Mishná, o núcleo do Talmude. 15.3 Por causa da vossa tradição. A tradição da lavagem das mãos era simples higiene antes das refeições. Veio a ser um tipo de purificação ritual para afastar a mínima possibilidade de a pessoa ter sido contaminada pela poeira advinda de al­ gum pagão (cf 10.14n). A ocupação dos romanos intensi­ ficou o legalismo, na tentativa de atingir a "santidade" e conseguir o socorro necessário de Deus para a expulsão dos pagãos. Não percebiam, porém, que certas interpretações ti­ nham já violado a verdadeira lei.
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    MATEUS 15.4 1354 transgredisvós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? 4 Porque Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãee; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte'. 5 Mas vós dizeis: Se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: É oferta ao Senhor aquilo que poderias aproveitar de mim;9 6 esse jamais honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição. 7 Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:h 8 Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.' 9 E em vão me adoram, ensinando doutri­ nas que são preceitos de homens./ 10 E, tendo convocado a multidão, lhes disse: Ouvi e entendei:k 11 não é o que entra pela boca o que con­ tamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem.' 12 Então, aproximando-se dele os discí­ pulos, disseram: Sabes que os fariseus, ou­ vindo a tua palavra, se escandalizaram? 13 Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será ar­ rancada.'7 ' 14 Deixai-os; são cegos, guias de cegos". Ora, se um cego guiar outro cego, cairão am­ bos no barranco. 15.4 eÊx 20.12 4x21.17; Lv 20.9 15.5 9Mc 7.11-12 15.7 hMc 7.6 15.8 'Is 29.13 15,9/(8-9) Is 29.13 15.10 '‘Mc 7.14 15.11 /At 10.15; ITm 4.4; Tt 1.15 15 Então, lhe disse Pedro: Explica-nos a parábola.0 16 Jesus, porém, disse: Também vós não entendeis ainda?P 17 Não compreendeis que tudo o que en­ tra pela boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar cscuso?R 18 Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem/ 19 Porque do coração procedem maus de­ sígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.5 20 São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina. 15.13 mjo 15.2; 1Co 3.12 A mulher cananéia 15.14 "Lc 6.39 15.15 °Mc 7.17 15.16 pMt 16.9 15.17 9lCo 6.13 15.18 rTg3.6 15.19 sGn 6.5; ]r 17.9 15.21 tMc 7.24 15.24 “ Mt 10.5-6; Rm 15.8 M c 7.24-30 21 Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e Sidom/ 22 E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Fi­ lho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. 23 Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, roga­ ram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. 24 Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.u 25 Ela, porém, .veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! 26 Então, ele, respondendo, disse: Não é 15.4-6 )esus passa a citar os dez mandatos, mostrando como a tradição dos judeus havia suscitado maneira de deso- bedecê-IO. Se alguém queria livrar-se da responsabilidade de cuidar de seus pais em idade avançada, era só fazer a falsa declaração de que seus bens pertenciam ao templo, de que eram korban (que significa "oferenda"). Seus bens seriam re­ gistrados em nome do templo até a morte dos pais, quando então se passaria a "combinar" algo com os escribas, no in­ tuito de reavê-los. Parece que para o gozo de tais benefícios legais não era necessário uma grande oferta. Talvez alguns que assim faziam estivessem presentes na hora. 15.6 Invalidastes a palavra de Deus. Devemos estar sempre atentos para os métodos que se usam para invalidar a Palavra: 1) Esquecimento; 2) Reinterpretação; 3) Racionalização; 4) Ignorância; e 5) Simples desobediência. 15.11 O que entra pela boca. Segundo a explicação dada por jesus a Pedro (17-20), a comida que não foi preparada se­ gundo as tradições dos anciãos não prejudica ao ser ingerida (At 10.10-15n). O que prejudica é o mal, concentrado no íntimo do ser humano e exprimido através da boca (Tg 3.6-12). Contamina. Cr koinein, lit "tornar comum", "profanar". No sentido bíblico significa ser cerimonialmente ------------------------------------ w ------ "imundo", sem direito a participar do culto público, ou apro­ ximar-se de Deus em oração. A declaração de )esus, decerto abrangia tudo isto. 15.13 Será arrancada. Jesus não altera Sua doutrina para agradar as pessoas que não buscam o verdadeiro sentido da Palavra de Deus (3 -9 ). Para estes só resta a condenação. 15.21 Os lados de Tiro. O território marítimo chamado Fení­ cia (hoje o Líbano) que fazia limite ao norte e a oeste, com a Galiléia. 15.22 Cananéia. Descendentes dos Cananeus que Josué ex­ pulsou da Terra Prometida cuja civilização foi centralizada e perpetuada na cidade de Tiro. Marcos chamava-a de grega, de origem siro-fenícia (Mc 7.26). "Grega" significaria "de ci­ vilização helenística". 15.26 Cachorrinhos. Gr kunarion, um diminutivo afetuoso, empregado para os cachorrinhos de estimação, "de colo". Se as palavras usadas por jesus para indicar que Sua missão é primariamente para Israel parecem-nos severas, o certo é que havia algo no tom da Sua voz para encorajar esta mulher e dar uma resposta cheia de fé, esperança e coragem. Devia ter sido, para jesus, um grande alívio testemunhar uma fé tão
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    1355 MATEUS 16.4 bomtomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.1 ' 27 Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. 28 Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como que­ res. E, desde aquele momento, sua filha fi­ cou sã. Jesus volta para o mar da Galiléia e cura muitos enfermos 29 Partindo Jesus dali, foi para junto do mar da Galiléia; e, subindo ao monte, assen­ tou-se ali.w 30 E vieram a ele muitas multidões tra­ zendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e outros muitos e os largaram junto aos pés de Jesus; e ele os curou/ 31 De modo que o povo se maravilhou ao ver que os mudos falavam, os aleijados reco­ bravam saúde, os coxos andavam e os cegos riam. Então, glorificavam ao Deus de Israel. A segunda multiplicação de pães e peixes Mc 8.1 -1 0 32 E, chamando Jesus os seus discípulos, disse: Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanece comigo e não tem o que comer; e não quero despedi-la em je­ jum, para que não desfaleça pelo caminho.)' 33 Mas os discípulos lhe disseram: Onde haverá neste deserto tantos pães para fartar óo grande multidão?2 15.26 «'Mt 7.6 15.29 "Mt 4.18 15.30 *ls 35.5-6; Lc 7.22 15.32 yMc 8.1 15.33 *2Rs 4.43 34 Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Responderam: Sete e alguns pei­ xinhos. 35 Então, tendo mandado o povo assentar- se no chão, 36 tomou os sete pães e os peixes, e, dando graças, partiu, e deu aos discípulos, e estes, ao povo.0 37 Todos comeram e se fartaram; e, do que sobejou, recolheram sete cestos cheios. 38 Ora, os que comeram eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças. 39 E, tendo despedido as multidões, en­ trou Jesus no barco e foi para o território de Magadã.b 15.36 ol$m 9.13; Lc 22.19 Osfariseus e os saduceus pedem um sinal do céu M c 8.11-13 15.39 6Mc 8.10 16.1 cMt 12.38; Lc 11.16; K o 1.22 16.4 °)n 3.4-5 e(1 /) Mt 12.38-42; Lc 11.29-32 1 Aproximando-se os fariseus e os sa- JL U duceus, tentando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse um sinal vindo do céu.c 2 Ele, porém, lhes respondeu: Chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado; 3 e, pela manhã: Hoje, haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do Céu e não podeis discernir os sinais dos tempos? 4 Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonasd. E, deixando-os, retirou-se.e grande, e ao mesmo tempo singela e humilde, em pleno fun­ cionamento, depois de tantas lutas com fariseus que a des­ peito da sua fidelidade à letra da Lei, pouco ou nada sabiam da verdadeira comunhão com Deus em espírito e em ver­ dade. Este passo de |esus também foi a aurora da missão "até aos confins da terra". • N. Hom. O que a fé fez à mulher cananéia: 1) Levou-a a jesus; 2) Levou-a a pedir a jesus; 3) Levou-a a achegar-se a jesus; 4) Levou-a a perseverar na Tora da prova, da dúvida; 5) Levou-a à vitória, sendo aten- dda em sua petição e conhecendo realmente o Mestre. 15-29 Ao monte. Deve ser a subida para a planície atrás de Cafamaum para quem sobe do mar da Galiléia. Deve ser o ugar onde jesus usualmente ensinava, pregava e curava, o ocal do Sermão do Monte (5.1). 15.30 Esta lista de doentes pende para o lado das grandes ncapacidades físicas, as quais oferecem base para não apoiar a teoria de "curas psicológicas". 15.32-39 A segunda multiplicação de pães e peixes. Muitos ntérpretes querem que esta seja outra versão do mesmo mi- agre descrito em 14.15-21. Nada mais errado. O próprio jesus destaca bem os dois incidentes (16.9 e 10) e esta se­ gunda multiplicação foi em outro lugar (Decápolis, Mc 7.31), com um número diferente de pães e peixes, com menos so­ bras recolhidas, menos pessoas a comer e um rumo diferente tomado por jesus, após o milagre, desta vez com seus discí­ pulos. 15.39 Magadã. Possivelmente Magdala, a cidade de Maria Madalena, situada entre Tiberíades e Cafamaum. É também chamada Dalmanuta (Mc 8.10). 16.1 Um sinal vindo do céu. Uma prova milagrosa (cf12.38n). 16.3 Sinais dos tempos. Os líderes religiosos leram estes sinais, tão bem como os não religiosos. Os sinais celestiais, porém, que apontavam para os acontecimentos do calendário da operação de Dèus entre os homens, eles não o sabiam inter­ pretar, mesmo com as numerosas profecias do AT. 16.4 O de /onas. A ressurreição de jesus, figurada pelos três dias e as três noites que Jonas passou no ventre do grande peixe (12.39-41).
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    MATEUS 16.5 1356 Ofermentodosfariseus e dos saduceus Mc 8.14-21 5 Ora, tendo os discípulos passado para o outro lado, esqueceram-se de levar pão/ 6 E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseuss e dos saduceus. 7 Eles, porém, discorriam entre si, di­ zendo: E porque não trouxemos pão. 8 Percebendo-o Jesus, disse: Por que dis­ correis entre vós, homens de pequena fé, so­ bre o não terdes pão? 9 Não compreendeis ainda, nem vos lem­ brais dos cinco pãesh para cinco mil homens e de quantos cestos tomastes? 10 Nem dos sete pães' para os quatro mil e de quantos cestos tomastes? 11 Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. 12 Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus. 16.5 'Mc 8.14 16.6 gLc 12.1 16.9 6Mt 14.17-21 16.10 'Mt 15.34-38 16.13/Mc 8.27 16.14 ‘ Mt 14.1-2; Mc 6.14-15; Lc 9.7-8 16.16 'Jo 6.68-69 16.17 m1Co2.10; Ef 2.8 16.18 njó 38.17; Is 38.10; Ef 2.20 A confissão de Pedro Mc 8.27-30; Lc 9.18-21 16.19 °Mt 18.18; Jo 20.23 13 Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?/ 14 E eles responderam: Uns dizem: João Batista*; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. 16.20 pMt 17.9; Lc 9.21 16.21 «íMt 20.17; Lc 9.22 15 Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? 16 Respondendo Simão Pedro', disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17 Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventu­ rado és, Simão Barjonas, porque não foi came e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.m 18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não' prevalecerão con­ tra ela." 19 Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: o que ligares0 na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus. 20 Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.P Jesus prediz a sua morte e ressurreição Mc 8.31-33; Lc 9.22 21 Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer mui­ tas coisas dos anciãos, dos principais sacerdo­ tes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.9 22 E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti. Senhor; isso de modo algum te acontecerá. 23 Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para m ini'pedra de 16.5 Para o outro lado. Para os territórios de Filipe, provavel­ mente desembarcando em Betsaida, de onde foram cami­ nhando para Cesaréia de Filipe, cidade situada no sopé do monte Hermom, cujo pico se localiza a c. 20km mais para o norte. ' 16.6 Fermento dos fariseus e dos saduceus. Em contraste com o fermento comparado ao desenvolvimento do Reino de Deus (13.33n). Fala-se aqui em hipocrisia e perversidade cres­ centes (12). 16.13 Cesaréia de Filipe. Filipe, filho de Herodes, o Grande, seguiu o costume de dar o nome do imperador César a uma cidade de destaque, que antes era chamada Panéias, "santuá­ rio do deus Pan". 16.14 Uns dizem. Registra-se, aqui, a opinião da gente co­ mum que esperava tão ansiosamente as indicações de que Deus logo redimiria Seu povo. 16.15 Mas vós. Os discípulos tinham recebido uma vocação especial de seguir a Cristo (4.18-22); presenciaram milagres (8.14-27); fizeram uma viagem missionária (10.5-15); rece­ biam muita instrução em particular (cap 13). Receberam p desafio de pronunciar suas conclusões. 16.16 Pedro, falando em nome dos doze e pela revelação de Deus, reconhece Jesus como o "Cristo", ou seja, o Messias, o Salvador do mundo. 16.18 Esta pedra. Apesar do jogo de palavras, não é a pessoa de Pedro que é a pedra fundamental da Igreja. É Cristo mesmo, segundo o próprio Pedro (1 Pe 2 .4 -8 ; cf Mt 21.42-44). Até certo ponto, todos os apóstolos são pe­ dras fundamentais, mas só pelo fato de serem porta-vozes e testemunhas do evangelho, garantindo sua veracidade (Ef2.20). • N. Hom. "A edificação da Igreja" depende: 1) Da revelação de Cristo por parte de Deus (17, cf Jo 16.13); 2) De Cristo ser o fundamento (1 Co 3.11); 3) De Cristo exer­ cer Seu poder soberano (28.18-20); 4) Dos discípulos con­ fessarem a Jesus (16; At 1.8; 8.4); 5) De levar o ataque até às portas do hades (At 5.29). Portas do Inferno (gr hades "lugar dos mortos"). A igreja é construída não apenas sobre a pessoa de Cristo, mas também na Sua obra que o obrigou a morrer (entrar no hades) e conquistar a morte através da ressurreição (1 Pe 3.18). 16.19 Chaves do Reino. O direito especial concedido a Pedro de abrir a porta da salvação para os judeus (At 2) e aos gen­ tios (At 10). Todo discípulo que ganha uma só alma para Cristo exerce o poder das chaves (1 Co 16.9). 16.23 Satanás. A inspiração satânica (e mundana) sempre
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    1357 MATEUS 17.12 tropeço,porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens/ O discípulo de Cristo deve levar a sua cruz M c 8 .3 4 -9 .1 ; L c 9 .2 3-2 7 24 Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém5 quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. 25 Porquanto, quem quiser salvar1 a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. 26 Pois que aproveitará o homem se ga­ nhar o mundo inteiro e perder a sua alma?J3u que dará o homem em troca da sua alma?u 27 Porque o Filho do Homem há de vir1 ' na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá**' a cada um conforme as suas obras. 28 Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino/ A transfiguração M c 9 .2 -8 ; L c 9.28-36 n Seis dias depois, tomou Jesus con­ sigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte.)' 2 E foi transfigurado diante deles; o seu 16.23 r2Sm 19.22 16.24 JMU 0.38; Lc 14.27 16.25 íMt 10.39; Lc 17.33; Jo 12.25 16.26 «SI 49.7-8 16.27 yMt 25.31 «'SI 62.12 16.28 «Mc 9.1 17.1 yMc 9.2 17.5 ^ls 42.1 °Mt 3.17; 12.18; Mc 1.11; Lc 3.22 6(1-5) 2Pe 1.17-18 17.6 c2Pe 1.18 17.7 6Dn 8.18 17.9 fMt 16.20 17.10 íMI 4.5 17.11 9Ml 4.6; At 3.21 17.12 6Mt 11.14 rosto resplandecia como o sol, e as suas ves­ tes tomaram-se brancas como a luz. 3 E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. 4 Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três ten­ das; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias. 5 Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo2; a ele ouvi°.b 6 Ouvindo-a os discípulos, caíram de bru­ ços, tomados de grande medo.c 7 Aproximando-se deles, tocou-lhes Je­ sus, dizendo: Erguei-vos e não temais!d - 8 Então, eles, levantando os olhos, a nin­ guém viram, senão Jesus. A vinda de Elias M c 9 .9-13 9 E, descendo eles do monte, ordenou- lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos/ 10 Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias' venha primeiro? 11 Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas.9 12 Eu, porém, vos declaro que Elias'* já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram procura conseguir a salvação sem a cruz (Mc 8.34s). • N. Hom. 16.24-27 Seguir a Jesus exige um novo rumo na vida, que precisa ser: 1) Espontâneo e voluntário; 2) Em direção a Jesus; 3) Com renúncia do eu; 4) Até à morte. Cf 8.18-22; Lc 9.18-26n. 16.28 O Filho do homem no seu reino. Marcos interpreta: "chegado com poder o Reino de Deus" (Mc 9.1). Os estágios da revelação do Reino de Deus são: a transfiguração (17.1-8); a ressurreição de Cristo; o dia de Pentecostes; a destruição de Jerusalém; a segunda vinda com tudo ó que se associa com ela; o fato de a transfiguração ser descrita logo em seguida sugere que o cumprimento desta profecia jaz par­ cialmente aí, embora não haja dúvidas de que este seja um início, um antegozo do futuro desenrolar, estágio após está­ gio, do estabelecimento do Reino de Deus (cf Lc 9.27n). 17.1 Seis dias depois. Ainda estavam subindo o Monte Her- mon, desde Betsaida (16.5n), passando por Cesaréia de Filipe (16.13), numa caminhada que pode ser descrita como um retiro espiritual. 17.1-8 Esta experiência de um antegozo da glória divina era uma revelação para Pedro, Tiago e João, sobre a natureza da obra e do reino de Cristo. Jesus é visto por eles na Sua glória divina (cf Jo 17.5), ladeado por Moisés, representando a Lei de Israel, e por Elias, representando os Profetas. Jesus é reve­ lado como a realidade gloriosa à qual a totalidade do AT apontava o cumprimento de toda a história da redenção, desde o dia no qual Abraão foi chamado para obedecer a Deus, abandonou tudo para receber a herança. Cf Gn 12.2,3; 15.4,5. Deus interveio para consolar Jesus que já estava no caminho da crucificação (22-23 com 16-21), e também para receber os discípulos a fim de continuarem firmes e con­ fiantes depois da ascensão de Cristo (cf 2 Pe 1.16-18, onde Pedro descreve a experiência e cita-a como prova da divin­ dade dé Cristo). 17.5 Palavras para inspirar os discípulos e consolar a Cristo. 17.9 Do Monte. Algumas tradições dizem que era o Tabor, mas o que contraria isto é que havia, na época de Jesus, uma fortaleza romana dominando o monte. O caminho mais ló­ gico seria, rumo às alturas do Hermom, a 20km de Cesaréia de Filipe e com quase 3.000 m de altura. 17.10-13 Os judeus estavam aguardando um segundo apa­ recimento de Elias antes da vinda do Messias (Ml 4.5), mas Jesus demonstrou que era João Batista o cumpridor desta mis­ são profética (aliás, suas vestes e sua maneira de viver já apon­ tavam para o caráter de um Elias).
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    MATEUS 17.13 1358 comele tudo quanto quiseram. Assim tam­ bém o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles. 13 Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista.' A cura de umjovem possesso M c 9 .1 4-2 9 ; L c 9.37-42 14 E, quando chegaram para junto da mul­ tidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse:/ 15 Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. 16 Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. 17 Jesus exclamou: O geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino. 18 E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado. 19 Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo? 20 E ele lhes respondeu: Por causa da pe­ quenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes f é k como um grão de mos­ tarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impos­ sível. 21 [Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.] De novo Jesus prediz a sua morte e ressurreição M c 9 .3 0-3 2 ; L c 9.43b-45 22 Reunidos eles na Galiléia, disse-lhes 17.13 'Mt 11.14 17.14/Mc 9.14 17.20 *Mt21.21; Mc 11.23; 1C0 13.2 17.22 'Mt 16.21; Lc 9.22,44 17.24 mÊx 30.13; 38.26 18.1 "Lc 22.24 18.3 °Mc 10.15; Lc 18.17 18.4 pMt 20.27 Jesus: O Filho do Homem está para ser entre­ gue nas mãos dos homens;' 23 e estes o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará. Então, os discípulos se entriste­ ceram grandemente. Jesus paga imposto 24 Tendo eles chegado a Cafamaum, diri­ giram-se a Pedro os que cobravam 0 im­ posto™ das duas dracmas e perguntaram: Não paga o vosso Mestre as duas dracmas? 25 Sim, respondeu ele. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Si- mão, que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos? 26 Respondendo Pedro: Dos estranhos, Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos. 27 Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e 0 primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acha­ rás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti. 0 maior no reino dos céus M c 9 .3 3-3 7 ; L c 9.46-48 1 Q Naquela hora, aproximaram-se de X O Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, 0 maior" no reino dos céus? 2 E Jesus, chamando uma criança, colo­ cou-a no meio deles. v 3 E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes0 e não vos tomardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. 4 Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.P 17.14-21 Um jovem possesso. Local - 0 sopé do monte Her- mom; hora - de madrugada; situação - a volta da experiên­ cia gloriosa, para a situação humana - a glória divina invade as limitações da terra. O jovem era possuído por um espírito mudo (Mc 9.17), e ainda era filho único (Lc 9.38). A multidão incluía escribas que estavam discutindo com os discípulos que nada conseguiam fazer para expulsar 0 demônio (Mc 9.14 e 18). A causa do fracasso dos discípulos, da atitude dos escri­ bas, da doença do menino, e do desespero do pai, era a pouca fé. 17.22 Na Galiléia. No caminho de volta para Cafarnaum (24). Este era já o segundo aviso de Cristo, antecipando o que ia sofrer (cf 16.21). O último aviso está em 20.17-19. Os discípulos eram demorados para entender esta parte da obra de Cristo, e ainda no fim deixaram-se abalar quando estas palavras de Cristo foram cumpridas (26.56,69-75). 17.24-27 O imposto era cobrado para 0 templo, cada ano, no mês de março. Esta ocasião deve ter se dado no ano 28 d.C. Na moeda israelita equivalia à metade de um sido por pessoa, na moeda grega internacional, duas dracmas, ou dois dias de salário mínimo. Cada israelita de mais de 20 anos de idade pagava imposto religioso, jesus, sendo o filho de Deus, 0 dono do templo, não teria qualquer obrigação de pagar este imposto (cf Lc 2.49). Para não dar, contudo, oca­ sião de os judeus o acusarem, e também para ensinar aos discípulos (e a nós) a fidelidade nos deveres civis e religiosos, mandou entregar 0 imposto (27; Rm 13.7). O milagre mostra como o Pai providencia o necessário para Seus filhos. Estáter. Uma moeda que valia quatro dracmas, suficiente para pagar o imposto de duas pessoas.
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    1359 5 E quemreceber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe,9 18.5 iM t 10.42 18.6 rMc 9.42 Os tropeços M c 9 .4 2-4 8 ; L c 17.1-2 6 Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pes­ coço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do m ar/ 7 Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o es­ cândalo!5 8 Portanto, se a tua mão* ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; me­ lhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lan­ çado no fogo eterno. 9 Se um dos teus olhos“ te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entra­ res na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo. A parábola da ovelha perdida L c 1 5.3-7 10 Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste.1 ' 18.7 JMt 26.24; ICo 11.19 18.8 (Mt 5.30 18.9 «Mt 5.29 18.10 ‘-Et 1.14; Zcl 3.7; Hb 1.14 18.11 »'Lc 19.10 18.12 *Lc 15.4 18.15 xLv 19.17; Tg 5.20; 1Pe 3.1 18.16 ^Dt 17.16; 19.15 18.17 °Rm 16.17; ICo 5.9; 2Ts 3.6,14; 2Jo 1.10 18.18 “ Mt 16.19; |o 20.23 11 [Porque o Filho do Homem" veio sal­ var o que estava perdido.] 12 Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou?* 13 E, se porventura a encontra, em ver­ dade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. 14 Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes peque­ ninos. Como se deve tratar a um irmão culpado 15 Se teu irmão pecar [contra ti], vai argiii- lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.)' 16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas7, toda palavra se estabeleça. 17 E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano.0 18 Em verdade vos digo que tudo o que ligardes6 na tenra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desli­ gado nos céus. 19 Em verdade também vos digo que, se MATEUS 18.19 18.6 Pequeninos, jesus singulariza a grandeza da humildade, a singela dependência e a completa confiança no Pai Celes­ tial, tomando-a de uma criança a qual a deposita no pai ter­ restre como modelo. Pedra de moinho. Aquela que era movida por um asno. 18.8,9 Qualquer capacidade física, mental ou espiritual que nos leve ao afastamento de Deus, deixa de cumprir sua princi­ pal finalidade e é, até, um empecilho mortal. 18.10 A referência aos pequeninos pode ser tanto à criança como aos neófitos na fé. O escândalo e o desprezo a estes novos teria efeito negativo no exemplo ou ensino, afastando- os da fé. O provocador de escândalos receberá o mais severo julgamento de Deus (6.7). Seus anjos. Os anjos têm um minis­ tério especial de cuidar dos que não podem cuidar de si mes­ mos (cf Hb 1.14). 18.12-14 A parábola da ovelha perdida reforça ainda mais a doutrina do terno cuidado que Deus tem para com cada indi­ víduo simples e humilde. E possível que jesus resuma aqui uma parábola, por Ele contada em outras circunstâncias mais pormenorizadamente (Lc 15.3-7n). 18.14 Da vontade de vosso Pai. O pai deseja que todos sejam salvos. Mandou Seu Filho ao mundo para salvar, e não para condenar. O homem que vai para o inferno, vai porque desde já consente, direta ou indiretamente, nisso (25.41), e não porque Deus o quer (1 Tm 2.4). 18.1 5 - 17 A disciplina da igreja: 1) Ouve testemunhas; 2) Trata da vida moral dos crentes, do "irmão": 3) Visa à re­ cuperação de um faltoso (cf Gl 6.1 -5 ); 4) Os membros de­ vem exortar-se mutuamente e em particular; 5) Outros membros podem ser consultados; 6) Só no caso de não haver arrependimento é que o caso deveria ser encaminhado às autoridades da igreja; 7) Caso haja desrespeito à igreja, o cul­ pado deve ser excluído da comunhão e tratado como a um pagão (o que não deixa de estar dentro do objetivo do amor). • N. Hom. A prova da verdadeira conversão é a humildade perante Cristo e perante os homens (18.3 e 10); a prova da inimizade a Cristo também está no fato de alguém fazer a algum outro tropeçar na fé (18.6-9). 18.16- 20 jesus dá grande importância à verdadeira união na igreja. A disciplina impõe-se pela unidade da ação. A oração atinge seu pleno valor quando feita em conjunto pelos cren­ tes. A congregação que se reúne em nome de Cristo é a que O tem em seu meio. O ponto comum e central da fé, a pes­ soa de jesus Cristo, é Sua autoridade, Sua palavra, Seu amor, e sendo Ele, assim, o alvo e o estimulador da fé cristã. Ele é o fator básico da unidade. 18.19 O verdadeiro entendimento entre os seres humanos é raro. Jesus só exige um acordo entre duas pessoas, mas a Sua oração é que este acordo cristão seja estendido a todos os crentes do mundo (Jo 17.21).
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    MATEUS 18.20 1360 doisdentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, ^°3'22 pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus.c 20 Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. 18.21 «de 17.4 Quantas vezes se deve perdoar a um irmão L c 17.3-4 21 Então, Pedro, aproximando-se, lhe per­ guntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?d 22 Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.e 18.22 eMt 6.14; Cl 3.13 A parábola do credor incompassivo 23 Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. 24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga.f 26 Então, o servo, prostrando-se reve­ rente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. 27 E o senhor daquele servo, compade­ cendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. 28 Saindo, pofém, aquele servo, encon­ trou um dos seus conservos que lhe devia cem 18.25 f2Rs 4.1 18.35 gPv 21.13; Mc 11.26 19.1 6Mc 10.1 19.2 >M t 12.15 denários; e, agarrando-o, o sufocava, di­ zendo: Paga-me o que me deves. 29 Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. 30 Ele, entretanto, não quis; antes, indo­ se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. 31 Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entfisteceram-se muito e fo­ ram relatar ao seu senhor tudo que acon­ tecera. 32 Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dí­ vida toda porque me suplicaste; 33 não devias ta, igualmente, compade­ cer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? 34 E, indignando-se, o seu senhor o entre­ gou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. 35 Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.9 Jesus atravessa o Jordão M c 10.1 1 Q E aconteceu que, concluindo Jesos X V estas palavras, deixou a Galiléia e foi para o território da Judéia, além do Jordão.* 2 Seguiram-no muitas multidões, e curou- as ali.1 A questão do divórcio M c 1 0.2-1 2 ; L c 16.18 3 Vieram a ele alguns fariseus e o experi- 18.21 Até sete vezes? Pedro quis ser generoso, pois as tradi­ ções dos rabinos falavam em perdoar até três vezes. A res­ posta de Jesus, tomando-se em consideração o que Pedro disse, significa que o espírito de perdão vai muito além dos mesquinhos cálculos humanos. 18.23-25 A parábola do credor sem compaixão, ensina a Pedro o motivo pelo qual deve-se perdoar sem limites. Deus perdoou-nos tanta coisa ao nos conceder o dom gratuito da Salvação em Cristo, que qualquer ofensa que outro ser hu­ mano possa praticar contra nós, é irrisória, em comparação a isto. Perdoá-lo seria o mínimo que poderíamos fazer, refle­ tindo, assim, algo da bondade divina que tem sido derra­ mada em nossas vidas (6.14,15). 18.24 Talentos. Cada um valia 6.000 denários, e seu con­ teúdo em prata valeria, hoje, acima de sete mil cruzeiros, embora na época se comprasse muito mais em mercadorias. A soma total era de 60 milhões de denários. • N. Hom. O verdadeiro perdão: 1) Jesus ensinou-nos a perdoar sempre; 2) Isto refere-se espedalmente a ofensas praticadas conta nós mesmos; 3) Pelo fato de também sermos pecadores, n ia nos compete julgar com demasiado rigor às faltas do n a » próximo; 4) Deus, finalmente, julgará a todos segundo S n reta justiça: que será de nós se não praticarmos misericórdia? (Tg 2.13). 19.1 Deixou a Caliléia. Pela última vez. Daí para a frente este evangelho descreve o ministério de Jesus no caminho de Jev»- salém (cf Lc 9.51 n). 19.3-12 A questão do divórcio, além do seu valor intrínseca revestia-se de especial importância para os fariseus que vie­ ram provar a Jesus com um assunto que os dividia. Os segv- dores de Hillel, permitiam ao homem servir-se de quaíqnr pretexto para o divórcio, e os de Shammai afirmavam que ■ se podia admitir o divórcio em caso de adultério. Jesus, m responder, superou à expectativa dos rabinos, assim como a das regras civis, pelas quais Moisés permitiu divórcio legrt- zado à pessoa que, moral e religiosamente, já estivesse sepa-
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    1361 MATEUS 19.22 mentavam,perguntando: É lícito ao mari­ do repudiar a sua mulher por qualquer mo­ tivo? 4 Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez ho­ mem emulheri 5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pái e mãe e se unirá a sua mulher, tomando-se os dois uma só carne*? 6 De modo que já não são mais dois, po­ rém uma só carne. Portanto, o que Deus ajun­ tou não o separe o homem. 7 Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés' dar carta de divorcio e repudiar? 8 Respondeu-lhes Jesus: Por causa da du­ reza do vosso coração é que Moisés vos per­ mitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. 9 Eu, porém, vos digo: quem repudiar™ sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério [e o que casar com a repudiada co­ mete adultério]. 10 Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mu­ lher, não convém casar.n 11 Jesus, porém, lhes respondeu: Nem to­ dos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado.0 ’ 12 Porque há eunucos de nascença; há ou­ tros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita.P 19.4ÍGn 1.27; 5.2 Jesus abençoa as crianças M c 10.13-16; L c 18.15-17 19.5 *Gn 2.24 19.7'Dt 24.1-4; Mt 5.31 19.9 mMt 5.32; 1Co 7.10-11 19.10 "Pv 21.19 13 Trouxeram-lhe, então, algumas crian­ ças, para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreendiam. 9 14 Jesus, porém, disse: Deixai os pequeni­ nos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus/ 15 E, tendo-lhes imposto as mãos, reti­ rou-se dali. 19.11 o1Co7.2 19.12 Pi Co 7.32 19.13 9Mc 10.13 19.14 rMt 18.3 19.16 sMc 10.17 19.18 'Êx 20.13; Dt 5.17 “ 1x20.14; Dl 5.18 x1x20.15; Dt 5.19 "1x20.16; Dt 5.20 19.19 *Ex 20.12; Dt5.16 yLv 19.18 19.21 rMt 6.20; At 2.45; ITm 6.18-19 0 jovem rico M c 10.17-22; L c 18.18-23 ' 16 E eis que alguém, aproximando-se, lhe perguntou: Mestre, que farei eu de bom, para _alcançar a vida eterna?5 1 17 Respondeu-lhe Jesus: Por que me per­ guntas acerca do que é bom? Bom só existe um. Se queres, porém, entrar na vida, guarda jOSmandamentos. 18 E ele lhe perguntou: Quais? Respondeu Jesus: Não matarás1, não adulterarás“, não furtarásv, não dirás falso testemunho*; 19 honra a teu pai e a tua mãe* e amarás o teu próximo>' como a ti mesmo. 20 Replicou-lhe o jovem: Tudo isso tenho observado; que me falta ainda? 21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.2 22 Tendo, porém, o jovem ouvido esta pa­ lavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades. rada do cônjuge. Ele raciocinou pelos princípios morais que Deus dotara o mundo ao criar o homem. A intenção de Deus não era só que as pessoas casadas ficassem juntas, mas tam­ bém que houvesse plena união do corpo e alma em amor. Jesus não proibiu o segundo casamento da parte inocente, no caso de adultério (9). 19.10-12 O ensinamento de jesus era difícil mesmo para os doze, cuja atitude baseava-se no fato de que se as condições eram tão severas, o caminho mais certo seria não casar. Nota- se que Jesus dignificou o casamento muito acima do nível então aceito, declarando ser o princípio e plano divinos, de que o casamento seja indissolúvel. Os judeus, assim como os demais orientais daquela época, tinham um conceito errôneo a respeito das mulheres, quase compradas e até consideradas como propriedade do esposo, jesus ressalta o valor da mu­ lher, iniciando uma humanização que se desenvolve até hoje. 19.12 jesus reconheceu o valor do celibato quando assumido para melhor servir a Deus. Tinha entretanto, que ser voluntá­ rio. Sua prática depende do dom de Deus que capacita a pessoa para esta vocação (1 Co 7.7). O celibato imposto por decreto não é apoiado na Bíblia. 19.13 Impusesse as mãos. O gesto de transmitir a bênção; os pais piedosos devem sempre buscar a bênção de Cristo para seus filhos. 19.15 Retirou-se dali. Jesus estava prosseguindo viagem pela Peréia, território além do Jordão, dominado por Herodes Anti­ pas. Ao longo do caminho parava em várias cidades e aldeias, realizando Sua obra. 19.16-22 Lucas descreve este jovem como um homem de posição (Lc 18.18), e Marcos menciona que, ao aproximar-se correu e ajoelhou-se (Mc 10.17). Possuindo tudo o que se podia desejar na terra, preocupava-se com a vida eterna. Não cogitara a incompatibilidade entre o mundanismo e o reino de Deus (Mt 6.33). A riqueza gera a soberba e rejeita a hu­ milde fé em Deus.
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    MATEUS 19.23 1362 Operigo das riquezas M c 10.23-31; L c 18.24-30 23 Então, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificil­ mente entrará no reino dos céus.0 24 E ainda vos digo que é mais fácil pas­ sar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. 25 Ouvindo isto, os discípulos ficaram grandemente maravilhados e disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo? 26 Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.6 27 Então, lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós?c 28 Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar6 no trono da sua glória, também yos assenta­ reis em doze tronose para julgar as doze tri­ bos de Israel. 29 E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe [ou mu­ lher], ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna/ 19.23 0Mt 13.22; 1Co 1.26; 1Tm 6.9-10 19.26 t>Gn 18.14; |r 32.17; Lc 1.37 19.27 cDt 33.9; Mc 10.28 19.28 °Mt 25.31 «•Lc22.30 19.29 fMc 10.29-30 19.30 9Mt20.16; Lc 13.30 20.8 hLv 19.13; Dt 24.15 30 Porém muitos primeiros serão últimos: e os últimoss, primeiros. A parábola dos trabalhadores na vinha O O P°r9ue 0 reino dos céus é semelhante s A I a um dono de casa que saiu de ma­ drugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha. 2 E, tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia, mandou-os para a vinha. 3 Saindo pela terceira hora, viu, na praça, outros que estavam desocupados 4 e disse-lhes: Ide vós também para a vi­ nha, e vos darei o que for justo. Eles foram. 5 Tendo saído outra vez, perto da hora sexta e da nona, procedeu da mesma forma. 6 e, saindo por volta da hora undécima, encontrou outros que estavam desocupados c perguntou-lhes: Por que estivestes aqui deso­ cupados o dia todo? 7 Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou. Então, lhes disse ele: Ide também vós para a vinha. 8 Ao cair da tarde, disse o senhor da vinha ao seu administrador: Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário6, começando pelos últi­ mos, indo até aos primeiros. 9 Vindo os da hora undécima, recebe* cada um deles um denário. • W rC m .S íO Ã _______; ___ 19.23 Dificilmente. |esus não disse que é impossível. O grande tropeço é colocar as riquezas acima da responsabili­ dade que se tem perante Deus (cf Lc 18.26,27n). Abraão, Isa- que e Jó eram homens de grandes posses, mas colocavam Deus em primeiro lugar, sendo herdeiros das promessas de Deus, às quais davam mais valor do que às riquezas materiais (Hb 11.8-21). 19.24 Camelo pelo fundo de uma agulha. O camelo era o maior animal comumente conhecido pelos judeus. Uns dizem que se refere à impossibilidade de o camelo passar pela porta pequena (ao lado do portão grande nos muros da cidade), porta essa que um homem atravessa com dificuldade (cf Mc 10.25n). • N. Hom. O perigo das riquezas: 1) Produ­ zem uma falsa segurança; 2) Algemam o homem a este mundo; 3) Tendem a criar um espírito egoísta (1 Tm 6.9,10). 19.28 Regeneração. Cf At 3.20,21 n. Doze tribos. A Bíblia ex­ plica como as dez tribos do norte (Israel) perdidas por sécu­ los, antes de Cristo, pela mistura com gentios, serão literalmente restauradas. Alguns pensam que esta frase repre­ senta a Igreja universal composta de judeus e gentios salvos (cf Ap 7.4ss). 19.29 jesus promete que, todos os que tomam parte na Sua batalha, compartilharão da Sua vitória. Em troca por tudo que sacrificam, receberão, não posses materiais, mas novas rela­ ções humanas e divinas. 19.30 Haverá surpresas, no fim. Deus não julgará pelos pa­ drões dos homens. 20.3 Na praça. A praça pública, ponto de reunião para <s que não tinham serviço, bem como operários avulsos. 20.5 Hora sexta. O dia, em Israel, estava dividido em quatra partes iguais, convencionalmente chamadas "terceira hora". 9 horas da manhã; "a sexta hora", meio-dia; "a nona hora'. 15 horas; "o pôr do Sol", 18 horas. Cada dia não era igual no verão e no inverno, por isso era raríssimo, senão difícil, especi­ ficar precisamente as horas; daí a necessidade da expressão "undécima hora", v 9, que, atualmente, num mundo de pre­ cisão mecânica, equivaleria a "cinco para as seis". Veja 14.25o para completar o quadro das horas da noite. 20.8 O salário, jesus está dando, aqui, a resposta à pergunta de Pedro, de qual seria o galardão dos que deixam tudo pare seguir a jesus (21.26-30). 20.9 Um denário. Salário diário dos soldados do Império Ro­ mano, portanto um "salário mínimo". O fato de os últimos receberem em primeiro lugar mostra que os judeus, os pn- meiros a receber a chamada divina, não seriam os primeiros a receber o galardão final, pois a salvação não vem da herança racial, nem humana, mas da generosidade e graça divinas (15). Do mesmo modo, a salvação, em si, é algo tão precioso, que não existe salvação de primeira classe, distinta de alguma outra classe inferior de salvação. Ninguém tem o direito de reclamar contra Deus. Ele é soberano em todas as suas deo-
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    10 Ao chegaremos primeiros, pensaram que receberiam mais; porém também estes receberam um denário cada um. 11 Mas, tendo-o recebido, murmuravam contra o dono da casa, 12 dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia. 13 Mas o proprietário, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? 14 Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. 15 Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?' 16 Assim, os últimos serão primeiros/, e os primeiros serão últimos [porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos]. Jesus ainda outra vezprediz sua morte e ressurreição l M c 1 0.32 -3 4; L c 18.31-33 17 Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze e, em caminho, lhes disse:* 18 Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte.' 19 E o entregarão aos gentios para ser es­ carnecido, açoitado e crucificado; mas, ao ter­ ceiro dia, ressurgirá."1 O pedido da mãe de Tiago e João M c 10.35-45 20 Então, se chegou a ele a mulher de 1363 Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pe­ diu-lhe um favor." 21 Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda.0 22 Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.p 23 Então, lhes disse: Bebereis o meu cá­ lice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai.9 24 Ora, ouvindo isto os dez, indignaram- se contra os dois irmãos/ 25 Então, Jesus, chamando-os, disse: Sa­ beis que os governadores dos povos os domi­ nam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. 26 Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tomar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;5 27 e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo;' 28 tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos." A cura de dois cegos de Jerico M c 1 0.46-52; L c 18.35-43 29 Saindo eles de Jerico, uma grande mul­ tidão o acompanhava.1 ' 30 E eis que dois cegos, assentados à beira do caminho, tendo ouvido que Jesus passava, clamaram: Senhor, Filho de Davi, tem com­ paixão de nós!1 " 31 Mas a multidão os repreendia para que MATEUS 20.31 20.15 'Dt 15.9; Mt 6.23 20.16 /Mt 19.30; Mc 10.31; Lc 13.30 20.17 LMc 10.32; Jo 12.12 20.18 'Mt 16.21 20.19 ">Mt27.2; Lc 23.1; At 3.13 20.20 "Mt 4.21 20.21 °Mt 19.28 20.22 pMt 26.39; Mc 14.36; |o 18.11 20.23 RMt 25.34; Rm8.17; 2Co 1.7 20.24 rMc 10.41 20.26 iMt 23.11; 1Pe 5.3 20.27 t(26-27) Mt 23.11; Mc 9.35 20.28 u(24-28) Lc 22.24-27 20.29 VMc 10.46 20.30 »Mt 9.27 sões. Tudo depende de Deus, e não de força ou obra hu­ mana (16). 20.17 Estando jesus para subir a Ierusalém. Em continuação à viagem encetada desde que |esus deixou a Caliléia (19.1 n). É a terceira vez que Jesus avisa os discípulos da Sua morte (cf 17.22n). 20.20 A mulher de Zebedeu. Quando compararmos 27.56 com Mc 15.40 e Jo 19.25, chegamos à conclusão que seu nome era Salomé, e que era irmã de Maria, mãe de Jesus, Tiago e João seriam, então, primos de Jesus. 20.20-28 O pedido foi feito pela mãe com os filhos (Marcos menciona os filhos, Mc 10.35) e era contra eles que os discí­ pulos se indignaram (24). O pedido ambicioso revelou um conceito político do Reino de Deus e um desejo que não se condiz com o espírito da fé cristã. • N. Hom. Os grandes no reino de Deus: 1) Dos ambiciosos, Jesus exige sofrimento leal até a morte; 2) Dos orgulhosos, exige o serviço mais humilde; 3) Dos grandes, exige submissão, como de um servo (lit "es­ cravo"), aos outros (Ef 5.21). A chave do comportamento ideal é a atitude do próprio Cristo (28). 20.28 Em resgate por muitos. O grego lutron significa "preço de libertação", o dinheiro pago em prol de um escravo para que este possa sair livre. A vida de Cristo foi oferecida para pagar a dívida do nosso pecado, para nos libertar e justificar (2 Co 5.21). É o sacrifício de Cristo que nos salva (Is 53.6), e não o martírio dos homens, muito embora, como Tiago, mor­ ram em prol do evangelho (At 12.2). 20.29-34 Somente Mateus nos informa que Jesus curou dois cegos, curando talvez um deles quando saía da velha Jerico, e o outro quando entrava na nova Jerico (cf Mc 10.46 com Lc 18.35n).
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    MATEUS 20.32 1364 secalassem; eles, porém, gritavam cada vez mais: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós! 32 Então, parando Jesus, chamou-os e perguntou: Que quereis que eu vos faça? 33 Responderam: Senhor, que se nos abram os olhos, 34 Condoído, Jesus tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista e o foram seguindo. 21.1 *Zc 14.4; Lc 19.29 21.5 vZc 9.9 21.6 ^Mc 11.4 21.7 °2Rs 9.13 A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém Mc 11.1-11; Lc 19.28-40; Jo 12.12-15 ^ 1 Quando se aproximaram de Jerusa- zd- I lém e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes:* 2 Ide à aldeia que aí está diante de vós e logo achareis presa uma jumenta e, com ela, um jumentinho. Desprendei-a e trazei-mos. 3 E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei-lhe que o Senhor precisa deles. E logo os enviará. 4 Ora, isto aconteceu para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta: 5 Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga.)' 6 Indo os discípulos e tendo feito como Jesus lhes ordenara,2 7 trouxeram a jumenta e o jumentinho. Então, puseram em cima deles as suas vestes, e sobre elas Jesus montou.0 21.8 9Lv 23.40 21.9 cS1118.25-26 21.10 OMc 11.15; Jo2.13,15 21.11 *Mt2.23; Jo 6.14 21.12 fDt 14.25; Lc 19.45 21.13 9Is 56.7 9Jr 7.11 8 E a maior parte da multidão estendeu as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, espalhando-os pela estrada.b 9 E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam: Hosanac ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas! 10 E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, e perguntavam: Quem é este?d 11 E as multidões clamavam: Este é o pro­ feta Jesus, de Nazaré da Galiléia!" A purificação do templo Mc 11.15-17; Lc 19.45-46 12 Tendo Jesus entrado no templo, expul­ sou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas/ 13 E disse-lhes; Está escrito: A minha casa será chamada casa de ora­ ção?; vós, porém, a transformais em covil de salteadoresh. Jesus efetua curas no templo 14 Vieram a ele, no templo, cegos e co­ xos, e ele os curou. 15 Mas, vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe: 16 Ouves o que estes estão dizendo? Res­ pondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: 20.32 Que quereis. Jesus convida-nos a especificar nossos pedidos. 21.1 Betfagé. Significa "Casa do Figo", cf Lc 19.29n. Começa aqui o relatório da última semana da vida humana de Jesus. 21.2 Um jumentinho. A compaixão de Jesus não permitia que o filhote fosse apartado de sua mãe, a jumenta, que passaria a tomar parte da procissão. Não é aceitável, porém, a suges­ tão de que Mateus tenha escrito intencionalmente o v 5, como uma alusão a dois animais. 21.3 O Senhor. Para os discípulos, era um título divino (9.28n). Depois da confissão de Pedro (16.18), Jesus o empre­ gou como tal. 21.5 A aplicação da profecia mostra que Jesus foi identificado como o Rei-Messias prometido; o povo compreendeu os acontecimentos dessa maneira. 21.9 Hosana. Cr hõsanna, que translitera o tíeb hôshi' â nã', "salva, por favor", que por fim veio a ser uma simples expres­ são do júbilo rejigioso. 21.10 Cm jerusalém. Naquela tarde, Jesus, olhando ao redor, retirou-se e foi pernoitar em Betânia (Mc 11.11). 21.12 Na manhã de segunda-feira (Mc 11.12), Jesus conti­ nua a obra da moralização do templo, que havia dado início ao Seu ministério em Jerusalém, três anos antes (Jo 2.14). A profanação passou a invadir novamente o recinto sagrado. Era necessário haver certa transação financeira para se pode­ rem vender sacrifícios e cambiar moedas do templo com os que vinham de longe. Não era, porém, correto ocupar o re­ cinto inteiro com extorsionários que roubavam o dinheiro dos peregrinos. O culto estava tornando-se apenas uma desculpa para o comércio fraudulento: a venda dos animais cultual­ mente aceitáveis se realizava a preços bastante elevados. As moedas estrangeiras não eram aceitáveis nas urnas (caixa das ofertas), por serem cunhadas com imagens do imperador (que era tido por um deus) ou de várias divindades. 21.14-17 No templo, muitos foram curados, e os sacerdotes ficaram indignados ao presenciar os milagres que Jesus ope­ rava e as aclamações que recebia até mesmo de crianças. Se os sacerdotes imaginaram que as crianças eram treinadas para isto, foram rebatidos por Jesus, que mostrou ser, o lou­ vor dos pequenos inocentes, o mais puro, pois que Deus os ilumina.
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    1365 MATEUS 21.33 Daboca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor'? 17 E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, onde pernoitou.! 21.16'Si 8.2 21.17 i Mc 11.11 A figueira semfruto M c 11.12-14,20-24 18 Cedo de manhã, ao voltar para a ci­ dade, teve fome;*1 19 e, vendo uma figueira à beira do cami­ nho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediata­ mente.1 20 Vendo isto os discípulos, admiraram- se e exclamaram: Como secou depressa a fi­ gueira! m 21 Jesus, porém, lhes respondeu: Em ver­ dade vos digo que, se tiverdes fén e não duvi­ dardes, não somente fareis o que foi feito à figueira, mas até mesmo, se a este monte dis­ serdes: Ergue-te e lança-te no mar, tal su­ cederá; 22 e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis.0 21.18 kMc 11.12 21.19 'Mc 11.13 21.20 mMc 11.20 21.21 "Mt 17.20; 1Co 13.2 21.22 oMt 7.7; Lc 11.9; 1|o 3.22 21.23 pÊx 2.14; U 20.1 A autoridade de Jesus e o batismo de João M c 11.27-33; L c 2 0 .1 -8 23 Tendo Jesus chegado ao templo, es­ tando já ensinando, acercaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, perguntando: Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te deu essa autoridade?? 24 E Jesus lhes respondeu: Eu também vos farei uma pergunta; se me responderdes, 21.26 gMt 14.5; Lc 20.6 21.31 'Lc 7.29 21.32 "Lc 3.12; 7.29-30 também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 25 Donde era o batismo de João, do céu ou dos homens? E discorriam entre si: Se dissermos: do céu, ele nos dirá: Então, por que não acreditastes nele? 26 E, se dissermos: dos homens, é para temer o povo, porque todos consideram João como profeta. 9 27 Então, responderam a Jesus: Não sabe­ mos. E ele, por sua vez: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas. A parábola dos doisfilhos 28 E que vos parecei Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha. 29 Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. 30 Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. 31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e mere­ trizes vos precedem no reino de Deus/ 32 Porque João veio a vós outros no cami­ nho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanoss e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arre­ pendestes, afinal, para acreditardes nele. A parábola dos lavradores maus M c 1 2.1-1 2 ; L c 2 0.9-19 33 Atentai noutra parábola. Havia um ho- 21.18 Aqui, o incidente da figueira é narrado de uma só vez (cf Mc 11.12,20). Segundo o Talmude, a figueira costumava produzir figos duas vezes ao ano, sendo a primeira colheita feita em abril. O incidente é uma ilustração dramática: 1) Da maldição que cai sobre a hipocrisia (a aparência sem resul­ tado, as folhas sem os frutos que, no caso da figueira, viriam antes); e 2) Do poder da oração da fé. A figueira, aqui, simbo­ liza a Israel, que tem a aparência, a tradição e o estofo religio­ sos, mas ao rejeitar seu Messias, será amaldiçoada. 21.23-27 Jesus recusa este tipo de pergunta que não é feita com humildade e fé, mas como em um desafio, pois tinha, já, feito tudo para revelar a presença do Reino de Deus entre os homens. Uma revelação mais dramática não produziria a con­ versão, mas só a obediência provocada pelo terror. Jesus passa a vencer os sacerdotes com o mesmo tipo de lógica que estes praticavam. 21.25 A pergunta foi feita a |esus com o intuito de provocá- lo a declarar que era o próprio Messias (e os sacerdotes pode­ riam, então, prendê-IO e entregá-IO aos romanos), ou a negar que tivesse autoridade sobrenatural, passando, então, a perder o apoio popular, Jesus, por sua vez, os convocou a fazer uma declaração semelhante, acerca de João Batista, o que não ousaram fazer (27). Nóo acreditastes nele? João teste­ munhou claramente acerca de Jesus, declarando que era o Messias (Jo 1.32-34). 21.28-32 Vem agora a resposta parabólica de Jesus, em con­ testação à pergunta dos sacerdotes citada no v 23. A autori­ dade está com aqueles que realmente procuram e praticam a vontade de Deus, por mais ignorantes e pecaminosos que tenham sido no passado. Não está com aqueles que, apesar de terem sido estabelecidos como autoridades eclesiásticas, rejeitam a mensagem de Deus, o evangelho do Reino. 21.33 Noutra parábola. Cf Lc 20.9-16n. Jesus continua apre­ sentando, por parábola, Seu direito em responder à pergunta dos sacerdotes no v 23. • N. Hom. "Os maus lavradores" revela: 1) Acerca de Deus: a) Sua confiança nos homens; b) Sua paciência; c) Seu julgamento; 2) Acerca dos homens: a) seu privilégio; b) sua liberdade de ação; c) sua responsabi-
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    MATEUS 21.34 1366 mem,dono de casa, que plantou uma vinha'. Cercou-a de uma sebe, construiu nela um la­ gar, edificou-lhe uma torre e arrendou-a a uns lavradores. Depois, se ausentou do país. 34 Ao tempo da colheita, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os frutos que lhe tocavam." 35 E os lavradores, agarrando os servos, espancaram a um, mataram a outro e a outro apedrejaram.1 ' 36 Enviou ainda outros servos em maior número; e trataram-nos da mesma sorte. 37 E, por último, enviou-lhes o seu pró­ prio filho, dizendo: A meu filho respeitarão. 38 Mas os lavradores, vendo o filho, dis­ seram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo e apoderemo-nos da sua he­ rança. w 39 E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e o mataram.* 40 Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? 41 Responderam-lhe: Fará perecer horri­ velmente a estes malvados e arrendará a vinha a outros lavradores que lhe remetam os frutos nos seus devidos tempos,y 42 Perguntou-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angu­ lar; isto procede do Senhor e é maravi­ lhoso aos nossos olhos*? 21.33 M s5.1-2 21.34 “ Ct 8.11-12 21.35 *'20 24.21; Mt 5.12; ITs 2.15; Hb 11.36-37 21.38 »SI 2.2; Mt 26.3; At 4.27 21.39 *Mt 26.50; U 22.54; At 2.23 21.41 vLc 20.16; Rm9.1-33 21.42 *S1118.22-23 21.43 °Mt 8.12 21.44 6Is 8.14-15; 2c 12.3; Rm 9.33; IPe 2.8 21.46 cMt 21.11; |o 7.40 22.1 “ Lc 14.16 22.4 ePv 9.2 43 Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos.“ 44 Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.b 45 Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas parábolas, entenderam que era a respeito deles que Jesus falava; 46 e, conquanto buscassem prendê-lo, te­ meram as multidões, porque estas o conside­ ravam como profeta.c A parábola das bodas ^ De novo, entrou Jesus a falar por pa­ rábolas, dizendo-lhes:d 2 O reino dos céus é semelhante a um lã que celebrou as bodas de seu filho. 3 Então, enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; mas estes não quiseram vir. 4 Enviou ainda outros servos, com esta ordem: Dizei aos convidados: Eis que já pre­ parei o meu banquete; os meus bois e cevados já foram abatidos, e tudo está pronto; vinde para as bodas.* 5 Eles, porém, não se importaram e se fo­ ram, um para o seu campo, outro para o se» negócio; 6 e os outros, agarrando os servos, os mal­ trataram e mataram. 7 O rei ficou irado e, enviando as suas lidade; d) seu pecado egoísta; 3) Acerca de Cristo: a) Seu di­ reito; b) Seu sacrifício consciente e voluntário. 21.34 Colheita. Simboliza o fruto da fé, virtudes religiosas. 21.35 Os judeus sempre perseguiam os profetas que fossem requerer da mão deles, um comportamento moral e espiritual perante Deus. 21.38 Sua herança. Seria loucura que os mordomos de uma vinha pudessem imaginar que, ao assassinar o herdeiro da mesma, pudessem passar a possuí-la. Esta, porém, ainda seria maior loucura, a dos sacerdotes que agiam como se a crucifi­ cação do Filho de Deus lhes deixaria a herança de Israel por conta deles. 21.41 Os judeus que não quisessem aceitar a verdadeira mensagem de Deus, ficariam sem herança espiritual. (Note a destruição do Templo e Jerusalém em 70 d .C ). A igreja redi­ mida passa a ganhar a herança do povo de Deus. 21.42-44 Jesus é a pedra fundamental para os que confes­ sam o Seu nome, e edificam suas vidas nEle, passando então a fazer parte do edifício de Cristo, pedras vivas da Igreja (cf 16.18n; At 4.11 n); para quem se recusa crer em Cristo, Ele deixa de ser a pedra que alicerça esta vida. Toma-se-lhe pe­ dra de tropeço e condenação no julgamento (Is 8.14-15; Lc20.17n; Rm 9.32; 1 Pe2.8). Mais tarde, Pedro mostrou que Cristo era a sua pedra fundamentai para operar milagres, pedra de cuja aceitação depende a salvação de cada u » (At 4.11-12). 21.46 Temeram. Tinham medo de um tumulto e da opinião pública. 22.2 Reino dos céus. Outras parábolas do Reino constam no cap 13. 22.2-14 A proclamação do evangelho é como um comnle insistente a uma festa maravilhosa. Ainda assim há pessoa que o rejeitam. 22.6 Mataram. Lucas narra uma parábola semelhante, em que compara o evangelho a uma festa (Lc 14.15-24); con­ sulte as notas nesse trecho. Parece que jesus repetiu a pam- bola, agora em circunstâncias mais urgentes, e adicionou este pormenor para ensinar aos fariseus qual era a atitude deles, e qual seria seu fim por causa disso. Profetiza-se também a perseguição dos cristãos. 22.7 Os inimigos declarados do evangelho serão extermina­ dos. Pode ser uma predição especifica a respeito da destnã- ção de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C. Depois vem o julgamento final. Os inimigos disfarçados, aqueles que parto-
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    1367 MATEUS 22.28 tropas,exterminou aqueles assassinos e lhes incendiou a cidade/ 8 Então, disse aos seus servos: Está pronta a festa, mas os convidados não eram dignos.9 9 Ide, pois, para as encruzilhadas dos ca­ minhos e convidai para as bodas a quantos encontrardes. 10 E, saindo aqueles servos pelas estradas, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala do banquete ficou repleta de convidados/ 11 Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial' 12 e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. 13 Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes/. 14 Porque muitos são chamados, mas pou­ cos, escolhidos/ 22.7 'Dn 9.26 22.8 9Mt 10.11; At 13.46 22.10 6Mt 13.38 22.11 '2Co 5.3; Cl 3.10,12 22.13/Mt 8.12; 25.30 22.14 *Mt 20.16 A questão do tributo M c 1 2.13-17; L c 2 0.20-26 22.15 'Mc 12.13 15 Então, retirando-se os fariseus, consul­ taram entre si como o surpreenderiam em al­ guma palavra/ 16 E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens. 22.21 mMt 17.25 22.23 "At 23.8 22.24 oDt 25.5 17 Dize-nos, pois: que te parece? É lícito pagar tributo a César ou não? 18 Jesus, porém, conhecendo-lhes a malí­ cia, respondeu: Por que me experimentais, hi­ pócritas? 19 Mostrai-me a moeda do tributo. Trou­ xeram-lhe um denário. 20 E ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição? 21 Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.m 22 Ouvindo isto, se admiraram e, dei­ xando-o, foram-se. Os saduceus e a ressurreição M c 12.18-27; L c 20.27-40 23 Naquele dia, aproximaram-se dele al­ guns saduceus, que dizem não haver ressur­ reição", e lhe perguntaram: 24 Mestre, Moisés disse: Se alguém morrer, não tendo filhos, seu irmão casará com a viúva e suscitará descendência ao falecido0. 25 Ora, havia entre nós sete irmãos. O primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; " 26 o mesmo sucedeu com o segundo, com o terceiro, até ao sétimo; 27 depois de todos eles, morreu também a mulher. 28 Portanto, na ressurreição, de qual dos pam das atividades evangélicas sem a verdadeira conversão, também perecerão. 22.11 Veste nupcial. Simboliza a justificação com a qual Cristo reveste as pessoas que aceitam o dom gratuito da sal­ vação (Rm 13.14; Ap 19.8). 22.15 Retirando-se os fariseus. Ao responder ao desafio lan­ çado pelos fariseus, |esus tinha demonstrado Sua autoridade divina, desmascarando os fariseus como inimigos de Deus (21.23-22; 14); estes retiraram-se derrotados do debate. 22.16 Herodianos. Dificilmente podiam trabalhar com os fari­ seus, pois os partidários de Herpdes pouco se interessaram pela Lei. Como os fariseus, entretanto, queriam a indepen­ dência civil e religiosa (Mc 3.6n). Os maus colaboram contra o Sumo Bem. 22.17 Se Jesus dissesse "É licito pagar tributo a César", seria considerado traidor do povo. Se dissesse "não", então isto seria o suficiente para que os herodianos começassem a que­ rer entregar Jesus aos romanos. 22.21 A resposta de Jesus vai diretamente para princípios; César tem direito aos impostos porque o próprio Deus o deu (Rm 13.1 -7 ). Os governos deste mundo sustentam-se com dinheiro colhido de impostos. O governo espiritual desen­ volve-se com a moeda eterna: amor, bondade, benignidade, fé (veja notas sobre Lc 20.20,24,25). • N. Hom. O reino dos céus não é deste mundo. Pertence a uma ordem de coisas toda espiritual, que não entra em conflito com os poderes terrestres naquilo que têm de legítimo. No tributo pago às autoridades cívicas, apenas se lhes retribui algo daquilo que oferecem. 22.23 Saduceus. O partido aristocrático que dominava a polí­ tica dos judeus, inclusive a posição do sumo sacerdote. Não acreditavam nem em ressurreição, nem em anjos, nem na imortalidade da alma; nisto diferiam dos fariseus. Agora vi­ nham copiosamente lançar contra Jesus sua dúvida predileta. 22.24-32 Os saduceus quiseram zombar da ressurreição. Aceitando apenas o Pentateuco como autoridade, recorriam à Lei do levirato (Dt 25.5), presumindo que seria aplicada nos céus. Jesus dá a sua resposta dentro dos moldes do Penta­ teuco, tirando conclusões claras (Lc 20.28n).
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    MATEUS 22.29 1368 seteserá ela esposa? Porque todos a despo­ saram. 29 Respondeu-lhes Jesus: Errais, não co­ nhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.P 30 Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu.9 31 E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: 32 Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacór? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. 33 Ouvindo isto, as multidões se maravi­ lhavam da sua doutrina,s O grande mandamento M c 12.28-31 34 Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em con­ selho.1 35 E um deles, Intérprete da Lei, experi­ mentando-o, lhe perguntou:" 36 Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? 37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento*. 38 Este é o grande e primeiro manda­ mento. 39 O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo1 *. 40 Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.* 22.29 p)0 20.9 22.30 91)0 3.2 22.32 rÊx 3.6 22.33 sMt 7.28 22.34 tMc 12.28 22.35 ufc 10.25 22.37 >'Dt 6.5 22.39 »Lv 19.18 22.40 *(34-40) Lc 10.25-28 22.41 rMc 12.35 22.44ZS1110.1 22.46 aMc 12.34 23.2 *Ne 8.4; Ml 2.7; Lc 20.45 23.3 cRm 2.19 23.4 "Lc 11.46; Cl 6.13 23.5 *Mt 6.1 O Cristo, Filho de Davi M c 12.35-37; L c 20.41-44 41 Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: y 42 Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. 43 Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: 44 Disse o Senhor ao meu Senhor: As­ senta-te à minha direita, até que eu po­ nha os teus inimigos debaixo dos teus pés?2 45 Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? 46 E ninguém lhe podia responder pala­ vra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas." Jesus censura os escribas e osfariseus M c 12.38-40; L c 11.37-52; 20.45-47 0 Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos: 2 Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus.b 3 Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem.c 4 Atam fardos pesados [e difíceis de carre­ gar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo que­ rem movê-los.d 5 Praticam, porém, todas as suas obras* com o fim de serem vistos dos homens; pois 22.34-36 Os fariseus voltam agora à tona com sua dúvida predileta. Haviam abstraído do AT 248 preceitos afirmativos (em número idêntico ao total dos membros do corpo se­ gundo a enumeração dos judeus) e 365 negativos (cf dias do ano). A soma é igual a um total de 613 (o número de letras do Decálogo), e sempre debatiam a prioridade entre eles. 22.40 Mais uma vez, )esus abandonou a dialética de racioci­ nar dos fariseus e saduceus, para chegar diretamente a princí­ pios fundamentais, espirituais e eternos. Assim foi com a pergunta sobre a autoridade, com a questão do tributo e no assunto da ressurreição (21.23— 22.33). 22.41-45 Agora é Jesus quê levanta perguntas. Os fariseus tinham estudado muito sobre a natureza do Messias, mas só se demoravam nas esperanças que sugeriam que o Messias seria um rei com poderes divinos para conceder a Israel toda a riqueza e poder que se podia desejar. Conheciam o Messias como o Filho de Davi, mas não o Senhor de Davi, nem Seu domínio espiritual em amor e mansidão (Lc 20.42-44n). 22.46 Jesus era vitorioso na razão, no direito, na lei, na lógica e no bom senso, mas na prática, no plano físico, os inimigos o mataram. 23.2 Cadeira de Moisés. A autoridade legislativa que era de Moisés. • N. Hom. 23.3 Não os imiteis nas suas obras. 1) Não pra­ ticam o que pregam; 2) Dificultam a prática da Lei (4); 3) Fazem tudo para produzir falsas aparências (5); 4) Buscam a primazia nas sinagogas (6); 5) Fazem questão de ser lison­ jeados (7); 6) Procuram hònra e glória (8,10). 23.5 Filactérios. Eram cápsulas, ou rolos de couro, que os ju­ deus usavam na testa, perto do coração, e no braço es­ querdo. Continham quatro passagens bíblicas: Êx 13.1-10, e 11 -16; Dt 6.4-9; 11.13-21. A cápsula usada na testa tinha quatro compartimentos com um destes textos gravado em pergaminho em cada compartimento. A cápsula que se usava no braço continha um único pergaminho com os quatro tex­ tos juntos. Honravam-se as cápsulas tanto quanto as próprias Escrituras (imaginava-se que o próprio Deus usava filactérios), e seu tamanho era considerado como um sinal de zelo de
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    1369 alargam os seusfilactérios' e alongam as suas franjas®. 6 Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas,h 7 as saudações nas praças e o serem cha­ mados mestres pelos homens. 8 Vós, porém, não sereis chamados mes­ tres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos.' 9 A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus./ 10 Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. 11 Mas o maior* dentre vós será vosso servo. 12 Quem a si mesmo se exaltar' será hu­ milhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado. 23.5 'Dt 6.8 9Nm 15.38 23.6 AMc 12.38-39; 3)0 1.9 23.8'2Co 1.24; 1Pe 5.3 23.9/MM.6 23.11 *Mt 20.26-27; Mc 9.35; 10.43-44; Lc 22.26 23.12 'Lc 14.11; 18.14 23.13 ">Lc 11.52 23.14 "Mc 12.40; 2Tm 3.6; Tt 1.11 Várias advertências de Jesus 13 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­ tas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!m 14 [Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­ tas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo!]" 15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­ tas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tomais filho do inferno duas vezes mais do que vós! 16 Ai de vós, guias cegos, que dizeis; Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas, 23.16 oMt 5.33-34 23.17 pÊx 30.29 23.19 4Êx 29.37 23.21 "1Rs 8.13; 2Cr 6.2 23.22 Us 66.1; Mt 5.34 23.23 'Lv 27.30 23.25 "Mc 7.4 23.27 "At 23.3 se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou!0 17 Insensatos e cegos! Pois qual é maior; o ouro ou o santuário que santifica o ouro?P 18 E dizeis: Quem jurar pelo altar, isso é nada; quem, porém, jurar pela oferta que está sobre o altar fica obrigado pelo que jurou. 19 Cegos! Pois qual é maior; a oferta ou o altar que santifica a oferta?9 20 Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo o que sobre ele está. 21 Quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita/ 22 e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus5 e por aquele que no trono está sentado. 23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­ tas, porque dais o dízimo' da hortelã, do en­ dro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei; a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! 24 Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo! 25 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­ tas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança!" 26 Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fi­ que limpo! 27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­ tas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiadosv, que, por fora, se mostram belos, MATEUS 23.27 quem o usava. Também eram considerados como amuletos para evitar o mal. Franjas. São as borlas descritas em Nm 15.37-41, usadas de maneira singular, como lembrete visível da profissão religiosa dos judeus e que também jesus usava (cf Mt 9.20 onde se traduz por "orla"). Os fariseus de­ senvolveram esse costume até sobrecarregá-lo de minúcias, esquecendo-se porém da sua singela mensagem espiritual. • N. Hom. 23.13-31 "Ai" é uma exclamação de jesus, pro­ funda, penetrante e enérgica, que parte do coração do Mestre contra a hipocrisia dos fariseus e escribas. São oito, aqui; 1) O ai contra a impenitência dos fariseus (13); 2) O ai contra a avareza dos fariseus (14); 3) O ai contra o zelo cego dos fariseus em conseguir adeptos (15); 4) O ai contra os jura­ mentos levianos dos fariseus que invalidavam a lei (16-22); 5) O ai contra o grande valor que os fariseus davam aos por­ menores legais em detrimento dos valores reais (23-24); 6) O ai contra a aparência exterior ostentada pelos fariseus (25-26); 7) Idem (27-28); 8) O ai contra a veneração hipó­ crita que os fariseus tinham para com os profetas (29-36). 23.23 Hortelã. Usada para cobrir o chão nas casas e sinago­ gas, e como especiaria. Endro. Planta medicinal perfumada. Cominho. Sementes de erva doce, de vários usos culinários. As três hortaliças teriam algum valor comercial, mas o dízimo obtido seria o mínimo. Os fariseus, ao se mostrarem zelosos nos pormenores, pensaram que podiam esconder, de si mes­ mos e de Deus, o fato de não estarem à altura da verdadeira religião. 23.24 Os insetos eram cerimoniálmente imundos. Mas um camelo também o era, e ainda, o maior animal imundo co­ nhecido por eles. Este versículo, cujo sentido figurado salienta a prática de deixar passar grandes erros enquanto se evitavam os pequenos. 23.27 Sepulcros caiados. Simples túmulos no chão eram caia­ dos na época da vinda dos peregrinos, por ocasião da Páscoa, para que os estranhos não pisassem neles, tornando-se, as­ sim, cerimonialmente imundos e excluídos entãò da celebra­ ção religiosa. Era justamente naquela época do ano que jesus estava falando.
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    MATEUS 23.28 1370 masinteriormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! 28 Assim também vós exteriormente pare­ ceis justos aos homens, mas, por dentro, es­ tais cheios de hipocrisia e de iniqüidade. 29 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócri­ tas, porque edificais os sepulcros dos profe­ tas, adornais os túmulos dos justos*' 30 e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúm­ plices no sangue dos profetas! 31 Assim, contra vós mesmos, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.* 32 Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.z 33 Serpentes, raça de víboras2! Como es­ capareis da condenação do inferno? 34 Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucifica­ reis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade;0 35 para que sobre vós recaia todo o san­ gue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel6 até ao sangue de Zaca­ rias0, filho de Baraquias, a quem matastes entre o santuário e o altar. 36 Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração. O lamento sobre Jerusalém Lc 13.34-35 37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos de­ baixo das asas, e vós não o quisestes!0 23.29 »4x11.47 23.31 "At 7.51-52; lTs 2.15 23.32 /Gn 15.16; lTs 2.16 23.33 ^Mt 3.7; Lc 3.7 23.34 °Mt 10.17; At 5.40; 2Co 11.24-25 23.35 6Gn 4.8 c2Cr 24.20-21 23.37 °Dt 32.11-12; 2Cr 24.21; Lc 13.34 23.39 ‘ S1118.26 24.1 fMc 13.1 24.2g1Rs 9.7; Mq 3.12 24.3 6Mc 13.3; ITs 5.1 24.4 < Ef5.6; 2Ts 2.3; 1Jo 4.1 24.5/jr 14.14; Jo 5.43 24.7 *2Cr 15.6; Ag 2.22 38 Eis que a vossa casa vos ficará deserta. 39 Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor0! O sermão profético A destruição do templo , M c 1 3 .1 -2 ; L c 2 1 .5 -6 O A Tendo Jesus saído do templo, ia-se i retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo/ 2 Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não, ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.9 0 princípio das dores M c 1 3 .3 -1 3 ; L c 2 1.7-19 3 No monte das Oliveiras, achava-se Je­ sus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século.h 4 E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane.1 __________ , 5 Porque virão muitos em meu nome, di­ zendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos./ 1 b b., certamérite, oüvireislalar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. 7 Porquanto se levantará nação contra na­ ção, reino contra reino, e haverá fomes e ter­ remotos em vários lugares;* 23.35 A té.. . Zacarias. Se é o Zacarias cujo livra consta na Bíblia, então é só aqui que se registra seu martírio. Se é o Zacarias mencionado em 2 Cr 24.17-22, então historica­ mente não seria o último caso de perseguição contra os pro­ fetas, pois a data do assassinato é 796 a .C ; Jesus pode ter citado Zacarias como o último registrado nas Escrituras (pois na Bíblia hebraica os livros das Crônicas constam por último). 23.37 lerusaiém. Reconhecimento pleno da rejeição dos ju­ deus (cf Jo 1.11). Deus fez tudo para Seu povo, mas este re­ jeitou a Jesus. 23.38 Vossa casa. A cidade e a nação seriam assoladas em 70 d.C. 23.39 A salvação dos judeus não tem outro caminho senão a confissão do Senhor Jesus Cristo, reconhecendo-o como Sal­ vador e Filho de Deus. Os líderes religiosos terão de participar do júbilo das multidões, descrito em 21.9, e não confiar na sua própria religiosidade. 24.1 Depois desta luta, Jesus, saindo do templo, revela aos discípulos que de nada adiantou a bela construção se o tem­ plo era um lugar onde hão se buscava conhecer a Deus, me­ diante Seu Filho. 24.3-31 O fim do mundo; "a consumação do século". Os discípulos fazem indagações sobre "quando" e "que sinal ha­ verá" relativo à destruição de Jerusalém, a segunda vinda de Jesus, e o fim dó mundo. Os três assuntos pertencem um ao outro, sendo, o julgamento de Jerusalém, apenas um passo na direção da consumação final. Destacam-se os w 15-20 como conselhos para a atitude dos crentes a ser tomada na invasão de Jerusalém (70 d.C.), instruções estas que os cren­ tes seguiram à risca. A volta de Jesus marca o fim da ordem mundana. Antes disso, porém, aparecerão enganadores, fal­ sos cristos, guerras, fome e terremotos, tribulações, falsos pro­ fetas, multiplicação da iniqüidade, esfriamento do amor a Deus. Todos estes sinais apenas criam o ambiente para a ma­ nifestação do grande sinal, a pregação do evangelho até aos confins do mundo (14; cf 28.18-20). Então virá o fim.
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    1371 MATEUS 24.32 8porém tudo isto é o princípio das dores. 9 Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome.' 10 Nesse tempo, muitos hão de se escan­ dalizar, trair e odiar uns aos outros;™ 11 levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos." 12 E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos. 13 Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.0 14 E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.P A grande tribulação Mc 13.14-23; Lc 21.20-23 15 Quando, pois, virdes o abominável da desolação? de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), 16 então, os que estiverem na Judéia fu­ jam para os montes; 17 quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; 18 e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. 19 Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!'' 20 Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado; 21 porque nesse tempo haverá grande tri­ bulação5, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. 22 Não tivessem aqueles dias sido abre­ viados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados.f 24.9'Mt 10.17; Lc 21.12; At 4.2-3; IPe 4.16 24.10 mMt 11.6; 2Tm 1.15 24.11 "Mt4.5; At 20.29; 1Tm 4.1; 2Pe2.1 24.13 0Mt 10.22; Hb 3.6,14 24.14 pMt 4.23; Cl 1.6,23 24.15 íDn 9.27; 11.31; 12.11 24.19 rLc 23.29 24.21 sDn 12.1; Ap 7.14 24.22 M s 65.8-9 24.23 "Mc 13.21 24.24''Dt 13.1; |o 6.37; 2Ts 2.9-11; 2Tm 2.19; Ap 13.13 24.27 "Lc 17.24 24.28 *|ó 29.30 24.29 Vis 13.10; Ez 32.7; Jl 2.31; Ap 6.12-13 24.30 zDn 7.13; Ap 1.7 24.31 °Mt 13.41; 1Co 15.52; U s4.16 24.32 6Lc 21.29 23 Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;" 24 porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.v 25 Vede que vo-lo tenho predito. 26 Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no inte­ rior da casa!, não acrediteis. 27 Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem." 28 Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres." A vinda do Filho do Homem Mc 13.24-27; Lc 21.25-28 29 Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá)', a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. 30 Então, aparecerá no céu o sinal do Fi­ lho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens* do céu, com poder e muita glória. 31 E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.0 A parábola da figueira. Exortação à vigilância Mc 13.28-37; Lc 21.29-36 32 Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão.b 24.8 O princípio das dores. Estes versículos descrevem a situa­ ção imediatamente anterior à destruição de Jerusalém e tudo isto era prelúdio aos outros acontecimentos que se desenrola­ riam no decurso da história do mundo. 24.15 O abominável da desolação. Cr bdelugma tês erémõ- seõs, referindo-se ao heb shiqquç shõmêm (Dn 12.11), que se traduz "a coisa abominável que causa espanto (ou horror)". A referência seria alguma forma horrível de idolatria como se verificou quando o rei Antíoco Epifânio erigiu um altar a Zeus no lugar do altar de )eová (1 Macabeus 1.54-59; 6.7; 2 Ma- cabeus 6.1-5) em 170 a. C. também no ano 70 d.C. os ro­ manos ofereceram sacrifícios pagãos em Jerusalém, ao proclamar Tito como imperador. Contrário às ordens de Tito, o templo passou a ser totalmente destruído conforme a des­ crição profética do v 2. 24.16 Os crentes, de fato, refugiaram-se em Pela, na região de Decápolis, mesmo quando parecia que os romanos não tomariam a cidade. 24.24 Compare com a pessoa do anticristo descrita em 2 Ts 2.9-10. 24.27-31 Apesar da pregação dos muitos falsos cristos nin­ guém deve se deixar iludir, pois na Sua segunda vinda, Jesus não virá nascer novamente como infante, no berço. O brilho da Sua presença encherá o horizonte (27 e 30). O arrebata­ mento descreve-se no v 31 (cf 1 Co 15.12; 1 Ts 4.16,17). 24.32 Assim como a figueira dá o sinal da chegada do verão, assim também estes acontecimentos devem nos preparar para a vinda de Cristo, não nos deixando apanhar de surpresa (33-42).
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    MATEUS 24.33 1372 33Assim também vós: quando virdes to­ das estas coisas, sabei que está próximo, às portas.c 34 Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.d 35 Passará o céu e a terra, porém as mi­ nhas palavras não passarão.e 36 Mas a respeito daquele dia e hora nin­ guém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai/ 37 Pois assim como foi nos dias de Noés, também será a vinda do Filho do Homem. 38 Porquanto, assim como nos dias ante­ riores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca/ 39 e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio' e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. 40 Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro/ 41 duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra. 42 Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.k . 43 Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa/ 24.33 cStg 5.9 24.34 <?M t 16.28; U 21.32 24.35 «SI 102.26; |r 31.35-36; Mc 13.31; Hbl.11 24.36 >U 14.7; At 1.7; 1Ts 5.2; 2Pe3.10 24.37 9Cn 6.5-8 24.38 *Gn 6.3-5; 1Pe 3.20 24.39 íCn 7.6-24 24.40 /Lc 17.34 24.42 *Mc 13.33 24.43 ILc 12.39; ITs 5.2; 2Pe3.10 24.44 (42-44) Lc 12.35-40. 24.45 nLc 12.42; K o 4.2; Hb 3.5 24.46 < > A p16.15 24.47 pMt 25.21; Lc 22.29 24.51 gMt8.12 25.1 'Hf 5.29-30 44 Por isso, ficai também vós apercebi­ dos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.m A parábola do bom servo e do mau L c 12.42-46 45 Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?" 46 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim.0 47 Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens.P 48 Mas, se aquele servo, sendo mau, dis­ ser consigo mesmo: Meu senhor demora-se, 49 e passar a espancar os seus companhei­ ros e a comer e beber com ébrios, 50 virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe 51 e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.“ ? A parábola das dez virgens ^ ^ Então, o reino dos céus será seme­ lhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo/ 24.34 Esta geração. Cr genea. Significa: 1) As pessoas que viviam numa certa época da história que os hebreus calcula­ vam 40 anos (lapso de tempo atribuído a cada geração). As pessoas que viviam na época de Jesus, de fato, chegaram a ver a destruição de Jerusalém, com todos os seus horrores, dentro de 40 anos; 2) Significa também "raça", "família", ou "tipo de vida". A raça dos judeus ainda existirá como nação distinta até a vinda de Cristo. 24.33-42 Ensina-se a vigilância. Consciência do que está acontecendo, esperando ansiosamente pela volta do Rei, en­ quanto se trabalha em prol do Seu Reino; cuidado tomado para que nosso ensinamento e nossa vida estejam à altura de tão grandiosas revelações. Nunca se sabe quando alguém está para ser "levado" por morte súbita, ou arrebatado quando Cristo voltar (39 e 41). Um total de seis parábolas ilustram a necessidade de haver esta atitude de vigilância: 1) O porteiro, Mc 13.35-37; 2) O pai da família, Mt 24.43-44; 3) O servo fiel, 24.45-51; 4) As dez virgens, 25.1 -13; 5) Os talentos, 25.14-30; 6) As ovelhas e os bodes, 25.31 -4 6. O vigiar, segundo se vê aqui, inclui o fiel exercício de todas as virtudes cristãs: aguardar a volta de Cristo, cum­ prindo o dever, desenvolvendo talentos e amparando os aflitos. 24.43 Jesus mostra como é óbvio e lógico, alguém se prepa­ rar para uma emergência, quando sabe a hora que esta vai surgir. Mas emergências espirituais estão dentro da alçada de Deus (36). A nossa parte é ficar em constante prontidão. 24.44 É erróneo tentar calcular uma data para a vinda de Cristo. É mais errôneo ainda negligenciar este acontecimento, deixando de prepararmo-nos. A expectativa da vinda de Cristo transforma a vida cristã, no sentido de comunicar-lhes mais urgência e vivacidade. Seria um erro aplicar estas pala­ vras somente à hora da vinda de Cristo: a atitude de vigilante fidelidade aos preceitos de Cristo sempre vale, sempre trans­ forma a vida no mundo. A parábola do bom servo e do mau ensina como o servo de Cristo deve viver (45-51). 24.51 Hipócritas. O contexto revela o hipócrita como aquele cuja vida não está à altura da sua alegada fidelidade a Cristo (cf 6.16n). 25.1-13 A parábola das dez virgens continua a mensagem de Jesus sobre a expectativa da vinda de Cristo, e sobre o estado de preparo e vigilância que se exige da parte dos cren­ tes. A mensagem é também um apelo aos israelitas para que venham a "esperar" o Noivo Eterno, a ter uma verdadeira fé em Cristo como Salvador. Na hora da vinda de Cristo, reve­ lar-se-á quais são os crentes verdadeiros que confiam em Cristo e aguardam a Sua vinda, e quais são aqueles cuja pro­ fissão religiosa não inclui a "vigilância" - a fé transformadora em Cristo. O certo é que o trecho não está ensinando que Cristo arrebatará alguns membros das igrejas e deixará para trás os demais que não estiverem preparados. Pois se "vir­ gens" significa "crentes", como é que Jesus falaria: "Não vos conheço"? Se as últimas cinco ficaram sem óleo" (o Espírito), então não eram crentes (cf 24.13; Hb 3.13,14). -
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    1373 2 Cinco dentreelas eram néscias, e cinco, prudentes.5 3 As néscias, ao tomarem as suas lâmpa­ das, não levaram azeite consigo; 4 no entanto, as prudentes, além das lâm­ padas, levaram azeite nas vasilhas. 5 E, tardando o noivo, foram todas toma­ das de sono e adormeceram/ 6 Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro!“ 7 Então, se levantaram todas aquelas vir­ gens e prepararam as suas lâmpadas.v 8 E as néscias disseram às prudentes: Dai- nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpa­ das estão-se apagando. 9 Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o. 10 E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta.1 1 ' 11 Mais tarde, chegaram as virgens nés­ cias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta!-* 12 Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos Conheço,y 13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.z 25.2 sMt 13.47 25.5 MTs 5.6 25.6 uMt 24.31; 1Ts4.16 25.7 vtc 12.35 25.10 "Lc 13.25 25.11 «Mt 7.21-23 25.12/(10-12) Lc 13.25 25.13 *Mt 24.42; Mc 13.33,35; ICo 16.13; 1Ts5.6;1Pe5.8; Ap 16.15 25.14 aMt 21.33 25.15 f>Rm12.6; ICo 12.7,11,29 A parábola dos talentos 14 Pois será como um homem que, ausen­ tando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens.0 15 A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua pró­ pria capacidade; e, então, partiu.6 16 O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. 25.21 cMt 24.34; Lc 12.44; 2Tm 2.12; 1Pe 1.8 25.23 <*M t 25.21 eMt13.12; Mc 4.25; U8.18 17 Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. 18 Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19 Depois de muito tempo, voltou o se­ nhor daqueles servos e ajustou contas com eles. 20 Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, di­ zendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. 21 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor/ 22 E, aproximando-se também o que rece­ bera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei. 23 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.6 24 Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajun­ tas onde não espalhaste, 25 receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. 26 Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? 27 Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. 28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez. 29 Porque a todo o que tem se lhe daráe, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. MATEUS 25.29 25.14-30 A parábola dos talentos emprega a palavra "ta­ lento" (peso de 30 kg de prata equivalente a 6.000 denários, no sentido de uma fé e capacidades que Deus concede aos crentes, que implicam em uma compreensão do amor de Deus revelado em Cristo e suas conseqüentes implicações. São oportunidades espirituais que nos levam à vida eterna mediante o conhecimento de Deus, se bem aproveitadas. A parábola não pode descrever um julgamento dos homens ba­ seado sobre seu uso de capacidades em geral, pois o caminho da salvação é bem diferente. É um julgamento semelhante àquele pronunciado contra a pessoa que vem à festa eterna sem se vestir da justificação em Cristo (2 2 .12 -1 4). • N. Hom. Investimentos e contas Prestadas: Notam-se estes contrastes; 1) O Senhor dá - os escravos elevados à posição de mordomos devem em tudo empenhar-se para o benefício do seu dono; 2) Dois labutam confiadamente e um escravo negligente desobedece ao seu Senhor; 3) Dois regozijam com a recomendação do Mestre e o outro recebe o julga­ mento merecido. 25.25 O servo que não fez uso do talento, agiu assim porque desconfiava de seu senhor e o odiava. Não quis arriscar-se e fazer o dom circular. Preferiu a neutralidade (Mt 5.15,16) e isentar-se da responsabilidade. 25.29 Os dons de Deus multiplicam-se se os utilizarmos, pois transformam nossas vidas, de tal maneira que ficamos em condições de receber muito mais da plenitude que nos ofe­ rece o Senhor. O amor gera mais amor, a fé gera mais fé, a obediência à Palavra de Deus produz uma fonte de virtude que vai influenciando nosso ambiente (2 Pe 1.3-7).
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    MATEUS 25.30 1374 30E o servo inútil, lançai-of para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes. O grande julgamento 31 Quando vier o Filho do Homem na sua majestade? e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glóriah; 32 e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas;1 33 e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; 34 então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! En­ trai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo./ 35 Porque tive fome, e me destes de co­ mer; tive sede, e me destes de beber; era fo­ rasteiro, e me hospedastes;* 36 estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.' 37 Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? 38 E quando te vimos forasteiro e te hos­ pedamos? Ou nu e te vestimos? 39 E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? 40 O Rei, respondendo, lhes dirá: Em ver­ dade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.m 41 Então, o Rei dirá também aos que esti- 25.30'Mt 8.12; 22.13 25.31 9Mt 16.27 6Mt 19.28 25.32 itz 20.38; Rm 14.10; 2Co 5.10 25.34 /'Mt 20.23; Rm 8.17; ICo 2.9; IPe 1.4,9; Ap 21.7 25.35 Ms 58.7; Hb 13.2; 3|o 1.5 25.36 '2Tm1.16 25.40 ropv 14.31; Mc 9.41 25.41 "SI 6.8; Lc 13.27; 2Pe 2.4 25.45 oPv 14.31; At 9.5 25.46 pDn 12.2 26.2 qMc 14.1; Jo 12.1 26.3 'SI 2.2; At 4.25 verem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos." 42 Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; 43 sendo forasteiro, não mé hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me en­ fermo e preso, não fostes ver-me. 44 E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, foras­ teiro, nu, enfermo ou preso e não te assis­ timos? 45 Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixas­ tes de fazer.0 46 E irão estes para o castigo etemoP, porém os justos, para a vida eterna. O plano para tirar a vida de Jesus M c 1 4 .1 -2 ; U 2 2 .1 -2 ; Jo 11.45-53 /T Tendo Jesus acabado todos estes en­ sinamentos, disse a seus discípulos: 2 Sabeis que, daqui a dois dias, celebrar- se-á a Páscoa; e o Filho do Homem será en­ tregue para ser crucificado.? 3 Então, os principais sacerdotes e os an­ ciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás;r 4 e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo. , 5 Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo. 25.31-46 O ]uízo Final: 1) Jesus ensinou sobre os pecados de omissão e os julgamentos que cairiam sobre os mesmos (cf Tg 4.17); 2) Ocorrerá por ocasião da segunda vinda de Jesus, que será em esplendor e majestade, acompanhada por todos os anjos; 3) Assentar-se-á como rei e juiz, em glória e poder; 4) Todos comparecerão perante Jesus; 5) Haverá sepa­ ração entre as ovelhas (os remidos do Senhor) e os cabritos (os que rejeitarem a Jesus neste mundo); 6) A base do julga­ mento: a vida frutífera em boas obras que são o sinal exterior da presença de Cristo no coração de quem sinceramente crê nEle. • N. Hom. Os juízos de Deus são descritos na Bíblia; 1) O juízo que Cristo enfrentou, ao receber nossa condena­ ção na Sua carne, pagando nossa dívida e salvando-nos, Is 53.6,8; Rm 5.9; 2 Co 5.21; 2) O juízo pelo qual cada um deve examinar-se a si mesmo, julgando se seus atos são retos perante Deus e os homens, 1 Co 11.31; 3) O juízo dentro da Igreja, a disciplina dos crentes errantes, 1 Co 5.1-5; 4) O juízo de Israel, SI 50.1-7; Ez 20.33-44; 5) O juízo dos anjos rebeldes, Jd 6; 6) O juízo das obras dos crentes, I C o 3 .10 -1 7; 2 Co 5 .9 -1 0 ; 7) O juízo dos ímpios, Ap 20.11-15; 8) A condenação de Satanás, Ap 20.10; 9) O juízo das nações, Mt 25.31-46. Ap 20.7-15 índica que ao juízo final seguirá o Milênio. 25.32 Nos campos em Israel, as ovelhas e os cabritos viviam juntos; as ovelhas tinham alto valor, e os cabritos, pouco va­ lor; veja Ez 34.17 para a metáfora do juiz como pastor. 25.46 Castigo eterno. É inútil tecer doutrinas para limitar o tempo da punição ou para alegar que, no final, todos serão salvos. A palavra "eterno", gr o/õníos, aplica-se tanto à dura­ ção da era vindoura como ao castigo após esta época. Aiõnios vem de aion, que quer dizer "era". Refere-se, então, à vida ou castigo da era vindoura, sem nada especificar sobre sua dura­ ção. É de se notar que a vida de Deus não tem fim. Teria fim o Seu castigo? 26.1 -2 jesus, tendo falado do desenrolar futuro do plano de Deus, volta Sua atenção para o passo decisivo: Sua crucifi­ cação. 26.3-5 Trata-se de uma reunião do Sinédrio (Supremo Tri­ bunal dos judeus) na época da Páscoa.
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    1375 MATEUS 26.24 Jesusungido em Betânia M c 1 4 .3 -9 ; Jo 1 2.1-8 6 Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso,s 7 aproximou-se dele uma mulher, tra­ zendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa. 8 Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício?f 9 Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar-se aos pobres. 10 Mas Jesus, sabendo disto, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo. 11 Porque os pobres“, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes; 12 pois, derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepulta- mento. 13 Em verdade vos digo: Onde for pre­ gado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memó­ ria sua. 26.8 fJo 12.4 26.11 u O ll5.ll 26.14 uMt 10.4; Lc 22.3 26.15 “'Zc 11.12 26.17 *Êx 12.1-27 Opacto da traição M c 14.10-11; L c 2 2 .3 -6 26.20 yMc 14.17-21; Jo 13.21 14 Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdo­ tes, propôs:v 15 Que me quereis dar, e eu vo-lo entre- 26.23 ^SI 41.9; Jo 13.18 garei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata.“' 16 E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para o entregar. Os discípulos preparam a Páscoa M c 14.12-16; L c 22.7-13 17 No primeiro dia da Festa dos Pães As- mos*, vieram os discípulos a Jesus e lhe per­ guntaram: Onde queres que te façamos os preparativos para comeres a Páscoa? 18 E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos. 19 E eles fizeram como Jesus lhes orde­ nara e prepararam a Páscoa. O traidor é indicado M c 14.17-21; L c 2 2.21-23; Jo 13.21-30 20 Chegada a tarde, pôs-se ele à mesa com os doze discípulos.y 21 E, enquanto comiam, declarou Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós me trairá. 22 E eles, muitíssimo contristados, come­ çaram um por um a perguntar-lhe: Porven­ tura, sou eu, Senhor? 23 E ele respondeu: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá.z 24 O Filho do Homem vai, como está es­ crito a seu respeito, mas ai daquele por inter- 26.6 Em Betânia. Aldeia que distava 3km de |erusalém. Era terça-feira à noite, que, para os judeus, seria o começo da quarta-feira, pois contavam seus dias desde o pôr do Sol. Simão. Não há base bíblica para a sugestão de que este ho­ mem era pai ou esposo de Marta ou Maria. Jo 12.2 diz que Lázaro estava presente, que Marta servia, e os w seguintes dizem que Maria ungiu a Jesus. Esta Maria não deve ser con­ fundida com a pecadora que também ungiu a Jesus, os pés de Jesus, em sinal de arrependimento (Lc 7.36-50), nem com a Madalena de quem Jesus expulsou sete demônios (Lc 8.2). A tradição tem somado as três histórias para fornecer uma nar­ rativa completa sobre Maria Madalena. História bonita mas inexata. 26.8 Aqui os discípulos são incentivados por Judas (|o 12.4), os quais se indignam por causa do custo material da homena­ gem prestada por Maria. No caso da pecadora, foram os fari­ seus que ficaram indignados porque Jesus deixou que a mulher se aproximasse dEle (Lc 7.39). 26.15 Trinta moedas. O valor legal do resgate de uma vida humana, o preço de um escravo. Se a moeda era o estáter (17.27), seria um total equivalente a 120 dias de mão-de- obra. 26.17 Pães asmas. Na época da Páscoa, celebravam-se sete dias de pães asmos (sem fermento), em memória da saída apressada do Egito, quando não se podia preparar pães para a viagem, e os israelitas levaram consigo a massa antes que levedasse (Êx 12.34). Durante esta época, removia-se qual­ quer sinal de levedura das casas, sinal de purificação da podri­ dão do pecado (cf 16.6). A duração da festa era do dia 14 de Nisã até ao dia 21 (Êx 12.18), datas que, em nosso calendá­ rio, coincidem às vezes com março, às vezes com abril, se­ gundo se observa até hoje com a data da Páscoa. 26.19 Prepararam. Imolaram o cordeiro conforme a prescri­ ção da lei (Êx 12.1-11). 26.20 A tarde. O fim da quarta-feira e o começo da quinta. Jesus ia celebrar a Páscoa com Seus discípulos com um dia de antecedência, pois no dia oficial do feriado religioso nacional da Páscoa, Ele mesmo estaria sendo retirado, morto, da Cruz, o Cordeiro de Deus imolado. 26.21-25 Jesus não era vítima involuntária, tomado de sur­ presa pelas circunstâncias. Era um sacrifício deliberadamente oferecido. Decerto que a resposta dada a Judas foi feita tão silenciosamente, que os outros discípulos não ouviram, para não impedirem a traição.
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    MATEUS 26.25 1376 médiode quem o Filho do Homem0 está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido! 25 Então, Judas, que o traía, perguntou: Acaso, sou eu, Mestre? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste. A Ceia do Senhor M c 14.22-26; L c 2 2.14-20; IC o 11.23-25 26 Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo.b 27 A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos;0 28 porque isto é o meu sangued, o sangue da [nova] aliança0, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. 29 E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai.f 30 E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.9 Pedro é avisado M c 14.27-31; L c 2 2.31-34; Jo 13.36-38 31 Então, Jesus lhes disse: Esta noite, to­ dos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersasA 32 Mas, depois da minha ressurreição', irei adiante de vós para a Galiléia. 33 Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim. 34 Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezesj 35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo. Jesus no Getsêmani M c 14.32-42; L c 22.39-46 36 Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discí­ pulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar;k 37 e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.' 38 Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.m 39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Toda­ via, não seja como eu quero, e sim como tu queres." 40 E, voltando para os discípulos, achou- os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? 41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.0 42 Tomando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. 43 E, voltando, achou-os outra vez dor­ mindo; porque os seus olhos estavam pesados. 44 Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 26.24 oSI 41.9 . 26.26 &Mc 14.22; ICo 10.16 26.27 cMc 14.23 26.28 díx 24.6-8 ejr 31.31-34 26.29 fMc 14.25; At 10.41 26.30 3Mc 14.26 26.31 t>Zc13.7 26.32 'Mt 28.16 26.34 M c 14.30; )o 13.38 26.36 kMc 14.32-35; Jo 18.1 26.37 IMt 4.21 26.38 "Mo 12.27 26.39 "Mt 20.22; Lc 22.42; Hb 5.7 26.41 oMc 13.33; Ef 6.18 26.26 Jesus ofereceu pão sem fermento e vinho comum, para sérem símbolos e representações, apenas, daquilo que Ele é para Seus seguidores e daquilo que fez em prol dos homens. A ceia deve continuar a ser celebrada como memo­ rial (Lc 22.19), até à segunda vinda de Cristo (1 Co 11.26). Todos os discípulos são convidados a participar tanto do pão como do vinho. 26.28 Aferça. A primeira aliança foi estabelecida pelo sangue aspergido de animais sacrificados (cf Hb9.19ss). A nova aliança tornou-se válida através do sangue vertido do Filho de Deus (Hb 8.7-13). 26.36-46 Um dos acontecimentos mais significativos da vida de Jesus. Demonstra a verdadeira humanidade de )esus (Hb 5.7). Levou primeiro Seus discípulos mais aconchegados para apoio e consolação. Mas a agonia final tinha de ser en- frentada por Ele sozinho em comunhão com o Pai. Instintiva­ mente, como homem, recuava perante a morte na cruz, com todas as suas humilhações e torturas. A luta e a agonia de Jesus eram intensas e reais, neste instante, inclusive a tentação de evitar a cruz. A divindade de Jesus não O protegia deste sofrimento, pois para Se encarnar, abriu mão das Suas prerro­ gativas para realmente participar de nossa vida, dos nossos sofrimentos. A vitória de Jesus foi obtida contra tentações reais, sofrimentos reais. 26.36 Getsêmani. O nome significa "lagar do azeite", situado no monte das Oliveiras, bem interpretado pelo nome "Jardim das Oliveiras". 26.39 Cálice. Não de bênção, mas de sofrimento, estendido a Jesus pelo plano estabelecido pelo próprio Deus. Isto é ser imolado em prol dos pecadores e para salvação deles.
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    1377 MATEUS 26.60 45Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. 46 Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima. Jesus é preso Mc 14.43-50; Lc 22.47-53; Jo 18.2-11 26.47 PMc 14.43; Jo 18.3 26.49 <?2Sm20.9 26.50 ^ 5 141.9 26.51 s|c 18.10 47 Falava ele ainda, e eis que chegou Ju­ das, um dos doze, e, com ele, grande turba com espadas e porretes, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo.P 48 Ora, o traidor lhes tinha dado este si­ nal: Aquele a quem eu beijar, é esse; pren­ dei-o. 49 E logo, aproximando-se de Jesus, lhe disse: Salve, Mestre! E o beijou. 9 50 Jesus, porém, lhe disse: Amigo, para que vieste? Nisto, aproximando-se eles, dei­ taram as mãos em Jesus e o prenderam/ 51 E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, sacou da espada e, golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou- lhe a orelha/ 52 Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da es­ pada à espada perecerão/ 53 Acaso, pensas que não posso rogar a 26.52 tCn 9.6 26.53 u2Rs 6.17 26.54 Zs 53.7; Lc 24.25,44,46 26.55 » lc 19.47; 21.37 26.56 *Lm 4.20; |o 18.15 26.57 yMc 14.53; (0 18.12-13,24 26.60 ^Dt 19.15; Mc 14.55 meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?" 54 Como, pois, se cumpririam as Escritu­ ras, segundo as quais assim deve suceder?1 ' 55 Naquele momento, disse Jesus às mul­ tidões: Saístes com espadas e porretes para prenderrme, como a um salteador? Todos os dias, no templo, eu me assentava [convosco] ensinando1 ", e não me prendestes. 56 Tudo isto, porém, aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram/ Jesus perante o Sinédrio Mc 14.53-65; Lc 22.63-71; Jo 18.12-14,19-24 57 E os que prenderam Jesus o levaram à casa de Caifás, o sumo sacerdote, onde se haviam reunido os escribas e os anciãos.)' 58 Mas Pedro o seguia de longe até ao pátio do sumo sacerdote e, tendo entrado, as­ sentou-se entre os serventuários, para ver o fim. 59 Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte. 60 E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando/ 26.47 judas tinha recebido uma escolta da fortaleza romana de Antônía, originalmente construída por Herodes, ao norte do templo. Veio bem equipado com armas e com lanternas (mesmo na época da lua cheia), pois temia os poderes sobre­ naturais de (esus, que aliás só tinham sido empregados para o benefício de outros e não de si mesmo. 26.49 Beijou. Gr kataphilein, "beijar com ardor ou com abra­ ços", o mesmo verbo usado com referência ao pai do filho pródigo, quando ele recebeu a este último com amor (Lc 15.20). • N. Hom. 26.50 (esus amou a (udas Iscariotes, chamando-o de amigo. Amou também os Seus colegas algozes (Lc 23.34). Amou os pecadores (Lc 15.1-2). Amou ao mundo (Jo 3.16). Este amor quer nos transformar a vida. .26.51 O evangelista (oão, escrevendo depois da morte dos protagonistas, informa que foi Pedro quem decepou a orelha de Ivlalco, servo do sumo sacerdote (Jo 18.10). Pedro mos­ trou grande coragem, na hora, mas logo passou a ter medo de uma criada (69-70). 26.53 Doze legiões de anjos. Uma legião era calculada em 6.000. O total de 12 seria 72.000 anjos. Se o Anjo feriu o Egito para libertar os israelitas, e o Anjo puniu grande parte dos habitantes de Jerusalém, na época de Davi, que não fa­ riam doze legiões (por mais simbólico, parabólico e arredon­ dado que seja esse número)? 26.56 Para que se cumprissem as escrituras. Não eram apenas algumas citações que se aplicavam como que por coincidên­ cia a Jesus, jesus deu o pleno sentido e o pleno cumprimento ao sentido total e verdadeiro da Escritura inteira. 26.57 Caifás. Jo 18.13 diz que, em primeiro lugar, Jesus foi conduzido a Anás, sogro de Caifás, devido ao fato de os ju­ deus considerarem-no sumo sacerdote, mesmo, depois de as autoridades civis terem nomeado Caifás, contrariamente à lei. 26.58 Pedro o seguia de longe. Não quis ser identificado como discípulo e, por isso, ser preso. 26.59-68 O julgamento do Sinédrio (O Supremo Concílio dos judeus, composto dos sumos sacerdotes, dos saduceus, dos fariseus e dos escribas). No caso de Jesus, a reunião era ilícita por ter sido feita à noite (27: cf NDB, p 1536). Os 72 membros do Sinédrio precisavam de testemunhas, mas no fim só acharam duas que torceram as palavras de Jesus (61), Jesus nada respondeu às acusações absurdas (62), mas rom­ peu o silêncio para confirmar ser o Messias, quando o sumo sacerdote O instigou a um juramento (63). Isto (dizer ser o Messias) era considerado blasfêmia para os judeus, e passível de morte (65-66), pois Jesus estava igualando-se a Deus. Os judeus nem sequer levaram em conta a hipótese de que Jesus falara a pura verdade, sendo, portanto, totalmente inocente do crime pelo qual foi crucificado. Jesus, uma vez condenado, foi exposto ao escárnio dos membros do Sinédrio, uma situa­ ção totalmente ilícita.
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    MATEUS 26.61 1378 61Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias0. 62 E, levantando-se o sumo sacerdote, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti?b 63 Jesus, porém, guardou silêncio. E o sumo sacerdote lhe disse: Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.c 64 Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvensd do céu. 65 Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia!e 66 Que vos parece? Responderam eles: E réu de morte.f 67 Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo:9 68 Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!h Pedro nega a Jesus Mc 14.66-72; Lc 22.55-62; Jo 18.15-18,25-27 69 Ora, estava Pedro assentado fora no pá­ tio; e, aproximando-se uma criada, lhe disse: Também tu estavas com Jesus, o galileu.' 70 Ele, porém, o negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. 71 E, saindo para o alpendre, foi ele visto por outra criada, a qual disse aos que ali esta- 26.61 alo 2.19 26.62 bMc 14.60 26.63 cLv 5.1; 1Sm 14.24,26; Mt 27.12,14 26.64 4Dn 7.13 26.65 e2Rs 18.37 26.661(65-66) Lv24.16 26.67 aIs 50.6; Lc 22.63 vam: Este também estava com Jesus, o na­ zareno. 72 E ele negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem. 73 Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeira­ mente, és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia./ 74 Então, começou ele a praguejar é a ju­ rar: Não conheço esse homem! E imediata­ mente cantou o galo.k 75 Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. E, saindo dali, cho­ rou amargamente.1 26.68 hMc 14.65 26.69 'Mc 14.66; |o 18.16-17,25 26.73 /Lc 22.59 26.74 kMc 14.71 Jesus entregue a Pilotos Mc 15.1; Lc 23.1-2; Jo 18.28-32 Ao romper o dia, todos os principais Á* / sacerdotes e os anciãos do povo en­ traram em conselho contra Jesus, para o matarem;™ 2 e, amarrando-o, levaram-no e o entrega­ ram ao governador Pilatos.0 26/75 'Mt 26.34; Lc 22.61-62 27.1 mSI 2.2; Lc 22.66 27.2 "Mt 20.19 27.3 oMt 26.14-15 27.5 p2Sm 17.23 O suicídio de Judas 3 Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, de­ volveu as trinta moedas de prata aos princi­ pais sacerdotes e aos anciãos, dizendo:0 4 Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo. 5 Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar- se.P 26.63 Te conjuro pelo Deus vivo. O estratagema de forçar d réu a se declarar sob juramento era ilícito na jurisprudência israelita, que não tolerava qualquer tipo de "lavagem cere­ bral" ou declaração forçada que o condenaria. A base dos casos jurídicos, desde os tempos de Moisés, era o depoi­ mento desinteressado e coincidente de pelo menos duas tes­ temunhas. O debate, naquela época, concentrava-se em tomo da ameaça que Cristo apresentava ao mundo político e religioso. 26.74 jurar. Uma prática judaica comum, que jesus já conde­ nara (5.34). Quanto mais Pedro falava, tanto mais se traía, pois além disso, não dominava a pronúncia clássica das letras guturais. • N. Hom. 26.75 Os erros preliminares de Pedro; 1) Dema­ siada autoconfiança (33); 1) Desobediência da ordem de jesus para vigiar e orar (40-44); 3) Esquecimento da palavra de jesus (75; cf 34). Conclusão: O tropeço na vida cristã é con- seqüência de erros anteriores. 27.1 Em conselho. Não para julgar o caso, mas para "legali­ zar" uma decisão ilícita, tomada no decurso da noite. 27.2 Entregaram. Este veio a sér o dia da crucificação de Cristo, tido tradicionalmente como sexta-feira, mas que bem podia ter sido quinta-feira, seguindo-se a cronologia dada acima, e que daria os três dias da permanência de Jesus na sepultura, embora a expressão "três dias" pudesse muito bem ser calculada, desde sexta-feira à tarde até a manhã de do­ mingo, o que seria o cômputo tradicional Lc 23.54-24.1 apoia este último cálculo. Levaram-no a Pilatos. Só as autori­ dades romanas podiam ratificar a sentença da crucificação, e os judeus não desejaram nada menos do que a própria cruz para jesus. As autoridades religiosas de Israel submeteram-se aos romanos para crucificar a própria Esperança de Israel. 27.5 O triste fim do pecador impenitente.
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    1379 MATEUS 27.27 6E os principais sacerdotes, tomando as moedas, disseram: Não é lícito deitá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue. 7 E, tendo deliberado, compraram com elas o campo do oleiro, para cemitério de forasteiros. 8 Por isso, aquele campo tem sido cha­ mado, até ao dia de hoje, Campo de Sangue. < f 9 Então, se cumpriu o que foi dito por intermédio do profeta Jeremias:'' Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi estimado aquele a quem alguns dos filhos de Israel avaliaram; 10 e as deram pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.5 27.8 9(6-8) At 1.18-19 27.9 rZc 11.12-13 27.10 s(9-10) Zc 11.12-13 27.11 'Mc 15.2; Jo 18.33,37; 1Tm 6.13 27.12 «Mt 26.63 27.13 vMt 26.62 Jesus perante Pilotos M c 1 5.1-1 5 ; L c 2 3 .1 -5 ,1 3 -2 5 ; Jo 18.33-19.16 11 Jesus estava em pé ante ò governador; e este o interrogou, dizendo: Es tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes.f 12 E, sendo acusado pelos principais sa­ cerdotes e pelos anciãos, nada respondeu." 13 Então, lhe perguntou Pilatos: Não ou­ ves quantas acusações te fazem?1 ' 14 Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador. 15 Ora, por ocasião da festa, costumava o governador soltar ao povo um dos presos, conforme eles quisessem.'1 ' 16 Naquela ocasião, tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás. 17 Estando, pois, o povo reunido, pergun­ tou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos 27.1s "Mc 15.6; Jo 18.39 27.20 «Mc 15.11; Jo 18.40 27.24 xDt 21.6-9 27.25 zDt 19.10; 2Sm 1.16; 1Rs 2.32; At 5.28 27.26 "Is 53.5; Lc 23.16,24-25 27.27 6Mc 15.15 solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo? 18 Porque sabia que, por inveja, o tinham entregado. 19 E, estando ele no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas com esse justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por seu respeito. 20 Mas os principais sacerdotes e os an­ ciãos persuadiram o povo a que pedisse Bar­ rabás e fizesse morrer Jesus.* 21 De novo, perguntou-lhes o governa­ dor: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás! 22 Replicou-lhes Pilatos: Que farei, en­ tão, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucifi­ cado! Responderam todos. 23 Que mal fez ele? Perguntou Pilatos. Porém cada vez clamavam mais: Seja cruci­ ficado! 24 Vendo Pilatos que nada conseguia, an­ tes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos)' perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste [justo]; fique o caso convosco! 25 E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!7 26 Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado.0 Jesus entregue aos soldados M c 15.16-20; Jo 1 9.2-3 27 Logo a seguir, os soldados do governa­ dor, levando Jesus para o pretório, reuniram em tomo dele toda a coorte.* 27.11 O governador. O historiador romano, Tácito, que es­ creveu seus livros entre 98 e 104 d.C. só registra o governa­ dor Pôncio Pilatos em conexão com sua autorização da crucificação de Cristo. Flávio Josefo (37 d. C. —início do se­ gundo século), historiador judeu que viveu na época da re­ volta contra Roma, narra vários atos da estultícia de Pilatos, que desviava fundos do templo, e massacrou uns samaritanos sem motivo justo, sendo finalmente deposto pelos romanos. Segundo Eusébio, foi levado ao suicídio entre 37 e 41 d.C. Uma pedra de dedicação com o nome de Pilatos foi desco­ berta em Cesaréia, em 1961. . 27.15-26 Pilatos, vendo que Jesus èra inocente, que os sa­ cerdotes tinham-no entregue por inveja, e sendo advertido pela visão de sua esposa, queria libertá-lo. Pilatos sentiu, com certeza, que o povo prevaleceria contra os sacerdotes, e que pediria a libertação deste pregador de amor e médico dos aflitos. Por isso publicamente ofereceu a absolvição tradicio­ nal a Jesus. Mas o povo, atiçado pelos sacerdotes, sedento pela sedição que Barrabás continuaria a provocar contra os romanos, exigiu que aquela absolvição se estendesse a Barra­ bás e não a Jesus. Então Jesus, já antes da Sua morte, veio a ser Aquele cujo sofrimento liberta o pecador, neste caso um assassino e insurrecionado. O povo assumiu a responsabili­ dade da morte de Cristo, e Pilatos "lavou as mãos" para não ser acusado de acudir um inimigo de Roma, que é o que os sacerdotes hipocritamente ameaçavam fazer (Jo 19.12). 27.26 Açoitada. Esta tortura infligia-se com flagelos de couro pesado com pontas de chumbo ou de osso, e o único limite imposto ao algoz romano era o limite da sua própria cruel­ dade. Os judeus, por sua vez, só usayam açoites, em um má­ ximo de quarenta golpes, estipulado legalmente. 27.27-31 Estes ultrajes que Jesus sofreu, com tanta tortura e zombaria não podiam ser impostos por uma corte de roma­ nos, que tinham uma disciplina forte. Sugere-se que eram sírios, que agora aproveitariam a ocasião para dar asas às suas inimizades tradicionais com israelitas. O manto, a coroa, e o caniço eram pobres substitutos do apanágio de um rei. Jesus sofreu as piores torturas imagináveis.
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    MATEUS 27.28 28 Despojando-odas vestes, cobriram-no com um manto escarlate;c j29 tecendo uma coroa de espinhos, pu­ seram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeusd 30 E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça/ 31 Depois de o terem escarnecido, despi­ ram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado/ 27.28 cLc 23.11 27.29 dSI 69.19 27.30 eis 50.6 27.31 Os 53.7 27.32 9Nm 15.35; 1Rs 21.13; Lc 23.26; Hb 13.12 27.33 líMc 15.22; |o 19.17 27.34 <5169.21 SimSo leva a cruz do Senhor M c 15.21; L c 23,26 32 Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carre­ gar-lhe a cruz.9 27.35/SI 22.18 27.36 *Mt 27.54 27.37 'Mc 15.26; jo 19.19 A crucificação M c 15.22-32; L c 2 3.32 -4 3; Jo 19.17-24 33 E, chegando a um íugar chamado Gól- gota, que significa Lugar da Caveira,h 34 deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber.1 ' 35 Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes/, tirando a sorte. 36 E, assentados ali, o guardavam/ 37 Por cim a da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: E ste É Je s u s, O Re i Dos Ju d e u s.' 38 E foram crucificados com ele dois la­ drões, um à sua direita, e outro à sua es­ querda.m 39 Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça" e dizendo: 27.38 <n|s 53.12; Lc 23.32-33 27.39 "SI 22.7; 109.25 27.40 oMt 26.61; ]o 2.19 27.43 pSI 22.8 27.44 < 1Mc 15.32 27.45 rAm 8.9; Lc 23.44 27.46J SI 22.1 27.48 IS) 69.21 27.50 «Mc 15.37 27.51 V ÊX26.31-33 40 O tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas0! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz! 41 De igual modo, os principais sacerdo­ tes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam: 42 Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. E rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele. 43 Confiou em DeusP; pois venha livrá- lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus. 44 E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucifica­ dos com ele.9 A morte de Jesus M c 15.33-41; L c 2 3.44-49; Jo 19.28-30 45 Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra/ 46 Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste5? 47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Ele chama por Elias. 48 E, logo, um deles correu a buscar uma esponja e, tendo-a embebido de vinagre' e colocado na ponta de um caniço, deu-lhe a beber. 49 Os outros, porém, diziam: Deixa, veja­ mos se Elias vem salvá-lo. 50 E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.“ 51 Eis que o véu1 ' do santuário se rasgou 1380 27.32 Simão. Cf Rm 16.13n. 27.33 Cólgota. Tradução latina de nome aramaico da nossa palavra Calvário Um monte fora dos muros de Jerusalém, que visto de longe se assemelha a uma caveira humana. Sua loca­ lização mentém-se incerta. 27.34 Vinho com fel. Pensa-se que era um tipo de anestésico. 27.35-44 Jesus, cravado no madeiro, foi erguido entre o céu e a terra como sinal de vergonha e horror, com uma acusação escrita em três línguas. Posto entre dois salteadores, foi escar­ necido por três grupos distintos: "pecadores ignorantes", "pecadores religiosos" e "pecadores condenados". Os mais culpados sempre eram religiosos que conheciam as Escrituras mas não reconheciam Jesus em Sua morte cumprindo as pro­ fecias messiânicas (cf 51 22). Jesus morreu pelos nossos peca­ dos, segundo as Escrituras (1 Co 15.3). 27.45 Jesus foi crucificado às 9 horas da manhã (a terceira hora dos judeus, contada desde o nascer do Sol). Às 12 horas houve trevas sobre a terra. Às 15 horas Jesus expirou. As frases que Jesus proferiu durante estas seis horas, registram-se num total de sete na seguinte ordem: 1) Lc 23.34; 2) Jo 19.26-27, 3) Lc 23.43; 4) Mt 27.46; 5) |o 19.28; 6) Jo 19.30; 7) Lc 23.46. 27.50 Entregou o espírito. Depois destas palavras, Lucas do qüe Jesus expirou (Jo 19.31-37); atiriram-lhe o lado com uma lança. O que verteu do lado de Jesus, foi uma mistura do sangue coagulado e de soro (este possui a aparência de água). Esta situação surge no caso dè ruptura do coração, quando o sangue acumula-se no pericárdio (o tecido celular que reveste o exterior do coração). A tortura mental, espiri­ tual e física pode muito bem ter provocado o rompimento do coração, o que provocou de Jesus este único clamor. O inci­ dente desaprova uma teoria que surgiu no século XIX, que Jesus desmaiou para então despertar no túmulo. 27.51 O véu do santuário. A cortina que dividia o santuário do Santo dos Santos, para onde ninguém podia penetrar se­ não o sumo sacerdote, e este só no dia da expiação. O acorv
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    1381 MATEUS 28.7 emduas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; 52 abriram-se os sepulcros, e muitos cor­ pos de santos, que dormiam, ressuscitaram; 53 e, saindo dos sepulcros depois da res­ surreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. 54 O centurião e os que com ele guarda­ vam a Jesus, vendo o terremoto e tudo o que se passava, ficaram possuídos de grande te­ mor e disseram: Verdadeiramente este era Fi­ lho de Deus.*v 55 Estavam ali muitas mulheres, obser­ vando de longe; eram as que vinham seguindo a Jesus desde a Galiléia, para o servirem;" 56 entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mulher de Zebedeu.r O sepultamento de Jesus M c 15.42-47; L c 2 3.50 -5 6; Jo 19.38-42 57 Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus.z 58 Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então, Pilatos mandou que lho fosse entregue. 59 E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho 60 e o depositou no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou.0 61 Achavam-se ali, sentadas em frente da sepultura, Maria Madalena e a outra Maria. A guarda do sepulcro 62 No dia seguinte, que é o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacer- 27.54 »Mt 27.36; Lc 25.47 27.55 *Lc 8.2-3 27.56 y(55-56) Lc 8.2-3 27.57 cMc 15.42; Jo 19.38 27.60 oIs 53.9 dotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos, 63 disseram-lhe: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitareib. 64 Ordena, pois, que o sepulcro seja guar­ dado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o rou­ bem e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o primeiro. 65 Disse-lhes Pilatos: Aí tendes uma es­ colta; ide e guardai o sepulcro como bem vos parecer. 66 Indo eles, montaram guarda ao sepul­ cro, selando a pedra e deixando ali a escolta.c 27.63 6Mt 16.21; 17.23; 20.19; Mc 8.31; 9.31; 10.33-34; Lc 9.22; 18.31-33 27.66 cDn 6.17 28.1 àMt 27.56; Lc 24.1 28.2 cMc 16.5; Jo20.12 28.3 fDn 10.6 28.6 9Mt 12.40 A ressurreição de Jesus. Seu aparecimento às mulheres M c 1 6 .1 -8 ; L c 2 4.1 -1 2 ; Jo 2 0.1-10 A O No findar do sábado, ao entrar o pri­ meiro dia da semana, Maria Mada­ lena e a outra Maria foram ver o sepulcro.d 2 E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se so­ bre pla.e 3 O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve/ 4 E os guardas tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos. 5 Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: Não temais; porque sei que buscais Je­ sus, que foi crucificado. 6 Ele não está aqui; ressuscitou, como ti­ nha dito. Vinde ver onde ele jazia.9 7 Ide, pois, depressa e dizei aos seus discí­ pulos que ele ressuscitou dos mortos e vai tecimento seria uma tragédia para os judeus, mas simbólico para os crentes: em Cristo está abolida toda e qualquer sepa­ ração entre o adorador e seu Deus (Jo 14.6). 27.52 Abriram-se os sepulcros. Só Mateus narra o incidente. Foi um pequeno sinal da vida eterna para os fiéis. Só depois da ressurreição de Cristo foram vistos estes santos. 27.55 Muitas mulheres. Aquelas que tinham seguido a Jesus durante Seu ministério na Galiléia ficaram fiéis até ao fim, e até ao novo começo (28.1; Jo 20.11-18). O perfeito amor lançou fora o medo (1 Jo 4.18). 27.57-66 O sepultamento de Jesus. Aos cuidados de José da Arimatéia e de Nicodemos, ambos membros do Sinédrio (Jo 19.38-39), que trataram das formalidades civis, das des­ pesas, e do túmulo, que pertencia a José de Arimatéia e que ficava no monte Calvário (Jo 19.41). As autoridades civis e religiosas, para evitar qualquer história que pudesse surgir so- bre um Mestre ressurreto, violaram o sábado para tomarem as providências necessárias para evitar que o túmulo fosse violado e o corpo roubado. 28.1 No domingo de madrugada, verificou-se o milagre da ressurreição, da vitória sobre a morte pela intervenção divina. Várias evidências apontam para a hipótese que o túmulo des­ coberto numa escavação arqueológica do General Christian Gordon é o túmulo autêntico, pela sua situação interna, pelos remanescentes de um templo 'ão que um imperador romano erigiu ali, segundo os historiadores antigos. Viu-se ainda ves­ tígios de alterações para acomodar o corpo de )esus, maior do que o de José de Arimatéia que segundo a tradição, era de baixa estatura. O quarto escavado na rocha tinha dois túmu­ los, dos quais, só um tinha sido ocupado, sem, porém, haver o mínimo vestígio de restos mortais.
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    1382 MATEUS 28.8 adiante devós para a Galiléia; ali o vereis. É como vos digo!'7 8 E, retirando-se elas apressadamente do sepulcro, tomadas de medo e grande alegria, correram a anünciá-lo aos discípulos. 9 E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraça­ ram-lhe os pés e o adoraram.' 10 Então, Jesus lhes disse: Não temais! Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à Galiléia e lá me verão./ Osjudeus subornam os guardas 11 E, indo elas, eis que alguns da guarda foram à cidade e contaram aos principais sa­ cerdotes tudo o que sucedera. 12 Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados, 13 recomendando-lhes que dissessem: Vieram de noite os discípulos dele e o rouba­ ram enquanto dormíamos. 14 Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos e vos pore­ mos em segurança. 28.7 hMt 26.32 28.9'Mc 16.9 28.10 i|o 20.17; Hb2.11 28.16 *Mt 26.32; Mc 14.28 28.18 'Dn 7.13-14; Lc 1.32; At 2.36; 1Co 15.27; Ef 1.10,21; 1Pe 3.22 28.19 mAt 1.8 28.20 "At 2.42 15 Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. Esta versão divul­ gou-se entre os judeus até ao dia de hoje. Jesus aparece aos discípulos na Galiléia 16 Seguiram os onze discípulos para a Ga­ liléia k, para o monte que Jesus lhes de­ signara. 17 E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. A Grande Comissão M c 1 6.15 -1 8; L c 24.44-49 18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, di­ zendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.' 19 Idem, portanto, fazei discípulos de to­ das as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou con­ vosco todos os dias até à consumação do século." 28.13-15 A burla dos judeus. Agostinho propõe o seguinte argumento: "dormindo ou acordados: Se acordados, por que deixaram alguém roubar o corpo de jesus? E se dormindo: como poderiam declarar que foram os discípulos que furta­ ram o corpb de jesus?" Em ambas as circunstâncias seriam condenados à morte, se não fosse o interesse dos líderes, em encobrir o fato da intervenção divina. 28.16-20 Um grande encontro. Foi marcado por jesus na Galiléia, e os discípulos viram-no e O adoraram. Alicerçados no poder eterno que jesus detêm e que prometeu exercer em prol da Sua obra na qual Seus servos participam, os discípulos receberam a incumbência de evangelizar o mundo. Sua mis­ são consistia em levar as almas à conversão, batizar os conver­ tidos para fazerem parte da Igreja de Cristo, e ensiná-los a viver segundo Seus ensinamentos e no Seu poder, sentindo Sua presença espiritual acompanhando cada um dos Seus. A promessa da continuada presença divina é a chave de ouro que encerrará vários livros da Bíblia (cf Êx 40.38; Ez 48.35; Ap 22.20). jesus, depois de ressuscitar, apareceu a várias pes­ soas em várias ocasiões: 1) A Madalena, jo 20.11-18; 2) Às mulheres, Mt 28.9-10; 3) Aos dois discípulos, no caminho de Emaús, Lc 24.13-33; 4) A Pedro, Lc 24.34-35; 5) Aos dez discípulos no cenáculo, |o20.19; 6) Aos onze discípulos no cenáculo, jo 20.24-29; 7) Aos sete discípulos na Galiléia, jo 2 1.2 4 -29 ; 8) Aos onze no monte, na Galiléia, Mt 28.16-17; 9) A Tiago, 1 Co 15.7; 10) A uma multidão no Monte das Oliveiras, Lc 24.44-49; 11) A Paulo, At 9.3-8.