Dona Esmeralda e o gato Maltês

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Dona Esmeralda e o gato Maltês

  1. 1. <br /> <br /> Não vou começar por era uma vez, como acontece em muitas histórias, porque esta não se passou há muito tempo, esta é actual, se assim a posso chamar.<br /> Vivem na minha rua dois pobre animal doméstica: um cão e um gato, este último é o gato mais fofo que já vi até hoje! Fofo foi o nome que eu própria lhe pus, apesar de ele ser chamado de Maltês.<br /> Com o seu longo pêlo preto e branco a disfarçar a magreza do seu corpo e aqueles olhos enormes, tão redondinhos, lá anda ele diariamente rua acima, rua abaixo à procura de algo para comer, pois o seu estômago “ronca” como acontece com os humanos quando a fome aperta, mas o pior de tudo, é que pouco ou nada encontra para comer.<br /> A sua dona é uma pobre coitada, que nunca teve falta de dinheiro, tem sim, falta de “cabeça” para governar e no meio de tudo isto os pobres animais é que padecem. “É preciso ter sorte com o dono, que se tem, devem eles pensar!”<br /> Hoje, D. Esmeralda conta já com os seus oitenta anos e anda muitas vezes pelos caminhos, mas ao contrário do “Fofo”, em vez de comida pede vinho aos vizinhos, pois é viciada, ou então anda à procura do seu gato, pois não permite que este se ausente de casa. Logo que o encontra, pega nele pelo regaço e lá o leva para o “presídio” pois é o que ele deve pensar, uma vez que passa fome e sede, amarrado como normalmente se fazem aos cães, para que não fuja de casa.<br /> Eu admiro e tenho pena destes pobres animais, pois eles, poderiam estar revoltados com o tipo de vida que levam, mas não, sendo eles muito humildes e obedientes a seu dono, neste caso dona, não, deixam transparecer a tristeza naqueles lindos olhos redondos, como é o caso do “Fofo”.<br /> O cão já esse nunca lhe pus um nome, confesso que não me é tão familiar como o gato, pois passa a maior parte do tempo em casa preso ao cadeado, tentando apanhar algumas galinhas que por ali perto passam, uma vez que se encontram todos no quinteiro de D. Esmeralda.<br /> D. Esmeralda vive da sua pequena reforma, é através da Segurança Social que as refeições lhe chegam a casa, se ela não comer tudo, sobram uns restos para o Maltês e o seu amigo cão, mas só assim é que eles comem algo.<br /> E os animais têm assim, sorte ou não, dependendo do apetite da dona.<br /> - Será que hoje vai sobrar alguma coisa para mim? – perguntou Pimpão a Maltês, enquanto este ia lambendo o seu longo pêlo, parecendo preparar-se para dormir.<br /> - Não sei – respondeu o Maltês – depende do apetite dela, mas se houver ossos irá sobrar algo para ti com certeza.<br /> - Eu divido contigo, não te preocupes! – sossegou o Pimpão.<br /> - Não te preocupes comigo, já tenho o estômago a trabalhar, pois a menina da vizinha já me deu uma fatia de fiambre – retorquiu o Maltês.<br /> - Obrigado amigo, estou muito sensibilizado com a tua compreensão mas, na realidade, de ti não esperava outra coisa – disse Pimpão – Aí vem ela, parece-me que estamos com sorte.<br /> A manquitar lá vai a D. Esmeralda com uns restos do jantar, dirigindo-se aos animais.<br /> - Comam, comam e não se queixem!<br /> - Até parece que vivemos à “grande e à francesa”! – exclamou Pimpão.<br /> - Deixa lá, não ligues. – disse o Maltês.<br /> -Tu falas assim porque passas uma grande parte do tempo na rua e há sempre alguém que dê algo! – exclamou o Pimpão.<br /> - Tens razão, amigo. – retorquiu o “Fofo”.<br /> - E ainda por cima, quando me “toca” alguma coisa, tenho aqui as galinhas como companhia, a minha vontade era passar-lhes os dentes. – acrescentou o Pimpão.<br /> - Amigo, também elas são umas pobres coitadas, cheias de fome. – afirmou o “Fofo”.<br /> - Tens razão, tens razão! Ai, só me faltava esta agora! - exclamou o Pimpão.<br /> - O que foi? – perguntou o “Fofo”.<br /> - Uns bichinhos insignificantes, mas que espetam, que mais parecem agulhas!<br /> - Pulgas? Será? – perguntou o Maltês.<br /> - Claro, até elas têm fome. - disse o Pimpão.<br />Enquanto isso, duas minúsculas criaturas espreitaram por entre o pêlo do Pimpão e comentaram:<br /> - Pensam que só vocês é que têm fome? Se vocês estiverem fracos nós fracas ficaremos e fome passamos.<br /> - Pelo que se pode ver a crise é para todos, vamos pensar que melhores dias virão! – disse o Maltês deitado lá no seu canto.<br /> Mas, o certo é, pelo pouco que sei, estes animais continuam a levar o mesmo tipo de vida até hoje: se um dia têm algo para comer, no dia seguinte nada lhes aparece à frente. <br /> FIM<br /> Trabalho elaborado por: Ana Rita Coelho, 6ºD<br /> <br /> <br /> <br /> <br />

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