COLHIDA NA NARRAÇÃO         DE FRANCISCO LAMEIRA       POR
A QUINTA DE ESTOI   Após a morte de Fernando José de Seabra e Neto, ocorrida em 17 de Julho de 1782,seu filho Francisco Jo...
As equiparações formais da Quinta de Estoi com o Palácio de Queluz provam a filiaçãoartística desta casa senhorial algarvi...
Como era o “Jardim” nos finais do século            XVIII, princípios do XIX:   O pequeno prédio chamado Jardim apenas se ...
O contencioso então havido entre os proprietários de ambos os prédios;  De uma parte o reverendo padre Francisco da Costa ...
Mapa existente nos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa e cuja cópia pode ser admirada                             na Junt...
A família do Coronel Francisco José Moreira de Carvalhal e Vasconcelos e de suaesposa, D. Rita Ifigénia, vivia na “Casa da...
Edifício "notável" da cidade de Faro, situada na actual Rua de Santo. António, principalrua de comércio e centro social da...
D. Francisco Gomes do Avelar           Bispo do Algarve (cujo bispado decorreu) entre 1789 e 1816Quadro de Joaquim José Ra...
Francisco José Moreira do Carvalhal e Vasconcelos e sua esposa, D. Rita Ifigénia,tiveram cinco filhos:– Fernando José More...
O último herdeiro, José Maria, o irmão mais novo (solteiro), não tinha sucessoresdirectos, deixou o usufruto do palácio às...
Em1893 – José Francisco da Silva (1840 - 1926), farmacêutico e abastadoproprietário rural de Beja, adquire o palacete pela...
José Francisco da Silva “Visconde de Estoi”
Logo que o comprou mandou dar inicio á sua restauração, para sua habitação.  Nesse ano de 1893 começaram as obras, as quai...
D. CARLOTA SILVA – SOBRINHA DA GOVERNANTA
Descrição Artística   José Francisco da Silva colocou na direcção dos trabalhos, o arquitecto e decoradorDomingos António ...
A Casa do Presépio (cujo presépio é composto por 58 peças da autoria do barristaJosé Pedro da Cruz Leiria, natural de Faro...
Este tipo de trabalho, utilizado nos tectos e nas paredes, assim como as pinturasparietais conjugadas com os mesmos, são c...
Assim, foi introduzida uma grande quantidade de estatuária, empregando-se diversostipos de materiais nas representações ic...
A sua descarga para a cascata fazia um estrondo abafado sob o solo, escorrendopelas empenas de calcário vermelho da região...
Depois abre-se no grande largo central e separa-se no nível mais baixo, junto àcascata, em três direcções.  Deste ponto, c...
O acesso a três vãos é efectuado através de três bem trabalhadas portas de ferro, comvidros coloridos, sendo os vãos recob...
(Ainda em vida fez doação do Palácio, a favor da sua afilhada, D. Maria do Carmo Melo,mulher de António Duarte Machado (se...
acompanharem o seu enterro sendo todas estas esmolas distribuídas até ao oitavo dia posterior aoencerramento do seu cadáve...
Meninas da catequese de Estoi
Após a morte de D. Maria do Carmo Melo Machado foi herdeira a filha, D. Maria daLuz Melo Machado, mulher de António Bicker...
16   a históra do palácio de estoi - por carlos las heras
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  1. 1. COLHIDA NA NARRAÇÃO DE FRANCISCO LAMEIRA POR
  2. 2. A QUINTA DE ESTOI Após a morte de Fernando José de Seabra e Neto, ocorrida em 17 de Julho de 1782,seu filho Francisco José Moreira de Brito de Carvalhal e Vasconcelos, então ajudantemilitar da Praça de Faro, herda o morgado do Carvalhal, uma das casas mais nobres edistintas do Algarve, e entre outros bens as propriedades que seu pai tinha em Estoi. O progenitor pede em testamento que se faça na parte norte da casa que está destelhada, umacapela ou ermida pública dedicada ao Senhor São José. Ao prédio herdado, o morgado foi anexando outros por compra, os quais todos uniu ao quedantes possuía e deles formou uma fazenda. A este prédio se chamou a “Quinta de Estoy”. Francisco José Moreira de Brito de Carvalhal e Vasconcelos, não aproveita quasenada das edificações herdadas de seu pai, tendo mandado fazer uma obra nova a partirde 1782-1783. Desconhece-se a identidade do responsável pela concepção do projecto. Na opinião de “Francisco Lameira” é provável tratar-se do arquitecto régio MateusVicente de Oliveira (1706-1785), que projectara algumas décadas antes os planos para oPalácio de Queluz e que seria então uma obra da fase final deste mestre, na altura com oestatuto de arquitecto supranumerário das obras dos Paços Reais. Também o nome de Manuel Caetano de Sousa, que sucedeu a Mateus Vicente deOliveira no cargo, na Casa Real, autor de alguns dos edifícios do Palácio de Queluz e co-autor do projecto do Palácio da Ajuda é outro provável autor que se deve considerar naopinião do Professor “Horta Correia”. Esta situação é bem possível pelo facto da esposa do morgado Francisco JoséCarvalhal e Vasconcelos, D. Rita Ifigénia de Lima Botado, desempenhar as funções deaçafata (camareira) e confidente da rainha D. Maria I e da princesa Carlota Joaquina oque justificava perfeitamente a cedência dos prováveis autores do projecto por parte daCasa Real. Refira-se o facto de D. Rita Ifigénia ter amamentado alguns infantes porimpossibilidade da rainha, e como testemunho da grande aproximação entre ambas asfamílias, os infantes e mesmo o príncipe terem apadrinhado alguns dos filhos de D. Rita,nomeadamente os que se baptizaram em Lisboa.
  3. 3. As equiparações formais da Quinta de Estoi com o Palácio de Queluz provam a filiaçãoartística desta casa senhorial algarvia nos valores cortesãos da época de D. Maria Iseguindo os padrões de Versalhes como no resto das cortes Europeias Diversos estudiosos referem essas semelhanças. Como afinidades entre as duas obras evidenciam-se a composição do palácio,propriamente dito, em que o corpo central é mais alto e rasgado por portas – janelas. Associados à fachada principal surgem dois outros corpos de edifícios térreosformando com aquele, uma planta em U. Destaque-se o carácter monumental e decorativo das fachadas e dos jardins e odesenho dos mesmos, acentuando-se um cunho simultaneamente, intimista, lúdico ecenográfico. Em relação à execução, quer das casas nobres, quer dos jardins anexos, o morgadoCarvalhal e Vasconcelos recorreu, seguramente, a profissionais algarvios, atendendo àproximidade à cidade de Faro, sede do assento episcopal e principal centro urbanoalgarvio, onde estavam sedeadas as melhores oficinas. Admite-se que o nome do mestre - pedreiro António Moreira possa ter sido um dosartífices, que em 1780-1781 concluía a frontaria e a torre do lado nascente da igreja daVenerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo de faro. Para esta Ordem Terceira trabalhavam os melhores mestres algarvios e o morgadoCarvalhal e Vasconcelos, como irmão terceiro, tinha perfeito conhecimento destarealidade. Após a conclusão das casas e dos jardins, quando murava a quinta, começaram osproblemas com o seu vizinho, o reverendo padre Francisco da Costa Pestana e seufilho o cónego Joaquim Pedro da Costa Maciel., proprietário de um pequeno prédiodesignado como “Jardim de Estoi” encravado na designada Quinta de Estoy e através doqual era canalizada a água vinda da fonte de Estoi que abastecia a Quinta e os seusJardins.
  4. 4. Como era o “Jardim” nos finais do século XVIII, princípios do XIX: O pequeno prédio chamado Jardim apenas se compõe de duas casas térreas de pedra e barro eum pedaço de terreno aonde há dois lançamentos de figueiras bravas talvez encostadas a uma talvezparede, sete ou oito laranjeiras velhas, incapazes, delongadas até ao tronco e de tanta produçãoque todas elas talvez não chegue a dar um conto de laranjas. O terreno é tal que mesmo as árvores não arreigam nem se fazem capazes e pelo contrário pelopassados tempos murcham e secam de todo. No terreno planta-se apenas alguma cebola e couves, tudo em pequenas proporções; tem mais planta-um ou dois marmeleiros. A este jardim o Reverendo diz valer 300$000 rés. O seu valor é coisa muito insignificante: o Capitão João Freire, do lugar de Estoy, paga de insignificante:renda anual, ao Reverendo a quantia de 4$000 réis pelo Jardim. Por sua vez, a Quinta de Estoi:• Constituía uma fazenda com casas magníficas, um jardim correspondente, diferentes hortas e terras de semeadura regulando tudo para magnificência e recreio com belas e terras famosas ruas unindo os prédios com passadiço, óptimos lances de escadas de cantaria, feitas as entradas e pórticos das ruas com robustos pilares e pedestais.
  5. 5. O contencioso então havido entre os proprietários de ambos os prédios; De uma parte o reverendo padre Francisco da Costa Pestana e o seu filho Joaquim daCosta Maciel (Juiz dos Resíduos e Capelas no Bispado do Algarve e Cónego Prendado e Reitorda Catedral do Algarve); E a da outra o morgado Francisco Carvalhal e Vasconcelos, arrastou-se por váriosanos, tendo os primeiros recorrido ao Desembargo do Paço, contra uma sentença emque o segundo pretendia usurpar-lhes o prédio designado por Jardim de Estói, sobpretexto de se achar encravado e contíguo à sua Quinta.• É neste contexto que o morgado apresenta o mapa que oferece, bem que em ponto pequeno e há tempos feitos. Mapa inédito com a representação do palácio de Estói De 17 de Março de 1800
  6. 6. Mapa existente nos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa e cuja cópia pode ser admirada na Junta de Freguesia de Estói Como resultado final, o cónego da Sé de Faro, Joaquim Pedro da Costa Maciel, vende o Jardim ao capitão João Freire, até então arrendatário do dito prédio, com cláusula deste jamais o vender ao Morgado. No entanto, o Capitão João Freire, através de escritura de permuta e de troca, acaba em 27 de Fevereiro de 1817 por o ceder o prédio ao morgado Francisco Carvalhal e Vasconcelos, que deste modo consegue unir as duas propriedades
  7. 7. A família do Coronel Francisco José Moreira de Carvalhal e Vasconcelos e de suaesposa, D. Rita Ifigénia, vivia na “Casa da Açafata”, (nome proveniente da função que D.Ifigénia exercia na corte). Casa da Açafata (camareira) Pormenor da Pedra de Armas Que só, as casas fidalgas possuíam
  8. 8. Edifício "notável" da cidade de Faro, situada na actual Rua de Santo. António, principalrua de comércio e centro social da cidade, é um edifício setecentista de dois pisos combeirado saliente e telhados de quatro águas. De composição simétrica, o andar nobre apresenta nove janelas de sacada. Noexterior do mesmo merece relevo o brasão da família assim como o enrolamento nadecoração da porta e janela centrais. O jardim da casa era conhecido pelo "Jardim da Mouraria" (remanescente do traçomedieval desta parte da cidade). Na toponímia, em 1909, ainda subsiste a referência a uma horta da Mouraria (actualRua de Santo António, logradouro da Casa das Açafatas). Perto da Mourariadesenvolviam-se as Alcaçarias (actual Pontinha). Decorria o ano de 1808. O país sofria a 1ª invasão francesa, e Francisco José Moreira de Carvalhal eVasconcelos, foi convidado (juntamente com outros representantes da alta sociedadefarense) para uma recepção ao Governador militar do Algarve, o general Maurim,destacado para o Algarve pelo general Junot, durante a ocupação napoleónica. O jantar realizou-se no quartel-general de Faro. O morgado viu-se na obrigação de retribuir, e realizou uma festa na “Quinta de Estoy”nos jardins do pequeno mas formoso palácio, em cujas salas o governador francês e osseus oficiais, bem como o corregedor-mor Goguet, foram recebidos Poucos meses depois os franceses foram expulsos do Algarve e o morgado FranciscoCarvalhal e Vasconcelos foi suspenso das funções militares que exercia em Faro emandado recolher à sua Quinta de Estoi pela resolução tomada em 15 de Junho de 1808,mantendo-se nela, pelo menos, até Dezembro de 1809. Esta ordem não era por ele ser considerado culpado, mas sim para o salvar do Povo ‘ ’furioso que ameaçava assassínios contra todas as pessoas que odiava. Acusavam Francisco de Carvalhal e Vasconcelos, não só de manter correspondênciasecreta com o corregedor Goguet, mas também de haver favorecido a malograda fuga docarro da bagagem dos franceses, encontrado ao que parece, numa das suaspropriedades, nos arredores da cidade de Faro. Entretanto procedeu-se a um rigoroso inquérito, donde resultou o apuramento dainjustiça das acusações feitas ao coronel Carvalhal. Não aconselhava ainda o prelado “D. Francisco Gomes do Avelar”, (como governadormilitar e dirigente do Supremo Conselho do Governo da cidade de Faro), o regresso docoronel Carvalhal a Faro e isto já em Dezembro de 1809.
  9. 9. D. Francisco Gomes do Avelar Bispo do Algarve (cujo bispado decorreu) entre 1789 e 1816Quadro de Joaquim José Rasquinho (1736 - 1822), existente no Museu Municipal de Faro
  10. 10. Francisco José Moreira do Carvalhal e Vasconcelos e sua esposa, D. Rita Ifigénia,tiveram cinco filhos:– Fernando José Moreira de Brito Pereira do Carvalhal e Vasconcelos– Luís Filipe Pereira do Carvalhal e Vasconcelos- José Maria Pereira do Carvalhal e Vasconcelos- Maria da Encarnação Pereira do Carvalhal e Vasconcelos– Maria Francisca Pereira do Carvalhal e Vasconcelos Após a morte do coronel Francisco José Moreira do Carvalhal e Vasconcelos, herdacargos e bens patrimoniais em morgadio o seu filho primogénito Fernando José Moreirade Brito Pereira do Carvalhal e Vasconcelos, que continua, então, a construção damais significativa manifestação do Barroco no Algarve. Quando faleceu, ficou como herdeiro o seu irmão, Luís Filipe, marechal de camporeformado. Pormenor do brasão de armas (existente por cima da casa do lago)
  11. 11. O último herdeiro, José Maria, o irmão mais novo (solteiro), não tinha sucessoresdirectos, deixou o usufruto do palácio às irmãs D. Maria da Encarnação e D. MariaFrancisca Pereira de Carvalhal, tendo feito testamento em 1866 e nele estabeleceu quese vendesse a propriedade por morte da última das irmãs, e o produto dessa venda a serdistribuído pelos pobres. A partir de 1875, ano em que morre a última irmã, o abandono do palacete prolongou-se por mais dezoito anos. Jardim de Estoy Fotografia publicada no jornal “O Algarve Ilustrado” 1 - Novembro – 1880
  12. 12. Em1893 – José Francisco da Silva (1840 - 1926), farmacêutico e abastadoproprietário rural de Beja, adquire o palacete pela quantia de 5 446$23,4 réis a JoséMartins Caiado, João Pires e Maria do Carmo Mascarenhas. José Francisco da Silva “Visconde de Estoi”
  13. 13. José Francisco da Silva “Visconde de Estoi”
  14. 14. Logo que o comprou mandou dar inicio á sua restauração, para sua habitação. Nesse ano de 1893 começaram as obras, as quais se prolongaram até 1909, tendo asua inauguração motivado grandiosos festejos durante os dias 1, 2 e 3 de Maio As despesas efectuadas, primeiro na consolidação das estruturas arquitectónicas edepois na ornamentação do palacete e dos jardins envolventes, foram tão elevadas(109,555$85,9 réis) que o rei D. Carlos I, em 1906, agraciou José Francisco da Silva como título de Visconde de Estói. Em Maio de 1909, as obras no palacete e nos jardins foram inauguradas com grandeaparato e impacto local, recebendo a visita de milhares de pessoas. D. Elvira das Dores Carvalho Natural de Beja – governanta do Palácio
  15. 15. D. CARLOTA SILVA – SOBRINHA DA GOVERNANTA
  16. 16. Descrição Artística José Francisco da Silva colocou na direcção dos trabalhos, o arquitecto e decoradorDomingos António da Silva Meira, que se notabilizara na ornamentação de várias salasdo Palácio da Pena, em Sintra e que foi sempre acompanhado pelo novo proprietário, oqual contratou vários artistas nacionais e estrangeiros e encomendou diversas obras dearte em Portugal e no estrangeiro, especialmente em Itália. O visconde não limitou as suas aquisições a obras contemporâneas, tendo adquiridoboas pinturas do séc. XVII, colocando-as ao lado de naturalismos do séc. XIX ou de artesacra dos séculos XVII e XVIII. Trabalharam aqui escultores, marmoristas da Galeria Androny, de Pisa, o pintor demosaicos genovês Marches Andrea e o pintor de azulejaria Francisco Luís Alves, assimcomo José Pedro da Cruz Leiria, autor do belo Presépio e os pintoresBento Coelho da Silveira, Adolfo Greno, Maria Baretta, José Maria Pereira Júnior,Domingos Costa, S. Ferreira, entre outros. Deste restauro resultou um conjunto de grande valor artístico, destacando-se osestudos, desenhos, obras de alvenaria, serralharia e cantaria, assim como os bustos quese encontram na rua central do jardim, obras de artistas nacionais, e duas estátuas parailuminação, obra dos florentinos Ferdinando Fabri e Figlio. Estas estátuas e bustos preenchem não só as balaustradas do palácio como osdiversos patamares, sendo executadas em pedra, terracota e outros materiais. Um exemplo da boa qualidade da escultura é a estátua, em mármore branco, de umapastora do Piemonte (Itália), da autoria do escultor belga Louis Samain, que a executouem Roma, em 1866. O palácio compreende vinte e três salas e cinco anexos: torre sineira, torre de acessoàs coberturas, depósito de água e duas casas de fresco. O palácio é antecedido por três patamares ou socalcos ajardinados, preenchidos comdiversos alojamentos dois Pavilhões de Chá (com frescos no tecto);
  17. 17. A Casa do Presépio (cujo presépio é composto por 58 peças da autoria do barristaJosé Pedro da Cruz Leiria, natural de Faro e datado e assinado de 1904/1905); Uma das imagens E a Casa da Cascata. Esta simetria é acentuada pelo arruamento principal, o qual se desenvolve a partir deuma portada monumental. As divisões interiores do palácio apresentam formas quadradas e rectangulares,estando interligadas por corredores estreitos e compridos, embora a maior parte dosaposentos comuniquem entre si. As salas são decoradas ao estilo Luís XV, Renascença e Barroco, salientando-se aornamentação interior das seguintes salas de aparato: Capela, Salão Nobre, Sala deVisitas, Sala de Jantar, Saleta, Vestíbulo ou entrada pelo Jardim do Carrascal, doisPavilhões de Chá, Casa do Presépio e Casa da Cascata. Parte do mobiliário e algumaspinturas de cavalete ou murais são italianos. A decoração interior apresenta nos revestimentos um trabalho de estuques que nãodeixa distinguir a madeira genuína da artística.
  18. 18. Este tipo de trabalho, utilizado nos tectos e nas paredes, assim como as pinturasparietais conjugadas com os mesmos, são considerados notáveis, duma maneira geral,salientando-se os doSalão Nobre, da autoria dos irmãos Meira (Domingos e António), os quais já se tinhamnotabilizado na decoração de outros palácios, especialmente no Palácio da Pena, emSintra. A tela do tecto e as bandeiras das portas, no estilo Luís XV, são uma obra-prima deAdolfo Greno e uma tela de crisântemos e atributos de Luís XV é da autoria de JoséMaria Pereira Júnior. A sala de visitas é, igualmente, Luís XV e apresenta uma tela de Domingos Costa. A sala de jantar é renascença, sendo a tela do tecto de José Maria Pereira Júnior e omobiliário, italiano. Uma saleta apresenta um tecto com requintado trabalho em estuque e uma tela dapintora napolitana Maria Baretta. A capela, do mesmo estilo, é dedicada à Sagrada Família, representada numa pinturado séc. XVIII do retábulo do altar-mor, a qual se aproxima da estética Luís XV, sendo daautoria do pintor S. S. Ferreira, discípulo da escola romana ao serviço da Academia deBelas Artes, de Madrid e datada de 1775. No tecto está outra tela, a qual representa a Ascensão, de Francisco Luís Alves. O recheio desta capela (com comunicação interna para o palácio, mas com porta parao exterior) inclui: Duas telas do séc. XVII - Nossa Senhora do Carmo e Nascimento de Jesus (estaúltima assinada por Bento Coelho da Silveira); Um crucifixo de pau-santo com Cristo e ornatos de marfim; Uma pequena imagem de Cristo Preso à Coluna, em mármore branco e de S.Francisco de Assis, em madeira; Lustre, lampadário, cruz processional, turíbulo e belos paramentos, constituindo umvalioso conjunto de arte sacra. Para ampliar o denominado "Jardim de Estoy", sobrevalorizando os factorespaisagísticos, transformando-o no mais completo jardim romântico nacional, o Viscondecontratou arquitectos e outros artistas plásticos que, durante dezasseis anos trabalharamna recuperação de toda a propriedade. Foi aproveitado o desenho do jardim e a intervenção cingiu-se ao enriquecimento dadecoração e cenografia.
  19. 19. Assim, foi introduzida uma grande quantidade de estatuária, empregando-se diversostipos de materiais nas representações iconográficas, nos heróis helénicos, nas virtudes ealegorias pagãs, nas figuras políticas e da cultura alemã (KaiserGuilherme II, Frederico "o Grande", chanceler Bismark, Goethe, Schiller), nos poetas(Camões, Bocage) e políticos da história portuguesa (Marquês de Pombal, D. Carlos I). Ao lado destas representações foram colocados pedestais com vasos, volutas,pináculos e coruchéus, a rematar muros rebocados de tons, rosa do óxido de ferro nosparamentos lisos e ocre no reboco tirolês. Nas obras de cantaria, alvenarias e serralharias trabalharam artistas e artesãosportugueses, destacando-se as oficinas de António da Silva Meira, José Maria PereiraJúnior ou Francisco Luís Alves. Por vezes, superfícies de muros do jardim são cobertas por painéis de azulejos, aimitar os da antiga fábrica do Rato. Ao nível do mobiliário, verifica-se um jogo de bancosde ferro e mármore, pedestais, floreiras e nichos revestidos por azulejos, nos locais maisformais. Esta fase de reconstrução também recuperou os pavimentos de chá com pintura defrescos e lambrim de azulejos, com maior decoração no pavilhão dos homens. Durante este tratamento decorativo, os pavimentos foram refeitos e na área da cascatao mosaico do género romano surge não só ao nível do solo mas a cobrir as abóbadascom desenhos de figuras marinhas, possivelmente inspiradas nos elementos encontradosnas ruínas de Milreu. A quinta usufruiu sempre de uma grande quantidade e qualidade de água, elementoque, com o clima ameno da zona, possibilitou o desenvolvimento de vegetaçãoornamental, especialmente exótica, numa associação de valor botânico e espíritocoleccionista. A água impunha-se como um recurso extremamente importante no jardim, tanto comoelemento decorativo como organizador do espaço. As transformações efectuadas demonstram uma grande qualidade na construção: asinfra-estruturas apresentam uma rede de drenagem pluvial, ligada ao sistema de águasque correm para afluentes comuns, as caleiras foram recuperadas e ampliadas,direccionando a água para todo o lado. A água que vinha da grande fonte da vila chegava à quinta e reunia-se nos tanques dojardim, do lado Nascente da casa, com as águas da nora velha e do poço. Serviam pararegar os pomares e hortas (espaço produtivo a jusante dos espaços de recreio) e encheras fontes do jardim formal e do carrascal, e as que sobravam juntavam-se no lagogrande.
  20. 20. A sua descarga para a cascata fazia um estrondo abafado sob o solo, escorrendopelas empenas de calcário vermelho da região, sendo conduzidas para as caleiras derega do grande pomar. Todo o sistema de fontes, chafarizes, cascatas, repuxos, caleiras e levadas funcionavaem simultâneo. Outra demonstração do requinte posto nestas intervenções foi a introdução de umarede de gás carbureto para iluminação de todo o jardim, desde oPalácio até ao portão principal, no fim da alameda central. Embora já existisse um amplo programa relativamente ao recreio, foi-lhe adicionadoum coreto, construção mais ligada a um espaço público urbano do que a um particular. Presume-se que todo o sector Sul, incluindo o lago, seria para uso da população,tendo o papel de parque. Juntamente com os elementos arquitectónicos de maiores dimensões encontram-seuma cavalariça e uma vacaria, edifícios de reforço para a componente produtiva. A forte relação casa – jardim - paisagem reflecte uma intensa inspiração nas Villas daalta renascença italiana, nomeadamente em relação à volumetria da casa, dos espaçosenvolventes e, principalmente, no contorno altimétrico que modela a encosta, o qual sesucede em diversos níveis até à planície coberta de pomares. Este é o cenário clássico da casa sobre o jardim, sendo o desenho deste maisinfluenciado pelo planeamento racional do jardim francês do que pelas modelaçõespaisagísticas e naturalizadas dopicturesque inglês, o qual ditava, na altura, os últimos cânones da composição nasgrandes realizações europeias. O eixo central organiza o espaço exterior a partir da casa até ao grande portão,cenário triunfal da entrada principal da quinta, (segundo João Cerejeiro. "A arquitectura do jardim e a sua relação com a casa, está mais próxima dos modelosdo barroco nortenho que das quintas de recreio do Alentejo e arredores de Lisboa". O eixo não apresenta uma organização do espaço de forma simplificada, poisatravessa diversos espaços autónomos, em vários níveis, cada um com o seu valor ouambiente característico, personificados no grande lago, na cascata ou outro elemento dojardim e dirigido para uma disposição simétrica, como na casa. A linha central inicia-se no Jardim do Carrascal, espaço quadrangular fechado onde seencontra a entrada principal do edifício, continua pelo jardim do terraço junto à fachadanobre da casa, estreita-se numa ponte, a qual liga com a parte Sul do jardim, separadopor uma serventia pública.
  21. 21. Depois abre-se no grande largo central e separa-se no nível mais baixo, junto àcascata, em três direcções. Deste ponto, começam alamedas que se dirigem aos pontos extremos do jardim,sendo rematados por grandes mirantes, similares aos da Quinta das Laranjeiras (Lisboa),com um valor exclusivamente cenográfico. Existe uma associação do traçado clássico e do monumental, com espaços maisisolados, para ambientes mais íntimos, dando um carácter secreto a cada momento dopercurso. O jardim apresenta-se como uma sucessão de acontecimentos ao longo de um eixo, oqual começa na casa e finaliza no laranjal. A Casa da Cascata encontra-se ao fundo do jardim, tendo a aparência dum pequenotemplo clássico, com pórtico e colunas, entre as quais se vê, no cimo, o brasão dosprimeiros proprietários, os morgados de Carvalhal; no seu interior encontra-se umacascata com uma escultura que representa as "Três Graças" (Aglaia, Eufrósine e Talia),as míticas filhas de Zeus, símbolos da alegria do mundo e da primaveril renovação daNatureza. Este trabalho é considerado uma cópia de umas das obras de António Canova (1757-1822), o maior representante da escultura neoclássica italiana. O conjunto encontra-se colocado sobre uma concha com um pedestal de mármore deItália. Em nichos laterais estão duas esculturas que representam Vénus e Diana, peças deestatuária esculpidas na Galeria Androny, de Pisa. O chão, tectos e outros vãos são revestidos de mosaicos genoveses executados porMarches Andrea, de painéis de azulejos e de pinturas bucólicas. As decorações, repuxos e outros elementos são da autoria do artista algarvio JoséPedro da Cruz Leiria. Defronte deste templo encontram-se dois bancos de forma semicircular com assentosde cantaria e espaldares de azulejos, ornamentados com os bustos do imperador e daimperatriz da Alemanha e com grandes vasos de tipo manuelino. Sobe-se para o segundo pavimento por duas elegantes escadarias, com lanços duplose robustas balaustradas até ao segundo patamar. Ao centro do terraço abre-se um amplo lago com paredes e balaustrada de cantaria,estando ao centro um pedestal, assente num penhasco, onde se encontra um conjuntode estátuas em mármore italiano, duas sereias voltam as costas ao rochedo e, em cima,estão duas jovens e um cupido.
  22. 22. O acesso a três vãos é efectuado através de três bem trabalhadas portas de ferro, comvidros coloridos, sendo os vãos recobertos de um delicado estuque árabe e ladeados porquadros em relevo alusivos ao Nascimento de Cristo, trabalho da equipa do decoradorMeira. Destaca-se, no centro, o Presépio e ainda, o busto de Milton. Nos dois ângulos do fundo deste espaço rectangular erguem-se frontões com estátuasalegóricas encostadas a painéis de azulejo, um trabalho em relevo que representa o"Anoitecer" e o "Amanhecer", coroando estes trabalhos os bustos de Camões, Vasco daGama, entre outros. Duas escadas de cantaria levam a uma varanda, passadiço sobre uma estrada e,através dum elegante portão de ferro, entra-se noutro espaço, decorado nos dois ângulosda frente por pequenos pavilhões de fresco com frontões. Num destes existem pinturas de Francisco de Sousa Alves e, no tecto do outro lado,pinturas com temas paisagísticos da Suíça. A decoração, o extenso mobiliário e os novos equipamentos dão uma atmosferacortesã de opulência e grandiosidade a este conjunto, situação que se opõe em relação àdiscreta aldeia. Quando faleceu o Visconde de Estói, em 1926, solteiro, com 86 anos de idade e semherdeiros directos, (posteriormente á sua morte veio-se a saber da existência de um filhoilegítimo), deixou o palacete na posse da sua prima e afilhada, “MARIA DO CARMOMELO MACHADO” TESTAMENTO DO VISCONDE DE ESTOI
  23. 23. (Ainda em vida fez doação do Palácio, a favor da sua afilhada, D. Maria do Carmo Melo,mulher de António Duarte Machado (seu compadre e grande latifundiário de Beja). (Com reserva de uso fruto, a favor de sua prima D. Ana Zeferino, casada com José Brito deMelo, mãe da herdeira) herdeira) (Que quer que o seu enterro seja feito modestamente, sendo depositado o seu cadáver no jazigoque ele testador possue no cemitério de Estoy, não querendo corôas no seu féretro a não ser umacorôa de flores naturais colhidas no jardim do palácio, de que ele testador já fez doação com dereserva de usufruto, situado na dita freguesia de São Martinho de Estoy) (Que quer que o cadáver de sua mãe, que está depositado no jazigo de seu compadre AntónioJoaquim Duarte Machado, nesta cidade de Beja, seja removido e depositado depois no jazigo dele removidotestador em Estoy) Jazigo do Visconde de Estói – (existente no cemitério da Aldeia de Estoi) (Que devem ser distribuídas e assim o deixa determinado, cincoenta esmolas de dez escudoscada uma, aos pobres recolhidos e famílias necessitadas da dita freguesia de São Martinho deEstoy e cem esmolas de cinco escudos cada uma aos pobres da mesma freguesia de I Estoy que
  24. 24. acompanharem o seu enterro sendo todas estas esmolas distribuídas até ao oitavo dia posterior aoencerramento do seu cadáver no Jazigo.) (Que deixa hà Junta de Freguesia de São Martinho de Estoy, Concelho de Fáro, a quantia desessenta mil escudos e todas as casas que possue na rua de São José da mesma freguesia, para ofim da mesma junta mandar construir uma Escola de Ensino Primário Geral, para ambos ossexos, legando ainda à mesma Junta todos os mapas e quaisquer livros ou objectos com carácterditactico (sic), aplicáveis ao ensino que deve ser ministrado na mesma escola) ALGUMAS IMAGENS DO PALÁCIO E DE ESTOI (à época)
  25. 25. Meninas da catequese de Estoi
  26. 26. Após a morte de D. Maria do Carmo Melo Machado foi herdeira a filha, D. Maria daLuz Melo Machado, mulher de António Bicker Correia da Costa) Contudo, os familiares mantiveram a propriedade, especialmente os jardins, emcondições de subaproveitamento, tendo a falta de manutenção deste espaço sido fatalpara inúmeras espécies botânicas, designadamente ornamentais, pois privilegiaram,sobretudo, a área produtiva da quinta. 1987 - A propriedade é adquirida pela Câmara Municipal por 130 000 contos; Faro, salão nobre da Câmara Municipal, Dezembro de 1987 Assinatura do protocolo da aquisição, para o município, do palácio e jardins do Visconde de Estoi. Na fotografia o presidente João Negrão Belo E D. Maria da Luz Melo Machado Bicker da Costa

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