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NACIONALISMO E FASCISMO COMO RESPOSTA AO FRACASSO DA
GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL
Fernando Alcoforado*
Dois acontecimentos nos últimos tempos demonstram o avanço do nacionalismo no
mundo em resposta ao fracasso da globalização neoliberal. O primeiro diz respeito à
fragmentação ou desmantelamento da União Europeia e, o segundo, está relacionado
com a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. O Brexit que levou
ao afastamento do Reino Unido da União Europeia e o discurso de posse de Donald
Trump na presidência dos Estados Unidos são a expressão do fracasso da globalização
neoliberal no mundo. Os fatos da realidade demonstram que são poucos os que ganham
com a globalização neoliberal, entre os quais, estão o sistema financeiro globalizado que
aufere lucros astronômicos graças à ausência de regulamentação econômica e financeira
global e poucos países periféricos como China, Índia, Coreia do Sul e outros países
asiáticos que conseguem atrair investimentos estrangeiros graças à mão de obra barata e
legislação nacional favorável. Em contrapartida, perdem com a globalização neoliberal
os países capitalistas centrais (Estados Unidos, União Europeia e Japão) e outros países
periféricos que enfrentam problemas de desindustrialização, aumento do desemprego,
estagnação econômica e endividamento público crescente.
A União Europeia está ameaçada de fragmentação ou desmantelamento que resulta do
fato de conviver com desequilíbrios estruturais internos com países ricos com
excedentes e os demais com déficites crônicos. Um dos problemas que pesam
negativamente na evolução da crise europeia é a de que há excesso de liquidez em
partes da zona euro, e falta em outras. A fragmentação da União Europeia deverá se
intensificar, econômica e financeiramente com a interrupção dos fluxos transnacionais
de bens, serviços e capitais com grandes descompassos entre moedas que poderão
causar calotes múltiplos entre os países integrantes da União Europeia. A consequência
disso tudo é o aumento do desemprego e das tensões sociais que se intensificam em toda
a União Europeia. Os membros mais vulneráveis da zona do euro (Grécia, Itália,
Espanha e Portugal) já veem enfrentando há algum tempo o risco de rupturas
econômicas e financeiras que poderão fomentar agitação social e disfunção política que
poderão leva-los a se afastar da União Europeia. Um exemplo desse fenômeno é a
Catalunha, uma das mais importantes regiões autônomas da Espanha, que responde por
um quinto da economia nacional, onde o sentimento independentista, já poderoso, agora
é turbinado pela sensação de que a Espanha está falindo.
A falta de resposta para a crise econômica gerada pela globalização neoliberal coloca
em xeque a legitimidade da União Europeia que está ameaçada de fragmentação. E o
mais grave é que não há um plano para superar a crise. Depois de 50 anos de unificação,
a Europa corre o risco de assistir a um processo inverso: o de sua fragmentação. Não
bastasse a crise da zona do euro, que ameaça dividir o bloco entre os países que
souberam administrar suas finanças e os que fracassaram na adoção da moeda única (o
Euro), agora os nacionalismos regionais ganham novo impulso em razão da crise
econômica. Enquanto isto, nas sociedades no sul da Europa não se vislumbra nem de
longe a saída da crise, e sim mais recessão e desemprego. O que ocorre na Grécia, em
Portugal e na Espanha não pode ser explicado sem esta crise econômica e financeira
profunda que atinge o sistema capitalista mundial e a União Europeia que impõe imenso
sacrifício a seus povos para salvar os bancos da bancarrota com a adoção da política de
austeridade adotada pelos países dela integrantes. A desesperança das populações da
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União Europeia e a excessiva tensão social nela existente podem levar ao fim da União
Europeia e ameaçar a ordem político-institucional vigente em cada um dos países da
região.
Donald Trump deixou evidenciado sua repulsa à globalização neoliberal em seu
discurso de posse na Casa Branca nacionalista quando afirmou que por muitas décadas
os Estados Unidos enriqueceram a indústria estrangeira em detrimento da indústria
americana, tornaram outros países ricos, enquanto a riqueza, força e confiança de seu
país se dissipava no horizonte, que “uma a uma, as fábricas fecharam e deixaram nosso
território, sem nunca pensar nos milhões e milhões de trabalhadores americanos que
foram abandonados. A riqueza de nossa classe média foi tirada de seus lares e então
redistribuída por todo o mundo”. O nacionalismo de Trump fica marcado em seu
discurso ao afirmar que “deste dia em diante, será apenas a América em primeiro lugar,
a América em primeiro lugar” e que protegerá os Estados Unidos da devastação
causada pelos países que roubam suas empresas e destroem seus empregos e que
“traremos nossos empregos de volta. Traremos de volta nossa riqueza”. Trump afirmou
que seguirá duas regras simples: comprar produtos americanos e contratar americanos.
Haverá avanço do protecionismo nos Estados Unidos a ser adotado pelo governo Trump
com o objetivo de defender as empresas e os empregos norte-americanos que fará com
que o mesmo ocorra, também, no mundo como contrapartida. A deportação em massa
de imigrantes deverá ocorrer especialmente de hispânicos que vivem ilegalmente nos
Estados Unidos para que Trump assegure os empregos para os trabalhadores norte-
americanos.
É oportuno observar que o nacionalismo que se expande atualmente na Europa e nos
Estados Unidos é um fenômeno típico do século 19 que representa o sentimento de
pertencimento a uma cultura, a uma região, a uma língua e a um povo ou, a uma raça,
tendo aparecido pela primeira vez na França comandada por Napoleão Bonaparte e na
Guerra de Independência dos Estados Unidos da América. Diferentemente dos Estados
nacionais europeus que se formaram nos séculos 16 e 17, os Estados Nacionais do
século 19 identificavam sua soberania no contingente de cidadãos que compunham a
nação, e não na figura do monarca. Por esse motivo, a tendência ao regime político
republicano tornou-se comum nesse período. Além dessas características, há também
um elemento indispensável para o entendimento do nacionalismo: a formação do
exército nacional por cidadãos comuns, e não por aristocratas e mercenários, como
ocorria nos Estados absolutistas. O exército napoleônico, por exemplo, foi o primeiro
grande exército nacional composto por pessoas que lutavam pela “nação francesa” e
identificavam-se como membros de um só “corpo nacional”, de uma só pátria.
A unificação italiana e a unificação alemã no século 19 e a ascensão de regimes
totalitários de viés nacionalista extremista, como o nazismo e o fascismo no século 20
tomaram como base o nacionalismo como ideologia. Além de provocar a devastação
das economias de quase todos os países do mundo, a globalização neoliberal está
gerando em consequência de seu fracasso o advento do nacionalismo e no bojo deste,
também, a possibilidade de avanço do fascismo. Robert Paxton, historiador norte-
americano, afirma em sua obra The anatomy of fascism (New York: Vintage Books,
2005) que o fascismo emerge em busca de algum tipo de renovação nacionalista que é o
que está ocorrendo atualmente. Os fascistas se reúnem para restaurar uma ordem social
rompida, como sempre usando temas como unidade, ordem e pureza. A razão é rejeitada
em favor da emoção passional. Ela sempre tem raiz na restauração do orgulho nacional
perdido pela ressurreição dos mitos e valores tradicionais da cultura e na purificação da
3
sociedade das influências tóxicas de estrangeiros e de intelectuais, os quais seriam
culpados pela miséria em que vive a nação. É o caso dos Estados Unidos de ameaça de
comprometimento do american way of life e de perda de sua hegemonia mundial para a
China e dos países da União Europeia diante de uma crise econômica insuperável como
a atual. Segundo Paxton, o fascismo somente cresce no solo revolto de uma democracia
madura em crise como é o caso dos Estados Unidos e dos países da União Europeia.
*Fernando Alcoforado, 77, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em
Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor
universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento
regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São
Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo,
1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do
desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de
Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento
(Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos
Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the
Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller
Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe
Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e
combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011),
Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012),
Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV,
Curitiba, 2015) e As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo
(Editora CRV, Curitiba, 2016). Possui blog na Internet (http://fernando.alcoforado.zip.net). E-mail:
falcoforado@uol.com.br.

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Nacionalismo e fascismo como resposta ao fracasso da globalização neoliberal

  • 1. 1 NACIONALISMO E FASCISMO COMO RESPOSTA AO FRACASSO DA GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL Fernando Alcoforado* Dois acontecimentos nos últimos tempos demonstram o avanço do nacionalismo no mundo em resposta ao fracasso da globalização neoliberal. O primeiro diz respeito à fragmentação ou desmantelamento da União Europeia e, o segundo, está relacionado com a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. O Brexit que levou ao afastamento do Reino Unido da União Europeia e o discurso de posse de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos são a expressão do fracasso da globalização neoliberal no mundo. Os fatos da realidade demonstram que são poucos os que ganham com a globalização neoliberal, entre os quais, estão o sistema financeiro globalizado que aufere lucros astronômicos graças à ausência de regulamentação econômica e financeira global e poucos países periféricos como China, Índia, Coreia do Sul e outros países asiáticos que conseguem atrair investimentos estrangeiros graças à mão de obra barata e legislação nacional favorável. Em contrapartida, perdem com a globalização neoliberal os países capitalistas centrais (Estados Unidos, União Europeia e Japão) e outros países periféricos que enfrentam problemas de desindustrialização, aumento do desemprego, estagnação econômica e endividamento público crescente. A União Europeia está ameaçada de fragmentação ou desmantelamento que resulta do fato de conviver com desequilíbrios estruturais internos com países ricos com excedentes e os demais com déficites crônicos. Um dos problemas que pesam negativamente na evolução da crise europeia é a de que há excesso de liquidez em partes da zona euro, e falta em outras. A fragmentação da União Europeia deverá se intensificar, econômica e financeiramente com a interrupção dos fluxos transnacionais de bens, serviços e capitais com grandes descompassos entre moedas que poderão causar calotes múltiplos entre os países integrantes da União Europeia. A consequência disso tudo é o aumento do desemprego e das tensões sociais que se intensificam em toda a União Europeia. Os membros mais vulneráveis da zona do euro (Grécia, Itália, Espanha e Portugal) já veem enfrentando há algum tempo o risco de rupturas econômicas e financeiras que poderão fomentar agitação social e disfunção política que poderão leva-los a se afastar da União Europeia. Um exemplo desse fenômeno é a Catalunha, uma das mais importantes regiões autônomas da Espanha, que responde por um quinto da economia nacional, onde o sentimento independentista, já poderoso, agora é turbinado pela sensação de que a Espanha está falindo. A falta de resposta para a crise econômica gerada pela globalização neoliberal coloca em xeque a legitimidade da União Europeia que está ameaçada de fragmentação. E o mais grave é que não há um plano para superar a crise. Depois de 50 anos de unificação, a Europa corre o risco de assistir a um processo inverso: o de sua fragmentação. Não bastasse a crise da zona do euro, que ameaça dividir o bloco entre os países que souberam administrar suas finanças e os que fracassaram na adoção da moeda única (o Euro), agora os nacionalismos regionais ganham novo impulso em razão da crise econômica. Enquanto isto, nas sociedades no sul da Europa não se vislumbra nem de longe a saída da crise, e sim mais recessão e desemprego. O que ocorre na Grécia, em Portugal e na Espanha não pode ser explicado sem esta crise econômica e financeira profunda que atinge o sistema capitalista mundial e a União Europeia que impõe imenso sacrifício a seus povos para salvar os bancos da bancarrota com a adoção da política de austeridade adotada pelos países dela integrantes. A desesperança das populações da
  • 2. 2 União Europeia e a excessiva tensão social nela existente podem levar ao fim da União Europeia e ameaçar a ordem político-institucional vigente em cada um dos países da região. Donald Trump deixou evidenciado sua repulsa à globalização neoliberal em seu discurso de posse na Casa Branca nacionalista quando afirmou que por muitas décadas os Estados Unidos enriqueceram a indústria estrangeira em detrimento da indústria americana, tornaram outros países ricos, enquanto a riqueza, força e confiança de seu país se dissipava no horizonte, que “uma a uma, as fábricas fecharam e deixaram nosso território, sem nunca pensar nos milhões e milhões de trabalhadores americanos que foram abandonados. A riqueza de nossa classe média foi tirada de seus lares e então redistribuída por todo o mundo”. O nacionalismo de Trump fica marcado em seu discurso ao afirmar que “deste dia em diante, será apenas a América em primeiro lugar, a América em primeiro lugar” e que protegerá os Estados Unidos da devastação causada pelos países que roubam suas empresas e destroem seus empregos e que “traremos nossos empregos de volta. Traremos de volta nossa riqueza”. Trump afirmou que seguirá duas regras simples: comprar produtos americanos e contratar americanos. Haverá avanço do protecionismo nos Estados Unidos a ser adotado pelo governo Trump com o objetivo de defender as empresas e os empregos norte-americanos que fará com que o mesmo ocorra, também, no mundo como contrapartida. A deportação em massa de imigrantes deverá ocorrer especialmente de hispânicos que vivem ilegalmente nos Estados Unidos para que Trump assegure os empregos para os trabalhadores norte- americanos. É oportuno observar que o nacionalismo que se expande atualmente na Europa e nos Estados Unidos é um fenômeno típico do século 19 que representa o sentimento de pertencimento a uma cultura, a uma região, a uma língua e a um povo ou, a uma raça, tendo aparecido pela primeira vez na França comandada por Napoleão Bonaparte e na Guerra de Independência dos Estados Unidos da América. Diferentemente dos Estados nacionais europeus que se formaram nos séculos 16 e 17, os Estados Nacionais do século 19 identificavam sua soberania no contingente de cidadãos que compunham a nação, e não na figura do monarca. Por esse motivo, a tendência ao regime político republicano tornou-se comum nesse período. Além dessas características, há também um elemento indispensável para o entendimento do nacionalismo: a formação do exército nacional por cidadãos comuns, e não por aristocratas e mercenários, como ocorria nos Estados absolutistas. O exército napoleônico, por exemplo, foi o primeiro grande exército nacional composto por pessoas que lutavam pela “nação francesa” e identificavam-se como membros de um só “corpo nacional”, de uma só pátria. A unificação italiana e a unificação alemã no século 19 e a ascensão de regimes totalitários de viés nacionalista extremista, como o nazismo e o fascismo no século 20 tomaram como base o nacionalismo como ideologia. Além de provocar a devastação das economias de quase todos os países do mundo, a globalização neoliberal está gerando em consequência de seu fracasso o advento do nacionalismo e no bojo deste, também, a possibilidade de avanço do fascismo. Robert Paxton, historiador norte- americano, afirma em sua obra The anatomy of fascism (New York: Vintage Books, 2005) que o fascismo emerge em busca de algum tipo de renovação nacionalista que é o que está ocorrendo atualmente. Os fascistas se reúnem para restaurar uma ordem social rompida, como sempre usando temas como unidade, ordem e pureza. A razão é rejeitada em favor da emoção passional. Ela sempre tem raiz na restauração do orgulho nacional perdido pela ressurreição dos mitos e valores tradicionais da cultura e na purificação da
  • 3. 3 sociedade das influências tóxicas de estrangeiros e de intelectuais, os quais seriam culpados pela miséria em que vive a nação. É o caso dos Estados Unidos de ameaça de comprometimento do american way of life e de perda de sua hegemonia mundial para a China e dos países da União Europeia diante de uma crise econômica insuperável como a atual. Segundo Paxton, o fascismo somente cresce no solo revolto de uma democracia madura em crise como é o caso dos Estados Unidos e dos países da União Europeia. *Fernando Alcoforado, 77, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015) e As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016). Possui blog na Internet (http://fernando.alcoforado.zip.net). E-mail: falcoforado@uol.com.br.