1
Watchman Nee by Lcp Passold
2
I
O SANGUE DE CRISTO
O que é vida cristã?
O objetivo deste estudo é mostrar que a vida que levamos é algo muito diferente do
que deve ser na realidade a verdadeira vida do cristão. Ao análisarmos a Palavra de
Deus pregada por Jesus, no Sermão da Montanha, nos leva a perguntar, se tal vida já foi
vivida sobre a terra? “A não ser, unicamente, pelo próprio Filho de Deus”. Mas, nesta
edição, encontraremos a resposta à essa pergunta.
O apóstolo Paulo nos dá a sua própria definição da vida cristã, “logo, já não sou
mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim”, Ga 2.20. Creio que aqui se apresenta o
plano de Deus para o cristão, que pode ser resumido nas seguintes palavras: Vivo não
mais eu, mas Cristo vive a sua vida em mim. Deus nos revela claramente na sua Palavra,
que “há somente uma resposta para cada necessidade humana, seu Filho, Jesus
Cristo”. Em toda ação a nosso respeito, Deus usa o critério de nos tirar do caminho,
colocando “Cristo, o Substituto”, em nosso lugar:
• Cristo morreu em nosso lugar, para obtermos o perdão.
• Cristo vive em nós, para alcançarmos a libertação e a santificação.
Podemos falar de duas substituições:
• Substituição na Cruz, que assegura o nosso perdão.
• Substituição interior que assegura a nossa vitória.
Será de grande ajuda e evitará muita confusão, se conservarmos vivo o fato de Deus
responder a todos os nossos problemas de uma só forma: mostrando-nos mais do seu
Filho.
Nosso duplo problema: os pecados e o poder do pecado
Os primeiros oito capítulos de Romanos constituem se em uma unidade completa.
Porém, podemos dividi-lo em duas seções. Uma leitura cuidadosa nos revelará que o
conteúdo das duas seções não são o mesmo. A primeira seção desta unidade está em,
Rm 1.1 a 5.11, onde encontramos em proeminência a palavra plural "pecados" e a
segunda seção em, Rm 5.12 a 8.39, onde o ênfase é mudado, e a palavra pecados ocorre
apenas uma vez, enquanto a palavra singular "pecado" é usada repetidas vezes, e
constitui o assunto básico e principal das considerações. O porquê desta separação?
Isso acontece, porque a primeira seção considera a questão dos pecados que
cometemos diante de Deus, que são muitos e que podem ser enumerados, enquanto que
a segunda, trata do pecado como princípio que opera em nós. Sejam quais forem os
pecados que cometemos, é sempre o poder do pecado residente em nós, que nos leva a
cometê-los. Preciso de perdão para os meus pecados, mas preciso também ser liberto do
poder do pecado. Os primeiros tocam a minha consciência, o último a minha vida.
3
Posso receber perdão para todos os meus pecados, mas por causa do minha natureza
pecadora não tenho paz interior permanente.
Quando a luz de Deus brilha pela primeira vez no meu coração clamo por perdão,
porque compreendo que cometi pecados diante dele; mas após ter recebido o perdão
destes pecados, faço uma nova descoberta, que o pecado continua habitando em mim.
Agora posso compreender que não só cometi pecados diante de Deus, mas também que
existe algo de errado dentro de mim. Descubro que tenho uma natureza pecadora. Existe
dentro de mim uma inclinação para pecar, um poder interior que me leva a pecar.
Enquando este poder andar solto, eu cometo pecados. Posso procurar e receber o
perdão, depois, porém peco outra vez. E assim, a vida continua num círculo vicioso de
pecar e ser perdoado e depois pecar outra vez. Sou grato pelo bendito perdão de Deus,
mas desejo algo mais, pois preciso de perdão para o que tenho feito e também ser liberto
daquilo que sou.
O duplo remédio de Deus: o Sangue e a Cruz
Em Romanos, apresentam-se dois aspectos da salvação: o perdão dos pecados e a
libertação do poder do pecado. Vamos conciderar os fatos que identificam estes
aspectos:
• O perdão dos pecados - “Deus propôs no seu sangue (Cristo), como propiciação,
mediante a fé, para manifestar a sua justiça”, Rm 3.25, e “sendo justificado pelo seu
sangue, seremos por ele salvos da irá”, Rm 5.9. Os argumentos centralizam-se em torno
do sangue do Senhor Jesus derramado na cruz para justificação e remissão dos pecados.
• A libertação do poder do pecado - “sabendo isto: que foi crucificado com ele
nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruido, e não sirvamos o
pecado como escravos”, Rm 6.6, Este versiculo nos mostra que fomos crucificados com
Cristo. Isto introduz uma nova idéia, a nossa união com Cristo no momento de sua
morte, sepultamento e ressureição. Este fato tem muito valor, porque:
• O Sangue soluciona o problema daquilo que fizemos.
• A Cruz soluciona o problema daquilo que somos.
O Sangue purifica os nossos pecados, enquanto que a Cruz atinge a raiz da nossa
capacidade de pecar
O problema dos nossos pecados
O Sangue do Senhor Jesus Cristo é de grande valor para nós, porque trata dos
nossos pecados e nos justifica perante Deus; conforme Paulo declara nas seguintes
passagens: "Todos pecaram”, Rm 3.23.”Mas Deus prova o seu próprio amor para
conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo,
muito mais agora, sendo justificado pelo seu sangue, seremos por ele salvos da irá”,
Rm 5.8,9. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que
há em Cristo Jesus; a quem Deus propos, no seu sangue, como propiciação, mediante a
fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerancia, deixado impune os
pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no
tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus”,
Rm 3.24-26.
4
O pecado, quando entrou, expressou-se em forma de desobediência a Deus, Rm
5.19, e quando pecamos, o que imediatamente acontece é o sentimento de culpa.
O pecado entra na forma de desobediência, e o resultado é:
• A separação entre Deus e o homem.
• O afastamento de Deus, dá a Satanaz a chance de nos acusar em nossos corações e
tambem diante de Deus.
Deus já não pode ter comunhão com o homem, porque agora existe algo que
impede, e que através de toda a Escritura, é conhecido como pecado. Desta forma, é
Deus quem primeiramente diz: "Todos... estão debaixo do pecado", Rm 3.9. Em
segundo lugar, o pecado, depois de acariciado constitui uma barreira à comunhão do
homem com Deus, O pecado também traz um sentimento de culpa, afastamento e
separação de Deus. Agora é o próprio homem que mediante a sua consciência
despertada diz: "Pai pequei contra o céu e diante de ti", Lc 15.18. E ainda não é tudo,
porque o pecado oferece a Satanás a possibilidade de acusar-nos diante de Deus, e
também de acusar-nos em nossos corações por meio do sentimento de culpa, que resulta
do pecado. O "acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite,
diante de nosso Deus", Ap 12.10, que agora nos diz: tu pecaste.
Assim, para nos remir e nos fazer regressar ao propósito de Deus, o Senhor Jesus
teve que agir em relação as questões: dos pecados, da culpa, e das acusações de Satanás:
• A questão dos pecados foi resolvida pelo precioso Sangue de Cristo, que agrada
plenamente a Deus.
• A questão da culpa é resolvida somente quando temos entendimento que o Sangue
apaga os nossos pecados e reestabelece a paz em nossa consciência.
• O ataque do inimigo tem que ser encarado e as suas acusações respondidas,
porque a divida já foi paga por Cristo.
As Escrituras mostram como o Sangue de Cristo opera eficazmente nestes três
aspectos: em relação a Deus, em relação ao homem, e em relação a Satanás. Temos
portanto, necessidade de nos apropriar destes valores do Sangue, que nos aproximam de
Deus, nos libertam da culpa e dos ataques do inimigo. Se quisermos prosseguir no
caminho de Senhor é absolutamente essencial ter uma clara compreensão da morte do
Senhor Jesus como nosso Substituto sobre a Cruz, e do poder do seu Sangue em relação
aos nossos pecados, porque sem isto, não poderemos ser novas criaturas.
O Sangue é primariamente para Deus
O Sangue é para expiação e em primeiro lugar relaciona-se com a nossa posição
diante de Deus. Precisamos do perdão dos pecados cometidos para não cairmos em
julgamento. Os nossos pecados são perdoados, não porque Deus não os leva a sério,
mas porque ele vê o Sangue de Cristo. O Sangue primariamente não é para nós, mas
para Deus. Se eu quero entender o valor do Sangue, devo aceitar a avaliação que Deus
faz dele. Se não conheço o valor que Deus dá ao Sangue, nunca saberei qual é o seu
valor para mim. É só na medida em que o Espirito Santo abre o meu entendimento a
respeito da estimativa que Deus faz do Sangue, é que eu posso compreender o seu valor,
e ver quão precioso o Sangue realmente é para mim. Todavia, o seu primeiro aspecto é
para Deus. Através do Velho e do Novo Testamento, a palavra sangue é usada inumeras
5
vezes em conexão com a idéia da expiação de pecados e em toda a Escritura é sempre
algo que diz respeito a Deus.
No calendário do Velho Testamento há um dia que tem grande significado quanto
aos nossos pecados, o Dia da Expiação ou dia da Purificação do Santuario. Nada explica
está questão dos pecados tão claramente como a descrição deste dia. Em Levítico 16
lemos: que no Dia da Expiação o sangue era tomado da oferta pelos pecados e levado ao
Lugar Santíssimo e ali espargido sete vezes diante do Senhor. Naquele dia, a oferta
pelos pecados era oferecida publicamente no pátio do Tabernáculo. Tudo estava ali à
vista de todos, e por todos podia ser observado. Mas o Senhor ordenou que nenhum
homem entrasse no Tabernáculo, a não ser o sumo sacerdote. Somente ele poderia
colher o sangue, entrar no Lugar Santíssimo e espargi lo ali, para fazer a expiação
perante Deus. Porquê era necessário este ritual? Porque o sumo sacerdote era um tipo de
Cristo em sua obra redentora, Hb 9.11,12, assim em figura, era o único que poderia
fazer este trabalho. Ninguém, exceto ele, podia aproximar-se da entrada. Além disso,
havia um ato que se relacionava com a sua entrada no Tabernaculo: a apresentação do
sangue a Deus, como propiciação dos pecados do povo. Era uma transação entre o
sumo sacerdote e Deus, dentro do Santuário, fora da vista dos homens que receberiam
os beneficios desta transação. O Senhor exigia este ritual. O Sangue é em primeiro lugar
para Deus.
Mas, anteriormente, encontramos descrito em Exodo, o derramamento do sangue
do cordeiro pascal no Egito, para redenção de Israel. Este foi um dos melhores tipos, no
Velho Testamento, da nossa redenção. O sangue foi posto na verga e nas ombreiras das
portas, enquanto que a carne do cordeiro era servida no interior da casa; e Deus disse:
"O sangue vos será por sinal nas casas onde estiverdes; quando eu vir o sangue,
passarei por cima”, Ex 12.13. Eis outra ilustração, onde o sangue não se destina a ser
apresentado ao homem, e sim, a Deus, pois o sangue era posto nas vergas e nas
ombreiras das portas, de modo que os que se encontravam em festa dentro das casas não
pudessem vê-lo.
Deus está satisfeito
É a santidade de Deus e a sua justiça que exige, que uma vida sem pecados seja
dada em favor dos pecados dos homens. Há vida no Sangue, por isso o Sangue tem que
ser derramado em favor dos pecados cometidos. Deus requer que o Sangue seja
apresentado com o fim de satisfazer a sua própria justiça, é Ele que diz: "Vendo eu
sangue passarei por cima de vós", isto é, não os destruirei. O Sangue de Cristo satisfaz
a Deus inteiramente.
Desejo agora dizer uma palavra a respeito disto aos meus irmãos mais novos no
Senhor, porque é neste caso que muitas vezes temos dificuldades. Na condição de
descrentes não somos molestados pela nossa consciência, até que a Palavra de Deus
começe a nos despertar. A nossa consciência estava morta e quem se encontra nesta
condição, certamente não têm qualquer serventia para Deus. Mas, a partir do momento
que cremos, a nossa consciência tornar-se extremamente sensível, e isto pode vir a ser
um problema real. O sentimento de pecado e de culpa que antes não existia, agora torna
se tão grande e terrível, que quase nos paralisa, porque faz perder de vista a verdadeira
6
eficácia do Sangue. Tornam os nossos pecados tão intrínsecos que chegamos ao ponto
de imaginá-los maiores do que o Sangue de Cristo. Ora, o mal reside na procura
subjetiva, daquilo que o poder do Sangue representa para nós. Não devemos agir assim,
porque o Sangue não opera desta forma: não é basicamente para nós, mas para Deus, só
depois de ser aceito por Deus irá operar em nós. Destina-se primeiramente a ser visto
por Deus. Temos que aceitar a avaliação que Deus faz dele, para então acharmos a
nossa própria estimativa. Se, ao invés disto, procuramos avaliá-lo por meio do que
sentimos, não iremos nos libertar dos nossos pecados e permaneceremos em trevas. O
perdão dos pecados é uma questão de fé no Sangue de Cristo.
Devemos crer que o Sangue é precioso para Deus, porque ele assim o diz: “pelo
precioso sangue de, como de cordeiro sem defeito e sem macula, o sangue de Cristo”,
IPe 1.18. Se Deus aceitou o Sangue como pagamento pelos nossos pecados e como
pagamento da nossa redenção, então temos a certeza que o débito foi pago. Se Deus está
satisfeito, logo, o Sangue deve ser aceitável. Cristo é santo e justo e o Deus santo e justo
tem o direito de dizer: O Sangue é inteiramente aceitável.
O acesso do crente ao sangue
O Sangue satisfez a Deus, e deve nos satisfazer da mesma forma. Há também, um
segundo valor para o Sangue. “Pelo Sangue de Jesus... em plena certeza da fé, tendo o
coração purificado de má conciência”, Hb 10.22. O Sangue purifica a consciência.
Revelamos uma compreensão errada se declaramos que o Senhor, purifica o meu
coração do pecado pelo seu Sangue ou relacionar o coração com o Sangue, porque Deus
diz: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas”, Jr 17.9. Deus tem que fazer
algo mais fundamental do que apenas purificar o nosso coração, tem que nos dar um
coração novo. A obra de Deus em nós tem que ser algo inteiramente novo. "Dar-vos-ei
coração novo, e porei dentro de vós espírito novo", Ez 36.26. Não encontramos a
declaração de que o Sangue purifica o nosso coração, mas a oferta de Deus é sermos
renovados mediante um coração novo e um espirito novo. Não lavamos, nem passamos
a ferro roupas que vamos jogar fora. Veremos depois, que a carne é demasiadamente má
para ser purificada; tem que ser crucificada.
Qual então o significado?
Significa, que havia algo se interpondo entre mim e Deus; e o resultado disto, erá
minha consciência sempre me acusando. Quando procurava me aproximar, lembrava da
barreira que permanecia entre mim e Deus. Mas, agora, a operação do precioso Sangue
removeu a barreira que existia. Este fato está revelado em sua Palavra. Quando creio em
Cristo e o aceito, a minha consciência fica imediatamente limpa, o meu sentimento de
culpa é removido e já não tenho má consciência diante de Deus.
Cada um de nós sabe quão precioso é ter uma consciência pura quando nos
relacionamos com Deus. Um coração pleno de fé, e uma consciência limpa de toda e
qualquer acusação são essenciais, desde que sejam interdependentes. Logo que
verificamos que a nossa consciência não tem paz, a fé desvanece e imediatamente
achamos que não podemos encarar Deus. O Sangue nunca perderá a sua eficácia como
fundamento do nosso acesso a Deus; que ele transforme em realidade a nossa
7
dependencia dele, porque somente ele nos habilita a entrar no Lugar Santíssimo. Sem
esta base não existiria o livre acesso a Deus.
Podemos perguntar se estamos realmente procurando o caminho para a presença de
Deus através do Sangue, ou por outros meios? O que quero dizer, quando afirmo pelo
Sangue? Quero dizer que: reconheço os meus pecados, confesso que necessito de
purificação e expiação, por isso, venho a Deus confiante na obra consumada do Senhor
Jesus e me aproximo dele exclusivamente através dos meritos de Cristo, e não na base
do meu comportamento. Nunca, por méritos próprios.
A tentação de muitos quando procuram aproximar-se de Deus é pensar que por
causa do conhecimento das escrituras estãos mais perto dele, por isso podem alcança-lo
por si mesmo. “Jamais, o único acesso é Cristo”. Ele disponibilizou este caminho por
meio do seu sofrimento na cruz e do seu precioso Sangue derramado por nós.
Creio que muitos irmãos pensam, que são seus atos que os aproximam ou afastam
de Deus. Atos do tipo: fui mais cuidadoso ou tive um bom dia ou li a Palavra com
fervor de modo que, hoje posso orar; ou então, tive algumas problemas familiares ou
comecei mal o dia, ou estou deprimido, por isso, não posso me aproximar de Deus. A
aproximação de Deus é sempre pela confiança no Sangue, e nunca pelas aquisições
pessoais. Qualquer que seja a medida alcançada por nossos próprios recursos hoje,
ontem ou no passado, não capacitarão o nosso ascesso ao Lugar Santissimo, somente o
Sangue de Cristo, o nosso Sumo Sacerdote, abre este caminho até Deus. Devemos
permanecer no único fundamento seguro, o Sangue derramado. Esse é o fundamento
sobre o qual somos capacitados a entrar na presença de Deus, não há outro. “agora em
Cristo Jesus, vós, que antes estaveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo”,
Ef 2.13. “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue
de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é pela sua
carne, e tendo como grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-no, com
sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má conciencia”,
Hb 10.19-22. A nossa posição perante Deus foi garantida pelo Sangue. Porque fomos
aproximados pelo sacrificio de Cristo, e sempre será por Ele, não há outro meio de
entrarmos no Lugar Santissimo.
As vezes chegamos a pensar que por causa do nosso progressos espiritual podemos
dispensar o Sangue, isto jamais acontecerá. Não é pela minha qualificação que me
aproximo de Deus é pelo Sangue. Está é a unica forma que a todo momento posso ir
perante o Altissímo. E assim será até o fim; sempre e unicamente pelo Sangue. O que
importa aqui, é saber que “o Sangue é real e suficiente”. Devemos ser gratos e orar:
"Senhor, entendo que o Sangue de Cristo satisfaz totalmente a Ti. Percebo agora que
não se trata de meu progresso ou de algo que eu possa ter alcançado, e sim,
unicamente pelo precioso Sangue de Cristo". Somente o sangue purifica a nossa
consciência diante de Deus. "tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam
consciência de pecados", Hb 10.2. Estas palavras têm significado transcendente e
transmitem a certeza, que fomos purificados de todo pecado. "Bem-aventurado o
homem a quem o Senhor jamais imputará pecado", Rm 4.8.
8
Vencendo o acusador
Como é que o Sangue opera contra Satanás? A queda deu a Satanás o livre acesso
ao homem, de forma que Deus foi compelido a se retirar. Agora, o homem está fora do
Jardim, destituído da glória de Deus, Rm 3.23, porque interiormente está separado de
Deus. A consequencia do pecado foi o afastamento de Deus. Mas o Sangue remove esta
barreira e restitui o homem a Deus e Deus ao homem. Agora, em Cristo, o novo homem
está em afinidade com Deus, e pode encarar Satanás sem temor.
Lembre-se do seguinte versículo: "O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de
todo pecado", IJo 1.7. Não é todo pecado, no seu sentido geral, é cada pecado, um por
um. O que significa isto? É algo maravilhoso! Deus está na luz, e na medida em que
andamos na luz juntamente com Ele, tudo fica exposto, de modo que Deus pode ver
tudo e nestas condições o Sangue pode nos purificar de cada pecado cometido. Que
purificação! O Sangue pode fazê-lo plenamente.
As vezes, por estarmos oprimidos por nossas próprias fraquezas, somos tentados a
pensar que os pecados que cometemos são imperdoáveis. Recordemos de novo a
Palavra: O sangue de Jesus, seu Filho nos purifica de todo pecado. Pecados que podem
ser muito negros e outros que não parecem tão graves assim; pecados que podem ser
perdoados e pecados que pensamos ser imperdoáveis; sim, todos os pecados,
conscientes ou inconscientes, recordados ou esquecidos, se incluem nas palavras: "todo
pecado", porque o Sangue nos purifica de todo pecado e satisfaz inteiramente a Deus.
Sabendo que Deus vê todos os nossos pecados na luz e pode nos perdoar por causa
do Sangue, então, em que base poderá Satanás nos acusar? "Se Deus é por nós, quem
será contra nós?", Rm 8.31. Deus mostra o Sangue do seu querido Filho, que é
totalmente suficiente, contra o qual Satanás não tem apelação. "Quem intentará
acusação contra os eleitos de Deus? É Deus que os justifica. Quem os condenará? É
Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e
também intercede por nós”, Rm 8.33-34. Precisamos reconhecer a absoluta suficiência
do Sangue precioso. "Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote... pelo seu
próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna
redenção", Hb 9.11-12. Cristo foi Redentor uma só vez, há dois mil anos e agora é
nosso Advogado e Sumo Sacerdote. Ali permanece, na presença de Deus. "Jesus Cristo
o justo, ele è a propiciação pelos nossos pecados", IJo 2.2. "muito mais o sangue de
Cristo, que pelo Espirito eterno, a si mesmo se ofereceu... Este é o sangue da aliança, a
qual Deus prescreveu para vós outros... sem derramamento de sangue não há
remissão... Cristo, tendo se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de
muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para salvação”, Hb
9.14,28. O Sangue de Cristo evidencia a suficiência do seu ministério e é totalmente
“suficiente para Deus”.
Qual é a nossa atitude para com Satanás?
Satanás nos acusa não só perante Deus, mas também em nossa própria consciência.
"Você pecou, e continua pecando. Você é fraco, e não há mais nada que Deus possa
fazer por você". Ao aceitarmos seus argumentos, estamos olhando para dentro de nós na
tentativa nos defender; procurando algo de bom em nós, que nos dê algum motivo para
9
crer que estamos certos e o inimigo errado, se agirmos assim, com certeza iremos
fracassar.
A acusação é uma das armas mais eficazes de Satanás. Ele aponta para os nossos
pecados e procura acusar-nos perante Deus, se aceitarmos as suas acusações seremos
destruidos. A unica razão de aceitarmos tão rapidamente as suas acusações é que ainda
esperamos ter alguma justiça própria; está atitude constitui uma falsa base de esperança.
Quando Satanás consegue nos induzir, a olhar na direção errada, ele atinge o seu
objetivo de nos afastar do único que tem o poder de vence-lo que é Cristo. Se não mais
confiarmos na carne, não teremos que temer, quando surgirem os pecados, posto que
pecar faz parte da natureza intrínseca da carne. Mas, se ainda confiamos em nós, então
desconhecemos a nossa natureza pecadora, e com certeza iremos tropeçar, quando
Satanaz levanta suas acusações. O Sangue é efetivo, quando confiamos no seu poder
para solucionar o problema dos nossos pecados; porém, ele nada pode fazer por um
homem que se submete à acusação do inimigo. Cristo é o nosso Advogado, mas nós os
acusados nos colocamos do lado do acusador, quando deixamos de olhar para Cristo e
focamos a atenção em nós. Somente Deus pode responder ao acusador e já o fez por
meio do precioso Sangue de Cristo, tornando Satanás um inimigo vencido.
Nossa salvação está em olharmos firmemente para o Senhor Jesus, reconhecendo
que o Sangue do Cordeiro já solucionou toda a situação criada pelos nossos pecados.
Este é o fundamento seguro em que devemos nos firmar. Nunca devemos responder a
Satanás, tendo por base a nossa boa conduta, e sim, sempre com o Sangue. Sabemos que
estamos repletos de pecados, mas graças a Deus que o Sangue nos purifica de todos
eles! Deus ao olhar para os nossos pecados contempla o Sangue, por meio do qual o
seu Filho enfrenta a acusação, e Satanás perde toda possibilidade de atacar. Somente a
nossa fé no Sangue precioso, e a nossa recusa de sairmos desta posição, podem
silenciar as suas acusações e afugentá-lo, Rm 8.33,34; e será assim até a volta de Jesus,
Ap 12.11, quando iremos viver a plena libertação oferecida por Deus, se valorizarmos
mais o precioso Sangue do seu amado Filho!
10
II
A CRUZ DE CRISTO
O Sangue trata daquilo que fizemos, enquanto que a Cruz trata daquilo que somos.
Precisamos do Sangue para o perdão, e da Cruz para a libertação. Já tratamos do sangue,
e agora vamos considerar como a Cruz nos liberta do poder do pecado. Antes, vamos
considerar algumas características que contribuem para demonstrar a diferença, entre o
perdão dos pecados e a libertaçao do poder do pecado.
Algumas distinções e aspectos da ressureição.
"Jesus nosso Senhor... foi entregue por causa das nossas transgressões, e
ressuscitou por causa da nossa justificação", Rm 4.25. Trata-se aqui da nossa posição
de justificados perante Deus. "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus,
por meio de nosso Senhor Jesus Cristo", Rm 5.1. Quando os meus pecados são
perdoados, Deus não será mais motivo de temor para mim. Eu, que era inimigo, fui
"reconciliado com Deus mediante a morte do Seu Filho", Rm 5.10. Logo descubro, no
entanto, que sou eu quem irá causar dificuldades para mim mesmo, havendo algo em
meu íntimo que me perturba e me leva novamente a pecar. Há paz com Deus, sem
porém, haver paz comigo mesmo. Trava-se uma guerra interna em meu próprio coração,
onde a carne e o espírito estão em conflito mortal. Porque o pendor da carne dá para a
morte, por ser inimizade contra Deus, mas o do Espírito, para a vida e paz, Rm 8.6.
Deus nos oferece um novo caminho, o da ressurreição em Cristo, que nos comunica
uma nova vida a fim de termos um andar santo. "Para que, como Cristo foi ressuscitado
dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida",
Rm 6.4.
Se conhecemos somente a preciosa verdade da justificação pela fé, isto é só a
metade do que precisamos saber, porque soluciona apenas o problema dos pecados, falta
ainda solucionar o problema do pecador para acertar nossa posição diante de Deus. À
medida que prosseguimos, veremos que Deus tem algo mais para nos oferecer, além do
perdão dos pecados.
Como podemos então viver uma vida cristã real?
Sabemos que o Sangue trata objetivamente dos nossos pecados, porém precisamos
dar agora um passo a mais no plano de Deus para compreender como Ele trata o
princípio do pecado em nós. Veremos que o primeiro passo depende do segundo e o
segundo passo depende do primeiro.
O Sangue pode lavar e apagar os meus pecados, mas não pode remover o corpo do
pecado. Por isso, é necessárioa a Cruz para crucificar o corpo do pecado. O Sangue trata
dos pecados, mas a Cruz trata do pecador!. “Portanto, assim como por um só homem
entrou opecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a
todos os homens, porque todos pecaram” Rm 5.12. Mostra, que o homem é considerado
pecador porque nasceu pecador, e não por ter cometido pecados. É mais por
constituição do que por ação que somos pecadores.
11
"Pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores", Rm 5.19.
Como é que nos tornamos pecadores? Pela desobediência de Adão. Não nos tornamos
pecadores por aquilo que fizemos, e sim, devido àquilo que Adão fez. As escrituras
afirmam que “todos pecaram”, Rm 3.9-12, mas, não é por isso, que nos tornamos
pecadores. Porque mesmo aquele que não comete pecados, por pertencer à raça de
Adão, também é pecador e necessita da redenção. Há pecadores maus e pecadores bons;
pecadores morais e pecadores corruptos, mas todos são igualmente pecadores.
Pensamos às vezes, que tudo nos iria bem se não fizéssemos determinadas coisas; o
problema no entanto, é muito mais profundo do que aquilo que fazemos, “está naquilo
que somos”. O que conta é o nascimento; sou pecador porque nasci de Adão. Não é
questão do meu comportamento, e sim, da minha hereditariedade, do meu parentesco.
Não sou pecador porque peco, mas peco porque descendo de uma linhagem má. Peco
por ser pecador.
Tendemos a pensar que o que fazemos pode ser muito mau, e que nós mesmos não
somos tão maus assim. O que Deus deseja realmente nos mostrar é que nós somos
fundamentalmente errados. A raiz do problema está no pecador: é com ele que se deve
tratar. Os nossos pecados são solucionados pelo Sangue, mas nós próprios devemos ser
tratados pela Cruz. “O Sangue nos perdoa pelo que fizemos e a Cruz nos liberta daquilo
que somos”.
A condição do homem por natureza
No começo da nossa vida cristã, ficamos preocupados com o que fazemos, e não
com o que somos. Nos sentimos tristes, mais pelo que temos feito, do que pelo que
somos. Pensamos que se apenas mudassemos certas coisas, nos tornaríamos bons
cristãos e então, procuramos modificar as nossas ações. Porém está atitude não altera a
nossa vida de pecados. Descobrimos com grande espanto que se trata de algo maior do
que as dificuldades externas que enfrentamos e que realmente existe em nosso íntimo
um problema mais sério. Procuramos agradar ao Senhor, mas descobrimos que há algo
dentro de nós que não deseja agrada-Lo. Procuramos ser humildes, mas há algo em
nosso próprio eu que se recusa a ser humilde. Procuramos demonstrar afeto, mas não
sentimos ternura no íntimo. Sorrimos e procuramos parecer muito amáveis, mas no
íntimo sentimos absoluta falta de amabilidade. Quanto mais procuramos corrigir as
coisas na parte exterior, mais temos entendimento de quão profundamente se arraigou o
problema na parte interior. Então, nos rendemos ao Senhor, dizendo: "Senhor, agora
compreendo! Não é só o que tenho feito que está errado! Eu é que sou errado".
A conclusão de, Rm 5.19 começa a se tornar clara para nós. Somos pecadores.
Somos membros de uma raça que é diferente daquela que Deus planejou. Por causa da
queda, houve uma transformação no caráter de Adão, em virtude da qual se tornou
pecador e incapaz de agradar a Deus; está é a semelhança hereditaria que todos nós
temos com ele, não é meramente superficial, expressa-se também no nosso caráter
interior. Como aconteceu isto? Pela desobediência de um, diz Paulo.
A nossa vida vem de Adão. Onde estaria você agora, se o seu bisavô tivesse
morrido com três anos de idade? Teria morrido nele! A sua experiência está unida à
dele. A experiência de cada um de nós está unida à de Adão da mesma forma.
12
Potencialmente, quando Adão se rendeu às palavras da serpente no Eden, todos nós
estávamos nele. Fomos todos envolvidos no pecado de Adão e sendo nascidos em Adão,
recebemos como herança, tudo aquilo, em que ele se tornou. O resultado do seu pecado
e a sua natureza pecadora se tornou a nossa natureza. A nossa existencia deriva dele.
Porque a sua natureza se tornou pecaminosa; a natureza que deriva dele também é
pecaminosa. De modo que o problema está na nossa hereditariedade e não no nosso
procedimento. A menos que possamos modificar o nosso parentesco, não há livramento
para nós. Mas é precisamente neste ponto que encontraremos a solução do nosso
problema, porque foi exatamente assim que Deus encarou a situação.
Como em Adão, assim em Cristo
"Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores,
assim também por meio da obediência de um só muitos se tornaram justos", Rm 5.19.
As expressões ”em Adão” e ”em Cristo” são muito pouco compreendidas pelos
cristãos, desejo salientar por meio de uma ilustração, que se acha em Hebreus 7, o
significado racial e hereditário da expressão em Cristo. Em Hebreus 7.1-10, o escritor
procura demonstrar ser Melquisedeque maior do que Levi. A finalidade desta
demonstração é provar que o sacerdócio de Cristo é maior do que o de Arão, que era da
tribo de Levi. Porque o sacrifício de Cristo é segundo a ordem de Melquisedeque e o de
Arão, segundo a ordem de Levi, Hb 7.7-17.
Abraão, voltando da batalha dos reis, Gn 14, ofereceu a Melquisedeque o dízimo
dos despojos. Este fato, revela ser Abraão de menor categoria que Melquisedeque,
porque é o menor que entrega os dizimos ao maior, Hb 7.7. O fato de Abraão ter
oferecido o dízimo a Melquisedeque implica que Isaque, em Abraão, também o
ofereceu, e o mesmo se aplica a Jacó, e também a Levi. De modo que Levi é menor que
Melquisedeque, e assim, o sacerdócio de Levi é inferior ao de Cristo. Nem sequer se
pensava em Levi na época da batalha dos reis, contudo, fez sua oferta de dizimo na
pessoa do seu pai ascendente Abraão, antes de ter sido gerado, Hb 7.9,10.
Ora, é justamente isto que significa a expressão "em Cristo". Abraão, como o
cabeça da família da fé, incluiu, em si mesmo toda a sua descendencia. Quando ele fez a
sua oferta a Melquisedeque, toda a sua família participou daquele ato. Não fizeram
ofertas separadamente como indivíduos, mas estavam nele, porque toda a sua semente
estava incluída nele.
Assim, em Adão, tudo se perdeu. Pela desobediência de um só homem fomos todos
constituídos pecadores. O pecado entrou por ele e pelo pecado entrou a morte e desde
aquele dia o pecado impera em toda a raça, produzindo a morte. Agora porém, um raio
de luz incide sobre a cena. Pela obediência de Outro, podemos ser constituídos justos.
Onde o pecado abundou, superabundou a graça e como o pecado reinou na morte, do
mesmo modo a graça pode reinar por meio da justiça, para a vida eterna em Jesus
Cristo, nosso Senhor, Rm 5.19-21. O nosso desespero está em Adão; a nossa esperança
em Cristo.
13
O processo divino da libertação
Deus certamente deseja que estas considerações nos levem à libertação da prática
do pecado. Paulo deixou isto bem claro, quando perguntou: "Permaneceremos no
pecado? Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” Rm 6.1,2
Todo o seu ser se revolta perante a simples sugestão de pecar. Como poderia um Deus
Santo ter satisfação em possuir filhos não santos, presos aos grilhões do pecado? Deus
ofereceu a provisão certa e adequada para nos libertar do domínio do pecado.
Aqui está o nosso problema: se nascemos pecadores, como poderemos extirpar a
nossa hereditariedade pecaminosa? Desde que todos nascem em Adão, como podem sair
dele, livrar-se dele? Quero afirmar que o Sangue não pode nos tirar para fora de Adão.
Há somente um caminho. Se estamos em Adão pelo nascimento, o único caminho para
sair dele é a morte. Para nos despojarmos da nossa pecaminosidade, temos que nos
despojar da nossa vida. Se a escravidão do pecado veio pelo nascimento; a libertação do
pecado vem pela morte e foi exatamente este o caminho de escape que Deus ofereceu. A
morte é o segredo da emancipação. Estamos mortos para o pecado, Rm 6.2. Como,
afinal, isto pode acontecer? Alguns procuram mediante grande esforço libertar-se desta
vida pecaminosa, mas verificam que é impossivel libertar-se do pecado pelo esforço
próprio. O caminho que conduz a saída não é nos matarmos, e sim, reconhecer que
Deus, em Cristo, cuidou da nossa situação. O apóstolo Paulo mostra como Deus efetuou
a morte do corpo de pecado por meio de Cristo: "todos os que fomos batizados em
Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte", Rm 6.3.
Se, Deus solucionou nosso caso "em Cristo", logo temos que “estar nele”, para que
isto se torne realidade. Como podemos entrar em Cristo? É neste sentido que Deus vem
de novo em nosso auxílio, pois por nós mesmos, não temos meio algum de entrar nele,
Porém, Deus nos mostra que não precisamos tentar entrar, porque já estamos nele.
Deus fez por nós, o que nós não poderíamos fazer por nós mesmos. Ele nos colocou em
Cristo. "Vós sois dele ( Deus), em Cristo Jesus", ICo 1.30. Graças a Deus! Não nos
pediu para procurar um caminho de acesso ou elaborar um plano. Deus fez os planos
necessários. Não só planejou como também executou. "Vós sois dele, em Cristo Jesus".
Estamos nele; portanto, não precisamos procurar entrar. É um ato divino, e está
consumado.
Em Hebreus 7, vimos que em Abraão todo Israel e portanto Levi, que ainda não
nascera, ofereceu o dízimo a Melquisedeque. Não fizeram esta oferta separada e
individualmente, mas estavam em Abraão quando ele fez a oferta, incluindo nesse ato
toda a sua semente. Isto é, pois, uma verdadeira figura de nós próprios em Cristo.
“Quando o Senhor Jesus esteve na Cruz, todos nós morremos”, não fisicamente, porque
ainda nem tínhamos nascido, mas estando nele. Podemos ter certeza deste fato, porque
Deus está dizendo em sua Palavra. Por isto sabemos que morremos juntamente com Ele.
"Um morreu por todos, logo todos morreram", IICo 5.14. “Quando Ele foi crucificado,
todos nós fomos crucificados”.
"Vós sois dele, em Cristo Jesus". O próprio Deus nos colocou em Cristo e tratando
com Ele, Deus tratou com toda a raça. O nosso destino está ligado ao dele. Pelas
experiências que Cristo passou, nós igualmente passamos, porque estar "em Cristo"
significa: ser identificado com Ele, tanto na sua morte como na sua ressurreição.
14
Cristo foi crucificado; o que então sucedeu conosco? Devemos pedir a Deus que
nos crucifique? Não, porque quando Cristo foi crucificado, nós que hoje estamos em
Cristo, fomos crucificados juntamente com Ele; sendo a sua crucifixão há dois mil anos,
e a nossa também. Se fomos crucificados juntamente com Ele, não precisamos ficar nos
crucicando agora no presente, nem no futuro quando se apresentarem as tentações. Não
existe nenhum texto no Novo Testamento que diz, que devemos nos crucificar. Todas as
referências dizem: que fomos crucificados juntamente com Cristo, "feito uma vez e para
sempre", "eternamente passado", Rm 6.6, Gl 2.20 e 5.24. Deus não nos pede que
crucifiquemos a nós próprios. Fomos crucificados quando Cristo foi crucificado, pois
Deus nos incluiu nele na Cruz. A nossa morte em Cristo não é meramente uma posição
de doutrina, é um fato real e eterno.
A morte e ressurreição de Cristo são inclusivas
Quando o Senhor Jesus morreu na Cruz derramou o seu Sangue, dando assim a sua
vida isenta de pecado para expiar os nossos pecados, e assim, satisfez a justiça e a
santidade de Deus. Tal ato, constitui prerrogativa exclusiva do Filho de Deus. Nenhum
homem poderia participar dele. A Escritura nunca disse: que nós derramamos o nosso
sangue juntamente com Cristo. Na sua obra expiatória perante Deus, Ele agiu sozinho.
Ninguém poderia participar deste ato com Ele. O Senhor, no entanto, não morreu apenas
para derramar o seu sangue: morreu para que nós pudéssemos morrer. Morreu como
nosso representante. Na sua morte Ele incluiu a “você e a mim”.
Freqüentemente usamos os termos “substituição e identificação” para descrever
estes dois aspectos da morte de Cristo. A palavra identificação muitas vezes é correta;
mas pode sugerir que a experiência começa do nosso lado e que somos nós que estamos
nos identificando com o Senhor. Concordo que a palavra é verdadeira, mas deve ser
empregada de maneira certa. É melhor aceitar a verdade plena, que o Senhor me incluiu
na sua morte. É a morte inclusiva do Senhor, que me habilita a ser identificado com Ele.
Está verdade mostra, que eu não preciso me identificar com Ele para ser incluído em sua
morte. É aquilo que Deus fez, incluindo-me em Cristo, que importa. É por isso que o
termo “em Cristo” sempre satisfaz a Deus e a nós também.
A morte e a ressurreição de Cristo e a nova vida
“Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primicias dos que
dormem. Visto que a morte veio por um homem, tambem por um homem veio a
ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão todos morrem, assim tambem
todos serão vivificados em Cristo. Cada um porém, por sua própria ordem; Cristo as
primicias; depois, os que são de Cristo na sua vinda, ICo 15.20-23.
Cristo como o último Adão é a soma de toda humanidade; e Cristo como as
primicias é a Cabeça de uma nova raça. De modo que temos aqui duas uniões, uma
refere-se à sua morte e outra à sua ressurreição. Em primeiro lugar a sua união com a
raça humana, como último Adão, começou historicamente em Belém, e terminou na
Cruz e no sepulcro. Cristo reuniu em si mesmo tudo o que era de Adão, por isso foi
levado a julgamento e morte. Em segundo lugar, a nossa união com Ele como as
primicias, começa com a ressurreição e termina na eternidade, ou seja, nunca. Pois,
15
tendo acabado por meio da sua morte com a herança de Adão, em quem se frustrará o
propósito de Deus, ressuscitou como o Cabeça de uma nova raça de homens, nele o
proposito de Deus foi plenamente realizado e restabelecido.
• Cristo como último Adão, foi crucificado. Na cruz reuniu em si e anulou tudo o
que pertencia ao primeiro Adão. Como o último Adão, pôs termo à velha raça.
• Cristo como as primicias, inicia a nova raça. A sua ressurreição nos oferece uma
nova vida, onde os que estão em Cristo forão incluídos.
"Porque se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o
seremos também na semelhança da sua ressurreição", Rm 6.5. Morremos nele como o
último Adão e vivemos nele, por causa da sua ressureição. A Cruz é o poder de Deus
que nos transfere de Adão para Cristo.
16
III
A VEREDA DO PROGRESSO:
SABER
A nossa velha história termina com a Cruz e a nossa nova história começa com a
Ressurreição. "E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já
passaram; eis que se fizeram novas", IICo 5.17. A Cruz põe termo à primeira criação, e
por meio de sua morte e ressureição surge a nova criação em Cristo. Se estamos em
Adão, tudo quanto estava em Adão necessariamente recai sobre nós. Torna-se
involuntariamente nosso, pois nada precisamos fazer para participar desta realidade.
Sem esforço, sem perder a calma, sem cometer mais pecados vem naturalmente sobre
nós, independente da nossa vontade. Da mesma forma, se estamos em Cristo, tudo o que
há em Cristo nos é atribuído pela livre graça, sem esforço próprio, simplesmente pela fé.
Como está experiência pode se tornar real em nós?
Através do estudo de Romanos 6,7 e 8, descobrimos que para viver uma vida cristã
real é preciso:
• Saber.
• Considerar-se.
• Oferecer-se a Deus.
• Andar no Espirito.
Estas quatro condições são nescessarias para uma vida cristã plena. À medida que
estudarmos cada um delas, o Santo Espirito do Senhor irá nos iluminar para que
possamos andar no espirito.
A nossa morte com Cristo: um fato consumado
A morte do Senhor Jesus é representativa e inclusiva, na sua morte todos nós
morremos. Nenhum de nós pode progredir espiritualmente sem perceber isto. Assim
como Cristo levou os nossos pecados sobre a Cruz, também, levou a nós próprios na
Cruz, para nossa santificação, Rm 6.1-11. Não somente foram colocados sobre Ele os
nossos pecados, mas também fomos incluídos nele, todos nós que estamos em Cristo.
Como recebemos o perdão? Aceitando o fato que o Senhor Jesus morreu na cruz,
como nosso Substituto, levando sobre ele os nossos pecados, e o seu sangue foi der-
ramado para nos purificar. Quando percebemos que todos os nossos pecados foram
levados sobre a Cruz, o que fazemos? Dissemos, porventura: "Senhor Jesus, por favor,
vem morrer pelos meus pecados?” Não, de forma alguma, apenas damos graças. Não
lhe suplicamos que venha morrer por nós, porque compreendemos que Ele já o fez.
Está verdade, que diz respeito ao nosso perdão, também se refere à nossa libertação.
A obra já foi feita. Não há necessidade de orar, mas apenas agradecer. Porque Deus
incluiu a todos em Cristo, de modo que, quando Cristo foi crucificado, nós também
fomos. Não há, portanto, necessidade de orar: "Sou uma pessoa muito má Senhor,
crucifica-me, por favor". Apenas, precisamos agradecer a Deus, por termos morrido em
17
Cristo, mediante a sua morte. Já morremos nele, louvemos por isso e vivamos à luz
desta realidade. "Então creram nas suas palavras e lhe cantaram louvores", Sl 106.12.
Você crê na morte de Cristo? É claro que sim. Então, a mesma Escritura que diz:
Ele morreu por nós, também diz que nós morremos com Ele. Se cremos que "Cristo
morreu por nós", Rm 5.8. Está é uma declaração biblica tão fundamental quanto a que
diz: "Foi crucificado com ele o nosso velho homem", Rm 6.6. "Morremos com Cristo",
Rm 6.8. Quando fomos nós crucificados? Qual é a data da crucificação do nosso velho
homem? A Bíblia diz: foi crucificado com Cristo (ao mesmo tempo) o nosso velho
homem, isto aconteceu há dois mil anos. Graças a Deus, porque quando Ele morreu na
Cruz, eu morri com Ele. Não morreu apenas em meu lugar e sim, levou-me com Ele à
Cruz, de forma que, quando Ele morreu, eu morri com Ele. Se eu creio na morte do
Senhor Jesus, posso também crer na minha própria morte, tão seguramente como creio
na dele.
Por que você acredita que o Senhor Jesus já morreu? É porque sente que ele
morreu? Não, isto se torna real pela fé, não pelo que sentimos. Quando o Senhor foi
crucificado, dois ladrões também foram crucificados ao mesmo tempo. Não temos
duvida que eles foram crucificados com ele, porque a Escritura afirma de modo
absolutamente claro. Assim também, crêmos na morte do Senhor, porque a Palavra de
Deus a declara.
Os ladrões foram crucificados ao mesmo tempo que o Senhor, mas em cruzes
diferentes, enquanto que você, foi crucificado na mesma cruz com Cristo, porque estava
nele quando Ele morreu. Como pode saber disto? É porque Deus disse. Não depende
daquilo que você sente. Cristo morreu, quer você sinta isso, quer não. Nós também
morremos com Ele, independente do que sentimos, pois trata-se de fatos divinos. Cristo
morreu, é um fato, que os dois ladrões morreram, é outro, e a nossa morte juntamente
com Cristo é igualmente um fato. Posso afirmar: "Você já morreu". Já está posto à
parte, eliminado! O Eu que aborrece você ficou na Cruz, em Cristo. "Porqunto quem
morreu, esta justificado do pecado",Rm 6.7. Este é o Evangelho para os cristãos!
A nossa crucificação jamais se tornará eficaz através da nossa vontade, do nosso
esforço, e sim, unicamente por aceitarmos o que o Senhor Jesus Cristo fez na Cruz. Os
nossos olhos devem estar abertos à obra consumada» no Calvário. Talvez, você tenha
procurado salvar a si mesmo: lendo a Bíblia, orando, freqüentando a Igreja, dando
ofertas. Mas, o sentimento constante era de mornidão espiritual, até que um dia seus
olhos foram abertos e você percebeu que a plena salvação já foi providenciada na Cruz.
Glória a Deus por está provisao de Graça em Cristo Jesus. A partir desta verdade o seu
coração será permeado pela paz e alegria. Ora, a santificação foi dada na mesma base
que a salvação. Recebemos a libertação do poder do pecado do mesmo modo, que
recebemos o perdão dos pecados.
A maneira do homem se libertar do poder do pecado é diferente do que Deus
planejou:
• O homem se esforça por suprimir o pecado, procurando vencê-lo.
• O processo divino consiste em remover o pecador, por meio da morte do velho
homem, o homem carnal.
18
Muitos cristãos lamentam as suas fraquezas, pensando que se fossem mais fortes,
tudo lhes iria bem. Tem a idéia, de que são as fraquezas que causam as derrotas na
tentativa de viver uma vida santa. Por isso, pensam que por meio do esforço próprio
serão vencedores, isto conduz naturalmente a um conceito falso do caminho da
libertação. Se é a nossa incapacidade de vencer o poder do pecado que nos preocupa,
concluímos que isso acontece porque está faltando esforço da nossa parte. Achamos
que, se tivermos mais força de vontade poderemos vencer as explosões violentas de
comportamento, e assim, teremos o tão sonhado dominio próprio. Tal conceito está
completamente errado, não é cristão. O meio divino de nos libertar do poder do pecado
não consiste em nos fazer cada vez mais fortes, e sim, em nos tornar cada vez mais
fracos. Certamente pode-se dizer que é uma forma de vitória bastante estranha, mas essa
é a maneira de Deus agir em nós. Deus nos livra do domínio do pecado, não por meio
de fortalecer o nosso velho homem, mas crucificando-o.
O primeiro passo: Saber
A vida cristã real tem que começar com um "saber" bem definido, que não é apenas
saber algo a respeito da verdade, nem compreender alguma doutrina importante. Não é,
de forma alguma, um conhecimento intelectual, mas consiste em abrir os olhos do
coração para ver o que temos em Cristo.
Como é que você sabe que os seus pecados estão perdoados? É porque o seu pastor
disse? Não, você simplesmente sabe. Porque tal conhecimento vem por revelação do
próprio Senhor. As evidencias do perdão para os pecadores estão na Bíblia, mas para a
Palavra escrita se transformar em Palavra viva, Deus teve que lhe dar o "espírito de
sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele", Ef 1.17. Precisou tomar
conhecimento da Palavra, deste modo a cada nova revelação de Cristo, o saber se instala
no próprio coração, e agora pode “vêr em espírito”. Uma luz brilha no seu íntimo de
modo que você fica persuadido do fato. O que é verdadeiro acerca do perdão dos
pecados não é menos verdadeiro a respeito da libertação do poder do pecado. Quando a
luz de Deus começa a raiar em nosso coração, vemos que estamos em Cristo. Não é
porque alguém nos disse, nem meramente porque Romanos 6 afirma. É algo mais do
que isso. Sabemos porque Deus nos revelou pelo seu Espírito. Talvez não o sintamos,
mas sabemos, porque o temos visto. Uma vez que temos visto a nós mesmos em Cristo,
nada pode abalar a nossa certeza a respeito deste bendito fato.
Se perguntar a alguns crentes que entraram na vida cristã real, como chegaram a
esta experiência, uns dirão que foi desta forma, e outros de forma diferente. Cada um
ressalta a forma específica como entrou na experiência, e cita versículos para apoiá-la;
infelizmente, muitos cristãos procuram usar suas experiências individuais e suas
escrituras especiais para colocar-se em conflito com outros cristãos. Embora, os
caminhos são diferentes para uma vida mais profunda em Cristo, não devemos
considerar exclusivas, mas apenas complementares. Uma coisa é certa: Toda,
experiência verdadeira só pode ser alcançada através da revelação de algo mais da
Pessoa e da Obra do Senhor Jesus Cristo. Está é a prova crucial e absolutamente segura.
Paulo mostra que tudo depende desta verdade: "Sabendo isto, que foi crucificado com
19
ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o
pecado como escravos", Rm 6.6.
A revelação divina é essencial ao conhecimento
Assim sendo, nosso primeiro passo é buscar da parte de Deus o conhecimento que
vem da revelação, não de nós mesmos, mas da obra consumada do Senhor Jesus Cristo
na Cruz. A experiencia que Hudson Taylor, o fundador da Missão para o Interior da
China, teve para entrar na vida cristã real, foi a seguinte: Ele falava do problema que há
muito tempo estava sentindo. “O que fazer para viver em Cristo". Sabia perfeitamente
que devia ter a vida de Cristo emanando através de si mesmo, contudo, não sentia isto
acontecendo com ele. Via claramente que as suas necessidades deviam ser satisfeitas em
Cristo. Eu sabia, dizia ele, escrevendo à sua irmã, de Chinkiang, em 1869, “se eu apenas
pudesse permanecer em Cristo, tudo iria bem, mas, não consigo". Quanto mais
procurava entrar em Cristo, tanto mais se afastava, até que um dia a luz brilhou, a
revelação veio e ele entendeu tudo. Sinto que está aqui o segredo: não em perguntar
como vou conseguir tirar a seiva da videira para colocá-la em mim mesmo, mas em
aceitar que Jesus é a Videira, a raiz, a cepa, as varas, os renovos, as folhas, a flor, o
fruto, tudo. Cristo é tudo, na verdade. Não preciso fazer de mim mesmo uma vara. “Sou
parte de Cristo, apenas preciso crer nisso e agir em conformidade”. Muitas vezes tinha
visto está verdade na Bíblia, mas agora creio nela como realidade viva em mim.
Foi como se a verdade que sempre existira se tornasse real para ele, sob uma nova
forma. Outra vez escreve à irmã: Não sei até que ponto serei capaz de me tornar
inteligível a este respeito, pois não há nada novo, mas todavia, tudo é maravilhoso!
Numa palavra, "Eu era cego e agora vejo. Estou morto e crucificado com Cristo. Sim,
ressurreto e assunto também. Deus me reconhece assim, e me diz, que é assim que me
considera”. Ele é Quem sabe! Oh, que alegria ver esta verdade! Oro, com todas as
forças do meu ser, para que os olhos do seu entendimento também possam ser
iluminados, para que vejas as riquezas que livremente nos foram dadas em Cristo, para
que voce possa se regozijar nelas.
Realmente, que coisa grandiosa é ver que estamos em Cristo! Procurar entrar
numa sala, dentro da qual já estamos, seria criar em nós um senso de confusão enorme.
Pense no absurdo, de pedir a alguém que nos ponha lá dentro. Se já estamos dentro, não
precisamos mais fazer esforços para entrar. Se tivéssemos mais revelações, teríamos
menos petições e mais louvores. Muitas das nossas orações a nosso favor, são proferidas
porque somos cegos a respeito daquilo que Deus já nos deu.
Lembro-me de um dia em Xangai quando falava com um irmão bastante exaltado e
preocupado quanto à sua condição espiritual. Dizia ele: "Existem tantos que vivem
vidas belas e santas! Sinto vergonha de mim mesmo. Chamo-me cristão, mas quando
me comparo com outros, sinto que não sou cristão à altura de forma alguma. Quero
conhecer essa vida crucificada, essa vida ressurreta, mas não a conheço. Não vejo forma
de alcançá-la". Tentamos levar o homem a ver, que nada poderia ter separadamente de
Cristo, mas os nossos esforços não alcançaram êxito. Então, ele nos disse: "A melhor
coisa que eu posso fazer é orar pedindo a Deus está experiencia". Mas, se Deus já lhe
deu tudo, por que precisa pedir? " perguntamos. "Ele ainda não o fez", respondeu, "visto
20
que eu ainda perco o meu domínio próprio, falho constantemente; de modo que devo
continuar orando". Perguntamos, voce alcança as coisas que pede em oração? Lamento
dizer que não consigo nada", respondeu. Tentamos chamar sua atenção para o fato dele
não ter feito nada em favor da sua justificação, do mesmo modo, não precisava fazer
coisa alguma a respeito da sua santificação. Em dado momento, um terceiro irmão
muito usado pelo Senhor, entrou e juntou-se a nós. Havia uma garrafa térmica em cima
da mesa, e este irmão há pegou e disse: "O que é isto? " "Uma garrafa térmica". "Bem,
imaginemos que esta garrafa térmica pudesse orar, e que começasse a orar da seguinte
maneira: "Senhor, desejo muito ser uma garrafa térmica. Concede a tua graça Senhor,
para que eu me torne uma garrafa térmica. Por favor, faz de mim uma garrafa termica!"
O que diria o amigo? "Penso que nem mesmo uma garrafa térmica seria tão pateta",
respondeu o nosso amigo. "Não faz sentido orar desse modo. Ela já é uma garrafa
térmica!" Então, aquele irmão disse: "Você está fazendo exatamente a mesma coisa.
Deus já o incluiu em Cristo; quando Ele morreu, você também morreu; quando Ele
ressuscitou, você também ressuscitou. Portanto, você não pode dizer hoje: Quero
morrer! Quero ser crucificado! Quero ter uma vida ressurreta! Porque o Senhor
simplesmente olhará para você e dirá: Você já está morto! Você já tem uma nova vida!
A sua oração é tão absurda como a da garrafa térmica. Você não tem necessidade de
orar ao Senhor para pedir o que já possue. Apenas, precisa ter os olhos abertos para ver
que Ele já fez tudo isso.
Esta é a questão: Não precisamos trabalhar para alcançarmos a morte do velho
homem, nem precisamos esperar para morrer, porque já estamos mortos para o pecado.
Agora, só nos falta reconhecer o que o Senhor já fez, e louvá-lo por isso. Uma nova luz
desceu sobre aquele homem. Com lágrimas nos olhos, disse: Senhor, louvo-te porque já
me incluíste em Cristo, agora sei, que tudo o que é dele é meu. A revelação chegou, e a
fé o capacitou para que a verdade se torna-se real. Tempos depois, quando encontramos
aquele irmão, verificamos a tranformção que a revelação fez em sua vida.
A Cruz atinge a raiz dos nossos problemas
A obra consumada de Cristo realmente atingiu a raiz dos nossos problemas,
solucionando-os para Deus. Sabendo isto, "que foi crucificado com ele o nosso velho
homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como
escravos", Rm 6.6. “Ou, porventura ignorais que todos nós que fomos batizados em
Cristo Jesus fomos batizados em sua morte?”, Rm 6.3.
21
IV
A VEREDA DO PROGRESSO:
CONSIDERAR-SE
Entramos agora num assunto sobre o qual tem havido alguma confusão entre os
filhos de Deus. Em Rm 6.6, "Sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho
homem". O tempo do verbo é muito preciso, pois situa o acontecimento no passado
distante. É um acontecimento final, realizado de uma vez para sempre, e não pode ser
desfeito. O nosso velho homem foi crucificado, uma vez para sempre, e jamais poderá
voltar à situação de não crucificado. Sabendo que o nosso velho homem foi crucificado
com Cristo, o passo seguinte é considerar-se. "Assim também vós considerai-vos mortos
para o pecado", Rm 6.11. A ordem natural é está: "Sabendo isto, que foi crucificado
com ele o nosso velho homem... considerai-vos mortos para o pecado", Rm 6.6,11.
Infelizmente a ênfase desta verdade de sabermos da nossa união com Cristo tem
sido colocada de lado, porque priorisam o fato de considerar-se mortos, como se fosse
este o ponto a ser alcançado, enquanto o que deve ser ressaltado é a necessidade de
saber que estamos mortos. O ato de considerar-se deve basear-se no conhecimento da
Palavra, pois, de outro modo, a fé não tem fundamento. As pessoas sempre procuram
considerar-se, sem previamente saber. Não tiveram previamente a revelação do fato
pelo Espírito, mas ainda assim procuram considerar-se e logo se vêem abraçados a toda
espécie de dificuldades. “Quando as tentações se manifestam, começam fracamente a
considerar-se: "Estou morto; estou morto; estou morto!” Mas, no próprio ato de
considerar-se, perdem a serenidade. Depois, dizem: "não está dando certo”. Há certeza,
de que realmente estou morto para o pecado, como experiência de vida, tem sua origem
no entendimento que já fui crucificado, um fato que já foi consumado.
Qual é o segredo de considerar-se? É a revelação. Precisamos de revelação da parte
do próprio Deus, Mt 16.17 e Ef 1.17. A união com Cristo e uma experiencia de vida. É
algo que vai além de conhecer sua doutrina; tal revelação não é coisa vaga e indefinida.
Muitos recordam o dia em que aceitaram “a Cristo como Senhor e Salvador”, e
devem ter está mesma certeza, de que também “morremos com Cristo”. Está morte não
deve deixar duvidas, precisa estar bem definida, porque é a base para prosseguirmos.
Estou morto não porque me considero assim, mas por causa daquilo que Deus fez
comigo em Cristo, por isso me considero morto. É este o verdadeiro sentido de
considerar-se. Não se trata de considerar-se para ficar morto, mas de considerar-se
morto com Cristo, porque essa é a pura realidade.
O segundo passo: Conciderar-se
O que significa considerar-se? “Considerar” no Grego, significa “fazer contas”. A
contabilidade é a única coisa no mundo, que nós seres humanos sabemos que deve ser
exata. Considerai-vos, refere-se há uma atitude definida a tomar. Deus pede que
22
façamos a escrituração, lançando na conta: estou morto, e firmar-se nesta realidade.
“Quando o Senhor Jesus esteve na Cruz, eu estava nele”; portanto, considero este fato
verdadeiro e realizado. Considero e declaro que morri nele. Paulo disse: Considerai-vos
mortos para o pecado, mas vivos para Deus. Como isso é possível? Em Cristo Jesus.
Nunca se esqueça que é sempre e somente verdade em Cristo. Se você olhar para si, não
sentirá está morte. É questão de fé no Senhor, de olhar para Ele e ver que já realizou.
Reconheça e considere o fato consumado em Cristo, e permaneça nesta atitude de fé.
Conciderar-se e a Fé .
Somos justificados pela fé em Cristo, Rm 3.28 e 5.1. A justificação, o perdão dos
pecados e a paz com Deus tornam-se reais pela fé. Sem fé. ninguém pode desfrutar
destas dadivas. Em Rm 6, no entanto, não encontramos a fé mencionada tantas vezes, e
à primeira vista pode parecer que há uma mudança no ênfase, mas não é assim, porque a
expressão “considerar-se” toma o lugar das palavras “fé” e ”crer”. Isto acontece,
porque fé, crer e considerar-se neste contesto tem o mesmo significado.
O que é fé? É a minha aceitação de fatos divinos, e o seu fundamento sempre se
encontra no passado, mas se relaciona com o futuro. Embora, a fé tenha muitas vezes o
seu objetivo no futuro, como em Hebreus 11. Talvez, seja por essa razão que a palavra
considerar-se, se relaciona unicamente com o passado, como algo já realizado, que nos
faz olhar para trás e não como qualquer coisa ainda por acontecer. "Tudo quanto em
oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco", Mc 11.24. Fé é crer que
já alcançou. Aqueles que dizem que Deus pode ou pode ser que Deus realize, não crêem
de forma alguma, porque a fé sempre diz: Deus já fez.
Portanto, quando é que tenho fé no que diz respeito à minha crucificação? Não
quando digo que Deus pode ou Deus quer crucificar-me, mas quando afirmo com
alegria: Graças a Deus, estou crucificado com Cristo!
Desafios a fé: tentações e fracassos
Sabemos que o Sangue trata dos nossos pecados e a Cruz de nós próprios. Mas que
diremos com respeito à tentação? Qual será a nossa atitude quando os velhos desejos
surgirem novamente? Pior ainda, se caírmos em pecados conhecidos mais uma vez?
Será que cai por terra o que foi dito?
Um dos principais objetivos de Satánas é nos levar a duvidar da Palavra de Deus
Gn 3.4. Após termos recebido, pela revelação do Espírito, que estamos mortos em
Cristo; vem o Diabo e coloca na mente: "Alguma coisa está se mexendo no seu íntimo;
o que você diz a isto? Podemos dizer que isto é morte?" Qual será a nossa resposta em
tal caso? Escolhemos crer nos fatos tangíveis do plano natural que estão perante os
nossos olhos, ou nos fatos intangíveis do plano espiritual, que não se vêem nem se
provam cientificamente? Devemos ser perseverantes a este respeito, porque a nossa fé
precisa estar apoiada nas verdades divinas. Em que termos Deus declara que foi
efetuada a nossa libertação? A sua Palavra não diz, que o pecado e a tentação, foram
desarraigados ou removidos. Não, porque eles estão bem presentes, e se dermos
oportunidade cairemos.
23
O método de Deus tratar dos pecados cometidos é direto, apagando-os da
lembrança por meio do Sangue, mas no que diz respeito ao princípio do pecado e a
libertação do poder do pecado, Ele opera através do método indireto: não remove o
pecado, e sim, o objeto do pecado. O nosso velho homem foi crucificado com Cristo, e,
por causa disto, o corpo, que antes fora veículo do pecado, fica desempregado, Rm 6.6.
O pecado, ainda está presente, mas o escravo que o servia foi morto e o pecado não
encontra mais lugar. Os membros que serviam ao pecado agora estão desempregados. A
mão que jogava de apostas ou a língua que blasfemava estão agora desempregados;
assim tais membros passam a ser úteis "a Deus como instrumentos de justiça", Rm 6.13.
A vontade de pecar não faz parte da natureza daquele que é nascido de Deus. "Todo
aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado... não pode viver pecando"
IJo 3.9. Não esta dizendo que o pecado nunca mais entrará em nossa vida e que não
pecaremos mais. A vida de Cristo foi plantada em nós pelo novo nascimento, e a Sua
natureza é caracterizada por não cometer pecados. Há, porém, uma grande diferença
entre a natureza de uma coisa e o seu comportamento, assim como, há uma grande
diferença entre a natureza de Cristo que há em nós e o nosso viver diario.
A questão consiste em escolher o que orienta a nossa vida, se são fatos tangíveis da
nossa experiência diária ou a presença de Cristo em nós. O poder da Sua ressurreição
está ao nosso lado, e todo o poder de Deus está operando na nossa salvação, Rm 1.16,
mas está realidade divina depende de nossas escolhas para se tornar real em nossa
experiencia de vida.
Como é que substancializamos uma coisa? Primeiro devemos conhecer a diferença
entre substância e substancializar? Uma substância é um objeto, uma coisa na minha
frente. Substancializar significa que tenho poder ou faculdade de tornar aquela
substância real para mim. Por meio dos sentidos, substancializamos as coisas do mundo
e da natureza, e as transferimos para o nosso conhecimento e percepção interna para
poder apreciá-las. A vista e o ouvido, por exemplo, são duas faculdades que nos permite
substancializar a luz e o som. Ao olhar para as cores: vermelho, amarelo, verde e azul
elas se tornam reais, mas se fechar os olhos, as cores deixam de ser reais; elas
simplesmente desaparecem. Com a faculdade da vista possuo o poder de substancializar
objetos e cores. Se fosse cego, não poderia substancializa-las ou se fosse surdo, não
poderia substancializar a música. A música e a cor, no entanto, são realidades que não
são afetadas por minha capacidade ou incapacidade de apreciá-las.
Aqui estamos considerando algo superior, que embora não sejam vistas, são
eternas, e portanto reais. Evidentemente, não é com nossos sentidos naturais que
poderemos substancializar as coisas divinas. Há uma faculdade para a
substancialização das coisas que se esperam de Cristo, é a fé. A fé faz com que as coisas
que ainda não são reais, se tornem reais na minha experiência. A fé substancializa para
mim as coisas de Cristo. "Foi crucificado com Ele o nosso velho homem", Rm 6.6. Por
meio da fé substancializo está verdade; mas para os incrédulos, que não são iluminados
espiritualmente, não é verdade. "Ora a fé é a certeza das coisas que se esperam e a con-
vicção de fatos que se não vêem", Hb 11.1, “e as coisas que se não vêem são eternas",
IICo 4.18. "A fé é a substancializaçao das coisas que se esperam", Hb 11.1 Darby. A
palavra substancialização significa tornar real as coisas que se esperam
24
É importante lembrar que não estamos lidando com promessas, e sim, com fatos.
As promessas de Deus nos são reveladas pelo Espírito, a fim de que nos apropriemos
delas; os fatos porém, permanecem fatos, quer creiamos neles ou não. Se não crermos
nos fatos da Cruz, estes ainda permanecerão tão reais como sempre, mas não terão
qualquer valor para nós. A fé não é necessária para tornar fatos em coisas reais em si
mesmos, mas sim, para substancializá-las e torná-las reais em nossa própria experiência.
Qualquer coisa que contradiga a verdade da Palavra de Deus deve ser considerada
mentira do Diabo. Qualquer fato que pareça real, aos nossos sentidos, deve curvar-se
ao fato maior declarado pela palavra de Deus. Passei por uma experiência que serve
para ilustrar este princípio.
Há alguns anos, encontrava-me doente. Passei seis noites com febre alta, sem
conseguir dormir. Finalmente, Deus me deu, através das Escrituras, uma palavra pessoal
de cura e portanto, esperava que se desvanecessem imediatamente todos os sintomas da
enfermidade. Ao invés disso, não conseguia conciliar o sono, e me senti ainda mais
perturbado; a temperatura aumentou, o pulso batia mais rapidamente e a cabeça doía
mais do que antes. O inimigo perguntava: "Onde está a promessa de Deus". "Onde está
a sua fé? Qual o valor das suas orações?" Desta forma, senti-me tentado a levar o
assunto de novo a Deus em oração, mas fui repreendido por este verso que me veio à
mente: "A tua palavra é a verdade", Jo 17.17. Pensei, se a Palavra de Deus é a verdade,
então, o que significam estes sintomas? Devem ser mentiras do inimigo e declarei: "Esta
falta de sono é uma mentira, esta dor de cabeça é uma mentira, esta febre é uma mentira,
esta pulsação elevada é uma mentira. Em face do que Deus me disse, os presentes
sintomas de enfermidade são apenas mentiras, e a Palavra de Deus, para mim, é a
verdade". Em cinco minutos, já estava dormindo e na manhã seguinte acordei
perfeitamente curado.
Ora, num caso pessoal como este, existe a possibilidade de ter me enganado a
respeito do que Deus havia me dito, mas jamais poderá haver qualquer dúvida quanto ao
fato da Cruz. Devemos crer em Deus, não importa quão convincentes pareçam os
instrumentos de Satanás. O inimigo se utiliza da mentira para facilmente enganar os
nossos sentidos, tanto por meio de palavras, como de gestos e atos. Ele recorre a sinais,
sentimentos e experiências falsas na tentativa de abalar a nossa fé na Palavra de Deus.
Se estivermos firmes na posição que nos foi revelada em Cristo, o fato de estarmos
mortos para pecado será é uma realidade no nosso viver diário. Mesmo, que Satanás nos
ataque com suas armas de engano, a escolha quem faz somos nós. Acreditamos nas
mentiras do inimigo ou na verdade de Deus? Somos governados pelas aparências ou
pela Palavra de Deus?
Eu morri com Cristo, quer sinta, ou não. Como posso ter a certeza disso? Porque
Cristo morreu por todos; e desde que "um morreu por todos, logo todos morreram",
IICo 5.14. Quer a minha experiência comprove ou não, o fato permanece inalterável.
Enquanto, eu estiver conciente de que estou em Cristo, Satanás não poderá prevalecer
contra mim. Sabemos que seu ataque será sempre contra a nossa certeza. O seu alvo é
nos fazer duvidar da Palavra de Deus, quando isto acontece seu objetivo é alcançado, e
estaremos em seu poder; mas se descansamos inabaláveis no fato declarado por Deus,
25
firmes em sua Palavra e crendo que suas obras são imutáveis, poderemos discernir as
tática de Satanás.
Toda a tentação consiste primariamente em desviar os olhos do Senhor, para
depois, ser impressionado pelas aparências. A nossa mente sempre encontra uma
montanha de motivos para nos desviar da Palavra de Deus. Pode ser qualquer coisa:
fracassos, atitudes, sentimentos ou sugestões, tudo contribue para nos desviar do
caminho. Se recorrermos aos sentidos na busca pela verdade, seremos induzidos pelas
mentiras de Satanás, porém, se recusamos a aceitar qualquer coisa que contradiga as
escrituras e mantivermos uma atitude de fé, veremos as mentiras do inimigo se
dissolverem. O fato de estarmos firmes na Palavra produz uma real justificação e uma
real santificação. Esta é a marca da maturidade, que Paulo aplicou aos galatas, quando
disse: "De novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós", Ga 4:19. A fé
é a substancialização das coisas que são eternamente verdade.
Permanecer em Cristo
Estamos familiarizados com as palavras do Senhor Jesus: "Permanecei em mim, e
eu permanecerei em vós”, Jo 15.4. Elas nos lembram, mais uma vez, que jamais
teremos que lutar para entrar em Cristo. Não nos mandam alcançar está posição, porque
já estamos lá; a ordem é para permanecer onde já fomos colocados. Foi um ato do
próprio Deus que nos colocou em Cristo, e nós devemos permanecer nele.
Além disso, este versículo estabelece o princípio divino: que Deus fez a obra em
Cristo, e não em nós como indivíduos. A morte e ressurreição do Filho de Deus incluí
todos nós, porém foi cumprida totalmente à parte de nós. É a vida de Cristo que se torna
a experiência do cristão, e não, que teremos experiências espirituais separadas dele.
Fomos crucificados, vivificados, ressuscitados e sentados por Deus nos lugares
celestiais, e nele estamos perfeitos, Rm 6.6, Ef 2.5,6 e Cl 2.10. Não se trata de alguma
coisa, que ainda precisa ser efetuada em nós (embora carecemos deste aspecto). É algo
que já foi efetuado, por estarmos associados com Ele.
O que Deus fez, no seu propósito gracioso, foi incluir-nos em Cristo. Ao tratar de
Cristo, Deus tratou do cristão; no seu trato com a Cabeça, tratou também dos membros.
“É inteiramente errado pensar que podemos ter experiências espirituais separados de
Cristo”. Toda a experiência espiritual do cristão esta fundamentada em Cristo como
fonte de realização.
O que chamamos de nossa experiência é somente a nossa entrada na vida de Cristo.
Seria sem fundamento numa videira um galho produzir uvas vermelhas, outro uvas
verdes e outro uvas roxas, porque os galhos não podem produzir uvas com
características próprias, pois é a videira que determina as carateristicas dos galhos.
Todavia, há crentes que buscam experiências próprias, para eles a crucifixão é uma
coisa, a ressurreição é outra, a ascensão é outra, e nunca se detêm para pensar que todas
estas coisas estão relacionadas com uma única Pessoa. Experiência espiritual verdadeira
significa mais de Cristo em nós. Que coisa maravilhosa conhecer as realidades de Cristo
como o fundamento da nossa experiência!
Qual a finalidade das crises no viver cristão? Não há dúvida, que alguns passaram
por crises em suas vidas. Por exemplo, G. Muller teve sua crise, quando previu a volta
26
de Jesus para o dia 22 de outubro de 1844; mas o fato não aconteceu. A realidade das
experiências espirituais pelas quais passamos, nem sempre são positivas, porém as
crises que nos sobrevem, sempre satisfazem ao propósito divino. As experiências que
Deus permite que nos sobrvenham são apenas uma participação daquilo que Ele já
passou, quando aqui esteve. “A experiência de Cristo torna-se a nossa, pois não temos
uma vida separado da dele”. Todo o trabalho de Deus a esse respeito, não é efetuado
em nós, mas em Cristo. Deus não faz um trabalho separado para cada indivíduo, à parte
do que ele já fez no Calvário. Mesmo, a vida eterna não é dada a nós como indivíduos:
“A vida está no Filho, e quem tem o Filho tem a vida", IJo 5.11-12. Deus fez tudo no
seu Filho e nós somos incluidos nele; estamos incorporados em Cristo.
Ora, o que queremos frisar com tudo isto, é que: Deus nos incluiu em Cristo e
portanto, tudo que é verdade a respeito dele também se aplica a nós. Satanás sempre
procura nos convencer, através de tentações, fracassos, sofrimentos e provações na
tentativa de mostrar que estamos fora de Cristo. Geralmente, quando passamos por estas
provações o nosso primeiro pensamento é que, se estivéssemos em Cristo, não
estaríamos passando por estas crises. Então, começamos a orar: "Senhor, coloca-me em
Cristo". Não! O mandamento de Deus é para permanecermos em Cristo. Mas, porquê
deve ser assim? Porque este é caminho do livramento, pois dá a possibilidade de Deus
intervir na nossa vida e realizar a sua obra em nós. Assim, há lugar para a operação do
seu poder superior, o poder da ressurreição, Rm 6.4,9,10, de modo que os fatos de Cristo
se tornam progressivamente os fatos da nossa experiência diária. “Onde antes o pecado
reinou", Rm 5.21, agora descobrimos que já “não servimos o pecado como escravos”,
Rm 6.6.
À medida que permanecemos firmes nos fundamentos de Cristo, a sua experiência
se torna realidade em nós. Mas, se ao invés disto, olharmos para a base daquilo que
somos, para nós próprios, acharemos que tudo que se relaciona a nossa velha natureza
continua vivo em nós. Por isso, muitas vezes vamos procurar a morte do nosso eu no
lugar errado. É em Cristo que a encontramos. Mortos para o pecado, mas "vivos para
Deus", Rm 6.11.
Permanecei em mim e eu em vós. Esta frase consiste em um mandamento ligado a
sua promessa. O trabalho de Deus, tem um aspecto objetivo e outro subjetivo, e o lado
subjetivo depende do objetivo; Deus em nós é o resultado da nossa posição de
permanecer nele. Não devemos nos preocupar demais com o lado subjetivo das coisas,
que nos leva a ficar voltados para nós mesmos, e sim, permanecer naquilo que é o nosso
objetivo, permanecer em Cristo, e deixar que Deus tome conta do aspecto subjetivo.
Para andar com Deus a nossa atenção deve fixar-se em Cristo. Permanecei em mim,
e eu em vós, esta é a ordem divina. É assim que o apóstolo Paulo apresenta esta verdade:
"Todos nós... contemplando... a glória do Senhor, somos transformados na sua própria
imagem", IICo 3.18. O mesmo princípio domina na vida frutífera: "Quem permanece
em mim, e eu nele, esse dá muito fruto", Jo 15.5. Não devemos nos preocupar em
produzir frutos, nem nos concentrar no frutos produzidos. A parte que nos toca é olhar
para Cristo, porque ele irá cumprir a sua Palavra em nós.
Como é que permanecemos em Cristo? Vós sois de Deus em Cristo Jesus. Coube a
Deus nos colocar em Cristo, e ele já o fez. Agora, que estamos em Cristo não olhamos
27
para nós mesmos, como se não estivéssemos nele, mas olhamos para Cristo, e nos
vemos nele, com a certeza que Deus nos incluiu no seu Filho, e a nossa expectativa é
que ele complete a sua obra em nós. Cabe a Ele cumprir a gloriosa promessa de que "o
pecado não terá domínio sobre vós", Rm 6.14.
28
V
A LINHA DIVISÓRIA DA CRUZ
O reino deste mundo não é o reino de Deus. Deus tinha no seu coração um sistema
cósmico, o universo da sua criação teria Cristo, o seu Filho, por cabeça, Cl 1.16,17.
Satanás porém, operando através da carne do homem estabeleceu um sistema rival,
conhecido nas Escrituras como este mundo, sistema em que nós estamos envolvidos e
que é dominado por Satanás. Ele se tornou realmente "o príncipe deste mundo", Jo
12.31. Desta forma, nas mãos de Satanás, a primeira criação se transformou em velha
criação, e Deus está trabalhando para reverter está situação. Ele está introduzindo a
nova criação, o novo reino e o novo mundo e nada da velha criação, do velho reino e do
velho mundo poderá ser transferido para o novo. Trata-se de dois reinos rivais, nós
temos que fazer a escolha a qual deles damos a nossa lealdade.
O apóstolo Paulo, não nos deixa em dúvidas sobre qual dos dois reinos realmente
pertencemos, quando disse: que Deus, pela redenção, "nos libertou do império das
trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor", Cl 1.13. Deus teve que
fazer algo novo, nos transformar em novas criaturas, porque nada que pertença a velha
criação entrará em seu novo reino. "O que é nascido da carne, é carne," e "carne e
sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção", Jo
3.6; ICo 15.50. A carne, por mais educada, culta e melhorada que seja, continua sendo
carne.
O que determina se estamos aptos para o novo reino é a criação à qual pertencemos.
Se pertencemos à antiga criação ou à nova? Nascemos da carne ou do Espírito? Em
última análise, é a nossa origem que define se somos aptos para o novo reino. A questão
não é o fato de sermos bons ou maus, e sim, se pertencermos à carne ou ao Espírito. "O
que é nascido da carne, é carne", e nunca será outra coisa. O que pertence à velha
criação, nunca poderá ser transferido para a nova, tem que morrer.
Uma vez que realmente compreendemos que Deus procura algo inteiramente novo
para si, perceberemos que nada há do velho mundo que possa contribuir para o novo.
Deus nos desejou para si mesmo, mas não poderia nos levar assim como estávamos.
Para pertencermos a nova criação, é necessário eliminar a nossa velha vida. Isto, se
tornou possivel através da cruz, ressureição e glorificação de Cristo. "Se alguém está em
Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas", IICo
5.17. Sendo, agora, uma nova criatura, com uma nova natureza, podemos entrar no novo
reino e no novo mundo.
A Cruz foi o meio que Deus empregou para pôr fim às coisas antigas, pondo
inteiramente à parte o nosso velho homem, e a ressurreição foi o meio que ele empregou
para nos transmitir tudo que era necessário para a nossa vida no novo mundo. "Para
que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também
andemos nós em novidade de vida", Rm 6.4.
29
O maior ato de correção do universo é a Cruz, porque por meio dela, Deus riscou e
destruiu tudo o que não era dele. O maior ato de beneficio do universo é a ressurreição,
pois por meio dela, Deus trouxe à existência tudo o que ele quer que desfrutemos nesta
nova esfera. Assim, a ressurreição está no limiar da nova criação. É coisa abençoada ver
que a Cruz acaba com tudo aquilo que pertence ao primeiro sistema e que a ressurreição
introduz tudo o que pertence ao novo sistema. Tudo o que teve o seu começo antes da
ressurreição deve ser abolido. A ressurreição deve ser, antes de tudo, o novo ponto de
partida para Deus.
Temos pois, dois mundos diante de nós, o velho e o novo. No velho, Satanás tem
domínio absoluto. Você pode ser um homem bom na velha criação, mas enquanto a ele
pertencer está sob a sentença de morte, porque coisa alguma da velha criação pode ter
acesso à nova. A Cruz é o ato de Deus para nos transformar, onde tudo o que pertence à
velha criação tem que morrer. Nada do primeiro Adão pode passar para além da Cruz,
tudo acaba ali. Quanto mais cedo percebemos isso melhor, pois foi pela Cruz que Deus
traçou para nós um caminho de libertação da velha criação. Deus reuniu na Pessoa do
seu Filho, tudo o que era de Adão, e crucificou; assim, tudo o que era de Adão foi
abolido por meio de Cristo. Depois, por assim dizer, Deus fez uma proclamação por
todo o universo, dizendo: "Pela Cruz, eu afastei tudo que não é meu; vós que pertenceis
à velha criação estão todos incluídos nela; porque vós também fostes crucificados com
Cristo!” Ninguém pode escapar deste veredito.
Isso nos leva ao assunto do batismo. "Ou, porventura, ignorais que todos os que
fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepul-
tados com ele na morte pelo batismo", Rm 6.3,4. Qual é o significado destas palavras?
O batismo, nas Escrituras, está associado com a salvação. "Quem crer e for batizado
será salvo", Mc 16.16. Não podemos falar de regeneração batismal, mas podemos falar
de salvação batismal.
O que é a salvação? Ser salvo não está relacionado apenas com os nossos pecados,
nem com o poder do pecado, mas com o Cosmos, ou sistema do universo. Neste mundo
estamos envolvidos no sistema satânico. Ser salvo, significa sair deste sistema de
Satanaz e entrar no sistema cósmico de Deus.
Por causa da cruz de Crisro, "o mundo está crucificado para mim, e eu para o
mundo", Gl 6.14. Veja a ilustração desenvolvida por Pedro, quando escreveu acerca das
oito almas que foram "salvas pela água", IPe 3.20. Entrando na arca, Noé e os que
estavam com ele marcharam, pela fé, para fora daquele mundo velho e corrupto, com
destino a um mundo novo. Não se tratava deles pessoalmente não terem se afogado,
mas por se encontrarem fora daquele sistema corrupto. Isto é salvação.
Pedro prossegue: “a qual [as aguas do diluvio], figurando o batismo agora
também vos salva", IPe 3.21. Noutras palavras, o aspecto da Cruz figurado no batismo,
nos liberta deste mundo mau. Pelo batismo nas águas estamos unidos em sua morte na
cruz, pondo fim a velha criação; mas também visa uma nova criação em Jesus Cristo,
Rm 6.3. Ao afundarmos na água o nosso velho mundo, figurativamente, também afunda
conosco e ao emergimos em Cristo, o nosso velho mundo e o velho homem ficam afun-
dados (sepultados).
30
Disse Paulo em Filipos. "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e a tua casa. E lhe
pregaram a palavra de Deus, e a todos os da sua casa... A seguir foi ele batizado, e
todos os seus, At 16.31-33. Atravéz deste ato testificaram perante Deus, perante o povo
e aos poderes espirituais que se encontravam realmente salvos de um mundo sob
julgamento. Como resultado, "todos os seus, manifestava grande alegria por terem
crido em Deus", At 16.34.
É claro, pois, que o batismo não é mera questão de uma taça de água, nem mesmo
de um batistério de aspersão de água, sendo algo muito maior, porque está relacionado
com a morte e ressurreição do Senhor Jesus. Para ser real, torna-se nescessário afundar,
sepultar em aguas profundas, e depois emergir em novidade de vida. Tendo em vista a
separação entre os dois mundos existentes, o velho e o novo.
A sepultura significa o fim
Qual é a minha resposta ao veredito de Deus sobre a velha criação? Respondo,
pedindo o batismo, porque o batismo significa sepultuamento. "Fomos sepultados com
ele na morte pelo batismo", Rm 6.4. O batismo está evidentemente relacionado tanto
com a morte como com a ressurreição. Mas quem está preparado para a sepultura?
Somente os mortos. De modo que, quando pedimos o batismo, proclamamos que
estamos mortos e aptos somente para a sepultura. Se os nossos olhos não forem abertos
por Deus, para ter o entendimento que morremos com Cristo e que fomos sepultados
juntamente com ele, não temos o direito de ser batizados. A razão de entrarmos na água,
é o reconhecimento de que aos olhos de Deus, já morremos. É está verdade que
testificamos. A pergunta de Deus é clara e simples: "Cristo morreu e incluíu você nele”;
qual a sua resposta? Respondo: "Creio Senhor que tu já operaste a crucifixao, e digo
sim, à morte e à sepultura”. Cristo levou-me à morte e à sepultura, e ao pedir o batismo,
dou meu testemunho público deste fato.
Na China, certa mulher perdeu o marido, mas sofrendo um problema mental
provocado pela perda, recusou-se totalmente a permitir que ele fosse sepultado. Dia
após dia, durante uma quinzena, ele jazeu em casa. "Não" dizia ela, "ele não está morto;
falo com ele todas as noites". Não queria que o marido fosse sepultado porque a coitada
não acreditava que estivesse morto. Quando é que estamos prontos a sepultar os nossos
queridos? Apenas, quando certificamos que eles faleceram. Enquanto restar a mais
tênue esperança de que eles podem estar vivos, nunca iremos sepultá-los. Quando é,
pois, que peço o batismo? Quando percebo que o caminho de Deus é perfeito, que
mereço morrer, e estou verdadeiramente preparado perante Deus, para entregar o velho
homem para ser sepultado. Só, então posso dizer: "Graças a Deus estou morto para o
mundo! Senhor, sepulta-me!"
Há um mundo velho e um mundo novo, e entre os dois há um túmulo. Deus já me
crucificou, mas eu tenho que consentir em colocar o velho homem no túmulo. O meu
batismo confirma a sentença de Deus pronunciada sobre mim na cruz do seu Filho.
Declara que eu fui cortado do velho mundo, e que pertenço agora ao novo. Assim, o
batismo é um ato de grande importância. Significa para mim um corte consciente e
definitivo com o velho modo de vida. É este o significado de, Rm 6.2, "Como viveremos
ainda no pecado, nós que para ele morremos?". Paulo diz, com efeito: "Se querem
31
continuar no velho mundo, porquê então ser batizados? Nunca deveriam ser batizados
se tencionavam continuar a viver no velho sistema". Uma vez que temos entendimento,
desimpedimos os alicerces da nova criação, pelo ato de consentir em sepultar a velha.
Depois, em Rm 6.3,5, escrevendo ainda àqueles que foram batizados, ele afirma que
fomos "unidos com ele (Cristo) na semelhança da sua morte", porque pelo batismo
reconhecemos, em figura, que Deus operou uma união íntima entre nós e Cristo, no que
se refere à sua morte e ressurreição.
Certo dia, procurava dar relevo a esta verdade perante um irmão. Tomávamos chá
juntos, e tomei um cubo de açúcar e o coloquei na minha xícara de chá. Dois minutos
depois perguntei: "Pode me dizer agora onde está o açúcar e onde se encontra o chá?"
"Não", disse ele. "Juntaram-se, um se uniu ao outro; não podem agora ser separados".
Era uma ilustração simples, mas auxiliou a perceber a intimidade e a finalidade da nossa
união com Cristo na morte. Foi Deus que nos incluiu nele, e os atos de Deus não podem
ser anulados.
Qual é o significado real desta união? Na Cruz fomos inseridos na morte de Cristo,
onde a sua morte tornou-se a nossa. As duas mortes se identificaram tão intimamente
que é impossível traçar uma divisão entre elas. É está união com Cristo, operada por
Deus, que acontece conosco, quando consentimos em ser imersos na água pelo batismo.
O testemunho público do batismo é hoje o nosso reconhecimento, de que a morte de
Cristo há dois mil anos incluiu a todos. É suficientemente poderosa e inclusiva para por
termo a tudo que não provém da parte de Deus.
Ressurreição em novidade de vida
”Se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos
também na semelhança da sua ressureição”, Rm 6.5. Em relação a ressureição, a figura
é diferente, porque algo novo é introduzido. “Sou batizado na sua morte”, mas não
entro na sua ressureição exatamente assim. Louvado seja o Senhor, porque é a sua
ressureição que me comunica uma vida nova. Na morte do Senhor resalta-se somente,
eu em Cristo. Com a ressureição um novo enfase e acrecentado, Cristo em mim. Como é
possivel que Cristo me comunique sua vida ressurreta? Como recebo está vida nova?
Paulo diz que fomos unidos, no Grego o sentido é enxertados. Assim, a vida divina e
sem pecado de Cristo foi comunicada a nós atravéz da sua ressurreição.
Como pode uma árvore produzir fruto de outra? Como pode uma árvore inferior
produzir bom fruto? Somente por meio do enxerto. Somente se nela implantarmos a
vida de uma árvore boa. Se um homem pode enxertar um ramo de uma árvore noutra,
não pode Deus tomar da vida de Seu Filho e enxertá-la em nós?
Certa mulher chinesa queimou o braço gravemente e foi levada ao hospital. A fim
de evitar sérias complicações devido à cicatrização, achou-se necessário enxertar um
pouco de pele nova na área lesada, mas o médico cirurgião tentou em vão enxertar um
pedaço da pele da própria mulher no braço. Devido à sua idade e a uma alimentação
deficiente, o enxerto da pele era demasiado pobre e não pegava. Então, uma enfermeira
estrangeira ofereceu um pedaço de pele, e a operação foi feita com êxito. A pele nova
uniu-se com a velha e a mulher saiu do hospital com o braço perfeitamente curado; mas
32
ficou ali um remendo de pele branca e estrangeira no seu braço amarelo, para contar
aquele incidente do passado.
Se um cirurgião humano pode tomar um pedaço da pele de uma pessoa e enxertá-lo
noutra, não pode o Divino Cirurgião implantar a vida de seu Filho em mim? Não sei
como é feito. "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem,
nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito", Jo 3.8. Não sabemos
explicar como Deus realizou a sua obra em nós, só sabemos que o fez. Deus já
completou a obra por meio da ressurreição de Cristo. Deus fez tudo. Há somente uma
vida frutífera no mundo, e esta vida tem sido enxertada em milhões de outras vidas. É
isto que chamamos novo nascimento. O novo nascimento é quando recebo uma vida que
eu não possuía antes. Não se trata da minha vida ter sido, de algum modo, modificada, e
sim, que outra vida, uma vida inteiramente nova, inteiramente divina, foi implantada em
mim.
Deus cortou e excluiu a velha criação pela Cruz do Seu Filho, a fim de produzir
uma nova criação em Cristo, pela ressurreição. Encerrou a porta para o velho reino das
trevas e me transferiu para o reino do seu Filho Amado. Eu me glorio nisso, que pela
Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, aquele velho mundo "está crucificado para mim e
eu para o mundo", Gl 6.14. O meu batismo é o meu testemunho público real deste fato e
por meio dele, assim como pelo meu testemunho oral, faço a minha confissão para a
salvação.
33
VI
A VEREDA DO PROGRESSO:
OFERECER-SE
Vamos considerar agora a verdadeira natureza da consagração. “Não reine,
portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;
nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado como instrumentos de
iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos
membros a Deus como instrumentos de justiça", Rm 6.12;13. Paulo diz: “Oferecei-vos a
Deus como ressurretos dentre os mortos”. O que aqui se refere não é a consagração de
qualquer coisa pertencente à velha criação, mas somente o que passou através da morte
para a ressurreição. A atitude de oferecer-se é o resultado de saber e conciderar, que o
meu velho homem foi crucificado.
Saber, considerar-se e oferecer-se a Deus esta é a ordem divina. Sabendo isto, que
fui crucificado com Cristo, então, espontaneamente, “me considero morto”, Rm 6.6,11 e
quando tenho entendimento que ressuscitei juntamente com Ele dentre os mortos, então,
considero-me "vivo para Deus em Cristo Jesus", Rm 6.9,11.Tanto o aspecto da cruz,
denominado morte, como o da ressurreição, que é a nova vida, se tornam reais pela fé.
A nossa entrega depende desta revelação. Na ressurreição, Cristo é a fonte da minha
vida, de modo que ofereço tudo a ele, pois tudo foi feito por ele e para ele. Mas, sem
passar pela morte, nada tenho para consagrar, nada há de aceitável a Deus, pois tudo
quanto é da velha criação, já foi condenado na cruz. A morte acabou com tudo o que
não pode ser consagrado a Deus, somente a ressurreição torna possível qualquer
consagração. Oferecer-me a Deus, significa que daqui em diante considero a minha vida
como pertencente a ele.
O terceiro passo: Oferecer-se
O ato de oferecer-se está relacionado aos membros do nosso corpo, que agora estão
desempregados, porque tudo o que se relaciona com o pecado está morto. "Oferecei-vos
a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus como
instrumento de justiça", Rm 6.13. Deus quer que consideremos todos os nossos mem-
bros e faculdades como propriedades dele. É uma coisa grandiosa quando descobrimos
que não pertencemos mais a nós mesmos, pois somos dele. Porquê Cristo ressuscitou,
estamos vivos para Deus e não para agradar a nós próprios! A vida cristã real começa
com o conhecimento desta verdade. Será, que a nossa vida está fundamentada neste
sentimento tão forte de pertencer a Outro e não mais utilizarmos o nosso tempo,
dinheiro e talento para satisfazer a nossa própria vontade?
Certa ocasião, um irmão chinês viajava de trem, juntamente com três pessoas não
crentes, que queriam jogar baralho para passar o tempo. Faltando um quarto parceiro
para completar o jogo, convidaram este irmão a fazer parte da partida. "Lamento
decepcioná-los", disse ele, "mas não posso participar do jogo, porque não trouxe
34
comigo as minhas mãos". Atônitos, olharam para ele e disseram: "Que é que você quer
dizer?". "Este par de mãos não me pertence", disse ele, passando então a explicar a
transferência de propriedade que tivera lugar na sua vida. Aquele irmão considerava os
membros do seu corpo como pertencentes inteiramente ao Senhor. Este é o verdadeiro
caminho para santificação. "Oferecei, agora os vossos membros para servirem à justiça
para a santificação", Rm 6.19. Tornemos real o ato de "oferecer-nos a Deus".
Separados para o Senhor
O que é santidade? Muitas pessoas pensam que para tornar-se santos precisam
eliminar o mal que existe dentro deles. Não, o verdadeiro sentido de santidade se refere:
a ser separados para Deus. Nos tempos do Antigo Testamento o homem escolhido para
ser inteiramente de Deus era publicamente ungido com óleo e dizia-se então, que estava
santificado. Daí em diante era considerado como posto à parte para Deus. Do mesmo
modo, os animais e até as coisas, um cordeiro ou os útencilios de ouro do templo
podiam ser santificados, não pela extirpação de alguma coisa má, mas por estarem
reservados exclusivamente para o Senhor. A santidade, no sentido hebraico, significava
posto à parte para o Senhor, Ex 8.36. A verdadeira santificação é entregar-se
inteiramente a Cristo.
Oferecer-me a Deus, implica no reconhecimento de que sou inteiramente dele. Este
ato de me entregar ao Senhor é algo bem definido, tal como, o reconhecimento de que
em certo dia da minha vida, eu passei das minhas próprias mãos para as mãos dele, e a
partir deste dia não pertenço mais a mim mesmo. Isso significa, que não me consagro
para ser pregador ou missionário, mas me consagro ao Senhor. Infelizmente, muitos são
missionários não porque se consagraram a Deus, mas por consagrar a si proprio. Então,
utilizam suas faculdades naturais não crucificadas, para realizar a obra de Deus; porém,
está não é a consagração que Deus pede de nós. O que deve ser consagrado? Não, é a
nossa vontade de fazer a obra de Deus, e sim, nos mesmos para entender e fazer à
vontade de Deus.
Se você é crente, então Deus, já tem um caminho preparado para você, uma carreira
como disse Paulo, “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”, IITm
4.7. Não só a carreira de Paulo, como também a de todo crente, foi claramente traçada
por Deus; é de máxima importância que cada um conheça e ande no caminho designado
por Deus. Se não comhecemos a vontade de Deus, podemos orar: "Senhor entrego-me a
ti, com o desejo sincero de conhecer e andar no caminho que escolheste para mim".
Essa é a verdadeira entrega. Se no fim da vida pudermos dizer como Paulo: Completei a
carreira, então seremos verdadeiramente abençoados. Não há nada mais trágico do que
chegar ao fim da vida e descobrir que andamos no caminho errado. Temos apenas uma
vida para viver e somos livres para fazer com ela o que nos agradar, mas se buscarmos o
nosso próprio prazer nunca glorificaremos a Deus. Ouvi certa vez uma irmã devota
dizer: "Nada quero para mim; quero tudo para Deus". Você deseja alguma coisa
separadamente de Deus, ou todo o seu desejo se centraliza na vontade dele? Será que
podemos dizer que a vontade de Deus é "boa, agradável e perfeita", Rm 12.2?
A nossa vontade com tendencias para as coisas do mundo, tem que ir à cruz, para
que a vontade de Deus prevaleça em nós. Não podemos esperar que um alfaiate nos faça
35
um terno se não lhe dermos o tecido; nem que um construtor edifique uma casa para
nós, se não pusermos ao seu dispor o material necessário. Da mesma forma, não
podemos esperar que o Senhor viva a sua vida em nós, se não lhe dermos as nossa vida
para que ele possa manifestar a sua vida em nós. Sem reservas, sem controvérsia,
devemos dar-nos a Ele, para que faça em nós a sua vontade. "Oferecei-vos a Deus", Rm
6.13.
Servo ou escravo?
Para nos entregarmos a Deus sem reservas, muitos ajustamentos serão necessários:
na família, nos negócios, na igreja e em nossas opiniões pessoais. Deus não deixará
sobrar nada de nós mesmos, da nossa vida carnal. O seu dedo tocará uma por uma, todas
as coisas que não são dele, e dirá: ”Isto não é meu, tem que morrer”. Você está pronto?
É loucura resistir a Deus, mas prudente e sábio é submeter-se. Muitos colocam
dificuldades aos planos que Deus tem preparado. Ele mostra um caminho, enquanto nós
seguimos por outro. Não oramos, nem pensamos, nem consideramos por medo de
perder a nossa paz. Podemos fugir do problema, mas isso nos coloca fora da vontade de
Deus. É sempre fácil nos afastar da sua vontade, mas é uma bênção nos entregar e
deixar que realize o seu propósito em nós.
Não há coisa alguma mais preciosa no mundo do que pertencer ao Senhor.
Primeiro, precisamos ter o sentimento que somos propriedade de Deus, antes de sentir a
sua presença. Se a sua soberania está estabelecida em nossa vida, então não ousaremos
mais fazer coisa alguma de nosso próprio interesse, pois somos propriedade exclusiva
dele. “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência,
desse mesmo a quem obedeceis sois servos?” Rm 6.16. Aqui, a palavra servo, significa
escravo. Qual é a diferença entre um servo e um escravo? Um servo pode servir a outra
pessoa sem se torna propriedade dele. Se ele gostar do seu senhor, poderá servi-lo, mas
se não gostar, poderá notificá-lo que quer deixar o serviço, e buscar outro senhor. O
mesmo não acontece com o escravo, ele não é apenas empregado, mas também é
propriedade do seu senhor.
Como me tornei servo do Senhor? Ele me comprou com seu sangue, e eu, por ser
livre, me ofereci para ser propriedade dele. Por direito de redenção sou propriedade de
Deus. Mas, para me tornar seu servo, devo voluntariamente dar-me a ele, pois ele nunca
me obrigará a servi-lo. O problema de muitos cristãos hoje é não ter entendimento
suficiente do que Deus está pedindo. Quão facilmente dizem: "Senhor, estou pronto
para tudo". Mas não sabem o significado deste pedido para sua vida? Há idéias
acalentadas, vontades fortes, relações preciosas, trabalhos prediletos, que precisam
desaparecer antes de estarmos prontos a nos oferecer a Deus.
Quando o rapaz galileu trouxe o pão ao Senhor, o que fez ele? Quebrou o pão, Deus
sempre quebra aquilo que lhe é oferecido, mas após quebrá-lo, abençoou e supriu as
necessidade dos outros. Quando nos entregamos ao Senhor, ele começa a quebrar o que
lhe foi oferecido. Tudo parece ir mal conosco, começamos a protestar e nos queixar dos
caminhos de Deus. Mas parar neste ponto equivale a ser um vaso quebrado, sem
préstimo para o mundo, porque fomos demasiado longe para ser util ao mundo e ainda
não estamos prontos para Deus, porque não fomos suficientemente longe para que ele
36
possa nos usar. Ficamos desengrenados com o mundo e temos uma controvérsia com
Deus. Esta é a tragédia de muitos cristãos.
A minha entrega a Cristo deve ser um ato inicial e fundamental. Depois, dia a dia
prossigo, me entregando sem reservas e sem queixas referentes ao uso que ele está
fazendo de mim. Porém, aceito com grato louvor, mesmo as coisas que a carne persiste
em não aceitar.
Sou do Senhor e agora, não me considero dono de mim mesmo, mas reconheço em
tudo a sua soberania e autoridade. Esta é a atitude que Deus requer de mim, e vive-la
demonstra a verdadeira consagração. Não me consagro a Deus para fazer a minha
vontade, e sim, para fazer a sua vontade onde eu estiver, quer seja na escola, no
escritório, na oficina ou na cozinha; considero sempre as suas escolhas o melhor para
mim. Pois, somente o que é bom pode advir para aqueles que são inteiramente seus.
Permita que a sua consciência sempre priorize o fato que não somos de nós mesmos,
que agora pertencemos a Outro!
37
VII
O PROPÓSITO ETERNO
Já falamos da necessidade de fé, revelação e consagração para viver uma vida cristã
real, mas nunca entenderemos claramente, se não tivermos em mente o propósito de
Deus. Qual é o grande alvo de Deus na criação e na redenção? Podemos resumir que o
fomos criados e remidos para: "a glória de Deus", Rm 3.23 e para "a glória dos filhos
de Deus", Rm 8.21. O propósito de Deus desde o principio foi conduzir os homens a
glória, mas o pecado frustrou este plano, fazendo com que o homem se desviasse deste
alvo. "Todos pecaram e carecem da glória de Deus", Rm 3.23.
Quando olhamos para o pecado, instintivamente pensamos no julgamento que ele
acarretará e invariavelmente o associamos com a condenação e o juizo. O pensamento
do homem é sempre a respeito da punição que lhe sobrevirá se pecar, mas o pensamento
de Deus gira em torno da glória que o homem perde se pecar. O resultado do pecado
causa a perda do direito à glória de Deus, porém o resultado da redenção nos qualifica
novamente para a glória e para o reino eterno.
Primogênito entre muitos
"Somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de
Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofrermos, para que também com ele
sejamos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo
presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós", Rm 8.16-
18. "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem
conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos
irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses
também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou", Rm 8.29,30. "O
verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós,
e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai", Jo 1.1,14.
Qual foi o propósito de Deus? Deus, por causa do seu grande amor para conosco,
desejou tornar seu Filho unigênito em primogênito entre muitos irmãos, que seriam
todos transformados à sua imagem. “Aos que justificou, a esses também glorificou”. O
propósito de Deus na criação e na redenção foi ter muitos filhos glorificados. Ele nos
desejava, e não estava satisfeito sem nós.
Ao ler a história do filho pródigo, muitos se impressionam com as tribulações que
lhe sobrevieram, pensando nos sofrimentos que ele passou por estar longe do pai. Mas a
lição da parábola, não é o que o filho sofre, mas o que o pai perde. Uma ovelha se
perde, de quem é a perda? Do pastor. Perde-se uma moeda, de quem é a perda? Da
mulher. Perde-se um filho, de quem é a perda? Do pai. Está é a lição de Lucas 15.
O Senhor Jesus era o Filho Unigênito, não tinha irmãos. O Pai, porém, enviou o
Filho amado, a fim de que o Filho tivesse muitos irmãos. Nisto reside toda a história da
encarnação e da cruz de Cristo, onde finalmente o propósito de Deus se realiza:
"Conduzindo muitos filhos à glória", Hb 2.10, "a fim de que ele seja o primogênito
38
entre muitos irmãos", Rm 8.29. Do ponto de vista de Cristo, somos irmãos e do ponto de
vista de Deus somos filhos. Deus deseja compartilhar sua glória. "Aos que justificou, a
estes também glorificou", Rm 8:30. A filiação é a expressão plena do seu Filho nos
muitos filhos. Como ele poderia realizar isto? Justificando-os e depois, glorificando-os.
Deus se propôs a ter muitos filhos para poder compartilhar com eles a sua glória, filhos
perfeitos e responsáveis. Providenciou para que todo o Céu fosse habitado por filhos
glorificados. Este é o seu propósito na redenção.
O grão de trigo
Como foi efetuada a obra de Deus em tornar seu Filho Unigênito em Primogênito?
A explicação se acha em João 12.24, "Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de
trigo, caindo em terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto".
Este grão era o Senhor Jesus, o único que Deus tinha no universo; não tinha segundo
grão. Deus colocou este único grão na terra, onde morreu, e na ressurreição, o grão
unigênito se transformou em grão primogênito, porque dele se derivaram muitos grãos.
Em relação à sua divindade, o Senhor Jesus permanece único, como unigênito Filho
de Deus. Todavia, na ressurreição e por toda a eternidade se tornou o primogênito, e a
sua vida, a partir daquele momento, foi intronizada em muitos irmãos. Assim, nós que
somos nascidos do Espírito, somos feitos "co-participantes da natureza divina", IIPe
1.4, não por nós mesmos, e sim, pela dependência de Deus e pela virtude de estarmos
em Cristo. Recebemos "o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O
próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus", Rm 8.15,16.
Foi por meio da encarnação e da cruz que o Senhor Jesus tornou isso possível. O
sacrificio de Cristo satisfez o coração de Deus, porque pela obediência do Filho até à
morte na cruz, os muitos filhos foram alcançados.
No inicio do Evangelho de João, vemos Jesus dizendo que era o unigênito Filho do
Pai, porém, depois de ter morrido e ressuscitado, Ele disse a Maria Madalena: "Vai ter
com meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso
Deus", Jo 20.17. Até este ponto do Evangelho, Jesus havia falado muitas vezes o meu
Pai, mas, agora, após a ressurreição, acrescenta vosso Pai. É o Filho mais velho, o
Primogênito, que fala. Pela sua morte e ressurreição, muitos irmãos foram trazidos para
a família de Deus, e os chama de irmãos. "Ele não se envergonha de lhes chamar
irmãos", Hb 2.11.
A escolha de Adão
Deus plantou grande número de árvores no Jardim do Éden, mas, no meio do
jardim, isto é, num lugar especial de proeminência, plantou duas árvores: a árvore da
vida, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão foi criado inocente, não tinha
o conhecimento do bem, nem do mal. E Deus o colocou no Jardim, dizendo: o Jardim
está cheio de árvores repletas de frutos e podes comer livremente do fruto de todas as
árvores, mas no meio do Jardim, há uma árvore chamada a árvore do conhecimento do
bem e do mal, desta não deves comer, porque no dia em que o fizeres, certamente
morrerás. Mas, lembra-te, o nome da outra árvore ao lado dessa é árvore da Vida.
39
Qual é o significado destas duas árvores? Adão, por assim dizer, foi criado
moralmente neutro, nem pecador nem santo, mas inocente. Deus colocou estas duas
árvores no Jardim para que ele pudesse pôr em prática a faculdade de livre escolha.
Podia escolher a árvore da vida, ou escolher a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Se Adão tomasse da árvore da vida, participaria da vida de Deus e assim se tornaria
um filho de Deus, no sentido de ter em si mesmo vida derivada de Deus. Teríamos então
a vida de Deus em união com o homem: uma raça de homens tendo em si a vida de
Deus e vivendo em constante dependência de Deus para a manifestação desta vida. “A
árvore da vida é o próprio Deus, porque Deus é vida”, a mais elevada expressão de
vida, bem como a fonte e o alvo da vida. O que representa o fruto? “O fruto é nosso
Senhor Jesus Cristo”. Não podemos comer a árvore, mas podemos comer o seu fruto.
Ninguém é capaz de receber Deus, como Deus, mas podemos receber o Senhor Jesus
Cristo como Deus. O fruto é a parte comestível, a parte da árvore que se pode receber.
Podemos assim dizer, com a devida reverência, que o Senhor Jesus Cristo é realmente
Deus, em forma recebível. Deus em Cristo pode ser recebido por nós.
Se, por outro lado, Adão se voltasse na direção contrária aos planos de Deus e
tomasse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, desenvolveria em si a sua
própria vida por meio das suas escolhas, de forma natural e separado de Deus.
Alcançando um elevado grau de façanhas e conhecimentos pelas suas conquistas e
aquisições como ser auto-suficiente, teria em si mesmo o poder de formar opiniões
independentemente de Deus, não teria, porém, a vida divina em si mesmo.
Estas árvores representam dois princípios fundamentais, simbolizam dois planos de
vida: o divino e o humano. Portanto, está era a alternativa que estava perante Adão. Se
escolhesse o caminho da obediência, poderia tornar-se um filho de Deus, e viver de
acordo com os planos e propósitos de Deus, mas se escolhesse o caminho da
desobediencia estaria separado de Deus, seguindo o curso natural da sua mente, agindo
de acordo com sua vontade. A história da humanidade é o resultado da escolha que
Adão fez.
A escolha de Adão e a razão da Cruz
Adão escolheu a árvore do conhecimento do bem e do mal, tomando uma posição
de independência. Preferiu não andar segundo os olhos de Deus, mas seguindo os seus
desejos, e de acordo com a vontade da sua alma. Abandonando o plano que Deus havia
criado para sua existencia, ficou sendo o que até hoje está refletido na vida dos homens,
que agem de acordo com a própria vontade. Adão tornou-se responsavel pelo seu
desenvolvimento, comanda os seus pensamentos e decide seus caminhos, Gn 3:6. Mas,
as conseqüências da desobediencia resultaram em cumplicidade com Satanás e assim
Adão se colocou sob o juízo de Deus.
Dois planos diferentes de vida foram colocados perante Adão: o da vida divina, que
significa viver na dependência de Deus, e o da vida humana, com os seus recursos
independentes. Foi pecaminosa a escolha de Adão, porque se tornou aliado de Satanás e
frustrou o eterno propósito de Deus. Escolheu o desenvolvimento da sua própria
humanidade, querendo se tornar um homem melhor ou talvez perfeito, segundo o seu
próprio padrão, porém, separado de Deus. O resultado, no entanto, foi a morte, porque
40
ele não tinha a vida divina imprescindível para realizar em si o propósito de Deus, e
acabou escolhendo ser um agente do inimigo. Assim, em Adão, todos nos tornamos
pecadores, dominados por Satanás, sujeitos à lei do pecado e da morte e merecendo a ira
de Deus.
Nisto, vemos a razão do plano de Deus para restaurar a humanidade caida atravéz
da morte e ressurreição do Senhor Jesus. Todos devemos ir à Cruz, porque o que está
em nós por natureza, é uma vida bem nossa e sujeita à lei do pecado. Adão escolheu
uma vida própria ao invés da vida divina; por isso, Deus teve que pôr termo a tudo
quanto era de Adão. Deus incluiu todos nós em Cristo e o crucificou como o último
Adão, aniquilando desta maneira tudo o que pertencia a Adão.
Depois, Cristo ressuscitou num corpo glorificado, ainda com um corpo, mas no
espírito, não mais na carne. "O último Adão, porém, é espírito vivificante", ICo 15.45. O
Senhor Jesus agora tem um Corpo ressurreto, espiritual, glorioso e desde que não está
mais na carne, pode agora ser recebido por todos. "Quem de mim se alimenta, por mim
viverá", disse Jesus, Jo 6.57. Os judeus acharam revoltante a idéia de comer a sua carne
e beber o seu sangue, mas evidentemente, não podiam recebê-lo, porque ele naquele
momento estava literalmente em carne. Agora que ele está no Espírito, cada um de nós
pode recebê-lo, e participar da sua vida ressurreta, assim somos constituídos filhos de
Deus. "A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a
saber os que creram no seu nome; os quais não nasceram do sangue nem da carne, nem
da vontade do homem, mas de Deus", Jo 1.12,13. Deus não está empenhado em
reformar a nossa vida, o seu pensamento não consiste em aperfeiçoar-nos, porque a vida
atual, situa-se num plano essencialmente errado e neste plano ele jamais poderá levar o
homem à glória. Tem que criar um novo homem, nascido de novo, nascido de Deus.
Onde a regeneração e a justificação caminham juntas.
Aquele que tem o Filho tem a vida
Há vários planos para a vida no universo de Deus. A vida humana situa-se entre a
vida de Deus e a vida dos animais inferiores. A separação que há entre a nossa vida e a
de Deus é infinitamente superior à que existe entre a nossa vida e a vida dos animais. Na
sua vida natural, os seus filhos são seus decendentes e recebem o seu nome, porque
voce lhes comunicou a sua própria vida. Quanto ao seu cão, talvez seja inteligente, bem
comportado, um cão notável, mas nunca poderia ocupar a posição de ser seu filho. A
questão não é de ser um cão bom ou mau? mas simplesmente, porque é um cão! Não é
por ser mau que fica desqualificado para ser filho, mas, simplesmente por ser um cão. O
mesmo princípio se aplica em relação a diferença de natureza existente entre o homem e
Deus. A questão não é o fato de sermos bons ou maus, mas simplesmente porque a
nossa vida está num plano inferior ao da vida de Deus, neste caso, não podemos
pertencer à família divina. A única esperança para nós, como homens, está em receber o
Filho de Deus, porque, quando isto acontece, nos qualificamos, pois: “A Sua vida em
nós, nos transforma em filhos de Deus”.
O que hoje possuímos em Cristo é mais do que Adão perdeu. Adão era apenas um
homem desenvolvido. Permaneceu naquele plano e nunca possuiu a vida de Deus. Mas
nós, que recebemos o Filho de Deus, recebemos não só o perdão dos pecados, mas
41
também, recebemos a vida divina que estava representada no Jardim pela árvore da
vida. Pelo novo nascimento, recebemos algo que Adão nunca teve e não chegou a
alcançar.
Todos vêm de um só
Deus deseja que os filhos sejam co-herdeiros com Cristo na glória, este é o alvo.
Como podemoss tornar este fato real? "Porque convinha que aquele, por cuja causa e
por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse por
meio de sofrimento o Autor da salvação deles. Pois, tanto o que santifica, como os que
são santificados, todos vêm de um só. Por isso é que ele não se envergonha de lhes
chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-lhe-ei louvores
no meio da congregação", Hb 2.10-12. Duas entidades são mencionadas: o Autor da
salvação deles e muitos filhos ou o que santifica e os que são santificados. Mas, as duas
"vêm de um só". O Senhor Jesus, como homem, teve a sua vida gerada por Deus, assim
como, a a nossa vida também deriva Deus. Ele foi "gerado... do Espírito Santo", Mt
1.20, e nós fomos "nascidos do Espírito, nascidos... de Deus", Jo 3.5 e 1.13. O Filho
primogênito e os muitos filhos são todos, embora em sentidos diferentes, tirados da
única fonte de vida, que é Deus. Temos hoje a vida que Deus tem no Céu, porque ele a
transmitiu a nós, aqui na terra. Este é o precioso "dom de Deus", Rm 6.23. É por essa
razão que podemos viver uma vida de santidade, porque não se trata: da nossa vida ter
sido modificada, e sim, da vida de Deus ter sido implantada em nós.
Considerando o propósito eterno, toda questão do pecado deixa finalmente de
existir? Porque o pecado entrou com Adão e nós pelo nascimento natural somos levados
à mesma condição de Adão, mas em Cristo, somos intronizados novamente no
propósito divino, sendo restaurado o acesso à árvore da vida para nós. A redenção nos
deu muito mais do que Adão jamais teve; nos fez participantes da própria vida de Deus.
42
VIII
O ESPÍRITO SANTO
A presença e o ministério pessoal do Espírito Santo são a base e o poder vitalizante
da nossa vida cristã. "O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito
Santo que nos foi outorgado", Rm 5.5. "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal
não é dele", Rm 8.9. Deus não concede arbitrariamente os seus dons, eles são dados
livremente a todos, mas em base definida. Realmente, Deus nos tem "abençoado com
toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo", Ef 1.3. Mas qual é a
base e o princípio dos dons do Espirito?.
Os dons do Espírito são doados aos crentes como auxilio, para serem utilizados na
obra de Deus. Podemos dividi-lo em dois aspectos: o Espírito derramado e o Espírito
que habita interiormente. O nosso propósito agora é compreender como estas bênçãos,
que nos pertencem em Cristo, se tornem nossa experiências de vida no Espirito.
Os santos do Antigo Testamento não foram tão favorecidos como nós, mas podiam
apreciar melhor do que nós a preciosidade do dom do Espírito derramado. Em seus dias,
o dom era concedido apenas a uns poucos escolhidos, principalmente sacerdotes, juízes
e profetas; enquanto que hoje é a porção de cada filho de Deus. Nós, que somos pessoas
sem valores especiais, podemos ter repousando sobre nós o mesmo Espírito que esteve
sobre Moisés, o amigo de Deus; sobre Davi, o rei amado; e sobre Elias, o profeta
poderoso. Quando recebemos o dom do Espírito Santo derramado, nos juntamos às
fileiras dos servos escolhidos de Deus da Dispensação do Antigo Testamento.
Uma vez que percebemos o valor dos dons e quanto necessitamos deles,
perguntamos: como podemos receber o Espírito Santo para nos capacitar com dons
espirituais? Em que condições o Espírito Santo é derramado?
O Espírito derramado
"A este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. Exaltado,
pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou
isto que vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse
o Senhor ao meu Senhor; Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos
por estrado dos teus pés. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que
a este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo", At 2.32-36.
Pedro declara que o Senhor Jesus foi exaltado à destra de Deus. Qual foi o
resultado? Ele recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo e o que se seguiu?
Pentecostes!
O resultado da sua exaltação foi isto que vedes e ouvis. Em que condições, o
Espírito Santo foi derramado sobre o seu povo? Foi quando Jesus Cristo foi glorificado
no Céu. Esta passagem deixa absolutamente claro que o “Espírito foi derramado porque
o Senhor Jesus foi exaltado”. O derramamento do Espírito não tem relação com os
méritos que possuimos, e sim, unicamente com os do Senhor Jesus. A questão não leva
43
em consideração aquilo que somos, mas unicamente aquilo que Cristo é. Ele foi
glorificado, portanto, o Espírito é derramado.
Porque o Senhor Jesus morreu na Cruz, eu recebi o perdão dos meus pecados;
porque o Senhor Jesus foi glorificado à direita do Pai, eu recebi o Espírito derramado.
Tudo é por causa dele, nada é por méritos meus. A remissão dos pecados não se baseia
no mérito humano, e sim, na crucifixão do Senhor; a regeneração se fundamenta na
ressurreição do Senhor; e o revestimento do Espírito Santo depende da exaltação do
Senhor. O Espírito Santo não foi derramado sobre mim e você para provar quão grandes
nós somos, mas para provar a grandeza do Filho de Deus. "Esteja absolutamente certa,
pois, toda a casa de Israel, de que a este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor
e Cristo". Noutras palavras, Pedro diz aos seus ouvintes: Este derramamento do Espírito
que vocês estão vendo e ouvindo com seus próprios olhos e ouvidos, comprovam que
Jesus Cristo crucificado por vocês, é agora tanto Senhor como Cristo. O Espírito Santo
foi derramado na Terra para comprovar o que já acontecera no Céu, a exaltação de Jesus
à destra de Deus. O propósito de Pentecostes é provar a Soberania de Jesus Cristo.
Havia um jovem chamado José, que era muito querido do seu pai. Certo dia, o pai
recebeu a notícia da morte do filho e durante anos Jacó lamentou a perda de José. Mas
José não estava na sepultura; estava num lugar de glória e de poder. Depois de Jacó ter
lamentado a morte de seu filho durante anos, foi-lhe subitamente revelado que José
estava vivo e que se encontrava no Egito ocupando posição de destaque. A princípio,
Jacó não podia acreditar, era demasiadamente bom para ser verdade, mas finalmente, se
deixou persuadir da veracidade da história da exaltação de José. Como ele chegou a tal
convicção? Saiu de casa e viu os carros que José enviou do Egito ao seu encontro. Os
carros tipificam o Espírito Santo enviado, tanto para ser a prova de que o Filho de Deus
está na glória, como para nos levar para lá.
Como sabemos que Jesus de Nazaré foi crucificado por homens ímpios, há quase
dois mil anos e está agora à destra do Pai na glória? Como podemos saber com certeza
que ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis? Sabemos, porque Ele derramou sobre nós
seu Espírito. Aleluia! Jesus é o Senhor da Gloria! A exaltação do Senhor Jesus é a
condição prévia do derramamento do Espírito Santo.
É possível o Senhor estar glorificado; sem que nós, que fomos batizados em nome
do Senhor Jesus, também recebamos o seu Espírito? Em que base recebemos o perdão
dos pecados? Foi porque oramos fervorosamente ou porque lemos a Bíblia de capa a
capa, ou pela nossa freqüência regular na igreja ou por qualquer dos nossos méritos?
Não! Mil vezes não! Em quais condições, então, foram perdoados os nossos pecados?
"Sem derramamento de sangue não há remissão", Hb 9.22. A única condição prévia do
perdão é o derramamento de Sangue; e desde que o precioso Sangue de Cristo foi
derramado os nossos pecados foram perdoados. O princípio pelo qual recebemos o
revestimento do Espírito Santo é exatamente o mesmo, pelo qual recebemos o perdão
dos pecados. Os nossos pecados foram perdoados, porque o Senhor foi crucificado e o
Espirito foi derramado sobre nós, porque o Senhor foi glorificado. É possível que o
Filho de Deus tenha derramado o seu Sangue sem que os teus pecados tenham sido
perdoados? Nunca! E possível, então, que o Senhor Jesus tenha sido glorificado sem
que você tenha recebido o Espírito Santo? Nunca!
44
Voltemos à questão da justificação. Como fomos justificados? Não por ter feito
alguma coisa, mas por aceitar tudo que o Senhor fez. De igual modo, o revestimento do
Espírito Santo entra na nossa experiência, não em virtude de fazermos alguma coisa,
mas como resultado da nossa fé no que o Senhor já fez.
Há algum tempo, um jovem que era crente havia apenas cinco semanas e que
anteriormente se opunha violentamente ao Evangelho, assistiu a uma série de reuniões
em que preguei, em Xangai. No fim de uma destas reuniões, onde falei das verdades
acima mencionadas, foi para casa e orou com fervor: "Senhor, dá-me o poder do Espíri-
to Santo. Sei que Tu foste glorificado, por isso, peço que derrames o teu Espírito sobre
mim? " O seu entendimento foi aberto, então começou a orar de outra forma: "Senhor
Jesus, nós temos uma vida em comum e o Pai nos prometeu duas coisas: a glória para
ti e o Espírito para mim. Tu Senhor, já recebeste a glória, portanto, é inadmissível
pensar que eu não tenha recebido o Espírito. Senhor, eu louvo o teu nome! Tu já
recebeste a glória e eu já recebi o Espírito!" Daquele dia em diante, passou a ter certeza
que o poder do Espírito Santo estava sobre ele.
Mais uma vez, a fé é a chave. Assim como o perdão é uma questão de fé, também a
presença do Espírito Santo em nossa vida é uma questão de fé. Vendo Jesus no
Calvário, sabemos que os nossos pecados estão perdoados; vendo Jesus glorificado,
sabemos que o Espírito Santo foi derramado sobre nós. A base em que recebemos o
revestimento do Espírito Santo não é a nossa oração, o nosso jejum ou o nosso desejo e
sim, a exaltação de Cristo. Os que ressaltam o tempo de espera, realizando reuniões para
tal fim, apenas se induzem ao erro, porque o dom não é apenas para uns poucos
favorecidos, mas para todos, porque o Espirito não nos é dado tomando como base o
que somos, mas devido ao que Cristo é. O Espírito foi derramado para provar a Sua
bondade e a Sua grandeza, e não a nossa. Cristo foi crucificado, e nós, portanto, fomos
perdoados. Cristo foi glorificado, e nós, portanto, fomos revestidos com o poder do
Alto. É tudo por causa dele.
Muitos estão esperando durante anos, sem nunca ter experimentado o poder do
Espírito Santo. Quando entretanto, cessam de implorar pelo derramamento do Espírito
do Senhor sobre eles, e confiam e louvam a Deus, porque o Espírito já foi derramado,
visto que o Senhor Jesus já foi glorificado, passam, então a usufruir do Seu poder.
Graças a Deus! Nem um só dos Seus filhos necessita de agonizar, nem mesmo de
esperar pelo derramamento do Espírito. Jesus não será feito Senhor, porque ele já é
Senhor, portanto, eu não vou receber o Espírito, porque já o recebi. É tudo uma questão
de fé, da fé que vem pela revelação. Quando os nossos olhos são abertos, podemos ver
que “o Espírito já foi derramado, porque Jesus já foi glorificado”, então a oração dá
lugar ao louvor de gratidão. Todas as bênçãos espirituais e dons de Deus são dados
livre e gratuitamente, mas há condições que devem ser cumpridas da nossa parte:
"Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para
remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós
outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe isto é,
para quantos o Senhor nosso Deus chamar", At 2.38,39. Nesta passagem são
mencionados quatro assuntos: o Arrependimento, o Batismo, o Perdão dos Pecados e o
Espírito Santo.
45
As duas primeiras são condições, as duas últimas são dons. Quais são as condições
que devem ser executadas por nós para recebermos o Espirito Santo e a remissão dos
pecados? Segundo a Palavra de Deus, são duas: Arrependimento e Batismo.
• A primeira condição é o arrependimento, que significa uma mudança de mente.
Antes, considerava o pecado agradável, mas agora mudei de opinião; considerava o
mundo um lugar atraente, mas agora tenho outro entendimeto; achava uma coisa triste
ser crente, mas agora penso de forma diferente; achava deliciosas certas coisas, agora
penso que são vis; não reconhecia o valor de determinadas coisas, agora, considero-as
imensamente preciosas. Está mudança de vida, onde passamos a amar o que antes
detestavamos e detestar o que antes amavamos, é o que chamamos de arrependimento
e conversão. Nenhuma vida pode ser realmente transformada, sem que tais mudanças
sejam manifestadas.
• A segunda condição é o batismo. “O batismo é a expressão exterior da fé interior”.
Somente, quando verdadeiramente creio no meu coração que morri com Cristo, que fui
sepultado e ressuscitado com Ele, é que poderei pedir o batismo. Deste modo declaro
publicamente no que realmente creio em meu íntimo.
Se você já preencheu as condições divinas indicadas:
• Já se arrependeu?
• Já deu testemunho público da sua união com o Senhor atravéz do batismo?
Então, recebeu a remissão dos pecados e o dom do Espírito Santo? Afirma que
recebeu apenas o primeiro e não o segundo? Mas, meu amigo, Deus lhe ofereceu duas
coisas, caso você cumprisse duas obrigações. Por que tomou posse apenas de uma? O
que vai fazer da segunda? Se já cumpriu as condições, tem direito aos dois dons e não
apenas a um deles. Já tomou posse de um; por que não aceita o outro? Peça ao Senhor:
“Senhor, cumpri as condições para receber o perdão dos pecados e o dom do
Espírito Santo, mas, apenas tomei posse do perdão dos pecados. Agora, venho receber
o dom do Espírito Santo, te louvo e dou graças por este novo dom!”
A diversidade de experiência
Como saberei se o Espírito Santo veio sobre mim? "Não posso dizer como saberá,
mas posso afirmar que saberá”. Não nos foi dada qualquer descrição das sensações e
emoções pessoais dos discípulos no Pentecoste, mas sabemos que os seus sentimentos e
o seu comportamento foram de alguma forma anormais, porque o povo ficou
imprecionado e disse: que eles estavam embriagados. Quando o Espírito Santo cai sobre
o povo de Deus, há alguma coisa que o mundo não pode explicar. Este acontecimento
resultará em manifestações sobrenaturais de algum gênero, mesmo que não seja mais do
que uma sensação dominante da Presença Divina. Não podemos e não devemos
estipular que forma tomarão tais expressões exteriores; mas uma coisa é certa, aquele
sobre quem o Espírito Santo vier, terá plena consciência disso.
Quando o Espírito Santo veio sobre os discípulos, no Pentecostes, houve algo de
extraordinário no comportamento deles, e Pedro ofereceu uma explicação tirada da
Palavra de Deus, a todos que testemunharam. Pedro disse: "Quando o Espírito Santo cai
sobre os crentes, alguns profetizarão, outros sonharão sonhos e outros terão visões.
Isto é aquilo que Deus declarou, pelo profeta”, Joel 2.28. Profecias, sonhos e visões são
46
apresentados como manifestação do derramamento do Espírito Santo, e parece que estas
provas faltaram no Dia de Pentecostes. Houve vento impetuoso, línguas repartidas como
que de fogo e falaram em outras línguas, porém nenhuma destas manifestações foi
mencionada na profecia de Joel. O que queria dizer Pedro ao citar o profeta, porque, o
que foi mencionado por Joel não aconteceu com os discípulos, e o que os discípulos
experimentaram não foi mencionado por Joel?
Não nos esqueçamos que Pedro falava sob a direção do Espírito Santo. O Livro de
Atos foi escrito sob inspiração do Espírito, e nem uma palavra foi usada ao acaso.
Quando Pedro disse: "Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta
Joel", At 2.16, queria dizer que a experiência era da mesma ordem. O que o Espírito
Santo ressalta por meio de Pedro é a diversidade das experiências. As evidências
externas podem ser muitas e variadas, e temos que reconhecer que às vezes são
estranhas. “Os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade
nos serviços. Mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo
Deus é quem opera tudo em todos”, ICo 12.4-6.
O que aconteceu ao Dr. Torrey, quando o Espírito Santo veio sobre ele, depois de
ter servido durante anos como ministro do Evangelho? Eis como ele se expressou:
"Recordo-me do lugar exato onde estava ajoelhado, em oração, no meu escritório.
Foi um momento de muito silêncio, um dos momentos de maior quietude que já
conheci. Então Deus disse-me simplesmente, não numa voz audível, mas no meu
coração: "É teu, agora vai e prega". Deus já dissera a mesma coisa em, IJo 5.14,15, mas
a essa altura, eu não conhecia a Bíblia como a conheço agora, por isso Ele teve
compaixão da minha ignorância e disse diretamente à minha alma. Fui e preguei, e a
partir daquele dia até hoje, tenho sido um novo ministro. Algum tempo depois desta
experiência, quando me encontrava sentado no meu quarto subitamente dei por mim
gritando alto, de exultação. Não estou habituado a clamar alto e não tenho um
temperamento caracterizado para louvar a Deus em voz alta, mas o fiz como os
metodistas que mais gritam. Glória a Deus, glória a Deus, glória a Deus, e não podia
parar. Mas não foi neste momento que fui batizado com o Espírito Santo. Fui batizado
com o Espírito Santo simplesmente pela fé na Palavra de Deus. As manifestações
exteriores, no caso de Torrey, não foram as mesmas que encontramos descritas por Joel
ou Pedro, porque as manifestações do Espirito Santo são de acordo com a vontade do
Epirrito.
Como se sentiu D. L. Moody quando o Espírito Santo veio sobre ele? "Clamava
continuamente a Deus para que me enchesse do seu Espírito. Certo dia, na cidade de
Nova Iorque. Oh, que dia! Não posso descrevê-lo, raramente me refiro a ele; é uma
experiência demasiado sagrada para se falar dela. Paulo também teve uma experiência,
da qual nunca falou durante quatorze anos. Apenas posso dizer que Deus se revelou a
mim, e tive uma experiência tal do seu amor que fui obrigado a pedir-lhe que detivesse
a sua mão. Voltei a pregar. Os sermões não eram diferentes; não apresentei quaisquer
verdade nova e contudo, centenas converteram-se. Não gostaria de voltar à posição em
que me encontrava antes daquela bendita experiência, ainda que me dessem o mundo
inteiro, este seria para mim como a poeira mais leve da balança".
47
As manifestações exteriores, que acompanharam a experiência de Moody, não
conferem exatamente com a descrição de Joel, de Pedro ou de Torrey. São
manifestações diferentes, mas tem a mesma origem e finalidade.
E qual foi a experiência do grande Charles Finney quando sobre ele veio o poder do
Espírito Santo? "Recebi um batismo poderoso no Espírito Santo, sem qualquer
expectação prévia do que aconteceria, sem jamais ter pensado que haveria para mim tal
coisa, sem qualquer recordação de já ter ouvido alguém falar de tal experiência; o
Espírito Santo desceu sobre mim de tal maneira que parecia traspassar-me o corpo e a
alma. Não há palavras que possam expressar o amor maravilhoso que foi derramado no
meu coração. Chorei em voz alta, de alegria e amor''.
A experiência de Finney não foi idêntica à do Pentecostes, nem à de Torrey, nem de
Moody; porque, quando o Espírito Santo é derramado, as experiências variam de acordo
com a vontade do Espirito para cada neceessidade. Alguns receberão nova visão, outros
conhecerão nova liberdade em ganhar almas, outros proclamarão a Palavra de Deus com
poder, e outros serão cheios de alegria celestial ou transbordarão em louvor.
Cada caso é um exemplo da presença divina; os dons são diversos mas o Espirito é
o mesmo. “Louvemos ao Senhor por toda experiência que se relaciona com a exaltação
de Cristo, transformada em evidência em nossas vidas, o que anteriormente foi
profetizado”. Nada foi tipificado a respeito das relações e ações de Deus com os seus
filhos. Portanto, não devemos fazer compartimentos e estantes para a operação do
Espírito Santo em nossas próprias vidas ou na vida dos outros. Deus é soberano na
maneira de evidênciar a sua presença e de realizar à sua obra. Ele é Senhor e não cabe
a nós legislar por ele. Louvemos a Deus, porque Cristo foi glorificado, e o Espírito
Santo foi derramado sobre todos nós. À medida em que aceitamos está realidade divina
com simplicidade e fé, teremos segurança em proclamar com confiança a Palavra de
Deus.
A habitação interior do Espírito
Tratemos agora da habitação interior do Espírito. "Se de fato o Espírito de Deus
habita em vós", Rm 8.9. "Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus
dentre os mortos", Rm 8.11. Assim, como, precisamos receber revelação da parte de
Deus para ter a experiencia do Espírito derramado, o mesmo acontece com a realidade
da habitação interior do Espírito Santo:
• Quando vemos Cristo como Senhor, exaltado no Trono do Céu, então
experimentamos o poder do Espírito sobre nós.
• Quando vemos Cristo como Senhor efetivamente em nossa vida, então
conheceremos o poder do Espírito dentro de nós.
A revelação da habitação interior do Espírito foi o remédio que Paulo ofereceu aos
cristãos de Corinto, por sua falta de espiritualidade. É importante notar que os cristãos
em Corinto se preocupavam com os sinais visíveis e exteriores como sendo o objetivos
do derramamento do Espírito Santo. Tiveram muitas experiências de línguas e de
milagres, mas ao mesmo tempo, as suas vidas estavam cheias de contradições e eram
um opróbrio para o nome do Senhor. Tinham de forma evidente recebido o Espírito
48
Santo e contudo, permaneciam espiritualmente imaturos; então, o remédio que Deus
lhes ofereceu foi o mesmo que hoje oferece à sua Igreja.
"Não sabeis que sois o santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em
vós?" ICo 3.16. Orou, para que o entendimento deles fosse iluminado: "O Pai da
Gloria, vos conceda espirito de sabedoria e revelação no pleno conhecimento dele,
iluminando os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu
chamamento", Ef 1.17,18. O conhecimento dos fatos divinos era o que estava faltando
nos cristãos daquela epoca, e não é diferente da necessidade dos cristãos de hoje.
Necessitam que seus olhos sejam abertos para ter entendimento que Deus já habita em
seus corações por meio do seu Espírito. Deus está presente por meio do seu Espírito e
Cristo também está presente por meio do seu Espírito. Assim, se o Espírito Santo
habita em nosso coração, “temos o Pai e o Filho habitando em nós”, Jo 14.23. Isto
não é mera teoria ou doutrina, mas uma bênção real.
Talvez, alguns entendam que o Espírito Santo está realmente em nosso coração; e
ter o Espírito dentro de nós, é ter o Deus vivo habitando em nós! Mas para muitos
cristãos, o Espírito Santo é completamente irreal. Consideram-no uma mera influência,
uma influência para o bem, sem dúvida; mas apenas e unicamente uma influência no
seu pensamento. Identificam a consciência com o Espírito Santo atuando dentro da
pessoa, dando discernimento de suas maldades e mostrando o caminho do bem. O
problema dos cristãos em Corinto, não era que lhes faltasse o Espírito vivendo
interiormente nas suas vidas, mas lhes faltava o conhecimento da sua presença. Não
conseguiam entender a grandeza daquele que veio fazer morada em seus corações, de
modo que Paulo escreveu-lhes: "Não sabeis que sois o santuário de Deus e que o
Espírito de Deus habita em vós?" Sim, este é o remédio para a espiritualidade, conhecer
precisamente quem realmente habita em nós.
O Tesouro do vaso
Que felicidade, se nossos olhos fossem abertos para ver as grandezas dos dons de
Deus, e assim, compreenderíamos a vastidão dos recursos ocultos em nossos próprios
corações! Eu podia clamar de alegria ao pensar: "O Espírito, que habita dentro de mim,
não é mera influência, é o próprio Deus. O infinito Deus está dentro do meu coração".
Eu sou apenas, um vaso de barro, mas este vaso de barro, contém um tesouro de
indescritível valor: “O Senhor da Glória”.
Toda ansiedade e irritação dos filhos de Deus terminariam, se os seus olhos fossem
abertos para ver a grandeza do tesouro contido nos seus corações. Você sabe, que há no
seu próprio coração, recursos suficientes para satisfazer todas as necessidades, mesmo
para aquelas circunstância que você jamais imaginou encontrar? Sabe que há um poder
suficiente para mover a cidade em que vive? Sabe que há poder suficiente para abalar o
universo? Digo-lhe mais uma vez, com toda a reverência: você nasceu de novo, nasceu
do Espírito de Deus, e carrega Deus no coração. Toda a leviandade dos filhos de Deus
cessariam, se compreendessem a grandeza do tesouro que há no seu íntimo
Nos tempos do Antigo Testamento, haviam muitas tendas no arraial dos israelitas,
mas uma era diferente de todas as demais. Nas tendas comuns, podia-se fazer o que se
desejasse, comer, trabalhar, descansar, alegrar-se e até gritar. Porém, naquela outra
49
tenda, impunha-se reverência e temor. Podia-se entrar ou sair das tendas comuns
falando ruidosamente e rindo levianamente, mas, logo que se aproximasse daquela
tenda especial, andava-se instintivamente com mais calma e solenidade e quando se
estava diante dela, as pessoas curvavam a cabeça em silêncio solene, em sinal de
respeito. Ninguém podia tocar-lhe impunemente. Se um homem ou um animal ousasse
fazê-lo, a conseqüência seria a morte. O que haveria de tão especial nela? “Era o templo
do Deus vivo”. O grande Deus a escolhera para fazer dela a sua morada.
Você entende o que aconteceu contigo na sua conversão? Deus veio ao seu coração
e fez nele o seu templo. Nos dias do Antigo Testamento, Deus habitava num templo
feito de lona ou de pedras; hoje, Ele habita em templos de crentes vivos. Quando
realmente vemos, que Deus fez dos nossos corações o seu lugar de habitação, que
profunda reverência vem sobre nós! Cessam toda frivolidade e leviandade, como
também toda a complacência própria, quando realmente nos concideramos templo de
Deus. Você já vive está verdade: que em todos os lugares por onde andares, leva
consigo o Espírito de Deus? Não leva unicamente o conhecimento biblico, mas o
próprio Deus.
A razão, porque muitos cristãos não experimentaram o poder do Espírito, é porque
que lhes falta reverência, os seus olhos não foram abertos para a realidade da presença
divina ou ainda não entenderam. Porquê alguns cristãos vivem vidas vitoriosas,
enquanto outros vivem numa condição de constante derrota? A diferença não se explica
pela presença ou pela ausência do Espírito Santo, porque Ele habita no coração de cada
filho de Deus, mas, no fato de que a vida vitoriosa é o resultado da presença do Espirito
Santo atuando no seu íntimo, implantando em suas vidas o domínio de Deus, porém
naqueles que se julgam senhores de si mesmos o Espirito de Deus não pode se
manifestar. A revelação é o primeiro passo para a santidade e a consagração é o
segundo. A verdadeira revelação da habitação interior do Espírito, revoluciona a vida do
cristão a ser fundamentada no fruto do Espirito Santo, Ga 5.22.
A Soberania absoluta de Cristo
"Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em
vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes
comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo", ICo 6.19,20.
Chegará um dia em nossa vida, tão definido como o dia da conversão, onde
abandonamos todos os direitos sobre nós mesmos e nos submeteremos à soberania
absoluta de Jesus Cristo. Talvez, haja um sensível sinal, vindo da parte de Deus, para
comprovar a realidade da nossa consagração. Onde, entregamos inteiramente tudo que
somos e possuimos à sua disposição. Deste dia em diante, já não somos senhores de nós
mesmos e sim, apenas mordomos. Mas, se não lhe dermos autoridade absoluta, Ele pode
estar presente, porém não pode exercer o seu poder, porque nós não soltamos a mão da
direção da nossa vida. Agindo assim, o poder do Espírito não se manifestará.
Você está vivendo para o Senhor, ou para si mesmo? Talvez esta pergunta seja
generalizada demais para se responder facilmente, então vou ser mais específico: Você
tem alguma coisa em sua vida, que Deus está pedindo para abandonar ou executar e
você não atende? Há qualquer ponto de atrito entre você e Deus? Antes de terminar toda
50
controvérsia com Deus, e entregar ao Espírito Santo pleno domínio, Ele não poderá
reproduzir Cristo em nosso viver diario. Deus espera que primeiro todas as nossas
pendencias com seu Espirito sejam resolvidas. A rendição absoluta de nós mesmos ao
Senhor, depende geralmente de alguma coisa específica, e Deus a aponta com precisão e
deseja que a entreguemos, pois tudo é dele.
Fiquei muito impressionado ao ler o que escreveu certo grande líder político na sua
autobiografia: "Não desejo coisa alguma para mim mesmo; quero tudo para a minha
pátria". Se um homem pode se dispor a deixar que a sua pátria tenha tudo e ele nada;
muito mais nós cristãos devemos dizer a Deus: "Senhor, não quero nada para mim,
entrego tudo para Ti, quero o que Tu quiseres e não desejo ter qualquer coisa fora da
tua vontade". Ele não pode assumir o papel de Senhor se não estamos dipostos a servi-
lo. O Senhor não está apenas nos chamando para a sua causa, Ele pede que nos
rendamos à sua vontade.
Que o Senhor nos ilumine, para tomarmos uma posição firme na questão da sua
soberania. Se nos rendermos completamente a ele, e aceitarmos o poder do Espírito
Santo que habita em nós, não haverá necessidade de esperar por sentimentos especiais
ou manifestações sobrenaturais, porque poderemos simplesmente olhar para cima e
louvá-lo, por algo que já aconteceu. Podemos agradecer-lhe confiadamente, porque a
Glória de Deus já encheu o seu templo.
51
IX
O SIGNIFICADO DE ROMANOS 7
“Desaventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” Rm
7:24.
Se os cristãos realmente percebessem que a velha criação foi anulada pela Cruz de
Cristo, e que, pela sua ressurreição, uma nova criação entrou em cena; e se chegassem
ao ponto de "saber", "considerar-se" e “oferecer-se", ainda assim, necessitariam do
entendimento de Romanos 7. Alguns cristãos, entendem que o capítulo 7 está em lugar
errado, preferem colocá-lo entre os capítulos 5 e 6. Tudo é tão perfeito e tão claro nas
palavras do capitulo 6, e então, vem a prostração e o grito: "Desventurado homem que
sou!" Poderia se imaginar uma progressão mais descendente do que esta? Por esta
razão, alguns argumentam, que Paulo neste versicilo, está se referindo a sua experiência
de homem não regenerado. Bem, podemos admitir o que ele aqui descreve não é bem
uma experiência de crescimento cristão. Porém os cristãos que a experimentam não
constituem uma minoria. Qual é pois, o ensino deste capítulo?
• Rm 6 trata da libertação do pecado.
• Rm 7 trata da libertação da Lei.
Se em Rm 6, Paulo afirma que fomos libertos do pecado, então concluímos que isto
era tudo quanto se exigia de nós.
Já em Rm 7 nos ensina que a libertação do pecado não é suficiente, e que
precisamos também conhecer a libertação da Lei.
Se não estivermos totalmente livres da Lei, nunca poderemos experimentar a plena
libertação do pecado. Mas qual é a diferença entre ser livre do pecado e ser livre da Lei?
Todos percebem a necessidade de ser livre do pecado, mas onde está a necessidade de
se libertar da Lei? Para entender, devemos primeiramente conhecer o que é a Lei e
como ela opera.
A carne e o fracasso do homem
O livro de Romanos tem uma lição para nos ensinar::
• Rm 7:5, “estou na carne".
• Rm 7:14, "sou carnal".
• Rm 7:18, "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum".
• Rm 8:8, “os que estão na carne não podem agradar a Deus”
Isto vai além da questão do pecado, porque se relaciona também em agradar a
Deus. Consideramos aqui, não apenas o pecado nas suas formas, mas também o homem
no seu estado carnal. O pecado está incluido, mas somos levados a descobrir que nesta
esfera, também estamos incapacitados, porque "os que estão na carne não podem
agradar a Deus", Rm 8.8.
Muitos cristãos, que estão sendo salvos, ainda assim se deixam dominar pelo
pecado. Não quero dizer que vivem permanentemente sob o poder do pecado, mas que
52
há certos e determinados pecados que sempre os seguem de perto, e repetidas vezes os
cometem. Daí, certo dia, ouvem a plena mensagem do Evangelho, dizendo que o Senhor
Jesus não morreu somente para nos purificar dos pecados; mas também incluiu a nós
pecadores na sua morte; de modo que não somente foi tratado o problema dos pecados,
como também a nossa natureza pecadora foi alvo da ação divina. Os olhos de tais
cristãos se abrem, e ficam sabendo que foram crucificados com Cristo, e, como
resultado desta revelação, consideram que morreram e ressuscitaram com o Senhor; e
também, reconhecem os direitos do Senhor sobre eles e se oferecem a Deus como vivos
dentre os mortos. Percebem que não têm mais qualquer direito sobre si próprios. Este é
o começo de uma bela vida cristã, plena de louvor ao Senhor.
Em seguida, começam a raciocinar da seguinte maneira: "Se morri com Cristo e
estou ressurreto com ele; e dei-me inteiramente a ele para sempre. Agora devo fazer
alguma coisa por ele, desde que ele tanto fez por mim. Desejo agradar-lo e fazer a sua
vontade". Assim, após o passo da consagração, procuro descobrir a vontade de Deus, e
me disponho a obedece-lo. Então, faço uma descoberta estranha. Pensava que podia
fazer a vontade de Deus, mas pouco a pouco descubro que nem sempre gosto de fazê-la.
Às vezes, encontro uma relutância nítida e muitas vezes quando me proponho fazer a
vontade de Deus, verifico que não posso. Então, começo a levantar dúvidas quanto à
minha experiência e pergunto: Será que realmente fui incluído em Cristo? Será que
realmente me considero morto para o pecado e vivo para Deus? Será que realmente me
rendi a ele? Será que realmente me consagrei? Se, respondi sim para todas as perguntas;
então, porque continuo pecando? Quanto mais tento fazer a vontade de Deus, tanto mais
falho. Finalmente, chego à conclusão de que nunca tive um amor sincero em fazer a
vontade de Deus, passo então a orar para que Deus crie em mim este sentimento.
Confesso a minha desobediência, e prometo que nunca mais desobedecerei. No entanto,
volto a cair uma vez mais, basta me levantar de onde estava ajoelhado em oração! Antes
de alcançar a vitória, fico de novo consciente de outra derrota. Então, digo para mim
mesmo: Provavelmente não foi suficientemente definida a minha última decisão. Desta
vez serei absolutamente definido. Assim sendo, convoco toda a força de vontade que
possuo, mas acabo sofrendo outra derrota pior do que a anterior.
Na próxima ocasião em que precisar fazer uma escolha, finalmente tento aplicar a
mim, as palavras de Paulo: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não
habita bem nenhum: pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque
não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço", Rm 7.18,19.
O que a Lei ensina
Muitos crentes imaginam que Rm 6 é mais do que suficiente para a libertaçaõ do
poder do pecado, porque tendo apreendido que: “Fomos, pois, sepultado com ele na
morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela
gloria do Pai, assim andemos nós em novidade de vida. ...sabendo isto: que foi
crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruido,
e não sirvamos mais o pecado como escravos ... Porque o pecado não tera dominio
sobre vós; pois não estais debaixo da lei e sim da graça”, Rm 6.4,6,14.
53
Pensavam que não havia mais possibilidade de fracasso e, então, para grande
surpresa, se deparam com Rm 7 “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que
não quero, esse faço”. Qual é a explicação?
Em primeiro lugar, vamos esclarecer que “a morte com Cristo”, descrita em Rm 6,
é absolutamente adequada para satisfazer todas as nossas necessidades. É a explicação
desta morte e tudo o que resulta dela, que está incompleta. Rm 7 torna real para nós a
declaração de Rm 6.14, onde "o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais
debaixo da lei, e, sim, da graça". O problema é que não conhecemos ainda qual o signi-
ficado da Lei e o que é ser livre da Lei?
A graça significa que Deus fez tudo por mim. A Lei significa que eu faço tudo por
Deus. Deus tem certos requisitos santos e justos que me impõe: isto é a Lei. Ora, se a
Lei significa que Deus requer algo da minha parte, então ser liberto da Lei significa que
ele não requer mais coisa alguma de mim, porque ele próprio, fez a provisão necessária.
A Lei implica em Deus requerer que eu faça algo por ele; a libertação da Lei implica em
que ele já fez isto por mim. Isentando-me do cumprimento de tudo quanto se exigia de
mim pela ua Graça. “Eu o homem carnal de Rm 7.14 não preciso fazer nada para
Deus”, este é o significado de ser liberto da Lei. O problema consiste em que o homem
acha que precisa fazer algo para Deus. O fato de querer ser salvo por mim mesmo me
coloca de novo debaixo da Lei.
A medida que procuramos compreender isto, fica claro que a culpa não é da Lei.
Paulo diz: "A Lei é santa; e o mandamento santo e justo e bom", Rm 7.12. Nada há de
errado com a Lei, mas em mim há algo que não está indo nada bem. As exigências da
Lei são justas, mas a pessoa a quem são feitas estas exigencias, não é justa. O problema
não está em haver requisitos injustos na Lei; está na minha incapacidade de satisfazê-
los. Sou um homem "vendido à escravidão do pecado", Rm 7.14. O pecado tem
domínio sobre mim. Enquanto me deixam em paz, pareço ser um homem excelente; é
só pedir que eu faça alguma coisa, para que minha pecaminosidade se revele.
Somos todos pecadores por natureza. Se Deus nada requer da nossa parte, tudo
parece ir bem, mas logo que ele nos exige alguma coisa, surge a oportunidade de revelar
a nossa enorme pecaminosidade. A Lei manifesta a nossa fraqueza. Enquanto me
deixam ficar sentado, pareço estar muito bem, mas logo que me pedem alguma coisa,
vou estragar e inutilizar o que da minha parte foi pedido. Quando a Lei santa é aplicada
ao homem pecaminoso, logo se manifesta plenamente a pecaminosidade dele.
Deus sabe quem eu sou. Ele sabe, que da cabeça aos pés estou cheio de pecados;
Ele sabe que sou a fraqueza em pessoa, que sou incapaz de fazer alguma coisa sem
pecar. O problema, porém, é que eu não sei. Admito que todos os homens são pecadores
e que, eu também sou pecador; fico pensando que não sou tão desesperadamente
pecador como os outros. Embora confessamos que somos pecadores, na prática não
acreditamos. Por isso, Deus tem que operar de modo especial para nos convencer
completamente. Sem a Lei, nunca saberíamos quão fracos e incapazes nós somos. Paulo
já tinha alcançado esta experiência, conforme se percebe quando diz: "Mas eu não teria
conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça,
se a lei não dissera: Não cobiçarás", Rm 7.7. Qualquer que seja, a nossa experiência a
respeito da Lei, o décimo mandamento "não cobiçarás" revelará o nosso problema.
54
Nele, se manifeta a nossa total incapacidade de guarda-lo, para transgredi-lo basta
abrirmos os olhos ou pensamentos.
Quanto mais procuramos guardar a Lei, tanto mais a nossa fraqueza se manifesta e
tanto mais profundamente entendemos a nossa incapacidade. Deus sempre soube da
nossa incapcidade, nós porém, não temos este entendimento, por isso, Deus tem que nos
submeter a experiências dolorosas, até que cheguemos a “reconhecer a verdade, que é
impossivel guardar a Lei”.
Deus sempre soube que nunca poderíamos guardar a sua Lei, que nunca homem
algum conseguiu tornar-se aceitável a Deus por meio da observância da Lei. Em parte
alguma do Novo Testamento se diz que os homens de fé têm que guardar a Lei, diz-se,
que a Lei foi dada para que a transgressão se tornasse manifesta. "Sobreveio a lei para
que avultasse a ofensa", Rm 5.20. A Lei foi dada para nos classificar como
transgressores! "Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei...
porque sem a lei está morto o pecado... mas, sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e
eu morri" Rm 7.7-9. É a Lei que revela a nossa verdadeira natureza.
Tenho tão elevada opinião quanto ao valor da minha própria pessoa, que necessito
da parte de Deus está experiências para me provar como sou fraco. Só assim, poderei
entender e confessar que: "Em todos os sentidos e aspectos sou pecador, e de mim
mesmo, nada posso fazer para agradar a Deus".
A Lei nos foi dada para que ficassemos convictos da nossa extrema incapacidade de
cumpri-la. “O propósito da Lei é mostrar a nossa imcapacidade de cumpri-la”. A Lei
nos serviu de guia, para nos levar a Cristo, para que ele próprio pudesse cumpri-la em
nós, Gl 3.24.
Cristo, o fim da Lei
A Lei continuará por toda a eternidade. Sabendo que a Lei nunca passará, como
posso satisfazer as exigências de Deus? Se eu viver, tenho que satisfazê-la, porem se eu
morrer, a Lei perde as suas reivindicações sobre mim. Pois, não pode seguir-me para
além da sepultura. O mesmo princípio que efetua a nossa libertação do pecado, também
opera em nos libertar da Lei. Enquando, não nascermos de novo em Cristo, pelo
batismo, o antigo senhor, o pecado, continua vivo, mas só pôde exercer o seu poder
sobre o seu escravo até a sepultura. De mim, ele exigia inúmeras coisas, enquanto
esteve vivo o velho homem, mas agora que estou morto para o pecado, pelo batismo em
Cristo, em vão ele me chama para pecar. Estou livre para sempre da sua tirania.
Enquanto a mulher vive, está ligada ao seu marido, mas com a morte dele, dissolve-se o
laço conjugal, e "desobrigada ficará da lei conjugal". A lei continua fazendo suas
exigências, mas para mim que estou morto para o pecado, ela perdeu a autoridade que
exercia, pois não tem motivo para me acusar.
Surge a pergunta: "Como é que morremos? "É justamente aqui que se revela o
grande valor da obra de nosso Senhor: "Também vós morrestes relativamente à lei, por
meio do corpo de Cristo", Rm 7.4. Quando Cristo foi crucificado, por estarmos incluido
nele, nós também fomos crucificados; quando Cristo morreu, o seu corpo foi sepultado;
já que Deus nos incluiu nele, ICo 1.30, nós também fomos sepultados com Ele.
55
Uma ilustração do Antigo Testamento pode nos ajudar a tornar clara esta verdade.
Relaciona-se com o Véu que separava o Lugar Santo do Lugar Santo dos Santos, Ex
26.31. Naquela época, Deus habitava no Lugar Santo dos Santos onde se encontrava a
arca da Alinça e as tabuas da Lei, neste local ninguém podia entrar. Somente o sumo
sacerdote, uma representação de Cristo, podia entrar uma vez por ano, no dia, da
Expiação, dia da purificação do santuario terrestre. Quando, porém, o Senhor Jesus
morreu, “Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo”, Mt
27.51. “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue
de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua
carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero
coração, em plena certeza de fé, Hb 10.19-22. Pelo Precioso Sangue de Cristo agora
temos livre ascesso a Deus.
Nós estávamos no Senhor Jesus quando ele morreu, e está morte nos libertou para
sempre da Lei. Ele, porém, não ficou na sepultura, mas no terceiro dia ressuscitou, e
nós, estando nele, também estamos ressurretos. O Corpo do Senhor Jesus fala não só da
sua morte, mas também da sua ressurreição. Assim, "por meio do corpo de Cristo", nós
estamos não somente "mortos para a lei", mas também estamos “vivos para Deus”.
O propósito de Deus, ao unir-nos a Cristo, não foi meramente na morte, que está
relacionada com o perdão dos pecados, mas também foi gloriosa."vós morreste
relativamente á lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber,
aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus", Rm
7.4. E qual é o resultado desta união? Pelo corpo de Cristo, morremos para o pecado,
mas estando unida com ele na morte, estamos unidos também na ressurreição e pelo
poder da sua vida ressurreta, produzimos frutos para Deus. A vida ressurreta do Senhor
presente em nós transmite-nos o poder que satisfaz a todas as exigências que a santidade
de Deus requer. A Lei de Deus não é anulada; é perfeitamente cumprida, porque Cristo
ressurreto vive agora em nós, e a sua vida agrada perfeitamente ao Pai.
O que acontece quando uma mulher se casa? Não continua a usar apenas o seu
nome, mas também o do seu marido, e não participa apenas do nome dele, como
também de suas posses. Assim acontece quando estamos unidos com Cristo. Quando
lhe pertencemos, tudo o que é seu torna-se nosso. Com os seus infinitos recursos à nossa
disposição ficamos perfeitamente habilitados a satisfazer todas as exigências divinas.
Nosso fim é o começo para Deus
O que significa, na nossa vida de cada dia, estar livre de cumprir a Lei? Significa
que, daqui em diante, não vou fazer as minhas tentativas para agradar a Deus. Talvez
você proteste: "Que doutrina! Que heresia! Certamente não é isso que quer dizer".
Lembremos, se eu tentar agradar a Deus na carne, coloco-me imediatamente sob a
Leie; e ao transgredi-la, ela pronuncia sobre mim a sentença de morte; mas está já foi
executada em Cristo, como eu morri com Ele, neste caso, eu que sou carnal fui libertado
de todas as suas reivindicações. “Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para
aquilo, a que estavamos sujeitos; de modo que servimos em novidade de espirito e não
na caducidade da letra”, Rm 7.6. Mas graças a Deus, as suas exigências serão
satisfeitas, pois é Cristo quem agora as cumpre, é Cristo que opera em mim o que é
56
agradável a Deus. "Eu vim para cumprir (a Lei)", foram as Suas palavras em Mt 5.17.
Sob o fundamento da ressurreição, Paulo pode dizer: "Desenvolvei a vossa salvação
com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós, tanto o querer como o
realizar, segundo a sua boa vontade", Fp 2.12,13.
É Deus quem efetua em vós. A libertação da Lei não significa que estamos livres de
fazer a vontade de Deus. Certamente não se trata de nós agora sermos pessoas sem lei.
Muito pelo contrário! Significa que “estamos livres de cumprir por nós mesmos”, o que
a Lei requer de nós, por estarmos plenamente persuadidos de que não podemos fazê-lo,
então cessamos de procurar agradar a Deus “no nível do velho homem”. Tendo,
finalmente, alcançado o pleno conhecimento que não mais devemos usar os nossos
próprios recursos, a ponto de abandonar nossas tentativas e colocar no Senhor toda a
nossa confiança. Só assim teremos a certeza que ele manifestará em nós a sua própria
vida ressurreta.
Quanto mais cedo desistirmos de tentar, tanto melhor, porque, enquanto estivermos
no comando, não deixaremos espaço para o Espírito Santo agir em nós. Se entregarmos
o controle das nossas ações, orando: “Senhor não uso a minha mente e a minha vontade,
mas confio em Ti para que o faças em mim". Veremos um Poder maior cumprir a Lei
por nosso intermédio.
Em 1923 encontrei um famoso evangelista canadense, durante um culto, em que eu
tratava deste assunto, e depois do culto, quando caminhávamos de regresso à sua casa,
ele comentou: "Poucas vezes ouvimos, nos dias atuais, a mensagem de Romanos 7. É
bom ouvi-la de novo. Porque, no dia em que fui liberto da Lei, foi como, se o Céu
tivesse descido até a terra. Depois de ser crente durante vários anos, ainda procurava
fazer esforços para agradar a Deus, mas quanto mais tentativas fazia, tanto mais
fracassava. Considerava Deus o Ser mais exigente do Universo, e me considerava
incapaz de cumprir o menor dos seus Mandamentos. Certo dia, enquanto lia Romanos
7, a luz se derramou sobre mim, então percebi que fora libertado, não só do pecado,
mas também da Lei. Pulei de alegria e disse: Senhor, Tu realmente não fazes mais
exigências de mim? Então, eu não preciso mais me esforçar para agrada-lo!”
As exigências de Deus não foram alteradas, porém não somos nós que iremos
enfrentá-las. Graças a Deus, Ele é o Legislador no Trono e também o Guardador da Lei
no meu coração. Aquele que criou a Lei é o mesmo que irá guarda-la. Ele faz as
exigências, e também as cumpre. Enquanto estamos tentando, Ele não tem o caminho
livre para fazer em nós coisa alguma. São as nossas próprias tentativas que nos levam ao
fracasso. Deus deseja nos ensinar, que por nós mesmos, nada podemos fazer. Enguanto
não reconheçermos plenamente está verdade, não cessarão as decepções e desilusões.
Certo irmão que lutava para alcançar a vitória observou: Não sei por que sou tão
fraco. Respondi, o seu problema é que você não é fraco o suficiente para abandonar a
tentativa de agradar a Deus. Somente quando você estiver reduzido à fraqueza extrema e
chegar à convicção de que não pode fazer coisa alguma, é que Deus passará a fazer
tudo. Todos nós devemos chegar à está conclusão e dizer: "Senhor, sou incapaz de fazer
coisa alguma por Ti, mas confio em Ti para fazê-la em mim. Porque eu sei se há algo
bom em mim provém de Ti".
57
Certa vez passei algum tempo com cerca de vinte irmãos, hospedados num local
sem recursos adequados; para tomar banho nos dirigíamos ao rio para um mergulho.
Numa destas ocasiões, um irmão teve cãibra nas pernas, e vi que ia afundar. Fiz sinal
para que outro irmão, exímio nadador, para que se apressasse a socorrê-lo. Fiquei
perplexo ao ver que este não se mexia, e gritei no meu desespero: Não vê que o homem
está se afogando? E os demais irmãos em volta, tão agitados como eu, também gritavam
vigorosamente. Nosso bom nadador, porém não se mexia, como se fosse adiar ou
recusar a desagradável missão. Nesse ínterim, a voz do pobre irmão que se afogava, foi
se enfraquecendo, e os seus esforços foram ficando mais débeis. No meu coração disse:
"Odeio este homem! Deixa um irmão se afogar perante os seus olhos, sem ir em seu
auxílio!"
Quando, porém, o homem estava realmente afundando, o nadador, com poucas e
rápidas braçadas, encontrava-se ao seu lado, e ambos chegaram a salvo à margem. Na
primeira oportunidade, dei a minha opinião: "Nunca vi qualquer cristão que amasse a
sua vida tanto como você! Pense, quanta aflição você poderia ter poupado àquele irmão,
se tivesse considerado um pouco menos a sua própria pessoa, e tivesse mais
consideração para com o outro". O nadador, porém, conhecia o seu trabalho melhor do
que eu. "Se eu tivesse ido mais cedo", respondeu, "ele teria me agarrado tão fortemente
que ambos teríamos afundado. Quando um homem está se afogando, não pode ser salvo
até que fique completamente exausto e deixe de fazer o mínimo esforço para se salvar".
Você percebe? Quando nós abandonamos o caso, Deus assume. Ele fica esperando
até que os nossos recursos se esgotem e nada possamos fazer por nós próprios. Deus
condenou tudo o que é da velha criação e consignou-o à Cruz. A carne de nada
aproveita. Qualquer tentativa de fazer algo na carne, é virtualmente um repúdio à Cruz
de Cristo. Deus nos declarou aptos apenas para a morte. Nós confirmamos o veredito de
Deus, quando abandonando todos os nossos esforços carnais no sentido de agradar-lo.
Pois, ao proceder assim, demostramos que temos entendimento que a origem do poder
para cumprir as suas exigências provem dele.
Sabemos que a Lei é reta, justa e boa, mas se não tivermos entendimento e agirmos
sozinhos falharemos. O "desventurado homem" de Romanos 7, procurou satisfazer por
si mesmo a Lei de Deus, e foi essa a causa da sua aflição. O repetido uso da palavra
"eu", neste capitulo, indicam a causa do fracasso. "Porque não faço o bem que prefiro,
mas o mal que não quero, esse faço", Rm 7.19. Temos um conceito errado gravado na
mente, pois pensamos que Deus nos pede para guardarmos a Lei, de modo que,
procuramos guardá-la. Deus porém, não exigiria tal coisa de nossa parte. Porque ao
tentarmos fazer o que agrada a Deus, acabamos fazendo o que lhe desagrada. Se
usarmos nossos próprios esforços para fazer a vontade de Deus, estamos em oposição a
sua vontade, pois desconcideramos a sua natureza presente em nós.
Dou graças a Deus
Em Rm 6.6, Deus trata do "corpo do pecado", e em Rm 7.24, Ele trata do "corpo da
morte". Qual é a diferença entre o corpo do pecado e o corpo da morte? Pecado é tudo
que desagrada a Deus. Eu tenho um corpo de pecado: O que quer dizer um corpo
ativamente comprometido com o pecado. Em relação à Lei de Deus, onde se expressa a
58
vontade de Deus, eu tenho um corpo de morte. “A minha atividade no pecado faz com
que meu corpo seja um corpo de pecado; o meu fracasso no cumprimento da vontade
de Deus faz com que meu corpo seja um corpo de morte”. Em relação a tudo quanto é
mau, mundano e satânico, eu sou inteiramente efetivo, atravéz da minha natureza, mas
no que diz respeito a tudo quanto se relaciona com Deus e com a santidade sou
totalmente destituido desta natureza.
Já descobriu, que você transporta consigo o estorvo de um corpo sem vida, no que
diz respeito à vontade de Deus? Você não sente dificuldade em falar acerca das coisas
mundanas, mas quando procura falar acerca do Senhor, sua língua fica como que presa;
quando quer orar, sente-se sonolento; quando se esforça para fazer algo para o Senhor,
não se sente bem. Pode fazer tudo, exceto o que está relacionado com a vontade de
Deus. Há algo neste corpo que não se harmoniza com a vontade dele.
O que significa a morte? Podemos ilustrá-la com um versículo bíblico: "Eis a razão
por que há entre vós muitos fracos e doentes, e não poucos que dormem", ICo 11.30. A
morte é a fraqueza extrema. Significa, estar totalmente fraco e destituído de forças. Ter
um corpo de morte, no que diz respeito à vontade de Deus, significa que sou tão fraco
no seu serviço que fico reduzido a uma posição de horrível desamparo. "Desventurado
homem que sou! quem me livrará do corpo desta morte? Rm 7.24, clamou Paulo, é bom
que alguém clame assim diante de Deus, porque aos seus ouvidos nada soa mais
harmonioso. É o grito mais bíblico e espiritual que um homem pode emitir. Só quem
está convicto da sua impossibilidade de fazer qualquer coisa, e desiste de tomar novas
resoluções por si mesmo, poderá clamar assim a Deus. Para chegar a este ponto foram
varias tentativas, todas as vezes que falhava, tomava uma nova resolução e redobrava o
uso da sua força de vontade. Finalmente, descobre que não há qualquer vantagem em
continuar a usar sua própria força mental, e grita, desesperado: "Desventurado homem
que sou!".
Você já desistiu de si mesmo, ou ainda tem a esperança de que lendo a Bíblia e
orando mais se tornará um cristão melhor? Deus nos livre de sugerir que a leitura da
Bíblia e a oração são coisas erradas, no entanto, “é um erro confiar nelas para alcançar
a vitória”. O nosso socorro vem daquele que é o alvo de tal leitura e de tal oração. A
nossa confiança deve estar unicamente em Cristo. Felizmente, o desventurado homem
vai além de deplorar a sua triste condição, e faz uma bela pergunta: Quem me livrará?
Até aqui, ele procurava alguma coisa dentro de si, uma solução para o seu problema;
agora, olha para além de si mesmo, para o Salvador. Não continua a operar com seu
esforço próprio; toda a sua expectativa agora é colocada em Cristo.
Na época em que foi escrita a Epístola aos Romanos, um assassino era punido de
forma terrível e estranha. O corpo morto do assassinado ligava-se ao corpo vivo do
assassino, cabeça com cabeça, mão com mão, pé com pé, e o homem vivo ficava
amarrado ao morto até à sua própria morte. O assassino podia ir aonde desejasse, mas
aonde quer que fosse, teria que transportar o cadáver do homem que ele matara. Haveria
castigo mais terrível? Está é a ilustração que Paulo usa. É como se estivesse ligado a um
cadáver do qual fosse incapaz de libertar-se. Onde quer que ele vá, sente-se embaraçado
por este fardo terrível. Finalmente, não podendo mais suportar, grita: "Desventurado
homem que sou! Quem me livrará?" O seu grito de desespero se transforma em cântico
59
de louvor, porque achou a resposta: "Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor",
Rm 7.25.
Sabemos, que fomos justificados e perdoados mediante a graça do nosso Senhor
Jesus Cristo, sem qualquer esforço da nossa parte, mas pensamos que a santificação e a
libertação do poder do pecado depende dos nossos próprios esforços. Receamos, que se
nada fizermos, nada acontecerá. Depois de justificados, o velho ato do fazer, reafirma-se
e começamos de novo a usar nossos antigos esforços próprios. Então, a Palavra de Deus
soa de novo em nosso coração: "Está consumado!", Jo 9.30. Ele fez tudo, na Cruz, para
alcançar o nosso perdão, e Ele fará tudo, em nós, para realizar a nossa libertação. Em
ambos os casos, é Ele quem opera. "É Deus quem efetua em vós".
As primeiras palavras do homem libertado são preciosíssimas “Graças a Deus”.
Por que Graças a Deus? Porque foi Deus quem tudo operou. Paulo percebeu que era um
desventurado homem e somente Deus podia satisfazer a sua necessidade; e é por isso
que diz: Graças a Deus. Deus deseja fazer tudo, pois toda a glória pertence a Ele. Se
achamos que somos capazes de realizar está obra, estamos tomando para nós a glória
que pertence a Ele. Porém, toda a glória pertence a Deus, porque a obra total é dele, do
começo até ao fim.
O estudo de Romanos 7 deixa a impressão de que a vida cristã é uma questão de
ficar sentado à espera da vontade de Deus acontecer. É evidente que a vida cristã não é
passiva, todos sabem que se trata de uma fé dinâmica, ativa e positiva em Cristo, de um
princípio de vida inteiramente novo, “a lei do Espírito da vida”.
60
X
A VEREDA DO PROGRESSO:
ANDAR NO ESPÍRITO
Após a queda, o homem desenvolveu uma vida baseada no poder da alma, que
comanda seus pensamentos e ações, isto é a natureza carnal, herança de Adão, mas desde o
meu nascimento espiritual, pelo batismo, uma ação profunda e ativa atua em mim. Uma
união essencial foi estabelecida com Deus, as coisas mudaram, eu deixo de exercer a minha
inteligência nas coisas do mundo, para utiliza-la nas que provem de Deus.
A carne e o Espírito
“O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espirito é espirito”, Jo
3.6. Tudo que provem da natureza humana é carne, e somente pode dar gloria ao
homem, nunca a Deus. Tudo aquilo que posso fazer sem uma dependência completa de
Deus, provem da fonte natural, que está relacionada com a carne. Para que os dons
espirituais se manifestem em nós é necessário que conheçamos a Cruz, que significa: a
morte de tudo que é natural, para que a nossa dependência seja completa no Deus da
ressureição.
A carne está vinculada a Adão e o Espírito está vinculado a Cristo. Considerando,
que já compreendemos o significado de estar em Adão ou em Cristo, ainda nos falta
saber: se estamos vivendo na carne ou no Espírito?
• Viver na carne: Consiste em derivar forças da velha fonte de vida natural que
herdei de Adão, na qual por experiência, sinto prazer nas coisas que o mundo oferece e
como consequencia natural irão me conduzir ao pecado e a morte.
• Viver no Espírito: Significa que eu confio no Espírito Santo para fazer em mim o
que não posso fazer por mim mesmo. Está vida é completamente diferente da vida que
eu vivia naturalmente antes da minha converção. Cada vez que deparo com uma nova
exigência do Senhor, olho para ele, a fim de que ele faça em mim aquilo que requer de
mim. Não se trata de tentar, mas de confiar; não consiste em lutar, mas em descansar
nele.
Se possuo um temperamento impulsivo, pensamentos impuros, língua perversa, e
espírito crítico, então não poderei modificar-me mediante meu próprio esforço, mas
devo considerar-me morto em Cristo. Para estas coisas contarei com o Espírito de Deus
para que produza em mim a pureza, humildade e mansidão necessária. "Aquietai-vos e
vede o livramento do SENHOR, que hoje vos fará", Êx 14.13.
Não somente estou em Cristo, mas Cristo também está em mim. Cristo habita em
mim espiritualmente e se manifesta não na carne, mas no espírito. Porém, se obedeço “a
vontade da carne", a participação de Cristo, está obstruida em meu ser. Embora eu
tenha aceitado a Cristo, continuo vivendo na carne, usando minhas próprias forças e
seguindo minhas próprias direções. Verifico consternado, que alguma coisa de Adão
61
ainda se manifesta em mim. Se eu quiser conhecer, por experiência própria, tudo quanto
possuo em Cristo, então terei que aprender a viver no Espírito.
Alguns, sem dúvida, já vivenciaram uma experiência semelhante a que aconteceu
comigo. Certa ocasião me solicitaram que visitasse alguém, que eu sabía ser de natureza
pouco amigável. Todavia, confiei no Senhor para me dirigir nesta tarefa. Antes de sair
solicitei da parte do Senhor os recursos que seriam necessários e que ele não permitisse
que eu usasse os meus proprios. Então, para minha surpresa, não me senti nada irritado,
embora a pessoa em questão estivesse longe de ser amável e simpática. No regresso,
revi a experiência, e fiquei maravilhado por ter permanecido tão calmo. A explicação
para ter a calma necessária foi a presença do Espírito Santo me dirigindo em toda aquela
experiência. Infelizmente, só tenho este tipo de experiência de vez em quando, mas
deveria ser constante na vida dos cristãos. Quando entregamos a Deus a nossa causa,
não há necessidade de esforço pessoal. Não se trata de dominar a nossa força de vontade
para obter a duras penas a vitória. Onde se manifesta a verdadeira vitória não há esforço
carnal, pois o próprio Senhor nos conduz maravilhosamente.
Do mesmo modo, as tentações de Satanás não se destinam primariamente a nos
fazer cometer algo pecaminoso, mas têm finalidade de levar-nos a agir de acordo com a
nossa própria vontade; e logo que ensaiamos um passo fora do refúgio, para fazer
qualquer coisa nessa base, ele alcança a vitória sobre nós. Se não não sairmos da
cobertura de Cristo para o ambiente da carne, ele não poderá nos atingir.
O caminho divino da vitória não nos permite fazer qualquer coisa sem Cristo.
Porque, logo que nos movemos, corremos perigo, visto que as nossas inclinações
carnais nos levam na direção errada. Onde devemos procurar auxílio? "A carne milita
contra o Espírito e o Espírito contra a carne", Ga 3.17. Noutras palavras, a carne não
luta contra nós, mas contra o Espírito Santo, "porque são opostos entre si". É o Espirito
Santo que enfrenta a carne e trata com ela, não somos nós! Qual é o resultado? "Para
que não façais o que quereis".
Nós, por causa da nossa natureza, fazemos tudo aquilo que nossos instintos ditam,
independentemente da vontade de Deus. Quando porém, deixamos de agir por nós
mesmos, o Espírito Santo terá liberdade para usar o seu poder para enfrentar por meio
de nós, as nossas batalhas. Ao abrirmos mão das inclinações pessoais, carreira e planos
acharemos satisfação em seu plano perfeito. Porque, agora temos por princípio: "Andai
no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne", Gl 5.16. Se andarmos no
Espírito por fé no Cristo ressurreto, podemos verdadeiramente ficar alheios, enquanto o
Espírito ganha novas vitórias sobre a carne. Foi para este propósito que ele nos foi
concedido. A nossa vitória reside em andarmos em Cristo, contando com a confiança
singela do seu Santo Espírito, para vencer em nós, as nossas concupiscências carnais,
pelos novos caminhos que ele nos propos. A Cruz nos foi dada para a nossa salvação e
o Espírito para fazer a salvação frutificar em nós. Cristo ressurreto subiu ao céu e esta
a direita do Pai, ele é a base da nossa salvação. Cristo em nossos corações, pelo seu
Espírito, é o poder da salvação se manifestando.
62
Cristo é a nossa vida
"Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim", Ga 2.20. Vemos com clareza a
descoberta que Paulo fez: “A vida que vivemos é a vida de Cristo”. Pensamos que a
vida cristã é uma vida transformada, mas na realidade é uma vida substituída,
Cristo é o nosso Substituto. "Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim". Está
vida não é algo que possamos produzir, porque ela é a própria vida de Cristo que já está
presente em nós.
O que significa a vida reproduzida de Cristo em nós? Isto é algo mais do que a
regeneração! Regeneração significa que a vida de Cristo é implantada em nós pelo
Espírito Santo quando nascemos de novo. A vida reproduzida vai mais longe: significa
que essa nova vida não só se desenvolve, mas se torna progressivamente manifesta em
nós até que a própria semelhança de Cristo seja produzida em nossa vida diária. É o que
Paulo quer dizer quando fala das "sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em
vós", Gl 4.19.
Deus não me dará humildade, paciência, santidade e amor, como dons separados da
sua graça. Ele não é um retalhista que nos dispensa graça em doses, medindo um pouco
de paciência para os impacientes, algum amor para os que não o têm, alguma mansidão
para os arrogantes, em quantidades que tomamos e usamos como uma espécie de
capital. “Ele nos deu um único dom para satisfazer todas as nossas necessidades, o seu
Filho Jesus Cristo”, e na medida em que permito viver a sua vida em mim, ele em meu
lugar, será humilde, amoroso e tudo o mais que necessito. "Deus nos deu a vida eterna;
e esta vida está no Seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o
Filho de Deus não tem a vida", IJo 5.12. A vida de Deus não é oferecida a nós
individualmente por merecimento, porque é somente quando recebemos o Filho que a
teremos. Está é a"vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor", Rm 6.23. A nossa relação
com o Filho é a nossa relação com a vida eterna.
Que benção descobrir a diferença entre a graça cristã e Cristo; conhecer a diferença
entre a mansidão e o próprio Cristo, entre a paciência e Cristo, entre o amor e Cristo:
"Cristo Jesus... se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e
redenção", ICo 1.30. O conceito comum de santificação se refere a viver todos os
aspectos num proceder santo, isto, porém é apenas o fruto da santidade. A santidade é
Cristo. É o Senhor Jesus sendo transferido para nós, afim de refletirmos na vida dos
outros amor, humildade e domínio próprio. Hoje, há um apelo à paciência, então, ele é
a nossa paciência. Amanhã, há um clamor pela pureza, então, ele é a nossa pureza. Ele é
pessoalmente a resposta a todas as necessidades. É por isso que Paulo fala do "fruto do
Espírito, como se tratando de um só e não de muitos frutos", Gl 5.22, com
características separadas.
Deus nos deu o seu Espírito e quando precisamos de amor, o fruto do Espírito é
amor; quando nos falta alegria, o fruto do Espírito é gozo. É sempre verdade, não
importa qual seja a deficiência pessoal, ainda que nos falte um sem número de coisas,
Deus tem a resposta suficiente a cada necessidade humana, seu Filho Jesus Cristo.
Como permanecer neste propósito? Tendo sempre consciência do nosso
“Substituto”. Alguns receiam que está submissão revele as suas próprias deficiências,
por isso nunca aceitam este processo de crescimento, esquecendo o que significa crescer
63
na graça. A graça é a manifestação da presença de Deus operando em nós. Todos temos
o mesmo Cristo habitando dentro de nós, e a revelação de qualquer deficiência servirá
para nos levar a depender mais ainda dele, se confiarmos Ele viverá a sua vida em nós,
de modo a suprir as nossas necessidades. Maior capacidade de recepção significa maior
usufruto do suprimento de Deus. Cada ato de abrir mão do nosso esforço próprio, numa
atitude de confiante dependência de Cristo, é mais um passo para conquista. Cristo em
minha vida é o segredo de conquistas sempre maiores.
Já falamos, entre outras coisas, da diferença entre o esforço próprio e a confiança.
A diferença entre estas atitudes é tão grande como a que há entre o Céu e o Inferno. Se
me recuso a agir e tomo a decisão de depender do Espirito Santo, sei que está atitude
não se trata de passividade, mas de uma vida em plena atividade em comunhão com a
vontade divina. Recebo a vida do Espirito de Deus para ser a minha própria vida, e
permito que ele viva e manifeste a sua vida em mim.
A lei do Espírito da vida
“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que
não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espirito da vida
em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte”, Rm 8.1,2. Não há duvida de que
a condenação foi satisfeita pelo sangue, por meio do qual, achamos paz e seremos
salvos da ira de Deus, Rm 5.1,9.
Há, duas espécies de condenação: a diante de Deus e a auto condenação; e há
também dois tipos de paz: a paz que provém de Deus e a paz interior, proveniente de
esforço próprio. A condenação que provem de Deus pode às vezes nos parecer mais
terrível do que a auto condenação, mas quando percebemos que o sangue de Cristo
satisfez a justiça de Deus, então sabemos que os nossos pecados foram perdoados, não
havendo mais condenação para nós diante dele. Mas, posso sofrer derrotas por
conseqüencia do sentimento da condenação interior ainda ser muito real. Se, porém,
aprendi a viver em Cristo como minha vida, então já conheço o segredo da vitória,
graças a Deus nenhuma condenação há para mim. "O pendor do Espírito é para a vida e
paz", Rm 8.6. Isto entra na minha experiência, na medida em que aprendo a andar no
Espírito. Com paz no coração, não tenho ocasião de me sentir condenado, só motivos
para louvar Aquele que me conduz a vitória.
O que, está por traz da minha auto condenação? Seria um sentimento de derrota ou
a incapacidade de remediar tal situação? Antes de saber que Cristo se tornou a minha
vida, eu vivia precionado por um sentimento constante de frustração; minhas limitações
me acompanhavam a cada passo; em qualquer situação sentia minha própria
incapacidade. Sempre clamava: Não posso fazer isto! Não posso fazer aquilo! Apesar,
das repetidas tentativas, verificava que "não podia agradar a Deus", Rm 8.8. Em Cristo,
no entanto, não existe eu não posso, pelo contrário, agora: "Tudo posso naquele que me
fortalece", Fp4.13.
Como pode Paulo ter tanta coragem? Em que se baseia para dizer que agora está
livre de limitações e que tudo pode fazer? Eis a resposta: "Porque a lei do Espírito da
vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte", Rm 8.2. Por que não há
mais condenação? Porque existe uma lei: "a lei do Espírito da vida", que demonstrou
64
ser mais forte do que a outra lei: "a lei do pecado e da morte". O que são estas leis?
Como operam? Qual é a diferença entre “o pecado e a lei do pecado” e entre “a morte e
a lei da morte”? A lei do pecado e a lei da morte operam sempre do mesmo modo.
Como já dissemos a morte é a fraqueza quando chega ao extremo. Fraqueza é admitir
que não posso. Quando sou solicitado para envangelizar ou orar ou mesmo ler a Bíblia,
sempre sinto dificuldades, verifico, então, que estou morto para as coisas de Deus, está é
a Lei da morte. Não é apenas o pecado que há em mim, e, sim, uma lei do pecado; não
há apenas a morte, mas também a lei da morte. “vejo, nos meus membros, outra lei que,
guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está
nos meus membros”, Rm 7.23. A lei do pecado e da morte se opõe a tudo que é bom, e
paralisa a vontade do homem no que se refere a fazer o bem. Ele peca naturalmente,
segundo a lei do pecado nos seus membros. Ele quer ser diferente, mas a lei que nele
opera é implacável, pois sua vontade de pecar é maior do que a sua resistencia ao
pecado.
Como posso me libertar da lei do pecado e da morte? Como posso ficar livre das
constantes repetições de fraqueza e fracasso? A lei que é santa e justa, continua em
vigor, mas há outra lei superior a ela, que opera para sobrepujá-la. Deus nos liberta de
uma lei, introduzindo outra. A lei do pecado e da morte continua a existir, mas Deus fez
operar ”a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus”que é suficientemente forte para nos
libertar do pecado e da morte. É a lei da vida em Cristo Jesus, que se fez presente,
quando ele foi ressucitado pela grandeza do poder de Deus, que está disponivel a todos
que crerem nele. Agora, é Cristo que habita nos corações, por meio do seu Santo
Espírito. Quando nos entregarmos a ele, verificaremos que estamos sendo guardados da
velha lei que mata. Aprendemos o que significa ser guardados, não pelo nosso próprio
poder, mas "pelo poder de Deus", IPe 1.5.
A manifestação da lei da vida
Muitos cristãos procuram vencer pela própria força de vontade, e passam a achar a
vida cristã amargamente exaustiva. Se nossa vida cristã nos leva a exercer tanto esforço,
ainda não conhecemos a natureza dela. Por um tempo, conseguimos fazer alguma coisa,
mas a lei do pecado e da morte acaba vencendo. Talvez possamos dizer: O querer o bem
está em mim e faço o que é bom durante um periodo, mas finalmente confessamos:
"Não consigo realizar o bem".
Porquê as pessoas procuram agradar a Deus usando seus própios recursos? Porque
nunca nasceram de novo e neste caso não têm vida nova para recorrer; ou então,
nasceram de novo, possuem a vida nova, mas ainda não aprenderam a confiar nela. É
está falta de entendimento que os coloca em situação de quase abandonar a esperança de
que uma vida melhor os aguarda. Não é por falta de crer em tudo quanto Deus oferece,
mas por causa da vida fragil que vivem. "O dom gratuito de Deus é a vida eterna em
Cristo Jesus nosso Senhor", Rm 6.23, “A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus, te
livrou da lei do pecado e da morte", Rm 8.2. Está lei do Espirito da vida em Cristo
Jesus é a vida eterna. Noutras palavras, é uma nova revelação daquilo que já nos
pertence em Cristo. É uma nova descoberta da obra já realizada por Cristo, já que aqui o
verbo livrou está no passado.
65
Se abdicarmos das nossa própria vontade e confiarmos não cairemos, porque Deus
nos deu não só a vida, como também a lei da vida. Assim, a lei da vida é uma lei
natural, semelhante em princípio, as leis que mantém em funcionamento o nosso
coração, ou que dirige o movimento das nossas pálpebras. Não é necessário pensarmos
nos olhos, nem resolvermos pestanejar várias vezes para conservá-los limpos; muito
menos podemos fazer com que a nossa vontade atue sobre o coração. Realmente, se
fosse posivel ajuda-los, com certeza causariamos mais prejuízo do que beneficio, o
mesmo acontece quando tentamos ajudar a Deus. A nossa vontade apenas atrapalha a
lei da vida.
Descobri esta verdade da seguinte maneira: habitualmente sofria de insônia; certa
vêz, após várias noites sem dormir, depois de ter orado muito sobre o assunto e de ter
esgotado todos os meus recursos, confessei finalmente a Deus, mostrando a minha
incapacidade de solucionar o problema, e lhe pedi que me ajudasse. A sua resposta foi:
"Crê nas leis naturais". O sono é uma lei natural tanto quanto a fome ou a sede. Passei a
notar, que nunca havia me preocupado com o fato de sentir fome, mas estava aflito e
inquieto quanto a ter sono. Procurava ajudar a natureza, este é o principal problema das
pessoas que sofrem de insônia. Assim, passei a confiar em Deus e na divina lei da
natureza, e dormi bem.
Não devemos ler a Bíblia? Evidentemente que sim, senão a nossa vida espiritual
seria um fracasso. Mas, não precisamos forçar a leitura, porque há em nós, uma nova lei
que nos faz sentir fome da Palavra. Em tais circunstâncias, meia hora de leitura
espontanea, pode ser mais proveitosa do que cinco horas de leitura imposta. O mesmo
pode ser dito a respeito de ofertas, pregação e testemunho. A pregação forçada com
certeza resulta em fracasso. Todos sabem o que significa caridade falsa.
Se entregarmos nossa vida à está nova lei, teremos menos consciência da velha lei;
embora ela continue a existir, porém não nos governa mais, nem somos mais presa sua.
Se pudéssemos perguntar às aves se não têm medo da lei da gravidade, talvez diriam:
nada sabemos acerca desta lei. Voam, porque essa é a lei da vida delas". Não somente
têm a capacidade de voar, como possuem uma vida que as habilita a vencer a lei da
gravidade de maneira espontânea. A gravidade permanece, mas as aves vencem-na. A
vida que nelas há vence este obstaculo. Deus tem sido verdadeiramente gracioso para
conosco, deu-nos a lei do Espírito da Vida e para voarmos não dependemos mais da
nossa vontade, e sim, da sua vida em nós.
Já notou como é difícil tornar paciente um cristão impaciente? Exigir paciência da
parte dele é quase fazê-lo sofrer um ataque cardíaco. Deus, porém, nunca mandou
esforçar-nos para ser o que naturalmente não somos, a fim de aumentar a nossa estatura
espiritual. A aflição e a inquietação talvez possam diminuir a altura de um homem, mas
nunca poderá aumentá-la.
“Não andeis ansiosos, considerai como crescem os lírios do campo”. Desta
maneira, Cristo quer chamar a nossa atenção a lei da vida em nós e mostrar que
realmente, este novo conceito de vida nos pertence, por isso, somos cristãos felizes! Que
está preciosa descoberta possa fazer de nós, homens completamente novos, onde a lei da
vida opere em todos os partes do nosso viver. Como cristãos, descobrimos está nova lei
em nós, a lei do Espírito da vida, que transcende tudo o mais e que já nos libertou. Se,
66
cremos na Palavra do Senhor e nos rendermos a está nova lei, ela nos ensinará, por
exemplo, quando devemos interromper a nossa conversa ou nem sequer iniciá-la!
A vida cristã real é está vida espontânea. Manifesta-se em amor pelos que não são
agradáveis ou por aqueles que nos odeiam. Opera na base de como o Senhor considera
as pessoas. "Senhor, tu o conheces e o ama, então, cria em mim este amor!" Está lei da
vida cristã se manifesta no caráter moral. É uma lei absolutamente genuína que nos
liberta da hipocrisia, daquela atitude de representar, que vemos com frequencia presente
na vida dos crentes. Nada destrói mais a eficiência do testemunho cristão do que fingir
ser algo que não corresponde à realidade. Porque, mais cedo ou mais tarde a mascara irá
cair e virá a descoberto o que realmete somos.
O quarto passo: Andar no Espírito
"Porquanto, o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez
Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante
ao pecado; e com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado. A fim de que o preceito
da lei se cumprisse em nós que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito"
Rm 8.3,4.
Quem lê com atenção estes dois versículos percebe que aqui há dois assuntos:
• O que o Senhor Jesus fez por nós.
• O que o Espírito Santo está fazendo em nós.
A "carne está enferma", portanto, os preceitos da lei não podem ser cumpridos em
nós segundo a carne. (Tratamos aqui, a questão de agradar a Deus, e não da salvação).
Ora, por causa da nossa incapacidade, Deus deu dois passos. Em primeiro lugar,
interveio para tratar do âmago do nosso problema, enviando o seu Filho, na carne, que
morreu pelo pecado e, ao fazê-lo, condenou o pecado na carne. Isto quer dizer, que
Cristo como nosso representante, levou à morte tudo quanto existia em nós, que
pertencia a velha criação, o homem carnal e o velho homem. Deus desferiu assim um
golpe bem na raiz dos nossos problemas, removendo deste modo a razão de ser e o
fundamento de nossas fraquezas. Este foi o primeiro passo.
Contudo, o preceito da lei ainda está presente para ser cumprido. O que falta
fazer? Por isso foi necessário uma nova provisão de Deus: o Espírito Santo veio habitar
em nós. Ele é enviado para cuidar do aspecto interior deste assunto, e realizar a obra de
Deus em nós na medida em que andarmos no Espírito.
O que significa andar no Espírito?
• Andar no Espirito é antes de tudo caminhar junto. Dou graças a Deus, porque o
esforço opressivo e infrutífero que antes fazia, para agradar a Deus na carne, agora dá
lugar à dependência da “Sua eficácia, que opera eficientemente em mim", Cl 1.29. É por
está razão que Paulo contrasta as "obras da carne com o fruto do Espírito”, Gl 5.19,22.
• Andar no Espírito é estar sujeito ao Espírito. Quem anda no Espirito de modo
nenhum pode agir de maneira independe. Somente na medida em que me submeto ao
Espirito de Deus, para lhe obedecer é que verei a plena operação da lei do Espírito da
vida, bem como o cumprimento do preceito da lei, não por mim, mas em mim. "Todos
os que são guiados pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus", Rm 8.14. Já não preciso
67
mais fazer tudo para agradar a Deus, apenas deixo ele me guiar. Andar no Espírito
implica em sujeição.
Paulo, ao abençoar os corintios, incentivou os a andar no Espirito. "A graça do
Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com
todos vós", IICo 13.13. O amor de Deus é a fonte de todas as bênçãos espirituais; a
graça do Senhor Jesus nos transmite as riquezas espirituais; e o Espírito Santo produz a
comunhão tão necessária para desfrutar estas bênçãos. O amor é algo escondido no
coração de Deus; a graça é este amor expresso e colocado ao nosso dispor pelo Filho; e
a comunhão é a obra do Espírito em nos comunicar esta graça. O Pai projetou para nós,
o Filho cumpriu e realizou em nosso favor, e agora o Espírito comunica e transmite a
nós. Portanto, quando descobrimos estas verdades que o Senhor Jesus alcançou para nós
devemos ser gratos pela sua obra completa na Cruz. Assim, o caminho será aberto para
que o Espirito concretize sua vontade em nós. Este é o ministério de Deus: onde
Espirito Santo veio tornar realidade em nossa vida, tudo quanto nos pertence em Cristo.
Na China, quando levamos uma alma a Cristo, fazemos um trabalho completo,
porque não sabemos se teremos outra chance para completar está tarefa. Sempre
procuramos deixar bem claro na mente do novo crente o que significa aceitar a Cristo,
como Senhor e Salvador de sua vida. Mostramos, que a partir da sua conversão, o
coração dele torna-se a residência de uma pessoa viva, o Espírito Santo de Deus que
veio para dirigir a sua vida e dar entendimento sobre as Escrituras, a fim de que possa
reproduzir nele o caráter de Cristo.
Muitos sabem que Cristo é a vida deles e que o Espírito de Deus reside neles, mas o
comportamento destes não refletem a presença divina, porque ainda não cederam o
controle de suas ações, para que ele possa orienta-los em tudo o tempo todo.
68
XI
A CRUZ E A VIDA DA ALMA
“Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas
o folego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. E plantou o Senhor Deus um
jardim no Éden, na direção do oriente, e pôs nele o homem que havia formado. E o
Senhor Deus lhe deu está ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da
árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia que dela comeres
certamente morrerás, Gn 1.7,8.16.17.
A vida divina estava representada no jardim, pela Árvore da Vida, que produzia
fruto passível de ser recebido e ingerido. Se Adão voluntariamente seguisse este
caminho e comesse do fruto da árvore da vida, receberia então a própria vida de Deus e
se colocaria em obediencia a sua vontade. Viveria na depencia das escolhas divinas. O
alvo de Deus para o homem era a filiação, em outras palavras, a expressão da sua vida
nos seres humanos. Caso, Adão se voltasse para a árvore do conhecimento do bem e do
mal, ficaria como resultado disso, livre para se desenvolver segundo os seus próprios
recursos e desejos, separados da vontade de Deus. Mas, esta última escolha envolveria
cumplicidade com Satanás e como consequencia, se desviaria do alvo que Deus havia
proposto.
A verdadeira natureza da queda
Sabemos a direção que Adão escolheu. Confrontado entre as duas árvores,
submeteu-se a Satanás e tomou do fruto da árvore do conhecimento. Isto determinou o
sentido do seu desenvolvimento. Desde então, podia comandar o sua própria vida sem a
dependência de Deus. As emoções foram tocadas: porque o fruto era agradável aos
olhos, tornou-se obejeto de seu desejo, a mente com o seu poder de raciocinar foi
desenvolvida, para que ele fosse sábio aos seus próprios olhos e a vontade foi
fortalecida de modo que ele teria autonomia nas escolhas futuras. Todo o fruto serviu
para o desenvolvimento e expansão da alma, de modo que o homem não era somente
uma alma vivente, mas também passou a viver pela poder da alma. Não se trata
meramente do homem ser uma alma, e sim, que a alma daquele dia em diante, com os
seus poderes independentes de livre escolha, toma o lugar do espírito, e torna-se o poder
que comanda a vontade do homem. “O homem deixou de viver pelo poder do espirito,
como era a vontade de Deus, e passou a viver pelo poder da alma”.
O propósito de Deus teve o seu curso desviado pela escolha de Adão, porque o
propósito original era que a alma do homem fosse dependente do Espirito de Deus, mas
o homem escolheu ser independente e viver pelo poder da alma. Foi esta situação que
Satanás criou. Ardilosamente levou o homem a seguir uma direção na qual podia
desenvolver a sua alma de modo a derivar dela as suas escolhas.
Deus deseja que o homem retorne ao seu propósito original, mas para isso, Ele
precisa realizar uma obra de poda, como Viticultor, para remover o crescimento
inoportuno da alma. Duas coisas são necessárias:
69
• O homem precisa voltar a ser dependente de Deus. Como poderá depender de
Deus novamente? Nascendo de novo, para ter Cristo habitando nele como Senhor da
sua vida. Aperfeiçoar cada dia o seu viver, numa crescente manifestação da vida de
Cristo.
• Remover o poder que a alma tem sobre o homem para possa voltar a viver no
espirito. Deus vai operar no coração do homem para desfazer a fonte de recursos
naturais, quebrantando a vida da alma, para uma nova vida no espirito.
Estes dois processos sempre estarão ativos, porque Deus procura em nós a vida
plenamente desenvolvida do seu Filho, para que Cristo seja manifestado em nosso
viver. ”Porque nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por causa de
Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal", IICo
4.11. O que significa isto? Significa que não encontro suficiência em mim mesmo, não
dou qualquer passo, não deposito confiança em mim, apenas espero a vida de Jesus se
manifestar em mim para poder agir.
Ao tomar o fruto, Adão ficou possuído de um poder inerente de agir, porém este
poder o colocou ao alcance de Satanás. Para se libertar deste poder de agir torna-se
necessário uma dependencia total do Espirito de Deus e não mais agir segundo a
iniciativa própria, e sim, viver pela vida de Cristo e derivar tudo dele. Mesmo tendo o
entendimento deste fato, temos dificuldade de esperar no Espirito, por isso, agimos
compulsivamente. As vezes dizemos que estamos prontos para obedecer a vontade de
Deus, mas na realidade, o nosso pensamento diz o contrario: Sei que posso fazer muito
bem, por mim mesmo. A maioria dos cristãos, são homens de alma superdesenvolvida,
ficam demasiadamente grandes em si mesmo e nesta condição, não deixam espaço para
o Espirito Santo agir.
A energia natural na obra de Deus
Muitos, quando olham uma pessoa dotada de uma natureza de grandes qualidades,
dizem: "Se este homem fosse cristão, que grande valor teria para a Igreja! Se ele
pertencesse ao Senhor, representaria de forma brilhante a sua causa!" Mas, pensemos
por um momento, de onde vem as qualidades deste homem? Com certeza não vêm do
novo nascimento, porque ele ainda não nasceu de novo. Sabemos, que pelo nosso
primeiro nascimento vivemos na carne, e que necessitamos de um novo nascimento. O
Senhor Jesus disse algo a este respeito: "O que é nascido da carne, é carne" Jo 3.6.
Tudo o que não vem do novo nascimento, mas do nascimento natural, é carne, e apenas
traz glória ao homem, é inutil para Deus. Esta declaração não é muito agradável, mas é
a verdade.
Mencionamos o poder da alma e a sua energia natural. O que é esta energia natural?
É simplesmente o que eu posso fazer, o que eu sou, o que eu tenho herdado em matéria
de dons e recursos adquiridos durante a minha vida. Nenhum de nós está isento do
poder da alma.
Tomemos a mente humana como exemplo. Posso ter por natureza uma mente
brilhante. Já a tinha antes do meu novo nascimento, como algo derivado do meu
nascimento e dos conhecimentos adquiridos. Mas é aqui que reside o problema.
Converto-me, e ao nasçer de novo, uma obra profunda é realizada no meu espírito, uma
70
união essencial foi operada por Deus. Daí em diante, há em mim duas fontes: tenho
agora união com Deus, que foi estabelecida no meu espírito, mas ao mesmo tempo,
continuo a levar comigo alguma coisa que deriva do meu nascimento natural, o poder da
alma. Ora, o que vou fazer a respeito disso?
A tendência normal e usar os recursos naturais na obra de Deus. Porque, sempre
usei a mente para tirar o melhor proveito, tanto para aprender história, química,
literatura e poesia, como para os negócios e questões do mundo. Porém, agora, os
desejos mudaram, de maneira, que daqui em diante, emprego a mesma mente nas coisas
de Deus. Portanto, mudei o assunto que ocupa o meu interesse, mas não mudei a fonte
de agir. Aí é que reside o problema. Os meus interesses foram mudados de uma forma
absoluta. Graças a Deus por isso! Mas eu emprego o mesmo poder que usava antes para
me dedicar as coisas do mundo, agora para tratar das coisas de Deus. Esse poder não
provém de Deus, por isso não pode satisfaze-lo. O problema, para muitos de nós, é que
mudamos o canal para o qual a nossa energia se dirige, mas não mudamos a fonte dessa
energia.
Precisamos entender a diferença entre os dons naturais e espirituais? Qualquer
coisa que possamos fazer sem oração e sem uma dependência extrema de Deus, deve
ser entendido, como tendo a sua origem na fonte de vida natural. A questão principal é
que: todos os dons naturais devem conhecer o toque da Cruz, numa experiência de
morte de tudo o que é natural. Às vezes estamos prontos a sentir inveja de um dom
especial dos outros, sem saber se esse dom pode ser uma manifestação independente da
operação da Cruz. Dons naturais se tornam em obstaculos ao dons espirituais que Deus
deseja manifestar em nós.
Pouco depois da minha conversão, saí pregando nas aldeias. Tinha recebido uma
boa instrução e estava bem versado nas Escrituras, de modo que me considerava
absolutamente capaz de instruir o povo nas aldeias, onde havia um bom número de
mulheres analfabetas. Mas, depois de algumas visitas, descobri, que apesar da sua
ignorância aquelas mulheres tinham um conhecimento íntimo do Senhor. Eu conhecia o
livro que elas liam com muita dificuldade; elas conheciam o Autor do livro, o Espirito
Santo. Eu tinha muito da carne; elas tinham muito do Espírito. Há tantos educadores
cristãos hoje, que ensinam outras pessoas, como eu o fazia naquela época, dependendo
exclusivamente do poder carnal.
Não quero dizer que não podemos fazer uma série de coisas, porque na verdade
podemos. Podemos fazer reuniões e construir igrejas, ir aos confins da Terra para fundar
missões, tudo isso, porém, pode até parecer que está dando frutos; mas lembrem-se, o
que a Palavra diz: "Toda planta que o meu Pai celestial não plantou, será arrancada",
Mt 15.13. Deus é o único originador legítimo do Universo, Gn 1.1. Qualquer coisa
elaborada por nós tem a sua origem na carne e nunca alcançará a esfera do Espírito,
independente de quão fervorosamente estamos buscando as bênçãos de Deus sobre ela.
As vezes, pensamos que fazendo um ajustamentos aqui e outro ali, talvez possamos
colocar essa iniciativa num plano melhor, mas não é verdade. Porque, a origem de uma
coisa determina o seu destino, e o que originalmente iniciou na carne, nunca se tornará
espiritual, por mais que se procure aperfeiçoá-lo. Aquilo que é nascido da carne é carne,
e nunca será doutra forma. Qualquer coisa que contribui para a nossa auto-suficiência e
71
auto-realização não é nada na estimativa de Deus, e temos que aceitar este fato e
registrar que o seu valor realmente não é nada. "A carne para nada aproveita", apenas o
que vem de cima permanecerá.
Este não é um assunto que se aprende através da sua simples apresentação, só Deus
pode nos fazer entender do que se trata, mostrando que o caminho que escolhemos não
está de acordo com seu plano. Nos falta dicernimento para separar o que tem sua origem
na velha criação, do que provém do Espirito. Chegará, porém, o dia em que Deus irá
abrir os nossos olhos, e a sua vontade será revelada, então poderemos discernir entre o
que é puro e o que é impuro. A palavra pureza é uma palavra abençoada, e pode ser
sempre associada com a presença do Espírito Santo. Pureza significa alguma coisa
inteiramente do Espírito, e impureza significa mistura. Quando Deus abrir nossos olhos
seremos capaz de perceber que a vida natural é algo que Ele nunca usará na sua obra.
A luz de Deus e o conhecimento
Precisamos urgentemente de Luz, a fim de conhecer a mente do Senhor para
compreender a diferença entre Espírito e a alma, o espiritual e o carnal, o divino e o
humano, o celestial e o terreno. Está é unica maneira de realmente sermos guiados por
Deus. A luz é uma dadiva que todo cristão precisa. Nas minhas conversas com jovens
irmãos, há uma pergunta que sempre surge: "Como posso saber se estou andando no
Espírito? Como vou distinguir quais impulsos dentro de mim são do Espírito Santo e
quais os que provêm de mim mesmo? Parece que todos são unânimes nisso, embora
alguns vão mais além, procuram olhar para dentro de si, a fim de diferenciar e analisar;
assim colocam-se a si mesmos numa escravidão mais profunda. Ora, esta é uma
situação que realmente é perigosa na vida cristã, porque o conhecimento interior nunca
será alcançado por meio dessa vereda árida do autoexame.
A Palavra de Deus não diz para examinarmos a nossa condição interior; esse
caminho conduz apenas à incerteza, vacilação e desespero. É certo que devemos ter o
conhecimento de que se passa em nosso íntimo. Não queremos ter a falsa alegria
daqueles que não sabem qual a verdadeira situação que se encontram, pois podem estar
no caminho errado, sendo incapazes de reconhecer o erro. O verdadeiro conhecimento
próprio não resulta da análise dos nossos sentimentos, motivos ou pensamentos
processados na mente. Não é desta maneira que identificamos se estamos andando na
carne ou no Espírito.
Há várias passagens nos Salmos que iluminam este assunto: "Na tua luz, veremos a
luz" Sl 36.9. Ora, estas duas luzes são diferentes. Podemos dizer que a primeira é
objetiva e a segunda subjetiva. ”Na tua luz” é a luz que pertence a Deus, e precisa ser
derramada sobre nós e ”veremos a luz” que nos dará entendimento a respeito de algo.
Nunca chegaremos à posição de discernir claramente por meio do exame auto-
introspectivo, porque só veremos a luz se a luz de Deus descer sobre nós.
Se quisermos verificar se o nosso rosto está limpo, o que fazemos? Apalpamos o
rosto com as mãos? É evidente que não, procuramos um espelho e nos aproximamos da
luz. Na luz, tudo se torna visivel. Nada vemos por meio da auto-análise. Somente a
manifestação da luz de Deus torna possível verificar a real situação do nosso interior.
72
Uma vez que brilha a luz de Deus, não há mais necessidade de perguntar se determinada
coisa está certa ou errada, porque já o sabemos.
No Sl 139.23 "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração". Certamente não sou
eu que sondo a mim mesmo. Quem me sonda é Deus; este é o meio de iluminação. É
Deus que se manifesta e me sonda; não cabe a mim sondar-me. Evidentemente, isso não
significa que vou prosseguir descuidadamente a respeito da minha verdadeira condição.
Não é essa a idéia. Por mais que o meu autoexame possa revelar o que está errado e
deve ser corrigido, nunca poderá ir além da superfície, porque o verdadeiro
conhecimento de mim mesmo não resulta do autoexame, mas do exame que Deus faz
em mim.
O que significa, na prática, estar na luz? Como é que isto opera? Como é que temos
luz, na luz que provém de Deus? No Sl 119.30, "A revelação das tuas palavras
esclarece (dá luz); dá entendimento aos simples" Nas coisas espirituais, todos somos
simples. Dependemos de Deus, para receber, de forma muito especial, entendimento a
respeito da nossa verdadeira natureza. É neste sentido que opera a Palavra de Deus.
"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de
dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta
para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja
manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes
aos olhos daquele a quem temos que prestar contas", Hb 4.12,13. Sim, é a Palavra de
Deus, a penetrante Verdade, que resolve as nossas perguntas. É ela que discerne os
nossos motivos e revela se a origem provem da alma ou do Espírito.
Com isto, podemos partir para o aspecto prático das coisas e perguntar: Será que
vivemos honestamente diante de Deus? Será que temos feito progresso espiritual? Será
que conhecemos realmente o nosso interior? Então, um dia, nà medida em que crecemos
na Palavra de Deus, vamos nos deparar com a luz da verdade: "A revelação das tuas
palavras esclarece". Deus pode usar um de seus servos ou nós mesmos atravéz da
leitura da Bíblia para abrir o nosso entendimento com poder para que possamos ver
aquilo que nunca visualizamos antes. Agora estamos convictos. Sabemos onde estamos
errando, olhamos para cima e confessamos: Senhor, agora vejo! Há impurezas neste
assunto! Há uma mistura, como eu estava cego! E pensar que durante tantos anos
estive errado, sem ter consciência! A luz se manifesta, e nós passamos a ver de maneira
diferente. A luz de Deus nos leva a ter luz a respeito de nós mesmos. Este será um
princípio permanente e todo conhecimento a respeito de nós mesmos sobrevém desta
forma.
Temos conhecido pessoas que levam uma vida santa, e conhecem de perto o
Senhor, por orar e conversar com ele. Por causa desta intimidade com a luz de Deus,
deles também irradia uma luz, que esclarece coisas que nunca percebemos antes.
Encontrei-me com uma destas pessoas, que agora está com o Senhor, e sempre penso
nela como sendo uma cristã fervorosa. Mal entrava em sua casa, ficava consciente da
presença de Deus. Naqueles dias, eu era muito jovem, convertera-me havia dois anos, e
tinha uma série de planos, pensamentos, esquemas e projetos para o Senhor sancionar.
Procurava persuadi-la a fazer o mesmo.
73
Antes que pudesse abrir a boca, ela dizia apenas algumas palavras de modo
absolutamente normal. A luz irradiava! Sentia-me simplesmente envergonhado. O meu
fazer era tão natural, tão cheio de auto realização! Alguma coisa acontecia. Era levado a
uma posição em que podia dizer: "Senhor, a minha mente apenas se prende a atividades
humanas, mas eis aqui alguém que não está de forma alguma envolvida nelas". Ela
apenas tinha um motivo, um desejo, e esse era Deus. Escrita na capa da sua Bíblia
estavam estas palavras: Senhor, não quero nada para mim. Sim, ela vivia apenas para
Deus, e onde quer que encontremos um caso semelhante, percebemos a presença desta
luz. Isto, realmente, é testemunhar.
A luz tem uma lei: só brilha onde for desejada. Esta é a única condição. Nós temos
a possibilidade de excluí-la de nós mesmos. Ela nada mais teme senão a exclusão da
nossa parte. Se nos mantivermos abertos para Deus, ele nos revelará o nosso íntimo. O
problema surge quando mantemos áreas fechadas e lugares obstruidos e trancados em
nossos corações, isso acontece, quando orgulhosamente nos achamos donos da razão. A
nossa derrota não consiste no fato de estar errado, mas em desconhecer o nosso erro.
Podemos errar por ignorância, mas permanecer no erro é questão de falta de luz.
Facilmente vemos a força natural sendo usada por outras pessoas, mas elas não tem
entendimento disto. É necessário sinceridade e humildade para abrir o coração diante de
Deus! Se procedermos desta maneira poderemos ver que Deus é luz, e não podemos
viver na sua luz e continuar sem entendimento. "Envia a tua luz e a tua verdade, para
que me guiem",Sl 43.3.
Damos graças a Deus, porque hoje a atenção dos crentes é chamada para a
realidade do pecado mais do que antes. Em muitos lugares, os seus olhos foram abertos
para ver a vitória sobre os pecados, como experiência nescessaria e de grande
importância na vida cristã, por isso, muitos estão andando mais perto de Deus. Está
renovação de vida, e a procura da verdadeira santidade não é suficiente. Há ainda uma
coisa que deve ser tocada: a própria vida do homem, e não meramente os seus pecados.
A questão do poder da alma é onde está coração do problema. Se considerarmos que os
pecados constituem a totalidade do problema, equivale a ficar ainda na superfície.
Procurar a santidade, apenas levando em conta os pecados é uma experiência exterior e
superficial e não atingi a raiz do problema.
Adão deixou o pecado entrar no mundo quando escolheu desenvolver o seu próprio
eu, a sua alma, separado de Deus. Quando Deus conseguir que a raça humana seja um
instrumento capaz de realizar o seu propósitos no Universo, e viver em total
dependência dele, então, Ele será a Árvore da Vida, eternamente para eles.
Sabemos, que não devemos examinar o nosso íntimo, para discernir se algo provém
da alma ou do Espírito. Esta atitude não terá qualquer resultado prático, pois é
escuridão. A Bíblia mostra como os santos chegaram ao conhecimento de si mesmos.
Foi sempre pela luz de Deus, está luz que é o próprio Deus. Isaías, Ezequiel, Daniel,
Pedro, Paulo, João: todos chegaram a possuir o verdadeiro conhecimento de si mesmos,
porque a luz do Senhor brilhou sobre eles, trazendo-lhes revelação e convicção, Is 6.5;
Ez 1.28; Dn 10.8; Lc 22.61,62; At 9.3-5 e Ap 1.17.
Jamais conheceremos como é hediondo o pecado e a nossa pecaminosidade, sem
que haja uma manifestação da luz de Deus sobre nós. Não falo de uma sensação, e sim,
74
de uma revelação que o Senhor faz no nosso íntimo, através da Sua Palavra. Isto fará
por nós, o que a doutrina por si só, nunca poderá fazer.
Cristo é a nossa luz, a Palavra viva que nos traz revelação, quando lemos: "A vida
era a luz dos homens", Jo 1.4. Tal iluminação, nos sobrevem apenas gradualmente, mas
será cada vez mais clara e nos sondará mais e mais até que nos vejamos na luz de Deus,
que dissipará toda a nossa confiança própria. A luz é a coisa mais pura do mundo.
Purifica, esteriliza e mata tudo o que não deve estar presente, transformando em
realidade a doutrina da "divisão da alma e espirito". Conheceremos com temor e tremor
na medida em que enxergarmos a corrupção da natureza humana, a sordidez da nossa
personalidade e a ameaça que representa para a obra de Deus a energia e a vida
insubordinada da alma. É necessária uma ação drástica de Deus, se realmente quisermos
ser usados por Ele; pois sem Ele, somos servos inúteis. Somente a compreensão
completa da Cruz pode nos levar a ter a mesma dependência, que o Senhor Jesus
voluntariamente assumiu, quando disse: "Eu nada posso fazer por mim mesmo; na
forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo porque não procuro a minha própria
vontade, e, sim, a daquele que me enviou", Jo 5.30.
75
XII
LEVAR A CRUZ
Deus estabeleceu princípios específicos que governam o serviço que fazemos para
ele, dos quais não podemos nos desviar se quisermos servi-lo. A base da nossa salvação,
como bem sabemos, se tornou real por causa da morte e ressurreição do Senhor Jesus, e
a base do nosso serviço cristão, também é fundamentado no mesmo princípio de morte e
ressurreição.
A base de todo ministério verdadeiro
Ninguém pode ser um verdadeiro servo de Deus sem conhecer o princípio da morte
e da ressurreição. O próprio Jesus serviu nessa base. Mateus 3, mostra que antes do seu
ministério começar, o nosso Senhor foi batizado, isto aconteceu, não porque tivesse
qualquer pecado ou precisasse de purificação. Não, o batismo é uma evidencia de sua
morte e ressurreição. O ministério do Senhor não começou, até que ele se encontrasse
neste plano. Depois de ter sido batizado, voluntariamente assumiu a posição de morte e
ressurreição, o Espírito Santo veio sobre ele. Somente após está experiência iniciou o
seu ministério.
O que nos ensina este batismo? Nosso Senhor foi um homem sem pecado. Todavia,
como homem, ele tinha uma personalidade separada do Pai. Quando Jesus disse: "Não
busco a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou", não queria
negar que possuísse vontade própria; como filho do homem á possuia, mas não a
exerceu, porque veio para fazer a vontade do Pai. Aquilo que nele é distinto do Pai é a
alma humana, que recebeu quando foi gerado em carne e sangue. Sendo homem
perfeito, nosso Senhor tinha uma alma e um corpo como você e eu, e poderia agir
mediante os recursos da alma, isto é, agir para satisfazer a si mesmo.
Recordemos, que imediatamente após o batismo, e antes do começar o seu
ministério público, Satanás veio tentá-lo. Tentou-o a satisfazer os seus desejos naturais
e essenciais, pedindo: que convertesse as pedras em pão ou que alcançasse respeito pelo
seu ministério aparecendo miraculosamente no pátio do Templo ou que assumisse o
domínio mundial que lhe estava destinado. Nos sentimos inclinados a perguntar, quais
as razões levaram a Satanas tentar o Senhor a fazer coisas tão estranhas? Pensamos, que
podia tentá-lo a pecar de forma mais eficaz. No entanto não o fez. Satanás apenas disse
ao Senhor: "Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pão".
Colocou em duvida a divindade de Cristo. "Se Tu és o Filho de Deus”, deves fazer
alguma coisa para provar.
A intenção sutil de Satanás era levar o Senhor a agir por si mesmo, isto é, com base
na alma, porém o Senhor Jesus repudiou totalmente tal ação. No caso da queda, no
Éden, Adão agiu por si mesmo, separado de Deus; daí resultou toda a tragédia. Numa
situação semelhante, o Filho do Homem toma uma atitude bem diferente. Mais tarde,
Jesus define a sua obedoencia ao Pai como o princípio fundamental da sua vida: “O
76
Filho nada pode fazer de si mesmo, senão aquilo que vir fazer o Pai”, Jo 5.19. A total
negação da vida da alma governou todo o seu ministério.
Podemos dizer com toda a segurança que toda a obra que o Senhor Jesus fez na
Terra, antes da sua morte na Cruz, foi na base do princípio de morte e ressurreição,
embora, o sofrimento do Calvário ainda se situasse no futuro. Tudo o que Ele fez foi
neste plano. Mas, se o Filho do homem teve que passar pela morte e ressurreição a fim
de realizar a sua obra, poderia ser diferente conosco? Nenhum servo do Senhor pode
servi-lo, sem que este princípio seja uma experiencia real em sua própria vida.
O Senhor esclareceu isto muito bem aos seus discípulos, quando os deixou após sua
ressureição, ao dizer-lhes que esperassem em Jerusalém a vinda do poder do Espírito
sobre eles. O que é este poder do Espírito Santo, este poder do alto, que Ele falou? É
nada menos do que a virtude da sua morte, ressurreição e glorificação. O Espírito Santo,
falando figuradamente, é o Vaso onde todos os valores da morte, ressurreição e
glorificação do Senhor são depositados, para serem ministrados a nós. É o único que
contém estes valores, e os administra a quem ele desejar. Esta é a razão por que o
Espírito não pode descer, antes do Senhor ser glorificado. Somente, depois que Cristo
foi glorificado o Espírito Santo pode repousar sobre os homens, para que estes
testemunhassem a gloria do Filho de Deus.
Se voltarmos ao Antigo Testamento, acharemos ali a mesma verdade. Refiro-me a
uma passagem familiar em Números 17. Contestaram a validade do ministério de Arão
e levaram a questão a Deus para saber quem era verdadeiramente o escolhido. Assim,
Deus precisou provar quem era o seu servo. Como, isto foi feito? Doze varas mortas,
uma para cada lider de tribo, forão colocadas perante o Senhor no santuário, diante do
testemunho, e ficam ali durante uma noite. Na manhã seguinte, o Senhor indicou o seu
servo escolhido por meio da vara que se cobriu de renovos, floresceu e frutificou.
Todos conhecem o significado desta transformção. A vara morta que floresceu fala
da ressurreição. O ministério Deus é reconhecido atravéz da morte e ressurreição. Sem
isso, nada temos. O florescimento da vara de Arão, da tribo de Levi, provou que ele
baseava seu serviço no princípio certo, pois Deus somente reconhece como ministros
seus, os que passaram da morte para o nivel da ressurreição.
Já vimos que a morte do Senhor opera de várias maneiras diferentes. Sabemos que
a sua morte foi uma consequencia dos nossos pecados. Todos sabem que o nosso perdão
se baseia no Sangue derramado, e que, sem derramamento de Sangue não há remissão.
Depois, em Romanos 6, vimos como a cruz opera para nos libertar do poder do pecado.
Aprendemos que o nosso velho homem foi crucificado, juntamente com Cristo, para
que, daqui em diante não sirvamos mais ao pecado. Por isso, damos Graça e louvamos a
Jesus, por nos libertar do poder do pecado. Vimos a necessidade da consagração,
percebemos que neste assunto, também a morte opera, levando-nos a abdicar da nossa
vontade própria, e assim, abrimos a porta da nossa vida para que o Senhor exerça a sua
vontade em nós. É justamente está morte que constitui o ponto de partida para o nosso
ministério, onde crucificamos a vontade da alma.
Em seguida, em Romanos 7, focalizamos a questão da santidade. Uma nova fase se
apresenta, uma vida santificada, onde procuramos agradar a Deus em justiça e verdade.
Neste caminho nos encontramos sob a Lei, e a Lei nos confunde. Por querer agradar a
77
Deus mediante o próprio poder carnal, verifico que não posso, e preciso passar também
pela Cruz de Cristo, para que ele, o meu substitudo, viva em mim o seu viver santo.
"Não posso satisfazer a Deus mediante o emprego dos meus próprios poderes; apenas
posso confiar no Espírito Santo para fazê-lo em mim". Creio que para muitos foi
necessário passar por águas profundas para aprender que a morte, ressureição e
glorificação opera de maneira eficaz dentro de nós.
Notamos que há uma grande diferença entre a santidade de vida, e a operação das
energias naturais da vida da alma, quando se trata do serviço ao Senhor. Ainda falta o
conhecer como a Cruz opera em nós, antes de sermos realmente úteis no seu serviço.
Mesmo com todas as experiências anteriores, ainda não estamos em condições de ser
usados pelo Denhor, até passarmos por esta nova experiência. Quantos dos servos de
Deus são usados por ele, como dizemos na China, para edificar quatro metros de parede
e após terem feito o serviço, descobrem por si mesmos que devem derrubar cinco
metros! Somos usados de certa maneira, mas ao mesmo tempo destruímos a nossa
própria obra, e às vezes, também a dos outros. Isso acontece, porque, ainda existe em
nós alguma coisa que não foi transformada pela Cruz. Vejamos como o Senhor trata da
alma.
A operação subjetiva da Cruz
A alma é o centro das afeições e grande parte das nossas decisões e ações são
influenciadas por ela. Assim sendo, o Senhor nos diz: “quem não toma a sua cruz, e
vem após mim, não é digno de mim. "Quem acha a sua “vida” (no original Grego,
“alma”), perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida (alma) por minha causa, achá-la-á",
Mt 10.38,39. Seguir o Senhor no caminho da Cruz é o seu plano e este é o único
caminho, não existe outro.
O perigo oculto está na obra sutil de nossas afeições que nos desviam do caminho
de Deus e a chave desta questão está na alma. A Cruz tem que tratar disso. O Senhor
nos mostra claramente que há uma só maneira de encarar a alma e tratar deste problema:
consiste em levarmos a alma a Cruz, só então estaremos capacitados para seguir a sua
vontade. Eu tenho que perder a minha alma, no sentido de não fazer o que gosto, mas o
que Deus reservou para mim. Não satisfazer mais os próprios desejos, nem ceder aos
deleites do mundo, isto é "perder a alma”.
A vida natural do homem, ou seja, a vida da alma, que aqui estamos considerando,
é algo que vai além da morte do velho homem ou de crucificar a carne, que já
estudamos anteriormente. Em Gálatas, vimos o aspecto crucificante da Cruz, como algo
realizado e cumprido; e em Rm 6.6, declara que "foi crucificado com ele o nosso velho
homem". Isto é algo que está completamente feito. Apreendemos por revelação divina a
nos apropriar desta verdade pela fé.
Há, porém, um novo aspecto da Cruz, que está implícito nessa expressão "tomar a
sua cruz ". Quando Cristo esteve na cruz, ele nos levou juntamente com ele, mas, agora
ele nos pede para cada um levar a sua própria cruz. Esta ação de levar a cruz é algo que
deve ser feito no nosso íntimo. Isto é o que chamamos de "operação subjetiva da Cruz".
Além, disso, é um processo diário de seguir seus passos. Não se trata aqui de crucificar
a própria alma, mas de crucificar os nossos dons e faculdades naturais. Ou seja, nossa
78
personalidade e a nossa individualidade têm que ser inteiramente deixadas de lado. A
alma ainda está presente com os seus talentos e vontade própria, mas a Cruz é chamada
a exercer a sua ação sobre ela, com o fim de levar à morte estes talentos. É neste sentido
que Paulo, escreveu aos Filipenses: "Para o conhecer e o poder da sua ressurreição e a
comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte", Fp 3.10. A
marca da morte está continuamente sobre a alma, para trazê-la à uma atitude de
subordinação ao Espírito e nunca se afirmar independente. Somente a Cruz, operando
desta maneira, tem o poder de fazer um homem com a cultura de Paulo, chegar ao ponto
de perder totalmente a sua bagagem farisaica natural até chegar a plena libertação, e
escrever: "Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.
E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a
minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em
demonstração do Espírito e de poder", ICo 2.24.
Em Cesaréia de Filipos, Jesus disse a seus discípulos que ele morreria nas mãos dos
anciãos dos judeus, então Pedro, com todo o seu amor pelo seu Mestre, insurgiu-se e
censurou-o, dizendo-lhe: Senhor não faças isso; tem pena de ti: isso nunca te
acontecerá! Levado pelo seu amor pelo Mestre, apelou para que ele poupasse a sua
vida, porém o Senhor o repreendeu, como se estivesse repreendendo a Satanás, por
cogitar das coisas dos homens e não das coisas de Deus, Mc 8.31-33. Jesus falou outra
vez mais a todos que desejam segui-lo: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se
negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida (alma), perdê-
la-á; e quem perder a vida (alma) por causa de mim e do evangelho, salvá-la-á", Mc
8.34,35.
A alma sempre manifestará o desejo de auto-preservação, por isso Pedro, que ainda
não havia crucificado sua alma interferiu, na escolha de Jesus de ir a Cruz. "Ir à Cruz,
ser crucificado, isso é realmente demais! Tem misericórdia de ti mesmo; tem pena de ti!
Queres dizer que vais contra ti mesmo a fim de agradar a Deus?" Poucos são os que
entendem que para prosseguir com Deus é preciso ir contra a voz da alma e deixar a
Cruz intervir para silenciar o apelo por auto-preservação.
Será que temos receio de saber qual é a vontade de Deus para nós? Aquela santa
irmã que mencionei, que tanta influência teve na minha vida, perguntou-me, certa vez:
Gosta da vontade de Deus? É uma pergunta tremenda, que nos leva a olhar para dentro
do nosso intimo. Recordo-me de que, certa vez, ela tinha uma controvérsia com o Deus
a respeito de determinado assunto. Sabia o que o Senhor desejava, mas o seu coração
não compartilhava este desejo. Foi uma decisão difícil. Ouvi quando orava: "Senhor,
confesso que não gosto do caminho que escolheste para mim, mas por favor não cedas a
minha vontade. Espera apenas um pouco Senhor, e me submeterei inteiramente a ti".
Ela não queria que o Senhor cedesse a vontade dela, removendo o que era exigido. Ela
nada desejava para si, senão agradar-lo.
Muitas vezes, a vontade de Deus nos leva ao ponto de renunciar coisas que
pensamos ser boas e preciosas. A preocupação de Pedro era pelo bem do seu Senhor, e
as palavras que proferiu sairam do seu intimo. Podemos dizer que Pedro tinha um amor
maravilhoso por ele, suficiente para lhe dar a ousadia de repreendê-lo. Somente um
forte amor poderia levar alguém a fazer o que ele fez! Sim, mas se houvesse uma pureza
79
de espírito, sem a mistura da alma, ele não seria levado a cometer este tipo de erro. Se
priorizamos a vontade de Deus com alegria no coração, não será necessário derramar
uma lágrima sequer de simpatia pela carne. Sim, a Cruz faz um corte profundo, e aqui
percebemos mais uma vez, quão severamente ela tem que tratar com a alma.
Uma vez mais o Senhor Jesus trata do assunto da alma, desta vez com relação a sua
volta gloriosa. “Assim como foi nos dias de Noé, será tambem nos dias do Filho do
homem: comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé
entrou na arca, e veio o diluvio e destruiu a todos. O mesmo aconteceu nos dias de Ló;
comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló
saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destrui a todos. Assim será no dia em
que o Filho do homem se manifestar. Naquele dia, quem estiver no eirado e tiver seus
bens em casa não desça para tira-los; e de iqual modo quem estiver no campo não volte
para tráz. Lembrai-vos da mulher de Ló. Quem quiser preservar sua vida (alma) perde-
la-á; e quem a perder de fato a salvará”, Lc 17.26-33.
As palavras do Senhor, nos levam a pensar profundamente, sobre a ênfase no fato,
de um ser tomado e outro deixado. Trata-se aqui, da nossa reação à chamada do Senhor,
fazendo um apelo urgente no sentido de estarmos prontos hoje. Há, seguramente uma
razão, que explica isto. Evidentemente que aquela chamada não vai produzir em nós
uma mudança miraculosa no último minuto, independente de toda a nossa relação
prévia com o Senhor. Não, naquele momento, descobriremos o verdadeiro tesouro do
nosso coração. Se realmente for o Senhor Jesus, então, não haverá um olhar para trás,
porque um relance para trás decide tudo. É tão fácil, nos apegar mais aos dons de Deus,
do que ao próprio Doador dos dons ou estar mais ligado ao trabalho de Deus do que ao
próprio Deus.
É uma questão de vivermos pela alma ou pelo Espírito. Está passagem, descreve a
vida da alma com o seu comprometimento com as coisas do mundo; notem que não se
trata de coisas pecaminosas. O Senhor apenas mencionou casar, semear, comer, vender,
todas são atividades perfeitamente legítimas, onde não vemos a presença do pecado.
Mas é a ocupação com estas coisas do mundo, ao ponto de prender o nosso coração, que
é suficiente para nos manter aqui em baixo. O caminho que nos leva a saída deste
engano é deixar a alma passar pela Cruz.
Encontramos uma passagem biblíca que ilustração muito bem uma alma que já
passou pela Cruz, isto aconteceu, quando Pedro reconheceu o Senhor Jesus ressurreto
nas margens do lago. Embora, ele e os outros apostolos tivessem retornado a antiga
profissão de pescador, porém ao ver o Mestre não pensou mais no barco, nem sequer
nas redes cheias de peixes, tão miraculosamente pescados. Quando ouviu o grito de
reconhecimento de João: "É o Senhor", ele "lançou-se ao mar". Está é uma demostração
do verdadeiro desapego das coisas.
A questão principal é onde está o nosso coração? A Cruz tem que operar em nós um
verdadeiro desapego de tudo e de todos, quando se trata do Senhor. Está situação, ainda
trata dos aspectos exteriores da atividade da alma. A alma dando largas às suas afeições,
a alma impondo-se tentando manipular as pessoas e as coisas, a alma que se preocupa
com os prazeres do mundo. Todas estas coisas mostram que há algo ainda mais
profundo a ser feito: como podemos nos libertar do poder da alma?
80
A Cruz e a vida frutífera
A parábola do grão de trigo simboliza a morte do Senhor Jesus, onde a frutificação
depende de sua morte. Há um grão de trigo com vida em si mesmo, mas se não morrer,
ele fica só. Ele tem o poder de comunicar vida a outros, mas para fazê-lo, tem que
descer às profundezas da morte. "Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo,
caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto. Quem ama
a sua vida (alma) perdê-la-á; mas aquele que odeia a sua vida (alma) neste mundo,
preservá-la-á para a vida eterna", Jo 12.24,25.
Sabemos o caminho que o Senhor Jesus tomou. Ele passou pela morte e a sua vida
emergiu em muitas vidas. O Filho único morreu e retornou como o primeiro de "muitos
filhos". Ele deu a sua vida para que pudéssemos recebê-la. É neste aspecto da sua
morte que somos chamados a morrer. Ele torna claro o valor da nossa equivalencia com
a sua morte, ou seja, é necessario perder a nossa vida natural. Perder o poder da alma
para transmitir vida e partilhar com os outros a vida de Deus que recebemos. Este é o
segredo do ministério de Jesus, o caminho da verdadeira frutificação. "Porque nós, que
vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida
de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que em nós opera a morte; mas
em vós, a vida", IICo 4.11,12.
Se aceitamos a Cristo, temos uma nova vida em nós. Todos tem este precioso
tesouro no vaso de barro que somos nós. Graças a Deus pela realidade da sua vida em
nós! Então, porquê essa vida não se torna mais expressiva? Porquê esta vida não está
manando abundantemente e comunicando vida aos outros? Porquê se manifesta tão
pouco? Isto acontece, porque “a nossa alma envolve e limita a vida de Cristo que
habita em nós”, a casca envolve o grão de trigo, de modo que o grão não consegue
achar saída. Estamos vivendo, trabalhando e servindo pela alma, com nossa própria
força natural, ao invés de derivar de Deus os nossos recursos. É a alma que impede a
vida de Deus fluir. Quando falamos em perder a alma, é no sentido de abandonar os
nossos desejos, porque este é o caminho que leva a plenitude.
De uma noite escura, para um amanhecer de ressurreição
Voltemos a nossa mente para à vara seca de amendoeira que foi levada para o
Santuário por uma noite, uma noite escura em que nada havia que se visse, e que ao
amanhecer havia florescido. Ali temos a manifestação da morte e ressurreição, da vida
rendida e da vida recebida, que indicam um ministério aprovado por Deus. Mas, como
isto opera na prática? Como é que reconheço que Deus está agindo desta maneira
comigo?
A alma com o seus recursos e energias naturais, continuará ativa até a morte. Até
então, haverá a necessidade de uma operação interminável e diária da Cruz em nós,
dragando profundamente aquela fonte natural que sempre está manando. Está é a
condição de serviço, válida para toda a vida, que se expressa na palavra. "A si mesmo se
negue, tome a sua cruz e siga-me", Mc 8.34. Nunca poderá dispor da ressureição de
Cristo aquele que se recusa a tomar a cruz, pois "não é digno de mim", Mt 10.38 e "não
pode ser meu discípulo", Lc 14.27. A morte e a ressurreição permanecem como um
81
princípio de vida, manifestado pela presença do Espírito Santo, que resultará na perda
do poder da alma em nosso viver diário.
Todavia, pode haver aqui um obstaculo, que uma vez ultrapassado, poderá
transformar toda a nossa vida e nosso serviço a Deus. Se refere a uma porta estreita que
temos de passar, para entrar num caminho inteiramente novo. Um problema desta
natureza, ocorreu na vida de Jacó, em Peniel. Ele procurava servir a Deus e agiu usando
os seus recursos naturais para alcançar os propósitos divinos. Ele bem sabia, o que Deus
dissera: "O mais velho servirá o menor", mas ele procurava alcançar este objetivo por
meio da sua própria sutileza e dos seus recursos. Deus teve que invalidar aquela força
natural de Jacó atingindo o nervo da sua coxa; daí em diante, Jacó continuou a andar,
mas permaneceu coxo. Era um Jacó diferente, como se infere na mudança do seu nome
para Israel. A sua força natural fora tocada pela preença de Deus.
Deus tem que nos levar a tal ponto que não ousemos confiar em nós mesmos, e isso
será feito, de uma maneira ou de outra, o nosso poder natural tem que ser ferindo por
meio de uma experiência profunda e amarga. Deus tem que tratar asperamente com
alguns de nós, levando-nos por caminhos difíceis e dolorosos, a fim de nos levar a
confiar somente nele. Até chegarmos ao ponto, de não nos atrevermos a fazer o trabalho
cristão ou qualquer coisa sem a sua presença. Somente, quando chegarmos ao ponto de
nos considerarmos imcapazes de efetuar a sua obra por nós mesmos, é que Ele
começará a nos usar.
Posso mencionar, que após um ano de convertido, tinha um desejo veemente de
pregar. Era-me impossível ficar em silêncio. Era como se houvesse qualquer coisa
movendo-se dentro de mim, impelindo-me para a frente. A pregação tornara-se a minha
própria vida. O Senhor pode graciosamente permitir-nos andar algum tempo nestas
condições e não somente isso, mas com uma certa medida de bênção. Mas um dia essa
força natural que nos impelia será tocada e a partir dai, já não podemos continuar,
porque fomos tocados no espirito, vemos e julgamos no espirito.
Antes dessa experiência, pregávamos por causa da satisfação que obtínhamos em
servir a Deus dessa maneira; contudo, o Senhor não podia nos mover, porque vivíamos
pela vida natural, que é escrava do nosso temperamento e não da vontade de Deus.
Nesta condição, não somos maleáveis. Precisamos enfraquecer as nossas preferencias,
até chegarmos ao ponto fazer as coisas porque o Senhor assim deseja, e não porque
gostamos! Fazemos porque é da vontade de Deus, e não para nos alegrar. A verdadeira
alegria só pode ser vivenciada, quando fazemos a sua vontade, porque ela tem raízes
mais profundas do que as nossas voluveis emoções.
Deus quer nos levar ao ponto de dicernirmos instantaneamente a expressão dos seus
mínimos desejos. Este é o espírito do Servo, “agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus
meu; dentro do meu coração, está a tua lei, Sl 40.8”. Mas, um espírito desta natureza só
se manifesta, quando a nossa alma, a sede da vontade, das energias naturais e das afei-
ções conhecer o toque da Cruz. Todavia, o que alegra o Senhor é encontrar o espírito de
servo em nós. O caminho a ser percorrido, muitas vezes, passa por um processo longo e
doloroso. Deus tem os seus caminhos e nós devemos respeitá-los.
Todo o verdadeiro servo de Deus sabe que a sua capacidade natural não existe
mais, e agora, se encontra incapacitado de agir por conta própria, nem poderá voltar a
82
ser exatamente o mesmo era antes. A experiência de perder a capacidade natural
humana, deve ser de tal forma, que doravante recearemos fazer alguma coisa por nós
mesmos. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos, e que a
herança e a glória nos pertence. “Se com ele padecemos", Rm 8.16,17, com ele também
viveremos.
Quando realmente chegamos a está nova condição, onde a Cruz opera em nós a
ponto de obstruir a nossa vida natural, então Deus irá nos libertar para uma vida no
poder da ressurreição. Descobriremos, que as coisas que perdemos estão voltando,
embora não como antes. Porque, agora, o princípio de vida está operando com poder:
nos fortalecendo, nos animando e nos dando vida, a sua vida. Daqui em diante, o que
perdemos será recuperado, mas agora sob a disciplina e o domínio do Senhor.
Se o nosso desejo é ser espirituais, não precisaremos amputar os pés e as mãos,
ainda podemos ter o nosso corpo. Da mesma maneira, podemos ter a nossa alma, com o
uso pleno das suas faculdades, todavia, a alma agora é serva. Já não vivemos sob o seu
dominio, apenas fazemos uso dela.
Quando o corpo é a nossa vida, vivemos como animais. Quando a alma se torna a
nossa vida, vivemos como rebeldes e fugitivos, nos conciderando dotados, cultos e
educados, porém separados da vida de Deus. Mas, quando a vontade de Deus é a nossa
vida, passamos a viver a vida no Espírito de Deus, embora, ainda usemos as faculdades
da alma, agora ela é serva do Espírito. Este é o ponto onde abrimos a porta para que
Deus nos use.
A dificuldade para muitos de nós, está naquela noite escura. O Senhor
graciosamente nos põe de lado uma vez na vida, durante o tempo que ele achar
necessário, nos deixando espiritualmente em densas trevas. Como se ele tivesse nos
abandonado; nada faz sentido, tudo que tocamos sai errado; entramos e saimos, mas
niguém nota a nossa presença. E depois, por fases, Ele torna a trazer as coisas de volta.
A tentação é sempre procurar ajudar a Deus, reavendo o controle das coisas, mas
lembremos, tem que ser uma noite inteira passada no abandono, uma noite de trevas.
Está experiência não pode ser apressada, o Senhor sabe quando estaremos prontos para
receber as suas dadivas.
Não podemos dizer quanto tempo levará, mas em princípio, penso que haverá um
período definido, em que Ele nos conservará longe do nosso poder da alma e
incapacitado para ser usado pelo seu Espirito. Há um vazio, como se nada estivesse
acontecendo; tudo aquilo que tinha valor, vai fugindo para longe do nosso alcance.
Parece que todas as outras pessoas estão sendo usadas e abençoadas, mas nós estamos
estacionados e sendo ultrapassados; não vemos crescimento, somos tomados por um
sentimento de derrota. A única coisa que sabemos fazer direito é ficar em silencio. Tudo
está em trevas, mas é apenas durante uma noite, mas tem que ser uma noite completa.
Depois, veremos a Luz do novo dia, onde tudo será restituído, numa gloriosa
ressurreição e nada poderá medir a diferença entre o que foi antes e o que será depois!
Estava um dia sentado para almoçar, com um jovem irmão, que o Senhor já havia
tocado em sua alma. Ele disse: "É muito bom saber que somos tocados pelo Senhor e
depois deste encontro nunca mais seremos o mesmo". Havia um prato de biscoitos entre
nós, na mesa, e peguei um e parti ao meio como se fosse comê-lo, depois, unindo os
83
dois pedaços com todo o cuidado, disse: "ainda parece o mesmo, mas está
estruturalmente mudado”. Uma vez que se quebre a nossa espinha dorsal, seremos
submetidos ao precioso toque de Deus para sempre".
O Senhor sabe o que está fazendo com aqueles que lhe pertencem, e não deixará de
providenciar, por meio da sua Cruz, o tratamento necessário, para que a sua glória se
manifeste. Paulo, confirmou está verdade do evangelho, quando disse: "Nós que
adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na
carne", Fp 3.3.
Poucos, podem dizer que tem uma vida mais ativa do que a de Paulo. Em Romanos
ele declara que pregou o Evangelho de Jerusalém até Ilírico, Rm 15.19 e que está pronto
para ir a Roma, Rm 1.10 e daí, se possível, à Espanha, Rm 15.24,28. Todavia, neste
serviço, que abrange todo o mundo do Mediterrâneo, o seu coração estavá fixo num
único objetivo, a gloria daquele que tornou tudo possível. "Tenho, pois, motivo de
gloriar-me em Cristo Jesus nas coisas concernentes a Deus. Porque não ousarei
discorrer sobre coisa alguma senão daquelas que Cristo fez por meu intermédio, para
conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras", Rm 15.17,18. Este é o
verdadeiro serviço espiritual. Que Deus possa fazer a obra de cada um de nós, tão
espiritual como foi a de Paulo.
Desperdício
”Estando ele em Betania, reclinado à mesa de Simão, o leproso, veio uma mulher
que trazia um vaso cheio de bálsamo de nardo puro, de grande preço; e, quebrando o
vaso, derramou-lhe sobre a cabeça o bálsamo”, Mc 14.3.
A mulher quebrou um vaso cheio de bálsamo, de alto valor, e derramou-o todo
sobre o Senhor. Para o raciocínio humano, isto era exagero, dar ao Senhor algo de tanto
valor. Foi por isso, que Judas e os outros discípulos reclamarão da ação de Maria.
"Indignaram-se alguns entre si, e diziam: Para que este desperdício de bálsamo?
Porque este perfume poderia ser vendido por mais de trezentos denários, e dar-se aos
pobres. E murmuravam contra ela", Mc 14.4,5. Pelo entendimento dos dicipulos, foi
considerado desperdicio a atitude de Maria, oferecer ao Senhor o que tinha de melhor.
Desperdício significa, entre outras coisas, dar mais que o necessário por alguma
coisa de menor importância. Aqui, porém, estamos tratando de algo, que o Senhor
queria que não fosse esquecido e deveria ser proclamado juntamente com o Seu
Evangelho. Que as pessoas ao se aproximem dele, desperdicem todo seu amor. Este é o
resultado que Ele procura alcançar em nós.
Podemos considerar dois aspectos diferentes, no que se refere em desperdiçarmos
nosso amor pelo Senhor: o de Judas, Jo 12.4-6 e o dos outros discípulos Mt 26.8,9.
Todos os doze acharam que era um desperdício.
Para Judas, que nunca conciderou a Jesus o Senhor da sua vida, evidentemente,
tudo quanto fosse derramado sobre ele representaria um desperdício. Não somente o
ungüento, como também a própria água teria sido um desperdício. Neste aspecto, Judas
representa o mundo. Na estimativa do mundo, o serviço a Deus significa um desperdício
completo. Porque o Senhor, nunca foi amado por eles, nem teve lugar em seus corações,
de modo que, qualquer coisa oferecida será considerada desperdício. Muitos dizem:
84
Fulano poderia ser de grande valor no mundo, se não fosse crente. Se um homem tem
algum talento natural, ou qualquer outra vantagem aos olhos do mundo, consideram um
desperdício usar esses talentos na pregasão do evangelho. Pensam que tais pessoas são
capacitadas demais para abraçar a causa do Senhor. Dizem: uma vida tão útil, sendo
desperdiçada desta maneira!
Vou apresentar um exemplo pessoal. Em 1929 regressava de Xangai à cidade onde
residia, Foochovv. Certo dia, caminhava ao longo da rua com uma bengala, muito fraco
e com a minha saúde abalada, e encontrei um dos velhos professores da escola. Ele me
levou a um salão de chá onde nos sentamos. Olhou para mim, da cabeça aos pés e dos
pés à cabeça, e depois disse: Olhe, enquanto você estava no colégio, tínhamos as
melhores esperanças para você, pensamos que você realizaria algo de grandioso. Não
esperavamos, que se torna-se isto, o que você veio a ser agora? Olhando para mim,
com os seus olhos penetrantes, fez esta afirmação. Devo confessar, que o meu desejo foi
o de me desfazer em lágrimas. A minha carreira e a minha saúde, tudo se fora, tudo se
perdera, e aqui estava o meu velho professor, de direito, me dizendo: Ainda se encontra
nestas condições, sem êxito, sem progresso, sem qualquer coisa que possa mostrar ao
mundo? Naquele momento, foi a primeira vez em toda a minha vida, que eu realmente
pude ver o que significa ter o Espírito da glória repousando sobre mim. Só de pensar,
que eu pude derramar a minha vida por amor do meu Senhor inundou a minha alma de
alegria. Pude olhar para cima e sem reservas dizer: Senhor, louvo o teu nome! Tu és o
que há de melhor na minha vida e tenho certeza que escolhi a carreira certa! Aos olhos
do meu professor, parecia um desperdício total dedicar a minha vida ao serviço de
Deus; mas é justamente isto que o Evangelho faz, nos leva a avaliar de maneira certa o
valor do Senhor.
Judas sentiu que era um desperdício. Poderíamos usar melhor o dinheiro, aplicar de
outra forma. Por que não usar o dinheiro para fazer algum trabalho social que irá alíviar
os necessitados ou auxiliar os pobres de alguma maneira prática? Por que derramar todo
este valor aos pés de Jesus? Está é a maneira que o mundo pensa. Você não pode fazer
alguma coisa melhor com a sua vida? Dar-se inteiramente ao Senhor é ir longe demais!
Sabemos que o Senhor é digno do nosso serviço, digno de sermos prisioneiros da sua
verdade, digno de vivermos somente para ele. O que o mundo diz a respeito não
importa, porque o mundo não o conhece.
Vamos ver qual foi a atitude dos outros discípulos, porque a reação deles nos afeta
muito mais do que a de Judas. Não nos importamos com a opinião do mundo, mas nos
importamos com o que outros cristãos dizem. Verificamos contudo, que os outros
discípulos disseram a mesma coisa que Judas, e além disto, ficaram perturbados e
indignados com o acontecido. "Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram:
Para que este desperdício? Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro, e
dar-se aos pobres", Mt 26.8,9.
A irmã da qual eu falei que foi usada pelo Senhor de forma muito real, me serviu de
ajuda durante aqueles anos em que a conheci. Embora eu não soubesse reconhecer quão
grande obreira do Senhor ela era, a minha preocupação era que ela não estava sendo
usada adequadamente. Pensava: "Por que é que ela não sai para fazer reuniões, não vai a
outros lugares onde seria de grande utilidade o seu ministério? E um desperdício de
85
tempo ela viver nesta pequena aldeia onde nada acontece". Às vezes, quando ia visitá-
la, insistia com ela, dizendo: "Ninguém conhece o Senhor como a irmã. A irmã conhece
a Bíblia de uma maneira absolutamente viva. Não vê as necessidades à sua volta? É um
desperdício ficar aqui e não fazer nada!"
O fazer não é o principal para o Senhor. É certo que Ele deseja que sejamos usados.
Deus me livre de pregar a inatividade ou de justificar uma atitude complacente perante
as necessidades do mundo. Como diz o próprio Jesus, "o Evangelho será pregado por
todo o mundo". A questão, é de que maneira “a nossa ou a dele”. Hoje, reconsidero as
minhas idéias do passado e entendo que o Senhor usou grandemente aquela irmã para
transformar alguns de nós, jovens na fé, que estávamos naquela altura necessitando de
aprendizagem para o trabalho do Evangelho. Não posso agradecer suficientemente a
Deus por ela ter existido em minha vida.
Ao aprovar a ação de Maria, em Betânia, o Senhor Jesus estava estabelecendo um
princípio, que serve de base a todo serviço: entregar tudo o que somos e que temos sem
reservas. Se realmente entregarmos tudo, então será suficiente. O mais importante não
são os pobres, nem os perdido, mas satisfazer a vontade do Senhor!
Há muitas reuniões, convenções e campanhas evangelísticas que poderíamos
ministrar a Palavra de Deus, mas o Senhor não está tão preocupado com a nossa
incessante ocupação. Não é este o seu objetivo principal. O Senhor prioriza o nosso
vaso de alabastro, a coisa mais preciosa e mais querida que temos a oferecer, que é uma
vida transformada pela sua Cruz. Isto devemos dar ao Senhor. Pode parecer para alguns,
que estamos entregando demais e desperdiçando as nossas qualidades naturais, mas é
isso o que Ele busca acima de tudo. Muitas vezes, o que lhe damos se expressa em um
serviço incansável, mas ele se reserva o direito de aceitar, ou não. A fim de nos revelar
o que está nos motivando, se é o serviço ou ele mesmo.
Ministrando para o seu beneplácito
”Onde for pregado em todo mundo o evangelho, será também contado o que ela
fez, para memória sua”, Mc 14.9 . O Evangelho não é apenas para satisfazer os
pecadores. Graças a Deus que os pecadores serão satisfeitos! O Evangelho é pregado,
em primeiro lugar para a Gloria do Senhor. Parece que ressaltamos demais o bem dos
pecadores, e não temos apreciado suficientemente o que o Senhor tem em vista como
objetivo. Os pecadores tem a sua parte. Deus satisfaz as suas necessidades e derrama
sobre eles a sua graça, mas o mais importante é que tudo deve ser realizado para
satisfazer o Filho de Deus. O ato de nos desperdisarmos no serviço divino é o princípio
do poder de Deus atuando em nós. A nossa verdadeira utilidade nas mãos de Deus é
medida em termos de quanto perdemos. Somente quando nos desperdiçarmos, dando
muito e recebendo pouco é que podemos agrada-lo.
Será que a sua entrega é suficiente para as bênçãos, mas não o bastante para a
tribulação? Será que a sua entrega é suficiente para o Senhor usá-lo, mas não o bastante
para que ele o deixe inativo. O Senhor espera ouvir-nos dizer: "Senhor não me importo
com os valores do mundo, se apenas eu puder agradar-lo, me basta".
86
Ungindo antecipadamente
“Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo. Porque os
pobres sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhe bem, mas a
mim nem sempre tendes. Ela fez o que pode: antecipou-se a ungir-me para a sepultura”
Mc 14.6.8. Fomos chamados para um trabalho maior, e não devemos mais permanecer
na inatividade. "Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te
colocarei: entra no gozo do teu senhor", Mt 25.21.
O unguento tem que ser derramado antecipadamente sobre o Senhor, porque se
dixarmos para mais tarde, poderemos perder está oportunidade. Creio que, quando
chegar a hora, iremos amá-lo como nunca o fizemos até agora, contudo, haverá maior
bênção para aqueles que já se derramaram o seu melhor sobre ele. Se esperarmos ele
voltar para derramarmos o nosso melhor, será tarde demais. Espero que todos sejam
quebrantados e derramem o seu melhor hoje.
Alguns dias depois de Maria ter quebrado o vaso de alabastro e ter derramado o
ungüento sobre a cabeça de Jesus, houve algumas mulheres que foram, de manhã cedo,
para ungir o Corpo do Senhor, mas elas não conseguiram realizar o seu propósito,
naquele primeiro dia da semana. Apenas uma alma conseguiu ungir o Senhor, e essa foi
Maria, que o ungiu antecipadamente. As outras nunca o fizeram, porque ele já havia
ressuscitado.
Se houver no mundo alguma obra de arte preciosa e para adquiri-la, seja necessário
pagar um preço muito elevado, ousaria alguém dizer que foi um desperdício? A idéia de
desperdício apenas entra em nossa cristandade, quando subestimamos o valor do nosso
Redentor. Qual o valor de Jesus para você, hoje? Se o valorizamos pouco, então,
qualquer coisa que dermos, se torna um desperdício. Mas, quando o concideramos a
preciosa jóia da nossa salvação, nada será suficiente para pagar o que ele fez.
A respeito de Maria, o Senhor disse: "Ela fez o que pode". O que significa isto?
Significa que ela dera o melhor que possuia. Derramou sobre ele o seu melhor e na
manhã da ressurreição, não tinha razão para lamentar a sua extravagância, porque foi a
primeira a ve-lo. O Senhor não se satisfará com qualquer coisa inferior da nossa parte,
até que nós também tenhamos feito o melhor. O que o Senhor Jesus espera de nós é uma
vida depositada aos seus pés, inspirada em sua morte e ressureição; tendo em vista um
encontro futuro. O seu sepultamento já estava em vista naquele dia, no lar de Betânia.
Hoje, é o seu retorno que está em perspectiva, quando ele voltar em glória, como o
Ungido, o Cristo de Deus, para resgatar aqueles que são seus. Se o seu retorno é
precioso para nós, também é muito mais preciosa para ele, que nos comprou com seu
próprio sangue, por isso, o unjamos agora, não com qualquer óleo material, mas com
algo muito mais profundo, algo que emana de nossos corações.
Aquilo que é meramente externo e superficial não tem mais lugar em nossa vida.
Tudo isso foi solucionado pela Cruz, e nós pela experiência, aprendemos a separar as
coisas que vem do alto, das coisas que pertencem ao mundo. O que Deus pede da nossa
parte agora é representado pelo vaso de alabastro, algo extraído das profundezas, algo
torneado, gravado e trabalhado. Devemos ofertar ao Senhor, tudo aquilo que temos de
grande valor, coisas que são importantes, com a mesma veneração e desprendimento,
que Maria ofertou aquele frasco que tanto estimava. Se desejamos agrada-lo do fundo do
87
coração, devemos nos achegar a ele, com este vaso de barro que somos nós, e dizer:
“Senhor, aqui está, é tudo teu, porque tu és digno!”
Fragrância
"E encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo", Jo 12.3. Em virtude do vaso
ter sido quebrado para ungir o Senhor Jesus, a casa foi penetrada pela mais doce
fragrância. Todos podiam sentir e ninguém podia ficar inconsciente do perfume. Qual é
o significado disto? Sempre que encontramos alguém que realmente sofreu, que passou
por experiências profundas que o levaram ao limite de si mesmo. Alguem que se
prontificou a ficar prisioneiro, em vez de procurar libertar-se, a fim de ser usado pelo
Senhor e assim poder desfrutar da satisfação da sua presença. Imediatamente os nossos
sentidos espirituais percebem um doce sabor de Cristo. Aquela vida autossuficiente foi
esmagada, foi quebrada, e por isso podemos cheirar o seu perfume. O perfume que
encheu a casa naquele dia, em Betânia, ainda enche a Igreja hoje. A fragrância de Jesus
permanece nas pessoas que foram quebrantadas e deram o seu melhor.
Estamos falando do que somos, não do que fazemos ou do que pregamos. Talvez,
há muito tempo pedimos ao Senhor, que nos use para comunicar aos outros o seu
perfume. Esta oração não é apenas um pedido para receber o dom de pregar ou ensinar,
mas expressa antes o desejo de transmitir a presença de Deus aos outros. Não podemos
produzir tais impressões aos outros, sem que primeiro nos capacitemos a recebê-lo.
Uma vez alcançada esta condição, Deus começará a usar-nos para criar nos outros uma
sensação de fome espiritual, mesmo que as demonstrações externas não sejam visíveis,
as pessoas sentirão ao se aproximar de nós o perfume de Cristo. Perceberão que estão
com alguém que tem andado com o Senhor, que tem sofrido pelo Senhor, que não tem
se movido livre e independe da vontade dele, mas que sabe o que significa entregar
todas as coisas. Este gênero de vida cria impressões que produzem fome e a fome leva
os homens a continuar a busca-lo até serem levados, por revelação divina, à plenitude de
vida em Cristo.
Deus não nos põe aqui, primeiramente para pregar ou para fazer um trabalho para
ele. A principal razão é para criar nos outros fome por sua pessoa. É isso, acima de tudo,
que prepara o terreno para a pregação. O Espirito Santo não iniciará qualquer trabalho
verdadeiro numa vida, sem que antes, seja criado um sentimento de necessidade. Mas
como pode isto ser feito? Não podemos empregar força para injetar apetite espiritual
nos outros; não podemos obrigar as pessoas a terem fome. A fome tem que ser criada e
pode ser criada nos outros apenas por aqueles que levam consigo impressões de Deus.
Sempre gosto de pensar nas palavras daquela mulher rica de Suném. Falando do
profeta que tinha observado, mas a quem não conhecia bem, ela disse: "Vejo que este
que passa sempre por nós é santo homem de Deus", IIRs 4.9. Não foi o que Eliseu disse
ou fez que lhe transmitiu tal impressão, mas o que ele era. Ela podia perceber alguma
coisa, por ele passar simplesmente por ali. Ela sabia que Deus estava com Eliseu, pois
sentira o perfume da presença de Deus. A questão da nossa influência sobre os outros
depende de permitirmos que a Cruz faça em nós a sua obra completa, para que o
perfume de Cristo possa ser manifestado por nós.
88
A irmã de quem tenho falado, encontrou-se um dia em situação muito penosa para
ela, algo que lhe custava muito. Eu estava com ela naquela ocasião, e juntos, ajoelhamos
e oramos com os olhos marejados de lágrimas. Olhando para cima, ela disse: "Senhor,
estou pronta a quebrar o meu coração, a fim de satisfazer o teu coração!" Falar deste
quebrantamento de coração, pode parecer um sentimento meramente romântico, mas na
situação delicada em que ela se encontrava, significava exatamente tudo.
Para libertar a fragrância de Cristo e produzir a necessidade de conhecê-lo, tem que
haver prontidão em render-se, em mudança de vida, tanto no prazer e como no
desprazer. Que maravilha, é ser usado! Que coisa abençoada, é entregar-se ao Senhor!
Tantos cristãos proeminentes no mundo não conhecem esta verdade. Muitos de nós
temos sido usados plenamente e até, temos sido usados demasiadamente, mas não
sabemos o que significa sermos desperdiçados. Gostamos de estar sempre ativos. O
Senhor porém, algumas vezes prefere ter-nos na prisão para sermos melhor utilizados
por ele. Penso em termos das viagens apostólicas, onde Deus ousou por em cadeias os
Seus maiores embaixadores. "Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz
em triunfo, e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu
conhecimento" IICo 2.14.
89
Vida Cristã Real
O Evangelho tem como objetivo primordial produzir em nós, pecadores, uma
condição que satisfaça o coração de Deus.
Watchman Nee, talvez seja o mais conhecido líder cristão, que a China já produziu,
ele compartilhou com seus seguidores as verdades contidas em A VIDA CRISTÃ, sem
perceber, que em parte profetizavam sobre ele próprio. Nesse livro, declara Nee:
"Gostamos de estar sempre em atividade; mas algumas vezes o Senhor prefere que
fiquemos numa prisão. Pensamos em termos de uma jornada apostólica de grande
utilidade, porém Deus ousa lançar em cadeias a seus maiores embaixadores".
Este livro contém uma orientação magnifica oferecida por um daqueles grandes
embaixadores. Watchman Nee foi feito prisioneiro em 1952 e vinte anos de
encarceramento, que destruirão a sua saúde, seguidos por sua morte, deram maior
significado às suas palavras neste livro. “Senhor, estou pronto a deixar tudo isso por
amor a ti. Não apenas por causa do teu trabalho, nem por teus filhos, nem por qualquer
outra coisa, mas somente por amor a ti.”
90
ÍNDICE
1. O Sangue de Cristo ............................................02
2. A Cruz de Cristo ................................................10
3. A Vereda do Progresso: Saber ...........................16
4. A Vereda do Progresso: Conciderar-se ..............21
5. A Linha Divisória da Cruz .................................28
6. A Vereda do Progesso: Oferer-se ......................33
7. O Propósito Eterno .............................................37
8. O Espirito Santo .................................................42
9. O Significado de Romanos 7 ..............................51
10. A Vereda do Progresso: Andar no Espirito .......60
11. A Cruz e a Vida da Alma ...................................68
12. Levar a Cruz .......................................................75

VIDA CRISTÃ REAL

  • 1.
    1 Watchman Nee byLcp Passold
  • 2.
    2 I O SANGUE DECRISTO O que é vida cristã? O objetivo deste estudo é mostrar que a vida que levamos é algo muito diferente do que deve ser na realidade a verdadeira vida do cristão. Ao análisarmos a Palavra de Deus pregada por Jesus, no Sermão da Montanha, nos leva a perguntar, se tal vida já foi vivida sobre a terra? “A não ser, unicamente, pelo próprio Filho de Deus”. Mas, nesta edição, encontraremos a resposta à essa pergunta. O apóstolo Paulo nos dá a sua própria definição da vida cristã, “logo, já não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim”, Ga 2.20. Creio que aqui se apresenta o plano de Deus para o cristão, que pode ser resumido nas seguintes palavras: Vivo não mais eu, mas Cristo vive a sua vida em mim. Deus nos revela claramente na sua Palavra, que “há somente uma resposta para cada necessidade humana, seu Filho, Jesus Cristo”. Em toda ação a nosso respeito, Deus usa o critério de nos tirar do caminho, colocando “Cristo, o Substituto”, em nosso lugar: • Cristo morreu em nosso lugar, para obtermos o perdão. • Cristo vive em nós, para alcançarmos a libertação e a santificação. Podemos falar de duas substituições: • Substituição na Cruz, que assegura o nosso perdão. • Substituição interior que assegura a nossa vitória. Será de grande ajuda e evitará muita confusão, se conservarmos vivo o fato de Deus responder a todos os nossos problemas de uma só forma: mostrando-nos mais do seu Filho. Nosso duplo problema: os pecados e o poder do pecado Os primeiros oito capítulos de Romanos constituem se em uma unidade completa. Porém, podemos dividi-lo em duas seções. Uma leitura cuidadosa nos revelará que o conteúdo das duas seções não são o mesmo. A primeira seção desta unidade está em, Rm 1.1 a 5.11, onde encontramos em proeminência a palavra plural "pecados" e a segunda seção em, Rm 5.12 a 8.39, onde o ênfase é mudado, e a palavra pecados ocorre apenas uma vez, enquanto a palavra singular "pecado" é usada repetidas vezes, e constitui o assunto básico e principal das considerações. O porquê desta separação? Isso acontece, porque a primeira seção considera a questão dos pecados que cometemos diante de Deus, que são muitos e que podem ser enumerados, enquanto que a segunda, trata do pecado como princípio que opera em nós. Sejam quais forem os pecados que cometemos, é sempre o poder do pecado residente em nós, que nos leva a cometê-los. Preciso de perdão para os meus pecados, mas preciso também ser liberto do poder do pecado. Os primeiros tocam a minha consciência, o último a minha vida.
  • 3.
    3 Posso receber perdãopara todos os meus pecados, mas por causa do minha natureza pecadora não tenho paz interior permanente. Quando a luz de Deus brilha pela primeira vez no meu coração clamo por perdão, porque compreendo que cometi pecados diante dele; mas após ter recebido o perdão destes pecados, faço uma nova descoberta, que o pecado continua habitando em mim. Agora posso compreender que não só cometi pecados diante de Deus, mas também que existe algo de errado dentro de mim. Descubro que tenho uma natureza pecadora. Existe dentro de mim uma inclinação para pecar, um poder interior que me leva a pecar. Enquando este poder andar solto, eu cometo pecados. Posso procurar e receber o perdão, depois, porém peco outra vez. E assim, a vida continua num círculo vicioso de pecar e ser perdoado e depois pecar outra vez. Sou grato pelo bendito perdão de Deus, mas desejo algo mais, pois preciso de perdão para o que tenho feito e também ser liberto daquilo que sou. O duplo remédio de Deus: o Sangue e a Cruz Em Romanos, apresentam-se dois aspectos da salvação: o perdão dos pecados e a libertação do poder do pecado. Vamos conciderar os fatos que identificam estes aspectos: • O perdão dos pecados - “Deus propôs no seu sangue (Cristo), como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça”, Rm 3.25, e “sendo justificado pelo seu sangue, seremos por ele salvos da irá”, Rm 5.9. Os argumentos centralizam-se em torno do sangue do Senhor Jesus derramado na cruz para justificação e remissão dos pecados. • A libertação do poder do pecado - “sabendo isto: que foi crucificado com ele nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruido, e não sirvamos o pecado como escravos”, Rm 6.6, Este versiculo nos mostra que fomos crucificados com Cristo. Isto introduz uma nova idéia, a nossa união com Cristo no momento de sua morte, sepultamento e ressureição. Este fato tem muito valor, porque: • O Sangue soluciona o problema daquilo que fizemos. • A Cruz soluciona o problema daquilo que somos. O Sangue purifica os nossos pecados, enquanto que a Cruz atinge a raiz da nossa capacidade de pecar O problema dos nossos pecados O Sangue do Senhor Jesus Cristo é de grande valor para nós, porque trata dos nossos pecados e nos justifica perante Deus; conforme Paulo declara nas seguintes passagens: "Todos pecaram”, Rm 3.23.”Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificado pelo seu sangue, seremos por ele salvos da irá”, Rm 5.8,9. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus; a quem Deus propos, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerancia, deixado impune os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus”, Rm 3.24-26.
  • 4.
    4 O pecado, quandoentrou, expressou-se em forma de desobediência a Deus, Rm 5.19, e quando pecamos, o que imediatamente acontece é o sentimento de culpa. O pecado entra na forma de desobediência, e o resultado é: • A separação entre Deus e o homem. • O afastamento de Deus, dá a Satanaz a chance de nos acusar em nossos corações e tambem diante de Deus. Deus já não pode ter comunhão com o homem, porque agora existe algo que impede, e que através de toda a Escritura, é conhecido como pecado. Desta forma, é Deus quem primeiramente diz: "Todos... estão debaixo do pecado", Rm 3.9. Em segundo lugar, o pecado, depois de acariciado constitui uma barreira à comunhão do homem com Deus, O pecado também traz um sentimento de culpa, afastamento e separação de Deus. Agora é o próprio homem que mediante a sua consciência despertada diz: "Pai pequei contra o céu e diante de ti", Lc 15.18. E ainda não é tudo, porque o pecado oferece a Satanás a possibilidade de acusar-nos diante de Deus, e também de acusar-nos em nossos corações por meio do sentimento de culpa, que resulta do pecado. O "acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante de nosso Deus", Ap 12.10, que agora nos diz: tu pecaste. Assim, para nos remir e nos fazer regressar ao propósito de Deus, o Senhor Jesus teve que agir em relação as questões: dos pecados, da culpa, e das acusações de Satanás: • A questão dos pecados foi resolvida pelo precioso Sangue de Cristo, que agrada plenamente a Deus. • A questão da culpa é resolvida somente quando temos entendimento que o Sangue apaga os nossos pecados e reestabelece a paz em nossa consciência. • O ataque do inimigo tem que ser encarado e as suas acusações respondidas, porque a divida já foi paga por Cristo. As Escrituras mostram como o Sangue de Cristo opera eficazmente nestes três aspectos: em relação a Deus, em relação ao homem, e em relação a Satanás. Temos portanto, necessidade de nos apropriar destes valores do Sangue, que nos aproximam de Deus, nos libertam da culpa e dos ataques do inimigo. Se quisermos prosseguir no caminho de Senhor é absolutamente essencial ter uma clara compreensão da morte do Senhor Jesus como nosso Substituto sobre a Cruz, e do poder do seu Sangue em relação aos nossos pecados, porque sem isto, não poderemos ser novas criaturas. O Sangue é primariamente para Deus O Sangue é para expiação e em primeiro lugar relaciona-se com a nossa posição diante de Deus. Precisamos do perdão dos pecados cometidos para não cairmos em julgamento. Os nossos pecados são perdoados, não porque Deus não os leva a sério, mas porque ele vê o Sangue de Cristo. O Sangue primariamente não é para nós, mas para Deus. Se eu quero entender o valor do Sangue, devo aceitar a avaliação que Deus faz dele. Se não conheço o valor que Deus dá ao Sangue, nunca saberei qual é o seu valor para mim. É só na medida em que o Espirito Santo abre o meu entendimento a respeito da estimativa que Deus faz do Sangue, é que eu posso compreender o seu valor, e ver quão precioso o Sangue realmente é para mim. Todavia, o seu primeiro aspecto é para Deus. Através do Velho e do Novo Testamento, a palavra sangue é usada inumeras
  • 5.
    5 vezes em conexãocom a idéia da expiação de pecados e em toda a Escritura é sempre algo que diz respeito a Deus. No calendário do Velho Testamento há um dia que tem grande significado quanto aos nossos pecados, o Dia da Expiação ou dia da Purificação do Santuario. Nada explica está questão dos pecados tão claramente como a descrição deste dia. Em Levítico 16 lemos: que no Dia da Expiação o sangue era tomado da oferta pelos pecados e levado ao Lugar Santíssimo e ali espargido sete vezes diante do Senhor. Naquele dia, a oferta pelos pecados era oferecida publicamente no pátio do Tabernáculo. Tudo estava ali à vista de todos, e por todos podia ser observado. Mas o Senhor ordenou que nenhum homem entrasse no Tabernáculo, a não ser o sumo sacerdote. Somente ele poderia colher o sangue, entrar no Lugar Santíssimo e espargi lo ali, para fazer a expiação perante Deus. Porquê era necessário este ritual? Porque o sumo sacerdote era um tipo de Cristo em sua obra redentora, Hb 9.11,12, assim em figura, era o único que poderia fazer este trabalho. Ninguém, exceto ele, podia aproximar-se da entrada. Além disso, havia um ato que se relacionava com a sua entrada no Tabernaculo: a apresentação do sangue a Deus, como propiciação dos pecados do povo. Era uma transação entre o sumo sacerdote e Deus, dentro do Santuário, fora da vista dos homens que receberiam os beneficios desta transação. O Senhor exigia este ritual. O Sangue é em primeiro lugar para Deus. Mas, anteriormente, encontramos descrito em Exodo, o derramamento do sangue do cordeiro pascal no Egito, para redenção de Israel. Este foi um dos melhores tipos, no Velho Testamento, da nossa redenção. O sangue foi posto na verga e nas ombreiras das portas, enquanto que a carne do cordeiro era servida no interior da casa; e Deus disse: "O sangue vos será por sinal nas casas onde estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por cima”, Ex 12.13. Eis outra ilustração, onde o sangue não se destina a ser apresentado ao homem, e sim, a Deus, pois o sangue era posto nas vergas e nas ombreiras das portas, de modo que os que se encontravam em festa dentro das casas não pudessem vê-lo. Deus está satisfeito É a santidade de Deus e a sua justiça que exige, que uma vida sem pecados seja dada em favor dos pecados dos homens. Há vida no Sangue, por isso o Sangue tem que ser derramado em favor dos pecados cometidos. Deus requer que o Sangue seja apresentado com o fim de satisfazer a sua própria justiça, é Ele que diz: "Vendo eu sangue passarei por cima de vós", isto é, não os destruirei. O Sangue de Cristo satisfaz a Deus inteiramente. Desejo agora dizer uma palavra a respeito disto aos meus irmãos mais novos no Senhor, porque é neste caso que muitas vezes temos dificuldades. Na condição de descrentes não somos molestados pela nossa consciência, até que a Palavra de Deus começe a nos despertar. A nossa consciência estava morta e quem se encontra nesta condição, certamente não têm qualquer serventia para Deus. Mas, a partir do momento que cremos, a nossa consciência tornar-se extremamente sensível, e isto pode vir a ser um problema real. O sentimento de pecado e de culpa que antes não existia, agora torna se tão grande e terrível, que quase nos paralisa, porque faz perder de vista a verdadeira
  • 6.
    6 eficácia do Sangue.Tornam os nossos pecados tão intrínsecos que chegamos ao ponto de imaginá-los maiores do que o Sangue de Cristo. Ora, o mal reside na procura subjetiva, daquilo que o poder do Sangue representa para nós. Não devemos agir assim, porque o Sangue não opera desta forma: não é basicamente para nós, mas para Deus, só depois de ser aceito por Deus irá operar em nós. Destina-se primeiramente a ser visto por Deus. Temos que aceitar a avaliação que Deus faz dele, para então acharmos a nossa própria estimativa. Se, ao invés disto, procuramos avaliá-lo por meio do que sentimos, não iremos nos libertar dos nossos pecados e permaneceremos em trevas. O perdão dos pecados é uma questão de fé no Sangue de Cristo. Devemos crer que o Sangue é precioso para Deus, porque ele assim o diz: “pelo precioso sangue de, como de cordeiro sem defeito e sem macula, o sangue de Cristo”, IPe 1.18. Se Deus aceitou o Sangue como pagamento pelos nossos pecados e como pagamento da nossa redenção, então temos a certeza que o débito foi pago. Se Deus está satisfeito, logo, o Sangue deve ser aceitável. Cristo é santo e justo e o Deus santo e justo tem o direito de dizer: O Sangue é inteiramente aceitável. O acesso do crente ao sangue O Sangue satisfez a Deus, e deve nos satisfazer da mesma forma. Há também, um segundo valor para o Sangue. “Pelo Sangue de Jesus... em plena certeza da fé, tendo o coração purificado de má conciência”, Hb 10.22. O Sangue purifica a consciência. Revelamos uma compreensão errada se declaramos que o Senhor, purifica o meu coração do pecado pelo seu Sangue ou relacionar o coração com o Sangue, porque Deus diz: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas”, Jr 17.9. Deus tem que fazer algo mais fundamental do que apenas purificar o nosso coração, tem que nos dar um coração novo. A obra de Deus em nós tem que ser algo inteiramente novo. "Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro de vós espírito novo", Ez 36.26. Não encontramos a declaração de que o Sangue purifica o nosso coração, mas a oferta de Deus é sermos renovados mediante um coração novo e um espirito novo. Não lavamos, nem passamos a ferro roupas que vamos jogar fora. Veremos depois, que a carne é demasiadamente má para ser purificada; tem que ser crucificada. Qual então o significado? Significa, que havia algo se interpondo entre mim e Deus; e o resultado disto, erá minha consciência sempre me acusando. Quando procurava me aproximar, lembrava da barreira que permanecia entre mim e Deus. Mas, agora, a operação do precioso Sangue removeu a barreira que existia. Este fato está revelado em sua Palavra. Quando creio em Cristo e o aceito, a minha consciência fica imediatamente limpa, o meu sentimento de culpa é removido e já não tenho má consciência diante de Deus. Cada um de nós sabe quão precioso é ter uma consciência pura quando nos relacionamos com Deus. Um coração pleno de fé, e uma consciência limpa de toda e qualquer acusação são essenciais, desde que sejam interdependentes. Logo que verificamos que a nossa consciência não tem paz, a fé desvanece e imediatamente achamos que não podemos encarar Deus. O Sangue nunca perderá a sua eficácia como fundamento do nosso acesso a Deus; que ele transforme em realidade a nossa
  • 7.
    7 dependencia dele, porquesomente ele nos habilita a entrar no Lugar Santíssimo. Sem esta base não existiria o livre acesso a Deus. Podemos perguntar se estamos realmente procurando o caminho para a presença de Deus através do Sangue, ou por outros meios? O que quero dizer, quando afirmo pelo Sangue? Quero dizer que: reconheço os meus pecados, confesso que necessito de purificação e expiação, por isso, venho a Deus confiante na obra consumada do Senhor Jesus e me aproximo dele exclusivamente através dos meritos de Cristo, e não na base do meu comportamento. Nunca, por méritos próprios. A tentação de muitos quando procuram aproximar-se de Deus é pensar que por causa do conhecimento das escrituras estãos mais perto dele, por isso podem alcança-lo por si mesmo. “Jamais, o único acesso é Cristo”. Ele disponibilizou este caminho por meio do seu sofrimento na cruz e do seu precioso Sangue derramado por nós. Creio que muitos irmãos pensam, que são seus atos que os aproximam ou afastam de Deus. Atos do tipo: fui mais cuidadoso ou tive um bom dia ou li a Palavra com fervor de modo que, hoje posso orar; ou então, tive algumas problemas familiares ou comecei mal o dia, ou estou deprimido, por isso, não posso me aproximar de Deus. A aproximação de Deus é sempre pela confiança no Sangue, e nunca pelas aquisições pessoais. Qualquer que seja a medida alcançada por nossos próprios recursos hoje, ontem ou no passado, não capacitarão o nosso ascesso ao Lugar Santissimo, somente o Sangue de Cristo, o nosso Sumo Sacerdote, abre este caminho até Deus. Devemos permanecer no único fundamento seguro, o Sangue derramado. Esse é o fundamento sobre o qual somos capacitados a entrar na presença de Deus, não há outro. “agora em Cristo Jesus, vós, que antes estaveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo”, Ef 2.13. “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é pela sua carne, e tendo como grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-no, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má conciencia”, Hb 10.19-22. A nossa posição perante Deus foi garantida pelo Sangue. Porque fomos aproximados pelo sacrificio de Cristo, e sempre será por Ele, não há outro meio de entrarmos no Lugar Santissimo. As vezes chegamos a pensar que por causa do nosso progressos espiritual podemos dispensar o Sangue, isto jamais acontecerá. Não é pela minha qualificação que me aproximo de Deus é pelo Sangue. Está é a unica forma que a todo momento posso ir perante o Altissímo. E assim será até o fim; sempre e unicamente pelo Sangue. O que importa aqui, é saber que “o Sangue é real e suficiente”. Devemos ser gratos e orar: "Senhor, entendo que o Sangue de Cristo satisfaz totalmente a Ti. Percebo agora que não se trata de meu progresso ou de algo que eu possa ter alcançado, e sim, unicamente pelo precioso Sangue de Cristo". Somente o sangue purifica a nossa consciência diante de Deus. "tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam consciência de pecados", Hb 10.2. Estas palavras têm significado transcendente e transmitem a certeza, que fomos purificados de todo pecado. "Bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado", Rm 4.8.
  • 8.
    8 Vencendo o acusador Comoé que o Sangue opera contra Satanás? A queda deu a Satanás o livre acesso ao homem, de forma que Deus foi compelido a se retirar. Agora, o homem está fora do Jardim, destituído da glória de Deus, Rm 3.23, porque interiormente está separado de Deus. A consequencia do pecado foi o afastamento de Deus. Mas o Sangue remove esta barreira e restitui o homem a Deus e Deus ao homem. Agora, em Cristo, o novo homem está em afinidade com Deus, e pode encarar Satanás sem temor. Lembre-se do seguinte versículo: "O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado", IJo 1.7. Não é todo pecado, no seu sentido geral, é cada pecado, um por um. O que significa isto? É algo maravilhoso! Deus está na luz, e na medida em que andamos na luz juntamente com Ele, tudo fica exposto, de modo que Deus pode ver tudo e nestas condições o Sangue pode nos purificar de cada pecado cometido. Que purificação! O Sangue pode fazê-lo plenamente. As vezes, por estarmos oprimidos por nossas próprias fraquezas, somos tentados a pensar que os pecados que cometemos são imperdoáveis. Recordemos de novo a Palavra: O sangue de Jesus, seu Filho nos purifica de todo pecado. Pecados que podem ser muito negros e outros que não parecem tão graves assim; pecados que podem ser perdoados e pecados que pensamos ser imperdoáveis; sim, todos os pecados, conscientes ou inconscientes, recordados ou esquecidos, se incluem nas palavras: "todo pecado", porque o Sangue nos purifica de todo pecado e satisfaz inteiramente a Deus. Sabendo que Deus vê todos os nossos pecados na luz e pode nos perdoar por causa do Sangue, então, em que base poderá Satanás nos acusar? "Se Deus é por nós, quem será contra nós?", Rm 8.31. Deus mostra o Sangue do seu querido Filho, que é totalmente suficiente, contra o qual Satanás não tem apelação. "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus que os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós”, Rm 8.33-34. Precisamos reconhecer a absoluta suficiência do Sangue precioso. "Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote... pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção", Hb 9.11-12. Cristo foi Redentor uma só vez, há dois mil anos e agora é nosso Advogado e Sumo Sacerdote. Ali permanece, na presença de Deus. "Jesus Cristo o justo, ele è a propiciação pelos nossos pecados", IJo 2.2. "muito mais o sangue de Cristo, que pelo Espirito eterno, a si mesmo se ofereceu... Este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu para vós outros... sem derramamento de sangue não há remissão... Cristo, tendo se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para salvação”, Hb 9.14,28. O Sangue de Cristo evidencia a suficiência do seu ministério e é totalmente “suficiente para Deus”. Qual é a nossa atitude para com Satanás? Satanás nos acusa não só perante Deus, mas também em nossa própria consciência. "Você pecou, e continua pecando. Você é fraco, e não há mais nada que Deus possa fazer por você". Ao aceitarmos seus argumentos, estamos olhando para dentro de nós na tentativa nos defender; procurando algo de bom em nós, que nos dê algum motivo para
  • 9.
    9 crer que estamoscertos e o inimigo errado, se agirmos assim, com certeza iremos fracassar. A acusação é uma das armas mais eficazes de Satanás. Ele aponta para os nossos pecados e procura acusar-nos perante Deus, se aceitarmos as suas acusações seremos destruidos. A unica razão de aceitarmos tão rapidamente as suas acusações é que ainda esperamos ter alguma justiça própria; está atitude constitui uma falsa base de esperança. Quando Satanás consegue nos induzir, a olhar na direção errada, ele atinge o seu objetivo de nos afastar do único que tem o poder de vence-lo que é Cristo. Se não mais confiarmos na carne, não teremos que temer, quando surgirem os pecados, posto que pecar faz parte da natureza intrínseca da carne. Mas, se ainda confiamos em nós, então desconhecemos a nossa natureza pecadora, e com certeza iremos tropeçar, quando Satanaz levanta suas acusações. O Sangue é efetivo, quando confiamos no seu poder para solucionar o problema dos nossos pecados; porém, ele nada pode fazer por um homem que se submete à acusação do inimigo. Cristo é o nosso Advogado, mas nós os acusados nos colocamos do lado do acusador, quando deixamos de olhar para Cristo e focamos a atenção em nós. Somente Deus pode responder ao acusador e já o fez por meio do precioso Sangue de Cristo, tornando Satanás um inimigo vencido. Nossa salvação está em olharmos firmemente para o Senhor Jesus, reconhecendo que o Sangue do Cordeiro já solucionou toda a situação criada pelos nossos pecados. Este é o fundamento seguro em que devemos nos firmar. Nunca devemos responder a Satanás, tendo por base a nossa boa conduta, e sim, sempre com o Sangue. Sabemos que estamos repletos de pecados, mas graças a Deus que o Sangue nos purifica de todos eles! Deus ao olhar para os nossos pecados contempla o Sangue, por meio do qual o seu Filho enfrenta a acusação, e Satanás perde toda possibilidade de atacar. Somente a nossa fé no Sangue precioso, e a nossa recusa de sairmos desta posição, podem silenciar as suas acusações e afugentá-lo, Rm 8.33,34; e será assim até a volta de Jesus, Ap 12.11, quando iremos viver a plena libertação oferecida por Deus, se valorizarmos mais o precioso Sangue do seu amado Filho!
  • 10.
    10 II A CRUZ DECRISTO O Sangue trata daquilo que fizemos, enquanto que a Cruz trata daquilo que somos. Precisamos do Sangue para o perdão, e da Cruz para a libertação. Já tratamos do sangue, e agora vamos considerar como a Cruz nos liberta do poder do pecado. Antes, vamos considerar algumas características que contribuem para demonstrar a diferença, entre o perdão dos pecados e a libertaçao do poder do pecado. Algumas distinções e aspectos da ressureição. "Jesus nosso Senhor... foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação", Rm 4.25. Trata-se aqui da nossa posição de justificados perante Deus. "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo", Rm 5.1. Quando os meus pecados são perdoados, Deus não será mais motivo de temor para mim. Eu, que era inimigo, fui "reconciliado com Deus mediante a morte do Seu Filho", Rm 5.10. Logo descubro, no entanto, que sou eu quem irá causar dificuldades para mim mesmo, havendo algo em meu íntimo que me perturba e me leva novamente a pecar. Há paz com Deus, sem porém, haver paz comigo mesmo. Trava-se uma guerra interna em meu próprio coração, onde a carne e o espírito estão em conflito mortal. Porque o pendor da carne dá para a morte, por ser inimizade contra Deus, mas o do Espírito, para a vida e paz, Rm 8.6. Deus nos oferece um novo caminho, o da ressurreição em Cristo, que nos comunica uma nova vida a fim de termos um andar santo. "Para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida", Rm 6.4. Se conhecemos somente a preciosa verdade da justificação pela fé, isto é só a metade do que precisamos saber, porque soluciona apenas o problema dos pecados, falta ainda solucionar o problema do pecador para acertar nossa posição diante de Deus. À medida que prosseguimos, veremos que Deus tem algo mais para nos oferecer, além do perdão dos pecados. Como podemos então viver uma vida cristã real? Sabemos que o Sangue trata objetivamente dos nossos pecados, porém precisamos dar agora um passo a mais no plano de Deus para compreender como Ele trata o princípio do pecado em nós. Veremos que o primeiro passo depende do segundo e o segundo passo depende do primeiro. O Sangue pode lavar e apagar os meus pecados, mas não pode remover o corpo do pecado. Por isso, é necessárioa a Cruz para crucificar o corpo do pecado. O Sangue trata dos pecados, mas a Cruz trata do pecador!. “Portanto, assim como por um só homem entrou opecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” Rm 5.12. Mostra, que o homem é considerado pecador porque nasceu pecador, e não por ter cometido pecados. É mais por constituição do que por ação que somos pecadores.
  • 11.
    11 "Pela desobediência deum só homem, muitos se tornaram pecadores", Rm 5.19. Como é que nos tornamos pecadores? Pela desobediência de Adão. Não nos tornamos pecadores por aquilo que fizemos, e sim, devido àquilo que Adão fez. As escrituras afirmam que “todos pecaram”, Rm 3.9-12, mas, não é por isso, que nos tornamos pecadores. Porque mesmo aquele que não comete pecados, por pertencer à raça de Adão, também é pecador e necessita da redenção. Há pecadores maus e pecadores bons; pecadores morais e pecadores corruptos, mas todos são igualmente pecadores. Pensamos às vezes, que tudo nos iria bem se não fizéssemos determinadas coisas; o problema no entanto, é muito mais profundo do que aquilo que fazemos, “está naquilo que somos”. O que conta é o nascimento; sou pecador porque nasci de Adão. Não é questão do meu comportamento, e sim, da minha hereditariedade, do meu parentesco. Não sou pecador porque peco, mas peco porque descendo de uma linhagem má. Peco por ser pecador. Tendemos a pensar que o que fazemos pode ser muito mau, e que nós mesmos não somos tão maus assim. O que Deus deseja realmente nos mostrar é que nós somos fundamentalmente errados. A raiz do problema está no pecador: é com ele que se deve tratar. Os nossos pecados são solucionados pelo Sangue, mas nós próprios devemos ser tratados pela Cruz. “O Sangue nos perdoa pelo que fizemos e a Cruz nos liberta daquilo que somos”. A condição do homem por natureza No começo da nossa vida cristã, ficamos preocupados com o que fazemos, e não com o que somos. Nos sentimos tristes, mais pelo que temos feito, do que pelo que somos. Pensamos que se apenas mudassemos certas coisas, nos tornaríamos bons cristãos e então, procuramos modificar as nossas ações. Porém está atitude não altera a nossa vida de pecados. Descobrimos com grande espanto que se trata de algo maior do que as dificuldades externas que enfrentamos e que realmente existe em nosso íntimo um problema mais sério. Procuramos agradar ao Senhor, mas descobrimos que há algo dentro de nós que não deseja agrada-Lo. Procuramos ser humildes, mas há algo em nosso próprio eu que se recusa a ser humilde. Procuramos demonstrar afeto, mas não sentimos ternura no íntimo. Sorrimos e procuramos parecer muito amáveis, mas no íntimo sentimos absoluta falta de amabilidade. Quanto mais procuramos corrigir as coisas na parte exterior, mais temos entendimento de quão profundamente se arraigou o problema na parte interior. Então, nos rendemos ao Senhor, dizendo: "Senhor, agora compreendo! Não é só o que tenho feito que está errado! Eu é que sou errado". A conclusão de, Rm 5.19 começa a se tornar clara para nós. Somos pecadores. Somos membros de uma raça que é diferente daquela que Deus planejou. Por causa da queda, houve uma transformação no caráter de Adão, em virtude da qual se tornou pecador e incapaz de agradar a Deus; está é a semelhança hereditaria que todos nós temos com ele, não é meramente superficial, expressa-se também no nosso caráter interior. Como aconteceu isto? Pela desobediência de um, diz Paulo. A nossa vida vem de Adão. Onde estaria você agora, se o seu bisavô tivesse morrido com três anos de idade? Teria morrido nele! A sua experiência está unida à dele. A experiência de cada um de nós está unida à de Adão da mesma forma.
  • 12.
    12 Potencialmente, quando Adãose rendeu às palavras da serpente no Eden, todos nós estávamos nele. Fomos todos envolvidos no pecado de Adão e sendo nascidos em Adão, recebemos como herança, tudo aquilo, em que ele se tornou. O resultado do seu pecado e a sua natureza pecadora se tornou a nossa natureza. A nossa existencia deriva dele. Porque a sua natureza se tornou pecaminosa; a natureza que deriva dele também é pecaminosa. De modo que o problema está na nossa hereditariedade e não no nosso procedimento. A menos que possamos modificar o nosso parentesco, não há livramento para nós. Mas é precisamente neste ponto que encontraremos a solução do nosso problema, porque foi exatamente assim que Deus encarou a situação. Como em Adão, assim em Cristo "Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornaram justos", Rm 5.19. As expressões ”em Adão” e ”em Cristo” são muito pouco compreendidas pelos cristãos, desejo salientar por meio de uma ilustração, que se acha em Hebreus 7, o significado racial e hereditário da expressão em Cristo. Em Hebreus 7.1-10, o escritor procura demonstrar ser Melquisedeque maior do que Levi. A finalidade desta demonstração é provar que o sacerdócio de Cristo é maior do que o de Arão, que era da tribo de Levi. Porque o sacrifício de Cristo é segundo a ordem de Melquisedeque e o de Arão, segundo a ordem de Levi, Hb 7.7-17. Abraão, voltando da batalha dos reis, Gn 14, ofereceu a Melquisedeque o dízimo dos despojos. Este fato, revela ser Abraão de menor categoria que Melquisedeque, porque é o menor que entrega os dizimos ao maior, Hb 7.7. O fato de Abraão ter oferecido o dízimo a Melquisedeque implica que Isaque, em Abraão, também o ofereceu, e o mesmo se aplica a Jacó, e também a Levi. De modo que Levi é menor que Melquisedeque, e assim, o sacerdócio de Levi é inferior ao de Cristo. Nem sequer se pensava em Levi na época da batalha dos reis, contudo, fez sua oferta de dizimo na pessoa do seu pai ascendente Abraão, antes de ter sido gerado, Hb 7.9,10. Ora, é justamente isto que significa a expressão "em Cristo". Abraão, como o cabeça da família da fé, incluiu, em si mesmo toda a sua descendencia. Quando ele fez a sua oferta a Melquisedeque, toda a sua família participou daquele ato. Não fizeram ofertas separadamente como indivíduos, mas estavam nele, porque toda a sua semente estava incluída nele. Assim, em Adão, tudo se perdeu. Pela desobediência de um só homem fomos todos constituídos pecadores. O pecado entrou por ele e pelo pecado entrou a morte e desde aquele dia o pecado impera em toda a raça, produzindo a morte. Agora porém, um raio de luz incide sobre a cena. Pela obediência de Outro, podemos ser constituídos justos. Onde o pecado abundou, superabundou a graça e como o pecado reinou na morte, do mesmo modo a graça pode reinar por meio da justiça, para a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor, Rm 5.19-21. O nosso desespero está em Adão; a nossa esperança em Cristo.
  • 13.
    13 O processo divinoda libertação Deus certamente deseja que estas considerações nos levem à libertação da prática do pecado. Paulo deixou isto bem claro, quando perguntou: "Permaneceremos no pecado? Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” Rm 6.1,2 Todo o seu ser se revolta perante a simples sugestão de pecar. Como poderia um Deus Santo ter satisfação em possuir filhos não santos, presos aos grilhões do pecado? Deus ofereceu a provisão certa e adequada para nos libertar do domínio do pecado. Aqui está o nosso problema: se nascemos pecadores, como poderemos extirpar a nossa hereditariedade pecaminosa? Desde que todos nascem em Adão, como podem sair dele, livrar-se dele? Quero afirmar que o Sangue não pode nos tirar para fora de Adão. Há somente um caminho. Se estamos em Adão pelo nascimento, o único caminho para sair dele é a morte. Para nos despojarmos da nossa pecaminosidade, temos que nos despojar da nossa vida. Se a escravidão do pecado veio pelo nascimento; a libertação do pecado vem pela morte e foi exatamente este o caminho de escape que Deus ofereceu. A morte é o segredo da emancipação. Estamos mortos para o pecado, Rm 6.2. Como, afinal, isto pode acontecer? Alguns procuram mediante grande esforço libertar-se desta vida pecaminosa, mas verificam que é impossivel libertar-se do pecado pelo esforço próprio. O caminho que conduz a saída não é nos matarmos, e sim, reconhecer que Deus, em Cristo, cuidou da nossa situação. O apóstolo Paulo mostra como Deus efetuou a morte do corpo de pecado por meio de Cristo: "todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte", Rm 6.3. Se, Deus solucionou nosso caso "em Cristo", logo temos que “estar nele”, para que isto se torne realidade. Como podemos entrar em Cristo? É neste sentido que Deus vem de novo em nosso auxílio, pois por nós mesmos, não temos meio algum de entrar nele, Porém, Deus nos mostra que não precisamos tentar entrar, porque já estamos nele. Deus fez por nós, o que nós não poderíamos fazer por nós mesmos. Ele nos colocou em Cristo. "Vós sois dele ( Deus), em Cristo Jesus", ICo 1.30. Graças a Deus! Não nos pediu para procurar um caminho de acesso ou elaborar um plano. Deus fez os planos necessários. Não só planejou como também executou. "Vós sois dele, em Cristo Jesus". Estamos nele; portanto, não precisamos procurar entrar. É um ato divino, e está consumado. Em Hebreus 7, vimos que em Abraão todo Israel e portanto Levi, que ainda não nascera, ofereceu o dízimo a Melquisedeque. Não fizeram esta oferta separada e individualmente, mas estavam em Abraão quando ele fez a oferta, incluindo nesse ato toda a sua semente. Isto é, pois, uma verdadeira figura de nós próprios em Cristo. “Quando o Senhor Jesus esteve na Cruz, todos nós morremos”, não fisicamente, porque ainda nem tínhamos nascido, mas estando nele. Podemos ter certeza deste fato, porque Deus está dizendo em sua Palavra. Por isto sabemos que morremos juntamente com Ele. "Um morreu por todos, logo todos morreram", IICo 5.14. “Quando Ele foi crucificado, todos nós fomos crucificados”. "Vós sois dele, em Cristo Jesus". O próprio Deus nos colocou em Cristo e tratando com Ele, Deus tratou com toda a raça. O nosso destino está ligado ao dele. Pelas experiências que Cristo passou, nós igualmente passamos, porque estar "em Cristo" significa: ser identificado com Ele, tanto na sua morte como na sua ressurreição.
  • 14.
    14 Cristo foi crucificado;o que então sucedeu conosco? Devemos pedir a Deus que nos crucifique? Não, porque quando Cristo foi crucificado, nós que hoje estamos em Cristo, fomos crucificados juntamente com Ele; sendo a sua crucifixão há dois mil anos, e a nossa também. Se fomos crucificados juntamente com Ele, não precisamos ficar nos crucicando agora no presente, nem no futuro quando se apresentarem as tentações. Não existe nenhum texto no Novo Testamento que diz, que devemos nos crucificar. Todas as referências dizem: que fomos crucificados juntamente com Cristo, "feito uma vez e para sempre", "eternamente passado", Rm 6.6, Gl 2.20 e 5.24. Deus não nos pede que crucifiquemos a nós próprios. Fomos crucificados quando Cristo foi crucificado, pois Deus nos incluiu nele na Cruz. A nossa morte em Cristo não é meramente uma posição de doutrina, é um fato real e eterno. A morte e ressurreição de Cristo são inclusivas Quando o Senhor Jesus morreu na Cruz derramou o seu Sangue, dando assim a sua vida isenta de pecado para expiar os nossos pecados, e assim, satisfez a justiça e a santidade de Deus. Tal ato, constitui prerrogativa exclusiva do Filho de Deus. Nenhum homem poderia participar dele. A Escritura nunca disse: que nós derramamos o nosso sangue juntamente com Cristo. Na sua obra expiatória perante Deus, Ele agiu sozinho. Ninguém poderia participar deste ato com Ele. O Senhor, no entanto, não morreu apenas para derramar o seu sangue: morreu para que nós pudéssemos morrer. Morreu como nosso representante. Na sua morte Ele incluiu a “você e a mim”. Freqüentemente usamos os termos “substituição e identificação” para descrever estes dois aspectos da morte de Cristo. A palavra identificação muitas vezes é correta; mas pode sugerir que a experiência começa do nosso lado e que somos nós que estamos nos identificando com o Senhor. Concordo que a palavra é verdadeira, mas deve ser empregada de maneira certa. É melhor aceitar a verdade plena, que o Senhor me incluiu na sua morte. É a morte inclusiva do Senhor, que me habilita a ser identificado com Ele. Está verdade mostra, que eu não preciso me identificar com Ele para ser incluído em sua morte. É aquilo que Deus fez, incluindo-me em Cristo, que importa. É por isso que o termo “em Cristo” sempre satisfaz a Deus e a nós também. A morte e a ressurreição de Cristo e a nova vida “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primicias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, tambem por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão todos morrem, assim tambem todos serão vivificados em Cristo. Cada um porém, por sua própria ordem; Cristo as primicias; depois, os que são de Cristo na sua vinda, ICo 15.20-23. Cristo como o último Adão é a soma de toda humanidade; e Cristo como as primicias é a Cabeça de uma nova raça. De modo que temos aqui duas uniões, uma refere-se à sua morte e outra à sua ressurreição. Em primeiro lugar a sua união com a raça humana, como último Adão, começou historicamente em Belém, e terminou na Cruz e no sepulcro. Cristo reuniu em si mesmo tudo o que era de Adão, por isso foi levado a julgamento e morte. Em segundo lugar, a nossa união com Ele como as primicias, começa com a ressurreição e termina na eternidade, ou seja, nunca. Pois,
  • 15.
    15 tendo acabado pormeio da sua morte com a herança de Adão, em quem se frustrará o propósito de Deus, ressuscitou como o Cabeça de uma nova raça de homens, nele o proposito de Deus foi plenamente realizado e restabelecido. • Cristo como último Adão, foi crucificado. Na cruz reuniu em si e anulou tudo o que pertencia ao primeiro Adão. Como o último Adão, pôs termo à velha raça. • Cristo como as primicias, inicia a nova raça. A sua ressurreição nos oferece uma nova vida, onde os que estão em Cristo forão incluídos. "Porque se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição", Rm 6.5. Morremos nele como o último Adão e vivemos nele, por causa da sua ressureição. A Cruz é o poder de Deus que nos transfere de Adão para Cristo.
  • 16.
    16 III A VEREDA DOPROGRESSO: SABER A nossa velha história termina com a Cruz e a nossa nova história começa com a Ressurreição. "E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas", IICo 5.17. A Cruz põe termo à primeira criação, e por meio de sua morte e ressureição surge a nova criação em Cristo. Se estamos em Adão, tudo quanto estava em Adão necessariamente recai sobre nós. Torna-se involuntariamente nosso, pois nada precisamos fazer para participar desta realidade. Sem esforço, sem perder a calma, sem cometer mais pecados vem naturalmente sobre nós, independente da nossa vontade. Da mesma forma, se estamos em Cristo, tudo o que há em Cristo nos é atribuído pela livre graça, sem esforço próprio, simplesmente pela fé. Como está experiência pode se tornar real em nós? Através do estudo de Romanos 6,7 e 8, descobrimos que para viver uma vida cristã real é preciso: • Saber. • Considerar-se. • Oferecer-se a Deus. • Andar no Espirito. Estas quatro condições são nescessarias para uma vida cristã plena. À medida que estudarmos cada um delas, o Santo Espirito do Senhor irá nos iluminar para que possamos andar no espirito. A nossa morte com Cristo: um fato consumado A morte do Senhor Jesus é representativa e inclusiva, na sua morte todos nós morremos. Nenhum de nós pode progredir espiritualmente sem perceber isto. Assim como Cristo levou os nossos pecados sobre a Cruz, também, levou a nós próprios na Cruz, para nossa santificação, Rm 6.1-11. Não somente foram colocados sobre Ele os nossos pecados, mas também fomos incluídos nele, todos nós que estamos em Cristo. Como recebemos o perdão? Aceitando o fato que o Senhor Jesus morreu na cruz, como nosso Substituto, levando sobre ele os nossos pecados, e o seu sangue foi der- ramado para nos purificar. Quando percebemos que todos os nossos pecados foram levados sobre a Cruz, o que fazemos? Dissemos, porventura: "Senhor Jesus, por favor, vem morrer pelos meus pecados?” Não, de forma alguma, apenas damos graças. Não lhe suplicamos que venha morrer por nós, porque compreendemos que Ele já o fez. Está verdade, que diz respeito ao nosso perdão, também se refere à nossa libertação. A obra já foi feita. Não há necessidade de orar, mas apenas agradecer. Porque Deus incluiu a todos em Cristo, de modo que, quando Cristo foi crucificado, nós também fomos. Não há, portanto, necessidade de orar: "Sou uma pessoa muito má Senhor, crucifica-me, por favor". Apenas, precisamos agradecer a Deus, por termos morrido em
  • 17.
    17 Cristo, mediante asua morte. Já morremos nele, louvemos por isso e vivamos à luz desta realidade. "Então creram nas suas palavras e lhe cantaram louvores", Sl 106.12. Você crê na morte de Cristo? É claro que sim. Então, a mesma Escritura que diz: Ele morreu por nós, também diz que nós morremos com Ele. Se cremos que "Cristo morreu por nós", Rm 5.8. Está é uma declaração biblica tão fundamental quanto a que diz: "Foi crucificado com ele o nosso velho homem", Rm 6.6. "Morremos com Cristo", Rm 6.8. Quando fomos nós crucificados? Qual é a data da crucificação do nosso velho homem? A Bíblia diz: foi crucificado com Cristo (ao mesmo tempo) o nosso velho homem, isto aconteceu há dois mil anos. Graças a Deus, porque quando Ele morreu na Cruz, eu morri com Ele. Não morreu apenas em meu lugar e sim, levou-me com Ele à Cruz, de forma que, quando Ele morreu, eu morri com Ele. Se eu creio na morte do Senhor Jesus, posso também crer na minha própria morte, tão seguramente como creio na dele. Por que você acredita que o Senhor Jesus já morreu? É porque sente que ele morreu? Não, isto se torna real pela fé, não pelo que sentimos. Quando o Senhor foi crucificado, dois ladrões também foram crucificados ao mesmo tempo. Não temos duvida que eles foram crucificados com ele, porque a Escritura afirma de modo absolutamente claro. Assim também, crêmos na morte do Senhor, porque a Palavra de Deus a declara. Os ladrões foram crucificados ao mesmo tempo que o Senhor, mas em cruzes diferentes, enquanto que você, foi crucificado na mesma cruz com Cristo, porque estava nele quando Ele morreu. Como pode saber disto? É porque Deus disse. Não depende daquilo que você sente. Cristo morreu, quer você sinta isso, quer não. Nós também morremos com Ele, independente do que sentimos, pois trata-se de fatos divinos. Cristo morreu, é um fato, que os dois ladrões morreram, é outro, e a nossa morte juntamente com Cristo é igualmente um fato. Posso afirmar: "Você já morreu". Já está posto à parte, eliminado! O Eu que aborrece você ficou na Cruz, em Cristo. "Porqunto quem morreu, esta justificado do pecado",Rm 6.7. Este é o Evangelho para os cristãos! A nossa crucificação jamais se tornará eficaz através da nossa vontade, do nosso esforço, e sim, unicamente por aceitarmos o que o Senhor Jesus Cristo fez na Cruz. Os nossos olhos devem estar abertos à obra consumada» no Calvário. Talvez, você tenha procurado salvar a si mesmo: lendo a Bíblia, orando, freqüentando a Igreja, dando ofertas. Mas, o sentimento constante era de mornidão espiritual, até que um dia seus olhos foram abertos e você percebeu que a plena salvação já foi providenciada na Cruz. Glória a Deus por está provisao de Graça em Cristo Jesus. A partir desta verdade o seu coração será permeado pela paz e alegria. Ora, a santificação foi dada na mesma base que a salvação. Recebemos a libertação do poder do pecado do mesmo modo, que recebemos o perdão dos pecados. A maneira do homem se libertar do poder do pecado é diferente do que Deus planejou: • O homem se esforça por suprimir o pecado, procurando vencê-lo. • O processo divino consiste em remover o pecador, por meio da morte do velho homem, o homem carnal.
  • 18.
    18 Muitos cristãos lamentamas suas fraquezas, pensando que se fossem mais fortes, tudo lhes iria bem. Tem a idéia, de que são as fraquezas que causam as derrotas na tentativa de viver uma vida santa. Por isso, pensam que por meio do esforço próprio serão vencedores, isto conduz naturalmente a um conceito falso do caminho da libertação. Se é a nossa incapacidade de vencer o poder do pecado que nos preocupa, concluímos que isso acontece porque está faltando esforço da nossa parte. Achamos que, se tivermos mais força de vontade poderemos vencer as explosões violentas de comportamento, e assim, teremos o tão sonhado dominio próprio. Tal conceito está completamente errado, não é cristão. O meio divino de nos libertar do poder do pecado não consiste em nos fazer cada vez mais fortes, e sim, em nos tornar cada vez mais fracos. Certamente pode-se dizer que é uma forma de vitória bastante estranha, mas essa é a maneira de Deus agir em nós. Deus nos livra do domínio do pecado, não por meio de fortalecer o nosso velho homem, mas crucificando-o. O primeiro passo: Saber A vida cristã real tem que começar com um "saber" bem definido, que não é apenas saber algo a respeito da verdade, nem compreender alguma doutrina importante. Não é, de forma alguma, um conhecimento intelectual, mas consiste em abrir os olhos do coração para ver o que temos em Cristo. Como é que você sabe que os seus pecados estão perdoados? É porque o seu pastor disse? Não, você simplesmente sabe. Porque tal conhecimento vem por revelação do próprio Senhor. As evidencias do perdão para os pecadores estão na Bíblia, mas para a Palavra escrita se transformar em Palavra viva, Deus teve que lhe dar o "espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele", Ef 1.17. Precisou tomar conhecimento da Palavra, deste modo a cada nova revelação de Cristo, o saber se instala no próprio coração, e agora pode “vêr em espírito”. Uma luz brilha no seu íntimo de modo que você fica persuadido do fato. O que é verdadeiro acerca do perdão dos pecados não é menos verdadeiro a respeito da libertação do poder do pecado. Quando a luz de Deus começa a raiar em nosso coração, vemos que estamos em Cristo. Não é porque alguém nos disse, nem meramente porque Romanos 6 afirma. É algo mais do que isso. Sabemos porque Deus nos revelou pelo seu Espírito. Talvez não o sintamos, mas sabemos, porque o temos visto. Uma vez que temos visto a nós mesmos em Cristo, nada pode abalar a nossa certeza a respeito deste bendito fato. Se perguntar a alguns crentes que entraram na vida cristã real, como chegaram a esta experiência, uns dirão que foi desta forma, e outros de forma diferente. Cada um ressalta a forma específica como entrou na experiência, e cita versículos para apoiá-la; infelizmente, muitos cristãos procuram usar suas experiências individuais e suas escrituras especiais para colocar-se em conflito com outros cristãos. Embora, os caminhos são diferentes para uma vida mais profunda em Cristo, não devemos considerar exclusivas, mas apenas complementares. Uma coisa é certa: Toda, experiência verdadeira só pode ser alcançada através da revelação de algo mais da Pessoa e da Obra do Senhor Jesus Cristo. Está é a prova crucial e absolutamente segura. Paulo mostra que tudo depende desta verdade: "Sabendo isto, que foi crucificado com
  • 19.
    19 ele o nossovelho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos", Rm 6.6. A revelação divina é essencial ao conhecimento Assim sendo, nosso primeiro passo é buscar da parte de Deus o conhecimento que vem da revelação, não de nós mesmos, mas da obra consumada do Senhor Jesus Cristo na Cruz. A experiencia que Hudson Taylor, o fundador da Missão para o Interior da China, teve para entrar na vida cristã real, foi a seguinte: Ele falava do problema que há muito tempo estava sentindo. “O que fazer para viver em Cristo". Sabia perfeitamente que devia ter a vida de Cristo emanando através de si mesmo, contudo, não sentia isto acontecendo com ele. Via claramente que as suas necessidades deviam ser satisfeitas em Cristo. Eu sabia, dizia ele, escrevendo à sua irmã, de Chinkiang, em 1869, “se eu apenas pudesse permanecer em Cristo, tudo iria bem, mas, não consigo". Quanto mais procurava entrar em Cristo, tanto mais se afastava, até que um dia a luz brilhou, a revelação veio e ele entendeu tudo. Sinto que está aqui o segredo: não em perguntar como vou conseguir tirar a seiva da videira para colocá-la em mim mesmo, mas em aceitar que Jesus é a Videira, a raiz, a cepa, as varas, os renovos, as folhas, a flor, o fruto, tudo. Cristo é tudo, na verdade. Não preciso fazer de mim mesmo uma vara. “Sou parte de Cristo, apenas preciso crer nisso e agir em conformidade”. Muitas vezes tinha visto está verdade na Bíblia, mas agora creio nela como realidade viva em mim. Foi como se a verdade que sempre existira se tornasse real para ele, sob uma nova forma. Outra vez escreve à irmã: Não sei até que ponto serei capaz de me tornar inteligível a este respeito, pois não há nada novo, mas todavia, tudo é maravilhoso! Numa palavra, "Eu era cego e agora vejo. Estou morto e crucificado com Cristo. Sim, ressurreto e assunto também. Deus me reconhece assim, e me diz, que é assim que me considera”. Ele é Quem sabe! Oh, que alegria ver esta verdade! Oro, com todas as forças do meu ser, para que os olhos do seu entendimento também possam ser iluminados, para que vejas as riquezas que livremente nos foram dadas em Cristo, para que voce possa se regozijar nelas. Realmente, que coisa grandiosa é ver que estamos em Cristo! Procurar entrar numa sala, dentro da qual já estamos, seria criar em nós um senso de confusão enorme. Pense no absurdo, de pedir a alguém que nos ponha lá dentro. Se já estamos dentro, não precisamos mais fazer esforços para entrar. Se tivéssemos mais revelações, teríamos menos petições e mais louvores. Muitas das nossas orações a nosso favor, são proferidas porque somos cegos a respeito daquilo que Deus já nos deu. Lembro-me de um dia em Xangai quando falava com um irmão bastante exaltado e preocupado quanto à sua condição espiritual. Dizia ele: "Existem tantos que vivem vidas belas e santas! Sinto vergonha de mim mesmo. Chamo-me cristão, mas quando me comparo com outros, sinto que não sou cristão à altura de forma alguma. Quero conhecer essa vida crucificada, essa vida ressurreta, mas não a conheço. Não vejo forma de alcançá-la". Tentamos levar o homem a ver, que nada poderia ter separadamente de Cristo, mas os nossos esforços não alcançaram êxito. Então, ele nos disse: "A melhor coisa que eu posso fazer é orar pedindo a Deus está experiencia". Mas, se Deus já lhe deu tudo, por que precisa pedir? " perguntamos. "Ele ainda não o fez", respondeu, "visto
  • 20.
    20 que eu aindaperco o meu domínio próprio, falho constantemente; de modo que devo continuar orando". Perguntamos, voce alcança as coisas que pede em oração? Lamento dizer que não consigo nada", respondeu. Tentamos chamar sua atenção para o fato dele não ter feito nada em favor da sua justificação, do mesmo modo, não precisava fazer coisa alguma a respeito da sua santificação. Em dado momento, um terceiro irmão muito usado pelo Senhor, entrou e juntou-se a nós. Havia uma garrafa térmica em cima da mesa, e este irmão há pegou e disse: "O que é isto? " "Uma garrafa térmica". "Bem, imaginemos que esta garrafa térmica pudesse orar, e que começasse a orar da seguinte maneira: "Senhor, desejo muito ser uma garrafa térmica. Concede a tua graça Senhor, para que eu me torne uma garrafa térmica. Por favor, faz de mim uma garrafa termica!" O que diria o amigo? "Penso que nem mesmo uma garrafa térmica seria tão pateta", respondeu o nosso amigo. "Não faz sentido orar desse modo. Ela já é uma garrafa térmica!" Então, aquele irmão disse: "Você está fazendo exatamente a mesma coisa. Deus já o incluiu em Cristo; quando Ele morreu, você também morreu; quando Ele ressuscitou, você também ressuscitou. Portanto, você não pode dizer hoje: Quero morrer! Quero ser crucificado! Quero ter uma vida ressurreta! Porque o Senhor simplesmente olhará para você e dirá: Você já está morto! Você já tem uma nova vida! A sua oração é tão absurda como a da garrafa térmica. Você não tem necessidade de orar ao Senhor para pedir o que já possue. Apenas, precisa ter os olhos abertos para ver que Ele já fez tudo isso. Esta é a questão: Não precisamos trabalhar para alcançarmos a morte do velho homem, nem precisamos esperar para morrer, porque já estamos mortos para o pecado. Agora, só nos falta reconhecer o que o Senhor já fez, e louvá-lo por isso. Uma nova luz desceu sobre aquele homem. Com lágrimas nos olhos, disse: Senhor, louvo-te porque já me incluíste em Cristo, agora sei, que tudo o que é dele é meu. A revelação chegou, e a fé o capacitou para que a verdade se torna-se real. Tempos depois, quando encontramos aquele irmão, verificamos a tranformção que a revelação fez em sua vida. A Cruz atinge a raiz dos nossos problemas A obra consumada de Cristo realmente atingiu a raiz dos nossos problemas, solucionando-os para Deus. Sabendo isto, "que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos", Rm 6.6. “Ou, porventura ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados em sua morte?”, Rm 6.3.
  • 21.
    21 IV A VEREDA DOPROGRESSO: CONSIDERAR-SE Entramos agora num assunto sobre o qual tem havido alguma confusão entre os filhos de Deus. Em Rm 6.6, "Sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem". O tempo do verbo é muito preciso, pois situa o acontecimento no passado distante. É um acontecimento final, realizado de uma vez para sempre, e não pode ser desfeito. O nosso velho homem foi crucificado, uma vez para sempre, e jamais poderá voltar à situação de não crucificado. Sabendo que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, o passo seguinte é considerar-se. "Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado", Rm 6.11. A ordem natural é está: "Sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem... considerai-vos mortos para o pecado", Rm 6.6,11. Infelizmente a ênfase desta verdade de sabermos da nossa união com Cristo tem sido colocada de lado, porque priorisam o fato de considerar-se mortos, como se fosse este o ponto a ser alcançado, enquanto o que deve ser ressaltado é a necessidade de saber que estamos mortos. O ato de considerar-se deve basear-se no conhecimento da Palavra, pois, de outro modo, a fé não tem fundamento. As pessoas sempre procuram considerar-se, sem previamente saber. Não tiveram previamente a revelação do fato pelo Espírito, mas ainda assim procuram considerar-se e logo se vêem abraçados a toda espécie de dificuldades. “Quando as tentações se manifestam, começam fracamente a considerar-se: "Estou morto; estou morto; estou morto!” Mas, no próprio ato de considerar-se, perdem a serenidade. Depois, dizem: "não está dando certo”. Há certeza, de que realmente estou morto para o pecado, como experiência de vida, tem sua origem no entendimento que já fui crucificado, um fato que já foi consumado. Qual é o segredo de considerar-se? É a revelação. Precisamos de revelação da parte do próprio Deus, Mt 16.17 e Ef 1.17. A união com Cristo e uma experiencia de vida. É algo que vai além de conhecer sua doutrina; tal revelação não é coisa vaga e indefinida. Muitos recordam o dia em que aceitaram “a Cristo como Senhor e Salvador”, e devem ter está mesma certeza, de que também “morremos com Cristo”. Está morte não deve deixar duvidas, precisa estar bem definida, porque é a base para prosseguirmos. Estou morto não porque me considero assim, mas por causa daquilo que Deus fez comigo em Cristo, por isso me considero morto. É este o verdadeiro sentido de considerar-se. Não se trata de considerar-se para ficar morto, mas de considerar-se morto com Cristo, porque essa é a pura realidade. O segundo passo: Conciderar-se O que significa considerar-se? “Considerar” no Grego, significa “fazer contas”. A contabilidade é a única coisa no mundo, que nós seres humanos sabemos que deve ser exata. Considerai-vos, refere-se há uma atitude definida a tomar. Deus pede que
  • 22.
    22 façamos a escrituração,lançando na conta: estou morto, e firmar-se nesta realidade. “Quando o Senhor Jesus esteve na Cruz, eu estava nele”; portanto, considero este fato verdadeiro e realizado. Considero e declaro que morri nele. Paulo disse: Considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus. Como isso é possível? Em Cristo Jesus. Nunca se esqueça que é sempre e somente verdade em Cristo. Se você olhar para si, não sentirá está morte. É questão de fé no Senhor, de olhar para Ele e ver que já realizou. Reconheça e considere o fato consumado em Cristo, e permaneça nesta atitude de fé. Conciderar-se e a Fé . Somos justificados pela fé em Cristo, Rm 3.28 e 5.1. A justificação, o perdão dos pecados e a paz com Deus tornam-se reais pela fé. Sem fé. ninguém pode desfrutar destas dadivas. Em Rm 6, no entanto, não encontramos a fé mencionada tantas vezes, e à primeira vista pode parecer que há uma mudança no ênfase, mas não é assim, porque a expressão “considerar-se” toma o lugar das palavras “fé” e ”crer”. Isto acontece, porque fé, crer e considerar-se neste contesto tem o mesmo significado. O que é fé? É a minha aceitação de fatos divinos, e o seu fundamento sempre se encontra no passado, mas se relaciona com o futuro. Embora, a fé tenha muitas vezes o seu objetivo no futuro, como em Hebreus 11. Talvez, seja por essa razão que a palavra considerar-se, se relaciona unicamente com o passado, como algo já realizado, que nos faz olhar para trás e não como qualquer coisa ainda por acontecer. "Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco", Mc 11.24. Fé é crer que já alcançou. Aqueles que dizem que Deus pode ou pode ser que Deus realize, não crêem de forma alguma, porque a fé sempre diz: Deus já fez. Portanto, quando é que tenho fé no que diz respeito à minha crucificação? Não quando digo que Deus pode ou Deus quer crucificar-me, mas quando afirmo com alegria: Graças a Deus, estou crucificado com Cristo! Desafios a fé: tentações e fracassos Sabemos que o Sangue trata dos nossos pecados e a Cruz de nós próprios. Mas que diremos com respeito à tentação? Qual será a nossa atitude quando os velhos desejos surgirem novamente? Pior ainda, se caírmos em pecados conhecidos mais uma vez? Será que cai por terra o que foi dito? Um dos principais objetivos de Satánas é nos levar a duvidar da Palavra de Deus Gn 3.4. Após termos recebido, pela revelação do Espírito, que estamos mortos em Cristo; vem o Diabo e coloca na mente: "Alguma coisa está se mexendo no seu íntimo; o que você diz a isto? Podemos dizer que isto é morte?" Qual será a nossa resposta em tal caso? Escolhemos crer nos fatos tangíveis do plano natural que estão perante os nossos olhos, ou nos fatos intangíveis do plano espiritual, que não se vêem nem se provam cientificamente? Devemos ser perseverantes a este respeito, porque a nossa fé precisa estar apoiada nas verdades divinas. Em que termos Deus declara que foi efetuada a nossa libertação? A sua Palavra não diz, que o pecado e a tentação, foram desarraigados ou removidos. Não, porque eles estão bem presentes, e se dermos oportunidade cairemos.
  • 23.
    23 O método deDeus tratar dos pecados cometidos é direto, apagando-os da lembrança por meio do Sangue, mas no que diz respeito ao princípio do pecado e a libertação do poder do pecado, Ele opera através do método indireto: não remove o pecado, e sim, o objeto do pecado. O nosso velho homem foi crucificado com Cristo, e, por causa disto, o corpo, que antes fora veículo do pecado, fica desempregado, Rm 6.6. O pecado, ainda está presente, mas o escravo que o servia foi morto e o pecado não encontra mais lugar. Os membros que serviam ao pecado agora estão desempregados. A mão que jogava de apostas ou a língua que blasfemava estão agora desempregados; assim tais membros passam a ser úteis "a Deus como instrumentos de justiça", Rm 6.13. A vontade de pecar não faz parte da natureza daquele que é nascido de Deus. "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado... não pode viver pecando" IJo 3.9. Não esta dizendo que o pecado nunca mais entrará em nossa vida e que não pecaremos mais. A vida de Cristo foi plantada em nós pelo novo nascimento, e a Sua natureza é caracterizada por não cometer pecados. Há, porém, uma grande diferença entre a natureza de uma coisa e o seu comportamento, assim como, há uma grande diferença entre a natureza de Cristo que há em nós e o nosso viver diario. A questão consiste em escolher o que orienta a nossa vida, se são fatos tangíveis da nossa experiência diária ou a presença de Cristo em nós. O poder da Sua ressurreição está ao nosso lado, e todo o poder de Deus está operando na nossa salvação, Rm 1.16, mas está realidade divina depende de nossas escolhas para se tornar real em nossa experiencia de vida. Como é que substancializamos uma coisa? Primeiro devemos conhecer a diferença entre substância e substancializar? Uma substância é um objeto, uma coisa na minha frente. Substancializar significa que tenho poder ou faculdade de tornar aquela substância real para mim. Por meio dos sentidos, substancializamos as coisas do mundo e da natureza, e as transferimos para o nosso conhecimento e percepção interna para poder apreciá-las. A vista e o ouvido, por exemplo, são duas faculdades que nos permite substancializar a luz e o som. Ao olhar para as cores: vermelho, amarelo, verde e azul elas se tornam reais, mas se fechar os olhos, as cores deixam de ser reais; elas simplesmente desaparecem. Com a faculdade da vista possuo o poder de substancializar objetos e cores. Se fosse cego, não poderia substancializa-las ou se fosse surdo, não poderia substancializar a música. A música e a cor, no entanto, são realidades que não são afetadas por minha capacidade ou incapacidade de apreciá-las. Aqui estamos considerando algo superior, que embora não sejam vistas, são eternas, e portanto reais. Evidentemente, não é com nossos sentidos naturais que poderemos substancializar as coisas divinas. Há uma faculdade para a substancialização das coisas que se esperam de Cristo, é a fé. A fé faz com que as coisas que ainda não são reais, se tornem reais na minha experiência. A fé substancializa para mim as coisas de Cristo. "Foi crucificado com Ele o nosso velho homem", Rm 6.6. Por meio da fé substancializo está verdade; mas para os incrédulos, que não são iluminados espiritualmente, não é verdade. "Ora a fé é a certeza das coisas que se esperam e a con- vicção de fatos que se não vêem", Hb 11.1, “e as coisas que se não vêem são eternas", IICo 4.18. "A fé é a substancializaçao das coisas que se esperam", Hb 11.1 Darby. A palavra substancialização significa tornar real as coisas que se esperam
  • 24.
    24 É importante lembrarque não estamos lidando com promessas, e sim, com fatos. As promessas de Deus nos são reveladas pelo Espírito, a fim de que nos apropriemos delas; os fatos porém, permanecem fatos, quer creiamos neles ou não. Se não crermos nos fatos da Cruz, estes ainda permanecerão tão reais como sempre, mas não terão qualquer valor para nós. A fé não é necessária para tornar fatos em coisas reais em si mesmos, mas sim, para substancializá-las e torná-las reais em nossa própria experiência. Qualquer coisa que contradiga a verdade da Palavra de Deus deve ser considerada mentira do Diabo. Qualquer fato que pareça real, aos nossos sentidos, deve curvar-se ao fato maior declarado pela palavra de Deus. Passei por uma experiência que serve para ilustrar este princípio. Há alguns anos, encontrava-me doente. Passei seis noites com febre alta, sem conseguir dormir. Finalmente, Deus me deu, através das Escrituras, uma palavra pessoal de cura e portanto, esperava que se desvanecessem imediatamente todos os sintomas da enfermidade. Ao invés disso, não conseguia conciliar o sono, e me senti ainda mais perturbado; a temperatura aumentou, o pulso batia mais rapidamente e a cabeça doía mais do que antes. O inimigo perguntava: "Onde está a promessa de Deus". "Onde está a sua fé? Qual o valor das suas orações?" Desta forma, senti-me tentado a levar o assunto de novo a Deus em oração, mas fui repreendido por este verso que me veio à mente: "A tua palavra é a verdade", Jo 17.17. Pensei, se a Palavra de Deus é a verdade, então, o que significam estes sintomas? Devem ser mentiras do inimigo e declarei: "Esta falta de sono é uma mentira, esta dor de cabeça é uma mentira, esta febre é uma mentira, esta pulsação elevada é uma mentira. Em face do que Deus me disse, os presentes sintomas de enfermidade são apenas mentiras, e a Palavra de Deus, para mim, é a verdade". Em cinco minutos, já estava dormindo e na manhã seguinte acordei perfeitamente curado. Ora, num caso pessoal como este, existe a possibilidade de ter me enganado a respeito do que Deus havia me dito, mas jamais poderá haver qualquer dúvida quanto ao fato da Cruz. Devemos crer em Deus, não importa quão convincentes pareçam os instrumentos de Satanás. O inimigo se utiliza da mentira para facilmente enganar os nossos sentidos, tanto por meio de palavras, como de gestos e atos. Ele recorre a sinais, sentimentos e experiências falsas na tentativa de abalar a nossa fé na Palavra de Deus. Se estivermos firmes na posição que nos foi revelada em Cristo, o fato de estarmos mortos para pecado será é uma realidade no nosso viver diário. Mesmo, que Satanás nos ataque com suas armas de engano, a escolha quem faz somos nós. Acreditamos nas mentiras do inimigo ou na verdade de Deus? Somos governados pelas aparências ou pela Palavra de Deus? Eu morri com Cristo, quer sinta, ou não. Como posso ter a certeza disso? Porque Cristo morreu por todos; e desde que "um morreu por todos, logo todos morreram", IICo 5.14. Quer a minha experiência comprove ou não, o fato permanece inalterável. Enquanto, eu estiver conciente de que estou em Cristo, Satanás não poderá prevalecer contra mim. Sabemos que seu ataque será sempre contra a nossa certeza. O seu alvo é nos fazer duvidar da Palavra de Deus, quando isto acontece seu objetivo é alcançado, e estaremos em seu poder; mas se descansamos inabaláveis no fato declarado por Deus,
  • 25.
    25 firmes em suaPalavra e crendo que suas obras são imutáveis, poderemos discernir as tática de Satanás. Toda a tentação consiste primariamente em desviar os olhos do Senhor, para depois, ser impressionado pelas aparências. A nossa mente sempre encontra uma montanha de motivos para nos desviar da Palavra de Deus. Pode ser qualquer coisa: fracassos, atitudes, sentimentos ou sugestões, tudo contribue para nos desviar do caminho. Se recorrermos aos sentidos na busca pela verdade, seremos induzidos pelas mentiras de Satanás, porém, se recusamos a aceitar qualquer coisa que contradiga as escrituras e mantivermos uma atitude de fé, veremos as mentiras do inimigo se dissolverem. O fato de estarmos firmes na Palavra produz uma real justificação e uma real santificação. Esta é a marca da maturidade, que Paulo aplicou aos galatas, quando disse: "De novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós", Ga 4:19. A fé é a substancialização das coisas que são eternamente verdade. Permanecer em Cristo Estamos familiarizados com as palavras do Senhor Jesus: "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós”, Jo 15.4. Elas nos lembram, mais uma vez, que jamais teremos que lutar para entrar em Cristo. Não nos mandam alcançar está posição, porque já estamos lá; a ordem é para permanecer onde já fomos colocados. Foi um ato do próprio Deus que nos colocou em Cristo, e nós devemos permanecer nele. Além disso, este versículo estabelece o princípio divino: que Deus fez a obra em Cristo, e não em nós como indivíduos. A morte e ressurreição do Filho de Deus incluí todos nós, porém foi cumprida totalmente à parte de nós. É a vida de Cristo que se torna a experiência do cristão, e não, que teremos experiências espirituais separadas dele. Fomos crucificados, vivificados, ressuscitados e sentados por Deus nos lugares celestiais, e nele estamos perfeitos, Rm 6.6, Ef 2.5,6 e Cl 2.10. Não se trata de alguma coisa, que ainda precisa ser efetuada em nós (embora carecemos deste aspecto). É algo que já foi efetuado, por estarmos associados com Ele. O que Deus fez, no seu propósito gracioso, foi incluir-nos em Cristo. Ao tratar de Cristo, Deus tratou do cristão; no seu trato com a Cabeça, tratou também dos membros. “É inteiramente errado pensar que podemos ter experiências espirituais separados de Cristo”. Toda a experiência espiritual do cristão esta fundamentada em Cristo como fonte de realização. O que chamamos de nossa experiência é somente a nossa entrada na vida de Cristo. Seria sem fundamento numa videira um galho produzir uvas vermelhas, outro uvas verdes e outro uvas roxas, porque os galhos não podem produzir uvas com características próprias, pois é a videira que determina as carateristicas dos galhos. Todavia, há crentes que buscam experiências próprias, para eles a crucifixão é uma coisa, a ressurreição é outra, a ascensão é outra, e nunca se detêm para pensar que todas estas coisas estão relacionadas com uma única Pessoa. Experiência espiritual verdadeira significa mais de Cristo em nós. Que coisa maravilhosa conhecer as realidades de Cristo como o fundamento da nossa experiência! Qual a finalidade das crises no viver cristão? Não há dúvida, que alguns passaram por crises em suas vidas. Por exemplo, G. Muller teve sua crise, quando previu a volta
  • 26.
    26 de Jesus parao dia 22 de outubro de 1844; mas o fato não aconteceu. A realidade das experiências espirituais pelas quais passamos, nem sempre são positivas, porém as crises que nos sobrevem, sempre satisfazem ao propósito divino. As experiências que Deus permite que nos sobrvenham são apenas uma participação daquilo que Ele já passou, quando aqui esteve. “A experiência de Cristo torna-se a nossa, pois não temos uma vida separado da dele”. Todo o trabalho de Deus a esse respeito, não é efetuado em nós, mas em Cristo. Deus não faz um trabalho separado para cada indivíduo, à parte do que ele já fez no Calvário. Mesmo, a vida eterna não é dada a nós como indivíduos: “A vida está no Filho, e quem tem o Filho tem a vida", IJo 5.11-12. Deus fez tudo no seu Filho e nós somos incluidos nele; estamos incorporados em Cristo. Ora, o que queremos frisar com tudo isto, é que: Deus nos incluiu em Cristo e portanto, tudo que é verdade a respeito dele também se aplica a nós. Satanás sempre procura nos convencer, através de tentações, fracassos, sofrimentos e provações na tentativa de mostrar que estamos fora de Cristo. Geralmente, quando passamos por estas provações o nosso primeiro pensamento é que, se estivéssemos em Cristo, não estaríamos passando por estas crises. Então, começamos a orar: "Senhor, coloca-me em Cristo". Não! O mandamento de Deus é para permanecermos em Cristo. Mas, porquê deve ser assim? Porque este é caminho do livramento, pois dá a possibilidade de Deus intervir na nossa vida e realizar a sua obra em nós. Assim, há lugar para a operação do seu poder superior, o poder da ressurreição, Rm 6.4,9,10, de modo que os fatos de Cristo se tornam progressivamente os fatos da nossa experiência diária. “Onde antes o pecado reinou", Rm 5.21, agora descobrimos que já “não servimos o pecado como escravos”, Rm 6.6. À medida que permanecemos firmes nos fundamentos de Cristo, a sua experiência se torna realidade em nós. Mas, se ao invés disto, olharmos para a base daquilo que somos, para nós próprios, acharemos que tudo que se relaciona a nossa velha natureza continua vivo em nós. Por isso, muitas vezes vamos procurar a morte do nosso eu no lugar errado. É em Cristo que a encontramos. Mortos para o pecado, mas "vivos para Deus", Rm 6.11. Permanecei em mim e eu em vós. Esta frase consiste em um mandamento ligado a sua promessa. O trabalho de Deus, tem um aspecto objetivo e outro subjetivo, e o lado subjetivo depende do objetivo; Deus em nós é o resultado da nossa posição de permanecer nele. Não devemos nos preocupar demais com o lado subjetivo das coisas, que nos leva a ficar voltados para nós mesmos, e sim, permanecer naquilo que é o nosso objetivo, permanecer em Cristo, e deixar que Deus tome conta do aspecto subjetivo. Para andar com Deus a nossa atenção deve fixar-se em Cristo. Permanecei em mim, e eu em vós, esta é a ordem divina. É assim que o apóstolo Paulo apresenta esta verdade: "Todos nós... contemplando... a glória do Senhor, somos transformados na sua própria imagem", IICo 3.18. O mesmo princípio domina na vida frutífera: "Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto", Jo 15.5. Não devemos nos preocupar em produzir frutos, nem nos concentrar no frutos produzidos. A parte que nos toca é olhar para Cristo, porque ele irá cumprir a sua Palavra em nós. Como é que permanecemos em Cristo? Vós sois de Deus em Cristo Jesus. Coube a Deus nos colocar em Cristo, e ele já o fez. Agora, que estamos em Cristo não olhamos
  • 27.
    27 para nós mesmos,como se não estivéssemos nele, mas olhamos para Cristo, e nos vemos nele, com a certeza que Deus nos incluiu no seu Filho, e a nossa expectativa é que ele complete a sua obra em nós. Cabe a Ele cumprir a gloriosa promessa de que "o pecado não terá domínio sobre vós", Rm 6.14.
  • 28.
    28 V A LINHA DIVISÓRIADA CRUZ O reino deste mundo não é o reino de Deus. Deus tinha no seu coração um sistema cósmico, o universo da sua criação teria Cristo, o seu Filho, por cabeça, Cl 1.16,17. Satanás porém, operando através da carne do homem estabeleceu um sistema rival, conhecido nas Escrituras como este mundo, sistema em que nós estamos envolvidos e que é dominado por Satanás. Ele se tornou realmente "o príncipe deste mundo", Jo 12.31. Desta forma, nas mãos de Satanás, a primeira criação se transformou em velha criação, e Deus está trabalhando para reverter está situação. Ele está introduzindo a nova criação, o novo reino e o novo mundo e nada da velha criação, do velho reino e do velho mundo poderá ser transferido para o novo. Trata-se de dois reinos rivais, nós temos que fazer a escolha a qual deles damos a nossa lealdade. O apóstolo Paulo, não nos deixa em dúvidas sobre qual dos dois reinos realmente pertencemos, quando disse: que Deus, pela redenção, "nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor", Cl 1.13. Deus teve que fazer algo novo, nos transformar em novas criaturas, porque nada que pertença a velha criação entrará em seu novo reino. "O que é nascido da carne, é carne," e "carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção", Jo 3.6; ICo 15.50. A carne, por mais educada, culta e melhorada que seja, continua sendo carne. O que determina se estamos aptos para o novo reino é a criação à qual pertencemos. Se pertencemos à antiga criação ou à nova? Nascemos da carne ou do Espírito? Em última análise, é a nossa origem que define se somos aptos para o novo reino. A questão não é o fato de sermos bons ou maus, e sim, se pertencermos à carne ou ao Espírito. "O que é nascido da carne, é carne", e nunca será outra coisa. O que pertence à velha criação, nunca poderá ser transferido para a nova, tem que morrer. Uma vez que realmente compreendemos que Deus procura algo inteiramente novo para si, perceberemos que nada há do velho mundo que possa contribuir para o novo. Deus nos desejou para si mesmo, mas não poderia nos levar assim como estávamos. Para pertencermos a nova criação, é necessário eliminar a nossa velha vida. Isto, se tornou possivel através da cruz, ressureição e glorificação de Cristo. "Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas", IICo 5.17. Sendo, agora, uma nova criatura, com uma nova natureza, podemos entrar no novo reino e no novo mundo. A Cruz foi o meio que Deus empregou para pôr fim às coisas antigas, pondo inteiramente à parte o nosso velho homem, e a ressurreição foi o meio que ele empregou para nos transmitir tudo que era necessário para a nossa vida no novo mundo. "Para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida", Rm 6.4.
  • 29.
    29 O maior atode correção do universo é a Cruz, porque por meio dela, Deus riscou e destruiu tudo o que não era dele. O maior ato de beneficio do universo é a ressurreição, pois por meio dela, Deus trouxe à existência tudo o que ele quer que desfrutemos nesta nova esfera. Assim, a ressurreição está no limiar da nova criação. É coisa abençoada ver que a Cruz acaba com tudo aquilo que pertence ao primeiro sistema e que a ressurreição introduz tudo o que pertence ao novo sistema. Tudo o que teve o seu começo antes da ressurreição deve ser abolido. A ressurreição deve ser, antes de tudo, o novo ponto de partida para Deus. Temos pois, dois mundos diante de nós, o velho e o novo. No velho, Satanás tem domínio absoluto. Você pode ser um homem bom na velha criação, mas enquanto a ele pertencer está sob a sentença de morte, porque coisa alguma da velha criação pode ter acesso à nova. A Cruz é o ato de Deus para nos transformar, onde tudo o que pertence à velha criação tem que morrer. Nada do primeiro Adão pode passar para além da Cruz, tudo acaba ali. Quanto mais cedo percebemos isso melhor, pois foi pela Cruz que Deus traçou para nós um caminho de libertação da velha criação. Deus reuniu na Pessoa do seu Filho, tudo o que era de Adão, e crucificou; assim, tudo o que era de Adão foi abolido por meio de Cristo. Depois, por assim dizer, Deus fez uma proclamação por todo o universo, dizendo: "Pela Cruz, eu afastei tudo que não é meu; vós que pertenceis à velha criação estão todos incluídos nela; porque vós também fostes crucificados com Cristo!” Ninguém pode escapar deste veredito. Isso nos leva ao assunto do batismo. "Ou, porventura, ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepul- tados com ele na morte pelo batismo", Rm 6.3,4. Qual é o significado destas palavras? O batismo, nas Escrituras, está associado com a salvação. "Quem crer e for batizado será salvo", Mc 16.16. Não podemos falar de regeneração batismal, mas podemos falar de salvação batismal. O que é a salvação? Ser salvo não está relacionado apenas com os nossos pecados, nem com o poder do pecado, mas com o Cosmos, ou sistema do universo. Neste mundo estamos envolvidos no sistema satânico. Ser salvo, significa sair deste sistema de Satanaz e entrar no sistema cósmico de Deus. Por causa da cruz de Crisro, "o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo", Gl 6.14. Veja a ilustração desenvolvida por Pedro, quando escreveu acerca das oito almas que foram "salvas pela água", IPe 3.20. Entrando na arca, Noé e os que estavam com ele marcharam, pela fé, para fora daquele mundo velho e corrupto, com destino a um mundo novo. Não se tratava deles pessoalmente não terem se afogado, mas por se encontrarem fora daquele sistema corrupto. Isto é salvação. Pedro prossegue: “a qual [as aguas do diluvio], figurando o batismo agora também vos salva", IPe 3.21. Noutras palavras, o aspecto da Cruz figurado no batismo, nos liberta deste mundo mau. Pelo batismo nas águas estamos unidos em sua morte na cruz, pondo fim a velha criação; mas também visa uma nova criação em Jesus Cristo, Rm 6.3. Ao afundarmos na água o nosso velho mundo, figurativamente, também afunda conosco e ao emergimos em Cristo, o nosso velho mundo e o velho homem ficam afun- dados (sepultados).
  • 30.
    30 Disse Paulo emFilipos. "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e a tua casa. E lhe pregaram a palavra de Deus, e a todos os da sua casa... A seguir foi ele batizado, e todos os seus, At 16.31-33. Atravéz deste ato testificaram perante Deus, perante o povo e aos poderes espirituais que se encontravam realmente salvos de um mundo sob julgamento. Como resultado, "todos os seus, manifestava grande alegria por terem crido em Deus", At 16.34. É claro, pois, que o batismo não é mera questão de uma taça de água, nem mesmo de um batistério de aspersão de água, sendo algo muito maior, porque está relacionado com a morte e ressurreição do Senhor Jesus. Para ser real, torna-se nescessário afundar, sepultar em aguas profundas, e depois emergir em novidade de vida. Tendo em vista a separação entre os dois mundos existentes, o velho e o novo. A sepultura significa o fim Qual é a minha resposta ao veredito de Deus sobre a velha criação? Respondo, pedindo o batismo, porque o batismo significa sepultuamento. "Fomos sepultados com ele na morte pelo batismo", Rm 6.4. O batismo está evidentemente relacionado tanto com a morte como com a ressurreição. Mas quem está preparado para a sepultura? Somente os mortos. De modo que, quando pedimos o batismo, proclamamos que estamos mortos e aptos somente para a sepultura. Se os nossos olhos não forem abertos por Deus, para ter o entendimento que morremos com Cristo e que fomos sepultados juntamente com ele, não temos o direito de ser batizados. A razão de entrarmos na água, é o reconhecimento de que aos olhos de Deus, já morremos. É está verdade que testificamos. A pergunta de Deus é clara e simples: "Cristo morreu e incluíu você nele”; qual a sua resposta? Respondo: "Creio Senhor que tu já operaste a crucifixao, e digo sim, à morte e à sepultura”. Cristo levou-me à morte e à sepultura, e ao pedir o batismo, dou meu testemunho público deste fato. Na China, certa mulher perdeu o marido, mas sofrendo um problema mental provocado pela perda, recusou-se totalmente a permitir que ele fosse sepultado. Dia após dia, durante uma quinzena, ele jazeu em casa. "Não" dizia ela, "ele não está morto; falo com ele todas as noites". Não queria que o marido fosse sepultado porque a coitada não acreditava que estivesse morto. Quando é que estamos prontos a sepultar os nossos queridos? Apenas, quando certificamos que eles faleceram. Enquanto restar a mais tênue esperança de que eles podem estar vivos, nunca iremos sepultá-los. Quando é, pois, que peço o batismo? Quando percebo que o caminho de Deus é perfeito, que mereço morrer, e estou verdadeiramente preparado perante Deus, para entregar o velho homem para ser sepultado. Só, então posso dizer: "Graças a Deus estou morto para o mundo! Senhor, sepulta-me!" Há um mundo velho e um mundo novo, e entre os dois há um túmulo. Deus já me crucificou, mas eu tenho que consentir em colocar o velho homem no túmulo. O meu batismo confirma a sentença de Deus pronunciada sobre mim na cruz do seu Filho. Declara que eu fui cortado do velho mundo, e que pertenço agora ao novo. Assim, o batismo é um ato de grande importância. Significa para mim um corte consciente e definitivo com o velho modo de vida. É este o significado de, Rm 6.2, "Como viveremos ainda no pecado, nós que para ele morremos?". Paulo diz, com efeito: "Se querem
  • 31.
    31 continuar no velhomundo, porquê então ser batizados? Nunca deveriam ser batizados se tencionavam continuar a viver no velho sistema". Uma vez que temos entendimento, desimpedimos os alicerces da nova criação, pelo ato de consentir em sepultar a velha. Depois, em Rm 6.3,5, escrevendo ainda àqueles que foram batizados, ele afirma que fomos "unidos com ele (Cristo) na semelhança da sua morte", porque pelo batismo reconhecemos, em figura, que Deus operou uma união íntima entre nós e Cristo, no que se refere à sua morte e ressurreição. Certo dia, procurava dar relevo a esta verdade perante um irmão. Tomávamos chá juntos, e tomei um cubo de açúcar e o coloquei na minha xícara de chá. Dois minutos depois perguntei: "Pode me dizer agora onde está o açúcar e onde se encontra o chá?" "Não", disse ele. "Juntaram-se, um se uniu ao outro; não podem agora ser separados". Era uma ilustração simples, mas auxiliou a perceber a intimidade e a finalidade da nossa união com Cristo na morte. Foi Deus que nos incluiu nele, e os atos de Deus não podem ser anulados. Qual é o significado real desta união? Na Cruz fomos inseridos na morte de Cristo, onde a sua morte tornou-se a nossa. As duas mortes se identificaram tão intimamente que é impossível traçar uma divisão entre elas. É está união com Cristo, operada por Deus, que acontece conosco, quando consentimos em ser imersos na água pelo batismo. O testemunho público do batismo é hoje o nosso reconhecimento, de que a morte de Cristo há dois mil anos incluiu a todos. É suficientemente poderosa e inclusiva para por termo a tudo que não provém da parte de Deus. Ressurreição em novidade de vida ”Se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressureição”, Rm 6.5. Em relação a ressureição, a figura é diferente, porque algo novo é introduzido. “Sou batizado na sua morte”, mas não entro na sua ressureição exatamente assim. Louvado seja o Senhor, porque é a sua ressureição que me comunica uma vida nova. Na morte do Senhor resalta-se somente, eu em Cristo. Com a ressureição um novo enfase e acrecentado, Cristo em mim. Como é possivel que Cristo me comunique sua vida ressurreta? Como recebo está vida nova? Paulo diz que fomos unidos, no Grego o sentido é enxertados. Assim, a vida divina e sem pecado de Cristo foi comunicada a nós atravéz da sua ressurreição. Como pode uma árvore produzir fruto de outra? Como pode uma árvore inferior produzir bom fruto? Somente por meio do enxerto. Somente se nela implantarmos a vida de uma árvore boa. Se um homem pode enxertar um ramo de uma árvore noutra, não pode Deus tomar da vida de Seu Filho e enxertá-la em nós? Certa mulher chinesa queimou o braço gravemente e foi levada ao hospital. A fim de evitar sérias complicações devido à cicatrização, achou-se necessário enxertar um pouco de pele nova na área lesada, mas o médico cirurgião tentou em vão enxertar um pedaço da pele da própria mulher no braço. Devido à sua idade e a uma alimentação deficiente, o enxerto da pele era demasiado pobre e não pegava. Então, uma enfermeira estrangeira ofereceu um pedaço de pele, e a operação foi feita com êxito. A pele nova uniu-se com a velha e a mulher saiu do hospital com o braço perfeitamente curado; mas
  • 32.
    32 ficou ali umremendo de pele branca e estrangeira no seu braço amarelo, para contar aquele incidente do passado. Se um cirurgião humano pode tomar um pedaço da pele de uma pessoa e enxertá-lo noutra, não pode o Divino Cirurgião implantar a vida de seu Filho em mim? Não sei como é feito. "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito", Jo 3.8. Não sabemos explicar como Deus realizou a sua obra em nós, só sabemos que o fez. Deus já completou a obra por meio da ressurreição de Cristo. Deus fez tudo. Há somente uma vida frutífera no mundo, e esta vida tem sido enxertada em milhões de outras vidas. É isto que chamamos novo nascimento. O novo nascimento é quando recebo uma vida que eu não possuía antes. Não se trata da minha vida ter sido, de algum modo, modificada, e sim, que outra vida, uma vida inteiramente nova, inteiramente divina, foi implantada em mim. Deus cortou e excluiu a velha criação pela Cruz do Seu Filho, a fim de produzir uma nova criação em Cristo, pela ressurreição. Encerrou a porta para o velho reino das trevas e me transferiu para o reino do seu Filho Amado. Eu me glorio nisso, que pela Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, aquele velho mundo "está crucificado para mim e eu para o mundo", Gl 6.14. O meu batismo é o meu testemunho público real deste fato e por meio dele, assim como pelo meu testemunho oral, faço a minha confissão para a salvação.
  • 33.
    33 VI A VEREDA DOPROGRESSO: OFERECER-SE Vamos considerar agora a verdadeira natureza da consagração. “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça", Rm 6.12;13. Paulo diz: “Oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos”. O que aqui se refere não é a consagração de qualquer coisa pertencente à velha criação, mas somente o que passou através da morte para a ressurreição. A atitude de oferecer-se é o resultado de saber e conciderar, que o meu velho homem foi crucificado. Saber, considerar-se e oferecer-se a Deus esta é a ordem divina. Sabendo isto, que fui crucificado com Cristo, então, espontaneamente, “me considero morto”, Rm 6.6,11 e quando tenho entendimento que ressuscitei juntamente com Ele dentre os mortos, então, considero-me "vivo para Deus em Cristo Jesus", Rm 6.9,11.Tanto o aspecto da cruz, denominado morte, como o da ressurreição, que é a nova vida, se tornam reais pela fé. A nossa entrega depende desta revelação. Na ressurreição, Cristo é a fonte da minha vida, de modo que ofereço tudo a ele, pois tudo foi feito por ele e para ele. Mas, sem passar pela morte, nada tenho para consagrar, nada há de aceitável a Deus, pois tudo quanto é da velha criação, já foi condenado na cruz. A morte acabou com tudo o que não pode ser consagrado a Deus, somente a ressurreição torna possível qualquer consagração. Oferecer-me a Deus, significa que daqui em diante considero a minha vida como pertencente a ele. O terceiro passo: Oferecer-se O ato de oferecer-se está relacionado aos membros do nosso corpo, que agora estão desempregados, porque tudo o que se relaciona com o pecado está morto. "Oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus como instrumento de justiça", Rm 6.13. Deus quer que consideremos todos os nossos mem- bros e faculdades como propriedades dele. É uma coisa grandiosa quando descobrimos que não pertencemos mais a nós mesmos, pois somos dele. Porquê Cristo ressuscitou, estamos vivos para Deus e não para agradar a nós próprios! A vida cristã real começa com o conhecimento desta verdade. Será, que a nossa vida está fundamentada neste sentimento tão forte de pertencer a Outro e não mais utilizarmos o nosso tempo, dinheiro e talento para satisfazer a nossa própria vontade? Certa ocasião, um irmão chinês viajava de trem, juntamente com três pessoas não crentes, que queriam jogar baralho para passar o tempo. Faltando um quarto parceiro para completar o jogo, convidaram este irmão a fazer parte da partida. "Lamento decepcioná-los", disse ele, "mas não posso participar do jogo, porque não trouxe
  • 34.
    34 comigo as minhasmãos". Atônitos, olharam para ele e disseram: "Que é que você quer dizer?". "Este par de mãos não me pertence", disse ele, passando então a explicar a transferência de propriedade que tivera lugar na sua vida. Aquele irmão considerava os membros do seu corpo como pertencentes inteiramente ao Senhor. Este é o verdadeiro caminho para santificação. "Oferecei, agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação", Rm 6.19. Tornemos real o ato de "oferecer-nos a Deus". Separados para o Senhor O que é santidade? Muitas pessoas pensam que para tornar-se santos precisam eliminar o mal que existe dentro deles. Não, o verdadeiro sentido de santidade se refere: a ser separados para Deus. Nos tempos do Antigo Testamento o homem escolhido para ser inteiramente de Deus era publicamente ungido com óleo e dizia-se então, que estava santificado. Daí em diante era considerado como posto à parte para Deus. Do mesmo modo, os animais e até as coisas, um cordeiro ou os útencilios de ouro do templo podiam ser santificados, não pela extirpação de alguma coisa má, mas por estarem reservados exclusivamente para o Senhor. A santidade, no sentido hebraico, significava posto à parte para o Senhor, Ex 8.36. A verdadeira santificação é entregar-se inteiramente a Cristo. Oferecer-me a Deus, implica no reconhecimento de que sou inteiramente dele. Este ato de me entregar ao Senhor é algo bem definido, tal como, o reconhecimento de que em certo dia da minha vida, eu passei das minhas próprias mãos para as mãos dele, e a partir deste dia não pertenço mais a mim mesmo. Isso significa, que não me consagro para ser pregador ou missionário, mas me consagro ao Senhor. Infelizmente, muitos são missionários não porque se consagraram a Deus, mas por consagrar a si proprio. Então, utilizam suas faculdades naturais não crucificadas, para realizar a obra de Deus; porém, está não é a consagração que Deus pede de nós. O que deve ser consagrado? Não, é a nossa vontade de fazer a obra de Deus, e sim, nos mesmos para entender e fazer à vontade de Deus. Se você é crente, então Deus, já tem um caminho preparado para você, uma carreira como disse Paulo, “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”, IITm 4.7. Não só a carreira de Paulo, como também a de todo crente, foi claramente traçada por Deus; é de máxima importância que cada um conheça e ande no caminho designado por Deus. Se não comhecemos a vontade de Deus, podemos orar: "Senhor entrego-me a ti, com o desejo sincero de conhecer e andar no caminho que escolheste para mim". Essa é a verdadeira entrega. Se no fim da vida pudermos dizer como Paulo: Completei a carreira, então seremos verdadeiramente abençoados. Não há nada mais trágico do que chegar ao fim da vida e descobrir que andamos no caminho errado. Temos apenas uma vida para viver e somos livres para fazer com ela o que nos agradar, mas se buscarmos o nosso próprio prazer nunca glorificaremos a Deus. Ouvi certa vez uma irmã devota dizer: "Nada quero para mim; quero tudo para Deus". Você deseja alguma coisa separadamente de Deus, ou todo o seu desejo se centraliza na vontade dele? Será que podemos dizer que a vontade de Deus é "boa, agradável e perfeita", Rm 12.2? A nossa vontade com tendencias para as coisas do mundo, tem que ir à cruz, para que a vontade de Deus prevaleça em nós. Não podemos esperar que um alfaiate nos faça
  • 35.
    35 um terno senão lhe dermos o tecido; nem que um construtor edifique uma casa para nós, se não pusermos ao seu dispor o material necessário. Da mesma forma, não podemos esperar que o Senhor viva a sua vida em nós, se não lhe dermos as nossa vida para que ele possa manifestar a sua vida em nós. Sem reservas, sem controvérsia, devemos dar-nos a Ele, para que faça em nós a sua vontade. "Oferecei-vos a Deus", Rm 6.13. Servo ou escravo? Para nos entregarmos a Deus sem reservas, muitos ajustamentos serão necessários: na família, nos negócios, na igreja e em nossas opiniões pessoais. Deus não deixará sobrar nada de nós mesmos, da nossa vida carnal. O seu dedo tocará uma por uma, todas as coisas que não são dele, e dirá: ”Isto não é meu, tem que morrer”. Você está pronto? É loucura resistir a Deus, mas prudente e sábio é submeter-se. Muitos colocam dificuldades aos planos que Deus tem preparado. Ele mostra um caminho, enquanto nós seguimos por outro. Não oramos, nem pensamos, nem consideramos por medo de perder a nossa paz. Podemos fugir do problema, mas isso nos coloca fora da vontade de Deus. É sempre fácil nos afastar da sua vontade, mas é uma bênção nos entregar e deixar que realize o seu propósito em nós. Não há coisa alguma mais preciosa no mundo do que pertencer ao Senhor. Primeiro, precisamos ter o sentimento que somos propriedade de Deus, antes de sentir a sua presença. Se a sua soberania está estabelecida em nossa vida, então não ousaremos mais fazer coisa alguma de nosso próprio interesse, pois somos propriedade exclusiva dele. “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos?” Rm 6.16. Aqui, a palavra servo, significa escravo. Qual é a diferença entre um servo e um escravo? Um servo pode servir a outra pessoa sem se torna propriedade dele. Se ele gostar do seu senhor, poderá servi-lo, mas se não gostar, poderá notificá-lo que quer deixar o serviço, e buscar outro senhor. O mesmo não acontece com o escravo, ele não é apenas empregado, mas também é propriedade do seu senhor. Como me tornei servo do Senhor? Ele me comprou com seu sangue, e eu, por ser livre, me ofereci para ser propriedade dele. Por direito de redenção sou propriedade de Deus. Mas, para me tornar seu servo, devo voluntariamente dar-me a ele, pois ele nunca me obrigará a servi-lo. O problema de muitos cristãos hoje é não ter entendimento suficiente do que Deus está pedindo. Quão facilmente dizem: "Senhor, estou pronto para tudo". Mas não sabem o significado deste pedido para sua vida? Há idéias acalentadas, vontades fortes, relações preciosas, trabalhos prediletos, que precisam desaparecer antes de estarmos prontos a nos oferecer a Deus. Quando o rapaz galileu trouxe o pão ao Senhor, o que fez ele? Quebrou o pão, Deus sempre quebra aquilo que lhe é oferecido, mas após quebrá-lo, abençoou e supriu as necessidade dos outros. Quando nos entregamos ao Senhor, ele começa a quebrar o que lhe foi oferecido. Tudo parece ir mal conosco, começamos a protestar e nos queixar dos caminhos de Deus. Mas parar neste ponto equivale a ser um vaso quebrado, sem préstimo para o mundo, porque fomos demasiado longe para ser util ao mundo e ainda não estamos prontos para Deus, porque não fomos suficientemente longe para que ele
  • 36.
    36 possa nos usar.Ficamos desengrenados com o mundo e temos uma controvérsia com Deus. Esta é a tragédia de muitos cristãos. A minha entrega a Cristo deve ser um ato inicial e fundamental. Depois, dia a dia prossigo, me entregando sem reservas e sem queixas referentes ao uso que ele está fazendo de mim. Porém, aceito com grato louvor, mesmo as coisas que a carne persiste em não aceitar. Sou do Senhor e agora, não me considero dono de mim mesmo, mas reconheço em tudo a sua soberania e autoridade. Esta é a atitude que Deus requer de mim, e vive-la demonstra a verdadeira consagração. Não me consagro a Deus para fazer a minha vontade, e sim, para fazer a sua vontade onde eu estiver, quer seja na escola, no escritório, na oficina ou na cozinha; considero sempre as suas escolhas o melhor para mim. Pois, somente o que é bom pode advir para aqueles que são inteiramente seus. Permita que a sua consciência sempre priorize o fato que não somos de nós mesmos, que agora pertencemos a Outro!
  • 37.
    37 VII O PROPÓSITO ETERNO Jáfalamos da necessidade de fé, revelação e consagração para viver uma vida cristã real, mas nunca entenderemos claramente, se não tivermos em mente o propósito de Deus. Qual é o grande alvo de Deus na criação e na redenção? Podemos resumir que o fomos criados e remidos para: "a glória de Deus", Rm 3.23 e para "a glória dos filhos de Deus", Rm 8.21. O propósito de Deus desde o principio foi conduzir os homens a glória, mas o pecado frustrou este plano, fazendo com que o homem se desviasse deste alvo. "Todos pecaram e carecem da glória de Deus", Rm 3.23. Quando olhamos para o pecado, instintivamente pensamos no julgamento que ele acarretará e invariavelmente o associamos com a condenação e o juizo. O pensamento do homem é sempre a respeito da punição que lhe sobrevirá se pecar, mas o pensamento de Deus gira em torno da glória que o homem perde se pecar. O resultado do pecado causa a perda do direito à glória de Deus, porém o resultado da redenção nos qualifica novamente para a glória e para o reino eterno. Primogênito entre muitos "Somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofrermos, para que também com ele sejamos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós", Rm 8.16- 18. "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou", Rm 8.29,30. "O verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai", Jo 1.1,14. Qual foi o propósito de Deus? Deus, por causa do seu grande amor para conosco, desejou tornar seu Filho unigênito em primogênito entre muitos irmãos, que seriam todos transformados à sua imagem. “Aos que justificou, a esses também glorificou”. O propósito de Deus na criação e na redenção foi ter muitos filhos glorificados. Ele nos desejava, e não estava satisfeito sem nós. Ao ler a história do filho pródigo, muitos se impressionam com as tribulações que lhe sobrevieram, pensando nos sofrimentos que ele passou por estar longe do pai. Mas a lição da parábola, não é o que o filho sofre, mas o que o pai perde. Uma ovelha se perde, de quem é a perda? Do pastor. Perde-se uma moeda, de quem é a perda? Da mulher. Perde-se um filho, de quem é a perda? Do pai. Está é a lição de Lucas 15. O Senhor Jesus era o Filho Unigênito, não tinha irmãos. O Pai, porém, enviou o Filho amado, a fim de que o Filho tivesse muitos irmãos. Nisto reside toda a história da encarnação e da cruz de Cristo, onde finalmente o propósito de Deus se realiza: "Conduzindo muitos filhos à glória", Hb 2.10, "a fim de que ele seja o primogênito
  • 38.
    38 entre muitos irmãos",Rm 8.29. Do ponto de vista de Cristo, somos irmãos e do ponto de vista de Deus somos filhos. Deus deseja compartilhar sua glória. "Aos que justificou, a estes também glorificou", Rm 8:30. A filiação é a expressão plena do seu Filho nos muitos filhos. Como ele poderia realizar isto? Justificando-os e depois, glorificando-os. Deus se propôs a ter muitos filhos para poder compartilhar com eles a sua glória, filhos perfeitos e responsáveis. Providenciou para que todo o Céu fosse habitado por filhos glorificados. Este é o seu propósito na redenção. O grão de trigo Como foi efetuada a obra de Deus em tornar seu Filho Unigênito em Primogênito? A explicação se acha em João 12.24, "Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo em terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto". Este grão era o Senhor Jesus, o único que Deus tinha no universo; não tinha segundo grão. Deus colocou este único grão na terra, onde morreu, e na ressurreição, o grão unigênito se transformou em grão primogênito, porque dele se derivaram muitos grãos. Em relação à sua divindade, o Senhor Jesus permanece único, como unigênito Filho de Deus. Todavia, na ressurreição e por toda a eternidade se tornou o primogênito, e a sua vida, a partir daquele momento, foi intronizada em muitos irmãos. Assim, nós que somos nascidos do Espírito, somos feitos "co-participantes da natureza divina", IIPe 1.4, não por nós mesmos, e sim, pela dependência de Deus e pela virtude de estarmos em Cristo. Recebemos "o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus", Rm 8.15,16. Foi por meio da encarnação e da cruz que o Senhor Jesus tornou isso possível. O sacrificio de Cristo satisfez o coração de Deus, porque pela obediência do Filho até à morte na cruz, os muitos filhos foram alcançados. No inicio do Evangelho de João, vemos Jesus dizendo que era o unigênito Filho do Pai, porém, depois de ter morrido e ressuscitado, Ele disse a Maria Madalena: "Vai ter com meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus", Jo 20.17. Até este ponto do Evangelho, Jesus havia falado muitas vezes o meu Pai, mas, agora, após a ressurreição, acrescenta vosso Pai. É o Filho mais velho, o Primogênito, que fala. Pela sua morte e ressurreição, muitos irmãos foram trazidos para a família de Deus, e os chama de irmãos. "Ele não se envergonha de lhes chamar irmãos", Hb 2.11. A escolha de Adão Deus plantou grande número de árvores no Jardim do Éden, mas, no meio do jardim, isto é, num lugar especial de proeminência, plantou duas árvores: a árvore da vida, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão foi criado inocente, não tinha o conhecimento do bem, nem do mal. E Deus o colocou no Jardim, dizendo: o Jardim está cheio de árvores repletas de frutos e podes comer livremente do fruto de todas as árvores, mas no meio do Jardim, há uma árvore chamada a árvore do conhecimento do bem e do mal, desta não deves comer, porque no dia em que o fizeres, certamente morrerás. Mas, lembra-te, o nome da outra árvore ao lado dessa é árvore da Vida.
  • 39.
    39 Qual é osignificado destas duas árvores? Adão, por assim dizer, foi criado moralmente neutro, nem pecador nem santo, mas inocente. Deus colocou estas duas árvores no Jardim para que ele pudesse pôr em prática a faculdade de livre escolha. Podia escolher a árvore da vida, ou escolher a árvore do conhecimento do bem e do mal. Se Adão tomasse da árvore da vida, participaria da vida de Deus e assim se tornaria um filho de Deus, no sentido de ter em si mesmo vida derivada de Deus. Teríamos então a vida de Deus em união com o homem: uma raça de homens tendo em si a vida de Deus e vivendo em constante dependência de Deus para a manifestação desta vida. “A árvore da vida é o próprio Deus, porque Deus é vida”, a mais elevada expressão de vida, bem como a fonte e o alvo da vida. O que representa o fruto? “O fruto é nosso Senhor Jesus Cristo”. Não podemos comer a árvore, mas podemos comer o seu fruto. Ninguém é capaz de receber Deus, como Deus, mas podemos receber o Senhor Jesus Cristo como Deus. O fruto é a parte comestível, a parte da árvore que se pode receber. Podemos assim dizer, com a devida reverência, que o Senhor Jesus Cristo é realmente Deus, em forma recebível. Deus em Cristo pode ser recebido por nós. Se, por outro lado, Adão se voltasse na direção contrária aos planos de Deus e tomasse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, desenvolveria em si a sua própria vida por meio das suas escolhas, de forma natural e separado de Deus. Alcançando um elevado grau de façanhas e conhecimentos pelas suas conquistas e aquisições como ser auto-suficiente, teria em si mesmo o poder de formar opiniões independentemente de Deus, não teria, porém, a vida divina em si mesmo. Estas árvores representam dois princípios fundamentais, simbolizam dois planos de vida: o divino e o humano. Portanto, está era a alternativa que estava perante Adão. Se escolhesse o caminho da obediência, poderia tornar-se um filho de Deus, e viver de acordo com os planos e propósitos de Deus, mas se escolhesse o caminho da desobediencia estaria separado de Deus, seguindo o curso natural da sua mente, agindo de acordo com sua vontade. A história da humanidade é o resultado da escolha que Adão fez. A escolha de Adão e a razão da Cruz Adão escolheu a árvore do conhecimento do bem e do mal, tomando uma posição de independência. Preferiu não andar segundo os olhos de Deus, mas seguindo os seus desejos, e de acordo com a vontade da sua alma. Abandonando o plano que Deus havia criado para sua existencia, ficou sendo o que até hoje está refletido na vida dos homens, que agem de acordo com a própria vontade. Adão tornou-se responsavel pelo seu desenvolvimento, comanda os seus pensamentos e decide seus caminhos, Gn 3:6. Mas, as conseqüências da desobediencia resultaram em cumplicidade com Satanás e assim Adão se colocou sob o juízo de Deus. Dois planos diferentes de vida foram colocados perante Adão: o da vida divina, que significa viver na dependência de Deus, e o da vida humana, com os seus recursos independentes. Foi pecaminosa a escolha de Adão, porque se tornou aliado de Satanás e frustrou o eterno propósito de Deus. Escolheu o desenvolvimento da sua própria humanidade, querendo se tornar um homem melhor ou talvez perfeito, segundo o seu próprio padrão, porém, separado de Deus. O resultado, no entanto, foi a morte, porque
  • 40.
    40 ele não tinhaa vida divina imprescindível para realizar em si o propósito de Deus, e acabou escolhendo ser um agente do inimigo. Assim, em Adão, todos nos tornamos pecadores, dominados por Satanás, sujeitos à lei do pecado e da morte e merecendo a ira de Deus. Nisto, vemos a razão do plano de Deus para restaurar a humanidade caida atravéz da morte e ressurreição do Senhor Jesus. Todos devemos ir à Cruz, porque o que está em nós por natureza, é uma vida bem nossa e sujeita à lei do pecado. Adão escolheu uma vida própria ao invés da vida divina; por isso, Deus teve que pôr termo a tudo quanto era de Adão. Deus incluiu todos nós em Cristo e o crucificou como o último Adão, aniquilando desta maneira tudo o que pertencia a Adão. Depois, Cristo ressuscitou num corpo glorificado, ainda com um corpo, mas no espírito, não mais na carne. "O último Adão, porém, é espírito vivificante", ICo 15.45. O Senhor Jesus agora tem um Corpo ressurreto, espiritual, glorioso e desde que não está mais na carne, pode agora ser recebido por todos. "Quem de mim se alimenta, por mim viverá", disse Jesus, Jo 6.57. Os judeus acharam revoltante a idéia de comer a sua carne e beber o seu sangue, mas evidentemente, não podiam recebê-lo, porque ele naquele momento estava literalmente em carne. Agora que ele está no Espírito, cada um de nós pode recebê-lo, e participar da sua vida ressurreta, assim somos constituídos filhos de Deus. "A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber os que creram no seu nome; os quais não nasceram do sangue nem da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus", Jo 1.12,13. Deus não está empenhado em reformar a nossa vida, o seu pensamento não consiste em aperfeiçoar-nos, porque a vida atual, situa-se num plano essencialmente errado e neste plano ele jamais poderá levar o homem à glória. Tem que criar um novo homem, nascido de novo, nascido de Deus. Onde a regeneração e a justificação caminham juntas. Aquele que tem o Filho tem a vida Há vários planos para a vida no universo de Deus. A vida humana situa-se entre a vida de Deus e a vida dos animais inferiores. A separação que há entre a nossa vida e a de Deus é infinitamente superior à que existe entre a nossa vida e a vida dos animais. Na sua vida natural, os seus filhos são seus decendentes e recebem o seu nome, porque voce lhes comunicou a sua própria vida. Quanto ao seu cão, talvez seja inteligente, bem comportado, um cão notável, mas nunca poderia ocupar a posição de ser seu filho. A questão não é de ser um cão bom ou mau? mas simplesmente, porque é um cão! Não é por ser mau que fica desqualificado para ser filho, mas, simplesmente por ser um cão. O mesmo princípio se aplica em relação a diferença de natureza existente entre o homem e Deus. A questão não é o fato de sermos bons ou maus, mas simplesmente porque a nossa vida está num plano inferior ao da vida de Deus, neste caso, não podemos pertencer à família divina. A única esperança para nós, como homens, está em receber o Filho de Deus, porque, quando isto acontece, nos qualificamos, pois: “A Sua vida em nós, nos transforma em filhos de Deus”. O que hoje possuímos em Cristo é mais do que Adão perdeu. Adão era apenas um homem desenvolvido. Permaneceu naquele plano e nunca possuiu a vida de Deus. Mas nós, que recebemos o Filho de Deus, recebemos não só o perdão dos pecados, mas
  • 41.
    41 também, recebemos avida divina que estava representada no Jardim pela árvore da vida. Pelo novo nascimento, recebemos algo que Adão nunca teve e não chegou a alcançar. Todos vêm de um só Deus deseja que os filhos sejam co-herdeiros com Cristo na glória, este é o alvo. Como podemoss tornar este fato real? "Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse por meio de sofrimento o Autor da salvação deles. Pois, tanto o que santifica, como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-lhe-ei louvores no meio da congregação", Hb 2.10-12. Duas entidades são mencionadas: o Autor da salvação deles e muitos filhos ou o que santifica e os que são santificados. Mas, as duas "vêm de um só". O Senhor Jesus, como homem, teve a sua vida gerada por Deus, assim como, a a nossa vida também deriva Deus. Ele foi "gerado... do Espírito Santo", Mt 1.20, e nós fomos "nascidos do Espírito, nascidos... de Deus", Jo 3.5 e 1.13. O Filho primogênito e os muitos filhos são todos, embora em sentidos diferentes, tirados da única fonte de vida, que é Deus. Temos hoje a vida que Deus tem no Céu, porque ele a transmitiu a nós, aqui na terra. Este é o precioso "dom de Deus", Rm 6.23. É por essa razão que podemos viver uma vida de santidade, porque não se trata: da nossa vida ter sido modificada, e sim, da vida de Deus ter sido implantada em nós. Considerando o propósito eterno, toda questão do pecado deixa finalmente de existir? Porque o pecado entrou com Adão e nós pelo nascimento natural somos levados à mesma condição de Adão, mas em Cristo, somos intronizados novamente no propósito divino, sendo restaurado o acesso à árvore da vida para nós. A redenção nos deu muito mais do que Adão jamais teve; nos fez participantes da própria vida de Deus.
  • 42.
    42 VIII O ESPÍRITO SANTO Apresença e o ministério pessoal do Espírito Santo são a base e o poder vitalizante da nossa vida cristã. "O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado", Rm 5.5. "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele", Rm 8.9. Deus não concede arbitrariamente os seus dons, eles são dados livremente a todos, mas em base definida. Realmente, Deus nos tem "abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo", Ef 1.3. Mas qual é a base e o princípio dos dons do Espirito?. Os dons do Espírito são doados aos crentes como auxilio, para serem utilizados na obra de Deus. Podemos dividi-lo em dois aspectos: o Espírito derramado e o Espírito que habita interiormente. O nosso propósito agora é compreender como estas bênçãos, que nos pertencem em Cristo, se tornem nossa experiências de vida no Espirito. Os santos do Antigo Testamento não foram tão favorecidos como nós, mas podiam apreciar melhor do que nós a preciosidade do dom do Espírito derramado. Em seus dias, o dom era concedido apenas a uns poucos escolhidos, principalmente sacerdotes, juízes e profetas; enquanto que hoje é a porção de cada filho de Deus. Nós, que somos pessoas sem valores especiais, podemos ter repousando sobre nós o mesmo Espírito que esteve sobre Moisés, o amigo de Deus; sobre Davi, o rei amado; e sobre Elias, o profeta poderoso. Quando recebemos o dom do Espírito Santo derramado, nos juntamos às fileiras dos servos escolhidos de Deus da Dispensação do Antigo Testamento. Uma vez que percebemos o valor dos dons e quanto necessitamos deles, perguntamos: como podemos receber o Espírito Santo para nos capacitar com dons espirituais? Em que condições o Espírito Santo é derramado? O Espírito derramado "A este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o Senhor ao meu Senhor; Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo", At 2.32-36. Pedro declara que o Senhor Jesus foi exaltado à destra de Deus. Qual foi o resultado? Ele recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo e o que se seguiu? Pentecostes! O resultado da sua exaltação foi isto que vedes e ouvis. Em que condições, o Espírito Santo foi derramado sobre o seu povo? Foi quando Jesus Cristo foi glorificado no Céu. Esta passagem deixa absolutamente claro que o “Espírito foi derramado porque o Senhor Jesus foi exaltado”. O derramamento do Espírito não tem relação com os méritos que possuimos, e sim, unicamente com os do Senhor Jesus. A questão não leva
  • 43.
    43 em consideração aquiloque somos, mas unicamente aquilo que Cristo é. Ele foi glorificado, portanto, o Espírito é derramado. Porque o Senhor Jesus morreu na Cruz, eu recebi o perdão dos meus pecados; porque o Senhor Jesus foi glorificado à direita do Pai, eu recebi o Espírito derramado. Tudo é por causa dele, nada é por méritos meus. A remissão dos pecados não se baseia no mérito humano, e sim, na crucifixão do Senhor; a regeneração se fundamenta na ressurreição do Senhor; e o revestimento do Espírito Santo depende da exaltação do Senhor. O Espírito Santo não foi derramado sobre mim e você para provar quão grandes nós somos, mas para provar a grandeza do Filho de Deus. "Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel, de que a este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo". Noutras palavras, Pedro diz aos seus ouvintes: Este derramamento do Espírito que vocês estão vendo e ouvindo com seus próprios olhos e ouvidos, comprovam que Jesus Cristo crucificado por vocês, é agora tanto Senhor como Cristo. O Espírito Santo foi derramado na Terra para comprovar o que já acontecera no Céu, a exaltação de Jesus à destra de Deus. O propósito de Pentecostes é provar a Soberania de Jesus Cristo. Havia um jovem chamado José, que era muito querido do seu pai. Certo dia, o pai recebeu a notícia da morte do filho e durante anos Jacó lamentou a perda de José. Mas José não estava na sepultura; estava num lugar de glória e de poder. Depois de Jacó ter lamentado a morte de seu filho durante anos, foi-lhe subitamente revelado que José estava vivo e que se encontrava no Egito ocupando posição de destaque. A princípio, Jacó não podia acreditar, era demasiadamente bom para ser verdade, mas finalmente, se deixou persuadir da veracidade da história da exaltação de José. Como ele chegou a tal convicção? Saiu de casa e viu os carros que José enviou do Egito ao seu encontro. Os carros tipificam o Espírito Santo enviado, tanto para ser a prova de que o Filho de Deus está na glória, como para nos levar para lá. Como sabemos que Jesus de Nazaré foi crucificado por homens ímpios, há quase dois mil anos e está agora à destra do Pai na glória? Como podemos saber com certeza que ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis? Sabemos, porque Ele derramou sobre nós seu Espírito. Aleluia! Jesus é o Senhor da Gloria! A exaltação do Senhor Jesus é a condição prévia do derramamento do Espírito Santo. É possível o Senhor estar glorificado; sem que nós, que fomos batizados em nome do Senhor Jesus, também recebamos o seu Espírito? Em que base recebemos o perdão dos pecados? Foi porque oramos fervorosamente ou porque lemos a Bíblia de capa a capa, ou pela nossa freqüência regular na igreja ou por qualquer dos nossos méritos? Não! Mil vezes não! Em quais condições, então, foram perdoados os nossos pecados? "Sem derramamento de sangue não há remissão", Hb 9.22. A única condição prévia do perdão é o derramamento de Sangue; e desde que o precioso Sangue de Cristo foi derramado os nossos pecados foram perdoados. O princípio pelo qual recebemos o revestimento do Espírito Santo é exatamente o mesmo, pelo qual recebemos o perdão dos pecados. Os nossos pecados foram perdoados, porque o Senhor foi crucificado e o Espirito foi derramado sobre nós, porque o Senhor foi glorificado. É possível que o Filho de Deus tenha derramado o seu Sangue sem que os teus pecados tenham sido perdoados? Nunca! E possível, então, que o Senhor Jesus tenha sido glorificado sem que você tenha recebido o Espírito Santo? Nunca!
  • 44.
    44 Voltemos à questãoda justificação. Como fomos justificados? Não por ter feito alguma coisa, mas por aceitar tudo que o Senhor fez. De igual modo, o revestimento do Espírito Santo entra na nossa experiência, não em virtude de fazermos alguma coisa, mas como resultado da nossa fé no que o Senhor já fez. Há algum tempo, um jovem que era crente havia apenas cinco semanas e que anteriormente se opunha violentamente ao Evangelho, assistiu a uma série de reuniões em que preguei, em Xangai. No fim de uma destas reuniões, onde falei das verdades acima mencionadas, foi para casa e orou com fervor: "Senhor, dá-me o poder do Espíri- to Santo. Sei que Tu foste glorificado, por isso, peço que derrames o teu Espírito sobre mim? " O seu entendimento foi aberto, então começou a orar de outra forma: "Senhor Jesus, nós temos uma vida em comum e o Pai nos prometeu duas coisas: a glória para ti e o Espírito para mim. Tu Senhor, já recebeste a glória, portanto, é inadmissível pensar que eu não tenha recebido o Espírito. Senhor, eu louvo o teu nome! Tu já recebeste a glória e eu já recebi o Espírito!" Daquele dia em diante, passou a ter certeza que o poder do Espírito Santo estava sobre ele. Mais uma vez, a fé é a chave. Assim como o perdão é uma questão de fé, também a presença do Espírito Santo em nossa vida é uma questão de fé. Vendo Jesus no Calvário, sabemos que os nossos pecados estão perdoados; vendo Jesus glorificado, sabemos que o Espírito Santo foi derramado sobre nós. A base em que recebemos o revestimento do Espírito Santo não é a nossa oração, o nosso jejum ou o nosso desejo e sim, a exaltação de Cristo. Os que ressaltam o tempo de espera, realizando reuniões para tal fim, apenas se induzem ao erro, porque o dom não é apenas para uns poucos favorecidos, mas para todos, porque o Espirito não nos é dado tomando como base o que somos, mas devido ao que Cristo é. O Espírito foi derramado para provar a Sua bondade e a Sua grandeza, e não a nossa. Cristo foi crucificado, e nós, portanto, fomos perdoados. Cristo foi glorificado, e nós, portanto, fomos revestidos com o poder do Alto. É tudo por causa dele. Muitos estão esperando durante anos, sem nunca ter experimentado o poder do Espírito Santo. Quando entretanto, cessam de implorar pelo derramamento do Espírito do Senhor sobre eles, e confiam e louvam a Deus, porque o Espírito já foi derramado, visto que o Senhor Jesus já foi glorificado, passam, então a usufruir do Seu poder. Graças a Deus! Nem um só dos Seus filhos necessita de agonizar, nem mesmo de esperar pelo derramamento do Espírito. Jesus não será feito Senhor, porque ele já é Senhor, portanto, eu não vou receber o Espírito, porque já o recebi. É tudo uma questão de fé, da fé que vem pela revelação. Quando os nossos olhos são abertos, podemos ver que “o Espírito já foi derramado, porque Jesus já foi glorificado”, então a oração dá lugar ao louvor de gratidão. Todas as bênçãos espirituais e dons de Deus são dados livre e gratuitamente, mas há condições que devem ser cumpridas da nossa parte: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe isto é, para quantos o Senhor nosso Deus chamar", At 2.38,39. Nesta passagem são mencionados quatro assuntos: o Arrependimento, o Batismo, o Perdão dos Pecados e o Espírito Santo.
  • 45.
    45 As duas primeirassão condições, as duas últimas são dons. Quais são as condições que devem ser executadas por nós para recebermos o Espirito Santo e a remissão dos pecados? Segundo a Palavra de Deus, são duas: Arrependimento e Batismo. • A primeira condição é o arrependimento, que significa uma mudança de mente. Antes, considerava o pecado agradável, mas agora mudei de opinião; considerava o mundo um lugar atraente, mas agora tenho outro entendimeto; achava uma coisa triste ser crente, mas agora penso de forma diferente; achava deliciosas certas coisas, agora penso que são vis; não reconhecia o valor de determinadas coisas, agora, considero-as imensamente preciosas. Está mudança de vida, onde passamos a amar o que antes detestavamos e detestar o que antes amavamos, é o que chamamos de arrependimento e conversão. Nenhuma vida pode ser realmente transformada, sem que tais mudanças sejam manifestadas. • A segunda condição é o batismo. “O batismo é a expressão exterior da fé interior”. Somente, quando verdadeiramente creio no meu coração que morri com Cristo, que fui sepultado e ressuscitado com Ele, é que poderei pedir o batismo. Deste modo declaro publicamente no que realmente creio em meu íntimo. Se você já preencheu as condições divinas indicadas: • Já se arrependeu? • Já deu testemunho público da sua união com o Senhor atravéz do batismo? Então, recebeu a remissão dos pecados e o dom do Espírito Santo? Afirma que recebeu apenas o primeiro e não o segundo? Mas, meu amigo, Deus lhe ofereceu duas coisas, caso você cumprisse duas obrigações. Por que tomou posse apenas de uma? O que vai fazer da segunda? Se já cumpriu as condições, tem direito aos dois dons e não apenas a um deles. Já tomou posse de um; por que não aceita o outro? Peça ao Senhor: “Senhor, cumpri as condições para receber o perdão dos pecados e o dom do Espírito Santo, mas, apenas tomei posse do perdão dos pecados. Agora, venho receber o dom do Espírito Santo, te louvo e dou graças por este novo dom!” A diversidade de experiência Como saberei se o Espírito Santo veio sobre mim? "Não posso dizer como saberá, mas posso afirmar que saberá”. Não nos foi dada qualquer descrição das sensações e emoções pessoais dos discípulos no Pentecoste, mas sabemos que os seus sentimentos e o seu comportamento foram de alguma forma anormais, porque o povo ficou imprecionado e disse: que eles estavam embriagados. Quando o Espírito Santo cai sobre o povo de Deus, há alguma coisa que o mundo não pode explicar. Este acontecimento resultará em manifestações sobrenaturais de algum gênero, mesmo que não seja mais do que uma sensação dominante da Presença Divina. Não podemos e não devemos estipular que forma tomarão tais expressões exteriores; mas uma coisa é certa, aquele sobre quem o Espírito Santo vier, terá plena consciência disso. Quando o Espírito Santo veio sobre os discípulos, no Pentecostes, houve algo de extraordinário no comportamento deles, e Pedro ofereceu uma explicação tirada da Palavra de Deus, a todos que testemunharam. Pedro disse: "Quando o Espírito Santo cai sobre os crentes, alguns profetizarão, outros sonharão sonhos e outros terão visões. Isto é aquilo que Deus declarou, pelo profeta”, Joel 2.28. Profecias, sonhos e visões são
  • 46.
    46 apresentados como manifestaçãodo derramamento do Espírito Santo, e parece que estas provas faltaram no Dia de Pentecostes. Houve vento impetuoso, línguas repartidas como que de fogo e falaram em outras línguas, porém nenhuma destas manifestações foi mencionada na profecia de Joel. O que queria dizer Pedro ao citar o profeta, porque, o que foi mencionado por Joel não aconteceu com os discípulos, e o que os discípulos experimentaram não foi mencionado por Joel? Não nos esqueçamos que Pedro falava sob a direção do Espírito Santo. O Livro de Atos foi escrito sob inspiração do Espírito, e nem uma palavra foi usada ao acaso. Quando Pedro disse: "Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel", At 2.16, queria dizer que a experiência era da mesma ordem. O que o Espírito Santo ressalta por meio de Pedro é a diversidade das experiências. As evidências externas podem ser muitas e variadas, e temos que reconhecer que às vezes são estranhas. “Os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços. Mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos”, ICo 12.4-6. O que aconteceu ao Dr. Torrey, quando o Espírito Santo veio sobre ele, depois de ter servido durante anos como ministro do Evangelho? Eis como ele se expressou: "Recordo-me do lugar exato onde estava ajoelhado, em oração, no meu escritório. Foi um momento de muito silêncio, um dos momentos de maior quietude que já conheci. Então Deus disse-me simplesmente, não numa voz audível, mas no meu coração: "É teu, agora vai e prega". Deus já dissera a mesma coisa em, IJo 5.14,15, mas a essa altura, eu não conhecia a Bíblia como a conheço agora, por isso Ele teve compaixão da minha ignorância e disse diretamente à minha alma. Fui e preguei, e a partir daquele dia até hoje, tenho sido um novo ministro. Algum tempo depois desta experiência, quando me encontrava sentado no meu quarto subitamente dei por mim gritando alto, de exultação. Não estou habituado a clamar alto e não tenho um temperamento caracterizado para louvar a Deus em voz alta, mas o fiz como os metodistas que mais gritam. Glória a Deus, glória a Deus, glória a Deus, e não podia parar. Mas não foi neste momento que fui batizado com o Espírito Santo. Fui batizado com o Espírito Santo simplesmente pela fé na Palavra de Deus. As manifestações exteriores, no caso de Torrey, não foram as mesmas que encontramos descritas por Joel ou Pedro, porque as manifestações do Espirito Santo são de acordo com a vontade do Epirrito. Como se sentiu D. L. Moody quando o Espírito Santo veio sobre ele? "Clamava continuamente a Deus para que me enchesse do seu Espírito. Certo dia, na cidade de Nova Iorque. Oh, que dia! Não posso descrevê-lo, raramente me refiro a ele; é uma experiência demasiado sagrada para se falar dela. Paulo também teve uma experiência, da qual nunca falou durante quatorze anos. Apenas posso dizer que Deus se revelou a mim, e tive uma experiência tal do seu amor que fui obrigado a pedir-lhe que detivesse a sua mão. Voltei a pregar. Os sermões não eram diferentes; não apresentei quaisquer verdade nova e contudo, centenas converteram-se. Não gostaria de voltar à posição em que me encontrava antes daquela bendita experiência, ainda que me dessem o mundo inteiro, este seria para mim como a poeira mais leve da balança".
  • 47.
    47 As manifestações exteriores,que acompanharam a experiência de Moody, não conferem exatamente com a descrição de Joel, de Pedro ou de Torrey. São manifestações diferentes, mas tem a mesma origem e finalidade. E qual foi a experiência do grande Charles Finney quando sobre ele veio o poder do Espírito Santo? "Recebi um batismo poderoso no Espírito Santo, sem qualquer expectação prévia do que aconteceria, sem jamais ter pensado que haveria para mim tal coisa, sem qualquer recordação de já ter ouvido alguém falar de tal experiência; o Espírito Santo desceu sobre mim de tal maneira que parecia traspassar-me o corpo e a alma. Não há palavras que possam expressar o amor maravilhoso que foi derramado no meu coração. Chorei em voz alta, de alegria e amor''. A experiência de Finney não foi idêntica à do Pentecostes, nem à de Torrey, nem de Moody; porque, quando o Espírito Santo é derramado, as experiências variam de acordo com a vontade do Espirito para cada neceessidade. Alguns receberão nova visão, outros conhecerão nova liberdade em ganhar almas, outros proclamarão a Palavra de Deus com poder, e outros serão cheios de alegria celestial ou transbordarão em louvor. Cada caso é um exemplo da presença divina; os dons são diversos mas o Espirito é o mesmo. “Louvemos ao Senhor por toda experiência que se relaciona com a exaltação de Cristo, transformada em evidência em nossas vidas, o que anteriormente foi profetizado”. Nada foi tipificado a respeito das relações e ações de Deus com os seus filhos. Portanto, não devemos fazer compartimentos e estantes para a operação do Espírito Santo em nossas próprias vidas ou na vida dos outros. Deus é soberano na maneira de evidênciar a sua presença e de realizar à sua obra. Ele é Senhor e não cabe a nós legislar por ele. Louvemos a Deus, porque Cristo foi glorificado, e o Espírito Santo foi derramado sobre todos nós. À medida em que aceitamos está realidade divina com simplicidade e fé, teremos segurança em proclamar com confiança a Palavra de Deus. A habitação interior do Espírito Tratemos agora da habitação interior do Espírito. "Se de fato o Espírito de Deus habita em vós", Rm 8.9. "Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos", Rm 8.11. Assim, como, precisamos receber revelação da parte de Deus para ter a experiencia do Espírito derramado, o mesmo acontece com a realidade da habitação interior do Espírito Santo: • Quando vemos Cristo como Senhor, exaltado no Trono do Céu, então experimentamos o poder do Espírito sobre nós. • Quando vemos Cristo como Senhor efetivamente em nossa vida, então conheceremos o poder do Espírito dentro de nós. A revelação da habitação interior do Espírito foi o remédio que Paulo ofereceu aos cristãos de Corinto, por sua falta de espiritualidade. É importante notar que os cristãos em Corinto se preocupavam com os sinais visíveis e exteriores como sendo o objetivos do derramamento do Espírito Santo. Tiveram muitas experiências de línguas e de milagres, mas ao mesmo tempo, as suas vidas estavam cheias de contradições e eram um opróbrio para o nome do Senhor. Tinham de forma evidente recebido o Espírito
  • 48.
    48 Santo e contudo,permaneciam espiritualmente imaturos; então, o remédio que Deus lhes ofereceu foi o mesmo que hoje oferece à sua Igreja. "Não sabeis que sois o santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" ICo 3.16. Orou, para que o entendimento deles fosse iluminado: "O Pai da Gloria, vos conceda espirito de sabedoria e revelação no pleno conhecimento dele, iluminando os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento", Ef 1.17,18. O conhecimento dos fatos divinos era o que estava faltando nos cristãos daquela epoca, e não é diferente da necessidade dos cristãos de hoje. Necessitam que seus olhos sejam abertos para ter entendimento que Deus já habita em seus corações por meio do seu Espírito. Deus está presente por meio do seu Espírito e Cristo também está presente por meio do seu Espírito. Assim, se o Espírito Santo habita em nosso coração, “temos o Pai e o Filho habitando em nós”, Jo 14.23. Isto não é mera teoria ou doutrina, mas uma bênção real. Talvez, alguns entendam que o Espírito Santo está realmente em nosso coração; e ter o Espírito dentro de nós, é ter o Deus vivo habitando em nós! Mas para muitos cristãos, o Espírito Santo é completamente irreal. Consideram-no uma mera influência, uma influência para o bem, sem dúvida; mas apenas e unicamente uma influência no seu pensamento. Identificam a consciência com o Espírito Santo atuando dentro da pessoa, dando discernimento de suas maldades e mostrando o caminho do bem. O problema dos cristãos em Corinto, não era que lhes faltasse o Espírito vivendo interiormente nas suas vidas, mas lhes faltava o conhecimento da sua presença. Não conseguiam entender a grandeza daquele que veio fazer morada em seus corações, de modo que Paulo escreveu-lhes: "Não sabeis que sois o santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" Sim, este é o remédio para a espiritualidade, conhecer precisamente quem realmente habita em nós. O Tesouro do vaso Que felicidade, se nossos olhos fossem abertos para ver as grandezas dos dons de Deus, e assim, compreenderíamos a vastidão dos recursos ocultos em nossos próprios corações! Eu podia clamar de alegria ao pensar: "O Espírito, que habita dentro de mim, não é mera influência, é o próprio Deus. O infinito Deus está dentro do meu coração". Eu sou apenas, um vaso de barro, mas este vaso de barro, contém um tesouro de indescritível valor: “O Senhor da Glória”. Toda ansiedade e irritação dos filhos de Deus terminariam, se os seus olhos fossem abertos para ver a grandeza do tesouro contido nos seus corações. Você sabe, que há no seu próprio coração, recursos suficientes para satisfazer todas as necessidades, mesmo para aquelas circunstância que você jamais imaginou encontrar? Sabe que há um poder suficiente para mover a cidade em que vive? Sabe que há poder suficiente para abalar o universo? Digo-lhe mais uma vez, com toda a reverência: você nasceu de novo, nasceu do Espírito de Deus, e carrega Deus no coração. Toda a leviandade dos filhos de Deus cessariam, se compreendessem a grandeza do tesouro que há no seu íntimo Nos tempos do Antigo Testamento, haviam muitas tendas no arraial dos israelitas, mas uma era diferente de todas as demais. Nas tendas comuns, podia-se fazer o que se desejasse, comer, trabalhar, descansar, alegrar-se e até gritar. Porém, naquela outra
  • 49.
    49 tenda, impunha-se reverênciae temor. Podia-se entrar ou sair das tendas comuns falando ruidosamente e rindo levianamente, mas, logo que se aproximasse daquela tenda especial, andava-se instintivamente com mais calma e solenidade e quando se estava diante dela, as pessoas curvavam a cabeça em silêncio solene, em sinal de respeito. Ninguém podia tocar-lhe impunemente. Se um homem ou um animal ousasse fazê-lo, a conseqüência seria a morte. O que haveria de tão especial nela? “Era o templo do Deus vivo”. O grande Deus a escolhera para fazer dela a sua morada. Você entende o que aconteceu contigo na sua conversão? Deus veio ao seu coração e fez nele o seu templo. Nos dias do Antigo Testamento, Deus habitava num templo feito de lona ou de pedras; hoje, Ele habita em templos de crentes vivos. Quando realmente vemos, que Deus fez dos nossos corações o seu lugar de habitação, que profunda reverência vem sobre nós! Cessam toda frivolidade e leviandade, como também toda a complacência própria, quando realmente nos concideramos templo de Deus. Você já vive está verdade: que em todos os lugares por onde andares, leva consigo o Espírito de Deus? Não leva unicamente o conhecimento biblico, mas o próprio Deus. A razão, porque muitos cristãos não experimentaram o poder do Espírito, é porque que lhes falta reverência, os seus olhos não foram abertos para a realidade da presença divina ou ainda não entenderam. Porquê alguns cristãos vivem vidas vitoriosas, enquanto outros vivem numa condição de constante derrota? A diferença não se explica pela presença ou pela ausência do Espírito Santo, porque Ele habita no coração de cada filho de Deus, mas, no fato de que a vida vitoriosa é o resultado da presença do Espirito Santo atuando no seu íntimo, implantando em suas vidas o domínio de Deus, porém naqueles que se julgam senhores de si mesmos o Espirito de Deus não pode se manifestar. A revelação é o primeiro passo para a santidade e a consagração é o segundo. A verdadeira revelação da habitação interior do Espírito, revoluciona a vida do cristão a ser fundamentada no fruto do Espirito Santo, Ga 5.22. A Soberania absoluta de Cristo "Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo", ICo 6.19,20. Chegará um dia em nossa vida, tão definido como o dia da conversão, onde abandonamos todos os direitos sobre nós mesmos e nos submeteremos à soberania absoluta de Jesus Cristo. Talvez, haja um sensível sinal, vindo da parte de Deus, para comprovar a realidade da nossa consagração. Onde, entregamos inteiramente tudo que somos e possuimos à sua disposição. Deste dia em diante, já não somos senhores de nós mesmos e sim, apenas mordomos. Mas, se não lhe dermos autoridade absoluta, Ele pode estar presente, porém não pode exercer o seu poder, porque nós não soltamos a mão da direção da nossa vida. Agindo assim, o poder do Espírito não se manifestará. Você está vivendo para o Senhor, ou para si mesmo? Talvez esta pergunta seja generalizada demais para se responder facilmente, então vou ser mais específico: Você tem alguma coisa em sua vida, que Deus está pedindo para abandonar ou executar e você não atende? Há qualquer ponto de atrito entre você e Deus? Antes de terminar toda
  • 50.
    50 controvérsia com Deus,e entregar ao Espírito Santo pleno domínio, Ele não poderá reproduzir Cristo em nosso viver diario. Deus espera que primeiro todas as nossas pendencias com seu Espirito sejam resolvidas. A rendição absoluta de nós mesmos ao Senhor, depende geralmente de alguma coisa específica, e Deus a aponta com precisão e deseja que a entreguemos, pois tudo é dele. Fiquei muito impressionado ao ler o que escreveu certo grande líder político na sua autobiografia: "Não desejo coisa alguma para mim mesmo; quero tudo para a minha pátria". Se um homem pode se dispor a deixar que a sua pátria tenha tudo e ele nada; muito mais nós cristãos devemos dizer a Deus: "Senhor, não quero nada para mim, entrego tudo para Ti, quero o que Tu quiseres e não desejo ter qualquer coisa fora da tua vontade". Ele não pode assumir o papel de Senhor se não estamos dipostos a servi- lo. O Senhor não está apenas nos chamando para a sua causa, Ele pede que nos rendamos à sua vontade. Que o Senhor nos ilumine, para tomarmos uma posição firme na questão da sua soberania. Se nos rendermos completamente a ele, e aceitarmos o poder do Espírito Santo que habita em nós, não haverá necessidade de esperar por sentimentos especiais ou manifestações sobrenaturais, porque poderemos simplesmente olhar para cima e louvá-lo, por algo que já aconteceu. Podemos agradecer-lhe confiadamente, porque a Glória de Deus já encheu o seu templo.
  • 51.
    51 IX O SIGNIFICADO DEROMANOS 7 “Desaventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” Rm 7:24. Se os cristãos realmente percebessem que a velha criação foi anulada pela Cruz de Cristo, e que, pela sua ressurreição, uma nova criação entrou em cena; e se chegassem ao ponto de "saber", "considerar-se" e “oferecer-se", ainda assim, necessitariam do entendimento de Romanos 7. Alguns cristãos, entendem que o capítulo 7 está em lugar errado, preferem colocá-lo entre os capítulos 5 e 6. Tudo é tão perfeito e tão claro nas palavras do capitulo 6, e então, vem a prostração e o grito: "Desventurado homem que sou!" Poderia se imaginar uma progressão mais descendente do que esta? Por esta razão, alguns argumentam, que Paulo neste versicilo, está se referindo a sua experiência de homem não regenerado. Bem, podemos admitir o que ele aqui descreve não é bem uma experiência de crescimento cristão. Porém os cristãos que a experimentam não constituem uma minoria. Qual é pois, o ensino deste capítulo? • Rm 6 trata da libertação do pecado. • Rm 7 trata da libertação da Lei. Se em Rm 6, Paulo afirma que fomos libertos do pecado, então concluímos que isto era tudo quanto se exigia de nós. Já em Rm 7 nos ensina que a libertação do pecado não é suficiente, e que precisamos também conhecer a libertação da Lei. Se não estivermos totalmente livres da Lei, nunca poderemos experimentar a plena libertação do pecado. Mas qual é a diferença entre ser livre do pecado e ser livre da Lei? Todos percebem a necessidade de ser livre do pecado, mas onde está a necessidade de se libertar da Lei? Para entender, devemos primeiramente conhecer o que é a Lei e como ela opera. A carne e o fracasso do homem O livro de Romanos tem uma lição para nos ensinar:: • Rm 7:5, “estou na carne". • Rm 7:14, "sou carnal". • Rm 7:18, "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum". • Rm 8:8, “os que estão na carne não podem agradar a Deus” Isto vai além da questão do pecado, porque se relaciona também em agradar a Deus. Consideramos aqui, não apenas o pecado nas suas formas, mas também o homem no seu estado carnal. O pecado está incluido, mas somos levados a descobrir que nesta esfera, também estamos incapacitados, porque "os que estão na carne não podem agradar a Deus", Rm 8.8. Muitos cristãos, que estão sendo salvos, ainda assim se deixam dominar pelo pecado. Não quero dizer que vivem permanentemente sob o poder do pecado, mas que
  • 52.
    52 há certos edeterminados pecados que sempre os seguem de perto, e repetidas vezes os cometem. Daí, certo dia, ouvem a plena mensagem do Evangelho, dizendo que o Senhor Jesus não morreu somente para nos purificar dos pecados; mas também incluiu a nós pecadores na sua morte; de modo que não somente foi tratado o problema dos pecados, como também a nossa natureza pecadora foi alvo da ação divina. Os olhos de tais cristãos se abrem, e ficam sabendo que foram crucificados com Cristo, e, como resultado desta revelação, consideram que morreram e ressuscitaram com o Senhor; e também, reconhecem os direitos do Senhor sobre eles e se oferecem a Deus como vivos dentre os mortos. Percebem que não têm mais qualquer direito sobre si próprios. Este é o começo de uma bela vida cristã, plena de louvor ao Senhor. Em seguida, começam a raciocinar da seguinte maneira: "Se morri com Cristo e estou ressurreto com ele; e dei-me inteiramente a ele para sempre. Agora devo fazer alguma coisa por ele, desde que ele tanto fez por mim. Desejo agradar-lo e fazer a sua vontade". Assim, após o passo da consagração, procuro descobrir a vontade de Deus, e me disponho a obedece-lo. Então, faço uma descoberta estranha. Pensava que podia fazer a vontade de Deus, mas pouco a pouco descubro que nem sempre gosto de fazê-la. Às vezes, encontro uma relutância nítida e muitas vezes quando me proponho fazer a vontade de Deus, verifico que não posso. Então, começo a levantar dúvidas quanto à minha experiência e pergunto: Será que realmente fui incluído em Cristo? Será que realmente me considero morto para o pecado e vivo para Deus? Será que realmente me rendi a ele? Será que realmente me consagrei? Se, respondi sim para todas as perguntas; então, porque continuo pecando? Quanto mais tento fazer a vontade de Deus, tanto mais falho. Finalmente, chego à conclusão de que nunca tive um amor sincero em fazer a vontade de Deus, passo então a orar para que Deus crie em mim este sentimento. Confesso a minha desobediência, e prometo que nunca mais desobedecerei. No entanto, volto a cair uma vez mais, basta me levantar de onde estava ajoelhado em oração! Antes de alcançar a vitória, fico de novo consciente de outra derrota. Então, digo para mim mesmo: Provavelmente não foi suficientemente definida a minha última decisão. Desta vez serei absolutamente definido. Assim sendo, convoco toda a força de vontade que possuo, mas acabo sofrendo outra derrota pior do que a anterior. Na próxima ocasião em que precisar fazer uma escolha, finalmente tento aplicar a mim, as palavras de Paulo: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum: pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço", Rm 7.18,19. O que a Lei ensina Muitos crentes imaginam que Rm 6 é mais do que suficiente para a libertaçaõ do poder do pecado, porque tendo apreendido que: “Fomos, pois, sepultado com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela gloria do Pai, assim andemos nós em novidade de vida. ...sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruido, e não sirvamos mais o pecado como escravos ... Porque o pecado não tera dominio sobre vós; pois não estais debaixo da lei e sim da graça”, Rm 6.4,6,14.
  • 53.
    53 Pensavam que nãohavia mais possibilidade de fracasso e, então, para grande surpresa, se deparam com Rm 7 “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”. Qual é a explicação? Em primeiro lugar, vamos esclarecer que “a morte com Cristo”, descrita em Rm 6, é absolutamente adequada para satisfazer todas as nossas necessidades. É a explicação desta morte e tudo o que resulta dela, que está incompleta. Rm 7 torna real para nós a declaração de Rm 6.14, onde "o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, e, sim, da graça". O problema é que não conhecemos ainda qual o signi- ficado da Lei e o que é ser livre da Lei? A graça significa que Deus fez tudo por mim. A Lei significa que eu faço tudo por Deus. Deus tem certos requisitos santos e justos que me impõe: isto é a Lei. Ora, se a Lei significa que Deus requer algo da minha parte, então ser liberto da Lei significa que ele não requer mais coisa alguma de mim, porque ele próprio, fez a provisão necessária. A Lei implica em Deus requerer que eu faça algo por ele; a libertação da Lei implica em que ele já fez isto por mim. Isentando-me do cumprimento de tudo quanto se exigia de mim pela ua Graça. “Eu o homem carnal de Rm 7.14 não preciso fazer nada para Deus”, este é o significado de ser liberto da Lei. O problema consiste em que o homem acha que precisa fazer algo para Deus. O fato de querer ser salvo por mim mesmo me coloca de novo debaixo da Lei. A medida que procuramos compreender isto, fica claro que a culpa não é da Lei. Paulo diz: "A Lei é santa; e o mandamento santo e justo e bom", Rm 7.12. Nada há de errado com a Lei, mas em mim há algo que não está indo nada bem. As exigências da Lei são justas, mas a pessoa a quem são feitas estas exigencias, não é justa. O problema não está em haver requisitos injustos na Lei; está na minha incapacidade de satisfazê- los. Sou um homem "vendido à escravidão do pecado", Rm 7.14. O pecado tem domínio sobre mim. Enquanto me deixam em paz, pareço ser um homem excelente; é só pedir que eu faça alguma coisa, para que minha pecaminosidade se revele. Somos todos pecadores por natureza. Se Deus nada requer da nossa parte, tudo parece ir bem, mas logo que ele nos exige alguma coisa, surge a oportunidade de revelar a nossa enorme pecaminosidade. A Lei manifesta a nossa fraqueza. Enquanto me deixam ficar sentado, pareço estar muito bem, mas logo que me pedem alguma coisa, vou estragar e inutilizar o que da minha parte foi pedido. Quando a Lei santa é aplicada ao homem pecaminoso, logo se manifesta plenamente a pecaminosidade dele. Deus sabe quem eu sou. Ele sabe, que da cabeça aos pés estou cheio de pecados; Ele sabe que sou a fraqueza em pessoa, que sou incapaz de fazer alguma coisa sem pecar. O problema, porém, é que eu não sei. Admito que todos os homens são pecadores e que, eu também sou pecador; fico pensando que não sou tão desesperadamente pecador como os outros. Embora confessamos que somos pecadores, na prática não acreditamos. Por isso, Deus tem que operar de modo especial para nos convencer completamente. Sem a Lei, nunca saberíamos quão fracos e incapazes nós somos. Paulo já tinha alcançado esta experiência, conforme se percebe quando diz: "Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás", Rm 7.7. Qualquer que seja, a nossa experiência a respeito da Lei, o décimo mandamento "não cobiçarás" revelará o nosso problema.
  • 54.
    54 Nele, se manifetaa nossa total incapacidade de guarda-lo, para transgredi-lo basta abrirmos os olhos ou pensamentos. Quanto mais procuramos guardar a Lei, tanto mais a nossa fraqueza se manifesta e tanto mais profundamente entendemos a nossa incapacidade. Deus sempre soube da nossa incapcidade, nós porém, não temos este entendimento, por isso, Deus tem que nos submeter a experiências dolorosas, até que cheguemos a “reconhecer a verdade, que é impossivel guardar a Lei”. Deus sempre soube que nunca poderíamos guardar a sua Lei, que nunca homem algum conseguiu tornar-se aceitável a Deus por meio da observância da Lei. Em parte alguma do Novo Testamento se diz que os homens de fé têm que guardar a Lei, diz-se, que a Lei foi dada para que a transgressão se tornasse manifesta. "Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa", Rm 5.20. A Lei foi dada para nos classificar como transgressores! "Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei... porque sem a lei está morto o pecado... mas, sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri" Rm 7.7-9. É a Lei que revela a nossa verdadeira natureza. Tenho tão elevada opinião quanto ao valor da minha própria pessoa, que necessito da parte de Deus está experiências para me provar como sou fraco. Só assim, poderei entender e confessar que: "Em todos os sentidos e aspectos sou pecador, e de mim mesmo, nada posso fazer para agradar a Deus". A Lei nos foi dada para que ficassemos convictos da nossa extrema incapacidade de cumpri-la. “O propósito da Lei é mostrar a nossa imcapacidade de cumpri-la”. A Lei nos serviu de guia, para nos levar a Cristo, para que ele próprio pudesse cumpri-la em nós, Gl 3.24. Cristo, o fim da Lei A Lei continuará por toda a eternidade. Sabendo que a Lei nunca passará, como posso satisfazer as exigências de Deus? Se eu viver, tenho que satisfazê-la, porem se eu morrer, a Lei perde as suas reivindicações sobre mim. Pois, não pode seguir-me para além da sepultura. O mesmo princípio que efetua a nossa libertação do pecado, também opera em nos libertar da Lei. Enquando, não nascermos de novo em Cristo, pelo batismo, o antigo senhor, o pecado, continua vivo, mas só pôde exercer o seu poder sobre o seu escravo até a sepultura. De mim, ele exigia inúmeras coisas, enquanto esteve vivo o velho homem, mas agora que estou morto para o pecado, pelo batismo em Cristo, em vão ele me chama para pecar. Estou livre para sempre da sua tirania. Enquanto a mulher vive, está ligada ao seu marido, mas com a morte dele, dissolve-se o laço conjugal, e "desobrigada ficará da lei conjugal". A lei continua fazendo suas exigências, mas para mim que estou morto para o pecado, ela perdeu a autoridade que exercia, pois não tem motivo para me acusar. Surge a pergunta: "Como é que morremos? "É justamente aqui que se revela o grande valor da obra de nosso Senhor: "Também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo", Rm 7.4. Quando Cristo foi crucificado, por estarmos incluido nele, nós também fomos crucificados; quando Cristo morreu, o seu corpo foi sepultado; já que Deus nos incluiu nele, ICo 1.30, nós também fomos sepultados com Ele.
  • 55.
    55 Uma ilustração doAntigo Testamento pode nos ajudar a tornar clara esta verdade. Relaciona-se com o Véu que separava o Lugar Santo do Lugar Santo dos Santos, Ex 26.31. Naquela época, Deus habitava no Lugar Santo dos Santos onde se encontrava a arca da Alinça e as tabuas da Lei, neste local ninguém podia entrar. Somente o sumo sacerdote, uma representação de Cristo, podia entrar uma vez por ano, no dia, da Expiação, dia da purificação do santuario terrestre. Quando, porém, o Senhor Jesus morreu, “Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo”, Mt 27.51. “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, Hb 10.19-22. Pelo Precioso Sangue de Cristo agora temos livre ascesso a Deus. Nós estávamos no Senhor Jesus quando ele morreu, e está morte nos libertou para sempre da Lei. Ele, porém, não ficou na sepultura, mas no terceiro dia ressuscitou, e nós, estando nele, também estamos ressurretos. O Corpo do Senhor Jesus fala não só da sua morte, mas também da sua ressurreição. Assim, "por meio do corpo de Cristo", nós estamos não somente "mortos para a lei", mas também estamos “vivos para Deus”. O propósito de Deus, ao unir-nos a Cristo, não foi meramente na morte, que está relacionada com o perdão dos pecados, mas também foi gloriosa."vós morreste relativamente á lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus", Rm 7.4. E qual é o resultado desta união? Pelo corpo de Cristo, morremos para o pecado, mas estando unida com ele na morte, estamos unidos também na ressurreição e pelo poder da sua vida ressurreta, produzimos frutos para Deus. A vida ressurreta do Senhor presente em nós transmite-nos o poder que satisfaz a todas as exigências que a santidade de Deus requer. A Lei de Deus não é anulada; é perfeitamente cumprida, porque Cristo ressurreto vive agora em nós, e a sua vida agrada perfeitamente ao Pai. O que acontece quando uma mulher se casa? Não continua a usar apenas o seu nome, mas também o do seu marido, e não participa apenas do nome dele, como também de suas posses. Assim acontece quando estamos unidos com Cristo. Quando lhe pertencemos, tudo o que é seu torna-se nosso. Com os seus infinitos recursos à nossa disposição ficamos perfeitamente habilitados a satisfazer todas as exigências divinas. Nosso fim é o começo para Deus O que significa, na nossa vida de cada dia, estar livre de cumprir a Lei? Significa que, daqui em diante, não vou fazer as minhas tentativas para agradar a Deus. Talvez você proteste: "Que doutrina! Que heresia! Certamente não é isso que quer dizer". Lembremos, se eu tentar agradar a Deus na carne, coloco-me imediatamente sob a Leie; e ao transgredi-la, ela pronuncia sobre mim a sentença de morte; mas está já foi executada em Cristo, como eu morri com Ele, neste caso, eu que sou carnal fui libertado de todas as suas reivindicações. “Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo, a que estavamos sujeitos; de modo que servimos em novidade de espirito e não na caducidade da letra”, Rm 7.6. Mas graças a Deus, as suas exigências serão satisfeitas, pois é Cristo quem agora as cumpre, é Cristo que opera em mim o que é
  • 56.
    56 agradável a Deus."Eu vim para cumprir (a Lei)", foram as Suas palavras em Mt 5.17. Sob o fundamento da ressurreição, Paulo pode dizer: "Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós, tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade", Fp 2.12,13. É Deus quem efetua em vós. A libertação da Lei não significa que estamos livres de fazer a vontade de Deus. Certamente não se trata de nós agora sermos pessoas sem lei. Muito pelo contrário! Significa que “estamos livres de cumprir por nós mesmos”, o que a Lei requer de nós, por estarmos plenamente persuadidos de que não podemos fazê-lo, então cessamos de procurar agradar a Deus “no nível do velho homem”. Tendo, finalmente, alcançado o pleno conhecimento que não mais devemos usar os nossos próprios recursos, a ponto de abandonar nossas tentativas e colocar no Senhor toda a nossa confiança. Só assim teremos a certeza que ele manifestará em nós a sua própria vida ressurreta. Quanto mais cedo desistirmos de tentar, tanto melhor, porque, enquanto estivermos no comando, não deixaremos espaço para o Espírito Santo agir em nós. Se entregarmos o controle das nossas ações, orando: “Senhor não uso a minha mente e a minha vontade, mas confio em Ti para que o faças em mim". Veremos um Poder maior cumprir a Lei por nosso intermédio. Em 1923 encontrei um famoso evangelista canadense, durante um culto, em que eu tratava deste assunto, e depois do culto, quando caminhávamos de regresso à sua casa, ele comentou: "Poucas vezes ouvimos, nos dias atuais, a mensagem de Romanos 7. É bom ouvi-la de novo. Porque, no dia em que fui liberto da Lei, foi como, se o Céu tivesse descido até a terra. Depois de ser crente durante vários anos, ainda procurava fazer esforços para agradar a Deus, mas quanto mais tentativas fazia, tanto mais fracassava. Considerava Deus o Ser mais exigente do Universo, e me considerava incapaz de cumprir o menor dos seus Mandamentos. Certo dia, enquanto lia Romanos 7, a luz se derramou sobre mim, então percebi que fora libertado, não só do pecado, mas também da Lei. Pulei de alegria e disse: Senhor, Tu realmente não fazes mais exigências de mim? Então, eu não preciso mais me esforçar para agrada-lo!” As exigências de Deus não foram alteradas, porém não somos nós que iremos enfrentá-las. Graças a Deus, Ele é o Legislador no Trono e também o Guardador da Lei no meu coração. Aquele que criou a Lei é o mesmo que irá guarda-la. Ele faz as exigências, e também as cumpre. Enquanto estamos tentando, Ele não tem o caminho livre para fazer em nós coisa alguma. São as nossas próprias tentativas que nos levam ao fracasso. Deus deseja nos ensinar, que por nós mesmos, nada podemos fazer. Enguanto não reconheçermos plenamente está verdade, não cessarão as decepções e desilusões. Certo irmão que lutava para alcançar a vitória observou: Não sei por que sou tão fraco. Respondi, o seu problema é que você não é fraco o suficiente para abandonar a tentativa de agradar a Deus. Somente quando você estiver reduzido à fraqueza extrema e chegar à convicção de que não pode fazer coisa alguma, é que Deus passará a fazer tudo. Todos nós devemos chegar à está conclusão e dizer: "Senhor, sou incapaz de fazer coisa alguma por Ti, mas confio em Ti para fazê-la em mim. Porque eu sei se há algo bom em mim provém de Ti".
  • 57.
    57 Certa vez passeialgum tempo com cerca de vinte irmãos, hospedados num local sem recursos adequados; para tomar banho nos dirigíamos ao rio para um mergulho. Numa destas ocasiões, um irmão teve cãibra nas pernas, e vi que ia afundar. Fiz sinal para que outro irmão, exímio nadador, para que se apressasse a socorrê-lo. Fiquei perplexo ao ver que este não se mexia, e gritei no meu desespero: Não vê que o homem está se afogando? E os demais irmãos em volta, tão agitados como eu, também gritavam vigorosamente. Nosso bom nadador, porém não se mexia, como se fosse adiar ou recusar a desagradável missão. Nesse ínterim, a voz do pobre irmão que se afogava, foi se enfraquecendo, e os seus esforços foram ficando mais débeis. No meu coração disse: "Odeio este homem! Deixa um irmão se afogar perante os seus olhos, sem ir em seu auxílio!" Quando, porém, o homem estava realmente afundando, o nadador, com poucas e rápidas braçadas, encontrava-se ao seu lado, e ambos chegaram a salvo à margem. Na primeira oportunidade, dei a minha opinião: "Nunca vi qualquer cristão que amasse a sua vida tanto como você! Pense, quanta aflição você poderia ter poupado àquele irmão, se tivesse considerado um pouco menos a sua própria pessoa, e tivesse mais consideração para com o outro". O nadador, porém, conhecia o seu trabalho melhor do que eu. "Se eu tivesse ido mais cedo", respondeu, "ele teria me agarrado tão fortemente que ambos teríamos afundado. Quando um homem está se afogando, não pode ser salvo até que fique completamente exausto e deixe de fazer o mínimo esforço para se salvar". Você percebe? Quando nós abandonamos o caso, Deus assume. Ele fica esperando até que os nossos recursos se esgotem e nada possamos fazer por nós próprios. Deus condenou tudo o que é da velha criação e consignou-o à Cruz. A carne de nada aproveita. Qualquer tentativa de fazer algo na carne, é virtualmente um repúdio à Cruz de Cristo. Deus nos declarou aptos apenas para a morte. Nós confirmamos o veredito de Deus, quando abandonando todos os nossos esforços carnais no sentido de agradar-lo. Pois, ao proceder assim, demostramos que temos entendimento que a origem do poder para cumprir as suas exigências provem dele. Sabemos que a Lei é reta, justa e boa, mas se não tivermos entendimento e agirmos sozinhos falharemos. O "desventurado homem" de Romanos 7, procurou satisfazer por si mesmo a Lei de Deus, e foi essa a causa da sua aflição. O repetido uso da palavra "eu", neste capitulo, indicam a causa do fracasso. "Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço", Rm 7.19. Temos um conceito errado gravado na mente, pois pensamos que Deus nos pede para guardarmos a Lei, de modo que, procuramos guardá-la. Deus porém, não exigiria tal coisa de nossa parte. Porque ao tentarmos fazer o que agrada a Deus, acabamos fazendo o que lhe desagrada. Se usarmos nossos próprios esforços para fazer a vontade de Deus, estamos em oposição a sua vontade, pois desconcideramos a sua natureza presente em nós. Dou graças a Deus Em Rm 6.6, Deus trata do "corpo do pecado", e em Rm 7.24, Ele trata do "corpo da morte". Qual é a diferença entre o corpo do pecado e o corpo da morte? Pecado é tudo que desagrada a Deus. Eu tenho um corpo de pecado: O que quer dizer um corpo ativamente comprometido com o pecado. Em relação à Lei de Deus, onde se expressa a
  • 58.
    58 vontade de Deus,eu tenho um corpo de morte. “A minha atividade no pecado faz com que meu corpo seja um corpo de pecado; o meu fracasso no cumprimento da vontade de Deus faz com que meu corpo seja um corpo de morte”. Em relação a tudo quanto é mau, mundano e satânico, eu sou inteiramente efetivo, atravéz da minha natureza, mas no que diz respeito a tudo quanto se relaciona com Deus e com a santidade sou totalmente destituido desta natureza. Já descobriu, que você transporta consigo o estorvo de um corpo sem vida, no que diz respeito à vontade de Deus? Você não sente dificuldade em falar acerca das coisas mundanas, mas quando procura falar acerca do Senhor, sua língua fica como que presa; quando quer orar, sente-se sonolento; quando se esforça para fazer algo para o Senhor, não se sente bem. Pode fazer tudo, exceto o que está relacionado com a vontade de Deus. Há algo neste corpo que não se harmoniza com a vontade dele. O que significa a morte? Podemos ilustrá-la com um versículo bíblico: "Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes, e não poucos que dormem", ICo 11.30. A morte é a fraqueza extrema. Significa, estar totalmente fraco e destituído de forças. Ter um corpo de morte, no que diz respeito à vontade de Deus, significa que sou tão fraco no seu serviço que fico reduzido a uma posição de horrível desamparo. "Desventurado homem que sou! quem me livrará do corpo desta morte? Rm 7.24, clamou Paulo, é bom que alguém clame assim diante de Deus, porque aos seus ouvidos nada soa mais harmonioso. É o grito mais bíblico e espiritual que um homem pode emitir. Só quem está convicto da sua impossibilidade de fazer qualquer coisa, e desiste de tomar novas resoluções por si mesmo, poderá clamar assim a Deus. Para chegar a este ponto foram varias tentativas, todas as vezes que falhava, tomava uma nova resolução e redobrava o uso da sua força de vontade. Finalmente, descobre que não há qualquer vantagem em continuar a usar sua própria força mental, e grita, desesperado: "Desventurado homem que sou!". Você já desistiu de si mesmo, ou ainda tem a esperança de que lendo a Bíblia e orando mais se tornará um cristão melhor? Deus nos livre de sugerir que a leitura da Bíblia e a oração são coisas erradas, no entanto, “é um erro confiar nelas para alcançar a vitória”. O nosso socorro vem daquele que é o alvo de tal leitura e de tal oração. A nossa confiança deve estar unicamente em Cristo. Felizmente, o desventurado homem vai além de deplorar a sua triste condição, e faz uma bela pergunta: Quem me livrará? Até aqui, ele procurava alguma coisa dentro de si, uma solução para o seu problema; agora, olha para além de si mesmo, para o Salvador. Não continua a operar com seu esforço próprio; toda a sua expectativa agora é colocada em Cristo. Na época em que foi escrita a Epístola aos Romanos, um assassino era punido de forma terrível e estranha. O corpo morto do assassinado ligava-se ao corpo vivo do assassino, cabeça com cabeça, mão com mão, pé com pé, e o homem vivo ficava amarrado ao morto até à sua própria morte. O assassino podia ir aonde desejasse, mas aonde quer que fosse, teria que transportar o cadáver do homem que ele matara. Haveria castigo mais terrível? Está é a ilustração que Paulo usa. É como se estivesse ligado a um cadáver do qual fosse incapaz de libertar-se. Onde quer que ele vá, sente-se embaraçado por este fardo terrível. Finalmente, não podendo mais suportar, grita: "Desventurado homem que sou! Quem me livrará?" O seu grito de desespero se transforma em cântico
  • 59.
    59 de louvor, porqueachou a resposta: "Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor", Rm 7.25. Sabemos, que fomos justificados e perdoados mediante a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, sem qualquer esforço da nossa parte, mas pensamos que a santificação e a libertação do poder do pecado depende dos nossos próprios esforços. Receamos, que se nada fizermos, nada acontecerá. Depois de justificados, o velho ato do fazer, reafirma-se e começamos de novo a usar nossos antigos esforços próprios. Então, a Palavra de Deus soa de novo em nosso coração: "Está consumado!", Jo 9.30. Ele fez tudo, na Cruz, para alcançar o nosso perdão, e Ele fará tudo, em nós, para realizar a nossa libertação. Em ambos os casos, é Ele quem opera. "É Deus quem efetua em vós". As primeiras palavras do homem libertado são preciosíssimas “Graças a Deus”. Por que Graças a Deus? Porque foi Deus quem tudo operou. Paulo percebeu que era um desventurado homem e somente Deus podia satisfazer a sua necessidade; e é por isso que diz: Graças a Deus. Deus deseja fazer tudo, pois toda a glória pertence a Ele. Se achamos que somos capazes de realizar está obra, estamos tomando para nós a glória que pertence a Ele. Porém, toda a glória pertence a Deus, porque a obra total é dele, do começo até ao fim. O estudo de Romanos 7 deixa a impressão de que a vida cristã é uma questão de ficar sentado à espera da vontade de Deus acontecer. É evidente que a vida cristã não é passiva, todos sabem que se trata de uma fé dinâmica, ativa e positiva em Cristo, de um princípio de vida inteiramente novo, “a lei do Espírito da vida”.
  • 60.
    60 X A VEREDA DOPROGRESSO: ANDAR NO ESPÍRITO Após a queda, o homem desenvolveu uma vida baseada no poder da alma, que comanda seus pensamentos e ações, isto é a natureza carnal, herança de Adão, mas desde o meu nascimento espiritual, pelo batismo, uma ação profunda e ativa atua em mim. Uma união essencial foi estabelecida com Deus, as coisas mudaram, eu deixo de exercer a minha inteligência nas coisas do mundo, para utiliza-la nas que provem de Deus. A carne e o Espírito “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espirito é espirito”, Jo 3.6. Tudo que provem da natureza humana é carne, e somente pode dar gloria ao homem, nunca a Deus. Tudo aquilo que posso fazer sem uma dependência completa de Deus, provem da fonte natural, que está relacionada com a carne. Para que os dons espirituais se manifestem em nós é necessário que conheçamos a Cruz, que significa: a morte de tudo que é natural, para que a nossa dependência seja completa no Deus da ressureição. A carne está vinculada a Adão e o Espírito está vinculado a Cristo. Considerando, que já compreendemos o significado de estar em Adão ou em Cristo, ainda nos falta saber: se estamos vivendo na carne ou no Espírito? • Viver na carne: Consiste em derivar forças da velha fonte de vida natural que herdei de Adão, na qual por experiência, sinto prazer nas coisas que o mundo oferece e como consequencia natural irão me conduzir ao pecado e a morte. • Viver no Espírito: Significa que eu confio no Espírito Santo para fazer em mim o que não posso fazer por mim mesmo. Está vida é completamente diferente da vida que eu vivia naturalmente antes da minha converção. Cada vez que deparo com uma nova exigência do Senhor, olho para ele, a fim de que ele faça em mim aquilo que requer de mim. Não se trata de tentar, mas de confiar; não consiste em lutar, mas em descansar nele. Se possuo um temperamento impulsivo, pensamentos impuros, língua perversa, e espírito crítico, então não poderei modificar-me mediante meu próprio esforço, mas devo considerar-me morto em Cristo. Para estas coisas contarei com o Espírito de Deus para que produza em mim a pureza, humildade e mansidão necessária. "Aquietai-vos e vede o livramento do SENHOR, que hoje vos fará", Êx 14.13. Não somente estou em Cristo, mas Cristo também está em mim. Cristo habita em mim espiritualmente e se manifesta não na carne, mas no espírito. Porém, se obedeço “a vontade da carne", a participação de Cristo, está obstruida em meu ser. Embora eu tenha aceitado a Cristo, continuo vivendo na carne, usando minhas próprias forças e seguindo minhas próprias direções. Verifico consternado, que alguma coisa de Adão
  • 61.
    61 ainda se manifestaem mim. Se eu quiser conhecer, por experiência própria, tudo quanto possuo em Cristo, então terei que aprender a viver no Espírito. Alguns, sem dúvida, já vivenciaram uma experiência semelhante a que aconteceu comigo. Certa ocasião me solicitaram que visitasse alguém, que eu sabía ser de natureza pouco amigável. Todavia, confiei no Senhor para me dirigir nesta tarefa. Antes de sair solicitei da parte do Senhor os recursos que seriam necessários e que ele não permitisse que eu usasse os meus proprios. Então, para minha surpresa, não me senti nada irritado, embora a pessoa em questão estivesse longe de ser amável e simpática. No regresso, revi a experiência, e fiquei maravilhado por ter permanecido tão calmo. A explicação para ter a calma necessária foi a presença do Espírito Santo me dirigindo em toda aquela experiência. Infelizmente, só tenho este tipo de experiência de vez em quando, mas deveria ser constante na vida dos cristãos. Quando entregamos a Deus a nossa causa, não há necessidade de esforço pessoal. Não se trata de dominar a nossa força de vontade para obter a duras penas a vitória. Onde se manifesta a verdadeira vitória não há esforço carnal, pois o próprio Senhor nos conduz maravilhosamente. Do mesmo modo, as tentações de Satanás não se destinam primariamente a nos fazer cometer algo pecaminoso, mas têm finalidade de levar-nos a agir de acordo com a nossa própria vontade; e logo que ensaiamos um passo fora do refúgio, para fazer qualquer coisa nessa base, ele alcança a vitória sobre nós. Se não não sairmos da cobertura de Cristo para o ambiente da carne, ele não poderá nos atingir. O caminho divino da vitória não nos permite fazer qualquer coisa sem Cristo. Porque, logo que nos movemos, corremos perigo, visto que as nossas inclinações carnais nos levam na direção errada. Onde devemos procurar auxílio? "A carne milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne", Ga 3.17. Noutras palavras, a carne não luta contra nós, mas contra o Espírito Santo, "porque são opostos entre si". É o Espirito Santo que enfrenta a carne e trata com ela, não somos nós! Qual é o resultado? "Para que não façais o que quereis". Nós, por causa da nossa natureza, fazemos tudo aquilo que nossos instintos ditam, independentemente da vontade de Deus. Quando porém, deixamos de agir por nós mesmos, o Espírito Santo terá liberdade para usar o seu poder para enfrentar por meio de nós, as nossas batalhas. Ao abrirmos mão das inclinações pessoais, carreira e planos acharemos satisfação em seu plano perfeito. Porque, agora temos por princípio: "Andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne", Gl 5.16. Se andarmos no Espírito por fé no Cristo ressurreto, podemos verdadeiramente ficar alheios, enquanto o Espírito ganha novas vitórias sobre a carne. Foi para este propósito que ele nos foi concedido. A nossa vitória reside em andarmos em Cristo, contando com a confiança singela do seu Santo Espírito, para vencer em nós, as nossas concupiscências carnais, pelos novos caminhos que ele nos propos. A Cruz nos foi dada para a nossa salvação e o Espírito para fazer a salvação frutificar em nós. Cristo ressurreto subiu ao céu e esta a direita do Pai, ele é a base da nossa salvação. Cristo em nossos corações, pelo seu Espírito, é o poder da salvação se manifestando.
  • 62.
    62 Cristo é anossa vida "Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim", Ga 2.20. Vemos com clareza a descoberta que Paulo fez: “A vida que vivemos é a vida de Cristo”. Pensamos que a vida cristã é uma vida transformada, mas na realidade é uma vida substituída, Cristo é o nosso Substituto. "Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim". Está vida não é algo que possamos produzir, porque ela é a própria vida de Cristo que já está presente em nós. O que significa a vida reproduzida de Cristo em nós? Isto é algo mais do que a regeneração! Regeneração significa que a vida de Cristo é implantada em nós pelo Espírito Santo quando nascemos de novo. A vida reproduzida vai mais longe: significa que essa nova vida não só se desenvolve, mas se torna progressivamente manifesta em nós até que a própria semelhança de Cristo seja produzida em nossa vida diária. É o que Paulo quer dizer quando fala das "sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós", Gl 4.19. Deus não me dará humildade, paciência, santidade e amor, como dons separados da sua graça. Ele não é um retalhista que nos dispensa graça em doses, medindo um pouco de paciência para os impacientes, algum amor para os que não o têm, alguma mansidão para os arrogantes, em quantidades que tomamos e usamos como uma espécie de capital. “Ele nos deu um único dom para satisfazer todas as nossas necessidades, o seu Filho Jesus Cristo”, e na medida em que permito viver a sua vida em mim, ele em meu lugar, será humilde, amoroso e tudo o mais que necessito. "Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no Seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida", IJo 5.12. A vida de Deus não é oferecida a nós individualmente por merecimento, porque é somente quando recebemos o Filho que a teremos. Está é a"vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor", Rm 6.23. A nossa relação com o Filho é a nossa relação com a vida eterna. Que benção descobrir a diferença entre a graça cristã e Cristo; conhecer a diferença entre a mansidão e o próprio Cristo, entre a paciência e Cristo, entre o amor e Cristo: "Cristo Jesus... se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção", ICo 1.30. O conceito comum de santificação se refere a viver todos os aspectos num proceder santo, isto, porém é apenas o fruto da santidade. A santidade é Cristo. É o Senhor Jesus sendo transferido para nós, afim de refletirmos na vida dos outros amor, humildade e domínio próprio. Hoje, há um apelo à paciência, então, ele é a nossa paciência. Amanhã, há um clamor pela pureza, então, ele é a nossa pureza. Ele é pessoalmente a resposta a todas as necessidades. É por isso que Paulo fala do "fruto do Espírito, como se tratando de um só e não de muitos frutos", Gl 5.22, com características separadas. Deus nos deu o seu Espírito e quando precisamos de amor, o fruto do Espírito é amor; quando nos falta alegria, o fruto do Espírito é gozo. É sempre verdade, não importa qual seja a deficiência pessoal, ainda que nos falte um sem número de coisas, Deus tem a resposta suficiente a cada necessidade humana, seu Filho Jesus Cristo. Como permanecer neste propósito? Tendo sempre consciência do nosso “Substituto”. Alguns receiam que está submissão revele as suas próprias deficiências, por isso nunca aceitam este processo de crescimento, esquecendo o que significa crescer
  • 63.
    63 na graça. Agraça é a manifestação da presença de Deus operando em nós. Todos temos o mesmo Cristo habitando dentro de nós, e a revelação de qualquer deficiência servirá para nos levar a depender mais ainda dele, se confiarmos Ele viverá a sua vida em nós, de modo a suprir as nossas necessidades. Maior capacidade de recepção significa maior usufruto do suprimento de Deus. Cada ato de abrir mão do nosso esforço próprio, numa atitude de confiante dependência de Cristo, é mais um passo para conquista. Cristo em minha vida é o segredo de conquistas sempre maiores. Já falamos, entre outras coisas, da diferença entre o esforço próprio e a confiança. A diferença entre estas atitudes é tão grande como a que há entre o Céu e o Inferno. Se me recuso a agir e tomo a decisão de depender do Espirito Santo, sei que está atitude não se trata de passividade, mas de uma vida em plena atividade em comunhão com a vontade divina. Recebo a vida do Espirito de Deus para ser a minha própria vida, e permito que ele viva e manifeste a sua vida em mim. A lei do Espírito da vida “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espirito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte”, Rm 8.1,2. Não há duvida de que a condenação foi satisfeita pelo sangue, por meio do qual, achamos paz e seremos salvos da ira de Deus, Rm 5.1,9. Há, duas espécies de condenação: a diante de Deus e a auto condenação; e há também dois tipos de paz: a paz que provém de Deus e a paz interior, proveniente de esforço próprio. A condenação que provem de Deus pode às vezes nos parecer mais terrível do que a auto condenação, mas quando percebemos que o sangue de Cristo satisfez a justiça de Deus, então sabemos que os nossos pecados foram perdoados, não havendo mais condenação para nós diante dele. Mas, posso sofrer derrotas por conseqüencia do sentimento da condenação interior ainda ser muito real. Se, porém, aprendi a viver em Cristo como minha vida, então já conheço o segredo da vitória, graças a Deus nenhuma condenação há para mim. "O pendor do Espírito é para a vida e paz", Rm 8.6. Isto entra na minha experiência, na medida em que aprendo a andar no Espírito. Com paz no coração, não tenho ocasião de me sentir condenado, só motivos para louvar Aquele que me conduz a vitória. O que, está por traz da minha auto condenação? Seria um sentimento de derrota ou a incapacidade de remediar tal situação? Antes de saber que Cristo se tornou a minha vida, eu vivia precionado por um sentimento constante de frustração; minhas limitações me acompanhavam a cada passo; em qualquer situação sentia minha própria incapacidade. Sempre clamava: Não posso fazer isto! Não posso fazer aquilo! Apesar, das repetidas tentativas, verificava que "não podia agradar a Deus", Rm 8.8. Em Cristo, no entanto, não existe eu não posso, pelo contrário, agora: "Tudo posso naquele que me fortalece", Fp4.13. Como pode Paulo ter tanta coragem? Em que se baseia para dizer que agora está livre de limitações e que tudo pode fazer? Eis a resposta: "Porque a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte", Rm 8.2. Por que não há mais condenação? Porque existe uma lei: "a lei do Espírito da vida", que demonstrou
  • 64.
    64 ser mais fortedo que a outra lei: "a lei do pecado e da morte". O que são estas leis? Como operam? Qual é a diferença entre “o pecado e a lei do pecado” e entre “a morte e a lei da morte”? A lei do pecado e a lei da morte operam sempre do mesmo modo. Como já dissemos a morte é a fraqueza quando chega ao extremo. Fraqueza é admitir que não posso. Quando sou solicitado para envangelizar ou orar ou mesmo ler a Bíblia, sempre sinto dificuldades, verifico, então, que estou morto para as coisas de Deus, está é a Lei da morte. Não é apenas o pecado que há em mim, e, sim, uma lei do pecado; não há apenas a morte, mas também a lei da morte. “vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros”, Rm 7.23. A lei do pecado e da morte se opõe a tudo que é bom, e paralisa a vontade do homem no que se refere a fazer o bem. Ele peca naturalmente, segundo a lei do pecado nos seus membros. Ele quer ser diferente, mas a lei que nele opera é implacável, pois sua vontade de pecar é maior do que a sua resistencia ao pecado. Como posso me libertar da lei do pecado e da morte? Como posso ficar livre das constantes repetições de fraqueza e fracasso? A lei que é santa e justa, continua em vigor, mas há outra lei superior a ela, que opera para sobrepujá-la. Deus nos liberta de uma lei, introduzindo outra. A lei do pecado e da morte continua a existir, mas Deus fez operar ”a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus”que é suficientemente forte para nos libertar do pecado e da morte. É a lei da vida em Cristo Jesus, que se fez presente, quando ele foi ressucitado pela grandeza do poder de Deus, que está disponivel a todos que crerem nele. Agora, é Cristo que habita nos corações, por meio do seu Santo Espírito. Quando nos entregarmos a ele, verificaremos que estamos sendo guardados da velha lei que mata. Aprendemos o que significa ser guardados, não pelo nosso próprio poder, mas "pelo poder de Deus", IPe 1.5. A manifestação da lei da vida Muitos cristãos procuram vencer pela própria força de vontade, e passam a achar a vida cristã amargamente exaustiva. Se nossa vida cristã nos leva a exercer tanto esforço, ainda não conhecemos a natureza dela. Por um tempo, conseguimos fazer alguma coisa, mas a lei do pecado e da morte acaba vencendo. Talvez possamos dizer: O querer o bem está em mim e faço o que é bom durante um periodo, mas finalmente confessamos: "Não consigo realizar o bem". Porquê as pessoas procuram agradar a Deus usando seus própios recursos? Porque nunca nasceram de novo e neste caso não têm vida nova para recorrer; ou então, nasceram de novo, possuem a vida nova, mas ainda não aprenderam a confiar nela. É está falta de entendimento que os coloca em situação de quase abandonar a esperança de que uma vida melhor os aguarda. Não é por falta de crer em tudo quanto Deus oferece, mas por causa da vida fragil que vivem. "O dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor", Rm 6.23, “A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte", Rm 8.2. Está lei do Espirito da vida em Cristo Jesus é a vida eterna. Noutras palavras, é uma nova revelação daquilo que já nos pertence em Cristo. É uma nova descoberta da obra já realizada por Cristo, já que aqui o verbo livrou está no passado.
  • 65.
    65 Se abdicarmos dasnossa própria vontade e confiarmos não cairemos, porque Deus nos deu não só a vida, como também a lei da vida. Assim, a lei da vida é uma lei natural, semelhante em princípio, as leis que mantém em funcionamento o nosso coração, ou que dirige o movimento das nossas pálpebras. Não é necessário pensarmos nos olhos, nem resolvermos pestanejar várias vezes para conservá-los limpos; muito menos podemos fazer com que a nossa vontade atue sobre o coração. Realmente, se fosse posivel ajuda-los, com certeza causariamos mais prejuízo do que beneficio, o mesmo acontece quando tentamos ajudar a Deus. A nossa vontade apenas atrapalha a lei da vida. Descobri esta verdade da seguinte maneira: habitualmente sofria de insônia; certa vêz, após várias noites sem dormir, depois de ter orado muito sobre o assunto e de ter esgotado todos os meus recursos, confessei finalmente a Deus, mostrando a minha incapacidade de solucionar o problema, e lhe pedi que me ajudasse. A sua resposta foi: "Crê nas leis naturais". O sono é uma lei natural tanto quanto a fome ou a sede. Passei a notar, que nunca havia me preocupado com o fato de sentir fome, mas estava aflito e inquieto quanto a ter sono. Procurava ajudar a natureza, este é o principal problema das pessoas que sofrem de insônia. Assim, passei a confiar em Deus e na divina lei da natureza, e dormi bem. Não devemos ler a Bíblia? Evidentemente que sim, senão a nossa vida espiritual seria um fracasso. Mas, não precisamos forçar a leitura, porque há em nós, uma nova lei que nos faz sentir fome da Palavra. Em tais circunstâncias, meia hora de leitura espontanea, pode ser mais proveitosa do que cinco horas de leitura imposta. O mesmo pode ser dito a respeito de ofertas, pregação e testemunho. A pregação forçada com certeza resulta em fracasso. Todos sabem o que significa caridade falsa. Se entregarmos nossa vida à está nova lei, teremos menos consciência da velha lei; embora ela continue a existir, porém não nos governa mais, nem somos mais presa sua. Se pudéssemos perguntar às aves se não têm medo da lei da gravidade, talvez diriam: nada sabemos acerca desta lei. Voam, porque essa é a lei da vida delas". Não somente têm a capacidade de voar, como possuem uma vida que as habilita a vencer a lei da gravidade de maneira espontânea. A gravidade permanece, mas as aves vencem-na. A vida que nelas há vence este obstaculo. Deus tem sido verdadeiramente gracioso para conosco, deu-nos a lei do Espírito da Vida e para voarmos não dependemos mais da nossa vontade, e sim, da sua vida em nós. Já notou como é difícil tornar paciente um cristão impaciente? Exigir paciência da parte dele é quase fazê-lo sofrer um ataque cardíaco. Deus, porém, nunca mandou esforçar-nos para ser o que naturalmente não somos, a fim de aumentar a nossa estatura espiritual. A aflição e a inquietação talvez possam diminuir a altura de um homem, mas nunca poderá aumentá-la. “Não andeis ansiosos, considerai como crescem os lírios do campo”. Desta maneira, Cristo quer chamar a nossa atenção a lei da vida em nós e mostrar que realmente, este novo conceito de vida nos pertence, por isso, somos cristãos felizes! Que está preciosa descoberta possa fazer de nós, homens completamente novos, onde a lei da vida opere em todos os partes do nosso viver. Como cristãos, descobrimos está nova lei em nós, a lei do Espírito da vida, que transcende tudo o mais e que já nos libertou. Se,
  • 66.
    66 cremos na Palavrado Senhor e nos rendermos a está nova lei, ela nos ensinará, por exemplo, quando devemos interromper a nossa conversa ou nem sequer iniciá-la! A vida cristã real é está vida espontânea. Manifesta-se em amor pelos que não são agradáveis ou por aqueles que nos odeiam. Opera na base de como o Senhor considera as pessoas. "Senhor, tu o conheces e o ama, então, cria em mim este amor!" Está lei da vida cristã se manifesta no caráter moral. É uma lei absolutamente genuína que nos liberta da hipocrisia, daquela atitude de representar, que vemos com frequencia presente na vida dos crentes. Nada destrói mais a eficiência do testemunho cristão do que fingir ser algo que não corresponde à realidade. Porque, mais cedo ou mais tarde a mascara irá cair e virá a descoberto o que realmete somos. O quarto passo: Andar no Espírito "Porquanto, o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado. A fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito" Rm 8.3,4. Quem lê com atenção estes dois versículos percebe que aqui há dois assuntos: • O que o Senhor Jesus fez por nós. • O que o Espírito Santo está fazendo em nós. A "carne está enferma", portanto, os preceitos da lei não podem ser cumpridos em nós segundo a carne. (Tratamos aqui, a questão de agradar a Deus, e não da salvação). Ora, por causa da nossa incapacidade, Deus deu dois passos. Em primeiro lugar, interveio para tratar do âmago do nosso problema, enviando o seu Filho, na carne, que morreu pelo pecado e, ao fazê-lo, condenou o pecado na carne. Isto quer dizer, que Cristo como nosso representante, levou à morte tudo quanto existia em nós, que pertencia a velha criação, o homem carnal e o velho homem. Deus desferiu assim um golpe bem na raiz dos nossos problemas, removendo deste modo a razão de ser e o fundamento de nossas fraquezas. Este foi o primeiro passo. Contudo, o preceito da lei ainda está presente para ser cumprido. O que falta fazer? Por isso foi necessário uma nova provisão de Deus: o Espírito Santo veio habitar em nós. Ele é enviado para cuidar do aspecto interior deste assunto, e realizar a obra de Deus em nós na medida em que andarmos no Espírito. O que significa andar no Espírito? • Andar no Espirito é antes de tudo caminhar junto. Dou graças a Deus, porque o esforço opressivo e infrutífero que antes fazia, para agradar a Deus na carne, agora dá lugar à dependência da “Sua eficácia, que opera eficientemente em mim", Cl 1.29. É por está razão que Paulo contrasta as "obras da carne com o fruto do Espírito”, Gl 5.19,22. • Andar no Espírito é estar sujeito ao Espírito. Quem anda no Espirito de modo nenhum pode agir de maneira independe. Somente na medida em que me submeto ao Espirito de Deus, para lhe obedecer é que verei a plena operação da lei do Espírito da vida, bem como o cumprimento do preceito da lei, não por mim, mas em mim. "Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus", Rm 8.14. Já não preciso
  • 67.
    67 mais fazer tudopara agradar a Deus, apenas deixo ele me guiar. Andar no Espírito implica em sujeição. Paulo, ao abençoar os corintios, incentivou os a andar no Espirito. "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós", IICo 13.13. O amor de Deus é a fonte de todas as bênçãos espirituais; a graça do Senhor Jesus nos transmite as riquezas espirituais; e o Espírito Santo produz a comunhão tão necessária para desfrutar estas bênçãos. O amor é algo escondido no coração de Deus; a graça é este amor expresso e colocado ao nosso dispor pelo Filho; e a comunhão é a obra do Espírito em nos comunicar esta graça. O Pai projetou para nós, o Filho cumpriu e realizou em nosso favor, e agora o Espírito comunica e transmite a nós. Portanto, quando descobrimos estas verdades que o Senhor Jesus alcançou para nós devemos ser gratos pela sua obra completa na Cruz. Assim, o caminho será aberto para que o Espirito concretize sua vontade em nós. Este é o ministério de Deus: onde Espirito Santo veio tornar realidade em nossa vida, tudo quanto nos pertence em Cristo. Na China, quando levamos uma alma a Cristo, fazemos um trabalho completo, porque não sabemos se teremos outra chance para completar está tarefa. Sempre procuramos deixar bem claro na mente do novo crente o que significa aceitar a Cristo, como Senhor e Salvador de sua vida. Mostramos, que a partir da sua conversão, o coração dele torna-se a residência de uma pessoa viva, o Espírito Santo de Deus que veio para dirigir a sua vida e dar entendimento sobre as Escrituras, a fim de que possa reproduzir nele o caráter de Cristo. Muitos sabem que Cristo é a vida deles e que o Espírito de Deus reside neles, mas o comportamento destes não refletem a presença divina, porque ainda não cederam o controle de suas ações, para que ele possa orienta-los em tudo o tempo todo.
  • 68.
    68 XI A CRUZ EA VIDA DA ALMA “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o folego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do oriente, e pôs nele o homem que havia formado. E o Senhor Deus lhe deu está ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia que dela comeres certamente morrerás, Gn 1.7,8.16.17. A vida divina estava representada no jardim, pela Árvore da Vida, que produzia fruto passível de ser recebido e ingerido. Se Adão voluntariamente seguisse este caminho e comesse do fruto da árvore da vida, receberia então a própria vida de Deus e se colocaria em obediencia a sua vontade. Viveria na depencia das escolhas divinas. O alvo de Deus para o homem era a filiação, em outras palavras, a expressão da sua vida nos seres humanos. Caso, Adão se voltasse para a árvore do conhecimento do bem e do mal, ficaria como resultado disso, livre para se desenvolver segundo os seus próprios recursos e desejos, separados da vontade de Deus. Mas, esta última escolha envolveria cumplicidade com Satanás e como consequencia, se desviaria do alvo que Deus havia proposto. A verdadeira natureza da queda Sabemos a direção que Adão escolheu. Confrontado entre as duas árvores, submeteu-se a Satanás e tomou do fruto da árvore do conhecimento. Isto determinou o sentido do seu desenvolvimento. Desde então, podia comandar o sua própria vida sem a dependência de Deus. As emoções foram tocadas: porque o fruto era agradável aos olhos, tornou-se obejeto de seu desejo, a mente com o seu poder de raciocinar foi desenvolvida, para que ele fosse sábio aos seus próprios olhos e a vontade foi fortalecida de modo que ele teria autonomia nas escolhas futuras. Todo o fruto serviu para o desenvolvimento e expansão da alma, de modo que o homem não era somente uma alma vivente, mas também passou a viver pela poder da alma. Não se trata meramente do homem ser uma alma, e sim, que a alma daquele dia em diante, com os seus poderes independentes de livre escolha, toma o lugar do espírito, e torna-se o poder que comanda a vontade do homem. “O homem deixou de viver pelo poder do espirito, como era a vontade de Deus, e passou a viver pelo poder da alma”. O propósito de Deus teve o seu curso desviado pela escolha de Adão, porque o propósito original era que a alma do homem fosse dependente do Espirito de Deus, mas o homem escolheu ser independente e viver pelo poder da alma. Foi esta situação que Satanás criou. Ardilosamente levou o homem a seguir uma direção na qual podia desenvolver a sua alma de modo a derivar dela as suas escolhas. Deus deseja que o homem retorne ao seu propósito original, mas para isso, Ele precisa realizar uma obra de poda, como Viticultor, para remover o crescimento inoportuno da alma. Duas coisas são necessárias:
  • 69.
    69 • O homemprecisa voltar a ser dependente de Deus. Como poderá depender de Deus novamente? Nascendo de novo, para ter Cristo habitando nele como Senhor da sua vida. Aperfeiçoar cada dia o seu viver, numa crescente manifestação da vida de Cristo. • Remover o poder que a alma tem sobre o homem para possa voltar a viver no espirito. Deus vai operar no coração do homem para desfazer a fonte de recursos naturais, quebrantando a vida da alma, para uma nova vida no espirito. Estes dois processos sempre estarão ativos, porque Deus procura em nós a vida plenamente desenvolvida do seu Filho, para que Cristo seja manifestado em nosso viver. ”Porque nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal", IICo 4.11. O que significa isto? Significa que não encontro suficiência em mim mesmo, não dou qualquer passo, não deposito confiança em mim, apenas espero a vida de Jesus se manifestar em mim para poder agir. Ao tomar o fruto, Adão ficou possuído de um poder inerente de agir, porém este poder o colocou ao alcance de Satanás. Para se libertar deste poder de agir torna-se necessário uma dependencia total do Espirito de Deus e não mais agir segundo a iniciativa própria, e sim, viver pela vida de Cristo e derivar tudo dele. Mesmo tendo o entendimento deste fato, temos dificuldade de esperar no Espirito, por isso, agimos compulsivamente. As vezes dizemos que estamos prontos para obedecer a vontade de Deus, mas na realidade, o nosso pensamento diz o contrario: Sei que posso fazer muito bem, por mim mesmo. A maioria dos cristãos, são homens de alma superdesenvolvida, ficam demasiadamente grandes em si mesmo e nesta condição, não deixam espaço para o Espirito Santo agir. A energia natural na obra de Deus Muitos, quando olham uma pessoa dotada de uma natureza de grandes qualidades, dizem: "Se este homem fosse cristão, que grande valor teria para a Igreja! Se ele pertencesse ao Senhor, representaria de forma brilhante a sua causa!" Mas, pensemos por um momento, de onde vem as qualidades deste homem? Com certeza não vêm do novo nascimento, porque ele ainda não nasceu de novo. Sabemos, que pelo nosso primeiro nascimento vivemos na carne, e que necessitamos de um novo nascimento. O Senhor Jesus disse algo a este respeito: "O que é nascido da carne, é carne" Jo 3.6. Tudo o que não vem do novo nascimento, mas do nascimento natural, é carne, e apenas traz glória ao homem, é inutil para Deus. Esta declaração não é muito agradável, mas é a verdade. Mencionamos o poder da alma e a sua energia natural. O que é esta energia natural? É simplesmente o que eu posso fazer, o que eu sou, o que eu tenho herdado em matéria de dons e recursos adquiridos durante a minha vida. Nenhum de nós está isento do poder da alma. Tomemos a mente humana como exemplo. Posso ter por natureza uma mente brilhante. Já a tinha antes do meu novo nascimento, como algo derivado do meu nascimento e dos conhecimentos adquiridos. Mas é aqui que reside o problema. Converto-me, e ao nasçer de novo, uma obra profunda é realizada no meu espírito, uma
  • 70.
    70 união essencial foioperada por Deus. Daí em diante, há em mim duas fontes: tenho agora união com Deus, que foi estabelecida no meu espírito, mas ao mesmo tempo, continuo a levar comigo alguma coisa que deriva do meu nascimento natural, o poder da alma. Ora, o que vou fazer a respeito disso? A tendência normal e usar os recursos naturais na obra de Deus. Porque, sempre usei a mente para tirar o melhor proveito, tanto para aprender história, química, literatura e poesia, como para os negócios e questões do mundo. Porém, agora, os desejos mudaram, de maneira, que daqui em diante, emprego a mesma mente nas coisas de Deus. Portanto, mudei o assunto que ocupa o meu interesse, mas não mudei a fonte de agir. Aí é que reside o problema. Os meus interesses foram mudados de uma forma absoluta. Graças a Deus por isso! Mas eu emprego o mesmo poder que usava antes para me dedicar as coisas do mundo, agora para tratar das coisas de Deus. Esse poder não provém de Deus, por isso não pode satisfaze-lo. O problema, para muitos de nós, é que mudamos o canal para o qual a nossa energia se dirige, mas não mudamos a fonte dessa energia. Precisamos entender a diferença entre os dons naturais e espirituais? Qualquer coisa que possamos fazer sem oração e sem uma dependência extrema de Deus, deve ser entendido, como tendo a sua origem na fonte de vida natural. A questão principal é que: todos os dons naturais devem conhecer o toque da Cruz, numa experiência de morte de tudo o que é natural. Às vezes estamos prontos a sentir inveja de um dom especial dos outros, sem saber se esse dom pode ser uma manifestação independente da operação da Cruz. Dons naturais se tornam em obstaculos ao dons espirituais que Deus deseja manifestar em nós. Pouco depois da minha conversão, saí pregando nas aldeias. Tinha recebido uma boa instrução e estava bem versado nas Escrituras, de modo que me considerava absolutamente capaz de instruir o povo nas aldeias, onde havia um bom número de mulheres analfabetas. Mas, depois de algumas visitas, descobri, que apesar da sua ignorância aquelas mulheres tinham um conhecimento íntimo do Senhor. Eu conhecia o livro que elas liam com muita dificuldade; elas conheciam o Autor do livro, o Espirito Santo. Eu tinha muito da carne; elas tinham muito do Espírito. Há tantos educadores cristãos hoje, que ensinam outras pessoas, como eu o fazia naquela época, dependendo exclusivamente do poder carnal. Não quero dizer que não podemos fazer uma série de coisas, porque na verdade podemos. Podemos fazer reuniões e construir igrejas, ir aos confins da Terra para fundar missões, tudo isso, porém, pode até parecer que está dando frutos; mas lembrem-se, o que a Palavra diz: "Toda planta que o meu Pai celestial não plantou, será arrancada", Mt 15.13. Deus é o único originador legítimo do Universo, Gn 1.1. Qualquer coisa elaborada por nós tem a sua origem na carne e nunca alcançará a esfera do Espírito, independente de quão fervorosamente estamos buscando as bênçãos de Deus sobre ela. As vezes, pensamos que fazendo um ajustamentos aqui e outro ali, talvez possamos colocar essa iniciativa num plano melhor, mas não é verdade. Porque, a origem de uma coisa determina o seu destino, e o que originalmente iniciou na carne, nunca se tornará espiritual, por mais que se procure aperfeiçoá-lo. Aquilo que é nascido da carne é carne, e nunca será doutra forma. Qualquer coisa que contribui para a nossa auto-suficiência e
  • 71.
    71 auto-realização não énada na estimativa de Deus, e temos que aceitar este fato e registrar que o seu valor realmente não é nada. "A carne para nada aproveita", apenas o que vem de cima permanecerá. Este não é um assunto que se aprende através da sua simples apresentação, só Deus pode nos fazer entender do que se trata, mostrando que o caminho que escolhemos não está de acordo com seu plano. Nos falta dicernimento para separar o que tem sua origem na velha criação, do que provém do Espirito. Chegará, porém, o dia em que Deus irá abrir os nossos olhos, e a sua vontade será revelada, então poderemos discernir entre o que é puro e o que é impuro. A palavra pureza é uma palavra abençoada, e pode ser sempre associada com a presença do Espírito Santo. Pureza significa alguma coisa inteiramente do Espírito, e impureza significa mistura. Quando Deus abrir nossos olhos seremos capaz de perceber que a vida natural é algo que Ele nunca usará na sua obra. A luz de Deus e o conhecimento Precisamos urgentemente de Luz, a fim de conhecer a mente do Senhor para compreender a diferença entre Espírito e a alma, o espiritual e o carnal, o divino e o humano, o celestial e o terreno. Está é unica maneira de realmente sermos guiados por Deus. A luz é uma dadiva que todo cristão precisa. Nas minhas conversas com jovens irmãos, há uma pergunta que sempre surge: "Como posso saber se estou andando no Espírito? Como vou distinguir quais impulsos dentro de mim são do Espírito Santo e quais os que provêm de mim mesmo? Parece que todos são unânimes nisso, embora alguns vão mais além, procuram olhar para dentro de si, a fim de diferenciar e analisar; assim colocam-se a si mesmos numa escravidão mais profunda. Ora, esta é uma situação que realmente é perigosa na vida cristã, porque o conhecimento interior nunca será alcançado por meio dessa vereda árida do autoexame. A Palavra de Deus não diz para examinarmos a nossa condição interior; esse caminho conduz apenas à incerteza, vacilação e desespero. É certo que devemos ter o conhecimento de que se passa em nosso íntimo. Não queremos ter a falsa alegria daqueles que não sabem qual a verdadeira situação que se encontram, pois podem estar no caminho errado, sendo incapazes de reconhecer o erro. O verdadeiro conhecimento próprio não resulta da análise dos nossos sentimentos, motivos ou pensamentos processados na mente. Não é desta maneira que identificamos se estamos andando na carne ou no Espírito. Há várias passagens nos Salmos que iluminam este assunto: "Na tua luz, veremos a luz" Sl 36.9. Ora, estas duas luzes são diferentes. Podemos dizer que a primeira é objetiva e a segunda subjetiva. ”Na tua luz” é a luz que pertence a Deus, e precisa ser derramada sobre nós e ”veremos a luz” que nos dará entendimento a respeito de algo. Nunca chegaremos à posição de discernir claramente por meio do exame auto- introspectivo, porque só veremos a luz se a luz de Deus descer sobre nós. Se quisermos verificar se o nosso rosto está limpo, o que fazemos? Apalpamos o rosto com as mãos? É evidente que não, procuramos um espelho e nos aproximamos da luz. Na luz, tudo se torna visivel. Nada vemos por meio da auto-análise. Somente a manifestação da luz de Deus torna possível verificar a real situação do nosso interior.
  • 72.
    72 Uma vez quebrilha a luz de Deus, não há mais necessidade de perguntar se determinada coisa está certa ou errada, porque já o sabemos. No Sl 139.23 "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração". Certamente não sou eu que sondo a mim mesmo. Quem me sonda é Deus; este é o meio de iluminação. É Deus que se manifesta e me sonda; não cabe a mim sondar-me. Evidentemente, isso não significa que vou prosseguir descuidadamente a respeito da minha verdadeira condição. Não é essa a idéia. Por mais que o meu autoexame possa revelar o que está errado e deve ser corrigido, nunca poderá ir além da superfície, porque o verdadeiro conhecimento de mim mesmo não resulta do autoexame, mas do exame que Deus faz em mim. O que significa, na prática, estar na luz? Como é que isto opera? Como é que temos luz, na luz que provém de Deus? No Sl 119.30, "A revelação das tuas palavras esclarece (dá luz); dá entendimento aos simples" Nas coisas espirituais, todos somos simples. Dependemos de Deus, para receber, de forma muito especial, entendimento a respeito da nossa verdadeira natureza. É neste sentido que opera a Palavra de Deus. "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos que prestar contas", Hb 4.12,13. Sim, é a Palavra de Deus, a penetrante Verdade, que resolve as nossas perguntas. É ela que discerne os nossos motivos e revela se a origem provem da alma ou do Espírito. Com isto, podemos partir para o aspecto prático das coisas e perguntar: Será que vivemos honestamente diante de Deus? Será que temos feito progresso espiritual? Será que conhecemos realmente o nosso interior? Então, um dia, nà medida em que crecemos na Palavra de Deus, vamos nos deparar com a luz da verdade: "A revelação das tuas palavras esclarece". Deus pode usar um de seus servos ou nós mesmos atravéz da leitura da Bíblia para abrir o nosso entendimento com poder para que possamos ver aquilo que nunca visualizamos antes. Agora estamos convictos. Sabemos onde estamos errando, olhamos para cima e confessamos: Senhor, agora vejo! Há impurezas neste assunto! Há uma mistura, como eu estava cego! E pensar que durante tantos anos estive errado, sem ter consciência! A luz se manifesta, e nós passamos a ver de maneira diferente. A luz de Deus nos leva a ter luz a respeito de nós mesmos. Este será um princípio permanente e todo conhecimento a respeito de nós mesmos sobrevém desta forma. Temos conhecido pessoas que levam uma vida santa, e conhecem de perto o Senhor, por orar e conversar com ele. Por causa desta intimidade com a luz de Deus, deles também irradia uma luz, que esclarece coisas que nunca percebemos antes. Encontrei-me com uma destas pessoas, que agora está com o Senhor, e sempre penso nela como sendo uma cristã fervorosa. Mal entrava em sua casa, ficava consciente da presença de Deus. Naqueles dias, eu era muito jovem, convertera-me havia dois anos, e tinha uma série de planos, pensamentos, esquemas e projetos para o Senhor sancionar. Procurava persuadi-la a fazer o mesmo.
  • 73.
    73 Antes que pudesseabrir a boca, ela dizia apenas algumas palavras de modo absolutamente normal. A luz irradiava! Sentia-me simplesmente envergonhado. O meu fazer era tão natural, tão cheio de auto realização! Alguma coisa acontecia. Era levado a uma posição em que podia dizer: "Senhor, a minha mente apenas se prende a atividades humanas, mas eis aqui alguém que não está de forma alguma envolvida nelas". Ela apenas tinha um motivo, um desejo, e esse era Deus. Escrita na capa da sua Bíblia estavam estas palavras: Senhor, não quero nada para mim. Sim, ela vivia apenas para Deus, e onde quer que encontremos um caso semelhante, percebemos a presença desta luz. Isto, realmente, é testemunhar. A luz tem uma lei: só brilha onde for desejada. Esta é a única condição. Nós temos a possibilidade de excluí-la de nós mesmos. Ela nada mais teme senão a exclusão da nossa parte. Se nos mantivermos abertos para Deus, ele nos revelará o nosso íntimo. O problema surge quando mantemos áreas fechadas e lugares obstruidos e trancados em nossos corações, isso acontece, quando orgulhosamente nos achamos donos da razão. A nossa derrota não consiste no fato de estar errado, mas em desconhecer o nosso erro. Podemos errar por ignorância, mas permanecer no erro é questão de falta de luz. Facilmente vemos a força natural sendo usada por outras pessoas, mas elas não tem entendimento disto. É necessário sinceridade e humildade para abrir o coração diante de Deus! Se procedermos desta maneira poderemos ver que Deus é luz, e não podemos viver na sua luz e continuar sem entendimento. "Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem",Sl 43.3. Damos graças a Deus, porque hoje a atenção dos crentes é chamada para a realidade do pecado mais do que antes. Em muitos lugares, os seus olhos foram abertos para ver a vitória sobre os pecados, como experiência nescessaria e de grande importância na vida cristã, por isso, muitos estão andando mais perto de Deus. Está renovação de vida, e a procura da verdadeira santidade não é suficiente. Há ainda uma coisa que deve ser tocada: a própria vida do homem, e não meramente os seus pecados. A questão do poder da alma é onde está coração do problema. Se considerarmos que os pecados constituem a totalidade do problema, equivale a ficar ainda na superfície. Procurar a santidade, apenas levando em conta os pecados é uma experiência exterior e superficial e não atingi a raiz do problema. Adão deixou o pecado entrar no mundo quando escolheu desenvolver o seu próprio eu, a sua alma, separado de Deus. Quando Deus conseguir que a raça humana seja um instrumento capaz de realizar o seu propósitos no Universo, e viver em total dependência dele, então, Ele será a Árvore da Vida, eternamente para eles. Sabemos, que não devemos examinar o nosso íntimo, para discernir se algo provém da alma ou do Espírito. Esta atitude não terá qualquer resultado prático, pois é escuridão. A Bíblia mostra como os santos chegaram ao conhecimento de si mesmos. Foi sempre pela luz de Deus, está luz que é o próprio Deus. Isaías, Ezequiel, Daniel, Pedro, Paulo, João: todos chegaram a possuir o verdadeiro conhecimento de si mesmos, porque a luz do Senhor brilhou sobre eles, trazendo-lhes revelação e convicção, Is 6.5; Ez 1.28; Dn 10.8; Lc 22.61,62; At 9.3-5 e Ap 1.17. Jamais conheceremos como é hediondo o pecado e a nossa pecaminosidade, sem que haja uma manifestação da luz de Deus sobre nós. Não falo de uma sensação, e sim,
  • 74.
    74 de uma revelaçãoque o Senhor faz no nosso íntimo, através da Sua Palavra. Isto fará por nós, o que a doutrina por si só, nunca poderá fazer. Cristo é a nossa luz, a Palavra viva que nos traz revelação, quando lemos: "A vida era a luz dos homens", Jo 1.4. Tal iluminação, nos sobrevem apenas gradualmente, mas será cada vez mais clara e nos sondará mais e mais até que nos vejamos na luz de Deus, que dissipará toda a nossa confiança própria. A luz é a coisa mais pura do mundo. Purifica, esteriliza e mata tudo o que não deve estar presente, transformando em realidade a doutrina da "divisão da alma e espirito". Conheceremos com temor e tremor na medida em que enxergarmos a corrupção da natureza humana, a sordidez da nossa personalidade e a ameaça que representa para a obra de Deus a energia e a vida insubordinada da alma. É necessária uma ação drástica de Deus, se realmente quisermos ser usados por Ele; pois sem Ele, somos servos inúteis. Somente a compreensão completa da Cruz pode nos levar a ter a mesma dependência, que o Senhor Jesus voluntariamente assumiu, quando disse: "Eu nada posso fazer por mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo porque não procuro a minha própria vontade, e, sim, a daquele que me enviou", Jo 5.30.
  • 75.
    75 XII LEVAR A CRUZ Deusestabeleceu princípios específicos que governam o serviço que fazemos para ele, dos quais não podemos nos desviar se quisermos servi-lo. A base da nossa salvação, como bem sabemos, se tornou real por causa da morte e ressurreição do Senhor Jesus, e a base do nosso serviço cristão, também é fundamentado no mesmo princípio de morte e ressurreição. A base de todo ministério verdadeiro Ninguém pode ser um verdadeiro servo de Deus sem conhecer o princípio da morte e da ressurreição. O próprio Jesus serviu nessa base. Mateus 3, mostra que antes do seu ministério começar, o nosso Senhor foi batizado, isto aconteceu, não porque tivesse qualquer pecado ou precisasse de purificação. Não, o batismo é uma evidencia de sua morte e ressurreição. O ministério do Senhor não começou, até que ele se encontrasse neste plano. Depois de ter sido batizado, voluntariamente assumiu a posição de morte e ressurreição, o Espírito Santo veio sobre ele. Somente após está experiência iniciou o seu ministério. O que nos ensina este batismo? Nosso Senhor foi um homem sem pecado. Todavia, como homem, ele tinha uma personalidade separada do Pai. Quando Jesus disse: "Não busco a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou", não queria negar que possuísse vontade própria; como filho do homem á possuia, mas não a exerceu, porque veio para fazer a vontade do Pai. Aquilo que nele é distinto do Pai é a alma humana, que recebeu quando foi gerado em carne e sangue. Sendo homem perfeito, nosso Senhor tinha uma alma e um corpo como você e eu, e poderia agir mediante os recursos da alma, isto é, agir para satisfazer a si mesmo. Recordemos, que imediatamente após o batismo, e antes do começar o seu ministério público, Satanás veio tentá-lo. Tentou-o a satisfazer os seus desejos naturais e essenciais, pedindo: que convertesse as pedras em pão ou que alcançasse respeito pelo seu ministério aparecendo miraculosamente no pátio do Templo ou que assumisse o domínio mundial que lhe estava destinado. Nos sentimos inclinados a perguntar, quais as razões levaram a Satanas tentar o Senhor a fazer coisas tão estranhas? Pensamos, que podia tentá-lo a pecar de forma mais eficaz. No entanto não o fez. Satanás apenas disse ao Senhor: "Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pão". Colocou em duvida a divindade de Cristo. "Se Tu és o Filho de Deus”, deves fazer alguma coisa para provar. A intenção sutil de Satanás era levar o Senhor a agir por si mesmo, isto é, com base na alma, porém o Senhor Jesus repudiou totalmente tal ação. No caso da queda, no Éden, Adão agiu por si mesmo, separado de Deus; daí resultou toda a tragédia. Numa situação semelhante, o Filho do Homem toma uma atitude bem diferente. Mais tarde, Jesus define a sua obedoencia ao Pai como o princípio fundamental da sua vida: “O
  • 76.
    76 Filho nada podefazer de si mesmo, senão aquilo que vir fazer o Pai”, Jo 5.19. A total negação da vida da alma governou todo o seu ministério. Podemos dizer com toda a segurança que toda a obra que o Senhor Jesus fez na Terra, antes da sua morte na Cruz, foi na base do princípio de morte e ressurreição, embora, o sofrimento do Calvário ainda se situasse no futuro. Tudo o que Ele fez foi neste plano. Mas, se o Filho do homem teve que passar pela morte e ressurreição a fim de realizar a sua obra, poderia ser diferente conosco? Nenhum servo do Senhor pode servi-lo, sem que este princípio seja uma experiencia real em sua própria vida. O Senhor esclareceu isto muito bem aos seus discípulos, quando os deixou após sua ressureição, ao dizer-lhes que esperassem em Jerusalém a vinda do poder do Espírito sobre eles. O que é este poder do Espírito Santo, este poder do alto, que Ele falou? É nada menos do que a virtude da sua morte, ressurreição e glorificação. O Espírito Santo, falando figuradamente, é o Vaso onde todos os valores da morte, ressurreição e glorificação do Senhor são depositados, para serem ministrados a nós. É o único que contém estes valores, e os administra a quem ele desejar. Esta é a razão por que o Espírito não pode descer, antes do Senhor ser glorificado. Somente, depois que Cristo foi glorificado o Espírito Santo pode repousar sobre os homens, para que estes testemunhassem a gloria do Filho de Deus. Se voltarmos ao Antigo Testamento, acharemos ali a mesma verdade. Refiro-me a uma passagem familiar em Números 17. Contestaram a validade do ministério de Arão e levaram a questão a Deus para saber quem era verdadeiramente o escolhido. Assim, Deus precisou provar quem era o seu servo. Como, isto foi feito? Doze varas mortas, uma para cada lider de tribo, forão colocadas perante o Senhor no santuário, diante do testemunho, e ficam ali durante uma noite. Na manhã seguinte, o Senhor indicou o seu servo escolhido por meio da vara que se cobriu de renovos, floresceu e frutificou. Todos conhecem o significado desta transformção. A vara morta que floresceu fala da ressurreição. O ministério Deus é reconhecido atravéz da morte e ressurreição. Sem isso, nada temos. O florescimento da vara de Arão, da tribo de Levi, provou que ele baseava seu serviço no princípio certo, pois Deus somente reconhece como ministros seus, os que passaram da morte para o nivel da ressurreição. Já vimos que a morte do Senhor opera de várias maneiras diferentes. Sabemos que a sua morte foi uma consequencia dos nossos pecados. Todos sabem que o nosso perdão se baseia no Sangue derramado, e que, sem derramamento de Sangue não há remissão. Depois, em Romanos 6, vimos como a cruz opera para nos libertar do poder do pecado. Aprendemos que o nosso velho homem foi crucificado, juntamente com Cristo, para que, daqui em diante não sirvamos mais ao pecado. Por isso, damos Graça e louvamos a Jesus, por nos libertar do poder do pecado. Vimos a necessidade da consagração, percebemos que neste assunto, também a morte opera, levando-nos a abdicar da nossa vontade própria, e assim, abrimos a porta da nossa vida para que o Senhor exerça a sua vontade em nós. É justamente está morte que constitui o ponto de partida para o nosso ministério, onde crucificamos a vontade da alma. Em seguida, em Romanos 7, focalizamos a questão da santidade. Uma nova fase se apresenta, uma vida santificada, onde procuramos agradar a Deus em justiça e verdade. Neste caminho nos encontramos sob a Lei, e a Lei nos confunde. Por querer agradar a
  • 77.
    77 Deus mediante opróprio poder carnal, verifico que não posso, e preciso passar também pela Cruz de Cristo, para que ele, o meu substitudo, viva em mim o seu viver santo. "Não posso satisfazer a Deus mediante o emprego dos meus próprios poderes; apenas posso confiar no Espírito Santo para fazê-lo em mim". Creio que para muitos foi necessário passar por águas profundas para aprender que a morte, ressureição e glorificação opera de maneira eficaz dentro de nós. Notamos que há uma grande diferença entre a santidade de vida, e a operação das energias naturais da vida da alma, quando se trata do serviço ao Senhor. Ainda falta o conhecer como a Cruz opera em nós, antes de sermos realmente úteis no seu serviço. Mesmo com todas as experiências anteriores, ainda não estamos em condições de ser usados pelo Denhor, até passarmos por esta nova experiência. Quantos dos servos de Deus são usados por ele, como dizemos na China, para edificar quatro metros de parede e após terem feito o serviço, descobrem por si mesmos que devem derrubar cinco metros! Somos usados de certa maneira, mas ao mesmo tempo destruímos a nossa própria obra, e às vezes, também a dos outros. Isso acontece, porque, ainda existe em nós alguma coisa que não foi transformada pela Cruz. Vejamos como o Senhor trata da alma. A operação subjetiva da Cruz A alma é o centro das afeições e grande parte das nossas decisões e ações são influenciadas por ela. Assim sendo, o Senhor nos diz: “quem não toma a sua cruz, e vem após mim, não é digno de mim. "Quem acha a sua “vida” (no original Grego, “alma”), perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida (alma) por minha causa, achá-la-á", Mt 10.38,39. Seguir o Senhor no caminho da Cruz é o seu plano e este é o único caminho, não existe outro. O perigo oculto está na obra sutil de nossas afeições que nos desviam do caminho de Deus e a chave desta questão está na alma. A Cruz tem que tratar disso. O Senhor nos mostra claramente que há uma só maneira de encarar a alma e tratar deste problema: consiste em levarmos a alma a Cruz, só então estaremos capacitados para seguir a sua vontade. Eu tenho que perder a minha alma, no sentido de não fazer o que gosto, mas o que Deus reservou para mim. Não satisfazer mais os próprios desejos, nem ceder aos deleites do mundo, isto é "perder a alma”. A vida natural do homem, ou seja, a vida da alma, que aqui estamos considerando, é algo que vai além da morte do velho homem ou de crucificar a carne, que já estudamos anteriormente. Em Gálatas, vimos o aspecto crucificante da Cruz, como algo realizado e cumprido; e em Rm 6.6, declara que "foi crucificado com ele o nosso velho homem". Isto é algo que está completamente feito. Apreendemos por revelação divina a nos apropriar desta verdade pela fé. Há, porém, um novo aspecto da Cruz, que está implícito nessa expressão "tomar a sua cruz ". Quando Cristo esteve na cruz, ele nos levou juntamente com ele, mas, agora ele nos pede para cada um levar a sua própria cruz. Esta ação de levar a cruz é algo que deve ser feito no nosso íntimo. Isto é o que chamamos de "operação subjetiva da Cruz". Além, disso, é um processo diário de seguir seus passos. Não se trata aqui de crucificar a própria alma, mas de crucificar os nossos dons e faculdades naturais. Ou seja, nossa
  • 78.
    78 personalidade e anossa individualidade têm que ser inteiramente deixadas de lado. A alma ainda está presente com os seus talentos e vontade própria, mas a Cruz é chamada a exercer a sua ação sobre ela, com o fim de levar à morte estes talentos. É neste sentido que Paulo, escreveu aos Filipenses: "Para o conhecer e o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte", Fp 3.10. A marca da morte está continuamente sobre a alma, para trazê-la à uma atitude de subordinação ao Espírito e nunca se afirmar independente. Somente a Cruz, operando desta maneira, tem o poder de fazer um homem com a cultura de Paulo, chegar ao ponto de perder totalmente a sua bagagem farisaica natural até chegar a plena libertação, e escrever: "Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder", ICo 2.24. Em Cesaréia de Filipos, Jesus disse a seus discípulos que ele morreria nas mãos dos anciãos dos judeus, então Pedro, com todo o seu amor pelo seu Mestre, insurgiu-se e censurou-o, dizendo-lhe: Senhor não faças isso; tem pena de ti: isso nunca te acontecerá! Levado pelo seu amor pelo Mestre, apelou para que ele poupasse a sua vida, porém o Senhor o repreendeu, como se estivesse repreendendo a Satanás, por cogitar das coisas dos homens e não das coisas de Deus, Mc 8.31-33. Jesus falou outra vez mais a todos que desejam segui-lo: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida (alma), perdê- la-á; e quem perder a vida (alma) por causa de mim e do evangelho, salvá-la-á", Mc 8.34,35. A alma sempre manifestará o desejo de auto-preservação, por isso Pedro, que ainda não havia crucificado sua alma interferiu, na escolha de Jesus de ir a Cruz. "Ir à Cruz, ser crucificado, isso é realmente demais! Tem misericórdia de ti mesmo; tem pena de ti! Queres dizer que vais contra ti mesmo a fim de agradar a Deus?" Poucos são os que entendem que para prosseguir com Deus é preciso ir contra a voz da alma e deixar a Cruz intervir para silenciar o apelo por auto-preservação. Será que temos receio de saber qual é a vontade de Deus para nós? Aquela santa irmã que mencionei, que tanta influência teve na minha vida, perguntou-me, certa vez: Gosta da vontade de Deus? É uma pergunta tremenda, que nos leva a olhar para dentro do nosso intimo. Recordo-me de que, certa vez, ela tinha uma controvérsia com o Deus a respeito de determinado assunto. Sabia o que o Senhor desejava, mas o seu coração não compartilhava este desejo. Foi uma decisão difícil. Ouvi quando orava: "Senhor, confesso que não gosto do caminho que escolheste para mim, mas por favor não cedas a minha vontade. Espera apenas um pouco Senhor, e me submeterei inteiramente a ti". Ela não queria que o Senhor cedesse a vontade dela, removendo o que era exigido. Ela nada desejava para si, senão agradar-lo. Muitas vezes, a vontade de Deus nos leva ao ponto de renunciar coisas que pensamos ser boas e preciosas. A preocupação de Pedro era pelo bem do seu Senhor, e as palavras que proferiu sairam do seu intimo. Podemos dizer que Pedro tinha um amor maravilhoso por ele, suficiente para lhe dar a ousadia de repreendê-lo. Somente um forte amor poderia levar alguém a fazer o que ele fez! Sim, mas se houvesse uma pureza
  • 79.
    79 de espírito, sema mistura da alma, ele não seria levado a cometer este tipo de erro. Se priorizamos a vontade de Deus com alegria no coração, não será necessário derramar uma lágrima sequer de simpatia pela carne. Sim, a Cruz faz um corte profundo, e aqui percebemos mais uma vez, quão severamente ela tem que tratar com a alma. Uma vez mais o Senhor Jesus trata do assunto da alma, desta vez com relação a sua volta gloriosa. “Assim como foi nos dias de Noé, será tambem nos dias do Filho do homem: comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e veio o diluvio e destruiu a todos. O mesmo aconteceu nos dias de Ló; comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destrui a todos. Assim será no dia em que o Filho do homem se manifestar. Naquele dia, quem estiver no eirado e tiver seus bens em casa não desça para tira-los; e de iqual modo quem estiver no campo não volte para tráz. Lembrai-vos da mulher de Ló. Quem quiser preservar sua vida (alma) perde- la-á; e quem a perder de fato a salvará”, Lc 17.26-33. As palavras do Senhor, nos levam a pensar profundamente, sobre a ênfase no fato, de um ser tomado e outro deixado. Trata-se aqui, da nossa reação à chamada do Senhor, fazendo um apelo urgente no sentido de estarmos prontos hoje. Há, seguramente uma razão, que explica isto. Evidentemente que aquela chamada não vai produzir em nós uma mudança miraculosa no último minuto, independente de toda a nossa relação prévia com o Senhor. Não, naquele momento, descobriremos o verdadeiro tesouro do nosso coração. Se realmente for o Senhor Jesus, então, não haverá um olhar para trás, porque um relance para trás decide tudo. É tão fácil, nos apegar mais aos dons de Deus, do que ao próprio Doador dos dons ou estar mais ligado ao trabalho de Deus do que ao próprio Deus. É uma questão de vivermos pela alma ou pelo Espírito. Está passagem, descreve a vida da alma com o seu comprometimento com as coisas do mundo; notem que não se trata de coisas pecaminosas. O Senhor apenas mencionou casar, semear, comer, vender, todas são atividades perfeitamente legítimas, onde não vemos a presença do pecado. Mas é a ocupação com estas coisas do mundo, ao ponto de prender o nosso coração, que é suficiente para nos manter aqui em baixo. O caminho que nos leva a saída deste engano é deixar a alma passar pela Cruz. Encontramos uma passagem biblíca que ilustração muito bem uma alma que já passou pela Cruz, isto aconteceu, quando Pedro reconheceu o Senhor Jesus ressurreto nas margens do lago. Embora, ele e os outros apostolos tivessem retornado a antiga profissão de pescador, porém ao ver o Mestre não pensou mais no barco, nem sequer nas redes cheias de peixes, tão miraculosamente pescados. Quando ouviu o grito de reconhecimento de João: "É o Senhor", ele "lançou-se ao mar". Está é uma demostração do verdadeiro desapego das coisas. A questão principal é onde está o nosso coração? A Cruz tem que operar em nós um verdadeiro desapego de tudo e de todos, quando se trata do Senhor. Está situação, ainda trata dos aspectos exteriores da atividade da alma. A alma dando largas às suas afeições, a alma impondo-se tentando manipular as pessoas e as coisas, a alma que se preocupa com os prazeres do mundo. Todas estas coisas mostram que há algo ainda mais profundo a ser feito: como podemos nos libertar do poder da alma?
  • 80.
    80 A Cruz ea vida frutífera A parábola do grão de trigo simboliza a morte do Senhor Jesus, onde a frutificação depende de sua morte. Há um grão de trigo com vida em si mesmo, mas se não morrer, ele fica só. Ele tem o poder de comunicar vida a outros, mas para fazê-lo, tem que descer às profundezas da morte. "Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida (alma) perdê-la-á; mas aquele que odeia a sua vida (alma) neste mundo, preservá-la-á para a vida eterna", Jo 12.24,25. Sabemos o caminho que o Senhor Jesus tomou. Ele passou pela morte e a sua vida emergiu em muitas vidas. O Filho único morreu e retornou como o primeiro de "muitos filhos". Ele deu a sua vida para que pudéssemos recebê-la. É neste aspecto da sua morte que somos chamados a morrer. Ele torna claro o valor da nossa equivalencia com a sua morte, ou seja, é necessario perder a nossa vida natural. Perder o poder da alma para transmitir vida e partilhar com os outros a vida de Deus que recebemos. Este é o segredo do ministério de Jesus, o caminho da verdadeira frutificação. "Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que em nós opera a morte; mas em vós, a vida", IICo 4.11,12. Se aceitamos a Cristo, temos uma nova vida em nós. Todos tem este precioso tesouro no vaso de barro que somos nós. Graças a Deus pela realidade da sua vida em nós! Então, porquê essa vida não se torna mais expressiva? Porquê esta vida não está manando abundantemente e comunicando vida aos outros? Porquê se manifesta tão pouco? Isto acontece, porque “a nossa alma envolve e limita a vida de Cristo que habita em nós”, a casca envolve o grão de trigo, de modo que o grão não consegue achar saída. Estamos vivendo, trabalhando e servindo pela alma, com nossa própria força natural, ao invés de derivar de Deus os nossos recursos. É a alma que impede a vida de Deus fluir. Quando falamos em perder a alma, é no sentido de abandonar os nossos desejos, porque este é o caminho que leva a plenitude. De uma noite escura, para um amanhecer de ressurreição Voltemos a nossa mente para à vara seca de amendoeira que foi levada para o Santuário por uma noite, uma noite escura em que nada havia que se visse, e que ao amanhecer havia florescido. Ali temos a manifestação da morte e ressurreição, da vida rendida e da vida recebida, que indicam um ministério aprovado por Deus. Mas, como isto opera na prática? Como é que reconheço que Deus está agindo desta maneira comigo? A alma com o seus recursos e energias naturais, continuará ativa até a morte. Até então, haverá a necessidade de uma operação interminável e diária da Cruz em nós, dragando profundamente aquela fonte natural que sempre está manando. Está é a condição de serviço, válida para toda a vida, que se expressa na palavra. "A si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me", Mc 8.34. Nunca poderá dispor da ressureição de Cristo aquele que se recusa a tomar a cruz, pois "não é digno de mim", Mt 10.38 e "não pode ser meu discípulo", Lc 14.27. A morte e a ressurreição permanecem como um
  • 81.
    81 princípio de vida,manifestado pela presença do Espírito Santo, que resultará na perda do poder da alma em nosso viver diário. Todavia, pode haver aqui um obstaculo, que uma vez ultrapassado, poderá transformar toda a nossa vida e nosso serviço a Deus. Se refere a uma porta estreita que temos de passar, para entrar num caminho inteiramente novo. Um problema desta natureza, ocorreu na vida de Jacó, em Peniel. Ele procurava servir a Deus e agiu usando os seus recursos naturais para alcançar os propósitos divinos. Ele bem sabia, o que Deus dissera: "O mais velho servirá o menor", mas ele procurava alcançar este objetivo por meio da sua própria sutileza e dos seus recursos. Deus teve que invalidar aquela força natural de Jacó atingindo o nervo da sua coxa; daí em diante, Jacó continuou a andar, mas permaneceu coxo. Era um Jacó diferente, como se infere na mudança do seu nome para Israel. A sua força natural fora tocada pela preença de Deus. Deus tem que nos levar a tal ponto que não ousemos confiar em nós mesmos, e isso será feito, de uma maneira ou de outra, o nosso poder natural tem que ser ferindo por meio de uma experiência profunda e amarga. Deus tem que tratar asperamente com alguns de nós, levando-nos por caminhos difíceis e dolorosos, a fim de nos levar a confiar somente nele. Até chegarmos ao ponto, de não nos atrevermos a fazer o trabalho cristão ou qualquer coisa sem a sua presença. Somente, quando chegarmos ao ponto de nos considerarmos imcapazes de efetuar a sua obra por nós mesmos, é que Ele começará a nos usar. Posso mencionar, que após um ano de convertido, tinha um desejo veemente de pregar. Era-me impossível ficar em silêncio. Era como se houvesse qualquer coisa movendo-se dentro de mim, impelindo-me para a frente. A pregação tornara-se a minha própria vida. O Senhor pode graciosamente permitir-nos andar algum tempo nestas condições e não somente isso, mas com uma certa medida de bênção. Mas um dia essa força natural que nos impelia será tocada e a partir dai, já não podemos continuar, porque fomos tocados no espirito, vemos e julgamos no espirito. Antes dessa experiência, pregávamos por causa da satisfação que obtínhamos em servir a Deus dessa maneira; contudo, o Senhor não podia nos mover, porque vivíamos pela vida natural, que é escrava do nosso temperamento e não da vontade de Deus. Nesta condição, não somos maleáveis. Precisamos enfraquecer as nossas preferencias, até chegarmos ao ponto fazer as coisas porque o Senhor assim deseja, e não porque gostamos! Fazemos porque é da vontade de Deus, e não para nos alegrar. A verdadeira alegria só pode ser vivenciada, quando fazemos a sua vontade, porque ela tem raízes mais profundas do que as nossas voluveis emoções. Deus quer nos levar ao ponto de dicernirmos instantaneamente a expressão dos seus mínimos desejos. Este é o espírito do Servo, “agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei, Sl 40.8”. Mas, um espírito desta natureza só se manifesta, quando a nossa alma, a sede da vontade, das energias naturais e das afei- ções conhecer o toque da Cruz. Todavia, o que alegra o Senhor é encontrar o espírito de servo em nós. O caminho a ser percorrido, muitas vezes, passa por um processo longo e doloroso. Deus tem os seus caminhos e nós devemos respeitá-los. Todo o verdadeiro servo de Deus sabe que a sua capacidade natural não existe mais, e agora, se encontra incapacitado de agir por conta própria, nem poderá voltar a
  • 82.
    82 ser exatamente omesmo era antes. A experiência de perder a capacidade natural humana, deve ser de tal forma, que doravante recearemos fazer alguma coisa por nós mesmos. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos, e que a herança e a glória nos pertence. “Se com ele padecemos", Rm 8.16,17, com ele também viveremos. Quando realmente chegamos a está nova condição, onde a Cruz opera em nós a ponto de obstruir a nossa vida natural, então Deus irá nos libertar para uma vida no poder da ressurreição. Descobriremos, que as coisas que perdemos estão voltando, embora não como antes. Porque, agora, o princípio de vida está operando com poder: nos fortalecendo, nos animando e nos dando vida, a sua vida. Daqui em diante, o que perdemos será recuperado, mas agora sob a disciplina e o domínio do Senhor. Se o nosso desejo é ser espirituais, não precisaremos amputar os pés e as mãos, ainda podemos ter o nosso corpo. Da mesma maneira, podemos ter a nossa alma, com o uso pleno das suas faculdades, todavia, a alma agora é serva. Já não vivemos sob o seu dominio, apenas fazemos uso dela. Quando o corpo é a nossa vida, vivemos como animais. Quando a alma se torna a nossa vida, vivemos como rebeldes e fugitivos, nos conciderando dotados, cultos e educados, porém separados da vida de Deus. Mas, quando a vontade de Deus é a nossa vida, passamos a viver a vida no Espírito de Deus, embora, ainda usemos as faculdades da alma, agora ela é serva do Espírito. Este é o ponto onde abrimos a porta para que Deus nos use. A dificuldade para muitos de nós, está naquela noite escura. O Senhor graciosamente nos põe de lado uma vez na vida, durante o tempo que ele achar necessário, nos deixando espiritualmente em densas trevas. Como se ele tivesse nos abandonado; nada faz sentido, tudo que tocamos sai errado; entramos e saimos, mas niguém nota a nossa presença. E depois, por fases, Ele torna a trazer as coisas de volta. A tentação é sempre procurar ajudar a Deus, reavendo o controle das coisas, mas lembremos, tem que ser uma noite inteira passada no abandono, uma noite de trevas. Está experiência não pode ser apressada, o Senhor sabe quando estaremos prontos para receber as suas dadivas. Não podemos dizer quanto tempo levará, mas em princípio, penso que haverá um período definido, em que Ele nos conservará longe do nosso poder da alma e incapacitado para ser usado pelo seu Espirito. Há um vazio, como se nada estivesse acontecendo; tudo aquilo que tinha valor, vai fugindo para longe do nosso alcance. Parece que todas as outras pessoas estão sendo usadas e abençoadas, mas nós estamos estacionados e sendo ultrapassados; não vemos crescimento, somos tomados por um sentimento de derrota. A única coisa que sabemos fazer direito é ficar em silencio. Tudo está em trevas, mas é apenas durante uma noite, mas tem que ser uma noite completa. Depois, veremos a Luz do novo dia, onde tudo será restituído, numa gloriosa ressurreição e nada poderá medir a diferença entre o que foi antes e o que será depois! Estava um dia sentado para almoçar, com um jovem irmão, que o Senhor já havia tocado em sua alma. Ele disse: "É muito bom saber que somos tocados pelo Senhor e depois deste encontro nunca mais seremos o mesmo". Havia um prato de biscoitos entre nós, na mesa, e peguei um e parti ao meio como se fosse comê-lo, depois, unindo os
  • 83.
    83 dois pedaços comtodo o cuidado, disse: "ainda parece o mesmo, mas está estruturalmente mudado”. Uma vez que se quebre a nossa espinha dorsal, seremos submetidos ao precioso toque de Deus para sempre". O Senhor sabe o que está fazendo com aqueles que lhe pertencem, e não deixará de providenciar, por meio da sua Cruz, o tratamento necessário, para que a sua glória se manifeste. Paulo, confirmou está verdade do evangelho, quando disse: "Nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne", Fp 3.3. Poucos, podem dizer que tem uma vida mais ativa do que a de Paulo. Em Romanos ele declara que pregou o Evangelho de Jerusalém até Ilírico, Rm 15.19 e que está pronto para ir a Roma, Rm 1.10 e daí, se possível, à Espanha, Rm 15.24,28. Todavia, neste serviço, que abrange todo o mundo do Mediterrâneo, o seu coração estavá fixo num único objetivo, a gloria daquele que tornou tudo possível. "Tenho, pois, motivo de gloriar-me em Cristo Jesus nas coisas concernentes a Deus. Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma senão daquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras", Rm 15.17,18. Este é o verdadeiro serviço espiritual. Que Deus possa fazer a obra de cada um de nós, tão espiritual como foi a de Paulo. Desperdício ”Estando ele em Betania, reclinado à mesa de Simão, o leproso, veio uma mulher que trazia um vaso cheio de bálsamo de nardo puro, de grande preço; e, quebrando o vaso, derramou-lhe sobre a cabeça o bálsamo”, Mc 14.3. A mulher quebrou um vaso cheio de bálsamo, de alto valor, e derramou-o todo sobre o Senhor. Para o raciocínio humano, isto era exagero, dar ao Senhor algo de tanto valor. Foi por isso, que Judas e os outros discípulos reclamarão da ação de Maria. "Indignaram-se alguns entre si, e diziam: Para que este desperdício de bálsamo? Porque este perfume poderia ser vendido por mais de trezentos denários, e dar-se aos pobres. E murmuravam contra ela", Mc 14.4,5. Pelo entendimento dos dicipulos, foi considerado desperdicio a atitude de Maria, oferecer ao Senhor o que tinha de melhor. Desperdício significa, entre outras coisas, dar mais que o necessário por alguma coisa de menor importância. Aqui, porém, estamos tratando de algo, que o Senhor queria que não fosse esquecido e deveria ser proclamado juntamente com o Seu Evangelho. Que as pessoas ao se aproximem dele, desperdicem todo seu amor. Este é o resultado que Ele procura alcançar em nós. Podemos considerar dois aspectos diferentes, no que se refere em desperdiçarmos nosso amor pelo Senhor: o de Judas, Jo 12.4-6 e o dos outros discípulos Mt 26.8,9. Todos os doze acharam que era um desperdício. Para Judas, que nunca conciderou a Jesus o Senhor da sua vida, evidentemente, tudo quanto fosse derramado sobre ele representaria um desperdício. Não somente o ungüento, como também a própria água teria sido um desperdício. Neste aspecto, Judas representa o mundo. Na estimativa do mundo, o serviço a Deus significa um desperdício completo. Porque o Senhor, nunca foi amado por eles, nem teve lugar em seus corações, de modo que, qualquer coisa oferecida será considerada desperdício. Muitos dizem:
  • 84.
    84 Fulano poderia serde grande valor no mundo, se não fosse crente. Se um homem tem algum talento natural, ou qualquer outra vantagem aos olhos do mundo, consideram um desperdício usar esses talentos na pregasão do evangelho. Pensam que tais pessoas são capacitadas demais para abraçar a causa do Senhor. Dizem: uma vida tão útil, sendo desperdiçada desta maneira! Vou apresentar um exemplo pessoal. Em 1929 regressava de Xangai à cidade onde residia, Foochovv. Certo dia, caminhava ao longo da rua com uma bengala, muito fraco e com a minha saúde abalada, e encontrei um dos velhos professores da escola. Ele me levou a um salão de chá onde nos sentamos. Olhou para mim, da cabeça aos pés e dos pés à cabeça, e depois disse: Olhe, enquanto você estava no colégio, tínhamos as melhores esperanças para você, pensamos que você realizaria algo de grandioso. Não esperavamos, que se torna-se isto, o que você veio a ser agora? Olhando para mim, com os seus olhos penetrantes, fez esta afirmação. Devo confessar, que o meu desejo foi o de me desfazer em lágrimas. A minha carreira e a minha saúde, tudo se fora, tudo se perdera, e aqui estava o meu velho professor, de direito, me dizendo: Ainda se encontra nestas condições, sem êxito, sem progresso, sem qualquer coisa que possa mostrar ao mundo? Naquele momento, foi a primeira vez em toda a minha vida, que eu realmente pude ver o que significa ter o Espírito da glória repousando sobre mim. Só de pensar, que eu pude derramar a minha vida por amor do meu Senhor inundou a minha alma de alegria. Pude olhar para cima e sem reservas dizer: Senhor, louvo o teu nome! Tu és o que há de melhor na minha vida e tenho certeza que escolhi a carreira certa! Aos olhos do meu professor, parecia um desperdício total dedicar a minha vida ao serviço de Deus; mas é justamente isto que o Evangelho faz, nos leva a avaliar de maneira certa o valor do Senhor. Judas sentiu que era um desperdício. Poderíamos usar melhor o dinheiro, aplicar de outra forma. Por que não usar o dinheiro para fazer algum trabalho social que irá alíviar os necessitados ou auxiliar os pobres de alguma maneira prática? Por que derramar todo este valor aos pés de Jesus? Está é a maneira que o mundo pensa. Você não pode fazer alguma coisa melhor com a sua vida? Dar-se inteiramente ao Senhor é ir longe demais! Sabemos que o Senhor é digno do nosso serviço, digno de sermos prisioneiros da sua verdade, digno de vivermos somente para ele. O que o mundo diz a respeito não importa, porque o mundo não o conhece. Vamos ver qual foi a atitude dos outros discípulos, porque a reação deles nos afeta muito mais do que a de Judas. Não nos importamos com a opinião do mundo, mas nos importamos com o que outros cristãos dizem. Verificamos contudo, que os outros discípulos disseram a mesma coisa que Judas, e além disto, ficaram perturbados e indignados com o acontecido. "Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício? Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro, e dar-se aos pobres", Mt 26.8,9. A irmã da qual eu falei que foi usada pelo Senhor de forma muito real, me serviu de ajuda durante aqueles anos em que a conheci. Embora eu não soubesse reconhecer quão grande obreira do Senhor ela era, a minha preocupação era que ela não estava sendo usada adequadamente. Pensava: "Por que é que ela não sai para fazer reuniões, não vai a outros lugares onde seria de grande utilidade o seu ministério? E um desperdício de
  • 85.
    85 tempo ela vivernesta pequena aldeia onde nada acontece". Às vezes, quando ia visitá- la, insistia com ela, dizendo: "Ninguém conhece o Senhor como a irmã. A irmã conhece a Bíblia de uma maneira absolutamente viva. Não vê as necessidades à sua volta? É um desperdício ficar aqui e não fazer nada!" O fazer não é o principal para o Senhor. É certo que Ele deseja que sejamos usados. Deus me livre de pregar a inatividade ou de justificar uma atitude complacente perante as necessidades do mundo. Como diz o próprio Jesus, "o Evangelho será pregado por todo o mundo". A questão, é de que maneira “a nossa ou a dele”. Hoje, reconsidero as minhas idéias do passado e entendo que o Senhor usou grandemente aquela irmã para transformar alguns de nós, jovens na fé, que estávamos naquela altura necessitando de aprendizagem para o trabalho do Evangelho. Não posso agradecer suficientemente a Deus por ela ter existido em minha vida. Ao aprovar a ação de Maria, em Betânia, o Senhor Jesus estava estabelecendo um princípio, que serve de base a todo serviço: entregar tudo o que somos e que temos sem reservas. Se realmente entregarmos tudo, então será suficiente. O mais importante não são os pobres, nem os perdido, mas satisfazer a vontade do Senhor! Há muitas reuniões, convenções e campanhas evangelísticas que poderíamos ministrar a Palavra de Deus, mas o Senhor não está tão preocupado com a nossa incessante ocupação. Não é este o seu objetivo principal. O Senhor prioriza o nosso vaso de alabastro, a coisa mais preciosa e mais querida que temos a oferecer, que é uma vida transformada pela sua Cruz. Isto devemos dar ao Senhor. Pode parecer para alguns, que estamos entregando demais e desperdiçando as nossas qualidades naturais, mas é isso o que Ele busca acima de tudo. Muitas vezes, o que lhe damos se expressa em um serviço incansável, mas ele se reserva o direito de aceitar, ou não. A fim de nos revelar o que está nos motivando, se é o serviço ou ele mesmo. Ministrando para o seu beneplácito ”Onde for pregado em todo mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua”, Mc 14.9 . O Evangelho não é apenas para satisfazer os pecadores. Graças a Deus que os pecadores serão satisfeitos! O Evangelho é pregado, em primeiro lugar para a Gloria do Senhor. Parece que ressaltamos demais o bem dos pecadores, e não temos apreciado suficientemente o que o Senhor tem em vista como objetivo. Os pecadores tem a sua parte. Deus satisfaz as suas necessidades e derrama sobre eles a sua graça, mas o mais importante é que tudo deve ser realizado para satisfazer o Filho de Deus. O ato de nos desperdisarmos no serviço divino é o princípio do poder de Deus atuando em nós. A nossa verdadeira utilidade nas mãos de Deus é medida em termos de quanto perdemos. Somente quando nos desperdiçarmos, dando muito e recebendo pouco é que podemos agrada-lo. Será que a sua entrega é suficiente para as bênçãos, mas não o bastante para a tribulação? Será que a sua entrega é suficiente para o Senhor usá-lo, mas não o bastante para que ele o deixe inativo. O Senhor espera ouvir-nos dizer: "Senhor não me importo com os valores do mundo, se apenas eu puder agradar-lo, me basta".
  • 86.
    86 Ungindo antecipadamente “Deixai-a; porque a molestais? Ela praticou boa ação para comigo. Porque os pobres sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhe bem, mas a mim nem sempre tendes. Ela fez o que pode: antecipou-se a ungir-me para a sepultura” Mc 14.6.8. Fomos chamados para um trabalho maior, e não devemos mais permanecer na inatividade. "Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei: entra no gozo do teu senhor", Mt 25.21. O unguento tem que ser derramado antecipadamente sobre o Senhor, porque se dixarmos para mais tarde, poderemos perder está oportunidade. Creio que, quando chegar a hora, iremos amá-lo como nunca o fizemos até agora, contudo, haverá maior bênção para aqueles que já se derramaram o seu melhor sobre ele. Se esperarmos ele voltar para derramarmos o nosso melhor, será tarde demais. Espero que todos sejam quebrantados e derramem o seu melhor hoje. Alguns dias depois de Maria ter quebrado o vaso de alabastro e ter derramado o ungüento sobre a cabeça de Jesus, houve algumas mulheres que foram, de manhã cedo, para ungir o Corpo do Senhor, mas elas não conseguiram realizar o seu propósito, naquele primeiro dia da semana. Apenas uma alma conseguiu ungir o Senhor, e essa foi Maria, que o ungiu antecipadamente. As outras nunca o fizeram, porque ele já havia ressuscitado. Se houver no mundo alguma obra de arte preciosa e para adquiri-la, seja necessário pagar um preço muito elevado, ousaria alguém dizer que foi um desperdício? A idéia de desperdício apenas entra em nossa cristandade, quando subestimamos o valor do nosso Redentor. Qual o valor de Jesus para você, hoje? Se o valorizamos pouco, então, qualquer coisa que dermos, se torna um desperdício. Mas, quando o concideramos a preciosa jóia da nossa salvação, nada será suficiente para pagar o que ele fez. A respeito de Maria, o Senhor disse: "Ela fez o que pode". O que significa isto? Significa que ela dera o melhor que possuia. Derramou sobre ele o seu melhor e na manhã da ressurreição, não tinha razão para lamentar a sua extravagância, porque foi a primeira a ve-lo. O Senhor não se satisfará com qualquer coisa inferior da nossa parte, até que nós também tenhamos feito o melhor. O que o Senhor Jesus espera de nós é uma vida depositada aos seus pés, inspirada em sua morte e ressureição; tendo em vista um encontro futuro. O seu sepultamento já estava em vista naquele dia, no lar de Betânia. Hoje, é o seu retorno que está em perspectiva, quando ele voltar em glória, como o Ungido, o Cristo de Deus, para resgatar aqueles que são seus. Se o seu retorno é precioso para nós, também é muito mais preciosa para ele, que nos comprou com seu próprio sangue, por isso, o unjamos agora, não com qualquer óleo material, mas com algo muito mais profundo, algo que emana de nossos corações. Aquilo que é meramente externo e superficial não tem mais lugar em nossa vida. Tudo isso foi solucionado pela Cruz, e nós pela experiência, aprendemos a separar as coisas que vem do alto, das coisas que pertencem ao mundo. O que Deus pede da nossa parte agora é representado pelo vaso de alabastro, algo extraído das profundezas, algo torneado, gravado e trabalhado. Devemos ofertar ao Senhor, tudo aquilo que temos de grande valor, coisas que são importantes, com a mesma veneração e desprendimento, que Maria ofertou aquele frasco que tanto estimava. Se desejamos agrada-lo do fundo do
  • 87.
    87 coração, devemos nosachegar a ele, com este vaso de barro que somos nós, e dizer: “Senhor, aqui está, é tudo teu, porque tu és digno!” Fragrância "E encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo", Jo 12.3. Em virtude do vaso ter sido quebrado para ungir o Senhor Jesus, a casa foi penetrada pela mais doce fragrância. Todos podiam sentir e ninguém podia ficar inconsciente do perfume. Qual é o significado disto? Sempre que encontramos alguém que realmente sofreu, que passou por experiências profundas que o levaram ao limite de si mesmo. Alguem que se prontificou a ficar prisioneiro, em vez de procurar libertar-se, a fim de ser usado pelo Senhor e assim poder desfrutar da satisfação da sua presença. Imediatamente os nossos sentidos espirituais percebem um doce sabor de Cristo. Aquela vida autossuficiente foi esmagada, foi quebrada, e por isso podemos cheirar o seu perfume. O perfume que encheu a casa naquele dia, em Betânia, ainda enche a Igreja hoje. A fragrância de Jesus permanece nas pessoas que foram quebrantadas e deram o seu melhor. Estamos falando do que somos, não do que fazemos ou do que pregamos. Talvez, há muito tempo pedimos ao Senhor, que nos use para comunicar aos outros o seu perfume. Esta oração não é apenas um pedido para receber o dom de pregar ou ensinar, mas expressa antes o desejo de transmitir a presença de Deus aos outros. Não podemos produzir tais impressões aos outros, sem que primeiro nos capacitemos a recebê-lo. Uma vez alcançada esta condição, Deus começará a usar-nos para criar nos outros uma sensação de fome espiritual, mesmo que as demonstrações externas não sejam visíveis, as pessoas sentirão ao se aproximar de nós o perfume de Cristo. Perceberão que estão com alguém que tem andado com o Senhor, que tem sofrido pelo Senhor, que não tem se movido livre e independe da vontade dele, mas que sabe o que significa entregar todas as coisas. Este gênero de vida cria impressões que produzem fome e a fome leva os homens a continuar a busca-lo até serem levados, por revelação divina, à plenitude de vida em Cristo. Deus não nos põe aqui, primeiramente para pregar ou para fazer um trabalho para ele. A principal razão é para criar nos outros fome por sua pessoa. É isso, acima de tudo, que prepara o terreno para a pregação. O Espirito Santo não iniciará qualquer trabalho verdadeiro numa vida, sem que antes, seja criado um sentimento de necessidade. Mas como pode isto ser feito? Não podemos empregar força para injetar apetite espiritual nos outros; não podemos obrigar as pessoas a terem fome. A fome tem que ser criada e pode ser criada nos outros apenas por aqueles que levam consigo impressões de Deus. Sempre gosto de pensar nas palavras daquela mulher rica de Suném. Falando do profeta que tinha observado, mas a quem não conhecia bem, ela disse: "Vejo que este que passa sempre por nós é santo homem de Deus", IIRs 4.9. Não foi o que Eliseu disse ou fez que lhe transmitiu tal impressão, mas o que ele era. Ela podia perceber alguma coisa, por ele passar simplesmente por ali. Ela sabia que Deus estava com Eliseu, pois sentira o perfume da presença de Deus. A questão da nossa influência sobre os outros depende de permitirmos que a Cruz faça em nós a sua obra completa, para que o perfume de Cristo possa ser manifestado por nós.
  • 88.
    88 A irmã dequem tenho falado, encontrou-se um dia em situação muito penosa para ela, algo que lhe custava muito. Eu estava com ela naquela ocasião, e juntos, ajoelhamos e oramos com os olhos marejados de lágrimas. Olhando para cima, ela disse: "Senhor, estou pronta a quebrar o meu coração, a fim de satisfazer o teu coração!" Falar deste quebrantamento de coração, pode parecer um sentimento meramente romântico, mas na situação delicada em que ela se encontrava, significava exatamente tudo. Para libertar a fragrância de Cristo e produzir a necessidade de conhecê-lo, tem que haver prontidão em render-se, em mudança de vida, tanto no prazer e como no desprazer. Que maravilha, é ser usado! Que coisa abençoada, é entregar-se ao Senhor! Tantos cristãos proeminentes no mundo não conhecem esta verdade. Muitos de nós temos sido usados plenamente e até, temos sido usados demasiadamente, mas não sabemos o que significa sermos desperdiçados. Gostamos de estar sempre ativos. O Senhor porém, algumas vezes prefere ter-nos na prisão para sermos melhor utilizados por ele. Penso em termos das viagens apostólicas, onde Deus ousou por em cadeias os Seus maiores embaixadores. "Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo, e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento" IICo 2.14.
  • 89.
    89 Vida Cristã Real OEvangelho tem como objetivo primordial produzir em nós, pecadores, uma condição que satisfaça o coração de Deus. Watchman Nee, talvez seja o mais conhecido líder cristão, que a China já produziu, ele compartilhou com seus seguidores as verdades contidas em A VIDA CRISTÃ, sem perceber, que em parte profetizavam sobre ele próprio. Nesse livro, declara Nee: "Gostamos de estar sempre em atividade; mas algumas vezes o Senhor prefere que fiquemos numa prisão. Pensamos em termos de uma jornada apostólica de grande utilidade, porém Deus ousa lançar em cadeias a seus maiores embaixadores". Este livro contém uma orientação magnifica oferecida por um daqueles grandes embaixadores. Watchman Nee foi feito prisioneiro em 1952 e vinte anos de encarceramento, que destruirão a sua saúde, seguidos por sua morte, deram maior significado às suas palavras neste livro. “Senhor, estou pronto a deixar tudo isso por amor a ti. Não apenas por causa do teu trabalho, nem por teus filhos, nem por qualquer outra coisa, mas somente por amor a ti.”
  • 90.
    90 ÍNDICE 1. O Sanguede Cristo ............................................02 2. A Cruz de Cristo ................................................10 3. A Vereda do Progresso: Saber ...........................16 4. A Vereda do Progresso: Conciderar-se ..............21 5. A Linha Divisória da Cruz .................................28 6. A Vereda do Progesso: Oferer-se ......................33 7. O Propósito Eterno .............................................37 8. O Espirito Santo .................................................42 9. O Significado de Romanos 7 ..............................51 10. A Vereda do Progresso: Andar no Espirito .......60 11. A Cruz e a Vida da Alma ...................................68 12. Levar a Cruz .......................................................75