PARA LER “BOLA” NO PAÍS DO FUTEBOL: DISCUSSÃO, ANÁLISE E                                     COMPARAÇÃO.                  ...
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4. Análise, Discussão e Comparação de Livros da 1ª Série do Ensino                                   Fundamental I.       ...
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Com a leitura e análise deste livro podemos observar outra abordagem doprocesso de letramento e alfabetização da criança, ...
Agradecimentos        Deixo aqui meus sinceros e carinhosos agradecimentos ás professoras AnaPaula Medeiros, que sempre me...
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  1. 1. PARA LER “BOLA” NO PAÍS DO FUTEBOL: DISCUSSÃO, ANÁLISE E COMPARAÇÃO. ¹ Autor (a): Louise Anne de Santana – Universidade Federal do Ceará louisecoordenadora@gmail.com/louisepedagogia@hotmail.com O processo de ensino–aprendizagem da língua portuguesa é complexo, nãobastando a este fazer um plano de aula, descrever a atividade e realiza-la, o desafio doensino requer também estarmos atentos ao suporte que ele vai necessitar em casa, e noprocesso de fixação posterior para que a aprendizagem seja de fato completa. Foipensando nestes pontos importantes e significativos que optamos por fazer uma breveanálise e promover discussões acerca da escolha do livro didático para a 1ª Série doEnsino Fundamental I, série em que alunos e professores concretizam o desafio doletramento e da alfabetização. O livro didático é diretamente responsável por esteconhecimento e prática, é ele que aproxima os familiares e responsáveis da criança dasdiscussões que estão sendo feitas em sala, do progresso destes pequenos no processo deensino–aprendizagem da escrita e da leitura, além de fazer o convite, na casa do próprioaluno para que o conhecimento ministrado ultrapasse os muros da escola. Para nosauxiliar nesta discussão iremos nos basear no estudo e na reflexão que fundamenta oPCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) e o PNLD (Programa Nacional do LivroDidático), e apresentaremos a partir desses dois documentos a análise, discussão ecomparação de dois livros referentes ao ensino de Letramento e Alfabetização para a 1ªSérie do Ensino Fundamental I. Esperamos contribuir com o aprimoramento da nossaformação como profissionais que tem por desafio o exercício da leitura, comparação, ereflexão da prática e dos instrumentos que buscam auxiliar á esta. ¹ Graduanda do 7º semestre do curso de Pedagogia Noturno da Universidade Federal do Ceará,Monitora da Coordenadoria de Formação de Células Cooperativas, Monitora voluntária de PolíticaEducacional I. 1
  2. 2. PARA LER “BOLA” NO PAÍS DO FUTEBOL: DISCUSSÃO, ANÁLISE E COMPARAÇÃO. A escolha do livro didático de Língua Portuguesa para a 1ª Série do Ensino Fundamental I. 1. O pedagogo e a escolha do livro didático. Quando optamos pela profissão de pedagogo assumimos um compromissosocial que nos responsabiliza pelo bem mais precioso que temos em nosso país, nossascrianças; Seu entendimento de mundo, sua percepção, a identificação das coisas, suanomenclatura, o significado que é atribuído á cada nome, forma e cor, todas estasincríveis descobertas contará com cada um de nós, munidos de nosso olhar e de nossoscuidados, equipados com a vontade de fazer um Brasil melhor. É a partir dessa constatação que também assumimos junto ao compromissoanterior outro, o de zelarmos por este ofício, o de não esquecer jamais de sermos todosos dias estudantes, curiosos, questionadores, dispostos a aprender, e a não aprendertambém. Ao avaliar a tão falada práxis também nos deparamos com uma avaliaçãopessoal, do quanto estamos verdadeiramente dispostos ao ofício do ensino, que nosremete ao árduo, cansativo e prazeroso desafio do aprender. Com o passar da prática, no entanto, cansamos, ás vezes desistimos, nosremanejamos a outras tarefas, e alguns de nós infelizmente esquecemos-nos depequenos detalhes, que fazem toda a diferença nos resultados que buscamos ao final doano letivo. Para além do plano de aula, das atividades tão cuidadosamente elaboradas eexecutadas, existe outro elemento indispensável na busca por estes objetivos, o livrodidático, que nos auxiliará no reforço do conteúdo ministrado em sala, que irá ajudar ásnossas crianças a fixar o conhecimento, e que fará o importante convite á família paratambém embarcar com a criança, ali, em casa mesmo, na viagem pela busca do saber. A participação do pedagogo nesta escolha é indispensável, posto que seja comoescolher um companheiro de luta, algo em que se confie e em que verdadeiramente opedagogo se perceba ainda que ausente, mas que leve sua marca junto ao aprendizadoque o aluno desenvolve para além dos muros da escola. Por conta desses tão 2
  3. 3. significantes motivos, optamos por também discutir esta escolha, posto que a mesmaperpasse por uma avaliação da prática e também um convite ao desafio da leitura,observação e comparação do material de trabalho por parte deste profissional. É um convite para que o pedagogo se deixe encantar, tanto quanto ele gostariaque seus alunos e alunas também se envolvessem com o universo do livro didático. Para nos auxiliar na discussão acerca da escolha do livro didático iremosconsultar e saber o que versam documentos que orientam a nós pedagogos nesteexercício, que direcionam e nos mostram o que considerar e qual a importância de cadaitem minuciosamente observado para esta escolha. 2. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). 1) O que é o PCN? Os Parâmetros Curriculares Nacionais constituem um referencial de qualidadepara a educação no Ensino Fundamental em todo o País. Sua função é orientar e garantira coerência dos investimentos no sistema educacional, socializando discussões,pesquisas e recomendações, subsidiando a participação de técnicos e professoresbrasileiros, principalmente daqueles que se encontram mais isolados, com menorcontato com a produção pedagógica atual. Por sua natureza aberta, configuram uma proposta flexível, a ser concretizadanas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação darealidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais, pelas escolas epelos professores. Não configuram, portanto, um modelo curricular homogêneo eimpositivo, que se sobreporia à competência político - executiva dos Estados eMunicípios, à diversidade sociocultural das diferentes regiões do País ou à autonomiade professores e equipes pedagógicas. O PCN é um importante referencial para a educação do ensino fundamental detodo o Brasil. Ele não foi criado para ditar a forma da educação em nosso país, ou imporo mesmo método e prática em todas as regiões do país, afinal temos artigos na própriaconstituição federal e na LDB que nos lembram de trabalhar com as especificidades eregionalidades de nosso país, mas o PCN vem na tentativa de orientar e dar sentido ecoerência ao nosso sistema educacional como um todo. Foi um instrumento criado para 3
  4. 4. socializar as pesquisas, discussões e recomendações acerca das práticas pedagógicasatuais em nosso país. 2) O processo de elaboração do PCN O processo de elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais teve início apartir do estudo de propostas curriculares de Estados e Municípios brasileiros, daanálise realizada pela Fundação Carlos Chagas sobre os currículos oficiais e do contatocom informações relativas a experiências de outros países. Foram analisados subsídiosoriundos do Plano Decenal de Educação, de pesquisas nacionais e internacionais, dadosestatísticos sobre desempenho de alunos do ensino fundamental, bem como experiênciasde sala de aula difundidas em encontros, seminários e publicações. Formulou-se, então, uma proposta inicial que, apresentada em versãopreliminar, passou por um processo de discussão em âmbito nacional, em 1995 e 1996,do qual participaram docentes de universidades públicas e particulares, técnicos desecretarias estaduais e municipais de educação, de instituições representativas dediferentes áreas de conhecimento, especialistas e educadores. Os pareceres recebidos, além das análises críticas e sugestões em relação aoconteúdo dos documentos, em sua quase totalidade, apontaram a necessidade de umapolítica de implementação da proposta educacional inicialmente explicitada. É importante colocar que no processo de formulação do PCN houve umenvolvimento de vários setores da sociedade, a partir da análise dos documentos e daelaboração de pareceres que sugeriram diversas possibilidades de atuação dasuniversidades e das faculdades de educação para a melhoria do ensino nas sériesiniciais, as quais estão sendo incorporadas na elaboração de novos programas deformação de professores, vinculados à implementação dos Parâmetros CurricularesNacionais. 3) Função do PCN: Cada criança ou jovem brasileiro, mesmo de locais com pouca infraestrutura econdições socioeconômicas desfavoráveis, deve ter acesso ao conjunto deconhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários para oexercício da cidadania para deles poder usufruir. Se existem diferenças socioculturais 4
  5. 5. marcantes, que determinam diferentes necessidades de aprendizagem, existe tambémaquilo que é comum a todos, que um aluno de qualquer lugar do Brasil, do interior oudo litoral, de uma grande cidade ou da zona rural, deve ter o direito de aprender e essedireito deve ser garantido pelo Estado. É nesse sentido que o estabelecimento de uma referência curricular comumpara todo o País, ao mesmo tempo em que fortalece a unidade nacional e aresponsabilidade do Governo Federal com a educação, busca garantir, também, orespeito à diversidade que é marca cultural do País, mediante a possibilidade deadaptações que integrem as diferentes dimensões da prática educacional. 4) A LDB e o PCN: A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal n. 9.394),aprovada em 20 de dezembro de 1996, consolidou e ampliou o dever do poder públicopara com a educação em geral e em particular para com o ensino fundamental. Assim,vê-se no art. 22 dessa lei que a educação básica, da qual o ensino fundamental é parteintegrante, deve assegurar a todos “a formação comum indispensável para o exercícioda cidadania e fornecer-lhes meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”,fato que confere ao ensino fundamental, ao mesmo tempo, um caráter de terminalidadee de continuidade. Essa LDB reforçou a necessidade de se propiciar a todos a formação básicacomum, o que pressupõe a formulação de um conjunto de diretrizes capaz de nortear oscurrículos e seus conteúdos mínimos, incumbência que, nos termos do art. 9º, inciso IV,é remetida para a União. Para dar conta desse amplo objetivo, a LDB consolida aorganização curricular de modo a conferir uma maior flexibilidade no trato doscomponentes curriculares, reafirmando desse modo o princípio da base nacional comum(Parâmetros Curriculares Nacionais), a ser complementada por uma parte diversificadaem cada sistema de ensino e escola na prática, repetindo o art. 210 da ConstituiçãoFederal. Em linha de síntese, pode-se afirmar que o currículo, tanto para o ensinofundamental quanto para o ensino médio, deve obrigatoriamente propiciaroportunidades para o estudo da língua portuguesa, da matemática, do mundo físico enatural e da realidade social e política, enfatizando-se o conhecimento do Brasil. 5
  6. 6. É importante colocar que o surgimento e o aprimoramento do PCN estãodiretamente vinculados á promulgação da Lei de Diretrizes e Base da EducaçãoBrasileira, que levou o país a uma reflexão acerca da formação básica comum em toda aUnião. Vale–se ressaltar que apesar dessa “formação comum” há também uma maiorflexibilidade para se trabalhar as peculiaridades locais, a especificidade dos planos dosestabelecimentos de ensino e as diferenças individuais dos alunos. 5) A relação PCN, áreas, conteúdos e Livro Didático:  Área O tratamento da área e de seus conteúdos integra uma série de conhecimentosde diferentes disciplinas, que contribuem para a construção de instrumentos decompreensão e intervenção na realidade em que vivem os alunos. A concepção da áreaevidencia a natureza dos conteúdos tratados, definindo claramente o corpo deconhecimentos e o objeto de aprendizagem, favorecendo aos alunos uma construção derepresentações sobre o que estudam. Essa caracterização da área é importante tambémpara que os professores possam se situar dentro de um conjunto definido econceitualizado de conhecimentos que pretendam que seus alunos aprendam condiçãoesta, necessária para proceder a encaminhamentos que auxiliem as aprendizagens comsucesso. Se avaliarmos como importante definir os contornos das áreas, é tambémessencial que estes se fundamentem em uma concepção que os integre conceitualmente,e essa integração seja efetivada na prática didática. O delineamento da área de abordagem é essencial para que os instrumentos queauxiliam no processo de aprendizagem sejam construídos e utilizados de maneiraqualificada. Isso está diretamente relacionado á perspectiva de linearidade na construçãonão só dos objetivos que se espera de uma criança no processo do aprender, mastambém de uma continuidade dos objetos que irão permear a construção desteconhecimento. È para além do desafio de definição dos conteúdos também o desafio decontextualização de aproximação do que se espera daquilo que também a criança estádisposta ou por questões culturais ou formativas a oferecer. 6
  7. 7.  Conteúdos Os Parâmetros Curriculares Nacionais propõem uma mudança de enfoque emrelação aos conteúdos curriculares: ao invés de um ensino em que o conteúdo seja vistocom um fim em si mesmo, o que se propõe é um ensino em que o conteúdo seja vistocomo meio para que os alunos desenvolvam as capacidades que lhes permitam produzire usufruir dos bens culturais, sociais e econômicos. É a formação do aluno numa perspectiva continuada, nunca findada, e naverdade é este o real processo de aprendizagem recorrente, em que nem professor nemaluno sente que tudo está completo, havia antes uma necessidade de que os conteúdosviessem a sanar todos os problemas antecessores a fase em que a criança estava, masnão é assim. O conhecimento não é degenerativo, em que para aprender algo, tudo o queantes havia torna–se inválido, pelo contrário, o conhecimento é acumulativo, e osconteúdos por sua vez devem ser da mesma maneira. O aluno não está isento dasociedade e contextualizar a mesma, dar sentido a esta em sala de aula e envolve-la como que é ensinado tem sido o grande desafio do professor.  Livro Didático Todo material é fonte de informação, mas nenhum deve ser utilizado comexclusividade. É importante haver diversidade de materiais para que os conteúdospossam ser tratados da maneira mais ampla possível. O livro didático é um material de forte influência na prática brasileira deensino. É preciso que os professores estejam atentos à qualidade, à coerência e aeventuais restrições que apresentem em relação aos objetivos educacionais propostos.Além disso, é importante considerar que o livro didático não deve ser o único material aser utilizado, pois a variedade de fontes de informação é que contribuirá para o aluno teruma visão ampla do conhecimento. Há uma real necessidade de nos aprofundarmos em conhecer o nosso grandeparceiro de trabalho, o livro didático, mas o mesmo, não deve ser tudo, a escolha dolivro didático é imprescindível, pois este material vai permear toda a relação deaprendizagem que o aluno vai desenvolver durante todo um ano, mas é importanteressaltar que nada melhor do que a sensibilidade do professor para trazer adequações 7
  8. 8. pertinentes à necessidade de contextualização que os textos ou as atividades propostaspelo livro venham a trazer. 6) Os PCN e as orientações quanto ao ensino da Língua Portuguesa Para o tratamento didático dos conteúdos é preciso considerar também oestabelecimento de relações internas ao bloco e entre blocos. Exemplificando: os blocosde conteúdos de Língua Portuguesa são língua oral, língua escrita, análise e reflexãosobre a língua; é possível aprender sobre a língua escrita sem necessariamenteestabelecer uma relação direta com a língua oral; por outro lado, não é possível aprendera analisar e a refletir sobre a língua sem o apoio da língua oral, ou da escrita. Dessaforma, a inter-relação dos elementos de um bloco, ou entre blocos, é determinada peloobjeto da aprendizagem, configurado pela proposta didática realizada pelo professor. É mais uma vez chamar atenção para que, na abordagem da língua nada éabsoluto, não há um método perfeito que vai tornar este ou aquele indivíduo apto aexercer o poder de fala e compreensão de uma hora para a outra. O Essencial neste casoé realmente uma inter – relação entre o que se deve ensinar e o que se pode aprender. Alíngua está em um eterno movimento e pode a qualquer hora mudar, e para que ela nãose dissolva, porque ela é um bem diluído, é necessário que a oralidade e a escritacaminhem juntas e consigam sempre dialogar e propor uma á outra a análise e areflexão. 7) Os PCN e os Objetivos Gerais para o Ensino Fundamental:  Posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas; A importância da oralidade para as relações interpessoais dentro do convíviosocial.  Utilizar as diferentes linguagens — verbais, matemática, gráfica, plástica e corporal — como meio para produzir, expressar e comunicar suas ideias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação; 8
  9. 9. O poder da comunicação para expressar–se, trazer ao conhecimento do outro oque você é, quem é e como deseja se definir. É a oportunidade de dar a si próprio, ássuas vontades, ações e convicções um nome, para a criança é o próprio processo dereconhecimento como ser social e sociável. 3. O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). 1) Um Breve Histórico acerca do PNLD O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) é o mais antigo dosprogramas voltados à distribuição de obras didáticas aos estudantes da rede pública deensino brasileira e iniciou-se, com outra denominação, em 1929. Ao longo desses 80anos, o programa foi aperfeiçoado e teve diferentes nomes e formas de execução.Atualmente, o PNLD é voltado à educação básica brasileira, tendo como única exceçãoos alunos da educação infantil. 2) Seleção de Material Didático para o Ensino da Língua Portuguesa: I. Relativos à natureza do material textual selecionado O conjunto de textos que um LDP oferece para o ensino-aprendizagem deLíngua Portuguesa deve justificar-se pela qualidade da experiência de leitura que possapropiciar ao aluno, contribuindo para a sua formação como leitor proficiente, inclusivecomo leitor literário. Uma coletânea deve, portanto:  Estar isenta tanto de fragmentos sem unidade de sentido quanto de pseudotextos, redigidos com propósitos exclusivamente didáticos;  Ser representativa da heterogeneidade própria da cultura da escrita – inclusive no que diz respeito a autoria, a registros, estilos e variedades (sociais e regionais) linguísticas do Português –, de forma a permitir ao aluno a percepção de semelhanças e diferenças entre tipos de textos e gêneros diversos, pertencentes a esferas socialmente mais significativas de uso da linguagem;  Ser adequada – do ponto de vista da extensão, da temática e da complexidade linguística – ao nível de escolarização em jogo;  Incluir, de forma significativa e equilibrada, em relação aos demais, textos da tradição literária de língua portuguesa (especialmente os da literatura brasileira);  Incentivar professores e alunos a buscarem textos e informações fora dos limites do próprio livro didático. 9
  10. 10. II. Relativos ao trabalho com o texto No trabalho com o texto, em qualquer de suas dimensões (leitura ecompreensão, produção de textos orais e escritos, construção de conhecimentoslinguísticos), é fundamental a diversidade de estratégias, assim como a articulação entreos vários aspectos envolvidos, de forma a garantir a progressão nos estudos. Alémdesses, em cada um dos componentes de Língua Portuguesa outros critérios afiguram-sefundamentais para garantir à coleção um desempenho ao menos satisfatório, em termosmetodológicos.Leitura As atividades de compreensão e interpretação do texto têm como objetivo finala formação do leitor (inclusive a do leitor literário) e o desenvolvimento da proficiênciaem leitura. Portanto, só podem constituir-se como tais na medida em que:  Encararem a leitura como uma situação de interlocução leitor/autor/texto socialmente contextualizada;  Respeitarem as convenções e os modos de ler próprios dos diferentes gêneros, tanto literários quanto não literários;  Desenvolverem estratégias e capacidades de leitura, tanto as relacionadas aos gêneros propostos, quanto as inerentes ao nível de proficiência que se pretende levar o aluno a atingir.Produção de textos escritos As propostas de produção escrita devem visar à formação do produtor de textoe, portanto, ao desenvolvimento da proficiência em escrita. Nesse sentido, não podemdeixar de:  Considerar a escrita como uma prática socialmente situada propondo ao aluno, portanto, condições plausíveis de produção do texto;  Abordar a escrita como processo, de forma a ensinar explicitamente os procedimentos envolvidos no planejamento, na produção e na revisão e reescrita dos textos;  Explorar a produção de gêneros ao mesmo tempo diversos e pertinentes para a consecução dos objetivos estabelecidos pelo nível de ensino visado; 10
  11. 11.  Desenvolver as estratégias de produção relacionadas tanto ao gênero proposto quanto ao grau de proficiência que se pretende levar o aluno a atingir.III. Relativos ao trabalho com a oralidade A linguagem oral, que o aluno chega à escola dominando satisfatoriamente, noque diz respeito a demandas de seu convívio social imediato, é o instrumento por meiodo qual se efetivam tanto a interação professor-aluno quanto o processo de ensino-aprendizagem. Será com o apoio dessa experiência prévia que o aprendiz não sódesvendará o funcionamento da língua escrita como estenderá o domínio da fala paranovas situações e contextos, inclusive no que diz respeito a situações escolares como asexposições orais e os seminários. Assim, caberá ao LDP, no que diz respeito a essequesito:  Recorrer à oralidade nas estratégias didáticas de abordagem da leitura e da produção de textos;  Valorizar e efetivamente trabalhar a variação e a heterogeneidade linguísticas, situando nesse contexto sociolinguístico o ensino das normas urbanas de prestígio;  Propiciar o desenvolvimento das capacidades e formas discursivas relacionadas aos usos da linguagem oral próprios das situações formais e/ou públicas pertinentes ao nível de ensino em foco.IV. Relativos ao trabalho com os conhecimentos linguísticos O trabalho com os conhecimentos linguísticos tem por objetivo levar o aluno arefletir sobre aspectos da língua e da linguagem relevantes para o desenvolvimento tantoda proficiência oral e escrita quanto da capacidade de analisar fatos de língua e delinguagem. Por isso mesmo, seus conteúdos e atividades devem:  Abordar os diferentes tipos de conhecimentos linguísticos em situações de uso, articulando-os com a leitura, a produção de textos e o exercício da linguagem oral;  Considerar e respeitar as variedades regionais e sociais da língua, promovendo o estudo das normas urbanas de prestígio nesse contexto sociolinguístico;  Estimular a reflexão e propiciar a construção dos conceitos abordados; 11
  12. 12. 4. Análise, Discussão e Comparação de Livros da 1ª Série do Ensino Fundamental I. Iremos apresentar a seguir uma análise discutida de dois livros da 1ª Série doEnsino Fundamental I, e também faremos uma comparação entre os livros apresentados. Optei por analisar inicialmente este livro, Novo Eu Gosto – 6 anos de Célia Passos e Zeneide Silva, e infelizmente observamos que ele está destoante com as indicações do PNLD que já foram aqui expostas. Ele não traz a partir de suas atividades e discussões uma perspectiva de aperfeiçoamento da formação como leitor e produtor de textos escritos para as crianças sugeridas na faixa etária abordada. O PNLD indica que o sumário de um livro didático de Português reflita claramente a organização dos conteúdos e atividades propostas, além de permitir a rápida localização das informações; O que observamos, no entanto, é uma descrição de palavras que nem sequer sugerem o conteúdo abordado nestas unidades, não torna nem mesmo o decorrer do livro convidativo a leitura, no tocante ao professor e também ao aluno. O PNLD sugere que os textos expostos para consulta em um livro de estudo da Língua Portuguesa não traga pseudotextos, que tenham sido redigidos com propósitos exclusivamente didáticos; É o que observamos nas propostas de textos de estudo e atividades sugeridas pelo livro e apresentadas a seguir. No tocante ás atividades sugeridas propostas é que tratam – se apenas de réplicas de palavras em uma perspectiva de memorização de pequenas regras de escrita. 12
  13. 13. A legibilidade gráfica adequada para o nível de escolaridade visado, do ponto de vista do desenho e do tamanho das letras sugeridos pelo PNLD é claro ao colocar que o espaçamento entre letras, palavras e linhas também irá influenciar para a compreensão da criança no tocante á promoção da leitura e contextualização; Ele também é claro com relação ao formato, no tocante a dimensões e disposição dos textos na página; Vemos, no entanto, um texto exprimido e sem um aprofundamento que traga significado para o processo de aprendizagem da criança. Outra crítica que fazemos aos textos expostos para abordagem do conteúdo propostos pelo livro é que eles não levam em consideração as recomendações do PNLD no tocante a formular textos que incentivem professores e alunos a buscarem textos e informações fora dos limites do próprio livro didático. Até porque as atividades propostas para uma “fixação” do texto também não trazem essa abertura. Quanto ao estudo do texto proposto pelo livro abordado sentimos falta de três importantes aspectos elencados pelo PNLD:  A leitura deve ser encarada como uma situação de interlocução leitor/autor/texto socialmente contextualizada; O recomendável é que se desenvolva e se respeite a partir da leitura proposta as convenções e os modos de ler próprios dos diferentes gêneros, tanto literários quanto não literários; 13
  14. 14. Isso é observado na proposta de texto que o livro traz, mas não é exploradonas atividades propostas para o estudo do texto, em que se pede do aluno respostasfechadas e de acordo com a grafia do texto.  O texto deve trazer estratégias e capacidades de leitura, tanto as relacionadas aos gêneros propostos, quanto as inerentes ao nível de proficiência que se pretende levar o aluno a atingir. O que se pode observar a partir do texto extraído do livro é que este objetivo não é buscado na proposta do texto, que é extenso para o nível sugerido, ou na atividade de “fixação” do mesmo. Após essa avaliação do livro apresentado e fundamentada no PCN e no PNLD,documentos que versam sobre a importância e os padrões do livro didático no processode ensino-aprendizagem de nossos alunos, foi possível perceber que este livro não estáapto a ser adotado como recurso didático no ensino de Língua Portuguesa na 1ª Série doEnsino Fundamental I, afinal, as contradições com as propostas feitas pelo PNLD,documento de consulta e uso do profissional que recomenda critérios ao livro didático, etambém o PCN, que trata de questões da aprendizagem que o aluno deve adquirir eexercer ao final do ano letivo, são muitas. Reinteramos aqui a importância do olhar do pedagogo, do envolver-se, do seperceber aprendendo e entendendo o percurso que seu educando faria ao ter comoauxílio de sua aprendizagem um livro didático como o apresentado anteriormente. Mas vamos em frente, a seguir um segundo livro para nossa apreciação ediscussão: Nós escolhemos esses dois livros porque um é a complementação do outro, ambos são abordados no 1º ano e trazem uma abordagem completa e bastante enriquecida da experiência de Letramento e Alfabetização para Crianças. 14
  15. 15. Á partir do próprio Sumário observa-secomo a abordagem é diferenciada, a preocupaçãode apresentar as letras e trazer uma aproximação apartir da contextualização deste momento com arealidade em que a própria criança está inserida. O estudo das vogais é feito de modo diversificado, e também respeitando a sugestão de respeito a regionalidades e especificidades locais. Os desenhos são desenhos próximos da realidade da criança e pertinentes ao seu entendimento, contextualização e convívio. A abordagem do alfabeto por vezes é trabalhada no processo de Letramento e Alfabetização, esta atividade traz a perspectiva de linearidade na construção do alfabeto e de sentido na colocação das letras, facilitando o processo de visualização, memorização e aprendizagem. O livro também traz atividades que trazem a utilização das letras do alfabeto na formulação de palavras cotidianas dos alunos, além de trabalhar a oralidade a partir da abordagem sonora das letras e das palavras. No livro 2 inicia-se um aprimoramento da criança, começando com uma abordagem diferenciada para cada dígrafo, além de trazer as atividades com uma linguagem bem específica para a idade abordada. É um livro interessante, fácil de compreender e com atividades objetivas, mas que buscam a contextualização com a faixa etária e com a perspectiva de especificidades da própria formação da criança. 15
  16. 16. Este tipo de atividade traz para a criança o desafio decomeçar a utilizar de maneira mais completa tudo que ela jáobservou, como letras, sílabas e palavras, e também decomeçar a observar que estas palavras fazem parte de umoutro conjunto o de frases. Achamos enquanto equipe bastanteinteressante o método utilizado para promover umacompreensão de todo por parte das crianças, que as frases sãoum conjunto de palavras com significado. A partir da abordagem de letras, palavras e de suaaplicação em frases, o livro também propõe a compreensãodo sentido que estas frases trazem, do que é ser uma frase quecontenha palavras como sim e que são afirmativas. Enfim, foium fato que também nos chamou atenção, a metodologiaadotada pelo livro para fazer essa interação entre frases esentidos a partir da abordagem da pontuação. Com a aproximação textual já iniciada com o usodas frases, neste momento o livro sugere um novo desafio ode classificar as palavras nas frases, de maneira leve e comuma abordagem bastante dinâmica, observamos aqui oestudo do verbo e dos significados de plural e singular emsua utilização. Nas últimas unidades do livro temos então a famosa produção textual, que coloca para o aluno o desafio de juntar todo o conhecimento adquirido e de dar sentido a um emaranhado de letras, frases e por consequência ao que vem a ser o próprio texto. Mais uma vez vale–se ressaltar a abordagem pedagógica dinâmica e diferenciada que o livro traz, além de uma sugestão de produção textual a partir de elementos cotidianos da vivência da criança. 16
  17. 17. Com a leitura e análise deste livro podemos observar outra abordagem doprocesso de letramento e alfabetização da criança, com uma abordagem diversificada eatividades que se relacionam com a realidade da criança e com a fase de aprendizagemvivida por ela. Porém é importante chamar a atenção para os dizeres evangélicosimpressos nas páginas de conteúdo do livro e vale-se ressaltar que para estar de acordocom as discussões do PNLD e as diretrizes do PCN bem como os atuais parâmetroscurriculares do nosso país falta neste livro o cumprimento da compreensão de estadolaico adotada pelo Brasil, é necessário salientar que em um livro didático, abordado emuma escola, que é lugar de todos e todas, dizeres que fazem referência a uma únicareligião e Deus não venham impressos, afinal, temos em nossas salas de aula crianças defamílias diferentes que possuem orientações quer sejam religiosas, culturais e sexuaistambém diferentes. No entanto, o livro trata da criança e de seu processo de aquisição eaprimoramento das letras, da leitura e da compreensão desta de maneira bastante amplae diversificada, dando suporte para um trabalho didático enriquecido e aprimorado parao pedagogo em sala e para além desta. Conclusão Após todo o estudo do PCN e do PNLD, a abordagem destes direcionada aimportância do livro didático e análise de dois livros de Língua Portuguesa da 1ª Sériedo Ensino Fundamental I, esperamos ter contribuído com o aprimoramento da nossaformação como um todo. Porque foi exatamente isso que aconteceu comigo, a partir doexercício de ler, comparar, refletir e também opinar acerca de um dos principaisintegrantes do nosso material de trabalho: o Livro Didático. É realmente imprescindível perceber que será o livro o responsável portrabalhar com o aluno nos espaços fora da escola, é ele que o aluno mostra aos paiscomo símbolo e troféu de seus avanços no processo de aprendizagem, é ele que dirá aospais acerca do árduo e prazeroso trabalho do pedagogo com o seu filho em sala. O livro só não é o bastante, é preciso planejar, exercitar, aplicar, avaliar, e ler,compreender, encantar-se e encantar para que nossa tão importante missão sejacumprida, mas sei que estamos no caminho certo, refletir sobre este novo aspecto meabriu também outros horizontes, me alertou sobre uma formação cada vez maiscomplexa e inovadora, e este é o convite que faço com este trabalho. 17
  18. 18. Agradecimentos Deixo aqui meus sinceros e carinhosos agradecimentos ás professoras AnaPaula Medeiros, que sempre me incentiva a ver-me além de minha graduação, e a AnaIório, ambas me ensinaram a ler de um jeito especial, novo e diferente nossa prática eexercício enquanto pedagoga, na disciplina de Ensino da Língua Portuguesa, onde tive aoportunidade de fazer este estudo e desenvolver sobre orientação delas estas reflexões. Agradeço também ás minhas companheiras e amigas de viagem Ana CarolineRibeiro, Kariane Lima Marques, Mayara Alves de Castro e o amigo Anderson Viana,afinal, foi com estes que em equipe descobrimos como é importante termos consciênciade quem nos acompanhará durante todo um ano letivo e quem nos representará junto anossos alunos e suas famílias. A um querido amor que me incentivou a escrever estes pensamentos, e que leu,página a página, sempre opinando e parabenizando-me a cada parágrafo. Ao meu doce mestre Messias Dieb que um dia ensinou a uma curiosa monitorade Metodologia Científica a escrever, pesquisar, construir em cima de minha prática. E aos que lerem e interessarem-se e encantarem-se e assumirem como seus otão importante e especial ofício de perceber-se dia-a-dia como um pedagogo, leia-se, umeterno aprendiz, intrigado e sempre curioso, querendo nunca deixar de descobrir. Bibliografia PNLD - Guia de livros didáticos: PNLD 2011: Língua Portuguesa. – Brasília:Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2010. PCN - Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetroscurriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF,1997. BARGUIL, Paulo Meireles. O Homem e a conquista dos espaços – o que osalunos e os professores fazem, sentem e aprendem na escola. Fortaleza, Gráfica eEditora LCR, 2006. 18

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