TÍTULOAUTOREDITORSUPERVISOR EDITORIALREVISÃOCAPAMIOLOIMPRESSÃO E PRÉ-IMPRESSÃOFORMATONÚMERO DE PÁGINASISBNParábolas Terapê...
APRESENTAÇÃO
As parábolas de Jesus são ensinamentos cujovalor a Humanidade começa a compreender commaior eficiência. As lições exaradas...
O objetivo principal desta obra é possibilitar aosestudantes do Evangelho uma visão psicológicatranspessoal, com finalidad...
1PARÁBOLA DOS DOISFILHOS (FILHO PRÓDIGO)7PARÁBOLA DOS TALENTOS1738PARÁBOLA DO FARISEU E DO PUBLICANO2099PARÁBOLA DO FESTIM...
TEMAS ESTUDADOSABUNDÂNCIAAMORARREPENDIMENTOAUTOAMORAUTOCONHECIMENTOAUTOCONSCIÊNCIAAUTOENCONTROAUTOPERDÃOAUTOTRANSFORMAÇÃOA...
Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas1716PECADO/ERROPOSSIBILIDADEPOTENCIALIDADEPRAZERES EGOICOSPREVIDÊNCIA HUMA...
Parábolas Terapêuticas19A Parábola dos dois Filhos, mais conhecida comoParábola do Filho Pródigo, é narrada por Lucas noCa...
Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas2120çaram a alegrar-se. E o seu filho mais velho estavano campo; e, quando...
Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas2322tar ao pai abrigo, como um de seus empregados. OPai o recebe com todo ...
Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas2524primeira fase do seu desenvolvimento? Numa sériede existências que pre...
Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas2726tido de não se ter conhecimento de nada, do quepode ou não pode, do qu...
Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas2928pois diferentemente do prazer essencial portador deenergias sutis refa...
Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas3130Portanto, trazemos como doação divina todos osrecursos necessários à n...
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  1. 1. TÍTULOAUTOREDITORSUPERVISOR EDITORIALREVISÃOCAPAMIOLOIMPRESSÃO E PRÉ-IMPRESSÃOFORMATONÚMERO DE PÁGINASISBNParábolas Terapêuticas- Uma AbordagemPsicológica Transpessoaldas Parábolas e OutrosEnsinamentos de JesusAlírio de Cerqueira FilhoMiguel de Jesus SardanoTiago Minoru KameiRosemarie Giudilli CordioliThamara Fragae aqora? desiqnwww.eagoradesign.com.brJorge GodoyAssahi Gráfica e Editora Ltda14 x 21 cm320978-85-87011-25-1COMPRE AO INVÉS DE FOTOCOPIAR. Cada real que você dá por um livropossibilita mais qualidade na publicação de outras obras sobre o assunto e pagaaos livreiros por estocar e levar até você livros para seu crescimento culturale espiritual. Além disso, contribui para a geração de empregos, impostos e,consequentemente, bem-estar social. Por outro lado, cada real que você dá pelafotocópia não autorizada de um livro financia um crime e ajuda a matar a produçãointelectual.ParábolasTerapêuticasUma Abordagem PsicológicaTranspessoal das Parábolas eOutros Ensinamentos de JesusAlírio de Cerqueira Filho
  2. 2. APRESENTAÇÃO
  3. 3. As parábolas de Jesus são ensinamentos cujovalor a Humanidade começa a compreender commaior eficiência. As lições exaradas nelas são tãoessenciais para a nossa vida, que se constituem umconjunto com valor terapêutico para todos aquelesque se aprofundem nessa fonte de água viva como,certo dia fez a samaritana junto ao poço de Jacó.Toda parábola, na verdade, é um conjunto simbó-lico. As palavras ocultam o significado real do que sequer dizer. Das parábolas que se conhecem, as de Je-sus são as mais ricas em simbologia.Podemos interpretar uma parábola de váriasmaneiras, superficial ou profundamente. Neste livroutilizamos, como referencial teórico para interpretaras parábolas, a moderna ciência da psicologia trans-pessoal, cuja visão de homem integral, corpo, men-te e espírito nos auxilia amplamente a interpretar osconceitos exarados no Evangelho de Jesus.Por isso, a interpretação que fazemos a respeitodas parábolas cristãs neste livro em muitos aspectosé diferente daquelas exaradas em outras obras decunho interpretativo.
  4. 4. O objetivo principal desta obra é possibilitar aosestudantes do Evangelho uma visão psicológicatranspessoal, com finalidade autoterapêutica das pa-rábolas e outros ensinamentos de Jesus.Um outro propósito que temos é o de forneceraos expositores dos Centros Espíritas um substratode pesquisa, pois antes de cada parábola disponibi-lizamos uma lista com as respectivas temáticas decada uma e as referências em outro manancial deágua viva que temos à disposição, o Pentateuco Kar-dequiano.Várias parábolas aqui compiladas estão presen-tes em outras obras por nós publicadas, em diferen-tes capítulos, dos quais fizemos uma síntese, am-pliando alguns conceitos. Outras estão sendo publi-cadas pela primeira vez.Em razão de sua riqueza, não colocamos todas asparábolas de Jesus nesta primeira obra, o que a tor-naria por demais volumosa. Oportunamente, publica-remos um 2º volume de Parábolas Terapêuticas comas parábolas que não foram contempladas nesta obra.Desejamos a todos um excelente estudo.Muita paz!O autor.Cuiabá, junho de 2008.SUMÁRIO1PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS (FILHO PRÓDIGO)132PARÁBOLA DO JOIO E DO TRIGO953PARÁBOLA DA CASA1154PARÁBOLA DA CONCILIAÇÃO COM OS ADVERSÁRIOS1315PARÁBOLA DO SERVO MALVADO1436PARÁBOLA DA PORTA ESTREITA161
  5. 5. 1PARÁBOLA DOS DOISFILHOS (FILHO PRÓDIGO)7PARÁBOLA DOS TALENTOS1738PARÁBOLA DO FARISEU E DO PUBLICANO2099PARÁBOLA DO FESTIM DE NÚPCIAS23510PARÁBOLA DO SEMEADOR25311BEM-AVENTURANÇAS27112ÍNDICE REMISSIVO DE TEMAS ESTUDADOS295
  6. 6. TEMAS ESTUDADOSABUNDÂNCIAAMORARREPENDIMENTOAUTOAMORAUTOCONHECIMENTOAUTOCONSCIÊNCIAAUTOENCONTROAUTOPERDÃOAUTOTRANSFORMAÇÃOAVAREZABENS DIVINOSBONDADE DIVINACARÊNCIACIÚMECOBIÇACOMPAIXÃOCOMUNHÃO COM DEUSCONFLITO NECESSÁRIOCONFLITO DESNECESSÁRIOCORRUPÇÃOCRIAÇÃO DIVINACULPADESAMORDESCULPADESIGUALDADE SOCIALDESPEITODESPERTARDEUSDEVER CONSCIENCIALDOREGOEGOCENTRISMO/EGOÍSMOEQUANIMIDADE DIVINAESPÍRITOESSÊNCIA DIVINAEVOLUÇÃO ESPIRITUALEXPIAÇÃOFALSA BONDADEFALSA DEDICAÇÃOFALSA HUMILDADEFELICIDADEHIPOCRISIAHUMILDADEIDEALIZAÇÃOIGNORÂNCIAIGUALDADEINDIGNAÇÃOINDIGNIDADEINVEJAJUSTIÇA DIVINALEI DE CAUSA E EFEITOLIVRE-ARBÍTRIOMAGNANIMIDADEMANDAMENTOMARTIRIZAÇÃOMÁSCARAS DO EGOMATERIALISMOMISERICÓRDIAMOTIVAÇÃOONISCIÊNCIAORGULHOPARECERPATERNIDADE DIVINA
  7. 7. Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas1716PECADO/ERROPOSSIBILIDADEPOTENCIALIDADEPRAZERES EGOICOSPREVIDÊNCIA HUMANAPROJEÇÃOPROVIDÊNCIA DIVINAPSEUDOAMORPUNIÇÃOPURITANISMOREABILITAÇÃOREALIZAÇÃOREENCARNAÇÃOREPARAÇÃOSIMPLICIDADESOFRIMENTOTRABALHO NO BEMUSO E ABUSOVITIMIZAÇÃOVONTADEREFERÊNCIA NAS OBRAS BÁSICASDOS TEMAS ESTUDADOSO Livro dos Espíritos – Questões: 1 a 13, 37, 38,78 a 81, 114 a 131, 132 a 133-a, 166 a 171, 189 a196, 216, 222, 258 a 273, 361 a 366, 373, 392, 393,399, 487, 540, 607 a 609, 612, 613, 614 a 648, 674,677, 707, 708, 711 a 717, 719, 726, 776 a 785, 799,803, 804, 806, 808, 811 a 812, 814, 835, 843 a 850,872, 873 a 885, 895 a 897-b, 900, 901, 906, 907 a919-a, 920 a 933, 963, 964, 975, 980, 983, 984, 987,990 a 1009, 1019.O Livro dos Médiuns – Itens: 1 A 6, 132 1ª, 268 21ª.O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo Iitens 3,4; Capítulo II itens 5 a 8; Capítulo III item6; Capítulo IV; Capítulo V itens 1 a 13, 18 a 20, 24a 26; Capítulo VI; Capítulo VII itens 1 a 6, 11 a 13;Capítulo VIII item 7; Capítulo IX itens 6 a 8; Capí-tulo X itens 9 a 21; Capítulo XI itens 1 a 4, 8 a 13;Capítulo XIII item 17; Capítulo XVI itens 3, 7 a 15;Capítulo XVII item 1 a 3, 7, 8, 10; Capítulo XX item3; Capítulo XXV; Capítulo XXVII itens 5 a 7.O Céu e o Inferno – 1ª parte: Capítulo I; Capítu-lo V item 4; Capítulo VI; Capítulo VII; Capítulo VIIIitens 13 e 15; Capítulo IX item 3. 2ª parte: Capítu-lo IV caso Lisbeth item 2, caso Príncipe Ouran,caso François Riquier, caso Claire; Capítulo Vcaso Um ateu, caso Antoine Bell item 6; CapítuloVI caso Benoist; Capítulo VII item 3, caso Um Es-pírito aborrecido.A Gênese - Capítulo I; Capítulo II; Capítulo IIIitens 1 a 10; Capítulo XI itens 1 a 9, 17 a 34.
  8. 8. Parábolas Terapêuticas19A Parábola dos dois Filhos, mais conhecida comoParábola do Filho Pródigo, é narrada por Lucas noCapítulo 15, vv. 11 a 32.E disse: Um certo homem tinha dois filhos. E o maismoço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fa-zenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fa-zenda. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajun-tando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali des-perdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente. E,havendo ele gastado tudo, houve naquela terra umagrande fome, e começou a padecer necessidades. Efoi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, oqual o mandou para os seus campos a apascentarporcos. E desejava encher o seu estômago com asbolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe davanada. E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadoresde meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereçode fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir--lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já nãosou digno de ser chamado teu filho; faze-me comoum dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi paraseu pai e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, ese moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou--se-lhe ao pescoço, e o beijou. E o filho lhe disse:Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não soudigno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aosseus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti--lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nospés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamose alegremo-nos, porque este meu filho estava mor-to e reviveu; tinha se perdido e foi achado. E come-
  9. 9. Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas2120çaram a alegrar-se. E o seu filho mais velho estavano campo; e, quando veio e chegou perto de casa,ouviu a música e as danças. E, chamando um dosservos, perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe disse:Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado,porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignoue não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele.Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvohá tantos anos, sem nunca transgredir o teu manda-mento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-mecom os meus amigos. Vindo, porém, este teu filho,que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes,mataste-lhe o bezerro cevado. E ele lhe disse: Filho,tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisassão tuas. Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo--nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu;tinha se perdido e achou-se.1Esta é uma parábola que durante muito tempo foivista de maneira superficial, tanto que é conhecidacomo Parábola do filho pródigo, em razão da suasuperficialidade interpretativa.Essa parábola, analisada superficialmente, refere--se à parábola do filho ingrato que solicita a herançado pai, sai de casa, perde tudo e depois volta arrepen-dido pura e simplesmente, para os braços do pai, queo recebe muito bem.A maioria das pessoas interpreta essa parábolacomo se, em sua linha temática, estivesse presente1 | LUCAS: 15, 11-22.Deus nos recebendo de braços abertos anulandotodos os nossos erros, simplesmente por termosnos arrependido de tê-los cometido. Muitos líderesreligiosos a utilizam para exemplificar como os fiéisdevem se comportar. Basta se arrepender e tudo es-tará resolvido. Essa interpretação é muito superficiale não condiz com os ensinamentos de Jesus.Estudaremos a seguir a interpretação psicológicatranspessoal dessa parábola. A psicologia transpes-soal oportuniza uma reflexão profunda dos símbolos.A superficialidade interpretativa toma assento,como dissemos, no próprio título pelo qual essa pa-rábola tornou-se conhecida: Parábola do filho pró-digo. Jesus diz claramente no seu início: “Um certohomem tinha dois filhos”. Um dos filhos é comple-tamente ignorado, propositalmente, conforme vere-mos posteriormente.Esta parábola repleta de símbolos fala-nos doautoencontro, do encontro da criatura com a suaprópria essência e, por consequência, com o Cria-dor. Percebamos que o filho mais moço solicita dopai a sua herança e sai pelo mundo para gozar avida, gastando com isso todo o patrimônio que o pailhe legou, até que, sem recursos, encontra-se emuma situação de penúria, a passar fome, sofrendoas consequências de suas ações.Quando cai em si, lembra-se que na Casa do Painem os empregados eram tratados da forma comovinha sendo tratado. Ele retorna, então, para solici-
  10. 10. Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas2322tar ao pai abrigo, como um de seus empregados. OPai o recebe com todo amor e compaixão, tratando--o como filho que estava perdido e que retorna aosseus cuidados.O irmão mais velho enciumado admoesta o Pai,tomado de inveja pelas regalias que o Pai estavaconcedendo ao seu irmão, o qual no seu entendi-mento não era merecedor daquela deferência. Éconvidado, porém, pelo Pai a se alegrar com o re-torno do irmão que estava perdido e achara-se, fatoque ele não aceita de maneira alguma por causa desua aparente dedicação ao Pai.O objetivo da Parábola dos dois filhos é chamar aatenção para os diferentes tipos de caráter das pes-soas. O homem representa Deus e os dois filhos, aHumanidade.As características desses dois filhos existem naHumanidade inteira. Temos tanto características dofilho mais novo, quanto do filho mais velho. Existempessoas mais próximas do filho mais novo em suaprimeira fase, outras se identificam mais com ele nasegunda fase, e outras, ainda têm característicasque se aproximam mais do filho mais velho.Jesus aborda, em um enfoque transpessoal, a tra-jetória de evolução do Ser Humano. Vejamos os princi-pais símbolos utilizados:• Filho Pródigo – representa as Negatividadesdo Ego;• Filho Mais Velho – representa as Máscaras do Ego;• Casa do Pai – Essência Divina que todos nóssomos;• Pai – Deus nosso Pai Criador.Em nosso processo de desenvolvimento ora nosidentificamos com as negatividades do ego (desa-mor), ora com as máscaras do ego (pseudoamor). Oobjetivo da vida é nos identificarmos com a nossa pró-pria Essência Divina, desidentificando-nos do Ego.O Ego é uma energia densa formada de ignorân-cia que envolve a nossa Essência Divina. Origina-seda simplicidade e ignorância, da ausência do saberque caracteriza o Ser em seu princípio. Segundo amentora Joanna de Ângelis o Ego “[...] é herança doprimarismo animal, a ser direcionado...”.2O Ego vai se constituindo lentamente no proces-so de evolução do Ser que começa no átomo, con-forme atesta a questão 540, de O Livro dos Espíri-tos3, passando pelo mineral, vegetal e animal antesde chegar ao reino hominal, conforme as questões607 e 607a:Dissestes que o estado da alma do homem, na suaorigem, corresponde ao estado da infância na vidacorporal, que sua inteligência apenas desabrocha ese ensaia para a vida. Onde passa o Espírito essa2 | Divaldo P.FRANCO, Momentos de meditação. - Joanna De Ângelis - cap.4.Salvador: Leal, 1988.3 | Allan, KARDEC, O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1944.
  11. 11. Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas2524primeira fase do seu desenvolvimento? Numa sériede existências que precedem o período a que cha-mais Humanidade. Parece que, assim, se pode con-siderar a alma como tendo sido o princípio inteligentedos seres inferiores da criação, não? Já não disse-mos que tudo em a Natureza se encadeia e tendepara a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estaislonge de conhecer, é que o princípio inteligente seelabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaiapara a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certomodo, um trabalho preparatório, como o da germi-nação, por efeito do qual o princípio inteligente sofreuma transformação e se torna Espírito. Entra entãono período da humanização, começando a ter cons-ciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bemdo mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, àfase da infância se segue a da adolescência, vindodepois a da juventude e da madureza. Nessa origem,coisa alguma há de humilhante para o homem. Sen-tir-se-ão humilhados os grandes gênios por teremsido fetos informes nas entranhas que os geraram?Se alguma coisa há que lhes seja humilhante, é a suainferioridade perante Deus e sua impotência para lhesondar a profundeza dos desígnios e para apreciar asabedoria das leis que regem a harmonia do Univer-so. Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirávelharmonia, mediante a qual tudo é solidário na Nature-za. Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, semum fim, e criado seres inteligentes sem futuro, forablasfemar da sua bondade, que se estende por sobretodas as suas criaturas.Quando o princípio inteligente inicia o seu estágiono reino hominal traz como herança toda uma cargade energias instintivas, relacionadas à sua sobrevi-vência, energias estas que culminarão na formaçãodo Ego do Ser Humano. Portanto, o ego em si mes-mo não é negativo, é simplesmente ignorância a sergradativamente transformada em nós pelo proces-so do autoencontro, caminho através do qual che-gamos progressivamente à perfeição, pelo conhe-cimento da verdade, para nos aproximar de Deus,conforme nos ensina a questão 115 de O Livro dosEspíritos (1944).Dos Espíritos, uns terão sido criados bons e outrosmaus? Deus criou todos os Espíritos simples e igno-rantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinadamissão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer che-gar progressivamente à perfeição, pelo conhecimentoda verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeiçãoé que eles encontram a pura e eterna felicidade. Pas-sando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Es-píritos adquirem aquele conhecimento. Uns, aceitamsubmissos essas provas e chegam mais depressaà meta que lhes foi assinada. Outros, só a suportammurmurando e, pela falta em que desse modo incor-rem, permanecem afastados da perfeição e da prome-tida felicidade.Percebamos que essa ‘simplicidade’ e ‘ignorân-cia’ significam sem nenhum qualificativo: nem bom,nem ruim, honesto ou desonesto, ou seja, prontopara se lançar às experiências. É ignorância no sen-
  12. 12. Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas2726tido de não se ter conhecimento de nada, do quepode ou não pode, do que deve ou não deve. Atéesse momento as experiências são apenas instinti-vas, como empréstimo da Divindade para a criatura.A partir daí a criatura vai alargando as suas possibi-lidades como fruto do seu livre-arbítrio. Nesse instanteela só tem duas coisas: o livre-arbítrio e a perfectibili-dade. Ela é simples e ignorante no sentido de não tertido experiências anteriores na qual exerceu escolhas,agindo apenas instintivamente. Agora tem a liberdadede agir e uma destinação, a perfectibilidade.O grande problema em relação ao Ego, é quemuitas vezes, ao invés de transformá-lo, no proces-so evolutivo natural, escolhemos através do livre--arbítrio, cultivar as suas negatividades ou as suasmáscaras.Quando nos identificamos com as negatividadesdo ego agimos como o filho pródigo, esquecemostemporariamente de nossa condição Divina e afasta-mo-nos da Casa do Pai, isto é, da nossa própria Es-sência e de Deus. Nesse movimento nós queremosgozar os chamados prazeres da vida.Utilizamos, muitas vezes, a oportunidade bendi-ta da reencarnação para usufruir prazeres egoicosos mais diversos, que nos aprisionam em energiasgrosseiras, perturbadoras. Quanto mais cultivamosa energia egoica mais consequências nós obtemos,gerando dessa forma, sofrimento para nós mesmoscomo vemos com relação ao filho pródigo.Quando o indivíduo busca cultivar as negativida-des do ego realiza uma ação semelhante a do filhopródigo, faz isso motivado pela busca do prazer queo ego proporciona em razão do primarismo animalque ainda o caracteriza. Esse prazer egoico assumevariadas formas de manifestação.Existem pessoas que buscam o prazer ligado àsquestões biológicas instintivas. São aqueles que as-sumem funções puramente fisiológicas: comem, fazemsexo, dormem, usam drogas estimulantes ou aneste-siantes conforme o momento, divertem-se e trabalhamapenas para auferir os recursos a fim de manter essasatividades e não pelo prazer de serem úteis, etc. O seucomportamento assemelha-se ao dos animais; o que odiferencia desses é o livre-arbítrio.Outros já nutrem paixões e o ego se manifesta,além de tais práticas, também através de negativida-des como o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a vingan-ça, a inveja, dentre outras. O prazer que sentem vaise manifestar, por exemplo, na bajulação que ado-ram receber, no sofrimento que um desafeto passapara aqueles que o estão perseguindo por vingança,na queda de alguém que é alvo de um caluniadorinvejoso, etc. O prazer, além da simples satisfaçãodos sentidos como o caso anterior, está ligado nes-ses casos, aos sofrimentos que são impingidos aosoutros, ou à submissão que se impõe a outrem.O cultivo das negatividades do ego, não obs-tante gerar um prazer momentâneo exaure o Ser,
  13. 13. Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas2928pois diferentemente do prazer essencial portador deenergias sutis refazedoras, as energias egoicas sãodemasiado grosseiras e acabam por desvitalizar edanificar o perispírito, bem como o corpo físico.É claro que agir assim gera muito sofrimento.Após experimentar o sofrimento proporcionado pelodistanciamento do amor a que nos colocamos vo-luntariamente, em razão de nossa ignorância, maiscedo ou mais tarde nós vamos nos tornar conscien-tes de que a vida é muito mais do que os prazeresgrosseiros ligados ao ego. Lembramos que a nossadestinação é o amor e a felicidade e que existe umaEssência Divina amorosa a ser cultivada em nósmesmos, e que somos filhos de Deus, momento noqual o Ser cai em si e busca o autoencontro, o retor-no à Casa Paterna, ao amor do qual se distanciou.Quando nos identificamos com as máscaras doego agimos como o filho mais velho que, de dedica-ção só tem a aparência. Percebemos pela parábolaque ao retornar o irmão, ele o renega e as negati-vidades como o egoísmo, o orgulho, a vaidade, ociúme, a inveja, a revolta, a cobiça, etc. se revelam,pois estavam ocultos pela sua aparente bondade(pseudoamor). Ele permaneceu com o pai por obri-gação e não por escolha, conforme fez mais tarde ofilho pródigo arrependido.Façamos agora a exegese de cada versículo daparábola.Jesus diz: “E o mais moço deles disse ao pai: Pai,dá-me a parte da fazenda que me pertence”.Podemos interpretar o filho mais moço como omenos experiente, o menos vivido, com capacidademenor de discernimento.Aqui temos a representação dos recursos – asdádivas da Vida que Deus nos concede a cada reen-carnação – para evoluirmos (parte da fazenda queme pertence), e o livre-arbítrio, para usar esses re-cursos como nos aprouver.O que é a fazenda? A fazenda representa todos osbens que Deus nos oferece para evoluirmos, a come-çar por nosso corpo. Tudo o que existe no Universopertence a Deus. Até os nossos corpos pertencem aDeus porque não fomos nós quem os criamos. Quan-do renascemos no mundo, o fazemos através de umpai e de uma mãe, que vão doar duas células que,após se unirem irão se reproduzir e formarão o nossocorpo, a partir de leis biológicas criadas por Deus.O corpo físico, a cada reencarnação, é uma fa-zenda que recebemos para usar bem. Teremos tam-bém por empréstimo divino o ar para respirar, a águapara saciar a nossa sede, os alimentos, os bensmateriais, etc., enfim tudo o que necessitamos paraevoluir durante a experiência reencarnatória, bensque muitas vezes malbaratamos, agindo com prodi-galidade, perdendo momentaneamente, a oportuni-dade de evoluir.
  14. 14. Alírio de Cerqueira Filho Parábolas Terapêuticas3130Portanto, trazemos como doação divina todos osrecursos necessários à nossa evolução, e somosresponsáveis pelo uso que fazemos desses recur-sos. Temos todos os bens do Universo à nossa dis-posição para evoluir. Esses bens todos pertencem aDeus, nós somos apenas usufrutuários.“E ele repartiu por eles a fazenda”.Deus é equânime. A equanimidade divina ficamuito clara neste versículo. Quem é que pediu a fa-zenda? Foram os dois filhos? Não, só o mais novopediu, mas o pai repartiu por eles a fazenda. Seriajusto se ele desse apenas para um e para outro não?Não seria justo. Então, deu para os dois, apesar deum só ter pedido. O que Jesus está querendo dizer éque Deus é equânime. O que parece ser desigualda-de para nós, na verdade é uma interpretação equivo-cada do seu real significado.Às vezes renascemos em situações de carênciavárias: afetiva, falta de uma família, um pai ou umamãe que abandona o filho; falta de saúde; carentesde bens materiais, etc., para aprendermos a valori-zar os bens que detínhamos e malbaratamos, con-forme estudaremos mais tarde na parábola. Assim,a carência de hoje é resultado do abuso de ontem.Portanto, Deus é sempre equânime. Se algumacoisa falta em nossa vida nós podemos ter a certeza,não é porque Deus nos escolheu para sofrermos, ounos escolheu para sermos pobres, infelizes, a fim deprovarmos a nossa fé, como dizem as pessoas nãoreencarnacionistas. Se nós nascemos nessas con-dições é porque em algum momento de nossa vidaespiritual abusamos dos bens. Tomamos a fazenda,símbolo de todos os bens divinos e usurpamos, sejausando de forma egoísta, ou subtraindo os bens deoutras pessoas, por exemplo, para ficar conosco demaneira egoística e egocêntrica, e naturalmente,como é da Lei, aquilo que usamos mal ou tiramosdos outros retorna para nós sob a forma de carência.Consequentemente, o que vemos como diferen-ças de recursos entre as criaturas, na realidade éaparência, pois para aqueles cujos recursos estãoem carência por algum motivo, é porque, dentro doprincípio da lei de causa e efeito, malbarataram emalgum momento os bens e por isso estão experimen-tando a escassez, em uma situação expiatória.“E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajun-tando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali des-perdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente”.O filho mais novo apropria-se de todos os bense parte para uma terra longínqua. Qual o significa-do de uma terra longínqua? Significa afastamentoda Casa do Pai, isto é, dos ideais de espiritualidadee religiosidade. Como a Casa do Pai representa anossa Essência Divina, estar em casa significa estarem comunhão conosco mesmos em essência e comDeus (o Pai na parábola).

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