A capitulação da grécia diante de seus credores

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Pode-se afirmar que a capitulação do governo grego representa um gigantesco desgaste para a extrema-esquerda na Europa e no mundo e que somente crentes inflexíveis irão levar a sério, novamente, qualquer partido da extrema-esquerda que tenha como plataforma de campanha fazer frente ao capital financeiro internacional. O Syriza repete o fracasso dos partidos de esquerda no mundo, inclusive no Brasil com os governos de Lula e Dilma Rousseff, que se dobraram aos ditames da capital financeiro. Esta teria sido uma vitória de grande importância para a União Europeia porque vergou Tsipras que foi eleito com a promessa de se opor aos programas de austeridade impostos pela Troika ao governo grego.

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A capitulação da grécia diante de seus credores

  1. 1. 1 A CAPITULAÇÃO DA GRÉCIA DIANTE DE SEUS CREDORES Fernando Alcoforado* O artigo A capitulação do arrogante populismo do Syriza - e por que a extrema-esquerda europeia está acabada, publicado pelo Instituto Von Mises Brasil no website http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2140# apresenta uma excelente análise sobre os recentes acontecimentos na Grécia. Em síntese, este artigo informa o seguinte: - Desde a ascensão ao governo grego no início de 2015, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, do partido Syriza de extrema esquerda e seu ex-ministro das finanças, Yanis Varoufakis adotaram a estratégia de chantagear a Alemanha e toda a União Europeia, ameaçando darem o calote da dívida e com isso destruir todo o arranjo do euro caso não obtivessem, de um lado, o perdão das dívidas do governo, e de outro, mais pacotes de ajuda sem contrapartidas. Varoufakis estava convencido de que Angela Merkel e seus pares acabariam cedendo às chantagens para evitar um possível desmembramento da moeda única. - Para mostrar que tal postura tinha apoio popular, ambos convocaram um referendo para perguntar à população grega se ela aceitava as condições impostas pela Troika (União Europeia, Banco Central Europeu e FMI). A população grega, dando amplo respaldo ao governo, votou maciçamente no não. - A Troika, com a União Europeia à frente, não apenas não cedeu às chantagens, como ainda se mostrou disposta a fazer com que o governo grego se enforcasse com a própria corda. E foi aí que toda a estratégia grega se desmoronou: Tsipras revelou que estava sem rumo e sem estratégia após sua vitória no referendo; que o próprio referendo havia sido uma farsa; e que ele nunca desejou sair do euro imaginando que as consequências poderiam ser catastróficas. - Tsipras foi o primeiro covarde a gritar "arrego!". E, após todas as bravatas e bazófias, ele teve de recuar e ceder em praticamente tudo: a estratégia de Varoufakis o havia colocado em uma ratoeira e Tsipras optou por não "morrer matando", o que o obrigou a capitular com desonras. - Menos de uma semana após a vitória de Tsipras no referendo, a Troika não apenas conseguiu fazer com que Tsipras entregasse a cabeça de Varoufakis, como ainda o humilhou ainda mais, obrigando-o a votar no Parlamento grego um acordo muito mais rigoroso do que aquele que havia sido proposto antes do referendo. - Tsipras não apenas capitulou e recuou, como ainda, em troca de suas bravatas, acabou sendo obrigado a aceitar um acordo muito mais duro do que o original em troca de um novo pacote de socorro. - Para manter o apoio financeiro ao país e estender um novo pacote de socorro no valor de € 86 bilhões de euros, a União Europeia impôs várias exigências drásticas à Grécia, dentre elas: novo aumento de impostos, reformas no sistema de aposentadorias e pensões (elevando a idade de aposentadoria para 67 anos; atualmente é de 50 anos para as mulheres e de 55 anos para os homens), privatização do setor elétrico (a menos que
  2. 2. 2 se encontre medidas alternativas com o mesmo efeito), e criação de leis que assegurem "cortes de gastos automáticos" caso o governo não cumpra as metas de superávit fiscal. - Como garantia a esse novo empréstimo de € 86 bilhões de euros, a Troika impôs que o governo grego transfira € 50 bilhões em ativos estatais para fundos independentes supervisionados pela Troika. - A derrota do Syriza foi absoluta, por mais que seus partidários se apeguem à desesperada justificativa de que Tsipras conseguiu um compromisso de reestruturação da dívida grega. Pode-se afirmar que a capitulação do governo grego representa um gigantesco desgaste para a extrema-esquerda na Europa e no mundo e que somente crentes inflexíveis irão levar a sério, novamente, qualquer partido da extrema-esquerda que tenha como plataforma de campanha fazer frente ao capital financeiro internacional. O Syriza repete o fracasso dos partidos de esquerda no mundo, inclusive no Brasil com os governos de Lula e Dilma Rousseff, que se dobraram aos ditames da capital financeiro. Esta teria sido uma vitória de grande importância para a União Europeia porque vergou Tsipras que foi eleito com a promessa de se opor aos programas de austeridade impostos pela Troika ao governo grego. Com a aprovação do acordo, pelos próximos três anos, a União Europeia dará dinheiro ao governo grego para que este pague juros sobre os títulos gregos que estão em posse de várias agências da União Europeia. Ao final desses três anos, o ciclo será reiniciado. É uma jornada sem fim. Ambos os lados empurrarão com a barriga enquanto puderem. Ao capitular, o governo grego do partido Syriza não levou em conta, por exemplo, a experiência vitoriosa da Islândia na Escandinávia no enfrentamento do capital financeiro quando eclodiu a crise financeira nos Estados Unidos que foi atingido de forma desastrosa, tal como no resto da Europa. Na Islândia, a especulação financeira levou os três principais bancos à falência. A taxa de desemprego se multiplicou por nove entre 2008 e 2010, ao passo que, antes, o país gozava de pleno emprego. A dívida da Islândia representava 900% do PIB e a moeda nacional se desvalorizou 80% em relação ao euro. O país caiu em uma profunda recessão, com uma diminuição do PIB em 11% em dois anos. Em 2009, quando o governo da Islândia quis aplicar as medidas de austeridade exigidas pelo FMI em troca de uma ajuda financeira de 2,1 bilhões de euros, uma forte mobilização popular o obrigou a renunciar. Nas eleições antecipadas, as forças de esquerda ganhou a maioria absoluta no Parlamento. Assim, ao contrário das outras nações da União Europeia na mesma situação, que aplicaram escrupulosamente as recomendações do FMI que exigiam medidas de austeridade severas, como na Grécia, Irlanda, Itália ou Espanha, a Islândia escolheu uma via alternativa. Na Islândia, o governo deixou os bancos quebrarem. Eram instituições privadas. Não foi injetado dinheiro para salvá-las. Quando, em 2008, os três principais bancos do país – Glitnir, Landsbankinn e Kaupthing – desmoronaram, o Estado islandês se negou a injetar neles fundos públicos, tal como havia feito o resto da Europa. Em vez disso, realizou sua nacionalização. Os responsáveis pelo desastre econômico islandês foram presos, inclusive o ex-primeiro-ministro Geir Haarde.
  3. 3. 3 Atualmente, os resultados da política econômica e social islandesa têm sido espetaculares. Enquanto a União Europeia se encontra em plena recessão, a Islândia se beneficiou de uma taxa de crescimento de 2,1% em 2011 e 2,7% em 2012, além de uma taxa de desemprego de 6%. O país até se deu ao luxo de realizar o reembolso antecipado de suas dívidas ao FMI. Esses resultados só foram possíveis porque a Islândia rechaçou a terapia de choque neoliberal e elaborou um programa de estímulo econômico alternativo e eficiente. O governo islandês aplicou medidas totalmente contrárias às que o FMI preconizava que permitiu preservar o precioso modelo nórdico de proteção social. Ressalte-se que a Islândia dispõe de um índice de desenvolvimento humano bastante elevado. O caso da Islândia demonstra que existe uma alternativa possível às políticas de austeridade que são aplicadas na Europa e, atualmente, no Brasil com o ajuste fiscal. Estas, além de serem economicamente ineficientes, são politicamente custosas e socialmente insustentáveis. Ao escolher colocar o interesse geral acima do interesse dos mercados, a Islândia mostra o caminho ao resto do continente e ao mundo para escapar do beco sem saída do neoliberalismo. O fato de que, depois disso, a Islândia esteja se recuperando muito melhor que os europeus oprimidos pela “austeridade” é a explicação para o silêncio quase absoluto da mídia internacional sobre esse país. A mídia silencia sobre a Islândia que humilhou o sistema financeiro. * Fernando Alcoforado, 75, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012) e Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015).

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