Mestrado em Comunicação Educacional Multimédia

        Metodologias de Investigação em Educação

                Docente António Moreira




Validação da Análise da entrevista realizada
              pela Daniela Santos




                    Telma Mendonça

                     Janeiro de 2012
Validação da Análise da entrevista realizada pela
                      Daniela Santos


 “De uma maneira geral, pode dizer-se que a subtileza dos métodos de análise de conteúdo,
corresponde aos objectivos seguintes:

- a ultrapassagem da incerteza: o que eu julgo ver na mensagem estará lá efectivamente
contido, podendo esta ‹‹visão›› muito pessoal, ser partilhada por outros? (…)

-e o enriquecimento da leitura (…)”

Bardin (2008, P.29)



No seguimento das Atividades que temos desenvolvido no Tema 3 - A Análise de
Dados, foi-nos proposto, que no âmbito da validação inter-investigadores, as
nossas entrevistas e grelhas fossem trocadas com um colega para que
procedêssemos à sua validação e análise fazendo uma comparação com o que
apresentámos anteriormente.

A colega com quem trabalhei foi a Daniela Santos, membro do mesmo grupo: 5 em
Rede. Por esta razão, partimos do mesmo Guião de Entrevista mas não chegámos às
mesmas conclusões em termos de categorização dos dados. Existem algumas
semelhanças mas também algumas diferenças muito óbvias.

A Daniela entrevistou uma professora do ensino secundário da área de informática de
gestão, a exercer a sua profissão em Leiria e eu entrevistei um professor do 1.º Ciclo
do ensino básico a exercer a sua profissão na Madeira.

A análise da grelha será então analisada por temas, categorias, subcategorias,
indicadores e unidades de registo e unidades de contexto. Finalmente será feita uma
comparação entre a grelha de análise da entrevista e a própria entrevista.



Tema 1

Em relação ao primeiro tema, Identificação Pessoal, que se subdivide na categoria
de Idade e na subcategoria de anos, penso que poderíamos considerar como
categoria um tópico mais abrangente (como por ex.: Dados pessoais) e
consequentemente a subcategoria poderia incluir não só a idade mas também o
género, para que, apesar da objetividade constatada neste tema, se possa identificar e
analisar também as diferenças que possam existir de acordo com o género e idade.

A atividade profissional enquadrada no tema – Identificação Pessoal, poderia ser
inserida noutro tema relacionado exclusivamente com o perfil profissional do


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entrevistado para se poder situar o entrevistado de acordo com a sua formação e
atividade profissional atual.

Como subcategorias de Atividade Profissional, podemos encontrar o nível de ensino
e a localidade e distrito, importantes para perceber a adesão às redes sociais de
acordo com o nível de ensino e tendo em conta as diferenças geográficas, mas penso
que se poderiam incluir também os anos de experiência na docência para se poder
observar a relação entre experiência profissional e a adesão a estas redes.

Tema 2

Quanto ao segundo tema, As TIC na prática docente, é de facto um tema não só
abrangente como objetivo. No entanto, devo discordar apenas da subcategoria –
Formação académica inicial, ligada à categoria Identificar a formação nas TIC, por
considerar que se relaciona mais com um perfil profissional do entrevistado.

Na mesma categoria encontramos a subcategoria Formação extra, que poderia ser
mais específica sendo referida como Formação TIC extra mas que também
dependerá de quem analisa posteriormente a entrevista se pretende categorias e
subcategorias mais específicas, ou, se fazendo parte de todo o processo, consegue
imediatamente identificar os dados.

A subcategoria Descobrir quais os recursos tecnológicos usados em contexto
pedagógico, é objetiva e concreta mas poderia ser designada apenas de Recursos
tecnológicos utilizados, remetendo-nos para a prática docente referida no tema.
Esta situação permitiria manter a objetividade constante na análise de conteúdo da
entrevista e facilitaria a sua leitura, imaginando que em contexto real teríamos de
realizar uma série de entrevistas.

As   suas    subcategorias:     Equipamento     informático    disponível   e   utilizado
enquadram-se perfeitamente na categoria anterior permitindo facilmente analisar a
diferença entre a oferta e a real utilização de meios informáticos no meio escolar.

Quanto à categoria Utilizar a Internet concordo com as subdivisões escolhidas por
permitirem analisar a relação do entrevistado com a Internet tendo em conta a
utilização, o tempo despendido e a finalidade da sua utilização.

Tema 3

No   último tema,     As    redes    sociais na prática       pedagógica,   percebemos
imediatamente qual a intenção de análise.

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Iniciando a análise da categoria: Verificar a utilização das Redes Sociais, esta está
de acordo com a divisão temática da entrevista realizada e centra-se no ponto fulcral
da mesma: a utilização das Redes Sociais em contexto educacional.

Esta categoria subdivide-se em quatro subcategorias que nos permitem obter
informações sobre o conhecimento e participação do entrevistado nestas redes, qual o
motivo, os objetivos e a frequência na utilização de redes sociais.

Discordo no entanto da inclusão de alguns elementos apenas nas unidades de
contexto como por exemplo da pergunta Como define a sua participação
(hipotética/real) numa rede social?, pois esta poderia ser considerada como uma
subcategoria referente à opinião ou perspetiva pessoal do entrevistado. Esta
subcategoria permitiria avaliar qualitativamente a relação do entrevistado com as
redes sociais e comparar a frequência de participação, como ativa ou pouco ativa.
Poderíamos também obter dados que nos permitissem analisar a questão das redes
sociais sob um novo prisma, pois por ser uma questão aberta, permite a divagação e
informações inesperadas.

Quanto à categoria Conhecer as expectativas e uso de redes sociais no ensino,
esta poderia ser mais objetiva e ser apenas referida como Uso de redes sociais no
ensino mas poderá depender da opinião de quem analisa a entrevista.

Esta categoria subdivide-se em quatro subcategorias, as quais permitem facilmente,
através da apresentação de dados muito objectivos e concretos, identificar qual a
perspetiva do entrevistado sobre a utilização das redes sociais em contexto educativo
e perceber se já as utilizou como extensão da sala de aula ou para partilhar materiais
didáticos.

Quanto às últimas subcategorias desta categoria, relacionadas com a Influência na
prática pedagógica dos professores e com as vantagens e desvantagens das redes
sociais, não alteraria nada, pois vai de encontro ao que também defini para as
subcategorias e seguintes subdivisões.

A última categoria Refletir sobre o futuro tem apenas uma subcategoria
Metodologias influenciadas que reflete sobre a influência que as redes sociais
poderão vir a ter nas metodologias de ensino atuais. No entanto esta última categoria
poderia ser enquadrada na categoria anterior Conhecer as expectativas e uso de
redes sociais no ensino como subcategoria, já que se insere no conteúdo da mesma
como expetativa.


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Reflexão Final:

“A análise de conteúdo assenta implicitamente na crença de que a categorização (passagem
de dados brutos a dados organizados) não introduz desvios (por excesso ou recusa) no
material, mas dá a conhecer índices invisíveis, ao nível dos dados brutos.” Bardin (2008, P.
119)

Em geral, o trabalho realizado entre a transcrição da entrevista e a sua análise de
conteúdo permite identificar facilmente a informação importante e de forma muito
objetiva.

Existe realmente também uma grande objetividade na categorização dos dados e uma
sequência lógica entre os três temas gerais, o que considero ser essencial para a
análise da entrevista.

Quanto às subcategorias, são em geral pertinentes de acordo com o seu conteúdo
representado pelos indicadores e unidades de registo e embora a entrevistada da
colega não se tenha alargado muito nas suas respostas é fácil após uma leitura rápida
obter dados para análise muito concretos.

Em relação a este aspeto, na minha análise de entrevista, coloquei algumas frases
mais completas, já que as respostas do meu entrevistado foram muito ricas em
informação, o que dificulta não só a objetividade dos dados como a gestão do tempo
caso se seguissem outras entrevistas.

Finalmente não colocaria as perguntas realizadas durante a entrevista nas Unidades
de contexto, isto porque considero que não facilita a leitura e posterior análise dos
dados mas consigo perceber o motivo pelo qual a colega o fez.




Referências:

Bardin, L. (2008). Análise de conteúdo. (L. A. Reto, & A. Pinheiro, Trad.) Lisboa:
Edições 70.




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Validação de entrevista

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    Mestrado em ComunicaçãoEducacional Multimédia Metodologias de Investigação em Educação Docente António Moreira Validação da Análise da entrevista realizada pela Daniela Santos Telma Mendonça Janeiro de 2012
  • 2.
    Validação da Análiseda entrevista realizada pela Daniela Santos “De uma maneira geral, pode dizer-se que a subtileza dos métodos de análise de conteúdo, corresponde aos objectivos seguintes: - a ultrapassagem da incerteza: o que eu julgo ver na mensagem estará lá efectivamente contido, podendo esta ‹‹visão›› muito pessoal, ser partilhada por outros? (…) -e o enriquecimento da leitura (…)” Bardin (2008, P.29) No seguimento das Atividades que temos desenvolvido no Tema 3 - A Análise de Dados, foi-nos proposto, que no âmbito da validação inter-investigadores, as nossas entrevistas e grelhas fossem trocadas com um colega para que procedêssemos à sua validação e análise fazendo uma comparação com o que apresentámos anteriormente. A colega com quem trabalhei foi a Daniela Santos, membro do mesmo grupo: 5 em Rede. Por esta razão, partimos do mesmo Guião de Entrevista mas não chegámos às mesmas conclusões em termos de categorização dos dados. Existem algumas semelhanças mas também algumas diferenças muito óbvias. A Daniela entrevistou uma professora do ensino secundário da área de informática de gestão, a exercer a sua profissão em Leiria e eu entrevistei um professor do 1.º Ciclo do ensino básico a exercer a sua profissão na Madeira. A análise da grelha será então analisada por temas, categorias, subcategorias, indicadores e unidades de registo e unidades de contexto. Finalmente será feita uma comparação entre a grelha de análise da entrevista e a própria entrevista. Tema 1 Em relação ao primeiro tema, Identificação Pessoal, que se subdivide na categoria de Idade e na subcategoria de anos, penso que poderíamos considerar como categoria um tópico mais abrangente (como por ex.: Dados pessoais) e consequentemente a subcategoria poderia incluir não só a idade mas também o género, para que, apesar da objetividade constatada neste tema, se possa identificar e analisar também as diferenças que possam existir de acordo com o género e idade. A atividade profissional enquadrada no tema – Identificação Pessoal, poderia ser inserida noutro tema relacionado exclusivamente com o perfil profissional do 1
  • 3.
    entrevistado para sepoder situar o entrevistado de acordo com a sua formação e atividade profissional atual. Como subcategorias de Atividade Profissional, podemos encontrar o nível de ensino e a localidade e distrito, importantes para perceber a adesão às redes sociais de acordo com o nível de ensino e tendo em conta as diferenças geográficas, mas penso que se poderiam incluir também os anos de experiência na docência para se poder observar a relação entre experiência profissional e a adesão a estas redes. Tema 2 Quanto ao segundo tema, As TIC na prática docente, é de facto um tema não só abrangente como objetivo. No entanto, devo discordar apenas da subcategoria – Formação académica inicial, ligada à categoria Identificar a formação nas TIC, por considerar que se relaciona mais com um perfil profissional do entrevistado. Na mesma categoria encontramos a subcategoria Formação extra, que poderia ser mais específica sendo referida como Formação TIC extra mas que também dependerá de quem analisa posteriormente a entrevista se pretende categorias e subcategorias mais específicas, ou, se fazendo parte de todo o processo, consegue imediatamente identificar os dados. A subcategoria Descobrir quais os recursos tecnológicos usados em contexto pedagógico, é objetiva e concreta mas poderia ser designada apenas de Recursos tecnológicos utilizados, remetendo-nos para a prática docente referida no tema. Esta situação permitiria manter a objetividade constante na análise de conteúdo da entrevista e facilitaria a sua leitura, imaginando que em contexto real teríamos de realizar uma série de entrevistas. As suas subcategorias: Equipamento informático disponível e utilizado enquadram-se perfeitamente na categoria anterior permitindo facilmente analisar a diferença entre a oferta e a real utilização de meios informáticos no meio escolar. Quanto à categoria Utilizar a Internet concordo com as subdivisões escolhidas por permitirem analisar a relação do entrevistado com a Internet tendo em conta a utilização, o tempo despendido e a finalidade da sua utilização. Tema 3 No último tema, As redes sociais na prática pedagógica, percebemos imediatamente qual a intenção de análise. 2
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    Iniciando a análiseda categoria: Verificar a utilização das Redes Sociais, esta está de acordo com a divisão temática da entrevista realizada e centra-se no ponto fulcral da mesma: a utilização das Redes Sociais em contexto educacional. Esta categoria subdivide-se em quatro subcategorias que nos permitem obter informações sobre o conhecimento e participação do entrevistado nestas redes, qual o motivo, os objetivos e a frequência na utilização de redes sociais. Discordo no entanto da inclusão de alguns elementos apenas nas unidades de contexto como por exemplo da pergunta Como define a sua participação (hipotética/real) numa rede social?, pois esta poderia ser considerada como uma subcategoria referente à opinião ou perspetiva pessoal do entrevistado. Esta subcategoria permitiria avaliar qualitativamente a relação do entrevistado com as redes sociais e comparar a frequência de participação, como ativa ou pouco ativa. Poderíamos também obter dados que nos permitissem analisar a questão das redes sociais sob um novo prisma, pois por ser uma questão aberta, permite a divagação e informações inesperadas. Quanto à categoria Conhecer as expectativas e uso de redes sociais no ensino, esta poderia ser mais objetiva e ser apenas referida como Uso de redes sociais no ensino mas poderá depender da opinião de quem analisa a entrevista. Esta categoria subdivide-se em quatro subcategorias, as quais permitem facilmente, através da apresentação de dados muito objectivos e concretos, identificar qual a perspetiva do entrevistado sobre a utilização das redes sociais em contexto educativo e perceber se já as utilizou como extensão da sala de aula ou para partilhar materiais didáticos. Quanto às últimas subcategorias desta categoria, relacionadas com a Influência na prática pedagógica dos professores e com as vantagens e desvantagens das redes sociais, não alteraria nada, pois vai de encontro ao que também defini para as subcategorias e seguintes subdivisões. A última categoria Refletir sobre o futuro tem apenas uma subcategoria Metodologias influenciadas que reflete sobre a influência que as redes sociais poderão vir a ter nas metodologias de ensino atuais. No entanto esta última categoria poderia ser enquadrada na categoria anterior Conhecer as expectativas e uso de redes sociais no ensino como subcategoria, já que se insere no conteúdo da mesma como expetativa. 3
  • 5.
    Reflexão Final: “A análisede conteúdo assenta implicitamente na crença de que a categorização (passagem de dados brutos a dados organizados) não introduz desvios (por excesso ou recusa) no material, mas dá a conhecer índices invisíveis, ao nível dos dados brutos.” Bardin (2008, P. 119) Em geral, o trabalho realizado entre a transcrição da entrevista e a sua análise de conteúdo permite identificar facilmente a informação importante e de forma muito objetiva. Existe realmente também uma grande objetividade na categorização dos dados e uma sequência lógica entre os três temas gerais, o que considero ser essencial para a análise da entrevista. Quanto às subcategorias, são em geral pertinentes de acordo com o seu conteúdo representado pelos indicadores e unidades de registo e embora a entrevistada da colega não se tenha alargado muito nas suas respostas é fácil após uma leitura rápida obter dados para análise muito concretos. Em relação a este aspeto, na minha análise de entrevista, coloquei algumas frases mais completas, já que as respostas do meu entrevistado foram muito ricas em informação, o que dificulta não só a objetividade dos dados como a gestão do tempo caso se seguissem outras entrevistas. Finalmente não colocaria as perguntas realizadas durante a entrevista nas Unidades de contexto, isto porque considero que não facilita a leitura e posterior análise dos dados mas consigo perceber o motivo pelo qual a colega o fez. Referências: Bardin, L. (2008). Análise de conteúdo. (L. A. Reto, & A. Pinheiro, Trad.) Lisboa: Edições 70. 4