O que é pastoral da acolhida

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O que é pastoral da acolhida

  1. 1. _____________________________“Quem recebe vocês, recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (Mt 10, 40).Todos nós sentimo-nos bem quando somos bem recebidos. Como é importante acolher bem aspessoas! A prática da vida do dia-a-dia, no entanto, nos mostra que nem sempre isso acontece: ouporque as pessoas são importunas, senão até agressivas, ou porque estamos muito atarefados, ouporque nosso astral não está bom.É por demais sabido que não poucos católicos bandeiam para outras igrejas ou seitas só porque lá sesentem bem acolhidos. Em nossas igrejas ou comunidades falta, com freqüência, a preocupação detratamento personalizado.A razão principal, no entanto, para acolhermos bem a todos é o fato de sermos todos irmãos, filhosdo Pai que está nos céus. Rogério Gomes PASCOM SJO
  2. 2. I - O QUE É MINISTÉRIO DA ACOLHIDA?O Ministério da Acolhida é um serviço da Igreja que se destina a “receber bem” e “ir ao encontro”das pessoas, com o objetivo de integrá-las na celebração, na comunidade, na paróquia ou nadiocese, para que sejam membros vivos e atuantes do povo de Deus, através de uma vivência decomunhão e participação, em vista da missão.Ao falarmos de “Ministério da Acolhida” queremos dizer que, quando se assume o serviço deacolher as pessoas, isso deve ser feito de forma constante e partilhada e a sua realização ficaconfiada a um grupo que tem a incumbência de gerenciar esse atendimento comunitário. Nacomunidade cristã todos são acolhedores, mas a algumas pessoas cabe coordenar e exercer esseministério de modo exemplar e significativo.O Ministério da Acolhida não se resume a um grupo de pessoas que fica à porta da Igrejaentregando folhetos e/ou dizendo “Bom dia”. Talvez se possa começar com esses pequenos gestos.Mas depois a acolhida deve deitar suas raízes em todas as pastorais e setores da comunidade onde érequerida a sua presença.O Ministério da Acolhida é um verdadeiro “Ide”, para marcar presença ali onde a vida merececuidados especiais. O Ministério da Acolhida deve contar com um grupo de pessoas que comecem arepensar a sua vida cristã e a vida de toda a comunidade, no sentido de fazer a hospitalidade e oacolhimento acontecerem em suas vidas.II – FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICAAprender com Jesus é o método melhor e mais eficaz para a ação pastoral e para um acolhimentomais amadurecido e sem falsas ilusões.Um primeiro dado desse gesto encontramos no acolhimento de Jesus ao centurião de Cafarnaum(Mt 8,5-13). Foi um fato inusitado que impressionou Jesus. O centurião suplica por um dos seusservos, e ao perceber a atenção de Jesus e sua decisão em ir a sua casa, ele faz aquela confissão quetodos conhecemos: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; dize uma só palavra emeu servo será curado” (v.8). Foi uma troca de acolhida, uma reciprocidade de impressionantebeleza. Gestos alternados: de quem acolhe e de quem foi acolhido e se sente infinitamente satisfeito.Duas atitudes que se completaram.Mas vamos recorrer a Escritura Sagrada buscando o sentido mais amplo e profundo da acolhida,especialmente nos gestos bíblicos de: “visita”, “hospitalidade” e “acolhida”.1. Visita: Na Palavra de Deus, encontramos muitas vezes a prática e o sentido de visita.
  3. 3. Deus visita seu povo: “Quando vejo teus céus, obra de teus dedos, a lua e as estrelas que fixaste,quem é o homem, para que nele penses (para que o visites) e o ser humano, para que dele teocupes?” (Sl 8, 4-5). “Visitaste a terra e a regaste; tu a cumulas de riquezas” (Sl 65, 10 s). O cânticosálmico e profético de Zacarias lembra a visita de Deus: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel,porque visitou o seu povo e realizou a libertação” (Lc l, 68s).Quando Jesus se refere à visita aos enfermos, nos diz que os mesmos devem ser acolhidos como aele (Mt, 25, 36s).2. Hospitalidade: A hospitalidade é uma virtude importante no mundo nômade (Gn 18, 1-8; 19, 1-8; Jz 19, 9-34), um verdadeiro mandamento (Dt 10, 18s; Is 58, 7; Mt 10, 40-42).Um dos mais belos textos encontramos na acolhida de Abraão, com sua solicitude em atender oshóspedes (Gn 18, 3-8). Aí põe-se em realce o valor da hospitalidade, tão apreciada no oriente erecomendada por Cristo.Jesus também foi acolhido e rejeitado. Cristo experimentou a hospitalidade humana na casa deSimão (Lc 4, 38), em Caná (Jo 2, 2), na casa de Zaqueu (Lc19, 1-10), na casa de Lázaro, Marta eMaria (Jo12, 2-3), na casa de Simão (Mt 26, 6-7), na casa dos discípulos de Emaús (Lc 24, 29-30).Foi também rejeitado pelo seu povo (Jo1, 11), pelos habitantes de Belém (Lc 2, 7), pelos seusconterrâneos (Lc 4, 16-29; Mt. 13, 57s) e pelos samaritanos (Lc.9, 53-56).A hospitalidade é um gesto de caridade cristã (Rm 12, 13; 1 Tm 3, 2; Tt 1, 8; 1 Pd 4, 9; 3 Jo 5-8). OMinistério da Acolhida encontra seu fundamento em Mt 25, 35ss e Rm 12, 13, onde se convida ahospedar nossos irmãos e irmãs em nossas próprias vidas.A hospitalidade não tem cor nem religião. “Não vos esqueçais da hospitalidade pela qual alguns,sem saber, hospedaram os anjos” (Hb 13, 2). E São Pedro nos aconselha a “exercer a hospitalidadeuns com os outros sem murmuração” (1Pd 4, 9).O gesto hospitaleiro ainda se faz ver na comunidade dos pobres. São muito ilustrativos certosencontros de comunidades, onde os pobres hospedam os participantes vindos de lugares distantes.As pessoas são hospedadas em casas de famílias das comunidades.Francisco de Assis recomenda com muita insistência a hospitalidade, afirmando que ela é uma“graça do Senhor”.3. Acolhida: A Bíblia traz dezenas de informações sobre essa atitude, tão cheia de sentido teológicoe pastoral.
  4. 4. Uma primeira passagem poderá ser a de Isaías 58, 1-12. O que conta para Deus não são os ritos ouatitudes externas, mas a atitude interna e especialmente o espírito-social comunitário: soltar ospresos inocentes, dar de comer aos famintos, acolher os desabrigados e migrantes, vestir os nus.Quem procede assim, pode contar com o auxílio de Deus, e suas desventuras se converterão emfelicidade. “O temor do Senhor é o princípio do bom acolhimento e a sabedoria consegue o seuamor” (Eclo 1918).O salmo 23 (22) tem essa característica e exprime a experiência pessoal de segurança e acolhimentona relação com Deus. A imagem do Pastor solícito pelo sustento e pela proteção do rebanho, e a doanfitrião generoso no acolhimento do hóspede, encontram sua explicação no relacionamento deDeus com os seres humanos e tem sua realização na liturgia, que celebra a solicitude do Bom Pastorpara com os fiéis e a participação do Banquete Sagrado.Na vida de Jesus encontramos a má acolhida em Samaria (Lc 9, 51-53). Esse texto nos orienta paraentendermos que muitas vezes também não seremos bem recebidos.Na Parábola do Semeador (Mt 13, 1-9) vemos as várias sementes que foram lançadas e os terrenosincapazes de acolhê-las e de produzirem frutos à altura da qualidade dos dons (sementes) recebidos.Uma pessoa que soube acolher com muita expressão, vida e opção essa Palavra foi Maria deNazaré. Lucas 1, 26-38 narra o anúncio do nascimento de Jesus. Por causa de sua acolhida à Palavrade Deus, Maria se tornou a Mãe do Salvador. Tornou-se mãe porque acolheu a Palavra. A Palavrasempre está aberta a todos e é um caminho plural oferecido a todos.Não há como querer ser cristão de braços cruzados e inativos. Há necessidade de se agir de forma anão desprezar ninguém. Exemplo dessa atitude é o encontro de Jesus com Zaqueu (Lc 19, 1-10). Aacolhida que Zaqueu proporciona a Jesus não é apenas formal: envolve toda a sua pessoa.Converter-se não significa só chegar a uma confissão oral dos primeiros erros, mas requer umaretratação efetiva dos mesmos. Zaqueu faz a sua confissão a Jesus, que agora se torna o seu“Senhor” no lugar de todos os “senhores” aos quais tinha servido.III – FUNDAMENTAÇÃO PASTORALPrecisamos rever nossas atitudes em relação à acolhida das pessoas nas celebrações e na secretariaparoquial, bem como na acolhida de novos moradores da comunidade. Trata-se de rever a pastoralcomo um todo. Para ter qualidade no atendimento, um Ministério não deve dispensar umaexcelente acolhida aos fiéis.
  5. 5. 1. Motivações: O Projeto Rumo ao Novo Milênio insistia sobre a necessidade e o sentido de “revernossas atitudes” (CNBB, Doc. 56, 20s). O questionamento que o Papa fez a respeito da consciênciacristã na passagem de milênio, vai no sentido de questionarmos nossas atitudes e nos perguntar: Porque uma parte tão grande da humanidade está longe de Cristo e, mais ainda, das comunidadescristãs?Também somos questionados quando olhamos nossas comunidades e vemos a quantidade depessoas que freqüentam nossas celebrações. É muito provável que nem dez por cento dos católicosestão indo à missa nos finais de semana. Esse fato deve fazer-nos refletir.O Papa não hesita em admitir, olhando especialmente para o segundo milênio cristão, que erros epecados dos cristãos têm dificultado o anúncio do Evangelho e sua difusão. Ele confessa que osfilhos da Igreja “se afastaram do espírito de Cristo (...) oferecendo ao mundo (...) o espetáculo demodos de pensar e agir que eram verdadeiras formas de antitestemunho e de escândalo” (Adventodo Terceiro Milênio, 33).2. Atualidade do Ministério da Acolhida: Alguns elementos próprios da fé cristã e/ou presentesna cultura moderna nos levam a perceber a atualidade desse ministério: a) o valor de cada pessoaem sua subjetividade e individualidade; b) o respeito cristão à dignidade da pessoa humana; c) apresença de Jesus Cristo e do Espírito Santo em cada irmão/ã (Mt 25, 40 e 1Cor 6, 19); d) o respeitoà liberdade e à consciência individual; e) o sentido da Igreja não mais como instituição, muitomenos como empresa, mas como grande família de Deus, Povo santo de Deus, comunhão eparticipação; f) a visão da paróquia não mais como divisão territorial ou estrutura, mas comopequena família de Deus, comunidade de fiéis, comunidade eucarística, com identidade teológicaprópria (DBAEIB 279); g) o entendimento do batismo como sacramento da cidadania cristã, peloqual todos são iguais diante de Deus, com direitos e deveres.3. Algumas constatações: Há muitos males na vida da Igreja e das pessoas, que são exemplo decomo a ausência de acolhida é perigosa para todos: a) divisões entre os cristãos; b) divisão entre osagentes de pastoral; c) escândalos nas formas de fazer a pastoral acontecer na base; d) dificuldadeem manter os fiéis na Igreja; d) missas mal preparadas, com precária participação dos fiéis e liturgiadistante do povo; e) celebrações sem acolhida; f) Igreja fria, onde cada um “fica na sua”.O Papa, por sua vez, na carta de preparação para o terceiro milênio, elenca algumas dificuldadesque são universais, a saber: a) indiferença religiosa; b) perda do sentido de transcendência; c)extravios no campo ético; d) graves injustiças e formas de marginalização social (Advento doTerceiro Milênio, 36). O Papa, então, citando o Concílio Vaticano II, pergunta se os cristãos não
  6. 6. teriam contribuído para o alastramento desses fenômenos, pelas deficiências de sua vida religiosa,moral e social (cf. GS 19).Nesse caminhar, o Ministério da Acolhida quer fazer-nos refletir e buscar novas alternativas, nosentido de congregar em Cristo o povo de Deus, evitando que ele se disperse.Ademais, vivemos num mundo que propõe a necessidade do “serviço personalizado” e que se afanana busca da “qualidade total”. Com certeza, uma pastoral de acolhida bem articulada será elementofundamental para uma ação evangelizadora com “qualidade total”.Muito bem nos recorda a CNBB: “Hoje a religião é mais acolhida do que herdada. O espaço que aIgreja pode ocupar na vida das pessoas depende da qualidade do acolhimento e do testemunho, enão mais do prestígio da instituição” (CNBB, Estudos 73, nn. 25 e 28). “A pessoa precisa seracolhida na Comunidade com abertura e sensibilidade para os diversos aspectos e dimensões de suaidentidade e existência”. (CNBB, Documento 45, n. 80).4. A Pastoral Urbana: Com relação à Pastoral Urbana: “A cidade pode ser uma fábrica defrustrações e de sofrimentos para aqueles que ficam à margem do que ela tem para oferecer. Hámuita gente perdida, sem espaço, exposta ao anonimato solitário de um ambiente onde cada umcuida de si. Catadores de lixo, mendigos, desempregados, prostitutas, meninos e meninas de rua,migrantes sem teto são alguns dos “sobrantes” que a cidade exibe sem conseguir integrar” (CNBB,Estudos 75, n. 38).Há campo de sobra para o Ministro da Acolhida e para os demais ministérios e pastorais, paraconstruir o Reino de Deus.No mundo urbano em que vivemos, parece que todas as relações humanas são muito “desumanas”,estão “contaminadas”, pois estão fortemente marcadas por um sentido “comercial” fundamentadono “interesse”: te dou isto e tu me dás aquilo.As empresas gastam fortunas para capacitar seus funcionários a fim de que sejam o máximoeficientes em tratar bem seus clientes de modo a “vender mais” e “ganhar mais”5. A resposta da Igreja: Diante dessa realidade, é de suma importância o modo como fazemospastoral. Faz-se necessário um objetivo “diferente” no relacionamento humano. Este objetivo deveser baseado na “gratuidade” que nasce do exemplo e do mandamento do Senhor.
  7. 7. Uma forma gratuita e fraterna de acolher as pessoas é, sem dúvida, um forte testemunhoevangélico. Se é importante o conteúdo da evangelização, não menos importante será o “modo”como evangelizamos. Aliás, o conteúdo pode ser aceito ou não, dependendo da forma como oapresentamos. “Mais que palavras, o homem de hoje quer testemunhos” dizia Paulo VI.É neste marco que se enquadra a Pastoral da Acolhida na Igreja, e que justifica o Ministério daAcolhida em nossas comunidades. Além do mais, sabemos quanto o povo brasileiro é sensível àsatitudes de acolhimento ou de rejeição!6. Diretrizes da Igreja: Os documentos da Igreja mencionam a Pastoral da Acolhida como: a)“genérica” – para que a Paróquia possa “renovar sua capacidade de acolhida e seu dinamismomissionário com os fiéis marginalizados” (Documento de Santo Domingo, 60); b) “específica” –indicando que a Igreja precisa “programar uma pastoral ambiental e funcional, diferenciadasegundo os espaços da cidade. Uma pastoral de acolhida dado o fenômeno das migrações”(Documento de Santo Domingo, 260).As Diretrizes da Igreja no Brasil (1995-1998) recordam: “Importância especial seja dada aoacolhimento às pessoas. Para isso algumas medidas podem ser postas em prática: „ministério daacolhida‟, visitas às famílias que chegam; visitas domiciliares nos momentos marcantes pela alegriaou pela tristeza; postura acolhedora, alegre e disponível, por parte do presbítero e demais agentes depastoral” (n. 266).Na mesma direção a CNBB, no documento sobre a “Missão e ministérios dos cristãos leigos eleigas”, nos fala: “A grande mobilidade de pessoas e famílias e, por outro lado, a solidão e oisolamento de que sofrem muitas pessoas no meio urbano tem incentivado recentemente ascomunidades a criar e valorizar o Ministério da acolhida, que visa a receber pessoas novas nacomunidade ou a oferecer oportunidades de escuta e de aconselhamento para as pessoas que sesentem sozinhas ou desorientadas”.O Documento de Santo Domingo nos recorda também a necessidade de acolhida às pessoas queestão de férias (n. 260).Além do mais, sabemos que acolher é também estar ao lado daqueles que irão partir em busca demelhores condições de vida: “Este é um momento de envio à missão. Deixar sua terra é sempre umadecisão difícil e incerta e deve envolver o carinho e o compromisso da comunidade para os quepartem.” (SPM-Pastoral dos Migrantes, p. 25).
  8. 8. IV – ESPIRITUALIDADE DOS MINISTROS DA ACOLHIDA1. Uma Espiritualidade da Comunhão: Para o Ministro da Acolhida, vale de modo especial o queo Papa diz sobre a necessidade de uma espiritualidade de comunhão, a fim de que a Igreja sejaverdadeiramente evangelizadora no novo milênio. Em sua Carta Apostólica sobre o início do novomilênio, diz o Papa:“Fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milênio quecomeça, se quisermos ser fiéis aos desígnios de Deus e corresponder às expectativas mais profundasdo mundo. Que isso significa em concreto? Também aqui nosso pensamento poderia fixar-seimediatamente na ação, mas seria errado deixar-se levar por tal impulso. Antes de programariniciativas concretas, é preciso promover uma espiritualidade de comunhão, elevando ao nível deprincípio educativo em todos os lugares onde se plasma o homem e o cristão, onde se educam osministros do altar, os consagrados, os agentes pastorais, onde se constroem as famílias e ascomunidades. Espiritualidade de comunhão significa, em primeiro lugar, ter o olhar do coraçãovoltado para o ministério da Trindade, que habita em nós e cuja luz deve ser percebida também norosto dos irmãos que estão em nosso redor. Espiritualidade de comunhão significa também acapacidade de sentir o irmão de fé na unidade profunda do Corpo místico, isto é, como “um que fazparte de mim”, para saber partilhar suas alegrias e seus sofrimentos, para intuir seus anseios, e darremédios às suas necessidades, para oferecer-lhe uma verdadeira e profunda amizade.Espiritualidade da comunhão e ainda a capacidade de ver, acima de tudo, o que há de positivo nooutro, para acolhê-lo e valorizá-lo como dom de Deus: “um dom para mim”, como o é para o irmãoque diretamente o recebeu. Por fim, espiritualidade da comunhão é saber “criar espaço” para oirmão, carregando “os fardos uns dos outros” (Gl 6,2) e rejeitando as tentações egoístas que semprenos insidiam e geram competição, arrivismo, suspeitas, ciúme. Sem ilusões! Sem essa caminhadaespiritual, de pouco servirão os instrumentos exteriores de comunhão. Revelar-se-iam mais comoestruturas sem alma, máscaras de comunhão, que como vias para sua expressão e crescimento” (Oinício do novo milênio, n. 43).2. Gestos evangélicos de acolhida: A espiritualidade do Ministro da Acolhida tem sua marca naprática concreta da acolhida, a exemplo de Jesus e dos demais personagens bíblicos. Suaespiritualidade nasce da ação e fortalece a própria ação.Por isso, o Ministro da Acolhida deve: amar como Deus nos ama; ser e agir como se fosse hoje opróprio Jesus; alimentar-se do Pão da Palavra e da Eucaristia; reconhecer-se como servidor do Povode Deus e, portanto, como construtor do Reino de Deus; dar razões e testemunho da própria
  9. 9. esperança e da própria fé; manifestar vibração pela pessoa de Jesus, pela causa do Reino e pela vidada Igreja; ter profunda caridade apostólica, feita de atenção, ternura, compaixão e disponibilidadepara com os irmãos e irmãs; ter tolerância e respeito pelas idéias diferentes das outras pessoas;alegrar-se com quem se alegra, sofrer com quem sofre; amar os pobres como os preferidos de Deus;valorizar as pessoas em sua individualidade (nome, necessidades, situação...); ser cordial ehospitaleiro; não fazer distinção de pessoas (Tg 2, 1-4), pois todos somos iguais e irmãos em Cristo(Gal 3, 28); receber cada irmão e irmã como se recebesse o próprio Jesus (Mt 25, 35); acolher aspessoas como se fosse o próprio Jesus que estivesse acolhendo alguém (Mc 1, 29-34; Lc 19; 1-10;18, 15-17; 24, 13-35; Jo 4; Rm 15, 7); seguir o exemplo da Virgem Maria, que acolheu em si apalavra do próprio Deus (Lc 1, 38); imitar as irmãs Marta e Maria, que receberam Jesus em sua casa(Lc 10, 38-39); ir em busca da ovelha desgarrada, da moeda perdida e do filho pródigo (Lc 15, 1-32).3. Testemunhos de Ministros da Acolhida: Os próprios Ministros da Acolhida sentemnecessidade de espiritualidade e assim se manifestam:“Nós, os Ministros da Acolhida, precisamos cultivar uma espiritualidade muito forte para exercerbem o nosso ministério. Por isso precisamos iluminar a nossa vida com a Palavra de Deus, buscarem Jesus o exemplo inspirador e deixar-nos guiar pelo Espírito Santo, sempre em comunhão com aIgreja”.“Quando acolhemos alguém, estamos vivendo nossa fé que nos leva a ver um irmão naquele queacolhemos e a ver Jesus que vem nele”.“Além disso, sabemos que o nosso coração tem muita força nesse assunto de acolhida pois acolher- é receber as pessoas com um movimento afetivo para com elas – a fim de fazer que possamsentir-se bem na comunidade”.“Para nós é importante saber também que, como Ministros da Acolhida, temos a missão deperpetuar o Pentecostes nos tempos de hoje pois, agindo sob o impulso do Espírito Santo, nosdedicamos a formar de todos os povos, raças e culturas a grande comunhão em Cristo”.“Somos bem conscientes que Deus renova as nossas comunidades através das pessoas queacolhemos e integramos num clima de comunhão e participação. Cada nova pessoa ou família bemacolhida torna-se uma nova “pedra viva” para a construção do Reino de Deus conforme nos fala oApóstolo Pedro em (1Pd.2, 4-10): “Vós sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma naçãosanta, um povo adquirido por Deus”.
  10. 10. V- ORIENTAÇÕES GERAIS PARA A PRÁTICA DESTE MINISTÉRIO1. Atribuições e requisitos: As atribuições e requisitos propostos pela Escola de Ministérios EMAR,para os Ministros da Acolhida, nos levam para a prática do Ministério:1 - “Integrar a Equipe de Liturgia da comunidade, preparando em conjunto as celebrações, com aresponsabilidade específica de acolher as pessoas e favorecer um clima de bem-estar nascelebrações”.2 – Estar atento para descobrir, acolher e integrar na comunidade os novos moradores e osvisitantes.3 – Estar atento às despedidas de paroquianos que forem morar em outra paróquia/cidade.4 – Promover na comunidade um clima familiar de acolhida.5 – Formar na comunidade a Equipe de Pastoral da Acolhida.6 – Ter espírito ecumênico e de “diálogo religioso”.2. Características do Ministro da Acolhida: A esta altura, já se deve ter percebido a diferençaentre o “recepcionista” e o Ministro da Acolhida. O primeiro pode até cumprir uma função, osegundo deve exercer uma missão, uma vocação de caráter permanente e necessário para acomunidade.Nesse sentido, são importantes algumas características do Ministro da Acolhida: O Ministro da Acolhida cultiva uma maneira criativa de acolher. O Ministro da Acolhida é uma presença atenciosa e disponível, seja numa reunião ou celebração, seja no dia-a-dia da vida da comunidade. O Ministro da Acolhida não espera, mas vai ao encontro das pessoas. O Ministro da Acolhida exerce uma tarefa de caráter profético: seja para evitar e/ou contornar situações incômodas, seja para favorecer às pessoas um “clima familiar de acolhida” agradável de se viver. O Ministro da Acolhida não pode atuar sozinho e isolado. Ele precisa organizar a Equipe de Pastoral de Acolhida, em sua comunidade.
  11. 11. 3. A necessidade de uma Equipe de Acolhida: A Equipe necessita ter qualidade no atendimentoàs pessoas. Todo esse trabalho requer sensibilidade no trato com o ser-Igreja. Podemos destacarquatro aspectos nessa organização da Equipe de acolhedores, como: Elaborar um Plano de Ação para a comunidade paroquial. Promover a formação de agentes (equipes). Preparar e adquirir subsídios para a formação do grupo. Formar equipes, aproveitando aquelas pessoas que tem vocação para este trabalho específico.4. Sintonia pastoral: Uma vez que a boa acolhida é requisito essencial de qualquer pastoraleficiente, o Ministro da Acolhida precisa atuar junto a todas as pastorais e em sintonia com osdemais ministérios para impregnar todas as lideranças da comunidade do espírito de acolhida.Acolher é uma questão de espiritualidade cristã. Somos todos peregrinos nesta terra (cf. Hb 11,13;13,14). É a partir disso que nos colocamos a serviço. O acolhimento é um trabalho interminável.Aqui aparecem os grande desafios para a Pastoral da Acolhida. É preciso começar sempre. Aspessoas que participam dessa modalidade de atendimento devem ter sensibilidade e persistência.Cada caso é sempre um caso diferente.A Pastoral da Acolhida é o primeiro passo da evangelização. Diz o Catecismo da Igreja Católica:“A preparação do homem para acolher a graça já é obra da graça” (n. 2001). Entendemos que a boaacolhida das pessoas lhes facilita o encontro com Deus e com as demais pessoas.VI – PRÁTICAS CONCRETAS DO MINISTÉRIO DA ACOLHIDA1. Nas celebrações, encontros e reuniões: Lugar por excelência para o exercício do Ministério daAcolhida são os momentos em que o povo de Deus se reúne, para celebrar, estudar, programar eavaliar a caminhada pastoral, etc. Ao Ministro da Acolhida cabe:A) Convite: Ir ao encontro dos irmãos e irmãs com um convite verbal ou por escrito; se possíveltelefonar.B) Acolhida fraterna na entrada: na porta da casa, da igreja, do templo, da sala de reunião...C) Lugares adequados: Pôr as crianças, idosos, pessoas com crianças ao colo, de preferência nabeirada do banco. Estar atento para a entrada de pedintes, dar-lhes atenção especial, mas com calmae firmeza, dizendo-lhes que todos são bem vindos, mas que a celebração ou reunião não pode ser
  12. 12. tumultuada. Prover meios adequados para atender a alguém que tenha um ataque epilético ou quedesmaie.D) Instalações sanitárias: Devem estar limpas e bem indicadas.E) Água e copos: Provê-los, para o caso de alguém precisar.F) Local próprio para crianças: Onde for possível, prever lugar apropriado, onde possam receberatenção especial, durante as celebrações e encontros (assim os pais poderão vir com mais freqüênciae participar ativamente).G) Atenção ao local da celebração e encontro: Cuidar que as janelas sejam ventiladasadequadamente: nem frio, nem calor; de acordo com a época. Preparar bem o ambiente, de formaadequada, se possível com cartazes próprios. Prever decoração sóbria, com flores.H) Na saída após os encontros ou celebrações: Estar na porta; despedir-se, desejando boa semanae agradecer pela presença.I) Na própria celebração: Os comentaristas ou motivadores das celebrações devem ser bempreparados e ter em mente o sentido fraterno da celebração ou do encontro, e acolher bem a todos,no início. Fazer referência a pessoas ou grupos que vêm de outras cidades, estados ou países.2. Na Comunidade: O Ministro da Acolhida é também responsável pela acolhida de novosmoradores e pela despedida de pessoas e famílias que se mudam para outro lugar. Para isso, deve:A) Estar atento aos novos moradores: Acolhê-las, visitando-as em sua casa. Convidá-las para ascelebrações e encontros da comunidade. Informar-lhes sobre os serviços pastorais, tais como:catequese, horários de missas, grupos de reflexão, capelinhas de Nossa Senhora, pastoraisexistentes, ação social, etc. Oferecer-lhes informações sobre os serviços que existem no bairro:escolas, mercado, farmácia, centro social, associação de moradores, coleta de lixo, etc.B) Estar atento aos que se mudam: Despedir-se deles; oferecer-lhes uma carta de apresentação,assinada pelo Pároco, a fim de que a apresentem na comunidade para onde estão indo.3. Na Secretaria Paroquial: Lugar por excelência para o exercício da acolhida é a secretariaparoquial. Seria importante que todo/a secretário/a paroquial fosse também Ministro da Acolhida.Se isso não acontecer, que pelo menos pertença à Equipe de Acolhida da paróquia ou comunidade.Cabe, contudo, ao Ministro da Acolhida preparar o/a secretário/a paroquial, para as seguintesatitudes:
  13. 13. A) Tipos de Acolhida: É preciso oferecer acolhida diferenciada, conforme a situação das pessoasque vêm à secretaria paroquial:• a todos que chegam; aos que estão de luto ou tristes (morte, exéquias, sétimo dia...); aos que estãoem festa ou alegres (batizados, casamentos...); aos membros da comunidade (dizimistas, agentes depastoral...); aos afastados (ocasionais, desconhecidos...);B) Gestos e virtudes a exercer: São imprescindíveis algumas atitudes, a fim de que se ofereceráuma boa acolhida aos fiéis que vêm à secretaria paroquial:• dar boas vindas; atender com naturalidade; sar uma tonalidade afetuosa; mostrar interesse pelaspessoas e suas situações (família, trabalho, saúde...); ser amável ao dar informações; ouvirprimeiro para falar depois; atender aos que chegaram primeiro; não fazer distinção de pessoas,com exceção de idosos e doentes; ter calma e educação, paciência e ponderação; ter posturaacolhedora, alegre e disponível; ser pontual; atender de pé.C) Comportamentos a evitar: A pessoa que atua na secretaria paroquial deve evitar, a todo custo,no exercício de sua atividade:• gargalhadas; falar alto; gírias; chicletes; cigarro; óculos escuros; roupas sumárias; conversasinconvenientes sobre agenda ou a vida particular do/s padre/s e de agentes de pastoral; fofocas;conversas sobre dinheiro; intimidades falsas (uso do “tu” ou do “você”) com pessoas estranhas.D) Atendimento geral:• ser um/a evangelizador/a, não apenas um/a profissional; reconhecer que para muitas pessoas, o/asecretário/a é a primeira e às vezes a única pessoa com quem um fiel entra em contato na Igreja; nãodizer só o extremamente necessário, mas explicar e motivar; para isso, é preciso conhecer asOrientações Pastorais da Arquidiocese; dar as fundamentações bíblicas, teológicas e pastorais dasorientações; atender uma pessoa por vez, até o fim; entregar as informações por escrito; ouvir compaciência as críticas à Igreja e responder com equilíbrio e ponderação.E) No pedido de Batismo:• manifestar alegria pelo Batismo da criança; se a criança estiver presente, fazer-lhe uma carícia;pedir os documentos com jeito e calma; explicar o porquê dos documentos; evitar conflitosquando falta algum documento; procurar algum modo de solucionar o problema; instruir sobre olocal, data e horário do batizado, de preferência entregando esses dados por escrito.
  14. 14. F) No pedido de Casamento:• parabenizar os noivos pela decisão do casamento; instruir-lhes sobre o andamento do processo;explicar-lhes o porquê da certidão nova de batismo, dos proclamas, da entrevista com o Pároco;incentivá-los à preparação espiritual para o casamento; oferecer-lhes uma lista de telefones dePadres e Diáconos que tenham possibilidades de oficiar o casamento; entregar-lhes uma listacom as orientações da Igreja sobre decoração, canto, fotografias e filmagens.G) No pedido de Missa de Sétimo Dia ou de Exéquias:• manifestar pesar pelo falecimento do ente querido, com algumas palavras de esperança cristã.H) No pedido de Bênção, Confissão, Aconselhamento ou Orientação com o Padre:• encaminhar imediatamente ao Padre ou pedir que aguarde, informando sobre o tempo razoável deespera; se o Padre não estiver em casa ou não puder atender no memento, informar o dia e a horapossível de atendimento, ou, pedir o número de telefone, para dar um retorno posterior; explicar asmotivações da ausência do Padre; se for segunda-feira, explicar as razões de seu dia semanal dedescanso.I) Diante de um membro da Comunidade:• gravar o nome dos agentes de pastoral; reconhecer o importante serviço que prestam àcomunidade; ter sempre à mão uma lista dos telefones dos agentes de pastoral; não definir aquantia da contribuição de um dizimista, deixando à cargo de sua consciência; procurar entendero sentido bíblico, teológico e pastoral do dízimo.J) Ao telefone:• atender ao primeiro toque; evitar o “alô”, usar “Paróquia..., bom dia”; anotar recados por escrito;oferecer ajuda e assistência a quem liga; evitar conversas demoradas, falando só o necessário; usartermos fáceis de serem entendidos, evitando termos técnicos; evitar demonstrações demasiadas desimpatia; não cortar bruscamente a conversa; não deixar esperando; encerrar cordialmente aconversa.K) No ambiente:• placa de indicação do local e horário de atendimento; bancos ou cadeiras para quem tiver queesperar; decoração discreta: flores, cartaz de boas vindas; crachá de identificação.
  15. 15. BIBLIOGRAFIABÍBLIA SAGRADA.DOCUMENTOS DO CONCÍLIO VATICANO II.CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA.JOÃO PAULO II: Tertio Millennio Adveniente.JOÃO PAULO II: Novo Millennio Ineunte.DOCUMENTO DE SANTO DOMINGO.CNBB: Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil 1991-1994, Documentos 45 –Paulinas.CNBB: Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil 1995-1998, Documentos 54 –Paulinas.CNBB: Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil 1999-2002, Documentos 61 –Paulinas.CNBB: Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas, Documentos 62 – Paulinas.CNBB: Estudos 73 – Paulinas.SERVIÇO PASTORAL DOS MIGRANTES: Pastoral dos Migrantes – Paulinas.SERVIÇO PASTORAL DOS MIGRANTES: Migrantes Latino-americanos no Brasil – Loyola.CADERNOS DE LITURGIA: Ministérios litúrgicos leigos nas comunidades, nº 5 – Paulus.GASQUES, Jerônimo: Pastoral da Acolhida – Vozes.GASQUES, Jerônimo: Diaconia do Acolhimento – Paulus.ALVES, Vicente Paulo: Acolher é Evangelizar – Editora Santuário.

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