Todo e a Parte Edgar Morin
o todo é mais que a soma das partes visto que representa não só o surgimento de uma macrounidade como também possibilita a emergência de novas qualidades e propriedades;
o todo é menos que a soma das partes porque as partes, estando sujeitas às  coações do todo, vêem-se inibidas em suas potencialidades;
o todo é mais que o todo pois sua retroalimentação nas partes as leva a retroalimentar o todo, num processo infinito.  Dessa forma, mais que uma instância global, o todo é uma dinâmica organizacional. Instâncias como o ser, a existência ou a vida não devem mais ser entendidas como qualidades primárias, de essência, e sim como qualidades emergentes do todo, fruto do processo de interações e de organização entre partes e todo.
O que entendemos por "fenômeno" não deve, portanto, ser reduzido a seu fator gerador, mas antes deve ser percebido como um processo recorrente, cujos efeitos são também produtores de suas causas;
as partes são ao mesmo tempo menos e mais do que as partes pois, num sistema muito complexo, como as sociedades humanas, as emergências mais notáveis dão-se no nível dos indivíduos (a consciência-de-si só emerge nos indivíduos);
as partes são eventualmente mais que o todo pois a evolução do sistema não necessariamente aponta para o fortalecimento do todo. O "progresso" pode muito bem residir na ampliação do todo, mas pode também consistir em mais liberdade e mais independência para as partes;
o todo é menos que o todo pois persistem ignorâncias mútuas entre as partes e o todo. As partes não sabem tudo a respeito do todo, mas o próprio todo desconhece diversos aspectos de suas partes, aspectos que, no entanto, o integram e compõem.
Não apenas o indivíduo é ignorante e inconsciente a respeito da totalidade social, mas também a sociedade é ignorante e inconsciente quanto aos sonhos, aspirações, sentimentos, pensamentos e desejos dos indivíduos;
· dessa forma ,  o todo é insuficiente ;
o todo é incerto pois não há como definir com precisão as fronteiras de um sistema em relação aos demais nos quais se encontra imbricado. O todo que inclui o homem é a sociedade, mas é também a espécie, o indivíduo, o planeta, o Universo...;
o todo é conflituoso pois todo sistema contém forças que se opõem a sua perpetuação.  Nos organismos vivos, a degradação constante das células é o fundamento da regeneração dos tecidos; em Marx, são os antagonismos entre as classes que produzem a sociedade organizada em classes.

Todo e parte

  • 1.
    Todo e aParte Edgar Morin
  • 2.
    o todo émais que a soma das partes visto que representa não só o surgimento de uma macrounidade como também possibilita a emergência de novas qualidades e propriedades;
  • 3.
    o todo émenos que a soma das partes porque as partes, estando sujeitas às coações do todo, vêem-se inibidas em suas potencialidades;
  • 4.
    o todo émais que o todo pois sua retroalimentação nas partes as leva a retroalimentar o todo, num processo infinito. Dessa forma, mais que uma instância global, o todo é uma dinâmica organizacional. Instâncias como o ser, a existência ou a vida não devem mais ser entendidas como qualidades primárias, de essência, e sim como qualidades emergentes do todo, fruto do processo de interações e de organização entre partes e todo.
  • 5.
    O que entendemospor "fenômeno" não deve, portanto, ser reduzido a seu fator gerador, mas antes deve ser percebido como um processo recorrente, cujos efeitos são também produtores de suas causas;
  • 6.
    as partes sãoao mesmo tempo menos e mais do que as partes pois, num sistema muito complexo, como as sociedades humanas, as emergências mais notáveis dão-se no nível dos indivíduos (a consciência-de-si só emerge nos indivíduos);
  • 7.
    as partes sãoeventualmente mais que o todo pois a evolução do sistema não necessariamente aponta para o fortalecimento do todo. O "progresso" pode muito bem residir na ampliação do todo, mas pode também consistir em mais liberdade e mais independência para as partes;
  • 8.
    o todo émenos que o todo pois persistem ignorâncias mútuas entre as partes e o todo. As partes não sabem tudo a respeito do todo, mas o próprio todo desconhece diversos aspectos de suas partes, aspectos que, no entanto, o integram e compõem.
  • 9.
    Não apenas oindivíduo é ignorante e inconsciente a respeito da totalidade social, mas também a sociedade é ignorante e inconsciente quanto aos sonhos, aspirações, sentimentos, pensamentos e desejos dos indivíduos;
  • 10.
    · dessa forma, o todo é insuficiente ;
  • 11.
    o todo éincerto pois não há como definir com precisão as fronteiras de um sistema em relação aos demais nos quais se encontra imbricado. O todo que inclui o homem é a sociedade, mas é também a espécie, o indivíduo, o planeta, o Universo...;
  • 12.
    o todo éconflituoso pois todo sistema contém forças que se opõem a sua perpetuação. Nos organismos vivos, a degradação constante das células é o fundamento da regeneração dos tecidos; em Marx, são os antagonismos entre as classes que produzem a sociedade organizada em classes.