Alberto Leite
AgradecimentosDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Para mamãe, papai, Mau, Cintia, Gi,                                         Cauã, Lalá e Suco de LaranjaDireitos Autorais ...
Um agradecimento especial ao amigo Rick Zavala, responsável              pela ilustração da capa (www.bigfun.com.br).Direi...
Seria Jesus um folião?Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
Muito se fala na quaresma. Na páscoa. Muito se fala na ressurreição de Cristo. Mas até hojeninguém conseguiu me explicar a...
Pensando bem, não tem nexo mesmo né? – disse a tia menos católica.Vamos mudar de assunto porque vocês estão falando de Jes...
Casamento de PobreDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Algumas coisas são padronizadas em nossas vidas. Uma delas é o casamento de pobre. Festas dequinze anos também são, mas ho...
Geralmente a decoração não está de acordo com o que os noivos queriam, pois foi consensoentre dez casais que utilizam a ig...
As crianças dão um show à parte correndo, dando pontapés no traseiro dos garçons e puxandoas toalhas até que por volta das...
Seu Delegado prenda o Tadeu!Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
Ela, uma senhora de pouco mais de setenta. Muita idade para pouca vivência. Casada umaúnica vez. Viúva, com uma única filh...
Sua esposa Maria, com ar desolado, às vezes triste, às vezes sofrido, às vezes superior, eraassustadora na opinião da velh...
O casal sai da cozinha e encontra a velha caída na sala com a mão na boca. Morta.Atrás do sofá os gritos do filho denuncia...
Vende-se uma sogra mortaDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Poucas pessoas me deixavam tão tranquilo numa conversa quanto o Geraldo. Também pudera,com este nome, alguma qualidade aqu...
Decidi virar o jogo chamando meu chefe para uma conversa. Liguei de meu ramal e perguntei seele poderia me receber.- Pode ...
Não?Não.O que é então?Pensando bem é melhor colocar seu mídia no telefone também, pois merece mais mídia, talveztrês jorna...
O primeiro terceiro lugarDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Nada mais fazia diferença a não ser o fato de seu reinado ter terminado. Será que haveriachance de volta? Seus amargos pen...
Naquele domingo congelante fora até o Gim’s para comer um hambúrguer como na época doginásio, quando o agora proprietário ...
Havia uma dúzia de inscritos e todos almejavam ganhar este concurso para poder declamar emtoda a região quem era o mais pa...
OK, se você deseja... O bar é seu mesmo.É de seu marido. Quantas vezes terei que falar isso?Já sei. Cento e cinquenta.Isso...
Seu amigo feliz com a atuação gloriosa de seu companheiro foi até a mesa dos juízes, jornalistaslocais e críticos de músic...
“Concurso abre portas para novas estrelas” – era o título da matériaCom pouca velocidade abriu o jornal e caiu desmaiado.M...
Chama o SíndicoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Guilherme era aos trinta e cinco anos diretor de uma importante empresa de marketing e viviacomo muitos solteiros desejari...
Estou subindo apenas quatro andares, você pode entrar e depois descer.Está bem.(Meu Deus, ela não fala muito, diz apenas o...
(Meu Deus. Ela não pediu para eu me arrumar. É ela).Preciso me aprontar, prometo não demorar.Está tão bem assim.(Meu Deus....
(Ahhhhhhhhhhhhhhhhh)Só um minuto e já vamos.Fique tranquilo.No quarto Guilherme só pensava numa coisa: comer a garota. Hom...
- (Meu Deus será que é ela?).Não grite tão alto, o vizinho pode chamar o síndico.Não chama não.Chama sim.Não chama não. Eu...
Malabarismo tem limiteDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Não podemos esquecer de mandar a proposta hoje hein?Fique tranquilo, mandarei assim que chegar.Esses semáforos sempre demo...
Mas são duas bolinhas. Até cego eu jogaria duas bolinhas para o alto.Mas cego é diferente. Vesgo atrapalha por que ela não...
Caso com o acasoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Senhor Luis Augusto Neves, aceita Talita Cordeiro como sua legítima esposa?Não... Ops... Sei lá... Quer dizer... Sim... Ep...
Volte filha, o Guto é um bom rapaz e estava nervoso.Não quero mãe, ele me fez passar vergonha na frente de todos. Quero qu...
Meu Deus, Jorge, a Talita só entra com música e eles só tocam se pagarmos, minha carteiraestá no carro.A minha também, mas...
Não está, foi junto com ele, está tentando convencê-lo a voltar.Mãe será que esse casamento sai? (começa a choradeira de n...
O showDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Estavam todos ansiosos para o início do show.Num canto reservado e separado por cordas e seguranças, a banda, com seus ami...
Diretamente para o canal 12, qual o seu nome?Nilson.Nilson, você é namorado de alguém da banda ou sócio da casa?Não, sou o...
Mmmmmmm.Fala logo, qual o seu nome?Hei, o cara é mudo, o que você quer com ele? – pergunta uma terceira pessoa.Só queria e...
Rato no sofáDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Minha casa teve poucas baratas, poucas formigas. Minha casa nunca teve um besouro, mas tevelagartixa e rato. Apesar de ser...
Mickey foi até a sala e entrou no sofá.Aí só tapeceiro para tirar mesmo. E guarda noturno. Ah, esses fazem qualquer coisa ...
Dia de eleiçãoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Dia de eleição é sempre igual. Já vi eleições grandes, médias, pequenas e de cidade pequena,que é algo notável. Já vi elei...
As empregadas param de discutir sobre a vida dos personagens de novela e dedicam parte dotempo a discutir sobre os rumos e...
Na sala você sempre conhece um dos mesários e faz uma clássica piada com o fato de eletrabalhar na mesa e você não, o que ...
Pura ilusãoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Ir ao supermercado sem dinheiro é um exercício fabuloso para quem conhece marcas deprodutos e vive disso.O primeiro item c...
Comida de cachorro é mais cara do que de gente, então aconselho a todos a acostumarem osdogs a comerem camarão, lagosta e ...
Vem cá me dar um beijinhoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Era a primeira loucura que faria por alguém. Pensou nos detalhes, pensou em tudo e chegou àconclusão que tinha que fazê-lo...
- Vou subir no muro e você me joga a faixa.- Tá bom, cuidado hein?!Cinco minutos depois.- Manda a faixa.- Cuidado. Você va...
- Que loucura, eu não sou louco! Eu não sou louco!- Não?- Não!-   Quer tomar remédio?-   Não. Não encoste em mim, senão te...
O tal do erreDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Quem já teve oportunidade de ir ao Rio de Janeiro sabe do que um erre é capaz. Carioca que écarioca adora um erre. E um di...
O gringo agora em Porto Alegre:- Ba tchê, queres comer uns cacetes pela manhã?- ($^#(^(#^#, Do you want to eat some breads...
Direita ou esquerdaDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Genro: Não sei por que temos que fazer esse curso?Noiva: É verdade, mas acho que tem muitos detalhes, temos que prestar ba...
Pai: O lado esquerdo geralmente é o mais fraco e ali o pai protege a noiva.Genro: De mim?Pai: É de você, seu burro! Não, é...
Doze de vinte e quatroDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
- Banco Sul, Janice bom dia!- Quem fala?- Banco Sul Janice.- Janice, aqui é a Roberta, sou cliente da agência Pacaembu.- O...
- Relacionamento Cláudio Nóbrega bom dia senhora Roberta, como podemos ajudá-la?- Carlos, tô com um sério problema, acabei...
- Tá bom então eu cancelo!Silêncio do outro lado.- A senhora tem certeza de que não quer ter ao seu lado o cartão que tem ...
- Senhora. Ficamos muito felizes, a senhora quer recadastrar seu cartão multi vistointernacional?- Quero ora bolas, eu gos...
OspelhinhoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
Tem gente que é louca por dinheiro. Alguns são loucos por mulher. Tem uma porção de genteque não sai de casa para não suja...
Faltava parte do tempero quando a Karlinha viu que só conseguiria se o tivesse em mãos.Pensou em ligar para o Valtinho, ma...
- Peço desculpas, são coisas de marido e mulher, depois conversaremos com calma. A propósito,o senhor conhece muito sobre ...
Como assim? Você já envolveu o porteiro, a chilena e o ferrugem, agora quer botar umaempresa na história?- Bem, não foi tã...
- Não quero ouvir mais nada Karla, olha aí o chefe foi embora e você continua com essahistória estúpida. Você está bêbada?...
CreiziDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
O Luiz Ângelo é um amigo e tanto. Pena que de tão loucas as suas ações todos os amigos ochamam de “crazy”. Minha mãe, que ...
Quando era de madrugada o telefone da casa dele toca. Seu pai, de pijama, chinelos trocadosnos pés, levanta e vai até a me...
Seis CanecoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
A pobreza de espírito do pobre é algo assustador. Diria que daí vem sua maior pobreza.Ande em ruas de bairros mais pobres ...
Na estrada o pobre desfila mais ainda. Quer ver se o cidadão é pobre ou rico? Tente passá-lo.Se for rico estará com um car...
Fim
Alberto Leite é formado em Comunicação pela UMESP, com MBApela FGV e Formação Executiva pela Fundação Dom Cabral e Kellogg...
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  1. 1. Alberto Leite
  2. 2. AgradecimentosDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  3. 3. Para mamãe, papai, Mau, Cintia, Gi, Cauã, Lalá e Suco de LaranjaDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  4. 4. Um agradecimento especial ao amigo Rick Zavala, responsável pela ilustração da capa (www.bigfun.com.br).Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  5. 5. Seria Jesus um folião?Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  6. 6. Muito se fala na quaresma. Na páscoa. Muito se fala na ressurreição de Cristo. Mas até hojeninguém conseguiu me explicar a relação que existe entre a tal data histórica, o carnaval - queacontece sempre quarenta dias antes da páscoa e os coelhos que nesta data distribuem ovosgigantes de chocolate.Isto parece até uma história de Tim Burton. Acredito até que qualquer filme do Tim se faria maisconsciente do que as relações acima citadas.Num dia de domingo, com a família reunida decidi provocar a turma.Gente, alguém sabe porque a páscoa é quarenta dias depois do carnaval?É a quaresma – respondeu a tia carola.E?É a quaresma - reforçou a tia.Mas tia, o que o carnaval tem a ver com a páscoa?Nada ué. O importante é que a páscoa é a ressurreição de Jesus. - falou firme a tia.Isso é o que importa – reiterou o tio que comia o frango.Mas tio, o que o coelho tem a ver com tudo isso? - Provoquei.Nada, é só comércio, o importante é a ressurreição – falou bravo.Tio, peraí, isso parece papo de fanático. Não tem nexo essa história de coelho, carnaval eressurreição. - provoquei ainda mais.O que importa é a ressurreição – falou querendo encerrar o assunto.Olha gente, acho que ninguém aqui consegue me explicar essa história direito então nãoacredito em nenhuma delas. - provoquei de novo. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  7. 7. Pensando bem, não tem nexo mesmo né? – disse a tia menos católica.Vamos mudar de assunto porque vocês estão falando de Jesus e isso é pecado – reiterou o tioagora mais bravo ainda.Tio. Seria Jesus um folião? Seria a páscoa quarenta dias depois, pois é o dia em que ele sarou daressaca? – ironizei.Eu não falo mais nada, brinquem com isso e verão o resultado – Disse mais calmo.Que resultado tio? – ironizei de novo.Papai, o que é folião? – Questionou a priminha de dez anos.Filha vá brincar, seu primo tá brincando. - Falou o tio mais bravo.Tá bom, mas quero saber o que é folião – Perguntou a priminha.Gente, sendo folião ou não, o que importa é que foi salvo por um coelho, e isso é o que importa.– cheguei ao final da história.Todos em silêncio, até que uma tia, a mais louca, lavando louça vira pra todos:A dona Tute, lá da rua disse que o menino Jesus ressurreizou no carnaval.Ah tia, agora sim tá explicado. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  8. 8. Casamento de PobreDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  9. 9. Algumas coisas são padronizadas em nossas vidas. Uma delas é o casamento de pobre. Festas dequinze anos também são, mas hoje em dia incomuns, as meninas preferem a tal viagem paraDisney. Esta sim é padrão. Viagem para Porto Seguro após o colegial então é o máximo em faltade criatividade.Mas vamos ao casamento, que hoje em dia pode ser classificado em casamento de pobre,porque classe média no Brasil é pobre, e rico faz casamento diferente, com cachorro como damade honra e tudo.Um dia desses li no jornal que um apresentador casou e colocou um anãozinho para entregar osbrindezinhos finais. Nada contra os anãozinhos, mas isso parece mais uma apresentação circensee não um casamento.Vamos então ao casamento de pobre. Este sim é maravilhoso.Existem algumas verdades de casamento de pobre que devem ser observadas. A primeira delas éque quem manda no casamento não é a noiva nem o noivo, muito menos o pai. Quem manda nocasamento todo é o fotógrafo. Ele é quem conhece o padre, o músico, o buffet, os trâmitestodos e é ele quem posiciona tudo, manda em tudo. Quer saber onde a noiva está procureaquele pedestal com lâmpada quente do fotógrafo.O casamento sempre se inicia com amigos e parentes que nunca se encontram se olhandoprocurando ver quem está mais gordo e quem está com mais filhos. Os vestidos, cabelos,maridos e barrigas das outras são o assunto das mulheres. As músicas no altar geralmente são asmesmas, porque a moça do teclado não tem tempo para tirar outras músicas e passa aos noivosuma lista com meia dúzia de pérolas de casamento, como marcha nupcial, Ave Maria, entreoutras. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  10. 10. Geralmente a decoração não está de acordo com o que os noivos queriam, pois foi consensoentre dez casais que utilizam a igreja no mesmo dia. Uma noiva pediu rosas vermelhas, outragérbera, aí já viu, a igreja parece a mata atlântica.Na festa a coisa se torna mais padrão ainda. Num telão de dimensões razoáveis é semprepassado um filme dos noivos em fotos de crianças, onde nunca imaginariam se conhecer.Fotos tiradas de forma amadora por seus pais, tios, cachorros, etc. As pessoas esboçambeicinhos de que vão chorar, mas nessa hora o dj para tudo e inicia uma bela música para aentrada dos noivos. Todos olham, as garotas levantam e os garotos, namorados e maridosaproveitam esse momento para beber mais. O casal entra e faz o discurso.Já vi discurso longo, curto, em português, inglês, de frente e de trás, de noivos e de pais.Todos são, sem discussão nenhuma, ruins.O baile começa com a valsa, que hoje em dia se transformou em jazz, bolero, até tango. Noinício do baile começam a se formar mesas enormes de tias de interior com seus vestidos decetim, que passam boa parte do tempo falando de doenças, maridos que bebem - e olha láele de novo bebendo -, de crianças malcriadas e de como a noiva estava linda e queprovavelmente o noivo não é pra ela.Tem sempre um tio de oitenta anos que passou a vida bebendo, tem cirrose e fica negociandocom os garçons um copinho de guaraná que na verdade não é guaraná, enquanto sua esposade setenta reclama o tempo todo. O mais engraçado nisso é que geralmente ela vai antes e ovelhinho fica aí vivo da silva bebendo. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  11. 11. As crianças dão um show à parte correndo, dando pontapés no traseiro dos garçons e puxandoas toalhas até que por volta das onze dormem.Alguns homens vão para a pista, todas as mulheres vão, com exceção das tias do interior.Os que vão colocam as gravatas na cabeça e bebem a noite inteira olhando para as amigas danoiva e imaginando o que fariam se as suas esposas não estivessem ali.As garotas vão à pista olhando os vestidos das outras e raras vezes puxam conversa com alguém,ficam só dançando e dançando. As mulheres mais velhas, essas sim, desbancam todas, dançandola bamba em ritmo de salsa mexicana.Enquanto tudo isso acontece os noivos estão andando falando com todos e pegando uma granacom a gravata.Assim é o casamento de pobre, dez por cento vai embora nos primeiros vinte minutos, logo apósa coxinha de frango. Oitenta por cento vai logo após o bolo e tem sempre dez por cento que nãovai embora, só quando o segurança do buffet põe pra fora.Os noivos geralmente nessa hora estão em outro lugar gastando muita energia pra tirar osgrampos do cabelo da noiva. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  12. 12. Seu Delegado prenda o Tadeu!Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  13. 13. Ela, uma senhora de pouco mais de setenta. Muita idade para pouca vivência. Casada umaúnica vez. Viúva, com uma única filha. Esta, casada.Ele, publicitário famoso, ganhador de prêmios e elogios, casado com a única filha dela.A velhinha, além de pouca coisa para pensar, era carola. Carola, mas não daquelas que ia àmissa todos os domingos. Era daquelas que às vezes não ia aos domingos, pois já tinha ido osoutros seis dias, em dois períodos. Participava da criação do ato litúrgico. Sonhava com Jesusquase todos os dias e aos domingos cozinhava um delicioso frango ao molho de pimentãoverde para a filha, o genro e o neto Tadeu.Era Natal, durante quarenta e cinco longos e entediantes dias, a velha tinha trabalhado juntocom três amigas do Teuto (Centro Comunitário de Terceira Idade) onde dançava todas asprimeiras quartas de cada mês ao som de Ray Connif. Trabalhara durante aqueles longos diaspara construir um lindo presépio, feito com papel pedra, água, lindos bonecos de barro, papelluminoso, areia e mais uma porção de ingredientes que mais parecia um kit colagem paracrianças do primário. Notava-se que a velha estava fora de si pois no meio do presépio elacolocara alguns carrinhos de ferro do Tadeu. Adorava os três magos, mas tinha certa predileçãopor São José. Não sabia ao certo o porquê, mas muito provavelmente porque seus braçoslevantados aos céus agradeciam a presença do rei dos reis numa pequena manjedoura em seupróprio e modesto lar. Era maravilhoso. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  14. 14. Sua esposa Maria, com ar desolado, às vezes triste, às vezes sofrido, às vezes superior, eraassustadora na opinião da velha. José, este sim, era digno daquele olhar supremo.Esquentava o almoço de domingo, que antecederia a semana do Natal quando ouviu acampainha. Sempre trancava a porta com medo da violência das cidades.Era a filha com o marido e o filho. Após os cumprimentos todos vão para a cozinha. Tadeu usavauma linda mochilinha nas costas que parecia pesada.Seu pai querendo entrar em assunto sério com a velha, pede ao filho que vá brincar na sala comsua nova coleção de soldadinhos Comandos em Ação. Precisava de espaço para contar à velhaque ela seria avó novamente, de uma menina agora. Não sabia ao certo qual seria o impacto danotícia. Podia sorrir. Podia morrer.A senhora está bem?Ah, sim. Só aquela dorzinha das costas. Você sabe né, gente velha é assim, sempre tem algumacoisa fora do lugar e...Mãe, de novo não.Mas minhas costas doem. Não há mal nenhum em falar disso.É que precisamos contar uma novidade.Ah, me conta filha.Renda-se! Renda-se – gritou Tadeu na sala.A velha vai até a sala e solta um grito apavorante. Em seguida um barulho de queda acompanhao grito. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  15. 15. O casal sai da cozinha e encontra a velha caída na sala com a mão na boca. Morta.Atrás do sofá os gritos do filho denunciavam a presença de uma guerra. Uma guerra de bonecos.Os dois entreolham-se e dão a volta no sofá. Do outro lado, a imagem dramática de mais de cemsoldados Comandos em Ação cercando a casa de José.Jesus caído de bruços e Maria presa numa gaiolinha. São José com os braços para os céus serendia perante a maioria à sua frente. Soldados, aviões, jatos, mísseis que acabaram por destruirtoda a casa e matar os animais que ali estavam. Os três reis que tanto viajaram para levarpresentes ao menino Jesus, presos em camburões blindados choramingavam a derrota.Tadeu, sem se importar com o mundo à sua volta gritava com voz de demônio:Renda-se! Renda-se Osama! Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  16. 16. Vende-se uma sogra mortaDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  17. 17. Poucas pessoas me deixavam tão tranquilo numa conversa quanto o Geraldo. Também pudera,com este nome, alguma qualidade aquele senhor precisava ter.Olhando-o fisicamente era um senhor de uns cinquenta e cinco anos de idade, nem gordo, nemmagro. Corpo flácido, sedentário. Sua caminhada diária deveria compreender quinze metros,somando a garagem de sua casa e a distância entre o elevador e sua mesa. Mas com tudo issoera um senhor agradável, sempre com uma boa história para contar. Conhecia o mundo comopoucos, pois viajara em toda a sua vida profissional para todos os cantos do mundo e conheceratambém muita gente interessante.Gozava de uma excelente posição numa empresa, cliente da agência onde eu trabalhava. Naépoca, como atendimento da agência, eu tinha uma única missão: atendê-lo bem e fazer comque gastasse a maior soma em propaganda. Se possível todo o seu investimento de marketing,coisa quase impossível de ser feita, pois o Geraldo só acreditava em uma coisa: os mares bálticossão azuis, os brasileiros, verdes.Isso estava se tornando uma tarefa difícil e o Geraldo só dava atenção para um conjunto dehorríveis malas diretas que enviadas mês a mês a um grupo de milhares de pessoas, traziam umretorno provável.Após dois anos atendendo-o semanalmente, desisti e decidi que seu pagamento mensal fixo erasuficiente para a nossa sobrevivência e que a minha estaria comprometida se eu continuasse avisitá-lo, gastando somas e somas em dinheiro com estacionamento, combustível e tempo. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  18. 18. Decidi virar o jogo chamando meu chefe para uma conversa. Liguei de meu ramal e perguntei seele poderia me receber.- Pode vir, estarei desocupado nos próximos quarenta minutos.Levanto-me e, antes de sair, ouço meu telefone tocar. Pelo identificador vejo que era o Geraldo.Penso por um instante. Olho para os lados. Deveria atender, poderia me dar força para pedirsubstituição. Atendo.Alberto, é você?Olá Geraldo, como vão as coisas?Caminhando (resposta corriqueira, como se ele caminhasse muito).Aconteceu algo?Para mim e para você. Preciso fazer um anúncio.O que? Um anúncio? (metade da agência se levanta, o Geraldo iria anunciar).É? Estou indo aí.Não precisa, vou dar o briefing por telefone mesmo. É simples, mas quero visibilidade. Quero omaior jornal do país.Que bom, estou feliz.Feliz por que?Você nunca anuncia.Até hoje, meu rapaz. Até hoje.Qual a novidade que merece um anúncio desses. Você sabe quanto custa um anúncio desses nãosabe?Tenho uns amigos, eles comentaram comigo já.Bom, mas vamos à novidade. Qual é?Infelizmente a notícia não é boa. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  19. 19. Não?Não.O que é então?Pensando bem é melhor colocar seu mídia no telefone também, pois merece mais mídia, talveztrês jornais.Geraldo, já que quer visibilidade, vamos para a TV.É. Pensando bem você tem razão, de uma vez só acertaremos muitas pessoas que a conheceram.Ela quem?Minha sogra.Sua sogra vai lançar algum produto?Não, ela morreu.?Espero que vocês não me cobrem criação nem taxas de produção e veiculação, afinal estamosfalando de anunciar um falecimento.Geraldo, você quer muita produção? Fotos? Trilha sonora?Não, nem viva ela gostava.Isso parece slogan Geraldo.É verdade, gostei, quando entramos no ar?Espere um minuto e já te retorno.Chefe, o Geraldo acaba de ligar. Precisamos conversar. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  20. 20. O primeiro terceiro lugarDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  21. 21. Nada mais fazia diferença a não ser o fato de seu reinado ter terminado. Será que haveriachance de volta? Seus amargos pensamentos denunciavam um ligeiro não.Em toda a sua vida tinha sido idolatrado, querido, amado, solicitado, enfim, uma infinidade deidos e ados que fazem de um homem um deus. Aliás, onde estaria essa divindade numa horadessas já que sua vida não passava mais de uma ida e volta ao Gim’s, famoso bar de seu bairroe que por vezes o acolheu em momentos como aquele?Sua história incluía concursos na escola com apenas oito anos de idade, venda de mais de vintemilhões de cópias de discos, mais de cento e vinte filmes em cartaz, algumas estatuetas debajuladores que utilizavam seu nome para convidar outros cantores e celebridades para festaspatrocinadas por empresas que mal sabiam por que estavam lá.Seu nome fora até utilizado em campanhas de sabonetes. Ele mal sabia de onde vinha e paraonde ia o dinheiro que recebia. Era muito, isso ele sabia.Nos últimos meses dedicava-se à fortuita missão de levantar-se, ir até o banheiro e tomar cafésem cair. Seu peso mudara consideravelmente a ponto de não ser mais reconhecido nas ruas.Isso abala até vendedor de seguros que muda de bairro, pode imaginar uma celebridade. Asdrogas o consumiam até a alma e para ajudar tudo isso, seus agentes cada vez maisenriqueceram com suas obras enquanto ele vivia agora do pouco que sobrara. Diria em poucaspalavras que era o fim do mundo. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  22. 22. Naquele domingo congelante fora até o Gim’s para comer um hambúrguer como na época doginásio, quando o agora proprietário e amigo era apenas um dos garçons. Foi numa das festasde Natal que decidiu presentear alguém de fora de sua família e comprou o Gim’s para o rapaz,que nunca soube como agradecer.Sentava na mesma mesa há alguns anos. De chapéu na cabeça e sempre sentado de costaspara a porta nunca era reconhecido, nem pelos mais fanáticos, ainda mais que agora ostentavaligeiros quarenta quilos a mais. O lanche estava uma delícia. Seu amigo, dono da lanchoneteolhava-o com pena. Vez ou outra passava pela mesa e acenava fazendo a careta tradicional doamigo que não sabe como ajudar. O milk shake, pouco para tamanho do corpo, foi reposto peloamigo.Naquela noite em especial haveria no Gim’s um concurso de covers de nada mais nada menosdo que nosso amigo famoso. Ele não sabia. O amigo proprietário não imaginava que eleapareceria e preparou a festa para que o público do bar pudesse relembrar sua melhor fase e,posteriormente poderia virar até um documentário.Chamara duas redes locais de televisão, rádios locais, amigos dos jornais, que sempre iam aoGim’s ter notícias do amigo famoso.Aos poucos o Gim’s foi acomodando dezenas de pessoas prontas para o concurso. Alguns seaventuravam levando trajes, microfones iguais aos utilizados pela celebridade e poucossaberiam um dia que ele próprio sentava na última mesa do bar. Uma noite realmente mágica.O mestre de cerimônias, dono do Gim’s, sobe ao palco e inicia o concurso fazendo um discursoprofundamente honesto e sensível sobre seu companheiro famoso, sem desviar o olhar para asua mesa, o que o faria chorar. Sem dúvida nenhuma. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  23. 23. Havia uma dúzia de inscritos e todos almejavam ganhar este concurso para poder declamar emtoda a região quem era o mais parecido com o famoso.Sentado a poucos metros nosso amigo ouve seu nome algumas vezes, mas pouco se lembrava dequando isso não acontecera nos últimos anos. Não dera muita bola até que o primeiroparticipante sobe cantando sua primeira canção, escrita em poucos minutos na própria cama,quando seu coração partido fora dilacerado pela garota mais linda que conhecera em toda a suavida. Lembrou que numa de suas turnês encontrou com ela saindo dos camarins e de tão bêbadoquase vomitou em cima dela, sorrindo e gritando aos ventos que o mundo girava. Era tristeaquilo, poderia estar com ela no Gim’s cantando seus sucessos, ouvindo piadas.A tristeza foi aumentando até que o segundo candidato subiu e cantou uma de suas mais alegrescanções, levantando todos que ali estavam. Percebeu na hora qual a situação que ali seencontrava. Não podia virar-se, pois muitos o reconheceriam. O que fazer então?Olhou para o balcão e seu amigo se esforçava para atender a todos os clientes, junto a alguns deseus familiares. Percebeu a grandiosidade de seu ato quando comprara aquele bar para o amigo,era uma daquelas pessoas que valia a pena ajudar.Por alguns instantes pensou no que faria e pelo ímpeto de amizade e até por falta de massagemem seu ego levantou-se e, antes que o último candidato subisse foi até a mesa que ficava ao ladodo palco e dirigindo-se para a esposa de seu amigo que ali ficara atendendo os candidatosatrasados disse:Gostaria de me candidatar.Mas você é ele, você não pode.Posso sim, será um presente aos candidatos poder cantar. Por favor, deixe-me tentar. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  24. 24. OK, se você deseja... O bar é seu mesmo.É de seu marido. Quantas vezes terei que falar isso?Já sei. Cento e cinquenta.Isso mesmo.OK. Pode subir. O último já desceu.OK. Farei então uma música de meu último disco: a décima terceira.Ótima escolha. Adoro esta canção, manda ver.Psiu.A pequena escada parecia interminável. Aos poucos o palco foi aparecendo. O microfone nocentro do palco parecia alto demais, lembrou que com a idade foi diminuindo, mas não imaginavaquanto.É só uma última apresentação – pensava sozinho.Aos poucos se imaginou em um grande estádio com mais de cem mil pessoas assistindo-o egritando seu nome. Os pouco mais de cem pessoas que lotavam o Gim’s se perguntavam o queaquele gordo faria.Aos primeiros acordes do videokê fechou os olhos e durante quatro minutos desfilou sua linda vozpela canção. A plateia achou-o muito bom, comparado aos melhores imitadores. Foi aplaudido depé, assim como outros três candidatos.Desceu sem se apresentar, apesar dos insistentes pedidos da plateia. Sentou-se na mesma mesa edali em diante seu coração parecia aliviado. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  25. 25. Seu amigo feliz com a atuação gloriosa de seu companheiro foi até a mesa dos juízes, jornalistaslocais e críticos de música conhecidos da época glamorosa do sucesso de seu companheiro.Aos poucos os envelopes foram se fechando e sendo entregues no balcão. Enquanto isso acontecia,uma linda garota se aproximou da última mesa e sem pedir senta-se em uma das cadeiras.Você canta muito bem.Obrigado.Quer sentar conosco?Não, estou bem aqui.Lembrei dele quando você subiu apesar de vocês serem bem diferentes.Ah é, fui seu amigo no passado. Deve ser por isso.Com certeza, dizem que pareço muito com minha melhor amiga, apesar de sermos totalmentediferentes.Isso acontece de vez em quando.Bom, estaremos em nossa mesa, a quatro, caso queira se sentar conosco.Como os resultados ainda demorariam a sair levantou-se e, como de costume deixou sobre a mesaum maço de dólares dobrados de forma desorganizada.Passou entre a multidão que não notou sua saída.Nos dias que se passaram dedicou-se a olhar para a sua casa e se apoiar nas paredes enquanto asdrogas faziam efeito em seu pesado corpo. Passada uma semana, decidiu sair de casa para vercomo o mundo estava. Ao abrir a porta da frente deparou-se com pelo menos uma dúzia de jornaissendo que o primeiro deles falava sobre o concurso. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  26. 26. “Concurso abre portas para novas estrelas” – era o título da matériaCom pouca velocidade abriu o jornal e caiu desmaiado.MatériaConcurso abre portas para novas estrelasNo último domingo, a mais famosa lanchonete da região, o Gim’s, promoveu o maiorconcurso de cantores dos últimos tempos. Com treze inscritos teve uma premiação inusitada.Uma pessoa que sentava na casa e não sabia nada sobre o concurso decidiu participar econseguiu ficar em terceiro lugar... Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  27. 27. Chama o SíndicoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  28. 28. Guilherme era aos trinta e cinco anos diretor de uma importante empresa de marketing e viviacomo muitos solteiros desejariam viver um dia.Tinha um apartamento numa das melhores regiões da cidade, um carro esporte, uma geladeira,dessas que têm água gelada e suco de laranja na porta, bastando apenas pressionar o copo noespaço vazio.Tinha um som, com pelo menos duzentos CDs para o abate das mulheres que acreditavam aliencontrar seu príncipe encantado.A última coisa que ele queria era uma princesa, queria sim várias escravas eróticas e encontrar,entre elas, a que menos falava e com ela se casar.Independente de ser cachorro ou não era um excelente amigo, filho e extremamenteprofissional, dando exemplo a todos que o seguiam.Numa noite de terça-feira pegou o elevador e, para sua surpresa, ele parou quatro andares antesdo seu.Durante alguns segundos ficou paralisado, pois o perfume que dali vinha hipnotizaria até cobramorta do Iraque. Aos poucos a porta se abriu e a mulher mais linda que já vira em toda a suavida lá estava apenas sorrindo. Olhando para ele e para o demonstrador de andares fez cara dequem errou o botão e fechou a porta. Sem deixar a sua timidez de lado abriu a porta: Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  29. 29. Estou subindo apenas quatro andares, você pode entrar e depois descer.Está bem.(Meu Deus, ela não fala muito, diz apenas o necessário. É ela).Faz tempo que mora aqui?Uns três anos.Nunca te vi. Que estranho.Vivo viajando, só fico aqui de segunda e terça.(Meu Deus, ela não fica aqui no final de semana. É ela).O que faz?Trabalho com exportação.(Meu Deus. É inteligente. É ela).Nisso o elevador chega.Desculpa ser tão direto, mas quase não conheço ninguém aqui na cidade, você poderia me falarsobre algum restaurante bacana?Estou indo para um, se quiser ir comigo...(Meu Deus. Convidou-me para um jantar. É ela).Se não for te atrapalhar!Imagina. Vamos? Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  30. 30. (Meu Deus. Ela não pediu para eu me arrumar. É ela).Preciso me aprontar, prometo não demorar.Está tão bem assim.(Meu Deus. Éééééééé ela).Preciso pelo menos trocar de camisa.Posso esperar em seu apartamento?(Meu Deus. Meu Deeeeeeeeusss).Lógico.Comprei este apartamento há pouco tempo e estou tentando me acostumar a viver sozinho. Àsvezes é difícil.Eu sei, vivo tão só que às vezes choro à noite deitada em minha cama.(Meu Deuuuuuuuuus, meu Deeeeeuuuuuuuuuuus).Que apartamento bacana!Gostou?Adorei, principalmente as fotos de modelos nuas na parede, acho tão bacanas essas fotos, muitaluz, pouca roupa. E as fotos de carros antigos, sensacionais, barulhentos, sem conforto. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  31. 31. (Ahhhhhhhhhhhhhhhhh)Só um minuto e já vamos.Fique tranquilo.No quarto Guilherme só pensava numa coisa: comer a garota. Homem é um ser que só pensanisso, e quando não pensa nisso é porque está fazendo isso.Pronto, já estou pronto. Oi, cadê você?Estou na varanda.Ah, aqui a vista é ótima.Pensando bem, que tal pedirmos alguma coisa aqui no seu apartamento, tomar um vinho eassistir ao jogo do bragantino.- (Meu Deuuuuuus. Essa mulher é demais).Passados alguns minutos os dois já estavam na cama, transando loucamente. A primeira veztinha sido totalmente dominada por ela. A segunda, a seu pedido, foi dominada por Guilherme.A terceira dominada pela pílula que ele ganhara num evento farmacêutico. Na quarta, quando osdois já estavam bem íntimos e o remédio estava no auge, ela dá aquele grito ensurdecedor:Aiiiiiiiiiiii, eu quero tudo. Tuuuuuuuuuuuuudo. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  32. 32. - (Meu Deus será que é ela?).Não grite tão alto, o vizinho pode chamar o síndico.Não chama não.Chama sim.Não chama não. Eu sou a síndica.- (Meuuuuuuuu Deuuuuuuuus. É ela.). Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  33. 33. Malabarismo tem limiteDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  34. 34. Não podemos esquecer de mandar a proposta hoje hein?Fique tranquilo, mandarei assim que chegar.Esses semáforos sempre demoram. Olha em frente aquele carro o garoto fazendo malabarismo.Ele é o único daqui que faz com cinco bolinhas.Ele deveria trabalhar em festinhas infantis, ganharia uns cem reais por dia tranquilamente.É verdade.Você tem moeda aí?Não tenho, mas ele está em frente de outro carro. Aquele cara vai dar.OK.Meu Deus o que é isso?Ela é bem grandinha para fazer malabarismo não é não?É sim, e o pior é que ela é vesga. Como será que ela fará? Se ela conseguir, quanto daremos?Ah, vamos dar uns dois reais.Legal. Ela está tirando as bolinhas do bolso.Uma. Duas. Epa, só tem duas bolinhas, assim até minha avó de setenta anos faz.Mas sua avó é vesga?Não. Por quê?Porque a garota é, e aí dificulta. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  35. 35. Mas são duas bolinhas. Até cego eu jogaria duas bolinhas para o alto.Mas cego é diferente. Vesgo atrapalha por que ela não vê duas bolinhas, vê umas três.Ou nenhuma.É, ou nenhuma.Meu Deus, ela deixou cair a bolinha. Ela não conseguiu.Meu Deus não podemos dar nada a ela.Cara, com esta linda performance ela deveria receber uma bolada, nunca vi nada igual. Dêtrês reais para ela.Pensando bem, é melhor dar cinco, pois ela é vesga.E?E aí que ela vai se atrapalhar e pode perder o dinheiro. Cinco é melhor.É. Cinco é melhor. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  36. 36. Caso com o acasoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  37. 37. Senhor Luis Augusto Neves, aceita Talita Cordeiro como sua legítima esposa?Não... Ops... Sei lá... Quer dizer... Sim... Epa...A igreja entra em pandemônio, as pessoas começam a falar em voz alta. O pobre rapaz todovermelho e quase desmaiando é levado ao canto do altar pelos padrinhos, por seu pai e osogrão. Algumas velhinhas desmaiam e são socorridas por parentes que não se conhecem.Coroinhas e carolinhas puxa-sacos do padre fazem o sinal da cruz fazendo caretas.Mas por que desistir agora?Não sei, estava tudo indo bem... Fiquei nervoso, acho que sou novo para casar, ter filhos, medivorciar...Divorciar? Você está louco? – grita o sogro.Calma, ele está sob forte pressão, vamos dar fôlego a ele. Filho fique calmo.Nisso as coisas pareciam estar calmas. O rapaz foi convencido a voltar ao altar. Mas onde estavaa noiva?A noiva na confusão toda decidiu ir embora e na frente da igreja algumas pessoas tentavamconvencê-la a voltar. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  38. 38. Volte filha, o Guto é um bom rapaz e estava nervoso.Não quero mãe, ele me fez passar vergonha na frente de todos. Quero que ele morra. Morra!Calma, meu filho também não é um assassino. Vamos voltar, pois ele está no palco esperandovocê, olha lá que lindo.Altar, Zilda, altar.Ah, qualquer coisa, mas lá está ele.Vamos entrar novamente?Tá bom, eu volto, mas só se tiver música de novo.Tá bom vamos.De repente aparece uma pessoa estranha na frente da noiva, que agora aguardava o pai voltardo altar para a entrada replay.A senhora vai entrar de novo com música?A senhora tá no céu, eu ainda não casei, senhorita, por favor, e vou entrar com música sim.Mas acertamos somente cinco, preciso que alguém pague a sexta.Mãe, por favor, pague.Estou sem a carteira filha, seu pai está nervoso. Pode até bater nos músicos, vamos sem músicamesmo.Não entro sem música mãe. (começa a choradeira com direito a bochecha pretinha de rímel etudo) Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  39. 39. Meu Deus, Jorge, a Talita só entra com música e eles só tocam se pagarmos, minha carteiraestá no carro.A minha também, mas que absurdo vamos cantar então?!Tá bom.La la la la...la la la la...la la la la la la la la la la.E assim reiniciam a entrada com o coral de Jorge e Zilda atrás. A filha de véu nem olhava paraos lados de vergonha.Chega ao altar e dá a mão para o noivo. Nitidamente ele estava com medo, mas seu sorrisoera bonito, nem parecia sorriso de noivo.Cadê o padre?Meu Deus cadê o padre?Começa novamente o alvoroço, o padre havia sumido.Será que foi ao banheiro?Padre vai ao banheiro?Lógico que sim.Mas na hora da missa?Quem disse que isso é missa?Sei lá, na hora do casamento.E se for diarréia?Sei lá, escala outro padre.Você acha que é jogo de vôlei?Chama o coroinha sênior! Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  40. 40. Não está, foi junto com ele, está tentando convencê-lo a voltar.Mãe será que esse casamento sai? (começa a choradeira de novo).Uma das velhinhas que aguardava ansiosamente a netinha casar para poder morrer em pazcoloca a mão no peito e morre. A mãe tenta acalmar a noiva.Calma filha é sempre assim, calma.Não é não, o da Ritinha não foi assim.Por que você está comemorando hein Guto?Eu? Não estou comemorando não, é que... É que.Sei... Você é um cachorro, não quero mais casar com você.Também não quero. Sua gorda.Gorda? Mãeeee, ele me chamou de gorda. (recomeça a choradeira)Uma faixa é levantada pelos amigos do noivo. Os dizeres são: “Deixem esse homem ser feliz”.Senhoras e senhores, eu sou o pai da noiva, já paguei as bebidas e as comidas, já que não temcasamento vamos festejar. Todos cantando comigo:Coral, adiante a música da saída. La la la la... Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  41. 41. O showDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  42. 42. Estavam todos ansiosos para o início do show.Num canto reservado e separado por cordas e seguranças, a banda, com seus amigos vipsbebiam e aguardavam o momento que entrariam no camarim para a troca de roupas.O repórter identificado pelo crachá de imprensa, junto com seu amigo cinegrafista entra nocenário montado e com as luzes acesas inicia pequenas entrevistas, sem antes combinar nadacom a assessoria da banda.Diretamente para o canal 12, qual o seu nome?Karina.Karina é a primeira vez que vem ao show deles?Não, sou namorada do vocalista.Que legal, muita expectativa?Sim, a maior é que ele chegue, porque até agora nada, acho até que está com outra e...Diretamente para o canal 12, qual o seu nome?Souza.Souza, qual a expectativa para o show?Nenhuma, na verdade sou o dono da casa e estou feliz com o público, mas acabaram de meavisar que a banda é ruim, eu não sei o que fazer, os meus sócios vão me matar e... Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  43. 43. Diretamente para o canal 12, qual o seu nome?Nilson.Nilson, você é namorado de alguém da banda ou sócio da casa?Não, sou o baixista.Baixista? Você só tem um braço.Mas eu toco com uma mão só.É, na verdade eles me ligaram há um mês e me pediram para tocar e eu vim.Diretamente para o canal 12, qual o seu nome?Renata.Renata, o que você espera deste show tão aguardado?Aguardado? Onde você viu isso?Talvez o número de pessoas aqui dentro deva responder isso.Talvez o refrigerante grátis hoje diga mais, não?Diretamente para o canal 12, qual o seu nome?Ricardo.Ricardo, o que você acha que vai acontecer hoje?Acho que o dólar vai crescer e a bolsa cai em dois pontos percentuais no fundo de curto prazo e...Peraí, você é o que?Sou o advogado, irmão do guitarrista. E também economista nas horas vagas.Esse programa é de variedades e entretenimento, não de economia.Eu sei, mas como sou candidato a vereador preciso fazer uma média, aliás, meu número é...Diretamente para o canal 12, qual o seu nome?Mmmmmm.Diretamente para o canal 12, qual o seu nome? Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  44. 44. Mmmmmmm.Fala logo, qual o seu nome?Hei, o cara é mudo, o que você quer com ele? – pergunta uma terceira pessoa.Só queria entrevistá-lo.Pra que entrevistar o backing vocal se o vocalista principal está chegando?O quê? Vocês todos são loucos, este show é uma loucura, onde já se viu? Vou embora agoramesmo. Antes ligue a câmera. Diretamente para o canal 12, o meu nome é Miro Santa Helena,correspondente de guerra, jornalista político e estou agora cobrindo o show mais maluco desteplaneta, venham todos os loucos, venham todos os Ets, estão todos aqui. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  45. 45. Rato no sofáDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  46. 46. Minha casa teve poucas baratas, poucas formigas. Minha casa nunca teve um besouro, mas tevelagartixa e rato. Apesar de ser um sobrado sempre foi invadida pelos roedores. Esses sim dãomedo em qualquer um. São grandes, mordem e transmitem centenas de doenças, assim comoas pombas, mas isso é outra estória.Uma época eles apareciam com mais frequência e, de repente, passaram a nos visitar com umintervalo de meses.O último a nos visitar, o Mickey, foi assim. Apareceu em casa um dia para assistir televisão. Viu anovela e foi embora. Não conseguimos matá-lo porque de cima do sofá ninguém conseguia ir atéa área de serviço buscar a vassoura para pegá-lo.A segunda visita foi discreta, ele pegou meu bolo de limão da cozinha e comeu sem ao menos sedespedir.Na terceira eu mesmo o vi na cozinha comendo tudo. Assustado, o bichano correu para trás dageladeira.Com uma comitiva de doze amigos, todos armados com cabos de vassouras, botas sete léguas,bastões, tacos de beisebol, tentamos tirá-lo de lá, até que por muita insistência ele desfilouentre nós, enquanto alguns fechavam os olhos e batiam em direção ao vento com seus porretesacertando em todos os móveis e outros corriam e subiam nas cadeiras mais altas. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  47. 47. Mickey foi até a sala e entrou no sofá.Aí só tapeceiro para tirar mesmo. E guarda noturno. Ah, esses fazem qualquer coisa para agradar.Chamamos o nosso, o Gilson, que pelo rádio chamou o cunhado, especialista em matar ratos emsofás.Seu cunhado chegou com um espeto de churrasco e uma lanterna nas mãos. Entraram como sefossem da SWAT, olhando em tudo, pediram distância dos móveis e se posicionaram atrás do sofá.Puxa daqui, empurra dali.Minutos depois o sofá já estava de ponta cabeça. Enquanto alguns comentavam a atuaçãoprofissional de Gilson e seu cunhado, minha mãe negociava o sofá com a empregada, e minhairmã junto com dez amigas gritava na escada.Alumeia aqui – gritava o cunhado.Olha ele ali – respondia Gilson.Agora aqui, alumeia logo.Tá ali.Alguns minutos depois com extrema maestria o cunhado de Gilson levanta o espeto e num únicomovimento espeta-o no lado oposto do sofá, olhando para a minha mãe com cara de “terá quecomprar outro”. Airrrrrrr – grita o bichano.Diria que foi o grito mais apavorante que ouvi.Este foi o fim do Mickey, um companheiro de novelas, ladrão de bolos de limão, enfim, o ratocorajoso que desafiou dezenas de pessoas em busca de alimento e um cantinho para descansar.Ainda bem que o sofá era gostosinho.A empregada não quis alegando problemas espirituais com a alma do bichinho. O cunhado foiembora com ar de guerreiro vencedor. Nós lamentamos até hoje morte tão violenta. Que Deus otenha. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  48. 48. Dia de eleiçãoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  49. 49. Dia de eleição é sempre igual. Já vi eleições grandes, médias, pequenas e de cidade pequena,que é algo notável. Já vi eleição de presidente, de deputado, de governador e de prefeito. Vi atéuma eleição que não elegia ninguém, você só tinha que escolher se queria votar no futuro ounão. Por esses motivos, acredito que somos o povo que mais entende de eleição. Vira e mexevem alguém de outro país aprender sobre os nossos métodos. Alguns dizem que eles vêm paraaprender sobre a nossa rapidez com as urnas, mas isso é uma tremenda bobagem. No fundoacredito que eles vêm ver nosso povo votando, sem dúvida algo inesquecível.A semana de eleição no país sempre tem as suas características. Alguns amigos brigam porquediscordam das opiniões contrárias, os programas de televisão só falam dos números daspesquisas. Uma hora apresentam um candidato como vencedor, noutra hora apresentamoutros. Os debates têm mais audiência que novela das oito, mesmo que ninguém entenda ouacredite em nada do que é dito.Os candidatos andam pelas ruas com seus assessores apertando as mãos das pessoas e pedindovotos e quando chegam em casa vão direto tomar banho. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  50. 50. As empregadas param de discutir sobre a vida dos personagens de novela e dedicam parte dotempo a discutir sobre os rumos eleitorais.Agora no dia da eleição vê-se pelo país o que nunca se vê: sujeira nas ruas, familiares ligandopedindo votos para pessoas que você nunca viu. Amigos ligando e chamando para jantaresgratuitos, festas de quinze anos então pipocam com mestres de cerimônia patrocinadores e vocêali no meio tentando entender o que aconteceu com a novela das oito.Tudo isso tem um fundo de graça, mas nada como a votação.Você chega à escola onde vota. Isso se não for mesário. Mesário é um coitado que durante anosé convocado a sentar numa mesa, carimbar e carimbar e sorrir para no final ganhar um lanchede mortadela. O pior é que ele sempre é o que não precisa do lanche. Já vi mesário jogar olanche no lixo, coisa de gente sem amor à pátria.A escola geralmente é longe de sua casa, porque você sempre se muda depois que alcança certaidade e a escola fica lá, quase no seu inconsciente, mas mesmo assim você consegue achá-la.Lugar para estacionar é quase uma lenda, ruas limpas então nem se fala. Grupos com camisetasdiferentes, de candidatos diferentes reúnem-se perto da escola cantando músicas antigas eliberando o astral, aguardando somente o dia acabar para receberem seus vinte e cinco reais,que obviamente serão gastos com algo proibido. Velhinhas reúnem-se em frente à escola sópara ver quem chega e começar um papo antigo.A fila para a sala de votação então é praticamente uma comédia brasileira. Amigos sereencontram e contam histórias antigas, alguns gordos demais, outros magros demais, massempre diferentes. Ao final sempre se abraçam e mandam o clássico “vamos marcar”. Vamosmarcar o quê? Nunca se marca nada com amigos antigos, porque o ser humano só utiliza a regrado espaço e tempo quando ganha algo em troca. Pode parecer piegas, mas encontrar amigosantigos é sensacional, a gente ganha saudades e novos amigos. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  51. 51. Na sala você sempre conhece um dos mesários e faz uma clássica piada com o fato de eletrabalhar na mesa e você não, o que o faz pensar mais ainda em patriotismo. Sempre tem umvelhinho na sua frente que demora um século e você fica imaginando o que os gringos veem demaravilhoso no nosso sistema de votação.As fotos da urna eletrônica são sempre ruins o que faz com que você tenha sempre umsentimento de dúvida em quem está votando. Não importa quantas vezes votou você semprefica com frio na barriga e imagina que a sua votação será uma catástrofe e que a máquina vaiapitar na hora do seu voto anunciando que você fez algo errado.As velhinhas continuam lá, aguardando a sua saída para te dar um velho abraço molhado devestidinho de cetim e uma carada, daquelas que doem as bochechas e lambuzam as orelhas,além de sempre olharem para você e soltarem o velho “como está magrinho”, mesmo que vocêesteja com duzentos quilos.Assim é o dia da eleição, você deixa de viajar, deixa de comer com a sogra e descobre ao final dodia que o máximo que conseguiu fazer foi rir do belo dia. Deixo aqui uma ideia original defazermos a votação pela internet, quem sabe você consegue fazer tudo isso mais rápido, sempassar pelos papéis na rua, velhinhas, mesários e amigos antigos.E salve os mesários! Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  52. 52. Pura ilusãoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  53. 53. Ir ao supermercado sem dinheiro é um exercício fabuloso para quem conhece marcas deprodutos e vive disso.O primeiro item cortado é o desodorante spray a R$ 9,90. Vamos de bisnaguinha mesmo a R$2,15. O creme de barbear então nem pensar. O grande de spray e gel a R$ 17,80 fica longe docarrinho, vamos daquele estilo pasta de dentes a R$ 3,45. O shampoo tem que ser aqueles doParaguai que pesam cinco quilos e custam R$ 1,80 e ainda vem com condicionador, o clássicodois em um.Uma das coisas mais hilariantes no mercado é o suco. Você vê aquele mexicano-brasileiro quecusta R$ 5,60 e o brasileiro concorrente a R$ 6,39 e vai correndo no Kisuco dos animais marinhosa R$ 0,75. Tem o da foca, o do pinguim e o do leão marinho. Cada um tem um sabor, mas todostêm o mesmo gosto. Meio confuso, mas só dá pra entender quem toma.O refrigerante então é uma desgraça. A gente vê um de R$ 3,15 e outro de R$ 2,69 e corre parao de R$ 1,25, coisa de louco, como pode ser tão diferente.Homem solteiro na padaria de mercado tem que ser macho, e macho que é macho só para napadaria por três itens: pão, manteiga e leite. Essa coisa de croissant é coisa de boiola. Temhomem que compra os três itens e ainda pede um tal de achocolatado. Dá pra acreditar? Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  54. 54. Comida de cachorro é mais cara do que de gente, então aconselho a todos a acostumarem osdogs a comerem camarão, lagosta e outros bichos do mar. Cachorro não é peixe, mas sabenadar, então sabe comer esses moluscos também.O setor de balas, esse sim vale a pena. Tem chiclete até de melancia, uma bola de quase trêscentímetros de diâmetro. Você coloca um desses na boca e fica sem respirar até ele virarmassinha.No meio de tudo isso você passa em frente ao quiosque de sonho, onde uma garota com umvestidinho e um sorriso maroto convida os gordinhos ao suicídio corporal.Os gordinhos fazem de tudo para passar em frente ao quiosque para poder botar a culpa nagarota do vestidinho. Na quarta vez eles falam sem culpa que aquilo os persegue por algummotivo. E comem uns cinco sonhos de uma vez.Mulheres compram cremes de R$ 30,00 e travam no leite. Um custa um centavo a menos e elassaem todas sorridentes com a economia realizada.No caixa sempre tem um monte de baboseiras que a gente sempre acha que falta em casa. Pilha,revista, lâmina de barbear, fósforo, tem até mata ratos. Mesmo que você nunca tenha visto umvocê sempre fica com a mão coçando e leva uma caixinha, quem sabe um dia eles aparecem emseu apartamento.O pior é que quando você chega no carro lembra que esqueceu de comprar as coisas maisimportantes e sempre promete ir na próxima semana só para pegar aquele item. Pura ilusão.Pura ilusão. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  55. 55. Vem cá me dar um beijinhoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  56. 56. Era a primeira loucura que faria por alguém. Pensou nos detalhes, pensou em tudo e chegou àconclusão que tinha que fazê-lo.Sabia onde ela estudava, sabia que gostava de loucuras de amor.Só não sabia ainda se aquilo daria em alguma coisa.Chamou para a missão seu companheiro de loucuras.- Cara, é simples. A gente vai à noite e coloca a faixa em frente à escola dela.- O que você vai escrever na faixa?- Ah, sei lá. Acho que “sou louco por você”.- Louco? Você está louco?- Tô, por isso vou escrever na faixa.- Tá bom, não vou discutir. Que horas nós vamos.- Vamos à noite.E lá chegaram quando ainda passava das onze e tudo estava escuro. Levaram cordas, escadinha,coragem e a faixa.Muro alto e um pequeno poste em frente à escola. Do outro lado da rua só um muro alto sempostes e um monte de árvores dentro da propriedade. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  57. 57. - Vou subir no muro e você me joga a faixa.- Tá bom, cuidado hein?!Cinco minutos depois.- Manda a faixa.- Cuidado. Você vai cair.#¨%(¨)%(*¨$(*%¨$(¨%)(*$¨(%*$¨%)@(*%¨@*Hei quem está aí? - perguntou um guarda dentro da propriedade, quando viu um jovem caindo decima do muro.- Ô seu guarda, eu caí.O guarda olhava bem para os olhos dele. Olhava para a sua roupa. Ligou a lanterna e seu cracháapareceu.GUARDA NOTURNO – MANICÔMIO SANTA RITA- Epa, peraí seu guarda, o senhor não está pensando que eu sou louco né?- Pela faixa que você carrega nas mãos eu diria que você já se entregou.- Peraí, eu tava pendurando para uma garota, ela estuda...- Aqui só tem homem, e você eu já conheço. Primeiro era astronauta, depois era o StevenSpielberg, agora quer namorar, vai para a solitária!- Não. Peraí seu guarda, abaixa a arma, eu estou com outra pessoa ali fora...- Sei... Sei.- Amigo, grita aí desse lado!Silêncio total.- Vamos! Você conhece as regras, vamos para a solitária, bem calmos.- Seu guarda, o senhor não está entendendo, eu não sou louco, não sou!- Não altere a voz, lembre-se dos cuidados, se gritar serei obrigado a dar remédio. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  58. 58. - Que loucura, eu não sou louco! Eu não sou louco!- Não?- Não!- Quer tomar remédio?- Não. Não encoste em mim, senão te processo.- Voltou a ser juiz é?- Não, eu já disse que não sou louco. Você é um louco, e essa arma nem deve ser de verdade.- Como não? Sempre uso arma de verdade. Essa daqui é nuclear, posso te fazer virar ummacaco.- Ai meu Deus, saquei tudo, você não é guarda, você um dos loucos.- Sim, sou louco por você também, vem cá me dar um beijinho. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  59. 59. O tal do erreDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  60. 60. Quem já teve oportunidade de ir ao Rio de Janeiro sabe do que um erre é capaz. Carioca que écarioca adora um erre. E um ditongo.Carioca começa a conversa com o clássico “e aiã”?Fora o já tradicional “s” que vira “ch”, que pode ser bem observado em “gochtosa”.Enfim, entendemos que são sotaques regionais, assim como o paulista tem mania de colocar “i”onde não tem. Mas até aí a gente aceita, agora trocar “s” por “r” é coisa de gente maluca. É poreste motivo que digo que carioca é um dos seres mais difíceis do mundo. Leia a frase abaixo eimagine que é um gringo e tentará fazer uma tradução:- E aiã, vamo azará umach gochtosas não é mermo?O gringo pensando.- And let’s f. some hot girls, isn’t it?Ou imagine o mesmo gringo em São Paulo:- Meu vamo lá para a balada, tá enteindeindo?- Mines, let’s go to the ballad, do you understand? Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  61. 61. O gringo agora em Porto Alegre:- Ba tchê, queres comer uns cacetes pela manhã?- ($^#(^(#^#, Do you want to eat some breads tomorrow morning?E na Bahia:- Meu rei, vamo logo ali, logo ali, no pelô?- My king, let’s go there, over there, at the pelô?E imagine agora se o gringo estivesse em Minas:- Sô, vamos visitari a tia Clemira na fazenda de seu Tito, vamo nessa?- Mr, let’s visit aint Clemira at Tito’s farm, let’s go?São coisas do Brasil eu sei, mas que o gringo enlouqueceu na terceira frase, isso sim. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  62. 62. Direita ou esquerdaDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  63. 63. Genro: Não sei por que temos que fazer esse curso?Noiva: É verdade, mas acho que tem muitos detalhes, temos que prestar bastante atenção viuseu Luis Augusto?Pai: Olha, casamento é coisa séria, eu venho dizendo isso sempre, aliás, o curso é apenas umaparte do que há por vir e...Mãe: A gente já conversou bastante sobre isso, mas a vida é assim, a gente vai ficando velha e.peraí, esse folheto tem algo de errado!Genro: O que dona Nice?Pai: Nice, o que tem de errado?Noiva: É mãe, o que tem de errado?Mãe: Aqui diz que o pai da noiva entra com ela pelo lado esquerdo, pelo que me lembro é dolado direito, vocês não viram ontem na novela?!Genro: Novela? Eu não tenho tempo nem de comer minha noiva... Ops... Almoçar, quanto maisver novela.Pai: Nice, esses caras de novela sempre erram, o pai entra pela esquerda porque é a defesa danoiva.Genro: Hã?Noiva: Hã?Mãe: Hã? Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  64. 64. Pai: O lado esquerdo geralmente é o mais fraco e ali o pai protege a noiva.Genro: De mim?Pai: É de você, seu burro! Não, é conceitual, ele defende a filha de ataques, sejam quais forem.Genro: Mas peraí, eu não vou deixar minhas outras namoradas irem ao casório, fique tranqüilo.Noiva: Mãe. Olha ele tá falando de novo delas.Mãe: Guto, já conversamos sobre isso.Genro: Peraí, se o pai está na esquerda, onde eu estou?Pai: Você ainda não está até o padre dizer que você é marido dela você não é nada.Genro: Não é o que sua filha fala pra mim na cama.Noiva: Guto!Mãe: Afinal, você entra pela esquerda ou pela direita?Genro: Dá pra pular essa parte e a gente falar da estratégia para a grana da gravata?Pai: Vamos seguir o folheto Nice, eles sabem o que fazem...Mãe: Mas a novela...Genro: Foda-se a novela Nice, vamos para a gravata.Noiva: Guto!Pai: Eu entrarei como a igreja pedir, vamos seguir as regras.Mãe: ok, mas que é pela direita é.Noiva: Tá bom mãe, vamos falar então das flores.Genro: E a gravata?Noiva: Depois Guto, depois.Genro: Vou dormir então e vocês me acordam na gravata! Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  65. 65. Doze de vinte e quatroDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  66. 66. - Banco Sul, Janice bom dia!- Quem fala?- Banco Sul Janice.- Janice, aqui é a Roberta, sou cliente da agência Pacaembu.- Ok, senhora como posso ajudá-la?- Jane.- Janice.- Ops, Janice, tenho um cartão de crédito e acabei de receber uma fatura no valor de trinta edois reais referente à parcela um de quatro da anuidade.- Ok senhora.- É um absurdo Jane.- OK, senhora, o Banco Sul acredita muito no relacionamento com os seus clientes, há algo queeu possa fazer?- Eu quero cancelar o cartão. A loja Baianas está me oferecendo o mesmo cartão internacionalpor três de doze, como pode ser tão diferente?!_ Senhora Roberta, aguarde um minuto que passarei para o setor de relacionamento.- Não Jane...Tu ru... Ru... Ru ru ru ru. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  67. 67. - Relacionamento Cláudio Nóbrega bom dia senhora Roberta, como podemos ajudá-la?- Carlos, tô com um sério problema, acabei de receber minha fatura e...- Um minuto senhora, faturas é no outro telefone, estou transferindo...- NÃOOOOO!Tu ru ru ru ru ru ru ru ru....ru ru ru ru...ru ru ru ru.- Relacionamento Faturas, Karen Yoshiba, boa tarde.- Peraí, boa tarde?- Senhora, é meio-dia, após o meio dia sempre falamos boa tarde.- Ok, deixa pra lá, Toshiba, é o seguinte, é você quem resolve as anuidades erradas?- Sim senhora, como posso ajudá-la?- É o seguinte, recebi a fatura com o valor de quatro de trinta e dois e tenho uma outra propostade três de doze da loja Baianas, vocês cobrem?- Senhora, o valor de quatro de trinta e dois é para todos os clientes, não podemos alterar e...- Como não Toshiba, você disse que resolveria...e agora?-Senhora, o cartão Banco Sul Visto Internacional pode ser utilizado em qualquer lugar do mundoe tem seguro de...- Já sei de tudo isso, mas não quero pagar quatro de trinta e dois, dá para reduzir? Senão eucancelo.- Senhora, não podemos alterar o valor. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  68. 68. - Tá bom então eu cancelo!Silêncio do outro lado.- A senhora tem certeza de que não quer ter ao seu lado o cartão que tem maispontuações de fide...- Vai à merda Toshiba, cancela logo então e tchau!Tu tu tu tu tu tu...Cinco minutos depois.- Banco Sul Joyce boa tarde.- Quem fala?- Banco Sul Joyce.- Josi, aqui é a Roberta, quero falar com o setor de relacionamento faturas.- Ok, senhora, estou transferindo.Tu ru ru ru ru ru ru ru ru....ru ru ru ru...ru ru ru ru.- Relacionamento faturas Karina Rúmen boa tarde.- Catarina, aqui é a Roberta, eu acabei de falar aí com a Janice e a Toshiba sobre um cartãomeu, você poderia me transferir para a gerência?- Senhora, nós não temos gerência nessa unidade, como posso ajudá-la?- Josi, eu liguei para cancelar meu cartão e a Toshiba cancelou.- Senhora como posso ajudá-la?- Ela não devia ter cancelado, devia ter lutado para me manter com o cartão ou eu não souimportante para vocês e... Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  69. 69. - Senhora. Ficamos muito felizes, a senhora quer recadastrar seu cartão multi vistointernacional?- Quero ora bolas, eu gosto dele, mas quatro de trinta e dois é f...- Senhora. Podemos fazer em mais parcelas.- Ah, tá vendo Josi, você sim fala a minha língua.- Ok senhora, meu nome é Karina.- Tá bom Catarina, manda bala então, quero o internacional. Vocês têm também o credicred?- Temos sim. E a senhora já tem conosco um crédito pré-aprovado de um mil e quinhentos reaispara gastos nacionais, dois mil e quinhentos para internacionais e quinhentos para saques aquiou fora do Brasil. A senhora quer fazê-lo?- Quero, não preciso de adicionais ok?- Ok, posso fazer nas mesmas condições do Visto multi internacional?- Sim, faça então nas mesmas condições.- Ok, senhora confirmando, a senhora quer o cartão multi visto internacional e o cartãocredicred internacional com seguros totais ficando em doze de vinte e quatro reais?- É isso aí Toshiba, pode mandar.- Ok, senhora, somente confirmando seu endereço ainda é o Rua das... Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  70. 70. OspelhinhoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  71. 71. Tem gente que é louca por dinheiro. Alguns são loucos por mulher. Tem uma porção de genteque não sai de casa para não sujar os sapatos e tem uma maioria, principalmente de homens,que não sai de casa para não sujar o carro.Tenho um amigo assim, o Valtinho, ele é louco por carros. Ele pode morrer de fome, mas vaimorrer dentro de seu mustang 67. Comprou quando ainda era novo, hoje tem quarenta esete. Desde então dedica a maior parte do seu final de semana a limpar o tal mustang emostrá-lo aos mais íntimos.Dia desses aconteceu algo que nem ele poderia imaginar. Dia comum no meio da semana.Convidou seu novo chefe para jantar em seu apartamento. Aliás, um belo apartamento nazona sul de São Paulo. Combinou às oito e trinta.Como seu chefe acabara de se mudar para São Paulo - ainda estava sem carro, semapartamento próprio e sem os filhos, que haviam ficado para as provas de final de ano -,aceitou o convite de um subordinado.O Valtinho é daqueles que não faz drama por isso, foi buscar o chefe e a esposa. A sua, aKarlinha ficou em casa terminando a salada de rúcula, que já sabia por intermédio doValtinho, faria o maior sucesso com o chefe. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  72. 72. Faltava parte do tempero quando a Karlinha viu que só conseguiria se o tivesse em mãos.Pensou em ligar para o Valtinho, mas como sempre, ele havia esquecido o celular na mesa dasala. O Valtinho sempre foi meio desligado.Pegou a chave do Mustang e foi. O mercado era perto e ela já havia dirigido o carrão quandoainda eram solteiros.Nada aconteceu até a hora em que ela chegou dentro da garagem e foi surpreendida pelaDona Mônica, chileninha brava que guardava seu carro ao lado do Mustang. Dona Mônicadirigia mal e havia pegado parte da vaga. Karlinha fez algumas manobrinhas e colocou ocarrão lá, só arranhou o espelhinho da direita no pilar, mas passou o dedo na língua e noespelhinho e deixou pra lá. Talvez o Valtinho nem notasse.Pegou o elevador e subiu. O elevador pára no térreo e quem entra? Valtinho, seu chefe e aesposa, mulher fina de seus trinta e cinco anos, dessas que passam parte do dia nocabelereiro e a outra parte no shopping. O homem já era mais tranqüilo, mas notava-se queera fino, daqueles que não levantam a voz.Após as devidas apresentações, Karlinha se vê num momento ótimo para dizer que haviabatido o retrovisor e solta de forma rápida a bela frase:- Bem, raspei ospelhinho.- Quê?- Raspei ospelhinho, não adianta brigar comigo, a Dona Mônica do oitenta e dois foi a culpada.O Valtinho constrangido com a situação pede desculpas ao chefe. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  73. 73. - Peço desculpas, são coisas de marido e mulher, depois conversaremos com calma. A propósito,o senhor conhece muito sobre vinhos não?- Valter Henrique não vou deixar nada para depois, eu tenho que falar sobre isso agora, paradepois não ficarmos brigando à toa. Foi de leve, você nem vai perceber, vai até gostar, pois ficoumais harmônico com o restante.- Karla, estou ficando constrangido. Isso é coisa de marido e mulher.- E porteiro da garagem.- O quê? Ele também sabe?- Na verdade ele viu tudo.- O quê? Você deixou todo mundo ver?- Não, estava meio escuro, só ele e a Dona Mônica do oitenta e dois. Acho que o Vitor, filho docasal holandês do trinta e um também viu, mas não tenho certeza.- Como assim não tem certeza?!- Sei lá, estava cheio de gente, mas tentei ser discreta ao deixar o local.- Você fez isso em público?- Olha vocês não querem discutir isso em casa, nós voltamos outro dia. Não tem problemaalgum.- Senhor, isso é tão comum, tantas mulheres raspam nesse prédio e ninguém fala nada, aliás,existe uma empresa especializada em consertar problemas como esse? Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  74. 74. Como assim? Você já envolveu o porteiro, a chilena e o ferrugem, agora quer botar umaempresa na história?- Bem, não foi tão feio assim, foi de leve.- De leve quanto?- Não tirou a cor natural, apareceu uma partezinha só, eu passei a mão na língua na hora ejoguei uma salivinha e vi que já deu uma melhorada.- E todo mundo viu isso?- Só o porteiro e a Dona Mônica.- E o ferrugem?- Acho que não viu, mas ele veio depois e me perguntou se eu estava ferrada.- E você disse o que?- Que dependia de você.- Meu Deus, você deve estar bêbada. Chefe por favor, não interprete mal, ela deve estar sobuso de drogas, remédios. Você sabe, quando a mulher chega numa certa idade...- Não quero ouvir mais nada, foi o bastante, vamos de táxi.O elevador pára e o chefe sai com a mulher a tiracolo indo para o outro elevador.- Chefe!- Por favor, conversamos amanhã, resolva o problema de sua mulher, pelo jeito só vocêpoderá resolver.- Não sei não, acho que qualquer mecânico poderia né bem? Ele só precisa... Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  75. 75. - Não quero ouvir mais nada Karla, olha aí o chefe foi embora e você continua com essahistória estúpida. Você está bêbada?- Não, só não quero que você fique bravo comigo, eu prometo que consertarei.- Você acha que se resolve assim? Isso demora.- O porteiro disse que era só passar uma tintinha.- Põe tintinha nisso Karlinha, mas que me deu vontade de ver como ficou, ah, isso deu. Memostra?- Só se for agora, vamos na garagem.- Vamos lá! Chama o elevador que você vai ver agora o mecânico entrar em ação... Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  76. 76. CreiziDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  77. 77. O Luiz Ângelo é um amigo e tanto. Pena que de tão loucas as suas ações todos os amigos ochamam de “crazy”. Minha mãe, que nunca aprendeu inglês chama o coitado de “creizi”. Achoaté que é mais divertido chamá-lo deste apelido “aportugueizado”.O Creizi é tão louco que numa viagem de intercâmbio para a Europa, torrou em um único dia odinheiro que seus pais juntaram para os seis meses de viagem e ligou de uma praça, ondedormia na neve, chorando para voltar.Seu pai dizia que ele vivia sob o uso de drogas. Só assim mesmo para acreditar.Recentemente o Creizi fez dezoito anos e todos ficaram felizes. Seus pais são de uma famíliatradicional em minha cidade e tudo indicava que um dia o Creizi assumiria todos os negócios dafamília. Qualquer pai tem um sonho como esse. Mas não o pai de Creizi. Ele temia o momentoem que seu filho pudesse sair por aí, fazendo baderna pelo mundo.No dia de seu aniversário, o Creizi esperou seus pais dormirem e quando já era tarde, pegou ocarro do pai escondido. Um ômega de última geração, com bancos de couro, motor 4.1, direçãohidráulica, DVD, enfim, era o dia.Saiu com o carro e bebeu todas. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  78. 78. Quando era de madrugada o telefone da casa dele toca. Seu pai, de pijama, chinelos trocadosnos pés, levanta e vai até a mesinha atendê-lo.Pai: - Alô... (com voz de Darth Vader)Creizi: - Alô pai... Tudo bem? (chorando)Pai – Luiz Ângelo, onde você tá? Tá bêbado? (bravo)Mãe: - Quem é a essa hora Rubens? (com sono)Pai: - É o Luiz Ângelo, mas ele tá bêbado...Creizi: - Pai, eu não tô bêbado, pai. Quantos carros a gente tem? (chorando mais ainda)Pai: - Luiz Ângelo, eu tô mandando. Volta já pra casa. Você tá completamente bê...Creizi: - Pai, quantos carros a gente tem pai? (gritando no telefone)Pai: - Eu tô mandando Luiz Ângelo, volta já! (gritando no telefone)Creizi: - Eu volto pai, mas responde. Quantos carros a gente tem? (chorando e mal conseguindofalar)Pai: - Você já sabe, temos o ômega, o vectra e o gol da mamãe. Agora volta pra cas...Creizi: - Não. Só temos o Vectra e o gol da mamãe... Acabou tudo. (chorando que nem bebê)É por essas e outras que chamamos o Luiz Ângelo de creizi. Numa de suas festas, as formigasinvadiram o fogão de tanta coisa que misturaram na cozinha, colocaram seu cachorro nomicroondas e jogaram o sofá na piscina. Isso foi quando o Creizi fez quinze anos. Até hoje achoque é trauma desse fatídico aniversário. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  79. 79. Seis CanecoDireitos Autorais reservados – Alberto Leite
  80. 80. A pobreza de espírito do pobre é algo assustador. Diria que daí vem sua maior pobreza.Ande em ruas de bairros mais pobres e verá um desfile mágico de antigos carros de ricos:monza, tempra, santana, opala, chevete e toda a sorte de carros da antiga.Não verá nenhum carro popular porque simplesmente pobre não usa carro popular.A pobreza de espírito começa quando o pobre sai para comprar o carro. Nunca leva a esposa,sempre leva o primo e o cunhado, que na maioria das vezes é o que dá mais palpite.Chegam à feira do automóvel e vão logo à sessão dos carros com motor 1.8 ou acima. Nuncacompram carros 1.6 para baixo. É incrível.Depois de avaliar alguns chegam à conclusão que o melhor é comprar o santana CD 2.0 ano1985. O cidadão chega em casa e quase apanha da esposa, mas anda com o santanão devidros abertos com o som ligado e os filhos no banco de trás.Pobre que é pobre abre e fecha o vidro na frente do bar para mostrar que é elétrico. Noterceiro dia quebra a maquininha e tem que ir ao desmanche do pezão pra trocar.Aproveita pra colocar umas calotinhas e sai de novo. Arrasando. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  81. 81. Na estrada o pobre desfila mais ainda. Quer ver se o cidadão é pobre ou rico? Tente passá-lo.Se for rico estará com um carro popular, sem calotas, nem rodas, somente a tal roda pretinha.Se for pobre terá calotinhas e, em hipótese alguma, deixará você ultrapassar. Ainda mais seos filhos estiverem no banco de trás.Amigo leitor. Você poderá jogar farol alto, seta, arremessar todos os objetos do porta luvas eo pobre coitado continuará lá, acelerando ainda mais, poluindo o ar com a fumacinha dosantanão.Se encontrar com um desses, esqueça o manual de bom motorista e passe pela direita. Nãoolhe para os lados senão vira racha.Só faça isso se for pobre também e estiver a bordo de um original opalão seis caneco. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite
  82. 82. Fim
  83. 83. Alberto Leite é formado em Comunicação pela UMESP, com MBApela FGV e Formação Executiva pela Fundação Dom Cabral e KelloggBusiness School, especializou-se nas áreas de Marketing e Vendas e naEstratégia, nas áreas de inovação, digital e na criação de valor paraclientes.De 2005 a 2012 escreveu mais de 400 artigos de gestão em revistas ejornais, todos com muito bom humor.Fez mais de 150 palestras pelo Brasil e pelo mundo sempre focando nostemas de gestão Moderna com foco em resultados e alta performance deequipes. Os temas “Mundo Novo” e “Mais do Mesmo”, temas de algumasdelas falam da gestão no ambiente colaborativo e o aumento dedesempenho de equipes.Na área de pesquisas desenvolveu alguns dos maiores benchmarks dosetor da tecnologia da informação com a consultoria Deloitte e na áreahospitalar com a consultoria PWC.É hoje também professor de inovação no MBA da FIA USP e CEO do VirtvsGroup.Revela-se neste livro como um escritor de contos curtos, de linguagemsimples eSem perder o bom humor. Direitos Autorais reservados – Alberto Leite

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