Prometeu e Lúcifer: Irmãos de Fogo

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O tema deste trabalho é a associação entre o Lúcifer do poema épico "Paraíso perdido" (1667), clássico da literatura mundial, e o mito de Prometeu. Explora-se as semelhanças arquetípicas entre estas duas figuras ambíguas; o simbolismo do fogo e sua relação com o surgimento da consciência; o desenvolvimento do ego e o sentimento de solidão e culpa que acompanha o afastamento do inconsciência; entre outros temas.

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Prometeu e Lúcifer: Irmãos de Fogo

  1. 1. Lúcifer e Prometeu: Ermãos de Fogo JOSÉ FELIPE RODRIGUEZ DE SÁ PSICÓLOGO JUNGUIANO CRP: 03i=804o 'e a l (axo: s¡ l a_ 7 a 7 a. TRlÀ TERAPIA í CONSUUDRIA
  2. 2. IRMÃOS DE FOGO Introdução O poema épico Paraíso Perdido, de Milton, é uma obra essencial para o Cânone literário Ocidental (Bloom, 2010) 1 Bloom (2010) inclui “as grandes tragédias de Shakespeare, Canterbutj' Tales [Contos de . Cantuária] de Chaucer, a Divina Comédia de Pe Dante, a Torá, os Evangelhos, Dom Quixote de Cervantes" e "os épicos de Homero" na lista de obras canônicas (p. 42)
  3. 3. já I. . . VÍK b”, “wggil Ii, É _i'll l_ . q, A Í a ' A; Í h J à. . ; d _e ¡ -_-tx_É_u_L)›_L*ÍÍ; Erika 1._ 5:_ b “íiftlitiil” . ir, s›_i: ilfã›íi: ia; -.9tú› Ívr Í . Í 'a nã¡ oiii? aluna: ^ iii-a: íjlígiiiçieijeílfãiiêíisi . lite uliiiiiaiíííiillszf: 3,0* ›íi§i; l;ili: ›!s_ . Lil , jííiii ~ill¡J¡_Ã. ÍÉÉÍI. IJÉÉÍÃLU Ílil. _z i _í/ Í: . y ft _lfiig-. Illiisfi . =:êi. ia. ii_i,1.lii sisal' , k ; lir- üii. l.i. -_tiitr-i_iiia~: !JLC-a r irÍuiÊiÕÉi : Luiüáãíiáttítiitiéíífn@dia ÍiÍÍtr-. à , _, .- I -_A, p t ; g x_ lv " x - ' x '. - , _ V . . , . . .,, ,,. , _fx , -Lffánt-íe ; ui r 'aiii-inj? 7411132., 'OQIÇ-lñjílli "il : iíjiii ; gens 'ifid " , .__il%l_i_¡ll›YüÍ_l1Lêl_iJçÍii. íÍ . .gaitãiiiiigii , urinar a , . . ' ' i 'lsisíiljoils 'Ê_l_ifl'9fuí, ¡lti§“íÍüllíiãñlíiá' ¡ÍÍjÍ«: ;:ÊÍÍl. I_i_HÍJ. §E_: 'l_l__i_i: e›
  4. 4. IRMÃOS na FOGO Introdução Werbloxvsky' (2007/ 1952) fala como Jung sempre insistiu em trazer à tona o problema do Diabo e a sua conexão com a sombra, tanto na ¡lsicoterajiizl quanto na pesquisa teórica O arquétipo da “sombrzf” é o lado inferior e obscuro da ¡iersonalidaile humana (Jung, 2000) Os poetas e escritores românticos como Percy' Bysshe Shelley (1792-1822) e Lord Byron (1788-1824) foram os primeiros a fazer uma analogia entre Lúcifer e Prometeu, porque os dois ofereceram uma resistência heroica à ordem (livina (Werblotvskyg 2007/1952)
  5. 5. IRMÃOS DE FOGO Prometeu Prometeu (“prei11editação”) era o sábio titã que criou a humanidade e transmitiu-lhes a arquitetura, astronomia, matenrátic-a, navegação, nneilicin-a, metalurgia e outros ofícios úteis Zeus, soberano do Olimpo, se irritava com os homens devido ao seu talento e poder crescente e queria exterminá-los; foram as súplicas de Prometeu que impediram isso de acontecer Prometeu um dia foi chamado para ser : irbitro do sacrifício de um touro, onde ia se decidir (ju-ais partes iriam ser reservadas para os homens e para os deuses Prometeu fez duas bolsas com a pele do animal e induz Zeus ao erro, fazendo-o pegar a bolsa com ossos no lugar da bolsa com carne
  6. 6. , »Éàgãígsesitggi ; gjltâíéll_l_tlílÍljkii›“a 2' _i. iÍi. i_i_i; mi; iiioa _L3 : :atirasi FUlíÍsiíãj'IÍí1Ç¡1il. lÍ* f: ^'“. i1~. ai; i;, iiiiii: à, ; ia . .›Í, l_i1i; ii¡iir uiigiiit. .ii . ea. n* . a' ea'. -v a . w _rw . QXFJIBJJjÍLSFH-, Íll : :Í. lipàglíàiiljiiílli. llllllí . i«: ¡;i; ig_xi« 'íiip l§l_l“_ti; i_¡; _iiir« . tia u. ; iíivtiíisláâiaift: :;l, l!);1á1l: |.l151.0384;! .iziíl. llll, tlâl. lli l. " . . ' V ' '_ . . ' 'I o : v- ii Íl __i'e. iíeiiiiii. 'laio
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  9. 9. m» ~ 1 IRMÃOS DE FOGO “Herói-Vilão” No levantamento etimológico de Link (1998), Satã deriva da palavra hebraica sarau (11227), "adversário" e Lúcifer vem da expressão latina p¡ hLvenzferre, “portador da luz” (p. 25) r “Lúcifei” e originalmente usada, no íelho Testamento, para identificar o ¡ilaneta Vênus, mas eventualmente “Satã” e “Lúcifer” viraram termos interca mbiáveis (Link, 1998) No épico de 1Iilton (2006), Lúcifer era o nome original de Satã, caindo em desuso depois de sua rebelião
  10. 10. IRMÃOS OF FOGO “Herói-Vilão” O Satanás de Milton é o herdeiro literário dos grandes heróis-vilões de Villiam Shakespeare, a exemplo de Iago (Otelo, o , Mouro de leneza), Edmundo (Rei Lear) e os prota gonistas homônimos de Hamlet e llIacBet/ z (Bloom, 2010) Em contrapartida Cristo e Deus, no épico de Milton, são "personagens [. ..] empobrecidos", o último retratado como “pomposo, defensivo e hipócrita" (Bloom, 2010, p. 222)
  11. 11. IRMÃOS DE FOGO “Herói-Vilão” Na Bíblia Hebraica Satã e' um anjo acusador, não tendo a mesmo status de figura maligna suprema que : issumiria posteriormente na teologia cristã (Bloom, 2008) Jung (2003) também aponta essa evolução da figura do Diabo na tradição cristã: da aparição relativamente inócua dele no Velho Testamento até chegar à doutrina do summunt malum, o ¡irincípio do mal, em contraposição à Deus, o . summunz bonum
  12. 12. IRMÃOS OF FOGO “Herói-Vilão” O "soberbo e infeliz” Satã de Paraiso Perdido é um '“usurpador muito malsuceditlo", cheio de remorso e «lesesperzl do por ter sido lançado dos domínios da luz para a escuridão do Inferno (Bloom, 2012) Milton faz de Satã um filho pródigo universal que pa ga o mais alto preço por ser ele mesmo (Bloom, 2012) Bloom (2008) também observa que o “trágico vilão de Paraíso Perdido" tem um característica singular: apesar da identificação de anjos caídos com diabos e demônios, eles conservam uma certa dignidade por ainda serem anjos
  13. 13. IRMÃOS OF FOGO Drama Familiar O Satã do Novo Testamento foi moldado pela ideia de Angra 1Iain_vu ou Ahriman, o Espírito do Mal zoroastrista (Bloom, 2008) oc~ Nessa religiao persa, o demônio Ahriman era o irmão gêmeo de Deus (Ahura Mazda), uma ideia que o cristianismo não herdou (Bloom, 2008) Algumas tradições esotéricas retomam essa concepção de um vínculo fraterno entre o mal (Satã) e o bem (Cristo), o que seria um retorno à visão de Zoroastro (Bloom, 2008)
  14. 14. IRMÃOS OF FOGO Drama Familiar 7"? " No início de Paraíso perdido Deus proclama que Cristo é seu único filho gerado, o que leva Satã à rebelião por deixar de ser o favorito do pai (Bloom, 2012) De acordo de Jung (2011 d), se Satanás e Cristo ê», 0 são ambos filhos de Deus, isso os enquadra no arquétipo dos irmãos inimigos _. __I. ~¡-__¡_ 'Í Ainda segundo Jung (2011d) há um outro par ' Ã ' É de irmãos adversários na Bíblia, Caim e Abel; ,na 97 o primeiro é rebelde e progressista (luciferino) “ e o outro é o bom pastor
  15. 15. IRMÃOS DE FOGO O Jardim do Éden Nos capítulos 2 e 3 de Gênesis, o primeiro livro do Velho Testamento, é descrita a história de Adão e Eva e a sua expulsão do jardim do Eden Depois de criar a terra, os céus e os seres vivos, Deus plilllt0ll um jardim no lado oriental do Eden e pôs ali o homem que tinha formado do pó da terra (Adão) No meio do jardim, entre as Iárias árvores que Deus fez brotar, estavam a Arvore da Vida e a Arvore do Conhecimento do Bem e do Mal Deus proíbe Adão de comer o fruto da Árvore do Conhecimento, pois no dia que comesse Inorreria
  16. 16. IRMÃOS DE FOGO O Jardim do Éden Depois de Adão dar nome aos animais, Deus o fez cair num sono profundo para tirar uma costela dele e fazer a mulher - Eva - mãe da humanidade, a quem acompanharia o homem A serpente, a mais astuta dos animais do campo, seduziu Eva e a convence a provar o fruto proibido para “abrir os olhos” e ser versa da no bem e o mal Eva ofereceu o fruto à Adão e depois de o comerem, perceberam que estavam nus e se cobriram com folhas de figueira
  17. 17. IRMÃOS DE FOGO O Jardim do Éden Ao ouvir Deus se -aproxinrar no jardim, Adão e Eva se escondem com medo entre as zirvores; ao perguntar o Inotivo, Deus percebe a vergonha deles de estarem nus e descobre que comeram o fruto proibido A partir daí Deus institui a hostilidade entre homem e mulher e sua linha gem, e o domínio do masculino sobre o feminino Deus também diz que o homem ira se nutrir com o pão produzido com “o suor do teu rosto" por “todos os dias de tua iid-a" . - . ' ' . 'z 'z ° Deus ex Iulsou o homem do Eden e colocou uerubms dnnte do irdim para guardar o caminho até a árvore da vida, cujo fruto dá sida eterna
  18. 18. IRMÃOS DE FOGO Hermenêutica Quanto interpretação da Bíblia, Robertson (1994) aldvoga um ponto de vista diferente dos seguintes: (i) Um fundamentalismo religioso que ignora fatos históricos conhecidos (ii) Unra rejeição da Bíblia via uma lógica materialista / racionalista que não pode comprovar literalidzi de da Bíblia como documento histórico Robertson (1994) cita como exemplo o Livro do Apocalipse, que trata de uma mudança de estado de consciência coletivo usando a mesma lingua gem simbólica dos sonhos, visões, mitos e contos de fada
  19. 19. ._ Itu-i» «tá-gmuuíhigtkiimfii, _Ipirá ç F I: z:~. i:i; si: u›; i' N iu! ? : Ítuiuníkpi alia. '(7 i. É ” : ÍÍ-¡t; sr~ai_isn1rí1›§n. ¡.r, .situa ' _iigãiatar-Iiíüi 'iiufnir _praia u: :uu: ainiriñ_px, x~exl. u_ii; tura i; uufxí. kr-xi; niai_li (Jung, 1.; r n r V -"Ç, ;,¡Íi, ¡;u3;i Q4111: ' mà F _ur _int-l «mr 'Éñíifífiw ›, . F1; (rã. .. ípííaííiíhjíiri; r* »fíIILILHA . , gítjxmxjgíiii. FÇM: ÍÊÍÍ! J.IÍHÍ. ÍJ ijúlxigâíiiígãtâjtnllí_ ; Ein : um _ii faith: .. itaim Ill. ; : Tuning: n ' ; tiíil . , mg: Tp” Í t um'
  20. 20. IRMÃOS DE FOGO Amplificação Jung (2005) a dvoga o Inétodo da “aI11plificação", que é fazer uma ; Inálise comparativa de ima gens oníricas mediante a 'associação delas com símbolos da Initologia, religião, folclore e história da arte, com o objetivo de tornar o conteúdo do sonho “acessível à interpretação” (p. 351) Há alguns paralelos entre o mito de Prometeu e o livro de Gênesis: (i) uma ato de subversão que afasta a humanidade da ordem divina (ii) a conscientização e as dores ¡Isíquicas que ela traz, pela realização que o homem tem de suas limitações e pela imposição de regras morais e éticas (iii) um 'afastamento da eternidade e da aninralida de da inconsciência (iv) o vínculo entre a consciência e o processo civilizatório
  21. 21. IRMÃOS OF FOGO Amplificação O fogo, elemento central no mito de Prometeu, l ~ __ " era símbolo da consciência e do pensamento na Grécia Antiga (Werblouisky, 2007/ 1952) O fogo transforma o homo sapiens em homo faber, coroando-o no mestre do mundo, a custo de uma desunião com o mundo interno e o com mundo externo (Werbloxvskyg 2007/ 1952) O aumento da consciência traz tanto a inflação do ego e o aumento do sentimento de culpa, e a sensação de solidão que persegue a consciência (Werbloxvsky, 2007/ 1952)
  22. 22. IRMÃOS DE FOGO Amplificação Há também uma analogia entre o fogo e a libido, considerada por Jung (20l1e) como energia ¡Isíquica revestida de, mas não limitada à, sexualidade No monoteísmo judaico-cristão a libido pode ser tanto “divina” como “demoní-aca": uma força em prol da consciência ou metáfora para a paixão e a sexualidade (Jung, 20l1e) Satanás simboliza o componente animal do homem e também representa o instinto sexual (Jung, 20l1e)
  23. 23. IRMÃOS DE FOGO Amplificação tentador ml; s m (SXV) . v m 2 _ng o diabo DICIONÁRIO tentar l (SXIII) 1 empregar meios para conseguir (algo); 4 r xl por experiencia; provar. testar 6 nl da língua Portuguesa despertar Vontade (e111 alguém) para fazer algo I (l 'e ' “ 10 procurar conhecer; Sondar. tatear tentativa v¡ (1619) ato ou efeito de tentar; tentação 1 ação qI1e te111 por tim pôr em execução um projeto ou tuna ideia 2 teste experimental; ensaio, prova Investigando os diferentes sentidos da palavra "tentar" e seus termos associados é uma forma de revelar o impulso prometéico do diabo
  24. 24. IRMÃOS DE FOGO Considerações Finais O "êxito estético" do Satã de Paraíso Perdido é nas palavras de Bloom (2012) um "quebra- cabeças moral” (p. 123) [Tina possível explicação para isso é a negação de Milton do dualismo (Bloom, 2012), o que implica que Lúcifer não é total escuridão e nem o Deus é inteiramente luz O processo de unificar os contrários, de fazer uma ponte entre o consciente e a inconsciência r e chamado por Jung (1989) de "função transcendente" (p. 72)
  25. 25. IRMÃOS DE FOGO Considerações Finais Jung (2005) salienta a dificuldade de lidar com a sombra, a parte inferior da ¡Jersonalitlzltle do sujeito que precisa ser integrada Na concepção de Jung (2005) a sombra também tem um aspecto coletivo, identificada como o arquétipo do inimigo perpétuo, a fonte do mal O Lúcifer de Paraiso Perdido não é o Satã do Novo Testamento, ima gem da Inalda de absoluta: o maior dos anjos caídos é poderoso, mas pode ser derrotado; é rebelde, porém saudoso do lar divino; é heroico, mas se revela em certos momentos frágil e vulnerável O 'antidualismo de John Milton resignifica o espaço simbólico ocupado por Lúcifer no tlrama cósmico da Criação; assim como a sombra, quando integratla, :Implia a consciência, o reconhecimento que o anjo caído ten1 um importante ¡Japel a cumprir relativizai o seu poder negativo
  26. 26. IRMÃOS DE FOGO Referências Bibliográficas Bíblia de Jerusalém. (2002). São Paulo: Paulus. Bloom, H. (2008). Anjos caídos. Rio de Janeiro: Objetiva. Bloom, H. (2010). 0 cânone ocidental. Rio de Janeiro: Objetiva. Bloom, H. (2012). --1 baixo as verdades sagradas: poesia e crença desde a Biblia ate' nossos' dias. São Paulo: Companhia das Letra Hinds, A. (Produtor), Sz Francis, F. (Diretor). (1964). 0 ¡nonstro de Frankenstein [Filme]. Reino Unido: Hammer Horror Productions. Graves, R. (2008). 0 _grande livro dos mitos gregos. São Paulo: Ediouro. Houaiss, A. , & Villar, M. S. (2009). Dicionário Houaiss da lingua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva. Jung, C. G. (1989). Psicologia do inconsciente. Petrópolis, RJ: Vozes.
  27. 27. IRMÃOS DE FOGO Referências Bibliográficas Jung, C. G. (2000). Os arquétipos e o inconsciente coletivo (2° ed. ). Petrópolis, RJ: Vozes. Jung, C. G. (2003). Escritos (Iiveixsos. Petrópolis, RJ: Vozes. Jung, C. G. (2005). Jlemóritz . sonhos reflevões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 23° reimpressão. Jung, C. G. (2011). .-1 vida simbólica: lol. I (5° ed. ). Petrópolis, RJ: Vozes. Jung, C. G. (2011). Estudos (dquínticos (2° ed. ). Petrópolis, RJ: Vozes. Jung, C. G. (2011). Interpretação psicológica do Dogma da Trindade (8° ed. ). Petrópolis, RJ: Vozes.
  28. 28. IRMÃOS OF FOGO Referências Bibliográficas Jung, C. G. (2011). .Simbolos da transformação: análise dos prelúdios de uma esquizofrenia (7° ed. ). Petrópolis, RJ: Vozes. Link, L. (1998). 0 Diabo: a máscara sem rosto. São Paulo: Companhia das Letra s. Milton, J. (2006). Paraiso perdido (3° ed. ). Cotovia: Lisboa. Robertson, R. (1994). Introdução ao apocalipse: uma interpretação Juizgztiaiza. São Paulo: Cultrix. Shelley, M. (2013). F ranlcensteiiz. Porto Alegre: L&PM. Werbloxvsky', R. J. Z. (2007). Lucifer and Prometheus. New York: Routledge. (Original publica do em 1952).

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