Crescencio versao final

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Crescencio versao final

  1. 1.       ESCOLA SUPERIOR DE HOTELARIA E TURISMO DE INHAMBANE TRABALHO DE FIM DE CURSO DE LICENCIATURA EM GESTÃO Inhambane, Moçambique Maio de 2015 Candidato: Crescêncio Francisco Guiamba Supervisor: eng. Augusto Aurélio Cumbe TEMA: FACTORES DE SUCESSO E/OU FRACASSO DO EMPREENDEDORISMO NO MUNICÍPIO DE INHAMBANE
  2. 2. ESCOLA SUPERIOR DE HOTELARIA E TURISMO DE INHAMBANE TEMA: FACTORES DE SUCESSO E/OU FRACASSO DO EMPREENDEDORISMO NO MUNICÍPIO DE INHAMBANE Autor: Crescêncio Francisco Guiamba Supervisor: eng. Augusto Aurélio Cumbe Inhambane, Maio de 2015 Trabalho de Licenciatura (Monografia) submetido em cumprimento parcial dos requisitos para a obtenção do Grau de Licenciado em Gestão na Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Inhambane.
  3. 3. DECLARAÇÃO Declaro que este trabalho é da minha autoria e resulta da minha investigação. Esta é a primeira vez que o submeto para obter um grau académico numa instituição educacional. Inhambane, Maio de 2015 Assinatura __________________________ (Crescêncio Francisco Guiamba)
  4. 4. APROVAÇÃO DO JÚRI Este trabalho foi aprovado no dia ______ de ___________ de 20___ por nós, membros do júri examinador nomeado pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Inhambane. Os Membros do Júri _________________________________ _________________________________ Presidente (Nome) Assinatura _________________________________ _________________________________ Arguente (Nome) Assinatura _________________________________ _________________________________ Suprvisor (Nome) Assinatura Inhambane, aos ________ de ________________ de 2015
  5. 5. ÍNDICE DEDICATÓRIA ..........................................................................................................................…..i AGRADECIMENTOS .................................................................................................................….ii LISTA DE ABREVIATURAS ....................................................................................................…iii LISTA DE QUADROS.................................................................................................................…iv LISTA DE FIGURAS...................................................................................................................….v LISTA DE GRÁFICOS................................................................................................................…vi LISTA DE TABELAS NO APÊNDICE .........................................................................................vii RESUMO......................................................................................................................................…ix 1. INTRODUÇÃO …………………………………………………………………………….1 1.1.Enquadramento Histórico ................................................................................................2 1.2.Problema ..........................................................................................................................2 1.3.Hipóteses..........................................................................................................................3 1.4.Justificativa ……………………………………………………………………………..3 1.5.Objectivos……………………………………………………………………………….4 1.6.Metodologia.....................................................................................................................4 1.6.1. Tipo de pesquisa .................................................................................................5 1.6.2. Métodos usados ...................................................................................................5 1.6.2.1.Pesquisa bibliográfica..............................................................................6 1.6.2.2.Preparação do trabalho de campo ............................................................6 1.6.2.3.Amostra....................................................................................................6 1.6.2.4.Realização do trabalho de campo ...........................................................7 1.6.2.5.Apresentação de resultados da pesquisa ..................................................7 1.7.Delimitação do tema e da área da pesquisa .....................................................................7 1.8.Estrutura do trabalho........................................................................................................8 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..............................................................................................9 2.1. Empreendedorismo .........................................................................................................9 2.1.1. Conceito...............................................................................................................9 2.1.2. Evolução Histórica...............................................................................................9 2.1.3. O Empreendedor................................................................................................10 2.1.3.1.Conceito.................................................................................................10 2.1.4. O perfil empreendedor.......................................................................................11
  6. 6. 2.1.5. Tipos de empreendedorismo (empreendedores)................................................13 2.1.5.1.Quanto á finalidade................................................................................13 2.1.5.2.Quanto á proveniência do empreendedor ..............................................13 2.1.5.3.Quanto á forma pela qual emergem.......................................................14 2.1.5.4.Outras classificações..............................................................................14 2.1.6. O processo empreendedor..................................................................................15 2.1.6.1.Fase I. – Identificar e avaliar a oportunidade.........................................16 2.1.6.1.1. Oportunidade......................................................................17 2.1.6.1.2. Ideia ...................................................................................17 2.1.6.1.2.1.Fontes de novas ideias..................................................18 2.1.6.1.2.2. Métodos de geração de Ideias .....................................18 2.1.6.1.2.3.Critérios de Avaliação de Ideias...................................20 2.1.6.1.2.4.Processo de seleção de ideias .......................................20 2.1.6.2. Fase II - Desenvolver plano de negócio................................................21 2.1.6.2.1. A Importância do Plano de Negócios.................................22 2.1.6.3.Fase III - Determinar e captar recursos necessários...............................22 2.1.6.4.Fase IV - Gerir empresa criada..............................................................23 2.1.6.5.Factores que influenciam o processo empreendedor .............................23 2.2.Micro, Pequenas e Médias empresas .............................................................................27 2.3.Estudo de viabilidade económico-financeira de projectos de investimento..................28 2.3.1. Definição de investimento .................................................................................28 2.3.2. A avaliação de projectos de investimento..........................................................29 2.3.3. Estruturação do estudo da viabilidade económico-financeira ...........................30 2.3.3.1.Estudos técnico-económicos..................................................................30 2.3.3.1.1. Estudo de Mercado.............................................................30 2.3.3.1.2. Análise SWOT ...................................................................31 2.3.3.2. Estudos económico-financeiros ............................................................31 2.3.4. Noção e tipos do cash flow................................................................................32 2.3.5. O princípio do valor temporal do dinheiro .......................................................33 2.3.5.1.A taxa de actualização ...........................................................................33 2.3.6. Principais critérios de análise de viabilidade.....................................................34 2.3.6.1. Valor Actual Líquido (VAL) ...............................................................34 2.3.6.2.Taxa Interna de Retorno (TIR) ..............................................................35
  7. 7. 2.3.6.3. Método Payback....................................................................................37 2.3.6.4.Payback Descontado..............................................................................37 2.3.6.5.Índice de Lucratividade..........................................................................38 2.3.6.6.Ponto de equilíbrio ................................................................................39 2.3.7. Análise do risco e da incerteza...........................................................................39 2.3.7.1.Análise da sensibilidade.........................................................................39 2.3.7.2.Análise de cenários ................................................................................40 2.3.7.3.Simulação de Monte Carlo.....................................................................40 3. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS……………………………………41 3.1.Quantidade de empresas no município de Inhambane...................................................41 3.2.Empresas de sucesso e fracasso.....................................................................................41 3.3.Factores influenciadores do sucesso ou fracasso...........................................................42 3.3.1. Factores relativos ao empreendedor...................................................................42 3.3.2. Factores relativos ao ambiente interno ..............................................................44 3.3.3. Factores relativos ao ambiente externo..............................................................47 3.3.3.1.Microambiente.......................................................................................47 3.3.3.2. Macro ambiente ....................................................................................49 4. CONCLUSÃO.....................................................................................................................52 5. RECOMENDAÇÕES..........................................................................................................55 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................56 7. APÊNDICES........................................................................................................................61 7.1. Apêndice 1: Questionário usado na pesquisa dos factores de sucesso ou fracasso ......61 7.2. Apéndice 2: Tipologia dos investimentos ....................................................................65 7.3.Apêndice 3: Procedimentos e fórmulas de cálculo dos diferentes Cash-flows .............67 7.4.Apêndice 4: Tabelas de processamento de dados .........................................................71 7.4.1. Dados sobre os empreendedores..............................................................................71 7.4.2. Dados relativos ao ambiente interno das empresas.................................................74 7.4.3. Dados sobre o Microambiente .................................................................................83 7.4.4. Dados sobre o Macro ambiente................................................................................86 8. ANEXOS .............................................................................................................................92 8.1. Anexo 1: Modelo de Plano de Negócios proposto pelo SEBRAE ...............................92 8.2.Anexo 2: Credenciais para a pesquisa de campo...........................................................94
  8. 8.   i DEDICATÓRIA Dedico este grau de Licenciatura aos meus pais, Francisco Chapo Guiamba e Emília Andrisse Banguine pela educação que me deram; á minha esposa Iva Luis Sebastião Muhanzule, pelo amor, incentivo e apoio à todas as minhas escolhas e decisões; e aos meus filhos pela amizade e inspiração. A vitória desta conquista dedico, com todo o meu amor, unicamente a vocês. Parabéns!
  9. 9. ii AGRADECIMENTOS Aos meus pais, por tudo que me ensinaram na vida; Ao meu amigo Pastor Fernando Malaze (em memória), pela força que me deu no momento mais crítico que já tive na vida; Ao meu amigo Feliz Saulito S. S. Cumbe, por ter-me “forçado” a continuar com os estudos; Á minha querida esposa Iva Luís S. Muhanzule, pelo amor e carinho; Aos meus filhos, pela força que me deram; Ao meu colega Victorino dos Santos Dércio, pela companhia ao longo dos cinco anos de carteira e pela força que me deu; Ao eng. Augusto Aurélio Cumbe, meu supervisor, pela sua disponibilidade e pelas sugestões sempre pertinentes; Ao M.Sc. Adão Manuel Massassa, pelos comentários durante a realização do trabalho, e pelo seu método de piadas que me ajudava a perceber a matéria durante o curso: “Estão a ouvir bem, não é? Foi ele quem falou, não fui eu. Segundo o vosso colega, o ambiente externo é…”; Ao M.Sc. Pascoal Daniel Chongole, pelos comentários durante a realização do trabalho e pelo apoio incondicional; Á todos os meus docentes que contribuíram para erguer o “Crescêncio” actual; Á todos que directa ou indirectamente, contribuíram para que os meus cinco anos fossem um sucesso; Muito obrigado!
  10. 10.   iii LISTA DE ABREVIATURAS ANAMM – Associação Nacional de Municípios de Moçambique. ATM – Autoridade Tributária de Moçambique. CF – Cash Flow. EDM – Electricidade de Moçambique. EVE – Estudo de Viabilidade Económico-financeira. FCL – Fluxo de Caixa Livre. FCOL – Fluxo de Caixa Operacional Liquido. FM – Fundo de Maneio. IFDEP - Instituto para o Fomento e Desenvolvimento do Empreendedorismo em Portugal. IL – Índice de Lucratividade. ISPC – Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes. IRPC – Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas. IVA – Imposto sobre o Valor Acrescentado. LAM – Linhas Aéreas de Moçambique MPME – Mico, Pequenas e Médias Empresas. PE – Ponto de Equilíbrio. PIB – Produto Interno Bruto. PI – Projecto de Investimento. PN – Plano de Negócios. SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. SISTAFE – Sistema de Administração Financeira do Estado. SWOT – Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats. TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação. TIR – Taxa Interna de Rentabilidade. VAL – Valor Actual Líquido.
  11. 11.   iv LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Evolução histórica e conceitual do empreendedorismo ........................................10 Quadro 2 – Características comportamentais empreendedoras................................................12 Quadro 3 – Elementos a analisar no macro ambiente ..............................................................25 Quadro 4 – Recursos tangíveis que devem ser analisados numa organização.........................26 Quadro 5 – Recursos intangíveis que devem ser analisados numa organização......................27 Quadro 6 – Factores relativos ao empreendedor ......................................................................43 Quadro 7 – Factores relativos ao ambiente interno..................................................................47 Quadro 8 – Factores relativos ao Microambiente.....................................................................49 Quadro 9 – Factores relativos ao Macro ambiente...................................................................51
  12. 12.   v LISTA DE FIGURAS Figura 1: O processo empreendedor segundo Timmons ..........................................................16 Figura 2: O processo empreendedor segundo Hirsch & Peters ................................................16 Figura 3: Selecção de uma ideia de negócios segundo Silva....................................................21 Figura 4: Factores que influenciam no processo empreendedor...............................................23 Figura 5: Modelo de Análise Sectorial das Cinco Forças de Porter.........................................26 Figura 6: Diagrama dos estudos de viabilidade de um projecto de investimento.....................30
  13. 13.   vi LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Existência ou não de metas nas empresas ...............................................................41 Gráfico 2: Empresas de sucesso, fracasso e sem metas............................................................41 Gráfico 3: Motivos que levaram os empreendedores a empreenderem....................................43 Gráfico 4: Empresas que fizeram ou não o estudo de viabilidade económico-financeira........45 Gráfico 5: Pessoas que fizeram o estudo de viabilidade económico-financeira.......................45 Gráfico 6: Factores analisados pelos empreendedores no estudo de EVE ...............................45 Gráfico 7: Análise da influência dos factores internos das empresas estudadas ......................46 Gráfico 8: Os públicos mais servidos pelas empresas analisadas.............................................48 Gráfico 9: Análise da influência dos factores do microambiente nas empresas estudadas ......48 Gráfico 10: Análise da influência dos factores do macro ambiente .........................................50
  14. 14.   vii LISTA DE TABELAS NO APÊNDICE 4 Tabela 1: Sexo dos empreendedores.........................................................................................71 Tabela 2: Idade dos empreendedores........................................................................................71 Tabela 3: Nacionalidade dos empreendedores..........................................................................71 Tabela 4: Nível de escolaridade dos empreendedores..............................................................72 Tabela 5: Área de formação dos empreendedores....................................................................72 Tabela 6: Empreendedores com alguma formação em gestão de empresas.............................72 Tabela 7: Motivos que levam as pessoas a criarem empresas..................................................73 Tabela 8: Experiência dos empreendedores no ramo de actividade das empresas...................73 Tabela 9: Empreendedores que já ouviram falar em EVE........................................................73 Tabela 10: Tipo de sociedade ...................................................................................................74 Tabela 11: Objecto social .........................................................................................................74 Tabela 12: Dimensão da empresa.............................................................................................75 Tabela 13: Idade média dos colaboradores...............................................................................75 Tabela 14: Nível de escolaridade mais predominante na empresa...........................................75 Tabela 15: Ano de constituição da empresa - empresas criadas por ano..................................76 Tabela 16: Empresas que têm, e as que não tem metas............................................................76 Tabela 17: Empresas que atingem as suas metas......................................................................76 Tabela 18: Empresas entrevistadas que ainda operam e as que encerraram.............................76 Tabela 19: Quantidade de empresas que encerram por ano......................................................77 Tabela 20: Empresas que fizeram e as que não fizeram o EVE ...............................................77 Tabela 21: Elementos analisados no EVE................................................................................77 Tabela 22: Quem fez o EVE.....................................................................................................78 Tabela 23: Quem faz gestão nas empresas ...............................................................................78 Tabela 24: Influência da realização/não realização do EVE na vida da empresa.....................78 Tabela 25: Influência da capacidade de endividamento na vida da empresa ...........................78 Tabela 26: Influência da localização na vida da empresa.........................................................79 Tabela 27: Influência da qualidade dos colaboradores na vida da empresa .............................79 Tabela 28: Influência do processo de planeamento estratégico na vida da empresa................79 Tabela 29: Influência do suporte jurídico na vida da empresa .................................................80 Tabela 30: Influência do suporte Contábil na vida da empresa................................................80 Tabela 31: Influência da inovação ou não nos produtos e/ou serviços na vida da empresa.....80 Tabela 32: Influência da publicidade, propaganda, promoção e merchandising na empresa ..81 Tabela 33: Se a empresa foi ou não influenciada por outros factores internos ........................81
  15. 15.   viii Tabela 34: Outro Factor mencionado - dificiências do sistema de controlo interno................81 Tabela 35: Outro Factor mencionado pelos entrevistados – Atendimento...............................82 Tabela 36: Outro Factor mencionado pelos entrevistados - Capacidade de produção .............82 Tabela 37: Clientes mais atendidos pelas empresas .................................................................83 Tabela 38: Influência da competição dos concorrentes na vida da empresa ............................83 Tabela 39: Influência da demanda dos clientes na vida da empresa ........................................83 Tabela 40: Influência do poder de negociação dos clientes na vida da empresa......................84 Tabela 41: Influência do poder de negociação dos fornecedores na vida da empresa .............84 Tabela 42: Influência dos produtos/serviços substitutos na vida da empresa...........................84 Tabela 43: Influência das barreiras á entrada de novos competidores na vida da empresa......85 Tabela 44: Influência dos distribuidores, representantes e parceiros na vida da empresa........85 Tabela 45: Outro factor externo mencionado - concorrência desleal .......................................85 Tabela 46: Influência dos aspectos políticos na vida da empresa.............................................86 Tabela 47: Influência das Leis na vida da empresa ..................................................................86 Tabela 48: Influência dos aspectos económicos na vida da empresa .......................................86 Tabela 49: Influência dos aspectos tecnológicos na vida da empresa ......................................87 Tabela 50: Influência dos aspectos socioculturais na vida da empresa ....................................87 Tabela 51: Influência dos aspectos socioculturais na vida da empresa ....................................87 Tabela 52: Influência dos aspectos burocráticos do Governo na vida da empresa...................88 Tabela 53: Influência da carga fiscal do Governo na vida da empresa ....................................88 Tabela 54: Influência dos aspectos demográficos na vida da empresa.....................................88 Tabela 55: Se a empresa foi influenciada ou não por outros factores ......................................89 Tabela 56: Outro factor externo mencionado - Queda das empresas do sector turístico..........89 Tabela 57: Outro factor externo mencionado - Corrupção nas instituições do Estado.............89 Tabela 58: Outro factor externo mencionado – Energia eléctrica ............................................90 Tabela 59: Outro factor externo mencionado – Altas tarifas do transporte aéreo....................90 Tabela 60: Outro factor externo mencionado – Pressão no posto laboral do empreendedor ...90 Tabela 61: Outro factor externo mencionado – Alvará ............................................................91 Tabela 62: Outro factor externo mencionado - Perseguição por inveja ...................................91 Tabela 63: Outro factor externo mencionado - Atitudes da polícia de trânsito........................91
  16. 16.   ix RESUMO O presente trabalho tem como tema “Factores de Sucesso e/ou Fracasso do Empreendedorismo no Município de Inhambane”. A escolha deste foi motivada pela necessidade de dar contributo no que tange ao desenvolvimento do empresariado no município de Inhambane, tendo-se centrado no problema de insucesso que afecta alguma parte dos empreendedores daquela parcela de Moçambique. Foram analisados os factores que contribuem para o sucesso e fracasso do empreendedorismo no município em referência, usando uma pesquisa que se caracteriza como descritiva, de campo, de levantamento e de fontes (bibliográfica e documental), e recorrendo-se aos métodos quantitativo e qualitativo, tendo sido constatados como principais factores de sucesso, a prévia identificação de oportunidade de negócios; a prévia realização do estudo de viabilidade económico-financeira; boa capacidade de endividamento; bom processo de planeamento estratégico; inovação; campanhas de publicidade, propaganda, promoções e merchandising; forte demanda dos clientes; fraco poder de negociação dos fornecedores; ineficácia de alguns produtos ou serviços substitutos; aspectos tecnológicos e o meio ambiente, e como factores de fracasso, o facto de alguns empreendedores empreenderem sem antes terem identificado uma oportunidade de negócios; falta de experiencia no mundo de negócios; má ou não realização do estudo de viabilidade económico-financeira; limitada capacidade de endividamento; deficiente processo de planeamento estratégico; falta de inovação; falta de publicidade, propaganda, promoções e merchandising; deficiências do sistema de controlo interno; acção dos concorrentes; fraca demanda dos clientes; forte poder de negociação dos clientes; acção dos produtos ou serviços substitutos; a falta de barreiras à entrada de novos competidores; concorrência desleal; aspectos políticos; leis vigentes no país; aspectos económicos; burocracia do Governo; elevada carga fiscal; baixa renda da população local; queda das empresas do sector turístico; existência de bolsas de corrupção nas instituições do Estado; altas tarifas do transporte aéreo; perseguição por inveja e atitudes da polícia de trânsito. Palavras chave: Empreendedorismo, empreendedor, oportunidade, ideia, criatividade, inovação, estratégia, negócio, demanda, viabilidade, sucesso.
  17. 17.   1 1. INTRODUÇÃO Para que haja sucesso duma empresa, a entrada desta em determinado mercado deve depender duma prévia identificação de oportunidades de negócios no mercado, e os destinos da empresa devem ser conduzidos segundo estratégias definidas e que se adequem às exigências do ambiente, desde a definição do produto, dos clientes da marca, dos canais de distribuição, da equipa de trabalho, dos fornecedores, dos diferenciais competitivos, até mesmo dos parceiros da empresa, o que se resume num plano estratégico eficaz. Segundo Maunde (2011), a evolução das empresas no mercado passa por decisões de investir ou desinvestir, entrar em novas áreas de negócio, modernizar, expandir ou mesmo criar alianças corporativas, assim como fusões ou aquisições. Tais decisões são de carácter estratégico, estrutural e tem impacto a médio e longo prazo. Por outro lado, passam por critérios de selecção determinados pela empresa, tendo em consideração o risco e rendibilidade dos recursos e tempo para sua execução, com o objectivo de maximizar o lucro de quem investe. Em Moçambique e particularmente na cidade de Inhambane, verifica-se nos últimos tempos o surgimento de Micro, pequenas e médias empresas, porém uma vez que a maioria dos respectivos empreendedores é movida pela percepção do sucesso de outrem, pelo desemprego, necessidade de estar independente e até de melhorar a sua posição social, a maioria delas, não identifica previamente alguma oportunidade, não faz um prévio estudo de viabilidade económico-financeira para estimar os riscos e auxiliar a tomada de decisões antes da implantação do empreendimento, imitam taxativamente os passos dalgumas já criadas, desde, por exemplo, o público servido, produto oferecido e os métodos de trabalho, sem acrescentar algum diferencial ou subtrair aspectos negativos, o que faz com que não consigam manter uma estabilidade e atingir os seus objectivos. Na visão de Maunde (2011), o estudo de viabilidade económico-financeira é uma ferramenta essencial para apoiar o processo de decisão da criação de empresa ou expansão de um projecto de investimento. Permite analisar a viabilidade do projecto e detectar os ajustamentos necessários para que se tenha sucesso e prevenir contingências. Neste contexto, o presente trabalho, com o tema: “Factores de sucesso e/ou fracasso do empreendedorismo no Município de Inhambane”, pretende analisar os factores que contribuem para o sucesso e insucesso de empreendimentos no município de Inhambane e ainda se estes, na sua maioria, passam ou não por um prévio estudo de viabilidade económico-financeira.
  18. 18.   2 1.1.Enquadramento Histórico O empreendedorismo em Moçambique e no Município de Inhambane em particular é uma palavra e ao mesmo tempo, profissão nova, visto que antes da liberalização da economia nos finais da década de 80, a economia era centralizada, o que aliado às políticas socialistas que incluíam a definição dos preços dos bens e serviços pelo Estado, á indicação das entidades prioritárias na aquisição de créditos bancários (empresas estatais), e á situação de guerra, marginalizava o sector privado, fazendo com que as pessoas não ficassem motivadas a assumirem tamanhos riscos. Só após o fim do conflito dos 16 anos, as pessoas começaram a aplicar suas ideias e economias na edificação de empreendimentos que na sua maioria serviam para satisfazer as necessidades básicas. A Palavra empreendedor, que não se dissocia do empreendedorismo, começa a ganhar terreno com o governo do presidente cessante, Armando Emílio Guebuza, no âmbito do seu esforço em criar um espírito empreendedor no seio da população, visando a redução da pobreza absoluta no país. Nessa altura, nos anos 2004 a 2006, verifica-se o surgimento contínuo de empresas fornecedoras de bens e serviços ao estado, bem como empresas de diferentes áreas de negócios. Actualmente o Município de Inhambane possui um sector formal com cerca de 3016 empresas, entre micro, pequenas e médias empresas. A indústria do turismo, aliada a um litoral exótico, é a principal fonte que contribui para o PIB local. Tanto as praias como a cidade têm um alto potencial turístico. Possui características económicas principais tais como o comércio, serviços e indústrias, estando dotado de delegações e agências de maior parte de bancos e companhias de Seguros do país, bem como das principais empresas públicas (ANAMM, 2013). 1.2.Problema A cada dia novos negócios são iniciados e estes, por sua vez, nem sempre alcançam o sucesso esperado. Assim, muitos acabam fechando em pouco tempo. As elevadas taxas de mortalidade de empresas sempre despertaram o interesse dos pesquisadores em diversas partes do mundo, e Davis (1939), já as estudava no final da década de 30. Este autor sustenta que, o sucesso ou fracasso de um empreendimento depende de uma série de factores internos e externos. No início dos anos 70, Edmister (1972), buscou aplicar ferramentas para predizer a falência das pequenas empresas, baseado em análises financeiras e sofisticadas técnicas estatísticas. Em seus estudos ele concluiu que é possível predizer a falência de uma empresa com até 5 anos de antecedência. Todavia, um prévio estudo de viabilidade económico-financeira de um projecto, seja ele de criação de um empreendimento novo, ou mesmo de expansão dum já existente
  19. 19.   3 permitirá saber se o projecto a implementar, nas condições em que estiver concebido, garantirá o retorno desejado ou não, evitando a perda de recursos escassos, o que na verdade, muitos empreendedores não chegam a fazer. Diante dos aspectos anteriormente aflorados, o presente trabalho é presidido pela seguinte questão de partida:  Que factores concorrem para o sucesso e/ou insucesso do empreendedorismo no município de Inhambane? 1.3.Hipóteses Diante do problema colocado, foram levantadas as seguintes hipóteses: – O sucesso do empreendedorismo no Município de Inhambane deve-se, não só ao facto de os empreendedores seguirem com as recomendações dos diferentes autores no que diz respeito ao empreendedorismo, desde a prévia identificação de oportunidades de negócio, passando pela análise de viabilidade económico-financeira, até á gestão da empresa criada, e o insucesso não se deve apenas ao não cumprimento das mesmas recomendações, porém, existem outros factores que influenciam nos dois sentidos. – O sucesso do empreendedorismo no Município de Inhambane deve-se apenas ao facto de os empreendedores seguirem com as recomendações dos diferentes autores no que diz respeito ao empreendedorismo, desde a prévia identificação de oportunidades de negócio, passando pela análise de viabilidade económico-financeira, até á gestão da empresa criada, e o insucesso deve-se apenas ao não cumprimento das mesmas recomendações. 1.4.Justificativa No município de Inhambane, assiste-se a surgimento massivo de empresas em diferentes ramos de actividades, o que á prior é bom para a economia local e para o país em geral. Entretanto, muitas das vezes, as causas que levam as pessoas a empreenderem, aliadas aos poucos conhecimentos detidos pela maioria em matéria de empreendedorismo e gestão de empresas, faz com que muitas empresas não consigam atingir os objectivos para os quais foram criadas, o que atrasa o desenvolvimento económico do Município, e do país no seu todo. Os factores que podem afectar positivamente ou negativamente as empresas são vários, podendo ser encontrados dentro e fora destas, portanto, no ambiente interno e no ambiente externo, devendo ser conhecidos, analisados, traçadas estratégias para aproveitar os positivos
  20. 20.   4 assim como minimizar os efeitos dos negativos, e ainda, monitorados. Por outro lado, são poucos e desconhecidos os estudos efectuados particularmente no Município de Inhambane, visando apurar as causas que tem afectado negativamente e/ou positivamente o empreendedorismo no Município em referência, de modo que sejam dadas recomendações que contribuam para um crescimento cada vez maior da economia local. Sendo assim, tendo o autor adquirido durante a sua formação, conhecimentos que possam ajudar neste contexto, ficou comovido a optar pelo tema “Factores de sucesso e/ou fracasso do empreendedorismo no Município de Inhambane”, uma vez que trará resultados e recomendações que ajudarão, não só no campo científico, mas também, às empresas actuais e vindouras, e á sociedade no geral. 1.5.Objectivos Geral  Analisar os factores que contribuem para o sucesso e fracasso do empreendedorismo no Município de Inhambane. Específicos:  Identificar os factores que contribuem para o sucesso e insucesso de micro, pequenas e médias empresas no Município de Inhambane;  Explicar como os factores de sucesso ou fracasso influenciam no empreendedorismo no Município de Inhambane. 1.6.Metodologia Segundo Gil (1999), para que um conhecimento possa ser considerado científico, torna-se necessário identificar as operações mentais e técnicas que possibilitam a sua verificação, ou seja, determinar o método que possibilitou chegar a esse conhecimento. Na definição dos métodos a usar, foi imprescindível caracterizar o tipo de pesquisa a realizar. De acordo com Rodrigues (2007), a pesquisa é uma actividade voltada para a solução de problemas, através do emprego de processos científicos, sendo a pesquisa científica, a realização concreta de uma investigação planeada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas da metodologia consagradas pela ciência.
  21. 21.   5 1.6.1. Tipo de pesquisa Na visão de Rodrigues (2007), a pesquisa pode ser classificada segundo: a área da ciência (teórica, metodológica, empírica e prática); a natureza (trabalho científico original e resumo de assunto); aos objectivos (pesquisa exploratória, descritiva e explicativa); aos procedimentos (pesquisa de campo, de fontes e de laboratório); e á forma de abordagem (pesquisa quantitativa e qualitativa). Indo de acordo com o autor, quanto á área da ciência a presente pesquisa é empírica por preocupar-se com a face mensurável da realidade social; quanto aos procedimentos, é simultaneamente, pesquisa de fontes (bibliográfica e documental), por usar fontes secundárias (livros e outros documentos bibliográficos) e pesquisa de campo por utilizar técnicas específicas, como inquéritos e entrevistas, onde ocorrem os fenómenos, sem interferência do pesquisador; quanto à forma de abordagem, trata-se de pesquisa quantitativa, uma vez que traduz em números as opiniões e informações, utilizando técnicas estatísticas para serem classificadas e analisadas; e quanto aos objectivos, trata-se de uma pesquisa descritiva visto que descreve o comportamento dos fenómenos e é utilizado para identificar e obter informações de um determinado problema, bem como responde a questões do tipo: qual, o quê e como. Ainda de acordo com os objectivos, na classificação de Marques (2006), pode ainda ser classificada como uma pesquisa de levantamento. Para o autor, a pesquisa de levantamento, por servir para identificar e catalogar elementos pertencentes a determinado universo. 1.6.2. Métodos usados Segundo Collis & Hussey (2005:24); Os dados compilados costumam ser quantitativos e técnicas estatísticas são geralmente usadas para resumir as informações. A pesquisa descritiva vai além da pesquisa exploratória ao examinar um problema, uma vez que avalia e descreve as características das questões pertinentes (Collis & Hussey, 2005:24) Lakatos & Marconi (1999) reforçam essa argumentação quando afirmam que este tipo de pesquisa procura descrever a realidade como ela é, sem a preocupação de alterá-la. Segundo estes autores, o método adoptado neste tipo de pesquisa é o quantitativo, com o objectivo de mensurar os fenómenos. Contudo, no presente trabalho foram adoptados os métodos quantitativo e qualitativo. A elaboração do mesmo contou com 5 fases, conforme se apresenta a seguir.
  22. 22.   6 1.6.2.1.Pesquisa bibliográfica A pesquisa bibliográfica feita entre os meses de Janeiro e Março de 2014, consistiu na recolha, selecção, análise e interpretação de contribuições de diferentes autores, no que diz respeito á matéria em estudo, recorrendo á bibliografia disponível nas bibliotecas localizadas no município de Inhambane, para além da internet e livros pertencentes a amigos, colegas e familiares que abordam a matéria estudada. 1.6.2.2.Preparação do trabalho de campo Feita a pesquisa bibliográfica que indicou de forma geral quais são os factores que normalmente influenciam positivamente e negativamente o processo empreendedor e quais são os elementos que basicamente devem ser analisados no estudo de viabilidade económico- financeira, foi possível a elaboração os instrumentos de pesquisa, nomeadamente, a estruturação do inquérito e de todas as questões que era necessário esclarecer, no âmbito das causas de sucesso e insucesso de Micro, Pequenas e Médias empresas no município de Inhambane. Assim, foi elaborado pelo autor um questionário semi-estruturado com 56 questões, entre abertas e fechadas, dirigido aos empreendedores que tem micro, pequenas ou médias empresas no município supra (Apêndice 1). 1.6.2.3.Amostra Uma vez que na pesquisa deu-se prioridade aos casos extremos de sucesso ou fracasso, optou- se pelo uso de técnicas de amostragem não probabilísticas, mais concretamente a amostragem por conveniência e a de "bola de neve". A amostragem por conveniência é uma técnica em que, como o próprio nome implica, a amostra é identificada primeiramente por conveniência (Nderson; Sweeney; Williams, 2007). Com essa técnica, foram seleccionados alguns empreendedores bem ou mal sucedidos que através da técnica da “bola de neve” indicaram também os outros. Segundo Albuquerque (2009), a técnica de amostragem por bola de neve é uma forma de amostragem não probabilística utilizada em pesquisas onde os participantes iniciais de um estudo indicam novos participantes que por sua vez indicam novos participantes e assim sucessivamente, até que seja alcançado o objectivo proposto (o “ponto de saturação”) que é atingido quando os novos entrevistados passam a repetir os conteúdos já obtidos em entrevistas anteriores, sem acrescentar novas informações relevantes à pesquisa. O ponto de saturação neste trabalho foi atingido após a entrevista feita ao 135˚ empreendedor.
  23. 23.   7 1.6.2.4.Realização do trabalho de campo Finda a preparação do trabalho de campo, seguiu-se a recolha de dados, na qual foram usadas as técnicas de entrevista e inquérito, sob a forma de questionário semiaberto para as diferentes organizações e individualidades, tendo ainda se usado no caso de questões que exigissem uma avaliação, a escala de Rensis Likert (1 a 5) segundo a qual, 1 significa muito mau, 2 significa mau, 3 significa regular, 4 equivale a bom e 5 significa excelente. Os alvos foram preferencialmente os empreendedores, sejam estes bem ou mal sucedidos e até alguns cujas empresas fecharam. 1.6.2.5.Apresentação de resultados da pesquisa Resumindo-se no método quantitativo, na apresentação de resultados da pesquisa, recorreu-se aos métodos estatístico para o processamento e análise dos dados de campo, através do cálculo de médias e percentagens pelo processo de tabulação1 . Pelo método descritivo, foi possível a descrição do que foi constatado pelo estudo feito junto às diferentes instituições, empreendedores de Micro, pequenas e Médias empresas no município de Inhambane, contando com o auxílio do pacote informático Microsoft Word 2013. 1.7. Delimitação do tema e da área da pesquisa O presente trabalho está centrado nas causas do sucesso e insucesso do empreendedorismo de Inhambane, olhando para os factores de ordem pessoal, ou seja, ligados ao empreendedor, os factores ligados aos ambientes internos das empresas, os que dizem respeito ao microambiente, e os do macro ambiente, dando uma atenção especial ao estudo de viabilidade económico- financeiro, por ser um aspecto crucial que ajuda a tomar decisões sobre o avanço ou não de uma ideia de negócios. A pesquisa foi desenvolvida no município de Inhambane que é a capital administrativa da província com o mesmo nome. Situando-se na parte sudeste da província, Inhambane é cidade portuária e localiza-se na extremidade de uma baía. Está limitado ao norte e a oeste pela baía do mesmo nome, ao sul pelo distrito de Jangamo através do Rio Guiúa – que a abastece em água potável – e a leste pelo oceano Índico, na latitude 23º50` Sul e longitude 35º e 30`, apresentando uma área de 192 km² (ANAMM, 2013).                                                              1  Tabulação - segundo Dencker (1998:163) é um processo estatístico de análise que consiste na contagem para determinar o número de casos que estão favoráveis nas várias categorias. 
  24. 24.   8 1.8. Estrutura do trabalho O presente trabalho está estruturado da seguinte forma:  Capítulo 1 – Introdução: contém a nota introdutória, o enquadramento histórico, o problema, hipóteses, justificativa, objectivos, metodologia, delimitação do tema e a estrutura do trabalho;  Capítulo 2 - Revisão bibliográfica: no qual se aborda a o empreendedorismo e estudo de viabilidade económico-financeira;  Capítulo 3 – Apresentação e análise de resultados: contém os factores que dizem respeito ao empreendedor, aos ambientes internos das organizações, ao microambiente e ao macro ambiente.  Capítulo 4 – Conclusão;  Capítulo 5 – Recomendações;  Capítulo 6 – Bibliografia;  Capítulo 7 – Apêndices; contém o questionário usado na pesquisa dos factores de sucesso ou fracasso, tipologia dos investimentos, procedimentos e fórmulas de cálculo dos diferentes Cash-flows, e tabelas de processamento de dados;  Capítulo 8 – Anexos, contendo um modelo de plano de negócios e as credenciais para o trabalho de campo.
  25. 25.   9 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1.Empreendedorismo 2.1.1. Conceito Muitas são as definições para o termo empreendedorismo encontradas desde as obras de Cantillon (1755), Jean Baptiste Say (1803), e Schumpeter (1906), até Peter Drucker (1950). Segundo Dornelas (2003), um primeiro exemplo de definição de empreendedorismo pode ser creditado a Marco Polo, que tentou estabelecer uma rota comercial para o Oriente. Como empreendedor, Marco Polo assinou um contrato com um homem que possuía dinheiro (hoje mais conhecido como capitalista) para vender as mercadorias deste. Enquanto o capitalista era alguém que assumia riscos de forma passiva, o aventureiro empreendedor assumia papel activo, correndo todos os riscos físicos e emocionais. Segundo Dolabela (1999), no que diz respeito á definição do empreendedorismo: Duas correntes principais tendem, no entanto, a conter elementos comuns à maioria delas. São a dos pioneiros do campo: os economistas, que associaram o empreendedor à inovação, e a d os comportamentalistas, que enfatizam aspectos atitudinais, como a criatividade e a intuição ( Dolabela (1999:47). Segundo Hisrich (2009), o empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação económica e pessoal. Nesta perspectiva, pode-se aceitar como empreendedorismo: a arte de inovar pelo conhecimento, agregando valor aos produtos e serviços à disposição da sociedade. Um conceito simples, mas abrangente, onde o empreendedor é aquele que se propõe á constante busca pela inovação, aproveitando qualquer oportunidade, para a qual agrega valor, transformando-a em riqueza. 2.1.2. Evolução Histórica Hisrich, Peters & Shepherd (2009: 29), traçaram uma evolução histórica das teorias do empreendedorismo e do significado do termo empreendedor ao longo do tempo, conforme ilustra o quadro que se segue.
  26. 26.   10 Quadro 1: Evolução histórica e conceitual do empreendedorismo Período Percepção ou conceito de empreendedorismo Idade Média Participante e pessoa encarregada de projectos de produção em grande escala. Século XVII Pessoa que assumia riscos de lucro (ou prejuízo) em um contrato de valor fixo com o Governo. 1725 Pessoa que assume riscos é diferente da que fornece capital (Richard Cantillon). 1803 Lucro do empreendedor separado do lucro de capital (Jean Baptiste Say). 1876 Distinguiu entre os que forneciam fundos e recebiam juros e aqueles que obtinham lucro com habilidades administrativas (Francis Walker). 1934 O empreendedor é um inovador e desenvolve tecnologia que ainda não foi testada (Joseph Schumpeter). 1961 O empreendedor é alguém dinâmico que corre riscos moderados (David McClelland). 1964 O empreendedor maximiza oportunidades (Peter Drucker). 1975 O empreendedor toma iniciativa, organiza alguns mecanismos sociais, económicos, e aceita riscos de fracasso (Albert Shapero). 1980 O empreendedor é visto de forma diferente por economistas, psicólogos, negociantes e políticos (Karl Vesper). 1983 O intra-empreendedor é um empreendedor que actua dentro de uma organização já estabelecida (Gifford Pinchot). 2006 Empreendedores esboçam uma acção, criam e modificam por meio de suas acções empreendedoras (McMullen e Shepherd). 2009 O empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal (Robert Hisrich). Fonte: Shepherd (2009: 29) 2.1.3. O Empreendedor 2.1.3.1. Conceito Segundo Hisrish citado por Dornelas (2001:18), a palavra empreendedor tem origem francesa (entrepreneur) e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo. Já Dornelas (2001), considera que Schumpeter foi um dos primeiros a definir o empreendedor: Destrói a ordem económica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exportação de novos recursos e materiais. O empreendedor é o responsável pelo processo de destruição criativa, sendo o impulso fundamental que acciona e mantém em marcha o motor capitalista, constantemente criando novos produtos, novos
  27. 27.   11 métodos de produção, novos mercados e implacavelmente, sobrepondo-se aos antigos métodos menos eficientes e mais caros (Dornelas; 2001: 65). Hisrich, Peters & Shepherd (2009:29), destacam que: Para o economista, um empreendedor é aquele que combina recursos, trabalho, materiais e outros activos para tornar seu valor maior do que antes; também aquele que introduz mudanças, inovações e uma nova ordem. Para um psicólogo, tal pessoa é geralmente impulsionada por certas forças – a necessidade de obter ou conseguir algo, experimentar, realizar ou talvez escapar à autoridade de outros (Hisrich, Peters & Shepherd 2009:29). Verifica-se que cada definição do termo empreendedor tem características distintas, no entanto, existem pontos consensuais como: realização, inovação (criar), risco, lucro e organização. 2.1.4. O perfil empreendedor Segundo o IFDEP (2014), o estudo do empreendedorismo, e consequentemente, do empreendedor (dois constructos conceptualmente indissociáveis), tem atraído um interesse cada vez maior nos últimos anos. É notório o esforço e investimento crescentes de Governos e Instituições em desenvolver um perfil empreendedor na população, assim como em criar mecanismos de suporte a novas empresas, seja desde as linhas de crédito e incubadoras tecnológicas, espaços de coworking2 , consultoria, e até eventos para a promoção de redes de negócios. Não existe um verdadeiro perfil de empreendedor. Os empreendedores provêm de experiências educacionais, situações familiares e vivências profissionais variadas. (Hisrich, 2004). Para Dolabela (1999), David C. Mcclelland realizou relevante estudo sobre a identificação das características empreendedoras. Depois de vários anos, criou um modelo de pesquisa, composto por 55 questões, o qual permite concluir que existem dez características principais do empreendedor de sucesso, conforme ilustra o quadro que se segue.                                                              2  Coworking - modelo de trabalho que se baseia no compartilhamento de espaço e recursos de escritório, reunindo pessoas que trabalham não necessariamente para a mesma empresa 
  28. 28.   12 Quadro 2: Características comportamentais empreendedoras Categoria: Desejo de realização Busca de oportunidades e iniciativa O indivíduo faz as coisas antes de ter sido solicitado ou antes de ser forçado pelas circunstâncias; expande os negócios para novas áreas de actuação; aproveita realmente as oportunidades que surgem. Persistência Enfrenta os desafios das mais variadas formas e quantas vezes forem necessárias para superar os obstáculos. Exigência de qualidade e eficiência Procura novas formas de fazer melhor as coisas, de fazer mais rápido ou mais barato; faz as coisas de forma que supere os padrões de excelência; assegura que o seu trabalho será feito no tempo e com a qualidade exigida. Independência e autoconfiança Busca autonomia sobre normas e controles de outros; mesmo diante de resultados adversos mantém seu ponto de vista; demonstra confiança de sua própria capacidade. Categoria: Planeamento e resolução de problemas Correr riscos calculados Avalia e discute as alternativas; procura manter sempre o controle da situação para reduzir os riscos; se envolve em situações de riscos moderados. Estabelecimentos de metas Os objectivos e metas são desafiantes e têm um significado pessoal; as metas são claras, objectivas e definidas a longo prazo; as metas estabelecidas a curto prazo são mensuráveis. Busca de informações Procura pessoalmente todas as informações possíveis sobre o ambiente em que está inserido; busca auxílio de especialistas para obtenção de assessoria técnica ou comercial. Planeamento e monitoramento sistemáticos Divide as tarefas de grande porte em subtarefas com prazos definidos; está sempre revendo os seus planos, observando as diversas variáveis que possam influenciar; faz uso de registos financeiros para a tomada de decisões. Categoria: Influência (capacidade de relacionar com pessoas) Persuasão e rede de contactos Discute estratégias antecipadamente para influenciar e persuadir os outros; utiliza-se de pessoas-chave para atingir os próprios objectivos; está sempre desenvolvendo e mantendo relações comerciais. Comprometimento Sacrifica-se e faz qualquer esforço para completar uma tarefa; está sempre colaborando com os colaboradores para que o trabalho seja terminado; faz qualquer coisa para manter o cliente. . Fonte: McClelland (1972) Já Silva (2007), aponta para a existência de 15 características do empreendedor de sucesso, afirmando que são visionários; sabem tomar decisões; fazem diferença; sabem explorar no máximo as oportunidades; são determinados e dinâmicos; dedicados; optimistas e apaixonados pelo que fazem; são independentes e constroem o seu próprio destino; são líderes e formadores
  29. 29.   13 de equipas, são bem relacionados; organizados; bons planificadores; possuidores de conhecimentos; assumem riscos calculados; e criam valor para a sociedade. 2.1.5. Tipos de empreendedorismo (empreendedores) 2.1.5.1.Quanto á finalidade No que diz respeito á finalidade dos empreendimentos, existem os seguintes tipos de empreendedor:  O Empreendedor Social -Segundo Degen (2009), o empreendedor social tem como missão de vida construir um mundo melhor para as pessoas. Envolve-se em causas humanitárias com comprometimento singular. Tem um desejo imenso de mudar o mundo criando oportunidades para aqueles que não têm acesso a elas, sente-se realizado vendo seus projectos trazerem resultados para os outros e não para si próprios.  Empreendedorismo de negócios -No empreendedorismo de negócios são claros os desafios: a competitividade do negócio; a busca pelos diferenciais competitivos; de vencer a concorrência; conquistar clientes; e alcançar a lucratividade e a produtividade necessárias à manutenção do empreendimento (Degen, 2009). 2.1.5.2.Quanto á proveniência do empreendedor Relativamente á sua proveniência, encontram-se os seguintes tipos:  Intra-empreendedorismo ou empreendedorismo corporativo - É definido como um processo pelo qual um indivíduo ou um grupo de indivíduos que estão ligados a uma organização já existente definem uma nova organização, ou estimulam a inovação, dentro do âmbito da organização á qual pertencem. De acordo com Dornelas (2007), esse perfil tem-se tornado em maior evidência nos últimos anos devido à importância de sua actuação para as grandes organizações, pois apresentam grande capacidade de inovar e criar novos negócios. Há duas variantes do empreendedorismo corporativo, que se distinguem de acordo com o cenário correlacionado à organização: o corporate venturing3 no meio externo e o intrapreneurship4 no meio interno.  Empreendedorismo start-up - O termo em si evidencia o sentido de início. É característico de todo aquele que cria um novo negócio ou uma nova empresa de acordo                                                              3 Corporate venturing: investimento de grandes empresas em micro e pequenas, com múltiplos objetivos, que incluem conhecimento de tendências de mercado, retornos financeiros e objectivos estratégicos. 4 Intrapreneurship: empreendedorismo por colaboradores dentro de uma organização.
  30. 30.   14 com uma oportunidade e ideia. Para Dornelas (2008), o empreendedorismo start-up traduz a busca da oportunidade na criação de um novo negócio, com a consequência de assumir os riscos. 2.1.5.3.Quanto á forma pela qual emergem Quanto á forma pela qual emergem, destacam-se os seguintes tipos:  O Empreendedor Nato (Mitológico) - São os mais conhecidos e aclamados. Suas histórias são brilhantes e, muitas vezes, começaram do nada e criam grandes impérios. Começam a trabalhar muito jovens e adquirem habilidade de negociação e de vendas. São visionários, optimistas, estão à frente do seu tempo e comprometem-se 100% para realizar seus sonhos. Suas referências e exemplos a seguir são os valores familiares e religiosos, e eles mesmos acabam por se tornar uma grande referência.  O empreendedor que Aprende (Inesperado) - Este empreendedor nunca pensou em empreender algo, porém aproveitou uma oportunidade que ele conseguiu identificar. Antes de se tornar empreendedor, acreditava que não gostava de assumir riscos. Tem de aprender a lidar com as novas situações e se envolver em todas as actividades de um negócio próprio. (Degen, 2009).  O empreendedor Herdeiro (Sucessão Familiar) - Desde cedo recebe a responsabilidade de levar o legado de sua família. Seu dever é multiplicar o património. Existe 2 tipos, o inovador e o conservador. O inovador desenvolve novos planos de negócios e produtos, já os conservadores aperfeiçoam o modelo já existente. Podem ser encontrados nas empresas familiares (Filion, 2009).  O empreendedor por necessidade - Para complementar a renda ou conseguir alguma por estar desempregado, este empreendedor faz da necessidade uma oportunidade. Muitas vezes ele cria seu negócio por não ter mais alternativa (Filion, 2009). Geralmente não tem acesso ao mercado de trabalho ou foi demitido. Não resta outra opção a não ser trabalhar por conta própria. 2.1.5.4.Outras classificações Para além das classificações anteriormente apresentadas, outros autores classificam ainda o empreendedor em planeado ou normal e o serial.
  31. 31.   15  O empreendedor “Normal” (Planeado) - Em todo mundo, é unânime que o planeamento é o ingrediente principal para o sucesso de um empreendimento (Filion, 2009). Este, é o empreendedor que “faz a lição de casa”, que busca minimizar riscos, que se preocupa com os próximos passos do negócio, que tem uma visão de futuro clara e que trabalha em função de metas é o empreendedor aqui definido como o “normal” ou planeado. “Normal” do ponto de vista do que se espera de um empreendedor, mas não necessariamente do que se encontra nas estatísticas gerais sobre a criação de negócios (a maioria dos empreendedores ainda não se encaixa na categoria “normal”). Então, o empreendedor normal seria o mais completo do ponto de vista da definição de empreendedor e o que se teria como referência a ser seguida, mas que na prática ainda não representa uma quantidade considerável de empreendedores.  O empreendedor Serial - Sua principal característica é estar mais apaixonado pela criação que pelo negócio em si. Não se contenta em abrir uma empresa e/ou empreender um novo produto, geralmente precisa de pessoas para dar continuidade a suas criações enquanto parte para outras. É bem comum este tipo de empreendedor fracassar, o que para ele é apenas estímulo para não parar (Degen, 2009). 2.1.6. O processo empreendedor Conjugando fatores externos, questões pessoais, uma boa idéia que possa aproveitar uma oportunidade de negócio, mais a inserção de recursos de capital, há condições para o início de um processo empreendedor. Na visao de Dornelas (2005:45), O primeiro factor é a oportunidade, que deve ser avaliada para que se tome a decisão de continuar ou não com o projecto. O segundo factor é a equipe empreendedora, ou seja, quem além do empreendedor estará actuando em conjunto nesse projecto. Finalmente, o terceiro factor, quais são os recursos, como e aonde esta equipe irá consegui-los (Dornelas, 2005:45). O modelo de Timmons & Spinelli (2003), se fundamenta no equilíbrio entre esses três factores: uma oportunidade, a actuação de um líder empreendedor, que comande uma equipe empreendedora, e a capacidade de captação e uso de recursos disponibilizados, considerando que o sucesso do processo empreendedor depende da integração equilibrada e holística desses factores, componentes controláveis do processo empresarial que podem ser avaliados, influenciados e alterados.
  32. 32.   16     Figura 1. O processo empreendedor segundo Timmons Fonte: Timmons (2003) Já para Hirsch & Peters (1998), o processo empreendedor envolve 4 fases, sendo a Identificação e avaliação de oportunidades, o desenvolvimento do plano de negócio, a determinação e captação de recursos necessários e a gestão da empresa criada, segundo ilustra a figura a seguir. Figura 2. O processo empreendedor segundo Hirsch & Peters Fonte: adaptado de Hirsch & Peters, (1998) 2.1.6.1.Fase I. – Identificar e avaliar a oportunidade Timmons & Spinelli (2003) e Hirsch & Peters (1998), estão na mesma linha de pensamento, uma vez que para estes últimos também, o processo inicia-se com a identificação de uma PROCESSO EMPREENDEDOR Por Timmons Oportunidade Recursos Equipe Plano de Negócio Liderança Criatividade Comunicação Identificar e avaliar oportunidade Desenvolver plano de negócio Determinar e captar recursos necessários Gerir empresa criada • Criação e abrangência da oportunidade • Valores percebidos e reais da oportunidade •Riscos e retornos da oportunidade •Oportunidade versus habilidades e metas pessoais • Situação dos competidores 1. Sumário executivo 2.O conceito do negócio 3.Equipa de gestão 4. Mercado e competidores 5. Marketing e vendas 6. Estrutura e operação 7. Análise estratégica 8. Plano financeiro 9. Anexos • Recursos pessoais • Recursos de amigos e parentes • Business angels • Capitais de risco • Bancos • Governo • Incubadoras • Estilo de gestão • Fatores críticos de sucesso • Identificar problemas actuais e potenciais • Implementar um sistema de controlo • Profissionalizar a gestão • Entrar em novos mercados
  33. 33.   17 oportunidade e análise da sua potencialidade. Através de, por exemplo, avaliações das necessidades de mercado, da concorrência e do ciclo de vida do produto, sendo importante testar a ideia ou conceito de negócio junto de potenciais clientes, avaliando a sua disposição para adquirir o produto ou serviço. Esta avaliação permitirá ao empreendedor formular concepções acerca da dimensão do mercado e de como se encontra (em crescimento, estável ou estagnado), conhecer a concorrência, e avaliar através de uma análise SWOT5 , os pontos fortes e fracos, as ameaças e as oportunidades. 2.1.6.1.1. Oportunidade Kotler (2000), afirma que onde quer que haja uma necessidade, há uma oportunidade. Neste mesmo diapasão, Lee e Venkataraman (2006), definem oportunidade como uma chance para um indivíduo (ou uma equipe) oferecer algum valor novo à sociedade, frequentemente introduzindo produtos ou serviços inovadores, modernos e originais através de uma empresa nascente. Uma oportunidade caracteriza-se por um conjunto de circunstâncias favoráveis, que cria o desejo de um novo produto ou serviço. Por outro lado,  “as oportunidades podem ser classificadas de acordo com sua atractividade e com sua probabilidade de sucesso” (Kotler, 2000:98). Segundo Ferreira et al. (2010), uma boa oportunidade deve conter quatro qualidades essenciais: ser atractiva, durável, estar disponível no momento e local certo, e poder ser transformada em um produto ou serviço que agregue valor ao cliente. Para o aproveitamento da oportunidade, é indispensável uma boa ideia que também é válida, apenas quando aplicada a uma oportunidade específica. 2.1.6.1.2. Ideia Segundo o dicionário Michaelis (2012), uma ideia é a representação mental de uma coisa concreta ou abstracta e também um pensamento, concepção ou plano. Por outro lado, segundo Ferreira et al. (2010), uma ideia está associada à criatividade e pode ser definida como um pensamento ou noção, que podem ter ou não as qualidades de uma oportunidade. Já Mazzei (2012:51), acredita que, As ideias nem sempre podem ser implementadas, por isso, boa ideias não são sinônimo de sucesso. O que garante sua possibilidade de implementação é uma oportunidade, também chamada de uma janela estratégica de mercado, cujo desejo do consumidor pode ser traduzido em um produto ou serviço. Os                                                              5 SWOT – é a sigla dos termos ingleses Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças)
  34. 34.   18 empreendedores precisam estar atentos ao ambiente externo da organização, a fim de identificar as oportunidades presentes. Para tanto, precisam sempre observar as tendências de mercado (Mazzei, 2012:51). Neste contexto, muitos negócios falham não porque o empreendedor não trabalhou arduamente, mas sim porque efectivamente não havia uma oportunidade inicial, sendo indispensável uma boa ideia para o correcto aproveitamento de qualquer que seja a oportunidade. 2.1.6.1.2.1.Fontes de novas ideias Conforme Stevens & Burley (1997), as ideias podem surgir das mais diversas fontes e contextos. Existem várias fontes conhecidas e utilizadas para geração de ideias. As mais comuns são: brainstorming6 , grupos de discussão, questionários nas empresas, “caixinha de sugestões”, pesquisas formais, experiências de trabalho anteriores, aulas, hobbies, conversas com amigos, familiares e conhecidos, feiras, encontros sociais, leitura de biografias, dentre outras. Segundo Ferreira et al (2010), as ideias de negócios têm muitas vezes origem na identificação de necessidades, observação de deficiências, observação de tendências (económicas, demográficas, socio-culturais, e político-legais), derivação da ocupação actual, procura por novas aplicações, hobbies7 , imitação do sucesso do outro, canais de distribuição, regulamentações governamentais e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). 2.1.6.1.2.2. Métodos de geração de Ideias Segundo Mauzy & Harriman (2003), o processo de geração de ideias se baseia em três variáveis importantes: um norte, liberdade e tempo. O norte é a geração das ideias alinhadas com os objectivos da organização. A liberdade proporciona a criatividade e o crescimento numérico de ideias. E o tempo que precisa existir, pois um curto espaço de tempo pode comprometer a qualidade destas ideias. Ferreira et al. (2010), sugere como métodos de geração de novas ideias, o Brainstorming – uma tempestade de ideias em que um grande número de profissionais sugere soluções a um problema previamente estabelecido; focus group - elaboração de grupos de discussão sobre as propriedades de um produto ou serviço, a fim de buscar possibilidades de melhorias e inovações deste; os questionários; observação directa; análise de inventário de problemas;                                                              6  Brainstorming – tempestade de ideias.  7  Hobbies - uma atividade que é praticada por prazer nos tempos livres. 
  35. 35.   19 check list 8 que consiste na elaboração de um conjunto de questões que se precisa resolver para discutir em grupo; livre associação, que consiste em escrever ideias relacionadas com o problema, sucessivamente, complementando umas as outras; e associações colectivas, método no qual, com um bloco de notas, cada participante pensa em possíveis soluções para a utilização do bem ou serviço em seu dia a dia. Dois aspectos são, segundo Silva, (2007), indispensáveis no processo de geração de ideias de negócios: a inovação e criatividade. Para Drucker (2002:25), A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente. Ela pode ser apresentada como disciplina, ser apreendida e ser praticada (Drucker, 2002:25). Marzano (2005, apud Miguez, 2012:27) define inovação como “um processo que conjuga oportunidades e necessidades, e que tem por objectivo introduzir ou modificar produtos, processos e gestão de novos produtos/serviços em relação ao sector de actuação”. Além disso, inovação é resultado da habilidade de fazer conexões, de identificar oportunidades e transformar a aplicação desta habilidade em um resultado concreto. Para Dornelas (2003), inovação é a criação de algo novo, diferente, capaz de mudar a situação actual e buscar, de forma incessante, novas oportunidades de negócio, tendo como foco a criação de valor. Já no que concerne á criatividade, de acordo com a etimologia das palavras, o termo criatividade deriva do latim creare, que significa criar, inventar, fazer algo novo  (Parolin, 2001). Segundo Filion & Dolabela (1999), se associada ao conceito de negócio, a criatividade pode ser definida como a capacidade de encontrar constantemente soluções para os problemas, de construir novos produtos, de definir novas perguntas. Para Marques (2010), ideias criativas são essenciais no desenvolvimento de novos negócios. Se, ao mesmo tempo, essas ideias forem inovadoras, as probabilidades do nascimento de um negócio de sucesso aumentam consideravelmente. Segundo o autor, É importante frisar que a criatividade não se resume a inventar soluções partindo do zero. A criatividade pode-se manifestar, também, por meio da imitação. Por exemplo, um empreendedor é capaz de descobrir novas utilizações para produtos já existentes, pode desenvolver métodos mais                                                              8  Check list - lista de verificações. 
  36. 36.   20 rentáveis para produzir um determinado produto ou mesmo encontrar novos mercados para um certo serviço (Marques 2010:07) Sobre as ideias, Mazzei (2012), explica: Após o processo de geração de ideias, é preciso avaliá-las, identificando aquelas que possuem melhor viabilidade de implementação e, em seguida, desenvolver um plano de execução da mesma. Também é importante se preocupar com uma forma de proteção das ideias já elaboradas por meio de registos e patentes (Mazzei, 2012:55). 2.1.6.1.2.3.Critérios de Avaliação de Ideias Gerar ideias é um processo totalmente aberto e receptivo já que uma ideia pode partir de dentro ou de fora da organização, porém a forma pela qual se vão escolher as ideias que devem fazer parte da organização precisa ser mais conceitual e seguir critérios de priorização. Estes critérios de avaliação de ideias devem ser estabelecidos conforme o tipo de negócio em que a organização actua, levando sempre em conta as experiências anteriores (Patterson, 1999). Patterson (1999), descreve as características que devem ser analisadas para a construção dos critérios de avaliação das ideias. Para o autor, uma ideia deve criar um alto retorno em facturamento e lucratividade; estar alinhada com os direccionamentos estratégicos; reflectir o entendimento dos clientes e suas necessidades assim como dos competidores e seus produtos; criar uma substancial vantagem competitiva; levar em conta os problemas de marketing e distribuição; e reflectir o entendimento das restrições aplicadas por agências regulatórias, leis e outros. Os riscos relacionados com a sua implementação devem estar bem estimados e estabelecido um plano de contingência. 2.1.6.1.2.4.Processo de seleção de ideias Segundo Alves et al. (2007), as ideias mais alinhadas à organização devem ser seleccionadas, enquanto as outras ideias podem ser alteradas, unidas ou rejeitadas. Para o autor, Um bom processo de selecção de ideias pressupõe uma ótima sistemática de planeamento estratégico que defina segmentos de mercado e famílias de produtos e de linhas tecnológicas a serem perseguidas. Com base neste pano de fundo, as ideias que se encaixam nestas premissas, ainda precisam ser confrontadas com o grau de investimento necessário para sua implementação, juntamente com a intensidade de risco tecnológico de sucesso e tempo de introdução no mercado (Alves et al. 2007:34)
  37. 37.   21 O processo de selecção de ideias precisa conseguir que todas as ideias sejam verificadas, avaliadas e assim hierarquizadas. As ideias avaliadas que não passarem na selecção precisam ser armazenadas e as ideias que forem aprovadas recebem recursos e enfim são iniciadas (Cooper, 2001). Já para Silva (2007: 22-23), esquematicamente, por forma a seleccionar uma ideia que constitua uma oportunidade de negócio, há que seguir os seguintes passos: Figura 3 – Selecção de uma ideia de negócios Fonte: Silva, (2007) Portanto, um Estudo de Viabilidade Económico-financeira (EVE) que aconselha-se que seja parte integrante do plano de negócios, poderá analisar e seleccionar uma ideia de negócios. Sobre o EVE o trabalho aborda mais á frente, num ponto específico, por ser uma matéria que precisa de um certo aprofundamento. 2.1.6.2. Fase II - Desenvolver plano de negócio Na visão do IFDEP (2014), o Plano de Negócio (PN) sumarizará todo o negócio, abordando pontos como a estratégia, o mercado, a concorrência, os factores críticos de sucesso, a análise económico-financeira, investimentos, gastos, financiamentos, entre outros. Este planeamento será de extrema importância para o sucesso do negócio, uma vez que é fundamental que o empreendedor planeie as acções a realizar e delineie estratégias a seguir. Ideia Identificação da oportunidade Definição da procura do cliente Criação do diferencial de competitividade e marketing Demarcação dos limites sazonais e da concorrência Definição do investimento e capitalização no mercado Distribuição do potencial de crescimento no mercado Organização do sistema de rede operacional de qualidade Desenvolvimento da Imagem do produto Política de atendimento ao cliente Escolha do mercado Necessidades Existentes Esfera INDIVIDUAL: associa prazer pessoal e profissional Esfera EMPREENDEDORA: associa a imagem do negócio e a necessidade da procura Rentabiliza os riscos existentes Explora hobbies e cria moda Incorpora experiências e estilos de acção Introduz a cultura organizacional Observa e adapta criativamente outros já existentes Aprende com o mercado Define colaboradores internos e externos Define fornecedores directos e indirectos Define sociedades e parcerias no mercado
  38. 38.   22 Segundo SEBRAE (2013), um PN é um documento que descreve por escrito os objectivos de um negócio e quais passos devem ser dados para que esses objectivos sejam alcançados, diminuindo os riscos e as incertezas. Um PN permite identificar e restringir seus erros no papel, ao invés de cometê-los no mercado. 2.1.6.2.1. A Importância do Plano de Negócios Segundo Dornelas (2008:104), o PN apresenta 5 objetivos: “testar a viabilidade de um conceito de negócio, orientar o desenvolvimento das operações e estratégia, atrair recursos financeiros, transmitir credibilidade e desenvolver a equipe de gestão”. Na visão de Pavini (1997), o PN possibilita a diminuição da probabilidade de morte precoce das empresas, uma vez que uma parte dos riscos e as situações operacionais adversas serão previstas no seu processo de elaboração, assim como a elaboração de planos de contingência. Para o autor, o PN ajuda a encontrar um caminho para o futuro da empresa, uma vez que a ideia na sua elaboração é o conhecimento suficiente do tipo de negócio ou serviço que se esteja ou pretenda oferecer, os objectivos perseguidos, os clientes actuais e potenciais, os mercados, os preços, a concorrência, os recursos financeiros disponíveis, as operações e o ambiente externo no seu todo, de maneira a permitir uma melhor gestão das operações, o estabelecimento de estratégias que permitam a consecução de melhores resultados. Dornelas (2003), afirma que o PN é muito importante na medida em é um instrumento de apresentação da empresa para diferentes públicos ou stakeholders, sendo estes, entre outros, os sócios, bancos, estado, fornecedores, clientes, gestores e demais colaboradores. O anexo 1 apresenta uma proposta de modelo de plano de negócios na visão de SEBRAE (2014). 2.1.6.3.Fase III - Determinar e captar recursos necessários A capacidade de planeamento e de negociação do empreendedor serão fundamentais nesta fase, para que se consiga determinar quais os recursos necessários à implementação do negócio, assim como para a sua posterior captação. O sucesso desta fase encontra-se em muito dependente da fase anterior. O financiamento pode ser obtido através de diversas fontes, como crédito bancário, microcrédito, business angels9 , apoios estatais, capital de risco, economias pessoais, familiares e amigos, entre outras (IFDEP, 2014)                                                              9 Segundo Damodaran, (2010). Business Angels são investidores individuais que investem, directamente ou através de sociedades veículo, no capital de empresas com potencial de crescimento e valorização.
  39. 39.   23 2.1.6.4.Fase IV - Gerir empresa criada Depois de identificar uma oportunidade de negócio, desenvolver detalhadamente um plano de negócio, e captar os recursos necessários para iniciar a actividade, o empreendedor debate-se com as questões administrativas e de gestão de todo o processo. Nesta fase, o empreendedor deverá identificar as suas limitações, recrutar a sua equipa de trabalho e planear as acções, de forma a conjugar eficiência e eficácia, conduzindo o seu negócio ao sucesso. Apesar das quatro fases do processo empreendedor se encontrarem representadas de forma sequencial, elas não são imutáveis. Pode, um empreendedor, não concluir uma das fases e iniciar imediatamente a seguinte, ou mesmo ter de repetir várias vezes um conjunto de fases até que alcance a última delas. Este processo pode também ser considerado um ciclo, encontrando-se o empreendedor numa contínua identificação e avaliação de novas oportunidades (IFDEP, 2014). 2.1.6.5.Factores que influenciam o processo empreendedor Para Cyntia (2012), o desemprego ou necessidade de segurança, a de independência ou autonomia, a necessidade de auto-realização, a educação e experiencia anterior, a posição social e a situação de marginalização, são os factores que levam ao surgimento de empreendedores. Já para Moore (1986), são os factores externos, ambientais e sociais, aptidões pessoais ou um somatório de todos estes factores, que desempenham um papel fundamental no surgimento de uma ideia de negócio e no crescimento de uma nova empresa, conforme ilustra a figura que se segue.                 Figura 4. Factores que influenciam no processo empreendedor Fonte: adaptado de Moore, (1986). Inovação Evento inicial Implementação Crescimento Factores Pessoais Realização pessoal Assumir riscos Valores pessoais Educação Experiência Factores Pessoais Assumir riscos Insatisfação com o trabalho Despedimento Educação Idade Factores Sociológicos Networking Equipas Influência familiar Modelos de sucesso (pessoas) Factores Pessoais Empreendedor Líder Gerente Visão Factores organizacionais Equipa Estratégia Estrutura Cultura Produtos Ambiente Oportunidade Criatividade Modelos de sucesso (pessoas) Ambiente Competição Recursos Incubadoras Políticas públicas Ambiente Competidores Clientes Fornecedores Investidores Bancos Recursos Políticas públicas
  40. 40.   24 Resumindo a figura, os factores que influenciam o processo empreendedor, são os de ordem pessoal, os inerentes á própria organização e os referentes ao ambiente externo. Segundo Dornelas (2001), a dinâmica do processo empreendedor envolve quatro factores críticos para o desenvolvimento económico: talento (pessoas), tecnologia (ideais), capital (recursos) e know-how (conhecimento). Já para Lee apud Dornelas (2003), os factores ambientais internos e externos que influenciam o processo empreendedor são, respectivamente: orientação empreendedora; capacidade tecnológica; recursos financeiros investidos durante o período de desenvolvimento da empresa; redes de contactos; relacionamentos unilaterais; e relacionamentos bilaterais. É notória a menção do ambiente nas várias visões dos autores como o detentor de factores influenciadores do processo empreendedor. Sobre o ambiente, Galindo (2004:79), afirma: Para o estudo do ambiente das organizações empresariais, tradicionalmente os compêndios o decompõem em três camadas ou níveis de análise: Ambiente Externo Macro ambiental (Ambiente Geral ou Macro ambiente), Ambiente Externo Microambiental (Ambiente Sectorial, Específico ou Microambiente) e Ambiente Interno á própria Organização ou Empresa (Galindo, 2004:79). Para Hitt et al (2002:50-51), o modelo adequado para análise do Macro ambiente é composto por seis segmentos ambientais: demográfico, económico, político-legal, sociocultural, tecnológico e global. O autor apresenta também os elementos críticos a serem analisados em cada segmento.
  41. 41.   25 Quadro 3: Elementos a analisar no macro ambiente Segmento Elementos críticos Demográfico 1. Tamanho da população; 2. Estrutura etária; 3. Distribuição geográfica; 4. Composto étnico; e 5. Distribuição da renda. Económico 1. Taxas de inflação; 2. Taxas de juros; 3. Deficits ou superavits na balança comercial; e 4. Taxa de poupança individual; 5. Taxas de poupança comercial; e 6. PIB-Produto Interno Bruto. Político-legal 1. Leis anti truste; 2. Leis tributárias; 3. Filosofia de desregulamentação; 4. Leis trabalhistas de treinamento; e 5. Filosofia e políticas educacionais. Sociocultural 1. A mulher na força de trabalho; 2. Diversidade da força de trabalho; 3. Atitudes em relação à qualidade da vida profissional; 4. Questões ambientais; 5. Mudanças nas preferências de trabalho e carreira; e 6. Mudanças nas preferências relacionadas com características de produtos e serviços. Tecnológico 1. Inovações de produto; 2. Aplicações dos conhecimentos; 3. Enfoque das despesas em P&D do governo e da iniciativa privada; e 4. Novas tecnologias de comunicações. Global 1. Eventos políticos importantes; 2. Mercados globalizados críticos; 3. Países recém-industrializados; e 4. Atributos culturais e institucionais diferentes. Fonte: Hitt et al (2002) Sobre o Microambiente, um modelo popular usado na análise do mesmo é o das cinco forças de Porter que abrange os componentes que influenciam profundamente na rentabilidade média de um determinado sector, nomeadamente “o poder de negociação dos fornecedores, poder de negociação dos compradores, ameaça de produtos substitutos, ameaça de novos entrantes e rivalidade entre as empresas concorrentes” (Galindo, 2004:95)
  42. 42.   26 Figura 5 – Modelo de Análise Sectorial das Cinco Forças de Porter Fonte: Galindo (2004) No que diz respeito ao ambiente interno, Hitt et al (2002), refere que é importante analisarem- se os recursos tangíveis e intangíveis da organização, segundo ilustra o quadro a seguir. Quadro 4: Recursos tangíveis que devem ser analisados numa organização Tipos de recursos Características Tangíveis Recursos financeiros  Capacidade de levantar o capital; e  Habilidade da empresa em gerar fundos internamente. Recursos organizacionais  Estrutura formal de comunicação da empresa e seus sistemas formais de planeamento, controle e coordenação Recursos físicos  Grau de sofisticação e ponto de localização da fábrica e dos equipamentos da empresa; e  Acesso a matérias-primas. Recursos tecnológicos  Stock de tecnologia, como patentes, marcas registadas, direitos autorais e segredos comerciais. Fonte: Adaptado de Hitt et al (2002) PODER DOS FORNECEDORES  Concentração de fornecedores  Importância do volume para os Fornecedores  Diferenciação de insumos  Impacto dos insumos sobre o custo ou sobre a diferenciação  Custos (para os compradores) da mudança de fornecedores e das empresas no sector  Presença de insumos substitutos  Ameaça de integração para frente em relação á ameaça de integração para trás pelas empresas no sector  Custo relativo às compras totais no sector GRAU DE RIVALIDADE  Concentração e equilíbrio  Custos fixos (ou de armazenamento) / valor agregado  Excesso de capacidade intermitente  Crescimento do sector  Diferenças dos produtos  Identidade da marca  Custos da mudança  Complexidade da informação  Diversidade de concorrentes  Interesses empresariais  Barreiras de saída A AMEAÇA DE ENTRADA (Barreiras de Entrada)  Vantagens de custo absolutas  Curva de aprendizagem exclusiva  Acesso á insumos necessários  Projectos de produtos patenteados de baixo custo  Política governamental  Economias de escala  Exigências de capital  Diferenças de produtos patenteados  Identidade da marca  Custos de mudança  Acesso á distribuição  Expectativa de retaliação A AMEAÇA DE SUBSTITUTOS  Desempenho do preço relativo dos substitutos  Custo de mudança  Propensão do consumidor a substituir PODER DOS COMPRADORES  Alavancagem Da negociação  Concentração de compradores versus concentração de empresas  Volumes do comprador  Custos (para os compradores) da mudança da empresa  Capacidade de recuperação / superação  Produtos substitutos  Capacidade de integração para trás  Sensibilidade ao preço  Preço/compras totais  Impacto sobre a qualidade/desempenho  Diferenças dos produtos  Identidade da marca  Lucros do comprador  Incentivo dos decisores SECTOR
  43. 43.   27 Quadro 5: Recursos intangíveis que devem ser analisados numa organização Tipos de recursos Características Intangíveis Recursos humanos  Idade;  Nível de escolaridade;  Conhecimento;  Confiança;  Capacidade de gestão; e  Rotinas de organização. Recursos de inovação  Ideias;  Capacidade científica; e  Capacidade de inovar. Recursos de reputação  Reputação junto aos clientes (nome da marca, percepções de qualidade, durabilidade e confiabilidade do produto);  Reputação junto aos fornecedores (interacções e relações de eficiência, eficácia, suporte e benefício recíproco). Fonte: Adaptado de Hitt et al (2002) 2.2.Micro, Pequenas e Médias empresas As micro, pequenas e médias empresas (MPME) são antes de tudo, organizações. A organização é, segundo Maximiano (1992), uma combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. Para que ela exista é necessário que haja um grupo formal de pessoas com uma ou mais metas compartilhadas, regras, procedimentos, hierarquia, sistema de comunicação e esteja inserida em um ambiente (Hall, 2004). Já para Cristiano (2007:68-69), Etimologicamente, a palavra empresa significa as coisas que foram empreendidas; o verbo empreender, por sua vez, vem da palavra latina “imprehendere”, que se compõe de in (ilativo) mais “prehendere” (tomar), significando “tomar sobre si”, no sentido de assumir a responsabilidade de um projecto, por exemplo, para executá-lo (Cristiano, 2007:68-69). Já o número um do artigo três do Código comercial da República de Moçambique dispõe: Considera-se empresa comercial toda a organização de factores de produção para o exercício de uma actividade económica destinada à produção, para a troca sistemática e vantajosa, designadamente: a) da actividade industrial dirigida à produção de bens ou serviços; b) da actividade de intermediação na circulação dos bens; c) da actividade agrícola e piscatória; d) das actividades bancária e seguradora; e) das actividades auxiliares das precedentes.
  44. 44.   28 De acordo com a National Small Business Act of South Africa, MPME são definidas como entidades distintas de negócios, que não sejam parte de um grupo corporativo (Joubert; Schoeman; Blignaut, 1999). Para Loecher (2000), a classificação das empresas pode ser quantitativa, para as características passíveis de serem quantificáveis (como número de trabalhadores, volume de negócios, entre outros) e qualitativas para as não quantificáveis como a qualidade de liderança de pessoal, por exemplo. Por seu turno, Kunsch (2003), para além da classificação qualitativa e quantitativa, fala sobre três formas de classificar as empresas: em função do seu tamanho (utilizando critérios como número de trabalhadores, volume de actividades e facturamento), em função do tipo de actividade que desenvolve (como produtora de bens ou como prestadora de serviços) e em função do seu raio de actuação ou sua abrangência (locais, regionais e multinacionais). Para o presente trabalho serão classificadas as empresas usando-se o critério quantitativo de número de trabalhadores. Por esse critério, o Estatuto Geral das Micro, Pequena e Média empresas, aprovado pelo Decreto n.º 44/2011, de 21 de Setembro define como Micro empresas as que tiverem entre 1 a 4 trabalhadores, Pequenas empresas as que tiverem entre 5 a 49 trabalhadores, e Médias empresas as que tiverem 50 a 99 trabalhadores. 2.3.Estudo de viabilidade económico-financeira de projectos de investimento 2.3.1. Definição de investimento De acordo com Bodie & Marcus (1998), investimento implica comprometer recursos na expectativa de obter benefícios futuros. Para estes autores, Ao comprometer recursos, o investidor incorre num custo de oportunidade, sacrificando a hipótese de poder despender os seus recursos hoje, em ambiente certo, optando por investi-los numa alternativa que devolverá resultados futuros, em ambiente de risco e incerteza (Bodie & Marcus, 1998:23-24). Murad (1962), afirma que que na teoria financeira, investimento se refere estritamente ao termo valores mobiliários, contudo, perante a teoria económica, significa despender dinheiro/recursos com o objectivo de adicionar mais capital. Por outro lado, segundo Damodaran (1997), Um investimento, numa definição aplicada directamente aos projectos de investimento em particular, pressupõe um custo inicial significativo, a geração de fluxos financeiros durante um determinado período de tempo e a inclusão de um valor residual correspondente à valoração dos activos utilizados no projecto no final da vida útil do mesmo (Damodaran, 1997:160). As diferentes tipologias de investimentos são apresentadas no Apêndice 2.
  45. 45.   29 2.3.2. A avaliação de projectos de investimento Um Projecto de Investimento (PI) é entendido como um conjunto de informação sistematizada com o objectivo de fundamentar uma decisão de investimento. Para Barros (2007:19), O projecto de Investimento pretende estimar o valor (o mais exacto possível) a ser criado pelo investimento, aumentando a eficiência da utilização dos recursos. Um projecto envolve um conjunto de decisões e objectivos, entre os quais, a escolha dos recursos a alocar, a determinação das receitas e despesas, a escolha das fontes de financiamento e o estudo do enquadramento legal e financeiro (Barros, 2007:19). No que concerne à própria avaliação do PI, esta tem um carácter multidisciplinar na medida em que pode ser realizada partindo de diferentes perspectivas em função dos objectivos do analista. O presente trabalho está focado na vertente da avaliação económica e financeira, que parte do pressuposto da maximização do lucro e valor da empresa, cujo processo, segundo (Barros, 2007), pode dividir-se em duas etapas principais: a) Avaliação Económica ou de Pré-financiamento: avalia a rendibilidade do investimento pressupondo que este é exclusivamente financiado por capitais próprios. b) Avaliação Financeira ou de Pós-financiamento: avalia a rendibilidade do investimento, considerando os custos de financiamento decorrentes do recurso a capitais alheios e outras consequências que advém da opção por capital alheio. Segundo Abecassis & Cabral (1988), Numa perspectiva empresarial, o investidor tem a percepção do interesse do investimento a partir da avaliação do grau de rendibilidade que este lhe apresenta. A rendibilidade de um investimento está de acordo com o seu potencial em assegurar a recuperação total dos capitais investidos, ao mesmo tempo que concede um rendimento adicional em montante suficiente para liquidar os juros relativos às fontes de financiamento de capital alheio e remunerar os respectivos sócios/accionistas em função da rendibilidade requerida, directamente influenciada pelo grau de risco e de incerteza inerente ao projecto (Abecassis & Cabral, 1988). Assim, a determinação da rendibilidade de um projecto assenta no confronto directo do montante de capital investido com o montante dos fluxos financeiros (cash flow) decorrentes da exploração do mesmo, durante a sua vida útil.
  46. 46.   30 2.3.3. Estruturação do estudo da viabilidade económico-financeira O estudo de rendibilidade de um PI pode subdividir-se em estudos técnico-económicos e em estudos económico-financeiros. Marques (2000), por exemplo, sugere:               Figura 6 – Diagrama dos estudos de viabilidade de um projecto de investimento Fonte: Marques, A. (2000). 2.3.3.1.Estudos técnico-económicos Numa primeira fase, segundo Marques (2000), são realizados estudos técnico-económicos, que incluem estudos de mercado, estudos técnicos e o estudo do enquadramento jurídico e financeiro, que poderão determinar a localização da empresa, dimensão, assim como o seu processo produtivo. Estes constituem estudos preliminares que permitem conceber e planear as condições e características técnicas que satisfazem os requisitos do promotor para que sejam analisados e determinadas as vantagens da sua realização. Partindo destes estudos é ainda possível delinear variantes alternativas passíveis de serem consideradas e analisadas. Fornecem ainda a informação necessária que vai servir de suporte aos estudos económico-financeiros. 2.3.3.1.1. Estudo de Mercado Segundo Barros (2005:19), O conhecimento do mercado dentro do qual actua ou irá actuar uma empresa é fundamental para a tomada de decisões relativas a novos métodos de actuação, novos investimentos, exploração dos equipamentos e alteração na qualidade e no preço da venda de um produto (Barros, 2005:19). Alguns autores como Vasconcellos (1984:36), preferem usar o termo diagnóstico no lugar de estudo do mercado e, na sua visão: Estudos técnico-económicos Estudos económico-financeiros  Estudos de Mercado  Estudos técnicos  Estudo dos enquadramentos institucionais e legais Determinação das variantes ou alternativas de:  Localização  Dimensão  Processo produtivo  Plano de Investimentos  Plano de Exploração  Plano de Financiamento Conduzem á determinação da rendibilidade a partir de:  Custos previsionais  Benefícios previsionais  Cash-flow  Medidas e critérios de rendibilidade
  47. 47.   31 O diagnóstico ou análise do ambiente é um processo de constante investigação das forças internas e externas, tanto positivas como negativas, que influenciam a organização. Diversas maneiras podem ser utilizadas para analisar o ambiente de uma organização, contudo esta etapa deverá ter como objectivo a identificação de ameaças, oportunidades, pontos fortes e fracos (Vasconcellos, 1984:36) 2.3.3.1.2. Análise SWOT Segundo Soares et al (2006:101), A análise SWOT consiste no estudo do cenário externo (oportunidades e ameaças) e da realidade interna (forças e fraquezas) de uma organização, no sentido de gerar valor. A partir do conhecimento dos factores internos e externos que influenciam o projecto, é possível estabelecer o que é de responsabilidade da empresa, fazer antecipação do futuro, ou seja, desenvolver estratégias com base nas possibilidades positivas ou negativas do macro ambiente económico (Soares et al, 2006:101). Esse tipo de medida é de fundamental importância para se iniciar um projecto e para criar acções estratégicas em momentos de incerteza, na medida em que permite conhecer os factores  favoráveis e desfavoráveis que o mercado apresenta, além de situar a organização dentro do seu contexto real. 2.3.3.2. Estudos económico-financeiros Com os estudos económico-financeiros pretende-se determinar os fluxos financeiros gerados pelo projecto no sentido de o avaliar e concluir sobre a sua rendibilidade e viabilidade. A conclusão retirada destes estudos determinam se o projecto em causa revela interesse ou não do ponto de vista do promotor (Marques, 2000). A informação obtida com os estudos económico-financeiros deverá ser agregada e sistematizada, resultando na elaboração de quadros previsionais essencialmente distribuídos pelas seguintes peças contabilísticas: o Plano de Investimento, o Plano de Exploração e o Plano de Financiamento, que fornecem a informação para a construção dos balanços previsionais (exposição estruturada do activo e do passivo do projecto, devidamente financiados por capitais próprios e capitais alheios) e da demostração de resultados projectados (Marques, 2000). Ainda de acordo com Marquez (2000):

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