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Hipócrates

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Platão

Platão (c.  427-347 a. C.) se interessava pelo
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Aristóteles

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criticava a interpretação astrológica d...
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Artemidoro de Daldis

 

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dos sonhos

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São Francisco de Assis

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0 Século das Luzes

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Psicanálise

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Psicanálise

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Psicologia Analítica

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Psicologia Analítica

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Psicologia Analítica

 

 

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Inconsciente Coletivo

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Interpretação de Sonhos

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Estudo de Caso:  #1

No primeiro sonho que trouxe à terapia,  cliente relata estar (lividiilzi:  vê o
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Raul Seixas

A descrição da morte do marido como uma

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MORFEU DESTRONADO
Estudo de Caso:  #1

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Numa visita a casa de um parente do marido da filha descobre uso de
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Coríntios

Por ser católica devota,  analista sugeriu que a

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MORFEU DESTRONADO
Sonho #2

O sonho tem início com uma rua sem s-aíila,  ala ga da de á gua preta,  e
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MORFEU DESTRONADO
Caminhos Estreitos

 

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MORFEU DESTRONADO
O Velho Sábio

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MORFEU DESTRONADO

Encontro com a Sombra

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Encontro com a Sombra

 

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Alquimia

Em Psicologia e Alquimia (1944),  Jung (1991)
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Alquimia

A emocionalidade ou a afetividade do êxtase

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MORFEU DESTRONADO
Alquimia

Esse movimento “para baixo" não submerge a
psique no caos e na anarquia,  como defendeu a
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MORFEU DESTRONADO
Candomblé

De acordo com Ramos (2011),  a “roda das

EURICO RAMOS

baianas” gira em sentido anti-horário...
MORFEU DESTRONADO
Mata:  fonte do Axé? 

Quanto ao simbolismo da mata,  algumas informações colhidas por Yerger
(2002) a r...
MORFEU DESTRONADO
Considerações Finais

Nesse processo terapêutico é preciso ser cauteloso e prestar muita atenção
ao “rit...
MORFEU DESTRONADO
Referências Bibliográficas

° Artemidoro.  (2009).  Sobre a interpretação dos sonhos.  Rio de Janeiro: 
...
0

MORFEU DESTRONADO
Referências Bibliográficas

Freud,  S.  (1996).  A interpretação dos sonhos.  In:  S.  Freud,  Edição...
MORFEU DESTRONADO
Referências Bibliográficas

Jung,  C.  G.  (1989).  Freud e a psicanálise.  Petrópolis,  RJ:  Vozes. 
Ju...
O

O

MORFEU DESTRONADO
Referências Bibliográficas

Kury,  M.  de G.  (2008).  Dicionário de mitologia grega e romana (8° ...
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  1. 1. Morfeu Desíronado: A Jornada oie Carl Gustav Jung a0 Reino dos Sonhos JOSÉ FELIPE RODRIGUEZ DE SÁ PSIC ÓLOGO J UN GUIAN O CRP: 0358040 T¡ ÍHTÊ? ÍERAPIA E CONSULTOR! !
  2. 2. MORFEU DESTRONADO Morfeu Morfeu (Mopcpsóç: “Forma”) é um dos mil filhos de Hipnos ("Y1rvo; ), deus (lo sono na mitologia grega, irmão gêmeo (le Tânatos (Gklvaroç: “Morte") e filho (le partenogênese de Nix (N 13%), “Noite" (Kury, 2008) Morfeu tinha a habilidade de tomar a forma de qualquer criatura, mas cabia-lhe 'aparecer no sonho com a aparência (le seres humanos (Kury, 2008) De 'acordo com Neves (2001), a morfina (leriva do non1e do deus dos sonhos
  3. 3. MORFEU DESTRONADO Definição: Aurélio sonho [Lat SOIIIIIÍIL] sm. 1. sequencia de , fenômenos psíquicos (imagens. atos, ideais, etc. ) - > f / ” ' / N - - r e . ..- que 111v'ol1u1ta11a111e11te ocorrem durante o sono. 2. . z - d» - v Aquilo com que se sonha. (p. 710)
  4. 4. MORFEU DESTRONADO Definições: Houaiss III» "IU/ Uh" _nontlqltmrt 4.¡'ç'¡: ¡_3?*, : q. mv. ~__. .«. .n. ~›, , . u. sonho (sXIII) l ato ou efeito de sonhar 2 conjunto de imagens. de pensamentos ou fantasias ou de fantasias que se apresentaranl a mente durante o sono ETIM. lat. sonznímn. í] "sonho" (Ilouziiss, 2009,11. 1770)
  5. 5. MORFEU DESTRONADO Definições: APA DICIONÁRIO m* PSICOLOGIA sonho S. estado mental que ocorre no sono e se cznzicteiiza por um vasto espectro de experiencias sensoriais. motoras, emocionais e cognitivas. Elas se cairacteiizam por (a) imagens xivictas_ especialmente imagens visuais e um forte senso (le movimento; (b) emoção intensa. especialmente medo, exultaição ou raiva. (c) aceitação ilusoiia do sonho. como uma realidade vigil; e (d) descontinuidade no tempo e no espaço e incongmencia entre personagens e trama (YainilenBos. 2010. p. 875).
  6. 6. MORFEU DESTRONADO Bíblia Para os antigos israelitas, os sonhos eram uma mensagem de Deus e sua interpretação era confia da aos seus patriarcas Em Gênesis (37-50), o primeiro livro do Antigo Testamento, é contada a história de José, filho de Jacó, que interpretando os sonhos do faraó ajudou o Egito a superar sete anos de fome Há também, no Antigo Testamento, um relato sobre como o profeta Daniel previu a fragmentação do império do rei da Babilônia, Nabucodonosor, após a morte deste
  7. 7. MORFEU DESTRONADO Hipócrates Hipócrates (469-399 : a.C. ), contemporâneo do r filósofo Sócrates, e considerado o pai da medicina grega (Castle, 1994) Hipócrates acreditava que durante o dia os órgãos sensórios estavam ativos e a “alma" passiva, e durante a noite os papéis eram invertidos (Clastle, 1994) Hipócrates 'acreditava que haviam três tipos de sonhos: proféticos, diagnósticos (os quais era usados ¡iara detectar disfunções somáticas) e os psicológicos, cujo objetivos era “indicar um desejo da alma” (Castle, 1994, p. 64) ¡matt/ rn! minimum: r. cw¡ a. .. .n n, ... t. 5.. ... m. .. exit-f. .
  8. 8. MORFEU DESTRONADO Platão Platão (c. 427-347 a. C.) se interessava pelo conteúdos emocionais dos sonhos (Castle, 1994) No livro IX de A República, Platão (2006) diz ea- t sentir falta de “uma pesquisa sobre desejos", x2 'à . - dos tipos que emergem no sono quando a parte 'x “mansa e racional da alma” está dormindo e “a parte animal e selvagem" tudo ousa, 7'* a _o inclusive “unir-se à sua mãe” e “assassinar quem quer que seja” (p. 348) Para Fromm (1973) “a teoria de Platão sobre s t( Í' os sonhos é quase uma antecipação literal da freudiana" (p. 91)
  9. 9. MORFEU DESTRONADO Aristóteles Aristóteles (384-322 a. C.), discípulo de Platão, criticava a interpretação astrológica dos sonhos ' '. _ e duvidava de sua suposta origem (livina (Castle, 1994) 'f à¡ Segundo Castle (1994) Aristóteles escreveu três textos sobre o assunto: Sobre os Sonhos (Hapi _ àvinrvítov), Sobre o Sono e a ltigília (Hepi íízrvoo x ', Kai éypiwópoaoiç) e Hapi ríi; ica0° ííztvov 'ki a ' uavtiicñ; (A Respeito da Profecia nos Sonhos) Aristóteles propôs que os sonhos poderiam ser indicadores sensíveis da condição do corpo (Castle, 1994)
  10. 10. MORFEU DESTRONADO Artemidoro de Daldis Subir' L1 intvr¡ ›r<-laçüo dos sonhos Geógrafo grego nascido na ilha de Héfeso, _Artemidoro de Daldis (c. 200-100 a. C.) é o primeiro a analisar metodicamente os sonhos Em 150 a. C. publicou Oneirocritica (“A Interpretação dos Sonhos"), os seus 5 volumes contendo a análise de cerca de 3 mil sonhos Artemidoro declarava que “a realidade do sonho é inerente ao sonhador" Os sonhos foram classificados por ele em 5 tipos: simbólicos, proféticos, fantasiosos, pesadelos e visões diurnas
  11. 11. MORFEU DESTRONADO São Francisco de Assis São Francisco de Assis (1182-1226), o "santo dos jiobres" t I Pregava a importância do trabalho manual, a * g , r *ir . q-u- (fp. pobreza e a humildade, se espelhando na vida tw _ç 5177/ A - . _ E levada por Cristo No final da vida experimentou a Stigmata, ou as cha gas de Cristo A Os sonhos serviram como guias para a . "w trajetória de São Francisco u"
  12. 12. MORFEU DESTRONADO 0 Século das Luzes x A partir do século XVI, com o surgimento do Iluminismo, os sonhos passaram a ser vistos como ilusões, e o trabalho de adivinhação feitos em cima deles, superstição (Freud, 1990/1996) Filósofos e médicos desmereciam os sonhos como uma expressão válida da vida mental por causa de sua irracíonalidade (Fromm, 1973) A explicação de suas origens em suposições sobre ilerivavam as suas causas a estímulos “somáticos" (do corpo) de trocas da posição do 1 corpo durante o sono a indigestão (Fromm, 1973)
  13. 13. MORFEU DESTRONADO Psicanálise Na virada do século XIX o neurologista vienense Sigmund Freud (1856-1938) publica . -1 Interpretação dos . Sonhos, considerada a sua obra-prima (Jones, 1979) É nesse livro onde é fundamentada a teoria freudiana do inconsciente, e é defendido que o sonho, “via régia" para o seu acesso, satisfaz desejos reprimidos (Jones, 1979) Nele também é discutido o complexo de Édipo, onde a criança manifesta erotismo e amor em relação a um dos seus genitores e ciúme e hostilidade para com o outro (Jones, 1979)
  14. 14. MORFEU DESTRONADO Psicanálise Freud (1900/1996) zissumiilzimente toma o ¡iartiilo da Antiguidade quando defende que os sonhos carregam um significado oculto Os desejos dos sonhos são obrigados a lutar contra uma instância censora, que elabora uma “distorção” dos pensamentos -aflitivos para torna-los obscuros, desse modo impedindo-os de penetrar na consciência (Freud, 1900/1996) Há separação entre o “conteúdo manifesto" e o “conteúdo latente" dos sonhos: o primeiro são as imagens oníricas e o segundo é a história oculta delas a ser decifra da (Freud, 1900/ 1996)
  15. 15. MORFEU DESTRONADO Psicologia Analítica m. , _ç Jung (2005) já tinha travado conhecimento dos escritos de Sigmund Freud através de Estudos ç ç _ Sobre a Hísteria (1895) e demais trabalhos r ' ' feitos em parceria com Joseph Breuer -“ Jung (2005) leu A Interpretação dos . Sonhos no ano de sua publicação, mas só foi dar atenção ao livro três anos depois, e constatou a compatibilidade de suas ideias com as de Freud Na opinião de Jung (1989), os problemas levantados pelo autor de . -1 Interpretação dos Sonhos eram de suma importância para a J psiquiatria e a neurologia
  16. 16. MORFEU DESTRONADO Psicologia Analítica Desde o início de sua carreira Jung (1989) teve reservas em relação ao trabalho de Freud No seu primeiro artigo científico em que defendeu a psicanálise (Resposta à crítica de _4.s'cltajj'2'¡iburg), Carl Gustav Jung afirmou textualmente que não aceitava a “todos os teoremas de Freud” (p. 1) No entanto, enquanto ¡iraticou a ¡isiczinailise - entre 1907 e 1912 - Jung (1989) falava do “empirisino prático" da doutrina de Freud e dos “indiscutiveis resultados" que sustentavam as bases teóricas da ¡isicziná lise
  17. 17. MORFEU DESTRONADO Psicologia Analítica Na opinião de Jung (1964/1977) não havia censura ou dissimulação nos sonhos: eles simplesmente estavam codificados numa “escrita pictórica" semelhante ao pensamento arcaico e altamente simbólico dos ditos “povos jirimitivos" Jung (1964/1977) sugeria que os sonhos agem de forma compensatóriai em relação à alguma atitude particular equivocada do sonhador em relação à sua vida
  18. 18. MORFEU DESTRONADO Inconsciente Coletivo Quanto ao inconsciente, Jung (2005) faz uma ilivisóri-a: ele o separa em inconsciente pessoal e a sua camada mais profunda e zircaic-a, o inconsciente coletivo, base da psique Na teoria de Jung (2005) o inconsciente ¡iessoztl é feito de conteúdos adquiridos na vida do indivíduo, a exemplo de coisas ¡iercebiilas subliminarmente e desejos e pensamentos reprimidos pela consciência, uma noção de inconsciente ¡iróxim-a daquela ¡iopularizada por Freud (Clarke, 1993) Já o inconsciente coletivo são disposições mentais herdadas dos nossos ancestrais que são geralmente de difícil compreensão, mas podem ser explicadas à luz de lenda s, mitos e contos de fada (Jung, 2000)
  19. 19. MORFEU DESTRONADO Interpretação de Sonhos O foco do trabalho é em cima de sonhos, Jung (1999) aconselha cautela, pois ao nos depararmos com um texto desconhecido “toda interpretação é uma mera hipótese" (p. 21) Para Jung (1987) os sonhos constituem uma matéria complexa e difícil, a psicologia subjacente de seus processos aimla um mistério . Ainda segundo Jung (1987), o perigo de introduzir “elementos estranhos ao próprio r sonho" e real (p. 31)
  20. 20. MORFEU DESTRONADO Estudo de Caso: #1 No primeiro sonho que trouxe à terapia, cliente relata estar (lividiilzi: vê o falecido marido vestido para ri-ajar e fica com vontade de ir com ele Depois vê a filha dela (hoje adulta, mas no sonho ainda criança) dentro de um rio de águas escura s, com aspecto de sujo Ela retira a filha de dentro do rio e ela esta com o corpo cheio de °'li. xo" - pedaços de árvore que caem no rio e folhas mortas A avó da analisanda a tinha ensinado, quando criança, que os sonhos com água preta significavam morte
  21. 21. MORFEU DESTRONADO Raul Seixas A descrição da morte do marido como uma “via gem” me fez recordar uma música de Raul Seixas- “O Trem das 7" do disco Gita (1974) De acordo com Souza (2013), essa letra de Raul Seixas foi influenciada pelo conceito de morte- renascimento do filósofo Arthur Schopenhaeur (1788-1860), que por sua vez foi influenciado pela mitologia indiana Ou seja: o “trem das sete horas", “o último do sertão” para o qual “não precisa jiassagem” ou r “baga gem” e uma metáfora para a morte
  22. 22. MORFEU DESTRONADO Estudo de Caso: #1 x Numa visita a casa de um parente do marido da filha descobre uso de maconha na ca sa, 'através do cheiro e de um pote com ervas Esse quase flagrante foi traumático; passou dois meses e meio para falar da filha sobre o ocorrido, em parte porque temia “explodir” com ela O falecido marido, ex-alcoólatra, livrou-se do seu vício quando começou a se dedicar ao catolicismo e proibiu, expressamente, o uso de qualquer entorpecente na família, os quais se converteram para a analisanda o símbolo do próprio mal Durante esses dois meses e meio ficou extremamente a gita da, preocupada com a sua segurança e da filha, e *agia como se ela estivesse “infectada" por esse mal e não estivesse segura dentro da própria ca sa
  23. 23. MORFEU DESTRGNADO Coríntios Por ser católica devota, analista sugeriu que a analisamla trouxesse trechos da Bíblia que ela gostava; ela trouxe Coríntios (13) de São Paulo: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. " Sugestão, por parte do analista, dela “ ser mais ' A Novo do que Ielho Testamento", de ser mais tolerante e menos rígida '_ *aq* ' ' Interpretação feita tendo por base elementos ãpfây ”_= Í-". '““› E A , do inconsciente pessoal
  24. 24. MORFEU DESTRONADO Sonho #2 O sonho tem início com uma rua sem s-aíila, ala ga da de á gua preta, e zitrzivesszinilo tinha uma pequena ponte de tábua Quando a : inaliszinila atravessa a ponte, percebe que do direito da ponte fica a água ¡iret-a, e do lado esquerdo uma á gua bem cristalina Assim que a : inalisantlzt termina a sua travessa ela encontra um castelo, mas não entrava; ela contorna o castelo, num movimento circular, “me arrastando nas paredes”, um muralha nas costas e um penhasco à frente Ao terminar de contornar o castelo chega num beco muito estreito, do qual acreditava piamente que não poderia passar
  25. 25. MORFEU DESTRONADO Caminhos Estreitos SlHHílhlÍl' l. l'hllã A descrição do caminho estreito no sonho me lembrou a epígrafe do livro 0 Fio da Navalha (1944), do escritor W'. Somerset Maugham O livro conta a história do soldado americano Larry Darrell, que depois da Primeira Guerra Mundial resolve ficar dez anos na Índia em busca de respostas espirituais A epígrafe do livro traz uma citação do ! fat/ za lvvíparzislzatl: “A ponta afiada de uma navalha é difícil passar por cima; os sábios dizem que o caminho para a salvação é assim, tlifícil. ”
  26. 26. MORFEU DESTRONADO O Velho Sábio Quando hesitou a passar pela caminho, surge fx_ 5 então um homem idoso que a incentiva a fazer ' a trilha estreita r O “velho sábio" e o arquétipo do mestre espiritual: o psicopompo (“guia das almas”) que ilumina os caminhos escondidos dentro do caos do dia a dia (Jung, 2000) Jung (2000) detalhou algumas manifestações do velho sábio, sempre ligadas a figuras de autoridade: professor, médico, sacerdote ou ma go
  27. 27. MORFEU DESTRONADO Encontro com a Sombra Depois de ajudei-la¡ a passar pelo beco estreito, o Velho Sábio some, e ela então percebe que está num terreiro Ela se depara com a estátua de uma mulher com dois chifres numa pose provocante (“as mãos assim na cadeira"), e vestida apenas de calcinha vermelha Quando viu essa estátua o nome “l-I°aria Padilha” veio à sua cabeça da analisanda, um nome que gerou nela tanto medo que ela nem se -atrevia a pronuncia-lo nas sessões
  28. 28. MORFEU DESTRONADO Encontro com a Sombra Prandi (1996) comenta que 1Iaria Padilha é a mais conhecida das “pomba-gir-as", os exus femininos da umbanda A "pomba-gira" é uma provável corruptela de Bongbogirá, o nome de Exu nas línguas rituais dos candomblés angola (Prandi, 1996) Na umbanda a Pomba gira não é um orixá mas o espírito desencarnado de uma prostituta ou cortesã, mulher hedonista, materialista e aética, capaz de dominar os homens através de suas proezas sexuais (Prandi, 1996)
  29. 29. MORFEU DESTRONADO Encontro com a Sombra . _, Ã t' 1' , H h . L t ai" 4,/ MÊIIICII E II IINSTIIII Ii. .lakyll a Ni. Iyá: A “ sombra" é a parte da ¡iersonztlidzi de oculta sob a fachada do COIIVCIICÍOIIJI (Jung, 1999) Apesar de ser tradicionalmente vista como algo negativo, essa parte inferior de nossa ¡iersonaliila de deve ser integrada à consciência, apesar do perigo do “eu" sucumbir ao seu poder da t' sombra” (Jung, 1999) Um exemplo clássico da " sombra” no terreno da literatura é o romance vitoriano 0 . .llérlico e o . .Monstro (Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hit/ e, 1886) de Robert Louis Stevenson, de acordo com Sandford (1991)
  30. 30. MORFEU DESTRONADO Encontro com a Sombra »Êrjíll-JJQLÍÉ u. «MV : :mma ' . . . ..u. .n: r.›. ,= 'v: ioí De acordo com Franz (2001) a sombra nos sonhos é do mesmo sexo que o sonhador e é comum ela apresentar algumas características consideradas inferiores ou opostas ao ego Um dos filhos da paciente, quando se mudou para fora do estado, casou com uma mulher que a analisanda considerou “o contrário dela " A hipótese clínica seria que o filho projetou, de forma bastante inconsciente, a sombra da mãe na sua ex-esposa, com a qual tinha uma relação com uma qualidade de numinoso
  31. 31. MORFEU DESTRONADO Estudo de Caso: #3 De acordo com a zmalis-anil-a, o terceiro sonho a ser zinalisailo nessa zipresentzição começa com ela chegando em um terreiro de candomblé, um lugar que as mulheres, vestidas de branco, cantavam e rodavam num círculo que girava da direta ¡iara a esquerda A ; inaliszinila contou que ficava só observando isso, no canto do salão, se sentindo : ipavora da Aí uma mulher de branco manda dois homens altos - também vestidos de branco, os dois da mesma altura - levarem a analisanda “até passar depois duma mata”
  32. 32. MORFEU DESTRONADO Alquimia Em Psicologia e Alquimia (1944), Jung (1991) argumenta que o movimento para a esquerda u equivale a um movimento em direção ao inconsciente V 01115441 CUM v 'i ÍÍj BRITANNICuM-' . - ' gjonzaixtm: v ' Seven-all Po: : call Pieces of our Famous Engli/ Í¡ ? bi/ embora who have Vfitlctl d: (li-mam viu ! animam H Faiihfully Colleckd into one Volume, _ _ _ uichhnnoiarímihezeoa, B; Eur/ ts Asa MOL¡, E/f]. ~ _ , Q If Mnmíqbrlu jnglfav. Tasha: : Pixar. r O caminho para a esquerda e entrar em contato com o ser humano arcaico, afastado dos ideais do homem moderno, próximo de seus fundamentos instintivos e animais (Jung, 1991) 0 ntmzgiooxlnltk 'g UJIDCLII. Para Jung (1991) esse movimento ein termos de religiosidade regride à ¡iré-cristanila de ; . , _ › , 7 ' . .
  33. 33. MORFEU DESTRONADO Alquimia A emocionalidade ou a afetividade do êxtase religioso dionisíaco não encontrou uma forma de expressão adequada nos cultos cristãos, predominantemente apolíneos Restaram então, para a Igreja (Íatólica, o luto, a severidade, o rigor e a alegria espiritual temperada (Jung, 1991) Se a (lireta representa a consciência, o movimento para a esquerda poderia ser uma (Iíabolica fraus (astúcia iliabóliczi), uma deturpação da verdade de Deus (Jung, 1991)
  34. 34. MORFEU DESTRONADO Alquimia Esse movimento “para baixo" não submerge a psique no caos e na anarquia, como defendeu a Igreja católica (Jung, 1991) O movimento geral do sonho também não conduz para fora do lugar sagrado, mas continua incluso dele (Jung, 1991) »Annuau-¡çuun , .v _ . na. .., ~' ' v' ' , ~ g . CÁ A raul¡ gyvt( w-ot-«p--K-nwv-ntln-r. . . ~ ' Pode-se dizer que esta regressao percorre novamente e com fidelidade o percurso histórico a fim de alcançar o nível pré-cristão (Jung, 1991) tj! , A WKÍJ. "
  35. 35. MORFEU DESTRONADO Candomblé De acordo com Ramos (2011), a “roda das EURICO RAMOS baianas” gira em sentido anti-horário na festa do . virê É no estado de transe ¡iropiciatlo pelas danças que se manifestam os orixás, energias primais da natureza que assumem a forma de ancestrais divinizados e afloram no corpo do seu “filho de santo", do seu elegun. (Ramos, REVENDO o CANDOMBLÉ 2011) respostas às mais frequentes perguntas sob: : a rnhgdo Para os seus adeptos, a roda do candomblé é "'°'= ~~'~-' X considerada o “círculo da vida" (Ramos, 2011)
  36. 36. MORFEU DESTRONADO Mata: fonte do Axé? Quanto ao simbolismo da mata, algumas informações colhidas por Yerger (2002) a respeito da religião dos orixás podem, possivelmente, (leixar mais claro o seu significado De acordo com Verger (2002) há três orixás associados com floresta s: r Oxóssi, deus dos caçadores, de natureza inquieta e ilesbrzivailorzi, e simboliza do por um arco e flecha forjado à ferro Ogum, deus do metal e guerreiro temível r Ossain, ilivindatle das folhas terapêuticas e litúrgicas, cuja importância e fundamental por ele ser detentor do axe' (poder) A : Inaliszinila descobriu recentemente que a bisavó materna era uma cabocla ligada à umbanda, onde conexões entre mata e espíritos indígenas
  37. 37. MORFEU DESTRONADO Considerações Finais Nesse processo terapêutico é preciso ser cauteloso e prestar muita atenção ao “ritmo” da zinaliszinilzi, pois uma súbita imersão nas suas ilemandais pode provocar uma descompensação substancial na sua psique Do ângulo da psicologia Junguiana, a zinalisztmlzi está tendo um contato- ou melhor, enfrentamento -intenso com a sua sombra, e a numinosida de “pa gã" que esteve trancada nos porões de sua alma por tanto tempo está vindo à tona, pedindo integração Seria um erro, no entanto, simplesmente “psicologizar" todo esse rico processo; a análise Junguiana se diz a gnóstica, portanto não desconsidera uma dimensão espiritual na busca de autoconhecimento da analisanda
  38. 38. MORFEU DESTRONADO Referências Bibliográficas ° Artemidoro. (2009). Sobre a interpretação dos sonhos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. ° Bíblia de Jerusalém. (2002). São Paulo: Paulus. ° (fa stle, R. L. V. de. (1994). Our (lreanting mind New York: Ballantine Books. ° Clarke, J. J. (1993). Em busca de J img: indagações Itístáricas e filosóficas. Rio de Janeiro: Ediouro. ° Doré, G. (1974). The Dare' Bible illustrations. Mineola, NY: Dover Publications. ° Ferreira, A. B. de H. (2010). _xllini Aurélio: o dicionário da língua portuguesa (8° ed. ). Curitiba: Positivo. ° Franz, l~I. -L. von. (2001). 0 cantinho dos . sonhos. São Paulo: Cultrix.
  39. 39. 0 MORFEU DESTRONADO Referências Bibliográficas Freud, S. (1996). A interpretação dos sonhos. In: S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas conzpletas de Sigmund Freud (J. Salomão, trail. , Vol. 4, pp. 13-363). Rio de Janeiro, Imago. (Trabalho original publicado em 1900). Fromm, E. (1973). A linguagem esquecida: uma introdução ao entendimento dos sonhos, contos de fadas e mitos. Rio de Janeiro: Zahar. Hagen, R. , & Hagen, R-M. (2004). Goya. Kõln: Taschen. Houaiss, A. , & WII-ar, M. de S. (2009). Dicionário Houaiss da lingua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva. (1 ed. ) Jones, E. (1979). Vida e obra de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Jung, C. G. (1987). Psicologia e religião. Petrópolis, RJ: Vozes.
  40. 40. MORFEU DESTRONADO Referências Bibliográficas Jung, C. G. (1989). Freud e a psicanálise. Petrópolis, RJ: Vozes. Jung, C. G. (1991). Psicologia e alquimia. Petrópolis, RJ: Vozes. Jung, C. G. (1999). Ab-reação, tználise dos sonhos, trarzsferência. Petrópolis, RJ: Vozes. J ung, C. G. (2000). Os arquetípos' e o inconsciente coletivo. Petrópolis, RJ: Vozes. Jung, C. G. (2005). il-Iemória . sonhos reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Jung, C. G. , von Fraz, lI. -L. , Henderson, J. L. , Jacobi, J. , & Jaffé, A. (1977). 0 ! tomem e seus . símbolosn Rio de . Janeiroz Nova Fronteira. (Tr-abalho original publicado em 1964).
  41. 41. O O MORFEU DESTRONADO Referências Bibliográficas Kury, M. de G. (2008). Dicionário de mitologia grega e romana (8° ed. ). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (1992). ¡"o mundo dos sonhos. (Série Mistérios do Desconhecido). Rio de Janeiro: Abril Livros/ Time-Life Books. Neves, O. (2001). Dicionário da origem das palavras. Alfride: Oficina do Livro. Platão. (2006). A república. São Paulo: Martins Fontes. Ramos, E. (2011). Revendo o Candomblé: respostas às : nais jiequentes perguntas sobre a religião. Rio de Janeiro: II-aua d X. Souza, I. S. de. (2013). Raul Seixas: vômito de metáforas. Sanford, J. A. (1991). Dr. Jekyll e 1Ir. Hyde. In: C. Zxveig, & J. Abrams. (Eds. ), Ao encontro da sombra (pp. 52-57). São Paulo: Cultrix.

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