A chuva

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A chuva

  1. 1. A ChuvaEram dias de seca, aqueles que a pequena aldeia ribatejana tinha vivido nos três mesesde inverno, antes deste março inusitado também ele árido e frio. As horas moviam-selentamente e, com elas, as poucas gentes moradoras das casas antigas a precisar dealguns reparos não sabiam bem das suas vidas. Sentados nos pés das árvores cortadas hájá alguns anos do pequeno largo seco, olhavam-se nos seus olhos despidos de futuro ecogitavam, uns em pensamento, outros em vozes sumidas à procura de um diálogo quelogo ali morria por não ter lenha onde arder. O tempo era tema de conversa. O padrenão se esquecia dele aos domingos, a professora e os seus poucos alunos tinham já umaexposição de trabalhos sobre a seca à entrada do edifício da escola primária, o correio,na sua viagem diária, tirava da cartola dos sobrescritos coelhos que não davam sinal dechuva, a visita semanal do médico era uma corrida dos populares à ciência, e algumasvelhotas tentavam, com rezas e mesinhas, num último recurso quase impossível, que aspoucas nuvens do céu deixassem correr a tão divina chuva. Nada. Deus não queria nadacom eles. Tinha-lhes virado as costas. Não os ouvia.Aquela era uma tarde igual a tantas outras. Na venda, o sr. Jordão, dono daquele espaçocomercial, ia já para vinte anos, esperava que o relógio de cuco, tão roufenho como avoz dele, desse o cu-cu, cu-cu das horas para se chegar junto da sua mulher que oesperava em casa a cinquenta metros daquele sítio. Desde os primeiros raios de sol queabrira de par em par as pequenas portas do estabelecimento e ninguém o visitara oufizera qualquer compra. Era a crise que se instalara no país, segundo uns, mas erasobretudo a pouca vontade de todos de sair de casa e de se confrontarem com arealidade. Era a verdade sobre todas as outras coisas: não chovia.Quase a dormitar, ainda conseguiu descortinar, vindos na sua direção, dois vultos quelentamente gesticulavam os longos braços vestidos de um preto escuro. Rapidamentelevantou-se do velho banco que lhe servia tantas vezes de cama desconcertante e ficou àespera. Ao longe, não conseguia perceber de quem eram aqueles vultos, mas seprocuravam a sua loja teriam de ser bem recebidos, como qualquer cliente o era naqueleespaço.- … não vai ser tarefa fácil! – exclamava o mais pequeno dos dois.
  2. 2. - Mas temos de cumprir com os desígnios superiores! – salientava o mais alto, aomesmo tempo que abria uma pasta onde se viam imensos papéis soltos e os mostrava aoseu colega, impaciente nos movimentos que fazia.O Sr. Jordão tentou que aquelas palavras lhe fizessem algum sentido, mas nãoconseguiu. Qual seria a tarefa a que se propunham os dois? Que quereriam dizer com osdesígnios superiores? De quem estariam a falar? Foi precisamente nesse momento queresolveu intrometer-se, até porque os dois estranhos tinham já entrado na sua venda enem sequer se lhe haviam dirigido.- Boa tarde, em que posso ajudar? – questionou ele, frontalmente.Os dois homens, como que admirados por aquela interpelação, viraram-se na suadireção, olhos bem abertos, mas praticamente sem qualquer tipo de reação. Era agoraque tinham de dar explicações. E o que os levava ali, aparentemente, pouca razãoparecia ter. Ela só existia e fazia sentido a quem os tinha mandado naquela missão. Sim,era de facto uma missão difícil de realizar e ainda mais de explicar às duas pessoas queteriam de procurar naquela aldeia.- Ora, então, boa tarde! Estamos aqui para cumprir um desígnio nacional a mando dosnossos…. e também … dos vossos superiores! – gaguejou o mais baixo.- Sim, porque o que aqui nos traz vai fazer renascer a nação! – defendeu o mais altonuma voz firme e num tom de certa forma elevado, para se afirmar.- Desculpem, mas estão a ir muito depressa para eu vos compreender! – tentouesclarecer o sr. Jordão que, para além de começar a ficar incomodado com a conversa,principiara já a tirar nabos da púcara em relação àqueles dois sujeitos que só a suaestranheza o mantinha de sobreaviso.Entretanto, lá fora, o sol escaldava. Alguns raios penetravam na loja e atingiam emcheio as roupas escuras dos dois estranhos, transmitindo-lhes pequenos fios de suor nasfaces pouco esclarecidas, mas convencidas da sua missão. O largo continuava deserto.Ninguém se aproximava da venda e os três continuavam a incerta conversa.- Bem,… - começaram os dois em uníssono, enquanto o dono da loja os olhava,esperando definitivamente algo de novo para que se sentisse esclarecido –… viemos a
  3. 3. esta pacata aldeia à procura de duas pessoas que nos … a todos irão ajudar para acabarcom esta seca terrível.- Mas isso é excelente! Só não entendo é como é que essas pessoas poderão ajudar osportugueses a ultrapassar tão grande calamidade! E, já agora, quem são essas pessoas? -interveio duas vezes o sr. Jordão.Os dois homens de preto conseguiram soltar-se finalmente daquela aparente e inicialapatia que os conduzira no princípio da interpelação e, abrindo as pastas que semantinham entreabertas, procuraram as folhas que os tinham levado ali. Delas, retiraramduas folhas brancas, limpas, novas onde se viam algumas linhas a negro vincado, masimpercetíveis ao longe. Olharam-nas como se procurassem a certeza nelas inscritas ecolocaram-nas em cima do balcão que, à sua frente, criava a barreira e a distância entreos que vinham à procura e o que, para já, nada sabia do que tinha para dar. Em silêncio,todos os seus olhos se dirigiram para aquelas folhas que encerravam uma resposta,pronta a dar a solução para o país indefeso, perante as dificuldades por que passavanaquele momento. O mais pequeno dos dois visitantes foi o primeiro a interromper oclima criado por aquelas simples folhas, ao serem postas na pedra fria do balcão.- Estas duas folhas têm dois nomes de cidadãos desta aldeia: Sena e Jordão. Foram-nosentregues pelos nossos e… vossos superiores para que as lessem e colaborassem com oque se lhes pede para fazer.Estavam criadas as condições para que de uma vez por todas se soubesse o que aquelesdois vinham fazer àquela tão pacata aldeia ribatejana, longe do bulício das grandescidades, afastada para sempre dos acontecimentos importantes do país, mas agorachamada a participar nas grandes soluções do futuro, na luta contra a aridez que seinstalara entre todos e que já prejudicava a nação. À vez, os dois homens abriram o livrodo conhecimento governamental e foram explicando o que ali faziam. As palavrasforam brotando em catadupa enquanto o sr. Jordão, impassível e de olhos e boca cadavez mais abertos, ouvia atenciosamente.- A nossa missão consiste em levar para Lisboa duas pessoas da aldeia: o sr. Sena e o sr.Jordão. São eles que irão fazer parte dum grupo a juntar em local seguro e secreto queestá a ser recrutado neste preciso momento por todos os distritos que compõem estenosso querido país! - exclamou um deles.
  4. 4. - Na realidade, o grupo vai ser bastante grande e tudo isto está a ser feito sob o maiorsegredo de estado. - afirmou o outro.- Assim que se juntarem todos e fizerem aquilo que se lhes vai pedir, verão que a chuvavai cair sobre todos nós.- É precisa uma grande força e entreajuda para que os resultados confirmem o que todosesperam vá acontecer.Se a dúvida acerca daqueles dois já era grande, então o que dizer depois destas palavrasdestemidas mas que pouco ou quase nenhum sentido faziam para o dono da loja? Umacerteza começava a instalar-se na cabeça do sr. Jordão: estavam ambos loucos ou acaminho disso. Mais uma vez o silêncio se fez ouvir. Uns à espera da pergunta evidente,outro pronto a fazê-la, mas já com um certo receio por causa daquilo que se instalara nopensamento sobre aquele par de almas, à sua frente plantado. Mesmo assim, disparou:- Será que me estão a dizer que eu vou ajudar o país a sair desta situação?Antes que algum deles respondesse, lá fora, o pó do largo levantou-se e o barulho devozes começou a aproximar-se da venda. Não eram ainda sons definidos, mas vinhamnaquela direção e foram suficientes para eliminar um pouco o clima de dúvida que setinha instalado entre os interlocutores na loja. Alguns segundos depois, mulher mãe efilha criança entravam no espaço comercial em busca de um maço de tabaco para omarido pai.- Muito boa tarde, dona Helena! Ainda bem que por aqui aparece porque precisamosque o seu marido venha até cá e com uma certa urgência. – disse o sr. Jordão.- Mas… aconteceu algo de grave que eu não saiba? - interrogou a mulher, desde logointrigada e preocupada com aquela procura urgente do seu homem que àquela horadeveria dormir e ressonar profundamente no sofá da sala, depois de ter olhado para asnotícias do telejornal, as quais incidiam, como habitualmente o tinham feito nos diasanteriores, sobre a seca no país e os seus efeitos na agricultura e na maneira de estar dosportugueses em geral.- Não, nada disso, dona Helena. Estes dois senhores que aqui vê têm uma missão aefetuar na nossa aldeia. E, veja bem, eu e o seu marido parece que estamos envolvidosnela, não é verdade? – perguntou a ambos.
  5. 5. - Sim! Vimos de Lisboa e temos de os levar para que possam cumprir o que estádecidido pelo nosso… e vosso governo. Estas são as ordens que nos deram: vão à aldeiae tragam com urgência os dois homens que têm nomes de rios – Sena e Jordão! – disseo mais alto.Desta vez a acha para a fogueira transmitiu mais calor de fora da loja para dentro dela.O calor era muito, mas agora que se descobrira que os nomes estavam relacionados comos rios, a surpresa fez com que as bicas de suor entre todos se tonassem bem maiores e anecessidade de recorrer a um lenço, a um pano a qualquer coisa que limpasse tornou-seuma urgência. Também a criança não ajudava a situação. Ao ouvir o nome do pai e queele teria de partir para Lisboa, não mais se calou de chorar. E bem alto porque a mãetentava a todo o custo que a filha não gritasse, mas não o conseguia.- Anda daí, comigo! Vamos a casa chamar o teu pai para poder resolver rapidamenteeste problema. E, por favor, não chores mais! – exclamou a mãe entre algumas lágrimasque se queriam juntar às da filha, não pela proximidade, mas pelo amor que as unia.O tempo de espera não foi muito. O sr. Sena morava perto, aliás como todos oshabitantes da aldeia moravam também eles perto da loja central e quase única do largo.De qualquer forma, o clima de dúvida e de incerteza voltou à loja. Os dois continuavamfirmes no que os ali trouxera, o outro ainda misterioso sobre o que o esperava. Foramalguns minutos de silêncio que em nada adiantaram para todos os presentes.Veio sozinho, o sr. Sena. Ainda trazia o pouco cabelo em desalinho, dando mostras queo sono reparador da tarde fora interrompido abruptamente, mas a curiosidade era grandee nem o tabaco que a mulher e a filha lhe levaram tinha sido mais forte do que achamada à venda do largo da aldeia. Teria de ir a Lisboa numa missão importante? Foraisso que percebera das poucas palavras e do choro das duas. E agora ali estava paraentender o que dele queriam aqueles homens de fato e com alguns papéis nas mãos.- Boas tardes! Andam à minha procura? Sou um simples homem de bem e nada de malfiz, pelo menos que me lembre! – interrogou e exclamou, ainda sem uma certeza na vozrouca e forte, o sr. Sena.- Ó Sena, boa tarde! Parece que estamos envolvidos numa missão do governo! Assimmo disseram estes dois desconhecidos que há pouco aqui chegaram e traziam dentrodaquela pasta os nossos nomes. – confirmou o dono da loja, agora mais convicto no que
  6. 6. afirmava, porque a presença do conterrâneo lhe dera algum alento e o ajudava nonúmero de pessoas em confronto que até ali tivera de disputar sozinho.O semblante do recém-chegado alterou-se rapidamente. O que lhe quereriam aquelesdois que nunca vira? Teve tempo para conjeturar as mais variadas hipóteses porque denovo o silêncio se instalou no pequeno espaço. Não durou muito essa aparente calma,quebrada pelo badalo do velho sino da igreja que insistia no passar do tempo, poraquelas bandas tão esquecido. Ninguém pareceu ouvir o toque indiferente das horas,ouvido, mas não assimilado por nenhum deles, mais do que uma vez. Que se fazia tardeera um facto visível nos raios de sol mais baixos, mas nem por isso menos quentes, naimpaciência que começavam a dar mostra os dois desconhecidos e na procura, por partedo dono da venda, do relógio colado numa parede forrada com os diversos materiais decomércio que naquela casa se fazia há pelo menos meio século e que já tinha pertencidoao seu pai comerciante. Era tempo de avançar na procura da solução depressa e bem,para que o problema da seca fosse resolvido e todos voltassem a ver o país verde quetanto encantava os portugueses, dando-lhes alento e força para ultrapassarem a outracrise que também se vivia por aquelas bandas a par da nação, a crise económica. Devidoa essa pressa, foi de novo o homem de preto mais alto a esclarecer quem desejava seresclarecido de uma vez por todas:- Estamos aqui para vos levar até Lisboa! Amanhã por volta desta hora terão de estarjuntos a muitos outros cidadãos nacionais que neste preciso momento também eles estãoa ser recrutados para esta causa que nos vai trazer de novo a chuva. São todos homenscom nomes de rios e será a sua força que fará chover em breve!Se a dúvida se fizera sentir antes no sr. Jordão era agora a vez dessa mesma dúvidapercorrer o pensamento do sr. Sena, que nada conseguia dizer, mas não deixava demenear a cabeça vezes sem conta num não constante e que continuava a deixarimpacientes os dois visitantes porque viam cada vez mais difícil o fim da missão que alios trouxera. Para além desta incerteza, uma outra começava a preocupar seriamente osdois: o tempo. Tinham ordens superiores para cumprir sem falta. Lembravam-se aindadas palavras sábias do chefe do governo e da forma como o seu trabalho seria a base dosustento de tão grande iniciativa. Era preciso recolher a força hídrica que cada um doshomens com nome de rios possuía para que a chuva voltasse. Assim sendo, estava naaltura de pegar naqueles dois seres desconhecidos, mas tão importantes para o país, e
  7. 7. levá-los para a capital. Por isso, tinham de enfrentá-los até que os dois partissem comeles e se juntassem no dia seguinte a todos os outros em Lisboa. Foi o mais baixo dosvisitantes que concluiu:- Não restam dúvidas que o vosso papel é fundamental na causa que aqui nos traz. Sema vossa colaboração, nada que se pretenda fazer pode ser feito. É preciso sair daqui omais depressa possível, para que amanhã se torne real o que hoje é ficção! Venhamconnosco e daqui a dois dias estarão de volta sãos e contentes por terem dado vida aosportugueses!Estas palavras seriam suficientes para convencer qualquer bom patriota, mas o último aentrar na loja ainda não estava convencido. O sr. Sena precisava de esclarecer o seuponto de vista sobre a seca. Sempre fora um homem da agricultura e sempre vira que achuva era um desígnio da natureza quem sabe se de Deus. Chovia quando tinha dechover e mais ninguém mandava no assunto. Há uns anos tinha ouvido na televisão queuns cientistas russos conseguiram criar nuvens e fazer chover não se lembrava aonde,mas ainda assim não acreditara muito na notícia. Coisas estrangeiras, vindas de ondevinham, deixavam-no muito incrédulo. Agora estavam ali estes dois lisboetas com acerteza nas palavras, mas sem a certeza nos atos que, diziam eles, só se concretizariamno dia seguinte. Era para estranhar. De qualquer forma, a ideia de notoriedade, que poraquelas bandas não se fazia sentir nem nos sonhos dos acanhados habitantes de tãopacata aldeia ribatejana, fazia crescer um bichinho de curiosidade impossível desatisfazer se não partisse à aventura. E partir para uma aventura era tarefa difícil porque,nos quarenta anos passados naquele lugar, nunca saíra da sua casca dura, nuncaprocurara mudar o rumo dos acontecimentos que o destino lhe traçara. Seria agora?Estaria ainda a tempo de alterar os últimos anos da sua vida? Era isso que deleesperavam os dois visitantes, mas seria essa a opinião do seu amigo?- Ó Jordão, o que é que achas de tudo isto? Ainda não acredito numa palavra que esteshomens nos disseram. Ou há aqui trapaça da grande ou, então, temos mesmo de ir! –disse-o na direção dos três se bem que esperasse uma conclusão do seu amigo que oracoçava o queixo, ora a cabeça, ora limpava o rosto inundado de um suor que lhe alagavao semblante e atingia já a alma.
  8. 8. - Não sei, ó Sena! Ou acreditamos e partimos com eles ou botamo-los porta fora eaguardamos para ver! – respondeu-lhe o sr. Jordão, muito mais confiante porque já nãoestava sozinho há algum tempo e a sua decisão passava também pela do amigo.A impaciência tinha tomado conta dos forasteiros. Estava na hora de partir porque ahora prevista para a junção de todos os que possuíam nomes de rios aproximava-se apassos largos. Já não havia tempo para mais delongas. Tinham de acertar no coraçãodaqueles dois, tocar-lhes de alguma maneira no íntimo mais fundo das suas almas.Transmitir-lhes a mensagem sem rodeios, para que entendessem, de uma vez por todas,que fariam parte da salvação nacional. Precisavam de agir rapidamente, sem darqualquer hipótese de resposta. A quente, aproveitando o fim de tarde que trazia umaligeira brisa mas também ela carregada de calor, era chegado o momento crucial damissão: levá-los.- Não temos mais nada a dizer e a fazer aqui. Lá fora, no fim da rua que nos trouxe atéesta loja, está o carro que nos levará aos quatro a Lisboa e que daqui a dois dias vostrará sãos e salvos e felizes pelo que fizeram ao mesmo sítio. O dever a tanto obriga e ossenhores vão desde já partir connosco!Era uma ordem e a imponência daquele metro e noventa de fato preto vestido nãodeixava no ar nenhuma réstia de luz para se poder voltar atrás. Sem qualquer hipótesede reação ficaram os dois ribatejanos que desde logo se sentiram agarrados e arrastadosaté ao veículo que os aguardava já há algum tempo.E, assim, lá partiram para a cidade que os esperava ansiosamente, onde fazer chover eraa sina de todos os que batizados com nome de rio iriam cumprir o destino que lhes tinhasido destinado por forças bem superiores.…………Dois dias depois foram deixados à porta da venda da aldeia pelo mesmo carro que oslevara. A noite tinha sido de chuva intensa. O largo estava cheio de poças de lamaporque os pequenos rios que se tinham formado com a tanta água caída trouxeram aterra solta das hortas secas. Vinham distantes, o sr. Sena e o sr. Jordão, mais abatidosfisicamente mas orgulhosos da tarefa cumprida. Os rostos iluminados, como se lhes
  9. 9. tivessem banhado os olhos com uma energia que só eles poderiam compreender, davama perceber ao pequeno grupo que se juntara à volta deles a satisfação que traziam dentrode si. Tinham conseguido, ou fora a natureza, ou talvez Deus que fizera chover? Essaseria sempre a dúvida que nunca conseguiriam dissipar das suas mentes e das de quem aseu lado ia pensando nisso. E eram todos! FIM

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