Fluzz pilulas 9

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Fluzz pilulas 9

  1. 1. Em pílulasEdição em 92 tópicos da versão preliminar integral do livro de Augusto deFranco (2011), FLUZZ: Vida humana e convivência social nos novos mundosaltamente conectados do terceiro milênio 9 (Corresponde ao sétimo tópico do Capítulo 1, intitulado No “lado de dentro” do abismo) Padrões, não conjuntosOs fenômenos que ocorrem em uma rede não dependem das característicasintrínsecas dos seus nodos.Padrões, não conjuntos. Quem quer entender redes deveria começarrefletindo sobre a frase do físico Marc Buchanan (2007), em O átomo social(25): “Diamantes não brilham por que os átomos que os constituem brilham, mas devido ao modo como estes átomos se agrupam em um determinado padrão. O mais importante é freqüentemente o padrão e não as partes, e isto também acontece com as pessoas”.
  2. 2. A idéia de que a fenomenologia de uma rede é função das características deseus nodos (das suas idéias, conhecimentos, habilidades, valores oupreferências) ainda faz parte de uma herança cultural não-fluzz difícil de serquestionada. Dizer que a fenomenologia de uma rede é função da suatopologia é um verdadeiro choque para essa cultura que encara associedades humanas como coleções de indivíduos e não como sistema derelações entre pessoas, como configurações de fluxos ou interações.Sim, rede = interação. O comportamento coletivo não depende dospropósitos dos indivíduos conectados (ou de suas outras características,individualizáveis). Ele é função dos graus de distribuição e conectividade (ouinteratividade) da rede.Mas por que demoramos tanto para perceber isso? Talvez porque, enquantoolhávamos os nodos (as árvores), deixávamos de ver a rede (a floresta, oumelhor, não propriamente o conjunto das árvores, mas as relações queconstituem o ecossistema sem o qual as árvores – nem algumas poucas,nem muitas milhares – podem existir). Talvez porque fomos induzidos afazer a busca errada: enquanto procurávamos um conteúdo não podíamosmesmo encontrar um padrão de interação. Talvez porque, influenciadospela máquina econômica construída pelo pensamento hobbesiano-darwiniano, enquanto tentávamos prever o comportamento coletivo a partirdas preferências individuais, escapava-nos aquilo que exatamente faz dosistema algo mais do que a soma de suas partes: o social. Fixávamo-nosem objetos capturáveis, não em relações, não em fluxos. Fluzz, para nós,permanecia escondido.Conjuntos de nodos são apenas conjuntos de nodos. Não são redes. Arepresentação estática chamada grafo, disseminada pela SNA (Análise deRedes Sociais) não ajuda muito a compreensão da rede: pontos (vértices)ligados por traços (arestas) passam uma imagem abaixo de sofrível daqueleemaranhado dinâmico de interações que constitui a essência do quechamamos de rede, sempre fluindo e alterando sua configuração. Ademais,os nodos não são propriamente pontos de partida nem de chegada demensagens, como se fossem estações ligadas por estradas por onde algumobjeto ou conteúdo vai transitar. Eles também são caminhos. Aliás, nasredes sociais, os nodos não existem como tais (como pessoas) sem osoutros nodos a ele ligados, constituindo-se, portanto, cada um em relaçãoaos demais, como caminhos de constituição disso que chamamos de ‘eu’ ede ‘outro’.Assim, não é o conteúdo do que flui pelas suas conexões que podedeterminar o comportamento de uma rede. É o fluxo geral que perpassa 2
  3. 3. esse tecido ou campo, cujas singularidades chamamos de nodos, queconsubstancia o que chamamos de rede. Esse fluxo geral não tem nada aver com mensagens contidas em sinais emitidos ou recebidos: são padrões,modos-de-interagir. Se há uma mensagem (um conceito mais informacionaldo que comunicacional), esses padrões é que são a mensagem. 3
  4. 4. Nota(25) BUCHANAN, Marc (2007). O átomo social. São Paulo: Leopardo, 2010. 4

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