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Vista da Praça de São Sebastião com monumento e igreja ao fundo.E ao lado do Bar do Armando, a Igreja de São Sebastião, sa...
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Texto descritivo sobre o espaço do Largo de São Sebastião, uma área revitalizada em Manaus.

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Passeio pelo Largo de São Sebastião

  1. 1. Largo de São Sebastião em Manaus: um espaço “fotogênico”Partindo de vários pontos de Manaus é possível chegar ao Centro Histórico: a Igreja daMatriz, a praça do relógio, o porto, são as entranhas da cidade; o coração está no Largode São Sebastião. Subindo o burburinho da Avenida Eduardo Ribeiro, antes de chegar àPraça do Congresso à direita, o olhar encontra mais espaço, os passos vão se acalmando,os sons alteram a respiração. O espaço da Rua José Clemente até a Costa Azevedo,proporciona a seu visitante outra experiência de tempo/espaço.Logo de início temos uma central de artesanato, um prédio de um pavimento comgrafismos na fachada e portas de vidro que deixam ver algumas peças produzidas naregião. Ao lado, a pizzaria, com suas mesas e cadeiras verdes, a cor da maioria domobiliário que se vê no Largo. Em alguns dias da semana é possível encontrar som aovivo. À frente da pizzaria, uma cabine telefônica com uma estrutura que padroniza osdemais “quiosques”: estrutura em ferro, com alguns ornamentos, revestimento queproporciona transparência e a cobertura de telhas de barro, como o “ponto” do sorvete,ao lado e a banca de revistas, seguindo a rua, além da “Barraca de Tacacá”.Espaço da Pizzaria no final de tarde, se preparando para receber o público.A banca de revistas que disponibiliza também um acervo de periódicos, atrai pelaquantidade e qualidade de livros sobre a região. Seja literatura ou pesquisas científicas.À direita da Rua José Clemente, neste trecho, o casario compõe um belo cenário. Amaioria restaurada materializa as marcas do estilo da época dos “barões da borracha”,uma arquitetura comum em vários lugares do Brasil e da Europa, nos fins do séculoXIX e início do século XX.Seguindo a José Clemente e chegando à Costa Azevedo, vemos as duas lanchonetes:African House (ou Mundo dos Sucos, como indica a placa) e O Pensador, restaurante ebar (que tem a placa ainda indicando “aulas particulares”, a antiga função doestabelecimento). Nesse trecho do Largo, diariamente é possível encontrar turistas,estrangeiros ou nacionais, que estão a passeio pela cidade ou que vieram a trabalho eestão hospedados nos hotéis que ficam nas ruas próximas.
  2. 2. Conjunto de fachadas na Rua José Clemente – Largo de São Sebastião, antes da organização do espaçocom mesas, pelas lanchonetes.À frente das lanchonetes, a “Barraca de Tacacá”, o ponto que reúne os artistas locais(grupos de músicos, companhias teatrais, estudantes de artes), profissionais ligados àárea da promoção de eventos culturais na cidade e professores universitários. É umponto sempre alegre e caloroso, não só pelo cheiro e sabor do “tacacá da Gisela”, umadelícia quente que o amazonense não resiste mesmo em pleno verão, mas pelo espaçoaconchegante e “certo de encontrar” as pessoas dessa “tribo”.Barraca de Tacacá um dos pontos sempre frequentados do Largo.
  3. 3. As apresentações artísticas, em sua maioria, são feitas nesse trecho do Largocompreendido pelas ruas José Clemente e Tapajós, com a vista maravilhosa para oimponente Teatro Amazonas. Construído na “Manaus da Bélle Èpoque”, é a maiorherança da cidade desse período de grandes riquezas econômicas.Apresentação no Largo, com o Teatro Amazonas ao fundo.O Teatro Amazonas, com suas peças todas trazidas da Europa (com exceção da madeirado piso do Salão Nobre, que é brasileira), ainda é palco de grandes apresentaçõesartísticas, como os festivais que acontecem durante o ano, muitos deles comapresentações gratuitas, encerramentos ou aberturas no Largo. Os espetáculos queacontecem aí têm sempre um grande público, que se desloca de várias zonas da cidade.Na frente do Teatro Amazonas, a Praça São Sebastião e o Monumento à Abertura dosPortos. A praça, calçada com pedras portuguesas e seu desenho sinuoso em branco epreto que deu origem a algumas interpretações sobre o seu significado (que simboliza oencontro das águas, o encontro de raças na região, que veio antes do calçadão deCopacabana); seus bancos, embaixo das árvores, é o refúgio durante o dia, para quemquer parar ou nos finais de tarde, para quem quer passar um tempo, encontrar os amigos,ou simplesmente contemplar a paisagem antes de se deslocar para casa ou continuarsuas atividades de trabalho ou estudo. O monumento ao centro, erguido no começo de1900, com mármore italiano e bronze produzido também na Itália, é presença certa nasrecordações fotográficas de quem passa pela praça, venha de onde vier.Atravessando a praça, na Rua Costa Azevedo com a Rua 10 de Julho, além do conjuntode casario restaurado, há também o espaço do sorvete para refrescar as tardes quentes dequase todos os dias do ano em Manaus. E a Galeria do Largo, com exposições detrabalhos de artistas locais, uma pequena mostra do tanto de talentos que essa terraproduz.Atravessando a rua, chega-se ao Bar do Armando, um espaço chamado por alguns de“alternativo”, com uma clientela bem característica e cativa, de todas as idades e classessociais, incluindo turistas. É outra visão do Largo, diferente do glamour que se tem “dooutro lado da praça”.
  4. 4. Vista da Praça de São Sebastião com monumento e igreja ao fundo.E ao lado do Bar do Armando, a Igreja de São Sebastião, sagrado e profano convivendo.A igreja, com as badaladas do sino, anuncia as horas que passam. As primeirasbadaladas, mais fortes, indicam as horas e as badaladas seguintes, mais fracas, indicamos quartos de hora. Dessa forma se tocar forte dez vezes e em seguida, duas batidas maisfracas saberemos que são dez e trinta. Aos finais de tarde, as missas deixam a Igrejacheia e durante o dia, os visitantes também entram para apreciar as pinturas centenárias.O Largo de São Sebastião tem vários espaços, muitos públicos, diferenças e conflitos. Éum espaço que contém muitos outros espaços, em diferentes momentos do dia e nosdiferentes dias da semana. Além de concentrar os festivais da cidade, especialmentepelo Teatro Amazonas, é um espaço pulsante, pela presença de vários grupos que seorganizam numa perceptível divisão de uso, que se alterna de acordo com os dias dasemana e horários. Por exemplo, às 17hs, o Largo ainda recebe o sol forte, e o público éconstituído em sua maioria de estudantes que saem das escolas e passam pela praça, emdireção aos pontos de ônibus (seja em direção à Avenida Getúlio Vargas, seja emdireção à Rua da Instalação). A sombra das árvores atrai alguns, mas o mormaço aindanão permite permanecer no espaço. Às 18hs, a Igreja de São Sebastião toca o sino parao início da missa. A praça, a barraca de tacacá e as lanchonetes já começam a receberseus clientes, ainda composto de pessoas que estão saindo da escola ou do trabalho epassam rapidamente pela praça. A parada é estratégica, para fugir um pouco do trânsitointenso desse horário. Muitos fazem uma parada saindo do trabalho e indo para afaculdade ou outros cursos. Ás 19hs, o público diminui um pouco. Ás 20hs, quem estáno Largo geralmente aparece para consumir, encontrar grupos de amigos nos bares oupara os shows. Todas as quartas-feiras acontecem apresentações artísticas que iniciamàs 19hs, o Tacacá na Bossa. Nesses dias, o público é mais intenso a partir das 18hs epermanece até às 21hs, quando geralmente terminam os shows.No centro da praça, onde fica o Monumento à Abertura dos Portos, a partir das 17hs, épossível ver grupos de estudantes que ficam com violão, ou apenas sentados econversando. É ponto de encontro. Além da população que o utiliza, o espaço funcionacomo cenário para locações de época, como a mini-série global Galvez, Imperador doAcre, do escritor amazonense Márcio Souza. Também para aulas sobre a arquiteturaeclética da cidade, com a presença de alunos de vários níveis, do ensino básico àfaculdade (especialmente os cursos de arquitetura, artes e design). Locações paracomerciais e matérias jornalísticas sobre cultura para o noticiário local e nacional, são
  5. 5. feitas neste espaço. A presença de turistas é notada diariamente. Os ônibus das agênciasparam ao lado do Teatro Amazonas, os grupos saem e vão para o centro da praçafotografar e ouvir o guia que explica sobre a história do Teatro, do Monumento e daIgreja e eles seguem para a visita ao Teatro Amazonas, uma parada obrigatória.O Largo de São Sebastião é patrimônio da cidade. Pela arquitetura, que nos remete háoutro tempo, mas que é vivida nesse tempo presente; pelos espaços de consumo, sejamnos bares, lanchonetes, ou nos bancos da praça e escadaria do monumento; pelasatrações artísticas que alegram a cidade; pela oportunidade de se apresentar no Largo,que é “como se fosse” no Teatro Amazonas; pela possibilidade das recordaçõesfotográficas num espaço “fotogênico”; pelos diversos públicos que acolhem epertencem ao Largo; é um espaço nobre, onde o olhar respira e o coração se orgulha. Éum espaço de vida.Evany Nascimento – nasci.eva@gmail.comArte-educadoraPesquisadora na área de cultura e patrimônio de Manaus.Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia – UFAMDoutoranda em Design – PUC-RioFotos: a autora.Evany Nascimento

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