Linguagens, Códigose suas TecnologiasLivro do EstudanteEnsino Médio
BrasíliaMEC/INEP2006Linguagens, Códigose suas TecnologiasLivro do EstudanteEnsino Médio
Coordenação Geral do ProjetoMaria Inês FiniCoordenação de Articulação de Textos do Ensino MédioZuleika de Felice MurrieCoo...
SumárioIntrodução ...........................................................................................................
8Este material foi desenvolvido pelo Ministério da Educação com a finalidade de ajudá-lo apreparar-se para a avaliação nec...
9VIII. Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora designificação e integradora da organização do...
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PUBLICIDADE, ENTRETENIMENTOE OUTROS SISTEMASAPLICAR AS TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO E DAINFORMAÇÃO NA ESCOLA, NO TRABALHO E ...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio12Capítulo IPublicidade, entretenimentoe outros sistemasDOCE... MEL... ...
Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas131Desenvolvendo competênciasPara verificarmos essa idéia de lin...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio14TERRA DE SAMBA E PANDEIROAs linguagens verbal, visual e sonora nãoint...
Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas15PODE HAVER ALGUMA COISA EMCOMUM ENTRE ANÚNCIOSPUBLICITÁRIOS E ...
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Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas19Precisamos, então, reconhecer que inúmerosobjetos são construí...
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Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas21(...) Foi então que, finalmente serefazendo, disse firme e cal...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio22Aqueles textos, como qualquer outro objetoartístico, não têm resposta...
Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas23Quando observamos diferentes obras de arte, nãodevemos esquece...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio24coisa pode ser dita sobre os sons. Se imaginamosuma cena de suspense,...
Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas25Essa atitude de absorção e transformação dosistema de entreten...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio266Desenvolvendo competênciasDuas letras de músicaLeia os trechos das l...
Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas27ORIENTAÇÃO FINALPara saber se você compreendeu bem o que está ...
AS LÍNGUAS ESTRANGEIRASMODERNAS EM NOSSA SOCIEDADECONHECER E USAR LÍNGUA(S) ESTRANGEIRA(S)MODERNA(S) COMO INSTRUMENTO DE A...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio30Capítulo IIAs línguas estrangeirasmodernas em nossa sociedadeOlá! Hol...
Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade311Desenvolvendo competênciasNão é só nos esportes que no...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio322PARECE ESTRANHO, MAS NÃO É...Nesta parte do capítulo, vamos analisar...
Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade33Estranho, não é? Isso porque se trata de um textoem que...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio34FUSILLI SPIRALE MANTECATI CON ASPARAGI E FILETTI DI SOGLIOLADOSI – 4 ...
Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade35NOUVEAU: KREMIL MULTI PLUS POLYVALENT QU’UN COUTEAU SUI...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio364SEMELHANÇAS E DIFERENÇASENTRE AS LÍNGUASÉ bastante comum ourvirmos a...
Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade37Vale, então, o recado. Sempre que houverimagens, inicie...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio38Ao responder à pergunta, você iniciou umprocesso de compreensão geral...
Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade39Ao ler a notícia, você deve ter percebido que elafaz pa...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio40OS PRODUTOS CULTURAISESTRANGEIROSVocê certamente conhece produtos cul...
Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade41NELLY FURTADO SE APRESENTA NO BRASIL EM MAIO(Da Redação...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio425Desenvolvendo competênciasOs testes presentes nesta parte do capítul...
Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade433. Leia o texto abaixo.LA MAISON DE VIVIENNEMaisons de ...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio445. Leia o texto abaixo.O texto é dirigido para alguém quea) precisa f...
Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade458. Leia o seguinte diálogo ao telefone.A: Alô, João? É ...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio46Como posso ler textos em línguas estrangeiras?DICAS PARA LER TEXTOS E...
Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade47Conferindo seu conhecimentoAlimentação: chester, diet, ...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio48Você é o vendedorO catálogo contém produtos de higiene pessoal. Body ...
Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade49ORIENTAÇÃO FINALPara saber se você compreendeu bem o qu...
QUERO O MEU CORPO DE VOLTA!COMPREENDER E USAR A LINGUAGEM CORPORAL COMORELEVANTE PARA A PRÓPRIA VIDA, INTEGRADORASOCIAL E ...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio52Capítulo IIIQuero o meu corpo de volta!Quero o meu corpo de volta! O ...
Capítulo III – Quero o meu corpo de volta!53Observe as imagens: ambos (o índio e o punk)usam enfeites nos corpos. Será que...
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio54E já que o assunto é o trabalho: será que, aoexigir trabalhos corpora...
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  1. 1. Linguagens, Códigose suas TecnologiasLivro do EstudanteEnsino Médio
  2. 2. BrasíliaMEC/INEP2006Linguagens, Códigose suas TecnologiasLivro do EstudanteEnsino Médio
  3. 3. Coordenação Geral do ProjetoMaria Inês FiniCoordenação de Articulação de Textos do Ensino MédioZuleika de Felice MurrieCoordenação de Texto de ÁreaEnsino MédioLinguagens, Códigos e suas TecnologiasAlice VieiraLeitores CríticosÁrea de Psicologia do DesenvolvimentoMárcia Zampieri TorresMaria da Graça Bompastor Borges DiasLeny Rodrigues Martins TeixeiraLino de MacedoÁrea de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística eEducação FísicaÁrea de Linguagens, Códigos e suas TecnologiasLygia Correa Dias de MoraesReginaldo Pinto de CarvalhoZilda Gaspar de Oliveira AquinoDiretoria de Avaliação para Certificação de Competências (DACC)Equipe TécnicaAtaíde Alves – DiretorAlessandra Regina Ferreira AbadioCélia Maria Rey de CarvalhoCiro Haydn de BarrosClediston Rodrigo FreireDaniel Verçosa AmorimDavid de Lima SimõesDorivan Ferreira GomesÉrika Márcia Baptista CaramoriFátima Deyse Sacramento PorcidonioGilberto Edinaldo MouraGislene Silva LimaHelvécio Dourado PachecoHugo Leonardo de Siqueira CardosoJane Hudson AbranchesKelly Cristina Naves PaixãoLúcia Helena P. MedeirosMaria Cândida Muniz TrigoMaria Vilma Valente de AguiarPedro Henrique de Moura AraújoSheyla Carvalho LiraSuely Alves WanderleyTaíse Pereira LiocádioTeresa Maria Abath PereiraWeldson dos Santos BatistaCapaMarcos HartwichIlustraçõesRaphael Caron FreitasCoordenação EditorialZuleika de Felice Murrie© O MEC/INEP cede os direitos de reprodução deste material às Secretarias de Educação, que poderão reproduzi-lo respeitando a integridade da obra.L755 Línguagens, códigos e suas tecnologias : livro do estudante : ensino médio /Coordenação : Zuleika de Felice Murrie. — 2. ed. — Brasília : MEC : INEP, 2006.210p. ; 28cm.1. Língua portuguesa (Ensino Médio). I. Murrie, Zuleika de Felice.CDD 469.5
  4. 4. SumárioIntrodução ........................................................................................................................Capítulo IPublicidade, entretenimento e outros sistemas ...........................................Débora de AngeloCapítulo IIAs línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade ............................Gláucia d’Olim Marote Ferro e Lívia de Araújo Donnini RodriguesCapítulo IIIQuero o meu corpo de volta! .........................................................................Mauro Gomes de Mattos e Marcos Garcia NeiraCapítulo IVA arte no cotidiano do homem .....................................................................Beatriz Dutra de Medeiros e Lídia MesquitaCapítulo VQuando as palavras resolvem fazer arte... ...................................................José Luis M. L. LandeiraCapítulo VIA vida em uma sociedade letrada .................................................................Maria Luiza Marques AbaurreCapítulo VIIDefendendo idéias e pontos de vista ............................................................Maria Sílvia Olivi LouzadaCapítulo VIIIDas palavras ao contexto ...............................................................................Eliane Aparecida de AguiarCapítulo IXTecnologias de comunicação e informação:presença constante em nossas vidas.............................................................Paulo Marcelo Vieira Pais82951658310312313915511
  5. 5. 8Este material foi desenvolvido pelo Ministério da Educação com a finalidade de ajudá-lo apreparar-se para a avaliação necessária à obtenção do certificado de conclusão do EnsinoMédio denominada ENCCEJA – Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens eAdultos.A avaliação proposta pelo Ministério da Educação para certificação do Ensino Médio écomposta de 4 provas:1. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias2. Matemática e suas Tecnologias3. Ciências Humanas e suas Tecnologias4. Ciências da Natureza e suas TecnologiasEste exemplar contém as orientações necessárias para apoiar sua preparação para a prova deLinguagens, Códigos e suas Tecnologias.A prova é composta de 45 questões objetivas de múltipla escolha (valendo 45 pontos) e deuma redação (valendo 55 pontos).Este exame é diferente dos exames tradicionais, pois buscará verificar se você é capaz de usaros conhecimentos em situações reais da sua vida em sociedade.As competências e habilidades fundamentais desta área de conhecimento estão contidas em:I. Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalhoe em outros contextos relevantes para sua vida.II. Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) como instrumento de acessoa informações e a outras culturas e grupos sociais.III. Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida,integradora social e formadora da identidade.IV. Compreender a Arte como saber cultural e estético gerador de significação eintegrador da organização do mundo e da própria identidade.V. Analisar, interpretar e aplicar os recursos expressivos das linguagens,relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função,organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições deprodução e recepção.VI. Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens comomeios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados,expressão, comunicação e informação.VII. Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suasmanifestações específicas.Introdução
  6. 6. 9VIII. Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora designificação e integradora da organização do mundo e da própria identidade.IX. Entender os princípios/ a natureza/ a função/e o impacto das tecnologias dacomunicação e da informação, na sua vida pessoal e social, nodesenvolvimento do conhecimento, associando-os aos conhecimentoscientíficos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tecnologias, aosprocessos de produção e aos problemas que se propõem solucionar.Os textos que se seguem pretendem ajudá-lo a compreender melhor cada uma dessas novecompetências. Cada capítulo é composto por um texto básico que discute os conhecimentosreferentes à competência tema do capítulo. Esse texto básico está organizado em duascolunas. Durante a leitura do texto básico, você encontrará dois tipos de boxes: um boxedenominado de desenvolvendo competências e outro, de texto explicativo.O boxe desenvolvendo competências apresenta atividades para que você possa ampliarseu conhecimento. As respostas podem ser encontradas no fim do capítulo. O boxe de textoexplicativo indica possibilidades de leitura e reflexão sobre o tema do capítulo.O texto básico está construído de forma que você possa refletir sobre várias situações-problema de seu cotidiano, aplicando o conhecimento técnico-científico construídohistoricamente, organizado e transmitido pelos livros e pela escola.Você poderá, ainda, complementar seus estudos com outros materiais didáticos, freqüentandocursos ou estudando sozinho. Para obter êxito na prova de Linguagens, Códigos e suasTecnologias do ENCCEJA, esse material será fundamental em seus estudos.
  7. 7. 10
  8. 8. PUBLICIDADE, ENTRETENIMENTOE OUTROS SISTEMASAPLICAR AS TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO E DAINFORMAÇÃO NA ESCOLA, NO TRABALHO E EM OUTROSCONTEXTOS RELEVANTES PARA SUA VIDA.Capítulo IDébora de Angelo
  9. 9. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio12Capítulo IPublicidade, entretenimentoe outros sistemasDOCE... MEL... DOCEMEL... É possível, então, afirmarmos que o desenhorepresentou a fruta “real”. Aliás, nesse mesmoanúncio, há uma outra forma de representar amaçã: a palavra. Na expressão “sobremesas defrutas”, sabemos que uma das referidas é a maçã,desenhada ao lado. Assim, temos uma imageme uma palavra escrita representando a fruta.E os sons? Se imaginarmos esse anúncio daDocemel no rádio ou na televisão, talvezpossamos ouvir o barulho de uma dentadaem uma maçã. Novamente, o que temos éuma representação.Vamos dar um nome para todas essaspossibilidades de representar a realidade, quepodem ser compartilhadas pelas pessoas:linguagens. O desenho da fruta, a palavra “maçã”escrita, o som da “dentada” no anúncio sãoobjetos que se caracterizam como possibilidadesde alguma linguagem.Olhando para este anúncio, talvez sintamosvontade de comer maçã ou um doce feito da fruta.Mas é curioso: não estamos vendo uma maçã nanossa frente. Chegamos a sentir vontade de comer,uma vez que a maçã desenhada parece apetitosae o nome da empresa é “Docemel”. Porém, a frutaque está aí é apenas um pedaço de papeldesenhado.
  10. 10. Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas131Desenvolvendo competênciasPara verificarmos essa idéia de linguagem como forma de representação da realidade,vamos ler os dois trechos abaixo. Neles, dois jornais diferentes apresentam um mesmoassunto: a presença de comerciais inseridos em programas de televisão (o chamadomerchandising), de forma mais ou menos implícita.JORNAL AMERCHANDISINGQuanto mais discreto melhorImpulsionado pelos reality shows enovelas, o comercial subliminar ganhanovo fôlego e se adapta aotemperamento de apresentadores eroteiristas.O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 jul. 2002. CadernoTelejornal, p. 4.JORNAL BQuanto vale o show?A publicidade invadiu programas enovelas, para alegria das emissoras eapreensão dos que acham que aprática extrapolou.Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 jul. 2002. CadernoTVFolha, p. 6-7.Fornecido pela Agência Folha.Tendo em vista que as duas reportagens tratam de um mesmo assunto e foram publicadasna mesma data, pode-se afirmar que:a) Apenas o texto “A” levanta os aspectos negativos do merchandising, a partir da opiniãode roteiristas e apresentadores.b) Os dois textos transmitem diferentes visões sobre o assunto: em “A” foram levantados osaspectos positivos (marcados pelos termos “melhor”, “ganha” e “se adapta”); em “B”, osnegativos (marcados pelos termos “invadiu”, “apreensão” e “extrapolou”).c) Apenas o texto “B” levanta os aspectos positivos do merchandising, a partir da opiniãode jornalistas.d) Os dois textos transmitem a mesma visão sobre o assunto: em ambos, verifica-se 20%de aumento no merchandising em programas de TV.
  11. 11. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio14TERRA DE SAMBA E PANDEIROAs linguagens verbal, visual e sonora nãointeragem sempre da mesma maneira nosdiferentes objetos que integram. Para perceberoutra possibilidade de interação das linguagens,diferente do anúncio publicitário, analisemosalgumas estrofes da canção Aquarela do Brasil,de Ary Barroso.Nesses trechos, predominam as linguagens sonorae verbal. Provavelmente, se você conhece essaletra, deve se recordar também da melodia. Nasversões já gravadas dessa música, o ritmo pareceser sempre alegre, festivo. A mesma sensação podeser encontrada nas palavras da canção. Nosso paísaparece como uma “terra de samba e pandeiro”,de satisfação (“onde eu mato a minha sede”) ebrincadeira (“onde a lua vem brincar”).Alguns aspectos visuais que existam nessa cançãopoderão ser visualizados pelas imagens queformamos. Outros aspectos visuais só serãorelevantes na capa do CD ou no encarte (aquele“livrinho” anexo aos CDs, com as letras dasmúsicas e demais informações técnicas).UMA CIDADE IMAGINÁRIASe você mora em alguma cidade, visualize agora sua rua. Se você mora no campo,pense em alguma rua que tenha visto. Caminhando por esse ambiente, o que vê?Provavelmente casas, árvores, pessoas, portões... Até aqui, as coisas que vimos não sãoobjetos representando outros objetos. Mas isso não significa que cada uma dessascoisas não seja uma forma de interação do homem com a realidade que o cerca.Se destacarmos a casa – por que tem aquele tamanho, aquela quantidade de janelas eportas? Por que está naquele lugar específico do terreno, naquela rua e naquele bairro?Essa casa também representa valores humanos, sentimentos, atitudes, questõesfinanceiras etc. Só que essa representação talvez pareça menos visível. Sintetizando:interagir com o mundo é uma condição humana. Essa interação sempre se dará emaspectos visuais, sonoros, pelo tato, pelo gosto e pelas palavras.Brasil!Meu Brasil brasileiroMeu mulato inzoneiroVou cantar-te nos meus versos(...)ô , (oi) ouve essas fontes murmurantesoi onde eu mato a minha sedeE onde a lua vem brincarOi esse Brasil lindo e trigueiroÉ o meu Brasil brasileiroTerra de samba e pandeiroBrasil!Brasil!Pra mim...Pra mim...
  12. 12. Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas15PODE HAVER ALGUMA COISA EMCOMUM ENTRE ANÚNCIOSPUBLICITÁRIOS E LETRAS DEMÚSICA?Vimos acima que o anúncio publicitário Docemele a letra da canção Aquarela do Brasil combinamas linguagens de forma diferente. Isso aconteceporque os dois objetos foram concebidos paradiferentes finalidades. Enquanto o primeiro querlevar o consumidor à compra do produto, osegundo quer distrair o ouvinte ou despertar suaimaginação, combinando música de ritmo alegrecom imagens festivas de nosso país.Quer dizer, tudo depende de qual é a função doobjeto na vida das pessoas. Quando olhamos paraos objetos à nossa volta, começamos a perceberque vários deles podem ser agrupados em um sóbloco, devido a uma função social semelhante.Se perguntarmos: o que há em comum, porexemplo, entre embalagens, rótulos e anúnciospublicitários? Para que existem? Uma respostapossível é: para tornar um produto à vendaatraente para o consumidor.Ter a mesma função social traz ainda outraconseqüência: várias empresas e pessoas, comfunções diferentes, estão unidas na realização deum certo objeto construído pela combinação daslinguagens. É só pensarmos quantas empresas epessoas estão envolvidas, direta ou indiretamente,na produção de um jornal, escrito ou falado. Oque organizará a ação dessas empresas e pessoasé o objetivo comum: elaborar o produto finalque é o jornal.Denominamos sistemas de comunicação todasessas organizações sociais com um objetivocomum, que têm como princípio organizadora combinação das diferentes linguagens. Nestecapítulo, trabalharemos apenas com quatrosistemas de comunicação: o publicitário, oinformativo, o artístico e o de entretenimento.2Desenvolvendo competênciasMais do que um rótulo de garrafaAnalise o rótulo de garrafa acima, do ponto de vista das linguagens verbal e visual.Relacione o sentido do que está escrito (o que as palavras ou frases querem dizer) comaspectos visuais (o desenho abaixo da expressão “sem gás”, os tipos de letras ou qualqueroutro aspecto que você considerar relevante).
  13. 13. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio16O CASO DO MAGRÃOMagrão é o apelido de um rapaz que vive deconsertar e vender máquinas de lavar roupausadas. Pensando nisso, ele fica com dúvida:“O que devo fazer, como anuncio às pessoas quequero vender ?” Se estivesse no lugar dele,o que você faria?O Magrão quer vender essas máquinas. O objetoque ele quer criar é justamente o meio que lhepermita estabelecer contato com seus possíveiscompradores.ANÚNCIO AVendem-se 4 máquinas de lavarroupaFalar com o MagrãoANÚNCIO BVendem-se 4 máquinas de lavarroupaTratar aquiQual das duas versões apresenta uma integraçãodas linguagens verbal e visual? Você acha queessa integração facilita o entendimento de quemvê a placa?Refletindo um pouco mais, podemos afirmar queuma empresa que venda um produto ou umserviço também passa por essa situação. Afinal,como uma empresa entra em contato com opúblico, se não for através de um anúncioou propaganda?E será que o anúncio de qualquer objeto desses,que sirva para a venda de um produto ouserviço, deve ter algumas características básicas,ou cada um pode anunciar o seu produto do jeitoque quiser?Nota-se que é um anúncio publicitário de umacompanhia aérea chamada Lane. Há dois convitesexplícitos para que embarquemos no avião: nalinguagem verbal (“Voe Lane”) e na linguagemvisual (o desenho do avião indica movimento,pois existem rastros saindo das 3 turbinas). Otexto escrito associa esse embarque ao prazerpor meio da expressão “E boa viagem”. Percebe-se, portanto, um apelo emocional.E o que tem a ver com tudo isso a criatividadepedida acima? Tudo a ver, justamente porque aspessoas ou empresas que produzem os anúnciospublicitários sabem que o consumidor não temum único critério para comprar um produto ouescolher um serviço. Pode-se comprar pelo preço,pela beleza da embalagem, pela lembrança de umanúncio na televisão, (pelo fato do anúncio serengraçado, pela associação do objeto anunciadoao prazer etc.)E essas pessoas que estão produzindo essesanúncios sabem disso?Qualquer tentativa de venda de produto ouserviço está dentro desse sistema, de forma maisou menos consciente por parte de seu produtor.Isso ocorre porque o objetivo essencial dequalquer pessoa envolvida nessa atividade (avenda) é o mesmo de todos os outros que tambémestão desenvolvendo uma atividade semelhante.Liberdade existe, não há dúvida. Porém, mais doque liberdade, é necessária a criatividade. Observeo anúncio publicitário a seguir:
  14. 14. Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas173Desenvolvendo competênciasVocê cria seu anúncioImagine agora que você está querendo vender algum objeto que tem na sua casa. Crie umanúncio para o seu produto (pode ser uma placa ou um cartaz). Nesse anúncio, combine,necessariamente, as linguagens verbal e visual.É claro que se pode perguntar: o papel de uma pessoa comum que quer vender um objetoé o mesmo de uma agência publicitária (de uma empresa especializada em estabelecer arelação entre o produto e o consumidor)?Não, e por um motivo simples. No caso do Magrão, ele acumula funções: tem o produto(é o dono); está tentando criar um jeito de entrar em contato com o público (quer criarum anúncio); terá, provavelmente, um contato direto com todos os possíveis compradoresque aparecerem e entregue, talvez, a máquina de lavar na casa do comprador.Já a agência publicitária não acumula funções. Sua parte, em todo o processo da venda, éa criação: ela cria o meio (o anúncio ou propaganda) para atrair o consumidor para umcerto produto. Mas não se responsabiliza pela entrega, não diz que cores o produto tem,não trava contato direto com as pessoas, nem é a dona dos objetos. Há outras empresase, portanto, outras pessoas que realizam cada uma dessas etapas da compra.SÓ QUERER VENDER NÃO BASTAVamos nos centrar novamente na criação do meio,para que uma venda possa se efetivar. Vimos láatrás que esse meio deverá levar em contacritérios racionais (o preço do produto, porexemplo) e critérios ligados ao desejo, ou ao ladomenos “prático” do consumidor (comprar umproduto por ter gostado de um anúncio). Oobjetivo será observar como alguns recursos delinguagem verbal, visual, sonora e mesmogustativa são mobilizados na construção dessesanúncios.Na construção dos anúncios publicitários, osrecursos das linguagens são manipulados demaneira tal que, muitas vezes, ao entrar emcontato com eles, não nos damos conta de que ummundo imaginário e sedutor se formou diante denossos olhos.Se voltarmos ao anúncio da empresa aérea Lane,notamos que a imagem do avião, a simulação deseu rastro no espaço, por meio de linhas que saemdas turbinas (linguagem visual), associadas àexpressão verbal “E boa viagem!” despertam noespectador a vontade de viajar, associando-a àsatisfação de um desejo.Quer dizer: o anúncio publicitário ligará oproduto ao prazer, criando um mundo “perfeito”e “ideal”, dissociado de problemas de qualquernatureza. Ele nos afastará, de forma ainda maisbrutal, de uma questão importante: até que pontodevemos gastar dinheiro adquirindo esse produto?Para a publicidade, não existe nada supérfluo. Sóque boa parte dos produtos anunciados ou sãorealmente supérfluos na nossa vida, pois vivemosmuito bem sem eles, ou são produtos realmentenecessários, ainda que apresentados em seuaspecto mais irrelevante.Por exemplo, arroz e feijão são produtosalimentícios consumidos por muitos brasileiros.Culturalmente, essa mistura é tida como típica doBrasil. Mas nenhum anúncio publicitário vaivender arroz e feijão dizendo que esses produtosnos alimentam e ponto final. Isso ocorre porque,como os produtos são comercializados pordiferentes empresas, a distinção entre um produtoe outro acabará se concentrando em algumaspecto supérfluo deles. Afinal, o essencialtodos têm.
  15. 15. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio18PERDIDO NO POSTO DE SAÚDEInfelizmente, você certamente já ficou doentealguma vez e precisou ir a um hospital ou postode saúde. Lá chegando, você precisou pediratendimento. E o que fez? Conseguiu falar comalguém para solucionar suas dúvidas? Precisou leralguma placa, preencher algum papel?Talvez você tenha encontrado algo parecido como aviso abaixo:BUSCANDO INFORMAÇÕES:OLHANDO EM VOLTAOutros objetos perto de nós também parecem tercomo objetivo principal nos informar sobrealguma coisa. Pense. Se vê televisão ou ouverádio, você consegue identificar objetos queforam construídos para nos informar?Talvez você tenha pensado em telejornais ou emboletins de notícias. De fato, eles têm uma funçãobásica: nos informar sobre o que está acontecendona nossa região, no nosso país e no mundo. O queeles informam, de uma forma direta ou indireta,pode afetar algum aspecto de nossa vida.Se há crise no Oriente Médio, podemos estarvendo o desencadear de uma guerra sangrenta,com conseqüências políticas, econômicas e sociaisno mundo (os países árabes, localizados noOriente Médio, são grandes fornecedores depetróleo, matéria-prima da gasolina, usada nomundo inteiro, e a crise pode ter inúmerasconseqüências).Na informação jornalística, mesmo havendo umpapel muito importante para a linguagem verbal(a base de uma notícia é o que o repórter fala ouescreve), a linguagem visual acaba tendo umpapel também muito importante, tanto nasimagens que aparecem nos jornais da televisãoquanto nas fotos que acompanham reportagens emjornais.Podemos, pois, afirmar que a combinação daslinguagens em objetos informativos auxilia naconstrução da clareza e da objetividade daquiloque nos está sendo apresentado. Em geral, quandoprestamos atenção a uma notícia, somosperfeitamente capazes de entender qual é oassunto e quais são as informações essenciais queela quer nos passar.Essa não é uma atitude passiva de nossa parte. Hámilhares de situações em nossas vidas que nosexigem a busca de informações. Apenas para citaralgumas possibilidades, pense nas seguintescircunstâncias: você deve visitar um parente emuma cidade desconhecida; seu filho precisa deuma fonte de informações sobre um temaqualquer, para realizar uma atividade na escola;se você trabalha no comércio, você precisa sabero preço médio de um produto em algunsconcorrentes da sua empresa.HORÁRIO PARA MARCAR CONSULTAS:De segunda a sexta, das 14h às 16hNos guichês 4, 5 e 6 da recepçãoÉ necessária a apresentação dodocumento de identidadeAlguém que vai a um hospital querendo saber osdias e horários para marcação de consultasencontrará nesse aviso as informações de quenecessita. Pode-se afirmar, portanto, que afinalidade desse objeto é informar as pessoas.Vamos agora analisá-lo sob o ponto de vista daorganização das linguagens. Em geral, os objetosconstruídos com a finalidade de informar alguémsobre alguma coisa dão bastante destaque àlinguagem verbal (aquela que tem como base aspalavras).O que temos no aviso acima são frases claras eobjetivas, informando sobre uma questãoespecífica: o que é necessário saber para semarcar uma consulta naquele posto de saúde.Aí temos duas características importantes dasinformações, construídas a partir de um temaúnico (no caso, a marcação de consultas).As informações dadas a partir do tema sãoessenciais e devem ser claras para a pessoa queveio buscá-las (no nosso exemplo, saber os dias,os horários, o local e os documentos necessáriospara marcar a consulta).
  16. 16. Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas19Precisamos, então, reconhecer que inúmerosobjetos são construídos dentro desse sistemainformativo, ou seja, há muitos objetosconcebidos para informar as pessoas sobre algumacoisa. Quais objetos construídos pelas linguagensvocê classificaria como informativos?ENCONTRANDO ALGUNS MATERIAISDE CONSULTA: JORNAIS, REVISTAS,ENCICLOPÉDIAS, DICIONÁRIOS,LISTAS TELEFÔNICAS E GUIASTodos os materiais acima, exceto as listastelefônicas (que não são vendidas), podem seradquiridos, com maior ou menor facilidade, emlivrarias ou em qualquer tipo de comércio quevenda livros ou papéis (como bancas de jornais epapelarias).Para consulta gratuita, os locais mais importantessão as bibliotecas, onde podemos encontrar livrossobre os mais variados assuntos, além de jornais,revistas, enciclopédias, dicionários, guias e atélistas telefônicas. As bibliotecas podem sermunicipais, estaduais ou federais, isto é,organizadas, respectivamente, pelas prefeituras,pelos governos de Estado e pelo Governo Federal.Há bibliotecas situadas dentro das escolas. Háainda institutos públicos ou particulares quepossuem bibliotecas abertas para consulta.Se você tem acesso a um computador e ele estiverconectado à Internet (uma rede mundial deinformações), você encontrará nele desde fontesgratuitas de informação até a possibilidade decompra de materiais.Buscar as fontes das quais necessitamos na vidapessoal e profissional é um dos aspectos ativos denossa relação com os objetos informativos.Destaquemos mais uma questão: que relaçãomantemos com “as verdades” que nos sãotransmitidas pelas notícias de jornal, pelasenciclopédias, guias etc.?Mas, por que essa expressão “as verdades”apareceu entre aspas? Talvez essa idéia deverdade não seja tão simples.Pense em um tema que esteja sendo discutido natelevisão, no rádio ou nos jornais e revistas nestasemana. Se puder, compare a mesma notícia dadapor dois jornais diferentes, por duas emissorasdiferentes, enfim, procure duas fontes diferentespara a mesma notícia.Ela é exatamente igual nas duas? Não. Pode serparecida. Na televisão: quando acompanhamos umfato na emissora A ou na emissora B, vemos amesma coisa? As imagens são as mesmas, oapresentador é o mesmo? Os sons queacompanham as imagens são os mesmos? As idéiasque os repórteres apresentam são formuladas domesmo jeito? Com certeza, não.Imagine que você trabalha em uma empresa e oseu chefe lhe pede para escrever um aviso para osoutros funcionários, informando mudança nohorário de entrada no turno da manhã. Como vocêredigiria esse aviso? As informações que vocêescolher, o formato que você der a esse aviso, olocal no qual você irá afixá-lo, tudo isso implicaseleção daquilo que é realmente essencial naconstrução do aviso.Com toda informação acontece a mesma coisa. Sãoobjetivos básicos e organizadores, na produção deinformações: clareza, objetividade, definição deum tema único de cada vez e levantamento dosdados essenciais para a compreensão do tema.Mas, como tudo que é humano está relacionadocom crenças, valores, visões de mundo einteresses, devemos admitir que “a verdade”contida em uma informação não é uma verdadeabsoluta, indiscutível. Mais do que isso, muitasvezes, ao construir uma informação, os produtorestêm muita clareza de que selecionarão aspectosmais positivos ou negativos de um dado fato, deacordo com este ou aquele interesse social comque simpatizam.Em uma notícia, dada na televisão ou no jornalimpresso, a partir de um mesmo fato, pessoas einstituições podem ser mostradas em seus aspectosmais negativos, na notícia de um dado canal e, deforma um pouco mais neutra ou até positiva, emoutro canal que estiver veiculando uma notíciasobre o mesmo assunto.
  17. 17. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio204Desenvolvendo competênciasDuas notícias sobre o mesmo assuntoProcure, em dois jornais, ou em duas revistas, programas de televisão ou rádio, duasnotícias sobre um mesmo assunto. Você considera que as informações selecionadas sobre ofato foram diferentes nas duas notícias? Que efeitos essas diferenças podem causar nainterpretação do fato pelo leitor/espectador?NA SALA DE AULANas aulas destinadas aos estudos da línguaportuguesa, muitas vezes os professores trazemtextos para serem lidos, analisados. Muitos dessestextos são classificados pelos professores como“literatura de ficção”. São histórias inventadas,textos que podem ser atuais, mas que muitas vezesforam escritos há muito tempo.Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869,na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos eprósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado aocemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nemanúncios. Acresce que chovia – peneirava – uma chuvinha miúda, triste e constante,tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar estaengenhosa idéia no discurso que proferiu à beira da minha cova: — “Vós que oconhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estarchorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado ahumanidade (...)”.ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Globo, 1997. p. 1.Muitos alunos estranham esses textos. Os textosmais antigos, em geral, causam várias“estranhezas”: há lugares desconhecidos, palavrasestranhas e o tempo parece remoto (cem,duzentos, trezentos anos atrás...); há também umamaneira de escrever diferente, que não nos parecefamiliar, não parece um texto que a gente possaler ou ouvir, nas ruas, na televisão, nas revistas.São trechos como:Esse texto de Machado de Assis, do romanceMemórias póstumas de Brás Cubas, publicado noséculo XIX, fala de um tempo distante (1869), usavários termos não usuais em nossos dias(“expirei”, “rijos”, “prósperos”, “contos” –referindo-se a dinheiro – “vós”) e frasesconstruídas de uma maneira diferente da atual“... a perda de um dos mais belos caracteres quetêm honrado a humanidade”.Esses são alguns dos motivos de estranheza dosalunos de hoje frente a esse texto de outra época.E o que dizer da literatura mais próxima denossos dias? Vamos ler agora um trecho do contoFelicidade clandestina, publicado na década de70, já no século XX, pela autora Clarice Lispector:
  18. 18. Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas21(...) Foi então que, finalmente serefazendo, disse firme e calma para afilha: você vai emprestar o livro agoramesmo. E para mim: “E você fica como livro por quanto tempo quiser”.Entendem? Valia mais do que me daro livro: “pelo tempo que eu quisesse” étudo o que uma pessoa, grande oupequena, pode ter a ousadia dequerer.LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. In: MORICONI, Italo (Org.).Os cem melhores contos brasileiros do século XX. Rio de Janeiro:Objetiva, 2000. p.314.compreendem-se as palavras, mas isso não bastapara se ter a sensação de que a história de fato fazsentido.Mas aí é que está... Essas histórias não parecem tersido compostas para que os seus leitores ascompreendessem como se fossem uma notícia dejornal ou uma receita de bolo.Esse processo é consciente por parte de seusautores. Isso significa dizer que eles constroem ostextos dessa forma porque querem. Como osalunos, podemos nos perguntar: “E para que umapessoa escreve um texto que não seráimediatamente compreendido pelas outraspessoas? Por que essa atitude que parece ser uma‘provocação’? ”Não podemos e nem devemos dar uma respostadefinitiva a tais perguntas, mas podemos formularalgumas hipóteses. Olhe para o lado agora. Talveztudo em volta lhe pareça muito natural, muito“certinho”. Pense um pouco. Você faz tudo o quegostaria de fazer? E por que não faz? Se você nãotivesse tomado essa ou aquela atitude lá atrás nasua vida, será que a sua vida seria diferente agora,será que ela seria melhor ou pior?Poderíamos fazer milhares de perguntas dessetipo. Todas elas, de alguma forma, põem emdúvida a ordem comum das coisas. Sãoperguntas que não nos permitem olhar aoredor, ou olhar dentro de nós mesmos, ou pensarnas outras pessoas, e achar que é assim apenasporque deve ser.Só que, se em todos os momentos da nossa vida –e mesmo nos momentos da história dahumanidade – aceitássemos o que já existe comoo único possível e certo, provavelmente seríamoscomo os outros animais. Nasceríamos, viveríamos(nesse meio tempo iríamos comer, beber, nosacasalar), morreríamos e pronto.Muitos até podem pensar “bom, nada mal se fosseassim”. Só que nós sabemos que a vida humananão se resume apenas a ações naturais. Os sereshumanos são inquietos, criativos. E essainquietude e essa criatividade nos movem paramudanças e descobertas.E que tem a ver com tudo isso os nossos textos?Absolutamente tudo. Há várias produçõeshumanas, os chamados objetos artísticos, que sepropõem a manter vivo esse espírito criativo eDo ponto de vista da linguagem utilizada, essetexto parece não apresentar grandes problemas.Mas, e a história em si, aquilo que nos é contado?O narrador da história nos diz que recebeu umlivro emprestado, na condição de poder ficar como livro “quanto tempo quisesse”. E, para essemesmo narrador, ficar com o livro por esse tempoindeterminado é a maior ousadia que uma pessoapode ter ou querer na vida.Nesse momento, podemos ligar esse trecho aoanterior: o primeiro, além da linguagem distante,traz uma história contada a partir de um narradorjá morto (“expirei” quer dizer “morri”).Perspectiva estranha para se contar umahistória, não?No segundo trecho, um narrador afirma que amaior ousadia de um ser humano é ter a sensaçãode poder ficar com alguma coisa (no caso, umlivro), por quanto tempo quiser. Mas o quesignifica essa idéia? Não dá para ter umcompreensão imediata dessas palavras.Tentemos entender um pouco essa situação, comdois olhares diferentes. Vamos pensar no olhardos alunos e no olhar do professor, imaginandoquais motivos podem tê-lo levado a trazer textoscomo esses para a sala de aula.Primeiro, os alunos. Quando lemos os trechos dashistórias citadas acima, apontamos dois problemascomuns na leitura deles: ou os textos parecemfalar de um tempo muito distante e, portanto,difícil de compreender, ou o próprio assunto dahistória, a maneira como ela é construída, parecenão fazer muito sentido. Quer dizer,
  19. 19. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio22Aqueles textos, como qualquer outro objetoartístico, não têm respostas prontas para nosfornecer sobre qualquer assunto. Por isso, aoentrarmos em contato com eles, não conseguimoster uma compreensão imediata do que queremdizer. Ou seja: em um objeto artístico, não há uma“única verdade” sendo construída. O que seconstrói são possibilidades.Voltemos a Machado de Assis e Clarice Lispectore suas respectivas obras, citadas lá atrás. Aprimeira história, a do defunto-autor, nos colocaessa possibilidade, entre outras: como poderia sero olhar de um morto sobre sua própria vida?Como veríamos a nossa história se pudéssemos teresse olhar? O que significaria a vida para nós?Já a história do livro emprestado pode estar nosperguntando: o que é a felicidade? Será que afelicidade é uma sensação passageira, ou podemoscarregá-la pela vida afora? Será que ter asensação de poder tudo não é o máximo defelicidade que podemos ter concretamente?Despertar nos outros a inquietude parece ser umtraço característico dos objetos artísticos, sejameles quais forem. Outro traço comum é pressupor,por parte de quem produz tais objetos, um grandedomínio das técnicas de seu ofício. Afinal, se paraconstruir uma informação simples é preciso sabercomo fazê-lo, que dizer de objetos que queremtransmitir uma informação aberta, mas que precisase manter minimamente compreensível?Só para sentir a dificuldade técnica de produzirum objeto artístico, tente compor a letra para umamúsica. O assunto você escolhe. Veja se é fácilescrever uma letra com sentido, com frases bem-articuladas, que nos tragam à cabeça imagensbonitas.E A BELEZA? ONDE É QUE FICA?Você pode estar se perguntando a essa altura: “E abeleza? Uma obra de arte não tem que ser bonita?A gente vê uns quadros por aí, parecem umastintas jogadas em cima da tela... Será que isso éarte? ”Com certeza, muito do nosso estranhamento diantede objetos artísticos vem daí. Talvez este seja umbom momento para retomar uma de nossasquestões iniciais: por que será que os professores,no contexto escolar, trazem obras de arte paraestudar com seus alunos?PARA ALÉM DA SALA DE AULA...Se você mora em uma cidade ou perto de uma,procure se lembrar de algum monumentoexistente nela (pode ser uma fonte ou escultura napraça). Você classificaria esse objeto como umaobra de arte? Por quê?5Desenvolvendo competênciasRecordando e comentandoVocê já deve ter lido textos de ficção que causaram estranhamento em você, seja pelo tema,pela maneira como o autor escreveu, ou qualquer outro motivo. Se você puder, releia algumdesses textos. Depois, escreva um pequeno comentário, tendo em mente a seguinte questão:posso considerar esse texto que acabo de ler como um objeto artístico? Por quê?inquieto. O que dissemos lá atrás sobre os textos?Dissemos que eles nos provocavam. E por quê?Porque eles não constroem para nós umarealidade pronta, acabada, indiscutível. Esse papelcabe à informação e a uma série de outras formasde organizar a realidade.
  20. 20. Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas23Quando observamos diferentes obras de arte, nãodevemos esquecer que são produzidas numdeterminado momento da história da humanidade,num determinado país, em uma certa sociedade,que por sua vez possui suas crenças, valores,hábitos. E, mais do que isso, não devemos nosesquecer de que os valores de uma sociedademudam com o tempo. Certamente, nós nãopensamos mais como os brasileiros que viveramhá cem anos.Na sala de aula, esse talvez seja um dos objetivosdo professor: estudar com seus alunos diferentesobjetos artísticos, sob diferentes pontos de vista.Objetos artísticos produzidos hoje, produzidos emum passado distante, em um passado remoto, emnosso país e também por outras culturas domundo.A arte, como alguns outros sistemascomunicativos, tem essa preocupação histórica:muitas pessoas envolvidas na produção ou difusãode uma obra de arte sabem que esses objetos estãotratando de temas humanos ao longo do tempo.Por isso, conhecem e respeitam a tradição, aquiloque já foi feito por outros seres humanos emoutros momentos.Retomemos a questão da beleza. Para muitos denós, a beleza tem como pressuposto a nossacompreensão imediata. Quando vemos um quadrocom rosas vermelhas em um belo vaso, admiramosa capacidade do artista para construir umarepresentação tão próxima do real.Mas o que muitos não sabem é que essacapacidade de “imitar” a realidade de formarealista já foi manifestada por uma série deartistas a partir do século XVI. Um artistachamado Leonardo da Vinci, em 1503, pintouum quadro denominado Mona Lisa, que éprovavelmente o rosto de uma mulher daquelaépoca.Faz sentido um artista apenas continuar, nos diasde hoje, a fazer quadros como há quinhentosanos? E onde é que fica a criatividade, ainquietude?O grande dilema da arte é que ela pressupõe deseu espectador o conhecimento da história. E, nosdias de hoje, tão centrados no trabalho e nadiversão, ou seja, no imediato, a arte acaba sendoum sistema com pouca penetração direta na vidada maioria das pessoas.ELES DIZEM QUE NOVELA É “COISADE MULHER”...É difícil imaginar um brasileiro que nunca tenhaouvido falar em novela de televisão. Há muitoshomens que dizem que “novela é coisa demulher”, mas o fato é que todo mundo, vez poroutra, acompanha algum capítulo de algumatelenovela.É muito comum, mesmo, ouvirmos ouparticiparmos de discussões sobre alguma cena denovela, algum tema que tenha sido tratado ou odestino que achamos bom para esta ou aquelapersonagem. Mas é curioso como podemos falarsobre uma novela de televisão a partir dos maisvariados pontos de vista.Às vezes, um assunto da novela pode nos levar apensar se aquilo é certo ou errado e a emitirjulgamentos ou opiniões sobre os comportamentose idéias que nos são passados. Outras vezes, temosreações absolutamente emotivas, podemos atéchorar ou ficar com raiva de um vilão que estáfazendo o nosso herói ou heroína sofrer naquelahistória. Mas um fato parece ser claro para todosnós: diante de uma telenovela, nóscompreendemos o que se passa. Todas as históriasde novela são ficções; não vemos ali fatos epessoas reais, no entanto, somos capazes deacompanhar o que acontece com as personagensque estamos seguindo.Essa capacidade de ser compreendida é tão fortena telenovela que, mesmo quando não assistimos aalguns capítulos, somos capazes de compreender oque se passa.E por que isso acontece? Como uma históriainventada, que se divide em tantos capítulos, podeser tão facilmente acompanhada pelas maisdiferentes pessoas, com diferentes níveis deescolaridade?O USO DAS LINGUAGENS NASNOVELASTentemos lembrar alguma cena de telenovela.Provavelmente, o que vem à nossa cabeça sãoimagens com personagens. A linguagem visual émuito significativa nas telenovelas. O cenário, asroupas das personagens, seus gestos, tudo nos levaa compreender o que está acontecendo. A mesma
  21. 21. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio24coisa pode ser dita sobre os sons. Se imaginamosuma cena de suspense, de amor, é claro que atrilha sonora nos embalará para “entrarmos noclima” do que a cena está querendo nos passar.E quanto à linguagem verbal? Essa também éusada de forma a tornar a situação o mais clarapossível para nós. Mesmo quando há uma cena demistério, dá para observar que algumas frases ougestos das personagens são indicativos de quealgo irá acontecer.Quer dizer, na maior parte das vezes, o uso dasdiferentes linguagens nas telenovelas está aserviço da clareza de entendimento por parte dotelespectador.Há outro aspecto que se pode observar, também,no uso das linguagens nas novelas de televisão: ashistórias que nos são contadas, muitas vezes,mexem com os nossos sentimentos. Despertam emnós raiva, ternura, compaixão, simpatia, amor etc.E esses efeitos são provocados por umaequilibrada mistura das linguagens visual, verbale sonora.Imagine a seguinte situação: uma cena de novelasem som. Agora imagine essa cena sem osdiálogos, só com trilha sonora e imagem. Por fim,pense na cena só com os diálogos, sem avisualização das cenas e sem a trilha sonora.Em todas essas possibilidades, parece que algumaparte essencial ficou de fora. Sem a imagem e sema trilha sonora, parece que nossa imaginação enossos sentimentos ficam um pouco paralisados.Já sem os diálogos, ou seja, sem a linguagemverbal, fica faltando alguma coisa muitoimportante para a compreensão do que acontece.Só as novelas de televisão têm essascaracterísticas? Ou, dizendo de outro modo: dosobjetos que estão à nossa volta, só as telenovelassão uma mistura de clareza e emoção?Objetos como as telenovelas podem serclassificados como formas de entretenimento. Sãoobjetos que servem para nos fazer passar o tempo,para nos divertir, para preencher o nosso horáriode lazer.Muitos, muitos objetos ao nosso redor têm essafinalidade básica de nos entreter: a transmissãode jogos, os programas de auditório e oshumorísticos, o repertório musical da maioria dasrádios, muitos filmes, entre outras possibilidades.Mas há objetos geradores de dúvidas. Uma peçade teatro é um objeto artístico ou entretenimento?Depende do objetivo básico da peça, da maneiracomo é organizada pelos que dela participam (enesse grupo estão atores, diretores, pessoaltécnico, divulgadores etc.).Há peças de teatro que se propõem inquietar oespectador. Nesse caso, localiza-se nelas a escolhade um texto mais difícil, de atores e diretoresmenos preocupados em serem facilmentecompreendidos, de cenários e figurinos quesurpreendam, de uma divulgação que tambéminquiete o possível espectador etc.O mesmo se pode dizer de uma peça de teatro como objetivo básico de entreter o espectador, só queao contrário: o texto será mais fácil decompreender, os atores se esforçarão para essacompreensão, o cenário e os figurinosnormalmente estarão ali apenas para dar“realismo” às cenas, a divulgação deixará muitoclaro que quem for assistir àquela peça vai sedivertir etc.O ENTRETENIMENTO PARECE TER UMPOUCO DE TUDOUm objeto de entretenimento, muitas vezes,também revela características de outras sistemasque organizam a sociedade. Na verdade, nosoutros sistemas também pode ocorrer o mesmo(por exemplo, num jornal, há anúnciospublicitários). Mas o curioso do sistema doentretenimento é que ele se apropria de elementosde outros sistemas, absorvendo-os etransformando-os.No jornal escrito há o setor de classificados. Masas notícias de jornal não têm uma relação diretacom os produtos que estão sendo vendidos nosclassificados. Pegue uma revista e um jornal.Procure uma página com o anúncio de algumproduto. Veja se há uma relação direta entre asnotícias e os produtos anunciados.Agora, pense em uma cena de telenovela em queum produto esteja sendo anunciado. Repare o queas personagens estão fazendo, o que elas estãofalando, o local em que se passa a cena e veja setudo isso está ou não diretamente relacionadocom o produto oferecido.
  22. 22. Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas25Essa atitude de absorção e transformação dosistema de entretenimento é ainda mais forte noque diz respeito à arte. Muitas telenovelas, muitasminisséries, muitas músicas populares, muitosfilmes de ação ou diversão são adaptados de obrasartísticas. Muitas vezes, esse procedimento é atéanunciado.Se você puder, preste atenção na abertura dealgumas novelas ou minisséries. Veja se háalguma referência a outras obras, algumas frasescomo “baseado no texto de ...”, ou “adaptaçãolivre da obra de...”. Isso significa que o que severá foi adaptado de uma outra obra,normalmente artística.No entanto, objetos de entretenimento, muitasvezes, absorvem e transformam objetos artísticossem deixar esse procedimento claro. Há algummal nisso?Falando sobre o sistema artístico, dissemos que,em geral, ele causa estranhamento no espectador,justamente porque não é um objeto construídopara distrair as pessoas, mas para levá-las aalguma reflexão, para avançar nos domínios dastécnicas daquela arte e construir uma novaconcepção de beleza, entre outras possibilidades.Quando, porém, tomamos consciência de que osobjetos artísticos muitas vezes são utilizadoscomo fonte para os objetos de entretenimento,começamos a perceber que existe uma enormefunção social para a arte, mesmo que nãoconsigamos vê-la de imediato.Quando um objeto de entretenimento se baseia emum objeto artístico, mas não se preocupa emdeixar clara a referência, de alguma forma nãonos desperta a curiosidade pelo original,mostrando como se fossem novas idéias jáconsagradas por outras obras.Isso quer dizer que os objetos de entretenimentonão têm o seu próprio lugar?Lugar é o que entretenimento mais tem no mundomoderno. Com o ritmo acelerado do dia-a-dia,todos necessitam de momentos de lazer, seja parao corpo ou a mente. Mas, como as ofertas para odivertimento são muitas (neste momento, vocêpoderia ver vários programas diferentes natelevisão), a concorrência entre os produtores égrande.Na busca desenfreada pela novidade, os objetos deentretenimento, por vezes, se tornam apelativos,exagerando nos temas sensacionalistas,estimulando preconceitos, humilhando pessoasetc. Mas, muitas vezes também, com clareza,simplicidade e emoção, programas de auditório,transmissões esportivas, novelas de televisãoconseguem um feito notável: levar uma diversãosimples e imediata a milhares de pessoas aomesmo tempo.
  23. 23. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio266Desenvolvendo competênciasDuas letras de músicaLeia os trechos das letras das músicas a seguir:II - VALSA BRASILEIRAAutores: Chico Buarque e Edu LoboVivia a te buscarporque pensando em ticorria contra o tempoeu descartava os diasem que não te vicomo de um filmea ação que não valeurodava as horas pra trás,roubava um pouquinhoe ajeitava o meu caminhopra encostar no teu(...)BUARQUE, Chico; LOBO, Edu. Valsa brasileira. In: ______. Dança da meia-lua. [S. I.], 1988. 1 CD.I - É O AMORAutor: Zezé di CamargoEu não vou negar que sou louco porvocêTô maluco pra te verEu não vou negarEu não vou negarVocê traz felicidadeSem você tudo é saudadeEu não vou negar(...)CAMARGO, Zezé di. É o amor. [S.l.: s.n.], 1991.A partir da leitura dessas letras, qual delas você analisaria como objeto de entretenimento(fruto de um trabalho mais claro e direto com a linguagem) e qual você analisaria comoobjeto artístico (aquela em que a linguagem não constrói um sentido imediato)? Justifique.SEMPRE PODERÁ HAVER UMPRÓXIMO CAPÍTULO...Poderíamos ainda falar de muitos outros sistemasde comunicação, mas este capítulo limitou-se aesses quatro (publicitário, informativo, artístico ede entretenimento). Uma idéia para não esquecer éque qualquer objeto de produção humanapressupõe um sistema organizador por trás, e oque une todos os que estão envolvidos em cadaum desses sistemas é o fato de possuírem algumobjetivo em comum.E uma última questão. Como vimos, os diferentessistemas não são isolados uns dos outros: elesmisturam-se, com maior ou menor intensidade, edaí talvez acabem saindo novos sistemas eprodutos.
  24. 24. Capítulo I – Publicidade, entretenimento e outros sistemas27ORIENTAÇÃO FINALPara saber se você compreendeu bem o que está apresentado neste capítulo, verifique se está apto ademonstrar que é capaz de:• Reconhecer as linguagens como elementos integradores dos sistemas de comunicação.• Identificar os diferentes recursos das linguagens, utilizados em diferentes sistemas de comunicação einformação.• Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação paraexplicar problemas sociais e do mundo do trabalho.• Relacionar informações sobre os sistemas de comunicação e informação, considerando sua funçãosocial.• Posicionar-se criticamente sobre os usos sociais que se fazem das linguagens e dos sistemas decomunicação e informação.
  25. 25. AS LÍNGUAS ESTRANGEIRASMODERNAS EM NOSSA SOCIEDADECONHECER E USAR LÍNGUA(S) ESTRANGEIRA(S)MODERNA(S) COMO INSTRUMENTO DE ACESSO AINFORMAÇÕES E A OUTRAS CULTURAS E GRUPOS SOCIAIS.Capítulo IIGláucia d’Olim Marote Ferro eLívia de Araújo Donnini Rodrigues
  26. 26. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio30Capítulo IIAs línguas estrangeirasmodernas em nossa sociedadeOlá! Hola! Hello! Ciao! Salut!Este capítulo propõe o estudo de LínguasEstrangeiras Modernas a você, estudante quedeseja completar sua formação no Ensino Médio.Veja que falamos em línguas no plural e é issomesmo: o intuito não é estudar uma língua emespecial, mas sim, descobrir caminhos que tornempossível a leitura de pequenos textos em algumasdas línguas estrangeiras presentes em nossasociedade. Nesse sentido, vamos ler textos com osquais é bem possível que você já se tenhadeparado em algum momento de sua vida: omanual de um equipamento eletroeletrônico, aembalagem de um produto importado, um anúncioem Língua Portuguesa com palavras em línguaestrangeira, enfim, textos que nos rodeiam e que,às vezes, nem sequer são lidos, por nos julgarmosincapazes de entendê-los.A PRESENÇA DE VÁRIAS LÍNGUASEM NOSSO COTIDIANOSem dúvida, você sabe ligar um aparelho toca-fitas para ouvir uma música e sabe, também,interrompê-la no momento em que quiser. Masserá que você já percebeu o que está escrito nosbotões do aparelho?power – play – stopEssas palavras não pertencem à LínguaPortuguesa, mas nós as dominamos sem hesitar.Veja só outra situação bastante corriqueira.Quando você liga seu aparelho de televisão paraassistir a um jogo de futebol da nossa seleção, ébem provável que queira ver o time marcarmuitos gols. Você vai ficar aborrecido se umcraque perder um pênalti e vai vibrar com osdribles dos atacantes. Pois é, mas, apesar de seruma emoção bem brasileira, na verdade, váriaspalavras do trecho acima são, originalmente,inglesas.football, team, goal, dribble e penalty sãoalguns exemplos.Você sabia que foi o paulista Charles Miller que,em 1894, trouxe o esporte para o Brasil após terpassado uma temporada estudando na Inglaterra,onde o esporte já era bastante difundido? Sepuder, converse com pessoas mais velhas sobreisso. Elas devem se lembrar de que, até os anos50, não se dizia escanteio, mas sim, corner;zagueiro era back e o goleiro era o (goal) keeper.Aliás, nos programas de esportes natelevisão, há uma verdadeiraenxurrada de palavras estrangeirassendo utilizadas. Veja se vocêconsegue identificar a quais esportesse relacionam as seguintes palavrasda língua inglesa:a) backhand, slice, set point,smashb) jab, corner, knockdown, punchc) cockpit, grid, pole position
  27. 27. Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade311Desenvolvendo competênciasNão é só nos esportes que notamos a presença de línguas estrangeiras modernas. Leia aspalavras do quadro a seguir. Você certamente já ouviu algumas delas ou até mesmo asusou. Durante a leitura, procure identificar se dizem respeito à alimentação, informáticaou vestuário.on line – chester – internet – blazer – software – mouse – legging – site – stretch – diet –e-mail – twin-set – croûtons – jeans – cheeseburger – shorts – home page – hot dogAgora que você já parou para pensar sobre oassunto, vale a pena afirmar que, apesar de vocêmorar no Brasil e falar português, que é, portanto,a sua língua materna, você está constantementeem contato com outras línguas.O fato de vivermos em uma sociedade plurilíngüe,ou seja, na qual participam muitas línguas, não éE então, conseguiu identificar os esportes?O primeiro grupo relaciona-se ao tênis, esporteem que temos o Guga, o primeiro brasileiro aocupar a posição de número 1 no ranking mundial(ôpa! ranking também é uma palavra inglesa).O segundo grupo relaciona-se ao boxe, de nossosexpoentes Maguila e Popó. O terceiro grupo é daFórmula 1, de Émerson Fittipaldi, Nelson Piquet,Ayrton Senna e Rubens Barrichello.algo novo. Trata-se de algo que faz parte daformação de nossa própria língua portuguesa.Você certamente conhece as palavras bombom,ressaca e serenata, não é mesmo? Mas você sabede onde elas vêm? Se não sabe, descubra, lendo ostrechos a seguir:Pois é… Essas palavras já foram incorporadas ànossa língua a ponto de sequer estranharmos suapresença em nosso cotidiano. Outras, como as queBOMBOM: do francês bonbon, guloseima. Nome genérico com o qual denominamosbalas, chocolates, doces. É freqüente o francesismo bonbonnière para designar aspequenas lojas especializadas na venda desses produtos.RESSACA: do castelhano resaca, denominação dada ao refluxo da maré, depois dechegar à praia ou ter seu movimento impedido por algum obstáculo. Seu significadoliteral é o de sacar de novo, uma vez que o prefixo re- indica repetição.SERENATA: do italiano sera, noite, formou-se serenata, concerto dado à noite. Oportuguês conservou a grafia e o significado.SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997.vimos anteriormente, parecem invadir, a todomomento, nossas vidas e, sem percebermos,usamos como se fossem nossas.
  28. 28. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio322PARECE ESTRANHO, MAS NÃO É...Nesta parte do capítulo, vamos analisar algunstextos para que você, unindo as experiências evivências que possui e o conhecimento que temde sua própria língua materna, possa aprender aencontrar a chave para ler pequenos textos.Desenvolvendo competênciasAs línguas estrangeiras modernas ao seu redorFatores históricos e, em especial, econômicos, provocam a entrada de produtos de consumoe bens culturais de diversos países em nossa sociedade. Até aqui, você viu e pensou sobrealguns exemplos da presença de línguas estrangeiras em nosso dia-a-dia. Agora é a suavez de descobrir outros.Com um caderno e um lápis em mãos, anote palavras, expressões e textos (manuais,embalagens) escritos em línguas estrangeiras modernas encontrados em sua casa, nas ruase em seu trabalho. Preste bastante atenção em:a) aparelhos eletroeletrônicos e outras novas tecnologias (telefonia celular, internet,sistemas de bancos);b) produtos de limpeza, de higiene pessoal, alimentos e bebidas;c) nomes de filmes, de programas de televisão e de lojas;d) jogos eletrônicos, jornais, revistas, músicas e painéis de rua (que muitos chamam deoutdoors – uma palavra emprestada do inglês – aliás, sem muita propriedade, já que,naquela língua, outdoor significa ao ar livre e a palavra que designa o que é chamadode outdoor é billboard).Se possível, mostre essa lista a um amigo ou a um parente, tente identificar quais línguasestão mais presentes e, com o auxílio de dicionários, descubra os significados de alguns dostermos encontrados.VISITE DAQUIRANAPraias estrudeontes, com ondas daltas e areias tranas, muitas notroções noturnase grogeones restaurantes fazem de Daquirana um lugar casqueito para casais quequeiram redraxar em um clima rompântico.Entre em contato com nossos operadores de viagem e destundra as opções dehospedagem nessa redrião paradisíaca.Nossos preços são intratíveis!Com nossa ajuda, suas crérias serão indrandrecíveis!Makerete TourTel: (59) 5551555515E-mail: makeretetour@ppp.comVamos supor que você esteja lendo uma revista enela encontre o seguinte texto:
  29. 29. Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade33Estranho, não é? Isso porque se trata de um textoem que há palavras inventadas, que nãopertencem ao Português ou a nenhuma outralíngua. Apesar disso, releia-o e veja se vocêconsegue identificar o tipo de texto (se é umareceita, um artigo, um poema ou um anúncio)e o assunto (de que ele fala).Em seguida, tente reescrevê-lo, substituindo aspalavras inventadas por palavras de nossa línguae compare sua versão com a existente no finaldeste capítulo.Vamos, agora, discutir a relação entre o que vocêacaba de fazer e a leitura de textos em línguasestrangeiras.É bem provável que você, mesmo com algumadificuldade, tenha conseguido realizar a tarefa.Isso ocorre porque, quando lemos, orientamosnossa atenção para aquilo que entendemos elidamos com as dúvidas fazendo inferências, ouseja, tentando adivinhar o significado das palavrasa partir de dicas que encontramos no texto.Além disso, cada tipo de texto está associado adeterminadas expectativas de leitura. Quem desejafazer um bolo pela primeira vez lê uma receita enão um anúncio e, durante a leitura, esperaencontrar os ingredientes e as respectivasdosagens, o modo de preparo e algumas dicassobre como proceder em cada etapa do processo.Quem deseja encontrar um determinado capítulode um livro lê o índice e espera encontrar não sóos nomes dos capítulos, como também anumeração das páginas. Quem deseja descobrir opeso e o prazo de validade de um produto lê suaembalagem e direciona sua leitura para osnúmeros. Afinal, peso e validade são idéiasexpressas numericamente.Assim, leitor e texto se aproximam e criamexpectativas um em relação ao outro. Por essemotivo, para ler o texto, você deve ter utilizadoadjetivos bastante positivos, tais comomaravilhoso, delicioso, estonteante, inesquecível.Claro, pois ninguém espera ler, em um anúncio,algo como “Venha jantar em um de nossosrestaurantes sujos e horríveis”. O anúncio quervender algo e, por essa razão, a linguagem deveseduzir e atrair o possível comprador.Sempre que você estiver diante de um texto emlíngua estrangeira, lembre-se de, numa primeiraleitura geral, identificar o tipo de texto e oassunto, pois isso o ajudará a fazer “previsões”,facilitando a compreensão.VOCÊ PODE LER EM ITALIANO,INGLÊS, FRANCÊS...A seguir, você encontra textos em três línguas:Italiano, Inglês e Francês. Qual deles você deve lerparaa) receber um folheto que explica os vários usosde uma ferramenta?b) saber como fazer funcionar um rádio portátil?c) acrescentar uma receita em sua coleção dereceitas?
  30. 30. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio34FUSILLI SPIRALE MANTECATI CON ASPARAGI E FILETTI DI SOGLIOLADOSI – 4 personeRICETTA – facilePREPARAZIONE E COTTURA – 45 minutiINGREDIENTI: 350g di fusilli – 1 mazzo di asparagi – 8 filetti di sogliola bianca – 2cipolla bianca novella – 1 carota – 30g di burro – 6 cucchiai di olio d’oliva extravergine – 20 g di prezzemolo tritato – basilico q.b. – vino bianco q.b.PREPARAZIONE: Tagliate i filetti di sogliola a listarelle e gli asparagi a tronchetti,lasciando le punte integre e eliminando solo la parte dura e quella bianca. Fate bolliregli asparagi in acqua salata. Tagliate la cipolla e la carota a julienne, stufatele con unpoco di burro e un mestolino d’acqua. Aggiungete il vino bianco, i filetti di sogliola e gliasparagi cotti. Coprite e continuate la cottura per altri due minuti. Cuocete i fusilli inabbondante acqua salata, scolateli al dente e conditeli con il sugo appena preparato.Versate dell’olio d’oliva extra vergine, e insaporite con del basilico e del prezzemolotriati insieme.SOUND STAR FM RADIOElectric tuning minitype torch radioOperating ManualEarphone included 1.Put two batteries in the battery case. Use batteries Um3.Super bass sound 2.Use a 3.5mm stereo earphone and plug in the earphone socket.Flash light 3.Switch on the volume control and adjust the volume level.Auto scan 4.Press reset button and scan button. Once pressed, the radiowill tune automatically.Texto 1Texto 2
  31. 31. Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade35NOUVEAU: KREMIL MULTI PLUS POLYVALENT QU’UN COUTEAU SUISSEAvec plus de 100 accessoires, spécialement conçus, il vous permettra d’effectuer demultiples travaux, plus rapidement et facilement, qu’avec tout autre outilélectrique.Je désire recevoir gratuitement “Le Guide Kremil Multi” illustrant 100 possibilités detravaux.Nom ………………………………………………………………………….….…................................……Prénom ………………………………………………………………………..………............................…..Adresse …………………………………………………………………………….............................………Code Postal …………………………..............…. Ville ………..........…………………….…………….Coupon réponse à renvoyer àKREMIL 100+Applications – JEMIL FRANCE S.A.39 rue de la Plage – BP 749358 BEAUCOUZE Cédex – FRANCEFácil, não é? Principalmente se você se lembroudaquilo que discutimos no campo desenvolvendocompetências 1.Agora, encontre a palavra acqua na receita. Qual osignificado dela?Acqua em Italiano corresponde a água emPortuguês. Isso porque a palavra acqua é umCOGNATO – uma palavra em língua estrangeiramuito parecida com a correspondente em nossalíngua, pois ambas têm a mesma origem, ou seja,foram formadas a partir da palavra aqua do Latim.Desta vez, encontre a palavra burro na receita.Não é estranho que essa palavra esteja nesse tipode texto? Afinal, nós, falantes da LínguaPortuguesa, usamos a palavra burro para indicarum animal de quatro patas, bastante parecido comum cavalo. Entretanto, burro em Italiano é omesmo que manteiga em Português. Pois é… Esseé um exemplo daquilo que chamamos FALSOCOGNATO, ou seja, uma palavra que parece comoutra de nossa língua, mas tem significadodiferente.3Desenvolvendo competênciasAgora é a sua vez. Com a definição de cognatos e o alerta sobre os falsos cognatos emmente, releia os textos e identifique as seguintes palavras:a) Na receita: cozimento, salgada, vinho e abundante.b) No anúncio da ferramenta: trabalhos, facilmente e rua.c) No manual: pressionar, baterias e automaticamente.Texto 3
  32. 32. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio364SEMELHANÇAS E DIFERENÇASENTRE AS LÍNGUASÉ bastante comum ourvirmos a seguinteafirmação: “Eu me viro bem em Espanhol, porquese parece muito com o Português. Na verdade, ésó usar as palavras do Português com a pronúnciado Espanhol e está tudo resolvido.” Ora, isso não ébem verdade. De fato, há muitas semelhanças entreDoble el filtro en los ladosprensados. Coloque elfiltro de papel en elportafiltro seco. Usesolamente filtro de papel10 con el portafiltro 10.Ponga una cuchara desopa (al ras) de café portacita o a su gusto.Vierta agua hirviendo, sincolocar azúcar, bien en elcentro del filtro, lenta ycontinuadamente, sinefectuar movimientoscirculares. NO revuelvacon cuchara para noromper el filtro.E então, você conseguiu descobrir? O fato desaber fazer café utilizando um filtro de papelajuda muito. É o que chamamos conhecimentoprévio. Sempre que lemos sobre algo que jáconhecemos, é bem mais fácil formular hipóteses– fazer previsões e/ou suposições – acerca dosignificado de palavras e termos presentes noessas duas línguas, mas nem tudo é assim tãotransparente… Você saberia dizer o que significa apalavra cuchara? Se não, descubra lendo asinstruções abaixo, tiradas de uma embalagem defiltro de papel para fazer café.texto. Mas, no caso acima, há, ainda, um outrofator que ajuda a descobrir o significado dapalavra cuchara: são as ilustrações queacompanham as instruções. Elas orientam aleitura, criando um contexto que ajuda o leitora descobrir significados.Desenvolvendo competênciasReleia as instruções e descubra:a) Por que o número 10 aparece duas vezes no primeiro passo das instruções?b) Como dizemos as palavras tacita e hirviendo em português?c) Que instrução adverte o usuário do filtro de papel sobre o que NÃO deve ser feito?
  33. 33. Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade37Vale, então, o recado. Sempre que houverimagens, inicie a leitura a partir delas e, quando otexto parecer confuso ou difícil de acompanhar,procure nelas o auxílio para prosseguir coma leitura.VOCÊ É O VENDEDORVamos supor que você precisa ampliar sua rendae surge a oportunidade de vender, em suas horaslivres, produtos de uma empresa multinacionalque acaba de entrar no mercado brasileiro. Asvendas são feitas através de um catálogo quecontém a especificação de todos os produtosoferecidos pela empresa. Só que, quando vocêabre o catálogo, depara-se com um problema: adescrição dos produtos está em outra língua.Observe as páginas 2 e 3 do catálogo,reproduzidas a seguir, e responda: que tipo deprodutos você irá vender?BODY & DENTAL CARE 2 HAIR CARE & PERFUME 3ITEM CODE ITEM CODEToothbrush 2386 Scented soap 3745Toothpaste 2366 Perfume for women 3755Lotion - cleanser 2531 Perfume for men 3765for normal skinGel for daily use 2533 Natural shampoo 3735
  34. 34. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio38Ao responder à pergunta, você iniciou umprocesso de compreensão geral do texto.Entretanto, para poder efetuar suas vendas eorientar bem seus clientes, você precisará sabermais detalhes sobre cada produto. Será preciso,assim, aprofundar sua leitura. Mãos à obra!Seu primeiro cliente solicitou:a) creme dentalb) perfume masculinoc) sabonete perfumadod) loção de limpeza para peles normaisReleia as páginas do catálogo e identifique ocódigo dos produtos solicitados.Que pistas presentes no catálogo você utilizoupara realizar a tarefa?Vamos discutir um pouco mais sobre isso. Vocêprovavelmente fez uso das imagens e das palavrascognatas, não é mesmo? É o caso da diferençaentre toothpaste e toothbrush.Pela imagem, é possível associar toothpaste etoothbrush a dentes. Pela semelhança com oPortuguês, toothpaste é pasta de dente, ou cremedental. Porém, para decidir se perfume masculinoé perfume for men ou perfume for women, vocêprecisa saber a diferença entre men e women.Como essas duas palavras fazem lembrar apenas apalavra homem e a ilustração não ajuda muito, énecessário encontrar outra alternativa para lidarcom esse problema: ou você busca, naquilo queconhece, expressões que possam esclarecê-las; ouvocê conversa com alguém que possa ajudá-lo aestabelecer a diferença entre elas; ou vocêprecisará descobrir o que significam em umdicionário. Qual foi a sua estratégia?Para pensar: você alguma vez utilizouum dicionário de língua estrangeira?Sua busca teve sucesso?LENDO NOTÍCIASLeia a notícia a seguir e procure indicara) em que seção de um jornal ou revista elapoderia ser encontrada;b) quais termos e expressões em línguasestrangeiras nela estão presentes.SISSI MAGALHÃES INFORMA!Destaque da semanaLight & Dark na Modern GalleryA designer Fabianna Swatch Boaventura começou a fazer os seus primeiros móbiles emorigami no ateliê do pai, o escultor Oscar Boaventura. Sua última coleção, “Light &Dark”, é produzida em resina acrílica e papel, sempre utilizando duas cores, ton surton. Seus trabalhos poderão ser apreciados na Modern Gallery, de 15 de abril a 30 demaio, das 10h às 21h.
  35. 35. Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade39Ao ler a notícia, você deve ter percebido que elafaz parte de uma coluna assinada por SissiMagalhães e que está indicada como destaque dasemana. Isso revela a importância que é dada àexposição e à artista. O público a quem essanotícia se destina é certamente constituído porartistas plásticos, profissionais da área e pessoasque se interessam por arte em geral.Refletir sobre o lugar ou veículo/mídia em que otexto se apresenta e a quem ele se destina (seusleitores) é um dos passos para entendê-lo.Outro passo é buscar compreender as intenções doautor e os recursos que ele usa para comunicá-las.Você assinalou várias palavras e expressões emlínguas estrangeiras presentes no texto, queservem para indicar, por exemplo, quem é Fabiana(uma designer), o nome de sua última coleção(Light & Dark), como as cores são utilizadas emseu último trabalho (ton sur ton) e o local ondeserá a exposição (Modern Gallery). Entretanto,será que não temos, em nossa língua, palavras eexpressões com o mesmo sentido? O que deve terlevado a autora a usar tantas palavras estrangeirasem um texto tão curto?Para analisar essa questão, voltamos ao que foidito anteriormente: as intenções de quem escreveou fala.A artista, ao ser chamada de designer – em vez dedesenhista de produto ou projetista – tem suaatuação profissional valorizada, já que umdesigner não só faz o desenho, como também criaalgo novo. Além disso, ao batizar sua coleção comum nome em Inglês, a artista deve ter tido aintenção de posicionar seu trabalho em uma esferamundial, não o restringindo ao público brasileiro.É como se o nome pudesse fazer com que a obrada artista tivesse um caráter internacional.O dono da galeria, ao escolher para ela um nomeem Inglês, parece ter tido a mesma intenção. Comum nome estrangeiro, a galeria abre-se como umespaço de arte do mundo e para o mundo.A autora do texto, ao usar esses termos eexpressões, marca seu público-leitor como umgrupo de pessoas que têm interesses comuns,circulam nas mesmas rodas sociais e, portanto,compartilham de uma mesma linguagem, o que dáà autora e a seus leitores um status socialdiferenciado. Não se pode negar o caráter elitistadesse uso. Nesse sentido, dizer “ton sur ton” temum valor diferente do que teria “tom sobre tom”.Infelizmente, para alguns, dizer sale em vez deliquidação e delivery em vez de entrega emdomicílio é “chique” e “diferente”.Sempre que você vir outros textos – notícias,marcas, nomes de estabelecimentos comerciais,anúncios – com termos ou expressões em línguasestrangeiras, pare e pense nas intenções esignificados desse uso.
  36. 36. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio40OS PRODUTOS CULTURAISESTRANGEIROSVocê certamente conhece produtos culturaisestrangeiros, tais como músicas, filmes, programasde televisão, entre outros, que circulam em nossasociedade. Vamos refletir sobre a presença dessesprodutos a partir de um exemplo bastantecorriqueiro: a diferença entre tomar uma sopa delegumes batida no liquidificador e comer umprato de salada.Na sopa, os ingredientes desmancham-se e formamum todo único no qual, mesmo que o sabor de umou outro possa sobressair, torna-se difícilidentificar cada um deles.No prato de salada, por mais que os ingredientesestejam juntos, até mesmo picados, é bem maisfácil saber o que você está comendo: tomate,alface, cebola…Você pode estar pensando: mas o que isso tem aver com a presença de produtos culturaisestrangeiros em nossa sociedade?Tem muito a ver! Tecnologias modernas como aInternet, a TV a cabo, a telefonia e os sistemas decomunicação em geral aproximam e facilitam oconvívio e as trocas entre culturas.Para muitos, esse convívio é consideradoprejudicial, fazendo com que as culturas de cadapaís passem por uma desestruturação, levando aoque se chama uma única cultura global. É como setoda a cultura produzida no mundo pudesseassemelhar-se à sopa de legumes batida noliquidificador!Para outros, porém, o convívio entre as culturaspode ter efeito inverso, ou seja, a aproximação e odiálogo podem ser positivos, garantindo eaprofundando as particularidades e identidadesoriginais de cada cultura – como no pratode salada!Ao ler os textos a seguir, reflita sobre a posição eas opções dos artistas com relação à suaidentidade cultural (características próprias dacultura de cada indivíduo).DISSERAM QUE EU VOLTEI AMERICANIZADAVicente Paiva e Luiz PeixotoDisseram que eu voltei americanizadaCom o “burro” do dinheiroQue estou muito rica,Que não suporto mais o breque do pandeiroE fico arrepiada ouvindo uma cuíca.(...)Nas rodas de malandros, minhas preferidas,Eu digo mesmo eu te amo e nunca I love youEnquanto houver Brasil,Na hora das comidas,Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu.PAIVA, Vicente; PEIXOTO, Luiz. Disseram que eu voltei americanizada. In: VELOSO,Caetano. Circuladô (vivo). [S. I.]: Universal: Polygram, 1993. 1 CD.
  37. 37. Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade41NELLY FURTADO SE APRESENTA NO BRASIL EM MAIO(Da Redação)A canadense Nelly Furtado, premiada em 2001 com o Grammy de melhor cantora, vempela primeira vez ao Brasil para uma única apresentação. (…) Furtado divulga seu CDde estréia, “Whoa, Nelly!”, lançado em 2000, e que inclui o sucesso “I’m like a bird”,pelo qual a cantora recebeu o prêmio mais importante da indústria fonográficaamericana. As edições do disco lançadas no Brasil e em Portugal trazem o fado pop“Onde estás”, totalmente gravado em português, que a cantora fala com fluência e umdelicioso sotaque lusitano por ser filha de imigrantes portugueses. Furtado canta aindaum trecho em português na faixa “Scared of You”.UNIVERSO ONLINE – músicaDisponível em: http://www.uol.com.br/musica/rapidas/ult89u2662.shlNa letra da música, você deve ter percebido que,na primeira estrofe, são reproduzidas as críticassofridas pela artista em relação a um possívelabandono de suas raízes culturais: “disseram queeu voltei americanizada”, “não suporto mais obreque do pandeiro”.Na última estrofe, a artista responde às críticas,reafirmando sua origem e, portanto, suaidentidade cultural: “eu digo mesmo eu te amo enunca I love you” e “eu sou do camarãoensopadinho com chuchu”. É como se dissesse:“convivo sim, conheço sim, mas não deixo de serquem sempre fui”, ou seja, “não virei uma sopa delegumes!”Na notícia, observamos que se trata de uma jovemcantora canadense, filha de imigrantesportugueses, cujo trabalho tem reconhecimentointernacional (ganhadora do prêmio Grammy, que,na música, equivale ao Oscar do cinema). Ointeressante é que a cantora inclui, em seurepertório, um fado pop – combinação de doisgêneros musicais: o fado, tipicamente português, ea música pop, tipicamente norte-americana. E umacanção em Inglês, na qual há um trecho emPortuguês.Assim, na produção de uma única artista, vemos,ao mesmo tempo, marcas de sua inserção nomercado cultural mundial e da afirmação de suasorigens. É o prato de saladas de que falamosanteriormente.Apesar de o assunto ser bastante complexo, seusenso crítico o ajudará a posicionar-se diantedesse fenômeno tão presente em nossa sociedade.As músicas que você ouve, os filmes e programasde televisão a que você assiste têm, sim, umaforça ideológica que pode passar despercebida.Cabe a você a decisão de consumi-losindiscriminadamente, como se tomasse a sopa, ouavaliá-los de forma crítica e consciente,reconhecendo intenções e particularidades, comose comesse o prato de salada.
  38. 38. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio425Desenvolvendo competênciasOs testes presentes nesta parte do capítulo oferecem a você a oportunidade de avaliar seusconhecimentos e seu desempenho em relação às línguas estrangeiras modernas.As respostas para todos os testes estão no final do capítulo.Bom trabalho!1. Leia o rótulo abaixo.Pomodori Pelati, nesse caso, significaa) tomates sem pele.b) massa de tomates.c) extrato de tomates.d) tomates secos.2. Com a globalização (integração e superação de fronteiras econômicas entre países),passou a ser comum encontrarmos uma grande diversidade de produtos, cujas embalagenssão escritas em mais de uma língua (por exemplo, em Português e em Espanhol).Isso ocorre porquea) houve um aumento do número de imigrantes no Brasil nas últimas décadas.b) facilita a comercialização de um mesmo produto em diferentes países.c) os consumidores, no Brasil, falam e lêem fluentemente em línguas estrangeiras.d) os produtos importados são mais caros que os nacionais.
  39. 39. Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade433. Leia o texto abaixo.LA MAISON DE VIVIENNEMaisons de PoupéesVente par correspondanceJe souhaite recevoir le catalogue de La Maison de Vivienne. Je joins mon règlement de30 FF (remboursés dès ma première commande), par chèque, à l’ordre de La Maisonde Vivienne – 19 Route de la Wantzenau – 67800 Hoenheim – Tel.: 03.88.87.31.00.NOM: ……………………...........................… PRÉNOM: ……....................…………………………ADRESSE: ……………………………................................................………………………………….CODE POSTAL: …………....…………… VILLE: …….......................................…………….……A partir da leitura, concluímos que o texto é um(a)a) anúncio de venda de imóvel residencial.b) agenda de endereços e telefones de imobiliárias.c) ficha de inscrição para um sorteio de casa.d) ficha de cadastro para solicitar um catálogo de casas de bonecas.4. Na contracapa da revista de moda Marble Creations, encontramos a seguinteinformação:MARBLE CREATIONS IS PUBLISHED TWICE A YEAR:• Spring-Summer at newsstands on 15thJanuary• Autumn-Winter at newsstands on 15thJulyÉ correto afirmar que se trata de uma publicaçãoa) mensal.b) anual.c) bimestral.d) semestral.
  40. 40. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio445. Leia o texto abaixo.O texto é dirigido para alguém quea) precisa fazer cotação de preços de refrigeradores.b) procura um curso básico sobre refrigeração.c) quer encontrar o capítulo correto de um livro sobre refrigeração.d) procura um emprego de técnico em refrigeração.6. Na embalagem de um produto, há as seguintes informações:• Do not use under fire.• Non disperdere il contenitore nell’ambiente.• Evite el contacto con los ojos.Após a leitura, concluímos que as informaçõesa) alertam o consumidor sobre os prejuízos que o produto causa ao meio ambiente.b) informam o consumidor sobre os ingredientes do produto.c) alertam os consumidores sobre a má utilização do produto.d) informam que o produto é um alimento.7. Leia o convite a seguir.Venha visitar La Luna, a nova casa do restauranteur Silvio da Rocha, dono dos jáfamosos Vecchio Mondo e Don Colombo.O chef d’Onofrio o aguarda!Rua dos Cinco Amores, 32São Paulo – SPR.S.V.P. pelo telefone (11) 22333-444No texto, foram utilizados termos em línguas estrangeirasa) porque os convidados são estrangeiros.b) porque o dono do estabelecimento é estrangeiro.c) para que venham brasileiros e estrangeiros ao estabelecimento.d) para conferir ao estabelecimento um maior requinte e sofisticação.MODULES IN REFRIGERATIONThis course provides students with a basic knowledge of the technology of refrigeration,including system elements, procedures and the need for safe working practice.
  41. 41. Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade458. Leia o seguinte diálogo ao telefone.A: Alô, João? É o Marcos. Tudo bem?B: Tudo bem. O que é que você manda?A: Será que dá para você passar por aqui para consertar o meu mouse?B: Acho melhor você trocar esse seu mouse. Já é a terceira vez que ele dá problema.A: É verdade. Será que também dá para fazer um upgrading no meu hardware?Do jeito que está não dá mais para trabalhar!B: Tudo bem. Vou aí no final da tarde.O diálogo se passa entrea) um usuário de computador e um técnico especializado.b) um usuário de videocassete e um representante técnico.c) um motorista de táxi e um mecânico.d) um dono de loja e um marceneiro.9. Leia, abaixo, o catálogo de uma livraria.Você precisa comprar um dicionário bilíngüe de Língua Espanhola. Indique a alternativaque contém o título que mais se aproxima de seu interesse.a) Dictionary of Businessb) Dictionnaire d’Étymologiec) Diccionario General – Español-Portuguésd) Diccionario de usos y dudas del Español10. Na parte interna da caixa de um perfume feminino, lê-se: “Sometimes fantasies cometrue. You make them happen.” A intenção dessa frase, neste contexto, éa) sugerir que o uso do perfume ajuda a pessoa a realizar suas fantasias.b) dar um apoio a uma pessoa que está passando por um momento difícil de sua vida.c) informar ao usuário a composição do perfume.d) recomendar o uso do perfume no carnaval.ITEM CODE PRICEDictionary of Business 43494583 $ 21.00Diccionario de usos y dudas del español actual 43213455 $ 19.00Diccionario General – Español - Portugués 32345451 $ 14.00Dictionnaire d’Étymologie 42341596 $ 34.00Universal-Wörterbuch - Portugiesisch 432145543 $ 12.00
  42. 42. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio46Como posso ler textos em línguas estrangeiras?DICAS PARA LER TEXTOS EM LÍNGUAS ESTRANGEIRASAcredite: você pode, sim, ler vários textos em línguas estrangeiras! Basta tentar! Lertambém se aprende lendo! Assim, o que é aparentemente difícil pode tornar-se maisfácil do que você pensa.Preste atençãonos títulos esubtítulos!Procure identificar otipo e o tema do texto! Oriente-se peloque você entende!Use seus conhecimentosde Língua Portuguesa ede outras línguas nahora da leitura!Faça inferências!Se há figuras,inicie a leiturapor elas!Não se prenda àspalavras que vocênão conhece!Evite traduzir otexto na íntegra!Quando necessário,consulte um dicioná-rio para resolver suasdúvidas!Pense sempre nasintenções de quemescreve e para quem otexto foi escrito!
  43. 43. Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade47Conferindo seu conhecimentoAlimentação: chester, diet, cheeseburger, croûtons, hot dogInformática: on line, internet, software, mouse, site, e-mail, home pageVestuário: shorts, legging, stretch, twin-set, jeans, blazerPropostas para aprender a ler textosA versão do texto aqui apresentada deve servir como referência, pois não há uma única maneira de rescrevê-lo. Onome do lugar, Daquirana, e o nome da agência de viagens, Makerete, foram mantidos por tratar-se de nomespróprios.Tipo de texto: anúncio de uma agência de viagensAssunto: opção de roteiro de férias123Visite DaquiranaPraias estonteantes, com ondas altas e areias brancas, muitas atrações noturnas e maravilhosos restaurantesfazem de Daquirana um lugar perfeito para casais que queiram relaxar em um clima romântico.Entre em contato com nossos operadores de viagem e descubra as opções de hospedagem nessa regiãoparadisíaca.Nossos preços são imbatíveis!Com nossa ajuda, suas férias serão inesquecíveis!Você pode ler em Italiano, Inglês e Francêsa) Para receber um folheto que explica os vários usos de uma ferramenta, você deve ler o texto em Francês,intitulado Nouveau: Kremil Multi Plus polyvalent qu’un couteau suisse;b) para fazer funcionar um rádio portátil, você deve ler o texto em Inglês, intitulado SOUND Star FM radio;c) para acrescentar uma receita em sua coleção, você deve ler o texto em Italiano, intitulado Fusilli spiralemantecati con Asparagi e Filetti di Sogliola.I) cozimento = cottura; salgada = salata; vinho = vino; abundante = abbondanteII) trabalhos = travaux; facilmente = facilement; rua = rueIII) pressionar = press; baterias = batteries; automaticamente = automaticallySemelhanças e diferenças entre línguasCuchara = colhera) O número 10 aparece duas vezes porque se refere tanto ao tamanho do filtro de papel quanto ao tamanho doporta-filtro;b) tacita = xicrinha; hirviendo = fervendo;c) a instrução número 3 adverte que não se deve mexer com a colher para não rasgar o filtro de papel.4
  44. 44. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio48Você é o vendedorO catálogo contém produtos de higiene pessoal. Body & dental care = cuidados com o corpo e com os dentes;Hair care & perfume = cuidados com os cabelos e perfumes.a) creme dental = toothpaste (código 2366)b) perfume masculino = perfume for men (código 3765)c) sabonete perfumado = scented soap (código 3745)d) loção de limpeza para peles normais = lotion – cleanser for normal skin (código 2531)Lendo notícias...As respostas estão nas atividades.Desenvolvendo competências1.a; 2.b; 3.d; 4.d; 5.b; 6.c; 7.d; 8.a; 9.c; 10.a.5
  45. 45. Capítulo II – As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade49ORIENTAÇÃO FINALPara saber se você compreendeu bem o que está apresentado neste capítulo, verifique se está apto ademonstrar que é capaz de:• Reconhecer temas de textos em LEM e inferir sentidos de vocábulos e expressões neles presentes.• Identificar as marcas em um texto em LEM que caracterizam sua função e seu uso social, bem comoseus autores/interlocutores e suas intenções.• Utilizar os conhecimentos básicos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar aspossibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas.• Identificar e relacionar informações em um texto em LEM para justificar a posição de seus autores einterlocutores.• Reconhecer criticamente a importância da produção cultural em LEM como representação dadiversidade cultural.
  46. 46. QUERO O MEU CORPO DE VOLTA!COMPREENDER E USAR A LINGUAGEM CORPORAL COMORELEVANTE PARA A PRÓPRIA VIDA, INTEGRADORASOCIAL E FORMADORA DA IDENTIDADE.Capítulo IIIMauro Gomes de Mattos eMarcos Garcia Neira
  47. 47. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio52Capítulo IIIQuero o meu corpo de volta!Quero o meu corpo de volta! O que estão fazendocom ele?Depois de assistir à novela, é o que dá vontade degritar. Repare como os programas de televisãoestão repletos de gente bonita: mulheres comcorpos esculturais, homens altos, fortes e com abarriga durinha. Não importa o canal nem ohorário, a todo momento se vê essa situação. E opior, durante as propagandas, é aparelho para isto,aparelho para aquilo, produto para aumentar osseios, os braços, as coxas; remédio para tirarbarriga, para diminuir os quadris, afinar cintura,ou seja, mudar tudo.O mais engraçado, porém, é que na vida real nãose vêem pessoas como aquelas da televisão. Olhe àsua volta: onde estão? Vêem-se homens emulheres normais com seus corpos normais,andando, trabalhando, no ponto de ônibus,correndo atrás das suas obrigações, criando seusfilhos, enfim, vivendo.Constatada essa situação, surgem as dúvidas: quala razão disso? Por que a separação entre unscorpos e os outros? Por que há – nas propagandase na televisão – corpos bonitos e bronzeados; e narua, nos escritórios, nas empresas, nas fazendas,nas casas, os corpos que vemos são diferentes?Será que isso influencia a forma de pensar doshomens e das mulheres?Dê uma olhada nas pessoas à sua volta, busqueessas respostas.CORPO MARCADONote, por exemplo, que alguns usam roupas comnomes engraçados. Mulheres jovens costumamvestir trajes mais leves, deixando partes do corpoà mostra, enquanto as de mais idade usam roupasmaiores, de cores diferentes. Alguns homens,dependendo da função que ocupam nos seustrabalhos, usam ternos escuros, enquanto outros,uniformes ou roupas comuns. Qual a razão disso?Se você observar bem, poderá notar que as roupascaracterizam as pessoas; é como se colocassemsobre elas determinadas marcas: idade, profissão,situação social. Assim, é o corpo que está sendomarcado.E por falar em marcas nos corpos, quem não selembra das tatuagens, dos brincos e dos modernos“piercings”?Pense um pouco: por que alguns jovens enchemseus corpos de enfeites e de que forma osindivíduos marcavam seus corpos em outrasépocas ou lugares?
  48. 48. Capítulo III – Quero o meu corpo de volta!53Observe as imagens: ambos (o índio e o punk)usam enfeites nos corpos. Será que cada grupopossui as próprias marcas? O que você pode dizersobre o significado desses corpos cheios deobjetos? O que se pode concluir sobre o tempo esobre o espaço dessas marcas? Cada uma possuium significado específico.Durante a colonização, por exemplo, os brincoseram um símbolo de bravura e conquista dosnavegadores que cruzavam os trechos perigososdos oceanos. Na Antigüidade, as tatuagensmarcavam os locais de onde provinham osescravos. E hoje, qual será o significado dessasmesmas marcas?Pode-se dizer, por exemplo, que os surfistasutilizam certos tipos de tatuagens ou os fãs deconjuntos de rock costumam tatuar-se com outrosdesenhos. Há, portanto, marcas específicas atéquando se pensa somente nas tatuagens.Pode-se dizer que as roupas tambémcorrespondem a certos símbolos?Por acaso você já parou para pensar que algunspersonagens tão conhecidos da nossa Históriausavam roupas largas e pesadas e, em algunscasos, perucas?Apesar de viverem em um país tropical, oshomens da corte utilizavam sobretudos, meias-calças e coletes, enquanto as mulheres vestiampesados vestidos, espartilhos, saiotes, meias etc.Em uma época em que a religião determinavaproibições e limitações aos corpos, qual poderiaser “a moda”? Seria possível debaixo desseslimites de exposição do corpo utilizar minissaias,biquínis ou roupas apertadas?Observe a imagem da senhora. Por que será que asmulheres, há alguns anos, “sofriam” com o uso deaparelhos no corpo ou, nos dias de hoje, sofrempara depilar-se ou tirar as sobrancelhas?Sabe-se que o corpo sofre influências do ambientehistórico e social. Assim, pertencer a umadeterminada classe social obrigava a mulher amostrar uma imagem que correspondesse a umacerta visão. Todas as pessoas de uma mesma classesocial vestiam-se de forma parecida.Que imagem será que as mulheres queutilizavam espartilho pretendiam transmitir?O que o espartilho ou as cintas-liga ou adepilação fazem pela mulher?
  49. 49. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio54E já que o assunto é o trabalho: será que, aoexigir trabalhos corporais diferenciados, asprofissões acabam modificando as formas docorpo? Tomando como exemplo um carteiro eanalisando quais atividades executa, é possíveldeterminar alguma transformação. Quandocomparado a um rapaz que trabalha numescritório, quais diferenças poderão surgir?Possivelmente a ocupação trará modificações.E, por falar em diferentes locais, as pessoas que semovimentam em espaços maiores — carteiro,agricultor, minerador etc — modificam-se damesma forma que o escriturário, o desenhista, omotorista ou o digitador?Aqui é bom lembrar que há lugares específicospara cuidar dos movimentos, lugares onde osmovimentos são aprendidos. Vale a pena fazeruma comparação entre os gestos exigidos em umcurso de computação e os gestos necessáriosdurante o treinamento de operários em grandesmáquinas, por exemplo.Você poderá pensar também na sua própriaatividade. Verifique se você executa atividadesque repetem movimentos específicos de suaprofissão, ou seja, existentes somente na atividadeque você faz, desnecessários em outra situação dodia-a-dia? E, nesse caso, estão os atos de dirigir,costurar, trabalhar numa máquina, trabalhar nalavoura, pintar, digitar etc.Procure relacionar esses movimentos quevocê faz com as situações colocadasanteriormente: a religião e os costumesque estabelecem marcas. A que conclusãochegou? Você aprendeu gestos novos parapoder trabalhar?Essa conclusão deixa outra dúvida em relação àpossibilidade de as marcas deixadas no corpo pelotrabalho sofrerem modificações com o tempo,como aconteceu com as motivadas por religião ecostumes.Tente analisar os movimentos exigidos para arar aterra com um arado puxado por animais ecompare à movimentação na mesma atividaderealizada com um trator.Já que o assunto é a modificação do trabalho,analise essas situações e veja o que pode entender.A impressão que fica é que tudo muda. Olhe a suavolta. Será que o progresso modificou osmovimentos? Será que o homem e a mulhermodernos possuem as mesmas característicasfísicas, o mesmo tipo de gesto e a mesma maneirade agir que o homem e a mulher de duzentos anosatrás? Você pode pensar na quantidade de coisasque o homem inventou nesse tempo e tirar suaspróprias conclusões.A CULTURA CORPORALÉ possível perceber a quantidade de experiênciasàs quais se está exposto. Elas mudam asatividades, mudam os movimentos e, se mudamtudo, talvez mudem também os nossos corpos.Chama-se cultura essa grande quantidade desituações proporcionadas pelo ambiente social aoqual os seres humanos estão expostos.Agora, fique atento ao seguinte: já reparou comoo corpo se acostuma quando, num feriado, oshorários são modificados? Dorme-se até maistarde por dois dias e, lá no terceiro, fica difícilAS MARCAS DO TRABALHOTalvez essas marcas não sejam resultado dainfluência da religião ou da modificação doscostumes. Procure prestar atenção às pessoas quetrabalham em diferentes tarefas profissionais:observe se a ocupação, assim como a religião ou aépoca, também modifica os corpos.Você consegue apontar diferenças físicas entreum pescador e um balconista, entre um atendentede telemarketing e um carregador? Como é otom da pele, como é a musculatura, como é apostura?

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