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LARCEN, César G. CIBERESPAÇO E METAVERSOS. In: LARCEN, César G. Mais uma lacônica viagem no tempo e no espaço: explorando o ciberespaço e liquefazendo fronteiras entre o moderno e o pósmoderno atravessando o campo dos estudos culturais. Canoas: César Gonçalves Larcen Editor. 2011. p.139-144.

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  1. 1. Porto Alegre, 2011
  2. 2. Obra na Capa:Título: Resgate contemporâneo de uma dívida medieval.Técnica: Óleo sobre tela.Autor: César Gonçalves Larcen.Projeto gráfico e diagramação: Valder ValeirãoDados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) L319m Larcen, César Gonçalves Mais uma lacônica viagem no tempo e no espaço: explorando o ciberespaço e liquefazendo fronteiras entre o moderno e o pós- moderno – atravessando o campo dos estudos culturais. / César Gonçalves Larcen – Canoas: do Autor, 2011. 144 p. : il. ISBN 978-85-912136-0-3 1. Educação – estudos culturais. 2. Ciberespaço. 3. Metaverso. 4. Cultura. I. Título. CDU 37.013:316.7Bibliotecária Responsável: Ana Lígia Trindade CRB/10-1235 IMPRESSO NO BRASIL César Gonçalves Larcen é Mestre em Educação (2010) e Especialista em Docência Universitária (2007) pela ULBRA (Universidade Luterana do Brasil). Analista de Sistemas (PROCERGS), graduado bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade São Judas Tadeu, natural de Porto Alegre – RS, Brasil. (clarcen2009@gmail.com). Todos os direitos reservados ao editor.
  3. 3. SUMÈRIOPREFÁCIO ..........................................................................................7APRESENTAÇÃO ...........................................................................11O ENCASTELAMENTO DA ESCOLA MODERNA EMTEMPOS CONTEMPORÂNEOS................................................15DO XADREZ MODERNO AOS JOGOS LÍQUIDOS ...........61UM TANTO A VER COM PEDAGOGIAS E CURRÍCULOSCULTURAIS, ESPAÇO E TEMPO AFORA/ADENTRO ......85SEGUNDA VIDA PARA CONSUMO......................................119CIBERESPAÇO E METAVERSOS ............................................139
  4. 4. PREFÈCIO Gostaria que um livro não se atribuísse a si mesmo essa condição de texto ao qual a pedagogia ou a crítica saberão reduzi-lo, mas que tivesse a desenvoltura de apresen- tar-se como discurso: simultaneamente ba- talha e arma, conjunturas e vestígios, en- contro irregular e cena repetível (Foucault) Ao escrever o prefácio da edição reeditada da suaobra História da Loucura, fruto da pesquisa realizada du-rante a tese principal de doutoramento, defendida em 1961,sob o título original Folie et déraison Histoire de la folie àlÊâge classique, Foucault lamenta que um livro tenha como“primeiro simulacro” o prefácio, uma espécie de atribuiçãode valor. Ao que parece, Foucault procura nos alertar acercada importância do livro constituir-se num discurso, reme-tendo à epígrafe, uma escrita que mantenha-se sustentadapor si só, sem nenhum texto inicial que busque a legitimar,um texto que fique em pé sozinho. Um pouco neste sentidosegue este prefácio, não há uma necessidade aqui de conven-cer os leitores acerca da importância da obra Mais uma la-cônica viagem no tempo e no espaço, de César GonçalvesLarcen. Ela propõe mais uma discussão acerca da educaçãocontemporânea e sua suposta “sensação de crise” cotidiana,
  5. 5. fruto do suposto desencaixe entre a escola e a sociedade,uma vez que o mundo globalizado anda num ritmo acelera-do enquanto a escola parece manter-se a mesma. Essa sensa-ção de crise, no entanto, não é nova. Configura-se comosensação permanente e está presente desde os primeiros tra-tados educacionais da própria Modernidade. Comenius, nasua conhecida Didática Magna, já fazia uma tentativa dereverter a situação das escolas do século XVII. Assim, pode-mos associar a própria invenção da escola moderna a ummomento de crise. O autor, César Gonçalves Larcen, apresenta a escolaenvolvida num processo de mudança de ênfase nos modosde subjetivação. Assim, enquanto a escola moderna é identi-ficada com a sociedade disciplinar, com todas as suas técni-cas e procedimentos de vigilância, sanção normalizadora eexame, a fim de alcançar corpos dóceis e úteis ao corpo so-cial, a escola que chamamos de pós-moderna está associada àsociedade de controle que se agencia por intermédio de me-canismos de controle, a fim de capturar corpos flexíveis.Este é, pois, o núcleo do câmbio de ênfase: enquanto a soci-edade disciplinar conta com os procedimentos disciplinares,a sociedade de controle confia em procedimentos de contro-le. E, os processos de subjetivação operados na e pela escolapassam das formas únicas e determinadas para a multiplici-dade difusa, ou seja, vão das formas centralizadas e rígidaspara formas aleatórias e flexíveis. Há, no entanto, um jogo entre o arcaico e o novo,na sociedade, em geral, e na escola, em particular. A escolapensa e age apresentando uma nova maneira de conduzir aconduta dos corpos. Esta nova tecnologia de governamento, 8
  6. 6. presente na sociedade atual, faz com que a escola, enquantomáquina de governamentalidade, esteja cada vez mais preo-cupada em formar sujeitos autônomos, sujeitos que saibamconduzir a si mesmos, sujeitos que sejam empresários de si.Em suma, a escola atua como uma maquinaria encarregadade preparar competências que orientem os futuros sujeitos-clientes a atuarem num mundo marcado pelo mercado epela competição. E o mundo globalizado é entendido como“nova desordem mundial”. Todavia, a escola não está livredos mecanismos de controle. Ao contrário, a instituição estácada vez mais se deslocando de uma lógica disciplinar parauma lógica de controle permanente. Por este, e outros motivos, sem muitas delongas,sugiro a leitura da obra de César Gonçalves Larcen a todosaqueles que, de uma forma ou de outra, permitiram-se olharmais uma vez, procurando outros sentidos e outras combi-nações possíveis para as articulações conceituais que conti-nuam a nos provocar estranhamento, almejando a aberturade novas formas de se pensar e de se fazer pesquisa em Edu-cação. Kelin Valeirão 9
  7. 7. APRESENTAÇ‹O Este livro traz quatro artigos que produzi duranteo curso de Mestrado em Educação ao longo dos anos de2008 e 2009 e que preservam as grafias dos textos originais,antes da vigência oficial do novo acordo ortográfico firma-do entre Brasil e Portugal. Traz ainda um quinto texto con-feccionado com parágrafos extraídos da dissertação defendi-da em setembro de 2010 para explicar os termos ciberespaçoe metaverso que constam nos textos que o antecedem. Esses textos foram originalmente endereçados aum público muito específico e foram confeccionados con-siderando disciplinas que cursei no Mestrado em Educaçãoda ULBRA durante os anos de 2008 e 2009 (o ano de 2010foi dedicado à produção da dissertação). No entanto, reco-nheço que eles estão muito vinculados às particularidades deminha percepção e interpretação pessoal acerca das respecti-vas aulas já que a produção dos mesmos está diretamenterelacionada com as minhas necessidades de aprendizado deentão. Da mesma maneira, cada texto está diretamente rela-cionado com uma forma de abordagem específica, por vezesmais formal, por vezes mais descontraída. Antes mesmo de me familiarizar com o campo dosEstudos Culturais, para o qual o referido curso de pós-graduação confere ênfase, já vinha ensaiando formas decompreender o termo cultura. Já durante o primeiro semes-tre do referido curso, meus primeiros entendimentos acercada palavra “cultura” provêm de uma compreensão que aindanão a vislumbrava mais especificamente como um comparti-
  8. 8. lhar de códigos, significantes e significados. No primeiroartigo isso fica literalmente exposto na décima quarta notade rodapé, bem como no terceiro parágrafo do segundoartigo. Embora essas formas de compreender a cultura pare-çam um tanto reducionista, não as descarto completamentepara fins didáticos ou como ponto de partida para exercitarum sistema ou esquema de simulação sintético-mecânicapara produção e/ou projeção de cenários culturais ou deprogressão de produção e compartilhamento de códigos emescala reduzida e potencialmente mais suscetível à mensura-ção. Os primeiros textos parecem estar impregnadospor um tom prescritivo que não combina com o campo dosEstudos Culturais. No entanto, percebo que esse tom pres-critivo vai sendo eliminado ao longo do tempo e com opassar das horas dedicadas a leituras e ao exercício da escritadurante o curso de Mestrado. O próprio título deste livropreserva o tom original, na expectativa de que o conteúdodesta obra convide o leitor a exercitar dissipá-lo enquantoexercita a leitura. O último artigo já não trata de espaço etempo, mas parece encerrar este movimento transitório deambientação no campo dos Estudos Culturais por conta doconceito de Pedagogias Culturais e dos processos de apren-dizado que se manifestam no ciberespaço, na Internet, em-bora o processo de eliminar o tom prescritivo represente umexercício constante para mim, pois não acho que tenha con-seguido (ou creia que vá conseguir). Apesar da carga positi-vista que se manifesta ao longo da história e que permitipermear livremente os textos que produzi até meados de2008, estou satisfeito com o resultado alcançado duranteesse exercício de transição e pré-ambientação, pronto para 12
  9. 9. tomar emprestadas as lentes dos Estudos Culturais em novasjornadas de investigação e aprendizagem. Entendo agora quese trata muito mais de tentar compreender o mundo do quede tentar explicá-lo pormenorizadamente: talvez não pareçaser tão eficaz na solução dos problemas que acreditamoster, talvez pareça ser tão eficiente quanto, no entanto parece-me que é, no mínimo, mais justo para conosco mesmos. Aproveito a oportunidade para agradecer aos pro-fessores, mestres, doutores e colegas por dividir comigo suasexpectativas, angústias e alegrias enquanto trilhamos os ca-minhos investigativos ao longo dos quais voltamos nossasatenções para a centralidade da cultura. Este livro é principalmente dedicado àqueles queestão iniciando a travessia no âmbito dos Estudos Culturaise sentem-se muito aquém dos conceitos e “verdades” com asquais vão lidar pelo caminho. Espero que todos possamaproveitá-lo da melhor forma possível. 13
  10. 10. CIBERESPAÇO E METAVERSOS. Metaverso é um termo cunhado por Neal Stephen-son “na novela de ficção científica Snow Crash, em 1992”(ANDRADE, 2009), cujo conceito pode ajudar na compre-ensão do que é o Second Life. Em termos mais simples,metaverso “é um universo dentro do universo” (SARAIVA,2009). O metaverso de Neal Stephenson é imersivo ao ex-tremo, visto que abrange interfaces para ludibriar o maiornúmero de sentidos do usuário que a ele se conecta, de mo-do a fazê-lo sentir, sentir-se e/ou ser sentido quando conec-tado naquele mundo, inworld, onde é representado por umpersonagem dotado de características próprias do mundofísico (altura, largura e profundidade): um avatar1. Atualmente, os metaversos proliferam no ciberepa-ço, “interconexão dos computadores do planeta” que “tendea tornar-se a maior infra-estrutura da produção, da gestão,da transação econômica” (LÉVY, 2005) cujo temro foi cu-nhado por William Guibson em 19842. Para Pierre Lévy(2005) o ciberespaço,1 “No Hinduísmo, um avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal, porvezes até do Ser Supremo. Deriva do sânscrito Avat ra, que significa "descida",normalmente denotando uma (religião) encarnações de Vishnu (tais como Krishna),que muitos hinduístas reverenciam como divindade. Em informática, avatar é arepresentação gráfica de um utilizador em realidade virtual. De acordo com atecnologia, pode variar desde um sofisticado modelo 3D até uma simples imageminanimada tradicional qualquer.” Conforme Wikipedia em acesso de 03 de janeirode 2009.2 "Cyberspace. A consensual hallucination experienced daily by billions of legitimateoperators, in every nation, by children being taught mathematical concepts . . . Agraphic representation of data abstracted from the banks of every computer in the
  11. 11. em breve, constituirá o principal equipa- mento coletivo internacional da memória, do pensamento e da comunicação. Em suma, daqui a algumas décadas, o ciberes- paço, suas comunidades virtuais, suas re- servas de imagens, suas simulações intera- tivas, sua irreprimível profusão de textos e sinais serão o mediador essencial da inte- ligência coletiva da humanidade. E é no ciberespaço que Pedro Andrade (2009) es-tuda o metaverso a partir das comunidades virtuais. Para ele,uma forma de comunidades virtuais utiliza “extensivamenteambientes ou mundos digitais de interação social estrutura-dos em três dimensões, ou metaversos”. No seu entendimen-to, as interfaces do metaverso, em particular, “reutilizam, deum modo original, os conceitos de mente, corpo, projecçãoe cognição”. Ou seja, ao analisar o Second Life, percebe-seum alto grau de imersão oferecida aos seus usuários, na qual“experimentamos hoje vidas quotidianas paralelas ou con-correntes à chamada ‘vida diária real’”, e “a captação senso-rial do mundo pelo utilizador sofre mudanças notáveis”(ANDRADE, 2009, grifos do autor). A imersão disponibili-zada aos seus usuários é um dos principais elementos ouprocessos inerentes aos metaversos. A complexidade do metaverso se caracteriza tam-bém em função de sua especificidade semiótica, pois sualinguagem é hipermidiática e hipertextual, sendo que é in-human system. Unthinkable complexity. Lines of light ranged in the non space ofthe mind, clusters and constellations of data. Like city lights, receding...." (GIBSON,1993, p.67). 140
  12. 12. teiramente construído em três dimensões, inclusive no quetange ao deslocamento de um objeto (mesmo um avatar) emrelação aos demais (incluindo o cenário). O processo deimersão continuada propiciada por um ambiente sedutor,hipermidiático e hipertextual em três dimensões leva muitosde seus usuários a uma freqüência “até diária do Second Lifeou de outros metaversos”, o que “engendraria modos deconhecimento (...) nunca dantes vislumbrados”(ANDRADE, 2009). A composição de um ambiente tridimensional,como um metaverso, torna-o imersivo e potencialmentecognitivo por muitas razões, especialmente por aquelas queo tornam reconhecíveis como um ambiente 3D. Ele é com-posto por elementos como os “Patterns Tridimensionais”(PETRY, 2009, p.2), presentes e ativos nos ambientes interati- vos, submetidos a uma estrutura lógica de simulação da física e manifestando-se co- mo estruturas cognitivas. A replicabilida- de componente, manifesta na associação entre patterns, enquanto estrutura básica de segunda ordem, tende à configuração de estruturas compostas e/ou complexas na organização espacial-tridimensional de ambientes interativos. Um pattern se constitui em uma estrutura capaz de re- plicabilidade componente na produção de mundos tridimensionais, tais como os são os metaversos. (grifos do autor) 141
  13. 13. Embora a tridimensionalidade seja um elementobastante importante para os metaversos, de forma geral, eum dos elementos que mais instiga a imersão dos usuários,outros mundos digitais têm sido caracterizados como meta-versos mesmo sem dispor dela. Ferraz (2007, p.16-17), porexemplo, apresenta a relação dos principais metaversos daInternet, publicada pelo site Giga OM (www.gigaom.com),na qual constam “Habbo Hotel”, lançado em 2000, e “ClubPenguin”, lançado em 2006 e recentemente adquirido peloGrupo Disney, em segundo e quarto lugares, respectivamen-te. A exploração desses ambientes pelos usuários até dispõede elementos (exceto o cenário, impedindo exploração emprofundidade “tela adentro”) com características 3D; noentanto, a grande maioria das interações se dá em ambientescaracteristicamente 2D, como a maioria dos games eletrôni-cos.3REFER¯NCIAS.ANDRADE, Pedro. Sociologia do Metaverso. Artigo. 2009.Disponível em: <http://www.cibersociedad.net/congres2009/es/coms/sociologia-do-metaverso/1002/>. Acesso em: 03 jan.2010.FERRAZ, Paulo. Second Life para empreendedores. São Paulo:Novatec. 2007.3 Embora alguns games sejam construídos em 3D, recursos de tomadas de câme-ras inibem sua exploração como tal pelos jogadores. Outros games aparentam serem 3D com rotações de visão em 360o, no entanto não permitem visão do planoinferior para o superior (de baixo para cima), apenas do superior para o inferior e detrás para frente e vice-versa em rotação completa. 142
  14. 14. GIBSON, William. Neuromancer. London: Harper-Collins,1993.LÉVY, Pierre. Educação e Cybercultura. A nova relação do saber.Núcleo de Estudos do Futuro, PUC-SP. 2005. Disponível em:<http://www.nef.org.br/index.cfm?cd_artigo=92>. Acesso em: 03jan. 2010.PETRY, Luís Carlos, 2009, “Estruturas cognitivo-ontológicas dosMetaversos”. Artigo. In Morgado, Leonel; Zagalo, Nelson, Boa-Ventura, Ana (orgs). SLACTIONS 2009 International Confe-rence: Life, imagination, and work using metaverse plat-forms, 24 e 25 de Setembro de 2009, Vila Real: UTAD. Disponí-vel em:<http://www.topofilosofia.net/textos/F_Onto_Metaverso_Port_LCPetry_002.pdf>. Acesso em: 03 jan.2010.SARAIVA, Karla. O Club Penguin e o Governo dos Infantis.Artigo. 2009. Disponível em: <http://www.cibersociedad.net/congres2009/es/coms/o-club-penguin-e-o-governo-dos-infantis/1069/>. Acesso em 23 nov.2009.AVATAR. In: Wikipedia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Avatar> Acesso em: 03 jan. 2009. 143
  15. 15. clarcen2009@gmail.comTodos os direitos reservados ao editor.

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